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► Introdução: 
Antes de iniciarmos, é importante se atentar 
na diferença entre a absorção e a 
biodisponibilidade. 
● Absorção: A absorção envolve a 
passagem das moléculas do fármaco 
através de barreira(s) existente(s) entre o 
sítio de administração e o compartimento 
vascular”. É fundamental ressaltar aqui que 
o compartimento vascular a ser 
considerado é o da circulação local (por 
exemplo, as veias mesentéricas, para a 
absorção intestinal) e não da circulação 
sistêmica. Esta precisão é muito importante 
para não confundir os conceitos de 
absorção e biodisponibilidade. 
Obs.: Nota-se que há controvérsia na 
literatura, quando vários autores 
consideram que o termo “absorção” reflete 
a chegada do fármaco até a circulação 
sistêmica (“absorção sistêmica”). 
● Biodisponibilidade: Mede a velocidade e 
extensão com as quais um fármaco atinge 
a circulação sistêmica. 
● Fator de biodisponibilidade (F): Parâmetro 
que mede a extensão da 
biodisponibilidade. 
 
Entendendo a diferença entre absorção e 
biodisponibilidade, vamos seguir adiante. 
► Biodisponibilidade: 
● Definição: Indica a velocidade e a 
extensão de absorção (e disponibilidade 
sistêmica) de um princípio ativo em uma 
forma de dosagem, a partir de sua curva 
concentração/tempo na circulação 
sistêmica ou sua excreção na urina. 
Apesar de não ser tão comum, devemos 
ressaltar outro erro conceitual, desta vez 
encontrado na legislação brasileira que usa 
o termo “absorção” em vez de “absorção 
e disponibilidade sistêmica”. 
 
O importante do conceito de 
biodisponibilidade é que ela avalia tanto a 
extensão da absorção sistêmica (ou seja, 
absorção até chegar na circulação 
sistêmica), quanto a velocidade. 
Avaliar a biodisponibilidade de um fármaco 
está intimamente relacionado com o 
controle de qualidade. 
Então, o termo biodisponibilidade é usado 
para descrever a fração (quantidade ou 
concentração) de um fármaco que atinge 
a corrente sanguínea sistêmica na forma 
inalterada. É uma das principais 
propriedades farmacocinéticas das 
drogas. Por definição, quando uma 
medicação é administrada por via 
intravenosa, sua biodisponibilidade é de 
100%. 
Entretanto, quando uma medicação é 
administrada por outras vias (como a via 
oral, retal intramuscular entre outras), sua 
biodisponibilidade pode diminuir (devido à 
absorção incompleta e ao metabolismo de 
primeira passagem), no entanto, devemos 
lembrar que muitos fármacos podem ser 
100% absorvidos quando administrados por 
via oral, intramuscular, retal ou outra. 
 
► Controle de qualidade de 
medicamentos: 
O controle de qualidade antes dos anos 70 
era voltado apenas para a determinação 
da quantidade de princípio-ativo presente 
no medicamento. Entretanto, depois de 
1977 sofreu uma grande mudança e o 
estudo de biodisponibilidade começou a 
ser empregado. 
 
► Bioequivalência: 
● Definição: São equivalentes 
farmacêuticos* que, ao serem 
administrados na mesma dose molar, mas 
mesmas condições experimentais, não 
apresentam diferenças estatisticamente 
significativas em relação à 
biodisponibilidade. 
* Serem equivalentes farmacêuticos, 
significa que estou comparando 
comprimido com comprimido, cápsula 
com cápsula, solução com solução. 
Na realidade, estudando mais afundo, 
pode-se ver que é permitido que haja 
pequenas diferenças estatísticas 
significativas desde que sejam pequenas e 
estejam dentro de uma faixa de tolerância. 
 
► Equivalência entre medicamentos: 
I) Equivalência terapêutica: O padrão de 
ouro 
● Racional: Realização de um ensaio clínico 
para verificar se dois medicamentos ou 
duas formulações do mesmo fármaco 
contendo a mesma dosagem vão ter o 
mesmo êxito. 
● Limitações: Demorado, caro, e precisa ter 
um grande número de voluntários. Além 
disso, tem a questão da ética. 
Na realidade, dificilmente isso é feito. É feito 
somente em situações onde se quer avaliar 
dois antifúngicos para uso tópico. Já que 
neste caso, não tem sentido medir a 
concentração plasmática. 
 
II) Equivalência farmacodinâmica: Uma 
alternativa terapêutica 
● Racional: Verificação do efeito 
farmacodinâmico em vez do efeito 
terapêutico final. 
● Limitações: Não alcança a qualidade 
desejada e dentre outras coisas, não estaria 
avaliando se os medicamentos possuem o 
mesmo padrão de efeito adverso. 
 
III) Equivalência farmacocinética: Um 
substituto teoricamente lógico 
É um substituto aos estudos clínicos que 
possui uma forte base racional teórica. 
● Racional: Inicialmente, é preciso 
confirmar se os dois medicamentos 
possuem o mesmo fármaco na mesma 
dosagem. Comparando a 
biodisponibilidade, verificando se os 
fármacos chegam com a mesma extensão 
e velocidade ao plasma, é evidente que 
eles são bioequivalentes. 
Dessa forma, vou verificar que as 
biodisponibilidades são suficientemente 
semelhantes (nunca é igual, temos uma 
margem de erro de tolerância). 
● Vantagens: Mais econômico que um 
estudo clínico, permite uma maior precisão 
e exatidão. 
● Limitações: Critérios de tolerância (Já foi 
resolvido ao longo dos anos). 
► Legislação brasileira: 
● Lei nº 9.270 (14/05/1996): “Lei das 
patentes” 
Estabelece a proteção patentária para 
medicamentos inovadores. 
● Lei nº 9.787 (10/02/1999): “Lei dos 
genéricos” 
Base legal para a introdução dos genéricos 
no Brasil. 
O Decreto de Proteção do Paciente e 
Assistência Acessível de 2010 concede 12 
anos de proteção de patente para 
fármacos novos. Após a expiração da 
patente, qualquer companhia pode 
produzir o fármaco, protocolar um pedido 
abreviado de fármaco novo (ANDA), 
demonstrar a equivalência exigida e, com 
a aprovação da FDA, comercializar o 
fármaco como um produto genérico, sem 
pagar honorários de licença ao proprietário 
original da patente. 
Os medicamentos genéricos são uma 
particularidade do capitalismo, oferta e 
demanda. Havendo cópias de qualidade, 
acontece a diminuição do preço. 
● Situação do mercado em 2001: 
Em 2011, o mercado era muito confuso. 
Havia os medicamentos inovadores (não 
protegidos por patentes e os protegidos por 
patentes). Além disso, havia os similares 
(com nome genérico e com marca 
comercial). E por fim, havia os genéricos. 
 
► Medicamento genérico: 
● Definição: Medicamento similar a um 
produto de referência ou inovador, que 
pretende ser com este intercambiável, 
geralmente produzido após a expiração ou 
renúncia da proteção patentária ou de 
outros direitos de exclusividade, 
comprovada a sua eficácia, segurança e 
qualidade, e designado pela DCB ou, na 
sua ausência, pela DCI. 
A ideia é: Posso trocar de uma marca para 
outra sem ter nenhuma alteração 
terapêutica. 
Os medicamentos genéricos podem ter o 
nome de fantasia? 
Por exemplo, a aspirina é o nome fantasia 
para o ácido acetilsalicílico (AAS). 
Então, a resposta para a pergunta acima é 
não. Não pode ter nome fantasia, logo, isso 
vai permitir que haja competição entre os 
genéricos, já que vão ter o mesmo nome 
(apenas marcas diferentes). 
● Apresentação: 
Segundo a resolução RDC nº 47 (2001): O 
medicamento genérico tem que ser 
reconhecido pela tarja amarela com o G 
em azul, indicando que é um medicamento 
genérico. 
 
O medicamento genérico tem que ter o 
nome da DCB (denominação comum 
brasileira). Por exemplo: amoxicilina (não 
possui nome fantasia). 
Obs.: Essa tarja vermelha é só nesse caso, 
pois trata-se de um antibiótico. 
 
► Medicamento referência: 
● Definição: Medicamento inovador 
registrado no órgão federal responsável 
pela vigilância sanitária e comercializado 
no País, cuja eficácia, segurança e 
qualidade foram comprovadas 
cientificamente junto ao órgão federal 
competente, por ocasião do registro. 
 
► Medicamento similar: 
● Definição: Aquele que contém o mesmo 
ou os mesmos princípios ativos, apresenta a 
mesma concentração,forma 
farmacêutica, via de administração, 
posologia e indicação terapêutica, e que é 
equivalente (farmacêutico) ao 
medicamento registrado no órgão federal 
responsável pela vigilância sanitária, 
podendo diferir somente em características 
relativas ao tamanho e forma do produto, 
prazo de validade, embalagem, 
rotulagem, excipientes e veículos, devendo 
sempre ser identificado por nome 
comercial ou marca. 
Medicamento genérico 
▪ Mesmo princípio ativo, mesma forma 
farmacêutica, mesma dosagem e mesma 
indicação que o seu medicamento de 
referência. 
▪ Apresenta teste de bioequivalência 
▪ Não apresenta nome fantasia na caixa 
(apenas o nome do princípio ativo). 
Medicamento referência 
▪ Primeiro medicamento registrado 
▪ Serve de parâmetro para registros dos 
posteriores medicamentos. 
▪ Apresenta nome fantasia na caixa 
▪ Patente registrada 
Medicamento similar 
▪ Mesmo princípio ativo, mesma forma 
farmacêutica, mesma dosagem e mesma 
indicação que o seu medicamento de 
referência. 
▪ Apresenta nome fantasia na caixa 
 
 
 
Então, vamos a um exemplo: 
 
A novalgina é o medicamento 
referência 
A anador é o medicamento similar 
A dipirona monoidratada é o 
medicamento genérico. 
 
 
 
► Estudo de bioequivalência (genéricos) 
ou biodisponibilidade relativa (similares): 
Inicialmente, é importante ter em mente 
que estudo de bioequivalência são estudos 
que vão verificar se dois medicamentos 
possuem a mesma biodisponibilidade, por 
exemplo, medicamento genérico frente a 
um medicamento inovador. 
Agora, para os similares, usa-se outro termo 
técnico, que é a biodisponibilidade relativa. 
Entretanto, esses dois termos são sinônimos. 
 
O estudo de bioequivalência é feito em 
animais de laboratório ou em seres 
humanos? 
É sempre, obrigatoriamente, feito em seres 
humanos. 
I) Etapa clínica (RE nº 1170): Desenho 
Estudo do tipo aberto, aleatório e cruzado, 
onde os voluntários recebem os 
medicamentos teste (candidato à 
genérico) e o inovador em ocasiões 
separadas. 
I) Etapa clínica: População 
Normalmente voluntários sadios, 
comprovado por exames clínicos e 
laboratoriais 
● Idade: > 18 anos 
● Sexo (Todas mulheres ou todos homens ou 
50% homem e 50% mulher) 
● Peso:  15% do normal 
● Restrições: Fumo / álcool / drogas 
I) Etapa clínica: Administração e colheita 
Tem relação com a farmacocinética. 
● Geralmente dose única, administrada 
com volume padronizado de água, em 
jejum. 
● Cronograma de colheita de sangue:  3-5 
x meia-vida de eliminação (fármaco e/ou 
metabólito ativo) 
● Washout (período entre duas doses):  7 x 
meia-vida de eliminação 
 
Obs.: Aspectos éticos → Resolução nº 
196/96: 
I) Referenciais básicos da bióetica: 
Autonomia → Termo de 
consentimento livre e esclarecido. 
Não maleficência/beneficência 
Justiça 
II) Comitê de ética em pesquisa (CEP), local 
III) CONEP 
 
 
II) Etapa analítica (RE nº 896): 
● BPL (Monitoramento de boas práticas de 
laboratório) 
● Validação dos métodos analíticos: 
Especificidade (hiperlipemia, hemólise) 
Linearidade 
Limites de Quantificação 
(sensibilidade) 
Precisão, Exatidão e Recuperação 
● Estabilidade em líquidos biológicos: 
Tempo de análise e estocagem, ciclos de 
congelamento- descongelamento 
 
Quais são os parâmetros que iremos usar 
para definir que dois medicamentos são 
bioequivalentes? Quais devem ser “iguais” 
ou “suficientemente semelhantes” para 
assegurar que duas formulações tem a 
mesma biodisponibilidade? 
Veremos a seguir 
 
III) Etapa estatística: 
Ao lado temos um gráfico clássico, de 
concentração plasmática (Cp) em função 
do tempo. E é possível identificar os três 
parâmetros que vão definir/ajudar a 
caracterizar a biodisponibilidade. 
 
 
Ao contrário do que vimos para a 
distribuição e eliminação (possuem um 
único parâmetro suficiente para 
caracteriza-los), a biodisponibilidade 
precisa de três, são eles: 
● Área sob a curva (ASC): É o que está em 
amarelo no gráfico, é toda a área. 
● CMÁX: É a concentração plasmática de 
pico, ou seja, é a maior concentração 
plasmática alcançada. 
● TMÁX: É o tempo no qual foi feita a coleta 
dessa amostra que apresentou o maior 
valor de CMÁX. 
Para calcular o CMÁX e o TMÁX é bem simples, 
basta olhar o gráfico. Agora, para a ASC é 
necessário a realização de um cálculo. 
Veremos como ele é feito: 
A área em laranja do gráfico ao lado 
corresponde a um trapezoide. 
𝑨 = 
(𝑩 + 𝒃) . 𝒉
𝟐
 
 
Ao calcular a área de um trapezoide, é 
necessário realizar a soma das áreas dos 
diferentes trapezoides do gráfico. Lembre-
se que na extremidade, tem-se dois 
triângulos. E com isso, temos a área sob a 
curva (ASC). 
 
Por que usamos esses três parâmetros? 
Isso se deve ao conceito de 
biodisponibilidade. 
Como vamos avaliar a extensão: 
1) Extensão de absorção: 
Vai ser medida através do fator de 
biodisponibilidade (F), que é a fração do 
fármaco, em uma formulação que atinge a 
circulação sistêmica sob sua forma não 
modificada. 
Antes, precisamos distinguir dois fatores de 
biodisponibilidade. 
▪ O fator de biodisponibilidade absoluto, é 
feito quando uma indústria vai registrar um 
novo medicamento contendo um novo 
fármaco. Nesse caso, realiza-se uma 
intravenosa e tem a sua área (representada 
pela cor vermelha no gráfico) e uma 
administração por via oral (em azul no 
gráfico) com a mesma dose. 
𝐹𝐴𝐵𝑆𝑂𝐿𝑈𝑇𝑂 = 
𝐴𝑆𝐶𝑣𝑖𝑎 𝑜𝑟𝑎𝑙
𝐴𝑆𝐶𝑖𝑛𝑡𝑟𝑎𝑣𝑒𝑛𝑜𝑠𝑎
 
 
 
Obs.: Para a intravenosa, como não há 
nenhuma perda, considera-se 100% (logo, é 
a referência). 
▪ Agora, para comparamos dois 
medicamentos diferentes por via oral, um 
medicamento teste (candidato à 
genérico) e o medicamento referência, 
neste caso, irei calcular o fator de 
biodisponibilidade relativo. 
𝐹𝑅𝐸𝐿𝐴𝑇𝐼𝑉𝑂 = 
𝐴𝑆𝐶𝑓á𝑟𝑚𝑎𝑐𝑜 𝑡𝑒𝑠𝑡𝑒
𝐴𝑆𝐶𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎
 
 
 
Ao contrário do que vemos em livros e afins, 
a biodisponibilidade precisar ser avaliada 
não só através do fator de 
biodisponibilidade (F), pois este só avalia a 
extensão. Então, para isso, precisamos 
analisar dois parâmetros: TMAX e CMAX. 
 
No gráfico acima, temos uma curva de 
concentração plasmática em função do 
tempo. Entretanto, foi adicionado faixa 
terapêutica, esta vai delimitar a 
concentração eficaz mínima (CEM) e a 
concentração tóxica mínima (CTM). Logo, 
é nessa faixa terapêutica que haverá o 
efeito terapêutico desejado, sem efeito 
adverso. 
Pode-se observar que houve um tempo de 
latência entre a administração e a 
observação do efeito terapêutico. 
Em verde, temos a intensidade. Depende 
do nível que o fármaco alcança de 
concentração plasmática, logo, vai ter 
uma relação com a intensidade do efeito 
terapêutico. 
Em laranja, temos a depuração, que é o 
tempo durante o qual a concentração 
plasmática está acima da concentração 
plasmática mínima eficaz. Portanto, é a 
duração do efeito terapêutico. 
Entendo isso, podemos avaliar o gráfico 
abaixo: 
 
FABSOLUTO = Nesse caso, compara-se o fator 
de biodisponibilidade entre administração 
oral e intravenosa. 
FRELATIVO = Nesse caso, compara-se o fator de 
biodisponibilidade do medicamento 
genérico com o de referência. 
Parâmetros de biodisponibilidade 
▪ Extensão de absorção: É medida pelo fator 
de biodisponibilidade (F). Este pode ser 
calculado de duas maneiras: FABSOLUTO e 
FRELATIVO. 
▪ Velocidade de absorção: É avaliada pelos 
valores CMÁX e TMÁX. 
Temos duas curvas (A e B) para o mesmo 
fármaco hipotético. E sabemos que ASC de 
A é igual a ASC de B. 
Portanto, temos dois medicamentos 
contendo o mesmo fármaco na mesma 
dosagem e apresentando o mesmo F (fator 
de biodisponibilidade). 
 
Bom, vocês acham que A e B terão os 
mesmos efeitos terapêuticos? Será que são 
intercambiáveis? Esses dois medicamentos 
são bioequivalentes?A resposta é evidente, é obvio que não. 
 
A CMÁX de A é maior que a CMÁX de B, 
portanto, espera-se que A tenha mais 
efeitos adversos que B. 
Por outro lado, pode-se ver que o TMÁX de A 
é menor que o TMÁX de B. Então, teremos 
uma latência menor e o fármaco atingirá 
mais rapidamente o efeito e assim, mais 
rapidamente terá o efeito máximo. 
Dessa maneira, podemos concluir que não 
temos biodisponibilidades iguais. Logo, 
estes dois fármacos não são 
bioequivalentes. Porque não tem 
igualdade ou semelhança suficiente entre 
os três parâmetros. 
A ASC (área sob a curva) é um parâmetro 
que depende somente da extensão da 
biodisponibilidade. Já o TMÁX é um 
parâmetro que depende somente da 
velocidade com a qual o fármaco chega 
na circulação sanguínea. E o CMÁX é um 
parâmetro sensível a diferenças de 
extensão quanto à velocidade. 
Dessa forma, unindo os três parâmetros 
(ASC, TMÁX e CMÁX), pode-se concluir que os 
fármacos possuem a mesma extensão de 
biodisponibilidade e a mesma velocidade. 
E é isso que a legislação exige. 
 
Atenção: Não confundir biodisponibilidade 
com fator de biodisponibilidade (F), pois o F 
é um parâmetro que mede, somente, a 
extensão da biodisponibilidade (e não a 
sua velocidade). E a biodisponibilidade é 
um conceito que é medido através de três 
parâmetros. 
 
► Equivalência entre medicamentos: 
IV) Equivalência farmacêutica com o perfil 
de dissolução in vitro: 
● Racional: Considerando que o fator 
limitante para a absorção é a dissolução, 
poderíamos avaliar no laboratório a 
velocidade de dissolução do fármaco a 
partir do comprimido. 
● Limitações: Sabe-se que as condições in 
vitro (são artificiais) vão representar uma 
situação biológica (administração em seres 
humanos). Então, na realidade, só poderia 
ter sentido se houver uma comprovação de 
uma correlação entre a dissolução in vitro e 
a velocidade de biodisponibilidade in vivo. 
Esse tipo de dissolução se faz em um 
aparelho chamado de dissolutor de cubas 
acoplado a espectrofotômetro UV-Vis. 
 
► Resolução – RDC nº 37 (03/08/2011): 
Dispõe sobre o Guia para isenção e 
substituição de estudos de 
biodisponibilidade relativa/bioequivalência 
e dá outras providências 
Seção III - Da bioisenção baseada no SCB 
Art. 7º A bioisenção baseada no Sistema de 
Classificação Biofarmacêutica é aplicável 
a medicamentos genéricos e similares, bem 
como a medicamentos novos (assim 
considerados apenas os previstos no 
parágrafo único do art. 3º desta Resolução) 
orais de liberação imediata que 
contenham fármacos presentes na 
Instrução Normativa nº 4 de 3 de agosto de 
2011 que dispõe sobre a lista de fármacos 
candidatos à bioisenção baseada no 
sistema de classificação biofarmacêutica, 
formulados com excipientes que não 
apresentem impacto sobre a 
biodisponibilidade e que apresentem 
rápida dissolução in vitro. 
 
 
► Instrução normativa – IN nº 3 
(03/08/2011): 
Dispõe sobre a lista de fármacos 
candidatos à bioisenção baseada no 
sistema de classificação biofarmacêutica 
(SCB) e dá outras providências. 
§ 2º Os fármacos listados neste artigo (12) 
apresentam alta permeabilidade intestinal 
(fração de dose absorvida ≥ 85% da dose 
administrada, demonstrada com base em 
dados provenientes de estudos em seres 
humanos), ampla faixa terapêutica e 
ausência de evidências documentadas de 
bioinequivalência ou problemas de 
biodisponibilidade devido à formulação. 
 
► Instrução normativa nº 10 (29/09/2016): 
Art. 1º Fica aprovada a lista de fármacos 
candidatos à bioisenção baseada no SCB, 
nos termos do art. 7º da RDC nº 37 de 2011, 
que dispõe sobre o Guia para isenção e 
substituição de estudos de 
biodisponibilidade 
relativa/bioequivalência. 
Art. 2º Medicamentos genéricos, similares 
ou novos, orais de liberação imediata, 
contendo os seguintes fármacos, poderão 
ser candidatos à bioisenção baseada no 
SBC. 
 
 
► Medicamentos genéricos: 
Dois estudos feitos nos EUA com 
medicamentos genéricos que chegaram 
ao mercado, verificaram-se que não houve 
problemas. 
E no Brasil? Qual o desafio? 
● Há a possibilidade legal da indústria 
farmacêutica fornecer uma lista de 3 
fornecedores do princípio ativo. 
● Manter o padrão de qualidade do lote 
testado 
 
● Mercados dos genéricos no Brasil e no 
mundo: 
O mercado mundial de genéricos cresce 
aproximadamente 10,8% ao ano e 
movimenta entre US$150 e US$200 bilhões. 
 
● Medicamento genérico: Efeito sobre o 
preço 
O omeprazol, a referência custava 43 
dólares e não tinha nenhum competidor. 
Quando o genérico começou a ser 
lançado, com um preço inferior, de 30,9 
dólares, a referência abaixou seu preço 
para poder competir. Em 2001, havendo 
mais genéricos no mercado, o preço 
baixou para 24 dólares, da mesma forma a 
referência. 
E no Brasil? 
Sabemos que quando empresa de 
genérico vai pedir o registro, ela precisa 
indicar o preço que vai pedir. E se não tiver 
ao menos 35% do inovador, ela não terá o 
seu registo aceito. 
Considera-se que precisa ter ao menos 3 
genéricos para que haja uma boa 
diminuição do preço. 
 
● Prescrição e dispensação: 
▪ Na prescrição, dentro do SUS, o médico 
tem que anotar o nome da DCB (nome 
genérico), não pode colocar de fantasia 
(nome comercial). 
▪ Já no serviço privado, o médico pode usar 
tanto o nome genérico quanto o nome 
comercial. 
▪ Só que se o médico fizer questão de que 
não haja troca do medicamento que ele 
está prescrevendo por genérico, ele 
precisa escrever na prescrição medica, a 
próprio punho. 
▪ Agora, em relação a dispensação: 
Apenas o farmacêutico pode trocar um 
medicamento referência pelo genérico, 
anotando que fez isso na prescrição. 
 
 
● Intercambialidade entre os genéricos: 
 
RDC 58/2014 – 13/10/2014 
Art. 2º Será considerado intercambiável o 
medicamento similar cujos estudos de 
equivalência farmacêutica, 
biodisponibilidade relativa/bioequivalência 
ou bioisenção tenham sido apresentados, 
analisados e aprovados pela ANVISA. 
- Parágrafo único. A ANVISA publicará em 
seu sítio eletrônico a relação dos 
medicamentos similares indicando os 
medicamentos de referência com os quais 
são intercambiáveis. 
Art. 3º A informação a respeito da 
intercambialidade a que se refere o art. 2º 
constará na bula do medicamento similar. 
Art. 4, &1º As empresas detentoras de 
registros de medicamentos similares 
intercambiáveis, terão o prazo de 1 (um) 
ano a contar de sua inclusão na relação a 
que se refere o art. 2º para notificar à 
ANVISA a adaptação da bula, nos termos 
do caput deste artigo. 
▪ A apresentação dos testes de 
biodisponibilidade relativa para os 
medicamentos similares já registrados 
segue uma ordem de prioridade 
▪ Medicamentos considerados de maior 
risco, como antibióticos, antineoplásicos, 
antiretrovirais e alguns medicamentos com 
princípios ativos já realizaram está 
adequação na primeira renovação após a 
publicação desta Resolução. 
▪ Os demais medicamentos deverão 
apresentar o teste de biodisponibilidade 
relativa na segunda renovação do registro, 
e até 2014 todos os medicamentos similares 
já terão a comprovação da 
biodisponibilidade relativa. 
 
► Medicamentos biossimilares: 
Lembrando que biofármacos são obtidos a 
partir de técnicas biológicas e não por via 
química sintética. 
 
● Mercado: 
▪ Mercado crescente: 4 x mais rápido do 
que dos medicamentos clássicos 
▪ 2015: 30% do mercado? 
▪ 2010: fim de patente de 13 medicamentos 
biofarmacêuticos “Blockbusters” 
▪ Medicamentos biossimilares... 
Oportunidade? 
 
Obs.: Não existe medicamento genérico 
para biofármaco, fala-se biossimilar. 
 
● Biossimilares: 
▪ Definição: Ao contrário dos 
medicamentos contendo fármacos 
clássicos, obtidos por vias químicas, a 
versão “genérica” dos medicamentos 
biológicos são os medicamentos biológicos 
similares(Biossimilares) 
- “Biosimilars”: European Medicines Agency 
(EMA) 
- “Follow-on biologics” (FDA) 
Os biossimilares NÃO são medicamentos 
genéricos que contém princípios ativos 
idênticos aos do medicamento inovador. 
Isso porque se por via sintética, nós 
podemos ter moléculas exatamente as 
mesmas, quando é fabricado por vias 
biológicas, você não tem exatamente a 
mesma molécula. Assim, o conceito de 
desenvolvimento de medicamentos 
biossimilares é muito diferente daquele 
usado para os medicamentos genéricos. 
● Medicamentos Biossimilares vs Genéricos: 
1) Maior tamanho e complexidade 
estrutural do fármaco: O biofármaco tem 
um tamanho e uma complexidade muito 
maior do que as moléculas que idealmente 
tem um peso molecular de até 500 Daltons. 
2) Maior complexidade e variabilidade do 
processo de fabricação: Isso é feito através 
de células humanas, de fungos. Logo, são 
processos biológicos diferentes entre os 
fabricantes. 
3) Risco de imunogenicidade: Isso pode 
variar de um fármaco para o outro em 
função de pequenas diferenças nas 
estruturas. Os biossimilares requerem regras 
muito diferentes daquelas usadas para os 
medicamentos genéricos e delineamentos 
“caso-a-caso”. 
 
● Medicamentos biofarmacêuticos 
produzidos por células vivas: 
I) Proteínas-mediadores químicos (MW: 
5.000 – 50.000 Daltons): 
▪ Insulina 
▪ Eritropoietina 
▪ Filgrastima (análogo de G-CSF) 
▪ Somatotropina (hormônio de crescimento) 
 
II) Anti-proteínas (MW ≈ 150.000 Daltons) 
▪ Receptores solúveis (Cept’s)…Artrite 
(soluble TNF rec.) 
▪ Anticorpos monoclonais (mAB’s)….câncer 
 
● Biossimilaridade: 
▪ Etapas: 
1) Estudo analítico 
2) Estudo em animal 
3) Estudo clínico: 
- Imunogenicidade 
- Farmacocinética 
- Farmacodinâmica 
 
● Legislação: 
▪ EMA 
2004: Vários guidelines gerais + específicos 
para diferentes produtos 
2012: 13 medicamentos biosimilares já 
aprovados. 
▪ FDA 
2012: 3 guidelines sobre requerimentos para 
registro de biosimilares 
2014: primeiros biosimilares no mercado dos 
USA 
▪ Brasil: 
2012: Início das discussões 
2015: 10 biossimilar aprovado (Remsima = 
infliximabe) 
 
● RDC Nº 55, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2010: 
Dispõe sobre o registro de produtos 
biológicos novos e produtos biológicos e dá 
outras providências 
= Legislação utilizada para o registro de 
biossimilares no Brasil. 
 
● Intercambialidade: 
Audiência pública promovida pela 
Comissão de Assuntos Sociais (15/08/2017) 
A Anvisa deixou a decisão sobre a troca 
para os médicos e para o Ministério da 
Saúde. Varley Dias Sousa, gerente-geral de 
Medicamentos e Produtos Biológicos da 
Agência, ressaltou que a classificação de 
um medicamento como similar não o torna 
automaticamente cambiável 
 
 
 
● Biossimilares: um bom negócio? 
Talvez nem tanto... 
Custos de desenvolvimento e produção (40 
– 100 milhões US$) >> genéricos 
▪ Pequena diferença de preço em relação 
ao inovador 
20-25% (e não 50 – 80%) 
▪ Não são considerados alternativas 
genéricas de medicamentos inovadores → 
não são intercambiáveis (EMA: proibição 
de substituição) 
▪ Competição com Produtos 
Biofarmacêuticos de segunda geração 
(Empresas inovadores).

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