Prévia do material em texto
TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO EXAME DA GENITÁLIA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE PUBERDADE: Fenômeno biológico que se refere às mudanças fisiológicas e morfológicas resultantes da reativação dos mecanismos neuro-hormonais do eixo hipotalamico-hipofisário-gonadal. Cronologia: meninas: 8-13 anos; meninos: 9-14 anos Manifestações da puberdade: - Estirão puberal; - Mudanças na composição corporal; - Desenvolvimento gonadal, dos órgãos de reprodução, das características sexuais secundárias e dos sistemas e órgãos internos. TERMINOLOGIA: Telarca: Desenvolvimento das glândulas mamárias. Pubarca: Desenvolvimento dos pelos pubianos. Adrenarca: Produção de androgênios pelas glândulas adrenais. Gonadarca: Maturação do eixo hipotalamo-hipófise-gônadas. EXAME DA GENITÁLIA DO RECÉM NASCIDO/LACTENTE: Os achados no exame físico do bebê que sugerem Anomalia da Diferenciação Sexual diferem conforme a aparência externa da genitália. o Genitália com aparência feminina: adesões entre os pequenos lábios, massa inguinolabial (suspeita de massa ou hérnia) ou clitoromegalia. o Genitália com aparência masculina: hipospádia perineal isolada; hipospádia associada à criptorquidia (unilateral ou bilateral); hipospádia associada a micropênis (pênis < 2,5 cm no recém-nascido a termo) ou hipospadia associada a testículos não-palpáveis unilateral ou bilateralmente. Na avaliação do bebê, na Atenção Primária à Saúde, o profissional deve avaliar, no primeiro exame físico, a região perineal e estar atento para esses achados. A diferenciação externa da genitália masculina está completa aproximadamente com 17 semanas de gestação. Em recém-nascidos a termo o tamanho do pênis considerado normal é maior que 2,5 cm e o diâmetro maior que 0,9 cm, o tamanho deve ser ajustado para idade gestacional. O tamanho do clitóris deve ser avaliado, sendo consideradas normais medidas entre 2 a 6 mm. O saco escrotal, grandes lábios e região inguinal devem ser cuidadosamente palpados para identificar a presença ou ausência de gônadas. A abertura da uretra deve ser visualizada e descrita sua posição. Em um paciente com genitália aparentemente feminina é importante definir se no períneo é possível identificar a presença dos três orifícios, ou seja, uretra, vagina e ânus, todos separados. TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO Em casos que não são individualizados em separados, os pacientes também devem ser investigados. Genitália feminina virilizada ao exame físico verifica-se a presença de introito vaginal. EXAME DA GENITÁLIA DA CRIANÇA Meninos: forma do pênis, exposição da glande, localização da uretra, forma da bolsa escrotal. testículos (tamanho, consistência, localização), hipospádia e epispádia, fimose (balanopostite), hidrocele, hérnia. Meninas: tamanho do clitóris, lábios maiores e menores, orifício uretral e hímen. Conformação, corrimento (uretral, vaginal), corpos estranhos, sinéquia de pequenos lábios. Genitália, região perineal e ânus podem ser examinados no início do exame físico em lactentes, mas serão examinados por último nas crianças maiores. Examinar também região glútea, ânus (fístulas, fissuras), prolapso retal, outras protrusões, (pólipos, etc). Dermatite perianal, anomalias congênitas anorretais. FINAL DA PUBERDADE A puberdade se completa em três a quatro anos após o início, quando já aconteceu o desenvolvimento das características puberais, a definição da altura final - a velocidade de crescimento e inferior a 1cm / ano-, quando já houve a total remodelação do corpo infantil corpo de adulto jovem. A altura final resulta da completa fusão das epífises ósseas, o que nas meninas ocorre cerca de dois anos após a menarca e nos rapazes, em torno de 19 anos, embora alguns ainda tenham algum acréscimo até 21 anos. MENINO DESENVOLVIMENTO PUBERAL O desenvolvimento puberal do menino, de maneira geral, se inicia pelo aumento do volume testicular (maior ou igual a 4mL, medido com o orquidômetro de Prader, e/ou maior ou igual a 2,5cm), seguido pelo desenvolvimento de pelos pubianos e pelo aumento peniano (inicialmente em comprimento, depois em espessura). É comum que, entre 13 e 14 anos, ocorra a polução noturna, e entre 14 e 15 anos, a semenarca. O estirão de crescimento ganho de 30cm de estatura ocorre entre as fases intermediária e tardia da adolescência. CONSULTA ANDROLÓGICA A consulta andrológica abrange todos os problemas do aparelho genital e urológico masculino. Nos adolescentes, os primeiros exames médicos geram ansiedade e grande expectativa. O TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO médico deve esclarecer todas as etapas da consulta e do exame físico, além de informar sobre o direito ao sigilo, da possibilidade de ser atendido sem a presença dos pais ou responsáveis e solicitar sempre o consentimento verbal para realização do exame físico. Caso você solicite, outro profissional de saúde ou mesmo alguém da sua família, pode estar presente durante a consulta e o exame físico. Embora muitas vezes é neste momento que podem surgir várias dúvidas ou preocupações que você queira conversar somente com o/a profissional médico/a. EXAME FÍSICO O EXAME FÍSICO CONSISTE EM DUAS ETAPAS: 1. Realização de um exame físico geral no corpo, com destaque para o estágio de desenvolvimento puberal (fases da adolescência) em que o adolescente se encontra, onde são examinados o crescimento dos pêlos nas axilas e no genital, assim como o tamanho dos testículos e do pênis. - Observar comprimento do pênis e a anatomia do prenúcio; - Verificar se há exposição da glande: - Ver a localização do meato uretral; - Palpar os testículos na bolsa escrotal; - Investigar a presença de massas escrotais ou inguinais anormais; - O toque retal em ambos os sexos deve levar em conta o pudor da criança, a necessidade do exame e a habilidade do examinador. - Enquadrar a criança em um dos cinco estágios de desenvolvimento sexual segundo os critérios de Tanner. 2. Realização de exame detalhado dos órgãos genitais masculinos externos, avaliando todas as características destes órgãos, além de possibilitar a identificação de possíveis problemas, entre eles: - Fimose: dificuldade de expor a glande do pênis. - Hipospádia: Meato uretral (orifício da uretra) localizado na face ventral do pênis. - Criptorquidia: Quando os testículos não estão localizados na bolsa escrotal. - DST - Doença sexualmente transmissível; - Infecção da glande e do prepúcio: relacionado à má higiene ou à masturbação; - Orquite: inflamação de um ou ambos os testículos; - Epididimite: inflamação ou infecção do epidídimo; - Torção do cordão espermático, que é uma urgência urológica que põe em grave risco a fertilidade do adolescente, e tem indicação cirúrgica imediata; TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO - Hidrocele: acúmulo de líquido no saco escrotal, conseqüência de uma epididimite, orquite ou de um trauma; - Hematocele: presença de sangue na bolsa escrotal, causada na maioria das vezes por traumatismos; - Varicocele: varizes que aparecem na bolsa escrotal, assintomático na maioria dos casos, presente em 15% das consultas de rotina; - Hérnia inguinal ou inguinoescrotal. - Gigantomastia. ALTERAÇÕES COMUNS 1. CRIPTOQUIRDIA 2. VARICOCELE TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO MENINA DESENVOLVIMENTO PUBERAL O desenvolvimento puberal da menina normalmente ocorre com a telarca, a partir dos 8 anos de idade. Seu estirão do crescimento (ganho de 25cm de estatura) ocorre entre as fases incial e intermediária da zatrescência, em torno do esto 3 de Tanner. A menarca ocorre em 2 a 3 anos após a telarca, por volta do estágio 4 de Tanner. QUEIXAS CONSULTA GNECOLÓGICA Inicialmente,a consulta da criança, que vem sempre acompanhada de algum responsável, geralmente decorre de uma queixa específica e encaminhada do pediatra. Nessa idade, as principais queixas trazidas ao ginecologista são: - Corrimento vaginal; - Irritação e prurido nos órgãos genitais externos; - Dor abdominal; - Sinéquias de pequenos lábios; - Distúrbios do desenvolvimento puberal; - Dúvidas acerca da anatomia dos órgãos genitais externos; - Traumatismos; - Suspeita de violência sexual. A adolescente, por sua vez, tem na consulta ginecológica um espaço de diálogo acerca das mudanças que a puberdade e o início da vida sexual causam, mas esse contato pode ser prejudicado por questões familiares, por exemplo. Neste grupo, os principais motivos pelos quais a paciente vem ao consultório são: - Dúvidas ou anomalias do desenvolvimento da puberdade; - Distúrbios do ciclo menstrual; - Corrimento; - Vulvovaginites; - Contracepção. EXAME FÍSICO - O exame dos genitais externos. - O exame especular. - O toque vaginal. Exame das mamas: identificar o estágio do desenvolvimento puberal e, quando pertinente, investigar a presença de assimetria, o volume, a presença de estrias e lesões, além de abaulamentos e retrações; Visualizar os grandes e os pequenos lábios; Afastar os lábios para observar o clitóris, o introito vaginal e o meato uretral; Verificar se há corrimento vaginal mucolde transitório tingido de sangue; TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO Ver orificio himenal; Em meninas pré-escolares, a inspeção da vagina é facilitada pela posição genupeltora; Enquadrar a criança em um dos cinco estágios de desenvolvimento sexual segundo os critérios de Tanner. ALTERAÇÕES COMUNS 1. GENITÁLIA AMBÍGUA corre quando os órgãos sexuais não são bem formados ou não são claramente masculinos ou femininos. No momento da concepção, o sexo de um feto já é determinado com base no 23º par de cromossomos que herdou dos pais. As meninas têm dois cromossomos X e os meninos têm um cromossomo X e um cromossomo Y. TIPOS DE HÍMEN Anular: “É o mais frequente. Possui apenas um orifício central na membrana”. Complacente: “Também possui apenas um orifício central, porém sua membrana é mais forte e mais elástica. Por isso, dificilmente se rompe durante o ato sexual. Por ser flexível, ele se adapta à penetração”. Septado: “Possui um único orifício, mas existe uma pequena pele que divide o orifício em dois. Por ser mais resistente à penetração, ele pode estar associado às dificuldades para ter as primeiras relações. A boa notícia é que o incômodo pode ser facilmente resolvido com um pequeno procedimento ambulatorial, em que removemos a pele do orifício”. Cribiforme: “Nele existem vários orifícios menores, semelhante a uma peneira. Também pode necessitar de intervenção cirúrgica por dificultar a penetração”. Imperfurado: “É muito raro, mas costuma ser detectado muito antes do início da vida sexual da mulher. A procura por atendimento médico costuma acontecer pela ausência de menstruação em menina na puberdade, porque o sangramento fica retido, dores em baixo ventre e aumento do abdome. Neste caso, o tratamento é sempre cirúrgico. TEÓRICA HAM 03/10 – JULLIANE RAMALHO EPITÁCIO