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Histologia do Sistema Digestório •Composto pela cavidade oral, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso, e suas glândulas associadas; •Tem função de obter moléculas necessárias para a manutenção, o crescimento e as demais necessidades energéticas do organismo a partir dos alimentos ingeridos; •A camada mais interna que compõe o sistema digestório (mucosa) constitui uma barreira protetora entre o conteúdo luminal e o meio interno do organismo; •Na boca o alimento é umedecido pela saliva (+ inicia a digestão de carboidratos) e triturado pelos dentes. No estômago e no intestino delgado, o alimento é transformado em seus componentes básicos e absorvido. No intestino grosso ocorre a absorção de água, tornando semissólido o conteúdo luminal que não foi totalmente digerido. ESTRUTURA GERAL •O sistema digestório é basicamente um tubo oco composto por lúmen, cujo diâmetro varia. Possui 4 camadas distintas em sua composição: 1) Mucosa – Composta por um revestimento epitelial, uma lâmina própria e uma camada muscular da mucosa. A lâmina própria é de tecido conjuntivo frouxo rico em vasos sanguíneos e linfáticos e células musculares lisas. A muscular da mucosa geralmente é composta por duas subcamadas delgadas de células musculares lisas: uma circular interna e outra longitudinal externa. Elas promovem o movimento da camada mucosa independentemente de outros movimentos do sistema digestório, de forma a aumentar o contato da mucosa com o alimento. 2) Submucosa – Composta por tecido conjuntivo com muitos vasos sanguíneos e linfáticos e um plexo nervoso submucoso (de Meissner). Pode conter glândulas e tecido linfoide. 3) Muscular – Contém células musculares lisas orientadas em espiral. A camada interna geralmente é circular, e a externa é majoritariamente longitudinal. Entre essas subcamadas, observa-se o plexo nervoso mioentérico (plexo de Auerbach) e tecido conjuntivo contendo vasos sanguíneos e linfáticos. As contrações dessa camada são geradas e controladas pelos plexos nervosos, e impulsionam e misturam o alimento ingerido no sistema digestório. 4) Serosa ou Adventícia – Em órgãos que possuem peritônio, há serosa. Nos órgãos retroperitoneais, a última camada é a adventícia. Serosa = Tecido conjuntivo frouxo + mesotélio (epitélio pavimentoso simples). É o peritônio visceral, e está em continuidade com o mesentério. Adventícia = Tecido conjuntivo frouxo + tecido adiposo. •As principais funções do revestimento da mucosa são: prover uma barreira seletivamente permeável, facilitar o transporte e a digestão de alimentos, promover a absorção dos produtos da digestão, e produzir hormônios que regulem a atividade desse sistema; •Algumas células presentes na camada mucosa produzem muco para lubrificação e proteção; •A lâmina própria é uma região rica em macrófagos e células linfoides, e algumas dessas células produzem Iga, anticorpo eficaz na proteção contra invasões virais e bacterianas. → Megacólon congênito, doença de Chagas e diabetes = Alterações nos plexos nervosos do sistema digestório, resultando em distúrbios da motilidade. →A grande quantidade de fibras do sistema nervoso autônomo contribui para os efeitos gastrintestinais de estresses emocionais; CAVIDADE ORAL •Revestida por um epitélio pavimentoso estratificado, queratinizado ou não. A queratina pode ser observada na gengiva e no palato duro, objetivando- se a proteção dessas regiões durante a mastigação. O epitélio não queratinizado é observado no palato mole, nos lábios, nas bochechas e no assoalho da boca; •Nos lábios há uma transição do epitélio oral não queratinizado para o queratinizado da pele; •O palato mole tem, em seu centro, músculo estriado esquelético, glândulas mucosas e nódulos linfoides. LÍNGUA •Massa de músculo estriado esquelético. As suas fibras se entrecruzam em 3 planos; •A superfície ventral é lisa, e a dorsal, irregular A última é recoberta por papilas gustativas; •Posteriormente ao sulco terminal, a superfície lingual apresenta saliências compostas por agregados linfoides (grupos de nódulos e tonsilas linguais). •As papilas linguais são elevações do epitélio oral e da lâmina própria. Podem ser de 4 tipos: filiformes, fungiformes, foliadas e circunvaladas. - FILIFORMES = Formato cônico alongado. Estão sobre toda a superfície dorsal da língua e têm a função mecânica de fricção. - FUNGIFORMES = Assemelham-se a cogumelos. Têm poucos botões gustativos em sua superfície posterior e estão irregularmente distribuídas entre as papilas filiformes. - FOLIADAS = Pouco desenvolvidas em humanos. - CIRCUNVALADAS = Estruturas circulares grandes, distribuídas na região do sulco terminal, na parte posterior da língua. Apresenta várias glândulas serosas (glândulas de von Ebner), que produzem uma lipase ligual. Esta previne a formação de uma camada hidrofóbica sobre os botões gustativos e é ativa no estômago, podendo digerir lipídios. • Os botões gustativos repousam sobre uma lâmina basal e têm em sua região apical microvilosidades. Têm formato de cebola. DENTES • 32 permanentes: 8 incisivos, 4 caninos, 8 pré-molares, e 12 molares; •Dentes de leite = decíduos (26); ESÔFAGO •Contém as mesmas camadas que o resto do sistema digestório; •A mucosa é revestida por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Na lâmina própria da região próxima ao estômago existem glândulas esofágicas da cárdia, que secretam muco; •Na submucosa também existem glândulas esofágicas, sendo essa uma característica especial. Essas glândulas secretam muco, que facilita o transporte de alimento e protege a mucosa; •Na camada muscular, existem dois tipos de fibra muscular: estriadas esqueléticas no terço superior, estriadas esqueléticas + lisas no terço médio, e lisas no terço inferior; •Somente a porção do esôfago que está na cavidade peritoneal tem a serosa como 4ª camada. O restante tem a adventícia, que se mistura com o tecido conjuntivo circundante. ESTÔMAGO • Segmento dilatado, cuja principal função é transformar o bolo alimentar em uma massa viscosa (quimo), através da atividade muscular e química; •Digestão química = Continuação da digestão de carboidratos, adição de HCl ao alimento ingerido, digestão parcial de proteínas (pepsina) e digestão parcial de triglicerídeos (lipases gástrica e lingual); •Produz fator intrínseco e hormônios; •As camadas mucosa e submucosa do estômago não distendido repousam sobre dobras longitudinais; →Mucosa: •Formada por epitélio glandular, tubular e ramificado, que desemboca na fosseta gástrica; •Todo o epitélio gástrico está em contato com a lâmina própria (tecido conjuntivo frouxo), que tem células musculares lisas e linfoides; •Somente o epitélio da mucosa + a sua lâmina própria constituem a fosseta gástrica; •Existem invaginações no epitélio de revestimento, que compõem as fossetas gástricas; •O epitélio é colunar simples e todas as células são secretoras de muco alcalino. Esse muco existe para proteger as células estomacais do conteúdo rico em HCl; •A barreira de proteção da mucosa gástrica é constituída pelas junções de oclusão entre as células superficiais e da fosseta; •A lâmina própria e a submucosa possibilitam a nutrição e a drenagem de metabólitos tóxicos, em razão da sua intensa vascularização; •Fatores endógenos de agressão à mucosa: HCl, pepsina e lipases; Região cárdica do estômago: -A mucosa tem glândulas tubulares simples ou ramificadas, muitas células secretoras produzem muco e lisozima, e outras parietais produzem H+ e Cl-. Fundo e corpo do estômago: -Mucosa também preenchida por glândulas tubulares,que têm 3 regiões diferentes – Istmo (células mucosas, células-tronco e células oxínticas/parietais), colo (células-tronco, mucosas e oxínticas/parietais) e base (células oxínticas e zimogênicas). -As células enteroendócrinas estão no colo e na base das glândulas. ◙ CÉLULAS-TRONCO = Alta taxa de mitoses; ◙ CÉLULAS MUCOSAS = Formato irregular, com núcleos na base das células e grânulos de secreção próximos à superfície apical; ◙ CÉLULAS OXÍNTICAS = Núcleo esférico e citoplasma muito acidófilo, em razão da abundância de mitocôndrias. Apresentam canalículos intracelulares durante a secreção de H+ e Cl-. Sua atividade secretora é estimulada por descargas parassimpáticas, histamina e gastrina (os dois últimos são secretados pela própria mucosa); ◙ CÉLULAS ZIMOGÊNICAS = Muito basófilas, em razão do retículo endoplasmático granuloso em abundância. Secretam pepsinogênio (convertido em pepsina no estômago) e lipases. ◙CÉLULAS ENTEROENDÓCRINAS = Secretam 5-hidroxitriptamina e ghrelina. → GASTRITE ATRÓFICA – Acontece quando o suco gástrico apresenta pouca ou nenhuma atividade de ácido ou pepsina. Resulta em anemia perniciosa (distúrbio na produção de hemácias). Região pilórica do estômago: -Fossetas gástricas profundas nas quais as glândulas pilóricas, tubulosas simples ou ramificadas, se abrem. Apresenta fossetas mais longas e glândulas mais curtas se comparada à região da cárdia. -A atividade das células G (produtoras de gastrina) ocorre pelo estímulo parassimpático, pela presença de aminoácidos e aminas, e pela distensão das paredes do estômago. A gastrina, então, ativa a produção de ácido pelas células parietais; →Submucosa: Composta de tecido conjuntivo moderadamente denso, rico em vasos sanguíneos e linfáticos, células linfoides e macrófagos. →Muscular: Fibras em 3 orientações (oblíqua, circular e longitudinal). No piloro, a camada circular é mais expressa. →Serosa: Membrana muito delgada. INTESTINO DELGADO Duodeno, jejuno e íleo •Sítio terminal de digestão dos alimentos, absorção de nutrientes e secreção endócrina; •Absorção de nutrientes pelas células epiteliais de revestimento; •Três segmentos – Duodeno, jejuno e íleo; •O comprimento do órgão é um dos fatores importantes para o aumento da superfície de contato com o bolo alimentar; →Mucosa: Série de pregas permanentes (plicae circularis) em forma semilunar, circular ou espiral, que são dobras da mucosa e da submucosa. Essas pregas são mais desenvolvidas do jejuno. Apresenta vilosidades intestinais (projeções alongadas formadas pelo epitélio e sua lâmina própria). O epitélio de revestimento é cilíndrico simples, formado por células absortivas (enterócitos) e células caliciformes, que se continua com o epitélio das criptas (células absortivas, caliciformes, enteroendócrinas, de Paneth e células- tronco). A cripta tem um formado tubular e representa o compartimento proliferativo do intestino. -As células absortivas são colunares altas, contendo núcleo oval em sua porção basal. Possuem borda em escova (microvilosidades). Têm como principal função a internalização das moléculas e dos nutrientes produzidos durante a digestão, e produzem enzimas como as dissacaridases e dipeptidases; -Grande parte da absorção lipídica ocorre no duodeno e no jejuno proximal; -Células caliciformes estão distribuídas em meio às células absortivas, mas estão em maior quantidade no intestino grosso. Produzem mucinas (glicoproteínas ácidas), que originam o muco. A função do muco é proteger e lubrificar o revestimento do intestino; -Células de Paneth ficam na região basal das criptas intestinais. Contém grânulos de secreção, ricos em lisozima e defensina, que permeabilizam e digerem a parede de bactérias; -Células-tronco ficam no terço basal da cripta; -Células M são células epiteliais especializadas que recobrem os folículos linfoides das placas de Peyer, no íleo. Têm inúmeras invaginações basais que possuem muitos linfócitos e APCs (macrófagos). Células M podem captar antígenos por endocitose e transportá-los aos macrófagos e células linfoides subjacentes, que migram para outros compartimentos do sistema linfoide (nódulos), onde as respostas imunológicas são iniciadas. Essas células são um elo importante na defesa imunológica intestinal. A sua lâmina basal é descontínua, facilitando o trânsito entre o tecido conjuntivo e essas células; -Imunoglobulinas A são encontradas nas secreções mucosas, e são sintetizadas por plasmócitos; -GALT – Linfócitos, IgA, macrófagos e junções oclusivas; -A lâmina própria é composta por tecido conjuntivo frouxo com vasos sanguíneos e linfáticos, fibras nervosas e musculares lisas. Preenche o centro das vilosidades intestinais. -A muscular da mucosa é comum. →Células endócrinas: Células com características de sistema neuroendócrino difuso. Seus hormônios, secretados por estímulos, podem exercer efeitos parácrinos ou endócrinos. Podem ser classificadas em: 1) Tipo aberto – O ápice das células apresenta microvilosidades e está em contato com o lúmen do órgão. São mais alongadas, com microvilosidades irregulares e grânulos de secreção no citoplasma; 2)Tipo fechado – O ápice das células está recoberto por outras células epiteliais. →Camada submucosa: Contém, na porção inicial do duodeno, glândulas tubulares enoveladas ramificadas (glândulas duodenais). Elas secretam muco alcalino, protegendo a mucosa duodenal contra a acidez do suco gástrico, neutralizando o quimo. Essa característica no duodeno é muito específica. É nesta camada que se localizam as placas de Peyer, e a maioria delas está no íleo. →Camadas musculares: Bem desenvolvidas nos intestinos, compostas por uma lâmina circular interna e uma longitudinal externa. →Vasos e nervos: Os vasos sanguíneos removem os produtos da digestão, penetram a muscular da mucosa e formam um grande plexo na submucosa. Os vasos linfáticos surgem como capilares de fundo cego no centro das vilosidades. Esse tipo de vaso é especialmente importante para a absorção de lipídios, pois a circulação sanguínea não aceita com facilidade as lipoproteínas produzidas pelas células absortivas A contração das vilosidades intestinais auxilia na propulsão da linfa dos capilares para os vasos linfáticos mesentéricos. A inervação apresenta um componente intrínseco e outro extrínseco. A) Intrínseco = Plexo de Meissner (submucoso) e plexo de Auerbach (mioentérico). Contém neurônios sensoriais que recebem sinais quanto à composição do conteúdo intestinal e ao grau de distensão da parede intestinal. Submucoso Mioentérico B) Extrínseca = Sistema nervoso autônomo, formada por fibras colinérgicas parassimpáticas (estimulam a atividade da musculatura lisa) e adrenérgicas simpáticas (deprimem a atividade da musculatura lisa). DUODENO JEJUNO ÍLEO Perceba as diferenças: O que caracteriza o duodeno são as glândulas mucosas. O que caracteriza o íleo é a presença das placas de Peyer. O que caracteriza o jejuno é a ausência das duas caractetísticas acima. INTESTINO GROSSO •Constituído por ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmoide, reto e ânus; •A camada mucosa não tem pregas, exceto no reto, e também não possui vilosidades; •As criptas são longas e apresentam abundância de células caliciformes, e um pequeno número de células enteroendócrinas; •As células absortivas são colunares e contém microvilosidades curtas e irregulares; •Tem função de absorver água do quilo, fermentá-lo, formar a massa fecal e produzir muco para reduzir atritos durante a passagem dessa massa pelo canal.A absorção de água é passiva, seguindo o gradiente de concentração de sódio. Imagem • A lâmina própria é rica em células linfoides e nódulos (GALT). Essa riqueza imunológica está relacionada com a rica microbiota do intestino grosso; •A camada muscular é constituída pelas lâminas circular e longitudinal. Essa última se une em três bandas espessas, denominadas tênias do cólon; •Nas porções livres do colo, a camada serosa apresenta apêndices epiploicos; •Na região anal, a mucosa forma várias dobras longitudinais: as colunas retais. 2 centímetos acima do orifício anal, a mucosa intestinal é substituída por epitélio pavimentoso estratificado (linha pectínea). Nessa região há um plexo de veias grandes, que quando excessivamente dilatadas e varicosas, provocam hemorroidas. •O apêndice é um divertículo do ceco. Apresenta lúmen irregular, pequeno e estreito. Tem abundantes nódulos linfoides em sua parede, e menos glândulas intestinais. Não apresenta as tênias do cólon. Por ter um fundo cego, o seu conteúdo não é renovado rapidamente, sendo por isso um local frequente de inflamação. Essa inflamação pode progredir até a destruição dessa estrutura. ADENOCARCINOMA – Tumor derivado de células glandulares epiteliais secretoras. CARCINOMA – Tumor derivado de células epiteliais de revestimento. ÓRGÃOS ASSOCIADOS •Glândulas salivares, pâncreas, fígado e vesícula biliar; •Saliva → Umidificar e lubrificar a mucosa oral e o alimento, iniciar a digestão de carboidratos e lipídios, menter um pH neutro na cavidade oral e secretar substâncias germicidas protetoras (IgA, lisozima e lactoferrina); Imagem nota 2 •Pâncreas → Produzir enzimas digestivas que atuam no intestino delgado, secretar insulina e glucagon; •Fígado → Produzir a bile, metabolizar lipídios, carboidratos e proteínas, inativar e metabolizar substâncias tóxicas, medicamentos e fármacos. Participa do metabolismo do ferro, da síntese de proteínas plasmáticas e fatores de coagulação; •Vesícula biliar → Absorve água da bile, concentrando-a. GLÂNDULAS SALIVARES •Produzem a saliva (funções digestiva, lubrificante e protetora); •Parótida, submandibular e sublingual; •As glândulas maiores são recobertas por uma cápsula de tecido conjuntivo rico em fibras colágenas; •Suas terminações secretoras podem ter células serosas ou mucosas, além das mioepiteliais não secretoras. Essa porção secretora conta com um sistema de ductos, cujos componentes modificam a saliva à medida que a conduzem para a cavidade oral; →Células serosas = Formato piramidal, base larga repousando sobre uma lâmina basal e um ápice com microvilos voltados para o lúmen. Formam ácinos. →Células mucosas = Formato cuboide ou colunar, com núcleo oval e pressionado à base da célula. Seu muco contém glicoproteínas importantes, como as mucinas. Frequentemente se organizam em túbulos (no caso das sublinguais, no término dos túbulos existem semiluas serosas). →Células mioepiteliais= Encontradas junto à lâmina basal de terminações secretoras e ductos intercalares (porção inicial do sistema de ductos, formados por células epiteliais cuboides). A sua contração acelera a secreção da saliva, e ela também evita a distensão excessiva da terminação secretora durante a secreção. →Ducto estriado= Formado pela confluência de ductos intercalares. São caracterizados por estriações radiais que se estendem da base até os núcleos. É uma estrutura característica de células transportadoras de íons. Tanto os ductos estriados quanto os intercalares são intralobulares. Esses ductos convergem e desembocam em ductos maiores localizados nos septos de tecido conjuntivo — os ductos interlobulares / excretores. O ducto de cada glândula tem epitélio cuboide estratificado, que ao desembocar na cavidade oral, torna-se pavimentoso estratificado não queratinizado. •O estímulo parassimpático iniciado pelo gosto ou aroma do alimento, provoca uma secreção abundante de saliva aquosa. →Glândula parótida: Glândula acinosa composta, cuja porção secretora só tem células serosas. Nessa secreção há intensa atividade de amilase. O tecido conjuntivo contém plasmócitos e linfócitos, e a IgA liberada na saliva é resistente à digestão enzimática; →Glândula submandibular: Tubuloacionosa composta, havendo, contudo, predominância de células serosas a mucosas. As células serosas têm uma fraca atividade de amilase. As células que constituem as semiluas secretam lisozima. →Glândula sublingual: Tubuloacinosa, composta predominantemente por células mucosas, e em menor quantidade, serosas. As semiluas serosas secretam lisozima. PÂNCREAS • Glândula mista exócrina e endócrina, que produz enzimas digestivas e hormônios; •A parte exócrina do órgão é composta pelos ácinos, que secretam enzimas. A parte endócrina é composta pelas ilhotas de Langerhans. •A porção exócrina é muito similar à lâmina de uma glândula parótida, diferindo dela por apresentar as ilhotas e não conter ductos estriados. O pâncreas também possui células centroacinosas, que são a porção intra- acinosa dos ductos intercalares. A quantidade de grânulos de secreção (zimogênio) varia dentro das células de acordo com a fase digestiva; •Uma cápsula delgada de tecido conjuntivo reveste o pâncreas e envia septos para o seu interior, separando-o em lóbulos; •Os ácinos pancreáticos são sustentadas por lâmina basal com fibras reticulares; •Há a presença de muitos capilares; •Há a secreção de proteinases, amilase, lipases, fosfolipase A2 e nucleases. A maioria dessas enzimas é secretada na forma inativa (pré-enzimas), protegendo o órgão contra a sua autodestruição. O controle dessa secreção é exercido pelos hormônios secretina e colecistoquinina (células enteroendócrinas do intestino); •A secreção de secretina é estimulada pela presença de ácido no lúmen intestinal; •A secreção de colecistoquina promove a extrusão de grânulos de zimogênio. Fígado •Segundo maior órgão do corpo, localizado na cavidade abdominal, abaixo do diafragma; •Órgão responsável por processar e armazenar nutrientes absorvidos pelo sistema digestório. Por isso, diz-se que o fígado é uma interface entre o sistema digestório e o sangue. Além disso, neutraliza e elimina substâncias tóxicas, e sintetiza proteínas plasmáticas, como a albumina; •Todos os nutrientes absorvidos pelo intestino chegam ao fígado pela veia porta, exceto quilomícrons (lipídios complexos), que chegam pela artéria hepática; •É um órgão revestido por uma cápsula delgada de tecido conjuntivo que se torna mais espessa no hilo (entrada da tríade portal); •Existe no órgão uma delicada rede de fibras reticulares que suporta os hepatócitos e o endotélio dos sinusoides; •Os hepatócitos estão agrupados em placas (lóbulos hepáticos), onde formam cordões. Em alguns vértices dos lóbulos há espaços porta (3 a 6 por lóbulo); •Veia porta→ Sangue proveniente do sistema digestório, do pâncreas e do baço; Artéria hepática→ Sangue proveniente do tronco celíaco; Ducto hepático→ Revestido por epitélio cúbico, transporta bile sintetizada por hepatócitos. O sentido que a bile percorre é o oposto do sangue advindo dos outros vasos. •As células endoteliais estão separadas dos hepatócitos por uma lâmina basal descontínua e um espaço subendotelial — Espaço de Disse, que tem microvilos hepáticos. Essa proximidade e a presença de microvilos facilita trocas; •Os sinusoides são circundados e sustentados por fibras reticulares, e possuem macrófagos (células de Kupffer). A função das CK é metabolizar hemácias velhas, digerir hemoglobinas, secretar proteínas imunológicas e destruir bactérias que eventualmentepenetrem o sangue portal; •Células de Ito = Armazenadoras de lipídios, que têm inclusões ricas em vitamina A. Essas células desempenham função de captação, armazenamento e liberação de retinoides, síntese e secreção e proteínas da matriz extracelular e proteoglicanos, secreção de fatores de crescimento e citocinas e regulação do diâmetro do lúmen sinusoidal. →Suprimento sanguíneo: 80% do sangue advém da veia porta (rico em nutrientes) e os 20% restantes da artéria hepática (rico em nutrientes). A) Veia porta → Ramifica-se e envia vênulas portais interlobulares aos espaços porta. As vênulas porta se ramificam em vênulas distribuidoras que desembocam nos capilares sinusoides. Eles correm radialmente e convergem para o centro do lóbulo, formando a veia central. Essa veia, ao deixar o lóbulo em sua base, funde-se à veia sublobular. As veias sublobulares convergem e formam as veias hepáticas B) Artéria hepática → Ramifica-se e forma as arteríolas interlobulares nos espaços porta. Algumas irrigam as estruturas do espaço porta, e outras desembocam diretamente nos sinusoides, promovendo uma mistura entre sangue arterial e venoso portal. Sua principal função é oxigenar os hepatócitos O sangue flui da periferia para o centro do lóbulo hepático. Consequentemente, as substâncias alcançam primeiro as células periféricas e depois as centrais, havendo, portanto, diferença nos comportamentos dessas duas células, que se torna mais evidente em determinadas patologias. →Hepatócitos: Células poliédricas de citoplasma eosinófilo em razão do grande número de mitocôndrias. O encontro entre dois hepatócitos delimita um espaço tubular — o canalículo biliar. Apresentam, também, junções GAP, importantes na comunicação intercelular. Esses canalículos biliares transportam a bile na direção contrária do sangue, do centro para a periferia, onde a bile adentra nos ductos biliares (canais de Hering). Esses ductos têm epitélio cuboide ou colunar, e uma bainha distinta de tecido conjuntivo. Anastomoses sucessivas entre eles forma o ducto hepático, que deixa o fígado. Os hepatócitos têm um ou dois núcleos arredondados, que têm um ou dois nucléolos, e também são ricos em RE. O REL é particularmente muito desenvolvido, pois é responsável pelos processos de oxidação, metilação e destoxificação de várias substâncias. A bilirrubina é resultado da quebra da hemoglobina e é formada pelo sistema mononuclear fagocitário. O hepatócito geralmente tem glicogênio (depósito de glicose frequentemente mobilizado). Outras organelas importantes nessas células são os lisossomos, os peroxissomos, mitocôndrias, golgiossomo, etc. A secreção de bile pelos hepatócitos é uma função exócrina. É uma solução rica em ácidos biliares, que são importantes na emulsificação de lipídios no sistema digestório. Lipídios são armazenados no fígado em forma de triglicerídeos, e os carboidratos como glicogênio. O fígado também armazena vitaminas, como a vit A. Os hepatócitos são responsáveis pelo processo de gliconeogênese. →Regeneração hepática: O órgão tem um ritmo lento de renovação celular, mas a capacidade regenerativa é extraordinária (multiplicação de hepatócitos). Trato Biliar •A bile produzida flui na seguinte ordem: Canalículos biliares → Dúctulos biliares (canais de Hering) → Ductos biliares → Ductos hepáticos direito e esquerdo → Ducto hepático →Ducto colédoco; •Os ductos hepático, cístico e biliar comum são revestidos por um epitélio colunar simples. →Vesícula biliar: Órgão oco em formato de pera. Seu epitélio de revestimento é colunar simples. Possui lâmina própria + camada de músculo liso + camada de tecido conjuntivo perimuscular (ao redor do músculo liso) + membrana seosa. -Camada mucosa: pregas abundantes, particularmente evidentes quando a vesícula está vazia. As células epiteliais têm núcleo basal e são capazes de secretar muco. Essa camada pode apresentar glândulas mucosas tubuloacinosas. -A sua principal função é armazenar bile, concentrá-la através da absorção de água e secreta-la quando necessário. O processo de secreção é induzido pela contração da musculatura lisa da vesícula em resposta à secreção de colecistoquinina.