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NAYSA GABRIELLY ALVES DE ANDRADE 1
HIPERPROLACTINEMIA
FISIOLOGIA DO EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE:
- A prolactina quando ativa é responsável pela produção de leite
PROLACTINA:
- Função indução e manutenção da lactação
- Dopamina efeito inibitório (dopamina inibe a prolactina)
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- Efeito estimulatório TRH, estrógeno, serotonina,
inibição do tônus dopaminérgico (ex. medicamentos,
sucção dos mamilos)
- Deficiência de prolactina agalactia
- Aumento de prolactina hiperprolactinemia
incidência 10% (homens) a 30% (mulheres) por
100.000 mulheres jovens
- Alteração endócrina muito comum do eixo
hipotálamo-hipófise
- Frequência população geral: 0,4%
Amenorreia: 25%
Mulheres com infertilidade: 16-30%
Amenorreia + galactorreia: 70%
Disfunção erétil: 3-10%
QUADRO CLÍNICO:
- As altas concentrações de prolactina têm um efeito inibitório sobre a esteroidogênese do ovário, a
formação e secreção de gonadotropinas pela glândula pituitária
INVESTIGAÇÃO:
- Hiperprolactinemia sintomática de qualquer
magnitude deve ser investigada.
- Os níveis séricos da prolactina não ajudam
muito no diagnóstico diferencial, pois níveis
até 200 ng/mL podem ser encontrados em
pacientes com qualquer causa de
hiperprolactinemia (gravidez, estresse,
fármacos, compressão de haste e
microprolactinoma). Por outro lado, níveis de
prolactina > 200 ng/mL geralmente indicam a
presença de um macroprolactinoma. A
exceção é a concomitância de várias causas,
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como um paciente com insuficiência renal crônica que usa de metildopa e antipsicótico.
- Correlação: nível de PRL e tamanho tumoral
A secreção de prolactina pelos prolactinomas é proporcional ao tamanho do tumor
- Prolactina - A concentração média de prolactina no sangue da mulher é de até 27 ng/ml e no homem,
17 ng/ml
EFEITO GANCHO – HOOK
- Quando pensar?
Macroadenomas ≥ 3 cm com PRL < 200 ng/mL
- O que fazer?
Solicitar PRL diluída 1:100
- O efeito gancho provoca resultados falsamente baixos, e pode ser evidenciado por meio da diluição do
soro, quando os valores aumentam consideravelmente
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- Uma vez excluída a possibilidade de valores falsamente baixos da prolactina, a detecção de níveis de
PRL menores do que 100 ng/mL em um paciente com macroadenoma hipofisário é, portanto, altamente
indicativa do diagnóstico de um pseudo-prolactinoma
- Num teste de aglutinação, o soro de uma pessoa (que contém anticorpos) é adicionado a um tubo de
ensaio, que contém um determinado antígeno. Se os anticorpos aglutinam com o antígeno para formar
complexos imunológicos, então o teste é interpretado como positivo. No entanto, se estiverem
presentes demasiados anticorpos que se possam ligar ao antígeno, então os locais antigênicos são
revestidos por anticorpos, e poucos ou nenhum anticorpo dirigido ao patógeno é capaz de ligar mais do
que uma partícula antigênica. Como os anticorpos não fazem a ponte entre os antígenos, não ocorre
aglutinação. Como não ocorre a aglutinação, o teste é interpretado como negativo. Neste caso, o
resultado é um falso negativo
MACROPROLACTINEMIA:
- A prolactina aparece no soro em três formas diferentes. A forma monomérica (pequena) predominante
biologicamente e imunologicamente ativa (aproximadamente 80%), 5-20% está presente sob a forma de
dímero biologicamente inativo ("grande") e 0,5 a 5% sob a forma de uma forma tetramérica ("muito
grande") , que tem baixa atividade biológica.
- Seguindo nosso fluxograma de investigação, vamos considerar agora um paciente que tem
hiperprolactinemia, porém é assintomático. A investigação deve prosseguir com a pesquisa de
macroprolactina.
- Na verdade, precisamos lembrar que a prolactina não deve ser dosada em pacientes assintomáticos,
justamente para evitar a detecção desnecessária de macroprolactina
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- O exame é feito com uma dosagem inicial de prolactina, depois, o soro do paciente é exposto a
concentrações definidas de PEG, que levam à sua insolubilização e precipitação ⇨PEG precipita a
macroPRL.
- Depois desta etapa, a quantidade de PRL no sobrenadante é medida no mesmo ensaio e a
recuperação calculada com base no valor inicial da amostra
- Quando a recuperação é menor que 40%, há predomínio de macroprolactina
- A questão é que até 20% da PRL monomérica pode precipitar. Por isso, é necessário estabelecer uma
faixa de referência para prolactina em soros normais tratados com PEG
- E ao invés de calcular o percentual de recuperação, o ideal é avaliar o valor absoluto da prolactina
pós-PEG. Se a prolactina pós-PEG estiver:
Maior que o VR ⇨ hiperprolactinemia monomérica/verdadeira
Dentro da referência ⇨ macroprolactinemia
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PRINCIPAIS CAUSAS:
HIPERPROLACTINEMIA INDUZIDA POR FÁRMACOS:
- Causa mais comum de hiperprolactinemia não-fisiológica
- Considerar a possibilidade de causa patológica concomitante
- Questionar abuso de opiáceos e uso de drogas ilícitas
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- Situação ideal suspender a medicação por 3-4 dias e realizar nova dosagem de PRL – conversar
com psiquiatra !!!!
- Suspensão da medicação não é segura: RM de sela túrcica para avaliar lesão selar
PATOLÓGICAS:
Prolactinoma principal causa patológica de hiperprolactinemia
Pseudo prolactinoma tumores que comprimem a haste hipofisária (PRL < 150-200 ng/mL)
Lesões infiltrativas
Hipofisite
Sela vazia
- Ressonância magnética: método de escolha
- Tomografia computadorizada: pode ser usada
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ARMADILHAS
A lesão pode ser:
um incidentaloma hipofisário (≅ 10% da população) em pacientes com hiperprolactinemia
induzida por fármacos, doenças sistêmicas
hiperplasia hipofisária devido ao hipotireoidismo primário não tratado
PROLACTINOMA:
Tumor hipofisário mais comum em adultos, raro em crianças e adolescentes
Principalmente em mulheres entre 20 a 50 anos
Pode ser microprolactinoma(1,0cm)
Homem é mais comum ser macro
Apresentação clínica nas mulheres é mais clássica: galactorréia e amenorreia
Homem demora anos para perceber transtornos de libido, geralmente é diagnosticado por
sintomas de compressão
Poucos prolactinomas são operados, pois responde bem a medicação e baixa taxa de
crescimento
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TRATAMENTO:
- Objetivos:
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Normalizar níveis de prolactina
Regressão dos sintomas relacionados
Estabilizar ou diminuir o tamanho do tumor
Aliviar os efeitos de massa
Preservar ou restaurar a função hipofisária
Prevenir a evolução da doença
- Tratamento medicamentoso com agonista dopaminérgico
- Cirurgia
- Radioterapia – falha no tratamento medicamentoso e cirúrgico
AGONISTA DOPAMINÉRGICOS:
BROMOERGOCRIPTINA
Agonista receptores D2, meia vida curta (2-3 doses diárias)
Dose : 2,5 a 15mg/dia
- Melhora da cefaleia e do campo visual é dramática
- Efeitos adversos: náuseas, vômitos , cefaleia, hipotensão postural
- Seguro na gravidez
CABERGOLINA
Agonista D2 seletivo superioridade sobre bromoergo, menos efeitos colaterais, maior aderência
Dose: 0,25 a 0,5 mg 1 a 2 x semana dose máxima 3mg/semana
Não liberado durante gravide
CIRURGIA:
- Até 10% dos pacientes com macroprolactinoma podem requerer cirurgia, caso não ocorra resposta
aos agonistas dopaminérgicos ou, ainda, se o comprometimento visual não melhorar com o tratamento
medicamentoso. Nesses casos, a retirada parcial da massa tumoral pode também proporcionar melhor
resposta ao tratamento com agonista dopaminérgico
- Outras possíveis indicações para o tratamento cirúrgico incluemmacroprolactinomas císticos que
causem sintomas neurológicos, apoplexia com comprometimento neurológico, intolerância aos
agonistas dopaminérgicos e fístula liquórica. A cirurgia transesfenoidal é a abordagem preferencial,
enquanto a craniotomia deve ser reservada para tumores inacessíveis pela primeira abordagem
FINALIZANDO:
1. Afastar causas fisiológicas, farmacológicas e doenças sistêmicas em pacientes com
hiperprolactinemia sintomática
2. Desproporção tamanho tumoral e nível de PRL: efeito gancho ?
3. Não solicitar dosagem de PRL em pacientes assintomáticos
4. Todos os imunoensaios detectam macroprolactina
5. Rastrear macroprolactina em todos soros com hiperprolactinemia ??