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Psicopatologia I
2022
Revisão para 
a 
Avaliação Parcial
Rilza Xavier Marigliano
Psicopatologia
 
A Psicopatologia pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano, baseada em quatro premissas: sistematizado, elucidativo, desmistificante e amoral.
HISTÓRIA
Grécia pré-socrática = sofrimento psíquico era um castigo dos deuses irritados com os homens.
Hipócrates = perda da razão ou do controle emocional, ou seja, um desarranjo na natureza orgânica do homem. A etiologia deveria ser buscada nas disfunções humorais. Desta forma, a concepção se afasta da influencia divina na loucura → visão organicista dos distúrbios mentais.
Visão medieval = associada à possessão demoníaca.
HISTÓRIA 
Século XIX (1801) = Pinel publica seu Tratado Médico Filosófico sobre Alienação Mental → modifica radicalmente a visão da loucura e inaugura uma nova especialidade médica = psiquiatria. 
O aparecimento da PSICOPATOLOGIA como disciplina se deu com a publicação de Psicopatologia Geral de Karl Jaspers, no século XX. O objetivo era descrever e classificar, de forma minuciosa e sistemática, os transtornos mentais. 
Ruptura epistemológica = Freud. Postulava que o sujeito – louco ou não – sempre que falava, fala do, e a partir de seu pathos, que aqui se confunde com a trama discursiva que o constitui. É esta trama, inicialmente encarnada pelo Outro, que possibilita que o pathos, como passividade, alienação, transforme-se, na situação terapêutica, em percepção, em experiencia. 
HISTÓRIA
Dentre as inúmeras tentativas de superar os impasses criados pela pluralidade de leituras do pathos, o expoente máximo, sem duvida, é o DMS-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiatria Americana: APA) e a CID -11 (Classificação Internacional de Doenças) = nomenclatura única que forneça uma linguagem comum entre pesquisadores e clínicos de diferentes orientações teóricas, ou seja, um sistema ateórico. 
PSICOPATOLOGIA
DEFINIÇÃO
A psicopatologia é um ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença mental, suas causas, as mudanças estruturais e suas formas de manifestação. Ela pode ser definida, em uma acepção mais ampla, como o conjunto 	de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano.
7
FORMA E CONTEÚDO DOS SINTOMAS
 Quando se estuda os sintomas psicopatológicos, costuma-se enfocar dois aspectos básicos: a forma do sintoma, isto é, sua estrutura básica, relativamente semelhante nos diversos pacientes (alucinação, delírio, etc) e seu conteúdo , ou seja, aquilo que preenche a alteração estrutural (conteúdo de culpa, religioso, de perseguição, etc). 
8
 CONTEÚDO
 DOS 
SINTOMAS
 O 	conteúdo 	geralmente 	é 	mais pessoal e depende da história de vida do paciente. De um modo geral, os conteúdos dos sintomas estão relacionados aos temas centrais da existência humana, como a sobrevivência, segurança e a sexualidade. 
9
CONCEITO DE NORMALIDADE
 O conceito de normalidade em psicopatologia é uma questão de grandes controvérsias, pois a normalidade pode variar, e muito, com a cultura, a ideologia e a vivência de cada indivíduo. 
10
CONCEIRO DE NORMALIDADE
 Quando se trata de casos extremos, onde as alterações comportamentais e mentais são de intensidade acentuada e de longa duração, o delineamento das fronteiras entre o normal e o patológico não é tão problemático.. 
11
Comportamento Normal 
e
Comportamento Anormal
Quando se trata de casos extremos, cujas alterações comportamentais e mentais são de intensidade acentuada e de longa duração, o delineamento das fronteiras entre o normal e o patológico não é tão problemático. Entretanto, há muitos casos limítrofes, nos quais a delimitação entre comportamentos e formas de sentir normais e patológicas é bastante difícil.
12
Normal 
e
Anormal
É também de suma importância a compreensão da dificuldade de se definir o que é “anormal” e “normal”. A definição mais amplamente aceita é utilizada no DSM- 5 e descreve como “anormais” disfunções comportamentais, psicológicas ou biológicas que são inesperadas em seu contexto cultural e associadas à presença de sofrimento e prejuízo no funcionamento ou aumento de risco de sofrimento, dor ou prejuízo. Dessa forma, deve-se atentar as diferenças culturais e também ao que acaba sendo “funcional” ou “disfuncional”.
13
CONCEITO DE NORMALIDADE
Normalidade Ideal
Normalidade Estatística 
Normalidade como Bem-estar
Normalidade Funcional
Normalidade como Processo
Normalidade Subjetiva
Normalidade como Liberdade
Normalidade Operacional
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Normalidade
Ideal
norma ideal arbitrariamente instituída
Ex: Hitler massacra 6 milhões de judeus baseado na situação de normalidade ideal.
Hoje: modelos magérrimas, anorexia e bulimia.
depende de critérios socioculturais e ideológicos, muitas vezes, dogmáticos e doutrinários.
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Normalidade
Estatística
identifica norma e frequência
aplicabilidade para fenômenos quantitativos
curvas estatísticas como padrão de normalidade
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Normalidade
como
bem-estar
OMS em 1958: “a saúde é definida como o bem-estar físico, mental e social e não apenas como a ausência de sintomas”
17
Normalidade
Funcional
Tal	 conceito	baseia-se	em	aspectos	funcionais	 e não necessariamente	quantitativos.	
O	fenômeno	 é considerado patológico	a partir	do momento	em	que	é disfuncional	e produz	sofrimento para o	próprio indivíduo ou	para	seu	grupo	social.
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Normalidade
como
Processo
 Consideram-se os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial, das desestruturações e das	reestruturações	ao longo	do	tempo, de	crises,	de mudanças próprias	a certos períodos etários. Esse	conceito	é particularmente útil	na chamada psicopatologia	do desenvolvimento relacionada a	psiquiatria e psicologia clínica de	crianças, adolescentes e idosos.
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Normalidade
Subjetiva
É dada maior ênfase à	 percepção subjetiva do próprio	indivíduo em relação a seu estado de saúde,	às suas vivências subjetivas. O ponto falho desse critério é que muitas pessoas	que se sentem bem,	“muito saudáveis e felizes”, como no	caso	de sujeitos em fase	maníaca no transtorno bipolar, apresentam, de	fato,	um transtorno	mental grave.
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Normalidade
como
Liberdade
Alguns autores de orientação fenomenológica e	existencial propõem conceituar a doença mental como perda da	liberdade existencial. Dessa forma, a saúde mental se vincularia às possibilidades de transitar com graus distintos de	liberdade	sobre o mundo e sobre o próprio destino.
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 Normalidade
 Operacional
 Trata-se	de	um	critério assumidamente arbitrário,	com	finalidades pragmáticas explícitas.	Define-se,	a priori, o	que é normal e o que é patológico e 	busca-se trabalhar operacionalmente com esses conceitos, aceitando	as consequências de tal definição prévia.
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Normalidade
é…
 Portanto,	de modo geral, pode-se concluir que os critérios de normalidade e de	doença em psicopatologia	variam consideravelmente em função dos fenômenos específicos com os quais se trabalha e, também, de	acordo com as opções filosóficas do profissional ou da instituição. 
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Normalidade
é…
 Além disso, em 	alguns casos, pode-se utilizar a associação de	vários critérios de normalidade ou doença/transtorno, de	acordo com o objetivo	que se tem	em mente.	De toda forma, essa é	uma	área	da psicopatologia que exige postura permanentemente crítica	e reflexiva dos profissionais.
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Avaliação Psicopatológica: A entrevista
 
A avaliação do paciente em psicopatologia é feita principalmente por meio da entrevista, que não pode ser vista de forma alguma, como uma coisa banal ou um simples perguntar ao paciente sobre alguns itens da sua vida. 
As entrevistas, juntamente com as observações detalhadas e cuidadosas do paciente, são a pedra angular de conhecimento da psicopatologia. 
Avaliação Psicopatológica: A entrevista
 
Com uma entrevista bem elaborada e realizada com arte e técnica, o profissional poderá obter informações valiosassobre o paciente. 
 Através da entrevista psicopatológica, chegamos a dois principais aspectos da avaliação: 
Avaliação Psicopatológica: Anamnese
 
Anamnese:
 o histórico dos sintomas e sinais/signos que o paciente tem apresentado ao longo de sua vida, seus antecedentes pessoais e familiares, assim como de sua família e meio social.
O Exame Psíquico ou Exame de estado mental 
 
Avaliação Psicopatológica: Anamnese
 
Avaliação Física
A	avaliação da saúde física do paciente com transtorno mental é um aspecto fundamental da avaliação global do indivíduo, inclusive	para a psicopatologia.
Deve-se ressaltar que:
Os pacientes com transtornos mentais graves (TMGs) apresentam doenças físicas bem mais frequentemente do que a população em geral.
Avaliação Psicopatológica: Anamnese: Avaliação Neurológica
 
 Baseia-se sobremodo no exame neurológico. Neste, a presença de sinais neurológicos claramente patológicos (como o sinal de Babinski na síndrome piramidal)	e as assimetrias são aspectos muito relevantes.	
Deve ser observada a assimetria da força muscular nos membros, dos reflexos miotáticos profundos e musculocutâneos superficiais, alterações sensitivas (tátil, dolorosa, vibratória, térmica, etc.) 
Avaliação Psicopatológica: Internação Psiquiátrica
 
 Indicações para uma internação integral
Vias de internação
Objetivos de uma internação
A equipe multidisciplinar
O paciente internado:
exame físico
exame neurológico
exames complementares
 Internação Psiquiátrica
 
Dificuldades na internação psiquiátrica
Critérios de alta
A família (participação e informação)
O Sistema Único de Saúde
Internações particulares
Internações parciais
Acompanhamento ambulatorial
 Diagnóstico Psiquiátrico
 
A área desenvolvida pela psicologia clínica, denominada “psicodiagnóstico”, representa, de fato, um importante meio de auxílio ao diagnóstico psicopatológico. Embora haja contribuições dessa área a quase todos os aspectos da psicopatologia, os testes de personalidade, inteligência, cognição social, atenção e memória, além dos rastreamentos (screening) para “organicidade”, são os mais utilizados na prática clínica diária.
 Diagnóstico Psiquiátrico
 
Ouvindo o paciente e observando o que ele traz na queixa, o psiquiatra se preocupa com as doenças mentais macroscopicamente falando. 
Nenhuma doença psicológica é observada por exames, os exames são feitos para descartar qualquer hipótese de doenças orgânicas.
A Psicologia, a Psiquiatria e a Neurologia tem enfoques diferentes sobre a mente humana, mas todas estas ciências desejam a cura do paciente. 
 Diagnóstico Psiquiátrico
 
Sempre que possível, a avaliação psicológica com os melhores instrumentos disponíveis para o psicodiagnóstico e feita por profissionais bem capacitados deve ser um fundamental complemento à avaliação clínica psicopatológica.
 Diagnóstico Psiquiátrico
 
Os exames complementares laboratoriais, neurofisiológicos e de neuroimagem também são um auxílio fundamental ao diagnóstico psicopatológico, particularmente na detecção de disfunções e patologias neurológicas e sistêmicas que produzem síndromes e sintomas psiquiátricos.
 Os Fenômenos
 
Distinguem-se três tipos de fenômenos:
Fenômenos semelhantes;
Fenômenos em parte semelhantes e em partes diferentes;
Fenômenos qualitativamente novos.
 Os Fenômenos
 
Fenômenos semelhantes:
Aspectos e fenômenos encontrados em todos os seres humanos. Fazem parte de uma categoria ampla demais para a classificação, sendo pouco útil seu estudo taxonômico. (disciplina biológica que define e classifica grupos de organismos com base em características comuns).
 Os Fenômenos
 
Fenômenos em parte semelhantes e em partes diferentes:
Aspectos e fenômenos encontrados em algumas pessoas, mas não em todas. Estes são os fenômenos de maior interesse para a classificação diagnóstica em psicopatologia. Aqui, situam-se a maioria dos sinais, sintomas e transtornos mentais. 
 Os Fenômenos
 
Fenômenos qualitativamente novos.
Aspectos e fenômenos encontrados em apenas um ser humano em particular (totalmente singular). Estes fenômenos, embora de interesse fundamental para a compreensão de um ser humano particular, são restritos demais e de difícil classificação e agrupamento, tendo maior interesse seus aspectos antropológicos, existenciais e estéticos que propriamente taxonômicos.
 O Diagnóstico
 
A legitimidade do diagnóstico psiquiátrico sustenta-se na perspectiva de aprofundar o conhecimento, tanto do indivíduo em particular como das entidades nosológicas utilizadas.(nosologia: ramo da medicina que estuda e classifica as doenças). 
Isso permite o avanço da ciência, a antevisão de um prognóstico e o estabelecimento de ações terapêuticas e preventivas mais eficazes. Além disso, o diagnóstico possibilita a comunicação mais precisa entre profissionais e pesquisadores.
 O Diagnóstico
 
1- Baseado em dados e exames clínicos
2- O diagnóstico psicopatológico, com a exceção dos quadros psicorgânicos, não é, de modo geral, baseado em possíveis mecanismos etiológicos supostos pelo observador
3- De modo geral, não existem sintomas psicopatológicos totalmente específicos de um determinado transtorno mental
4- O diagnóstico somente é possível com a evolução do quadro clínico
 O Diagnóstico
 
1- Baseado em dados e exames clínicos
2- O diagnóstico psicopatológico, com a exceção dos quadros psicorgânicos, não é, de modo geral, baseado em possíveis mecanismos etiológicos supostos pelo observador
3- De modo geral, não existem sintomas psicopatológicos totalmente específicos de um determinado transtorno mental
4- O diagnóstico somente é possível com a evolução do quadro clínico
Consciência e suas alterações
Introdução às funções psíquicas elementares
 
Advertência: Limitações de uma psicopatologia das funções psíquicas 
Apesar de ser absolutamente necessário o estudo analítico das funções psíquicas isoladas e de suas alterações, nunca é demais ressaltar que a separação da vida e da atividade mental em distintas áreas ou funções psíquicas é um procedimento essencialmente artificial. Trata-se apenas de uma estratégia de abordagem da vida mental que, por um lado, é bastante útil, mas, por outro, um tanto arriscada, pois pode suscitar enganos e simplificações inadequadas.
Introdução às funções psíquicas elementares
 
Deixa-se de lembrar o que elas realmente são, isto é, construtos aproximativos da psicologia e da psicopatologia que permitem uma comunicação mais fácil e um melhor entendimento dos fatos. Que fique claro: não existem funções psíquicas isoladas e alterações psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela função. É sempre a pessoa na sua totalidade que adoece.
Consciência
 
Os muitos psicopatólogos e filósofos que estudaram a consciência humana utilizam o termo com sentidos diferentes. Há acepções muito extensas, como equiparar consciência ao conjunto de atividades psíquicas conscientes do indivíduo. Podem-se resumir os usos do termo “consciência” em pelo menos três acepções diferentes, que implicam três definições distintas:
definição neuropsicológica
definição psicológica
definição ético-filosófica
Consciência
 
DEFINIÇÂO NEUROPSICOLÓGICA: emprega o termo “consciência” no sentido de estado vígil (vigilância), o que, de certa forma, iguala a consciência ao grau de clareza do sensório. Consciência, aqui, é fundamentalmente o estado de estar desperto, acordado, vígil, lúcido. Trata-se especificamente do nível de consciência. É a mais importante das instâncias psíquicas.
Consciência
 
DEFINIÇÃO PSICOLÓGICA: a conceitua como a soma total das experiências conscientes de um indivíduo em determinado momento. Nesse sentido, consciência é o que se designa campo da consciência. É a dimensão subjetiva da atividade psíquica do sujeito que se volta para a realidade. Na relação do Eu com o meio ambiente, a consciência é a capacidade do indivíduo de entrar em contato com a realidade, perceber e conhecer os seus objetos.
Consciência
 
DEFINIÇÃO ÉTICO-FILOSÓFICA:é utilizada mais frequentemente no campo da ética, da filosofia, do direito ou da teologia. O termo “consciência” refere-se à capacidade de tomar ciência dos deveres éticos e assumir as responsabilidades, os direitos e os deveres concernentes a essa ética. Assim, a consciência ético-filosófica é atributo do homem desenvolvido e responsável, engajado na dinâmica social de determinada cultura. Refere-se a consciência moral, ética e política.
As principais características e propriedades do nível de consciência são: 
O nível de consciência facilita a interação da pessoa com o ambiente de forma adequada ao contexto no qual o sujeito está inserido (p. ex., em situações de ameaça, alguns estímulos podem ser ignorados, e, ao mesmo tempo, a sensibilidade para outros, mais relevantes, pode estar aumentada, expressando o chamado estado de alerta)..
As principais características e propriedades do nível de consciência são: 
O nível de consciência adequado pode ser evocado tanto por estímulos externos ambientais como por estímulos internos, como pensamentos, emoções, recordações.
O nível de consciência pode ser modulado tanto pelas características dos estímulos externos como pela motivação que o estímulo implica para o indivíduo em questão.
O nível de consciência varia ao longo de um continuum que inclui desde o estado total de alerta, passando por níveis de redução da consciência até os estados de sono (variação normal) ou coma (variação patológica).
ALGUNS VALORES DESCRITIVOS DA CONSCIÊNCIA
CAMPO DA CONSCIÊNCIA: Ao voltar-se para a realidade, a consciência demarca um campo, no qual se pode delimitar um foco, ou parte central mais iluminada da consciência, e uma margem (franja ou umbral), que seria sua periferia menos iluminada, mais nebulosa. Segundo a psicopatologia clássica, é na margem da consciência que surgem os chamados automatismos mentais e os estados ditos subliminares.
ALGUNS VALORES DESCRITIVOS DA CONSCIÊNCIA
Foco: local ou objeto para o qual a atenção é concentrada.
 o foco da consciência compreende dois tipos: 
voluntária: voltada para um foco e
 espontânea: capacidade de deslocar a atenção para outros focos, com nível de atenção reduzido
Margem: tudo o que não é direção da consciência. 
Alterações Normais da Consciência: Sono e Sonho
As alterações normais da consciência ocorrem no contexto dos chamados ritmos circadianos. Os ritmos circadianos são oscilações endógenas autossustentadas do ritmo biológico no período de um dia de 24 horas (que inclui centralmente as oscilações do nível de consciência da vigília e do sono), as quais, nesse intervalo, organizam a temporalidade dos sistemas biológicos do organismo e otimizam a fisiologia, o comportamento e a saúde.
Quanto às suas propriedades, os ritmos circadianos:
Ritmos Circadianos
1- são sincronizados por pistas ambientais recorrentes (como o nível de luminosidade);
2- permitem respostas eficientes perante os desafios e oportunidades no ambiente físico e social;
3- modulam a homeostase interna do cérebro, assim como de outros sistemas, como demais órgãos e tecidos;
4- se expressam em vários níveis do funcionamento do organismo, desde o molecular, celular, órgãos e circuitos orgânicos até sistemas sociais aos quais o indivíduo pertence.
O Sono
É um estado especial da consciência, que ocorre de forma recorrente e cíclica nos organismos superiores
É um estado comportamental e uma fase fisiológica do organismo
Divide-se em duas fases: NÃO-REM e REM
Em uma noite normal de sono, as fases se repetem de forma cíclica a cada 70 a 110 minutos, com 4 a 6 ciclos completos por noite
O Sono
O RDoC define sono e vigília (wakefulness) como estados comportamentais endógenos e recorrentes que expressam mudanças dinâmicas na organização da função cerebral e que otimizam aspectos como fisiologia, comportamento e saúde. Processos circadianos (do período de um dia de 24 horas) homeostáticos regulam a propensão do organismo à vigília e ao sono.
 É um estado comportamental e uma fase fisiológica do organismo. Divide-se em duas fases: NÃO-REM e REM.
Em uma noite normal de sono, as fases se repetem de forma cíclica a cada 70 a 110 minutos, com 4 a 6 ciclos completos por noite.
(O projeto Research Domain Criteria é uma iniciativa de medicina personalizada em psiquiatria desenvolvida pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos)
O Sono
O sono se caracteriza por:
 1- ser um estado reversível, tipicamente expresso pela postura de repouso, comportamento quieto e redução da responsividade;
2- ter uma arquitetura neurofisiológica complexa, com estados cíclicos de sono não REM e de sono REM, tendo tais estados substratos neuronais distintos (neurotransmissores, moduladores, circuitos específicos) e propriedades oscilatórias do eletroencefalograma (EEG);
O Sono
O sono se caracteriza por:
 1- ser um estado reversível, tipicamente expresso pela postura de repouso, comportamento quieto e redução da responsividade;
2- ter uma arquitetura neurofisiológica complexa, com estados cíclicos de sono não REM e de sono REM, tendo tais estados substratos neuronais distintos (neurotransmissores, moduladores, circuitos específicos) e propriedades oscilatórias do eletroencefalograma (EEG); 3- ter duração e intensidade dos seus vários períodos afetadas por mecanismos de regulação homeostáticos;
4- ser afetado por experiências ocorridas durante a vigília;
5- ter efeitos restauradores e transformadores que otimizam funções neurocomportamentais da vigília.
Sono NÃO REM
Durante o sono não REM, ocorrem quatro estágios (Irwin, 2015):
Estágio 1: mais leve e superficial, com atividade regular do EEG de baixa voltagem, de 4 a 6 ciclos por segundo (2-5% do tempo total de sono).
Estágio 2: um pouco menos superficial, com traçado do EEG revelando aspecto fusiforme de 13 a 15 ciclos por segundo (fusos do sono) e algumas espículas de alta voltagem, denominadas complexos K (45-55% do tempo total de sono).
Sono NÃO REM
Estágio 3: sono mais profundo, com traçado do EEG mais lentificado, com ondas delta, atividade de 0,5 a 2,5 ciclos por segundo, ondas de alta voltagem (3-8% do tempo total de sono).
Estágio 4: estágio de sono mais profundo, com predomínio de ondas delta e traçado bem lentificado. É mais difícil de despertar alguém nos estágios 3 e 4, podendo o indivíduo apresentar-se confuso ao ser despertado (10-15% do tempo total de sono).
Sono REM
O sono REM, por sua vez, não se encaixa em nenhuma dessas quatro fases. 
Sua duração total em uma noite perfaz de 20 a 25% do tempo total de sono. É um estágio peculiar, cujo padrão do EEG é semelhante ao do Estágio 1 do não REM. O sono REM não é, entretanto, um sono leve, tampouco profundo, mas um tipo de sono qualitativamente diferente. Caracteriza-se por instabilidade no sistema nervoso autônomo simpático, com variações das frequências cardíaca e respiratória, da pressão arterial, do débito cardíaco e do fluxo sanguíneo cerebral.
Sono REM
No sono REM, há um padrão de movimentos oculares rápidos e conjugados (movimentos oculares sacádicos), bem como um relaxamento muscular profundo e generalizado (atonia muscular), interrompido esporadicamente por contrações de pequenos grupos musculares, como os dos olhos. Além de irregularidade das frequências cardíaca e respiratória e da pressão sanguínea, ocorrem ereções penianas totais e parciais. 
É durante o sono REM que ocorre a maior parte dos sonhos, e, em 60 a 90% das vezes, se o indivíduo for despertado durante a fase REM, relatará que estava sonhando.
Sono Normal
Várias estruturas neuronais têm sido relacionadas com o controle dos estados de vigília e de sonos não REM e REM. De fundamental importância na regulação fisiológica do sono é o núcleo supraquiasmático, localizado no hipotálamo anterior. Além dele, são também fundamentais estruturas como a glândula pineal (que secreta melatonina e funciona como oscilador que controla o ritmo sono-vigília no período de 24 horas), os sistemas reticulares mesencefálicos e bulbares e os geradores desono REM localizados na ponte. Quimicamente, neurônios aminérgicos, colinérgicos e histaminérgicos estão envolvidos de forma mais estreita nos mecanismos neuronais do sono
Obrigada!
 
Rilza Xavier Marigliano
rmarigliano@cruzeirodosul.edu.br

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