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Metodologias da Educação Surda UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ- UEPA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE- CCBS GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS DOCENTE: MONIQUE ARAÚJO Denis de Pinho Jeanne Martins Márcio Baena Ruy Sizo Estatísticas Mais de 9 milhões de brasileiros declararam ter deficiência auditiva ao IBGE no Censo Demográfico realizado em 2010. Destes, 2,1 milhões (21%) afirmaram ter deficiência auditiva severa, sendo 344,2 mil surdos e 1,7 milhão com grande dificuldade em ouvir. É comum usarem os dados do Censo do IBGE de 2010 para afirmar que o Brasil tem 10 milhões de falantes de Libras. Porém, até 2019, o IBGE não tinha nenhum dado referente à forma de comunicação das pessoas com deficiência auditiva. Pesquisa Nacional de Saúde, IBGE 2019: Levantou dados sobre o uso de tecnologias auditivas e o conhecimento em Libras. Uso da Libras (Língua Brasileira de Sinais) Histórico de exclusão Em 2002, a Lei 10.436 oficializou a Língua Brasileira de Sinais e instituiu a presença de um tradutor ou intérprete de línguas em diversos espaços. 20 anos depois, ainda existem vários déficits no cumprimento da lei. As pessoas surdas foram recorrentemente excluídas do convívio social durante séculos. A atitude partia da ideia de que sem a linguagem oral não era desenvolvido o pensamento, ou seja, quem não escuta não fala e quem não fala não pensa. Sendo assim, eram privados da educação básica. Só no século XVII que as primeiras escolas de surdos surgiram na Europa, mudando parcialmente o contexto. No Brasil, ainda demorou mais um tempo. O Imperial Instituto de Surdos Mudos, hoje, Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), foi fundado em 1857 no Rio de Janeiro. Ao longo da jornada educacional de surdos, três correntes metodológicas ou filosóficas se destacam, são elas: o oralismo, a comunicação total e o bilinguismo. ORALISMO O oralismo é um modelo clínico que parte do pressuposto que a surdez é uma deficiência que deve ser minimizada pelo estímulo auditivo, o equivalente a reabilitar para a “normalidade”. Defendido no Congresso Internacional de Educação de Surdos em Milão, Itália, em 1880, o método propunha desenvolver a fala em pessoas surdas. O congresso contou com a presença de muitos ouvintes (não-surdos). A partir desse evento foi adotado o oralismo como forma de ensino para surdos. Contudo, a linguagem de sinais, que já estava em desenvolvimento antes disso, foi proibida em escolas de alguns países. Uma das primeiras medidas implementadas foi obrigar que os alunos sentassem sobre as próprias mãos durante a aula. O método oralista foi aplicado por mais de cem anos e resultou em vários surdos analfabetos marcados pela violência simbólica e institucional. Comunicação Total Nos anos Setenta e Oitenta, a Comunicação Total foi usads por muitos países utilizando de vários artifícios, essa Filosofia Educacional, tem como principal objetivo integrar o surdo na sociedade ouvinte, acreditando que ele terá uma boa comunicação seja através da fala, sinais ou escrita. A Comunicação Total tem aspectos positivos e negativos. Ela ampliou a visão do surdo e da surdez, deslocando a necessidade do surdo ser oralizado e ajudou o processo da utilização dos sinais, mas não a viabilizou suficientemente. Essa Filosofia considerou o surdo uma pessoa capaz e a surdez repercutiu nas relações sociais e no desenvolvimento afetivo e cognitivo do surdo. Bilinguismo O Bilinguismo percebe o surdo de forma diferente do Oralismo e da Comunicação Total, nessa filosofia o surdo não necessita desejar uma vida igual à do ouvinte, podendo assim, assumir sua surdez formando uma comunidade, com cultura e língua; A proposta de ensino bilíngue traz como benefício a integridade da manifestação visual e gestual expondo a criança surda desde cedo a língua de sinais, aprendendo a sinalizar tão cedo quanto uma criança ouvinte aprende a falar.