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MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA (Tuberculose Pulmonar* − Doença estigmatizada. − Síndrome infecciosa granulomatosa crônica − Acomete principalmente os pulmões: → Tosse e expectoração maior ou igual a 2 semanas → Hemoptise: nem todo paciente apresenta. − Consumptiva: → Febre baixa → Perda de peso → Astenia → Febre vespertina − Grupos de risco: → 15-30 anos: pessoas ativas → TB nos últimos anos → Contactantes, idosos, DM e HIV+ − Relatório Global da TB – 2020: → Pelo menos 10 milhões de pessoas desenvolveram tuberculose, 1,4 milhão morreram → América: 3% dos novos casos − Brasil: alta incidência → Exemplo na estratégia de prevenção: vacinação BCG. − Até 20% dos novos casos de TB tem diagnóstico de HIV. − Redução ao longo dos anos. Fisiopatologia) − Doença infecto-contagiosa, transmitida através da tosse: gotículas contendo o bacilo − Não é transmitida através do beijo, por exemplo. História Natural) − Paciente infectado tosse, o contactante inala o bacilo, que alcança os macrófagos alveolares. − Fagocitose, destruição do macrófago, atração de resposta inflamatória linfocítica, que tenta controlar o bacilo inicialmente atraindo outras células dendríticas para formar o granuloma, idealmente causando calcificação e controlando a infecção. − Dependendo da resposta inicial com linfócitos, fator de necrose tumoral, interferon, haverá lesão ou não. − Tuberculose latente: da primo-infecção até o início dos sintomas (doença tuberculosa) o Formação do granuloma: dependendo da capacidade do granuloma de controlar a doença, ela evolui ou não para tuberculose primária. − Importante reconhecer a tuberculose latente. História do Granuloma) − Tuberculose é a principal doença infecciosa granulomatosa. − Diagnósticos diferenciais: doenças fúngicas e outras como sarcoidose. − O granuloma pode ser de proteção, como aquele que o organismo conseguiu controlar, produzindo resposta que não deixa o bacilo fugir, podendo ou não calcificar. Tosse por 2 semanas ou mais, acompanhando ou não: − Dispneia − Dor torácica − Expectoração − Hemoptise − Sibilância MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA − Dependendo da redução da imunidade, o granuloma pode se tornar um granuloma de transmissão: proliferação do bacilo levando à doença tuberculosa. − Reconhecer sinais e sintomas − Reconhecer a imagem: atividade ou cicatriz − Solicitar exames de escarro: teste rápido e cultura sempre que possível − Tratar adequadamente a tb (RHZE principal medicamento) − Reconhecer fatores para latência. − Tratamento da TB latente: isoniazida. Evolução) − Variada desde a infecção. − Indivíduo que tem contato com o bacilo, com redução da sua imunidade ou grande quantidade de bacilos: pode evoluir rapidamente para TB primária. − Pode eliminar totalmente a infecção, não havendo doença nem latência. − Pode permanecer latente por muito tempo, sofrendo ou não reativação. − Depende: → Da resposta imune do paciente → Da virulência → Da quantidade de bacilos inalados − Existem diferentes apresentações − O teste baseado no interferon e o teste tuberculínico que diz se a pessoa teve contato ou não: será positivo desde a tb latente até a tb ativa. Formas de Apresentação) − Infecção tuberculosa – Primo-infecção → 95% dos casos curam → Foco de Gohn → Complexo de Ranke → Nódulos de Simmons − Tuberculose Primária: em até 5 anos do contágio o paciente apresenta sintomas, comum em imunossuprimidos e crianças − Tuberculose Pós-primária: → Mais comum e mais tardia → Cavidades → Lesões reticulonodulares − Todos os pacientes tem a infecção tuberculosa; MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA Fatores de Risco) − Situação de rua − Restrição de liberdade − HIV − Indígenas − Álcool e tabaco − Sexo masculino − Quanto menor a renda e maior a desnutrição, maior a incidência. Como identificar e tratar Tuberculose Latente? − Prevenir que desenvolva sintomas. − Reação de Mantoux – Prova tuberculínica: inoculação de um bacilo atenuado, estimulando linfócitos que geram reação inflamatória; a medida é feita pelo tamanho da pápula, quanto maior o contato, maior a resposta. → Pacientes muito doentes não respondem! O teste tuberculínico não é útil em pacientes sintomáticos. → Duas visitas em 72 horas para fazer a aferição adequada. Infecção Tuberculosa) − A partir do momento da infecção, forma-se a resposta inflamatória, ocorre disseminação pelos vasos linfáticos, alcançando linfonodos e por fim os pulmões por disseminação linfo-hematogênica. Achados Radiológicos) A infecção tuberculosa pode se apresentar como RX normal. Nódulo Calcificado – Nódulo de Gohn Linfonodo hilar calcificado MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA − Complexo da Ranke: foco de Gohn + linfangite + foco ganglionar Tuberculose Latente) − Período entre a penetração do bacilo e o desenvolvimento da doença tuberculosa. − Diagnóstico de TBL: positividade do teste tuberculínico + exclusão de doença tuberculosa (não pode haver sintoma!) − Enduração do teste tuberculínico com o PPD → Tamanho da enduração com o PPD → Orienta a necessidade de tratamento da TBL → Em diferentes contextos epidemiológicos − IGRA: novo teste, imunoensaio de interferon. − Contexto epidemiológico: dado pelo tipo de doença − Inúmeras populações tem indicação da investigação de TB latente: Basicamente pacientes imunodeprimidos ou com doenças crônicas que possam comprometer a imunidade MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA − FALSOS NEGATIVOS: o organismo já está em grande estresse com a doença, então o teste tuberculínico pode dar negativo em pacientes com doença manifesta. → Tuberculose disseminada ou grave → Imunossupressão → Neoplasias → Gravidez → Crianças → Idosos − O teste tuberculínico não serve para investigar a doença, só a resposta imune do contato. − Tratamento da TB Latente: Isoniazida por 6-9 meses Caso Clínico) − Helenita, 35 anos, doméstica − DM, em uso de insulina NPH − Após exames de rotina teve diagnóstico de linfoma − Assintomática − Vem à consulta para avaliação de tratamento de tuberculose em virtude de resultado positivo do PPD, cerca de 20mm de enduração. − Imagem: nódulo calcificado. − Ludgero, 56 anos − Ex-fumante, 40 maços ano − Há 15 dias vem apresentando febre, mal estar, associado à tosse produtiva com escarro mucopurulento. − Exame físico: → PA 130x90mmHg → Fc = 82 bpm → Fr = 20 irpm → Crepitação em ápide direito − Diagnóstico: coleta do escarro − Doença tuberculosa − Tratamento: RHZE Quando pensar em tuberculose? − Tosse crônica − Síndrome consumptiva − Pneumonia “lenta”, sem resolução − Febre de origem indeterminada Clínica Vs Imunidade MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA Existe diferença na apresentação da doença em pacientes imunocompetentes e imunodeprimidos. Tuberculose Primária) − Desenvolvida até 5 anos após o contágio por alto número de bacilos, alta virulência ou imunidade comprometida. − Reação granulomatosa: → Disseminação hematogênica intracelular → Disseminação por contiguidade e linfo-hematogênica − Infiltrados pulmonares no ápice ou na base − Linfonodomegalias mediastinais − Tuberculose linfonodal − Tuberculose miliar: geralmente ocorre rapidamente após a primoinfecção − Tuberculose do lobo médio − Cavitações − Derrame pleural − Atelectasias Tuberculose Pós-Primária) − Bacilo implantado fica latente, controlado pelo granuloma. − De maneira reativa, por redução da imunidade ou aumento da carga, ocorre proliferação do bacilo, causando doença. − Tuberculose dos ápices, com lesões cavitadas: disseminação por contiguidade, imagens filhas, cisurites e retrações. − Lesões nodulares exsudativas: disseminação canalicular (tosse).− Processos reticulo-nodulares: pacientes com imunidade comprometida apresentam na base − Pneumonia tuberculosa: linfonodo doente eclode para um brônquio, liberando secreção e produzindo a doença − Derrame pleural; MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA − Miliar pós-primária: nódulos grosseiros coalescentes; − Alterações nodulares, irregulares, geralmente predominantes nos ápices. − Segmentos apical, posterior e superior − Lineares e nodulares em faixa; − Disseminação linfática − Conflluem para o segmento ou lobo − Cavidade única ou múltipla − Quanto mais tempo de doença, pior o quadro. Diagnóstico) Sintomático Respiratório; − Estratégia PAL: busca de casos de TB pulmonar para reduzir o tempo de transmissão. − Em média os pacientes demoram 7 semanas para procurar atendimento; − Em 12 semanas suspeita/início do tratamento − Após o início do tratamento, a paciente permanece bacilífero por até 2 semanas, transmitindo. − Controle da transmissão: +- 14 semanas depois do início. Cicatriz MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA − Suspeita: solicitar exame de escarro. − Investigação: → Exame de escarro: ▪ Pesquisa de BAAR (bacilo álcool-ácido resistente) ▪ TRM-TB (teste rápido molecular) → Histologia: granuloma com necrose caseosa; ▪ Obs: paciente imunodeprimido pode não apresentar o granuloma. → Cultura com identificação do M.tuberculosis: sólida ou líquida. − Exame de escarro: → Espontâneo: 2 amostras → Induzido: procedimento com capela de fluxo laminar, sem expor outros pacientes e profissionais. (aumenta a chance de transmissão). → Broncoscopia com LBA → Método: BAAR ou Ziehl-Neelsen/Auramina → Rendimento: valor preditivo positivo 95%, sensibilidade até 60% O predomínio da transmissão ocorre por pacientes adultos! Teste rápido molecular (TRM-TB): detecção de m.tuberculosis e triagem de cepas resistentes. − Vantagem: o Tempo real o Detecta resistência à rifampicina − Rendimento MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA o Sensibilidade ▪ BAAR + 98-100% ▪ BAAR – 78% o Especificidade 90-100% − Deve estar sempre disponível! Cultura do Escarro − Melhora do rendimento dos exames de escarro − Cultivo do micobacterium, teste da resposta aos anti-tuberculostáticos. − Meios: → Löwenstein-Jensen → Ogawa-Kudoh − Utilidade: → Identifica MTB → Testa sensibilidade − Rendimento 40% − Padrão ouro para definição diagnóstica (nomear o agente) − Todos os pacientes sintomáticos com suspeita, com teste molecular positivo ou não. Caso Clínico − Katia, 45 anos − Fumante 80 maços-ano, ex-alcoolista − Vem à consulta referindo cansaço, dispneia e febre baixa há 20 dias. − Mv abolido no terço inferior do pulmão esquerdo. − Opacidade em base pleural, com sinal do menisco: derrame pleural. − Se puncionado: exsudato com adenosina deaminase elevada – sugestivo de tuberculose pleural. Diferenciar Atividade e Sequela em Exame de Imagem) MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA Árvore em Brotamento Cicatricial MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA Caso Clínico − 56 anos, HAS, em hemodiálise − Internado para tratamento de pé-diabético, no 20º dia teve piora da dispneia, tosse produtiva, cansaço, fraqueza, episódios de dor torácica. − Exame: REG, MEG, ansioso, FR = 34 rpm, FC = 150 bpm, PA 180x60, edema periférico, crepitantes bilaterais − RX: cardiomegalia, aumento do diâmetro dos vasos do hilo, derrame pleural à direita, infiltrado intersticial bilateral, nódulos calcificados de até 7mm associados a estria atelectásica no LSD. − Lesão cicatricial. − Diagnóstico: ICC descompensada. Tratamento) − Tratamento realizado em domicílio. − Quando hospitalizar: → TB meningoencefálica → Intolerância aos medicamentos incontrolável em ambulatório → Estado geral que não permita tto ambulatorial → Intercorrências que necessitem de tratamento e/ou procedimento hospitalar → Vulnerabilidade social ou grupos com maior possibilidade de abandono. → Especialmente se caso de reincidência, falência ou multirresistência − Princípios do tratamento: → Atividade bactericida precoce: H, S e R → Prevenir a emergência de cepas resistentes → Atividade esterilizante − Caso novo/virgem de tratamento: nunca recebeu tratamento ou foi tratado por menos de 30 dias. − Abandono de tratamento → Por 30 dias ou mais após data prevista de retorno → 30 dias após a última ingestão de dose supervisionada − Recidiva: → História de TB anterior curada com antituberculínico → Diagnóstico atual de TB bacteriologicamente positiva − Tratamento: 2RHZE/4RH = 6 meses MARIANA SUCOLOTTI ATM23 PNEUMOLOGIA − Fase intensiva: RHZE por 2 meses − Fase de manutenção: R+H por 4 meses − Quem tratar: → TB pulmonar → Todos os casos da forma extrapulmonar, exceto meningoencefalite e osteoarticular → Recidiva e retorno após abandono − Na meningoencefalite e osteoarticular – Combinar corticoide: → Prednisona> 1-2mg/kg/dia por 4 semanas → Ou Dexametasona 0,3-0,4mg/kg/dia por 4-8 semanas → A fase de manutenção dura 10 meses. − Chance de sucesso do tratamento: menor em pacientes HIV, pacientes com TB resistente. − Tuberculose Resistente: regime supervisionado, tratamento mais longo.