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Anah Zanetti ------Concepção de Sistema de Saúde-------- ➜ Os sistemas universais de saúde deram seus primeiros passos a partir da Revolução Bolchevique, quando a ação estatal substituía as forças cegas do mercado – em uma das iniciativas pioneiras de realização do planejamento, assim como nos países escandinavos que experimentaram a social democracia antes da II Guerra Mundial. Após esses acontecimentos históricos, os chamados ‘30 anos de ouro’ do capitalismo foram acompanhados do desenvolvimento do Welfare State e do reconhecimento dos direitos sociais, com a expansão dos sistemas de proteção social dos tipos bismarckiano e beveridgiano, possibilitando a implantação dos sistemas universais de saúde. ➜ À exceção do Brasil, o restante dos países mantém as contribuições sobre salários como uma das fontes de financiamento dos seus sistemas de saúde. Alguns países, tais como, Chile, Colômbia e Uruguai, em maior ou menor medida, encontram-se em processo de integração dos sistemas financiados com contribuições sobre folhas salariais com os sistemas públicos financiados a partir de impostos gerais. Enquanto países como Argentina, Peru e Venezuela conservam uma relevante segmentação em seus sistemas de saúde, inclusive no segmento público O Brasil: ➜ Foi um dos países que, nas lutas pela democracia, incluiu a democratização da saúde na agenda política por meio do movimento da Reforma Sanitária Brasileira (RSB) e da construção do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecido pela Constituição de 1988. Desse modo, foi o único país capitalista da América Latina que estabeleceu um sistema de saúde universal naquele contexto. * Na saúde, as políticas neoliberais redirecionavam o setor para os seguintes eixos: A. reconfiguração do financiamento; B. privatização do público rentável; C. seletividade de intervenções; D. focalização de populações; E. impulso ao asseguramento individual; F. conformação de pacotes básicos de atenção. ➜ Esse processo de reforma incorpora a lógica mercantil nas instituições públicas, fortalece os discursos tecnocráticos, desqualifica a politicidade inerente ao campo sanitário e privilegiam propostas de diluição das responsabilidades do Estado. O mercado era considerado a solução, enquanto o Estado representava o problema. Toda uma retórica centrada na contenção de custos, na livre escolha, na competitividade, na expansão de prestadores privados, nas cestas básicas de serviços de saúde invadia as políticas de saúde. ➜ Por mais de três décadas, os países capitalistas passaram por um processo de reformas econômicas neoliberais centrado nos ajustes macroeconômicos, na redução drástica do gasto público, no fortalecimento do mercado e nas privatizações. ➜ Embora a Saúde Coletiva historicamente tenha sido constituída, principalmente, por médicos, outros profissionais, como cientistas sociais, enfermeiros, odontólogos, farmacêuticos, e também agentes oriundos de outras áreas do conhecimento, como engenheiros, físicos e arquitetos, contribuíram para sua construção.Trata-se, portanto, de uma área multiprofissional e interdisciplinar. Anah Zanetti ● Saúde Coletiva: quadro teórico de referência: a. A saúde, enquanto estado vital, setor de produção e campo de saber, está articulada à estrutura da sociedade através das suas instâncias econômicas e político-ideológicas, apresentando, portanto, uma historicidade. b. As ações de saúde (promoção, proteção, recuperação, reabilitação) constituem uma prática social e trazem consigo as influências do relacionamento dos grupos sociais. c. O objeto da Saúde Coletiva é construído nos limites do biológico e do social e compreende a investigação dos determinantes da produção social das doenças e da organização dos serviços de saúde e o estudo da historicidade do saber e das práticas sobre os determinantes. Nesse sentido, o caráter interdisciplinar desse objeto sugere uma integração no plano do conhecimento, e não no plano da estratégia, de reunir profissionais com múltiplas formações. d. O ensino da Saúde Coletiva envolve a crítica permanente dos sucessivos projetos de redefinição das práticas de saúde surgidos nos países capitalistas, que têm influenciado a reorganização do conhecimento médico e a reformulação de modelos de prestação de serviços de saúde: Reforma Sanitária, Medicina Social, Medicina Integral, Medicina Preventiva e Medicina Comunitária. e. O processo ensino-aprendizagem não é neutro. Representa um momento de apropriação do saber pelo educando e pode ser acionado como prática de mudança ou de manutenção. f. O conhecimento não se dá pelo contato com a realidade, mas pela compreensão de suas leis e pelo comprometimento com as forças capazes de transformá-la. g. A participação ativa e criativa do educando e do educador no processo ensino-aprendizagem pressupõe o privilegiamento de uma prática pedagógica fundamentalmente dialógica e antiautoritária, na qual o aluno não se limita a receber con-teúdos emitidos pelo professor. Ou seja, tanto o aluno como o professor aproveitam-se do momento para problematizar a realidade, o modo de pensá-la e o próprio processo de produção-transmissão-apropriação do conhecimento. h. O ensino da Saúde Coletiva remete a uma concepção ampla de prática. Nela se incluem a prática técnica, a prática teórica e a prática política, entendidas como dimensões da prática social. Nessa perspectiva, as práticas exercidas pelos alunos e professores tendem a se articular com os movimentos mais amplos das forças sociais. i. O conceito de inserção no complexo de saúde admite a participação de docentes e discentes em distintos níveis político-administrativos, técnico-administrativos e técnico-operacionais. A análise das práticas de saúde desenvolvidas pode delinear como prática pedagógica a prática das mudanças no complexo de saúde. j. O conceito de participação em saúde transcende o envolvimento dos grupos interessados no âmbito do planejamento, gestão e avaliação das ações de saúde. Esse c ● A Saúde Coletiva no Brasil: Entre os países, o Brasil destaca-se como o único com um sistema de saúde público e universal. O Sistema Único de Saúde (SUS) funciona com: ➜ acesso universal e integral aos serviços de saúde financiados com receitas de contribuições e de impostos, em que participam as três esferas de governo (união, estados e municípios). ➜ O SUS fornece serviços de saúde próprios e contrata parte dos serviços junto ao setor privado. O setor privado, constituído por operadoras de planos e seguros privados de saúde, cobre ao redor de um quarto da população brasileira, que corresponde principalmente aos extratos de maior renda e parte dos trabalhadores ocupados no setor formal. ➜ Essa parcela da população se beneficia dos serviços de saúde de ambos os setores, público e privado. Portanto, apesar de o SUS ter eliminado o seguro social de saúde financiado pela contribuição sobre salários, em certo modo, persiste uma segmentação do sistema de saúde como um todo resultante do nível de renda e da inserção no mercado de trabalho