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Bradicardia Þ Qualquer problema no ritmo com uma frequência cardíaca menor que 60/min, mas para avaliação e manejo de um paciente com bradicardia sintomática, ela é geralmente definida como uma frequência cardíaca menor que 50/min. Þ A bradicardia pode ser um sinal de hipóxia potencialmente fatal. Þ A bradicardia associada a hipertensão pode ser um sinal de um aumento possivelmente fatal na pressão intracra- niana, especialmente no caso de um AVC ou de lesão cerebral. q Observar se é possível a onda P é facilmente visível e se TODA onda P antecede um complexo QRS, se sim, pode ficar tranquilo! Você está diante de uma bradicardia benigna!! Outro fator importante é saber se o ritmo é sinu- sal ou não. Se sinusal, a onda P estará positiva em D1 e D2. q O intervalo PR normal vai de 120ms até 200ms (3 a 5 quadradinhos). Alguns bloqueios atrioventriculares au- mentam o intervalo PR, ou seja, ficam maiores que do que 5 quadradinhos (ou 1 quadradão) Ritmos de Bradicardia ● Bradicardia sinusal Þ Ritmo lento (FC <60 bpm), com onda P facilmente visível, positiva em D1 e D2, antecedendo todo QRS (que é estreito), RR regular e intervalo PR menor que 200ms. Ou seja, é um ritmo normal, cuja única diferença é frequência cardíaca diminúida. ● Bloqueio AV de primeiro grau Þ O BAV de 1º grau é uma bradiarritmia benigna. Þ A frequência está menor que 60 bpm, TODAS as ondas P antecedem um complexo QRS. O que existe é um atra- so na condução, ou seja, o intervalo PR é MAIOR que 200ms. ● Bloqueio AV de segundo grau: bloqueio de alguns, mas não de todos os impulsos atriais, antes de sua chegada aos ventrículos. Þ É considerado um bloqueio verdadeiro, já que, existem algumas ondas P que não produzem QRS, ou seja, exis- tem contrações atriais que não geram ventriculares. ○ Bloqueio AV Mobitz tipo I: Também conhecido como fenômeno de Wenckebach, geralmente ocorre no nó AV. Þ Intervalo PR alarga progressivamente pra então falhar e não produzir QRS. Ou seja, o intervalo PR não é cons- tante! É uma bradicardia benigna. Þ Ele se caracteriza por um prolongamento sucessivo do intervalo PR, até que um impulso atrial não seja conduzido aos ventrículos . A onda P correspondente a esse impulso atrial não é seguida por um complexo QRS. Muitas ve- zes, o ciclo de alongamento progressivo do intervalo PR até a falha na condução do impulso atrial aos ventrículos se repete. ○ Bloqueio AV de segundo grau Mobitz tipo II : Ocorre abaixo do nível do nó AV. Þ O intervalo PR são alargados, porém são fixos! É como se você tivesse um PR constante até chegar um momen- to que a onda P é bloqueada e não produz complexo QRS. É uma bradicardia maligna! Þ É caracterizado por não condução intermitente de ondas P (impulsos atriais para o ventrículo) com um intervalo de PR constante em batimentos conduzidos. Pode haver uma relação consistente de despolarizações átrio-ventri- culares, por exemplo, duas ondas P para um complexo QRS. ● Bloqueio AV de terceiro grau Þ Um ritmo completamente anárquico! O átrio bate em uma frequência, o ventrículo em outra. Há uma dissocia- ção, o ventrículo assume a resposta geradora de choque, produzindo seu próprio estímulo. Melhor forma de ver é pedindo DII longo. Þ Ritmo de escape ventricular (Existem outros ritmos de escape, porém esse é o mais perigoso). O nó sino atrial e o nó átrio ventricular perderam totalmente sua função e agora quem dita o ritmo cardíaco são algumas células miocárdicas dos ventrículos. É marcado por frequências cardíacas BASTANTE reduzidas, ausência de onda P e alargamento do complexo QRS. Þ Reconhecer uma bradicardia instável por bloqueio AV é a meta principal, e reconhecer o tipo de bloqueio AV é a meta secundária. Þ A bradicardia pode ter várias causas, inclusive algumas fisiológicas que não exigem nem avaliação, nem tratamen- to. Por exemplo, um atleta saudável e bem treinado pode ter uma frequência cardíaca em repouso menor que 50/min. Þ Alguns pacientes têm frequências cardíacas na faixa normal, porém essas frequências são inadequadas ou insufi- cientes para eles. Isso é chamado de bradicardia funcional ou relativa. Por exemplo, uma frequência cardíaca de 70/min pode ser comparativamente muito lenta para um paciente em choque cardiogênico ou séptico. m A bradicardia instável existe clinicamente quando três critérios estão presentes: 1. A frequência cardíaca está lenta. 2. O paciente apresenta sintomas. 3. Os sintomas se devem à frequência cardíaca lenta. m A bradicardia instável produz sinais e sintomas graves, dentre os quais: ● Hipotensão ● Estado mental agudamente alterado ● Sinais de choque ● Desconforto torácico isquêmico ● Insuficiência cardíaca aguda m Os medicamentos para bradicardia incluem ● Atropina ● Dopamina (infusão) ● Epinefrina (infusão) Þ No diagnóstico diferencial, o ponto de decisão principal do algoritmo é determinar se o paciente tem sinais ou sintomas de perfusão deficiente e se estes são causados pela bradicardia (Etapa 3). Se não houver sinais de per- fusão deficiente, monitore e observe (Etapa 4). Se houver sinais de perfusão deficiente, administre atropina (Eta- pa 5). Se a atropina for ineficaz, prepare-se para MPTC, marca-passo transcutâneo e/ou considere infusão de do- pamina ou epinefrina (Etapa 5). Se indicado, consulte um especialista e considere a estimulação transvenosa (Eta- pa 6) Identificar a bradicardia Þ Identifique se a frequência cardíaca é ● Bradicardia por definição, ou seja, frequência cardíaca normalmente inferior a 50/min. ● Inadequada para o estado do paciente (funcional ou relativo) Identifique e trate as causas subjacentes Þ Realize a avaliação primária, incluindo o seguinte: ● A: Mantenha a via aérea patente. ● B: Auxilie a respiração conforme necessário e administre oxigênio, no caso de hipóxia; monitore a saturação de oxi- gênio. ● C: Monitore a pressão arterial, a oximetria e a frequência cardíaca; obtenha e examine o ECG de 12 derivações; es- tabeleça o acesso IV. ● D e E: Obtenha um histórico e faça um exame físico específico do problema; procure possíveis causas de hipóxia e toxicológicas e trate possíveis fatores de contribuição. Sinais ou sintomas causados por bradiarritmia persistente Þ Procure estes sinais e sintomas adversos da bradicardia: ● Sintomas: estado mental agudamente alterado, sinais de choque, desconforto torácico isquêmico ● Sinais: hipotensão, insuficiência cardíaca aguda ● Os sinais e sintomas estão relacionados com a frequência cardíaca lenta? Às vezes, o sintoma não se deve à bradi- cardia. *Por exemplo, a hipotensão associada à bradicardia pode se dever à disfunção miocárdica, e não à bradicardia. Lem- bre-se disso ao reavaliar a resposta do paciente ao tratamento. m Se o paciente tiver perfusão deficiente secundária à bradicardia, trate da seguinte forma: ● Administre atropina como tratamento de primeira linha: atropina 1 mg IV. Þ Pode ser repetida até uma dose total de 3 mg IV. Þ A atropina pode elevar a frequência cardíaca, melhorar a hemodinâmica e eliminar a necessidade de estimula- ção. Þ Não confie na atropina diante de bloqueio AV de segundo grau tipo Mobitz II ou bloqueio AV de terceiro grau com complexo QRS largo novo em que o local do bloqueio é propenso a ser no tecido infranodal (por exemplo, no feixe de His ou no sistema de condução mais distal). Essas bradicardias provavelmente não responderão à re- versão dos efeitos colinérgicos pela atropina. De preferência, trate-as com marca-passo transcutâneo ou β-adre- nérgicos como medidas de temporização enquanto o paciente é preparado para estimulação transvenosa. Þ Na ausência de causas imediatamente reversíveis, a atropina permanece como o medicamento de primeira li- nha para a bradicardia instável aguda. Þ O sulfato de atropina reverte as reduções mediadas por colinérgicos na frequência cardíaca e condução do nó AV. Þ Use a atropina com cautela na presença de isquemia coronária aguda ou infarto do miocárdio (IM). Uma eleva- ção da frequência cardíaca mediada por atropina pode piorar a isquemia ou aumentar o tamanhodo infarto. ● Se a atropina for ineficaz, forneça Þ Estimulação transcutânea e/ou dopamina 5 a 20 mcg/kg por minuto de infusão (dose cronotrópica ou de fre- quência cardíaca) ou infusão de epinefrina 2 a 10 mcg/min. Inicie a infusão de epinefrina a uma dose de 2 a 10 mcg/min e titule para resposta do paciente. Comece a infusão de dopamina de 5 a 20 mcg/kg por minuto e titule até a resposta do paciente. Þ Embora os agonistas β-adrenérgicos com efeitos de aceleração da frequência não sejam agentes de primeira li- nha para tratar a bradicardia estável, eles são alternativas ao MPTC ou, em circunstâncias especiais, como over- dose com um β-bloqueador ou bloqueador de canais de cálcio. Þ Como a epinefrina e a dopamina são vasoconstritoras, além de cronotrópicas, os profissionais da saúde devem avaliar o estado do volume intravascular do paciente e evitar hipovolemia quando usarem esses medicamentos. A dobutamina (um agonista β-adrenérgico) é adequada quando a vasoconstrição não é desejada. Þ Podem ser usadas infusões de epinefrina ou de dopamina para pacientes com bradicardia estável, particularmen- te se associada à hipotensão, para os quais a atropina pode ser inadequada ou após fracasso da atropina. OBS: Se o paciente não retornar a ritmo sinusal na primeira ou na segunda dose ir para segunda linha de tratamen- to! Não é necessário complementar o total de 3mg de atropina, até porque isso demorará no mínimo 18 minutos, o que pode ser um grande problema do paciente. Segundo: geralmente bradiarritmia maligna não reverte com atropi- na, logo deve-se ir preparando o tratamento de segunda linha. m Sequência de tratamento: marca-passo transcutâneo Þ O marcapasso transcutâneo (MPTC) pode ser útil para tratar a bradicardia instável. Þ Não é invasivo e pode ser realizado por profissionais de SAVC. Þ Considere estimulação imediata em pacientes instáveis com bloqueio cardíaco de alto grau, quando não hou- ver acesso IV disponível. É aceitável iniciar o MPTC em pacientes instáveis que não respondam à atropina. Þ Depois de iniciar o MPTC, confirme a captura elétrica e mecânica. Þ Como a frequência cardíaca é um determinante importante de consumo de oxigênio miocárdico, defina a estimu- lação como a taxa efetiva mais baixa, de acordo com a avaliação clínica e resolução dos sintomas. Þ Reavalie o paciente quanto à melhora sintomática e à estabilidade hemodinâmica. Þ Administre analgésicos e sedativos para controle da dor. Note que muitos desses medicamentos podem reduzir ainda mais a pressão arterial e afetar o estado mental do paciente. ● Administrar um narcótico parenteral para analgesia. (opióides endógenos, morfina, codeína) ● Administrar benzodiazepínico parenteral para ansiedade e contrações musculares. ● Usar uma infusão cronotrópica, assim que disponível. ● Consultar um especialista quanto à estimulação transvenosa. Þ Tente identificar e corrigir a causa da bradicardia. Þ O MPTC tem suas limitações: ele pode ser doloroso e não produzir uma captura elétrica e mecânica eficaz. Þ Se a bradicardia não estiver causando os sintomas, o MPTC pode ser ineficaz, apesar da captura. Por esses moti- vos, considere o MPTC como uma ponte de urgência para a estimulação transvenosa em pacientes com bradi- cardia sinusal significativa ou com bloqueio AV. Þ Se você optar pelo MPTC como tratamento de segunda linha e ele também for ineficaz (por exemplo, captura in- consistente), inicie uma infusão de dopamina ou epinefrina e prepare-se para uma possível estimulação transve- nosa, depois de consultar um especialista. As indicações para o uso do MPTC são as seguintes: ● Bradicardia hemodinamicamente instável (por exemplo, hipotensão, alteração aguda do estado mental, sinais de choque, desconforto torácico isquêmico, hipotensão por insuficiência cardíaca aguda) ○ Quadro clínico instável provavelmente decorrente da bradicardia ● Bradicardia com ritmos de fuga ventriculares estáveis As precauções para o uso do MPTC são as seguintes: ● O MTCP é contraindicado na hipotermia grave. ● Pacientes conscientes necessitam de analgesia para o desconforto, a não ser que o atraso da sedação cause ou contribua para a deterioração. ● Não avalie o pulso carotídeo para confirmar a captura mecânica; a estimulação elétrica provoca reflexo muscular que pode mimetizar o pulso carotídeo. Técnica Þ Use o marca-passo transcutâneo seguindo estas etapas: 1. Aplique os eletrodos de estimulação ao tórax seguindo as instruções da embalagem. Pode ser na posição anteroposterior, na região precordial, ou no mesmo local de colocação das pás do desfibrila- dor. 2. Ligue o marca-passo. 3. Ajuste a frequência da demanda em, aproximadamente, 60 a 80 por minuto. Essa frequência pode ser ajustada pa- ra mais ou para menos (segundo a resposta clínica do paciente) depois de estabelecida a estimulação. 4. Ajuste a intensidade de corrente (miliampères, mA) 2 mA acima da dose na qual se observou uma captura consis- tente (margem de segurança). Ritmo de escape ventricular (Existem outros ritmos de escape, porém esse é o mais perigoso). O nó sino atrial e o nó átrio ventricular perderam totalmente sua função e agora quem dita o ritmo cardíaco são algumas células miocárdicas dos ventrículos. É marcado por frequências cardíacas BASTANTE reduzidas, ausência de onda P e alargamento do complexo QRS.