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FICHAMENTO N° Livro □ Artigo □ Monografia/Dissertação/Tese □ Multimídia □ Outros □_________________ Referência (ABNT) HALL, Stuart. Identidade cultural e diáspora. Comunicação & Cultura, n. 1, 2006. Bionota(s) do(s) autor(es): Stuart Hall (Kingston, 3 de fevereiro de 1932 — Londres, 10 de fevereiro de 2014) foi um teórico cultural jamaicano que atuou no Reino Unido. Ele contribuiu com obras chave para os estudos da cultura e dos meios de comunicação, assim como para o debate político. Paráfrases textuais: O termo multicultural descreve as características sociais e os problemas de governabilidade apresentados por qualquer sociedade na qual diferentes comunidades culturais convivem e tentam construir uma vida em comum, ao mesmo tempo em que retêm algo de sua identidade "original". Já o termo multiculturalismo, refere-se às estratégias e políticas adotadas para governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade gerados pelas sociedades multiculturais. E usualmente utilizado no singular, significando a filosofia específica ou a doutrina que sustenta as estratégias multiculturais O termo multiculturalismo denomina "uma variedade de articulações, ideais e práticas sociais". A proliferação subalterna da diferença, se diz respeito à ideia da globalização contemporânea o fato de que, culturalmente, as coisas parec.am mais ou menos semelhantes entre si (um tipo de americanização da cultura global, por exemplo O caso britânico pode servir como um belo exemplo no que diz respeito à questão do multicultural. Ele serve como um breve exemplo de um argumento mais amplo. A história nacional pressupõe que a Grã-Bretanha tenha sido uma cultura homogênea e unificada até a ocorrência das migrações do subcontinente caribenho e asiatico no pós-guerra. Embora "supostamente fixa e eterna", foi constituída a partir de uma série de conquistas, invasões e colonizações. Na Grã-Bretanha, entre as duas maiores comunidades pós-migratórias não brancas, o termo "raça" é aplicado geralmente aos afro-caribenhos e "etnicidade" aos asiáticos. Quanto maior a relevância da "etnicidade", mais as suas características são representadas como fixas, inerentes ao grupo, transmitidas de geração em geração não apenas pela cultura e a educação, mas também pela herança biológica, inscrita no corpo e estabilizada, sobretudo, pelo parentesco e pelas regras do matrimônio endogâmico, que garantem ao grupo etnico a manutenção de sua "pureza" genética e, portanto, cultural. Na questão da tradição e da modernidade produz uma forma específica de compreensão da cultura. Trata-se das culturas distintas, homogêneas, auto-suficientes, fortemente aglutinadas das chamadas sociedades tradicionais. As culturas tradicionais colonizadas permanecem distintas: mas elas inevitavelmente se tornaram "recrutas da modernidade” na visão de mundo ocidental. Ainda existe o discurso "questão multicultural" e seu questionamento dos discursos dominantes da teoria política ocidental e as fundações do Estado liberal. Em face da disseminação de diferenças instáveis, o debate estabelecido entre liberais e comunidades, que hoje domina a tradição política ocidental, tem sido seriamente perturbado. A cidadania universal passa a ser a neutralidade cultural do estado são as duas bases do universalismo liberal ocidental. Nessa perspectiva, a pressão da diferença multicultural, alguns Estados constitucionais ocidentais como a Grã-Bretanha tern sido obrigados a adotar aquilo que Walzer denomina Liberalismo, ou aquilo que, no vocabulário menos restrito da Europa, se chamaria de programa reformista da "social democracia". Assim, o compromisso de expor e confrontar o racismo em quaisquer de suas formas teria que se tornar um objetivo positive e uma obrigac.ao estatutaria do governo, do qual sua própria reivindicação de legitimidade representativa dependeria. Portanto, não podemos simplesmente reafirmar a liberdade individual e a igualdade formal (aquilo que o Novo Trabalhismo cordialmente denomina "igualdade de merito"!), pois podemos perceber o quanto ambas são inadequadas as complexidades de vínculo, pertencimento e identidade introduzidas pela sociedade multicultural, e como as profundas injustiças, exclusões sociais e desigualdades continuam a ser perpetradas em seu nome. Daí se tem a reflexão que, a lógica política multicultural requer pelo menos duas outras condições de existência: uma expansão e radicalização cada vez mais profundas das práticas democráticas da vida social, bem como a contestação sem trégua de cada forma de fechamento racial ou etnicamente excludente. Transcrições do texto: indicar o nº da página “ Multicultural é um termo qualificativo.” p.52 “"Multicultural", entretanto, e, por definição, plural. Existem muitos tipos de sociedade multicultural, como por exemplo, os Estados Unidos da América, a Grã-Bretanha, a Franga, a Malásia, o Sri Lanka, a Nova Zelândia, a Indonésia, a África do Sul e a Nigéria. Estes são, de forma bastante distinta, "multiculturais"”. p.52 “Em contrapartida, o termo "multiculturalismo" é substantivo." p.52 “Ambos os termos são hoje interdependentes, de tal forma que é praticamente impossível separá-los." p.52 “Juntamente com as tendências homogeneizantes da globalização, existe a "proliferação subalterna da diferença"". p.60 “ Não se trata da forma binária de diferença entre o que é absolutamente o mesmo e o que é absolutamente "Outro". E urna "onda" de similaridades e diferenças, que recusa a divisão em oposiciones binarias fixas.” “O surgimento da questão multicultural produziu uma "racialização" diferenciada de áreas centrais da vida e cultura britânicas." p.68 “O "ser britânico" constitui um significante vazio, a norma em relação a qual a "diferença" (etnicidade) e mensurada.” p.68 "Raça" e uma construção política e social.” p.69 "Já a "etnicidade" gera um discurso em que a diferença se funda sob características culturais e religiosas.” p.70 “O racismo biológico privilegia marcadores como a cor da pele.” p.70 “A "negritude" tern funcionado como signo da maior proximidade dos afro-descendentes com a natureza e, consequentemente, da probabilidade de que sejam preguiçosos e indolentes, de que Ihes faltam capacidades intelectuais de ordem mais elevada, sejam impulsionados pela emoção e o sentimento em vez da razão, hipersexualizados, tenham baixo autocontrole, tendam a violência etc.” p.70 “Nos anos 80, alguns críticos observaram um declínio no racismo de base biológica e um aumento do "novo racismo cultural"” p.72 “A ideia de que a sociedade liberal poderia agir de maneira "fundamentalista" ou que o "tradicionalismo", digamos, do Islã poderia combinar formas modernas de vida parece uma contradição em termos.” p.73 “Entretanto, desde o começo do "projeto" global do Ocidente no fim do século quinze, o binarismo Tradição/ Modernidade tern sido progressivamente minado” p.73 “A ideia de cultura implícita nas "comunidades de minoria étnica" não registra uma relação fixa entre Tradição e Modernidade.” p.75 “O universalismo pós-iluminista, liberal, racional e humanista da cultura ocidental parece não menos significante historicamente, mas se torna menos universal a cada momento.” p.77 “Muitas grandes ideias — liberdade, igualdade, autonomia, democracia — foram aperfeiçoadas na tradic.ao liberal. Entretanto, é evidente que o liberalismo hoje nao e "a cultura além das culturas", mas a cultura que prevaleceu: aquele particularismo que se universalizou com êxito e se tornou hegemônico em todo o globo.” p.77 “A questão multicultural tem ajudado a desconstruir algumas outras incoerências do Estado constitucional liberal.” p. 79 “Acredita-se que a "neutralidade" do Estado liberal (isto é, o fato de que este é representado como se não buscasse na esfera pública nenhuma noção particular do "bem") garante a autonomia pessoal e a liberdade do indivíduo de buscar sua própria concepção do "bem", contanto que isso seja feito no domínio privado.”p. 80 “O liberalismo vem sendo incapaz de se conciliar com a diferença cultural ou garantir a igualdade e a justiça para os cidadãos minoritários." p.82 “As comunidades étnicas minoritárias não são atores coletivos integrados de uma forma que Ihes permita se tornarem sujeitos oficiais de direitos comunitários integrais.” p.83 “A escolha individual, embora recoberta pelo fino verniz de um comunitarismo, não pode fornecer os elos de reconhecimento, reciprocidade e conexão que dão significado a nossas vidas enquanto seres sociais.” p.88 “Entretanto, o fato é que nem os indivíduos enquanto entidades livres e sem amarras nem as comunidades enquanto entidades solidárias ocupam por inteiro o espaço social.” p.89 “Pois a desvantagem e exclusão raciais impedem o acesso de todos, inclusive das "minorias" de todos os tipos, ao processo de definir uma "britanidade" mais inclusiva; esse acesso constitui precondição para a legitimidade do chamado a identificação de todos.” p. 89 Relações com outros textos estudados: Modelo elaborado pelo Prof. Ms. José Carlos Sales dos Santos Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos