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ISADORA PEDREIRA ANAMNESE. 1.Identificação- Nome, idade, sexo, cor (raça), estado civil, profissão (atual e anteriores), local de trabalho, naturalidade, residência. Data da internação, enfermaria e leito. 2.Queixa principal- É a principal queixa que levou o paciente a procurar o médico. É a resposta da seguinte pergunta: “Qual o problema que o (a) trouxe ao hospital?” ou “Qual o principal sintoma/sinal que você gostaria que corrigisse para você se sentir melhor?”. Anote também a quanto tempo o paciente tem sentido os sintomas. 3.História da doença atual- É a parte principal da anamnese e costuma ser a chave- mestra para se chegar ao diagnóstico. • Determine o sintoma-guia; • Explore: início do sintoma (época, modo, causa desencadeante), duração, características do sintoma na época em que teve início (caráter do sintoma; localização corporal e irradiação; intensidade; fatores desencadeantes, de piora ou de melhora; relação da queixa com funções do organismo), evolução, repercussões do problema sobre a vida do paciente, relação com outras queixas, situação do sintoma no momento atual; • Use o sintoma-guia como fio condutor da história e estabeleça as relações das outras queixas com ele. Use a ordem cronológica; • As informações prestadas devem ser transcritas preferentemente em termos técnicos (médicos), mas, em certas ocasiões, será lícito transcrever para a HDA as palavras leigas (entre aspas), especialmente se elas referirem a um sintoma permanentemente enfatizado pelo paciente; • Anote também nomes e resultados de exames laboratoriais realizados no decurso da doença; • Evite perguntas sugestivas, que fornecem as respostas para as perguntas. A história deve ser narrada pelo próprio doente, sempre que possível, ou por intermédio de um responsável, no caso de doentes impossibilitados de falar, fato esse que deverá ser anotado. 4.Interrogatório sintomatológico - Constitui um complemento da história da doença atual. Permite levantar possibilidades e reconhecer enfermidades que não guardam relação com o quadro sintomatológico registrado na HDA. Também ajuda a confirmar ou afastar possibilidades diagnósticas sugeridas pelos sintomas presentes. Sugere-se a sistematização proposta a seguir: • Sintomas gerais: febre, astenia, alterações do peso (ganho ou perda, tempo), sudorese, calafrios, prurido, alterações do revestimento cutâneo, alterações do desenvolvimento físico; • Cabeça e pescoço: dor, alterações dos movimentos, tumorações cervicais; • Olhos: acuidade visual, dor, sensação de corpo estranho, queimação ou ardência, lacrimejamento, sensação de olho seco, diplopia, fotofobia, escotomas, secreção. • Ouvidos: acuidade auditiva, dor, otorreia, otorragia, zumbidos, vertigem. • Nariz e seios paranasais: obstrução nasal, dor, rinorreia, espirros, prurido, epistaxe, alterações do olfato (hiposmia, anosmia, parosmia, cacosmia), drenagem nasal posterior. • Cavidade oral e faringe: sialorreia ou ptialismo (secreção abundante de saliva), xerostose (sensação de boca seca), halitose, dor, gengivorragias, lesões de mucosa, glossodínea, odinofagia, disfagia, pigarro. • Tórax: • Mamas: mastalgia, secreção mamilar, nódulos palpáveis. • Sistema cardiorrespiratório: precordialgia, palpitações, dispneia, cianose, edemas, dor torácica, tosse, expectoração, disfonia, hemoptise, chiado. • Sistema gastrintestinal: disfagia, odinogafia, epigastralgia, dor, pirose, regurgitação, eructação, soluço, hematêmese, náuseas e vômitos, dispepsia, hábito intestinal (número de evacuações diárias, aspecto das fezes – cor e consistência, presença de elementos anormais – sangue, muco e/ou pus), diarreia, esteatorreia, cólicas, distensão abdominal, flatulência, hemorragia digestiva, icterícia, obstipação intestinal, sangramento anal. • Sistema geniturinário: dor, incontinência, retenção, modificações do jato urinário, disúria, alterações da cor e odor da urina (urina turva, hematúria, mau cheiro), alterações do volume e do ritmo urinário: anúria (diurese < 50-100 ml/dia) oligúria (diurese < 400-500 ml/dia), poliúria, noctúria, polaciúria, urgência miccional. Deve ser feito as seguintes perguntas: 1- O senhor tem vontade de ir ao banheiro? 2- Quando da vontade, aguenta segurar até chegar ao banheiro? 3- Ao urinar, faz esforço? 4- Sente dor ao urinar? 5- A urina sai cortada, em gotas ou jato continuo? 6- A cor da urina é amarelo citrino? 7- Tem presença de sangue? 8- A urina se apresenta turva? 9- Tem presença de espuma? • Sistema hemolinfopoiético: palidez, hemorragias, adenomegalias; • Sistema endócrino e metabólico: hipersensibilidade ao calor ou frio, aumento ou diminuição da sudorese, tremores, irritabilidade ou apatia, insônia ou sonolência, parestesia ou tetania, cãibras, convulsões, poliúria, polifagia, polidipsia • Sistema musculoesquelético: artralgias, sinais inflamatórios (edema, calor, rubor e dor), limitação de movimentos, deformidades, rigidez matinal, fraturas ósseas, luxações. • Sistema nervoso: distúrbios de consciência ou memória, tontura e vertigem, convulsões, ausências, distúrbios da motricidade voluntária e da sensibilidade (paresias, paralisias, parestesias, anestesias), distúrbios da marcha, do sono e das funções cerebrais superiores, distúrbios visuais (escotomas, diplopia, estrabismo, cegueira), distúrbios da linguagem (afasia motora, afasia de compreensão); • Exame psíquico e avaliação das condições emocionais: humor, ansiedade, choro frequente, irritabilidade, melancolia, sentimento de culpa e perda de interesse, perda de energia e desânimo. 5.Antecedentes pessoais e familiares- Antecedentes pessoais fisiológicos: • Gestação e nascimento: como decorreu a gravidez; pré-natal; uso de medicamentos ou irradiações sofridas; viroses; condições de parto (normal, fórceps, cesariana; a termo ou pré-termo?); estado da criança ao nascer; ordem do nascimento. • Desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM): - Dentição: primeira e segunda dentição; época em que apareceu o primeiro dente. - Engatinhar e andar - Fala - Aproveitamento escolar - Controle dos esfíncteres - Desenvolvimento físico: peso e tamanho ao nascer e posteriores medidas; desenvolvimento compatível com irmãos? • Imunizações: vacinação compulsória na infância (BCG, Hepatite B, DTP, Anti-pólio, Hib, tríplice viral, etc.) e na vida adulta (vacina antitetânica, vacina para gripe, etc.). • Puberdade: época do início. • Menarca: nome técnico para a primeira menstruação. A idade mais comum do amadurecimento deste eixo é em torno de 11-12 anos de idade. • Características do ciclo menstrual: duração do ciclo; duração e intensidade do fluxo menstrual, alteração na quantidade (menorragia); data da última menstruação; história obstétrica - número de gestação e partos (normais? cirúrgicos?); peso dos filhos ao nascer (presença de macrossomia). • Sexualidade e vida reprodutiva: época do primeiro contato sexual; número de parceiros (as); frequência das relações sexuais; uso do condom (camisinha); libido; • Climatério: idade da menopausa (natural ou cirúrgica); sintomas de insuficiência estrogênica (fogachos, sensação de ressecamento vaginal). Antecedentes pessoais patológicos: • Doenças sofridas pelo paciente: Doenças da infância: sarampo, varicela, coqueluche, parotidite, moléstia reumática, amigdalites, rubéola, etc. Doenças apresentadas na vida adulta: tuberculose (“mancha no pulmão”, radiografias do tórax anormais, tratamento para doenças no pulmão por 6 meses); DST (antigamente denominadas doenças venéreas, “doenças do mundo”), incluindo AIDS e hepatite viral; diabetes mellitus; hipertensão arterial; cardiopatias; febre reumática; asma brônquica; sexo feminino: abortamentos (espontâneos? provocados? de repetição?), etc.; • Alergia: ambientais, alimentarese medicamentosas; afecções de fundo alérgico (eczema, urticária, rinite alérgica e asma); • Cirurgias: anotar o tipo da intervenção, diagnóstico, data, resultados, nome do cirurgião e do hospital onde foram realizadas; • Traumatismos: data, acidente em si e suas consequências; • Hospitalizações: motivo, diagnóstico (s), nome do hospital; • Hemotransfusões: época, local, causa; • Medicações atuais e passadas Antecedentes familiares: • Estado de saúde (quando vivos) dos pais e irmãos do paciente; cônjuge, filhos (?); alguém doente na família (?); falecimento (causa e idade); • Histórico familiar de diabetes melito (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS), câncer, doenças da tireoide, doenças autoimunes, enxaqueca, tuberculose e outras doenças infecciosas, doenças alérgicas, doença arterial coronariana (IAM, angina), AVC, dislipidemia, úlcera péptica, colelitíase e varizes, doença de caráter hereditário: hemofilia, rins policísticos, etc. 6.Hábitos de vida e condições socioeconômicas e culturais • Alimentação: anamnese alimentar: hábitos alimentares, alimentação adequada em função do sexo, idade e trabalho desempenhado; avaliação qualitativa e quantitativa. Ex: alimentação qualitativa e quantitativamente adequada; redução equilibrada na quantidade e na qualidade dos alimentos; reduzido consumo de carboidratos; alimentação puramente vegetariana, etc. • Habitação: anotar o tipo de casa (atual e anterior); número de moradores e número de cômodos da casa; se há saneamento básico (esgoto, fossa séptica, água encanada, tratamento da água consumida); qual o destino do lixo (lixo acumulado na área peridomiciliar ou submetido a coleta pública). Pergunte se o paciente já morou perto de fábricas ou de outros locais potencialmente prejudiciais à saúde. • Ocupações anteriores e atual: natureza do trabalho, características do meio ambiente, substâncias que entram em contato e grau de ajustamento ao trabalho. • Atividades físicas: sedentarismo; atividades físicas moderadas, intensas e constantes ou ocasionais. • Padrão de sono: número de horas/dia. • Lazer: tipo e frequência. • Hábitos diários • Tabagismo: tempo de duração, natureza e quantidade. Utilizar a unidade: anos/maço de cigarro. (anos x maços por dia) • Consumo de álcool: abstêmios, uso ocasional, uso frequente, uso diário. Questionar sobre o tipo de bebida, volume e frequência de ingestão. • Uso de drogas ilícitas: maconha, cocaína, anfetaminas, sedativos e estimulantes; • Banhos de rios, açudes e lagoas: questionar sobre localidade, época e presença de algum sintoma estranho após o banho. • Contato com animais domésticos (gato, cão, pássaro). • Condições socioeconômicas: rendimento mensal; situação profissional; dependência econômica. • Condições culturais: nível cultural baixo, médio ou alto. • Religião • Vida conjugal e ajustamento familiar: relacionamento entre pais e filhos, entre irmãos e entre marido e mulher. EXAME FÍSICO 1- EXAME FÍSICO GERAL OU ECTOSCOPIA. Estado geral: é a impressão que se tem do doente, descrita da seguinte forma: estado geral bom, regular ou ruim. Nível de consciência: avaliar pela perceptividade, reatividade, deglutição e reflexos. Os extremos de variação são o estado de vigília e o estado de coma. A partir destes dados, é possível caracterizar o estado de com dentro da seguinte graduação: • Grau I (coma leve): o comprometimento da consciência é leve e o paciente é capaz de atender a ordens simples do tipo abrir e fechar o olho. Reage bem e de modo apropriado à estimulação dolorosa. A deglutição se faz normalmente. • Grau II (coma médio): perda da consciência é quase total, estando o paciente com sua perceptividade bastante reduzida. Responde apenas à estimulação dolorosa enérgica e o faz desapropriadamente. A deglutição é feita com dificuldade. Estão preservados os reflexos tendinosos, cutâneos e pupilar. • Grau III (coma profundo): perda da consciência é completa e o paciente não responde às solicitações externas por mais intensas que sejam. Sua perceptividade é igual a zero. Nem o estímulo doloroso é perceptível. Além disso, observam-se arreflexia tendinosa, cutânea e pupilar, relaxamento completo da musculatura e incontinência esfinctérica. • Grau IV (coma Depassé): além dos elementos já referidos ao coma de grau III, aqui há ainda o comprometimento das funções vitais, como parada respiratória (sendo necessária a ventilação artificial). É quase sempre um estado irreversível e o EEG revela silêncio elétrico cerebral. Fala e linguagem: avaliar a presença de alterações como: disfonia, distúrbios na fluência da fala (taquilalia, gagueira), distúrbios fonoarticulatórios (como as substituições, as adições e as omissões de fonemas), disartria, disfasia (de recepção ou de expressão). • Disfonia ou afonia: alteração no timbre da voz causada por problema no órgão fonador. Ex: voz rouca, fanhosa ou bitonal. • Dislalia: alterações menores na fala (comum em crianças), como a troca de letras (“casa” por “tasa”). • Disritmolalia: distúrbios no ritmo da fala, como gagueira e a taquilalia. • Disartria: alterações nos músculos da fonação, incoordenação cerebral (voz arrastada), de hipertonia do parkinsonismo (voz baixa, monótona e lenta) ou perda do controle piramidal (paralisia pseudobulbar). • Disfasia: aparece com completa normalidade do órgão fonador e dos músculos da fonação, mas está relacionada com uma perturbação na elaboração cortical da fala. Representa uma descoordenação da fala e incapacidade de dispor as palavras de modo compreensível. • Disgrafia: perda da capacidade de escrever. • Dislexia: perda da capacidade de ler. Estado de hidratação: deve-se observar o consumo ou ingesta de água: hidratado, hiperidratado e desidratado. Deve-se pesquisar ainda a pele, mucosa oral e conjuntiva, diurese, estado geral, sudorese, salivação, fontanelas (se estiverem fundas, pode indicar desidratação). Estado de nutrição: • Desnutrição, subnutrição, má-nutrição proteica; obesidade; • Critério de Gómez: déficit de peso em relação ao padrão normal para a idade e o sexo. Desenvolvimento físico: desenvolvimento físico normal, hiperdesenvolvimento, hipodesenvolvimento, hábito grácil, infantilismo. Fácies: normal, hipocrática, renal, leonina, adenoideana, parkinsoniana, basedowiana, mixedematosa, acromegálica, cushingoide, mongoloide, de depressão, pseudobulbar, da paralisia facial periférica, miastênica, de deficiente mental, etílica, escrerodérmica. Atitude e decúbito: • Voluntárias: ortopneia, atitude genupeitoral, atitude de cócoras, atitude parkinsoniana, atitude de decúbito (lateral, dorsal, ventral, posição antálgica). • Involuntárias: atitude passiva, opistótono. Mucosas: coloração (descoramento, cianose, icterícia), umidade e presença de lesões. Pele e fâneros • Pele: coloração, continuidade ou integridade, umidade, textura, espessura, temperatura, elasticidade, mobilidade, turgor, sensibilidade e presença de lesões elementares; • Fâneros: avaliar tipo de implantação, distribuição, quantidade, coloração e outras características, como brilho, espessura e consistência, dos cabelos; forma, implantação, espessura, superfície, consistência, brilho e coloração das unhas; Tecido celular subcutâneo e panículo adiposo: distribuição e quantidade. Linfonodos: Occipital, pre auricular, retro auricular, submentual, submandibular, cervical anterior, cervical posterior, axilar, inguinal. Medidas antropométricas: circunferências corporais (craniana, abdominal, quadril), peso e altura, IMC (peso/altura²). CABEÇA E PESCOÇO. De uma forma geral, as principais doenças que acometem estas estruturas são inflamatórias, infecciosas e neoplásicas. As infecções de vias aéreas superiores, por exemplo, são bastante frequentes, acometendo o adulto em torno de 4 vezes ao ano ea criança em torno de 6 vezes ao ano. ORELHA. O órgão vestibulococlear, ou simplesmente, orelha ou ouvido, é o complexo morfofuncional responsável pela sensibilidade ao som e aos efeitos gravitacionais, do movimento e do equilíbrio. A orelha está abrigada na intimidade do osso temporal e consiste em três partes, cada qual com características estruturais e funcionais distintas: a orelha externa, a orelha média e a orelha interna. A primeira parte, a orelha externa, é formada pelo pavilhão da orelha ou pina, que se projeta lateralmente à cabeça e é responsável pela captação do som; e, também, pelo meato acústico externo, um curto conduto que se dirige do exterior para o interior do órgão e que se apresenta fechado na extremidade interna pela membrana do tímpano. A segunda parte, a orelha média, é formada principalmente por uma pequena câmara cheia de ar na porção petrosa do osso temporal denominada de cavidade do tímpano. Essa cavidade comunica-se com a nasofaringe por um canal osteocartilaginoso chamado tuba auditiva. Em direção oposta à tuba, a cavidade do tímpano liga-se também ao antro mastoideo e, assim, com as células do processo mastoide do osso temporal. Uma cadeia de três ossículos articulados, situados na cavidade do tímpano, estende-se da membrana do tímpano até a orelha interna e é responsável pela transmissão das vibrações provocadas pelas ondas sonoras que incidem sobre a membrana timpânica. Pode-se dizer que o complexo tímpano- ossicular tem a importante função de transferir a energia das vibrações do meio aéreo, elástico e compressível do ouvido externo a fim de modificar a inércia dos líquidos (perilinfa), incompressíveis, que envolvem os receptores especializados do ouvido interno. A terceira porção, a orelha interna, consiste em um intricado conjunto de cavidades e canais no interior da porção petrosa do osso temporal, conhecidos como labirinto ósseo, dentro dos quais existem delicados ductos e vesículas membranosas, designadas, no seu conjunto, labirinto membranáceo, o qual contém as estruturas vitais da audição e do equilíbrio. O labirinto ósseo é constituído por: (1) uma cavidade óssea, de dimensões milimétricas, denominada vestíbulo, onde existem duas vesículas do labirinto membranáceo: o utrículo e o sáculo; três canais semicirculares ósseos; a cóclea óssea, a qual tem forma semelhante à de um caracol. Nos canais semicirculares, localizam-se os ductos semicirculares membranáceos e, na cóclea óssea, o ducto coclear, também membranáceo. A cóclea e – possivelmente também o sáculo – são estruturas associada à audição enquanto o utrículo, o sáculo e os ductos semicirculares estão associados ao movimento e ao equilíbrio. OSSO TEMPORAL O temporal é um osso bastante importante da base do crânio. Ele é a sede do órgão de audição e do equilíbrio e do acetábulo para a mandíbula. Portanto, sua estrutura também tem importância clínica. Admite-se que o termo “temporal” se deve ao fato de que, com o envelhecimento, os cabelos começam a embranquecer nesta região da cabeça. O temporal se desenvolve a partir de três brotamentos que se fundem, finalmente, em um único osso. Distinguem-se: • A parte escamosa, que contém o acetábulo da articulação temporomandibular. A escama temporal, a maior estrutura desta porção do osso, guarda relação com a fossa média craniana. • A parte petrosa, que contém o órgão da audição e do equilíbrio. • A parte timpânica, que forma a maior parte do meato acústico externo. Devido ao seu desenvolvimento, o processo estiloide deriva da parte petrosa e não da parte timpânica, como sua posição poderia erroneamente sugerir. Já o processo mastoide é formado por duas partes do osso temporal: a parte petrosa e a parte escamosa. ORELHA EXTERNA Pavilhão Auricular O pavilhão auricular (pina) é formado por uma placa irregular de cartilagem elástica coberta de pele, que lhe confere forma peculiar, com depressões e elevações; no conjunto, exibe uma superfície lateral de aspecto côncavo e uma superfície medial convexa correspondente. As depressões e relevos desta face côncava recebem nomenclaturas anatômicas específicas – demonstradas na figura abaixo – e são importantes no fenômeno de acústica sonora para amplificação do som. Tanto é que, os antigos gregos construíam seus anfiteatros com formado de pavilhão auricular para melhorar a propagação sonora. Estruturalmente, a orelha é constituída por uma fina placa de cartilagem elástica, coberta por pele e unida às partes adjacentes por músculos e ligamentos. É contínua à parte cartilaginosa do meato acústico externo, que se prende à porção óssea por tecido fibroso. Esta cartilagem, por ser avascular, é suprida pelos vasos da pele. Quando o pavilhão sofre algum tipo de trauma, a cartilagem pode perder a sua vascularização devido ao descolamento do pericôndrio, causando fibrose, fazendo com que ele perca a sua conformação anatômica, como ocorre com as orelhas de lutadores de jiu-jitsu, que perde seu relevo natural devido aos microtraumas causados durante as lutas. Na parte posterior da orelha, existe um pequeno coxim gorduroso que aumenta a maleabilidade da pele nesta região. O lóbulo, por sua vez, é formado por tecido fibroso e adiposo, sem cartilagem. Meato acústico externo O meato acústico externo estende-se da concha à membrana do tímpano e mede, aproximadamente, 2,5 cm de comprimento na parede póstero-superior. Estruturalmente, o meato consiste em um terço lateral cartilaginoso e dois terços mediais ósseos. O meato tem a forma de S, e à secção transversal apresenta-se de forma ovalada. A extremidade medial do meato ósseo é mais estreita do que a lateral e é marcada por um sulco, o sulco timpânico, onde se insere o ânulo fibrocartilaginoso da membrana do tímpano. ORELHA MÉDIA A orelha média compreende a cavidade timpânica, o antro mastoideo e a tuba auditiva que, no conjunto, representam uma câmara pneumática, irregular e contínua através de passagens, em sua maior parte localizada no osso temporal. A cavidade timpânica é uma fenda cheia de ar, comprimida lateralmente, forrada por mucoperiósteo, a qual se estende em um plano oblíquo anteroposterior. A cavidade timpânica é fechada lateralmente pela membrana do tímpano, que serve como limite entre a orelha média e o meato acústico externo. Essa membrana, de forma elíptica, é fina, semitransparente, e está colocada obliquamente, inclinando- se em sentido medial. Ela exibe aspecto levemente côncavo na face externa devido à tração do manúbrio do martelo (o primeiro dos três ossículos do ouvido), firmemente fixo à face interna da membrana, fazendo com que ela permaneça como uma lona de circo tracionada. Se a orelha média estiver repleta por secreção purulenta, esta membrana pode mostrar-se abaulada, perdendo seu formato cônico. O ponto mais deprimido desta “tenda”, no centro da membrana, chama-se umbigo do tímpano e corresponde à extremidade do manúbrio do martelo. A partir deste ponto, uma linha esbranquiçada, a estria malear, causada pelo brilho do manúbrio, é vista na face externa passando em direção à margem superior. Na extremidade superior da estria aparece uma projeção delgada, a proeminência malear, formada pelo processo lateral (curto) do martelo. Daí, partem as pregas maleares posterior e anterior, que se dirigem as extremidades do sulco timpânico do anel timpânico do osso temporal. A cavidade timpânica propriamente dita é limitada lateralmente pela membrana timpânica; superiormente por uma placa de osso compacto que forma o assoalho da fossa média da cavidade craniana; inferiormente pela parede jugular, marcada pela presença de células timpânicas delimitadas por trabéculas ósseas irregulares; posteriormente pela parede mastoidea; anteriormente pela chamada parede carótica, que contém o chamado músculo tensor do tímpano e o óstio timpânicoda tuba auditiva (de Eustáquio). A parede anterior é separada da artéria carótida interna por uma placa óssea fina, na qual são descritas raras deiscências. Essa parede é perfurada por pequenos pertuitos que dão passagem aos vasos sanguíneos e aos nervos caroticotimpânicos para o plexo timpânico. Por fim, a parede medial ou labiríntica apresenta várias estruturas, a maioria das quais estreitamente relacionadas com o ouvido interno. As células aéreas localizadas no osso temporal (principalmente no processo mastoide) se abrem na cavidade timpânica, auxiliando na manutenção da pressão desta cavidade juntamente à tuba auditiva. Cruzando a cavidade timpânica existe um delgado ramo nervoso denominada corda do tímpano. Este, que consiste em um ramo do nervo lingual, é responsável por levar as informações gustatórias dos dois terços anteriores da língua até o nervo facial, além de levar fibras eferentes viscerais (parassimpáticas) para as glândulas submandibular e sublingual. Os ossículos da orelha média formam uma cadeia articulada suspensa na cavidade do tímpano, responsável pela condução e amplificação das ondas sonoras da orelha externa para a orelha interna. São eles: • Martelo: derivado da cartilagem de Meckel, é o primeiro e maior ossículo da cadeia. Consiste em cabeça, colo, processo lateral, processo anterior e manúbrio ou cabo. O martelo é sustentado pela sua fixação na membrana timpânica, pelo músculo tensor do tímpano (inervado pelo nervo do músculo pterigoideo medial, ramo do mandibular do trigêmeo; é responsável por modificar os movimentos da cadeia ossicular junto ao pequeno músculo estapédio), por ligamentos próprios e por sua articulação com a bigorna • Bigorna: é o mais longo dos três ossículos. Consiste em um corpo, um processo curto, um processo longo e no processo lenticular. Assemelha-se a um dente pré-molar, com duas raízes divergentes comparáveis aos processos longo e curto. • Estribo: é o menor e mais medial elo da cadeia ossicular. Consiste na cabeça, na base e em dois ramos ou cruras. Nota-se uma área irregular imediatamente acima do ramo posterior representada pelo local de inserção do tendão do músculo estapédio (inervado pelo nervo para o músculo estapédio, ramo do nervo facial). A base, ou platina do estribo, apresenta formas muito variáveis e está acoplado à janela oval da cóclea. Os ossículos, por meio de dois mecanismos, promovem a amplificação do som: (1) a alavanca entre os ossículos; e (2) o mecanismo hidráulico, que concentra na pequena janela oval todo o som que chega na grande membrana timpânica, aumentando a energia sonora. Estes mecanismos garantem a amplificação do som em torno de 22 vezes, o que é importante no que diz respeito à mudança de meio de propagação do som: este passará de uma propagação aérea para uma propagação líquida, onde o som torna-se mais lento e com menor energia. Daí a importância de ampliar a energia sonora. ORELHA INTERNA O som, captado pela concha auditiva no pavilhão auricular, percorre o meato acústico externo e faz vibrar a membrana timpânica. Esta, por sua vez, propaga o som ao longo dos ossículos que vibram e passam o estímulo sonoro para a orelha interna. Esta, localizada na porção petrosa do osso temporal, contém as partes vitais dos órgãos da audição e do equilíbrio, que recebem as terminações dos ramos coclear e vestibular do nervo vestibulococlear. Consiste em três partes principais: o labirinto ósseo ou perilinfático, o labirinto membranáceo ou endolinfático e a cápsula ótica ou labiríntica circunjacente. • O labirinto ósseo está dentro da parte petrosa do osso temporal, medindo cerca de 20 mm de comprimento no seu eixo maior e constitui o estojo que aloja o labirinto membranáceo. Apresenta três componentes não completamente divididos: o vestíbulo, os canais semicirculares e a cóclea. É forrado por fino periósteo, o qual é revestido com uma delicada camada epitelioide e contém um líquido – a perilinfa – que envolve todo o labirinto membranáceo. • As estruturas que compõem o labirinto membranoso estão contidas nos compartimentos formados pelo labirinto ósseo. O labirinto membranoso é um sistema de vesículas e ductos preenchidos por um líquido claro, a endolinfa. As partes fundamentais do labirinto membranáceo são ducto coclear, o utrículo, o sáculo, os três ductos semicirculares e suas ampolas, e o saco e o ducto endolinfáticos. OBS: Além disso engloba anatomia do olho e anatomia das vias aéreas superiores. ANAMNESE. Na anamnese para a ORL, não se faz de forma completa, mas sim, uma forma específica e dirigida para as afecções do nariz, orelha, cavidade oral, faringe e laringe. Contudo, o seguinte protocolo deve ser seguido: identificação do paciente, queixa principal e duração, história da doença atual, doenças pré-existentes e medicamentos, interrogatório sintomatológico, antecedentes pessoais e familiares, etc. SINAIS E SINTOMAS Do ponto de vista auditivo, os principais sintomas são: • Otalgia: dor auditiva. Pode ser causada por doenças infecciosas que acometam a orelha externa e média. • Otorreia: presença de secreção que drena pelo meato acústico externo. Patologias inflamatórias ou tumorais podem causar otorreia com aspecto purulento, mucoide e/ou sanguinolento. Pode ser classificada como contínua ou intermitente. A otoliquorreia, isto é, secreção de líquor pelo ouvido, é um sintoma comum em fraturas de base do crânio. • Otorragia: sangramento oriundo do meato acústico externo, que pode ter várias etiologias: trauma da orelha externa, da orelha média (rompimento da membrana timpânica), etc. • Zumbidos: sensação de distorção auditiva. • Vertigem: sensação de rotação do meio. • Disacusia: déficit auditivo, que se manifesta na dificuldade que o paciente tem de ouvir ou distinguir os sons. Pode ser leve ou moderada (hipoacusia), acentuada (surdez) ou total (anacusia ou cofose). Os principais tipos de disacusia são condutiva (obstrução do meato acústico externo ou da membrana timpânica), neurossensorial (lesão do nervo vestibulococlear), mista ou central (lesão cortical: giro temporal transverso anterior). Pacientes com doenças rinossinusais podem apresentar os seguintes sintomas: • Obstrução nasal • Espirro • Prurido • Coriza • Descarga nasal (gotejamento) anterior e posterior • Dor, cefaleia e pressão facial • Alterações do olfato e alucinações olfativas • Alterações gustatórias • Alterações da fonação • Epistaxe Indivíduos com afecções da laringe ou da faringe poderão apresentar: • Dor: incômodo doloroso na região da garganta. • Odinofagia: dor ao deglutir. • Disfagia: dificuldade de deglutição • Dispneia • Tosse • Pigarro • Halitose • Disfonias EXAME FISICO As etapas do exame físico são: inspeção, palpação, otoscopia, rinoscopia anterior e posterior, oroscopia, laringoscopia indireta. Inspeção e palpação: Orelha: avaliar a forma do pavilhão auricular, a integridade das cartilagens, a região retro e pós-auricular, palpar linfonodos. • Nariz e seios paranasais: avaliar o vestíbulo (entrada do nariz), estruturas da pirâmide nasal e seu eixo (pesquisar por desvios nasais) e integridade das narinas. • Boca e orofaringe: avaliar, separadamente, os lábios, vestíbulos, gengivas, mucosas jugais (bochechas), língua, assoalho, teto (palato duro e mole, tonsilas). • Realizar o exame do pescoço. Orelha Anamnese: Não se deve firmar um diagnóstico de surdez irreversível, progressiva e sem qualquer esperança de pelo menos deter a evolução, sem que tenham sido esgotados todos os recursos propedêuticos para a individualização de possível fator etiológico. Idade: • Na infância: A otite média serosa incide de maneira marcante na criança até os 10 anos de idade. • No Adulto: Surdez por otosclerose surge na mocidade, geralmente entre os 20 e os 40anos. • Na idade mais avançada: Presbiacusia é a surdez que se instala na idade avançada, em geral, após os 70 anos Sinais e sintomas: OTALGIA. A dor de ouvido pode se dever a lesões da orelha externa e da orelha média. Às vezes é urna dor "referida" ou "reflexa” : que provém de pontos distantes do ouvido. Entre as primeiras está a otalgia devida a cárie dentária, sinusite, amigdalite e faringite aguda. Tais irradiações dolorosas são favorecidas pelo grande número de anastornoses nervosas da região. OTORREIA. É a saída de líquidos pelo ouvido, que podem ser claros corno a água, serosos, mucosos, purulentos ou sanguinolentos. Aqueles que são claros corno água se constituem pelo líquido cefalorraquidiano que provém de fraturas da base do crânio, às vezes misturado com sangue, frequentemente precedido de hemorragia. Os sanguinolentos se devem a pólipos neoplásicos ou de outra histogênese da orelha externa ou média, a otite gripal, neoplasias ulceradas e traumatismos. Os serosos, mucocatarrais ou purulentos têm origem em alterações da orelha externa, como eczemas, otites externas, furúnculos, em otites médias agudas ou crônicas e em mastoidites crônicas. OTORRAGIA. Decorre de traumatismos do meato acústico externo no ato de coçá- lo com palitos e cotonetes, de ruptura da membrana do tímpano por "tapa” violento ao nível do meato auditivo ou por fraturas da base do crânio, longitudinais ou transversais, que podem estender-se à caixa e à membrana do tímpano e à parede óssea superior do meato acústico externo. As fraturas "longitudinais" são as que mais frequentemente acarretam otorragia mais ou menos profusa, por vezes acompanhada de paralisia facial periférica. PRURIDO. Pode ser causado por eczema no canal auditivo, mas pode também aparecer em doenças sistêmicas, corno diabetes, hepatite crônica e linfomas. DISTÚRBIOS DA AUDIÇÃO (DISACUSIAS). Disacusia significa perda da capacidade auditiva, que pode ser leve ou moderada (hipoacusia), acentuada (surdez) ou total (anacusia ou cofose). Segundo a localização dos fatores etiológicos responsáveis pelas disacusias, estas podem ser divididas em: • Disacusia de transmissão, devida a lesões situadas no aparelho transmissor da onda sonora; orelhas externa e média (unidade tímpano-ossicular) e líquidos labirínticos • Disacusia neurossensorial ou de percepção, quando o fator lesivo se localiza no órgão de Corti e/ou no nervo acústico, elementos perceptores ou receptores das ondas sonoras. ZUMBIDOS. Zumbidos, tinido ou acúfenos são sensações auditivas subjetivas, que ocorrem sem que haja estímulo exterior. Manifestam-se como ruídos de jato de vapor, água corrente, campainha, cachoeira, apito e chiado. Podem ser óticas e não óticas. • Entre os ÓTICOS, encontram-se tampão de cerume obturante, corpo estranho, otite externa, inflamações agudas ou crônicas da orelha média, timpanosclerose, otosclerose, obstrução tubária, afecções da orelha interna, doença de Méniere, ototoxicoses (quinino, salicilatos, estreptomicina, canamicina, garamicina, neomicina), otosclerose coclear, trauma sonoro e presbiacusia (surdez da idade avançada). O neuroma do acústico, quando ainda limitado dentro do meato acústico interno, pode exteriorizar- se clinicamente apenas por um zumbido "persistente” antes que surjam a hipoacusia neurossensorial e os distúrbios do equilíbrio. • Já os NÃO ÓTICOS podem ser causados por hipertensão arterial, angiospasmo, estase cefálica, hipertireoidisrno, menopausa e tabagismo. • De modo geral, os zumbidos aumentam de intensidade com tensão nervosa, preocupações ou aborrecimentos de qualquer natureza (familiar, profissional etc.), noites mal dormidas, fadiga física ou psíquica. VERTIGEM. A vertigem labiríntica consiste em uma sensação subjetiva na qual o paciente acredita estar girando em torno dos objetos (vertigem subjetiva) ou que os objetos estão girando em torno dele (vertigem objetiva). É uma sensação angustiosa, geralmente acompanhada de perda do equilíbrio, por vezes queda, náuseas, vômitos e zumbidos auriculares. • A vertigem (sensação de rotação) é sempre de natureza labiríntica. Os menores movimentos da cabeça, acarretando deslocamentos da endolinfa, são capazes de despertar novas crises vertiginosas. A intensidade e a duração do estado vertiginoso dependem do fator etiológico desencadeante. • Em geral, a vertigem surge subitamente, sob a forma aguda, mas também pode instalar-se insidiosamente. As crises podem apresentar-se em caráter intermitente, com períodos de acalmia mais ou menos longos, assim como sob forma subentrante, quase contínua. São acompanhadas de perturbações do equilíbrio e desvios da marcha. • Nas afecções centrais, os distúrbios do equilíbrio são mais frequentes e mais acentuados, além de poderem surgir sem relação com as crises vertiginosas. Já a vertigem de posição é aquela que só surge em determinadas posições da cabeça. Exame físico do aparelho auditivo. Inspeção externa: possibilita reconhecer os processos inflamatórios e neoplásicos do pavilhão da orelha, os cistos, as fístulas congênitas (coloboma), as reações edematosas da região mastoidea no decurso da mastoidite aguda e da furunculose do meato acústico externo, os corpos estranhos, as rolhas ceruminosas e os pólipos do mesmo meato acústico e as malformações congênitas da orelha externa. Palpação: fornece elementos de valor na orientação diagnóstica pela comprovação de pontos dolorosos à pressão do antro mastoideo nas mastoidites agudas, assim como do pavilhão da orelha nas otites externas agudas. Poderá, ainda, revelar reações linfonodais periauriculares nos processos infecciosos das orelhas externa e média. Otoscopia A otoscopia consiste no exame direto do conduto auditivo e da membrana do tímpano, com uso de aparelho denominado otoscópio. A técnica para a realização do exame é peculiar, e consiste nas seguintes manobras: primeiramente, com a mão não-dominante, o examinador deve tracionar o pavilhão auricular para trás e para cima, no intuito de retificar o meato acústico externo; introduz-se o espectro com tamanho adequado para conseguir chegar o mais profundo possível. Todas as etapas de introdução devem ser avaliadas: integridade dos terços laterais e mediais do meato acústico externo (existem doenças, como a foliculite, que só se manifesta no terço externo do meato) e avaliar a integridade da membrana timpânica. As características desta devem ser avaliadas minuciosamente: normalmente, a membrana timpânica é transparente, de coloração pérola- acinzentada e que permite a observação de algumas estruturas mais profundas da orelha média. O manúbrio ou cabo do martelo e o processo lateral do martelo são estruturas de projeção na membrana timpânica. Este processo determina a posição anatômica da membrana timpânica: sendo sua inclinação mais anterior, para onde o processo apontar (se estiver mais próximo do plano direito ou esquerdo), será o lado correspondente da membrana timpânica (na figura abaixo, temos a visão da membrana timpânica direita). Dois ligamentos que se destacam do processo lateral do martelo também são evidentes: o ligamento malear anterior e o ligamento malear posterior. Eles dividem a membrana em duas regiões: uma menor e mais superior – a parte flácida – e outra maior, localizada inferiormente aos ligamentos – a parte tensa. Além desta divisão, para a melhor localização das lesões da membrana timpânica, devemos dividi-la em quadrantes a partir de duas linhas, uma paralela ao martelo e outra perpendicular ao umbigo do martelo. Os quadrantes são ântero-superior, ântero-inferior, pósteroinferior e póstero-superior. Devemos sempre procurar a presença do chamado cone de luz ou triangulo luminoso que, normalmente, está localizado no quadrante ântero-inferior. Este cone de luz nada mais é que um reflexo da luz do otoscópio. Lesões no quadrantepóstero-superior são consideradas mais graves devido as suas relações mais amplas com as articulações dos ossículos e com o nervo corda do tímpano. Contudo, acessos cirúrgicos no quadrante ântero-inferior correm o risco de lesão da artéria carótida interna (que passa nesta região do osso temporal separada da orelha média por uma fina placa óssea) e no quadrante póstero-inferior, lesão do seio sigmoide. Rinoscopia anterior e posterior A cavidade nasal deve ser examinada com uma fonte de luz que permita trabalhar com as mãos livres (espelho frontal e/ou fotóforo) para manipulação da cavidade nasal. A rinoscopia anterior consiste na avaliação da cavidade nasal através das narinas, com o auxílio de um espéculo nasal. O instrumental básico da rinoscopia anterior é constituído do espelho de Glatzell, do espéculo nasal, da pinça baioneta, do algodão laminado e da solução de efedrina a 2%. A visão especular da cavidade nasal permite a avaliação das conchas nasais, dos meatos e parte do septo nasal, de maneira bastante clara. Para a realização da rinoscopia, devemos fazer duas manobras em tempos diferentes: (1) manter a cabeça parada para o exame do assoalho da cavidade nasal; (2) com a cabeça levantada, para avaliar o meato nasal médio. A rinoscopia posterior consiste na utilização do espelho de Garcia (o mesmo utilizado para a laringoscopia indireta), cuja lente será voltada para cima, no intuito de observar a rinofaringe e as coanas. Devidos aos inconvenientes deste exame, a rinoscopia posterior vem entrando em desuso, sendo substituída pelo uso de endoscópios. Oroscopia A oroscopia, muito frequentemente, necessita do auxílio de uma espátula ou abaixador de língua. Para a realização do exame, o paciente abaixa a boca sem por a língua para fora. Isso porque, ao projetar a língua, as formações anatômicas posteriores da cavidade oral também são projetadas (como a faringe e as tonsilas), falsificado a inspeção. Durante a oroscopia, devemos avaliar a boca e a orofaringe. Para isso, é necessária uma iluminação adequada, que preferencialmente deve ser com espelho frontal ou fotóforo; em alguns casos em que a lesão deve ser observada com muitos detalhes, pode ser usada lente de aumento. Na boca, devemos avaliar todas as estruturas da cavidade oral propriamente dita e as outras estruturas a ela relacionadas: tecido ósseo, glândulas salivares (e seus ductos de desembocadura), língua, linfonodos regionais que possam estar aumentados de volume e articulação temporomandibular. A palpação da cavidade oral é indispensável para alguns diagnósticos. Globo Ocular e cavidade orbitária • inspeção: Inspeção: Deve-se observar primeiro a separação entre as duas cavidades orbitárias. Possibilita reconhecer anormalidades quando presentes, como por exemplo um grande afastamento (hipertelorismo), que é comum em anomalias genéticas. É possível encontrar hipoplasia orbitária bilateral e simétrica, observada nas disostoses craniofaciais. Com relação ao tamanho do globo ocular, pode observar a presença de microftalmia (todas as dimensões do olho diminuídas). • Palpação: Investiga-se principalmente o rebordo ósseo, procurando solução de continuidade, fraturas e espessamento, sendo espessamentos comuns na periostite sifilítica. Crepitação indica passagem de ar de algum seio da face para o tecido subcutâneo. * Exoftalmia Significa protrusão do globo ocular* Aparelho Lacrimal • Inspeção: pode detectar aumento de volume da glândula lacrimal, que se situa na parte externa da pálpebra superior, cujas causas principais são as afecções inflamatórias e neoplasias. Para reconhecer é necessário levantar as pálpebras do paciente e solicitar que ele olhe para baixo e para dentro. Avalia-se também a glândula lacrimal. A inspeção do aparelho lacrimal ainda permite avaliar tumefação, vermelhidão, presença de mucocele e fístulas. • Palpação: avalia-se a consistência, a profundidade e sensibilidade das glândulas lacrimais, explorando os canalículos do saco lacrimal e do ducto nasolacrimal, através de pressão local. Verificar se há refluxo de secreção mucopurulenta, que pode indicar obstrução do conduto nasolacrimal. *Lacrimejamento em excesso é denominado epífora, pode ser causado por excessiva formação de lágrimas ou obstrução das vias de excreção. Quando em um ponto lacrimal, a obstrução pode ser causada por atresia, eversão ou corpo estranho. Pálpebras • Inspeção: investiga-se a cor, a textura, a posição, movimentos e eventuais edemas. Possibilita também descobrir se há blefaroptose ou defeitos no desenvolvimento embrionário e alterações pigmentares. Avalia-se também a motilidade palpebral tendo em mente os músculos que dela participam (orbicular, elevador da pálpebra superior, tarsal de Muller) visando identificar eventuais paralisias faciais periféricas. Na região periocular, procura-se observar se os cílios estão virados para dentro (triquíase), se houve queda (madarose) ou tornaram-se brancos (poliose). Deve se verificar a implantação dos cílios, investigar hiperemia, escamas e úlceras. Observa- se a simetria. Não deve haver exposição da esclerótica. As bordas da pálpebra devem estar em aposição ao globo, e não invertida (entrópio) ou evertida (ectrópio). Conjuntiva e esclera • Inspeção: é possível ver algumas vezes vasos tortuosos (episclerais). A esclerótica normal tem cor branco-porcelana que pode modificar-se por depósito de pigmentos como ocorre na icterícia e na melanose ocular. Em cada lado do limbo, principalmente do nasal, é possível identificar uma pequena área elevada de cor amarelada (pinguécula) que não deve ser confundido com neoplasia, pois é uma degeneração fisiológica do tecido elástico. Edema da conjuntiva (quemose), enfisema com crepitação e hemorragia subconjutival, devem ser pesquisados. Para o exame da conjuntiva palpebral superior é necessário fazer sua eversão, a qual possibilita evidenciar se há reações inflamatórias, corpo estranho ou tumoração. A eversão é feita solicitando ao paciente que olhe para baixo enquanto o examinador segura seus cílios com uma das mãos, puxando para fora e para baixo ao mesmo tempo em que exerce pressão com 1 contonete acima da borda palpebral. A conjuntiva palpebral inferior é examinada com uma simples tração para baixo da pálpebra inferior em cima do osso maxilar, pedindo que o paciente olhe para cima. Esse exame fornece valiosa informação nas anemias, nas quais a cor normal (rosa vivo), transforma-se em rosapálido ou quase branca. Córnea As alterações são facilmente observadas com uma boa iluminação. Inspeção: Deve ser avaliado em primeiro lugar, seu tamanho e verificar se há megalocórnea (aumentada) ou microcórnea (diminuída). Com a ajuda de uma lupa pode ser identificada eventuais alterações como opacificação corneana (leucoma), irregularidades epiteliais provocadas por corpo estranho e neovascularização. Esse exame pode ser um pouco difícil por conta da fotofobia ou blefaroespasmo, mas pode ser feito com a ajuda de um anestésico. O exame detalhado da córnea, câmara anterior, íris e cristalino é feito pelo oftalmologista. Ao observar a câmara anterior, deve-se notar a profundidade, a turvação do humor aquoso (irite), o sangue (hifema) e acumulo de exsudato celular (hipópio). Pupila • Inspeção: observar a cor, desvios e os orifícios da íris e da pupila. Pupilas normais são arredondadas, centrais e de tamanhos iguais. Alterações no tamanho são chamadas anisocorias. O diâmetro da pupila varia com a iluminação do local, quando esta contraída, caracteriza miose, e quando está dilatada, caracteriza midríase. O teste reflexo-pupilar é feito da seguinte maneira: iluminar uniformemente a face do paciente fazendo incidir um feixe luminoso sobre um dos olhos. A pupila normal irá contrair de forma rápida e vigorosa,caracterizando o reflexo fotomotor direto (do olho examinado) e o reflexo fotomotor indireto ou consensual (do outro olho). Observar também o reflexo para perto, que deve ser avaliado colocando um objeto a 10 cm do olho; o esperado é que ocorra miose bilateral, convergência dos olhos e acomodação. Cristalino • Inspeção: Com a pupila em midríase, o exame é realizado por lâmpada de fenda. Na falta desta lâmpada, uma boa iluminação permite identificar alterações grosseiras. Deve ser observada a posição do cristalino que pode encontrar-se deslocado (luxado). Observar se há perda de transparência (cataratas). Acuidade visual Avalia o funcionamento da fóvea. Permite esclarecer se a queixa de perda ou diminuição da visão procede ou não. É testada em cada olho separadamente. Ao se ocluir o olho que não está sendo examinado, deve-se evitar pressioná-lo, pois isto pode provocar distorção na imagem e redução da acuidade visual. Se o paciente já fizer o uso de óculos, a acuidade deve ser avaliada com a lente de correção óptica. Oftalmoscopia É realizada através do oftalmoscópio, e torna possível a identificação de doenças sistêmicas que causam alterações no fundo do olho. Para a realização do exame é necessário que a pupila seja dilatada para tornar possível a visibilidade da periferia da retina. O fundo de olho normal é visto como um reflexo vermelho (clarão pupilar). Entre o examinador e a retina podem ser encontradas opacidades nos meios transparentes (córnea, cristalino e vítreo). O disco óptico é a primeira coisa a ser analisada, deve ser vertical e rosado, com uma escavação fisiológica no centro. No exame dos vasos sanguíneos é necessário caracterizar as artérias e veias, vermelhoescuras. A artérias é mais espessa, com um reflexo central mais brilhante. O observador deve procurar estreitamentos focais ou generalizados das artérias, tortuosidades das veias, observar cruzamentos arteriovenosos. A área macular localiza-se no lado temporal. É uma área mais escura que a retina que a rodeia. Não possui vasos na sua parte anterior. Essa área é responsável pela visão central. Examina-se a periferia da retina solicitando-se que o paciente olhe em diferentes direções. *Os principais achados no fundo de olho são as hemorragias, exsudatos, focos de coriorretinite, edema e atrofia de papila, neurite optica, melanoma de coroide e o descolamento de retina. Avaliação Funcional Os exames usados com mais frequência são: exploração funcional da audição (provas com os diapasões - Rinne, Weber, Schwabach, audiometria, imitanciometria, emissões otoacústica, audiometria de tronco cerebral), exame da função vestibular (vectoeletronistagmografia) e de imagem. • Prova de Weber. O diapasão é colocado no vértice da abóbada craniana. Normalmente, sua vibração é percebida igualmente por ambos os ouvidos (Weber "indiferente"). Quando há surdez unilateral, entretanto, as vibrações são bem mais audíveis por um dos ouvidos. Quando se trata de surdez unilateral por lesão da orelha interna (surdez neurossensorial), a vibração sonora é mais bem percebida pelo ouvido normal; quando, porém, há lesão da orelha média ou do ouvido externo (surdez de transmissão), a vibração sonora é mais audível pelo ouvido surdo. Diz-se, então, que o Weber está lateralizado, para a esquerda ou para a direita. PEDIATRIA ANAMNESE • Identificação: Nome; sexo; idade; etnia; naturalidade; procedência; filiação; endereço. • Queixa principal – informada pelo responsável • Interrogatório sintomatológico: → Geral: questionar sobre o sono do RN (se dorme bem, quantas horas ao dia), se há irritabilidade, prostração ou dificuldade de amamentar. → Sist. Tegumentar: Pápulas, manchas, placas, descamações, alterações da cor da pele (icterícia, por exemplo). → Sist. Cardiovascular: Dispneia ao amamentar, edema, cianose → Sist. Respiratório: Congestão nasal, coriza, tosse, cianose, esforço respiratório, roncos, sibilos. → Sist. Gastrointestinal: Ritmo intestinal, características das fezes, vômitos. → Sist. Geniturinário: Número de micções (estimular cuidador a observar quantas fraldas o RN molha por dia), características da urina (cor, odor, quantidade). No caso do sexo masculino, questionar se o jato urinário é forte e se ocorre projeção a longa distância ou se é fraco e curto (possibilidade de válvula de uretra posterior). • Antecedentes: → Gestação: duração da gestação (a termo -37 a 42 sem - pre-termo - 42 sem), houve intercorrências?, via de parto, exames realizados pela mãe durante a gestação, tipo sanguíneo materno; → Parto: houve intercorrências com o RN no parto?, condições do RN ao nascimento (Apgar), peso, comprimento, idade gestacional ao nascimento, houve necessidade de reanimação?, passagem por UTI neonatal? → Patológicos: Verificar uso de antibióticos, hemoderivados, necessidade de ventilação mecânica e por quantos dias. Verificar se houve intercorrências, comorbidades, procedimentos médicos. Questionar grupo sanguíneo ABORh do RN, se houve icterícia, edema. Questionar sobre doenças diagnosticadas até o momento, alergias e medicamentos utilizados. → Imunização: verificar caderneta de saúde da criança Obs.: RN deve ter recebido BCG e 1ª dose da hepB no primeiro dia de vida. • Hábitos de vida: → Alimentação: está em aleitamento materno exclusivo? Pontuar para os responsáveis as vantagens e a importância do aleitamento materno exclusivo. → Desenvolvimento neuropsicomotor: No desenvolvimento do RN, até a 4a semana de vida, é esperado que em posição prona mantenha atitude fletida, gire a cabeça de um lado para o outro. Quando suspenso ventralmente, espera-se que a cabeça fique pendida. Na posição supina, fica geralmente fletido, um pouco rígido. Pode fixar o olhar em faces ou na luz na linha de visão. Quando vira o corpo, apresenta "olhos de boneca': Tem preferência visual pela face humana. Para a avaliação do desenvolvimento psicológico, é importante observar o estabelecimento da relação mãe-filho, que nessa fase pode ser avaliado pela maneira de a mãe relacionar-se com o bebê. Questionar se algumas dessas atitudes não foi observada até então e se há estímulos no dia-a-dia. EXAME FÍSICO. • Antropometria: Comprimento, peso, perímetro cefálico e torácico • Inspeção: Avaliar a cor da pele (clara, ictérica ,cianótica), seu turgor, ocorrência de descamação, manchas (mongólicas, eritema tóxico), equimoses, hematomas e lesões cortocontusas, que podem ocorrer no momento do parto. Na boca, avaliar os lábios e a conformação do palato (se em ogiva, fenda palatina, se há fissura labiopalatal etc., pesquisar se há dentes neonatais; Observar anatomia da língua e freio lingual (anquiloglossia parcial ou "língua presa); verificar gengivas. Observar a posição dos mamilos e a posição de inserção do coto umbilical no abdome, verificando se este tem duas artérias e uma veia. Avaliar genitália, região sacral (mielomeningocele), dedos das mãos e dos pés, palma da mão e posição dos pés, região anal (pérvia?). • Aparelho Cardiovascular: → Inspeção: visualizar o ictus cordis. → Palpação: Palpar o ictus e verificar se há frêmitos. Contar e avaliar o ritmo da FC. → Ausculta: realizar ausculta de todo o tórax, observar se há sopros e avaliar sua intensidade. • Aparelho Respiratório: → Inspeção: procurar sinais de esforço respiratório; observar se há sinais de cianose. → Ausculta: avaliar se há murmúrio vesicular, ruídos adventícios, contar FR. • Abdome: → Inspeção: avaliar forma, tensão, visceromegalias e cordão umbilical. → Percussão: avaliar timpanismo. → Palpação: avaliar se há massas palpáveis. → Ausculta: avaliar ruídos hidroaéreos. • Aparelho urogenital: → Inspeção: verificar se e típica feminina ou masculina. → Palpacao: MASCULINA- procurar testículos na bolsa escrotal e regiao inguinal,verificar se há exposição da glando, epispadia ou hipospadia; FEMININA: verificar se há aderência dos pequenos lábios, hipertrofia de lábios vulvares, de clitóris. • Membros: Pesquisa dos sinais de Ortolani e Barlow para identificação dos sinais de luxação congênita do quadril, observar formato dos membros, dedos dos pés e das mãos, palpar clavículas a procura de crepitação e fraturas. Pesquisar sinais e reflexos neurológicos (Moro, tonico-cervical, prensao palmar e plantar). AVALIAÇÃO CLÍNICA DO LACTENTE AO ESCOLAR. Deve incluir algumas perguntas, como: • Como é a alimentação? Quando foi feita a introdução de alimentos sólidos? • Avaliar a cicatrização do coto umbilical. • Foram observadas exantemas? • Nesse momento as queixas principais normalmente estão voltadas a ocorrência das primeiras enfermidades como gripes e resfriados, e a erupção dos primeiros dentes de leite. • Questionar sobre uso de medicamentos e vitaminas, reações a imunizações • Avaliar visão e audição do bebe. • Para avaliação dos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), a abordagem começa com uma pergunta geral, como: "O que ele está fazendo atualmente?': A partir dessa pergunta, comparam -se as respostas obtidas a uma escala de padrões de desenvolvimento. Obs.: Também é valido pedir para os pais “compararem” o desenvolvimento dos irmãos na mesma idade para verificar se há algum atraso ou anormalidade. ANAMNESE DO PRÉ-ESCOLAR. • A partir dos 3-4 anos já pode-se estabelecer um diálogo com a criança • Pergunta-se sobre a alimentação, a participação nas refeições familiares, padrões de lanches e recusa de alimentos, além da conduta dos responsáveis com relação às recusas alimentares. • Questionar sobre o sono e desenvolvimento da linguagem • Questionar sobre dificuldades no treinamento esfincteriano, cuidados dentários e medidas de prevenção de acidentes. • Nos hábitos de vida questionar sobre a pratica de esportes e estimula-la • No escolar questionar sobre o desempenho escolar e relações com colegas e familiares. AVALIAÇÃO CLÍNICA DO ADOLESCENTE Primeiro tempo da consulta (com responsável presente): Identificação; investigação dos antecedentes familiares, antecedentes pessoais fisiológicos (tipo de parto, peso ao nascimento, condições do nascimento, alimentação pregressa especialmente nos dois primeiros anos de vida, desenvolvimento neuropsicomotor) e patológicos, imunização. Interroga-se sobre a queixa principal e a história da doença atual. Segundo tempo da consulta: (sem presença do responsável): investigação da alimentação atual, hábitos de vida (prática de exercícios, uso de tabaco, álcool, drogas ilícitas), vida escolar, relações com os pais e irmãos, relações sociais: amigos, namoro, educação sexual e vida sexual, se pertinente e trabalho. Deve ser feita a entrevista com cuidado, respeitando a personalidade e levando em conta a idade do adolescente. Em seguida, repetem-se a pesquisa de queixa principal e a história da doença atual. (obs: a queixa principal e a H.D.A. são obtidas com mais dados no segundo tempo, mas algumas vezes, obtém-se dados ou histórias diferentes ou até contraditórios, comparados aos obtidos no primeiro tempo). GASTROENTEROLOGIA ANAMNESE • Dor: → Cáries dentárias: dor aguda, localizada, de curta duração e que desaparece quando retira o estímulo. → Pulpite: um processo inflamatório decorrente da perda do esmalte dentário, que acaba causando estímulos dolorosos no nervo. A dor é aguda, a princípio localizada, mas se irradia com o evoluir do processo, sem cessar com o uso de analgésicos. → Abcesso: é um processo inflamatório que ocorre a presença de pus. Dor aguda, pulsátil, contínua, localizada na fase inicial, tornando-se reflexa a distância. • Halitose: pode estar relacionado a causas orais, respiratórias, digestivas, mucosas e até metabólicas. Além de higiene bucal ineficiente (fermentação e putrefação de substâncias orgânicas), doenças gegivais, perdontais, úlceras. • Sialorréia/ Ptialismo: excesso de salivação. Pode estar relacionado a diversos fatores, como diminuição do controle muscular da boca, paralisia cerebral, parckson, prótese, medicamentos. • Xerostomia - Hipossialia – Hipossalivação: uso de alguns medicamentos (antihipertensivo, anti alégicos), fatores de desidratação bucal (respiração bucal, fala). ESOFAGO • Disfagia Consiste na dificuldade de deglutir. Disfagia bucofaríngea: ocorre nas duas primeiras fases da deglutição, podendo ser alta ou de transferência. O alimento permanece no todo ou em parte na cavidade bucal após a tentativa de deglutição. Causas: mecânicas, miopatias, psicogênicas, distúrbio funcional e doenças do SNC. Disfagia esofágica: ocorre na terceira fase da deglutição, classificada como baixa ou de transporte. O paciente tem a sensação de paradado bolo alimentar no esôfago, embora não possa localizar precisamente o nível da obstrução. Causas: mecânicas ou motoras. • Odinofagia Dor ao deglutir. Causas: ulcerações na mucosa ou a contrações musculares de maior intensidade no esôfago distal. O caráter da dor é variável, sendo referida como dor urente (pirose mais intensa), em punhalada, constritiva ou espasmódica. • Pirose Queimação (azia) de piora gradativa que pode vir acompanhada de regurgitação de um líquido amargo. Na maioria das vezes, é de localização retroesternal, sendo percebida no nível do apêndice xifoide, podendo propagar-se para a região epigástrica, para ambos os lados dotórax ou, mais comumente, em direção ascendente, até o nível do manúbrio esternal. Causa: insuficiência do mecanismo impediente do refluxo, cujas causas mais comuns são o relaxamento transitório do esfíncter inferior do esôfago, a hérnia hiatal e a hipotonia do esfíncter inferior do esôfago. • Regurgitação É a volta do alimento ou de secreções contidas no esôfago ou estômago à cavidade bucal, sem náuseas e sem a participação dos músculos abdominais. Causas: mecânicas (como neoplasias, estenoses, obstrução do lumen) ou motoras (megaesôfago,acalasia idiopática. No megaesôfago existem dois tipos de regurgitação: - ativa/dinâmica/ortostática que é caracterizada por surgir imediatamente após as refeições e a passiva/decúbito: paciente deitado, geralmente á noite. • Eructações deglutição de uma grande quantidade de ar (aerofagia). • Soluços pode ser decorrente de diversos fatores (como disfunções no SNC, irritação do nervo frênico…), mas as causas esofágicas são o megaesôfago e a hernia hiatal. • Sialorreia ou ptialismo Produção excessive de saliva decorrente de receptors na parede esofágica muito relacionada à disfagia orofaríngea. Observada nas esofagopatias obstrutivas de modo geral e, em particular, no megaesôfago chagásico. • Hematêmese vômito com sangue. Hemorragia disgestiva alta (boca até ângulo de Treitz- trasição duodenojejunal-). Principal causa: ruptura das varizes esofágicas. • Dor A dor espontânea pode ser causada por mudanças do pH intraluminal, atividade motora anormal ou processos inflamatórios ou neoplásicos da parede esofágica. varia com a doença de base, deve ser definido o evento temporal, o local exato, causas de melhora ou piora, a intensidade, o tipo (queimação, corrosão…). Pode ser confundida com insuficiência coronariana, pois ambas podem irradiar para o pescoço, braços, ombros e o disgnósico vai se diferenciar a partir da posiço do paciente ou com uso de medicamentos (ex. antiácidos vão diminuir a dor esofágica e não a coronariana). ESTÔMAGO E DUODENO • Dor Visceral, difusa ou queimação. Visceral: pura do estômago e do bulbo duodenal, provocada experimentalmente, é percebida na linha epigástrica mediana, comum em: úlcera peptica, gastrite aguda, cancer gástrico e doenças inflamatórias. • Náuseas e Vômitos Importaanalisar a cor, o odor, o volume, a quantidade, além da presença de sangue (hematêmese, que denota lesões a montante do ângulo de Treitz), bile (quantidades elevadas sugerem obstrução intestinal alta) ou alimentos (grande quantidade de alimentos ingeridos várias horas antes, há forte indicação de estase gástrica). Associados à dor: portadores de úlcera gástrica ou duodenal e gastrites. As causas gastricas mais comuns são: úlcera péptica, varizes esofágicas, lacerações da transição esofagogástrica pelo esforço do vômito (síndrome de Mallory-Weiss),gastrite aguda e carcinoma do estômago. • Dispepsia desconforto ou dor na parte alta do abdomen (região epigástrica), pode ou não estar associada a patologias. • Pirose dor ou queimação na parte retrosternal (causa mais comum é refluxo gastroesofágico). Já foi descrita anteriormente. • Hemorragia (Hematêmese Ou Melena) Melena: fezes negras (borra de café), caracterísitica de hemorragia digestiva alta Hematequezia: fezes avermelhadas, característica de hemorragia digestiva baixa. INTESTINO DELGADO. • Principais sinais e sintomas • Diarréia aumento da evacuação em 24h. Pode ser causada por 4 razões: Síndrome da má absorção: substâncias reabsorvidas com dificuldade causam acúmulo de liquido nas fezes. Aumento da secreção de água e eletrólitos (diarréia secretora): enterotoxinas bacterianas, cólera, medicamentos Aumento da permeabilidade da mucosa intestinal (diarréia exudativa): causada por algumas alterações inflamatórias, neoplásicas ou isquêmicas. Alteração na motilidade do intestino delgado (diarréia motora – persiste ao jejum). • Esteatorréia gordura excretada nas fezes por má absorção lipídica. A gordura é fonte de caloria, por isso a esteatorréia pode causar fadiga, fraqueza, perda de peso, hipertrofia compensatória. Visivelmente, as fezes flutuam na água. • Dor modo da dor, início, associações de melhora ou piora. Pode ser decorrente de distensão na parede intestinal, aumento da tensão da musculatura intestinal, alterações vasculares (congestão e isquemia). Deve-se diferenciar a dor intestinal da dor peritoneal: na intestinal, o paciente movimenta-se e busca posição confortável, faz a compressão abdominal com as mãos. Já em casos de dor peritoneal, o paciente fica imóvel (movimentação ou compressão causam piora da dor). * Cólica intestinal: dor de início súbito, com agravamento rápido e progressivo da intensidade* • Distensão Abdominal – Flatulência – Dispepsia associado ao estômago e duodeno. Apresenta eructações, desconforto, dor em epigástrico, saciamento precoce, empachamento pós prandial, náuseas. Normalmente é causada por acúmulo de liquido no intestino, má absorção, gases devido a fermentação. • Hemorragia Digestiva muito associada a febre. Não costuma causar hematêse. Normalmente se apresente em melena, muito raramente o sangue encontra-se avermelhado. Pode ser sangramento intenso e rápido (podendo causar colapso respiratório) ou pode ser mais lento e menos intenso, algumas vezes imperceptível devido à pouca expressão de sintomas (em estágio mais avançado o paciente apresenta tontura, escurecimento da visão, hipotensão, palpitação). Febre: decorrentes de doenças infecciosas, inflamatórias, neoplásicas. Pode vir associada outros sintomas. Perda De Peso: menos apetite, indisposição para comer. É importante verificar a quantidade/qualidade dos alimentos. Anemia: palidez na pele, astenia, fraqueza muscular, cansaço, sonolência, palpitações. Normalmente é causada por deficiência de B12 e ferro. Edema: redução da pressão colóidosmótica no plasma resultante de hipoalbuminemia, que leva a ativação do sistema RAA. Manifestações De Carências Nutricionais Específicas: má absorção de nutrientes. o Insuficiência Endócrina: a falta de algumas vitaminas pode prejudicar a produção endócrina. • A esteatorréia pode influenciar na absorção das vitaminas A, D, E e K. A deficiência de vit. A leva à hiperqueratose cutânea e cegueira noturna. A deficiência de vit. D leva a doenças ósseas A deficiência de vit. K leva a distúrbios hemorrágicos • Irradiação de dores intestinais: a dor somente intestinal se limita a região umbilical. → Quando a causa envolve o íleo, a dor se localiza entre a região meso e hipogástrica. → Quando a causa envolve o Íleo terminal, a dor se localiza no quadrante inferior direito. → Quando é motivada por distensão das paredes do intestino ou por contração vigorosa da sua musculatura, a dor é irradiada para o dorso somente se o estimulo for muito intenso. → A dor pode ser causada por peritonite, sendo classificada em difusa (inflamação generalizada) ou restrita (se limita ao local do processo inflamatório. CÓLON, RETO E ÂNUS. • Dor pode ser confundida com dor perineal. É classificada em: Difusa: se inicia em uma região e se espalha por todo abdomên (fica endurecido). Pode ser causada por peritonite, impactação fecal, obstrução intestinal. Quadrante superior direito: poucas afecções estão envolvidas nessa localização, sendo normalmente causada por impactação fecal alta ou obstrução instestinal grave. Quadrante inferior direito: próximo ao ceco e ao cólon ascendente. Apêndicite, câncer de ceco, processos inflamatórios. Quadrante superior esquerdo: pouco característico e de difícil palpação. Pode ser confundido com outros órgãos (estômago, pâncreas, baço, rim). Quadrante inferior esquerdo: apresenta cólon sigmóide pálpável. Pode ser causada por doença diverticular do cólon ou abcesso. • Diarréia X Desinteria desenteria é uma diarréia associada a cólicas intensas e as fezes muco sanguinolentas. • Obstipação Intestinal 3 evacuações por dia ou até 2 por semana é normal. Acima de 48h é considerado prisão de ventre. Deve-se investigar a possibilidade de megacólon. • Sangramento Anal – Hematoquezia normalmente causados por hemorróida (em adultos), pólipos (em crianças) e adenocarcinomas. • Prurido Anal causado por má higiene, enterobíase, doenças anorretais crônicas e sistêmicas. • Distensão Abdominal causada por ascite, fecaloma, neoplasias, megacólon, torção do sigmóide. • Náuseas e Vômitos não são frequentes nas afecções do intestino grosso. • Anemia Crônica e Perda De Peso ter atenção às doenças consuntivas (câncer do cólon, por exemplo). PÂNCREAS. • Dor: é o sintoma mais frequente, sobretudo na pancreatite (aguda ou crônica), podendo irradiar para o dorso. Costuma ser contínua e durar horas. Apresenta-se em epigástrico e hipocôndrio esquerdo. Piora com alimentação e consumo de bebidas alcoólicas e pode diminuir quando o paciente se inclina para frente. • Vômitos: são de difícil controle, podendo causar graves desequilíbrios hidroeletrolíticos. • Icterícia: pode ser intensa ou não. É um sinal comum nas doenças pancreáticas, caracteriza pela bilirrubina direta, indicando colestase extra-hepática (obstrução dos ductos). Em casos de icterícia intensa, geralmente o ducto obstruído é o colédoco. • Diarréia: fezes oleosas, pastosas, brilhantes, de odor rançoso, coloração pálida. • Perda de peso: pode ocorrer na pancreatite crônica, devido a insuficiência endócrina e exócrina. Na aguda, o emagrecimento é devido ao jejum prolongado. • Anorexia: associada à neoplasias pancreáticas. • Astenia: associada a anorexia e emagrecimento e é indicativo de neoplasia. • Má-absorção: representado por esteatorréia (defeito na lipase) e creatorréia (perda de proteínas nas fezes). • Diabetes: pode variar desde uma branda, com intolerância glicídica, até uma grave. Pode surgir desde o início, mas é mais comum após determinado período de tempo (DM tipo 2). • Hemorragias: geralmente na pancreatite aguda e na agudização da crônica, ocorre devido a ruptura de vasos sanguíneos pelas enzimas pancreáticas. O sangue pode exteriorizar-sesob forma de hemorragia digestiva. As doenças pancreáticas podem estar relacionadas a outras patologias, como: afecções biliares, traumas, afecções respiratórias crônicas, hiperparatireoidismo, úlcera péptica, desnutruição, medicamentos, antecedentes familiares. FÍGADO E VIAS BILIARES • Dor abdominal localizada no quadrante superior direito, apresenta diferentes características, conforme a afecção que a provoca. Cólica biliar: de início súbito, de grande intensidade, localizado no hipocôndrio direito e com várias horas de duração. Paciente fica inquieto, nausedo e pode apresentar vômitos. O aparecimento de icterícia após episódio de cólica sugere passagem do cálculo para o colédoco. Colecistite aguda: dor continua, no hipocôndrio direito, podendo irradiar para escápula ou ombro direito, via nervo frênico. A compressão da região provoca dor (reflexo de Murphy). • Icterícia consiste em uma coloração amarelada da pele e das mucosas devido a uma impregnação do tecido por pigmentos biliares. tempo de duração, intensidade, evolução da icterícia (súbita ou gradativa), flutuação do quadro. • Ascite Acúmulo de líquido ceroso no peritônio. A ascite é denominada "barriga d'água: termo muito popular nas zonas endêmicas de esquistossomose. Os primeiros sinais consistem em: Alterações na cor da pele, dor abdominal, fadiga crônica, coceira na pele, indigestão, miccão frequente, fezes claras. Icterícia,hematomas e sangramento maior, confusão mental ou desorientação, irregularidades açúcar no sangue. Outros sintomas que podem ser experimentados no último estágio da doença hepática crônica é a depressão, tremores musculares e até convulsões. EXAME FÍSICO O exame físico (EF) do abdome se inicia com o paciente em decúbito dorsal, relaxado e com os braços estendidos ao longo do corpo. O examinador deve estar posicionado à sua Direita. A bexiga deve ser esvaziada antes da realização do exame, e o examinador deve aquecer as mãos, e o estetoscópio e manter suas unhas curtas. A primeira conduta é a INSPEÇÃO. • Podemos observar a forma e o volume do abdome bem como o peristaltismo quando visível. Buscar a presença de cicatrizes, cicatriz operatória, estrias, observar a distribuição dos pelos, a cicatriz umbilical). Deve-se dividir o abdome em nove regiões topográficas. Quanto a forma o abdome pode ser classificado em: • Plano (o mais comum) • Globoso • Escavo (O abdome tem forma globosa quando a pessoa é obesa, ou tem alguma patologia como ascite ou neoplasia e a forma escavada é comum em pessoas desnutridas ou com doenças consuntivas). (Abdome em avental é quando a barriga do paciente é caída). Quanto a simetria o abdome pode ser: • Simétrico • Assimétrico Inspeciona-se a CICATRIZ UMBILICAL, se ela é RETRUSA ou PROTUSA (sugestivo de hérnia). E observa-se se existe a presença de MOVIMENTOS PERISTÁLTICOS VISÍVEIS. Eles normalmente não devem ser visualizados, exceto em pessoas caquéticas. Em pessoas normais, quando visualizado, é sugestivo de alguma obstrução. Observa-se a presença de CIRCULAÇÃO COLATERAL NO ABDOME, onde o comum é sua inexistência, mas pode se apresentar de modo vertical, por obstrução da veia cava ou “cabeça de medusa” por uma obstrução hepática. AUSCULTA. Deve ocorrer antes da palpação e percussão. Deve-se auscultar com o estetoscópio os ruídos intestinais nas diferentes regiões topográficas do abdome, ou ao menos os quatro quadrantes, para avaliar o PERISTALTISMO. O esperado é que se ouça RUÍDOS HIDROAÉREOS no abdome. Em pessoas com diarreia, os ruídos ficam muito mais intensos, e em algumas situações patológicas, como o íleo paralítico, ocorre o silêncio abdominal, onde os ruídos desaparecem. A ausculta também permite detectar sopros sistólicos em caso de aneurisma, fístula arteriovenosa ou compressões arteriais. PERCUSSÃO As vísceras maciças como o fígado e o baço produzem som maciço, e as vísceras que possuem ar dentro, produzem som timpânico. A percussão busca avaliar o conteúdo abdominal, que vai ser dada uma idéia de acordo ao som produzido. Podendo encontrar achados patológicos da presença de líquido, como a ascite, ou a presença de massas, inclusive tumorais. (obs.: Na presença de ascite ouve-se um som timpânico na região mesogástrica e maciço nas demais. Com a mudança de posição, alteram-se os limites das zonas de timpanismo e macicez, para confirmar a percussão existe a manobra adequada. Não existe uma regra sobre qual técnica deve ser realizada primeiro, a percussão ou a palpação, ficando a critério do examinador, onde a única ressalva é iniciar pela ausculta como já foi dito. No momento da percussão realizamos a percussão do fígado, e a HEPATIMETRIA, assim descrita: • Para determinar os limites superior e inferior do fígado, e poder identificar sua borda inferior para palpação, é preciso proceder com sua percussão. • O limite superior é determinado pela percussão ao longo da linha hemiclavicular no nível do 5 espaço intercostal do lado esquerdo, identificado pelo som submaciço. • Não existe percussão de borda superior. A da borda inferior, é feita suavemente de baixo para cima, na projeção das linhas hemiclavicular, e medioesternal, em direção à arcada costocondral. Os pontos de macicez é o limite inferior do fígado e é o local de referência para a sua palpação. PALPAÇÃO. A palpação do abdome deve se feita com o paciente também em decúbito dorsal, relaxado. Só deve-se adotar a flexão das coxas quando paciente tiver dor e contração muscular. Ela se divide em SUPERFICIAL e PROFUNDA, e pode ser feita só com uma das mãos, ou com as duas. A mão espalmada será colocada sobre a parede anterior do abdome, com dedos em ligeira flexão os quais se movimentam a medida que se aprofunda a palpação. O paciente deve respirar calmamente e na sua fase expiratória ele diminui a tensão abdominal e o examinador deve prosseguir com a palpação profunda. A palpação superficial é feita primeiro e vai buscar hipersensibilidade em alguma área, a temperatura, espessura, continuidade da parede abdominal, eventualmente vísceras mais superficiais, a própria estrutura da pele e avaliar a TENSÃO DA PAREDE ABDOMINAL, em condições normais ela é maior no centro do que nos flancos. O aumento patológico desta tensão pode gerar a chamada defesa abdominal, que é um reflexo víscero-motor resultando em alta contração. A palpação profunda, vem depois. Com as pontas dos dedos, devem produzir entre dois e três abalos em cada local e percorrer todas as regiões do abdome de forma ordenada. Onde deve-se palpar órgãos da cavidade abdominal, massas, a borda inferior do fígado etc. Alterações patológicas permitem a palpação de estruturas não palpáveis, como a esplenomegalia que permite a palpação de baço. PALPAÇÃO DE FÍGADO A palpação do fígado baseia-se em algumas manobras, sendo elas: 1) Palpação Hepática Bimanual - Esta palpação, por sua vez, é muito semelhante à palpação profunda. Nesse sentido, quando o paciente inspirar, o profissional realizará uma pressão para baixo no sentido cranial, de modo a permitir que a borda do fígado deslize sobre a ponta dos dedos. De forma mais específica, o médico irá, com as duas mãos, realizar um movimento em parábola embaixo do rebordo costal direito. 2) Lemos-Torres – O profissional realizará o mesmo movimento da palpação hepática bimanual, porém, ao invés das duas mãos realizarem o movimento em parábola juntas, uma ficará na lombar do paciente. 3) Mathié/Manobra em Garra/Método do Gancho – Para executá-la, o examinador coloca-se à altura do ombro direito do paciente deitado, podendo o médico ficar em pé ou sentado no leito. Onde as outras manobras identificaram a borda, colocam-se os dedos mínimo, anular e médio de ambas as mãos, no mesmo alinhamento, de tal maneira que as extremidadesdos dedos médios se toquem. Isso permite formar uma enorme superfície contínua para a palpação. Solicitando que o paciente inspire profunda e lentamente outra vez, as pontas dos dedos trazem para cima a borda hepática, que pode ser então avaliada. A espessura normal da borda é fina, fígado liso, sem nodulações, maciço O exame do baço procede-se da mesma maneira que na palpação do fígado, a região examinada é o quadrante superior esquerdo. Se não for possível palpar o baço por meio das manobras descritas, utiliza-se um outro recurso, que consiste em examinar este órgão com o paciente na posição de Schuster. Em decúbito lateral direito, o paciente deve estar com a perna direita estendida e a coxa esquerda fletida sobre o abdome em um ângulo de 90º; ademais, o ombro esquerdo é elevado, colocando-se o braço correspondente sobre a cabeça. De início, o examinador posta-se diante do paciente, pousando com alguma pressão sua mão esquerda sobre a área de projeção do baço como se quisesse desloca-lo para baixo. Enquanto isso, a mão direita executa a palpação, coordenando-a com os movimentos respiratórios do paciente, de tal modo que, durante a inspiração, o examinador avança sua mão no rumo do rebordo costal. MANOBRAS Durante o exame físico geral, mais especificamente na percussão, devem ser realizados dois testes/manobras, a fim de realizar a pesquisa por ascite. Nesse sentido, o mais utilizado é: • Teste da Onda Líquida (Piparote) – Com o paciente deitado, solicita-se a ele ou a um auxiliar que coloque a margem cubital da mão sobre o abdome, exercendo uma pequena pressão. O examinador coloca sua mão esquerda, espalmada, sobre a parede lateral direita do abdome. Com a mão direita, o examinador dá um piparote, com o dedo médio, na parede lateral esquerda. As ondas líquidas transmitem-se para o lado oposto, sendo percebidas pela mão esquerda. Também pode solicitar que o paciente vire em decúbito lateral e observar o liquido se deslocar. Já durante a percussão esplênica, é válido que o profissional percuta o Espaço de Traube, sendo ele uma zona de percussão de timbre timpânico de formato semilunar, limitada à direita pelo lobo esquerdo do fígado, acima pelo diafragma e pulmão esquerdos e à esquerda pela linha axilar anterior esquerda. De modo geral, esse espaço tem largura de 12cm e altura de 9cm, projetando-se sobre da 6ª à 9- 10ª costelas. A expressão “Traube Livre”, muito usada no cotidiano dos hospitais e acadêmicos, significa dizer que a percussão do espaço apresenta o timbre timpânico e que a loja de Traube encontra-se “livre” de ocupação, conforme normal. Sinal de Murphy Nesse sentido, o examinador fará a pesquisa do sinal no ponto cístico, que é o local onde se encontra a vesícula biliar (rebordo costal direito). Com o paciente em decúbito dorsal, o examinador pede a ele que realize uma inspiração voluntária e profunda. Na expiração subsequente, o examinador faz uma digitopressão no ponto cístico e, solicita que o paciente continue o movimento respiratório e inspire profundamente. Se o sinal for positivo, o paciente sentirá dor ou desconforto no momento da inspiração e interromperá o progresso da inspiração, sendo então indicativo de colecistite. Sinal de Giordano. Com o paciente sentado e inclinado para frente, o examinador fará uma punho percussão na região lombar do mesmo. Se a manobra evidenciar sinal de dor aguda, o Sinal de Giordano será positivo, o que indicará acometimento renal (litíase e pielonefrite aguda). Sinal de Blumberg. É um sinal médico caracterizado por dor ou piora da dor à compressão e descompressão súbita do ponto de McBurney. Para saber este ponto é traçado uma linha que liga a cicatriz umbilical com a espinha ilíaca ântero-superior. Divide-se esta linha em 3 partes, sendo o ponto referido o local que corresponde ao encontro do terço médio com o terço distal da linha. Dor no ponto de McBurney, percebido durante o exame físico, é indicativo de peritonite naquele local e, apesar de não ser patognomônico, geralmente associa-se à apendicite aguda. Sinal de Rovsing. É um sinal médico de apendicite. Se a palpação do quadrante inferior esquerdo do abdômen do paciente resultar em dor no quadrante inferior direito, diz-se que o paciente é positivo para o sinal de Rovsing. GENITO-URINÁRIO ALTERAÇÕES DA MICÇÃO E DO VOLUME URINÁRIO. Em condições normais, uma pessoa adulta normal elimina de 700 a 2.000 ml urina/dia. A capacidade da bexiga normal é de 400 a 600 ml e o indivíduo tende a esvaziá-la quando a urina chega a 200 ml. 1 – Oligúria: Diurese inferior a 400 ml/dia ou menos de 20 ml/h. Causas: redução do fluxo sanguíneo renal (desidratação, hemorragia, insuficiência cardíaca) ou por lesões renais (glomerulonefrite aguda, necrose tubular aguda). 2 – Anúria: volume urinário inferior a 100 ml/24 h. Causas: obstrução bilateral das artérias renais ou dos ureteres, na necrose cortical bilateral e insuficiência renal aguda (IRA) grave. 3- Poliúria: volume urinário superior a 2.500 ml/dia seja por diurese ostmótica ou por incapacidade de concentração urinária. Causas: diabetes melito descompensado, diabetes insípido, hipopotassemia e insuficiência renal crônica. 4 - Disúria: micção associada à sensação de dor, queimor ou desconforto. Causas: cistite, prostatite, uretrite, traumatismo geniturinário, irritantes uretrais e reação alérgica. 5 – Urgência: Corresponde à necessidade súbita e imperiosa de urinar. 6 – Polaciúria: Caracteriza-se pelo aumento da frequência miccional, com intervalo entre as micções inferior a 2 h e sem que haja concomitante aumento do volume urinário. Causas: irritação vesical por infecção, calculo, obstrução, etc. 7- Hesitação: Ocorre quando há um intervalo maior para o aparecimento do jato urinário, normalmente associado ao esforço para urinar. Causas: obstrução do trato de saída da bexiga. 8 - Nictúria ou noctúria: Necessidade de esvaziar a bexiga durante a noite. Causas: fase inicial da insuficiência renal crônica, pacientes com insuficiência cardíaca ou hepática que retêm líquido durante o dia. 9 - Retenção urinária: incapacidade de esvaziar a bexiga, apesar de estar produzindo urina normalmente e o indivíduo apresentar desejo de esvaziá-la. Pode ser aguda (bexiga dolorosa) ou crônica (pode não haver dor); pode ser completa (não elimina nada) e incompleta (fica resto de urina após ato miccional finalizado). Causas: obstrução no nível da uretra ou do colo vesical, como na estenose uretral, na hipertrofia e nas neoplasias da próstata e na bexiga neurogênica. 10 – Incontinência urinária: É a eliminação involuntária de urina. ALTERAÇÕES DA COR E ASPECTO DA URINA. A urina normal é transparente e tem uma tonalidade que varia do amarelo-claro ao amarelo escuro, conforme esteja diluída ou concentrada. Urina avermelhada. 1 - Hematúria: sangue na urina, podendo ser macro ou microscópica. O aspecto da urina depende da quantidade de sangue e do pH. Pequena quantidade de sangue tinge a urina de marrom- escuro (cor de "Coca-Cola'') quando o pH é ácido. Na urina alcalina, a hemoglobina conserva sua cor vermelha viva por mais tempo. É importante determinar se a hematúria é total, inicial ou terminal. Urina uniformemente tingida de sangue (hematúria total) indica que a origem do sangramento é renal ou ureteral. Sangramento originário do colo vesical, próstata ou uretra posterior ocasiona hematúria inicial ou terminal. Hematúria inicial, é mais associada a lesões situadas entre a uretra distal e o colo vesical. 2 - Hemoglobinúria: ocorrência de hemoglobina livre na urina, condição que acompanha as crises de hemólise intravascular(malária, leptospirose, transfusão incompatível, icterícia hemolítica). 3 – Mioglobinúria: destruição muscular maciça por traumatismos e queimaduras, e após exercícios intensose demorados como maratonas e nas crises convulsivas. 4 – Porfirinúria: eliminação de porfirinas ou de seus precursores, os quais produzem coloração vermelho- vinhosa da urina, algumas horas depois da micção. Convém lembrar que a beterraba e alguns medicamentos podem tingir a urina de vermelho. Urina turva. 5 - Piúria: quantidade anormal de leucócitos na urina. As infecções urinárias são as causas mais comuns. Urina com aumento da espuma Eliminação aumentada de proteínas na urina, presente em glomerulonefrites, nefropatia diabética, nefrites intersticiais. Mau cheiro O odor característico de urina decorre da liberação de amônia. A fetidez surge nos processos infecciosos, pela existência de pus ou por degradação de substâncias orgânicas. Alguns medicamentos (vitaminas, antibióticos) também alteram o odor da urina. • Dor 1 - Dor lombar e no flanco: A dor renal característica situa-se no flanco ou região lombar, entre a 12a costela e a crista ilíaca, e, às vezes, ocorre irradiação anterior. O parênquima renal é insensível, não ocasionando dor. Contudo, a distensão da cápsula renal dá origem a tal dor. É descrita como uma sensação profunda, pesada, de intensidade variável, fixa e persistente, que piora com a posição ereta e se agrava no fim do dia. Geralmente, não se associa a náuseas e/ou a vômitos. Causas: nefrótica, glomerulonefrite aguda, nefrite intersticial e pielonefrite aguda, obstrução urinária, rins policísticos. 2 - Cólica renal ou nefrética: dor decorrente de obstrução do trato urinário, com dilatação súbita da pelve renal ou do ureter, que se acompanha de contrações da musculatura lisa dessas estruturas. Em seu início há uma sensação de desconforto na região lombar ou no flanco, que irradia para o quadrante inferior do abdome do mesmo lado. Evolui para dor lancinante, de grande intensidade, acompanhada de mal-estar geral, inquietude, sudorese, náuseas e vômitos. 3 - Dor hipogástrica ou dor vesical: É a dor originada no corpo da bexiga que geralmente é percebida na região suprapúbica. Pode irradiar-se para a uretra e meato externo, podendo ser relatada como uma sensação de queimor. 4 - Estrangúria ou tenesmo vesical: É perceptível quando há inflamação vesical intensa, podendo provocar a emissão lenta e dolorosa de urina, e que é decorrente de espasmo da musculatura do trígono e colo vesical. 5 - Dor perineal: É decorrente normalmente da infecção aguda da próstata, que causa dor perineal intensa, sendo referida no sacro ou no reto. • Edema O edema da glomerulonefrite é generalizado, porém mais intenso na região periorbitária pela manhã, quando o paciente acorda. Ao final do dia, se o paciente estiver deambulando normalmente, predomina nos membros inferiores. Este edema decorre da retenção de sal e água em consequência das lesões glomerulares. O edema da síndrome nefrótica é generalizado e mais intenso que o da glomerulonefrite, podendo chegar à anasarca. É frequente a ocorrência de ascite. A intensidade do edema pode oscilar de acordo com a ingesta de sal (na síndrome nefrótica, o mecanismo fisiopatológico básico é a redução da pressão oncótica por hipoalbuminemia com redução do volume plasmático e passagem de água para o espaço intersticial, o que pode se agravar com a retenção hídrica decorrente da retenção salina) Daí a ocorrência de anasarca. Na pielonefrite, o edema é de pequena intensidade, quase sempre restrito à região periorbitária pela manhã. Na insuficiência renal aguda, o edema decorre geralmente da hiper-hidratação. O edema da insuficiência renal crônica é muito variável, dependendo da causa determinante; da fase da doença, do grau do distúrbio funcional ou de eventuais alterações que ocasionem a descompensação clínica. • Febre e calafrios. Nas infecções agudas que acometem o trato urinário, a febre costuma ser elevada e vir acompanhada de calafrios, dor lombar ou suprapúbica. As principais causas são pielonefrite cistite e prostatite. CARDIOLOGIA EXAME FÍSICO DO CORAÇÃO. O exame físico do coração inclui a inspeção, a palpação e a ausculta. A percussão não tem utilidade para o sistema cardiovascular. INSPEÇÃO E PALPAÇÃO. Realizam-se a inspeção e a palpação simultaneamente porque os achados semióticos tornam-se mais significativos quando analisados em conjunto. Os seguintes parâmetros devem ser analisados: • Presença de abaulamentos: deve-se investigar com o paciente deitado e despido, de modo que o examinador observe o paciente de uma forma tangencial (ao lado do paciente) ou frontal (de frente aos pés do paciente deitado). Deve-se pesquisar abaulamentos no tórax que estejam relacionados com aneurisma da aorta, cardiomegalia, derrame pericárdico e alterações da própria caixa torácica. A dilatação do ventrículo direito determina o abaulamento mais evidente, pois esta câmara constitui a maior parte da face anterior do coração e se encontra em relação direta com a parede do tórax. • Análise do ictus cordis ou choque da ponta: pesquisa-se a localização, extensão, mobilidade, intensidade e forma da impulsão, ritmo e frequência do ictus cordis, que é a pulsação do ápice do coração (ponta do ventrículo esquerdo) no tórax do paciente. A localização do ictus cordis varia de acordo com o biótipo do paciente. Nos mediolíneos, situa-se no cruzamento da linha hemiclavicular esquerda com o 5º espaço intercostal (EIC); nos brevilíneos, desloca-se cerca de 2cm para fora e para cima, situando-se no 4º EIC; nos longelíneos, costuma estar no 6º EIC, 1 ou 2 cm para dentro da linha hemiclavicular. Nos portadores de enfisema pulmonar ou quando há obesidade, musculatura muito desenvolvida ou grandes mamas, o ictus cordis onde tornar-se invisível ou impalpável. O deslocamento do ictus cordis indica a dilatação e/ou hipertrofia do ventrículo esquerdo, como ocorre na estenose aórtica, insuficiência aórtica, insuficiência mitral, hipertensão arterial, etc. Avalia-se a extensão e a intensidade do ictus cordis procurando-se determinar quantas polpas digitais são necessárias para cobri-lo. Em condições normais, corresponde a uma ou duas polpas digitais. Quando há grande dilatação ou hipertrofia, o ictus cordis pode chegar a abarcar toda a palma da mão. • Análise de batimentos ou movimentos visíveis ou palpáveis: podem ser encontrados ainda no precórdio e áreas vizinhas outros batimentos e movimentos visíveis ou palpáveis, ou seja, retração sistólica, levantamento em massa do precórdio, choques valvares, pulsação epigástrica e pulsão supra-esternal. O levantamento em massa do precórdio ocorre também na hipertrofia direita. Durante a sístole, ao invés de um impulso, observa-se uma retração. Quando as bulhas cardíacas se tornam hiperfonéticas, podem ser sentidas pela mão como um choque de curta duração. A este fenômeno dar-se o nome de choque valvar. Pulsações supra-esternais ou na fúrcula esternal podem ser observadas em casos de hipertensão arterial, esclerose senil da aorta, aneurisma da aorta ou síndrome hipercinética (insuficiência aórtica, hipertireoidismo, anemia). • Pesquisa de frêmito cardiovascular: é a designação aplicada à sensação tátil determinada por vibrações produzidas no coração ou nos vasos. Ao encontrar-se um frêmito, três características devem ser investigadas: localização (utilizando como referencias as áreas de ausculta: foco aórtico, pulmonar, tricúspide e mitral); situação no ciclo cardíaco (tomando a pulsação como referência), intensidade (+ a ++++). A pesquisa do frêmito cardiovascular deve ser feito do mesmo modo da pesquisa do frêmito toracovocal, isto é, utilizando a parte da palma da mão correspondente às articulações metacarpo-falangeanas (isto é, na junção da palma da mão com os dedos), sendo necessária, muitas vezes, a aplicação da mão sobre o tórax do paciente com a eventual elevação dos dedos (os dedos nunca devem ser apoiadosno tórax). AUSCULTA ULTA A ausculta continua sendo um recurso indispensável para o diagnóstico das enfermidades cardíacas. Para isto, deve-se ter como referência os focos e as áreas de ausculta. • Foco pulmonar: localiza-se no 2º EIC esquerdo, junto ao esterno. É neste foco onde se têm as condições ideais para análise dos desdobramentos – fisiológicos ou patológicos – da 2ª bulha cardíaca. • Foco aórtico: situa-se no 2º EIC direito, justaesternal. No entanto, um dos melhores locais para avaliar fenômenos acústicos de origem aórtica é a área compreendida entre o 3º e 4º EIC esquerdo, nas proximidades do esterno, à qual se dá o nome de foco aórtico acessório (ponto de Erb ou mesocárdio). • Foco tricúspide: corresponde à base do apêndice xifoide, próximo ao 4º EIC esquerdo. • Foco mitral: situa-se no 5º EIC esquerdo na linha hemiclavicular e corresponde ao ictus cordis ou ponta do coração. OBS: Áreas de ausculta. Tradicionalmente na ausculta se faz referência exclusivamente aos focos. No entanto, uma vez identificado algum ruído anormal (principalmente, se tratando de sopros), devemos ter como referências áreas bem mais extensas que semiologicamente são diferentes dos focos, mas apresentarão as mesmas características acústicas do seu respectivo foco. • Área pulmonar: inicia-se na região supraescapular esquerda e desce, ao longo da borda esternal esquerda, até o foco pulmonar, podendo estender-se até o foco mitral. • Área aórtica: inicia-se na base do pescoço (bilateralmente), convergindo para a região da fúrcula esternal. Passa pelo foco aórtico e cruza para a esquerda (passando no chamado foco aórtico acessório, no 3º EIC direito), descendo pela região paraesternal esquerda até a região do foco mitral. • Área tricúspide: inicia-se no foco tricúspide e segue em direção ao foco mitral e região paraesternal esquerda. • Área mitral: origina-se desde a linha axilar posterior e passa pelo foco mitral, avançando até a região paraesternal esquerda. OBS: A região paraesternal esquerda apresenta a interseção das áreas de ausculta dos quatro focos. A esta área, denomina-se Zona de Erb (ou mesocárdio). Algumas manobras podem ser utilizadas para melhorar a qualidade da ausculta: para melhor percepção de ruídos de baixa frequência no foco mitral, pede-se para o paciente adotar o decúbito lateral esquerdo com a mão esquerda na cabeça (Posição de Pachon). A ausculta em pacientes com tecido gorduroso espesso pode ser feito com o mesmo sentado. A ausculta dos fenômenos estetoacústicos da base do coração pode ser facilitada quando o paciente, sentado, inclina um pouco o tórax para frente. Ao se auscultar o coração, os seguintes aspectos devem ser sistematicamente considerados: bulhas cardíacas, ritmo e frequência cardíaca, ritmos tríplices, alterações das bulhas cardíacas, cliques ou estalidos, ruído da pericardite constritiva, atrito pericárdico e rumor venoso. BULHAS CARDÍACAS. • Primeira bulha (B1): o principal elemento na formação da 1ª bulha cardíaca é o fechamento das valvas mitral e tricúspide, o componente mitral (M) antecedendo o tricúspide (T). O pulso carotídeo é palpável imediatamente depois da primeira bulha. É de timbre mais grave e seu tempo de duração é um pouco maior que o da 2ª bulha. Em condições normais, a 1ª bulha tem maior intensidade no foco mitral, onde costuma ser mais forte que a 2ª bulha. De um modo geral, temos que B1 é mais intenso nos focos mitral e tricúspide, e é menos intenso (sempre com relação a B2) nos focos aórtico e pulmonar. O barulho de B1 pode ser representado por “TUM”. • Segunda bulha (B2): é constituída de quatro grupos de vibração, porém, somente são audíveis as originadas pelo fechamento das valvas aórtica e pulmonar. Ouve-se o componente aórtico em toda a região precordial (em especial, no foco aórtico), enquanto o ruído originado na pulmonar é auscultado em uma área limitada, correspondente ao foco pulmonar e à borda esternal esquerda. Por isso, no foco aórtico e na ponta do coração, B2 é sempre única pelo simples fato de se auscultar nestes focos somente o componente aórtico. Em condições normais, o componente aórtico precede o pulmonar. Durante a expiração, ambas as valvas se fecham sincronicamente, dando origem a um ruído único representado por “TA”. Na inspiração, principalmente porque a sístole do ventrículo direito se prolonga ligeiramente em função do maior afluxo sanguíneo a este lado do coração, o componente pulmonar sofre um retardo que é suficiente para perceber, de modo nítido, os dois componentes. Isso também pode ocorrer normalmente em crianças. Este fato se chama desdobramento da 2ª bulha cardíaca (representado pelo ruído “TLA”). Em condições normais, B2 é mais intensa nos focos da base (aórtico e pulmonar). Explica-se tal fato da parede torácica das estruturas onde se origina estes sons. • Terceira bulha (B3): corresponde a um ruído protodiastólico de baixa frequência que se origina das vibrações da parede ventricular subitamente distendida pela corrente sanguínea que penetra na cavidade durante o enchimento ventricular rápido. Ausculta-se uma 3ª bulha cardíaca normal com mais frequência nas crianças e nos adultos jovens. É mais bem audível no foco mitral, com o paciente em decúbito lateral esquerdo, utilizando como receptor a campânula. Pode ser imitada pela expressão “TU”. • Quarta bulha (B4): é um ruído débil que ocorre no fim da diástole ou pré-sístole e pode ser ouvida mais em condições normais (porém raramente) nas crianças e adultos jovens. A gênese da quarta bulha não está completamente esclarecida, mas sugere que seja produzida pela brusca desaceleração do sangue após a contração atrial ao fim da diástole (telediastólica). RITMO E FREQUÊNCIA CARDÍACA. Reconhecidas a 1ª e 2ª bulhas, o passo seguinte consiste em determinar o ritmo do coração e o número de batimentos por minuto, isto é, a frequência cardíaca (normal= 60 – 100 batimentos por minuto). O ritmo cardíaco normal pode ser determinado pelos seguintes casos: • Ritmo cardíaco regular em 2 tempos (binário): TUM-TA; TUM-TA; TUM-TA • Ritmo cardíaco regular em 3 tempos (tríplice): TUM-TA-TU; TUM-TA-TU; TUM-TA- TU. O ritmo cardíaco pode apresentar, entretanto, arritmias que podem ser reconhecidas ou suspeitas ao exame clínico, apoiando-se nos sintomas relatados pelo paciente e nos elementos obtidos ao exame do pulso radial e da ausculta cardíaca. Uma das principais arritmias achadas na ausculta é um ritmo de galope (PA-TA-TA), em que o ritmo cardíaco imita o som semelhante ao galopar de um cavalo devido a uma B3 patológica. O ritmo de galope é mais bem audível quando se apoia o receptor, de preferência a campânula, com suavidade sobre a parede torácica, podendo desaparecer quando se comprime demasiado o receptor. CLIQUES E ESTALIDOS: Podem ser classificados em sistólicos (protossistólicos e mesossistólicos) e diastólicos. • Estalidos diastólicos: podem ocorrer nas estenoses das valvas mitral (ruído seco, agudo e de curta duração representando por um “TEP”; é audível no 3º ou 4º EIC e no foco mitral) e tricúspide e, mais raramente, na insuficiência mitral e na comunicação interatrial. • Estalidos protossistólicos: são também chamados de ruídos de ejeção por indicarem a súbita ejeção de sangue nos vasos da base. São ruídos de alta frequência, agudos e intensos, produzidos na artéria pulmonar e na aorta. O estalido protossitólico pulmonar (encontrado na estenose pulmonar moderada, na dilatação idiopática da artéria pulmonar, na comunicação interatrial e na hipertensão pulmonar grave) é bem mais audível no foco pulmonar e na borda esternal esquerda, diferenciando-se do desdobramento da 1ª bulha pelo seu timbre mais agudo. O estalido protossistólico aórtico (encontrado nos aneurismas de aorta, na dilatação da aorta, em algumas cardiopatias congênitas como atetralogia de Fallot, nas lesões valvares aórticas – estenose ou insuficiência) é mais bem audível na região que vai das vizinhanças do 4º EIC esquerdo junto à borda esternal até a mitral. • Estalidos mesossistólicos e telessistólicos: o surgimento entre a 1ª e a 2ª bulha, no intervalo sistólico, portanto, de um ruído, também chamado de clique sistólico, merece ser analisado. Trata-se de um barulho de alta frequência, seco, agudo, situado no meio ou no fim da sístole. É audível nas áreas mitral ou tricúspide. SOPROS. São produzidos por vibrações decorrentes de alterações do fluxo sanguíneo. Em condições normais, o sangue flui sob a forma de corrente laminar e não ruidosa. Em condições patológicas, geralmente este fluido adota um caráter turbilhonar, deixando de ser laminar, surgindo vibrações que dão origem aos ruídos denominados como sopros. Os sopros dependem dos seguintes mecanismos: (1) aumento da velocidade da corrente sanguínea (como ocorre nos sopros pós- exercícios físicos); (2) diminuição da viscosidade sanguínea; (3) passagem do sangue através de uma zona estreitada (como uma fístula); (4) passagem do sangue para uma zona dilatada (como em aneurismas e o rumor venoso); (5) passagem de sangue para uma membrana de borda livre. Os seguintes aspectos semiológicos do sopro devem ser avaliados: • Situação do sopro no ciclo cardíaco: podem ser sistólicos, diastólicos e sistodiastólicos (contínuos). • Localização: qual o foco de ausculta o sopro é mais audível. Entretanto, o fato de localizar um sopro na área mitral, por exemplo, não significa, obrigatoriamente, que ele esteja sendo formado na valva mitral. • Irradiação: deve-se deslocar o receptor do estetoscópio em várias direções para determinar sua irradiação. Os fatores que influenciam na irradiação do sopro são: intensidade e direção da corrente sanguínea. • Intensidade: pode variar de “uma cruz” (+) a quatro (++++), sendo esta avaliação bastante subjetiva. • Timbre e tonalidade: corresponde a “qualidade do sopro”, estando relacionadas com a velocidade do fluxo e com o tipo de defeito causador do turbilhamento sanguíneo. As denominações mais comuns são: suave, rude, musical, aspirativo, em jato de vapor, granuloso, piante e ruflar. • Modificações do sopro com a fase da respiração: tal fato se reflete nas modificações da frequência e da dinâmica cardíaca por ação dos estímulos vagais oriundos dos pulmões. • Modificações do sopro com a posição do paciente: os sopros da base do coração, particularmente o da insuficiência aórtica, tornam-se mais nítidos estando o paciente na posição sentada com o tórax fletido para diante. O rumor venoso, por outro lado, aumenta de intensidade na posição sentada ou de pé, diminuindo ou desaparecendo quando o paciente se deita. • Modificações do sopro com exercícios físicos: o aumento da velocidade do fluxo sanguíneo durante tais atividades geram um caráter turbilhonar do fluxo sanguíneo, intensificando os sopros. • Sopros inocentes: é uma conclusão diagnóstica em que se trata de um sopro fisiológico, confirmado depois de exames complementares que indicam a total saúde do paciente, de modo que a presença deste sopro não indique qualquer alteração estrutural do coração. São mais frequentes em crianças e seu encontro exige uma completa investigação clínica para descartar em primeiro lugar a existência de febre ou anemia, principais condições responsáveis por tais sopros. O sopro é dito discreto, moderado ou intenso de acordo com a classificação em quatro graus: sopro grau I, é aquele que um indivíduo auscultou, uma segunda pessoa auscultou e uma terceira ficou na dúvida, logo o sopro grau I é um sopro duvidoso; o sopro grau II é aquele que todos auscultam nitidamente; sopro grau III, é aquele um pouco maior que o grau II, só que apresentando frêmito; o sopro grau IV é aquele que não necessita de estetoscópio para se auscultar o som, basta apenas chegar bem perto da região do coração. Quando se coloca o grau do sopro deve-se colocar o “grau_ / IV”, para indicar que a classificação foi em quatro, uma vez que existe a classificação em seis. Manobra de Rivero-Carvalho. É uma manobra semiológica de importante valor para diferenciarmos fenômenos acústicos produzidos pela valva tricúspide e mitral (como em sopros diastólicos causados pela insuficiência dessas valvas). Ela é assim executada: com o paciente em decúbito dorsal, coloca-se o receptor do estetoscópio na área tricúspide, pondo-se atenção na intensidade do sopro. Em seguida, solicita-se ao paciente fazer uma inspiração profunda, durante a qual o examinador procura detectar eventuais modificações na intensidade do sopro. Se não houver alteração ou se o sopro diminuir de intensidade, diz-se que a manobra de Rivero-Carvalho é negativa e, neste caso, o sopro audível naquela área é apenas propagação de um sopro originado na valva mitral. Se, ao contrário, o sopro aumenta de intensidade, pode-se concluir que sua origem é no aparelho valvar tricúspide. Isso acontece porque, na inspiração profunda, ocorre aumento da negatividade intratorácica, propiciando um maior afluxo de sangue ao coração direito; se mais sangue chega ao ventrículo direito, haverá maior refluxo de sangue para o átrio durante a sístole. Simplificando, a manobra de Rivero-Carvalho aumenta o fluxo sanguíneo do lado direito do coração – alterações acústicas nessa manobra falam a favor de valvopatias tricúspides. RUÍDO DE PERICARDITE CONSTRITIVA. Origina-se na distensão do pericárdio endurecido. Só é audível quando há comprometimento do pericárdio ao nível da região apical e da face anterior do coração. É audível um pouco mais precoce que a 3ª bulha. Deve ser diferenciado do estalido de abertura mitral: este é audível em todos os focos de ausculta, enquanto o ruído da pericardite constritiva fica restrito ao foco mitral, endoápex (área situada entre o foco tricúspide, o foco mitral e o aórtico acessório) e foco tricúspide. ATRITO PERICÁRDICO. É um ruído provocado pelo roçar de folhetos pericárdicos que perderam suas características normais (como ocorre na pericardite fibrinosa). Deve-se identificar a situação no ciclo cardíaco, localização, irradiação, intensidade, timbre e tonalidade, mutabilidade. Em resumo, pode-se dizer que o atrito pericárdico é um ruído perceptível na sístole e na diástole, sem relação constante e fixa com as bulhas cardíacas, as quais podem recobrir e mascarar, comparável ao ruído obtido pela fricção de couro. É mais audível entre a ponta do coração e a borda esternal esquerda. RUMOR VENOSO (RUÍDO VENOSO). é um ruído contínuo (sistodiastólico), de tonalidade grave, que se ouve na base do pescoço e na porção superior do tórax, sendo seu local de máxima intensidade acima da clavícula direita. É mais bem audível na posição sentada, chegando a desaparecer quando o paciente deita. O rumor venoso origina-se no turbilhonamento do sangue no ponto em que a jugular interna encontra-se com o tronco braquiocefálico, não indicando, portanto, alterações nos vasos do coração. SINAIS E SINTOMAS REFERENTES AO SISTEMA CARDIOVASCULAR As doenças do coração manifestam-se por variados sintomas e sinais, alguns originados no próprio coração, outros em diferentes órgãos nos quais repercutem com mais intensidade as alterações do funcionamento cardíaco. Os mais comuns sinais ou sintomas são: dor cardíaca, palpitações, dispneia, tosse e expectoração, chieira, hemoptise, desmaio, alterações do sono, cianose, edema, astenia e posição de cócaras. DOR CARDÍACA Dor precordial não é sinônimo de dor cardíaca, pois pode ter origem no coração ou em outros órgãos. A dor relacionada com o coração e à aorta compreende a de origem isquêmica, a pericárdica e a aórtica. A maior parte das fibras sensitivas que nascem no coração passa pelo gânglio simpático cervical inferior e pelos dois ou trêsgânglios torácicos superiores. Na avaliação semiológica da dor precordial, todas as características são importantes: localização, irradiação, caráter, intensidade, duração, frequência, fatores desencadeantes ou agravantes, fatores atenuantes, sintomas concomitantes. • Dor na isquemia miocárdica: é uma que ocorre devido à hipóxia celular, em que ocorre estimulação das terminações nervosas da adventícia das artérias do próprio músculo por substâncias químicas liberadas durante a contração. A causa mais comum de isquemia miocárdica é a arterosclerose coronária, assumindo características especiais na angina do peito e no infarto agudo do miocárdio. As principais caracterísitcas da dor na isquemia miocárdica são: → Localização: retroesternal, raramente à direita da linha esternal. → Irradiação: pavilhões auriculares, ombros, membros superiores, região epigástrica. → Duração: 2 – 3 minutos, podendo chegar a 20 minutos. → Intensidade: leve, moderada e intensa (esta caracterizada por sudorese, palidez, angústia e morte iminente). → Fatores desencadeantes ou agravantes: esforço físico, emoções, taquicardia, frio, alimentações copiosas. → Fatores atenuantes: repouso e vaso dilatadores. → Manifestações concumitantes: precordialgia intensa, nauseas, vômitos e sudorese fria (diaforese). • Dor de origem pericárdica: é a dor da inflamação do pericárdio, sendo mais aguda que a angina do peito, localizando-se na região retroesternal junto da reborda estenral esquerda e irradiando-se para o pescoço e as costas. Pode ser do tipo “peso”, “queimação”, “opressiva”; e com grande intensidade. Agrava-se com a respiração, com o decúbito dorsal, com os movimentos na cama, com a deglutição e com a movimentação do tronco. • Dor de origem aórtica: os aneurismas da aorta geralmente não provocam dor, mas a dissecação aguda da aorta determina quadro doloroso importante, com início súbito, muito intensa, do tipo lancincante, de localização retroesternal ou face anterior do tórax, com irradiação para o pescoço, região interescapular e ombros. • Dor de origem psicogênica: a dor de origem psicogênica aparece em indivíduos com ansiedade ou depressão, podendo fazer parte da síndrome de astenia neurocirculatória ou “neurose cardíaca”. A dor limita-se a região da ponta do coração, costuma ser surda, persistindo por horas ou semanas e acentuando-se quando o paciente tem contrariedades ou emoções desagradáveis. Pode ocorrer dispneia, palpitações, depressão, dormências, astenia, instabilidade emocional, etc. PALPITAÇÕES. Palpitações significam percepção incômoda dos batimentos cardíacos, sendo relatadas pelos pacientes de diferentes maneiras, tais como batimentos mais fortes, falhas, arrancos, aradas, tremor no coração, “o coração pula”, além de outras. As palpitações são contrações cardíacas mais fortes e mais intensas, lentas ou rápidas, rítmicas ou arrítmicas, decorrente de transtornos do ritmo ou da frequência cardíaca, aumento do débito cardíaco, estados hipercinéticos, hipertrofia ventricular, início súbito de uma bradicardia devida a bloqueio completo. As palpitações devem ser analisadas quanto à frequência, ritmo, horário de aparecimento, modo de instalação e desaparecimento, isto é, se tem início e término súbito. Convêm indagar, também, quanto ao uso de chá, café, refrigerantes à base de cola, tabaco e drogas, principalmente cocaína e anfetaminas. As palpitações cardíacas podem sugerir arritmias, insuficiência cardíaca, miocardites ou miocardiopatias. As palpitações não-cardíacas podem sugerir hipertensão arterial, hipertireoidismo, anemia, esforço físico, emoções, síndrome do pânico e intoxicações (medicamentos, café, tabaco, drogas). DISPNEIA A dispneia é um dos sintomas mais importantes dos portadores de cardiopatias e significa a sensação consciente e desagradável do ato de respirar. Semiologicamente, apresenta-se na forma objetiva (bem evidente devido ao grande esforço respiratório) e subjetiva (dificuldade respiratória apenas relatada pelo paciente). • Dispneia de esforço: sugere insuficiência ventricular esquerda. Pode ser do tipo dispneia de grandes esforços (falta de ar após subir uma escada, por exemplo), dispneia de médios esforços (dispneia após o ato de caminhar) e dispneia de pequenos esforços (dispneia após falar ou trocar de roupa). • Dispneia de decúbito (ortopneia): sugere congestão pulmonar. Para melhorá-la, o paciente eleva a cabeça e o tórax, usando dois ou mais travesseiros. Em fases mais avançadas, o paciente senta-se no leito para dormir. A causa mais comum de dispneia de decúbito é o aumento da congestão pulmonar nesta posição pelo maior afluxo de sangue proveniente dos membros inferiores e do leito esplâncnico. • Dispneia paroxística noturna (asma cardíaca): sugere edema agudo do pulmão. É mais frequente à noite. Sua característica principal consiste no fato de o paciente acordar com intensa dispneia, a qual se acompanha de sufocação, tosse seca e opressão torácica. Durante a crise dispneia, pode haver broncoespasmo, responsável pelo aparecimento de sibilos, cuja causa provável é a congestão da mucosa brônquica. • Dispneia Periódica (Cheyne-Strokes): sugere hipertensão arterial, insuficiência ventricular esquerda, doença coronariana, afecções no tronco encefálico, hemorragias cerebrais, intoxicação por barbitúricos, entre outras. Caracteriza-se por períodos de apneia, seguidos de movimentos respiratórios, superficiais a princípio, mas que vão se tornando cada vez mais profundos, até chegar a um máximo; depois, vão diminuindo paulatinamente de amplitude até uma nova fase de apneia, após os que se repetem os mesmos fenômenos. As pausas de apneia têm uma duração variável de 15 a 30 segundos, podendo atingir 60 segundos. Quando isto acontece, o enfermo apresenta-se em estado de torpor, sonolento ou inconsciente. TOSSE E EXPECTORAÇÃO. A tosse é um sintoma frequente na insuficiência ventricular esquerda (IVE), constituindo um mecanismo de valor na manutenção da permeabilidade da árvore brônquica nos casos em que haja aumento de secreções. A tosse da IVE é seca e mais intensa à noite, podendo ser muito incômoda por ser acompanhada de dispneia. Sua causa é a congestão pulmonar, por isso, ela quase sempre está associada à dispneia. No edema pulmonar agudo, a tosse acompanha-se de expectoração espumosa de cor rósea. A tosse pode estar presente ainda nos seguintes casos: aneurisma de aorta, pericardite, dilatação do átrio esquerdo. A expectoração também varia de acordo com a causa. A expectoração dos pacientes com IVE é do tipo serosa, de pouca consistência, contém ar e é rica em albumina, que lhe confere um aspecto espumoso, podendo ser abundante. A expectoração do edema agudo pulmonar pode adquirir aspecto hemoptoico (sanguinolento). A expectoração de sangue nos pacientes cardíacos pode decorrer dos seguintes mecanismos: ruptura de vasos endobronquiais dilatados, que fazem conexão entre a circulação venosa brônquica e a pulmonar, como acontece na estenose mitral; necrose hemorrágica dos alvéolos, nos casos de infarto pulmonar, etc. No diagnóstico diferencial da tosse e da expectoração devem entrar várias afecções do sistema respiratório. HEMOPTISE. É a expectoração ou eliminação de mais de 2mL de sangue pelas vias aéreas, procedente da traqueia, brônquios ou pulmões. Deve diferenciar a hemoptise da hematêmese e da epistaxe. A presença de sangue vermelho vivo, rutilante, arejado, sem restos alimentares, cuja eliminação acompanha-se de tosse permite distinguir a hemoptise das hemorragias provenientes do nariz (epistaxe), da laringe, da gengiva e do TGI (hematêmese). As principais causas da hemoptise são: edema agudo do pulmão por IVE, pneumonia pneumocócica, bronquite, infarto pulmonar, etc. DESMAIO (LIPOTÍMIA E SÍNCOPE). A síncope (desmaio) é a perda súbita e transitória da consciênciae do tônus muscular postural. Nem sempre, contudo, o sintoma ocorre em sua forma completa, podendo ser parcial a perda da consciência (pré-síncope ou lipotimia). As causas cardíacas (diminuição no fluxo sanguíneo cerebral) do desmaio são: arritmias e transtornos da condução, diminuição do débito cardíaco, regulação vasomotora anormal, diminuição mecânica do retorno venoso, hipovolemia aguda, etc. As causas extracardíacas podem ser: metabólicas, síncope neurogênica, obstruções extracardíacas do fluxo de sangue e de origem psicogênica. CIANOSE Significa a coloração azulada da pele e das mucosas, devida ao aumento da hemoglobina reduzida no sangue capilar, chegando a 5g por 100mL (a quantidade normal de hemoglobina reduzida é de 2,6g por 100mL). Há quatro tipos de cianose: central, periférica, mista e por alterações da hemoglobina. ALTERAÇÕES DO SONO A insônia é um sintoma frequente nos pacientes com insuficiência ventricular esquerda. Em alguns indivíduos, nos quais a dispneia de Cheyne-Stokes representa sintoma dominante da insuficiência ventricular esquerda, pode haver dificuldade para dormir justamente porque este tipo de dispneia predomina ou se acentua no período noturno. EDEMA O edema é o resultado do aumento do líquido intersticial, proveniente do plasma sanguíneo. O edema aparece em muitas enfermidades, podendo ser localizado, como acontece no edema angioneurótico ou inflamatório e na compressão de vasos linfáticos e venosos, ou generalizado, na dependência de afecções cardíacas, renais, hepáticas e por uso de medicamentos. A principal causa de edemas generalizados é a insuficiência ventricular direita. ASTENIA Fraqueza generalizada característica nos pacientes cardiopatas (presente na maioria dos pacientes com insuficiência cardíaca e infarto do miocárdio) devido a um déficit de fluxo sanguíneo para a musculatura, com oxigenação insuficiente dos músculos estriados. POSIÇÃO DE CÓCARAS Pacientes cardiopatas assumem instintivamente a posição de cócoras, apoiando as nádegas nos calcanhares, porque descobrem que esta posição alivia a dispneia por melhorar o retorno venoso. Sem dúvida, a posição de cócoras melhora a saturação arterial de oxigênio, mas sua explicação permanece ainda controvertida. RESPIRATÓRIO. RESPIRAÇÃO A respiração compreende quatro processos, cuja finalidade é a transferência de O2 do exterior até o nível celular e a eliminação de CO2, transportado no sentido inverso: a eliminação de CO2, transportado no sentido inverso: • Ventilação pulmonar: a ventilação pulmonar tem por objetivo levar o ar até os alvéolos, distribuindo-o adequadamente. • Trocas gasosas: por diferença de pressão parcial dos gases envolvidos (O2 e CO2), no alvéolo e no sangue, ocorre a passagem dos mesmos através da membrana alvéolo-capilar. • Transporte sanguíneo dos gases: a circulação sistêmica promove a distribuição periférica do oxigênio e a extração do CO2, havendo a participação de múltiplos mecanismos, tais como captação de O2 pela hemoglobina, sistema tampões, além de outros. • Respiração celular: é a etapa terminal de todo o processo e sua finalidade maior. VENTILAÇÃO É o processo pelo qual o ar chega até os alvéolos, distribuindo-se adequadamente, para que possa entrar em contato com os capilares pulmonares, onde se farão as trocas gasosas. A ventilação ocorre por ação da musculatura respiratória, que para isso, contraem de forma adequada e coordenada, de modo a aumentar ou reduzir o volume da cavidade torácica. A inspiração é um processo ativo que depende fundamentalmente da contração do diafragma e de outros músculos denominados acessórios: intercostais externos, paraesternais, escalenos, esternocleidomastoideo, trapézios, peitorais e os músculos abdominais. A expiração é passiva, realizada pela força de retração elástica dos pulmões pelo relaxamento dos músculos inspiratórios. A ventilação normalmente é mantida sob o controle dos centros respiratórios no bulbo. Diferentes doenças podem afetar a ventilação à medida que: • Aumentem a carga de trabalho dos músculos respiratórios repentinamente (Ex: asma brônquica aguda); • Aumentem o trabalho da respiração pela obstrução ao fluxo de ar (Ex: doença pulmonar obstrutiva crônica); • Doenças neuromusculares em que as funções dos músculos respiratórios estivessem comprometidas (Ex: poliomielite; Guillain-Barré, miastenia grave). RELAÇÃO VENTILAÇÃO/PERFUSÃO Em um indivíduo normal, na posição ortostática, encontra-se predomínio de perfusão sanguínea nas bases pulmonares, que diminui gradativamente em direção aos ápices. Assim como a perfusão, a ventilação também não é uniforme, havendo evidências de ser menor nos alvéolos dos ápices do que nas bases pulmonares. As alterações da relação ventilação/perfusão podem ser: • Efeito shunt: o alvéolo está hipoventilado e normalmente perfundido. • Shunt: o alvéolo não está ventilado, mas continua perfundido. • Efeito espaço-morto: seria o volume de ar alveolar que não participa das trocas gasosas na hipoperfusão do alvéolo, que, no entanto, está normoventilado. • Espaço-morto: alvéolo não-perfundido, porém ventilado. A soma do espaço-morto anatômico com o efeito espaço-morto e o espaço-morto alveolar e denominada espaço-morto fisiológico, este representando o volume de ar que inspiramos mas que não participa de trocas gasosas. DIFUSÃO Difusão é um mecanismo pelo qual um gás se movimenta de uma região para outra. É um processo passivo, pois os gases respiratórios difundem-se de regiões de pressões mais altas para regiões com pressões mais baixas. O mecanismo da difusão está deficiente em pulmões enfermos. ANATOMIA CLÍNICA O estudo da anatomia clínica pulmonar inclui a projeção dos pulmões na parede do tórax, a determinação de linhas e a delimitação de regiões torácicas. PROJEÇÃO DOS PULMÕES NA PAREDE TORÁCICA Os ápices pulmonares ultrapassam de 3 a 4 cm a borda superior das clavículas, alcançado assim, a raiz do pescoço. O volume do ápice direito é ligeiramente menor que o do esquerdo e está mais próximo da traqueia. Há alguns pontos de referência no tórax que merecem ser assinalados: • Ângulo de Louis: constituído por uma saliência transversal que se nota na junção do manúbrio do esterno com o corpo do esterno, correspondente à articulação da 2ª costela. No dorso, o ângulo de Louis projeta-se na altura da 4ª vértebra torácica. • Ângulo de Charpy (ângulo epigástrico): formado pelas duas rebordas costais, servindo para caracterizar o biótipo. Corresponde ao encontro das costelas inferiores com a porção inferior do corpo do osso esterno. • Vértebra proeminente: eminência cutânea na face inferior do dorso do pescoço produzida pelo processo espinhoso da 7ª vértebra cervical. Marca o local em que os ápices pulmonares se projetam na parede torácica. A contagem das costelas e dos espaços intercostais faz-se de cima pra baixo, seguindo-se a linha paraesternal. Como o ângulo de Loius sempre corresponde à 2ª costela, logo abaixo dele está o 2º espaço intercostal. Além desta referência, como a primeira costela e o 1º espaço intercostal são encobertos pela clavícula, o 2º espaço intercostal situa-se logo abaixo da clavícula. LINHAS TORÁCIAS VERTICAIS. Excetuando-se a linha médio-esternal e a linha médio-espinhal ou espondileia, todas as outras são duplas, havendo uma em cada hemitórax: • Linha médio-esternal: traçada no plano mediano, no meio do esterno, dividindo os dois hemitórax; • Linha esternal: direita e esquerda, que tangencia as bordas do osso esterno. • Linha paraesternal: é equidistante entre a linha esternal e a hemiclavicular • Linha hemiclavicular: também denominada linha mamilar, é a vertical traçada a partir do ponto médio da clavícula • Linha axilar anterior: seu ponto mais alto localiza-se na prega anterior da axila, separandoa região anterior do tórax das regiões laterais • Linha axilar média: vertical equidistante entre as linhas axilares anteriores e posteriores • Linha axilar posterior: seu ponto mais alto localiza-se na prega posterior da axila. Separa as regiões laterais do tórax da região posterior. • Linha escapular: é a linha que acompanha a borda medial da escápula, estando o paciente com os membros superiores pendentes. • Linha paravertebral: é a tangente à borda lateral das vértebras • Linha espondileia (linha vertebral ou médio espinhal): passa pelos processos espinhosos das vértebras dorsais. LINHAS TORÁCIAS HORIZONTAIS • Linhas claviculares superiores: correspondem às bordas superiores das clavículas • Linhas claviculares inferiores: correspondem às bordas inferiores das clavículas • Linhas das terceiras articulações condroesternais: linhas horizontais que passam pelas sextas articulações condroesternais, direita e esquerda. • Linha escapular superior: tangencia a borda superior da escápula. REGIÕES DO TÓRAX • Anterior: região supraclavicular; região clavicular; região infraclavicular; região mamaria; região inframamária; região supra-esternal; região esternal superior; região esternal inferior. • Lateral: região axilar; região infra-axilar • Posterior: região supra-escapular; região supra-espinhal; região infra-espinhal; região interescapulovertebral; região infra-escapular. CHIADO OU SIBILÂNCIA Som musical semelhante a um “miado de gato”, também conhecido como sibilância, que é ouvido durante a respiração e ocorre nas obstruções de traqueia, nos broncoespasmos, nos edemas ou na obstrução de vias aéreas. É uma importante informação, que deve ser automaticamente interrogada quando o paciente referir dispneia, com ou sem tosse, ou situações de desconforto respiratório. Variações do chiado podem ocorrer, como, por exemplo, a cornagem, decorrente de uma dificuldade inspiratória provocada pela diminuição do calibre das vias respiratórias na altura da laringe e que se manifesta como um ruído, estridor, referido pelo paciente como um “guincho”, podendo ser permanente ou episódico. As principais causas de sibilância são asma, DPOC, bronquite aguda e crônica, congestão pulmonar. Atente que: “nem tudo que sibila é asma; nem toda asma, sibila!” EXPECTORAÇÃO Na maioria das vezes, a expectoração costuma ser consequência da tosse classificada como produtiva. As características semiológicas da expectoração que devem ser avaliadas são: Volume; Cor (quando amarelarada, sugere infecção bacteriana; quando de aspecto mucoide, origem alérgica; quando serosa, sugere origem viral; com sangue, sugere fatores associados como tuberculose); Odor (infecções por bactérias anaeróbias geram escarros com odor pútrido e coloração escura, por exemplo); Transparência; Consistência. A expectoração na tuberculose pulmonar, na maioria das vezes, contém sangue desde o início da doença. Costuma ser francamente purulenta, com aspecto numular, inodora e aderindo às paredes do recipiente. No início das pneumonias bacterianas, não existe expectoração ou ela é discreta. Após algumas horas ou dias, surge uma secreção abundante, amarelo-esverdeada, pegajosa e densa. Nesta fase, pode aparecer escarro hemoptoico vermelho-vivo ou cor de tijolo. Nas pneumonias por bacilos Gram-negativos, a expectoração adquire aspecto de geleia de chocolate. DOR TORÁCICA A dor torácica é um importante sintoma que frequentemente leva o paciente ao médico. Pode ser ou não acompanhada de outras manifestações respiratórias. O parênquima pulmonar e a pleura visceral não transmitem sensações dolorosas para o cérebro, mas a pleura parietal, sim. A dor pode ser referida ou irradiada, proveniente de um órgão não-torácico. Quando o paciente é capaz de descrever bem uma dor, está contribuindo com uma preciosa informação diagnóstica. Os aspectos semiológicos a serem avaliados quanto à dor torácica são: Localização; Irradiação; Qualidade; Intensidade; Duração; Evolução; Fatores desencadeantes, agravantes e de melhora; Manifestações concomitantes. As causas mais frequentes de dor torácica são: • Parede torácica: muscular, óssea, nevrálgica (como na herpes zoster), etc.; • Mediastinal: miocárdio, pericárdio, tumores, pneumomediastino, etc.; • Pleuropulmonar: pleuris, pneumotórax, tumores, pneumonias, etc.; • Digestivas: esofagite, úlceras, colecistite, pancreatite, doença do refluxo; • Psicogênicas. A isquemia do miocárdio manifestada pelo quadro de angina do peito ou de infarto do miocárdio, as pleurites, as alterações musculoesqueléticas, as disfunções do esôfago e as afecções pericárdicas são as causas mais comuns de dor torácica. Nas doenças pleuropulmonares, a dor geralmente é desencadeada ou piora com a tosse e a inspiração, não é irradiada, nem sempre o decúbito sobre lado da dor traz alívio e, às vezes, é acompanhada de dispneia, tosse e febre nas infecções. As pleurites apicais referem dor no pescoço e nos ombros. Na pleurite diafragmática, o paciente não consegue definir com precisão o local da dor, se torácica ou abdominal. Em muitos casos de pleurite, quando a dor acontece, surge dispneia: é o derrame que se instalou. A dor no pneumotórax espontâneo benigno dos jovens é inconfundível: súbita, aguda e intensa. O paciente quase sempre a compara a uma punhalada. Acompanha-se de dispneia. O infarto pulmonar cortical, parietal ou diafragmático, provoca dor muito parecida com as pleurites e das pneumonias. DISPNEIA Dispneia é a dificuldade para respirar, de modo que a respiração é feita com esforço ou desconforto, podendo o paciente ter ou não consciência desse estado. A dispneia, para ser diagnosticada, deve apresentar sinais evidentes como as tiragens, em que o paciente faz tanto esforço para respirar que causa um abaulamento entre os músculos acessórios e entre as costelas. A dispneia pode ser objetiva (quando há a presença de tiragens) ou subjetiva (quando apenas o paciente relata). Podemos classificá-la quanto: • Cronologia: • Aguda: asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) agudizada, pneumonia, pneumotórax, TEP, derrame pleural. • Crônica (mais de 30 dias): uma história detalhada ajuda na investigação das causas: alergias (asma), ricos ocupacionais (silicose, asbestose, asma ocupacional), tabagismo (DPOC), drogas anoréticas (hipertensão pulmonar), contato com pássaros (pneumonia de hipersensibilidade), além de cardiopatias. • Decúbito e esforço: • Dispneia aos grandes esforços, médios esforços e aos pequenos esforços. • Dispneia de repouso: comum na asma • Ortopneia: dispneia que impede o paciente o paciente de ficar deitado e o obriga a assentar-se ou ficar de pé para obter algum alívio. • Trepopneia: é a dispneia que aparece em determinado decúbito lateral, como acontece nos pacientes com derrame pleural que se deitam sobre o lado são. A dispneia pode ser desencadeada por esforços (mínimos, pequenos, médios ou grandes), ser paroxística (crises de broncoespasmo), suspirosa (distúrbios neurovegetativos) ou de repouso (doenças pulmonares avançadas, como DPOC, fibroses e tumores). As causas da dispneia podem ser divididas em atmosféricas, obstrutivas, pleurais, tóraco-musculares, diafragmáticas, teciduais, cardíacas (ICC) ou ligadas ao sistema nervoso central. Tosse, expectoração e chiado no peito são sintomas que podem diferenciar causas cardíacas de pulmonares. HEMOPTISE Hemoptise é a eliminação de sangue vermelho vivo, arterializado, pela boca, passando através da glote. Em outras palavras, é a eliminação de sangue oriundo das vias aéreas. O sangue pode ser proveniente das vias respiratórias, do parênquima pulmonar, de vasos pulmonares e de outras regiões. Trata-se de uma importante informação que pode por si só direcionar o diagnóstico para determinadas doenças. As causas de hemoptise são várias, mas asmais frequentes são: tuberculose pulmonar, bronquiectasias, tumores de pulmão e tromboembolismo pulmonar. As hemoptises originadas nas artérias brônquicas são em geral maciças, em que o sangue pode ser recente ou não, saturado ou não. Quando o sangue provém de ramos da artéria pulmonar, seu volume costuma ser menor (é o que ocorre nas pneumonias e broncopneumonias). VÔMICA. Vômica é a eliminação não-usual e mais ou menos brusca, através da glote, de uma quantidade abundante de secreção muco-purulenta de odor pútrido. Pode se única (como ocorre no abscesso pulmonar) ou fracionada (como nas bronquiectasias), proveniente do tórax ou do abdome. OBS: Ao questionar o paciente na anamnese, é muito importante saber os hábitos de vida, se fumante ou não e o tempo pelo qual fumou. É importante saber o local de trabalho, se há contato com substâncias químicas que prejudicam o trato respiratório. EXAME FISICO DO TÓRAX. Antes de iniciar o exame físico do tórax, feito pela inspeção, palpação, percussão e ausculta, o médico já deve ter feito o exame físico geral, incluindo o exame da cabeça, do tronco e dos membros, observando eventuais alterações para correlacioná-las com uma afecção pulmonar. O exame físico ideal deve ser realizado com o paciente com o tórax despido (camisa ou blusa). INSPEÇÃO A inspeção pode ser avaliada em dois critérios: estática e dinâmica. 1- Inspeção Estática: corresponde à uma avaliação do tórax do paciente desconsiderando os movimentos respiratórios do mesmo. Deve-se examinar a forma do tórax e suas anomalias congênitas ou adquiridas, localizadas ou difusas, simétricas ou não. • Tipo torácico: a morfologia do tórax varia conforme o biótipo do paciente (normolíneo, brevilíneo e longilíneo). O reconhecimento do biótipo é útil por ter uma cerca correlação do aparelho respiratório. • Tipo torácico normal (A): apresenta uma pequena convexidade anteriormente com um dorso mais plano. • Tipo torácico globoso (B): presença de abaulamento na região anterior, aumentando o diâmetro anteroposterior do tórax. É um tipo de padrão morfológico normal para idosos mas que pode representar uma patologia como enfisema ou asma. Também conhecido com tórax em tonel. • Tipo torácico infundibuliforme (C): presença de depressão na região epigástrica (inferior ao processo xifoide), ou seja, no ângulo de Charpy. É também chamado de tórax de sapateiro. Em geral, esta deformidade é de natureza congênita. • Tipo torácico cariniforme (D): é também chamado de peito de pombo, em que o esterno mostra-se mais protruso e evidente. É comum no raquitismo. • Escoliose (E): consiste em um desvio lateral da coluna vertebral. Deve ser anotado o sentido da convexidade da escoliose. • Cifose (F): o tórax cifótico tem como característica principal a curvatura acentuada da coluna dorsal. • Gibosidade (G): é um tipo de cifose bastante acentuada em que a musculatura dorsal apresenta um aspecto grosseiro, determinando corcundas. • Pele: coloração (destacando cianose ou palidez), presença de lesões elementares, grau de hidratação, etc., sempre correlacionando com as doenças pulmonares. • Mamas: formas das mamas (simetria), posição dos mamilos com relação à linha hemiclavicular (verificar simetria), presença de secreções, etc. • Presença de nódulos visíveis: alguns nódulos podem ser característicos de sarcoidose ou tuberculose. • Musculatura: avaliar a hipertrofia, atrofia, simetria. A contratura da musculatura paravertebral torácica unilateral constitui o sinal de Ramond, que denuncia o comprometimento pleural inflamatório homolateral. O sinal de Lemos Torres, caracterizado pelo abaulamento dos espaços intercostais durante a expiração, é sinal fidedigno de derrame pleural. • Vasos (circulação colateral): avaliar a presença de vasos evidentes na parede do tórax bem como examinar o trajeto do fluxo deste vaso: craniocaudal ou caudal-cranial. Circulações colaterais resultam de um obstáculo próximo à desembocadura da veia ázigos na veia cava superior. Classicamente são descritos três tipos principais de circulação colateral torácica: - Obstrução acima da desembocadura da V. ázigos: o sangue só vai poder atingir o átrio direito pela veia ázigos desde que a corrente sanguínea se inverta nas veias subclávias, axilares, costoaxilares e mamárias internas. Neste caso, a circulação colateral surge na face anterossuperior do tórax. - Obstrução abaixo da desembocadura da ázigos: ocorre desvio de sangue até atingir a veia cava inferior. Neste caso, a circulação colateral é mínima, uma vez que o fluxo se fará através do plexo braquial, não havendo por isso sobrecarga na rede superficial. - Obstrução na desembocadura da veia ázigos: ocorre o aumento da pressão nos troncos braquicefálicos invertendo a corrente sanguínea nas veias mamárias externas, torácicas, laterais e epigástricas. Nestes casos, a rede venosa superficial será exuberante nas faces lateral e anterior do tórax e o sentido da corrente será de craniocaudal. • Abaulamentos (difusos ou localizados): avaliar abaulamentos ósseos ou musculares. • Retrações: aspecto de pele afundada. •Deformidades localizadas: existência de deformidades variadas, comparando-se um hemitórax com o outro. 2- Inspeção Dinâmica: observam-se os movimentos respiratórios, suas características e alterações. • Expansibilidade: é avaliada observando a expansão da caixa torácica com a entrada de ar durante a inspiração. • Frequência respiratória: deve ser observado o ritmo respiratório do paciente. Geralmente, o tempo de inspiração é semelhante ao da expiração, apresentando um pequeno intervalo entre ambos. Em suma, o ritmo respiratório pode ser normal ou anormal. • Tipo respiratório: para o reconhecimento do tipo respiratório, observa-se atentamente a movimentação do tórax e do abdome, com o objetivo de reconhecer em que regiões os movimentos são mais amplos. Em pessoas sadias, na posição de pé ou sentada, tanto no sexo masculino como no feminino, predomina a respiração torácica ou costal, caracterizada pela movimentação predominantemente da caixa torácica. Na posição deitada, também em ambos os sexos, a respiração é predominantemente diafragmática, prevalecendo a movimentação da metade inferior do tórax e do andar superior do abdome. • Presença de tiragem: durante a inspiração ou condições de normalidade, os espaços intercostais deprimem-se ligeiramente. Se ocorrer obstrução brônquica, o parênquima correspondente àquele brônquio entra em colapso e a pressão negativa daquela área torna-se ainda maior, provocando assim a retração dos espaços intercostais, fenômeno conhecido como tiragem. A tiragem pode ser difusa ou localizada (supraclavicular, infraclavicular, intercostal ou epigástrica). Essas áreas retráteis caracterizam a impossibilidade de o pulmão acompanhar o movimento expansivo da caixa torácica, devido à atelectasia subjacente. PALPAÇÃO A palpação permite que as lesões superficiais sejam bem examinadas quanto a sua forma, volume e consistência. Os seguintes parâmetros devem ser avaliados: • Sensibilidade da parede torácica: testando a sensibilidade realizando estímulos dolorosos no paciente. A sensibilidade superficial e profunda, a dor provocada e espontânea ou qualquer outra manifestação dolorosa relatada pelo paciente devem ser avaliadas pela palpação. • Tonicidade muscular: avaliação do comportamento muscular do tórax do paciente: hipotonia, hipertonia, atrofia, etc. • Elasticidade: a elasticidade é pesquisada com a manobra de Lasègue: nesta o examinador se posiciona obliquamente ou lateralmente ao corpo do paciente e executa compressão forte preferencialmente nas regiões infraclaviculares, podendo ser também nas regiões mamárias, hipocôndrios e infra- escapulares. A mão predominante, direita, no casodos destros, é a que aperta e a esquerda (não dominante) serve de aposição para não deslocar o paciente. • Expansibilidade: a expansibilidade é abordada em duas regiões do tórax e dos pulmões: (1) a expansibilidade dos ápices pulmonares é pesquisada com ambas as mãos espalmadas, de modo que as bordas internas toquem a base do pescoço, os polegares apoiem-se paralelamente à coluna vertebral (e se toquem) e os demais dedos nas fossas supraclaviculares; (2) para avaliar a expansibilidade das bases pulmonares, apoiam-se os polegares em contato rente às linhas paravertebrais, enquanto os outros dedos recobrem os últimos arcos costais, abaixo do ângulo inferior da escápula. Em ambas as manobras, o médico deve ficar atrás do paciente que está em posição sentada, respirando profundamente e pausadamente. • Frêmito toracovocal (FTV): representa a sensação tátil da transmissão da onda mecânica da voz, originada nas cordas vocais durante a fonação, veiculada pela coluna aérea através da traqueia, parênquima pulmonar, pleura, parede e superfície do tórax. A sensação tátil será percebida com a face palmar inferior. Os dedos da mão e a face superior palmar deverão ficar suspensos no ar para não abafar a vibração tátil. Habitualmente o frêmito toracovocal é um pouco mais intenso do lado direito devido à disposição anatômica do brônquio fonte direito o qual é mais verticalizado e está mais perto da traqueia. Pede-se, então, para o paciente falar palavras ricas em consoantes, como “trinta e três”. A técnica deve ser feita alternadamente em cada hemitórax, seguindo a linha médio-esternal de cima para baixo. PERCUSSÃO Quatro tonalidades de som são obtidas: • Som claro pulmonar, som claro atimpânico ou sonoridade pulmonar nas áreas de projeção dos pulmões (maior parte do tórax). É um som intermediário entre o maciço e timpânico. • Som claro timpânico no espaço de Traube. É um som semelhante à percussão de uma bexiga cheia de ar. Acompanha-se de sensação de elasticidade. • Som submaciço na região inferior do esterno (região em que a língula pulmonar encobre o ventrículo esquerdo). • Som maciço na região infra-mamária direita (macicez hepática) e na região precordial. Deve-se iniciar a percussão pela face posterior do tórax, de cima para baixo, ficando o médico atrás e à esquerda do paciente. Percute-se cada hemitórax, comparando, imediatamente, os resultados. Deve-se percutir a região dos ápices, os espaços intercostais, a região das bases, regiões axilares e região interescápulo-vertebral; sempre comparando um hemitórax com o outro, mantendo o paciente sentado. É no estudo dos derrames pleurais, líquidos ou gasoso que a percussão do tórax fornece os dados mais importantes. Derrame líquido nas cavidades pleurais livres tende a se localizar nas regiões de maior declive. Por esta razão, quando o paciente estiver sentado, encontra-se macicez na região das bases. Em casos de pneumotórax, devido a presença de ar no espaço pleural, observa-se som timpânico. Afecções parenquimatosas, por reduzirem a quantidade de ar nos alvéolos, também provocam macicez: neoplasias periféricas, infarto pulmonar volumoso, pneumonias lobares, cavidades periféricas contendo líquidos (cistos). Em oposição às afecções que reduzem o conteúdo aéreo do pulmão, estão as que aumentam a quantidade de ar (enfisema, crise de asma, cistos aéreos, escavação pulmonar), provocando hipersonoridade e até mesmo timpanismo. As principais alterações da percussão são: • Hipersonoridade pulmonar: significa que o som da percussão está mais claro e mais intenso. Hipersonoridade indica aumento de ar nos alvéolos pulmonares. Causa: Enfisema pulmonar e asma. • Submacicez e macicez: indicam diminuição ou desaparecimento da sonoridade pulmonar e indicam redução ou inexistência de ar no interior do alvéolo. Causas: derrames pleurais, condensação pulmonar (pneumonia, tuberculose, neoplasias). • Som timpânico: indica ar aprisionado no espaço pleural (pneumotórax), uma grande cavidade intrapulmonar (caverna tuberculosa) ou a presença de uma víscera abdominal no interior do tórax (hérnia diafragmática). AUSCULTA O paciente deve estar com o tórax despido e respirar pausadamente e profundamente, com a boca entreaberta, sem fazer ruído. Auscultam-se as regiões de ambos hemitórax simetricamente. • Sons respiratórios normais: • Som traqueal e respiração brônquica: o som traqueal, audível na região de projeção da traqueia, no pescoço e na região esternal, origina-se na passagem do ar através da fenda glótica e na própria traqueia. O inspiratório consiste em um ruído soproso, mais ou menos rude, após o qual há um curto intervalo silencioso que o separa da expiração, em que o som é um pouco mais forte e prolongado. A respiração brônquica muito se assemelha ao som traqueal, dela se diferenciando apenas por ter o componente expiratório menos intenso. • Murmúrio vesicular: produzido pela turbulência normal do ar circulante ao chocar-se contra as saliências das bifurcações brônquicas, ao passar por cavidades de tamanhos diferentes, tais como bronquíolos para alvéolos, e vice- versa. Quando se compara o murmúrio vesicular com a respiração brônquica, o primeiro é mais fraco e mais suave. Ausculta-se o murmúrio vesicular em quase todo o tórax, com exceção apenas das regiões esternal superior, interescápulo-vertebral direita e ao nível da 3ª e 4ª vértebras torácicas. Nestas áreas, ouve-se a respiração broncovesicular. A diminuição do murmúrio vesicular pode resultar de numerosas causas, entre as quais se ressaltam: presença de ar (pneumotórax), líquido (hidrotórax) ou tecido sólido (espessamento pleural) na cavidade pleural; enfisema pulmonar; obstrução das vias aéreas superiores (espasmo ou edema de glote, obstrução da traqueia); oclusão parcial ou total dos brônquios ou bronquíolos. Quando normais, relata-se: murmúrios vesiculares presentes e audíveis em ambos hemitórax. Ele pode, entretanto, estar aumentado, diminuído ou inexistente. • Respiração broncovesicular: somam-se aqui, as características da respiração brônquica com as do murmúrio vesicular. Deste modo, a intensidade da duração da inspiração e da expiração tem igual magnitude. • Sons ou ruídos anormais descontínuos: os sons anormais descontínuos são representados pelos estertores, que são ruídos audíveis na inspiração ou na expiração, superpondo-se aos sons respiratórios normais. • Ruídos estertores finos ou crepitantes: ocorrem no final da inspiração, têm frequência alta, isto é, são agudos, e duração curta. Não se modificam com a tosse ou com a posição do paciente. Predominam mais na base. Podem ser comparados ao ruído produzido pelo atrito de um punhado de cabelos junto ao ouvido ou ao som percebido ao se fechar ou abrir um fecho tipo velcro. Aceita-se atualmente que os estertores finos são produzidos pela abertura sequencial das vias respiratórias (dos alvéolos, principalmente) com presença de líquido ou exsudato no parênquima pulmonar ou por alteração no tecido de suporte das paredes brônquicas. Os estertores finos são audíveis nos casos de pneumonia, tuberculose e insuficiência cardíaca. Estas doenças são diferenciadas pela clínica: a pneumonia cursa com febre com cerca de 3 dias de duração; a tuberculose cursa com febre por mais de 2 semanas; a insuficiência cardíaca não cursa com febre, tem uma história pregressa de hipertensão arterial (geralmente) e acomete as duas bases pulmonares concomitantemente. • Ruídos estertores grossos (bolhosos ou subcrepitantes): tem frequência menor (são mais graves) e maior duração que os finos. Sofrem nítida alteração com a tosse e com a posição do doente (inclusive, podem ser abolidos). Podem ser ouvidos em todas as regiões do tórax. Diferentemente dos estertores finos (que só ocorrem do meio para o final da inspiração),os ruídos bolhosos são audíveis durante o início da inspiração e durante toda a expiração. Parecem ter origem na abertura e fechamento de vias aéreas contendo secreção viscosa e espessa, bem como pelo afrouxamento da estrutura de suporte das paredes brônquicas. Os ruídos bolhosos são audíveis nas bronquites (quando disseminados) e nas bronquiectasias (quando bem localizados). • Sons ou ruídos anormais contínuos: são representados pelos roncos, sibilos e estridor e tendem a apresentar-se ao longo de todo ciclo respiratório. • Roncos e Sibilos: os roncos são constituídos por sons graves, portanto, de baixa frequência. Os sibilos são constituídos por sons agudos, formados por ondas de alta frequência, semelhante a um miado suave de gato. Originam-se nas vibrações das paredes brônquicas e do conteúdo gasoso quando há estreitamento destes ductos, seja por espasmo ou edema da parede ou presença de secreção aderida a ela, como ocorre na asma brônquica, nas bronquites, nas bronquiectasias e nas obstruções localizadas. Aparecem na inspiração como na expiração, mas predominam nesta última. São fugazes, multáveis, surgindo e desaparecendo em curto período de tempo. A sibilância pode estar presente na asma, bronquiectasias, DPOCs e traqueobronquite aguda. • Estridor: som produzido pela semi-obstrução da laringe ou da traqueia. • Sopros: presença de sopro brando é normal na ausculta de certas regiões (7ª vértebra cervical posteriormente, traqueia, região inter-escapular). Toda via, ocorre em certas situações patológicas, quando, por exemplo, o pulmão perde sua textura normal, como nas pneumonias bacterianas e nos pneumotórax hipertensivos. • Som de origem pleural • Atrito pleural: em condições normais, os dois folhetos da pleura deslizam um sobre o outro sem produzir som algum. Nos casos de pleurite, por se recobrirem de exsudato, passam a produzir um ruído irregular, descontínuo, mais intenso na inspiração, com frequência comparada ao ranger de couro atritado. SEMIOLOGIA DAS SÍNDROMES PLEUROPULMONARES SÍNDROMES BRONQUICAS As síndromes brônquicas decorrem de obstrução (asma brônquica), infecção e/ou dilatação dos brônquios (bronquites e bronquiectasias). ✓ Asma brônquica. A síndrome por obstrução tem como representante principal a asma brônquica, na qual se observa o estreitamento difuso dos condutos aéreos de pequeno calibre por uma etiologia alérgica, principalmente. A asma brônquica caracteriza uma síndrome brônquica por obstrução das vias aéreas. Tais alterações se manifestam clinicamente por crises de dispneia, predominantemente expiratória, acompanhada de sensação de constrição ou aperto no tórax, dor torácica difusa, chieira e tosse, que no início é seca, mas, com o progredir da crise, torna-se produtiva, surgindo então uma expectoração mucoide, espessa, aderente, difícil de ser eliminada. A asma grave pode agravar com pneumotórax, trazendo todos os aspectos semiológicos característicos do pneumotórax. Ao exame físico do tórax, evidenciam-se: • Inspeção: dispneia, tórax em posição de inspiração profunda e tiragem. Muito frequentemente, por se tratar, na maioria das vezes, de uma condição crônica, observa-se o tórax em tonel. • Palpação: frêmito toracovocal normal ou diminuído. • Percussão: normal ou hipersonoridade. • Ausculta: diminuição do murmúrio vesicular com expiração prolongada, sibilos predominantemente expiratórios em ambos os campos pulmonares. ✓ Bronquites. A bronquite aguda (traqueobronquite) geralmente é causada por vírus que compromete as vias áreas desde a faringe, manifestando-se por sintomas gerais (febre, cefaleia), desconforto retroesternal, rouquidão, tosse seca, seguida após alguns dias de expectoração mucosa que se transforma em mucopurulenta, se houver infecção bacteriana secundária. À inspeção, palpação e percussão, nada de anormal se observa. De fato, o achado característico da bronquite aguda é um exame físico praticamente normal, mas com tosse mucopurulenta. Podem- se ouvir, também, roncos e sibilos esparsos inconstantes e estertores grossos disseminados (menos frequentes). A bronquite crônica é uma condição caracterizada basicamente por excessiva secreção de muco na árvore brônquica. A manifestação clínica principal é tosse com expectoração mucopurulenta que persiste por meses, alterando períodos de melhora e piora, dependendo da presença de infecções, poluição atmosférica e uso de tabaco. Ao exame físico do tórax, o principal achado são os estertores grossos disseminados em ambos os hemitórax. Roncos e sibilos são frequentes. Algumas vezes, a bronquite crônica pode ser confundida com o enfisema. ✓ Bronquiectasias. As bronquiectasias representam síndromes brônquicas por dilatação das vias aéreas. Bronquiectasia significa dilatação irreversível dos brônquios em consequência de destruição de componentes da parede destes ductos. As bronquiectasias comprometem segmentos ou lobos pulmonares isolados, ou mais raramente, vários lobos em ambos os pulmões. A manifestação clínica mais comum é uma tosse produtiva, com expectoração mucopurulenta abundante, principalmente pela manhã. Hemoptises são frequentes. Os dados obtidos ao exame físico são variáveis, dependendo da localização e da extensão das áreas comprometidas. Nas bronquiectasias basais extensas, observam-se redução da expansibilidade e submacicez nestes locais. A submacicez pode ser explicada pela maior presença de ar nos alvéolos, que se manifesta por meio de nota maciça ou submaciça (aumento do timpanismo ocorre no pneumotórax. SÍNDROMES PULMONARES As síndromes pulmonares são basicamente causadas por consolidação do parênquima pulmonar, atelectasia (colabamento) e hiperaeração. As principais causas de consolidação pulmonar são as pneumonias, o infarto pulmonar e a tuberculose. ✓ Síndrome de consolidação Pulmonar (Pneumonia, infarto pulmonar e tuberculose). As principais manifestações clínicas são a dispneia e a tosse, que pode ser seca ou produtiva. Quando há expectoração, é comum a presença de sangue misturado com muco ou pus (expectoração hemoptoica). Na tuberculose, as hemoptises são mais frequentes. Além da sensação de desconforto retroesternal, quando há comprometimento da pleura, surge dor localizada em um dos hemitórax com as características de dor pleurítica (dor em punhalada, bem localizada). A condensação do parênquima pulmonar caracteriza-se pela deposição de materiais purulentos, exsudativos ou celulares nos espaços alveolares. Por esta razão, observaremos alterações no exame físico como macicez à percussão (a condensação diminui os espaços aéreos pulmonares, dando a este órgão características de víscera maciça) e frêmito toracovocal (FTV) aumentado (devido à maior capacidade de propagação da voz no parênquima consolidado). As principais alterações no exame físico são os seguintes: • Inspeção: expansibilidade diminuída. • Palpação: expansibilidade diminuída e frêmito toracovocal (FTV) aumentado. • Percussão: submacicez ou macicez. • Ausculta: respiração brônquica substituindo o murmúrio vesicular (contudo, os MV podem estar preservados), sopro tubário, broncofonia (ausculta-se a voz sem nitidez) ou egofonia (forma especial de broncofonia, com qualidade mais anasalada e metálica), pectorilóquia (ausculta da voz com nitidez) e estertores finos. ✓ Atelectasia. A atelectasia tem como elemento principal o desaparecimento de ar dos alvéolos sem que o espaço alveolar seja ocupado por células e exsudato, como ocorre na síndrome de consolidação pulmonar. As causas mais comuns são as neoplasias e a presença de corpos estranhos que ocluem a luz de brônquios. Se a oclusão situar- se em um brônquio principal, ocorre atelectasia do pulmão inteiro; se estiver em brônquios lobares ou segmentares, a atelectasia fica restrita a um loboou a um segmento pulmonar. Quanto maior a área comprometida, mais intensas serão as manifestações clínicas, representadas por dispneia, sensação de desconforto e tosse seca. Ao exame físico, obtêm-se os seguintes dados na área correspondente à atelectasia: • Inspeção: retração do tórax e tiragem; expansibilidade diminuída. • Palpação: expansibilidade diminuída; frêmito toracovocal diminuído ou abolido. • Percussão: submacicez ou macicez. • Ausculta: respiração broncovesicular; murmúrio vesicular abolido; ressonância vocal diminuída. ✓ Hiperaeração (Enfisema pulmonar) A hiperaeração que se observa no enfisema pulmonar resulta de alterações anatômicas caracterizadas pelo aumento anormal dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal, acompanhadas de modificações estruturais das paredes alveolares. O enfisema pulmonar apresenta algumas variedades anatômicas, dependendo da sede e da extensão do comprometimento dos ácinos alveolares e dos lóbulos. Geralmente, está associada com o tabagismo. A manifestação clínica mais importante do enfisema é a dispneia, que se agrava lentamente. No início ocorre apenas aos grandes esforços, mas nas fases avançadas aparece até em repouso. Na fase final, surgem as manifestações de insuficiência respiratória. Podemos identificar o enfisema pulmonar na radiografia simples do tórax pelo alargamento dos espaços intercostais, rebaixamento e retificação das cúpulas diafragmáticas, aumento aparente da região supraclavicular, redução do volume hilar, verticalização da silhueta cardíaca. Em perfil, podemos observar um aumento do diâmetro anteroposterior, zona hipertransparente (escura) atrás do osso esterno, na frente e acima da silhueta cardíaca; atrás do coração, observa-se este mesmo aspecto de hipertransparência. • Inspeção: expansibilidade diminuída e tórax em tonel nos casos avançados. • Palpação: expansibilidade diminuída, frêmito toracovocal diminuído. • Percussão: sonoridade normal no início e hipersonoridade (ver OBS5) à medida que a enfermidade se agrava. • Ausculta: murmúrio vesicular diminuído; Fase expiratória prolongada; Ressonância vocal diminuída. ✓ Congestão passiva dos pulmões. As principais causas da congestão passiva dos pulmões são a insuficiência ventricular esquerda e a estenose mitral. O líquido se acumula no interstício, causando dispneia de esforço, dispneia de decúbito e dispneia paroxística noturna, além de tosse seca e, às vezes, sibilância. Ao exame físico do tórax, observam-se: • Inspeção: expansibilidade normal ou diminuída. • Palpação: expansibilidade e frêmito toracovocal normal ou aumentado. • Percussão: submacicez nas bases pulmonares. • Ausculta: estertores finos nas bases dos pulmões (principal achado); prolongamento do componente expiratório quando há broncoespasmo; pode haver sibilância; ressonância vocal normal. SÍNDROMES PLEURAIS As síndromes pleurais compreendem as pleurites, os derrames pleurais e o pneumotórax. ✓ Pleurites. A pleurite, ou seja, a inflamação dos folhetos pleurais, pode ocorrer em várias entidades clínicas, destacando-se a tuberculose, as pneumonias, a moléstia reumática e outras colagenoses, viroses e as neoplasias da pleural e pulmão. Pode ser aguda ou crônica, sem derrame (pleurite seca) ou com derrame. Na pleurite seca aguda, o principal sintoma é a dor localizada em um dos hemitórax, com características de dor pleurítica. Além da dor, podem ocorrer tosse, dispneia, febre e outros sintomas relacionados com a causa da pleurite. Ao exame físico, observam-se no lado comprometido: • Inspeção: expansibilidade diminuída. • Palpação: expansibilidade e frêmito toracovocal diminuídos. • Percussão: sonoridade normal ou submacicez. • Ausculta: atrito pleural, que é o principal dado semiológico. Na pleurite seca crônica, com espessamento dos folhetos pleurais (paquipleuriz), a dor não é tão acentuada como na pleurite aguda, podendo ter caráter surdo ou inexistir. A dispneia aos grandes esforços é uma manifestação importante. Ao exame físico do tórax, observam-se no lado comprometido: • Inspeção: retração torácica e expansibilidade diminuída. • Palpação: expansibilidade e frêmito toracovocal diminuídos. • Percussão: submacicez ou macicez. • Ausculta: murmúrio vesicular diminuído; ressonância vocal diminuída. ✓ Derrames pleurais. Nos derrames pleurais, observados nas pleurites, pneumonias, neoplasias, colagenoses, síndrome nefrótica e na insuficiência cardíaca, pode haver dor (sem as características de dor pleurítica), tosse seca e dispneia cuja a intensidade depende do volume do líquido acumulado. Na radiografia simples do tórax, observa-se, nos grandes derrames pleurais, o deslocamento de estruturas mediastínicas para o lado oposto, diferentemente do que ocorre nas atelectasias (em que o conteúdo mediastínico é desviado para o lado do colabamento pulmonar). Além disso, o derrame pleural é facilmente percebido quando a radiografia é feita com o paciente em decúbito lateral, de modo que o líquido (visível por ser radiopaco) passa a se acumular na região mais baixa, seguindo a gravidade. No exame físico do tórax, observam-se, no lado derrame: • Inspeção: expansibilidade diminuída. • Palpação: expansibilidade diminuída e frêmito toracovocal abolido na área do derrame e aumentado na área do pulmão em contato com o líquido pleural. • Percussão: macicez. • Ausculta: murmúrio vesicular abolido da área do derrame. ✓ Pneumotórax. No pneumotórax, o que se acumula no espaço pleural é ar, que penetra através da lesão traumática, ruptura de bolha subpleural (blebs) ou como complicações de certas afecções pulmonares (tuberculose, pneumoconiose, neoplasias, asma grave) que põem em comunicação um ducto com o espaço pleural. No exame por imagem, quando o pneumotórax é extenso (principalmente, nos casos de pneumotórax hipertensivo), observamos um desvio das estruturas mediastinais para o lado oposto, diferentemente do que ocorre na atelectasia, situação em que o mediastino será deslocado em direção ao lado acometido. As principais manifestações clínicas são a dor no hemitórax comprometido, tosse seca e dispneia. A intensidade da dispneia depende da quantidade de ar e de outros mecanismos que podem acompanhar o pneumotórax. Ao exame físico, observam-se no lado comprometido: • Inspeção: normal ou abaulamento dos espaços intercostais quando a quantidade de ar é grande. • Palpação: expansibilidade e frêmito toracovocal diminuídos. • Percussão: hipersonoridade ou som timpânico (ver OBS6), sendo este o que mais chama a atenção. • Ausculta: murmúrio vesicular diminuído; ressonância vocal diminuída. PSIQUIATRIA O exame clínico em psiquiatria compreende a entrevista psiquiátrica (que inclui a anamnese tradicional e o exame psíquico) e o exame físico. Um fator importante nas fases iniciais da avaliação do paciente é notar e descrever o aspecto global do paciente, expresso pelo corpo e pela postura corporal, pela indumentária (roupas, sapatos, etc.), pelos acessórios (colares, brincos, piercing, etc.), por detalhes como maquiagem, perfumes, odores, marcas corporais (tatuagens, queimaduras, etc.), porte e atitudes psicológicas específicas e globais do paciente. A aparência do paciente, suas vestes, seu olhar, sua postura, revela muito de seu estado mental interior e é recurso fundamental para o diagnóstico. Na primeira entrevista, o profissional deve inicialmente colher os dados sociodemográficos básicos, como nome, idade, data de nascimento, naturalidade e procedência, estado civil, com quem reside, profissão, atividade profissional, religião, etc. Após colher tais informações, que de fato situam quem é o paciente que chega ao serviço de saúde, deve-se solicitar que o paciente relate a queixa básica, o sofrimento, a dificuldade ou o conflito queo traz à consulta. Esse primeiro relato deve ocorrer de forma predominantemente livre, para que o paciente expresse de forma espontânea seus sintomas e sinais. FUNÇÕES PSÍQUICAS O esquema a seguir tem como objetivo não somente lembrar os pontos a serem observados e pesquisados ao longo da entrevista psiquiátrica, como também orientar a redação do exame psíquico. Inclui os seguintes itens: • Consciência: Chama-se consciência o conhecimento que temos de nós mesmos e do mundo externo. • Atenção: é a capacidade de concentrar a atividade psíquica em um determinado setor do campo da consciência. Ele pode desviar sua atenção de um ponto para outro, sem conseguir fixar-se em nenhum; ou, ainda, concentrar-se em determinado ponto, mas por apenas poucos minutos. • Orientação: é a capacidade de uma pessoa saber quem ela é (orientação autopsíquica) e de localizar-se no tempo e no espaço (orientação temporoespacial). Na exploração da orientação, normalmente, o comportamento e as informações que o paciente fornece ao longo da entrevista são suficientes, sem necessidade de um questionamento direto. Havendo dúvidas, o examinador poderá solicitar ao paciente que informe, por exemplo, de onde veio e como chegou ao local do exame. Perguntas diretas, como: "O senhor sabe onde está?"; "Que lugar é este aqui?" e "Que dia é hoje?" devem ser evitadas, pois podem ser impertinentes ou fornecer uma ideia errônea sobre a orientação do paciente. Orientação autopsíquica: geralmente, é a última a ser comprometida. O paciente não consegue informar seus dados pessoais - idade, filiação, lugar de nascimento, estado civil ou, mesmo, seu nome. Isso pode ocorrer de maneira transitória nos casos de traumatismo cranioencefálico, estado crepuscular epiléptico e em quadros funcionais - neurose histérica, estados agudos de ansiedade e choques emocionais graves. Em pacientes esquizofrênicos, pode ocorrer o fenômeno da dupla orientação: ao mesmo tempo em que o paciente fornece corretamente seus dados de identidade, afirma, por exemplo, que é Presidente da República. Embora saiba o nome do hospital onde se encontra e nele se oriente sem dificuldades, afirma que aquele lugar não é um hospital, mas, sim, seu palácio presidencial. Distúrbios parciais da orientação autopsíquica: além de o paciente perder a noção de quem ele é, pode apresentar distúrbios da orientação do eu (também chamada da consciência do eu). Trata-se da noção que uma pessoa tem da sua própria existência; de que ela é única e a mesma ao longo da vida; que os impulsos, atos, pensamentos e sentimentos que realiza e vivenda são seus, em oposição ao mundo exterior, em clara delimitação entre o que faz parte do seu eu e o que não faz, o não eu. Sentimento de despersonalização: embora saiba quem ele é, o paciente pode sentir-se estranho, mudado, diferente, e não consegue explicar por que isso está acontecendo. Procura olhar-se no espelho, tocando no rosto, como se estivesse procurando reconhecer a própria imagem. • Pensamento: é um conjunto de funções integradas, capazes de associar conhecimentos novos e antigos, estímulos internos e externos, analisar, abstrair, julgar, sintetizar, bem como criar. No funcionamento do pensamento, outras funções psíquicas estão, particularmente, envolvidas: consciência, orientação, atenção, memória, inteligência e percepção. Qualquer alteração em uma delas trará consequências ao funcionamento global do pensamento. Os distúrbios do pensamento são observados por meio da linguagem, que não é nada mais do que uma expressão simbólica do pensamento destinada à comunicação. São, no entanto, excluídas desses distúrbios as perturbações da linguagem resultantes de lesão cerebral (afasias, agrafias, alexias e suas variantes), as dificuldades de articulação da fala (disartrias), as afonias e disfonias, resultantes de problemas da laringe e respiratórios. • Memória: é a capacidade de recordar, ou seja, de reviver estados de consciência anteriores, reconhecê-los como tais e localizá-los no tempo e no espaço. A memória é dividida em: memória de fixação (capacidade de registrar e fixar o material mnêmico) e memória de evocação (capacidade de retomar à consciência o que foi apreendi do e conservado). Utiliza-se também a divisão segundo o tempo de duração da lembrança: memória recente (para fatos recentes, ocorridos há minutos, dias ou semanas) e remota (para fatos ocorridos há meses ou anos). • Afetividade: de difícil conceituação, a afetividade compreende um conjunto de vivências que abrange desde as mais simples sensações de prazer e desprazer (como, por exemplo, a dor) até sentimentos complexos, como os religiosos e os estéticos. Os distúrbios da afetividade são investigados por meio do humor e das manifestações afetivas do paciente. Denomina-se humor (ou estado de ânimo) a tonalidade afetiva básica, ou seja, o estado afetivo predominante. Considera-se uma pessoa com humor normal quando não apresenta variações afetivas persistentes e polarizadas. Nos estados patológicos, o humor pode estar alterado em duas direções opostas - em um polo estão a tristeza, a ansiedade, o tédio e a inibição; no outro, a alegria, o entusiasmo e a exaltação. Na exaltação do humor - euforia ou elação -, o paciente encontra-se alegre, otimista, com profunda sensação de bem- estar. • Sensopercepção: é a capacidade de uma pessoa apreender as impressões sensoriais, dando-lhes um significado. Essa apreensão depende do tipo do estímulo, da higidez dos órgãos sensoriais e da integridade do sistema nervoso central, sendo também influenciada por várias funções psíquicas, como a vontade, a afetividade e a inteligência. Transtornos da sensopercepção: os principais transtornos da sensopercepção são as ilusões e as alucinações. Ilusões são percepções deformadas. Aos aspectos reais de um objeto percebido acrescentam-se outros imaginários. Elas, em geral, ocorrem em situações normais. Por exemplo, uma pessoa, a partir de um som, tem a impressão de ter sido chamada, ou ver, momentaneamente, uma pessoa conhecida na figura de um desconhecido. Os estados de exaustão podem também propiciar ilusões. Situação comum é a ilusão do viajante cansado, que confunde, por exemplo, um tronco de madeira com uma pessoa ou um animal. São ilusões consequentes à desatenção. • Vontade: é a disposição que uma pessoa tem para a ação, a partir de uma escolha ou decisão sua. Distúrbios da vontade: na diminuição da vontade, o paciente deprimido relata, em geral, perda da vontade. Nada lhe interessa, sente-se, às vezes, incapaz de realizar as mais simples tarefas (tomar banho, trocar de roupa). • Psicomotricidade e atividade motora: O aumento da psicomotricidade pode ocorrer em situações normais, como a atividade frenética de uma pessoa dinâmica, passando pela inquietação do ansioso, até as graves agitações dos pacientes psicóticos (orgânicos, esquizofrênicos e maníacos). A diminuição da psicomotricidade oferece um quadro exatamente oposto - em vez de mímica rica, alternante, há uma expressão pobre, parada. A imobilidade contrasta com a mudança constante de posições do inquieto ou com a tempestade de movimentos do agitado. Um grau extremo de diminuição da psicomotricidade é o estupor, no qual, além de inibição completa da psicomotricidade, há diminuição da resposta aos estímulos dolorosos. Nesses casos, a expressão facial tem grande valor semiológico: sonolência e torpor no paciente orgânico, tristeza no paciente deprimido e alheamento no esquizofrênico. • Inteligência: é a capacidade de adaptar o pensamento às necessidades do momento ou de adquirir novos conhecimentos. Essa capacidade pressupõe três tipos de inteligência: uma abstrata (capacidade de compreender e lidar com ideias abstratas e símbolos); uma mecânica (capacidade de compreender, inventar e manipular aparelhos)e uma social (capacidade de atuar adequadamente nas relações humanas e situações sociais). A inteligência do paciente pode ser avaliada, sumariamente, por seus conhecimentos gerais (p. ex., nome do país, da capital e do governador do seu estado, do Presidente da República), pelo seu vocabulário (número de vocábulos e de que maneira os emprega), sempre de acordo com sua idade, condições socioculturais e nível de escolaridade. Pode-se, ainda, recorrer a testes simples, como a interpretação de provérbios e os testes das similaridades. NEUROLOGICA Na história clínica devem constar os seguintes parâmetros: • Início dos sintomas. Início agudo, subagudo, crônico ou insidioso. Dor de cabeça súbita e intensa, por exemplo, de intensidade que o paciente nunca experimentou antes, isto é, uma dor repentina, intensa e que não passou por um aumento gradativo, conduz à suspeita de hemorragia por aneurisma cerebral. • Duração e o curso da doença. Se o curso da doença ocorre de modo estático, se progride ou se há remissão. • Dor. A dor é sempre um parâmetro importante na neurologia. Deve-se perguntar o local da dor, o caráter, a irradiação, o tipo de dor, a severidade, fatores precipitantes e fatores que aliviam. Por exemplo, uma dor em hemicrânio, de caráter pulsátil, intensa, que piora com determinados alimentos ou com exercício físico é muito sugestivo de enxaqueca. Já uma dor em toda a cabeça, em peso, intensa, contínua, que piora com esforço físico, que não alivia com medicações, nos faz pensar em algum processo expansivo intracraniano. EXAME NEUROLOGICO. O exame começa no momento em que o paciente caminha no corredor para entrar no consultório médico; ele continua durante a conversa necessária à coleta da história neurológica. Concomitantemente, o neurologista deve sempre procurar sinais clínicos anormais ora mais evidentes (como tremores, inquietação, distonia, discinesia) e outros mais sutis, como o vitiligo, por exemplo, implicando um potencial para um transtorno neurológico autoimune. Em resumo, o exame neurológico consiste na avaliação minuciosa dos seguintes parâmetros: ✓ Exame do estado mental (Status mental) ou exame neuropsicológico ✓ Testes da função dos nervos cranianos ✓ Exame da motricidade (avaliação da força muscular e do tônus motor) ✓ Exame da sensibilidade ✓ Avaliação dos reflexos: reflexos profundos e superficiais ✓ Avaliação das funções cerebelares ✓ Avaliação da marcha ✓ Exame das meninges ✓ Teste das demais funções corticais superiores ✓ Exame das funções neurovegetativas EXAME DO ESTADO MENTAL O exame completo do estado mental deve constar dos seguintes parâmetros: Atenção e concentração (especialmente importante para avaliar encefalopatias tóxicas ou metabólicas, disfunções do lobo frontal, hipertensão intracraniana), Orientação no tempo e espaço (especialmente importante para o diagnóstico da síndrome da negligência); Memória (imediata, recente e tardia); Capacidade de calcular; Linguagem; Pensamento abstrato (integridade do lobo frontal); “Insight” e julgamento (integridade do córtex orbitofrontal). ATENÇÃO E CONCENTRAÇÃO Este parâmetro pode ser avaliado logo em que o paciente entra no consultório através do modo que ele se apresenta. A atenção e a concentração encontram-se alteradas, principalmente, nos seguintes casos: encefalopatias tóxico-metabólicas, que pode ocorrer devido ao acúmulo de substâncias como ureia nitrogenada ou metabólitos de drogas ilícitas; disfunção do lobo frontal caracterizada por distúrbios da personalidade, do comportamento e da atenção. O aspecto e o comportamento interpessoal também devem ser avaliados pelo neurologista, o qual deve saber diferenciar um aspecto agradável e bem-humorado de outros comportamentos como o paciente deprimido e o agressivo. ORIENTAÇÃO NO TEMPO E ESPAÇO O paciente deve ser indagado de algumas questões rápidas e de respostas óbvias, como a data, o dia da semana, etc. Algumas vezes, é necessário questionar sobre partes de seu próprio corpo. Na síndrome da negligência, por exemplo, causada por uma disfunção no lobo parietal direito, o paciente sofre de anosognosia (não reconhece o próprio déficit; por exemplo: ele está com o lado paralisado e mesmo assim tenta andar porque não reconhece que está com paralisia e acaba caindo) e passa a negligenciar o lado esquerdo de seu próprio corpo e dos objetos. O paciente pode ser testado perguntando-se qual é o lado direito e o esquerdo da sala ou pegando em seu o braço esquerdo e questionando-o se o membro o pertence ou não. Outra maneira de testar a noção espacial do paciente é solicitar a ele que copie um desenho previamente feito, como uma casa ou um relógio. A apraxia construcional, isto é, dificuldade de construir esquemas gráficos pode ser percebida em pacientes com lesão nas áreas motoras secundárias (área motora suplementar e área pré- motora). MEMÓRIA Deve-se testar a memória imediata (operacional), a recente (de curto alcance) e a tardia (de longo alcance). Para o teste da memória imediata, diz-se um número ao paciente e, imediatamente depois, pergunta-se qual foi o número a ele atribuído. Podemos ainda mostrar ao paciente uma sequência de objetos conhecidos, pedir que ele memorize e, 5 minutos depois, solicitar que o paciente os liste. Esta modalidade de memória é usada constantemente por todos nós e é exigida, por exemplo, quando alguém nos dita um número de celular que é memorizado por algum tempo para ser anotado, mas que, depois de alguns minutos, é esquecido. Acredita-se que o responsável por esta modalidade de memória seja o lobo frontal. Neste caso, o hipocampo não chega a ser utilizado. A memória recente é exigida quando estamos assistindo uma aula, por exemplo, e a aprendemos para realizar uma prova semanas depois. A memória tardia, por sua vez, é aquela que armazena fatos da infância ou de longas datas passadas e que, muito dificilmente, será afetada. CAPACIDADE DE CALCULAR. Consiste em um teste simples. Solicita-se ao paciente que calcule o resultado de 100 – 7; depois 93 – 7; e assim sucessivamente. Deve-se corrigir quando ele estiver errado. A conta deve parar logo após cinco resultados (93; 86; 79; 72 e 65). Discalculia é característica de lesões do lobo parietal dominante, especialmente o giro angular. Quando o paciente não é capaz de realizar os cálculos, pede-se a ele que soletre a palavra “MUNDO” de modo invertido. Ou mesmo, pode-se fazer o teste da contagem reversa, pedindo para o paciente contar de 5 até 1, por exemplo. AVALIAÇÃO DA LINGUAGEM A linguagem consiste no uso adequado da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas. Portanto, a disfunção de linguagem é manifestada pelo comprometimento da comunicação oral ou escrita, ou ambas e, por esta razão, as duas funções devem ser testadas. A linguagem pode ser testada ao se mostrar um relógio de pulso ao paciente perguntando-o o que ele vê. Pode-se ainda pedir ao paciente para repetir uma frase. Para testar a escrita, faz-se necessário um papel em branco e solicite ao paciente que escreva uma frase qualquer que contenha um sujeito, um verbo e um sentido lógico. Não é necessário que esteja gramaticalmente correta. As principais desordens na linguagem falada são a disfonia (mudança na tonalidade da voz, como na forma de uma “rouquidão”, que pode ser por resultado da paralisia das cordas vocais ou por lesão do nervo craniano), afasia (incapacidade de construir os fonemas) e a disartria (dificuldade na articulação das palavras). As causas mais comuns destas desordens são: doenças afetando a língua, laringe e faringe, doenças da junção neuromuscular, envolvimento de núcleo ou do nervo periférico, disfunção cerebelar, disfunção dos gânglios da base. A agrafia é comum em quase todos os tipos de afasia, sobretudona chamada afasia global. A alexia é relacionada com a incapacidade de retransmitir a informação visual captada pelas áreas visuais primárias e secundárias para o giro angular. • Afasia de Broca (de expressão): resulta da lesão na área de Broca (localizada na parte triangular e opercular do giro frontal inferior esquerdo; área 44 de Brodmann) é a responsável pelo aspecto motor ou de expressão da língua falada. Quando esta é lesada, o paciente apresenta uma afasia de expressão (ou afasia de Broca). Sem déficits motores propriamente ditos, torna-se ele incapaz de falar, ou apresenta uma fala não-fluente, restrita a poucas sílabas ou palavras curtas sem verbos. O paciente se esforça muito para encontrar as palavras, sem sucesso. Como exemplo da linguagem de um paciente acometido, temos: “Ah... segunda-feira... ah... Papai e Paulo [o nome do paciente]... e papai... hospital. Dois... ah... E, ah... meia hora... e sim... ah... hospital. E, ah... quarta-feira... nove horas. E,ah... quinta-feira às dez horas... médicos. Dois médicos... e ah... dentes. É... ótimo.” • Afasia de Wernicke: resulta da lesão na área de Wernicke (corresponde à parte mais posterior da área 22 de Brodmann e parte da área 40 de Brodmann), responsável, por sua vez, pela compreensão da linguagem falada e escrita e anatomicamente se dispõe principalmente sobre a porção posterior do giro temporal superior e do giro temporal transverso anterior. Além disso, recebe, via giro angular, fibras oriundas do córtex visual necessárias para a compressão da linguagem escrita ou visual. Quando a lesão atinge esta área, o quadro é inteiramente diferente do pré-citado, onde o paciente apresenta uma afasia de compreensão. Quando um interlocutor lhe fala, o indivíduo não parece compreender bem o que lhe é dito. Não só emite respostas verbais sem sentido, como também é falha em indicar com gestos que possa ter compreendido o que lhe foi dito. Sua fala espontânea é fluente, mas usa palavras e frases desconexas porque não compreende o que ele próprio está dizendo. É comum o uso de neologismos. Como exemplo da linguagem de um paciente acometido, temos: “Queria lhe dizer que isso aconteceu quando aconteceu quando ele alugou. Seu... seu boné cai aqui e fica estripulo... ele alu alguma coisa. Aconteceu. Em tese os mais gelatinosos estavam ele para alu... é amigo... parece é. E acabou de acontecer, por isso não sei, ele não trouxe nada. E não pagou.” • Afasia de condução: além dessas duas áreas, há a influência anátomo-funcional do fascículo arqueado (fascículo longitudinal superior). Pacientes acometidos deste tipo de afasia, obviamente, é capaz de compreender o que o neurologista disse, mas como não foi capaz de repetir, emitiu uma frase diferente, mas de sentido equivalente: Neurologista: “Repita esta frase: O tanque de gasolina do carro vazou e sujou toda a estrada”. Paciente: “A rua ficou toda suja com o vazamento”. • Afasia global: resulta da lesão concomitante das áreas de Broca e de Wernicke, geralmente por obstrução do tronco da artéria cerebral média. Neste caso, o paciente não entende a pergunta e não consegue verbalizar corretamente. • Afasia anômica: caracterizada por um quadro semelhante à afasia de condução. Neste caso, o indivíduo tem capacidade de falar e entende o que neurologista diz. Contudo, quando olha para o objeto, ele não tem a capacidade de nomeá-lo (anomia dos objetos). É causada pela lesão do giro angular (área parietal inferior), responsável por interligar a área visual associativa e a parte anterior da área de Wernicke. Pode ocorrer ainda incapacidade de ler (alexia) ou de escrever (agrafia). • Afasia subcortical: resulta da lesão de gânglios da base ou da substância branca. Neste caso, a fluência da fala e a nomeação de objetos podem ser variavelmente afetadas. Contudo, a compreensão e a repetição mostram-se preservadas. • Afasia transcortical: resulta de lesões no tálamo. As afasias talâmicas frequentemente são caracterizadas por apatia, hipofonia e ecolalia. Mais frequentemente, as lesões do tálamo ântero-lateral causam a afasia mais profunda, em que a fluência da fala, a compreensão e a nomeação de objetos estão prejudicadas. A repetição pode mostrar-se boa. • Agnosia é a incapacidade de identificar um objeto com o uso de um ou mais sentidos. • Apraxia: Apraxia é uma condição neurológica em que a pessoa é incapaz de realizar voluntariamente movimentos motores mesmo que seus músculos estejam normais e ela saiba como fazer o movimento. NERVOS CRANIANOS 1- Nervo Olfatório: é um nervo totalmente sensitivo que se origina no teto da cavidade nasal e leva estímulos olfatórios para o bulbo e trato olfatório, os quais são enviados até áreas específicas do telencéfalo. 2- Nervo Óptico: nervo puramente sensorial que se origina na parte posterior do globo ocular (a partir de prolongamentos de células que, indiretamente, estabelecem conexões com os cones e bastonetes) e leva impulsos luminosos relacionados com a visão até o corpo geniculado lateral e, daí, até o córtex cerebral relacionado com a visão. 3- Nervo Oculomotor: nervo puramente motor que inerva a maior parte dos músculos extrínsecos do olho (Mm. oblíquo inferior, reto medial, reto superior, reto inferior e levantador da pálpebra) e intrínsecos do olho (M. ciliar e esfíncter da pupila). Indivíduos com paralisia no III par apresentam dificuldade em levantar a pálpebra (que cai sobre o olho), além de apresentar outros sintomas relacionados com a motricidade do olho, como estrabismo divergente (olho voltado lateralmente). 4- Nervo Troclear: nervo motor responsável pela inervação do músculo oblíquo superior. Suas fibras, ao se originarem no seu núcleo (localizado ao nível do colículo inferior do mesencéfalo), cruzam o plano mediano (ainda no mesencéfalo) e partem para inervar o músculo oblíquo superior do olho localizado no lado oposto com relação à sua origem. Além disso, é o único par de nervos cranianos que se origina na parte dorsal do tronco encefálico (caudalmente aos colículos inferiores). 5- Nervo Trigêmeo: apresenta função sensitiva (parte oftálmica, maxilar e mandibular da face) e motora (o nervo mandibular é responsável pela motricidade dos músculos da mastigação: Mm. temporal, masseter e os pterigoideos). Além da sensibilidade somática de praticamente toda a face, o componente sensorial do trigêmeo é responsável ainda pela inervação exteroceptiva da língua (térmica e dolorosa). 6- Nervo Abducente: nervo motor responsável pela motricidade do músculo reto lateral do olho, capaz de abduzir o globo ocular (e, assim, realizar o olhar para o lado), como o próprio nome do nervo sugere. Por esta razão, lesões do nervo abducente podem gerar estrabismo convergente (olho voltado medialmente). 7- Nervo Facial: é um nervo misto e que pode ser dividido em dois componentes: N. facial propriamente dito (raiz motora) e o N. intermédio (raiz sensitiva e visceral). Praticamente toda a inervação dos músculos da mímica da face é responsabilidade do nervo facial; por esta razão, lesões que acometam este nervo trarão paralisia dos músculos da face do mesmo lado (inclusive, incapacidade de fechar o olho). O nervo intermédio, componente do próprio nervo facial, é responsável, por exemplo, pela inervação das glândulas submandibular, sublingual e lacrimal, além de inervar a sensibilidade gustativa dos 2/3 anteriores da língua. 8- Nervo Vestíbulo-coclear: é um nervo formado por dois componentes distintos (o N. coclear e o N. vestibular); embora ambos sejam puramente sensitivos, assim como o nervo olfatório e o óptico. Sua porção coclear traz impulsos gerados na cóclea (relacionados com a audição) e sua porção vestibular traz impulsos gerados nos canais semi-circulares (relacionados com o equilíbrio). 9- Nervo Glossofaríngeo: responsável por inervar a glândula parótida, alémde fornecer sensibilidade gustativa para o 1/3 posterior da língua. É responsável, também, pela motricidade dos músculos da deglutição. 10- Nervo Vago: considerado o maior nervo craniano, ele se origina no bulbo e se estende até o abdome, sendo o principal representante do sistema nervoso autônomo parassimpático. Com isso, está relacionado com a inervação parassimpática de quase todos os órgãos torácicos e abdominais. Traz ainda fibras aferentes somáticas do pavilhão e do canal auditivo externo. 11- Nervo Acessório: inerva os Mm. esternocleidomastoideo e trapézio, sendo importante também devido as suas conexões com núcleos dos nervos oculomotor e vestíbulo-coclear, por meio do fascículo longitudinal medial, o que garante um equilíbrio do movimento dos olhos com relação à cabeça. Na verdade, a parte do nervo acessório que inerva esses músculos é apenas o seu componente espinhal (5 primeiros segmentos medulares). O componente bulbar do acessório pega apenas uma “carona” para se unir com o vago, formando, em seguida, o nervo laríngeo recorrente. 12- Nervo Hipoglosso: inerva a musculatura da língua. Os distúrbios dos nervos cranianos (NC) podem ser confinados a um único nervo como o olfatório (por um traumatismo craniano fechado ou meningioma), trigêmeo (tique doloroso), facial (paralisia de Bell), vestíbulo-coclear (compressão por schwannoma) e hipoglosso (dissecção da carótida). Contudo, uma lesão única, como ocorre no fascículo longitudinal medial, visto na esclerose múltipla ou, menos comumente, um pequeno acidente vascular encefálico de tronco cerebral pode levar ao envolvimento limitado aos nervos que suprem músculos extraoculares. Problemas comuns que levam o paciente ao médico incluem a diminuição da acuidade visual (nervo óptico), diplopia (oculomotor, abducente), dor facial (trigêmeo), fraqueza facial progressiva (facial), dificuldade de deglutição (glossofaríngeo e vago) e fala arrastada (hipoglosso). EXAME DA FORÇA MUSCULAR O sistema tradicional e mais utilizado para quantificar graus variados de fraqueza se baseia em um escore que varia de 0 – 5, sendo 5 um valor considerado normal. EXAME DO TÔNUS MUSCULAR • Hipotonia: existe esta condição quando o tônus muscular está diminuído. Ocorre quando qualquer parte do arco reflexo monossináptico de estiramento é interrompida. Também ocorre na doença cerebelar como resultado de influência diminuída do cerebelo sobre os neurônios gama. • Hipertonia (espasticidade, rigidez): existe esta condição quando o tônus muscular está aumentado. Ocorre quando as lesões existentes atingem os centros supra- espinhais ou seus tratos descendentes. Pode ocorrer também no nível segmentar medular local, sendo produzida pela excitação local do reflexo de estiramento, por irritação sensorial (por exemplo, espasmo dos músculos das costas secundário ao prolapso de disco intervertebral, espasmo dos músculos abdominais secundário à peritonite). EXAME DA COORDENAÇÃO DOS MOVIMENTOS A coordenação entre o tronco e membros é testada durante o exame do equilíbrio, solicitando-se ao paciente que incline o corpo para frente, para os lados e para trás e verificando-se se ocorrem as correções apropriadas. A capacidade de levantar-se da cama para sentar-se sem auxílio das mãos é outra manobra útil. A coordenação apendicular é testada através das provas índex-nariz, índex-índex e calcanhar- joelho, realizadas com olhos abertos e fechados. A capacidade de realizar movimentos alternados e sucessivos, denominada diadococinesia, é avaliada através de movimentos alternados de pronação e de supinação das mãos ou de flexão e extensão dos pés. EXAMES DOS MOVIMENTOS INVOLUNTÁRIOS • Tremores. Os tremores são movimentos involuntários rítmicos resultantes da contração de grupos musculares oponentes. Podem ser lentos, como no parkinsonismo, ou rápidos, como nos tremores tóxicos da tirotoxicose. Podem ocorrer no repouso, como no parkinsonismo, ou com a ação, o chamado tremor de intenção, visto na doença cerebelar. • Espasmos. Os espasmos são contrações involuntárias súbitas de grandes grupos musculares. Exemplos de espasmos são vistos na paraplegia, sendo devidos a lesões que atingem os tratos descendentes. • Atetose. Atetose significa movimentos involuntários contínuos e lentos, disrítmicos, que são sempre os mesmos, no mesmo paciente, e desaparecem durante o sono. Eles impedem os movimentos voluntários. Manifesta-se por movimentos involuntários lentos e sinuosos, especialmente dos antebraços e mãos, lembrando os movimentos de um verme. A atetose ocorre por lesão do corpo estriado. • Coreia. Trata-se de um termo de origem grega que significa dança, uma vez que seus sintomas são caracterizados por movimentos involuntários rápidos e de grande amplitude. Alguns dados indicam que a coreia é causada por lesões nas fibras gabaérgicas que ligam o putâmen à parte lateral do globo pálido. A coreia consiste em uma série de movimentos involuntários contínuos e rápidos, irregulares e grosseiros, sem objetivo, que podem ocorrer durante o sono. • Distonia. A distonia consiste em contrações, frequentes e mantidas, de músculos hipertônicos, produzindo posturas bizarras. Ocorre por lesão do núcleo lentiforme. • Mioclonia. A mioclonia é uma contração abrupta de um músculo isolado ou de parte de um músculo. Ocorre de modo irregular, atingindo comumente um músculo de um dos membros. Pode estar presente em doenças que atinjam a formação reticular e o cerebelo. Os abalos mioclônicos normais (mioclonias) ocorrem, por vezes, em pessoas que estão adormecendo, acreditando-se que sejam devidos à reativação, abrupta e temporária, da formação reticular. • Miofasciculações. São pequenas contrações musculares isoladas que caracterizam, quase sempre, a esclerose lateral amiotrófica, principalmente quando associadas à fraqueza muscular. Contudo, podem ser causadas por estresse na forma de pequenas contrações palpebrais. • Hemibalismos. O hemibalismo é uma forma rara de movimento involuntário, restrito a um dos lados do corpo. Usualmente, atinge a musculatura proximal do membro, e faz-se com que esse membro se agite em todas as direções. Nos casos mais graves, não desaparecem nem como o sono, podendo levar o doente à exaustão. Resulta quase sempre de uma lesão vascular do núcleo subtalâmico contralateral, o que interrompe a atividade moduladora desse núcleo sobre o globo pálido. AVALIAÇÃO DA MARCHA • Marcha hemiplégica ou hemiparética: o indivíduo caminha mancando, arrastando o membro inferior parético e, muitas vezes, com o membro superior normal recolhido ao corpo. Encontrada nas hemiplegias espásticas. É comum encontrar, com mais detalhes, os seguintes sinais: o membro inferior encontra-se estirado sobre o solo, o pé em ligeiro equino e, às vezes, os dedos flexionados. O membro inferior se torna rígido e aparentemente maior que o oposto. Quando quer andar, o paciente leva o membro estirado inicialmente para fora, por ser demasiadamente longo, depois, para frente, descrevendo um movimento de circundução ao redor da coxa, como se ceifasse a terra. O membro superior apresenta-se em flexão. O braço posiciona-se em rotação interna, adução, unido ao tronco, e o antebraço, ligeiramente flexionado em pronação, dedos fletidos. • Marcha diparética: o paciente apresenta uma diminuição de força em ambos os membros inferiores e, com isso, é obrigado a andar com apoio nos braços para levantar as pernas. • Marcha em Tesoura: encontrada na paralisia cerebral ou enfermidade de Little, pois além da hipertonia extensora dos membros pélvicos, há acentuado hipertonia dos músculos adutores, fazendo com que as coxas se unam e os membros inferiores se cruzem para o lado oposto, conferindo à deambulação alternância cruzada em cada passo. • Marcha miopática (anserina):há oscilações do quadril, as pernas se mostram afastadas, há hiperlordose lombar, como se o paciente quisesse manter o corpo em equilíbrio, em posição ereta, apesar do déficit muscular. A inclinação do tronco para um lado e para o outro confere à marcha a semelhança da marcha de um ganso, daí o nome de marcha anserina. Este tipo de marcha pode ser encontrado em qualquer processo que cause fraqueza dos músculos pélvicos, como nas polineuropatias pseudomiopáticas, miosites e polimiosites Criança, do sexo masculino, com panturrilha de diâmetro aumentado e apresentando este tipo de marcha nos sugere o diagnóstico de distrofia muscular de Duchene. Este diagnóstico pode ser confirmado através da manobra de Gowers, que consiste no levantar bizarro do paciente que é solicitado para levantar-se usando apenas a força dos membros inferiores. • Marcha neuropática: decorrente de lesão do nervo fibular (marcha escarvante), o paciente passa a andar com um pé caído, de modo que este arrasta do chão a cada passo. A lesão bilateral do fibular deixa a marcha ainda mais evidente. • Marcha com Apoio da Mão no Joelho. Quando há lesão do nervo femoral, a força do quadríceps encontra-se comprometida. O paciente só consegue andar se apoiar a mão no joelho, e há grande dificuldade em subir escadas. • Marcha parkisoniana: além dos tremores mais evidentes em membros superiores, o paciente apresenta uma marcha lenta e hesitante, pendendo, geralmente, para lado que não apresenta tremores. Em fases mais avançadas da doença, o paciente anda com passos extremamente curtos. A marcha se faz em bloco, pois o paciente encontra-se rígido. A rigidez muscular generalizada torna difícil o início da marcha, dando a impressão de que o enfermo se acha preso ao solo. Às vezes, só após algumas tentativas consegue iniciar a marcha, que se realiza em passos curtos, com a cabeça e o tórax inclinados para frente. Os antebraços e os joelhos rígidos em discreta flexão. Não há o balanço dos braços como na marcha normal. • Marcha Coreica: Marcha com passos irregulares e inseguros, com movimentos involuntários arrítmicos e aperiódicos, com predomínio nas extremidades distais dos membros, mais nos superiores, e que se acentua quando o doente faz meia- volta. O tipo mais frequente de coreia é a Coreia de Sydenham, cuja causa mais comum é a febre reumática. • Marcha atáxica vestibular. Como nas lesões cerebelares, a marcha é em ziguezague ou titubeante, com alargamento da base de sustentação, desvios e tendência a quedas. Os desvios se processam na direção do lado afetado e podem ser vistos pela chamada "marcha em estrela" de Babinski e Weill. Manda-se o paciente andar em ambiente amplo e em linha reta, dando cerca de oito a 10 passos para frente e, em seguida, para trás, repetindo o processo cinco ou seis vezes. Como há desvio sempre para o lado acometido, o traçado desta marcha configura-se à forma dos raios de uma estrela. • Marcha Ebriosa ou Atáxica Cerebelar. Quando há lesão cerebelar, o paciente aumenta a base de sustentação para poder ficar de pé, já que muitas vezes é até impossível esta posição. Pode haver oscilações para os lados e tendência a quedas. É difícil a marcha em linha reta, pois há desvio de marcha para o lado do hemisfério lesionado, e o enfermo, tentando compensar este erro, desvia para o lado oposto, voltando logo para o lado do seu defeito e da compensação. É uma marcha em ziguezague, e a impressão é de que o paciente se encontra embriagado. EXAMES DOS REFLEXOS PROFUNDOS • Reflexo patelar: estando o paciente sentado com as pernas pendentes ou em decúbito dorsal, com os joelhos em semiflexão apoiados pelo examinador, é percutido o ligamento patelar (entre a patela e a epífise da tíbia), observando- se extensão da perna. O reflexo patelar depende do nervo femoral e é integrado nos segmentos L2 a L4. Quando há exaltação, pode-se obter a reflexão à percussão da tíbia ou até resposta contralateral. Nos casos de hipotonia, pode-se observar resposta pendular, quando a pesquisa à realizada com o paciente sentado. A manobra de Jandrasski consiste no enganche das duas mãos e na tração em sentido contrário a cada uma e serve para distrair o paciente que apresente respostas reflexas duvidosas. • Reflexo aquileu: estando o paciente em decúbito dorsal, uma das pernas é colocada em ligeira flexão e rotação externa e cruzada sobre a outra. O examinador mantém o pé em ligeira flexão dorsal e percute o tendão de Aquiles, observando como resposta a flexão plantar. O reflexo aquileu depende do nervo tibial e é integrado nos segmentos S1 a S2. Quando o reflexo aquileu está exaltado, pode ser percebido durante a percussão os maléolos, da face anterior da tíbia e, mesmo, ao se pesquisar outros reflexos dos membros inferiores. Admite-se que a resposta reflexa obtida quando se percutem pontos distantes depende da transmissão da vibração, que, em condições de hiperreflexia, é suficiente para desencadear a contração. • Reflexo dos flexores dos dedos: a percussão dos tendões no ligamento transverso do carpo provoca a flexão dos dedos. A resposta também pode ser obtida pela percussão da superfície palmar das falanges, com interposição dos segundo e terceiro dedos do examinador. A inervação depende dos nervos mediano e ulnar e integração ocorre nos segmentos C8 a T1. • Reflexo bicipital: o antebraço semifletido e com a mão em supinação é apoiado sobre o antebraço do examinador. A percussão do tendão distal do bíceps, com extraposição do polegar do examinador, prova flexão e supinação do antebraço. A integração ocorre nos segmentos C5 e C6 e depende do nervo musculocutâneo. • Reflexo estilorradial: o antebraço semifletido, com o punho em ligeira pronação, é apoiado sobre a mão do examinador. A percussão do processo estiloide ou da extremidade distal do rádio determina contração do braquirradial produzindo flexão e ligeira supinação do antebraço. O reflexo é integrado nos segmentos C5 e C6, dependendo da integridade do nervo radial. • Reflexo tricipital: o braço abduzido é sustentado pelo examinador, de modo que o antebraço fique pendente em semiflexão. A percussão do tendão do tríceps provoca extensão do antebraço. A inervação depende do nervo radial e a integração nos segmentos C7 e C8. EXAME DOS REFLEXOS SUPERFICIAIS • Reflexo cutaneoplantar: a excitação da planta do pé, no sentido póstero-anterior, provoca flexão plantar do hálux e dos demais artelhos. A resposta é mais nítida quando o lado medial da planta do pé é estimulada, sendo usualmente denominado reflexo cutaneoplantar em flexão. A pesquisa deve ser realizada estando o paciente deitado e relaxado, utilizando-se uma espátula ou um objeto de ponta romba. Recordando, a resposta em flexão plantar do hálux e dos dedos é normal após o primeiro ano de vida devido à mielinização completa do tracto córtico-espinhal. O sinal de Babinski, que consiste na flexão dorsal (ou extensão) do hálux, é mais facilmente obtido quando se estimula a parte lateral da planta do pé. Este sinal está presente na síndrome do neurônio motor superior pois, devido a lesão, este trato passa a ter uma funcionamento elétrico deficitário, assim como ocorria no primeiro ano de vida quando ainda não era mielinizado. Não devemos confundir o sinal de Babinski com o reflexo de retirada do pé. • Reflexo cremastérico: quando a pele na face medial da coxa é estimulada, o músculo cremáster se contrai, elevando o testículo do lado onde a coxa foi estimulada. Esse arco reflexo passa pelo primeiro segmento lombar da medula espinhal (L1 e L2). É um reflexo dependente da integridade dos tractos corticoespinhais, que exercem influência tônica excitatória sobre os neuronios internunciais, de modo que, na síndrome piramidal, se encontra abolido. RESPONSIVIDADE PUPILARGLASGOW A Escala de Coma de Glasgow é uma escala neurológica de valor mínimo 3 a máximo 15 que tem como objetivo avaliar e registrar (quantificar) o nível de consciência de paciente de um modo rápido e prático. A amplitude da pontuação pode dar uma ideia da gravidade do coma: • 3 = Coma profundo (85% de probabilidade de morte encefálica; estado vegetativo) • 4 = Coma profundo; • 8 = Coma intermediário; • 11 = Coma superficial; • 15 = Normalidade.