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Universidade Estadual de Santa Cruz Prof. Dr. Rodrigo Luis Santos “Sólidos Iônicos” Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas Curso: Bacharelado Química Disciplina de Química Inorgânica Fundamental Os sólidos iônicos são formados por átomos que possuem uma grande diferença de eletronegatividade, gerando desta forma uma reunião de esferas carregadas com cargas opostas que interagem essencialmente por forças Coulômbicas. Características dos compostos iônicos: Sólidos na temperatura ambiente. Alto ponto de fusão e ebulição. Geralmente são solúveis em meio aquoso. Não conduzem corrente elétrica quando sólidos. Conduzem corrente elétrica quando dissolvidos ou fundidos Sólidos Iônicos Sólidos Iônicos: (a) O sólido original é uma arranjo ordenado de cátions e ânions. (b) um golpe de martelo pode empurrar os íons para posições em que os cátions se aproximam de outros cátions e os aníons de outros aníons, provocando a repulsão eletrostática. (c) como resultado dessas forcas repulsivas, o sólido se quebra em fragmentos. (d) calcita (e) fragmentos de calcita Sólidos Iônicos Estruturas Cristalinas: Sólidos Iônicos Os sólidos iônicos são formados por esferas de diferentes tamanhos (cátions e ânions). A rede cristalina é construída pelos íons maiores (ânions) e os íons menores (cátions) irão ocupar os interstícios (buracos). Exemplo: NaCl cúbica de face centrada Cl- = 167 pm Na+ = 116 pm Geralmente, as estruturas iônicas recebem um nome especial que corresponde ao nome do sal que deu origem à sua rede cristalina. Estruturas Cristalinas: Sólidos Iônicos Estruturas Cristalinas: Sal-gema (cloreto de sódio) A estrutura cristalina do cloreto de sódio é a mais comum entre as dos sólidos iônicos. Os ânions ocupam as posições da célula unitária cúbica de face centrada (cfc) e os cátions os buracos octaédricos. Este tipo estrutura cristalina recebe o nome de estrutura sal-gema, ou simplesmente estrutura cloreto de sódio. Estrutura Sal-Gema Exemplo: Para a estrutura cristalina do tipo sal-gema, determine: (a) o número de coordenação de cada íon; (b) o número de cátions; (c) o número de ânions; (d) a razão entre o cátion e o ânion. (a) Cada íon possui o NC = 6 (b) 4 cátions = 1 cátion no centro + 12 cátions nas arestas (12 x ¼) (c) 4 ânions = 8 ânions nos vértices (8 x ⅛) + 6 ânions nas faces (6 x ½) (d) razão 1:1 Estruturas Cristalinas: Sal-gema (cloreto de sódio) O número de coordenação de um sólido iônico é o número de íons de cargas oposta que circundam imediatamente um determinado íon. O cloreto de césio corresponde a uma estrutura de célula cúbica primitiva (simples), sendo o ânion ocupando as posições da célula e os cátions o buraco cúbico (centro), ou vice versa. Estruturas Cristalinas: Cloreto de césio Exemplo: O césio está no mesmo grupo do sódio, por que o CsCl não se cristaliza com o mesmo padrão do NaCl, e vice-versa? O cátion Cs+ é muito maior que o Na+ Estruturas Cristalinas: Cloreto de césio Número de Coordenação = 8 Número de Cátions 1 = 8 em cada vértice (8 x ⅛) Número de Ânions 1 (no centro) A estrutura da blenda de zinco (um dos polimorfos de sulfeto de zinco) é do tipo cúbica de face centrada (cfc), sendo os ânions ocupando as posições da célula (face e vértices) e o cátion um dos tipos de buracos tetraédricos. Estruturas Cristalinas: Blenda de Zinco ou Esfarelita Cada célula contém: 4 íons Zn2+ e 4 íons S2- Amarelo: Zn2+ Vermelho: S2- Na estrutura da fluorita ou fluoreto de cálcio (CaF2), os cátions Ca2+ encontram-se em um arranjo cúbico de face centrada (cfc) expandido e os ânions F- ocupam os dois tipos de buraco tetraédrico. Já a estrutura da antifluorita é o inverso, os locais dos cátions e ânions são invertidos. O sítio do cátion está rodeado por um arranjo cúbico de oito ânions. Verde: Ca2+ Vermelho: F- Estruturas Cristalinas: Fluorita e Antifluorita Chama-se expandido porque os buracos são ocupados por espécies maiores que as posições da célula. Estruturas Cristalinas: Wurtzita A estrutura da wurtzita recebe o nome de outro polimorfo de sulfeto de zinco (ZnS). O que difere a sua estrutura da esfarelita é que os ânions apresentam um empacotamento compacto hexagonal (ech). Os cátions também ocupam os buracos tetraédricos. Azul: S- Vermelho: Zn+ A estrutura do arseneto de níquel (NiAs) é baseada também em um arranjo de ânions com empacotamento compacto hexagonal distorcido (ech), sendo que os cátions (Ni+) ocupam os buracos octaédricos e cada ânion (As-) encontra-se no centro de um prisma trigonal de átomos de Ni. Estruturas Cristalinas: Arseneto de niquel Azul: Ni+ Violeta: As- Esta estrutura é típica para sólidos MX que possuem ligação química com elevado caráter covalente. A estrutura do rutilo, óxido de titânio(IV), TiO2 é um exemplo de uma rede de ânions de empacotamento compacto hexagonal (ech), mas neste caso os cátions ocupam apenas metade dos buracos octaédricos. O átomo de Ti possui número de coordenação 6, enquanto que o O possui número de coordenação 3. Estruturas Cristalinas: Rutilo Azul: Ti+ Vermelho: O2- O mineral perovskita (CaTiO3) possui uma estrutura que é similar a uma célula cúbica de corpo centrada com átomos nas arestas. Essa estrutura é protótipo de muitos sólidos do tipo ABO3, particularmente óxidos. Estruturas Cristalinas: Perovskita Os átomos A são rodeados por 12 átomos O, e os átomos B rodeados por seis átomos O. O espinélio é nome dado para MgAl2O4, e as estruturas em geral dos espinélios têm a fórmula AB2O4 com um arranjo cúbica de face centrada de íons O2- no qual os cátions A ocupam um oitavo dos buracos tetraédricos e os cátions B ocupam os buracos octaédricos. Espinélios são algumas vezes simbolizados por A[B2]O4, com o colchete identificando as espécies que ocupam os buracos octaédricos. Estruturas Cristalinas: Espinélios Raios Iônicos É difícil padronizar os valores dos raios iônicos, uma vez que eles são definidos a partir de um sólido iônico. Por exemplo, o raio de um íon é determinado através dos parâmetros da célula unitária de seu sólido iônico, portanto um mesmo ânion pode apresentar diferentes células unitárias. NC = 6 NC = 8 Além disso, ânions volumosos são facilmente polarizáveis e dependendo do cátion com quem ele estiver ligado pode gerar raios diferentes. O íon O2- é relativamente pouco polarizável e pode ser encontrado em uma combinação grande de cátions. Neste sentido, este ânion pode ser utilizado como referência para a compilação de raios iônicos, conforme realizado por Goldschimidt. r(O2-)=132 pm. Raios Iônicos Se os valores dos raios iônicos são usados de fontes diferentes, é essencial verificar se eles são baseados na mesma convenção. Os raios iônicos são definidos em termos de uma escolha para uma espécie de íon. Eles aumentam para baixo em um grupo, decrescem ao longo do período, aumentam com o número de coordenação, e decrescem com o aumento do número da carga. Razão Radial (ρ) A razão entre os raios dos íons dá uma indicação do número de coordenação provável de um composto: quanto mais alto a razão do raio, maior o número de coordenação. Cátions grandes geralmente possuem NC elevados Exemplo: Quais são as geometrias ao redor dos íons nos sólidos NaCl, ZnS e CsCl? Dados: r(Cl-)= 181 pm; r(S2-)=184 pm r(Na+)=102 pm; r(Zn2+)=74 pm; r(Cs+)=170 pm Ligação Iônica Na(g) Na(g) + + e - e - + Cl(g) Cl(g)- -Na(g)+ + NaCl(s) Etapa ∆H (kJ/mol) +494 (energia de ionização) -349 (afinidade eletrônica) -787 (atração coulômbica ou eletrostática) Na(g) Cl(g)+ NaCl(s) -642 (energia liberada) Cl(g) Um composto sólido irá se formar somente se a reação final for exotérmica. A estrutura cristalina formada será aquela que corresponde à menor energia livre (Gibbs) A energia necessária para a formaçãode ligações iônicas é fornecida, em sua maior parte, pela atração coulômbica entre íons de cargas opostas. Para determinar a energia potencial (Ep) de Coulomb entre dois íons, deve-se levar em consideração a força de atração dos íons: Ligação Iônica 120 2 21 )12( 4 r ezz Ep Onde: Z = número das cargas dos íons (cátions e ânions) e = carga elementar do elétron (1,602×10-19 C) ε = permissividade no vácuo (8,854×10-12 J-1 C2 m-1) r12 = distância entre os centros dos íons Ligação Iônica A energia potencial total (Ep), ou energia da rede cristalina, é a soma de todas as contribuições levando-se em consideração o arranjo tridimensional de 1 mol de íons. d eNzz E A p 0 2 21 4 Onde: N = constante de Avogadro (6,03×1023) Z = número das cargas dos íons (cátions e ânions) e = carga do elétron (1,602×10-19 C) ε = permissividade no vácuo (8,854×10-12 J-1 C2 m-1) d = distancia dos íons (= rcátion + rânion) A = constante de Madelung A constante de Madelung (A) é uma constante adimensional positiva que está relacionada de acordo com o tipo de empacotamento dos íons na célula unitária. Ligação Iônica Cloreto de sódio (NaCl) A constante de Madelung (A) reflete o papel da geometria da rede na força de interação Coulômbica total A repulsão entre os íons decresce exponencialmente com o aumento de sua distância, e deve ser incluída. A contribuição dos componentes atrativos e repulsivos à energia total passa por um mínimo (Ep,min), a qual pode ser determinada pela equação de Born-Meyer. Ligação Iônica Onde: A = constante de Madelung d = distancia dos íons (= rcátion + rânion) d* = constante (0,345 Ǻ) d eNzz d dE A p 0 2 21 min, 4 *1 A constante d* é estimada a partir de medidas de compressibilidade, a qual reflete o aumento na energia potencial que ocorre quando íons são pressionados por uma força aplicada. Ligação Iônica Energia reticular ou entalpia reticular (U) é a energia liberada quando o número apropriado de íons gasosos é reunido para formar um mol do sólido iônico a 0 K. Na+(g) + Cl - (g) NaCl(s) U = - 787 kJ/mol Entalpia de rede (∆Hrede) é a energia necessária para a formação de íons gasosos a partir de um mol do sólido iônico correspondente. Quanto maior for a energia, mais calor é necessário para vaporizar, ou seja, mais fortemente os íons estão ligados do sólido. O rompimento da rede é endotérmico, portanto a entalpia de rede é sempre positiva. NaCl(s) Na + (g) + Cl - (g) ∆Hrede = + 787 kJ/mol A energia de rede (valor experimental) corresponde à energia potencial eletrostática calculada a partir da equação de Born-Meyer. Energia de Rede Ciclo de Born-Haber sublimação ionização (EI) dissociação ionização (EI) formação Energia Reticular A energia de rede não pode ser medida diretamente, porém pode ser determinada através do ciclo de Born-Haber. F(g) F - (g) ∆H = -328 kJ Entalpia de Ionização (- Afinidade Eletrônica) Li+(g) + F - (g) LiF(s) ∆H = -1017 kJ Entalpia Reticular Li(g) Li + (g) ∆H = 520 kJ Entalpia de Ionização (Energia de Ionização) Li(s) Li(g) ∆H = 155,2 kJ Ciclo de Born-Haber: Aplicação da Lei de Hess Entalpia de Sublimação ½ F2(g) F(g) ∆H = 75,3 kJ ½ Entalpia de Dissociação (ou -½ Entalpia de Ligação) Li(s) + ½ F2(g) LiF(s) ∆H = -594,1 kJ Entalpia de Formação