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HEMOTORAX • Acúmulo de sangue no espaço pleural.• Pode-se desenvolver de forma aguda (traumatismo ou coagulopatia) ou crônica com o passar do tempo. SINAIS CLÍNICOS • Início superagudo a agudo — ocorrem sinais de hipovolemia antes que um volume suficiente de sangue se acumule no espaço pleural a ponto de prejudicar a respiração. • Angústia respiratória, taquipneia.• Mucosas pálidas.• Fraqueza e colapso. • Pulso rápido e fraco.• Macicez torácica ventral; hiper-ressonância dorsal se houver pneumotórax concomitante em associação com alguma causa traumática. CAUSAS E FATORES DE RISCO • Traumatismo — sangramento proveniente de qualquer artéria ou veia da parede torácica, do mediastino ou da coluna torácica; lesão ao coração, aos pulmões, ao timo e ao diafragma; víscera abdominal herniada (fígado ou baço).• Neoplasia — em qualquer estrutura adjacente à cavidade pleural.• Coagulopatias — congênitas ou adquiridas; é comum a ingestão de rodenticida; insuficiência hepática; colangio-hepatite com doença concomitante do intestino delgado.• Torção de lobo pulmonar.• Hemorragia tímica aguda em animais jovens. • Dirofilaria immitis, Spirocerca lupi, Angiostrongylus vaso HEMOGRAMA/BIOQUÍMICA/URINÁLISE • Hematócrito e hemoglobina — refletem perda sanguínea após a ocorrência de desvios iniciais do compartimento líquido.• A contagem plaquetária pode estar baixa (∼ 100.000) com perda sanguínea aguda.• A contagem plaquetária muito baixa (<20.000) é compatível com sangramento espontâneo.• Avaliação de esfregaço periférico — menos de 3-5 plaquetas/campo óptico indica trombocitopenia.• O perfil bioquímico pode revelar níveis baixos de glicose, ureia, albumina e colesterol em casos com insuficiência hepática. Análise do Líquido • Efusão causada por hemorragia — hematócrito e nível de proteína semelhantes aos do sangue periférico; é comum observar plaquetas ao exame citológico.• Efusão causada por inflamação ou congestão vascular — hematócrito <8%. Provas da Coagulação • TCA ou TP/TTP prolongados — sugestivos de coagulopatia. • PIVKA (uma forma modificada de TTPA) — aumentadas em caso de envenenamento por rodenticida. • TP/TTPA prolongados e contagem plaquetária baixa — indicativos de CID.• D-dímeros positivos auxiliam na detecção de CID.• Análise de fatores específicos — pode diagnosticar defeito congênito ou coagulopatia adquirida.• Tempo de sangramento da mucosa bucal — identifica a presença de defeito na função plaquetária. DIAGNÓSTICO POR IMAGEM • Radiologia — revela efusão pleural que varia desde um aumento difuso na radiopacidade até a formação de folhetos ventrais, fissuras interlobares e densidades pleurais localizadas.• É possível observar lesões associadas (fraturas de costelas, pneumotórax, contusões pulmonares, lesões diafragmáticas e massas).• Padrão gasoso vesicular — sugestivo de torção do lobo pulmonar.• Ultrassonografia — confirma a efusão pleural; pesquisar por massas, torção de lobo pulmonar e herniação do fígado, da vesícula biliar, do baço ou do intestino.• Em pacientes estáveis sem coagulopatia — a avaliação do espaço pleural pode permitir uma melhor visualização radiográfica de massas ou de outra doença. MÉTODOS DIAGNÓSTICOS • Toracocentese. • Exploração cirúrgica — necessária para estabelecer o diagnóstico; se a imagem não sugerir o lado apropriado para acessar, recomenda-se o lado esquerdo. A tomografia computadorizada pré- operatória pode ser útil. TRATAMENTO • Agudo — uso criterioso de fluidos IV. Tentar atingir uma pressão arterial sistólica acima de 90 mmHg, mas não necessariamente acima de 110 mmHg, com o uso de hetamido; utilizar salina hipertônica para corrigir a hipovolemia. • Pneumotórax coexistente — requer toracocentese com agulha ou toracostomia com sonda.• Plasma, fatores de coagulação específicos e/ou transfusão sanguínea podem ser necessários para restabelecer os fatores de coagulação ou fornecer hemácias para transporte de oxigênio.• Contusão pulmonar — pode necessitar de suporte ventilatório.• Hemorragia torácica grave ou recidivante — pode exigir a exploração cirúrgica.• Oxigenoterapia.• Manutenção do calor corporal.• A maioria dos casos de coagulopatia exibe dificuldade resp MEDICAMENTO(S) • Vitamina K — 5 mg/kg SC como dose de 1 ataque (utilizando uma agulha de pequeno calibre), seguida por 1,5-2,5 mg/kg VO a cada 12 h por 21-30 dias. Levam 12 h ou mais para carboxilaçao dos fatores de coagulação e restauração da atividade. • Analgésicos — sistêmicos ou sob a forma de bloqueios nervosos. • Antibióticos de amplo espectro — quando indicados. CONTRAINDICAÇÕES/INTERAÇÕES POSSÍVEISEvitar o ácido acetilsalicílico e outros AINE. MONITORIZAÇÃO DO PACIENTE • Sinais clínicos, frequência e esforço respiratórios, frequência cardíaca. • Temperatura. • Produção de urina. • Alívio da dor. • Radiografias de acompanhamento em intervalos de 48 h até a estabilização do paciente. • Perfil de coagulação em 48h se a coagulopatia for diagnosticada e 48h depois da interrupção do suplemento de vitamina K. COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS • Piotórax. • Sepse. • Encarceramento e constrição dos pulmões por tecido cicatricial e fibrose. REFERENCIAS Berry CR, Gallaway A, Thrall DE, Carlisle, C. Thoracic radiographic features of anticoagulant rodenticide toxicity in fourteen dogs. Vet Radiol Ultrasound 1993, 34:391–396.