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Prova Prática de Semiologia Exame Clínico É constituído de: ● Identificação do animal; ● Investigação da história do animal (anamnese); ● Exame físico (geral e especial); ● Solicitação e interpretação de exames subsidiários (se necessário); ● Diagnóstico; ● Prognóstico; ● Tratamento. Identificação Espécie Equinos → Anemia Infecciosa Equina, Garrotilho. Bovinos → Leucose Bovina, Rinotraqueíte Infecciosa Bovina Cães → Cinomose Raça Bovinos → de leite tem mais doenças metabólicas (hipocalcemia, acetonemia) Cães → predisposição a doenças cardíacas. Ex: Boxer Sexo Cistite X obstrução uretral Idade Idosos → neoplasia Jovens → parvovirose (cães) ou problemas umbilicais. Peso Calcular dose de medicamento. Anamnese Fonte e Confiabilidade Queixa principal História médica recente (O quê, quando e como?) → “Quando começou a observar isso?”. → “O aparecimento da enfermidade foi gradativo ou súbito?” → “A enfermidade aparece sazonalmente?” (Ex:dermatopatias alérgicas em cães) → “Mudou de alimentação recentemente?” Revisão de sistemas Digestório ● O animal alimenta-se bem? ● Bebe água normalmente? ● Está defecando? Qual o tipo de fezes (duras, moles, pastosas ou líquidas)? ● O animal apresenta vômito? ● Qual o aspecto do vômito? Tem relação com a ingestão de alimentos? Tem alimentos não digeridos? sangue? Cardiorrespiratório ● O animal cansa facilmente? ● Estava acostumado a correr e está mais quieto? ● O animal tosse? Que tipo de tosse? Vem secreção junto? ● Que tipo de secreção? Uni ou bilateral? Qual a frequência? ● Piora a noite ou após o exercício? ● Elimina sangue pelas narinas? O animal parece fraco? Genitourinário ● O animal está urinando? ● Qual a frequência? ● Qual a coloração da urina? ● Qual o odor? Aparecem formigas no local? ● Aparentemente, o animal sente dor ao urinar? ● O animal já pariu? Parto foi normal? ● Quando foi o último cio? ● Percebeu secreção vaginal ou peniana? ● Exposição peniana prolongada? Nervoso ● Apresentou mudanças de comportamento (agressividade)? ● Apresentou convulsões? ● Apresenta dificuldade de andar? Subir escadas? Anda em círculos? Locomotor ● O animal está mancando? De que membro? Pele e anexos ● O animal se coça? Muito ou pouco? ● O prurido é intenso? ● Chega a se automutilar? ● Apresenta meneios de cabeça? ● Está apresentando queda de pelos? História médica pregressa História ambiental e de manejo Onde o animal permanece a maior parte do dia, se o local é unido, boa ventilação, proteção contra temperaturas altas/baixas, acesso a rua ou lixo, se a casa está reformando, cercas, condições de higiene local História familiar ou do rebanho Exame físico geral Atitude, comportamento, nutrição, hidratação, parâmetros vitais Inspeção ● Nível de consciência (Coma, estupor, apático, normal ou excitado) ↪ determina pela reação a estímulos ● Postura (se equino deitar em decúbito sem ser lateral ta indo de arrasta) ● Locomoção e marcha ● Estado nutricional ● Estado dos pelos ● TPC ↪ quanto +, + desidratado ● Parâmetros vitais ● Mucosas ● Temperatura Palpação ● Linfonodos Tamanho, sensibilidade, consistência e mobilidade ↪ Submandibulares (difícil em bovinos e equinos) ↪ Retrofaríngeos (só da pra ver se estiverem reativos) ↪ Pré-escapulares (Difícil em equinos) ↪ Précurais (em cão e gato não existem) ↪ Poplíteos (não tem em equinos) ↪ Inguinais (apenas em machos cães e gatos) ↪ Retromamários (vacas) Exame físico específico Digestório de ruminantes Indicativos ● Alterações no contorno abdominal ↪ Aumento + anorexia ● Anorexia ● Hiporexia/hipogalactia ● Alteração na ruminação ● Diarreias/Aquezia ● Fechamento incompleto da boca + sialorréia = estomatite Rúmen 7º EIC até entrada da pelve, lado esquerdo Estratificação ● Dorsal - gás ● Meio - alimentos não digeridos ● Baixo - alimentos digeridos e água Auscultação ↪ Freq deve ser 1 a 2 mov/min Deve se escutar crepitação (bolhas, porção dorsal) + rolamento (material sólido batendo na parede ruminal, evidente na porção ventral). O ⬆ da crepitação e ⬇ do rolamento = timpanismo. O ⬆ do rolamento e ⬇ da crepitação = ingestão de alimentos não nutritivos. Complementares ● Exame do líquido ruminal Avalia cor (amarelo=acidose); consistência, odor e pH. ● Prova do azul de metileno Quanto mais ativas as bactérias estiverem mais rapidamente o azul de metileno desaparece. ● Avaliação microscópica de protozoários Maiores + sensíveis à alterações fermentativas (alcalose/acidez) e menores + resistentes. Ausência de grandes e presença de médios e pequenos = alteração fermentativa branda. Nenhum = alteração fermentativa grave ● Laparotomia exploratória Retículo 5 e 7 EIC esquerdo ● Não apresenta altera o contorno; ↪ O exame procura por sensibilidade. Ex: Reticulites. ● Animal tenta manter membros torácicos + elevados que os pélvicos para aliviar a pressão dos demais órgãos ● Se for reticulopericardite tem edema de barbela. Prova do bastão Bastão sob a região xifóide suspendendo vagarosamente em sentido caudal até perto do úbere/prepúcio. Percussão dolorosa Mão fechada ou martelo, aplica pancadas fortes. Prova da rampa Se estiver com reticulopericardite não vai querer descer a rampa ou vai descer bem vagarosamente e mostra alívio na subida. Complementares ● Paracentese abdominal ● Concentração de cloretos no líquido abdominal Se estiver alta indica refluxo do conteúdo abomasal para rumen (obstrução intestinal ou deslocamento abomasal). Omaso Acima do abomaso, terço médio entre 7º e 9º EIC e inacessível ao exame físico ● Tem compactação se o animal ingerir alimentos muito secos e não estiver ingerindo água adequadamente. ● Se tiver compactação tem alteração de contorno abdominal, os alimentos se acumulam no rúmen. Abomaso Metade está no gradil costal e metade está fora ● Compactação: assimetria da cavidade abdominal na porção ventral do abdômen do lado direito. ● Deslocamentos Palpação externa Bezerros e pequenos ruminantes Baloteamento Auscultação + Palpação Pressiona alternadamente à parede abdominal com o punho e, quando feita sobre compartimento com gás e fluidos livres (deslocamento abomasal), produz ruídos líquidos (splash). Palpação interna Coloca a agulha para centese num ponto equidistante entre a xifóide o umbigo, se houver areia será sentido o atrito com o metal da agulha. Centese O ⬆ do pH indica obstrução do intestino. Percussão Feito na porção inferior do abdome do lado direito, tendenciando som submaciço em virtude da presença de gás, sólidos ou líquidos. Auscultação Quando existe deslocamento abomasal a direita o som metálico é bem mais forte. Digestório de equinos Fatores predisponentes ● Estômago pequeno; ● Incapacidade de vomitar (m. da cárdia desenvolvida e ausência do centro do vômito); ● Longo mesentério; ● Diminuição abrupta do diâmetro do lúmen intestinal; ● Mucosa retal frágil predisposta a rupturas. Alimentação ↪Muita fibra = compactação ↪Mudanças bruscas = acidose em ceco e cólon ↪Muito carboidrato = timpanismo e acidose em ceco e cólon ↪Alimento mofado = timpanismo ↪Alimento fornecido no solo = sablose ↪ Ração em pó = obstrução do piloro e compactações ↪ Muita ração = compactação ↪ Mal da segunda feira: tratador dá muita comida na sexta p/ ficar o final de semana livre = cólicas Parasitas ↪Parascaris - obstrução e intussuscepção ↪Strongylus vulgaris - aneurisma e colica tromboisquemica ↪Habronema - úlceras, gastrites e rupturas gástricas Evolução ↪Manifestações rápidas - ID e estômago ↪Manifestações lentas - IG Indicativos ↪ Posição de micção ou urinam várias vezes em pequenas quantidades ↪ Distensão abdominal A distensão pode indicar o segmento envolvido (ceco ou cólon, pois estômago e intestino delgado não são capazes de isoladamente produzirem dilatação visível na inspeção). ● Distensão na porção dorsal = há gases nessas alças ● Distensãoventral = acúmulo de ingesta ou líquido. ● Aumento do lado direito = ceco ● Aumento do lado esquerdo = cólon esquerdo. ↪ Escaras, feridas, cama ou terra no dorso ou cabeça → animal rolou (dor → pode ser torção intestinal) ↪ Dor visceral manifestada por: escavar o chão, bater a pata no chão, olhar para o flanco, mexer na água com focinho, morder o flanco, escoicear o abdome, rolar, sentar, gemer, sudorese intensa e conforme a fase da doença, apresentar hiperexcitabilidade ou depressão. ↪ Fc e FR aumentadas pela dor ↪ Mucosas pálidas e TPC aumentado ↪ Halo endotoxêmico ao redor dos dentes (processo + prolongado) Cavidade Oral Avalia dente, mucosa, língua, palato, ulcerações Esôfago É examinado durante a sondagem nasogástrica (pois não é possível palpar externamente o esôfago). O esôfago fica no lado esquerdo do pescoço. Abdômen Ausculta Abdômen dividido em 4 quadrantes abdominais. Dorsal do lado direito: válvula ileocecal. 2-3 mov/min. Ruído semelhante a uma cachoeira. Ventral direito: cólon direito Ventral esquerdo: cólon esquerdo Dorsal esquerdo: cólon menor e intestino delgado ⬇ de borborigmos = dor Ruído metálico = Timpanismo Palpação Teste do rebote Empurra a região abdominal ventral com o punho fechado e soltar (ver sensibilidade e, em caso de peritonite, contratura da m abdominal). Percussão Indica a presença de gás ou líquido dentro das alças ou na cavidade peritoneal. Percutir os dois lados, descendo verticalmente desde o flanco até a linha alba. Maciço dos dois lados = líquido na cav abdominal Timpânico = timpanismo Paracentese Colhe-se o líquido em um único ponto, pois a peritonite do equino é difusa (e não localizada como em ruminantes). Colhe-se sobre a linha alba na porção mais ventral do abdome (geralmente de 3 a 4 dedos do esterno ou 10 cm caudais à apófise xifóide). Digestório de cães e gatos Indicativos ↪ Vômito ou diarreia; ↪ Alteração no apetite ↪ Flatulência ↪ Sangue ou muco nas fezes ↪ Constipação ↪ Perda de peso ↪ Dor abdominal. Exame ↪ Avaliar se está deglutindo; se há regurgitação, disfagia, odinofagia (deglutição dolorosa), perda de peso; ↪ Avaliar simetria ↪ Vômitos podem ser alimentares, biliosos (jejum, hepático), fecaloides (torção) e sanguinolentos. ↪ Palpação de alças intestinais Observar espessamento da parede intestinal e sensibilidade. Circulatório Indicativos ↪ Cansaço ↪ Apatia ↪ Intolerância ao exercício ↪ Desenvolvimento retardadi ↪ Tosse cardíaca ↪ Dispneia ↪ Edema ↪ Coloração das mucosas (cianóticas ou perláceas) ↪ Posição ortopneica Avaliação de vasos Jugulares, Safena e Episclerais ↪ Pulso venoso patológico (fase sistólica → refluxo de sangue para as cavas e jugulares) Avaliação do pulso arterial ↪ Frequência ↪ Amplitude (se está vazia ou cheia) Normal, amplo ou pequeno ↪ Ritmo ↪ Dureza ou tensão (intensidade de pressão para deixar de sentir a pulsação) Normal, Fraco (mole - desidratação), Forte (duro - hipertensão sistêmica) ↪ Celeridade (velocidade com que a pulsação aparece e desaparece) Célere (rápido - insuf aórtica), normal, tardo (lento - estenose aórtica) Auscultação ↪ Cães: PAM 345 EIC e T 3 a 5 EIC ↪ Equinos e Bovinos: PAM 344 EIC e T 3 a 4 EIC 3º bulha em cães - hipertrofia dilatada e em equinos normal Palpação ↪ Na sístole, a parede do ventrículo esquerdo bate na parede torácica. Bovinos: 3º a 4º EIC esquerdo. ↪ Desvios ✓ Cranial: ascite, sobrecarga (como timpanismo), gestação; ✓ Caudal: tumores na parede torácica; ✓ Direita (dextrocardia) ou esquerda. Respiratório Indicativos ↪ Intolerância ao exercício ↪ Ruídos adventícios (ou anormais): tosse, roncos, sibilos etc. ↪ Descargas nasais (eliminação de corrimentos); ↪ Dispneias: podem ocorrer por vários motivos, como por DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica ou asma); Exames ↪ Avaliar mucosas (congestas) e temperatura (febre) ↪ Padrão respiratório Abdominal → dor ou traumas na cavidade torácica Costal → compressão do diafragma, peritonite, obstruções intestinais. ↪ Amplitude (dilatação e retração do tórax e abdome) ↪ Examinar narinas Ressecamento; erosões; lesões; secreção nasal; se a eliminação é contínua ou intermitente. ↪ Exame do ar expirado Odor (concha), força de expulsão e temperatura (dorso) ↪ Exame dos seios paranasais (alteração de simetria + percussão + palpação) → Seios frontais: rostrais (entre as órbitas. Rostral esquerdo e rostral direito) e caudais (atrás/acima das órbitas); → Seios maxilares (esquerdo e direito): a porção ventral fica acima da arcada dentária superior; caudalmente delimitado pelos ossos lacrimais e zigomáticos; porção mais cranial fica delimitada ao forame infraorbitário. ↪ Exame das bolsas guturais (observar aumento) Localizam-se ventralmente ao atlas e dorsalmente a faringe. ↪ Palpação da traqueia (sensibilidade, tumefações, deformidades) Exame do tórax Inspeção Lesões e alterações na forma (enfisema, obstrução de brônquio) ↪ Obstrução de brônquio principal: abaulamento contralateral (ex.: obstrução de brônquio direito abaula o lado esquerdo); ↪ Fratura de costela: abaulamento ipsilateral (do mesmo lado da lesão); ↪ Pneumotórax: abaulamento bilateral; ↪ Atelectasia pulmonar: achatamento bilateral Palpação Detectar ferimentos, fraturas de costelas e dor torácica Realizada com a mão espalmada e com as pontas dos dedos apoiadas nos espaços intercostais. Aumenta-se gradativamente a pressão e observa-se a reação do animal. Percussão Bovinos - 13, 11, 9 e 5 Equinos - 18, 16, 11 e 6 Cão - 13, 11, 9 e 6