Prévia do material em texto
CASO COMPLEXO I Natal/ rn Universidade Potiguar Escola da Saúde Curso de Medicina Saúde do Idoso Caso Complexo I: Identificação: C.C.M., sexo masculino, 68 anos, branco, casado, pai de duas filhas, brasileiro, natural e procedente de Natal, terceiro grau completo, aposentado como economista do tribunal de contas. Queixa Principal: - Não formula. - Motivo da consulta: agressividade e alteração do comportamento há 3 meses Caso Complexo I: HDA Segundo relato da esposa, quando C. tinha 63 anos apresentou humor triste e anedonia, cerca de um ano após sua aposentadoria. Iniciou tratamento com medicação antidepressiva (venlafaxina). Quatro meses após o início do tratamento, apresentou agitação psicomotora, humor irritável e agressividade, recebendo o diagnóstico de transtorno bipolar do humor e iniciou monoterapia com carbonato de lítio. Durante o ano em que usou a medicação, alternava períodos de apatia e irritabilidade, associado à atitude alucinatória. O comportamento do paciente foi progressivamente se agravando, apresentando perseveração do pensamento, tornou-se agressivo com esposa e filhas, não aceitava abordagem de pessoas desconhecidas e tentou agredir a empregada sem motivo aparente. A conduta realizada foi a de suspender o carbonato de lítio e iniciado antipsicóticos atípicos. Aos 65 anos, saiu de casa para comprar cigarros e ficou perdido por 24h, sendo encontrado pela família próximo a sua residência. Apresentava diversas escoriações pelo corpo. Foi prescrito diazepam para controlar a agressividade e insônia. Começou a apresentar quedas freqüentes (03 no último ano). Aos 66 anos começou a apresentar esquecimento de fatos recentes, com piora progressiva e intensificação dos sintomas já descritos. Feito MEEM na época: 26/30 Caso Complexo I: Antecedentes Pessoais e Patológicos: Apresentou doenças comuns na infância (varicela, sarampo). Nega patologias crônicas (HAS, DM, cardiopatias, doença renal e/ou hepática). Nega também alergias, transfusões sanguíneas e cirurgias, além de DSTs. Caso Complexo I: História Familiar: Tia paterna faleceu aos 56 anos internada em hospital psiquiátrico, segundo familiares com quadro semelhante. Irmã com transtorno depressivo maior, no momento em remissão. Caso Complexo I: Hábitos de vida: - A esposa diz que C. sempre foi um excelente profissional. Participava com frequência de eventos sociais, era calmo e pacífico. Tiveram duas filhas, hoje com 34 e 38 anos. - A família nega abuso de álcool ou drogas. Fuma dois maços de cigarros por dia, mas tem reduzido. Caso Complexo I: Exame Físico: REG, eupnéico, normocorado, anictérico, acianótico, hidratado, afebril e sem linfonodomegalias. Apresenta queimaduras leves nas extremidades distais de 2º e 3º quirodáctilos direitos. CA: 104cm Sinais vitais: PA: 140 X 90mmHg / FC: 87bpm / FR: 18irpm / TAX: 36,3ºC ACV: duas bulhas rítmicas, normofonéticas e sem sopros adventícios Caso Complexo I: Exame Físico: AR: murmúrio vesicular presente, simétrico, sem ruídos adventícios Abdome: indolor a palpação superficial e profunda, ausência de visceromegalias Neurológico: tônus e força muscular preservados, reflexos normais, nervos cranianos com difícil avaliação em razão da não cooperação. MEEM: não coopera Caso Complexo I: Exame Físico: - Psíquico: Aparência: descuidada, condições precárias de higiene; Atenção: praticamente inexistente Atitude: negativista e indiferente Fala e linguagem: não-fluente, ecolalia, perseverante Consciência: consciente Orientação: desorientação temporo-espacial Pensamento: curso lentificado, forma perseverante, conteúdo empobrecido Humor: hipotímico Caso Complexo I: Solicitado exames: RM Crânio: proeminência de sulcos corticais na região frontal / Hipocampo com volume normal HMG, TGO, TGP, Ureia, Creatinina, glicemia, sódio e potássio normais Triglicérides: 512 Colesterol total: 245 HDL: 34 Perguntas orientadoras: Qual a lista de problemas identificados no caso clínico? Qual o diagnóstico diferencial e principal hipótese diagnóstica do déficit cognitivo encontrado no paciente? Quais exames laboratoriais você pediria para o diagnóstico diferencial? Que exame de imagem você pediria para o diagnóstico diferencial? Quais medidas não farmacológicas propostas para o paciente? Para quais outros profissionais você deveria encaminhar esse paciente? Qual a classe do medicamento para tratamento deste paciente? Que outras medidas farmacológicas são indicadas? Como orientar a família em relação à progressão da doença? Esse paciente tem indicação de cuidados paliativos? Justifique. 1. Qual a lista de problemas identificados no caso clínico? Humor triste; Anedonia,; Iatrogenia; Agitação psicomotora; Agressividade; Humor irritável; Insônia; Eventos de quedas; Lentificação dos pensamentos; Não cooperativo; Desorientado em tempo e espaço; Desatento. 2. Qual o diagnóstico diferencial e principal hipótese diagnóstica do déficit cognitivo encontrado no paciente? Diagnóstico de TNCM – Demência Fronto-Temporal variante comportamental; Diagnóstico diferencial transtorno depressivo maior; 3.Quais exames laboratoriais você pediria para o diagnóstico diferencial? Alguns dos exames como, enzimas hepáicas(TGO, TGP), Ureia, Creatinina e glicemia já foram soliciados. Além deles também é necessário. Hemograma completo Proteínas totais e frações T4 livre e hormônio tireoestimulante (TSH) Glicemia Vitamina B12 Cálcio sérico Sorologia para sífilis Sorologia para o vírus da imunodeficiência humana (HIV). 4. Que exame de imagem você pediria para o diagnóstico diferencial? São realizadas tomografia computadorizada (TC) e imagem por ressonância magnética (RM) para determinar quais as partes e quanto o cérebro está afetado e para excluir outras causas possíveis (como tumores cerebrais, abscessos ou um acidente vascular cerebral). No entanto, a TC ou a RM não podem detectar as alterações características da demência frontotemporal até um estágio mais avançado dessa doença. A tomografia por emissão de pósitrons (PET) pode ajudar a diferenciar a demência frontotemporal da doença de Alzheimer. No caso do pacienta já foi realizado uma RM Crânio cujo parecer foi: proeminência de sulcos corticais na região frontal / Hipocampo com volume normal 5. Quais medidas não farmacológicas propostas para o paciente? Medidas de segurança e apoio Geralmente, o ambiente deve ser iluminado, alegre, seguro, e estável e projetado de tal forma que ajude com a orientação. Alguns estímulos, como rádio ou televisão, são úteis, mas estímulos excessivos devem ser evitados. A estrutura e a rotina ajudam as pessoas com demência frontotemporal a ficarem orientadas e obter uma sensação de segurança e estabilidade. Qualquer alteração no ambiente, rotinas ou cuidadores deve ser explicada para as pessoas de forma clara e simples. 6. Para quais outros profissionais você deveria encaminhar esse paciente? Geriatra e caso os sintomas se agravem, encaminhar para um psiquiatra. 7. Qual a classe do medicamento para tratamento deste paciente? Não existem evidências fortes de um tratamento eficaz para a DFT variante comportamental, mas a classe de medicamentos que se vêm utilizando é a dos Inibidores Seletivos da recaptação da serotonina. 8. Que outras medidas farmacológicas são indicadas? Antagonista NMDA Agonista serotoninérgico (trazodona) Metilfenidato e antipsicóticos podem ser cogitados para controle de sintomas. 9. Como orientar a família em relação à progressão da doença? Explicar que se trata de uma doença progressiva e grave. No início, pode haver estabilização com técnicas ambientais e comportamentais associadas ao tratamento farmacológico. Porém, além de progressiva, a doença é também incapacitante. 10. Esse paciente tem indicação de cuidados paliativos? Justifique. A princípio não, mas com a progressãoe agravamento da doença será necessário.