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CONTESTAÇÃO EXCELENTÍSSIMO (a) SENHOR (a) DOUTOR (a) JUIZ (a) DE DIREITO DA 1º VARA DE FAMILIA DA COMARCA DE PORTO VELHO – RONDONIA. ANA CAROLINA COLQUE, servidora pública, enfermeira, casada, inscrita no CPF: 026.498.632-74, residente e domiciliada na Rua Duque de Caxias, nº. 5684, Bairro Liberdade, CEP 7680245, em Porto Velho/RO Pelos advogados que esta subscreve, vem mui respeitosamente, perante Vossa Excelência apresentar CONTESTAÇÃO na AÇÃO DE DIVÓRCIO, que move em seu desfavor EDUARDO BRAZAROSKY NETO, já qualificado nos autos em epígrafe, pelos fatos e fundamentos a seguir delineados: I. DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA Cumpre inicialmente destacar que o Requerida não possui condições de arcar com os custos do processo sem prejuízo do seu sustento e de sua família, o que desde já declara e afirma este patrono, consoante poderes específicos conferidos na procuração anexa, razão pela qual requer os benefícios da justiça gratuita, na forma do art. 98 e seguintes do Código de Processo Civil ( CPC) e do inciso LXXIV do artigo 5º da Constituição Federal ( CRFB/88). II. DA TEMPESTIVIDADE A respeito dos atos de comunicação, destaca-se o da citação, no qual a parte demandada é informada sobre a existência de processo em seu desfavor e é chamada a participar da relação processual para atuar de acordo com os seus interesses. Todavia, há casos em que antes da citação do réu, o mesmo comparece espontaneamente no processo suprindo sua citação. Essa possibilidade é plenamente cabível, conforme prevê o art. 239 do Código de Processo Civil. Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução. (grifo nosso). Desta feita, considerando que o réu teve conhecimento por meios próprios e compareceu espontaneamente no presente processo, requer que seja aceita e considerada tempestiva a presente contestação. III. DOS FATOS Procedem os fatos alegados na exordial de que o Requerido e a Requerente, são casados sob o Regime de Comunhão Parcial de Bens, desde o ano de 2012. Desta união adveio o filho Miguel, de 1 ano, nascido em xx de xx xxxx, e a filha Milena, de 3 anos, nascida em xx de xx de xx. Ocorre, Excelência que por razões pessoais, a requerida e o requerente decidiram pelo término da relação conjugal, de tal sorte que se faz imprescindível e necessário regularizar a presente situação. Nesta senda, os requerentes manifestam a vontade livre e consciente pela dissolução da sociedade conjugal, sendo inviável a reconciliação. IV. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS Os cônjuges pretendem, por mútuo consentimento, dissolver a sociedade conjugal, através do divórcio previsto tanto na Lei nº 6.515/77, quanto no art. 226, § 6º, da Carta Magna, este último dispondo sobre a dissolubilidade do casamento civil pelo divórcio, sem a necessidade de comprovação do lapso, senão vejamos: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. (...) § 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. Para corroborar, o código civil dispõe: Art. 1.571. A sociedade conjugal termina: (...) IV - pelo divórcio. Nesta senda, considerando que é o desejo de ambas as partes se divorciarem, requer que seja deferido o pleito da requerente e expedido o mandado de averbação. V. DOS BENS AMEALHADOS NA CONSTÂNCIA DO CASAMENTO: Na constância do Casamento os separandos amealharam os seguintes bens, que deverão ser partilhados 50% para cada um, e na mesma proporção as dívidas existentes. A) Uma casa financiada, avaliada em 1,8 milhões (valor para quitação antecipada R$ 800 mil); B) Um carro financiado no valor de 150 mil (valor para quitação antecipada R$70 mil); C) Um carro financiado no de 80 mil (valor para quitação antecipada R$ 55 mil); D) Uma clínica odontológica no valor de 300 mil (quitada); E) Uma clínica de estética no valor de 200 mil (quitada). EMPRÉSTIMOS: A) Pessoal no valor de R$ 300 mil (valor para quitação antecipada de R$ 200 mil); B) Jurídico no valor de R$ 150 mil (valor para quitação antecipada R$ 100 mil). IMPOSTOS NÃO PAGOS NO VALOR DE R$ 400 MIL REAIS. BENS PENDENTES: A) 03 centrais de ar no valor unitário de R$ 2.450,00; B) 01 micro-ondas no valor unitário de R$ 850, 00; C) 01 forno a gás no valor unitário de R$ 650,00; D) 01 geladeira no valor unitário de R$ 5,850,00; E) 01 mesa de cozinha no valor unitário de R$ 6,850,00; F) 01 tv de “70” no valor unitário de R$ 4,850,00; G) 01 Cervejeira no valor unitário de R$ 2.850,00; H) 01 aparelho de laser estético no valor unitário de R$ 180,000.00. Protesta pela juntada de novas dívidas que surgirem no decorrer desta demanda ou que não foram relacionadas nesta oportunidade. VII. DA GUARDA E REGULAMENTAÇÃO DE VISITA “Se os padrões sociais e culturais provocaram mudanças nas relações familiares, também as provocaram nas relações paterno/materno-filiais. Assim, no momento em que ocorre a separação do casal apresenta-se a guarda compartilhada como uma opção madura para uma convivência entre pais e filhos. Nesse sentido, lembro o acórdão paradigmático do STJ [REsp 1.251.000- MG (2011/0084897-5)], pela pena da Ministra Nancy Andrighi, quando afirma que: “A guarda compartilhada é o ideal a ser buscado no exercício do Poder Familiar entre pais separados, mesmo que demandem deles reestruturações, concessões e adequações diversas, para que seus filhos possam usufruir, durante sua formação, do ideal psicológico de duplo referencial.” Ainda, “A custódia física conjunta é o ideal a ser buscado na fixação da guarda compartilhada, porque sua implementação quebra a monoparentalidade na criação dos filhos, fato corriqueiro na guarda unilateral, que é substituída pela implementação de condições propícias à continuidade da existência de fontes bifrontais de exercício do Poder Familiar.” E conclui a Ementa: “A guarda compartilhada deve ser tida como regra, e a custódia física conjunta – sempre que possível – como sua efetiva expressão.” Assim, a guarda compartilhada deve ser incentivada pelos operadores de direito, para alcançar o ideal da plena proteção dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, o de conviver em família e ser criado por seus pais.” Inobstante demais doutrinas, o art. 21 da Lei 8069/90 ( Estatuto da Criança e do Adolescente), independente das partes estarem convivendo sob o mesmo teto: “Art. 21. O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência.” No Código Civil: “Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada... § 2o Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de forma equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições fáticas e os interesses dos filhos. I, II e III - (revogado); § 3º Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será aquela que melhor atender aos interesses dos filhos. § 5º A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos, e, para possibilitar tal supervisão, qualquer dos genitores sempre será parte legítima para solicitar informações e/ou prestação de contas, objetivas ou subjetivas, em assuntos ou situaçõesque direta ou indiretamente afetem a saúde física e psicológica e a educação de seus filhos.” Art. 1.584: § 2º Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda compartilhada, salvo se um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor. § 3º Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar, que deverá visar à divisão equilibrada do tempo com o pai e com a mãe. § 4º A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda unilateral ou compartilhada poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor. § 6º Qualquer estabelecimento público ou privado é obrigado a prestar informações a qualquer dos genitores sobre os filhos destes, sob pena de multa de R$ 200,00 (duzentos reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia pelo não atendimento da solicitação.” Art. 1.589. O pai ou a mãe, em cuja guarda não estejam os filhos, poderá visitá-los e tê-los em sua companhia, segundo o que acordar com o outro cônjuge, ou for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar sua manutenção e educação.” VII. DOS ALIMENTOS Segundo o ordenamento jurídico brasileiro no que tange aos alimentos é imperioso salientar os diplomas 1.694 a 1.696 do CC/02, estes tratam da maneira pela qual é prestada à concessão de alimentos, as condições para tal prestação e para quem pode ser pleiteada a concessão de alimentos e ainda a obrigação recíproca entre os pais e filhos no que toca a prestação de alimentos. Neste sentido o artigo 1.694 do CC/02, in verbis: Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação” § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Outro ponto interessante é destrinchar o princípio do melhor interesse da criança ou do adolescente capitulado tanto na nossa Magna Carta de 1988 em seu artigo 227 quanto no ECA. Nesse sentido, os artigos 4º e 6º do Estatuto da Criança e do adolescente, in verbis: “Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Estes artigos denotam toda a gama de direitos que os menores, crianças e adolescentes, possuem e tudo isto é fundamentado, baseado na máxima do melhor interesse da criança e do adolescente, posto que por serem pessoas em situação especial, de outro modo, são pessoas em formação, em formação do seu caráter e integridade, em formação psicológica e moral, em formação de sua personalidade merecem uma tutela especial primeiro por parte dos seus genitores e familiares, segundo por parte da comunidade a qual vivem, terceiro pela sociedade em geral e quarto, não menos importante pelo Estado, responsável pela feitura e efetivação de políticas públicas voltadas aos menores. IX. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer: a) Sejam concedidos os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, nos termos da Lei 1.060/50, por ser neste momento pessoa de poucos recursos para custear o mesmo; b) A intimação do Requerente para que querendo responda o pedido contraposto, e ao final seja julgado a procedência do pedido contraposto; c) Que seja intimado o ilustre representante do Ministério Público para intervir em todos os atos do processo; d) A produção de provas no que especialmente pelo depoimento pessoal do Requerido, juntada de documentos, expedição de ofícios, perícias e demais provas pertinentes; e) Que seja fixada a pensão no valor de 30% (trinta por cento) da sua remuneração bruta mensal aos seus filhos menores de idade. f) A decretação do divórcio; g) A TOTAL IMPROCEDÊNCIA do pedido inicial, concedendo a total procedência dos pedidos desta contestação, para regulamentar a guarda do menor definindo-se a GUARDA COMPARTILHADA nos termos do Art. 1.584, § 2º do Código Civil (alterado pela Lei 13.058 de 2014), no que se expõe: I- Impreterivelmente o pai, ora requerente deverá ser mantido informado a respeito da saúde da menor; II - O pai, Requerido, deverá sempre ser consultado e/ou informado pela Requerente no caso de decisões sobre assuntos escolares; III - sempre que houver necessidade e consenso entre as partes, o menor poderá ficar períodos maiores como o Requerido; IV - Quando da fase escolar, o Pai ficará com o menor em finais de semana alternados, sendo retirado no horário TAL, e devolvido à mãe no domingo no mesmo horário; V - No momento oportuno, ou seja, nas férias de julho o Pai ficará com o menor a primeira quinzena, e com a mãe na segunda, alternando a ordem anualmente; VI - nas férias de verão a criança passará os primeiros 45 (quarenta e cinco) dias com o Requerido, de 01/dezembro a 15/janeiro, e o restante com Mãe, alternando a ordem anualmente. VII - a Requerida não poderá impedir o Requerido de ver seu filho, imotivadamente, desde que as circunstâncias assim o permitam, sempre levado em consideração o bem- estar do menor, e o bomsenso entre as partes; VIII - quando a Requerente necessitar que o menor fique com o Autor, deverá avisá-lo com antecedência mínima de 24 horas; nos períodos de férias que o menor estiver com o Requerido a mãe poderá ver acriança, conforme acordar com o Autor; IX - nos períodos de férias que o Autor não estiver com a menor lhe será mantido o direito de estar com a menor pelo regime acima descrito; X - nas datas especiais, tais como aniversário de um dos pais ou outros familiares, dia dos pais, dia das mães, o menor ficar com quem faça parte a comemoração. Termos em que, Pede Deferimento. Porto Velho - RO, 12 de novembro de 2022.