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86 
 
 
EDUCAÇÃO FINANCEIRA E AS MÍDIAS SOCIAIS 
 
Keli Jacoby
1 
Ana Paula Rohrbek Chiarello
2 
 
RESUMO 
 
O presente artigo discute, a partir de um processo de análise em Blogs de Educação 
Financeira, a sua importância e suas implicações para as crianças e adolescentes da sociedade 
atual. O processo foi desenvolvido a partir de uma pesquisa qualitativa e, quanto ao 
delineamento, propõe-se um trabalho de cunho bibliográfico. O trabalho foi realizado de 
forma exploratória através de um processo de análise que consiste em uma junção de quatro 
blogs: Educação Financeira – Cássia D’Aquino, Dinheirama, DSOP e Mais Ativos. Nessa 
direção, os fios teóricos utilizados buscaram compreender o processo desenvolvido utilizando 
categorias de análise definidas a priori, sendo elas: Dinheiro, Consumo e Criança. O estudo 
desenvolvido indicou elementos indispensáveis para possíveis relações a serem estabelecidas 
e apoiadas em duas teorias, Consumismo de Bauman (2008) e Materacia proposta por 
Skovsmose (2007) e D’Ambrósio (2011). O presente artigo demonstrou, durante a análise, 
concepções adotadas pelos blogs, bem como suas influências na sociedade de consumo, por 
meio das diferentes categorias de análise: i) Dinheiro; ii) Consumo iii) crianças. Apontou 
ainda a importância da família, escola e sociedade adentrarem mais para esse conhecimento 
com novas possibilidades no contexto escolar trazendo novas reflexões sobre a EF numa 
perspectiva crítica e reflexiva de ensino. 
 
Palavras-chave: Educação Financeira. Blogs de Educação Financeira. Materacia. 
Consumismo. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Vivemos em uma sociedade capitalista em que o consumismo desperta-nos entender a 
importância da Educação Financeira para crianças e adolescentes, sabemos que, na escola, 
este tema é ainda novo, despontando no universo acadêmico a análise sobre a importância dos 
Blogs neste contexto. 
Desta maneira, torna-se evidente a importância da Educação Financeira na vida de 
qualquer cidadão. É de grande valia que as crianças e adolescentes recebam uma Educação 
Financeira o quanto antes possível, seja ela familiar, escolar ou até virtual. Atualmente, é 
 
1
 Pós Graduada em Matemática Financeira pela Unochapecó. keli_pzo@unochapeco.edu.br. 
2
 Mestre em Educação pela Unochapecó. Professora UCEFF Faculdades. anapaula.rc@unochapeco.edu.br. 
 
87 
 
 
possível considerar que a internet e as mídias sociais têm notável papel no universo da 
comunicação, pois são importantes multiplicadores de informação, das quais as pessoas estão 
cada vez mais dependentes, principalmente os jovens. 
 Levando em consideração uma sociedade não habituada a lidar adequadamente com suas 
finanças, e analisando os índices de endividamento, é fundamental examinar os meios de 
comunicação que buscam propiciar uma geração preocupada com suas finanças, pois, como 
sabemos, as mídias exercem uma grande influência em toda a população, principalmente nos 
jovens. Diante do exposto, busca-se responder a seguinte questão: Que concepções de Educação 
Financeira são adotadas nos blogs destinados a crianças e adolescentes e quais as suas 
influências na sociedade do consumo? 
 Propomos então algumas questões a serem investigadas: Quais os pressupostos da 
Educação Financeira estão presentes nos Blogs? O que configura o consumo? Qual a 
concepção de Educação Financeira? 
 No trabalho proposto, a população é dada por blogs de Educação Financeira destinada 
as crianças e adolescentes. Nossa amostra consiste em uma junção de quatro blogs, Educação 
Financeira – Cássia D’Aquino, Dinheirama, DSOP e Mais Ativos, que buscam apresentar 
novidades, curiosidades e dicas para uma boa Educação Financeira. A escolha deu-se tendo 
por base que blogs fazem parte da mídia social, os escolhidos possuem um grande destaque 
dentro e fora das mídias. Podemos salientar que seus autores possuem inúmeras publicações, 
bem como livros, artigos e resumos. Também lideram projetos de Educação Financeira, 
alguns deles em escolas estaduais e municipais, além de ministrar palestras por todo o Brasil, 
nesta linha de pensamento, selecionamos estes blogs como objeto de nosso estudo. 
 O processo de análise foi desenvolvido utilizando categorias de análise definidas a 
priori, sendo elas: Dinheiro, Consumo e Criança. Buscou-se registros em cada Blog 
selecionado, agrupando-os de acordo com as categorias. Após, utilizada análise vertical, ou 
seja, cada uma das categorias foi analisada separadamente. As análises foram feitas apoiando-
se em duas teorias, Consumismo de Bauman (2008) e Materacia de Skovosmose (2007). 
 
2 EDUCAÇÃO FINANCEIRA E AS MÍDIAS SOCIAIS 
 
88 
 
 
 Para a realização desta pesquisa, procuramos entender a Educação Financeira (EF)
3
 na 
busca por um conceito, bem como a sua evolução histórica. Torna-se necessário também 
conceituar Consumismo a partir de Bauman (2008) e Materacia de Skovsmose (2007), 
conceitos que buscaremos aporte na análise teórica. Em seguida, apresentaremos um parecer 
de como está a EF nas escolas, buscando entender suas relações com o mundo virtual. 
 Mostrou-se necessário conceituar mídias sociais e apresentar juntamente com a 
metodologia adotada os blogs selecionados. Utilizando recortes dos blogs, buscamos separa-
los por categorias de análise, apoiando-se nas teorias de Bauman (2008) e Skovsmose (2007) 
e D’Ambrósio (2011). 
 
2.1 CONCEITUANDO EF 
 
Há muito tempo, a EF vem nos rondando e há muito tem se falado em EF nas escolas, 
na mídia e até nas empresas. Basta acompanhar os noticiários e lá está o famoso termo 
“Educação Financeira”. Mas afinal o que é EF? 
Modernell (2012), em uma de suas reportagens, intitulada “Afinal, o que é EF?” 
esclarece um pouco sobre o termo. Para ele, nem todos têm a clareza do real significado. Há 
quem pense que está relacionada a aprender a investir em ações, ou ainda a estudar o mercado 
financeiro ou a economizar e deixar de gastar com supérfluos ou simplesmente fazer controle 
rigoroso das finanças para manter-se afastado de dívidas. 
Hofmann e Moro salientam que: 
 
Nos últimos anos, os organismos internacionais têm reconhecido a importância da 
educação financeira como mecanismo de inclusão social. A consolidação desse tema 
emerge com a preocupação pública e privada diante de estatísticas preocupantes 
acerca das competências econômicas e do letramento financeiro da população de 
diversos países, sobretudo os em desenvolvimento. Dados da Pesquisa de 
Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada em julho de 2010 pelo 
Serasa (2010), apontam que 60% dos jovens paulistas entre 18 e 34 anos são 
consumidores inadimplentes, o que pode ser considerado indício do baixo nível de 
letramento financeiro. Tendo em vista problemas sociais e econômicos decorrentes 
da gestão inadequada das finanças pessoais, seja em termos de inadimplência, de 
insuficiência de recursos para aposentadoria ou de fundos de reserva para condições 
de desemprego, por exemplo, a educação financeira emerge como alternativa de 
política pública para incrementar o letramento financeiro da população vulnerável, 
minimizando, em alguma medida, o risco a que esta está exposta. (2012, p.12) 
 
 
3
 Doravante passaremos a utilizar EF (Educação Financeira). 
89 
 
 
De acordo com os dados, percebemos que há uma grande porcentagem de jovens 
consumidores inadimplentes; diante da estatística, torna-se necessária uma EF de qualidade e 
com o foco em crianças e adolescentes. 
 
 Os princípios da educação financeira visam ajudar as pessoas a adquirir bons 
hábitos financeiros para que possam conquistar melhores condições de vida, sejam 
elas de famílias de baixa renda ou das classes mais privilegiadas. O foco não deve 
ser na busca de conhecimentos nem na perseguição das riquezas, mas na melhoria 
de atitudes e posturasque ajudem a fazer o dinheiro render mais, para que 
proporcione às pessoas mais tranquilidade, mais segurança, mais conforto e mais 
prazer. (MODERNELL, 2012). 
 
Kassardjian (2013), em seu estudo sobre a Organização para a Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico (OCDE), defende que a importância da EF aumentou nos 
últimos anos devido tanto ao desenvolvimento dos mercados financeiros quanto às mudanças 
demográficas, econômicas e políticas verificadas ao redor do globo: os mercados financeiros, 
que oferecem cada vez mais alternativas de crédito e instrumentos de poupança, tanto por 
meio dos bancos quanto por meio das cooperativas de crédito, exigem cada vez mais 
conhecimento por parte dos consumidores; com a realização de mudanças nos planos de 
pensão e aposentadoria complementar, fica cada vez mais nas mãos dos cidadãos a 
responsabilidade pelo seu bem-estar financeiro; e com o aumento da expectativa de vida, os 
indivíduos precisam assegurar que terão as condições necessárias para manter-se por mais 
tempo. Desta forma, segundo a OCDE: 
 
A educação financeira é o processo pelo qual consumidores e investidores melhoram 
sua compreensão sobre conceitos e produtos financeiros e, por meio de informação, 
instrução e orientação objetiva, desenvolvem habilidades e adquirem confiança para 
se tornarem mais conscientes das oportunidades e dos riscos financeiros, para 
fazerem escolhas bem informadas e saberem onde procurar ajuda ao adotarem outras 
ações efetivas que melhorem o seu bem-estar e a sua proteção. (KASSARDJIAN, 
apud OCDE, 2013, p.32). 
 
De acordo com Modernell (2012), a EF deve ser vista como um conjunto de hábitos 
financeiros saudáveis que contribuam para melhorar a nossa vida e de quem está ao nosso 
redor. Neste sentido, passamos a entender o real significado das mídias sociais, neste 
processo. 
 
2.2 MÍDIAS SOCIAIS 
 
90 
 
 
 A tecnologia avança e invade a vida de muitas pessoas, trazendo novos significados. 
Segundo Lemos “A grande novidade do século XX será as novas tecnologias digitais e as 
redes telemáticas” (2008, p. 68), e realmente foi. Dentro dessas novas tecnologias digitais de 
comunicação e informação, conforme previsto pelo autor, surge a informática e o 
computador. 
 
As novas tecnologias de informação devem ser consideradas em função da 
comunicação bidirecional entre grupos e indivíduos, escapando da difusão 
centralizada da informação massiva. Várias tecnologias comprovam a falência da 
centralidade das mídias de massa: os videotextos, os BBSs, a rede mundial da 
internet em todas as suas particularidades (web, wap, chats, listas...). Em todas estas 
novas mídias estão embutidas noções de interatividade e de descentralização da 
informação. (LEMOS, 2008, p.68). 
 
 A tecnologia abriu o horizonte dos homens para o mundo. Com as transformações das 
tecnologias da informação surge a sociedade da informação, que tem seus pontos positivos e 
negativos. Segundo Peron (2005), essa rápida transformação é acompanhada por uma 
diminuição da sensibilidade solidária, integridade, da justiça, da tolerância e, com isso, grande 
parte da população passa a ser massa sobrante. A sociedade precisa ficar atenta às 
consequências que isso gera, o mundo vem se modificando em uma velocidade cada vez 
maior, principalmente com o uso das tecnologias, que possuem ricas e inúmeras fontes de 
informações, dentre elas, as mídias sociais, tema que é foco nesse trabalho. 
O termo “mídias sociais” é extremamente novo, passou a ser usado a partir de 2005, 
em substituição a “novas mídias”. O uso desse termo ainda confunde muitas pessoas que se 
referem às redes sociais como mídias sociais. Pode-se considerar, de acordo com Telles apud 
Gottardo (2011, p. 19), que “as mídias sociais são sites na internet construídos para permitir a 
criação colaborativa de conteúdos, a interação social e o compartilhamento de informações 
em diversos formatos”. 
De acordo com Casali (2014), as mídias funcionam a partir de circuitos porque seu 
fazer já esta legitimado e seus fluxos são reconhecidos socialmente, dominando-se de lógicas 
de produção de informações. Esse domínio é derivado ao próprio consumo de meios, muitos 
desses fluxos são proporcionados pelos blogs que tiveram início na década de 1990 como 
diários digitais e, hoje, envolvem também a produção de debates em torno de diferentes 
temáticas. 
91 
 
 
Os blogs são classificados como mídias sociais. Segundo dados dos autores: Alonso et 
al. (2007, p. 2) “o termo weblog foi criado em 1997 por Jorn Barger, e em 1999 surge a 
abreviação blog, onde os primeiros blogs que surgem são em espanhol” . 
De acordo com Pinto: 
 
São páginas da web, criadas automaticamente por um sistema predefinido em algum 
servidor. O editor de um blog cria inicialmente sua conta no sistema e, a partir da 
montagem, passa a enviar seus textos e imagens de maneira rápida e fácil. Cada 
mensagem enviada é apresentada na página como uma entrada em um diário, com a 
data e a hora em que foi postada. Cada uma dessas entradas chama-se post. Em 
geral, os posts são apresentados na ordem inversa à que foram enviados, ou seja, o 
primeiro post da página é geralmente o mais recente. (2002, p.23). 
 
Para Monteiro (2010) o conceito de Blog evoluiu muito desde sua criação. Antes, ele 
era visto como diário e, hoje, tornou-se um meio de comunicação e expressão de muitos 
jornais, revistas, instituições e pessoas. 
Segundo Monteiro (2009) ainda que com linguagem despojada e possibilidade de 
focar em que quiser, o autor do blog tem total arbitrariedade nesse campo, podendo discutir 
política, economia, fazer humor, contar histórias, poemas, postar desenhos, etc. Possuindo tal 
liberdade, o autor passa a querer cada vez mais leitores para prestigiar seu blog. Porém, seu 
acesso varia de acordo com o conteúdo postado. 
São mídias que se enfocam em um tema, fornecendo notícias ou comentários sobre um 
assunto, o blog combina com textos, artigos, vídeos, imagens e links para outros blogs, 
páginas da web e mídias relacionadas a seu tema. Blogueiro ou bloguista são palavras 
utilizadas para designar aquele que escreve em blogs. Os blogs podem ser atualizados uma 
vez por semana, ou todos os dias, ou muitas vezes por dia. O visitante dos blogs pode 
interagir com o autor e com outros leitores na forma de comentários em relação ao tema. 
Em relação a finalidade dos blogs, Pinto (2002, p. 24) supõe que “talvez o que leve 
alguém a criar um blog seja a necessidade de compartilhar suas ideias e dúvidas e, assim, 
atrair pessoas com ideias afins ou soluções para os problemas do autor”. O blog torna-se um 
meio de interação e endereço virtual de muitas pessoas e empresas, fazendo-se fonte de 
obtenção de informações, ferramenta de trabalho e auxílio para diversos profissionais, 
especialmente jornalistas, repórteres e professores, onde são publicados conteúdos pessoais, 
profissionais, informativos, educativos e ferramentas de divulgação artística. 
Segundo os autores Alonso et al.: 
 
http://www.infoescola.com/informatica/o-que-sao-blogs/
92 
 
 
O blog é um meio a princípio pessoal, que funciona sem editores e sem prazos, sem 
fins lucrativos, e que é escrito, em geral, pelo prazer de compartilhar informações ou 
como veículo de expressão. Diante da realidade jornalística, o blog possui uma 
resposta mais rápida, mais impressionista e mais pessoal do que os meios de 
comunicação tradicionais e, por sua vez, contribui para ampliar as fronteiras da 
realidade midiática. (2007, p.6). 
 
Dados do wikipédia estimam que, em 1999, o número de blogs era menos de 50, no 
final de 2000, a estimativa era de poucos milhares. Menos de três anos depois, os números 
saltaram para algo em torno de 2,5 a 4 milhões. Atualmente, é cerca de 152 milhões o número 
de blogs existentes na internet. 
Para Oleques (2010), enquanto seres sociais, os seres humanos procuram 
constantementeinteragir uns com os outros, nas mais diversas ocasiões. Esta realidade aplica-
se em larga escala ao mundo da Internet, considerando que esta permite às pessoas 
comunicarem-se umas com as outras de qualquer parte do mundo. Na era tecnológica em que 
estamos vivendo, fica difícil imaginar alguma rede social que não esteja vinculada a internet. 
Segundo Dornelles: 
 
O computador/Internet faz parte de um conjunto de meios de comunicação 
embasados pela tecnologia digital. Com esse novo suporte (diferente do impresso e 
do eletrônico) é possível transmitir a informação sem distinção (imagem, vídeo, voz 
e dados) na forma de bytes. Nas últimas duas décadas a expansão da rede superou a 
de qualquer outro invento do ser humano, atualmente o número de sites publicados 
na Internet chega a cifra dos milhões. (2004, p. 05). 
 
 Com as informações acima, torna-se evidente a importância da internet na propagação 
da informação. Neste contexto, as mídias também se preocuparam em educar financeiramente 
seus leitores e seguidores. Sendo assim, optamos por utilizar os Blogs, que são uma das 
maiores fontes de informação e analisar qual a concepção utilizada em cada um deles no 
contexto da EF. 
 
 
3 PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS 
 
 Para entender a EF na mídia, foi necessário entender alguns blogs de EF que têm 
como foco crianças e adolescentes; nessa perspectiva, foram selecionados os websites que 
contribuem neste aspecto, aqueles que possuem projetos, livros e até campanhas. Nesse 
contexto, os Blogs escolhidos foram os seguintes: 
Educação Financeira - Cássia D’Aquino 
93 
 
 
Dinheirama – Conrado Navarro 
Mais Ativos – Álvaro Modernell 
DSOP Educação Financeira – Reinaldo Domingos 
 
A escolha dos blogs foi realizada após análises que apontam estes quatro Blogs para a 
EF nas escolas, ou seja, para nosso público alvo: crianças e adolescentes. Os Blogs partem do 
princípio que a EF deve ser ensinada para crianças, pois, quanto antes tiverem contato, melhor 
será a sua organização financeira. 
Segue abaixo uma pequena descrição sobre os blogs e seus autores
4
: 
 
3.1 Blog Educação Financeira 
 
 Este blog é de autoria de Cássia D’Aquino, a mesma é educadora com especialização 
em crianças, pós-graduada em Ciências Políticas, é autora de artigos e livros sobre EF. 
Criadora e coordenadora do Programa de EF em inúmeras escolas do Brasil. Atua como 
palestrante em Congressos no Brasil e exterior. É a representante do Brasil no Global 
Financial Education Program, iniciativa voltada para o desenvolvimento da EF da população 
de baixa renda em todo o mundo. É assessora de diversas instituições públicas e privadas para 
criação e desenvolvimento de programas de largo alcance, essas informações estão 
disponíveis em seu blog
5
. 
 Para D’Aquino, a EF nos países desenvolvidos tradicionalmente cabe às famílias. E, 
para as escolas, fica reservada a função de reforçar a formação que o aluno adquire em casa. 
No Brasil, infelizmente, a EF não é parte do universo educacional familiar. Tampouco 
escolar. 
 Assim, a criança não aprende a lidar com dinheiro nem em casa, nem na escola. As 
consequências deste fato são determinantes para uma vida de oscilações econômicas, com 
graves repercussões tanto na vida do cidadão, quanto na do país. 
D’Aquino pensando em superar este impasse criou o Programa de EF. Este Programa 
traz nos blogs quatro pontos principais da Educação Financeira: 
• como ganhar dinheiro; 
• como poupar dinheiro; 
 
4
 Dados pesquisados em seus Blogs. 
5
http://educacaofinanceira.com.br/index.php/rodape/view/curriculo 
94 
 
 
• como gastar dinheiro; 
• como doar dinheiro. 
 Em seu projeto, D’Aquino discorre sobre estas quatro grandes áreas. 
a) Como ganhar dinheiro: 
 
A ideia de que para garantir solidez financeira à vida dos herdeiros basta assegurar o 
estudo em bons colégios, e, na sequencia, em excelentes universidades, pode ter 
servido, com muita sorte, à educação que recebemos de nossos pais. As condições 
do mercado de trabalho que nossos filhos conhecerão exigirão outros roteiros. 
Afinal, se, de um lado, a medicina, nos dias de melhor humor, acena com a boa 
notícia de que nossos filhotes viverão até os 120 anos, os estudiosos da economia 
não têm sido tão otimistas assim. As notícias que chegam por esses últimos dão 
conta da crescente redução do número de vagas em quase todos os setores. Ou seja, 
mais gente disputando um número cada vez menor de empregos. Nossos filhos terão 
esse problema a resolver pelo meio do caminho. (D’AQUINO, 2007, p 14). 
 
b) Como poupar: 
 
As crianças devem ser levadas a perceber que o prazer de poupar é semelhante ao 
que se obtém ao gastar dinheiro. São prazeres complementares. È por essa razão que 
o apego exagerado ao dinheiro é tão preocupante quanto a displicência irresponsável 
com os gastos. Ensinar os filhos a reconhecer a dualidade desses prazeres, sabendo 
conviver com o melhor de cada um, não é difícil. No entanto, como quase tudo que 
diz respeito ao modo como a mentalidade de uma pessoa é formada, quanto menor a 
criança, mais fácil será. (D’AQUINO, 2007, p 14). 
 
c) Como gastar: 
 
Gastar dinheiro é fazer escolhas. Ensinar os filhos a discernir as consequências de 
seguir essa ou aquela opção torna-os responsáveis pelo destino que constroem. 
(D’AQUINO, 2007, p 15) 
 
d) Como doar: 
 
A doação de dinheiro é a forma mais fácil e descompromissada de generosidade. 
Contudo, é na doação de tempo e talento que a gente se entrega de fato. Levar as 
crianças a perceberem que são capazes de generosidade implica estarmos atentos às 
suas manifestações cotidianas de atenção e apreço pelos outros. Percebê-las e, 
principalmente, sinalizá-las como gestos bem-vindos. Se não dissermos a nossos 
filhos que eles são capazes de generosidade, eles não saberão que são. E, com o 
tempo, deixarão de sê-lo. Acima de tudo isso, é essencial ensinar às crianças que o 
ganho e o uso do dinheiro devem ser obrigatoriamente regulados pelos preceitos da 
ética e da responsabilidade social. Sem essa condição precípua, nada mais do que 
seja ensinado em relação ao dinheiro faz qualquer sentido ou vale realmente a pena. 
(D’AQUINO, 2007, p 15) 
 
De modo multidisciplinar e atendendo a crianças dos dois aos 17 anos, o Programa 
propõe-se a formar jovens capazes de poupar e de planejar gastos. O Programa funciona em 
95 
 
 
várias escolas do país, São Paulo é o estado que demonstra maior interesse, onde mais de 97 
escolas já aderiram ao Programa. 
 
3.2 Blog Dinheirama 
 
 O autor do Blog é Conrado C. Navarro, é natural de Itajubá-MG. Bacharel em Ciência 
da Computação e possui MBA Executivo em Finanças pela UNIFEI. Não é um educador 
financeiro por formação, afinidade e interesse são suas grandes virtudes. 
Através de investimentos e sociedades em pequenas empresas, atingiu a independência 
financeira aos 30 anos. Nos dias atuais, procura compartilhar seu conhecimento de forma 
clara, abrangente e desafiadora. É fundador do Blog Dinheirama e acredita no poder do 
exemplo, do autocontrole e do planejamento. 
Navarro é autor dos livros “Dinheiro é um Santo Remédio”, “Vamos Falar de 
Dinheiro?” e “Dinheirama”. É sócio-fundador do site, Dinheirama.com, um dos mais 
premiados sites de finanças pessoais e investimentos do Brasil. Navarro já ministrou palestras 
para mais de 20 mil pessoas e atua como professor convidado e consultor independente. 
De acordo com Navarro (2014) EF é fundamental para que o cidadão aprenda a 
importância das finanças no seu cotidiano e possa usar racionalmente seus recursos para obter 
qualidade de vida. As crianças também são consumidoras e, como tal, precisam, desde cedo, 
serem preparadas para lidar bem com o dinheiro. Nesse sentido, a família e a escola são 
importantes aliadas na construção de novos padrões comportamentais das crianças. Através da 
EF,é possível formar cidadãos conscientes e mais preparados para participarem do 
desenvolvimento econômico e social do nosso país. 
Neste contexto, o blog do Dinheirama reserva um espaço para o Dinheirama Kids, 
onde oferece conhecimento sobre os fundamentos básicos do universo financeiro, através de 
metodologia e materiais didáticos próprios. 
Navarro (2014) relata, em seu blog, que seus materiais são elaborados por 
profissionais competentes e que atuam nas áreas pedagógica e financeira, sua metodologia e 
material didático possibilitam condições para que professores e pais possam despertar nas 
crianças o interesse em temas básicos em EF e o desenvolvimento do senso de disciplina com 
o foco no futuro e na realização de objetivos. 
 
http://www.unifei.edu.br/
96 
 
 
3.3 Blog Mais Ativos 
 
 O autor do blog é Álvaro Modernel, um profissional certificado pela ANBID
6
 e ICSS
7
, 
com experiência nos mercados bancário e financeiro. Atua como palestrante, consultor e 
autor, com livros, artigos e entrevistas publicados no Brasil e no exterior. Escreve e colabora 
para edições institucionais, informativos empresariais, internet, jornais e revistas. 
Graduado em administração de empresas, com mestrado em finanças. Coordenador do 
site edufinanceira.com.br. Trabalhou mais de 20 anos no Banco do Brasil, inclusive como 
Administrador no exterior. Atuou como voluntário, facilitador e colaborador de programas 
internacionais de empreendedorismo e finanças pessoais. Foi professor universitário nas áreas 
de planejamento e controle. Atua como professor de EF em MBA e cursos de especialização. 
Desenvolve projetos e trabalhos de EF para instituições, grupos de adultos não especialistas 
em finanças e oficinas de EF para crianças. 
Modernell (2014) afirma que a EF ajuda na obtenção da independência e da 
tranquilidade financeira, auxiliando na evolução da condição econômico-financeira. Para o 
autor, adquirir EF é mais fácil do que se imagina. 
A proposta de trabalho apresentada por Modernell (2014) é tratar o assunto com 
simplicidade, sem descuidar da necessária profundidade e seriedade que o assunto requer. 
Acredita que a melhor forma de fazer isso é levando o assunto ao público não especializado 
com linguagem simples e com exemplos associados ao cotidiano dos participantes. 
As palestras, livros, cartilhas, oficinas e cursos que oferece visam proporcionar 
esclarecimentos e estimular o planejamento, a busca pelo conhecimento e o controle dos 
fatores psicológicos. Estimulam o controle dos gastos, a diversificação de investimentos e 
outras posturas adequadas para o sucesso financeiro. 
Modernell (2014) busca trabalhar com grupos de adultos e de crianças abordando 
aspectos técnicos e psicológicos que auxiliam as pessoas a adquirir hábitos financeiros 
saudáveis. Destaca que os participantes percebem que não é preciso fórmulas mirabolantes 
para fazer o dinheiro multiplicar-se ou para enfrentar dívidas. E alerta todos a manter 
distância dessas armadilhas. 
 
 
6
 Associação Nacional dos Bancos de Investimento. É uma entidade de representação das instituições financeiras 
que operam no mercado de capitais. 
7
 Instituto Cultural de Seguridade Social. 
97 
 
 
3.4 Blog DSOP Educação Financeira 
 
As informações que seguem foram retiradas do blog DSOP
8
, a qual é uma organização 
criada em 2008 por Reinaldo Domingos. Domingos é escritor, educador e terapeuta 
financeiro. Presidente da DSOP EF e da Editora DSOP, publicou vários livros, dentre eles os 
livros Terapia Financeira e Livre-se das Dívidas. 
A criação da Metodologia DSOP de EF, agora adaptada ao ensino escolar, é baseada 
na experiência de vida de Reinaldo Domingos, empresário bem-sucedido que conquistou sua 
independência financeira aos 37 anos. Nascido em Casa Branca, interior de São Paulo, filho 
de pai ferroviário e mãe autônoma, aos 12 anos realizou o primeiro dos seus muitos sonhos: 
comprar uma bicicleta. 
Foi assim, priorizando seus sonhos e sabendo exatamente quanto custavam e quanto 
deveria poupar para alcançá-los, que aprendeu a ter o dinheiro como um aliado, usando-o com 
responsabilidade e foco na satisfação pessoal e familiar. Com o aprendizado adquirido, quer, 
por meio das atividades da DSOP EF, ajudar as pessoas a tornarem-se educadas e 
independentes financeiramente. 
A DSOP EF é uma organização dedicada à disseminação da EF no Brasil e no mundo. 
Para cumprir essa missão, a DSOP oferece uma série de produtos e serviços para pessoas, 
empresas e instituições de ensino interessadas em ampliar e consolidar seus conhecimentos 
sobre EF. 
Criada em 2008, a DSOP EF firma-se, dia após dia, como principal promotora de 
conhecimento sobre o tema no Brasil, destacando-se pelo amplo alcance de seus programas, 
os quais beneficiam as pessoas em todo o seu ciclo de vida: da infância à idade adulta. 
Atualmente, a DSOP dispõe de uma rede formada por mais de 200 educadores 
financeiros e franquias de negócios em todo o Brasil, que compartilham da missão de 
disseminar a EF, romper com o ciclo de pessoas com desequilíbrio financeiro e construir 
novas gerações e famílias sustentáveis financeiramente. 
Para a DSOP, uma administração financeira eficiente é capaz de proporcionar 
estabilidade nos relacionamentos, melhor qualidade de vida e, especialmente, a realização de 
sonhos. Está fundamentada em quatro pilares: Diagnosticar, Sonhar, Orçar, Poupar. O 
 
8
 www.dsop.com.br/institucional/reinaldo-domingos 
98 
 
 
objetivo é mudar hábitos e comportamentos destorcidos sobre o dinheiro, substituindo-os por 
uma nova atitude, mais saudável e sustentável. 
 O entendimento do que fala e trata cada blog, foi necessário para que pudéssemos 
verificar quais as concepções adotadas pelos mesmos, bem como suas influências na 
sociedade de consumo, assim nosso método de análise foi proposto paralelamente à revisão 
bibliográfica apoiada nas teorias de Bauman (2008) e Skovsmose (2007) e D’Ambrósio 
(2011), os dados foram recortes dos blogs, separados por categorias de análise: i) Dinheiro; ii) 
Consumo iii) criança. 
 
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 
 
 Na análise dos Blogs, podemos verificar que existe uma preocupação por parte dos 
blogueiros em propiciar uma EF de qualidade para as crianças e adolescentes, mas salientam 
que a maior parte dessa educação deve ser propiciada pela família. 
 Diante da análise, tornou-se necessário criar categorias com o objetivo de realizar uma 
reflexão sobre o que existe em diferentes abordagens apresentadas em cada blog, para isso 
utilizaremos alguns recortes dos Blogs citados anteriormente. 
 No processo de análise, passamos a utilizar alguns nomes fictícios. Os Blogs serão 
nomeados da seguinte forma: Mais Ativos → B1; Dinheirama → B2; Cássia D’ Aquino → 
B3; DSOP → B4. 
 Os recortes da análise realizada com os Blogs estudados têm como objetivo apresentar 
quais as concepções da EF são adotadas às crianças e adolescentes, buscando entender suas 
influências na sociedade de consumo, à luz do olhar sobre consumismo apresentado por 
Bauman (2008) e da Materacia proposto por Skovsmose (2007) e D’Ambrósio (2011), 
 Lembrando que para Bauman (2008), nossa sociedade é uma sociedade de consumo, 
pois todas as criaturas vivas consomem desde os tempos imemoriais. O consumidor em uma 
sociedade de consumo é uma criatura diferente dos consumidores de quaisquer outras 
sociedades até aqui e o aprendizado dos novos consumidores começa desde o berço, quando o 
mercado visa conquistar crianças para garantir o consumo fiel quando adultas, envolvendo-as 
com seu discurso e passando a fazer parte do processo de construção moral de suas vidas. 
 O consumismo excede a necessidade. Uma coisa é o consumo de bens necessários e 
até indispensáveis à vida e ao bem-estar, já o consumismo remete-nos ao excesso, à99 
 
 
ostentação do luxo e um descaso com o lixo. Bauman (2008) afirma que o consumismo é um 
tipo de arranjo social resultante da reciclagem de vontades, desejos e anseios humanos 
rotineiros, transformando-os na principal força propulsora e operativa da sociedade. 
 Assim, buscamos com aporte em Skovsmose (2007) possíveis relações com a 
materacia
9
, numa perspectiva de formar um cidadão crítico, capaz de planejar-se e educar-se 
financeiramente. 
 Para Valle, apud Skovsmose (2013, p.6) “a materacia é a capacidade de interpretar e 
analisar sinais e códigos, de propor e utilizar modelos e simulações na vida cotidiana, de 
elaborar abstrações sobre representações do real”. 
 Conforme estabelece o Ministério da Educação (BRASIL, 1997, p.256), “a 
matemática ajuda a estruturar o pensamento e o raciocínio dedutivo, além de ser uma 
ferramenta para tarefas específicas em quase todas as atividades humanas”. 
 Nesse sentido, a materacia vem ao encontro da cidadania, busca implementar a 
criticidade no cidadão, para que possa estabelecer prioridades, sabendo diferenciar o “querer” 
e “precisar”, vindo ao encontro da EF que busca proporcionar esse olhar nas escolas, 
pertencendo à escola e aos professores o desejo de conhecer e ensinar esse “novo” contexto, 
capaz de proporcionar aos seus alunos um olhar crítico e reflexivo, diante da atual sociedade 
de consumo em que vivemos. 
 Apresentamos, entre eles, uma contextura a partir de três categorias de análise 
“dinheiro”, “consumismo” e “crianças”, os dados estão organizados em tabelas, de acordo 
com as categorias propostas. 
Categoria: Dinheiro 
 
9
 Para D’Ambrósio (2008, p.8) “a Materacia é a capacidade de interpretar e analisar criticamente sinais e 
códigos, de propor e utilizar modelos e simulações na vida quotidiana, de elaborar abstrações sobre 
representações do real”. 
100 
 
 
“Crianças com dois ou três anos já conseguem perceber como funciona o dinheiro e qual a sua 
importância no dia-a-dia. Permita que a criança tenha contato com dinheiro desde pequena. Dê-
lhes algum dinheiro esporadicamente e estimule-as a pagar suas próprias compras”. B1 
“Um dos temas mais fascinantes que envolvem dinheiro e cidadania é a educação financeira 
voltada para crianças e jovens. O desafio de ensinar conceitos importantes relacionados às 
finanças pessoais envolve pais, educadores e as próprias crianças”. B2 
“É importante desenvolver um trabalho de educação financeira que estimule alunos a pensarem e 
lidarem com o dinheiro nesta nova realidade social, cultural e financeira”. B3 
“Quem não quer ter dinheiro? A pergunta é retórica, no entanto, a maioria das pessoas 
não compreende que, querer não é poder e muito menos merecer. É preciso entender que, 
para se ter dinheiro, é preciso diagnosticar sua vida financeira, priorizar os seus sonhos e, 
claro, poupar.” B4 
 
 Os blogueiros deixam claro que uma boa EF pode propiciar uma melhor qualidade de 
vida, e quanto antes for iniciada, mais eficácia terá. Pode-se dizer, então, que quem possui 
uma EF de qualidade, torna-se adepto de uma nova forma de vida, um novo jeito de viver e 
lidar com o dinheiro. 
 Percebemos, nos recortes apresentados nesta categoria, comentários que vão além de 
aspectos sociais, da real função do dinheiro, são trazidos pelos blogs questões de valores e 
cidadania, questões que envolvem um pensamento crítico por parte do professor e aluno, 
priorizando neste contexto o sonho. Para este debate, trazemos a materacia: 
 
Materacia não se refere apenas às habilidades matemáticas, mas também à 
competência de interpretar e agir numa situação social e política estruturada pela 
matemática. A educação matemática crítica inclui o interesse pelo desenvolvimento da 
educação matemática como suporte da democracia, implicando que as micro-
sociedades de salas de aulas de matemática devem também mostrar aspectos de 
democracia. A educação matemática crítica enfatiza que a matemática como tal não é 
somente um assunto a ser ensinado e aprendido. (Skovsmose, 2000, p.2) 
 
 A materacia busca tornar o cidadão mais crítico, capaz de estabelecer o raciocínio 
dedutivo e desenvolver a criatividade e a capacidade de um melhor desempenho em novas 
situações. Bauman (2008) aponta a necessidade de uma consciência crítica sobre a real 
necessidade de consumir-se, distinguindo-a de um desejo e de um impulso. O equilíbrio no 
consumo exige uma análise das reais necessidades de uma compra, e seu impacto no 
orçamento. 
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 Os blogs trazem inúmeras informações sobre EF em seu sentido mais amplo, bem 
como lidar adequadamente com o dinheiro, diferenciar o querer do precisar, a importância de 
economizar, bem como propor um trabalho de EF para ensinar crianças e jovens a lidarem 
com a nova realidade social. Cabe ao leitor mostrar-se critico o suficiente para fazer bom uso 
das informações, seguir as dicas dadas e passar às informações adiante, para que cada vez 
mais pessoas saibam o que é EF, colocando-a em prática. Ressaltando-se o espaço escolar 
como um grande aliado. 
Categoria: Consumismo 
 “Estimule seu filho a consumir de modo responsável. Ele vai entender que não poderá comprar 
ao mesmo tempo a bala e um sorvete. Ele fará escolhas. Essa lição é para o resto da vida.” B1 
 “Nossas crianças e jovens não podem ser tratados como super consumidores, ou como máquinas 
de comprar e se alguém tem que tocar o coração delas somos nós: a família, a escola e a 
sociedade!” B2 
 “Quando o ter parece prevalecer ao ser e vemos surgir pequenos e ávidos consumidores, torna-
se necessário e urgente estabelecer a diferença entre o querer e o precisar”. B3 
 “Crianças e adolescentes estão sendo estimulados a uma prática consumista o tempo todo, pela 
televisão e pela internet.” B4 
 
 Ao pensarmos “Qual a influência dos blogs na sociedade de consumo?” podemos 
perceber que é de grande importância esta iniciativa dos blogs, pois ajuda tanto a família, a 
escola e a sociedade com sugestões de como agir em determinadas situações, com o objetivo 
de minimizar os atos consumistas. 
 Os consumidores, segundo Bauman (2008), são bombardeados de todos os lados por 
sugestões de que precisam equipar-se com um ou outro produto fornecido pelas lojas se 
quiserem ter a capacidade de alcançar e manter a posição social que desejam desempenhar, 
suas obrigações sociais e proteger a autoestima. 
 Todos somos estimulados a uma prática consumista, o tempo inteiro. Sabemos da 
dificuldade em separar o querer, do precisar, mas as crianças vão crescendo e aprendendo 
com exemplos, dessa forma, a família possui o papel principal. A escola, as mídias sociais e 
os programas de EF devem apenas ser um complemento. 
102 
 
 
 A materacia constitui um importante caminho aos pais e professores, no que diz 
respeito a refletir sobre as práticas destas crianças e adolescentes, construindo um 
aprendizado fundamentado no fazer, conforme abordado por D’Ambrósio (2011, p. 9). 
 
a dignidade do indivíduo é violentada pela exclusão social, que se dá muitas vezes 
por não passar pelas barreiras discriminatórias estabelecidas pela sociedade 
dominante, inclusive e, principalmente, no sistema escolar. Mas também por fazer, 
dos trajes tradicionais dos povos marginalizados, fantasias, por considerar folclore 
seus mitos e religiões, por criminalizar suas práticas médicas. 
 
 Portanto, levar EF para o maior número possível de pessoas pode ajudá-las a resolver 
suas dificuldades, bem como permitir que projetem melhor suas vidas para que consigam ter 
mais condições de alcançarem suas metas e sonhos. Nesse sentido, as escolas têm como 
contribuir de forma significativa ao educar os alunos financeiramente, e eles, por sua vez, 
levariam esse conhecimento para suas famílias, tornando-se um agente multiplicador. 
Categoria: Crianças 
“Levar as crianças ao mercado pode resultarem uma integração maior entre pais e filhos, 
além de ser uma ótima maneira de oferecer lições práticas de educação financeira com 
mais naturalidade”. B1 
“Quando crianças, os filhos costumam ver seus pais como um modelo a ser seguido”. B2 
“As crianças precisam entender como faz para ganhar dinheiro”. B3 
“Conforme cresce, a criança precisa entender que o dinheiro é um meio de realizar 
sonhos”. B4 
 
 Ao buscar entender quais as concepções adotadas pelos blogs às crianças, entendemos 
que se torna evidente que as crianças também precisam ter contato com o dinheiro para 
aprender o seu valor e de onde ele surge. Precisam compreender que, para ter dinheiro, é 
necessário trabalhar, e que não se pode sair comprando tudo que quiser. Por isso, geralmente 
os pais tornam-se um modelo a ser seguido pelos seus filhos, e se os pais têm uma relação 
saudável com o dinheiro, os filhos provavelmente também terão. 
 Bauman (2008, p.63) no livro Modernidade Líquida em certo trecho do capítulo que 
fala sobre endividamento, coloca a seguinte frase “as condições de vida em questão levam 
homens e mulheres a buscar exemplos”. Desta maneira, é possível fazer uma relação com as 
crianças e suas escolhas, pois na maioria das vezes elas baseiam-se em exemplos de adultos. 
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Skovsmose (2007) aponta a necessidade de reflexões em uma natureza externalista, 
buscando explicações e provas. Na matemática, em vários momentos nos surpreendemos 
fazendo perguntas do tipo: “Este valor, poderia ser calculado de modo diferente?”, “E a 
recíproca é verdadeira?”, “Como provar este teorema?”. 
Da mesma maneira, os Blogs de EF buscam instigar seus leitores a fazer uma análise 
de sua vida financeira, perguntando-se se há necessidade de comprar, mostrando ao leitor a 
importância de elencar as prioridades, não se deixar levar por propagandas enganosas e o 
mais importante de tudo, poupar. Para que possam ter uma vida financeira saudável. 
Um documento de EF para escolas, elaborado pela ENEF, já mencionava a internet 
como um meio de capacitação. 
 
A perseverança é crucial para o sucesso da introdução da Educação Financeira nas 
escolas, é muito importante que os gestores escolares tenham suporte suficiente para 
poderem liderar com segurança as necessárias mudanças que deverão empreender nas 
suas escolas. Para isso, deverão ter acesso a materiais diversos, por um lado, e, por 
outro, à oferta de apoio para os professores, sob a forma de programas de capacitação 
e de um sistema ágil e confiável de consultas a informações. A sensibilização e a 
capacitação devem incidir não só sobre professores, mas também sobre os próprios 
gestores. Para acelerar e otimizar esse processo, a capacitação poderá acontecer de 
forma presencial e a distância, utilizando, por exemplo, ambientes de aprendizagem 
via Internet. (ENEF, 2013, p.30) 
 
Domingos (2014), em um post de seu blog, comenta que poucos jovens de agora 
tiveram a oportunidade de aprender o básico sobre EF na infância e, por isso, a maioria é 
completamente perdida no que se refere à tomada de decisões e administração dos recursos 
financeiros. 
Diante disso, verifica-se a necessidade da educação financeira para crianças e 
adolescentes ser priorizada. Como mencionado anteriormente, vimos que alguns trabalhos e 
projetos já estão sendo feitos, porém não é o suficiente, pois implica uma vida saudável. 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Diante às categorias apresentadas, foi possível observar o importante papel que a 
mídia desenvolve, a grande quantidade de dicas e informações que nela estão presentes, é um 
grande recurso a ser explorado. A materacia, nesse sentido, precisa estar presente não só nas 
atitudes da escola, como também da família, pois os professores não precisam mapear receitas 
para que os alunos aprendam a educar-se financeiramente, mas, sim, possibilitar 
entendimentos sobre suas relações com o dinheiro, bem como estimular a importância de 
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traçar sonhos, pensando em educar nossos futuros cidadãos para saberem vencer este contexto 
sociopolítico atual. 
Sugerimos, então, que pais e professores venham a preocupar-se ainda mais com a boa 
EF, pois o consumismo não nos dá boas perspectivas sociais e ambientais. A EF produz 
ferramentas para que o aluno possa perceber que ele pode ter uma vida melhor, que tem a 
possibilidade de planejar-se financeiramente. Com isso, é necessária uma mudança drástica 
em nossos hábitos de consumo, e é preciso focar nas crianças e adolescentes, construindo um 
país mais próspero e estruturado. 
 
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