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Profa. Ma. Lívia Keppeke Institucionalização - crianças e jovens em situação de acolhimento. Instituições de Acolhimento 1726 – 1ªs Instituições de amparo, Salvador (BA) “Casas dos Expostos” 1927 – Decreto 17.943-A, Código de Menores que visava à proteção formal do infante abandonado. 1990 – Lei nº 8.069/90 Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os locais de acolhimento institucional, oferecem proteção provisória para crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva, sendo que os cuidados básicos estão garantidos, sob a tutela do Governo 2009 – Lei da Adoção nº 12.010/09 A permanência de uma criança e/ou adolescente em programas de acolhimento institucional não poderá prolongar-se por mais de dois anos, salvo em caso de necessidade comprovada pela autoridade judiciária. Tempo de permanência - de três semanas a 18 anos. Período médio - seis anos e meio. Psicologia Institucional Bleger (1984) O funcionamento das instituições tende a reproduzir a mesma lógica do problema que esses espaços visavam combater. Imagem negativa das instituições de acolhimento. ECA (1990) – propostas alternativas: eliminação de grandes complexos de internação e criação de unidades menores. Erradicação das condições institucionais que favoreciam o desenvolvimento das identidades negativas e criminosas. As soluções propostas pelo ECA amenizaram a força negativa existente nas instituições tradicionais. O discurso de adolescentes abrigados revela lembranças menos traumáticas e dolorosas do que aquelas relativas a vivência familiar. Segurança, socialização, aprendizado. Apesar das mudanças positivas, os abrigos ainda estão sujeitos a alguns dos vícios, abusos e violências característicos das instituições antigas. É necessário a melhoria da qualificação dos serviços prestados nessas instituições. Preconceito – a ideia de que os abrigos são uma alternativa fracassada. A passagem por uma instituição de abrigo geram marcas dolorosas: • Experiências duras e traumáticas que os levaram a institucionalização. • A angústia devido a possibilidade de ficarem sozinhos. • O imaginário (preconceito) social. É necessário que as instituições de acolhimento não reproduzam a acusação social, e que, compreendam o significado das infância vividas e as dificuldades decorrentes do abandono e da ausência de modelos identificatórios negativos. Quando esses elementos não são compreendidos, instala-se a violência no meio institucional. A violência pode ocorrer pelo(a): • Modo insensível de se referir às famílias dos abrigados. • Modo como esperam que os abrigados lidem com a separação de suas famílias. A violência do silêncio. • Contradição – espera-se comportamento exemplar de sujeitos considerados problemáticos. É necessário espaço para trabalhar as histórias de vida, as dores, tristezas e violências, possibilitando elaborações e ressignificações das experiências passadas. O que não é elaborado, se repete – Compulsão a repetição (Freud, 1920). É necessário que se questione a ideologia do modelo familiar. Se a instituição não acredita em outra forma satisfatória de se constituir sujeitos, seu trabalho é limitado. É possível as instituições proporcionarem uma experiência que possibilite a construção de vivências mais positivas que o ambiente familiar? O que é essencial para a construção da Identidade? A possibilidade de ser contido e ao mesmo tempo de não ter tudo (a falta). Espaço onde a criança percebe que tem um lugar a partir do desejo do Outro. Se acreditarmos que as relações são resultado de construções afetivas, onde ser compreendido, ser aceito, ser respeitado, ser amado é a base necessária para um percurso satisfatório, então poderemos pensar a instituição de uma forma diferente, tornando-a uma alternativa viável para a construção de sujeitos. Referência FEIJÓ, L.P., OLIVEIRA, D.S. Privações afetivas e relações de vínculo: psicoterapia de uma criança institucionalizada. Contextos Clínicos, Ribeirão Preto, v. 9, n. 1, p. 72-85, jan.- jun. 2016