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Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde - APS Ferramentas de Saúde Digital no Apoio à Gestão da Clínica na APS MÓDULO IV | USO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA GESTÃO CLÍNICA DISCIPLINA 10 Brasília (DF) 2026 Ferramentas de Saúde Digital no Apoio à Gestão da Clínica na APS DISCIPLINA 10 Tiragem: 1ª edição – 2026 – versão eletrônica 2026 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C Camargo Câncer Center. Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. A coleção institucional da Oferta de Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção Primária à Saúde - SAPS Esplanada dos Ministérios Bloco G, Edifício Sede CEP: 70058-900 – Brasília/DF CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE - CONASEMS Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo CEP: 70058-900 – Brasília/DF A.C CAMARGO CANCER CENTER R. Prof. Antônio Prudente, 211 – Liberdade CEP: 01509-010 - São Paulo/SP - Brasil Colaboração: Adriana Kitajima - SAPS/MS Michael Luiz Diana de Oliveira - CONASEMS Samara Carolina Rodrigues - SAPS/MS Stanley Mendes Fonseca - CONASEMS Vania Priamo - SAPS/MS Designer educacional: Gustavo Henrique Faria Barra - CONASEMS Coordenação de desenvolvimento gráfico: Cristina Perrone - CONASEMS Diagramação e projeto gráfico: Luciana Monteiro Campello - CONASEMS Júlia Gutierrez Souza Carmo - CONASEMS Revisão Linguística: Camila Miranda Evangelista - CONASEMS Fotografias e ilustrações: Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems Imagens: Fototeca do CONASEMS Flickr Ministério da Saúde Flickr CONASEMS Flickr Secretaria de Saúde do Distrito Federal Envato Elements https://elements.envato.com Freepik https://br.freepik.com Pexels https://www.pexels.com/pt-br/ Coordenação-geral: Ana Cláudia Cardozo Chaves - SAPS/MS Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas - SAPS/MS Ana Paula Neves Marques de Pinho - A.C. Camargo Cristiane Martins Pantaleão - CONASEMS Hisham Mohamad Hamida - CONASEMS Mauro Junqueira - CONASEMS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Verônica Savatin Wottrich - CONASEMS Organização: Núcleo Pedagógico do CONASEMS Coordenação técnica e pedagógica: Beatriz Zocal da Silva - SAPS/MS Jacirene Gonçalves Lima Franco - SAPS/MS Kelly Cristina Santana - CONASEMS Maria da Penha Marques Sapata - CONASEMS Marta de Sousa Lima - CONASEMS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Soane Cristina Almeida dos Santos - CONASEMS Thaís Coutinho de Oliveira - SAPS/MS Valdívia França Marçal - CONASEMS Elaboração de conteúdo: Verineida Sousa Lima Revisão técnica de conteúdo: Beatriz Zocal da Silva - SAPS/MS Jacirene Gonçalves Lima Franco - SAPS/MS Maria da Penha Marques Sapata - CONASEMS Michael Luiz Diana de Oliveira - CONASEMS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Soane Cristina Almeida dos Santos - CONASEMS Thais Coutinho de Oliveira - SAPS/MS Stanley Mendes Fonseca - CONASEMS COMO NAVEGAR NESTE E-BOOK Antes de iniciar a leitura do material, veja, aqui, algumas dicas para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. SUMÁRIO: uma forma rápida de acessar facilmente as temáticas. Quer retornar à lista das temáticas? Basta clicar no ícone, no canto superior da página. Sempre que surgir o QR CODE, aponte a câmera do seu celular para acessar o conteúdo. Você, também, pode clicar sobre ele, com o botão direito do mouse, para abrir em uma nova aba ou navegador. QR CODE Caso tenha dificuldade para visualizar os elementos visuais, utilize a função de zoom do PDF. ZOOM Este é o e-book da Disciplina 10 – Ferramentas de Saúde Digital no Apoio à Gestão da Clínica na APS, que marca o início do Módulo IV – Uso de Sistemas de Informação na Gestão Clínica. Ao longo dos seus estudos, você vai compreender como os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) apoiam o trabalho na Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente na organização do cuidado e na gestão clínica. Vamos acompanhar o percurso dos dados no Sistema Único de Saúde (SUS), desde o registro realizado no serviço até sua transformação em informações utilizadas para o planejamento, a tomada de decisão e o acompanhamento dos usuários. Nesse processo, será destacada a importância de realizar registros com qualidade, completude e padronização, entendendo como essas informações impactam diretamente a continuidade do cuidado, a produção de indicadores e o fortalecimento da APS. BEM-VINDO! Também serão apresentados os principais sistemas de informação em saúde, com destaque para o e-SUS APS, enquanto ferramenta estruturante do Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde (Siaps). Você vai conhecer suas funcionalidades e como utilizá-las no cotidiano do seu trabalho. Além disso, será possível entender como os dados produzidos na APS se articulam com outros sistemas e pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS), contribuindo para a coordenação do cuidado ao longo da trajetória dos usuários. Ao concluir este estudo, espera-se que você reconheça o valor dos dados que produz na sua prática e utilize os sistemas de informação como aliados no planejamento das ações, na qualificação da gestão clínica e no cuidado em saúde no território. AB | Atenção Básica ACS | Agente Comunitário de Saúde ACWY | Vacina Meningocócica Conjugada Quadrivalente AIH | Autorização de Internação Hospitalar APS | Atenção Primária à Saúde BPA | Boletim de Produção Ambulatorial CADSUS | Cadastro Nacional de Usuários do Sistema Único de Saúde CAPS | Centro de Atenção Psicossocial CBO | Classificação Brasileira de Ocupações CDS | Coleta de Dados Simplificada CEO | Centro de Especialidades Odontológicas CGIAD | Coordenação-Geral de Inovação e Aceleração Digital CIAP | Classificação Internacional de Atenção Primária CID | Classificação Internacional de Doenças CNS | Cartão Nacional de Saúde CNES | Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde CPF | Cadastro de Pessoas Físicas DEAPS | Departamento de Estratégias, Acreditação e Componentes da Atenção Primária DNV | Declaração de Nascido Vivo DO | Declaração de Óbito eAP | equipe de Atenção Primária eMulti | equipe Multiprofissional na Atenção Primária à Saúde LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ERF-CS | Escala de Risco Familiar de Coelho e Savassi eSF | equipe de Saúde da Família ESF | Estratégia Saúde da Família GAL | Gerenciador de Ambiente Laboratorial IBGE | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INE | Identificador Nacional de Equipe IVCF | Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional LACENs | Laboratório Central de Saúde Pública LGPD | Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais M-CHAT-R/F™ | Modified Checklist for Autism in Toddlers – Revised with Follow-Up (Lista de Verificação Modificada para Autismo em Crianças Pequenas – Revisada com Entrevista de Seguimento) MIAI | Modelo de Informação de Atendimento Individual MIAOI | Modelo de Informação de Atendimento Odontológico Individual MICDT | Modelo de Informação de Cadastro Domiciliar e Territorial MICI | Modelo de Informação de Cadastro Individual MIMCA | Modelo de Informação de Marcadores de Consumo Alimentar MIP | Modelo de Informação de Procedimentos MIVDT | Modelo de Informação de Visita Domiciliar e Territorial MS | Ministério da Saúde NCI | Notificação Compulsória Imediata LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS NCN | Notificação Compulsória Negativa NCS | Notificação Compulsória Semanal PTS | Projeto Terapêutico Singular RAS | Rede de Atenção à Saúde RAAS | Registro das Ações Ambulatoriais de SaúdeMenstrual: funcionalidade que viabiliza a solicitação de acesso ao programa. Essas e outras funcionalidades fazem parte da evolução da estratégia e-SUS APS e podem ser consultadas no Manual do e-SUS APS. Com todos os serviços utilizando o Prontuário Eletrônico e-SUS APS, é possível que um usuário atendido no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) seja avaliado e ter sua contrarreferência, e todo atendimento realizado, compartilhado com a equipe da APS. 91 Nesse contexto, seria fundamental que o profissional de saúde desse serviço tivesse acesso aos dados clínicos dos atendimentos realizados na Atenção Primária e em outros serviços pelos quais o usuário já passou. Essa integração também é possível em outros contextos, como no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), compartilhando o Plano Terapêutico Singular com a equipe de saúde bucal da APS, ou em policlínicas e centros de especialidades, realizando teleinterconsultas por videoconferência. São inúmeras possibilidades que conectam os diferentes serviços e redes de atenção, permitindo que o registro clínico seja compartilhado, compreendido e continuado em um cuidado longitudinal e integrado. Assim, todos os profissionais atuam de forma articulada em benefício do usuário, fortalecendo a qualidade da atenção e efetivando a gestão clínica do cuidado. 92 Agora, veja outro exemplo: imagine um usuário com diabetes que precisa procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em uma situação de urgência. Para verificar como o e-SUS APS se atualizou ao longo do tempo, com novas funcionalidades, observe a Figura 11: Figura 11 ─ Linha do tempo do e-SUS APS Fonte: Brasil [s. d.]. Pronto, agora que já conhecemos melhor nossa área, estamos atualizando e organizando os cadastros, utilizados adequadamente os módulos de agendamento e garantia de acesso. 93 Mas existem no e-SUS APS possibilidades de monitorar melhor nossas ações e identificar o impacto das boas práticas novas? Para esse monitoramento é possível utilizar os RELATÓRIOS. Já aprendemos sobre os relatórios consolidados de cadastro, e acompanhamento, agora vamos falar sobre os relatórios GERENCIAIS e de PRODUÇÃO: Gerenciais: relatórios mais dinâmicos, que permitem personalizar as variáveis conforme a necessidade da consulta. Estão disponíveis relatórios de absenteísmo (usuário faltou ou não aguardou atendimento), atendimentos, cuidado compartilhado, vacinação e exames. Produção: relatórios que apresentam os diferentes tipos de produção realizados nas unidades de saúde. Também permitem filtrar as informações de acordo com os critérios mais relevantes para a consulta. Interessante esses relatórios gerenciais, mas toda vez que vou usar, preciso montar esses dados entre as colunas e linhas. 94 Tem alguma forma mais fácil? Sim, nos relatórios gerenciais é possível fazer o seu próprio relatório customizado. Isso permite que um padrão de relatório fique salvo com acesso público e restrito, possibilitando que não seja mais necessário montar o relatório, mas apenas aplicar o padrão que foi customizado. Para entender melhor, observe a tela do sistema e-SUS APS com um relatório gerencial de vacinação: Figura 12 ─ Relatório gerencial de vacinação Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. *Tela extraída do e-SUS APS em 11 jun. 2026. Na Figura 12, acima, é possível identificar um ícone denominado “Cadastrar modelo”. Nesse ícone podemos montar um modelo de relatório e sempre que necessário extrair os dados sem ter que retornar para a estrutura principal do relatório e refazer. Essa mesma ação pode ser feita nos demais relatórios gerenciais, lembrando que esses relatórios retornam quantidade de atendimentos, vacinação, etc. 95 Para realizar a avaliação com base na identificação dos usuários, é necessário retornar ao relatório de ACOMPANHAMENTO, apresentado no início desta temática. Nele, você encontrará informações relevantes sobre todos os indicadores, além da possibilidade de exportar uma planilha para apoiar o monitoramento e a análise dos dados junto à sua equipe. E depois de tudo isso... Com todas essas possibilidades, a equipe foi pontuando as ações que precisam ser realizadas e distribuídas entre os diversos profissionais. 96 Nesse processo, compreendeu que o avanço da qualidade do trabalho realizado depende do empenho e da contribuição coletiva, e que todos precisam estar juntos nesse momento, compartilhando seus saberes e suas práticas. No entanto, à medida que estudavam os novos indicadores, o Manual do Prontuário Eletrônico e os cadernos e portarias da APS, a equipe começou a refletir sobre como esses dados chegam à esfera federal e se correspondem às informações registradas na base local do e-SUS APS. Diante disso, surgiu uma pergunta: Agora que a Equipe de Bento Feliz já compreendeu a importância do registro qualificado, dos padrões e terminologias em saúde, dos diferentes sistemas de informação e do funcionamento do e-SUS APS, está preparada para explorar a base federal de dados. Mas, afinal, como os registros realizados na Unidade de Saúde chegam à base federal? Existem relatórios que permitem acompanhar esse processo? Para responder a essas e outras questões, conheceremos, na próxima temática, o Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde (Siaps). 97 Como podemos acessar essas informações? 04 O Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde (Siaps) Quando os dados são enviados para a base federal inicia-se outro processo de organização e avaliação. Aqui os dados são qualificados para depois serem disponibilizados no acesso restrito para gestores e equipes e no acesso público para toda população. Nosso objetivo nesta temática é entender como o Siaps organiza os dados e disponibiliza, bem como a função desses dados na gestão clínica da APS. Os resultados dos indicadores estão diretamente relacionados ao cuidado prestado e à qualidade do registro realizado pelas equipes nos sistemas de informação. Desta forma, é necessário atentar-se à completude e consistência das informações preenchidas no e-SUS APS. Para que toda produção que você executa na APS seja aprovada na base federal, é importante cumprir todas as regras, que vão desde a identificação do profissional (quando disponível) e a identificação do usuário até as regras relacionadas a cada um dos modelos de informação ou dos indicadores descritos em fichas específicas. 99 É como um grande filtro, tudo que você e sua equipe envia por meio dos e-SUS APS é recebido no Siaps e analisado. Mas o mesmo acontece nos mais diversos Sistemas de Informação em Saúde (SIS), buscando qualificar o dado em saúde, evitando disponibilizar dados incoerentes e que não sejam confiáveis. O Sistema de Informação para a Atenção Primária em Saúde (Siaps) foi instituído pela Portaria GM/MS nº 7.639, de 18 de julho de 2025, que altera a Portaria de Consolidação n.1/2017, determinando que todos os dados coletados pela estratégia e-SUS APS devem ser operacionalizados por esse sistema. 100 Vale lembrar que antes tínhamos o Sistema de Informação em Saúde para Atenção Básica (SISAB), que trazia os dados da APS e foi atualizado e substituído pelo Siaps. Confira, no Quadro 2, as principais diferenças entre eles: Fonte: elaborado pela autora, 2026. Quadro 2 ─ Quadro comparativo entre o SISAB e o Siaps Nome completo Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica. Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde. Função principal Centralizar e organizar dados da APS para fins de financiamento, monitoramento e indicadores da Atenção Básica; disponibilizar relatórios de produção, cobertura e situação de saúde. Renovação e substituição do SISAB com foco em gestão de informação clínica e populacional integrada, oferecendo um repositório unificado de dados da APS, comnavegação mais fluida e recursos ampliados de análise. Relação histórica Implantado em 2013 como principal sistema de informação da APS; base de dados nacional para relatórios e indicadores. Instituído como evolução/renovação do SISAB para alinhar ao processo de transformação digital do SUS. Foco principal de uso Relatórios, monitoramento por indicadores, dados de produção e financiamento da APS. Concretizar um novo modelo de gestão de informação que apoie os municípios e os serviços de saúde na gestão efetiva da APS e na qualificação do cuidado dos usuários. Usuários típicos Gestores municipais/estaduais, equipes da APS e analistas que consultam relatórios e indicadores. Gestores, equipes de APS, profissionais que necessitam de análises mais completas e detalhadas de dados. SiapsSISABCritério 101 O Siaps representa um marco importante para a disponibilização de um sistema que traga o processo de transformação digital do SUS, alinhada a uma gestão de informação mais efetiva para as necessidades dos municípios. SA IB A M A IS Você sabe qual o prazo de envio da produção para o Siaps? A Portaria GM/MS nº 7.639, de 18 de julho de 2025 que altera a Portaria de Consolidação n.1/2017 descreve que: "Art. 308 - Os envios das informações pelas equipes da atenção primária para as bases de dados do Siaps terão cronogramas publicados em atos específicos da Secretária de Atenção Primária à Saúde (Brasil, 2025)." 102 Normalmente, esses registros são enviados conforme o cronograma de envio vigente, publicado em ato específico da SAPS. Para saber mais, clique aqui ou escaneie ou QR Code, ao lado, e acesse a “Nota Técnica Explicativa Relatório de Validação” nos materiais complementares da disciplina. Isso garante que a produção das diversas Unidades de Saúde do nosso país sejam recebidas em tempo oportuno no Siaps para passarem por um processo de validação, que verifica se o dado está correto, completo e de acordo com as regras necessárias para ser aceito e confiável. Ao acessar no navegador da internet por meio do Siaps, você tem acesso aos relatórios públicos do Cofinanciamento da APS e também ao módulo de Vigilância de Práticas Assistenciais que traz análise dos atendimentos e atividades registradas pelas equipes da APS de todo o Brasil. 103 Nessa tela, de acesso público, é possível verificar as produções enviadas para o Siaps e que passam por um processo de avaliação. É importante ressaltar que, caso haja necessidade de avaliar melhor os dados, tem-se também o acesso restrito pelo Gov.br, que traz informações mais detalhadas. https://egestorab.saude.gov.br/image/?file=20210302_I_Notatecnicav01_7664308789255114454.pdf https://mais.conasems.org.br/ Figura 13 ─ Tela e-Gestor APS Fonte: Brasil [s. d.]. Os dados reprovados nos remetem a algo que já abordamos: as regras, terminologias e especificidades de cada campo dos sistemas de informação. Como vimos, a maioria dos documentos e modelos de registro exige a identificação do profissional, do estabelecimento, da equipe e do CBO correspondente. Esses primeiros dados são avaliados pela base federal. Por isso, é essencial manter os dados dos profissionais e equipes atualizados no e-SUS APS e no CNES, garantindo que a produtividade seja inicialmente aprovada. Mas a verificação não para por aí: após essa etapa, os dados do usuário também são avaliados. Essa segunda análise é fundamental para os componentes do novo financiamento da APS, como vínculo, acompanhamento e indicadores das equipes. 104 Vocês lembram que a equipe de Bento Feliz já estava cadastrando e atualizando a sua população? Como eles vão saber que estão cumprindo as regras para essa validação? A NOTA TÉCNICA Nº 30/2025 - CGESCO/DESCO/SAPS/MS traz o componente de Vínculo e acompanhamento territorial e no Siaps é possível acompanhar a evolução da equipe. O que essa nota técnica nos diz sobre a validação dos dados?: Serão considerados cadastros de pessoas únicas identificadas corretamente, e enviadas dentro do período de recebimento de dados estabelecido pelo SISAB. São necessárias a indicação de CNS ou CPF e Data de Nascimento idêntica ao registro do CADSUS. Além disso, são realizadas validações específicas para o SISAB, sendo necessária a indicação correta de CNS e CBO válidos e associados ao profissional que realizou o cadastro/atendimento, e a indicação do CNES e INE válidos, ativos e associados ao estabelecimento e equipe qual o profissional e usuário são vinculados. Estas informações são verificadas e validadas uma única vez, e, se aprovadas, contabilizam para o custeio do componente. Fonte: NOTA TÉCNICA Nº 30/2025 - CGESCO/DESCO/SAPS/MS. 105 É importante que o profissional que está cadastrando no Modelo de Informação de Cadastro Individual (MICI) e no Modelo de Informação de Cadastro Domiciliar e Territorial (MICDT) esteja corretamente cadastrado no CNES e que os dados do usuário também sejam corretos. Assim, quando as informações de identificação do profissional, da equipe e do usuário forem enviadas para a base federal, o registro será aprovado. Então, a primeira etapa é manter o CNES do município atualizado com os dados dos estabelecimentos de saúde, as equipes e os profissionais. Além disso, ter cuidado ao cadastrar o usuário, verificando o documento e data de nascimento, bem como as demais informações de identificação e para os usuários da área de abrangência utilizar os Modelos de Informação de Cadastro. 106 E nos indicadores, também tem processos de validação? Para os indicadores precisamos conhecer as particularidades de cada ficha técnica que traz todos os detalhes, as regras de cada indicador e das boas práticas, os códigos, os profissionais que podem executar os serviços e até mesmo onde cada uma das ações podem ser registradas. Lembrando que para além dos indicadores, é importante prezar pela qualidade dos registros, inserindo não apenas os campos obrigatórios, mas garantindo que todas as informações importantes estejam no prontuário. A Figura 14, a seguir, apresenta um fluxo que mostra de uma forma bem simples como tudo acontece. Imagine que aquela consulta ou procedimento que você registrou no sistema, passará em todas essas etapas para então ser considerado dos diversos programas e serviços que compõem o SUS na APS. Figura 14 ─ Fluxo de validação e processamento de dados no Siaps Fonte: elaborado pela autora, 2026. 107 E por isso é tão importante que você e sua equipe conheçam como os dados são coletados e a qualidade das informações que inserimos nos sistemas de informação, ou seja, existem regras que precisam ser cumpridas para alinhar as diretrizes dos modelos de informação e consequentemente para ter um dado clínico com qualidade que integre a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Vamos para um exemplo prático? João, usuário cadastrado na Unidade de Saúde Bento Feliz, procurou a unidade para um atendimento com o dentista. Ele foi acolhido pela equipe, realizou um primeiro atendimento, em seguida o procedimento, foi ainda orientado sobre o retorno e vai continuar o cuidado de saúde bucal até a conclusão. 108 Como esse atendimento segue todas as regras de validação que aprendemos? Posteriormente, ao ser atendido, foi registrado no Modelo de Informação de Atendimento Odontológico Individual (MIAOI), com: ● CNS e CBO do profissional; ● CPF ou CNS do usuário; ● CIAP-2 ou CID-10 (situação clínica); e ● Códigos da SIGTAP (procedimentos realizados). Pronto, os dados do João foram registrados adequadamente cumprindo todas as regras e normas, seguindo as terminologias, foi enviado em tempo oportuno e recebido pelo Siaps, que processou e aprovou. Depois de processado, o atendimento de João será disponibilizado como um dado quantitativo, junto com todos os atendimentos realizados,sendo possível reconhecer quantas consultas e procedimentos de saúde bucal foram feitos. João era cadastrado na Unidade de Saúde por meio do Modelo de Informação de Cadastro Individual (MICI), que exigia os códigos: CNES e INE (Unidade e equipe), CNS e CBO (profissional responsável pelo cadastro). 109 Exatamente. Além da aprovação da produção e das atividades coletivas, o Siaps apresenta a avaliação mensal dos componentes. Essas informações, no acesso restrito, são organizadas em três abas: Equidade, Vínculo e Acompanhamento Territorial e Qualidade. Maria, enfermeira da equipe de Bento Feliz perguntou: isso quer dizer que depois de todo o processamento dos nossos registros podemos ter acesso a essas informações? Equidade Vínculo e Acompanhamento Territorial Qualidade Analisa o cadastro e o acompanhame nto dos usuários no território. Detalha os resultados de cada indicador. Exibe as equipes válidas e pagas. 110 Figura 15 ─ Tela inicial do Siaps Fonte: Brasil [s. d.]. Assim, ao acessar o componente Vínculo e Acompanhamento Territorial, é possível visualizar informações por competência, equipe ou variável, além de consultar as regras estabelecidas na NOTA TÉCNICA nº 30/2025-CGESCO/DESCO/SAPS/MS, já abordada neste material. 111 Figura 16 ─ Siaps (Equipe) Fonte: Brasil [s. d.]. *Tela extraída do Siaps em 11 jun. 2026. Na Figura 16, é possível acompanhar a evolução de uma equipe conforme os meses, o que é importante para identificar pontos de melhorias e alinhamento no território. Para melhorar a análise basta pegar aquele relatório do seu e-SUS APS, seja o de cidadão vinculado, território e acompanhamento e conferir os dados, ajustando as necessidades, para que na próxima avaliação a equipe possa avançar ainda mais. A seguir, vamos aprender como usar esses dados. 112 FI CA A D IC A Identifique os usuários que ainda não possuem cadastro domiciliar vinculado. Nesse relatório do Siaps, é possível verificar quantos usuários possuem apenas cadastro individual, permitindo planejar ações para a regularização dessas informações. Verifique se os usuários da unidade que recebem benefícios sociais estão devidamente cadastrados, com CPF registrado, dados atualizados e acompanhamento pelas equipes de saúde. Essas informações impactam diretamente o componente Vínculo e Acompanhamento Territorial. Entre outras possibilidades, incentive os usuários a avaliar os atendimentos por meio do aplicativo Meu SUS Digital, considerando que essa ação acrescenta pontuação ao componente Vínculo e Acompanhamento Territorial, conforme as regras vigentes. 113 Interessante, pois assim podemos verificar se as ações que estamos inserindo no e-SUS APS da unidade estão melhorando os nossos resultados no Siaps para o vínculo e acompanhamento, mas será que é possível também ter dados dos indicadores? O Siaps também traz uma aba com todos os resultados dos indicadores, seja da eSF/eAP, saúde bucal ou equipe multi, todos também com a visão por competência, equipe e visão do indicador. Com esses dados a equipe pode acompanhar como está avançando nos indicadores e planejar ações considerando os pontos necessários de ajustes. Vamos verificar um exemplo de como são os dados dos indicadores da eSF no Cuidado de Desenvolvimento Infantil, na Figura 16.1, a seguir. 114 Sim! Figura 16.1 ─ Siaps (Indicadores) Fonte: Brasil [s. d.]. *Tela extraída do Siaps em 11 jun. 2026. 115 Com esses dados é possível acompanhar se as práticas executadas na APS estão avançando no alcance dos indicadores, e, se associar esse relatório ao relatório de condições do e-SUS APS que mostra cada um dos públicos dos indicadores, a equipe pode planejar melhor as ações. A mesma visão de resultados também é atribuída a saúde bucal, e ainda traz lista com o nome dos usuários, o que potencializa na busca ativa, como mostra a Figura 16.2. Figura 16.2 ─ Siaps (Saúde bucal) Fonte: Brasil [s. d.]. *Tela extraída do Siaps em 11 jun. 2026. 116 E como temos acesso a esses dados? Isso ajudaria muito a equipe a entender desde o processo de validação da produção até os resultados dos indicadores! O acesso ao sistema é liberado pela gestão municipal por meio do cadastro dos profissionais. Avaliar esses resultados permite ter uma visão mais ampla de todo o processo de cuidado desenvolvido no território. Além dos relatórios do e-SUS APS, que já oferecem diversas possibilidades de análise da produção e dos indicadores da equipe, consultar os relatórios do Siaps proporciona uma compreensão ainda mais completa da organização do serviço, do desempenho, das equipes e da efetividade das ações realizadas. Lembra quando falamos sobre as regras, a qualidade do dado, as funcionalidades dos sistemas de informação e, por fim, as regras de validação do Siaps? 117 Pois bem, agora surgem duas nova questão: ● Para onde vão todos esses dados? ● Será que também conseguimos acessar outras possibilidades para acompanhar ainda melhor a nossa população? 118 Para responder a essas e outras questões, veja, na próxima temática, a grande transformação tecnológica do SUS: a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). 05 A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) Nesta temática vamos abordar a RNDS e como todos os registros se unem para trazer uma visão geral da assistência em saúde. A Unidade de Bento Feliz recebeu um novo usuário na área. Um ACS realizou o cadastramento e identificou que a criança fazia acompanhamento de uma condição de saúde importante no município onde morava anteriormente. Ele informou a equipe, e já foi direcionado o atendimento e a vacinação. No entanto, ao abrir o prontuário do usuário na Unidade de Saúde, o sistema não apresentou nenhum histórico de atendimento nem registro de vacinas. Diante disso, surgem duas questões: ● Por que isso acontece? ● E como a equipe poderia acompanhar melhor esse usuário sem acesso a essas informações? 120 Primeiro, é importante compreender que o e-SUS APS apresenta apenas os dados registrados na base local do sistema. Por isso, atendimentos realizados em outros municípios ou em sistemas diferentes nem sempre ficam visíveis no prontuário eletrônico. É nesse momento que entram os conceitos de qualidade do registro e interoperabilidade dos sistemas. A RNDS conecta dados clínicos de diferentes sistemas de saúde. Essa integração só é possível porque os profissionais realizam seus registros seguindo padrões e regras estabelecidos. Como mostra a Figura 17, a RNDS reúne informações de toda a rede de atendimentos do SUS — além de serviços privados e planos de saúde — e as disponibiliza aos profissionais pelo SUS Digital Profissional e aos usuários pelo aplicativo Meu SUS Digital. 121 Mas como ocorre o compartilhamento dessas informações entre diferentes serviços de saúde? Fonte: Brasil, 2020, p. 21. Figura 17 ─ Representação da Rede Nacional de Dados em Saúde como Plataforma Nacional de Inovação, Informação e Serviços Digitais em Saúde Até 2028, a RNDS tem como meta consolidar-se como a plataforma digital de inovação, informação e serviços de saúde para todo o Brasil, em benefício de usuários, cidadãos, pacientes, comunidades, gestores, profissionais e organizações de saúde (Brasil, 2020). 122 Outro ponto essencial é garantir a informatização das unidades de saúde e a integração do e-SUS APS com a RNDS, responsabilidade da gestão municipal. Quando essa integração está ativa e o recurso foi habilitado pelo administrador do sistema, durante o atendimento de um usuário surge o ícone SUS Digital Profissional. Com ele, médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas podem acessar, por meio da conta Gov.br, informações como histórico de atendimentos, vacinas e outros dados do usuário em diferentes serviços do SUS. No entanto, paraque essa transformação digital aconteça, conectando e padronizando vários sistemas, é necessário que cada profissional faça sua parte no momento do registro clínico. É necessário ter atenção desde o cadastramento do usuário até o envio dos dados dos atendimentos. 123 Trata-se de uma ferramenta poderosa para assegurar a integralidade do registro clínico e apoiar a tomada de decisões sobre o tratamento ou plano terapêutico. Além disso, a integração reduz a fragmentação dos dados clínicos, permitindo que diferentes profissionais tenham acesso ao histórico do usuário e possam dar continuidade ao cuidado em todos os níveis de atenção à saúde no país. Além disso, o profissional pode incentivar o usuário a baixar o aplicativo Meu SUS Digital, no qual todas essas informações também estarão disponíveis. Essa ferramenta permite inclusive que o usuário avalie o atendimento prestado. Confira, nas figuras à seguir, os sistemas do SUS Digital Profissional e do aplicativo Meu SUS Digital: Figura 18 ─ SUS Digital Profissional Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. O ícone SUS Digital profissional aparece no seu sistema e-SUS APS? Então, isso quer dizer que seu sistema está integrado à RNDS. 124 No cotidiano da assistência, a equipe de saúde pode utilizar o SUS Digital Profissional como uma ferramenta estratégica para apoiar o plano de cuidado do usuário, acessando de maneira ágil e segura informações já registradas em outros pontos da rede, como exames laboratoriais, imagens, prescrições e laudos clínicos. Esse acesso qualificado permite compreender melhor o histórico assistencial do paciente, fundamentar decisões clínicas, evitar repetição desnecessária de procedimentos e prevenir a solicitação de exames duplicados, contribuindo para um cuidado mais integrado, resolutivo, eficiente e centrado nas necessidades do usuário. É através dessa ferramenta que temos acesso às informações de atendimentos e vacinas fora do nosso município. Isso ajuda a entender melhor o percurso clínico do usuário e quais ações devem ser continuadas e ajustadas no plano terapêutico ou tratamento. 125 Mas, somente o profissional de saúde tem acesso a essas informações? Quando o registro realizado está aprovado, o usuário também recebe uma notificação no seu aplicativo Meu SUS Digital e pode acompanhar seus atendimentos realizados no SUS. Dessa forma, todos os sistemas se integram e permitem a disponibilização de uma visão longitudinal e compartilhada dos dados integrados à RNDS. Figura 19 ─ Aplicativo Meu SUS Digital Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. 126 A resposta é: Não. Agora tem especialistas Aplicações Conteúdo Quero que nossa unidade também esteja integrada à RNDS. Como podemos fazer isso? Para apoiar esse processo, consulte o Manual do e-SUS APS, especialmente a seção de apoio à implementação. Nela, você encontrará orientações sobre a integração do sistema, garantindo que os registros estejam alinhados às diretrizes e boas práticas de interoperabilidade com a RNDS. 127 06 Finalizando Nossa jornada sobre o caminho dos dados em saúde e a importância dos sistemas de informação chegou ao fim. Aprendemos o quanto o registro é importante, sendo imprescindível que todos os profissionais tenham conhecimento e atenção na hora de realizar. Somente com registros qualificados os sistemas podem representar de forma precisa a realidade de uma comunidade e orientar políticas públicas que previnam situações de risco e promovam melhores condições de saúde. 129 É igualmente por meio de registros adequados que se assegura um acompanhamento eficaz, possibilitando que cada profissional contribua com sua percepção clínica. Juntos, compõem um cuidado integrado e alinhado às necessidades do usuário. Vamos juntos alinhar ideias, qualificar os registros e assegurar que o seu trabalho se some ao de milhares de profissionais de saúde de todo o país, unindo-se na RNDS em prol de um cuidado mais humano, integral e contínuo. Contamos com você! 130 07 Bibliografia BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. 128 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategia_saude_digit al_Brasil.pdf. Acesso em: 13 de mai. de 2026. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual PEC – Capítulo 10: Acompanhamentos – Condições de Saúde. Brasília: SISAPS, 2024. Disponível em: https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/docs/manual/PEC/PE C_10_acompanhamento_condicoes_saude/. Acesso em: 13 de mai. de 2026. BRASIL. Ministério da Saúde. Passo a passo para os profissionais da assistência – PEC CEO. Brasília: Ministério da Saúde, [s. d.]. 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Pois bem, nesta temática, veremos que, além da ausência de registros, há outro desafio importante: a baixa qualidade das informações registradas, seja pela inserção incompleta de dados, seja pelo não cumprimento de regras essenciais. É nesse contexto que se inicia o nosso estudo: compreender como realizar um registro de qualidade, alinhado aos padrões exigidos e capaz de garantir a integração entre os diferentes sistemas de informação em saúde. 18 Antes de responder a essas perguntas, vamos conceituar o que é dado e o que é informação. Para isso, utilizaremos o glossário do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), segundo o qual: o Já parou para pensar nos dados que são produzidos durante os atendimentos? o Onde eles são armazenados? o E como eles podem ajudar na gestão clínica do seu território? Para refletir! Dados são representações formalizadas de informações, estruturadas de maneira que possam ser comunicadas, interpretadas ou processadas, por exemplo, números, palavras ou símbolos organizados em um sistema. Já a informação vai além: é o conhecimento gerado a partir desses dados, que nos permite compreender fatos, conceitos, objetos, eventos ou ideias (SISAB, 2024). 19 Podemos perceber que tudo o que produzimos em termos de dados em saúde é apenas o começo; é como iniciar uma viagem com um destino já traçado. Esse dado é o ponto de partida. Ao longo do percurso, ele vai se combinando com outros dados, e, no final, esse conjunto nos revela um panorama mais amplo: a real situação de saúde daquela comunidade, município, estado ou até mesmo do país. É assim que o dado se transforma em informação em saúde. Portanto, os DADOS são os registros formais que podem ser processados, e a INFORMAÇÃO é o conhecimento que se obtém desses registros para compreender fatos, eventos e a situação de saúde. 20 Para saber mais sobre as nomenclaturas utilizadas em saúde, clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, e acesse o Glossário do SISAB. Mas como tudo isso acontece? Tudo começa com o seu registro, seja de um atendimento, de um procedimento, de uma vacina ou de qualquer outra atividade realizada na Unidade de Saúde. Esse registro é armazenado nos sistemas de informação e, a partir daí, passa por etapas fundamentais de avaliação, como demonstra a Figura 1. Após o envio, os dados percorrem um fluxo técnico de validação: são submetidos a regras automáticas que verificam consistência, duplicidade, preenchimento de campos obrigatórios, vínculos entre usuários, profissionais e estabelecimentos, além da aderência aos modelos nacionais de informação, entre outros critérios. 21 https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/sisab/docs/modelos/glossario/ https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/sisab/docs/modelos/glossario/ Fonte: elaborado pela autora, 2026. Figura 1 ─ A trajetória dos dados da APS Somente os registros que passam por essas validações são aprovados e incorporados às bases oficiais do sistema. É assim que os dados se transformam em informação disponível, essencial para a construção de indicadores, seja de financiamento, de gestão clínica ou de continuidade do cuidado. Por isso, é fundamental que você e sua equipe compreendam não apenas como os dados são coletados, mas também a importância da qualidade dessas informações inseridas nos sistemas. Existem regras que precisam ser seguidas para que os registros estejam alinhados às diretrizes dos modelos nacionais de informação, garantindo, assim, dados clínicos de qualidade que possam integrar a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). 22 Na prática, isso significa que o registro em saúde deve ser completo, legível e respeitar regras básicas, como: a correta identificação do profissional, o cadastro adequado do usuário e o preenchimento padronizado dos detalhes do atendimento, utilizando siglas e códigos compreendidos por todos os sistemas. É esse cuidado que assegura a integração e a confiabilidade da informação em saúde. Antes de pensar em indicadores, validação ou resultados federais, é aqui que tudo realmente começa: no cuidado com a forma como você registra o que faz. 23 Lembre-se: inconsistências podem ocasionar rejeição, não processamento ou redução da qualidade e da utilidade do dado, de acordo com as regras de validação aplicáveis. Por isso, a qualidade do registro é muito importante. Para garantir a padronização dos registros em saúde nessa viagem dos dados pelos sistemas de informação, usamos terminologias padronizadas: “Os serviços de terminologia viabilizam a interoperabilidade entre sistemas, promovem a qualidade da informação – sobretudo a clínica – e resultam em melhor atendimento ao paciente, maior capacidade de gestão da qualidade da saúde, em benefício de cidadãos, profissionais e gestores (Brasil, 2020)”. Assim, utilizamos sistemas de classificação padronizados, como a Classificação Internacionalde Doenças (CID-10), a Classificação Internacional de Atenção Primária (CIAP-2) e a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), entre outras, para uniformizar a linguagem utilizada nos serviços de saúde. Dessa forma, a informação se torna mais precisa e compreensível, garantindo registros mais qualificados, maior integração entre os sistemas e um atendimento mais seguro, organizado e eficiente, tanto para os profissionais, quanto para os gestores e usuários. 24 N A P R Á TI CA Para facilitar a sua compreensão, imagine uma conversa entre profissionais de uma equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) chamada Bento Feliz: Atendi a Senhora Maria, mas... qual código eu uso? O que significa esse CIAP? Essa é a Classificação Internacional de Atenção Primária, um tipo de terminologia que usamos. Com esse código, você descreve a situação de saúde da usuária de maneira padronizada, permitindo que todos entendam o registro de forma uniforme. 25 Percebeu o quanto as terminologias fazem parte do nosso dia a dia? Elas garantem que todos os documentos de registro de dados em saúde tenham o mesmo padrão, seja na ficha de procedimentos ou mesmo em uma ficha de requisição de exame citopatológico, os padrões de classificação vão estar inseridos, como mostra a Figura 2, a seguir. Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. Figura 2 ─ Registro de dados em saúde 26 Identificação da Unidade de Saúde e profissional que executou o procedimento. Identificação do usuário. Para acessar o Repositório de Terminologias em Saúde, clique aqui ou escaneie o QR Code ao lado. Portanto, um registro com qualidade é aquele que cumpre adequadamente as regras estabelecidas. Em um país do tamanho do Brasil, essa padronização, ou seja, o uso de terminologias comuns nos sistemas, é fundamental. Ela garante que o registro feito em qualquer Unidade de Saúde do território nacional seja compreendido por todas as outras, justamente porque seguem as mesmas regras, normas e terminologias. Veja outro exemplo a seguir: Quando uma criança nasce, é preenchida a Declaração de Nascido Vivo (DNV). Cada campo desse documento possui critérios e informações essenciais que precisam ser observados com atenção. Posteriormente, esses dados são digitados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), onde passam a compor a base oficial de nascimentos do país. 27 https://rts.saude.gov.br/#/ https://rts.saude.gov.br/#/ Depois, a criança é acompanhada pela Unidade Básica de Saúde (UBS) e, durante os atendimentos de puericultura, os marcadores são registrados conforme o Modelo de Informação de Marcadores de Consumo Alimentar (MIMCA). Esses registros são digitados no Prontuário Eletrônico e-SUS APS. Cada um desses documentos de registro possui regras importantes que precisam ser conhecidas pelos profissionais de saúde. São essas regras que garantem não apenas a qualidade do dado em saúde, mas também o acompanhamento longitudinal do usuário, ou seja, a capacidade de identificá-lo ao longo do tempo e reconhecer todos os serviços e ações de saúde realizados, bem como o itinerário terapêutico percorrido com o apoio dos diversos profissionais envolvidos na assistência. E tudo isso se torna muito mais compreensível e efetivo quando o registro é feito de forma qualificada, seja no Prontuário Eletrônico e-SUS APS ou no campo apropriado em outro sistema de prontuário eletrônico. 28 SA IB A M A IS Para aprofundar e ampliar sua compreensão sobre os temas abordados até aqui, acesse os materiais complementares a seguir. Clique nos títulos ou escaneie os QR Codes: Modelo de Informação de Marcadores de Consumo Alimentar (MIMCA). 29 Orientações para Avaliação de Marcadores de Consumo Alimentar na Atenção Básica. Declaração de Nascido Vivo: Manual de Instruções para Preenchimento. http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/esus/ficha_marcadores_alimentar_v3_2.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/esus/ficha_marcadores_alimentar_v3_2.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/marcadores_consumo_alimentar_atencao_basica.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/marcadores_consumo_alimentar_atencao_basica.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/marcadores_consumo_alimentar_atencao_basica.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/esus/ficha_marcadores_alimentar_v3_2.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/declaracao-de-nascido-vivo-manual-de-instrucoes-para-preenchimento/view https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/declaracao-de-nascido-vivo-manual-de-instrucoes-para-preenchimento/view https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/declaracao-de-nascido-vivo-manual-de-instrucoes-para-preenchimento/view https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/declaracao-de-nascido-vivo-manual-de-instrucoes-para-preenchimento/view Para que todo esse compartilhamento de informações aconteça de forma segura, existe a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Lei nº 13.709/2018, alterada pela Lei nº 13.853/2019. Ela estabelece as diretrizes de proteção dos dados, garantindo que cada informação de saúde seja utilizada apenas para finalidades legítimas, com acesso controlado e proteção adequada dos dados sensíveis dos usuários. Como abordado anteriormente, quando usamos terminologias e padrões, a qualidade do registro é ampliada, permitindo a conexão dos dados produzidos, conectando sistemas e chegando à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). 30 Nesse contexto, o profissional de saúde tem papel fundamental: precisa conhecer a LGPD, compreender suas implicações no cotidiano do trabalho e agir com responsabilidade no registro, uso e compartilhamento das informações. Mesmo quando os sistemas se conectam e trocam dados entre si, é a atuação ética e consciente dos profissionais, alinhada à LGPD, que assegura que essa circulação aconteça com privacidade, segurança e respeito ao cidadão. 31 Percebeu que não adianta apenas registrar o que fazemos, é preciso ter qualidade nesse registro, entender as regras e terminologias que integram os diversos sistemas de informação? Isso vai garantir a produção de um dado em saúde que possa ser compartilhado e ajude você e sua equipe a entender melhor as necessidades do território para o planejamento e acompanhamento da comunidade e a longitudinalidade do cuidado. Essa integração permite que, em síntese, o registro em saúde seja o ponto de partida para a produção de informação qualificada no SUS. Quando realizado de forma completa, padronizada e responsável, utilizando terminologias oficiais e respeitando critérios técnicos e a LGPD, ele permite que os dados circulem com segurança entre os sistemas, integrem-se à Rede Nacional de Dados em Saúde e se transformem em conhecimento útil para a gestão clínica, o planejamento em saúde e a continuidade do cuidado no território. Essa base é essencial para compreender as necessidades da população e qualificar as políticas públicas. 32 02 Os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) Agora que você já aprendeu que os dados registrados possuem padrões e normas importantes, chegou o momento de entender melhor como esses padrões interagem com os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) e como reconhecer os dados e utilizá-los na prática da gestão clínica. Desde antes da criação do SUS, observou-se que a quantidade de registros produzidos precisava ser sistematizados, ou seja, organizados para possibilitar a compreensão do cenário em saúde e auxiliar na tomada de decisão. Assim, em 1975, surgiu o primeiro sistema de informação em saúde: Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) Atualmente, todos os municípios brasileiros registram as declarações de óbitopor meio do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM). Com isso, é possível identificar as principais causas de morte em cada localidade e, a partir destes dados, direcionar ações estratégicas para reduzir os óbitos por determinadas causas. 34 Além disso, essas informações são fundamentais para fortalecer a vigilância em saúde, orientar o planejamento das ações e aprimorar o cuidado oferecido na Atenção Primária à Saúde (APS). Elas também permitem avaliar o impacto das políticas de saúde e contribuem para a melhoria contínua da assistência prestada à população. Com o passar dos anos, especialmente após a criação do SUS e o desenvolvimento de suas políticas e programas de saúde, diversos sistemas de informação foram criados. Cada um deles tem uma finalidade específica e conta com fichas de registro próprias, sejam elas para registrar nascimentos, óbitos, cadastros, atendimentos ou notificações de doenças e agravos. O que precisamos compreender, portanto, é que cada registro em saúde é feito em um documento específico e deve seguir regras adequadas para alimentar corretamente os SIS. A seguir, veremos alguns exemplos práticos. 35 Quadro 1 ─ Registro em saúde nos Sistemas de Informação em Saúde (SIS) Prontuário Eletrônico e-SUS APS / Fichas do e-SUS APS. Siaps • registro da Atenção Primária; • produção das equipes; • indicadores de saúde; • base para financiamento e avaliação da APS. Declaração de Nascido Vivo (DNV). SINASC • monitoramento da natalidade; • análise de saúde materno-infantil; • planejamento de políticas de pré-natal e atenção ao nascimento. Declaração de Óbito (DO). SIM • estatística de mortalidade; • causas de morte; • vigilância epidemiológica; • planejamento de ações de prevenção e assistência. Ficha de Notificação / Investigação. SINAN • notificação e monitoramento de agravos de notificação compulsória; • vigilância epidemiológica; • respostas rápidas a surtos. Autorização de Internação Hospitalar (AIH). SIH/SUS • registro de internações hospitalares; • avaliação de perfil assistencial. Formulário de Requisição e Resultado do Exame Citopatológico do Colo do Útero e do Formulário de Requisição e Resultado do Exame Histopatológico. SISCAN • monitoramento do rastreamento e diagnóstico de câncer de colo de útero e mama; • acompanhamento de fluxos de linha de cuidado. Documento de Origem Utilidade / Finalidade no SUS Sistema de Informação em Saúde (SIS) Fonte: elaborado pela autora, 2026. 36 O SINAN foi desenvolvido em 1993, mas só em 1998 passou a ser um sistema regulamentado e utilizado em todo território nacional (Brasil, 2007). Esse sistema faz parte da Vigilância em Saúde (VS), área responsável por coletar, sistematizar e analisar os dados sobre eventos relacionados à saúde e, entre esses, os agravos. Atualmente, temos vários SIS que permitem a identificação do perfil epidemiológico da população, bem como norteiam as ações realizadas pelos diversos serviços do SUS. Nesta temática vamos conhecer alguns sistemas importantes, iniciando pelo: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A APS desempenha um papel fundamental na notificação de agravos e doenças, sendo uma importante ferramenta para identificação e acompanhamento desses casos. Por isso, é essencial que os profissionais de saúde conheçam quais são os agravos e doenças de notificação compulsória. 37 VOCÊ SABIA? As doenças, agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória estão relacionados no Anexo 1 do Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, de 2017, atualizado pela Portaria GM/MS nº 10.175, de 2026, que estabelece a Lista Nacional de Notificação Compulsória. As notificações podem ser classificadas como imediatas, semanais ou negativas, sendo: Notificação Compulsória Imediata (NCI): realizada em até 24 (vinte e quatro) horas, a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação mais rápido disponível. Notificação Compulsória Semanal (NCS): realizada em até 7 (sete) dias, a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública. Notificação Compulsória Negativa (NCN): comunicação semanal realizada pelo responsável do estabelecimento de saúde à autoridade sanitária, informando que, na semana epidemiológica, não foi identificado nenhum caso de doença, agravo ou evento de saúde pública constante da Lista Nacional de Notificação Compulsória. (Fonte: Anexo 1 do Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, atualizado pela Portaria GM/MS nº 10.175/2026). 38 Observe o caso a seguir: Assim, os dados de registros do SINAN também possuem regras e cada ficha de notificação tem campos específicos que devem ser preenchidos, de acordo com os padrões determinados. Dona Antônia procurou a Unidade de Saúde Bento Feliz relatando que mora na zona rural e que sentia muita dor no dedo da mão direita após ser picada enquanto tirava roupas do varal. Ela informou ter visto uma aranha marrom no momento do acidente. Por se tratar de um acidente com animal peçonhento, que é um evento de notificação compulsória imediata, a profissional de saúde precisava registrar o caso no SINAN, preenchendo a Ficha de Notificação Individual. No entanto, ela teve dúvidas sobre algumas perguntas e pensou em deixá-las em branco. Será que essa seria a conduta correta? 39 A resposta é: Não, essa não seria a conduta correta. 40 Isso porque cada ficha de notificação possui campos importantes que devem ser preenchidos adequadamente. Caso você tenha dúvidas sobre como preencher algum campo, basta clicar aqui e acessar o site do SINAN no portal do Ministério da Saúde. Nele, você encontra todos os agravos, as fichas de notificação e investigação, o instrucional de preenchimento, o dicionário de dados e também o caderno de análises. Dessa forma, é possível garantir que os dados registrados na notificação tenham qualidade, e possam, de fato, contribuir para o entendimento, o monitoramento e a tomada de decisões em relação à situação notificada. Por meio das notificações é possível identificar as necessidades de uma comunidade e planejar as ações necessárias. Por exemplo, se temos muitas notificações de arboviroses, é possível direcionar vacinas da dengue, organizar ações de prevenção e até mesmo dar suporte à rede assistencial para ampliar os atendimentos. https://portalsinan.saude.gov.br/ Outro exemplo que ilustra bem a importância das notificações são os casos de Microcefalia ocorridos em 2015. À medida que as notificações aumentavam, despertou-se a necessidade de investigar o que estava acontecendo. Foi assim que se chegou à associação com o vírus Zika e, posteriormente, à distribuição de repelentes para gestantes como parte das estratégias de controle. Se você não conhece essa história, recomendamos a leitura do livro "Vírus Zika no Brasil: A Resposta do SUS". É uma excelente obra que mostra, na prática, como a notificação qualificada e o olhar atento ao território são fundamentais para a saúde pública. 41 Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para acessá-lo. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/virus_zika_brasil_resposta_sus.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/virus_zika_brasil_resposta_sus.pdf Outro sistema que muitos municípios utilizam e até mesmo de forma descentralizada nas unidades de saúde é o Sistema de Informação do Câncer (SISCAN). Esse sistema registra solicitações e laudos de exames citopatológicos, histopatológicos e mamografias, sendo um recurso importante para o acompanhamento dos resultados de exames realizados pelas usuárias do território. Para utilizar é necessário fazer um cadastro no Sistema de Cadastro e Permissão de Acessos (SCPA), que após a liberação do responsável pela Unidade de Saúde, passa a ter todasas funcionalidades para o cadastro do exame, bem como o acompanhamento dos resultados. Essa disponibilidade para a Unidade de Saúde ajuda a agilizar o acesso dos profissionais da APS ao resultado, evitando perda de resultados e possibilitando uma intervenção mais rápida. Assim, os profissionais da APS utilizam o e-SUS APS para registrar todo atendimento e procedimentos relacionados, e, o SISCAN, para acompanhar os resultados dos exames e seguimento das usuárias. 42 Outros sistemas utilizados no âmbito da APS são: o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) que acompanha peso, altura, estado nutricional e consumo alimentar, o Sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), que reúne solicitação, recebimento e acompanhamento de exames laboratoriais, realizados pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs), o Sistema de Informação de Insumos Estratégicos (SIES) que auxilia na organização do movimento de vacinas, entre outros. Como vimos, há diversos sistemas de informação que são utilizados na APS. Além disso, deve-se destacar a estratégia e-SUS APS, que tem o objetivo de reestruturar as informações da APS em nível nacional. Para conhecer mais detalhes sobre Sistema de Informação do Câncer (SISCAN), clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado. 43 Essa estratégia é voltada à organização do processo de trabalho das equipes e à qualificação das informações produzidas no cuidado em saúde, e será apresentada no próximo tópico. https://www.inca.gov.br/publicacoes/manuais/manual-do-sistema-de-informacao-do-cancer-siscan-modulos-1-2-3-e-4 https://www.inca.gov.br/publicacoes/manuais/manual-do-sistema-de-informacao-do-cancer-siscan-modulos-1-2-3-e-4 03 O Sistema e-SUS APS Até aqui, vimos a importância de fazer registros com qualidade e conhecemos diversos sistemas de informação relacionados ao trabalho dos profissionais de saúde. Agora, vamos abordar o sistema e-SUS APS, que é uma ferramenta fundamental para a Atenção Primária à Saúde. Nesta temática, vamos explorar as várias ferramentas que o e-SUS APS oferece para apoiar a gestão clínica do cuidado, conhecer todo o ecossistema que compõe esse sistema e entender como você pode utilizar essas funcionalidades na prática do dia a dia para qualificar o atendimento e o acompanhamento dos usuários. 45 Algumas ações de educação permanente em saúde já foram realizadas, mas ainda existem dúvidas sobre como fazer os registros corretamente e como utilizar todos os módulos disponíveis no sistema. Além disso, a equipe percebeu que o sistema passa por atualizações com frequência. Para isso, a equipe de Bento Feliz irá nos ajudar nessa jornada! O município está passando por um processo de informatização das equipes de saúde, migrando da Coleta de Dados Simplificada (CDS) para o Prontuário Eletrônico e-SUS APS. Mas, afinal, por que isso acontece? O sistema e-SUS APS passa por atualizações constantes para se manter alinhado às novas regras e diretrizes do SUS. Essas mudanças podem ocorrer por diversos motivos, como a inclusão ou substituição de uma vacina no calendário vacinal, a alteração de um código de atendimento ou a implantação de um novo módulo de acompanhamento. 46 FI CA A D IC A Cabe à gestão municipal realizar essas atualizações de forma ágil, garantindo que o sistema permaneça plenamente funcional, em conformidade com as regras vigentes e apto a registrar corretamente todas as ações de saúde realizadas pelas equipes. 47 Sempre verifique a versão do seu sistema. A atualização é necessária para garantir registros de qualidade. Na tela inicial, será exibida a versão instalada. Em seguida, acesse o site do e-SUS APS clicando aqui. Depois, confira na página principal qual é a versão mais atual. Clique aqui para assistir ao vídeo “Como saber a versão do seu e-SUS APS”, no qual o procedimento é demonstrado. https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/ https://vimeo.com/1141886271?share=copy&fl=sv&fe=ci Outra informação importante sobre esse assunto pode ser encontrada nas notas Nº 12/2025 e Nº 13/2025, ambas publicadas pela CGIAD/DEAPS/SAPS/MS. Elas abordam a importância da atualização do sistema. A nota técnica Nº 12/2025 menciona: “os dados enviados por meio do Sistema e-SUS APS com versões disponibilizadas por um período superior a 12 (doze) meses serão invalidados, com o motivo de reprovação descrito como: versão do sistema disponibilizada por período superior a 12 meses”, enquanto que a nota informativa Nº 13/2025 apresenta um cenário nacional sobre o uso dessas versões desatualizadas. Clique nos títulos ou escaneie os QR Codes para acessá-las: Nota Técnica Nº 12/2025. Nota Informativa Nº 13/2025. 48 https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/assets/files/NT_12-2025_criterio_validacao_dados_siaps-0394bed57dc6efcddaa83dab337f9533.pdf https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/assets/files/NI_13-2025_cenario_versoes_incompativeis-90647909abe17697641f1a44b859e48a.pdf https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/assets/files/NI_13-2025_cenario_versoes_incompativeis-90647909abe17697641f1a44b859e48a.pdf https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/assets/files/NT_12-2025_criterio_validacao_dados_siaps-0394bed57dc6efcddaa83dab337f9533.pdf Inicialmente, o e-SUS APS era voltado apenas para as equipes da APS. No entanto, a partir de 2023, com a versão 5.2, o sistema passou a permitir o uso do Prontuário Eletrônico por outros serviços de saúde, com o objetivo de favorecer a integralidade do registro clínico em saúde e auxiliar no acompanhamento longitudinal do usuário. Para saber mais sobre o uso do e-SUS APS nos demais estabelecimentos de saúde, clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para consultar o manual do sistema. 49 https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/docs/manual/PEC/PEC_06_atendimentos/#610-e-sus-ampliado https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/docs/manual/PEC/PEC_06_atendimentos/#610-e-sus-ampliado Reunião de equipe A equipe de Bento Feliz olhou para o e-SUS APS e começou a pensar em como aquele sistema poderia ajudar, principalmente em relação aos novos indicadores da APS. Como sabemos, um dos primeiros registros que temos na nossa unidade é o cadastro do território. O preenchimento adequado dessas informações e registro, seja via Prontuário Eletrônico e-SUS APS, aplicativos ou nas Fichas de Coleta de Dados Simplificada (CDS) digitadas pode ajudar você a entender melhor as características da população da sua área de abrangência. Em reunião, eles resolveram explorar melhor os dados que já existiam no sistema, mas por onde iniciar? 50 Além disso, o aplicativo conta com funcionalidade de georreferenciamento, o que permite conhecer melhor o território e a distribuição da população. Outro potencial importante é a possibilidade de cadastrar também os domicílios, oferecendo uma visão mais ampla do território e dos diversos espaços que o compõem — fundamentais para o planejamento das ações de saúde. Quando falamos de cadastramento, um dos grandes avanços do e-SUS APS é o aplicativo utilizado pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Por meio dele, é possível atualizar os dados das famílias e realizar todo o acompanhamento necessário de forma prática e integrada. Agora que já conhecemos a importância da avaliação da população, a seguir, vamos explorar as informações disponíveis no sistema. 51 Vamos exercitar uma atividade para analisar o cadastramento da população no território. Para isso, você deve: A G O R A É S U A V EZ 01 Acessar o sistema e-SUS APS do seu município. Caso sua Unidade de Saúde ainda não esteja informatizada, solicite os dados à Secretaria Municipal de Saúde. 02 Com o sistema aberto, acessar o menu lateral e clicar em RELATÓRIOS e, em seguida, em CONSOLIDADOS. 52 Fonte: adaptado de Brasil [s.d.]. *Tela extraída do e-SUS APS em 11 jun. 2026. Figura 3 ─ Relatórios consolidados do e-SUS APS 03 Localizar e analisar os seguintes relatórios: 1. Relatório de cadastro domiciliar e territorial: observe as características do território, os tipos de domicílios e as condições de moradia. Essas informações permitem identificar áreas de vulnerabilidade e aspectos relacionados ao processo saúde-doença. 2. Relatório de cadastro individual: verifique a quantidade de cidadãos cadastrados, o perfil sociodemográfico e as principais condições de saúde. Reflita se esses dados correspondem à realidade do território e como podem contribuir para a organização dos atendimentos. 3. Relatório consolidado da situação do território: analise o resumo das informações e a série histórica, observando a evolução da comunidade ao longo do tempo. 04 A partir da análise, identifique: ● Principais vulnerabilidades do território. ● Perfil epidemiológico da população. ● Possíveis necessidades de atualização ou correção dos cadastros. 53 A partir desse levantamento, foram identificados pontos importantes: Vamos observar por meio de um exemplo como fazer essa avaliação? Ana, profissional da equipe de Bento Feliz, baixou os relatórios em formato de planilha e, com o apoio dos demais integrantes da equipe, elaborou alguns gráficos que ajudaram a compreender melhor o perfil da comunidade. Presença de registros com dados “não informados”. Informações desatualizadas, como um caso de tuberculose que não estava mais presente no território. Necessidade de qualificar o cadastro dos pontos estratégicos da área. Identificação de vulnerabilidades no território. Distribuição dos usuários por condição clínica, permitindo um planejamento mais direcionado das ações de saúde. 54 Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, e veja como a equipe de Ana fez esse relatório consolidado. Vale reforçar que o cadastro é o primeiro passo para o reconhecimento das condições de vida, saúde e vulnerabilidade das pessoas. Ele permite o planejamento de ações e a estratificação de riscos de forma mais precisa, sendo este, papel de todos os profissionais atuantes na APS. Portanto, o cadastro e o reconhecimento da população são responsabilidade de todos os profissionais da equipe de saúde, devendo ser pauta para os momentos de educação permanente, avaliação, monitoramento e planejamento das ações. Considere que, quando não conhecemos adequadamente o espaço que atuamos, não conseguimos propor soluções assertivas para a necessidade do território. 55 https://docs.google.com/spreadsheets/d/1S5hywTitsBpxGKU_-u1sQn1sL6-0KIg3OYzGcIuQ2dY/edit?gid=163964673#gid=163964673 https://docs.google.com/spreadsheets/d/1S5hywTitsBpxGKU_-u1sQn1sL6-0KIg3OYzGcIuQ2dY/edit?gid=163964673#gid=163964673 Um dos potenciais problemas que podem ser encontrados com essa avaliação é a existência de cadastros desatualizados, ou mesmo as duplicidades de cadastro, que é quando um usuário é inserido no sistema com dois ou mais cadastros (normalmente, um cadastro com Cadastro de Pessoa Física (CPF) e outro com Cartão Nacional de Saúde (CNS)). Mas, afinal, o que fazer com cadastros duplicados? O e-SUS APS conta com uma funcionalidade chamada Unificação de Cadastros, que permite reunir cadastros duplicados de um mesmo usuário. Ela está disponível no módulo GESTÃO DE CADASTROS, na barra lateral do sistema. É importante saber que essa funcionalidade não aparece para todos os profissionais da Unidade de Saúde, pois se trata de um processo que exige atenção e cuidado redobrados. 56 Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. *Tela extraída do e-SUS APS em 11 jun. 2026. Figura 4 ─ Unificação de cadastros no e-SUS APS Como mostra a Figura 4, também é possível exportar uma planilha com todos os cadastros duplicados. No entanto, atenção: esse arquivo contém informações de toda a base municipal. Por isso, antes de realizar qualquer unificação, é fundamental ter cautela e certeza dos dados que serão alterados. Para saber mais sobre o processo de unificação, clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para acessar o Manual e-SUS APS. 57 https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/docs/manual/PEC/PEC_09_gestao_cadastros https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/docs/manual/PEC/PEC_09_gestao_cadastros Além disso, o e-SUS APS traz um módulo chamado de ACOMPANHAMENTO. A seguir, reunimos as principais informações que podemos extrair desse módulo. Acompanhamento de condições de saúde: esse é um relatório muito importante, pois nele é possível extrair listas com informações sobre o atendimento dos usuários, principalmente crianças, gestantes, idosos, usuários com doenças crônicas, acompanhamento geral e de saúde bucal, bem como acompanhamentos mais específicos com filtros de idade, sexo, identidade de gênero, entre outros. 58 Busca ativa de vacinação: esse relatório é útil para pesquisa da situação vacinal da comunidade, podendo ser, assim, utilizado para identificar usuários com vacinas atrasadas e no prazo de aplicação, sendo um instrumento importante para o planejamento da equipe em relação à imunização. Isso quer dizer que vários dados já estavam disponíveis no próprio sistema e-SUS APS e que, se utilizado pela equipe, poderia ajudar muito a organizar todo processo de trabalho, garantindo um atendimento com mais qualidade. 59 Cidadão vinculado: traz uma lista com os nomes dos usuários vinculados à equipe, sendo possível identificar até mesmo a última atualização do cadastro do usuário, o que seria muito útil para o planejamento considerando que o cadastro é um dos pilares para o componente de vínculo e acompanhamento do novo financiamento da APS. Território: esse relatório traz uma visão geral de todo território, sendo possível filtrar as informações sobre as características do domicílio e até mesmo ter a localização desses domicílios, conforme o ACS tenha realizado o cadastro com o aplicativo e-SUS Território e inserido essa informação. Como já utilizavam ferramentas de mapeamento, como Google Maps, QGIS, OpenStreetMap ou similares, e estavam implementando a Escala de Risco Familiar de Coelho e Savassi (ERF-CS), aproveitaram a geolocalização dos relatórios territoriais para identificar famílias com risco médio e máximo, observando a LGPD, as normas locais de governança, o acesso institucional controlado e a anonimização ou pseudonimização dos dados. Mas como Ana e sua equipe poderiam relacionar aquele primeiro relatório de cadastramento com esse de acompanhamento? A partir do cadastramento da população, a equipe de Bento Feliz identificou áreas com maior vulnerabilidade no território. Além disso, também sinalizaram no mapa outros grupos prioritários, como: Gestantes de alto risco. Idosos com IVCF-20 (Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional) classificado como moderado ou alto. Demais condições de saúde consideradas relevantes para o planejamento do cuidado. 60 Para saber onde fica a geolocalização dos imóveis/domicílios, clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para assistir um vídeo tutorial. Lembre-se que essa geolocalização somente está disponível quando o cadastro é realizado por meio do aplicativo e-SUS Território com o mapa ativado. A partir dessa primeira análise, foi possível identificar pontos de melhoria no cadastramento e no acompanhamento da população. Além disso, o relatório de acompanhamento de condições — que apresenta o nome dos usuários do território e os respectivos motivos de acompanhamento — mostrou-se uma ferramenta valiosa para organizar os fluxos de trabalho de acordo com a realidade local. 61 https://vimeo.com/1141887716?share=copy&fl=sv&fe=ci https://vimeo.com/1141887716?share=copy&fl=sv&fe=ci "E como ficam os atendimentos? Quais módulos do sistema podemos utilizar para organizaro fluxo e a demanda da equipe?" Enquanto parte da equipe ficou responsável pela atualização e organização do cadastro da população da área de abrangência, além da revisão do mapa do território, Caio, que atua na recepção da unidade, levantou uma questão importante: A equipe lembrou que, anteriormente, recebiam modelos de informação para coleta de dados, preenchiam os formulários e, depois, precisavam digitar todas as informações no sistema para envio. 62 Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. Figura 5 ─ Tipo de atendimento na ficha de atendimento individual Refletindo sobre a questão dos indicadores, começaram a pensar em como iriam registrar os atendimentos, tanto os agendados, quanto os espontâneos. Isso porque, no Modelo de Informação de Atendimento Individual (MIAI), essa diferenciação era feita apenas por meio da marcação no campo "tipo de atendimento", como mostra a Figura 5. 63 Caio ainda leu os conceitos de demanda programada e espontânea, que eram descritos na Nota Metodológica C1 - Mais acesso do Ministério da Saúde: Demanda programada: consiste no atendimento à pessoa com necessidade de ações programáticas individuais, direcionadas para os ciclos de vida, doenças e agravos prioritários e que necessitam de acompanhamento contínuo (consulta agendada programada; cuidado continuado; e consulta agendada). Demanda espontânea: consiste no atendimento à pessoa com necessidade de saúde que exige atenção imediata, no mesmo dia, sem consulta previamente agendada (escuta inicial/orientação; consulta no dia; e atendimento de urgência). Essa necessidade se refere a um quadro de sofrimento agudo, com evolução de risco ou potencialidade de prevenção. 64 Vale lembrar que, para a organização do fluxo de atendimento, é possível se orientar pelo Caderno de Acolhimento à Demanda Espontânea, que você pode acessar clicando aqui ou escaneando o QR Code ao lado. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_cab28v1.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_cab28v1.pdf Agora, vamos abordar os módulos que auxiliam na organização dos FLUXOS DE ATENDIMENTO NA UNIDADE, que são: Agenda: nesse módulo é possível agendar uma consulta na Unidade de Saúde ou fora dela, reservar tempo de agenda para atividades como reuniões, Programa Saúde na Escola (PSE), entre outros, bem como agendar com outros profissionais de saúde de forma presencial ou online com ou sem a participação do usuário. Ainda sobre a agenda, é possível registrar a falta do usuário ao atendimento, gerando um relatório de absenteísmo, que representa uma importante fonte de informação para a equipe. Lista de atendimento: traz a lista de usuários para atendimento na Unidade de Saúde, seja aqueles vindos da agenda, ou mesmo aqueles que serão inseridos como demanda espontânea, permite ainda filtrar informações importantes do atendimento. 65 Registro tardio: é um modelo útil para registrar um atendimento que já aconteceu e não foi inserido no sistema, seja, por que foi realizado no domicílio do usuário e somente será inserido após o retorno à Unidade de Saúde ou mesmo quando o Prontuário Eletrônico e-SUS APS apresenta um problema e não é possível realizar o registro pela lista de atendimento. Nesse módulo, tanto usuários vindos da agenda são apresentados como pode-se realizar a inserção manual do usuário para o registro. Destaca-se que há um prazo de 7 dias para esse registro. Garantia do acesso: esse módulo é como uma “fila virtual de espera”, quando não é possível mais o atendimento naquele momento e não há espaço para agendamento, assim, a garantia do acesso permite listar os usuários e suas necessidades para que no momento que houver possibilidade do atendimento o mesmo seja informado. Ressalta-se que demandas urgentes não entram na garantia do acesso, pois precisam ser atendidas de forma mais rápida. 66 Agora, eles precisavam entender como explorar as funções do Prontuário Eletrônico e-SUS APS no atendimento dos profissionais. Ele funciona como uma verdadeira “caixa de ferramentas”, repleta de funcionalidades que se adaptam às características e necessidades de cada usuário atendido. Isso significa que, durante o atendimento, o sistema apresenta apenas as opções relevantes para aquele perfil específico — por exemplo, no atendimento de uma criança, surgem ferramentas como o acompanhamento de puericultura ou a triagem com o M-CHAT-R/F™, que não aparecem no atendimento de usuários de outras faixas etárias. A equipe de Bento Feliz percebeu que as funcionalidades eram inúmeras. Então, resolveram fazer a leitura do caderno de Acolhimento à Demanda Espontânea e, junto com o conhecimento desses módulos do e-SUS APS, organizar melhor o fluxo de atendimento. 67 SA IB A M A IS O M-CHAT-R/F™ (Modified Checklist for Autism in Toddlers – Revised with Follow-Up), disponível no e-SUS APS a partir da versão 5.4, é uma ferramenta gratuita e de fácil aplicação destinada à triagem de sinais precoces do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças de 16 a 30 meses de idade. A ferramenta pode ser utilizada por pais, responsáveis e profissionais de saúde e está estruturada em duas etapas: um questionário inicial sobre o comportamento da criança e, quando necessário, uma entrevista de seguimento para aprofundar a avaliação das respostas. Caso a triagem indique risco elevado, a criança deve ser encaminhada para avaliação especializada. É importante destacar que o M-CHAT-R/F™ não substitui o diagnóstico clínico, mas atua como um importante instrumento de identificação precoce e apoio à tomada de decisão pelos profissionais de saúde. 68 Quando um usuário é inserido para o atendimento podem aparecer as seguintes opções: Escuta inicial: é o atendimento do usuário que entrou por demanda espontânea. Tem-se a possibilidade de classificar o risco e assim direcionar o atendimento ou seja, sinalizar se o mesmo deve ser realizado no dia, ser agendado, ir para a garantia do acesso ou mesmo já ser resolvido na escuta. É possível também o registro de sinais vitais e outras informações também nos casos de demanda programada. Atender: possibilita o atendimento do usuário de forma direta, sem escuta inicial. Vacinação: utilizado para realizar o registro de vacinação, podendo também ser útil caso haja necessidade de fazer uma transcrição de caderneta. 69 Agora, a equipe de Bento Feliz já compreende a importância do cadastro e dos relatórios para o acompanhamento da população, além de ter identificado como funciona o processo de acolhimento e a organização da demanda no sistema. Assim, é possível realizar todo registro de forma adequada, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde, adequando as características da população do território e garantindo que, desde o acolhimento até o atendimento, a equipe possa acompanhar todo o processo. o No entanto, surgiu uma nova dúvida: e na hora do atendimento? o O que deve ser registrado em cada um dos campos que aparecem na tela? Afinal, antes eles apenas marcavam nas fichas, que depois eram digitadas no sistema. 70 O que acontece é que, no Prontuário Eletrônico e-SUS APS, a parte de atendimento é bem mais completa do que nas fichas dos modelos de informação, permitindo que os registros possam trazer qualidade e detalhes necessários para o acompanhamento do usuário. Vamos comparar um atendimento feito nos Modelos de Coleta de Dados com um atendimento realizado no Prontuário Eletrônico e-SUS APS: Figura 6 - Dados do usuários na ficha de atendimento individual 71 Figura 7 - Folha de rosto do e-SUS APS Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. Fonte: Brasil [s. d.]. *Tela extraída do e-SUS APS em 11 jun. 2026. Perceba que, quando comparamos com os modelos de informação, vocêvai ter o mesmo padrão: acima a identificação do profissional, do estabelecimento de saúde, da equipe e o CBO e abaixo a identificação do usuário. Lembre-se de sempre conferir essas informações antes de iniciar o atendimento. 72 Figura 8 - Dados do atendimento na ficha de atendimento individual Fonte: adaptado de Brasil [s. d.]. Figura 9 - Tela do módulo SOAP do e-SUS APS Fonte: Brasil [s. d.]. *Tela extraída do e-SUS APS em 11 jun. 2026. O restante do modelo de informação traz dados mais simples, onde podemos marcar e colocar poucas informações. No entanto, o Prontuário Eletrônico e-SUS APS já traz várias possibilidades, oferecendo ferramentas mais interativas que vão aparecendo conforme vamos alimentando os dados. Folha de rosto A tela traz as principais informações do usuário, com destaque para os últimos atendimentos realizados. É possível visualizar gráficos com medições importantes para o acompanhamento da saúde, além de alertas sobre vacinas em atraso, problemas e condições ativas, resultados de exames, medicamentos em uso e até lembretes registrados por você ou por outro profissional durante algum atendimento. O registro das informações apresenta muitas possibilidades para a equipe. Vamos simplificar, abaixo, os itens possíveis de preenchimento. Na tela principal temos: 73 SOAP Na lateral traz as informações principais (que estão na folha de rosto), mas é no centro, na parte de subjetivo, objetivo, avaliação e plano que o atendimento daquele momento deve ser inserido e são registrados dados de medidas antropométricas/resultados de exames/CIAPs/CIDs e SIGTAPs. Histórico Traz todos os atendimentos, visitas e atividades já realizadas e registradas, permitindo filtrar por tipo de atendimento, por diagnóstico, profissional, período e até mesmo imprimir o prontuário para entrega física ao usuário. Vacinação Campo para verificação da situação vacinal do usuário. Cadastro do cidadão Traz as informações principais de cadastramento do usuário. Agendamentos Permite identificar por período os agendamentos anteriores realizados para esse usuário. 74 A equipe de Bento Feliz está realizando todo movimento de organização de fluxo de atendimento, os cadastros já estão atualizados e eles tiveram uma reunião sobre os novos indicadores da APS. Na reunião, falaram sobre preencher corretamente os dados, ressaltaram que existem códigos importantes, tais como o CIAP-2, CID-10, SIGTAP, entre outros. A equipe ficou confusa, mas como entender melhor sobre esse assunto? Lembra que falamos de terminologias e padrões, então, até aqui a equipe já realizou várias ações usando essas padronizações, considerando que cada registro tem uma estrutura que precisa ser preenchida e enviada. Assim, quando um profissional abre o prontuário eletrônico para atendimento, ou mesmo um aplicativo da estratégia e-SUS APS para enviar seus registros, toda estrutura daquele documento ou sistema tem padrões estabelecidos. 75 Vamos para um exemplo prático. Imagine o indicador de Cuidado da pessoa com diabetes na APS. Conforme a Nota Metodológica C4 - Cuidado da pessoa com Diabetes do Ministério da Saúde, considera-se como boas práticas de acompanhamento: Ter pelo menos 01 (uma) consulta presencial ou remota realizadas por médica(o) ou enfermeira(o), nos últimos 06 (seis) meses. A Ter pelo menos 01 (um) registro de aferição de pressão arterial realizado nos últimos 06 (seis) meses. B Ter pelo menos 01 (um) registro simultâneos de peso e altura realizado nos últimos 12 (doze) meses. C Ter pelo menos 02 (duas) visitas domiciliares realizadas por ACS/TACS, com intervalo mínimo de 30 (trinta) dias, nos últimos 12 (doze) meses. D Ter pelo menos 01 (um) registro de solicitação de hemoglobina glicada realizada ou avaliada, nos últimos 12 (doze) meses. E Ter pelo menos 01 (uma) avaliação dos pés realizada nos últimos 12 (doze) meses. F 76 A equipe de Bento Feliz lembrou como era o trabalho antes da informatização: eles utilizavam o Modelo de Informação de Atendimento Individual (MIAI) para registrar as consultas, marcando frequentemente no campo rápido a condição de diabetes do usuário. Indicadores envolvem várias ações que devem ser desenvolvidas por todos os integrantes da equipe. No caso do indicador de acompanhamento à pessoa com diabetes, há ações de atendimento, procedimentos e visitas, vamos relacionar essas ações a estratégia e-SUS APS. Também registravam os exames de hemoglobina glicada. Já no Modelo de Informação de Procedimentos (MIP), inseriam procedimentos como aferição de peso, altura, pressão arterial e avaliação dos pés. Por sua vez, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) utilizavam o Modelo de Informação de Visita Domiciliar e Territorial (MIVDT) para registrar as visitas domiciliares. Agora, com o prontuário eletrônico, surge a dúvida: como fazer tudo isso de forma integrada no novo sistema? 77 Na realidade, com o Prontuário Eletrônico e-SUS APS, o registro clínico da equipe tende a se tornar muito mais completo. Antes, limitava-se à marcação em campos rápidos ou à inserção de códigos. Agora, é possível descrever com mais detalhes a situação clínica do usuário, registrar resultados de exames e compará-los ao longo do tempo, além de detalhar o exame físico e o plano de cuidados. Esses campos estão organizados dentro da estrutura do SOAP. Observe a seguir o que significa SOAP: S O A P Subjetivo (Sintomas relatados pelo paciente, percepções, queixas). Objetivo (Dados mensuráveis e observáveis pelo profissional: sinais vitais, resultados de exames físicos, laboratoriais, etc). Avaliação (Diagnóstico ou análise do profissional de saúde sobre os dados Subjetivos e Objetivos). Plano (Conduta, tratamento, próximos passos, orientações, encaminhamentos). 78 Antecedentes: importante campo para descrever os antecedentes pessoais e familiares relacionados aos problemas e condições de saúde, sejam esses ativos, resolvidos ou latentes. Assim, cada campo do SOAP tem sua funcionalidade e, juntos, eles têm o objetivo de proporcionar uma conduta de avaliação coerente e técnica para que o profissional possa acompanhar de forma adequada a continuidade da assistência ao usuário. Além disso, no SOAP temos: Subjetivo: compreende o primeiro contato da consulta, aqui descreve-se o motivo do atendimento do usuário, bem como as evidências de anamnese do profissional. Objetivo: tem como foco principal o exame físico e o recebimento de outros exames, sejam, laboratoriais, imagem, etc. Aqui também registra-se a avaliação de sinais vitais, antropometria, marcadores de consumo alimentar e dependendo da faixa etária e condição clínica do usuário aparecerá cards interativos com mais informações como a puericultura, o pré-natal, o Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional (IVCF), entre outros. 79 Plano: é possível definir as metas de cuidado para o usuário, prescrever medicamentos, solicitar exames, encaminhamentos, imprimir atestados, orientações e até mesmo compartilhar o cuidado com a eMulti APS. Avaliação: aqui classifica-se os problemas e condições de saúde detectados, os quais são importantes para definir o plano de cuidados. E por fim, tem-se a finalização do atendimento. 80 No caso do indicador de acompanhamento da pessoa com diabetes, vamos utilizar o método SOAP para registrar a consulta da seguinte forma: Subjetivo (S): registrar os sintomas, queixas e demais informações relatadas pelo usuário, incluindo percepções sobre a saúde dos pés. Objetivo (O): registrar os achados do exame dos pés, além dos dados de pressão arterial, peso, altura e resultado da hemoglobina glicada nos campos correspondentes. Avaliação (A): identificar que o atendimento se refere a um usuário com Diabetes, é necessário inserir o CIAP ou CID-10 neste campo, conforme oscódigos estabelecidos na nota metodológica C4 – Cuidado da Pessoa com Diabetes do Ministério da Saúde. Plano (P): registrar a solicitação da hemoglobina glicada no campo solicitação de exames e a avaliação dos pés utilizando o código correspondente da SIGTAP, ambos inseridos neste campo. Lembrando que a descrição detalhada da situação do exame dos pés deve constar no campo Objetivo, garantindo o registro da evolução para acompanhamento nas consultas seguintes. 81 Esse mecanismo de sequenciamento lógico do atendimento também favorece a comunicação entre os profissionais de saúde. Ao adotarem a mesma estrutura de registro, a equipe adquire familiaridade com a dinâmica e a evolução dos atendimentos, o que facilita a compreensão compartilhada do histórico do usuário. Como resultado, promove-se um cuidado mais longitudinal, integrado e colaborativo. Lembrando que o Técnico de enfermagem, ou o Auxiliar de Enfermagem, também tem acesso a algumas dessas ferramentas e deve utilizá-las conforme as atribuições da sua categoria. A visita do ACS pode ser registrada no aplicativo e-SUS Território e sincronizada com o Modelo de Informação de Visita Domiciliar e Territorial (MIVDT), sendo posteriormente processada e enviada pelo sistema. 82 Não, o registro das vacinas não é feito no SOAP. Quando a vacinação é realizada por um profissional na unidade de APS, o registro deve ser feito por meio do tipo de serviço "vacinação", identificado pelo ícone da seringa na lista de atendimento. A vacinação pode ser citada no SOAP quando pertinente, como no campo S, em casos de hesitação vacinal, e no campo P, quando houver orientação para vacinação. Caso a vacina seja aplicada e não seja possível registrá-la no mesmo dia, o procedimento deve ser realizado posteriormente no módulo Coleta de Dados Simplificada (CDS), disponível no Prontuário Eletrônico e-SUS APS. Nesse caso, é necessário preencher a ficha específica desse módulo, pois somente ali é possível inserir corretamente a data de aplicação da vacina. Realmente, são muitas possibilidades, comentou o técnico de enfermagem da equipe de Bento Feliz. Mas me diga uma coisa: e o registro das vacinas, como funciona? Também deve ser feito no SOAP? Questionou. 83 Assim, as vacinas aplicadas e registradas no mesmo dia na Unidade de Saúde devem constar na lista de atendimento com o tipo de serviço vacinação. Já nas ações de vacinação extramuros, também é possível utilizar o aplicativo e-SUS Vacinação para registrar as doses aplicadas, conforme orientações a seguir: A data da aplicação da vacina deve ser igual entre a caderneta física e o envio pelo sistema de informação. Lista de atendimento e aplicativo e-SUS vacinação: a data da aplicação fica no dia que você está realizando o registro. FIQUE ATENTO!