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LIBRAS Libras Yndiara Karolyne de Oliveira Damasceno INFORMAÇÕES SOBRE A AUTORA Yndiara Karolyne de Oliveira Damasceno ❖ Proficiente em Libras- MEC/UFSC ❖ Habilitada para Uso em Ensino de Libras- MEC/UFSC ❖ Bacharela em Letras Libras- UFSC ❖ Especialista em Libras –Dom Pedro II ❖ Mestranda em Gestão e Tecnologias aplicadas à Educação-UNEB Mestranda em Gestão e Tecnologia aplicada à Educação, pela Universidade Estadual da Bahia-UNEB. Especialista em Libras pela Faculdade Dom Pedro II- UNIDOM. Bacharela em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC. Proficiência em Tradução e Interpretação de Libras/Língua Portuguesa-MEC/UFSC. Proficiência para o Uso e Ensino de Libras/Língua Portuguesa- MEC/UFSC. Atualmente é Tradutora/Intérprete de Língua Brasileira de Sinais-Libras na UFRB-Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Docente nos Cursos de Pós-Graduação pela FBB-Faculdade Batista Brasileira e Consultoria da Como Educare na Bahia. Integra o grupo de Pesquisa OBEDUC-Observatório de Educação em Direitos Humanos. Coordenou o Núcleo de Tradução e Interpretação da UFRB- NUATILS DE 2016-2018. Integra o Núcleo de Engenharia de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade-NETAA na UFRB-Campus Feira de Santana-BA. Integra o Grupo de Pesquisa Educação e Diversidade (GEPED) E Grupo de Estudo e Pesquisa em Ensino e Aprendizagem de Matemática na Educação do Campo (GEPEAMEC) na UFRB- Campus Feira de Santana-BA. INTRODUÇÃO DO LIVRO Você pode estar refletindo sobre o que exatamente é Língua Brasileira de Sinais (Libras), e porque estamos estudando sobre ela nesse momento em seu curso. Para embasar nossos estudos nesses dois pontos: Língua- Libras e Disciplina curricular, a Lei 10.436/2002 dispõe em Parágrafo único: Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. E o Decreto Federal n.º 5626, de 22 de dezembro de 2005, tornou obrigatório o ensino de Libras em todos os cursos de formação de professores e, também, de fonoaudiologia do Brasil, além de se constituir uma disciplina optativa dos demais cursos. Avançando nos estudos sobre Língua Brasileira de Sinais e pessoas surdas usuárias dessa Língua, há abordagens sobre a Surdez caracterizadas de formas distintas: Visão Clinicoterapêutica que se insere ao contexto de entendimento da surdez como patologia e necessidade de correções na audição através de dispositivos, cirurgias e tecnologias especificas para a “cura’. E a visão Socioantropológica, que no contexto educacional e social entende a surdez como diferença linguística, insere um leque de possibilidades onde pessoas surdas se desenvolvam tranquilamente. Ao elaborar este material de estudos, livro-texto, pretendemos proporcionar entendimentos sobre a surdez; trazer a baile diálogos sobre a inclusão educacional e social da pessoa surda; conhecer traços de identidade, cultura e gramática, elencando pontos principais da História da educação dos surdos no Brasil com vistas às metodologias educacionais utilizadas. Na Unidade I, caminharemos sobre a História da Educação dos Surdos e a inserção de Língua de Sinais no Brasil, com ênfase em metodologias educacionais, que perpassaram por fases difíceis para a continuidade das línguas de sinais, implicações em métodos de uso e ensino de línguas orais, e que para além das tentativas falidas da adequação das pessoas surdas aos sistemas criados, surge uma abordagem educacional coerente as suas especificidades linguísticas. Estes estudos nos instigarão a conhecer mais sobre a pessoa surda e o uso da Libras. Neste ponto, avançaremos para a Unidade II, onde você conhecerá traços culturais (comunidades surdas) e diferentes identidades surdas (comportamentos) interligadas a aprendizagem ou não da Língua de sinais, e finalizaremos a unidade com a prática do alfabeto manual em Libras, a forma correta de sinalização no espaço e curiosidades. Na Unidade III, propomos a você, uma imersão linguística dinâmica e sinalizada, apontando dentro da gramática da LIBRAS a inicialização sobre verbos e aplicação em frases em LIBRAS, incorporações de tempo com explicações claras sobre corpo e a importância da expressão fácil, e quais são os três parâmetros principais. Finalizamos a unidade convidando você a aprender mais sobre Libras e apresentamos publicações auxiliares de mais livros, que sem dúvida expandem conhecimento. Convido você a dar mais passos firmes em sua trajetória acadêmica, desmistificando e agregando mais culturas a sua vida, através da história de uma Língua belíssima e tão importante quanto o ar que respiramos. Convido você a adentrar em um novo mundo. Yndiara Damasceno UNIDADE II CULTURA, IDENTIDADE Fonte: https://cutt.ly/ibErHFh INTRODUÇÃO Perceber, reconhecer, interpretar e finalmente compreender os diferentes sons do ambiente só é possível graças à existência de estruturas que funcionam de forma ajustada e harmoniosa, constituindo o sistema auditivo humano. Neste contexto, você vai identificar nesta unidade causas da Surdez que podem estar associadas a questões congênitas, quando o indivíduo já nasceu surdo. Nesse caso a surdez é pré-lingual, ou seja, ocorreu antes da aquisição da linguagem, e uma outra forma se caracteriza como adquiridas, quando o indivíduo perde a audição no decorrer da sua vida. Nesse caso a surdez poderá ser pré ou pós-lingual, dependendo da sua ocorrência ter dado antes ou depois da aquisição da linguagem. Convido você a estudar um pouco mais sobre cada período e formas de adquirir a surdez: PRÉ-NATAIS: surdez provocada por fatores genéticos e hereditários, doenças adquiridas pela mãe na época da gestação (rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus), e exposição da mãe a drogas ototóxicas (medicamentos que podem afetar a audição). PÓS-NATAIS: Surdez provocada por doenças adquiridas pelo indivíduo ao longo da vida, como: meningite, caxumba, sarampo. Além do uso de medicamentos ototóxicos, outros fatores também têm relação com a surdez, como avanço da idade e acidentes. PERI-NATAIS: Surdez provocada mais frequentemente por parto prematuro, falta de oxigenação no cérebro logo após o nascimento e trauma de parto (uso inadequado de fórceps, parto excessivamente rápido, parto demorado). E para identificar cada forma e fase da surdez no pavilhão auditivo humano, temos a explanação de tipos de Surdez: CONDUTIVA: quando está localizada no ouvido externo e/ou ouvido médio; o que impede ou dificulta a transmissão das ondas sonoras até o ouvido interno. O distúrbio no ouvido externo costuma decorrer de otite, malformação ou da ausência do pavilhão auditivo. Já o distúrbio no ouvido médio costuma ser produzido por traumatismos que provocam perfuração do Sticky Note Sticky Note Sticky Note Sticky Note tímpano ou por alterações na cadeia de ossinhos. Normalmente não são graves nem duradouras e há possibilidade de tratamento médico ou cirúrgico. NEUROSSENSORIAL: Quando a alteração está localizada no ouvido interno (cóclea). Sua origem pode ser genética, produzida por intoxicação (medicamentos), por infecção (meningite) ou por alterações vasculares do ouvido interno. Esse tipo de surdez não afeta apenas a quantidade da audição,mas também sua qualidade. Não apenas se ouve menos, mas o que se ouve é distorcido. As surdezes neurossensoriais costumam ser permanentes, e até pouco tempo. Não era possível intervenção cirúrgica, contudo, há estudos recentes de um implante coclear. MISTA: quando a alteração está localizada no ouvido externo e/ou médio e ouvido interno. Sua origem pode ser uma das causas próprias da surdez neurossensorial ou uma confluência das causas próprias de cada tipo de surdez. Podendo também ocorrer devido a fatores genéticos, determinantes de má formação. O tratamento das surdezes mistas decorrer de cada um dos dois tipos que engloba. 1. VISÃO SOCIOANTROPOLOGICA X VISÃO CLINICOTERAPÊUTICA A partir dos estudos sobre tipos de surdez você começa a se questionar como cada uma delas é classificada dentro dos estudos quantitativos em graus da Surdez, quais as intensidades dos sons e como podem estar classificados. Sticky Note Sticky Note Sticky Note A intensidade do som é medida em decibéis (dB). O grau de perda auditiva é classificado em: Perda Leve de 20 a 40 dB Perda Média/Moderada de 40 a 70 dB Perda Séria/ Severa de 70 a 90 dB Perda Profunda superior a 90 dB A surdez pode ser classificada também, como unilateral, quando se apresenta em apenas um ouvido e bilateral, quando acomete ambos ouvidos. E para cada decibéis temos a correspondência de sons os que podem ser assimilados pela pessoa em cada grau ao qual ela se insere. A medição da audição é realizada através do exame de audiometria (tonal/ vocal), é um exame que avalia a audição e deve ser realizado pelo profissional especializado: fonoaudiólogo. O paciente, no interior de uma cabine, é testado para sua audição. O resultado é expresso em um audiograma, que é um gráfico que revela as capacidades auditivas do paciente. A prova de potenciais evocados auditivos, é a mais utilizada e confiável com crianças menores de 3 anos. Baseia- se no envio de estímulos sonoros às várias estruturas da via auditiva. Os sinais bioelétricos provocados por tais estímulos são captados por eletrodos e posteriormente registrados e analisados por um computador. E nessa relação Surdez e seus respectivos graus, adentramos nas concepções sobre o comportamento dos sujeitos com surdez e o entendimento social a respeito das condições do ouvido humano e da pessoa surda. O principal ponto a destacarmos dentro do contexto educacional sobre a visão Clinicoterapêutica se desdobra sobre o entendimento da Surdez como deficiência. Sticky Note Onde, nesta concepção a pessoa surda é entendida como incapaz, ou com competências insuficientes para diversas atividades, incluindo neste cenário as competências educacionais. É uma visão clínica (medicalização), para que a surdez passe por medidas alternativas para a “cura” desse estado (doença) físico. E neste momento iniciaremos as explanações sobre a Visão socioantropológica, que se baseia no entendimento da pessoa surda como ser social que possui uma língua distinta e merece respeito para interagir com o mundo através das Línguas de Sinais. Com o passar dos anos, alguns educadores e pesquisadores tiveram suas discussões em defesa de seu ponto de vista no uso da língua oral ou língua de sinais, refletindo nas suas diferentes opções metodológicas para o ensino de surdo. Conforme Goldfeld (2002), presenciamos a criação de várias metodologias no ensino para alunos surdos. Algumas se baseiam somente na língua oral, em outros a Língua de Sinais é pesquisada e defendida como Língua visual espacial. Ainda, outras metodologias geraram códigos visuais para auxiliar na comunicação. Diferentes tendências e diferentes pressupostos estão em jogo. Apontaremos quais cuidados o professor deve tomar no atendimento educacional em sala de aula, para melhor atender a pessoa com surdez em sala de aula: • Falar claramente em tom natural; • Sentar a criança mais perto de sua mesa; Sticky Note Sticky Note • Permanecer em posição tal que o aluno possa ver seu rosto com facilidade; • Oferecer-lhe oportunidades de participar de atividade de grupo. • Evitar falar enquanto escreve na lousa; • Utilizar material visual variado; • É importante que as crianças surdas convivam com as pessoas que ouvem, que sejam estimuladas a falar, evitando que constituam um grupo à parte; • Conversas com os pais também serão de grande auxilio, pois eles também devem contribuir para o ajustamento do filho e fornecer informações importantes que poderão ajudar no desenvolvimento global da criança. Até este ponto entendemos um pouco mais sobre as concepções que permeiam a sociedade, e avançaremos para a formação indenitária da pessoa surda com surdez, para que você estude como a aquisição de língua de sinais influencia na formação cultural dos sujeitos e na sua forma de entender o mundo. 2. IDENTIDADES SURDAS Identidade Surda Híbrida Flutuante EMBAÇADA TRANSIÇÃO Diáspora Intermediária IDENTIDADE POLITICA: Trata-se de uma identidade fortemente marcada pela política Surda. São mais presentes em Surdos que pertencem à comunidade Surda e apresentam características culturais: • Possuem a experiência visual que determina formas de comportamento, cultura, língua, etc.; • Aceitam-se como surdos, sabem que são surdos e assumem um comportamento de pessoas surdas. Entram facilmente na política com identidade surda, onde impera a diferença: necessidade de intérpretes, de educação diferenciada, de Língua de Sinais, etc.; • Passa aos outros surdos sua cultura, sua forma de ser diferente; • Assumem uma posição de resistência; • Carregam consigo a Língua de Sinais. Usam sinais sempre, pois é sua forma de expressão. Eles têm um costume bastante presente que os diferencia dos ouvintes e que caracteriza a diferença Surda: a captação da mensagem é visual e não auditiva. O envio de mensagem não usa o aparelho fonador, usa as mãos; • Decodificam todas as mensagens recebidas em Língua de Sinais; • A escrita obedece à estrutura da Língua de Sinais, pode igualar-se a língua escrita, com reservas; • Têm suas comunidades, associações, e/ou órgãos representativos e compartilham entre si suas dificuldades, aparições, utopias; • Usam tecnologia diferenciada: legenda e Sinais na TV, telefone especial, campainha luminosa; • Têm uma diferente forma de relacionar-se com as pessoas e mesmo com animais. Sticky Note IDENTIDADES SURDAS HIBRIDAS: Os surdos que nasceram ouvintes com o tempo alguma doença, acidente, etc. os deixaram surdos: • Dependendo da idade em que a surdez chegou, conhecem a estrutura do português falado, decodificam a mensagem em português e o envio ou a captação da mensagem vez ou outra e na forma de língua oral; • Usam língua oral ou língua de sinais para captar a mensagem. Esta identidade também é bastante diferenciada, alguns não usam mais a língua oral e outros usam Sinais sempre; • Assumem um comportamento de pessoas surdas, ex: política da identidade surda usa tecnologia para surdos; • Convivem pacificamente com as identidades surdas; • Assimilam um pouco mais que os outros surdos, ou não conseguem assimilar a ordem da língua falada, tem dificuldade de entendê-la; • Participam das comunidades, associações, e/ou órgãos representativos e compartilham com as identidades surdas suas dificuldades, políticas, aspirações e utopias; • Aceitam-se como surdos, sabem que são surdos, exigem intérpretes, legenda e sinais na TV, telefone especial, campainha luminosa; • Também têm uma diferente forma de relacionar-se com as pessoas e mesmo com animais. IDENTIDADES SURDAS FLUTUANTES: Os surdos que não têm contato com a comunidadesurda, ou são surdos que viveram na inclusão ou que a surdez se incorpora como preconceito. São outra categoria de surdos, visto que não contam com os benefícios da cultura surda: Sticky Note Sticky Note • Seguem a representação da identidade ouvinte; • Estão em dependência no mundo dos ouvintes, seguem os seus princípios, respeitam-nos, colocam-nos acima dos princípios, às vezes competem com ouvintes, pois que são induzidos no modelo da identidade ouvinte; • Não participam da comunidade surda, associações e lutas políticas; • Desconhecem ou rejeitam a presença do interprete de língua de sinais; • Orgulham-se de saber falar “corretamente”; • Demonstram resistências à língua de sinais e a cultura surda visto que isto, para eles, representa estereótipo; • Não conseguiram identificar-se como surdos, sentem-se sempre interiores aos ouvintes: isto pode causar muitas vezes depressão, fuga, suicídios, acusação aos outros surdos, competição com ouvintes, há alguns que vivem na angustia no desejo continuo de serem ouvintes; • Estas identidades surdas, flutuantes também apresentam divisões; por exemplo: aqueles que têm contato com a comunidade surda, mas rejeitam-na, os que jamais tiveram contato, etc. IDENTIDADES SURDAS EMBAÇADAS: Identidades surdas embaçadas são outros tipos que podemos encontrar diante da representação estereotipada da surdez ou desconhecimento da surdez como questão cultural: • Esta identidade não consegue captar a representação da identidade surda, nem da identidade ouvinte como fazem os flutuantes; Sticky Note • Sua comunicação é por alguns sinais incompreensíveis às vezes; • Não têm condições de dizer onde mora, seu nome, sua idade, etc.; • Não têm condições de usar língua de sinais, não lhe foi ensinada, nem teve contato com a mesma; • São pessoas vistas como incapacitadas; • Neste ponto, ouvintes determinam seus comportamentos, vida e aprendizados; • É uma situação de deficiência, de incapacidade, de inércia, de revolta; • Existem casos aprisionamento de surdos na família, seja estereotipo ou pelo preconceito, fazendo com que alguns surdos se tornem embaçados. IDENTIDADES SURDAS DE TRANSIÇÃO: Estão presentes na situação dos surdos que devido a sua condição social viveram em ambientes sem contato com a identidade surda ou que se afastam da identidade surda: • Vivem no momento em trânsito entre uma identidade para outra; • A aquisição da cultura surda não se dá na infância, normalmente a maioria dos surdos precisa passar por este momento de transição, visto que grande parte deles são filhos de pais ouvintes; • Embora passando por essa des-ouvintização, os surdos ficam sequelas da representação, o que fica evidenciado em sua identidade em construção; • Há uma passagem da comunicação visual/oral para a comunicação visual/sinalizada; • Para os surdos em transição para a representação ouvinte, ou seja, a identidade flutuante se dá o contrário. Sticky Note IDENTIDADES SURDAS DIÁSPORA: As identidades de diáspora divergem das identidades de transição. Estão presentes entre os surdos que passam de um país a outro ou, inclusive passam de um estado brasileiro a outro, ou ainda de um grupo surdo a outro. Ela pode ser identificada como o surdo carioca, o surdo brasileiro, o surdo norte-americano. É uma identidade muito presente e marcada. IDENTIDADES INTERMEDIÁRIAS: O que vai determinar a identidade surda é sempre a experiência visual. Neste caso, em vista desta característica diferente distinguimos a identidade ouvinte da identidade surda. Temos também a identidade intermediária. Essas pessoas têm outra identidade, pois tem uma característica que não lhes permite a identidade surda, isto é, a sua captação de mensagem não é totalmente na experiência visual que determina a identidade surda: • Apresentam alguma porcentagem de surdez, mas levam uma vida de ouvintes; • Para estes são de importância os aparelhos de audição, de aumento de som; • Assume importância para eles o treinamento do oral, o resgate dos restos auditivos; • Aparelhos de audição, de aumento de som; • Não uso de interpretes de cultura surda, de língua de sinais, etc. (alguns adoram língua de sinais por hobby); • Quando presente na comunidade surda, geralmente se posiciona contra uso de interpretes ou considera o surdo como menos dotado e não entende a necessidade de língua de sinais de interpretes; • Tem dificuldades de encontrar sua identidade visto que não é surdo nem ouvinte. Ele vive como pêndulo, ora entre surdos, ora entre ouvintes, daí seu conflito com esta diferença. Sticky Note Sticky Note Nestes pontos identitários você conseguiu compreender o quanto a Língua de sinais influencia na aquisição de uma outra língua e como a amplitude de conhecimentos gerais é automaticamente associado na inserção da pessoa surda na comunidade surda, pode também desmistificar que a pessoa surda não é única e que há diferenças linguísticas e comportamentais entre eles. 3. TRAÇOS CULTURAIS LIBRAS têm como traço diferenciador a expressão facial e / ou corporal, incorporados na ação durante a execução dos sinais. Além disso, são sistemas de sinais independentes das línguas faladas. E para que você entenda um pouco mais sobre esses traços culturais precisamos entender que: • Contrariamente a uma ideia preconcebida não existe uma língua de sinais utilizada e compreendida universalmente; • A língua de sinais tem uma estrutura própria. Um sinal gestual remete a um conceito, não existindo uma correspondência termo a termo como a língua oral; Sticky Note Figura 1: Configuração de mão Fonte: https://cutt.ly/zbEjdaC Ou seja, existem parâmetros (gramaticas) que estruturam a composição das palavras (sinais) em Libras, permitindo o entendimento de qual CM-Configuração de mão utilizar, qual L- a Locação, onde o sinal está sendo executado e o M-Movimento presente ou não nessa execução (Figura 1). Precisamos entender que esses três parâmetros principais são basilares para o entendimento e diferenciação gramatical das Línguas de sinais para as línguas orais. Mas neste ponto não poderemos esquecer que cada país além de sua língua oral, tem a sua própria língua de sinais, disseminada e utilizada pelas comunidades surda e ouvintes. Uma outra observação sobre as línguas de sinais, é que por se tratarem de línguas visuo-espaciais, devemos observar cuidados básicos na sinalização, a exemplo de evitar usar acessórios ou itens que desvirtuem ou tirem a atenção durante a sinalização, para que a mensagem seja diretamente transmitida e compreendida. Sticky Note 4. ALFABETO A Libras é uma língua viva e autônoma, com gramática própria e com condições de expressar de sentimentos, fatos, discussões filosóficas, e enfim todo e qualquer sentido abstrato. E para complementarmos seus estudos sobre a Cultura e a identidade, iniciaremos a contextualização sobre a Libras, Língua Brasileira de Sinais do Brasil, apresentaremos a você o Alfabeto manual utilizado em nosso país (Figura 2). Figura 2: Alfabeto de Libras Fonte: https://cutt.ly/1bEkpBL Conforme os vimos nos nossos estudos na Unidade I, no Brasil em 1857, surge o atendimento escolar especial para surdos localizado no Rio de Janeiro: Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, hoje chamado de Instituto Nacional de Educação de Surdos-INES. Com o professor surdo Ernest Huet utilizando sua língua natural: Língua de Sinais Francesa -LSF, possibilitando o contato dessa línguacom os sinais utilizados pelos estudantes surdos brasileiros, dando origem a Língua Brasileira de Sinais -Libras. Nesta unidade, você pôde compreender o funcionamento linguístico da Libras, identidades assumidas por pessoas que a utilizam como língua de instrução ou não, e inicialização sobre a gramática específica e traços (marcas) culturais imbricadas ao fator e modalidade visuo-espacial. Lhe convido para uma caminhada de estudos na Unidade III, onde nos aprofundaremos sobre a gramática em Libras e questões pertinentes ao ensino dela. DICAS DE LEITURA: Libras? que língua é essa?: crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda Editora: Parábola Editorial, 2009 Autora:Audrei Gesser Por uma Gramática Língua de Sinais Editora: Tempo brasileiro, 2010 Autora: Lucinda Ferreira Brito ATIVIDADE 1. Discorremos sobre a chegada de uma língua de sinais disseminada no Brasil a partir da década de 1857, e nesta unidade alinhamos também sobre questões fundamentais para a aprendizagem da Libras-Língua Brasileira de Sinais. Diante disso, você deve elaborar um breve resumo em uma lauda, sobre qual língua foi disseminada e qual o perfil do professor convidado ao Brasil para iniciar o Ensino de Língua de Sinais, complemente com informações a respeito da Instituto Nacional de Educação de Surdos criado na ocasião e como ele se configura na atualidade.