Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Autoras: Profa. Juliana Alves Garcia 
 Profa. Márcia Cristina Pena Figueiredo 
 Profa. Erika Simone Lopes
Colaboradores: Prof. Flávio Buratti Gonçalves
 Profa. Laura Cristina da Cruz Dominciano
Citopatologia e 
Citologia Clínica
Professoras conteudistas: Juliana Alves Garcia / 
Márcia Cristina Pena Figueiredo / Erika Simone Lopes
Juliana Alves Garcia
Graduada em Biomedicina pelo Centro Universitário Barão de Mauá (2000-2003) e mestre em Ciências (área de concentração: 
Infectologia em Saúde Pública) pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de 
Estado da Saúde (PPG-CCD-SES). Possui habilitação nas áreas de Análise Ambiental, Citologia Oncótica e Patologia Clínica (Análises Clínicas).
Atuou no setor de Microbiologia e Parasitologia do Grupo Fleury (2006-2011), possui curso de Capacitação Profissional em Pesquisa 
Clínica pela Invitare Pesquisa Clínica e de Gestão em Saúde pelo CRBM 1/SP (2010), além de formação de Auditor Interno ISO 9001:2008 
pela Formato Clínico (2011).
Atualmente, é professora adjunta I e coordenadora auxiliar do curso de Biomedicina, campus Anchieta, na Universidade Paulista. 
Desde 2015, leciona na Universidade Paulista para os cursos da graduação de Biomedicina, nas seguintes disciplinas: Biossegurança, 
Parasitologia, Parasitologia Clínica, Coleta de Material Biológico, Métodos e Técnicas em Análises Clínicas, Gestão Laboratorial e Controle 
de Qualidade, Microbiologia Básica e Interpretação Clínica e Laboratorial.
Márcia Cristina Pena Figueiredo
Biomédica formada pela Universidade de Marília, mestre em Pesquisa e Desenvolvimento (Biotecnologia Médica) pela Universidade 
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2005) e doutora em Oncologia na Fundação Antônio Prudente - A. C. Camargo Cancer Center 
(2014). Atualmente, é docente e coordenadora auxiliar do curso de Biomedicina (Campus Norte) na Universidade Paulista. Desde 2015, 
leciona na Universidade Paulista para os cursos da graduação de Biomedicina, nas seguintes disciplinas: Hemoterapia, Hematologia, 
Biossegurança, Citopatologia e Citologia Clínica, Biomedicina interdisciplinar, Métodos e Técnicas em Análises Clínicas.
Erika Simone Lopes
Graduada em Ciências Biológicas (Modalidade Médica) pela Centro Universitário Barão de Mauá (1999), habilitada em Análises Clínicas 
e Citologia Oncótica, mestre pela Universidade Estadual de Campinas (2007). Atuou como citologista no Laboratório de Citopatologia do 
CAISM/Unicamp (2002/2008). Atualmente, é prestadora de serviço para o Laboratório de Patologia na área de citopatologia diagnóstica. 
No ambiente universitário, foi coordenadora de curso de Biomedicina da Universidade Paulista, Campus Jundiaí (2007-2013). Como 
docente universitária, ministra aulas nas disciplinas de Citologia, Histologia e Embriologia, Citopatologia, Fisiopatologia, Reprodução 
Humana, Biossegurança.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
G216c Garcia, Juliana Alves.
Citopatologia e Citologia Clínica / Juliana Alves Garcia, Márcia Cristina 
Pena Figueiredo, Erika Simone Lopes. – São Paulo: Editora Sol, 2020.
136 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Citopatologia. 2. Cérvico-vaginal. 3. Vias respiratórias. I. Garcia, 
Juliana Alves. II. Figueiredo, Márcia Cristina Pena. III. Lopes, Erika Simone. 
IV. Título.
CDU 576.385
U508.49 – 20
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcello Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Talita Lo Ré
 Giovanna Oliveira
Sumário
Citopatologia e Citologia Clínica
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9
Unidade I
1 HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DA CITOPATOLOGIA EM MEDICINA PREVENTIVA. 
CONTEXTUALIZAÇÃO DO LABORATÓRIO DE CITOPATOLOGIA ........................................................... 11
1.1 Histórico e importância da citopatologia na biomedicina .................................................. 11
1.2 Histórico e importância da citopatologia em medicina preventiva ................................ 13
1.3 Contextualizando o laboratório de citopatologia ................................................................... 15
1.3.1 Controle de qualidade dos exames citopatológicos: 
avaliação pré-analítica e tipos das amostras ......................................................................................... 23
1.3.2 Transporte .................................................................................................................................................. 25
1.3.3 Critérios de aceitação e rejeição de amostras ............................................................................. 25
2 ANATOMIA DO APARELHO GENITAL FEMININO .................................................................................. 28
2.1 Histologia do aparelho genital feminino .................................................................................... 30
2.1.1 Vulva ............................................................................................................................................................ 30
2.1.2 Vagina .......................................................................................................................................................... 30
2.1.3 Ovários e tubas uterinas ...................................................................................................................... 31
2.1.4 Útero ............................................................................................................................................................ 31
3 COLETA E PROCESSAMENTO DE MATERIAL PARA EXAME CITOPATOLÓGICO ......................... 34
3.1 Coleta de Papanicolau ........................................................................................................................ 34
3.1.1 Preparação da lâmina para o exame citopatológico ................................................................ 36
3.1.2 Coleta de material em meio líquido ................................................................................................ 38
3.2 Colorações de Papanicolaou e coloração de Shorr ................................................................ 40
4 ANÁLISE DA CITOPATOLOGIA CÉRVICO-VAGINAL EM DIVERSAS CONDIÇÕES....................... 41
4.1 Análise da citopatologia cérvico-vaginal em condições 
hormonais basais, pré-menarca, gravidez e menopausa ............................................................. 42
4.1.1 Pré-menarca ............................................................................................................................................. 42
4.1.2 Gravidez ......................................................................................................................................................44
4.1.3 Menopausa ................................................................................................................................................ 44
4.2 Padrões citológicos nas diferentes fases da vida da mulher .............................................. 45
4.3 Análise da citopatologia cérvico-vaginal em condições inflamatórias, 
infecciosas (bacterianas, fúngicas, infecções por protozoários) ............................................... 47
4.3.1 Infecções bacterianas ............................................................................................................................ 48
4.4 Análise da citopatologia cérvico-vaginal em condições de 
infecções virais (herpes, HPV) ................................................................................................................. 51
4.4.1 Tipos de HPV ............................................................................................................................................. 52
4.4.2 Manifestações clínicas da infecção pelo HPV ............................................................................. 54
4.4.3 Características citológicas da infecção pelo HPV ...................................................................... 55
4.4.4 Outros métodos diagnósticos na detecção pelo HPV .............................................................. 56
4.4.5 HPV e vacinas ........................................................................................................................................... 56
Unidade II
5 CLASSIFICAÇÕES DO EXAME CITOPATOLÓGICO CÉRVICO-VAGINAL .......................................... 64
5.1 Classificação de Papanicolau ........................................................................................................... 64
5.2 Classificação de Reagan .................................................................................................................... 64
5.3 Classificação de Richart ..................................................................................................................... 64
5.4 Classificação de Bethesda ................................................................................................................. 65
5.5 Nomenclatura brasileira para laudos citopatológicos cervicais ........................................ 69
5.5.1 Tipos de amostra ..................................................................................................................................... 70
5.5.2 Adequabilidade da amostra ................................................................................................................ 70
5.5.3 Material examinado, dentro dos limites de normalidade ...................................................... 71
5.5.4 Alterações benignas das células (ativas ou reparativas) ......................................................... 71
5.5.5 Presença de metaplasia escamosa imatura no resultado ...................................................... 71
5.5.6 Anormalidades (atipias) celulares .................................................................................................... 71
5.5.7 Anormalidades de células escamosas ............................................................................................. 72
5.5.8 Anormalidades de células glandulares endocervicais .............................................................. 72
5.5.9 Alterações em células escamosas ..................................................................................................... 73
6 ACHADOS ENCONTRADOS NO EXAME CITOPATOLÓGICO CÉRVICO-VAGINAL....................... 75
6.1 Células escamosas atípicas ............................................................................................................... 75
6.2 Células glandulares atípicas ............................................................................................................. 76
6.3 Graduação das lesões cérvico-vaginais ....................................................................................... 77
6.3.1 Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau ............................................................................... 77
6.3.2 Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (NIC 3/carcinoma in situ) .............................. 78
6.4 Neoplasias malignas cérvico-vaginais ......................................................................................... 79
6.4.1 Carcinoma escamoso (epidermoide) invasor ............................................................................... 79
6.4.2 Adenocarcinoma endocervical in situ ............................................................................................ 80
6.4.3 Adenocarcinoma endocervical invasivo ........................................................................................ 81
6.4.4 Adenocarcinoma endometrial ........................................................................................................... 82
6.5 Outros métodos diagnósticos complementares à citopatologia cérvico-vaginal ..... 83
6.5.1 Citologia em meio líquido ................................................................................................................... 83
6.5.2 Reação de cadeia de polimerase (PCR) .......................................................................................... 85
6.5.3 Captura híbrida ........................................................................................................................................ 86
6.5.4 Imuno histoquímica ............................................................................................................................... 86
Unidade III
7 CITOPATOLOGIA E VIAS RESPIRATÓRIAS: ANATOMIA E HISTOLOGIA 
DO SISTEMA RESPIRATÓRIO ........................................................................................................................... 91
7.1 Células do pulmão ............................................................................................................................... 92
7.2 Coleta e confecção dos esfregaços ............................................................................................... 94
7.2.1 Punção ........................................................................................................................................................ 94
7.2.2 Escovados ................................................................................................................................................... 96
7.2.3 Lavados ....................................................................................................................................................... 97
7.2.4 Materiais obtidos espontaneamente .............................................................................................. 97
7.3 Tipos de amostras ................................................................................................................................. 98
7.3.1 Adequabilidade das amostras ............................................................................................................ 99
7.4 Análise da citologia normal do sistema respiratório e citopatologia 
neoplásica do sistema respiratório ....................................................................................................... 99
7.4.1 Cânceres pulmonares de pequenas células ................................................................................100
7.4.2 Cânceres pulmonares de células não pequenas .......................................................................101
8 CITOPATOLOGIA DA MAMA: ANATOMIA E HISTOLOGIA DA MAMA ..........................................103
8.1 Coleta e confecção dos esfregaços, análise da citologia normal da 
mama e citopatologia neoplásica da mama ...................................................................................106
8.1.1 Carcinoma in situ ..................................................................................................................................1088.1.2 Carcinoma invasor ................................................................................................................................109
8.1.3 Carcinoma ductal .................................................................................................................................. 110
8.2 Citopatologia do trato urinário: anatomia e histologia do trato urinário .................110
8.2.1 Coleta e confecção dos esfregaços ............................................................................................... 112
8.2.2 Análise da citologia normal do trato urinário e citopatologia 
neoplásica do trato urinário ........................................................................................................................ 113
9
APRESENTAÇÃO
Esta disciplina tem como objetivo atualizar você, aluno, possuindo grande aplicabilidade no diagnóstico 
de doenças, especialmente na detecção de lesões cancerosas. A citologia oncótica tem por objetivo 
analisar as células de forma individualizada, intervindo na detecção de células anormais. Para um 
diagnóstico confiável, por meio da técnica de citologia, são fundamentais a realização de uma coleta 
de material adequada, a preparação correta das lâminas e uma análise fidedigna do material. A área de 
citologia oncótica é uma importante área de atuação, porém ainda é pouco difundida, o que justifica 
nosso interesse no presente tema.
Ao término deste estudo, o futuro graduado deverá: compreender o processo de citopatologia 
clínica (esfoliativa ou oncótica) nas diversas doenças que acometem os seres humanos; identificar 
e compreender o processo de coleta e as análises de material cérvico-vaginal e de outros materiais 
celulares de qualquer tecido ou área do corpo humano por meio de métodos, marcações e colorações 
padronizadas; compreender o diagnóstico das principais doenças infecciosas e as principais formas 
malignas e benignas de lesões que ocorrem no trato genital feminino, bem como a prática laboratorial 
de citologia esfoliativa.
Bons estudos!
INTRODUÇÃO
A presente disciplina tem como base aprender os recursos de apoio diagnóstico em citopatologia e 
de interpretação de exames patológicos e normais utilizados no laboratório.
Este livro-texto disponibiliza, assim, o conhecimento de técnicas e orientações necessárias na rotina 
em serviço de citopatologia, além de explicações referentes a uma adequada coleta de materiais e 
interpretação de resultados e noções de escrutínio e interpretações dos exames citopatológicos dos 
diversos sistemas estudados.
Ao final desta disciplina, esperamos que você seja capaz de realizar uma análise dessas condutas e 
interferir, de forma eficaz, na compreenção no processo de citopatologia clínica (esfoliativa ou oncótica) 
nas diversas doenças que acometem os seres humanos, atuando de modo relevante na promoção e 
orientação da saúde.
11
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
Unidade I
1 HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DA CITOPATOLOGIA EM MEDICINA PREVENTIVA. 
CONTEXTUALIZAÇÃO DO LABORATÓRIO DE CITOPATOLOGIA
1.1 Histórico e importância da citopatologia na biomedicina
A Biomedicina começou no Brasil em 1966. Desde seu início, o curso passou por inúmeras mudanças 
curriculares, ampliando as suas habilitações e qualificando seus profissionais na área de saúde. Pela 
primeira vez, a categoria biomédica contribui para um projeto interministerial (MEC/MS), fundamental 
para o sucesso dos programas de saúde no país e da própria formação profissional (CFBM, [s.d.]b).
A atuação dos biomédicos com os órgãos governamentais (Ministério da Educação, Ministério do 
Trabalho), a classe política (Câmara dos Deputados e Senado Federal) e a busca dos seus direitos culminou 
na Exposição Interministerial (Saúde, Educação, Trabalho), que elaborou o Projeto de Lei n. 1660/75. 
O resultado fez com que a categoria despontasse forte e coesa, vendo sua pretensão materializada nas 
leis n. 6684/79 e n. 6686/79 (e sua posterior alteração com a Lei n. 7135/83, que permitiu a realização 
de análises clínicas aos portadores de diploma de Ciências Biológicas – Modalidade Médica, bem como 
aos diplomados que ingressaram no curso em vestibular realizado até julho de 1983); no Decreto 
n. 88.394/83, que regulamentou a profissão e a atuação dos Conselhos Federal e Regionais de 
Biomedicina; e na Resolução n. 86 do Senado Federal, de 24 de junho de 1986, ratificando o acordo 
realizado no Supremo Tribunal Federal, assegurando definitivamente o direito do profissional biomédico 
de exercer as análises clínico-laboratoriais.
Hoje a Biomedicina tem 30 habilitações, entre elas a citopatologia oncótica, conforme resoluções 
n. 78 (CFBM, 2002a) e n. 83 (CFBM, 2002b), de 29/04/2002, do Conselho Federal de Biomedicina, e está 
referendada como profissão da área da saúde de acordo com a Resolução n. 287 do Conselho Nacional 
de Saúde/Ministério da Saúde e pelo Ministério da Educação (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1998).
Segundo o Manual do Biomédico (CRBM1, 2017) disponibilizado pelo Conselho Regional de 
Biomedicina Primeira Região, a habilitação em citologia oncótica vem cada vez mais abrindo 
possibilidades para o aprimoramento e crescimento profissional do biomédico. Para a área de citologia, 
as disciplinas relacionadas são anatomia humana, anatomia patológica, fisiologia humana, embriologia, 
citologia, biologia celular, histologia e química geral e para a competência profissional, realizar a 
avaliação citológica do material esfoliativo (citologia esfoliativa), ou seja, realizar coleta de material 
cérvico-vaginal/microflora e leitura da respectiva lâmina.
Na anatomia patológia, o biomédico tem condições de realizar os seguintes procedimentos: 
macroscopia, microtomia, diagnósticos histoquímicos e imuno-histoquímicos, técnicas de biopsias de 
congelação, técnicas de necropsia, diagnóstico molecular e processamento das amostras histopatológicas. 
12
Unidade I
Na citologia esfoliativa, o estudo é das células esfoliadas ou desprendidas de um tecido de revestimento. 
Trata-se de exame de alta especificidade, alta sensibilidade, baixo custo, rapidez e facilidade de execução, 
dispensando anestesia prévia. Exemplo: a técnica de Papanicolau, aliada aos conhecimentos profissionais, 
possibilita excelência na avaliação do grau de alteração do epitélio escamoso cervical e tem ajudado a 
diminuir a incidência de câncer de colo uterino (CFBM, 2009).
A Resolução n. 78 (CFBM, 2002a), de 29 de abril de 2002, que dispõe sobre o ato profissional biomédico, 
fixa o campo de atividade do Biomédico e cria normas de Responsabilidade Técnica. No Capítulo II, 
artigos 2 e 3, é dito que, para o reconhecimento das habilitações elencadas, além da comprovação em 
currículo, deverá o profissional comprovar a realização de estágio mínimo, com duração igual ou superior 
a 500 horas, em instituições oficiais, ou particulares, reconhecidas pelo órgão competente do Ministério 
da Educação ou em laboratórios conveniados com instituições de nível superior, ou especialização ou 
curso de pós-graduação reconhecido pelo MEC. Segundo o artigo 7, os biomédicos poderão realizar 
toda e qualquer coleta de amostras biológicas dos diversos exames, assim como supervisionar os 
respectivos setores de coleta de material biológicos de qualquer estabelecimento a que isso se destine 
– excetuam-se as biopsias, coleta de líquido céfalo-raquidiano (líquor) e punções para obtenção de 
líquidos cavitários em qualquer situação. O texto dispõe ainda sobre o rol de atividades para fins 
de inscrição e fiscalização dos profissionais biomédicos, técnicos, tecnólogos nas áreas de acupuntura, 
estética, citologia e anatomia patológica e imagenologia, junto aos conselhos regionais de biomedicina. 
Nessa normativa, estão descritas todas as atividades que o biomédico poderá realizar, entre elas:
• Metodologias em citopatologia:
— Colheita de cérvico-vaginal, preparo das amostras e metodologias de coloração.
— Técnicas avançadas em citopatologia.
— Citologia em meiolíquido, imunocitoquímica, colorações especiais, biologia molecular (análise 
genômica e proteômica).
• Diagnóstico citopatológico:
— Citologia cérvico-vaginal.
— Citologia mamária.
— Citologia de derrames cavitários e líquido cefalorraquiano.
— Citologia do trato respiratório (escarro e lavados).
— Citologias urinárias, citologia anal.
— Citologia de produto de punção aspirativa, raspados e escovados.
13
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
— Citologia de diversos sítios.
— Controle da qualidade interna e externa.
— Gestão em laboratório de citologia e anatomia patológica.
— Gerenciamento de programas de prevenção e saúde pública.
— O profissional biomédico tem responsabilidade pela análise das amostras citológicas, bem como 
por firmar o respectivo laudo.
1.2 Histórico e importância da citopatologia em medicina preventiva
O desenvolvimento da citologia está associado com o desenvolvimento das lentes ópticas e sua combinação 
para construir o microscópio composto. Em 1665, Robert Hooke, por meio de lentes de aumento, observou 
que fragmentos de cortiça eram compostos de pequenas cavidades em formato poliédrico, as quais foram 
denominadas células. Essa foi a primeira vez que tal terminologia foi utilizada. A partir das constatações de 
Hooke, outros pesquisadores reproduziram a mesma informação (ROBERTIS; HIB, 2001).
A partir dessas descobertas, o avanço da citologia foi rápido. Quando observamos a história da 
biologia celular no século passado e no início deste, vemos que o conhecimento se desenvolveu em 
função de dois motivos principais: primeiro, pelo aumento do poder de resolução dos instrumentos 
de análise e pelo desenvolvimento de novas tecnologias; segundo, pela convergência da citologia com 
outros ramos de investigações biológicas, como genética, fisiologia, bioquímica e imunologia.
George Papanicolau nasceu em 13 de maio de 1883, na Grécia. Especializou-se em música e 
humanidades pela Universidade de Antenas, mas seu pai, médico, estimulou-o a seguir medicina. 
Formando-se na Faculdade de Medicina em 1904, após cumprir o serviço militar como cirurgião, 
retornou à sua cidade natal para cuidar de pacientes com lepra. Apesar da carreira médica, sonhava 
em se estabelecer como pesquisador e, em 1910, recebeu o título de PhD em Zoologia na Universidade 
de Munique. No ano seguinte foi morar em Mônaco e trabalhou como fisiologista no famoso Instituto 
Oceanográfico. Durante a Guerra dos Bálcãs, em 1912, retornou ao serviço militar. Em 1913, já casado, 
emigrou com sua esposa para Nova York, com poucos recursos e sem dominar o inglês. A esposa foi 
trabalhar como costureira, e o médico-cientista, como vendedor de tapetes. Posteriormente, trabalhou 
num jornal grego e tocou violino em restaurantes até conseguir emprego na Faculdade de Medicina 
da Cornell University. Estudou o ciclo reprodutivo, utilizando o esfregaço da secreção vaginal em 
porquinhos-da-índia, tendo observado ao microscópio uma grande variedade de formas celulares 
diretamente relacionadas à fase do ciclo. Em 1917, Papanicolau descobriu como ocorria o processo de 
ovulação, o que também o levou a relatar que existiam variações de padrões e sequências citológicas 
diferentes que determinavam o ciclo ovariano e menstrual. Em 1920, ele elaborou uma técnica para 
estudar as células vaginais e do colo uterino, denominada método de citologia esfoliativa, a qual ainda 
hoje é utilizada no combate ao câncer de colo uterino. Devido à época em que expôs seu trabalho, 
apesar de a metodologia se mostrar eficaz, ela não foi completamente aceita, visto o preconceito e 
o temor da exposição feminina. Anos depois, sua técnica passou a ser considerada uma ferramenta 
14
Unidade I
excepcional para a detecção precoce do câncer cervical, o que se repete até os dias de hoje (CARVALHO; 
QUEIROZ, 2010).
Em 1925 ele identificou células cancerígenas no esfregaço vaginal de uma voluntária. Diante da 
relevância da descoberta, examinou outras mulheres sabidamente com câncer de útero, confirmando 
esse diagnóstico no esfregaço vaginal. Apresentou sua técnica simples e eficaz em 1928, mas seu trabalho 
foi desprezado pelos dez anos seguintes. Em 1939, conseguiu iniciar o exame do esfregaço vaginal 
em mulheres no Hospital de Nova York, detectando um número considerável de cânceres precoces. 
Papanicolau passou a próxima década lutando para provar o valor dos testes e treinando técnicos 
e patologistas para interpretar esses esfregaços. No seu trabalho “O valor diagnóstico do esfregaço 
vaginal no diagnóstico do câncer do útero”, publicado em 1941 no American Journal of Obstetrics 
and Gynecology (PAPANICOLAOU; TRAUT, 1941), demonstrou os diferentes tipos de células malignas 
encontrados em pacientes com câncer. Humildemente escreveu que ainda não tinha encontrado uma 
prova diagnóstica infalível, mas sabia que sua experiência estava de acordo com o resultado das biopsias 
(PAPANICOLAOU; TRAUT, 1941). Alguns eminentes ginecologistas reagiram à publicação, sugerindo que 
o exame não estava sendo usado em nenhum serviço de ginecologia. Vida dura desse humanista, que 
preferiu a penumbra de seu laboratório aos holofotes, isso porque ele buscava fazer algo digno de um 
homem ético e forte, e não a riqueza. Nesse mesmo ano, Papanicolaou criou a primeira terminologia 
(classe I, II, III, IV e V) para classificar células normais e diferentes tipos de alterações citológicas 
encontradas na cérvice. Não desanimou e continuou ensinando a importância de um trabalho sério, 
dedicado e baseado na disciplina. Escreveu mais de 150 artigos científicos, recebeu diversos prêmios, 
tendo sido indicado por cinco vezes ao Nobel de Medicina, nunca tendo ficado clara a razão de jamais 
ter sido o escolhido. Tornou-se professor emérito da Cornell, em 1951, e dez anos depois foi dirigir o 
Instituto do Câncer de Miami, mas faleceu três meses após, devido a um infarto do miocárdio.
O teste de Papanicolau é um dos avanços mais consideraveis no controle do câncer, sendo 13 de 
maio, dia do nascimento de Papanicolau, consagrado como o Dia Mundial do Citopatologista. Desde 
a implantação do rastreamento do câncer de colo uterino pelo exame de Papanicolau, vários países, 
entre eles o Brasil, conseguiram reduzir drasticamente a taxa de mortalidade. Na década de 1980, o 
médico alemão Harald zur Hausen demonstrou a relação do papilomavírus humano (HPV) com o câncer 
de colo do útero e, em 2008, ganhou o prêmio Nobel de Medicina. Devido a sua descoberta, surgiu 
o desenvolvimento de vacinas profiláticas para o HPV. Na expectativa de diminuir a incidência e a 
mortalidade pelo câncer de colo do útero, nos últimos anos o Ministério da Saúde implantou programas 
voltados à saúde da mulher com foco na prevenção do câncer do colo uterino, através de diagnóstico 
precoce, profilaxia e também da vacina contra HPV inserida no calendário nacional de vacina para 
jovens. O câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do HPV. No Brasil, 
representa um grande problema de saúde pública e, segundo as estimativas do Instituto Nacional de 
Câncer (Inca), é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina e a quarta causa de 
morte em mulheres. Ainda segundo dados do Inca, estima-se que ocorram no Brasil cerca de 20 mil novos 
casos de câncer de colo uterino, com um índice de mortalidade estimado em 6 mil casos (INSTITUTO 
NACIONAL DO CÂNCER, 2018). Apesar dos avanços no diagnóstico de lesões com potencial de evolução 
cancerosa, o exame de citologia oncótica, popularmente conhecido como Papanicolau, continua a ser 
o exame de melhor custo benefício para identificar casos que necessitam de encaminhamento para 
colposcopia e biopsia (ELEUTÉRIO et al., 2004; TUON et al., 2002).
15
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
A citologia oncótica é a análise microscópica das características das células de nosso corpo em 
qualquer localização, a fim de detectar lesões tumorais. É um método de rastreamento do câncer de 
colo uterino utilizadodesde 1950 em diversos países na busca de alterações cervicais em mulheres 
sexualmente ativas (MÜLLER; MAZIERO, 2010). A citologia oncótica possui sua importância na prevenção 
e no diagnóstico do câncer de colo uterino como um exame simples e barato que tem a capacidade de 
detectar lesões pré-neoplásicas do colo do útero, possibilitando ao clínico intervir no desenvolvimento 
do carcinoma invasor (ressaltando que a citologia oncótica também é utilizada para rastreamento de 
outros tipos de cânceres que não o uterino).
1.3 Contextualizando o laboratório de citopatologia
O laboratório clínico que realiza exames citopatológigos deve estar limpo, bem iluminado e bem 
ventilado. A área de preparação de amostras deve estar separada daquela onde espécimes são avaliados, 
e os microscópicos binoculares devem ser de boa qualidade, em quantidade suficiente e sob um contrato 
de serviço de manutenção periódica. A organização dos móveis, como mesas e cadeiras dos citologistas, 
deve ser bem planejada para garantir conforto aos profissionais e preservá-los de riscos ergonômicos. 
Todos os programas de estabelecimentos assistenciais de saúde devem ser compatíveis com a disposição 
de normas – particularmente, a RDC n. 50/2002 (ANVISA, 2002) –, além de atender a todas as outras 
prescrições adequadas ao objeto de uma padronização estabelecida em códigos, leis, decretos, portarias 
e normas federais, estaduais e municipais (HINRICHSEN, 2018).
A RDC n. 302 (ANVISA, 2005) dispõe sobre o regulamento técnico para o funcionamento de 
laboratórios clínicos. Do ponto de vista ético e legal, essa RDC é de grande importância para a área 
laboratorial, pois normatiza e oferece uma diretriz mínima, a qual os laboratórios são obrigados a seguir. 
Teoricamente, os laboratórios devem cumprir metas mínimas de qualidade, organização e preços.
A fase imediatamente anterior à coleta de sangue para exames laboratoriais, definida na RDC n. 302 
como a fase que se inicia com a solicitação da análise, passando pela obtenção da amostra e finalizando 
quando se inicia a análise propriamente dita, deve ser objeto de atenção por parte de todas as pessoas 
envolvidas no atendimento dos pacientes, com a finalidade de prevenir a ocorrência de falhas ou a 
introdução de variáveis que possam comprometer a exatidão dos resultados.
Agora, vamos aos pontos principais sobre a RDC n. 302. Essa resolução é aplicável a todos os serviços 
públicos ou privados que realizam atividades laboratoriais na área de análises clínicas, patologia clínica 
e citologia. Suas condições gerais são:
• Organização:
— O laboratório clínico e o posto de coleta devem possuir alvará atualizado expedido pelo órgão 
sanitário competente.
— O laboratório e o posto de coleta devem possuir um responsável técnico legalmente habilitado 
(farmacêutico, médico e biomédico).
16
Unidade I
— O profissional legalmente habilitado poderá ser o responsável técnico de apenas dois locais 
(laboratório e posto de coleta).
— Todo laboratório clínico e posto de coleta deve estar inscrito no Cadastro Nacional de 
Estabelecimentos de Saúde (CNES).
— Toda a supervisão e a responsabilidade pelo laboratório e pelo posto de coleta, em relação 
à organização, à confidencialidade, ao treinamento de pessoal etc., caberão à direção e ao 
responsável técnico.
— O laboratório e o posto de coleta devem dispor de instruções escritas das rotinas e informações 
aos clientes.
• Recursos humanos:
— Devem ser mantidos os registros de formação e qualificação dos profissionais compatíveis com 
as funções desempenhadas.
— O laboratório deve promover treinamento e educação permanente aos funcionários e manter 
o registro.
— Os profissionais devem ser vacinados contra hepatite B, tétano e difteria.
— A admissão deve ser precedida do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).
— Deve-se realizar anualmente o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).
• Infraestrutura:
— A infraestrutura deve obedecer à RDC n. 50 (ANVISA, 2002) e à RDC n. 189 (ANVISA, 2003).
• Processos operacionais:
— O laboratório e o posto de coleta devem disponibilizar ao paciente instruções escritas ou 
verbais, em linguagem acessível, orientando-o bem.
— O laboratório e o posto de coleta devem exigir um documento oficial com foto do paciente no 
momento do atendimento.
— Devem ser estabelecidos critérios para aceitação e rejeição de amostras.
— São exigidas várias informações para o cadastro dos pacientes: nome, idade, sexo, telefone, 
contato (quando menor de idade), anotação de medicamentos utilizados e data prevista para 
entrega de resultados.
17
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
— É obrigatória a identificação do nome do funcionário que efetuou a coleta.
— Devem ser realizadas as instruções para o recebimento e a coleta de amostras.
— Devem ser realizadas as instruções escritas para o transporte das amostras.
— Deve-se evitar o transporte de amostras em áreas comuns de circulação.
— A terceirização do transporte deve ter contrato formal.
— O laboratório e o posto de coleta devem dispor de uma lista de exames e atividades realizados 
naquela unidade.
— O laboratório deve monitorar a fase analítica por meio de controle interno e externo da qualidade.
— O laboratório deve manter o cadastro dos laboratórios de apoio, possuir contrato formal e 
avaliar a sua qualidade.
— O laboratório deve manter contrato formal com os laboratórios de apoio, bem como indicar 
quais exames são enviados.
— O laboratório de apoio deve estar de acordo com a resolução de responsabilidade de quem contrata.
— Os laudos devem ser arquivados por cinco anos.
— Os testes laboratoriais remotos (TLR) devem estar vinculados a um laboratório.
— O responsável técnico pelo laboratório é também responsável por todos os TLR realizados 
dentro da instituição, mesmo em unidade móvel.
— A realização de TLR está condicionada à liberação do laudo.
• Equipamentos e instrumentos:
— O laboratório deve possuir equipamentos de acordo com a sua complexidade e sua demanda.
— Devem ser mantidas as instruções escritas referentes aos equipamentos em língua portuguesa.
— Deve haver o registro de manutenções preventivas e corretivas.
— Os equipamentos de medição devem ser calibrados.
— Deve haver o registro de temperatura.
18
Unidade I
— Deve ser registrada a compra de produtos para diagnósticos, a fim de garantir a rastreabilidade.
— Os produtos para diagnósticos devem estar registrados na Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (Anvisa).
• Biossegurança:
— Devem ser disponibilizadas para os funcionários instruções escritas de biossegurança.
— Deve haver instruções de uso de equipamento de proteção individual (EPI) e equipamento de 
proteção coletiva (EPC).
— Deve haver o manuseio e o transporte de material biológico.
— Instruções para limpeza e desinfecção devem ser escritas.
— Os saneantes usados para o processo de limpeza devem estar regularizados pela Anvisa.
• Controle de qualidade:
— Os controles de qualidade interno e externo devem ser documentados.
— O controle interno deve ser realizado com as amostras de soros, que são controles comerciais 
e regularizados pela Anvisa.
— Formas alternativas são aceitas desde que descritas na literatura e que permitam a avaliação 
da precisão do equipamento.
— O laboratório deve manter o registro dos controles internos.
• Controle externo:
— O laboratório deve participar dos ensaios de proficiência para todos os exames realizados na 
sua rotina.
— Os resultados devem ser anotados, e devem ser tomadas providências quando houver 
não conformidades.
— O laboratório clínico deve participar dos ensaios de proficiência para todos os exames realizados 
na sua rotina.
— Para os exames não contemplados pelos programas do ensaio de proficiência, o laboratório deve 
adotar formas alternativas de controle externo de qualidade descritas na literatura científica.
19
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
• Liberação de laudos:
— O laboratório deve possuir uma instruçãoescrita sobre a liberação de laudos.
— O laudo deve ser legível e assinado por um profissional legalmente habilitado (farmacêutico, 
biomédico ou patologista).
— Um laudo deve conter dados mínimos: nome do exame, tipo de amostra, método analítico, 
unidade de medição, valores de referência, limitações da técnica e dados para interpretação.
— Amostras com restrição devem constar no laudo.
A RDC n. 306/2004 (ANVISA, 2004b) é um regulamento técnico que dispõe sobre o gerenciamento 
de resíduos de serviços de saúde, abrangendo não somente o lixo infectante, mas todas as categorias de 
resíduos, inclusive os não infectantes.
O regulamento se aplica a todos os geradores de resíduos de serviços de saúde (RSS). Todo gerador 
de resíduos deve elaborar, assim, um plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS), 
que deve ser baseado na característica dos resíduos gerados e na sua classificação. A seguir, destacamos 
alguns pontos da RDC n. 306.
• O transporte interno de resíduos deve seguir o roteiro definido e ser feito em horários não 
coincidentes com fluxo de pessoas ou atividades.
• O transporte deve ser feito de acordo com o grupo de resíduos.
• Os recipientes para o transporte de resíduos devem ser providos de tampa articulada ao próprio 
corpo do equipamento e rodas, além de serem identificados com o símbolo de acordo com os 
resíduos neles contidos.
• Compete aos serviços de saúde a elaboração do PGRSS.
• Deve ser requerida às empresas prestadoras de serviços terceirizadas (empresas de recolhimento 
de resíduos) a apresentação de licença ambiental para o tratamento ou a disposição dos resíduos de 
serviços de saúde.
• Devem ser solicitados aos órgãos públicos responsáveis pela execução da coleta: transporte, 
tratamento ou disposição final dos resíduos e documentação que identifique a conformidade 
com as orientações dos órgãos de meio ambiente.
• Deve ser mantido o registro de operações de venda e/ou doação dos resíduos destinados à reciclagem.
A RDC n. 306 classificou os resíduos em cinco grupos: A, B, C, D e E. Os resíduos do Grupo A são 
separados em:
20
Unidade I
• A1: culturas e estoque de micro-organismos, meios de cultura, materiais para inoculação de 
culturas, resíduos de vacinação, sobras de amostras de laboratórios, entre outros.
• A2: carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos provenientes de animais, cadáveres de 
animais, peças de anatomopatológicos, entre outros.
• A3: peças anatômicas humanas (membros), produto de fecundação sem sinais vitais com peso 
menor que 500 gramas, estatura menor que 25 cm ou idade inferior a 20 semanas e que não 
tenha sido requerido pelos seus familiares.
• A4: sobras de amostras de laboratórios, recipientes com fezes, urina, secreção, peças de 
anatomopatológicos, peças anatômicas, vísceras e bolsas transfusionais vazias.
• A5: materiais biológicos de indivíduos ou animais com suspeita ou certeza de contaminação 
com príons.
Já o Grupo B, de resíduos de produtos químicos, se organiza da seguinte forma:
• Resíduos químicos que apresentam risco à saúde ou ao meio ambiente, quando não forem 
submetidos ao processo de reutilização, recuperação ou reciclagem, devem ser submetidos a 
tratamento ou disposição final específicos.
• Resíduos químicos que não representam risco à saúde ou ao meio ambiente não necessitam 
de tratamento, podendo ser submetidos a processos de reutilização, recuperação ou reciclagem. 
Devem ser encaminhados para sistemas de disposição final de licenciamento.
• Resíduos no estado líquido podem ser lançados na rede coletora de esgoto ou em corpo receptor 
desde que atendam às diretrizes estabelecidas pelos órgãos ambientais e gestores de recursos 
hídricos e saneamento competentes.
• Os resíduos químicos dos equipamentos automáticos de laboratórios clínicos e dos reagentes 
de laboratórios clínicos, quando misturados, devem ser analisados pelo maior risco ou conforme 
as instruções contidas na ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ) e 
tratados conforme o item 11.2 ou 11.18 da RDC.
Quanto ao Grupo C, cabe saber:
• Diz respeito a rejeitos radioativos, inclusive sobras de alimentos provenientes de pacientes 
submetidos a terapia com iodo radioativo.
• O recipiente com rodas de transporte interno de rejeitos radioativos, além das especificações 
contidas em RDC, deve possuir um sistema de blindagem com tampa para acomodação de sacos 
de rejeitos radioativos, devendo ser monitorado a cada operação de transporte e submetido à 
descontaminação, quando necessário. Independentemente de seu volume, não poderá possuir 
21
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
válvula de drenagem no fundo. Deve, ainda, conter a identificação com inscrição, símbolo e cor 
compatíveis com o resíduo do Grupo C.
Com relação aos resíduos do Grupo D, vale ressaltar:
• Para os resíduos do Grupo D, destinados à reciclagem ou reutilização, a identificação deve ser 
feita nos recipientes e nos abrigos de guarda de recipientes utilizando-se o código de cores e suas 
correspondentes nomeações, baseadas na Resolução Conama n. 275/2001 (CONAMA, 2001), e 
símbolos do tipo de material reciclável:
— Azul: papéis.
— Amarelo: metais.
— Verde: vidros.
— Vermelho: plásticos.
— Marrom: resíduos orgânicos.
• Para os demais resíduos do Grupo D, deve ser utilizada a cor cinza nos recipientes.
• Caso não exista processo de segregação para reciclagem, não haverá exigência para a padronização 
de cor dos recipientes.
• São admissíveis outras formas de segregação, acondicionamento e identificação dos recipientes 
desses resíduos para fins de reciclagem, de acordo com as características específicas das rotinas 
de cada serviço, devendo estar contempladas no PGRSS.
Sobre os resíduos do Grupo E, é necessário saber:
• Trata-se de materiais perfurocortantes.
• Devem ser acondicionados em recipientes rígidos, resistentes à punctura, à ruptura e ao vazamento, 
e com tampa, além de serem devidamente identificados.
• É proibido reencapar agulhas.
• O abrigo de resíduos deve ser de alvenaria, revestido de material liso, impermeável, lavável e de 
fácil higienização, com aberturas para ventilação, com tela de proteção contra insetos, roedores 
e vetores.
• Os serviços geradores de resíduos de saúde devem manter o programa de educação continuada.
22
Unidade I
A RDC n. 222/2018 (ANVISA, 2018) é a nova resolução que dispõe sobre o gerenciamento dos 
resíduos de serviços de saúde, após ser revogada a RDC n. 306/2004 (ANVISA, 2004b), com a qual os 
profissionais de saúde trabalharam nas instituições de saúde do país nos últimos 14 anos. Geralmente, 
as mudanças impulsionadas no gerenciamento de RSS são relativas a uma gestão tanto mais didática 
quanto mais objetiva em relação à RDC n. 306/2004, com menor citação de outros normativos. Vejamos, 
resumidamente, alguns itens importantes.
No início, mais precisamente no Capítulo I, Seção I, Artigo 2º, em que se descreve a finalidade de 
dimensão da Resolução, destaca-se:
Esta Resolução se aplica aos geradores de resíduos de serviços de saúde – 
RSS cujas atividades envolvam qualquer etapa do gerenciamento dos RSS, 
sejam eles públicos e privados, filantrópicos, civis ou militares, incluindo 
aqueles que exercem ações de ensino e pesquisa (ANVISA, 2018).
Os tipos de serviços de saúde e de ensino, para os quais a legislação atua, não eram descritos na RDC 
n. 306/2004 (ANVISA, 2004b).
Outro ponto de destaque, ainda nesse Artigo 2º, refere-se à amplitude de quem são os geradores 
de RSS agora incluídos: “serviços de piercing e salões de beleza e estética” (ANVISA, 2018). É muito 
oportuna a inclusão desses dois serviços, considerando que o risco à saúde é específico às atividades 
que desenvolvem.
Agora, na nova RDC, pode ser compartilhado o local chamado expurgo para o armazenamento 
temporário dos RSS. Porém, só é permitido para os resíduos dos Grupos A, D e E, e a área deverá ser 
compatível com os três tipos de resíduos.
Outra novidade na atual RDC é aespecificação dos tipos de resíduos armazenados nesse “abrigo 
temporário de RSS” compartilhado com a “sala de utilidades” ou “expurgo”, os quais não eram citados 
anteriormente. A RDC n. 222 traz algumas modificações, principalmente com relação ao Grupo A (mais 
especificamente aos subgrupos A1, A2 e A3): todas as descrições de tratamento e acondicionamento desses 
tipos de resíduos estão muito resumidas. Nesse sentido, a nova RDC apresenta um texto mais genérico.
Quanto ao Grupo B, a legislação exclui qualquer citação sobre a geração de resíduos das atividades 
assistenciais domiciliares, item que era pontuado na RDC anterior (capítulo VI, “Manejo de RSS”).
No que concerne ao Grupo C, há a reestruturação de todos os itens sobre resíduo radioativo, e as 
características dos recipientes para acondicionamento não são mais descritas na atual legislação.
No que se refere ao Grupo D, fica excluída a simbologia de cores para segregação dos diferentes tipos 
de resíduos desse grupo, a qual era contemplada na RDC n. 306. Um ponto positivo, por outro lado, é 
a inclusão, nesse grupo, do “descarte dos equipamentos de proteção individual (EPIs), desde que não 
contaminados por matéria biológica, química ou radioativa” (ANVISA, 2018), algo que não era descrito 
na RDC anterior.
23
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
Destaca-se, ainda, na nova resolução, a ampliação da lista dos tipos de resíduos que podem ser 
classificados como tais, como as forrações de animais de biotérios sem risco biológico associado, os 
resíduos recicláveis sem contaminação biológica, química e radiológica associada e os pelos de animais, 
não citados na legislação anterior.
Por fim, no Grupo E, também eliminou-se qualquer citação sobre a geração de resíduos das 
atividades assistenciais domiciliares, o que, mais uma vez, é um ponto muito negativo na assistência 
de saúde domiciliar. Ainda nesse grupo dos perfurocortantes, a nova RDC retira o segundo critério 
– “nível do preenchimento deve ficar a 5 cm de distância da boca do recipiente” –, estabelecido para o 
nível de preenchimento dos recipientes de acondicionamento desse material (ANVISA, 2004b), ficando 
apenas com um único critério e sendo alterado (era 2/3) aquele que menciona: “devem ser substituídos 
de acordo com a demanda ou quando o nível de preenchimento atingir 3/4 (três quartos) da capacidade” 
(ANVISA, 2018).
A RDC n. 222 também descreve que seringas e agulhas podem ser desconectadas, desde que com o 
auxílio de dispositivo de segurança, mantendo a proibição anterior de desconexão de seringas e agulhas 
de forma manual.
Em linhas gerais, a nova RDC (ANVISA, 2018) exclui a citação de todas as outras legislações paralelas 
a ela, as quais eram referidas na RDC n. 306, como o Conama, a ABNT e o Ministério do Trabalho, 
substituindo-as sempre pelo termo “conforme normas ambientais vigentes” etc. Quanto à disposição 
final dos RSS, também genericamente se refere sempre ao termo “disposição final ambientalmente 
adequada”. O capítulo relacionado à saúde ocupacional foi bastante resumido na atual legislação.
1.3.1 Controle de qualidade dos exames citopatológicos: avaliação pré-analítica e tipos 
das amostras
O controle da qualidade nessa fase analisa o registro do material recebido, a preparação, a coloração 
e a montagem das lâminas, a manutenção dos equipamentos e microscópios, bem como os registros de 
informações de pessoal, sua qualificação e seu treinamento (CERVIX..., 2005).
O primeiro passo é o preenchimento correto do formulário de requisição do exame citopatológico 
com letra legível e com todas as informações relacionadas aos dados pessoais e da Unidade de Saúde 
corretos. Todas as amostras (ou materiais) dos pacientes devem ser identificadas de modo que se possa 
fazer, se necessário, uma rastreabilidade (MOTTA; CORRÊA; MOTTA, 2001).
Para realizar o cadastro do paciente, é obrigatório solicitar um documento com foto que afirme a 
sua identificação. O cadastro em questão deve conter as seguintes informações: número interno de 
identificação do paciente no laboratório; nome do paciente; idade ou data de nascimento; procedência 
(se paciente ambulatorial ou hospitalar); telefone; endereço; data e horário de cadastro; nome do 
profissional solicitante; exames solicitados e tipo de amostras (SBPC/ML, 2010).
No setor de recepção e cadastro das amostras, deve-se observar cuidadosamente a compatibilidade 
das informações do formulário de requisição de exame citopatológico, padronizado pelo Ministério da 
24
Unidade I
Saúde para as ações de controle do câncer do colo do útero com a identificação obrigatória das lâminas 
e, se possível, nos frascos ou recipientes contendo as amostras. Devem ser anotadas as condições do 
material (lâmina quebrada, ausente, sem requisição etc.). As lâminas e as requisições devem ser entregues 
juntamente com uma listagem em duas vias contendo o nome das mulheres. O profissional da recepção 
deve conferir, datar e assinar as vias de listagem e devolver uma das vias ao portador para ser arquivada 
(INCA, 2016).
Segundo o Manual de Gestão da Qualidade para Laboratório de Citopatologia, (INCA, 2016), as 
amostras, após coletadas e fixadas de forma adequada, devem ser acondicionadas corretamente. Os 
recipientes usados para a acomodação do material dependem do tipo do fixador utilizado, por exemplo: 
caixas de papelão, madeira ou plástico são apropriadas para o transporte das lâminas fixadas com 
fixador de cobertura e tubetes com tampa de rosca para os esfregaços fixados em álcool, com tubetes 
individualizados para cada paciente, sendo desaconselhado o uso de recipientes contendo várias lâminas 
separadas por clipes.
Tavares et al. (2007) recomendam, para garantir a rastreabilidade, que o laboratório deve dispor de 
um sistema de informática que permita a identificação da hora do recebimento e também a da coleta 
da amostra, além do nome do funcionário que realizou a coleta ou recebeu a amostra, identificando-a 
por ordem numérica e anual, para localizar facilmente todo o seu caminho dentro do laboratório, desde 
a recepção até a emissão do laudo. O sistema de qualidade deve conter os requisitos para avaliar a 
qualidade desde a recepção até o tempo de entrega do resultado do exame. Por isso, é importante 
observar o atendimento da recepção, realizar pesquisas de opinião sobre o atendimento, oferecer urnas 
para coleta de informações sobre satisfação do cliente, utilizar gráficos para demonstrar a quantidade e 
a fequência de solicitação de novas amotras de queixas sobre a clareza dos resultados.
A Sociedade Brasileira de Citologia Clínica e a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (2001) 
sugerem se devem se treinar os profissionais envolvidos no desenvolvimento de tarefas para facilitar 
e garantir a qualidade do produto (laudo citopatológico), bem como o desempenho de todos aqueles 
que coordenam e executam as tarefas, sendo necessário elaborar um conjunto de procedimentos e 
instruções de trabalhos específicos da especialidade da citopatologia.
De acordo com a Resolução n. 1472/97 do Conselho Federal de Medicina (CFM, 2007), as lâminas 
de exames citopatológicos (negativas ou positivas para malignidade) devem ser mantidas em arquivo 
por cinco anos no próprio laboratório ou entregues ao paciente ou a seu responsável legal devidamente 
orientados quanto a sua conservação e mediante comprovante que deverá ser arquivado durante o 
período anteriormente mencionado. Quanto aos laudos diagnósticos, eles poderão ser arquivados 
indefinidamente em arquivo informatizado. As lâminas devem ser arquivadas em ordem numérica, 
sendo aconselhável um arquivo independente para lâminas positivas e negativas, para facilitar a sua 
pesquisa e resgate quando solicitado pela paciente.
Para a segurança do arquivo, é necessário o acesso restrito a esse setor, com protocolo de entrada e 
saída das lâminas. A solicitação das lâminas pela paciente deve ser atendida e registrada em documento 
específico, no qual deve constar, de modo claro,a transferência e a responsabilidade pela guarda da lâmina.
25
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
1.3.2 Transporte
O laboratório deverá oferecer, por escrito, instruções para o transporte de amostras, respeitando 
a especificidade de cada material biológico, com condições de temperatura, conservação, integridade 
e estabilidade da amostra, bem como utilizar recipiente de amostras isotérmico, impermeável e 
higienizável, identificado com a simbologia de risco biológico e com nome do laboratório ou posto de 
coleta responsável. As amostras devem ser coletadas, fixadas corretamente e enviadas ao laboratório 
para a realização dos exames citopatológicos. Antes da coleta, a retirada do excesso de secreção do colo 
do útero evita o aparecimento de fatores ofuscados, como esfregaços com áreas espessas inadequadas 
à avaliação citopatológica (MICKEE, 1997).
Para o transporte de esfregaços fixados com fixadores úmidos (etanol a 96%), esses devem permenecer 
individualmente em seus respectivos tubetes, os quais devem ser acondicionados em embalagens que 
garantam não derramar ou evaporar o fixador. As amostras fixadas com álcool a 96% mantêm-se em 
boa conservação por uma ou mais semanas. Já aquelas que utilizam fixadores e camada (propilenoglicol 
e etanol) conservam-se por apenas uma semana. As amostras em meio líquido podem ser armazenadas 
em tempertura ambiente por até 60 dias, sendo o pellet estável por até 14 meses (TAKAHASHI, 1973; 
DIGENE, 2002).
As amostras a serem enviadas a laboratórios distantes do local da coleta devem ser fixadas 
com fixadores de cobertura (propilenoglicol ou smiliar) à temperatura ambiente e acondicionadas 
individualmente em pequenas caixas de papelão, corretamente identificadas com o nome da paciente 
e da unidade responsável pelo encaminhamento. Devem ser seguidas as normas de biossegurança 
no transporte desses materiais, assim como em casos de intercorrências no transporte de amostras 
biológicas devem-se seguir os protocolos de urgência e emergência (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
 Observação
Se houver algum acidente durante o transporte das caixas com o material 
fixado, se o prejuízo for a perda do material por quebra da lâmina, por 
exemplo, o funcionário deverá recolher as lâminas com luvas apropriadas 
para evitar ferimento. As amostras líquidas devem ser transportadas em 
caixas térmicas para evitar mudança de temperatura.
1.3.3 Critérios de aceitação e rejeição de amostras
Em caso de rejeição da amostra na fase pré-analítica, deve-se fazer o registro das inconformidades, 
pois o relato da inadequação da amostra é um procedimento fundamental na busca da qualidade 
(KHAWALI, 2012).
Devem ser rejeitadas as amostras que não estejam em conformidade com os critérios mínimos 
necessários para a realização da análise do exame citopatológico, listados a seguir:
26
Unidade I
• Dados ilegíveis na identificação da amostra.
• Falta de identificação ou identificação incorreta da amostra.
• Divergência entre as informações da requisição e da lâmina.
• Lâminas quebradas.
• Requisições não padronizadas de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde.
• Ausência de dados referente à anamnese e ao exame clínico.
• Ausência de identificação e assinatura do profissional responsável pela coleta.
• Ausência do nome e/ou CNES do serviço de saúde responsável pela coleta.
A descrição da rejeição da amostra é um procedimento fundamental, podendo, sempre que possível, 
ser corrigido ou providenciada nova coleta. Deve ser destacado ainda que a rejeição de um material 
significa um gasto sem resultado e que todo o esforço feito pela mulher para realizar o exame foi 
perdido (MILLER et al., 2000).
Segundo o manual técnico para prevenção do câncer do colo do útero (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 
2002), a amostra colhida, ao ser examinada no laboratório, será classificada em: amostra insatisfatória; 
amostra satisfatória, mas limitada; amostra satisfatória.
Uma amostra será considerada insatisfatória quando houver:
• ausência de identificação na lâmina ou na requisição;
• lâmina quebrada ou com material mal fixado;
• células escamosas bem preservadas cobrindo menos de 10% de superfície da lâmina;
• obscurecimento por sangue, inflamação, áreas espessas, má fixação, dessecamento etc., que 
impeçam a interpretação de mais de 75% das células epiteliais.
Nesses casos, não é possível obter diagnóstico e por isso o exame deve ser repetido.
Uma amostra será considerada satisfatória, mas limitada, quando houver:
• falta de informações clínicas pertinentes;
• ausência ou escassez de células endocervicais ou metaplásicas representativas da junção 
escamocolunar (JEC) ou da zona de tranformação;
27
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
• esfregaço purulento, obscurecido por sangue, áreas espessas, dessecamento etc., que impeçam a 
interpretação de, aproximadamente, 50% a 70% das células epiteliais.
Para o Ministerio da Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013), a adequabilidade da amostra, na atual 
nomenclatura citológica brasileira, é definida como satisfatória ou insatisfatória. O termo anteriormente 
utilizado, “satisfatório, mas limitado”, foi abolido (INCA, 2006a).
É considerada insatisfatória a amostra cuja leitura esteja prejudicada pelas razões expostas a 
seguir, algumas de natureza técnica e outras de amostragem celular, podendo ser assim classificada 
(MARTIN-HIRSCH, 2010):
• material acelular ou hipocelular (menos de 10% do esfregaço);
• leitura prejudicada (mais de 75% do esfregaço) por presença de: sangue, piócitos, artefatos de 
dessecamento, contaminantes externos ou intensa superposição celular.
Nesse caso, a recomendação é que a mulher repita o exame entre 6 e 12 semanas com correção, 
quando possível, do problema que motivou o resultado insatisfatório.
Segundo o Ministério da Saúde (2013), amostra satisfatória para avaliação corresponde à amostra 
que apresenta células em quantidade representativa, bem distribuídas, fixadas e coradas, de tal modo que 
sua observação permita uma conclusão diagnóstica. Podem estar presentes células representativas dos 
epitélios do colo do útero: células escamosas; células glandulares (não inclui o epitélio endometrial); 
células metaplásicas.
No caso de gestantes, mulheres na pós-menopausa, mulheres histerectomizadas, sem história de 
atividade sexual ou imunossuprimidas, os critérios de aceitação e rejeição de amostras requerem outros 
tipos de recomendações. Segundo as Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do 
útero (INCA, 2011b), as recomendações para gestantes (a periodicidade e faixa etária) são as mesmas 
que para as demais mulheres, devendo sempre ser considerada uma oportunidade a procura ao serviço 
de saúde para realização de pré-natal.
Para mulheres na pós-menopausa, recomenda-se serem rastreadas de acordo com as orientações 
para as demais mulheres. Se necessário, deve-se proceder à estrogenização previamente à realização da 
coleta. O rastreamento citológico em mulheres menopausadas pode levar a resultados falso-positivos 
causados pela atrofia secundária ao hipoestrogenismo, gerando ansiedade na mulher e procedimentos 
diagnósticos e terapêuticos desnecessários.
A recomendação para mulheres submetidas à histerectomia total por lesões benignas, sem história 
prévia de diagnóstico ou tratamento de lesões cervicais de alto grau, pode ser excluída do rastreamento, 
desde que apresentem exames anteriores normais. Em casos de histerectomia por lesão precursora ou 
câncer do colo do útero, a mulher deverá ser acompanhada de acordo com a lesão tratada.
28
Unidade I
 Lembrete
Quando se tem uma amostra insatisfatória, deve-se orientar a paciente 
a repetir o exame entre 6 e 12 semanas com correção, quando possível, do 
problema que motivou o resultado insatisfatório.
2 ANATOMIA DO APARELHO GENITAL FEMININO
O trato genital feminino é constituído pelos órgaõs genitais externos e pela vulva; os internos, pela 
vagina, pelo útero, pelas tubas uterinas (trompas de Falópio) e pelos ovários, queestão especificados 
no interior da cavidade pélvica. A genitália externa contém um conjunto de formações que protegem o 
orifício externo da vagina e o meato uretral ou urinário. Pode ser dividido nas seguintes partes: clitóris, 
vestíbulo, pequenos e grandes lábios.
Útero
Canal 
endocervical
Ectocérvice
Vagina
Junção 
escamocolunar
Epitélio 
escamoso
Epitélio 
endocervical
Epitélio do 
endométrioOvário
Tuba uterina
Figura 1 – Estruturas do sistema reprodutor feminino
A vulva forma os genitais externos do trato genital feminino, e se estende desde o monte de Vênus 
até a região do períneo. É formada pelo monte de Vênus, pelos grandes e pequenos lábios, pelo clitóris, 
prepúcio, vestíbulo, meato uretral, glândulas de Bartholin e de Skene (parauretrais) e pelo introito (óstio) 
vaginal, onde está localizado o hímen (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
A vagina é um órgão tubular musculomembranoso que se estende do óstio externo do útero até o 
vestíbulo da genitália externa, com comprimento que varia de 7 cm a 9 cm. Tem como missão concender 
a passagem do feto durante o parto, a descamação do sangue do fluxo menstrual mensal e a penetração 
do pênis na relação sexual. Estruturalmente é formada por uma parede composta de três camadas: a 
mucosa, a muscular e a adventícia. O clitóris, o bulbo do vestíbulo e as glândulas anexas são estruturas 
acessórias que compõem o sistema genital feminino e são de vital importância na sexulidade feminina 
e na produção das secreções mucocervicais.
29
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
Os ovários são as gônadas femininas, que mostram variações de tamanho de acordo com cada 
indivíduo ou com a fase do ciclo menstrual em que se encontram. Estão situados na cavidade pélvica, 
um de cada lado do útero, e interligados pelas trompas uterinas. São incumbidos da produção dos 
hormônios sexuais femininos (progesterona e estrógeno), assim como da produção do gameta feminino.
As tubas uterinas são as estruturas que ligam o útero aos ovários, através das fímbrias. Podem 
ser distribuídas em quatro partes: a intramural, o istmo, a ampola e o infundíbulo. Suas paredes são 
formadas por três camadas: a mucosa, a muscular e a serosa, que irão promover sua função de captar o 
ovócito liberado pelo ovário e conduzi-lo na direção do útero.
O útero é o órgão responsável por receber o óvulo fecundado, nutri-lo e protegê-lo para que o feto 
se desenvolva apropriadamente. O útero é formado por três camadas: a mais interna, ou endométrio, 
que é revestida por uma mucosa responsável pela produção do muco; a média, ou miométrio, que é 
constítuida por uma espessa parede, rica em fibras musculares lisas e em fibras colágenas; e a mais 
externa, ou perimétrio, que é uma camada serosa (BARROS et al., 2012).
Fundo do útero
Corpo do útero
Tuba uterina
Ovário
Endométrio
Colo do útero
Figura 2 – Estrutura do útero
O colo uterino é definido por dois orifícios conhecidos como: óstio interno, que fica em contato com 
o istmo do útero, e o óstio externo, que se liga com o canal vaginal. A parede do colo do útero é formada 
por duas camadas: a endocérvice e a ectocérvice. Internamente, o útero é um órgão oco, fibromuscular, 
e suas dimensões variam de acordo com idade, estimulação hormonal e número de gestações.
O útero é dividido em: corpo do útero, região que demonstra maior volume e apresenta forma triangular; 
colo do útero, região mais estreita, em forma de canal, conhecida como canal cervical ou cérvice; istmo do 
útero, que é a região que se encontra na parte inferior do corpo do útero; fundo do útero, região que fica 
acima do eixo que liga as duas implantações das tubas uterinas (BARROS et al., 2012).
30
Unidade I
Área de 
ampliação
Ovário esquerdoOvário direito
Colo do útero
Visão do 
examinador 
(inferior) do 
colo do útero
Parede 
vaginal
Abertura no 
cervix para 
o útero
Miométrio
Endométrio
Útero
Colo do 
útero
Vagina
Figura 3 – Esturtura do útero
2.1 Histologia do aparelho genital feminino
2.1.1 Vulva
O monte de Vênus, localizado à frente pubiana, é rico em tecido adiposo e recoberto por pelos. 
Os grandes lábios são formados por duas pregas espessas de pele, também cobertos por pelos, e se 
expandem do monte de Vênus até o períneo. Os pequenos lábios estão localizados entre os grandes 
lábios e duas pregas menores de pele, demonstrando ausência de pelos. Seu epitélio é estratificado 
pavimentoso queratinizado, assim como a face interna dos grandes lábios e o clitóris, estrutura erétil 
e que apresenta inúmeras terminações nervosas. O vestíbulo é onde se localiza a entrada da vagina. As 
glândulas Skene estão localizadas em ambos os lados do meato urinário. Por fim, localizadas, uma a 
cada lado do vestíbulo, existem as glândulas de Bartholin, também chamadas de glândulas vestibulares 
menores (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
2.1.2 Vagina
A parede vaginal é formada por três camadas: mucosa interna; constituída de epitélio 
pavimentoso estratificado; uma mucosa muscular intermediária, composta de musculo liso; e uma 
camada externa, de tecido conjuntivo denso. O epitélio da camada mucosa contém glicogênio e 
está dividido nas seguintes camadas: basal (uma camada de células), parabasal (de duas a cinco 
camadas de células), intermediária e superficial, com número de camadas variável. Abaixo desse 
epitélio, localiza-se a lâmina própria, formada por tecido conjuntivo, fibras elásticas, nervos e 
alguns vasos sanguíneos. Durante o período de amamanetação e na pós-menopausa, esse epitélio 
sofre atrofia e tem seu número de camada celulares reduzido. A parede não possui glândulas, 
mas a superfície da mucosa é mantida úmida pelo muco secretado pelas glândulas uterinas, pelas 
glândulas endocervicais e pelas glândulas de Bartholin, no vestíbulo. O epitélio vaginal responde 
31
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
às mudanças cíclicas durante o ciclo menstrual, sendo a diferenciação estimulada por estrógenos 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008).
2.1.3 Ovários e tubas uterinas
Os ovários são revestidos por um epitélio simples cúbico intercalado com áreas de epitélio 
pavimentoso. A túnica albugínea fica logo abaixo desse epitélio e se define pela presença de tecido 
conjuntivo denso sem vasos, pois são nessas estruturas medulares e corticais que encontramos as células 
intersticiais (ou de Leydig) responsáveis pela produção dos hormônios sexuais através dos estímulos das 
gonadotrofinas. A região medular do ovário é formada por tecido conjuntivo frouxo, vasos sanguíneos 
e células hilares (intersticiais); e a região cortical é rica em folículos ovarianos (ovócitos), corpo-lúteo e 
células intersticiais (BARROS et al., 2012).
A parede das tubas é formada por uma camada mucosa, sustentada pela própria lâmina, uma 
camada muscular e uma camada serosa. O epitélio de revestimento das tubas uterinas é cilíndrico, 
simples, com células ciliadas e secretoras, que respondem ao controle hormonal. A presença de cílios, 
junto com os movimentos peristálticos das tubas uterinas, auxilia no impulso do ovócito em direção ao 
útero (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008).
2.1.4 Útero
O colo uterino é revestido por epitélios escamosos e colunares estratificados não queratinizados. 
Esses dois tipos de epitélio ficam na junção escamocolunar. A parede do colo do útero é formada 
por duas camadas: a endocérvice e a ectocérvice. A endocérvice é uma camada mucosa, formada por 
um epitélio colunar simples mucossecretor, que é responsável pela produção do muco cervical; e a 
ectocérvice é constituída por um epitélio escamoso estratificado não queratinizado, que se assemelha 
ao da vagina. A ligação da ectocérvice e da endocérvice recebe o nome de junção escamocolunar (JEC), 
podendo ter sua localização alterada de acordo com o estado hormonal, gestacional, parto vaginal e/ou 
trauma (BARROS et al., 2012).
Epitélio escamoso estratificado não queratinizado
Frequentemente, uma área grande da ectocérvice está recoberta por um epitélio escamoso 
estratificado não queratinizado que contém glicogênio.É opaco, tem múltiplas (de 15 a 20) camadas de 
células e é de coloração rosa pálido. Esse epitélio é nativo da área formada durante a vida embrionária, 
e é denominado epitélio escamoso original ou nativo, ou pode ter sido recém-formado como epitélio 
escamoso metaplásico no início da vida adulta.
A composição histológica do epitélio escamoso do colo uterino revela, ao fundo, uma única camada 
de células basais arredondadas com grandes núcleos de coloração escura e citoplasma escasso, unida à 
membrana basal. As células basais dividem-se e maturam para formar as próximas camadas chamadas de células 
parabasais, que também têm núcleos relativamente grandes. As células das camadas intermediária e superficial 
possuem grande quantidade de glicogênio em seu citoplasma (SELLORS; SANKARANARAYANAN, 2004).
32
Unidade I
Epitélio colunar
O canal endocervical é recoberto pelo epitélio colunar (às vezes denominado epitélio glandular). É constítuido 
por uma única camada de células altas com núcleos de coloração escura próxima à membrana basal. Por ter uma 
só camada de células, tem uma altura menor que o epitélio escamoso estratificado do colo uterino (SELLORS; 
SANKARANARAYANAN, 2004; BARROS et al., 2012).
Junção escamocolunar
A junção escamocolunar apresenta-se como uma linha bem definida com um degrau, em razão 
da distinção de altura dos epitélios escamoso e colunar. A localização da junção escamocolunar com 
associação ao orifício cervical externo varia durante a vida da mulher por motivos como idade, estado 
hormonal, trauma ao nascimento, uso de anticoncepcionais orais e certas condições fisiológicas, como 
gravidez. A junção escamocolunar visível durante a infância, a perimenarca, após a puberdade e o início 
do período reprodutivo, é denominada junção escamocolunar original, porque reproduz a junção entre 
o epitélio colunar e o epitélio escamoso “original” formado durante a embriogênese a e vida intrauterina 
(CONSOLARO; ENGLER, 2016; BARROS et al., 2012).
Zona de transformação
A região que se estende entre a JEC original e a funcional denomina-se zona transformação. Esse 
espaço é revestido por epitélio escamoso metaplásico, produtor de glicogênio que se forma a partir da 
proliferação das células de reserva. As células metaplásicas são cuboides, subcolunares e indiferenciadas. 
Sua origem não está bem estabelecida, mas acredita-se que se formem a partir do epitélio cilíndrico, 
em resposta ao pH ácido vaginal. A identificação da zona de transformação durante a coleta do exame 
citológico é de grande importância, pois é nessa região que se estabelece a maioria das lesões precursoras 
do câncer de colo do útero (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
A seguir são explicitadas as características das células do epitélio escamoso quando observadas nos 
esfregaços cérvico-vaginais (BARROS et al., 2012).
Células basais
Essas células são diferentemente vistas nos esfregaços cérvico-vaginais de mulheres com atrofia 
intensa na pós-menopausa ou quando há ulceração da mucosa. As células basais correspondem às 
menores células epiteliais, tendo mais ou menos o tamanho de um leucócito. A sua forma é redonda ou 
oval, com citoplasma escasso, corado fortemente em azul ou verde. O núcleo é redondo, central, com 
cromatina grosseiramente granular igualmente distribuída, às vezes revelando um pequeno nucléolo. 
Essas células usualmente descamam em pequenos agrupamentos.
Células parabasais
Essas células são raras nos esfregaços de mulheres na fase reprodutiva, é possível ocorrerem distúrbios 
hormonais e casos de erosão ou ulceração da mucosa. Por outro lado, prevalecem em situações de 
33
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
deficiência estrogênica (epitélio atrófico), como na infância, na lactação e na menopausa. As células 
parabasais com 15 a 20 micrômetros são bem maiores que as células basais, arredondadas ou ovaladas, 
com citoplasma denso, cianofílico (corado em azul ou verde), parcialmente escasso. O núcleo redondo 
ou ovalado mede entre 8 e 13 micrômetros, ocupando cerca de metade do volume da célula. A cromatina 
é granular, sem evidência de nucléolo.
Células intermediárias
São as células mais gerais nos esfregaços cérvico-vaginais no período pós-ovulatório do ciclo 
menstrual, durante a gravidez e no início da menopausa. A sua ascendência é relacionada à ação da 
progesterona ou aos hormônios adenocorticais. O tamanho das células intermediárias varia de 
30 a 60 micrômetros, e o citoplasma é abundante, transparente, poligonal e cianofílico, com uma 
coloração menos intensa do que aquela observada nas células parabasais. As células intermediárias 
mostram tendência a pregueamento das bordas citoplasmáticas. Os núcleos dessas células são vesiculares, 
medindo cerca de 10 a 12 micrômetros, redondos ou ovais, com membrana cromatínica ou borda 
nuclear claramente visível e cromatina finamente granular regularmente distribuída com cromocentros. 
O corpúsculo de Barr (cromatina sexual) é eventualmente identificado.
As células naviculares representam uma variante das células intermediárias. Elas são elipsoides, com 
bordas citoplasmáticas espessadas e ricas em glicogênio, que se cora habitualmente em castanho. Os 
núcleos são excêntricos. As células naviculares são comuns na gravidez e podem aparecer em outras 
condições em que há acentuado estímulo progestacional.
Células superficiais
Representam as células mais comuns em esfregaços cérvico-vaginais no período ovulatório do ciclo 
menstrual, após terapêutica estrogênica e nas pacientes com tumor ovariano funcionante (produtor 
de estrógeno). O tamanho dessas células varia de 40 a 60 micrômetros, são poligonais, o citoplasma 
é transparente, eosinofílico, e apresentam núcleo picnótico. O núcleo picnótico é caracterizado pela 
condensação da cromatina que se torna escura. O diâmetro nuclear raramente excede 5 micrômetros. 
Logo que a total maturação do epitélio ocorre como resultado da atuação dos estrógenos, a picnose 
nuclear em células maduras superficiais representa a evidência morfológica da atividade estrogênica. 
A propriedade do citoplasma de corar em rosa é relacionada a sua afinidade química com a eosina, um 
corante ácido utilizado na técnica de Papanicolau. Contudo, a coloração eosinofílica não é específica, 
e o citoplasma pode assumir as cores azul ou verde. No citoplasma das células superficiais, podem ser 
vistos grânulos pequenos (grânulos querato-hialinos) escuros, considerados precursores de queratina, 
que, contudo, não é produzida em condições normais.
Para diferenciar uma célula intermediária de uma superficial é fundamental a análise da estrutura 
nuclear. Enquanto o núcleo da célula intermediária é vesicular com cromatina delicada uniformemente 
distribuída e cromocentros (condensações de cromatina), o núcleo da célula superficial é picnótico, ou 
seja, com cromatina condensada, sem evidência de granulação.
34
Unidade I
Superficial
Intermediária
Parabasal
Basal
Figura 4 – Epitélio escamoso estratificado da ectocérvice
3 COLETA E PROCESSAMENTO DE MATERIAL PARA EXAME CITOPATOLÓGICO
3.1 Coleta de Papanicolau
Segundo o Manual de Citopatologia Diagnóstica (GAMBONI; MIZIARA, 2013), as condições para a 
coleta de uma amostra citológica que apresente requisitos ideais de avaliação são: o exame não deve 
ser efetuado durante a menstruação ou antes de 3 dias após o fim do último período menstrual; nas 
48 horas anteriores ao exame, a paciente não deve ter feito duchas vaginais, ter tido relações sexuais 
ou ter utilizado absorventes internos, cremes, espermicidas ou medicamentos pela via vaginal, assim 
como não deve ter sido submetida a procedimentos ginecológicos (colposcopia, ecografia transvaginal, 
endoscopia ginecológica ou histeroscopia). Se a paciente estiver com amenorreia ou na menopausa, 
o exame pode ser executado a qualquer momento. Em caso de realização de biópsia ou outro tipo de 
manobra no colo uterino, é preciso esperar, pelo menos, 20 dias antes de efetuar a coleta.
O Manual Técnico para o Cuidado do Câncerdo Colo do Útero (BRASIL, 2002), sugere que o primeiro 
passo é o preenchimento apropriado da ficha do pedido do exame citopatológico com letra legível 
e com todos os dados pertinentes da paciente e da Unidade de Saúde. A técnica de coleta deve ser 
adequadamente executada na ectocérvice e na endocérvice, com o uso da espátula de Ayres e da 
escovinha tipo Campos da Paz, representadas, respectivamente, na figura a seguir.
Figura 5 – Espátula de Ayres e escovinha tipo Campos da Paz
35
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
Segundo o procedimento de coleta do espécime proposto pelo Manual de Citopatologia Diagnóstica 
(GAMBONI; MIZIARA, 2013), antes da coleta, é necessário contar com o pedido para o estudo, no qual deve 
constar a identidade da paciente e os dados clínicos relevantes. Também é preciso ter lâminas rotuladas. A 
paciente deve estar em posição ginecológica, permitindo a colocação do espéculo para visualizar todo o colo 
do útero sem o uso de lubrificantes. A zona de transformação pode ser prontamente visualizada ou estar 
muito alta e não ser visível; isso varia de pessoa para pessoa e resulta de mudanças hormonais, como a atrofia.
O epitélio endocervical deslocado ou invertido, que invade a ectocérvice, fica sujeito a condições adversas 
presentes na cavidade vaginal, podendo sofrer agressão por agentes biológicos, como bactérias, fungos e vírus 
ou por agentes físicos ou químicos, transformando-se, aos poucos, em epitélio escamoso. Esse procedimento 
é chamado de metaplasia, e a área que passou por esse processo chama-se zona de transformação.
O espéculo vaginal sem lubrificante (para evitar contaminação da amostra) é introduzido para a 
visualização do colo. Depois de retirar com algodão o excesso de muco, secreção ou sangue, a espátula 
de Ayres é apoiada no canal endocervical, sendo executado um raspado na junção escamocolunar 
através de movimento de rotação de 360º. A amostra do fundo de saco posterior da vagina também 
é obtida através de raspado, com a extremidade romba da espátula de Ayres. A espátula é deixada em 
repouso sobre o espéculo e imediatamente é realizada a colheita do material endocervical. A escovinha 
designada especialmente para essa finalidade é inserida através do orifício cervical externo, sendo 
executada uma rotação completa no canal que pode ser finalizada com um movimento de vai e vem, 
com cuidado para não traumatizar a mucosa, evitando sangramento (BARROS et al., 2012).
Figura 6 – Materiais necessários para coleta do citopatológico
A) B) C)
Figura 7 – Etapas da colheita tríplice de amostras cérvico-vaginais: a) colheita do fundo 
de saco posterior da vagina, b) colheita da ectocérvice, c) colheita da endocérvice
36
Unidade I
 Saiba mais
Conheça mais sobre métodos de diagnóstico tradicionais e modernos 
por meio dos documentos indicados a seguir.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 63, de 12 de dezembro de 2019. 
Torna pública a decisão de incorporar a citologia em meio líquido para o 
rastreamento de câncer de colo de útero e lesões precursoras, no âmbito do 
Sistema Único de Saúde - SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: 
https://www.cosemsrn.org.br/wp-content/uploads/2019/12/portaria 
63.pdf. Acesso em: 30 maio 2020.
CONSELHO NACIONAL DE INCORPORAÇÃO DE TECNOLOGIA NO SUS 
(CONITEC). Citologia em meio líquido para rastreamento de câncer de colo 
do útero e lesões precursoras. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível 
em: http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2019/Relatrio-Citologia-em-
Meio-Lquido_FINAL_497_2019.pdf. Acesso em: 31 maio 2020.
3.1.1 Preparação da lâmina para o exame citopatológico
Segundo o Controle dos cânceres do colo do útero e da mama (BRASIL, 2013), para coleta na 
ectocérvice, utiliza-se a espátula de Ayres do lado que apresenta reentrância. Deve-se encaixar a ponta 
mais longa da espátula no orifício externo do colo, apoiando-a firmemente, fazendo uma raspagem em 
movimento rotativo de 360° em torno de todo o orifício cervical, para que toda superfície do colo seja 
raspada e representada na lâmina, procurando exercer uma pressão firme, mas delicada, sem agredir 
o colo, para não prejudicar a qualidade da amostra. Para a coleta na endocérvice, utiliza-se a escova 
endocervical. Deve-se recolher o material introduzindo a escova endocervical e fazendo um movimento 
giratório de 360°, percorrendo todo o contorno do orifício cervical.
Posteriormente, deve-se estender o material sobre a lâmina de maneira delicada para a obtenção de 
um esfregaço uniformemente distribuído, fino e sem destruição celular. A amostra ectocervical deve ser 
disposta no sentido transversal, na metade superior da lâmina, próximo da região fosca, previamente 
identificada com as iniciais da mulher e o número do registro. O material retirado da endocérvice 
deve ser colocado na metade inferior da lâmina, no sentido longitudinal. O esfregaço obtido deve ser 
imediatamente fixado para evitar o dessecamento do material (BARROS et al., 2012).
Vale destacar que é importante observar a validade do fixador. Na fixação com álcool a 96%, 
considerada mundialmente como a melhor para os esfregaços citológicos, a lâmina deve ser colocada 
dentro do frasco com álcool em quantidade suficiente para que todo o esfregaço seja coberto, depois, 
deve-se fechar o recipiente cuidadosamente e envolvê-lo com a requisição. Na fixação com spray de 
polietilenoglicol, borrifa-se a lâmina, que deve estar em posição horizontal, imediatamente após a coleta, 
com o spray fixador, a uma distância de 20 cm. Acondiciona-se cuidadosamente a lâmina em uma caixa 
37
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
de lâminas revestida com espuma de náilon e papel, a fim de evitar a quebra, para o transporte ao 
laboratório, lacrando-se a tampa da caixa com fita gomada. Os passos seguintes são:
• Fechar o espéculo, mas não totalmente, evitando beliscar a mulher.
• Retirar o espéculo delicadamente, inclinando levemente para cima, observando as paredes vaginais.
• Retirar as luvas.
• Auxiliar a mulher a descer da mesa.
• Solicitar que ela troque de roupa.
• Informar sobre a possibilidade de um pequeno sangramento que poderá ocorrer depois da coleta, 
tranquilizando-a e avisando que cessará sozinho.
• Enfatizar a importância do retorno para o resultado e se possível agendar conforme rotina da 
unidade básica de saúde.
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2013) recomenda que as lâminas sejam enviadas para o laboratório 
devidamente acondicionadas e acompanhadas dos formulários de requisição. O formulário deve estar 
devidamente preenchido e a identificação coincidente com a do frasco ou da caixa de porta-lâmina e 
as iniciais da lâmina. Deve ainda ser preparada uma listagem de remessa, preferencialmente em duas 
vias (uma para a unidade e outra para o laboratório), com a identificação da unidade e a relação de 
nomes e números de registro das mulheres que tiveram seus exames encaminhados. Os exames devem 
ser enviados ao laboratório o mais breve possível, para que o tempo entre a coleta e o resultado não 
seja desnecessariamente prolongado. O envio das lâminas pode ser semanal, mas é fundamental a 
racionalização do sistema de transporte utilizado: no momento da entrega de uma remessa de exames 
no laboratório devem ser apanhados os resultados de outros exames deixados anteriormente.
NO
ME
NO
ME
NO
MEA)
B)
C)
Figura 8 – Modelo recomendado para a distribuição das amostras citológicas na lâmina de vidro: 
a) distribuição da amostra da endocérvice, b) distribuição do material obtido do raspado ectocervical, 
c) distribuição da amostra do fundo de saco posterior da vagina
38
Unidade I
Existem diversos instrumentos usados na obtenção de amostras da ectocérvice, da zona de 
transformação e do canal endocervical, entre os quais as espátulas de madeira, as plásticas e as escovas 
endocervicais. Logo em seguida da coleta, a fixação desse material na lâmina deve ser imediata. É essencial 
não esquecer que a lâmina e a caixa (ou frasco) devem estar identificadascorretamente, da mesma 
forma que a ficha de requisição de exames deve estar preenchida, todas a lápis grafite. Para a fixação dos 
esfregaços, após a dispersão sobre a lâmina, as amostras devem ser fixadas imediatamente, enquanto 
molhadas, em etanol por pelo menos 15 minutos, ou deve-se usar spray fixador. É recomendável que a 
fixação ocorra em tempo menor que 10 segundos após a coleta, para preservar a morfologia celular, suas 
afinidades tintoriais, facilitar a permeabilidade dos corantes nas células e preservar a amostra contra o 
ressecamento. Os fixadores mais utilizados são o álcool etílico ou equivalentes, em uma graduação que 
pode variar entre 70% e 95%, e solução alcoólica de polietilenoglicol a 2%.
A fixação em álcool é feita por imersão; a fixação com solução de polietilenoglicol pode ser feita 
em gotas ou com spray. Se a solução é spray, deve-se respeitar uma distância mínima de 15 cm, para 
evitar dispersão, sobreposição ou perda de material celular, e máxima de 30 cm, para que ocorra fixação 
adequada. Nessas soluções, o álcool atua como fixador, desnaturando as proteínas e os ácidos nucleicos, 
tornando-os insolúveis e estáveis. A solução de polietilenoglicol promove a formação de um filme opaco 
sobre a lâmina, impedidino o ressecamento do material (BIBBO; WILBUR, 2010).
 Observação
O fixador mais utilizado é o etanol a 95%. Outros menos utilizados são 
o isopropanol a 80% e o metanol a 100%, além dos fixados com aerossol. 
A maioria desses fixadores é à base de polietilenoglicol em uma base de 
álcool, fornecendo às células uma camada protetora. Essas lâminas precisam 
ser submersas em etanol a 95% durante 30 minutos, em um primeiro 
recipiente, e durante 15 minutos em outro, para remover completamente o 
polietilenoglicol e prosseguir com a técnica de coloração.
Qualquer mulher que teve ou mantém vida sexual deve realizar o exame preventivo periódico, 
principalmente as que têm entre 25 e 59 anos. De preferência, o exame deve ser feito anualmente. 
Após dois exames consecutivos (com um intervalo de um ano) com resultado normal, o preventivo pode 
ocorrer a cada três anos (INCA, 1988).
No caso de mulheres histerectomizadas, aconselha-se constatar se o colo foi preservado. 
Permanecendo o colo, o exame deve ser feito regularmente. Na situação de pacientes grávidas, a 
coleta não é contraindicada, mas deve ser feita de maneira cautelosa, podendo ocorrer um pequeno 
sangramento (INCA, 2011b).
3.1.2 Coleta de material em meio líquido
Na década de 1990 foi desenvolvida e implantada uma nova metodologia para a realização da 
citopatologia do colo uterino: a citologia em meio líquido (LBC). A implementação da metodologia em 
39
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
meio líquido, associada a novas tecnologias, permitiu a melhoria na acurácia e na identificação dessas 
alerações, além de diminuir, quase na sua totalidade, possíveis interferentes presentes nos esfregaços, 
dificultando a análise da amostra.
O método de citologia em meio líquido, aprovado para uso clínico desde 1996, veio aperfeiçoar a 
coleta de material de colo de útero para o exame citopatológico, o pode trazer benefícios em termos 
de diminuição de amostras insatisfatórias. A metodologia é capaz de diminuir interferentes, como o 
excesso de muco, restos celulares, exsudato inflamatório intenso, hemácias, espermatozoides e outros 
interferentes e artefatos capazes de mascarar os achados citológicos (CONITEC, 2019).
A coleta de material celular em meio líquido é relizada com uma escova de cerdas plásticas ou 
com uma espátula de Ayres plástica, capaz de destacar as respectivas cabeças removíveis, utilizadas 
para a realização do raspado celular. Os instrumentos são introduzidos no canal vaginal até atingir o 
orifício externo do canal endocervical. A porção alongada da escova é fixada dentro do canal e com dois 
movimentos de rotação em 360 °C.
As amostras celulares das regiões endocervical, JEC e ectocérvice devem ser coletadas e, em seguida, 
depositadas em um frasco com líquido conservante. Após a coleta, o material é destinado, com a cabeça 
da escova, dentro do recipiente com líquido conservante. A totalidade da amostra celular coletada é 
mantida em condições ideais para análises citológicas e moleculares. Uma das grandes vantagens dessa 
metodologia é que a amostra pode ser acondicionada por um período médio de 15 dias em temperatura 
ambiente, 6 meses refrigerado a 4 °C ou até 2 anos a -20 °C (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
A adequabilidade da amostra é um dos principais fatores que condicionam a realização correta 
do exame de citologia cérvico-vaginal. A representação celular das regiões de ectocérvice, JEC e canal 
endocervical permite a completa avaliação das possíveis alterações celulares que acometem essas 
regiões, responsáveis pelo desenvolvimento e pela evolução do câncer do colo uterino em 99% dos casos. 
A metodologia em meio líquido permite a maior distribuição das células na lâmina. Essa composição 
celular é obtida após um processo de homogeneização (vórtex) das células, conservadas no frasco, e 
um processo de enriquecimento, permitindo o aumento da concentração celular por centrifugação 
(CONSOLARO; ENGLER, 2016).
Figura 9 – Material de coleta em meio líquido
40
Unidade I
3.2 Colorações de Papanicolaou e coloração de Shorr
A coloração de esfregaços citopatológicos pode ser realizada pelas técnicas de Papanicolaou ou 
Shorr, que são colorações policrômicas, ou seja, utilizam vários corantes, permitindo a diferença das 
células em cianófilas e/ou eosinófilas.
Segundo Bibbo e Wilbur (2010), a coloração de Papanicolaou é utilizada pela maioria dos laboratórios 
de citologia, sendo referência mundial. É constituída por etapas de coloração do núcleo e do citoplasma, 
fases de desidratação, hidratação e diafanização. Essa bateria de coloração pode ser composta de 12 a 
17 cubas, de acordo com as adaptações de cada laboratório. Apesar de permitidas, as adaptações devem 
manter o objetivo principal, que é a coloração adequada do núcleo e dos componentes do citoplasma, 
sendo capaz de indicar a maturidade celular.
A hematoxilina é um corante básico de solução aquosa que atua sobre estruturas ácidas 
(basofílicas/cianófilas) e interage com os ácidos nucleicos, resultando em uma coloração azul-escuro 
do núcleo celular. Possui afinidade por parede celular de lactobacilos e outras bactérias que podem estar 
presentes no esfregaço e reagir delicadamente com o citoplasma das células escamosas. O orange G é um 
corante ácido de base alcoólica que cora os componentes básicos (acidófilos /basófilos) do citoplamas das 
células escamosas maduras (diferenciadas) de amarelo ou alaranjado, incluindo proteínas pré-queratínicas 
das células superficias eosinofílicas. Cora também parcialmente hifas fúngicas. Já o EA é um corante de base 
alcoólica, com afinidade por estruturas basofilícas/ácidas (cianofilícas) e acidófilas/básicas (eosinofílicas). 
A coloração tem finalidade de corar grânulos oxifílicos dos citoplasmas de células escamosas menos 
maduras e de células glandulares, além de corar o citoplasma de Trichomonas vaginalis. Vale destacar que 
EA-36 e EA-65 variam entre si apenas na concentração do corante verde-luz, que, na solução EA-36, é 50% 
maior do que na solução EA-65.
Os objetivos da coloração de Papanicolau são: permitir a definição de detalhes estruturais do núcleo; 
determinar transparência celular (obtida com a passagem dos esfregaços em várias cubas com álcool em 
diferentes concentrações e pelo álcool etílico presente nos corantes EA e orange G); diferenciar os elementos 
celulares cianófilos e eosinófilos, permitindo a melhor identificação de determinados tipos celulares.
A coloração de Papanicolau é composta de uma sucessão de três soluções corantes e fases de 
hidaratação, desidaratação e diafanização da amostra, como descrito a seguir.
• Hidratação: processo no qual o material citológico é hidratado em banho de água corrente para 
facilitar a interação com o primeiro corante,que é de base aquosa.
• Coloração com hematoxilina.
• Desidratação: processo realizado pela imersão do material citológico em concentrações crescentes 
de álcool para que as células se combinem com o próximo corante, que é de base alcoólica. 
A desidratação também elimina traços de água que poderiam prejudicar a transparência de 
preparação pela formação de gotas opalescentes. A passagem por esses álcoois também auxilia 
na remoção do excesso de hematoxilina.
41
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
• Coloração com orange G; coloração com EA – 36 ou EA – 65.
• Diafanização: nessa etapa, é fundamental que o material seja intensamente desidratado. Esse 
processo é realizado por imersão em xilol, um agente clarificante e solvente que diminui a 
opacificação das células, criando uma condição de transparência necessária para a visualização 
de detalhes celulares.
• Montagem das lâminas com meio de montagem (bálsamo do Canadá sintético) ou verniz 
automativo (CONSOLARO; ENGLER, 2016; STORTI-FILHO et al., 2008; BIBBO; WILBUR, 2010).
A coloração de Shorr, somada a uma etapa com hematoxilina de Harris, é denominada coloração 
de Harris-Shorr ou Shorr modificado. Apesar de a coloração de Papanicolau ser absolutamente a mais 
utilizada na citologia clínica, em vários serviços brasileiros a coloração de Shorr modificado é uma opção 
de coloração alternativa. Assim como na coloração de Papanicolau, a coloração de Shorr modificado 
(Pundell) é composta de uma fase de coloração do núcleo, realizada pela hematoxilina, e uma única 
fase para a coloração de citoplasma, feita pelo corante de Shorr (universalmemte usado para avaliação 
hormonal por sua sensibilidade em corar e representar a maturidade celular). Possui também as fases 
de hidratação, desidratação e diafanização, mas sua bateria, em comparação com a de Papanicolau, é 
menor: entre 7 e 9 cubas. Como consequência, o custo e o tempo para a realização do processo são 
menores, sem deixar de atender as expectativas das características morfotintoriais.
O xilol utilizado nas colorações citológicas alternativamente poderá ser substituído por secagem em 
estufa por 20 minutos e a 60 °C, procedimento igualmente eficiente no processo de desidratação. Existem 
inúmeras vantagens de retirada do xilol da bateria de coloração, como a preservação do ambiente, a 
diminuição de exposição a substâncias tóxicas, a desoneração do laboratório na aquisição e no descarte 
desse componente químico, entre outras (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
 Observação
Para se obter uma coloração de qualidade, é necessário realizar uma 
checagem diária (mediante análise microscópica), fazendo as correções 
necessárias: por exemplo, a troca de soluções (corantes) da bateria, que 
dependerá do número de lâminas processadas diariamente. Um dado 
importante: recomenda-se que a troca dos corantes seja feita após a 
coloração de, mais ou menos, 2.000 lâminas.
4 ANÁLISE DA CITOPATOLOGIA CÉRVICO-VAGINAL EM DIVERSAS CONDIÇÕES
O início básico da citologia é identificar as alterações da morfologia celular, observando-se o citoplasma 
e o núcleo das células coradas pela técnica de Papanicolau. As características citoplasmáticas indicam 
o grau de diferenciação celular, que, quando se altera, pode mostrar diferenças em quantidade e forma, 
coloração, presença de vacuolizações, depósitos anormais de proteínas como queratina, entre outras 
coisas. O núcleo, quando se analisa o aspecto, a coloração, o tamanho e a forma da membrana nuclear, 
42
Unidade I
indica se a célula está normal, saudável ou se está sofrendo alterações inflamatórias, pré-neoplásicas e 
até neoplásicas.
4.1 Análise da citopatologia cérvico-vaginal em condições hormonais basais, 
pré-menarca, gravidez e menopausa
A citologia hormonal é definida como avaliação das condições endócrinas das pacientes por meio de 
estudos morfológicos das células vaginais, sendo uma das primeiras aplicações diagnósticas da citologia 
clinica. Além de estabelecer a condição hormonal da paciente, é apropriado, para avaliar a função 
ovárica normal e patológica da puberdade até a menopausa, estimular o tempo da ovulação, avaliar a 
função placentária e disfunções obstétricas, auxiliar na seleção da terapia hormonal e acompanhar os 
resultados de tratamentos hormonais. Algumas informações sobre o estado hormonal da mulher podem 
ser obtidas por avaliação dos esfregaços cervicais de rotina (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
Vários estudos recomendam que, para que os resultados da citologia hormonal sejam confiáveis, 
coletas repetidas devem ser feitas e comparadas no mesmo ciclo ou no decurso de um tratamento 
hormonal. Além disso, o citologista também deve ser informado sobre dados clínicos da paciente, como 
idade, dia do ciclo menstrual, situações fisiológicas ou patológicas do aparelho genital e utilização de 
tratamento hormonal, pois não há interpretação hormonal válida sem essas informações.
Ciclo sexual mensal ou ciclo menstrual é definido como as alterações mensais nas taxas de secreção 
dos hormônios femininos, que promovem mudanças nos ovários e em outros órgãos sexuais, durante os 
anos reprodutivos hormonais (GUYTON et al., 2006).
No sistema genital feminino, os ovários são incitados por um hormônio produzido pela placenta, 
a gonadotrofina coriônica humana (hCG), e começam a funcionar ainda na fase embrionária. O hCG 
é um hormônio muito semelhante ao hormônio luteinizante (LH). Ao nascer, uma mulher possui, 
aproximadamente, um milhão de folículos primários, também chamados de primordiais, em cada ovário. 
A maioria desses folículos se degenera, e a mulher chega à puberdade com cerca de 400 mil folículos em 
cada ovário (GUYTON et al., 2006; VERAS; NARDI, 2005; MORAES, [s.d.])
4.1.1 Pré-menarca
É na puberdade que começam a ser prouzidos os principais hormônios sexuais femininos, que são o 
estrógeno e a progesterona. O estrógeno é formado nas células do folículo ovariano em desenvolvimento, e 
ele é o incumbido pelo surgimento das características sexuais secundárias na mulher, como aparecimento 
das mamas, alargamento dos quadris, distribuição de pelos pelo corpo etc. O estrógeno também motiva 
o amadurecimento dos órgãos genitais, além de promover o impulso sexual. A progesterona é outro 
hormônio sexual feminino que é formado basicamente pelo corpo amarelo, também chamado de corpo 
lúteo do ovário. Esse hormônio incentiva o desenvolvimento dos vasos sanguíneos e das glândulas do 
endométrio, tornando-o espesso e preparando o útero para receber o embrião (VERAS; NARDI, 2005; 
MORAES, [s.d.]).
43
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
Hormônios basais
Desde o instante em que a menina começa a gerar esses hormônios sexuais, uma vez por mês ela 
irá ovular, desde o princípio do seu ciclo menstrual, que ocorrerá a cada 28 dias aproximadamente. 
O ovário, no instante da ovulação, lança um ovócito secundário ao mesmo tempo em que o útero 
se prepara para receber o embrião. Caso ocorra a fecundação do ovócito secundário, o embrião se 
implantará no útero e se desenvolverá, caso contrário, ele se degenera e é eliminado juntamente com a 
parede interna do útero, em um processo chamado de menstruação. Todos esses processos, que ocorrem 
tanto no útero quanto no ovário, são controlados pelos hormônios FSH (hormônio folículo-estimulante) 
e LH (hormônio luteinizante). A menstruação acontece quando as taxas de todos os hormônios ficam 
muito baixas no sangue da mulher, marcando o início de um ciclo menstrual (GUYTON et al., 2006; 
VERAS; NARDI, 2005; MORAES, [s.d.]).
Para fins didáticos, dividiremos o ciclo menstrual em três fases: a fase proliferativa, a fase de secreção 
e a fase menstrual.
Na fase proliferativa, também chamada de fase folicular, o folículo cresce e se alinha para a ovulação. 
Esse crescimento é incentivado pelo hormônio FSH, e, à medida que o folículo cresce, começa a produzir 
estrógenos, um grupo de hormônios que incentivam o desenvolvimento do endométrio. Nesse processo, 
vários folículos são incentivados, mas apenas um delestermina o crescimento, acumulando líquido em 
seu interior e transformando-se em folículo maduro (ou folículo de Graaf). Ao atingir um estabelecido 
nível no sangue, o estrógeno começa a impulsionar a hipófise a liberar grandes quantidades de LH e FSH, 
os quais irão induzir a ovulação, que normalmente ocorre no décimo quarto dia após o início do ciclo 
menstrual (VERAS; NARDI, 2005).
Na fase secretória, também conhecida como fase lútea, o LH incentiva as células do folículo ovariano 
extinto a se transformarem em corpo amarelo, também chamado de corpo lúteo. É no corpo lúteo 
que acontecerá a produção de estrógeno e progesterona. Caso não ocorra a fecundação do ovócito 
secundário, acontecerá a fase menstrual (VERAS; NARDI, 2005).
Nessa fase, o corpo lúteo se declina, parando de produzir progesterona e estrógeno. A queda na 
produção desses hormônios faz com que o útero sofra descamação, acontecendo a menstruação, que 
pode durar de três a sete dias, dependendo da mulher e de suas condições fisiológicas. Essa queda nas 
taxas de progesterona e estrógeno, por sua vez, faz com que a hipófise volte a produzir FSH, reiniciando 
o ciclo menstrual.
A primeira menstruação ocorre na puberdade e é chamada de menarca. Após os 50 anos de idade, 
a produção de hormônios sexuais femininos declina, a ovulação e os ciclos menstruais se tornam 
irregulares até cessarem completamente. Nessa fase, conhecida como menopausa, não há mais atividade 
reprodutiva no corpo da mulher (MORAES, [s.d]).
44
Unidade I
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29
Út
er
o
O
vá
rio
s
Hi
pó
fis
e
Ciclo menstrual
Ovulação
Progesterona
Estrógeno
LH
FSH
Corpo 
lúteo
Folículos em crescimento
Figura 10 – Representação das fases do ciclo menstrual
4.1.2 Gravidez
Quando ocorre a gravidez, a placenta secreta grande quantidade de hCG, somatomamotropina 
coriônica humana, estrógeno e progesterona. A hCG tem como a função evitar a involução do corpo 
lúteo, de modo que a secreção de estrógeno e progesterona continue pelos próximos meses, impedindo 
a menstruação e fazendo com que o endométrio continue a crescer e armazenar grandes quantidades 
de nutrientes. Após algumas semanas, a placenta secreta quantidades suficientes de progesterona e 
estrogênios para manter a gravidez até o fim do período gestacional, e o corpo lúteo involui lentamente. 
Após o parto, na maioria das mães que estão amamentando, sinais neurais que chegam ao hipotálamo, 
promovendo a secreção de prolactina, atuam sobre a liberação de GnRH, suprimindo a formação do FSH 
e LH, de modo que o ciclo sexual mensal não retorna até que a frequência da amamentação diminua 
ou pare por completo e a hipófise volte a secretar os hormônios gonadotróficos (CONCEIÇÃO, 2006; 
GUYTON et al.,2006).
4.1.3 Menopausa
O climatério (ou perimenopausa) é uma fase fisiológica da vida, e não um processo patológico. 
Trata-se da mudança entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher, quando surgem 
as irregularidades menstruais e as queixas vasomotoras, antecedendo a menopausa. A menopausa é o 
marco dessa fase, referindo-se ao último ciclo menstrual seguido por doze meses de amenorreia (ou 
seja, é a parada permanente da menstruação).
45
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
A menopausa tem como consequência a diminuição da secreção dos hormônios ovarianos, estrogênio 
e progesterona, devido à perda definitiva da atividade folicular ovariana. A redução da função ovariana 
e, assim, do feedback negativo, resulta na elevação das concentrações do FSH, sendo esta a primeira 
indicação laboratorial do climatério inicial. Estudos populacionais sugerem que o fumo e a condição 
socioeconômica baixa estão relacionaods com o fim precoce dos períodos menstruais. Outros fatores 
podem afetar a idade em que as mulheres têm seu período menstrual finalizado, como: menarca, paridade, 
uso prévio de contraceptivos orais, índice de massa corpórea, etnia e histórico familiar (PANTALEÃO et 
al., 2009; BLAKE, 2006).
4.2 Padrões citológicos nas diferentes fases da vida da mulher
Anatomicamente, o colo do útero divide-se em duas porções chamadas de ectocérvice e endocérvice. 
O epitélio que recobre a cavidade endocervical é formado por uma única camada de células cilíndricas 
endocervicais, com função secretora e locomotora. A ectocérvice, histologicamente, apresenta três 
extratos de células escamosas: camada profunda, formado por uma camada de células basais e várias de 
células parabasais; extrato intermediário, formada por várias camadas de células intermediárias; e extrato 
superficial, formado por várias camadas de células superficiais. O processo de maturação e diferenciação 
desse epitélio é diretamente dependente de ação hormonal cíclica de estrogênio e progesterona, estabelecido 
o predomínio de células de determinado grau de diferenciação celular de acordo com a faixa etária e a 
fase do ciclo menstrual em que a mulher se encontra. Esse processo de maturação é caracterizado por um 
aumento do tamanho do citoplasma e pela diminuição do núcleo (PLEWKA, 2007; TAPIA, 2008).
Carvalho (2008) relata que os esfregaços com atividade estrogênica podem ser divididos nas fases 
pré-ovulatória e ovulatória. Na fase pré-ovulatória, as células, inteiramente intermediárias, identificam 
a fase e indicam o início da maturação provocada pela influência estrogênica no epitélio escamoso 
antes de atingirem seu máximo amadurecimento, representado pelas células superficiais. As células 
pré-ovulatórias apresentam citoplasma bastante aumentado e núcleo com diâmetro reduzido (porém, 
este ainda não se tornou picnótico), coram-se fracamente em cianofilia, embora, algumas vezes, leves 
tonalidades eosinófilas possam aparecer na porção média das células (outras vezes, no entanto, são 
acentuadamente eosinófilas, sendo a cor rosa a mais encontrada).
Os esfregaços com atividade luteínica ou progesterônica são divididos nas fases pós-ovultória, 
pré-menstrual e menstrual. Na fase pós-ovulatória, as células superficiais e intermediárias diminuem 
de tamanho, sendo chamadas de células regressivas. Essas células são submetidas a um processo de 
reabsorção, e não a um processo de citólise. Nessa fase, analisando a supressão da ação estrogênica 
sobre a mucosa vaginal, também se verifica que as células superficiais e intermediárias alongadas 
aumentam de número.
Já a fase pré-menstrual tem um padrão muito típico, sendo composta de células pré-menstruais 
que são, na maioria, células intermediárias com citoplasma acentuadamente cianofílico e núcleos 
aumentados de tamanho, apresentando-se agrupadas, formando grandes aglomerados, sendo maiores 
que os grupos observados nas outras fases. Uma aparência comum dessas células é a irregularidade da 
forma citoplasmática, uma vez que o contorno citoplasmático é menos nítido e, não raro, indica citólise 
46
Unidade I
inicial. Na fase menstrual, além do grande número de eritrócitos presentes no esfregaço, há uma grande 
escamação de células epiteliais.
Os esfregaços com atividade estrogênica podem ser divididos nas fases pré-ovulatória e ovulatória. 
Na fase pré-ovulatória, as células, absolutamente intermediárias, identificam a fase e indicam o início 
da maturação provocada pela influência estrogênica no epitélio escamoso antes de atingirem seu 
máximo amadurecimento, representado pelas células superficiais. As células pré-ovulatórias apresentam 
citoplasma bastante aumentado e núcleo com diâmetro reduzido (porém este ainda não se tornou 
picnótico), coram-se fracamente em cianofilia, embora, algumas vezes, leves tonalidades eosinófilas 
possam aparecer na porção média das células; outras vezes, são acentuadamente eosinófilas, sendo a 
cor rosa a mais encontrada.
Na fase ovulatória, há predomínio de células superficiais que atingem o máximo de maturação e 
esfoliação e chegarão à metade dos elementos celulares do esfregaço. A coloração de seu citoplasma 
é nitidamente rósea ou vermelha com algumas células amareladasou alaranjadas tipicamente eosinofílicas, 
com núcleo extremamente picnótico (CARVALHO, 2008; ATKINSON, 2005).
Os esfregaços com atividade luteínica ou progesterônica são divididos nas fases pós-ovulatória, 
pré-menstrual e menstrual. Na fase pós-ovulatória, as células superficiais e intermediárias diminuem 
de tamanho, sendo chamadas de células regressivas. Essas células são submetidas a um processo de 
reabsorção, e não a um processo de citólise. Nessa fase é também observado que as células superficiais 
e intermediárias alongadas aumentam de número, refletindo a supressão da ação estrogênica sobre 
a mucosa vaginal. Já a fase pré-menstrual tem um padrão muito típico, sendo composta de células 
pré-menstruais que são, na maioria, células intermediárias com citoplasma acentuadamente cianofílico 
e núcleos aumentados de tamanho, apresentando-se agrupados, formando grandes aglomerados, sendo 
maiores que os grupos observados nas outras fases. Um aspecto comum dessas células é a irregularidade 
da forma citoplasmática, uma vez que o contorno citoplasmático é menos nítido e, não raro, indica 
citólise inicial. Na fase menstrual, além do grande número de eritrócitos presentes no esfregaço, há uma 
abundante escamação de células epiteliais (CARVALHO, 2008).
Durante a gestação, a citologia vaginal deixa de mostrar modificações cílcicas, de modo que ao 
epitélio se atribui um padrão característico pela intensa estimulação hormonal do tipo progestacional. 
No início da gravidez, nas primeiras 6 semanas, os esfregaços vaginais apresentam aspectos semelhantes 
ao pré-menstrual, podendo demonstrar um leve efeito estrogênico. Assim, existe a presença de células 
escamosas intermediárias, mas pode haver células superficiais. O esfregaço dito gestacional é constatado a 
partir do segundo ou terceiro trimestre de gravidez e é composto de células escamosas intermediárias, incluindo 
células ricas em glicogênio, com núcleo periférico e bordas bem definidas, conhecidas como naviculares, 
e também lactobacilos e citólise. A camada superficial é muito fina e reduzida, podendo estar ausente. 
Esse padrão citológico não é observado exclusivamente na gravidez, mas padrões parecidos podem ser 
verificados no início da menopausa ou em alguns casos de amenorreia (KOSS; GOMPEL; BERGERON, 2006).
Podem ser observados três padrões citológicos na menopausa. Com a dimunição da secreção de 
estrógenos, ocorre a inibição gradativa da proliferação das células epiteliais escamosas. Consolaro e 
Engler (2016) citam que, no início, predominam as células epiteliais escamosas intermediárias, porém 
47
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
algumas células superficiais podem estar presentes, caracterizando baixa atividade estrogênica. Com 
o tempo, que pode variar de poucos meses até vários anos, há uma queda progressiva da atividade 
estrogênica, passando a haver predomínio de células escamosas parabasais, representando o epitélio 
hipotrófico. Por fim, é possível observar a presença de células escamosas parabasais, indicando baixíssima 
produção estrogênica. O epitélio atrófico é mais suscetível a infecções em razão do menor número de 
camadas celulares, por isso, geralmente é possível observar a presença de processo inflamatório intenso 
(SILVA FILHO, 2000).
Vale esclarecer que a menopausa clínica e a citológica podem não coincidir, ou seja, a paciente pode 
apresentar ciclos menstruais regulares e esfregaços citológicos, já mostrando o início de menopausa. 
Por outro lado, em mulheres com menopausa clínica, o tempo para instalação da atrofia também pode 
variar, acontecendo em poucos meses após a última menstruação ou jamais ocorrendo, persistindo o 
predomínio de células epiteliais escamosas intermediárias por toda a vida, como nas que continuam 
sexualmente ativas ou que mantêm certa produção de esteroides adrenais (BIBBO, 1997).
Silva Filho (2000) e Koss, Gompel e Bergeron (2006) evidenciam que nos epitélios glandulares 
endocervical e endometrial também se observa uma regressão progressiva, com escassez das glândulas 
e, consequentemente, menor produção de muco, o que costuma levar ao dessecamento do epitélio 
escamoso vaginal. O dessecamento faz com que as células apresentem aspecto achatado, com variação 
do tamanho e da forma, eosinofilia citoplasmática, cariorrexe e picnocitose nuclear que pode sugerir 
hipercromasia. Essas características celulares podem sugerir carcinoma escamoso e criar problemas 
diagnósticos, que podem ser esclarecidos pela administração de estrogênio, que, por sua vez, é capaz 
de melhorar a maturação do epitélio escamoso, de modo que as anormalidades causadas pela atrofia 
desapareçam; por outro lado, se houver malignidade, as alterações celulares persistirão. Nesse epitélio, 
as células endocervicais são normalmente escassas ou ausentes nos esfregaços cervicais.
4.3 Análise da citopatologia cérvico-vaginal em condições inflamatórias, 
infecciosas (bacterianas, fúngicas, infecções por protozoários)
O conteúdo cérvico-vaginal nomal é constituído de células epiteliais escamosas, células colunares, 
endocervicais em pequeno número, células endometriais no período menstrual, detritos celulares, muco 
cervical, microbiota bacteriana variada, leucócitos em pequeno número, água e ácido láctico. A vagina 
e o colo formam um ecossistema complexo com numerosas espécies bacterianas, que podem ser, em 
circunstâncias particulares, a causa de cérvico-vaginites. Deve ser encontrada uma série de alterações 
gerais e citológicas no corte histológico e/ou esfregaço citológico.
As microbiotas vaginal e cervical são diferentes, mas se superpõem no conteúdo vaginal. As glândulas 
de Bartholin e Skene, a cavidade uterina, as tubas uterinas, ovários e estruturas anexas são estéreis em 
condições de normalidade. Os órgãos genitais externos apresentam microbiota da própria pele mais 
alguns componentes da microbiota intestinal. O trato genital inferior apresenta comunicação com o 
meio ambiente externo, o que propricia o desenvolvimento de reações inflamatórias infecciosas e não 
infecciosas. Na continuidade desses processos inflamatórios, existem muitas mulheres assintomáticas. 
Quando sintomáticas, os principais sintomas apresentados são leucorreia, irritação vulvovaginal, coceira, 
dor, ulceração e sangramento (CONSOLARO; ENGLER, 2016).
48
Unidade I
4.3.1 Infecções bacterianas
Lactobacillus vaginalis (bacilos de Döderlein)
Representam bacilos gram-positivos que fazem parte da flora vaginal normal. As enzimas desses 
microrganismos influenciam a destruição proteolítica (citólise) das células epiteliais escamosas 
intermediárias que contêm glicogênio. O glicogênio citoplasmático é, então, metabolizado em ácido 
lático, que mantém o pH vaginal entre 3 e 4.2, o qual exerce um mecanismo de defesa contra a 
proliferação de microrganismos patógenos. A citólise é identificada nos esfregaços pela presença de 
restos citoplasmáticos e núcleos desnudos de células intermediárias tendo na vizinhança numerosos 
bacilos. Quando a citólise é intensa, pode complicar ou mesmo impedir a graduação das lesões 
pré-cancerosas, uma vez que é necessária a manutenção do citoplasma íntegro para calcular a relação 
nucleocitoplasmática, um critério importante para a classificação dessas lesões. O predomínio de 
lactobacilos acontece na fase luteínica do ciclo menstrual, na gravidez, na menopausa precoce e durante 
a administração de hormônios, especialmente progestágenos. Bactérias mistas constituem uma mistura 
de bacilos e cocos, que só podem ser identificados pela cultura microbiológica. Em mulheres adultas 
assintomáticas, essas bactérias são consideradas um achado normal (LIMA, 2012).
Figura 11 – Numerosos bacilos, restos citoplasmáticos e núcleos desnudos (setas), representando citólise
Gardnerella vaginalis
São representados por cocobacilos gram-negativos ou gram-variáveis. Quando o pH vaginal é maior 
que 4.5, a Gardnerella pode se ligar a várias outras bactérias aeróbicas e anaeróbicas, especialmente 
Mobiluncus, bacteroidese Mycoplasma hominis. Essa infecção por múltiplas bactérias é chamada de 
vaginose bacteriana. A Gardnerella vaginalis é isolada na maioria dos casos, confirmando-se a sua relação 
etiológica com a doença. Clinicamente, a condição é associada a corrimento vaginal branco-acinzentado 
ou amarelado, fluido, homogêneo, com odor de peixe estragado, às vezes com aspecto bolhoso.
O odor característico da secreção se intensifica por ocasião da menstruação e após relações sexuais 
devido ao aumento do pH e da consequente liberação pelos microrganismos de aminas responsáveis pelo 
49
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
cheiro. No esfregaço citológico, a Gardnerella vaginalis tem a propriedade de ligar-se ao citoplasma das 
células escamosas superficiais e intermediárias conferindo-lhes uma aparência granular (células-guia). 
É também característico o aspecto nublado, turvo, do fundo, especialmente na proximidade das 
células, devido a uma maior concentração de bactérias. Habitualmente há discretas alterações celulares 
degenerativas, e os neutrófilos são raros. Em raras ocasiões, bacilos ou cocos se sobrepõem às células 
escamosas, dando a falsa impressão de células-guia. Porém, nesse caso, o fundo não tem a aparência 
turva associada à infecção por Gardnerella (CATLIN, 1992).
Chlamydia trachomatis
É uma bactéria gram-negativa, intracelular obrigatória que depende, para o seu metabolismo, dos 
nutrientes e da energia da célula hospedeira. Ainda que em muitos casos a infecção pelo microrganismo 
seja assintomática, pode determinar processos inflamatórios na vulva, vagina, no colo, endométrio e 
nas trompas. A infecção por Chlamydia aumenta o risco de aborto espontâneo e morte fetal e pode se 
disseminar ao neonato durante o parto, provocando conjuntivite de inclusão e pneumonia. Em homens, 
o microrganismo é causa comum de uretrite não gonocócica e epididimite.
Alguns autores acreditam que Chlamydia trachomatis se apresenta nos esfregaços cérvico-vaginais sob 
a forma de inclusões citoplasmáticas de diferentes tipos, dependendo de suas etapas de desenvolvimento. 
Classicamente, são descritos três tipos de inclusões: corpos elementares, corpos reticulares e corpos 
agregados. Os corpos elementares aparecem como grânulos cocoides finos, eosinofílicos ou basofílicos. 
Eles são difusamente distribuídos no citoplasma finamente poroso ou são localizados na zona perinuclear. 
Esse estágio é seguido pela condensação e pela transformação dessas partículas em inclusões maiores 
circundadas por vacúolos de paredes finas (inclusões em alvo), que tendem a ser cianofílicas e maiores que 
os corpos elementares. Essas inclusões clamídicas geralmente revelam tamanho uniforme e distribuição 
perinuclear. O terceiro tipo, os corpos agregados, aparecem como grandes conjuntos de partículas finamente 
granulares eosinofílicas ou cianofílicas, dentro de grandes vacúolos citoplasmáticos. Esses vacúolos, que 
podem ocupar a maior parte do citoplasma, têm bordas distintas e se amoldam contra o núcleo.
Recentemente, considera-se a citologia um método pouco preciso, com taxas baixas de sensibilidade 
e especificidade na detecção de infecção por Chlamydia. Por outro lado, a cervicite crônica folicular é 
atribuída formalmente à infecção por Chlamydia em quase 50% dos casos. Nos esfregaços cervicais, 
a condição é representada por numerosos linfócitos em diferentes estágios de maturação, 
predominantemente inativados (de pequeno tamanho). Podem ser vistas mitoses e raros capilares. 
A chave para o diagnóstico é a presença de macrófagos de corpos tingíveis (macrófagos fagocitando 
linfócitos degenerados). A frequente associação desse tipo de cervicite com Chlamydia autoriza o 
citopatologista a sugerir a realização dos exames de imunofluorescência e cultura para a investigação 
desse microrganismo (VIGIL et al., 2002; SMITH et al.,1991).
Leptothrix vaginalis
Correspondem a bactérias anaeróbicas. Elas são comuns na cavidade oral, no intestino e, ocasionalmente, 
na vagina. Aparecem como estruturas filamentosas, em forma de “S”, “U” ou enoveladas. Há associação 
desse microrganismo com Trichomonas vaginalis de 75% a 80% dos casos (BARROS et al., 2012).
50
Unidade I
Infecções micóticas (Candida sp.)
As infecções micóticas representam a causa mais comum de vaginite nas regiões tropicais, sendo que 
a cultura biológica de 85% a 90% dos casos demonstra Candida albicans. É mais comum em mulheres 
imunossuprimidas, como aquelas sob tratamento com corticoides, quimioterapia ou com diabetes. 
Ocorre também mais frequentemente na gravidez. A infecção geralmente envolve a vulva, a vagina e, 
algumas vezes, o colo uterino.
As portadoras de Candida sp. são assintomáticas ou referem secreção vaginal espessa, branca, associada 
a prurido e ardor. No esfregaço vaginal identificam-se hifas, pseudo-hifas e esporos redondos ou ovais de 
3 a 7 micrômetros de diâmetro. Essas estruturas coram habitualmente em vermelho ou marrom. Nas hifas 
verdadeiras, o protoplasma é contínuo entre o eixo principal e as ramificações. A Candida se reproduz por 
brotamento. Os brotos se alongam formando as pseudo-hifas. Alguns esporos podem invadir o citoplasma 
das células epiteliais escamosas aparentemente intactas. Em um grande número de amostras citológicas, 
evidenciam-se halos perinucleares, vacuolização citoplasmática e cromatina agrupada. É frequente o 
encontro de neutrófilos degenerados. Em algumas ocasiões, o aumento nuclear é significativo e, quando 
associado à pseudoeosinofilia e halos perinucleares, pode ser difícil a diferenciação com alterações 
citopáticas pelo HPV. Contudo, na infecção micótica as alterações são difusas. Às vezes é necessária uma 
busca minuciosa pelo agente etiológico, nem sempre fácil de identificar. O exame das extremidades do 
esfregaço pode ser útil, pois a leve dessecação comum nessas áreas facilita o reconhecimento especialmente 
dos esporos que se mostram maiores que aqueles presentes nos setores bem fixados da amostra.
A Candida glabrata se segue em frequência à Candida albicans, e não é dimorfa, apresentando-se 
apenas sob a forma de macroconídias (esporos). É a única espécie de Candida que não forma pseudo-hifas. 
Não é possível a diferenciação citológica confiável entre as espécies de Candida albicans e Candida 
glabrata: esta se apresenta exclusivamente sob a forma de esporos pequenos, menores que aqueles da 
Candida albicans, com tendência a se agrupar (MURTA et al., 2000).
 Lembrete
A candidíase vulvovaginal é a infecção da vulva e vagina que acomete 
um terço das mulheres em idade reprodutiva. É causada por fungos do 
gênero Candida, sendo que a espécie Candida albicans é responsável pela 
maioria dos casos. Clinicamente, é caracterizada pela presença de corrimento 
esbranquiçado, prurido, ardor, disúria, edema e eritema vulvovaginal.
Protozoários - Trichomonas vaginalis
Corresponde a um protozoário flagelado, transmitido sexualmente. Quase 50% das mulheres com 
Trichomonas são assintomáticas. Contudo, podem se associar a corrimento vaginal abundante de cor 
verde-amarelada e odor desagradável. Nos esfregaços citológicos, devido à degeneração, raramente 
se identificam os flagelos do parasita. Trichomonas variam de tamanho, entre 5 e 20 micrômetros, 
e são piriformes, com limites mal definidos, às vezes contendo grânulos intracitoplasmáticos 
51
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
castanho-avermelhados indicando uma leve capacidade fagocitária. O seu núcleo é pequeno, 
excêntrico, redondo ou oval, levemente basofílico, de difícil identificação. Para a diferenciação com 
restos citoplasmáticos, a visualização do núcleo do parasita é essencial. Apenas o núcleo e, raramente, o 
axostilo são vistos no esfregaço cérvico-vaginal corado pela técnica de Papanicolau.
Na infecção por Trichomonas vaginalis, o fundo dos esfregaços geralmente é purulento, às 
vezes sob a forma de acúmulos focais de neutrófilos, que são conhecidos como balas de canhão. 
Há pseudo-eosinofilia citoplasmática pronunciada, e são comunsos halos perinucleares. Os núcleos 
podem ser volumosos e pode haver cariólise e cariorrexe. É frequente a associação de Trichomonas com 
Leptothrix vaginalis (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2006).
4.4 Análise da citopatologia cérvico-vaginal em condições de infecções virais 
(herpes, HPV)
Os herpes-vírus simples podem ser de dois tipos: HSV-1 e HSV-2. Ambos compartilham vários 
antígenos, mas possuem glicoproteínas específicas. O HSV-1 acomete, principalmente, lábios e face. 
Aproximadamente 90% da população apresenta anticorpos contra esse vírus, uma vez que pode 
ter sido infectada na infância sem apresentar sintomas. Já o HSV-2 acomete predominantemente a 
região genital, e a infecção ocorre, principalmente, no início da atividade sexual, entre 18 e 25 anos. 
Raramente o HSV-1 acomete os genitais; o HSV-2, a face e os lábios. As lesões permanecem infectantes, 
aproximadamente, de 10 a 12 dias. O HSV-2 é transmitido por contato sexual com parceiro infectado 
ou, raramente, por contato orogenital, com portador de herpes labial em atividade. A contaminação 
por assentos ou toalhas contaminados é improvável, pois o vírus não consegue sobreviver fora do 
organismo. A inoculação direta pode ocorrer em profissionais de saúde, após exposição a secreções 
infectantes. A contaminação é grande na presença de lesões na fase de vesículas.
Há dois tipos de infecção celular pelo HSV. A infecção produtiva, na qual ocorre a replicação viral 
aguda em células epiteliais e fibroblastos, e a infecção latente, na qual o vírus migra e permanece nas 
terminações nervosas. O vírus penetra no corpo por infecção das mucosas ou soluções de continuidade 
da pele, causando infecção localizada, inaparente ou com produção de vesículas, que representa a 
fase produtiva e promove lise e morte celulares. O vírus dissemina-se para células adjacentes e para 
o neurônio responsável pela inervação, onde não se replica. Após situações específicas, como estresse, 
imunossupressão ou outras, retorna de forma retrógrada via neurônio para o local inicial de infecção, 
causando a infecção produtiva. Características citológicas: as alterações desencadeadas pelo vírus 
afetam as células escamosas parabasais, metaplásicas imaturas e endocervicais.
Inicialmente se evidenciam citomegalia e cariomegalia. A seguir, devido à degeneração, a cromatina 
se torna rarefeita e os núcleos assumem um aspecto fosco, homogêneo. Simultaneamente, restos 
persistentes de cromatina se depositam contra o folheto interno da membrana nuclear, resultando na 
aparência de borda nuclear espessada. É frequente a multinucleação em que os núcleos se amoldam 
uns aos outros. Em alguns casos, inclusões intranucleares grandes podem ser observadas, não devendo 
ser confundidas com nucléolos, estes últimos geralmente menores e esféricos. O citoplasma das células 
acometidas é denso, opaco, devido a alterações da estrutura do citoesqueleto e à necrose por coagulação 
das proteínas (CONSOLARO, ENGLER, 2016).
52
Unidade I
As evidências epidemiológicas e laboratoriais apontam a estreita relação entre o HPV e o câncer 
anogenital. Os tumores mais frequentes compreendem o carcinoma cervical, vulvar, vaginal, de pênis 
e ânus. No câncer de colo, a prevalência de infecção pelo HPV varia entre 75% e 100%. A maioria 
dos carcinomas escamosos do colo uterino se origina do epitélio metaplásico escamoso na zona de 
transformação, que é mais suscetível à ação do papiloma vírus humano (HPV).
Dados clínicos e obtidos através de estudos anatomopatológicos comprovam o conceito do 
desenvolvimento dessa neoplasia através de estágios precursores, as lesões intraepiteliais escamosas 
e o carcinoma escamoso microinvasivo. O HPV é transmitido nas relações sexuais, com um pico de 
prevalência da infecção em mulheres no grupo etário entre 22 e 25 anos. A sua prevalência diminui 
com a idade, sugerindo que a maioria das infecções é suprimida pela resposta imunitária do hospedeiro 
(LIMA, 2012).
4.4.1 Tipos de HPV
Há mais de 150 tipos de HPV, embora somente cerca de 30 tipos sejam relacionados com o aumento 
do risco para câncer cervical. Comumente, o HPV é classificado nos tipos de baixo e de alto risco, 
de acordo com a sua menor ou maior associação com o câncer de colo. Os primeiros compreendem 
especialmente o HPV 6 e 11, e os de alto risco são representados mais frequentemente pelos tipos 
16, 18, 31 e 45, que contribuem para mais de 80% dos cânceres cervicais. Praticamente nenhuma 
das mulheres infectadas com HPV de baixo risco apresenta lesão progressiva. Por outro lado, entre 
aquelas infectadas com o HPV de alto risco, pelo menos 75% nunca desenvolverão lesões. Há fatores 
imunológicos e moleculares que interferem na evolução de uma lesão. Aproximadamente um terço 
de todas as lesões intraepiteliais escamosas regridem, 41% persistem e 25% progridem. Das lesões 
progressivas, 10% evoluem para carcinoma in situ e 1% para câncer invasivo. Dessa forma, três quartos 
das lesões intraepiteliais escamosas de todos os graus não progridem.
Estudos mostram que muitas das infecções pelo HPV são transitórias, a maioria desaparecendo depois de 
um ou dois anos. Há uma tendência de persistência das infecções por HPVs de alto risco. Os raros casos de 
câncer cervical em que o HPV não é encontrado poderiam ser explicados pelo desaparecimento do vírus após 
a lesão celular ou pela participação de outro tipo de HPV não identificado pelos testes moleculares de rotina.
O HPV, assim como outros vírus, é incapaz de replicar independentemente o seu próprio DNA. 
Assim, para completar o seu ciclo de vida, o HPV depende do metabolismo das células hospedeiras 
infectadas. Durante o contato sexual e através de microerosões da mucosa, o vírus penetra na zona de 
transformação do colo, infectando inicialmente as células basais ou as células de reserva (que podem se 
diferenciar em epitélio escamoso ou glandular). O vírus, ao penetrar na célula, perde o seu capsídeo e é 
transportado para o núcleo, onde permanece inicialmente no estado epissomal (na forma circular, não 
integrado ao genoma da célula hospedeira).
A replicação do DNA epissomal é restrita nessa fase a uma replicação por ciclo celular. As células 
imaturas infectadas são conhecidas como não permissivas, e, como nenhuma alteração histológica 
específica ocorre nesse estágio, a infecção é chamada latente. O aumento dramático da replicação 
viral (replicação do DNA viral), assim como a expressão dos genes tardios que codificam as proteínas 
53
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
do capsídeo com a formação dos vírions, manifesta-se simultaneamente à diferenciação das células 
escamosas hospedeiras. Só depois que as células basais se diferenciam em células intermediárias e 
superficiais é que o vírus pode se desenvolver completamente. Dessa forma, nessas células escamosas 
diferenciadas a multiplicação do vírus completo é possível, sendo, por isso, tais células conhecidas como 
células permissivas. Finalmente, ocorre a lise e a ruptura celular, com liberação dos vírions capazes de 
infectar novas células.
A produção das proteínas do capsídeo viral com a formação dos vírions é resultante da infecção produtiva e 
é mais comum nas verrugas genitais e nas lesões pré-cancerosas de baixo grau. É nessa fase que se observam os 
coilócitos que selam o diagnóstico citológico da infecção pelo HPV. Além de aspectos relacionados ao próprio 
HPV (tipo e carga viral, infecção única ou múltipla), os estudos epidemiológicos enfatizam a importância dos 
cofatores na história natural das infecções pelo HPV e das lesões associadas. Entre os cofatores são incluídos a 
multiparidade, o uso prolongado de contraceptivos orais, o tabagismo e outras doenças de transmissão sexual 
– particularmente a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). Dependendo da inter-relação entre esses 
vários fatores, a infecção pelo HPV pode ser transitória, com regressão em aproximadamente 90% dos casos 
dentro de 1 a 2 anos, ou persistente, nesse caso, associada a um maior risco dedesenvolvimento de lesão 
pré-cancerosa de alto grau e câncer invasivo (RABACHINI; SICHERO, 2016).
Epitélio 
escamoso Ferimento
HPV
Membrana 
basal
Célula 
epitelial 
basal
Figura 12 – Esquema representando a penetração do vírus durante a atividade sexual através 
de microerosões da vulva ou da vagina. As células basais do epitélio escamoso são infectadas e, 
nessa etapa, o DNA do HPV permanece no estado epissomal (não integrado ao genoma da célula hospedeira)
54
Unidade I
Membrana 
basal
Células 
basais
DNA epissomal 
do HPV
Infecção latente 
e baixo nível de 
replicação epissomal
(E1, E2) 
Proliferação celular 
e alto nível de 
replicação epissomal 
(E1, E2, E4, E5, E6, E7) 
Síntese da estrutura 
e liberação
(L1, L2, E4) 
Queratinócitos 
diferenciados
Liberação 
do vírusHPV
Derme
Figura 13 – Desenho representando a replicação do HPV no epitélio escamoso 
Inicialmente, como mostrado na figura anterior, o vírus permanece em estado epissomal nas células 
basais da camada germinativa do epitélio escamoso (infecção latente) com baixo nível de replicação 
viral. Com o amadurecimento das células escamosas, há uma intensa replicação viral. Há finalmente a 
expressão dos genes com a produção das proteínas do capsídeo viral e a liberação das partículas virais 
completas (vírions), que a partir daí infectam outras células
4.4.2 Manifestações clínicas da infecção pelo HPV
As manifestações clínicas da infecção pelo HPV são documentadas em 30% dos casos, sob a forma 
de condiloma acuminado (verrugas) visível macroscopicamente, geralmente observado na vulva e 
no períneo. A infecção latente não é detectada pelas técnicas convencionais de diagnóstico como 
colposcopia, citologia e histopatologia, sendo demonstrada pelo encontro de DNA do HPV, através 
de métodos de biologia molecular, em epitélios aparentemente normais. A infecção subclínica, ou 
condiloma plano, corresponde a aproximadamente 70% das infecções pelo HPV, com a aplicação de 
diferentes critérios para o seu diagnóstico. De um modo geral, é aceito que as lesões são evidenciadas 
pelo exame colposcópico apenas após a aplicação do ácido acético, sendo também detectadas através 
das alterações celulares nos esfregaços citológicos e na histologia.
 Saiba mais
Você pode saber mais sobre o papilomavírus humano (HPV) por meio 
dos textos indicados a seguir.
HAMMES, L. S.; NAUD, P. V.; MATOS, J. C. Reconhecimento pela 
descoberta do Papiloma Vírus Humano (HPV). Revista HCPA, Porto Alegre, 
v. 28, n. 3, p. 202-204, 2008. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/hcpa/
article/download/7246/4592. Acesso em: 31 maio 2020.
55
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. 
Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis. Coordenação 
Geral do Programa Nacional de Imunizações. Guia prático sobre HPV: 
perguntas e respostas. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: 
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/dezembro/07/
Perguntas-e-respostas-HPV-.pdf. Acesso em: 31 maio 2020.
4.4.3 Características citológicas da infecção pelo HPV
Segundo Solomon e Nayar (2005), a infecção pelo HPV é incluída no sistema Bethesda como lesão 
intraepitelial escamosa de baixo grau. A prevalência da infecção pelo HPV diagnosticada citologicamente 
varia entre 0,5 a 3% em mulheres da população geral, com ascensão desses percentuais para 8% a 13% 
das pacientes atendidas em clínicas de doenças sexualmente transmissíveis.
As alterações citopáticas associadas à infecção pelo vírus incluem as descritas a seguir.
• Coilocitose: apesar de específica da infecção produzida pelo HPV, é observada nos esfregaços 
citológicos apenas entre 20% a 33% dos casos. Ocorre em células escamosas superficiais e 
intermediárias que exibem cavitação perinuclear bem demarcada com condensação periférica do 
citoplasma, acompanhada de aumento do tamanho e hipercromasia nuclear, às vezes binucleação 
e multinucleação, além de cromatina de aspecto borrado ou granular. É importante distinguir 
o coilócito de células naviculares, células com halos inflamatórios e células metaplásicas com 
citoplasma diferenciado em endo e ectoplasma. Apesar de grosseiramente apresentarem 
semelhanças com o coilócito, neste último o clareamento perinuclear é maior, bem demarcado e 
associado a núcleo anormal.
• Disqueratose: na infecção pelo HPV, disqueratócitos podem surgir na superfície do epitélio. Todavia, 
tais células não são específicas da infecção. Disqueratócitos representam células escamosas em 
miniatura ou do tamanho padrão com queratinização anormal revelando aumento nuclear, 
hipercromasia, cromatina condensada e leves irregularidades da borda nuclear.
• Macrócitos: correspondem a células muito grandes, com citoplasma eosinofílico, cianofílico 
ou policromático, contendo às vezes neutrófilos ou outras células escamosas. Os núcleos são 
geralmente múltiplos, aumentados de volume, hipercromáticos. Não há alteração da relação 
nucleocitoplasmática. Tais células não são específicas da infecção pelo HPV, podendo ser 
encontradas também na deficiência de ácido fólico/vitamina B12 ou como efeito de radioterapia 
e quimioterapia.
 Observação
O termo disqueratose é alvo de discussão: para alguns autores, pode 
representar células anormalmente queratinizadas sem atipia nuclear.
56
Unidade I
4.4.4 Outros métodos diagnósticos na detecção pelo HPV
Os exames mais sensíveis e específicos na detecção das infecções pelo HPV são os testes moleculares, 
incluindo várias técnicas que detectam o DNA ou RNA do vírus. Entre eles, temos: southern blot, dot blot, 
hibridização in situ, PCR e captura híbrida. O PCR é considerado a técnica mais sensível na identificação 
do HPV, porém não tão específica, devido à maior possibilidade de diagnósticos falso-positivos gerados 
especialmente pela manipulação inadequada das amostras no laboratório. O teste de captura híbrida é o 
mais difundido no nosso meio devido a sua praticidade e efetividade: além de detectar o DNA do vírus, 
identifica o grupo ao qual ele pertence (baixo risco ou alto risco) e estabelece a carga viral. É importante 
ressaltar que esses testes moleculares não são diagnósticos das lesões associadas ao HPV, ou seja, a 
detecção do DNA viral não indica necessariamente que a paciente seja portadora de lesão intraepitelial 
escamosa (BARROS et al., 2012).
4.4.5 HPV e vacinas
Considerando que o HPV é condição necessária para o câncer cervical, a vacinação para prevenção 
do HPV apresenta potencial para reduzir a carga de doença cervical e lesões precursoras. O Ministério 
da Saúde adotou a vacina quadrivalente contra HPV que confere proteção contra HPV de baixo risco 
(HPV 6 e 11) e de alto risco (HPV 16 e 18). Essa vacina previne infecções pelos tipos virais presentes na 
vacina e, consequentemente, o câncer do colo do útero, além de reduzir a carga da doença. Tem maior 
evidência de proteção e indicação para pessoas que nunca tiveram contato com o vírus.
O objetivo da vacinação contra HPV no Brasil é prevenir o câncer do colo do útero, refletindo na 
redução da incidência e da mortalidade por essa enfermidade. Desfechos como prevenção de outros 
tipos de câncer induzidos pelo HPV e verrugas genitais são considerados desfechos secundários. A 
população-alvo da vacinação com a vacina HPV é composta de adolescentes do sexo feminino na faixa 
etária entre 11 e 13 anos no ano da introdução da vacina em 2014. A população-alvo, em 2015, foi a 
faixa etária de 9 a 11 anos, no segundo ano de introdução da vacina, e de 9 anos de idade do terceiro 
ano em diante, em 2016.
A vacina HPV é indicada para a imunização ativa contra os genótipos de baixo risco HPV 6 e 11 e de 
alto risco HPV 16 e 18. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS ou WHO, na sigla em ingês), a 
prevenção secundária compõe as estratégias para a detecção precoce do câncer do colo do útero. As 
principais são o diagnóstico precoce, através da abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas, e o 
rastreamento,pela realização do exame na população assintomática (aparentemente saudável), com o 
objetivo de identificar precocemente lesões precursoras ou sugestivas de câncer (WHO, 2013).
Segundo as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (INCA, 2011a), 
o rastreamento deve ser realizado através do exame citopatológico de esfregaço cérvico-vaginal, 
conhecido como exame Papanicolau, por todas as mulheres entre 25 e 64 anos de idade, a cada três 
anos (após dois exames anuais consecutivos negativos).
Até o momento, os componentes mais importantes para redução da morbimortalidade pelo câncer 
do colo do útero são a alta cobertura do rastreamento na população-alvo e o tratamento de lesões 
57
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
precursoras quando diagnosticadas. Com a introdução da vacina HPV no Brasil, as recomendações 
vigentes para o rastreamento do câncer o colo do útero não deverão ser alteradas, uma vez que não há 
evidências que justifiquem qualquer mudança.
Alguns aspectos importantes quanto ao controle do câncer do colo do útero são destacados a seguir.
• Realização do rastreamento nas adolescentes vacinadas quando atingirem a idade recomendada.
• Acompanhamento da qualidade e da sensibilidade do exame citopatológico. Nesse sentido, o 
Ministério da Saúde implantou a Qualificação Nacional em Citopatologia na Prevenção do câncer 
do colo do útero (QualiCito), através da Portaria MS/GM n. 1.504/2013, definindo ações de controle 
de qualidade laboratorial e de gestão.
• Implantação do Sistema de Informação do Câncer (Siscan) em substituição ao Sistema de Informação 
do Câncer do Colo do Útero (Siscolo). O Siscan está integrado ao cartão do SUS, permitindo a 
identificação da mulher atendida e a futura inclusão da informação de vacinação contra HPV.
• Realização de estudos de monitoramento dos genótipos de HPV a médio e longo prazo. Para tanto, 
é necessária uma nova infraestrutura operacional e de vigilância epidemiológica no país, incluindo 
suporte laboratorial para identificação e monitoramento da circulação dos subtipos virais.
 Resumo
O diagnóstico precoce do câncer de colo uterino é mundialmente 
realizado por intermédio do exame citopatológico ou exame de 
Papanicolaou, como é mais conhecido. O Ministério da Saúde vem 
incentivando a realização do exame citopatológico por meio de campanhas 
de saúde pública a fim de reduzir a incidência de câncer de colo uterino. Tal 
exame consiste em analisar as células provenientes da ectocérvice (células 
escamosas superficiais, intermediárias, parabasais e basais) e endocérvice 
(células endocervicais e endometriais) do colo uterino, particularmente da 
junção escamocolunar (JEC) (células metaplásicas), porque esse é o local 
em que se origina a maioria das neoplasias.
O exame citopatológico, amplamente utilizado para o rastreamento do 
câncer de colo uterino, depende uma boa técnica de coleta na qual todos 
os epitélios devem estar representados e com uma grande quantidade de 
células, fixação adequada na amostra toda. Além disso, o recebimento e o 
processamento da amostra devem ser realizados com qualidade, assim como 
a interpretação das alterações citopatológicas necessita escrutínio. Com isso, 
conseguimos identificar não somente as lesões precursoras e o câncer, como 
também auxiliar na detecção de infecções sexualmente transmissíveis.
58
Unidade I
Na coleta de material para o exame citopatológico (Papanicolau), o 
primeiro passo é o preenchimento adequado do formulário de requisição do 
exame com letra legível e com todos os dados pessoais e da unidade de saúde 
corretos. O procedimento de coleta propriamente dito deve ser realizado na 
ectocérvice e na endocérvice, usando-se a espátula de Ayres e a escovinha 
tipo Campos da Paz. Após a coleta, a fixação desse material na lâmina deve ser 
imediata. É fundamental não esquecer que essa lâmina e a caixa (ou frasco) 
devem estar corretamente identificadas, da mesma forma que o formulário 
de requisição de exames deve estar preenchido, todos a lápis grafite.
Outros pontos que merecem atenção são: registro do exame no 
laboratório; conferência de todos os dados e identificação da amostra; 
observação das condições do esfregaço citológico ao chegar no laboratório 
(se possível registrar); identificação dos esfregaços citológicos comparando 
com a requisição de pedido do exame (no qual deverão constar dados 
pessoais da paciente, tipo de exame, dados clínicos pertinentes); cadastro 
em banco de dados para gerar um número de registro da amostra.
Na fase proliferativa, também chamada de fase folicular, o folículo 
cresce e se prepara para a ovulação. Esse crescimento é estimulado pelo 
hormônio FSH, e, à medida que cresce, o folículo começa a produzir 
estrógenos, um grupo de hormônios que estimulam o desenvolvimento do 
endométrio. Nesse processo, vários folículos são estimulados, mas apenas 
um deles termina o crescimento, acumulando líquido em seu interior e se 
transformando em um folículo maduro (ou folículo de Graaf). Ao atingir 
um determinado nível no sangue, o estrógeno começa a estimular a 
hipófise a liberar grandes quantidades de LH e FSH, os quais irão induzir 
a ovulação, que geralmente ocorre no décimo quarto dia após o início do 
ciclo menstrual.
Na fase secretória, também conhecida como fase lútea, o LH estimula 
as células do folículo ovariano rompido a se transformarem em corpo 
amarelo (também chamado de corpo lúteo). É no corpo lúteo que ocorrerá 
a produção de estrógeno e progesterona. Caso não ocorra a fecundação 
do ovócito secundário, ocorrerá a fase menstrual. Nessa fase, o corpo 
lúteo se degenera, parando de produzir progesterona e estrógeno. A queda 
na produção desses hormônios faz com que o útero sofra descamação, 
ocorrendo a menstruação, que pode durar de três a sete dias, dependendo 
da mulher e de suas condições fisiológicas. Essa queda nas taxas de 
progesterona e estrógeno faz com que a hipófise volte a produzir FSH, 
reiniciando o ciclo menstrual.
A primeira menstruação ocorre na puberdade (menarca). Após os 50 anos 
de idade, a produção de hormônios sexuais femininos declina, a ovulação 
59
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
e os ciclos menstruais se tornam irregulares, até cessarem completamente. 
Nessa fase, conhecida como menopausa, não há mais atividade reprodutiva 
no corpo da mulher.
Citologia cérvico-vaginal normal: células escamosas superficiais são 
células maduras, com núcleo denso e picnótico que pode ou não ser 
circundado por um halo, já o citoplasma apresenta formato poligonal, 
achatado e costuma ter uma coloração eosinofílica.
Células escamosas intermediárias são células que descamam 
isoladamente ou em aglomerados, os núcleos têm a forma redonda 
ou ovalada, com a cromatina nuclear finamente granulada na qual 
conseguimos identificar os cromocentros da cromatina sexual (os nucléolos 
são invisíveis). Já o citoplasma tem o seu formato elíptico ou esférico, rico 
em glicogênio, podendo conter vacúolos ou não.
Células escamosas parabasais são células em formato ovalado ou 
esférico, com núcleos vesiculosos, com cromatina finamente granular e 
citoplasma cianofílico bem delimitado. Aparecem predominantemente na 
menopausa, por vezes em esfregaços de mulheres jovens com processo 
infeccioso ou traumático.
Células endocervicais apresentam formas variadas conforme seu 
posicionamento no esfregaço; no seu formato colunar, possuem citoplasma 
transparente e núcleo esférico. No seu formato achatado, são visualizados 
grupos de células que descamam em lençóis, chamados “favo de mel”, com 
seus núcleos centrais circundados por citoplasma transparente e claro.
As células endometriais de origem glandular são cilíndricas ou cuboides 
e apresentam-se de forma isolada ou em pequenos agrupamentos, seus 
núcleos são esféricos ou ovalados, a cromatina se apresenta finamente 
granular, pequenos nucléolos são ocasionalmente visíveis e seu citoplasma 
geralmente é cianofílico e vacuolizado. As células endometriais deorigem estromal são células isoladas de difícil identificação ou pequenos 
agrupamentos chamados êxodos.
A microbiota vaginal é formada principalmente por lactobacilos, 
entre outras espécies de microrganismos saprófitos. Quando ocorre 
um desequilíbrio, podemos observar reações inflamatórias ou não 
causando alterações nas células epiteliais e evidenciando a presença 
de bactérias, fungos, vírus e protozoários. Há a presença de uma reação 
inflamatória quando ocorre o aumento de células no local da inflamação 
como macrófagos e leucócitos e, com isso, pode haver o aumento ou a 
diminuição do pH, na qual ocorre uma substituição dos lactobacilos por 
60
Unidade I
bactérias anaeróbias facultativas como Gardnerella vaginalis, Bacteroides 
sp. Mobiluncus sp. e Mycoplasma sp.
Candida sp. (C. albicans e não albicans: C. glabrata e C. tropicalis): 
na presença desse fungo, encontramos as estruturas de hifas e esporos, 
além de algumas alterações celulares inflamatórias como aumento do 
volume e hipercromasia nuclear, binucleações, hiperceratinização, halos 
perinucleares, eosinofilia e aumento de leucócitos.
Trichomonas vaginalis (protozoário flagelado anaeróbio facultativo): no 
exame de Papanicolau, encontramos organismos verde-acizentados, ovais 
ou em forma de pera, com um núcleo pequeno excentricamente localizado. 
Pode ocorrer aumento de leucócitos, de células parabasais e alterações 
celulares inflamatórias, como halos perinucleares frequentes.
Herpes genitalis (tipo 1 e 2): esse vírus pode infectar células escamosas 
intermediárias, metaplásicas ou endocervicais. São visualizadas células 
multinucleadas, com núcleos amoldados, pálidos (aspecto de “vidro fosco”) 
e contendo inclusões eosinofílicas envoltas por halo claro.
É de extrema importância para o estudante da área o conhecimento 
e a correta diferenciação das células, das alterações citopatológicas e dos 
agentes microbiológicos presentes nas amostras, bem como a interpretação 
do laudo para um bom diagnóstico, diminuindo, assim, as altas incidências 
de câncer de colo uterino.
 Exercícios
Questão 1. (Enade 2013) A vacina quadrivalente contra o HPV é comercializada no Brasil desde 
2006 e é formulada contra os subtipos 6 e 11, os principais causadores de verrugas genitais, e contra 
os subtipos 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino. Para produção dessa 
vacina são utilizadas técnicas moleculares avançadas nas quais a proteína viral L1 de cada tipo de vírus 
é produzida em laboratório. Essas proteínas se organizam espontaneamente formando os capsômeros e, em 
seguida, uma estrutura semelhante ao vírus inteiro que é chamada de Partícula Semelhante a Vírus 
(VLP, de virus like particules). As VLPs são mais imunogênicas que as proteínas solúveis utilizadas nas 
vacinas convencionais e não apresentam potencial infeccioso nem oncogênico, pois não possuem 
material genético viral.
VESPA JR., N. Vacina quadrivalente contra HPV 6, 11, 16, 18: a mais nova ferramenta de prevenção. 
Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis, v. 18, n. 4, p. 220-223, 2006 (adaptado).
Com base no texto anterior, avalie as afirmações seguintes.
61
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
I - A produção das VLPs foi realizada por meio do cultivo do vírus em laboratório e posterior 
purificação das proteínas L1 e união espontânea para formação das VLPs.
II - Para produção das VLPs, foi feito inicialmente cultivo do HPV de interesse em laboratório, clonagem 
do gene L1 de cada tipo de HPV e, em seguida, foi feita a expressão de cada uma das proteínas L1 
recombinantes, e posterior purificação da VLP.
III - As VLPs dos diferentes tipos de HPV foram produzidas e mantidas em laboratório para posterior 
purificação e utilização como vacina.
É correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) I e III, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das assertivas
I - Assertiva incorreta.
Justificativa: as VLPs são produzidas a partir das proteínas L1.
II - Assertiva correta.
Justificativa: com o avanço da biologia molecular e da engenharia genética, temos hoje uma nova 
realidade, a vacina contra HPV. Consegue-se em laboratório a realização da vacina a partir da proteína 
de L1, principal proteína da capa externa do vírus. E, através de um autoarranjo das proteínas L1, serão 
formadas as VLPs (Virus Like-Particles ou Partículas Semelhantes a Vírus). Essas partículas demonstraram 
induzir uma forte resposta à produção de anticorpos quando administradas em humanos, fazendo com 
que o organismo identifique as VLPs como um invasor e produza uma resposta imunitária.
III - Assertiva incorreta.
Justificativa: trata-se de uma vacina recombinante, sendo necessária a clonagem do L1.
62
Unidade I
Questão 2. (Enade 2013) A detecção precoce do câncer de colo uterino é feita por um exame 
tecnicamente simples e de baixo custo, a partir do esfregaço cérvico-vaginal. Esse exame também é 
conhecido como exame citológico, de lâmina, citopatológico ou citologia cérvico-vaginal. Embora o 
principal propósito da citologia cérvico-vaginal seja a detecção das lesões precursoras do câncer cervical, 
o achado de condições infecciosas/reativas também pode contribuir para a saúde da mulher. Um dos 
fatores de risco para o câncer de colo uterino é o histórico de infecções sexualmente transmissíveis, sendo 
comprovada essa relação por vários estudos epidemiológicos realizados no Brasil. Dessa forma, tem 
crescido o interesse na utilização do exame preventivo do câncer de colo uterino para o reconhecimento 
de infecções cérvico-vaginais, como uma importante alternativa diagnóstica.
Coilocitose Binucleação
A) B)
Figura 14 - Esfregaço cérvico-vaginal indicando características celulares de coilocitose e binucleação 
(à esquerda) e esfregaço cérvico-vaginal mostrando células-guia, sendo que as setas indicam células 
escamosas recobertas por densas colônias de microrganismos (à direita)
Considerando o texto e a figura anterior, é correto afirmar que:
A) As figuras A e B revelam características celulares que indicam provável infecção pelo Papiloma 
Vírus Humano (HPV), visto que a coilocitose e a binucleação observadas em células da figura 
A, assim como a presença de “células-guia”, recobertas por densas colônias de microrganismos, 
observadas na figura B, são características da infeção por HPV.
B) As figuras A e B revelam características celulares que indicam provável infecção por Gardnerella 
vaginalis, visto que a coilocitose e a binucleação observadas em células da figura A, assim como a 
presença de “células-guia” recobertas por densas colônias de microrganismos, são observadas na 
figura B, características da infecção por Gardnerella vaginalis.
C) A figura A revela características celulares indicativas de provável infecção por Gardnerella 
vaginalis, visto que a coilocitose e a binucleação observadas em células desse esfregaço são típicas 
da infecção por essa bactéria.
D) A figura B revela características celulares indicativas da infecção por HPV, visto que a presença 
de “células-guia”, recobertas por densas colônias de microrganismos, é característica da infeção 
por esse vírus.
63
CITOPATOLOGIA E CITOLOGIA CLÍNICA
E) A figura A revela características celulares indicativas de provável infeção pelo Papiloma Vírus 
Humano (HPV), visto que a coilocitose e a binucleação observadas em células desse esfregaço 
são típicas da infecção por HPV. A figura B revela características celulares indicativas de provável 
infecção por Gardnerella vaginalis.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: a figura B aparece recoberta por colônias de microrganismos, indicando Gardnerella 
vaginalis, um cocobacilo que adere ao citoplasma das células superficiais e intermediárias (células-guia). 
A infecção por HPV está associada aos coilócitos.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: Gardnerella vaginalis está associada à figuraA, apenas.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: a figura B revela características celulares indicativas de provável infecção por Gardnerella 
vaginalis. Coilocitose e binucleação são típicas da infecção por HPV.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: a figura B revela somente características indicativas de Gardnerella vaginalis.
E) Alternativa correta.
Justificativa: a figura A revela características celulares indicativas de provável infecção pelo 
Papiloma Vírus Humano (HPV), visto que a coilocitose e a binucleação observadas em células desse 
esfregaço são típicas da infecção por HPV. A figura B revela características celulares indicativas de 
provável infecção por Gardnerella vaginalis. De fato, o sinal clássico de infecção pelo HPV observado nos 
esfregaços cérvico-vaginais são os coilócitos e as características de infecção por Gardnerella vaginalis 
são as células-guia recobertas por cocos e bacilos.

Mais conteúdos dessa disciplina