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FARMACOLOGIA GERAL A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória, e com a Educação a Distância presente em todo estado do Espírito Santo, e com polos distribuídos por todo o país. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como referência em qualidade educacional. R E I TO R GRUPO MULTIVIX R E I 2 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) Fábio de Pádua Ferreira Farmacologia Geral / FERREIRA, F.P. - Multivix, 2022 Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2020 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 4 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS UNIDADE 1 Figura 1 - Diferentes apresentações de medicamentos 14 Figura 2 – O farmacêutico é o profissional do medicamento 15 Figura 3 – A meditação é um tipo de remédio 17 Figura 5 – As plantas são fontes para medicamentos 19 Figura 6 – Os ratos são um modelo animal usado na fase pré-clínica 21 Figura 7 – A via intramuscular é um tipo de via de administração de medicamentos 22 Figura 8 - Os comprimidos são uma forma de farmacêutica administrada por via oral 23 Figura 9 – Supositórios 25 Figura 10 – Via intravenosa 26 UNIDADE 2 Figura 1 – Absorção de fármacos no estômago 34 Figura 2 – Interior de uma veia 36 Figura 3 – Fármacos ligados a proteínas 41 Figura 4 – Interação de um fármaco com uma proteína plasmática 42 Figura 5 – Fármacos na corrente sanguínea 44 Figura 6 – Fragmentação de uma organela 45 Figura 7 – Eliminação de compostos pelo rim 47 5 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS UNIDADE 3 Figura 1 – O fármaco age no corpo humano e produz, por meio de mecanismos, a atividade farmacológica 52 Figura 2 – Paul Ehrlich foi um dos principais pesquisadores a contribuir com o entendimento sobre receptores 54 Figura 3 - Primeira família 55 Figura 4 - canal iônico 56 Figura 5 - xantina oxidase 56 Figura 6 - Bomba sódio/potássio 57 Figura 7 – Interação do sumatriptano (fármaco utilizado para tratamento da enxaqueca) com os aminoácidos do receptor 5HT 58 Figura 8 – Mecanismo chave-fechadura 60 Figura 9 – Curva dose-resposta 61 Figura 10 – Comparação das curva-dose resposta de dois fármacos 62 Figura 11 – Ação de fármacos agonistas e fármacos antagonistas 63 Figura 12 – Curvas de dose-resposta idealizadas de um agonista, agonista parcial, antagonista neutro e agonista inverso do mecanismo chave- fechadura 64 Figura 13 – A interação entre medicamentos provoca urticária (um tipo de reação adversa), nas costas 67 UNIDADE 4 Figura 1 – Sistema Nervoso Central (SNC) 72 Figura 2 – Sinapses químicas entre os neurotransmissores e os receptores 74 6 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS Figura 3 – Fórmulas estruturais dos mais importantes neurotransmissores 76 Figura 4 – Aplicação de doping por atleta antes da corrida 82 Figura 5 – Proteína de membrana que atua como receptora de glutamato 83 Figura 6 – Receptor GANA em uma membrana celular 84 UNIDADE 5 Figura 1 – Componentes do Sistema Nervoso Central e Periférico 90 Figura 2 – Divisão do Sistema Nervoso (SN) baseada na anatomia 91 Figura 3 – As principais funções do sistema autônomo simpático e parassimpático em diferentes órgãos efetores 92 Figura 4 – Estrutura do receptor nicotínico mostrando as cinco subunidades proteicas básicas: α, β, γ, δ e ε 94 Figura 5 – Estrutura 3D do subtipo de receptor muscarínico M2 humano 94 Figura 6 – (A) Principais subtipos de receptores adrenérgicos e (B) Afinidade dos subtipos de receptores para cada neurotransmissor 96 Figura 7 – Estrutura química de dois agonistas colinérgicos betanecol e da pilocarpina, betanecol usado para tratamento da retenção urinária e pilocarpina para tratamento do glaucoma 97 Figura 8 – Atropa beladona, planta medicinal, principal fonte de alcaloides como a atropina e a escopolamina, planta venenosa e alucinógena 98 Figura 9 – Estrutura química da escopolamina, fármaco antagonista dos receptores muscarínicos utilizada geralmente para vômitos e náuseas 99 7 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS Figura 10 – Paciente com a pálpebra superior parcial direita (ptose) 100 Figura 11 – Estrutura química da clonidina, fármaco usado para pacientes com pressão alta 102 Figura 12 – Estrutura química da prazosina, medicamento anti- hipertensivo antagonista α1 com ação vasodilatadora 103 Figura 13 – Estrutura química do propranolol, fármaco com ação betabloqueadora e ação na angina (dor no peito), hipertensão (pressão alta) e distúrbios do ritmo cardíaco 104 UNIDADE 6 Figura 1 – Processo de inflamação por ferida externa. 108 Figura 2 – Fórmulas moleculares de algumas AINEs 110 Figura 3 – Fórmulas estruturais de alguns coxibes 113 Figura 4 – Avaliação dos riscos e benefícios de diferentes medicamentos 117 Figura 5 – Uma senhora lendo as instruções da bula antes de tomar o remédio 120 8 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1UNIDADE 2UNIDADE 3UNIDADE 4UNIDADE 5UNIDADE SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 10 1 ASPECTOS CONCEITUAIS DA FARMACOLOGIA GERAL 13 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 13 1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS 13 1.2 PRINCIPAIS VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 22 2. PRINCÍPIOS GERAIS DE FARMACOCINÉTICA 33 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 33 2.1 ABSORÇÃO DE FÁRMACOS 33 2.2 DISTRIBUIÇÃO E DEPURAÇÃO DE FÁRMACOS 40 3 BASES GERAIS DA FARMACODINÂMICA 51 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 51 3.1 PRINCÍPIOS DO MODO DE AÇÃO E RESPOSTA FARMACOLÓGICA DE UM FÁRMACO 52 3.2 RELAÇÃO ENTRE DOSE E RESPOSTA CLÍNICA DO FÁRMACO 60 4 FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) 71 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 71 4.1 INTRODUÇÃO À FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) 71 4.2 CLASSES FARMACOTERAPÊUTICAS QUE ATUAM NO SNC 79 5 FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 89 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 89 5.1 NEUROTRANSMISSÃO: OS SISTEMAS NERVOSOS AUTÔNOMO E SOMÁTICO MOTOR 89 5.2 MECANISMOS PELOS QUAIS OS FÁRMACOS PODEM ATUAR PARA ALTERAR A FUNÇÃO FISIOLÓGICA DO SNA 96 9 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6UNIDADE SUMÁRIO 6 FÁRMACOS ANTI-INFLAMATÓRIOSNÃO ESTEROIDAIS 107 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 107 6.1 CLASSIFICAÇÃO DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES) 107 6.2 BASES DE AÇÃO, EFEITOS INDESEJÁVEIS E CONTRAINDICAÇÕES DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES) 114 10 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS ICONOGRAFIA 11 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A Farmacologia geral tem como objetivo estudar a interação entre os fár- macos e o organismo humano, através de conceitos e princípios básicos que fundamentam o desenvolvimento e o uso racional de medicamentos. Para os profissionais de saúde, essa disciplina é importante pois trata-se da base para a construção do uso racional de medicamentos empregados para aliviar sintomas, tratar doenças e prevenir doenças futuras. Portanto, convidamos você, aluno(a), a realizar essa trilha de aprendizagem, em que os conteúdos aqui explorados irão lhe auxiliar no entendimento da Farmacologia Geral e na importância desse conhecimento na promoção de uma melhor qualidade de vida geral para o indivíduo. 12 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 13 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL UNIDADE 1 > definir o conceito de Farmacologia e suas subdivisões; > diferenciar medicamentos genéricos, referência e similar; > entender o que é droga, medicamento, remédio, fármaco, forma farmacêutica, excipiente, adjuvante, efeito colateral e evento adverso; > descrever as etapas básicas envolvidas no desenvolvimento e aprovação de um novo medicamento; > compreender quais são as principais vias de administração de fármacos. 14 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 1 ASPECTOS CONCEITUAIS DA FARMACOLOGIA GERAL INTRODUÇÃO DA UNIDADE Esta unidade abordará a definição da farmacologia suas principais subdivi- sões. Serão apresentadas as diferenças entre medicamentos referência, si- milar e genérico conforme legislação pertinente. A compreensão de outras termos como remédio, medicamento, droga e fármaco entre outros aborda- dos nesse e-book irão proporcionar a você estudante capacidade de aprofun- damento e entendimento dessa e de outras unidades de aprendizagem da disciplina de Farmacologia geral. Você já se imaginou em um mundo sem medicamentos? Seria possível? Neste capítulo iremos também ver como são desenvolvidos os medicamentos e quais são as principais vias de administra- ção de medicamentos em pacientes. 1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS 1.1.1 INTRODUÇÃO, CONCEITO DE FARMACOLOGIA, SUAS SUBDIVISÕES E TIPOS DE MEDICAMENTOS: GENÉRICO, REFERÊNCIA E SIMILAR A Farmacologia é um termo de origem grega que significa basicamente o es- tudo dos medicamentos. Trata-se, portanto, de uma ciência que analisa como as substâncias químicas atuam nos sistemas biológicos. Hoje em dia, é uma das ferramentas essenciais para todos os profissionais de saúde, assim como para aqueles que lidam direta ou indiretamente com os medicamentos. 15 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 1 - DIFERENTES APRESENTAÇÕES DE MEDICAMENTOS Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de comprimidos, frascos de remédio e uma seringa. Existem diversas subdivisões para a Farmacologia dentre elas podemos des- tacar a: (1) Farmacocinética e a (2) Farmacodinâmica. A Farmacocinética estuda a Absorção, Distribuição, Metabolismo e Excreção (ADME) dos fármacos. Já a Farmacodinâmica avalia o mecanismo de ação dos fármacos. Você sabe qual a diferença entre medicamento referência, genérico e similar? Para se aprofundar mais na história da Farmacologia e nas suas subdivisões sugerimos que o aluno leia o artigo intitulado: “Farmacologia no século XX: a ciência dos medicamentos a partir da análise do livro de Goodman e Gilman” disponível neste link. A compreensão dos contextos históricos permite ao aluno bases importantes sobre o desenvolvimento da farmacologia. https://www.scielo.br/j/hcsm/a/bTpnNVqfFm97TwPqKDLHMwJ/?format=pdf 16 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 2 – O FARMACÊUTICO É O PROFISSIONAL DO MEDICAMENTO Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de um farmacêutico apontando para uma prateleira com remédios. A resolução n⁰. 391 de 9 de agosto de 1999 estabelece o regulamento técni- co para medicamentos genéricos, define medicamento referência como: o medicamento original que foi registrado em agência reguladora responsável pela vigilância sanitária e comercializado no país, após comprovação de eficá- cia, segurança e qualidade. Já o medicamento genérico é geralmente produ- zido após a expiração da patente. Contém o mesmo princípio ativo e apresen- ta características que pretende garantir intercambialidade com o produto de referência. Para assegurar essa condição são realizados testes de bioequiva- lência e de equivalência farmacêutica. Por fim a mesma resolução define me- dicamento similar como aquele identificado pela marca ou nome comercial e possui o mesmo ou os mesmos princípios ativos de um medicamento de referência. Apresenta a mesma concentração, forma farmacêutica, via de ad- ministração, posologia e indicação terapêutica, preventiva ou diagnóstica do medicamento referência. O medicamento similar pode diferir somente em características relativas ao prazo de validade, embalagem, tamanho e forma do produto, rotulagem, excipientes e veículos. 17 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1.1.2 OUTROS CONCEITOS FUNDAMENTAIS PARA O ESTUDO DA FARMACOLOGIA GERAL Além dos conceitos iniciais apresentados até aqui, existem outras definições que são importantes para que o aluno possa aprofundar seu entendimento sobre aspectos gerais da farmacologia. Confira logo abaixo o quadro 1 que apresenta alguns termos importantes! No ano de 2015 foi publicado 29 de dezembro a lei n⁰ 13235 que altera a lei n⁰ 6360, de 23 de setembro de 1976, para nivelar o controle de qualidade realizado com os medicamentos similares em comparação com os exigidos para medicamentos genéricos. Para ter acesso a mais informações sobre essa lei, acesse este link. Você acha que remédio e medicamento são a mesma coisa? Muitas pessoas acreditam que sim, mas estão equivocadas. O remédio é qualquer tática utilizada para amenizar ou tratar, sem necessariamente envolver o uso de um princípio ativo. Podemos citar como exemplos de remédio o calor, o gelo, a meditação, a oração entre outros. Já o medicamento é um produto farmacêutico que possui um ou mais princípios ativos, o que exclui os demais tipos de remédios citados anteriormente. Podemos exemplificar medicamentos como a penicilina G, a dipirona e o ibuprofeno entre outros. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/L13235.htm 18 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 3 – A MEDITAÇÃO É UM TIPO DE REMÉDIO Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de uma mulher meditando em meio à natureza. QUADRO 1 – TERMOS E DEFINIÇÕES IMPORTANTES NA FARMACOLOGIA GERAL Termo Definição Droga Qualquer substância natural ou sintética quequando usada por um indivíduo modifica as suas funções vitais, principalmente relacionadas a dependência psicológica ou orgânica. Geralmente, são divididas em lícitas (ex. álcool) e ilícitas (ex. cocaína). Fármaco É a principal substância química (de estrutura definida) da formulação de um medicamento, sendo a responsável pelo efeito terapêutico. Também é conhecido como princípio ativo ou insumo farmacêutico ativo (IFA). 19 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Termo Definição Formas farmacêuticas Trata-se das formas físicas de apresentação do medicamento, e elas podem ser classificadas em sólidas (comprimidos), líquidas (xaropes), semissólidas (cremes) e gasosas (anestésicos inalatórios). Geralmente, é a mistura do fármaco com adjuvantes e excipientes. Excipiente Substância formulada junto com o princípio ativo de um medicamento geralmente empregada para estabilização. Adjuvante Substância adicionada aos medicamentos para melhorar a absorção e as vacinas para melhorar a resposta imunológica. Efeito colateral Trata-se de um efeito secundário de um medicamento, diferente daquele efeito principal responsável pelo efeito e uso terapêutico do fármaco. Pode ser prejudicial, benéfico ou indiferente e geralmente ocorre com as doses terapêuticas usuais de medicamentos. Evento adverso ou experiência adversa São definidos como complicações indesejadas decorrentes do cuidado aos pacientes. Pode estar relacionado a qualquer resposta indesejada ocorrida a partir da administração de doses normalmente usadas de um medicamento. Fonte: elaborado pelo autor (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa um quadro com Termos e definições importantes na farmacologia geral, incluindo: Droga; Fármaco; Dose; Prescrição medicamentosa; Placebo; Formas farmacêuticas; Excipiente; Adjuvante; Efeito colateral; e Evento adverso ou experiência adversa. Medicamento Fitoterápico são materiais ou produtos derivados de plantas medicinais com benefícios terapêuticos ou outros benefícios para a saúde. 20 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 1.1.3 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE FÁRMACOS As substâncias com valor terapêutico estão disponíveis em diversas fontes, tanto naturais quanto sintéticas. As fontes naturais incluem plantas, animais e compostos inorgânicos. As plantas são responsáveis pela parcela mais signi- ficativa da diversidade química registrada na literatura científica. FIGURA 5 – AS PLANTAS SÃO FONTES PARA MEDICAMENTOS Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de folhas de plantas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou em 2010 um documento intitulado "O que devemos saber sobre medicamentos” que tem como foco promover a diminuição dos problemas relacionados ao uso incorreto de medicamentos. Para acesso integral ao material, faça o download do arquivo neste link. Bons estudos! https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/publicacoes-sobre-medicamentos/o-que-devemos-saber-sobre-medicamentos.pdf/view 21 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para se tornar um medicamento vendido comercialmente, uma substância química, independente da sua forma de obtenção, deve ter valor terapêuti- co, eficácia comprovadas e não possuir efeitos indesejáveis graves a saúde do indivíduo. Após a identificação de um produto químico que possa ter valor terapêutico, ele deve passar por uma série de testes pré-clínicos (experimentos realizados em animas e células) e clínicos (experimentos realizados em humanos) para avaliar seus efeitos terapêuticos e tóxicos reais. Este processo é rigidamente controlado por agências reguladoras do setor farmacêutico como a ANVISA-Agência Nacio- nal de Vigilância Sanitária (Brasil).Os testes regulamentados são projetados para garantir a segurança e confiabilidade de qualquer medicamento apro- vado nestes países. Antes de receber aprovação final pela agência reguladora para serem comercializados para a população em geral, os candidatos a fár- macos devem passar por vários estágios de desenvolvimento. Esses incluem ensaios pré-clínicos e estudos de fase I, II e III. Após a aprovação os medica- mentos entram na fase clínica IV. Como exemplos de medicamentos oriundos da biodiversidade podemos citar o ácido acetilsalicílico (oriundo de plantas).de corais). O ácido acetilsalicílico (AAS ou aspirina), é um dos fármacos mais usados e suas propriedades analgésicas e anti-inflamatórias foram comprovadas a partir de testes utilizando um pó extraído da casca e das folhas do salgueiro (Salix alba L.). 22 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 6 – OS RATOS SÃO UM MODELO ANIMAL USADO NA FASE PRÉ-CLÍNICA Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de uma mão com luvas segurando um rato branco. Você quer aprender um pouco mais sobre os testes clínicos realizados durante o desenvolvimento de candidatos a fármacos? Então, assista ao vídeo “Quais são as fases da Pesquisa Clínica? Você sabe o que é a Pesquisa Clínica? Estudos clínicos são pesquisas desenvolvidas por cientistas que envolvem seres humanos e têm como foco principal avaliar a segurança e a eficácia de um medicamento em teste por meio da coleta de dados. Quer saber mais sobre pesquisa clínica? Assista ao documentário “Pesquisa clínica”. Vamos conhecer mais sobre o assunto e a sua importância na saúde. https://www.youtube.com/watch?v=3MNzyAZxEY0&ab_channel=TvSa%C3%BAdeBrasil 23 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 7 – A VIA INTRAMUSCULAR É UM TIPO DE VIA DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de um braço, no qual se aplica uma injeção, com uma seringa. 1.2 PRINCIPAIS VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 1.2.1 INTRODUÇÃO E VIA ENTERAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS As vias de administração de medicamentos são frequentemente classificadas pelo local em que o fármaco é administrado. Um medicamento pode ser ad- ministrado principalmente pelas vias enteral e parenteral. A escolha da via de administração em que o medicamento será aplicado no paciente depende da conveniência, comodidade, da farmacocinética e do perfil farmacodinâ- mico da substância farmacoterapeuticamente ativa. Por isso, é fundamental compreender as características gerais das diferentes rotas. Muitos membros da equipe de saúde multiprofissional estão envolvidos na administração de medicamentos aos pacientes. 24 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 8 - OS COMPRIMIDOS SÃO UMA FORMA DE FARMACÊUTICA ADMINISTRADA POR VIA ORAL Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de comprimidos brancos com um fundo preto. A administração oral de medicamentos é uma rota conveniente, econômica e mais comumente usada para a administração de fármacos. O local principal da absorção ocorre no intestino delgado, e a biodisponibilidade da medicação é influenciada pela quantidade de fármaco absorvida através do epitélio in- testinal. O efeito de primeira passagem é uma consideração importante para medicamentos administrados oralmente. O efeito de primeira passagem re- Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren- SP), disponibiliza aos profissionais da saúde a publicação “Uso seguro de medicamentos” em que é apresentados as principais etapas relativas ao preparo, administração e monitoramento de medicamentos. Trata-se de uma leitura simples e bastante atraente! Clique neste link para baixar a publicação. https://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/uso-seguro-medicamentos.pdf25 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 fere-se ao metabolismo da droga pelo qual a concentração de drogas é signi- ficativamente diminuída antes de atingir a circulação sistêmica, muitas vezes devido ao metabolismo no fígado. Os medicamentos orais são convenientes e são indicados para pacientes que podem ingerir e tolerar uma forma oral de medicamentos. Alguns medicamentos com meias-vidas curtas são adminis- trados oralmente em formas farmacêuticas de liberação sustentada que são absorvidas ao longo de várias horas. A via sublingual é outro tipo de rota enteral da administração de medica- mentos que oferece o benefício de contornar o efeito de primeira passagem. Aplicando o medicamento diretamente sob a língua (sublingual), a medica- ção sofre uma difusão passiva através do sangue venoso na cavidade oral, que contorna a veia porta hepática e flui para a veia cava superior. Rotas su- blinguais são indicadas para medicamentos com extenso metabolismo de primeira passagem. Por exemplo, 90% da nitroglicerina administrada e meta- bolizada durante uma única passagem pelo fígado; portanto, é administrada por via sublingual. A via sublingual também possui vantagens de rápida ab- sorção, conveniência e baixa incidência de infecções. A via retal (administração de supositórios) é outra via enteral de administra- ção de medicamentos, e permite a absorção rápida e eficaz de medicamen- tos através da mucosa retal altamente vascularizada. Semelhante a rota su- blingual, os medicamentos administrados também sofrem difusão passiva e contornam parcialmente o metabolismo da primeira passagem. Apenas metade do fármaco absorvido no reto vai diretamente para o fígado. Uma rota retal é útil para pacientes com problemas de motilidade gastrointestinal, como disfagia ou íleo que podem interferir no fornecimento do fármaco no trato gastrintestinal. 26 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 9 – SUPOSITÓRIOS Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de supositórios em cima de uma mesa. 1.2.2 VIA PARENTERAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS A via intravenosa é a rota parenteral mais comum da administração de medi- camentos e tem o benefício de contornar o metabolismo de primeira passa- gem pelo fígado. Dada a sua localização superficial na pele, as veias periféri- cas proporcionam fácil acesso ao sistema circulatório e são frequentemente utilizadas na administração parenteral de medicamentos. A extremidade su- perior é geralmente o local preferido para medicação intravenosa, pois tem uma menor incidência de tromboflebite e trombose do que os membros in- feriores. As veias basílicas ou cefálicas medianas do braço ou as veias do me- tacarpo no dorso da mão são comumente utilizadas. Na extremidade inferior, pode-se utilizar ainda o plexo venoso dorsal do pé. Uma via intravenosa ad- ministra diretamente os medicamentos na circulação sistêmica. Trata-se de uma via indicada quando o efeito rápido da medicação é desejado, um nível sérico do fármaco é necessário, ou quando o fármaco é instável ou mal absor- vido pelo trato gastrointestinal. É também a via preferida em pacientes com estado mental alterado ou náuseas ou vômitos graves, incapazes de tolerar medicamentos orais. 27 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 10 – VIA INTRAVENOSA Fonte: Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de um pulso e uma mão de uma pessoa, com medicamentos via intravenosa. A via de administração intramuscular pode ser realizada em diferentes mús- culos do corpo, incluindo o deltoide, o músculo dorso-glúteo, o músculo ven- tro-glúteo ou o músculo da face ântero-lateral da coxa. Embora a região dor- so-glútea, ou o quadrante externo superior da nádega, seja um local comum escolhido tradicionalmente para injeções intramusculares por profissionais de saúde, ele representa um risco potencial de lesão na artéria glútea supe- rior e no nervo ciático. Por outro lado, a região ventro-glútea, ou o sítio glúteo anterior, tem como alvo o músculo glúteo médio e evita essas complicações potenciais; assim, sendo uma opção recomenda. Uma via intramuscular pode ser usada quando a absorção de medicamentos orais ocorre de maneira errá- tica ou incompleta; o fármaco tem metabolismo de primeira passagem alto ou quando o paciente não está em conformidade para esse tipo de admi- nistração. Uma preparação medicamentosa que forma depósitos pode ser realizada intramuscularmente, e a medicação se dissolve lentamente na cir- 28 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL culação fornecendo uma dose sustentada ao longo de um período mais pro- longado. Um exemplo inclui haloperidol decanoato. As vacinas também são administradas através da rota intramuscular. Via subcutânea: É outra forma de administração parenteral de medicamentos realizada no tecido subcutâneo, logo abaixo das camadas de derme e epiderme. Tecido subcutâneo: Tem poucos vasos sanguíneos e; portanto, os medicamentos injetados nessa região passam por um processo de absorção lento e sustentado. Medicação subcutânea: Pode ser administrada em vários locais, incluindo a área externa do braço superior, o abdômen evitando um círculo de 2 polegadas em torno do umbigo, na coxa, na parte superior das costas ou na região superior da nádega atrás do osso do quadril. Uma via subcutânea é usada quando o tamanho molecular do fármaco é muito grande para ser efetivamente absorvido no trato gastrointestinal ou quando uma melhor biodisponibilidade ou uma taxa de absorção mais rápida é necessária. Trata-se de uma via de fácil administração que requer habilida- des mínimas, para que os pacientes possam muitas vezes autoadministrar a medicação por eles mesmos. Medicamentos comuns administrados por essa via incluem a insulina, a heparina e alguns tipos de anticorpos monoclonais. 29 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1.2.3 OUTRAS ROTAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS Via intranasal: Facilita a absorção de fármacos por difusão passiva através do epitélio respiratório de camada única e bem vascularizada diretamente para a circulação sistêmica. Via inalatória: Um medicamento inalado é entregue rapidamente através da grande área superficial do epitélio do trato respiratório. Fármacos absorvidos na circulação pulmonar entram diretamente na circulação sistêmica através da veia pulmonar, contornando o metabolismo de primeira passagem. O tamanho da partícula da medicação inalada é geralmente de 1 a 10 μm para que ocorra uma absorção eficaz. A eficácia do fornecimento de medicamentos para os pulmões depende não apenas do tamanho das partículas e de propriedades do fármaco, mas também da fisiologia respiratória do paciente, como volume corrente e velocidade de inspiração traqueal. Via vaginal: Uma via de entrega de fármacos pouco explorada que não é comumente usada, mas tem as vantagens de contornar o efeito de primeira passagem e pode servir como um método eficaz para a terapia local e sistêmica. 30 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL O Quadro 3 descreve os vários fatores que afetam a absorção do fármaco por diferentes vias de administração. QUADRO 3 – FATORES QUE AFETAM A ABSORÇÃO DE FÁRMACOS Vias de administração de fármacos Fatores que afetam a absorção Intravenoso (IV) Nenhum fator afeta, já que a entrada ocorre diretamente no sistema venoso. Intramuscular (IM) A perfusão ou o fluxo sanguíneo para o músculo. A quantidade de gordura alocada na região muscular de aplicação e a temperatura local:o frio causa vasoconstrição e reduz a absorção, o calor aumenta absorção por maior vasodilatação. Subcutâneo A perfusão ou o fluxo sanguíneo do local de aplicação. A quantidade de gordura no tecido cutâneo e a temperatura local: o frio causa vasoconstrição e reduz a absorção, o calor aumenta absorção por maior vasodilatação. O Diabetes Mellitus (DM) é uma enfermidade relacionada a deficiência relativa ou absoluta do hormônio insulina. Essa enfermidade impõe um ônus financeiro tanto aos pacientes quanto à economia de saúde, com custos significativos para os sistemas de saúde. Todos os pacientes com DM tipo 1 (T1DM) necessitam de terapia de insulina. Do mesmo modo, pacientes com DM tipo 2 (T2DM) também podem se tornar dependentes de insulina exógena devido a complicações relativas ao seu quadro clínico. A insulina injetável passou a fazer parte do rol produtos farmacêuticos utilizados no manejo do DM no ano de 1922. A parti desse marco histórico, outras vias de administração com maior comodidade posológica foram exploradas. A apresentação farmacêutica de insulina inalada, por exemplo, oferece a vantagem de uma área maior de absorção — aproximadamente 70 a 140 m2. Em julho de 2014 a FDA aprovou o pó de inalação de Afrezza® (insulina humana inalável) como terapia farmacológica para pacientes com diabetes. Para se aprofundar na temática a respeito desse tipo de insulina, nós sugerimos a leitura do artigo intitulado: “Insulina inalável: uma rota terapêutica segura?”, disponível neste link. https://fjh.fag.edu.br/index.php/fjh/article/view/170/157 31 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Vias de administração de fármacos Fatores que afetam a absorção Excipiente Substância formulada junto com o princípio ativo de um medicamento geralmente empregada para estabilização. Pó (oral) Acidez estomacal, tempo de permanência na região estomacal, fluxo sanguíneo para o trato gastrointestinal. Presença de alimentos ou outros fármacos que interagem com a substância terapêutica administrada. Retal Perfusão ou fluxo sanguíneo para o reto. Lesões no reto, período de tempo retido para absorção. Sublingual Perfusão ou fluxo sanguíneo na região. Integridade das mucosas. Tópico (pele) Tempo retido na área da administração, perfusão ou fluxo sanguíneo na área e integridade da pele. Inalação Perfusão ou fluxo sanguíneo para a região pulmonar, integridade do revestimento pulmonar, capacidade de administrar o medicamento apropriadamente. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). #PraCegoVer: a imagem representa um quadro com duas colunas, uma referente às Vias de administração de fármacos, sendo: Intravenoso (IV); Intramuscular (IM); Subcutâneo; Pó (oral); Retal; Sublingual; Tópico (pele); e Inalação; e aos fatores que afetam a absorção, sendo, respectivamente: Nenhum fator afeta, já que a entrada ocorre diretamente no sistema venoso; A perfusão ou o fluxo sanguíneo para o músculo. A quantidade de gordura alocada na região muscular de aplicação e a temperatura local: o frio causa vasoconstrição e reduz a absorção, o calor aumenta absorção por maior vasodilatação; A perfusão ou o fluxo sanguíneo do local de aplicação. A quantidade de gordura no tecido cutâneo e a temperatura local: o frio causa vasoconstrição e reduz a absorção, o calor aumenta absorção por maior vasodilatação; Acidez estomacal, tempo de permanência na região estomacal, fluxo sanguíneo para o trato gastrointestinal. Presença de alimentos ou outros fármacos que interagem com a substância terapêutica administrada; Perfusão ou fluxo sanguíneo para o reto. Lesões no reto, período de tempo retido para absorção; Perfusão ou fluxo sanguíneo na região. Integridade das mucosas; Tempo retido na área da administração, perfusão ou fluxo sanguíneo na área e integridade da pele; e Perfusão ou fluxo sanguíneo para a região pulmonar, integridade do revestimento pulmonar, capacidade de administrar o medicamento apropriadamente. 32 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL CONCLUSÃO Essa unidade teve como objetivo desenvolver perspectivas relacionadas à far- macologia geral. Foram definidos diversos conceitos que são essenciais para o entendimento a respeito do uso correto de medicamentos. Os profissionais da saúde precisam ter bases sólidas bem-definidas a respeito desses termos, para proporcionar orientação correta à população em geral, que, na maioria das vezes, desconhecem os termos aqui apresentados. Aprendemos sobre o conceito de farmacologia e como ela pode ser subdivi- dida. Estudamos as diretrizes que norteiam as principais diferenças de me- dicamentos referência, genéricos e similares. Vimos como se relacionam os termos medicamento, remédio, droga, fármaco, efeito adverso, efeito colate- ral, forma farmacêutica, entre outros. Tivemos uma visão geral sobre o proces- so de desenvolvimento de fármacos, tendo compreensão sobre as fases da pesquisa científica: estudos em animais e estudos em humanos. Por último, foram estudadas as principiais vias de administração dos medicamentos e indicamos as diferentes condições que podem alterar o processo de absorção dessas moléculas. A compreensão da unidade permite que o(a) estudante possa oferecer ao pa- ciente uma melhor assistência à saúde, garantindo qualidade ao tratamento medicamentoso e resultados terapêuticos seguros e eficazes. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 33 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL UNIDADE 2 > Identificar os princípios gerais da absorção de fármacos. > Proporcionar noções a respeito de distribuição, metabolismo e eliminação de fármacos. 34 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 2. PRINCÍPIOS GERAIS DE FARMACOCINÉTICA INTRODUÇÃO DA UNIDADE Esta unidade vai introduzir os princípios e fundamentos da farmacocinética, buscando compreender o que acontece com um fármaco desde o momento em que é administrado até o momento em que é finalmente eliminado do corpo. O destino de qualquer fármaco pode mudar com base no local de ad- ministração, formulação e dosagem. Vamos estudar nessa unidade a relação entre dose e efeito biológico, fenômenos como a absorção, distribuição, me- tabolismo, biotransformações e eliminação, enfatizando os aspectos qualitati- vos e quantitativos desses processos e o caminho percorrido pelo fármaco até chegar no sítio de ação, assim como os princípios de que regem o movimento transmembrana dos fármacos, fatores que afetam ou influenciam nas carac- terísticas do transporte e as diferentes formas de passagem do fármaco entre as membranas. Veremos também os aspectos clínicos da farmacocinética. 2.1 ABSORÇÃO DE FÁRMACOS 2.1.1 BARREIRAS BIOLÓGICAS A farmacocinética é a área das ciências da saúde que se propõe a estudar a absorção, distribuição, biotransformações e a eliminação de fármacos e dro- gas no ser humano e em outros animais. A absorção e a distribuição se refe- rem a passagem das moléculas do fármaco do local de administração para o sangue e a passagem dessas moléculas para os tecidos, respectivamente. A absorção do fármaco e as vias pelas quais este pode ser administrado de ma- neira útil é muitas vezes determinada pela taxa e extensão da penetração das membranas fosfolipídicas biológicas, que são permeáveis as espécies lipos- solúveis e que apresentam uma barreira aos fármacos mais hidrossolúveis. A via mais conveniente de administração do medicamento é geralmente a oral, uma vez que os processos de absorção no trato gastrointestinal estão entre os mais bem compreendidos (RITTER et al., 2008). 35 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017FIGURA 1 – ABSORÇÃO DE FÁRMACOS NO ESTÔMAGO Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de um estômago contendo comprimidos e pílulas, ao lado, um profissional da saúde vestindo jaleco e usando um estetoscópio e segurando um coração. Urso, Blardi e Giorgi (2002) enfatizam que a farmacocinética é importante porque possibilita fornecer indicações úteis para pesquisa e desenvolvimento de medicamentos. Por exemplo, moléculas menos potentes in vitro podem ser mais eficazes in vivo devido à sua cinética favorável. 36 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL É importante distinguir estatisticamente significativas de diferenças clinicamente importantes a esse respeito. Os primeiros são comuns, enquanto os últimos não são. No entanto, diferenças na biodisponibilidade foram responsáveis por uma epidemia de intoxicação por fenitoína na Austrália em 1968-69 (YACUBIAN, 2007). A compreensão desses processos e suas interações, assim como o emprego dos princípios farmacocinéticos aumentam a probabilidade de sucesso te- rapêutico e reduzem a ocorrência de eventos adversos a medicamentos. A absorção, distribuição, metabolismo e eliminação de um fármaco envolvem sua passagem através de numerosas membranas celulares. Os mecanismos pelos quais estes compostos químicos atravessam as membranas dependem de suas propriedades físico-químicas e também das características das mem- branas, dessa forma, a farmacocinética é fundamental para compreender os caminhos que o fármaco deve percorrer no corpo humano. Buxton (2018) afirma que as principais características de um fármaco que pre- dizem seu movimento e disponibilidade nos locais de ação são suas caracte- rísticas estruturais, tais como o tamanho e peso molecular, grau de ionização, lipossolubilidade relativa de suas formas ionizadas e não ionizadas e sua intera- ção com o soro e proteínas teciduais. Embora as barreiras físicas ao movimen- to do fármaco possam ser uma única camada de células – tais como o epitélio intestinal – ou várias camadas de células e proteínas extracelulares associadas, a membrana plasmática talvez seja a barreira básica mais importante. 2.1.2 MECANISMOS DE ABSORÇÃO DE FÁRMACOS Os fármacos devem entrar na circulação para exercer um efeito sistêmico e a menos que sejam administrados por via intravenosa, a maioria é absorvida de forma incompleta. Segundo Ritter et al. (2020), as principais razões para isso são a sua inativação no lúmen intestinal por ação de ácidos, enzimas di- gestivas ou bactérias; a absorção pode ser incompleta; e o metabolismo pré- -sistêmico ocorrer na parede intestinal e no fígado. 37 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – INTERIOR DE UMA VEIA Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho do interior de uma veia humana, contendo, eritrócitos no sangue, hemácias e outros componentes em menores quantidades. A biodisponibilidade de um medicamento é conhecida como a taxa e exten- são de sua absorção. Uma melhor compreensão do processo de absorção do fármaco e dos fatores que a afetam desempenha um papel importante na obtenção de melhor biodisponibilidade e, portanto, melhor efeito terapêuti- co. Alagga e Gupta (2021) descrevem que o mecanismo mais comum de ab- sorção de drogas é a difusão passiva. Esse processo pode ser explicado através da lei de difusão de Fick, na qual a molécula do fármaco se move de acordo com o gradiente de concentração de uma concentração maior de fármaco para uma concentração menor até atingir o equilíbrio. Segundo Kim e Jesus (2021), alguns medicamentos com meia-vida curta são administrados por via oral como formas de liberação prolongada ou de libera- ção sustentada que são absorvidas ao longo de várias horas. O local primário de absorção do fármaco é geralmente o intestino delgado, e a biodisponibili- dade do medicamento é influenciada pela quantidade de fármaco absorvida através do epitélio intestinal. 38 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Uma tecnologia inovadora foi desenvolvida por pesquisadores na Universidade de Coimbra, a LaserLeap se apresenta como uma “seringa a lazer” que foi lançada no mercado em 2016 e que permite a administração rápida e eficaz de fármacos através da pele sem utilização de seringas tradicionais. Verifique maiores informações clicando no aqui. A via intravenosa é geralmente indicada quando se deseja um efeito rápi- do do fármaco, um nível sérico preciso do fármaco ou quando os fármacos são instáveis ou pouco absorvidos no trato gastrointestinal (NICOLL.; HESBY, 2002). A administração intravenosa contorna as barreiras de absorção, por isso é potencialmente a via de administração mais perigosa, uma vez que uma alta concentração do fármaco é entregue aos órgãos tão rapidamente quan- to a taxa de injeção, o que pode provocar efeitos tóxicos. Kim e Jesus (2021) enfatizam que dada a sua localização superficial na pele, as veias periféricas proporcionam fácil acesso ao sistema circulatório e são frequentemente utili- zadas na administração parenteral de medicamentos. 2.1.3 FATORES QUE INTERFEREM NA ABSORÇÃO DE FÁRMACOS A absorção é caracterizada pelo movimento de um fármaco de seu local de administração para o compartimento central. Para formas farmacêuticas só- lidas, a absorção primeiro requer a dissolução do comprimido ou cápsula, liberando assim o fármaco. Um fármaco administrado por via oral deve ser absorvido primeiro pelo trato gastrointestinal, mas a absorção líquida pode ser limitada pelas características da forma farmacêutica, pelas propriedades físico-químicas do fármaco, pelo ataque metabólico no intestino e pelo trans- porte através do epitélio intestinal para o portal circulação. O fármaco absor- vido passa então pelo fígado, onde o metabolismo e a excreção biliar podem ocorrer antes que o fármaco entre na circulação sistêmica (BUXTON, 2018). A biodisponibilidade é um indicador chave da absorção do fármaco, repre- senta a fração da dose administrada que alcança sucesso em atingir a circu- lação sistêmica quando administrada por via oral ou por qualquer outra via https://noticias.uc.pt/artigos/seringa-a-laser-startup-da-universidade-de-coimbra-lanca-primeiro-produto-no-mercado/ 39 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 de dosagem extravascular. A dosagem intravenosa é considerada 100% biodis- ponível, pois o fármaco é administrado diretamente na corrente sanguínea, no entanto, se um fármaco tiver alguma via de administração diferente, sendo a oral a mais comumente empregada, sua biodisponibilidade pode ser limitada. Biodisponibilidade: A biodisponibilidade (F) é definida como a taxa e extensão em que o constituinte ativo ou fração ativa de um fármaco é absorvido de um medicamento e atinge a circulação. Bioequivalência: Bioequivalência é um termo em farmacocinética usado para avaliar a equivalência biológica esperada in vivo de duas preparações proprietárias de um medicamento. Golan et al. (2009) afirmam que se a capacidade metabólica ou excretora do fígado e do intestino para o composto for grande, a biodisponibilidade será substancialmente reduzida. Essa diminuição da disponibilidade é função do local anatômico de onde ocorre a absorção; por exemplo, a administração in- travenosa geralmente permite que todo o fármaco entre na circulação sistê- mica. Outros fatores anatômicos, fisiológicos e patológicos podem influenciar a biodisponibilidade, portanto a escolha da via de administração do medi- camento deve ser baseada no entendimento de todas essas condições. Kat- zung, Masters e Trevor (2012) definiram a biodisponibilidade (F) como: Onde 0< F ≤ 1. Os fatores modificadores da biodisponibilidadeaplicam-se também aos pró-fármacos que são ativados pelo fígado, cuja disponibilidade resulta do metabolismo que produz a forma do fármaco ativo. 40 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Biodisponibilidade de medicamentos: Esforços para melhorar a biodisponibilidade de medicamentos têm crescido em paralelo com a indústria farmacêutica. As últimas duas décadas foram caracterizadas por uma maior compreensão das causas da baixa biodisponibilidade e uma grande inovação nas tecnologias de liberação de medicamentos, marcadas por um crescimento sem precedentes da indústria de liberação de medicamentos. Estratégia inteligente: Nesse sentido, uma estratégia inteligente tem sido utilizar pró- fármacos, que são compostos que tem atividade insignificante ou menor contra um alvo farmacológico específico do que um de seus principais metabólitos. Os pró-fármacos podem ser usados para melhorar a distribuição e a farmacocinética, para diminuir a toxicidade ou para direcionar o fármaco para células ou tecidos específicos. Nanossistemas: As pró-fármacos podem se concentrar nas células desejadas e mostrar atividades de maneira seletiva. Nanossistemas baseados em pró- fármacos também são de grande interesse, pois podem fornecer benefícios significativos, como maior estabilidade química in vivo, maior período de liberação de drogas e baixa toxicidade antes que a degradação ocorra. A ampla pesquisa neste devem gerar novos pró-fármacos comercializáveis no futuro (ATES-ALAGOZ; ADEBOYE ADEJARE, 2021) De acordo com DeLucia et al.(2014), determinar a adsorção de um fármaco consiste em verificar o período entre a administração e o aparecimento do efeito farmacológico, sendo também avaliada para diferentes doses. A absor- ção pode muitas vezes influenciar na escolha da via de administração de fár- macos e os estudos de absorção desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de novos fármacos e no estabelecimento da equivalência terapêutica de novas formulações e medicamentos genéricos. Entre os principais fatores que afetam a absorção, podem ser citados: 41 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 QUADRO 1 – PRINCIPAIS FATORES QUE AFETAM A ABSORÇÃO DE FÁRMACOS Solubilidade Hidrossolúveis para difundirem-se em líquidos do organismo e também lipossolúveis para atravessarem as membranas biológicas Área da superfície de absorção Quanto maior a área da superfície de absorção, mais rapidamente os fármacos serão absorvidos Circulação local A absorção de fármacos pode ser aumentada por recursos que provocam vasodilatação pH do sítio de absorção E os ácidos fracos serão mais bem absorvidos em ambientes de pH mais baixo e as bases fracas em ambiente de pH mais elevado Concentração do fármaco Quanto maior a concentração administrada maior será a absorção Interação com alimentos Podem afetar a hidrossolubilidade e lipossolubilidade do fármaco, formar complexos, alterar o pH, motilidade e fluxo sanguíneo gastrintestinal Fonte: adaptado de DeLucia et al. (2014, [n. p.]). 2.2 DISTRIBUIÇÃO E DEPURAÇÃO DE FÁRMACOS 2.2.1 DISTRIBUIÇÃO Os fármacos penetram em diferentes tecidos em diferentes velocidades, que dependem capacidade do composto de atravessar membranas. De forma geral, espécies lipossolúveis podem atravessar as membranas celulares mais rapidamente do que as hidrossolúveis. Para alguns medicamentos, os meca- nismos de transporte auxiliam o movimento para dentro ou para fora dos te- cidos. Certos medicamentos deixam a corrente sanguínea muito lentamente porque se ligam fortemente às proteínas que circulam no sangue, enquanto que outros saem rapidamente da corrente sanguínea e entram em outros tecidos porque estão menos fortemente ligados às proteínas do sangue. 42 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 3 – FÁRMACOS LIGADOS A PROTEÍNAS Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de uma proteína quaternária ligada à camada bilipídica, no interior da proteína está uma molécula orgânica de baixo peso molecular. O volume de distribuição (V) relaciona a quantidade do fármaco no corpo com a concentração do fármaco (C) no sangue ou plasma: O volume de distribuição pode ser definido em relação ao sangue, plasma ou água, que depende da concentração usada na equação. O volume de dis- tribuição pode exceder largamente qualquer volume físico no corpo porque é o volume aparentemente necessário para conter a quantidade de fármaco homogeneamente na concentração encontrada no sangue, plasma ou água. Efeitos: A maioria dos fármacos exerce seus efeitos não dentro do compartimento plasmático, mas em tecidos-alvo definidos para os quais os fármacos devem se distribuir a partir do compartimento central. Infelizmente, um equilíbrio completo e duradouro entre sangue e tecido nem sempre pode ser dado como certo. 43 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Distribuição: Os processos de distribuição de fármacos podem ser caracterizados por uma alta variabilidade entre tecidos e os níveis de fármaco no local alvo podem diferir substancialmente dos níveis plasmáticos correspondentes. Portanto, a determinação da penetração tecidual do fármaco desempenha um papel importante no desenvolvimento clínico do fármaco. Avaliação: A avaliação das concentrações teciduais após a administração de quantidades muito baixas de medicamentos exige métodos analíticos altamente sensíveis que podem ser classificados como semi-invasivos– como por exemplo a microdiálise – e não invasivos, que incluem tomografia por emissão de pósitrons e espectroscopia de ressonância magnética. Buxton (2018) descreve que muitos medicamentos circulam na corrente san- guínea ligados às proteínas plasmáticas, a albumina é a principal carreadora de fármacos ácidos, enquanto a α1-glicoproteína ácida liga-se a drogas básicos. A ligação inespecífica a outras proteínas plasmáticas geralmente ocorre em uma extensão muito menor e muitas vezes pode ser reversível. Além disso, certos medicamentos podem se ligar a proteínas que funcionam como pro- teínas transportadoras de hormônios específicos. FIGURA 4 – INTERAÇÃO DE UM FÁRMACO COM UMA PROTEÍNA PLASMÁTICA Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de uma molécula orgânica no interior de uma proteína quaternária plasmática. 44 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Rang et al. (2016) afirma que a fração do fármaco presente no plasma é deter- minada pela concentração do fármaco, pela afinidade dos sítios de ligação pelo fármaco e pela quantidade de sítios de ligação disponíveis. Para a maioria dos fármacos, a faixa terapêutica das concentrações plasmáticas é limitada, dessa forma, a extensão da ligação e a fração não ligada são relativamente constan- tes. As alterações na ligação às proteínas causadas por estados patológicos e interações medicamentosas são clinicamente relevantes principalmente para um pequeno subconjunto dos chamados medicamentos de alta depuração de índice terapêutico estreito que são administrados por via intravenosa. A luz é uma ferramenta excepcionalmente poderosa para controlar eventos moleculares, nenhuma outra entrada externa pode ser tão bem focada ou tão altamente regulada quanto um laser clínico. Os veículos de entrega de fármacos que podem ser ativados fotonicamente foram desenvolvidos em muitas plataformas, desde o mais simples “enjaulamento” até micelas mais complexas e lipossomas circulantes que melhoram a absorção e eficácia do fármaco. As inovações recentes na entrega de medicamentos fotossensíveis possibilitam oportunidadesfuturas para projetar e explorar essas tecnologias sensíveis à luz no ambiente clínico. 2.2.2 METABOLISMO Segundo Zhang e Tang (2018), o metabolismo de fármacos no corpo é um pro- cesso complexo de biotransformação onde esses compostos são modificados estruturalmente em diferentes moléculas por várias enzimas metabolizado- ras. De acordo com Storpirtis et al. (2011), a formação de metabólitos polares a partir de um fármaco apolar permite uma excreção urinária eficiente. No entanto, algumas conversões enzimáticas produzem compostos ativos com meia-vida mais longa do que a droga original, causando efeitos retardados do metabólito de longa duração, uma vez que se acumula mais lentamente até seu estado de equilíbrio. É conveniente dividir o metabolismo do fármaco em duas fases, que muitas vezes, mas nem sempre, ocorrem sequencialmente. 45 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 QUADRO 2 – FASES DO METABOLISMO DE UM FÁRMACO, PROCESSOS E EXEMPLOS Fase Processo Exemplos Fase I Modificação metabólica do fármaco Oxidação, redução e hidrólise Fase II Conjugação sintética Funcionalização e aumento na polaridade Fonte: adaptado de Rittler et al. (2008, [n. p.]). O metabolismo de fármacos e drogas é um tema central para a farmacologia e esse conhecimento avançou muito nos últimos anos. A atividade farmaco- lógica de muitos fármacos é reduzida ou anulada por processos enzimáticos, sendo o metabolismo um dos principais mecanismos pelos quais os fárma- cos são inativados. No entanto, nem todos os processos metabólicos resultam em inativação, a atividade de um fármaco também pode ser aumentada pelo metabolismo, como na ativação de pró-fármacos. FIGURA 5 – FÁRMACOS NA CORRENTE SANGUÍNEA Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de diferentes compostos no interior de um vaso sanguíneo pulsante, entre eles a insulina, leucócitos e fármacos. 46 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL O artigo de Dárcio Gomes Pereira intitulado Importância do metabolismo no planejamento de fármacos no link, publicado pela Revista Química Nova em 2007, onde o autor descreve uma breve revisão sobre as vantagens e estratégias moleculares para melhorar as propriedades metabólicas e farmacocinéticas aplicadas de importantes fármacos e no desenvolvimento das pró-drogas. Garza, Park e Kocz (2021) descrevem que embora existam muitos locais de metabolismo e excreção, o principal órgão do metabolismo é o fígado, en- quanto o órgão responsável pela excreção é o rim. Qualquer disfunção signi- ficativa em qualquer órgão pode resultar no acúmulo do fármaco ou de seus metabólitos em concentrações tóxicas. 2.2.3 ELIMINAÇÃO A eliminação do fármaco é a soma dos processos que levam a remoção de um fármaco administrado do organismo. No esquema farmacocinético é fre- quentemente considerado como englobando tanto o metabolismo quanto a excreção. Para serem excretadas, espécies hidrofóbicas devem sofrer modifi- cações metabólicas tornando-as mais polares, já as hidrofílicas podem sofrer excreção direta, sem a necessidade de alterações metabólicas em suas estru- turas moleculares. FIGURA 6 – FRAGMENTAÇÃO DE UMA ORGANELA Fonte: Shutterstock (2022) #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho da fragmentação de biomolécula em múltiplos pedaços. https://doi.org/10.1590/S0100-40422007000100029 47 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Segundo Katzung, Masters e Trevor (2012), vários processos fisiológicos e pro- cessos patológicos determinam o ajuste da dose em pacientes individuais. Esses processos modificam parâmetros farmacocinéticos específicos. Os dois parâmetros básicos são a depuração, a medida da capacidade do organismo de eliminar a droga; e volume de distribuição, a medida do espaço aparente no corpo disponível para conter o fármaco. Katzung, Masters e Trevor (2012) também afirmam que os princípios de de- puração de drogas e fármacos são semelhantes aos conceitos de depuração da fisiologia renal. A depuração de um fármaco é o fator que prediz a taxa de eliminação em relação à concentração do fármaco. A depuração, como o volume de distribuição, pode ser definida em relação ao sangue, plasma ou não ligado em água, dependendo da concentração medida. É importante observar o caráter aditivo da depuração. A eliminação do fármaco do corpo pode envolver processos que ocorrem no rim, pulmão, fígado e outros órgãos. Dividindo a taxa de eliminação em cada órgão pela concentração do fármaco apresentado a ele, obtém-se a respectiva depura- ção naquele órgão (STORPIRTIS et al., 2011). Uma variedade de outros fatores afeta a eliminação, entre eles as proprieda- des intrínsecas do fármaco – como polaridade, tamanho ou pH –, variação genética entre indivíduos, estágio da doença e como ela afeta outros órgãos e as vias envolvidas na distribuição. Os fármacos podem ser eliminados do corpo sem sofrer alterações ou como metabólitos, os órgãos excretores – excluído o pulmão – eliminam compostos polares de forma mais eficiente do que substâncias com alta lipossolubilida- de. Dessa forma, os fármacos lipossolúveis não são prontamente eliminados até que sejam metabolizados em compostos mais polares. A excreção renal do fármaco inalterado é a principal via de eliminação de cerca de 25% a 30% dos fármacos administrados a humanos. As substâncias excretadas nas fezes são principalmente fármacos ingeridos oralmente não absorvidos ou meta- bólitos excretados na bile ou secretados diretamente no trato intestinal e não reabsorvidos (BUXTON, 2018). 48 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 7 – ELIMINAÇÃO DE COMPOSTOS PELO RIM Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho da eliminação de compostos químicos pelo rim, ao lado a localização dos rins e da bexiga no corpo humano. A excreção renal desempenha um papel fundamental na terminação da ati- vidade biológica de alguns fármacos, particularmente aquelas que possuem pequenos volumes moleculares ou possuem características polares, como grupos funcionais totalmente ionizados em pH fisiológico, no entanto, pou- cos fármacos possuem tais propriedades físico-químicas. Moléculas orgânicas farmacologicamente ativas tendem a ser lipofílicas e permanecem ionizadas ou apenas parcialmente ionizadas em pH fisiológico; estes são prontamente reabsorvidos do filtrado glomerular no néfron. Certos compostos lipofílicos estão geralmente fortemente ligados às proteínas plasmáticas e podem não ser facilmente filtrados no glomérulo. Consequentemente, a maioria dos fár- macos teria uma duração de ação prolongada se o término de sua ação de- pendesse apenas da excreção renal (GARZA; PARK; KOCZ, 2021). 49 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 As fases dos ensaios clínicos: etapas envolvidas nos ensaios clínicos são: Fase 0 Farmacocinética e farmacodinâmica: Concentra-se nos processos de absorção, distribuição, metabolismo e excreção do medicamento e interpreta dados de nível sanguíneo em diferentes intervalos de tempo de ensaios clínicos. Fase 1 Faixa de dosagem para segurança: Uma fase de pesquisa para descrever ensaios clínicos que reúnem mais informações sobre a segurança e eficácia de um medicamento, estudando diferentes populações. Fase 2 Eficácia e controle placebo: Fornecem aos pesquisadores um ponto de comparação, para que possam provar que são seguros e eficazes. Eles podem fornecer as evidências necessárias para solicitar aos órgãos reguladores a aprovação de um novo medicamento. Fase 3 Confirmação de segurança e eficácia: A eficácia é medida sob supervisão de umespecialista em um grupo de pacientes com maior probabilidade de resposta a um medicamento, como em um ensaio clínico controlado. Fase 4 Vigilância pós-comercialização: Refere-se ao monitoramento dos medicamentos assim que chegam ao mercado após os ensaios clínicos. Ele avalia os medicamentos tomados por indivíduos sob uma ampla gama de circunstâncias durante um longo período de tempo. 50 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL CONCLUSÃO Esta unidade objetivou apresentar noções gerais de farmacocinética, descre- vendo o escopo e os princípios básicos dos estudos farmacocinéticos necessá- rios para avaliar e propor novos medicamentos, além de para garantir o seu uso adequado. Os estudos sobre absorção, distribuição, metabolismo e excreção demonstraram que os estudos farmacocinéticos são úteis para determinar o uso adequado de medicamentos de acordo com as características do paciente e para prever a influência das interações farmacocinéticas medicamentosas. Vimos que o volume de distribuição deve ser calculado com base nas alterações da concentração do fármaco na circulação e que o mecanismo de absorção muda de acordo com a via de administração e a proporção do metabolismo podem ser determinadas de forma experimental analisando os metabólitos no sangue, urina e, se necessário, nas fezes. Por fim, verificamos a importân- cia de conhecer os princípios de depuração e quais seus mecanismos, assim como o caminho percorrido pelo fármaco até sua completa eliminação. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 51 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL UNIDADE 3 > Reconhecer os princípios do modo de ação e da resposta farmacológica de um fármaco. > Diferenciar agonistas de antagonistas e compreender a relação entre a dose e a resposta clínica do fármaco. 52 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 3 BASES GERAIS DA FARMACODINÂMICA INTRODUÇÃO DA UNIDADE Esta unidade abordará uma reflexão sobre questões gerais da farmacodinâ- mica. A farmacodinâmica é uma subdivisão da farmacologia e, tem como foco o estudo sobre o efeito dos fármacos sobre o corpo humano. Nessa unidade veremos quais são os tipos de macromoléculas (receptores) que os medica- mentos interagem para produzir uma resposta. Também iremos quantificar a resposta farmacológica no indivíduo e até nas populações. A compreen- são dos fundamentos de farmacodinâmica fornece respostas para perguntas como: “Como esse medicamento funciona?” e “Quanto desse fármaco é ne- cessário para tratar o paciente?”. A farmacodinâmica tem suas bases em outras disciplinas como a Biologia molecular, a Bioquímica, a Química Medicinal e a Química Biológica. Desse modo, esta unidade proporcionará uma compreensão de como as di- ferentes respostas farmacológicas são provocadas no nosso corpo, apresen- tando tópicos que versam sobre os princípios gerais da interação fármaco- -receptor. Este conteúdo está organizado em dois tópicos: princípios do modo de ação e resposta farmacológica de um fármaco; relação entre dose e res- posta clínica do fármaco. 53 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1 PRINCÍPIOS DO MODO DE AÇÃO E RESPOSTA FARMACOLÓGICA DE UM FÁRMACO 3.1.1 ALVOS MOLECULARES DE FÁRMACOS No sentido mais simples, a farmacodinâmica refere-se ao efeito de um fárma- co no organismo (conforme a figura 1). FIGURA 1 – O FÁRMACO AGE NO CORPO HUMANO E PRODUZ, POR MEIO DE MECANISMOS, A ATIVIDADE FARMACOLÓGICA Pha rmaco- dynam ics Dose Activ ity Mechanisms Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: ilustração do corpo humano, com uma lupa na parte do coração, indicando as relações entre dose e efeito e os mecanismos envolvidos na resposta do fármaco no corpo. 54 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Os fármacos geralmente atuam em nosso organismo de quatro formas distintas: Forma de atuação 1 Substituindo ou atuando como substituto de moléculas endógenas ausentes. Forma de atuação 2 Aumentando ou estimulando certas atividades celulares. Forma de atuação 3 Deprimindo ou retardando atividades celulares. Forma de atuação 4 Interferindo no funcionamento de células estranhas (como microrganismos invasores ou células neoplásicas). O termo “alvo farmacológico” ou “alvo molecular para fármacos” refere-se à entidade bioquímica à qual o fármaco primeiro se liga no organismo humano para provocar seu efeito. A maioria dos alvos para fármacos são proteínas ex- tracelulares ou intracelulares que promovem sua ação através de uma casca- ta de sinalização molecular que podem envolver ainda dentro dessa mesma via segundos mensageiros e enzimas. Numerosos fisiologistas e farmacologistas contribuíram para o conceito de “receptor” como unidades mínimas de reconhecimento farmacológico nas células. Paul Ehrlich (1854-1915) estudou corantes e bactérias e determinou que existem “quimiorreceptores” (ele propôs uma coleção de “amborrecep- tores”, “triceptores” e “policeptores”) em parasitas, células cancerígenas e mi- crorganismos que podem ser explorados terapeuticamente. 55 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – PAUL EHRLICH FOI UM DOS PRINCIPAIS PESQUISADORES A CONTRIBUIR COM O ENTENDIMENTO SOBRE RECEPTORES Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto em preto e branco de Paul Ehrlich em um laboratório. 56 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL As proteínas possuem a estrutura tridimensional terciária necessária para es- tabelecer forças eletrônicas que permitam a interação com a estrutura quí- mica dos fármacos. Geralmente, essa interação se dá por meio de interações intermoleculares do tipo dipolo induzido, dipolo-dipolo e/ou ligação de hidro- gênio. Apesar de mais raros, as ligações covalentes também podem ocorrer principalmente em casos que a interação fármaco-receptor é irreversível. Os sinais são iniciados através da ligação complementar do fármaco às con- formações proteicas que possuem um propósito fisiológico na célula. O ato dessas moléculas se ligarem à proteína irão então alterá-las, e essa alteração desencadeará uma série de eventos intracelulares que desencadearam o que chamamos de efeito farmacológico. 3.1.2 TIPOS DE RECEPTORES Considerando a estrutura molecular e o tempo de ação dos receptores po- demos distinguir 4 principais famílias: (1) receptores acoplados a proteína G; (2) canais iônicos; (3) enzimas; e (4) proteínas transportadoras que estão descritas abaixo: Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho de um receptor acoplado à proteína G ilustrando os 7 domínios transmembrana. Primeira família: Receptores acoplados a proteína G ou receptores metabotrópicos são um subtipo de receptor de membrana expresso na superfície ou em vesículas de células eucarióticas. Todos os receptores metabotrópicos são proteínas monoméricas com sete domínios transmembranas. A região N terminal da proteína está no lado extracelular da membrana e a região C terminal está no lado intracelular. FIGURA 3 - PRIMEIRA FAMÍLIA 57 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho esquemático de um canal iônico com fluxo intracelular e extracelular. Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho da xantina oxidase. Os canais iônicos transmembranacontrolados por ligantes são proteínas integrais de membrana que formam um poro na membrana e que permitem o fluxo regulado de íons específicos. O fluxo de íons é passivo e conduzido pelo gradiente eletroquímico para os íons permeantes. Esses canais são abertos, ou fechados, pela ligação de um neurotransmissor a um(s) sítio(s) ortostérico(s) que desencadeia uma mudança conformacional que resulta no estado de condução. Terceira família: As enzimas são catalisadoras de proteínas que facilitam a conversão de substratos em produtos. A maioria dos fármacos que atuam em enzimas agem como inibidores; uma exceção é a metformina, que parece estimular a atividade da quinase proteica AMPK, embora através de um mecanismo ainda não totalmente esclarecido. Alguns inibidores de enzimas bem conhecidos incluem ainda os inibidores de descarboxilase de ação periférica, que potencializam o efeito da L-dopa no tratamento da doença de Parkinson, e também alopurinol, que bloqueia a enzima xantina oxidase de modo que a concentração de purina plasmática seja reduzida para controlar a gota. FIGURA 4 - CANAL IÔNICO FIGURA 5 - XANTINA OXIDASE 58 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho de uma bomba de sódio/potássio. Destaca-se que cerca de 50% dos medicamentos comercializados mundial- mente interagem com os receptores metabotrópicos. Quarta família: As proteínas transportadoras são direta ou indiretamente acopladas à hidrólise de ATP e ajudam a regular a homeostase controlando a passagem de numerosos íons ou solutos através de uma membrana. Por exemplo, a atividade da bomba de Na+/K+ participa da modulação da ação da digoxina nos miócitos cardíacos. Além disso, os inibidores da bomba de prótons (incluindo o omeprazol comumente prescrito, para alívio da dispepsia) se liga e bloqueia as bombas H+/K+ ATPase nas células parietais gástricas. O artigo Receptores acoplados à proteína G, de Hoelz et al. (2013) disponível no link , traz uma revisão sólida a respeito dessa superfamília de receptores tão importantes para o melhor entendimento de como os fármacos interagem com eles. A ALDP é um tipo de proteína transportadora dependente de ATP, codificada pelo gene ABCD1, responsável pela doença adrenoleucodistrofia (ALD) ligada ao cromossomo X. O filme conta a história do pequeno Lorenzo Odone, então com 5 anos, é diagnosticado com a ALD. Os médicos dão a ele um prognóstico de aumento implacável de suas incapacidades e morte em dois anos. Não existe forma de tratar a adrenoleucodistrofia. Os pais de Lorenzo não aceitam este veredito e embarcam em uma busca dramática por uma forma de salvar a vida do seu filho. FIGURA 6 - BOMBA SÓDIO/POTÁSSIO https://rvq-sub.sbq.org.br/index.php/rvq/article/view/498/380 59 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1.3 SELETIVIDADE FARMACOLÓGICA A especificidade e a afinidade dos fármacos são relevantes quando se são consideradas as interações decorrentes entre a molécula farmacoterapeuti- camente ativa e os aminoácidos do receptor (próxima figura). A especificidade refere-se à extensão em que os receptores podem reconhe- cer um fármaco e geram um sinal a partir dessa interação. É uma carac- terística inerente resultante da numerosas forças e interações no complexo fármaco-receptor. Alguns receptores têm capacidade de ligação altamente específica e interagem com apenas um ligante específico (como os recep- tores nicotínicos do tipo N1, que só podem se ligar à acetilcolina), mas ou- tros receptores não específicos são capazes de se ligar a diversos ligantes (por exemplo, o receptor beta adrenérgico do tipo 1 (receptor β1) que se liga a várias catecolaminas). FIGURA 7 – INTERAÇÃO DO SUMATRIPTANO (FÁRMACO UTILIZADO PARA TRATAMENTO DA ENXAQUECA) COM OS AMINOÁCIDOS DO RECEPTOR 5HT Tyr346 Trp343 N NH H O S N H O Asp118Ser138 OH O O Thr202 NH Ser352 HO 2 Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho esquemático da interação do sumatriptano (fármaco utilizado para tratamento da enxaqueca) com os aminoácidos do receptor 5HT. 60 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL A afinidade refere-se à atração entre o fármaco e o receptor; fármacos ligan- do-se preferencialmente antes de outras substâncias endógenas ou exóge- nas apresentam alta afinidade. Alguns fármacos mostram maior afinidade do que o próprio ligante endógeno, significando que a molécula fisiológica é deslocada de seu sítio de ligação, e isso forma a base de como, por exemplo, os medicamentos antipsicóticos exercem eficácia clínica nos receptores do- paminérgicos. O processo de reconhecimento do fármaco com a área complementar do receptor (o sítio de ligação) depende das características físico-químicas, de formas químicas em estados conformacionais recíprocas e da reatividade existente entre micromolécula e macromolécula. O requisito complementar de “ancoragem” do fármaco ao receptor está ba- seado há hipótese “chave fechadura” que descreve a teoria base da interação fármaco-receptor. A Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental disponibiliza na internet, neste link , material rico com relevantes considerações a respeito da seletividade versus especificidade. Recomendamos que você baixe o material e faça a leitura. Bons estudos! https://www.sbfte.org.br/wp-content/uploads/2018/04/10.-Especificidade-Seletividade.pdf 61 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 8 – MECANISMO CHAVE-FECHADURA Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho esquemático do mecanismo chave-fechadura. 3.2 RELAÇÃO ENTRE DOSE E RESPOSTA CLÍNICA DO FÁRMACO 3.2.1 RELAÇÃO DOSE E EFEITOS FARMACOLÓGICOS Os receptores desempenham um papel importante na interação com os fár- macos, mas é a quantidade de moléculas farmacoterapêuticas próximas ao sítio de ligação com o receptor que governa uma resposta farmacoterapêuti- ca adequada. De modo geral, espera-se que a intensidade da resposta farma- cológica seja proporcional a quantidade de receptores ocupados. Também se espera que a resposta seja máxima quando todos os receptores estejam ocupados. A magnitude da resposta produzida para agonistas é normalmen- te graduada e ditada pelo número de receptores que o fármaco ocupa: se a concentração do agonista aumenta, mais receptores ornam-se ocupados, e O artigo “Um paradigma da química medicinal: a flexibilidade dos ligantes e receptores”, de Verlil e Barreiro (2005) e disponível neste link, aprofunda aspectos importantes trabalhados nessa unidade: a complementariedade do fármaco-receptor e a teoria chave fechadura. https://www.scielo.br/j/qn/a/Vn59nxpQRHv4ggLsmfhjBSr/?lang=pt 62 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL respostas maiores são produzidas. Simplesmente, os efeitos farmacológicos completos só devem ser produzidos quando todos os receptores estão ocu- pados e, de fato, isso estabelece a base por trás das curvas dose-resposta que traçam a relação entre a resposta graduada mensurável aumentar a partir do aumento de doses do medicamento. Para cobrir uma ampla gama de doses possíveis usadas, as curvas dose-resposta são muitas vezes expressas usando escala logarítmica. Através da construção de curvas dose-resposta pode-se identificar dois parâ- metros farmacológicos importantes: Emax e EC50. FIGURA 9 – CURVA DOSE-RESPOSTA Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um gráfico, no qual há a curva dose-resposta. 63 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIXEAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Emax (dose efetiva máxima) Refere-se à dose de fármaco capaz de promover a resposta máxima. Relaciona-se a eficácia. DE50 (dose efetiva 50%) Refere-se à dose capaz de produzir 50% do efeito farmacológico desejado. Relaciona-se à potência. A partir dos conceitos de Emax (eficácia) e DE 50 (potência) é possível realizar comparações entre dois fármacos. Observe a figura 10 e compare a curva- -dose resposta dos dois fármacos: fármaco representado pela curva azul e fár- maco representado pela curva vermelha. Os fármacos representados pelas curvas azul e vermelha possuem a mesma eficácia, indicada pela resposta máxima alcançada (Emax). Porém, o fármaco representado pela curva azul é mais potente que o fármaco representado pela curva vermelha, indicado pelo (DE50). FIGURA 10 – COMPARAÇÃO DAS CURVA-DOSE RESPOSTA DE DOIS FÁRMACOS Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um gráfico, no qual há uma comparação das curva-dose resposta de dois fármacos. 64 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL A eficácia e a potência são parâmetros importantes na prática segura da pres- crição de medicamentos. A eficácia tem relação com a facilidade do fármaco produzir o efeito. Fármacos alta eficácia, portanto, promovem efeitos maiores do que aquelas com baixa eficácia. O termo as vezes é referido como “ativi- dade intrínseca”. Já a potência é a concentração do fármaco necessária para produzir efeitos. Simplesmente é qual a quantidade de fármaco é necessária para produzir 50% do efeito. Entretanto, foi observado que alguns fármacos nunca produzem a resposta máxima, por mais que ocorra um aumento expressivo nas suas concentra- ções. Observaram também que alguns fármacos são capazes de ancorar em sítios de ligação de alguns receptores, sem promover a sua ativação. Nessa di- reção, ficou estabelecido que a resposta farmacológica está relacionada com a quantidade de receptores ocupados e também com a atividade inerente ao fármaco. Essa hipótese fez com que fosse possível distinguir entre agonistas e antagonistas. O esquema apresentado na figura 11 mostra o que acontece resumidamente antes da administração de um medicamento, após a admi- nistração de um medicamento com ação agonista e após a administração de um medicamento com ação antagonista. FIGURA 11 – AÇÃO DE FÁRMACOS AGONISTAS E FÁRMACOS ANTAGONISTAS Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um esquema com a ilustração de fármacos agonistas e fármacos antagonistas. 65 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.2.2 AÇÃO AGONISTA E ANTAGONISTA Um agonista é uma molécula que se liga a um receptor e promove alteração no estado desse receptor produzindo uma resposta biológica. Um agonista total é um fármaco capaz de promover uma resposta máxima (100%) com do- ses adequadas. Para que ocorra a resposta máxima nesse caso, não é neces- sário que ocorra a ocupação total dos receptores. Um agonista parcial é uma molécula que, mesmo quando administrado em altas doses, nunca alcança uma resposta máxima que determinado sistema é capaz de promover, por- que sua eficácia é menor do que a de um agonista completo. Em resumo, a eficácia máxima deste tipo de fármaco é menor do que a eficácia máxima de um agonista total (ver figura 10). FIGURA 12 – CURVAS DE DOSE-RESPOSTA IDEALIZADAS DE UM AGONISTA, AGONISTA PARCIAL, ANTAGONISTA NEUTRO E AGONISTA INVERSO DO MECANISMO CHAVE- FECHADURA Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um desenho esquemático de curvas de dose- resposta idealizadas de um agonista, agonista parcial, antagonista neutro e agonista inverso do mecanismo chave-fechadura. Agonistas inversos são fármacos que preferencialmente ligam-se e estabili- zam o(s) receptor(es), para que eles sejam mantidos em estado inativo. A liga- ção desses agonistas ao receptor reduz a atividade espontânea do receptor e resulta em atividade intrínseca negativa. Em outros palavras, essas moléculas produzem o efeito oposto ao que seria esperado. 66 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Já um fármaco que se liga a um receptor e bloqueia a ligação da molécula endógena ou de outro fármaco é chamado de antagonista. Um antagonista tem afinidade por um receptor, mas não possui nenhuma atividade intrínse- ca. Existem duas classes principais de antagonistas: reversíveis, irreversíveis e competitivos e não competitivos. Os antagonistas reversíveis e irreversíveis apresentam diferenças na cinética de ligação. Os antagonistas reversíveis po- dem dissociar do receptor e os antagonistas irreversíveis não. Já os antagonis- tas competitivos são fármacos que competem com o substrato para ligação com o receptor. E os antagonistas não competitivos são fármacos que se li- gam em outras áreas distintas das do sítio de ligação do receptor para inibir sua resposta. 3.2.3 FATORES QUE INFLUENCIAM A RESPOSTA FARMACOLÓGICA O efeito específico que os fármacos exercem podem variar de indivíduo para indivíduo. Esta variação da ação dos fármacos pode ser relacionada a aspec- tos fisiológicos, patológicos (doenças), fatores genéticos, fatores ambientais e a ocorrência de interações medicamentosas. O entendimento desses fatores pode orientar a escolha do fármaco e a dose mais apropriada para um deter- minado indivíduo. Entre os fatores fisiológicos mais importantes, podemos destacar: Idade A dose de medicamentos geralmente é padronizada para indivíduos adultos com 18 e 60 anos. Crianças e idosos precisam, portanto, de atenção especial. As crianças possuem um sistema de enzimas metabolizantes que é ineficiente e suas barreiras biológicas não são totalmente desenvolvidas. Os idosos possuem peso, gordura corporal, motilidade intestinal, função renal e hepática reduzidos. 67 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Sexo A testosterona aumenta a taxa de biotransformação de fármacos. Peso corporal A dose de fármacos é baseada ao peso corporal do indivíduo. O peso médio está entre 50-100Kg, sendo que 70Kg é a média. As doenças também causam variação individual na resposta a medicamen- tos: doenças hepáticas, renais e a desnutrição alteram de algum modo a ação de fármacos. As anormalidades genéticas também influenciam a dose e a resposta de um fármaco principalmente ao nível de receptores e de metabolização dos fár- macos por enzimas. Entre os fatores ambientais a via, o tempo de administração e as diferenças raciais são os mais importantes a serem considerados. As interações medicamentosas são uma das causas de erro, principalmente devido a administração de vários fármacos (polifarmácia). As interações po- dem tanto induzir o desenvolvimento de reações adversas ou também redu- zir a eficácia clínica. A relevância da Farmacogenética para a prescrição de medicamentos tornou-se mais clara nos últimos anos devido ao desenvolvimento da clonagem genética e do sequenciamento do DNA. O artigo Farmacogenética: princípios, aplicações e perspectivas, de Metzger, Costa e Santos (2006), disponível neste link, traz informações importantes sobre essa ciência. https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/402/403 68 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Os regimes medicamentosos devem ser rotineiramente examinados para possíveis interações medicamentosas, sendo necessário considerar os resultados de tal interferência – se esses resultados podem ser ajustados e se o benefício da terapia substitui o risco de tal interação. Para aprofundar o seu conhecimento a respeitode interações medicamentosas, sugerimos que você leia o artigo Interações medicamentosas: fundamentos para a prática clínica da enfermagem, de Secoli (2001), disponível neste link . FIGURA 13 – A INTERAÇÃO ENTRE MEDICAMENTOS PROVOCA URTICÁRIA (UM TIPO DE REAÇÃO ADVERSA), NAS COSTAS Fonte: Wikimedia Commons (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto das costas de uma pessoa com urticária. https://www.scielo.br/j/reeusp/a/LkJwbLV8RVjVKZNMSDXPNsj/?lang=pt 69 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Esta unidade objetivou-se fornecer aspectos gerais relacionados a farmaco- dinâmica e ajudam a responder algumas das questões básicas na prática: Como os fármacos agem no nosso organismo? Como alguns fármacos supe- ram os efeitos de outras moléculas no organismo? Por que a dosagem máxi- ma não garante o efeito máximo? Vimos que os medicamentos para agir no indivíduo depende da interação fármaco-receptor, apresentamos os princi- pais tipos de receptores e caracterizamos a importância da especificidade e da seletividade para ação dos fármacos. Na realidade, a variabilidade entre os pacientes (sexo, raça, problemas de saú- de relacionados, entre outros) não pode ser ignorada, pois isso altera as carac- terísticas farmacocinéticas dos medicamentos e seu modo de ação o que faz com que o monitoramento do manejo terapêutico de indivíduos seja essen- cial para a prática de uma prescrição segura. 70 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 71 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL UNIDADE 4 > Caracterizar os tipos de receptores e os principais neurotransmissores relacionados com ao sistema nervoso central (SNC). > Descrever as classes farmacológicas de medicamentos que atuam no SNC. 72 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 4 FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) INTRODUÇÃO DA UNIDADE O sistema nervoso central controla a maioria das funções do corpo e da men- te e consiste em duas partes: o cérebro e a medula espinhal. O cérebro é um órgão complexo que controla os pensamentos, a memória, a emoção, habili- dades motoras, visão, respiração, fome e outra grande variedade de processos que regulam o nosso corpo. A medula espinhal é uma longa faixa de tecido que conecta o cérebro à parte inferior das costas, a medula espinhal transpor- ta sinais nervosos do cérebro para o corpo e vice-versa. Esses sinais nervosos estão associados as sensações e ao movimento do corpo e qualquer dano à medula espinhal pode afetar os movimentos e sua função. Nesta unidade vamos estudar os aspectos anatômicos e funcionais do SNC, enfatizando aspectos físico-químicos e farmacológicos dos neurotransmisso- res, seu papel na comunicação de células eletricamente ativas e os tipos ca- racterísticos de receptores. Veremos os diferentes tipos de fármacos e drogas que atuam no SNC, discutindo os mecanismos de ação, efeitos farmacoló- gicos e fisiológicos e condições neurológicas e psiquiátricas cuja terapia tem utilizado esses compostos. 4.1 INTRODUÇÃO À FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) 4.1.1 ORGANIZAÇÃO DO SNC O SNC é composto pelo cérebro e pela medula espinhal e é responsável por integrar informações sensoriais e gerar saídas motoras e outros comporta- mentos necessários para interagir com sucesso com o ambiente e aumentar a sobrevivência das espécies. O sistema nervoso pode ser dividido em duas grandes regiões: o sistema nervoso central e o periférico, a primeira engloba o cérebro e a medula espinhal, enquanto que a segunda é formada por nervos e gânglios e possui como função levar informações e respostas aos órgãos efetores (BRUM; ROCKENBACH; BELLICANTA, 2018). 73 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 1 – SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho do sistema nervoso do cérebro humano, com nervos parassimpáticos e simpáticos. O sistema nervoso é constituído de duas partes principais: o sistema nervoso central formado pelo encéfalo e pela medula espinhal; e o sistema nervoso periférico, formado por nervos que se ramificam da medula espinhal e se es- tendem para todas as partes do corpo. O sistema nervoso transmite sinais entre o cérebro e o resto do corpo, incluin- do órgãos internos, esses sinais são usados para controlar a capacidade de se mover, respirar, ver, pensar e muito mais. A unidade básica do sistema nervo- so é uma célula nervosa, também chamada de neurônio. Um neurônio tem um corpo celular, que inclui o núcleo da célula, e extensões especiais chama- das axônios e dendritos, os feixes de axônios – chamados nervos – são encon- trados em todo o corpo. Axônios e dendritos permitem que os neurônios se comuniquem, mesmo a longas distâncias (RANG et al., 2016) 74 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL O cérebro humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios interconectados cercados por várias células gliais de suporte. Em todo o SNC, os neurônios estão agrupados em grupos chamados núcleos ou estão presentes em estruturas em camadas, como o cerebelo ou o hipocampo. As conexões entre os neurônios dentro e entre esses clusters formam o circuito que regula o fluxo de informações através do SNC (GALANTER; CORNES; LOWENSTEIN, 2017). Diferentes tipos de neurônios controlam ou realizam atividades e interações especificas, por exemplo, os neurônios motores transmitem mensagens do cérebro para os músculos para gerar movimento, enquanto os neurônios sen- soriais detectam luz, som, odor, sabor, pressão e calor e enviam mensagens e informação sobre tudo isso ao nosso cérebro. Outras partes do sistema nervo- so controlam processos involuntários, incluindo os batimentos cardíacos, libe- ração de hormônios e regulação de importantes processos biológicos (SHE- FFLER; REDDY; PILLARISETTY, 2019). De acordo com Rang et al. (2016), as principais funções do sistema nervoso podem ser resumidas em: recepção de informações sensoriais gerais, recebi- mento e percepção de sensações especiais, integração de informações sen- soriais de diferentes partes do corpo, processamento e a geração de resposta. 4.1.2 TIPOS DE RECEPTORES DOS NEUROTRANSMISSORES NO SNC Os neurotransmissores são mensageiros químicos no corpo, cujo trabalho é transmitir sinais de células nervosas para células-alvo; já os receptores são transdutores biológicos que convertem energia de ambientes externos e in- ternos em sinais elétricos, eles podem ser agrupados para formar um órgão sensorial, como olho ou ouvido, ou podem ser dispersos, como os da pele e das vísceras (GRAY, 2012). 75 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – SINAPSES QUÍMICAS ENTRE OS NEUROTRANSMISSORES E OS RECEPTORES Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho do mecanismo de liberação de neurotransmissores a partir do neurônio para uma célula alvo por meio de uma sinapse. Os receptores de neurotransmissores – também conhecidos como neurore- ceptores – são proteínas receptoras de membrana que são ativadas por neu- rotransmissores. Nos neurônios, os receptores de neurotransmissores pós-si- nápticos recebem um sinal do terminal pré-sináptico que desencadeia uma alteração no potencial de membrana do neurônio através da abertura e fe- chamento de canais iônicos. Os receptores de neurotransmissores pré-sináp- ticos regulam o fluxo de liberaçãode neurotransmissores na fenda sináptica (SNYDER, 1984). Os neuroreceptores são específicos para o neurotransmissor, os dois se encai- xam como uma chave e uma fechadura. Um neurotransmissor se liga ao seu receptor e não se liga aos receptores de outros neurotransmissores, tornando a ligação um evento químico específico. Existem dois tipos principais de re- ceptores de neurotransmissores, nomeadamente os receptores ionotrópicos e os metabotrópicos. Os receptores ionotrópicos contêm um canal que é mo- dulado pela ligação de um neurotransmissor específico. A ligação do ligante causa a abertura ou fechamento do canal, controlando assim o fluxo de íons – tais como os íons potássio (K+), sódio (Na+) e cloro (Cl-) – para dentro da célula. 76 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Os receptores metabotrópicos não possuem um canal que não seja aberto ou fechado pela ligação do ligante. Quando ativados, eles modulam as vias que controlam as ações dos neurotransmissores e canais iônicos por meio de segundos mensageiros (LEYS, 2015). QUADRO 1 – EXEMPLOS DE RECEPTORES IONOTRÓPICOS E METABOTRÓPICOS Receptores ionotrópicos Receptores GABAA Receptores de Glutamato Kainato Receptores de Glutamato AMPA Receptores de glicina Receptor de serotonina (5-HT3) Receptores metabotrópicos Receptores adrenérgicos Receptores de dopamina Receptores de histamina Receptores opioides Receptores de serotonina (5-HT) Fonte: adaptado de Reiner e Levitz (2018, [n. p.]). Os receptores de neurotransmissores transmitem as ações de neurotrans- missores ligados, permitindo assim a comunicação célula a célula no sistema nervoso e desempenhando um papel vital no seu funcionamento. A modula- ção controlada dos receptores de neurotransmissores é fundamental para a sinalização adequada entre as células nervosas e os órgãos efetores. Fatores que interrompem a sinalização normal do neurotransmissor podem alterar a homeostase das células ou tecidos, levando a efeitos adversos (SUPPIRAMA- NIAM; ABDEL-RAHMAN; PARAMESHWARAN, 2010). Os neuroreceptores são alvos óbvios para drogas e fármacos psicoativos, podem residir fora da célula, nas membranas celulares ou dentro das células. Esses receptores podem ser encontrados em qualquer lugar nos neurônios pré-sinápticos e pós-sinápticos. São regiões na membrana onde neurotransmissor pode se ligar. Quando o ligante normalmente ativa o receptor, nós o chamamos de agonista, quando o ligante bloqueia ou impede a ativação normal do receptor chamamos de antagonista 77 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 4.1.3 TIPOS DE NEUROTRANSMISSORES E FUNÇÕES FISIOLÓGICAS Os neurotransmissores são espécies químicas que desempenham a função de mensageiros, eles atuam transportando, aumentando e equilibrando os sinais entre os neurônios e as células-alvo em toda a extensão do corpo. FIGURA 3 – FÓRMULAS ESTRUTURAIS DOS MAIS IMPORTANTES NEUROTRANSMISSORES Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho das fórmulas estruturais de importantes neurotransmissores como a adrenalina, noradrenalina, dopamina, taurina e outros. Um neurotransmissor influencia um neurônio de três maneiras: excitatória, inibitória ou modulatória. Adrenalina (luta ou fuga): Produzidos em situações estressantes, aumenta a frequência cardíaca e o fluxo sanguíneo. 78 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL GABA (calmante): Acalma os nervos de disparo no sistema nervoso central, níveis altos melhoram o foco, níveis baixos causam ansiedade. Noradrenalina (concentração): Tem um impacto nos comportamentos de atenção e resposta do cérebro. As artérias do sangue são contraídas, o que aumenta o fluxo sanguíneo. Acetilcolina (aprendizagem): Envolvidos no pensamento, aprendizagem e memória. Ativa a ação muscular no corpo e também associado à atenção e ao despertar. Dopamina (prazer): Sensação de prazer, também vício, movimento e motivação. As pessoas repetem comportamentos que levam à liberação de dopamina. Glutamato (memória): Neurotransmissor mais comum, envolvido na aprendizagem e na memória, regula o desenvolvimento e a criação de contratos nervosos. Serotonina (humor): Contribui para o bem-estar e a felicidade. Ajuda no ciclo do sono e na regulação do sistema digestivo. Afetado pelo exercício e exposição à luz Endorfinas (euforia): Liberado durante o exercício, excitação e sexo, produzindo bem-estar e euforia, reduzindo a dor. 79 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 De acordo com Galanter, Cornes e Lowenstein (2017), o cérebro utiliza impul- sos elétricos para sinalizar a liberação de um neurotransmissor, que então se liga à célula alvo. Existem dois tipos de conexões entre células eletricamente ativas: sinapses químicas e sinapses elétricas. Em uma sinapse química envol- vem interações especificas – tais como neurotransmissor e receptor – entre as células, uma vez na fenda sináptica, o neurotransmissor difunde a curta distância até a membrana pós-sináptica e pode interagir com os receptores do neurotransmissor. Na sinapse elétrica uma conexão direta entre as duas células viabiliza a para de íons diretamente de uma célula para a próxima. A serotonina é um exemplo de neurotransmissor que funciona tornando o neurônio mais carregado negativamente e menos propenso a disparar, resul- tando em um efeito inibitório. Os neurotransmissores inibitórios são respon- sáveis por acalmar a mente e promover o sono na maioria das pessoas. Outros neurotransmissores aumentam a carga positiva do neurônio, fazendo com que ele dispare com mais frequência, resultando em uma ação excitatória, a adrenalina é um exemplo de hormônio e um neurotransmissor que tem um impacto excitatório (FUCHS; WANNMACHER, 2017). Os neurotransmissores podem ser classificados por sua função em três gran- des grupos: Neurotransmissores excitatórios: Esses neurotransmissores têm efeitos excitatórios nos neurônios, o que significa que eles aumentam a probabilidade de desencadear a liberação de sinapses. A epinefrina e a norepinefrina são dois dos neurotransmissores excitatórios mais importantes. Neurotransmissores inibitórios: Esses neurotransmissores têm um impacto inibitório no neurônio, o que significa que tornam menos provável que o neurônio desencadeie a liberação de sinapses. A serotonina e o ácido gama-aminobutírico são dois dos principais neurotransmissores inibitórios (GABA). 80 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Neurotransmissores moduladores: Esses neurotransmissores, também conhecidos como neuromoduladores, têm a capacidade de afetar muitos neurônios de uma só vez. Eles difundem-se por uma região mais ampla e são de ação mais lenta do que os neurotransmissores sinápticos (BISCAINO et al., 2016, [n. p.]). Os neurotransmissores inibitórios e excitatórios regulam quase todos os pro- cessos comportamentais, incluindo consciência, sono, aprendizado, memória e outras sensações. Estes neurotransmissores também estão implicados em processos patológicos, como a epilepsia e a neurotoxicidade associada ao aci- dente vascular cerebral. A literatura tem demonstrado que a gênese dos transtornos de ansiedade está implicada na presença de diversos neurotransmissores, uma vez que eles participam, em maior ou menor grau, da modulação e regulação de comportamentos defensivos. Um estudo publicado por Braga e colaboradores na Revista Brasileira de Ciências da Saúde em 2010 discute o tratamento farmacológico desses transtornos utilizando neurotransmissores e antidepressivos, vale a pena conferir clicando no link. 4.2 CLASSES FARMACOTERAPÊUTICASQUE ATUAM NO SNC 4.2.1 DEPRESSORES GERAIS DO SNC Os depressores do Sistema Nervoso Central (SNC) são medicamentos que in- cluem sedativos, tranquilizantes e hipnóticos. Os sedativos incluem principal- mente barbitúricos, mas também incluem hipnóticos sedativos não benzo- diazepínicos, entre os tranquilizantes se destacam os benzodiazepínicos, mas também incluem relaxantes musculares e outros medicamentos ansiolíticos. Esses medicamentos podem retardar a atividade cerebral, tornando-os úteis no tratamento de ansiedade, pânico, reações agudas de estresse e distúrbios do sono (DELUCIA et al., 2014). https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/midias/lil-790710 81 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Desde uma melhor compreensão dos processos de convulsões até o desenvolvimento da memória de longo prazo, medicamentos e drogas estão entre as ferramentas mais eficazes para investigar a função do SNC. Nestas investigações, tanto os agonistas que se assemelham aos transmissores naturais como os antagonistas são particularmente úteis. Desvendar os efeitos de medicamentos com eficácia clínica bem estabelecida resultou em um melhor entendimento sobre os mecanismos envolvidos nas doenças (GRAY, 2012). A maioria dos depressores do SNC prescritos vem em forma de pílula, cápsula ou líquido, possibilitando a administração por via oral. O uso indevido de de- pressores do SNC uso do medicamento em forma ou dose diferente da pres- crita e uso do medicamento pelo efeito que causa. Não há muita pesquisa sobre o tratamento de pessoas com dependência de depressores do SNC prescritos. No entanto, as pessoas viciadas nesses medi- camentos devem ser submetidas à desintoxicação supervisionada por mé- dicos, porque a dosagem que tomam deve ser diminuída gradualmente. O aconselhamento, seja em regime ambulatorial ou hospitalar, pode ajudar as pessoas nesse processo. QUADRO 2 – PRINCIPAIS CLASSES DE DEPRESSORES DO SNC Classe Atividade Exemplos Benzodiazepínicos Ansiolítica, anticonvulsi- vante hipnótica, e rela- xante muscular Diazepam Clonazepam Alprazolam Triazolam Sedativos-hipnóticos não benzodiazepínicos Sedativos usados exclu- sivamente para o trata- mento de insônia. Zolpidem Eszopiclona Zaleplon 82 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Classe Atividade Exemplos Barbitúricos Utilizada para trata- mento de convulsões e como sedativos. Mefobarbital Fenobarbital Pentobarbital sódico Fonte: adaptado de Levine (2003, [n. p.]). 4.2.2 ESTIMULANTES GERAIS DO SNC Os estimulantes do SNC são uma classe de fármacos usados para tratar dis- túrbios do SNC, incluindo condições como falta de estimulação adrenérgica, sintomas de narcolepsia, apneia neonatal e outros. Modelos preditores são usados contemporaneamente para projetar agentes terapêuticos para dis- túrbios do SNC. A maioria dos estimulantes do SNC promove a estimulação e a ativação do sistema nervoso simpático (SAHU; MISHRA, 2018). Estimulantes do sistema nervoso central usados para transtorno de déficit de atenção, narcolepsia ou sonolência excessiva incluem as anfetaminas, metilfenidato, atomoxetina, modafinil, armodafinil, pitolisant e solriamfetol. Estimulantes que não são mais usados para condições médicas, mas que são abusadas, incluem cocaína e ecstasy ou metilenodioximetanfetamina (MDMA). George (2003) descreve que três tipos principais de estimulantes do SNC mais frequentemente abusados – especialmente na prática esportiva – são as anfetaminas, cocaína e cafeína. Cada tipo de composto tem seu próprio mecanismo de ação característico nos neurônios do SNC e seus receptores e terminais nervosos associados. A anfetamina é utilizada em esportes que exi- gem exercícios anaeróbicos intensos, onde prolonga a tolerância ao metabo- lismo anaeróbico, a cocaína aumenta a tolerância ao exercício intenso. Esses compostos são altamente viciantes e prejudiciais ao organismo de inúmeras formas. A cafeína – que também é viciante e seu abuso crônico leva a sérios 83 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 danos no organismo – aumenta o metabolismo dos ácidos graxos, levando à conservação da glicose, o que parece beneficiar eventos de resistência de longa distância. O abuso social de cada uma das três drogas é um problema global e os prejuízos em termos de vidas, econômicos e sociais é imensurável. FIGURA 4 – APLICAÇÃO DE DOPING POR ATLETA ANTES DA CORRIDA Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a ilustração representa um corredor aplicando uma substancia via intravenosa antes do início da corrida. Os estimulantes do SNC aumentam os níveis de certas substâncias quími- cas no cérebro e levando a um estado de alerta, atenção, energia e atividade física. Eles também aumentam a pressão arterial e aumentam a frequência cardíaca e respiratória, são usados para tratar depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e narcolepsia (RITTER et al., 2020). 84 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 4.2.3 FÁRMACOS QUE MODIFICAM SELETIVAMENTE A FUNÇÃO DO SNC As drogas que atuam no SNC foram as primeiras substancias psicoativas des- cobertas pelos humanos primitivos e ainda são o grupo de agentes farmacoló- gicos mais amplamente utilizado, incluem medicamentos usados para tratar uma ampla gama de condições neurológicas e psiquiátricas, bem como me- dicamentos que aliviam a dor, suprimem a náusea e reduzem a febre, entre outros sintomas. Muitos medicamentos que atuam no SNC são usados sem receita médica para aumentar a sensação de bem-estar. Devido à sua com- plexidade, os mecanismos pelos quais vários fármacos atuam no SNC nem sempre foram claramente compreendidos. Entre os neurotransmissores de- rivados de aminoácidos mais estudados se destacam o ácido aminobutírico (GABA) e do glutamato, essas espécies representam os principais neurotrans- missores inibitórios e excitatórios no SNC, respectivamente. FIGURA 5 – PROTEÍNA DE MEMBRANA QUE ATUA COMO RECEPTORA DE GLUTAMATO Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de um receptor de glutamato ativado pelo glutamato, onde o neurotransmissor glutamato – representado por bolinhas laranja – ativa o receptor para transportar cátions – representados por bolinhas vermelhas – para um neurônio. 85 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A diversidade de receptores de glutamato e de suas subunidades constitui uma vantagem potencial para o desenvolvimento de antagonistas de recep- tores de glutamato que sejam seletivos ou de um subtipo de receptor particu- lar. Também existem oportunidades emergentes de regulação da expressão e atividade do transportador de glutamato. Esta abordagem pode minimizar o impacto patológico da sobrecarga de glutamato, mantendo o papel fisioló- gico do glutamato (GALANTER; CORNES; LOWENSTEIN, 2017). A maioria das drogas que atuam na neurotransmissão GABAérgica aumen- ta a atividade GABAérgica e, assim, deprime as funções do SNC. Modulação a transmissão pode ocorrer tanto pré-sinapticamente quanto pós-sinaptica- mente, fármacos que atuam em locais pré-sinápticos visam principalmente a síntese, degradação e recaptação de GABA, enquanto os fármacos que atuam pós-sinapticamente afetam os receptores GABA diretamente, seja ocupando o sítio de ligação do GABA ou por um mecanismo alostérico. FIGURA 6 – RECEPTOR GANA EM UMA MEMBRANA CELULAR Fonte: Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho de um receptor GABA dentro de uma membrana celular, esse receptor apresenta vários sítios de ligação, na parte superior da membrana, podem ser encontradas as espéciesquímicas benzodiazepina e ácido gama- aminobutírico. 86 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Cada um dos três principais tipos de receptores GABA – GABAA, GABAB, e GABAc - tem uma farmacologia distinta. O receptor GABAA é o alvo do maior número de fármacos, o que inclui os agonistas do sítio de ligação do GABA, como benzodiazepínicos, esteróides neuroativos barbitúricos e anestésicos gerais. Os receptores GABAB influenciam tanto a dor, a cognição, quanto o comportamento viciante, e o interesse está crescendo em drogas que modu- lam esses receptores. Os receptores GABAC ainda não foram desenvolvidos como alvo de agentes farmacológicos. A fim de melhorar a segurança, assim como reduzir os efeitos adversos, como ataxia, dependência física e tolerân- cia, o desenvolvimento de novos ansiolíticos e sedativos tem como alvo com- postos de baixa eficácia, bem como compostos com atividade seletiva nos subtipos de receptores GABAA (GRAY, 2012). Nas últimas décadas tem se observado avanços significativos a respeito da farmacologia do SNC. Agora é possível estudar a ação de uma droga ou fár- maco em neurônios individuais e até mesmo em receptores individuais den- tro das sinapses. As informações obtidas a partir de tais estudos são a base para vários desenvolvimentos importantes nos estudos do SNC. Os distúrbios neurológicos superam significativamente as doenças em outras áreas terapêuticas. No entanto, o desenvolvimento de medicamentos para distúrbios do sistema nervoso central (SNC) continua sendo a área mais desafiadora na descoberta de medicamentos. Com o rápido crescimento de dados habilitados por tecnologias experimentais avançadas, a inteligência artificial (IA) e o aprendizado de máquinas (ML) surgiram como uma ferramenta indispensável para obter insights significativos e melhorar a tomada de decisões na descoberta de medicamentos (VATANSEVER et al., 2021). Galanter, Cornes e Lowenstein (2017) afirmam que uma grande maioria de fármacos com efeitos no SNC atuam em receptores específicos que modu- lam a transmissão sináptica. Embora alguns agentes, como anestésicos ge- rais e álcool, possam ter ações inespecíficas nas membranas, mesmo essas ações não mediadas por receptores resultam alterações demonstráveis na transmissão sináptica. 87 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Drogas e fármacos: Existem muitos tipos diferentes de drogas e fármacos que atuam no SNC e afetam as pessoas de maneira diferente, eles podem ser categorizados ou classificados de acordo com certas sintomatologias ou efeitos compartilhados que podem ser anestésicos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares, sedativos e outros. Tratamentos: Atualmente, os tratamentos disponíveis para doenças do SNC são decepcionantes e se concentram principalmente no alívio dos sintomas, em vez de na cura da doença. Os principais fatores responsáveis pelas falhas no desenvolvimento de medicamentos para o SNC são a falta de compreensão dos princípios básicos da doença do SNC e a possibilidade de efeitos colaterais do SNC Estratégias: Pesquisadores sugerem o reposicionamento de medicamentos, utilização de banco de dados para o aprendizado de máquina e outras estratégias desempenhem um papel importante no desenvolvimento de tratamentos de afecções e patologias que acometem o SNC (MOROFUJI; NAKAGAWA, 2020). 88 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL CONCLUSÃO Esta unidade objetivou apresentar uma visão geral sobre a farmacologia do SNC, discutindo aspectos anatômicos e funcionais desse sistema e as intera- ções entre neurotransmissores e seus respectivos receptores e enfatizando aspectos físico-químicos desses compostos, função e os tipos de interação específicas envolvendo dessas espécies. Também foram discutidas informações sobre as principais classes farmaco- terapêuticas utilizados e projetados para atuar no SNC, especialmente os de- pressores gerais e estimulantes gerais, abordando os avanços observados nas últimas décadas e sobre o desenvolvimento de fármacos com potencial de uso no SNC. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 89 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL UNIDADE 5 > caracterizar as funções do sistema nervoso simpático e parassimpático; > descrever os mecanismos pelos quais os fármacos podem atuar para alterar a função fisiológica do sistema nervoso autônomo. 90 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 5 FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Esta unidade abordará uma reflexão sobre o Sistema Nervoso Autônomo (SNA). Trata-se de um sistema importante que é formado pelo sistema ner- voso simpático, pelo sistema nervoso parassimpático e pelo sistema nervoso entérico e fornece o controle neural de todas as partes nosso corpo, exceto dos músculos esqueléticos. O SNA é responsável por garantir que a integrida- de fisiológica das células, tecidos e órgãos em todo o corpo seja mantida em equilíbrio (homeostase) em face das perturbações exercidas pelos ambientes externo e interno. Um conhecimento minucioso desse sistema é importante pois prepara o estudante de saúde para estudos aprofundados em fisiopa- tologia e farmacoterapêutica aplicada a esse sistema. O objetivo final é que esta unidade seja um recurso valioso para os alunos que desejam aprender os fundamentos dos fármacos que atuam no SNA. O conteúdo desta unidade está organizado em dois tópicos: neurotransmis- são: os sistemas nervosos autônomo e somático motor e mecanismos pelos quais os fármacos podem atuar para alterar a função fisiológica do SNA. 5.1 NEUROTRANSMISSÃO: OS SISTEMAS NERVOSOS AUTÔNOMO E SOMÁTICO MOTOR 5.1.1 DIFERENÇAS ENTRE OS NERVOS AUTÔNOMOS E SOMÁTICOS O sistema nervoso autônomo (SNA) é conceituado também como sistema nervoso involuntário ou visceral, porque funciona com a pessoa com pouca consciência de sua atividade. Trabalhando em colaboração com o sistema en- dócrino, o SNA ajuda a regular e integrar as funções internas do corpo dentro de uma faixa relativamente estreita do normal, minuto a minuto. O SNA integra partes do sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso pe- riférico (SNP) para reagir a alterações nos ambientes interno e externo. 91 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 1 – COMPONENTES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E PERIFÉRICO 1 2 3 4 5 6 7 8 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 1 2 3 4 Fonte: Plataforma Wordpress (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho de um corpo humano, com destaque ao cérebro: o SNC, formado pelo cérebro e medula espinhal; e o SNP, formado por gânglios e nervos. O sistema nervoso é dividido em: sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). Cérebro e medula espinhal integram o SNC. Já gân- glios e nervos formam o SNP e conectam o SNC ao resto do corpo (Figura 1). O SNP tem outras duas grandes subdivisões: sistema nervoso somático e sistema nervoso autônomo. O sistema nervoso somático se associa a ativi- dades normalmente consideradas conscientes ou voluntárias, por exemplo, o movimento e a postura. Já o sistema nervoso autônomo tem a função de controle dos nossos órgãos internos e das glândulas, é, em geral, considerado fora do domínio do controle voluntário. O SNA pode ser subdividido ainda em sistema simpático e parassimpático. A Figura 2 mostra um esquema sobre a subdivisão anatômica do sistema nervoso. O sistema nervoso simpático faz parte da preparação do corpo para atividades referentes ao estresse; o sistema nervoso parassimpáticoestá associado ao re- torno do corpo à rotina, operações cotidianas. O sistema simpático está asso- ciado à resposta "luta ou fuga", e a atividade parassimpática é frequentemente referida como "descanso e digestão". Os dois sistemas possuem funções com- plementares, operando em conjunto para manter a homeostase do corpo. 92 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 2 – DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO (SN) BASEADA NA ANATOMIA Fonte: Elaborado pelo autor (2022). A homeostase é um processo de autorregulação pelo qual os sistemas biológicos mantêm a estabilidade, ajustando-se às mudanças nas condições externas. Esse conceito explica como um organismo pode manter condições internas mais ou menos constantes que lhe permitem se adaptar e sobreviver diante de um ambiente externo em mudança e muitas vezes hostil. Ivana Brito e Hamilton Haddad escreveram um artigo a respeito da homeostase. Intitulado “A formulação do conceito de homeostase por Walter Cannon” o artigo mostra como o conceito de homeostase desempenha papel chave na biologia moderna. O artigo encontra-se disponível no link: https://www.abfhib.org/FHB/FHB-12- 1/FHB-12-01-06-Ivana-Brito_Hamilton-Haddad.pdf. Bons estudos! A Figura 3 mostra as ações do sistema simpático e parassimpático nos órgãos efetores em variados sistemas fisiológicos. Observe ainda a localização e o ta- manho das fibras pré-ganglionares e pós-ganglionares representadas. https://www.abfhib.org/FHB/FHB-12-1/FHB-12-01-06-Ivana-Brito_Hamilton-Haddad.pdf https://www.abfhib.org/FHB/FHB-12-1/FHB-12-01-06-Ivana-Brito_Hamilton-Haddad.pdf 93 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 3 – AS PRINCIPAIS FUNÇÕES DO SISTEMA AUTÔNOMO SIMPÁTICO E PARASSIMPÁTICO EM DIFERENTES ÓRGÃOS EFETORES Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um fluxograma com as principais funções do sistema autônomo simpático e parassimpático em diferentes órgãos efetores, incluindo: cérebro; tronco encefálico; gânglios simpáticos; medula sacral; medula cervical; medula torácica; medula lombar; e medula espinhal. Sistema Nervoso (SN) O SN controla todas as atividades físicas, conscientes e inconscientes, sendo formado por bilhões de neurônios que integram e coordenam diferentes funções no nosso organismo. Esse sistema subdivide-se em Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP). Sistema Nervoso Central (SNC) O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e o SNP é formado por gânglios e nervos. 94 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Sistema Nervoso Periférico (SNP) O SNP subdivide-se ainda em sistema nervoso autônomo e somático. Sistema Nervoso Autônomo (SNA) O SNA modula as funções dos nossos órgãos internos e glândulas e o sistema nervoso somático está relacionado ao movimento e a postura. Por fim o SNA se subdivide-se em sistema nervoso simpático “sistema de luta ou fuga” e sistema nervoso parassimpático “repouso e digestão”. 5.1.2 SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO O sistema nervoso simpático (SNS) é uma das duas divisões do sistema ner- voso autônomo (ANS) e tem como função principal preparar o corpo humano para a atividade física. Trata-se de um sistema composto por muitas vias que realizam uma variedade de funções em vários sistemas de órgãos. Os neurônios pré-ganglionares do SNS são fibras mielínicas, curtas que alcan- çam os gânglios simpáticos, onde estão localizados os neurônios pós-gan- glionares, que são fibras amielínicas e longas. Em geral, os neurônios pré-ganglionares simpáticos são colinérgicos e libe- ram o neurotransmissor Acetilcolina (ACh). Esse neurotransmissor ativa re- ceptores colinérgicos nicotínicos e estimula os neurônios pós-ganglionares. Essa estimulação promove então a liberação de outro mediador: a noradrena- lina. Essas fibras pós-ganglionares são classificadas como fibras adrenérgicas. Apesar da maioria das fibras pós-ganglionares simpáticas liberarem noradre- nalina, algumas poucas fibras pós-ganglionares são colinérgicas. Essas fibras estão relacionadas a estimulação da secreção das glândulas sudoríferas e a dilatação dos vasos sanguíneos nos músculos esqueléticos. Sir Henry Dale descreveu pela primeira vez os receptores colinérgicos e eles se subdividem em receptores nicotínicos e muscarínicos. Ambos os receptores são alvos naturais da ACh endógena. 95 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 β γ δ α α α αγ β δ Receptores nicotínicos Os receptores nicotínicos respondem à ação agonista da nicotina. Pertencem a classe de receptores ionotópicos que quando ativados por ligante tornam-se canais abertos permeáveis ao fluxo dos íons sódio (Na+) e potássio (K+). Esses receptores medeiam a resposta excitatória rápida. Tratam-se de receptores constituídos basicamente por cinco subunidades homólogas proteicas: α, β, γ, δ e ε reunidas ao redor de um poro central. Em geral os receptores nicotínicos se subdividem em receptores NN (expressos nos gânglios autônomos, medula suprarrenal e SNC) e NM (expressos no músculo esquelético e na junção neuromuscular). São amplamente expressos no SNC e na junção neuromuscular esquelética. Figura 4 – Estrutura do receptor nicotínico mostrando as cinco subunidades proteicas básicas: α, β, γ, δ e ε Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVererm: a imagem representa o desenho da estrutura do receptor nicotínico mostrando as cinco subunidades proteicas básicas: α, β, γ, δ e ε. Receptores muscarínicos Os receptores muscarínicos respondem à ação agonista da muscarina. Pertencem a classe de receptores metabotrópicos e são proteínas de membrana contendo sete domínios transmembranares. Existem cinco subtipos: M1, M2, M3, M4 e M5. Os subtipos M1, M3 e M5 se conectam por meio da proteína G1/11 e os subtipos M2 e M4 leva a interação com a proteína Gi e G0) com a inibição da adenilil ciclase, causando a diminuição de AMPc, ativação dos canais de influxo regenerador de K+ e a inibição de canais de cálcio regulados por voltagem. FIGURA 4 – ESTRUTURA DO RECEPTOR NICOTÍNICO MOSTRANDO AS CINCO SUBUNIDADES PROTEICAS BÁSICAS: Α, Β, Γ, Δ E Ε FIGURA 5 – ESTRUTURA 3D DO SUBTIPO DE RECEPTOR MUSCARÍNICO M2 HUMANO 96 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Figura 5 – Estrutura 3D do subtipo de receptor muscarínico M2 humano Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVererm: a imagem representa o desenho da estrutura 3D do subtipo de receptor muscarínico M2 humano. Os autores Ventura et al. (2009) elaboraram uma revisão da literatura intitulada “Sistema colinérgico: revisitando receptores, regulação e a relação com a doença de Alzheimer, esquizofrenia, epilepsia e tabagismo” disponível no link: https://www.scielo.br/j/ rpc/a/TZmvQnDBxM9nDw39QCJhpsf/?format=pdf&lan g=pt . As informações trazidas nesse artigo permitirão que você aluno possa realizar um aprofundamento a respeito dos receptores colinérgicos nicotínicos e muscarínicos. Além disso, permite compreensão de como esse sistema relaciona-se com doenças neuronais e com o fumo. Bons estudos! 5.1.3 SISTEMA NERVOSO PARASSIMPÁTICO O SNP é formado por fibras pré-ganglionares longas e mielínicas que per- correm seu trajeto periférico até alcançarem os neurônios pós-ganglionares, localizados em gânglios perto das vísceras ou até no mesmo no interior delas. Os neurônios pós-ganglionares do SNP são curtos e amielínicos. As fibras pa- rassimpáticas, pré-ganglionares e pós-ganglionares, são colinérgicas. Isto é, o neurotransmissor utilizado por elas é a acetilcolina. https://www.scielo.br/j/rpc/a/TZmvQnDBxM9nDw39QCJhpsf/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rpc/a/TZmvQnDBxM9nDw39QCJhpsf/?format=pdf&lang=pthttps://www.scielo.br/j/rpc/a/TZmvQnDBxM9nDw39QCJhpsf/?format=pdf&lang=pt 97 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Receptores adrenérgicos: Os receptores adrenérgicos são membros da superfamília de receptores de superfície celular que realizam a sinalização via proteína G. O sistema adrenérgico do SNS tem duas classes principais de receptores: os receptores alfas (α)-adrenérgicos e o receptores beta (β)- adrenérgicos. Existem dois principais tipos de receptores α-adrenérgicos, denominados α1 e α2, e existem dois tipos de receptores β-adrenérgicos, denominados β1 e β2. Um aspecto adicional do sistema adrenérgico é que há um segundo neurotransmissor, além da noradrenalina. O segundo neurotransmissor é chamado de adrenalina. Figura 6 – (A) Principais subtipos de receptores adrenérgicos e (B) Afinidade dos subtipos de receptores para cada neurotransmissor Fonte: Adaptado de Hackney (2018, [n. p.]). #ParaTodosVerem: a imagem representa um fluxograma com os (A) os principais subtipos de receptores adrenérgicos: α1, α2, β1e β2 e efeitos fisiológicos da ligação de neurotransmissores ao receptor específico; e (B) a afinidade dos subtipos de receptores para cada neurotransmissor: Adrenalina e Noradrenalina. 5.2 MECANISMOS PELOS QUAIS OS FÁRMACOS PODEM ATUAR PARA ALTERAR A FUNÇÃO FISIOLÓGICA DO SNA 5.2.1 AÇÕES AGONISTAS E ANTAGONISTAS NOS RECEPTORES COLINÉRGICOS Os fármacos colinérgicos dividem-se em: agonistas colinérgicos e antago- nistas colinérgicos. Compreender a fisiologia normal dos nervos colinérgicos, acetilcolina, acetilcolinesterase e receptores colinérgicos é necessário para compreender as ações de fármacos colinérgicos. Os agonistas colinérgicos tem uso clínico principalmente para retenção uri- nária ou para o glaucoma. O betanecol é um agonista colinérgico (éster de colina) que estimula os receptores muscarínicos na bexiga, causando contra- ção e micção. Também estimula o peristaltismo da uretra e promove relaxa- mento do esfíncter externo. FIGURA 6 – (A) PRINCIPAIS SUBTIPOS DE RECEPTORES ADRENÉRGICOS E (B) AFINIDADE DOS SUBTIPOS DE RECEPTORES PARA CADA NEUROTRANSMISSOR 98 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL A pilocarpina é um alcaloide semissintético atuando como agonista dos recep- tores muscarínicos. É utilizado topicamente no tratamento do glaucoma. Tam- bém tem sido empregado para promover para o tratamento da xerostomia em pacientes com disfunção salivar induzida por radiação. Os efeitos adversos re- lacionados a esse fármaco incluem hipotensão, bradicardia, broncoconstrição. FIGURA 7 – ESTRUTURA QUÍMICA DE DOIS AGONISTAS COLINÉRGICOS BETANECOL E DA PILOCARPINA, BETANECOL USADO PARA TRATAMENTO DA RETENÇÃO URINÁRIA E PILOCARPINA PARA TRATAMENTO DO GLAUCOMA Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho da estrutura química de dois agonistas colinérgicos: betanecol e pilocarpina A xerostomia é definida como uma sensação subjetiva da boca seca, que pode ou não estar relacionada à hipofunção das glândulas salivares levando a consequências negativas, especialmente na qualidade de vida. O autor Mac-Daphney Siméus elaborou trabalho intitulado “Tratamento de xerostomia e hipossalivação no paciente submetido à radioterapia de cabeça e pescoço: revisão da literatura” disponível no link https://repositorio.ufpb.br/jspui/ bitstream/123456789/13909/1/M-DS10112017.pdf sobre os principais tratamentos usados para essa reação adversa em pacientes submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço. Vale a pena a leitura! https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/13909/1/M-DS10112017.pdf https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/13909/1/M-DS10112017.pdf 99 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Os fármacos anticolinérgicos atuam como antagonistas em receptores mus- carínicos, inibindo assim influências parassimpáticas. Entre os principais fár- macos anticolinérgicos destacam-se: • Atropina: é um medicamento derivado da planta Atropa Belladonna. É o protótipo dos fármacos anticolinérgicos e apresenta características lipídicas que permitem como que essa molécula possa atravessar a barreira hematoencefálica, causando efeitos centrais e periféricos. No SNC, uma dose terapêutica produz efeitos estimulantes, enquanto as doses tóxicas produzem efeitos depressores. Os efeitos periféricos tendem a predominar e incluem a taquicardia, a broncodilação e a inibição da sudorese e da salivação. FIGURA 8 – ATROPA BELADONA, PLANTA MEDICINAL, PRINCIPAL FONTE DE ALCALOIDES COMO A ATROPINA E A ESCOPOLAMINA, PLANTA VENENOSA E ALUCINÓGENA Fonte: Plataforma Wordpress (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de uma Atropa beladona, na cor roxo e amarelo. A atropina tem sido relacionada à confusão pós-operatória em idosos, prova- velmente resultado de suas ações centrais. É utilizada para tratar a estimula- 100 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL ção colinérgica excessiva causada por fármacos anticolinesterásicos, envene- namento por cogumelos, alguns gases como o Sarim e envenenamentos por pesticidas organofosforados. • Escopolamina: tem pouca influência sobre a frequência cardíaca e a pressão arterial. No entanto, tem efeitos centrais significativos e produz efeitos significativos de midríase. Em altas doses, pode causar toxicidade central, que se manifesta como boca seca, rubor e delírio. A toxicidade central é uma emergência e pode ser tratada com o fármaco anticolinesterásicos fisiostigmina. FIGURA 9 – ESTRUTURA QUÍMICA DA ESCOPOLAMINA, FÁRMACO ANTAGONISTA DOS RECEPTORES MUSCARÍNICOS UTILIZADA GERALMENTE PARA VÔMITOS E NÁUSEAS Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho da estrutura química da escopolamina. • Ipratrópio: pode ser usado como tratamento inalatório para a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) para produzir broncodilatação. Também é usado como spray nasal para aliviar a secreção renal. Quando o ipratrópio é administrado por spray ou inalação, as secreções brônquicas são diminuídas e há menor risco de formação de tampões de muco. 101 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.2.2 INTERFERÊNCIA COM A DESTRUIÇÃO DO TRANSMISSOR COLINÉRGICO Efeitos colinérgicos também podem ser produzidos de maneira indireta por fármacos que inibem a enzima acetilcolinesterase. Atuam geralmente au- mentado a quantidade de ACh nas sinapses colinérgicas, e os efeitos são re- almente atribuídos ao próprio neurotransmissor. Esta ação resulta em uma compilação muito maior de efeitos, pois a ACh tem atividade em todos os receptores colinérgicos, incluindo aqueles no músculo esquelético e em todo o cérebro. Entre os fármacos dessa classe destaca-se principalmente a molé- cula da neostigmina. É utilizado para o tratamento a longo prazo da doença chamada miastenia gravis. Quando usado para este fim, pode desenvolver resistência, necessitando da administração de doses maiores para obter o mesmo efeito. Miastenia gravis: A miastenia gravis é uma desordem crônica autoimune na qual os anticorpos destroem os receptores nicotínicos pós-sinápticos de acetilcolina na junção neuromuscular. Os níveis de acetilcolina são normais, mas devido à falta de receptores, a acetilcolina não consegue se ligar a receptores suficientes para estimular a contração muscular. Isso leva à fraqueza muscular, particularmente dos músculos voluntários e muitas vezes aqueles músculos inervados pelos nervos cranianos. Os sintomas geralmente incluem ptose, diplopia, ataxia, disartria, dificuldade para engolir, falta de ar devido à fraquezamuscular da parede torácica e fraqueza nos braços, mãos e pernas. Figura 10 – Paciente com a pálpebra superior parcial direita (ptose) Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de um rosto com ptose. A pálpebra esquerda mostra retração compensatória de pseudopálpebra devido à inervação igual do levantamento da pálpebra superior. FIGURA 10 – PACIENTE COM A PÁLPEBRA SUPERIOR PARCIAL DIREITA (PTOSE) 102 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Outro fármaco da mesma classe é a fisiostigmina. É empregado no tratamen- to da miastenia gravis, glaucoma e motilidade gástrica prejudicada. É útil no tratamento de efeitos tóxicos centrais da atropina e da escopolamina porque é o único fármaco anticolinesterásico que atravessa a barreira hematoencefá- lica de forma intacta. O donepezil é usado para tratar o Alzheimer leve e moderado. Trata-se de uma doença caracterizada pela perda de neurônios que liberam ACh no cé- rebro. Quando a acetilcolinesterase é bloqueada, a acetilcolina não é metabo- lizada tão rapidamente, permitindo que ela tenha um efeito mais prolongado nos receptores colinérgicos. Isso pode ajudar a melhorar a memória, atenção, razão, linguagem e a capacidade de realizar tarefas simples. Acetilcolinesterase (AChE) é uma enzima colinérgica encontrada principalmente em junções neuromusculares pós-sinápticas, especialmente em músculos e nervos. Ela imediatamente quebra ou hidrolisa acetilcolina (ACh), um neurotransmissor de ocorrência natural, em ácido acético e colina. Os autores Araújo, Santos e Gonsalves publicaram em 2016 uma importante revisão intitulada “Acetilcolinesterase- AChE: Uma enzima de interesse farmacológico” disponível no link: http://static.sites.sbq.org.br/rvq. sbq.org.br/pdf/v8n6a04.pdf. Trata-se de um texto importante para aprofundar os conhecimentos a respeito desse alvo farmacológico. Bons estudos! 5.2.3 INTERFERÊNCIA COM A DESTRUIÇÃO DO TRANSMISSOR ADRENÉRGICO Agentes adrenérgicos seletivos atuam em receptores adrenérgicos em locais particulares. Como consequência, eles agem de maneira direcionada, e as tera- pias que incluem esses agentes são, portanto, menos propensas do que alguns outros fármacos a produzir respostas indesejadas em outras partes do corpo. A fenilefrina é um potente vasopressor sintético que atua predominantemen- te nos receptores α1 para produzir vasoconstrição e elevações da pressão arte- rial sistólica e diastólica. É um fármaco administrado por via intravenosa como terapia adjuvante para tratar estados de baixa resistência vascular, hipoten- são e choque. A administração oral deste agente, isoladamente ou em com- http://static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/v8n6a04.pdf http://static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/v8n6a04.pdf 103 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 binação com antipiréticos e anti-histamínicos, é utilizada no tratamento de sintomas respiratórios superiores. Os efeitos adversos da fenilefrina incluem ansiedade, inquietação, tremor, palidez, cefaleia, hipertensão e dor precordial. A clonidina é um agonista α1-adrenérgico seletivo que é usado como anti-hi- pertensivo e analgésico central. Estimula receptores α1-adrenérgicos no SNC, principalmente na medula oblonga, causando inibição dos centros vasomoto- res simpáticos. Essa estimulação resulta em uma redução na atividade periféri- ca do sistema nervoso simpático, da resistência vascular periférica e da pressão sanguínea sistêmica. A clonidina produz uma redução na frequência cardíaca por inibição da atividade cardioaceleradora no cérebro. Os principais efeitos ad- versos são tontura, sonolência, sedação, boca seca, fadiga, ansiedade, pesade- los e depressão. Os efeitos cardiovasculares podem ser pronunciados, incluindo taquicardia, bradicardia, hipotensão ortostática e distúrbios do ritmo cardíaco. A clonidina não deve ser descontinuada abruptamente porque o fenômeno de rebote a pode precipitar hipertensão, taquicardia e cardiomiopatia. FIGURA 10 – ESTRUTURA QUÍMICA DA CLONIDINA, FÁRMACO USADO PARA PACIENTES COM PRESSÃO ALTA Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho da estrutura química da clonidina. 104 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Os antagonistas adrenérgicos são chamados também de agentes bloque- adores adrenérgicos ou bloqueadores adrenérgicos. Os fármacos que se li- gam aos receptores α-adrenérgicos e bloqueiam os efeitos da adrenalina e da noradrenalina são classificados como antagonistas α-adrenérgicos. Os efei- tos específicos dos fármacos diferem devido ao grau de seletividade para os subtipos de receptores α1 ou α2. Geralmente, os antagonistas dos receptores α-adrenérgicos são úteis no tratamento da hipertensão, hipertrofia prostática benigna e insuficiência cardíaca. A prazosinaé um antagonista competitivo e seletivo do receptor α1. Também inibe a enzima fosfodiesterase, diminuindo assim a contração do músculo liso. Este medicamento é usado principalmente no tratamento da hiperten- são. Os efeitos antagonistas no receptor α1 produzem diminuição da resistên- cia vascular periférica e aumento da capacidade venosa, por sua vez levando à diminuição da pré-carga e da pressão arterial sistêmica com pouca alteração na frequência cardíaca. FIGURA 11 – ESTRUTURA QUÍMICA DA PRAZOSINA, MEDICAMENTO ANTI-HIPERTENSIVO ANTAGONISTA α1 COM AÇÃO VASODILATADORA Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho da estrutura química da prazosina. Os antagonistas dos receptores beta são fármacos que se ligam aos recepto- res β -adrenérgicos e bloqueiam os efeitos das agonistas (por exemplo, adre- nalina e noradrenalina) nesses locais dos receptores β. Quando os receptores β são estimulados, ocorrem respostas simpáticas. Por exemplo, a estimulação do receptor β1 provoca aumento da frequência cardíaca, enquanto a estimu- lação do receptor β2 provoca broncodilatação. O bloqueio desses receptores previne a excitação cardíaca e pulmonar, respectivamente. 105 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O propranolol é o fármaco protótipo da classe e tem efeitos tanto nos recepto- res β1 e β2 – é um medicamento competitivo, não seletivo. O propranolol caiu em desuso desde que novos agentes β-antagonistas cardiosseletivos foram desenvolvidos. No entanto, permanece útil no manejo do tremor de intenção, tempestade tireoidiana e feocromocitoma. O metoprolol é um antagonista competitivo e cardiosseletivo do receptor β1. É eficaz na limitação do aumento da frequência cardíaca durante o exercício em pacientes com cardiopatia isquêmica. Também é útil na hipertensão, an- gina, infarto agudo do miocárdio, taquicardia supraventricular, insuficiência cardíaca crônica (mas não aguda), hipertireoidismo, síndrome do QT longo, ansiedade de desempenho, síndrome vasovagal e enxaquecas. O atenolol é um antagonista competitivo e cardiosseletivo do receptor β1. É eliminado inalterado na urina e pode se acumular em pacientes com insufici- ência renal, levando a superdosagem e toxicidade. O carvedilol é um fármaco único que atua como antagonista nos receptores α1-, β1- e β2-adrenérgicos. Também demonstra propriedades antioxidantes e antiproliferativas. Este agente é útil no manejo da insuficiência cardíaca crô- nica e pós-infarto do miocárdio. O carvedilol melhora a função ventricular e reduz a morbimortalidade nessas populações. FIGURA 12 – ESTRUTURA QUÍMICA DO PROPRANOLOL, FÁRMACO COM AÇÃO BETABLOQUEADORA E AÇÃO NA ANGINA (DOR NO PEITO), HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA) E DISTÚRBIOS DO RITMO CARDÍACO H N OH OFonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a estrutura química do propranolol. 106 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL CONCLUSÃO Esta unidade teve como objetivo apresentar uma visão geral da farmacolo- gia relacionada a ao sistema nervoso autônomo. Tratou-se de uma análise pormenorizada sobre as subdivisões do sistema nervoso central com desta- que especial para os sistemas nervosos autônomo e suas subdivisões: sistema simpático e parassimpático. Posteriormente, nos debruçamos em compreen- der quais são os principais mecanismos pelos quais os fármacos podem atuar para alterar a função fisiológica do SNA. Os profissionais de saúde que pres- crevem medicamentos ou realizam o manejo de fármacos que atuam no sis- tema autônomo devem estar plenamente cientes dos seus efeitos farmacoló- gicos e dos seus efeitos indesejáveis. Torna-se importante frisar a importância do monitoramento dos sinais vitais, incluindo a pressão arterial, a frequência cardíaca, a frequência respiratória, a saturação de oxigênio, e a temperatura ao tentar restabelecer a homeostase autônoma com os agentes que atuam no SNA. Diversos profissionais de saúde (médicos, farmacêuticos, enfermei- ros, fisioterapeutas entre outros) precisam trabalhar de forma colaborativa ao usar medicamentos que interagem com o sistema nervoso autônomo para garantir que a farmacoterapia seja segura e eficaz para cada paciente. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 107 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL UNIDADE 6 > compreender o processo inflamatório e os compostos químicos liberados no processo; > listar as diferentes classes e tipos de anti- inflamatórios não esteroidais; > descrever o mecanismo de ação, os efeitos adversos, toxicidade e as contraindicações dos anti-inflamatórios não esteroidais. 108 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 6 FÁRMACOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS INTRODUÇÃO DA UNIDADE Os anti-inflamatórios não esteroidais – também conhecidos como AINEs – compreendem alguns dos medicamentos mais comumente administrados na medicina moderna. Desde a descoberta até os dias de hoje, os AINEs têm sido uma classe farmacológica muito eficiente na redução da dor, febre e in- flamação, e milhões de pacientes em todo o mundo se beneficiaram de seu uso. No entanto, seu uso deve considerar alguns riscos importantes associa- dos a essa classe de medicamentos, uma vez que eles podem afetar a muco- sa gástrica, os sistemas renal, cardiovascular, hepático e o hematológico. Nessa unidade vamos conhecer os critérios de classificação dos diferentes anti-inflamatórios não esteroidais, o desenvolvimento de inibidores seletivos e não-seletivos, mecanismos de inibição e os avanços observados no design dessa classe de medicamentos. Veremos também as bases de ação, aspectos clínicos e farmacológicos, efeitos colaterais, toxicidade, indicações e contrain- dicações dos anti-inflamatórios não esteroidais. 6.1 CLASSIFICAÇÃO DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES) 6.1.1 INIBIDORES NÃO SELETIVOS DA COX A resposta imunológica ocorre quando células especificas e competentes são ativadas em resposta a presença de organismos estranhos ou substâncias an- tigênicas liberadas durante a resposta inflamatória aguda ou crônica. O resul- tado pode ser ruim se levar à inflamação crônica sem resolução do processo lesivo subjacente. A inflamação pode envolver a liberação de múltiplas cito- cinas e quimiocinas, além de uma interação muito complexa de células imu- noativas. Uma vasta gama de doenças autoimunes e condições inflamatórias estão associadas a esse processo. 109 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 1 – PROCESSO DE INFLAMAÇÃO POR FERIDA EXTERNA. Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o desenho da resposta biológica do corpo humano quando ocorre uma inflamação. Na superfície da pele, ocorre uma lesão que evolui para inflamação, os fagócitos e plaquetas então atuam na elimininação de bactérias e na cicatrização. egm e Furst (2017) descrevem que o dano celular associado à inflamação atua nas membranas celulares para liberar enzimas lisossomais de leucócitos, nesse processo, o ácido araquidônico é liberado de compostos precursores e vários eicosanóides – que são mediadores inflamatórios – são sintetizados. O ácido araquidônico é substrato em dois mecanismos enzimáticos específicos: a via da ciclooxigenase, onde produz prostaglandinas e prostaciclinas; e a via lipoxigenase, que produz leucotrienos que apresentam poderoso efeito qui- miotático sobre eosinófilos, neutrófilos e macrófagos, levando a broncocons- trição e alterações na permeabilidade vascular. Durante a inflamação, obser- 110 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL va-se que a estimulação das membranas dos neutrófilos origina radicais livres de oxigênio e outras moléculas radicalares, essas espécies podem reagir com o ácido araquidônico e produzir substâncias altamente quimiotáticas, dando continuidade ao processo inflamatório. Phillip Needleman confirmou em 1989 que existem duas isoformas COX únicas que são controladas e funcionam de maneiras diferentes. COX-1 foi encontrada em baixa abundância na maioria dos tecidos humanos, atuando como uma enzima de manutenção regulando processos fisiológicos normais, como integridade da mucosa gástrica, função renal e agregação plaquetária, enquanto a COX-2 foi indetectável na maioria dos tecidos sob condições fisiológicas normais e foi regulado seletivamente após exposição a mediadores inflamatórios ou trauma, causando respostas inflamatórias subsequentes e melanomas (MEEK; VAN DE LAAR; VONKEMAN, 2010). Alguns dos medicamentos mais prescritos para o tratamento da dor, febre e inflamação são os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), seus efeitos são muitas vezes atribuídos à inibição da atividade enzimática da ciclooxigenase-1 (COX-1) e ciclooxigenase-2 (COX-2), levando à supressão da síntese de prosta- glandinas e resultando em seus efeitos seus efeitos analgésicos, anti-inflama- tórios e antipiréticos. Os AINEs são divididos em muitas classes químicas e as características farmacocinéticas podem variar dentro de um grupo, a maioria destes compostos consiste em ácidos orgânicos fracos, a maioria é bem ab- sorvida e a biodisponibilidade não é afetada pela presença de alimentos (GO- LAN et al., 2009). 111 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – FÓRMULAS MOLECULARES DE ALGUMAS AINES Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a figura representa o desenho das cápsulas azuis e ao lado as fórmulas químicas estruturas de alguns anti-inflamatórios não esteroidais, estes compostos tem em comum anéis aromáticos ligados a grupos funcionais. Os AINEs são classificados como seletivos e não seletivos, a maioria pode ser agrupada em inibidores competitivos, não competitivos ou mistos reversíveis das enzimas COX. Os seletivos inibem seletivamente a COX-1 ou COX-2, ou seja, se inibem uma, não inibem a outra. Como grupo, são estruturalmen- te diversos e diferem em propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmi- cas, mas, em última análise, compartilham um modo de ação semelhante. Ambos inibem a produção de prostaglandinas bloqueando a enzima COX, causando benefícios analgésicos, antipiréticos e anti-inflamatórios, mas com risco de aumento do sangramento gastrointestinal. A diferença entre os sele- tivos e não seletivos está na forma como a enzima COX é inibida (MEEK;LAAR; VONKEMAN, 2010). 112 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL Um exemplo de AINE não seletivo é a asprina, que inibe permanentemente a COX por acetilação não competitiva e irreversível. As plaquetas sanguíneas – ao contrário das células inflamatórias – não possuem núcleo celular e, portan- to, são incapazes de sintetizar COX de novo (VONKEMAN; VAN DE LAAR, 2010). 6.1.2 INIBIDORES SELETIVOS DA COX-2 A maioria dos AINEs seletivos para COX-2 tem um grupo lateral volumoso, que facilita a passagem para ligar-se a COX-2 mas impede que ele se oriente de maneira ideal no canal de ligação mais estreito da COX-1.Tanto os AINEs não seletivos quanto os AINEs seletivos para COX geralmente são moléculas hidrofóbicas, uma característica que lhes permite acessar o canal hidrofóbico de ligação os canais e resulta em características farmacocinéticas comparti- lhadas, porém, a aspirina e acetaminofeno são exceções a essa regra (GROS- SER; SMYTH; FITZGERALD, 2018). QUADRO 1 – EXEMPLOS DE INIBIDORES SELETIVOS E NÃO SELETIVOS DA COX-2 INIBIDORES NÃO- SELETIVOS DA COX-2 EXEMPLOS INIBIDORES SELETIVOS DA COX-2 EXEMPLOS Derivados do Ácido Salacílico Ácido Acetilsalicílico (Aspirina), Salicilato de Sódio, Salicilato de Metila Derivado da Sulfonanilida Derivado Derivados Pirazolônicos Dipirona, Fenilbutazona, Apazona, Sulfimpirazona Derivado do Ácido Indolacético Etodolaco Derivados do Para- aminofeno Paracetamol (Acetaminofeno) Derivado PirazolDiaril- substituído Celecoxibe Derivados do Ácido Propiônico Ibuprofeno, Naproxeno, Flurbiprofeno Derivado IsoxazolDiaril- substituído Valdecoxibe Fonte: Adaptado de Silva, Mendonça e Partata (2014, p. 3-4). 113 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Os inibidores seletivos da COX-2 têm sido amplamente usados na prática clínica, especialmente quando deseja-se manter a eficácia anti-inflamatória sem os efeitos adversos gastrintestinais. Atualmente se dispõe de fármacos com a capacidade de se ligar seletivamente a COX-2 e a bloqueá-la de forma mais eficiente do que a COX-1 (SILVA; MENDONÇA; PARTATA, 2014). Os inibidores seletivos de COX-2 foram inicialmente desenvolvidos para inibir a síntese de prostaglandinas pela isoenzima COX-2 nos locais de inflamação sem afetar a ação da isoenzima COX-1 no trato gastrointestinal, rins e plaque- tas. Os inibidores da COX-2 em doses usuais não têm impacto na agregação plaquetária, que é mediada pelo tromboxano produzido pela isozima COX-1. Em contraste, eles inibem a síntese de prostaciclina mediada por COX-2 no endotélio vascular, como resultado, os inibidores de COX-2 não oferecem os efeitos cardioprotetores dos AINEs tradicionais não seletivos (KATZUNG; MAS- TERS; TREVOR, 2017). Há cerca de quase 50 anos – numa descoberta que acabou por conduzir à atribuição de um prémio Nobel – Sir John Vane relatou que os principais efeitos terapêuticos e tóxicos da aspirina e fármacos afins, nomeadamente analgesia, efeitos anti-inflamatórios e redução da febre poderiam ser explicados por um mecanismo comum: a capacidade desses compostos de inibir a síntese de prostaglandinas. Seu trabalho seminal influenciou milhares de pesquisadores básicos e clínicos que estudaram os efeitos das prostaglandinas e sua inibição por fármacos anti-inflamatórios não esteroidais (HERSH; LALLY; MOORE, 2005). 6.1.3 OUTROS COXIBES Os coxibes são um tipo de medicamento anti-inflamatório não esteroidal usa- do para aliviar a dor e reduzir a inflamação, eles foram propostos após a des- coberta dos inibidores da COX-2. De acordo com Silva, Perassolo e Suyenaga (2010), o primeiro coxibe aprovado pela entidade reguladora dos Estados Uni- dos foi o celecoxibe, em dezembro de 1998. Alguns meses após foi introduzi- do outro inibidor específico COX-2, chamado rofecoxibe, desde então muitos outros foram aprovados, tais como a valdecoxibe, parecoxibe e etorixibe. 114 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 3 – FÓRMULAS ESTRUTURAIS DE ALGUNS COXIBES Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a figura representa o desenho de três fórmulas estruturais de três coxibes diferentes, o etoricoxibe, parecoxibe e valdecoxibe, ambos apresentam anéis aromáticos e grupos funcionais sulfonilo. A primeira geração propriamente dita dos inibidores específicos da COX-2 é representada pela nimesulida, etodalaco e meloxicam. A modificação mole- cular destes produtos viabilizou o aumento de sua seletividade sobre a COX-2, as estratégias principais utilizavam estruturas sem um grupamento carboxíli- co e com a presença de grupos sulfonamida ou de sulfona, originando os cha- mados inibidores específicos de segunda geração. Coxibes que exibem tais grupos funcionais incluem o celecoxibe, etoricoxibe, valdecoxibe, rofecoxibe e parecoxibe (CARVALHO; CARVALHO; RIOS-SANTOS, 2004). A decisão de iniciar um tratamento com AINEs deve sempre feita com acom- panhamento médico especializado, além disso, uma avaliação sobre o risco cardiovascular é fundamental para estabelecer o balanço entre riscos e bene- fícios. Carvalho, Carvalho e Rios-Santos (2004) enfatizam que alguns pesqui- sadores tem reportado uma interação farmacodinâmica deletéria da combi- nação de inibidores não-seletivos como a aspirina e inibidores reversíveis da COX, como o ibuprofeno. Isso ocorre devido à inibição competitiva do sítio ativo pelos inibidores reversíveis, resultando no antagonismo do efeito cardio- protetor da aspirina, especialmente em indivíduos que apresentam a doença cardiovascular. 115 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Grandes estudos epidemiológicos mostraram um excesso de risco cardiovascular estatisticamente significativo para alguns coxibes. A decisão de utiliza- los deve ser precedida de uma rigorosa avaliação individual. Silva, Mendonça e Partata, escreveram um artigo descrevendo os aspectos gerais, farmacologia, propriedades, indicações, contraindicações e os riscos cardiovasculares associados ao seu uso. Clique no link a seguir para saber mais. Link: https://assets.unitpac.com. br/arquivos/revista/74/artigo5.pdf 6.2 BASES DE AÇÃO, EFEITOS INDESEJÁVEIS E CONTRAINDICAÇÕES DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES) 6.2.1 EFEITOS FARMACOLÓGICOS E INDICAÇÕES DOS AINES Os AINEs proporcionam alívio sintomático em inflamações agudas e crônicas, mas não melhoram o curso de condições inflamatórias crônicas, como artrite reumatóide, no que diz respeito à incapacidade e deformidade. Há uma va- riação considerável na resposta clínica, outros tipos de dor, tanto leves quanto graves podem responder ao tratamento com AINEs. A aspirina é um caso es- pecial por inibir irreversivelmente a COX-1 e ter um papel único como antipla- quetário, além de manter um lugar como analgésico leve em adultos (RITTER et al., 2020). 1. Metabolização dos AINEs: A maioria dos AINEs são altamente metabolizados, alguns pela fase I seguidos pelos mecanismos da fase II e outros por glicuronidação direta (fase II) isoladamente. O metabolismo dos AINEs ocorre, em grande parte, por meio das famílias CYP3A ou CYP2C das enzimas P450 no fígado. Embora a excreção renal seja a via mais importante para a eliminação final, quase todas sofrem graus variados de excreção biliar e reabsorção. https://assets.unitpac.com.br/arquivos/revista/74/artigo5.pdf https://assets.unitpac.com.br/arquivos/revista/74/artigo5.pdf 116 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 2. Grau de irritação do trato gastrointestinal: De fato, o grau de irritação do trato gastrointestinal inferior se correlaciona com a quantidade de circulação entero-hepática.A maioria dos AINEs são altamente ligados a proteínas – cerca de 98% – geralmente à albumina. A maioria dos AINEs – por exemplo, ibuprofeno, cetoprofeno – são misturas racêmicas, enquanto um, naproxeno, é fornecido como um único enantiômero e alguns não têm centro quiral, o diclofenaco é um exemplo (NEGM; FURST, 2017). Os AINEs são uma classe de medicamentos aprovada pelos mais importan- tes órgãos regulatórios internacionais para uso como agentes antipiréticos, anti-inflamatórios e analgésicos. Esses efeitos tornam os AINEs úteis para o tratamento de dores musculares, dismenorreia, condições artríticas, pirexia, artrite gotosa, enxaquecas e usados como agentes poupadores de opioides em certos casos de trauma agudo. também estão disponíveis para uso tópico em casos de tenossinovite aguda, entorses de tornozelo e lesões de tecidos moles (GHLICHLOO; VALERIE GERRIETS, 2021). De acordo com Golan et al. (2009), com a descoberta do mecanismo de ação da aspirina por John Vane, a compreensão dos AINEs aumentou ao longo dos anos, aumentando assim as habilidades para desenvolver novas terapêuticas anti-inflamatórias. Devido às atividades terapêuticas, essas drogas são am- plamente utilizadas no tratamento da dor, febre e inflamação em doenças reumáticas, osteoartrite e dismenorreia. Eles também estão implicados na medicina esportiva e são populares entre esportistas e soldados. O uso da as- pirina como agente cardioprotetor no tratamento da aterosclerose pode ser considerado o exemplo mais antigo e clássico de uso de um anti-inflamatório para doenças cardiovasculares. No Brasil e no mundo muitas pessoas tem feito uso de AINEs – muitas vezes sem receita médica – como aspirina e ibuprofeno, no entanto essa classe de medicamentos não é usada apenas para o alívio da dor, eles também ajudam na redução da inflamação e na redução da febre. Eles também impedem a coagulação do sangue, o que é bom em alguns casos, mas não tão benéfico em outros. 117 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Bindu, Mazumder e Bandyopadhyay (2020) descrevem que devido aos múlti- plos efeitos dos AINEs, esses medicamentos agora também são direcionados para outras implicações graves para a saúde. Explorando o mesmo raciocí- nio da inibição de prostaglandina induzida por AINEs, essas drogas estão ga- nhando imensa importância como agentes anticancerígenos de nova gera- ção. Alguns dos mecanismos de ação pelas quais os AINEs e coxibes atuam incluem a indução da apoptose das células tumorais, a regulação negativa do receptor do fator de crescimento epidérmico, a atenuação da neoangiogêne- se e a proteção contra danos ao DNA. A doença de Alzheimer é uma doença cerebral progressiva que provoca danos na memória e nas habilidades de pensamento, também afeta a capacidade de realizar até as tarefas mais básicas. Oliveira et al. (2021) escreveram uma revisão sistemática sobre o uso de anti-inflamatórios não esteroidais como uma das alternativas farmacológicas para pacientes acometidos pela Doença de Alzheimer, você pode verificar clicando no link: https://rsdjournal.org/index. php/rsd/article/view/23609 6.2.2 EFEITOS ADVERSOS DOS AINES Nos últimos anos, a segurança do uso de AINEs na prática clínica tem sido questionada, principalmente dos inibidores seletivos de COX-2 na presença de determinadas condições e doenças, o que levou à retirada de alguns des- ses medicamentos do mercado pelos órgãos reguladores. De acordo com Golan et al. (2009), os AINEs têm uma série de efeitos adver- sos que afetam principalmente os sistemas gastrointestinal, renal e cardio- vascular. No entanto, a maioria dos pacientes que tomam doses terapêuticas desses AINEs e por um período mais curto geralmente os tolera bem. Entre- tanto, com maior duração do tratamento e na presença de comorbidades, pode surgir um risco maior. No geral, o tratamento com AINEs é complexo, pois envolve uma decisão baseada na relação risco: benefício de acordo com a condição atual do paciente. https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/23609 https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/23609 118 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL FIGURA 4 – AVALIAÇÃO DOS RISCOS E BENEFÍCIOS DE DIFERENTES MEDICAMENTOS Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de uma matriz de benefícios versus riscos com pílulas e comprimidos posicionados sobre ela. Segundo Ritter et al. (2020), os efeitos adversos são geralmente bastante se- melhantes para todos os AINEs e são característicos do sistema afetado: 1. Sistema nervoso central: Dores de cabeça, zumbido, tontura e raramente meningite asséptica. 2. Cardiovascular: retenção de líquidos, hipertensão, edema e, raramente, infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca congestiva (ICC). 3. Gastrointestinal: Dor abdominal, dispepsia, náuseas, vômitos e, raramente, úlceras ou sangramento. 4. Hematológico: Trombocitopenia rara, neutropenia ou mesmo anemia aplástica. 5. Hepático: Resultados anormais dos testes de função hepática e insuficiência hepática rara. 119 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6. Pulmonar: Asma. 7. Pele: Erupções cutâneas, todos os tipos, prurido. 8. Renal: Insuficiência renal, insuficiência renal, hipercalemia e proteinúria. O sucesso dos AINEs vem com um custo, Bindu, Mazumder e Bandyopadhyay (2020) afirmam que essa classe de medicamento está associada a cerca de 30% de internações hospitalares por reações adversas a medicamentos evi- táveis. No entanto, não é apropriado projetar esses medicamentos em uma perspectiva negativa, mas sim discutir de uma forma mais abrangente a sus- cetibilidade de alguns órgãos importantes ao medicamento. Isso aumenta- ria a conscientização sobre o uso prudente dessas drogas. Relatos de ensaios clínicos randomizados, metanálises, estudos de coorte, revisões sistêmicas e estudos observacionais levariam à compreensão do risco real relacionado ao medicamento, enquanto detalhes mecanicistas fornecerão indicações sobre os potenciais candidatos/alvos terapêuticos. 1. Efeitos adversos cardiovasculares: O uso de AINEs está associado a um risco aumentado de eventos cardiovasculares adversos, entre os principais efeitos adversos, essa classe de medicamentos pode aumentar o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e pressão alta, independentemente de você já ter doença cardíaca ou não, embora o risco seja maior naqueles que tem doença cardíaca. 2. Efeitos renais: Os efeitos colaterais renais dos AINEs são relativamente raros, às vezes transitórios e muitas vezes reversíveis com a retirada do medicamento. Os efeitos colaterais renais bem documentados incluem insuficiência renal hemodinâmica e retenção de sódio e potássio. Mais estudos são necessários para melhor delinear possíveis interações dos AINEs com diuréticos e hipotensores, bem como sua relevância clínica. 120 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL 3. Efeitos gastrointestinais: Os efeitos colaterais adversos, especialmente no trato gastrointestinal, são incomuns, mas causam uma carga substancial de doenças devido ao volume de uso. Os AINEs causam um risco aumentado de eventos adversos gastrointestinais graves, incluindo sangramento, ulceração e perfuração do estômago ou intestinos, que podem ser fatais. Esses eventos podem ocorrer a qualquer momento durante o uso e sem sintomas de aviso. Vários aspectos da lesão de órgãos induzida por AINEs ainda precisam ser investigados, o que também deve incluir outros órgãos e sistemas do cor- po, além disso, precisam ser exploradas mais interações enzimáticas, o papel das mitocôndrias e outras organelas na fisiopatologia dos AINEs, juntamentecom polimorfismos genéticos plausivelmente ligados a esses medicamentos. Davis e Robson (2016) descrevem que com relação à idade, os indivíduos mais velhos apresentam maior risco basal de complicações cardiovasculares, gas- trointestinais, renais e hepáticas. Portanto, uma estratégia especial deve ser desenvolvida em relação ao uso de AINEs pelos idosos. 6.2.3 PRINCIPAIS CONTRAINDICAÇÕES DOS AINES Alguns coxibes – tais como o rofecoxibe e valdecoxibe – foram retirados do mercado quando se descobriu que as pessoas que tomavam esses medica- mentos tinham um risco ligeiramente aumentado de ataque cardíaco e der- rame. Os AINEs geralmente não são recomendados para pessoas com doen- ça renal, insuficiência cardíaca e cirrose, também para pessoas que tomam diuréticos, pessoas com doença arterial coronariana conhecida devem evitar o uso de inibidores da COX-2. 121 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 5 – UMA SENHORA LENDO AS INSTRUÇÕES DA BULA ANTES DE TOMAR O REMÉDIO Fonte: Plataforma Shutterstock (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de uma senhora idosa lendo instruções médicas antes de tomar remédio. Alguns pacientes que são alérgicos à aspirina podem tomar AINEs seletivos com segurança, embora isso deva ser discutido com antecedência com um profissional de saúde (CAIRNS, 2007). De acordo com Ghlichloo e Gerriets (2021), os AINEs são contraindicados em pacientes: • Com hipersensibilidade a AINEs ou hipersensibilidade ao salicilato; • Que sofreram uma reação alérgica – urticária, asma e etc – após tomar AINEs; • Quem tem cirurgia de revascularização do miocárdio; • Durante a gravidez; Bindu, Mazumder e Bandyopadhyay (2020) enfatizam que pessoas com al- guns problemas médicos e aqueles que tomam vários medicamentos cor- rem maior risco de complicações relacionadas aos AINEs. O uso de aspirina e outros AINEs aumentam o risco de hospitalização e morte por sangramento e perfuração gastrintestinal. O risco cardiovascular imprevisto dos coxibes repri- 122 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FARMACOLOGIA GERAL miu o entusiasmo pelo seu uso, os médicos tiveram que revisar nitidamente suas indicações para os coxibes e os AINEs no manejo da dor e da inflamação e envolver mais plenamente os pacientes nas decisões sobre o equilíbrio en- tre benefícios e riscos (CAIRNS, 2007). 1. Toxicidade dos AINEs: A toxicidade dos AINEs pode se manifestar como sangramento gastrointestinal, hipertensão, hepatotoxicidade e dano renal. Normalmente, a superdosagem aguda de AINEs é assintomática ou apresenta sintomas gastrointestinais insignificantes. No entanto, outros sintomas de complicações de toxicidade podem incluir acidose metabólica com hiato aniônico, coma, convulsões e insuficiência renal aguda. A toxicidade neurológica pode apresentar sonolência, confusão, nistagmo, visão turva, diplopia, dor de cabeça e zumbido. 2. AINEs e toxicidade gastrointestinal: Numerosos estudos estabeleceram a associação entre AINEs e toxicidade gastrointestinal. Todos os AINEs causam uma gama completa de efeitos adversos gastrointestinais, embora variem em frequência e gravidade. Vários fatores relacionados ao paciente e ao medicamento foram identificados que aumentam o risco de complicações gastrointestinais associadas aos AINEs. Quase todas as mortes por efeitos adversos gastrointestinais relacionados aos AINEs ocorrem em idosos e as mulheres idosas parecem particularmente suscetíveis (GHLICHLOO; GERRIETS, 2021). Os efeitos tóxicos gastrointestinais de AINEs representam uma considerável causa de morte, no entanto muitos médicos desconhecem a magnitude do problema. Essas complicações também ocorrem em pacientes que tomam essa classe de medicamento sem prescrição. A alta prevalência de exposição levanta a questão se os pacientes estão tomando o medicamento desneces- sariamente e se os efeitos adversos relacionados a eles são adequadamente controlados (DAVIS; ROBSON, 2016). Silva, Mendonça e Partata (2010) enfatizam sobre o risco do uso dessa classe de medicamentos durante os dois primeiros trimestres de gravidez, perío- do onde o seu uso não é recomendado. Em casos de necessidade extrema, 123 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 sugere-se o fármaco com maior experiência de uso, em baixas doses e duran- te curtos períodos de tempo. O ibuprofeno tem sido o fármaco preferido na gravidez, mas seu uso ainda é arriscado, pois ainda é necessária uma investi- gação mais elaborada para assegurar sua utilização no início da gravidez, no entanto, este e outros coxibes são contraindicados após trinta semanas de gestação, considerando o risco de diminuição do líquido amniótico e o fecha- mento prematuro do ducto arterial. CONCLUSÃO Encerramos a disciplina farmacologia geral verificando essa área interdiscipli- nar explora muitos aspectos, que vão desde a descoberta de medicamentos, desenvolvimento e segurança pré-clínica. Verificamos os aspectos gerais da farmacologia, incluindo os farmacodinâmicos e farmacocinéticos, as diferen- tes vias de administração, fármacos que atuam no sistema nervoso central e no sistema nervoso autônomo seu modo de ação e por fim, os aspectos clínicos e farmacológicos dos anti-inflamatórios não esteroidais, descrevendo as principais classes, aspectos físico-químicos, mecanismos de ação e de ini- bição, base de ação, indicações e contraindicações, toxicidade e efeitos farma- cológicos dessa classe de medicamentos. 124 FARMACOLOGIA GERAL MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REFERÊNCIAS ______; ______. Rang & Dale Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2020. ALAGGA, A. A.; GUPTA, V. Drug Absorption. In: StatPearls [Internet]. StatPearls Publishing, 2021. ATES-ALAGOZ, Z. ADEJARE, A. Chapter 9 - Prodrugs. In: ADEJARE, A. (Ed.). Remington: the science and practice of pharmacy. Academic Press, 2021. 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EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃOA DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS Quadro 1 – Resumo Do Pensamento Administrativo Figura 1 - Diferentes apresentações de medicamentos Figura 2 – O farmacêutico é o profissional do medicamento Figura 3 – A meditação é um tipo de remédio Figura 5 – As plantas são fontes para medicamentos Figura 6 – Os ratos são um modelo animal usado na fase pré-clínica Figura 7 – A via intramuscular é um tipo de via de administração de medicamentos Figura 8 - Os comprimidos são uma forma de farmacêutica administrada por via oral Figura 9 – Supositórios Figura 10 – Via intravenosa Figura 1 – Absorção de fármacos no estômago Figura 2 – Interior de uma veia Figura 3 – Fármacos ligados a proteínas Figura 4 – Interação de um fármaco com uma proteína plasmática Figura 5 – Fármacos na corrente sanguínea Figura 6 – Fragmentação de uma organela Figura 7 – Eliminação de compostos pelo rim Figura 1 – O fármaco age no corpo humano e produz, por meio de mecanismos, a atividade farmacológica Figura 2 – Paul Ehrlich foi um dos principais pesquisadores a contribuir com o entendimento sobre receptores Figura 3 - Primeira família Figura 4 - canal iônico Figura 5 - xantina oxidase Figura 6 - Bomba sódio/potássio Figura 7 – Interação do sumatriptano (fármaco utilizado para tratamento da enxaqueca) com os aminoácidos do receptor 5HT Figura 8 – Mecanismo chave-fechadura Figura 9 – Curva dose-resposta Figura 10 – Comparação das curva-dose resposta de dois fármacos Figura 11 – Ação de fármacos agonistas e fármacos antagonistas Figura 12 – Curvas de dose-resposta idealizadas de um agonista, agonista parcial, antagonista neutro e agonista inverso do mecanismo chave-fechadura Figura 13 – A interação entre medicamentos provoca urticária (um tipo de reação adversa), nas costas Figura 1 – Sistema Nervoso Central (SNC) Figura 2 – Sinapses químicas entre os neurotransmissores e os receptores Figura 3 – Fórmulas estruturais dos mais importantes neurotransmissores Figura 4 – Aplicação de doping por atleta antes da corrida Figura 5 – Proteína de membrana que atua como receptora de glutamato Figura 6 – Receptor GANA em uma membrana celular Figura 1 – Componentes do Sistema Nervoso Central e Periférico Figura 2 – Divisão do Sistema Nervoso (SN) baseada na anatomia Figura 3 – As principais funções do sistema autônomo simpático e parassimpático em diferentes órgãos efetores Figura 4 – Estrutura do receptor nicotínico mostrando as cinco subunidades proteicas básicas: α, β, γ, δ e ε Figura 5 – Estrutura 3D do subtipo de receptor muscarínico M2 humano Figura 6 – (A) Principais subtipos de receptores adrenérgicos e (B) Afinidade dos subtipos de receptores para cada neurotransmissor Figura 7 – Estrutura química de dois agonistas colinérgicos betanecol e da pilocarpina, betanecol usado para tratamento da retenção urinária e pilocarpina para tratamento do glaucoma Figura 8 – Atropa beladona, planta medicinal, principal fonte de alcaloides como a atropina e a escopolamina, planta venenosa e alucinógena Figura 9 – Estrutura química da escopolamina, fármaco antagonista dos receptores muscarínicos utilizada geralmente para vômitos e náuseas Figura 10 – Paciente com a pálpebra superior parcial direita (ptose) Figura 10 – Estrutura química da clonidina, fármaco usado para pacientes com pressão alta Figura 11 – Estrutura química da prazosina, medicamento anti-hipertensivo antagonista α1 com ação vasodilatadora Figura 12 – Estrutura química do propranolol, fármaco com ação betabloqueadora e ação na angina (dor no peito), hipertensão (pressão alta) e distúrbios do ritmo cardíaco Figura 1 – Processo de inflamação por ferida externa. Figura 2 – Fórmulas moleculares de algumas AINEs Figura 3 – Fórmulas estruturais de alguns coxibes Figura 4 – Avaliação dos riscos e benefícios de diferentes medicamentos Figura 5 – Uma senhora lendo as instruções da bula antes de tomar o remédio Apresentação da disciplina 1 Aspectos conceituais da Farmacologia Geral INTRODUÇÃO DA UNIDADE 1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS 1.2 PRINCIPAIS VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 2. PRINCÍPIOS GERAIS DE FARMACOCINÉTICA INTRODUÇÃO DA UNIDADE 2.1 ABSORÇÃO DE FÁRMACOS 2.2 DISTRIBUIÇÃO E DEPURAÇÃO DE FÁRMACOS 3 BASES GERAIS DA FARMACODINÂMICA INTRODUÇÃO DA UNIDADE 3.1 princípios do modo de ação e resposta farmacológica de um fármaco 3.2 Relação entre dose e resposta clínica do fármaco 4 FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) INTRODUÇÃO DA UNIDADE 4.1 INTRODUÇÃO À FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) 4.2 CLASSES FARMACOTERAPÊUTICAS QUE ATUAM NO SNC 5 FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 5.1 Neurotransmissão: os sistemas nervosos autônomo e somático motor 5.2 Mecanismos pelos quais os fármacos podem atuar para alterar a função fisiológica do SNA