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AN02FREV001/REV 4.0 
 1 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
HEMATOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
HEMATOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
MÓDULO I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 3 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
MÓDULO I 
1 TECNOLOGIA DO HEMOGRAMA 
1.1 COLETA 
1.2 ANTICOAGULANTE 
1.3 EXTENSÃO SANGUÍNEA 
1.4 COLORAÇÃO 
1.4.1 Técnica de May Grünwald-Giemsa 
1.5 AUTOMAÇÃO 
2 HEMATOPOESE 
2.1 ERITROPOESE 
2.2 MORFOLOGIA DA LINHAGEM ERITROIDE 
2.2.1 Alterações morfológicas dos eritrócitos 
3 HEMOGLOBINA 
 
 
MÓDULO II 
4 ANEMIAS 
4.1 CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS 
4.2 CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DAS ANEMIAS 
4.2.1 Anemias Hemorrágicas 
4.2.2 Anemias Hemolíticas 
4.2.3 Anemias Hipoproliferativas 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 4 
4.3 ANEMIAS HEMOLÍTICAS POR DEFEITO DE MEMBRANA 
4.4 ANEMIAS HEMOLÍTICAS - ENZIMOPATIAS 
4.5 ANEMIA HEMOLÍTICA - HEMOGLOBINOPATIAS 
4.6 ANEMIAS HEMOLÍTICAS IMUNOLÓGICAS 
4.7 ANEMIAS HIPOPROLIFERATIVAS CARÊNCIAIS 
4.8 ANEMIA APLÁSTICA OU APLASIA MEDULAR 
5 LEUCÓCITOS 
5.1 LEUCÓCITOS POLIMORFONUCLEARES (GRANULÓCITOS) 
5.1.1 Cinética e função dos polimorfonucleares (granulócitos) 
5.1.1.1 Neutrófilos 
5.1.1.2 Eosinófilos 
5.1.1.3 Basófilos 
5.2 LEUCÓCITOS MONONUCLEARES 
5.2.1 Linfócitos 
5.2.2 Monócitos 
5.3 ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DOS LEUCÓCITOS 
5.4 REAÇÃO LEUCEMOIDE 
6 NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS 
6.1 SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS 
6.1.1 Leucemia Mieloide Crônica 
6.1.2 Metaplasia Mieloide Agnogênica (mielofibrose) 
6.1.3 Trombocitemia Essencial 
6.1.4 Policitemia Vera 
6.2 LEUCEMIAS AGUDAS 
6.2.1 Leucemia linfoide aguda (LLA) 
6.2.2 Leucemia mieloide aguda (LMA) 
6.3 SÍNDROMES MIELO-DISPLÁSICAS (SMD) 
6.4 SÍNDROMES LINFO-PROLIFERATIVAS 
6.4.1 Leucemia Linfoide crônica 
6.4.2 Tricoleucemia (Hairy Cell Leukemia) 
6.4.3 Leucemia pró-linfocítica 
6.4.4 Mieloma Múltiplo 
6.4.5 Linfoma Leucemizado 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 5 
 
 
MÓDULO III 
7 HEMOSTASIA 
7.1 HEMOSTASIA PRIMÁRIA 
7.2 COAGULAÇÃO 
7.2.1 Via extrínseca 
7.2.2 Via Intrínseca 
7.3 FIBRINÓLISE 
7.4 OUTROS FATORES DE REGULAÇÃO DA HEMOSTASIA 
7.5 DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA 
7.5.1 Distúrbios Plaquetários 
7.5.2 Distúrbios Vasculares 
7.5.3 Distúrbios da coagulação plasmática 
7.5.4 Trombose (alteração no equilíbrio: hemostasia e seu controle) 
7.6 ESTUDO LABORATORIAL DA HEMOSTASIA 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 6 
 
 
MÓDULO I 
 
 
1 TECNOLOGIA DO HEMOGRAMA 
 
 
O sangue pode ser definido como sendo um tecido fluído circulante, 
constituído de células diferenciadas suspensas em um líquido complexo. As células, 
separáveis por centrifugação, pertencem a três categorias: os glóbulos brancos, os 
glóbulos vermelhos e as plaquetas. A fase líquida do sangue, denominada plasma, é 
formada por água, sais minerais, moléculas orgânicas (glicídios, proteínas e lipídios) 
e sais inorgânicos (principalmente o NaCl ). Após a coagulação, o fibrinogênio 
plasmático transforma-se em fibrina e, o plasma sem a proteína da coagulação, é 
denominado soro. 
 
 
FIGURA 01 – COMPOSIÇÃO DO SANGUE 
 
 
FONTE: Disponível em: <http://jmarcosrs.wordpress.com/2011/04/06/plasmaferese-o-que-e-
indicacoes/>. Acesso em: 08 jul. 2013. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 7 
O estudo do sangue tornou-se comum em decorrência do seu fácil acesso por 
punção venosa. Dentre os exames laboratoriais mais comuns, está o hemograma. 
Trata-se de um exame para a avaliação quantitativa e qualitativa dos elementos 
figurados do sangue que visa esclarecer os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, 
não só nas diversas doenças hematológicas, como também em doenças das mais 
diversas patogenias. 
O hemograma deve incluir a avaliação da série branca (leucograma), série 
vermelha (eritrograma) e das plaquetas (plaquetograma). Com relação a esse último, 
muitos laboratórios no Brasil ainda não o incluem no hemograma, anotando apenas 
se, na avaliação do esfregaço sanguíneo, o número de plaquetas pareceu-lhes 
normal, aumentado ou diminuído. Entretanto, com o emprego crescente de 
contadores eletrônicos que incluem a contagem de plaquetas, não parece lógico 
negar ao paciente esse dado relevante. 
 
 
1.1 COLETA 
 
 
Para os exames rotineiros de patologia clínica recomenda-se a utilização de 
sangue colhido por punção venosa, feita em veias do antebraço. 
 
 
FIGURA 02 – LOCAL DE COLETA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 8 
 
O tempo de garroteamento não deve ultrapassar a um minuto para evitar 
hemoconcentração. A coleta pode ser feita por seringa e agulha ou pelo sistema a 
vácuo, cuja vantagem consiste na padronização da coleta, pois o volume de sangue 
a ser coletado é preestabelecido (vácuo) e sempre será proporcional à quantidade 
de anticoagulante contido no tubo de coleta. 
 
 
FIGURA 03 - GARROTEAMENTO 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
1.2 ANTICOAGULANTE 
 
 
Por sua ação quelante ao Cálcio e impedir a agregação plaquetária, o EDTA 
(Ácido Etilendiaminotetracético) é o anticoagulante de escolha para o hemograma, 
sendo o EDTA tripotássico (EDTA K3) preferível sobre o dipotássico e sobre o 
dissódico, por ser mais solúvel no sangue. Para que todo o Cálcio presente na 
amostra seja quelado pelo anticoagulante e todo o anticoagulante seja neutralizado 
pelo Cálcio, recomenda-se utilizar 2 mg de EDTA para cada ml de sangue. No 
comércio, encontra-se EDTA a 10%. Daí, obedecendo à relação acima, temos: 
 
0,1ml ( 100µl ) de EDTA ..................................................5ml de sangue 
 ( 50µl ) de EDTA ..................................................2,5ml de sangue 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 9 
 ( 25µl ) de EDTA ..................................................1,25ml de sangue 
 
 Em caso de preparo do EDTA tripotássico, proceder: 
 EDTA tripotássico..................................................10g 
 Água destilada qsp...................................................100ml 
 
Utilizar 100µl dessa solução para cada 5 ml de sangue coletado ou conforme 
relação acima. 
Após a coleta deve-se homogeneizar o sangue por inversão, pelo menos 
cinco vezes consecutivas. 
 
 
1.3 EXTENSÃO SANGUÍNEA 
 
 
O ideal é que se faça a extensão sanguínea em lâmina com sangue sem 
anticoagulante, imediatamente após a coleta. O anticoagulante pode alterar a 
morfologia leucocitária após uma hora de contato com o sangue. A lâmina a ser 
usada para extensão deve estar completamente limpa e desengordurada. A lâmina 
extensora deve ter uma borda uniforme e sem ranhura. Recomenda-se que o ângulo 
formado entre a lâmina e a lâmina extensora deve ser de 45° para que o 
comprimento do esfregaço sanguíneo não seja curto demais e nem atinja o final da 
lâmina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 10 
 
 
FIGURA 04 – EXTENSÃO SANGUÍNEA 
 
FONTE: Arquivo Pessoal do autor 
 
 
1.4 COLORAÇÃO 
 
 
Para que o examinador tenha plena confiança em obter um correto 
diagnóstico laboratorial, é preciso que se faça uma boa extensão sanguínea aliada a 
uma boa coloração. As colorações hematológicas usuais em laboratórios são ditas 
“panópticas”, pois o material depois de corado permite a visualização de todosos 
elementos do sangue. Os corantes hematológicos são misturas de sais ácidos e 
básicos que permitem a coloração de estruturas citoplasmáticas e nucleares das 
células. A grande preocupação em coloração de lâminas para hematologia é a 
variação do pH da água nos diversos laboratórios. Nesses casos, deve-se tamponar 
a água. No método de May Grünwald-Giemsa, por exemplo, o pH deve estar em 
torno de 6,8 ( ± 0,2 ). Os corantes rápidos utilizados hoje nos laboratórios levam a 
vantagem de não depender do pH da água, além da rapidez da coloração que dura 
em média 60 segundos. 
 
 
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 11 
 
 
1.4.1 Técnica de May Grünwald-Giemsa 
 
 
a - Preparo dos reagentes: 
 
May Grünwald (eosina-azul de metileno) = dissolver 0,3 g do sal em 100 ml 
de metanol. Guardar sete dias em frasco âmbar, homogeneizando diariamente. 
Giemsa (eusina-azul-azur de metileno) = dissolver 1 g de sal em 66 ml de 
glicerol. Deixar em banho-maria a 56ºC por duas horas. Após este período deixar 
adquirir temperatura ambiente e adicionar 66 ml de metanol. Deixar sete dias em 
frasco âmbar e no escuro homogeneizando diariamente. Filtrar. Para uso, diluir 1 
gota dessa solução estoque para cada ml de água. 
b-Coloração da lâmina: 
1-Cobrir a lâmina com May Grünwald, deixar 4 minutos; 
2-Adicionar 10 a 20 gotas de água, pH 6,8 ( ± 0,2 ), deixar 1 minuto; 
3-Escorrer a solução; 
4-Cobrir a lâmina com o Giemsa diluído, deixar 15 minutos; 
5-Escorrer a solução e lavar a lâmina em água corrente; 
6-Limpar a parte de trás e deixar secar. 
 
 
1.5 AUTOMAÇÃO 
 
 
A contagem manual de Eritrócitos, Leucócitos e Plaquetas em câmaras 
(Neubauer) está em desuso, para não dizer abandonada. Tendo como vantagens o 
menor tempo, o menor custo, maior reprodutibilidade, maior acurácia, menor 
coeficiente de variação, a automação está generalizada hoje nos laboratórios. Até 
mesmo a avaliação microscópica da extensão sanguínea, que é de fundamental 
importância, perde em qualidade para a contagem diferencial automatizada, devido 
ao número de células contadas (100 na primeira e de 5 mil a 10 mil células na 
 
 
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segunda ). Veja abaixo algumas diferenças entre o sistema automatizado e o 
sistema manual com relação à variação das contagens (WINTROBE, 1998). 
 
 Manual Automatizado 
Hemácias ±11% ±1,0% 
Leucócitos ±16% ±1,5% 
Plaquetas ±22% ±2,0% 
Reticulócitos ±34% ±5,0% 
Hemolobina 1 a 2% <1,0% 
 
Os avanços tecnológicos nas contagens hematológicas passaram pelos 
princípios da impedância, fluorescência e raio laser. Os sistemas atuais permitem 
medir simultaneamente múltiplas características físicas de uma célula, tais como o 
tamanho celular relativo, a granularidade celular relativa (complexidade celular), 
intensidade de fluorescência relativa. Estas medidas são executadas em cada célula 
que, sobre um fluxo de fluído, migra por meio de um tubo extremamente fino. 
 
 
FIGURA 05 – PRINCÍPIOS DE AUTOMAÇÃO 
 
 
 
FONTE: SILVA, 2003. 
 
 
Diante das opções de mercado existentes hoje, sugere-se que a escolha de 
um aparelho de automação passe por algumas avaliações como tipo de serviço que 
 
 
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 13 
o laboratório atende, a quantidade de exames realizados diariamente, necessidade 
de novos parâmetros hematológicos para atender necessidades clínicas (variações 
plaquetárias, contagem de reticulócitos, p.ex. ). Uma vez implantada, a automação 
deve obedecer a rigorosos protocolos, seja para manutenção, bem como para 
controle de qualidade com a utilização de calibradores e controles diários. 
 
 
2 HEMATOPOESE 
 
 
A hematopoese é um processo altamente dinâmico que compreende a 
produção, diferenciação, maturação e morte celular. Inicia-se na fase uterina, nos 
períodos embrionário e fetal, em que se identificam três fases: período mesoblástico, 
hepatoesplênico e mieloide. 
O período mesoblástico inicia-se entre a 3ª e 4ª semana de gestação e, a 
partir da camada germinativa mesoderma, formam-se as células sanguíneas 
primitivas - Stem Cell - e originam-se as células endoteliais primitivas que darão 
origem aos vasos sanguíneos. 
No período hepatoesplênico o fígado torna-se o principal sítio de 
desenvolvimento das células. O baço, o timo e os linfonodos também produzem 
células sanguíneas nessa fase. Aparecem inicialmente os glóbulos vermelhos, 
alguns megacariócitos e glóbulos brancos. 
Entre o 5º e o 7º mês de gestação a medula óssea assume a produção de 
células. É o período mieloide, em que encontramos na medula glóbulos brancos, 
glóbulos vermelhos, plaquetas e seus precursores. 
Na fase extrauterina, sendo a medula o principal sítio de produção de células 
sanguíneas, o fígado e o baço perdem a função produtiva e passam a participar do 
processo de destruição celular. 
Na criança, aproximadamente 90% dos ossos apresentam medula produtiva 
de células sanguíneas (medula vermelha). A partir do 4º ano de vida começam a 
aparecer depósitos de tecido adiposo nos ossos longos (medula amarela). No 
adulto, aproximadamente 50% dos ossos são produtores de células e, no idoso, 
aproximadamente 30%. 
 
 
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 14 
 
 
FIGURA 06 – DIFERENÇA DE MEDULA ÓSSEA DURANTE AS FASES DA VIDA 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor 
 
 
Em condições normais, a medula de um adulto é capaz de produzir 
centenas de bilhões de células por dia, entre eritrócitos, leucócitos e plaquetas. 
Todas essas células são derivadas da célula tronco denominada “Stem Cell” pluri 
ou totipotente, com potencial de proliferação e diferenciação, ou seja, com 
capacidade de se autorrenovar, produzindo células “filhas” com capacidade de 
diferenciação sendo mediado por fatores de crescimento e influenciado por 
microambientes medulares. A interação desses fatores com a Stem Cell leva à 
produção de Unidades Formadoras de Colônias - CFU - que vão dar origem a 
duas linhagens: mieloide e linfoide. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 15 
 
 
FIGURA 07 – LINHAGENS CELULARES - HEMATOPOESE 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
 
A medula óssea é constituída de vasos sanguíneos, proteínas, células 
adiposas, células endoteliais, fibroblastos, histiócitos. O suprimento de sangue é 
feito principalmente pela artéria nutriente que penetra no córtex medular pelo canal 
nutriente. Na cavidade medular, essa se bifurca nas artérias medulares ascendentes 
e descendentes, as quais se ramificam na face interna do córtex. Após a entrada na 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 16 
matriz medular, as artérias se transformam em uma rede de capilares que abastece 
as células hematopoéticas. Esses capilares desembocam então em um vaso central 
em que o sangue penetra no sistema venoso pelas veias emissárias. Nesse 
ambiente são produzidos fatores que estimulam a proliferação e diferenciação das 
células hematopoéticas. 4 
 
 
FIGURA 08 – ESPAÇO EXTRAVASCULAR 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
2.1 ERITROPOESE 
 
 
Como vimos anteriormente, toda a hematopoese se origina da “Stem Cell” 
pluri ou totipotente. Segundo Silva, 1999, “para que a eritropoese se desenvolva é 
necessário que ocorra a proliferação e diferenciação das células Stem Cell. A 
primeira com o sentido de que se forme a massa eritrocitária do corpo humano 
(Eritron), e a segunda com o sentido de maturação, a formação de uma célula 
repleta de hemoglobina e capaz de fazer a oxigenação dos tecidos”. 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 17 
 
FIGURA 09 – STEM CELL 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
 
Este conjunto de células eritrocitárias- eritron - deve ser mantido em número 
constante no organismo, por meio do equilíbrio entre a produção e destruição 
eritrocitária. 
O principal fator de crescimento para a linhagem eritrocitária é a Eritropoetina 
(EPO), um hormônio polipeptídico produzido pelo rim (90%) e fígado (10%), cuja 
produção é regulada pela pressão de oxigênio nos tecidos. Sua produção aumenta 
com a hipóxia tecidual e diminui com a heperventilação. Além da EPO, para uma 
eritropoese eficaz e completa são necessários fatores exógenos que participam da 
síntese de DNA e proliferação celular, como o ácido fólico e a vitamina B12, e que 
participam da maturação e hemoglobinização da célula, como o Ferro e a vitamina 
B6. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
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FIGURA 10 – FATOR DE CRESCIMENTO – ERITROPOETINA - EPO 
 
FONTE: Arquivo Pessoal do autor 
 
 
2.2 MORFOLOGIA DA LINHAGEM ERITROIDE 
 
 
BFU-E → Unidade formadora de colônias burst (inglês = explosão) está 
próxima à Stem Cell e é considerada a precursora da CFU-E. 
CFU-E → Estas células estão muito próximas aos eritroblastos. A CFU-E 
pode originar, em 5 a 8 dias, colônias de eritroblastos com 8 a 50 células. 
 
Pró-eritroblasto → É uma célula grande (14 a 19 µm de diâmetro), redondo ou 
oval, com núcleo grande ocupando 80% da célula, com nucléolos e cromatina 
frouxa, e um citoplasma intensamente basófilo. Nesse estágio de maturação, 
pequenas quantidades de hemoglobina estão presentes, porém não evidenciáveis 
pela coloração normal. É uma célula que se prepara para um período de intensa 
síntese de hemoglobina e, portanto exibe grande quantidade de organelas e 
moléculas com esta finalidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 19 
 
FIGURA 11 – PRÓ-ERITROBLASTO 
 
FONTE: Disponível em: <http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php>. Acesso em: 08 jul. 
2013. 
 
 
Eritroblasto basófilo → Similar, porém menor que o pró-eritroblasto (12 a 17 
µm de diâmetro), e os nucléolos nem sempre visíveis. Começa a condensação da 
cromatina nuclear. 
 
 
FIGURA 12 – ERITROBLASTO BASÓFILO 
 
FONTE: Disponível em: <http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php>. Acesso em: 08 jul. 2013. 
 
 
Eritroblasto policromático → A relação núcleo/citoplasma, diminui e aparecem 
as primeiras zonas de hemoglobinização na região perinuclear de cor acinzentada 
resultante da acidofilia da hemoglobina. 
 
 
http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 20 
 
FIGURA 13 – ERITROBLASTO POLICROMÁTICO 
 
FONTE: Disponível em: <http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php>. Acesso em: 08 jul. 
2013. 
 
 
Eritroblasto ortocromático → caracteriza-se pelo núcleo picnótico, geralmente 
excêntrico em que a cromatina atinge o máximo de condensação antes de ser 
expulso. O citoplasma é quase que completamente hemoglobinizado. 
 
 
FIGURA 14 – ERITROBLASTO ORTOCROMÁTICO 
 
FONTE: Disponível em: <http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php>. Acesso em: 08 jul. 
2013. 
 
 
 
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 21 
 
Reticulócito → A célula assume esta denominação após a expulsão do 
núcleo, mas mantém no citoplasma vestígios de RNA que precipitam nas colorações 
supravitais na forma de retículos ou grumos. Permanecem por 24 a 48 horas no 
sangue periférico até se transformarem em eritrócito. 
 
 
FIGURA 15 - RETICULÓCITO 
 
FONTE: Disponível em: <http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php>. Acesso em: 08 jul. 
2013. 
 
 
Eritrócito → É a célula mais madura da linhagem eritroide. Apresenta forma 
de disco bicôncavo de coloração alaranjada, com diâmetro entre 7 a 8 µm, não 
possui núcleo e é incapaz de sintetizar hemoglobina. Seu citoplasma é constituído 
de uma solução de proteínas, eletrólitos, glicose e água, sendo que mais de 95% da 
proteína é representada pela hemoglobina. Sua membrana é composta por 
proteínas, lipídios e carboidratos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 22 
 
FIGURA 16 – ERITRÓCITO 
 
FONTE: Disponível em: <http://emecolombia.foroactivo.com/t1029-quizz-virtual-histologia-iid-
medicina-yelin-stefany-parra-celis-cod-102102039-eritrocitos>. Acesso em: 08 jul. 2013. 
 
 
A vida média do eritrócito é de 120 dias. Nessa jornada a obtenção de 
energia se dá principalmente pela glicólise anaeróbica, já que não possui núcleo, 
ribossomos ou mitocôndrias. Após esse período, são retirados da circulação pelo 
sistema mononuclear fagocitário (especialmente o baço). Alterações no conteúdo 
proteico, seja estrutural ou quantitativa, podem acelerar a hemólise do eritrócito. 
 
 
2.2.1 Alterações morfológicas dos eritrócitos 
 
 
Em uma avaliação microscópica do esfregaço sanguíneo podemos observar 
alterações de tamanho, forma, coloração e de estrutura (inclusões) nos eritrócitos. 
 
 Alterações de tamanho: 
Os eritrócitos de tamanho normal (entre 81 e 97 fentolitros) são chamados 
de normócitos. Abaixo de 81 fentolitros são chamados de micrócitos e podem ser 
observadas em crianças, nas talassemias, nas anemias ferroprivas instaladas, 
nas anemias sideroblásticas e anemias de doenças crônicas. Acima de 97 
fentolitros são chamados de macrocíticos e podem ser observadas no 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 23 
alcoolismo, doenças hepáticas, anemias hemolíticas crônicas com aumento do 
número de reticulóticos ou na crise hemolítica. 
No hemograma, o índice que mede o tamanho médio dos eritrócitos e o 
VCM (volume corpuscular médio). A variação de tamanho das diversas 
populações de eritrócitos é dada pelo RDW (amplitude da dimensão de 
hemácias). Quando há uma grande variação no tamanho dos eritrócitos 
chamamos de anisocitose e o RDW estará aumentado. 
 
 Alterações de forma: 
Quando observamos a alteração da forma discoide do eritrócito 
chamamos de poiquilocitose. 
 
 Esferócitos → São células redondas, não apresentam o halo central e 
são menores que o eritrócito normal. Aparecem na esferocitose hereditária, 
anemias hemolíticas adquiridas e transfusões. 
 
 
FIGURA 17 – ESFERÓCITOS 
 
FONTE: Disponível em: <http://www.laborpad.xpg.com.br/hemato.htm>. Aceso em: 08 jul. 
2013. 
 
 
Eliptócitos e ovalócitos → São hemácias de formato elíptico ou oval. 
Aparecem em grande quantidade na eliptocitose hereditária, e podem aparecer 
na anemia ferropriva e anemia megaloblástica. 
http://www.laborpad.xpg.com.br/hemato.htm
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 24 
 
 
FIGURA 18 – ELIPTÓCITOS E OVALÓCITOS 
 
FONTE: Disponível em: 
<http://www.ciencianews.com.br/doencaeritro/Alteracoes%20Eritr.%20nos%20Defeitos%20Membrana
%20-%208/eliphere.htm>. Acesso em: 08 jul. 2013. 
 
 
Equinócito ou hemácias crenadas → Apresentam pequenos espículos ao 
redor da hemácia. Aparece na cirrose hepática pós-alcoolismo, estado de má 
absorção e deficiência de vitamina E, anemias hemolíticas. 
 
 
FIGURA 19 - EQUINÓCITO 
 
FONTE: Disponível em: 
<http://www.oocities.org/br/carolparada/hematologia/celulassangue1.htm>. Acesso em: 08 jul. 
2013. 
http://www.oocities.org/br/carolparada/hematologia/celulassangue1.htm
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 25 
 
 
Codócitos ou células em alvo → apresentam um halo central em forma de 
alvo e podem ser vistos em casos de talassemias, hemoglobinopatias. 
 
 
FIGURA 20 – CÉLULAS EM ALVO 
 
FONTE: Disponível em: 
<http://www.ciencianews.com.br/doencaeritro/Principais%20Alt.%20Morf%20eritr.%20-
%206/codocit.htm>. Acesso em: 08 jul. 2013. 
 
 
Esquizócitos → São células pequenas e fragmentadas que podem ser vistas 
na anemia hemolítica microangiopática, nas hemólises traumáticas e queimaduras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 26 
 
 
FIGURA 21 - ESQUIZÓCITOS 
 
FONTE: Disponível em: <http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Schizocyte_smear_2009-12-
22.JPG>. Acesso em: 08 jul. 2013. 
 
 
Drepanócitos →São células em forma de foice ou de meia-lua, decorrente da 
cristalização de hemoglobinas anormais, característica da anemia falciforme. 
 
 
FIGURA 22 – DREPANÓCITOSFONTE: Disponível em: <http://hemoglobinas.wordpress.com/2008/04/>. Acesso em: 08 jul. 
2013. 
http://hemoglobinas.wordpress.com/2008/04/
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 27 
 
Dacriócitos →São células em forma de gota ou de lágrima, encontradas na 
mielofibrose e em talassemias. 
 
 
FIGURA 23 – DACRIÓCITOS 
 
FONTE: Disponível em: <http://www.hemoglobinopatias.com.br/dialab/dialab-index.htm>. 
Acesso em: 08 jul. 2013. 
 
 
 Alteração de coloração: 
 
A intensidade da coloração da hemácia está relacionada à quantidade de 
hemoglobina nela contida. A hipocromia se caracteriza por um halo central maior e 
mais claro na hemácia com pouco conteúdo de hemoglobina. No hemograma, a 
hipocromia está correlacionada ao índice HCM. A policromasia ou policromatofia 
refere-se aos eritrócitos de coloração azul acinzentada devido à presença de RNA e 
correspondem aos reticulócitos, (identificados pela coloração supravital azul cresil 
brilhante). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 28 
 
 
FIGURA 24 – ALTERAÇÃO NA COR 
 
A - Hipocromia B - policromasia 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
 Alteração de estrutura: 
 
Ocorre quando se observa a presença de inclusões citoplasmáticas. 
 
Ponteado basófilo → São pequenas inclusões dispersas no citoplasma que 
correspondem a agregados de cromossomos e precipitados de mitocôndrias. Estão 
presentes nas talassemias, anemia megaloblástica, alcoolismo e intoxicação pelo 
chumbo e arsênico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 29 
 
 
FIGURA 25 – PONTEADO BASÓFILO 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor 
 
 
Corpúsculo de Howell-Jolly → São partículas remanescentes de cromatina 
nuclear (DNA) que se apresentam como pontos redondos e densos de coloração. 
Aparecem nas anemias megaloblásticas, após esplenectomia, e em anemias 
hemolíticas. Estas inclusões podem aparecer na forma de anel simples ou duplo (em 
forma de oito), denominados de Anéis de Cabot. 
 
 
FIGURA 26 – CORPÚSCULO DE HOWELL JOLLY (A) E ANEL DE CABOT (B). 
 B 
A B 
FONTE: Arquivo Pessoal do autor. 
 
 
 
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 30 
 
 
3 HEMOGLOBINA 
 
 
A hemoglobina é uma proteína contida no interior do eritrócito cuja função é 
de transportar o oxigênio para os tecidos, além de facilitar a excreção do gás 
carbônico. Sua estrutura molecular consiste em 4 cadeias de globinas (cadeias de 
aminoácidos reunidos por ligações peptídicas), e 4 grupos heme (grupo prostético 
ao qual está ligado o átomo de ferro que se liga ao oxigênio). 
Segundo Naoum (1997), “a molécula de hemoglobina é, portanto, um 
tetrâmero de cadeias de globina formada por duas cadeias de globina do tipo alfa e 
duas do tipo beta”. Daí, as combinações entre as diferentes globinas determinam os 
seis tipos de hemoglobinas humanas produzidas nas fases do desenvolvimento 
(embrionário, fetal e pós-nascimento). A síntese de determinado tipo de 
hemoglobina em cada uma destas fases visa a melhor adaptação e maior eficácia 
na atividade de transporte de oxigênio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 31 
 
 
FIGURA 27 – ESTRUTURA DA HEMOGLOBINA 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
 
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 32 
 
 
TABELA 01 - HEMOGLOBINAS HUMANAS DIFERENCIADAS PELAS 
COMBINAÇÕES DE CADEIAS DE GLOBINA, CONFORME A FASE DE 
DESENVOLVIMENTO 
 
FONTE: NAOUM, 1997. 
 
 
Síntese de Hemoglobina 
 
A síntese da heme realiza-se nas mitocôndrias dos eritroblastos, em que 
todas as enzimas necessárias se encontram presentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 33 
 
 
FIGURA 28 – SÍNTESE DO HEME 
 
FONTE: OLIVEIRA, 2003. 
 
 
A síntese da globina ocorre nos ribossomos e se dá segundo o esquema 
geral da síntese das proteínas. É iniciada pela expressão de genes estruturais 
herdados. 
 
Degradação da hemoglobina 
 
O eritrócito normal tem uma sobrevida média de 120 dias e morre por 
envelhecimento, devido ao fato da célula anucleada ser incapaz de renovar seu 
estoque de enzimas que se esgota lentamente. Após esse período, é retirado de 
circulação pelos macrófagos do sistema mononuclear fagocitário. Os estromas são 
decompostos no citoplasma dos macrófagos. A porção globina é degradada e os 
aminoácidos reaproveitados. A heme é clivada e o ferro reutilizado, sendo que os 
anéis pirrólicos são transformados em pigmentos, liberados no plasma na forma de 
bilirrubina, que se liga à albumina (bilirrubina indireta). No fígado, é conjugada com 
ácido glicurônico (bilirrubina direta). Parte desta bilirrubina direta é eliminada nas 
 
 
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 34 
fezes na forma de estercobilinogênio, e o restante é reabsorvido e eliminado pelos 
rins como urobilinogênio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO I 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 35 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
HEMATOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
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 36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
HEMATOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
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 37 
 
 
MÓDULO II 
 
 
4 ANEMIAS 
 
 
Podemos definir anemia como sendo a diminuição da hemoglobina circulante 
abaixo dos valores normais, levando-se em consideração a faixa etária e o sexo. 
Quando pobre em hemoglobina e eritrócitos, o sangue anêmico mostra-se 
descorado, com baixa viscosidade e incapaz de carrear oxigênio com a devida 
eficácia. Isso leva a uma deficiência de suprimento de oxigênio para os tecidos do 
organismo. Dessa alteração, e das reações homeostásicas compensadoras, 
decorrem sinais e sintomas de anemia tais como: palidez, anorexia, náuseas, 
irritabilidade, cefaleia, tontura, insônia, fadigabilidade, entre outros. 
A anemia sempre resulta de um desequilíbrio entre a produção e a destruição 
de glóbulos vermelhos. As anemias decorrentes da produção insuficiente da medula 
são denominadas arregenerativas, enquanto que as anemias decorrentes da 
destruição acelerada das hemácias são ditas regenerativas, uma vez que a medula 
estimulada pelo aumento de produção de eritropoetina devido à hipóxia sofre 
hiperplasia eritrocitária compensadora com produção aumentada de reticulócitos. 
 
 
FIGURA 29 - ANEMIA 
 
FONTE: Arquivo Pessoal do Autor 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 38 
 
 
Para o laboratório de análises clínicas o diagnóstico baseia-se na 
interpretação dos valores das contagens corpusculares associada a alterações 
morfológicas dos eritrócitos. Assim, quando observamos no hemograma variações 
dos índices VCM (Volume Corpuscular Médio), HCM (Hemoglobina Corpuscular 
Média), RDW (Amplitude da Dimensão de Hemácias). Além do hematócrito e 
hemoglobina, é possível chegar a uma classificação morfológica da anemia. 
 
 
4.1 CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS 
 
 
Morfologicamente para fins de diagnóstico laboratorial podemos classificar as 
anemias em: normocíticas e normocrômicas, microcíticas e hipocrômicas, e em 
macrocíticas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 39 
 
 
FIGURA 30 – CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DAS ANEMIAS 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
 
4.2 CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DAS ANEMIAS 
 
 
Levando-se em consideração aspectos fisiológicos, as anemias podem ser 
classificadas, de acordo com sua causa principal, em: 
 
1- Hemorrágicas; 
2- Hemolíticas; 
3- Hipoproliferativas.AN02FREV001/REV 4.0 
 40 
 
 
4.2.1 Anemias Hemorrágicas 
 
 
-Agudas → hemorragias por traumatismos, grandes cirurgias. São 
geralmente normocíticas e normocrômicas. 
-Crônicas → Perda lenta e constante de sangue, geralmente por lesões 
ulcerativas do tubo gastrointestinal e distúrbios ginecológicos. Quando não tratadas 
podem se tornar microcíticas e hipocrômicas porque se instala uma deficiência de 
ferro. 
 
 
4.2.2 Anemias Hemolíticas 
 
 
A hemólise é a diminuição da sobrevida dos eritrócitos (120 dias) anormais 
ou alterados, que conduz a uma destruição diária aumentada. As anemias 
hemolíticas podem ser: 
 
-Genéticas: 
→ Defeitos de membrana = esferocitose, eliptocitose; 
→ Enzimopatias = deficiência de G-6PD e piruvatoquinase; 
→ Hemoglobinopatias = Anemia falciforme, talassemia, hemoglobinas 
instáveis. 
 
-Adquiridas: 
→ Mediada por anticorpos: 
- Doença hemolítica do recém-nascido; 
- Anemia hemolítica autoimune; 
- Reações transfusionais. 
→ Hemólise Mecânica = microangiopática, próteses valvares. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 41 
→Infecções = malária, pneumonia pneumocócica, bartonela, clostridum 
welchii. 
→ Agentes físicos = queimaduras. 
→ Agentes químicos = intoxicação por metais pesados. 
→ Hemoglobinúria paroxística noturna. 
 
 
4.2.3 Anemias Hipoproliferativas 
 
 
São anemias decorrentes de uma eritropoese ineficaz, devido à: 
 
- Deficiência nutricional → deficiência de ferro, ácido fólico ou vitamina 
B12; 
- Requerimentos aumentados → gravidez (deficiência de ferro, folato ou 
B12); 
- Insuficiência da medula óssea → infiltração maligna, infecções, drogas. 
 
 
4.3 ANEMIAS HEMOLÍTICAS POR DEFEITO DE MEMBRANA 
 
 
Esferocitose hereditária → É uma doença autossômica dominante em que o 
defeito está nas proteínas que participam da interação vertical: espectrina, proteína 
4.1, anquirina e proteína de banda 3. Esse defeito, pela redução da superfície da 
membrana, leva à formação do esferócito, que é destruído precocemente no baço. O 
CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) pode chegar a mais de 
40. O reticulócito está entre 5% a 25%. Na avaliação morfológica eritrocitária 
podemos encontrar policromasia, poiquilocitose, anisocitose, esferócitos e 
eritroblastos. Há um aumento da bilirrubina indireta. O diagnóstico pode ser 
confirmado pelo teste de fragilidade osmótica (aumentada) e eletroforese de 
proteínas de membrana. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 42 
Eliptocitose hereditária → O defeito está na interação horizontal da 
membrana e especificamente nos dímeros, alfa e beta da espectrina. A hemólise é 
discreta, levando a um aumento da bilirrubina indireta e da contagem de 
reticulócitos. Na morfologia eritrocitária mais de 25% dos eritrócitos estão na forma 
elíptica. 
 
 
4.4 ANEMIAS HEMOLÍTICAS - ENZIMOPATIAS 
 
 
Deficiência de Glicose-6-fosfatodesidrogenase (G-6PD) → É uma doença 
hereditária ligada ao sexo (cromossomo X). A hemólise ocorre porque, na deficiência 
de G-6PD, a hemoglobina de oxida, a heme se libera da globina e essa se desnatura 
formando corpos de Heinz, os quais ocasionam uma rigidez da membrana, e esses 
eritrócitos serão hemolisados na microcirculação esplênica. Os episódios de 
hemólise podem ser desencadeados por processos infecciosos, diabetes e pela 
exposição a agentes e drogas oxidantes. O diagnóstico pode ser confirmado por 
dosagem de G-6PD e pesquisa de corpos de Heinz. 
Deficiência de piruvatoquinase (PK) → É uma doença hereditária 
autossômica recessiva que resulta numa deficiente produção de ATP. A hemólise é 
crônica, normocítica e normocrônica. 
 
 
4.5 ANEMIA HEMOLÍTICA - HEMOGLOBINOPATIAS 
 
 
Anemia falciforme → A hemoglobinopatia S (sickle cell disease) é resultado 
de uma mutação da cadeia beta da globina, com a troca do aminoácido ácido 
glutâmico pelo aminoácido valina, que resulta na formação de uma hemoglobina 
anormal HbS. Esta troca de aminoácido abala a estrutura da molécula favorecendo a 
polimerização e a formação de tactoides, sob condições de baixo teor de oxigênio ou 
baixo pH. Os tactoides são rígidos e cristais capazes de deformar o eritrócito, 
fazendo com que o mesmo assuma a forma de foice e consequente hemólise. Esse 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 43 
processo é reversível com a reoxigenação. Pacientes homozigotos (HbS/HbS) 
desenvolvem a doença falciforme, enquanto os pacientes heterozigotos (HbS/HbA) 
apresentam o estigma ou traço falcêmico sem alterações clínicas evidentes. Os 
achados laboratoriais são: diminuição da concentração de hemoglobina; VCM 
variando de microcítico a macrocítico; HCM e CHCM com valores baixos; 
reticulocitose, policromasia, poiquilocitose; presença de eritroblastos, ponteado 
basófilo e drepanócitos (hemácias em foice). O diagnóstico é confirmado pelo teste 
de falcização e pela eletroforese de hemoglobina. 
Hemoglobinopatia C → É resultado de uma mutação na cadeia beta da 
globina, com a troca do aminoácido ácido glutâmico pelo aminoácido lisina. A 
consequência dessa mutação é a cristalização da hemoglobina na parte central do 
eritrócito, caracterizando a célula em alvo. O diagnóstico é feito pela eletroforese de 
hemoglobina que mostrará bandas na posição de A1 e C. A anemia quando 
presente é geralmente normocítica e normocrômica e o achado característico na 
extensão sanguínea é o codócito. 
Talassemias → A talassemia é uma hemoglobinopatia devido à falta ou 
produção insuficiente de cadeias de globina. Portanto, é a quantidade que interfere 
na função da hemoglobina e não a qualidade, a qual está preservada. Quando isso 
ocorre nas cadeias do tipo alfa, têm-se as alfas talassemias, e quando ocorre nas 
cadeias do tipo beta têm-se as betas talassemias. Como se vê, a classificação das 
talassemias se dá de acordo com a cadeia polipeptídica afetada. Assim, as alfas 
talassemias ocorrem por deleções que envolvem os genes alfa e mutações (não 
deleções) que afetam a expressão do gene. 
As alfas talassemias podem ter manifestações clínicas severas ou serem 
assintomáticas, e são classificadas em: 
 
- Hidropisia fetal: 
→ Hemoglobina de 4 a 10,0 g/dl 
→ Anisopoiquilocitose +++ 
→ Microcitose +++ 
→ Presença de eritroblastos 
→ Reticulocitose variável 
→ Hb Bart’s 80% 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 44 
→ Hb Portland 20% 
→ HbH não detectado 
- Doença de hemoglobina H: 
→ Hemoglobina de 7 a 10,0 g/dl 
→ Microcitose +++ 
→ Hipocromia +++ 
→ Reticulócitos de 5% a 10% 
- Alfa talassemia minor: 
→ Anemia discreta, se presente, 
→ Anisopoiquilocitose variável 
→ Microcitose em torno de 72 fentolitros 
→ Hipocromia com HCM em torno de 22 picogramas 
→ CHCM em torno de 31 
- Portador silencioso: 
→Sem características clínicas e laboratoriais de anemia por deficiência de 
síntese de cadeia alfa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 45 
 
 
TABELA 02 – CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E HEMATOLÓGICAS DAS ALFAS 
TALASSEMIAS 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
 
As betas talassemias ocorrem pela deficiência de produção de cadeia beta, 
e podem ser: 
- Talassemia beta homozigótica (Major) 
→ A beta talassemia major é a forma mais severa com intensa microcitose e 
hipocromia. A morfologia eritrocitária apresenta ainda poiquilocitose intensa, 
anisocitose, células em alvo, policromasia, ponteado basófilo e eritroblastos. Divide-
se em: Beta+Beta+ (deficiência acentuada da produção de cadeias beta) e 
Beta0Beta0 (Ausência de produção de cadeias beta) 
- Talassemia beta heterozigótica (Minor) 
→ A beta talassemia minor apresenta manifestações clínicas discretas ou 
são assintomáticas. A concentração de hemoglobina está acima de 10,0 g/dl e 
podem apresentar na extensão sanguínea hipocromia, microcitose, codócitos e 
ponteado basófilo. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 46 
 
 
TABELA 03 – CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E HEMATOLÓGICAS 
DAS BETA TALASSEMIAS 
 
FONTE: SILVA, 1999.Hemoglobinúria paroxística noturna → É uma doença hemolítica 
adquirida causada por um defeito estrutural da membrana celular eritroide resultante 
de um clone anormal da Stem cell, onde os glóbulos vermelhos passam a ter maior 
sensibilidade ao complemento, o que leva à hemólise. Esta hemólise acontece 
principalmente à noite, quando há um decréscimo de pH sanguíneo durante o sono. 
Pode haver anemia severa com hemoglobina em torno de 6 g/dl. Ocorre 
hemoglobinúria, perda de ferro sob a forma de hemossiderina. Pode-se observar ao 
esfregaço sanguíneo macro ou microcitose, hipocromia, policromasia. Apresenta 
reticulocitose, leucopenia e trombocitopenia. O teste de HAM é utilizado para se 
verificar a sensibilidade das hemácias ao complemento em soro acidificado. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 47 
 
 
4.6 ANEMIAS HEMOLÍTICAS IMUNOLÓGICAS 
 
 
Autoimunes → Ocorre quando o sistema imunológico do paciente deixa de 
reconhecer os seus próprios antígenos e passa a formar anticorpos dirigidos às suas 
próprias células ou tecidos. Cerca de 70% dessas anemias são secundárias a 
doenças como: lupus, eritematoso sistêmico, leucemia linfocítica crônica, linfomas, 
tumores, infecções virais e síndromes de imunodeficiência. O teste de COOMBS 
direto é positivo. 
Isoanticorpos → Estão relacionados à doença hemolítica do recém-nascido 
e com as reações hemolíticas transfusionais. 
Provocados por drogas → Formação de microcomplexos que interagem 
com a membrana eritrocitária causando hemólise. O teste de COOMBS direto é 
positivo. 
 
 
4.7 ANEMIAS HIPOPROLIFERATIVAS CARÊNCIAIS 
 
 
Anemia megaloblástica → É uma anemia macrocítica não hemolítica 
decorrente da deficiência dos fatores de reprodução da eritropoese, especificamente 
pela falta de vitamina B12 e folato. Na extensão sanguínea podem-se observar 
neutrófilos hipersegmentados. 
Deficiência de vitamina B12: 
- Dieta inadequada; 
- Deficiência do fator intrínseco – anemia perniciosa e gastrectomia; 
- Doença intestinal: linfoma, crescimento bacteriano no intestino 
delgado; 
- Gravidez. 
 
Deficiência de ácido fólico: 
 
 
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 48 
- Alcoolismo; 
- Crescimento na infância sem dieta adequada; 
- Doença intestinal; 
- Gestação; 
- Hematopoese marcadamente aumentada (anemia hemolítica); 
Drogas que causam anemia megaloblástica: 
- AZT; 
- Hidroxiureia; 
- Fenitoína; 
- Fenobarbital; 
- Aciclovir; 
- Trimetropim; 
- Anticoncepcionais orais; 
- Anticonvulsivantes. 
 
Anemia Ferropriva → É a doença hematológica mais frequente e decorre 
da deficiência de ferro no organismo causada por: 
- Perda de sangue crônica (adulto); 
- Ingestão inadequada (crianças); 
- Requerimento aumentado (gestação); 
- Deficiência de transporte e/ou absorção de ferro; 
- Verminoses. 
A anemia se instala após a depleção progressiva dos estoques de ferro no 
organismo. Quando inicia a deficiência de ferro, o estoque de ferro do depósito é 
utilizado e começa a diminuir. Diminui também a ferritina plasmática. Progredindo a 
ingestão deficiente de ferro ou o excesso de perda, a hemoglobinização do eritrócito 
é comprometida levando a um estado de hipóxia, que estimula a produção de 
eritropoetina. Os precursores eritroides são estimulados e há um aumento das 
divisões mitóticas (microcitose). Com o departamento de maturação deficiente 
ocorre uma hemoglobinização anormal do eritrócito, com baixo conteúdo de 
hemoglobina (hipocromia). A anemia ferropriva instalada apresenta ferro sérico 
diminuído, capacidade de transporte aumentada, índice de saturação diminuído e 
ferritina diminuída. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 49 
 
Anemia sideroblástica → É causada por um defeito na utilização do átomo 
de ferro e na produção do grupo heme. Pode ser: 
- Congênita → ligada ao sexo; 
- Adquirida→ secundárias às drogas (cloranfenicol, isoniasida) e 
elementos químicos como chumbo e cobre. Esses agentes interferem na síntese da 
heme; 
A anemia sideroblástica caracteriza-se por apresentar depósitos de grânulos 
de ferro dispostos ao redor do núcleo dos eritroblastos e dos eritrócitos. São 
evidenciados pela coloração com azul da Prússia, caracterizando sideroblastos em 
anel (eritroblastos) e siderócitos (eritrócitos). No hemograma encontramos redução 
da concentração de hemoglobina, VCM < 80, HCM e CHCM diminuído, anisocitose, 
poiquilocitose, microcitose, hipocromia e ponteado basófilo. Ferro sérico, o índice de 
saturação e ferretina estão aumentados. Dupla população eritrocitária, 
caracterizando um dimorfismo celular no histograma eritrocitário. 
 
Anemia de doenças crônicas → É secundária a uma doença crônica: 
processos infecciosos, inflamatórios e doenças malignas. A anemia se instala por 
distúrbio no metabolismo do ferro. É uma anemia microcítica e hipocrômica, com o 
nível de hemoglobina entre 7 a 11,0 g/dl. No hemograma encontramos VCM e HCM 
reduzidos, micrócitos, hipocromia com anisocitose e poiquilocitose. O ferro sérico 
está diminuído, a capacidade de transporte normal, o índice de saturação normal e a 
ferritina normal ou elevada. 
 
 
4.8 ANEMIA APLÁSTICA OU APLASIA MEDULAR 
 
 
Ocorre pela alteração da Stem cell ou dos fatores reguladores da 
hematopoese. É caracterizada pela pancitopenia ou diminuição nas três linhagens 
de células produzidas na medula óssea. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 50 
- Aplasia de medula adquirida: induzida por agentes químicos e físicos, 
radiações, infecções e idiopáticas. 
- Aplasia de medula constitucional: anemia de Fanconi. 
 
 
5 LEUCÓCITOS 
 
 
Como vimos anteriormente, a Stem cell, por ação de fatores de crescimento, 
dá origem a todas as demais células sanguíneas, obedecendo a um sistema 
hierárquico de maturação. 
 
 
FIGURA 31 – LEUCOGÊNESE 
 
FONTE: SILVA, 2003. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 51 
 
 
5.1 LEUCÓCITOS POLIMORFONUCLEARES (GRANULÓCITOS) 
 
 
Morfologia 
 
 
Os polimorfonucleares compreendem os granulócitos: neutrófilos, eosinófilos 
e basófilos. A medula produz em média 20 a 30 x 109 polimorfonucleares por dia. O 
que permite a diferenciação entre os polimorfonucleares são as granulações 
secundárias formadas a partir do estágio de mielócito. Sem elas, os granulócitos 
apresentam o mesmo padrão morfológico. As células progenitoras dos 
polimorfonucleares ficam no estroma da medula e, à medida que elas maturam, 
deixam o estroma e ganham os sinusoides. Assim, as precursoras e as células 
normalmente encontradas na medula e sangue periférico são sucessivamente: 
mieloblastos, promieloblastos, mielócitos, metamielócitos, bastonetes e 
polimorfonucleares (segmentado, eosinófilo, basófilo), que apresentam padrões 
similares de proliferação, diferenciação, maturação, armazenamento na medula 
óssea e liberação para o sangue periférico. 
 
Mieloblastos → Esse termo descreve uma célula imatura típica de medula 
óssea, de forma arredondada, citoplasma escasso com uma basofilia discreta ou 
moderada, sem granulações, exceto no LMA, em que podem apresentar 
granulações primárias. O núcleo é arredondado ou oval com cromatina fina e 
reticulada. Os nucléolos geralmente estão presentes em número de até 5. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 52 
 
 
FIGURA 32 - MIELOBLASTO 
 
FONTE: Disponível em: <http://www.flickr.com/photos/36923984@N05/3403674682/>. Acesso 
em: 09 jul. 2013. 
 
 
Promielócito → Tem como característica o aparecimento de uma granulação 
fina azurófila e inespecífica seguida de uma granulação específica mais grosseira, 
inclusive por sobre o núcleo. Os nucléolos são evidentes no início desta fase, 
ficando menos proeminentes à medida que a célula se desenvolve. 
 
 
FIGURA 33 – PRÓ-MIELÓCITO 
 
FONTE: Disponível em: <http://bioinfo-aula.blogspot.com.br/2007/12/citomorfologia-de-clulas-
sanguneas.html>. Acesso em: 09 jul. 2013. 
 
 
Mielócito → Nesse estágio é definida a característica do neutrófilo,ou seja, 
aparecem as granulações secundárias que vão caracterizar a célula como neutrófilo, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 53 
basófilo ou eosinófilo. O núcleo é geralmente excêntrico, redondo ou ovalado, e o 
nucléolo não é mais visível. 
 
 
FIGURA 34 - MIELÓCITO 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
Metamielócito → Nessa fase, a célula não é mais capaz de se dividir. Os 
nucléolos não podem ser vistos indicando o fim da síntese de DNA. O núcleo 
apresenta-se ovalado com uma reentrância (chanfradura). 
 
 
FIGURA 35 – METAMIELÓCITO 
 
FONTE: Disponível em: <http://aleksandrobio.webnode.com.br/album/galeria-de-
imagens/metamielocito-jpg1/>. Acesso em: 09 jul. 2013. 
 
 
 
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 54 
Bastonete (bastão) → A condensação da cromatina é intensa e o núcleo assume 
a forma de um bastão uniforme. 
 
 
FIGURA 36 – BASTONETE 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
Segmentado → apresenta constrições nucleares, unidas por filamentos de 
cromatina, que formam dois ou mais lóbulos nucleares. 
 
 
FIGURA 37 - SEGMENTADOS 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
As granulações citoplasmáticas secundárias presentes nestas últimas fases 
de maturação dos polimorfonucleares coram-se tanto pelo azul de metileno como 
pela eosina. O nome de cada célula corresponde ao fato das granulações serem 
neutras (neutrófilos), corar pela eosina (eosinófilos) ou azul de metileno (basófilo). 
 
 
 
 
 
 
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 55 
 
 
5.1.1 Cinética e função dos polimorfonucleares (granulócitos) 
 
 
5.1.1.1 Neutrófilos 
 
 
A cinética dos neutrófilos diz respeito aos processos que vão desde a sua 
produção pela medula óssea, até seu consumo nos tecidos. São identificados três 
compartimentos. 
 
a- Medula óssea, onde se observa um equilíbrio entre Stem cell, células 
mitóticas e células maduras, ou seja, as células que amadurecem e abandonam este 
compartimento são substituídas pela divisão de outras células do compartimento; 
b- Sangue periférico →Nem todos os neutrófilos que estão nos vasos 
estão circulando. Aqui temos dois subcompartimentos: o circulante composto de 
segmentados e bastonetes (que são os neutrófilos contados quando da realização 
do hemograma), e o marginal formado por neutrófilos aderidos às paredes 
vasculares, e que entram imediatamente em circulação em função das 
necessidades. O exercício e a adrenalina mobilizam os neutrófilos do compartimento 
marginal para o compartimento circulante alterando o leucograma. 
c- Tecidos, para onde os neutrófilos migram para exercerem suas 
funções. 
 
Função dos neutrófilos→ Por meio de suas propriedades de motilidade, 
quimiotaxia, ação bactericida e digestão, os neutrófilos têm como principal função a 
fagocitose de corpos estranhos e bactérias, além de participar dos processos 
inflamatórios. 
 
Destino dos neutrófilos→ Em condições normais, o tempo de maturação do 
mieloblasto até o segmentado é de 4 a 6 dias. No sangue periférico, os neutrófilos 
circulam em torno de 7 horas. Daí, ou são destruídos, ou migram para os tecidos. 
 
 
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 56 
Uma vez nos tecidos estas células nunca voltam ao sangue. Efetuam suas funções 
de fagocitose e são destruídos no local ou nos gânglios pelas células reticulares. 
 
Alteração no número de neutrófilos 
 
Neutrofilias ( ) 
 
 Fisiológicas→ exercícios físicos, estresse, gravidez, recém-nascidos. 
 Não fisiológicas→ infecções bacterianas agudas, inflamações agudas 
sem infecções (cirurgias, queimaduras, infartos, artrite reumatoide, vasculite), 
hemorragias e hemólises agudas, doenças mieloproliferativas (LMC, policitemia 
Vera, mielofibrose), cânceres (carcinoma, linfoma, melanoma), alterações 
metabólicas (uremia, acidose diabética). 
 
Neutropenias ( ) → processos infecciosos graves(depleção dos neutrófilos 
da medula óssea), infecções virais em geral, protozoárias e fúngicas, drogas, fatores 
nutricionais e causas imunológicas. 
 
 
5.1.1.2 Eosinófilos 
 
 
Os eosinófilos são um pouco maiores que os neutrófilos e são diferenciados 
dos neutrófilos e dos basófilos pelas granulações secundárias grosseiras e 
alaranjadas, cuja produção inicia-se no estágio de mielócito. Estas granulações 
contêm enzimas do tipo peroxidases, fosfatase ácida, fosfolipases e principalmente 
histaminases. Estas últimas conferem a principal função dos eosinófilos de 
modulação das reações imunológicas de hipersensibilidade. Além disso, apresentam 
grande afinidade pelos anticorpos do tipo IgE que recobrem os parasitas. Por meio 
destes anticorpos eles aderem à superfície dos parasitas e liberam, através da 
degranulação, proteínas citotóxicas. 
Os eosinófilos maduros circulam no sangue por 8 horas e migram para os 
tecidos (pele, mucosas do trato respiratório e trato intestinal) onde permanecem 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 57 
aproximadamente 12 dias. 
As causas de aumento dos eosinófilos (Eosinofilia) são: parasitoses (90%), 
reações alérgicas e uso de certos medicamentos (nitrofurantoína, sulfonamidas). 
A diminuição dos eosinófilos (Eosinopenia) aparece em doenças 
mieloproliferativas, utilização de glicorticoides. A ausência de eosinófilos em 
infecções graves demonstra o estado de estresse do organismo (prognóstico ruim). 
 
 
FIGURA 38 – EOSINÓFILO 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
5.1.1.3 Basófilos 
 
 
Os basófilos são encontrados em pequena quantidade no sangue periférico 
(0 a 1%) e circulam por algumas horas e migram aos tecidos. São facilmente 
identificados pelos grânulos grosseiros azuis escuros, muitas vezes, sobre o núcleo, 
ricos em histamina e heparina. São mediadores do processo inflamatório e das 
reações alérgicas, quando estão aumentados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 58 
 
 
FIGURA 39 - BASÓFILOS 
 
FONTE: Arquivo Pessoal do autor. 
 
 
Os mastócitos tissulares são células semelhantes aos basófilos, com a 
mesma função, porém não possuem a mesma origem. Os mastócitos se originam da 
linhagem dos monócitos e macrófagos. 
 
 
5.2 LEUCÓCITOS MONONUCLEARES 
 
 
5.2.1 Linfócitos 
 
 
O sistema linfoide é constituído por órgãos linfoides primários e secundários 
que estão envolvidos na produção de um determinado grupo de células que 
desempenham a mesma função: o fenômeno da imunização. O timo e a medula 
óssea são órgãos linfoides primários envolvidos com a diferenciação dos linfócitos a 
partir de precursores imaturos. No timo ocorre a diferenciação dos linfócitos T (timo-
dependente) e, na medula, a diferenciação dos linfócitos B (bolsa-dependente). 
Posteriormente, estes linfócitos imunocompetentes se dirigem aos órgãos linfoides 
secundários (linfonodos, baço, placas de Peyer no intestino e as amígdalas) onde 
passam por uma diferenciação final e proliferam a partir de antígenos específicos. 
Os linfócitos são células com núcleo denso e nucléolo (raramente 
visualizados), e citoplasma pouco abundante contendo poucas organelas, de 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 59 
coloração basófila. Os subtipos de linfócitos T e B não podem ser diferenciados 
morfologicamente pelo esfregaço de sangue. 
 
 
FIGURA 40 – LINFÓCITOS 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
Os linfócitos T consistem 75% dos linfócitos do sangue e estão relacionados 
com a imunidade mediada por células (rejeição de enxertos, organismos 
intracelulares, células tumorais e reações de hipersensibilidade tardia). 
Os linfócitos B atuam na imunidade humoral. Quando estimulados por 
antígenos se diferenciam em plasmócitos, que são células secretoras de anticorpos 
específicos. Os linfócitos em estágio de maturação entre os linfócitos B e os 
plasmócitos são denominados linfócitos atípicos e podem ser vistos no sangue 
periférico de pacientes com mononucleose infecciosa e outras viroses. 
 
 
FIGURA 41 – LINFÓCITO ATÍPICO 
 
FONTE: Disponível em: <http://oqueeh.com.br/linfocitos-atipicos>.Acesso em: 09 jul. 2013. 
 
 
A linfocitose ocorre nas infecções virais, principalmente mononucleose 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 60 
infecciosa, hepatite, citomegalovírus. 
A linfopenia está presente nas infecções agudas, stress agudo 
(queimaduras, traumas), síndromes de imunodeficiência, administração de 
corticoides e quimioterapia. 
 
 
5.2.2 Monócitos 
 
 
O monócito é a maior célula circulante. Apresenta um núcleo irregular, em 
forma de rim, com cromatina exibindo aspecto reticular. O citoplasma contém finas 
granulações azurófilas e grânulos ricos em esterase. O monócito tem origem 
medular e constitui uma série própria (monoblastos, promonócitos, monócitos e 
macrófagos), porém muito próxima da série granulocítica. Permanece no sangue 
cerca de 8 horas e sai em direção aos tecidos onde evolui dando origem ao 
macrófago. Como componente do sistema mononuclear fagocitário (anteriormente 
chamado de sistema retículo endotelial) tem como funções: a remoção de células 
mortas, senescentes, estranhas ou alteradas, remoção de partículas estranhas, 
destruição de micro-organismos e células tumorais, e, principalmente, participar da 
imunidade humoral e celular como célula apresentadora de antígenos aos linfócitos 
T. 
A monocitose pode aparecer principalmente em estados de recuperação de 
infecções agudas (bom prognóstico), infecções crônicas, processos inflamatórios 
como lúpus eritematoso e artrite reumatoide. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 61 
 
 
FIGURA 42 - MONÓCITO 
 
FONTE: Disponível em: <http://www.medicinapreventiva.com.ve/laboratorio/globulos_blancos.htm>. 
Acesso em: 09 jul. 2013. 
 
 
5.3 ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DOS LEUCÓCITOS 
 
 
Anomalia de Pelger-Huet → Caracteriza-se por uma diminuição na 
segmentação do núcleo dos granulócitos dando ao leucograma a falsa impressão de 
um desvio à esquerda. A forma congênita é benigna, autossômica dominante. A 
forma adquirida (Pseudo Pelger-Huet) está geralmente associada à quimioterapia. 
 
 
FIGURA 43 – ANOMALIA DE PELGER-HUET 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
Anomalia de Alder-Reilly → Anomalia autossômica recessiva, encontrada 
em diversas síndromes, caracterizada pela presença de grânulos vermelho-escuros, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 62 
semelhantes às granulações tóxicas. 
 
 
FIGURA 44 – ANOMALIA DE ALDER-REILLY 
 
FONTE: Disponível em: 
<http://s532.photobucket.com/user/mccabej3/media/WBCS/AlgerRiely.jpg.html>. Acesso em: 09 jul. 
2013. 
 
 
Anomalia de Chediak-Higashi → Anomalia autossômica recessiva, pouco 
frequente, que se caracteriza pela presença de grânulos gigantescos no citoplasma, 
que alteram a quimiotaxia e ação bacteriana dos neutrófilos, aumentando a 
suscetibilidade às infecções bacterianas. 
 
 
FIGURA 45 – ANOMALIA DE CHEDIAK-HIGASHI 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
Anomalia de May-Hegglin → Caracteriza-se pela presença de granulações 
ribossomais grandes acinzentadas no citoplasma, um pouco maiores que o 
corpúsculo de Döhle. 
 
 
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 63 
 
 
 
FIGURA 46 – ANOMALIA DE MAY-HEGGLIN 
 
FONTE: Disponível em: <http://www.uab.es/uabdivulga/cast/avances/2005/plaquetes0105.htm>. 
Acesso em: 09 jul. 2013. 
 
 
5.4 REAÇÃO LEUCEMOIDE 
 
 
É um aumento exagerado dos glóbulos brancos, reacional e consequente a 
um processo infeccioso, que se corrige com a erradicação da infecção, e não deve 
ser confundido com reações leucêmicas, típicas da leucemia mieloide crônica. 
 
Etapas do hemograma infeccioso 
 
1- Leucocitose, sem desvio à esquerda, sem granulação grosseira. 
2- Leucocitose, com desvio à esquerda até bastão, com granulação 
grosseira. 
3- Leucocitose mais intensa, com desvio à esquerda até mielócito, com 
granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos. 
4- Leucocitose intensa, com desvio à esquerda até promielócito, raros 
blastos, com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, 
corpos de Döhle. 
 
 
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 64 
5- Leucocitose mais intensa, com desvio à esquerda até blasto, com 
granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos de Döhle, 
esquizócitos, hemácias fragmentadas. 
6- Queda da leucometria, com desvio à esquerda até blasto, com corpos 
de Döhle, esquizócitos, 
7- Falência múltipla hemácias fragmentadas. 
8- Queda de leucometria, neutropenia, com desvio à esquerda até blasto, 
com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos de 
Döhle, esquizócitos, hemácias fragmentadas. 
9- Septicemiade órgãos, insuficiência renal, hemorragia. 
 
 
6 NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS 
 
 
Em condições normais, as células sanguíneas estão sob estrito controle do 
organismo, podendo sofrer, a qualquer momento, alterações em quantidade e 
qualidade, como forma de reação a estímulos externos e de adequação a situações 
adversas. Segundo Brum (2003), essas flutuações, motivadas por estímulos 
diversos, são chamadas alterações reacionais. Entretanto, como qualquer outra 
célula do organismo vivo, as células sanguíneas podem sofrer reações que 
provocam alterações malignas, e que são denominadas neoplasias. Portanto, as 
células cancerosas diferem das normais por não mais responderem aos 
mecanismos de controle do organismo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 65 
 
 
FIGURA 47 – NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
6.1 SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS 
 
 
FIGURA 48 – SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS 
 
Fonte: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
6.1.1 Leucemia Mieloide Crônica 
 
 
Leucemia caracterizada pela proliferação e diferenciação descontrolada de 
células leucêmicas, decorrente da ação de um cromossomo alterado (cromossomo 
Philadelfia) que resulta na codificação de uma proteína com atividade tirosina 
quinase aumentada. A doença apresenta uma fase crônica com hiperleucocitose 
que pode evoluir para uma fase blástica fatal (crise blástica) com fibrose medular. É 
rara na criança, acometendo adultos jovens. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 66 
No hemograma, encontramos hiperleucocitose (entre 100 a 300.000/µl), com 
pseudodesvio à esquerda, pois aparecem células jovens sem ordem de maturação. 
A predominância é de neutrófilos e mielócitos. As plaquetas e basófilos podem estar 
aumentadas. Ocorre hiperuricemia e, ao exame clínico, observa-se esplenomegalia. 
Na fase maligna ou crise blástica ocorre pancitopenia com presença de blastos no 
sangue periférico. 
 
 
6.1.2 Metaplasia Mieloide Agnogênica (mielofibrose) 
 
 
Aspectos Laboratoriais: presença de precursores mieloides e eritroides, 
leucocitose, anemia (Hb<10g/dl), hemácia em lágrima, policromasia, trombocitose 
com plaquetas gigantes, eosinofilia, basofilia. Pode ocorrer fibrose medular. 
 
 
6.1.3 Trombocitemia Essencial 
 
 
Aspectos laboratoriais: trombocitose (>1.000.000/µl) com presença de 
plaquetas grandes, anemia discreta, leucocitose, neutrofilia com desvio à esquerda, 
eosinofilia e basofilia. 
 
 
6.1.4 Policitemia Vera 
 
 
Aspectos laboratoriais: hemoglobina entre 18 a 24 g/dl, hemácias entre 7 a 
12 milhões/µl, hematócrito entre 70 a 92%, leucometria entre 25 a 50.000/µl, 
plaquetas entre 500 mil a 1.000.000/µl, anisocitose, poiquilocitose, presença de 
precursores eritroides, policromasia, ponteado basófilo, aumento absoluto e relativo 
da série mieloide. 
 
 
 
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 67 
 
 
6.2 LEUCEMIAS AGUDAS 
 
 
As leucemias agudas resultam de uma proliferação clonal de células 
imaturas, com pouca ou nenhuma maturação na medula óssea. A presença de 30% 
de blastos na medula óssea é geralmente aceita como critério de diagnóstico de 
leucemia aguda. A classificação é baseada na linhagem predominante na qual a 
maturação ocorre (linfoide ou mieloide). 
 
 
6.2.1 Leucemia linfoide aguda (LLA) 
 
 
Ocorre principalmente em crianças e caracteriza-se pelapresença de 
linfoblástos, com cromatina fina e uniforme, com nucléolo bem mais marcado e 
evidente que do mieloblasto. O citoplasma é azul e sem grânulos. Pode haver 
anemia normocítica normocrômica, trombocitopenia, leucometria de 10.000 a 
50.000/µl em 2/3 dos pacientes, com granulocitopenia. Ocorre hiperuricemia e 
hipocalcemia e aumento de LDH. Em exames citoquímicos apresenta PAS positivo. 
Classificação FAB (Franco-americano-britânico) das LLA: 
L1 → Linfoblastos pequenos com núcleo irregular e pouco citoplasma. 
L2 → Linfoblastos grande com núcleo irregular, nucléolos evidentes e 
citoplasma mais abundante. 
L3 → Linfoblastos grandes com citoplasma hiperbasófilo (muito azul) e 
extremamente vacuolado. Também chamada de linfoma de Burkt. 
 
 
6.2.2 Leucemia mieloide aguda (LMA) 
 
 
Proliferação anormal de células leucêmicas, com parada de produção de 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 68 
células normais. Ocorre anemia normocrônica normocítica causada por falta de 
espaço dentro da medula pela proliferação do clone maligno. Trombocitopenia. 
Leucometria até 100.000/µl em 80% dos pacientes. Presença de bastões de Auer 
nos blastos, que dão reações positivas com a peroxidase e Sudan Black. 
Classificação FAB das LMA 
 
 
FIGURA 49 – CLASSIFICAÇÃO FAB DAS LMA 
 
FONTE: OLIVEIRA, 2003. 
 
 
 
 
 
 
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 69 
 
 
6.3 SÍNDROMES MIELO-DISPLÁSICAS (SMD) 
 
 
São causadas por um defeito adquirido no DNA de um ou, mais 
provavelmente, vários cromossomos do progenitor hematopoético (Stem cell 
multipotente), podendo evoluir para uma leucemia mieloblástica aguda. As SMD 
resultam da falência da medula óssea na produção do número adequado de células 
circulantes. A falência da medula óssea é um resultado de um dano genético 
adquirido. As anormalidades citogenéticas podem ser frequentemente observadas. 
Nas SMD podem ser observadas alterações nas linhagens granulocíticas, 
eritrocíticas e/ou megacariocítica. 
Etiologia → Agentes químicos (benzeno), radiação/radioterapia, 
quimioterapia (agentes alquilantes). 
 
Aspectos laboratoriais: 
→ Anemia em 90% dos casos (normocítica ou macrocítica); 
→ Poiquilocitose com macro-ovalócitos, hemácias em lágrima; 
→ Ponteado basófilo e corpúsculo de Howell-Jolly; 
→ Presença de eritroblastos; 
→ Contagem de reticulócitos normal ou baixa; 
→ Trombocitopenia ou trombocitose com macroplaquetas; 
→ Linfocitopenia; 
→ Anomalia de Pelger-Huët; 
→ Medula óssea hipercelular. 
 
Classificação FAB das SMD: 
→ Anemia refratária; 
→ Anemia refratária com sideroblastos; 
→ Anemia refratária com excesso de blastos; 
→ Anemia refratária com excesso de blastos em diferenciação; 
→ Leucemia mielo-monocítica crônica. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 70 
 
 
FIGURA 50 – SÍNDROMES MIELODISPLÁSICAS 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
6.4 SÍNDROMES LINFO-PROLIFERATIVAS 
 
 
FIGURA 51 – SÍNDROME LINFOPROLIFERATIVA 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
 
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 71 
 
 
6.4.1 Leucemia Linfoide crônica 
 
 
Não é uma doença agressiva, é rara antes dos 40 anos (doença do idoso), e 
caracteriza-se por uma proliferação maligna de células linfoides maduras com a 
parada de maturação funcional destas células. A contagem de linfócitos varia de 
10.000 a 100.000/µl, com presença de linfócitos pequenos e de células degeneradas 
(restos nucleares) denominadas manchas de Grumpet. Pode haver anemia 
normocrômica e normocítica, e o número de granulócitos geralmente é normal. 
 
 
6.4.2 Tricoleucemia (Hairy Cell Leukemia) 
 
 
Os pacientes geralmente apresentam uma tríade de sintomas: pancitopenia, 
esplenomegalia e Hairy cell circulantes (linfócitos cujo citoplasma tem aspecto de 
franja). 
 
 
6.4.3 Leucemia pró-linfocítica 
 
 
É uma variante subaguda da LLC na qual a metade das células leucêmicas 
são linfócitos grandes denominados pró-linfócitos (apresentam nucléolo). Em 80% 
dos casos os pró-linfócitos são células B e em 20% células T. 50% dos pacientes 
têm mais de 70 anos. Apresenta leucometria maior que 100.000/µl, anemia 
normocrômica e normocítica e contagem de plaquetas abaixo de 100.000/µl. 
 
 
 
 
 
 
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6.4.4 Mieloma Múltiplo 
 
 
Proliferação anormal de plasmócitos que sintetizam imunoglobulinas 
específicas IgG ou IgA. Acomete pessoas com idade média de 65 anos, embora 
possa ocorrer ocasionalmente na segunda década de vida. Apresenta dor óssea 
causada por compressão vertebral e fratura, causada por um aumento da atividade 
osteoclástica. 
Aspectos laboratoriais: 
→ Infiltrado medular de plasmócitos com reflexos no sangue periférico. 
→ Anemia normocrômica e normocítica. 
→ Presença de Rouleaux. 
→ Aumento do VHS. 
→ Secreção de Ig monoclonal detectável por imunoeletroforese. 
 
 
6.4.5 Linfoma Leucemizado 
 
 
O envolvimento medular nos linfomas é pequeno. Apresenta anemia e 
reticulocitose associados à anemia hemolítica autoimune (Coombs +). A 
trombocitopenia está relacionada à infiltração medular, hiperesplenismo ou 
destruição autoimune. 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO II 
 
 
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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
HEMATOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
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CURSO DE 
HEMATOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO III 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MÓDULO III 
 
 
7 HEMOSTASIA 
 
 
O termo hemostasia refere-se ao conjunto de mecanismos pelos quais se 
mantêm o sangue fluido dentro do vaso, sem coagular (trombose) nem extravasar 
(hemorragia). 
Didaticamente, podemos dividir a hemostasia em três etapas: 
1- Hemostasia Primária; 
2- Coagulação; 
3- Fibrinólise. 
A totalidade dos processos envolvidos nestas etapas depende de elementos 
independentes, porém interativos, tais como: 
- Vasos sanguíneos (particularmente o endotélio); 
- Elementos celulares sanguíneos (particularmente plaquetas); 
- Proteínas procoagulantes do plasma (fatores de coagulação); 
- Sistema fibrinolítico; 
- Proteínas inibitórias e anticoagulantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 52 - HEMOSTASIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
No caso de uma hemorragia (lesão de vaso), os mecanismos da hemostasia 
são mobilizados. Inicialmente ocorre uma vasoconstrição que reduz o fluxo 
sanguíneo no vaso lesado, minimizando a perda de sangue no local, até que a ação 
conjunta das plaquetas e dos fatores da coagulação promova o tamponamento. Este 
tamponamento perdura até que o tecido vascular lesado se regenere, ação dos 
fibroblastos. Em seguida ocorre a dissolução do tampão hemostático. 
Grosseiramente, os eventos da hemostasia podem ser esquematizados da 
seguinte forma: 
Parede vascular lesada → fator tecidual → ativação das plaquetas → 
vasoconstrição → diminuição do volume sanguíneo → aumento da concentração do 
fator tecidual → ativação dos fatores plasmáticos → formação da fibrina que se junta 
ao trombo plaquetário → tampão hemostático → regeneração vascular → fibrinólise. 
A eficiência deste sistema de eventos, que visa à preservação da massa 
sanguínea, depende de uma ação localizada (focalizada pela hemostasia primária), 
da não extensão do processo (fatores inibidores e fibrinolíticos) e da rapidez dos 
 
 
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 77 
processos.Quando ocorre falha ou aberração dos mecanismos homeostáticos, temos 
as síndromes hemorrágicas ou a trombose e a coagulação intravascular 
disseminada. 
 
 
7.1 HEMOSTASIA PRIMÁRIA 
 
 
É o conjunto de fenômenos responsáveis pela focalização inicial do 
processo pela formação do agregado plaquetário, envolvendo principalmente os 
vasos, às plaquetas, fibrinogênios e o fator de Von Willebrand. 
 
Esses fenômenos compreendem: 
 
- Vasoconstrição reflexa; 
- Adesão das plaquetas às estruturas do subendotélio; 
- Ativação das plaquetas; 
- Agregação das plaquetas. 
 
Vasos sanguíneos: 
 
O endotélio normal mantém-se como uma superfície tromborresistente em 
função, principalmente, da produção de prostaciclina PG12 (potente vasodilatador e 
antiagregante plaquetário). Também produz e estoca o fator de Von Willebrand. 
Quando ocorre uma lesão, o subendotélio, ao contrário do endotélio, é capaz de 
desencadear o mecanismo hemostático, por meio de estruturas subendoteliais que 
estimulam os elementos procoagulantes do sistema. Nesse caso, as plaquetas 
aderem-se ao subendotélio em segundos, e em alguns minutos é formada a fibrina. 
 
Plaquetas: 
São fragmentos anucleados de megacariócitos de importância central nos 
primeiros passos da ativação do sistema hemostático. 
 
 
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As plaquetas além de formar o trombo plaquetário são fontes de substâncias 
que vão promover a vasoconstrição, as modificações plaquetárias com emissão de 
pseudópodes, a agregação plaquetária e a integração com as proteínas da 
coagulação. 
 
Ativação Plaquetária 
↓ 
Ativação da fosfalipase C 
↓ 
Ativação da proteína C quinase 
↓ 
Aumento de Cálcio intracelular 
↓ 
Desenvolvimento de pseudópodes 
↓ 
Agregação plaquetária 
↓ 
Secreção de ADP → ativar a aderência 
↓ 
Contração da actinomiosina plaquetária → retração do coágulo 
 
Fator de von Willebrand – (FvW) 
 
 
Consiste em uma proteína produzida no endotélio vascular que faz a ligação 
entre a glicoproteína da membrana da plaqueta e o colágeno do subendotélio. 
 
 
7.2 COAGULAÇÃO 
 
 
O mecanismo da coagulação consiste em uma série de reações que 
culminam na formação de uma proteína, insolúvel em ureia, denominada fibrina. 
 
 
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Este gel de fibrina se une ao trombo plaquetário formando o tampão hemostático ou 
coágulo propriamente dito, aumentando a eficiência do efeito mecânico de 
tamponamento. 
A transformação do fibrinogênio em fibrina se dá por um sistema complexo 
de reações enzimáticas que podem ser ativadas por duas vias: via extrínseca e via 
intrínseca. 
 
 
FIGURA 53 – CASCATA DA COAGULAÇÃO 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
 
7.2.1 Via extrínseca 
 
 
→ O agente desencadeante é o fator tissular liberado por lesão do endotélio, 
que ativa o fator VII, que vai exercer sua ação proteolítica sobre os fatores X e IX. 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 54 – FATORES DA COAGULAÇÃO DA VIA EXTRÍNSECA 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
 
7.2.2 Via Intrínseca 
 
 
→ O agente desencadeante é o contato com uma superfície eletronegativa 
no subendotélio, não havendo entrada de elemento exógeno, e por isso chamada de 
via intrínseca. Em contato com estas superfícies eletronegativas, o fator XII é 
ativado, que ativa o fator XI, que ativa o fator IX. O fator IX junto com o fator VIII 
ativa o fator X (via comum). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 55 – FATORES DA VIA INTRÍNSECA DA COAGULAÇÃO 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TABELA 04 – FATORES DA COAGULAÇÃO - FINALIDADES 
 
 
 
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FONTE: Disponível em: 
<http://www.msdlatinamerica.com/profissionais_da_saude/manual_merck/secao_11/secao_11_131.ht
ml>. Acesso em: 09 jul. 2013. 
 
 
Os fatores envolvidos nesta fase (coagulação) são substâncias sintetizadas 
com antecedência e que circulam no plasma na forma inativa, e que serão ativadas 
na hora e local da lesão. Assim, na complexa cadeia de fatores da coagulação 
antecedentes da trombina, cada proteína ativada (produto) funciona como enzima 
que ativa a proteína seguinte (substrato), sucessivamente, até a ativação da 
protrombina. 
 
 
7.3 FIBRINÓLISE 
 
 
Nesta fase ocorre a digestão enzimática da malha de fibrina permitindo uma 
posterior repermeabilização do vaso. 
O sistema fibrinolítico é composto de vários ativadores e inibidores e de uma 
proteína central, o plasminogênio. Os ativadores são os fatores da fase de contato 
 
 
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da coagulação, o t-PA ou ativador tissular do plasminogênio, e o SCU-PA ou 
prourokinase. O plasminogênio é o precursor inativo que se transforma em plasmina 
por ação de seus ativadores. A plasmina é uma enzima capaz de proteolizar a 
fibrina, o fibrinogênio, e os fatores Va e VIIIa. A ação proteolítica da plasmina produz 
os chamados produtos de degradação do fibrinogênio e da fibrina. O principal 
inibidor da plasmina é a alfa2-antiplasmina. 
 
 
FIGURA 56 - FIBRINÓLISE 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
 
7.4 OUTROS FATORES DE REGULAÇÃO DA HEMOSTASIA 
 
 
→ Os fatores ativados que se desprendem do coágulo são rapidamente 
neutralizados por inibidores fisiológicos da coagulação: 
 
- Antitrombina III: É uma potente enzima proteolítica capaz de inibir a 
calicreína e os fatores XII, XIa, IXa, Xa e IIa. A heparina acelera em 100 vezes a 
ação da antitrombina III; 
- Proteína C e S: são proteínas dependentes da vit. K capazes de 
inibir os fatores Va e VIIIa. 
 
 
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7.5 DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA 
 
 
7.5.1 Distúrbios Plaquetários 
 
 
São denominadas púrpuras plaquetárias e caracterizam-se clinicamente por 
apresentarem petéquias, sangramento espontâneo ou por traumas. Podem ser: 
 
a- Plaquetopênicas (defeito quantitativo): 
→ Hereditárias: púrpura amegacariocítica, síndrome de Fanconi. 
→ Adquiridas: anemia aplástica, inibição sobre megacariócitos por drogas, 
deficiência de vitamina B12, ácido fólico, infiltração medular por células leucêmicas. 
→ Aumento da destruição: na coagulação intravascular disseminada (CID), 
doenças autoimunes, pós-transfusão, hiperesplenismo, circulação extracorpórea. 
b- Plaquetopáticas (defeito qualitativo): 
→ Hereditárias: diminuição da adesão plaquetária no subendotélio (doença 
de Von Willebrand, síndrome de Bernard-Soulier), tromboastenia, trombocitopatias. 
→ Adquiridas: induzidas por medicamentos, distúrbios mieloproliferativos. 
c- Trombocitose (número elevado de plaquetas): 
→ doenças mieloproliferativas. 
 
 
7.5.2 Distúrbios Vasculares 
 
 
→ Púrpuras vasculares hereditárias: telangectasia de Rendu-Osler-Weber, 
doença congênita do colágeno. 
→ Púrpuras vasculares adquiridas: vasculites, causas mecânicas. 
 
 
 
 
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7.5.3 Distúrbios da coagulação plasmática 
 
 
→ Hereditários: deficiência de síntese de fatores plasmáticos (hemofilia A-
fator VIII e hemofilia B-fator IX). 
→ Adquiridas: Na coagulação intravascular disseminada (CID), doenças 
hepáticas, deficiência de vitamina K. 
 
 
7.5.4 Trombose (alteração no equilíbrio: hemostasia e seu controle) 
 
 
→ Trombose ligada ao fator vascular; 
→ Trombose ligada à função plaquetária; 
→ Trombose ligada aos fatores plasmáticos da coagulação. 
 
 
7.6 ESTUDO LABORATORIAL DA HEMOSTASIA 
 
 
De modo geral, para o diagnóstico das alterações da hemostasia ou para 
avaliações pré-operatórias, os laboratórios de análises clínicas realizam em suas 
rotinas os seguintes exames: 
→ avaliação plaquetária; 
→ tempo de coagulação (TC); 
→ tempo de sangramento (TS); 
→ prova do laço ou fragilidade capilar (PL); 
→ retração do coágulo (RC); 
→ tempo de atividade de protrombina (TP ou TAP); 
→ tempo de tromboplastina parcial ativada(TTPA). 
 
 
 
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• Avaliação plaquetária: atualmente a avaliação quantitativa das plaquetas 
é obtida por contadores eletrônicos, aliada à observação da lâmina de sangue 
periférico, para detecção de possíveis anormalidades que alteram as contagens 
automatizadas (aglomerados de plaquetas, satelitismo plaquetário, plaquetas 
gigantes contadas como leucócitos). O valor normal de plaquetas gira em torno de 
150 a 400 mil/mm3. 
 
• Tempo de coagulação: o sangue colhido é transferido para um tubo de 
ensaio e a partir daí (contato com a parede do tubo) mede-se o tempo até a 
formação de um coágulo firme. O valor normal pode ser considerado entre 6 a 12 
minutos. O tempo de coagulação mede a via intrínseca da coagulação. Porém, é um 
teste bastante grosseiro, sujeito a muitas interferências (diâmetro do tubo, coleta 
traumática, garroteamento prolongado). Além disso, o TC não detecta pacientes 
hemofílicos leves e moderados sujeitos a sangramentos. Portanto o TC tem pouco 
valor clínico. 
 
• Tempo de sangramento: este teste mede a eficiência do tampão 
plaquetário em estancar o sangue após incisão na pele. Avalia possíveis defeitos 
plaquetários e vasculares na hemostasia primária. É importante no diagnóstico da 
doença de Von Willebrand. O valor normal (método de Ivy) é de 1 a 7 minutos. 
 
• Prova do laço ou Fragilidade Capilar: mede a hemostasia primária e 
estabelece as condições de permeabilidade e fragilidade capilar pelo aumento da 
pressão interna dos capilares feita por garroteamento. O aparecimento de até 5 
petéquias é considerado normal. A prova do laço tem valor duvidoso, pois em 
algumas púrpuras plaquetárias e vasculares o teste se mostra negativo. 
 
• Retração do coágulo (RC): fornece dados relativos à atividade plaquetária 
e de sua enzima trombastenina, na retração do coágulo. O sangue é colhido e 
transferido, sem anticoagulante, a um tubo de ensaio que deve permanecer em 
banho-maria à 37ºC. Se após duas horas não houver retração, deixar o tubo por 24 
horas e aí então confirmar a não retração. O resultado deve ser expresso como 
coágulo retrátil, parcialmente retrátil, e irretrátil. 
 
 
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• Tempo de atividade protrombina (TP ou TAP): avalia o mecanismo 
extrínseco da coagulação. O plasma pobre em plaquetas (ppp) recebe o fator 
tecidual (fator extrínseco) e cálcio, e a via extrínseca é ativada, culminando na 
formação da fibrina. O laboratório deve estabelecer seus próprios valores de 
referência utilizando um controle com pool de plasma normal, que gira em torno de 
12 a 15 segundos. Nesta prova deve-se levar em consideração também à qualidade 
da tromboplastina utilizada, indicada pelo fator ISI. Este teste (TP) também é 
utilizado para monitorar pacientes em uso de anticoagulantes orais (cumarínicos). 
 
• Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA): avalia a via intrínseca 
da coagulação. Neste teste o plasma pobre em plaquetas (ppp) em contato com 
ativador de contato e o cálcio, sofre ativação dos fatores da via intrínseca formando 
a fibrina. Aqui também o tempo considerado normal depende de cada laboratório 
(pool de plasma normal), e gira em torno de até 35 segundos. O TTPA também é 
utilizado para monitorar pacientes que usam anticoagulantes como heparina de alto 
peso molecular. 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO III 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
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FAILACE, Renato. Hemograma, manual de interpretação. 3. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 1995. 
 
 
FLEURY, Marcos Kneipp. Cadernos de Hematologia: Hematopoese. Rio de 
Janeiro, 1998. 
 
 
HAYHOE, F.G.J.; FLEMANS, R.J. Um Atlas colorido de Citologia Hematológica. 
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OLIVEIRA, Maria Regina A. Azevedo. Hematologia Básica. 3. ed., São Paulo: 
Luana, 2003. 
 
 
SILVA, Irineu Moreira da. Automação e Interpretação de Hemogramas. Campo 
Grande, 2003. 
 
 
SILVA, Irineu Moreira da. Hemostasia e Provas de Coagulação Sanguínea. 
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SILVA, Paulo Henrique; HASHIMOTO, Yoshio, Interpretação Laboratorial do 
Leucograma. São Paulo: Robe, 2003. 
 
 
 
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TERRA, Paulo. Coagulação: Interpretação clínica dos testes laboratoriais de rotina. 
São Paulo: Atheneu, 2000. 
 
 
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WINTROBE, M.M. Clinical Hematology. 8. ed. London: Mc Grow Hill, 1998. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO CURSO

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