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Dermato -> 14/09/2022 ETIOLOGIA • Treponema pallidum (bactéria gram-, espiroqueta) • Período de incubação: 10-90 dias (média: 21 dias) • Transmissão: sexual, vertical CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA • Tempo de infecção: o Sífilis recente: 1ª, 2ª e latente recente ▪ Até 2 anos de evolução o Sífilis tardia: latente tardia e 3ª ▪ Mais de 2 anos de evolução S ÍF IL IS PRIMÁRIA: CANCRO DURO • Período de incubação: média de 3 semanas • Erosão ou úlcera o Pênis, vulva, vagina, colo uterino, anus, boca o Única, indolor, fundo limpo e base endurecida o Duração: 3-8 semanas, resolução espontânea • Linfadenopatia regional o Múltipla e bilateral • Altamente infectante e não percebida por 15-30% dos pacientes SÍF IL IS SECUNDÁRIA • Erupção macular eritematosa (roséola): tronco e membros o Placas mucosas brancas ou acinzentada o Mucosa • Evoluem para o Erupção papulosa ▪ Acompanhada de micropoliadenopatia, sendo característica a palpação dos gânglios eritrocleares o Lesões eritemato-escamosas palmo-palmares o Lesões pápulo-hipertróficas nas mucosas ou dobras cutâneas (condiloma plano ou condiloma lata) o Alopecia o Madarose o Linfadenopatia generalizada, febre, mal-estar, adinamia • Duração: 4-12 semanas • Sintomas desaparecem em algumas semanas, mesmo sem tratamento -> falsa sensação de cura • Toda erupção cutânea sem causa determinada deve ser investigada com testes para sífilis S ÍF IL IS LATENTE • Período sem nenhum sinal ou sintoma de doença • Precoce: menos de 2 anos de infecção • Tardia: mais de 2 anos de infecção • Quando não possível interferir a duração da infecção o Sífilis de duração ignorada: tratar sífilis como latente tardia SÍF IL IS TERCIÁRIA • 15-25% das infecções não tratadas • 2-40 anos após infecção • Processo inflamatório provoca destruição tecidual • Acometimento SNC e sistema cardiovascular • Gomas sifilíticas: tumorações com tendencia a liquefação na pele mucosas, ossos e qualquer outro tecido o Pele: lesões gomosas e nodulares o Ossos: periostite*; osteíte gomosa ou esclerosante; artrite, sinovites; nódulos justa-articulares o Cardiovasculares: aortite sifilítica*; aneurisma e estenose de coronárias o Neurológicas: meningite aguda*; lesão gomosa cerebral ou de medula, atrofia do nervo óptico, lesão do sétimo par craniano, paralisia, tabes dorsalis, demência NEUROSSÍF IL IS INTERAÇÃO SÍFIL IS E H IV • Sífilis o Aumenta a infecção da transmissão de HIV -> lesões da sífilis são porta de entrada para o HIV • HIV o Aumenta o curso natural da sífilis ▪ Múltiplos cancros, mais profundos ▪ Sobreposição sífilis primária e secundária ▪ Progressão mais rápida para sífilis terciaria ▪ Resultados falso-negativos da sorologia da sífilis ▪ Menor eficácia da terapia padrão para sífilis precoce (falha terapêutica) • PVHIV e sífilis: diagnóstico e tratamento iguais o Exame neurológico minucioso: se sinais ou sintomas oculares/neurológicos, encaminhar ao neurologista e realizar punção lombar DIAGNÓSTICO DA SÍFIL IS • Exame direto: procurar treponema diretamente nas amostras de lesões • Testes imunológicos: mais usados; pesquisa de anticorpos em amostras de sangue o Não treponêmicos ▪ Detectam anticorpos não específicos para T. Pallidum, mas presentes na LUES ▪ Utilizados como diagnóstico e para monitoramento (podem ser quantitativo ou qualitativos) ▪ Monitoram através dos seus títulos a resposta ao tratamento e cura ▪ Podem dar falso positivo ▪ Positivam de 1-3 semanas após o aparecimento do cancro duro ▪ Títulos baixos (<=1:4) podem persistir ou estar presentes na sífilis tardia ▪ VDRL, RPR, USR o Treponêmicos ▪ Detectam anticorpos específicos contra T. Pallidum. ▪ Primeiros a se positivarem, resultado + ou – para anticorpos na amostra ▪ Em 85% dos casos: permanecem positivos a vida toda, mesmo após cura ▪ Não são bons para monitorar resposta ao tratamento ▪ Teste rápido (30 minutos), TPHA, TPPA, MHA-TP, FTA-Abs, ELISA, CMIA • Interpretação dos testes TRATAMENTO • Reação de Jarish-herxheimer o Piora das lesões cutâneas horas após a 1ª dose de penicilina o Ocorre mais nas fases 1as e 2as o Exacerbação das lesões: eritema, dor ou prurido, mal-estar, febre, cefaléia, artralgia. o Regressão espontânea em 12-24h, tratadas com analgésicos o NÃO DESCONTINUAR TRATAMENTO o Diferenciar de alergia a penicilina (lesões urticariformes e exantema pruriginoso) • Aplicação da Benzilpenicilina benzatina o Exclusivamente via intramuscular ▪ Região ventro-glútea preferencial • Outros: vasto lateral da coxa e dorso do glúteo ▪ Pacientes com silicone (prótese ou líquido) nos locais recomendados: optar por medicação alterativa MONITORAMENTO PÓS-TRATAMENTO • Seguimento: testes não treponêmicos devem ser realizados mensalmente nas gestantes e, no restante da população a cada 3 meses até 12 meses do acompanhamento do paciente • Monitoramento de ser realizado com testes não treponêmicos e, sempre que possível, com o mesmo método diagnóstico SUCESSO TERAPÊUTICO • Queda de títulos VDRL/não-treponêmicos o 2 titulações em até 6 meses para LUES recente o 2 titulações em até 12 meses para LUES tardia • Alguns: evolução para sororreversão/teste não-treponêmico -> NR RETRATAMENTO: REATIVAÇÃO OU RE INFECÇÃO • Difícil distinguir reinfecção de reativação e de cicatriz sorológica • Avaliar: sinais, sintomas (antigos x novos), epidemiologia (reexposição), histórico do tratamento (duração, adesão, medicação utilizada) e dos exames laboratoriais. • Critérios de retratamento: o Ausência de redução da titulação em 2 diluições dentro de 6 meses (LUES recente, 1ª ou 2ª) ou 12 meses (LUES tardia) após o tratamento ADEQUADO (ex: de 1:32 para <1:8; ou de 1:128 para <1:32); OU o Aumento da titulação em 2 diluições ou mais (1:4 para 1:16) OU o Persistência ou recorrência de sinais e sintomas clínicos • Esquema de retratamento: depende do estágio da doença • Obs: obrigatória investigação de neurossífilis (LCR) na população geral se não houver exposição sexual que justifique a reinfecção • PVHIV: investigação de neurossífilis em todos os casos de retratamento, independente de ter havido ou não nova exposição TRATAMENTO IMEDIATO • Recomenda-se, após apenas 1 teste positivo, nas situações o Gestantes o Vítimas de violência sexual o Pessoas com chance de perda de seguimento o Pessoas com sinais/sintomas de LUES 1ª ou 2ª o Pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis PARCERIAS SEXUAIS • 1/3 dos parceiros de pessoas com sífilis terão sífilis • Conduta nos expostos (até 90 dias) o Avaliação clínica, teste e seguimento laboratorial + o Oferta de tratamento ▪ Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM (1,2 milhão UI em cada glúteo) SÍFIL IS CONGÊNITA EXAME FÍS ICO • 60-90% RN vivos são assintomáticos ao nascimento • 2/3 dos casos apresentam sintomas em 3-8 semanas o Hepatomegalia o Icterícia o Rinite sifilítica (corrimento nasal) o Rash cutâneo o Linfadenopatia generalizada o Anormalidades esqueléticas PRECOCE • Até 2 anos TARDIA