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Thaís Silva |Medicina UniFTC -7º Período Tumores esofágicos Podem ser malignos (a grande maioria, cerca de 99%) e benignos (mais raro). As lesões podem ser sólidas (como leimioma, adenoma, lipoma) são mais frequentes ou císticas (quando temos uma cápsula com liquido dentro). Tumores esofágicos benignos A incidência é cerca de 0,5% e geralmente são assintomáticos, os sintomas vão surgir quando há obstrução da luz (o paciente terá disfagia) e hemorragias digestivas altas (1%); → Principais lesões benignas de esôfago: o Leiomioma (66,7%) lesão benigna mais comum, seguida pelo cisto de esôfago (18,1%); pólipos adenomatosos (4,1%) potencialmente malignos; lipomas (2,7%); fibromas ou neurofibromas (2,7%); papilomas (2,1%); linfangiomas (2,1%); → Geralmente são lesões unifocais - uma única lesão – (cerca de 90%) se tiver várias suspeitar de malignidade; → Aspectos macroscópicos: sésseis (abaulamento com base larga) com mucosa íntegra. Os pólipos podem ser: sesseis (maioria) ou pediculadas. Diagnóstico → Endoscopia digestiva alta: (exame de escolha) pode ser tanto para o diagnóstico quanto para tratamento. Permite a realização de biopsia e mostra a localização da lesão – tem como referência a arcada dentária superior permitindo identificar se a lesão está no esôfago cervical (até a fúrcula esternal), torácico (da fúrcula esternal até hiato diafragmático) ou abdominal (após o hiato diafragmático). → EREED (estudo radiológico contrastado do esôfago, estomago e duodeno): Raio x com contraste na via digestiva, visualizando a morfologia do órgão. Muito utilizado antigamente, hoje em dia a maior aplicabilidade é em caso de Acalasia. → Tomografia: exame de imagem importante em relação ao esôfago, tem maior penetração. → Ressonância: exame caro, feito em pacientes selecionados. Fazer a que for mais confortável para o paciente. TC e RNM são mais usadas para ver metástase e para o tratamento. → Ultrassonografia endoscópica (ecoendoscopia): particularmente importante para tumores malignos, permite avaliar a profundidade da lesão, tipo de tumor (circunferencial, irregular), acometimento vascular, sendo especialmente útil para lesões restritas à parede do órgão. É a principal arma propedêutica em diagnóstico e estadiamento de lesões esôfago gástricas). Tratamento A ressecção de tumores esofágicos benignos se dá em pacientes sintomáticos. A grande maioria das lesões se resolvem por via endoscópica, em caso de lesões de esôfago e estômago pediculadas até 2cm, que não são factíveis a ressecção endoscópica (ex. lesões grades, sesseis, ulceradas, etc) realiza-se a esofagectomia subtotal, a depender da localização: → Tumores do 1/3 superior e Médio: toracotomia direita (o esôfago tem uma conformação anatômica que inicialmente desvia para a direita, depois volta e desvia para a esquerda para adentrar no hiato diafragmático e sair no abdome). → Tumores do 1/3 inferior: toracotomia esquerda; → Esôfago cervical: cervicotomia; → Esôfago abdominal: (transição esofagogástrica) laparotomia mediana. Tumores esofágicos malignos Até 1913 o câncer de esôfago era como uma sentença de morte, uma vez que a Esofagectomia (operação de thorek) tinha uma mortalidade operatória de 50%. Em 1970, a partir de estudos japoneses - Japanese committee of registration of esophageal cancer - a mortalidade cirúrgica passou a ser de 7,3% e a sobrevida após 5 anos de 22,7%. → CEC tem uma maior incidência no cinturão asiático (hábitos de comidas quentes e peixes – maior concentração de nitrato); → Incidência de câncer de esôfago (INCA): alta mortalidade o No Brasil, o câncer é o sexto mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres, excetuando- se o câncer de pele não melanoma; o Oitavo mais frequente no mundo e a incidência em homens é cerca de duas vezes maior do que em ESÔFAGO – Oncologia cirúrgica mulheres (álcool e tabagismo tem relação com a elevada incidência em homens). Classificação Os subtipos histológicos foram criados para classificar os tumores em grupos que apresentam fatores de risco diferentes e bem determinados: → Origem epitelial: o Carcinomas escamoso epidermóides – CEC (90%) tipo mais frequente ao se tratar de esôfago; o Adenocarcinoma (9,2%) – mais comum quando se trata de TGI; → Origem mesenquimal: o Sarcomas: o Leiomiossarcoma o Rabdomiosarcoma o Fibrossarcoma o Mixossarcoma o Linfossarcoma → Mistos (possuem origem epitelial e mesenquimal). Fatores de risco → Idade: entre quinta e sétima década; → Relação com hábitos higienodietéticos (álcool, bebidas quentes, condimentos, fumo – aumentam 40x o risco); → Relação com doenças prévias: (como o megaesôfago); → Locais preferenciais de acometimento são os estreitamentos anatômicos do órgão esôfago superior (abaixo da cricóide), passagem da aorta e no hiato esofágico/diafragmático; Disseminação do CA de esôfago: mostra onde iremos procurar as metástases ❖ Linfática (regional, torácico, celíaco e pequena curvatura gástrica ❖ Hematogênica (fígado e pulmão). Quadro clínico Os sintomas se iniciam quando comprometimento significativo da luz esofágica (fase avançada): → Disfagia não dolorosa com consistência alimentar progressivamente reduzida. Principal sintoma, sendo referida geralmente no mesmo nível da localização do tumor. → Perda ponderal rápida e progressiva. → Sintomas tardios: o Dor de garganta e sialorreia; o Linfonodos cervicais palpáveis (mtx) o Halitose; o Dorsalgia (relacionado a localização do esôfago, “colado” na coluna); o Hepatomegalia: ocorre quando há metástase no fígado; o Náuseas e vômitos. Os sintomas tardios (na doença avançada) são manifestações decorrentes do comprometimento de estruturas adjacentes, os sintomas são causados pela própria lesão: → Obstrução da luz causa disfagias progressivas alimentares (sensação de entalo); o Progressão do alimento sólido para o líquido → Invasão por contiguidade: Via aérea (ex. tosse com alimentação, pneumonia aspirativa de repetição), aorta, pleura, pericárdio e diafragma o Via aérea é o principal sítio de interesse, causando até mudança no estadiamento em caso de tumor no 1/3 superior e médio; → Invasão hematogênica: Hepatomegalia, cheiro de necrose, estase alimentar com halitose, que pode acompanhar má condições dentárias em casos de câncer próximo à orofaringe. A hematêmese, melena ou anemia, decorrentes do sangramento da lesão, são raras no CEC e mais frequentes no adenocarcinoma. Diagnóstico Na conduta de um paciente com fatores de risco para câncer de esôfago e sintomas digestivos altos, solicita-se uma EDA e, no diagnostico diferencial, um EREED (afastar acalasia). → EREED: está reservado para suspeita de megaesôfago, se na EDA houver um diagnóstico de alguma obstrução. Imagem 1: estenose global de esôfago, com uma diferença de captação da parede (irregularidade de parede); Imagem 2: acalásia no esfíncter esofágico inferior e um megaesôfago grau I a IV. → EDA: permitir visualizar a lesão, fazer biopsia e de dar o diagnóstico de câncer de esôfago e o subtipo. É importante solicitar sempre que o paciente tiver suspeita (disfagia e perda de peso). o Lesão polipoide (lesão polipoide e pediculada, ou até séssil semipediculadade até 2cm normalmente é factível de polipectomia em caso de neoplasias in situ já é tratamento). A alça pode ser inserida e retirar por completo com margem de segurança o Lesão ulcerada (faz a biopsia, é contraindicada a polipectomia) Imagem 1: Lesão polipoide; Imagem 2: lesão ulcerada, que acomete mais de 180° da luz, com hipervascularização de mucosa (isquemia e dor). Na EDA são informados dois fatores que podemalterar o estadiamento, são eles: localização (com base na arcada dentária superior) e tipo histológico. Localização para o tumor de esôfago Os tumores do esôfago podem ser divididos de acordo com a localização em: cervicais, torácicos e abdominais (torácico médio e distal). → Esôfago cervical (18cm): Transição de orofaringe até fúrcula esternal → Esôfago torácico proximal: Da fúrcula esternal até a bifurcação da traqueia (carina) → Esôfago torácico médio (32cm) e distal (40cm): médio vai desde a carina até o ponto médio dessa distância ao hiato diafragmático e distal, desse ponto médio até o hiato esofágico. Estadiamento → A partir de T1b (começa a atingir a submucosa – chega a ter 30% de metástase linfonodal), não pode mais considerar a retirada do tumor como tratamento e, por isso, é indicada a neoadjuvância (quimio prévia), exceto se for irressecável (acometimento de aorta, fístulas aéreas e coluna), que, nesse caso vai para paliação. → As metástases mais comuns são em fígado e pulmão (posteriormente osso e cérebro); → Cintilografia óssea e TC para estadiar; → Quando se trata de neoplasias de aparelho digestivo, o estadiamento é feito com TC de tórax + abdome e pelve ou + abdome total (as metástases não atingem SNC antes de atingir fígado e pulmão); solicitar TC do crânio se o paciente tiver sintomatologia. → É muito difícil a TC detectar em qual camada o tumor se encontra (mucosa, muscular, adventícia) e, por isso, a USG endoscópica tem maior acurácia para envolvimento de parede; → Se tem linfonodo dentro do estadiamento, tem que ter disseminação linfonodal; Linfonodo acima de 1cm e/ou com centro necrótico descrito na TC geralmente indica que foi acometido; → Contraindicação cirúrgica: T4b → tumor não ressecável invade estruturas adjacentes, aorta, vértebras, traqueia etc. Pode ser visto em TC da seguinte forma: Paciente com lesão em terço proximal de esôfago, com fístula traqueoesofágica / Paciente com lesão de esôfago médio e invasão de mais de 90º da aorta. T1a: ressecção endoscópica/A partir de T1b: esofagectomia com linfadenectomia. Exames de estadiamento → Ecoendoscopia (T/ N) o Acurácia: T (74-92%) e N (74-88%); o Tem uma melhor avaliação do grau de invasão de parede de esôfago e estomago (T) e também avalia linfonodos regionais (N) com uma certa limitação– periesofágicos; o Pode ser substituída pela TC por não ser muito acessível; o T4 já representa estruturas adjacentes e sai do alcance da ECO endoscopia, devido ao limite de profundidade. → TC de tórax, abdome e pelve (T4/M) o Melhor avaliação dos linfonodos distantes do esôfago e também avalia metástases; o Presente em todo estadiamento de câncer digestivo abdominal; o Linfonodo acima de 1cm, estadia como N+, ou seja, N1, 2 ou 3; o As principais metástases são em fígado e pulmão e, por isso, deve solicitar tórax, abdome e pelve → Traqueobroncoscopia (T4/M) o Em câncer de esôfago proximal e médio, que tem proximidade com via aérea (disseminação locoregional); o Se há um tumor de esôfago cervical ou proximal e médio que há chances de invasão traqueal é necessário avaliar se há acometimento de vias aéreas, pois fístulas aéreas (rara) são contraindicações cirúrgicas. PET-scan não é tão sensível, é caro e pode ter falsos positivos, é usado para resgate (ex. IVAS com linfonodomegalia em câncer pode elevar o TNM sem necessidade). Na dúvida de invasão vascular, faz-se angioTC. Tipo histológico Guia sobrevida, enquanto o TNM guia o tratamento. Tratamento de CEC de esôfago → T1a: ressecção endoscópica → T1b: não faz neoadjuvancia → T2, T3, T4 e N+ → Qt + RT NEOADJUVANTE (CROSS TRIAL – estudo multicêntrico) → Adjuvância: não há estudos mostrando benefícios → Ressecção endoscópica: neoplasia intraepitelial (só na mucosa) escamosa ou displasia de alto grau. o Se a lesão for T1a, intraepitelial (não passa de submucosa), o tratamento pode ser apenas endoscópico, sem a necessidade de linfadenectomia; o Se passar de T1a, é necessário fazer linfadenectomia, partindo para a esofagectomia. → Cirurgia: ✓ Esofagectomia transtorácica com linfadenectomia abdominal e mediastinal (30% metastase linfonodal) – esôfago proximal e médio ✓ Esofagectomia transhiatal com linfadenectomia abdominal e mediastinal– tumores distais (linfadenectomia até carina) ✓ Linfadenectomia (3 campos): o Abdominal do tronco celíaco, pequena curvatura gástrica o Mediastinais superiores e inferiores o Zona supra clavicular o Para-aórticos A via de acesso transhiatal tem mais benefício quando se fala de esôfago superior e médio. Já em esôfago distal, a preferência é transabdominal porque quando a anastomose fica mais para baixo, as fístulas são menos graves. Tratamento multimodal → Pacientes t3-4 ou N+ → Qt + RT neoadjuvante (cross trial) → Adjuvância: não há estudos mostrando benefícios Seguimento, avaliação da resposta: TAC (tumografia); ✓ 2 primeiros anos: a cada 3 meses ✓ 3-5 anos: a cada 6 meses ✓ > 5 anos: anual Fluxograma de tumores malignos Adenocarcinomas de esôfago distal e TEG → Marcantes diferenças epidemiológicas, fatores de risco e resposta terapêutica do tratamento multidisciplinar x CEC; → No Brasil, não separa incidências de CEC x AdenoCa mas sabe-se que o CEC mais incidente em países com baixo desenvolvimento; → Quinta década de vida (55-65 anos). Fatores de risco → Drge (esôfago de Barret): Risco 7 x maior // 40x se sintomas com mais de 20 anos. o Exposição ácida contínua lesa as células esofágicas (principalmente a mucosa); → Esôfago de Barrett o 6-14% dos indivíduos com DRGE o Barrett curto (3cm) x barrett longo (>3cm) o 1% desenvolve adenocarcinoma o Manejo: IBP por 8 semanas + -Ausência de displasia: repetir EDA em 1 ano e a cada 3 anos - Displasia de baixo grau: repetir em 6m e anualmente até ausência de displasia - Displasia de alto grau: mucosectomia e repetir exame a cada 3 meses - Esofagectomia: sem possibilidade de mucosectomia → Obesidade: centrípeta e IMC (drge). O obeso (aumento de gordura intra abdominal e de pressão intra abdominal fazendo com que o refluxo aumente) tem contra indicação cirúrgica. No obeso, trata-se a obesidade para tratar o refluxo → Cirurgia bariátrica (bypass); → Tabagismo e etilismo; → Dieta hiperlipidica, hiperproteica; → Medicamentos que relaxem o EEI: Anticolinérgicos, benzodiazepínicos; → História familiar. Classificação de siwert → Siewert 1: Neoplasia de esôfago → Siewert 2: Neoplasia de cárdia (de 1cm de esôfago a 2cm de estômago) o Lesão mais difícil pela interseção com I ou III (conduta específica para cada caso) o Epicentro é o lugar mais ulcerado e classifica o local da lesão, mas pode crescer para cima ou par abaixo(epicentro pode ser em uma região e o crescimento se dá em outra região) o Conduta: Na dúvida, faz-se as 2 técnicas, retirando esôfago distal e estômago → Siewert 3: Neoplasia subgástrica (2 a 5 cm dentro do estômago) o Mesmo na gastrectomia total, é retirado um pouco do esôfago distal para manter a margem A linha em destaque (ponto zero) é a cárdia Quadro clinico A apresentação clínica de um paciente com CA de esôfago distal e TEG é branco, obeso, portador de DRGE e entre a 5ª e 6ª década de vida. É um paciente obeso porém vem perdendo peso (diferente do paciente magro e com abdome escavado, característico do CEC de esôfago) e sinais de alarme como HDA. Diagnóstico e estadiamento O TNM do CEC de esôfago é igual ao do adenocarcinoma de esôfago, o que muda é o estadiamento: → ECO endoscopia (T/N): deve fazer sempre. Endoscopia → biópsia → maligna → ecoendoscopia (T 74-92% / N 74-88%) → TC de tórax e abdome (T/N/M) → Por ser esôfago distal, não precisa realizar broncoscopia (sefaz em esôfago proximal, cervical e seguimento médio). Se localização da lesão estiver em esôfago proximal e médio, que realiza broncoscopia. A disseminação metastática linfonodal nos tumores de TEG é principalmente abdominal. → Endoscopia Digestiva Alta, dando duas informações principais: o Localização (permite já saber o tratamento – neoadjuvancia ou não, cirúrgico ou não) o Tipo histológico (metaplasia, câncer, tipo de câncer) ❖ Se o tipo histológico for ADENOCARCINOMA de TEG a conduta será ESTADIAMENTO: o TC de abdome total ou TC de abdome + pelve o TC tórax o Exames específicos do esôfago: ECO endoscopia (também chamado de USG endoscópica) para avaliar invasões de parede e linfonodos positivos (caracterizado com a presença de centro necrótico e > 1 cm). → AngioTC (invasão vascular) Ressecção endoscópica e tratamento cirúrgico → CA in situ (lesões <2cm, não ulcerados, sem invasão de submucosa) ou displasia de alto grau: RESSECÇÃO ENDOSCÓPICA → TRATAMENTO CIRÚRGICO o Tratamento cirúrgico de esôfago distal e siewertI ✓ Esofagectomia transtorácica ou transhiatal com linfadenectomia mediastinal e abdominal (2 campos). ✓ Sem diferenças de sobrevida e com maiores complicações pulmonares em trasntorácica o Tratamento cirúrgico de siewert II ✓ Gastrectomia total com esofagectomia distal e esofagogastroanastomose + Linfadenectomia M/A ✓ Esofagectomia transhiatal com reconstrução com tubo gástrico e anastomose cervical + Linfadenectomia M/A ✓ Gastrectomia total com esofagectomia distal e esofagogastroanastomose + linfadenectomia mediastinal e abdominal o Tratamento cirúrgico de siewert III ✓ Gastrectomia total com linfadenectomia D2 (mas é difícil tirar o estomago) Segmento → 2 primeiros anos: A cada 3 meses → 3 a 5 anos: A cada 6 meses → Mais de 5 anos: Anual Fluxograma