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CAMILA QUEVEDO ERUPÇÕES VESICOBOLHOSAS VESÍCULAS E BOLHAS: Lesões de conteúdo líquido que podem ser consequências de queimaduras, ação de toxina (picadas), infecções, etc. Pode ser a manifestação cutânea de uma doença. DOENÇAS VESICOBOLHOSAS: 2 1. GENÉTICAS – não serão estudadas 2. ADQUIRIDAS: autoimunes. Derme, membrana basal (separa epiderme da derme), epiderme: camada basal; camada proliferativa (espinhosa); camada espinhosa (várias camadas que produzem queratina); camada granulosa (armazena a queratina produzida) e camada córnea (céls. que perderam o núcleo, mortas). A membrana basal não aparece nessa coloração com HE. Desmossomos: na membrana citoplasmática de cada cél. há um desmossomo que une essas 2 células, para que não se desprendam, função de adesão. junção celular. Na pele: entre a camada basal e membrana basal existe um hemidesmossomo para fazer essa união da célula da camada basal com a membrana (não é cél de camada-cél. de camada, por isso apenas metade do desmossomo, hemidesmossomo). Na composição dos desmossomos há uma molécula chamada desmogleína. CAMILA QUEVEDO PÊNFIGOS Grupo de doenças autoimunes com acometimento cutâneo pela produção de autoanticorpos contra a desmogleína ou desmossomos. Característica comum: bolha intraepidermica. Etiologia: desconhecida - Agente infeccioso, droga, neoplasia, fatores genéticos; - Mecanismo autoimune: acantólise – perda de adesão entre as céls. da epiderme, Ac IgG nos espaços celulares. Existem vários tipos: - Pênfigo foliáceo; - Pênfigo vulgar; - Pênfigo por IgA; - Pênfigo paraneoplásico; - Pênfigo causado por medicamentos. PÊNFIGO FOLIÁCEO: (PF) DOENÇA DE CAZENAVE: universal, 4ª ou 5ª décadas. FOGO SELVAGEM: brasileiro. Autoimune. - Acomete adultos jovens e crianças de alguns estados como MT, MS, GO. Parece estar associado a algum agente infeccioso, pois é mais comum em áreas rurais, ribeirinhas e tribos indígenas. - Ocorrência familiar – predisposição genética: HLA-B16 (jovens). A26 E a24 (mais velhos); HLA-DR7 (resistência); HLA-DRI e DR4 (susceptibilidade). LESÃO: bolha acantolítica alta, na região subcórnea, sítio de > expressão da desmogleina 1 (localizada abaixo da camada córnea). - O indivíduo produz o autoanticorpo que faz a lise do desmossomos abaixo da camada córnea formando bolhas intraepidérmicas subcórneas. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: . - Bolhas superficiais de ruptura fácil, gerando erosões e crostas. - Não afeta mucosas. - Início: face, pescoço, porção superior do tronco e tem sua disseminação craniocaudal simétrica podendo até se generalizar (eritrodermia). - Ardor, queimação (fogo selvagem), sensibilidade ao frio e piora com o sol. CAMILA QUEVEDO SINAL DE NIKOLSY: . SINAL DE ASBOE-HANSEN: . Pênfigo eritematoso/seborreico: recebe esse nome quando afeta face e áreas seborreicas (couro cabeludo, face, região retroesternal, retroauricular e dorsal. Isso ocorre no início, depois a doença pode evoluir e se generalizar, produzindo uma eritrodermia (lesões eritematodescamativas generalizadas). Diagnóstico diferencial: LE. Trata-se de uma bolha que enche pouco de líquido e logo se rompe, pois seu teto é apenas a camada córnea. Geralmente o paciente chega com as bolhas rotas, com exulcerações que se recobertas por crostas. Sinal de Nikolsky: descolamento da pele após compressão e deslizamento com o dedo em área perilesional, ao lado da bolha (ocorre pois toda em toda essa área houve a quebra dos desmossomos). Não é patognomônico, mas bastante sugestivo de pênfigo foliáceo. Na presença de uma bolha integra, ao fazer sua compressão o líquido vai se deslocando lateralmente pela pele sem romper a bolha, gerando aumento dela. CAMILA QUEVEDO DIAGNÓSTICO: Exame citológico: investigação do conteúdo líquido da bolha – as céls da epiderme são pavimentosas quando normais e no pênfigo mostram-se acantolíticas (com a quebra do desmossomo – acantólise, a cél. assume formato circular). Exame histopatológico (bolha recente e integra): bolha intramalpighiana alta, logo abaixo da camada córnea por acantólise. Provas imunológicas: - Imunofluorescência direta (tec. adjacente à bolha): ac. Antiepiteliais IgG nos espaços intercelulares, mostra fluorescência dentro das céls. da epiderme, onde são depositados os autoanticorpos. - Imunofluorescência indireta (sangue) – presença de anticorpos. TRATAMENTO: . PÊNFIGO VULGAR: (PV) Doença severa, + raro e + grave; 4ª e 6ª décadas; 50% inicia na mucosa oral, local onde há desmogleína 3 (o PV produz autoAc. contra desmogleina 1 e 3); Distribuição universal, frequente em judeus; Influência genética: HLA-DR4 e DQW8. Passagem de Ac pela placenta (doença transitória em RN). LESÃO (HISTOLOGIA): bolha acantolítica baixa, intraepidermica na região suprabasal, sítio de > expressão da Dsg 3. Flu o rescên cia su b có rn ea in tercelu lar. Corticoide sistêmico (imunossupressor) e caso necessário pode associar outro imunossupressor como azitioprina, para diminuir a dose da prednisona. Ou associar outro imunossupressor caso não esteja tendo reposta. Casos leves podem melhorar com tetraciclina e nicotinamida. Além disso, fazer compressas, ATB tópico se infecção secundária ou sistêmico se for extensa, dieta hiperproteica e ao uso de corticoide por tempo indeterminado, fazer Albendazol antes de iniciar o corticoide. Pacientes com lesão só em mucosa, têm apenas Ac anti-Dsg3. Com o envolvimento da mucosa e pele (mucocutâneo), desenvolvem adicionalmente Ac anti-Dsg1. CAMILA QUEVEDO MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: . Lesões vesico-bolhosas superficiais flácidas que se rompem gerando erosões mais profundas. - Como a localização da bolha é mais profunda (suprabasal) ela demora um pouco mais para se romper do que a bolha do PF. Sinal de Nykolsky + Acometimento da pele e acometimento das mucosas. Lesões que tendem a sangrar pois a bolha está mais próxima à papila dérmica com os capilares. DIAGNÓSTICO: . Exame citológico: células acantolíticas Exame histopatológico: bolha acantolítica intra-malpighiana baixa, logo acima da camada basal (suprabasal). Provas imunológicas - Imunofluorescência direta (tecido adjacente à bolha): Ac antiepiteliais IgG e C3 nos espaços intercelulares - Desmogleína 3. - Imunofluorescência indireta (sangue). TRATAMENTO: . Doses maiores de corticoide pois é mais difícil de tratar. Pensar em PV: pcte mais velho, acomete mucosa, judeu e lesão sangrante. CAMILA QUEVEDO PENFIGOIDES: 3 Penfigoide bolhoso; Penfigoide cicatricial – raro; Herpes gestacional - raro. PENFIGOIDE BOLHOSO: PB Ambos os sexos; Principalmente idosos, raro na infância. Produz Ac contra componentes do hemidesmosso (entre a camada basal e a membrana basal): moléculas 230KD e 180KD – de acordo com o tamanho. Ac BP 230 Agl contra 230KD e BP180 Ag2 contra a 180KD. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: Bolha na zona da membrana basal (subepidérmica), bolhas grandes e tensas sobre pele normal ou eritema; Afeta pele e mucosas; Áreas flexurais, podendo acometer todo o corpo Remissões e exacerbações. DIAGNÓSTICO: Exame histopatológico: (área peri-lesional) Bolha subepidérmica, não acantolítica e infiltrado inflamatório com eosinófilos, monócitos e neutrófilos. Imunofluorescência direta (na zona da membrana basal): C3 e IgG, às vezes IgA ou IgM, linear ou em faixa, ao longo da ZMB (lâmina lúcida e hemidesmossomos) - Antígenos BP230 e BP180 do hemidesmossomo Imunofluorescência indireta: IgG circulante TRATAMENTO: Corticoide sistêmico, doses mais baixas e menor tempo que no PV; Imunossuressores; Tetraciclina 2g/dia associada ou não à nicotiamida; Dapsona: quandoconsegue controlar o PB com o corticoide, associa dapsona para tentar tirar o corticoide.