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MATERIAIS ODONTOLÓGICOS: HIDROCOLÓIDE: REVERSÍVEL E IRREVERSÍVEL E GESSO [footnoteRef:1]*Caroline Nedel<carolnedel@rede.ulbra.br> [1: *Discentes da disciplina de Materiais Dentários II do curso de Odontologia. **Docentes da disciplina de Materiais Dentários II do curso de Odontologia.] *Esthefani Silva <esthefanisilva19@rede.ulbra.br> *Etelvana Henkes<tetebattisti@rede.ulbra.br> **Everton Ribeiro dos Santos<everton.ribeiro@ulbra.br> *Fabiana Rodrigues<fabianariosrodrigues@rede.ulbra.br> **Guilherme Anziliero Arossi<guilherme.arossi@ulbra.br> *Izabela Avila Cunha <izabelaavila97@rede.ulbra.br> *Maria Eduarda Heck<meduardaheck@rede.ulbra.br> *Mirella Diogo Silveira<mirelladiogo@rede.ulbra.br > **Ricardo Prates Macedo<macedorp@ulbra.br> *Victor Mauricio Vitorino<victormauricio2004@rede.ulbra.br> Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) – Curso de Odontologia - Campus Canoas Av. Farroupilha, 8001 - São José, Canoas - RS, 92425-900. 09 de novembro de 2022 Resumo Para que um trabalho de reabilitação odontológica seja bem executado é necessário que a etapa de moldagem seja cuidadosamente elaborada para que possa reproduzir os dentes e tecidos adjacentes com a maior fidelidade possível, desta forma, a qualidade do molde está diretamente relacionada com a utilização de um bom material para moldagem garantindo assim a obtenção de modelos de gesso mais fiéis e trabalhos com maior exatidão. A escolha do material de moldagem varia de acordo com cada caso, e depende da fidelidade e reprodução de detalhes superficiais que se deseja, levando em consideração o melhor custo / benefício e as propriedades individuais de cada material. Os materiais de moldagem elásticos são os que possuem maior destaque, neste grupo encontramos o hidrocoloide irreversível popularmente conhecido como alginato e o hidrocoloide reversível (praticamente e desuso). Neste sentido, o presente artigo tem como objetivo apresentar os aspectos relacionados a fabricação e composição dos materiais odontológicos, gesso e hidrocoloides, bem como distinguir seus diferentes tipos, propriedades e aplicações, além de apresentar as formas de manipulação dos mesmos. Palavras-chave: Gesso; Hidrocoloides; Alginato; Moldagem. Abstract Title:“Dental Materials: Plaster and Hydrocolloid: Reversible and Irreversible” For a dental rehabilitation work to be well executed, it is necessary that the molding step is carefully performed so that it can reproduce the teeth and adjacent tissues with the greatest possible fidelity, in this way, the quality of the mold is directly related to the use of a good material for molding, thus guaranteeing the obtaining of more faithful plaster models and works with greater accuracy. The choice of impression material varies according to each case, and depends on the fidelity and reproduction of surface details that is desired, taking into account the best cost / benefit and the individual properties of each material. Elastic impression materials are the most prominent, in this group we find the irreversible hydrocolloid popularly known as alginate and the reversible hydrocolloid (practically and disuse). In this sense, the present article aims to present aspects related to the manufacture and composition of dental materials, plaster and hydrocolloids, as well as to distinguish their different types, properties and applications, in addition to presenting the ways of handling them. Keywords: Plaster; Hydrocolloids; alginate; molding. 1 Introdução De acordo com Chain (2013), com o objetivo de reproduzir as estruturas bucais, os materiais de moldagem são amplamente utilizados e muito importantes na odontologia. Ainda que a odontologia digital se encontre em crescimento, a moldagem analógica ainda é muito utilizada e indicada para todos os tipos de trabalhos (MARTINEZ, 2021). Lameirão (2019) explica que, ainda que a moldagem odontológica seja um procedimento comum nos consultórios, é imprescindível que o dentista execute todas as etapas corretamente e utilize os materiais apropriados, tendo em vista que é um processo sutil, que necessita também da colaboração do paciente, desta forma o profissional precisa preparar e tranquilizar a pessoa, e explicar cada passo do processo. Para obter êxito nesta etapa, compete ao cirurgião dentista analisar elementos básicos como: saúde gengival, preparo dentário nítido, ter conhecimento e estar sempre atualizado em ralação aos materiais e técnicas que irá utilizar, estando sempre atento as orientações de cada fabricante quanto a dispersão, manipulação, tempo de presa, remoção da moldeira, desinfecção e vazamento do gesso (MARTINEZ, 2021). Para obtenção de uma boa moldagem o material empregado deve reproduzir com fidelidade e executar com exatidão a replica dos tecidos extra ou intrabucais, devendo preencher os seguintes requisitos: · Ter fluidez necessária para adaptar-se aos tecidos bucais; · Ter viscosidade suficiente para ficar contido na moldeira que o leva a boca; · Transformar-se em um material borrachoide com um tempo de presa de aproximadamente 7 minutos quando levado a boca; · Não se distorcer ou rasgar quando removido da boca; · Manter estabilidade dimensional para poder ser vazado e produzir um modelo de gesso com fidelidade (CHAIN, 2013, p.27) Lameirão (2019) explica que uma moldagem de qualidade otimiza o tempo, e evita gastos desnecessários, pois evita por exemplo que o dentista precise refazer o molde e modelo, em virtude de algum erro no processo. A construção de modelos é uma etapa importante em diversos procedimentos clínicos em odontologia. Os modelos podem ser confeccionados em gesso a partir do vazamento sobre uma moldagem da arcada dentária (CHAIN, 2013, p.27). Chain (2013, p. 55) explica que os produtos a base de gesso são amplamente conhecidos, sendo utilizados tanto em procedimentos clínicos como laboratoriais. O modelo de gesso tem um importante papel na obtenção de uma cópia fiel em detalhes e na dimensão da estrutura a ser reproduzida. Tendo em vista a importância do conhecimento a respeito dos materiais de moldagem e da correta técnica a ser utilizada para obtenção de um molde e de um modelo fidedigno que proporcione a execução de um trabalho de excelência realizado pelo dentista, propõem-se este artigo. 2 Materiais de moldagem elásticos: Hidrocoloides Os materiais de moldagem elásticos reproduzem com precisão de detalhes as estruturas intraorais (tecidos duros e moles), incluindo áreas retentivas e espaços interproximais. Embora possam ser utilizados em bocas edêntulas, são mais empregados na confecção de modelos para próteses fixas e removíveis, assim como em restaurações unitárias indiretas (CHAIN, 2013, p. 28). Os materiais de moldagem elásticos são utilizados para copiar os dentes e estruturas adjacentes. O molde é uma cópia em negativo da boca. Quando o gesso é vazado se obtém a cópia em positivo, chamada de modelo (CAPEL, 2017). Para Anusavice (2013), um coloide assemelhasse a uma solução por ser uma substância que está dispersa uniformemente em outra substância, porém ao contrário da solução que existe em uma única fase, um sistema coloidal forma-se em duas fases distintas denominadas fase dispersa e fase dispersante. Se a fase dispersante de um sistema coloidal é água, ele é chamado de hidrocoloide. Durante o ato de moldagem, o material toma presa de um estado fluido para um estado solido. Esta mudança de estado associadas a hidrocoloides é chamada de transformação sol-gel. Um sol é um dispersão coloidal de partículas muito pequenas em um meio líquido contínuo, e um gel é uma suspensão que se comporta como um sólido elástico (ANUSAVICE, 2013, p.168). De forma simplificada Oliveira (c2021), explica que hidrocoloide é um material solúvel que, quando misturado com água, forma um gel utilizado em moldagens odontológicas, e pode ser classificado em hidrocoloide reversível e hidrocoloide irreversível. 2.1 Hidrocoloide reversível Segundo, Concilio (2012), o hidrocoloide reversível foi indicado para ser utilizado em odontologia no ano de 1937 e possui uma ótimarelação custo-benefício, desde que seu manuseio seja precisamente controlado. Chain (2013) explica que este material é um dos primeiros materiais de moldagem utilizados em odontologia, mas caiu em desuso e acabou sendo substituído por outros materiais de moldagem elásticos em virtude da complexidade de sua técnica de utilização. O hidrocoloide reversível é um material sintético produzido basicamente a partir do ágar, um coloide hidrofílico orgânico extraído de algas marinhas, tem como característica principal a formação de um gel que se torna líquido com a temperatura de liquefação. Tendo em vista que o material é utilizado para o processo de moldagem em forma líquida, o profissional deve aquecer o gel a uma temperatura de 100°C por um período de 10 minutos (OLIVEIRA, c2021). De acordo com Chain (2013), quando resfriado o material retorna à condição de gel a uma temperatura que varia entre 37 e 50°C. Anusavice (2013, p. 172), ressalta que a temperatura de geleificação é crítica para o ato de moldagem. Se for muito alta, o calor do sol pode danificar os tecidos orais. Por outro lado, se a temperatura de geleificação for muito abaixo da temperatura oral será impossível realizar a moldagem, porque o sol não se converterá em gel. 2.1.1 Indicações O hidrocoloide reversível é particularmente recomendado para casos em que é preciso a realizar uma cópia da arcada dentária de forma precisa e rica em detalhes, sendo assim, um exemplo habitual de uso para esse material é a confecção de restaurações unitárias indiretas tipo inlays ou onlays, além de coroas totais e próteses parciais fixas (OLIVEIRA, c2021). 2.1.2 Vantagens De acordo com Oliveira (c2021), algumas vantagens apresentadas pelo hidrocoloide reversível, além de ser um material conhecido por suportar umidade, não sendo afetado pela saliva, por exemplo, são: · boa fluidez; · reprodução com aspecto agradável; · excelente precisão; · baixo custo. 2.1.3 Composição O hidrocoloide reversível tem como principal ingrediente o àgar, um polissacarídeo extraído de algas marinhas, ele é um sulfato galactose, que forma um colóide com a água. Para aumentar a resistência do gel é adicionado uma pequena quantidade de bórax, porém ele age como um potente retardador da presa do gesso sendo necessário a adição de um acelerador como o sulfato de potássio para compensar este efeito. Além disso, outros agentes de carga são adicionados para controlar a resistência, viscosidade e rigidez do material, como por exemplo, terra diatomácea, argila, cera, sílica, borracha e outros pós inertes (ANUSAVICE, 2013). A tabela 1.1 a seguir nos mostra a composição dos hidrocoloides reversíveis. Tabela 1.1 – Composição de hidrocoloides comerciais reversíveis para moldagem Componente Função Composição (%) Agar Estrutura fibrilar 13 – 17 Borato Resistencia 0,2 - 0,5 Sulfato Endurecedor de gesso 1 – 2 Cera, dura Carga 0,5 – 1 Materiais tixotrópicos Espessante 0,3 – 0,5 Água Meio para reação Restante Fonte: Phillips Materiais Dentários, 2013, p. 170, 12ª edição. 2.1.4 Manipulação De acordo com Chain (2013, p. 35), o hidrocoloide reversível em um tubo em forma de gel a temperatura ambiente e sua manipulação ocorre em três etapas: Primeira etapa: liquefazer o material e mantê-lo em estado de sol; Segunda etapa: o material é geleificado e assentado em uma moldeira e condicionado a uma temperatura que seja passível de ser suportada pelos tecidos bucais; Terceira etapa: o material deve ser resfriado a fim de que ocorra rapidamente a geleificação. Para isso, faz-se circular água pela moldeira até complementar o processo. A moldeira então é removida e o molde é vazado. 2.2 Alginato ou Hidrocoloide Irreversível Chain (2013), explica que durante a Segunda Guerra Mundial houve a escassez de ágar, tornando-se necessário encontrar um material de moldagem substituto para o hidrocoloide reversível, foram realizadas inúmeras pesquisas, chegando ao hidrocoloide irreversível ou em virtude da reação química do ácido algínico, também foi chamado de alginato. O hidrocoloide irreversível, também conhecido popularmente como Alginato é um material obtido de diversas espécies de algas marinhas. Por tratar-se de um material de fácil manuseio, baixo custo e boa capacidade de reprodução de detalhes, o alginato é um dos materiais de moldagem mais amplamente utilizados e aceitos na prática odontológica (COSTA et al, 2020, p.30). 2.2.1 Composição O alginato para uso odontológico é formado por diversos componentes que possuem diferentes funções, a terra diatomácea ou diatomita e o óxido de zinco atuam como carga, influenciando as propriedades físicas e o tempo de presa do gel, o sulfato de cálcio é empregado como ativador da reação e os fluoretos, como fluoreto de titânio e potássio, são acrescentados à fórmula como aceleradores de presa e ainda asseguram que a superfície do gesso quando vazado sobre o molde tenha dureza e densidade adequadas. O chumbo na presença de fluoretos reduz o tempo de geleificação do alginato e aumenta o módulo de elasticidade (COSTA et al, 2020, p.30). A tabela 1.2 apresenta os principais componentes dos hidrocoloides irreversíveis, de acordo com Chain (2013, p. 36). Tabela 1.2 – Composição básica dos alginatos Componente Quantidade (%) Alginato de sódio ou potássio (reagente) 15 Sulfato de cálcio (reagente) 16 Sulfato tri ou tetra sódico (retardador) 2 Diatomita e oxido de zinco (carga) 60 Fluoreto de potássio e de titânio (endurecedor do gesso) 3 Gluconato de clorexidina (antimicrobiano) [footnoteRef:2]* [2: *Componentes presentes em baixo percentual e em algumas marcas comerciais específicas.] Glicol orgânico (alginatos dust free) * Corantes e aromatizantes * Fonte: Materiais Dentários, 2013, p. 36, série Abeno: Odontologia Essencial - Parte Clínica. 2.2.2 Processo de Geleificação Capel (2017) esclarece que, na reação de geleificação, o alginato de sódio ou potássio (ambos solúveis em água) reage com o sulfato de cálcio di-hidratado para gerar alginato de cálcio, construindo ligações cruzadas entre as cadeias, convertendo o alginato para insolúvel em água. Neste sentido, Chain (2013) afirma que essa por ser uma reação muito rápida não há tempo para manipulação, sendo necessário adicionar um terceiro componente solúvel em água, chamado de retardador, para prolongar a presa e aumentar o tempo de trabalho. Este componente é um sal que pode ser escolhido entre diversos sais solúveis, como por exemplo o sulfato tri ou tetra sódio. Os autores salientam ainda que para que se obtenha um tempo de geleificação adequado é importante que a quantidade do retardador utilizado seja corretamente dosada. 2.2.3 Tempo de Geleificação O tempo de geleificação é medido desde o início da manipulação do material, até o momento da presa. Deve permitir que o profissional misture o material, carregue a moldeira e posicione-a na boca do paciente (CHAIN, 2013, p. 37). Conforme relata Capel (2017), os alginatos podem ser classificados em dois tipos: o de presa rápida, tipo I, com tempo geleificação de 3,2 a 5 minutos e o de presa regular, tipo II, com tempo geleificação de 6 a 7 minutos. Já para Chain (2013, p.37), os alginatos classificados como tipo I apresentam velocidade de geleificação rápida (1 a 2 minutos) e os alginatos classificados como tipo II apresentam velocidade de geleificação normal (2 a 4,5 minutos). Contudo Chain (2013), salienta que os fabricantes produzem materiais com diferentes velocidades de presa podendo ser rápida, ultrarrápida e de presa normal. Oliveira (c2021), alerta para o erro que alguns profissionais da área cometem ao tentar apressar processo de presa ou até mesmo o processo de espatulação. Capel (2017) explica que não se deve modificar a proporção água/pó com o intuito de controlar o tempo de trabalho/presa, para que outras propriedades do material não sejam danificadas. Para Oliveira (c2021), ao tentar ter controle sob o tempo de presa o profissional pode estragar o trabalho causando a ruptura ou alteraçãoda elasticidade do material, deixando-o imperfeito. Deste modo, a melhor forma de controlar o tempo de geleificação é pela quantidade de retardador dosado pelo fabricante. Outra forma mais segura é alterar a temperatura da água utilizada para manipulação. Altas temperaturas aceleram o tempo de presa. Da mesma forma, quando a temperatura do ambiente estiver alta, deve-se usar água gelada para evitar a geleificação prematura (CHAIN, 2013, p.37). 2.2.4 Indicações Capel (2017), afirma que o alginato é utilizado para confecção de moldes com os quais serão confeccionados modelos de estudos, moldes com os quais serão confeccionados modelos para trabalhos de baixa precisão, como por exemplo: moldeira de clareamento, prótese parcial removível, moldeira individual, placa miorelaxante, e moldes com os quais serão confeccionados modelos antagonistas, ou seja, modelo que articula com o modelo sobre o qual será confeccionado um trabalho de precisão. Alginatos de melhor qualidade são utilizados para moldagens cujos modelos produzidos servirão para confecção de próteses removíveis (CHAIN, 2013, p. 37). 2.2.5 Manipulação O alginato é apresentado em forma de pó que é misturado com água, onde o pó é dosado utilizando o dosador fornecido pelo fabricante, e deve ser colocado sobre a água já proporcionada, em um gral limpo e seco. Os componentes devem ser aglutinados com cuidado utilizando uma espátula plástica, evitando a incorporação de bolhas de ar na mistura. Após a mistura deve ser feita com uma espatulação vigorosa por um período de 45 a 60 segundos, no final da espatulação a massa deve estar lisa e cremosa (CHAIN, 2013). Costa et al. (2020, p. 31) aleta para o fato de que o alginato tem, de fato, um potencial tóxico, e que devem ser tomados cuidados durante o seu manuseio. O cirurgião-dentista e os auxiliares, devido à exposição ocupacional, são os mais afetados no que diz respeito à contaminação do organismo, e, por isso, devem sempre fazer uso do equipamento de proteção necessário no ato do manuseio dos alginatos. 2.2.6 Realização do molde de alginato A moldagem odontológica é um procedimento que tem por objetivo fazer um modelo da arcada dentária do paciente, e para que ela seja realizada com a qualidade necessária, é imprescindível ter um bom conhecimento das técnicas e materiais utilizados, além de fazer uso de materiais de boa qualidade. Apesar de ser um procedimento indolor e rotineiro para muitos consultórios odontológicos, pode causar um grande desconforto, especialmente para os pacientes mais sensíveis que podem se sentir sufocados e apresentar enjoos durante a moldagem, o que exige uma atenção mais cuidadosa do dentista (SANTANA, 2019). Após a espatulação do material, Chain (2013, p.38) relata que o mesmo deve ser colocado na moldeira, e o profissional pode aplicar, com o dedo enluvado, as sobras de alginato nas regiões de difícil reprodução, como sulcos e fissuras oclusais. Isso evita o aprisionamento de bolhas ar quando a moldeira é assentada na boca. Com relação a escolha da moldeira, Santana (2019) explica que primeiramente deve-se testar a moldeira mais apropriada para a boca do paciente, caso seja utilizada uma moldeira de estoque, é importante observar o modelo indicado para o material de moldagem a ser utilizado. Anusavice (2013, p.173) afirma que é imperativo que o molde fique retido na moldeira de modo que possa ser removido do perímetro dos dentes. Portanto, uma moldeira metálica perfurada é preferível. Se uma moldeira plástica ou uma moldeira com friso metálico for selecionada, uma camada fina de adesivo de moldeira para alginato deve ser aplicado e deixado secar completamente antes da manipulação. É importante que o alginato tenha retenção a moldeira para que possa ser retirado de áreas retentivas em uma só etapa (CHAIN, 2013, p.38). Como o alginato é um material viscoelástico sua resistência ao rasgamento aumenta quando o molde é removido ao longo do eixo vertical em um movimento único e rápido. A velocidade de remoção deve ser um compromisso entre o movimento rápido e uma velocidade confortável para o paciente (ANUSAVICE, 2013, p.174). Anusavice (2013, p.173) salienta ainda que o alginato é um material fraco, portanto, é necessário dispor de um volume suficiente de material. A espessura do molde de alginato entre a moldeira e os tecidos deve ser de pelo menos 3 mm. 2.2.7 Propriedades A qualidade de um modelo de gesso depende das propriedades dos moldes de hidrocoloide antes do vazamento e da potencial interação entre o gesso e o alginato durante a presa do gesso (ANUSAVICE, 2013, p.174). 2.2.7.1 Resistencia mecânica Para Capel (2017), o alginato possui baixa resistência ao rasgamento, mas para os tipos de trabalhos realizados com este material, habitualmente esta característica não apresenta-se como um problema. Chain (2013) salienta que é importante deixar uma espessura mínima de 3 mm ao acomodar a moldeira com o material na boca. Anusavice (2013) reitera a importância de seguir corretamente as instruções fornecidas pelo fabricante do produto a fim de que se evite qualquer efeito adverso sobre o efeito do gel. Por exemplo, falta ou excesso de água podem interferir na elasticidade do material. Realizar espatulação por um tempo inferior ao recomendado pode resultar na dissolvência insuficiente dos ingredientes prejudicando a reação química. Todavia, espatulação em excesso causa a quebra da cadeia de alginato de cálcio reduzindo sua resistência. A resistência a compressão do material dobra de valor durante os primeiros 4 minutos de geleificação, a maioria dos alginatos melhora também sua elasticidade com o aumento desse tempo o que minimiza a distorção durante a remoção da boca e consequentemente permite uma maior reprodutibilidade nas áreas retentivas (CHAIN, 2013, p.38). 2.2.7.2 Viscoelasticidade A resistência a ruptura ou rasgamento aumenta quando o molde é removido abruptamente. A velocidade de remoção deve estar compreendida entre o movimento rápido e o conforto do paciente. Geralmente o alginato não adere fortemente aos tecidos, sendo possível removê-lo de uma só vez. É necessário evitar torções na moldeira na tentativa de remoção rápida do molde (CHAIN, 2013, p.38). 2.2.7.3 Reprodução de detalhes O alginato não possui um bom poder de cópia passivo. Em razão disto, em alguns casos é necessário forçar o material contra as áreas a serem copiadas (CAPEL, 2017). A maior parte dos alginatos não é capaz de reproduzir os detalhes finos observados em moldes feitos com outros materiais de moldagem elastoméricos. Entretanto alginatos são suficientemente precisos para serem utilizados em moldes para próteses parciais removíveis (ANUSAVICE, 2013, p.175 e 176). A rugosidade da superfície a ser moldada já é o suficiente para causar distorções nas margens da cavidade. Nos casos indicados (menor exigência de reprodução de detalhes), para assegurar a reprodução fiel dos modelos, é importante manusear o material corretamente (CHAIN, 2013, p.38). 2.2.7.4 Estabilidade dimensional Os géis estão sujeitos a alterações dimensionais por sinérese ou embebição, ou seja, perda ou ganho de líquido respectivamente (CHAIN, 2013, p.38). O molde de alginato, ao ficar exposto ao ar, perde água e sais (sinérese) e, ao ficar em contato com água, sofre embebição (ganho de água). Desta forma, o gesso deve ser vazado no molde de alginato tão logo quanto seja possível. Se o vazamento do gesso precisar ser postergado, é aconselhável deixar o molde armazenado em ambiente com 100% de umidade relativa, pelo menor tempo possível (CAPEL, 2017). O condicionamento prévio ao vazamento do molde em 100% de umidade relativa é indicado quando não for possível o vazamento imediato, a fim de reduzir a alteração dimensional do alginato. Essa estratégia consiste na utilização de uma cuba plástica fechada, com algodão ou gaze embebido em água e uma base plástica na parte inferior interna, para que a água não entre em contato direto com o material (CHAIN, 2013, p.38). 2.2.8 Desinfecçãodo molde Uma vez que o molde de hidrocoloide deve ser vazado dentro de um período curto após sua remoção da boca, o procedimento de desinfecção deve ser relativamente rápido para evitar alteração dimensional (ANUSAVICE, 2013, p.175). A desinfecção pode ser feita com hipoclorito de sódio 1%, o qual é borrifado sobre a moldagem por alguns segundos. O molde deve permanecer em uma embalagem plástica fechada por 10 minutos (CHAIN, 2013, p.39). 2.2.9 Apresentação comercial O alginato é comercializado em forma de pó que é misturado com água. O pó vem em potes ou pacotes grandes ou em envelopes pré-dosados contendo pó suficiente para uma moldagem, o que garante maior precisão no proporcionamento e maior validade, pois o pó não fica exposto à umidade (CAPEL, 2017). Os pacotes possuem um custo menor, porém quando abertos, devem ser colocados em potes hermeticamente fechados, para evitar contaminação. O alginato deve ser estocado em local com temperatura amena e baixa humidade (CHAIN, 2013, p.39). 2.2.10 Cuidados necessários Chain (2013, p.39) explicam que algumas alterações nas propriedades dos materiais são atribuídas a contaminação da mistura do alginato, desta forma é imprescindível a utilização de instrumentais e equipamentos bem limpos. Um exemplo disso é a aceleração na geleificação do alginato causada por pequenas quantidades de gesso deixadas no gral. O quadro 1.1 apresentado a seguir apresenta as causas mais comuns de falhas na moldagem com alginato. Quadro 1.1 – Causas de defeitos nas moldagens de alginato Efeitos Causas Rasgamento Espessura inadequada, contaminação por umidade, remoção prematura da boca, espatulação prolongada Bolhas de ar Incorporação de ar durante a espatulação, moldagem com movimento muito rápido, geleificação inadequada (impossibilitando o escoamento), excesso de saliva sobre os tecidos Material Granuloso Espatulação inadequada ou prolongada, geleificação deficiente, relação água/pó muito baixa Modelo de gesso rugoso ou pulverulento Limpeza inadequada do molde, excesso de água deixada no molde, separação prematura do modelo, modelo de gesso deixado muito tempo em contato com o material, manipulação inadequada do gesso. Distorção Molde não foi vazado imediatamente, movimento da moldeira durante a fase de geleificação, remoção prematura ou indevida da boca, moldeira deixada por muito tempo na boca. Fonte: Materiais Dentários, 2013, p.39, série Abeno: Odontologia Essencial - Parte Clínica. 3 Gessos Odontológicos Restaurações odontológicas indiretas, ou seja, confeccionadas fora da boca do paciente, necessitam de procedimento de moldagem, obtenção de modelo de gesso e da participação de um protético no processo (CAPEL, 2017). O grande objetivo dos protesistas tem sido desenvolver próteses de precisão, que devolvam ao paciente a normalidade fisiológica funcional e estética. Para isto, é importante dominar-se as técnicas, e a correta utilização dos materiais necessários para esta reabilitação (SCOZ, 1999, p.8). As principais aplicações dos gessos em odontologia incluem a construção de modelos de estudo para estruturas orais e maxilofaciais e seu uso como material acessório em laboratórios dentários no processo de produção de próteses dentárias. Eles são utilizados também para a construção de modelos e troqueis[footnoteRef:3], sob os quais próteses e restaurações em cera são construídas (ANUSAVICE, 2013, p.182). [3: Reprodução de um dente preparado feita com gesso, resina epóxi, metal ou material refratário (ANUSAVICE, 2013, p.182).] Scoz (1999, p.8) explica que o material utilizado para modelos e troqueis tem uma importância fundamental neste contexto, portanto, este deve ser o mais fiel possível na reprodução da cavidade oral, pois é através desta "cópia", que realiza-se os trabalhos protéticos. Existem vários materiais disponíveis para a confecção de modelos e troqueis, mas, o mais utilizado atualmente ainda é o gesso. Atualmente, além da indicação para confecção de modelo já consagrados desde longa data, estes produtos são encontrados em materiais para enxerto, para revestimento e, ainda que em pequenas quantidades, fazem parte da composição dos alginatos odontológicos (CHAIN, 2013, p.55). 3.1 Fabricação O principal constituinte dos gessos odontológicos é o sulfato de cálcio hemi-hidratado (CaSO4 . 1/2 H2O). Este material é produzido pela calcinação do sulfato de cálcio di-hidratado (gipsita). A gipsita (CaSO4 . 2H2O) é um mineral extraído em várias partes do mundo, mas também é produzido como um subproduto da dessulfurizarão do gás emitido em algumas usinas elétricas alimentadas por carvão (ANUSAVICE, 2013, p.182 e 183). Para a obtenção do gesso (sulfato de cálcio hemi-hidratado), parte da água de cristalização é removida da gipsita (sulfato de cálcio di-hidratado) durante o processo de calcinação (aquecimento). À medida que a temperatura de calcinação aumenta , diferentes tipos de partículas são obtidos, conforme pode ser observado na tabela 1.3 (CHAIN, 2013, p.56). Tabela 1.3 – Processo de calcinação para obtenção do gesso 110 – 130º C CaSO4 . 2H2O Sulfato de cálcio di-hidratado 130 - 200º C CaSO4 . 1/2H2O Sulfato de cálcio hemi-hidratado 200 - 1000º C CaSO4 CaSO4 Anidrita Anidrita Hexagonal Ortorrômbica Fonte: Materiais Dentários, 2013, p.56, série Abeno: Odontologia Essencial - Parte Clínica. Scoz (1999, p.16) afirma que a produção dos diferentes tipos de gessos depende da granulometria do pó, do tipo de calcinação, forno aberto ou fechado, temperatura e ambiente dentro do forno. · Gesso Comum (Plaster): é aquecido em recipiente a céu aberto em temperatura aproximada de 110 a 130º C, para obtenção de partículas tipo β (beta). São partículas fofas, irregulares e porosas, o que demanda mistura com grande quantidade de água (CHAIN, 2013, p.56). · Gesso Pedra (Hidrocal): O gesso pedra é obtido através da calcinação da gipsita sob pressão de vapor controlado em autoclave, entre 120 e 130°C (FIGUEIREDO, [s.d.], p. 5). A desidratação gera partículas tipo α (alfa), as quais são partículas cristalinas de forma prismática, densas (menos porosas) e regulares. São utilizadas para fabricar gesso-pedra de resistência baixa e moderada (CHAIN, 2013, p.56). · Gesso Pedra Melhorado (Densite): Se o processo de calcinação ocorrer em uma solução de cloreto de cálcio a 30% ou na presença de mais do que 1% de succinato de sódio os cristais de hemi-hidrato formados serão mais curtos e grossos do que aqueles produzidos em um forno fechado (ANUSAVICE, 2013, p.183). Chain (2013, p.56) explica que o processo de calcinação envolve a fervura da gipsita na presença do cloreto de cálcio. Em seguida o cloro é enxaguado com água quente. As partículas são ainda mais densas, regulares e lisas que as do gesso-pedra e são utilizadas para fabricar gessos de alta resistência. A composição dos gessos odontológicos é basicamente a mesma, o sulfato de cálcio hemi-hidratado. Contudo, pode-se obter duas formas cristalinas distintas conforme a forma como é feita a calcinação, o hemidrato α (gesso-pedra) e o hemidrato β (gesso comum) (CHAIN, 2013, p.58). Os autores relatam ainda que esses três tipos de partículas descritos formam os quatro tipos de gesso atualmente utilizados na odontologia. 3.2 Composição Anusavice (2013, p. 183) explica que os vários produtos de gesso necessitam de diferentes quantidades de água. Essas diferenças ocorrem principalmente devido a forma e a compactação dos cristais. Esses fatores são regulados pelo fabricante e são dependentes entre outros aspectos, da adição de modificadores ao produto final. Chain (2013, p.57) afirma que diversas substâncias podem ser acrescentadas ao gesso para modificar algumas de suas propriedades (tempo depresa e expansão), como por exemplo, o sulfato de potássio (k2SO4) age como um acelerador quando em concentração em solução de 2% em água, pois, ao reagir com a água ele forma a sinergita, composto que cristaliza mais rapidamente. O gesso (sulfato de cálcio hemi-hidratado), também age como um acelerador quando em concentração abaixo de 20%, reduzindo o tempo de presa pelo aumento do núcleo de cristais. Outra forma de acelerar o processo de presa é adicionar cloreto de sódio, que em pequenas concentrações fornece pontoa adicionais de cristalização, contudo em altas concentrações (>20%) ele age como retardador aumentando o tempo de presa. Entre as formas de retardar o processo de presa, além do uso do cloreto de sódio em alta concentração, também pode ser utilizado o citrato de potássio e o bórax (Na2B4O7). A associação de goma arábica (1%) com oxido de cálcio (0,1%) pode ser adicionada ao gesso a fim de formar uma película sobre as partículas, diminuindo assim a quantidade de água, resultando em propriedades melhoradas. 3.3 Classificação De acordo com Chain (2013, p 58), conforme a especificação nº 25 da ASNSI/ADA, os gessos estão classificados em 5 tipos: · Tipo I – gesso para moldagem (Paris); · Tipo II – gesso comum; · Tipo III – gesso pedra; · Tipo IV – gesso pedra especial (baixa expansão); · Tipo V – gesso pedra especial (alta expansão). 3.4 Indicações O critério para selecionar um produto em particular depende do uso pretendido e das propriedades físicas necessárias para aquele uso específico (ANUSAVICE, 2013, p.190). - Tipo I: atualmente em desuso, segundo Anusavice (2013, p.190) o gesso para moldagem é raramente utilizado porque foi substituído por materiais menos rígidos, como os hidrocoloides e os elastômeros. - Tipo II: gesso para modelos de estudo e planejamento, preenchimento de muflas, modelos preliminares em prótese total, fixação de modelo em articulador (CHAIN, 2013, p. 58). - Tipo III: utilizado em modelos em que são confeccionados trabalhos que necessitam de uma maior fidelidade que a obtida com gesso comum, tais como: próteses parciais removíveis, moldeiras individuais e próteses oculares (CAPEL, 2017). Gesso para montagem em articulador de alta precisão, modelos para confecção de aparelho ortodônticos, placas de clareamento e placas interoclusais (CHAIN, 2013, p. 58). - Tipo IV: é indicado para modelos de trabalho, que que precisam ser confeccionados utilizando de um material com boas propriedades mecânicas para resistir a impactos e desgaste, como os modelos para confecção de próteses parciais fixas (CAPEL, 2017). É um gesso recomendado para confecção de troqueis nos quais serão realizados enceramentos para realização de trabalhos cerâmicos e metalocerâmicos. É também indicado para a confecção de modelos para confecção de provisórios, placas prensadas, núcleos fluidos, próteses totais, próteses parciais removíveis e próteses sobre implante (CHAIN, 2013, p. 58). Uma superfície dura é necessária para um gesso usado para troqueis porque o dente preparado é recoberto com cera e esculpido rente as margens do troquel. Um instrumento afiado é utilizado neste procedimento, portanto, o gesso especial deve ser resistente a abrasão (ANUSAVICE, 2013, p. 191). - Tipo V: gesso para a fundição de ligas com alta contração de solidificação (CHAIN, 2013, p. 58). Este gesso pedra possui uma resistência de compressão maior que a do gesso tipo IV, que é obtida principalmente pela diminuição da relação água/pó (Anusavice, 2013). 3.5 Reação química A reação de cristalização ocorre de maneira inversa conforme explica Chain (2013, p.58), ou seja, a mistura do sulfato de cálcio hemi-hidratado com água resulta na formação do sulfato de cálcio di-hidratado com a liberação de calor (reação exotérmica). A reação é exotérmica, acontece quando 1g mol de sulfato de cálcio hemi-idratado reage com 1,5g mol de água, formando 1g mol de sulfato de cálcio di-idratado e 3900 calorias de calor (SEMEDO, [s.d]). CaSO4 - 1/2H2O + 11/2H2O = CaSO4-2H2O + 3900cal/g mol. Gesso Paris (Gipsita) + Água = Gesso. Chain (2013, p.59) salienta que existe uma quantidade específica e única para misturar com cada tipo de gesso determinada pela porosidade das partículas e pelo formato dos cristais durante o processo de calcinação. Além disso, toda água da mistura será consumida durante a reação de cristalização. A água em excesso é fundamental para umedecer as partículas do pó durante a mistura. Semedo [s.d.] explica que a reação que ocorre durante a presa dos produtos de gesso determina a quantidade de água necessária. A reação de 1g mol de gesso comum com 1,5 g mol de água produz 1g mol de material de gesso. . Portanto, 100g de gesso comum requer 18,6 g de água para formar sulfato de cálcio di-idratado. A água recomendada para a mistura, a água requerida e o excesso de água permitido para o gesso comum, o gesso-pedra e o gesso especial (pedra-melhorado ou pedra de alta resistência) são demonstrados na tabela 1.4. Tabela 1.4 – Quantidade de água recomendada Tipo de gesso Água de mistura (mL / 100g de pó) Água necessária (mL / 100g de pó) Água em excesso (mL / 100g de pó) Gesso comum 37 a 50 18,6 18 a 31 Gesso pedra 28 a 32 18,6 9 a 13 Gesso especial 19 a 24 18,6 0 a 5 Fonte: Semedo [s.d.] Anusavice (2013, p.183) relata que existem 3 teorias para a presa do gesso. A teoria coloidal, a teoria da hidratação e a última e mais amplamente aceita é a teoria da dissolução/precipitação, que é baseada na dissolução das partículas do hemi-hidrato em água, seguida pela recristalização instantânea na forma de di-hidrato. Esta reação se torna possível porque, próximo da temperatura ambiente, a solubilidade do hemi-hidrado em água é quatro vezes maior do que a do di-hidrato. Sendo assim, o quadro 1.2 apresenta a sequência de como ocorre a provável a reação de presa. Quadro 1.2 – Sequência da reação de cristalização dos gessos odontológicos 1) Parte do hemi-hidratado do sulfato de cálcio se dissolve em água, formando uma suspensão. 2) Esta suspensão reage com água e forma o di-hidratado sulfato de cálcio. 3) A solubilidade do di-hidratado sulfato de cálcio é muito baixa, formando uma solução supersaturada que começa a precipitar 4) A solução supersaturada é instável, e o di- hidratado sulfato de cálcio se precipita na forma de cristais estáveis. 5) Conforme os cristais estáveis de di-hidratado sulfato de cálcio se precipitam da solução, mais hemi-hidratado do sulfato de cálcio é dissolvido e isso continua até todo o hemi-hidratado ter sido dissolvido. Fonte: Materiais Dentários, 2013, p. 59, série Abeno: Odontologia Essencial - Parte Clínica. 3.6 Expansão da presa Anusavice (2013, p.186) afirma que independentemente do tipo de gesso de gesso selecionado, uma expansão da massa pode ser detectada durante a mudança do hemi-hidrato para di-hidrato. O fenômeno da expansão de presa pode ser explicado com base na cristalização. A cristalização dos di-hidratos pode ser descrita como um crescimento de cristais a partir de núcleos de cristalização. Ocorre uma expansão linear (0,2 a 0,4%) que pode ser explicada pelo choque dos cristais durante seu crescimento, tentando empurrar um ao outro em uma solução supersaturada. Em decorrência dessa interação cristalina, o espaço intercristais formado explica as porosidades internas do gesso cristalizado após a evaporação da água. Os diferentes tipos de gesso apresentam expansões de presa distintas como pode ser observado na tabela 1.5 (CHAIN, 2013, p. 60). Tabela 1.5 – Diferentes tipos de gesso e suas respectivas expansões de presa Produto Expansão de presa (%) Gesso comum - Tipo II 0,20 – 0,30 Gesso pedra – Tipo III 0,08 – 0,10 Gesso pedra especial (baixa expansão) – Tipo IV 0,05 – 0,07 Gesso pedra especial (alta expansão) – Tipo V 0,30 Fonte: Materiais Dentários, 2013, p. 36, série Abeno: Odontologia Essencial - Parte Clínica. 3.7 Relação Água/PóCapel (2017) explica existe uma proporção estequiométrica de água necessária para que o sulfato de cálcio hemi-hidratado se converta em sulfato de cálcio di-hidratado. Contudo, esta proporção não é suficiente para se obter uma massa homogênea, com escoamento suficiente para preencher o molde, e por esta razão, a água é colocada em excesso. Chain (2013, p.60) salienta que o excesso de água aumenta a fluidez e facilita o escoamento do gesso nos rebaixes dos moldes, mas compromete a resistência e aumenta o tempo de presa. Da mesma forma que a escassez de água pode gerar um gesso mais resistente, porém com a possibilidade de incorporação de bolhas durante o vazamento em virtude da sua fluidez menor. A relação água/pó para obter a consistência de trabalho varia de acordo com o tipo de gesso: quanto mais porosas as partículas e menor o grau de compactação delas, maior a relação água/pó. Após a completa cristalização, o excesso de água ocupa parte dos espaços entre os cristais de di-hidrato (e evapora com o tempo) (CAPEL, 2017). Semedo [s.d.] afirma que o operador pode mudar o tempo de presa dos gessos alterando a proporção água/pó (A/P) ou a extensão da manipulação, conforme pode ser observado na tabela 1.6. Tabela 1.6 – Relação água/pó para os diferentes tipos de gesso Material Proporção água/pó (mL/g) Giros de espatulação Tempo inicial (Vicat) de presa (minutos) Gesso comum 0,45 100 8 0,50 11 0,55 14 Gesso pedra 0,27 100 4 0,30 7 0,33 8 Gesso pedra de alta resistência 0,22 100 5 0,24 7 0,26 9 Fonte: Semedo [s.d.] Quantidades diferentes de água para mistura são indicados para obtenção de modelos fiéis e propriedades físicas e químicas adequadas, sendo assim, a quantidade de água recomendada pelo fabricante deve ser seguida com precisão (CHAIN, 2013, p.60). 3.8 Manipulação A manipulação do gesso pode ser feita de forma manual ou mecânica. Se feita manualmente a água deve ser colocada no gral e o pó adicionado lentamente a água para uma mistura inicial, a mistura deve continuar por aproximadamente 1 minuto até que se obtenha uma massa homogênea. O uso de espatuladores mecânicos é o método mais indicado, primeiramente o pó deve ser incorporado a água com uma espatulação manual por aproximadamente 15 segundos, seguido de 20 a 30 segundos de espatulação mecânica (ANUSAVICE, 2013). A espatulação mecânica é sempre preferível afirma Chain (2013, p.61), pois é feita por misturadores especiais que geralmente possuem um dispositivo para succionar o ar durante a mistura, o que resulta em um material mais homogêneo com melhores propriedades e com menor suscetibilidade a bolhas. Algumas variáveis na manipulação podem alterar o tempo de presa e algumas propriedades do gesso, conforme explica Chain (2013, p.61). Segundo ele, um aumento no tempo e na velocidade de espatulação diminui o tempo de presa pela quebra adicional dos cristais que estão se formando. Isso gera mais núcleos de cristalização, o que acelera o processo de presa. Já a diminuição da resistência pode ser explicada pela fratura dos cristais recém formados, causando um menor entrelaçamento intercristalino no produto final resultante. 3.8 Propriedades A especificação nº 25 ANSI/ADA (ISO 6873), classifica 5 tipos de gesso com os requisitos de propriedade para cada tipo, nas quais as principais são: 3.8.1 Resistencia a compressão A resistência a compressão está inversamente relacionada com a proporção água/pó da mistura, Capel (2017) explica que quanto maior a proporção de água, além da necessária para reagir, maiores serão os espaços finais entre os cristais e menor será o imbricamento entre os mesmos, o que produz um material mecanicamente inferior. A utilização de uma maior ou menor quantidade de água do que a recomendada para determinado gesso é uma prática inaceitável, uma vez que a proporção ideal A/P é determinada pelo fabricante para que o gesso tenha adequada resistência (CHAIN, p.62). A resistência do gesso à compressão aumenta rapidamente à medida que o material endurece após o tempo de presa inicial, e esta depende do conteúdo de água livre na fase endurecida. Por esta razão existe a resistência úmida, quando a água em excesso necessária para hidratar o hemi-dratado é deixada no corpo de prova, e a resistência seca, que chega a ser duas a três vezes maior que a úmida, é alcançada em aproximadamente 7 dias quando a água evapora em sua totalidade, finos cristais de gipsita se precipitam (ANUSAVICE, 2013). 3.8.2 Resistencia à abrasão Visando melhorar a abrasão dos gessos odontológicos produtos como monômeros de metilmetacrilato e resina epóxica são adicionados a ele obtendo um aumento de 15 a 41% nessa resistência. No entanto ao adicionar estes produtos a resistência a compressão é diminuída, tendo em vista a falta de adesão dos de gesso com as partículas adicionadas, que agem como cunhas durante a compressão (CHAIN, 2013). 3.8.3 Resistencia a tração Para Figueiredo [s.d.] variação da relação água/pó causa menor interferência para a resistência a tração do gesso comum ou gesso pedra do que para a resistência a compressão, quando a relação água/pó tem caráter alto e o gesso tem resistência à tração 25% mais elevada do que em relação à resistência de compressão, contudo quando o material é manipulado com uma baixa relação água/pó, apresenta uma resistência à tração menor cerca de10% em relação a resistência à compressão. Chain (2013, p.63) afirma que os gessos possuem uma resistência a tração muito baixa. A fratura do gesso cristalizado ocorre tipicamente em tração, por este motivo o teste de tração é o mais indicado para medir a resistência. 3.8.4 Reprodução de detalhes A utilização correta dos materiais para impressão de modelos é imprescindível para uma produção consistente e confiável, materiais incompatíveis causam má reprodutibilidade, a falta de detalhes resultando em moldes imprecisos e desajustados (FIGUEIREDO, [s.d.]). Chain (2013, p.63) explica que a reprodução de detalhes está relacionada com a porosidade superficial do gesso e com o tipo de material de moldagem. Como a porosidade superficial do gesso é maior quando comparada com gesso modificado por resina epóxica, este último tende a reproduzir melhor os detalhes. 4 Gessos Modificados Anusavice (2013, p.191) afirma que atualmente estão disponíveis no mercado muitos produtos de gipsita que se adaptam a quase todos os requisitos individuais ou a combinação de requisitos. Contudo, quando uma característica é melhorada alguma outra é sacrificada. Para se ter uma presa mais rápida é preciso reduzir o tempo de trabalho, por exemplo. Uma resistência maior a escultura é aceita em troca de uma manipulação mais difícil, menor reprodução de detalhes ou necessidade de trabalhar com um material excessivamente fluido. 4.1 Gessos sintéticos Os gessos sintéticos tipo IV apresentam baixa expansão (0,05 %), alta resistência e fidelidade na reprodução do molde sem porosidade, além de apresentar compostos defloculantes que ajudam na diminuição das bolhas (CHAIN, 2013, p.63). 4.2 Gesso modificado por resina Tem como principal característica a reprodução de detalhes e o aumento a resistência a abrasão (de 15 para 41%), possuem presa rápida (10 a 12 minutos), cortes precisos, arestas limpas, livres de pequenas trincas, baixa expansão, boa resistência a compressão. A desvantagem dos gessos modificados por resina é a diminuição da resistência de compressão (CHAIN, 2013, p.63). 4.3 Gesso expansão zero É um gesso tipo IV que apresenta 0% de expansão (CHAIN, 2013, p.63). 4.3 Gesso de fluidez modificada Esse gesso tipo IV, com alta fluidez, foi desenvolvido com o intuito de reduzir a possibilidade de bolhas no modelo (CHAIN, 2013, p.63). 4.4 Gesso modificado para montagem É um gesso-pedra com tempo de presa extrarrápido (3 a 5 minutos)indicado para montagem de modelos em articuladores (CHAIN, 2013, p.63). O gesso para montagem temuma resistência suficientemente baixa para permitir o recorte fácil e facilitar a separação entre o modelo e as bases do articulador (ANUSAVICE, 2013, p.191). 5 Controle de infecção Tendo em vista o contado direto com pacientes, que deixa os profissionais da área odontológica expostos a microrganismos que causam doenças infecciosas como tuberculose, herpes simples, hepatite B, entre outras, as medidas preventivas a fim de evitar a contaminação cruzada entre pacientes, cirurgiões dentistas, auxiliares de consultório e técnicos de laboratório devem ser seguidas rigorosamente. Estas medidas incluem a desinfecção das moldagens odontológicas por meio de soluções químicas com ação bactericida. Os modelos também devem seguir o mesmo protocolo, sendo imergidos em glutaraldeído alcalino a 2% durante 10 minutos. Estudos demonstraram que esta imersão não altera a resistência a compressão e a tração diametral dos modelos (CHAIN, 2013). Neste sentido, Anusavice (2013, p.193) afirma que a grande quantidade de modelos de gesso (tipo II a tipo V) desinfetados com eficácia comprovada sem prejuízo para as propriedades físicas, sem dúvida alguma irá reforçar o sistema de barreiras para controle de infecção no laboratório dentário. 6 Considerações Finais O profissional da odontologia deve estar em constante atualização, sempre buscando novos aprendizados e aprimoramento das técnicas que utiliza para os tratamentos odontológicos. A moldagem odontológica é um procedimento que tem por objetivo reproduzir os dentes e tecidos adjacentes do paciente para fabricação de modelos, é uma etapa essencial para muitos tratamentos. Existe uma grande gama de materiais para moldagem e a escolha do material a ser utilizado depende da fidelidade e da reprodução de detalhes superficiais que se deseja em cada caso, levando em consideração o melhor custo/ benefício e as propriedades individuais de cada material. Neste sentido, é de extrema importância que o profissional conheça os materiais e suas propriedades para fazer escolhas mais assertivas e evitar custos desnecessários com retrabalho. Ter um conhecimento da técnica é imprescindível para fazer moldes cada vez mais precisos, facilitando o planejamento e execução de um trabalho reabilitador, a escolha de materiais de qualidade também influencia diretamente na qualidade do molde possibilitando a obtenção de modelos de gesso mais fiéis e trabalhos com maior exatidão. Seguir com exatidão as orientações do fabricante quanto a dispersão, manipulação, tempo de presa, remoção da moldeira, desinfecção e vazamento do gesso garante a obtenção de moldes e modelos com uma reprodução mais fiel e com propriedades adequadas. 7 Referências ANUSAVICE, Kenneth J. et al. Phillips materiais dentários. Tradução: Carmem Pfeifer e Roberto Braga. 12° ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. CAPEL, Paulo. Materiais de Moldagem Elásticos I. 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