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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ DANIELLE DE OLIVEIRA ZAGANSKI EDNA REGINA DE LIMA FRANCISCO DO VALE FILHO GABRIELY TALARICO MESSIAS MILENA HAIS DE NATAL BALERA RAMOS VANESSA FERNANDES ROCHA DOS SANTOS VACINAS: DIFERENTES TIPOS, VANTAGENS E DESVANTAGENS CURITIBA 2022 1 INTRODUÇÃO Certamente, as vacinas mudaram a qualidade e a expectativa de vida das populações ao longo de uma história que se inicia no final do século XVIII e que se desenvolve para a melhoria da saúde pública e o bem-estar social. No início do século XVII, a varíola era uma das doenças transmissíveis mais temíveis do mundo, atingindo até a juventude, a maioria das pessoas e representando uma alta taxa de mortalidade (FEIJÓ e SÁFADI, 2008; VOGT, 2014). A história da vacina se mistura com a história da varíola, pois um médico inglês Edward Jenner em 1796 após observações e testes, constatou que a doença viral varíola, foi comparada com feridas que apareciam nas tetas das vacas e as mulheres que faziam a ordenha tinham uma reação mais leve da doença. Todas eram ordenhadoras e tinham se contaminado com cowpox, uma doença bovina semelhante à varíola, pela formação de pústulas. (ALVES. et al. 2019; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019). Desta forma, conduziu sua primeira experiência de “vacinação bem-sucedida”, com James Phipps, um menino de oito anos, quando utilizou o material das pústulas de “varíola” bovina e inoculou o vírus no garoto, que teve febre e algumas lesões, porém, não desenvolveu a infecção, mais tarde o infectou novamente o menino com a varíola humana não apresentou nenhum sintoma da varíola (e este criou uma resposta imune contra o vírus da varíola (ABBAS, 2015; ALVES. et al. 2019). O procedimento de Jenner veio a ser chamado de vacinação, por causa do termo vacca, a palavra que em latim significa ''vaca", e a substância utilizada para vacinar foi chamada de vacina. O médico sofreu ataques, afirmavam que o seu método fazia pessoas adquirirem características da vaca após utilizar o vírus da varíola bovina para induzir imunidade, (COICO e SUNSHINE, 2010). No mesmo ano, foi desenvolvida a primeira vacina contra a varíola e durante os séculos 18 e 19 houve a implementação sistemática da imunização em massa contra a varíola onde culminou em sua erradicação global em 1979. Após 100 anos do experimento da imunização contra a varíola Louis Pasteur descobriu a possibilidade de outras vacinas usando, bactérias e vírus (LAROCA e CARRARO, 2000). 2 VACINA A vacina é definida como um material que pode induzir de forma artificial imunidade a uma doença, ela é aplicada em indivíduos desde o seu nascimento por injeção ou, em alguns casos, ingestão do material, esse material estimula o sistema imune exposto a uma versão inócua de um patógeno a produzir anticorpos que possuem protetores específicos de células de memória, porém sem causar a doença, mas desencadeia uma forte resposta imune mediada principalmente por células B, células T e células de memória que no futuro, irão proteger o imunizado contra patógenos específico (FADER e ENGELKIRK, 2021; CREPE, 2009). 3 VACINA DE ORGANISMO ATENUADO A vacina de organismos atenuados é aquela que possui um vírus ainda ativo, mas que passa por um processo no qual sua virulência é reduzida a níveis seguros para o uso. O método de obtenção mais comum é através de infecções sequenciais de vírus patogênicos em culturas in vitro, que resulta em cepas menos virulentas, porém, sem afetar a capacidade do vírus de se replicar. Nessa produção de vacinas contendo vírus vivos atenuados, os mutantes atenuados perderam sua patogenicidade, mas mantiveram sua antigenicidade, isso ocorre devido as várias mutações genéticas que comprometem o funcionamento do fator viral necessário para causar a patogenicidade, portanto, induzem a imunidade sem causar doença. (FIOCRUZ, 2022; LEVINSON, 2011). Exemplos: Poliomielite, Sarampo, Caxumba, Rubéola. 3.1 VANTAGENS: • Indução da resposta imune celular e humoral; • Formação de memória Imunológica; • Potencialização da resposta imune inata; • São eficazes apenas com uma dose (com exceção das orais). 3.2 DESVANTAGEM: • Não devem ser ministradas em gestantes, pessoas com imunodeficiência e com neoplasias malignas. 4 VACINA DE ORGANISMO INATIVO OU MORTO Esse tipo de imunizante possui o patógeno que se quer combater, porém inativado, “morto” por agentes físicos ou químicos, evitando que provoque doença. Desta forma a vacina engana o sistema imunológico, fazendo com que ele acredite na existência de uma infecção e impede que a pessoa adoeça ao entrar em contato com o vírus (BUTANTAN, 2022). Exemplos: Poliomielite, Hepatite A, Influenza (gripe), Raiva. 4.1 VANTAGENS: • Os vírus inativados não são capazes de se multiplicar, assim, não produzirem doenças; • A resposta de uma vacina não interfere na outra e por isso podem ser aplicadas sem intervalo mínimo entre elas, ou ao mesmo tempo; • Podem ser usadas em gestantes ou pessoas imunodeprimidas; • Não causa reações pós aplicação. 4.2 DESVANTAGEM: • A vacina de vírus morto ou inativo não é um bom imunógeno, uma vez que há pouca produção de IgA e o título de IgG é relativamente baixo. 5 VACINA DE TOXÓIDE COMPOSTO INATIVADO Produzida através da anatoxina, uma toxina bacteriana ou viral inativa na qual perde ou modifica sua ação tóxica mantendo apenas as suas propriedades imunogênicas específicas estimulando assim a produção de anticorpos. Algumas doenças bacterianas que são causadas pela toxina liberada pela bactéria, quando há tratamento laboratorial específico essas toxinas se tornam inativas e continuam estimulando a resposta imune servindo como vacina. Quando o organismo recebe uma vacina contendo um toxóide ele compreende como combater a toxina natural, podendo gerar uma imunização fraca e necessitando de reforço após alguns anos. Esse tipo de vacina é importante por ser possível a produção em larga escala sem risco de patogenicidade, porém, induz apenas resposta humoral e necessita de múltiplas doses (PINHEIRO, 2021). Exemplos: Tétano, Difteria e Botulismo. 5.1 VANTAGEM: • Os toxóides podem ser injetados com segurança para estimular a produção de anticorpos que são capazes de neutralizar as toxinas dos patógenos, como as que causam o tétano, o botulismo e a difteria. 5.2 DESVANTAGEM: • São necessárias várias doses para adquirir imunidade e reforços ao longo da vida produtos tóxicos dos microrganismos, também inativados. 6 VACINA DE SUBUNIDADES Também chamada de acelular, as vacinas de subunidade utilizam antígenos, (fragmentos do vírus) purificados que estimulam a produção de anticorpos de um patógeno, ao invés de usar um patógeno inteiro e “enganam” o sistema imune, que acredita ser um agente infeccioso morto, ou uma partícula dele, e desencadeia o processo de proteção. (FADER e ENGELKIRK, 2021; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Exemplos: Coqueluche, Tétano, Difteria, Influenza tipo B. 6.1 VANTAGEM: • São seguras, pois não há possibilidade de causar doença. 6.2 DESVANTAGEM: • São necessárias 3 a 5 doses e reforços para induzir uma resposta imunológica adequada. 7 VACINA DE DNA A vacina de DNA ou gênicas é aquela que codifica as proteínas virais apropriadas modificadas geneticamente em um vetor viral ou plasmídeo, introduz um gene ou seus fragmentos codificadores de proteínas típicas do patógeno no organismo, esse DNA composto estimula anticorpos e células T citotóxicas, protegendo contra doença, pois expressam permanentemente a proteína exógena, a qual estimula o seu próprio sistema imune. (LEVINSON, 2011). Exemplos: Hoje existem quatro vacinas de DNA aprovadas para uso em animais, uma delas é a vacina para esquilos contra o vírus do oeste do Nilo.Ainda em andamento existem ensaios clínicos de vacinas de DNA, para humanos, que são para M. Tuberculosis, Malária, Vírus Zika, entre outros (FADER e ENGELKIRK, 2021). 7.1 VANTAGEM: • É que as vacinas de DNA são consideradas seguras, baratas e de fácil obtenção. 7.2 DESVANTAGEM: • É que esse tipo de vacina induz respostas imunes muito fracas em seres humanos. 8 RISCOS ASSOCIADOS A NÃO VACINAÇÃO A decisão de um indivíduo de não se vacinar, não acarreta consequências apenas para ele, mas também para pessoas do seu próprio convívio. A não vacinação contribui para reduzir a imunidade populacional, podendo resultar em surtos localizados de infecção em grupos ou populações específicas. A maioria das doenças que podem ser prevenidas por vacina são transmitidas pelo contato com objetos contaminados ou quando o doente espirra, tosse ou fala, pois ele expele pequenas gotículas que contém os agentes infecciosos. Assim, se um indivíduo é infectado, pode transmitir a doença para outros que também não foram imunizados. Graças à vacinação, houve uma queda drástica na incidência de doenças que costumavam matar milhares de pessoas todos os anos até a metade do século passado, isso também pôde ser observado há pouco tempo, na pandemia da COVID- 19, onde os casos começaram a diminuir significativamente com a vacinação em massa. Ainda podemos observar alguns desses riscos associados a não vacinação, que viemos enfrentando, pois, grande parte dos óbitos foram antes da obtenção da vacina ou até mesmo de pessoas que se recusaram ou não tiveram a oportunidade de se vacinar. Porém, outras doenças podem reaparecer com a baixa na imunização da população brasileira, muitas pessoas e até profissionais da saúde, atualmente desconhecem inúmeras doenças, graças ao surgimento da vacina. Entretanto este assunto, também vem causando muita preocupação, pois essa baixa pode acarretar surtos de doenças como: Sarampo, Poliomielite, Difteria, Rubéola, entre outras. 9 PLANO DE VACINAÇÃO DO BRASIL As vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico a proteger a pessoa contra doenças transmissíveis. Quando adotada como estratégia de saúde pública, elas são consideradas um dos melhores investimentos em saúde considerando o custo-benefício. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil é um dos maiores do mundo, ofertando 45 diferentes imunobiológicos para toda a população. Há vacinas destinadas a todas as faixas-etárias e campanhas anuais para atualização da caderneta de vacinação (MINISTÉRIO DA SAÚDE, [2022]). A partir de 2004 foram criados três calendários obrigatórios de vacinação em todo o território brasileiro, através de uma portaria do Ministro da Saúde, a qual estabeleceu quais vacinas, doses e períodos de vacinação fariam parte de cada Calendário Básico de Vacinação: de Criança (Tabela 1), de Adolescente (Tabela 2) e de Adulto e Idoso (Tabela 3). (MINISTÉRIO DA SAÚDE - REVISTA DA VACINA, [2006]) Vale ressaltar que as vacinas para COVID-19 ainda não constam no plano de vacinação utilizado para este trabalho, porém, isso deve ser atualizado em breve, como ocorrido em diversos sites. (Tabela 1) CALENDÁRIO BÁSICO DE VACINAÇÃO DA CRIANÇA (Fonte: http://www.ccms.saude.gov.br/revolta/calendario1.html acessado em 25/08/2022) http://www.ccms.saude.gov.br/revolta/calendario1.html%20acessado%20em%2025/08/2022 (Tabela 2) CALENDARIO DE VACINAÇÃO DO ADOLESCENTE (Fonte: http://www.ccms.saude.gov.br/revolta/calendario2.html acessado em 25/08/2022) (Tabela 3) CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO DO ADULTO E DO IDOSO (Fonte: http://www.ccms.saude.gov.br/revolta/calendario3.html acessado em 25/08/2022) http://www.ccms.saude.gov.br/revolta/calendario2.html%20acessado%20em%2025/08/2022 http://www.ccms.saude.gov.br/revolta/calendario2.html%20acessado%20em%2025/08/2022 9 MOVIMENTO ANTIVACINA Os militantes do movimento antivacina promovem, através das mídias sociais e diversos outros meios, a disseminação de que as vacinas causam efeitos adversos que são ocultados pelo governo. Os fatores de influência na hesitação ou recusa vacinal são normalmente pessoais, políticos e socioculturais. O mais preocupante é que esses grupos são compostos, principalmente, por pais, que, por medo de alguns efeitos adversos, deixam de vacinar seus filhos (BELTRÃO et al, 2020). As Fakes News afetaram diretamente as campanhas de imunização de crianças que ocorrem no Brasil. O fato de a população não ter conhecimento quanto a esse assunto, aumenta ainda mais a desinformação através de notícias falsas. A propagação das Fake News aumenta quando se trata de epidemias e doenças graves (SARAIVA e FARIA, 2019). Um caso específico que ocorreu relacionada a imunização da Tríplice Viral, onde um pesquisador britânico chamado Andrew Wakefield publicou um estudo em 1998 na revista cientifica Lancet, afirmando que a vacina de prevenção tinha correlação com o desenvolvimento do Autismo em crianças. Alguns anos mais tarde, provou-se que a pesquisa publicada por Wakefield era fraudulenta e ele teve sua licença de médico caçada, porém, muitos pais deixaram de vacinar os filhos na época, o que contribuiu para a epidemia de sarampo que resultou em internações e mortes (SARAIVA e FARIA, 2019) Concluímos então, que, as mídias sociais, em especial as Fake News são grandes agravantes dos movimentos antivacina, a falta de informação da população e o medo dos possíveis efeitos deletérios contribuem para que, principalmente pais não vacinem seus filhos. É de extrema importância que profissionais da saúde colaborem com a disseminação de notícias corretas, a favor da imunização, para que possamos evitar possíveis surtos de doenças futuras. REFERÊNCIAS: ABBAS, A; LICHTMAN, A; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. Ed Elsevier. 2015. ALMEIDA, M. D. A. O Avanço do Desenvolvimento de Vacinas e o Reflexo da sua Importância na Sociedade: Uma Pesquisa Bibliográfica. 2021. ALVES, M. D. F. S. et al. A História da Vacina: Uma Abordagem Imunológica. Centro Universitário de Quixadá. Vol 4, N° 1. 2019. BELTRÃO, R. P. L. et al. Perigo do Movimento Antivacina: Análise Epidemio- Literária do Movimento Antivacinação no Brasil. Rev Eletrônica Acervo Saúde. 2020. COICO, R; SUNSHINE, G. Imunologia. 6°ed. Rio de Janeiro: Ed Guanabara Koogan, 2010. CREPE, C. A. Introduzindo a Imunologia: Vacinas. Secretaria de Estado da Educação, Apucarana, 2009. FADER, R. C; ENGELKIRK, P. G; ENGELKIRK, J. D. Burton Microbiologia para as Ciências da Saúde. Ed Guanabara Koogan. 11°ed. Rio de Janeiro 2021. FEIJÓ, R. B; SÁFADI. M. A. P. Imunizações: Três Séculos de uma História de Sucessos e Constantes Desafios. Jornal de Pediatria. Porto Alegre, 2008. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Vacinas Virais. Instituto de Tecnologia em Imunologia. Rio de Janeiro. 2022. INSTITUTO BUTANTAN. Vacinas de Vírus Inativado são Aplicadas com Segurança em Crianças há mais de 60 Anos: Entenda Como Funcionam. São Paulo. 2022. LEVINSON, W. Microbiologia Médica e Imunologia.10°ed. Porto Alegre. 2011. LOROCCA, L. M. CARRARO, T. E. O Mundo das Vacinas: Caminhos (Des)conhecidos. Biblioteca J Baeta Vianna- Campus Saúde UFMG. 2000. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Calendário Básico de Vacinação da Criança/Adolescente/Adulto/Idoso. Rev. da Vacina. [2006]. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Doenças Infecciosas e Parasitárias Guia de Bolso. 8°. ed. 2010. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual dos Centros de Referências para Imunobiológicos Especiais. 5°Ed. Brasília, 2019. MINISTÉRO DA SAÚDE. Programa Nacional de Imunizações – Vacinação. [2022]. SARAIVA, L. J. C; FARIA, J. F. A Ciência e a Mídia: A propagação de Fake News e sua Relação com o Movimento Anti-Vacina no Brasil. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação.2019. VOGT, C. Vacinas e Vacinações. Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Campinas, 2014.