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LIBRAS 
 
 
 
 
Libras 
 
Yndiara Karolyne de Oliveira Damasceno 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INFORMAÇÕES SOBRE A AUTORA 
 
 
Yndiara Karolyne de Oliveira Damasceno 
 
❖ Proficiente em Libras- MEC/UFSC 
❖ Habilitada para Uso em Ensino de Libras- MEC/UFSC 
❖ Bacharela em Letras Libras- UFSC 
❖ Especialista em Libras –Dom Pedro II 
❖ Mestranda em Gestão e Tecnologias aplicadas à Educação-UNEB 
 
 
 
Mestranda em Gestão e Tecnologia aplicada à Educação, pela Universidade 
Estadual da Bahia-UNEB. Especialista em Libras pela Faculdade Dom Pedro II- 
UNIDOM. Bacharela em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa 
Catarina-UFSC. Proficiência em Tradução e Interpretação de Libras/Língua 
Portuguesa-MEC/UFSC. Proficiência para o Uso e Ensino de Libras/Língua 
Portuguesa- MEC/UFSC. Atualmente é Tradutora/Intérprete de Língua Brasileira 
de Sinais-Libras na UFRB-Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. 
Docente nos Cursos de Pós-Graduação pela FBB-Faculdade Batista Brasileira 
e Consultoria da Como Educare na Bahia. Integra o grupo de Pesquisa 
OBEDUC-Observatório de Educação em Direitos Humanos. Coordenou o 
Núcleo de Tradução e Interpretação da UFRB- NUATILS DE 2016-2018. Integra 
o Núcleo de Engenharia de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade-NETAA na 
UFRB-Campus Feira de Santana-BA. Integra o Grupo de Pesquisa Educação e 
Diversidade (GEPED) E Grupo de Estudo e Pesquisa em Ensino e 
Aprendizagem de Matemática na Educação do Campo (GEPEAMEC) na UFRB- 
Campus Feira de Santana-BA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO DO LIVRO 
 
Você pode estar refletindo sobre o que exatamente é Língua 
Brasileira de Sinais (Libras), e porque estamos estudando sobre 
ela nesse momento em seu curso. 
Para embasar nossos estudos nesses dois pontos: Língua-
Libras e Disciplina curricular, a Lei 10.436/2002 dispõe em Parágrafo 
único: Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma 
de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de 
natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem 
um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de 
comunidades de pessoas surdas do Brasil. E o Decreto Federal n.º 
5626, de 22 de dezembro de 2005, tornou obrigatório o ensino 
de Libras em todos os cursos de formação de professores e, 
também, de fonoaudiologia do Brasil, além de se constituir uma 
disciplina optativa dos demais cursos. 
 Avançando nos estudos sobre Língua Brasileira de Sinais 
e pessoas surdas usuárias dessa Língua, há abordagens sobre 
a Surdez caracterizadas de formas distintas: Visão 
Clinicoterapêutica que se insere ao contexto de entendimento da 
surdez como patologia e necessidade de correções na audição 
através de dispositivos, cirurgias e tecnologias especificas para 
a “cura’. E a visão Socioantropológica, que no contexto 
educacional e social entende a surdez como diferença 
linguística, insere um leque de possibilidades onde pessoas 
surdas se desenvolvam tranquilamente. 
 
 
 
 
 
 
Ao elaborar este material de estudos, livro-texto, 
pretendemos proporcionar entendimentos sobre a surdez; trazer 
a baile diálogos sobre a inclusão educacional e social da pessoa 
surda; conhecer traços de identidade, cultura e gramática, 
elencando pontos principais da História da educação dos surdos 
no Brasil com vistas às metodologias educacionais utilizadas. 
 
Na Unidade I, caminharemos sobre a História da Educação 
dos Surdos e a inserção de Língua de Sinais no Brasil, com 
ênfase em metodologias educacionais, que perpassaram por 
fases difíceis para a continuidade das línguas de sinais, 
implicações em métodos de uso e ensino de línguas orais, e que 
para além das tentativas falidas da adequação das pessoas 
surdas aos sistemas criados, surge uma abordagem 
educacional coerente as suas especificidades linguísticas. 
 
Estes estudos nos instigarão a conhecer mais sobre a 
pessoa surda e o uso da Libras. Neste ponto, avançaremos para 
a Unidade II, onde você conhecerá traços culturais 
(comunidades surdas) e diferentes identidades surdas 
(comportamentos) interligadas a aprendizagem ou não da 
Língua de sinais, e finalizaremos a unidade com a prática do 
alfabeto manual em Libras, a forma correta de sinalização no 
espaço e curiosidades. 
 
Na Unidade III, propomos a você, uma imersão linguística 
dinâmica e sinalizada, apontando dentro da gramática da 
LIBRAS a inicialização sobre verbos e aplicação em frases em 
LIBRAS, incorporações de tempo com explicações claras sobre 
corpo e a importância da expressão fácil, e quais são os três 
parâmetros principais. Finalizamos a unidade convidando você 
 
 
 
 
 
 
a aprender mais sobre Libras e apresentamos publicações 
auxiliares de mais livros, que sem dúvida expandem 
conhecimento. 
 
Convido você a dar mais passos firmes em sua trajetória 
acadêmica, desmistificando e agregando mais culturas a sua vida, 
através da história de uma Língua belíssima e tão importante quanto 
o ar que respiramos. Convido você a adentrar em um novo mundo. 
 
Yndiara Damasceno 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE II 
CULTURA, IDENTIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: https://cutt.ly/ibErHFh 
 
 
 
 INTRODUÇÃO 
 
Perceber, reconhecer, interpretar e finalmente 
compreender os diferentes sons do ambiente só é possível 
graças à existência de estruturas que funcionam de forma 
ajustada e harmoniosa, constituindo o sistema auditivo 
humano. Neste contexto, você vai identificar nesta unidade 
causas da Surdez que podem estar associadas a questões 
congênitas, quando o indivíduo já nasceu surdo. Nesse caso 
a surdez é pré-lingual, ou seja, ocorreu antes da aquisição da 
linguagem, e uma outra forma se caracteriza como adquiridas, 
quando o indivíduo perde a audição no decorrer da sua vida. 
Nesse caso a surdez poderá ser pré ou pós-lingual, 
 
 
 
 
 
 
dependendo da sua ocorrência ter dado antes ou depois da 
aquisição da linguagem. 
 
Convido você a estudar um pouco mais sobre cada 
período e formas de adquirir a surdez: 
 
PRÉ-NATAIS: surdez provocada por fatores genéticos e 
hereditários, doenças adquiridas pela mãe na época da 
gestação (rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus), e 
exposição da mãe a drogas ototóxicas (medicamentos que 
podem afetar a audição). 
 
PÓS-NATAIS: Surdez provocada por doenças adquiridas pelo 
indivíduo ao longo da vida, como: meningite, caxumba, 
sarampo. Além do uso de medicamentos ototóxicos, outros 
fatores também têm relação com a surdez, como avanço da 
idade e acidentes. 
 
PERI-NATAIS: Surdez provocada mais frequentemente 
por parto prematuro, falta de oxigenação no cérebro logo 
após o nascimento e trauma de parto (uso inadequado de 
fórceps, parto excessivamente rápido, parto demorado). 
 
E para identificar cada forma e fase da surdez no pavilhão 
auditivo humano, temos a explanação de tipos de Surdez: 
 
CONDUTIVA: quando está localizada no ouvido externo e/ou 
ouvido médio; o que impede ou dificulta a transmissão das 
ondas sonoras até o ouvido interno. O distúrbio no ouvido 
externo costuma decorrer de otite, malformação ou da ausência 
do pavilhão auditivo. Já o distúrbio no ouvido médio costuma 
ser produzido por traumatismos que provocam perfuração do 
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tímpano ou por alterações na cadeia de ossinhos. 
Normalmente não são graves nem duradouras e há 
possibilidade de tratamento médico ou cirúrgico. 
 
NEUROSSENSORIAL: Quando a alteração está localizada no 
ouvido interno (cóclea). Sua origem pode ser genética, 
produzida por intoxicação (medicamentos), por infecção 
(meningite) ou por alterações vasculares do ouvido interno. 
Esse tipo de surdez não afeta apenas a quantidade da audição,mas também sua qualidade. Não apenas se ouve menos, mas 
o que se ouve é distorcido. As surdezes neurossensoriais 
costumam ser permanentes, e até pouco tempo. Não era 
possível intervenção cirúrgica, contudo, há estudos recentes de 
um implante coclear. 
 
 MISTA: quando a alteração está localizada no ouvido externo 
e/ou médio e ouvido interno. Sua origem pode ser uma das 
causas próprias da surdez neurossensorial ou uma confluência 
das causas próprias de cada tipo de surdez. Podendo também 
ocorrer devido a fatores genéticos, determinantes de má 
formação. O tratamento das surdezes mistas decorrer de cada 
um dos dois tipos que engloba. 
 
 
1. VISÃO SOCIOANTROPOLOGICA X VISÃO 
CLINICOTERAPÊUTICA 
 
A partir dos estudos sobre tipos de surdez você começa 
a se questionar como cada uma delas é classificada dentro dos 
estudos quantitativos em graus da Surdez, quais as 
intensidades dos sons e como podem estar classificados. 
 
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A intensidade do som é medida em decibéis (dB). O grau 
de perda auditiva é classificado em: 
 
Perda Leve de 20 a 40 dB 
Perda Média/Moderada de 40 a 70 dB 
Perda Séria/ Severa de 70 a 90 dB 
Perda Profunda superior a 90 dB 
 
A surdez pode ser classificada também, como unilateral, 
quando se apresenta em apenas um ouvido e bilateral, quando 
acomete ambos ouvidos. E para cada decibéis temos a 
correspondência de sons os que podem ser assimilados pela 
pessoa em cada grau ao qual ela se insere. A medição da 
audição é realizada através do exame de audiometria (tonal/ 
vocal), é um exame que avalia a audição e deve ser realizado 
pelo profissional especializado: fonoaudiólogo. O paciente, no 
interior de uma cabine, é testado para sua audição. O resultado 
é expresso em um audiograma, que é um gráfico que revela as 
capacidades auditivas do paciente. 
 
A prova de potenciais evocados auditivos, é a mais 
utilizada e confiável com crianças menores de 3 anos. Baseia-
se no envio de estímulos sonoros às várias estruturas da via 
auditiva. Os sinais bioelétricos provocados por tais estímulos 
são captados por eletrodos e posteriormente registrados e 
analisados por um computador. E nessa relação Surdez e seus 
respectivos graus, adentramos nas concepções sobre o 
comportamento dos sujeitos com surdez e o entendimento 
social a respeito das condições do ouvido humano e da pessoa 
surda. O principal ponto a destacarmos dentro do contexto 
educacional sobre a visão Clinicoterapêutica se desdobra 
sobre o entendimento da Surdez como deficiência. 
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Onde, nesta concepção a pessoa surda é entendida 
como incapaz, ou com competências insuficientes para 
diversas atividades, incluindo neste cenário as competências 
educacionais. É uma visão clínica (medicalização), para que a 
surdez passe por medidas alternativas para a “cura” desse 
estado (doença) físico. 
 
E neste momento iniciaremos as explanações sobre a 
Visão socioantropológica, que se baseia no entendimento da 
pessoa surda como ser social que possui uma língua distinta e 
merece respeito para interagir com o mundo através das 
Línguas de Sinais. Com o passar dos anos, alguns educadores 
e pesquisadores tiveram suas discussões em defesa de seu 
ponto de vista no uso da língua oral ou língua de sinais, 
refletindo nas suas diferentes opções metodológicas para o 
ensino de surdo. 
 
Conforme Goldfeld (2002), presenciamos a criação de 
várias metodologias no ensino para alunos surdos. Algumas se 
baseiam somente na língua oral, em outros a Língua de Sinais 
é pesquisada e defendida como Língua visual espacial. Ainda, 
outras metodologias geraram códigos visuais para auxiliar na 
comunicação. Diferentes tendências e diferentes pressupostos 
estão em jogo. 
 
Apontaremos quais cuidados o professor deve tomar no 
atendimento educacional em sala de aula, para melhor atender 
a pessoa com surdez em sala de aula: 
 
• Falar claramente em tom natural; 
• Sentar a criança mais perto de sua mesa; 
 
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• Permanecer em posição tal que o aluno possa ver seu rosto 
com facilidade; 
• Oferecer-lhe oportunidades de participar de atividade de 
grupo. 
• Evitar falar enquanto escreve na lousa; 
• Utilizar material visual variado; 
• É importante que as crianças surdas convivam com as 
pessoas que ouvem, que sejam estimuladas a falar, 
evitando que constituam um grupo à parte; 
• Conversas com os pais também serão de grande auxilio, 
pois eles também devem contribuir para o ajustamento do 
filho e fornecer informações importantes que poderão ajudar 
no desenvolvimento global da criança. 
 
Até este ponto entendemos um pouco mais sobre as 
concepções que permeiam a sociedade, e avançaremos para a 
formação indenitária da pessoa surda com surdez, para que você 
estude como a aquisição de língua de sinais influencia na formação 
cultural dos sujeitos e na sua forma de entender o mundo. 
 
 
2. IDENTIDADES SURDAS 
 
 
 
 
 
 
 
Identidade 
Surda
Híbrida
Flutuante
EMBAÇADA
TRANSIÇÃO
Diáspora
Intermediária
 
 
 
 
 
 
IDENTIDADE POLITICA: Trata-se de uma identidade 
fortemente marcada pela política Surda. São mais presentes em 
Surdos que pertencem à comunidade Surda e apresentam 
características culturais: 
 
• Possuem a experiência visual que determina formas de 
comportamento, cultura, língua, etc.; 
• Aceitam-se como surdos, sabem que são surdos e 
assumem um comportamento de pessoas surdas. Entram 
facilmente na política com identidade surda, onde impera a 
diferença: necessidade de intérpretes, de educação 
diferenciada, de Língua de Sinais, etc.; 
• Passa aos outros surdos sua cultura, sua forma de ser 
diferente; 
• Assumem uma posição de resistência; 
• Carregam consigo a Língua de Sinais. Usam sinais sempre, 
pois é sua forma de expressão. Eles têm um costume 
bastante presente que os diferencia dos ouvintes e que 
caracteriza a diferença Surda: a captação da mensagem é 
visual e não auditiva. O envio de mensagem não usa o 
aparelho fonador, usa as mãos; 
• Decodificam todas as mensagens recebidas em Língua de 
Sinais; 
• A escrita obedece à estrutura da Língua de Sinais, pode 
igualar-se a língua escrita, com reservas; 
• Têm suas comunidades, associações, e/ou órgãos 
representativos e compartilham entre si suas dificuldades, 
aparições, utopias; 
• Usam tecnologia diferenciada: legenda e Sinais na TV, 
telefone especial, campainha luminosa; 
• Têm uma diferente forma de relacionar-se com as pessoas 
e mesmo com animais. 
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IDENTIDADES SURDAS HIBRIDAS: Os surdos que 
nasceram ouvintes com o tempo alguma doença, acidente, etc. 
os deixaram surdos: 
 
• Dependendo da idade em que a surdez chegou, conhecem 
a estrutura do português falado, decodificam a mensagem 
em português e o envio ou a captação da mensagem vez ou 
outra e na forma de língua oral; 
• Usam língua oral ou língua de sinais para captar a 
mensagem. Esta identidade também é bastante 
diferenciada, alguns não usam mais a língua oral e outros 
usam Sinais sempre; 
• Assumem um comportamento de pessoas surdas, ex: 
política da identidade surda usa tecnologia para surdos; 
• Convivem pacificamente com as identidades surdas; 
• Assimilam um pouco mais que os outros surdos, ou não 
conseguem assimilar a ordem da língua falada, tem 
dificuldade de entendê-la; 
• Participam das comunidades, associações, e/ou órgãos 
representativos e compartilham com as identidades surdas 
suas dificuldades, políticas, aspirações e utopias; 
• Aceitam-se como surdos, sabem que são surdos, exigem 
intérpretes, legenda e sinais na TV, telefone especial, 
campainha luminosa; 
• Também têm uma diferente forma de relacionar-se com as 
pessoas e mesmo com animais. 
 
IDENTIDADES SURDAS FLUTUANTES: Os surdos que não 
têm contato com a comunidadesurda, ou são surdos que viveram na 
inclusão ou que a surdez se incorpora como preconceito. São outra 
categoria de surdos, visto que não contam com os benefícios da 
cultura surda: 
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• Seguem a representação da identidade ouvinte; 
• Estão em dependência no mundo dos ouvintes, seguem os 
seus princípios, respeitam-nos, colocam-nos acima dos 
princípios, às vezes competem com ouvintes, pois que são 
induzidos no modelo da identidade ouvinte; 
• Não participam da comunidade surda, associações e lutas 
políticas; 
• Desconhecem ou rejeitam a presença do interprete de 
língua de sinais; 
• Orgulham-se de saber falar “corretamente”; 
• Demonstram resistências à língua de sinais e a cultura surda 
visto que isto, para eles, representa estereótipo; 
• Não conseguiram identificar-se como surdos, sentem-se 
sempre interiores aos ouvintes: isto pode causar muitas 
vezes depressão, fuga, suicídios, acusação aos outros 
surdos, competição com ouvintes, há alguns que vivem na 
angustia no desejo continuo de serem ouvintes; 
• Estas identidades surdas, flutuantes também apresentam 
divisões; por exemplo: aqueles que têm contato com a 
comunidade surda, mas rejeitam-na, os que jamais tiveram 
contato, etc. 
 
IDENTIDADES SURDAS EMBAÇADAS: Identidades 
surdas embaçadas são outros tipos que podemos encontrar 
diante da representação estereotipada da surdez ou 
desconhecimento da surdez como questão cultural: 
 
• Esta identidade não consegue captar a representação da 
identidade surda, nem da identidade ouvinte como fazem 
os flutuantes; 
 
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• Sua comunicação é por alguns sinais incompreensíveis 
às vezes; 
• Não têm condições de dizer onde mora, seu nome, sua 
idade, etc.; 
• Não têm condições de usar língua de sinais, não lhe foi 
ensinada, nem teve contato com a mesma; 
• São pessoas vistas como incapacitadas; 
• Neste ponto, ouvintes determinam seus 
comportamentos, vida e aprendizados; 
• É uma situação de deficiência, de incapacidade, de 
inércia, de revolta; 
• Existem casos aprisionamento de surdos na família, seja 
estereotipo ou pelo preconceito, fazendo com que alguns 
surdos se tornem embaçados. 
 
IDENTIDADES SURDAS DE TRANSIÇÃO: Estão presentes 
na situação dos surdos que devido a sua condição social viveram em 
ambientes sem contato com a identidade surda ou que se afastam 
da identidade surda: 
• Vivem no momento em trânsito entre uma identidade para 
outra; 
• A aquisição da cultura surda não se dá na infância, 
normalmente a maioria dos surdos precisa passar por este 
momento de transição, visto que grande parte deles são 
filhos de pais ouvintes; 
• Embora passando por essa des-ouvintização, os surdos 
ficam sequelas da representação, o que fica evidenciado em 
sua identidade em construção; 
• Há uma passagem da comunicação visual/oral para a 
comunicação visual/sinalizada; 
• Para os surdos em transição para a representação ouvinte, 
ou seja, a identidade flutuante se dá o contrário. 
 
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IDENTIDADES SURDAS DIÁSPORA: As identidades de 
diáspora divergem das identidades de transição. Estão 
presentes entre os surdos que passam de um país a outro ou, 
inclusive passam de um estado brasileiro a outro, ou ainda de 
um grupo surdo a outro. Ela pode ser identificada como o surdo 
carioca, o surdo brasileiro, o surdo norte-americano. É uma 
identidade muito presente e marcada. 
 
IDENTIDADES INTERMEDIÁRIAS: O que vai determinar 
a identidade surda é sempre a experiência visual. Neste caso, 
em vista desta característica diferente distinguimos a 
identidade ouvinte da identidade surda. Temos também a 
identidade intermediária. Essas pessoas têm outra identidade, 
pois tem uma característica que não lhes permite a identidade 
surda, isto é, a sua captação de mensagem não é totalmente 
na experiência visual que determina a identidade surda: 
• Apresentam alguma porcentagem de surdez, mas levam 
uma vida de ouvintes; 
• Para estes são de importância os aparelhos de audição, de 
aumento de som; 
• Assume importância para eles o treinamento do oral, o 
resgate dos restos auditivos; 
• Aparelhos de audição, de aumento de som; 
• Não uso de interpretes de cultura surda, de língua de sinais, 
etc. (alguns adoram língua de sinais por hobby); 
• Quando presente na comunidade surda, geralmente se 
posiciona contra uso de interpretes ou considera o surdo 
como menos dotado e não entende a necessidade de língua 
de sinais de interpretes; 
• Tem dificuldades de encontrar sua identidade visto que não 
é surdo nem ouvinte. Ele vive como pêndulo, ora entre 
surdos, ora entre ouvintes, daí seu conflito com esta 
diferença. 
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Nestes pontos identitários você conseguiu compreender o 
quanto a Língua de sinais influencia na aquisição de uma outra 
língua e como a amplitude de conhecimentos gerais é 
automaticamente associado na inserção da pessoa surda na 
comunidade surda, pode também desmistificar que a pessoa 
surda não é única e que há diferenças linguísticas e 
comportamentais entre eles. 
 
3. TRAÇOS CULTURAIS 
 
 LIBRAS têm como traço diferenciador a expressão facial 
e / ou corporal, incorporados na ação durante a execução dos 
sinais. Além disso, são sistemas de sinais independentes das 
línguas faladas. E para que você entenda um pouco mais sobre 
esses traços culturais precisamos entender que: 
 
• Contrariamente a uma ideia preconcebida não existe 
uma língua de sinais utilizada e compreendida 
universalmente; 
• A língua de sinais tem uma estrutura própria. Um sinal 
gestual remete a um conceito, não existindo uma 
correspondência termo a termo como a língua oral; 
 
 
 
 
 
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 Figura 1: Configuração de mão 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: https://cutt.ly/zbEjdaC 
 
Ou seja, existem parâmetros (gramaticas) que estruturam a 
composição das palavras (sinais) em Libras, permitindo o 
entendimento de qual CM-Configuração de mão utilizar, qual L- a 
Locação, onde o sinal está sendo executado e o M-Movimento 
presente ou não nessa execução (Figura 1). Precisamos entender 
que esses três parâmetros principais são basilares para o 
entendimento e diferenciação gramatical das Línguas de sinais 
para as línguas orais. Mas neste ponto não poderemos esquecer 
que cada país além de sua língua oral, tem a sua própria língua 
de sinais, disseminada e utilizada pelas comunidades surda e 
ouvintes. 
 
Uma outra observação sobre as línguas de sinais, é que por 
se tratarem de línguas visuo-espaciais, devemos observar 
cuidados básicos na sinalização, a exemplo de evitar usar 
acessórios ou itens que desvirtuem ou tirem a atenção durante a 
sinalização, para que a mensagem seja diretamente transmitida e 
compreendida. 
 
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4. ALFABETO 
 
A Libras é uma língua viva e autônoma, com gramática 
própria e com condições de expressar de sentimentos, fatos, 
discussões filosóficas, e enfim todo e qualquer sentido abstrato. E 
para complementarmos seus estudos sobre a Cultura e a 
identidade, iniciaremos a contextualização sobre a Libras, Língua 
Brasileira de Sinais do Brasil, apresentaremos a você o Alfabeto 
manual utilizado em nosso país (Figura 2). 
 
 Figura 2: Alfabeto de Libras 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: https://cutt.ly/1bEkpBL 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conforme os vimos nos nossos estudos na Unidade I, no 
Brasil em 1857, surge o atendimento escolar especial para 
surdos localizado no Rio de Janeiro: Imperial Instituto dos 
Surdos-Mudos, hoje chamado de Instituto Nacional de 
Educação de Surdos-INES. Com o professor surdo Ernest Huet 
utilizando sua língua natural: Língua de Sinais Francesa -LSF, 
possibilitando o contato dessa línguacom os sinais utilizados 
pelos estudantes surdos brasileiros, dando origem a Língua 
Brasileira de Sinais -Libras. 
 
 Nesta unidade, você pôde compreender o 
funcionamento linguístico da Libras, identidades assumidas por 
pessoas que a utilizam como língua de instrução ou não, e 
inicialização sobre a gramática específica e traços (marcas) 
culturais imbricadas ao fator e modalidade visuo-espacial. Lhe 
convido para uma caminhada de estudos na Unidade III, onde 
nos aprofundaremos sobre a gramática em Libras e questões 
pertinentes ao ensino dela. 
 
DICAS DE LEITURA: 
Libras? que língua é essa?: crenças e preconceitos em torno 
da língua de sinais e da realidade surda 
Editora: Parábola Editorial, 2009 
Autora:Audrei Gesser 
 
Por uma Gramática Língua de Sinais 
Editora: Tempo brasileiro, 2010 
Autora: Lucinda Ferreira Brito 
 
 
 
 
 
 
ATIVIDADE 
 
1. Discorremos sobre a chegada de uma língua de sinais 
disseminada no Brasil a partir da década de 1857, e nesta 
unidade alinhamos também sobre questões fundamentais 
para a aprendizagem da Libras-Língua Brasileira de Sinais. 
Diante disso, você deve elaborar um breve resumo em uma 
lauda, sobre qual língua foi disseminada e qual o perfil do 
professor convidado ao Brasil para iniciar o Ensino de 
Língua de Sinais, complemente com informações a respeito 
da Instituto Nacional de Educação de Surdos criado na 
ocasião e como ele se configura na atualidade.

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