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Aleitamento materno CESMAC-P5 SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE MARIA LUIZA PEIXOTO INTRODUÇÃO - A alimentação do lactente deve ser exclusiva- mente com leite humano até o sexto mês de vida e, a partir de então, complementada com outras fontes nutricionais até os 2 ou mais anos de idade. Tipos de amamentação PRÁTICA DE ALIMENTAÇÃO REQUER QUE A CRIANÇA RECEBA PERMITE QUE A CRIANÇA RECEBA NÃO PERMITE QUE A CRIANÇA RECEBA Amamentação Exclusiva (AME) Leite mater- no (incluindo leite orde- nhado) Soro oral, vitaminas, minerais, medica- mentos Qualquer ou- tro líquido ou alimento Amamentação Predominante Leite mater- no (incluindo leite orde- nhado) como fonte predo- minante de nutrição Alguns lí- quidos (água, suco de fruta, chá, soro oral, vi- taminas, minerais e medica- mentos) Nada mais e não é permi- tida a utiliza- ção de ou- tros leites Amamentação Complementar Leite materno (incluindo leite or- denhado) e alimentos semissólidos e sólidos Qualquer outro lí- quido ou alimento, incluindo outros lei- tes e fór- mulas in- fantis Não se aplica Observação: Não há vantagens em ofertar alimen- tos complementares a crianças menores de 6 me- ses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, como maior chance de adoecer por in- fecção intestinal e hospitalização por doença res- piratória. Observação: A introdução precoce dos alimentos complementares também diminui a duração do AM, interfere na absorção de nutrientes impor- tantes nele existentes, como o ferro e o zinco, e reduz a eficácia da lactação na prevenção de novas gestações. Benefícios da amamentação Para o bebê Redução da mortalidade infantil: esti- ma-se que o AM pode reduzir em 13% a mortalidade em crianças menores de 5 anos por causas preveníveis; a ama- mentação na primeira hora de vida tem sido associada à redução da mortali- dade neonatal Redução da incidência e gravidade da diarreia Redução da morbidade por infecção respiratória Redução de alergias: o risco de derma- tite atópica em crianças com história familiar e de asma, nascidas a termo e AME por pelo menos 3 meses, é menor comparadas a crianças amamentadas por menos tempo Redução de doenças crônicas: menor chance de desenvolver obesidade e diabetes tipo 2, pressões sistólica e diastólica mais baixas e níveis menores de colesterol total CESMAC-P5 SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE MARIA LUIZA PEIXOTO Melhor nutrição: o leite materno con- tém todos os nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento óti- mos da criança pequena, além de ser mais bem digerido, quando comparado com leites de outras espécies Melhor desenvolvimento cognitivo e inteligência Melhor desenvolvimento da cavidade bucal: a interrupção precoce da ação de sucção que a criança faz ao mamar pode gerar ruptura do desenvolvimen- to motor-oral harmônico, prejudicando o alinhamento adequado dos dentes e as funções de mastigação, deglutição, respiração e fala Para a mãe Proteção contra doenças na mulher: há evidências de proteção do AM contra câncer de mama e de ovário, e o desen- volvimento de diabetes tipo 2, além do efeito anticoncepcional Economia Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho: oportunidade ímpar de intimi- dade e afeto, gerando sentimentos de segurança e proteção na criança e de autoconfiança e realização como mãe na mulher PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO - No Brasil, a duração mediana da amamentação no Brasil é 14 meses e a do AME, 1,4 meses; menos de 10% conseguem manter o AME até os 6 meses. Fatores associados a menor duração do AM e AME Falta de informação adequada (benefícios, técnica) Mães adolescentes Primigestas Gemelaridade Menor escolaridade materna Prematuridade e/ou baixo peso de nasci- mento Experiência prévia desfavorável com ama- mentação Trabalho materno fora de casa Uso de chupeta FISIOLOGIA DA LACTAÇÃO Gestação (lactogênese I) - A placenta secreta o estrogênio (ramificação dos ductos lactíferos) e produz progestogênio (atua na formação dos lóbulos). Outros hormônios também estão envolvidos na aceleração do crescimento mamário, como lactogênio placentário (inibe a secreção do lei- te na gravidez), prolactina (produção do leite) e gonadotrofina coriônica (impede a destrui- ção do corpo lúteo e estimula a produção de esteroides). Nascimento (lactogênese II) - Ocorre o início da secreção do leite graças à queda acentuada nos níveis de progestogênio após o nascimento da criança e a expulsão da placenta, com consequente liberação de pro- lactina pela pituitária anterior. CESMAC-P5 SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE MARIA LUIZA PEIXOTO Costuma ocorrer até o 3º ou 4º dia após o parto, ocorre mesmo sem a sucção da criança ao seio. Amamentação (lactogênese III/ galactopoese) - Persiste por toda a lactação, é de controle au- tócrino e depende primordialmente da sucção do bebê e do esvaziamento da mama, logo, qualquer fator materno ou da criança que limi- te o esvaziamento das mamas pode causar di- minuição na síntese do leite, por inibição me- cânica e química. Mecanismo de sucção A liberação de prolactina (adenohipófise) e ocitocina (neurohipófise) é regulada pelos reflexos da produção e ejeção do leite, res- pectivamente, ativados pela estimulação dos mamilos pela sucção da criança, pelas vias aferentes de reflexo na medula. A liberação da ocitocina também se faz em resposta a estímulos condicionados, como visão, olfato e audição (ouvir o choro da criança), e a fatores de ordem emocional, como motivação, tranquilidade e autocon- fiança; por outro lado, sentimentos desa- gradáveis podem inibir o reflexo de ejeção do leite. Observação: O esvaziamento das mamas (depois de 3-4h), caso não haja a amamen- tação, também é importante na produção e manutenção do leite. COMPOSIÇÃO DO LEITE MATERNO Colostro - É o leite bem claro dos primeiros cinco dias de vida, sendo o leite que tem mais anticorpos e possui menos lipídios em relação ao maduro. Leite maduro Proteína - Possui 3x menos proteínas que o leite da vaca, o que evita problemas renais. Caseína em menor proporção - A caseína é alergênica e de difícil diges- tão, podendo gerar sobrecarga renal e a- lergia à proteína do leite da vaca (APLV). CESMAC-P5 SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE MARIA LUIZA PEIXOTO Gorduras polinsaturadas - Apresenta ácido aracdônico e DHA que vão fazer com que haja formação da bai- nha de mielina e da retina. Fatores imunológicos IgA secretória: principal imunoglobuli- na que atua contra microrganismos em mucosas Leucócitos: matam microrganismos Lisozima e lactoferrina: atuam sobre ví- rus, fungos e bactérias Oligossacarídeos: previnem ligação da bactéria na mucosa e protegem contra enterotoxinas no intestino Fator bífido: favorece crescimento de lactobacilus bifidus que dificulta a ins- talação de bactérias diarreicas, por meio de acidificação das fezes OFERTA DO LEITE MATERNO Posição Rosto do bebê de frente para a mama com nariz em oposição ao mamilo Corpo do bebê próximo ao da mãe Bebê com cabeça e tronco alinhados Bebê e mãe bem apoiados Oferta fazendo a técnica em C Pega Usar reflexos de voracidade e sucção Fazer elevação das bordas da língua e de- pois elevação da parte central, enchendo as bochechas Verificar se o bebê abocanhou não só a a- réola, estando a boca bem aberta e lábios virados para fora Nariz tem que tá livre CONTRAINDICAÇÕES Absolutas Infecção por HIV, HTLV1 e HTLV2 Galactosemia Relativas Septicemiaou outras condições clínicas Vírus de herpes simples tipo 1 (evitar con- tato com lesões) Chagas (evitar em fase aguda ou em san- gramento mamário evidente) Vacina de febre amarela (recomenda sus- pensão por 10 dias) MANEJO DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS NA MAMA Ingurgitamento - É o aumento da vascularização com conges- tão e retenção de leite, formando edema; nos primeiros dias, é chamada de apojatura que é quando o leite desce pela primeira vez. Melhora Ordenha manual Amamentação livre demanda Massagens Analgésicos e antiinflamatórios Suporte para as mamas Crioterapia (compressa fria) CESMAC-P5 SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE MARIA LUIZA PEIXOTO Fissuras mamilares - Lesões nos mamilos por sequela de pega in- correta. Melhora Início da mamada pela área menos afe- tada Ordenha de um pouco de leite antes da mamada Uso de diferentes posições para ama- mentar Prevenção Usar técnica adequada Manter mamilos secos Amamentação em livre demanda Evitar ingurgitamento Interromper mamada, se necessário Não usar protetores de mamilos Candidíase mamária - Infecção por cândida que tem prurido, sen- sação de queimadura e dor nos mamilos, pele mamilar avermelhada com fina descamação. Tratamento Inicialmente local e tópico por 2 se- manas Bebê também deve ser tratado mesmo sem sintomas Prevenção Manter mamilos secos e arejados Expor mamilos à luz por alguns minutos Fenômeno de Reynaud - Isquemia do mamilo havendo coloração es- branquiçada e acompanhado de dor e descon- forto após a mamada. Melhora Identificação e tratamento da causa Compressas mornas Analgésico e antiinflamatórios Evitar drogas vasoconstritoras (nicoti- na, cafeína) Nifedipina 5mg: 3x ao dia por 2sem em dor muito forte Mastites - Inflamação das mamas que pode levar a ab- cessos e geram muitas dores. Melhora Identificação e tratamento da causa Esvaziamento e estímulo da mama Antibioticoterapia Abcesso mamário - Causado por mastite não tratada ou trata- mento tardio ou ineficaz; faz USG para confir- mar e ajudar no tratamento. Tratamento Drenagem cirúrgica Antibioticoterapia Esvaziamento regular da mama afetada Manutenção da amamentação CESMAC-P5 SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE MARIA LUIZA PEIXOTO REFERÊNCIAS Tratado de pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria. – 2.ed. – Barueri, SP: Manole, 2010.