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semiologia digestória: Depois de feita uma anamnese bem detalhada, tem-se a realização do exame físico do sistema digestório. EXAME FÍSICO: Vai utilizar as técnicas de INSPEÇÃO, AUSCULTA, PERCUSSÃO e PALPAÇÃO. No sistema digestório, a ausculta vem antes da palpação e percussão, para não alterar o ritmo dos movimentos presentes naquela pessoa (para ser fidedigno). INSPEÇÃO: Vai avaliar: forma e tamanho do abdome, cicatriz umbilical, simetria, abaulamentos, movimentos (respiratório, pulsações, peristálticos), circulação colateral, cicatrizes, lesões marcas/manchas – abdome normal ou atípico, globoso, escavado... » Sinal de Cullen: equimose periumbilical resultante de hemorragia retroperitoneal, seja ela por pancreatite aguda necro- hemorrágica (ocorre mais em alterações de cabeça de pâncreas) – NÃO É PATOGNOMÔNICO. » Sinal de Gray-Turner: equimose em região de flancos. Indicativo de hemorragia retroperitoneal. Pode ser encontrado em pancreatite necro- hemorrágica (ocorre mais em alterações de cauda de pâncreas). Geralmente os movimentos peristálticos só estão visíveis em casos patológicos. Em relação a circulação colateral, tem-se: Cabeça de medusa: ocorre mais na região umbilical e decorre de uma obstrução hepática (padrão excêntrico). Padrão verticalizado: ocorre por obstrução da veia cava. AUSCULTA: Busca por ruídos hidroaéreos (RHA) – avaliar a frequência (nos 4 quadrantes) e sopros (aorta abdominal e artérias renais). Importante realizar no sentido horário, oposto ao local da dor e ouvir por pelo menos 3 minutos. » Ausência de ruídos: abdome agudo inflamatório obstrutivo, cetoacidose diabética... » RHA aumentados: diarreia, fome... PERCUSSÃO: » Timpânico: na maior parte do abdome, incluindo no ESPAÇO DE TRAUBE (2 últimos espaços intercostais na linha axilar anterior esquerda); » Maciço: órgãos como fígado e baço. Aproveita e realiza a HEPATIMETRIA: avalia o tamanho, distância e ajuda a localizar o fígado para a palpação (vai fazendo a percussão de cima para baixo e de baixo para cima e percebe-se a mudança do som). O tamanho normal esperado é: 6-12cm no lobo direito e 4-8cm no lobo esquerdo. » Teste da macicez móvel: quando ocorre alteração do som percebido na mesma região, quando pede para o paciente ficar em decúbito lateral (quando o conteúdo é móvel - líquidos); » Sinal de piparote: indicativo de ASCITE. Piparote positivo ocorre quando fazemos uma percussão no abdome do paciente e notamos a propagação de uma onda do líquido ali acumulado. A percussão deve ser feita em região de flanco para observar a propagação da coluna de líquido para o lado oposto. PALPAÇÃO: Geralmente é formada por 4 etapas – superficial, profunda, do fígado e outros órgãos e manobras especiais. O ponto apendicular denomina se, também, ponto de McBurney. SUPERFICIAL: apoio superficial das mãos espalmadas (uma em cima da outra) para avaliar sensibilidade, resistência da parede, pulsações... PROFUNDA: palpação de determinados órgãos, busca por possíveis massas – localização, consistência, tamanho, pulsação, mobilidade, forma. PALPAÇÃO DO FÍGADO: » Técnica de Mathieu: palpar o hipocôndrio direito, o flanco direito e o epigástrio, partindo do umbigo até a reborda costal. Em seguida, executa-se a palpação junto à reborda, coordenando-a com os movimentos respiratórios da seguinte maneira: durante a expiração, a(s) mão(s) do examinador ajusta(m)se à parede abdominal sem fazer compressão e sem se movimentar; à inspiração, a mão do examinador, ao mesmo tempo que comprime, é movimentada para cima, buscando detectar a borda hepática. » Técnica de Lemos-Torres: examinador com a mão esquerda na região lombar direita do paciente tenta evidenciar o fígado para frente e com a mão direita espalmada sobre a parede anterior tenta palpar a borda hepática anterior durante a inspiração profunda. PALPAÇÃO DO BAÇO: Geralmente só é palpável em casos patológicos. Coloca-se o paciente na posição de Schuster - esta posição consiste no decúbito lateral direito, estando o paciente com a perna direita estendida e a coxa esquerda fletida sobre o abdome em um ângulo de 90°; ademais, o ombro esquerdo é elevado, colocando-se o braço correspondente sobre a cabeça. Com o paciente nesta posição, faz-se a palpação: de início, o examinador posicionasse diante do paciente, pousando com alguma pressão sua mão esquerda sobre a área de projeção do baço como se quisesse deslocá-lo para baixo. Enquanto isso, a mão direita executa a palpação, coordenando a com os movimentos respiratórios do paciente, de tal modo que, durante a inspiração, o examinador avança sua mão no rumo da reborda costal. MANOBRAS ESPECIAIS: Sinal de Murphy: Ao se comprimir este local, pede-se ao paciente que inspire profundamente. Neste momento, o diafragma fará o fígado descer, o que faz com que a vesícula biliar alcance a extremidade do dedo que está comprimindo a área. Nos casos de COLECISTITE AGUDA, tal manobra desperta uma dor inesperada que obriga o paciente a interromper subitamente a inspiração. Sinal de Blumberg: Dor que ocorre à descompressão brusca da parede abdominal. Essa manobra – DESCOMPRESSÃO RÁPIDA – pode ser aplicada em qualquer região da parede abdominal, e seu significado é sempre o mesmo, ou seja, PERITONITE. Nos casos de peritonite generalizada, o sinal de Blumberg é observado em qualquer área do abdome em que for pesquisado. Quando realizado no ponto de McBurney é indicativo de apendicite. Sinal de Rovsing: Quando se suspeita de APENDICITE AGUDA este ponto deve ser comprimido, fazendo-se uma pressão progressiva, lenta e contínua, procurando-se averiguar se isso provoca sensação dolorosa. A palpação é feita no lado esquerdo e a dor vai ser sentida no lado direito. Sinal do obturador: dor na região hipogástrica quando se faz a rotação interna da coxa, previamente fletida até seu limite máximo. M. obturador tem sua fáscia irritada por um proc. Inflamatório, por ex. apendicite. Sinal do psoas: dor na região hipogástrica quando se faz a extensão forçada da coxa em decúbito lateral direito ou esquerdo, para pesquisa do comprometimento do músculo esquerdo ou direito, respectivamente. Sinal de Giordano: utilizado na pesquisa de PIELONEFRITE OU LITÍASE RENAL (não é patognomônico). Para ser detectado, deve ser realizado uma percussão com a mão em forma de punho no dorso do paciente no nível da 11° e 12° costela, com uma mão realizando o amortecimento. Técnica de Valsalva: se prende a respiração, segurando o nariz com os dedos e, em seguida, é necessário forçar a saída de ar, fazendo pressão – para HÉRNIAS. CÓLON, reto e ânus: Anatomicamente, são formados por: » Apêndice; » Colón transverso; » Reto; » Sigmoide; » Colón descendente; » Cólon ascendente; » Ceco (válvula ileocecal); » Canal anal. As principais funções do intestino são: » Absorção de nutrientes e água (principalmente); Para a ANAMNESE é importante: » Identificação; » Faixa etária; » Etnia; » Local de criação e moradia (procedência); » Profissão; » Sexo; » Hábitos de vida (alimentação, hidratação, exercícios físicos); » História familiar (relação com hereditariedade). Para SINAIS e SINTOMAS é importante questionar sobre: » DOR: localização, intensidade, caráter, quando iniciou, fator de melhora e piora, irradiações, sintomas associados, se interfere nas atividades do dia a dia da pessoa e fator desencadeante. » DIARREIA: aspecto, volume, frequência (depende do hábito normal da pessoa – o considerado normal é até 3 vezes por dia ou dia sim e dia não), há quanto tempo está (aguda: até 4 semanas; crônica: maisde 4 semanas), presença de sangue, restos alimentares. » CONSTIPAÇÃO: pacientes com fezes 1 e 2 (escala fecal de Bristol), com esforço, por pelo menos 3 meses de sintomas e realizando <3 evacuações por semana. » SANGRAMENTO: melena (borra de café nas fezes e odor fétido – origem é digestiva alta), hematoquezia (sangue vermelho vivo nas fezes – origem é principalmente do canal anal), hematêmese (sangue no vômito – esôfago, estômago), e enterorragia (nem sempre é acompanhado de fezes, mais volumoso e vermelho vivo - sangramento do cólon, intestino grosso e do reto). O sangramento no cólon é causado principalmente por: angiodisplasias, doença diverticular e neoplasias. » TENESMO: vontade intensa de evacuar, mas não ocorre (proctite e tumores no reto). » PRURIDO ANAL: coceira anal (parasitoses, alimentação, dermatites fúngicas, hemorroidas, diabetes). » DISTENSÃO ABDOMINAL: aumento do volume abdominal; » NÁUSEAS e VÔMITOS: inespecíficos, podem ser causados por diversas coisas » ANEMIA: relação com fadiga, perda de peso. » EMAGRECIMENTO: quantos quilos perdeu e em quanto tempo Os EXAMES COMPLEMENTARES: » Exames de fezes; » Exames laboratoriais - CEA, sorologias, hemograma, PCR/ VHS; » Exames de imagem - radiografia simples do abdome, tomografia computadorizada, fistulografia, arteriografia, enema opaco com duplo contraste, ultrassonografia, cintilografia e ressonância magnética; » Exames endoscópicos- retossigmoidoscopia flexível e rígida, colonoscopia; » Exames para avaliação fisiologia – manometria anorretal (é um procedimento realizado para avaliar pacientes com constipação ou incontinência fecal), estudo do tempo de trânsito, defecografia (ocorre no momento na evacuação), defecoRNM; » Ultrassonografia (não é bom para intestino); » Tomografia computadorizada; » Ressonância magnética (muito bom para avaliar o reto); » Colonoscopia (a partir dos 45 anos para pacientes sem sintomas ou histórico na família | para os que tem histórico familiar faz com 10 anos antes da idade que a pessoa da família teve); As PRINCIPAIS PATOLOGIAS, são: ânus: » Hemorroida; » Fissuras; » Fístulas (comunicação do meio interno com o externo); » Tumor; cólon: » Divertículo (só ocorre no cólon); » Más formações; » Neoplasias; » Doenças inflamatórias. reto: » Proctites; » Neoplasias. VIAS BILIARES E FÍGADO: Anatomicamente, tem-se: » Lobo direito; » Lobo esquerdo; » Lobo caudado; » Lobo quadrado; » Ducto cístico; » Ducto colédoco (desemboca na ampola de Vater que fica no duodeno); » Ducto pancreático; » Ducto hepático direito, esquerdo e comum; » Vesícula biliar; » Ligamentos. Para a ANAMNESE é importante: » Identificação; » Faixa etária; » Etnia; » Local de criação e moradia (procedência); » Profissão; » Sexo; » Hábitos de vida (alimentação, hidratação, exercícios físicos); » História familiar (relação com hereditariedade). Para SINAIS e SINTOMAS é importante questionar sobre: » DOR: localização, intensidade, caráter, quando iniciou, fator de melhora e piora, irradiações, sintomas associados, se interfere nas atividades do dia a dia da pessoa e fator desencadeante. » NÁUSEAS e VÔMITOS: inespecíficos, podem ser causados por diversas coisas (cuidado com anemia, emagrecimento (quantos quilos perdeu e em quanto tempo), fadiga). » ANEMIA; » EMAGRECIMENTO; » ICTERÍCIA: avaliação em 4 cruzes (cor da pele, escleras e freio lingual). » ASCITE: importante sinal hepático. Os EXAMES COMPLEMENTARES: » Exames laboratoriais (TGO, TGP, albumina e tempo de protrombina -> para avaliar função renal); » Ultrassonografia; » Tomografia computadorizada; » Ressonância magnética; » Colangiorressonância (ressonância para vias biliares); » Laparoscopia- biópsia; » Elastografia (avalia principalmente grau de fibrose hepática); » Alfafetoproteína (quando maior que 400 -> para fígado). As PRINCIPAIS PATOLOGIAS, são: fígado: » Hepatites (A, B e C); » Neoplasias. vesícula: » Colecistite; » Cálculo na vesícula; » Neoplasias.