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EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 1 Tutorial 9 – mod XIV Desenvolvimento pré-escolar, escolar, adolescência Fase pré-escolar (2-5 anos) - Os marcos fundamentais do desenvolvimento da criança entre 2 e 5 anos são a emergência da linguagem e a exposição a uma esfera social cada vez maior. - Enquanto bebês, aprendem a explorar o mundo e voltar para a segurança de um adulto ou de seus pais: - Em fase pré-escolar, as crianças exploram a separação emocional → alternando entre a teimosia da oposição e a alegria da colaboração, entre a exploração ousada e a dependência. - O aumento do tempo em salas de aula e as áreas de recreação desafia a capacidade de a criança se adaptar a novas regras e relacionamentos - Incentivadas por suas cada vez maiores e novas habilidades e realizações, essas crianças também estão cada vez mais conscientes das limitações que lhes são impostas e de suas próprias habilidades limitadas. DESENVOLVIMENTO ESTRUTURAL DO CÉREBRO - O cérebro passa por mudanças drásticas em suas características anatômicas e fisiológicas, com aumento da área cortical, redução da espessura cortical e alteração do volume cortical. - Essas mudanças são não uniformes em todo o cérebro, mas variam por região. - As propriedades das substâncias cinzenta e branca mudam consideravelmente, incluindo propriedades de difusão nos tratos de fibras cerebrais → aumentos significativos ocorrem nas exigências metabólicas do cérebro. - Para concluir uma mesma tarefa, em crianças menores são utilizadas mais regiões cerebrais que em maiores. Isso foi interpretado como um modo de “estruturação”, que é descartado com o envelhecimento. - O cérebro em fase pré-escolar é caracterizado pelo crescimento e expansão, que serão acompanhados nos anos seguintes pela “poda” dos excessos de sinapses. DESENVOLVIMENTO FÍSICO - A velocidade de crescimento somático e cerebral diminui até o fim do segundo ano, proporcionalmente às reduções das exigências nutricionais e apetite, e do surgimento de hábitos alimentares “urgentes”. - São esperados aumentos de ~2 kg no peso e 7-8 cm de altura por ano: O peso ao nascer quadruplica aos 2,5 anos Uma criança de 4 anos na média pesa 20 kg e mede 106 cm A cabeça crescerá mais 5 a 6 cm entre 3 e 18 anos de idade - O crescimento dos órgãos sexuais é proporcional ao crescimento somático. - A criança em fase pré-escolar tem genuvalgo (joelhos aproximados na linha média) e pés planos leves. - O dorso se afila e os membros inferiores alongam. - Energia física atinge seu pico, e necessidade de sono diminui para 11-13h/dia, deixando a criança de fazer sua sesta. - A acuidade visual atinge 20/30 por volta dos 3 anos de idade, e 20/20 aos 4 anos. - Todos os 20 dentes decíduos já eclodiram por volta de 3 anos. Geralmente os primeiros são os incisivos inferiores, por volta dos 6-8 meses. - A maioria das crianças caminha com a marcha madura e corre de maneira firme antes do fim do terceiro ano. - Há grande variação nas habilidades já que a gama de atividades motoras se expande. - Características de estilo da atividade motora grosseira, como ritmo, intensidade e cautela, também variam significativamente → deambulação na ponta dos pés não deve persistir. - Os efeitos dessas diferenças individuais no desenvolvimento cognitivo e emocional dependem em parte das demandas do ambiente social. - Crianças com muita energia e coordenação podem se desenvolver emocionalmente com pais ou professores que incentivem atividade física. - Crianças com menos energia, mais “cerebrais”, podem se desenvolver com adultos que valorizam atividades mais calmas. - A dominância da mão geralmente se estabelece por volta do terceiro ano de vida. - Variações no desenvolvimento motor fino refletem preferências e diferentes oportunidades de aprendizado. - Crianças com limitações para desenhar com giz de cera, por exemplo, alcançam a habilidade de segurar o lápis mais tarde. - Os controles intestinal e vesical surgem durante esse período, em torno de 30 meses → retirando a fralda do dia em torno de 2,5 anos. - O treinamento das meninas tende a ser mais rápido e mais cedo → enurese é normal até 4 anos em meninas e 5 anos em meninos. - Muitas dominam os cuidados pessoais de toalete com facilidade, porque são capazes de verbalizar as necessidades corporais → recusa em defecar no vaso/penico é comum, pode levar à constipação na criança e frustração nos pais. - Adiar a questão com uma interrupção temporária do treinamento (e um retorno às fraldas) geralmente possibilita que o treinamento da higiene pessoal prossiga. - A diminuição normal do apetite nessa idade pode causar preocupação para os pais a respeito da nutrição EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 2 - As crianças normalmente modulam a ingestão de alimentos para atender a suas necessidades somáticas de acordo com a sensação de fome e saciedade. - Ingestão diária flutua em intervalos amplos, mas a ingestão durante 1 semana é relativamente estável. - Um multivitamínico completo pode ser utilizado para assegurar a ingestão adequada de vitaminas e minerais. - Os pais devem oferecer uma programação alimentar previsível, com três refeições e dois lanches por dia, permitindo que a criança escolha o quanto comer. LINGUAGEM, COGNIÇÃO E BRINCADEIRAS Linguagem - O desenvolvimento da linguagem ocorre mais rapidamente entre 2 e 5 anos de idade. - O vocabulário aumenta de 50 a 100 palavras para mais de 2 mil. - Como regra prática, entre 2 e 5 anos, o número de palavras em uma frase é igual à idade da criança (duas se a criança tem 2 anos, três por 3 anos de idade, e assim por diante). - A estrutura da frase avança para frases que incorporam todos os principais componentes gramaticais. - Por volta dos 21-24 meses, a maioria das crianças usa possessivos (“Minha bola”), progressivos (“Estou jogando”), perguntas e negações - Aos 4 anos, em sua maioria podem contar até 4 e usa os verbos no passado → aos 5 já usam o tempo futuro - As crianças só compreendem o significado literal das palavras. - É importante distinguir entre fala (produção de sons inteligíveis) e linguagem (ato mental subjacente), que inclui funções expressivas e receptivas. - A linguagem receptiva (compreensão) varia menos em aquisição que a linguagem expressiva, havendo maior importância prognóstica → aquisição da linguagem depende muito dos estímulos ambientais. - Os principais são a quantidade e variedade do discurso dirigido para crianças e a frequência com que os adultos fazem perguntas e incentivam a verbalização. - Apesar disso, linguistas acreditam que o mecanismo básico para o aprendizado de linguagem seja uma “ligação direta” no cérebro → crianças não imitam simplesmente o discurso adulto. - A linguagem está ligada tanto ao desenvolvimento cognitivo como ao emocional → atrasos de linguagem podem ser os primeiros indícios de que uma criança tenha uma deficiência intelectual ou tenha sido maltratada. - A linguagem desempenha papel crucial na regulação do comportamento por meio da internalização do “discurso. - Privado” → a criança repete proibições do adulto, primeiro de forma audível e, em seguida, mentalmente - Também permite que crianças expressem sentimentos, como raiva ou frustração, sem exteriorizá-los → crianças com atraso mostram níveis mais elevados de acessos de comportamentos de externalização. - O desenvolvimento da linguagem pré-escolar estabelece as bases para o sucesso escolar mais tarde. - Crianças de cenários social e econômico desfavorecidos apresentam risco aumentado de problemas escolares, o que torna a detecção precoce, o acompanhamento e a estimulação fundamentais. - Os principais fundamentos da alfabetização são estabelecidos durante a fase pré-escolar. - Por meio da exposiçãoprecoce e repetida às palavras escritas, aprendem sobre os usos da escrita (contar histórias ou enviar mensagens) e sobre seus formatos (esquerda para direita, de cima para baixo). - Erros iniciais da escrita e na fala, revelam que a alfabetização é um processo ativo que envolve geração e revisão das hipóteses. - Livros com figuras ajudam a familiarizar crianças mais novas com a palavra impressa, e ajudam o desenvolvimento do idioma verbalmente. - Vocabulário e linguagem receptiva melhoram quando pais com frequência leem para as crianças. - A atenção compartilhada, participação ativa, feedback imediato, repetição e dificuldade graduada são elementos que tornam tais rotinas ideais para a aprendizagem de linguagens. - O período de aquisição rápida da linguagem também é o qual a disfluência do desenvolvimento e a gagueira estão mais propensas a surgir → dificuldades comuns incluem pausas e repetições de sons iniciais. - Estresse ou excitação exacerbam essas dificuldades, que geralmente resolvem espontaneamente → 5% das crianças em fase pré-escolar gaguejam, mas se resolve em 80% delas até os 8 anos. - Nos casos graves, persistentes (> 6 meses) ou associados à ansiedade, as crianças devem ser encaminhadas para avaliação, ou se houver uma preocupação dos pais. - Tto inclui orientação aos pais no intuito de reduzir as pressões associadas à fala. Cognição - O período pré-escolar corresponde à fase pré-lógica de Piaget, caracterizada por pensamento mágico, egocentrismo e pelo pensamento dominado pela percepção, não abstração - Pensamento mágico → inclui confundir coincidência com causalidade, animismo (atribuindo motivações a objetos inanimados e eventos) e acreditar na força dos desejos - Egocentrismo → incapacidade da criança levar em consideração o ponto de vista de outro, não conota egoísmo. - Domínio da percepção sobre a lógica → em um experimento, água é despejada em um vaso fino e um prato amplo e baixo, quando as crianças são perguntadas sobre qual contêm mais água, elas escolhem o que parece maior - Reflete a imaturidade ou incipiente capacidade de desenvolvimento de hipóteses sobre a natureza do EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 3 mundo, bem como a dificuldade de avaliar simultaneamente vários aspectos de uma situação - A imitação agora é reconhecida como um ato complexo → uma criança que vê um adulto tentar sem sucesso um ato simples (abrir a tampa de um frasco) vai imitar a ação, com o resultado pretendido, não o fato demonstrado. - Nessa fase, a ação é mais compreensível que a linguagem – e eles não entendem contradições. - Aos 3 anos, as crianças autoidentificam seu sexo e buscam a compreensão do significado de identificação do gênero. - Com progressão do desenvolvimento da rigidez (meninos e meninas têm papéis estritos de gênero) no início da fase pré-escolar para uma compreensão mais realista e flexível (podem ter variedade de interesses). Brincadeiras - Brincar envolve o aprendizado, atividade física, socialização com os colegas e prática de papéis adultos. - 1-2 Anos a criança brinca sozinha ou em paralelo, e com 3-4 anos brinca em conjunto. - Aumenta em complexidade e imaginação, da simples imitação de experiências comuns, como pôr o bebê na cama (2-3a) → passando por cenários mais amplos com eventos singulares (ir ao zoológico (3-4a). - Até a criação de cenários apenas imaginados, como ir à lua (4-5a). - Aos 3 anos, a brincadeira cooperativa é vista em atividades como a construção de uma torre de blocos → mais tarde, uma atividade com papéis mais estruturados, como brincar de casinha. - O ato de brincar também se torna cada vez regido por regras, começando pelas regras do pedir e compartilhar (2- 3a) passando por regras que mudam de momento a momento, de acordo com os desejos dos jogadores (4-5). - Chegando ao começo do reconhecimento das regras como relativamente imutáveis (5 anos). - As modalidades eletrônicas de brincar (jogos) são melhores se forem interativas e educativas. - Brincar também permite a resolução de conflitos e ansiedades, e as saídas criativas. - Podem liberar a raiva de maneira segura (espancar um boneco), ter superpoderes e conseguir coisas que lhes são negadas na vida real (um amigo imaginário ou animais de pelúcia) - A criatividade é particularmente evidente em desenhos, pinturas e outras atividades artísticas. - Temas e emoções que surgem nos desenhos geralmente refletem as questões emocionais de maior importância para ela. - Uma programação interativa com qualidade educacional na qual a criança desenvolva relações com os personagens pode ajudar → mas a exposição à TV com conteúdo violento é associada a problemas comportamentais tardios. DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL E MORAL - Essa fase é a fase dos medos e do mau humor (pirraça) → com pico de 2 a 4 anos. - Os desafios emocionais enfrentados nessa fase incluem aceitação de limites, manutenção do senso de autocuidados, controle da agressividade e dos impulsos sexuais, e interação com adultos e colegas. - Aos 2 anos, os limites comportamentais são predominantemente externos → aos 5 anos, esses controles devem estar internalizados, se a criança precisar frequentar uma sala de aula típica. - O sucesso na obtenção desse objetivo depende do desenvolvimento emocional prévio, a capacidade de usar imagens internalizadas de adultos confiáveis para fornecer um ambiente seguro em tempos de estresse. - O amor que uma criança sente em relação aos adultos importantes é o principal incentivo para o desenvolvimento do autocontrole. - As crianças aprendem quais comportamentos são aceitáveis e quanto poder exercem perante adultos importantes, testando seus limites → aumenta quando esses chamam a atenção e quando os limites são incoerentes. - Os testes despertam a ira dos pais ou solicitude inadequada na medida em que a criança se esforça para se separar, e dá origem a um desafio paterno → dar independência à criança. - Limites excessivamente rígidos podem minar o senso de iniciativa de uma criança, e limites excessivamente frouxos podem provocar ansiedade, ao sentir que ninguém está no controle. - Controle é uma questão central → crianças pequenas não podem controlar muitos aspectos, incluindo para onde vão, quanto tempo permanecem e o que podem levar para casa em uma loja. - Também tendem a perder o controle interno, a ter acessos de raiva. - Medo, cansaço excessivo, expectativas incompatíveis ou desconforto físico também podem evocar temperamento agressivo → que normalmente aparece ao fim do primeiro ano e atinge seu pico entre 2 e 4 anos. - Um temperamento agressivo que dure mais de 15 min ou ocorra regularmente > 3x/dia pode refletir problemas médicos, emocionais ou sociais subjacentes. - Crianças em fase pré-escolar normalmente experimentam sentimentos complicados direcionados aos pais, como forte apego e possessividade em relação ao progenitor do sexo oposto, inveja e ressentimento c o outro progenitor. - A maioria dessas emoções está além da capacidade da criança compreender ou verbalizar. - A resolução dessa crise (processo que se estende ao longo de anos) envolve a decisão tácita de uma criança se identificar com os pais, em vez de competir com eles. - Brincar e conversar são ações que fomentam o desenvolvimento dos controles emocionais, permitindo que as crianças expressem suas emoções e entendam seu papel. EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 4 - Curiosidade sobre a genitália e sobre os órgãos sexuais adultos é normal, assim como é a masturbação → masturbação excessiva, simulação de relação sexual, extremo pudor sugere abuso sexual ou exposição imprópria. - O pudor aparece gradualmente entre 4 e 6 anos, com grandes variações entre culturas e famílias. - Os pais devem começara ensinar as crianças sobre a “privacidade” de áreas corporais antes que elas comecem a frequentar a escola. - O pensamento moral é limitado pelo nível cognitivo da criança e suas habilidades de linguagem, mas se desenvolve à medida que a criança progride em sua identificação com os pais. - Começando antes do fim do 2º ano, o senso da criança sobre certo e errado deriva do desejo de ganhar a aprovação dos pais e evitar consequências negativas. - Os impulsos da criança são temperados por forças externas → ainda não interiorizou as regras sociais ou um senso de justiça e equidade → ao longo do tempo, as palavras são substituídas por comportamentos agressivos. - Finalmente, a criança aceita a responsabilidade pessoal → as ações serão vistas pelos danos causados, não pela intenção. -Uma criança de 4 anos vai reconhecer a importância de se revezar, mas vai se queixar se não tiver tempo suficiente. - Regras tendem a ser absolutas, com a culpa atribuída a maus resultados, a despeito das intenções. ALIMENTAÇÃO DO PRÉ-ESCOLAR - Nesta fase é comum a neofobia alimentar → negação de alimento fora do hábito da criança. - Os pais devem ser orientados a oferecer determinado alimento cerca de 8-10x, mesmo que seja em pequenas quantidades para que a criança conheça aquele sabor. - É comum também crianças preferirem alimentos doces e muito calóricos, porque o paladar para o doce é inato → os demais precisam ser aprendidos. - Entretanto, os pais precisam determinar regras para evitar o hiperconsumo e sobrecarga destes alimentos em detrimento dos demais. - São importantes: Estabelecer horários para as refeições → evitar que a criança se alimente sempre que deseje, pois há risco de perder o apetite nas principais dietas. Evitar guloseimas → ao permiti-las, estabelecer consumo regulado. Evitar bebidas gaseificadas nas refeições → prejudicam a ingestão de outros alimentos Dar preferência ao suco de frutas após as refeições. Evitar alimentos industrializados → comida feita em casa sempre é mais saudável. Certas práticas como subornos, chantagens e recompensas devem ser desencorajadas → podem ter o efeito inverso de reforçar a recusa alimentar da criança. Atividade física. - Em relação à pirâmide alimentar, nesta fase as proteínas ganham destaque - Na confecção do cardápio → 6 porções de cereais e massas, 3 porções de frutas, 3 porções de verduras, 3 porções de leite e derivados e 1 porção de carnes, ovos e feijão - São ideais no mínimo 5 refeições por dia, como → café da manhã 8h, lanche matinal 10h, almoço 12h, lanche da tarde 15h e jantar 20h. - Em relação às atividades físicas, estimular a recreação, arremesso de bola, futebol, subir e descer escadas, brincadeiras na água. Fase escolar (6-11 anos) - A fase escolar (6-11 anos) é o período em que as crianças cada vez mais se separam dos pais e procuram a aceitação por parte dos professores, outros adultos e colegas. - Começam a se sentir sob pressão para se adequar ao estilo e aos ideais do grupo de pares. - A autoestima torna-se uma questão central, à medida que desenvolvem a capacidade cognitiva para considerar suas próprias autoavaliações e sua percepção de como os outros as veem. - Elas são julgadas de acordo com sua capacidade para produzir resultados socialmente valorizados, como tirar boas notas, tocar um instrumento musical ou praticar um esporte. DESENVOLVIMENTO FÍSICO - O crescimento ocorre descontinuamente, em 3 a 6 estirões irregulares a cada ano, com variações individuais - Crescimento durante o período é entre 3 e 3,5 kg e entre 6 e 7 cm por ano - Perímetro cefálico aumenta 2 cm ao longo de todo o período → desaceleração do crescimento do cérebro - Mielinização continua na adolescência, com pico de massa cinzenta aos 12 e 14 anos - O habitus corporal é mais ereto que anteriormente, com as pernas longas em comparação com o tronco - O crescimento da face média e parte inferior do rosto ocorre gradualmente - A perda de dentes decíduos (dentes primários) é um sinal mais marcante de maturação, começando por volta de 6 anos → a substituição por dentes secundários ocorre a taxa de cerca de 4 por ano - Por volta dos 9 anos, as crianças terão 8 incisivos permanentes e 4 molares permanentes - A erupção de pré-molares ocorre entre 11 e 12 anos de idade - Os tecidos linfoides frequentemente hipertrofiam dando origem às amígdalas e adenoides - A força muscular, coordenação e resistência aumentam progressivamente, tal como a capacidade de executar movimentos complexos, como a dança ou arremesso em cestas EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 5 - Tais habilidades motoras superiores resultam da maturação e treinamento → o grau de desempenho reflete a variabilidade na habilidade inata, interesse e oportunidade - Aptidão física diminuiu entre as crianças em idade escolar → hábitos sedentários nessa idade estão associados ao aumento do risco de vida para obesidade, doença cardiovascular, desempenho escolar e baixa autoestima - 1/4 não se envolvem em qualquer atividade física no tempo livre, apesar da recomendação de 1h/d - As percepções da imagem corporal se desenvolvem precocemente durante este período → crianças entre 5 e 6 anos expressam insatisfação com sua imagem corporal - Entre 8 e 9 anos muitas relatam a tentativa de fazer dieta, usando programas mal orientados - A compulsão para comer ocorre entre cerca de 6% das crianças dessa idade - Antes da puberdade, a sensibilidade do hipotálamo e da pituitária se altera, conduzindo à síntese aumentada de gonadotrofinas → interesse em diferenças de gênero e comportamento sexual aumenta progressivamente - Embora esse seja um período em que os impulsos sexuais são limitados, a masturbação é comum - As taxas de maturação sexual diferem por área geográfica, etnia e país → diferenças implicam expectativas diferentes dos outros a seu respeito. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO - O pensamento das crianças no início da idade do ensino fundamental difere qualitativamente da fase pré-escolar. - Essas crianças cada vez mais aplicam regras baseadas em fenômenos observáveis, fatores em múltiplas dimensões e pontos de vista e interpretam suas percepções usando as leis físicas - Mudança das operações pré-operacionais para o concreto lógico → quando crianças de 5 anos assistem a uma bola de argila ser enrolada em uma cobra, elas poderiam insistir que a cobra “é mais pesada” porque é mais longa. - Com 7 anos geralmente respondem que a bola e a cobra devem pesar o mesmo, porque nada foi acrescentado ou retirado - Essa reorganização cognitiva ocorre em taxas diferentes em contextos diferentes. - No contexto das interações sociais com irmãos, crianças jovens podem demonstrar capacidade de compreender os pontos de vista alternativos antes da capacidade em seu pensamento sobre o mundo físico - Compreender as construções de espaço e tempo ocorre mais adiante nesse período. - O conceito de “aptidão escolar” evoluiu → todas as crianças podem aprender e o processo educacional é recíproco entre a criança e a escola - A escola aumenta as demandas cognitivas sobre a criança → o domínio do currículo elementar exige grande número de processos cognitivos, de linguagem e perceptivos trabalhando de maneira eficiente - Espera-se que as crianças atendam a muitas entradas ao mesmo tempo - Os primeiros 2 a 3 anos do ensino fundamental são dedicados a adquirir os fundamentos → leitura, escrita e habilidades básicas de matemática. - Na terceira série, as crianças precisam ser capazes de sustentar a atenção por 45 min - A meta de ler um parágrafo não é mais para decodificar as palavras, mas para compreender o conteúdo - Objetivo da escrita não é mais a ortografia ou a caligrafia, mas a redação - O volume de trabalhoaumenta junto com a complexidade. - Habilidades cognitivas interagem com atitudes e fatores emocionais para determinar o desempenho em aula - Esses fatores incluem recompensas externas (dedicação para agradar adultos e aprovação de seus pares) e internas (competitividade, vontade de recompensa, crença na própria habilidade e capacidade de se arriscar a tentar) - O sucesso predispõe para o sucesso, enquanto o fracasso impacta a autoestima e reduz a autoeficácia, diminuindo a capacidade de uma criança para assumir riscos futuros - A atividade intelectual das crianças se estende para além da sala de aula - A partir do terceiro ou do quarto ano, as crianças gostam cada vez mais de jogos de estratégia e jogos de palavras que exercitem seu crescimento cognitivo e domínio linguístico - Muitos se tornam peritos em assuntos de sua própria escolha ou desenvolvem hobbies → outros tornam-se ávidos leitores ou desempenham atividades artísticas. DESENVOLVIMENTO SOCIAL, EMOCIONAL E MORAL Desenvolvimento social e emocional - Nesse período, a energia é direcionada para a criatividade e a produtividade - As mudanças ocorrem em a casa, na escola e comunidade → o lar e família permanecem os mais influentes - O aumento da independência é marcado pela primeira festa do pijama na casa de um amigo e pela primeira vez no acampamento durante a noite - Pais devem exigir empenho nas atividades escolares, comemorar sucessos e oferecer aceitação quando fracassos - Os irmãos têm papéis importantes como concorrentes, apoiadores leais e modelos - O início da escola coincide com a posterior separação da criança da família e da importância crescente dos professores e dos relacionamentos com os colegas - Os grupos sociais tendem a ser de pessoas do mesmo sexo, com a mudança frequente de adesão, contribuindo EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 6 para o crescente desenvolvimento e competência social de uma criança - Popularidade, um ingrediente central da autoestima, pode ser vencida por meio de posses, bem como por meio de atratividade pessoal, conquistas e habilidades sociais reais - Algumas crianças se enquadram facilmente às regras entre colegas e desfrutam o sucesso social fácil → as que adotam estilos individualistas ou têm diferenças visíveis podem sofrer mais provocações - Essas podem ser dolorosamente conscientes de que eles são diferentes ou podem se sentir intrigadas com sua falta de popularidade - As crianças com déficits em habilidades sociais podem ir a extremos para ganhar a aceitação, unicamente por encontrarem-se em fracasso repetido. - Na comunidade, perigos reais, como ruas movimentadas, intimidações e estranhos, testam o senso comum das crianças em idade escolar e a sua desenvoltura. - Interações com colegas sem supervisão de um adulto apela para o aumento de resolução de conflitos ou habilidades pugilistas. - Fantasias compensatórias de ser poderoso pode alimentar a fascinação por heróis e super-heróis → equilíbrio entre fantasia e capacidade adequada para negociar desafios do mundo real indica desenvolvimento emocional saudável. Desenvolvimento moral - Embora com 6 anos a maioria das crianças tenha consciência (regras internalizadas da sociedade), elas variam muito em seu nível de desenvolvimento moral - Para as mais jovens, muitas ainda registram a noção de que as regras são estabelecidas e executadas por uma figura de autoridade e a tomada de decisão é guiada por autointeresse - As necessidades dos outros não são fortemente consideradas na tomada de decisões. - À medida que crescem, a maioria reconhece suas próprias necessidades e desejos, e também as de outros, embora as consequências pessoais ainda sejam o principal condutor do comportamento - Os comportamentos sociais socialmente indesejáveis são considerados errados. - Entre 10 e 11 anos, a combinação de pressão dos pares, desejo de agradar as figuras de autoridade, bem como compreensão de reciprocidade molda o comportamento da criança. ALIMENTAÇÃO ESCOLAR - A fase escolar é aquela dos 7 aos 10 anos e apresenta uma época de crescimento constante e ganho de peso próximo à puberdade. - A sociedade atual vem modificando seus hábitos de vida, com consumo cada vez maior de comidas industrializadas e redução da atividade física → a consequência mais direta é o aumento da prevalência da obesidade infantil. - É importante que o pediatra estimule alimentação e hábitos saudáveis, cujos benefícios serão identificados futuramente através da queda nos índices de sobrepeso e doenças cardiovasculares - Aqui são necessárias no mínimo 3 refeições → frutas, verduras, legumes e cálcio devem ter o consumo estimulado - Sal deve ser ingerido com moderação para prevenir hipertensão arterial na fase adulta - Esportes não competitivos são indicados nesta faixa etária → participação em competições não deve ser estimulada, pois coloca a criança ainda imatura sob grande foco de expectativas e sucesso, podendo acarretar danos psicológicos - Além disso, o treinamento vigoroso pode trazer prejuízos à saúde Adolescência - Período de transição complexo entre a infância e a idade adulta, englobando profundas modificações nos contextos físico, psicológico e social do indivíduo e sua relação com a coletividade. - OMS propõe como definição entre os 10 e 19 anos, e considera juventude a fase de 15-24 anos - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), define a adolescência entre os 12 e 18 anos - A puberdade é uma fase biológica de crescimento e desenvolvimento físico e psicológico, que culmina com a maturidade sexual-reprodutiva e estabelecimento da estatura final - Inicia-se com o aparecimento do broto mamário nas meninas e aumento do volume testicular nos meninos e termina com a fusão das epífises e crescimento final do indivíduo - A primeira consulta pode ser feita com o adolescente e sua família, em seguida outra com o paciente individualmente e a terceira com todos para que as orientações necessárias sejam dadas - Durante o atendimento reservado com o adolescente, o pediatra pode aprofundar-se em questões sobre sexualidade, uso de drogas, violência e projetos futuros - O conteúdo das consultas somente é revelado aos pais com expressa autorização do adolescente - O exame físico pode ou não ser feito na presença dos pais, cabendo ao paciente a decisão de limitar sua intimidade. CRESCIMENTO E DESENVOLVILMENTO FÍSICOS - Puberdade apresenta 2 modificações típicas → maturação sexual e crescimento físico (estirão da puberdade). - É a fase que o indivíduo mais cresce, com exceção do primeiro ano de vida - Velocidade de crescimento → é o melhor parâmetro para se avaliar crescimento EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 7 - Definida pelo aumento da estatura medido em centímetros durante um ano, não deve ser aferida em menos do que seis meses. Meninas: 8-9 cm/ano Meninos: 9-10 cm/ano - Idade-Estatural e Idade-Peso → idade cronológica na qual a média da população apresenta estatura/idade ou peso/idade igual a do paciente avaliado (idade na qual a estatura/peso do pcte cruza a média (p50)) - Proporções corporais → relações entre Segmento Superior/Segmento Inferior e Envergadura/Estatura são medidas que avaliam a proporcionalidade do crescimento - Ao nascimento, o segmento superior é maior que o inferior, na adolescência, a relação SS/ SI passa a ser próxima a 0,9-1 → discrepâncias sugerem malformações ósseas, displasias ou raquitismo - Maturação óssea → o fechamento das epífises ósseas determina a estatura final, independente da idade cronológica. - Análise da maturação óssea feita através do cálculo da idade óssea, obtida por RX da mão e punho esquerdos - As falanges e ossos do carpo e metacarpo do pcte são comparados a fotos de amadurecimentoósseo em várias idades pelo método de Greulich-Pyle. FISIOLOGIA DA PUBERDADE - Os eventos biológicos da puberdade são provocados pela ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal- gônadas, sendo influenciado por inúmeros fatores: Genética → exerce grande influência no desenvolvimento puberal do indivíduo - Gêmeas monozigóticas e irmãs não univitelinas apresentam a menarca muito próxima - Pais e filhos têm características sexuais semelhantes (distribuição de pelos, tamanho das mamas). Ambiente - Nutrição → melhoria do estado nutricional foi fundamental p aceleração temporal da puberdade. - Esportes → prática vigorosa de esportes retarda a puberdade - Urbanização → melhoria de habitação, segurança, saúde e higiene são facilitadores do desenvolvimento. Três eventos endócrinos são fundamentais para a deflagração da puberdade - Aumento da secreção hormonal pela adrenal (adrenarca) - Iniciada aos 6-8 anos, com a produção de andrógenos (DHEA e SDHEA) da glândula suprarrenal, os quais contribuem para a desinibição do hipotálamo. - Permitindo pulsos noturnos cada vez mais frequentes de LHRH e posteriormente de LH. A leptina secretada pelo tecido adiposo, tem também contribuído para diminuição da inibição do hipotálamo. Aumento das gonadotrofinas hipofisárias (ativação ou desinibição dos neurônios hipotalâmicos secretores de LHRH). - Aumento dos esteroides sexuais (gonadarca). - Estimulam a secreção de GH e IGF-1, os quais agem sobre a cartilagem de crescimento proporcionando o alongamento ósseo. - As mudanças sexuais podem ser acompanhadas pelos “Estágios de Tanner”, que avaliam nas meninas a variação de mama e pelos pubianos, e nos meninos o tamanho de pênis e testículo e pelos pubianos. Meninas - O primeiro sinal de puberdade é o aparecimento do broto mamário – telarca (Estágio M2 de Tanner), que ocorre entre 8 e 12 anos e depende principalmente da secreção de estrógenos - Em seguida ocorre a pilificação pubiana – pubarca, dependente dos andrógenos adrenais - Por último, ocorre a pilificação axilar. - A menarca acontece nas fases mais avançadas da maturação sexual (M3 e M4 de Tanner), cerca de 2-2 anos e ½ após a telarca → acontecendo 1 ano após o pico da velocidade de crescimento - A ovulação pode ocorrer desde a menarca, mas normalmente os ciclos menstruais dos 2 primeiros anos após a menarca são anovulatórios e irregulares. - O crescimento estatural começa a acelerar na época do aparecimento do broto mamário (M2), e a velocidade máxima do crescimento em geral ocorre no estágio M3 - Já a menarca marca o início da fase de desaceleração do crescimento estatural - Ocorrendo em fases mais tardias da maturação sexual, comumente estágio M4 de Tanner. PESQYISAR IMAGEM – SLIDE DA MAYRA Meninos - O primeiro sinal de puberdade é o aumento testicular aos 9½ anos, marcando o estágio G2 de Tanner, sendo resultado do aumento de tamanho dos túbulos seminíferos - O crescimento testicular é importante na puberdade, antes de seu início o volume é 1-3 ml → 4 ml ou mais é indicativo de puberdade, sendo que no adulto os volumes variam de 12,5 a 25 ml. - Segue-se o aparecimento dos pelos pubianos e o aumento do pênis - Após o desenvolvimento dos túbulos seminíferos, ocorre a maturação das células de Leydig e a produção de andrógenos testiculares → por isso os pelos pubianos aparecerem depois do crescimento dos testículos - Os pelos axilares usualmente surgem após 2 anos da pubarca, junto do desenvolvimento das glândulas sudoríparas - A pilosidade facial desenvolve-se depois da axilar - O estirão puberal ocorre quando o volume testicular alcança 9-10 cm³ no estágio 4 de Tanner - Em média o pico ocorre aos 13 ½ anos e alcança velocidade de 9,5 cm/ano, terminando aos ~18 anos EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 8 - Os meninos iniciam o pico de crescimento 2-3 anos mais tarde que as meninas, mas este crescimento é prolongado por mais 2-3 anos depois que elas pararam de crescer - O estirão acontece de modo assimétrico → extremidades (mãos e pés, depois braços e pernas) crescem primeiro e o tronco se alonga no final, conferindo ao adolescente uma aparência “desengonçada” - A massa muscular aumenta 6 meses após o aumento do comprimento, com aumento proporcionalmente maior quando comparado ao sexo feminino - A massa magra, que correspondia a 80% no período pré- puberal para ambos os sexos, aumenta para 90% nos meninos e diminui para 75% nas meninas pelo acúmulo de tecido adiposo. - Um aumento no tamanho da faringe, laringe e pulmões é responsável pela modificação na qualidade da voz - A ginecomastia no sexo masculino é normal na puberdade, acometendo 40-65% dos meninos → devido a um excesso de estimulação estrogênica nos estágios 2-3 de Tanner - Geralmente bilateral, e se < 4 cm de diâmetro tem 90% de chance de resolução espontânea em 3 anos. - Aumentos mamários > 4 cm podem necessitar de tratamento hormonal ou cirúrgico. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO COMPORTAMENTAL - Na busca pela identidade adulta, existem três grandes perdas pelas quais o adolescente tem de passar → perda do corpo infantil, da personalidade infantil e separação dos pais - A “síndrome da adolescência normal” é formada por 10 itens. - Busca de si mesmo e da identidade adulta → é a característica mais relevante, através da qual o adolescente busca respostas sobre quem é e aonde quer chegar - No processo de autoconhecimento, o jovem contesta padrões vigentes e busca por novos modelos - É frequente que assuma personalidades “transitórias” influenciadas pela figura de um artista, professor... - São também identidades de caráter “ocasional”, adotadas em situações novas (primeiro beijo, primeiro baile) e “circunstancial”, que depende do local onde esteja o adolescente (sala de aula, academia) - Muitas vezes surpreendem os pais pelas diferenças com a personalidade vivenciada em casa. - Separação dos pais → na infância o núcleo social mais importante é a família e os referenciais são os pais - Na adolescência ocorre um progressivo distanciamento dos pais, e a formação do grupo com indivíduos de mesmo interesse e características semelhantes - Esta separação é muitas vezes interpretada pelos pais como uma manifestação de desacato e perda de importância na vida dos filhos, o que pode gerar conflitos internos graves - Atitudes como a não demonstração de afeto na frente de amigos, distanciamento dos pais na busca ao colégio ou festas são exemplos desta “desagregação progressiva”. - Formação de grupos → se formam nas escolas, nos bairros, nos cursinhos, nos clubes, e têm papel fundamental ao dar suporte emocional e tornar cada um dos componentes mais forte - Nem sempre os “grupos” têm uma influência negativa na formação do indivíduo, ratificando comportamentos antissociais e de risco → fortalece o espírito de equipe, solidariedade e proporciona lideranças construtivas. - Desenvolvimento do pensamento abstrato, necessidade de intelectualizar e fantasia - No estágio operatório formal (6-12 anos) de Piaget, a criança começa a raciocinar lógica e sistematicamente - Esse estágio é definido pela habilidade de engajar-se no raciocínio abstrato → o jovem passa a criar hipóteses para tentar explicar e resolver seus problemas, e os conceitos abstratos aparecem nessa etapa do desenvolvimento - Enquanto a criança aprende manipulando objetos, o adolescente o faz manipulando ideias - A necessidade de intelectualizar e fantasiar é expressa através do uso de diários, agendas e páginas de internet → que permite que o adolescente reflita sobre si e consiga dar maior contorno a sua personalidade em formação. - Contradições de conduta → também fazem parte desse desenvolvimento e são necessárias para que o indivíduo possa experimentar e decidir suas preferências- Por outro lado, adolescentes com comportamentos muito rígidos e inflexíveis devem preocupar pais e médicos, pois não terão espaço para amadurecer. - Crises religiosas → o confronto religioso com as crenças paternas é outra característica do período. - Movimentos radicais desde a fé inabalável até o niilismo são vistos, e suas posições defendidas com veemência - Ao final da adolescência, o período de críticas e questionamentos dá lugar a uma reformulação mais estável das crenças religiosas. - Vivência temporal singular → o adolescente tem uma interpretação do tempo distorcida, ora parecendo o momento próximo, distante, ora parecendo o distante muito perto. - Atitude social reivindicatória → expressa através de contestações, agressividade, impetuosidade, argumentações sobre várias questões da vida - Essa aparente violência deve ser conduzida pelos pais com diálogo e propostas, reduzindo-se as decisões baseadas no autoritarismo. - Flutuações de humor e ânimo → as variações constantes e voláteis de tristeza versus alegria, energia versus desânimo são provocadas pela dificuldade em lidar com os sentimentos trazidos pela experiência adulta - Com o tempo, o amadurecimento emocional permite que dar lugar a um humor mais estável. - Evolução sexual → no início da adolescência existe grande interesse pelas transformações nos órgãos EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 9 sexuais, e atividades masturbatórias e de autoerotismo são a marca - Outro aspecto é a falta de separação do homo e heterossexualismo → é frequente a prática de manipulaçãodo corpo de outro indivíduo do mesmo sexo sem que isto signifique inclinação homossexual - Esta pode ser apenas uma prática transitória, destituída de maior importância na definição sexual SEXUALIDADE E ANTICONCEPÇÃO - Na primeira etapa da adolescência (10 aos 13 anos) ocorrem modificações no próprio corpo e curiosidade sexual - Atividade masturbatória e fantasias são comuns, e podem produzir sentimentos de culpa. - A automanipulação é uma prática de conhecimento dos órgãos genitais e das sensações físicas - Relações sentimentais dessa fase são do tipo platônica (conversas intermináveis ao telefone, admirações veladas e à distância) ou monossexuais (somente entre meninos; somente entre meninas). - Na segunda etapa (14 aos 16) o desenvolvimento dos caracteres sexuais é profundo e a energia sexual está no auge → surgem os primeiros contatos físicos homo/heterossexuais e experimentam-se as primeiras relações - É um momento vulnerável em relação à adoção de comportamentos de risco. - Na etapa tardia (17 aos 20 anos) as relações são menos exploratórias e mais fundamentadas no afeto pelo outro. - Fase em que se delimitam as preferências hetero ou homossexuais. - Há maior consciência sobre riscos de DSTs e gravidez, com adoção de práticas de proteção. - A escolha de um método anticoncepcional deve considerar → maturidade psicológica do adolescente, capacidade de compreensão, motivação para uso, frequência das relações, adesão do parceiro, conceitos éticos, custo e eficácia. - Devido à alta prevalência de ISTs, estabeleceu-se a necessidade da “dupla proteção” → conceito que coloca no mesmo grau de importância a prevenção de doenças e a gravidez. - Pode ser realizada com o uso único e correto do preservativo, ou a associação de um método de barreira mais outro método anticoncepcional. VACINAÇÃO DO ADOLESCENTE Vacina hepatite B (recombinante) → administrar em adolescentes não vacinados ou sem comprovante de vacinação anterior, seguindo o esquema de três doses (0, 1 e 6) - Com intervalo de 1 mês entre a primeira e a segunda dose e de 6 meses entre a primeira e a terceira dose - Aqueles com esquema incompleto, completar o esquema Vacina adsorvida difteria e tétano - dT (Dupla tipo adulto) → adolescente sem vacinação anteriormente ou sem comprovação de 3 doses da vacina, seguir o esquema de três doses - O intervalo entre as doses é de 60 dias e no mínimo de 30 (trinta) dias - Vacinados anteriormente com 3 (três) doses das vacinas DTP, DT ou dT, administrar reforço, a cada 10 anos após a data da última dose - Em caso de gravidez, ferimentos graves e pessoas comunicantes de casos de difteria, antecipar a dose de reforço quando a última dose foi administrada há mais de 5 (cinco) anos. Vacina febre amarela (atenuada) → indicada uma dose aos residentes ou viajantes para áreas endemicas - 10 dias antes da data da viagem. A vacina é contraindicada para gestante e mulheres que estejam amamentando. Vacina Sarampo, Caxumba e Rubéola (SCR) → considerar vacinado o adolescente que comprovar 2 doses - Em caso de apresentar comprovação de apenas uma dose, administrar a segunda - Intervalo entre as doses é 30 dias. Vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) Meninas (9-14 anos) → 2 doses, 0-6 meses Meninos (9-10 anos) → 2 doses, 0-2-6 meses Vacina anti-meningocócica C conjugada → dose única ou reforço. ALIMENTAÇÃO DO ADOLESCENTE - Época de grandes modificações físicas e psicológicas, com necessidades nutricionais e metabólicas aumentadas - Os meninos aumentam mais massa muscular, com aumento de 35 kg versus 18 kg em meninas - Também, crescem por um período mais prolongado - As meninas acumulam tecido adiposo em maior proporção - O pico da densidade mineral óssea ocorre no final da puberdade, coincidente com o estágio 4 de Tanner - As necessidades de cálcio (99% deste elemento está presente no osso) são evidentes neste período de aumento da massa óssea - Recomenda-se que 60% da ingestão de cálcio seja feita através do consumo de leite e derivados. - As necessidades de ferro também aumentam devido ao aumento da mioglobina e de 33% do número de hemácias. - As meninas são mais suscetíveis à depleção de ferro pelas perdas menstruais → necessidade do elemento 3x maior - Na dieta, dar sempre preferência à ingestão de ferro heme, presente em alimentos de origem animal - Adolescentes já podem praticar esportes competitivos. EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 10 Distúrbios da puberdade Atraso puberal Atraso puberal: nas meninas é a ausência da telarca após 13a ou pubarca após os 14 ou menarca após 16. Nos meninos, quando há ausência de pubarca aos 14, 15 anos ou ausência de volume testicular após os 14. - Dividido em: Retardo puberal Hipogonadismo hipo ou hipergonadotrófico RETARDO PUBERAL - São as doenças que promovem um atraso temporário na puberdade. ATRASO CONSTITUCIONAL DA PUBERDADE - É a causa mais frequente de atraso puberal - Variante do desenvolvimento, tendo em vista que os pacientes são normais do ponto de vista clínico e procuram o atendimento médico porque se acham “pequenos” para a idade cronológica - Ocorre lentificação em todo processo fisiológico de crescimento e desenvolvimento, mas não ultrapassa 2-4 anos. - Eles possuem velocidade de crescimento lenta anterior à puberdade, diminuição da secreção de GH, resposta adequada à administração de estrogênio ou andrôgenio e HF de maturação física mais lenta - Ao iniciar o processo de desenvolvimento puberal e maturação sexual, eles retornam ao ritmo de crescimento normal com recuperação da estatura, alcançando a estatura alvo-familiar. DOENÇAS CRÔNICAS - A presença de doenças crônicas em atividade (DII, fibrose cística, asma grave, cardiopatias, anemia falciforme, desnutrição, anorexia) limita a utilização de substratos pelo organismo - Isso desvia toda sua bioquímica para o controle do processo patológico - Vias metabólicas menos vitais ficam estagnadas até ser possível o retorno à fisiologia normal ENDOCRINOPATIAS - A deficiência de GH, hiperprolactinemia, hipotireoidismo e diabetes mellitus são alguns exemplos HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO (2ª) - Doenças que cursam com alteraçõesa nível hipotalâmico ou hipofisário, resultando em diminuição das gonadotrofinas hipofisárias (FSH e LH) - Pode ocorrer por doenças no SNC (tumores, traumas, infecções), deficiência de gonadotrofinas (hipoplasia suprarrenal congênita) e outros (Cushing, desnutrição, hipotireoidismo, Síndrome de Prader-Willi etc). - A principal queixa nesses pacientes não é baixa estatura, mas o atraso no desenvolvimento puberal HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO IDIOPÁTICO (DEFICIÊNCIA CONGÊNITA DE GNRH) - É a forma mais comum de deficiência isolada de gonadotrofinas → resulta de incapacidade de produção de GnRH pelos neurônios hipotalâmicos ou de mutação no receptor de GnRH hipofisário - Afeta mais homens, e as manifestações clínicas podem ocorrer em qualquer idade - No período neonatal provoca micropênis e/ou criptorquidismo - Na infância, quando associado à anosmia, fenda labiopalatina e sindactilia é referida como a Síndrome de Kallmann. - No adolescente manifesta-se como atraso puberal. - Na síndrome de Kallmann ocorre malformação dos bulbos olfatórios, levando a hiposmia/anosmia e atraso puberal, provocado por falha de migração dos neurônios secretores de GnRH - A deficiência de GnRH no período pré-puberal tem velocidade de crescimento normal e idade óssea compatível com a idade cronológica → achados laboratoriais - Testosterona < 100 ng/dl em meninos e estradiol < 20 pg/dl - Níveis de FSH e LH subnormais, geralmente < 4-5 IU/L - O principal e mais difícil diagnóstico diferencial é com o atraso puberal constitucional. - É frequente que apenas a observação clínica ao longo do tempo e o desenvolvimento normal da puberdade, selem o diagnóstico de retardo constitucional. AUSÊNCIA ISOLADA DE LH OU FSH - A ausência isolada de LH no sexo masculino produz a síndrome do eunuco fértil - Indivíduo masculino com testosterona diminuída e espermatogênese preservada pelo estímulo do FSH - Ausência isolada de FSH produz nas meninas o nao desenvolvimento folicular e nos meninos oligo/azoospermia. OUTRAS CONDIÇÕES - Displasia septo-óptica, síndrome de prader-will, craniofaringioma, radiação, doenças infecciosas e traumas HIPOGONADISMO HIPERGONADOTRÓFICO (1ª) - Desordens das gônadas, com produção pequena ou ausente de esteroides sexuais - Como consequência ocorrem altos níveis de gonadotrofinas pela falta do feedback negativo dos esteroides sobre a hipófise. - No sexo feminino → disgenesia gonadal e variantes. Síndrome de Turner, Síndrome do Ovário Policístico, pós- quimioterapia EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 11 - No sexo masculino → Síndrome de Klinefelter, disgenesia de túbulos seminíferos, insuficiência testicular, pós-quimioterapia. DIAGNÓSTICO DO ATRASO PUBERAL - Hábitos nutricionais, prática de exercícios, doenças preexistentes e medicações que possam atrasar a puberdade. - Muitas vezes a queda na velocidade de crescimento e retardo da maturação sexual podem ser os primeiros indícios de uma doença metabólica subjacente, como doença inflamatória intestinal e hipotireoidismo - Anormalidades de linha média (fenda labial, palatina), epilepsia, retardo mental, distúrbios visuais, anosmia apontam para doença de SNC - Exame físico → atentar para crescimento, presença de estigmas sindrômicos, aferição de PA, palpação da tireoide e estadiamento sexual. EXAMES COMPLEMENTARES Solicitar RX de punhos e mãos, RX de crânio (sela túrcica, calcificações) → idade óssea Dosagens de LH, FSH, testosterona e/ou estradiol - De acordo com a suspeita clínica, solicita-se outros exames: TC ou RNM de crânio USG pélvica para avaliar gônadas e útero Dosagem de prolactina → apresentações clínicas em que a puberdade se iniciou, mas foi interrompida. o Adenoma produtor de prolactina pode inibir a secreção de GnRH TSH, T3 e T4 → atrasos puberais com velocidade de crescimento muito reduzida e idade óssea atrasada Dosagem de sulfato de deidroepiandrosterona (S- DHEA) → androgênio adrenal que pode auxiliarna diferenciação entre retardo constitucional e hipogonadismo hipogonadotrópico. Cariótipo → para diagnóstico da síndrome de Klinefelter nos homens e Turner nas mulheres - No atraso constitucional recomenda-se acompanhamento dos casos por 6-12 meses antes de iniciar a terapêutica hormonal, com tolerância até os 16 anos - Depois, pode-se instituir diminuição das doses de enantato de testosterona/estrogênio diário por 2-3 meses - Em pacientes com hipogonadismo, a indução hormonal deve ser iniciada aos 14 anos e IO < 14 anos. TRATAMENTO - Direcionado para causa básica do atraso puberal - A distinção entre retardo constitucional e deficiência de GnRH não é fácil, e muitas vezes apenas o tempo e a evolução podem auxiliar na elucidação diagnóstica. - No APC com grandes repercussões psicossociais, pode ser indicada terapia hormonal de curta duração - Para meninos após 14 anos, o ciprionato ou enantato de testosterona (50mg IM/mês) por 3-6 meses. - Para meninas há possibilidade de início de estrogênios a partir de 13 anos em baixas doses associadas ou não a progestagênio. Puberdade precoce - Início dos eventos puberais com menos de 8 anos no sexo feminino, e antes dos 9 anos no sexo masculino - As causas variam desde uma variante normal do desenvolvimento (adrenarca isolada) até causas patológicas com importante risco de morbimortalidade - Existe maior incidência de precocidade puberal em meninas que em meninos - Grande parte dos pctes com puberdade precoce apresenta perda da estatura final prevista, sendo importante avaliar a velocidade de progressão dos sinais e o potencial de comprometimento da estatura. - O ritmo de evolução dos estágios puberais deve ser controlado (entre 2 estágios, o intervalo é de aproximadamente 1 ano) e deve ser investigado quando o período for inferior ou igual a 6 meses. - Sinais puberais isolados (telarca ou pubarca) podem estar presentes sem que ocorra aceleração da idade óssea e da velocidade de crescimento (adrenarca e telarca prematuras). - Acontece por secreção hormonal da suprarrenal → geralmente a partir de 6 anos - Para tratamento se analisa o início da puberdade, aumento acelerado da idade óssea e rapidez da progressão dos sinais puberais com previsão de perda da estatura final. - Não precisa de intervenção se não tiver ACELERAÇÃO CONSTITUCIONAL DA PUBERDADE - Nesse caso, a velocidade de crescimento é maior que a média para a idade e ocorre antes do início puberal, com avanço da idade óssea e da estatura, que é proporcional ao padrão familiar e com previsão de estatura fina normal. PUBERDADE PRECOCE CENTRAL - Decorre do estímulo precoce do eixo hipotálamo-hipófise, com aumento da secreção das gonadotrofinas, gerando aumento de hormônios esteroides sexuais. - Idiopática → 90% dos casos e é mais comum no sexo feminino - Anóxia perinatal, quimioterapia, radioterapia - Tumores de SNC → hamartomas de túber cinéreo são os principais, geralmente antes de 3 anos - Eles são formados por neurônios secretores de GnRH em localização ectópica. - Há desenvolvimento de pelos pubianos e mamas nas meninas e pelos pubianos e aumento testicular nos meninos - As características sexuais são sempre apropriadas ao sexo (isossexuais). DIAGNOSTICO EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 12 - Dosagens de gonadotrofinas incompatíveis com a idade criança, havendo aceleração da idade óssea em relação à cronológica (i. óssea > i. cronológica), com súbita aceleração da v. de crescimento e distúrbios de relacionamento. - Dosagem de gonadotrofinas basais que indicam início da puberdade: - LH > 0,6 UI/L, FSH > 1,1 UI/L (meninos) e > 1,9 (meninas) UI/L. - Teste de estímulo com LHRH ou GnRH - Admn de LHRH (75 mcg/m2 EV) seguida das dosagens sanguíneas de LH e FSH, nos tempos 0,30 e 60 minutos - No padrão puberal, existe predomínio do LH sobre o FSH → responsivos quando LH > 5-8 UI/L - Admin de análogo de GnRH (3,75 mg EV) seguida das dosagens sanguíneas de LH e FSH 2 horas depois - No padrão puberal existe elevação do LH > 10 UI/L e relação LH:FSH > 1 - Métodos de Imagem → RNM deve ser indicada TRATAMENTO - Feito com análogos do GnRH → estimulação inicial do análogo sobre a hipófise, seguido de dessensibilização dos receptores hipofisários (down-regulation) → secreção das gonadotrofinas reduz substancialmente - Ocorre a parada ou até mesmo involução de muitas características sexuais secundárias - Existem formulações de depósito para uso nasal e intramuscular, administrados a cada 4 semanas - Níveis de LH abaixo de 3 mU/ml indicam boa resposta aos análogos PUBERDADE PRECOCE PERIFÉRICA (PSEUDOPUBERDADE) - Aumento da secreção dos esteroides sexuais, independentemente do aumento das gonadotrofinas - Maturação hipotalâmica secundaria à exposição precoce aos esteroides sexuais endo ou exógenos - Nesses casos, é necessária a avaliação da fonte desses hormônios. - O diagnóstico irá depender da história clínica, revisão dos sistemas, estadiamento puberal e dosagens hormonais. - A USG e a TC afastam presença de tumores gonadais, intra-abdominais ou cerebrais - Exames laboratoriais para detectar →hiperplasia de suprarrenal, síndrome dos ovários policísticos etc. DIAGNOSTICO - Identificar se a puberdade é precoce central ou periférica, dosando-se gonadotrofinas basais LH e FSH. - Relação LH/FSH > 1 → sugere puberdade precoce central. - Relação for LH/FSH < 1 → sugere secreção pré-puberal. - Teste de estímulo com GnRH → avalia ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. - Dosagem de esteroides sexuais e outros hormônios → 17-OH-progesterona, androstenediona, DHEA. - Idade óssea, RM de crânio, RX de crânio, USG pélvico TRATAMENTO - Depende da causa → remoção cirúrgica em casos de tumores e tratamento hormonal. - Tratamento hormonal feito com análogos agonistas do GnRH → causam estímulo inicial seguido de supressão mantida de gonadotrofinas. - Feito principalmente para recuperação da estatura final, tendo melhores resultados no sexo feminino - Obtidos com IC menor que 6 anos e tratamento até que a IO seja ~12 anos. - Contrapontos do tratamento → tendência à redução da mineralização óssea - Evitada com suplementação oral de gluconato e carbonato de cálcio - Pode diminuir a velocidade de crescimento, a ponto de impedir a recuperação estatural durante o tratamento e a estatura final permanecer menor que a estimada. Obesidade na infância - Obesidade é definida a partir da avaliação do IMC com as curvas de crescimento da OMS → escore Z - Para crianças de 5-10 anos e adolescentes de 10-19 anos o Escore Z + 1 → percentil 85 o Z + 2 → percentil 97 o Z + 3 → percentil 99,9 Entre Z+1 e Z+2 ou entre P85 e P97 → SOBREPESO Entre Z+2 e Z+3 ou entre P97 e P99,9 → OBESIDADE Acima de Z+3 ou acima do P99,9 → OBESIDADE GRAVE - Para crianças de 0 a menos de 5 anos o Entre Z+1 e Z+2 → RISCO DE SOBREPESO o Entre Z+2 e Z+3 → SOBREPESO o Acima de Z+3 → OBESIDADE - Na etiologia, há uma influencia do meio e influencia genética - Os principais fatores de risco são a obesidade dos pais (mãe principalmente) e o peso elevado ao nascer - Pouca atividade física → horas/dia de screen time - Há maior risco de obesidade na idade adulta - No controle da alimentação, há influência do hormônio leptina → produzida nos adipócitos, atua no hipotálamo - Situações de jejum e perda de peso levam a baixas concentrações de leptina, devido ao menor nm de adipócitos EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 13 - A leptina inibe o neuropeptídeo Y → sem ela, ele é liberado - Ele aumenta a fome / ingesta alimentar e diminui o gasto energético do metabolismo basal - Acontece isso pois o organismo quer continuar como está → voltar para o estado de sobrepeso - Se indica perda de 10% do peso em um período de 6 meses, aos poucos para adaptação do organismo - Quando se tem alimentação e ganho de peso, os níveis de leptina aumentam - Isso leva ao aumento da melanocortina → o que diminui o apetite e a ingesta de alimentos. Além de aumentar o gasto energético Outros - Os hormônios gastrointestinais, como colecistoquinina, peptídeo YY e feedback vagal, estimulam a saciedade, ao passo que a grelina estimula o apetite. - Adiponectina → hormônio sintetizado pelo tecido adiposo → antidiabético, antiteratogênico e anti-inflamatório - Quanto maior o grau de obesidade, menores os níveis de adiponectina. - TRH (hormônio estimulador da tireotrofina), CRH (hormônio estimulador da corticotrofina), MSH (hormônio melanócito-estimulante) → inibem o apetite. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E DIAGNÓSTICO - Diagnostico diferencial com → hipotireoidismo, síndrome de Cushing e disfunção hipotalâmica - Obesidade é relacionada com estatura elevada, avanço na idade óssea, puberdade precoce Diagnóstico diferencial da obesidade infantil COMPLICAÇÕES - Crianças e adolescentes com obesidade e sobrepeso apresentam várias comorbidades, que devem ser investigadas. - Sinais de doenças associados à obesidade na infância e adolescência segundo a SBP o Dermatológicos → acantose nigricans, candidíase, furunculose, estrias, celulite, acne e hirsutismo. o Ortopédicos → genu valgum, osteocondrites, artrites degenerativas, pé plano. o Cardiovasculares → hipertensão arterial. o Respiratório → síndrome da apneia obstrutiva do sono e asma. o Hepáticos → colelitíase, esteatose hepática não alcoólica. o Gastrointestinais → refluxo gastroesofágico e constipação intestinal. o Geniturinários → síndrome dos ovários policísticos, pubarca precoce, incontinência urinária. o Sistema nervoso → pseudotumor cerebral, problemas psicossociais. - Diante de uma criança obesa existe um screening de exames complementares para rastreio de outras condições o Glicemia de jejum e Hb glicada; lipidograma (triglicerídeos, CT, HDL, LDL), enzimas hepáticas (TGO e TGP). TRATAMENTO - Melhor conduta é a prevenção → modificar hábitos de vida e alimentação da família antes que a doença se instale - Como as crianças ainda estão em fase de crescimento e desenvolvimento, não se objetiva grandes perdas ponderais e as dietas não devem ser muito restritivas - Para crianças pequenas o não ganho ponderal já é resultado positivo no tratamento - Para crianças maiores, a perda de peso não deve ultrapassar mais de 500 g/semana - Meta é a perda de até 10% do peso inicial → após 6 meses, novo alvo deverá ser estipulado - As modificações de comportamento alimentar e físico ocorrem a médio e longo prazo. EDUCAÇÃO NUTRICIONAL Toda criança com IMC >= p85 e que apresente complicações relacionadas, ou toda criança com IMC no percentil= >= 95 (com ou sem complicações) deve receber orientação dietética para o tratamento de obesidade Ênfase na ingestão de alimentos de menor densidade calórica, a não realização de lanches nos intervalos das refeições principais, a correta mastigação dos alimentos etc o O ideal da composição nutricional diária é que 15% a 20% das calorias venham das proteínas, 50 a 60% dos carboidratos e 30% das gorduras o Ingestão total de sal restrita a 6 g/dia e evitar consumo de açúcares simples (balas, guloseimas, biscoitos) ATIVIDADE FÍSICA - Crianças < 2 anos, devem evitar televisão e computador - Aquelas de 2 a 18 anos deverão ter restrições quantitativas em frente as telas para < 2h/dia - Retirada da televisão do quarto das crianças Highlight EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 14 - Atividade física estimulada em todas as idades, de acordo com cada faixa etária → desenvolve força muscular, coordenação e flexibilidade, melhora ocondicionamento cardiorrespiratório e evita doenças crônicas - Esporte sem competição recomendado a partir de 8 anos - A partir de 12 anos indicam-se os esportes objetivando resultados - A frequência de 3 a 5 vezes por semana, mas nunca 7 dias MEDICAÇÕES - Reservadas para os casos que apresentam comorbidades graves associadas, e se associada à obesidade houver doença psiquiátrica que a promova (ex.: compulsão alimentar, depressão) - Usados apenas como coadjuvantes ao tratamento principal Sibutramina → droga que diminui a recaptação de noradrenalina, serotonina e em menor grau dopamina no SNC. o Promove indução da saciedade e eleva discretamente o metabolismo basal. o Só está liberada para uso adulto Orlistat → inibidor da lipase pancreática, reduzindo cerca de 30% das gorduras ingeridas na dieta No Brasil é apenas liberada para adultos. Fluoxetina e sertralina → atuam inibindo a recaptação seletiva de serotonina o Fluoxetina liberada a partir de 8 anos e sertralina a partir dos 6 anos, para tratamento de depressão e TOC o A perda de peso associada é apenas verificada no início do tratamento → pode ser usada na obesidade quando esta for claramente vinculada a distúrbios de compulsão alimentar, depressão ou TOC Topiramato → droga antiepilética com efeito anorexígeno de mecanismo ainda não conhecido o No Brasil é liberado apenas como medicação anticonvulsivante Metformina → usada para síndrome metabólica, parece ter pequeno efeito sobre a perda de peso Octreotide → análogo da somatostatina que reduz a secreção de insulina e GH o Pode ser usado nas obesidades de causa hipotalâmica, sem resposta ao tratamento convencional