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Análise do Comportamento e Aprendizagem Pierce & Cheney 
 
Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, 
História e Suposições1 
	
  
1 
1	
  
• Compreender o que é aprendizagem, uma ciência do comportamento e 
da análise do comportamento. 
• Compreender como seleção por consequências se estende desde a 
evolução até o comportamento dos organismos. 
• Focar em análise do comportamento e neurociência. 
• Aprofundar nos primórdios da análise do comportamento e aprendizagem. 
• Investigar alguns dos pressupostos básicos de uma ciência da análise do 
comportamento e aprendizagem. 
 
Aprendizagem refere-se à aquisição, manutenção e mudança de 
comportamento de um organismo resultante de acontecimentos da vida. O 
comportamento de um organismo é tudo aquilo que ele faz, incluindo ações 
privadas e encobertas como pensar e sentir (veja a sessão sobre suposições 
neste capítulo). Um aspecto importante da aprendizagem humana diz respeito 
às experiências organizadas por outras pessoas. Desde os primórdios da 
história pessoas tem agido de forma a influenciar o comportamento de outros 
indivíduos. Argumentação racional, recompensas, subornos, ameaças e força 
são usados na tentativa de promover aprendizado ou mudança do 
comportamento do indivíduo. Dentro da sociedade é requerido que as pessoas 
aprendam maneiras socialmente apropriadas de agir. Contanto que uma 
pessoa faça o que é esperado, ninguém prestará atenção. Mas é só a conduta 
da pessoa variar um pouco das normas culturais para que as outras pessoas 
se sintam incomodadas e tentem forçar a conformidade prévia. Todas as 
sociedades tem normas de conduta e leis que as pessoas dentro dela devem 
aprender; pessoas que quebram os códigos morais ou leis civis devem 
enfrentar penalidades que vão desde pequenas multas à pena capital. 
	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  
1	
  Pierce,	
  W.	
  D.;	
  &	
  Chenney,	
  C.	
  D.	
  (2008).	
  A	
  science	
  of	
  behavior:	
  perspective,	
  history	
  and	
  assumptions.	
  In	
  
Behavior	
   analysis	
   and	
   learning.	
   4ª	
   Ed.	
   New	
   Jersey:	
   Psychology	
   Press.	
   Capítulo	
   traduzido	
   por	
   Victor	
  
Raniery	
  de	
  Souza	
  Matos	
  (Univasf)	
  e	
  revisado	
  Ana	
  Paula	
  Cardoso	
  Vichi	
  e	
  Christian	
  Vichi	
  (Univasf)	
  para	
  fins	
  
didáticos	
  da	
  disciplina	
  de	
  Análise	
  do	
  Comportamento	
  I	
  do	
  Curso	
  de	
  Psicologia	
  da	
  Univasf.	
  
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   2	
  
Claramente, todas as culturas estão preocupadas com a aprendizagem 
humana e o controle da conduta humana. 
 Teorias de aprendizagem e comportamento variam desde a filosofia às 
ciências naturais. Quando Sócrates foi informado que novas descobertas em 
anatomia provaram que o movimento do corpo era causado pelo arranjo dos 
músculos, ossos e juntas, ele respondeu “Isso dificilmente explica porque eu 
estou sentado aqui em uma posição curvada falando com você” (Millenson, 
1967, p.3). Cerca de 2300 anos depois, o filósofo Alfred North Whitehead 
perguntou ao famoso behaviorista B. F. Skinner uma pergunta similar. Ele 
disse, “Deixe-me ver sua explicação para o meu comportamento enquanto eu 
sento aqui dizendo, ‘Não há nenhum escorpião negro caindo sobre essa mesa’” 
(Skinner, 1957, p. 457). Embora não havia nenhuma explicação satisfatória 
para o comportamento no tempo de Sócrates, a ciência do comportamento vem 
fazendo tais perguntas enigmáticas. 
 Comportamento humano tem sido atribuído a uma grande variedade de 
causas. As causas do comportamento humano têm sido localizadas tanto 
dentro como fora do indivíduo. Causas internas variam desde entidades 
metafísicas, como a alma, até estruturas hipotéticas do sistema nervoso. 
Causas externas do comportamento sugeridas incluem o efeito da lua e marés, 
a organização das estrelas, os caprichos dos deuses. Algumas dessas teorias 
ainda permanecem populares nos dias de hoje. Por exemplo, o uso de previsão 
astrológica é até mesmo encontrada em corporações modernas, como 
demonstrado na seguinte passagem tomada do O Economista (n.t. The 
Economist): 
 
Será a astrologia a chave para o sucesso nos negócios? É isso que a Divinitel, 
uma companhia francesa especializada em consultas celestiais, diz fazer. Por 
FFr350 ($70) uma seção, os astrólogos da firma oferecem conselhos sobre tudo, 
desde quando fazer aquisições à exorcismos. Para o executivo ocupado, a 
galáxia de serviços da Divinitel pode ser acessado via Minitel, o sistema de 
teletexto francês. A firma está mesmo planejando uma flutuação no mercado de 
ações francês em março de 1991. 
Então quem é maluco o suficiente para pagar por tal mambo-jumbo místico? 
Cerca de 10% das empresas francesas são, de acordo com um estudo feito pela 
HEC, uma escola de negócios francesa. Um cliente típico é o chefe de uma 
pequena ou média empresa que deseja uma segunda, astrológica, opinião sobre 
candidatos a uma vaga de emprego. O chefe de uma empresa de plásticos usa 
os conselhos da Divinitel em signos para formar equipes de vendedores. 
 (“Teinkle, twinkle,” p. 91, January 1991) 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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 O problema com astrologia e outras explicações místicas e primitivas 
para o comportamento é que elas não são científicas. Isto é, estas teorias não 
conseguem ser comprovadas quando expostas a testes científicos. Ao longo do 
século passado, foi desenvolvida uma teoria científica de aprendizagem e 
comportamento. A teoria do comportamento afirma que todo comportamento se 
deve à complexa interação entre a influência genética e a experiência 
ambiental. A teoria é baseada na observação e experimentação controlada, e 
fornece uma explicação baseada na ciência natural da aprendizagem e 
comportamento dos organismos, incluindo os humanos. Este livro está focado 
em tal explicação. 
 
CIÊNCIA E COMPORTAMENTO 
 
A Análise Experimental do Comportamento é uma abordagem para 
compreender o controle do comportamento por uma perspectiva de ciência 
natural. A análise experimental se preocupa em controlar e alterar os fatores 
que afetam o comportamento dos seres humanos e outros animais. Por 
exemplo, um pesquisador comportamental em uma sala de aula pode usar um 
computador para organizar comentários para o desempenho matemático de um 
estudante. A condição relevante que é manipulada ou alterada pelo 
experimentador pode envolver apresentar os comentários em alguns dias e 
suprimir os mesmos em outros. Neste caso, o pesquisador provavelmente iria 
observar um desempenho matemático mais preciso em dias que os 
comentários são disponibilizados. Este simples experimento ilustra um dos 
princípios mais básicos do comportamento – o princípio do reforçamento. 
 O princípio do reforço (e outros princípios comportamentais) fornece 
uma explicação cientifica sobre como as pessoas e animais aprendem a 
realizar ações complexas. Quando um pesquisador identifica um princípio 
básico que governa um comportamento, ele está realizando uma análise de 
comportamento. Assim, a análise experimental do comportamento envolve a 
especificação dos processos e princípios básicos que governam o 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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comportamento dos organismos. Experimentos então são usados para testar a 
adequação da análise. 
 Análise experimental ocorre quando, por exemplo, um pesquisador nota 
que há mais gaivotas voando ao redor de uma praia quando a mesma está 
ocupada por pessoas do que quando a praia esta deserta. Depois de checar as 
alterações, no clima, temperatura,hora do dia, e outras condições que não 
afetam o comportamento das gaivotas, o pesquisador chega a seguinte 
análise: Pessoas alimentam os pássaros e isso reforça seus comportamentos 
de aglomerar-se na praia. Quando as pessoas deixam a praia, as gaivotas não 
são mais alimentadas por se aglomerar na praia. Esta é uma suposição 
racional, mas só pode ser comprovada por um experimento. Vamos supor que 
o analista do comportamento é dono da praia e tem total controle sobre a 
mesma. O experimento envolve alterar a relação entre a presença de pessoas 
e comida. Dito isso, as pessoas não são mais permitidas à alimentar os 
pássaros, e a comida é depositada quando as pessoas não estão mais na 
praia. Com o tempo, o analista do comportamento nota que aos poucos o 
número de gaivotas diminuí, quando as pessoas estão presentes, e aumenta 
quando a praia esta deserta. O comportamentalista, conclui que as pessoas 
controlam a vindas das gaivotas à praia alimentando os pássaros, ou 
reforçando o comportamento das gaivotas somente quando as pessoas estão 
presentes. Este é um exemplo de uma análise experimental do 
comportamento. 
 
Análise do Comportamento: Uma Ciência do Comportamento 
 
Embora a análise experimental seja o método fundamental para uma ciência 
do comportamento, pesquisadores contemporâneos preferem descrever sua 
disciplina como análise do comportamento. Este termo implica uma abordagem 
mais generalista, que inclui suposições sobre como estudar comportamento, 
técnicas para a realização da análise, um corpo de conhecimentos sistemático, 
e implicações práticas para a sociedade e para a cultura (Ishaq, 1991). 
 Análise do comportamento é uma abordagem compreensiva para se 
estudar o comportamento dos organismos. Os objetivos primários da análise do 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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comportamento são a descoberta de princípios e leis que governam o 
comportamento, a ampliação desses princípios entre espécies, e o 
desenvolvimento de uma tecnologia aplicável gerenciamento do 
comportamento. No exemplo das gaivotas, o princípio implícito é chamado 
discriminação. O princípio de discriminação afirma que um organismo irá 
responder de forma diferente quando exposto a duas situações (e.g., presença 
ou não de pessoas) se seu comportamento é reforçado em uma situação, mas 
não na outra. 
 O princípio de discriminação pode ser estendido ao comportamento 
humano e reforço social. Você pode discutir assuntos amorosos com Carmem, 
mas não com Tracey, porque Carmem se interessa por tal assunto, enquanto 
Tracey não se interessa. Em uma sala de aula, o princípio de discriminação 
pode ser usado para melhorar o ensino e a aprendizagem. O uso de princípios 
comportamentais para resolver problemas práticos é chamado análise 
aplicada do comportamento e é discutido ao longo do Capitulo 13. 
 Como você pode ver, a análise do comportamento tem um forte foco na 
relação ambiente-comportamento. O foco está em como organismos alteram 
seus comportamentos para atenderem às demandas do ambiente que estão 
em constante mudança. Quando um organismo aprende novas formas de se 
comportar em reação as mudanças que ocorrem no ambiente, isto é chamado 
de condicionamento. Os dois principais tipos de condicionamento são 
chamados respondente e operante. 
 
Dois Tipos de Condicionamento 
 
Condicionamento Respondente 
Um reflexo é um comportamento que é eliciado por um estímulo 
biológicamente relevante. Quando um estímulo (S) automaticamente elicia (→) 
uma resposta estereotipada (R), a relação S → R é chamada reflexo. Este 
comportamento e a relação reflexa tem valor de sobrevivência, no sentido de 
que os animais que podem responder de forma rápida e confiável a um 
estímulo em particular têm maior chance de sobreviver e reproduzir do que 
outros organismos. Para ilustrar, animais que se assustam e correm quando 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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ouvem um ruído súbito podem escapar de um predador, e o reflexo de se 
assustar pode prover uma vantagem adaptativa sobre os organismos que não 
correm, ou demoram a correr por causa do ruído. Assim, reflexos são 
selecionados pela história da espécie. É claro, porém, que diferentes espécies 
de organismos apresentam 
diferentes tipos de reflexos. 
Condicionamento respondente 
ocorre quando um estímulo neutro 
ou sem sentido é emparelhado 
com um estímulo incondicionado. 
Por exemplo, o zunido de uma 
abelha (estímulo neutro) é 
emparelhado com a dor de uma 
picada (estímulo incondicional). 
Depois dessa experiência de condicionamento, o zunido da abelha faz com que 
as pessoas fujam ao seu som. O fisiologista Russo Ivan Petrovich Pavlov fez 
explícita essa forma de condicionamento no século XX. Ele observou que 
cachorros salivavam quando a comida era colocada em suas bocas. Essa 
relação entre o estímulo comida e a salivação é um reflexo incondicionado, e 
este ocorre por causa do histórico biológico do animal. Contudo, quando Pavlov 
tocava um sino momentos antes de alimentar os cachorros, os mesmos 
começavam a salivar ao escutar o sino. Dessa forma, um nova característica 
do ambiente (o som do sino) começou a controlar o comportamento 
respondente dos cachorros (salivação). Como demonstrado na Figura 1.1, um 
comportamento respondente é um comportamento que é eliciado por um 
novo estímulo condicionado. 
 Condicionamento respondente é uma forma na qual os organismo lidam 
com os desafios das alteração em seus ambientes. Um animal que habita em 
pastagens e se torna condicionado ao som do farfalhar da grama e foge é 
menos propenso a se tornar uma refeição do que aquele animal que espera 
para ver o predador. Todas as espécies que têm sido testadas, incluindo seres 
humanos, demonstram este tipo de condicionamento. Em termos de 
comportamento humano, várias coisas que dizemos que gostamos ou não 
gostamos são baseadas em condicionamento respondente. Quando coisas 
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boas ou ruins acontecem conosco, usualmente temos uma reação emocional. 
Estas respostas emocionais podem ser condicionadas a outras pessoas que 
estão presentes quando ocorrem os eventos negativos ou positivos (Byrne, 
1971). Assim, condicionamento respondente desempenha um papel importante 
nas nossas relações sociais – determinando, em grande escala, como nos 
sentimos sobre nossos amigos tão quanto aos nossos inimigos. 
 
Condicionamento 
Operante 
Condicionamento operante 
envolve o controle do 
comportamento pelas suas 
consequências. B. F. Skinner 
chamou esse tipo de controle 
do comportamento de 
condicionamento operante 
porque, numa dada situação 
ou contexto (Sᴰ), o 
comportamento (R) opera no 
ambiente para produzir 
determinados efeitos ou consequências (Sʳ). Qualquer comportamento que 
opera no ambiente para produzir um efeito é chamado de operante. Durante o 
condicionamento operante, um organismo emite comportamento que produz 
um efeito que aumenta (ou diminuí) a frequência do operante numa dada 
situação (Skinner, 1938, p. 20). No laboratório, um rato privado de comida 
numa câmara pode receber alimento se ele pressionar uma barra quando a luz 
é acionada. Se pressionar a barra aumenta na presença de luz, então ocorreu 
o condicionamento operante (veja Figura 1.2). 
 Muito do que comumente chamamos de ação voluntária, intencional, ou 
proposital é analisada como um comportamento operante. Condicionamento 
operante ocorre quando um bebê sorri para o rosto humano e é erguido (pego 
no colo). Se sorrir para as faces, aumenta a frequência por causa da atenção 
social, então sorrir é um comportamento operante e o efeito é resultado de 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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condicionamento. Em um exemplo mais complexo,pressionar uma sequência 
de botões enquanto joga-se um videogame vai aumentar em frequência se este 
padrão de resposta resultar em atingir o alvo. Outros exemplos de 
comportamentos operantes incluem dirigir um carro, falar ao telefone, fazer 
anotações em sala, andar até a loja da esquina, ler um livro, escrever um 
trabalho, e conduzir um experimento. Em cada caso, o comportamento 
operante é selecionado pelas suas consequências. 
 
Seleção como um Processo Causal 
 
B. F. Skinner (1938) via a psicologia como o estudo do comportamento dos 
organismos. A partir deste ponto de vista, psicologia é uma subdivisão da 
biologia. O princípio central da biologia contemporânea é a seleção natural 
(Dawkins, 1996). Skinner generalizou este conceito de forma mais ampla para 
o princípio da seleção por consequências. Seleção por consequências se 
aplica em três níveis: (1) a seleção de características de uma espécie (seleção 
natural ou Darwinista); (2) a seleção de comportamentos ao longo da vida de 
um organismo individual (seleção por condicionamento operante); e (3) a 
seleção de padrões de comportamento (práticas, tradições, rituais) de um 
grupo de seres humanos que perduram além do tempo de vida de um indivíduo 
(seleção cultural). Nos três casos, são as consequências decorrentes do 
ambiente que selecionam a favor (ou contra) a frequência das entidades 
genéticas, comportamentais e culturais (veja Capitulo 14). 
 Seleção por consequências é uma forma de explicação causal. Em 
ciência fala-se em dois tipos de causa: imediata e remota. Causa imediata é o 
tipo de mecanismo estudado por físicos e químicos: o tipo de processo “bola de 
bilhar” onde se procura isolar a cadeia de eventos que resulta diretamente 
determinado efeito. Por exemplo, reações químicas são explicadas 
descrevendo as interações moleculares. No estudo do comportamento, uma 
explicação de causa imediata pode se referir à fisiologia e bioquímica do 
organismo. Por exemplo, o pressionar a barra de um rato para obter comida ou 
um apostador jogando roleta podem envolver a liberação de endógenos 
opiáceos e dopamina no hipotálamo (Shizgal & Arvanitogiannis, 2003) 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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 Em contraste, causa remota é típica de ciências como biologia 
evolutiva, geologia e astronomia. Neste caso, os fenômenos são explicados 
apontando-se para eventos remotos que fizeram com que tal fenômeno fosse 
possível. Assim, a explicação causal das características de uma espécie (e.g., 
tamanho, cor, visão excepcional, etc.) envolve o trabalho da seleção natural 
dentro do acervo de genes (pool genético) da população. Uma explicação 
evolucionária para a definição da cor de uma espécie, por exemplo, poderia 
envolver em mostrar como essa característica aumenta a taxa de sucesso na 
reprodução dos organismos num determinado ambiente ecológico. Isto é, 
seleção natural por cor explica a frequência atual dessa característica na 
população. 
 No nível comportamental, o princípio de seleção por consequências é 
uma forma de explicação por causa remota chamada análise funcional. 
Quando um rato aprende a pressionar a barra por comida, nós explicamos o 
comportamento do rato apontando para as consequências passadas (a função 
do comportamento). Assim, a frequência atual do pressionar da barra é 
explicada pela contingência entre a pressão à barra e a comida no passado. O 
comportamento do rato foi selecionado por sua história de reforçamento. 
 Ambas as explicações de causa remota e imediata são aceitas pela 
ciência. Analistas do comportamento tem posto ênfase na análise funcional e 
seleção por consequências (causa remota), mas também se interessam por 
análise direta dos processos neuroquímicos e fisiológicos (causa imediata). 
Ultimamente, ambos os tipos de explicação causal irão fornecer uma descrição 
mais completa sobre aprendizagem e comportamento. 
 
NOVOS RUMOS: Análise do comportamento e neurociência 
Análise do comportamento está se envolvendo com a análise cientifica do 
cérebro e do sistema nervoso (neurociência). Isto é, pesquisadores que 
primariamente estudavam o comportamento de organismos, estão, 
frequentemente, interessados nos processos cerebrais que participam na 
controle do comportamento (veja a edição especial sobre Relação entre 
Comportamento e Neurociência (2005) na Revista de Análise Experimental do 
Comportamento (n.t. Journal of the Experimental Analysis of Bahavior), 84, 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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305-667). Por exemplo, mecanismos do cérebro (neurônios ou grupos de 
neurônios) obviamente participam no controle do comportamento (pressionar 
da barra) pelas suas consequências (comida). Descrever como os neurônios 
codificam e respondem ao reforçamento é uma importante e excitante adição à 
análise do comportamento – dizendo-nos mais sobre o que acontece quando o 
comportamento é modelado pelos seus efeitos ou consequências (Fiorillo, 
Tobler & Schultz, 2003). 
 A nível prático, conhecer as contingências de reforçamento (arranjos do 
ambiente) para o pressionar da barra é suficiente para nos permitir prever e 
controlar o comportamento do rato. Isto é, nós podemos fazer com que o rato 
aumente ou diminua o pressionar da barra através de fornecimento de comida 
como reforçador para este comportamento – sem ter a necessidade de 
observar o sistema neural. Mas nós ganhamos detalhes sobre como o 
comportamento do rato aumenta quando a ação de neurônios (e do sistema 
nervoso) é combinada com a análise do comportamento. Por exemplo, em 
alguns casos, é possível “sensibilizar” ou “dessensibilizar” o rato para as 
contingências comportamentais através de drogas que ativam ou bloqueiam a 
ação de determinados neurônios (e.g., Bratcher, Farmer-Dougan, Dougan, 
Heidenreich & Garris, 2005). Pesquisas ao nível neural poderiam, dessa forma, 
enriquecer o controle prático ou a regulação do comportamento pelas suas 
consequências (Hollerman & Schultz, 1998). 
 Processos neurais também podem participar como consequências 
imediatas (contingência local) para o comportamento que oferece benefícios de 
longo prazo para o organismo (contingências remotas, como na evolução e 
seleção natural) (Tobler, Fiorillo & Schultz, 2005). A assim chamada base 
neural de recompensa envolve a inter-relação entre os sistemas de opiáceos 
endógenos e dopamina (assim como outros processos neurais) (Fiorillo et al., 
2003). Por exemplo, ratos que se encontram em restrição de comida e são 
permitidos a correr nas rodas de exercício aumentam a sua capacidade de 
correr significativamente – até 20,000 voltas. Correr na roda de exercício leva à 
liberação de opiáceos neurais que reforçam este comportamento (Pierce, 
2001). Se correr na roda de exercícios é vista como uma viajem em busca de 
comida, uma das funções do reforçamento neural é a de promover a 
locomoção em condições de escassez de comida. A contingência de longo 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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prazo ou remota (locomoção produz comida: locomoção→ comida) é 
momentaneamente mantida pela liberação de opiáceos endógenos (atividade 
física → liberação de endógenos opiáceos) que “mantêm o rato” em ação em 
condições de escassez de comida (e.g., fome, seca, etc.). Veremos que este 
processo também desempenha um papel chave na anorexia humana nos 
próximos capítulos. 
 A integração da ciência do comportamento com a neurociência 
(neurociência comportamental) é um campo de pesquisa em expansão. 
Áreas de interesse incluem os efeitos de drogas no comportamento 
(farmacologia comportamental), imagem neural e relações de estímulos 
complexos, escolha e atividade neural, e os circuitos cerebrais responsáveis 
por aprendizagem e dependência. Nós vamos examinar algumas dessas 
pesquisas nos próximos capítulosem seções que focarão em análise do 
comportamento e neurociência (seções FOCO EM) ou em seções que 
enfatizam aplicações (seções NO CAMPO APLICADO). 
 
A Evolução da Aprendizagem 
 
Quando organismos, em seu passado evolucionário, foram confrontados por 
ambientes mutáveis e imprevisíveis, a seleção natural favoreceu aqueles 
indivíduos que poderiam ter seu comportamento condicionado. Organismos 
que podiam se condicionar de forma mais flexível, no sentido que poderiam 
atender a novas exigências e aprender novas formas de se relacionar com o 
ambiente. Tal flexibilidade comportamental deve refletir uma mudança 
estrutural oculta no organismo. Códigos genéticos para as características 
anatômicas e fisiológicas do indivíduo. Tais mudanças da estrutura física 
permitem diferentes graus de flexibilidade comportamental funcional. Assim, 
diferenças nas estruturas dos organismos baseadas em variação genética dão 
abertura para diferenças no controle do comportamento. Processos de 
aprendizagem, como condicionamento operante e respondente, levam à uma 
maior ou menor chance de reprodução. Presumivelmente, estes organismos 
que mudaram seus comportamentos como resultado de experiências durante 
suas vidas, sobreviveram e deixaram descendentes – já aqueles menos 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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flexíveis, provavelmente não sobreviveram. Em suma, isto significa que a 
capacidade de aprender é hereditária. 
 A evolução do processo de aprendizagem teve uma consequência 
importante. Comportamentos que estavam intimamente ligados à sobrevivência 
e reprodução poderiam ser influenciados pela experiência. Processos 
fisiológicos específicos normalmente controlam o comportamento relacionados 
com a sobrevivência e reprodução. Contudo, para os organismos 
comportamentalmente flexíveis, este controle pela fisiologia pode ser 
modificado por experiências durante o tempo de vida do indivíduo. A extensão 
de tal modificação depende da quantidade e do âmbito da flexibilidade 
comportamental (Baum, 1983). Por exemplo, o comportamento sexual está 
intimamente ligado ao sucesso reprodutivo e é controlado por processos 
fisiológicos distintos. Para muitas espécies, o comportamento sexual é 
rigidamente controlado por mecanismos genéticos. Nos seres humanos, no 
entanto, o comportamento sexual também é influenciado por experiências 
mediadas socialmente. Isto é, essas experiências, não genes, é que irão ditar 
quando a relação sexual vai ocorrer, como vai ser realizada, e quem pode ser 
um parceiro sexual. Controles sociais ou religiosos poderosos podem fazer 
com que as pessoas se abstenham de sexo. Este exemplo ilustra que até 
mesmo os comportamentos biologicamente relevantes dos seres humanos é 
parcialmente determinado pela experiência de vida. 
 
Contexto Biológico do Comportamento 
 
Analistas do comportamento reconhecem e promovem a importância da 
biologia e da evolução, mas se focam mais na relação entre os organismos e 
seus ambientes. Para manter este foco, a história evolutiva e as condições 
biológicas de um organismo são examinadas como parte do contexto do 
comportamento (veja Morris, 1988, 1992). Esta visão contextualizada é vista na 
análise de B. F. Skinner de um “imprinting” em patinhos: 
 
Condicionamento operante e seleção natural são combinados no chamado 
“imprinting” de um pato recém-eclodido. No seu ambiente natural, o pequeno 
patinho se move no sentido da mãe, e a segue para onde quer que ela vá. Esse 
comportamento obviamente tem caráter de sobrevivência. Quando não há 
nenhum pato, os patinhos se comportam da mesma forma com outros objetos. 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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Recentemente tem sido mostrado que um patinho se aproxima e segue qualquer 
objeto que se mova, particularmente se for do mesmo tamanho que um pato – 
por exemplo, uma caixa de sapato. Evidentemente a sobrevivência pode ser 
suficientemente atendida mesmo se o comportamento não esteja sob o controle 
das características visuais especificas de um pato. Meramente se aproximar e 
seguir é o suficiente. 
 Mesmo assim, esta não é uma afirmação correta do que ocorre. O que 
o patinho herda é a capacidade de ser reforçado através da manutenção ou 
redução da distancia entre ele e um objeto móvel (grifo nosso). No seu ambiente 
natural, e no laboratório onde o processo de “imprinting” é estudado, aproximar-
se e seguir tem essas consequências, mas as contingências podem ser 
alteradas. Um sistema mecânico pode ser construído de tal forma que a 
movimentação para o objeto faça com que o mesmo se mova para longe mais 
rápido, enquanto que o movimento de se afastar do objeto faça com que o 
mesmo se aproxime. Dentro dessas condições, o patinho vai se mover para 
longe do objeto em vez de se aproximar e seguir. O patinho vai aprender a bicar 
um ponto na parede se o ato de bicar trouxer o objeto para perto. Somente ao 
saber o que e como o patinho apende durante sua vida é que podemos ter 
certeza do que o patinho é equipado ao nascer. 
 (Skinner, 1974, pp. 40-41) 
 
 A história biológica do patinho, em termos de prover a capacidade de 
reforçamento pela proximidade de um objeto do tamanho de um pato, é o 
contexto para o controle de seu comportamento. Claro que e anatomia e 
fisiologia do pato permitem essa capacidade. Contudo, a forma que o ambiente 
é organizado determina o comportamento do organismo. Em análise do 
comportamento, experimentos de laboratório identificam os princípios gerais 
que controlam o comportamento dos organismos, os eventos específicos que 
controlam o comportamento de diferentes espécies, e a disposição desses 
eventos durante o período de vida de um indivíduo. 
 
A Seleção do Comportamento Operante 
 
Os primeiros Behavioristas como John Watson (1903) usaram a terminologia 
de estímulo-resposta (S-R) na psicologia. A partir desta perspectiva, o estímulo 
produz uma resposta, como a carne elicia (ou produz) a salivação em 
cachorros. De fato, Watson baseou sua teoria do comportamento estímulo-
resposta nos experimentos de condicionamento de Pavlov. Teorias de 
estímulo-respostas são mecanicista no sentido de que um organismo é 
compelido a responder quando um estímulo é apresentado. Isto é similar a 
descrição física do movimento de bolas de bilhar. O impacto da bola branca 
(estímulo) determina o movimento e trajetória (resposta) da bola alvo. Embora 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   14	
  
os conceitos de estímulo-resposta sejam úteis para analisar comportamentos 
reflexos e outros padrões de respostas rígidas (i.e., mecânica newtoniana), o 
modelo “empurra e puxa” (n.t., push-pull) se mostra menos eficaz quando 
aplicado em ações voluntárias ou operantes. Para ser justo, Watson pregava 
sobre “hábitos” de forma que soa como comportamento operante, mas lhe 
faltava as evidências experimentais e um vocabulário capaz de distinguir entre 
condicionamento operante e condicionamento respondente. 
 Foi B. F. Skinner (1935, 1937) quem fez a distinção entre os dois tipos 
de reflexo condicionado, correspondendo à diferença entre comportamento 
operante e respondente. Em 1938, Skinner introduziu o termo operante em um 
de seus clássicos, O Comportamento dos Organismos (n.t. The Behavior of 
Organism). Eventualmente, Skinner rejeitou o modelo mecanista (S-R) de 
Watson e baseou seu conceito de condicionamento operante no princípio de 
seleção de Darwin. A ideia básica é que um indivíduo emite comportamentos 
que produzem efeitos, consequências e resultados. Baseando-se nessas 
consequências, os desempenhos que são apropriadas aumentam – tornando-
se mais frequentes dentro da população ou dentro da classe de resposta para 
a situação; ao mesmo tempo, formas inapropriadas de respostas diminuem ou 
se tornam extintas. A professora de análisecomportamental Julie Vargas, filha 
de B. F. Skinner, comentou sobre o modelo de causalidade do pai: 
 
O paradigma de Skinner é um paradigma selecionista, diferente da teoria 
selecionista da evolução das espécies de Darwin. Onde Darwin encontrou uma 
explicação para a evolução das espécies, Skinner procurou por variáveis 
funcionais que se relacionam com as mudanças no comportamento de um 
indivíduo durante seu tempo de vida. Ambas as explicações assumem variação; 
Darwin em características herdadas, e Skinner em ações individuais. Skinner, 
em outras palavras, não se preocupa com o porquê da variação do 
comportamento, somente em como os padrões do comportamento são traçados 
a partir das variações que já existem. Ao olhar para as relações funcional entre 
ações e seus efeitos no mundo, Skinner rompe com o modelo transformacional 
S-R, de entrada e saída. 
 (Vargas, 1990, p.9) 
 
 Skinner reconheceu que o operante é selecionado pelas suas 
consequências. Ele também notou que comportamento operante naturalmente 
varia em forma e frequência. Até mesmo algo tão simples como abrir a porta da 
sua casa não é feito exatamente da mesma forma. A pressão na maçaneta, a 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   15	
  
força com que você empurra a porta, e a mão que é usada varia em cada 
ocasião. Se a porta trava e se torna difícil de ser aberta, uma resposta que 
envolva força eventualmente irá ocorrer. Essa resposta pode ser bem sucedida 
em abrir a porta e se torna a performance mais provável para a situação. 
Outras formas de respostas vão variar em diferentes frequências, dependendo 
em como as mesmas se mostram eficazes em abrir a porta. Assim, operantes 
são selecionados por suas consequências. 
 Similarmente, é de conhecimento geral que bebês produzem uma 
variedade de sons chamados “balbucio”. Essa variação natural na produção de 
som é importante para a aprendizagem da linguagem. Quando sons ocorrem, 
os pais geralmente reagem a eles. Quando o bebê produz um som familiar, os 
pais frequentemente o repetem de forma mais precisa. Sons não familiares são 
normalmente ignorados. Eventualmente, o bebê começa a produzir sons (nós 
dizemos fala) como outras pessoas em sua comunidade ou cultura verbal. A 
seleção do comportamento verbal pela sua consequência social é um processo 
importante, fundamental a comunicação humana (Skinner, 1957). 
 
Cultura e Análise Comportamental. 
 
Embora muitas das pesquisas básicas na análise experimental do 
comportamento sejam baseadas em animais de laboratórios, analistas do 
comportamento contemporâneos estão cada vez mais interessados em 
comportamento humano. O comportamento das pessoas ocorrem em um 
ambiente social. Sociedade e cultura remetem aos aspectos do ambiente 
social, o contexto, que controlam o comportamento humano. Uma das tarefas 
principais da análise do comportamento é mostrar como o comportamento 
individual é adquirido, mantido, e alterado através da interação com outros 
indivíduos. Uma tarefa adicional seria considerar as praticas do grupo, 
comunidade ou sociedade que afetam o comportamento de um indivíduo 
(Lamal, 1997). 
 Cultura é usualmente definida em termos de valores e idéias de uma 
sociedade. Contudo, analistas do comportamento definem cultura como todas 
as condições, eventos, e estímulos organizados por outras pessoas que 
controlam as ações humanas (Glenn, 1988; Skinner, 1953). Os princípios e leis 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   16	
  
da análise do comportamento fornecem uma descrição de como a cultura 
controla o comportamento de um indivíduo. Uma pessoa em uma cultura de 
língua inglesa aprende a falar de acordo com as práticas vocais da 
comunidade. As pessoas da comunidade aplicam constante reforço para uma 
determinada maneira de falar. Dessa maneira, uma pessoa começa a falar 
como aquelas da comunidade, compartilhando a linguagem para outros 
membros do público e, ao fazê-lo, contribui para a perpetuação da cultura. Os 
costumes ou praticas de uma cultura são, portanto, mantidos através do 
condicionamento social do comportamento do indivíduo. 
 Outro objetivo é explicar a evolução das práticas culturais. Analistas do 
comportamento sugerem que o princípio da seleção (pelas consequências) 
também ocorre no nível cultural. Portanto, práticas culturais aumentam (ou 
diminuem) baseadas nas consequências produzidas no passado. A prática 
cultural de construir recipientes para reter água é uma vantagem para o grupo 
porque dessa forma permite o transporte e armazenamento da água. Dentro 
dessa prática pode-se incluir a construção ou uso de conchas, folhas ocas, ou 
recipientes de argila. A forma cultural que é selecionada (e.g., jarros de argila) 
é a que se prova mais eficiente. Em outras palavras, a comunidade valoriza 
aqueles recipientes que duram mais, retêm mais água, e são mais facilmente 
armazenados. Assim, a comunidade manufatura jarros de argila, ou a produção 
de outras formas menos eficientes entram em declínio. 
 Analistas do comportamento se interessam em evolução cultural porque 
mudanças culturais alteram o condicionamento social do comportamento 
individual. Análise da evolução cultural sugere como o ambiente social é 
organizado e reorganizado para acomodar formas específicas de 
comportamento humano. No nível mais prático, analistas do comportamento 
sugerem que a solução para muitos problemas sociais requerem uma 
tecnologia de planejamento cultural. B. F. Skinner (1948) sugeriu essa 
possibilidade em seu livro utópico, Walden Two. Embora esse romance 
idealista tenha sido escrito cinco décadas atrás, analistas do comportamento 
contemporâneos estão conduzindo experimentos sociais em pequena escala, 
baseados nas idéias de Skinner (Komar, 1983). Por exemplo, tecnologias 
comportamentais tem sido usadas para administrar poluição ambiental, 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   17	
  
encorajar a conservação de energia e controlar a superpopulação (Glenwick & 
Jason, 1980) 
 
FOCO EM: B. F. Skinner 
 
B. F. Skinner (1904-1990) foi a força intelectual por trás da análise do 
comportamento. Burrhus Frederic Skinner nasceu em 20 de março de 1904 em 
Susquehanna, Pensilvânia. Quando era um garoto, Skinner passou grande 
parte do seu tempo explorando a região rural com seu irmão mais novo. Ele 
possuía uma paixão pela literatura inglesa e invenções mecânicas. Dentre seus 
hobbies incluía-se escrever estórias e desenhar modelos de máquinas de 
movimento perpétuo. Ele queria se tornar romancista, foi para a Faculdade de 
Hamilton (n.t. Hamilton College), em Clinton, Nova York, onde se graduou em 
Inglês (n.t. curso de Letras no Brasil). Depois de se graduar em 1926, Skinner 
comentou que não era um grande romancista porque não tinha nada a dizer. 
Começou então a ler sobre behaviorismo, 
um novo movimento intelectual, e como 
resultado, entrou em Harvard em 1928 para 
aprender mais sobre a ciência do 
comportamento. Skinner conquistou seu 
mestrado em 1930 e seu doutorado no ano 
seguinte. 
Skinner (Figura 1.3) começou a escrever 
sobre o comportamento dos organismos na 
década de 30 quando a disciplina (Análise 
do Comportamento) estava em seu início , e 
continuou a publicar trabalhos até a sua 
morte em 1990. Durante a sua longa 
carreira, Skinner escreveu e pesquisou 
sobre temas que vão desde sociedades 
utópicas, filosofia da ciência, aparelhos de 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   18	
  
ensino, pombos que controlavam a direção de mísseis, berços de ar para 
crianças, e técnicas para melhorar a educação. Muitos o consideravam um 
gênio, enquanto outros se chateavam com suas teorias. 
 Skinner sempre foi uma figura controversa. Ele propôs uma abordagem 
de ciência natural para comportamentohumano. De acordo com Skinner, o 
comportamento dos organismos, incluindo humanos, era determinado. Embora 
o senso comum sugira que agimos por causa dos nossos sentimentos, 
pensamentos, e intenções, Skinner afirmou que comportamento é resultado 
dos genes e do ambiente. Esta posição incomodou várias pessoas que 
acreditavam que os seres humanos possuem certo grau de autonomia. Mesmo 
quando era constantemente confrontado com argumentos contra a sua 
posição, Skinner sustentou que os fatos científicos requerem a rejeição de 
sentimentos, pensamentos, e intenções como causa do comportamento. Ele 
afirmou que esses eventos internos não eram explicações para o 
comportamento; ao invés disso, esses eventos são atividades adicionais que 
necessitam ser explicadas: 
 
A prática de olhar para dentro do organismo para encontrar uma explicação do 
comportamento tende a obscurecer as variáveis as quais são imediatamente 
disponíveis para uma análise cientifica. Essas variáveis se encontram fora do 
organismo em seu ambiente imediato e na história do ambiente. Eles possuem 
uma propriedade física com a qual as técnicas usuais da ciência são adaptadas, 
e tornam possível explicar comportamento como outros assuntos são explicados 
através da ciência. Essas variáveis independentes (causas) são de vários tipos, 
e sua relação com o comportamento geralmente é sutil e complexa, mas não 
podemos esperar dar um tratamento adequado ao comportamento sem analisa-
las. 
 (Skinner, 1953, p. 31) 
 
 Uma das conquistas mais importantes de Skinner foi sua teoria de 
comportamento operante. As implicações da teoria do comportamento foram 
delineadas em seu livro, Science and Human Behavior (1953). Neste livro, 
Skinner discute os princípios operantes básicos e suas aplicações em 
comportamento humano. Dentre os tópicos incluem: autocontrole, pensamento, 
o self, comportamento social, controle, religião e cultura. Skinner defende o 
princípio do reforço positivo e argumenta contra o uso da punição. Ele notou 
como governos e outras agências sociais geralmente recorrem a punição como 
meio de controle do comportamento. Embora punição funcione em curto prazo, 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   19	
  
Skinner notou que isso acarreta vários efeitos colaterais negativos. O reforço 
positivo, acreditava Skinner, é um meio mais efetivo de mudar o 
comportamento – pessoas agem bem e ficam felizes quando o comportamento 
é mantido por reforço positivo. 
 Muitos tem mal interpretado muitas das coisas que Skinner disse ou 
realizou (Catania & Harnard, 1988; Wheller, 1973). Um equívoco popular é que 
Skinner criou suas filhas dentro de uma câmara experimental – o tão chamado 
bebê na caixa. Muitos ainda afirmam que Skinner usou sua filha como cobaia 
para testar suas teorias. Um mito popular é que esses experimentos levou sua 
filha à loucura. Sua filha, Julie, quando confrontada com esse mito, recorda o 
seguinte: 
Eu tive uma aula chamada “Teorias da Aprendizagem” ensinada por um 
agradável cavalheiro idoso. Ele começou com Hull e Spence, e então chegou em 
Skinner. Naquela época eu tinha lido pouco sobre Skinner e não poderia julgar a 
acurácia sobre o que estava sendo dito sobre as suas teorias. Mas quando um 
estudante perguntou se Skinner tinha tido filhos, o professor disse que sim. “Ele 
condicionou suas crianças?” perguntou outro estudante. “Eu ouvi dizer que um 
dos seus filhos era louco”. “O que aconteceu com as crianças?”. As questões 
vieram densas e rápidas. 
 O que eu fiz? Eu tinha uma amiga na sala, e ela me olhou, esperando 
claramente uma ação. Eu não queria demolir a confiança do professor dizendo 
quem eu era, mas eu não podia só ficar sentada. Então eu levantei minha mão e 
fiquei de pé. “Dr. Skinner teve duas filhas e eu acredito que elas acabaram 
relativamente normais”. Eu disse, e então me sentei. 
 (Vargas, 1990, pp. 8-9) 
 
 Na verdade, a “caixa” que Skinner desenvolveu para suas filhas nada 
tinha a ver com um experimento. Era um berço de ar fechado que permitia 
controlar a temperatura para ser ajustada. Além disso, a capa do colchão podia 
ser facilmente trocada quando suja. O berço de ar foi desenvolvido para que as 
crianças ficassem quentes e secas; e livres para se mover. Mais importante, o 
bebê não passava mais tempo no berço de ar do que outra criança em camas 
normais (Skinner, 1945). 
 Embora Skinner não tenha feito experimentos com suas crianças, ele foi 
sempre interessado na aplicação dos princípios de condicionamento para as 
questões humanas. Seus vários livros e trabalhos em tecnologia 
comportamental aplicada o levaram ao campo da análise do comportamento 
aplicada. Análise do comportamento aplicada preocupa-se com a extensão 
dos princípios do comportamento para os problemas de importância social. Na 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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primeira edição da Revista de Análise do Comportamento Aplicada (n.t. Journal 
of Applied Behavior Analysis), Baer, Wolf, and Risley (1968) esboçaram um 
programa de pesquisa baseado no ponto de vista de Skinner. 
 
A afirmação (dos princípios comportamentais) estabelece a possibilidade de sua 
aplicação em problemas comportamentais. Uma sociedade disposta a considerar 
uma tecnologia de seu próprio comportamento, aparentemente é mais provável 
de dar suporte a essa aplicação quando se trata de problemas socialmente 
importantes, tais como retardo mental, crime, doenças mentais ou educação. 
Espera-se que melhores aplicações irão levar a uma sociedade melhor, na 
extensão em que os comportamentos de seus indivíduos contribuam para o bem 
estar da sociedade. As diferenças entre as pesquisas básicas e as aplicadas não 
são diferenças entre quais “descobrem” e quais meramente “aplicam” o que é 
conhecido. Ambos os esforços perguntam-se o que controla o comportamento 
estudado. ... Pesquisas [básicas] são mais prováveis de procurar qualquer 
comportamento, e quaisquer variáveis que podem ser concebivelmente 
relaciondas com ele. Pesquisa aplicada se concentra em procurar as variáveis 
que podem ser efetivas em melhorar o comportamento estudado. 
 (p.91) 
 
 Uma área de aplicação que Skinner escreveu extensivamente foi sobre 
ensino e aprendizagem. Embora Skinner reconhecesse a importância dos 
princípios de comportamento para ensinar pessoas com dificuldade de 
aprendizagem, ele alegava que a mesma tecnologia poderia ser usada para 
melhorar o sistema de ensino geral. Em seu livro, A Tecnologia do Ensino (n.t. 
The Technology of Teaching), Skinner (1968) oferece um sistema 
personalizado de reforço positivo para o desempenho acadêmico de 
estudantes. Nesse sistema, ensinar envolve organizar materiais, planejar a sala 
de aula, e programar as lições para modelar e manter o desempenho dos 
estudantes. Aprendizagem é objetivamente definida em termos de responder 
questões, resolver problemas, usar formas gramaticais corretas, e escrever 
sobre o assunto. 
 Um aspecto da história de Skinner que geralmente não é conhecida é o 
seu humor e rejeição aos seus títulos formais. Ele preferia ser chamado de 
“Fred” do que Burrhus e a única pessoa que assim o chamava era seu amigo 
intimo e colega Fred Keller, que sentia que possuía prioridade ao uso do nome 
Fred (ele era alguns anos mais velho que Skinner). Um dos primeiros alunos de 
Skinner, C. B. Ferster, conta que quando se conheceram, Skinner tentou forçar 
Ferster a chama-lo de “Fred”. A história conta (Ferster, em comunicação 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   21	
  
pessoal com Paul Brandon) que um dia Ferster entrou na sala de estar da casa 
de Skinner e viu o próprio Skinner sentado no sofá com um grande cartaz 
envolto no pescoço dizendo “FRED”. 
 Mais tarde em sua vida, Skinner trabalhou com Margareth Vaughan 
(Skinner & Vaughan, 1983) em abordagens positivaspara os problemas da 
velhice. Seu livro, Viva Bem a Velhice (n.t. Enjoy Old Age: A Program os Self-
Management), é escrito para os leitores idosos e fornece conselhos práticos de 
como lidar com a vida diária. Por exemplo, os nomes das pessoas são fáceis 
de se esquecer e ainda mais na velhice. Skinner e Vaughan sugerem que você 
pode melhorar suas chances de relembrar um nome por ler uma lista das 
pessoas que é mais provável que você encontre antes de ir à um evento 
especial. Se tudo falhar “você sempre pode apelar para a sua idade. Você pode 
agradar o amigo cujo nome você esqueceu dizendo que sempre se esquece 
dos nomes que você mais deseja recordar” (p.52). 
 Skinner, que ocupou a Cadeira de A. E. Pierce em Psicologia, se 
aposentou oficialmente na Universidade de Harvard em 1974. Seguindo sua 
aposentadoria, Skinner continuou uma rotina ativa de pesquisa e trabalhos. 
Todo dia, ele andava 3,2 km para o William James Hall, onde dava aulas para 
estudantes de graduação e conduzia experimentos. Oito dias antes de sua 
morte em 18 de agosto de 1990, B. F. Skinner recebeu a primeira (e única) 
citação dada por extraordinária contribuição durante sua vida para a psicologia 
dada pela Associação Psicológica Americana (n.t. American Psychological 
Association). As contribuições de Skinner para a psicologia e para a ciência do 
comportamento estão documentadas em um recente filme, B. F. Skinner: A 
Fresh Appraisal (1999). Murray Sidman, um renomado pesquisador em análise 
experimental do comportamento, narrou o filme (disponível através da livraria 
do Cambridge Center for Behavioral Studies, www.behavior.org). 
 
UMA BREVE HISTÓRIA DA ANÁLISE DO 
COMPORTAMENTO 
 
A análise do comportamento contemporânea é baseada em idéias e pesquisas 
que se tornaram proeminentes na virada do século XX. O cientista Russo Ivan 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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Petrovich Pavlov descobriu o reflexo condicionado (um reflexo que só ocorre 
sob um conjunto particular de condições tais como o pareamento de 
estímulos), e este foi um passo significante para o entendimento científico do 
comportamento. 
 
Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) 
 
Pavlov (Figura 1.4) nasceu filho de um pastor de um vilarejo em 1849. Ele 
entrou no seminário com o objetivo de seguir os 
passos de seu pai no sacerdócio. Entretanto, 
depois de estudar fisiologia, ele decidiu seguir 
carreira em ciências biológicas. Embora sob 
protesto de sua família, Pavlov ingressou na 
University of St. Petersburg, onde se graduou 
em 1875 com o diploma em fisiologia. Depois de 
completar seus estudos em fisiologia, Pavlov foi 
aceito como um estudante avançado de 
medicina. Ele se destacou, assim obtendo uma 
bolsa para continuar seus estudos em fisiologia 
na Alemanha. Em 1890, Pavlov foi indicado para 
duas posições proeminentes de pesquisador na 
Rússia. Ele foi Professor de Farmacologia na Academia Médica de São 
Petersburgo (n.t. St. Petersburg Medical Academy) e Diretor do Departamento 
de Fisiologia. Pelos próximos 20 anos, Pavlov estudou a fisiologia da digestão, 
e em 1904 ganhou o Prêmio Nobel por seu trabalho, no ano em que B. F. 
Skinner nasceu. 
 Ivan Pavlov trabalhou no reflexo salivar e seu papel na digestão. Pavlov 
tinha cachorros cirurgicamente preparados para expor as glândulas salivares 
na boca dos cachorros. Os animais eram trazidos ao laboratório e colocados 
em cintos de contenção. Como mostrado na Figura 1.5, comida era colocada 
na boca dos cachorros e a ação das glândulas salivares eram observadas. 
 A análise do reflexo salivar era baseada em noções prevalecentes do 
comportamento dos animais. Nesta época, muitas pessoas pensavam que 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   23	
  
animais, com exceção dos seres humanos, eram máquinas biológicas 
complexas. A idéia era que um estímulo específico evoca uma resposta 
particular, da mesma forma como o girar da chave liga um motor. Em outras 
palavras, animais reagem ao ambiente de maneira simples, estímulo-resposta. 
Humanos, por outro lado, eram vistos de forma diferente dos outros animais, de 
forma que suas ações são intencionais. Humanos são conhecidos por 
antecipar eventos futuros. Pavlov notou que seus cachorros começavam a 
salivar ao sinal de um jaleco do experimentador antes que a comida fosse 
depositada em sua boca. Isso sugeria que os cachorros antecipavam a comida. 
Pavlov reconheceu que tal resultado desafiava a sabedoria convencional. 
 Pavlov fez uma observação importante em termos de estudo do 
comportamento. Ele propôs que reflexos antecipatórios eram aprendidos ou 
condicionados. Em adição, 
Pavlov concluiu que esses 
reflexos condicionados eram 
uma parte essencial do 
comportamento dos organismos. 
Embora alguns comportamentos 
tenham sido descritos como 
reflexos inatos, outras ações 
eram baseadas em 
condicionamento que ocorriam 
durante a vida dos animais. Esses reflexos condicionados (denominados 
Reflexos Condicionais em Pavlov, 1960) estão presentes em determinados 
níveis em todos os animais, mas mais predominante nos humanos. 
 A questão era como estudar de forma sistemática os reflexos 
condicionados. A resposta de Pavlov para essa questão representa um grande 
avanço em análise experimental do comportamento. Se seguramente os 
cachorros salivavam quando viam o jaleco laboratorial, então qualquer estímulo 
arbitrário que precedesse a comida poderia ser condicionado e evocar a 
salivação. Pavlov substituiu o jaleco por um estímulo que poderia ser 
sistematicamente manipulado e seguramente controlado. Em alguns 
experimentos, um metrônomo (um aparelho usado para manter o ritmo ao tocar 
o piano) era apresentado para um cachorro pouco antes de alimentá-lo. Este 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   24	
  
procedimento resultou no cachorro eventualmente salivando ao som do 
metrônomo. Se uma determinada batida precedesse à alimentação enquanto 
outros ritmos não , o cachorro salivava mais frequentemente ao som associado 
com a comida. 
 Embora Pavlov fosse um fisiologista e acreditava em associações 
mentais, sua pesquisa era dirigida a estímulos e respostas observáveis. Ele 
descobriu vários princípios do reflexo condicionado. Estes princípios incluem 
recuperação espontânea, discriminação, generalização, e extinção. A última 
parte da sua carreira envolveu a análise experimental da neurose em animais. 
Ele continuou com essas investigações até sua morte, em 1936. 
 
John Broadus Watson (1878-1958) 
 
A pesquisa de Pavlov se tornou proeminente na América do Norte, e o reflexo 
condicionado foi incorporado numa teoria do comportamento mais abrangente 
pelo famoso behaviorista John B. Watson (Figura 1.6). Watson reconheceu a 
influencia de Pavlov: 
 
Eu tinha solucionado o problema (condicionamento) em termos de formação de 
Hábitos. Foi somente mais tarde quando comecei a pesquisar mais a fundo a 
palavra Hábito que me deparei com as grandiosas contribuições que Pavlov 
tinha feito, e como a resposta condicionada poderia ser facilmente compreendida 
se olhada pelo viés do que temos chamado Hábito. Eu certamente, a partir 
desse ponto, dei ao mestre o seu devido crédito. 
 (Watson, comunicação pessoal com Hilgard & Marquis, 1961, p. 24) 
 
 Watson passou a argumentar que não havia necessidade de criar 
associações mentais para explicar o comportamento humano e animal. Ele 
propôs que psicologia deveria ser uma ciência baseada no comportamento 
observável. Pensamentos, sentimentos, e intenções não tinham lugar em uma 
explicação cientifica e que os pesquisadores deveriam direcionar suas 
atenções para o movimento dos músculos e atividades neurais. Embora essa 
fosse uma posição extrema, Watson conseguiu direcionar a atenção dos 
psicólogos para a relação comportamento-ambiente.Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   25	
  
 Watson foi um jovem rebelde, que reprovou em seu ultimo ano na 
Universidade Furman (n.t. Furman University), porque entregou sua prova-final 
“de trás-pra-frente”. Ele se graduou em 1899, então com 21 anos. Depois de 
passar um ano como professor em uma escola pública, Watson decidiu 
avançar com sua educação e foi admitido na Universidade de Chicago (n.t. 
University of Chicago). Ali ele estudou filosofia com John Dewey, o famoso 
educador. Ele nunca realmente apreciou as idéias de Dewey, e mais tarde 
comentou, “Eu nunca entendi o que ele estava falando, e infelizmente para 
mim, eu ainda não entendo” (Watson, 
1936, p. 274). Enquanto estudante de 
graduação em Chicago, ele estudou 
psicologia com James Angell e biologia e 
fisiologia com Henry Donaldson e Jacque 
Loeb (Pauley, 1987). Em 1903, obteve seu 
doutorado por pesquisas com ratos em 
laboratórios. Os experimentos focavam-se 
em aprendizagem e as correlativas 
mudanças nos cérebros dos animais. 
 Watson (1903) públicou um livro 
chamado Educação Animal: Um Estudo 
Experimental sobre o Desenvolvimento 
Físico do Rato Branco, Correlacionado 
com o Crescimento do Sistema Nervoso 
(n.t. Animal Education: An Experimental Study on the Psychical Development of 
the White Rat, Correlated with the Growth of Its Nervous System) que foi 
baseado em sua pesquisa de doutorado. O livro demonstrava que Watson era 
um cientista capaz e que poderia apresentar claramente suas idéias. Dez anos 
depois, Watson (1913) públicou seu trabalho mais influente na A Psicologia tal 
como um Behaviorista a Vê (n.t. Psychological Review, “Psychology as the 
Behaviorist Views It”). Este trabalho delineou as idéias de Watson sobre o 
behaviorismo e argumentava que a objetividade era a única maneira de 
construir uma ciência da psicologia: 
 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   26	
  
 Eu sinto que behaviorismo é o único funcionalismo lógico consistente. 
Nele evita-se [o problema do dualismo mente-corpo]. Essas relíquias tradicionais 
da necessidade da especulação filosófica confundem os estudantes do 
comportamento tão pouco como confundem os estudantes de física. A 
consideração do problema mente-corpo não afeta nem o tipo de problema 
escolhido nem a formulação da solução de tal problema. Eu não posso afirmar 
minha posição de forma melhor do que dizendo que gostaria de levar meus 
estudantes à mesma ignorância de tais hipóteses que encontramos entre outros 
ramos da ciência. 
 (Watson, 1913, p. 166) 
 
Neste trabalho, Watson também rejeita como dados científicos, o que as 
pessoas falam sobre seus sentimentos e pensamentos. Ademais, ele aponta 
para a inconfiabilidade das inferências psicológicas feitas sobre a mente de 
outra pessoa. Finalmente, Watson pontuou que a psicologia da mente tem 
pouco valor prático para o controle do comportamento e assuntos públicos. 
 Talvez o experimento mais famoso de Watson seja o estudo do 
condicionamento do medo com o pequeno Albert (Watson & Rayner, 1920). O 
pequeno Albert era um bebê normal e saudável que frequentava uma creche. 
Watson e sua assistente usaram procedimentos de condicionamento clássico 
para condicionar medo de um rato branco. Da primeira vez, o pequeno Albert 
olhou para o rato e tentou tocá-lo. O estímulo incondicionado era o som de um 
martelo acertando uma barra de ferro. O som fez o pequeno Albert saltar, 
chorar, e cair. Após seis apresentações do som e do rato, o animal peludo 
também produzia as respostas de medo. A próxima fase do experimento 
envolveu uma série de testes para ver se a reação de medo da criança poderia 
transferir para estímulos similares. Albert também ficava com medo quando 
apresentado a um coelho branco, um cachorro, e um casaco de pele. 
 Neste ponto, Watson e Rayner discutiram várias técnicas que poderiam 
ser utilizadas para eliminar o medo da criança. Infelizmente, o pequeno Albert 
foi retirado da creche antes que qualquer método de contra-condicionamento 
pudesse ser realizado. Em sua maneira característica, Watson posteriormente 
usou o desaparecimento do pequeno Albert para zombar do método 
psicanalítico de Freud. Ele sugeriu que quando Albert crescesse, ele poderia ir 
para um analista por causa dos seus estranhos medos. Essa análise 
provavelmente iria tentar convencer Albert que seus problemas eram resultado 
de um complexo de Épico não resolvido. Mas, comentou Watson, nós 
Christian Vichi
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   27	
  
saberíamos que os medos de Albert eram causados por condicionamento – o 
que não se pode dizer da análise freudiana. 
 Watson tinha vários interesses e investigou e escreveu sobre etologia, 
comportamento animal comparado, funções neurais, fisiologia e filosofia da 
ciência. Baseado em suas visões controversas e carisma, Watson foi eleito 
presidente da Associação Psicológica Americana em 1915, quando ele estava 
apenas com 37 anos de idade. Depois de deixar a Johns Hopkins University, se 
tornou bem sucedido no ramo industrial por aplicar princípios de 
condicionamento no ramo publicitário e de relações publicas (Buckley, 1989). 
Watson implementou o uso de mensagens subliminares e o pareamento de 
símbolos escondidos em propagandas – técnicas ainda hoje utilizadas. 
 
Edward Lee Thorndike (1874-1949) 
 
O behaviorismo de Watson enfatizava o reflexo 
condicionado. Este tipo de análise focava-se 
nos eventos que precedem a ação e é 
normalmente chamado de abordagem 
estímulo-resposta. Outro psicólogo americano, 
Edwards Lee Thorndike (Figura 1.7), era mais 
preocupado em como sucesso e fracasso 
afetam o comportamento dos organismos. 
Suas pesquisas enfatizaram os eventos e 
consequências que seguem o comportamento. 
Em outras palavras, Thorndike foi o primeiro 
cientista a sistemicamente estudar 
comportamento operante, embora ele chamasse as alterações ocorridas de 
aprendizagem por tentativa-e-erro (Thorndike, 1898). 
 Edward L. Thorndike nasceu em 1874 em Williamsburg, 
Massachussetts. Filho de um pastor Metodista, não possuía conhecimentos de 
psicologia até ingressar na Universidade de Wesleyan. Na universidade, leu o 
livro que teve grande impacto sobre ele, Princípios de Psicologia (n.t. Principles 
of Psychology) de William James (1890). Após ler o livro, Thorndike foi aceito 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   28	
  
em Harvard, onde estudou com William James. É importante notar que a 
psicologia de James era focada na mente e utilizava do método de 
introspecção (relatórios de pessoas sobre sentimentos e pensamentos). Assim, 
em contraste com John Watson, Thorndike se preocupava com os estados da 
mente. Em termos de análise do comportamento contemporânea, as 
contribuições de Thorndike foram mais no âmbito do estudo sistemático do 
comportamento dos organismo do que suas interpretações mentais sobre o 
comportamento humano e animal. 
 Thorndike sempre se intrigou com o comportamento dos animais. 
Enquanto em Harvard, a proprietária de seu apartamento alugado ficou 
chateada porque ele estava criando galinhas em seu quarto. Nesta época, 
James e Thorndike já eram bons amigos, então Thorndike mudou seus 
experimentos para o porão da casa de James, quando não conseguiu espaço 
nos laboratórios de Harvard. Ele continuou sua pesquisa em Harvard e se 
manteve durante dois anos, tutoreando alunos. Então Thorndike se mudou 
para a Columbia University, onde estudou com James McKeen Cattell, o 
famoso especialista em testes de inteligência. Thorndike levou duas de suas 
galinhas mais “espertas” com ele para Columbia, mas, logo mudou seu foco 
para a investigação do comportamento de gatos. 
 Na Universidade de Columbia, Thorndike começou seus famosos 
experimentos de tentativa-e-erroem gatos. Os animais eram colocados no que 
Thorndike chamou de “caixa-problema” e era colocada comida na saída da 
caixa (Chance, 1999). O gato que lutava dentro da caixa para sair iria 
acidentalmente pisar em um pedal, puxar uma corda e levantar uma trava. 
Essas respostas resultavam na abertura da porta da caixa-problema. Thorndike 
descobriu que a maioria dos gatos levavam progressivamente menos tempo 
para resolver os problemas depois de repetidas vezes na caixa. (i.e. tentativas 
repetitivas). A partir disso e de observações adicionais, Thorndike criou a 
primeira formulação da lei de efeito: 
 
O gato que está arranhando toda a caixa em sua luta impulsiva provavelmente 
vai acertar a corda ou anel ou um botão, de modo a abrir a porta. E 
gradualmente, todas os outros impulsos mal sucedidos serão apagados e o 
impulso particular que leva a ação bem sucedida será estampada pelo prazer 
resultante [itálico adicionado], após várias tentativas o gato vai, quando colocado 
na caixa, apertar o botão ou anel imediatamente na forma definida. 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   29	
  
 (Thorndike, 1911, p. 40) 
 
Hoje, a lei de efeito de Thorndike é reafirmada como o princípio do reforço. 
Este princípio estabelece que todos os operantes podem ser seguidos por 
consequências que aumentam ou diminuem a probabilidade de resposta para a 
mesma situação. Notem que as referências “estampagem” e “prazer” não são 
necessárias e que nada é perdido pela nova formulação da lei de efeito. 
 Thorndike foi indicado para a Faculdade de Educação (n.t. Teachers 
College), na Universidade de Columbia, como professor em 1899, onde 
permaneceu o resto de sua carreira. Ele estudou e escreveu sobre educação, 
linguagem, inteligência, testagem, comparação de espécies animais, sobre o 
problema inato-aprendido, transferência de aprendizagem, sociologia da 
qualidade de vida, e, mais importante, aprendizagem animal e humana. 
Thorndike públicou mais de 500 livros e artigos. Seu filho (Robert Ladd 
Thorndike, 1911-1990) se tornou um psicólogo educacional bem conhecido por 
seu próprio esforço e em 1937 se juntou ao mesmo departamento de psicologia 
que seu pai. Edward Lee Thorndike morreu em 1949. 
 
B. F. Skinner e a Ascenção da Análise do Comportamento 
 
Os trabalhos de Pavlov, Watson, Thorndike, e muitos outros tem influenciado a 
análise do comportamento contemporânea. Embora as idéias de muitos 
cientistas e filósofos tenha tido um certo impacto, Burrhus Frederick Skinner 
(1904-1990) é grandemente responsável pelo desenvolvimento da análise do 
comportamento moderna. Na seção “Foco em: B. F. Skinner” acima, 
descrevemos alguns detalhes de sua vida e algumas de suas conquistas. Uma 
excelente biografia é disponível (Bjork, 1993), e o próprio Skinner escreveu três 
volumes de sua autobiografia (1976, 1979, 1983). Aqui, vamos esboçar as suas 
contribuições para a análise do comportamento contemporânea. 
 Skinner estava estudando em Harvard durante uma época de mudanças 
intelectuais. Ele queria estender o trabalho de Pavlov para instâncias mais 
complexas do reflexo condicionado. Rudolph Magnus foi contemporâneo de 
Ivan Pavlov, e esteve trabalhando em condicionamento do movimento físico. 
Skinner tinha lido seu livro Korperstellun na versão alemã original, e estava 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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impressionado com ele. Skinner teria dito, “Eu comecei a pensar em reflexos 
como comportamento, diferentemente de Pavlov, que o pensava como ‘a 
atividade do córtex cerebral’, ou, segundo Sherrington, como ‘a ação integrativa 
do sistema nervoso’” (Skinner, 1979, p.46). 
 A ideia que reflexos poderiam ser estudados como comportamento (ao 
invés de pensá-los como reflexo do sistema nervoso ou da mente) foi 
completamente desenvolvida no livro de Skinner (1938), The Behavior of 
Organism. Neste texto, Skinner, distinguiu entre o reflexo condicionado de 
Pavlov e o tipo de aprendizado reportado por Thorndike. Skinner propôs que 
condicionamento respondente e operante controlam o comportamento. Estes 
termos foram cuidadosamente selecionados para enfatizar o estudo do 
comportamento por ele mesmo. Pavlov interpretava o reflexo condicionado 
como o estudo do sistema nervoso central, enquanto o condicionamento 
respondente de Skinner dirige a atenção para os eventos do ambiente e suas 
respostas. O aprendizado de tentativa-e-erro de Thorndike era baseado em 
propriedades da mente não observáveis, e o condicionamento operante de 
Skinner foca nas relações funcionais entre comportamento e suas 
consequências. Ambos os condicionamentos, respondente e operante, 
requeriam o estudo de correlações observáveis entre eventos objetivos e 
comportamento. 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   31	
  
 Skinner logo falou em 
uma “ciência do 
comportamento” em vez de 
uma ciência da fisiologia ou da 
vida mental. Uma vez 
afirmado, o estudo do 
comportamento por ele mesmo 
parece óbvio, mas considerem 
que muitos de nós dizemos 
que fazemos algo porque 
decidimos fazer isso, ou em 
termos científicos, por causa 
de uma conexão neural no 
nosso cérebro. A maioria das 
pessoas aceitam explicações 
para o comportamento que dependem de descrições do cérebro, mente, 
inteligência, funções cognitivas, atividade neural, pensamento, ou 
personalidade. Porque esses fatores são considerados como as causa(s) do 
comportamento, eles se tornam o foco da investigação. Skinner, contudo, 
sugeriu que lembrar, pensar, sentir, a atividade dos neurônios, etc. são mais 
comportamentos do organismo que precisam de explicação. Ele ainda propõe 
que a ação dos organismos poderiam ser investigadas focando no 
comportamento e nos eventos do ambiente que o procedem e seguem. 
 O foco comportamental de Skinner foi parcialmente mantido e 
influenciado pelo seu amigo de longa data, Fred Simmons Keller. Skinner e 
Keller frequentaram Harvard juntos, e Keller encorajou Skinner a perseguir uma 
visão comportamentalista da psicologia. Em 1946, Skinner já tinha formado um 
pequeno grupo de behavioristas na Universidade de Indiana. Ao mesmo tempo, 
Fred Keller e seu amigo Nat Schoenfeld organizaram outro grupo na 
Universidade de Columbia (Keller, 1977, Capitulos 2 e 6). 
 Embora os números dos analistas do comportamento estivessem 
crescendo, não havia uma sessão para trabalhos comportamentais nos 
encontros anuais da Associação Psicológica Americana. Por causa disso, 
Skinner, Keller, Schoenfeld e outros, organizaram a sua própria conferência na 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   32	
  
Indiana University. Esta foi a primeira conferência sobre análise experimental 
do comportamento veja (Figura 1.8). Estes novos behavioristas rejeitaram as 
idéias extremistas de John Watson e ofereceram uma formulação alternativa. 
Ao contrario de Watson, estes novos behavioristas não rejeitavam as 
influências genéticas sobre o comportamento; eles estenderam a análise do 
comportamento ao condicionamento operante, e estudaram comportamento 
por ele mesmo. 
 Estes novos analistas do comportamento se descobriram em dificuldade 
para publicar seus trabalhos nas grandes revistas de psicologia. Isto se devia 
ao uso de pequenas amostragens de sujeitos em seus experimentos, falta de 
análise estatística, e seus gráficos de taxa de respostas não eram apreciados. 
Em 1958, o grupo era grande o suficiente para começar a própria revista, e o 
primeiro volume da Revista de Análise Experimental do Comportamento 
(JEAB) foi publicada. Com as pesquisas se acumulando, as implicações 
práticas dos princípios comportamentais se tornaram mais e mais evidentes, e 
aplicações em doenças mentais, retardo mental, reabilitação, e educação 
aumentaram. Em 1968, foi publicado pela primeiravez a Revista de Análise do 
Comportamento Aplicada (JABA). 
 Em 1964 o número de analistas do comportamento tinha crescido tanto 
que uma divisão especial foi estabelecida pela Associação Psicológica 
Americana. A Divisão 25 é chamada de A Análise Experimental do 
Comportamento (The Experimental Analysis of Behavior) e continha várias 
centenas de membros. Subsequentemente, foi fundada a Associação para 
Análise do Comportamento (n.t. Association for Behavior Analysis) (ABA) no 
final da década de 70. Esta associação realiza uma conferência internacional 
anual que é frequentada por analistas do comportamento de vários países. A 
associação também publica uma revista em assuntos gerais, O Analista do 
Comportamento (n.t. The Behavior Analyst). 
 Além da ABA, Robert Epstein, um dos últimos estudantes de B. F. 
Skinner, e antigo editor da reconhecida revista Psicologia Hoje (n.t. Psychology 
Today), fundou em 1981 o Centro de Estudos Comportamentais de Cambridge 
(n.t. Cambridge Center for Behavioral Studies). O centro de estudos é devotado 
a ajudar pessoas a encontrar soluções efetivas para problemas de 
comportamento (e.g. em educação, administração, e em outros contextos). 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   33	
  
Como parte de sua missão, o centro mantém um website informativo 
(www.behavior.org) para o público, publica livros e revistas, e patrocina 
seminários e conferências em gerenciamento comportamental efetivo em 
contextos aplicados (e.g., a conferência anual Segurança Comportamental 
Agora [n.t. Behavioral Safety Now ] no campo de segurança industrial). 
 Um problema contínuo no campo da análise do comportamento é a 
separação entre a análise do comportamento aplicada e a pesquisa básica. 
Durante a década de 50 e 60, não existia uma distinção clara entre ambas. Isto 
se devia porque analistas do comportamento aplicados eram treinados como 
pesquisadores comuns. Isto é, as primeiras aplicações dos princípios do 
comportamento eram oriundas das mesmas pessoas que estavam conduzindo 
experimentos em laboratórios. [A propósito, o segundo livro de Skinner, depois 
de seu texto clássico The Behavior of Organisms (1938), foi um romance 
descrevendo as aplicações práticas dos princípios comportamentalistas numa 
sociedade utópica, Walden Two (1938)]. As aplicações dos princípios 
comportamentais foram muito bem sucedidas, e isto levou a uma grande 
demanda de pessoas treinadas em análise do comportamento aplicado. Logo, 
os pesquisadores aplicados já não trabalhavam mais em laboratórios ou liam 
as revistas de pesquisa básica. 
 Esta separação entre pesquisas básicas e aplicadas foi descrita primeiro 
por Sam Deitz (1978), que notou a alteração na ênfase da ciência para a 
tecnologia entre os analistas do comportamento aplicados (veja também 
Hayes, Rincover, & Solnick, 1980; Michael, 1980; Pierce & Epling, 1980). 
Donald Baer (1981) reconheceu as derivações técnicas da análise do 
comportamento aplicado, mas sugeriu que isso era uma progressão natural no 
campo e que isso poderia ter efeitos positivos. 
 Hoje o problema da separação não está totalmente resolvido, embora o 
progresso seja aparente. Pesquisadores aplicados estão em maior contato com 
as pesquisas básicas através da Revista de Análise do Comportamento 
Aplicada. Adicionalmente à pesquisas aplicada, esta revista publica artigos 
aplicados baseados em princípios modernos do comportamento (e.g, 
Ducharme & Worling, 1994) assim como revisões de pesquisas de áreas 
básicas (e.g., Mace, 1996). Nós escrevemos esse livro assumindo que algum 
conhecimento em pesquisa básica é importante, mesmo pra aqueles que estão 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   34	
  
primariamente preocupados com aplicações comportamentais. Estudantes 
podem usar este texto para adquirir conhecimento fundamental na ciência do 
comportamento, ou para uma sólida fundação em comportamento humano e 
sua aplicação. 
 
_______________________________________________________________ 
CIÊNCIA E COMPORTAMENTO: ALGUMAS SUPOSIÇÕES 
 
Todos os cientistas fazem suposições sobre seus objetos de estudo. Estas 
suposições são baseadas em visões predominantes na disciplina e são 
guiados por pesquisas científicas. Em termos de análise do comportamento, os 
pesquisadores assumem que o comportamento dos organismos é regido por 
leis. Isto significa que é possível estudar de maneira objetiva a interação entre 
um organismo e seu ambiente. Para conduzir a análise, é necessário isolar as 
relações entre o comportamento e o ambiente. O cientista deve identificar com 
precisão os eventos que precedem o começo de determinada ação e as 
consequências específicas que seguem o comportamento. Se o 
comportamento sistematicamente muda com as variações das condições 
ambientais, então o analista do comportamento assume que conseguiu explicar 
a ação do organismo. Existem outras suposições que os analistas do 
comportamento fazem sobre a sua ciência. 
 
O Mundo Privado 
Analistas do comportamento contemporâneos incluem eventos internos como 
parte do ambiento do organismo. Este ponto é comumente incompreendido; o 
funcionamento interno, tal como dores de estomago, bexiga cheia, e baixo nível 
de açúcar no sangue são de fato parte do ambiente de uma pessoa. Eventos 
fisiológicos internos tem o mesmo status tais quais os estímulos externos como 
luz, som, odor e calor. Ambos os eventos externos e internos controlam o 
comportamento. Apesar disso, analistas do comportamento geralmente 
enfatizam eventos externos. Isto se deve porque eventos externos são os 
únicos estímulos disponíveis para uma mudança de comportamento. Os 
procedimentos objetivos de um experimento psicológico consistem em dar 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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instruções e observar como a pessoa age. A partir do ponto de vista 
comportamental, as instruções são estímulos externos que controlam tanto 
comportamento verbal como não verbal. Mesmo quando uma droga é 
ministrada, e sua química altera a bioquímica interna do indivíduo, a injeção 
direta da droga é um evento externo que subsequentemente controla o 
comportamento. Para deixar claro, sem a ingestão da droga não haveria 
mudança nem na bioquímica nem no comportamento da pessoa. 
 Muitos estudos psicológicos envolvem dar informações para uma pessoa 
com o objetivo de alterar ou ativar processos cognitivos. Assim, psicólogos 
cognitivistas “... inventam substitutos internos que se tornam o objeto de estudo 
de sua ciência” (Skinner, 1978, p. 97); e a psicologia cognitiva tem sido definida 
como “... uma abordagem para a psicologia cientifica – que encoraja psicólogos 
a inferir constructos não observáveis como base em fenômenos observáveis” 
(Baars, 1986, p. ix). Na visão cognitiva, pensamentos são usados para explicar 
comportamento. O problema é que a existência de pensamentos (ou 
sentimentos) é geralmente inferida a partir do comportamento a ser explicado, 
levando a um raciocínio circular. Por exemplo, diz que se uma criança olhar 
para fora da janela aproximadamente no horário que sua mãe chega do 
trabalho, faz isso devido a uma “expectativa”. A expectativa da criança da 
criança explica porque ele olha pela janela. De fato, não há nenhuma 
explicação porque a cognição (expectativa) é inferida do comportamento que 
diz explicar. Cognições poderiam explicar comportamento se a existência dos 
processos de pensamentos pudessem ser baseados em outros fatores que não 
comportamento. Na maioria dos casos, entretanto, não há evidências 
independentes que mostrem que cognições originaram comportamento e as 
explicações não são cientificamente válidas. Uma saída para este problema de 
lógica é não utilizar pensamentos e sentimentos como causa de 
comportamento. Isto é, pensamentos e sentimentos são tratadoscomo mais 
comportamentos a serem explicados. 
 
Sentimentos e Comportamentos 
 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   36	
  
Muitas pessoas assumem que os seus sentimentos e pensamentos explicam o 
porquê eles agem da forma que agem. Analistas do comportamento 
contemporâneos concordam que as pessoas pensam e sentem, mas não 
consideram esses como origem do comportamento. Eles apontam que esses 
termos são mais corretamente usados como verbos ao em vez de substantivos. 
Em vez de falar sobre pensamentos, analistas do comportamento apontam 
para a palavra de ação “pensar”. E em vez de analisar sentimentos como algo 
que possuímos, os cientistas comportamentais focam na ação de sentir. Em 
outras palavras, pensamentos e sentimentos são atividades dos organismos 
que precisam ser explicados. 
 
Sentimentos: Reais, mas não origens 
 
Porque sentimentos ocorrerem ao mesmo tempo em que agimos, eles são 
frequentemente tomados como origem do comportamento. Embora 
sentimentos e comportamento necessariamente andem juntos, é o ambiente 
que determina como agimos, e ao mesmo tempo, como nos sentimos. 
Sentimentos são reais, mas eles são o resultado dos eventos do ambiente que 
controlam o comportamento. Assim, uma abordagem comportamental requer 
que o pesquisador rastreie as origens dos sentimentos de volta a interação 
entre comportamento e ambiente. 
 Suponha que você está no elevador entre o 15° andar e o 16° quando 
ele subitamente para, e as luzes desligam. Você escuta o som que aparenta 
ser dos cabos se rompendo. De repente, o elevador cai cerca de um metro. 
Você pede ajuda, mas ninguém vem em seu socorro. Depois de uma hora, o 
elevador começa a subir novamente, e você desce no 16° andar. Seis meses 
depois, um amigo lhe convida para um jantar. Vocês se encontram no centro, e 
descobre que o seu amigo fez uma reserva em um restaurante chamado A 
Sala no Topo, que é localizado no 20° andar de um arranha-céu. Em frente ao 
elevador você é tomado por um sentimento súbito de pânico. Você dá uma 
desculpa educada, “não me sinto bem” e vai embora. Qual é a razão para o 
seu comportamento e dos sentimos que o acompanharam? 
 Sem duvida que você se sentiria ansioso, mas o sentimento não é o 
motivo pelo qual você decidiu ir para casa. Ambos os sentimentos de 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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ansiedade e a sua decisão de sair são facilmente rastreadas até experiência 
negativa que ocorreu no elevador seis meses atrás. É nesse condicionamento 
anterior que os analistas do comportamento focarão. Entretanto, é a sua 
interação anterior com o elevador quebrado que alterou ambas as coisas, como 
você age e como você sente. 
 
Relatos de sentimentos 
 
Você ainda pode imaginar porque os analistas do comportamento estudam o 
comportamento aberto ao invés dos sentimentos – considerando que ambos 
são alterados pela experiência. A resposta se encontra na acessibilidade dos 
sentimentos e dos comportamentos abertos. Muitos dos comportamentos dos 
organismos são diretamente acessíveis ao observador ou cientista. Este 
comportamento público fornece um objeto de estudo relativamente simples 
para análise cientifica. Em contraste, os sentimentos são amplamente 
inacessíveis para a comunidade cientifica. A pessoa que sente tem acesso a 
essa informação primitiva, mas o problema é que relatos de sentimentos não 
são confiáveis. 
 Essa falta de confiança ocorre porque nós aprendemos a falar sobre os 
nossos sentimentos (e outros eventos internos) como fomos treinados a fazer 
por terceiros. Durante a socialização, as pessoas nos ensinam como descrever 
a nós mesmos, mas quando o fazem, não possuem meios de saber o que 
realmente ocorre dentro de nós. Pais e professores dependem de pistas para 
treinar a autodescrição. Eles assim o fazem ao comentar e corrigir descrições 
verbais quando o comportamento ou evento sugerem um sentimento. Uma 
criança na pré-escola é ensinada a dizer “eu estou feliz” quando os pais 
supõem que a criança está feliz. Os pais podem basear seu julgamento em 
sorrisos, animação, e respostas afetivas da criança. Outra forma de realizar 
esse treinamento é perguntando à criança “você está feliz?” em uma situação 
em que os pais esperem que a criança se sinta assim (e.g., na manhã de 
Natal). Quando a criança aparenta estar triste, ou as circunstâncias sugerem 
que isso pode estar acontecendo, dizer “eu estou feliz” não será reforçado 
pelos pais. Eventualmente, a criança diz “eu estou feliz” em algumas situações 
e não em outras. 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   38	
  
 Talvez você já tenha percebido porque relatos de sentimentos não são 
boas evidências científicas. Relatos são apenas tão bons quanto o treinamento 
de correspondência entre as condições públicas e eventos privados. 
Adicionalmente ao treinamento inadequado, existem outros problemas com a 
acuidade das descrições de sentimentos. Muitas das nossas funções internas 
são poucas correlacionadas (ou não correlacionadas) com as condições 
públicas, e isto significa que não podemos ser ensinados a descrever tais 
eventos acuradamente. Embora um médico possa perguntar por uma 
localização geral de uma dor (e.g., abdômen), é improvável que ele ou ela vá 
perguntar se a dor é no fígado ou no baço. Este relato simplesmente é 
inacessível ao paciente porque não existe forma de ensinar a correlação entre 
o local exato da dor e das condições públicas. Geralmente somos capazes de 
descrever de forma limitada os eventos privados, mas a falta de confiabilidade 
em tais relatos os tornam questionáveis como observações científicas. 
Baseando-se em tais noções, os analistas do comportamento se focam no 
estudo do comportamento ao invés dos sentimentos. 
 
Pensamento como Comportamento. 
 
Analistas do comportamento também tem considerado o papel do pensamento 
na ciência do comportamento. Em contraste com as visões que clamam um 
mundo interno especial de pensamentos, analistas do comportamento sugerem 
que o pensamento é comportamento humano. Skinner (1974) afirma: 
A história do pensamento humano é o que as pessoas têm dito e feito. Símbolos 
são o produto com comportamento escrito e verbal, e os conceitos e relações 
das quais são símbolos estão no ambiente. Pensar tem a dimensão do 
comportamento, não um processo interno imaginado que encontra expressão no 
comportamento. 
 (pp. 117-118) 
 
Um número de processos comportamentais, tais como generalização, 
discriminação, emparelhamento com o modelo (matching to sample), 
equivalência de estímulos (veja capítulos posteriores), dão origem ao 
comportamento que, em uma situação particular, pode ser atribuído a funções 
mentais superiores. A partir dessa perspectiva, pensamento é tratado como 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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comportamento privado (veja Moore, 2003 e Tourinho, 2006, sobre eventos 
privados). 
 
Pensamento como comportamento privado 
 
Um dos exemplos mais interessantes de pensamento envolve comportamento 
privado ou comportamento que só é acessível à pessoa que o faz. 
Pensamento como comportamento privado pode ser observado em um jogo de 
xadrez. Nós podemos perguntar a outra pessoa “o que o jogador está 
pensando?”. Uma resposta como “Provavelmente ela está pensando em dar o 
roque” refere-se a um pensamento que precede o movimento. As vezes este 
comportamento prévio é observável – o jogador pode colocar a mão em cima 
da torre em antecipação ao movimento. Em outros momentos, o 
comportamento é privado e não pode ser observado por outros. Um jogador 
experiente pode pensar a frente do jogo, imaginando as consequências de 
mover uma peça em particular. 
 Presumivelmente, este comportamento privado é evidente quando uma 
pessoa aprende ajogar xadrez. Por exemplo, as regras básicas são explicadas 
primeiramente e é mostrado ao jogador novato como movimentar e capturar as 
peças. Ao mover as peças de um lugar a outro, pede-se ao jogador que 
descreva as relações entre suas peças as do oponente. Isto estabelece o 
comportamento de visualizar a disposição do tabuleiro de xadrez. Conforme o 
jogador vai recebendo comentários corretivos adicionais, a visualização do 
tabuleiro se torna mais habilidosa. A pessoa começa a ver relações e 
movimentos que antes não eram percebidos. Durante os primeiros jogos, os 
novatos recebem instruções como “não mova o seu cavalo assim se não você 
ira perde-lo”. Adicionalmente, pode ser dito ao jogador, “Um movimento melhor 
seria se...” e uma demonstração do melhor movimento seria feita. Depois de 
certa experiência, pergunta-se ao estudante por que determinado movimento 
foi feito, e a explicação é discutida e avaliada. Eventualmente o professor para 
de dar dicas ao jogador e o encoraja a jogar em silêncio. Neste ponto, 
visualizar a disposições das peças (e.g., brancas controlam o centro do 
tabuleiro) e descrever as possíveis consequências dos movimentos (e.g., 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
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mover o cavalo para aquele quadrado vai separar as duas torres) torna-se 
encobertos. 
 A função do pensamento, como comportamento privado, é de aumentar 
a eficiência de ações práticas. Pessoas podem agir no nível encoberto sem se 
comprometerem publicamente. Uma vantagem é que uma ação pode ser 
revertidas se as consequências imaginadas não forem reforçadoras. No nosso 
exemplo, o jogador de xadrez considera os movimentos possíveis e as 
consequências que podem seguir o movimento, devido as suas experiências 
prévias. Baseando-se na avaliação encoberta, o jogador faz o movimento que 
para ele aparenta ser o melhor. Assim, o desempenho privado funciona como 
uma dica que guia a ação manifesta. Uma vez que o movimento é feito, o 
jogador enfrenta as consequências objetivas. Se o movimento produz uma 
vantagem que resulta em checkmate, então pensar em tal movimento em 
circunstâncias similares é fortalecido. Por outro lado, um movimento ruim 
enfraquecerá a ação de considerar tal movimento no futuro. No geral, 
pensamento é um comportamento operante controlado pelas suas 
consequências. Pensar em um movimento que guia ações efetivas é provável 
de ocorrer novamente, enquanto pensamentos que levam performances 
ineficazes diminuem. 
 Nesta seção, nós discutimos pensamento como comportamento 
encoberto e privado. Existem várias outras formas em que o termo pensamento 
é usado. Quando uma pessoa lembra de algo, nós podemos falar sobre 
pensamento no sentido de pesquisa e recordação. Resolução de problemas 
frequentemente envolve comportamentos privados que requerem uma solução. 
Ao tomar uma decisão, as pessoas dizem que pensaram nas alternativas antes 
de fazer sua decisão. O artista criativo pensa em novas idéias. Em cada uma 
dessas instâncias, é possível analisar pensamento como comportamento 
privado que é controlado por características específicas do ambiente. O 
restante deste livro discute os processos comportamentais que subjazem todos 
os comportamentos, incluindo o pensamento. 
 
RESUMO DO CAPITULO 
 
Cap. 1 - Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, História e Suposições	
  
	
   41	
  
Este capítulo introduziu a ideia que comportamento frequentemente é adquirido 
ao longo da vida do indivíduo como resultado de suas experiências. Ao nascer 
nós emitimos comportamento com poucas atividades organizadas. Contudo, 
conforme nossos comportamentos produzem consequências, algumas 
respostas são fortalecidas enquanto outras são enfraquecidas. As 
consequências do comportamento têm função de selecionar e estabelecer um 
repertório comportamental. Vários indivíduos proeminentes forma introduzidos 
para ilustrar a história da ciência da análise do comportamento. B. F. Skinner 
em particular foi descrito como a maior força por trás da análise experimental e 
aplicada do comportamento, que é o tópico deste livro. Esta abordagem está 
relacionada com a biologia em que o comportamento é considerado o produto 
da interação dos genes interagindo com ambiente do organismo. Análise do 
comportamento pode se estender à compreensão dos sentimentos e ao 
comportamento complexo, envolvendo a resolução de problemas e o 
pensamento. 
 
Palavras Chave 
Análise do Comportamento e Aprendizagem Pierce & Cheney 
 
Uma Ciência do Comportamento: Perspectivas, 
História e Suposições1 
	
  
1 
Análise do 
comportamento 
aplicada 
 
Comportamento 
 
Análise do 
comportamento 
 
Analista do 
comportamento 
 
Neurociência 
comportamental 
 
Behaviorismo (n.t. 
comportamentalismo) 
 
Reflexo condicionado 
 
Cultura 
 
Análise experimental 
do comportamento 
 
Causalidade imediata 
 
Lei do efeito 
 
Aprendizagem 
 
Condicionamento 
operante 
 
Comportamento 
privado 
 
Reflexo 
 
Causalidade remota 
 
Respondente 
 
Condicionamento 
respondente 
 
Ciência do 
comportamento 
 
Seleção por 
consequências 
 
Aprendizagem por 
tentativa e erro

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