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PROFESSORAS
Me. Larissa Benvenutti 
Me. Silvia Aparecida Ramos
Hematologia 
Clínica
ACESSE AQUI O SEU 
LIVRO NA VERSÃO 
DIGITAL!
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17339
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Coordenador de Conteúdo Sidney Edson Mella Junior Designer Educacional Lucio Ferrarese Curadoria Katia Salvato 
Revisão Textual Sarah Cocato Editoração Adrian Marçareli dos Santos, Nivaldo Villela Ilustração Andre Luis Azevedo, 
Geison Odlevati Ferreira Fotos Shutterstock. 
Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar
Diretoria de Design Educacional
FICHA CATALOGRÁFICA
Impresso por: 
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. 
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. BENVENUTTI, Larissa; 
RAMOS, Silvia Aparecida.
 Ramos Hematologia Clínica. Larissa Benvenutti, Silvia Aparecida 
Maringá - PR: Unicesumar, 2022. 
248 P.
ISBN: 978-85-459-2259-9
“Graduação - EaD”. 
1. Hematopoiese 2. Clínica 3. Eritrograma. I. Título. 
CDD - 22 ed 616.079
02511346
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17299
Silvia Aparecida Ramos
Olá, caro(a) aluno(a)! O meu nome é Silvia Aparecida Ramos. Eu sou 
farmacêutica e atuo na área de análises clínicas e toxicológicas. En-
quanto era estudante, recebi algumas dicas para seguir a carreira 
como docente. Contudo, antes de me aprofundar nesse mundo 
fantástico, resolvi viver as experiências profissionais para aprender 
e, depois, ensinar. Foi tudo muito desafiador, trabalhei cinco anos 
intensos, dividindo o tempo entre rotina e vários plantões noturnos 
em grandes hospitais da cidade de Curitiba. 
Bom, a vida não pode ser feita somente de trabalho e estudo, não é? 
Eu sou uma pessoa muito eclética, gosto de muitas coisas. Amo música, 
e, quando falo de música, são vários artistas. As minhas playlists têm de 
tudo: Madonna, Metallica, Bob Marley, Djavan, Arctic Monkeys, The Doors, 
Ramones, Os Serranos. Uma loucura! Adoro culinária, em especial, as 
cozinhas italiana e árabe. Sorvete e chocolate, é claro! 
Em casa, somos um trio de humanos: eu, meu marido e nosso filho 
de dois anos. Além dos humanos, temos seis cães: três Schnauzers — 
Guilhermina, Madonna e Elvis, dois deles foram adotados — e três eu 
resgatei da rua — Nega, Doroteia e Brutus. Nas raras horas de folga, 
gostamos de curtir a praia em família. Praia é o meu lugar favorito, espe-
cialmente, no inverno, com um dia de sol e um passeio na beira do mar.
http://lattes.cnpq.br/2567691592823562
Aqui você pode 
conhecer um 
pouco mais sobre 
mim, além das 
informações do 
meu currículo.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11691
Larissa Benvenutti
Olá, caro(a) aluno(a)! O meu nome é Larissa Benvenutti. Eu sou biomédica 
e atuo na área de análises clínicas. Trabalho há cinco anos em análises 
clínicas, realizando, principalmente, plantões noturnos em hospitais. 
Nesse meio tempo, concluí a especialização em Hematologia Clínica e 
Banco de Sangue e o mestrado em Ciências Farmacêuticas. 
Apesar de ter uma rotina agitada, busco ter momentos de lazer. Amo 
livros de literatura e eu tenho um apreço por diferentes tipos de gênero, 
desde ficção científica, fantasias épicas, até clássicos da literatura. Existem 
três livros que têm um papel especial no meu coração: Os Miseráveis, de 
Victor Hugo; A Menina que Roubava Livros, de Markus Suzak; e O Peque-
no Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Sou apaixonada por história 
e adoro conhecer museus, se eu pudesse, estaria sempre conhecendo 
um lugar diferente e me imergindo na cultura. Nas horas de folga, eu 
prefiro ter tranquilidade e ir para a praia. 
http://lattes.cnpq.br/0773828917994903
Aqui você pode 
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mim, além das 
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meu currículo.
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Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. 
O download do aplicativo está disponível nas plataformas:
Google Play App Store
Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite 
este momento.
PENSANDO JUNTOS
EU INDICO
Enquanto estuda, você pode acessar conteúdos online que ampliaram a discussão sobre 
os assuntos de maneira interativa usando a tecnologia a seu favor.
Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo 
Unicesumar Experience. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os 
recursos em Realidade Aumentada. Explore as ferramentas do App para saber das 
possibilidades de interação de cada objeto.
REALIDADE AUMENTADA
Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode 
sobre o código, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido
PÍLULA DE APRENDIZAGEM
Professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas.
RODA DE CONVERSA
EXPLORANDO IDEIAS
Com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do 
assunto discutido, de forma mais objetiva.
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HEMATOLOGIA CLÍNICA
Uma forma de investigar as funções fisiológicas do nosso organismo, bem como possíveis patologias é por meio 
das análises laboratoriais. Esse é um campo diverso, e existem inúmeras áreas dentro do laboratório clínico, como 
a Bioquímica, Imunologia, Microbiologia, Parasitologia, Toxicologia, Biologia Molecular, dentre outras. 
Uma área de destaque muito importante e que exige muita dedicação é a Hematologia. A Hematologia reúne 
um grande grupo de exames utilizados como ferramenta para avaliação do estado de saúde. Além disso, de forma 
geral, também são avaliadas a presença de anemias, processos infecciosos e reacionais, processos neoplásicos, além 
da avaliação dos distúrbios hemorrágicos. 
Caro(a) aluno(a), como são realizados os exames hematológicos? Como as análises hematológicas são inter-
pretadas? Qual é a contribuição da Hematologia para o diagnóstico clínico? 
A Hematologia tem fundamental importância na investigação de doenças no momento em que o paciente 
procura o médico e relata a sua “queixa”. Praticamente, todas as áreas da Medicina utilizam o hemograma como 
objeto principal dessa avaliação, devido à sua vasta quantidade de parâmetros que direcionam à investigação do 
médico. Após isso, outros exames hematológicos podem ser solicitados. Devido à sua importância, o hemograma 
deve ser realizado de forma criteriosa, eliminando a possibilidade de erros analíticos, que possam comprometer 
o quadro clínico e a saúde do indivíduo. 
Quando estamos bem de saúde, conseguimos elaborar e desenvolver as nossas atividades diárias. Seguimos em 
frente, vivemos! Entretanto, nesse caminho fantástico da vida, algumas situações podem abalar o nosso estado de 
saúde. Por exemplo, um dia você acorda com dores no corpo, sensação de mal estar, a garganta está arranhando, 
o nariz trancado, com dor de cabeça e uma sensação febril. Nesse dia, a vontade é ficar na cama, não levantar de 
forma alguma! Será que existe algum agente infeccioso? É provável. 
A realização de um hemograma pode ajudar a elucidar essas alterações, indicando um provável agente in-
feccioso e a evolução do quadro clínico. Pense nas vezes em que você ou alguém que você conhece fez exames 
de sangue que envolviam alguma condição clínica. Lembre-se dos passos necessários para a realização desses 
exames e tente definir quais são os propósitos que esses passos do exame possuem. 
Os processos infecciosos são situações muito relevantes e muito comuns na rotina do setor de Hematologia 
Clínica. O hemograma é a principal ferramenta nessa avaliação, pois ele mostrará como as células de defesa estão 
atuando. Além disso, mostra quais são as células de defesa envolvidas no processo infeccioso, quais células aumen-
tadas e estimuladas. Essa observação auxiliaa correlacionar o principal patógeno associado ao quadro clínico e, 
consequentemente, também, auxilia no monitoramento da evolução do quadro e do sucesso da farmacoterapia.
Caro(a) aluno(a), devido à grande variedade de conteúdos, você aprenderá temas diferentes em cada unidade. Na 
Unidade 1, você aprenderá sobre a hematopoiese e uma introdução à rotina de biossegurança do laboratório clínico. 
Já na Unidade 2, apresentaremos para você o eritrograma, enquanto, na Unidade 3, você aprenderá sobre as anemias. 
A seguir, na Unidade 4, o estudo será sobre o leucograma, enquanto a Unidade 5 falará sobre o plaquetograma, 
e você aprenderá sobre o hemograma nas leucemias agudas na Unidade 6. Na Unidade 7, você aprenderá sobre o 
hemograma nas neoplasias mieloproliferativas crônicas, mielodisplasias e nos processos reacionais mieloides; na 
Unidade 8, você aprenderá sobre o hemograma nas doenças linfoproliferativas crônicas e nos processos reacionais 
linfoides. Por fim, na Unidade 9, encerraremos nosso estudo nos debruçando sobre a hemostasia.
Dessa forma, preparamos muitas informações hematológicas para você. A Hematologia é uma ciência muito 
poderosa, que nos faz entender muitos processos fisiopatológicos, e o mais interessante é que praticamente 
tudo o que estudamos tem aplicação. Iniciemos o nosso estudo! Aproveite as dicas, e sucesso na sua caminhada. 
1 2
43
5 6
101
13
69
45
HEMATOPOIESE
147
O HEMOGRAMA 
NAS LEUCEMIAS 
AGUDAS
ANEMIAS
ERITROGRAMA
LEUCOGRAMA
 PLAQUETOGRAMA
123
7 8
9
167
207
189
O HEMOGRAMA NAS 
NEOPLASIAS MIELOPRO-
LIFERATIVAS CRÔNICAS, 
NAS MIELODISPLASIAS E 
NOS PROCESSOS REA-
CIONAIS MIELOIDES 
HEMOSTASIA
O HEMOGRAMA 
NAS DOENÇAS LIN-
FOPROLIFERATIVAS 
CRÔNICAS E NOS 
PROCESSOS REACIO-
NAIS LINFOIDES
1
Nesta unidade, você terá a oportunidade de aprofundar os seus 
conhecimentos sobre as boas práticas de laboratório, bem como 
ressaltar a importância e aplicação da biossegurança no ambiente 
de trabalho dos serviços de saúde de forma geral. A biossegurança 
faz parte da rotina do laboratório clínico e, também, do cotidiano, 
uma vez que algumas dessas práticas foram disseminadas na socie-
dade em tempos pandêmicos. Além disso, iniciaremos o estudo das 
bases hematológicas, enfocando os processos da fase pré-analítica 
dos exames hematológicos e a hematopoiese, que é a origem da 
formação do sangue — o instrumento de toda a análise citomorfo-
lógica na bancada da Hematologia Clínica.
Hematopoiese
Me. Silvia Aparecida Ramos
14
Durante as fases iniciais da pandemia da COVID-19, no ano de 2020, falou-se muito sobre a origem 
do Coronavírus e como ele infecta o ser humano. Duas teorias foram consideradas válidas: uma delas, 
chamada zoonótica, considera o contato do homem com um animal infectado, então o vírus trans-
pôs a barreira animal–homem; a outra teoria se referiu ao “escape” do vírus do maior laboratório de 
pesquisa em virologia de Wuhan, na China, indicando falhas no processo de biossegurança. Poderia 
mesmo ter ocorrido um “escape” de um agente viral tão perigoso?
Ambas as teorias levantadas possuem fundamento. A questão é: qual é a teoria mais provável e qual 
é a justificativa mais provável. O conhecimento sobre as boas práticas de laboratório e de biossegu-
rança promove argumentações sobre a segunda hipótese, visto que a biossegurança está diretamente 
vinculada à manipulação de patógenos. Nesse contexto, deve-se considerar o grupo de risco no qual 
o patógeno está inserido. Caro(a) aluno(a), as medidas de biossegurança protegem você e as pessoas 
ao seu redor. Então, ela é uma prática diária, necessária para evitar vários tipos de acidentes com pa-
tógenos, independente da sua periculosidade (aquilo que é perigoso ou arriscado para a vida).
Digamos que um pesquisador de um determinado centro de pesquisa de virologia, ao final do 
seu protocolo experimental, organiza a sua área de trabalho, retira o seu equipamento de proteção 
individual das mãos e do tronco, mas não o descarta adequadamente. Com pressa, esquece de lavar 
as mãos e sai do laboratório. Um detalhe: ele havia manipulado um agente viral de uma classe de risco 
3 — grupo de patógenos altamente contagiosos. Ao sair do laboratório, o pesquisador encontra um 
amigo e, com muito entusiasmo, cumprimenta-o com um forte aperto de mãos e um abraço. Passados 
alguns dias, ocorrem relatos de queixas médicas relacionadas a um agente infeccioso que produz um 
quadro clínico respiratório grave e altamente transmissível. Quais foram os momentos percebidos por 
você, caro(a) aluno(a), em que houve quebra de protocolo na experimentação? Quais são as medidas 
que deveriam ter sido tomadas para evitar o ocorrido?
UNICESUMAR
UNIDADE 1
15
Sempre, caro(a) aluno(a), o profissional de laboratório clínico tem que seguir todos os protocolos de 
segurança aplicados à sua área de trabalho. Seja na técnica experimental, seja na gestão da qualidade, 
seja em relação às normas de segurança. Com a vivência na prática, é quase impossível quebrar regras 
ou deixar de executá-las. Uma vez absorvidas, não serão esquecidas. O caso hipotético, mas que pro-
move reflexão e poderia acontecer na vida real, é um ótimo exemplo de compromisso com o “dever 
de seguir as normas”. No desenvolver desta unidade, você verá claramente esse processo e será capaz 
de ponderar (pensar muito sobre o assunto) sobre a consequência da falta de biossegurança. Pesquise 
sobre o assunto, discuta, reflita sobre essas questões e anote os seus resultados, as suas dúvidas ou mais 
questionamentos em seu Diário de Bordo.
16
A vivência dentro do laboratório clínico (laboratório de análises clínicas) expõe o profissional 
de saúde e a equipe, de forma geral, a uma variedade de riscos para a segurança, muitos dos quais 
são capazes de produzir lesões ou doenças graves. Pensando nisso, o desenvolvimento das prá-
ticas laboratoriais deve ser seguro e organizado, estruturado em procedimentos que objetivam 
reduzir a exposição dos analistas a riscos no ambiente de trabalho. Essas práticas envolvem a 
ordem e a limpeza dos materiais, a separação e a limpeza dos setores, o manuseio adequado de 
equipamentos elétricos, substâncias químicas, materiais radioativos e biológicos, o uso adequado 
de equipamentos de proteção individual (EPIs) e segurança, dentre outras, com o objetivo de 
mitigar a ocorrência dos riscos (HIRATA; MANCINI FILHO; HIRATA, 2017). 
Risco é a probabilidade de ocorrer um dano, um ferimento ou uma doença. Pode se classificar em 
riscos físicos, químicos, ergonômicos, acidentes e, especialmente, na rotina laboratorial, risco biológico.
O risco biológico, por sua vez, é a probabilidade de exposição ocupacional a agentes biológicos. 
Os agentes biológicos, para fins de segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, são os 
microrganismos — não modificados e modificados geneticamente —, a cultura celular, os para-
sitas, as toxinas e os príons. Os agentes biológicos são classificados em quatro classes de risco 
(CR) ou grupos de risco (GR), conforme Quadro 1.
UNICESUMAR
UNIDADE 1
17
Classe de risco Probabilidade de causar doença Risco indivi-dual Risco coletivo
CR1 Baixa probabilidade de o agente biológico causar doença em humanos. Baixo Baixo
CR2 Pode causar doenças que são tratáveis e controladas com profilaxia. Moderado Baixo
CR3
Pode causar doenças e infecções graves, 
que podem ser tratadas ou não, e sem 
sucesso na profilaxia.
Elevado Moderado
CR4
Apresenta grande potencial de transmis-
sibilidade de pessoa para pessoa, para o 
qual não existem meios eficazes de profila-
xia ou tratamento.
Elevado Elevado
Quadro 1 - Classificação de risco dos agentes biológicos / Fonte: adaptado de Hirata, Mancini Filho e Hirata (2017).
Vale ressaltar que diversas amostras recebidas e processadas no laboratório clínico são fontes 
de microrganismos, potencialmente, nocivos. O entendimento de como esses microrganismos 
são transmitidos (cadeia de infecção) é essencial para prevenir as contaminaçõesacidentais. A 
cadeia de infecção requer uma conexão contínua entre uma fonte, um método de transmissão 
e um hospedeiro suscetível. Nesse caso, a fonte pode ser uma amostra clínica contaminada. Por 
exemplo, uma amostra de hemograma de sangue total — amostra coletada com anticoagulante 
sem centrifugação — de um paciente infectado pelo vírus da hepatite B (HBV). O analista pode 
se contaminar caso entre em contato direto com o sangue do tubo, deixando-o cair, abrindo de 
forma inadequada e provocando dispersão de gotículas de sangue ou, ainda, perfurando a pele 
com a agulha suja de sangue em um procedimento de punção (STRASINGER; LORENZO, 2009). 
Geralmente, em ambiente de laboratório clínico, as pessoas têm muito medo de infecção pelo vírus 
da imunodeficiência humana (HIV), mas vários outros patógenos podem causar doenças e, por vezes, 
são até muito mais infectantes e graves. A regra geral é nunca subestimar o patógeno que, possivel-
mente, está nas amostras biológicas. No caso de outros patógenos, além do exemplo do HBV citado 
anteriormente, a contaminação ainda poderá ocorrer pela via aérea, por meio de gotículas — tosse, 
espirros do paciente ou de alguém da própria equipe —, e várias outras circunstâncias de exposição. 
Com isso, o ambiente laboratorial onde ocorre a manipulação dos materiais biológicos deve 
ser construído e organizado adequadamente, além de ter mecanismos de contenção específicos 
de acordo com a classe de risco biológico, descrita anteriormente. Nos laboratórios em que são 
manuseados agentes infecciosos, devem ser atendidos os requisitos de segurança específicos 
denominados níveis de contenção física ou níveis de biossegurança (NB), que são classificados 
de acordo com o grau de risco biológico (Quadro 2). 
18
Nível de bios-
segurança Indicação Medidas preventivas
NB1 Microrganismos da CR1 Planejamento do espaço e adoção de boas práticas de laboratório.
NB2 Microrganismos da CR2
Exige maior proteção da equipe, prevendo exposição 
ocasional e inesperada de microrganismos perten-
centes a esse grupo.
NB3 Microrganismos da CR3
Requer desenho e construção especializados, área 
com acesso restrito a pessoal autorizado e treina-
mento específico para a equipe quanto aos procedi-
mentos de segurança na manipulação desses agen-
tes.
NB4 Microrganismos da CR4
CUIDADO MÁXIMO! Precisa ser instalado em área 
isolada e funcionalmente independente de outras 
áreas. Requer barreiras de contenção e equipamen-
tos especiais de segurança biológica, área de suporte 
laboratorial e um sistema de ventilação específico.
Quadro 2 - Classificação dos níveis de biossegurança / Fonte: adaptado de Hirata, Mancini Filho e Hirata (2017).
No que se refere ao laboratório clínico tradicional, os profissionais terão maior contato com os níveis 
de contenção física e os agentes de classificação de risco biológico que se encontram, na sua maioria, na 
categoria entre o NB1 e, especialmente, o NB2. Particularidades podem ocorrer, como o que foi viven-
ciado com a pandemia da COVID-19 nos anos de 2020, 2021 e 2022. O SARS-CoV-2, à semelhança 
dos demais membros da família Coronaviridae, é classificado como microrganismo de classe de risco 3. 
Duas situações, porém, devem ser avaliadas quanto ao risco de contaminação e patogenicidade. 
A primeira se refere à investigação laboratorial do SARS-CoV-2 por meio dos testes empregados na 
rotina diagnóstica em amostras de soro ou sangue, na manipulação de vírus lisados, fixados, de partes 
não infecciosas do genoma, no embalo de amostras biológicas para diagnóstico, bem como demais 
atividades não propagativas — por exemplo: sequenciamento, teste de amplificação de ácidos nu-
cleicos —, que requerem que o laboratório apresente estrutura equivalente ao NB2 e sejam realizadas 
em cabine de segurança biológica, utilizando as precauções padrão. A segunda situação se refere às 
atividades consideradas propagativas, a exemplo do cultivo celular (células vivas infectadas pelo vírus), 
isolamento viral ou testes de neutralização, que devem ser realizadas em um laboratório de contenção 
com fluxo de ar direcional (pressão negativa de ar) equivalente a NB3. Nos exemplos mencionados, as 
medidas de biossegurança são fundamentais e deverão ser instituídas (MARTINELLO, 2020). 
De acordo com Teixeira e Valle (2010), a biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a pre-
venção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, 
desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, visando à saúde do homem, dos animais, à pre-
servação do meio ambiente e à qualidade dos resultados. Um dos principais processos que asseguram 
a biossegurança é a limpeza das áreas do laboratório — bancadas, pisos, equipamentos, instrumentos 
e demais superfícies —, que devem ser realizadas regularmente e imediatamente após o término de 
uma atividade, reduzindo, dessa forma, os riscos de contaminação acidental. Outro fator importante 
se refere ao comportamento dos usuários de um laboratório clínico, o que é determinante para o 
UNICESUMAR
UNIDADE 1
19
sucesso dos procedimentos nele desenvolvidos. As boas práticas em laboratório são apresentadas 
como forma de minimizar os riscos e aumentar a segurança dos colaboradores, dos professores e dos 
alunos que utilizam os laboratórios e devem ser observadas e seguidas por todos. 
1. Lavar as mãos frequentemente, especialmente, nas trocas de luvas. 
2. Sempre que permanecer no laboratório, deverá fazer uso de avental branco devidamente 
abotoado, sapatos fechados — sapatilhas, calçados parcialmente fechados, com orifícios, não 
podem ser usados no laboratório! — e calça comprida sem rasgos, comprida o suficiente para 
cobrir o pé e não tropeçar — o modelo pantacourt é lindo, mas aparece o tornozelo, então nem 
sempre a moda pode ir ao trabalho ou ao estágio!
3. Não desenvolver o hábito de passar a mão na boca, nariz, olhos e cabelo. Não inspirar (cheirar) 
nenhuma substância ou material exposto. 
4. Ter um comportamento adequado para evitar danos e/ou acidentes dentro do laboratório.
5. Manter os cabelos longos presos durante os trabalhos. 
6. Manter as unhas limpas e curtas, não ultrapassando a ponta dos dedos. 
7. Preferencialmente, não usar joias e adornos. Pulseiras e colares que possam tocar as superfícies 
de trabalho, as vidrarias ou os pacientes não são permitidos. 
8. Não fumar, não comer e não beber — nem água, seja qual for o tipo de garrafa — no local de 
trabalho onde há qualquer agente patogênico. 
9. Não estocar comida ou bebida no laboratório. Muitos laboratórios possuem copa fora da área 
técnica, com geladeira ou frigobar, para onde é permitido levar o lanche e guardá-lo até o 
momento da refeição — nunca dentro da área técnica.
10. Ao sair do laboratório, verificar se tudo está em ordem. Caso for o último a sair, desligue os 
equipamentos e as luzes, exceto quando indicado pelas normas do laboratório. 
11. Retirar o jaleco ou avental antes de sair do laboratório. Os aventais devem ter seu uso restrito 
ao laboratório. 
12. Retirar as luvas e proceder a lavagem das mãos. 
13. Usar óculos de segurança, visores ou outros equipamentos de proteção facial sempre que hou-
ver risco de espirrar material infectante ou de contusão com algum objeto (STAPENHORST 
et al., 2018). 
COMO LAVAR AS MÃOS
20
Em âmbito internacional, a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional, do inglês Oc-
cupational Safety and Health Administration (OSHA), define os equipamentos de uso e/ou 
proteção individual (EPIs) que devem ser utilizados para olhos, cabeça e extremidades, as roupas 
de proteção, os dispositivos de respiração e outros. Nos Estados Unidos da América, além da 
OSHA, várias instituições estabelecem normas relativas à obrigatoriedade e ao uso de EPIs. No 
Brasil, toda empresa, obrigatoriamente, deverá fornecer aos seus funcionários, gratuitamente, 
EPIs que se encontrem em perfeito estado de conservação segundo as necessidades de trabalho 
e o risco inerente(HIRATA; MANCINI FILHO; HIRATA, 2017). 
A Norma Regulamentadora nº 6 (NR-6) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) 
divide os EPIs em nove grupos diferentes, classificados de acordo com a parte do corpo para a qual 
oferecem proteção: EPIs para proteção da cabeça, proteção dos olhos e face, proteção auditiva, proteção 
respiratória, proteção do tronco, proteção de membros superiores, proteção de membros inferiores, 
proteção para o corpo inteiro e proteção contra quedas (BRASIL, 1978). Como visto, as boas práticas 
de laboratório são um conjunto de ações exercidas no cotidiano de forma a evitar acidentes, em que fica 
evidente que o uso de EPIs é essencial nesse processo (HIRATA; MANCINI FILHO; HIRATA, 2017). 
No laboratório clínico, desde a década de 80, existe uma preocupação adicional com a exposição 
a patógenos sanguíneos, principalmente, o HIV, o vírus da hepatite C (HCV) e o HBV, novamente, 
falamos sobre os agentes virais mais temidos do dia a dia. Foram instituídas pelo Centro de Controle 
e Prevenção de Doenças, do inglês Centers for Disease Control and Prevention (CDC), as precauções 
universais, considerando que todo paciente pode ser potencial portador de patógenos. A diretriz reco-
menda o uso de luvas — para a coleta e manipulação do sangue —, protetores para o rosto — quando 
houver perigo de o sangue espirrar em membranas mucosas —e o descarte de todas as agulhas e ma-
terial perfurocortante em descartes resistentes a perfurações (STAPENHORST et al., 2018). 
De forma similar, considerou-se que todos os fluidos corporais e secreções têm potencial para serem 
infecciosos. Vestir jaleco — limpo é suficiente, não há necessidade de esterilizar — ajuda a proteger a pele 
e evitar sujar a roupa durante os procedimentos e as atividades que podem gerar respingos ou borrifos 
de sangue, fluidos corporais e secreções. Da mesma forma, as luvas protegem contra a contaminação 
a partir de materiais biológicos. As luvas de proteção precisam ser de material resistente, ter baixa 
permeabilidade e boa flexibilidade, além de ser compatíveis com as substâncias que serão manuseadas. 
Óculos de proteção, geralmente, são utilizados para proteger as membranas mucosas dos olhos contra 
o impacto de partículas. As máscaras são extremamente importantes para a proteção respiratória, da 
boca e das membranas mucosas. Protetores ou máscaras respiratórias contêm filtros que protegem o 
aparelho respiratório. Os filtros podem ser: (a) mecânicos, para proteção contra partículas suspensas 
no ar; (b) químicos, que protegem contra gases e vapores orgânicos; e (c) combinados (mecânicos e 
químicos) (STRASINGER; LORENZO, 2009).
UNICESUMAR
UNIDADE 1
21
Equipamento
de Proteção
Pessoal
S
A
B
Ã
O
SP
RA
Y 
A
N
TI
SS
ÉP
TI
CO
Especificamente, ao falar sobre o laboratório clínico e o setor de Hematologia, caro(a) aluno(a), 
você já tem noção sobre os exames que são realizados nesse setor? Você aprenderá, ao longo das 
unidades deste livro, vários exames e análises que serão realizados pelo setor de Hematologia. O 
principal foco do estudo fisiopatológico e o maior número de informações estão relacionados 
ao famoso hemograma completo.
Biossegurança: é o conjunto de procedimentos, normas e ações que visa promover a segurança 
no ambiente de trabalho laboratorial, especialmente, evitando exposição a agentes biológicos. 
Fase pré-analítica: conjunto de etapas e procedimentos que antecedem a fase de análise pro-
priamente dita. A fase pré-analítica influencia, diretamente, a fase analítica e assume fundamental 
importância no preparo da amostra para que ela seja analisada. Além disso, a fase pré-analítica 
envolve os técnicos de laboratório, o que exige treinamento e fluxo de conversa constante entre o 
técnico e o analista. 
Sangue periférico: é o sangue venoso, coletado em uma veia da fossa cubital ou coleta venosa de 
outro sítio. Quando coletado com anticoagulante e homogeneizado, chamamos de sangue total.
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A realização do hemograma envolve uma série de etapas que se inicia na chegada do paciente 
ao laboratório e o motivo pelo qual ele foi realizar o exame. A abordagem inicial ao paciente no 
momento do cadastro pode trazer informações valiosas para as análises laboratoriais em todos 
os setores, especialmente, na Hematologia, a abordagem com questões diretas ou observacionais 
pode ajudar na complementação da realização do exame. 
O que seria uma questão direta? O atendente, ao realizar o cadastro, pergunta à pessoa se ela toma 
algum medicamento. Sabemos que alguns medicamentos interferem nos resultados de exames. Se o 
indivíduo responde: “estou fazendo uso de corticoides”, sabe-se que corticoides alteram o movimento 
cinético dos neutrófilos, podendo influenciar na interpretação do resultado do hemograma. Se o in-
divíduo responde: “tomo vitaminas” e realiza exame de coagulação, devemos, obrigatoriamente, saber 
qual é o tipo de vitamina que ele toma. A vitamina K tem ação pró-coagulante, o que altera diretamente 
a terapia anticoagulante e os exames de coagulação. 
O que seria uma abordagem observacional? O coletador, ao avaliar o local de punção sanguínea, 
observa que o paciente possui “manchas roxas” que parecem pontos de sangramento. O coletador 
deverá anotar ou avisar diretamente ao analista. Em outra situação, ao encostar no paciente para pre-
pará-lo para a punção, percebe que a temperatura pode estar mais alta. O coletador poderá comentar 
com o analista que percebeu que o indivíduo estava febril, o que pode ser indicativo de alterações 
hematológicas. 
Quando o paciente entra na sala de coleta, a identidade do mesmo deve ser cuidadosamente confe-
rida antes da coleta. Isso é feito ao pedir para ele olhar a etiqueta, ler e repetir em voz alta o seu nome, 
sobrenome, data de nascimento e do dia que está realizando a coleta. Em ambiente hospitalar, deve-se 
conferir numeração do leito, prontuário e/ou pulseira de identificação. A sala de coleta de material 
biológico deve ser limpa e tranquila. O paciente deve estar calmo e ser orientado e esclarecido sobre os 
riscos de uma punção sanguínea, um processo invasivo que pode ter como consequência a formação 
de hematoma. No caso de crianças ou pacientes não cooperativos, o braço deve ser imobilizado de 
forma firme, mas delicada, por um assistente (SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009).
Reforcemos! O coletador deverá utilizar todos os EPIs necessários, usar jaleco limpo com punho 
nas mangas, estar com unhas curtas e claras e sem adornos. O ambiente está em ordem? Se sim, 
chequemos os materiais para a coleta. Quais são os materiais necessários para a realização da 
punção venosa? Para que servem, como influenciam na realização do exame? 
No adulto, o sangue, geralmente, é coletado de veias da fossa ante cubital, preferencialmente, da 
veia cubital média, por ser mais grossa (calibrosa) e fixada aos tecidos subjacentes. Outras veias que, 
geralmente, oferecem bom acesso são a cefálica e a basílica (Figura 1). O sangue pode ser coletado de 
outras veias? Certamente. A limitação, normalmente, dá-se por maior mobilidade dos vasos. 
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UNIDADE 1
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Já ouviu falar em “veia bailarina”? Caro(a) aluno(a), muitas vezes, os pacientes aparecem no 
laboratório com os seus saberes (conhecimentos adquiridos durante a vida), o seu vocabulário de 
entendimento, de forma humilde. É interessante tomarmos conhecimento de algumas dessas falas. 
Então, veia bailarina é aquela que se move, é mais difícil de se “espetar” e de se acertar o lúmen vas-
cular, ou seja, a luz do vaso. O paciente que tem a famosa veia bailarina mal entra na sala de coleta e, 
imediatamente, fala “minha veia é difícil e é bailarina”. 
Além disso, veias das mãos e pés também podem ser locais de punção quando as suas opções aca-
baram. A punção nesses locais, porém, é dolorosa, promove hematomas, o fluxo sanguíneo é escasso. 
Então, se optar por puncionar mesmo assim, deve-se levar em conta o risco/benefício. Deve haver 
cuidado adicional em idosos por contada pele flácida. Por conta dessa característica, a pele deverá ser 
distendida com o auxílio do polegar no momento da punção, essa prática diminui o risco de sangra-
mentos subcutâneos. Em crianças com acesso venoso difícil, a jugular externa pode ser uma boa opção. 
Uma outra prática considerada é a coleta do sangue capilar que deverá ser feita nas partes externas, 
medial e lateral do calcanhar, sendo que este deve estar aquecido (SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009). 
Veia
cefálica
Veia
basílica
Veia cubital
média
Veia
cefálica 
Veia
cefálica 
mediana
Descrição da Imagem: a figura 
mostra o desenho de um homem 
branco nu, de cabelos curtos e 
escuros, na posição de pé voltada 
para frente, com as mãos espal-
madas para a frente, a posição 
dos pés é para frente e a cabeça 
olha para o horizonte. Do braço à 
esquerda, na altura do cotovelo, 
a imagem é ampliada em forma 
de caixa contornada de preto para 
ressaltar as veias posicionadas na 
região de fossa cubital, que é a 
região da dobra do braço. Dentro 
da caixa ampliada, as veias estão 
retratadas em cor azul, sobrepon-
do uma região esbranquiçada, 
simulando ossos. Do alto da caixa 
ampliada, próximo ao limite es-
querdo do braço, encontra-se a 
veia cefálica, com maior diâmetro 
em relação às outras veias. Próxi-
mo ao limite direto do braço, en-
contra-se a veia basílica, que está 
especificada logo abaixo da veia 
cefálica. Bem na região da dobra 
do braço, a posição das veias se 
assemelha à letra V, em que o lado 
direito da letra V é a posição da 
veia cubital média, e o lado esquer-
do da letra V é a posição da veia 
cefálica mediana. Mais abaixo da 
imagem, está indicado, com a últi-
ma seta, a continuação dos ramos 
da veia cefálica.non cus aut quam, 
commolo reroviducit aut quiatiis 
sint explaut lacerior ma dolo corita 
sum et everiat. Igendamus invelec-
tus nam nistiisciae
Figura 1 - Diagrama de acesso veno-
so para punção sanguínea
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 A punção pode ser realizada por sistema a vácuo ou seringa e agulha. No sistema a vácuo, utili-
zam-se tubos comerciais específicos para esse tipo de punção, contendo, no seu interior, uma quan-
tidade de anticoagulante ajustada para um determinado volume sanguíneo, que é aspirado até uma 
marca indicadora de volume que obedece a uma relação sangue/anticoagulante. No caso do setor de 
Hematologia, no final da coleta a vácuo, quando o volume do tubo é atingido, o tubo é separado da 
agulha e homogeneizado por inversão por, pelo menos, cinco vezes. O sistema de coleta seringa e 
agulha é clássico e muito eficiente, sendo utilizado em diversas situações, como veias de difícil acesso, 
coleta de sangue arterial, coletas pediátricas. A punção com seringa e agulha deve fluir bem, ou seja, 
não deve ser aplicada força sobre o êmbolo, caso o êmbolo seja puxado com força, poderá ocorrer um 
turbilhonamento excessivo, causando ruptura de células, o que prejudicará a qualidade do sangue. 
Acesso venoso escolhido, e, agora, qual é o próximo passo? 
 Desinfecção da pele no local da punção venosa com álcool 70% ou clorexidina 0,5%. Realiza-se 
um movimento circular com o algodão de dentro para a periferia, que se assemelha ao desenho 
de um caracol, deixando secar espontaneamente. O garrote (pedaço de material elástico com 
presilha utilizado para “expor” o vaso sanguíneo) deve ser aplicado com força suficiente para 
tensionar a veia, não pode causar desconforto com demasiado aperto. Na rotina, o garrote pode 
ser mantido até o final da coleta, mas respeitando o tempo máximo de 1 minuto. O ideal é, logo 
após a entrada do sangue no bisel da agulha, liberar o garrote. 
Para uma exata contagem dos componentes do sangue e uma correta avaliação microscópica, é 
necessário que o sangue seja coletado com o anticoagulante adequado e entregue sem demora ao 
laboratório, a fim de que não ocorram formação de artefatos (estruturas sem significado clínico) 
(SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009). O anticoagulante de escolha para a rotina hematológica é 
o ácido etilenodiaminotetracético (EDTA), que pode ser encontrado na forma de sal dipotássico 
K2EDTA, tripotássicos K3EDTA e o dissódico Na2EDTA. 
O sal K2EDTA é recomendado pois é a forma mais solúvel no sangue e promove menos altera-
ções celulares. Pode ser utilizado tanto na forma seca como em solução (1,5 e 2,2 mg/mL), como 
é habitualmente empregado. O mecanismo anticoagulante do EDTA se dá por ação quelante dos 
íons cálcio — ligação forte entre íons e EDTA —, tornando os íons indisponíveis para a ativação 
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de vários fatores de coagulação. Além da propriedade de anticoagulante, o EDTA também é 
antiagregante plaquetário, servindo, inclusive, para a avaliação da formação de grumos plaque-
tários — esse tema será resgatado em unidades futuras. A coleta com o EDTA é utilizada para 
realização do hemograma completo, da velocidade de hemossedimentação (VHS), da tipagem 
sanguínea e de alguns outros protocolos técnicos. Outro anticoagulante muito utilizado no setor 
da Hematologia é o citrato de sódio (SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009). 
O citrato de sódio é o anticoagulante de escolha para os estudos da hemostasia (coagulação sanguínea). 
Sua concentração recomendada é de 3,8 g/dL, porém, como o citrato é comercializado em vários graus 
de hidratação, convencionou-se utilizar a concentração molar, 0,106 M. Assim, quando a molaridade 
é utilizada, o grau de hidratação do sal não importa. No caso de uso de concentração molar, a relação 
sangue/anticoagulante será de 1:10, uma parte de anticoagulante para nove partes de sangue, essa relação 
sempre deverá ser respeitada. O citrato de sódio exerce sua ação anticoagulante ao precipitar os íons de 
cálcio presentes no plasma, impossibilitando a ativação dos fatores de coagulação. É o anticoagulante 
de escolha para os estudos na hemostasia sanguínea — hemostasia é o equilíbrio entre o sangramento e 
a trombose, em que se mantém a fluidez do sangue (SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009). 
A heparina de alto peso molecular também pode ser utilizada como anticoagulante in vitro, 
não é muito comum na Hematologia, mas, em rotina hospitalar, aparece com maior frequência. 
Uma desvantagem é a influência na coloração e formação de agregados de plaquetas, prejudican-
do a sua contagem. A heparina potencializa a ação da antitrombina III e, dessa forma, impede 
a ativação de vários fatores de coagulação (SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009). Esse assunto 
será abordado futuramente com maiores detalhes.
O material para análise e identificação dos elementos do sangue é a extensão sanguínea, que 
nada mais é do que uma monocamada de células justapostas em uma lâmina de vidro — glóbulos 
vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, envoltos por plasma. Após corada, pode ser avaliada 
em microscopia de luz. Para que se consiga uma extensão sanguínea perfeita, de qualidade, o pri-
meiro cuidado é verificar se a lâmina em que será colocado o sangue está limpa, livre de gordura 
e material particulado. Também, observa-se a qualidade da lâmina extensora, se ela não possui 
irregularidades, ou seja, as bordas devem ser uniformes e sem ranhuras. 
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A extensão sanguínea para avaliação microscópica pode ser feita a partir de sangue sem anticoa-
gulante (sangue nativo) ou de sangue anticoagulado. Com o advento da otimização da rotina com 
os contadores hematológicos (máquinas automatizadas), uma parte dos hemogramas são liberados 
automaticamente pelo sistema. Esse processo de liberação automática leva em conta a padronização 
de intervalos de valores considerados normais para as linhagens celulares, bem como a implementa-
ção de um sistema de gestão de qualidade rigoroso. Isso mudou a dinâmica do processo de realizar a 
punção sanguínea e confeccionar a lâmina imediatamente com sangue nativo. De acordo com a minha 
experiência profissional, primeiramente, a amostra de sangue é processada por automação e, se houver 
a indicação do equipamento por meio de “flags” — flags são avisos de que tem algo suspeito — de que 
existem alteraçõeshematológicas, a extensão sanguínea é feita, corada e revisada em lâmina. 
Todo esse processo deve ser rápido, preferencialmente, no máximo, quatro horas após a coleta para 
evitar alterações morfológicas induzidas pelo anticoagulante. A partir de então, faz-se a lâmina para 
realizar a revisão com o sangue anticoagulado. Para confeccionar a lâmina com o tecido sanguíneo, 
uma pequena gota — aproximadamente, 20 microlitros — de sangue total é colocada sobre a lâmina. 
Deve-se posicionar a lâmina extensora à frente da gota com ângulo de, aproximadamente, 20 graus. 
Depois, puxar a extensora para trás e fazer um movimento tipo gangorra — para baixo e para cima 
—, o sangue se espalhará de uma ponta a outra da extensora. Em seguida, basta “empurrar” a lâmina 
extensora para a frente, de forma firme e rápida (SANTOS, 2013). 
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Lâmina extensora
Gota de sangue total
(5-10 μl) 
Início
Lâmina de vidro
Descrição da Imagem: a figura apresenta uma sequência de passos para a realização da extensão sanguínea. Em todos os passos (1, 
2, 3 e 4), a ilustração apresenta uma lâmina de vidro grande e uma outra lâmina de vidro posicionada perpendicularmente à lâmina de 
vidro, aparentemente, menor e mais fina. Essa é a lâmina extensora — aquela que empurra o sangue para frente. Em todas as imagens, 
o sangue é ilustrado na cor vermelha. No primeiro passo (número 1), uma gota de sangue, um círculo vermelho, é colocada próximo de 
uma das extremidades da lâmina de vidro. Uma seta preta indica como a lâmina extensora deve ser posicionada sobre a lâmina de vidro. 
A posição indicada pela seta preta é a frente do sangue e na posição perpendicular — quase na vertical. No segundo passo (número 2), 
a lâmina extensora foi puxada para trás, sendo arrastada sobre a lâmina de vidro até o sangue se espalhar de uma ponta a outra. Existe 
uma seta preta indicando o sentido de puxar a lâmina extensora para trás e inclinar levemente com uma angulação de 30 a 45 graus. No 
terceiro passo (número 3), existe uma outra seta preta indicando o movimento de empurrar o sangue para a frente para que o sangue 
seja estendido. Por fim, o número 4 mostra uma extensão de sangue pronta.nam nistiisciae
Figura 2 - Etapas para confecção da extensão sanguínea
A execução desse movimento faz com que as células sanguíneas se distribuam ao acaso por rolamen-
to. A extensão ideal deve terminar ao final de 2/3 da lâmina. Ângulos menores que 20 graus formam 
extensões longas; o contrário acontece com ângulos maiores que 20 graus, que formam extensões 
curtas; ambas as extensões são inadequadas para análise. Uma extensão sanguínea ideal deve possuir 
uma região de leitura que seja larga, preferencialmente, em linha reta, evitar as extensões com formato 
em arco ou sorriso (OLIVEIRA, 2014) (Figura 2). 
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O material da punção sanguínea já está preparado na lâmina, o próximo passo é um procedimento de 
extrema importância da fase pré-analítica. Esse procedimento se refere à coloração das células. A fase de 
coloração com sistemas de corantes hematológicos clássicos revela componentes celulares que auxiliarão 
na classificação da população das células. Por exemplo, depois de coradas, as células brancas do sangue 
ou leucócitos poderão ser facilmente classificadas em diferentes tipos, por exemplo: monócitos, linfó-
citos, neutrófilos. Estudaremos, nas futuras unidades, que é fundamental identificar os diferentes tipos 
de leucócitos, pois eles têm funções efetoras distintas na resposta imune. Além disso, uma boa coloração 
auxilia o analista no reconhecimento de células imaturas, células atípicas e outras alterações reacionais. 
Os eritrócitos, que já possuem a cor vermelha por conta da presença de ferro no estado ferroso 
em sua estrutura, ficam mais rosados ou avermelhados após a coloração, ajudando, também, a 
identificar a morfologia, inclusões e estágio de maturação. E as plaquetas são pálidas, esbran-
quiçadas, mas, após a coloração, tornam-se violeta-azuladas e, também, é possível visualizar 
componentes granulares relacionados à sua função. 
Esse conjunto de informações sobre a coloração deve ser suficiente para o entendimento de que, se 
a coloração não for boa, as estruturas celulares não serão vistas, e isso pode alterar profundamente o 
resultado do exame. As colorações hematológicas são derivadas dos corantes de Romanowsky, que se 
chamavam panóptica, que significava “o que tudo vê”, uma técnica inicialmente utilizada para corar 
parasitas da malária. Esses corantes são misturas de sais ácidos (eosina) e sais básicos (azul de metileno 
e seus produtos de degradação, os azures). A eosina-azul de metileno tem afinidade por estruturas 
celulares citoplasmáticas ácidas ou básicas, e os corantes eosina-azur-azul de metileno apresentam 
afinidades celulares citoplasmáticas e nucleares (SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009).
O sistema de coloração com o May-Grünwald (eosina-azul de metileno) e o Giemsa (eosina-azur-
-azul de metileno) resulta em excelente qualidade de coloração, com detalhamento microscópico de 
estruturas celulares e nucleares. A desvantagem é o tempo estimado de coloração de 20 minutos. Em 
rotinas hospitalares, de emergência e com volume grande de amostras, os 20 minutos gastos para o 
procedimento de coloração é um tempo muito grande. O ganho, porém, traduz-se na qualidade da 
coloração e, consequentemente, do resultado. 
O sistema May-Grünwald-Giemsa envolve três etapas. Primeiramente, a lâmina é mergulhada no 
May-Grünwald por quatro minutos; nessa etapa, ocorre a fixação do tecido sanguíneo na lâmina, pois 
o corante está dissolvido em metanol. Depois de quatro minutos, a lâmina é mergulhada em água por 
um minuto ou solução tampão. Ocorre uma inversão de fase alcoólica para aquosa, fazendo com que 
ocorra a coloração. Por fim, a lâmina é colocada em uma solução de Giemsa por, aproximadamente, 
15 minutos. Depois, a lâmina é lavada com água corrente e deixada para secar. 
Os corantes ácidos, como a eosina, têm afinidade por estruturas celulares básicas, e os básicos, como 
azul de metileno — e produtos de oxidação chamados de azur de metileno —, por estruturas celulares 
ácidas. Assim, o May-Grünwald cora, preferencialmente, estruturas citoplasmáticas, enquanto o Giemsa 
tem maior afinidade por estruturas nucleares (SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009). 
Um detalhe importante: se o potencial hidrogeniônico (pH) da água estiver muito ácido, a colora-
ção tende a ficar muito avermelhada, já se o pH da água estiver mais alcalino, a tendência é a coloração 
ficar azulada. Um outro sistema corante muito utilizado é o corante rápido — erroneamente chamado 
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de panóptico, pois, por definição, todos os corantes são panópticos. Como o nome já diz, a vantagem é 
que ele é muito rápido, a lâmina pode ser corada em, aproximadamente, um minuto. Entretanto, alguns 
detalhes podem deixar de ser revelados ou confundir o analista. Se for bem padronizado pela equipe do 
laboratório, com experiência, ele pode ser útil para triar hemogramas com menos alterações patológicas. 
Pronto! Caro(a) aluno(a), agora, você já pode observar o sangue por meio da microscopia de luz. 
Existem inúmeras regras quanto ao uso do microscópio que não serão aprofundadas neste momento. 
Contudo, vale reforçar algumas dicas mais importantes. Sempre, devemos iniciar a leitura do hemo-
grama a partir do menor aumento, utilizando a objetiva de 10, que resulta em um aumento de 100 
vezes. Nessa circunstância, é possível ter uma noção de quantidade das células. Você, caro(a) aluno(a), 
adquirirá essa habilidade com a prática, muito treino e estudo. Além disso, a observação em aumento 
de 100 vezes já indica a qualidade do material, ou seja, se a lâmina ficou boa e bem corada. 
Ao passar para a objetiva de 40, um aumento de 400 vezes, nós “chegamos mais perto” das células, 
observamos mais detalhes, diminui-se a área de observação por campo. Esse é o aumento utilizado 
para ler a grande maioria dos hemogramas, normaise com algumas alterações que podem ser defini-
das nesse aumento. Ao utilizar o maior aumento de 1000 vezes, obrigatoriamente, utiliza-se óleo de 
imersão, que promove o deslizamento da objetiva sobre a extensão do sangue, existe, portanto, contato 
físico. Como a lâmina está devidamente fixada e corada, ela não será danificada com o contato. Agora, 
chegamos mais perto ainda, é o momento de ver estruturas muito pequenas dentro das células, como 
inclusões, grânulos, cromatina nuclear, entre outras estruturas especiais. 
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Objetiva de 10, aumento de 100x: ideal 
para realizar um “screening” ou triagem, 
dá-nos a noção de celularidade 
(quantidade).
Objetiva de 40, aumento de 400x: ideal 
para realizar a contagem diferencial em 
amostras normais.
Objetiva de 100, aumento de 1000x: ideal 
para realizar a contagem diferencial em 
amostras alteradas. Visualização detalhada 
da cromatina nuclear, grânulos e inclusões 
nucleares e citoplasmáticas.
Do menor aumento
Para o maior
aumento
A imagem se trata de um infográfico sobre a utilização das objetivas no microscópio. Do lado esquerdo, 
temos três caixas circuladas de vermelho com texto. De cima para baixo, a primeira diz: “Objetiva de 
10, aumento de 100x: ideal para realizar um “screening” ou triagem, dá-nos a noção de celularida-
de (quantidade)”. A segunda diz: “Objetiva de 40, aumento de 400x: ideal para realizar a contagem 
diferencial em amostras normais”. Já a terceira diz: “Objetiva de 100, aumento de 1000x: ideal para 
realizar a contagem diferencial em amostras alteradas. Visualização detalhada da cromatina nuclear, 
dos grânulos e das inclusões nucleares e citoplasmáticas”. Ao lado das caixas, há uma seta vermelha 
e larga indicando o sentido do aumento do tamanho das objetivas de cima para baixo — no alto da 
seta, está escrito “Do menor aumento” e, embaixo da seta, está escrito “Para o maior aumento”. Do lado 
direito da seta, também no mesmo sentido, de cima para baixo, estão representados círculos — cada 
círculo equivale a um campo — com células sanguíneas nos diferentes aumentos. Ao lado e acima 
dos círculos, aparece uma lâmina com extensão sanguínea corada. Nessa lâmina, existe um círculo 
vermelho pequeno; a partir do círculo, abrem-se duas setas vermelhas, sugerindo ampliação do que 
é, de fato, visto no microscópio equivalente ao primeiro campo. Abaixo da figura da lâmina, aparece 
a imagem de um microscópio e a lâmina posicionada na mesa do microscópio.
OLHAR CONCEITUAL
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Descrição da Imagem: Imagem que ilustra 
o aumento de 100 vezes: a imagem ilustra 
um círculo com bolinhas rosa-avermelha-
das, que são os eritrócitos, distribuídas 
dentro de todo o círculo. As bolinhas ro-
xas-azuladas são os leucócitos, também 
estão distribuídas dentro do círculo, porém 
em menor número. O nome desse “círculo” 
que enxergamos no microscópio se chama 
campo.
Descrição da Imagem: Imagem que ilustra o aumento de 400 
vezes: os elementos mostrados nessa figura são os mesmos 
da figura anterior. É possível identificar as bolinhas rosa-aver-
melhadas, que são os eritrócitos, distribuídas dentro de todo 
o círculo, bem como as bolinhas roxas-azuladas, que são os 
leucócitos e, também, estão distribuídas dentro do círculo, 
porém em menor número. É possível contar três leucócitos. 
Um deles está no limite do canto esquerdo; outros dois estão 
mais centralizados; um está mais acima; e outro, mais abaixo. 
Nessa imagem, é possível ver, com mais nitidez, alguns pon-
tinhos roxos no fundo, entre os eritrócitos, mais ou menos, 
umas 10 vezes menor que o eritrócito. Esses pontinhos roxos 
são plaquetas. 
Descrição da Imagem: Imagem que ilustra o aumento de 
1000 vezes: os elementos mostrados nessa figura são os 
mesmos que a figura anterior. Algumas bolinhas estão sol-
tas, outras parecem formar um empilhamento de moedas. É 
possível identificar quatro bolinhas roxas-azuladas, que são 
os leucócitos. Especificamente nessa imagem, os leucócitos 
apresentam núcleo bem definido, é possível ver que existem 
círculos mais claros dentro do núcleo celular, que é a parte 
roxa. São detalhes refinados que só podem ser vistos nesse 
aumento de 1000 vezes.
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Descrição da Imagem: Imagem que ilustra o microscópio: pode ser visto o canhão das objetivas em cor cinza e/ou prata metálico, 
mostrado de perfil (de lado). Podem ser vistas três objetivas em forma de cilindro na cor prata metálica. Uma das objetivas está em 
posição vertical, emitindo um feixe de luz sobre uma lâmina de vidro.
Descrição da Imagem:Imagem que ilustra o microscópio: a imagem ilustra uma lâmina de vidro com extensão sanguínea já corada, 
apresentando tonalidade cinza-azulada em, aproximadamente, dois terços da lâmina.
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Saber trabalhar com o microscópio é fundamental para identificar os elementos celulares do sangue 
e as suas particularidades. A segurança do manuseio do equipamento vem com o treino. Cuidado ao 
focar a lâmina e realizar os ajustes do sistema de luz do microscópio, especialmente, com a posição 
do condensador e do diafragma, para que a visualização não fique muito forte a ponto de “cansar, 
arder” os olhos, e nem muito fraca a ponto de não ver as estruturas. Não se preocupe agora, caro(a) 
aluno(a), com as peças e o sistema de luz do microscópio, mas se lembre de que essas dicas são valiosas!
Nos hospitais, hemogramas são considerados exames de urgência. Qual dos sistemas de corantes 
disponíveis, rápido e May Grünwald-Giemsa, você escolheria? Qual seria a padronização das colo-
rações para atender à exigência da urgência sem perder a qualidade do exame?
O resultado final de todo esse processo — coleta, extensão sanguínea, coloração e avaliação em lâ-
mina — é o laudo do hemograma com as informações quantitativas, qualitativas, as observações 
pertinentes e a assinatura do analista. Caro(a) aluno (a), assinar um laudo é muita responsabilidade e 
muito emocionante também. A gente nunca se esquece do primeiro laudo! As principais orientações 
para a formulação dos componentes de laudos podem ser encontradas em Resolução da Diretoria 
Colegiada (RDC) nº 302 de 2005.
A Resolução n° 302, de 13 de outubro de 2005, dispõe sobre o regu-
lamento técnico para o funcionamento de laboratórios clínicos. É, de 
fato, uma leitura necessária que contribui para a visão do sistema de 
gestão de qualidade do laboratório. Por esse motivo, eu recomendo a 
leitura. Existem versões comentadas disponíveis que auxiliam muito 
na interpretação.
Mais uma vez, toda a base e objeto de estudo da Hematologia é o sangue. Pelo menos alguma vez na 
vida, vimos sangue com aquela descrição de um líquido vermelho que “flui” dos vasos sanguíneos 
quando nos espetamos, cortamo-nos, quando nos acidentamos. Entretanto, o que é o sangue? O que 
encontramos nele quando observamos seus constituintes em microscópio? 
Podemos dizer que o sangue é um fluido constituído por uma porção sólida ou massa celular, 
constituído por 1% de leucócitos, 40–45% de eritrócitos e plaquetas (AZEVEDO, 2013). Os leucócitos 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/14178
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são os glóbulos brancos — neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos —, os eritrócitos 
são os glóbulos vermelhos, e as plaquetas não possuem classificação (Figura 3). Essa massa sólida se 
encontra suspensa em uma porção líquida denominada plasma. O plasma (55–60%) é constituído, 
basicamente, por água, em que estão dissolvidas substâncias orgânicas e inorgânicas representadas 
por proteínas — exemplos: anticorpos, fatores de coagulação, enzimas —, lipídeos, carboidratos, íons, 
sais inorgânicos, gases dissolvidos. A porção celular representa, aproximadamente, 45% de um volume 
total de sangue, e a parte líquida representa 55% (Figura 3) (AZEVEDO, 2013). 
Como foi dito, esse é um valor aproximado, podendo variar entre os indivíduos. Fisiologicamente, 
os volumes plasmáticos e celulares sofrem influência de fatores como a idade, gênero, mas é uma boa 
noção de quantidade.Em conjunto, os glóbulos, as plaquetas e o plasma desempenham inúmeras fun-
ções no nosso organismo, envolvendo os mecanismos efetores da resposta imunológica, o transporte de 
gases, a veiculação de nutrientes e a manutenção do equilíbrio térmico, hídrico, ácido básico e iônico. 
Linfócito T Linfócito B Neutró�lo
Eosinó�lo Monócitos Basó�lo
CÉLULAS BRANCAS DO SANGUE 1%
ERITRÓCITOS E
PLAQUETAS 40-45%
Descrição da Imagem: a figura mostra um 
tubo dividido em duas grandes partes. A parte 
superior é amarela, e a parte inferior é verme-
lha. As duas grandes partes são separadas por 
uma linha cinza. Cada uma dessas partes está 
alinhada a uma caixa com seta destacada com 
uma linha azul fina à direita. A parte amarela 
superior indica a parte líquida do sangue, em 
que se lê “Plasma 55–60%”. A linha cinza indica 
a população das células brancas do sangue. 
Dentro da caixa com linha azul fina, estão re-
presentadas as células. A bolinha verde é o 
linfócito T; a bolinha amarela é linfócito B; ao 
lado do linfócito B, uma célula com grânulos 
rosa e segmentação é o neutrófilo; abaixo do 
linfócito T, há uma célula com grânulos laran-
ja, que é o eosinófilo; ao lado dele, há uma 
célula com núcleo vermelho, que representa o 
monócito; e, ao lado do monócito, uma célula 
com grânulos azuis representando o basófilo. 
A caixa com linha azul que sai da parte ver-
melha possui bolinhas vermelhas indicando 
eritrócitos e bolinhas com espículas azuis que 
são as plaquetas.
Figura 3 - Composição e elementos do sangue
Como o sangue é formado? Qual é a origem dos elementos sólidos do sangue — leucócitos, eri-
trócitos e plaquetas? Hematopoiese — poiese = formação — é o processo de formação das células 
do sangue, que ocorre em dois períodos principais: inicia-se no período intrauterino e continua 
após o nascimento no período extrauterino. 
No feto, desde as primeiras semanas de gestação até, aproximadamente, dois meses, ocorre a fase 
pré-hepática da hematopoiese, situada no saco vitelínico. Entre dois e sete meses, a hematopoiese 
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UNIDADE 1
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passa a se desenvolver no fígado e baço, caracterizando a fase hepatoesplênica. Dentro dessa fase, 
por volta do quinto mês, observa-se a formação dos glóbulos brancos, além das plaquetas e eritrócitos. 
Por fim, aproximadamente, ao sétimo mês de gestação, instala-se a fase mieloide, em que a medula 
óssea passa a ser o principal sítio de produção das células sanguíneas. Após o nascimento, o fígado e 
o baço deixam de colaborar com a produção das células sanguíneas e passam a participar do processo 
de destruição das células sanguíneas senescentes ou danificadas por meio do sistema mononuclear 
fagocitário (HOFFBRAND; MOSS; PETTIT, 2008; SILVA; HASHIMOTO; ALVES, 2009). 
O período extrauterino se inicia com a fase criança, que ocorre até, aproximadamente, os quatro 
anos. A medula óssea produtiva é encontrada em praticamente todos os ossos, isso significa que, até os 
quatro anos de idade, toda a medula óssea é hematopoiética, ou seja, praticamente, todo o “esqueleto” 
tem capacidade de produção de células sanguíneas. A partir dos quatro anos, na fase adulta, a medula 
hematopoiética sofre modificações, a atividade medular decresce, ocorre substituição progressiva da 
medula dos ossos longos por gordura. Com o passar dos anos, quando adultos, os principais sítios 
medulares ativos ficam restritos aos ossos do tronco como vértebras, costelas, crânio, esterno, sacro e 
pelve, bem como nas extremidades proximais dos fêmures. Aproximadamente, após a quinta década 
de vida, na fase senil, a produção avança homogênea nos ossos do tronco e, nos ossos longos, ocorre 
a proliferação de fibroblastos, ocorrendo substituição medular. Esse processo é irreversível e impro-
dutivo. Também, é chamado de medula cinza ou cinzenta (Figura 4) (AZEVEDO, 2013). 
Descrição da Imagem: a figura apresenta um gráfico composto pelo eixo X, na horizontal, indicando intervalos numéricos que representam 
o tempo em meses: a partir do zero até nove, há um espaço e continua a marcação, indicando o intervalo de anos, de 10 a 60. O eixo Y, 
posicionado na vertical, indica intensidade da hematopoiese, mas não mostra unidade de medição. A primeira linha rosa inicia bem no alto, 
encostando-se no eixo Y, e termina no número 3 (terceiro mês). Em cima da linha, uma caixa azul indica o período de hematopoiese no saco 
vitelínico. Uma linha verde escuro inicia no número 1, alcança o pico entre 5–6 meses e vai caindo até o 9. Em cima dessa linha, encontra-se 
uma caixa amarela indicando o período de hematopoiese do fígado e baço. Uma linha rosa sobreposta a uma linha azul — que não é vista 
ainda — inicia no número 3 e vai subindo; a linha azul tem um pico em 10 anos, cai um pouco e, depois, estabiliza. A linha rosa tem um 
pico em cima da linha tracejada e cai, gradativamente, até 30 anos. Ao lado da linha tracejada, existe uma caixa vermelha indicando a he-
matopoiese em ossos. O lado esquerdo da linha tracejada indica a hematopoiese pós-natal, representada por três esqueletos. O pequeno 
esqueleto indica a fase criança e é todo vermelho, retratando hematopoiese ativa. O segundo esqueleto indica a fase adulta, e os ossos mais 
próximos ao tronco estão mais vermelhos. O terceiro esqueleto indica a fase senil, com poucos ossos produtores de medula óssea vermelha.
Figura 4 - Fases da hematopoiese / Fonte: a autora.
36
Anatomicamente, a medula óssea possui arquitetura própria, formada por um microambiente 
composto por células estromais — células endoteliais, macrófagos e fibroblastos —, as células 
hematopoiéticas e uma matriz extracelular — moléculas de adesão. Esses elementos, associados 
à presença de fatores de crescimento, interagem de modo a permitir a indução da proliferação, 
diferenciação e maturação das células sanguíneas. A proliferação, diferenciação e manutenção 
funcional das células hematopoiéticas são mediadas por interleucinas (IL) e fatores estimulantes 
de colônia (CSF), produzidos pelo próprio microambiente, que agem em receptores de membrana, 
estimulando ou inibindo o crescimento celular (OLIVEIRA, 2014). 
Os grupos celulares que povoam a medula óssea e, portanto, estão envolvidos na hematopoiese 
compreendem as células tronco pluripotentes, as células progenitoras indiferenciadas 
multipotentes, as células precursoras, a sequência maturativa linhagem específica e as 
células maduras. A hematopoiese se inicia a partir de uma célula tronco hematopoiética (CTH) 
pluripotente, termo traduzido do inglês hematopoietic stem cell (HSC). Também, pode ser cha-
mada de célula primitiva, cuja função é originar todas as linhagens sanguíneas. As CTHs estão 
distribuídas na medula óssea em número baixo, porém com alta capacidade de autorrenovação 
e diferenciação (Figura 5). A autorrenovação corresponde à capacidade de uma célula se dividir 
e gerar duas células-filhas idênticas à célula-mãe. A diferenciação se refere à sequência de eventos 
que leva à maturação da célula (HOFFBRAND; MOSS; PETTIT, 2008). 
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UNIDADE 1
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As células progenitoras indiferenciadas multipotentes são originadas a partir das CTH pelo pro-
cesso de diferenciação celular. Essas células são muito importantes, pois são capazes de se comprometer 
com uma linhagem específica. O que isso significa? Uma célula progenitora multipotente, quando 
devidamente estimulada, compromete-se com uma linhagem mieloide ou linfoide. Podemos utilizar, 
também, o termo “tronco”. Tronco mieloide, tronco linfoide. 
Dessa forma, as células progenitoras multipotentes se organizam em unidades formadoras de colônia 
(CFU) que formarão vários tipos celulares. Mais especificamente, a CFU-GEMM, que é a representante 
do tronco mieloide e dará origem a outras CFUs específicas para os granulócitos — CFU-G, CFU-Eo, 
CFU-Baso —, eritrócitos — BFU e CFU-E —, monócitos — CFU-M — e megacariócitos — CFU-Meg. 
Enquanto as células progenitoras multipotentes linfoides se organizam na CFU-Li, que é a unidade 
formadora de colôniados linfócitos, assim diferentes populações de linfócitos são formadas. 
As células precursoras são, ainda, células imaturas, morfologicamente, mais diferenciadas em re-
lação às anteriores, que dão origem a diferentes tipos celulares. Correspondem às primeiras células da 
sequência maturativa de cada linhagem celular específica. A sequência maturativa corresponde a uma 
ordem de células, que se inicia a partir de cada célula precursora de linhagem específica até a célula mais 
madura daquela linhagem. Seguem uma hierarquia específica: células progenitoras, células imaturas 
intermediárias e células maduras (Figura 6). As células maduras são o produto final da sequência ma-
turativa para cada linhagem. São completamente diferenciadas, ou seja, a morfologia é compatível com 
a sua forma madura, perdem a capacidade de realizar mitoses e desempenham funções especializadas. 
Devemos lembrar que moléculas como ILs e dos CSFs atuam em todas as linhagens hematopoiéticas 
e, especialmente, nos estágios iniciais de maturação, muito importantes no crescimento das células. 
Fatores de crescimento hormonais importantes, também, são apresentados, a eritropoietina (EPO) 
estimula a eritropoiese (formação dos eritrócitos) e a trombopoietina (TPO) estimula a trombopoiese 
(formação das plaquetas) (OLIVEIRA, 2014) (Figura 6). 
Descrição da Imagem: a imagem mostra um círculo azul, 
que contorna uma bolinha vermelha, ilustrando uma célu-
la-tronco, posicionado acima da imagem. Da célula tronco, 
emergem duas setas pretas. A seta da esquerda mostra, 
novamente, o círculo azul envolvendo a bolinha vermelha, 
idêntico ao do início, indicando uma mitose, que gera uma 
célula-filha idêntica à de origem, ocorreu autorrenovação. 
A seta da direita, que também emergiu da célula-tronco, 
aponta para um círculo formado por uma linha azul-escura/
preta semipreenchida de cinza, envolvendo uma bolinha 
vermelha. Está diferente da célula-tronco de origem, ocor-
reu diferenciação. Dessa célula, emergem mais duas setas 
pretas. A seta da direita apresenta novamente um círculo 
azul, envolvendo uma bolinha vermelha ao centro. O as-
pecto é mais achatado. A seta preta da esquerda apresenta, 
novamente, um círculo azul mais claro, envolvendo uma bo-
linha vermelha ao centro, também com aspecto achatado. 
São representações de células diferenciadas. 
Figura 5 - Caminhos da célula tronco hematopoiética
Fonte: adaptada de Hoffbrand, Moss e Pettit (2008).
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Descrição da Imagem: a figura mostra, no topo da imagem, um círculo com borda em linha preta, circundado, internamente, com branco, 
e centro em forma de bolinha cor-de-rosa, essa descrição ilustra a célula-tronco pluripotente. Dela, emerge uma seta apontando para ela 
mesma, indicando autorrenovação. Outras duas setas pretas emergem da célula-tronco pluripotente. A seta preta que direciona para o lado 
esquerdo da figura se compromete com o tronco mieloide que é caracterizado por círculos com borda em linha preta, circundado, inter-
namente, com branco, e centro em forma de bolinha amarela. Cada uma dessas células indica uma linhagem. As setas de cima para baixo 
indicam o sentido de maturação e, entre as setas pretas, aparecem descritos os fatores de crescimento celular, CSFs, IL-3, TPO, EPO. Na parte 
inferior da figura, existem setas pretas mais compridas, indicando o final da maturação. A primeira célula madura do lado esquerdo são os 
eritrócitos, ilustrados por bolinhas amarelas contornadas de preto. Ao lado dos eritrócitos, estão as bolinhas vermelhas contornadas de preto, 
que são as plaquetas. Na sequência, aparecem quatro células, uma ao lado da outra, com desenho de núcleo em cor vermelho/magenta, 
representando os neutrófilos (rosa), monócitos (azul-claro), eosinófilos (amarelo), basófilos (cinza-claro). A seta preta que direciona para o lado 
direito da figura se compromete com o tronco linfoide, que é caracterizada por círculos com borda em linha preta, circundado, internamente, 
com branco, e centro em forma de bolinha azul-escura. Da primeira bolinha azul, emergem duas setas pretas. A seta da esquerda para baixo 
indica maturação dos linfócitos T (LT). A seta da direita para baixo indica maturação dos linfócitos B (LB). Assim como falado anteriormente, 
entre as setas pretas, aparecem descritos os fatores de crescimento celular, CSFs, e várias IL. No final, as últimas células são círculos quase 
completos com núcleo de cor vermelha/magenta. A última célula do lado direito apresenta um círculo maior preenchido por azul-escuro, 
com centro pequeno vermelho/magenta, indicando a diferenciação do LB em plasmócito.
Figura 6 - Hematopoiese / Fonte: adaptado de Oliveira (2014).
Vejamos um exemplo de todo esse processo? A partir da célula progenitora mieloide (CFU-GEMM), 
são originados os eritrócitos. A primeira célula da linhagem eritroide que se reconhece morfologi-
camente é o pró-eritroblasto; a partir daí, segue a hierarquia maturativa, eritroblasto basófilo, eritro-
blasto policromático, eritroblasto ortocromático, reticulócito e, por fim, eritrócito maduro. Quando 
as células atingem a sua maturação na medula óssea ou no timo — como ocorre com linfócitos T —, 
essas células alcançarão o sangue periférico e, depois, seguirão o seu caminho para os tecidos onde 
elas foram requisitadas, ou seja, o local onde elas exercerão a sua função até o final da sua vida celular. 
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UNIDADE 1
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Caro(a) aluno(a), essa é uma visão geral da formação das células sanguíneas, que servirá de base 
para inúmeros conteúdos, e, de fato, é um tema de extrema importância. 
Você quer aprender mais sobre a formação das células do sangue? 
Acesse o link e escute o PODCAST que eu preparei para você.
A Hematologia é uma ciência muito ampla, assim como as demais ciências, ela possui a sua comple-
xidade. Felizmente, existem diversos artigos científicos e livros que podem contribuir profundamente 
com o seu estudo. Hoje, caro(a) aluno(a), eu tenho uma indicação para você
Título: Diagnóstico Hematológico
Autora: Eliana Rezende Adami
Editora: Contentus
Sinopse: a obra traz uma introdução interessante sobre o sistema circu-
latório, a história da Hematologia, os conceitos, as técnicas hematológicas 
clássicas e o avanço das técnicas com abordagem moderna.
Comentário: a obra reúne um texto adicional ao produzido na unidade, 
reforçando os valores das práticas hematológicas e a ênfase de execução 
da fase pré-analítica.
Demos início à jornada de estudos na Hematologia. Aproveite! Fica, aqui, nesta unidade, um 
compilado de conhecimentos fundamentais para esse início. A partir da visão preliminar da he-
matopoiese, aprofundaremos o conhecimento de cada uma das linhagens citadas no texto, com 
abordagem fisiológica e patológica.
Demos início à jornada de estudos na Hematologia. Aproveite! Fica, aqui, nesta unidade, um compilado de 
conhecimentos fundamentais para esse início. A partir da visão preliminar da hematopoiese, aprofundare-
mos o conhecimento de cada uma das linhagens citadas no texto, com abordagem fisiológica e patológica.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11682
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Caro(a) aluno(a), diante do que foi exposto, podemos perceber a imensa aplicação da biosse-
gurança nas práticas de laboratório. Vimos uma pequena parte da estruturação teórica sobre as 
normas de segurança no ambiente de trabalho, assim como as boas práticas de laboratório, que 
são o nosso dia a dia. Vimos, também, o impacto desses conceitos na qualidade dos exames, 
desde a coleta de sangue até algumas partes do processamento — recepção, coleta, preparo da 
extensão sanguínea, coloração, microscopia e laudo. 
Lembra-se do nosso exercício do começo da unidade? Agora ficou fácil, não é? É claro que o 
profissional quebrou os protocolos de biossegurança e boas práticas de laboratório e, sim, promoveu 
a disseminação de um agente infeccioso. As medidas para evitar o ocorrido são seguir com rigor 
as medidas de biossegurança, jamais sair do laboratório de jaleco ou qualquer outro EPI, lavar asmãos adequadamente e finalizar com um pouco de álcool em gel.
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A Unidade 1 envolve algumas temáticas. Iniciamos nosso estudo enfocando as questões de biossegu-
rança, depois, seguimos para os processos iniciais da rotina na Hematologia e finalizamos com o in-
ício do estudo das células sanguíneas. Podemos organizar melhor essas ideias em um mapa mental. 
Então, construa um mapa mental dando ênfase à fase pré-analítica da rotina hematológica. Seguem 
algumas palavras-chave para ajudá-lo(a): sangue, anticoagulantes, coloração, microscopia e laudo.
HEMOGRAMA
Sangue
Coloração
Anticoagulantes
Laudo
Microscopia
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1. Leia o texto a seguir.
A hematopoiese constitui um processo altamente dinâmico que envolve proliferação, dife-
renciação e maturação das células sanguíneas. O sistema hematopoiético é formado por 
diversos órgãos e inclui fígado, baço, linfonodos e timo, que atuam em diferentes fases do 
desenvolvimento humano, seja em produção, maturação ou destruição das células do sangue.
AZEVEDO, M. R. A. A. Hematologia Básica: Fisiopatologia e diagnóstico laboratorial. Rio de 
Janeiro: Revinter, 2013.
Como foi dito, as fases da hematopoiese acompanham o desenvolvimento humano. E, em 
cada fase distinta, ocorrem alterações celulares importantes. De acordo com os seus conhe-
cimentos sobre a hematopoiese e os eventos que acontecem durante esse processo, assinale 
a alternativa correta.
a) A autorrenovação ocorre com células maduras, tanto da linhagem mieloide quanto da linha-
gem linfoide.
b) Uma célula diferenciada é uma célula madura em relação ao seu precursor mais imaturo e 
deve mostrar características dessa diferenciação.
c) Durante o desenvolvimento humano, a hematopoiese intrauterina segue o mesmo padrão 
da hematopoiese pós-natal quanto à intensidade e aos locais de produção.
d) A medula óssea vermelha é substituída por medula óssea cinza na fase adulta.
e) Na fase senil, a hematopoiese perde a sua capacidade de maturação das células. 
2. As normas de biossegurança são um conjunto de medidas, regras e padrões desenvolvido para 
ser aplicado à rotina de trabalho. No que diz respeito ao laboratório clínico, a biossegurança é 
essencial para a proteção de toda a equipe e dos pacientes envolvidos. Analise as imagens a seguir.
Descrição da Imagem: na imagem, vemos duas fotos de sangue sendo coletado do braço de duas pessoas. Na foto (a), à esquerda, 
um indivíduo branco de camiseta cinza está sentado com o braço apoiado em cima de uma bancada e virado para cima. Os braços 
de uma segunda pessoa branca aparecem na foto, e ela realiza um procedimento no braço do paciente, que tem um garrote de 
elástico azul. Essa pessoa está sem luvas e usando pulseiras. Na foto (b), à direita, um indivíduo pratica uma punção sanguínea em 
um fossa ante cubital de um indivíduo branco. O coletador está usando o sistema seringa e agulha e está sem luvas. Na seringa, há o 
enchimento de sangue vermelho escuro. O braço do indivíduo está garroteado com elástico amarelo pálido, existem nós no garrote.
Figura 1 - Procedimentos de punção sanguínea 
43
Observe o procedimento de punção e/ou coleta sanguínea apresentado nas imagens A e B. 
A imagem A traz o momento em que, de fato, acontece a coleta de sangue, e a imagem B 
mostra — aparentemente, em outro indivíduo — os momentos finais da coleta de sangue, 
porém o procedimento ainda está em andamento. De acordo com seus conhecimentos em 
biossegurança e execução da fase pré-analítica, escolha a alternativa correta.
a) As duas imagens mostram grave quebra do protocolo de biossegurança, os coletadores 
podem ser vistos sem luvas, com unhas esmaltadas e usando pulseiras.
b) Como, na imagem A, o coletador já terminou a coleta, não há problema colocar o Stopper 
— protetor do furo produzido pela agulha — já sem luvas, pois não haverá mais contato 
com o sangue. E, aparentemente, outro local de punção já estava coberto com algodão e 
esparadrapo.
c) Na imagem B, o nó presente no garrote não atrapalha o fluxo venoso, assim a punção pode 
ser feita com segurança.
d) Caso o coletador não consiga sentir a veia, ao tocar e pressionar a veia, ele pode tirar a luva 
para aumentar a sensibilidade. Possivelmente, é por esse motivo que ele tirou a luva.
e) As imagens podem estar relacionadas à coleta de sangue em ambiente de pesquisa, então 
as normas de biossegurança podem ser diferentes.
3. Anticoagulantes são moléculas capazes de retardar o tempo de coagulação do sangue por 
inibir, de alguma forma, a ativação dos fatores de coagulação. Podem ser utilizados in vivo 
para fins terapêuticos, por exemplo, para tratar um evento tromboembólico, como a trom-
bose venosa profunda. Também, podem ser utilizados in vitro, com o objetivo de evitar que 
o sangue se torne coagulado, mantendo o fluido como se estivesse dentro dos vasos sanguí-
neos. A escolha do anticoagulante ideal na rotina hematológica já é bem estabelecida. Sobre 
os anticoagulantes utilizados na rotina da hematologia clínica, assinale a alternativa correta.
a) Para a realização dos exames hemograma e coagulograma, são recomendadas coleta de 
sangue com anticoagulante EDTA e citrato de sódio, respectivamente.
b) O mecanismo de ação do citrato de sódio é como quelante de cálcio, e o uso da solução é 
de 3,8 mg/dL para 4 mL de sangue.
c) A heparina de alto peso molecular é um anticoagulante utilizado somente in vivo, ou seja, é 
um medicamento e não serve para a rotina de laboratório.
d) O EDTA dissódico (Na2EDTA) é a forma mais solúvel no sangue e o mais indicado para a 
realização do hemograma completo.
e) Os anticoagulantes citrato de sódio, EDTA e heparina podem ser intercambiados na rotina 
do laboratório. O laboratório poderá adquirir o que tiver maior disponibilidade de mercado.
44
2
Nesta unidade, você terá a oportunidade de rever e aprofundar os 
seus conhecimentos sobre hematopoiese. No entanto, a partir de 
agora, dar-se-á ênfase ao conhecimento de linhagens específicas. 
Iniciaremos com o estudo dos eritrócitos, envolvendo a sua forma-
ção, estrutura, fisiologia e destruição. Após obter esses conheci-
mentos, dar-se-á o próximo passo, ou seja, abordar-se-á o estudo 
da avaliação laboratorial dos eritrócitos. Esse tópico representa o 
eritrograma, que é um dos conjuntos de parâmetros (componentes) 
do hemograma. Dessa forma, ao final desta unidade, você saberá a 
fisiologia dos eritrócitos, bem como conhecerá as principais formas 
de avaliação dessa linhagem. 
Eritrograma
Me. Silvia Aparecida Ramos
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Exames laboratoriais não servem apenas para elucidar uma condição patológica. Eles também devem 
ser empregados para monitorar o estado de saúde de uma pessoa. No entanto, é muito comum o in-
divíduo realizar exames laboratoriais somente quando existe uma queixa clínica. E, assim, deixa-se 
de lado a prática preventiva, ou seja, a realização do famoso “check-up”. Nesse sentido, de que forma a 
análise do eritrograma contribui para a investigação do estado de saúde do indivíduo? 
A realização do check-up garantirá o conhecimento do valor basal (real) individual, ou seja, é como 
se fosse o seu próprio valor de referência. Essa conduta pode auxiliar o clínico, em eventos futuros, 
a avaliar as alterações que poderão surgir no que se refere à doença ou à queixa do paciente. Essas 
informações são valiosas e servem para refletir a importância de conhecer valores referenciais. Nesse 
sentido, o estudo dos parâmetros hematológicos deve sempre se iniciar com base no que é normal, seja 
guiado por valores de referência descritos na literatura e morfologia celular, seja por meio do acom-
panhamento de sucessivos exames de check-up realizados no laboratório, seja, ainda, em situações 
similares que serão discutidas adiante.
Para trabalharmos esta unidade, imagine o seguinte caso: M. N. R., gênero masculino, 40 anos, 
trabalha em uma empresa de produtos químicos. De acordo com o programa de saúde ocupacional 
da empresa, o trabalhador realiza corretamenteos exames periódicos. Durante cinco anos consecu-
tivos, o eritrograma do paciente M. N. R. se apresentou com todos os parâmetros dentro dos valores 
de referência. Inclusive, as análises anuais permaneceram quase idênticas — Hb: 17,4 g/dL, Hb: 17,0 
g/dL, Hb: 17,3 g/dL, Hb: 17,0 g/dL, Hb: 17,5 g/dL. 
UNICESUMAR
UNIDADE 2
47
Entretanto, no último exame periódico, o eritrograma do paciente M. N. R. apresentou uma dife-
rença maior no valor da concentração de Hb — Hb: 13,5 g/dL. O eritrograma apresentou alterações 
na morfologia dos eritrócitos e em outros parâmetros. Caro(a) aluno(a), o paciente M. N. R. estaria 
desenvolvendo alguma doença? Haveria alguma correlação com o seu ambiente de trabalho? Quais 
são os valores de referência descritos na literatura para os parâmetros do eritrograma? 
Caro(a) aluno(a), tenha em mente que, para entendermos uma alteração hematológica, devemos, 
obrigatoriamente, saber o que é fisiológico. Os próximos passos da investigação serão guiados por 
meio das ferramentas ou metodologias existentes para avaliar as diferentes linhagens sanguíneas. Além 
disso, os valores referenciais e o motivo pelo qual o indivíduo realiza o exame também contribuem. E 
é exatamente dessa forma que iniciaremos o estudo do hemograma. 
Primeiramente, a avaliação da série vermelha, “Eritrograma”, será destaque. Aprenderemos sobre a 
fisiologia do eritrócito — função, forma, estrutura interna, destruição — para que, na próxima unidade, 
possamos entender as alterações patológicas. Como é um eritrograma normal? Faça a associação com 
o gênero, a idade, o estado gestacional. Pesquise sobre o assunto, discuta, reflita sobre essas questões 
e anote seus resultados, suas dúvidas ou mais questionamentos em seu Diário de Bordo.
48
Como já foi estudado anteriormente, todas as células sanguíneas são formadas a partir de um processo 
denominado hematopoiese. Vale lembrar que uma célula tronco hematopoiética (CTH) dá origem às 
células progenitoras indiferenciadas multipotentes que se comprometerão a formar a linhagem (tronco) 
mieloide ou linfoide. O tronco mieloide, dentre vários tipos celulares, dará origem à linhagem das célu-
las vermelhas do sangue ou eritrócitos. A formação das células vermelhas do sangue recebe o nome 
de eritropoiese. A CTH residente na medula óssea prolifera e se diferencia em unidade formadora 
de “explosão”, traduzido do inglês “burst”, chamada de BFU-E (BFU, do inglês, burst forming unity). 
Essa etapa de explosão de produção celular garante um grande potencial proliferativo — capacidade 
de realizar mitoses = divisão celular — da linhagem para gerar grande quantidade de eritrócitos ma-
duros. A BFU-E se diferencia em CFU-E (CFU, do inglês, colony forming unity, unidade formadora 
de colônia), e, a partir desse ponto, os progenitores dos eritrócitos serão chamados eritroblastos nas 
suas formas nucleadas (STEVENS-HERNANDEZ; BRUCE, 2022). 
A maturação continua obedecendo a uma escala em ordem maturativa com início a partir dos 
proeritroblastos, na sequência, gerando eritroblastos basófilos, eritroblastos policromáticos, 
eritroblastos ortocromáticos. Até esse estágio, essas células possuem núcleo, ou seja, são células 
nucleadas. A fase do eritroblasto ortocromático é a última nucleada, e ele mesmo sofre enucleação, 
UNICESUMAR
UNIDADE 2
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expulsando o núcleo da célula. O eritroblasto ortocromático, então, transforma-se em reticulócito, 
que é uma célula anucleada. Os reticulócitos passam dois ou três dias na medula para irem para o 
sangue periférico (SANTOS, 2013). No sangue periférico, depois de, aproximadamente, um dia, os 
eritrócitos completam sua hemoglobinização, finalmente, tornam-se eritrócitos maduros e iniciam a 
sua longa jornada de, aproximadamente, 100 a 120 dias circulando (Figura 1). 
Após esse período de vida útil, os eritrócitos já senescentes ou envelhecidos mudam a sua con-
formação de estrutura bicôncava para esférica — sob forma de esferócitos — e são sequestrados pelos 
macrófagos do baço — principalmente — e medula óssea (SANTOS, 2013). Nomeia-se a massa eri-
trocitária total como ÉRITRON. Essa massa corresponde ao somatório de todos os constituintes da 
série vermelha, seja sob a forma de eritrócitos circulantes nos vasos sanguíneos, órgãos e tecidos, seja 
na forma de precursores imaturos na medula óssea. Pode ser dividida em três componentes básicos: de 
produção (medula), componente circulatório periférico (vasos) e extravascular (baço) (SANTOS, 2013).
Medula óssea
CTH
BFU-E CFU-E
Proeritroblasto
Eritroblasto
basó�lo
Eritroblasto
policromático
Eritroblasto
ortocromático
Expulsão do
núcleo
(enucleação)
Reticulócito
(enucleação)
célula vermelha do sangue
Fluxo sanguíneo
Descrição da Imagem: a figura mostra um esquema de formação das células vermelhas do sangue. A caixa em formato retangular de 
fundo creme e uma faixa superior azul representa a medula óssea. Da esquerda para a direita, está descrita a ordem maturativa da 
linhagem. Inicia-se a partir de uma CTH, que indica, por meio de setas pretas para a BFU-E e, em seguida, para a CFU-E. Os eritroblastos 
estão representados por figuras circulares. O proeritroblasto aparece como um círculo preto e outro menor no centro de cor preta. O 
espaço é preenchido com cor violeta-azulada e representa o citoplasma da célula. A próxima célula, o eritroblasto basófilo, segue o mesmo 
esquema de representação, porém os círculos são menores, indicando a diminuição do tamanho celular e o citoplasma é de uma tonali-
dade de azul mais forte. A terceira célula, eritroblasto policromático, mostra o preenchimento citoplasmático de tom rosado, e o núcleo 
é um círculo marrom escuro. A quarta célula, eritroblasto ortocromático, é representada da mesma forma que a anterior, porém com 
tamanho menor e o círculo interno que representa o núcleo está excêntrico, encostado ao círculo externo. Uma seta preta apontada para 
cima representa o núcleo extruído ou enucleado. A mesma seta também aponta para a direita, mostrando a formação do reticulócito. 
O reticulócito é representado por uma esfera rosada, com precipitados em vermelho. Uma seta azul aponta para um vaso sanguíneo 
periférico representado por um retângulo vermelho. Os eritrócitos maduros estão representados por estruturas bicôncavas vermelhas.
Figura 1 - Modelo de desenvolvimento da eritropoiese a partir da célula-tronco hematopoiética
Fonte: adaptada de Stevens-Hernandez e Bruce (2022).
Caro(a) aluno(a), toda a eritropoiese ocorre na medula óssea, então todas as células que foram 
descritas se encontram nesse compartimento. Fisiologicamente, todos os precursores nucleados 
não serão vistos no sangue periférico de um indivíduo hígido (saudável), salvo algumas exceções 
— recém-nascidos costumam apresentar eritroblastos em sangue periférico. Apenas uma pequena 
parcela, em torno de 1 a 1,5%, de reticulócitos é encontrada no sangue periférico. Assim, a imensa 
maioria dos milhões de células vermelhas que circulam em sangue periférico são eritrócitos ma-
duros — mulheres: 3.900.000–5.300.000/μL; homens: 4.300.000–6.000.000/μL. 
50
Apesar de, fisiologicamente, as células nucleadas não aparecerem no sangue periférico, existem 
condições patológicas que serão abordadas na próxima unidade, em que células mais jovens ou 
precursores imaturos poderão ser encontrados. Por esse motivo, caro(a) aluno(a), você deverá, 
sim, conhecer todas essas células, não somente o estágio maturativo e o nome, mas, também, as 
características morfológicas de todas elas. 
Olhemos para a “fotografia” e visualizemos a morfologia e estrutura dessas células! Observe e ex-
plore a Figura 2. Os elementos dessa imagem são: a) proeritroblastos em medula óssea; b) eritroblasto 
basófilo em medula óssea; c) eritoblasto policromático (esquerda) e ortocromático (direita) em medula 
óssea; d) eritroblasto ortocromático fazendo enucleação em medula óssea; e) reticulócitos em sangue 
periférico; e f) eritrócitos maduros. As imagens dos eritroblastos e dos eritrócitosmaduros foram ob-
tidas a partir de extensões coradas com May-Grünwald Giemsa. A imagem dos reticulócitos foi obtida 
a partir de sangue corado com azul de cresil brilhante contracorado com Lieshman (SANTOS, 2013).
Descrição da Imagem: a imagem apresenta 
seis fotografias que mostram a morfologia 
dos eritrócitos. A imagem 2a apresenta uma 
célula com circunferência destacada (maior) 
de outras células bem menores; essa célu-
la possui um núcleo redondo de cor roxa, 
envolto por um citoplasma circundando o 
núcleo — que parece uma esfera — em cor 
azul-escura, é um proeritroblasto; as hemá-
cias ao redor são circulares com tonalidade 
acinzentada. Na imagem 2b, aparece uma 
célula com núcleo redondo e de cor roxa, re-
presentando o eritroblasto basófilo; apare-
cem, também, eritrócitos, que são os círculos 
menores sem outra estrutura interna, estão 
mais rosados do que acinzentados. A figu-
ra 2c ilustra os eritroblastos policromáticos 
na forma de círculos circundando, também 
em tom de cinza mais claro, o núcleo — que 
parece uma esfera — em cor azul-escura. A 
figura 2d mostra o eritroblasto ortocromáti-
co, o núcleo da célula é bem redondo e roxo, 
envolto por citoplasma mais abundante em 
cinza-claro, ao redor, estão os eritrócitos na 
forma de círculos rosados. A figura 2e mostra 
círculos esverdeados, e, em alguns deles, há 
umas “sujeiras/riscos” que chamamos de pre-
cipitados na cor azul-escura, quase preto, são 
reticulócitos. Por fim, na figura 2f, aparecem 
vários círculos rosados que são eritrócitos 
maduros; uma célula roxa, também presente, 
é um linfócito.
Figura 2 - Morfologia dos eritrócitos em 
escala maturativa
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UNIDADE 2
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Como visto na Figura 2, cada estágio maturativo possui características morfológicas bem definidas 
que são úteis para a identificação dessas células em extensões sanguíneas obtidas de medula óssea — 
mielograma (sangue da medula óssea) — ou de sangue periférico. Caro(a) aluno(a), deixarei, aqui, 
no material, a descrição morfológica feita por Oliveira (2014). Julgo que essa é uma descrição simples 
para iniciar o estudo da morfologia dos eritrócitos e de seus precursores e, obviamente, está muito bem 
descrita. Ressalto que a morfologia celular é de extrema utilidade no dia a dia do setor de Hematologia. 
O proeritroblasto é a primeira célula precursora eritroide que se reconhece morfologicamente, então 
iniciamos a descrição da morfologia da linhagem eritroide a partir dessa célula (Quadro 1).
Célula Tamanho e mitoses
Relação 
N/C Núcleo Citoplasma
Proeritroblasto
16 a 20 μm.
Uma mitose.
Alta.
Arredondado e central. 
Cromatina delicada. 
Nucléolos visíveis, mé-
dia: 1 a 3.
Cor: basófilo (azul-escuro 
a violeta).
Hemoglobinização: prati-
camente ausente.
Eritroblasto 
basófilo
14 a 18 μm.
Duas mito-
ses.
Moderada 
a alta.
Arredondado e central. 
Cromatina densa e 
heterogênea. Nucléolos 
ausentes.
Cor: intensamente basó-
filo.
Hemoglobinização: dis-
creta.
Eritroblasto
policromático
12 a 15 μm.
Uma mitose.
Modera-
da.
Redondo e central. 
Cromatina densa e 
heterogênea. Nucléolos 
ausentes.
Cor: policromático (azul 
mais claro/acinzentado).
Hemoglobinização: mode-
rada.
Eritroblasto
ortocromático
9 a 12 μm.
Sem mitoses.
Baixa.
Redondo, central a ex-
cêntrico. Cromatina 
densa e homogênea 
(compacta). Nucléolos 
ausentes.
Cor: ortocromático ou aci-
dófilo (alaranjado e azul-a-
cinzentado). Hemoglobini-
zação: intensa.
Reticulócito
8 a 9 μm.
Sem mitoses.
— Ausente.
Cor: precipitados azul-es-
curos no citoplasma esver-
deado.
O reticulócito só é visto 
quando revelado por co-
rantes como o azul de cresil 
brilhante. Ele deixa o cito-
plasma do eritrócito com 
um tom esverdeado.
Hemoglobinização > 80%.
Eritrócito poli-
cromático
8 a 9 μm.
Sem mitoses.
— Ausente.
Cor: do alaranjado ao azul-
-claro/acinzentado.
Equivale ao reticulócito co-
rado no hemograma. He-
moglobinização > 80%.
Eritrócito
7 a 8 μm.
Sem mitoses.
— Ausente.
Cor: alaranjado, rosado.
Hemoglobinização com-
pleta.
Quadro 1 - Características morfológicas dos precursores eritroides / Fonte: adaptado de Oliveira (2014).
52
A intensidade da eritropoiese é regulada pelo nível de oxigenação do sangue. Se, por acaso, um in-
divíduo tiver baixa tensão de oxigênio (hipóxia) no sangue, ocorrerá, como resposta, o aumento na 
produção de eritropoietina (EPO) pelos rins, sendo o principal hormônio estimulante da eritropoiese 
(SANTOS, 2013). Normalmente, 90% da EPO é produzida nas células intersticiais peritubulares renais, 
e 10% no fígado e em outros locais. Não há reservas pré-formadas de EPO, portanto o estímulo para 
a sua produção é a tensão de oxigênio nos tecidos renais (HOFFBRAND; MOSS, 2017). 
Como exemplos clássicos de situações que podem promover um estado de hipóxia no organismo, 
temos pacientes anêmicos (com pouca hemoglobina), pessoas que vão para elevadas altitudes (ar 
rarefeito), pacientes com problemas cardiopulmonares, dentre outros. Nesses casos citados como 
exemplos, os indivíduos terão elevação na produção da EPO, e, caso todos os demais fatores necessários 
para eritropoiese ótima estejam presentes — fatores de proliferação, maturação e medula óssea sadia 
—, ocorrerá o aumento da produção de eritrócitos. Fica claro que a EPO é o fator de estimulação, 
a vitamina B12 e o folato (ácido fólico na forma ativa) são os principais fatores de proliferação 
(mitose celular), e o ferro, a vitamina B6 e os aminoácidos são os principais fatores de maturação e 
hemoglobinização (Figura 3) (SANTOS, 2013).
Medula óssea
Ferro, cobre,
vitamina B12
Produção de células vermelhas do sangue
Descrição da Imagem: a figura mostra uma correlação geral entre três tecidos: um rim, um osso (fêmur) ilustrando a medula óssea e um 
vaso sanguíneo. Do lado esquerdo da figura, está o rim, com o formato de um grão de feijão na cor marrom. Do rim, emerge uma seta 
azul em arco com bolinhas azuis acompanhando-a, indicando moléculas de eritropoietina que saem do rim e chegam até o osso, do lado 
direito da figura. O osso está desenhado em tom amarelo-claro, a parte superior tem indicação de um corte, mostrando a parte interna 
(medula óssea) com tons marrons. Na metade do osso, tem uma seta azul indicando que outros fatores nutricionais chegam no osso — 
ferro, cobre, vitamina B12. Na parte inferior do osso, emerge, novamente, uma seta azul, agora, com bolinhas vermelhas acompanhando 
a seta no sentido do vaso sanguíneo. As bolinhas vermelhas indicam os eritrócitos formados. O vaso sanguíneo está representado em 
forma retangular, com a extremidade direita arredondada e o interior vermelho.
Figura 3 - Produção da massa de eritrócitos circulante
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A função primordial dos eritrócitos circulantes é transportar a hemoglobina (Hb) ao redor do 
corpo em concentração suficientemente alta para permitir o transporte eficaz de oxigênio dos 
pulmões para os tecidos e para facilitar o retorno do dióxido de carbono, produzido durante a 
fosforilação oxidativa, de volta aos pulmões. Para conseguir isso, os eritrócitos têm uma grande 
área superficial para trocas gasosas rápidas. Em indivíduos saudáveis, os eritrócitos possuem 
aspecto/formato discoide e bicôncavo que produz uma estrutura facilmente deformável para 
passar por dentro de capilares (muito fininhos/pequeno diâmetro). Além disso, os eritrócitos 
possuem um potencial energético suficiente para manter essa estrutura e fornecer o ambiente 
interno necessário para o exercício de suas funções (GORDON-SMITH, 2013). 
Cada eritrócito maduro é uma célula anucleada, constituída, basicamente, por uma membrana 
plasmática lipoproteica e um citosol cujo conteúdo se restringe à proteína Hb, às enzimas para seu 
metabolismo — glicólise e desvio das pentoses —, à água e aos eletrólitos (SANTOS, 2013). Com base 
nessas informações, percebe-se que, para formar a estrutura dos eritrócitos e para que ele possa exercer 
as suas funções, alguns elementos são necessários. 
Caro(a) aluno(a), eu costumofazer uma analogia entre a produção do eritrócito e a produção de uma 
receita, por exemplo, de um bolo. Explicarei! Quando você encontra a receita de um bolo delicioso 
ou outra receita qualquer, você busca a lista de ingredientes. Para fazer o bolo escolhido — isso vale 
para receitas clássicas —, você precisará de fermento químico, certo? Se faltar fermento químico, o 
bolo não crescerá, logo não se atingirá o objetivo final de um bolo fofinho e delicioso. 
54
Qual é a relação disso com o eritrócito? Existe uma “lista de ingredientes” para formar/fazer um 
eritrócito, caso falte algum dos ingredientes, o eritrócito não ficará perfeito. Isso impactará na sua 
morfologia e na sua função. Logo, defeitos na produção e na função dos eritrócitos acarretam processos 
patológicos, como os que serão vistos nas anemias. E qual é a “lista de ingredientes” necessária para 
“produzir” os eritrócitos? Construiremos a nossa lista! Observe:
1. Fatores biológicos. Ex.: eritropoietina, interleucina 3 (IL-3).
2. Fatores nutricionais. Ex.: ferro, vitamina B12, folatos.
3. Formação do grupo Heme. Heme é o grupo prostético (não proteico) da Hb.
4. Formação das cadeias de proteínas das globinas (cadeias globínicas).
5. Metabolismo energético com atuação de enzimas da via glicolítica. Ex.: glicose-6-fosfato-de-
sidrogenase (G6PD) e piruvato quinase (PK).
6. Formação da membrana dos eritrócitos.
Essa é uma “lista básica de ingredientes” indispensável para a formação do eritrócito. Se qualquer um 
desses componentes estiver em falta, haverá prejuízo à célula, portanto à sua função e à sua vida útil.
Você pode exercitar esse raciocínio ao levar em conta a importância da “lista de ingredientes”. O 
que poderia acontecer com o eritrócito se, na sua formação, faltasse vitamina B12? E se faltar ferro? 
SAÚDE
DOENÇA
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Para que a hemoglobina esteja em contato estreito com os tecidos e para que haja sucesso nas trocas 
gasosas, o eritrócito, que varia entre 7 e 8 μm de diâmetro, deve ser capaz de passar repetidamente através 
da microcirculação, cujo diâmetro mínimo é de 3,5 μm, manter a Hb em forma reduzida (ferrosa) e 
manter o equilíbrio osmótico, apesar da alta concentração de proteína Hb na célula. A viagem completa 
de um eritrócito pelo corpo leva 20 segundos ao longo de seus 120 dias de sobrevida e foi calculada 
em 480 km (HOFFBRAND; MOSS, 2017). A estrutura molecular da Hb envolve a junção da parte 
proteica representada pelas cadeias globínicas, um grupo prostético constituído de anéis pirrólicos, 
chamado de grupo Heme, e átomos de ferro no estado ferroso, que se ligam ao oxigênio (AZEVEDO, 
2013). Uma vez que todos os elementos estejam unidos, a molécula de Hb se completa (Figura 4).
1 Eritrócito Hemoglobina250 milhões de moléculas
Heme
70% do ferro corporal
7-8 µm
2 µm
=
Tetrâmero
O2
COOH
COOH
Anel de
pro�rina
Descrição da Imagem: a imagem apresenta a organização molecular da hemoglobina dentro do eritrócito. Da esquerda para a direita, 
observa-se um eritrócito com vista frontal, em forma de círculo vermelho, com bordas elevadas medindo de 7–8 micrômetros (m), a 
medida está indicada por seta preta horizontal. Abaixo do círculo vermelho, mostra-se outro eritrócito, com visão lateral, com formato 
bicôncavo e vermelho, medindo 2 micrômetros de altura, a medida está indicada por seta preta vertical. Abaixo dessas duas imagens, 
encontra-se uma caixa vermelha com a palavra eritrócito dentro dela. Da borda do eritrócito com vista frontal, o desenho é expandido 
em tom vermelho degradê, em que aparecem quatro círculos alaranjados com uma estrutura química — grupo heme + ferro + oxigênio 
— no interior de cada círculo. Esses quatro círculos alaranjados representam quatro cadeias globínicas proteicas envolvendo o conteúdo 
interno, a soma de todos os elementos é a hemoglobina. A caixa alaranjada abaixo dos quatro círculos possui a escrita: hemoglobina 
e 250 milhões de moléculas. Do círculo superior esquerdo alaranjado, expande-se o desenho em tom laranja degradê para mostrar os 
detalhes do grupo heme. É uma estrutura química com anéis de porfirina em forma de pentâmero com heteroátomo de nitrogênio, 
desenhado em tom cinza-azulado claro, com centro azul-escuro, representado com o átomo de ferro em uma forma esférica e dois 
átomos de oxigênio molecular, em esfera verde, formando o oxigênio (O2). Abaixo dessa estrutura, está uma caixa azul com o escrito: 
heme, 70% do ferro corporal.
Figura 4 - Estrutura e conteúdo do eritrócito
A parte proteica da Hb, ou cadeia globínica, é formada nos ribossomos e é iniciada por meio da 
expressão de genes estruturais herdados. Cada célula eritroide contém quatro genes alfa (α), dois 
genes beta (β), dois genes delta (δ), quatro genes gama (γ), dois genes zeta (ζ) e dois genes épsilon 
(ε). Os genes alfa e zeta estão localizados no cromossomo 16, e os demais, no cromossomo 11. Cada 
gene tem como produto um tipo de cadeia de globina que varia de acordo com o desenvolvimento do 
organismo desde a fase embrionária até depois do nascimento (AZEVEDO, 2013). 
56
Cada molécula de hemoglobina A (Hb A ou Hb A1) normal do adulto, dominante no sangue 
depois dos três a seis meses de idade, consiste em quatro cadeias polipeptídicas, duas do tipo alfa (α2) 
e duas do tipo beta (β2), cada uma com o seu próprio grupo heme. Perceba, caro(a) aluno(a), que a 
soma de duas cadeias alfa (α2) mais duas cadeias beta (β2) dará origem ao tetrâmero de globinas α2β2 
que equivale a Hb A1. O sangue normal do adulto também contém pequenas quantidades de duas 
outras hemoglobinas Hb A2 e Hb fetal (Hb F), as quais contêm cadeias α, mas com cadeias δ e γ, 
respectivamente, ao invés de β (HOFFBRAND; MOSS, 2017). Assim temos Tabela 1: 
Período de produção Nome da Hb Tipos de Cadeias Valores referenciais
Hemoglobina embrionária Gower I ζ2ε2 -
Gower II α2ε2 -
Hemoglobinas do adulto Hb A1 α2β2 95 a 98%
Hb A2 α2δ2 2 a 4 %
Hb F α2γ2 0 a 2%
Tabela 1 - Tipos de hemoglobinas e suas cadeias proteicas / Fonte: adaptado de Azevedo (2013).
Complementando, a molécula de hemoglobina necessita da formação do grupo heme e do átomo de 
ferro. A biossíntese do grupo heme ocorre, principalmente, nas mitocôndrias dos eritroblastos por 
uma série de reações bioquímicas que começam na condensação de glicina e de succinil-coenzima 
A por ação do ácido δ-aminolevulínico-sintase (ALA), enzima-chave cuja falta limita o ritmo. A 
piridoxal-fosfato (vitamina B6) é uma coenzima dessa reação. Ao final, a protoporfirina se combina 
com o ferro no estado ferroso (Fe2+) para formar heme. A partir de então, forma-se um tetrâmero 
de cadeias de globina, cada cadeia com seu próprio núcleo heme agrupado em um “bolso”, montando 
uma molécula de hemoglobina (HOFFBRAND; MOSS, 2017).
A geração de energia do eritrócito ou metabolismo energético depende da ação de enzimas res-
ponsáveis pela degradação da glicose através da via glicolítica principal, Embden-Meyerhof. A glicose 
que entra no eritrócito é metabolizada a lactato. A glicólise (quebra/metabolismo da glicose) que ocorre 
por essa via fornece trifosfato de adenosina (ATP) como fonte de energia utilizada para manutenção 
do ferro em estado ferroso (divalente); evitar a fuga de potássio pela geração de ATP (funcionamento 
da bomba de sódio e potássio); gerar NADPH (pelo ciclo das pentoses) (SANTOS, 2013). Em síntese, 
o ATP fornece energia para a manutenção do volume, da forma e da flexibilidade da célula. 
A via de Embden-Meyerhof também gera o NADH necessário para a enzima metemoglobina-re-
dutase reduzir a metemoglobina (forma oxidada, contém íon férrico) para hemoglobina reduzida 
(forma ativa, contém ferro no estado ferroso). O desvio de Luebering-Rapoport é uma via metabólica 
lateral, ou seja, um desvio da via principal, gera 2,3-DPG, importante na regulação da afinidade da 
hemoglobina por oxigênio (HOFFBRAND; MOSS, 2017) (Figura 5). 
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Vias de glicólise
Via glicolítica
Ciclo das pentoses
Ciclode Luebering-Rapaport
Glicose
2,3-DPG
G6PD
NADP NADPH
GSH
ATP
Lactato
Regula a a�nidade da Hb pelo O2
Reserva Energética
Regulador do pH
Regularização enzimática
Mantém forma bicôncava
Funcionamento da bomba Na-K
Regularização enzimática
Conversão de baixos níveis de H2O2 em processos oxidativos,
infecciosos, ingestão de drogas
Mantém grupos sul�drilas (enzimas, proteínas) no estado reduzido,
impede oxidação e encurtamento prematuro do eritrócito
Hemoglobina no estado ativo
Integridade celular
Descrição da Imagem: a imagem apresenta um fluxograma que esquematiza algumas conexões entre vias bioquímicas para a obtenção 
de energia do eritrócito. Na parte superior da imagem, centralizado, está escrito “Vias de glicose”. Abaixo, há uma estrutura oval e, dentro 
dela, está escrito “Via Glicolítica”, “Ciclo das Pentoses” e “Ciclo de Luebering-Rapaport”, um abaixo do outro; abaixo, está escrito “G6PD”, 
“NADPNADPH” e “GSH”, um abaixo do outro. Do lado direito, está escrito “ATP”, dessa escrita, sai uma seta indicando, para fora da 
estrutura oval, a escrita “Lactato”. Do lado esquerdo, fora da estrutura oval, está escrito “Glicose”, dessa escrita, sai uma seta indicando 
para dentro da estrutura oval a escrita “2,3-DPG”. Da estrutura oval, saem três setas, uma indicando para a esquerda, outra para direita 
e outra indica o centro. A seta da esquerda indica, para baixo, um retângulo em que está escrito “Regula a afinidade da Hb pelo O2; 
reserva energética; regulador do pH; regularização enzimática”. A seta da direita indica, para baixo, um retângulo em que está escrito 
“Mantém forma bicôncava; funcionamento da bomba Na-K; regularização enzimática”. A seta central indica um retângulo abaixo, em que 
está escrito “Conversão de baixos níveis de H2O2 em processos oxidativos, infecciosos, ingestão de drogas; mantém grupos sulfidrilas 
(enzimas, proteínas) no estado reduzido, impede oxidação e encurtamento prematuro do eritrócito”. De cada retângulo, sai uma seta 
indicando, abaixo, um retângulo em que está escrito: “Hemoglobina no estado ativo; integridade celular”.
Figura 5 - Metabolismo eritrocitário e suas funções / Fonte: adaptado de Santos (2013).
Os eritrócitos, seguindo o padrão de outras células, possuem membrana citoplasmática compos-
ta por bicamada lipídica, proteínas estruturais da membrana e um esqueleto da membrana. A 
membrana é constituída por cerca de 50% de proteína; 20% de fosfolipídios; 20% de colesterol; e, 
aproximadamente, 10% de carboidrato. Os carboidratos ocorrem somente na superfície externa, 
ao passo que as proteínas são periféricas ou estruturais, penetrando na bicamada lipídica. 
58
As proteínas presentes na membrana do eritrócito são a proteína banda 3 e as proteínas 4.1 e 4.2. 
O esqueleto da membrana é formado por proteínas estruturais que incluem espectrina α e espectrina 
β, anquirina, proteína 4.1 e actina. Essas proteínas formam uma rede horizontal no interior do eri-
trócito e são importantes na manutenção da forma bicôncava (HOFFBRAND; MOSS, 2017) (Figura 6).
Espectrina - Anquirina - Proteína Banda 3
Glicocálice
Banda 3
Anquirina
Glicoforina A
α-espectrina
sítio extracelular
Espectrina -
Associação das 
espectrina
β espectrina
Complexo juncional
Proteína
banda 3
4.1R
aducina
actina
α-espectrina
Miosina IIA
Citosol
Descrição da Imagem: a figura representa a membrana de um eritrócito. Na parte superior da figura, um pouco acima do meio, está 
esquematizado o modelo mosaico fluido de uma membrana citoplasmática. É representado por bolinhas amarelas e cauda azul. Acima 
desse esquema, está o meio extracelular. Abaixo desse esquema, está o meio intracelular. Do lado esquerdo, aparece uma proteína 
grande ilustrada em cor marrom (proteína de banda 3) que penetra através da membrana. Ao lado dela, duas unidades da glicoforina A 
estão em amarelo. Os ramos que emergem da proteína de banda 3 e da glicoforina A para o meio extracelular são açúcares que formam 
o glicocálice. Abaixo da proteína de banda 3, existem outras proteínas em verde, uma menor é a anquirina, e uma horizontal e comprida 
é a alfa-espectrina. A alfa-espectrina, que é ilustrada em verde, combina-se horizontalmente com a beta-espectrina que está na cor cinza. 
Na sequência, a beta-espectrina se liga, novamente, à alfa-espectrina e assim sucessivamente. Abaixo desse encadeamento de espectrinas, 
fica a miosina, ilustrada em vermelho. No lado direito, a combinação das proteínas muda, temos a proteína de banda 3 em marrom; a 
proteína 4.1R, representada por uma esfera vermelha, que se liga à aducina, em azul; e, por fim, a actina, na forma de feijão cor-de-rosa.
Figura 6 - Composição molecular dos componentes do citoesqueleto da membrana do eritrócito
Fonte: adaptado de Kuck, Peart e Simmonds (2020).
Após, aproximadamente, 100 a 120 dias na circulação, o eritrócito senil adquire forma de es-
ferócito ou esférica. Essa forma é “vista” como anormal e, quando passa pelo baço, quase sempre 
é destruída pelos macrófagos esplênicos (macrófagos residentes no baço). Todos os dias, um 
indivíduo adulto normal tem cerca de 1% de eritrócitos senis sendo destruídos. De forma com-
pensatória natural/fisiológica, em torno de 1% de eritrócitos jovens (reticulócitos) é lançado da 
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UNIDADE 2
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medula óssea para a circulação. Esse processo de destruição natural dos eritrócitos ocorre no 
compartimento extravascular — principalmente, no baço (SANTOS, 2013). 
Apesar de ocorrer a destruição dos eritrócitos e parecer que tudo está perdido, isso não acontece. 
Na verdade, muitos componentes oriundos da degradação do eritrócito são reaproveitados. A parte 
proteica das cadeias globínicas da hemoglobina é degradada em aminoácidos, que, assim, retornarão 
ao pool (conjunto/grupo) de aminoácidos hepáticos, onde serão reaproveitados para a síntese de novas 
proteínas. O ferro será recaptado pela transferrina e retornará para os eritroblastos medulares para for-
mação de novas moléculas de heme, que serão incorporadas às cadeias globínicas para formar nova Hb. 
O grupo heme, composto por protoporfirina, será degradado em monóxido de carbono — logo, 
expelido pelos pulmões — e bilirrubina livre (indireta), que será transportada para o fígado, no qual 
sofrerá conjugação e transformação em bilirrubina direta, que será catabolizada pelas bactérias intes-
tinais e eliminada como urobilinogênio — colaborando com a cor da urina — e estercobilinogênio 
— colaborando com a cor das fezes. Caso a hemólise ocorra no compartimento intravascular, outros 
mecanismos serão deflagrados (desencadeados). Como consequência, haverá, progressivamente, a 
presença de hemoglobinemia, hemoglobinúria e hemossiderinúria (SANTOS, 2013).
Eritropoiese: formação das células vermelhas do sangue.
Eritrograma: parâmetros que, em conjunto, são utilizados para avaliar o número e a função de 
células vermelhas circulantes.
Hemoglobina: moléculas formadas por um grupo heme + globina que, essencialmente, possui 
função de realizar o transporte de oxigênio para os tecidos.
Fonte: adaptado de Oliveira (2014).
O hemograma é um dos exames mais solicitados pelo clínico para a avaliação geral do paciente. O 
exame consiste em um conjunto de análises laboratoriais que evidenciam aspectos quantitativos e 
qualitativos das células sanguíneas. A análise das células sanguíneas por meio do hemograma pode ser 
realizada de forma manual ou por automação, utilizando testes específicos para cada linhagem, série 
vermelha (eritrograma), série branca (leucograma) e plaquetas (plaquetograma) (AZEVEDO, 2013).
60
1. Hematimetria, eritrometria (E) ou contagem global das células 
vermelhas — eritrócitos, hemácias, glóbulos vermelhos —, vários 
sinônimos.
2. Dosagem da hemoglobina (Hb).
3. Obtenção do hematócrito (Ht).
4. Obtenção do volume corpuscular médio (VCM).
5. Obtenção da hemoglobina corpuscular média (HCM).
6. Obtenção da concentração da hemoglobina corpuscular média 
(CHCM).
7. Obtenção do RDW (Red Cell DistributionWidth). 
Anteriormente ao advento tecnológico e ao desenvolvimento dos contadores hematológicos — assunto 
que será aprofundado nas próximas unidades —, o hemograma era realizado, totalmente, de forma 
manual. Hoje em dia, isso se torna impraticável, devido à demanda de número de exames e aspectos 
relacionados ao controle de qualidade. Entretanto, para compreender a origem de todos os parâmetros e 
praticar o desenvolvimento de habilidades, aprendemos a realizar esse hemograma totalmente clássico. 
Apesar da imensa maioria dos laboratórios clínicos possuir equipamentos automatizados para 
executar a sua rotina, há alguns momentos específicos que possam requerer o conhecimento das téc-
nicas manuais. Por exemplo, em laboratórios de pesquisa, utiliza-se muito a contagem de células de 
forma manual, especialmente, no laboratório de cultivo celular ou, ainda, em banco de sangue para 
a contagem de plaquetas. 
Caro(a) aluno(a), agora, você já sabe muitos detalhes sobre a formação da série vermelha do san-
gue e sobre a estrutura dos eritrócitos. Você utilizará todos os conhecimentos adquiridos para aplicar 
na prática laboratorial e construir o exame, partindo sempre do conhecimento do “normal” para 
entender as alterações do “não normal ou patológico”. No que se refere à série vermelha, como dito 
anteriormente, a análise laboratorial se concentra em uma série de parâmetros ou componentes que, 
em conjunto, comporão o ERITROGRAMA (Figura 7). Existem sete parâmetros que comporão a 
avaliação da série vermelha. São eles:
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Descrição da Imagem: a imagem apresenta parte de um laudo de hemograma contendo os valores (parâmetros) do eritrograma 
dividido em quatro colunas. Na primeira coluna, na parte superior esquerda, está escrito “Material biológico: ST/EDTA”; abaixo, está 
escrito “Série Vermelha”; abaixo, estão escritos os parâmetros, um abaixo do outro, em linhas: “Hemácias, Hemoglobina, Hematócrito, 
V.C.M., H.C.M., C.H.C.M. e R.D.W.”; após cada parâmetro, há uma linha pontilhada até a segunda coluna, que mostra os valores obtidos 
da análise, são eles: “4,39 milh./mm3, 13,3 g/dl, 39,5%, 90,0 fL, 30,3 pg, 33,7 g/dL, 13,6%”, respectivamente, o valor mensurado de cada 
parâmetro e, ao lado, a respectiva unidade de medida. Na terceira coluna, na parte superior, está escrito “Valores Referenciais”; abaixo 
estão os valores de referência, cada linha para cada parâmetro “3,90 a 4,80, 12,0 a 15,0, 36,0 a 46,0, 83,0 a 101,0, 27,0 a 32,0, 31,5 a 
34,5, 11,6 a 14,8”, respectivamente. E, na última coluna, do lado direito, existe uma régua indicadora dos resultados. Acima da régua, 
está escrito “Método: automatizado”. A régua é composta por sete linhas na horizontal e duas linhas na vertical, entre as duas linhas 
verticais, sobre cada linha horizontal, há sete bolinhas pretas. As bolinhas pretas indicam onde o valor do paciente se encontra dentro 
de um intervalo de referência.
Figura 7 - Parte de um laudo de hemograma completo/Eritrograma: avaliação da série vermelha
Fonte: a autora.
Como dito anteriormente, no passado, os eritrócitos (E) eram contados à microscopia de uma 
amostra de sangue, cuidadosamente diluída, em uma câmara de volume conhecido (hemocitôme-
tro). Embora esse método produzisse resultados satisfatórios quando realizado sob rigor técnico, 
ele se tornou inadequado à rotina, por seu alto grau de imprecisão e por consumir excessivo 
tempo de trabalho (BAIN, 2007). 
A determinação da hemoglobina (Hb) pode ser realizada por meio de técnica espectrofotométrica. 
Para tanto, adiciona-se um volume de sangue total, muito bem homogeneizado, a um diluente que 
lisa os eritrócitos pela hipotonicidade e pela presença de um detergente lítico não-iônico, produzindo 
uma solução de hemoglobina. A determinação da concentração de Hb é, então, realizada ao medir a 
densidade óptica (absorbância) de solução de Hb em comprimento de onda apropriado (BAIN, 2007).
O hematócrito (Ht) de uma amostra de sangue consiste na relação entre as células vermelhas do 
sangue (volume de empacotamento dos eritrócitos) e o plasma, obtida pela divisão do volume percen-
tual ocupado pelos eritrócitos empacotados pelo volume de sangue total, que equivale a 100%. Assim, 
o hematócrito é expresso como uma porcentagem ou uma fração decimal. O hematócrito pode ser 
medido diretamente por centrifugação do sangue total por macro ou micro métodos ou, indiretamente, 
como o produto do volume corpuscular médio (VCM) X hematimetria (RBC total) em instrumentos 
automáticos. No sangue mantido à temperatura ambiente, a tumefação dos eritrócitos, ocorre entre 
6 e 24 h, eleva tanto o hematócrito como o VCM. As contagens e os índices celulares permanecem 
estáveis durante 24 h, à temperatura de 4 °C (BAIN, 2007).
A avaliação do volume dos eritrócitos é baseada no Volume Corpuscular Médio (VCM), que 
corresponde à média dos volumes de uma população de eritrócitos, expresso em fentolitros (fL). Ele 
pode ser determinado, manualmente, por cálculo indireto ou, diretamente, por automação. O VCM 
é o índice mais importante por automação, pois é a base para a classificação morfológica das anemias. 
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Por se tratar de um valor médio, o VCM normal não impede a presença de micrócitos e/ou macrócitos 
circulantes (anisocitose) (BAIN, 2007).
VCM = Volume Corpuscular Médio.
E = Eritrócitos.
Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) é a média do conteúdo (peso interno) de hemoglobina 
de uma população de eritrócitos. É obtida como média do peso ou da quantidade de Hb, por cálculo 
matemático, pela divisão da Hb dosada pelo número de eritrócitos contados ou como derivação do 
VCM e CHCM obtidos por laser — por exemplo, equipamentos da Bayer ® (BAIN, 2007).
VCM hematócrito
E
= .10
HCM = Hemoglobina Corpuscular Média.
E = Eritrócitos.
Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) representa a concentração média 
de hemoglobina no eritrócito, e é o índice que, de fato, avalia a cor dos eritrócitos — os eritrócitos 
hipocrômicos possuem baixa concentração interna de Hb. É, tradicionalmente, obtida por cálculo 
indireto, em hemogramas feitos manualmente, ou por automação. A CHCM direta, obtida pela tec-
nologia do laser, vem substituindo o CHCM calculado. Vários laboratórios já utilizam, no seu laudo, 
o valor da CHCM na unidade de picogramas. Inicialmente, a determinação da CHCM automatizada 
foi introduzida em contadores da linha Bayer (Technicon, Advia), os quais liberam dois valores de 
CHCM: o indireto de Wintrobe e o direito a laser (BAIN, 2007).
HCM hemoglobina
E
= .10
CHCM = Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média.
Anisocitose é o termo que caracteriza a diferença de tamanho entre os eritrócitos. Podemos determiná-
-la de maneira visual, com base na observação pela morfologia dos eritrócitos por microscopia óptica e 
por automação. O RDW, do inglês Red Distribution Width, corresponde à amplitude de distribuição 
do volume dos eritrócitos e revela, numericamente, a variação do volume dos eritrócitos. O RDW é 
calculado como o coeficiente de variação (CV%) da frequência dos volumes eritrocitários, em que
RDW = (desvio padrão do volume dos eritrócitos x 100) / VCM
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O RDW é um índice exclusivo da tecnologia. Equivale ao grau de anisocitose, outrora apenas obtido 
pela morfologia eritrocitária. Por meio da RDW, a variação dos volumes dos eritrócitos passou a ser 
um dado quantitativo preciso, fidedigno e de credibilidade bem maior que a relativamente subjetiva 
anisocitose por microscopia. RDW normal revela homogeneidade entre os eritrócitos, o que é comum 
em pessoas não anêmicas, mas, também, ocorre em alguns subtipos de anemia. Valores diminuídos 
não têm significado, apenas correspondem a extremos normais em alguns indivíduos não anêmicos. 
Valores elevados indicam alterações na maturação eritroide (BAIN, 2007).
Como dito anteriormente, os valores de referência são de utilidade para a orientação do estado de 
saúde do indivíduo, porém nem sempre são adequados à populaçãoatendida pelo laboratório. Dessa 
forma, os valores de referência são importantes para o laboratório e para o médico solicitante no mo-
mento da interpretação de determinado exame, sendo este normal ou não. 
A obtenção de valores de referência em Hematologia é difícil e relativamente dispendiosa. A 
dificuldade na obtenção dos valores de referência está na escolha do número e dos indivíduos a 
serem estudados, pois eles devem pertencer a e possuir os hábitos da população que será atendi-
da pelo laboratório. Os parâmetros hematológicos variam conforme idade, sexo, origem étnica, 
altitude e diversos fatores biológicos e influências externas (SANTOS, 2013). Nesse sentido, o 
ideal seria cada laboratório definir seus próprios valores de referência com intervalos ajustados. 
A realidade é que se utilizam valores de referência de populações heterogêneas e de diferentes 
regiões do mundo publicados na literatura internacional. 
Caro(a) aluno(a), se você puder consultar a tabela de valores de Oliveira (2014), seria interessante. A 
tabela desse autor mostra os valores de referência de acordo com gênero, idade e estado gestacional. Além 
disso, destaca os valores pediátricos, que, muitas vezes, é ignorado pelos laboratórios (OLIVEIRA, 2014).
Caro(a) aluno(a), estamos aquecendo nosso aprendizado, não é? Você 
quer saber mais detalhes sobre o eritrograma? Tenho mais algumas 
dicas importantes para enriquecer o seu conhecimento. Corre, acesse 
o link e escute o podcast que eu preparei para você.
Todo o conhecimento sobre a fisiologia do eritrócito é um processo complexo e de construção. Para 
facilitar a vida, estude com calma, devagar e sempre, faça esquemas e nunca se esqueça da nossa re-
ceita de bolo. Ela é muito útil! Além disso, existem vários trabalhos publicados em revistas nacionais 
e internacionais que podem auxiliar na compreensão de tudo o que foi proposto nesta unidade. 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11683
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Caro(a) aluno(a), como já mencionei anteriormente, você tem um excelente material para estudo. 
Aproveite! Amplie os seus conhecimentos. Faça resumos. Valorize o que é básico e o que é nor-
mal, assim você estará preparado para avaliar as alterações patológicas. Dessa forma, o sucesso 
de aprendizado estará garantido.
Caro(a) aluno(a), diante do que foi exposto, pudemos perceber a importância da avaliação 
do hemograma e de seus componentes, especialmente, o eritrograma. O embasamento na fisio-
logia do eritrócito e a sua avaliação laboratorial são indispensáveis para entender as alterações 
patológicas e, dessa forma, simplificar o aprendizado seguinte.
Lembra-se do nosso exercício do começo da unidade? Foram descritos valores de concentração de 
Hb estáveis anualmente, porém a última dosagem apresentou queda (importante). Entretanto, como 
podemos perceber a queda dos valores e a importância dessa alteração? O indivíduo possuía histórico 
dos seus exames ocupacionais — no ambiente de trabalho. Caso contrário, mesmo dentro dos valores 
de referência, o último resultado seria considerado adequado. 
Os valores de hemoglobina variam pouco no adulto, por esse motivo, a variação apresentada é 
importante. Como ele trabalha em ambiente com risco de exposição aos agentes químicos, ainda 
não se pode afirmar, mas existe a possibilidade de a queda no valor da Hb estar relacionado ao 
ambiente de trabalho. E, talvez, no futuro, ocorra, de fato, a instalação de uma anemia. Indepen-
dente disso, o trabalhador deverá ser monitorado.
Título: Fisiologia e Metabolismo do Ferro
Ano: 2010
Autora: Helena Z. W. Grotto
Revista: Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia
Este artigo apresenta uma revisão muito aprofundada e clara, ao mesmo 
tempo, sobre o metabolismo e a fisiologia do ferro no nosso organismo, 
que tem relação direta com a eritropoiese. Os esquemas apresentados 
pela autora facilitam o aprendizado e a visualização dos processos. Além disso, existe um olhar 
clínico que aborda tanto a deficiência quanto a sobrecarga de ferro, ambos com importantes 
repercussões para o paciente. É, de fato, uma excelente e muito relevante produção nacional.
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https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15227
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Caro(a) aluno(a), já foi possível ter uma visão sobre o conjunto de parâmetros que compõem o eri-
trograma. Com a compreensão sobre a fisiologia dos eritrócitos, agora, podemos organizar melhor 
essas ideias em um mapa mental. Com isso, construa um mapa mental, dando ênfase na fisiologia 
do eritrócito e nos parâmetros do eritrograma. Seguem algumas palavras-chave para ajudá-lo(a): 
eritrócitos, heme+globina, ferro, vitamina B12, folatos, eritropoietina, G6PD, membrana, hematócri-
to, VCM, HCM, CHCM, RDW, eritrometria (unidades de medidas dos parâmetros).
Eritrócitos
“ingredientes”
Parâmetros
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1. Leia o texto a seguir.
Os reticulócitos são os eritrócitos mais jovens que a medula óssea libera no sangue periférico. 
Assim, eles representam um índice confiável de produção recente de eritrócitos na medula 
óssea. Em condições normais, as células precursoras eritroides nucleadas amadurecem em 
1–3 dias dentro da medula óssea. Quando seu núcleo é expelido da célula, os eritrócitos 
jovens (isto é, reticulócitos) são liberados no sangue periférico onde circulam por 1 a 2 dias, 
antes de se tornarem eritrócitos maduros. Os reticulócitos podem ser identificados através 
de coloração específica (contagem manual) ou através da quantificação de seu RNA residual 
(contagem automatizada). 
PARODI, E.; ROMANO, F.; RAMENGHI, U. How We Use Reticulocyte Parameters in Workup and 
Management of Pediatric Hematologic Diseases. Frontiers in Pediatrics, v. 8, p. 1–4, 2020. p. 1.
A contagem de reticulócitos é, rotineiramente, realizada no laboratório clínico. Os resultados 
obtidos podem ser utilizados para avaliar a resposta medular em diferentes situações, além 
de auxiliar na classificação das anemias. De acordo com os seus conhecimentos sobre a eri-
tropoiese e os eventos que acontecem durante esse processo, assinale a alternativa correta.
a) Após a enucleação do eritroblasto policromático, o reticulócito ainda pode circular com resí-
duos de RNA ribossômico por dois a cinco dias.
b) Os reticulócitos são eritrócitos jovens/imaturos cuja maturação será finalizada no sangue 
periférico após a circulação de dois dias.
c) Os reticulócitos são células nucleadas que ainda sofrem processo de hemoglobinização.
d) Não é possível quantificar os reticulócitos na rotina, pois essas células são encontradas apenas 
na medula óssea. 
e) Com a enucleação dos eritroblastos ortocromáticos, são formados os reticulócitos. A matu-
ração dos reticulócitos ocorre na medula óssea e apenas 1% circula em sangue periférico.
2. Leia o texto a seguir.
A hemoglobina é uma proteína com estrutura quaternária formada por quatro subunidades. 
Cada subunidade é formada por uma porção proteica (globina) e um grupo prostético (heme). 
Existem diferentes tipos de globinas, o grupo heme, por sua vez, apresenta um átomo de ferro, 
que está geralmente na forma ferrosa.
SANTOS, V. S. dos. Hemoglobina. Brasil Escola, [2022]. Disponível em: https://brasilescola.uol.
com.br/biologia/hemoglobina.htm. Acesso em: 23 ago. 2022.
A estrutura molecular da parte proteica da hemoglobina é de extrema importância para a 
manutenção das funções do eritrócito, visto que alterações patológicas nas cadeias globíni-
cas podem estar presentes em hemoglobinopatias qualitativas e quantitativas. Em relação às 
cadeias globínicas, assinale a alternativa correta.
https://brasilescola.uol.com.br/biologia/hemoglobina.htm
https://brasilescola.uol.com.br/biologia/hemoglobina.htm
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a) As hemoglobinas normais do adulto são formadas, principalmente, pela hemoglobina A1, 
que é constituída por duas cadeias alfa e duas cadeias gama, sendo responsável por 98% da 
hemoglobina normal do adulto.
b) As cadeias globínicas são sempre formadas por quatro subunidades, sendo todas elas dife-
rentes entre si.
c) A união de duas cadeiasalfa e duas cadeias beta forma a hemoglobina A1. A união de duas 
cadeias alfa e duas cadeias gama forma a hemoglobina fetal. A produção dessas hemoglobinas, 
a partir dos seis meses de idade, gira em torno de 96 a 98% e 2%, respectivamente.
d) A hemoglobina fetal, como o próprio nome sugere, é produzida apenas na vida intrauterina, 
ou seja, é uma hemoglobina embrionária. 
e) As cadeias globínicas são envolvidas pelo grupo heme, para que elas sejam protegidas de 
estresse oxidativo celular.
3. Leia o texto.
A produção de glóbulos vermelhos (eritropoiese) acontece na medula óssea sob o controle 
do hormônio eritropoetina. As células justaglomerulares renais produzem eritropoietina em 
resposta ao decréscimo do fornecimento de oxigênio (como na anemia e hipóxia) ou aumento 
dos níveis de androgênios. Além de eritropoietina, a produção de eritrócitos requer forneci-
mento de substratos adequados, principalmente ferro, vitamina B12, folato e heme. 
BRAUNSTEIN, E. M. Produção de Eritrócitos. In: MANUAL MSD. [S.l.: s.n.], 2020. Disponível em: 
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/abordagem-ao-
-paciente-com-anemia/produção-de-eritrócitos. Acesso em: 23 ago. 2022.
Com base em seu conhecimento sobre as fases da eritropoiese e sobre o escalonamento 
maturativo dos precursores eritroides, escreva um parágrafo de texto dissertativo, entre cinco 
e oito linhas, descrevendo as mudanças morfológicas que acontecem durante as diferentes 
fases de maturação da eritropoiese. 
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-nutricionais/defici%C3%AAncia-e-toxicidade-minerais/defici%C3%AAncia-de-ferro
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-nutricionais/defici%C3%AAncia-depend%C3%AAncia-e-toxicidade-das-vitaminas/defici%C3%AAncia-de-vitamina-b12
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-nutricionais/defici%C3%AAncia-depend%C3%AAncia-e-toxicidade-das-vitaminas/defici%C3%AAncia-de-folato
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-end%C3%B3crinos-e-metab%C3%B3licos/porfirias/vis%C3%A3o-geral-de-porfirias
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/abordagem-ao-paciente-com-anemia/produção-de-eritrócitos
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/abordagem-ao-paciente-com-anemia/produção-de-eritrócitos
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3
Nesta unidade, você terá a oportunidade de aprender sobre os 
principais processos patológicos da série vermelha do sangue. Você 
já aprendeu sobre o que é "normal" nos eritrócitos, agora, podere-
mos falar sobre o que é “anormal” ou “patológico”. Ao contrário do 
conhecimento popular, as anemias não são somente deficiências 
nutricionais, como a falta de ferro. Na verdade, a etiologia (origem) 
das anemias é extremamente diversa, o que faz com que o tema 
seja extenso e complexo, especialmente, a parte teórica do assun-
to. Ao final desta unidade, você terá expandido — e muito — o seu 
conhecimento sobre as diferentes anemias.
Anemias
Me. Silvia Aparecida Ramos
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Quando o sangue é “passado” no aparelho — isso significa que o sangue é examinado pela má-
quina —, em poucos segundos, o analista já consegue analisar os parâmetros obtidos por meio 
da automação. Um conjunto de dados numéricos já pode revelar alterações importantes. A ava-
liação seguinte é “ver” alterações do sangue periférico em extensão sanguínea. A soma desses 
dois processos, “passar” e “ver”, resulta na avaliação completa de uma amostra alterada (anêmica). 
Considerando as anemias, qual é o parâmetro que diz que o paciente está anêmico? E o que é 
esperado encontrar na lâmina de sangue periférico?
A avaliação de um eritrograma com evidentes alterações numéricas dos parâmetros, por exemplo, 
queda da concentração de hemoglobina, bem como alterações morfológicas, é essencial para auxiliar 
o médico no diagnóstico da anemia. Algumas formas dos eritrócitos vistas na lâmina se correlacio-
nam com anemias específicas, podendo ser patognomônicas. É importante saber se o paciente tem 
história de refratariedade no tratamento de anemia, como com a suplementação de ferro. Outro fator 
importante é a história familiar de anemia em condições semelhantes, pois as anemias têm etiologias 
múltiplas, uma delas pode ser genética. Saber informações sobre aspectos familiares é muito impor-
tante, especialmente, quando, com a definição diagnóstica, a família terá noção de que outros casos 
podem acontecer. A história clínica não se limita à prática médica, o laboratório também deve ter 
“senso” investigativo, o que auxilia na execução dos exames.
W. M. S., 38 anos, pratica esporte desde os nove anos de idade. Ao realizar exames de rotina 
(check-up), ficou preocupado com a quantidade de informações que estavam presentes no laudo. Sem 
saber exatamente o que eram, perguntou para uma amiga que trabalhava no setor de Hematologia do 
laboratório da sua cidade. Ele disse que tomou ferro para tratar anemias por vários anos e que, além 
dele, a mãe e a irmã também permaneciam sempre anêmicas.
Ele realizou mais exames laboratoriais de rotina. Entre eles, o laudo do hemograma continha 
muitas observações referentes à série vermelha. As alterações numéricas descritas foram: Eritrócitos, 
5,500,000/mm3; Hematócrito (Ht), 34%; Hemoglobina (Hb) 10,8 g/dL; Volume Corpuscular Médio 
(VCM), 61,8 fL; Hemoglobina Corpuscular Média (HCM), 21,5 pg; Concentração da Hemoglobina 
Corpuscular Média (CHCM), 31,7%; Amplitude de Distribuição de Tamanho (RDW), 15,4%. 
As alterações morfológicas descritas foram: Microcitose +++; Hipocromia +++; Anisocitose +; 
Crenócitos ++; Acantócitos +; Eliptócitos ++; Esquizócitos +; Codócitos +; Dacriócitos +; Esferócitos +; 
Policromatofilia ++; Corpúsculos de Howell-Jolly +. Caro(a) aluno(a), considerando esses resultados, 
estabeleça a possível causa do que o paciente está sofrendo.
Caro(a) aluno(a), podemos extrair várias informações desse caso. Então, vamos por partes! 
Primeiro: para você estar familiarizado(a) com as alterações, inicie ao buscar os valores de referên-
cia clássicos para cada parâmetro do hemograma. Esses valores não são os ideais, mas ajudam muito 
a observar possíveis alterações. Quando estiver com os valores de referência em mãos, verifique, 
numericamente, qual está “dentro” e qual está “fora” (alto ou baixo) da referência para o gênero e a 
idade. Segundo: entenda o significado de cada alteração numérica, inclua, também, na sua pesquisa, 
o significado das alterações morfológicas — formas dos eritrócitos, inclusões, policromatofilia. Sobre 
o caso, as alterações numéricas e morfológicas são relevantes? 
UNICESUMAR
UNIDADE 3
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Terceiro: tente relacionar essa situação com a nossa “lista de ingredientes”. O que faltou? Quarto: 
utilize a classificação morfológica, baseada nos índices hematimétricos, das anemias. É possível corre-
lacionar as alterações encontradas com algum tipo de anemia específica? Por fim: olhe para a questão 
familiar. De que forma a história familiar influencia no diagnóstico do caso? 
E, como sempre, pesquise sobre o assunto, discuta, reflita sobre essas questões e anote seus re-
sultados, suas dúvidas ou mais questionamentos em seu Diário de Bordo.
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Os resultados da avaliação do sangue periférico indicam anemia? De acordo com a Organização Mun-
dial da Saúde (OMS), a anemia é definida como a concentração de Hb inferior a 12 g/dL para crianças 
entre 12 e 14 anos, bem como mulheres não grávidas; 11 g/dL para mulheres grávidas; e inferior a 
13,0 g/dL para homens; todos os valores considerados para o nível do mar (SANTIS, 2019). Ainda, 
a anemia é definida como a diminuição do número de hemácias circulantes, representando sinal de 
quadro patológico subjacente que deve ser, adequadamente, investigado e tratado (SANDES, 2021). 
Clinicamente, na maioria dos casos, o paciente anêmico se queixa de fadiga fácil e dispneia (difi-
culdade para respirar) ao se esforçar e, frequentemente, de sensação de desmaio, vertigem, palpitaçãoe cefaleia. Os achados físicos mais comuns são a palidez, pulso fino e rápido, hipotensão arterial, febre 
discreta, algum edema e sopros sistólicos. Além desses sinais e sintomas gerais, determinados achados 
clínicos são característicos do tipo específico de anemia (McPHERSON; PINCUS, 2012).
A classificação fisiológica das anemias se baseia na capacidade da medula óssea de ser rege-
nerativa ou não. A medula óssea regenerativa apresenta atividade medular e, assim, também 
recebe a denominação de hemolítica. Nesse caso, caracteristicamente, são visualizados hemácias 
policromatófilas, reticulocitose e demais sinais de hemólise. Já para a caracterização de uma 
medula óssea arregenerativa, não há atividade medular e, assim, a anemia é dita não hemolítica 
e não aparecem os sinais de hemólise citados (SILVA et al., 2016). 
UNICESUMAR
UNIDADE 3
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A classificação morfológica das anemias — mais útil — baseia-se nos índices hematimétricos 
e divide as anemias em microcíticas, normocíticas, macrocíticas — leva em conta o tamanho do 
eritrócito (VCM) — e hipocrômicas — leva em conta a cor dos eritrócitos de acordo com o conteú-
do de hemoglobina (HCM, CHCM). Além de sugerir a natureza do defeito primário, a observação 
dos índices pode, inclusive, indicar uma anomalia subjacente antes do desenvolvimento da anemia 
decorrente se tornar significativo (HOFFBRAND; MOSS, 2018). 
Além disso, dentro da classificação morfológica, pode-se incluir a classificação fisiológica e 
tem-se a classificação morfofisiológica das anemias (SILVA et al., 2016). Vale ressaltar que, em 
duas situações fisiológicas comuns, o VCM pode estar fora dos limites de referência do adulto. 
No recém-nascido, o VCM é alto durante poucas semanas e, no lactente, é baixo — cerca de 70 
fL com um ano de idade —, aumentando lentamente ao longo da infância até os valores normais 
do adulto. Na gestação, há leve aumento do VCM, inclusive, na ausência de outras causas de 
macrocitose, como a deficiência de folato (HOFFBRAND; MOSS, 2018).
Antes de falarmos mais sobre a classificação das anemias e estudar cada um dos grupos, é 
importante salientar outras alterações que podem aparecer na avaliação microscópica do eri-
trograma, diferente da morfologia normal (Figura 1). São elas as alterações das formas dos 
eritrócitos, as inclusões eritrocitárias, outros achados como aglutinação e a formação de 
rouleaux (empilhamento) eritrocitário, e a presença de policromatofilia. 
Caro(a) aluno(a), a Figura 1 será a sua referência para a visualização das alterações que virão 
a seguir. Aproveite para treinar a sua memória fotográfica ou, de vez em quando, volte para 
dar uma “espiadinha” nela. As alterações citadas auxiliam na investigação do diagnóstico das 
anemias, portanto devem ser vistas e relatadas em laudo.
Descrição da Imagem:a imagem mostra várias estruturas muito semelhantes na forma circular em tom acinzentado mais acentuado 
nas bordas e que clareia de forma degradê em direção ao centro do círculo, formando um halo central discreto mais claro. Esse halo 
central representa a biconcavidade da membrana do eritrócito. Ao centro da figura, aparece um círculo azul escuro com discreto con-
torno mais claro, essa célula é um linfócito normal. 
Figura 1 - Extensão sanguínea de sangue periférico com morfologia normal / Fonte: Longo (2012, on-line).
74
Sobre as formas dos eritrócitos, entende-se que a morfologia dessas células se torna “anormal” quan-
do elas deixam de ter aspecto discoide e bicôncavo. A forma alterada é reconhecida como “errada/
anormal” pelo sistema mononuclear fagocitário no baço. Quando os eritrócitos com formas anormais 
passam pela polpa vermelha do baço e esbarram com macrófagos esplênicos, os macrófagos veem essas 
células e interpretam da seguinte forma: “Ei, eritrócito… você não é bicôncavo! Sinto muito, você 
precisa ser fagocitado.”. A consequência desse processo é a redução da vida média do eritrócito. 
No contexto das anemias, esse processo tem intensidade variável, que pode ser acentuado corro-
borando crises hemolíticas. As principais formas dos eritrócitos anormais e as suas respectivas 
correlações clínicas estão presentes na Figura 2.
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Descrição da Imagem: : a imagem mostra duas colunas de desenhos esquemáticos de diferentes formas dos eritrócitos e, ao lado, a 
descrição de cada uma delas e exemplos de onde aparecem. Iniciando pelo canto superior esquerdo, encontra-se o desenho esquemá-
tico da célula, ao lado direito, o nome da célula “anomalia eritrocitária” e, ao lado, as possíveis “causas”. O primeiro desenho representa 
um eritrócito normal na forma de círculo rosado com halo central esbranquiçado, está escrito do lado direito “normal”. A célula abaixo 
representa um eritrócito na forma de círculo rosado com halo central esbranquiçado, porém é maior, representando um “macrócito”, 
suas causas são “hepatopatias, alcoolismo, é mais ovalado na anemia megaloblástica”. A terceira célula é um “codócito/células em 
alvo” com bordas rosadas, halo esbranquiçado e, ao centro, uma bolinha rosa da mesma cor da borda; são encontrados na “deficiência 
de ferro, hepatopatias, hemoglobinopatias, pós-esplenectomia (retirada do baço)”. Em seguida, aparece o "estomatócito", que tem o 
aspecto de um eritrócito normal, mas o halo central forma uma espécie de fenda, aparece nas “hepatopatias e alcoolismo”. Abaixo, a 
imagem lembra um lápis, fino, comprido e em tom rosado, é uma “célula em lápis”, presente na "deficiência de ferro”. Na sequência, o 
eritrócito está representado no mesmo tom que o normal, mas as bordas formam múltiplas espículas curtas ou projeções para fora, são 
os “equinócitos” ou crenócitos, aparecem nas “hepatopatias, após retirada do baço ou como artefato de conservação”. O “acantócito”, 
que é a célula seguinte da figura, é bem parecido com o cenócito, porém as projeções são mais alongadas e em maior número; aparece 
na “hepatopatia, abetalipoproteinemia, insuficiência renal”. Agora, no canto superior direito, temos um “microesferócito”, que é uma 
esfera, o tom é um rosado um pouco mais denso; aparece na “esferocitose hereditária, anemia hemolítica autoimune, septicemia”. 
Abaixo, temos os “fragmentos” de eritrócitos, que também são chamados de esquizócitos; estão presentes na síndrome de fragmen-
tação, “coagulação intravascular disseminada (CIVD), microangiopatia, síndrome hemolítica urêmica (SHU), púrpura trombocitopênica 
trombótica (PTT), queimaduras e válvulas cardíacas”. A próxima célula é um eritrócito na forma de elipse, tem as mesmas características 
do eritrócito normal, porém é alongado com as bordas das extremidades bem arredondadas, são os “eliptócitos”; aparecem na “elipto-
citose hereditária”. O próximo desenho representa o “dacriócito ou pecilócito em lágrima”, pois tem a forma de gota; pode aparecer na 
“mielofibrose, hematopoiese extramedular”. A “célula em cesto” possui um lado extremo encostado à borda, apresentando um espaço 
vazio; é característica de “dano oxidativo, deficiência de G6PD e hemoglobinas instáveis”. A célula que lembra um barco, foice ou meia 
lua é o drepanócito ou “célula falciforme”; aparece quando existe HbS, na “anemia de células falciformes”. O último desenho representa 
um pequeno eritrócito, “micrócito”, com pouca cor; aparece na “deficiência de ferro, hemoglobinopatia”.
Figura 2 - Principais formas dos eritrócitos e correlações clínicas / Fonte: Hoffbrand e Moss (2018, p. 23).
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Além das formas dos eritrócitos, também, podem ser vistas as inclusões, como ponteados basofílicos, 
corpúsculos de Howell-Jolly, corpúsculos de Pappenheimer, bem como outros achados, como o rou-
leaux e a aglutinação eritrocitária (Figura 3). 
Os ponteados basófilos (Figura 3a) são formados por agregados ribossomais, na forma de par-
tículas finas ou grossas, que preenchem quase todo o eritrócito. Os corpúsculos de Howell-Jolly 
(Figura 3b) são formados por fragmentos nucleares (restos de DNA) e aparecem como pequenos 
corpúsculos arredondados,de tamanho variável e de cor púrpura dentro dos eritrócitos. Os anéis 
de Cabot (Figura 3c) correspondem a finos cordões na forma de laços ou anéis no interior dos eri-
trócitos e se acredita que sejam microtúbulos remanescentes do fuso mitótico. Os corpúsculos de 
Pappenheimer (Figura 3d) são grânulos anormais de ferro dentro dos eritrócitos e são formados por 
fagossomos que englobam quantidades excessivas de ferro. Aparecem como densos grânulos localizados 
na periferia dos eritrócitos. São outros achados o rouleaux eritrocitário (Figura 3e), que é definido 
como o empilhamento de eritrócitos na forma de pilhas de moedas na parte final da extensão, ocorre 
como resultado da perda da carga negativa da superfície dos eritrócitos, diminuição do potencial Zeta, 
os quais são revestidos com excesso de proteínas plasmáticas. E a aglutinação eritrocitária (Figura 
3f) é um processo resultante da presença de um autoanticorpo frio (IgM), abaixo de 37 °C, que faz 
aglutinação dos eritrócitos, vistos na forma de grandes agregados.
A) B) C)
D) E) F)
Descrição da Imagem: : a imagem apresenta seis fotografias de lâminas coradas, A, B, C, D, E e F. No canto superior direito da imagem, 
está a figura (a), ela apresenta um eritrócito ao centro, com forma circular acinzentada, com vários pontos azuis bem escuros (ponti-
lhado basofílico) distribuídos pela superfície da célula. Do lado direito, a figura (b) apresenta vários círculos rosados com halo central 
esbranquiçado, um deles mais superior e, ao centro da figura, aparece uma inclusão vermelha escura única (Howell-Jolly). Do lado, a 
figura (c) apresenta vários círculos rosados com halo central esbranquiçado, e a seta vermelha indica um fio vermelho em formato do 
símbolo de infinito, que é o anel de Cabot. Abaixo, no lado esquerdo, está a figura (d), ela apresenta vários círculos rosados com halo 
central esbranquiçado, e as setas vermelhas indicam pontos enegrecidos agrupados, caracterizando os corpúsculos de Pappenhei-
mer. Do lado direito, a figura (e) apresenta vários círculos rosados com halo central esbranquiçado, e a seta vermelha indica círculos 
empilhados um sobre o outro como a formação em rouleaux eritrocitário. Por fim, do lado direito, a figura (f) apresenta vários círculos 
rosados com halo central esbranquiçado sobrepostos, formando um amontoado de células, como ocorre na aglutinação eritrocitária.
Figura 3 - Principais inclusões dos eritrócitos e outros achados 
Fonte: Figuras (a) e (b) – Longo (2012, on-line); Figura (c) – Erdem et al. (2016, on-line); Figuras (d) e (e) –Tyrrel et al. (2021, p. 
232 e p. 228); Figura (f) – Longo (2012, on-line) .
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Retomando a classificação das anemias, iniciaremos a abordagem dos grupos a partir das anemias em 
que os eritrócitos se apresentam pequenos (microcíticos) e com conteúdo interno de Hb reduzido 
(hipocrômicos). As anemias microcíticas e hipocrômicas (classificação morfológica) também po-
dem ser classificadas fisiologicamente em hemolíticas (talassemias) e não hemolíticas (deficiência 
de ferro, sideroblástica e doença crônica) (SILVA et al., 2016).
Entre os diversos tipos de anemia, a anemia ferropriva é a mais prevalente (comum) no mundo, 
acometendo qualquer indivíduo de qualquer idade e gênero. Contudo, alguns grupos são mais 
susceptíveis a desenvolver anemia ferropriva, como as mulheres — devido à perda sanguínea 
menstrual —, os recém-nascidos — leite materno com baixa quantidade de ferro —, os vegeta-
rianos — que não ingerem alimentos de origem animal. Além disso, indivíduos que se subme-
teram a cirurgia bariátrica — que não absorvem o ferro — são mais susceptíveis a desenvolver 
a anemia. No caso do gênero masculino, a prevalência é menor, porém poderá haver correlação 
com neoplasias intestinais, devendo o médico investigar (SANDES, 2021). 
Quando a perda de ferro excede a ingestão durante um tempo suficientemente longo para depletar 
as reservas de ferro do organismo, a quantidade de ferro disponível é insuficiente para a produção 
normal de hemoglobina, assim o indivíduo se encontra em processo de desenvolvimento do quadro 
anêmico. Para avaliar as alterações referentes ao metabolismo do ferro e da anemia, faz-se uso das 
ferramentas do diagnóstico laboratorial, que envolve a determinação do ferro sérico, da capacidade 
total de ligação do ferro, da saturação da transferrina e da determinação de ferritina. Quando 
já bem instalada, a deficiência de ferro é caracterizada por uma anemia microcítica hipocrômica 
78
(McPHERSON; PINCUS, 2012). O processo de diminuição do ferro até a anemia propriamente dita 
ocorre em três estágios: 
1. Depleção de ferro — estoque de ferro baixo ou ausente. 
2. Deficiência de ferro — estoque de ferro baixo ou ausente com concentração sérica de ferro 
e saturação de transferrina baixas.
3. Anemia ferropriva — estoque de ferro baixo ou ausente, com concentração sérica de ferro e 
saturação de transferrina baixas, além de redução da hemoglobina e do hematócrito (SANDES, 
2021). 
Ferro sérico: é o ferro disponível, dosado no plasma ou soro.
Capacidade total de ligação ao ferro (CTLF): é a determinação do ferro e da capacidade de 
fixação do ferro não saturado por método colorimétrico.
Saturação de transferrina: refere-se à quantidade de ferro ligada à transferrina. A saturação da 
transferrina é calculada ao se dividir o ferro sérico pela CTLF.
Ferritina: a ferritina plasmática reflete a quantidade de ferro armazenado dentro das células. Cui-
dado! A ferritina também é uma proteína de fase aguda, sendo secretada em processos infecciosos, 
inflamatórios, neoplasias e lesões teciduais.
Fonte: adaptado de Naoum (2010).
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Mesmo antes de haver anemia, os índices hematimétricos diminuem, e a queda é progressiva com 
o progresso da anemia. A avaliação microscópica mostra a presença de eritrócitos hipocrômicos e 
microcíticos (Figura 4a), que são alterações mais discretas, ou, ainda, a presença de alterações mor-
fológicas como células em alvo — codócitos ou leptócitos — e eritrócitos em forma de lápis — são 
eliptócitos finos e longos (Figura 4b). A contagem de reticulócitos é baixa — caracteriza ausência de 
hemólise — em relação ao grau de anemia (SANDES, 2021).
Um aspecto dimórfico — diferentes populações de eritrócitos com VCM bem definido — também 
é observado em pacientes com anemia ferropênica recentemente tratados com ferro. A reposição do 
ferro deficiente induz a produção de uma população de eritrócitos novos, saturados de hemoglobina 
e de tamanho normal. A alteração na contagem de plaquetas é um achado interessante, em geral, é 
levemente aumentada na deficiência de ferro, particularmente, quando há hemorragia contínua.
A) B)
Descrição da Imagem: : a imagem apresenta duas fotografias de lâminas coradas, (a) e (b). Na imagem (a), é possível visualizar formas 
circulares em tom rosado mais acentuado nas bordas, que clareia, de forma degradê, em direção ao centro do círculo, formando um 
halo central bem evidente e, assim, menos coradas ao centro — hipocromia. Existem variações mais evidentes de tamanho entre os 
círculos rosados com halo central. Os círculos menores são micrócitos. Na imagem (b), existem vários círculos com tamanhos bem 
diferentes — anisocitose evidente — e bordas acinzentadas. Halo central bem evidente — descorados —, aparecem, do meio para a 
direita, uma forma de lápis e uma forma de alvo. Existem menos círculos, indicando uma menor população de células.
Figura 4 - Sangue periférico de paciente com anemia por deficiência de ferro (ferropriva, ferropênica)
Fonte: Figura (a) - Longo (2012, on-line); Figura (b) – Gao e Monaghan (2018, p. 13).
Anemia de Doença Crônica (ADC), atualmente, chamada de anemia causada por inflamação crô-
nica (Anemia por Inflamação ou AI), ocasiona a diminuição do ferro (hipoferremia) decorrente da 
inflamação. Pode estar associada a infecção, neoplasia maligna, trauma, diabete melito, anemia do 
idoso, doenças imunes agudas oucrônicas (SANDES, 2021). Na ADC, nota-se discreta diminuição da 
sobrevida dos eritrócitos, porém o principal mecanismo para o desenvolvimento da anemia resulta da 
incapacidade da medula óssea de elevar sua atividade eritropoética suficientemente para compensar 
a menor sobrevida dos eritrócitos (SANTOS, 2013). 
Uma das explicações para essa resposta medular inadequada está diretamente relacionada à ativação 
dos macrófagos e à liberação da tríade de citocinas da resposta inflamatórias — IL-1, IL-6 e fator de 
necrose tumoral (TNF). Em conjunto, atuam inibindo a proliferação dos precursores eritrocitários, 
80
dessa forma, têm ação negativa sobre a eritropoese. A ação supressora dessas citocinas supera a ação 
estimuladora da EPO, acentuando a diminuição da eritropoese (SANTOS, 2013). Além disso, o am-
biente inflamado estimula a captação e retenção de ferro pelos macrófagos ativados, indisponibilizando 
o ferro para a eritropoiese (NAOUM, 2010). 
Inicialmente, a ADC se apresenta normocrômica e normocítica, embora possa ser microcítica e 
hipocrômica em um quarto dos casos, mas com VCM, geralmente, acima de 70 fL. Os achados mor-
fológicos são discretos, e há ausência de policromatofilia (SANDES, 2021).
Em síntese: infecções, câncer, doenças inflamatórias ⇒ produzem citocinas inflamatórias ⇒ ocorre 
bloqueio da eritropoiese + diminuição da resposta à eritropoietina ⇒ induz captação e retenção de ferro 
por macrófagos ⇒ com o ferro retido, ocorre anemia com microcitose e hipocromia (NAOUM, 2010).
As talassemias são outro grupo relevante dentro das microcitoses e hipocromias e são consideradas 
uma hemoglobinopatia com defeito quantitativo. Talassemia é o nome dado às alterações do gene 
da globina associadas à diminuição da síntese de uma ou mais cadeias globínicas, especialmente, alfa 
(α) e beta (β), e consequente diminuição da síntese da hemoglobina (SANDES, 2021). 
Os dois genes (diploides) da cadeia globínica alfa estão localizados no cromossomo 16. A 
gravidade da α-talassemia depende do número de genes afetados (Tabela 1). Pode ocorrer de-
leção ou disfunção de um único gene (-α/αα) com quadro assintomático, eventualmente, com 
alterações discretas na série vermelha do hemograma. A deleção de dois genes (--/αα) ou (-α/-α) 
está associada à anemia microcítica; a deleção de três dos quatro genes (--/-alfa) está associada 
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à anemia microcítica ainda mais acentuada e à formação da hemoglobina H (HbH) (Figura 5). 
A HbH é formada pelo excesso de beta globina resultante da diminuição da síntese da cadeia 
alfa. A deleção dos quatro genes da alfa globina (--/--) é incompatível com a vida e resulta em 
morte fetal por hidropisia (hidropisia de Barts) (SANDES, 2021).
Descrição da Imagem: : a imagem apresenta duas fotografias de lâminas coradas, (a) e (b). Na imagem (a), é possível visualizar formas 
circulares em tom rosado mais acentuado nas bordas, que clareia, de forma degradê, em direção ao centro do círculo, formando um 
halo central bem evidente e, assim, menos coradas ao centro — hipocromia. Existem variações mais evidentes de tamanho entre os 
círculos rosados com halo central. Os círculos menores são micrócitos. Na imagem (b), existem vários círculos com tamanhos bem 
diferentes — anisocitose evidente — e bordas acinzentadas. Halo central bem evidente — descorados —, aparecem, do meio para a 
direita, uma forma de lápis e uma forma de alvo. Existem menos círculos, indicando uma menor população de células.
Figura 5 - Sangue periférico de paciente com a--talassemia e pesquisa intraeritrocitária de HbH, aspecto de bola de golfe
Fonte: Hoffbrand e Moss (2018).
O gene (diploide) da cadeia globínica beta está localizado no cromossomo 11. A gravidade da β-ta-
lassemia depende da capacidade de produção de cada gene afetado (Tabela 1). Mais de 200 mutações 
foram descritas nesse gene, distribuídas em variados grupos étnicos e diversas na natureza genética, 
com diferentes capacidades de síntese proteica. Como os indivíduos normais têm duas cópias do 
gene β, a β-talassemia pode existir em heterozigose, homozigose ou heterozigose composta. As β-ta-
lassemias são classificadas como: beta zero talassemia (β0), quando não há síntese de globinas beta; e 
beta mais talassemia (β+), quando há redução na taxa de síntese. As formas clínicas dessa doença são 
denominadas talassemia beta menor (Figura 6a), intermediária e maior (Figuras 6b) (SANDES, 2021). 
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As alterações clássicas visualizadas no hemograma que incluem microcitose, hipocromia, pecilocitose/
poiquilocitose (alteração das formas) variável e diversificada — codócitos, eliptócitos, crenócitos ou 
equinócitos, esquizócitos, dacriócitos —, eritroblastos, inclusões — ponteado basófilo, Howell-Jolly — 
contribuem para a suspeição diagnóstica. Para a confirmação do processo talassêmico, porém, exames 
adicionais deverão ser realizados. Entre eles, a eletroforese de hemoglobina apresenta percentuais que 
corroboram com perfil característico das alterações das bandas das hemoglobinas A ou A1, A2 e Fetal 
(Tabela 1) (SILVA et al., 2016).
A) B)
Descrição da Imagem: a imagem apresenta duas fotografias de lâminas coradas, (a) e (b). Na imagem (a), é possível visualizar círculos 
pequenos rosados de tamanho mais uniforme com poucas células em alvo. No canto superior direito, existe um destaque com um 
quadrado preto vazado; dentro dele, está a representação circular e rosada do eritrócito, sendo que um deles possui múltiplos pontos 
enegrecidos indicando a inclusão de ponteado basofílico. Na imagem (b), é possível visualizar círculos rosados de diferentes tamanhos 
bem descorados, com halo central intenso. São vistas formas mais elípticas, alguns desenhos amorfos e em alvo. Aparecem sete eri-
troblastos ortocromáticos representados por uma bolinha bem pequena, quase preta, circundada por cor rosada.
Figura 6 - Sangue periférico de paciente com β-talassemia 
Fonte: Gao e Monaghan (2018).
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Tipo de ta-
lassemia
Tipo de
deleção
Clínica Hemograma Eletroforese
Alfa-talas-
semia
Portador silen-
cioso.
(-α/αα).
Assintomático.
Microcitose ou normoci-
tose discretas.
VCM: 75–80 fL.
HCM: 24–27 pg.
Hb H: traços (< 2%)
Pesquisa de Hb H in-
traeritrocitária: raro.
Traço alfata-
lassêmico ou 
talassemia 
menor.
(-α/-α); (- -/αα).
Geralmente, 
assintomático.
Microcitose.
Hipocromia.
Anemia (Hb: 11–13 g/
dL).
VCM: 65–75 fL.
HCM: 20–24 pg.
Hb H: 2–8%
Pesquisa de Hb H 
intraeritrocitária: 2 a 
5% das células.
Doença da Hb 
H
ou talassemia 
intermediária.
(- -/-α).
Anemia mode-
rada, icterícia 
e esplenome-
galia.
Microcitose.
Hipocromia.
Anemia (Hb: 7–10 g/dL).
VCM: 55–65 fL.
HCM: 20–24 pg.
Hb H: 10–40%
Pesquisa de Hb H 
intraeritrocitária: 35 a 
90% dos eritrócitos.
Hidropisia fetal.
(- - / - -).
Morte neo-
natal com 
eritroblastose 
fetal.
Hb Bart’s: 80–100%.
Hb H: 10–20%.
Pesquisa de Hb H 
intraeritrocitária: 35 a 
90% dos eritrócitos.
Beta-ta-
lassemia
β+ heterozigo-
to.
Discreto grau 
de anemia.
Hb: 10–13 g/dL.
Microcitose e hipocro-
mia discretas.
Hb A2: > 4%.
Hb F: 0–5%.
β0 heterozigo-
to.
Discreto grau 
de anemia.
Hb: 10–13 g/dL.
Microcitose e hipocro-
mia discretas.
Hb A2: > 4%.
Hb F: 0–5%.
β+ homozigoto.
Talassemia 
intermediária 
ou maior (de-
pendente de 
transfusão).
Hb: 7–10 g/dL.
Anisocitose e hipocro-
mia acentuadas.
Hb A: 60–80%.
Hb A2: 2–6%.
Hb F: 20–40%.
β0 homozigoto
Talassemia 
maior (de-
pendente de 
transfusão).
Hb: < 7 g/dL.
Anisocitose e hipocro-
mia acentuadas.
Presença de eritroblas-
tos circulantes.
Hb A: ausente.
Hb F: > 90%.
Hb A2: 2-6%.
Tabela 1 - Características clínicas e laboratoriais de pacientes com talassemia / Fonte: adaptado de Sandes (2021).
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As manifestações clínicas descritas na β-talassemia maior iniciam, precocemente, na infância, poden-
do provocar hiperplasia de medula óssea com deformações dos ossos da face (fácies talassêmicas) 
(Figura 7a) e do crânio (Figura 7b), retardo de crescimento,necessidade de transfusões regulares de 
concentrados de hemácias, o que pode predispor o paciente à sobrecarga de ferro, piorando o quadro 
(NAOUM, 2010). Além das alterações esqueléticas, o paciente apresenta hepatoesplenomegalia, icte-
rícia e, como dito anteriormente, anemia grave (SILVA et al., 2016).
Figura 7 - Fácies de uma criança com β-talassemia maior e imagem radiológica do crânio 
Fonte: Hoffbrand e Moss (2018).
Descrição da Imagem: a figura (a) mostra uma criança em posição frontal, com cabelos escuros, franja, alargamento e espaçamento 
entre os olhos, boca entreaberta com proeminência gengival; ela veste blusa vermelha. A figura (b) apresenta a imagem óssea do crânio; 
na parte superior, a imagem apresenta uma espécie de cobertura de pelos descrito como aspecto de “fios de escova”.
O último grupo das microcitoses e hipocromias discutido nesta unidade se refere às anemias sidero-
blásticas. Trata-se de uma anemia refratária definida pela presença de muitos sideroblastos patológicos 
(sideroblastos em anel) na medula óssea. Esses eritroblastos anormais contêm numerosos grânulos de 
ferro, dispostos em anel ou colar em torno do núcleo, em vez dos poucos grânulos de ferro distribuídos 
aleatoriamente, observados nos eritroblastos normais mais corados para ferro. A anemia sideroblástica 
é classificada em diferentes tipos, e o elo comum é um defeito na síntese do heme. 
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Nas formas hereditárias, caracteriza-se por um quadro hematológico acentuadamente hipocrômi-
co e microcítico. As mutações menos raras ocorrem no gene do ácido δ-aminolevulínico-sintase 
(ALA-S) no cromossomo X. O piridoxal-6-fosfato é uma coenzima do ALA-S. Formas adquiridas 
reversíveis se devem a abuso alcoólico, intoxicação por chumbo e uso de fármacos, como a isonia-
zida (HOFFBRAND; MOSS, 2018). O chumbo inibe a síntese de heme e de globina em vários pontos, 
além de interferir na quebra de RNA, inibindo a enzima pirimidina-5′-nucleotidase e causando 
acúmulo de RNA desnaturado nos eritrócitos, o que forma a inclusão de pontilhado basófilo (Figura 
8) (HOFFBRAND; MOSS, 2018).
Figura 8 - Sangue periférico de paciente com anemia sideroblástica e inclusões de ponteado basofílico
Fonte: Zamani et al. (2022, p. 3).
Descrição da Imagem: a imagem apresenta duas fotografias de lâminas coradas. A imagem da esquerda apresenta estruturas circulares 
na cor roxa, com halo interior; na parte superior do lado esquerdo, há uma seta indicando uma estrutura circular na cor roxa e com 
grânulos. Na imagem do lado direito, é possível visualizar estruturas circulares na cor roxa com halo interior; do lado direito, há uma 
estrutura circular com núcleo lobulado e com grânulos; também do lado direito, uma seta indica uma estrutura circular na cor roxa e 
com grânulos, do lado esquerdo outra seta indica uma estrutura circular na cor roxa e com grânulos.
Como o grupo das anemias microcíticas e hipocrômicas interfere na formação da hemoglobina (Heme 
+ globina + ferro) em diferentes pontos, alguns marcadores são utilizados para realizar o diagnóstico 
diferencial (Quadro 1).
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Teste Anemia ferro-priva Beta-talassemia
Anemia de 
doença crônica
Anemia sidero-
blástica
Ferro sérico Diminuído. Normal ou au-mentado.
Normal ou dimi-
nuído.
Normal ou au-
mentado.
CTLF Aumentada. Normal. Levemente au-mentada. Normal.
Saturação da 
transferrina Diminuída.
Normal ou au-
mentada.
Normal ou dimi-
nuída.
Normal ou au-
mentada.
Ferritina Diminuída. Aumentada. Normal ou au-mentada.
Normal ou au-
mentada.
RDW Aumentado. Normal ou au-mentado. Normal. Aumentado.
Quadro 1 - Testes laboratoriais para diferenciação das anemias microcíticas hipocrômicas
Fonte: adaptado de Sandes (2021).
No algoritmo/esquema da visão geral — mostrado anteriormente — das anemias normocíticas 
normocrômicas, aparece um subgrupo denominado anemias hemolíticas. Esse grupo de anemias 
é de extrema importância, uma vez que elas estão correlacionadas com quadros clínicos que podem 
ser mais graves, fazem períodos de crise hemolítica e constituem casos relativamente frequentes na 
bancada laboratorial da Hematologia (Tabela 3). As talassemias, também, são anemias hemolíticas, 
porém classificadas morfologicamente como microcíticas hipocrômicas.
Tipo de anemia Associações Causas
Imunomediada Idiopática, neoplasias malignas, fármacos, infecções, transfusões, doenças autoimunes. Adquirida.
Microangiopática Idiopática, neoplasias malignas, fármacos, infecções, transfusões, doenças autoimunes.
Enzimopatias Deficiência de G6PD. Hereditárias.
Membranopatias
Esferocitose hereditária.
Eliptocitose hereditária.
Hemoglobinopatias
Anemia falciforme.
Hemoglobinopatia C.
Quadro 2 - Tipos de anemias hemolíticas Fonte: / adaptado de Stefane e Barros (2013).
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia caracterizada pela presença de hemoglobina S 
(HbS), clinicamente importante quando se manifesta em homozigose (SS). Pacientes heterozi-
gotos são assintomáticos. A HbS está sujeita à polimerização quando submetida a baixas tensões 
de oxigênio, levando à falcização da hemácia em pacientes homozigotos (SANDES, 2021). La-
boratorialmente, o hemograma está normal ao nascimento, porém, ao longo do primeiro ano de 
vida, conforme aumenta a concentração de HbS, começa a haver diminuição da concentração de 
hemoglobina e o aumento da contagem de reticulócitos. Em geral, VCM é normal, caracterizando 
um quadro normocítico e normocrômico e RDW aumentado (SANDES, 2021). 
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A morfologia em sangue periférico é normal ao nascimento, porém, no primeiro ano de idade, as 
alterações morfológicas já são evidentes em lâmina, com células falcizadas, células em alvo e corpúsculos 
de Howell-Jolly; eritroblastos podem ser vistos (Figura 9). Em adultos, a eletroforese de hemoglobinas 
evidencia predomínio de HbS (90 a 5%), HbF e HbA2. O diagnóstico de anemia falciforme depende 
da demonstração da HbS por, pelo menos, dois métodos independentes. Isso porque outras hemo-
globinopatias podem correr na mesma posição em que corre a HbS em determinada metodologia, 
porém o uso de metodologias alternativas permite a diferenciação (SANDES, 2021).
Figura 9 - Sangue periférico de paciente com anemia falciforme (SS) / Fonte: Longo (2012, on-line).
Descrição da Imagem:a imagem apresenta uma fotografia de uma lâmina corada. É possível visualizar estruturas de formas diferentes 
na cor rosa. Há estruturas circulares com halo no interior, estruturas em forma de foice. No canto direito inferior, há uma estrutura 
circular com núcleo escuro.
A hemoglobinopatia C (HbC) resulta de uma mutação pontual no DNA, em que ocorre a troca 
de uma guanina por uma adenina (G→A). A sequência de bases nitrogenadas no ácido glutâmico é 
GAG, a mutação resulta no códon AAG, que significa o aminoácido lisina. A consequência dessa 
mutação é a cristalização da hemoglobina na parte central do eritrócito, que, em termos morfológicos, 
caracteriza o codócito (célula em alvo) (Figura 10). O homozigoto para a HbC (HbCC), clinicamente, 
pode apresentar dor abdominal, artralgia e cefaleia, sintomas que não estão diretamente relacionados 
a distúrbios genéticos de hemoglobina (SILVA et al., 2016). O hemograma apresenta, na extensão 
sanguínea, abundância de codócitos — até 90%. A anemia é leve a moderada e, além dos codócitos, 
podem ser observados eritrócitos irregularmente contraídos, que podem lembrar esferócitos, mas, pelo 
seu formato irregular, descartam essa possibilidade. Pode haver policromatofilia, e é rara a presença 
de eritroblastos. O portador AC é assintomático e apresenta como achado hematológico, na exten-
88
são sanguínea, a presença de 5 a 30% de codócitos. A contagem de reticulócitos varia entre 2 e 6%. 
O diagnóstico é feito pela eletroforese de hemoglobina em pH ácido e alcalino (SILVA et al., 2016).
Figura 10 - Sangue periférico de paciente com hemoglobinopatia C (HbC) / Fonte: Gao e Monaghan (2018).
Descrição da Imagem:a imagema figura apresentaduas imagens, (a) e (b). Na imagem (a), do lado esquerdo, é possível visualizar 
estruturas circulares na cor rosa, algumas possuem um halo em seu interior, elas representam os codócitos; no centro da imagem, é 
possível ver uma estrutura retangular representando um cristal, corado de um rosa intenso. Na figura (b), do lado direito, também é 
possível visualizar estruturas circulares na cor rosa, algumas possuem um halo em seu interior, representando os codócitos, algumas 
possuem um risco em seu interior; no centro da imagem, é possível visualizar uma estrutura retangular fina e extensa, corada de um 
rosa mais intenso, representando um cristal.
Existem várias outras hemoglobinopatias descritas na literatura. Entretanto, a hemoglobinopatia S e 
a C são muito mais importantes do ponto de vista clínico, ou seja, a sua presença está correlacionada 
com a alteração fisiológica do eritrócito, logo com o acometimento de doença. Além disso, são mais 
prevalentes na população, portanto existe maior possibilidade de se encontrar na rotina laboratorial.
Já sabemos que a herança genética da globina beta é através de um gene diploide: recebemos um 
alelo do pai e outro da mãe. As mutações da HbS e HbC ocorrem exatamente na cadeia globínica 
beta. Será possível um feto receber um alelo mutado do pai e outro alelo mutado da mãe? Será 
possível o paciente ter um genótipo SC?
UNICESUMAR
UNIDADE 3
89
No que se refere aos defeitos de membrana, também chamadas de membranopatias, a esferocitose e a 
eliptocitose hereditária apresentam maior importância laboratorial. Da mesma forma que citado ante-
riormente nas hemoglobinopatias, aqui, a relevância clínica e a prevalência colocam essas duas condições 
em destaque perante os outros defeitos de membranas já descritos (SILVA et al., 2016). Na esferocitose 
hereditária, o defeito se deve à perda da área de superfície da membrana eritrocitária em relação ao 
volume intracelular. A membrana se torna mais fina e/ou esticada, dessa forma, predispõe o eritrócito a 
perder sua deformabilidade, além de mudar seu formato original (formato oval). Mais especificamente, 
o defeito ocorre na interação vertical entre proteínas que constituem a membrana, principalmente, as 
proteínas anquirina, banda 3, β-espectrina, α-espectrina e proteína 4.2 (SILVA et al., 2016).
Como os esferócitos são diferentes da forma normal dos eritrócitos, eles ficam retidos no baço, 
causando seu acúmulo na polpa esplênica. A consequência desse processo é a estase eritrocitária, é 
o verdadeiro mecanismo fisiopatológico da hemólise observada na esferocitose hereditária. Além 
disso, enquanto estiver retido no baço, o esferócito tem disponibilidade diminuída de glicose, o que 
cria um ambiente metabolicamente estressante, sendo facilmente fagocitado pelos macrófagos, o 
que amplifica o estado hemolítico (SILVA et al., 2016).
O VCM é normal ou discretamente diminuído na maioria dos pacientes, exceto nos casos graves, em 
que está diminuído apesar da reticulocitose, refletindo perda da membrana ou desidratação celular. A 
CHCM se encontra aumentada em decorrência da desidratação celular, e o índice de anisocitose (RDW) 
é aumentado. Na extensão sanguínea, são vistos esferócitos — eritrócitos que perderam a palidez central 
característica, muitas vezes, de aspecto denso (Figura 11), associados à anisocitose (SANDES, 2021).
Figura 11 - Sangue periférico de paciente 
com esferocitose hereditária 
Fonte: Sandes (2021).
Descrição da Imagem:a imagem 
apresenta uma fotografia de parte de 
uma lâmina corada. É possível visuali-
zar várias estruturas circulares na cor 
cinza azulada, que são os eritrócitos. 
No canto superior esquerdo, há um 
quadrado ampliando algumas dessas 
estruturas, dessa forma, é possível vi-
sualizar melhor as estruturas descritas 
anteriormente.
90
A eliptocitose hereditária compreende um grupo heterogêneo de doenças caracterizadas pela 
presença de eritrócitos de formato elíptico (eliptócitos) (Figura 12) na extensão sanguínea. Os 
eritrócitos do paciente com eliptocitose hereditária apresentam fragilidade das membranas, 
decorrente do defeito em várias proteínas do citoesqueleto, incluindo a alfa e beta espectrinas, 
proteína 4.1 e glicoforina C. Na maioria dos casos, o defeito estrutural se encontra na espec-
trina, e a integridade dessa proteína é dependente da interação dos heterodímeros de alfa e beta 
espectrinas. As moléculas maduras da espectrina são responsáveis pela estabilidade da membrana, 
pelo formato e pela função dos eritrócitos (SANDES, 2021).
Figura 12 - Sangue periférico de pa-
ciente com eliptocitose hereditária 
Fonte: Sandes (2021).
Descrição da Imagem:a imagem 
apresenta uma fotografia de 
parte de uma lâminas corada. É 
possível visualizar várias estru-
turas em formato de elipses na 
cor cinza azulado. No canto su-
perior direito, há um quadrado 
ampliando algumas dessas es-
truturas, dessa forma, é possível 
visualizar melhor as estruturas 
descritas anteriormente.
Caro(a) aluno(a), cuidado! Eliptócitos e drepanócitos podem ser muitos parecidos e causar 
confusão ou dúvida na hora de produzir a avaliação morfológica. A Figura 13 apresenta uma 
“boa dica” para auxiliar você a não errar! Eliptócitos possuem as extremidades da elipse bem 
arredondadas e mantêm um padrão de coloração homogêneos, enquanto os drepanócitos, mesmo 
os pouco falcizados (aspecto de barco/banana), possuem as extremidades mais pontiagudas ou 
irregulares e, normalmente, mais densas e hipercoradas.
UNICESUMAR
UNIDADE 3
91
Eliptócitos
Extremidades
arredondadas
Depranócitos
Extremidades
pontiagudas
Figura 13 - Comparação entre eliptócitos X 
drepanócitos (células em foice)
Fonte: Liapis (2021, p. 9).
Descrição da Imagem:a imagem apre-
senta duas figuras. No lado esquerdo, 
na parte superior, aparecem formas 
elípticas cor-de-rosa com extremida-
des arredondadas e algumas imagens 
circulares. Abaixo, está a representação 
de uma estrutura elíptica na cor preta 
com uma chave preta, está escrito ao 
lado: “extremidades arredondadas”. 
Entre as duas imagens, está escrito 
"eliptócitos". No lado direito, na parte 
superior, há estruturas na forma de ba-
nana e algumas circulares. Abaixo, está 
a representação de uma estrutura em 
formato de losango achatado na vertical 
de cor preta com uma chave preta, está 
escrito ao lado: “terminações pontiagu-
das”. Entre as duas imagens, está escrito 
"drepanócitos".
Caro(a) aluno(a), foi possível perceber a diferença? Essas morfologias são bem parecidas, mas, 
com essas dicas e um pouco de treino, a morfologia fica mais clara. E se lembre: é sempre muito 
bom treinar a memória fotográfica. Observe a imagem, feche seus olhos e tente reproduzir men-
talmente a imagem. Ajuda muito! 
Já foi possível perceber que algumas formas de eritrócitos podem aparecer em doenças distintas. 
Quando observamos esferócitos em sangue periférico, quais são as prováveis anemias envolvidas? 
E como será feita a diferenciação entre elas?
92
A G6PD é uma enzima do shunt das pentoses. Sua deficiência é a principal causa de defeito 
enzimático associado à hemólise e é comum em muitos grupos étnicos, incluindo africanos, cujos 
portadores demonstram anemia hemolítica crônica ou episódios hemolíticos desencadeados por 
situações de estresse, como quadros infecciosos, cirurgias, uso de medicamentos etc. (SANDES, 
2021). A finalidade da enzima G6PD é manter os níveis altos de glutationa na sua forma reduzi-
da; com isso, os radicais livres (H2O2) que se formam no eritrócito são transformados em água, 
evitando, dessa forma, o estresse oxidativo (SILVA et al., 2016).
Quando há anemia hemolítica crônica decorrente da deficiência de G6PD (raro), a extensão sanguí-
nea revela anisocitose, pontilhado basófilo, poiquilocitose, macrocitose e policromatofilia. Nos casos 
leves, o hemograma é normal, exceto nas crises de hemólise, nas quais os achados morfológicos são 
mais característicos. Há eritrócitos irregularmente contraídos, alguns revelam protrusões decorrentesda presença dos corpúsculos de Heinz (SANDES, 2021).
Outros eritrócitos são denominados células mordidas (bite cells) (Figura 14a) por apresentarem 
aberturas irregulares em seus contornos, provavelmente, ocasionadas pela remoção esplênica dos 
corpúsculos de Heinz. Ou seja, macrófagos do baço “mordem” a célula para retirar os corpos de Heinz, 
que nada mais são do que a hemoglobina oxidada e precipitada. Em alguns eritrócitos, denominados 
hemiestromas, a hemoglobina se desloca para a periferia da célula, formando uma massa densa que 
deixa o outro extremo vazio, gerando um aspecto de “cesto de frutas” (Figura 14b) (SANDES, 2021).
Figura 14 - Sangue periférico de paciente com deficiência de G6PD. Células mordidas (bite cells) e hemiestromas (células em cesto)
Fonte: Bain (2005).
Descrição da Imagem:a imagem apresenta duas fotografias de lâminas coradas, (a) e (b). Na imagem (a), do lado esquerdo, aparecem 
várias estruturas circulares rosadas com halo central; do lado direito, mais centralizado, há uma seta indicando uma estrutura circular 
com uma mordida. Na figura (b), do lado direito, há estruturas circulares rosadas com halo central. Há quatro setas indicando quatro 
estruturas em formato de cesto, uma na parte superior centralizada, uma do lado direito e duas na parte inferior centralizada.
UNICESUMAR
UNIDADE 3
93
Anemias hemolíticas também podem ter causa imunológica, também chamada de imunomediadas. 
A doença se desenvolve pela ligação de autoanticorpos à membrana eritrocitária, levando à hemólise 
extravascular por fagocitose pelo sistema retículo endotelial — especialmente, no baço —, com ou sem 
participação do sistema complemento. Esses anticorpos podem ser do tipo IgG (anticorpos quen-
tes) (Figura 15a) ou IgM (anticorpos frios ou crioaglutininas) (Figura 15b), raramente, tipo misto 
ou IgA. Surgem de maneira idiopática (primária, geralmente, IgG) ou associados à doença sistêmica 
(SANDES, 2021). Condições sistêmicas associadas são Mycoplasma pneumoniae — frio —, Vírus 
Epstein-Barr (EBV) ou Citomegalovírus (CMV) — frio —, Lúpus Eritematoso Sistêmico — quente 
—, Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) — quente ou frio (SANDES, 2021). 
Além da diminuição dos níveis da hemoglobina, é comum a presença de inúmeros esferócitos, 
pontilhado basofílico, policromatofilia — pelo aumento reativo de reticulócitos —, e a presença de 
esquizócitos é rara. Pode haver grande número de eritroblastos circulantes, de morfologia normal, 
além de hemoaglutinação, principalmente, na presença de crioaglutininas. O VCM pode estar leve-
mente aumentado pelo excesso de reticulócitos (SANDES, 2021).
A) B)
Descrição da Imagem:a imagem apresenta duas fotografias de lâminas coradas, (a) e (b). Na imagem (a), do lado esquerdo, é possível 
visualizar estruturas pequenas em formato de esferas coradas de rosa. Algumas têm formato circular maior e são mais azuladas. Na 
imagem (b), do lado direito, é possível visualizar estruturas circulares com halo central na cor rosa; é possível visualizar, também, algu-
mas dessas estruturas amontoadas em alguns pontos da imagem.
Figura 15 - Sangue periférico de paciente com anemia hemolítica autoimune com anticorpos quentes e com crioaglutininas 
(anticorpos frios) / Fonte: Gao e Monaghan (2018).
Síndromes de fragmentação são desencadeadas quando há dano físico aos eritrócitos, em superfí-
cies anormais — por exemplo, válvulas cardíacas artificiais ou enxertos arteriais —, malformações 
arteriovenosas ou como uma anemia hemolítica microangiopática; esta é causada pela passagem 
de eritrócitos através de pequenos vasos anormais. As alterações vasculares causais incluem de-
posição de filamentos de fibrina, geralmente, associada à coagulação intravascular disseminada 
(CID), aderência de plaquetas — por exemplo, púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) — ou 
vasculite — por exemplo, poliarterite nodosa. O sangue periférico contém muitos fragmentos de 
eritrócitos densamente corados (Figura 16). Quando a CID é causada pela hemólise, há alterações 
da coagulação e trombocitopenia (HOFFBRAND; MOSS, 2018). 
A B
94
As anemias megaloblásticas constituem um grupo heterogêneo de doenças provocadas por defeito 
na síntese de DNA e caracterizadas pela presença de hemácias macrocíticas — HCM e VCM elevados 
— no sangue periférico. Na medula, observam-se alterações morfológicas peculiares dos precursores 
eritroides, com eritroblastos de elevado tamanho celular e parada de maturação nuclear (eritropoese 
megaloblástica) (SANDES, 2021). As principais causas de anemia megaloblástica são as deficiências 
de vitamina B12 e ácido fólico. A causa mais frequente de deficiência clínica de vitamina B12 é a 
ausência de fator intrínseco nas secreções gástricas provocada por gastrite atrófica autoimune, 
historicamente conhecida como anemia perniciosa (SANDES, 2021). 
São causas de anemias megaloblásticas: ingestão insuficiente de vitamina B12 e de ácido fólico, 
indivíduos vegetarianos, anticorpos contra o fator intrínseco ou contra células parietais, deficiência 
de fator intrínseco (congênita), gastrite atrófica, gastrectomia total, parcial ou bypass gástrico, má-ab-
sorção, insuficiência pancreática, doença celíaca, ressecção do íleo, infecções parasitárias, defeitos do 
transporte da vitamina B12 (SILVA et al., 2016).
Figura 16 - Sangue periférico contendo esquizócitos, eritrócitos fragmentados 
Fonte: Gao e Monaghan (2018).
Descrição da Imagem:a imagem apresenta uma fotografia de uma lâmina corada. É possível visualizar várias estruturas circulares 
coradas de rosa e com um halo central. No centro da imagem, é possível visualizar duas setas indicando duas estruturas com formato 
de triângulo, eles são chamados de esquizócitos.
UNICESUMAR
UNIDADE 3
95
O hemograma é um exame fundamental para a avaliação inicial, uma vez que alterações no sangue 
periférico são encontradas em todas as linhagens celulares. As hemácias apresentam alterações no 
tamanho (anisocitose) e forma (poiquilocitose), são frequentemente grandes e ovais e, em casos 
avançados, podem apresentar pontilhado basofílico e restos nucleares — corpúsculo de Howell-Jolly 
e anel de Cabot. A anemia é macrocítica — VCM = 100 a 150 fL — e o aumento do VCM é propor-
cional à diminuição da concentração de hemoglobina (SANDES, 2021). 
A contagem de reticulócitos é, geralmente, baixa. Leucopenia e plaquetopenia são achados frequen-
tes. Alteração nuclear em neutrófilos é um sinal precoce de megaloblastose, sendo um dos mais 
sensíveis e específicos sinais de anemia megaloblástica, e consiste na presença de hipersegmentação 
nuclear, com neutrófilos com seis ou mais lobos nucleares (Figura 17) (SANDES, 2021).
Figura 17 - Sangue periférico de 
paciente com anemia megalo-
blástica 
Fonte: Gao e Monaghan (2018).
Descrição da Imagem:a ima-
gem apresenta uma fotogra-
fia de uma lâmina corada. É 
possível visualizar estruturas 
circulares na cor rosa com 
halo em seu interior. No 
centro da imagem, é possí-
vel visualizar uma estrutura 
circular com grânulos, mos-
trando hipersegmentação, é 
um neutrófilo.
Caro(a) aluno(a), foram descritos os principais tipos de anemias. Na verdade, ainda existe uma anemia 
muito especial que se refere ao portador de doença renal crônica. Quando o rim perde a sua função de 
síntese de eritropoietina, que é o principal hormônio da eritropoiese, a instalação da anemia se inicia. 
Pode ser de maneira tão grave, proporcionalmente, à disfunção renal. Nesse caso, os pacientes fazem a 
reposição da eritropoietina com a eritropoietina recombinante humana, um medicamento biológico. 
Além disso, como os pacientes fazem diálise, o médico deverá avaliar os seus estoques de ferro, já que 
uma parcela do metal pode ser perdida pelos sucessivos procedimentos dialíticos.
Anemias infiltrativas também podem ser desenvolvidas, como no caso de leucemias, linfomas, 
metástases neoplásicas. Além disso, agressões ao eritrócitos por agentes químicos, por fármacos, por 
agentes biológicos, como vírus, também podemestar envolvidas na fisiopatologia das anemias. 
96
A “saga” das anemias não para por aqui! Aproveite a discussão desenvolvida para aprofundar os 
seus conhecimentos. Lembrando sempre de unir as alterações encontradas no eritrograma e os 
métodos de diagnóstico para confirmar o diagnóstico da anemia em questão e, se possível, avaliar 
os dados clínicos do indivíduo.
Caro(a) aluno(a), como eu havia dito, o assunto sobre anemias é ex-
tenso! Costumo dizer que a teoria é mais difícil do que a prática, mas é 
fascinante. Então, saibamos mais sobre a teoria das anemias! Ouça o 
podcast que eu preparei para você, ajudará muito.
Indico-lhe um vídeo sobre a doença falciforme. O vídeo está estruturado 
de forma lúdica, muito inteligente e aproxima você, caro(a) aluno(a), do 
mecanismo fisiopatológico dessa doença tão importante. Só acessar o 
QR Code e entender!
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
Caro(a) aluno(a), como sempre, reforço que você tem um excelente material para estudo. Aproveite! 
Amplie seus conhecimentos. Faça resumos. Pesquise relatos de casos sobre as anemias descritas na 
literatura. Existem vários casos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais. Dessa 
forma, o sucesso de aprendizado estará garantido.
Caro(a) aluno(a), diante do que foi exposto, podemos perceber a importância da avaliação dos 
parâmetros do eritrograma, bem como da classificação das anemias. Podemos ver que os eritrócitos 
podem sofrer imensa variação de forma conforme a alteração patológica. Isso ajuda muito a investigar, 
de forma mais direcionada, o diagnóstico final.
Sobre a proposta de estudo, o caso do paciente W. M. S., e aí, você conseguiu elucidá-lo? Primei-
ramente, a resposta para a pergunta é: sim, ele está anêmico e, pela descrição, é uma anemia de longa 
data ou de repetições, porém refratária ao tratamento com ferro, além de ter membros da família 
com o mesmo perfil. Outra situação que chama atenção é a grande variedade de formas diferentes: 
microcitose, hipocromia e sinais de hemólise. Os dados, em conjunto, sugerem que o paciente possa 
ser talassêmico. Possivelmente, um indivíduo beta-talassêmico menor, com fenótipo mais brando, 
sem complicações vistas na beta-talassemia maior. 
UNICESUMAR
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11684
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15366
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Caro(a) aluno(a), você se lembra da nossa lista de ingredientes para fazer um eritrócito? Precisare-
mos dela novamente. Como, agora, você já sabe muito mais sobre as anemias, podemos utilizar 
a lista dos ingredientes e criar um mapa mental citando o que poderá dar errado — nos termos 
das anemias — caso falte um ingrediente específico. Darei um exemplo: faltaram ferro e vitamina 
B12 — fatores nutricionais. O que pode dar errado? Se falta ferro, tem anemia ferropriva; se falta 
vitamina B12, tem anemia megaloblástica… E, assim, sucessivamente. Perceba que a caixa vermelha 
escura é o que falta ou o que induz a fisiopatologia. As cores claras (caixa terminal) se referem ao 
nome da anemia especificamente. 
98
1. Leia o texto a seguir.
A anemia não é um diagnóstico; é a manifestação de uma doença de base. Sendo assim, mesmo 
que moderada, a anemia assintomática deve ser investigada para que o problema primário 
possa ser diagnosticado e tratado. 
Geralmente, a suspeita de anemia é levantada pela anamnese ou pelo exame físico. Os sinais 
e sintomas comuns da anemia são: fadiga geral, fraqueza, dispneia aos esforços, palidez. 
Depois da anamnese e do exame físico, solicitar exames complementares como hemograma 
completo com exame direto. O diagnóstico diferencial (e a causa da anemia) pode então ser 
refinado de acordo com os resultados dos exames.
BRAUNSTEIN, E. M. Avaliação da Anemia. In: MANUAL MSD. [S.l.: s.n.], 2020. Disponível em: 
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/abordagem-ao-
-paciente-com-anemia/avaliação-da-anemia. Acesso em: 17 ago. 2022.
M. R. S., 26 anos, do gênero feminino, procura avaliação clínica por queixa de fadiga intensa, 
queda de cabelo e unhas fracas. Na avaliação, o médico identifica palidez mucocutânea, unhas 
irregulares e fracas, leve dispneia. A paciente relata ter passado por situação de extremo es-
tresse nos últimos dois anos. Não dorme e nem se alimenta direito, consome, regularmente, 
fast food, bebidas energéticas, frituras e muito café. Nos últimos seis meses, percebeu que 
acordava pela manhã com náuseas e sentia dor “na boca do estômago”. Em dias alternados, 
percebeu as fezes com aspecto bem escuro, “quase de cor preta”. 
Considerando o breve relato da história clínica e os seus conhecimentos em Hematologia, 
assinale a alternativa que melhor se associa ao quadro descrito.
a) A descrição do quadro leva a crer que a mulher está desenvolvendo um quadro de anemia 
hemolítica autoimune.
b) A dor estomacal e as fezes escuras podem indicar sangramento ativo e intermitente. A perda 
sanguínea é compatível com um quadro de anemia ferropriva e corrobora com os outros 
sintomas da paciente.
c) Perdas sanguíneas não levam à anemia, mas a falta da ingestão de nutrientes sim.
d) Para confirmar a anemia ferropriva, a dosagem de ferro sérico é suficiente.
e) Se houver macrocitose na lâmina, confirma-se o quadro anêmico.
2. Leia o texto a seguir.
A eletroforese de hemoglobina é um exame realizado para medir e identificar os diferentes 
tipos de hemoglobina que podem ser encontrados no sangue. A hemoglobina é uma proteína 
dos glóbulos vermelhos responsável por transportar oxigênio para todo o corpo. No entanto, 
algumas pessoas possuem uma mutação genética que leva à produção de hemoglobinas 
anormais, o que pode causar diversas doenças, entre elas, a anemia falciforme.
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/abordagem-ao-paciente-com-anemia/avaliação-da-anemia
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/abordagem-ao-paciente-com-anemia/avaliação-da-anemia
99
KASVI. A Eletroforese de Hemoglobina no Diagnóstico de Anemia Falciforme. 2017. Disponível 
em: https://kasvi.com.br/eletroforese-hemoglobina/. Acesso em: 17 ago. 2022. 
A doença falciforme é a forma mais grave da doença e se manifesta quando o indivíduo é 
homozigótico para a mutação, ou seja, para a presença de uma hemoglobina anormal cha-
mada de hemoglobina S. Sobre as alterações genéticas, a doença e o diagnóstico laboratorial, 
assinale a alternativa correta.
a) O paciente traço falciforme possui o genótipo SS para a hemoglobina S.
b) A hemoglobina S pode ser detectada na eletroforese de hemoglobina por meio do aumento 
das bandas hemoglobina A1 e fetal.
c) A mutação que forma a hemoglobina S é uma mutação pontual no sexto aminoácido da cadeia 
beta da globina, em que ocorre a troca do ácido glutâmico pela valina.
d) A anemia falciforme é classificada como anemia normocítica, normocrômica, não hemolítica.
e) Os dacriócitos são as formas patognomônicas da HbS.
3. No dia a dia da rotina laboratorial, encontramos eritrogramas com a presença de hemácias 
policromatófila. Também, realizamos a contagem de reticulócitos. Diante dessa situação, 
surgem duas definições.
1) Os eritrócitos policromáticos do hemograma correspondem aos reticulócitos corados pelo 
azul de cresil brilhante (SILVA, 2016). 
2) Os reticulócitos quase maduros, com poucos grânulos de RNA, possuem aspecto policromático 
de difícil identificação e, às vezes, não são visíveis ao olho humano. Por isso, a contagem de 
reticulócitos é mais exata que a policromatofilia em lâmina (SILVA, 2016).
Diante desse contexto, afirma-se: todo eritrócito policromatófilo é um reticulócito, porém 
nem todo reticulócito é um eritrócito policromatófilo. Essa afirmativa é verdadeira ou falsa? 
Justifique com um parágrafo de texto dissertativo entre 7 e 10 linhas, descrevendo qual é a 
diferença fisiopatológica e analítica entre policromatofilia/policromasia e os reticulócitos.
about:blank
100
4
Nesta unidade, você teráa oportunidade de aprofundar seus co-
nhecimentos na série branca do sangue. Iniciaremos os estudos 
envolvidos na formação dos leucócitos, na estrutura, na fisiologia 
e nas diferentes funções dessas células. O estudo a respeito dessas 
características permitirá compreender a importância do leucogra-
ma, um conjunto de parâmetros do hemograma que permite avaliar, 
de forma laboratorial, a população de leucócitos no sangue perifé-
rico. Ao final desta unidade, você saberá as funções dos diferentes 
tipos de leucócitos encontrados na circulação sanguínea, possíveis 
alterações nessas células em diversas patologias, assim como terá 
conhecimento a respeito dos métodos de avaliação de leucócitos.
Leucograma
Me. Larissa Benvenutti
102
Os leucócitos são importantes células de defesa do organismo, e várias patologias podem levar a 
alterações nos leucócitos circulantes. A alteração dos tipos de leucócitos circulantes pode levar a um 
fenômeno conhecido como desvio à esquerda, em que há a presença de células com sinais de imatu-
ridade da linhagem de neutrófilos na circulação sanguínea. Nesse sentido, o que pode ocorrer para 
que seja observado esse achado laboratorial?
A avaliação do leucograma é um importante parâmetro para a avaliação clínica de um indivíduo, em 
especial, se há a suspeita da instalação de um processo infeccioso ou inflamatório. As alterações observa-
das no leucograma podem ser referentes à quantidade ou ao tipo de leucócitos circulantes. Vale ressaltar 
que as alterações observadas no leucograma são avaliadas em comparação com valores de referência 
descritos na literatura, que variam conforme a idade e o sexo do indivíduo. Entre as possíveis alterações, 
está a presença do desvio à esquerda, que é observado de forma corriqueira na rotina laboratorial.
Imagine o seguinte caso: T. L. C., gênero feminino, 31 anos. Apresenta histórico de infecções uri-
nárias de repetição e queixa de disúria e dor lombar. Após um quadro de dor intensa e um episódio 
de pico febril, foi solicitada a realização de um hemograma. A paciente apresentou alterações quan-
titativas do número de leucócitos circulantes, com 17630/mm³ — valor de referência: 4000–10000/
mm³. Observou-se um aumento no número relativo de neutrófilos (88%), assim como no número de 
bastonetes (7%) e na presença de metamielócitos (2%). Por consequência do aumento do número de 
neutrófilos circulantes, ela apresentou uma diminuição relativa do número de linfócitos circulantes 
(3%). Caro(a) aluno(a), após verificar esse caso, estabeleça se essa paciente apresenta desvio à esquerda.
Caro(a) aluno(a), o profissional de laboratório clínico tem um papel imprescindível na ava-
liação laboratorial do leucograma. No desenvolver desta unidade, você verá, claramente, a im-
portância dessa análise e será capaz de entender as diferentes alterações observadas. Pesquise 
sobre o assunto, discuta, reflita sobre essas questões e anote seus resultados, suas dúvidas ou mais 
questionamentos em seu Diário de Bordo.
UNICESUMAR
UNIDADE 4
103
Caro(a) aluno(a), a formação dos leucócitos, a partir de uma célula-tronco hematopoiética, na medula 
óssea, ocorre por meio do processo conhecido como leucopoiese. A diferenciação das células é regu-
lada pela influência de hormônios, assim como por citocinas e fatores de crescimento. Os diferentes 
tipos de leucócitos — neutrófilos, linfócitos, eosinófilos, basófilos e monócitos — são originados 
de uma única célula hematopoiética precursora, conforme pode ser observado na Figura 1.
104
Descrição da Imagem a figura mostra um esquema de formação de leucócitos sanguíneos na medula óssea. De cima para baixo, está 
descrita a ordem maturativa da linhagem. O processo de diferenciação se inicia a partir de uma “célula hematopoiética progenitora”, 
representada no topo da imagem, como um círculo lilás que representa o citoplasma da célula e outro menor no centro azul-escuro, 
representando o núcleo. Essa célula pode se diferenciar em uma célula precursora comum mieloide ou um célula precursora linfoide. 
Cada célula precursora dá origem a diferentes tipos de leucócitos. As células precursoras comum mieloide e precursora linfoide apa-
recem como um círculo lilás que representa o citoplasma da célula e outro menor no centro azul-escuro, representando o núcleo. A 
célula progenitora de granulócitos/monócitos é derivada de células precursoras comum mieloide, representadas como um círculo lilás 
que representa o citoplasma da célula e outro menor no centro azul-escuro, representando o núcleo. Essa célula dá origem a mielo-
blastos representados como um círculo maior lilás, representando o citoplasma, com um círculo de coloração roxa, representando o 
núcleo no interior. O mieloblasto pode se diferenciar em diferentes células, que são designadas por setas. Uma seta aponta para um 
pró-mielócito basofílico, representado por um círculo lilás com pontos redondos roxos no citoplasma e um círculo roxo representando 
o núcleo. O pró-mielócito basofílico tem como produto de diferenciação um basófilo, que é representado por uma célula com núcleo 
roxo lobulado circundado por um citoplasma lilás repleto de grânulos representados por pontos roxos. O mieloblasto também pode 
dar origem a um pró-mielócito de neutrófilos, representado por uma célula grande de citoplasma de roxo claro repleto de grânulos 
finos de coloração roxa no citoplasma e núcleo redondo que ocupa boa parte do citoplasma na cor roxa. Essa célula se diferencia em 
um mielócito e, depois, metamielócito — representados por uma célula com citoplasma lilás com núcleo roxo em formato de feijão. 
O metamielócito se diferencia em um bastão representado por uma célula rosada com um núcleo roxo em formato de bastonete. O 
bastão se diferencia em neutrófilo, que é representado por uma célula de citoplasma lilás-rosado, com núcleo multilobulado. O mie-
loblasto também pode se diferenciar em pró-mielócito eosinofílico, representado por uma célula de citoplasma lilás com núcleo roxo, 
coberto de grânulos de coloração vermelha no citoplasma. A célula final na escala de diferenciação é um eosinófilo, representado por 
uma célula de núcleo roxo lobulado com citoplasma lilás claro, repleto de grânulos vermelhos no citoplasma.
Figura 1 - Processo de leucopoiese a partir da célula tronco hematopoiética
Fonte: adaptada de Mahalingaiah, Palenski e Vleet (2018).
Célula hematopoiética progenitora/tronco
Célula progenitora de
granulócito/monócito
Mieloblasto
Pró-mielócito
basó�lo
Mielócito/
metamielócito
basó�lo
Célula bastão
de basó�lo
Basó�los
Pró-mielócito
de neutró�los
 Mielócito/
metamielócito
de neutró�los
Bastão de
neutró�los
Pró-mielócito
de eosinó�los
Mielócito/
metamielócito
de eosinó�los
Bastão de
eosinó�los
Eosinó�los
Pró-monócito
Monócito
Macrófago Células dendríticas
Linhagem mieloide
Célula precursora
comum linfoide
Linfoblasto
Pró-linfócito
Linfócitos B e T Células Natural 
killers (células
exterminadoras
naturais)
Neutró�los
Células progenitoras
mieloide comum
UNICESUMAR
UNIDADE 4
105
É importante que você revisite o processo de leucopoiese, pois esse processo lhe permitirá compreen-
der várias alterações de leucócitos no sangue periférico. Conforme você pode observar na Figura 1, 
uma célula precursora mieloide comum, diferenciada de uma célula-tronco hematopoiética, pode dar 
origem a um precursor de granulócitos que se diferenciam em mieloblastos. Dependendo do fator 
de crescimento, essas células podem se diferenciar em promielócitos de basófilos, promielócitos de 
neutrófilos, promielócitos de eosinófilos ou pró-monócitos. O processo de diferenciação final dessas 
células leva à formação de basófilos, neutrófilos, eosinófilos e monócitos, respectivamente. São essas 
células da última etapa de diferenciação que encontraremos no sangue periférico de indivíduos sau-
dáveis. Os monócitos, ainda podem se diferenciar em macrófagos ou células dendríticas ao migrarem 
para os tecidos. A diferenciação de uma célula precursora linfoideleva à formação de um linfoblasto, 
que passa por várias etapas de diferenciação até chegar ao produto final, que são os linfócitos, encon-
trados no sangue periférico de indivíduos saudáveis (SILVA et al., 2016). 
Caro(a) aluno(a) você conseguiu recordar o processo de leucopoiese? Reflita, por que você acha 
importante sabermos sobre a formação dos leucócitos? 
Cada um dos leucócitos provenientes do processo de leucopoiese possui funções e características mor-
fológicas únicas, e é importante que tenhamos conhecimento sobre elas. Para estudar os leucócitos, é 
comum dividirmos essas células em duas categorias: fagócitos e imunócitos. Os fagócitos agrupam 
os leucócitos granulócitos — neutrófilos, basófilos e eosinófilos — e monócitos. Os linfócitos, junto a 
suas células precursoras, formam o grupo conhecido como imunócitos (HOFFBRAND; MOSS, 2013).
106
Aprofundar-nos-emos em cada um deles, mas, no momento, atentemo-nos a suas características 
gerais. De forma geral, a morfologia das células permitirá a diferenciação dos leucócitos, e, antes de 
começarmos a falar sobre as funções de leucócitos, aprenderemos a diferenciá-los. Caro(a) aluno(a), 
no Quadro 1, você encontra uma descrição das características dos leucócitos, adaptada de Azevedo 
(2013), quando corados com um corante hematológico, como o May-Grünwald-Giemsa ou panótico.
Células Tamanho Citoplasma Núcleo
Neutrófilos 10 a 14 µm.
Levemente rosado com granulações finas 
de coloração rósea.
Núcleo multilobulado, 
com 2–5 lobos de colo-
ração roxa. 
Eosinófilos 12 a 17 µm.
Rosado com a presença de granulações 
grosseiras de cor alaranjada.
Núcleo bilobulado de 
coloração roxa.
Basófilos 12 a 15 μm.
Azulado com a presença de granulação 
azul-escura em toda a célula, muitas vezes, 
sobre o núcleo.
Núcleo raramente 
apresenta mais que dois 
lobos.
Monócitos 15 a 18 μm.
Azul-acinzentado. Pode apresentar vacúo-
los.
Irregular, por vezes, 
lobulado com cromatina 
de aspecto reticular.
Linfócitos 10 a 12 μm. Escasso, de coloração basófila.
Cromatina nuclear mui-
to condensada.
Título: Cells at Work
Ano: 2018
Sinopse: neste anime japonês, dentro do corpo humano, trilhões de células 
representadas como humanos fazem seu trabalho para manter o corpo 
saudável. Os personagens principais são um glóbulo vermelho novato, que 
se perde durante as entregas, e um glóbulo branco implacável, que luta 
contra qualquer germe que invada o corpo.
Comentário: caro(a) aluno(a), este anime é uma forma interessante de 
observar algumas das funções desempenhadas por leucócitos no corpo humano e do trabalho 
dessas células em parceria com as hemácias. Os episódios apresentam situações como intoxicação 
alimentar, infecção bacteriana e quadros de septicemia, e é muito interessante ver as associações 
do leucócito como um soldado e a hemácia como uma entregadora, fazendo alusão à função 
dessas células na defesa do organismo e na distribuição de gases, respectivamente.
Quadro 1 - Características morfológicas dos leucócitos encontrados no sangue periférico
Fonte: adaptado de Azevedo (2013).
UNICESUMAR
UNIDADE 4
107
Agora, observaremos a Figura 2, que apresenta fotos representativas dos leucócitos em microscopia 
óptica. Na imagem, é possível observar um neutrófilo, um linfócito, um eosinófilo, um monócito e um 
basófilo corados com May-Grünwald-Giemsa. Caro(a) aluno(a), peço que, antes de ler a legenda da 
imagem, tente identificar os leucócitos com base nas características descritas no Quadro 1 da unidade 
e, depois, confira as identificações das células na legenda.
A B C
D E
Descrição da Imagem na foto identificada como (a), existem duas células com circunferência maior e outras células bem menores. 
Essas células possuem núcleo multilobulado de cor roxa, envolto por um citoplasma circundando o núcleo. O citoplasma das células 
é levemente rosado com granulações finas de coloração rósea, e essas células são neutrófilos. As células menores circundantes são 
hemácias com tonalidade rosada. Na foto (b), podemos observar a presença de cinco células maiores, circundadas por hemácias, 
que são os círculos menores sem outra estrutura interna, de coloração rosada. As células maiores apresentam núcleo bilobulado 
de coloração roxa envolto por um citoplasma rosado com a presença de granulações grosseiras rosa-alaranjadas. Essas células são 
os eosinófilos. A foto (c) ilustra duas células com um núcleo redondo de coloração roxa escura que ocupa quase todo o citoplasma 
das células que apresenta coloração lilás e sem grânulos perceptíveis. Essas células são linfócitos e estão circundados por células 
circulares levemente menores, de coloração rosada, que são hemácias. Na foto (d), duas células circulares, circundadas por células 
menores arredondadas de coloração rosada, que são as hemácias. Essas células apresentam grânulos abundantes e grosseiros de 
coloração roxa, cobrindo tanto o núcleo, de coloração roxa, quanto o citoplasma, lilás. A foto (e) mostra células menores arredon-
dadas de coloração azulada, que são as hemácias, e uma célula maior à esquerda, com citoplasma azul-acinzentado, sem grânulos 
visíveis, e um núcleo com formato de feijão de coloração roxa. Essa célula é um monócito. Ao lado direito do monócito, podemos 
observar uma célula com núcleo multilobulado de cor roxa, envolta por um citoplasma levemente rosado com granulações finas de 
coloração rósea circundando o núcleo, que é um neutrófilo.
Figura 2 - Leucócitos encontrados no sangue periférico
Os leucócitos são células de defesa, atuando em parceria com outras células e quimiocinas para 
defender o organismo de ameaças como patógenos — vírus, bactérias, parasitas —, tendo um papel 
importante no desenvolvimento da imunidade. Em seguida, eu lhe apresento, caro(a) aluno(a), 
algumas das funções dessas células com base no material desenvolvido por Azevedo (2013).
108
Os neutrófilos costumam ser a primeira linha de defesa do organismo. São fagócitos profissionais, 
eliminando microrganismos, como bactérias, por meio de diferentes mecanismos, incluindo fagoci-
tose — processo de captura e englobamento de partículas ou microrganismos pela célula —, liberação 
de espécies reativas de oxigênio, proteínas granulares e produção e liberação de citocinas, que serão 
importantes para a atuação de outros leucócitos na defesa do organismo. 
Os eosinófilos são células que possuem receptores para imunoglobulinas e histamina e têm um papel 
importante na modulação de reações imunológicas e alérgicas. Também, são importantes contra estágios 
larvários de infecções parasitárias, participando da defesa do organismo contra infecções por helmintos.
Os basófilos estão relacionados, principalmente, a reações alérgicas de hipersensibilidade imediata, 
como as que são observadas em quadros de broncoconstrição e urticária.
Os monócitos são células em trânsito, que migram para os tecidos para se diferenciar em 
macrófagos. Participam da fagocitose e integram a resposta imune inata e humoral, pois são 
apresentadores de antígenos aos linfócitos T.
Os linfócitos, na realidade, possuem subtipos (T e B), cada subtipo de linfócito possui uma diferente 
função, mas não é possível diferenciá-los por meio do esfregaço sanguíneo. Os linfócitos T atuam 
na imunidade mediada por células. Os linfócitos B atuam na imunidade humoral e são responsáveis 
pela síntese de anticorpos. Os linfócitos B são ativados pela atividade de linfócitos T e se diferenciam 
em plasmócitos, que são células altamente especializadas na produção de anticorpos.
UNICESUMAR
UNIDADE 4
109
Como você pôde perceber, caro(a) aluno(a), os leucócitos têm uma grande importância na defesa do 
organismo e participam da resposta imune contra vários tipos de microrganismos. A avaliação dos 
leucócitos no sangue pode ser realizada por meio do leucograma. O leucograma avalia a contagem 
total e diferencial de cada tipo de leucócito e permite avaliar alterações quantitativas e qualitativas 
dessas células. A contagem total de leucócitosé feita em um analisador hematológico automatizado, 
e o resultado é expresso em mil/mm³ (RODRIGUES et al., 2018).
Caro(a) aluno(a), você sabia que existem diferentes subpopulações de linfócitos T? Eles não podem 
ser diferenciados por microscopia e são caracterizados pela expressão de diferentes antígenos na 
membrana celular. São esses antígenos que podem ser utilizados para identificá-los por meio de 
uma técnica conhecida como citometria de fluxo. Cada subtipo de linfócito T apresenta uma função 
diferente:
• Linfócitos T helper ou auxiliares — expressam CD4 na membrana celular — interagem com 
macrófagos, iniciando a resposta imune, além de produzir mediadores que regulam a prolife-
ração de linfócitos B e linfócitos T citotóxicos.
• Linfócitos T citotóxicos — expressam CD8 na membrana celular — induzem a morte de célu-
las por mecanismo citotóxico, interagindo com células que expressam um antígeno que está 
conjugado a uma molécula do complexo de histocompatibilidade.
• Linfócitos natural killer (células exterminadoras naturais) — expressam CD56 e CD57 na mem-
brana celular — têm atividade citotóxica contra células-alvo, independente de ativação prévia, 
por isso, são essenciais para a imunidade natural.
Fonte: adaptado de Azevedo (2013).
110
As alterações quantitativas são as alterações no número total de leucócitos ou de algum leucócito 
específico, como neutrófilos, em relação ao valor considerado normal. É importante, então, que 
tenhamos conhecimento do que é considerado normal. Os parâmetros dentro da normalidade são 
aqueles que são englobados pelo valor de referência. Esses valores de referência variam conforme 
faixa etária — recém-nascidos, crianças e adultos — e são definidos com base em pesquisas que buscam 
representar uma população normal. Esses parâmetros de valor de referência são, então, estimados com 
base em pesquisas representativas (ROSENFELD et al., 2019). Aqui, nesta unidade, apresento-lhe os 
valores de referência de leucócitos apresentados por Oliveira (2014), apresentados na Tabela 1. Tenha 
em mente que esses valores podem sofrer pequenas alterações com base em estudos realizados com a 
população, então é possível que você encontre valores levemente diferentes dos que são apresentados 
aqui em laudos de laboratórios. 
Idade
Leucócitos 
totais (/
mm³)
Neutrófilo Linfócito Monócito Eosinófilo Basófilo
/mm³ % /mm³ % /mm³ % /mm³ % /mm³ %
0–24 ho-
ras (R.N.)
9000–
30000
6000
25000
40
80
2000
11000
20
40
350
1800
3
12
20
800
1
6
20
800
0
3
2° dia–1° 
sem
9000–
32000
1800
12000
30
60
2000
17000
30
60
350
1800
3
12
20
800
1
6
20
800
0
3
2° sem–1 
mês
5000–
20000
1500
11000
20
50
2500
17000
40
85
100
1000
2
10
20
800
1
5
20
800
0
2
2–5 meses
5000–
15000
1200
9000
20
50
3000
13000
50
80
50
1000
2
10
20
700
1
5
20
700
0
2
6–11 me-
ses
5000–
12000
1500
8500
25
50
4000
10500
50
80
50
1000
2
10
20
650
1
5
20
650
0
2
1 a 2 anos
5000–
12000
1500
8500
30
50
2500
9500
50
80
20
1000
2
10
20
600
1
5
20
650
0
2
3 a 6 anos
4000–
12000
1500
6500
30
50
1600
8400
40
70
20
1000
2
10
20
600
1
5
20
600
0
2
7 a 13 
anos
3600–
11000
1500
7200
30
60
1200
6000
30
60
20
1000
2
10
20
500
1
5
20
500
0
2
Adulto 
feminino
3600–
11000
1700
7800
40
78
1000
4500
20
50
100
1000
2
10
20
500
1
5
20
500
0
2
Adulto 
masculino
3600–
11000
1000
8200
40
78
1000
4500
20
50
100
1000
2
10
20
500
1
5
20
500
0
2
Gestação
1º trim.
5500–
13600
2600
11000
45
82
1000
4500
15
45
100
1000
2
10
20
500
1
5
50
600
0
2
UNICESUMAR
UNIDADE 4
111
Gestação
2º trim.
5500–
14800
2600
12500
45
84
1000
4500
13
45
100
1000
2
10
20
500
1
5
50
600
0
2
Gestação
3º trim.
5900-
16900
2700
14500
45
86
1000
4500
12
40
100
1000
2
10
20
500
1
5
50
600
0
2
Quadro 1 - Características morfológicas dos leucócitos encontrados no sangue periférico
Fonte: adaptado de Azevedo (2013).
Observe, na Tabela 1, que, a depender da idade, os valores de referência mudam. Você conseguiu 
perceber, caro(a) aluno(a), que, para um adulto do sexo masculino, uma contagem total de leucócitos 
de 16000 está fora do valor de referência e, portanto, representa um valor alterado, mas, para um bebê 
de duas semanas de idade, esse valor está dentro do considerado normal? Por isso, é importante que 
tenhamos conhecimento dos valores de referência. Esses valores estão disponíveis para consulta no 
laboratório de análises clínicas, em livros e laudos de exames, portanto não se preocupe em decorá-los. 
Com o tempo, o aprofundamento dos seus estudos e a vivência em laboratório de análises clínicas, 
você verá que aprenderá a maior parte dos valores de referência. Também, é importante notar que, 
a depender da faixa etária, há um predomínio de um tipo de leucócito específico — neutrófilos em 
adultos e linfócitos em crianças — e que há células que são encontradas em proporção muito menor, 
como basófilos, que costumam representar 0–2% dos leucócitos do sangue periférico.
As alterações quantitativas, então, são aquelas em que há uma alteração dos valores da contagem 
de leucócitos que fique fora da faixa do valor de referência. Quando há um aumento do número total 
de leucócitos no sangue em relação ao valor de referência estabelecido, nós dizemos que o indivíduo 
apresenta um quadro de leucocitose. Quando há uma diminuição do número total de leucócitos em 
relação ao valor de referência, dizemos que o indivíduo apresenta um quadro de leucopenia. Também, 
é possível que tenhamos alterações quantitativas em tipos de leucócitos. Quando um paciente apresenta 
um aumento do número total de neutrófilos no sangue em relação aos valores de referência, dizemos que 
ele apresenta neutrofilia, porém se ele apresenta uma diminuição dos valores de neutrófilos, dizemos 
que ele apresenta um quadro de neutropenia. De forma geral, você perceberá, caro(a) aluno(a), que 
os sufixos -filia ou -ose indicam um aumento de um determinado tipo celular no sangue, e o sufixo 
-penia indica uma diminuição de um determinado tipo celular (SILVA et al., 2016).
Neutrofilia: aumento do número de neutrófilos no sangue. 
Neutropenia: diminuição do número de neutrófilos no sangue. 
Linfocitose: aumento do número de linfócitos no sangue. 
Linfopenia: diminuição do número de linfócitos no sangue. 
Eosinofilia: aumento do número de eosinófilos no sangue.
Monocitose: aumento do número de monócitos no sangue. 
Fonte: adaptado de Silva et al. (2016).
112
Se você observar a Figura 3, caro(a) aluno(a), poderá perceber que, ao olhar uma lâmina de san-
gue no microscópio na objetiva de 40x, você conseguirá perceber a diferença entre uma lâmina 
de um paciente com leucopenia e de outro com leucocitose.
A B
Figura 3 - Diferenças entre leucocitose e leucopenia observadas em microscopia óptica
Descrição da Imagem na foto identificada como (a), existe uma única célula com circunferência maior de outras células bem meno-
res. Essa célula possui núcleo multilobulado de cor roxa, envolta por um citoplasma circundando o núcleo. O citoplasma das células 
é levemente rosado com granulações finas de coloração rósea, e essa célula é um neutrófilo. As células menores circundantes são 
hemácias com tonalidade rosada, representando uma lâmina com leucopenia, devido à diminuição dos leucócitos presentes. Na 
foto (b), podemos observar a presença de inúmeras células maiores, circundadas por hemácias, que são os círculos menores sem 
outra estrutura interna, de coloração rosada. As células maiores apresentam, em sua maioria, núcleo bilobulado de coloração roxa 
envolto por um citoplasma das células, é levemente rosado com granulações finas de coloração rósea, representando neutrófilos. 
Na foto (b), observamos leucocitose devido ao aumento de leucócitos presente.
O quadro de leucocitose ocorre em três situações: a leucocitose fisiológica, que tende a ser de grau 
leve e pode ocorrer após exercício físico ou em pessoas que apresentem um quadro febril; a leucoci-tose reativa, que está, normalmente, relacionada ao aumento de neutrófilos no sangue, devido a uma 
infecção bacteriana, por exemplo, conforme será abordado a seguir nesta unidade; e a leucocitose 
patológica, que está relacionada a doenças mieloproliferativas e linfoproliferativas, que você estuda-
rá nas unidades seguintes. Os casos de leucopenia podem ser devido a processos imunológicos em 
algumas infecções ou, até mesmo, induzidos por fármacos (RODRIGUES et al., 2018).
Abordaremos, agora, caro(a) aluno(a), algumas causas de alterações quantitativas de leucócitos. 
Tenha em mente que existem várias patologias e condições fisiológicas que podem alterar a série 
leucocitária. A neutrofilia ocorre, principalmente, em quadros de infecção causados por bactérias e 
processos inflamatórios agudos. Em alguns processos infecciosos, há o aumento do número de neutró-
filos na circulação sanguínea. Essas células, como você já estudou, são produzidas na medula óssea e 
mobilizadas para a circulação sanguínea. A medula óssea possui um compartimento de armazenamento 
dessas células maduras (neutrófilos) para liberar na circulação sanguínea. Contudo, dependendo da 
necessidade do organismo, como em casos de infecção maciça, esse estoque de neutrófilos maduros 
UNICESUMAR
UNIDADE 4
113
pode ser esgotado e começa a haver liberação de células mais imaturas na circulação junto aos neutró-
filos, como bastões ou metamielócitos (HONDA et al., 2016). A liberação das células tende a seguir o 
escalonamento de maturidade, então, após o consumo do estoque de neutrófilos, bastões são liberados 
na circulação sanguínea e, depois, metamielócitos, seguindo gradativamente para a liberação de células 
mais imaturas. Esse fenômeno é chamado de desvio à esquerda. Na Figura 4, você pode observar 
dois bastões, apontados nas setas.
Figura 4 - Presença de bastões no 
sangue periférico
Descrição da Imagem na foto, 
existem duas células apontadas 
por setas. Estas células possuem 
núcleo de cor roxa, no formato de 
feijão, envolto por um citoplasma 
circundando o núcleo. O citoplas-
ma das células é levemente ro-
sado, com granulações finas de 
coloração rósea. Essas células são 
bastões. Elas estão circundadas 
por um grande número de hemá-
cias, que são os círculos menores 
sem outra estrutura interna, de 
coloração rosada. Também, está 
presente, no campo de visualiza-
ção, do lado esquerdo de um dos 
bastões, uma célula de núcleo mul-
tilobulado de cor roxa, envolta por 
um citoplasma levemente rosado 
com granulações finas de colora-
ção rósea envolto do núcleo, e essa 
célula é um neutrófilo.
A neutropenia pode ser causada por infecções bacterianas ou pelo uso de fármacos ou drogas, como, 
por exemplo, quimioterápicos. Como você pôde perceber, as infecções por bactérias podem causar o 
aumento ou diminuição de neutrófilos do paciente, a depender do caso (RODRIGUES et al., 2018).
A eosinofilia, geralmente, está associada, na maioria dos casos, a reações alérgicas e para-
sitoses. A monocitose pode ocorrer em algumas infecções bacterianas que possuem evolução 
crônica, como tuberculose ou sífilis. A diminuição dos monócitos no sangue não é tão comum, 
mas pode ocorrer devido ao uso de alguns fármacos como corticoides. A linfocitose ocorre, prin-
cipalmente, em quadros de infecção viral e em algumas infecções bacterianas como tuberculose. 
As infecções virais podem levar à linfocitose mesmo sem a presença de aumento do número de 
leucócitos totais (leucocitose) (RODRIGUES et al., 2018). 
Além do leucograma identificar alterações no número de células circulantes no sangue, como 
comentamos, também, pode haver alterações qualitativas nos leucócitos. Entretanto, essas altera-
ções só são visualizadas quando realizamos a leitura de lâminas do leucograma, então, antes de nos 
aprofundarmos nelas, caro(a) aluno(a), aprenderemos sobre a contagem diferencial de leucócitos.
114
A contagem diferencial de leucócitos é a contagem manual dos tipos de leucócitos presentes 
em uma lâmina do paciente. São contados 100 leucócitos em microscópio óptico, de forma que seja 
possível obter um dado de contagem relativa. Por exemplo, se você contar 56 neutrófilos de 100 
leucócitos totais contados, a contagem relativa de neutrófilos é de 56%. Os aparelhos de Hematolo-
gia fornecem uma contagem automatizada dos diferentes tipos de leucócitos, fornecendo dados de 
contagem relativa e total dos leucócitos presentes na amostra. Contudo, caro(a) aluno(a), em muitos 
casos, é necessária a contagem e revisão microscópica da lâmina. Você deve estar se perguntando em 
quais casos é necessária a leitura das lâminas. A escolha dos fatores que determinam quais leucogra-
mas passarão por revisão microscópicas são determinados por cada laboratório de análises clínicas. 
Em laboratórios com uma rotina pequena, pode ser possível realizar a leitura das lâminas de todos 
os pacientes, porém, na maioria dos casos, os laboratórios apresentam uma rotina muito grande, e a 
leitura de todas as lâminas se torna inviável. Na maioria dos laboratórios, são estabelecidos parâmetros 
para selecionar as lâminas que passarão por revisão microscópica, como: leucocitose, leucopenia, flags 
(alertas) específicos dos aparelhos. Esses flags são sinais que os aparelhos de Hematologia fornecem 
quando há algum indicativo de alteração na linhagem leucocitária. 
Os analisadores automáticos de Hematologia realizam a contagem e diferenciação dos tipos de 
leucócitos em uma análise por citometria de fluxo de fluorescência. As diferentes populações de 
leucócitos expressam antígenos na membrana que são marcados com um reagente fluorescente 
pelo aparelho de Hematologia. Os sinais de fluorescência são, então, analisados em um diagrama 
de dispersão. Células que possuam propriedades semelhantes se enquadrarão na mesma área do 
diagrama de dispersão e serão avaliadas como a mesma população de células. Apesar de muito 
útil, a contagem automatizada é ainda falha em identificar alterações no citoplasma e núcleo de 
neutrófilos, por exemplo, conforme abordaremos a seguir.
Como já foi mencionado, existem alterações qualitativas nos neutrófilos, que são identificadas nas 
leituras diferenciais de lâminas. Na Figura 5, caro(a) aluno(a), você pode visualizar algumas delas. 
Essas anomalias, embora não sejam tão frequentes na prática clínica, devem ser identificadas. A ano-
malia de Pelger-Hüet é considerada benigna, de herança autossômica dominante. Os indivíduos que 
apresentam essa anomalia apresentam como característica a falta de diferenciação final de neutrófi-
los. Nos indivíduos homozigotos, há a presença de neutrófilos com núcleos ovais ou redondos, sem 
segmentação. Já naqueles heterozigotos, os neutrófilos encontrados apresentam núcleo bilobulado 
mais arredondado que o normal (SILVA et al., 2016). Outra anomalia é encontrada na síndrome de 
Chediak-Higashi. Essa síndrome é rara, de herança autossômica dominante, em que há a presença 
de lisossomos gigantes nos leucócitos e em outras células do indivíduo. Os indivíduos afetados pela 
síndrome apresentam neutropenia, e os neutrófilos costumam apresentar granulação grosseira, e 
essas células têm uma capacidade antimicrobiana diminuída, o que faz com que as pessoas que apre-
sentam a síndrome de Chediak-Higashi estejam susceptíveis a infecções bacterianas de recorrência. 
Outros leucócitos como monócitos, eosinófilos e linfócitos também apresentam grânulos gigantes no 
citoplasma e apresentam perda de função. Geralmente, indivíduos homozigotos para a síndrome de 
Chediak-Higashi apresentam um quadro clínico grave, incompatível com a vida, devido à predisposição 
UNICESUMAR
UNIDADE 4
115
a infecções bacterianas graves. A lâmina do leucograma apresenta leucócitos com grânulos gigantes, 
como pode ser observado na Figura 5 (SILVA et al., 2016). 
A anomalia de May-Hegglin pode ser denominada trombocitopenia familiar associada a inclusões 
leucocitárias. Essa anomalia também possui padrão autossômico dominante. Os indivíduosapresentam 
diminuição do número de plaquetas circulantes no sangue (plaquetopenia ou trombocitopenia), mas as 
plaquetas continuam sendo funcionais. Os leucócitos desses indivíduos apresentam granulações grandes 
e acinzentadas, que estão relacionadas à anomalia de May-Hegglin (SILVA et al., 2016). A anomalia de 
Alder-Reilly tem herança autossômica recessiva, e os leucócitos dos indivíduos afetados não apresentam 
alterações da função leucocitária. A principal característica é a presença de granulações vermelho-escuro 
ou púrpuras nos neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e, mais raramente, em linfócitos.
A B
C D
Figura 5 - Anomalias presentes em leucócitos no sangue periférico / Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
Descrição da Imagem a imagem está dividida em quatro quadrantes denominados (a), (b), (c) e (d). No quadrante (a), uma célula 
maior está localizada no centro. A célula possui núcleo de cor roxa, bilobulado, circundado por citoplasma levemente rosado, com 
granulações finas de coloração rósea. Essa célula é um neutrófilo de um indivíduo com anomalia de Pelger-Hüet. O neutrófilo está 
circundado por células menores anucleadas de coloração rósea, que são as hemácias. No quadrante (b), podemos observar uma 
célula grande no centro, com núcleo de coloração roxa e formato irregular e citoplasma circundando o núcleo de coloração lilás, com 
diversos grânulos gigantes de coloração roxa-escura. Essa célula é um monócito de um indivíduo com anomalia de Chediak-Higashi. 
No quadrante (c), podemos observar, no centro, uma célula redonda com núcleo multilobulado de coloração roxa e citoplasma leve-
mente rosado, com granulações finas de coloração rósea. Na parte inferior do citoplasma, você pode observar uma mancha irregular 
de coloração cinza que aparece em um destaque aproximado no canto superior direito do quadrante C, essa célula é um neutrófilo 
de um indivíduo com a síndrome de May-Hegglin. No quadrante (d), podemos observar, ao centro, uma célula maior com núcleo 
multilobulado de coloração roxa, circundado por um citoplasma rosado com granulações grosseiras de coloração vermelha-escura 
e púrpura. Essa célula é um neutrófilo de um indivíduo com a anomalia de Alder-Reilly.
116
Além das alterações de leucócitos encontradas nessas síndromes, também podemos ter alterações rea-
cionais, que levem a alterações morfológicas dos leucócitos. Uma alteração que observamos é a presença 
de granulação tóxica em neutrófilos. Essa alteração envolve a presença de grânulos mais proemi-
nentes, de característica grosseira no citoplasma de neutrófilos. A presença desses grânulos reflete uma 
perturbação da maturação de neutrófilos. Isso ocorre quando o processo de leucopoiese é exigido de 
forma contínua, e o organismo precisa encurtar o tempo de maturação de células precursoras, fazendo 
com que os neutrófilos cheguem à circulação com excesso de granulação, devido ao encurtamento no 
processo de maturação. Esse processo costuma ocorrer quando há um processo inflamatório maciço, 
uma infecção sistêmica e com o uso de medicações como o Filgastrim (RODRIGUES et al., 2018). 
Você deve se lembrar, caro(a) aluno(a), de que o aparecimento de bastões no sangue periférico, 
também, ocorre quando há uma exigência contínua da liberação de leucócitos, e a medula óssea acaba 
liberando células de características imaturas na circulação sanguínea por esgotar o estoque de células 
disponíveis. Assim, não é incomum que tenhamos a presença de neutrófilos com granulação tóxica e 
bastões aumentados em pacientes com um processo infeccioso sistêmico, por exemplo. 
Outra alteração que podemos observar é a hipersegmentação de neutrófilos, que você pode 
visualizar na Figura 6. Para relatarmos a presença de neutrófilos hipersegmentados no leucograma, 
deve haver a presença de 1% de neutrófilos com núcleo com seis lobos ou 5% de neutrófilos com cinco 
lobos como achado relevante. Como você deve se lembrar de unidades anteriores, caro(a) aluno(a), esse 
achado pode ocorrer em casos de anemia megaloblástica, podendo ser observado, também, em alguns 
pacientes com queimaduras e pacientes com insuficiência renal crônica (RODRIGUES et al., 2018).
Outra alteração que podemos observar em neutrófilos é a presença do corpúsculo de Döhle, 
uma inclusão citoplasmática (Figura 6) que pode estar presente em indivíduos com infecções graves.
A B
Figura 6 - Alterações presentes em leucócitos no sangue periférico / Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
Descrição da Imagem na imagem, observamos dois quadrantes denominados (a) e (b). No quadrante (a), observamos, no centro, um 
neutrófilo com núcleo multilobulado de cor roxa, circundado por um citoplasma de coloração rosada, com a presença de granulações 
grosseiras de coloração roxa no citoplasma, o que constitui a presença de granulação tóxica. Também, podemos observar, logo acima 
do núcleo, no canto esquerdo, uma inclusão citoplasmática apontada por uma seta de coloração azulada e formato irregular, que 
é um corpúsculo de Döhle. Esse neutrófilo está circundado por células menores, circulares, anucleadas e de coloração rosada, que 
são as hemácias. No quadrante (b), podemos observar, no centro, um neutrófilo com a presença de um núcleo multilobulado com 
a presença de mais de seis lobos (neutrófilo hipersegmentado), circundado por um citoplasma levemente rosado com granulações 
finas de coloração rósea.
UNICESUMAR
UNIDADE 4
117
Podemos, ainda, encontrar uma outra alteração reacional, que é a presença de linfócitos atípicos. 
Os linfócitos atípicos apresentam tamanho e formatos variados. Geralmente, podemos visualizar es-
sas células em algumas infecções virais, como mononucleose e arboviroses, como a dengue, além de 
doenças causadas por protozoários, como toxoplasmose, infecções bacterianas, como a tuberculose, 
ou em algumas doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico (RODRIGUES et al., 2018). 
Caro(a) aluno(a), a nomenclatura de linfócitos atípicos atribuída a essas células se deve à morfologia 
alterada que esses linfócitos apresentam, podendo apresentar morfologia alterada na célula e no núcleo, 
alterações na relação núcleo/citoplasma — se você se recordar, tipicamente, linfócitos possuem alta re-
lação núcleo/citoplasma — e basofilia no citoplasma. Na Figura 7, você pode observar alguns exemplos 
de linfócitos atípicos. A característica do linfócito atípico, conforme comentado, é variável, podendo 
apresentar periferia angulosa, de aspecto recortado, citoplasma abundante de coloração, que pode 
variar de azul-escuro até um tom de cinza-claro, com condensação da basofilia na periferia da célula.
A B
C D
Figura 7 - Linfócitos atípicos no sangue periférico / Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
Descrição da Imagem na figura, podemos observar a divisão de quatro quadrantes denominados (a), (b), (c) e (d). Cada um desses 
quadrantes apresenta, no centro, um linfócito atípico. No quadrante (a), podemos observar um linfócito atípico com núcleo arre-
dondado de coloração roxa e aspecto de cromatina frouxa, circundado por um citoplasma aumentado de coloração azulada, com 
condensação de basofilia na borda inferior do citoplasma. No quadrante (b), podemos observar um linfócito atípico com núcleo de 
formato parcialmente arredondado com irregularidades de coloração roxa e aspecto de cromatina frouxa, circundado por um cito-
plasma aumentado de coloração azulada, com condensação de basofilia na borda direita do citoplasma. No quadrante (c), podemos 
observar um linfócito atípico com núcleo de formato parcialmente arredondado, com irregularidades, de coloração roxa e aspecto 
de cromatina frouxa, circundado por um citoplasma aumentado de coloração azulada, com condensação intensa de basofilia na 
borda esquerda do citoplasma. No quadrante (d), podemos observar um linfócito atípico com núcleo de formato arredondado de 
coloração roxa e aspecto de cromatina densa, circundado por um citoplasma de formato irregular aumentado de coloraçãoazulada, 
com condensação de basofilia na borda inferior esquerda do citoplasma.
118
Outra alteração reacional que podemos observar em 
linfócitos é o que chamamos de célula de Mott, que 
você pode observar na Figura 8. Como estudamos 
nesta unidade, linfócitos B podem se diferenciar em 
plasmócitos, e um estágio intermediário dessa trans-
formação faz com que o linfócito apresente inclusões 
globulares numerosas compostas por imunoglobuli-
nas. Essas células são chamadas de células de Mott ou 
“células em cacho de uva” e podem ser encontradas 
em algumas doenças autoimunes e na doença de Tay-
-Sachs (RODRIGUES et al., 2018).
UNICESUMAR
UNIDADE 4
119
As alterações qualitativas são importantes para determinar algumas condições clínicas. A presença 
desses achados deve ser relatada no laudo do hemograma pelo analista clínico. Embora algumas 
alterações como células de Mott sejam raras, a presença de linfócitos atípicos, por exemplo, é muito 
comum em infecções virais (RODRIGUES et al., 2018).
Figura 8 - Célula de Mott
Descrição da Imagem na imagem, podemos observar, ao centro, uma célula de Mott, com núcleo arredondado de coloração roxa, 
circundado por um citoplasma de coloração lilás, repleto de inclusões circulares de coloração branca. A célula está circundada por 
hemácias arredondadas de coloração rósea e anucleadas.
Caro(a) aluno(a), como você pôde perceber, a análise do leucograma é 
muito importante em várias situações. Nós podemos encontrar várias 
alterações no leucograma, conforme você aprendeu nesta unidade, 
mas o primeiro contato com análise de leucócitos pode gerar muitas 
dúvidas. Convido você para ouvir essa entrevista com uma especialista 
na área sobre a importância da revisão microscópica de leucócitos e as 
principais alterações encontradas na clínica laboratorial, tenho certeza 
de que será muito útil.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11685
120
Como pôde ser observado, podemos visualizar diversas alte-
rações no leucograma, tanto quantitativas como qualitativas. 
Por mais que algumas alterações sejam raras, é importante 
que você aprenda a identificá-las.
Nesta unidade, você aprendeu mais sobre os processos 
de leucopoiese e leucograma. Caro(a) aluno(a), agora, 
você sabe as funções dos tipos diferentes de leucócitos, 
como identificar cada um deles em uma lâmina de mi-
croscopia e como funcionam os valores de referência do 
leucograma. Você pode, ainda, distinguir as alterações 
quantitativas e qualitativas de leucócitos no leucograma 
e a importância de relatar essas alterações.
No início desta unidade, apresentei um caso clínico de 
um paciente que, como você deve ter deduzido após estudar 
a unidade, apresentava um quadro de desvio à esquerda, 
com presença de células imaturas da linhagem de neutrófi-
los na circulação sanguínea. Esse fenômeno ocorreu devido 
ao uso do estoque de neutrófilos produzidos pela medula 
óssea, assim, células mais imaturas foram liberadas na cir-
culação sanguínea para suprir a demanda.
UNICESUMAR
121
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, começamos a nos aprofundar no estudo do leucograma. Cri-
aremos um mapa mental com os leucócitos que estudamos nesta unidade. O objetivo é que a 
elaboração do mapa o(a) ajude a memorizar as características morfológicas das células, que serão 
imprescindíveis para a leitura de lâminas de Hematologia.
LEUCÓCITOS
Neutró�los Basó�los Eosinó�los
Núcleo:
Citoplasma:
Núcleo:
Citoplasma:
Núcleo:
Citoplasma:
Núcleo: irregular
Citoplasma: acizentado
com vacúolos
Núcleo:
Citoplasma:
122
1. O leucograma avalia as contagens total e diferencial (valores relativo e absoluto) dos leucócitos, 
bem como a morfologia dos neutrófilos, linfócitos e monócitos, principalmente. Quanto às 
alterações quantitativas de leucócitos, assinale a alternativa correta.
a) A leucocitose ocorre quando há uma elevação dos leucócitos sanguíneos acima de 13000/mm³.
b) A linfocitose costuma ocorrer em quadros de infecção viral e, geralmente, é acompanhada 
de leucopenia.
c) Quadros de infecção bacteriana podem causar quadros de neutropenia ou neutrofilia, de-
pendendo da situação.
d) Quadros de eosinofilia estão associados a infecções agudas causadas por bactérias.
e) Arboviroses costumam causar neutrofilia no sangue periférico do paciente.
2. O desvio à esquerda ocorre quando há a presença de células imaturas da linhagem de neutró-
filos na circulação sanguínea. Discorra, em um texto dissertativo de cinco a dez linhas, sobre 
o porquê de observarmos esse fenômeno e em que situações ele pode ocorrer.
3. Existem diversas alterações qualitativas que podem ser observadas em leucócitos no sangue 
periférico, que podem comprometer ou não a função fisiológica dessas células. A respeito das 
alterações qualitativas de leucócitos, assinale a alternativa correta.
a) A presença de um neutrófilo com segmentação de núcleo superior a cinco lobos é considerada 
hipersegmentação de leucócitos no laudo do leucograma.
b) A síndrome de Pelger-Hüet tem herança autossômica recessiva, e há perda da função de 
neutrófilos.
c) As células de Mott são uma alteração comum, encontradas em casos de infecção bacteriana, 
como pneumonias.
d) A presença de granulação tóxica está relacionada a uma perturbação da maturação de neu-
trófilos.
e) Na síndrome de Chediak-Higashi, há o envolvimento de vários tipos de leucócitos, com alte-
ração funcional dessas células.
5
Nesta unidade, você terá a oportunidade de aprender sobre a for-
mação (trombopoiese), morfologia e funções plaquetárias. Além 
disso, falaremos sobre o conjunto de exames que fazem a avaliação 
qualitativa e quantitativa das plaquetas. No hemograma, em termos 
de parâmetros, as plaquetas ocupam uma menor parcela, o que 
não deve diminuir a sua importância na rotina laboratorial. Na ver-
dade, essas estruturas tão pequenas constituem um vasto campo 
de informações fisiológicas e patológicas. Ao final desta unidade, 
você terá adquirido muito conhecimento sobre as plaquetas e a sua 
importância na prática laboratorial.
Plaquetograma
Me. Silvia Aparecida Ramos
124
Lesões na pele, ferimentos, cortes, mesmo sendo “pequenos”, podem promover sangramentos, cer-
to? Algumas vezes, as lesões podem ser bem pequenas, como um “ralado” do cotovelo no chão ou 
uma espetada em agulha. Outras vezes, as lesões podem ser um pouco maiores, como “tirar um bife” 
(arrancar um pedaço da cutícula) ao fazer as unhas. Quando a microcirculação é atingida, pequenos 
vasos sanguíneos e células endoteliais se rompem e, então, ocorre um escape temporário de sangue. 
O que acontece e quais são os eventos para que seja estancada a perda do sangue? 
O sangue é essencial à vida para manter as células circulantes e todas as funções de cada uma delas. 
Por exemplo, oxigenação dos tecidos, defesa contra invasores, nutrição do nosso corpo, dentre outras. 
A perda de sangue pode causar choque e, a depender da gravidade, pode levar à morte. 
Como o sangue é um fluido que circula no compartimento intravascular e deve se manter dentro 
dos vasos, a perda de sangue é um sinal importante de lesões existentes ou de perda da capacidade de 
manter o sangue dentro desse compartimento. Para entender esse processo, devemos compreender 
algumas interações iniciais entre as plaquetas e as células endoteliais quando ocorrem lesões nos vasos 
sanguíneos, em especial, na pequena circulação. Esse processo inicial se refere à hemostasia primária, 
sendo essencial para evitar a perda sanguínea.
A hemostasia, em todo o seu contexto, é essencial em nossa vida, pois mantém o sangue líquido e 
em equilíbrio. Assim, fisiologicamente, é ativada para o reparo de lesões quando há necessidade. Esse 
reparo é essencial para vários acontecimentos mundanos, tal como no caso que você analisará a seguir.
A paciente J.O.T., 42 anos, gênero feminino, não gostava da estética do seu nariz. Passou muito 
tempo da sua vida se achando feia, acreditava que a sua infelicidade estava associada a essa questão. 
Um dia, J.O.T.tomou coragem e decidiu realizar uma rinoplastia. Procurou um cirurgião plástico e 
iniciou o processo. 
Entre diversas consultas e solicitação de exames, o médico solicitou a realização de um coagulograma 
completo. O coagulograma é um conjunto de análises e, dentre elas, realiza-se a contagem do número de 
plaquetas. Ao receber o laudo do laboratório, a contagem de plaquetas da paciente foi de 250.000/mm³. 
Caro(a) aluno(a), de acordo com esse resultado, investigue se a paciente está apta a realizar um 
procedimento cirúrgico e se ela terá ou não problemas de sangramento com base nesse resultado. 
Caro(a) aluno(a), o caso descrito representa uma rotina muito comum no setor de Hemato-
logia do laboratório clínico, são os famosos pré-ops (pré-operatório). De acordo com a avaliação 
quantitativa do caso, o número de plaquetas foi obtido e liberado em laudo. Pesquise se esse valor 
obtido é aceitável, pesquise, também, sobre as variações de valores de referência para plaquetas 
de acordo com idade e gênero descritos na literatura. 
UNICESUMAR
UNIDADE 5
125
Além disso, é possível a paciente possuir um valor normal de plaquetas e, mesmo assim, ter proble-
mas relacionados à hemostasia primária? Existem alterações relacionadas às funções das plaquetas? 
O quanto essas alterações podem influenciar o procedimento cirúrgico? Aprofunde os seus conhe-
cimentos ao pesquisar na literatura, discuta, reflita sobre essas questões e anote seus resultados, suas 
dúvidas ou mais questionamentos em seu Diário de Bordo.
126
A hemostasia abrange o equilíbrio entre a perda de sangue (hemorragia) e a formação de coágulos 
(trombose), que é fundamental para manter a sobrevivência. Dessa forma, a manutenção do equilí-
brio, ou seja, a manutenção da resposta hemostática normal ao dano vascular deverá estabelecer uma 
interação íntima entre a parede vascular, as plaquetas circulantes e os fatores de coagulação do sangue 
(HOFFBRAND; MOSS, 2017).
Já que falamos de equilíbrio, as respostas hemostáticas precisam ser estritamente controladas para 
evitar o desenvolvimento de coágulos extensos e os desfazer após a reparação do dano. Desfazer os coá-
gulos formados implica em complementar a hemostasia com um processo chamado fibrinólise. Assim, 
os cinco principais componentes envolvidos na hemostasia são as plaquetas, fatores de coagulação, 
inibidores da coagulação, fatores fibrinolíticos e vasos sanguíneos (HOFFBRAND; MOSS, 2017).
Para facilitar o estudo da hemostasia, de modo didático, ela pode ser dividida em hemosta-
sia primária e hemostasia secundária. A hemostasia primária ocorre na microcirculação e 
tem a participação dos vasos sanguíneos, das plaquetas e das células endoteliais. Doenças 
hemorrágicas típicas das alterações na hemostasia primária são chamadas de púrpuras. A he-
mostasia secundária ocorre nos vasos de grande calibre, e os fatores que dela participam são as 
plaquetas, as células endoteliais, os fatores da coagulação, os inibidores fisiológicos da 
coagulação, o sistema fibrinolítico e os mecanismos antifibrinolíticos. As alterações na 
hemostasia secundária caracterizam as doenças hemorrágicas chamadas de coagulopatias. O 
termo coagulação sanguínea, muitas vezes, usado de modo abrangente, como se representasse a 
hemostasia, refere-se apenas aos fatores plasmáticos da coagulação (SILVA et al., 2016).
UNICESUMAR
UNIDADE 5
127
No que diz respeito à hemostasia primária, consideram-se as plaquetas como protagonistas dessa 
etapa. A formação das plaquetas ocorre por meio da fragmentação do citoplasma dos megacarióci-
tos, decorrente de um processo chamado trombopoiese, a partir de uma célula-tronco hematopoiética 
na medula óssea. A célula-tronco hematopoiética se diferencia em megacarioblasto e, em seguida, 
em megacariócito basófilo e, por fim, megacariócito acidófilo. O megacariócito amadurece por 
replicação/divisão endomitótica sincrônica — processo de replicação do DNA sem haver divisão nu-
clear ou citoplasmática —, levando ao aumento do volume do citoplasma à medida em que o número 
de lobos nucleares aumenta em múltiplos de dois (HOFFBRAND; MOSS, 2017). 
Os megacariócitos maduros são enormes, uma das maiores células do nosso organismo, possuem 
um único núcleo lobulado excêntrico e citoplasma muito abundante. As plaquetas se formam pela 
fragmentação das extremidades das extensões do citoplasma do megacariócito. Dessa forma, a função 
de cada megacariócito é originar em torno de 1.000 a 5.000 plaquetas. Desde a diferenciação da 
célula-tronco hematopoiética até a liberação propriamente dita das plaquetas, leva um intervalo de, 
aproximadamente, 10 dias. As plaquetas são liberadas através do endotélio em regiões vasculares da 
medula óssea, em locais onde os megacariócitos estão presentes. A manutenção desse processo se dá 
por meio da trombopoetina (TPO), 95% são produzidas pelo fígado, que é o principal regulador da 
produção de plaquetas (HOFFBRAND; MOSS, 2017).
Em síntese, as plaquetas são fragmentos do citoplasma dos megacariócitos, possuem formato 
discoide, ovalado, algumas irregulares, medindo ao redor de 1,5 a 3 μm de diâmetro e desem-
penham funções hemostáticas insubstituíveis (Figura 1). Na sua superfície, existem as GP, que 
estão ancoradas (grudadas) na membrana plasmática. As glicoproteínas (GP) das plaquetas 
foram classificadas como GPI (peso molecular mais alto), GPII, GPIII e assim por diante. 
Quando ocorre um estímulo, a plaqueta sofre um aumento do número de moléculas de GPIIb/
IIIa, permitindo, assim, a ligação cruzada da plaqueta via fator de von Willebrand (FVW) e 
pontes de fibrinogênio. Já uma plaqueta em repouso tem receptores de GPIIb/IIIa que não ligam 
fibrinogênio, FVW, nem outros ligantes (HOFFBRAND; MOSS, 2017).
As plaquetas possuem citoesqueleto — responsável pela forma e estrutura da plaqueta —, que 
também é importante para a mudança de forma da plaqueta após a adesão plaquetária, dando ori-
gem a uma forma ameboide, com projeção de múltiplos pseudópodos. A mudança de forma está 
associada à função plaquetária — agregação e secreção do conteúdo das organelas. Dessa forma, a 
agregação plaquetária (mudança de forma) requer a reorganização do citoesqueleto plaquetário. Uma 
das consequências da ativação plaquetária (agregação) é a secreção, que consiste na liberação — ao 
meio externo — do conteúdo dos grânulos plaquetários — grânulos alfa e corpos densos. A agre-
gação plaquetária seguida da secreção do conteúdo das organelas aumenta a ativação plaquetária e 
ativa novas plaquetas (SILVA et al., 2016). 
Internamente, o citoplasma das plaquetas contém organelas citoplasmáticas, como mitocôndrias e 
lisossomos, além de um conteúdo granular. Os grânulos azurofílicos finos podem aparecer espalhados 
em todo o citoplasma plaquetário ou concentrados no centro das plaquetas (Figura 1) (ROBIER, 2020), 
sendo os grânulos alfa os mais abundantes. As plaquetas circulam na corrente sanguínea durante sete 
a dez dias, e quase um trilhão delas circula em um humano adulto, o qual produz, aproximadamente, 
128
100 bilhões de plaquetas por dia, e, em condições fisiológicas, as plaquetas circulantes não estão ativadas 
(COMAR; DANCHURA; SILVA, 2009). À medida em que envelhecem, as plaquetas são retiradas de 
circulação pelo baço (SILVA et al., 2016).
A principal função das plaquetas é a formação do tampão mecânico — ou tampão hemostático — 
durante a resposta hemostática normal à lesão vascular. Quando ocorre deficiência qualitativa ou 
quantitativa de plaquetas, costuma ocorrer “vazamento” espontâneo de sangue de pequenos vasos. 
A ligação das plaquetas nos sítios em que ocorre a lesão vascular necessita de interações específicas 
plaqueta-parede vascular (adesão) e plaqueta-plaqueta (agregação), ambas parcialmente mediadas 
pelo FVW (Figura 2) (HOFFBRAND; MOSS, 2017). 
O FVW é uma glicoproteína grande, com estrutura multimérica (vários pedaços empilhados), 
composta por 2 a 50 subunidades diméricas. Está envolvido na adesão dependente das condiçõesde 
fluxo das plaquetas à parede vascular (adesão). Além disso, participa do processo de interações entre 
as próprias plaquetas (agregação). Ele, também, transporta o fator VIII da coagulação. O FVW é sin-
Descrição da Imagem: a figura representa uma plaqueta em formato ovalado na vertical, em cor rosa, com bordas em ondas e ranhuras 
bem próximas ao entorno da forma ovalada. Circundando a forma oval rosa, existe uma estrutura azul delimitada por linhas pretas 
representando a camada externa da plaqueta de glicocálice, que está indicado por uma linha preta do meio para a direita superior. 
No centro superior da figura, um pouco à esquerda, dentro do compartimento rosa, existem 10 bolinhas verde-escuras, indicando a 
presença de grânulos de glicogênio. Ao lados das 10 bolinhas, aparece uma bola maior verde, única, circundada por um círculo branco, 
representando um grânulo eletrodenso, com conteúdo de nucleotídeos, difosfato de adenosina (ADP), cálcio e serotonina. Mais abaixo 
e à esquerda da bola verde, aparece uma outra bola vermelha única, circundada por um círculo branco, representando grânulos alfa 
(α), com conteúdo de fibrinogênio, fator V, fator de von Willebrand (FVW), fibronectina, beta-tromboglobulina, antagonista de heparina 
(PF 4), fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) e outras proteínas. Abaixo e um pouco mais à direita da bola vermelha, 
existe uma estrutura alongada alaranjada, com conteúdo que parece uma “minhoca” em tom terra, representando uma mitocôndria. 
Ao lado da mitocôndria, aparece uma estrutura alongada azul representando o sistema tubular denso. À extrema direita da figura, 
acima, aparece uma bola rosa bem clara ilustrando um lisossomo. Uma linha preta indica a posição da membrana plasmática. Mais 
abaixo, uma reentrância na membrana representa o sistema canalicular aberto. Uma chave abrangendo a membrana citoplasmática 
e o sistema canalicular aberto formados por fosfolipídios plaquetários. As ranhuras bem próximas ao entorno da forma ovalada são 
filamentos submembranosos (proteína plaquetária contrátil).
Figura 1 - Ultraestrutura das plaquetas — componentes internos / Fonte: Hoffbrand e Moss (2017).
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UNIDADE 5
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tetizado por células endoteliais e megacariócitos e armazenado nos corpúsculos de Weibel-Palade das 
células endoteliais e nos grânulos alfa das plaquetas, respectivamente (HOFFBRAND; MOSS, 2017).
Descrição da Imagem: no alto da figura, aparecem blocos retangulares marrons com as extremidades direita e esquerda elevadas e, 
dentro dos blocos, linhas azuis bem finas paralelas em formas espirais. Entre os blocos e na extremidade esquerda, aparecem retângulos 
verticais marrom-claros indicando as glicoproteínas — da esquerda para a direita: GPIb, GPIIb, GPIIIa. Essa imagem do alto da figura 
representa uma plaqueta indicada como número 2 (plaqueta 2). Das GPIb e GPIIb, emergem linhas azuis com terminação circular que 
se encaixam em uma estrutura na forma de blocos finos retangulares sobrepostos, formando um retângulo grande na cor vermelho-
-escuro, representando o fator de von Willebrand (FVW). Da GPIIIa, emergem linhas azuis que se encaixam em uma estrutura na forma 
também retangular e única, mais larga, vermelho-escura, representando uma molécula de fibrinogênio. Abaixo dessas estruturas 
descritas, o desenho da plaqueta se repete na forma de blocos retangulares marrons com as extremidades direita e esquerda eleva-
das e, dentro dos blocos, linhas azuis bem finas paralelas em formas espirais. Entre os blocos e na extremidade esquerda, aparecem 
retângulos verticais marrom-claros, indicando as glicoproteínas, esta é a plaqueta 1, especificada na extremidade do lado esquerdo da 
membrana plaquetária. Da plaqueta 1, emergem as linhas azuis finas que interagirão, GPIIb com o FVW e GPIIIa com o fibrinogênio. 
Uma chave de linhas pretas à direita e acima da figura indica que a interação entre a plaqueta e plaqueta é a agregação plaquetária, 
constituída pela plaqueta 2, fibrinogênio e FVW, plaqueta 1. Abaixo da plaqueta 1, aparece outro bloco grande, constituído por blocos 
finos retangulares sobrepostos na cor vermelho-escuro, representando o FVW, que é conectado a ela por meio das linhas azuis finas 
com a GPIb e GPIIb. Na parte inferior do FVW, emerge uma linha azul fina com terminação quadrada que se encaixa no quadradinho 
da superfície de um linha pontilhada azul bem fina (microfibrilas subendoteliais), abaixo dessa linha, aparecem várias formas espirais 
marrons (colágeno). Em conjunto, as microfibrilas subendoteliais e o colágeno representam estruturas do “endotélio vascular”. Uma 
chave de linhas pretas à direita e abaixo da figura indica que a interação entre a plaqueta e o endotélio é a adesão plaquetária, cons-
tituída pela plaqueta 1 e parede vascular.
Figura 2 - Interações das plaquetas: adesão e agregação/ Fonte: Hoffbrand e Moss (2017).
130
Toda vez que um vaso sanguíneo é lesado, ocorre a adesão de plaquetas ao local da lesão. A lesão 
vascular pode ocorrer por alteração do fluxo sanguíneo, aumento da turbulência, traumatismo 
e processo inflamatório/infeccioso (SILVA et al., 2016). Após a ruptura do vaso, as plaquetas 
migram para o local da lesão e se aderem por meio da GPIb e do FVW ao subendotélio lesado. 
No processo de adesão, o difosfato de adenosina (ADP) é liberado, ativando e modificando a 
morfologia plaquetária. Uma vez ativadas, as plaquetas passam a emitir espículas, agregando-se 
entre si por meio de pontes/conexões entre a GPIIb/IIIa e entre o fibrinogênio. 
Como dito anteriormente, com a agregação, ocorre a liberação do conteúdo granular, em que estão 
presentes adrenalina, serotonina, cálcio, magnésio, fibrinogênio, fator 3 plaquetário. Além disso, são 
produzidas substâncias a partir da quebra de fosfolipídios da membrana da plaqueta ativada, como o 
tromboxano A2 (TXA2) e prostaglandinas (AZEVEDO, 2014). Especificamente, a estimulação por 
ADP, adrenalina e colágeno leva à ativação da fosfolipase A2 (FLA2) da membrana plaquetária. A FLA2 
cliva fosfolipídios da membrana e libera ácido araquidônico, que é convertido em prostaglandinas G2 
pela ciclo-oxigenase (COX) das plaquetas. Posteriormente, ainda nas plaquetas, a tromboxano sintase 
converte a prostaglandina G2 em tromboxano A2 (TXA2). O TXA2 provoca vasoconstrição no local 
de lesão vascular e, também, estimula a reação de liberação dos grânulos dentro das plaquetas, pro-
pagando, assim, a cascata de ativação plaquetária e a vasoconstrição (GOLAN, 2014).
O ácido acetilsalicílico atua por acetilação covalente de um resíduo de serina próximo ao sítio ati-
vo da enzima COX, inibindo, assim, a síntese de prostaglandinas e de vários de seus metabólitos. Na 
ausência de TxA2, observa-se acentuada redução da agregação plaquetária e da reação de liberação 
dos grânulos das plaquetas (GOLAN, 2014).
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O cálcio e ATP liberados contribuem para a ativação da GPIIb/IIIa e das proteínas contráteis, actina 
e miosina, contribuindo para o processo de retração do coágulo de plaquetas. É formado, então, 
um tampão plaquetário, chamado de trombo branco, de caráter irreversível, porém temporário, até 
que se forme o coágulo de fibrina (Figura 3), visto que uma das funções das plaquetas na hemostasia 
é ativar fatores de coagulação e, portanto, participar da hemostasia secundária (AZEVEDO, 2014). 
Lesão vascular Células
vermelhas
do sangue
Espasmo vascular Plaquetas
Formação do trombo
plaquetário
Fibrina
Coagulação Filamentos de �brina, 
células vermelhas do 
sangue, células 
brancas do sangue, e 
o coágulo é formado.
Descrição da Imagem: a figura está dividida em quatro imagens de cima para baixo, representando as etapas sequenciais da forma-
ção do coágulo. De cima para baixo, aparece uma forma retangular, à esquerda, na cor rosa e, à direita, na cor vermelha, com bordas 
arredondadas, lembrando um “cano”. A parte da forma representada na cor rosa claro indica a parte externa do vaso sanguíneo, e a 
outra metade,à direita, na cor vermelha, indica a parte interna do vaso sanguíneo, ou seja, o endotélio vascular. Nesta parte, aparecem 
bolinhas vermelhas com centro mais claro, são eritrócitos circulantes e três formas azuis estreladas ilustrando plaquetas ativadas. Na 
borda superior da parte vermelha, aparece uma lesão endotelial, indicando extravasamento de sangue, “lesão vascular”. Na segunda 
figura da imagem de baixo para cima, o esquema do vaso sanguíneo se repete, porém, na parte rosa, aparece uma onda, indicando 
“espasmo vascular”, e aparecem cinco plaquetas azuis estreladas na parte vermelha. Na terceira figura da imagem, no mesmo local da 
“lesão vascular”, aparece um agregado de formas estreladas azuis, indicando a formação do tampão de plaquetas e alguns filamentos 
de “fibrina” em linhas finas na cor laranja. Na quarta imagem da figura, aparece o mesmo esquema do vaso sanguíneo metade rosa, 
metade vermelho. No local da lesão vascular, as plaquetas aparecem mais amontoadas e ocorre a formação do coágulo: “filamento de 
fibrina, células vermelhas do sangue, células brancas do sangue, e o coágulo é formado”.
Figura 3 - Sequência de eventos na hemostasia / Fonte: Hoffbrand e Moss (2017).
132
A avaliação laboratorial das plaquetas faz parte da execução do hemograma completo. São roti-
neiramente liberados os valores absolutos das plaquetas/mm3 de sangue, apesar de terem surgido 
novos parâmetros para a avaliação da linhagem plaquetária. Poucos laboratórios têm relatado tais 
parâmetros, que são: o volume plaquetário médio, plaquetócrito, anisocitose plaquetária 
e índice de plaquetas fluorescentes, apesar dos equipamentos hematológicos mais modernos 
expressarem na análise automatizada.
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A contagem de plaquetas pode ser realizada por métodos diretos pela forma automatizada ou manual 
em câmara de Neubauer. Além disso, existem métodos de estimativa do número de plaquetas em lâmina 
por meio dos métodos indiretos. Apesar de pouco valorizada, a morfologia plaquetária possui muito 
valor clínico. Em extensões de sangue periférico corado pelos corantes tradicionais, May-Grünwald 
Giemsa, Wright, Romanowsky etc., as plaquetas são reveladas e visualizadas em microscopia óptica 
em aspecto discoide com tons roxo-azulados ou, ainda, azurófilos (Figura 4). 
Deve-se sempre observar a presença das granulações, que sempre deverão estar presentes. As plaque-
tas possuem um volume de, aproximadamente, 7 a 11 fentolitros (fL), o que equivale a, aproximada-
mente, um valor 10 vezes menor em relação ao tamanho dos eritrócitos. Assim, quando se observam as 
células de forma geral, o referencial de tamanho sempre auxilia o analista a nortear possíveis alterações. 
Caro(a) aluno(a), use e abuse das comparações de tamanho! E, como sempre digo, exercite a 
sua memória fotográfica. 
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Quer um exemplo? Observe a plaqueta da Figura 4 (d). Ela está bem “grandinha”, concorda? Você 
poderia me questionar: “e se os eritrócitos estiverem pequenos, como saberei?”. Respondo-lhe que, 
no dia a dia do laboratório de Hematologia, você terá em mãos os valores obtidos pelo equipamento, 
obviamente, do volume corpuscular de ambos, eritrócitos e plaquetas, dessa forma, fará, também, a 
comparação dos valores medidos… Ah, dos leucócitos também! Aí sim, ficará tudo mais claro e fácil. 
Além disso, o treino com a microscopia se constrói, e você perceberá essas correlações de forma natural. 
Voltando à Figura 4 (d), sim, ela está bem volumosa, ela é uma macroplaqueta. Perceba, também, que 
os grânulos são bem visíveis e ocupam o espaço central da plaqueta.
Algumas situações podem sugerir que as plaquetas sejam contadas ou revisadas por métodos in-
diretos. Existem técnicas bem descritas na literatura, dentre elas, o método de Fônio e de Bárbara são 
muito utilizados. A estimativa de contagem plaquetária pelo método de Fônio é modificada e realizada 
em extensões sanguíneas confeccionadas a partir de amostras de sangue total coletadas em EDTA tri-
potássico (K3). As plaquetas são contadas na lâmina utilizando o microscópio óptico — aumento de 
1000 vezes —, em campos escolhidos na região da prainha que contenham, aproximadamente, 1000 
eritrócitos. Em seguida, calcula-se o número de plaquetas da seguinte forma: Plaquetas/µl = Número 
de plaquetas obtidas x Número de eritrócitos/µl/1000 (COMAR; DANCHURA; SILVA, 2009). 
A outra estimativa de plaquetas muito utilizada devido à sua praticidade é a estimativa pelo método de 
Bárbara H. O’Connor. Nesse caso, as plaquetas são contadas no microscópio óptico — aumento de 1000 
vezes —, em 10 campos aleatórios na região da prainha, e, a partir deles, obtém-se o valor médio de plaquetas 
por campo. O valor médio obtido deve ser multiplicado pelo valor de 13.000 (constante de multiplicação) 
para fornecer o valor estimado da contagem de plaquetas (COMAR; DANCHURA; SILVA, 2009).
Descrição da Imagem: na Figura 4 (a), são vistas formas circulares arredondadas rosadas com halo central discreto (eritrócito). Além 
disso, são vistas duas “bolinhas” roxas situadas mais abaixo e à direita (a maior) e mais acima e à esquerda (a menor). Esses pontos 
roxos representam duas plaquetas de morfologia — aparecem micropontos bem roxinhos, grânulos plaquetários — e tamanho normal. 
Perceba que as plaquetas são menores que os eritrócitos. Na Figura 4 (b), além das formas circulares arredondadas rosadas com halo 
central discreto, são vistas, no canto superior esquerdo, duas formas ovaladas, uma cinza bem claro e outra cinza-azulado. Outras duas 
formas ovaladas cinza bem claro, encostadas uma à outra, são vistas no canto inferior direito. Essas formas ovaladas cinza-claro são 
plaquetas hipogranulares. A Figura 4 (c) também apresenta duas dessas plaquetas hipogranulares ao centro e mais abaixo da figura e 
uma plaqueta menor com aspecto normal, um ponto roxo encostado a uma forma circular rosada no canto esquerdo inferior. A Figura 
4 (d) mostra formas circulares arredondadas rosadas com halo central (eritrócitos), bem ao centro, aparece uma forma circular grande 
com borda cinza-claro que fica roxa no sentido central, com presença de alguns grânulos roxo bem forte, é uma macroplaqueta. Perceba 
que a macroplaqueta, nessa figura (4 d), é maior que o eritrócito.
Figura 4 - Morfologia plaquetária Fonte: Robier (2020, p. 232).
134
Se o analista no laboratório clínico não estiver atento, a contagem de plaquetas pode ser realizada 
erroneamente. Por esse motivo, deve ser regra: toda contagem de plaquetas baixa deverá ter seu 
processo cuidadosamente revisado, especialmente, na lâmina, buscando grumos, agregados, 
microcoágulos etc. Frequentemente, a trombocitopenia é encontrada no laboratório. Por isso, é impor-
tante estabelecer treinamento técnico para a equipe de coleta, pois, no momento da punção, o coletador 
poderá perceber se há sinais típicos de hemorragia — púrpura, petéquias — e mencionar o achado no 
mapa de trabalho ou diretamente ao analista. Além disso, o laboratório pode perguntar a indicação da 
realização do exame, e o próprio paciente relatar alguma queixa sobre sangramentos. Quando não houver 
nada relatado ou identificado e o exame revelar trombocitopenia, o ideal é proceder a confirmação da 
contagem baixa de plaquetas com a solicitação de nova coleta, e o exame deve ser feito imediatamente, 
com maior cuidado para descartar erro técnico, analítico ou agregação in vitro (FAILACE, 2015).
Algumas fontes de erros pré-analíticos bem caracterizados devem ser investigados no casos de sus-
peita de pseudotrombocitopenia (falsa contagem baixa de plaquetas). Alguns exemplos acerca dessa 
situação envolvem a punção venosa difícil, com aspiração lenta do sangue, ou quando a agulha custa 
a adentrar a veia. A demora desse processo de punção induz a agregação das plaquetas, degranulação 
e lise, e a contagem é falseada para menos.
A homogeneizaçãodemorada do sangue com o anticoagulante dentro do tubo comercial com 
o ácido etilenodiaminotetracético (EDTA), que é o anticoagulante de escolha para a realização do 
hemograma, causa o mesmo fenômeno de agregação plaquetária e ativa a coagulação. O EDTA 
acaba deteriorando em tubos conservados em depósitos muito quentes ou em tubos com prazo 
vencido, isso diminui a relação adequada do anticoagulante no tubo para o volume de sangue. Como 
consequência, o sangue coagula e, assim, consome as plaquetas. Problemas na homogeneização 
ou na falta de EDTA geram resultados falsamente diminuídos de plaquetas. Vale ressaltar que 
qualquer coágulo, por menor que seja, se estiver presente, carregará consigo considerável número de 
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plaquetas, causando contagem diminuída falsa (FAILACE, 2015). Reforço a ideia de que a contagem 
de plaquetas no hemograma é de extrema importância, nenhuma contagem baixa de plaquetas deve 
ser validada pelo laboratório sem uma observação microscópica minuciosa em busca de agregados. 
A amostra de sangue poderá, inclusive, ser examinada ao se aspirar o sangue com uma fina pipeta de 
Pasteur à procura de fibrina. Às vezes, há apenas um pequeno coágulo aderente à rolha do tubo de 
EDTA. Todo o plaquetograma é inválido em qualquer desses casos, e, assim, obrigatoriamente, uma 
nova coleta será necessária (FAILACE, 2015).
As trombocitopenias são situações frequentes no laboratório clínico. E, diante dos erros pré-analí-
ticos citados, qual seria a conduta adequada do analista perante a equipe de coleta e treinamento 
do “procedimento de flebotomia”?
Existem situações curiosas que ocorrem in vitro, imprevisíveis na rotina, mas que podem ser corrigidas 
quando são identificadas. Uma delas é a agregação plaquetária EDTA-dependente, em que o sangue 
do paciente contém uma aglutinina (anticorpo) plaquetária ativa na presença de EDTA (Figura 5). A 
aglutinação começa em poucos minutos ao se resfriar o sangue — é mais ativa abaixo de 25 ºC — e é 
progressiva (FAILACE, 2015). Ainda mais frequente, é a agregação espontânea in vitro em qualquer 
anticoagulante, é rápida no EDTA, mas ocorre, também, em citrato e fluoreto. 
O problema pode ser solucionado ao coletar o sangue em tubo aquecido a 37 ºC e, imediatamente, 
passá-lo no contador eletrônico. Ao ser confirmada uma baixa contagem de plaquetas decorrente da 
sensibilidade ao EDTA ou aos outros anticoagulantes, induzindo à agregação, o laboratório deverá 
descrever no laudo que a contagem de plaquetas foi prejudicada por agregação. Em seguida, solicita-se 
nova coleta, com hora marcada, na central técnica do laboratório, para realizar o exame imediatamente, 
como citado anteriormente (FAILACE, 2015).
Descrição da Imagem: a imagem apresenta, ao centro, um 
grande aglomerado (grumo) de plaquetas. Na imagem, as 
plaquetas parecem bolinhas de diferentes tamanhos, um 
pouco irregulares, em diferentes tons de roxo, mais claro e 
mais forte. No canto direito e esquerdo da figura, aparecem 
formas circulares rosa sobrepostas, lembrando empilha-
mento, são eritrócitos. Um outro eritrócito aparece par-
cialmente na parte de baixo do aglomerado de plaquetas.
Figura 5 - Grumo plaquetário em pseudotrombocitopenia 
induzida por EDTA 
Fonte: Robier (2020, p. 232).
136
Uma situação parecida com a sensibilidade das 
plaquetas ao EDTA e formação de agregados é o 
satelitismo plaquetário (Figura 6). Nesse fenôme-
no, anticorpos do tipo IgG ou IgM promovem a 
aderência das plaquetas in vitro aos neutrófilos, en-
volvendo-os como uma coroa. É um evento relati-
vamente raro (aproximadamente, 1/12.000) e sem 
significação clínica, pois não ocorre in vivo, mas, se 
não for identificado, o analista pode acabar liberan-
do uma pseudotrombocitopenia como verdadeira 
(FAILACE, 2015). 
Essas alterações in vitro, seja agregação pla-
quetária, seja satelitismo, geralmente, não são 
acompanhadas de trombocitopenia real e in vivo. 
Então, para o paciente, esse achado não deve ser 
interpretado como uma patologia, porém deve ser 
monitorado e conhecido, para evitar interpreta-
ções erradas. Não há necessidade de repetições 
frequentes, pois não é uma doença, portanto não 
haverá “cura” (FAILACE, 2015). Basta sinalizar 
o paciente quando ele tiver que realizar um he-
mograma completo e lembrar com cuidado na 
avaliação das plaquetas. Normalmente, quando 
existe um paciente com trombocitopenia in vitro, 
o laboratório cria um alerta para o paciente, então, 
quando ele entra no laboratório com o cadastro, o 
alerta é emitido e, então, o exame é monitorado. 
Outras causas de erros diversos na contagem das plaquetas estão relacionadas com a presença de 
achados, como (Figura 7):
1. Plaquetas gigantes.
2. Microcitose extrema.
3. Fragmentos eritrocitários.
4. Fragmentos de leucócitos.
5. Presença de contaminação fúngica in vitro.
6. Presença de crioaglutininas.
7. Tempo de conservação do sangue in vitro.
Descrição da Imagem: a figura apresenta formas circulares 
arredondadas rosadas com halo central discreto (eritrócito) 
distribuídos ao redor de uma célula ao centro. A célula 
aparece em forma circular, com citoplasma rosado e núcleo 
azul-escuro. 
Figura 6 - Satelitismo plaquetário
Fonte: Doig e Butina (2017, p. 200).
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Trombocitopenias verdadeiras estão relacionadas a várias condições clinicamente importantes, especialmente, 
as púrpuras. As púrpuras são doenças hemorrágicas que se caracterizam por sangramentos mucocutâneos 
causados por deficiência das plaquetas — funcional ou numérica — e dos vasos sanguíneos. O sangramento é 
evidenciado pela presença de petéquias (Figura 8), equimoses, epistaxes, gengivorragias, sangramento em trato 
gastrintestinal e em sistema nervoso central, geralmente, com história familiar negativa (SILVA et al., 2016).
A
B C
Descrição da Imagem: a Figura 7 (a) (crioglobulinas) apresenta várias formas circulares irregulares rosadas sobrepostas e, em algumas 
regiões, parecem “rasgadas”. São vistos uns oito pontos roxos mais centralizados na figura, abaixo e acima. Acima e centralmente, apa-
rece uma esfera roxo-azulada forte, representando um linfócito. Na Figura 7 (b) (piropoiquilocitose), aparecem várias formas rosadas 
irregulares, são eritrócitos, em formas de alvos, elípticas, e várias formas bem irregulares e pequenas, são os fragmentos eritrocitários. 
Aparecem poucos pontos roxos (plaquetas). Na figura 7 (c) (linfoma de célula B), aparecem várias formas circulares rosadas com halo 
central mais claro (eritrócitos); na parte de baixo da figura, aparece uma célula com citoplasma azul forte, com núcleo roxo, e, próximo 
a ela, aparecem dois pedaços azuis triangulares (restos citoplasmáticos).
Figura 7 - Contagem plaquetária superestimada / Fonte: Baccini et al. (2020).
Descrição da Imagem:a imagem se trata de uma série de fotos de pessoas afetadas por manchas vermelhas. Da esquerda para a 
direita, são as imagens 8 (a), 8 (b) e 8 (c). A Figura 8 (a) apresenta um enfoque de foto de parte do rosto de um indivíduo adulto com a 
boca aberta. Na região da língua, lábios e queixo, aparecem “pintas vermelhas” espalhadas. Na Figura 8 (b), aparece um braço esten-
dido com visão do cotovelo, onde aparecem, na superfície da pele — em toda a extensão —, as mesmas “pintas vermelhas”. Na Figura 
8 (c), aparece uma aproximação de uma superfície de pele branca com inúmeras “pintas vermelhas”, planas, de tamanhos variados, 
ilustrando as petéquias. 
Figura 8 - Petéquias / Fonte: Hoffbrand e Moss (2017).
138
As púrpuras podem ocorrer de forma isolada (primária) ou em associação/secundária a outras 
doenças (secundária) e, também, podem ser classificadas em relação ao tempo de duração da doença: 
a. Fase inicial — até o terceiro mês após o diagnóstico. 
b. Persistente — 3 a 12 meses de duração. 
c. Crônica — superior a um ano. 
O principal determinante da gravidade não é a contagem plaquetária, mas os sangramentos clinica-
mente relevantes (SANDES, 2021).
A púrpura trombocitopênicaprimária é idiopática (sem causa estabelecida). As doenças relacio-
nadas à púrpura trombocitopênica secundária incluem as autoimunes — por exemplo, síndrome 
do anticorpo antifosfolípide e lúpus eritematoso sistêmico —, as infecções virais — hepatite C, HIV, 
varicela-zoster, CMV — e bacterianas — por exemplo, Helicobacter pylori —, medicações e outras 
doenças (SANDES, 2021). No entanto, a abreviação PTI pode se referir à púrpura trombocitopênica 
imunológica, imunomediada ou, ainda, idiopática.
A púrpura trombocitopênica imunomediada, imunológica (PTI) é uma doença autoimune adqui-
rida, caracterizada pela destruição periférica das plaquetas. Nessa situação, as plaquetas são recobertas 
ou revestidas por anticorpos IgG. Os anticorpos IgG têm como alvo as glicoproteínas da membrana, 
dessa forma, o anticorpo ligado às plaquetas desencadeia destruição periférica e remoção pelo sistema 
macrofágico. Via de regra, os sítios de produção medulares das linhagens sanguíneas são normais, 
e a medula costuma ser rica em megacariócitos. Existem casos menos comuns, em que a síndrome 
autoimune é mais acentuada, podendo causar comprometimento dos megacariócitos, causando uma 
megacariocitopenia transitória (FAILACE, 2015).
A púrpura trombocitopênica imunológica aguda é um evento comum na infância. Está correla-
cionada a infecções virais — viroses respiratórias altas, doenças eruptivas, mononucleose infecciosa, 
entre outras infecções. Os quadros reacionais virais prévios — uma ou duas semanas antes — desen-
cadeiam respostas imunes que corroborarão com o mecanismo autoimune. No caso dos adultos, a 
PTI é menos frequente. Deve-se investigar a exposição a fármacos desencadeantes como a quinidina, 
quinina, antibióticos ou outras classes de fármacos. 
A destruição das plaquetas é muito rápida, súbita, com queda muito acentuada, podendo chegar 
abaixo de 10.000/mm³. O sangramento devido à trombocitopenia grave pode se apresentar na forma de 
equimoses, petéquias disseminadas, bolhas hemorrágicas na mucosa bucal. São relatadas hemorragias 
cerebrais em 1 a 2% de casos pediátricos e até 5% em adultos (FAILACE, 2015). 
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As PTIs podem ser tratadas com altas doses de imunoglobulina humana intravenosa e corticoides, 
com ação imunossupressora, para diminuir a síndrome autoimune. O tratamento é importante para 
casos de risco de sangramento grave, especialmente, em olhos e sistema nervoso central, até a estabi-
lização e avanço para a cura espontânea. Raros pacientes têm recidiva aguda de púrpura, em 5% dos 
casos, a trombocitopenia melhora, mas persiste duradouramente, cronificando-se (FAILACE, 2015). 
A púrpura trombocitopênica crônica também possui o mesmo mecanismo autoimune, porém a 
instalação é lenta e progressiva, de menor intensidade, com valores de contagem de plaquetas variando 
entre 10.000 e 80.000/mm³. Quanto menor o valor da contagem das plaquetas, maior é o sangramento. 
A maioria dos casos permanece sem causa definida (idiopáticos), e, em uma parte, existem correlações 
com outras autoimunidades, neoplasias linfoproliferativas e processos reacionais (FAILACE, 2015).
As causas medicamentosas de trombocitopenia também são bem fundamentadas e são responsá-
veis por um número importante de casos, especialmente, em adultos. Um exemplo bem conhecido 
é a trombocitopenia induzida por heparina (TIH), sendo descrita de duas formas distintas: tipo I e 
tipo II. A TIH tipo I é uma resposta não imunológica ao tratamento com heparina, mediada por 
uma interação direta entre heparina e plaquetas em circulação, causando aglomeração ou sequestro 
de plaquetas. Afeta até 10% dos pacientes, geralmente, ocorre nas primeiras 48 a 72 horas após o início 
do tratamento com heparina e é caracterizada por uma trombocitopenia leve e transitória — raramen-
te, inferior a 100.000/mm³ —, retornando, frequentemente, ao normal dentro de quatro dias após a 
suspensão da heparina. Não são necessários exames laboratoriais para diagnosticar a TIH tipo I, uma 
vez que não está associada a risco aumentado de trombose (SANDES, 2021). 
A TIH do tipo II é imunomediada e associada a risco de trombose. É causada pela formação 
de anticorpos que ativam as plaquetas após a administração de heparina. O antígeno principal é um 
complexo de heparina e fator plaquetário 4 (PF4), uma pequena molécula carregada positivamente de 
função biológica incerta, normalmente, encontrada nos grânulos plaquetários (SANDES, 2021). Quando 
a heparina se liga ao PF4, ela sofre uma alteração conformacional e se torna imunogênica, levando à 
geração de anticorpos contra o complexo heparina PF4, mais frequentemente da classe IgG (SANDES, 
2021). A trombocitopenia é tipicamente de gravidade moderada, com contagens medianas de plaquetas, 
variando entre 50.000 e 80.000/mm³. Em geral, considera-se uma queda de 50% ou mais em comparação 
com o valor basal pré-heparina. A trombocitopenia grave — plaquetas: 15.000/mm³ — é incomum.
Essa queda na contagem de plaquetas, geralmente, começa entre 5 e 14 dias após o início da heparina, 
mas o início pode ser rápido ou retardado. Se um paciente tem anticorpos circulantes contra heparina 
PF4, resultantes de uma exposição recente à heparina, a contagem de plaquetas pode cair em minutos ou 
horas, resultando em TIH de início rápido. Por outro lado, no TIH de início tardio, a trombocitopenia 
pode se retardar por vários dias, possivelmente, até três semanas, e só se torna evidente após o tratamento 
com heparina já ter sido interrompido. A contagem de plaquetas começa a subir dentro de dois a três dias 
e, geralmente, volta ao normal dentro de 4 a 10 dias após a interrupção do tratamento com heparina. Os 
anticorpos, por sua vez, levam, aproximadamente, dois a três meses para desaparecer (SANDES, 2021).
140
Na púrpura trombocitopênica trombótica (PTT), ocorre anemia hemolítica microangiopática e 
trombocitopenia, podendo haver, ainda, alterações neurológicas, renais e febre. Na PTT, ocorre uma 
deficiência genética ou adquirida da enzima que cliva os multímeros do FVW, a ADAMTS13 (SILVA 
et al., 2016). A forma genética da PTT ocorre pela deficiência da enzima ADAMTS13, que tem a 
função de clivar em pedaços menores — de baixo peso molecular — os multímeros do FVW. O evento 
inicial que leva ao quadro clínico da PTT é a presença de multímeros de alto peso molecular do FVW 
no plasma dos pacientes, ou seja, quando eles estão grandes (SILVA et al., 2016), isso corrobora com 
a deficiência enzimática. A consequência dessa alteração é que os multímeros de alto peso molecular 
de FVW são capazes de induzir a agregação plaquetária, que pode se tornar disseminada, levando à 
obstrução arteriolar, o que aumenta a reatividade da plaqueta ao FVW, sendo que esse é o mecanismo 
primário da PTT. Dessa forma, os multímeros do FVW encontrados no plasma de paciente normal 
apresentam baixo peso molecular, já os multímeros de alto peso molecular são encontrados em função 
da deficiência da ADAMTS13 (SILVA et al., 2016).
Na PTT adquirida, o paciente apresenta anemia hemolítica microangiopática — pode não apre-
sentar anemia, somente hemólise —, trombocitopenia, sintomas neurológicos, febre e disfunção renal. 
Geralmente, a deficiência adquirida da ADAMTS13 está associada a autoanticorpos do tipo IgG. 
Cerca de 40% dos pacientes apresentam os cinco sinais clínicos, enquanto 75% apresentam apenas 
três sinais clínicos: anemia hemolítica microangiopática — ou só hemólise, sem anemia —, sintomas 
neurológicos e púrpura trombocitopênica (SILVA et al., 2016). A trombocitopenia pode ser grave, 
cerca de 25% dos pacientes apresentaram uma contagem de plaquetas abaixo de 25.000 plaquetas/μL, 
5 e 90% têm sangramento mucocutâneo. Os dados laboratoriais demonstram que não há uma ativação 
da cascata da coagulação, e os trombos formados são ricos em FVW e as plaquetas têm pouca depo-
sição de fibrina. No laboratório, a insuficiência renal é revelada por hematúria, proteinúria, presença 
de cilindros e elevação discretada ureia (SILVA et al., 2016). 
Petéquias: quando se tem uma deficiência na hemostasia primária, por exemplo, uma deficiência 
plaquetária, numérica ou funcional, estabelece-se a doença hemorrágica chamada de púrpura, a 
qual tem como sangramento característico as petéquias, que são caracterizadas por sangramento 
puntiforme de coloração vermelho vivo. As petéquias são planas de tamanhos irregulares, geral-
mente, lembram o tamanho de uma picada de mosquito.
Epistaxe: de forma análoga às petéquias, as deficiências plaquetárias, numéricas ou funcionais, 
podem promover sangramentos de mucosas. Um tipo de sangramento comum nos distúrbios de 
hemostasia primária é a epistaxe, que é um sangramento nasal.
Equimoses: são manchas com cerca de 1 cm de diâmetro que adquirem uma coloração arroxeada, 
decorrente da ruptura de alguns vasos (microvasos) e extravasamento de sangue.
Fonte: Silva et al. (2016).
UNICESUMAR
UNIDADE 5
141
A tríade laboratorial característica da PTT são sinais de hemólise com presença de esquizócitos e 
trombocitopenia. Esse quadro laboratorial é explicado pela deposição de trombos plaquetários (trom-
bocitopenia de consumo) nos vasos, que diminuem o lúmen vascular (SILVA et al., 2016). Essa obstrução 
faz com que os eritrócitos sofram fragmentação ao passarem por esses locais, causando o quadro de 
hemólise e a presença de esquizócitos. Outro achado laboratorial é o aumento da desidrogenase láctica 
(LDH) devido à hemólise eritrocitária. Esses pacientes também apresentam reticulocitose e células 
nucleadas vermelhas no sangue periférico, e o teste de Coombs direto é negativo (SILVA et al., 2016). 
Outros distúrbios hereditários plaquetários como a Síndrome de Bernard-Soulier são relevan-
tes. A síndrome de Bernard-Soulier é uma doença autossômica recessiva, devido a mutações no gene 
GPIb, em que as plaquetas são maiores do que o normal (macroplaquetas). Há ligação defeituosa 
com o FVW, aderência também defeituosa aos tecidos conectivos subendoteliais, e as plaquetas não 
se agregam com ristocetina, que é um agente agregante. Além disso, há um grau variável de trombo-
citopenia (HOFFBRAND; MOSS, 2017).
Vale ressaltar que nem sempre os problemas patológicos das plaquetas estão no seu número, mas, 
sim, na sua função, caracterizando as trombocitopatias. Dessa forma, o número de plaquetas é 
normal, bem como a sua morfologia, porém sua função é alterada. Um exemplo dessa situação é a 
Trombastenia de Glanzmann, que é uma raríssima trombocitopatia recessiva por anormalidade das 
glicoproteínas IIb e IIIa. As plaquetas, em número normal e de morfologia normal — nada se nota no 
hemograma —, não se agregam nem diante de altas concentrações de estímulos agregantes como o 
ADP e são incapazes de causar retração do coágulo — é a única suspeita clínica que justifica pedido 
dessa observação para fins diagnósticos (FAILACE, 2015). 
Caro(a) aluno(a), o estudo da hemostasia é muito interessante! Lembre-
-se sempre de buscar os processos fisiológicos para, depois, entender 
as alterações patológicas. Então, saibamos mais sobre o conteúdo das 
plaquetas! Ouça o podcast que eu preparei para você, ajudará muito.
Via de regra, a trombocitose, o aumento do número de plaquetas, é um fenômeno reacional, e não 
representa, em si, uma doença hematológica. São exemplos de situações que se acompanham de trom-
bocitose: os dois primeiros anos de vida, a anemia ferropriva no adulto, o período pós-hemorrágico 
imediato, a pós-esplenectomia e as neoplasias mieloproliferativas (FAILACE, 2015). 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11686
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Caro(a) aluno(a), várias outras condições clínicas estão associadas à disfunção plaquetária ou defi-
ciências numéricas, assim como diferentes metodologias e particularidades da análise das plaquetas 
na rotina hematológica tradicional, em bancos de sangue, em laboratórios de pesquisa. É indispensável 
o estudo e a busca constante por atualizações na área. Busque mais informações, estude mais!
Caro(a) aluno(a), diante do que foi exposto, podemos perceber a importância da avaliação dos pa-
râmetros das plaquetas, bem como a sua função na hemostasia, especialmente, na hemostasia primária. 
Sobre a proposta de estudo, o caso da paciente J.O.T., conseguiu elucidá-lo? Se estivéssemos falando 
apenas sobre o valor numérico das plaquetas, ela seria liberada para a realização da cirurgia? A resposta 
é sim: o valor quantitativo está normal. 
Reforçando, estamos avaliando, apenas, o valor numérico das plaquetas. Outros ensaios que com-
põem o coagulograma completo também são capazes de investigar a função das plaquetas. Por exemplo, 
o tempo de sangramento, que avalia a resposta inicial da formação do tampão hemostático primário, 
função de adesão e agregação plaquetária. Nas disfunções das plaquetas, esse ensaio fica prejudicado. 
Ao aprofundar os estudos sobre a hemostasia, você ampliará os seus horizontes sobre demais en-
saios importantes nesse contexto e verá que a análise qualitativa da plaqueta também é importante.
Indico-lhe um artigo que detalha um pouco mais as diferentes metodo-
logias utilizadas para a contagem manual de plaquetas. O artigo é bem 
sucinto, com linguagem clara e objetiva e aproxima você, caro(a) aluno(a), 
da rotina real do laboratório de Hematologia. Excelente leitura!
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
UNICESUMAR
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15878
143
Caro(a) aluno(a), conseguimos fazer uma introdução importante sobre a morfologia, fisiologia, 
funções e patologias relacionadas às plaquetas. Para fixar algumas ideias sobre esse tema, con-
strua um mapa mental, dando ênfase nas palavras-chave para ajudá-lo(a).
PLAQUETAS
Distúrbios Interações
Conteúdo GranularGlicocáliceGlicoproteínas
144
1. Leia o texto a seguir.
A trombocitopenia induzida por fármacos é uma entidade clínica que é tão frequente como é 
difícil o seu diagnóstico e abordagem. São vários os fármacos que podem levar a trombocito-
penia com resposta imune ou não-imune. Habitualmente a forma não-imune apresenta um 
curso indolente. Por outro lado, a trombocitopenia imune induzida por fármacos, corresponde 
a uma reação idiossincrática associada a um número mais limitado de fármacos e aparecimento 
de trombocitopenia grave e hemorragia 5 - 10 dias após introdução do novo medicamento.
CLARA, A. et al. Trombocitopenia Grave Induzida por Fenofibrato. Acta Med. Port., v. 33, n. 1, 
p. 58–61, jan. 2020. p. 58. Disponível em: https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/
index.php/amp/article/view/11354/5833. Acesso em: 29 ago. 2022.
Agora, analise o caso a seguir.
Homem, 79 anos, um mês antes de ser internado em hospital realizou análises que revelaram 
hipertrigliceridemia (252 mg/dL). Foi medicado 10 dias antes do internamento com fenofibrato 
— 267 mg um comprimido por dia. Ao sexto dia de tomada, referiu aparecimento de púrpura 
não pruriginosa, hematomas dispersos e gengivorragia. Analiticamente, apresentava trombo-
citopenia grave de 17.000/mm³ de plaquetas e ausência de critérios de hemólise. O esfregaço 
de sangue periférico demonstrou plaquetas grandes e ausência de esquizócitos. Apresentou 
exames com resultado para autoimunidade.
Considerando o breve relato da história clínica e os seus conhecimentos em Hematologia, 
assinale a alternativa que melhor se associa ao quadro descrito.
a) O relato de caso se refere a um quadro de púrpura trombocitopênica trombótica, evidenciado 
pela ausência de esquizócitos na lâmina do hemograma.
b) O caso certamente se refere a uma púrpura trombocitopênica idiopática, sendo impossível 
fazer qualquer investigação.
c) Gengivorragia é um tipo de sangramento que é característico da hemostasia secundária.
d) A breve descrição do caso fala a favor de uma trombocitopenia induzida por fármacos, a 
autoimunidade pode ou não ter contribuído para o desencadear do caso.
e) A única trombocitopenia conhecida induzida por fármacos é por heparina.
2. Leia o texto a seguir.
As plaquetas correspondem a umdos fragmentos celulares, também denominados trombó-
citos, presentes no sangue de mamíferos, tendo origem a partir de células da medula óssea 
(megacariócitos). A principal função das plaquetas está relacionada à formação de coágulos, 
auxiliando de forma indireta na defesa do organismo. Sua ação no organismo varia de 9 a 10 
dias, sendo após este período recolhidas e direcionadas ao baço, onde serão degeneradas. Em 
um organismo normal, os níveis de concentração para este elemento sanguíneo geralmente 
oscila entre 150.000 e 400.000 plaquetas/mm3 de sangue, aproximadamente 1% do volume 
do sangue. O metabolismo irregular (diminuição ou disfunção) na síntese de plaquetas pode 
https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/11354/5833
https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/11354/5833
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resultar em sangramentos, da mesma forma como a sua elevada concentração, acima do 
padrão aceitável, pode ocasionar trombose.
FONSECA, K. Plaquetas. Brasil Escola, [2022]. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/
biologia/plaquetas.htm. Acesso em: 29 ago. 2022.
As plaquetas, mesmo sendo apenas “fragmentos” celulares, desempenham funções importan-
tes no nosso organismos. No que diz respeito à hemostasia, merece destaque a hemostasia 
primária fazendo adesão e de agregação plaquetária. No que se refere ao processo de adesão 
e de agregação, assinale a alternativa correta.
a) A interação da plaqueta-endotélio vascular recebe o nome de adesão plaquetária. E a interação 
plaqueta-plaqueta é chamada de agregação plaquetária.
b) O fator de von Willebrand interage com a plaqueta somente quando ela faz adesão ao en-
dotélio vascular.
c) A GPIb é a glicoproteína que se liga ao fibrinogênio.
d) A diminuição do número de plaquetas se chama trombocitopatia.
e) As plaquetas possuem grânulos alfa e densos. Os grânulos densos fazem reserva de FVW.
3. Leia o texto a seguir.
O ácido araquidônico, gerado a partir dos fosfolipídios de membrana, tem acesso ao sítio 
catalítico da cicloxigenase plaquetária (COX-1), sendo convertido em prostaglandina (PGG2). 
Posteriormente a PGG2 é catalisada a tromboxano A2 (TXA2) pela tromboxano sintase, pro-
movendo vasoconstrição e agregação plaquetária. 
CASTRO, H. C. et al. Plaquetas: ainda um alvo terapêutico. Bras. Patol. Med. Lab., v. 42, n. 5, p. 
321–332, out. 2006. p. 328. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpml/a/gkRFTcXD7TYxCJY-
tXjLvssy/?format=pdf. Acesso em: 29 ago. 2022.
O controle da ativação das funções plaquetárias, especialmente, da agregação, pode se tornar 
um alvo terapêutico de extrema importância do ponto de vista das doenças cardiovasculares. 
Diante desse contexto, qual dos seguintes fármacos é utilizado na prática clínica por possuir 
ação antiagregante? Assinale a correta.
a) Paracetamol.
b) Dipirona.
c) Penicilina.
d) Fenobarbital.
e) Ácido acetilsalicílico.
https://brasilescola.uol.com.br/biologia/plaquetas.htm
https://brasilescola.uol.com.br/biologia/plaquetas.htm
https://www.scielo.br/j/jbpml/a/gkRFTcXD7TYxCJYtXjLvssy/?format=pdf
https://www.scielo.br/j/jbpml/a/gkRFTcXD7TYxCJYtXjLvssy/?format=pdf
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6
Nesta unidade, você terá a oportunidade de aprender o que são 
leucemias, os tipos de leucemia aguda e a classificação delas. Além 
disso, falaremos sobre o conjunto de exames que fazem a identifi-
cação de leucemias, como a avaliação microscópica, citometria de 
fluxo e análise citogenética. Você perceberá que o foco da unidade 
está na identificação laboratorial por microscopia das leucemias, 
com a qual você terá mais contato durante a sua vida profissional.
O Hemograma nas 
Leucemias Agudas
Me. Larissa Benvenutti
148
À nossa volta, seja por meio de mídias sociais, filmes ou campanhas de doação de sangue e medula 
óssea, deparamo-nos com vários casos de leucemias. Elas podem produzir sintomas inespecíficos, 
como anemia, cansaço, fraqueza e, em alguns casos, sangramentos. As leucemias agudas são um tipo 
de câncer hematológico que compreende diversos subtipos com diferentes células afetadas. É extrema-
mente importante que consigamos identificar exatamente qual é a linhagem de células afetadas para 
que os indivíduos afetados tenham tratamento adequado. Contudo, como fazemos essa identificação 
e qual é o seu papel como futuro(a) profissional?
As leucemias são um grupo de cânceres hematológicos. As suas manifestações clínicas, como ane-
mia e sangramentos, podem prejudicar o dia a dia das pessoas e ser, até mesmo, ameaçadores à vida. 
As leucemias agudas tendem a ser agressivas, e é importante que sejam diagnosticadas o quanto antes. 
Apesar de afetarem as linhagens de leucócitos e de observarmos a presença de células imaturas na circu-
lação, também observamos uma série de alterações no hemograma, na série vermelha e nas plaquetas. 
Nas leucemias agudas, podemos ter alteração de vários parâmetros do hemograma. Observe o caso 
em questão: R. G. S., uma mulher de 28 anos, dá entrada no pronto atendimento após apresentar mal 
estar. Solicitou-se um hemograma que apresentou os seguintes resultados: hemácias: 2,51x 106/mm³; 
hemoglobina: 8,0 g/dL; VCM: 96; HCM: 32; CHCM: 33; leucócitos totais: 156000; e plaquetas: 45000. 
Quanto à contagem diferencial dos leucócitos, a contagem automatizada determinou a presença de 
57% de monócitos, porém, ao realizar a contagem diferencial da lâmina, observou-se que 47% das 
células contadas como monócitos eram mieloblastos. Nesse caso, você pode observar a presença da 
tríade leucêmica. Caro(a) aluno(a), reflita e responda essas perguntas: o que é a tríade leucêmica? É 
comum que a contagem automatizada identifique células imaturas de forma equivocada?
UNICESUMAR
UNIDADE 6
149
Caro(a) aluno(a), o profissional de laboratório clínico tem um papel imprescindível na avaliação 
laboratorial de leucemias. No desenvolver desta unidade, você verá claramente a importância dessa 
análise. O estudo teórico das leucemias agudas traz muitos conceitos novos. Pesquise sobre o assunto, 
leia, discuta e anote dúvidas ou mais questionamentos em seu Diário de Bordo.
150
Leucemias são um grupo de neoplasias caracterizadas pelo acúmulo de leucócitos malignos 
no sangue e na medula óssea. As neoplasias são caracterizadas por uma proliferação celular 
desenfreada, em que células anormais são produzidas. As leucemias surgem devido a mutações 
genéticas em células precursoras hematopoiéticas e costumam ser classificadas em agudas ou 
crônicas. Nesta unidade, caro(a) aluno(a), você estudará sobre as leucemias agudas. Elas podem 
ser divididas de acordo com a linhagem de leucócitos que afetam, sendo divididas em leucemias 
agudas mieloides e leucemias agudas linfoides (HOFFBRAND; MOSS, 2013). 
Nas leucemias agudas, observa-se a presença de células malignas na circulação sanguínea. 
Essas células (blastos) são imaturas, pouco diferenciadas e anormais e podem ser linfoblastos — 
no caso de leucemia linfoide aguda — ou mieloblastos — no caso de leucemia mieloide aguda. 
Os blastos encontrados na leucemia sofrem expansão e proliferação clonal, fazendo com que 
outras células normais da medula óssea — hemácias, neutrófilos, linfócitos, plaquetas — não 
consigam se desenvolver de forma adequada, assim o espaço da medula acaba sendo tomado 
por esses blastos, que são liberados na circulação sanguínea.
Como você deve recordar, no processo de leucopoiese, são os blastos que dão origem aos leu-
cócitos, tão importantes na defesa do organismo. Entretanto, nas leucemias agudas, os blastos 
realizam expansão clonal e acabam prejudicando a eritropoiese e leucopoiese. Por que será que 
eles adquirem essas características?
As leucemias agudas tendem a ser doenças agressivas em que ocorre essa transformação maligna dos 
blastos. Existem algumas teorias de como esse dano genético nas células ocorrem. Essas alterações 
genéticas acarretam a expressão anormal de proto-oncogenes, que são genes responsáveis pelo cresci-
mento, pela multiplicação e pela diferenciaçãonormal das células. Eles são responsáveis por codificar 
proteínas reguladoras do ciclo celular e fatores de transcrição, entre outros. Há genes conhecidos como 
genes supressores de tumor, que codificam proteínas que são responsáveis por bloquear a divisão 
de células ou induzir a apoptose de células que estão com material genético danificado. 
O que acontece nas leucemias, caro(a) aluno(a), é a anormalidade genética das células, que 
origina um clone que possui perda do controle do ciclo celular. Essa perda do ciclo leva as células 
a aumentar a velocidade de produção, a ter uma diminuição da apoptose e um bloqueio na dife-
renciação celular. Além disso, existe a dominância do clone da célula mutada, uma insuficiência da 
medula óssea devido à substituição de células saudáveis por células mutadas e, em alguns casos, a 
infiltração de células neoplásicas em órgãos e tecidos (AZEVEDO, 2013).
UNICESUMAR
UNIDADE 6
151
A causa das leucemias, o porquê de esse processo ocorrer, não está totalmente esclarecida, porém se 
acredita que alguns fatores ambientais tornem indivíduos mais suscetíveis a desenvolvê-las. 
A classificação das leucemias segue alguns critérios: quanto ao tipo de célula afetada e quanto ao 
grau de maturação celular. Para uma leucemia ser considerada aguda, é necessário que haja a presença 
de 20% de blastos no sangue periférico ou na medula óssea. Entretanto, se houver anormalidades ge-
néticas específicas relacionadas à leucemia, ela pode ser diagnosticada com menos de 20% de blastos 
(HOFFBRAND; MOSS, 2013). Não se preocupe, estudaremos isso mais a fundo. 
Uma leucemia aguda pode ser classificada de acordo com a origem dos blastos presentes devido 
à alteração clonal (linfoide ou mieloide). Para definir a linhagem a que os blastos pertencem, 
realizamos avaliações morfológicas no microscópio, por citometria de fluxo ou por análise cito-
genética. Veremos a fundo cada uma delas. 
CÂNCER HEMATOLÓGICO
Medula óssea
Leucemia
(proliferação anormal)
A diferenciação das linhagens celulares das células mutadas (linfoide e mieloide) é utilizada para 
a classificação geral de leucemias, tanto as leucemias agudas quanto as leucemias crônicas. É im-
portante que estabeleçamos que células fazem parte de cada linhagem, assim:
Leucemias de linhagem mieloide: células pertencentes à linhagem granulocítica, ou seja, células 
precursoras de neutrófilos, basófilos e eosinófilos, além de células precursoras de monócitos, células 
precursoras eritroides e megacariocíticas.
Leucemias de linhagem linfoide: células precursoras de linfócitos T ou B (linfoblastos).
Leucemias de linhagem mista: raras, em que o indivíduo apresenta uma linhagem de leucemia ambígua. 
São duas formas de leucemia combinadas: de linhagem linfoide aguda e linhagem mieloide aguda (LMA).
Fonte: adaptado de Silva et al. (2016).
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No sangue periférico de indivíduos com leucemia, a observação do esfregaço sanguíneo é, muitas 
vezes, um reflexo direto da medula óssea quanto à quantidade de células e ao tipo celular predomi-
nante. Por isso, é fundamental que haja o entendimento das alterações presentes na medula óssea, da 
relação quantitativa entre as células presentes na medula óssea e no sangue periférico. Então, no caso 
de suspeita de leucemia devido a alterações no sangue periférico, é realizado um mielograma, que é 
uma punção da medula óssea — geralmente, da crista ilíaca — realizada pelo hematologista e fornece 
dados imprescindíveis para o diagnóstico de leucemias (NAOUM; NAOUM, 2015; SILVA et al., 2016).
Na análise do mielograma, compara-se a quantidade de tecido hematopoiético e de tecido de sus-
tentação da medula óssea (tecido conectivo e adiposo) e se verifica a distribuição e prevalência dos 
tipos de células hematológicas. Em medulas ósseas normocelulares, existe um equilíbrio de cerca de 
50% de tecido hematopoiético e 50% de tecido adiposo. Quando existe um processo neoplásico de 
leucemia aguda, ocorre um predomínio de células hematopoiéticas, ocorrendo o que chamamos de 
medula óssea hipercelular ou hiperplásica. 
Na análise da medula óssea, também se avalia a prevalência das linhagens eritroides, leucocitária 
e plaquetária. Na medula óssea normal, considerando as células nucleadas, há um predomínio de 
precursores mieloides, principalmente, neutrófilos, bastonetes, metamielócitos, mielócitos — cerca 
de 60–70% das células —, seguidos por precursores eritroides nucleados — eritroblastos, pró-eritro-
blastos, representando cerca de 20–30% das células — e, em terceiro lugar, representando cerca de 10% 
das células da medula óssea, aparecem blastos, plasmócitos e linfócitos (SILVA et al., 2016). O que 
acontece nas leucemias, caro(a) aluno(a), é o predomínio de células de uma determinada linhagem — 
mieloide ou linfoide — com o aumento da quantidade de blastos. Isso faz com que haja a diminuição 
e, até mesmo, o desaparecimento de alguma outra linhagem devido à infiltração de células mutadas.
UNICESUMAR
UNIDADE 6
153
OLHAR CONCEITUAL
Aspiração e biópsia de medula óssea
Agulha de
biópsia
Pele
Osso
Medula óssea
Espécime
de medula
óssea
Para a realização do mielograma, o paciente é
anestesiado e o hematologista realiza uma
aspiração da medula óssea, e faz lâminas de
esfregaço para serem analisadas em microscopia
A medula óssea é avaliada quanto à proporção
de tecido hematopoiético/tecido adiposo e
quanto ao tipo e quantidades de células
hematopoiéticas presentes
A medula óssea representada à esquerda é
normocelular (indivíduo normal) com a presença
de tecido hematopoiético (indicado pela seta
preta) e tecido adiposo (indicado pela seta
vermelha. A medula óssea da direita é hipercelular
como a encontrada em leucemias agudas, com
predomínio de células hematopoiéticas
Medula óssea normocelular Medula óssea hipercelular
Descrição da Imagem:Leucemias são um grupo de neoplasias caracterizadas pelo acúmulo de leucócitos malignos no sangue e na 
medula óssea. As neoplasias são caracterizadas por uma proliferação celular desenfreada, em que células anormais são produzidas. As 
leucemias surgem devido a mutações genéticas em células precursoras hematopoiéticas e costumam ser classificadas em agudas ou 
crônicas. Nesta unidade, caro(a) aluno(a), você estudará sobre as leucemias agudas. Elas podem ser divididas de acordo com a linhagem 
de leucócitos que afetam, sendo divididas em leucemias agudas mieloides e leucemias agudas linfoides (HOFFBRAND; MOSS, 2013). 
Nas leucemias agudas, observa-se a presença de células malignas na circulação sanguínea. Essas células (blastos) são imaturas, pouco 
diferenciadas e anormais e podem ser linfoblastos — no caso de leucemia linfoide aguda — ou mieloblastos — no caso de leucemia 
mieloide aguda. Os blastos encontrados na leucemia sofrem expansão e proliferação clonal, fazendo com que outras células normais 
da medula óssea — hemácias, neutrófilos, linfócitos, plaquetas — não consigam se desenvolver de forma adequada, assim o espaço 
da medula acaba sendo tomado por esses blastos, que são liberados na circulação sanguínea.
154
Como se comentou, as leucemias são classificadas conforme a linhagem de células afetadas, e a análise 
do sangue periférico e da medula óssea são essenciais para o diagnóstico de leucemias. 
Ao longo dos anos, houve uma evolução na classificação das leucemias agudas. Até a década de 
1970, as leucemias agudas eram classificadas somente como leucemias linfoides, não linfoides e mo-
nocíticas. A partir de 1976, a classificação FAB (classificação franco-americana) surgiu, baseada na 
morfologia dos blastos presentes nas leucemias. Na década de 90, surgiu uma classificação subsidiada 
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi atualizada em 2008 (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 
2013). Atualmente, a classificação mais utilizada é a instituída pela OMS, porém, para aprendermos 
sobre as características das células nas leucemias agudas, a classificação FAB será extremamente útil. 
Então, para fins didáticos e facilitar a sua compreensão,em um primeiro momento, caro(a) aluno(a), 
focaremos na classificação FAB.
A classificação da OMS leva em consideração, para as classificações de leucemias agudas, a aná-
lise morfológica, citogenética e imunofenotípica das células, enquanto a classificação FAB leva em 
consideração aspectos morfológicos que são visualizados em microscopia óptica. Por essa razão, a 
classificação FAB é ideal para que você aprenda a morfologia presente nas leucemias. No Quadro 1, 
você pode visualizar a correlação entre a classificação da OMS e a classificação FAB para leucemias 
mieloides agudas (LMA) da linhagem mieloide.
Leucemias agudas (OMS/2008) Classificação FAB
LMA com diferenciação mínima M0 — LMA com pouca diferenciação
LMA sem diferenciação M1 — LMA sem diferenciação/indiferenciada
LMA com maturação M2 — LMA com diferenciação/diferenciada
Leucemia mielomonocítica aguda M4 — Leucemia mielomonocítica aguda
Leucemia monoblástica/monocítica aguda M5 — Leucemia monoblástica (M5a) e monocítica aguda (M5b)
Leucemia eritroide aguda
Leucemia eritroide pura
Eritroleucemia (eritroide/mieloide)
M6 — Eritroleucemia
Leucemia megacarioblástica aguda M7 — Leucemia megacarioblástica ou megacario-cítica aguda
Leucemia basofílica aguda –
Panmielose aguda com mielofibrose –
Quadro 1 - Correlação entre classificação das leucemias mieloides agudas da OMS e da FAB/ Fonte: Antunes et al. (2019, p. 155).
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UNIDADE 6
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Como você pode observar pelo Quadro 1, a classificação FAB traz uma classificação de LMAs de 
M0 a M7. A classificação de leucemias linfoides agudas (LLA), de acordo com a classificação 
FAB, abrange três classificações — LLA do tipo I, II e III —, mas, em um primeiro momento, 
focaremos os estudos nas LMAs. 
A classificação das LMAs pela FAB se baseia na identificação adequada da morfologia dos mielo-
blastos. Essas células são encontradas na circulação sanguínea e podem ser divididas em três tipos:
Mieloblastos do tipo I: células que apresentam citoplasma sem evidência de maturação, com 
ausência de granulação (NAOUM; NAOUM, 2015), conforme observado na Figura 1.
Descrição da Imagem: na figura, ob-
servamos células maiores ao centro, 
com núcleo grande, de cor roxa, de 
formato arredondado, levemente ir-
regular, envoltas por um citoplasma 
circundando o núcleo. O citoplasma 
das células é lilás e sem granulações 
visíveis. Dentro do núcleo das células, 
é possível visualizar círculos pequenos 
levemente mais claros que o núcleo, 
que são os nucléolos. Essas células 
são mieloblastos. Elas estão circunda-
das por hemácias, que são os círculos 
menores sem outra estrutura interna, 
de coloração rosada.
Figura 1 - Mieloblastos do tipo I
Fonte: adaptada de Antunes et al. (2019).
Mieloblastos do tipo II: são semelhantes aos do tipo I, mas já possuem alguma diferenciação 
caracterizada pela presença de poucos grânulos no citoplasma, podendo conter bastões de Auer, 
os quais são inclusões citoplasmáticas formadas por grânulos azurófilos (lisossomos fundidos). 
A formação dos bastões de Auer se dá por defeitos na formação dos grânulos de peroxidase nos 
blastos, e, apesar de não estar presente em todos os mieloblastos, quando está, é patognomônica 
de diferenciação mieloide dos blastos leucêmicos (SINGH et al., 2015). Na Figura 2, você pode 
visualizar mieloblastos do tipo II com a presença de bastões de Auer.
156
Descrição da Imagem: ao centro da imagem, observamos uma célula grande, com núcleo grande e arredondado, de coloração roxa 
com cromatina frouxa. Circundando o núcleo, podemos observar um citoplasma de coloração lilás, com granulação delicada. Na parte 
superior esquerda do citoplasma, observamos duas formas alongadas finas em forma de bastão de coloração rosada, que são os bas-
tões de Auer. Essa célula é um mieloblasto do tipo II e está circundada por hemácias, representadas por círculos menores sem outra 
estrutura interna, de coloração rosada, e há uma mancha de coloração roxa à esquerda da imagem, que é debris celular.
Figura 2 - Mieloblastos do tipo II
Mieloblastos do tipo III: são células com citoplasma altamente granular com núcleo central 
(NAOUM; NAOUM, 2015).
Descrição da Imagem: pode-se visualizar uma célula 
grande, de núcleo de formato irregular, de cor roxa, cir-
cundado por um citoplasma lilás com granulação presen-
te. À direita dessa célula, uma célula de tamanho similar, 
de núcleo grande de coloração roxa, com um círculo no 
interior do núcleo, de coloração mais clara, é o nucléo-
lo. O núcleo é circundado pelo citoplasma de coloração 
lilás, com a presença de granulação intensa. À direita 
dessa célula, vemos uma célula de núcleo arredondado 
de coloração roxa, com dois círculos de coloração mais 
clara dentro do núcleo, que são os nucléolos, o núcleo 
está circundado por um citoplasma lilás com granulação 
intensa. Essas três células são mieloblastos do tipo III. 
Elas estão circundadas por hemácias, representadas por 
círculos menores, sem outra estrutura interna, de colo-
ração rosada, e um neutrófilo, representado por uma 
célula de núcleo multilobulado de cor roxa, envolto por 
um citoplasma levemente rosado com granulações finas 
de coloração rósea.
Figura 3 - Mieloblastos do tipo III 
Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
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UNIDADE 6
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A morfologia dos blastos serve como um parâmetro para a classificação das LMA pela FAB, mas, ao 
realizar a contagem diferencial de um esfregaço sanguíneo, você identificará as células somente como 
mieloblastos, sem diferenciar os subtipos. A maioria dos laboratórios prefere adotar a contagem de 
células imaturas como blastos, sem diferenciar a linhagem. Isso acontece porque, enquanto mieloblas-
tos granulares e com bastões de Auer são facilmente reconhecidos, mieloblastos agranulares do tipo 
I são difíceis de diferenciar de linfoblastos, por exemplo (NAOUM; NAOUM, 2015). Os critérios da 
classificação FAB para LMA podem ser visualizados no Quadro 2.
Classificação de LMA Características
M0 Blastos indiferenciados, positivos para marcadores imunológicos da série mieloide.
M1 — Mieloblástica 
sem maturação 90% de mieloblastos em que + de 3% de blastos são peroxidase positiva.
M2 — Mieloblástica 
com maturação
+ 50% de mieloblastos e promielócitos.
Maturação, além de pró-mielócito presente (mielócito, metamielócito…).
M3 — Pró-mielocítica 
hipergranular
Presença de pró-mielócitos anormais (100% positivos para peroxidase).
Presença de bastões de Auer.
M4 — Mielomonocítica
+ de 20% de monócitos (20–80% positivos para esterase não específica).
+ de 20% de mieloblastos e promielócitos.
M5A — Monoblástica >80% de monoblastos (+ para esterase).
M5B — Monocítica <80% de monoblastos e menos de 20% de granulócitos.
M6 — Eritroleucemia
+ de 50% de células precursoras eritroides (anormais ou não).
Presença de mieloblastos e pró-mielócitos (bastões de Auer).
Megacariócitos anormais.
M7 — Megacariocítica + de 30% de megacarioblastos, megacariócitos.
Quadro 2 - Classificação das leucemias mieloides agudas (FAB) / Fonte: adaptado de Azevedo (2013).
Como pôde ser observado, o diagnóstico laboratorial é baseado na identificação do tipo de blasto pre-
sente no sangue ou na medula óssea. Apesar de muito importante, a morfologia não é suficiente para 
determinar os tipos de leucemia existentes. No aspirado de medula óssea, é possível fazer avaliação 
citoquímica e imunofenotípica, que permite a identificação das células neoplásicas. As provas citoquí-
micas compreendem o ensaio de mieloperoxidase, sudan black, ácido periódico de Schiff e esterases.
A imunofenotipagem das células é realizada por citometria de fluxo. Cada tipo celular expressa, em 
sua superfície, antígenos celulares que são específicos da linhagem — mieloide ou linfoide — e grau 
de maturação. Ela permite a caracterização da linhagem, do grau de maturação, além de se relacionar 
de forma direta com as características clínicas de cada tipo de leucemia (SILVA et al., 2016).
158
A OMS determina que, antes de qualquer procedimentoterapêutico de LMA ou LLA, deve-se coletar 
sangue periférico e medula óssea. Deve-se realizar a avaliação dos blastos por morfologia no microscó-
pio, e se recomenda um painel de imunofenotipagem por citometria de fluxo. Estudos de anormalidade 
genética por meio de estudos citogenéticos são recomendados (SILVA et al., 2016).
Caro(a) aluno(a), as provas citoquímicas e a identificação por imunofeno-
tipagem das leucemias são um mundo à parte. Para entender um pouco 
mais sobre esses métodos, em especial, a imunofenotipagem, acesse o 
meu podcast no QR Code e aperte o play. 
Caro(a) aluno(a), no Quadro 2, apresentei a classificação FAB das LMA, agora, observaremos como 
algumas dessas características são encontradas em esfregaços sanguíneos. A coloração de May-Grün-
wald Giemsa ou coloração de Wright são mais recomendadas para avaliar lâminas de leucemias. 
Colorações como o panótico não permitem visualizar estruturas como nucléolos de forma adequada. 
Na Figura 4, você pode observar algumas dessas células. Na Figura 4 (a), temos um exemplo de blastos 
com bastões de Auer encontrados em leucemias mieloides; na Figura 4 (b), pode-se visualizar uma 
lâmina de leucemia mielomonocítica; na Figura 4 (c), pode-se visualizar uma lâmina de leucemia 
monoblástica; na Figura 4 (d), uma leucemia monocítica; na Figura 4 (e), uma eritroleucemia; e, na 
Figura 4 (f), uma imagem de leucemia megacarioblástica.
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As manifestações clínicas de todos os tipos de LMA resultam da insuficiência da medula óssea, decor-
rente da proliferação de mieloblastos, havendo a substituição do tecido hematopoiético normal. Os 
resultados diretos desse efeito são o bloqueio da eritropoiese, granulopoiese, linfopoiese e bloqueio 
da formação de plaquetas. Assim, as manifestações clínicas dos indivíduos incluem infecção, anemia 
e sangramento (NAOUM; NAOUM, 2015). 
O hemograma de indivíduos com LMA é variável. O número de leucócitos está aumentado 
(leucocitose) em mais da metade dos pacientes, com valores acima de 25 mil leucócitos/mm³, 
mas a chamada hiperleucocitose, definida como contagens superiores a 100 mil leucócitos/mm³, 
ocorre em cerca de 20% dos casos. A leucocitose está, frequentemente, acompanhada de anemia e 
Descrição da Imagem: na figura, vemos uma imagem dividida em seis quadrantes, identificados de (a) a (f). No quadrante (a), vemos, 
à esquerda, três blastos com núcleo arredondado de coloração roxa e citoplasma lilás repleto de grânulos evidentes de coloração aver-
melhada. Uma das células possui, no citoplasma, múltiplas formas alongadas finas em forma de bastão de coloração rosada, que são 
os bastões de Auer, formando um formato de feixe. À direita dessas células, podemos observar seis blastos com núcleos de coloração 
roxa circundados por um citoplasma lilás com granulação avermelhada intensa, e alguns possuem a presença de formas alongadas finas 
em forma de bastão de coloração rosada, que são os bastões de Auer. Na figura (b), podemos observar múltiplas células maiores com 
núcleo irregular de coloração roxa, alguns núcleos apresentam um nucléolo visível, representado por um círculo de coloração mais clara 
dentro do núcleo. O citoplasma das células é basofílico, e alguns citoplasmas apresentam vacúolos representados por círculos brancos. 
Essas células representam blastos mielomonocíticos e estão circundadas por hemácias representadas por círculos menores, sem outra 
estrutura interna, de coloração rosada. Na figura (c), possuímos, no quadrante superior da imagem, duas células com núcleo roxo, de 
aspecto totalmente irregular, circundadas por um citoplasma rosado. Há, também, a presença de duas células grandes com núcleo de 
coloração roxa, com cromatina de aspecto irregular, circundadas por um citoplasma de coloração basofílica, roxo-azulado. No quadrante 
inferior, observamos duas células similares, com núcleo de coloração roxa, com cromatina de aspecto irregular, circundadas por um 
citoplasma de coloração basofílica, essas células são eritroblastos. Na figura (d), observamos a presença de várias células grandes de 
núcleo de coloração roxa, com aspecto irregular, e presença de nucléolos, representados por círculos internos no núcleo de coloração 
mais clara. As células são circundadas por um citoplasma de coloração lilás. Essas células são monoblastos. Na figura (e), podemos ob-
servar células grandes de núcleo de coloração roxa, com aspecto irregular, e ausência de nucléolos visíveis. As células são circundadas 
por um citoplasma de coloração lilás. Na figura (f), observamos a presença de duas células de núcleo roxo ocupando praticamente todo 
o citoplasma, com citoplasma de coloração lilás, com protusões irregulares.
Figura 4 - Células presentes nas LMA / Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
A B C
D E
F
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plaquetopenia. O conjunto de leucocitose, anemia e trombocitopenia constitui o que chamamos 
de tríade leucêmica (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). 
A anemia é, na maioria das vezes, normocrômica e normocítica, podendo ser hiporregene-
rativa. A presença de eritroblastos no sangue é um achado comum. A trombocitopenia também 
está presente, com contagens abaixo de 50 mil/µL em cerca de 50% dos pacientes no momento 
do diagnóstico. A presença de blastos na lâmina de sangue periférico é variável, com blastos 
acima de 20%, podendo chegar a mais de 90% (SILVA et al., 2016). Na Tabela 1, você encontra 
um exemplo de hemograma típico de paciente com LMA. 
Eritrograma Hematócrito: 27%; Hemoglobina: 9,1 mg/dL; VCM: 96fl; HCM: 29pg.
Leucograma Leucócitos totais: 86000/mm³; neutrófilos: 5%; linfócitos: 3%; monócitos: 1%; mielo-blastos: 91%.
Plaquetas 35000/mm³.
Tabela 1 - Hemograma típico de paciente com LMA/ Fonte: adaptada de Naoum e Naoum (2015).
As leucemias linfoides agudas ou leucemias linfoblásticas agudas (LLA) acometem, principalmente, 
crianças, mas podem ser encontradas em adultos, embora seja mais raro. O prognóstico da doença tem 
relação direta com a idade, sendo que crianças até dez anos apresentam prognóstico mais favorável. 
O diagnóstico laboratorial se baseia no exame morfológico dos esfregaços sanguíneos e da medula 
óssea (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013).
Assim como nos casos de LMA, nas LLA, as manifestações clínicas mais comuns derivam da 
supressão da hematopoiese l, causada pela infiltração da medula óssea por células leucêmicas, nesse 
caso, linfoblastos. Assim, estão presentes sintomas de palidez, fraqueza, cansaço, indisposição, além 
de febre, infecções e manifestações hemorrágicas em pele e mucosas (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 
2013). Em alguns casos de LLA, pode haver a infiltração de alguns órgãos por células leucêmicas, 
ocasionando sintomas a depender do órgão envolvido, como edema em testículos, esplenomegalia 
(aumento do baço), hepatomegalia (aumento do fígado), linfadenopatia (linfonodos aumentados) e 
síndrome meníngea — cefaleia, náuseas, vômitos, visão turva — devido ao envolvimento do sistema 
nervoso central, entre outros (HOFFBRAND; MOSS, 2013).
Nas LLA, pode haver o envolvimento de linfócitos do tipo B — mais comum — ou T (AZEVEDO, 
2013). O tipo de célula com mutação clonal são os linfoblastos, que, também, possuem classificação 
FAB, sendo mais fácil de compreender as diferenças morfológicas entre as células. Pela classificação da 
FAB, os linfoblastos apresentam características diferentes de acordo com o tipo de leucemia. O Quadro 
3 apresenta as características morfológicas dos linfoblastos em cada um dos tipos de LLA: L1, L2 e L3.
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UNIDADE 6
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Aspecto citológico LLA tipo L1 LLA tipo L2 LLA tipo L3
Tamanho Pequeno. Grande. Grande e homogêneo.
Cromatina Homogênea. Variável. Pontilhado fino.
Forma Regular. Irregular. Oval ou redonda.
Nucléolos Raros. Presentes. 1 a 3.
Citoplasma Escassos. Moderado. Moderado.
Basofilia Moderada. Variável. Intensa.
Vacúolos Raros. Raros. Proeminentes.
Quadro 3 - Classificação das LLA (FAB)/ Fonte: adaptado de Azevedo(2013).
Na Figura 5, pode-se observar as características dos blastos dos tipos de LLA. Observe, nas Figuras 5 (a) 
e 5 (b), linfoblastos de LLA do tipo L1. Podemos observar que, na Figura 5 (a), existem blastos com alta 
relação núcleo/citoplasma, mas com aspecto de cromatina mais frouxa. Na Figura 5 (b), visualizamos 
blastos pequenos, com alta relação núcleo/citoplasma e núcleo de cromatina densa, com nucléolo de 
difícil visualização. Isso é importante para você, caro(a) aluno(a), perceber que, até em um mesmo tipo 
de leucemia, a depender do paciente, as células podem ser mais difíceis de se identificar. Na Figura 5 
(c), visualizamos linfoblastos de uma L3. Observe a intensa basofilia do citoplasma, com a vacuolização, 
que é característica desses blastos. Na Figura 5 (d), observe blastos de LLA do tipo L2. São linfoblastos 
maiores, com nucléolo visível e citoplasma escasso. Esses linfoblastos são parecidos com mieloblastos do 
tipo I, portanto, quando não se tem certeza da linhagem da célula, esta deve ser liberada, simplesmente, 
como blasto no hemograma; a imunofenotipagem diferenciará a linhagem de origem da célula imatura.
Figura 5 - Tipos de blastos encontrados em LLA
Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013) e Silva et al. (2016).
Descrição da Imagem: a imagem está dividida em quatro quadrantes 
nomeados de (a) a (d). Na figura (a), podemos observar, ao centro, várias 
células grandes, com núcleo grande, arredondado e de coloração roxa, 
com aspecto de cromatina frouxa e presença de nucléolos, representados 
por círculos internos de coloração mais clara; o núcleo está circundado 
por citoplasma escasso de coloração lilás; essas células são linfoblastos 
e estão circundadas por hemácias representadas por círculos menores, 
sem outra estrutura interna. Na figura (b), observamos dois linfoblastos 
pequenos, representados por duas células, com núcleo arredondado, de 
coloração roxa, e aspecto de cromatina densa, ocupando quase todo o 
citoplasma de coloração lilás; os nucléolos são de difícil distinção, repre-
sentados por círculos de coloração próxima do núcleo; as células estão 
circundadas por hemácias representadas por círculos menores sem outra 
estrutura interna. Na figura (c), observamos linfoblastos representados 
por células grandes com núcleo arredondado de coloração roxa, com 
nucléolos representados por círculos de coloração levemente mais clara; o 
citoplasma é basofílico, com a presença de vacúolos representados por cír-
culos brancos; os blastos estão circundados por hemácias representadas 
por círculos menores rosados, sem outra estrutura interna. Na figura (d), 
visualizamos linfoblastos grandes, com núcleo arredondado, de coloração 
roxa, com aspecto de cromatina frouxa e nucléolos visíveis, representados 
por círculos de coloração mais clara; o citoplasma é lilás, sem grânulos; 
e as células estão circundadas por hemácias, representadas por círculos 
menores, rosados, sem outra estrutura interna.
162
Além da classificação morfológica, a imunofenotipagem é extremamente importante nas LLA. 
Ela permite identificar se a LLA é de células B ou T pelos antígenos que cada uma das células 
expressam (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). 
De forma geral, o hemograma apresenta anemia, neutropenia e trombocitopenia. A intensidade da 
diminuição de plaquetas, por exemplo, está relacionada ao comprometimento da medula óssea pelos 
linfoblastos. O número total de leucócitos varia, podendo ser desde uma leucopenia de 1000 leucócitos/
mm³ até uma leucocitose acima de 150000 leucócitos/mm³ (SILVA et al., 2016). 
A OMS classifica, ainda, um outro tipo de leucemia aguda, as leucemias agudas bifenotípicas ou 
de dupla linhagem. A identificação dessas leucemias ocorre quando existe a presença de antígenos 
de superfície ou marcadores de linhagem mieloide ou linfoide na mesma célula ou a coexistência de 
populações de blastos mieloides e linfoides (SILVA et al., 2016).
Nesta unidade, você aprendeu a respeito de leucemias agudas. Caro(a) aluno(a), apesar das leu-
cemias abrangerem diversos tipos, esta unidade traz a teoria e como identificar cada um desses tipos 
em uma lâmina de microscopia. Você pode, ainda, entender sobre outras ferramentas diagnósticas, 
como imunofenotipagem, por meio do podcast.
No início desta unidade, apresentei um caso clínico de um paciente que, como você deve ter 
deduzido após estudar a unidade, apresentava um quadro compatível com LMA. Quando há a 
presença de células imaturas na circulação sanguínea, é comum que aparelhos automatizados 
de Hematologia não consigam distinguir as células adequadamente, realizando uma contagem 
equivocada, e é necessária a revisão microscópica. O caso apresentava um indivíduo com tríade 
leucêmica, constituída por anemia, leucocitose e trombocitopenia.
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163
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, começamos a nos aprofundar no estudo das leucemias. Criaremos 
um mapa mental com as leucemias agudas estudadas na unidade. O objetivo é que a elaboração 
do mapa o(a) ajude a memorizar as características principais de cada uma delas.
Classi�cação FAB
L1, L2, L3
LLA
Hemograma
Leucocitose
Anemia
Trombocitopenia
Hemograma
Leucocitose
Anemia
Trombocitopenia
LMA
Mieloblastos
Classi�cação FAB
M0, M2, M3, M4, M5, M6, M7
Leucemias
agudas
Linfoblastos
164
1. O leucograma avalia as contagens total e diferencial (valores relativo e absoluto) dos leucócitos. 
Analise a seguinte imagem (Figura 1) que representa lâminas de pacientes com leucemia aguda.
Descrição da Imagem:vemos imagens identificadas de (a) a (d). Em todos os quadrantes, visualizamos células com o núcleo 
ocupando grande parte do citoplasma, com coloração roxa, e citoplasma discreto, com coloração lilás, circundadas por he-
mácias representadas por células rosadas e circulares.
Figura 1 - Células da circulação sanguínea de indivíduos com leucemia aguda
Fonte: HOFFBRAND, A.; PETTIT, J. E.; VYAS, P. Color Atlas of Clinical Hematology. [S.l.]: Elsevier, 2010. p. 211.
A respeito do quadro clínico representado nas imagens, assinale a alternativa correta.
a) A linfopenia costuma ocorrer em quadros de LLA, com o aumento total de leucócitos na 
circulação.
b) As imagens representam LLA do tipo L1, com blastos com alta relação núcleo/citoplasma.
c) As imagens representam LLA do tipo L2, com blastos grandes, nucléolos visíveis e aspecto de 
cromatina frouxa no núcleo.
d) As imagens representam uma LMA do tipo M0, com nucléolo visível e citoplasma sem grânulos.
e) LLA do tipo L3, como as representadas na imagem, apresentam blastos com alta relação 
núcleo/citoplasma.
2. Leia o texto a seguir. 
“As análises citológicas do sangue periférico e do mielograma são pontos fundamentais e 
obrigatórios para a classificação e diagnóstico das leucemias.”
NAOUM, F. A.; NAOUM, P. C. Hematologia Laboratorial: leucócitos. São José do Rio Preto: Aca-
demia de Ciências e Tecnologia, 2015. p. 82.
A presença de alguns achados no hemograma de indivíduos com leucemia aguda são comuns, 
como a presença de anemia e trombocitopenia, acompanhada ou não de leucocitose. Discorra 
sobre o porquê de esses achados estarem presentes conforme a fisiopatologia das leucemias 
agudas — entre cinco e dez linhas.
165
3) Leia o texto a seguir.
“As leucemias agudas apresentam curso rápido e muitas vezes fatal. Hematologicamente se 
caracterizam pelo aparecimento predominante no sangue periférico de células blásticas.”
AZEVEDO, M. R. A. A. Hematologia Básica: fisiopatologia e diagnóstico laboratorial. Rio de 
Janeiro: Revinter, 2013. p. 150. 
As leucemias agudas podem ser provenientes de diversas linhagens celulares. A respeito desse 
tema, assinale a alternativa correta.
a) Casos de LLA são mais comuns de ocorrerem durante a infância, mas podem ocorrer durante 
a idade adulta.
b) Pela classificação FAB, a leucemia M7 é chamada de leucemia eritroide e envolve a linhagem 
de eritroblastos.
c) Tanto em LLA quanto em LMA, leucocitose, anemia e trombocitopenia são achados comuns,havendo o predomínio do mesmo tipo de leucócitos.
d) A classificação da OMS das leucemias leva em consideração, principalmente, as características 
morfológicas dos blastos presentes.
e) Leucemias bifenotípicas são distinguíveis em microscopia óptica.
166
7
Nesta unidade, você terá a oportunidade de aprender sobre o que 
são neoplasias mieloproliferativas crônicas e o que são processos 
reacionais mieloides. Além da abordagem fisiopatológica e dos 
principais aspectos clínicos da doença, abordar-se-á o conjunto de 
exames que fazem a identificação dessas patologias, as informações 
sobre a microscopia de sangue periférico e demais ferramentas 
diagnósticas. Ao final desta unidade, você terá adquirido muito 
conhecimento e aberto os seus horizontes sobre a importância das 
neoplasias hematológicas na prática laboratorial.
O Hemograma 
Nas Neoplasias 
Mieloproliferativas 
Crônicas, Nas 
Mielodisplasias e Nos 
Processos Reacionais 
Mieloides 
Me. Silvia Aparecida Ramos
168
As neoplasias mieloproliferativas crônicas são um grupo heterogêneo de doenças com diferentes 
prognósticos. Muitas vezes, a doença é silenciosa, de início e progressão lentos, fazendo com que o 
paciente demore um tempo até descobrir o diagnóstico. Como muitas dessas doenças ocorrem em 
pessoas, em média, na quinta década de vida, isso pode ser interpretado como “cansaço da idade”, 
“estar envelhecendo” ou se atribuir alguns sintomas ao “estresse da vida corrida”. Nesse sentido, como 
os exames de rotina hematológica podem evidenciar ou sugerir que algo não está bem? Existe uma 
“regra” para identificar alterações em linhagens específicas? 
O conhecimento profundo sobre toda a hematopoiese, as suas linhagens celulares, os precursores e 
as funções é fundamental para podermos avaliar e identificar alterações importantes. Quando falamos 
em neoplasias hematológicas e mieloproliferativas, passamos a vislumbrar as alterações de acordo com 
as citopenias encontradas, por exemplo, de série vermelha e de plaquetas. Depois. olhamos para os 
leucócitos e seus parâmetros no leucograma. Essa visão mostra uma integração das linhagens vistas 
em sangue periférico que, automaticamente, dá um “aviso” de como está a medula óssea. Esse é um 
momento bem importante e profundo do nosso estudo, pois temos que ver o hemograma no todo, e 
não fragmentado, como ocorre em outras abordagens.
Hemogramas complexos podem aparecer na rotina laboratorial, visto a diversidade celular que existe 
na medula óssea. No contexto de neoplasias hematológicas, então, é provável que se encontre uma ampla 
gama de processos que envolvem linhagens diferentes e, também, níveis de maturação celular diferentes. 
Observe o seguinte caso: paciente P. B. C., gênero feminino, 63 anos, apresentou, nos últimos 
meses, fadiga e dispneia progressiva, presença de ínguas na região do pescoço e axilas. Um dia, 
ao se sentir mal, com sinais de gripe, procurou atendimento médico. O hemograma da paciente 
revelou hiperleucocitose, 268.000/mm3; anemia, 8,7 g/dL; plaquetas, 590.000/mm3. A contagem 
diferencial de leucócitos mostrou blastos (1%), promielócitos (2%), mielócitos (12%), meta-
mielócitos (10%), bastões (22%), neutrófilos (43%), eosinófilos (1%), basófilos (2%), linfócitos 
(4%), monócitos (3%). A medula óssea da paciente estava hipercelular, com expansão do setor 
granulocítico. Caro(a) aluno(a), essa paciente demonstra alterações importantes no hemograma, 
que pode estar relacionado com uma neoplasia mieloproliferativa. Investigue qual é a entidade 
clínica mais provável e demais achados que corroboram com a suspeita.
Caro(a) aluno(a), o caso descrito representa uma possível rotina no setor de Hematologia do labo-
ratório clínico. Nesse caso, o profissional se depara com células que exigem um maior conhecimento 
sobre a morfologia das células e requer a famosa “memória fotográfica”. Pesquise mais sobre as variações 
de formas dos leucócitos, especialmente, os precursores granulocíticos. 
Nesse sentido, como são, morfologicamente, os precursores dos granulócitos? O que é um blasto? 
Como ele pode aparecer na lâmina do hemograma? Quais células apareceram no resultado do paciente 
que não deveriam ter saído da medula óssea? Qual é a neoplasia mieloproliferativa mais provável? 
Aprofunde os seus conhecimentos pesquisando na literatura. Discuta, reflita sobre essas questões 
e anote seus resultados, suas dúvidas ou mais questionamentos em seu Diário de Bordo.
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UNIDADE 7
169
A denominação “doenças mieloproliferativas crônicas”, antes usada para designar essas entidades clí-
nicas, foi trocada na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2008, para neoplasias 
mieloproliferativas, para, claramente, definir sua origem clonal (FAILACE, 2015). Ainda, conforme 
a classificação da OMS, o grupo de mieloproliferações envolve várias doenças, porém com destaque 
para: leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia neutrofílica crônica (LNC), policitemia vera 
(PV), mielofibrose primária (MFP) e trombocitemia essencial (TE), entre outras entidades, por 
possuir similaridades entre si (CHAUFFAILLE, 2010; SANDES, 2021).
As neoplasias mieloproliferativas crônicas são doenças clonais de célula-tronco hematopoiéti-
ca. Dessa forma, surgem, literalmente, “clones” da célula que sofreu mutação, com capacidade de 
multiplicação celular evidente, visto que ocorre proliferação aumentada das séries mieloides com 
maturação eficaz. Isso mostra que a característica de maturação também é mantida, gerando células 
com características morfológicas de maturação, ou seja, diferenciadas. Ocorre leucocitose no sangue 
periférico, aumento da massa eritrocitária ou trombocitose também podem ser identificadas. As 
170
neoplasias mieloproliferativas, em geral, possuem curso clínico lento, com progressão para fibrose 
medular ou transformação leucêmica (SANDES, 2021).
Segundo a OMS, o termo “mieloide” engloba todas as células pertencentes à linhagem granulo-
cítica — neutrófilos, eosinófilos, basófilos —, monócitos/macrófagos, eritroide (células vermelhas), 
megacariocítica (plaquetas) e mastócitos. Os critérios iniciais para o diagnóstico das hemopatias 
malignas (neoplasias mieloproliferativas) estão baseados nos achados morfológicos, citoquímicos e 
imunofenotípicos das células neoplásicas do sangue periférico e da medula óssea, os quais determinam 
a linhagem envolvida e a fase de maturação e diferenciação em que se encontram. O percentual de 
blastos no sangue periférico e na medula óssea permanece, ainda, como uma importante ferramenta 
para a avaliação de progressão da doença, seja para uma doença mielodisplásica/mieloproliferativa, 
seja para uma leucemia aguda (SILVA et al., 2016). 
LEUCEMIA
No que diz respeito às leu-
cemias crônicas, de forma 
geral, elas representam um 
grupo heterogêneo de neo-
plasias clonais. E, assim 
como outras neoplasias he-
matológicas, caracterizam-se 
pelo acúmulo lento e gra-
dativo de clones neoplásicos 
leucocitários na medula ós-
sea e no sangue periférico. 
Além disso, como dito an-
teriormente, a mutação que 
ocorre na célula hematopoié-
tica permite a manutenção 
da capacidade de diferen-
ciação e maturação celular, 
acarretando característico 
aumento no número de cé-
lulas maduras na medula ós-
sea e no sangue periférico. As 
leucemias crônicas podem se 
desenvolver a partir do clone 
mieloide ou linfoide (SAN-
TOS, 2013). Nesta unidade, 
caro(a) aluno(a), será dada 
ênfase à leucemia mieloide 
crônica (LMC). 
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UNIDADE 7
171
A designação LMC é consagrada pelo uso no Brasil, apesar de o texto da OMS preferir leucemia 
mielógena crônica e a designação leucemia granulocítica crônica também ser usada (FAILACE, 
2015). Não existem provas globais para herança de genes com suscetibilidade à doença, embora exis-
tam relatos, na literatura, de ocorrência de LMC em membros de uma mesma família. No entanto, a 
exposição a doses muito elevadas de radiações ionizantes — radiografia, radiação atômica — e intoxi-
caçõespor produtos químicos, como benzeno e agentes alquilantes (mutagênicos), podem aumentar 
a ocorrência da LMC acima da frequência esperada, quando comparada aos grupos não expostos às 
mesmas condições. A doença é adquirida, sendo derivada de mutação somática (SANTOS, 2013).
A LMC é uma doença neoplásica clonal, que afeta as células-tronco hematopoiéticas pluripotentes, 
caracterizada pela translocação — troca de segmentos de material genético entre cromossomos — 
entre os cromossomos 9 e 22, t(9;22), nas respectivas regiões do braço longo de cada cromossomo 
(q34;q11), resultando no cromossomo Filadélfia (Ph, do inglês, Philadelphia) ou no rearranjo 
dos genes BCR-ABL1. Como consequência, instala-se um excesso de produção das células mieloides 
em todos os estágios de maturação (Figura 1) (SANTOS, 2013; SANDES, 2021). 
Tirosina quinase: são enzimas que fosforilam proteínas em resíduos de tirosina e são importantes 
na sinalização intracelular. As mutações nas tirosinoquinases são a origem de um grande número 
de hemopatias malignas e são alvo de inúmeros fármacos recentes, altamente eficazes.
Alterações cromossômicas numéricas: as alterações numéricas são representadas pela perda 
ou ganho no número de cromossomos. Por exemplo, uma linhagem celular com uma perda de um 
cromossomo 8 terá um cariótipo 45, XY ou XX, -8.
Alterações cromossômicas estruturais: as alterações estruturais são representadas pela perda 
de parte de um cromossomo (deleção), pela troca de segmentos entre dois cromossomos (trans-
locação) ou pelo ganho de um segmento cromossômico (adição).
Fonte: adaptado de Hoffbrand e Moss (2018) e de Silva et al. (2016).
172
Mais detalhadamente, estudos genéticos com a LMC demonstraram que a translocação entre os cro-
mossomos 9 e 22 produz um gene quimérico, formado pela fusão de dois genes (gene de fusão): 
o gene breakpoint cluster region (BCR), localizado no cromossomo 22, e o gene abelson oncogene 
(ABL), localizado no cromossomo 9, produzindo um transcrito ativo BCR-ABL1 no cromossomo 
Ph (HAMERSCHLAK, 2010). A parte do braço longo do cromossomo 22 perdida para o cromosso-
mo 9 é grande, e a parte recebida dele é pequena, fazendo com que o cromossomo 22 fique menor, 
caracterizando, desse modo, o cromossomo Ph (SILVA et al., 2016). 
Em síntese, o famoso cromossomo Philadelphia, descrito nos estudos da genética, refere-se à 
presença do cromossomo 22 com a mutação BCR-ABL1, identificada no cariótipo de tamanho bem 
pequeno, ainda menor do que ele já é naturalmente. Isso facilita o diagnóstico de LMC, que é confir-
mado pela presença característica do cromossomo Ph (HOFFBRAND; MOSS, 2018). 
Normal
Cromossomo 9
Quebra 
cromossômica
Cromossomo 9
trocado
Cromossomo 22
trocado
(cromossomo �ladél�a)
Normal
Cromossomo 22
Descrição da Imagem: I: a imagem parece estar subdividida em três blocos, sendo os da direita e da esquerda com fundo na cor azul-
-claro, e o central, com fundo branco. No bloco da esquerda, aparece um esquema de um “cromossomo normal 9” grande, em formato 
retangular vertical, com as bordas arredondadas, em cor cinza e listras horizontais cinza-escuro (de cima para baixo). Na extremidade 
inferior, aparece uma linha horizontal azul e, abaixo, verde. Na linha azul, há uma indicação com a sigla abl. Do lado direito, aparece outro 
esquema de “cromossomo normal 22” pequeno, em formato retangular vertical, com as bordas arredondadas, em cor azulada e listras 
horizontais azul-escuro (mais abaixo). Mais para cima, aparece uma linha horizontal vermelha e uma indicação com a sigla bcr. Uma seta 
azul aponta do bloco esquerdo para o central. No bloco central, está evidenciado o local de “quebras cromossômicas”. No desenho do 
cromossomo grande, na linha azul, local abl, existe um afastamento, indicando fragmentação. No desenho do cromossomo pequeno, 
na linha vermelha, local bcr, existe um afastamento, indicando fragmentação. Depois, sai uma seta do cromossomo 9 apontando para 
o 22 na região de quebra e sai uma seta do cromossomo 22 apontando para o 9 na região de quebra. Uma seta azul aponta do bloco 
central para o direito. No bloco direito, com fundo azul-claro, aparecem os esquemas do “cromossomo 9 translocado”, na parte inferior 
do desenho, que é cinza, agora, aparece um pedaço azul na extremidade que veio do cromossomo 22. Do lado direito, aparece o esque-
ma do “cromossomo 22 translocado”, na parte inferior do desenho, que é azul, agora, aparece uma linha vermelha mais uma linha azul 
(gene de fusão bcr-abl) e na parte arredondada verde, na extremidade, que veio do cromossomo 9. O esquema mostra o cromossomo 
22 ainda menor do que foi desenhado no bloco da esquerda, esse cromossomo 22 bem pequeno e translocado é o cromossomo Ph.
Figura 1 - Translocação e formação do cromossomo Ph na LMC
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UNIDADE 7
173
A depender do éxon envolvido (1, 1-12/13 ou 
1-19) — éxon é um segmento de um gene que efe-
tivamente codifica parte da sequência de aminoá-
cidos de uma proteína —, podem ser produzidas 
três proteínas de fusão de massas moleculares 
distintas de 190, 210 e 230 kDa. Essas proteínas de 
fusão estão associadas com formas diferentes de 
leucemias. A proteína p210 kDa é encontrada em 
células hematopoiéticas de pacientes com LMC 
em fase crônica, em leucemia linfoblástica aguda 
(LLA) e leucemia mieloblástica aguda (LMA). 
A proteína p190 kDa é comumente encontrada 
em LLA com cromossomo Ph+ e em alguns ca-
sos de LMA; raramente observada em LMC. Já a 
p230 kDa é encontrada em pacientes com LMC 
(ou leucemia neutrofílica crônica) de curso mais 
benigno — em alguns casos, com menos anemia, 
menos esplenomegalia, menor contagem perifé-
rica de leucócitos e menor risco de evolução para 
crise blástica (FAILACE, 2015).
A proteína de fusão p210 kDa, BCR-ABL1, é 
uma tirosina quinase desregulada/excessiva — em 
relação ao produto normal do ABL1, de 145 kDa 
— que promove a expansão clonal e consequente 
quadro de hiperplasia mieloide — leucocitose, 
neutrofilia e basofilia — e esplenomegalia (aumen-
to do tamanho do baço). Sua função na leucemo-
gênese (geração da leucemia) decorre da liberação 
das células para crescimento e sobrevivência in vi-
tro, independentemente do estímulo de citocinas, 
alteração da adesão celular, fosforilação de vários 
substratos e ativação de sinais de transdução in-
tracelulares, com diferentes efeitos no crescimento 
e na diferenciação celular (SANDES, 2021). Vale 
ressaltar que a proteína p190, assim como a p210, 
também tem atividade de tirosinoquinase aumen-
tada (HOFFBRAND; MOSS, 2018).
Os clones e derivados (progênie) das células 
leucêmicas que conservam a sua capacidade 
maturativa têm predominância proliferativa 
sobre a mielopoese normal e, portanto, lenta-
mente e progressivamente, substitui a medula 
óssea, invade o sangue e se expande ao baço 
e ao fígado. Essa é uma característica impor-
tante das células leucêmicas na sua capacidade 
de expansão e invasão dos espaços das células 
normais, elas “ocupam o lugar” com facilidade. 
A proliferação clonal mieloide (expansão das cé-
lulas mutadas) ocorre, predominantemente, na 
linhagem granulocítica (dos granulócitos), po-
rém o gene de fusão também pode aparecer nas 
demais linhagens mieloides e em algumas célu-
las linfoides. Com o passar de meses ou anos, 
surgem novas alterações cromossômicas, 
com subclones de malignidade progressiva, até 
que a medula fique tomada de uma proliferação 
blástica, refratária (não responde) a tratamento, 
que leva rapidamente ao óbito por insuficiência 
hematopoiética (FAILACE, 2015).
O cariótipo é um exame que serve para 
“mapear” o conjunto de cromossomos — 22 
pares autossômicos mais um par sexual = 46 
XX ou 46 XY — de um indivíduo. No caso das 
neoplasias hematológicas, a análise do carió-
tipo faz parte da investigação citogenética, 
trazendo informações valiosas sobre o diag-
nóstico, bem como prognóstico — favorável 
ou desfavorável — da leucemia em questão. Na 
grande maioria dos pacientes, o cromossomo 
Ph é vistopela análise do cariótipo das célu-
las leucêmicas, porém, em alguns pacientes, 
a anormalidade Ph não é visível à microsco-
pia após utilização da técnica de citogenética 
convencional. Nesse caso, a opção é a investi-
gação utilizando técnicas mais sensíveis, que 
detectam o mesmo rearranjo molecular por 
hibridização fluorescente in situ (FISH) ou 
reação em cadeia da polimerase (RT-PCR) 
para transcritos BCR-ABL1 (Figura 2) (HOF-
FBRAND; MOSS, 2018).
174
2a 2b
Em relação aos aspectos clínicos da LMC, a doença ocorre com maior frequência entre os 40 e 60 anos 
de idade, em ambos os gêneros — relação masculino e feminino de 1,4:1. Raramente, pode acometer 
adolescentes, crianças e recém-nascidos, assim como pessoas muito idosas. Em cerca de 50% dos casos, 
o diagnóstico é notado incidentalmente, ao se fazer um hemograma por outra causa, ou seja, muitos 
dos casos acabam sendo revelados por check-ups ou quando a pessoa procura o médico por “não se 
sentir muito bem” ou com queixa de “estar cansado” e, então, a leucemia é descoberta. Nos casos 
em que a doença já se apresenta com sintomas/sinais clínicos, os aspectos gerais são os seguintes: 
1. Sintomas relativos a hipermetabolismo — por exemplo, perda de peso, lassidão (tédio, 
fadiga, esgotamento) anorexia ou suores noturnos.
2. A esplenomegalia (aumento do baço) está quase sempre presente e pode ser volu-
mosa. Em alguns pacientes, o aumento do baço se associa a considerável desconforto 
abdominal, dor ou indigestão.
3. Sintomas de anemia, como palidez, dispneia (dificuldade respiratória) e taquicardia.
4. Equimoses, epistaxe (sangramento nasal), menorragia e hemorragia em outros locais 
devido ao defeito funcional das plaquetas. 
5. Gota ou insuficiência renal causada pela hiperuricemia oriunda do catabolismo ex-
cessivo de purina. 
6. Sintomas raros incluem distúrbios visuais e priapismo — ereção peniana dolorosa, indepen-
dente do desejo sexual, por mais de duas horas, sem ejaculação (HOFFBRAND; MOSS, 2018). 
Descrição da Imagem: a Figura 2 (a) apresenta um quadro com desenhos dos cromossomos aos pares. Cada par de cromossomo é 
representado por uma espécie de “bastão” curvado e parece ter listras pretas, brancas e tons cinza. No canto superior esquerdo do 
quadro, aparece o primeiro par de cromossomos, que é de número 1. Os cromossomos são organizados por tamanho decrescente — do 
maior (número 1) para o menor (número 22). Do lado direito do cromossomo 1, encontra-se o par de cromossomo número dois e assim 
sucessivamente. Nesta figura, o cariótipo é de um paciente com LMC cromossomo Ph+. Ou seja, no par vinte e dois do cromossomo, 
aparece uma seta apontando para o cromossomo Ph, que está bem pequeno, aparecendo uma parte dele. O último par ou os dois 
últimos cromossomos que estão afastados e de tamanhos diferentes são os cromossomos sexuais. A Figura 2 (b) apresenta um resul-
tado da técnica de FISH utilizando sondas dos genes de fusão, ABL em vermelho e BCR em verde. À esquerda da Figura 2 (b), o fundo 
preto destaca os cromossomos espalhados em branco. Duas setas brancas apontam para cromossomos em que as sondas vermelhas 
e verdes ligaram — aparecem pontos. à direita da Figura 2 (b), aparece um fundo preto, com destaque central em um círculo branco, 
uma ampliação da imagem para evidenciar a ligação das sondas que estão apontadas por duas setas brancas. A união da cor vermelha 
com a verde indica a fusão dos genes, sendo melhor visualizada na ponta da seta branca no centro da figura. 
Figura 2 - Técnicas para detecção do cromossomo Ph / Fonte: Hoffbrand e Moss (2018).
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UNIDADE 7
175
A história natural da LMC compreende três fases, classificadas como fase crônica, fase acelerada 
e crise blástica (Figura 3). Normalmente, o paciente obtém o diagnóstico da LMC na fase crônica, 
que é o período em que as manifestações são proeminentes e com duração de alguns anos. Após esse 
período, instala-se a fase de aceleração (intermediária), que manifesta uma doença de aspecto mais 
agressivo; o paciente também começa a mostrar refratariedade (resistência) ao tratamento. Ocorrem 
alterações importantes nos parâmetros no hemograma, não relacionados ao tratamento, tais como 
leucocitose (> 10.000/mm3), trombocitose (> 1.000.000/mm3), trombocitopenia (< 100.000/mm3) 
ou basofilia (> 20%) — bem característico. Também, ocorre esplenomegalia refratária, a presença de 
blastos se eleva em torno de 10–19% na medula óssea, e há evolução clonal no cariótipo. Essa fase 
dura, em média, três a seis meses e progride para a última, denominada crise blástica ou fase aguda, 
que, em poucos meses, leva o paciente ao óbito (SANDES, 2021). 
A fase blástica se caracteriza por > 20% de blastos no sangue periférico (SP) ou medula óssea 
(MO) ou proliferação extramedular de blastos. É um perfil típico de leucemia aguda, ou seja, na sua 
história natural, a LMC tende a se tornar uma leucemia aguda. O fenótipo das células da crise blástica 
— bloqueio na diferenciação e aumento da proliferação e sobrevida — depende da cooperação entre 
BCR-ABL1 e genes desregulados durante a progressão. A resistência a duas medicações antitirosina 
quinase, a detecção de mutação no domínio tirosina quinase e o aparecimento de alterações cromos-
sômicas adicionais ao Ph são indicativos de progressão da doença (SANDES, 2021).
Fase crônica Fase acelerada Crise Blástica
Duração média
 sem tratamento
Blastos 10 a 15% >15% <30% >30%
Sintomas Assintomático
Aumento do cansaço - perda de peso - 
aumento do baço
Aumento do número de blastos na 
medula óssea e sangue periférico -
 doença extramedular
5 a 6 anos
BCR-ABL
Expansão do compartimento
 mieloide
Novas anormalidades citogenéticas Aumento da instabilidade genômica
6 a 9 meses 3 a 6 meses
Descrição da Imagem: a figura está dividida em quatro blocos retangulares verticais, da esquerda para a direita, em tons gradientes de lilás 
e roxo. Também, são vistas alternância das cores compondo linhas horizontais. No primeiro bloco à esquerda, com fundo lilás, de cima para 
baixo, está indicada, na linha, a “média de duração sem tratamento”; abaixo, aparece a figura de uma célula com núcleo redondo azul-escuro. 
Na "linha” de baixo, está escrito “blastos” e, abaixo, “sintomas”. No segundo bloco, iniciam as especificação das fases da LMC. O segundo bloco, 
na primeira linha de cima para baixo, refere-se à “Fase crônica”. Logo, aparece o intervalo entre cinco e seis anos. Logo abaixo, entre os blocos, 
aparece uma seta azul-clara do primeiro para o segundo bloco, apontando para um aglomerado de células com núcleos redondos rosados e 
azuis. Abaixo do aglomerado, está escrito “expansão do compartimento mieloide”. Na linha de baixo, está o intervalo “10 a 15%” e, abaixo, está 
escrito “assintomático”. O terceiro bloco, na primeira linha de cima para baixo, refere-se à “Fase acelerada”. Logo, aparece o intervalo entre seis 
e nove meses. Logo abaixo, entre os blocos, aparece uma seta azul-clara do segundo para o terceiro bloco, apontando para um aglomerado 
de células maiores com núcleos redondos rosados e azuis. Abaixo do aglomerado, está escrito “novas anormalidades citogenéticas”. Na linha 
abaixo, está o intervalo “> 15% < 30%” e, abaixo, está escrito “aumento do cansaço, perda de peso, aumento do baço”. O quarto bloco, na 
primeira linha de cima para baixo, refere-se à "Crise blástica”. Logo, aparece o intervalo entre três e seis meses. Logo abaixo, entre os blocos, 
aparece uma seta azul-clara do terceiro para o quarto bloco, apontando para um aglomerado de células com núcleos redondos azuis. Abaixo 
do aglomerado, está escrito “aumento da instabilidade genômica”. Na linha abaixo, está o valor “< 30%” e, abaixo, está escrito “aumento do 
número de blastos na medula óssea e sangue periférico, doença extramedular”. 
Figura 3 - História natural da LMC Fonte: Clarke e Holyoake (2017, p. 14).
176
1. Leucocitose (hiperleucocitose) é o principal aspecto e pode atingir 
valores superiores a 200.000/mm3.Ocorre a dominância completa de 
células mieloides no sangue periférico, os valores das contagens abso-
lutas de neutrófilos e mielócitos excedem os de blastos e promielócitos.
2. Aumento de basófilos no hemograma é característico.
3. Anemia normocítica normocrômica é comum.
4. Contagem de plaquetas aumentada — mais frequente —, normal ou 
diminuída.
5. Medula óssea hipercelular (muitas células), com predominância gra-
nulocitopoética.
6. Presença do gene de fusão BCR-ABL1 por análise RT-PCR e, em 98% 
dos casos, cromossomo Ph na análise citogenética. 
7. Ácido úrico sérico, geralmente, aumentado (HOFFBRAND; MOSS, 2018). 
Entre as diferentes fases da LMC, o período crônico é o maior e, laboratorialmente, também é o 
mais característico. Alguns achados laboratoriais típicos da LMC são:
4a 4b
Descrição da Imagem: a Figura 4 (a) representa um tubo de coleta de sangue na posição vertical. Na parte de cima do tubo, aparece uma 
tampa branca. Logo abaixo, uma etiqueta branca com o número 28250. Abaixo da etiqueta, na forma cilíndrica do tubo, aparece uma 
porção amarelada, indicando a fração líquida do sangue. Abaixo da faixa amarelada, inicia-se uma outra faixa bem larga, em tom rosado, 
representando uma camada ampla de leucócitos (hiperleucocitose), a pequena camada vermelha-escura abaixo da camada de leucócitos 
é de eritrócitos. A Figura 4 (b) representa uma imagem de extensão sanguínea de um paciente com LMC. São vistas inúmeras formas arre-
dondadas rosadas, algumas com halo central ou formando uma espécie de corrente, são os eritrócitos. São vistos inúmeros pontos roxos 
bem pequenos — menores que os eritrócitos — e irregulares, são as plaquetas. Vários leucócitos aparecem circulares em sua maioria, o 
núcleo — a parte de dentro das células — é roxo/azul-escuro. Alguns apresentam núcleo em forma de ferradura e outros arredondados. 
Figura 4 - LMC / Fonte: Hoffbrand e Moss (2018).
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UNIDADE 7
177
Sem dúvida alguma, entre as neoplasias mieloproliferativas, a LMC clássica, quando está instalada no 
paciente, é a mais prevalente no setor de Hematologia do laboratório, e é muito “fácil” reconhecê-la. Ca-
ro(a) aluno(a), dá um medo — ou, melhor, dá um super medo! — quando percebemos que o paciente 
possui alterações indicativas de neoplasias hematológicas. Aí, vem o pavor: “é uma lâmina de leucemia”, 
“será que consigo fazer esse laudo corretamente?”. No decorrer do desenvolvimento das suas habilidades, 
os processos hematológicos, de forma geral, ficarão mais claros. E aí, deixa de ser tão assustador! Depois, 
a ideia é fazer o exame com respeito, assumir as próprias limitações, ficar cada vez melhor profissio-
nalmente para contribuir com o trabalho do médico e, especialmente, cuidar do resultado do paciente.
Como as neoplasias mieloproliferativas podem aparecer no âmbito laboratorial com uma certa fre-
quência, o profissional na bancada deverá estar apto a reconhecer essas alterações. É possível fazer 
a diferenciação em lâmina — verificando a morfologia — entre as neoplasias mieloproliferativas? 
Como dito anteriormente, outras entidades clínicas compõem as neoplasias mieloproliferativas. Uma 
variante da LMC é a leucemia neutrofílica crônica (LNC), que também é um tipo de neoplasia 
mieloproliferativa, porém rara. Assim como a LMC, a alteração citogenética também está associada ao 
cromossomo Ph (Philadelphia), porém com um ponto de quebra dentro do gene diferente da LMC, 
gerando uma proteína híbrida de 230 kD. Laboratorialmente, a LNC tem como critério diagnóstico 
laboratorial comum — avaliação do hemograma — a presença de leucocitose moderada com neutro-
filia. Contudo, não há presença de desvio nuclear à esquerda dos neutrófilos, predominando neutrófilos 
totalmente maduros — neutrófilos segmentados. Geralmente, não se observa basofilia, eosinofilia e 
blastos no sangue periférico. A medula óssea apresenta quantidade menor de 5% de blastos entre as 
células nucleadas (SILVA et al., 2016). A LNC não é tão característica e nem tão comum quanto a 
LMC, assim os profissionais envolvidos com os pacientes devem ficar mais atentos na investigação. 
A literatura tem reportado uma grande variedade de estudos que, em comum, tem revelado que 
dois eventos genéticos principais estão associados às neoplasias mieloproliferativas, são a mutação 
BCR-ABL na LMC e a mutação JAK2 (Janus-Kinase) nos portadores de PV, TE e MFI. A mutação 
JAK2 é uma mutação pontual — ou de ponto — que ocorre em células somáticas de forma adquirida. 
Ela é detectada em células eritroides e mieloides e ocorre no éxon 14 do gene JAK2, em que há uma 
troca de uma guanina (G) por uma timina (T), com consequente substituição de uma valina (V) por 
uma fenilalanina (F) na posição 617 da proteína codificada (JAK2 V617F) (SILVA et al., 2016). 
Essas mutações possuem em comum o envolvimento de genes/proteínas associados à atividade 
tirosina quinase (SILVA et al., 2016). As tirosina quinases medeiam a transdução de sinal celular 
por meio da fosforilação de resíduos de tirosina, elas podem estar presentes como receptores de 
membrana e proteínas citoplasmáticas. Os receptores de membrana interagem com fatores de 
178
crescimento, promovendo uma ativação de tirosina quinases citoplasmáticas, em que participa de 
mecanismos celulares importantes, como crescimento celular, proliferação, diferenciação, reparo e 
regeneração tecidual e metabolismo. A desregulação de várias delas está relacionada à oncogênese 
(MEGÍAS-VERICAT et al., 2020).
No que diz respeito à policitemia vera (PV), é uma doença maligna clonal, com mutação adqui-
rida de uma única célula-tronco da medula óssea, prevalente em idades mais avançadas (idosos) 
e distribuição igual em ambos os sexos (SILVA et al., 2016). Os pacientes com policitemia vera 
apresentam mutação no gene JAK2. O gene JAK2 se localiza no braço curto do cromossomo 9, é 
a anormalidade citogenética mais notável na policitemia vera; 90% dos pacientes com policitemia 
vera exibem a mutação JAK2 V617F (SANTOS, 2013). 
A mutação somática de uma única célula-tronco hematopoiética proporciona, na doença, vantagem 
proliferativa das células mutadas em relação às normais, nesse caso, destacando-se a linhagem eritroide. 
Os aspectos clínicos resultam de hiperviscosidade sanguínea, hipervolemia, hipermetabolismo ou 
trombose (HOFFBRAND; MOSS, 2018).
Descrição da Imagem: a figura apresen-
ta características da mutação JAK nas neo-
plasias mieloproliferativas. De cima para 
baixo, aparece um retângulo branco com 
contorno em linha preta. Dentro dele, es-
tão os dizeres “Célula-tronco, medula ós-
sea (mutação adquirida)”. Deste primeiro 
retângulo, emergem duas linhas. A linha 
da esquerda se conecta a outro retângu-
lo branco, com contorno em linha preta, 
“precursores eritroides"; deste retângu-
lo, emerge outra linha que se conecta a 
um retângulo branco, com contorno em 
linha preta, “Policitemia vera (PV) (JAK2 – 
95%)”. Novamente, do primeiro retângulo, 
emerge uma linha para a direita, que se 
conecta a outro retângulo branco, com 
contorno em linha preta, “megacarióci-
tos”. Deste retângulo, emergem uma li-
nha à esquerda conectada a um retângu-
lo branco, com contorno em linha preta, 
“Mielofibrose (JAK2 – 56%)”, e uma linha à 
direita conectada a um retângulo branco, 
com contorno em linha preta, "Tromboci-
temia essencial (TE) (JAK2 – 50%)”. Abaixo 
dos três últimos retângulos, aparecem 
setas de cada extremidade para o centro, 
apontando para a “Mielofibrose”. Duas 
setas pretas mais largas emergem do 
retângulo do centro e da esquerda para 
um círculo com contorno preto “Leucemia 
mieloide aguda”.
Figura 5 - Características evolutivas da 
PV, TM, MF associadas à mutação JAK2/
Fonte: Silva et al. (2016).
UNICESUMAR
UNIDADE 7
179
Assim como em outras circunstâncias envolvendo alterações hematológicas, os parâmetros labo-
ratoriais da PV também são muito importantes para o diagnóstico e monitoramento da evolução 
da doença. Nesse sentido, algumas alteraçõeslaboratoriais são bem expressivas, por exemplo, o 
aumento da volemia, em especial, dos parâmetros do eritrograma. Além disso, entre os achados 
laboratoriais mais relevantes, podemos citar:
1. Cefaleia, dispneia, visão turva e sudorese noturna. Prurido, caracte-
risticamente, depois de banho quente, pode ser um problema sério.
2. Aparência pletórica — há um aumento excessivo de sangue no 
organismo, causando uma inchação vascular: cianose rubra, sufu-
sões (extravasamento/derramamento de líquido, no caso, sangue) 
conjuntivais e ingurgitamento venoso da retina.
3. Esplenomegalia em 75% dos pacientes.
4. Hemorragia ou trombose arterial ou venosa podem ocorrer. 
5. Gota, como resultado do aumento de produção de ácido úrico 
(HOFFBRAND; MOSS, 2018). 
180
Após completar o diagnóstico (critérios do Quadro 1), a evolução e o prognóstico, em geral, são bons e 
com sobrevida mediana entre 10 e 15 anos. As maiores causas de complicações e morte são trombose e 
hemorragia, principalmente, pela elevada viscosidade sanguínea e função plaquetária defeituosa, 
respectivamente. A migração para mielofibrose acontece em 30% dos casos e para leucemias agudas em 
5%, nesse caso, também podem ocorrer novas anormalidades citogenéticas com evolução para outras 
doenças medulares. Algumas situações específicas podem levar a uma diminuição do volume plasmático 
e produzir uma poliglobulia relativa, sendo mais frequentes os problemas cardiovasculares, o tratamento 
com diuréticos, o tabagismo e o consumo exagerado de álcool, dentre outros (SILVA et al., 2016).
1. Aumento dos valores do eritrograma: contagem de eritrócitos, 
hemoglobina e hematócrito. A volemia eritroide total está aumen-
tando.
2. O leucograma mostra neutrofilia em mais da metade dos pacientes 
e basofilia em alguns.
3. Cerca de metade dos pacientes tem trombocitose (aumento do 
número de plaquetas). 
4. A mutação JAK2 está presente nos granulócitos da medula óssea 
e do sangue periférico em cerca de 97% dos pacientes. 
5. A medula óssea é hipercelular, com hiperplasia (aumento do nú-
mero de células) das três linhagens à histopatologia de material 
de biópsia. 
6. A eritropoetina sérica é baixa. 
7. O ácido úrico plasmático quase sempre está aumentado; a desi-
drogenase láctica é normal ou um pouco aumentada. 
8. Células progenitoras eritroides de unidade formadora de colônia 
crescem in vitro, independentemente da adição de eritropoetina 
(colônias eritroides endógenas). 
Critérios maiores
1. Hemoglobina > 18,5 g/dL (homens) e 16,5 g/L (mulheres) ou outra evidência qualquer de aumento 
da série vermelha.
2. Presença de JAK2 V617F ou outra mutação associada (mutação éxon 12 JAK2). 
Critérios menores
1. Biópsia de medula óssea mostrando hipercelularidade proliferativa de todas as linhagens (pan-
mielose).
2. Eritropoietina plasmática inferior ao valor mínimo de referência.
3. Formação de colônia eritroide endogênica in vitro.
Quadro 1 - Critérios para o diagnóstico da PV / Fonte: Silva et al. (2016).
UNICESUMAR
UNIDADE 7
181
A trombocitemia essencial (TE) é uma doença, na maioria dos casos, assintomática, cujo diagnóstico 
é realizado ao acaso, em hemograma de rotina. A esplenomegalia e a atrofia do baço também podem 
estar presentes. Caracteristicamente, a TE apresenta trombocitose evidente, resultante de uma excessiva 
proliferação megacariocítica na medula óssea, ocasionada, em 50% dos casos, pela mutação JAK2 
V617F. Em cerca de 4% dos casos, a TE pode ser decorrente da mutação no gene produtor do receptor 
para trombopoietina na plaqueta, denominado MPL. Laboratorialmente, o achado determinante é 
a persistência da contagem de plaquetas superior a 450.000/μL, que é o valor máximo aceito como 
referencial das plaquetas na população em geral. As linhagens eritroides e granulocíticas se apresentam 
normais, sem evidências de hiperproliferação (SILVA et al., 2016).
O exame da medula óssea mostra uma hipercelularidade como na PV, porém com excesso de 
megacariócitos, os quais são funcionalmente anormais. As provas de função plaquetária, em geral, 
estão alteradas. As complicações estão habitualmente associadas ao risco de trombose e hemorragias. 
Nos casos específicos de trombose, possuem maior risco os portadores com mais de 60 anos de idade, 
trombose prévia e contagem de plaquetas superior a 1.500.000/μL (SILVA et al., 2016).
Outra situação bem importante dentro das neoplasias mieloproliferativas se refere à mielofibrose 
idiopática ou primária (MFI). A MFI é bastante comum em pessoas idosas, podendo se instalar de 
maneira insidiosa e progressiva. A MFI possui como características principais uma fibrose genera-
lizada e progressiva da medula óssea, já no início da doença. Além disso, ocorre uma hematopoiese 
fora da medula óssea: no baço. A hematopoiese que ocorre no baço é chamada de hematopoiese 
esplênica ou, ainda, metaplasia mieloide. Essa condição é responsável pela esplenomegalia e anemia 
presentes na maioria dos portadores. Os sintomas de anemia, desconforto e dor abdominal são os 
achados clínicos mais comuns. Podem estar presentes, ainda, perda de peso, anorexia, febre e sudorese 
noturna e dor óssea. A mutação JAK2 está presente em 50% dos casos, porém outras anormalidades 
citogenéticas não específicas também podem ser identificadas (SILVA et al., 2016).
No sangue periférico do paciente com MFI, podem aparecer leucocitose e trombocitose no início 
do diagnóstico, com evolução para diminuição dessas linhagens, instalando-se, então, a leucopenia 
e trombocitopenia, aparecendo em um estágio mais avançado da doença. A anemia é um achado 
comum e chama a atenção para a presença de células vermelhas na forma de gota, os dacriócitos, e 
VCM aumentado — em média, 108 fL. A medula óssea se apresenta hipercelular com fibrose e aspecto 
“seco”, aumento do número de megacariócitos. Em síntese, podemos observar algumas características 
principais em relação às neoplasias hematológicas, descritas no Quadro 2.
182
Neoplasia mieloproli-
ferativa Eritrócitos Leucócitos Plaquetas 
LMC clássica (Ph1+)
Anemia.
Eritroblastos.
Geralmente:
> 25.000/mm3 ou 
> 100.000/mm3.
Promielócitos +. Mieló-
citos +. Metamielócitos 
+. Bastões = 40%.
Eosinofilia, basofilia.
Fosfatase alcalina 
baixa.
Normal ou elevada.
> 600.000/mm3. 
> 1.000.000/mm3.
Ou, mais raramente, 
trombocitopenia.
Policitemia vera
Hematócrito aumen-
tado.
Hb > 18,5 g/dL ho-
mens.
Hb > 16,5 g/dL mu-
lheres.
12.000 a 30.000/mm3.
Ausência de elevação 
progressiva.
> 400.000/mm3.
Trombocitemia essencial Normal. Normal.
> 600.000/mm3 per-
sistente por mais de 2 
meses.
Mielofibrose idiopática
Anemia.
Reação leucoeritro-
blástica.
Dacriócitos.
12.000 a 30.000/mm3.
Ausência de elevação 
progressiva.
Trombocitose discreta
> 450.000/mm3. 
Leucemia neutrofílica 
crônica
Anemia.
Eritroblastos (raros).
25.000 a 50.000/mm3 
neutrófilos segmenta-
dos + bastões = 90 a 
95%.
Fosfatase alcalina nor-
mal ou elevada.
Normal.
Trombocitopenia. 
100.000 a 149.000/
mm3.
Reação leucemoide Não relacionada.
30.000/mm3 a 
100.000/mm3. 
Neutrofilia com bas-
tões, neutrófilos com 
granulação tóxica, 
corpúsculos de Döhle, 
vacúolos citoplasmá-
ticos.
Fosfatase alcalina 
elevada.
Normal.
Pode estar diminuída.
Quadro 2 - Comparação para o diagnóstico diferencial dos achados laboratoriais do sangue periférico (hemograma) nas neopla-
sias mieloproliferativas / Fonte: Silva et al. (2016).
UNICESUMAR
UNIDADE 7
183
No dia a dia laboratorial, algumas doenças podem ser “muito parecidas” na análise do hemo-
grama. Nesse sentido, os processos reacionais infecciosos exigem um cuidado ainda maior do 
analista. O termo reacional se refere a uma resposta do organismo no sentido de defesa, ou seja, 
existe um patógeno presente e, portanto, há uma resposta imune do organismo para combater o 
patógeno. Essa resposta pode ser muito acentuada, podendo levar à interpretação de uma situação 
mieloproliferativa ou ainda linfoproliferativa (SANTOS, 2013).Essa situação de resposta do organismo de caráter policlonal e benigna é chamada de reação leu-
cemoide. Esse processo é assim nomeado porque parece leucemia, mas não é! A reação leucemoide 
mieloide compreende situações caracterizadas por leucocitose, normalmente, ultrapassando 25.000 
leucócitos/mm3, à custa de neutrofilia periférica com aumento das formas em bastão (desvio nuclear 
à esquerda) ou, até mesmo, de células mais jovens, como metamielócitos, mielócitos e promielócitos 
e, em certos casos, até mieloblastos (SANTOS, 2013). 
Percebe-se que o escalonamento maturativo é preservado, ou seja, as formas mais maduras estão 
em maior quantidade em relação às formas mais imaturas. Por exemplo: o paciente apresenta, na 
contagem diferencial de leucócitos da série granulocítica neutrofílica, 1% de promielócitos, 3% de 
mielócitos, 7% de metamielócitos, 22% de bastões, 62% de segmentados (ordem maturativa: mielo-
blastos → promielócitos → mielócitos → metamielócitos → bastões → segmentados). Lembrando que a 
ordem maturativa é fisiológica, sempre acontecerá nesse sentido e ordem maturativa.
Os neutrófilos ativados, com resposta normal aos patógenos apresentam, dentre outros achados, 
aumento da atividade da enzima fosfatase alcalina, dessa forma, a avaliação da atividade (score) en-
zimática pode ser útil na diferenciação de neutrófilos reacionais (score alto), como ocorre na reação 
leucemoide mieloide, e neutrófilos oriundos de doenças clonais, como ocorre na LMC (score baixo). 
Morfologicamente, neutrófilos efetores/combatentes também podem apresentar granulações tóxicas, 
corpúsculos de Döhle e vacúolos citoplasmáticos. Além disso, também podem ser dosadas proteínas 
de fase aguda e marcadores de prova inflamatória plasmática, que, via de regra, estão aumentados em 
processos reacionais. O paciente não apresenta esplenomegalia (SANTOS, 2013). 
A reação leucemoide mieloide é comparada, especialmente, com a LMC (Quadro 3), especialmente, 
se a LMC estiver em instalação. Vale ressaltar que a LMC é uma neoplasia de caráter clonal maligno. 
Nela, encontramos leucocitose e neutrofilia, eosinofilia, várias vezes, associada à basofilia. Pode haver 
esplenomegalia. Anemia discreta, comumente normocítica normocrômica, e discreta plaquetose são 
achados comuns. Os neutrófilos apresentam dificuldade de resposta aos patógenos, e, dessa forma, a 
fosfatase alcalina de neutrófilos é baixa ou ausente (SANTOS, 2013). Estão ausentes, também, os sinais 
morfológicos de granulações tóxicas, corpúsculos de Döhle e vacúolos citoplasmáticos.
184
Clínica LMC Reação leucemoide mieloide
Exame 
físico
Sem sintomas ou esplenomegalia, febre, 
anorexia, emagrecimento. Infecção, inflamação.
Sangue 
periférico
Leucocitose, normalmente, maior que 
100.000/mm3, com desvio à esquerda até 
blastos, basofilia, eosinofilia, plaquetas nor-
mais ou aumentadas. Dacriócitos, eritro-
blastos circulantes e policromatofilia.
Leucocitose, normalmente, menor 
que 50.000/mm3, com desvio à 
esquerda. Sem basofilia e eosinofilia. 
Plaquetas normais.
Medula 
óssea
Hipercelular, basofilia, aumento do número 
de megacariócitos
Normocelular. Megacariócitos nor-
mais.
Fosfatase 
alcalina nos 
neutrófilos
Diminuída. Aumentada.
Ácido úrico Aumentado. Normal.
Cariótipo Cromossomo Philadelphia positivo. Cromossomo Philadelphia negativo.
As leucocitoses reacionais intensas costumam ser consequências de reação medular de estresse extre-
mo, trauma ou infecção com maior intensidade. As situações que evoluem com reações leucemoides 
mieloides, ou seja, resposta exacerbada do organismo, normalmente, são ocasionadas por infecções 
piogênicas graves, necrose tecidual, doenças imunomediadas e síndromes inflamatórias, como glo-
merulonefrites, artrite reumatoide, insuficiência hepática, dentre outras. Na reação leucemoide, as 
anormalidades desaparecem quando é corrigida a condição subjacente. A leucocitose é extrema, o 
que pode resultar em diagnóstico errôneo de LMC (SANTOS, 2013).
Caro(a) aluno(a), o estudo dos processos reacionais e clonais pode 
parecer muito complicado. Por esse motivo, é importante você co-
nhecer cada situação separadamente para, então, poder compará-las. 
Lembrando sempre de buscar os processos fisiológicos para, depois, 
entender as alterações patológicas. Então, saibamos mais sobre o 
conteúdo das neoplasias mieloproliferativas! Ouça o podcast que eu 
preparei para você, ajudará muito.
Quadro 3 - Principais diferenças entre LMC e reação leucemoide mieloide
Fonte: adaptado de Santos (2013).
UNICESUMAR
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11688
UNIDADE 7
185
Caro(a) aluno(a), as neoplasias mieloproliferativas fazem parte da rotina do laboratório. Algumas 
mais prevalentes, outras menos prevalentes, mas elas aparecem! Então, é importante estar atento às 
alterações hematológicas de uma forma geral, envolvendo tanto a contagem obtida por meio da au-
tomação quanto a morfologia de cada linhagem visualizada em lâmina. Rever imagens é uma prática 
importante, que auxilia a identificar os casos no dia a dia. 
Caro(a) aluno(a), diante do que foi exposto, podemos perceber a importância da avaliação da 
morfologia dos leucócitos e alterações da série vermelha e das plaquetas. As alterações qualitativas e 
quantitativas envolvem pelo menos duas linhagens nas neoplasias hematológicas. Então, é fundamen-
tal conhecer a fisiologia e morfologia da série vermelha, leucócitos e plaquetas para então perceber 
que algo pode estar errado. E desta forma, as alterações encontradas poderão servir para caracterizar 
melhor cada tipo de neoplasia hematológica. 
Sobre a proposta de estudo, o caso da paciente P.B.C conseguiu elucidar? Primeiramente você deve 
ter percebido que o fato de aparecer tantos precursores imaturos não é normal. Somente neutrófilos 
segmentados e poucos bastões (até 5%) podem aparecer no sangue periférico. Todas as outras células 
“moram” na medula óssea e lá devem permanecer. Aparecem muitas células imaturas, além disso, o 
paciente está anêmico, e existe trombocitose. Os dados em conjunto, sugerem investigação para LMC 
clássica, o que poderia ser confirmado com a pesquisa de cromossomo Ph positiva. Os blastos possuem 
cromatina frouxa, nucléolos, alguns apresentam grânulos e basofilia do citoplasma. 
Assim como tudo o que estudamos, a busca constante pelo saber não deve parar aqui. Existe 
um roteiro de estudo que deverá ser aperfeiçoado. Dessa forma, caro(a) aluno(a), siga em frente 
com os estudos. As neoplasias hematológicas possuem um vasto conteúdo na literatura, muita 
informação moderna e muito mais ainda por vir.
 Revista Virtual da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) 
divulga informações variadas sobre o câncer e as doenças do sangue. 
Neste link, a matéria fala um pouquinho sobre o tratamento com os 
inibidores de tirosina quinase. Vale a pena dar uma conferida! 
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/16930
186
Caro(a) aluno(a), conseguimos fazer uma introdução importante das doenças mieloproliferativas. 
Para fixar algumas ideias sobre esse tema, construa um mapa mental, indicando, para cada doença 
dentro do grupo, o problema principal e a mutação envolvida.
Neoplasias Mieloproliferativas
LNC PV
MFI TE LMC
187
1. Leia o texto a seguir. 
Todos os casos de LMC são causados pela fusão dos genes BCR-ABL. O gene ABL (Abelson 
Leukemia Gene, nomeado a partir de Herbert Abelson, o cientista que descobriu esse gene) 
está localizado no cromossomo 9 e o gene BCR (“breakpoint cluster region” em inglês = região 
de ponto de quebra) no cromossomo 22. O gene BCR-ABL é formado durante uma divisão 
celular dentro da medula óssea devido a uma translocação entre os cromossomos 9 e 22. Na 
translocação ocorre a quebra dos cromossomos e os pedaços quebrados se juntam (rearranjo) 
de forma errada.
ABRALE. Cromossomo Filadélfia e o BCR-ABL: leucemia mieloide crônica (LMC). [2022]. Disponí-
vel em: https://www.abrale.org.br/doencas/leucemia/lmc/cromossomo-filadelfia-e-o-bcr-abl/.Acesso em: 25 ago. 2022.
As mutações genéticas que ocorrem nas doenças mieloproliferativas auxiliam a identificação de, 
especificamente, qual é a doença envolvida. Para isso, inúmeras mutações já foram identifica-
das e associadas às doenças, graças à evolução dos métodos diagnósticos. No que se refere à 
mutação genética envolvida na Leucemia Mieloide Crônica (LMC), assinale a alternativa correta.
a) Os pedaços dos cromossomos 9 e 22 que sofrem “quebra” são do mesmo tamanho.
b) O gene de fusão BCR-ABL induz a parada de maturação e de crescimento das células, assim 
as células-tronco hematopoiéticas param de crescer.
c) A translocação que ocorre entre o cromossomo 9 e 22 na LMC é caracterizada como uma 
mutação cromossômica numérica.
d) O gene de fusão BCR-ABL induz a produção de uma proteína anormal, com atividade tirosina 
quinase que induz a célula-tronco hematopoiética pluripotente a crescer e se dividir rapida-
mente.
e) Para o diagnóstico definitivo da LMC, não basta somente a presença da mutação BCR-ABL1, 
mas, também, a presença da mutação JAK2.
2. Leia o texto a seguir:
A policitemia vera envolve o aumento da produção de todos os tipos de células sanguíneas: 
glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. O aumento da produção de glóbulos ver-
melhos denomina-se eritrocitose. Ocasionalmente as pessoas com policitemia vera apresen-
tam somente aumento da produção de glóbulos vermelhos, mas, geralmente, o aumento da 
produção de glóbulos vermelhos por si só é devido a outra causa.
LIESVELD, J. Policitemia Vera. In: MANUAL MSD. [S.l.: s.n.], 2020. Disponível em: https://www.
msdmanuals.com/pt-br/casa/distúrbios-do-sangue/distúrbios-mieloproliferativos/policitemia-
-vera. Acesso em: 25 ago. 2022.
A policitemia vera é uma neoplasia mieloproliferativa com alterações em todas as linhagens 
hematopoiéticas com destaque na série vermelha. Nesse sentido, no que se refere às altera-
ções da série vermelha da policitemia vera, assinale a alternativa correta.
https://www.abrale.org.br/doencas/leucemia/lmc/cromossomo-filadelfia-e-o-bcr-abl/
188
a) Os parâmetros laboratoriais da série vermelha que aumentam, consideravelmente, na poli-
citemia vera são eritrócitos totais, hemoglobina e o hematócrito.
b) Os parâmetros laboratoriais da série vermelha que aumentam, consideravelmente, na poli-
citemia vera são os índices hematimétricos.
c) Na policitemia vera, os eritrócitos possuem acentuada variação de formas, pecilocitose.
d) Somente a hemoglobina é afetada na policitemia vera.
e) A eritrocitose na policitemia vera é discreta em relação às outras neoplasias mieloproliferativas.
3. Leia o texto a seguir.
Nas neoplasias mieloproliferativas (neoplasia = crescimento novo anormal; mielo = medula 
óssea; e proliferativa = rápida multiplicação), as células produtoras de sangue da medula óssea 
(células precursoras, também chamadas células-tronco) se desenvolvem e se reproduzem de 
maneira excessiva ou são expulsas por um crescimento excessivo de tecido fibroso. Às ve-
zes, células produtoras de sangue surgem e se reproduzem no baço e no fígado. Neoplasias 
mieloproliferativas são causadas por mutações genéticas. Normalmente, as mutações são 
adquiridas e não hereditárias, embora, em casos raros, existam famílias nas quais diversos 
membros apresentam esses distúrbios.
LIESVELD, J. Considerações Gerais sobre Neoplasias Mieloproliferativas. In: MANUAL MSD. [S.l.: 
s.n.], 2020. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/distúrbios-do-sangue/dis-
túrbios-mieloproliferativos/considerações-gerais-sobre-neoplasias-mieloproliferativas. Acesso 
em: 25 ago. 2022.
As neoplasias mieloproliferativas são um grupo complexo de neoplasias hematológicas, com 
diferentes características laboratoriais e aspectos clínicos. Em relação às doenças mieloproli-
ferativas, assinale a alternativa correta.
a) A trombocitemia essencial se caracteriza pela excessiva proliferação mieloblástica e mutação 
BCR-ABL1.
b) Na mielofibrose idiopática, a forma eritroide que se destaca é a dos eliptócitos, como resul-
tado da fibrose medular.
c) A leucemia mieloide neutrofílica é muito comum e se caracteriza pela presença de desvio 
nuclear à esquerda.
d) Em todas as doenças mieloproliferativas, ocorre trombocitopenia.
e) Pode ocorrer a transformação em leucemias agudas a partir das doenças mieloproliferativas. 
Isso ocorre, especialmente, com LMC em evolução para a crise blástica.
https://www.msdmanuals.com/pt/casa/distúrbios-do-sangue/distúrbios-mieloproliferativos/considerações-gerais-sobre-neoplasias-mieloproliferativas
https://www.msdmanuals.com/pt/casa/distúrbios-do-sangue/distúrbios-mieloproliferativos/considerações-gerais-sobre-neoplasias-mieloproliferativas
8
Nesta unidade, você terá a oportunidade de aprender o que são 
doenças linfoproliferativas crônicas e o que são processos reacionais 
linfoides. Além disso, abordaremos o conjunto de exames que fazem 
a identificação dessas patologias, como a avaliação microscópica 
de sangue periférico, as biópsias, a citometria de fluxo e a análise 
citogenética. Você perceberá que a unidade traz a teoria dessas 
patologias e como elas estão inseridas na rotina laboratorial.
O Hemograma 
nas Doenças 
Linfoproliferativas 
Crônicas e Nos 
Processos Reacionais 
Linfoides
 Me. Larissa Benvenutti
190
As doenças linfoproliferativas crônicas afetam milhares de pessoas pelo mundo. São um grupo he-
terogêneo de doenças com diferentes prognósticos. Apesar disso, na maior parte dos casos, as ma-
nifestações clínicas estão ausentes no início da doença, e muitas das doenças linfoproliferativas são 
diagnosticadas em exames de rotina. Caro(a) estudante, você consegue pensar como o diagnóstico 
precoce é importante para evitar a evolução dessas doenças e melhorar o prognóstico dos pacientes?
A alta prevalência de doenças linfoproliferativas e a ausência de manifestações clínicas em muitos 
casos fazem com que a análise laboratorial seja de grande importância para o diagnóstico dessas doen-
ças. O diagnóstico precoce é essencial para o monitoramento dessas doenças e para que as doenças 
não sejam descobertas em estágios avançados, em que possam comprometer a sobrevida do paciente.
Para você perceber a importância do diagnóstico, trabalharemos com uma situação hipotética comum 
que você, provavelmente, encontrará em sua carreira: M.D., 60 anos, sexo masculino, foi a um labora-
tório realizar exames de rotina solicitados pelo médico. No momento dos exames, M.D. apresentava 
somente fadiga leve. O hemograma do paciente apresentou os seguintes parâmetros: série vermelha 
sem alterações e série branca com 35.000 leucócitos/mm³, sendo que 96% dos leucócitos eram linfócitos 
maduros; 3% de neutrófilos hipersegmentados e 1% de monócitos. Também, relatou-se a presença de 
manchas de Gumprecht. Com base nesses dados, indique o provável diagnóstico do paciente.
Caro(a) aluno(a), o profissional de laboratório clínico atua na avaliação laboratorial de doenças lin-
foproliferativas crônicas. No desenvolver desta unidade, você verá a importância dessa análise, embora 
a maioria dessas patologias requeiram diagnóstico por biópsia. O estudo teórico dessas patologias traz 
conceitos novos e aprofunda conhecimentos. Pesquise sobre o assunto, leia, discuta e anote dúvidas ou 
mais questionamentos em seu Diário de Bordo. O caso clínico apresentado é coeso? O cansaço tem 
relação com o diagnóstico do paciente?
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As doenças linfoproliferativas constituem um grupo heterogêneo de neoplasias que têm em comum a 
origem a partir de células linfoides maduras (periféricas), as quais, além de infiltrar órgãos linfoides, 
como gânglios linfáticos e baço, também estão presentes na medula óssea e no sangue periférico. As 
doenças linfoproliferativas abrangem leucemias linfoides crônicas, além de linfomas. A classificação 
da Organização Mundial da Saúde (OMS) determina que as doenças linfoproliferativas sejam subdivi-
didas de acordo com o subtipo de linfócitoafetado (linfócitos B ou T) (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 
2013; NAOUM; NAOUM, 2015).
A classificação das leucemias linfoides crônicas pode ser visualizada no Quadro 1. Os critérios 
diagnósticos consideram as características morfológicas, imunofenotípicas, citogenéticas e alterações 
moleculares das células. 
Leucemias linfoides crônicas
de linfócitos B
Leucemias linfoides crônicas
de Linfócitos T ou natural killer (extermina-
doras naturais)
Leucemia linfocítica crônica.
Leucemia pró-linfocítica
Clássica.
Variante de células pequenas.
Leucemia pró-linfocítica. Síndrome de Sézary.
Tricoleucemia
Clássica.
Variante.
Doença linfoproliferativa de linfócitos granulares
Células T.
Células NK.
Linfomas não Hodgkin em fase leucêmica
Linfomas foliculares.
Linfomas de células do manto.
Linfoma linfoplasmocítico.
Leucemia/linfoma de células T do adulto.
Linfomas T periféricos.
Outros Outros
Quadro 1 - Classificação das leucemias linfoides crônicas / Fonte: adaptado de Zago, Falcão e Pasquini (2013).
A leucemia linfocítica crônica (LLC) é a mais comum das doenças linfoproliferativas crônicas. A idade 
média dos pacientes no momento do diagnóstico é 65 anos, sendo rara em indivíduos com menos 
de 50 anos. É mais prevalente no Ocidente, representando 30% de todas as leucemias, enquanto, no 
Oriente, a LLC corresponde a apenas 5% do total de casos de leucemias (SILVA et al., 2016). É uma 
doença de progressão lenta, com apresentação clínica variada. Alguns indivíduos apresentam sobre-
vida de meses, enquanto outros, de décadas. No momento do diagnóstico, a maioria dos pacientes é 
assintomático, mas, quando há a presença de sintomas, geralmente, são fadiga secundária, anemia e 
linfonodomegalia (NAOUM; NAOUM, 2015). Essa doença é caracterizada pela proliferação e pelo 
acúmulo de linfócitos B, inicialmente, nos linfonodos ou na medula óssea, expandindo para o sangue 
periférico e órgãos periféricos (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013; NAOUM; NAOUM, 2015). 
Apesar da progressão lenta da doença, em alguns casos — 3 a 15% —, durante a evolução da doen-
ça, pode ocorrer a síndrome de Richter, caracterizada pelo aparecimento de um linfoma difuso de 
192
grandes células que se manifesta com febre, emagrecimento, sudorese, aumento da linfadenopatia, 
anemia e trombocitopenia. O prognóstico dessa síndrome é muito ruim, com sobrevida de cerca de 
seis meses. Em raríssimos casos de LLC — 1% —, pode ocorrer a evolução para linfoma de Hodgkin 
(ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). 
O diagnóstico é feito pelas características morfológicas das células no sangue periférico e nos esfre-
gaços de medula óssea. Muitas vezes, a análise da histologia da medula óssea, dos gânglios linfáticos 
e do baço são indispensáveis para o diagnóstico.
No hemograma, indivíduos com LLC podem apresentar leucocitose ou número total de leucócitos 
normais. A linfocitose crônica está presente e é persistente no sangue periférico, e o predomínio de 
morfologia dos linfócitos é de linfócitos maduros e de tamanho pequeno, com citoplasma escasso e 
cromatina nuclear condensada (Figura 1). 
Descrição da Imagem: na figura, vemos quatro imagens nomeadas de (a) a (d). As imagens são similares, trazendo linfócitos repre-
sentados por células pequenas, com citoplasma escasso e núcleo de cromatina densa de coloração roxa, circundadas por hemácias, 
representadas por círculos menores rosados sem outra estrutura interna.
Figura 1 - Linfócitos de sangue periférico em pacientes com LLC / Fonte: adaptada de Hoffbrand, Pettit e Vyas (2010).
Os pacientes também podem apresentar pró-linfócitos — contagem relativa, geralmente, entre 1 e 
5% de leucócitos totais, mas é variável. Os pró-linfócitos são células maiores, com citoplasma mais 
abundante, núcleo com condensação de cromatina visível e bem aparente (Figura 2a). Na lâmina do 
hemograma, também, é muito comum o achado de manchas de Gümprecht (Figura 2b), manchas 
que ocorrem pela fragilidade dos linfócitos presentes, que acabam sendo destruídos no momento da 
confecção de esfregaços sanguíneos (NAOUM; NAOUM, 2015; SILVA et al., 2016).
A B C D
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No caso da síndrome de Richter, o sangue periférico pode apresentar linfoblastos e células em mitose, 
além de linfócitos maduros, como se pode observar na Figura 3.
Descrição da Imagem: a imagem está dividida em dois quadrantes, (a) e (b). Na imagem (a), do lado esquerdo, visualizamos células 
grandes com núcleo arredondado de cor roxa e condensação de cromatina visível, com nucléolo bem visível de coloração clara, apontado 
por setas vermelhas. O citoplasma é escasso, mas visível, de coloração lilás. Essas células são pró-linfócitos, circundados por hemácias, 
representadas por círculos menores rosados sem outra estrutura interna. Na figura (b), do lado direito, visualizamos quatro linfócitos 
pequenos de núcleo roxo com cromatina de aspecto denso, circundados por hemácias, representadas por círculos menores rosados 
sem outra estrutura interna. Visualizamos a presença de manchas de coloração roxa clara e aspecto irregular, apontadas por setas 
vermelhas, que são as manchas de Gümprecht.
Figura 2 - Pró-linfócitos e manchas de Gümprecht em LLC / Fonte: adaptada de Silva et al. (2016).
Descrição da Imagem: na figura, vemos vários linfócitos re-
presentados por células pequenas arredondadas e levemente 
alongadas, com citoplasma escasso e núcleo de cromatina 
densa de coloração roxa, circundadas por hemácias, repre-
sentadas por círculos menores rosados sem outra estrutura 
interna. Visualizamos um linfoblasto com núcleo de cromatina 
frouxa de coloração roxa clara, nucléolo visível, de formato 
circular no interior do núcleo com coloração lilás e citoplasma 
circundante de coloração lilás. Na parte superior da imagem, 
pode-se visualizar uma célula em mitose, representada por 
um núcleo de formato totalmente irregular e fragmentado 
de coloração roxa e citoplasma lilás.
Figura 3 - Sangue periférico em pacientes com síndrome de 
Richter
Fonte: adaptada de Hoffbrand, Pettit e Vyas (2010).
Apesar de haver linfocitose nos pacientes com 
LLC, esses linfócitos não são funcionais, o que 
resulta em imunossupressão devido à hipogama-
globulinemia — alteração da imunidade humoral 
caracterizada por baixos níveis de anticorpos pro-
duzidos por linfócitos B. Essa imunossupressão 
faz com que os indivíduos afetados apresentem 
infecções bacterianas no início do curso da LLC, 
A B
A
194
mas, conforme a doença avança, infecções fúngicas 
e virais se instalam (HOFFBRAND; MOSS, 2013). 
Normalmente, em quadros de LLC, é útil reali-
zar o estadiamento da doença, tanto para estimar 
o prognóstico quanto para selecionar o melhor 
tratamento. Sistemas de estadiamento, como os 
propostos por Rai e Binet, estabelecem estágios 
da LLC e a expectativa de sobrevida do paciente 
em cada estágio (AZEVEDO, 2013).
O estadiamento de Rai está baseado na lin-
focitose do paciente. O paciente deve ter 
um alto número de linfócitos no sangue e 
na medula óssea que não esteja relacio-
nado a nenhuma outra causa, como uma 
infecção. O estadiamento de Rai estabelece 
estágios de 0 a IV, em que, no estágio 0, o 
paciente apresenta linfocitose no sangue 
periférico e expectativa de sobrevida supe-
rior a 120 meses e, no estágio IV, o paciente 
apresenta linfocitose, trombocitopenia, lin-
fadenopatia, organomegalia e expectativa 
de vida de cerca de 30 meses. Outros sis-
temas de estadiamento estão disponíveis 
para a classificação da LLC. O sistema de 
estadiamento Binet compreende estágios 
de A a C, em que a LLC é classificada pelo 
número de grupos de linfonodos ou tecidos 
linfoides afetados — linfonodos cervicais, 
linfonodos inguinais, linfonodos axilares, 
baço e fígado — e pelo fato de o paciente 
apresentar anemia ou trombocitopenia. 
Fonte: adaptado de Hoffbrand e Moss 
(2013).
No caso de LLCs, as curas são raras e o trata-
mento, geralmente, é conservador, com objetivo 
de controlar os sintomas, se presentes, e não de 
normalizar o hemograma. Muitospacientes nem 
requerem tratamento. O tratamento é indicado 
para casos em que haja a presença de organome-
galia incomodativa ou complicações autoimu-
nes (SILVA et al., 2016). O desenvolvimento de 
autoimunidade contra células do sistema hema-
topoiético é comum, e a anemia hemolítica au-
toimune é mais frequente, mas, também, pode 
ocorrer trombocitopenia, neutropenia e aplasia 
eritroblástica (HOFFBRAND; MOSS, 2013).
Título: Podcast Clincast — Episódio 5: 
Leucemias (parte 5): LLC (Leucemia 
Linfoide Crônica)
Ano: 2020
Sinopse: neste podcast, apresenta-se 
uma revisão da LLC, as suas causas, as 
manifestações clínicas e a importância 
do hemograma no diagnóstico ao acaso 
de LLC.
Para acessar, use seu leitor de QR 
Code.
A leucemia pró-linfocítica é uma doença lin-
foproliferativa rara, e o envolvimento de células B 
é três vezes mais comum que de células T. Em um 
primeiro momento, parece-se com LLC, o diag-
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https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/16917
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nóstico é realizado pela presença de uma maioria de pró-linfócitos no sangue. Uma das características 
presentes são pró-linfócitos maiores, com nucléolo central grande e visível (Figura 4). Indivíduos com 
leucemia pró-linfocítica costumam apresentar esplenomegalia sem linfonodopatias, apresentando 
febre, sudorese e emagrecimento (HOFFBRAND; MOSS, 2013; ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). 
Descrição da Imagem: na imagem, pode-se observar quatro células maiores, que são pró-linfócitos, com núcleo de coloração roxa e 
nucléolo grande de coloração lilás, localizados no centro do núcleo. O citoplasma circundante é escasso, de coloração lilás. As células 
estão circundadas por células rosadas, arredondadas e anucleadas, que são hemácias.
Figura 4 - Leucemia pró-linfocítica em sangue periférico / Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
A anemia e trombocitopenia ocorrem em, pelo 
menos, 50% dos casos de leucemia pró-linfocí-
tica, refletindo o grau de infiltração da medula 
óssea e são sinal de mau prognóstico. Os pacien-
tes apresentam leucocitose no sangue periférico, 
geralmente, acima de 100.000/mm³, com uma 
tendência de aumento progressivo do número 
total dos leucócitos (NAOUM; NAOUM, 2015). 
Nesses casos, caro(a) aluno(a), a leitura adequada 
da morfologia dos pró-linfócitos é de extrema 
importância para diagnosticar a leucemia pró-
-linfocítica e distingui-la de outras leucemias 
linfoides, já que o principal critério para o diag-
nóstico de leucemia pró-linfocítica é a conta-
gem de pró-linfócitos superior a 55% no sangue 
periférico (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013).
A tricoleucemia, ou leucemia de células pi-
losas (Hairy Cell Leukaemia), é uma doença lin-
foproliferativa crônica de células B. É uma doença 
que ocorre, predominantemente, em homens, em 
uma proporção de 4:1. A célula anormal nesse tipo 
de leucemia é um linfócito B, que apresenta muta-
ções que levam à parada de maturação da célula e 
expansão clonal (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 
2013). As manifestações clínicas dos pacientes aco-
metidos podem incluir esplenomegalia, fraqueza, 
hemorragia, febre e infecções. As linfonodopatias 
são muito raras, mas podem ocorrer. A doença está 
associada a outros distúrbios imunológicos sistêmi-
cos, incluindo esclerodermia e polimiosite (SILVA 
et al., 2016; ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013).
196
O achado laboratorial mais frequente é a pancitopenia, que é a diminuição de todas as linhagens 
no sangue periférico — hemácias, leucócitos e plaquetas. A anemia grave do tipo normocrômica e nor-
mocítica ocorre em até 35% dos pacientes. Neutropenia e monocitopenia também são característicos, e, 
apesar da leucopenia ser mais comum, até 20% dos pacientes podem apresentar uma contagem elevada 
de leucócitos no sangue, mas, mesmo nesses casos, a contagem total de leucócitos, raramente, é superior 
a 20.000/mm³ (SILVA et al., 2016; ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). 
A morfologia dos linfócitos é muito característica, com a presença de linfócitos grandes, com 
projeções citoplasmáticas que aparecem como microvilos. Essas características fizeram com que as 
células da tricoleucemia fossem nomeadas “hairy cells” (células pilosas ou cabeludas), como se pode 
observar na Figura 5 (SILVA et al., 2016). 
Descrição da Imagem: a imagem está dividida em dois quadrantes, nomeados (a) e (b). No quadrante (a), do lado esquerdo, pode-se 
observar duas células maiores, que são hairy cells, com núcleo de coloração roxa e citoplasma circundante de coloração lilás. O cito-
plasma apresenta projeções irregulares com característica de franja. As células estão circundadas por células rosadas, arredondadas e 
anucleadas, que são hemácias. No quadrante (b), do lado direito, também se pode observar, ao centro, uma hairy cell com núcleo de 
coloração roxa, circundado por citoplasma lilás com projeções irregulares com características de franja. A célula está circundada por 
hemácias, representadas por células arredondadas anucleadas de coloração rósea.
Figura 5 - Presença de “hairy cells” em pacientes com tricoleucemia / Fonte: adaptada de Silva et al. (2016).
A leucemia de linfócitos grandes e granulares é outra doença linfoproliferativa de linfócitos T 
ou linfócitos natural killer. Cerca de 30% dos pacientes são assintomáticos, e a doença costuma ser 
descoberta em exames de rotina. Quando há sinais clínicos, os pacientes apresentam febre, infecções 
recorrentes, dores articulares, anemia sintomática, distensão abdominal e rash maculopapular. He-
patomegalia ou esplenomegalia podem estar presentes, mas não são frequentes, enquanto linfonodo-
megalia é rara (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). No hemograma, a doença é caracterizada por 
linfocitose, com presença de linfócitos de citoplasma abundante com grandes grânulos azurofílicos, 
como se pode observar na Figura 6.
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A leucemia de linfócitos T do adulto (LLTA) foi a primeira doença maligna associada a um retro-
vírus humano, o vírus da leucemia/linfoma de células T humana tipo 1(HTLV-1). A transmissão do 
HTLV-1 pode ocorrer por via sexual, pelo contato com sangue contaminado por transfusão sanguí-
nea ou compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas e por meio do aleitamento — devido 
à presença de linfócitos contaminados no leite materno (ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). Os 
linfócitos neoplásicos no sangue periférico apresentam núcleo marcantemente polilobulado, com 
morfologia bizarra, recebendo, por isso, a denominação de flower cells (células em flor) ou folha de 
trevo (HOFFBRAND; MOSS, 2013; ZAGO; FALCÃO; PASQUINI, 2013). Você pode visualizar as 
características dessas células, caro(a) aluno(a), na Figura 7.
Descrição da Imagem: a imagem está dividida em dois quadrantes, nomeados (a) e (b). Em ambos os quadrantes, pode-se visualizar, 
em destaque, linfócitos grandes, com núcleos grandes de coloração roxa e cromatina de aspecto levemente frouxo. O núcleo está 
circundado por citoplasma grande de coloração lilás, com grânulos grosseiros e visíveis de coloração roxa.
Figura 6 - Leucemia de linfócitos grandes e granulares / Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
Descrição da Imagem:na imagem, pode-se visualizar, 
em destaque, linfócitos com núcleos de formato irre-
gular e aspecto de flor ou trevo de coloração roxa. O 
núcleo está circundado por citoplasma de coloração lilás, 
levemente basofílico. Os linfócitos estão circundados 
por hemácias, representadas por células arredondadas 
anucleadas de coloração rosada.
Figura 7 - Leucemia de linfócitos T do adulto
Fonte: adaptada de Hoffbrand e Moss (2013).
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Os linfomas são um grupo de doenças neoplásicas 
do tecido linfoide que são ocasionadas por lin-
fócitos malignos. Os linfócitos se acumulam 
nos linfonodos e levam ao desenvolvimento de 
linfonodopatias, característica dessas doenças. 
As células afetadas se proliferam de forma atípi-
ca, mas conservam semelhanças morfológicas, 
imunológicas e funcionais com células normais. 
Os linfomas são tradicionalmente divididos em 
linfoma

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