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Unidade 3 Livro Didático Digital Daniel Campelo Controladoria Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfico MANUELA CÉSAR ARRUDA Autor DANIEL CAMPELO Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS O AUTOR Daniel Campelo Olá. Meu nome é Daniel Campelo. Sou economista, mestre em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável e especialista em Metodologia do Ensino a Distância. Possuo experiência técnico-profissional na área de economia, gestão e mercado de mais de 15 anos. Há 10 anos atuo na docência do ensino superior nos cursos de graduação e pós-graduação, sendo os últimos 5 anos dedicados ao ensino a distância. Por acreditar que a educação é transformadora e um excelente caminho para uma sociedade mais justa passei a me dedicar transmitindo minha experiência profissional e de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: ICONOGRÁFICOS INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova com- petência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Compreendendo a História e Importância da Gestão Estratégica......................................................................................................11 A história da Gestão Estratégica..........................................................................................11 Entendendo os Principais Conceitos de Gestão e Gestão Estratégica......................................................................................................17 O que é Gestão?.........................................................................................................................17 A gestão estratégica nas organizações..........................................................................19 Aprendendo Sobre a Gestão Financeira e Orçamentária nas Empresas.........................................................................................................25 O que é Gestão Financeira?..............................................................................................25 As Funções do Departamento Financeiro...............................................................27 Ciclos de vida de uma empresa.................................................................30 Gerenciamento financeiro em operações normais............................30 Relatórios sobre operações comerciais.....................................................31 Arquivamento e pagamento de impostos......................................31 A Gestão Orçamentária............................................................................................................32 O Planejamento Orçamentário.............................................................................................36 Compreendendo como Funciona a Gestão de Recursos Humanos nas Organizações...................................................................38 Recursos Humanos......................................................................................................................38 O Treinamento de Pessoas nas Organizações...................................................43 Controladoria8 03 LIVRO DIDÁTICO DIGITAL UNIDADE Controladoria 9 INTRODUÇÃO Quando estudamos controladoria somos capazes de perceber que o controlador é um ator importante em uma empresa. É apoiado em seu trabalho que importantes elementos da gestão são possíveis. Diante disto, é a É o que abordaremos a partir de agora. Após todo esse conhecimento acredito que você terá amadurecido seu conhecimento sobre as empresas e estará cada vez mais qualificado para atuar profissionalmente. Vamos lá? Controladoria10 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos:: 1. Compreender a história e importância da gestão estratégica 2. Entender os principais conceitos de gestão e gestão estratégica. 3. Aprender sobre a gestão financeira e orçamentária nas empresas. 4. Compreender como funciona a gestão de recursos humanos nas organizações. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! [[Aquele que não luta pelo futuro que quer deve aceitar o futuro que vier.]] OBJETIVOS Controladoria 11 Compreendendo a História e Importância da Gestão Estratégica OBJETIVO Ao término deste capítulo você compreenderá a importância sobre a história da gestão estratégica, desde os primeiros conceitos até a gestão estratégica nas empresas modernas. Você irá entender como a gestão estratégica começou a permear as organizações, tomando como base a gestão científica através dos ensinamentos de Taylor e Ford. Você sabia que as franquias são ótimos exemplos de gestão estratégica? Iremos estudar sobre este assunto, inclusive com exemplos práticos para um melhor atendimento. Por fim, estudaremos sobre importância de Michael Porter e seus ensinamentos sobre a gestão estratégica. É o que estudaremos neste capítulo a partir de agora. Vamos em frente! Avante! A história da Gestão Estratégica A gestão estratégica não é uma temática recente que permeia as organizações. Bem antes disto a temática esteve em evidência e mostrou sua importância. Um controlador que possui o entendimento sobre gestão estratégica realizará seu trabalho com muito mais excelência. Então vamos entender como surge esta temática nas organizações! VOCÊ SABIA? Você sabia que os principais conflitos e eventos militares moldaram o entendimento do gerenciamento estratégico? De fato, a palavra estratégia tem suas raízes na guerra. O verbo grego estrategos significa “líder do exército” e a ideia de estratego refere-se a derrotar um inimigo usando efetivamente os recursos disponíveis. Aproximadamente 3.500 anos atrás, Moisés enfrentou um grande desafio depois de expulsar seus companheiros hebreus da escravidão no Egito. Com base nos conselhos de seu sogro, Moisés começou a delegar autoridade a outros líderes, cada um dos quais supervisionava um grupo de pessoas. Controladoria12 Essa delegação hierárquica de autoridade criou uma estrutura de comando que libertou Moisés para se concentrar nas maiores decisões e o ajudou a implementar suas estratégias. Da mesma forma, as demandas da gerência estratégica hoje são simplesmente demais para um diretor executivo (o principal líder de uma empresa) lidar sozinho. Muitas tarefas importantes são confiadas a vice- presidentes e outros executivos. Hoje, as instituições de ensino possuem muitos campos diferentes de estudo, incluindo física, literatura, química, ciênciada computação e engenharia. Alguns destes campos de estudo datam de muitos séculos (por exemplo, literatura), enquanto outros (como a ciência da computação) surgiram apenas nos últimos anos. A gestão estratégica tem sido importante ao longo da história, mas a evolução dela em um campo de estudo ocorreu principalmente no último século. Alguns dos principais eventos acadêmicos e de negócios que ajudaram o campo a se desenvolver veremos de agora em diante. Vamos lá! O antigo estrategista chinês Sun Tzu deixou claro que o gerenciamento estratégico é parte da arte. Mas também faz parte da ciência. Os principais passos para o desenvolvimento do aspecto científico da gestão estratégica foram dados no início do século XX por Frederick W. Taylor. Em 1911, Taylor publicou um livro que foi baseado em suas observações, e nelas afirmava que a maioria das tarefas dentro das organizações era organizada aleatoriamente. Taylor acreditava que as empresas seriam muito mais eficientes se os princípios de gerenciamento fossem derivados por meio de investigação científica. EXPLICANDO MELHOR Neste livro, Taylor enfatizou como as organizações podem se tornar mais eficientes identificando a “melhor maneira” de executar tarefas importantes. Hoje, acredita-se que a implementação dos princípios de Taylor salvou as empresas ferroviárias americanas de centenas de milhões de dólares. Controladoria 13 Embora muitos trabalhos posteriores tenham contestado o mérito de tentar encontrar o “melhor caminho”, a ênfase de Taylor na maximização do desempenho organizacional tornou-se a principal preocupação da gestão estratégica à medida que as instituições se desenvolviam. Também no início do século XX, o fabricante de automóveis Henry Ford emergiu como um dos pioneiros da gestão estratégica entre os líderes industriais. Na época, os carros pareciam ser um item de luxo para pessoas ricas. Ford adotou uma perspectiva estratégica única e ousadamente ofereceu a visão de que ele faria carros que a família média poderia pagar. NOTA Com base em ideias sobre eficiência de Taylor e outros, Ford organizou linhas de montagem para a criação de automóveis que reduziram drasticamente os custos. Apesar de sua sabedoria, Ford também cometeu erros. Em relação ao principal produto de sua empresa, o Modelo T, Ford declarou: “Qualquer cliente pode pintar um carro da cor que quiser, desde que seja preto.” Quando as montadoras rivais forneceram aos clientes uma variedade de opções de cores, a Ford não tinha escolha, mas fazer o mesmo. Em 1912, a Universidade de Harvard se tornou a primeira instituição de ensino superior a oferecer um curso focado em como os executivos de negócios poderiam levar suas organizações a um maior sucesso. A abordagem para maximizar o desempenho neste curso de “política de negócios” era consistente com as ideias de Taylor. Especificamente, o objetivo do curso de política de negócios era identificar a melhor resposta para qualquer problema que uma organização enfrentasse e, ao encontrar e buscar essa solução ideal, a organização teria as melhores chances de obter sucesso. Exemplo: Na década de 1920, a A&W Root Beer se tornou a primeira rede de restaurantes franqueados. Uma franquia envolve uma organização (denominada franqueador) que concede o direito de usar seu nome de marca, produtos e processos a outras organizações (conhecidas como franqueados) em troca de um pagamento adiantado (taxa de franquia) e uma porcentagem da receita dos franqueados (uma taxa de royalties). Controladoria14 Figura 2: As franquias surgiram a partir de gestões estratégicas de negócios. Fonte: Freepik EXPLICANDO MELHOR Esse modelo de negócios simples e poderoso, baseado na proposta de gestão estratégica de um negócio, permite que os franqueadores aumentem suas marcas rapidamente e fornece aos franqueados a segurança de um formato comercial comprovado. Dentro de algumas décadas, o modelo de negócios de franquia proporcionaria sucessos incríveis para muitos franqueadores e franqueados em uma variedade de setores. A aceitação da gestão estratégica como um elemento necessário dos programas das escolas de administração deu um grande passo adiante em 1959. Um relatório amplamente divulgado, criado pela Fundação Ford, recomendava que todas as escolas de administração oferecessem um curso “básico”. O objetivo deste curso seria integrar o conhecimento em diferentes áreas de negócios, como marketing, finanças e contabilidade, para ajudar os alunos a criar melhores ideias para lidar com problemas complexos de negócios. Controladoria 15 Em vez de buscar uma solução da “melhor maneira”, como preconizado pelo curso de política de negócios de Taylor e Harvard, este curso fundamental enfatizaria as habilidades de pensamento crítico dos alunos em geral e a noção de que várias maneiras de abordar um problema poderiam ser igualmente bem-sucedidas em particular. IMPORTANTE Observe que conhecimento na área de finanças e contabilidade estão na base fundamental das ideias para entender e resolver problemas complexos. Então, dar para perceber como um controlador pode ser um ator importante para a gestão estratégica de uma organização. Em 1962, ocorreram eventos acadêmicos e de negócios que pareciam menores na época, mas que mais tarde dariam origem a grandes mudanças. Com base no conhecimento de negócios que ganhou como franqueado, Sam Walton abriu o primeiro Walmart em Rogers, Arkansas. Exemplo: Baseando-se em uma estratégia que enfatizava preços baixos e altos níveis de serviço ao cliente, o Walmart cresceu para 882 lojas, com US $ 8,4 bilhões em vendas anuais combinadas em 1985. Uma década depois, as vendas atingiram US $ 93,6 bilhões em quase 3.000 lojas. Em 2010, o Walmart foi a maior empresa do mundo. Nos últimos anos, o Walmart subestimou o atendimento ao cliente em favor da redução de custos. O tempo dirá se o desvio do posicionamento estratégico original de Sam Walton prejudicará a empresa. Também em 1962, o professor de Harvard Alfred Chandler publicou Estratégia e Estrutura: Capítulos na História da Empresa Industrial. Este livro descreve como a estratégia e a estrutura organizacional precisam ser consistentes entre si para garantir um grande desempenho firme, uma lição que Moisés parece ter dominado durante o êxodo dos hebreus do Egito (que estudamos no início deste capítulo). NOTA Muitas pessoas que trabalham no campo da gestão estratégica consideram o livro de Chandler o primeiro trabalho de pesquisa em gestão estratégica. Controladoria16 Em 1980, dois eventos cruciais que estabeleceram firmemente a gestão estratégica como campo de estudo. Um foi a criação do Strategic Management Journal. A introdução da revista ofereceu um fórum para pesquisadores interessados em construir conhecimento sobre gestão estratégica. Assim como novas descobertas médicas importantes aparecem no Journal of American Medical Association e no New England Journal of Medicine, o Strategic Management Journal publica ideias inovadoras sobre gerenciamento estratégico. O segundo evento crucial em 1980 foi a publicação de “Estratégia competitiva: técnicas para analisar indústrias e concorrentes”, pelo professor de Harvard, Michael Porter. Este livro oferece conceitos como análise de cinco forças e estratégias genéricas que continuam a influenciar fortemente como os executivos escolhem estratégias mais de trinta anos após a publicação do livro. ACESSE Sobre as cinco forças de Porter de forma prática nas empresas, recomendo a leitura deste artigo de Novo e Padilha, publicado em 2017 nos anais do 2º seminário de gestão e tecnologia: competências para inovar: https://bit. ly/32EF3me O final do século XX, nos reservou uma luta entre teóricos e formas habitualmente utilizadas, a análise de ambientes internos e externos que seguiam padrões lógicos num posicionamento estratégico básico, dá lugar a“criação futura” uma nova arquitetura de negócios e mobilização de energia rumo a esse novo espaço, onde os principais conceitos seriam, por exemplo: arquitetura, intenção e inovação tecnológica, principalmente baseados nos estudos dos especialistas Gary Hamel e C. K. Prahalad. Agora que já sabemos como foi a evolução e a importância história da gestão estratégica nas organizações, vamos avançar nosso estudo e entender agora os principais conceitos de gestão e gestão estratégica. Isto irá nos ajudar a aprofundarmos ainda mais nessa temática. Vamos lá! Controladoria 17 Entendendo os Principais Conceitos de Gestão e Gestão Estratégica OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz entender sobre a gestão organizacional e a gestão estratégica. Iremos dar continuidade a história da gestão estratégica no capítulo anterior e avançar com as especificidades do tema. Abordaremos como o conceito de gestão alinhado com as estratégicas permearam as organizações e como cada empresa deve ter sua estratégia e, por fim, veremos sobre as “estratégias genéricas”. E é para isso que estamos aqui! Iremos te dar todos estes elementos para que você continue avançando em seu conhecimento. Vamos em frente! O que é Gestão? É muito natural no mercado profissional ouvirmos falar de gestão: gestão estratégica, gestão corporativa, gestão de RH, gestão patrimonial, gestão de suprimentos, etc. Mas afinal, o que é gestão? Nas empresas, buscar resultados, conquistar objetivos e atingir metas são expressões e pensamentos que estão sempre presentes em todos os momentos nas organizações modernas. Quem consegue chegar ao destino tão desejado se diferencia dos concorrentes e gera benefícios a instituição para qual trabalha. Mas quais os passos que devem ser dados para isso? Afinal, qual é melhor caminho para se chegar a um destino desejado? A resposta, ou melhor, as respostas, vem sendo escritas ao longo dos anos, de diversas maneiras, através dos vários conceitos sobre esse caminho complexo chamado gestão. Os detalhes desse percurso tão importante são percebidos de uma melhor maneira quando entendemos que gestão é: Controladoria18 DEFINIÇÃO O conjunto de ações, métodos e processos de direção, organização, assimilação de recursos, controle, planejamento, ativação e animação de uma empresa ou unidade de trabalho (HERMEL,1990). RESUMINDO Podemos até encontrar conceitos mais resumidos sobre esse caminho. Para Lima (2007) a gestão é a capacidade de fazer o que precisa ser feito. Gestão é a solução para resolução dos diversos tipos de problemas. Os problemas não faltam, se somam, e sua solução torna-se uma das peças chaves para uma gestão positiva. Assim, os gestores são cada vez mais exigidos em busca das soluções. Figura 3: A gestão de uma organização é uma combinação de muitos componentes de liderança dentro de uma empresa. Fonte: Freepik A estrutura real da empresa é utilizada para coletar informações para analisá-las. Essa análise é então usada para desenvolver estratégias que são implementadas e executadas por meio de reuniões, treinamento e promoção. Toda empresa utiliza a gestão organizacional de uma maneira diferente, dependendo das necessidades exclusivas da empresa. Controladoria 19 EXPLICANDO MELHOR Depois que um planejamento é implementado, a gestão organizacional deve monitorar e ajustar as atividades, dependendo dos resultados. Se uma empresa não é ágil para mudar com base no feedback, sua gestão organizacional não está completa. Deve haver um ciclo completo de feedback que defina as estratégias fluidas definidas do topo e delegadas as estruturas mais operacionais da empresa, onde os resultados de desempenho devem informar à liderança se as estratégias estão tendo sucesso. Observe que os termos gestão e estratégia são utilizados quase sempre de forma associada. A gestão é mais oura, simplista, a gestão estratégica é mais densa e complexa. Vamos então estudar efetivamente o que é gestão estratégica a partir de agora. Preparados? Vamos em frente! A Gestão Estratégica nas Organizações O planejamento estratégico (já estudado na unidade 2) foi uma invenção plausível e recebeu uma recepção entusiasmada da comunidade empresarial. Porém, a experiência subsequente com o planejamento estratégico levou a resultados contraditórios. Em uma minoria de empresas, o planejamento estratégico restaurou sua lucratividade e se tornou uma parte estabelecida do processo de gerenciamento. No entanto, uma maioria substancial encontrou um fenômeno, chamado “paralisia pela análise”: planos estratégicos foram feitos, mas não foram implementados, e os lucros/crescimento continuaram estagnados. Cada vez mais, os profissionais e alguns acadêmicos afirmam que o planejamento estratégico não contribuiu para a lucratividade das empresas. Diante dessas alegações, Ansoff e vários de seus colegas da Universidade Vanderbilt realizaram uma pesquisa de quatro anos para determinar quando a paralisia pela análise era superada. Controladoria20 EXPLICANDO MELHOR O que Ansoff fez? Ele olhou novamente para toda a sua teoria. Sua lógica era impressionantemente simples: ou o planejamento estratégico era uma má ideia ou fazia parte de um conceito mais amplo que não estava totalmente desenvolvido e precisava ser aprimorado para tornar o planejamento estratégico eficaz. Uma resposta fundamental inicial percebida por Ansoff foi que o planejamento estratégico é um instrumento incompleto para gerenciar mudanças, não muito diferente de um automóvel com um motor, mas sem um volante para converter a energia do motor em movimento. RESUMINDO De forma geral, ele examinou as aquisições de empresas americanas entre 1948 e 1968 e concluiu que as aquisições baseadas em uma estratégia articulada tiveram um desempenho consideravelmente melhor do que aquelas que eram decisões oportunistas. Em 1972, Ansoff publicou o conceito sob o nome de Gestão Estratégica através de um artigo pioneiro intitulado “O conceito de gerenciamento estratégico”, que acabou por lhe render o título de pai do gerenciamento estratégico. IMPORTANTE O documento afirmou a importância do planejamento estratégico como um dos principais pilares da gestão estratégica, mas acrescentou um segundo pilar - a capacidade de uma empresa de converter planos escritos em realidade de mercado. O terceiro pilar - a habilidade em gerenciar a resistência à mudança - seria acrescentado na década de 1980. O conceito completo de gerenciamento estratégico abrange uma combinação de planejamento estratégico, planejamento da capacidade organizacional e gerenciamento eficaz da resistência à mudança, geralmente causada pelo planejamento estratégico. Ansoff diz que: Controladoria 21 DEFINIÇÃO O gerenciamento estratégico é um procedimento abrangente que começa com o diagnóstico estratégico e guia uma empresa por uma série de etapas adicionais que culminam em novos produtos, mercados e tecnologias, além de novos recursos. Figura 4: A gestão estratégica visa fornecer às pessoas de todos os níveis as ferramentas e o suporte necessários para gerenciar mudanças estratégicas Fonte: Freepik Seu foco não é mais principalmente externo, mas igualmente interno: Como a organização pode aproveitar e manter vantagem estratégica usando os esforços combinados das pessoas que nela trabalham? Na década de 1980, havia um interesse renovado em descobrir maneiras de lidar com um ambiente cada vez mais complexo e em mudança. Foi durante esse período que a prática da estratégia começou a se mover em direção a uma aplicação metafórica de uma ideia antiga. Por muitos anos, os teóricos da administração tomaram emprestado as ideias de uma teoria econômica comumente referida como “teoria Controladoria22 do equilíbrio” ou “teoria dos sistemas de equilíbrio”, como base para o desenvolvimento da teoria da administração. Basicamente, o conceito foi desenvolvidoem torno da ideia de linearidade (e, em certa medida, simplicidade). As teorias de estratégia que se auto confirmam exigem que o estrategista possa assumir que o que a empresa fez no passado será feito no futuro. De fato, os executivos “confirmam” que a estratégia passada foi apropriada, adotando-a repetidamente ao longo do tempo. NOTA Estas teorias que se auto confirmam podem ser reconhecidas por seu quadro histórico-simples e modelos mentais. Tais teorias usam termos como “missão”, “competências essenciais”, “vantagem competitiva” e “vantagem competitiva sustentável”. Exemplo: Estas teorias são fundamentadas, por exemplo, na teoria da vantagem comparativa desenvolvida pelos economistas David Ricardo e Adam Smith. A teoria da vantagem comparativa, que sugere que alguns países têm ativos únicos, tornou-se a base da estratégia contemporânea. Os estrategistas modificaram a ideia e a chamaram de “vantagem competitiva”. Se optar por usar essa abordagem, uma empresa precisa identificar suas principais competências, vantagem competitiva e depois converter essa identificação em uma missão. Em princípio, o objetivo da declaração de missão é manter a empresa focada em sua área exclusiva de vantagem competitiva. Mais distante, a missão deve estabelecer limites e “mantê-la na caixa”. Geralmente, as teorias que se confirmam forçam a suposição de um modelo mental linear, uma vez que é histórico (incluindo o presente) competências ou recursos que fornecem as construções para a estratégia futura. Milhares de artigos e livros foram escritos sobre o desenvolvimento da estratégia baseada no equilíbrio. O modelo estratégico baseado no equilíbrio envolve uma sucessão de etapas projetadas para manter a empresa focada em suas competências históricas. Controladoria 23 Fora desse conceito, foram desenvolvidas ideias como a análise SWOT (que estudamos na unidade 2) e a análise das “cinco forças” (que estudamos no tópico anterior). Este último é tratado no livro de Michael Porter, 1985, Competitive Strategy. Na maioria dos casos, a diferença entre um dos principais pensadores e outro é menor, na melhor das hipóteses, mas Porter é talvez o mais conhecido de todos os teóricos da estratégia. Ele geralmente tem sido mais abrangente que o resto. Porter foi responsável pela redação de vários livros e artigos que foram amplamente aceitos no campo da gestão estratégica. Porter buscou um meio termo entre as duas abordagens polarizadas então aceitas: por um lado, que a vantagem competitiva era alcançada pelas organizações que se adaptavam às suas circunstâncias particulares; e, por outro lado, que a vantagem competitiva se baseava no simples princípio de que quanto mais sintonizada e consciente de um mercado uma empresa é, mais competitiva ela pode ser (por meio de preços mais baixos e maior participação de mercado). A partir da análise de várias empresas, ele desenvolveu “estratégias genéricas”, e afirmou que existem três maneiras pelas quais as empresas podem obter vantagem competitiva: • Tornando-se o produtor de menor custo em um determi- nado mercado; • Por ser um produtor diferenciado (oferecendo algo extra ou especial para cobrar um preço premium); • Ou por ser um produtor focado (alcançar o domínio em um nicho de mercado). Porter insistiu que, embora as “estratégias genéricas” existissem, cabia a cada organização selecionar cuidadosamente quais eram as mais apropriadas para eles e em que momento específico. As “estratégias genéricas” são apoiadas por cinco forças competitivas que são aplicadas a “cinco tipos diferentes de indústrias” (fragmentadas, emergentes, maduras, em declínio e globais). Controladoria24 Talvez agora já tenha ficado mais claro a importância destes conceitos para um controlador. Como vimos, o papel do controlado hoje dentro da organização é cada vez mais abrangente. O controlador pode ter um papel relevante na gestão estratégica de uma organização. Agora que estudamos estes temas, vamos avançar na nossa unidade. Agora vamos estudar sobre a gestão financeira e orçamentária nas empresas. Vamos em frente! Controladoria 25 Aprendendo Sobre a Gestão Financeira e Orçamentária nas Empresas OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de entender sobre a gestão financeira, os objetivos que envolvem a gestão financeira e as principais funções de um gerente financeiro. Após aprender estes conceitos, estudaremos sobre a gestão orçamentária (que difere de gestão financeira) e o planejamento orçamentário, inclusive elaborando passo a passo como realizar um planejamento orçamentário organizacional simplificado. Após aprender todos estes conceitos você irá perceber a importância do apoio do controlador nas gestões financeira e orçamentária, tanto o controller contábil, quanto o controller administrativo financeiro. Então, vamos caminhar neste novo caminho. Vamos em frente! O que é Gestão Financeira? DEFINIÇÃO Gestão financeira é uma atividade vital em qualquer organização. É o processo de planejamento, organização, controle e monitoramento de recursos financeiros, com o objetivo de atingir metas e objetivos organizacionais. A gestão financeira é uma prática ideal para controlar as atividades financeiras de uma organização, como aquisição de fundos, utilização de fundos, contabilidade, pagamentos, avaliação de riscos e tudo mais relacionado ao dinheiro. EXPLICANDO MELHOR Em outras palavras, gestão financeira é a aplicação de princípios gerais de gerenciamento às posses financeiras de uma empresa. O gerenciamento adequado das finanças de uma organização fornece recursos de qualidade e serviço regular para garantir o funcionamento eficiente. Se as finanças não forem adequadamente tratadas, uma organização enfrentará barreiras que podem ter graves repercussões em seu crescimento e desenvolvimento Controladoria26 A gestão financeira possui os seguintes objetivos envolvidos: • Manter suprimento suficiente de fundos para a organização; • Garantir que os acionistas da organização obtenham bons retornos sobre seus investimentos; • Utilização ótima e eficiente de fundos; • Criar oportunidades de investimento reais e seguras para investir. Existem vários caminhos que você pode usar para gerenciar as finanças de uma organização, como: gerenciar por conta própria, contratar um funcionário em período integral, contratar um contador em tempo parcial ou um terceiro que gerencia todas as atividades relacionadas a finanças para você, por exemplo, um revisor oficial de contas (que inclui o trabalho do controlador). Figura 5: Na maioria das vezes, as organizações têm um departamento dedicado que cuida dos assuntos financeiros da empresa. Fonte: Freepik Um gerente financeiro é designado para lidar com finanças e gerenciar seus recursos dentro de uma empresa. Todas as decisões relacionadas a finanças são tomadas nesta posição. Dependendo do perfil da empresa, o departamento financeiro pode ter várias designações para atender às diversas necessidades da empresa. Controladoria 27 Vamos estudar agora as principais funções do departamento de gestão financeira de uma empresa. As Funções do Departamento Financeiro O departamento de gestão financeira de qualquer empresa é tratado por um gerente financeiro. Este departamento possui inúmeras funções, como: a) Estimar a quantidade de capital necessária: Essa é a principal função do gerente financeiro. As empresas co- merciais exigem capital para: • Compra de ativos fixos, • Atender aos requisitos de capital de giro, e • Modernização e expansão dos negócios. NOTA O gerente financeiro faz estimativas dos fundos necessários para o curto e o longo prazo. b) Determinação da estrutura de capital: Uma vez determi- nado o requisito dos fundos de capital, é necessário tomar uma decisão sobre o tipo e a proporção de várias fontes de fundos. Para isso, o gerentefinanceiro precisa deter- minar a combinação adequada de patrimônio e dívida e o índice de dívida de curto e longo prazo. Isso é feito para alcançar o custo mínimo de capital e maximizar a riqueza dos acionistas. c) Escolha das fontes de fundos: Antes da aquisição real dos fundos, o gerente financeiro precisa decidir as fon- tes de onde os fundos serão levantados. A administração pode obter financiamento de várias fontes, como acionis- tas, acionistas preferenciais, debenturistas, bancos e ou- Controladoria28 tras instituições financeiras, depósitos públicos, etc. d) Aquisição de fundos: O gerente financeiro toma medidas para obter os fundos necessários para o negócio. Pode exigir negociação com credores e instituições financeiras, emissão de prospecto, etc. A aquisição de fundos depen- de não apenas do custo de captação de recursos (juros), mas também de outros fatores como condições gerais de mercado, escolha de investidores, política do governo etc. e) Utilização de fundos: Os fundos adquiridos pelo gerente financeiro devem ser prudentemente investidos em vários ativos, a fim de maximizar o retorno do investimento. NOTA Ao tomar decisões de investimento, a administração deve ser guiada por três princípios importantes, a saber: segurança, lucratividade e liquidez f) Alienação de lucros ou excedentes: O gerente financeiro tem que decidir quanto reter para arar e quanto distribuir como dividendo aos acionistas dos lucros da empresa. Os fatores que influenciam essas decisões incluem a ten- dência de ganhos da empresa, a tendência do preço de mercado de suas ações, os requisitos de fundos para au- tofinanciamento dos programas futuros e assim por diante. g) Gerenciamento de caixa: A gestão de caixa e outros ativos circulantes é uma tarefa importante do gerente fi- nanceiro. Envolve prever as entradas e saídas de dinheiro para garantir que não haja escassez nem excesso com a empresa. Fundos suficientes devem estar disponíveis para compra de materiais, pagamento de salários e cumpri- mento das despesas do dia-a-dia. h) Controle Financeiro: A avaliação do desempenho finan- ceiro também é uma função importante do gerente finan- Controladoria 29 ceiro. A medida geral da avaliação é o retorno do inves- timento (ROI). As outras técnicas de controle e avaliação financeira incluem controle orçamentário, controle de custos, auditoria interna, análise de equilíbrio e análise de índices. Nesta função o papel do controlador é muito importante. O gerente financeiro também deve enfatizar o planejamento financeiro. IMPORTANTE A gestão financeira é uma das responsabilidades mais importantes dos proprietários e gerentes de negócios. Eles devem considerar as possíveis consequências de suas decisões de gestão sobre lucros, fluxo de caixa e sobre a condição financeira da empresa. Figura 6: O departamento possui inúmeras funções para a organização. Fonte: Freepik Controladoria30 As atividades de todos os aspectos de uma empresa têm impacto no desempenho financeiro da empresa e devem ser avaliadas e controladas pelo proprietário da empresa. Ciclos de vida de uma empresa A maioria das empresas sofre perdas e fluxos de caixa negativos durante o período inicial. A gestão financeira é extremamente importante durante esse período. Os gerentes devem assegurar-se de que dispõem de dinheiro suficiente para pagar funcionários e fornecedores, mesmo tendo mais dinheiro do que entrando nos primeiros meses do negócio. EXPLICANDO MELHOR Isso significa que o proprietário deve fazer projeções financeiras desses fluxos de caixa negativos, para ter uma ideia de quanto capital será necessário para financiar o negócio até que ele se torne lucrativo. À medida que uma empresa cresce e amadurece, precisará de mais dinheiro para financiar seu crescimento. O planejamento e o orçamento para essas necessidades financeiras são cruciais. A decisão de financiar a expansão internamente ou tomar emprestado de credores externos é uma decisão tomada pelos gerentes financeiros. A administração financeira está encontrando a fonte adequada de recursos pelo menor custo, controlando o custo de capital da empresa e não deixando o balanço patrimonial altamente alavancado com dívidas, com um efeito adverso de sua classificação de crédito. Gerenciamento financeiro em operações normais Em suas operações normais, uma empresa fornece um produto ou serviço, faz uma venda ao seu cliente, coleta o dinheiro e inicia o processo novamente. A gestão financeira está movimentando dinheiro com eficiência nesse ciclo. Controladoria 31 Isso significa que gerenciar as taxas de rotatividade de matérias- primas e estoques de produtos acabados, vender aos clientes e coletar os recebíveis em tempo hábil e começar novamente comprando mais matérias-primas. Enquanto isso, a empresa deve pagar suas contas, fornecedores e funcionários. Tudo isso deve ser feito com dinheiro e é preciso uma gestão financeira astuta para garantir que esses fundos fluam com eficiência. Embora as economias tenham um histórico de longo prazo de alta, ocasionalmente também sofrerão quedas acentuadas. As empresas devem planejar ter liquidez suficiente para enfrentar essas crises econômicas; caso contrário, talvez precisem fechar as portas por falta de dinheiro. Relatórios sobre operações comerciais Toda empresa é responsável por fornecer relatórios de suas operações. Os acionistas desejam informações regulares sobre o retorno e a segurança de seus investimentos. Exemplo: Os governos estaduais e municipais, por exemplo, precisam de relatórios para poder cobrar imposto sobre vendas. Os gerentes de negócios precisam de outros tipos de relatórios, com indicadores-chave de desempenho, que medem as atividades de diferentes partes de seus negócios. Além disso, um sistema abrangente de gerenciamento financeiro é capaz de produzir os vários tipos de relatórios necessários para todas essas entidades diferentes. Arquivamento e pagamento de impostos O governo está sempre por perto para cobrar impostos. A administração financeira deve planejar pagar seus impostos em tempo hábil. O controlador vai apoiar os departamentos financeiro e contábil para que tudo esteja sendo realizado conforme as exigências. Controladoria32 O gerenciamento financeiro é uma habilidade importante de todo empresário ou gerente de empresas. Toda decisão tomada por um proprietário tem um impacto financeiro na empresa e ele deve tomar essas decisões no contexto total das operações da empresa. Assim, entendemos o que é a importância da gestão financeira nas organizações. Mas o que é então orçamento e gestão orçamentária? É o que vamos estudar agora! A Gestão Orçamentária Um orçamento detalhado e realista é uma das ferramentas mais importantes para orientar seus negócios e fornecer as informações necessárias para operar de acordo com seus meios, lidar com os desafios futuros e, finalmente, gerar lucro. Sem um orçamento, pode ser como andar no escuro. Um orçamento sólido identifica o capital atualmente disponível, estima as despesas e antecipa as receitas. Você deve consultar continuamente o orçamento da sua empresa como uma forma de medir o desempenho em relação às expectativas. Um orçamento é uma ferramenta de planejamento necessária para criar uma estrutura para o seu negócio e suas finanças. Combinando tendências passadas com previsões realistas para o ano fiscal, um orçamento fornece uma visão detalhada dos ativos, expectativas realistas de receita e como esses se equilibram com as despesas antecipadas. Os orçamentos também ajudam a definir metas e estabelecer prioridades. Ele deve detalhar de onde virá o financiamento para executar novas estratégias e quanta receita pode ser gerada com a execução bem- sucedida das estratégias. Controladoria 33 Figura 7: Os orçamentos também ajudam a definir metas e estabelecerprioridades. Fonte: Freepik IMPORTANTE Através de um orçamento é possível identificar quais itens exigem mais financiamento ou geram mais receita geralmente, pois eles são itens de alta prioridade e podem servir como um bom lembrete de sua estratégia geral ao tomar decisões. Um orçamento eficaz deve dividir a receita e as despesas previstas por mês ou por trimestre e, dependendo do tamanho da sua empresa, deve incluir orçamentos separados para cada departamento. Esses orçamentos departamentais também devem ser detalhados por mês ou por trimestre e, coletivamente, se reunirão para formar seu orçamento principal. Exemplo: As empresas que dependem muito da receita de vendas sazonais servem como um bom exemplo do porquê de um orçamento ser tão importante. Se os meses de junho, julho, agosto e dezembro normalmente geram 75% da receita da sua empresa, seu orçamento permite que você planeje com antecedência, para que você tenha a Controladoria34 melhor estratégia para distribuir essa receita com mais eficiência ao longo de um período completo. ano fiscal. O planejamento também deve atender às necessidades de longo prazo. Por exemplo, se você antecipar uma grande despesa em um ou dois anos para atualizações de computadores, é uma boa ideia começar o orçamento dessa despesa com antecedência. Além de ser uma parte importante do processo de planejamento, uma boa gestão orçamentária serve para avaliar o desempenho da empresa ao longo do ano fiscal. Os gestores orçamentários são responsáveis por acompanhar as receitas e despesas reais e compará-las com o que foi orçado. Isso ajuda a garantir que sua empresa cumpra seus planos, mas o orçamento também oferece um meio importante de identificar problemas e oportunidades. Exemplo:: Por exemplo, se as vendas no primeiro trimestre forem inferiores às que você planejou, você saberá que provavelmente precisará encontrar despesas para cortar no final do ano fiscal, a fim de permanecer lucrativo. Exemplo: Outro exemplo mais positivo pode ser a venda de um novo produto que exceda as expectativas. Ao acompanhar essa tendência e compará-la com o orçamento, você saberá que possui receita adicional para talvez revisar o orçamento com planos de aumentar a produção ou contratar pessoal adicional para lidar com os negócios extras. Um registro histórico de orçamentos detalhados pode ajudar a mostrar aos credores ou potenciais investidores que você sabe como desenvolver um plano de negócios e fazê-lo funcionar. Credores e investidores certamente vão querer aprofundar mais nas finanças da empresa e seu histórico, mas se eles não virem evidências de práticas orçamentárias fortes, isso pode ser uma bandeira vermelha suficiente para afastá-los. Exemplo: Se você está abrindo um novo negócio e tem pouco ou nenhum histórico, precisa compensar a falta de um histórico com suporte Controladoria 35 detalhado ao seu orçamento. Isso significa pesquisar no mercado e mostrar como as tendências passadas expliquem os números que você está apresentando. Esse tipo de atenção aos detalhes pode ajudá-lo a obter uma consideração séria de credores ou investidores. REFLITA Mesmo pequenas empresas com apenas alguns funcionários precisam ter uma equipe adequada para registrar e gerir um orçamento. Se, por exemplo, você possui e administra um café pequeno, pode ter um cardápio exclusivo e uma boa reputação de atendimento, mas isso não significa que você é um bom gestor financeiro. Se a contratação de uma pessoa em período integral para lidar com seus registros orçamentários não for realistar, considere ajudá-las em meio período ou contratar uma empresa de consultoria externa, especialmente no início, e ainda, anualmente quando chegar a hora de escrever um novo orçamento para o próximo ano fiscal. VOCÊ SABIA? Você sabia que não precisa de um diploma em finanças para aprender como usar os programas para o seu processo orçamentário? Porém, pode valer a pena estudar um pouco para ajudar a dominar todos os recursos relevantes que determinados programas oferecem. Você pode utilizar ferramentas mais simples para fazer a gestão do orçamento, como o Microsoft Excel, ou utilizar programas mais completos. Estes programas mais completos são software acessíveis para orçamento e acompanhamento de receitas e despesas. Entendido sobre a gestão orçamentária, precisamos entender que ela não anda só. O planejamento orçamentário em uma organização vai dar o caminho para o gestor orçamentário. Vamos estudar sobre esta temática agora. Controladoria36 O Planejamento Orçamentário Seguindo boas estratégias orçamentárias, pode-se garantir o gerenciamento bem-sucedido dos gastos de sua empresa e suas economias, para que sejam feitos investimentos para garantir o futuro. O aumento da expectativa de vida das organizações aumentou a quantidade de dinheiro necessária. Isso significa que é preciso aumentar a poupança para o futuro, enquanto a maioria das empresas vivem apenas com o dinheiro do caixa e, quase sempre, recorrem a empréstimo e financiamento. Passo-a-passo: Assim, há uma necessidade crescente de um planejamento orçamentário eficaz. Segue abaixo o passo a passo para elaboração de um planejamento orçamentário organizacional simplificado: • Passo 1: Calcule os ganhos: isso deve incluir os ganhos de todas as fontes, incluindo lucros e juros de qualquer investimento. • Passo 2: Determine uma conta para itens essenciais: liste as despesas essenciais, que podem incluir aluguel, maté- ria-prima, insumos, etc. Calcule o valor gasto em cada um. • Passo 3: Determinar a eliminação da dívida: Anote o total de dívidas (se houver), incluindo pagamentos de juros so- bre o mesmo. Não há planejamento organizacional para quem está endividado. • Passo 4: determine sua fatura para itens não essenciais: sua lista de itens não essenciais pode incluir investimen- tos, promoções, bônus, etc. Calcule o valor gasto em cada um. • Passo 5: Calcule as economias: Isso é feito subtraindo os totais obtidos nos passos 2, 3 e 4 do total obtido no passo 1. Controladoria 37 Figura 8: O planejamento orçamentário na organização é fundamental. Fonte: Freepik Como dito, o planejamento orçamentário é essencial e vai nortear o gestor orçamentário a manter a empresa no caminho daquilo que foi planejado, evitando surpresas negativas no futuro. Algumas das principais vantagens do planejamento orçamentário são: • Evita gastos excessivos em vários níveis; • Leva em consideração a necessidade inesperada de re- cursos; e • Ajuda a manter o padrão da empresa ao longo do tempo. Bem, entendido a importância da gestão, gestão estratégica e financeira, do planejamento e gestão orçamentária, vamos para nosso último tópico. Afinal de contas, de que adianta saber de gestão, finanças e orçamento e não entender de recursos humanos? Estamos tratando das pessoas que compõem a organização. Este é o nosso próximo assunto. Vamos lá! Controladoria38 Compreendendo como Funciona a Gestão de Recursos Humanos nas Organizações OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de entender que os recursos organizacionais representam todos os recursos disponíveis para a organização, necessários para o desempenho de suas atividades. Neste recurso estão incluídos; recursos humanos, financeiros, materiais, entre outros. Iremos focar nos recursos humanos. Os gestores que atuam na área de gestão e controladoria sabem da importância de conhecer cada um destes recursos. Além disso, este conhecimento te dará um ganho competitivo no mercado de trabalho. Conhecer bem esta temática é elemento relevante no seu conhecimento e em sua profissão. E então? Motivado para desenvolver este novo conhecimento? Então vamos lá. Avante! Recursos Humanos Como vimos no início da disciplina, um controlador pode participar da seleção de funcionários, treinamento, etc. Então, é importanteque ele entenda sobre gestão de recursos humanos, trabalho em equipe, treinamento. É o que estudaremos agora. Vamos lá! Antes de começarmos a tratar dos diversos tipos de recursos em uma organização (começando pelos recursos humanos) vamos entender um pouco sobre “recurso”. DEFINIÇÃO Um recurso é um meio que permite obter algo que se pretende, podendo ser de todo tipo. O dinheiro é um bom exemplo, pois ele e o meio para comprar um carro. O recurso pode ser o meio para comprar algo, produzir um bem, construir alguma coisa, etc. O trabalho, realizado pelas pessoas, é um dos recursos (meio) mais precioso de uma organização: os recursos humanos. É por conta dessa Controladoria 39 importância que atualmente há tantos debates acerca das mudanças no setor de recursos humanos/gestão das pessoas dentro das empresas. E, de início, são nessas próprias nomenclaturas que podem residir significados, conceitos, entendimentos e ações não adequadas sobre o próprio tema. Ao escolher ou adotar o termo recursos humanos corre-se, na maioria das vezes, o risco de tratar as pessoas como meros recursos, como coisas, através da direção e do controle, buscando obter delas o maior rendimento possível. Ao utilizar o termo gestão de pessoas, pode se deixar subentendido um tratamento direcionado, uma certa imposição, considerando algo ou alguém que vai ser gerido, administrado, controlado, de uma maneira apenas passiva. EXPLICANDO MELHOR Um dos melhores caminhos, sem dúvidas, é não coisificar esses conceitos e as pessoas. É não as conceituar e entendê-las de uma maneira passiva, estática, absorvidas pela inércia. É importante uma diferente conceituação. Entender diferente. E o mais importante: praticar diferente. REFLITA Nas organizações modernas as vezes é preciso deixar termo “recursos humanos” um pouco de lado e pensando no colaborador, no talento, pensando numa gestão com pessoas. O “com” faz toda a diferença. Desde que saia da teoria e vá para a prática. Administrar com as pessoas significa tocar a organização juntamente aos colaboradores: os parceiros internos que mais entendem dela, das suas atividades, dos seus negócios e do seu futuro. Isso requer uma nova visão das pessoas, não mais como um mero recurso organizacional, um objeto servil ou mero sujeito passivo do processo produtivo, mas fundamentalmente como um sujeito ativo e provocador de decisões, empreendedor das ações, criador da inovação e agregador de valor dentro das organizações. Mais do que isso, um agente ativo e proativo que Controladoria40 dá vida a organização e dotado de inteligência - a maior e mais avançada e sofisticada habilidade humana (Chiavenato, 2014). Em uma organização, é muito importante não olhar os recursos humanos apenas como indivíduos. Observar as equipes de trabalho, montá-las, treiná-las e desenvolvê-las é ponto fundamental. É muito comum no nosso cotidiano escutarmos a palavra “trabalho em equipe”. Mas afinal, o que isto realmente significa “trabalho em equipe”? As empresas, que antes tinham um formato de trabalho individual, começaram a entender que era de extrema importância dividir as tarefas, passando a ter um formato de trabalho coletivo. Embora o trabalho coletivo gere conflitos, mobilize recursos, entre outros fatores, em determinados momentos ele é essencial para o sucesso de uma empresa. Nas empresas, os profissionais terão, em quase todos, os casos a experiência de trabalhar de forma coletiva. O que você precisa estar atendo é que o trabalho coletivo vai muito mais além do que se trabalhar em grupo, é preciso trabalhar em equipe. Para entender a definição de equipes vamos ver um exemplo prático. Exemplo: Você está em uma organização e seu superior diz: “Você fará parte de uma equipe!” Qual a primeira coisa que vem em sua cabeça? Normalmente as pessoas já associam a resposta àquilo que é o oposto dela: não trabalharei sozinho. De fato, esta resposta está correta, mas trabalhar em equipe é muito além do que simplesmente não executar uma atividade de forma individual. A primeira coisa é que um trabalho coletivo pode ser realizado em grupo e em equipes. Você deve estar se perguntando agora se isto não significa a mesma coisa. Embora nos dois casos o modo de trabalho é coletivo, existem diferenças. Controladoria 41 EXPLICANDO MELHOR Observe que o que difere um grupo de uma equipe são, principalmente, os objetivos em comum que os profissionais pretendem alcançar e a forma como os membros interagem coletivamente. Você deve estar atento que embora o trabalho em equipe seja muito comum nas empresas, algumas delas simplesmente desprezam essa forma de trabalho e, ainda aquelas que têm o formato de trabalho em equipe, apresentam alguma deficiência na formação de suas equipes. E, ao formar equipes deficientes, o setor de recursos humanos terá ainda mais dificuldade em treiná-los e desenvolvê-los, principalmente se todos os indivíduos desta equipe malformada tiver interesses e objetivos muito distinto. Figura 9: O critério de seleção individual é importante na composição de equipes. Fonte: Freepik Controladoria42 VOCÊ SABIA? Você sabia que nem sempre formar uma boa equipe está a cargo do RH? Porém, o profissional de RH precisa estar atendo para perceber que quando uma boa equipe não é formada, isto vai exigir uma dedicação ainda maior para treinar e desenvolver esta equipe. A formação da equipe tem uma estrutura vertical, isto mostra que de alguma forma as estruturas de formação de equipes obedecem a certa hierarquia como, por exemplo: diretores, supervisores e funcionários. Formar uma boa equipe vai além de entender sua estrutura. É preciso, além de formar uma equipe, treiná-la e desenvolvê-la. O desenvolvimento de uma equipe pode ser realizado a fim de atender dois objetivos distintos. Se a empresa que você irá trabalhar, por exemplo, está com algum problema nas relações internas entre os indivíduos de determinado setor, é provável que o gestor precise fazer com que haja um treinamento que busque um desenvolvimento intraequipes. Porém, se o problema desta empresa é entre diversos setores, o gestor precisará desenvolver os setores de forma interequipes. NOTA Os gestores de uma empresa devem saber identificar se os problemas são dentro de um determinado setor ou entre setores, ou seja, onde é necessário executar melhorias no desempenho do trabalho. Ter sensibilidade para identificar isto fará com que você desenvolva cada vez mais o trabalho de sua equipe em prol da empresa. Exemplo: Suponha que João trabalhe no departamento admi- nistrativo de uma empresa e necessite de um relatório financeiro para tomar uma decisão importante. É necessário que o departamento financeiro disponibilize este relatório. Porém, Antônio, que trabalha no departamento financeiro não quer liberar o relatório para João, pois sempre há problemas entre os dois departamentos e ele viu nesta atitude uma forma de prejudicar João e o seu departamento. Você é responsável por dois departamentos e precisar resolver imediatamente este problema. O que você faria? Controladoria 43 Naturalmente é preciso que haja um treinamento em busca de um desenvolvimento interequipes. Resolver os problemas dentro de apenas um único setor não seria a melhor alternativa, uma vez que o problema é entre os dois departamentos. Se você respondeu interequipes, você já começa a desenvolver um entendimento positivo sobre a formação de grupos, como treinar, desenvolver e trabalhar com eles. O desenvolvimento de uma equipe não acontece de forma desordenada. Ela é feita através de etapas que se inicia na definição da equipe e termina com a criação e definição de um plano de acompanhamento. O Treinamento de Pessoas nas Organizações Quando treinamos e desenvolvemos equipes estamos naturalmente lidando com pessoas. Cada pessoa vai requerer uma atenção especial. Isto mostra que treinar e desenvolveruma equipe são pontos extremamente delicados. Uma das teorias que falam sobre as personalidades humanas virou um diagrama, que ficou conhecido como “Eneagrama de Personalidade”. SAIBA MAIS A fim de enriquecer seus conhecimentos e saber identificar as nove personalidades existentes, solicito que você realize a leitura do “Eneagrama de Personalidade”, existente no link a seguir: https://bit.ly/2WC2l8E Agora que você já é capaz de entender como deve ser formada uma equipe e a importância de uma boa formação de equipes para treiná-la e desenvolvê-las, podemos prosseguir com nosso estudo. Vamos em frente? Visto a forma com que as empresas montam suas equipes e como ela as desenvolve você precisa a partir de agora entender que nem sempre estas equipes, uma vez formadas, atuam exatamente como equipes. Em alguns momentos o trabalho coletivo é desempenhado apenas como um grupo e, em outros momentos atuando como verdadeiras equipes. É Controladoria44 importante que você compreenda bem este assunto, pois ele é à base do entendimento de como uma equipe atua. Antes de tratarmos especificamente sobre os métodos de treinamento precisamos entender que existe uma diferença entre treinamento e desenvolvimento. Você sabe qual a diferença entre treinamento e desenvolvimento? O treinamento em uma organização é algo muito mais específico e significa, sinteticamente, preparar um funcionário ou um grupo de pessoas para uma determinada função. Já desenvolvimento é algo muito mais amplo, como preparar alguém para toda a vida. SAIBA MAIS Para saber mais sobre treinamento e desenvolvimento, interrompa neste momento a leitura deste eBook e leia este excelente artigo: “Avaliação do Sistema de Treinamento e Desenvolvimento em Empresas Paulistas de Médio e Grande Porte”, escrito por Campos, Barduchi, Marques, Ramos, Dos Santos e Becker, publicado em 2004. O referido artigo está disponível no link: https://bit.ly/39cwuAe Figura 10: O treinamento prepara um funcionário ou um grupo para determinada função. Fonte: Freepik Controladoria 45 O profissional de recursos humanos deve ter claro em sua mente que, embora possa desejar desenvolver um determinado profissional ou uma determinada equipe, uma vez que já estudamos que de forma geral as empresas trabalham com grupos e equipes, ele precisa perceber que o desenvolvimento só acontecerá se houver o desejo por parte do indivíduo ou da equipe que será treinada. Um erro muito comum dos gestores é a falsa impressão que ao treinar determinado grupo de funcionários ele provocará desenvolvimento deste grupo. Reforço, se o funcionário ou um grupo de funcionários não tiver interesse no treinamento e no desenvolvimento profissional, o desenvolvimento não acontecerá. Entendendo a importância do treinamento e do desenvolvimento vamos estudar agora os principais métodos de treinamento. Os principais métodos de treinamento são: treinamento no trabalho, treinamento formal interno, treinamento formal externo, treinamento à distância, integração de novos empregados, trainees e estágios. O gestor deve ter a sensibilidade de perceber qual o método de treinamento mais adequado para diferentes circunstâncias. Exemplo: Se preciso treinar um grupo de funcionários e este treinamento deve se dar apenas com os funcionários da própria organização e não deve ser realizado dentro da própria empresa, deve se utilizar o método de treinamento formal interno. Já se o treinamento for com a própria equipe de trabalho e dentro da organização, o método de treinamento mais adequado é o treinamento no trabalho. Hoje as organizações já realizam muitos treinamentos a distância. Esta modalidade passou a incorporar os programas de treinamentos organizacionais, dada sua flexibilidade e, muitas vezes, eliminando custos de transporte (até o local do treinamento). Agora que terminamos este grande aprendizado acerca dos recursos humanos, finalizamos todo o conteúdo de nossa terceira unidade. [[Importante]]: Viu como os assuntos abordados nesta unidade são Controladoria46 bastante relevantes para aqueles que irão atuar na área de controladoria? É importante que você tenha compreendido sobre gestão e gestão estratégica, sobre a gestão financeira e orçamentária e os recursos humanos. Estas temáticas estão presentes em todas as organizações modernas. Na próxima e última unidade nos aprofundaremos sobre importância da controladoria na gestão de riscos e matérias, na gestão da cadeia de suprimentos e na cadeia de valor. Bom estudo! Controladoria 47 BIBLIOGRAFIA BRIGHAM, Eugene F. Administração Financeira: teoria e prática. São Paulo: Cengage, 2014. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Barueri, SP: Manole, 2014. DUANE, Ireland. Administração estratégica. São Paulo; Cengage, 2014 HERMEL, Philippe. La gestión participativa. Barcelona: Gestion, 1990. HOJI, Masakazu. Administração financeira e orçamentária: matemática financeira aplicada, estratégia financeiras, orçamento empresarial. São Paulo. Atlas, 2010 LIMA, Paulo Daniel Barreto. Excelência em Gestão Pública: a trajetória e a estratégia da gespública. Rio de Janeiro, RJ: Qualitymark Editora, 2007. MARRAS, Jean Pierre. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: saraiva, 2011. OLIVEIRA, Djalma P. R. Introdução à administração: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2009. Controladoria48 Daniel Campelo Livro Didático Digital