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ANATOMIA HEPÁTICA ● Suprimento hepático: a. hepática (30%) e v. Porta (70%) o O fígado depura o sangue que vem dos intestinos pela v. Porta, que ramifica para participar, com a a. hepática, da perfusão do fígado o A veia porta é formada pela união da veia esplênica e a veia mesentérica superior ● Organização hepática: o Unidade funcional: LÓBULO HEPÁTICO o Em cada vértice do lóbulo existe um ESPAÇO PORTA: a. hepática + v. Porta + ducto biliar → o sangue sai desse espaço, percorre pelos hepatócitos e chega à v. Centro-lobular ● Funções hepáticas: o Depuração: toxina (amônia), bilirrubina indireta (capta, conjuga em direta e excreta) o Síntese: Glicose (glicogenólise, gliconeogênese), albumina, fatores de coagulação (↑INR, ↑TAP) ● Segmentação hepática: o Dividido em direito e esquerdo pela bifurcação da veia porta o Dividido em setor pelas veias hepáticas: ▪ Direito lateral/medial ▪ Direito medial/anterior ▪ Esquerda medial/anterior ▪ Esquerda lateral/posterior o Dividido em segmentos pela veia porta: ▪ Lobo hepático esquedo: ● Lóbulo I: lobo caudado ● Lóbulo II ● Lóbulo II: ● Lóbulo IV: dividido em A (Superior) e B (inferior) ▪ Lobo direito: ● Lóbulo V ● Lóbulo VI ● Lóbulo VII ● Lóbulo VIII SÍNDROMES DE HIPERTENSÃO PORTAL VASCULARIZAÇÃO NORMAL ARTERÍOLA → CAPILAR → VÊNULA SISTEMA PORTA Veia que se encontra entre 2 redes de capilares ARTERÍOLA → CAPILAR → VÊNULA → CAPILAR → VÊNULA O SISTEMA PORTA HEPÁTICO VEIA PORTA HEPÁTICA = VEIA MESENTÉRICA SUPERIOR + VEIA ESPLÊNICA Dificuldade da passagem de sangue = ↑ pressão HIPERTENSÃO PORTA → definição pressão no S. porta > 5mmHg Obs: na verdade quer dizer a pressão do sistema porta > 5 em relação à VCI (gradiente de pressão) Consequências: varizes esofagogástricas, esplenomegalia, varizes anorretais, ascite, circulação colateral, cabeça de medusa, encefalopatia hepática A veia porta é formada pela Veia mesentérica superior + veia esplênica, porém existem outras veias que desembocam na veia porta, após a união da MSP com a esplênica, como a veia gástrica esquerda. A VMI drena para a veia esplênica. A VMS drena a maioria do TGI, até a metade do cólon transverso. As veias gástricas esquerda e direita recebem sangue do esôfago e também drenam para a veia porta, juntamente às veias gástricas curtas. Toda a drenagem venosa do TGI é feita para a veia porta. As veias retais possuem três andares, sendo a superior e média tributárias da VMI; a veia retal inferior drena para a VCI. O sangue que chega ao fígado e enfrenta hipertensão portal começa a buscar “atalhos” para chegar ao pulmão, utilizando-se dos vasos que drenam para a porta, “fugindo” do fígado. HIPERTENSÃO PORTA ● Clínico: o Esplenomegalia o Circulação colateral (varizes esofagogástricas e anorretais, abdominal - cabeça de medusa) – o sangue deixa de ir ao sistema porta e vai diretamente para as veias colaterais o Encefalopatia – a amônia produzida no intestino precisa ser metabolizada em ureia pelo fígado, se não ocorrer esse processo devido ao desvio do fluxo sanguíneo, há o acúmulo de amônia causando a encefalopatia o Ascite – o sangue do espaço porta precisa ser levado para a veia centro lobular, mas no meio do caminho é ideal que o sangue entre em contato com os hepatócitos para que seja metabolizado a amônia, por exemplo, através de capilares fenestrados, chamados sinusóides; se obstruir a veia centro lobular, aumenta a pressão nos sinusóides que acabam por extravasar líquido para fora do sistema porta, na tentativa de diminuir a pressão dentro do sistema porta – assim, se tem muita ascite, não tem formação de muitas varizes ● Diagnóstico: CLÍNICO, mas pode ser feito por exames de imagem 1. USG com Doppler: calibre da veia porta elevado (> 12mm), calibre da veia esplênica elevado (> 9mm), fluxo hepatofugal 2. Elastografia: > 21,1 Kpa 3. Gradiente pressórico entre Porta e VCI: > 5 = hipertensão porta / > 10 = varizes / > 12 = ↑risco de ascite e de ruptura de varizes CLASSIFICAÇÃO DA HIPERTENSÃO PORTAL Pré-hepática Intra-hepática Pré / Sinusoidal / pós Pós-hepática Pré hepática e intra-hepática pré sinusoidal → muitas varizes e pouca ascite Intra hepática pós sinusoidal ou pós hepática → poucas varizes e muita ascite Intra hepática sinusoidal → ascite e varizes Pré-Hepática Função hepática boa. Ascite não é esperada, mas pode ocorrer por outras causas associadas. Causas de Hipertensão Portal Pré hepática Trombose da Veia Porta (+ comum da pré) Crianças, paciente em estado de hipercoagulabilidade (como SAF) Trombose de Veia Esplênica (Hipertensão porta segmentar) Pode ocorrer de VMI mas é raro Pancreatite crônica → Varizes isoladas de fundo gástrico* (as veias gástricas curtas drenam para a veia esplênica) *Principal causa de trombose de veia esplênica = pancreatite crônica Intra-Hepática 1) Pré-sinusoidal ● Causas: o Esquistossomose: parasita fica no espaço porta; uma infestação importante pode fazer uma reação granulomatosa que invade os sinusóides e provoca hipertensão sinusoidal, causando ascite também devido a desnutrição. Porém inicialmente a esquistossomose causa insuficiência hepática intra hepática pré sinusoidal, somente com a evolução da doença se torna intra hepática sinusoidal 2) Sinusoidal ● Causas: o Cirrose → mais comum de todas! 3) Pós-sinusoidal: por oclusão da veia centrolobular (doença veno-oclusiva) ● Causas: o Doença Enxerto-Hospedeiro oclusão granulomatosa, mais comum no Brasil é o transplante o Doença do Chá da Jamaica (Bush Tea Disease) → Chá de maria mole Pós-Hepática ● Causas: o Síndrome de Budd-Chiari o Trombose da veia hepática + ascite o Causas: policitemia vera + hipercoagulabilidade, ACO, neoplasia hepática o Obstrução de Veia cava Inferior ▪ Trombose de VCI + ascite + hepatomegalia + edema de membros inferiores (as veias de mmii também drenam para VCI) ▪ Causas: Trombose, neoplasia o Doenças cardíacas (+ comum da pós) ▪ Congestão de VCI e VCS → edema de mmii + hepatomegalia + e turgência jugular ▪ Causas: ICC, pericardite constritiva VARIZES ESOFAGOGÁSTRICAS ● Gradiente de pressão S. porta - VCI ○ Hipertensão porta→ gradiente > 5 mmHg ○ Formação das varizes → gradiente de pressão > 10mmHg (porta - cava inf) ○ Grande risco de ruptura → gradiente > 12 mmHg Cenário 1 → nunca sangrou ● Profilaxia primária: rastrear varizes com EDA em paciente com clínica de hipertensão porta ou risco de HP ● Indicar profilaxia se: o Calibre médio > 5mm OU Calibre grosso > 20mm o Cherry-red spots (manchas vermelho-cereja) o Child B e C ● Profilaxia primária: o Primeira escolha: β-bloqueador não-seletivo (propranolol, nadolol, carvedilol). O β-bloqueador deve ser feito com a maior dose tolerada pelo paciente. Este diminui o fluxo esplênico diminuindo a pressão do sistema porta. o Se NÃO tolerado: ligadura elástica por EDA (alternativa) → sempre preferível do que a escleroterapia Cenário 2 → está sangrando 1) Estabilizar a hemodinâmica ● Estabilização hemodinâmica: o Cristalóides o + Hemácias (SE Hb < 7) + Plaquetas (SE < 50 mil) o + Reposição de fator de coagulação/plasma: Complexo protrombínico ou plasma (SE INR >1,7) ● Suspender beta bloqueador: risco de choque (Obs: depois da estabilização hemodinâmica vou iniciar beta bloqueador como profilaxia) 2) Descobrir fonte e tratar ● EDA em até 12-24h – confirma e trata o Padrão outro: Ligadura elástica o Escleroterapia (depende de fatores de coagulação que está deficiente no cirrótico) o Se varizes gástricas: cianoacrilato ● Drogas o Vasoconstrição do leito esplâncnico: somatostatina / Octreotide / Terlipressina (a opção) o Bloqueador de bomba de prótons (até confirmar que não é sangramento de úlcera péptica) ● Balão (se sangramento incontrolável por EDA + drogas) o Material: Sengstaken-Blakemore – balão de 3 vias o Sangramento incontrolável por EDA (muitas vezes não se infla balão esofágico, apenas o gástrico) → mantém 24-48h e desinsuflando a cada 12h para ver se parou de sangrar. Tem que entubar esse paciente ▪ Complicação: risco de isquemia da parede esofágica● TIPS (Shunt Portossistêmico Intra-Hepático Transjugular) o Indicação: hemorragia refratária OU no lugar da cirurgia → controla sangramento e ascite e permite o transplante posterior o Realizada pela hemodinâmica, contrasta a veia porta e mede sua pressão o Vantagem: “ponte” para transplante pois controla sangramento e ascite o Desvantagem: encefalopatia (± 30% dos casos, pois toxina não é depurada → (sangue chega com mais escórias começa a chegar no cérebro com velocidade muito maior)), estenose no trajeto e disponibilidade (não tendo TIPS, faz balão) o Contraindicação: IC direita / doença cística ● Cirurgias de urgência o É feito shunts não seletivos → faz anastomose da veia porta com a VCI ▪ Pouco utilizado hoje por conta do TIPS o Desvantagens: causam encefalopatia / insuficiência hepática 3) Prevenir complicações ● Profilaxia primária de peritonite bacteriana espontânea (PBE) – paciente faz hiperperfusão intestinal fazendo translocação bacteriana (sobrevida cai para 9 meses) o Ceftriaxona 1g EV → após melhora passar para Norfloxacino 400mg 12/12h VO até completar 7 dias total de tratamento ● Profilaxia secundária de sangramento: após a urgência → ligadura elástica E beta bloqueador Cenário 3: já sangrou (70% de ressangramento em 1 ano) ● PROFILAXIA SECUNDÁRIA de sangramento: evitar que ressangre (secundária → usa os 2) → beta bloqueador + ligadura elástica o Β-bloqueador (reduz a FC, diminuindo a chance de sangramento) + Ligadura elástica o Refratária: ▪ TIPS ▪ Transplante: ideal, pois controla a causa da hipertensão porta ▪ Cirurgia eletiva (é seletiva - ligadura da veia esplênica com a VCI): menos usada ASCITE Exame físico ● Piparote: ver se a onda de líquido se propaga pelo abdome com anteparo na linha média → manobra menos sensível (tem que ter uns 5L) ● Macicez móvel – percussão em diferentes decúbitos ● Semicírculo de Skoda – percussão do centro para a periferia ● Toque retal – percebe líquido ascítico → manobra semiológica mais sensível para diagnóstico de ascite ● Sinal de possa: percussão da região periumbilical de paciente em 4 apoios Diagnóstico ● Exames complementares: o USG Exame de escolha – sensível a partir de 100ml o Paracentese diagnóstica ● Liquido ascíticos: o Outros: ▪ Aspecto macroscópico: ● Seroso → cirrose ● Hemorrágico → neoplásico ou acidente de punção ● Turvo → infecção ou ascite quilosa (linfoma, BK, pancreatite, trauma, neoplasias, triglicerídeo elevado) ▪ Citometria/ citologia: ● PMN > 250 → peritonite bacteriana (PBE ou PBSecundária) ▪ Bioquímica: ● PTN total, glicose e LDH: diferenciar PBE de PBS ● Triglicerídeos > 1000 → ascite quilosa ▪ Gram e cultura ▪ ADA ● >40 TUBERCULOSE Todo paciente com ascite deve ser submetido à paracentese diagnóstica. A paracentese deve ser feita do lado esquerdo, entre o terço distal e médio da linha entre a espinha ilíaca anterossuperior e o umbigo, devido ao sigmóide ser mais flexível e com reflexão posterior no peritônio. Gradiente Albumina Soro – Albumina Ascite (GASA) GASA ≥ 1,1 → Hipertensão Portal (Transudato) PTN < 2,5g/dl: cirrose PTN > 2,5g/dl> ICC, Budd-Chiari GASA < 1,1 → Neoplasia, TB, pâncreas, síndrome nefrótica (Exsudato) PTN < 2,5g/dl: Síndrome nefrótica PTN > 2,5g/dl: Neoplasia, BK, pâncreas Tratamento ● Restrição de sódio: máx 2g Na ● NÃO deve ser feito realizado restrição proteica ● Restrição hídrica: só é feita se Na < 125, sugerindo hiponatremia dilucional - 1 a 1,5 L/dia o Já que o paciente geralmente tem pouco líquido intravascular o Paciente com ascite pode ter hiponatremia dilucional, isso pois ao perder líquido para o terceiro espaço, o SRAA é ativado como mecanismo compensatório. Por isso, grande quantidade de água vai ser reabsorvida ● Diuréticos VO: espironolactona e furosemida → E:F 100:40 o Espironolactona: iniciar com 100, máximo 400 mg/dia o Furosemida: iniciar com 40, máx 160 mg/dia (furosemida evita distúrbio hidroeletrolítico) ▪ Quando inicia-se a furosemida, muito líquido é eliminado, e o organismo começa a ativar o SRAA como medida compensatória, porém não queremos que seja reabsorvido mais água e sódio. Por isso adicionamos a espironolactona, que um antagonista da aldosterona, o que inibe a medida compensatória do organismo o Aumentar doses a cada 3-5 dias. A dose deve ser feita com uma relação de espironolactona com furosemida. A cada 100mg de espironolactona, usamos 40 mg de furosemida o Objetivo: ↓ 0,5 kg/dia ou ↓ 1kg/dia com edema → não passar disso, pois pode levar à disfunção renal ● Paracentese de alívio/terapêutica: indicado na ascite sintomática (tensa / dificuldade respiratória) Tratamento da Ascite Refratária – falência, recorrência precoce ou azotemia, Na < 120, K > 6 ● + 10% dos casos. Em muitos casos ela não é refratária, na maioria das vezes o paciente está burlando a restrição de sódio. Para saber isso, podemos dosar o sódio na urina de 24 horas ● Conceito de ascite refratária: falência, recorrência precoce ou azotemia, Na < 120, K > 6 o Indicações: ▪ Falência: não responde à restrição de sódio e aos diuréticos ▪ Recorrência precoce: por exemplo, foi feita uma paracentese de alívio e a ascite voltou rapidamente ▪ Situações em que não pode usar diurético: azotemia, Na < 120, K>6 1. Tratamento inicial: ● Suspender B-bloqueador → pode atrapalha a ação do diurético ● Midodrina VO 2. Em caso de falha: ● Paracenteses terapêuticas seriadas o Se paracentese de grande volume (> 5-6L) → repor 6-10g de albumina por litro retirado (para evitar síndrome hepatorrenal) ● TIPS ● Transplante hepático PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA ● Translocação monobacteriana (E. coli, Klebsiella → gram negativo) ● Clínica: assintomática OU febre (70%), dor abdominal (60%), encefalopatia hepática ● Diagnóstico: ascite com PMN ≥ 250/mm³ + cultura positiva monobacteriana ● Tratamento: o Excluir PBS o Retirar β-bloqueador o Antibioticoterapia: Cefotaxima 2g 8/8h por 5 dias (cefalosporina de 3a geração) → não é usado a ceftriaxona pois ela induz mais resistência o Profilaxia de síndrome hepatorrenal: ▪ Albumina 1,5g/kg no 1º dia e 1g/kg no 3º dia ● PBE é fator de risco para síndrome hepatorrenal, pois a PBE aumentar a produção de óxido nítrico, que faz dilatação dos vasos do TGI. Dessa forma, o fluxo sanguíneo é roubado para o TGI, podendo reduzir o fluxo hepatorrenal. ● Para fechar o diagnóstico de PBE é necessário a contagem de neutrófilos e o resultado positivo da cultura, porém, caso a contagem de neutrófilos venha elevada, já estou autorizada a iniciar o tratamento com antibiótico antes do resultado da cultura Diagnósticos diferenciais ● Ascite neutrofílica: PMN > 250 mm³ / cultura negativa o Tratamento = PBE → ▪ Cefotaxima 2g 8/8h por 5 dias ▪ Albumina 1,5g/kg no 1º dia e 1g/kg no 3º dia ● Bacterascite: PMN < 250 mm³ / cultura positiva o Sintomático: fazer ATB o Assintomático: nova paracentese, pode não ter dado tempo de resposta bacteriana na primeira Profilaxia da PBE 1) Primária ● Sangramento varicoso → hipovolemia → translocação bacteriana ○ Ceftriaxona 1g EV → após melhora passar para Norfloxacino 400mg 12/12h VO até completar 7 dias total de tratamento ● Ascite → ○ Se PTN < 1,5 + 1 dos seguintes critérios: ■ Creat > 1,2 ou Na ≤ 130 ou BT ≥ 3 ou CHILD ≥ 9 ○ Norfloxacino 400mg/dia 2) Secundária: após PBE para todos ● Norfloxacino 400mg/dia até resolução da ascite ou até realizar transplante hepático PERITONITE BACTERIANA SECUNDÁRIA ● Etiologia polibacteriana! É abdome cirúrgico! Ocorre por patologia intestinal! ● Diagnóstico: ascite com PMN ≥ 250/mm³ + 2 ou mais dos seguintes: o Proteínas > 1g/dL (↑celularidade: imunidade) o Glicose < 50 mg/dL (↑consumo de energia) o LDH elevado (lise celular) ● Tratamento: o Exame de imagem para investigação da causa e tratamento cirúrgico, se necessário o Antibioticoterapia: Cefa de 3ª (cefatoxima) + Metronidazol o Profilaxia de Síndrome hepatorrenal: Albumina 1,5g/kg no 1º dia e 1g/kg no 3º dia o Suspender beta-bloqueador ENCEFALOPATIA HEPÁTICA ● Fisiopatologia: aumento da amônia (NH3)e outras toxinas pela não metabolização em ureia e consequente acúmulo com extravasamento pela barreira hemato-encefálica ● Causas: o Insuficiência hepatocelular (sangue que passa no fígado não consegue ser metabolizado pelos hepatócitos lesados) o Hipertensão porta (passa menos sangue no fígado) o Precipitada por hemorragia digestiva o Infecções (PBE) o Constipação o Hipocalemia e alcalose o Diurético o Benzodiazepínicos ● Diagnóstico: clínico ● Clínica: sonolência, flapping, desorientação, inversão do ciclo sono-vigília (manifestação + precoce). ● Tratamento: o Evitar fatores precipitantes o Evitar restrição proteica – tem alto risco de desnutrição, deve-se manter o suporte nutricional, tentar priorizar proteínas de origem vegetal o Suspender diurético, que pode piorar o quadro o Lactulose: laxativo, pH fica mais ácido (NH3 → NH4 = transformação de amônia → amônio, que têm dificuldade de absorção no TGI)4 o ATB: neomicina ou metronidazol ou rifaximina (escolha) – diminui bactérias do cólon o Transplante: tratamento definitivo o Agitação: Haloperidol (Haldol) ▪ Não usar BDZ pois pode precipitar a encefalopatia! ▪ Lorazepam pode ser usados se não responder ao haldol, já que é o único benzo que tem eliminação renal SÍNDROME HEPATORRENAL O paciente com falência hepática tem tendência à vasodilatação, pelo aumento de óxido nítrico circulante. Ocorre naquele hepatopata quando o “rim se suicida”. A vasodilatação esplâncnica diminui a perfusão renal, e os rins fazem vasoconstrição intensa para compensar, sofrendo com isto. Em resumo, é uma vasodilatação periférica + vasoconstrição renal. Obs: é uma IRA pré renal que nÃO melhora com reposição volêmica É um diagnóstico de exclusão! ● Hepatopatia grave + Hipertensão porta + IRA pré renal ou Creatinina > 1,5 que não melhora com volume ● Urina concentrada e diminuição de sódio ● Sem choque, sem droga nefrotóxica e; ● USG e EAS normais Tipo 1 Rápida progressão da IRA Creatinina duplica e fica > 2,5 em < 2 semanas Tipo 2 Insidiosa, melhor prognóstico, espontânea Creatinina 1,5-2mg/dl Tratamento ● Evitar descompensação ● Albumina + Terlipressina ● ± Hemodiálise ● Transplante hepático! SÍNDROME DE INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA ● Classificação quanto ao tempo: ○ Aguda ( “fulminante”): icterícia, encefalopatia, hemorragia ○ Crônica: “estigmas hepáticos” Cirrose ● Manifestações: ○ Icterícia as custas de BD ○ Encefalopatia hepática (aumento da retenção de amônia) ○ Redução de albumina ○ Alteração de coagulograma ○ Alteração de transaminases → na insuficiência hepática crônica pode ter um aumento pouco expressivo, já que são enzimas intracelulares e há poucos hepatócitos viáveis → transaminases não define prognóstico ○ Alteração do metabolismo de hormônios sexuais: hiperestrogenismo ■ Ginecomastia, telangiectasias, eritema palmar, rarefação de pelos, atrofia testicular, queda de libido → fenótipo mais feminino ○ Contratura de Dupuytren – flexão 4o/5o dedo (álcool) ○ Tumefação de parótidas (álcool) ○ Baqueteamento digital Entre o hepatócito e o sinusóide existe um espaço virtual chamado de espaço de Disse, que é onde inicia-se o processo de cirrose. No espaço de Disse encontram-se as células estreladas quiescentes, que se ativam em qualquer agressão crônica do fígado, causando fibrose hepática pela deposição de colágeno, fechando as fenestras dos sinusóides; desta forma, o hepatócito não consegue mais realizar sua função e perde suas microvilosidades. A fibrose “aperta” de fora para dentro o sinusóide hepático, aumentando sua pressão, que é transmitida retrogradamente, atingindo a veia porta. A fibrose forma “ilhas” de hepatócitos, que se tornam insuficientes. Como os hepatócitos têm grande capacidade de regeneração, a biópsia demonstra através de fibrose com nódulos de regeneração hepática; apesar disso, estes nódulos não têm capacidade plena, pois continuam isolados pela fibrose. Cirrose = fibrose + nódulos de regeneração O desarranjo estrutural é mais importante do que a perda de células parenquimatosas. O processo de lesão-regeneração pode fazer com que ocorra um erro na divisão celular, levando à metaplasia. Logo, a cirrose hepática é um fator de risco para CHC (Carcinoma Hepatocelular). O fígado ativa testosterona e depura precursor de estrogênio, então, na doença hepática, sobram precursores de estrogênio, gerando hiperestrogenismo + hipoandrogrenismo (fenótipo feminino) Estadiamento ● Classificação de Child-Pugh: (“BEATA”) → Saber calcular! 1 2 3 Bilirrubina (mg//dL) <2 2-3 >3 Encefalopatia - Grau I e II Grau III e IV Albumina (mg/dL) >3,5 2,8 - 3,5 <2,8 TAP (INR) <1,7 1,7 – 2,3 >2,3 Ascite - Leve (não idtf pelo exame físico) Moderada o Grau A: 5-6 pontos o Grau B: 6-9 pontos o Grau C: > 10 pontos ● Escore MELD: variáveis → “BIC” – Bilirrubina, INR e Creatinina o “A BIC é uma caneta de meld...” o Usado para avaliar prioridade na fila de transplante ▪ Quanto maior o meld, maior a prioridade o Bom preditor de mortalidade ● Causas de cirrose: “VIDA” o V – vírus B e C o I – Infiltração gordurosa: álcool ou não-alcoólica o D – Depósito: cobre (Wilson) e ferro (hemocromatose) o A – Autoimune: colangite biliar primária, hepatite autoimune Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica ● Tem prevalência de 20% no mundo. Fisiopatologia: Síndrome metabólica → aumento da resistência insulínica → organismo busca outra fonte de energia pela deficiência de insulina → lipólise periférica → triglicerídeos no fígado → acúmulo de gordura no fígado Manifestações ● Assintomático ● Dor; aumento de transaminases (TGP > TGO) Evolução Clínica: ● Esteatose (25%) ● Esteato-hepatite não alcoólica (3-5%) ● Cirrose (1-3%) → 10 a 50% dos pacientes tem > 45 anos, DM, obesidade Diagnóstico ● Imagem (em geral, USG): detectar esteatose ● Biópsia: se indício de cirrose ● Excluir álcool e outras causas de Esteatose/hepatopatia (HCV, Wilson...) Tratamento: ● Dieta + exercício ● Glitazona → reduzem a resistência insulínica; maior beneficio que a metformina ● Vitamina E: reduz o estresse oxidativo, diminuindo a possibilidade de progressão da doença Doença Hepática Gordurosa Alcoólica Os limites seguros de ingestão de álcool é de 21U e 14U para homens e mulheres, respectivamente (1 lata = 1,7U). Acima destes limites o indivíduo está exposto à doença hepática. Alguns questionários detectam abusadores de álcool, como o CAGE e o AUDIT. ● CAGE: Cut-Down, Annoyed, Guilty, Eye-Opener ● Alguns exames laboratoriais podem detectar abusadores, como o aumento de GGT e de VCM, elevação TGO>TGP ● Curso da doença: ○ ESTEATOSE ALCOÓLICA: libação alcoólica mesmo em indivíduo não alcoólatra ○ HEPATITE ALCOÓLICA: libação no bebedor crônico ■ Culpado = acetaldeído → o álcool é metabolizado em acetaldeído, e os bebedores crônicos têm enzimas hiperfuncionantes tem a capacidade de fazer o metabolismo de grande quantidade de álcool. Pessoas que não bebem cronicamente não tem enzimas hiperfuncionantes, então não há tanta produção de acetaldeído): ■ Achados: ● Febre, icterícia, dor, TGO>TGP (AST>ALT) ● Leucocitose intensa: reação leucemóide ● Biópsia: corpúsculos de Mallory ■ Tratamento: ● Se caso leve: abstinência alcoólica ● Se caso grave (índice de Maddrey > 32): ○ Corticóide por 4 semanas (prednisolona) + abstinência alcoólica. Não se usa prednisona pois ela deve ser convertida à prednisolona no fígado, que encontra-se insuficiente. ○ Alternativa: Pentoxifilina ○ CIRROSE ALCOÓLICA: etilista crônico Hepatite B Crônica ● Caracteriza-se por HBsAg (+) > 6 meses ● Cronificação: adultos 1-5%/ crianças 20-30% / RN 90% ● Dos que cronificam, 20-50% tem cirrose, 10% câncer; os demais tornam-se portadores inativos QUANDO TRATAR? Replicação Viral + Lesão hepática HbeAg + ou ↑HBV-DNA > 2000 → mutante pré core ↑ ALT > 2x Fibrose comprovada por Biópsia (METAVIR ≥ A2F2) ou Elastografia (> 7 KPa) Cirrose Manifestações Extra-hepáticas PAN, GN membranosa... Fatores de risco: Imunossupressão Coinfecção com HCV, HIV História familiar de CHC ● Obs: ○ A2: atividade Inflamatória moderada○ F2: fibrose portal + septos Tratamento Objetivo: negativar HBeAg, ou, pelo menos, anti-HBeAg + HbeAg (+) ALPHA PEGINTERFERON Via SC 48 sem Contraindicação: disfunção hepática ou cardíaca, gestante, citopenias, câncer, doença autoimune HbeAg (-) TENOFOVIR Via oral, tempo indefinido Contraindicação: doença renal Indicação: HBeAg - (mutante pré core); coinfecção com HIV, sem resposta ao interferon CIRROSE DOENÇA RENAL IMUNOSSUP / QT ENTECAVIR Via oral, tempo indefinido Indicação: paciente nefropata ou hepatopatia grave, imunossuprimido, quimioterapia Hepatite C Crônica ● Caracteriza-se por HCV-RNA por mais de 6 meses ● Cronificação 80-90% Cirrose 20-30% / Câncer 5-10% ● Demais tem curso variável, diferente da hepatite B, por isso, hoje, todos que tem hepatite C irão tratar (AGUDO E CRÔNICO) o Indicação: TODOS (agudo e crônico) o O tratamento depende do genótipo (1a, 1b, 2, 3, 4, 5, 6) e há diversos antivirais disponíveis → fazer genotipagem o Objetivo: HCV-RNA negativo – resposta virológica sustentada → vírus indetectável - HCV RNA negativo por 12-24 semanas TRATAMENTO HEPATITE C CRÔNICA REGRA 1 Todos os genótipos - esquema Pan Genótipo SOFOSBUVIR + (LEDIPASVIR ou VELPATASVIR) → para gravar: SOLE ou SOVE REGRA 2 Tratamento = 12 semanas, exceto... HIV / CIRROSE Child B e C = 24 sem REGRA 3 Opcional para melhorar resposta RIBAVIRINA (cuidado com hemólise - acompanhar) o Esquemas (antiviral guiado por genótipo por 12-24 semanas, porém, no SUS muitas vezes falta o genótipo): “Antivirais de ação direta” + Ribavirina se cirrose o Obs: geralmente NÃO tratamos hepatite viral aguda, somente casos graves de hepatite B e TODOS os casos de hepatite C, independente de ser aguda ou crônica Doença de Wilson → acúmulo de cobre O cobre é necessário na fabricação de proteínas e enzimas. O excesso é excretado através do fígado pela bile. O indivíduo nasce com uma mutação na ATP7B (adenosina trifosfatase) que impede a adequada produção de ceruloplasmina (redução dessa proteína) e consequentemente reduz a excreção hepática de cobre na bile. O acúmulo inicia-se no fígado e posteriormente no organismo. Redução de ceruloplasmina e aumento do cobre sérico ● Jovem (5 – 30 anos) ● Rara (1:30.000) ● Anéis de Kayser-Fleisher (99% com lesão SNC e 50% com hepatopatia) → lâmpada de fenda Manifestações HEPÁTICA Aguda/fulminante/crônica/cirrose SNC Alteração do movimento (distonia, tremores) e personalidade, prejuízo do rendimento escolar em crianças Anéis de Kayser-Fleisher (associação de 98% com sintomas de SNC) → (exame de lâmpada de fenda → anel marrom ao redor da íris) OUTROS Hemólise / Doença Tubular Renal Diagnóstico: ● Triagem: ↓ ceruloplasmina ● Confirmação: anéis KF, ↑ cobre urinário ou hepático - biópsia, genética Tratamento: ● Quelantes de cobre: Trientina (preferível) / D-penicilamina (cuidado que pode causar glomerulonefrite membranosa) ● Transplante (cura): casos graves ou refratários Hemocromatose hereditária → acúmulo de ferro Apesar de afetar geneticamente homens e mulheres, os homens apresentam a doença mais frequentemente, uma vez que as mulheres menstruam e eliminam ferro mensalmente. É uma doença genética causada pela mutação do gene HFE, levando ao aumento da absorção intestinal de ferro pelos enterócitos e seu consequente acúmulo. DIABÉTICO BRONZEADO ● Doença comum (1:250), caucasiano, 40-50 anos Manifestações: ● 6H: ↑saturação de transferrina (“diabetes bronzeado”)/ ↑ferritina/ 6H’s: o Hepatopatia o Hiperglicemia (depósito no pâncreas) o Hiperpigmentação (pele) o “Heart” → ICC o Hipogonadismo o “Hartrite” Diagnóstico ● Triagem: ↑ saturação de transferrina (>45) e ferritina (>200) ● Confirmação: Teste genético → mutação C282Y e H63D; Biópsia Tratamento: ● Flebotomia seriadas ○ Sangria → joga sangue fora) ○ Ferritina-alvo = 50ng/mL ● Transplante hepático (não cura → o defeito está na absorção intestinal, já que o enterócito absorve em excesso) Doença autoimune da via biliar ● Clínica: icterícia colestática + prurido/Cirrose ● Colangite Biliar Primária (CBP): Cirrose biliar primária o Local de acometimento: Ductos do espaço porta o Mulher 40-60 anos o Fisiopatologia: Imunoglobulina IgM – lesão imune em ducto biliar (espaço porta - via biliar microscópica) → ↑sal biliar (tóxico para o hepatócito) → desfecho é cirrose o Manifestações: 1. Assintomático 2. Prurido (sal biliar), xantelasma (colesterol), icterícia (fígado) 3. Associação com Síndrome de Sjogren, Tireoidite de Hashimoto e AR o Diagnóstico: 1. ↑Fosfatase alcalina 2. Anticorpo anti mitocôndria (AMA) o Tratamento: ácido ursodesoxicólico (sal biliar não-tóxico, sintético → ai é produzido menos sal biliar tóxico endógeno) / trasplante ● Colangite Esclerosante Primária (CEP): o Local de acometimento: Grandes vias biliares o Homem o Relação com: Retocolite ulcerativa o Marcador: p- ANCA o Tratamento: 1. Retardo da evolução: Ácido ursodesoxicólico (comprovação na CBP, não tem na CEP) 2. Caso avançado: transplante hepático Hepatite auto-imune ● Mulher jovem ● Fisiopatologia: Imunoglobulina IgG – agressão auto-imune contra fígado: o TIPO 1: FAN, anticorpo antimúsculo liso o TIPO 2: anti-LKM1 ● Manifestações: o Assintomática o Doença hepática (aguda/crônica/cirrose) ● Tratamento: Prednisona + Azatioprina (pode usar prednisona pois a disfunção hepática não é tão grave) TRANSPLANTE HEPÁTICO ● Indicações: ○ Cirrose não colestática (65%) ■ Hepatite B, Hepatite C, Alcoólicas, gordurosa, S. hepatopulmonar e Dist. metabólicos ○ Cirrose colestática: cirrose biliar, colangite esclerosante, atresia biliar e Doença de Caroli ○ Autoimune: hepatite autoimune ○ Neoplasia: metástase e CHC ○ Miscelânea: amiloidose, trauma, hepatite fulminante ● Epidemiologia ○ Principal indicação de transplante hepático no Brasil: hepatite C ● Contraindicações: ○ Absolutas: ■ Doença cardiopulmonar avançada ■ Metástase extra-hepática ■ Sepse não controlada ■ Uso ativo de drogas lícitas e ilícitas ■ Incompatibilidade ABO ○ Relativa: ■ Instabilidade hemodinâmica → após estabilização pode fazer ■ Hipóxia grave ■ HIV → carga viral baixa pode fazer ■ Suporte social inadequado ■ Doença psiquiátrica refratária ● Complicações: ○ Vasculares: ■ Trombose de artéria hepática: assintomática ou falência hepática fulminante ■ Investigação: Elevação de BB e transaminases → USG com doppler → Arteriografia / Angio - TC / Cirurgia ■ Conduta: Reconstrução → se não der certo trombólise → se não der certo re-transplante ○ BIliares: ■ Fístula: ● Diagnóstico: suspeita através da presença de bile no dreno → Colangiografia ou CPRE ● Conduta: drenagem + ATB + stent endoscópico ○ Infecções: ■ Profilaxia: ● Bactéria: antibioticoprofilaxia cirúrgica ● Fúngica: fluconazol 14 dias + SMT-TMP por 1 ano→ candida, aspergilus, pneumocystis ● Vírus (citomegalovírus): Ganciclovir 6-12 meses ○ Rejeição celular aguda (45%): ■ Febre + dor abdominal + mal estar + anorexia ■ Investigação: dosar BB (muito elevadas) + transaminases (tocadas) → biópsia fecha o diagnóstico ■ Tratamento: corticoide altas doses + anticorpo monoclonal ○ Rejeição celular crônica: ■ Tratamento: re-transplante