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Primeiras abordagens sobre a 
sociedade 
 
 
Esta unidade identificará as primeiras teorias sobre a sociedade. Para isso irá destacar 
as principais metodologias de análise social, as teorias positivista e organicista e 
outras contribuições clássicas para a análise das sociedades. 
 
 
 
Objetivo 
 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: 
• Explicar a origem da sociologia no âmbito da lógica de 
funcionamento da sociedade. 
 
 
Conteúdo Programático 
 
Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: 
• Tema 1 - Abordagens metodológicas 
• Tema 2 - As teorias de Comte e Spencer 
• Tema 3 - Outras contribuições ao pensamento sociológico 
 
 
Você sabe a importância da metodologia para uma ciência? 
 
Ou melhor, você sabe o que é metodologia? 
 
Pense na seguinte situação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tema 1 
Abordagens metodológicas 
 
 
Quais as principais abordagens metodológicas para a 
análise social? 
 
A Sociologia analisa o homem de modo particular, criando a perspectiva sociológica 
(olhar sociológico) dos fatos observados. 
 
 
 
Mas o que é pensar sociologicamente? O que é construir um olhar sociológico? 
 
A Sociologia não é opinião nem expressão do senso comum. Ela busca a verdade dos 
fatos desenvolvendo senso crítico. 
 
 Leitura 
Para aprofundar seu conhecimento sobre a diferença entre senso 
comum e senso crítico e como entender a Sociologia como uma 
ciência que usa a estratégia para a busca da verdade, estude, agora, 
no livro: DIAS, Reinaldo. Sociologia. São Paulo: Pearson/Prentice 
Hall. 2012 - ISBN 978-85-64574-35-9, a unidade 1 “A sociologia em 
busca da verdade” (p.27-35). Você poderá encontrá-lo na Biblioteca 
Virtual. 
 
 
Por isso transforma questões, fatos, problemas sociais em sociológicos na medida 
em que mobiliza um aparato metodológico e conceitual a fim de investigar as causas e 
as consequências dos temas abordados. 
 
Saiba Mais 
 
Como diz Barreira (2009, p.30): 
 
Um tema não pode ser tratado sem o recurso a conceitos e a teorias 
sociológicas, senão se banaliza, vira senso comum, conversa de botequim. 
(BRASIL, 2008, p. 117). Talvez, uma das tarefas mais difíceis (...) da 
Sociologia seja a de romper com a ideia sedimentada de que lidar com 
pessoas carentes e ter sensibilidade para “problemas sociais” não 
conferem créditos suficientes para o exercício e o domínio dessa área do 
conhecimento. A Sociologia exige, como toda ciência, o manejo de 
conceitos e posturas teóricas capazes de explicar o funcionamento da 
sociedade, em diversos aspectos históricos e cotidianos. 
 
Visa contribuir, através de: 
 
 
 
Na época de sua formação, os primeiros teóricos da Sociologia combatiam as 
posições idealista e individualista do século XIX, que colocavam em jogo a própria 
existência de um ente chamado sociedade como meio de influência do comportamento 
dos indivíduos e de ordenação da vida coletiva. 
 
Não aceitavam que tudo que existia na sociedade era produto das ideias e dos 
desejos individuais. Deveria haver outra explicação. Isso permitiu a construção 
de duas grandes linhas de compreensão da vida social e, com elas, diversas 
abordagens sobre a sociedade e seus problemas. 
 
Importante 
 
Todos os sociólogos são unânimes em considerar que existe um padrão 
coletivo de ação, ou seja, uma sociedade organizada, porém divergem 
quanto à forma. Por isso é possível identificar entre os autores clássicos, 
modernos e contemporâneos da Sociologia, duas grandes linhas do 
pensamento sociológico, duas correntes metodológicas: a coletivista 
e a individualista, e que poderiam ser desmembradas em três grandes 
correntes e diversas teorias, diferenciadas a partir de temas e conceitos-
chave. 
 
Conheça as principais abordagens metodológicas da sociedade conforme temas e 
autores. 
 
Temas 
Linhas metodológicas do pensamento sociológico 
Coletivista Individualista 
Sociedade 
Existe independente de ações individuais racionais. 
Ela não pode reduzir-se à soma da vontade particular 
de cada indivíduo que dela faz parte. É um produto 
novo e diferente. 
É a soma das ações (e 
motivações) de múltiplos 
indivíduos. Neste caso, as 
ações dos indivíduos e 
suas motivações são 
importantes para definir a 
forma que terá uma 
sociedade, pois ela só 
existe através da conexão 
dos indivíduos. 
Indivíduo 
Está sujeito às regras da sociedade. Grande parte de 
suas ações é resultado de forças sociais que não 
controla. Ou seja, seu comportamento em diversas 
situações sociais pode ser condicionado por forças 
políticas e econômicas, pelas relações sociais que 
estabelece e por padrões culturais. 
É considerado um agente 
criativo que controla 
ativamente sua vida. Os 
indivíduos é que 
determinam os rumos de 
uma sociedade. Suas 
ações e motivações 
influenciam a sociedade. 
Conceito-
chave 
Estrutura/sistema Ação 
Meta 
Analisar como a 
sociedade mantém 
o consenso, a ordem 
social. 
Analisar o que causa 
o conflito entre as 
classes e grupos sociais. 
Analisar 
as motivações culturais 
contidas nas ações 
sociais/interações 
sociais dos indivíduos. 
Principais 
representantes 
Saint-Simon, Comte, 
Spencer, Émile 
Durkheim, Talcott 
Parsons, Robert Merton 
Karl Marx, Althusser, 
Gramsci, Habermas, 
Marcuse, Pierre Bourdieu 
Analisar 
as motivações culturais 
contidas nas ações 
sociais/interações 
sociais dos indivíduos. 
 
Na abordagem coletivista, a mais frequente entre os analistas sociais, também se 
destacam as abordagens sistêmica e holística. 
 
 Leitura 
Para aprofundar seu conhecimento sobre as visões sistêmica e 
holística de analisar a sociedade, estude, agora, no livro: DIAS, 
Reinaldo. Sociologia. São Paulo: Pearson/Prentice Hall. 2012 - ISBN 
978-85-64574-35-9, a unidade 1 “Abordagem sistêmica dos problemas 
sociais” (p.7-9). Você poderá encontrá-lo na Biblioteca Virtual. 
 
file:///C:/Users/Isabelle%20N%20Martins/Desktop/UVA/Nova%20graduacao/SOC/re/u2/tema-1.htm%23popup-1
 
Tema 2 
As teorias de Comte e Spencer 
 
 
Qual a forma de abordar a sociedade presente nas 
teorias de Comte e Spencer? 
 
Desde as primeiras tentativas científicas de analisar as enormes transformações e 
desafios da sociedade capitalista, cada pensador clássico desenvolveu sua própria 
visão da realidade, de modo sistemático, metódico, coerente e guiado por um aparato 
teórico-conceitual. Assim 
 
 
 
Foi o caso dos estudos do francês Auguste Comte (1798-1857) e do inglês Herbert 
Spencer (1820-1903). 
 
Auguste Comte questionava os rumos da sociedade capitalista do século XIX, 
considerando que os valores familiares e religiosos haviam perdido a força diante da 
intensa busca por um desenvolvimento tecnológico e econômico que vinha 
acompanhado por diversos problemas sociais. Isso poderia provocar a desintegração 
social. 
 
Saiba Mais 
 
A importância na atualidade desses pensadores ainda reside no fato de 
que suas visões, tidas como conservadoras sobre a sociedade – pela 
busca da ordem, do controle e da estabilidade social –, ainda 
fundamentam a forma como diversas institituições e organizações sociais 
lidam com os problemas, os indivíduos e com sua atuação no ambiente 
social. É o caso, por exemplo, de algumas entidades vinculadas à 
segurança e à educação, que buscam a ordem como sustentação, e à 
economia e suas organizações produtivas, que visam o equilíbrio sistêmico 
e a sobrevivência em seu contexto de referência. Vale também lembrar 
que ambos usam termos como “equilíbrio”, “homogeneidade”, 
“heterogeneidade”, “crescimento” e “aperfeiçoamento”, ainda vigente na 
atualidade. 
 
 
Em sua concepção, era importante que a sociedade fosse em busca da promoção de 
valores para satisfazer: 
 
1º Ordem necessária 2º Progresso do capitalismo 
“o amor por princípio e a ordem por 
base; o progresso por fim” 
Em termos material, intelectual, 
moral eafetivo – como a busca 
pelo altruísmo. 
 
 
 
Isso seria identificado em instituições sociais modernas, como a educação e 
a lei. 
 
 
 Leitura 
Para aprofundar seu conhecimento sobre o papel do positivismo e a 
sociologia no Brasil, estude, agora, no livro: DIAS, Reinaldo. 
Sociologia. São Paulo: Pearson/Prentice Hall. 2012 - ISBN 978-85-
64574-35-9, a unidade 1 (p.20-27). Você poderá encontrá-lo na 
Biblioteca Virtual. 
 
Segundo Comte, a sociedade estava desorganizada e os problemas sociais eram 
produtos da ausência de valores coletivistas, solidários e altruístas. Era preciso, 
portanto, modificar as seguintes instituições sociais: 
 
 
 
Era preciso aumentar a presença de autoridade, hierarquia, tradição e valores morais 
nas relações sociais. 
 
 
 
Vale destacar que Comte era um pensador que valorizava o planejamento 
para chegar ao bem-estar social e considerava que a elite dirigente da 
sociedade deveria ser formada por cientistas. 
 
 
 
 Vídeo 
Para saber mais sobre a o vínculo da teoria positivista de Comte com o 
modelo de sociedade e organizações sociais formais disciplinadoras, 
assista agora ao vídeo: Uma sociedade da ordem e do progresso. 
 
 
 
Clique na imagem para visualizar o vídeo. 
 
Então, segundo Comte, na lógica positivista, o que fazer para evitar o caos 
social? 
 
Resposta: Investigar a causa dos fenômenos. 
 
 
 
 
A valorização do saber sistematizado como meio para responder aos 
problemas sociais (e como tal para reorganizar a sociedade) também foi uma 
contribuição do pensador. 
 
 
E como ele chegou a isso? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://player.vimeo.com/video/344799132?badge=0&autopause=0&player_id=0&app_id=58479
 
Para Comte, a humanidade passou por três estados (estágios) de concepção abstrata 
sobre os fenômenos: 
 
Teológico 
Marcado pela presença de Deus/agentes sobrenaturais. Estes eram a resposta e 
a explicação para todos os fenômenos que aconteciam na sociedade e na vida 
do homem. Envolvia ideias como 
 
“ 
 
As coisas acontecem dessa forma porque foi Deus quem quis assim. 
 
” 
 
Esse estado se apresentou em seu aspecto de animismo (objetos que têm força 
interna), politeísmo (crença em mais de uma divindade) e monoteísmo (crença 
em uma única divindade). 
 
Metafísico 
Marcado pela descrença em uma divindade. Os fenômenos são explicados por 
suas próprias causas internas ou por uma única causa, tais como forças ocultas, 
entidades metafísicas, qualidades ocultas, e que geram verdades absolutas, com 
o uso de abstrações e pensamentos circulares. Assim, se reificam ideias como: 
 
“ 
 
O fenômeno acontece dessa forma porque sempre foi assim, é parte dele e não 
por uma causa divina ou natural. 
 
” 
Reificam - Transformam ideias em coisas, ou seja, ganham força material, 
autonomia diante do sujeito que a cria. Elas se tornam mais importantes do que 
o contexto ou quem as criou. 
 
 
 
 
 
 
Positivo 
Fase do declínio de formas não científicas de conhecimento e que busca uma 
visão global da realidade, trabalhando mediante hipóteses e leis gerais. Busca 
também investigar os fenômenos através de um mecanismo de observação 
da estática social e da dinâmica social. Nesse sentido, a ideia que se coloca é: 
 
“ 
 
O fenômeno acontece dessa forma porque sempre foi assim, é parte dele e não 
por uma causa divina ou natural. 
 
” 
Estática social - Primeiro era preciso analisar a organização ou a ordem social 
(ou seja, observando quais seriam as condições da vida social, como ela se 
caracterizava). 
 
Dinâmica social - Depois o pesquisador deveria estudar a mudança ou o 
progresso social (verificando como evoluía uma sociedade). 
 
Outro importante pensador da realidade social foi Herbert Spencer. 
 
Ele foi adepto do biologismo sociológico, que compreendia, em termos de analogia, 
a sociedade como um organismo. Daí o uso de termos como: 
 
Função 
social 
Regulação Assimilação Circulação Diferenciação 
Divisão do 
trabalho 
Equilíbrio Órgãos Organismos Corpo 
 
Saiba Mais 
 
O pensamento positivista propagava uma grande crença no poder do 
saber sistematizado e no ensino especializado. Por isso as reformas 
educacionais no início da república brasileira (como a Reforma Benjamin 
Constant) tiveram grande orientação positivista com uma organização 
curricular que privilegiava as ciências como astronomia, física, química, 
matemática, biologia, sociologia e moral, em detrimento de um currículo 
humanista. Durante o Regime Militar no Brasil a presença da disciplina 
Moral e Cívica expressava também essa ideia de busca da ordem social. 
 
Por isso Spencer buscou investigar como funcionava, crescia e se diferenciava esse 
“organismo”. 
 
Ele entendia que era preciso estabelecer de forma equilibrada a interdependência 
funcional entre as partes especializadas da sociedade, cada qual atuante em sua 
tarefa, coordenando sua área de atuação com outras partes. 
 
Isso porque Spencer via a sociedade como um “corpo social”, formado por unidades-
chave: 
 
Organizações, instituições sociais = órgãos (reunião de células). 
 
Indivíduos = células que se concentram em suas funções para manter a 
regularidade do organismo. 
 
A ideia é que cada parte existe para atender a uma necessidade. Uma parte depende 
da outra, criando uma interdependência, na qual uma pode gerar – por não executar 
bem sua função – a disfuncionalidade da outra e de todo o corpo. 
 
Fala-se hoje da importância de Spencer na fundamentação do pensamento 
neoliberal na economia e na política, em função de sua visão evolucionista e 
darwinista no aspecto social. 
 
Saiba Mais 
 
Marcado pelo pensamento evolucionista do século XIX, Spencer era 
contribuinte da ideia de um darwinismo social, segundo a qual as 
sociedades (e suas partes, como as organizações econômicas) com 
características vantajosas, ou seja, as mais aptas – tal qual os elementos 
da natureza e os indivíduos na teoria de Charles Darwin – passavam por 
um processo de seleção natural de sobrevivência das mais fortes, que 
reproduziam seus modelos, a outras menos aptas. Nessa competição de 
sociedades, grupos e indivíduos sobreviviam os mais fortes. Por isso era 
favorável ao mercado, ao liberalismo e ao individualismo e crítico da 
interferência do Estado, retratado em seu clássico O homem contra o 
Estado, de 1884. 
 
 
 
Para maior aprofundamento da relação de Spencer com o neoliberalismo de 
Heik e Friedman, leia a seção 4 – O darwinismo social ou Darwin 
submetido à luneta de Spencer, de Alceu Ravanello Ferraro, em 
Neoliberalismo e políticas sociais: a naturalização da exclusão. Estudos 
Teológicos. Vol. 45, nº 1, 2005, p. 99. 
 
http://est.tempsite.ws/periodicos/index.php/estudos_teologicos/article/view/532/493
http://est.tempsite.ws/periodicos/index.php/estudos_teologicos/article/view/532/493
 
Tema 3 
Outras contribuições ao pensamento sociológico 
 
 
Que outras teorias sociológicas contribuíram para o 
entendimento da sociedade nessa fase de 
desenvolvimento do capitalismo? 
 
Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, muitos sociólogos 
investigaram problemas que afetavam a realidade social urbana, produzindo tanto 
estudos de: 
 
 
 
 
Saiba mais 
 
Sociedade organizacional 
 
Formada por organizações formais (empresas, escolas, presídios, 
hospitais) criadas para atender a necessidades individuais e sociais. 
 
 
Um desses primeiros trabalhos é do alemão Ferdinand Tonnies (1855-1936). 
Fundador da Sociedade Alemã de Sociologia (em 1909), destaca em seu estudo 
“Comunidade e Sociedade” (1887) dois tipos básicos de “relações sociais”: 
 
 
 
Comunidade 
 
Formada por laços mais naturais, 
afetivos e espontâneos, dando o 
sentido de pertencimento, como a 
família. 
Sociedade 
 
Fundada em laços de 
racionalidade, mais impessoais, 
objetivos e formais, como o Estado, 
a empresa.Leitura 
Para aprofundar seu conhecimento sobre comunidade e sociedade, 
estude, agora, no livro: DIAS, Reinaldo. Sociologia. São Paulo: 
Pearson/Prentice Hall. 2012 - ISBN 978-85-64574-35-9, a unidade 
“Comunidade e sociedade?” (p.107-108). Você poderá encontrá-lo na 
Biblioteca Virtual. 
 
 
Tonnies, inclusive, caracterizava a sociedade como uma estrutura social. Veja o 
esquema explicativo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segundo Tonnies, a frágil coesão social que ele verificava na época era 
produto do declínio da ideia de comunidade em detrimento da sociedade em 
franco crescimento. 
 
 
 
Esses conceitos nos permitem analisar um fenômeno contemporâneo que se refere ao 
crescimento das relações sociais informais, dentro de organizações formais 
(empresas, hospitais, organismos públicos) quando estas tendem a se burocratizar e 
privilegiar as estruturas formais, impersonalistas, generalistas, presas a 
regulamentos, procedimentos e regras. 
 
Na medida em que há a presença do excesso de formalismo, como a buropatologia, 
os indivíduos tendem a criar grupos informais e fortalecer o laço de comunidade dentro 
de um cenário societário e estruturado. Isso pode colocar o grupo em conflito com os 
interesses gerais da organização. 
 
 
 
Não é por menos a presença hoje de variadas estratégias de gestão para 
disseminar entre todos os membros da organização sua cultura, procurando 
unificar valores, crenças, normas e interesses (cultura organizacional). 
 
 
Saiba mais 
 
Relações sociais informais 
Grupos informais nos quais há laços pessoais de amizade, cumplicidade e 
fidelidade. 
 
Impersonalistas 
Quando a estrutura formal de um ambiente de trabalho tende a tratar seus 
membros como números e não como pessoas com suas necessidades. 
 
Buropatologia 
Um excessivo apego à burocracia. 
 
 
Interacionistas simbólicos 
 
Também merecem destaque, no corpo da Sociologia norte-americana, os estudos dos 
chamados interacionistas simbólicos. 
 
Dica 
 
Esses estudos se iniciaram na chamada Escola de Chicago, com os 
trabalhos de George Herbert Mead (1863-1931), Charles M. Cooley (1864-
1929) e Herbert G. Blumer (1900-1987). A esse grupo soma-se o trabalho 
do canadense Erving Goffman (1922-1982). Para saber mais leia: 
 
• FREHSE, Fraya. Erving Goffman, sociólogo do espaço. Revista 
brasileira de Ciências Sociais. Vol.23, nº68, São Paulo: outubro, 
2008. 
• MARTINS, Carlos Benedito. A contemporaneidade de Erving 
Goffman no contexto das ciências sociais. Revista brasileira de 
Ciências Sociais Vol.26, nº77, São Paulo: outubro, 2011. 
• CARVALHO, V.D.; BORGES, L.O.; RÊGO, D.P. Interacionismo 
simbólico: origens, pressupostos e contribuições aos estudos 
em Psicologia Social. Psicologia: Ciência e profissão. Vol.30, nº1, 
Brasília: 2010. 
 
 
De acordo com os interacionistas, as pessoas interagem a partir da interpretação e 
dos significados que dão aos gestos simbólicos, ou seja, o que falamos, nossas 
expressões faciais e corporais e toda uma gama de sinais que emitimos devem ser 
interpretados, pois carregam um significado. 
 
A vida em sociedade é mediada por gestos e símbolos. Dependendo do significado 
que expressam no cotidiano, eles geram um tipo de relação social com consequências 
na vida social como um todo. Precisamos então compreender: 
 
 
O sentido de cada 
gesto simbólico. 
O sentido de cada 
gesto simbólico. 
O sentido de 
cada gesto 
simbólico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69092008000300014
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69092008000300014
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69092011000300019
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69092011000300019
http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932010000100011
 
“ 
Estamos constantemente criando imagens de nós e dos outros. 
 
TURNER, 1999 
” 
 
 
 
 
Considere a importância dessas reflexões em um mundo pleno de símbolos, 
uma sociedade marcada pelo contato social virtual e cercada por imagens. 
Como agir? E no ambiente de trabalho? Como lidar com isso? 
 
 
É importante compreender o que está por trás das “máscaras sociais” que criamos em 
nossos espaços sociais e de trabalho. Ler as “impressões” que o outro quer deixar em 
seus gestos (amizade, autoridade, respeito etc.) durante as interações. Mesmo os 
pequenos gestos, como fitar excessivamente alguém, podem gerar efeitos 
inesperados. 
 
Observação 
 
Essa interpretação dos gestos nas interações sociais é destacada por 
Erving Goffman em seu livro A Representação do Eu na Vida 
Cotidiana (1959), para quem o mundo é um teatro e cada um de nós, 
individualmente ou em grupos, somos atores que atuamos em 
roteiros/scripts abertos, seguinto ritos interpessoais. Diz que: No exercício 
dessa cortesia (...) Quando duas pessoas polidas passam na rua, a 
desatenção à civilidade pode tomar a forma especial de olhar dois metros 
acima do outro, espaço de tempo durante o qual a vista corre entre os dois 
lados da rua e, então, baixam-se os olhos, enquanto o outro passa – uma 
espécie de “baixar os faróis”(...). (GOFFMAN, 1963, p. 84 apud BROOM, 
Selznick; 1979, p. 22). 
 
 
Em cada situação carregamos crenças, estado de espírito e interpretações que 
influenciam a forma como significamos nossas ações e as de outros. A interpretação é 
sempre contextual e parte da subjetividade. Assim, a pessoa interpreta e age criando 
normas de ação que podem se repetir em situações similares. 
 
 
 
 
Nesse processo interpretativo o perigo é a 
manipulação da interpretação do outro, ou seja, dar 
significado a certas ações e gestos e, a partir disso, 
catalogar as pessoas por esses critérios e atributos. 
Segundo Erving Goffman, podemos acabar criando 
um modelo social de indivíduo com o qual 
interagimos, marcando um “estigma” em sua 
conduta. 
 
Nos anos de 1960, a abordagem da etnometodologia se vinculou 
aos interacionistas, tendo Harold Garfinkel (1917-2011) como principal expressão. 
 
 
Importante 
 
Goffman distingue três tipos de estigma: as deformações físicas 
(deficiências motoras, auditivas, visuais, desfigurações do rosto), os 
desvios de caráter (distúrbios mentais, vícios, dependências, doenças 
associadas ao comportamento sexual, reclusão prisional) e estigmas 
tribais (relacionados com a pertença a uma raça, nação ou religião). (...) 
interessa sobretudo analisar as relações que se estabelecem entre os 
estigmatizados e os "normais". Os contatos sociais com o portador de um 
estigma tendem a enfermar de (...) por exemplo, não saber como reagir, se 
olhar ou não diretamente para o defeito visível, se auxiliar ou não a 
pessoa, se contar ou não uma anedota acerca desse "tipo" de pessoa. 
Qualquer que seja a conduta adotada, por ambas as partes, haverá, 
muitas vezes, a sensação de que o outro é capaz de ler significados não 
intencionais nas nossas ações. Verbete Estigma (Sociologia). In 
Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
 
 
Para esses autores a questão central envolve as interações sociais, tanto nos grupos 
primários como nos secundários, e como as pessoas lidam no dia a dia com as 
relações que estabelecem em diversas situações. 
http://www.infopedia.pt/$estigma-%28sociologia%29
http://www.infopedia.pt/$estigma-%28sociologia%29
 
Saiba mais 
 
O interesse maior [...] se volta para as atividades práticas e, em particular, 
o raciocínio prático, quer seja profissional ou não. A etnometodologia é a 
pesquisa empírica dos métodos que os indivíduos utilizam para dar sentido 
e ao mesmo tempo realizar as suas ações de todos os dias: comunicar-se, 
tomar decisões, raciocinar. Para os etnometodólogos, a etnometodologia 
será, portanto, o estudo dessas atividades cotidianas, quer sejam triviais 
ou eruditas (...). (GARFINKEL, 1967 apud COULON, 1995, p.30). 
 
 
 Leitura 
Para aprofundar seu conhecimento sobre as interações sociais, 
estude, agora, no livro: DIAS, Reinaldo. Sociologia. São Paulo: 
Pearson/PrenticeHall. 2012 - ISBN 978-85-64574-35-9, a unidade 3 
“Grupos primários e grupos secundários” (p.105-107). Você poderá 
encontrá-lo na Biblioteca Virtual. 
 
 
 
Encerramento 
 
 
Quais as principais abordagens metodológicas para a 
análise social? 
 
A Sociologia desenvolveu duas grandes abordagens metodológicas: a coletivista e a 
individualista, que diferem entre si quanto à visão do papel do indivíduo na sociedade. 
Enquanto a primeira tende a colocar o indivíduo subordinado à estrutura e ao sistema 
social em que vive, a outra garante maior autoria ao sujeito, considerando a motivação 
de suas ações sociais no ambiente coletivo. Também se destacam na coletivista uma 
abordagem sistêmica que analisa o todo e as partes com igual valor e uma abordagem 
holística preocupada com a visão geral da sociedade. 
 
 
Qual a forma de abordar a sociedade presente nas 
teorias de Comte e Spencer? 
 
Comte analisa a sociedade a partir da busca do progresso mediante um processo de 
integração social através da ordem. Era, pois, preciso conhecer – mediante a ciência – 
e identificar as formas de manter a ordem social. O pressuposto é que a sociedade 
vive um consensus, ou seja, seus fenômenos sociais estão intimamente ligados e 
interligados. Para isso seria preciso investigar a sociedade em seu aspecto estático e 
dinâmico. Para Spencer, era preciso observar a sociedade como um organismo no 
qual cada parte cumpre uma função social. Ele também considerava que as partes 
estavam interligadas em interdependência funcional. 
 
 
Que outras teorias sociológicas contribuíram para o 
entendimento da sociedade nessa fase de 
desenvolvimento do capitalismo? 
 
Diversas teorias foram e ainda são produzidas pela Sociologia. Mas merecem 
destaque aquelas no âmbito da microssociologia, por sua presença ainda na 
contemporaneidade, mesmo que sob outra roupagem: como o caso dos estudos do 
alemão Tonnies e dos interacionistas simbólicos norte-americanos. 
 
 
Resumo da Unidade 
 
Nesta unidade, foi apresentada a Sociologia como uma ciência que gerou diversas 
teorias e pensadores, a partir de duas grandes linhas metodológicas: a coletivista 
(que aborda os fenômenos sociais a partir do critério coletivo) e a individualista 
 
(que confere ao indivíduo maior participação na sociedade). Também se destacam 
na corrente coletivista: a abordagem sistêmica (que analisa o todo e as partes com 
igual valor) e a holística (preocupada com a visão geral da sociedade). Como parte 
da perspectiva coletivista estão os trabalhos de Auguste Comte (que criou o 
Positivismo, um saber fundamentado na valorização da ciência) e de Herbert 
Spencer (que trata a sociedade como um organismo que precisa estar em 
constante processo de regulação de suas partes, cada qual cumprindo uma função 
no corpo social). Finalmente foram identificadas outras abordagens teóricas como 
o interacionismo simbólico, a etnometodologia e o estudo de comunidade de 
Tonnies.

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