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Indaial – 2022
ClíniCa
Prof.ª Juliana Ferreira Barbosa 
1a Edição
Citopatologia
Elaboração:
Prof.ª Juliana Ferreira Barbosa
Copyright © UNIASSELVI 2022
 Revisão, Diagramação e Produção: 
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
B238c
Barbosa, Juliana Ferreira
Citopatologia clínica. / Juliana Ferreira Barbosa– Indaial: 
UNIASSELVI, 2022.
184 p.; il.
ISBN 978-85-515-0643-1
ISBN Digital 978-85-515-0640-0
1. Farmácia – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 615
Caríssimo acadêmico de farmácia! É um prazer fazer parte da sua jornada 
acadêmica! Bem-vindo ao Livro Didático de “Citopatologia clínica”. Tenho certeza de 
que você já ouviu falar de algum exame dessa área. Provavelmente, já ouviu, em algum 
momento, alguma mulher falando: “Tenho que fazer meu preventivo!”
Este livro tem como objetivo ajudá-lo no entendimento e na compreensão dos 
conteúdos de citopatologia clínica, fazendo sempre uma conexão entre a teoria e a 
prática, fundamental na nossa vida profissional. Neste percurso acadêmico, sempre 
teremos os conceitos teóricos que os grandes pesquisadores e cientistas da área nos 
oferecem, assim como os aspectos clínicos que estão relacionados a eles. Algumas das 
ferramentas, tipos de análises e técnicas aqui apresentadas serão utilizadas de forma 
tão natural e automática, que você, ao final, nem irá perceber que se tratam de princípios 
e/ou análises da citopatologia. 
Em Citopatologia, espera-se sempre que o analista seja capaz de identificar 
os componentes celulares, mas principalmente que ele seja capaz de identificar 
qualquer indício sugestivo de uma doença, ou ainda que a médio e longo prazo estes 
achados possam ser responsáveis por alterações celulares não desejadas, como um 
câncer, principalmente. 
Com os estudos desta unidade curricular, você será capaz de analisar e liberar 
resultados de diversas amostras clínicas e contribuirá muito com o estado de saúde de 
várias pessoas, que aqui chamaremos de pacientes. Análises que no início serão difíceis 
e trabalhosas, a cada dia se tornarão mais simples e práticas de serem concluídas com 
sucesso e qualidade. 
Por muitas vezes, essa fundamental área de atuação do farmacêutico não 
recebe a devida importância ou reconhecimento, mas cabe a cada um de nós provar 
sua importância e relevância na vida de cada um dos nossos pacientes. 
Desta forma, caro acadêmico, sempre estaremos pautados nas diretrizes e 
orientações do Ministério da Saúde (mais atuais), e ainda reforçamos a importância 
de sempre estarmos nos atualizando, reciclando nossos conhecimentos, para sempre 
entregar ao nosso paciente um laudo de qualidade. 
Para tal, na Unidade 1, abordaremos o contexto histórico da citopatologia, a 
cronologia das descobertas e seus respectivos impactos na clínica da época. Vamos 
estudar também as principais características dos tipos celulares e seus tecidos e, 
posteriormente, as principais técnicas de coleta, conservação e coloração de amostras 
citológicas, além dos principais equipamentos e instrumentos que utilizamos em 
laboratórios de citologia. 
APRESENTAÇÃO
Em seguida, na Unidade 2, estudaremos a citologia clínica com foco na 
célula em condições normais, benignas e malignas, e ainda a anatomofisiologia da 
tireoide e da mama com suas particularidades e suas características próprias, a fim de 
estabelecermos familiaridade com a cito-histologia destes locais para posteriormente 
vislumbramos as citopalogias mais comuns de cada um deles. 
 
Por fim, na Unidade 3, vamos aprender e conhecer mais sobre a citologia 
ginecológica. Essa unidade vai trazer informações direcionadas aos procedimentos 
de coleta e análise. Vamos aprender as principais alterações celulares e as técnicas 
de esfregaço cervicovaginal – exame colopatológico, popularmente conhecido como 
exame preventivo ou ainda como Papanicolau. Estudaremos também as principais 
nomenclaturas utilizadas na confecção e análise de laudos citológicos. Ainda, nesta 
unidade, vamos aprender sobre o controle de qualidade em laboratórios citológicos.
Então, caro acadêmico, dedique-se! Envolva-se! Mergulhe fundo neste novo 
mundo citopatológico! Adapte-se e melhore sua capacidade de raciocinar, de estudar, 
de aprender, de analisar, de buscar soluções plausíveis e realistas para os mais diversos 
problemas que possam surgir a sua frente, tanto no mundo acadêmico quanto no 
profissional. Nunca esqueça: você irá se deparar com várias tarefas que, por enquanto, 
irá considerar difícil, cansativas e trabalhosas, mas acredite, todas elas irão ficar, dia 
após dia, mais simples e fáceis de serem resolvidas, a ponto de um dia você desejar 
novos desafios! 
Bons estudos e sucesso, sempre!
Prof.ª Juliana Ferreira Barbosa
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e 
dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes 
completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você 
acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar 
essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só 
aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
QR CODE
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivopara complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO À CITOPATOLOGIA CLÍNICA ..................................................... 1
TÓPICO 1 - CONTEXTO HISTÓRICO DA CITOPATOLOGIA ....................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 EVOLUÇÃO DA CITOLOGIA AO LONGO DOS TEMPOS .......................................................3
3 INTER-RELAÇÃO ENTRE A EVOLUÇÃO DA CITOLOGIA E SUA APLICAÇÃO CLÍNICA ....... 6
4 IMPACTO DAS ANÁLISES CITOPATOLOGIAS NA SAÚDE POPULACIONAL .....................8
RESUMO DO TÓPICO 1 .........................................................................................................10
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................................11
TÓPICO 2 - CARACTERIZAÇÕES CELULARES E TECIDUAIS EM CITOPATOLOGIA ......... 13
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 13
2 TIPOS CELULARES ........................................................................................................... 13
3 CÉLULAS E TECIDOS DE INTERESSE EM CITOPATOLOGIA ........................................... 19
RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................................... 31
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 32
TÓPICO 3 - TÉCNICAS E MATERIAIS DE COLETA, CONSERVAÇÃO E COLORAÇÃO DE 
AMOSTRAS CITOLÓGICAS ................................................................................................. 35
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 35
2 TÉCNICAS E MATERIAIS DE COLETA ............................................................................. 36
2.1 COLETA DE MATERIAL E CONSERVAÇÃO ...................................................................................... 37
2.1.1 Escovados e raspados ..............................................................................................................39
2.1.2 Imprints – impressões teciduais ............................................................................................42
2.1.3 Lavados ........................................................................................................................................42
2.1.4 Líquidos cavitários ....................................................................................................................43
2.1.5 Materiais obtidos espontaneamente ....................................................................................43
2.1.6 Punções: por agulha fina (PAAF) e por capilaridade ........................................................44
2.2 COLORAÇÕES EM CITOPATOLOGIA ................................................................................................46
2.2.1 Coloração de Papanicolaou ....................................................................................................46
2.2.2 Coloração de May-Grünwald-Giemsa ................................................................................ 48
2.2.3 Coloração hematoxilina eosina (HE) ....................................................................................49
2.2.4 Outras colorações usuais .......................................................................................................49
3 ADEQUABILIDADE DAS AMOSTRAS ............................................................................... 52
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 54
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................57
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 58
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 60
UNIDADE 2 — COMPONENTES CELULARES EM CONDIÇÕES NORMAIS, BENIGNAS E 
MALIGNAS APLICADAS À CITOPALOGIA CLÍNICA ....................................................................... 63
TÓPICO 1 — A CÉLULA ......................................................................................................... 65
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 65
2 NÚCLEO E CITOPLASMA ................................................................................................. 65
2.1 NÚCLEO ................................................................................................................................................. 67
2.2 NUCLÉOLO ...........................................................................................................................................70
2.3 CITOPLASMA........................................................................................................................................ 72
2.4 MEMBRANA CELULAR ....................................................................................................................... 73
3 MAMA E TIREOIDE: PADRÕES CITOPATOLÓGICOS DE INTERESSE CLÍNICO ............... 77
3.1 MAMA ..................................................................................................................................................... 77
3.2 TIREOIDE ............................................................................................................................................... 81
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 84
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 85
TÓPICO 2 - PARTICULARIDADES DO TRATO GENITAL FEMININO (TGF) ........................ 89
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 89
2 ANATOMOFISIOLOGIA E CITO-HISTOLOGIA DO TGF ..................................................... 89
3 METAPLASIAS .................................................................................................................. 92
4 CITOLOGIA HORMONAL ................................................................................................... 94
5 CITOLOGIA INFLAMATÓRIA .............................................................................................97
5.1 BACTERIANA......................................................................................................................................... 97
5.2 FÚNGICA ...............................................................................................................................................98
5.3 PROTOZOÁRIA ...................................................................................................................................100
5.4 VIRAL ...................................................................................................................................................100
6 CITOLOGIA DAS ALTERAÇÕES REATIVAS.....................................................................102
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................103
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 104
TÓPICO 3 - ATIPIA CELULAR, LESÕES PRÉ-CANCEROSAS E CARCINOMAS DO 
COLO UTERINO ..................................................................................................................................1071 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................107
2 CÉLULAS ESCAMOSAS ATÍPICAS: CLASSIFICAÇÕES, CRITÉRIOS E CONDUTAS ........ 107
3 LESÕES PRÉ-CANCEROSAS E MORFOGÊNESE DO CARCINOMA ESCAMOSO ........... 110
3.1 HPV: MANIFESTAÇÕES E DIAGNÓSTICO.......................................................................................112
4 LESÕES INTRAEPITELIAIS E SUAS CLASSIFICAÇÕES ................................................ 113
4.1 CARACTERÍSTICAS CITOHISTOLOGICAS E SEUS DIAGNÓSTICOS .........................................113
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................... 115
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................... 121
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................122
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................124
UNIDADE 3 — CITOPALOGIA GINECOLÓGICA E GESTÃO DA QUALIDADE EM 
LABORATÓRIOS DE CITOPATOLOGIA CLÍNICA ................................................................ 127
TÓPICO 1 — ESFREGAÇOS CERVICOVAGINAIS ................................................................129
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................129
2 TÉCNICA E OBJETIVOS ..................................................................................................129
3 RECOMENDAÇÕES E INDICAÇÕES DO EXAME CITOPATOLÓGICO DE 
PAPANICOLAOU .................................................................................................................132
3.1 PROCEDIMENTOS PRÉ-COLETA .................................................................................................... 132
3.2 PROCEDIMENTOS DE COLETA.......................................................................................................133
3.3 PROCEDIMENTOS PÓS-COLETA ...................................................................................................136
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................138
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 140
TÓPICO 2 - TÓPICOS ESPECIAIS: ANORMALIDADES ENDOCERVICAIS E 
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................145
2 ANORMALIDADES GLANDULARES E SUAS CLASSIFICAÇÕES ...................................145
ENDOMETRIAIS ..................................................................................................................145
2.1 ADENOCARCINOMAS CERVICAIS ...............................................................................................146
2.2 ADENOCARCINOMAS ENDOMETRIAIS .........................................................................................149
3 NEOPLASIAS MALIGNAS METASTÁTICAS .................................................................... 151
4 NOVAS TECNOLOGIAS APLICADAS À CITOPATOLOGIA CLÍNICA ................................ 157
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 161
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................163
TÓPICO 3 - GESTÃO DA QUALIDADE EM LABORATÓRIOS DE CITOPATOLOGIA 
CLÍNICA .............................................................................................................................. 167
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 167
2 SISTEMAS DE MONITORAMENTO ..................................................................................168
2.1 MONITORAMENTO INTERNO ............................................................................................................ 171
2.2 MONITORAMENTO EXTERNO ......................................................................................................... 173
3 ACREDITAÇÃO PARA LABORATÓRIOS DE CITOPATOLOGIA CLÍNICA ........................ 174
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................... 177
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................180
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 181
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................183
1
UNIDADE 1 - 
INTRODUÇÃO À 
CITOPATOLOGIA CLÍNICA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer e entender os principais fundamentos da citopatologia clínica;
•
 compreender a importância das técnicas citopatológicas para a clínica médica;
• reconhecer a arquitetura celular e tecidual dos principais tipos de tecidos humanos 
requeridos em citopatologia clínica.
• eleger a melhor técnica e os melhores instrumentos para coleta de amostras clínicas;
• conhecer e empregar as diversas técnicas de preservação das amostras coletadas 
garantindo uma análise citológica dentro dos padrões de qualidade e excelência;
• conhecer as principais técnicas utilizadas nos exames citopatológicos; 
• empregar as principais técnicas de coloração aplicadas à cito-histologia clínica.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – CONTEXTO HISTÓRICO DA CITOPATOLOGIA 
TÓPICO 2 – CARACTERIZAÇÕES CELULARES E TECIDUAIS EM CITOPATOLOGIA
TÓPICO 3 – TÉCNICAS E MATERIAIS DE COLETA, CONSERVAÇÃO E COLORAÇÃO DE 
AMOSTRAS CITOLÓGICAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
CONTEXTO HISTÓRICO DA 
CITOPATOLOGIA
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
Acadêmico, neste tópico, abordaremos o contexto histórico da citopatologia, a 
cronologia das descobertas e seus respectivos impactos na clínica. É muito importante 
conhecer os principais estudiosos da área da citologia e suas contribuições para a 
ciência até os dias atuais, e, claro, conhecer os primórdios técnicos, classificações e 
nomenclaturas que ainda utilizamos na clínica.
Este tópico tem como objetivo relacionar as tecnologias que existiam à época 
de suas criações com aquelas que empregamos nos dias atuais. Perceber e entender a 
necessidade da evolução tecnológica pelas quais as técnicas passaram para chegarem 
conforme hoje as utilizamos. Ainda, quem sabe, daqui a pouco tempo, você, possa 
propor melhorias às técnicas atuais! 
Não faz muito tempo que você estudou estes conteúdos, mas vamos relembrar 
alguns conceitos e contextos que vão nos ajudar no entendimento da citopatologia 
clínica. Vamos lá?
2 EVOLUÇÃO DA CITOLOGIA AO LONGO DOS TEMPOS
O Ministério da Saúde (2012a) nos traz uma cronologia interessante sobre a 
evolução da citologia e seus respectivos ganhos para a área da citologia:
• 1590: Zaccharias inventou o primeiro microscópio, a partir de uma combinação de 
lentes que permitia a ampliação de objetos em até dez vezes.
• 1665: Robert Hooke, figura 1, descobre as células (cellas) a partir de análises em 
pedaços de cortiça. Descoberta confirmada por vários cientistas da época, entre eles 
Malpighi e Grew.
4
FIGURA 1 – ROBERT HOOKE (1635-1703)
FONTE: <http://twixar.me/Dmcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
• 1674: Leeuwenhoek realizamelhorias no microscópio e consegue um aumento 
surpreendente de duzentas e setenta vezes. Em conjunto com Fontana, descobriram 
uma estrutura no interior da célula que Robert Brown chamou de núcleo.
• 1838-1839: Matthias Schleiden comprova a existência de células em organismos 
vegetais e Theodor Schwann comprova a existência de células em organismos 
humanos – Teoria Celular.
• 1858: Rudolf Ludwig Karl Virchow conclui que células dão origem a outras células – 
“Omnis cellula e cellula” – toda célula é oriunda de outra célula.
• 1931: Knoll e Ruska fazem a substituição de raios de luz por feixes de elétrons nos 
microscópios e obtêm um aumento de quinhentas vezes, revolucionando ainda mais 
a citologia e suas ciências correlatas. 
INTERESSANTE
Um nome que merece destaque neste contexto sem dúvidas é Robert 
Hooke (1635-1703), conhecido pelas suas contribuições memoráveis 
à microscopia – com a criação de um modelo de microscópico formado 
pela combinação de três lentes em um artefato de madeira, que permitia 
ajustes de inclinação. Segundo Almeida e Magalhães (2010), possuía ainda 
um sistema de iluminação revolucionário para a época – uma esfera de 
vidro com água que era responsável por fazer a recepção da luz advinda de 
lamparina a azeite, provocando uma concentração luminosa sob a amostra 
a ser estudada (Figura 2). Vale lembrar que este instrumento permitia a 
ampliação da imagem em trinta vezes e foi responsável por colocar a 
microscopia no auge do avanço tecnológico durante o século XVII. 
5
FIGURA 2 – MICROSCÓPIO DE ROBERT HOOKE
FONTE: <http://twixar.me/Fmcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
Almeida e Magalhães (2010) nos trouxeram a informação de que Hooke sempre 
era dedicado às situações que lhe traziam alguma forma de curiosidade, sejam sobre 
aves, rochas, insetos, sempre fazendo desenhos criteriosos, que foram reunidas em um 
livro chamado “Micrographia”, publicado em 1665 pela Royal Society, que se tornou a 
primeira coletânea de reprodução de observações microscópicas. 
E o microscópio de hoje? Você conhece? Atualmente existem vários tipos de 
microscópios. Na figura 3, temos um exemplo de microscópio utilizado em laborató-
rios clínicos. 
FIGURA 3 – MICROSCÓPIO ATUAL
FONTE: <http://twixar.me/Lmcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
6
3 INTER-RELAÇÃO ENTRE A EVOLUÇÃO DA CITOLOGIA 
E SUA APLICAÇÃO CLÍNICA 
Agora vamos pensar o seguinte: como a descoberta do microscópio e os estudos 
sistemáticos de plantas e animais nos ajudam nos diagnósticos clínicos? A resposta é 
simples: possibilita o diagnóstico precoce de inúmeras doenças. 
Através das análises microscópicas das diversas amostras, que em maioria são 
de células e tecidos, a citologia aliada à patologia e à histologia permitem a realização de 
diagnósticos de uma vasta gama de doenças que podem desde prevenir doenças, até 
possibilitar a confirmação de curas clínicas.
ATENÇÃO
Citologia: área de estudo da biologia que dedica ao estudo das células – 
unidade fundamental e estrutural dos seres vivos – o termo tem origem 
grega: kytos = célula e logos = estudo, portanto, estudo das células. 
Histologia: área de estudos da biologia e das ciências médicas que 
dedicada à análise dos tecidos, animais e vegetais. O referido termo 
também tem origem grega: hystos = tecidos e logos = estudos, estes 
relacionados aos tecidos. 
Patologia: área da biologia dedicada ao estudo das alterações celulares, 
teciduais e bioquímicas que muitas vezes são incompatíveis com a saúde 
do indivíduo. O nome tem origem grega: pathos = doença e logos = estudo; 
estudo das doenças.
A Teoria Celular proposta pelos cientistas Mathias Schleiden e Theodor Schwann 
e com contribuições dos trabalhos de Rudolf Virchow possibilitou vários avanços, 
entre eles a descoberta de que as células apenas podem se originar de outras células, 
constituindo a base da biologia celular (BRASIL, 2012a). 
Por não se enquadrarem na Teoria Celular, os vírus são considerados acelulares 
e, portanto, não são considerados seres vivos pela maioria dos estudiosos da área, 
mesmo precisando obrigatoriamente do maquinário celular para se reproduzirem. 
Segundo Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010), de maneira genérica, o 
conjunto de técnicas citológicas utilizadas nas rotinas laboratoriais investigam as 
células presentes nas amostras obtidas em diversos sítios de interesse clínico, por 
técnicas que podem utilizar raspados, imprints, secreções, líquidos, punções, aspirados 
ou mesmo lavados, através de análises microscópicas que geralmente passam por 
processos de coloração. 
7
De acordo com o Ministério da Saúde (2012a), a citopatologia faz estudos e 
análises de possíveis doenças através de comparações, com auxílio do microscópio, 
em amostras, que podem ser obtidas de várias áreas do corpo humano – todo o 
organismo pode ser estudo, desde que empregando as técnicas certas. Podemos dizer 
ainda que as técnicas empregadas em citopatologia possuem execução fácil e simples, 
não são invasivas, e ainda possuem vantagens como o baixo custo e ainda um prazo 
relativamente curso para análise. Iremos nos dedicar com mais atenção às técnicas de 
obtenção de amostras e de coloração ainda nesta unidade, no Tópico 3.
A praticidade da obtenção das amostras citológicas, aliada à forma de 
obtenção, que geralmente é indolor e ainda poder ser obtidas em consultórios médicos, 
ambulatórios ou mesmo nos próprios laboratórios de análise, contribuem muito com a 
adesão do paciente (à aceitação da realização do exame) e são técnicas cobertas pelo 
Sistema Único de Saúde – SUS – na imensa maioria. 
Claro que dependendo da natureza e complexidade do local a ser investigado 
e do diagnóstico a ser feito, fazem-se necessários exames complementares, como 
os de imagem – ultrassom, tomografias –, mas por si só a citologia já permite realizar 
diagnósticos diferenciais importantes, como a distinção entre uma tumoração benigna 
e maligna, de lesões decorrentes de processos inflamatórios ou advindas de variações 
anatômicas pré-existente, que nesta área sempre devem ser consideradas, tudo com o 
objetivo de auxiliar o médico assistente a estabelecer um diagnóstico clínico assertivo, 
possibilitando esquemas terapêuticos efetivos e precoces, quando identificado uma 
enfermidade, precocemente, provoca um aumento da qualidade de vida do paciente e 
suas chances de cura, além da sua adesão ao tratamento – grande entrave na clínica na 
maioria das doenças (BRASIL, 2012a; KOSS; GOMPEL, 2014).
Sem sombra de dúvidas, o maior quantitativo de análises citológicas realizadas 
em um laboratório citopatológico clínico deve-se aos exames citológicos ginecológicos, 
tema da Unidade 3, porém, várias outras citologias são realizadas, seja para identificar 
processos inflamatórios nas diversas partes do corpo humano (e animal) ou mesmo 
para verificar possíveis malignidades em nódulos e cistos, além de possibilitar o 
acompanhamento da evolução terapêutica nos casos de doenças diagnosticadas.
Dentre as citologias consideradas não ginecológicas, foco de estudos mais 
aprofundados da Unidade 2, podemos citar: as citologias de tireoide e de mama. Nestes 
estudos, vamos aprender a reconhecer as estruturas fisiológicas e ainda aquelas 
consideradas patológicas. 
Devemos sempre buscar situações anormais nos exames citopatológicos. Estas 
anormalidades podem ser decorrentes de situações reativas, adaptativas ou ainda 
patológicas. Mas não se preocupe! Vamos aprender a diferenciar cada uma delas na 
nossa jornada citopatológica. 
8
4 IMPACTO DAS ANÁLISES CITOPATOLOGIAS NA 
SAÚDE POPULACIONAL
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva 
(INCA, 2019), o câncer está entre as quatro principais causas de morte prematura (mortes 
antes dos 70 anos) no mundo. Este fato está ligado principalmente com o envelhecendo 
da população mundial e ainda com o aumento da exposição aos fatores de risco. 
Ainda, segundo este instituto, em 2018, houve 18 milhões de novos casos de 
câncer no mundo e9,6 milhões de óbitos, e, para o Brasil, somente no triênio 2020-2023, 
estima-se, para cada ano, 625 mil novos casos, sendo o câncer de pele não melanoma o 
mais incidente, seguido pelos cânceres de mama e próstata. 
FIGURA 4 – ESTATÍSTICAS DE CÂNCER
FONTE: <http://twixar.me/Wmcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
Pulmão
Próstata
Colorretal
Pulmão
Mama
Colorretal
TIPOS DE CÂNCER MAIS COMUNS
De acordo com o INCA (2019), podemos ter a dimensão da importância e 
o impacto dos exames citológicos com a finalidade de diagnóstico ou mesmo de 
acompanhamento de terapêutica. Atualmente, percebe-se uma queda das taxas de 
incidência provavelmente devido às campanhas dos programas de rastreamento e 
prevenção, chamados de “Vigilância do Câncer”, intensificados após a década de 1960.
Várias campanhas, inclusive com a utilização de fitas coloridas, conforme 
aquelas exemplificadas na Figura 5 – “Outubro Rosa” (prevenção ao câncer de mama), 
“Novembro Azul” (prevenção ao câncer de próstata) – têm contribuído com a diminuição 
dos casos e buscam maior o engajamento de toda a população para a prevenção e para 
o diagnóstico precoce, promovendo e facilitando o acesso da população aos serviços de 
saúde para os respectivos exames preventivos. 
9
FIGURA 5 – CORES DE FITA CORRESPONDENTES ÀS CAMPANHAS DE PREVENÇÃO AO CÂNCER
CÂNCER 
DE MAMA
CÂNCER 
DE OVÁRIO
CÂNCER DE 
TESTÍCULO
CÂNCER 
INFANTIL
CÂNCER DE 
CABEÇA E 
PESCOÇO
CÂNCER DE 
PRÓSTATA
CÂNCER 
DE FÍGADO
LINFOMA 
NÃO HODGKIN
LINFOMA 
HODGKIN
CÂNCER 
DE PELE
CÂNCER DE 
TIREOIDE
SARCOMA OU 
CÂNCER DE 
OSSOS
CÂNCER DE 
ESTÔMAGO
CÂNCER 
DE PULMÃO
CÂNCER 
DE RIM
LEUCEMIA CÂNCER 
DE CÓLON
CÂNCER 
CERVICAL
CÂNCER 
UTERINO OU 
ENDOMETRIAL
CÂNCER DE 
PÂNCREAS
CÂNCER 
DE BEXIGA
CÂNCER 
CEREBRAL
MIELOMA 
MÚLTIPLO
CÂNCER DE 
APÊNDICE
FONTE: <http://twixar.me/Zmcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
10
Neste tópico, você aprendeu:
• Os principais nomes da área da citologia e as principais contribuições de cada um 
deles. 
• Robert Hooke foi o responsável pela criação de um microscópio ótico que era 
capaz de produzir ampliações de até 30 vezes, e através dele, foi possível observar 
pedaços de cortiça e descobrindo as células. 
• Schleiden e Schwann foram os responsáveis pelos fundamentos da Teoria Celular, 
utilizados até os dias atuais. 
• Rudolf Virchow comprova que toda célula é obrigatoriamente oriunda de outra 
célula viva. 
• Existe uma relação direta entre a evolução da citologia e a melhoria das análises e 
diagnósticos na clínica, pois melhores condições de análises, maior possibilidade 
e exatidão das análises citológicas, possibilitam a realização de diagnósticos cada 
vez mais precoces de várias doenças.
• Os principais e mais prevalentes tipos de câncer na atualidade.
• Entender a importância e os impactos da realização dos exames de citopatologia na 
vida da população em geral.
RESUMO DO TÓPICO 1
11
AUTOATIVIDADE
1 A Teoria Celular possui três postulados principais: 
I- Os seres vivos são formados por uma ou mais células e pelas formações estruturais 
que elas produzem.
II- As células são as unidades funcionais e morfológicas dos seres vivos.
III- Toda célula origina-se de outra célula preexistente. 
Estes postulados são atribuídos a Theodor Schwann e Matthias Schleiden com 
contribuições de Rudolf Virchow. Qual alternativa indica o grupo de organismos que não 
são considerados seres vivos? 
a) ( ) Vírus.
b) ( ) Fungos.
c) ( ) Bactérias.
d) ( ) Protozoários. 
2 (Adaptada de UEMS, 2016) Hoje em dia é muito difundida a ideia de que os seres vivos 
são formados por células, com exceção apenas dos vírus. Essa ideia, no entanto, 
surgiu apenas após diversas observações e posterior formulação da chamada 
Teoria Celular. Qual das afirmativas a seguir não está de acordo com os postulados 
da Teoria Celular, que foi baseada nos estudos dos pesquisadores Schleiden (1838) 
e Schwann (1939)? 
FONTE: <https://exercicios.mundoeducacao.uol.com.br/
exercicios-biologia/exercicios-sobre-teoria-celular.htm>. 
Acesso em: 30 maio 2022. 
( ) Os seres vivos, animais, vegetais ou protozoários, são compostos sem exceção por 
células e seus produtos celulares. 
( ) As células podem ser formadas através da divisão de outra célula, dentre outras formas.
( ) O funcionamento de um organismo como um todo não depende do resultado do 
funcionamento das unidades celulares, exceto os vírus.
( ) O funcionamento de um organismo como unidade é o resultado da soma das 
atividades e interações das unidades celulares.
12
3 A Citopalogia é uma das áreas de atuação da patologia que realiza estudos sobre as 
alterações celulares provocadas por patologias, responsáveis ou não pelo processo 
de adoecimento em organismos vivos. Sobre as amostras citopatológicas, assinale a 
alternativa CORRETA: 
a) ( ) Amostras obtidas de nódulos e cistos.  
b) ( ) Amostras obtidas através de aspirados mamários. 
c) ( ) Amostras obtidas de secreções e/ou de lavados do trato respiratório.
d) ( ) Todas as alternativas estão corretas. 
4 Grandes avanços na área da pesquisa clínica foram obtidos após a descoberta do 
microscópio ótico e que foram intensificadas após a criação dos microscópios de 
feixes de elétrons, introduzidos por Knoll e Ruska no início da década de 1930. Disserte 
sobre os avanços na área da citologia após a descoberta do microscópio. 
5 Atualmente, a expectativa de vida da população mundial vem crescendo e junto 
com ela a maior exposição dessa população a fatores considerados como de risco 
para o desenvolvimento de cânceres. Fato este que pode ser comprovado em várias 
pesquisas realizadas por instituições conceituadas na área que demonstram o 
número crescentes de novos casos e de óbitos por esta que é a quarta causa de 
morte do mundo. Como as análises citopatológicas podem auxiliar na diminuição do 
número de óbitos por câncer? Disserte sobre essa problemática. 
13
CARACTERIZAÇÕES CELULARES E 
TECIDUAIS EM CITOPATOLOGIA
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
Acadêmico, neste tópico, nós vamos falar sobre as características dos tipos 
celulares nos principais tecidos de interesse em citopatologia. Vamos recordar as 
morfologias celulares e a cito-histologia dessas células, tecidos, e ainda seus respectivos 
comportamentos frente às principais técnicas de coloração. 
Este tópico tem fundamental importância porque é nele que vamos recordar as 
formas celulares e suas arquiteturas, o que irá nos propiciar as caracterizações dos tipos 
celulares provocando uma padronização do que é considerado “normal” ou “fisiológico” 
nos exames celulares. 
Vamos relembrar algumas técnicas de coloração e ainda como o mesmo tecido 
se comporta frente às colorações diferentes, pois a eleição da melhor coloração vai 
depender principalmente do objetivo da análise. Então, vamos começar a buscar as 
caracterizações celulares? Vamos começar a nos habituar as colorações citológicas? 
Vamos juntos!
2 TIPOS CELULARES 
Segundo Lopes e Ho (2013), os seres vivos estão divididos em cinco grandes 
reinos, conforme a figura 6: Monera: são os seres classificados como procariontes 
– bactérias e cianobactérias; Protista: seres unicelulares eucariontes; Plantae: 
seres multicelulares eucariontes que fazem fotossíntese; Fungi: seres eucariontes 
multicelulares heterótrofos que adquirem sua nutrição por absorção e Animalia: seres 
eucariontes multicelulares heterótrofos. Vale ressaltar que existem classificações mais 
atuais, porém, esta ainda tem grande uso no ensino de ciências e Biologia. 
14
FIGURA 6 – GRANDES REINOS 
FONTE: <http://twixar.me/hmcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
NÚMERO ESTIMADO DE ESPÉCIES 
VIVAS CONHECIDAS
INSETOS
740,00
PLANTAS
290,000
ALGAS
23,000
PROTOZOÁRIOS
30,000
FUNGOS
66,000
OUTROS ANIMAIS
280,000
MONERA
(BACTÉRIAS E FORMAS SEMELHANTES)
4,600
VÍRUS
1,100
As células de todos os seres dos cinco reinos (Figura 6) apresentam diferenças 
entre si, mas todas praticamente desempenham os mesmos papéis: funçõesestruturais, 
metabólicas e reprodutivas. Existe um grupo, porém, que são seres acelulares, conforme 
já dito no tópico anterior, que fogem à Teoria Celular, o tão popular grupo do Vírus, que 
não se enquadra em nenhum dos grupos mencionados. Eles são organismos dotados 
de material genético revestido por uma cápsula proteica, mas que necessitam de uma 
célula hospedeira para “viver” e então se reproduzirem, devido a este fato, são chamados 
de parasitas intracelulares obrigatórios (LIMA, 2001; LOPES; HO, 2013).
15
IMPORTANTE
Segundo Montanari (2016) e Alberts (2017), existem dois tipos 
celulares: eucariontes e procariontes. As primeiras são tipos celulares 
que possuem envoltório nuclear chamada de carioteca, com formação 
de um núcleo verdadeiro, comuns em animais e plantas, conforme 
demonstrado na Figura 7. As células procariontes são aquelas que não 
possuem envoltório nuclear delimitando o seu material genético, caso 
das bactérias.
FIGURA 7 – CÉLULAS 
FONTE: <http://twixar.me/vmcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
16
FIGURA 8 – EUCARIOTOS: DESENHO ESQUEMÁTICO DAS PRINCIPAIS PARTES
FONTE: <http://twixar.me/4mcm>. Acesso em: 24 fev. 2022.
Mitocondria
Centrossoma
Núcleo
Retículo 
endoplasmático
Aparelho de Golgi
Ribossomo
Lisossomos
Nucléolo
Núcleo
Retículo 
endoplasmático
Aparelho 
de Golgi
Centrossoma Lisossomos
Ribossomo Mitocondria
Através da Figura 8 podemos entender a definição de células eucarióticas. 
Percebe-se o DNA em um local individualizado do citoplasma, formado por um envoltório 
de dupla membrana, o núcleo. Outra característica, segundo este mesmo autor, que 
nos permite diferenciar eucariotos de procariotos, são as dimensões celulares. Células 
eucarióticas, segundo este mesmo autor, são em média dez vezes maiores que as 
procarióticas quando consideramos as dimensões lineares e mil vezes maiores quando 
analisamos o aspecto volume! Incrível, não é mesmo?! 
NOTA
Vale lembrar ainda as diferenças entre as células animais e vegetais, como 
a presença de parede celular, cloroplastos e vacúolo, conforme a Figura 
9, e ainda as diferenças existentes entre as células fúngicas e bacterianas 
(Figuras 10 e 11). Na Figura 12 podemos ver a imagem de células vegetais 
vistas no microscópico.
17
FIGURA 9 – CÉLULA VEGETAL X CÉLULA ANIMAL
FONTE: Adaptado de <http://twixar.me/lmcm>. Acesso em: 24 fev. 2022.
Microtúbulos
Centríolos
Cloroplasto
Amiloplasto
Parede celular
Ribossomos
Lisossomos
Núcleo
Nucléolo
Mitocôndria
Retículo 
endoplasmático bruto
Retículo endoplasmático liso
Vacúolo
Peroxissomo
Aparelho de Golgi
Membrana Celular
Citoplasma
 CÉLULA VEGETAL CÉLULA ANIMAL
FIGURA 10 – CÉLULA BACTERIANA
FONTE: <http://twixar.me/bmcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
Ribossomos
Mesossoma
Inclusão
Nucleóide (DNA)
Plasmídeo
Flagelo
Citoplasma
Membrana 
de plasma
Parede celular
Cápsula
Pilus
CÉLULA DE BACTÉRIAS
18
FIGURA 11 – CÉLULA FÚNGICA
CÉLULA FUNGAL
Vesículas
Septo
Aparelho de Golgi
Ribossomos
Mitocôndria
Peroxissomo
Citoplasma
Vacúolo
Cicatriz de broto
Retículo 
endoplasmático
Parede celular
Membrana 
celular
Nucléolo
Núcleo
Lisossomo
FONTE: <http://twixar.me/9mcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
FIGURA 12 – CÉLULA VEGETAL VISTA EM MICROSCÓPIO
FONTE: <https://stock.adobe.com/br/search?k=c%C3%A9lula+vegetal&search_type=default-view-
results&asset_id=310774697>. Acesso em: 26 fev. 2022.
19
Segundo Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010) e o Ministério da Saúde (2012a), 
podemos dizer que a citopatologia (e as técnicas citológicas) realizam o estudo das 
células de maneira individual, sejam elas obtidas através de descamações, expelidas ou 
ainda quando retiradas de partes do corpo de interesse com finalidade de diagnóstico 
clínico ou não. 
Neste contexto, vale salientar novamente que os tecidos do organismo 
possuem características próprias e isso nos faz ter ainda mais cuidado no momento 
da coleta dos materiais para análise. Dessa forma, estudaremos mais a frente as várias 
metodologias para coleta dos variados tipos materiais.
Talvez o exame popularmente conhecido como Papanicolau – exame 
colpocitológico – seja o citológico mais conhecido, pois tem sido muito estimulado e 
veiculado em mídias de massa como indispensável e fundamental para o rastreamento 
e diagnóstico precoce de câncer de colo de útero.
3 CÉLULAS E TECIDOS DE INTERESSE 
EM CITOPATOLOGIA
Para Junqueira e Carneiro (2018), existem basicamente quatro tipos de tecidos 
nos organismos humanos: epitelial – Figura 13, conjuntivo – Figura 14, muscular - Figura 
15, e nervoso – Figura 16. Para serem enquadrados nestas classificações, vários critérios 
são utilizados principalmente a localização e função que eles estão desempenhando. 
Os tecidos epiteliais são formados por células responsáveis pelo revestimento 
das superfícies e geralmente apresentam outras funções, entre elas a secretora e a 
absortiva. O tecido conjuntivo possui grande quantidade de matriz extracelular produzida 
pelas próprias células. O muscular possui células mais longas e são responsáveis pela 
contração muscular; já o nervoso é responsável pelos impulsos nervosos (MONTANARI, 
2016; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
20
FIGURA 13 – CÉLULAS DO TECIDO EPITELIAL 
CÉLULA EPITELIAL
Epitélio Escamoso Simples
• Linhas de Vasos Sanguíneos 
e Sacos Alveolares 
• Permite Troca de Nutrientes, 
Resíduos e Gases
Núcleo 
Membrana 
Basal 
Célula
Epitélio Colunar Ciliado
• Áreas Sensíveis - Traqueia, 
Brônquios e Útero 
• Absorção e Secreção
Epitélio Cuboidal Simples
• Alinha Túbulos Renais e 
Glândulas
• Secretam e Reabsorvem 
Água e Pequenas Moléculas
Epitélio Colummar Simples (Liso)
• Alinha a maioria dos órgãos 
digestivos 
• Absorve Nutrientes e Produz Muco
FONTE: <http://twixar.me/Jmcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
21
FIGURA 14 – CÉLULAS TECIDO CONJUNTIVO 
FONTE: <http://twixar.me/ymcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
Matriz 
extracelular
Célula 
mesenquimal
Fibras de 
colágeno
Fibras 
elásticas
Vaso 
sanguíneo
Macrófago
Substância 
fundamental
Colágeno 
Adipócito 
(célula de 
gordura)
FIGURA 15 – CÉLULAS DO TECIDO MUSCULAR 
FONTE: <http://twixar.me/7dcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
TECIDO MUSCULAR 
LISO
TECIDO MUSCULAR ESTRIADO 
(ESQUELÉTICO)
TECIDO MUSCULAR 
CARDIACO
MEMBRANA CELULAR 
(SARCOLEMA) CAPILARES
ESTRIAÇÕES 
TRANSVERSAISMIOFIBRILASMIOFIBRILAS
NÚCLEO 
REDONDO
CITOPLASMA ESTRIA CLARA 
(FILAMENTOS DE ACTINA)
ESTRIA ESCURA 
(FILAMENTO DE MIOSINA)
DISCO 
INTERCALADO
NÚCLEO PLANO 
SOB A MEMBRANA 
CÉLULAR
NÚCLEO DE TECIDO 
CONJUNTIVO
NÚCLEO 
CENTRAL
22
FIGURA16– CÉLULAS DO TECIDO NERVOSO
FONTE: <http://twixar.me/gmcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
DICAS
Aproveitando o tema sobre as funções dos tecidos, você conhece o 
filme chamado “O óleo de Lorenzo?” É um filme de 1992, mas que traz 
um tema muito atual: a busca dos pais de um menino que após os seis 
anos de idade apresentou uma doença rara, chamada atualmente de 
Adrenoleucodistrofia (ALD). Esta é uma doença que provoca a degeneração 
precoce das células do tecido nervoso. Se você já assistiu, vale a pena 
assistir novamente, agora com um novo olhar. Para você que não assistiu, 
curta essa história emocionante!
Outro ponto muito importante é entendermos que as células e os tecidos não 
estão isolados e nem muito menos independentes do restante do organismo. Eles 
estão estreitamente correlacionados através de junções bastante específicas. Falando 
de modo genérico, são estas associações que permitem a formação dos órgãos e em 
última análise, dos sistemas do organismo humano, figura 16. A única exceção a ser 
considerada é o sistema nervoso, que praticamente é formado apenas por células 
nervosas, e ainda as células livres nos sistemas linfático e sanguíneo (MONTANARI, 
2016; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018).
23
FIGURA 16 – TECIDOS DO CORPO HUMANO 
TIPOS DE TECIDOS
TECIDO MUSCULAR TECIDO NERVOSO
TECIDO EPITELIAL TECIDO CONJUNTIVO
Músculo cardíaco
Músculo esquelético
MúsculoLiso
Cérebro
Medula espinhal
Nervos
Células 
musculares
Células 
nervosas
Revestimento do trato 
gastrointestinal e outros órgãos ocos Tendão
Osso
Colunar 
Ciliado
Colunar 
Simples
Cuboidal 
Simples
Simples 
Escamoso
Gordura e outros 
tecidos de 
preenchimento 
macioSuperfície da Pele
Membrana 
de Base
Células de 
gordura
FONTE: <http://twixar.me/zmcm>. Acesso em: 23 fev. 2022.
Os tecidos epiteliais merecem atenção em citopatologia devido à grande 
recorrência nas amostras citopatológicas, sejam em raspados e imprints cervicovaginais, 
biópsias de bexiga, pulmão, tireoide, entre várias outras. Assim, é importante “treinar os 
olhos” para conseguir distinguir os vários tipos de epitélios e as possíveis alterações por 
ventura existentes nas amostras analisadas. Desta forma, ao longo desta unidade e das 
próximas, serão apresentadas fotos cito-histológicas de células e tecidos humanos para 
estudarmos as particularidades de cada um dos tecidos, possibilitando a visualização 
das principais particularidades de cada um deles. 
O epitélio pode ser caracterizado pela justaposição de suas células e pela 
pouca presença de matriz extracelular. Sua principal função é o de revestimento, 
protegendo o corpo e os órgãos. Este tecido ainda faz absorção (intestino através das 
microvilosidades), excreção (túbulos renais) e ainda a excreção (glândulas) (MONTANARI, 
2016; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018).
24
As células possuem formas e tamanhos diferentes nos diversos tecidos epiteliais, 
a depender do local onde estão (aqui vamos nos ater a apenas alguns). Se pensarmos 
na arquitetura das células, elas podem ser basicamente de dois tipos: cúbicas, quando a 
largura, comprimento e altura são iguais; e, quando a largura e o comprimento da célula 
são maiores que sua altura elas são classificadas como pavimentosas (Figura 17). 
FIGURA 17 – TIPOS DE TECIDO EPITELIAL
TECIDOS EPITELIAIS
Cuboidal simples Colunar simples Escamoso simples
Colunar 
estratificado
Escamoso estratificado 
(não queratinizado)
Escamoso estratificado
(queratinizado)
Cuboidal 
estratificado
Pseudoestratificado 
colunar
Transitório
FONTE: <http://twixar.me/5mcm>. Acesso em: 24 fev. 2022.
Na Figura 18 podemos ver células epiteliais pavimentosas na porção superior. 
25
FIGURA 18 – TECIDO EPITELIAL PAVIMENTOSO 
FONTE: <https://stock.adobe.com/br/search?k=histologia&load_type=tagged+keyword&prev_
url=detail&search_type=keyword-badge-details-panel&asset_id=184601525>. Acesso em: 26 fev. 2022.
Na Figura 19, temos a presença de tecido epitelial em corte histológico de 
intestino delgado. Observe a disposição das células e a justaposição entre elas, 
característica importante deste tecido. 
FIGURA 19 – TECIDO EPITELIAL DO INTESTINO DELGADO 
FONTE: <http://twixar.me/Smcm>. Acesso em: 25 fev. 2020.
Existem algumas imagens cito-histológicas, que estudaremos a seguir, que são 
importantes nas investigações de alterações celulares, e também muito requeridas na 
parte de citopatologia não ginecológica divido a sua grande incidência de cânceres, 
conforme já citado no Tópico 1, através das informações estatísticas de INCA (2019). Vale 
lembrar que as imagens cito-histológicas ginecológicas serão estudadas com riqueza de 
detalhes nas Unidades 2 e 3 deste livro didático. São elas: esôfago (Figura 20), traqueia 
(figura 21), intestino delgado (Figura 22), bexiga (Figura 23) e tireoide (Figura 24). 
26
FIGURA 20 – EPITÉLIO DO ESÔFAGO
FONTE: <http://twixar.me/Xmcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
Na Figura 20, nós temos um corte cito-histológico de esôfago. Nele, temos o 
tubo digestivo formado por quatro camadas: a mucosa mais externamente, seguida 
pela submucosa. Na porção mais interna, o esôfago é envolvido por uma camada de 
tecido conjuntivo – adventícia, na porção inicial temos as glândulas esofágicas (tipo 
mucoso) presentes na camada submucosa e logo após geralmente podemos encontrar 
a musculatura da mucosa. Vale ressaltar que no corpo humano apenas o esôfago e o 
duodeno no tubo digestivo possuem glândulas na camada submucosa. 
FIGURA 21 – TRAQUEIA 
FONTE: <http://twixar.me/jmcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
27
Na Figura 21 podemos ver um corte histológico de traqueia. Nela, podemos 
identificar o epitélio pseudoestratificado ciliado no lado esquerdo, ponta da seta (►), e 
ainda a presença de cartilagem hialina na porção central indicada pela seta (↑). 
FIGURA 22 – INTESTINO DELGADO
FONTE: <http://twixar.me/VGcm>. Acesso em: 24 fev. 2022.
FIGURA 23 – EPITÉLIO DE TRANSIÇÃO DA BEXIGA URINÁRIA
FONTE: <http://twixar.me/7Gcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
28
Na imagem anterior percebemos um epitélio especial, o epitélio de transição, 
que está apoiado por uma lâmina própria (uma fina camada de tecido conjuntivo). Essa 
imagem foi corada com hematoxilina e eosina (HE). Note a presença dos núcleos das 
células do epitélio e as mudanças de suas morfologias, caracterizando assim o epitélio 
de transição. 
A glândula tireoide, apresentada na Figura 24, é formada por vários 
agrupamentos celulares que formam milhares de estruturas arredondadas, chamadas 
de folículos tireoidianos. Já as paratireoides, incrustadas na tireoide possuem 
semelhança com os órgãos linfoides, como o baço, porção inferior da imagem.
FIGURA 24 – TIREOIDE 
FONTE: <http://twixar.me/NGcm>. Acesso em: 26 fev. 2022
Na Figura 22, nós podemos ver do lado direito as células que formam essa 
glândula endócrina folicular. Observe as células apontadas pela seta (↑). Elas são as 
responsáveis pela produção de coloide, apontado pela ponta de seta (▼). Estas unidades 
secretoras são células epiteliais cúbicas, simples (note o formato de seus núcleos – bem 
arredondados. Vale mencionar que a tireoide é formada por vários folículos. 
29
INTERESSANTE
Você sabia o porquê de a maioria dos cortes cito-histológicos usarem a 
coloração chamada de hematoxilina eosina (HE)? 
Não? Então vamos saber um pouquinho sobre ela.
Neste tipo de coloração, os núcleos que possuem característica ácida 
– principalmente devido à presença neles dos ácidos nucleicos – tem 
grande afinidade pelos corantes classificados como básicos, como é o 
caso da hematoxilina (o H da sigla “HE”). As estruturas que apresentam 
esta característica química são chamadas em cito-histologia de estruturas 
basófilas e, coram-se de roxo.
O citoplasma das células, nesta coloração, apresenta-se corado de rosa ou 
até mesmo alaranjado, devido à afinidade com a eosina (“E” da sigla “HE”), que é um 
corante prioritariamente ácido. Desta forma, os constituintes que são acidófilos vão se 
apresentar em cor de rosa. 
Aliados, estes dois corantes oferecem às lâminas de cito-histologia excelentes 
contrastes, o que facilita muito os estudos e as análises pertinentes a elas. Tendo, 
portanto, grande utilização nas rotinas laboratoriais. 
IMPORTANTE
Uma dica valiosa: quando queremos descobrir o tipo de célula presente no epitélio, 
olhamos para o seu núcleo, ele geralmente reflete o tipo da célula. Núcleos mais alongados, 
sugerem tecidos colunares; núcleos mais arredondados, células cúbicas.
E aí, depois de todo este estudo que fizemos para podemos reconhecer os perfis 
“normais” das células, vocês podem estar se perguntando o porquê de estudar todas estas 
características? Por que é preciso saber as características de núcleos e citoplasmas em 
tecidos sadios? Para que relembrar tudo isso de cito-histologia? 
Para que você seja capaz de identificar alterações celulares em 
situações inflamatórias ou ainda em diagnósticos envolvendo a 
malignidade celular. Várias características consideradas “normais” são 
perdidas nestes casos. Por isso, todo esse esforço em relembrar a 
citologia normal dos principais tipos celulares e teciduais de interesse 
na Citopatologia, já trazendo a outra fundamental importância, que 
veremos mais detalhadamente no Tópico 3, as técnicas de coleta e de 
coloração para diagnósticos seguros.
30
Caríssimo acadêmico! Você viu a importância de identificarmos as arquiteturasconsideradas normais das células em seus respectivos tecidos? Viram a importância 
das colorações?
Em Citopatologia, fazemos sempre comparações entre as células e os tecidos 
sadios com as amostras que estamos analisando. É o reconhecimento das estruturas 
“diferentes”, com auxílio das as colorações diferenciais, que nos conduz ao diagnóstico 
da patologia que por ventura exista na amostra em estudo. Mas não se preocupe! 
Estamos apenas no início da nossa jornada pelo mundo da citopatologia clínica. 
Aos poucos, vamos nos habituando a ver as diferenças e nos inteirando das 
técnicas de coleta, de conservação e das principais colorações utilizadas em laboratórios 
citológicos. Inclusive, esse é o tema do nosso próximo tópico! Aguardamos você!
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• Existem cinco grandes reinos: monera, protista, plantae, fungi e animalia.
• As principais funções das células são: estruturais, metabólicas e reprodutivas.
• Os vírus são seres acelulares, portanto, não vivos, e são classificados como parasitas 
intracelulares obrigatórios.
• A diferença entre as células eucarióticas e as procarióticas é a presença de membrana 
de envoltório celular – carioteca, no primeiro tipo celular. 
• As células (e tecidos) utilizados nas análises citológicas podem ser obtidas por 
descamação, expelidas ou ainda retiradas de partes do corpo de interesse clínico. 
• Os tecidos que formam o organismo humano são: epitelial, conjuntivo, muscular e 
nervoso.
• A hematoxilina e eosina (um dos principais corantes utilizados em citologia, conhecido 
como HE) cora o núcleo com colorações arroxeadas e citoplasma com coloração 
rósea ou alaranjada.
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AUTOATIVIDADE
1 O tecido epitelial é um dos quatro principais tipos de tecidos que formam o organismo 
humano. Entre suas principais características podemos mencionar: presença 
de células justapostas e ainda pouca matriz extracelular. Sobre a arquitetura 
celular destes tecidos passíveis de visualização nos principais tipos de colorações 
empregadas em citopatologia, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Existe entre o tecido epitelial e o conjuntivo, este que sempre acompanha o 
epitelial dando a eles sustentação principalmente, a presença de uma lâmina 
basal visível. 
b) ( ) Existem apenas dois tipos de tecido epitelial: o tecido epitelial de revestimento 
pavimentoso, comum no trato genital feminino e o tecido epitelial conjuntivo que 
oferece sustentação ao tecido conjuntivo. 
c) ( ) O tecido epitelial prismático, também chamado de colunar ou cilíndrico apresenta 
sempre núcleos celulares arredondados e com pouca coloração independente 
da coloração utilizada. 
d) ( ) O tecido epitelial sempre apresenta várias camadas celulares, portanto, pode ser 
sempre classificado como tecido epitelial estratificado.
2 A mucosa intestinal é formada por uma série de projeções que formam pregas 
e vilosidades (microvilosidades) que aumenta a sua superfície de contato e 
consequentemente possibilita a maior absorção dos nutrientes. Este epitélio possui 
grandes propriedades absortivas e ainda células produtoras de muco que protege 
e lubrifica o intestino. Um especialista em citopatologia, ao analisar uma lâmina de 
intestino com microvilosidades, espera visualizar qual(is) tipo(s) celular(es)?
a) ( ) Células com alta produção de matriz extracelular. 
b) ( ) Células pertencentes ao tecido epitelial de revestimento prismático-cúbico. 
c) ( ) Células epiteliais colunares e células caliciformes. 
d) ( ) Somente células do tecido conjuntivo e do sistema muscular.
3 Ao analisar uma lâmina de citologia, um aluno do curso de farmácia percebeu que 
as coleções celulares visualizadas apresentavam formato cúbico, estavam muito 
próximas umas das outras, com pouca matriz extracelular e existia a presença de 
células produtoras de muco. Diante desta caracterização, sobre o tipo do tecido em 
análise pelo acadêmico, assinale a alternativa CORRETA: 
a) ( ) Tecido conjuntivo propriamente dito. 
b) ( ) Tecido epitelial cúbico com células caliciformes. 
c) ( ) Tecido muscular estriado esquelético.
d) ( ) Tecido nervoso.
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4 A realização de análises citológicas sempre está relacionada com comparações entre 
as células e os tecidos sadios com as amostras em análise. Reconhecer as estruturas 
“diferentes”, com auxílio das colorações diferenciais e principalmente das arquiteturas 
celulares permitem o diagnóstico da patologia que por ventura exista na amostra 
em estudo. Neste contexto, disserte sobre a importância de saber reconhecer a 
arquitetura fisiológica dos tecidos humanos para realizar um diagnóstico clínico 
confiável e com segurança.
5 A chamada “Doença da inclusão das microvilosidades ou atrofia das microvilosidades” 
é uma patologia que ocorre devido a um distúrbio congênito que afeta as células 
epiteliais do intestino, e como principal sintoma, tem-se diarreia aquosa abundante 
e persistente, que se apresenta ainda no período neonatal. Os primeiros relatos 
desta doença aconteceram em 1978 e sua principal forma de diagnóstico é através 
de biópsia intestinal que indica uma atrofia das microvilosidades e ausência de 
processos inflamatórios. De acordo com seus conhecimentos sobre os constituintes 
celulares e a arquitetura intestinal, disserte sobre a possível aparência de uma lâmina 
cito-histológica desta patologia.
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TÓPICO 3 - 
TÉCNICAS E MATERIAIS DE COLETA, 
CONSERVAÇÃO E COLORAÇÃO DE 
AMOSTRAS CITOLÓGICAS
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 1
Caro acadêmico, neste Tópico 3, abordaremos as principais técnicas de coleta de 
materiais citopatológicos e ainda os melhores métodos de conservação e de coloração. 
Estes são requisitos fundamentais para uma análise satisfatória e assertiva. O primeiro 
esclarecimento a ser feito neste tópico é que a citologia, ou ainda a citopatologia, é o 
ramo das ciências médicas e biológicas pertencente ao grupo da histotecnologia que 
possui imensa relevância clínica, pois é a partir dela que é possível realizar o diagnóstico 
de uma grande gama de doenças que podem acometer os seres humanos e também 
os animais. 
Citopatologia é a ciência que realiza os estudos, e posteriormente o diagnóstico, 
através de modificações celulares – tanto nucleares quanto citoplasmáticas. Seu 
desenvolvimento ocorreu principalmente devido aos inúmeros avanços tecnológicos, 
como a invenção do microscópio por Zaccharias até a descoberta e desenvolvimento 
de inúmeras técnicas de coloração que permitiram melhores estudos citológicos por 
propiciarem melhores visualizações das estruturas celulares.
É inegável que técnicas complementares podem ser necessárias para fechar 
um diagnóstico clínico como ultrassons, tomografias e ainda a biologia molecular. Outro 
fato que deve ser considerado e que nem sempre é possível obter amostras clínicas de 
qualidade para as análises e contra análises (quando necessárias), por diversos fatores. 
Dentre elas, o principal entrave, talvez, sejam os sítios de investigação de difícil acesso. 
Devemos considerar ainda que as diversas enfermidades (ou doenças) que 
acometem os tecidos humanos podem ter diversos agentes etiológicos responsáveis: 
fungos, vírus, bactérias, protozoários e até mesmo diversos corpos estranhos, e cada 
um deles exige uma especificidade para seu respectivo diagnóstico. 
Então, vamos estudar agora as várias técnicas de coleta, como devemos conservar 
cada uma das amostras, respeitando sempre suas características, e ainda como utilizar as 
técnicas de coloração como auxílio nos diagnósticos clínicos. Vamos lá?!
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2 TÉCNICAS E MATERIAIS DE COLETA 
O primeiro relato na literatura sobre a utilização das técnicas citológicas para 
fins de diagnóstico é datado de 1843, por Sir Julius Vogel, que realizou a identificação 
de células portadoras de malignidade em secreções drenadas de fistulas de um tumor 
mandibular. Após ele, foi a vez de Henri Lebert, em 1845, registrar seus achados 
morfológicos de células tumorais obtidas por aspiradostumorais. 
Em 1853, o pesquisador Donaldson descreveu a citologia de células tumorais, 
obtidas de cortes de superfícies tumorais, quando explicava a aplicação prática do 
microscópio à época. Como outros nomes contemporâneos, com a utilização de 
técnicas citopatológicas, temos o professor Lionel Beale, em analises de escarro, e 
o Doutor Lambl de Praga, em amostras de urina, ambos com descrições de achados 
celulares com características de malignidade (BRASIL, 2012a; INCA, 2019).
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), foi apenas após os trabalhos 
do Dr. George Papanicolau, em 1917, que as análises citológicas voltaram ao auge 
na comunidade científica. Talvez tenham sido necessários avanços relacionados às 
colorações e às técnicas cito-histológicas para que as análises citológicas voltassem a 
ser utilizadas pelos pesquisadores. 
DICAS
Quer conhecer mais sobre a história do Dr. George Papanicolaou? Veja 
a leitura complementar ao final desta unidade e ainda acesse o site do 
Museu Histórico da Faculdade de Medicina de São Paulo – FMUSP – http://
www.pesquisadores.museu.fm.usp.br/index.php/papanicolau-george-
n;isad).Vale muito a pena conhecer mais da história deste médico e 
pesquisador que viveu muito à frente de seu tempo. Boa leitura!
Dr. Papanicolaou foi o responsável pela criação da metodologia chamada de 
citologia esfoliativa para diagnóstico, sobretudo, precoce, como forma de diagnosticar 
o câncer cervical. Para entender a técnica, faz-se necessário estudarmos os tipos de 
descamação celular existentes, que, por sua vez, pode ser de dois tipos. A primeira é 
espontânea, em que temos como exemplo a urina e o escarro, e a segunda, o método 
artificial, que é aquele que conta com a utilização de algum tipo de objeto ou instrumento 
para a obtenção da amostra citológica (INCA, 2019).
A citologia esfoliativa é uma técnica muito empregada para estudos celulares 
com alterações displásicas – células que apresentam alterações em sua fisiologia e que 
na maioria das vezes apresentam crescimento anômalo –, mas também empregada 
primordialmente como forma de identificar processos inflamatórios e fisiológicos, 
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causados por microrganismos nas diversas partes do organismo humano. Deve-se 
considerar também que nesta modalidade de coleta vários tipos celulares podem ser 
identificados – o que reforça ainda mais a necessidade de reconhecer a maioria deles 
– como as células pertencentes aos tecidos locais e circunvizinhos, células sanguíneas 
(advindas de microlesões que ocorrem no momento da coleta ou ainda devido a 
processos inflamatórios já estabelecidos no sítio de coleta) e células do sistema de 
defesa (sistema imunológico) principalmente leucócitos (BRASIL, 2012a).
Ainda, para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), as vantagens desta técnica 
são várias: simples execução, rápida amostragem, possibilidade de obter-se mais de 
uma amostra relativa ao mesmo sítio, caso desejado, ou ainda quando solicitado pelo 
médico assistente, permite excelente sensibilidade para diagnóstico, e principalmente, 
baixo custo. 
A citologia preparada em meio líquido vem crescendo nas últimas décadas, 
principalmente com o advento da maior sensibilidade das análises citológicas. Esta me-
todologia permite preparar as lâminas de análise com menores quantidades de mate-
riais sobrepostos, além de propiciar a realização de testes moleculares, principalmente 
aqueles destinados à identificação do vírus do HPV. Falaremos detalhadamente sobre 
esta nova tecnologia citológica em tópicos especiais na Unidade 3.
2.1 COLETA DE MATERIAL E CONSERVAÇÃO 
Acadêmico, até aqui, no percurso de nossos estudos, vimos falando sobre 
esfregaços, raspados e aspirados, mas ainda não tínhamos detalhado cada uma das 
técnicas. É o que vamos fazer agora. Vamos estudar cada técnica com o máximo de 
detalhes possíveis. 
Assim como qualquer técnica de diagnóstico possui alguns inconvenientes 
ou limitações, como já dito anteriormente, com as técnicas citológicas não é diferente. 
Podemos citar: tempo relativamente longo para preparo e devidas interpretações, limitação 
da determinação da extensão das lesões nos casos em que existem, dentre outras. Temos 
que ter sempre em mente que os principais objetivos dos exames citopatológicos são: I 
- confirmação das suspeitas clínicas; II - identificar doenças sem sintomatologia clínica 
(diagnósticos precoces, como no Papanicolau) e, III - acompanhamento da terapêutica em 
tratamento farmacológico ou não (BRASIL, 2012ª; BRASIL, 2012b).
Devemos ter consciência que as amostras citológicas podem ter variadas origens. 
Didaticamente, costuma-se separar as amostras em: citopatológicas não ginecológicas 
e amostras ginecológicas, que vamos estudar mais detalhadamente na Unidade 3. Além 
dos vários possíveis sítios de coleta, temos variadas técnicas e preparações, que ao final, 
tem o mesmo objetivo: analisar a existência de possíveis alterações celulares.
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Para Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010), genericamente, as amostras 
podem ser classificadas de três formas: líquidas, em grande parte oriundas de 
cavidades corpóreas: como pleura, cápsulas articulares, peritônio, líquor etc., além da 
urina; amostras pastosas, advindas de punções ou drenagens e ainda, os esfregaços, 
comumente obtidos de Colpocitologia. Ainda segundo esses autores, pode-se relacionar 
a origem da amostra ao método de coleta, e esta, à classificação amostral, conforme 
exposto no Quadro 1. 
QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DAS AMOSTRAS E MÉTODOS DE COLETA EM CITOPATOLOGIA
Classificação 
da amostra
Método de coleta Origem da amostra
Distensão celular 
(esfregaço)
Raspagem swab ou 
espátula (Ayres)
Colpocitologia
Olhos
Lavado brônquico
Imprint ou decalque
Lesões cutâneas
Biópsias
Peças cirúrgicas
Punção aspirativa
Sangue
Lavado brônquio
Líquor espinhal
Amostras 
pastosas
Expectoração Escarro
Punção ou drenagem
Abscessos
Massas necróticas
Amostras 
líquidas
Espontânea ou por cateter Urina
Escovação Líquido sinovial
Escovação ou lavado Líquido peritoneal ou ascítico
Punção
Líquido pleural
Líquido peritoneal ou ascítico
Líquido pericárdio
Lavado brônquio alveolar
Lavado vesical
Líquido estomacal
Lavado brônquico
Líquido sinovial
FONTE: Adaptado de <https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/capitulo_4_vol2.pdf>. 
Acesso em: 5 jan. 2022
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2.1.1 Escovados e raspados 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012ª; BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c), 
os escovados e raspados são materiais obtidos através da esfoliação das superfícies 
de interesse clínico, por intermédio de instrumentos específicos para esta finalidade. 
São empregados atualmente “escovinhas” (Figura 25) e espátulas de Ayres, conforme 
a Figura 26.
FIGURA 25 – ESCOVA
FONTE: <http://twixar.me/cGcm>. Acesso em: 26 fev. 2022
FIGURA 26 – ESPÁTULA DE AYRES 
FONTE: <http://twixar.me/sGcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
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Outro instrumento muito utilizado nas coletas de amostras citopatológicas, 
Papanicolaou é o espéculo, ou o popular bico de pato, chamado assim devido ao seu 
formato que se assemelha ao formato do bico deste animal (Figura 27). Ele é utilizado 
para afastar as paredes da vagina, facilitando a visualização e realização do exame. 
FIGURA 27 – ESPÉCULO OU BICO DE PATO 
FONTE: <http://twixar.me/MGcm>. Acesso em: 26 fev. 2022
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012ª; BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c) e 
Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010), os raspados podem ser obtidos de vários sítios – 
pele, boca, cavidades etc. A recomendação é de não realizar a higiene do local de coleta 
nem fazer a utilização de medicações tópicas, pois estas práticas prejudicam a coleta 
das amostras, podendo comprometer sua análise e, consequentemente, o diagnóstico. 
A depender das dimensões da área de coleta, realiza-se, geralmente, até três raspagens 
– coleta tríplice –, da maneira mais delicada possível para evitar microlesões e prováveis 
sangramentos, o que poderia, também, comprometer a amostra. 
Os escovados podemser obtidos com o auxílio de endoscópicos, que facilitam 
a visualização de possíveis lesões, sendo que podem ser de diversos sítios, como 
brônquico, intestinal e até mesmo gástricos, e as amostras obtidas analisadas através 
de esfregaços ou de cell blocks – bloco celular. 
A técnica de cell blocks é um procedimento que combina técnicas cito 
histopatológicas e tem como principal indicação os casos em que a coleta oferece 
baixas contagens celulares. Ela permite armazenar todo sedimento celular obtido na 
amostragem, pelo método de centrifugação, seja esta líquida ou pastosa, possibilitando 
análises posteriores, fato crucial nos casos em que existem indícios de tumores pouco 
diferenciados (BRASIL, 2012a).
41
Conforme afirma o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), após a coleta, o 
material é depositado suavemente em distensão em uma lâmina de vidro limpa e 
desengordurada (Figura 28), através de um espalhamento fino e rápido, de maneira 
mais uniforme possível. Outra metodologia possível é cortar a ponta da escova ou 
espátula, imergi-la em salina ou em líquido conservante e submetê-la à centrifugação. 
Após desprezado o sobrenadante e com auxílio de uma alça bacteriológica pode ser 
retirado uma alíquota do sedimentado e depositá-lo em lâmina para confecção do 
esfregaço para posterior procedimentos de análise. 
FIGURA 28 – LÂMINA DE VIDRO E ESCOVINHA 
FONTE: <http://twixar.me/QGcm>. Acesso em: 26 fev. 2022
Após esta etapa, é realizada a fixação, na qual pode ser utilizado álcool a 95% ou 
ainda um spray fixador. Este procedimento deve ser rápido para evitar a dessecação do 
material e comprometer a amostra. Em seguida é realizada a coloração. Uma observação 
importante no momento da fixação, é o cuidado para não criar artefatos de coleta ou 
artefatos técnicos – contaminações da amostra com fios de algodão ou gaze, ou ainda, 
pelo talco das luvas de procedimento (BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b).
O talco apresenta forma de cristal em forma de cruz de malta. Quando a amostra 
é contaminada com sangue – chamado na prática laboratorial fundo hemorrágico – 
provavelmente devido a uma microlesão no momento da coleta da amostra. Outro 
cuidado que devemos ter é evitar o esmagamento das células, devido, provavelmente 
a uma pressão exagerada no momento da confecção da lâmina, provocando uma lise 
celular, que pode ser caracterizada pelo aparecimento de filamentos basofílicos na 
lâmina, que na realizada são restos dos núcleos celulares. 
Conforme afirma o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b), após 
todos estes procedimentos, devemos passar para a etapa de fixação dos esfregaços 
citológicos, que podem ser feitos em álcool, etanol 95%, que é o fixador de rotina devido 
ao baixo custo e baixíssima toxicidade. Ela deve ser realizada ainda com o esfregaço 
úmido, por imersão. Somente deverá ser retirado no momento da coloração. Lembrando 
que o tempo mínimo recomendado pela literatura é de 15 minutos e o tempo máximo 
em imersão, deverá ser de 14-15 dias. 
42
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) nos alerta para o fato das amostras que 
ficam em contato com o fixador por um período maior que o recomendado (ou se a 
solução fixadora estiver fora do padrão de concentração), podem comprometer a 
amostra, provocando até mesmo a inviabilização da análise. Entre os fatores que podem 
comprometer a análise, temos: opacidade, aumento da eosinofilia citoplasmática, 
aumento das dimensões nucleares (até 6x), dentre várias outras. Outros fixadores 
podem ser empregados: Carbowax (etanol e polietileno glicol) e ainda sprays (álcool 
isopropílico e glicol). Estes possuem vantagem sobre o fixador de rotina, devido a maior 
praticidade de transporte das amostras quando estas são obtidas a grandes distâncias 
do local de análise, evitando, dessa forma, possíveis vazamentos ou mesmos danos às 
lâminas, mas como desvantagem apresentam maior custo.
Devemos lembrar que o principal objetivo de todos os tipos de fixadores é 
sempre a preservação da arquitetura celular e de sua composição química, presentes 
no momento da coleta da amostra. 
2.1.2 Imprints – impressões teciduais
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), esta técnica baseia-se literalmente 
em colocar o material amostral (geralmente um corte de tecido – geralmente 
histopatológico) em contato com a superfície de vidro da lâmina, e, por impressão, 
transferir as células para análise na lâmina de vidro. Muitos autores chamam está 
técnica de ‘citologia por decalque’ ou ‘citologia de decalque’.
2.1.3 Lavados 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), lavados são amostras obtidas 
através da utilização de cateteres. A lavagem com soluções salinas de uma determinada 
cavidade de interesse do organismo. Esta técnica geralmente fornece baixas contagens 
celulares para análise. Elas podem ser broncoalveolar (LBA), brônquios (LB) entre vários 
outros. A instilação da solução de lavagem geralmente ocorre nos locais onde há lesões 
ou o máximo possível de proximidade dela, guiada por endoscópio e posteriormente 
aspirada. O procedimento pode ser realizado ambulatorialmente, com paciente 
levemente sedado. 
Vale lembrar que, após a coleta, os líquidos resultantes são levados à centrífuga, 
obtendo-se o sobrenadante que é descartado e o precipitado utilizado para confecção 
do esfregaço ou cell block. Os fixadores ficam a critério do laboratório mediante a 
disponibilidade, mas geralmente emprega-se etanol 95% ou Carbowax. O LBA é uma 
metodologia bastante empregada no diagnóstico de infecções oportunistas em 
pacientes com baixa imunidade, com o de Pneumocysti carinii. Esta técnica apresenta 
sensibilidade de 30 a 70% nos diagnósticos de malignidade, principalmente em 
tumorações difusas e/ou multifocais (BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c).
43
Os lavados esofágicos e gástricos também são obtidos por meio de guias 
endoscópicas. Para o primeiro, há recomendação de jejum de 8 horas, para o segundo, 
12 horas. Os lavados são obtidos de áreas que requerem investigações de mucosa. O 
fixador geralmente mais empregado nestes casos é o etanol a 50% para o primeiro e 
etanol 95% para o segundo.
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), os lavados peritoneais 
requerem maior nível de atenção, pois deve-se adicionar à amostra três unidades de 
heparina para cada mililitro de volume de amostra e refrigeradas a 4°C até o momento 
da concentração e realização do esfregaço. Caso a demora seja um pouco mais 
prolongada, é necessário o acréscimo de etanol 50% em partes iguais. Em lavados que 
apresentam indícios de hemorragia, deve-se adicionar anticoagulante – o mais utilizado 
é citrato de sódio a 3,8% na proporção de 1:5 ou ainda heparina, na proporção de 5-10 
unidades para cada 10mL de amostra. 
2.1.4 Líquidos cavitários
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), as amostras líquidas (pleurais, ascíticos 
ou pericárdicos), são investigados agentes infecciosos, alterações celulares benignas, 
e claro, alterações celulares malignas em estágio primário ou mesmo em metástases. 
As amostras devem ser obtidas em ambientes hospitalares e devem conter entre 2mL e 
500mL, amostras maiores ou menores ao intervalo são consideradas inadequadas. 
O processamento ocorre sem adições, exceto em casos hemorrágicos, onde 
é acrescido heparina. As análises que ocorrem após 12 horas de coleta devem sofrer 
acréscimo de etanol 50% para sua preservação. Como recomendação complementar 
nestes casos, indica-se o emprego da técnica de cell blocks para obtenção de amostras 
permanentes para a realização de colorações especiais, caso necessário. 
2.1.5 Materiais obtidos espontaneamente 
Um dos materiais mais analisados na rotina de citopatologia para diagnóstico 
lesional no trato respiratório é o escarro, principalmente devido a sua facilidade de 
obtenção e que gera pouco ou nenhum desconforto ao paciente. Mesmo com estas 
vantagens, a broncoscopia e a punção por agulha fina (PAAF – tema de estudo do 
nosso próximo item (2.1.6)) vemganhando mais espaço nas análises referentes ao 
trato respiratório. 
Nas amostras de escarro, deve-se verificar a sua adequação à análise, 
pois a mostra, para ser adequada, precisa apresentar células cilíndrica ciliadas e 
ainda macrófagos alveolares, indicando que o trato respiratório inferior está com 
representatividade amostral. As amostras, múltiplas de escarro devem ser coletadas 
44
2.1.6 Punções: por agulha fina (PAAF) e por capilaridade 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) e INCA (2019), foi nos Estados 
Unidos, em 1926, que a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) foi apresentada, por 
Martin e Ellis, e somente na década de 1950 que passou a ter uso mais recorrente, 
quando agulhas de menores calibres passaram a ser utilizadas. Nos dias atuais, tem 
sido uma prática comum na clínica, principalmente na obtenção de amostras celulares 
em órgãos mais profundos e de difícil acesso às técnicas citopatológicas.
As punções são metodologias simples, executadas de maneira ágil e apresentam 
excelente precisão de diagnóstico. Elas podem ser realizadas ambulatorialmente e 
complicações decorrentes do processo são consideradas raras. Existem apenas algumas 
contraindicações para grupos específicos de pacientes: portadores de distúrbios de 
coagulação e em uso de anticoagulantes, pacientes com tosse e tumor carotídeo, aos 
demais deve avaliar-se o risco benefício (BRASIL, 2012a).
em dias consecutivos, o que confere um aumento de sensibilidade de 42% para uma 
amostra e, em casos de cinco amostras, para 91%. Devem ser fixadas com etanol 95% 
ou, quando não for possível a preparação imediata do esfregaço, deve-se realizar uma 
prefixação, diluição em 1:1 de etanol a 50% ou 70% ou ainda com Carbowax em etanol 
50% (BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b).
Outra amostra espontânea comum em citopatologia é a urina. Por meio dela, 
pode-se verificar a existência de lesões pré-cancerosas na pelve renal, bexiga, ureter 
e também da uretra. A primeira urina do dia não é indicada. A recomendação é que 
o paciente esvazie a bexiga e faça hidratações a cada 30 minutos por duas horas. 
A coleta da próxima urina deve ocorrer ainda pela manhã, diretamente no coletor, 
preferencialmente no laboratório que fará a análise, após devida higienização da 
genitália com água e sabão é a mais indicada. 
Alguns autores aconselham aos pacientes uma prática de atividade física, de 
quinze minutos antes da coleta, como forma de provocar uma maior mobilização 
da urina dentro da bexiga facilitando o processo de descamação epitelial (e/ou 
tecidual), melhorando a qualidade da amostra, que deve ter entre 25 e 100mL. 
O processamento do material deve ser imediato ou em até seis horas pós coleta 
(BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b).
As secreções mamárias também são relativamente comuns em citopatologia 
e tem como objetivo diagnosticar infecções, papilomas e até mesmo neoplasias. 
Este tipo de amostra citológica é utilizado somente quando não é possível perceber 
anormalidades na mamografia ou ainda aquelas percebidas à palpação, e em muitos 
casos a secreção é a única anomalia percebida. O obtido deve ser depositado 
diretamente na lâmina de vidro com confecção do esfregaço e posterior fixação com 
etanol 95% (BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b).
45
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), a assepsia do local a ser 
puncionado geralmente é feita com álcool iodado. Existe a recomendação, por alguns 
autores, do uso de pistola porta seringa – instrumentação utilizada para dar suporte 
à agulha e seringa. O Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) recomenda, ao realizar-se 
a PAAF, colocar o paciente na posição mais privilegiada para a coleta, de preferência 
com certo conforto ao paciente. Deve-se previamente realizar a escolha do local, por 
palpação ou com auxílio de exames de imagem, fazer a assepsia do local, segurar o sítio 
da punção entre os dedos indicador e médio, e posteriormente, efetuar a punção. 
Para realizar-se a punção, conforme afirma o Ministério da Saúde (BRASIL, 
2012a), devemos seguir a seguinte sequência de procedimentos: A: manter o êmbolo 
na posição zero e introduzir a agulha na lesão em ângulo perpendicular à superfície da 
pele; B: promover forte pressão negativa no interior da seringa, deslocando o êmbolo 
para estabelecer vácuo, mantendo-o; C: fazer movimentos de “vai e vem” com a agulha 
na lesão, nas diversas direções e profundidades, mantendo a pressão negativa ainda 
com a agulha na lesão; D: soltar o êmbolo da seringa, desfazendo a pressão negativa, 
ainda com a agulha na lesão; E: retirar a agulha da lesão e comprimir o local com uma 
gaze; F: retirar a agulha da seringa com o êmbolo na posição zero; G: puxar o êmbolo da 
seringa, fazendo vácuo; H: acoplar a agulha na seringa para em seguida, empurrando o 
êmbolo, depositar o material na lâmina e proceder a preparação do esfregaço. 
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) e Molinaro, Caputo e Amendoeira 
(2010), quando o material resultante da PAAF é líquido, faz-se necessário centrifugar 
a amostra, para sedimentar as células para realizar o esfregaço (e desprezar o 
sobrenadante). Nos casos em que a amostra é oriunda de nódulos sólidos, deve-se 
apenas permitir a entrada de um pouco de ar, acoplar nova agulha e fazer o depósito 
da amostra sobre a lâmina, cerca de 2 a 3mm e confeccionar o esfregaço. Em amostras 
semissólidas ou com traços hemorrágicos, deve-se utilizar uma lâmina inclinada a 45° 
para estender o material de forma delicada, rápida e de maneira uniforme. 
Outro tipo de punção muito utilizada na clínica nos dias atuais, segundo 
o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), é a punção por capilaridade foi utilizada pela 
primeira vez em 1986 pelo médico francês Zajdela em uma coleta oftalmológica. Nela, 
a obtenção do material ocorre através do deslocamento celular promovido pela ponta 
da agulha (bisel) no ato de sua introdução no tecido, não existe o emprego de pressões 
negativas. Ao perceber a existência de amostra no bisel, a agulha é retirada da lesão com 
o material coletado e posteriormente depositado em várias lâminas para a confecção 
dos esfregaços. 
Esta técnica, ainda segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), foi 
disseminada na comunidade científica posteriormente, e hoje passou a ser empregada 
em diversos órgãos, principalmente devido aos menores traumas causadas pela técnica, 
ser de fácil execução e ainda por fornecer bom quantitativo celular às análises citológicas. 
Os materiais utilizados são basicamente os mesmos utilizados na PAAF tradicional. 
46
2.2 COLORAÇÕES EM CITOPATOLOGIA 
De acordo com Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010), vários fatores são 
determinísticos para um diagnóstico assertivo em citopatologia clínica. Entre eles, temos 
a qualidade das colorações, a preparação da amostra e sua fixação. Devem ser evitados 
os artefatos advindos de colorações que podem em situações extremas inviabilizar a 
análise do material citopatológico. 
Muitos corantes com emprego tradicional em histologia são e devem ser 
utilizados em citologia com algumas pequenas adaptações, seja no processamento das 
amostras ou ainda em condições e situações especiais, como na imunocitoquímica, 
porém, de maneira rotineira, na citopatologia, a metodologia de coloração desenvolvida 
por Papanicolaou é a mais empregada e recomendada. Outras colorações utilizadas são: 
hematoxilina-eosina (HE), May-Gruenwald Giemsa (MMG), Shorr, entre outras (MOLINARO; 
CAPUTO; AMENDOEIRA, 2010; BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b). Pela grande importância e 
pelo vasto uso, vamos estudar mais detalhadamente algumas colorações. 
2.2.1 Coloração de Papanicolaou
Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010) afirmam que a coloração de Papanicolaou 
é formada por um corante natural, a hematoxilina, e ainda por dois outros corantes com 
afinidades citoplasmáticas o Orange G6 e o EA, que são formados pela combinação de 
eosina, verde luz (também conhecido por verde brilhante) e pelo pardo de Bismarck. O 
conjunto de corantes utilizados por estatécnica tem como principal objetivo evidenciar a 
morfologia das células bem como os graus de maturidade celular (MOLINARO; CAPUTO; 
AMENDOEIRA, 2010; BRASIL, 2012a, BRASIL, 2012b).
Esta técnica é realizada em etapas, conforme descrito no Quadro 2. Vale lembrar 
que cada laboratório faz suas próprias adaptações, seja pelo tempo de técnica ou pelo 
custo da coloração. A hematoxilina tem afinidade pelos núcleos, e estes são corados de 
azul-roxo. O verde brilhante cora os citoplasmas de verde-azul de células parabasais e 
intermediárias, células colunares e ainda os histiócitos. A eosina irá realizar a coloração 
citoplasmática das células superficiais, de nucléolos, mucinas endocervicais e ainda 
de cílios no tom rosa. O Orange G6 vai realizar a coloração de hemácia e de células 
queratinizadas em laranja brilhante. Em seguida, os esfregaços passam por uma etapa 
chamada de clareamento, por xilol (MOLINARO; CAPUTO; AMENDOEIRA, 2010; BRASIL, 
2012a, BRASIL, 2012b). Vamos estudar várias lâminas de esfregaços cervicovaginais nas 
Unidades 2 e 3. Inclusive, vamos estabelecer comparações entre aquelas “normais” e 
outras, em que patologias se fazem presentes.
47
QUADRO 2 – MÉTODO DESCRITIVO DA COLORAÇÃO DE PAPANICOLAOU
Etapa Corante/reagente N° de mergulhos
1 Etanol 80% 5-10
2 Etanol 70% 5-10
3 Etanol 50% 5-10
4 Água destilada I 5-10
5 Água destilada II 5-10
6 Hematoxilina de Harris 1 a 5 minutos
7 Água destilada 5-10
8 Diferenciar em álcool-ácido 3
9 Água destilada 5-10
10 Banho de água amoniacal 5
11 Água destilada 5-10
12 Etanol 50% 5-10
13 Etanol 70% 5-10
14 Etanol 95% 5-10
15 Orange G, solução de trabalho 1 minuto
16 Etanol 95% 5-10
17 Etanol 95% 5-10
18 Etanol 95% 5-10
19 Eosina-EA65, solução de trabalho 5 minutos
20 Etanol 95% 5-10
21 Etanol 95% 5-10
22 Etanol 95% 5-10
23 Etanol 100% I 5-10
24 Etanol 100% II 5-10
25 Etanol 100% III 5-10
26 Xilol I 5-10
27 Xilol II 5-10
28 Xilol III 5-10
29 Selar em meio hidrófobo
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_1.pdf>. Acesso em: 6 jan. 2022.
48
• Resumo do resultado da colação, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a): 
I- Células escamosas maduras -> róseo-avermelhada.
II- Nucléolo -> vermelho- arroxeado.
III- Células metabolicamente ativas -> verde azulado.
IV- Citoplasma queratinizado -> laranja ou amarelo.
2.2.2 Coloração de May-Grünwald-Giemsa
Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010) discorrem que essa coloração é bastante 
utilizada em distensões em que a amostra é oriunda do sangue periférico, medula 
óssea, elementos celulares obtidos por punção, esfoliação e imprint. São utilizados dois 
corantes e as soluções podem ser ajustadas. Outra observação a ser feita é que as 
soluções devem ser preparadas no momento do uso e desprezadas após seu término. 
QUADRO 3 – MÉTODO DESCRITIVO DA COLORAÇÃO DE MAY-GRUNWALD-GIEMSA
Etapa Corante e/ou reagente
1 Fixar em Metanol por 15 min
2 Corar com Solução May-Grünwald por 5 min.
3 Escorrer o corante da lâmina
4 Corar com Giemsa por 10min.
5 Lavar em tampão Soren pH 6,8 e deixar secar naturalmente.
6 Clarificar com xilol e secar em meio hidrofóbico.
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_1.pdf >. Acesso em: 6 jan. 2022.
• Resumo do resultado da colação, segundo o Ministério da Saúde (2012a): 
I- Núcleos dos leucócitos -> azul-pálido.
II- Citoplasma -> azul muito claro ou incolor.
III- Granulações neutrófilas -> vermelho claro.
IV- Granulações basófilas -> azul escuro.
V- Eosinófilos e eritrócitos -> vermelho alaranjado.
49
2.2.3 Coloração hematoxilina eosina (HE) 
Esta coloração é utilizada nas preparações cell blocks e ainda nos esfregaços 
realizados a partir da PAAF. Várias imagens de lâminas cito-histológicas apresentadas 
até aqui foram submetidas a este tipo de coloração.
• Resumo do resultado da colação é similar aquele apresentado nas colorações 
realizadas em cito-histologia, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a):
I- Núcleos -> azul. 
II- Citoplasma -> rosa.
2.2.4 Outras colorações usuais 
Várias outras colorações são utilizadas na rotina laboratorial citopatológica, 
conforme discorrem Molinaro, Caputo e Amendoeira (2010). A escolha do tipo de 
coloração a ser utilizada vai depender do principal objetivo da análise. Para isso, deve-
se levar em consideração variados fatores, entre eles, as suspeitas clínicas do médico 
assistente no ato da solicitação do exame, que vem descritas na ficha de solicitação do 
exame. As mais utilizadas são:
• Panótico: técnica rápida utilizada em amostras por PAAF. São três soluções (I, II e III) 
e o tempo de processamento é de 15 min.
• Shorr: coloração diferencial de células escamosas superficiais e profundas, mas não é 
muito utilizado porque os detalhes nucleares ficam difíceis de serem apercebidos.
• PAS – ácido periódico de Schiff: coloração especial e diferencial. Cora carboidratos e 
fungos de cor magenta e o “fundo” (demais estruturas) de verde.
• Gram: coloração que permite identificação de bactérias Gram positivas e Gram 
negativas além da conformação bacteriana (cocos, bacilos etc.) (figura 30).
• Ziehl-Neelsen: permite a identificação de bactérias – bacilos – álcool resistentes, 
chamados de BAAR. 
50
FIGURA 29 – COLORAÇÃO DE GRAM 
FONTE: <http://twixar.me/xGcm>. Acesso em: 23 fev. 2022
Gram-negativo
MICROBIOLOGIA
Coloração de Gram das Bactérias
violeta 
cristal iodo
álcool 
(descoloração)
safranina
Gram-positivo
A coloração de Gram permite a diferenciação das bactérias que podem estar 
acometendo determinada região do corpo (Figuras 30 e 31), o que facilita a escolha de 
um possível esquema medicamentoso (os medicamentos de escolha para combate de 
Gram positivos geralmente são diferentes daqueles empregados para Gram negativos) e 
ainda auxilia na descoberta da morfologia ou arranjo celular destes agentes infecciosos, 
conforme a Figura 30.
FIGURA 30 – AMOSTRA SUBMETIDA A COLORAÇÃO DE GRAM: BÁCTÉRIA ESCHERICHIA COLI – 
BASTONETE GRAM NEGATIVO 
FONTE: <https://stock.adobe.com/br/search?k=ESCHERICHIA%20COLI%20
colora%C3%A7%C3%A3o%20de%20gram&search_type=default-asset-click&asset_
id=488852867>. Acesso em: 23 fev. 2022.
51
FIGURA 31 – AMOSTRA SUBMETIDA À COLORAÇÃO DE GRAM: BÁCTÉRIA GRAM 
POSITIVA – ESTREPTOCOCOS
FONTE: <http://twixar.me/6Gcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
FIGURA 32 – PRINCIPAIS AGENTES INFECCIOSOS EM HUMANOS E SEUS RESPECTIVOS ARRANJOS 
FONTE: <http://twixar.me/CGcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
52
3 ADEQUABILIDADE DAS AMOSTRAS 
É de extrema importância, antes de efetivamente realizar a análise citológica, 
conferir os dados do paciente – nome e sobrenome, número de registro do exame ou 
código de barras, com a ficha de cada um dos pacientes que sempre acompanha as 
amostras. Voltaremos a falar com maiores detalhes da importância desta conferência de 
dados na Unidade 3, em controle de qualidade em laboratórios citopatológicos. 
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) nos alerta sobre um ponto fundamental: 
verificar a qualidade da amostra, de sua fixação e da sua coloração. Esta análise é feita 
em menor aumento, objetiva de 4x. O fundo, área onde encontramos as células a serem 
analisadas – tipo celular –, a quantidade destas células, como as células estão dispostas 
e o modo pelo qual se encontram dispostas no esfregaço são os aspectos a serem 
considerados para avaliar-se a adequabilidade da amostra, segundo a Nomenclatura 
Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas Preconizadas proferidas pelo Ministério da 
Saúde, em 2006, que fora adaptado do Sistema Bethesta de classificação citológica 
dos esfregaços cervicais de 2001, que vamos estudar com mais detalhes na Unidade 3. 
As categorias de avaliação, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), são: 
I- Satisfatória: amostra apresenta células em quantidade representativa (8000 a 
12000 células escamosas) bem distribuídas, fixadas e coradas, de modo apermitir a 
visualização e chegar a uma conclusão diagnóstica, como na Figura 33. 
II- Satisfatória, mas limitada para avaliação por falta de informações clínicas. Esfregaços 
comprometidos entre 50-75% de sua tonalidade por diversos fatores. Exemplos: 
esfregaço hemorrágico, esmagamento celular por compressão na confecção do 
esfregaço, demora da fixação. Outros fatores fisiológicos também podem interferir, 
como a escassez celular por atrofias diversas comuns na menopausa. 
III- Insatisfatória: esfregaço comprometido em mais de 75% (mesmos fatores citados).
Quando o exame citológico é satisfatório, mas limitado, ou ainda classificado 
como insatisfatório para análise, este deve ser repetido o mais breve possível. 
53
FIGURA 33 – AMOSTRA SATISFÁTORIA DE ESFREGAÇO VAGINAL 
FONTE: <http://twixar.me/Pdcm>. Acesso em: 26 fev. 2022.
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) traz um importante conselho sobre as 
análises/leituras de lâminas de esfregaços: iniciar a análise dos esfregaços sempre 
da esquerda para a direita, correndo a lâmina de cima para baixo, sempre com 
sobreposição das áreas para evitar que passe desapercebido alguma arquitetura 
celular de importância clínica. 
54
QUEM FOI GEORGE PAPANICOLAOU, CRIADOR DO EXAME CONSIDERADO UMA 
DAS ARMAS MAIS PODEROSAS CONTRA O CÂNCER
BBC News Brasil 
13 de maio de 2019
LEITURA
COMPLEMENTAR
George Papanicolaou (1883-1962)
Quando George Papanicolaou (1883-1962) chegou aos Estados Unidos, vindo 
da Grécia, já era um médico experiente que tinha trabalhado como cirurgião militar 
na primeira guerra dos Bálcãs (1912 – 1913). No entanto, nem ele nem sua mulher, 
Andromachi Mavroyenis, sabiam falar inglês e tinham apenas cerca de US$ 250 consigo, 
"a quantia exigida para entrar no território americano", como explica uma pesquisa da 
Associação Médica de Cingapura (AMC) sobre o homem que é homenageado neste 13 
de maio pelo Google por causa do 136º aniversário de seu nascimento.
Andromachi cosia botões por US$ 5 semanais, enquanto Papanicolaou, após 
durar só um dia em um emprego de vendedor de tapetes, voltou a se dedicar a sua 
paixão: tocar violino, desta vez, em restaurantes.
Ninguém imaginava que pouco tempo depois ambos trabalhariam juntos 
no desenvolvimento de um exame simples que revolucionou a medicina ao permitir 
detectar de forma precoce o câncer de colo do útero. A prática já ajudou a salvar milhões 
de mulheres. O método ficou conhecido no Brasil como Papanicolaou ou Papanicolau, 
mas também é chamado de Pap.
55
Como surgiu o exame
Nascido em 13 de maio de 1883, na ilha de Eubea como Georgios Papanikolaou, 
ele se formou em Medicina com louvor aos 21 anos, depois de também ter estudado 
música e humanidades. Um ano depois de ter chegado aos Estados Unidos, ainda 
sem trabalhar como médico, ele foi contratado pelo departamento de Anatomia da 
Universidade de Cornell, em Nova York, como pesquisador. 
Mavrovenis, por sua vez, passou a trabalhar no mesmo local como técnica e, às 
vezes, alvo dos experimentos realizados ali. “O sucesso científico da dupla ocorreu após 
recrutarem um grupo de amigas suas para participarem de um estudo que envolvia o 
exame de Papanicolaou", diz o Google ao explicar a homenagem ao médico grego. “No 
estudo, Papanicolaou detectou células malignas em uma das amostras, o que levou ao 
diagnóstico de câncer para uma amiga de sua mulher”.
Exame já salvou milhões de vidas
O teste permite detectar alterações anormais em células do colo uterino antes 
que o câncer se desenvolva. Como explica a AMC, por ter um baixo custo, ser fácil de ser 
realizado e bastante efetivo, o Pap se tornou o "padrão de excelência na detecção do 
câncer cervical” em todo o mundo.
Um estudo de cientistas do Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, com 
1,23 mil mulheres que foram acompanhadas por oito anos após o diagnóstico, ajuda a 
ilustrar sua importância. A pesquisa mostrou que, entre as mulheres que se submetem 
a este exame e conseguem detectar o câncer cervical precocemente, a taxa de 
sobrevivência é de 92%, enquanto o índice para as pacientes diagnosticadas quando já 
começam a apresentar sintomas é de 66%.
Como este é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres, segundo 
a Organização Mundial da Saúde, é atribuído a este teste - e seu criador - o feito de 
ter ajudado a salvar milhões de vidas. "Este exame será sempre uma das armas mais 
poderosas contra o câncer", diz outro artigo citado pela AMC ao explicar a importância 
da "descoberta deste grande pioneiro".
Pap está disponível na rede pública de saúde
No Brasil, o Pap está disponível na rede pública. Segundo o Ministério da Saúde, 
toda mulher que tem ou já teve vida sexual deve submeter-se ao exame preventivo 
periódico, especialmente as que têm entre 25 e 59 anos. A recomendação do ministério 
é de que, inicialmente, o exame seja feito anualmente. Após dois exames seguidos (com 
um intervalo de um ano) com resultado normal, pode ser feito a cada três anos.
56
Para garantir um resultado correto, a mulher não deve ter relações sexuais 
(mesmo com camisinha) nos dois dias anteriores ao exame, evitar também o uso de 
duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores 
à realização do exame. É importante também que não esteja menstruada, porque a 
presença de sangue pode alterar o resultado. Mulheres grávidas podem fazê-lo, sem 
prejuízo para sua saúde ou a do bebê.
Para a coleta do material, é introduzido um instrumento chamado espéculo na 
vagina, conhecido popularmente como "bico de pato", devido ao seu formato. O médico 
faz a inspeção visual do interior da vagina e do colo do útero. Em seguida, o profissional 
provoca uma pequena escamação da superfície externa e interna do colo do útero com 
uma espátula de madeira e uma escovinha. As células colhidas são colocadas numa 
lâmina para análise em laboratório especializado em citopatologia.
FONTE: Adaptado de <https://www.bbc.com/portuguese/geral-48235865>. Acesso em: 2 jan. 2022. 
57
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• As principais técnicas e procedimentos de coleta em citopatologia clínica são: 
escovados, raspados, PAAF, imprints, lavados, entre outros.
• A obtenção das amostras em citopatologia geralmente é por meio de procedimentos 
não invasivos e não geram maiores complicações ao paciente. 
• As técnicas empregadas em cito-histologia são de baixo custo e de fácil execução. 
• As principais colorações utilizadas em cito-histologia e suas particularidades são: 
Papanicolaou, hematoxilina-eosina (HE), May-Gruenwald-Giemsa (MMG), Shorr e 
outras.
• As etapas de fixação, coloração e de coleta são fundamentais para a adequabilidade 
das amostras.
58
AUTOATIVIDADE
1 (Adaptada Enade 2016) Para garantir que resultados falso-negativos ou falso-positivos 
não ocorram na rotina clínica, devemos verificar a qualidade da amostra e ainda os 
procedimentos corretos e necessários para realizar boas colorações. As colorações 
podem ser realizadas através de reagentes preparados diretamente nas unidades 
laboratoriais ou ainda podem ser adquiridas prontas no formado de Kits Rápidos 
(TR). Cuidados adicionais devem ser tomados para que seja possível a obtenção de 
resultados confiáveis, entre eles, a leitura atenta das instruções fornecidas pelos 
fabricantes. Sobre a prevenção de falhas de análise ou leitura quando empregado os 
TR, analise as sentenças a seguir:
FONTE: <https://www.ufcspa.edu.br/editora_log/
download.php?cod=015&tipo=pdf>. Acesso em: 30 
maio 2022.
I- Abrir a embalagem do TR somente no ato da sua utilização.
II- Realizar vários TR ao mesmo tempo.
III- Cronometrar o tempo de teste conforme instruções do fabricante.
IV- Evitar tocar, bater ou agitar os instrumentos ou reagentes dos dispositivos integrantes 
do TR de modo que possa comprometer a sua integridade.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, III, IV e V estão corretas. 
b) ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas.
c) ( ) As sentençasII, IV e V estão corretas.
d) ( ) As sentenças I, II, III e V estão corretas.
 
2 Foi Johannes Müller o responsável pelo primeiro exame citológico em 1838. Nele foi 
descrita a imagem microscópica das células malignas que foram obtidas por raspado 
superficial de tumores. Sobre as técnicas de obtenção de amostras citológicas, 
analise as sentenças a seguir:
I- As técnicas de obtenção são procedimentos simples, com menor grau de invasão. 
II- As técnicas possuem menores taxas de complicações durante e após a coleta. 
III- As técnicas não oferecem vantagens quando comparadas a outras técnicas de 
coletas de amostra, como nas biópsias. 
IV- As técnicas empregadas permitem diagnósticos rápidos, seguros e de excelente 
qualidade. 
59
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas. 
b) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
3 As punções, capilaridade ou por agulha fina (PAAF) são métodos bastante utilizados 
na obtenção de amostras citopatológicas. Trata-se de uma metodologia simples, 
rápida e segura que permite uma boa precisão de diagnóstico. Na realização da 
técnica, alguns preparativos e materiais são necessários. Sobre o exposto, analise as 
sentenças a seguir:
I- Preparo do local de coleta e do psicológico do paciente.
II- Anestesia do local a ser utilizado como sítio da punção.
III- Um pequeno curativo oclusivo após a punção. 
IV- Espátula de Ayres e espéculo. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas. 
b) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
4 O lavado broncoalveolar (LBA) é uma técnica de coleta de células, partículas, 
organismos infecciosos e corpos estranhos que porventura estejam nos espaços 
alveolares do pulmão. É uma técnica que vem sendo bastante utilizada na área 
clínica como ferramenta de estudos na área da imunologia. Disserte sobre como esta 
técnica vem sendo utilizada nos exames citopatológicos de vários tipos de doenças.
5 A qualidade dos diagnósticos citopatológicos dependem de variados fatores, 
dentre eles a adequabilidade da coleta e ainda de fatores ligados ao processamento 
das amostras. Geralmente, os materiais são coletados pelo médico assistente 
durante rotina clínica, principalmente esfregaços cervicovaginais. Descreva os 
procedimentos a serem realizados pelos laboratórios citopatológicos após a 
recepção destas amostras. 
60
REFERÊNCIAS
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2017. Editado como livro impresso em 2017. Disponível em: https://docero.com.br/
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espontânea no século XVII. Scientiae Studia: 3. 2010. Disponível em: https://www.
revistas.usp.br/ss/article/view/11209. Acesso em: 4 jan. 2022.
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Universidade Estadual de Londrina – Centro de Ciências Biológicas. 2012. 
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portal/pages/arquivos/Atlas%20Digital%20de%20Histologia%20Basica.pdf. Acesso em: 
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José Alencar Gomes da Silva. Rio de Janeiro: INCA, 2019. 120 p. Disponível em: https://
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incidencia-de-cancer-no-brasil.pdf. Acesso em: 3 jan. 2022.
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Brasília: Ministério da Saúde, 2012a. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_referencia_1.pdf. Acesso em: 3 jan. 2022.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de referência 2: citopatologia não 
ginecológica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012b. Disponível em: https://bvsms.saude.
gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_referencia_2.pdf. Acesso 
em: 3 jan. 2022.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de referência 3: citopatologia não 
ginecológica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012c. Disponível em: https://bvsms.saude.
gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_referencia_3.pdf. Acesso 
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e Aids Técnica de Coloração de GRAM. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. 63 p. 
Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/115_03gram.pdf. Acesso 
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CONSOLARO, M. E. L.; MARIA-ENGLER, S. S. Citologia clínica cervicovaginal: texto e 
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JUNQUEIRA, L. C. U; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 13. ed. Rio de 
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MONTANARI, T. Histologia: texto, atlas e roteiro de aulas práticas. 3. ed. Porto Alegre: 
Edição do Autor, 2016. 229 p. Disponível em: http://www.ufrgs.br/livrodehisto/. Acesso 
em: 5 jan. 2022. 
SANCHES, J. M. Bacterioscopia vaginal por coloração de Gram: do ensino à prática 
clínico-laboratorial na rotina em ginecologia. Universidade Federal de São Paulo – 
UNIFESP e Universidade do Oeste Paulista. São Paulo, SP. 2018. Disponível em: https://
revistas.unoeste.br/index.php/cv/article/view/1628. Acesso em: 2 jan. 2022.
VARGAS, V. A. Apostila de citologia. Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e 
das Missões. 2012, 35p. Disponível em: https://www.bibliotecaagptea.org.br/zootecnia/
sanidade/livros/APOSTILA%20DE%20CITOLOGIA.pdf. Acesso em: 24 maio 2022.
62
63
COMPONENTES CELULARES EM 
CONDIÇÕES NORMAIS, BENIGNAS 
E MALIGNAS APLICADAS À 
CITOPALOGIA CLÍNICA
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• analisar laudos técnicos em conformidade com a legislação brasileira;
• interpretar os diagnósticos citopatológicos, correlacionando-os com a clínica;
• conhecer a importância dos exames citopatológicos em amostras de mama e tireoide; 
• desenvolver as habilidades técnicas mínimas para estudos e análises das alterações 
morfofuncionais do trato genital feminino (TGF); 
• conhecer as alterações citopatológicas decorrentes dos processos inflamatórios e 
degenerativos;
• compreender a importância da realização do exame de Papanicolaou no rastreamento 
de alterações celulares benignas, pré-malignas e malignas no colo do útero;
• reconhecer as alterações pré-malignas e malignas nas amostras cervicovaginais e 
fazer constá-las nos laudos citológicos de modo crítico e ético;
• trabalhar em equipes multiprofissionais, contribuindo ativamente com o diagnóstico 
clínico do paciente de forma ética e profissional.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – A CÉLULA 
TÓPICO 2 – PARTICULARIDADES DO TRATO GENITAL FEMININO (TGF)TÓPICO 3 – ATIPIA CELULAR, LESÕES PRÉ-CANCEROSAS E CARCINOMAS DO COLO UTERINO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
64
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
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TÓPICO 1 — 
A CÉLULA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Bem-vindo à Unidade 2! Nesta unidade, vamos estudar 
os principais componentes celulares em condições consideradas normais, ou seja, 
fisiológica, e ainda as possíveis alterações que podem ocorrer a eles.
Devemos considerar ainda que estas ‘possíveis alterações’ podem ocorrer 
de duas formas: a primeira, considerada benigna, onde as alterações não interferem 
na funcionalidade fisiológica daquele tecido ou órgão, e a outra, maligna, quando 
ocorrem profundas alterações, e muitas delas incompatíveis com o funcionamento do 
organismo, requerendo a retirada emergencial daquela alteração, impedindo o colapso 
daquele órgão e ainda impedindo a migração das células alteradas, cancerosas, para 
outros órgãos do corpo, a chamada metástase.
Vamos juntos nesta nova jornada?
2 NÚCLEO E CITOPLASMA 
Na Unidade 1 recordamos as principais diferenças entre as células animais e 
vegetais, assim como as células bacterianas e fúngicas, caso você não se lembre ou se 
ficou em dúvida de alguma característica volte à Unidade 1. Agora, neste tópico, vamos 
estudar as principais características da célula humana.
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), o principal princípio dos 
diagnósticos citopatológicos é a análise criteriosa dos núcleos celulares, pois são eles 
que nos transmitem o estado de saúde da célula, se em estado normal, sob processos 
inflamatórios, neoplasias etc. 
Já o citoplasma da célula será o responsável por transmitir informações sobre 
a sua origem e ainda acerca do grau de diferenciação funcional. Quando esta análise 
ocorre simultaneamente, pode-se obter informações fundamentais para a realização de 
diagnósticos assertivos. 
Como dito anteriormente, a célula animal é eucariótica (possui envoltório 
nuclear – carioteca), o que permite a identificação do núcleo e do seu nucléolo, e ainda 
da porção citoplasmática. 
66
Vale lembrar que estas células, quando coradas com a hematoxilina – eosina 
(HE) –, ao serem visualizadas em microscópio óptico, possuem núcleo arroxeado e seu 
nucléolo em roxo escuro, (quase negro) e o citoplasma corado de rosa, conforme figura 
1. As demais organelas celulares dificilmente podem ser visualizadas.
FIGURA 1 – CÉLULA HUMANA 
FONTE: <http://twixar.me/LGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022
ATENÇÃO
Você conhece os principais tipos de microscópios? Está lembrado das principais partes do 
microscópio que mais utilizamos em citopatologia? 
Existem, basicamente, quatro tipos: o primeiro é o mais utilizado em laboratórios de análise, 
microscópio ótico (MO). Ele usa a luz visível para ampliar as imagens em até 2000X, e podem 
ainda ser de fluorescência (onde são utilizadas substâncias que realçam determinadas 
estruturas com brilho colorido) ou ainda confocal (formam imagens de altíssima resolução 
através da eliminação de pontos sem foco). 
O segundo tipo é o microscópio de força atômica (AFM). Ele gera imagens 
tridimensionais, permitindo análises da topografia, dentre outras 
características. O terceiro, é o microscópio eletrônico de transmissão 
(MET), que usa um feixe de elétrons para formar as imagens, e pode 
ampliar amostras de diversas origens em até impressionantes 1.000.000X! 
Por fim, temos o microscópio eletrônico de varredura (MEV), que também 
pode ampliar as amostras em até 1.000.000X, porém as amostras podem 
ser mais grossas e densas, por isso é o tipo mais comum em laboratórios 
e centros de pesquisa de ponta. 
67
DICAS
Ficou curioso sobre este mundo fascinante dos microscópios? Convidamos 
você a ler o texto disponível em: http://www.fiocruz.br/ioc/media/comcien-
cia_01.pdf. Este é um material produzido pela LBC/IOC/Fiocruz, chamado 
de “Com Ciência na Escola”. Vale a pena conhecer e desvendar mais misté-
rios sobre o mundo microscópio. Confere lá!
2.1 NÚCLEO 
Segundo Montanari (2016), as dimensões do núcleo variam de acordo com os tipos 
celulares, porém, geralmente possuem entre 5 e 10 µm, apresentam-se arredondados, 
alongados ou até mesmo lobulados, conforme já exemplificado na Figura 1.
De modo geral, segundo Junqueira e Carneiro (2018), o envoltório nuclear, 
em observações no MO, é visualizado como uma camada de cromatina que faz o 
revestimento do conteúdo nuclear, porém, quando analisada através do microscópio 
eletrônico verifica-se que, na verdade, o envoltório nuclear é composto por duas 
membranas separadas por um espaço de 40 a 70nm, chamada de cisterna perinuclear. 
No núcleo encontramos o material genético celular, o ácido desoxirribonucleico 
(DNA), que está cuidadosamente enrolado em histonas (proteínas), formando a 
chamada cromatina. Esta cromatina, a depender do seu grau de condensação, pode 
ser classificada como eucromatina (difusa e passível a ‘transcrição’) ou ainda como 
heterocromatina (condensada e ‘inativa’) (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018; MONTANARI, 
2016; BRASIL, 2012a).
Vale ressaltar que o núcleo somente estará presente quando a célula estiver na 
fase de interfase, pois, quando em divisão, a cromatina estará altamente condensada, 
o que provocará a desintegração da membrana celular, originando os cromossomos. 
Outro fato interessante sobre a eucromatina é que na maioria das vezes, 
em preparações com HE, ela apresenta-se pouco corada, dificilmente perceptível, 
diferentemente da heterocromatina, que apresenta boa afinidade com a hematoxilina, e 
quando presente é facilmente identificada. 
Este comportamento é importantíssimo em citopatologia! Células discarióticas 
(malignas) apresentam, algumas vezes, seus núcleos descorados, quase não se coram! 
Observe atentamente a Figura 2, em que se pode perceber os núcleos das células 
maiores, pouco corados! Isso é um forte indicativo/característica que precisa ser 
investigada com maior riqueza de detalhes, pois pode-se estar frente a um diagnóstico 
de carcinoma (BRASIL, 2012b). 
68
FIGURA 2 – CÉLULAS DE CÂNCER DE MAMA – CARCINOMA DE CÉLULAS DUCTAIS 
FONTE: <http://twixar.me/WGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012ab), as proteínas encontradas no 
núcleo celular podem ser classificadas em dois tipos diferentes: histonas e não histonas. 
As primeiras são cilíndricas, fazem a proteção do DNA e ainda participam do processo de 
transformação da cromatina em heterocromatina. O outro tipo, proteínas não histonas, 
apresenta caráter ácido, assim como a heterocromatina, e juntas, são responsáveis por 
apresentarem o aspecto da coloração nuclear típica que estamos acostumados a ver.
Ainda relacionado à coloração nuclear, é importante falarmos dos cromocentros. 
Eles são partículas de heterocromatina relativamente largas. Um exemplo famoso de 
cromocentro é o Corpúsculo de Baar, que é um cromossomo X inativo, quando ausente 
tem-se portadores da Síndrome de Turner (X0), quando em quantidades maiores, pode-
se ter a Síndrome de Klinefelter (47XXY) (BRASIL, 2012b). 
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c), estes 
corpúsculos ainda podem se fazer presentes em células malignas, demonstrando 
a existência de cromatina com anormalidades. Desta forma, o grau de condensação 
da cromatina também é um achado citopatológico de grande importância, podendo 
apresentar-se fina ou grosseira, e ainda, com distribuição regular ou irregular. 
Ainda segundo este mesmo autor, a cromatina pode estar dissolvida – cariólise 
–, ou ainda formar uma massa compacta – picnose – nas células superficiais. Em 
situações degenerativas, a cromatina apresenta-se em porções regulares, redondas 
podendo ser múltiplas e de dimensões variáveis; em casos de câncer, a condensação 
ocorre de forma irregular, tanto de forma quanto de dimensões. 
69
Umatécnica comum em citopatologia é fazer a divisão do núcleo em quadrantes 
e posteriormente analisar o comportamento da cromatina, se esta estiver disposta 
irregularmente pode ser preditivo de câncer.
Diante de tais constatações, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b; BRASIL, 
2012c) nos traz a matriz diagnóstica apresentada no quadro 1.
QUADRO 1 – MATRIZ DIAGNÓSTICA
Tipo de cromatina Fina Grosseira
Regular Normal Carcinoma in situ 
Irregular Adenocarcinoma Carcinoma de células escamosas
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_2.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022.
Ao analisarmos uma lâmina citológica, devemos sempre ter em mente que 
as alterações nucleares possuem inúmeras possibilidades. Entre elas, a poliploidia ou 
aneuploidia. A que devemos estar sempre atentos é ao fato destas alterações serem 
muito intensas. 
Neste cenário, é necessária uma análise mais criteriosa e minuciosa, pois existe 
aí uma grande possibilidade de diagnóstico de malignidade. Nenhum critério isolado 
pode ser considerado patognomônico (característico) de câncer, sempre devemos nos 
atentar às combinações de critérios para estabelecer com segurança um diagnóstico 
de malignidade.
Outro achado citológico relevante é a coloração da paracromatina. Quando a 
coloração é azulada, é observado um aumento do volume nuclear, sendo sugestivo 
de malignidade; quando a coloração é avermelhada, pode ser sugestiva de processos 
infecciosos. 
Nos casos de morte celular, pode ser observada a cariorrexe, que ocorre devido 
a ‘quebra’ da picnose e a dissolução da carioteca, ou ainda cariólise ou cromatólise, 
quando material nuclear estará totalmente dissolvido e passa a ser observado um 
espaço vazio e descorado na região nuclear. 
Outro ponto muito importante em citopatologia é o fato de o núcleo nos permitir 
determinar sua atividade celular atual. O núcleo também tem outras funções, como a 
transcrição do RNA (ácido ribonucleico) e seu transporte ao citoplasma para produção 
de proteínas, armazenamento e replicação de DNA (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018; 
MONTANARI, 2016; BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c).
70
2.2 NUCLÉOLO 
É encontrado dentro dos núcleos celulares geralmente não individualizados 
por membranas. Possuem formato esférico, redondo ou mesmo ovais, com diâmetro 
médio entre 1-3 µm. São formados por proteínas, RNA e DNA. Local onde ocorre a 
transcrição de DNA ribossômico à RNAr – RNA ribossomal –, fato fundamental para 
síntese de proteínas. Existe uma correspondência entre o tamanho dos nucléolos e o 
grau de produção de proteínas, quanto maior o seu tamanho, maior a produção proteica 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018; MONTANARI, 2016; BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c).
Na citopatologia, nucléolos muito grandes e com aspecto irregular podem ser 
preditivos de câncer, mas podem ser também encontrados em situações benignas, 
como nos processos de reparação celular/tecidual. Grande parte das células humanas 
apresentam em média seis nucléolos. Já é classificado como anormalidade celular, 
merecendo toda a atenção para as possíveis combinações diagnósticas.
Outro fato a ser considerado em citopatologia é o aumento celular (até duas 
vezes o seu tamanho original), principalmente quando a célula está pronta para a divisão 
celular – a célula irá entrar em processo de mitose. 
Junqueira e Carneiro (2018) nos alerta sobre a necessidade de conhecermos 
as fases da mitose, e ainda a correlacionar com a meiose. Segundo este mesmo autor 
e ainda conforme o Ministério da Saúde (2012b), podemos dividir, didaticamente, o 
processo da mitose em: 
I- Prófase: ocorre a desintegração da membrana celular.
II- Metáfase: ocorre o alinhamento dos cromossomos na porção central (meridianos).
III- Anáfase: fase em que ocorre a separação dos cromossomos.
IV- Telófase: divisão celular.
É fundamental conhecer a atividade mitótica do tecido em análise. Na figura 
3, temos uma eletromiografia, exemplificando a mitose nas células meristemáticas de 
raiz de cebola. Na parte central, é possível verificarmos a fase de metáfase, onde os 
cromossomos encontram-se ao longo da placa equatorial e ainda pode-se observar as 
fibras do fuso e a direita tem-se uma prófase. 
71
FIGURA 3 – FOTOMICROGRAFIAS DE RAIZ DE CEBOLA
FONTE: <http://twixar.me/ZGcm>. Acesso em: 4 fev. 2022.
Você sabe o porquê da importância de reconhecer as fases da divisão celular? 
Porque o aumento desta atividade e ainda visualizações de fases de divisão celular 
atípicas podem estar intimamente relacionadas à malignidade celular! Os cânceres em 
geral apresentam divisões celulares descontroladas, alterando a relação volumétrica 
entre o núcleo e o citoplasma.
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b), comumente após o término 
da divisão celular, com o amadurecimento celular, o núcleo e o seu nucléolo involuem, 
ou seja, ficam menores; fato que geralmente não ocorre no câncer, fazendo com 
o núcleo sempre esteja ativo e com isso apresenta-se muito maior que o normal, 
originando o macronúcleo.
Este ‘acontecimento’ é muito comum em situações inflamatórias e como 
resposta a terapias que fazem uso de radiação, logo, diagnósticos de câncer não devem 
ser feitos apenas baseados em observações de alterações nucleares, várias outras 
características devem ser consideradas, conforme já dito anteriormente. 
DICAS
Você sabe que o olho humano não tem a capacidade de visualizar a maio-
ria das células animais, pois elas possuem em média 20μm (0,02 mm)? 
Neste momento, convidamos você, acadêmico, a saber ainda mais sobre 
os microscópios, instrumentos tão valiosos no dia a dia da citopatologia 
clínica. Acesse: https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/como-o-o-
lho-funciona/ e https://www.unioeste.br/portal/microscopio-virtual/o-mi-
croscopio-de-luz. Vale a pena conferir!
72
INTERESSANTE
Quer conhecer mais sobre as técnicas de microscopia utilizadas atualmente? 
Não deixe de ler ao final desta unidade a Leitura Complementar! É uma 
reportagem da revista Galileu sobre as cinco principais técnicas usadas em 
laboratórios para estudar os vírus. Está muito interessante! Não deixe de 
conferir! Boa leitura!
2.3 CITOPLASMA
O interior celular é preenchido com a matriz citoplasmática – citosol – ou mais 
popularmente conhecido como citoplasma e embebidos nele, encontramos as diversas 
organelas celulares. Como exemplo, podem ser citados: retículo endoplasmático, 
complexo de Golgi, mitocôndrias etc. O citosol apresenta-se como um gel de composição 
variada, podendo portar vitaminas, aminoácidos, ácidos nucleicos, proteínas, 
carboidratos, glicose, dentre várias outras (MONTANARI, 2016). 
Segundo Junqueira e Carneiro (2018), no citoplasma existe uma grande 
quantidade de microfilamentos de actina e microtúbulos que formam o citoesqueleto 
da célula. Existem ainda proteínas motoras responsáveis pelo transporte interno de 
organelas e de vesículas e enzimas, que possuem como substrato diversos tipos de 
moléculas, entre elas, as responsáveis pela quebra energética de ATP – trifosfato de 
adenosina, através da via glicolítica (anaeróbia). 
Para o Ministério da Saúde BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c), é possível identificar 
em algumas secreções, como a mucina, produzida em células tumorais e o glicogênio 
presente em células escamosas intermediárias da cérvice vaginal através da marcação/
coloração por ácido de Schiff, o que facilita o estabelecimento de um possível diagnóstico 
de malignidade, a partir da observação citoplasmática. 
Outros constituintes celulares ou mesmo outros constituintes de interesse 
podem ser marcados em amostras citológicas: como a melanina em casos de melanomas 
malignos, a hemossiderina presente em macrófagos presentes em áreas hemorrágicas e 
a queratina nos casos de carcinomas escamosos queratinizantes.
Os limites citoplasmáticos da célula podem ser estabelecidos da seguinte forma: 
o que está fora do núcleo até a membrana celular. Infelizmente, algumas organelas não 
podem ser vistas em lâminas citopatológicas,exceto em circunstâncias extraordinárias, 
como nos hepatócitos que são riquíssimos em mitocôndrias, fundamentais na respiração 
celular, ou ainda em situações patológicas como nos tumores oncocíticos, que passam a 
apresentam um aumento considerável em sua eosinofilia, e ainda nas células beta das 
ilhotas de Langerhans. 
73
DICAS
Você sabia que as nossas mitocôndrias são oriundas apenas de nossa mãe 
genética? Ficou curioso? Não deixe de ler a reportagem “As filhas de Eva”, 
disponível no link: https://super.abril.com.br/ciencia/as-filhas-de-eva/.
2.4 MEMBRANA CELULAR
Segundo Montanari (2016), a membrana celular ou membrana plasmática é 
formada por uma bicamada lipídica com espessura entre 9 e 10nm, o que é impossível 
de visualizar no MO! Vale considerar que essa estrutura nas organelas tem cerca de 
7nm de espessura e também não é visível ao microscópio de luz. Ao ser analisada no 
microscópio eletrônico, podemos perceber sua estrutura trilaminar: duas linhas mais 
escuras separadas por uma linha central mais clara. 
A imagem traz uma representação esquemática da estrutura da membrana 
celular. Essa representação é conhecida como modelo de mosaico fluido. A membrana 
é formada por uma bicamada lipídica, com proteínas, glicolipídios, glicoproteínas e ainda 
proteoglicanos inseridas em sua estrutura. 
A membrana possui áreas hidrofóbicas, que correspondem às cadeias de 
ácidos graxos, que na figura correspondem às linhas amarelas. Observe no esquema 
de fosfolípide, na porção superior da Figura 4, e áreas hidrofílicas, representadas no 
esquema como pequenas esferas representadas no desenho esquemático. É possível 
perceber as proteínas integrais, também chamadas de proteínas transmembranas, que 
atravessam toda a membrana; as proteínas periféricas que se encontram parcialmente 
embebidas na estrutura da bicamada. 
74
FIGURA 4 – ESQUEMA DA MEMBRANA PLASMÁTICA – MODELO MOSAICO FLUIDO 
FONTE: <http://twixar.me/hGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
Espaço 
extracelular
Glicolipídeo Proteína 
globular Glicoproteína
Membrana 
célular
Citoplasma Proteína 
periférica Proteinas 
transmembranas
Colesterol
Junqueira e Carneiro (2018) explicam que na face externa da membrana, espaço 
extracelular, existe o glicocálice, estrutura formada pelo conjunto de glicoproteínas e 
glicolipídios (cadeias de hidratos de carbono). Quando a membrana passa pelo processo 
de criofratura (congeladas e/ou fraturadas), ocorre a clivagem das duas membranas e 
algumas proteínas ficam aderidas em uma das superfícies, enquanto outras se aderem 
à superfície oposta, mas a maioria das proteínas de membrana fica aderida à porção 
interna da estrutura trilaminar. 
Outra função primordial da membrana é a manutenção do meio intracelular, 
pois ele possui composição e concentrações diferentes daquelas apresentadas pelo 
meio extracelular, conforme Figura 5. Mesmo com estes limites estabelecidos, sabe-
se que existe grande comunicação entre estes meios. Essa ligação é mediada pelas 
proteínas de membrana.
75
FIGURA 5 – TIPOS DE TRANSPORTE VIA MEMBRANA PLASMÁTICA
FONTE: <http://twixar.me/4Gcm>. Acesso em: 27 fev. 2022.
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b), além de ser um dos 
responsáveis pelo estabelecimento de limite e barreira física, a membrana também é 
uma das corresponsáveis pela homeostase celular, pois permite ou não a passagem de 
algumas substâncias através de sua estrutura, principalmente mediada pelas proteínas 
transmembranas. Ainda podem apresentar pregas, que propiciam expansão do volume 
celular, ou ainda microvilosidades, como nas células do mesentério. 
Outra característica apontada por esse mesmo autor é a capacidade de realizar 
o catabolismo de bactérias ou outros produtos, processo conhecido como endocitose, 
que acontece a partir da invaginação da membrana com o englobamento da partícula 
a ser fagocitada. 
Outro ponto é que o crescimento celular ocorre até o contato com as células 
circunvizinhas, o que não ocorre nos casos de cânceres. Esta é uma das principais 
características perdidas nesta doença e que em citopatologia é muito importante, pois, 
com o crescimento desregulado, devido à perda da inibição por contato, é possível ver 
a invasão celular em estruturas vizinhas – veremos está situação mais detalhadamente 
nos próximos tópicos. Em algumas preparações citopatológicas, é possível ver a 
membrana celular nítida como nas células escamosas ou ainda nem tão nítida assim 
como nos histiócitos. 
76
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c) ressalta que em 
preparações citopatológicas o “fundo” do esfregaço, também conhecido na área como 
background, corresponde ao material extracelular presente no local de coleta. Este 
pode apresentar-se como normal, refletir um possível processo inflamatório ou ainda 
displásico ou neoplásico. 
Quando é possível visualizarmos hemácias intactas, devemos considerar este 
achado como inespecífico, porém, quando identificamos células inflamatórias, temos um 
indicativo forte da ocorrência de processos inflamatórios locais. É comum, em processos 
em que ocorre invasão tecidual por tumores, a presença de diátese tumoral (presença de 
hemácias íntegras ou degeneradas e ainda de fibrina e restos celulares necróticos. 
Existe uma série de características citomorfológicas que devem ser observadas 
pelo analista para estabelecer critérios de malignidade. Estas características encontram-
se reunidas no Quadro 2. 
QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS CITOLOGICAS IMPORTANTES NO DIAGNÓSTICO DE 
MALIGNIDADE 
Células Núcleo Citoplasma
• Numerosas, 
desorganizadas 
(podendo apresentar-
se empilhadas ou em 
formato de sincícios).
• Atípicas e/ou isoladas.
• Canibalismo (verifica-se 
uma célula dentro de 
outra estrutura celular).
• Pleomorfismo.
• Contornos anormais 
e aumento da relação 
núcleo-citoplasma)
• Grande variabilidade 
das células de um 
mesmo local. 
• Estrutura nuclear 
desorganizada, aumentado e 
ainda com coloração atípica.
• Tamanho, contornos e formas 
anormais.
• Multinucleações (mais de 
seis).
• Núcleos desnudos (sem 
citoplasma).
• Cromatina anormal, irregular e 
divisões celulares anormais.
• Falta de limites celulares 
definidos.
• Colorações atípicas.
• Constituintes celulares 
anormais, como 
queratina, mucinas etc. 
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_2.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022.
Outro aspecto fundamental nas análises citopatológicas é fazer o diagnóstico 
diferencial entre o quadro reacional do corpo humano, que é uma condição benigna, 
e aquelas características indicativas de malignidade, aquelas diagnosticadas como 
câncer, características diferenciais reunidas no Quadro 3. 
77
QUADRO 3 – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE CONDIÇÃO BENIGNA REACIONAL E CÂNCER
Locais a serem 
observados
Reparo Câncer
Grupo
• No geral apresentam-se 
coesos, ordenados em linhas 
ou fileiras (arranjos ‘planos’)
• Apresentam-se pouco ou 
nada coesos, desordenados 
e na maioria das vezes com 
sobreposição.
Células
• Com coesão e poucas células 
isoladas. 
• Menor coesão e muitas células 
isoladas.
Citoplasma
• Relação núcleo/citoplasma 
normal, não queratinizado.
• Podem apresentar 
polimorfonucleares e ainda 
policromasia. 
• Relação núcleo/citoplasma 
aumentada.
• Podem apresentar 
queratinização.
• Geralmente não apresentam 
polimorfonucleares e nem 
monocromasia. 
Núcleo
• Hipocromático, pálido e fino. • Hipercromático, escuro e 
grosseiro.
Cromatina • Hipocromática e regular. • Hipercromática e irregular.
Fundo do 
Esfregaço
• Limpo com presença de células 
inflamatórias. 
• Presença de diátese.
Nucléolo
• Macronucléolo com 
semelhanças entre as demais 
células da amostra.
• Pode apresentar macronúcleo, 
porém com grande variação 
entre as células da amostra. 
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_2.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022.
3 MAMA E TIREOIDE: PADRÕESCITOPATOLÓGICOS 
DE INTERESSE CLÍNICO 
Entre os tipos de câncer mais prevalentes atualmente, temos o de mama, e 
ainda o câncer de tireoide. Devido a este fato, neste tópico, vamos estudar com mais 
detalhes as características cito histopatológicas e anatômicas destes dois sítios. Vamos 
estudar a fisiologia normal e aquela considerada patológica. Vamos juntos!
3.1 MAMA 
As mamas na raça humana estão localizadas na porção central do tórax. 
Apresentam a aréola e a papila na sua porção central. Cada glândula possui em média 
de 15 a 25 lóbulos de glândulas tubuloalveolares independentes, chamados de ductos 
galactóforos, e são separados, entre si, por tecido conjuntivo fibroso denso e ainda por 
tecido adiposo, que podem estar ativos ou inativos, quando ativos, sua função é secretar 
leite para nutrir os recém-nascidos, conforme figura 6 (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018).
78
FIGURA 6 – ESQUEMA DA GLÂNDULA MAMÁRIA
FONTE: <http://twixar.me/bGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
As doenças fibrocísticas, os fibroadenomas, os cistos e ainda a maioria dos 
cânceres possuem geralmente a mesma origem: os lóbulos. Os papilomas solitários, 
carcinomas papilares, ectasia ductal e a doença de Paget possuem origem nos 
grandes ductos. 
As doenças mais comuns que acometem as mamas podem ser classificadas 
em três grandes grupos: inflamação (aguda, crônica e mastite), hiperplasia (fibrocísticas, 
alterações da gestação e ainda neoplasias benignas) e câncer. 
As mamas possuem dois tipos celulares principais: epiteliais e mioepiteliais. As 
epiteliais têm funções secretoras e absortivas, e as mioepiteliais circundam os ductos, 
têm contratilidade e são responsáveis pelo trânsito da secreção do leite pelo sistema 
ductal. Estas são comuns em aspiradores de mama, apresentando-se pequeninas e 
com grande coesão.
A membrana nuclear é tênue e delicada, hipercromática e nucléolo único 
e discreto. Quando as células se apresentam irregulares, nucléolo proeminente 
(macronucléolo) é preditivo de diagnóstico de malignidade. Outro achado sugestivo é 
a presença de vacúolos secretores de mucina, assim como células mioepiteliais soltas. 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c), as células 
espumosas são encontradas isoladas ou ainda em grupo e apresentam citoplasma 
abundante, bordos irregulares e ainda multivacuoladas. Seus núcleos geralmente 
são pouco corados e arredondados, quando células espumosas multinucleadas são 
identificadas pode ser preditivo de lesões benignas ou mesmo de casos de câncer.
 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b), os ductos medem em média de 
2 a 4,5 cm de comprimento convergindo para o mamilo que por sua vez possui entre 15 
e 25 aberturas, com diâmetro médio de 0,5mm. 
79
Estas células são frequentemente observadas em aspirados benignos de mama 
nos cistos e nos fibroadenomas. Elas apresentam alta coesão, são regulares, planas e 
podem ainda ser vistas isoladas, tanto em materiais obtidos por PAAF de mama quanto 
por descarga mamilar. As categorias de diagnósticos na PAAF da mama são: 
I- Negativo para malignidade. 
II- Atípicos.
III- Suspeitos.
IV- Positivo para malignidade.
V- Inadequado ou insatisfatório. 
FIGURA 7 – OBJETOS QUE PODEM SER UTILIZADOS EM PAAF DE MAMA
FONTE: <http://twixar.me/gGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c), outro achado 
que devemos dispensar maior atenção são os vacúolos de gordura intracitoplasmáticos, 
pois são comuns nos carcinomas. Nas lesões classificadas como benignas, podem ser 
identificadas variabilidades nos tipos celulares, inclusive nas apócrinas, nas espumosas 
e ainda nos mioepiteliais. 
No Quadro 4 estão resumidos os principais padrões de benignidade e de 
malignidade apresentados pelos PAAF de mama. 
80
QUADRO 4 – COMPARATIVO ENTRE PADRÕES DE BENIGNIDADE E MALIGNIDADE: 
PAAF DE MAMA 
Observações Benignidade Malignidade
Celularidade • Pobre a moderada. • Elevada.
Dissociação celular
• Folhetos ou grupos 
coesivos.
• Comumente células isoladas.
Grupos celulares
• Limites lisos ou em 
paliçada.
• Limite denteado.
Tamanho da célula • Pequenas. • Geralmente grandes.
Tamanho do núcleo • Tamanho de uma hemácia. • Maiores que as hemácias.
Pleomorfismo • Nenhum. • Comum.
Núcleo • Contorno liso. • Contorno irregular.
Cromatina
• Vesicular ou finamente 
granular.
• Em grumos.
Necrose • Ausente. • Pode estar presente.
Células mioepiteliais • Muitas. • Raras.
Células isoladas do 
estroma
• Comum. • Raras.
Fragmentos do 
estroma
• Comum. • Raras.
Vacúolos 
citoplasmáticos
• Incomuns. • Podem ser observados.
Inclusões 
intranucleares
• Incomuns. • Raros.
Mucina • Rara. • Comum.
Células 
inflamatórias 
• Podem estar presentes. • Podem estar presentes.
Macrófagos 
espumosos
• Geralmente presentes. • Às vezes presentes.
Células tumorais 
gigantes
• Ausentes • Podem estar presentes.
Células apócrinas • Comuns • Raras.
Mitoses • Incomuns • Comuns.
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_2.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022.
81
3.2 TIREOIDE 
A principal função da glândula tireoide é produzir e armazenar os hormônios 
tireoideanos que regem o metabolismo humano. A glândula é formada por dois lóbulos 
laterais, ligados por um istmo e sua unidade funcional é o folículo (Figura 8), que, por sua 
vez, é formado por um coloide ao centro, circundado por epitélio folicular, seu tamanho 
médio é de 200 µm de diâmetro (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018; MONTANARI, 2016; 
BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c).
FIGURA 8 – DESENHO ESQUEMÁTICO DA TIREOIDE 3D
FONTE: <http://twixar.me/wGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
As células da tireoide, quando ativas, apresentam grande quantidade 
citoplasmática e se apresentam com um arranjo similar a “favo de mel” ou esféricos, 
característica muito importante no diagnóstico de possíveis malignidades (ANDRADE; 
FERRARI, 2012; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018; MONTANARI, 2016; BRASIL, 2012b; 
BRASIL, 2012c).
Outra característica a ser observada nas benignidades é a integridade dos 
folículos, células esparsas e ainda isoladas, contrapondo aos amontoados celulares em 
rosetas ou microacinares em casos sugestivos de malignidade. Um fato que devemos 
ter atenção é a possível presença de nucléolos, que podem ser vistos em células reativas 
ou regenerativas. Multiplicidade é sugestivo de malignidade (BRASIL, 2012b; BRASIL, 
2012c; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018).
82
Para Andrade e Ferrari (2012) e para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012b; 
BRASIL, 2012c), as células de Hurte são afuncionais, pois não sintetizam tiroxina e ainda 
possuem produção de tireoglobulinas variáveis. Quando formam agrupamentos, são 
chamadas de ‘nódulos frios’ e são comuns em lesões benignas – Tireoidite de Hashimoto, 
bócio –, mas também podem estar presentes em neoplasias malignas (JUNQUEIRA; 
CARNEIRO, 2018; MONTANARI, 2016).
Ocorreu em 2007, nos Estados Unidos, na cidade de Bethesta (Maryland), 
uma conferência com a finalidade de se estabelecer terminologias e critérios a serem 
utilizados nos diagnósticos de PAAF da tireoide. Encontram-se elencadas no Quadro 5. 
QUADRO 5 – CATEGORIAS DE DIAGNÓSTICO PARA PAAF DE TIREOIDE
Classe Significado
I Amostra insatisfatória.
II Nódulo benigno.
III
Atipia de significado indeterminado ou lesão folicular de 
significado indeterminado.
IV Neoplasia folicular ou nódulo suspeito de neoplasia folicular.
V Lesão suspeita de malignidade.
VI Nódulo maligno.
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_2.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022.
Amostras satisfatórias são aquelas que apresentam pelo menos seis grupos de 
células foliculares benignas e com pelo menos dez células em cada um dos grupos. Em 
todos os casos que for possível estabelecer um diagnóstico específico a amostra será 
considerada satisfatória. Nos casos de amostras insatisfatórias, elas apresentaram-
se muito hemorrágicas, espessos, dessecadosou quando apresentarem número de 
células foliculares inadequados.
Dentre os diagnósticos benignos, os mais comuns, segundo o Ministério da 
Saúde (BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c), são os nódulos foliculares – bócio multinodular 
e o adenoma folicular. Menos frequentemente podemos citar os pseudonódulos 
decorrentes de processos inflamatórios como na Tireoide de Hashimoto e na Tireoidite 
aguda. Estes nódulos podem ser caracterizados pela variação do quantitativo de coloide, 
presença de células foliculares, células de Hurte e ainda de macrófagos. 
A atipia de significado indeterminado ou mesmo de lesão folicular de significado 
indeterminado ocorre quando os esfregaços celulares possuem células foliculares 
e linfoides (ou mesmo outras) com presença de atipia nuclear ou de arquitetura não 
suficiente para classificá-la. Nos casos de neoplasia folicular ou ainda de nodulações, 
as amostras apresentam alta celularidade, com células isoladas ou ainda em grupos. 
83
Pode ser percebida ainda escassez de coloide, células com volume um pouco 
maior, com presença de citoplasma, porém com observação de atipias, o que oferece 
uma suspeita de adenoma ou mesmo carcinoma. Já aquelas classificadas com suspeita 
de malignidade apresentam alterações morfológicas que geralmente permitem direcionar 
a suspeita: carcinoma papilar, metastático ou medular e ainda linfomas. Nas nodulações 
malignas que já apresentam características suficientes para o diagnóstico definitivo, deve-
se explicitar o tipo de neoplasia/carcinoma, que podem ser classificadas como: 
I- Carcinoma papilar de tireoide. 
II- Carcinoma pouco diferenciado.
III- Carcinoma medular de tireoide.
IV- Carcinoma indiferenciado (anaplásico).
V- Carcinoma de células escamosas.
VI- Carcinoma misto (com especificação dos tipos identificados).
VII- Carcinoma metastático.
VIII- Linfoma não Hodgkin, entre outros (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018; MONTANARI, 
2016; BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c; ANDRADE; FERRARI, 2012).
84
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• As principais particularidades sobre o núcleo e o citoplasma das células. 
• As características fisiológicas e patológicas dos núcleos celulares e seus possíveis 
diagnósticos em citopatologia. 
• As principais características das fases da divisão celular e as características de cada 
uma delas. 
• Identificação nas amostras citopatológicas das células discarióticas (malignas). 
• Percepção de situações degenerativas nas amostras celulares. 
• As alterações nos nucléolos celulares preditivos de situações benignas e malignas. 
• Percepção das células com multiplicações descontroladas, bem como alterações de 
volume e da relação citoplasma/núcleo. 
• A importância da membrana celular na homeostasia celular e para a arquitetura das 
células humanas e as principais características do modelo “mosaico fluido” e seu 
auxílio nos vários tipos de diagnósticos em citopatologia.
• Diagnóstico diferencial de condições benignas reacionais e do câncer aplicadas às 
mamas e a tireoide. 
• Reconhecimento de características citomorfológicas importantes no diagnóstico de 
malignidade.
• Os padrões citopatológicos de interesse clínico aplicados as mamas e a tireoide.
85
RESUMO DO TÓPICO 1 AUTOATIVIDADE
1 (Adaptada do ENADE – Biomedicina, 2013) A imagem apresentada corresponde a uma 
ressonância magnética, na qual o segmento do paciente é separado, eliminando-
se a superposição de estruturas adjacentes que ocorre na radiografia convencional, 
facilitando os diagnósticos diferenciais, que neste caso é sobre o câncer de mama. 
Sobre o processo de investigação do câncer de mama, assinale a alternativa CORRETA: 
FONTE: ALVAREZ, B. R. MICHELL, M. O uso na investigação do câncer mamário. Radiologia 
Brasileira, v. 36, n. 6, p. 373-378, 2003. 
FONTE: <https://download.inep.gov.br/educacao_
superior/enade/provas/2013/02_BIOMEDICINA.pdf>. 
Acesso em: 14 fev. 2022.
a) ( ) Exames complementares não são necessários no diagnóstico de câncer de mama. 
b) ( ) O câncer de mama somente pode ser diagnosticado através de ultrassom. 
c) ( ) O câncer de mama somente pode ser diagnosticado por punções. 
d) ( ) Exames diferenciais, tomografias, ressonâncias, entre outros, podem auxiliar no 
diagnóstico, assertivo e precoce de casos de câncer de mama. 
86
2 (Adaptado de PUC-RJ) A diferença entre células eucariontes e procariontes está 
no núcleo. Os indivíduos procariontes possuem a molécula de DNA espalhada no 
citoplasma, enquanto, nos indivíduos eucariontes, ela se encontra no núcleo da 
célula. Quanto a esse núcleo, assinale a alternativa CORRETA:
 
FONTE: <https://exercicios.brasilescola.uol.com.
br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-nucleo-
das-celulas.htm#:~:text=(PUC%2DRJ)%20A%20
diferen%C3%A7a,encontra%20no%20n%C3%BAcleo%20
da%20c%C3%A9lula>. Acesso em: 31 maio 2022.
a) ( ) Um núcleo saudável de uma célula possui sempre uma forma redonda e se 
encontra em seu centro, pois assim controla igualmente toda a célula.
b) ( ) No núcleo se encontra a cromatina, que é a associação das moléculas de DNA e 
proteínas, imersa no citoplasma e envolvida pela membrana nuclear.
c) ( ) O núcleo é a região da célula que controla toda a produção de proteína, já que 
contém a molécula do DNA.
d) ( ) Além da molécula do DNA, o núcleo da célula contém outros organoides, como 
os ribossomos e o retículo.
3 (Adaptada ENADE – Farmácia, 2013) A latenciação de fármacos consiste na 
transformação do fármaco em forma de transporte inativo que, in vivo, mediante 
reação química ou enzimática, libera a porção ativa no local de ação ou próximo dele. 
Várias macromoléculas biológicas naturais e sintéticas têm sido empregadas como 
transportadores de agentes quimioterápicos, partindo-se do conhecimento de que 
as características anatômicas e fisiológicas dos tecidos tumorais são diferentes dos 
tecidos normais. 
Os vasos dos tecidos tumorais apresentam as propriedades de permeabilidade e 
retenção aumentadas, as quais desempenham papel essencial na distribuição do 
fármaco no espaço intersticial. A figura a seguir ilustra uma representação esquemática 
de pró-fármaco. 
87
FONTE: <https://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2013/05_FARMACIA.pdf>. 
Acesso em: 14 fev. 2022
Sobre as características da membrana plasmática, podemos afirmar: I. possui 
permeabilidade seletiva; II. possui porção polar; III. possui porção apolar; IV. pode 
apresentar proteínas transmembranas. É correto apenas o que se afirma em: 
a) ( ) I e II. 
b) ( ) I, II, III e IV.
c) ( ) I e III.
d) ( ) II, III e IV.
4 É inegável a importância das análises citopatológicas para o diagnóstico dos diversos 
tipos de cânceres. Sobre seus conhecimentos a respeito, disserte sobre os principais 
objetivos dos diagnósticos precoces. 
5 Existem várias alterações celulares que devem ser observadas em análises 
citopatológicas com a finalidade de estabelecer-se um diagnóstico assertivo. Cite 
e explique as principais alterações celulares que podem ser identificadas em casos 
de malignidade.
88
89
PARTICULARIDADES DO TRATO GENITAL 
FEMININO (TGF)
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
Acadêmico, neste Tópico 2, vamos estudar o trato genital feminino (TGF) e 
suas principais características referentes às estruturas anatômicas, fisiológicas e cito-
histológicas. Também iremos estudar as características metaplásicas, fisiológicas e 
inflamatórias deste trato e as principais formas de diagnóstico de cada uma delas. 
A principal forma de diagnóstico das principais doenças que acometem o TGF é 
o esfregaço vaginal, muito conhecido como exame de Papanicolau. Este procedimento 
é não invasivo e não causa nenhuma complicação à paciente, além de apresentar 
baixíssimo custo. 
Vale lembrar que o exame citopatológico é o método de rastreio eleito para 
identificação e prevenção do câncer de colo de útero, que segundo estimativas do INCA, 
Instituto Nacional do Câncer, para o ano de 2020, no Brasil, seriam novos 16.710 casose, infelizmente, 6.596 óbitos decorrentes deste tipo de câncer. Estes dados apenas 
reforçam a necessidade real de estudarmos cada dia mais as particularidades do TGF. 
Então, vamos juntos! 
2 ANATOMOFISIOLOGIA E CITO-HISTOLOGIA DO TGF 
O TGF é constituído por dois ovários ou gônadas, duas tubas uterinas, o útero, a 
vagina e a genitália externa ou vulva, além do clitóris, o bulbo do vestíbulo e as glândulas 
anexas, vestibulares maiores e menores (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Os ovários são as gônadas femininas (Figura 9), e segundo Junqueira e Carneiro 
(2018), possuem em média 3 cm de comprimento, 1,5 cm de largura e aproximadamente 
1cm de espessura, porém, estas dimensões variam de acordo com cada indivíduo 
(variações anatômicas) e a ainda dependem da fase do ciclo menstrual na qual as 
características estão sendo avaliadas. 
Outra informação importante é que são dois, um de cada lado do útero, estando 
interligadas pelas trompas. Produzem hormônios sexuais (progesterona e estrogênio) e 
ainda o gameta feminino (BRASIL, 2012a; KOSS; GOMPEL, 2014). 
90
Os ovários são revestidos por tecido epitelial cúbico simples, e, em algumas 
porções, é possível encontrar tecido epitelial pavimentoso simples. Logo a seguir temos 
a túnica albugínea, em que o tecido conjuntivo denso e os vasos sanguíneos se fazem 
presentes além das células de Leydig, que produzem os hormônios sexuais estimuladas 
pelas gonadotrofinas, região conhecida como cortical e de aparência esbranquiçada. 
Os folículos ovarianos (ovócitos) desenvolvem nos ovários e podem ser 
encontrados junto ao tecido conjuntivo frouxo, na porção denominada como estroma, 
que possui conformação característica (em redemoinhos). Nesta região, durante o ciclo 
sexual dependente hormonalmente de FSH e LH ocorrem alterações ovarianas. Aqueles 
folículos não estimulados permanecem inativos, como na infância, período em que 
praticamente não ocorre secreção hormonal. 
FIGURA 9 – OVÁRIO 
FONTE: <http://twixar.me/9Gcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
Um fato que devemos estar atentos é que as mulheres já nascem com sua 
totalidade de folículos, cerca de 400 mil deles, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 
2012a) e Consolaro e Maria-Egler (2014). Em geral, cerca de 1000 ovócitos são recrutados 
para o amadurecimento, porém, na imensa maioria, apenas um, por ciclo, é liberado. 
Este ciclo menstrual é em média de 28 dias, com ovulação em torno do 14° dia (período 
fértil), e o folículo pós-período de ovulação transforma-se em corpo-lúteo, impedindo 
uma nova ovulação. As tubas uterinas são as responsáveis por captar o ovócito liberado 
pelo ovário e levá-lo em direção ao útero (BRASIL, 2012a; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018).
O útero recebe o óvulo fecundado, fornecendo a ele tudo o necessário para o seu 
desenvolvimento. Ele é formado por três camadas: internamente, tem-se o endométrio 
(revestido por muco), externamente o perimétrio, camada serosa e, entre elas, existe 
o miométrio, formado por uma espessa rede de fibras musculares lisas e colágenas, e 
elas, a depender do estágio hormonal, apresentam três fases: proliferativa, secretora e 
menstrual – fases que iremos estudar neste tópico um pouco mais a frente. A estrutura 
uterina é dividida anatomicamente em: 
91
I- corpo do útero – região com maior volume e possui aspecto de triângulo; 
II- colo do útero – região mais estreita por isso camada popularmente de canal cervical 
ou cérvice; 
III- istmo do útero – região da parte inferior do corpo do útero;
IV- fundo do útero – região que fica acima do eixo que faz a ligação do útero com as 
tubas uterinas. 
O colo uterino possui como limites o óstio interno, próximo com o istmo do útero 
e o óstio externo, ligado ao canal vaginal. 
A parede do colo do útero é formada pela endocérvice e pela ectocervice. 
A primeira é uma camada mucosa, revestida por tecido epitelial colunar simples 
mucossecretor (Figura 21) – produtor do muco cervical –, e a segunda, é formada por 
um epitélio escamoso estratificado não queratinizado, semelhada a da vagina. 
A ligação entre estas duas camadas é chamada de junção escamocolunar 
(JEC), e pode ter pequenas alterações devido ao estado hormonal, gestacional, parto 
ou ainda devido a possíveis traumas.
FIGURA 10 – CITO-HISTOLOGIA DO ÚTERO: ENDOCERVICE – TECIDO EPITELIAL COLUNAR 
SIMPLES MUCOSSECRETOR
FONTE: <http://twixar.me/JGcm>. Acesso em: 27 fev. 2022.
Quando o epitélio da vagina e útero estão maduros, ou seja, em fase reprodutiva, 
podemos dividi-lo, basicamente, em quatro camadas: 
I- camada parabasal, formada por várias camadas de células arredondadas, com 
características basófilicas, corando de azul ou verde; 
92
II- camada intermediária, formada por células poligonais ou elipsoides grandes, com 
núcleos redondos vesiculares e citoplasma rico em glicogênio e núcleos com 
cromatina delicada e uniformemente distribuída, menos coradas que as parabasais, 
células escamosas intermediárias coradas de castanho devido ao grande acúmulo 
de glicogênio; 
III- camada superficial, epitélio composto por células aplanadas com citoplasma 
abundante, eosinofílico, e núcleos picnóticos, células superficiais com grânulos 
querato-hialinos; 
IV- camada celular em escamas, células desta camada são as mais comuns nos 
esfregaços no período ovulatório do ciclo menstrual, também são poligonais, mas 
para diferenciá-las das células intermediárias é fundamental a análise nuclear. 
Nestas, o núcleo é picnóticos (cromatina condensada) sem evidência de granulação, 
conforme a Figura 4 da Unidade 1. 
É importante salientar aqui que todas as camadas, exceto a basal, na verdade são 
células em diferentes estágios de amadurecimento das células basais (BRASIL, 2012a).
 
As células das glândulas endocervicais também são revestidas por epitélio 
colunar simples, mucossecretoras, monoestratificadas, quando vistas de frente, ou 
ainda em forma de paliçada, quando vistas lateralmente. Possuem citoplasma cianofílico 
fraco com presença de vacúolos e grânulos acidófilos e núcleo em sua região basal e 
raramente são ciliadas.
3 METAPLASIAS 
Conforme aponta o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), ocorrem alterações 
hormonais nos epitélios da região do colo uterino, principalmente devido à maior exposição 
das células ao pH ácido vaginal após a puberdade e ainda durante processo gestacional. 
Esta situação dá origem a uma eversão, ectopia do epitélio da região endocervical, 
desencadeando o processo de metaplasia escamosa, que nada mais é que um processo 
adaptativo do epitélio colunar, que deixa de existir, dando origem ao epitélio escamoso 
estratificado não queratinizado. 
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), tecnicamente, existem três estágios 
no processo de metaplasia escamosa: no primeiro, temos o aparecimento de uma e 
posteriormente inúmeras células imaturas de células de reserva, processo chamado de 
hiperplasia das células de reserva. 
No segundo, existem transformações progressivas das células de reserva em 
células escamosas, processo chamado de metaplasia escamosa imatura, e, por fim, 
temos a perda definitiva do epitélio colunar e o novo epitélio agora mais diferenciado, 
maduro, devido a isso passa a ser uma metaplasia escamosa madura, torna-se 
praticamente igual a um epitélio escamoso original.
93
A região onde ocorreu a alteração metaplásica é chamada de zona de 
transformação (ZT), e é justamente nela que ocorrem as maiores incidências de lesão 
pré-cancerosa e de carcinoma escamoso do colo do útero. 
Isto provavelmente se deve ao fato de que as células desta região se tornam 
mais susceptíveis às ações de agentes carcinogênicos, entre eles tem maior destaque 
o Papiloma Vírus Humano, popularmente conhecido como HPV, sendo assim uma área 
de grande interesse clínico. 
Ainda segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), as células metaplásicas 
imaturas são redondas a ovais, com pequeno aumento da relação núcleo/citoplasma, 
com citoplasma delicado que pode apresentar vacúolos. Geralmente, este tipocelular se 
apresenta em agrupamentos frouxos, lembrando ‘calçamento de pedra’. 
Já as células metaplásicas maduras apresentam citoplasma mais denso e 
são mais arredondadas podendo se apresentar também em agrupamentos frouxos. 
Estes dois tipos celulares podem apresentar-se, também, em formato estrelado – 
prolongamentos citoplasmáticos, Figura 11. 
Outra característica comum a elas é no quesito coloração. Elas podem apresentar 
coloração dupla – citoplasma mais denso (ectoplasma) na região periférica e na região 
perto do núcleo mais clara, quase que pálido. Note esta característica na Figura 11, na 
região central da imagem.
FIGURA 11 – CÉLULAS COM PROLONGAMENTOS CITOPLASMÁTICOS 
FONTE: <http://twixar.me/yGcm>. Acesso em: 27 fev. 2022.
94
FIGURA 12 – COLORAÇÃO DE CÉLULAS EPITELIAIS ESCAMOSAS
FONTE: <http://twixar.me/zGcm>. Acesso em: 27 fev. 2022.
4 CITOLOGIA HORMONAL 
É inegável que os hormônios produzam mudanças nos epitélios vaginais e 
uterinos durante o ciclo menstrual (Figura 13). Estrogênio e progesterona produzem 
alterações ativas nestes, e, dessa forma, provocam alterações morfológicas importantes 
no perfil celular das amostras cervicovaginais. 
95
FIGURA 13 – CICLO MENSTRUAL E SEUS HORMÔNIOS
FONTE: <http://twixar.me/5Gcm>. Acesso em: 27 fev. 2022
Considerando o ciclo menstrual de 28 dias, temos entre o 1° e 6° dia um 
predomínio de células escamosas intermediárias nas análises de esfregaço vaginais. 
Também podem ser visualizadas células endometriais e estromais, além de hemácias, 
bactérias e leucócitos. 
No segundo período, entre o 6° e 14° dia, a maior parte das células visualizadas 
são as superficiais, que estarão sob influência do estrogênio, que podem estar 
isoladas ou em agrupamentos frouxos. Neste período, o esfregaço apresenta-se limpo 
praticamente sem a presença de bactérias e leucócitos (BRASIL, 2012a).
CICLO MENSTRUAL
FASE FOLICULAR FASE LÚTEA
ov
u
la
çã
o
Folículos ovarianos óvulo corpo lúteo
FSH
LH ov
u
la
çã
o
estrogênio
progesterona
en
do
m
ét
rio
dia 1 dia 14 dia 28
MENSTRUAÇÃO FASE PROLIFERATIVA FASE SECRETORA
96
Na terceira fase, período entre o 14° e 24° dia, temos a progesterona em níveis 
cada vez maiores, o que propicia um predomínio de células escamosas intermediárias 
em agrupamentos compactos (Figura 14). Células naviculares e bactérias do tipo 
lactobacilos também podem estar presentes nos esfregaços. Estas bactérias podem 
provocar uma degradação celular, o que pode provocar a visualização de muitos núcleos 
desnudos e ainda restos de citoplasma. Por fim, no período entre o 24° e 28° dia, existe 
um predomínio de células intermediárias e naviculares e os agrupamentos celulares 
maiores, mais compactos e ainda mais frequentes (BRASIL, 2012a).
FIGURA 14 – CÉLULAS CERVICAIS HUMANAS NORMAIS: AGRUPAMENTO DE CÉLULAS 
SUPERFICIAIS E INTERMEDIÁRIAS (AUMENTO DE 600X)
FONTE: <http://twixar.me/SGcm>. Acesso em: 27 fev. 2022.
Em algumas fases da vida da mulher, não existe a produção de estrogênio, 
como ocorre na infância, na lactação e ainda na pós-menopausa. Outras situações não 
fisiológicas, como a remoção dos ovários, terapias de rádio e quimioterapia, também 
podem mimetizar a baixa produção de estrogênio. 
Em todos estes casos, ocorre o predomínio de células escamosas parabasais 
nos esfregaços cervicovaginais, chamados de atróficos, que podem se apresentar 
isoladas ou ainda em arranjos que lembram sincícios (sobreposição nuclear e limites 
citoplasmáticos indistintos). 
Na gravidez ocorre um grande predomínio celular de células intermediárias, 
frequentemente com arquitetura navicular, principalmente a partir do 2° mês de 
gestação. O citoplasma celular apresenta grande quantidade de glicogênio, o que 
promove uma coloração acastanhada destas células. 
97
Esta característica não é exclusiva da gravidez, pode ser observada também 
na fase secretória do ciclo menstrual, devido aos altos índices de progesterona 
característicos desta fase. No período pós-parto, o esfregaço atrófico persiste por 
algumas semanas ou até por alguns meses, apresentando células parabasais com 
grandes quantidades de glicogênio em seus citoplasmas (BRASIL, 2012a).
5 CITOLOGIA INFLAMATÓRIA 
O TGF contém a vagina, que está com o meio externo, o que propicia o 
aparecimento de variadas infecções. Estas podem ser identificadas por sintomas 
clássicos, como prurido, secreções fétidas ou não, dor e até mesmo sangramento em 
casos mais crônicos. 
Geralmente, o exame citológico é utilizado como forma de prevenção ao 
câncer de colo de útero, mas também é muito utilizado para identificação de processos 
inflamatórios e ainda ajudam a determinar a sua intensidade, bem como o agente 
etiológico. A coleta recomendada é a tríplice, onde obtém-se amostras da ectocervice, 
da endocérvise e ainda da vagina. 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012ª; BRASIL, 2012c), identificar a 
presença de agentes infecciosos, não é indicativo de infeção, pois alguns agentes são 
residentes, principalmente na região vaginal e não provocam sintomatologia. 
Na região da vagina podemos citar como residentes as bactérias anaeróbicas, 
como os lactobacilos, o Staphylococcos epidermidis e o Streptococcos viridans, que 
não causam obrigatoriamente processos infecciosos. A maior ou menor susceptibilidade 
a infecções vai depender de várias condições, fisiológicas (gravidez, menopausa...), 
patológicas (distúrbios hormonais, diabetes...) ou ainda locais (DIU, exposição sexual).
5.1 BACTERIANA
Vários agentes bacterianos podem ser identificados no TGF. Um deles é o 
Lactobacillus vaginalis, ou bacilos de Doderlein, que são gram-positivos e perten-
cem à microbiota residente. Eles podem provocar citólise das células escamosas a 
depender do período do ciclo menstrual e são fundamentais na defesa contra mi-
cro-organismos patogênicos. 
 Agentes bacterianos mistos também podem ser identificados em esfregaços 
cervicovaginais, como a mistura de bacilos e cocos. O Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) 
afirma que a Gardnerella vaginalis também pode ser identificada. Ela é um coco Gram 
negativo, e aproximadamente 50% das mulheres possuem essa infecção assintomática, 
98
porém, quando o pH vaginal é maior que 4,5, essa bactéria pode associar-se a outras, 
inclusive ao Mycoplasma hominis e originar a infecções múltiplas, chamada na clínica 
de vaginose bacteriana. A presença de estreptococos nos esfregaços tem ocorrência, 
em média, de 30%. Eles têm predileção para pH mais alcalino e está associado a 
Trichomonas vaginalis. 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), outro achado citológico no 
TGF é o Actinomyces, muito comum na cavidade oral do trato gastrointestinal, porém, 
recorrente em mulheres que fazem uso do DIU (dispositivo intrauterino) por longos 
períodos, que deve ser tratado, pois pode ocorrer sua disseminação e provocar infecções 
severas, inclusive com abscessos. Nos esfregaços, eles se apresentam como estruturas 
filamentosas, não septadas e com aparência que lembra aranhas ou ouriços do mar.
A Clamydia trachomatis, uma Gram-negativa intracelular obrigatória, também 
pode ser comumente encontrada nas análises citológicas do TGF, apesar de na maioria 
dos casos as infecções serem assintomáticas. Quando em situações mais severas, 
aumentam o risco de aborto espontâneo e morte fetal. 
Nos esfregaços, pode-se identificar esta infecção devido à ocorrência de 
inclusões citoplasmáticas diferentes, a depender do seu grau de desenvolvimento, 
podendo ser: corpos elementares, reticulares ou ainda agregados. A grande chave 
diagnóstica é a presença de macrófagos fagocitando linfócitos degenerados. 
Outro ponto importante que devemos ressaltar é que quando identificados 
estes sinais, o citopatologista está automaticamente autorizado a solicitar exames de 
imunofluorescência e de cultura para investigar a fundo este micro-organismo.
Outra bactéria que pode ser identificada no TGF é a Leptothris vaginalis. Ela é 
uma bactéria anaeróbia filamentosaque se apresenta nos esfregaços em forma de “s” 
ou “u” com enovelamentos. Comumente está associada com o Tchichomonas vaginalis 
em mais de 75% dos casos (BRASIL, 2012a).
5.2 FÚNGICA
Este tipo de infecção é responsável pela maioria dos casos de vaginite nas 
regiões tropicais, sendo que mais de 80% destes, são causados pela Candida albicans. 
A infecção acomete a vulva, vagina e, às vezes, o colo uterino (Figura 15). 
99
FIGURA 15 – INFECÇÃO POR CANDIDA ALBICANS
SÍNDROME VAGINAL
Candidase
Fundo ÚTERO
Tubo uterino
Ovário
Ligamento ovariano
Ligamento largo
Miometria (camada muscular)
Perimétrio (camada serosa)
Canal cervical Endométrio
Abertura do colo do útero
Vagina (corte)
FONTE: <http://twixar.me/XGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
Grande parte das mulheres são portadoras assintomáticas, mas quando os 
sintomas são notados, estes podem ser: secreção vaginal espessa, esbranquiçada 
podendo ter relato de prurido e ardência. Nos esfregaços, são notadas hifas e esporos 
redondos, que podem se corar de vermelho ou marrom.
100
FIGURA 16 – VISÃO MICROSCÓPICA DA CANDIDÍASE (CANDIDA ALBICANS) EM 
CITOLOGIA DE PAPANICOLAU
FONTE: <http://twixar.me/jGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
5.3 PROTOZOÁRIA
O principal protozoário encontrado no TGF é o Trichomonas vaginalis. Ele é 
flagelado e possui transmissão por via sexual, desenho esquemático deste protozoário. 
Segundo relatos do Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), aproximadamente 50% das 
mulheres possuem infecção assintomática por este protozoário. 
Quando os sintomas se fazem presentes, os principais são: corrimento 
abundante e de cor amarela esverdeada e odor local desagradável. Nos esfregaços, 
corados através da técnica de Papanicolaou, raramente é possível visualizar seus 
flagelos, sendo possível a visualização de seu núcleo pequeno, excêntrico, redondo e 
levemente basofílico. 
Outro ponto característico nas infecções provocadas por este protozoário é o 
fundo purulento, por vezes provocado pelo grande acúmulo de neutrófilos. 
5.4 VIRAL
A infecção pelo herpes genital é causada pelo vírus da Herpes simplex tipo 1 
(HSV-1) e tipo 2 (HSC-2). O desenho esquemático da estrutura deste vírus é apresentado 
na Figura 17. Seus sintomas mais comuns são: febre, mialgia, vesículas na pele ou nas mu-
cosas genitais e indisposição. Estas vesículas regridem espontaneamente em até quatro 
semanas e são recorrentes, porém, este mecanismo ainda não está totalmente elucidado. 
101
FIGURA 17 – DESENHO ESQUEMÁTICO DA ESTRUTURA DE ALGUNS VÍRUS, INCLUSIVE DO 
HERPES VIRUS
FONTE: <http://twixar.me/pGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
Citologicamente, temos o acometimento das células parabasais, metaplásicas 
e ainda as endocervicais, com a identificação de citomegalia e cariomegalia. Podem ser 
identificados ainda degeneração da cromatina, dando origem a núcleos foscos de forma 
homogênea e ainda uma membrana celular mais espessa. 
Outro ponto comum nesta infecção viral é a multinucleação, além de seu 
citoplasma também denso e opaco, devido à desnaturação proteica e sua consequente 
coagulação (BRASIL, 2012a).
102
6 CITOLOGIA DAS ALTERAÇÕES REATIVAS 
Nos processos de reparação, resultantes de vários tipos de processos, 
como morte celular, perda de tecido por ulceração, infecções, traumas etc., ocorre a 
reconstrução tecidual com substituição das células mortas por outras viáveis por 
meio de dois processos, fundamentalmente: o primeiro, regeneração, em que ocorre 
a substituição por células do mesmo tipo de tecido, mantendo-se a integridade e 
funcionalidade do tecido, ou, ainda, fibrose, quando ocorre a proliferação de tecido 
conjuntivo, perdendo-se, às vezes, a função original. 
Citologicamente, nas lesões do epitélio escamoso da ectocervice ou da 
endocervical, ocorre proliferação das células basais circunvizinhas à lesão para cobrir 
o local acometido pela injúria. Juntamente a esta proliferação, ocorre a proliferação de 
fibroblastos e células inflamatórias que irão originar o chamado tecido de granulação 
que irá promover o fechamento das margens da lesão. Após este processo de reparo, 
ocorre evolução, para uma fibrose que vai promover as condições normais do estroma, 
similares àquela anteriores a lesão. 
Nos esfregaços, o fundo pode apresentar hemácias, ainda que raras, e exsudado 
inflamatório, fatos que geralmente não são identificados nos casos de cânceres. As 
células em regeneração apresentam boa coesão em monocamadas e com mesma 
orientação nuclear. O citoplasma é pálido e basofílico com bordas indistintas. Como 
a reparação geralmente ocorre de forma rápida é possível identificarmos mitoses e 
multinucleações, além de cromatina mais grosseira (BRASIL, 2012a).
103
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• A principal forma de diagnóstico das principais doenças que acometem o TGF 
é o esfregaço vaginal, muito conhecido como exame de Papanicolau, que é um 
procedimento não invasivo e não causa nenhuma complicação à paciente além de 
apresentar baixíssimo custo. 
• TGF é constituído por dois ovários ou gônadas, duas tubas uterinas, o útero, a vagina 
e a genitália externa ou vulva, além do clitóris, o bulbo do vestíbulo e as glândulas 
anexas, vestibulares maiores e menores. 
• A parede do colo do útero é formada pela endocérvice e pela ectocervice, a primeira 
é uma camada mucosa, revestida por tecido epitelial colunar simples mucossecretor 
e a segunda, é formada por um epitélio escamoso estratificado não queratinizado, 
semelhada a da vagina, e, a ligação entre estas duas camadas é camada de junção 
escamocolunar (JEC), que pode apresentar pequenas alterações devido ao estado 
hormonal, gestacional, parto ou ainda devido a possíveis traumas.
• Ocorrem alterações hormonais nos epitélios da região do colo uterino, principalmente 
devido à maior exposição das células ao pH ácido vaginal após a puberdade e ainda 
durante processo gestacional dando origem ao epitélio escamoso estratificado não 
queratinizado – processo de metaplasia escamosa.
• Hormônios produzem mudanças nos epitélios vaginais e uterinos durante o ciclo 
menstrual.
• Vários agentes podem ser identificados no TGF, entre eles: Lactobacillus vaginalis ou 
bacilos de Doderlein, Candida albicans, Trichomonas vaginalis e ainda Herpes simplex 
tipo 1 (HSV-1) e tipo 2 (HSC-2). 
• Os processos de reparação, podem ocorrer de duas formas principais: regeneração, 
onde ocorre a substituição por células do mesmo tipo de tecido, mantendo-se a 
integridade e funcionalidade do tecido, ou ainda, fibrose, quando ocorre a proliferação 
de tecido conjuntivo.
104
AUTOATIVIDADE
1 O câncer do colo do útero é um problema grave de saúde que atinge muitas mulheres 
no Brasil e no mundo. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o 
terceiro tumor mais frequente na população feminina. 
FONTE: Adaptado de <https://exercicios.mundoeducacao.
uol.com.br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-cancer-
colo-utero.htm#questao-6702https://exercicios.
mundoeducacao.uol.com.br/exercicios-biologia/
exercicios-sobre-cancer-colo-utero.htm#questao-6702>. 
Acesso em: 31 maio 2022.
Sobre esse tipo de câncer, marque a alternativa incorreta:
a) ( ) Existem diferentes tipos de HPV e todos eles podem causar câncer de colo do útero.
b) ( ) Em seu estágio inicial, geralmente, o câncer do colo do útero não provoca sintomas.
c) ( ) A vacina contra HPV é recomendada para meninos e meninas.
d) ( ) O exame preventivo Papanicolau auxilia no diagnóstico de câncer do colo do útero.
2 (Osec-SP) No esquema a seguir, que mostra parte do aparelho genital feminino, 
em geral os fenômenos de nidação, fertilização e segmentação do ovo ocorrem, 
respectivamente, nas regiões indicadas por:
FONTE: <https://exercicios.brasilescola.uol.com.br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-sistema-
genital-feminino.htm>. Acesso em: 31 maio 2022.
105
a) ( ) III, I e II.
b) ( ) I, II e III.
c) ( ) I, III e II.
d) ( ) III, II e I.
3 (Osec-SP) Os ovários são duas glândulas situadasuma em cada lado do útero, abaixo 
das trompas. Produzem os óvulos e também os hormônios sexuais femininos. 
FONTE: Adaptado de <https://exercicios.
brasilescola.uol.com.br/exercicios-biologia/
exercicios-sobre-sistema-genital-feminino.
htm>. Acesso em: 31 maio 2022.
Assinale a alternativa CORRETA que indica quais hormônios são produzidos pelos ovários:
a) ( ) Estrogênio e progesterona.
b) ( ) Estrogênio e testosterona.
c) ( ) Progesterona e testosterona.
d) ( ) Testosterona e hormônio estimulador das células intersticiais.
4 Na prevenção e controle do câncer do colo do útero, muitas ações são executadas 
na atenção primária à saúde, inclusive para a detecção precoce do câncer. Para 
tal, atualmente, no Brasil, são realizadas campanhas para a realização da coleta 
da citologia, e quando os laudos são recebidos, pode-se identificar mulheres com 
resultados positivos ou ainda daquelas cujo rastreamento e acompanhamento são 
sugestivos. Diante do exposto, disserte sobre metaplasia escamosa imatura e ainda 
diga qual a faixa etária aconselhável para acompanhamento do exame citopatológico.
5 A herpes é uma infecção causada pelo Herpes simplex vírus. O contato com o vírus 
ocorre ainda nos primeiros anos de vida, mas não necessariamente apresenta 
sintomas. A reativação do vírus pode ocorrer devido a diversos fatores desencadeantes, 
tais como: exposição à luz solar intensa, fadiga física e mental, estresse emocional, 
febre ou outras infecções que diminuam a resistência orgânica, mesmo que estes 
mecanismos ainda não estejam totalmente elucidados. Algumas pessoas têm maior 
possibilidade de apresentar os sintomas do herpes. Outras, mesmo em contato com 
o vírus, nunca apresentam a doença, pois sua imunidade não permite. Sobre este 
assunto e de acordo com seus conhecimentos sobre esta infecção, disserte acerca 
das principais alterações citológicas desencadeadas por este agente infeccioso.
106
107
TÓPICO 3 - 
ATIPIA CELULAR, LESÕES PRÉ-CANCEROSAS 
E CARCINOMAS DO COLO UTERINO
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 2
Caro acadêmico, neste terceiro tópico, vamos estudar os principais tipos de 
atipias celulares encontrados nos esfregaços cervicovaginais. Inicialmente, nossos 
estudos serão sobre as principais classificações clínicas destas atipias, segundo os 
parâmetros da Nomenclatura Brasileira para laudos cervicais (proposto pelo Ministério 
da Saúde do Brasil e pelo INCA em 2006), que é baseado no Sistema Bethesda de 1991 
e suas atualizações.
Em seguida, iremos estudar as principais lesões cancerosas e as morfogêneses 
dos carcinomas escamosos e suas correlações com o Papiloma Vírus Humano, o HPV, 
bem como as lesões intraepiteliais e as diversas classificações clínicas.
Por fim, estudaremos os diversos tipos de carcinomas que podem acometer o 
colo uterino, bem como as possíveis formas de diagnósticos, inclusive os diferenciais. 
Vamos juntos em mais uma etapa dos nossos estudos citopatológicos?
2 CÉLULAS ESCAMOSAS ATÍPICAS: CLASSIFICAÇÕES, 
CRITÉRIOS E CONDUTAS 
Com a ampliação e popularização dos exames de cito-histologia cervicovaginais, 
foi necessária uma uniformização dos termos e por consequência dos laudos. Desta 
forma foi possível estabelecer-se critérios para os possíveis diagnósticos dos processos 
patológicos correlacionados ao aparecimento do câncer cervicouterino, por todos os 
profissionais envolvidos no processo.
Desta forma, a nomenclatura anterior, estabelecida por Papanicolau, é total-
mente desaconselhada (I a V) nos laudos citológicos. A partir de 1991, introduzida pelo 
sistema Bethesda, foi instituída a categoria de ‘Atipia de células escamosas de significa-
do indeterminado’ – ASCUS – como forma de padronizar as nomenclaturas e tornar as 
terminologias uniformes, indicando a presença de células anormais, mas com caracte-
rísticas não suficientes para um diagnóstico definitivo de lesão intraepitelial escamosa.
108
Com o uso desta categoria foi possível minimizar a ocorrência de resultados 
citológicos falso-positivos e falso negativos nas determinações de situações patológicas 
do colo uterino. Desta forma, para aquelas células que possuíam alterações significativas 
além dos processos reativos e menos acentuadas que àquelas apresentadas pelas 
lesões escamosas (NIC), passou-se a atribuir a categoria ASCUS.
 
Em uma revisão do Sistema Bethesda, em 2001, passou a ser adotada a 
nomenclatura ASC – Atipia de Células Escamosas – em substituição a ASCUS. Com 
critérios mais refinados, o sistema ASC é dividido em dois grandes grupos: ASC-US: 
atipias celulares escamosos de significado indeterminado; ASC-H: atipia de células 
escamosas que não se pode excluir lesões de alto grau.
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), na ASC-US, tem-se alterações 
sugestivas de lesões intraepiteliais de baixo grau, mas ainda insuficiente para um 
diagnóstico definitivo. Entre os critérios citológicos, tem-se: 
I- núcleos 2,5 a 3 vezes maiores que uma célula normal; 
II- relação núcleo/citoplasma aumentado;
III- hipercromia nuclear e leves alterações na distribuição da cromatina; 
IV- anormalidades nucleares concomitantes com alterações citoplasmáticas. Nesta 
categoria estão as células infectadas pelo HPV por exemplo. 
Para este mesmo autor, na categoria ASC-H temos alterações citológicas que 
ainda não podem ter seu diagnóstico definitivo como lesão intraepitelial escamosa 
de alto grau. As mulheres que possuem diagnóstico nesta categoria apresentam 
taxas elevadas de lesões pré-cancerosas. Também estão associadas às infecções de 
HPV, mas mesmo envolvendo a zona de transformação e a ausência de coilocitose, 
possuem imaturidade celular, prejudicando a sua diferenciação de lesões intraepiteliais 
escamosas de alto grau (NIC 3). Os critérios citológicos para esta categoria são: 
I- presença de células isoladas ou mesmo em pequenos grupos; 
II- células metaplasicas com núcleos 1,5 ou 2 vezes maiores que as células metaplásicas 
normais; III) leve hipercromasia nuclear; 
IV- leve irregularidade nuclear, e ainda, 
V- cromatina finamente granular uniformemente distribuída ou condensada. 
Conforme já dito, a nomenclatura brasileira emprega o sistema ASC, e as 
pacientes inclusas nesta categoria devem ser abordadas e convidadas a seguir o 
esquema proposto pelo Ministério da Saúde do Brasil, conforme a Figura 18, para ASC-
US, e, Figura 19, para ASC-H, ambas adaptadas do Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a).
109
FIGURA 18 – CONDUTA PROPOSTA PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA DIAGNÓSTICOS DE ASC-US
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_1.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2022.
110
FIGURA 19 – CONDUTA PROPOSTA PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA DIAGNÓSTICOS DE ASC-H
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_1.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2022.
3 LESÕES PRÉ-CANCEROSAS E MORFOGÊNESE DO 
CARCINOMA ESCAMOSO
O câncer de colo de útero é o segundo tipo de carcinoma mais prevalente em 
mulheres, perde apenas para o câncer de mama. Sabe-se que no Brasil e no mundo o 
rastreamento dos casos de câncer ainda é baixo, e são necessárias mais campanhas de 
conscientização populacional (Figura 20). 
111
FIGURA 20 – CAMPANHAS DE PREVENÇÃO CONTRA O CÂNCER NO MUNDO: DIA 4 DE FEVEREIRO
FONTE: <http://twixar.me/RGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
O público recomendado pelo Ministério da Saúde como prioritário para o rastreio 
são mulheres com idade entre 25 e 64 anos, e a principal estratégia a ser empregada é 
o exame de Papanicolau, o popular Pap test. 
Epidemiologicamente, verifica-se uma relação íntima entre a infecção pelo 
HPV e a ocorrência dos casos de câncer de colo de útero e anal. Os mais prevalentes 
são: carcinoma cervical, vaginal, vulvar, peniano e ainda de ânus. Quando 
consideramos os casos de câncer de colo de útero, essa relação torna-se muito 
sugestiva e significativa, estando presente em mais de 75% dos casos segundo o 
Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a).Os carcinomas escamosos têm origem no epitélio metaplásico da Zona de 
Transformação (ZT), conforme explicado anteriormente. Também já é sabido que 
as células metaplásicas desta região são mais suscetíveis à ação do Papiloma Vírus 
Humano (HPV). Observe a Figura 21, em que podem ser visualizadas células escamosas 
obtidas através de Pap Test, com provável contaminação por HPV. 
112
FIGURA 21 – CÉLULAS EPITELIAIS ESCAMOSAS ANORMAIS – CRITÉRIOS DE HPV – LÂMINA 
CITOLÓGICA COM ESFREGAÇO DE PAPANICOLAOU 
FONTE: <http://twixar.me/YGcm>. Acesso em: 18 mar. 2022.
3.1 HPV: MANIFESTAÇÕES E DIAGNÓSTICO
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), existem mais de cento e 
cinquenta tipos de HPV. Destes, trinta estão diretamente relacionados ao aumento do 
risco de desenvolvimento de câncer cervicovaginal. 
Os tipos mais diretamente ligados ao desenvolvimento dos diversos tipos de 
cânceres no TGF estão o HPV 6 e o HPV 11, seguidos pelos tipos 16, 18, 31 e 45. Juntos, 
eles respondem por mais de 80% dos casos de cânceres cervicais. 
Os casos raros de câncer em que não são encontrados traços de infecção por 
HPV poderiam ser explicados por participações de outros tipos de HPV não identificados 
pelos testes moleculares empregados rotineiramente. 
Dentre as manifestações clínicas mais prevalentes do HPV, tem-se a presença 
de condiloma acuminado – verrugas – em 30% dos casos, tanto na vulva quanto no 
períneo. A infecção assintomática, em 70% dos casos, geralmente é identificada em 
colposcopias, citologias e ainda histologias onde é encontrado o DNA do vírus através 
de biologia molecular. 
As lesões, quando existentes, podem ser evidenciadas através de exames 
colposcópicos, mediante a utilização de ácido acético. Outros métodos de diagnóstico 
também podem ser empregados para a detecção do HPV, entre eles, os testes 
moleculares que detectam o DNA ou o RNA viral: southern blot, dot blot, hibridização in 
situ e o PCR, este último considerado como a técnica mais sensível para identificação 
do HPV. 
113
A aplicação das vacinas contra o HPV no Brasil tem sido foco de várias 
discussões, principalmente após a incorporação da vacina quadrivalente (HPV 6, 11, 16 
e 18) e/ou bivalente (HPV 16 e 18) nos esquemas vacinais de pessoas com idade acima 
de 9 anos.
4 LESÕES INTRAEPITELIAIS E SUAS CLASSIFICAÇÕES
As neoplasias intraepiteliais cervicais – NICs – são classificadas levando em 
consideração a maturação anormal e as atipias celulares apresentadas pela lesão e 
ainda o grau de acometimento da região epitelial. 
Desta forma, as neoplasias intraepiteliais podem ser divididas em três graus: 
NIC 1: displasia leve; NIC 2: displasia moderada; NIC 3: displasia acentuada ou carcinoma 
in situ. Comparando as classificações de neoplasias intraepiteliais com o sistema 
Bethesda, temos uma nomenclatura muito utilizada pela maioria dos laboratórios 
citológicos atualmente e que se encontra evidenciado no quadro 6.
QUADRO 6 – SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES PRÉ-CANCEROSAS DO COLO UTERINO 
OMS (1974) 
DISPLASIA
NEOPLASIA 
INTRAEPITELIAL 
CERVICAL (NIC)
BETHESDA 
LESÃO INTRAEPITELIAL 
ESCAMOSA
Displasia leve NIC 1 Baixo grau
Displasia moderada NIC 2 Alto grau
Displasia acentuada/
carcinoma in situ
NIC 3 Alto grau
FONTE: Adaptado de <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_
caderno_referencia_1.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2022.
4.1 CARACTERÍSTICAS CITOHISTOLOGICAS E 
SEUS DIAGNÓSTICOS
Os diagnósticos e classificações histológicas (NICs) dependem diretamente 
da diferenciação, maturação e estratificação das células e de suas anormalidades. 
Também deve ser levado em consideração o grau de acometimento do epitélio e as 
atipias identificadas.
114
Entre as características histopatológicas, podem ser citadas: núcleos 
aumentados e por consequência maior relação núcleo/citoplasma, hipercromasia, 
variações de tamanhos e polimorfismo nuclear. Ainda é possível ver células em mitose, 
extremamente comuns em casos de câncer, pois em tecidos saudáveis são pouco 
frequentes e quando se fazem presentes estão restritas às camadas basais. 
Com a evolução da gravidade das lesões, também podem ser observadas 
mitoses anormais que devem ser levadas em consideração para estabelecimento do 
diagnóstico. De maneira resumida, o grau de displasia apresentada pelo epitélio à luz 
da análise histopatológica vai depender da espessura do epitélio e sua composição de 
células anormais.
115
TÉCNICAS USADAS EM LABORATÓRIOS PARA DESCOBRIR 
OS SEGREGOS DOS VÍRUS 
Grace C. Roberts
Eles não são visíveis a olho nu (nem usando um microscópio óptico padrão) 
e causam estragos no planeta todo. Conheça alguns dos principais recursos para os 
estudos de virologia.
LEITURA
COMPLEMENTAR
Imagem em microscopia eletrônica de transmissão de vírions de Influenza A (Foto: CDC)
Os  vírus  são frequentemente chamados de  “o inimigo invisível”. Eles não 
são visíveis a olho nu, ou mesmo usando um microscópio óptico padrão. Então, como 
sabemos que eles existem ou como são?
Existem métodos bioquímicos, como os usados para confirmar a infecção 
por Covid-19, que buscam evidências do material genético de um vírus, mas também 
existem vários métodos diferentes que usamos no laboratório para “ver” vírus. 
Para entender esses métodos, primeiro precisamos compreender como os vírus 
realmente são pequenos. A maioria de nossas células tem cerca de 100 micrômetros 
(0,1 milímetro) de diâmetro. Os vírus são aproximadamente mil vezes menores do que 
essa média, em torno de 150 nanômetros (0,00015 milímetro).
116
1. Microscopia de luz
Os microscópios de luz padrão nos permitem ver nossas células claramente. 
No entanto, esses microscópios são limitados pela própria luz, pois não podem mostrar 
nada menor que a metade do comprimento de onda da luz visível – e os vírus são muito 
menores do que isso.
Células saudáveis de pulmão humano (esquerda) comparadas com células infectadas por vírus 
vistas em microscópio de luz padrão (magnificação 10x) (Foto: Grace Roberts/cedida pela autora)
Mas podemos usar microscópios para ver os danos que os vírus causam 
às nossas células. Chamamos isso de “efeito citopático”, e é comparando as células 
infectadas com as não infectadas que detectamos a presença de vírus em uma amostra. 
Trabalhos preliminares sobre o  Sars-CoV-2  (o vírus que causa a Covid-19), 
usando microscopia de luz, revelaram que o vírus é capaz de fundir células infectadas 
para formar sincícios – células grandes com múltiplos núcleos – um efeito que foi 
previamente observado em vários outros vírus respiratórios.
2. Imunofluorescência
Uma maneira indireta de visualizar os vírus é usar anticorpos (muito parecidos 
com os que o seu corpo produz em resposta a uma infecção) para marcar os vírus com 
moléculas fluorescentes que emitem luz quando absorvem certos tipos de radiação. 
Podemos até marcar várias coisas (como vírus e componentes celulares) com cores 
diferentes para que possamos rastrear mais de uma ao mesmo tempo.
117
Imagem de imunofluorescência mostra os cílios pulmonares (rosa), o núcleo da célula pulmonar 
(azul) e partículas de vírus (verde) (Foto: Grace Roberts/Cedido pela autora)
Podemos então detectar a luz fluorescente das marcas e ver para onde os vírus 
vão dentro de nossas células e com quais estruturas celulares eles interagem. Isso nos 
permite investigar, por exemplo, como as drogas afetam a replicação do vírus ou como 
diferentes cepas de vírus se comportam de maneira divergente.
3. Microscopia de super-resolução
Avanços recentes na microscopia fluorescente levaram ao desenvolvimento da 
microscopia de super-resolução, que combina física muito inteligente com métodos 
computacionais para produzir imagens claras que revelam estruturas altamente 
detalhadas nas células
Núcleo da célula de câncer ósseos em alta resolução padrão de microscopia fluorescente 
(esquerda) e após processamento em super-resolução (direita) (Foto: Christoph Cremer/
Wikimedia Commons, CC BY-SA)118
Usar essa técnica para virologia pode localizar áreas de uma célula infectada 
com mais precisão. Por exemplo, pode mostrar exatamente onde os vírus estão 
situados dentro da célula e quais partes específicas do mecanismo celular os vírus 
usam para se replicar.
4. Microscópio eletrônico
Nenhuma das técnicas mencionadas até agora é capaz de visualizar 
diretamente as partículas virais. É aí que entra a microscopia eletrônica, pois ela pode 
produzir imagens em escala nanométrica. Ela faz isso disparando elétrons em uma 
amostra e vendo como eles interagem com ela. Um computador então interpreta essas 
informações para produzir uma imagem.
Visualização de microscopia de elétron de partículas do Sars-CoV-2, com aproximadamente 150-
200 nanômetros de diâmetro (Foto: Liu et al., CC BY-NC-ND)
Isso nos permite investigar visualmente os diferentes estágios da infecção 
do vírus dentro das células. A microscopia eletrônica também pode ser usada para 
visualizar partículas de vírus inteiras, como mostrado na figura anterior. A partir 
dessas imagens, podemos formar estruturas 3D de partículas de vírus inteiras por 
meio da montagem computacional de imagens de milhares de partículas tiradas em 
diferentes orientações, como este exemplo de uma renderização 3D EM [sigla em 
inglês para microscopia eletrônica] de Sars-CoV-2.
119
Morfologia estrutural do coronavírus (Foto: CDC/ Alissa Eckert, MSMI; Dan Higgins, MAMS)
A microscopia eletrônica foi usada no Sars-CoV-2 para determinar como o 
vírus usa sua proteína “injetora” externa para interagir com nossas células e infectá-las. 
Esses estudos são realmente úteis para descobrir como o vírus obtém acesso às nossas 
células, para que possamos descobrir como usar medicamentos e bloqueá-lo. 
Avaliar a estrutura externa das partículas de vírus também é uma ótima 
ferramenta para identificar quais anticorpos podem neutralizar um vírus, o que pode 
ajudar a produzir vacinas mais precisas e eficazes.
5. Cristalografia
A cristalografia nos permite ver as estruturas com ainda mais detalhes, em nível 
atômico. Para fazer isso, você precisa de uma amostra realmente pura de vírus (sem 
resíduos) suspensa na solução. O líquido da suspensão é evaporado, o que provoca a 
cristalização dos sólidos remanescentes (incluindo o vírus). Estes se alinham de maneira 
uniforme para formar cristais que podem então ser expostos aos raios-X.
120
Raio-x em cristalografia da estrutura do capsídeo do vírus Norwalk (Foto: BV Prasad et al.)
Um detector registra a maneira pela qual os raios-X difratam (ou "rebatem") na 
amostra cristalizada, indicando onde os elétrons estão na estrutura da amostra. Esta 
informação pode então ser usada para construir uma estrutura 3D em escala atômica 
da amostra.
Tal como acontece com a microscopia eletrônica, a cristalografia pode ser 
usada para determinar as estruturas dos vírus, como a proteína injetora do Sars-CoV-2. 
A compreensão dessas estruturas, especialmente como elas interagem com nossas 
células e anticorpos, informa a produção de vacinas e medicamentos.
FONTE: Adaptado de <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Biologia/noticia/2020/11/5-tecnicas-
usadas-em-laboratorio-para-descobrir-os-segredos-dos-virus.html>. Acesso em: 14 fev. 2022. 
121
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• O público de rastreio de câncer de colo de útero recomendado pelo Ministério da 
Saúde, prioritariamente, é composto por mulheres com idade entre 25 e 64 anos, e a 
principal estratégia a ser empregada é o exame de Papanicolau, o popular Pap test.
• Os carcinomas escamosos têm origem no epitélio metaplásico da Zona de 
Transformação (ZT) e as células metaplásicas desta região são mais susceptíveis à 
ação do Papiloma Vírus Humano (HPV). 
• Existem mais de 150 tipos de HPV, destes, 30, estão diretamente relacionados ao 
aumento do risco de desenvolvimento de câncer cervicovaginal. 
• Os tipos mais diretamente ligados ao desenvolvimento dos diversos tipos de cânceres 
no TGF estão o HPV 6 e o HPV 11, seguidos pelos tipos 16, 18, 31 e 45. Juntos, eles 
respondem por mais de 80% dos casos de cânceres cervicais.
• As neoplasias intraepiteliais podem ser divididas em três graus: NIC 1: displasia leve; 
NIC 2: displasia moderada; NIC 3: displasia acentuada ou carcinoma in situ. 
• Os diagnósticos e classificações histológicas (NICs) dependem diretamente da 
diferenciação, maturação e estratificação das células e de suas anormalidades.
122
AUTOATIVIDADE
1 (X Olimpíada Brasileira de Biologia). Leia o texto a seguir e responda esta questão:
Vacina contra HPV é uma das principais armas de combate ao vírus. O Ministério da 
Saúde incorporou a vacina no SUS para meninas de 9 a 11 anos. 
O Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer a vacina contra o papiloma 
vírus humano (HPV), a partir de 10 de março, para meninas de 11 a 13 anos, em postos 
de saúde e em escolas públicas e privadas de todo o país. 
A dose, que ajuda a proteger contra o câncer de colo do útero, estará disponível nos 36 
mil postos de saúde da rede pública durante todo o ano, de acordo com o ministério.
Em 2015, o público-alvo serão as meninas de 9 a 11 anos e, a partir de 2016, a ação ficará 
restrita às meninas de 9 anos. Até 2016, o objetivo do ministério é imunizar 80% do total 
de 5,2 milhões de meninas de 9 a 13 anos no país. 
Embora seja oferecida no SUS para uma faixa etária restrita, a vacina é recomendada 
para jovens de 9 aos 26 anos, uma vez que o vírus é transmitido no início da vida sexual.
FONTE: <https://exercicios.mundoeducacao.uol.com.
br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-hpv.htm>. 
Acesso em: 25 maio 2022.
Pode afirmar-se que uma característica do agente causador da doença supracitada é:
a) ( ) Ser eucarionte.
b) ( ) Ser procarionte.
c) ( ) Possuir metabolismo anaeróbico.
d) ( ) “Reproduzir” exclusivamente dentro de células.
2 (Uepa) Os papilomavirus humanos (HPV) são vírus transmitidos por contato direto 
com o revestimento corporal de pessoas infectadas. Ocasionam lesões de pele ou 
mucosa, podendo as lesões apresentarem a forma de verrugas. 
Alguns subtipos desses vírus podem causar na região genital, principalmente no colo do 
útero, alterações celulares pré-cancerígenas. 
 
FONTE: <https://exercicios.brasilescola.uol.com.
br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-hpv.
htm#resp-2>. Acesso em: 31 maio 2022.
123
A adoção da vacina pela rede pública de saúde no Brasil atuará na prevenção da ocorrência 
dessa doença sexualmente transmissível (DST). Sobre o fato descrito afirma-se que:
a) ( ) O lisossomo viral é responsável pelas lesões da pele.
b) ( ) A porção do órgão feminino citado é local de implantação do zigoto.
c) ( ) A prevenção proposta induzirá nas pessoas a formação de proteínas de defesa.
d) ( ) A utilização do dispositivo intrauterino (DIU) pode evitar a infecção dessa DST.
3 Existem mais de 150 tipos de HPV, estando alguns relacionados ao surgimento de 
verrugas genitais e outros com o desenvolvimento de câncer. Que tipo de câncer 
apresenta relação direta com a infecção pelo HPV? Justifique.
a) ( ) Câncer de mama.
b) ( ) Câncer do colo do útero.
c) ( ) Câncer de intestino.
e) ( ) Câncer de pele.
4 O câncer de colo de útero é uma lesão geralmente invasiva intrauterina, que possui 
relação estreita com a infecção causada pelo HPV, o papilomavírus humano. Quando 
esta infecção apresenta sintomas, podem ser observadas verrugas na mucosa da 
vagina, do pênis, do ânus, ou ainda da laringe e do esôfago. 
O câncer de colo do útero é uma doença de progressão lenta, em alguns casos, mais de 
dez anos para desenvolver algum tipo de sintomatogia. Disserte sobre o câncer de colo 
de útero e ainda sobre a importância da realização de exames preventivos. 
5 Segundo o INCA, podemos definir o câncer de colo de útero como: “(...) um tumor 
que se desenvolve a partir de alterações no colo do útero, que se localiza no fundo 
da vagina. Essas alterações são chamadas de lesões precursoras, são totalmentecuráveis na maioria das vezes e, se não tratadas, podem, após muitos anos, se 
transformar em câncer. As lesões precursoras ou o câncer em estágio inicial não 
apresentam sinais ou sintomas, mas conforme a doença avança podem aparecer 
sangramento vaginal, corrimento e dor, nem sempre nessa ordem. Nesses casos, a 
orientação é sempre procurar um posto de saúde para tirar as dúvidas, investigar os 
sinais ou sintomas e iniciar um tratamento, se for o caso”. 
FONTE: <https://www.inca.gov.br/perguntas-frequentes/
o-que-e-cancer-colo-utero>. Acesso em: 2 mar. 2022.
Diante da definição exposta, disserte sobre as principais características cito-histológicas 
identificadas em esfregaços cervicovaginais que auxiliam no estabelecimento de um 
diagnóstico de câncer.
124
REFERÊNCIAS
ANDRADE, F. G.; FERRARI, O. Atlas digital de histologia básica. Londrina: 
Universidade Estadual de Londrina Centro de Ciências Biológicas. 2012. Departamento 
de Histologia. 2014. Disponível em: http://www.uel.br/ccb/histologia/portal/pages/
arquivos/Atlas%20Digital%20de%20Histologia%20Basica.pdf. Acesso em: 2 jan. 2022.
BRASIL. INCA. Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil. Instituto Nacional 
de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Rio de Janeiro: INCA, 2019. 120 p. Disponível 
em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-
2020-incidencia-de-cancer-no-brasil.pdf. Acesso em: 3 jan. 2022.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de referência 1: citopatologia ginecológica. 
Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: CEPESC, 2012a. Disponível em: https://
bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_referencia_1.
pdf. Acesso em: 3 jan. 2022.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de referência 2: citopatologia não 
ginecológica. Brasília: Ministério da Saúde. Rio de Janeiro: CEPESC, 2012b. Disponível 
em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_
referencia_2.pdf. Acesso em: 03 jan. 2022.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de referência 3: citopatologia não 
ginecológica. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: CEPESC, 2012c. Disponível 
em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_
referencia_3.pdf. Acesso em: 3 jan. 2022.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Políticas de Saúde Programa Nacional de DST 
e Aids Técnica de Coloração de GRAM. Ministério da Saúde Secretaria de Brasília 
2001. Brasília: Ministério da Saúde, Programa Nacional de Doenças Sexualmente 
Transmissíveis e AIDS, 1997. 63 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/115_03gram.pdf. Acesso em: 5 jan. 2022 
CONSOLARO, M. E. L.; MARIA-ENGLER, S. S. Citologia clínica cervicovaginal: texto e 
atlas. São Paulo: Roca, 2014. 
FERNANDES, M. G. Práticas de biologia celular. Dourados, MS: Ed. UFGD, 2017 
(Coleção Cadernos Acadêmicos). 109p. Disponível em: https://repositorio.ufgd.edu.br/
jspui/bitstream/prefix/3103/1/praticas-de-biologia-celular.pdf. Acesso em: 6 fev. 2022.
125
JUNQUEIRA, L. C. U; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2018. 13. ed. il. Disponível em: https://www.meulivro.biz/
protetor/?id=TXVQSHhfdjhwOVRFMHBHQWtkSEFFMXVHQzdJUkg0R1UxPWRpO3BtYSZ
kYW9sbndvZD10cm9weGU/Y3UvbW9jLmVsZ29vZy5ldmlyZC8vOnNwdHRo. Acesso em: 
5 jan. 2022.
KOSS, L. G.; GOMPEL, C. Introdução à citopatologia ginecológica com 
correlações histológicas e clínicas. São Paulo: Roca, 2014. 
LIMA, A. O. Métodos de laboratório aplicados à clínica – técnica e interpretação. 
8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. 
MOLINARO, E. M., et al. Conceitos e métodos para formação de profissionais em 
laboratórios de saúde. Volume 2. Rio de Janeiro: EPSJV. IOC, 2010. 290 p. Disponível 
em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/8659. Acesso em: 2 jan. 2022.
 
MONTANARI, T. Histologia: texto, atlas e roteiro de aulas práticas. 3. ed. Porto Alegre: 
Edição do Autor, 2016. 229 p. Disponível em: http://www.ufrgs.br/livrodehisto/. Acesso 
em: 5 jan. 2022.
126
127
CITOPALOGIA GINECOLÓGICA 
E GESTÃO DA QUALIDADE 
EM LABORATÓRIOS DE 
CITOPATOLOGIA CLÍNICA
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• realizar as análises citopatológicas dentro dos padrões de qualidade, sempre pautado 
nos princípios éticos;
• entender as limitações técnicas dos procedimentos de coleta relevantes à citopatologia;
• compreender a importância da confecção de laudos citopatológicos seguros e assertivos;
• identificar as principais anormalidades endocervicais e endometriais; 
• analisar as novas técnicas e tecnologias aplicadas a citopatológicas já disponíveis 
no mercado;
• operacionalizar as principais formas de monitoramentos de qualidade em laboratórios 
citopatológicos;
• trabalhar em equipes multiprofissionais auxiliando as tomadas de decisões técnicas 
e financeiras, conforme estudos técnicos científicos, de viabilidade financeira e nas 
rotinas laboratoriais.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar 
o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – ESFREGAÇOS CERVICOVAGINAIS
TÓPICO 2 – TÓPICOS ESPECIAIS: ANORMALIDADES ENDOCERVICAIS E ENDOMETRIAIS 
TÓPICO 3 – GESTÃO DA QUALIDADE EM LABORATÓRIOS DE CITOPATOLOGIA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
128
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
Acesse o 
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129
TÓPICO 1 — 
ESFREGAÇOS CERVICOVAGINAIS 
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caríssimo acadêmico! Prazer em revê-lo! Estamos embarcando na nossa última 
etapa da viagem citopatológica. Neste primeiro tópico, vamos estudar com mais critério 
os exames de citopatologia. 
Muito se falou sobre pré-coleta e pós-coleta, sobre qualidade das informações, 
agora, vamos estudar formas de monitorar a qualidade dessas etapas, tanto interna 
quanto externamente. Vamos falar um pouquinho das contribuições do genial Dr. 
George Papanicolaou para os estudos dos esfregaços cervicovaginais e seus impactos 
no Sistema de Saúde. 
Atualmente, os mercados, e, por consequência, os consumidores/usuários 
de bens e serviços, estão cada dia mais exigentes quanto à qualidade dos serviços, 
e, claro, a qualidade do tratamento e das análises realizadas em suas respectivas 
amostras clínicas. Um diagnóstico assertivo, obtido precocemente, faz toda a diferença 
na conduta médica e na terapêutica do paciente, aumentando muito a possibilidade de 
cura e da adesão do paciente, conferindo sucesso ao tratamento. 
Então, preparado para nossa última parada? Esperamos que sim! Aproveitamos 
para fazer outro convite: nunca deixe de estudar! Esteja sempre se atualizando e buscando 
novas informações sobre a área. Estamos nos tempos da 4ª Revolução Industrial, ou 
Indústria 4.0, novas tecnologias (equipamentos, reagentes, técnicas...) são descobertas 
frequentes nestes tempos. Nunca deixe de se atualizar e aprender cada dia mais! 
2 TÉCNICA E OBJETIVOS 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), foi o cientista Julis Vogel, em 
1843, quem identificou as primeiras alterações citológicas – células malignas – em 
líquido de uma fístula de um tumor de mandíbula. No entanto, foi somente nos estudos 
do Dr. George Papanicolaou (Figura 1) – selo comemorativo da descoberta do teste, 
chamado de Pap Test –, que utilizava esfregaços vaginais de mulheres e que tinha como 
interesse inicial verificar os efeitos hormonais sobre a mucosa vaginal, que o pesquisador 
encontrou acidentalmente células malignas. 
130
FIGURA 1 – DR GEORGE PAPANICOLAOU – SELO “PAP TEST”
FONTE: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-48235865>. Acesso em: 2 jul. 2022.
Na leitura complementar da Unidade 1, falamos um pouco sobre a vida deste 
genial médico e pesquisador: “Quem foi George Papanicolaou, criador do exame 
considerado uma das armas mais poderosas contra o câncer”. Após a publicação de seutrabalho, em 1928, Papanicolaou estabeleceu um “novo diagnóstico de câncer”, que foi 
reafirmado neste mesmo ano, pelo patologista Aurel Babes, de maneira independente, 
através da publicação do trabalho “Diagnóstico do câncer do colo uterino por esfregaços” 
(BRASIL, 2016; 2012a; 2012b). 
Infelizmente, as pesquisas de Babes e Papanicolaou ficaram em descrédito por 
muitos anos. Mesmo assim, o chefe do departamento onde Papanicolaou trabalhava, 
Joseph Himsey, aconselhou a continuidade de seus estudos, até que 1943, ele publicou 
o trabalho “Diagnóstico de câncer uterino pelo esfregaço vaginal”, com colaboração 
de outro médico, ginecologista e patologista, Herbert Traut. No trabalho, existiam onze 
ilustrações coloridas e suas respectivas descrições e ainda 48 (quarenta e oito) páginas 
de texto explicando toda a técnica empregada para realização do diagnóstico de câncer 
uterino e ainda as lesões que o precediam, passíveis de identificação citológica, através 
da metodologia chamada de “Pap test” e ainda explicitava a possibilidade da realização 
de tal técnica em grande escala. 
George Papanicolaou, em sua publicação de 1954 – “Atlas de Citologia Esfoliativa” 
–, trouxe enormes contribuições sobre as características celulares de amostras de urina e 
escarro, dentre várias outras, fazendo sempre o paralelo entre as características normais 
e aquelas consideradas patológicas. Este gênio da citopatologia faleceu em 1962 de 
um infarto súbito do miocárdio, mas nos deixou inúmeros ensinamentos e técnicas 
desenvolvidas ao longo de sua carreira.
131
Outro pesquisador que contribuiu bastante à época foi o médico Ernest Ayre, que 
em 1940, criou uma espátula que possibilitava a coleta direta, por raspagem, de células do 
colo uterino. A espátula de Ayre, ainda hoje, é utilizada na coleta de material cervicovaginal, 
e passou a ser utilizada ao invés da coleta de secreções vaginais ‘espontâneas’ outrora 
preconizada por Papanicolaou (BRASIL, 2012a; 2012b; 2012c; 2016).
Sem dúvida, o baixo custo operacional, a simplicidade de coleta e técnica, e 
sua excelente eficácia diagnóstica contribuíram para o sucesso do teste mundialmente, 
principalmente quando estatísticas mundiais apontam o câncer de colo de útero como 
um dos principais responsáveis por óbitos em mulheres. Infelizmente, a realização do 
teste de Papanicolaou ainda não é uma prática adotada por muitos países no mundo. 
Segundo dados do Ministério da Saúde (2012a), 500 mil mulheres são diagnosticadas 
com câncer de colo de útero no mundo por ano, e destas, infelizmente, 200 mil vem a 
óbito devido à doença ou por consequência dela. 
Mesmo com altos índices de óbitos, vários estudos realizados no Brasil e no 
mundo comprovam que a realização do exame de Papanicolaou é a estratégia de escolha 
para diagnóstico precoce de câncer de colo de útero ou ainda das situações/alterações 
preditivas dele, sendo também uma ferramenta fundamental na monitorização de 
possíveis casos de câncer. Segundo o Ministério da Saúde (2012a), não existem outros 
testes ou técnicas superiores para o diagnóstico precoce de cânceres cervicais, 
fazendo com que a citopatologia tenha seu devido reconhecido e importância sob a 
ótica diagnóstica, não só no âmbito ginecológico, mas de todo o corpo (FERNANDES, 
2017; CONSOLARO, 2014).
DICAS
Você sabia que mesmo com todas as companhas para a prevenção do câncer de colo de 
útero ainda existe uma grande resistência das mulheres em realizar o exame? 
Acesse o artigo “Avaliação da não realização do exame Papanicolaou por 
meio do Sistema de Vigilância por inquérito telefônico”. Nele, os pesqui-
sadores verificam que alguns grupos de mulheres acham desnecessária a 
realização deste exame tão importante. Disponível em: https://www.scielo.
br/j/reeusp/a/7C6FcYZ68xHRQRhDD3kyCTy/?lang=pt.
Outro artigo muito interessante sobre o exame preventivo é “Compreen-
são de usuárias de uma Unidade de Saúde da Família sobre o exame Pa-
panicolaou”. Alerte-se para o fundamental papel de todos os profissionais 
de saúde na promoção da saúde da mulher. Disponível em: https://www.
scielo.br/j/csc/a/LFjrRDnvfS9dxRrBZy69Mpg/?lang=pt.
Não deixem de ler! Bons estudos!
132
3 RECOMENDAÇÕES E INDICAÇÕES DO EXAME 
CITOPATOLÓGICO DE PAPANICOLAOU 
A indicação de realização do exame de Papanicolaou, segundo as Diretrizes 
Brasileiras, para o rastreamento do Câncer do Colo do Útero pelo Ministério da Saúde/
Instituto do Câncer – INCA – de 2019, é para mulheres sexualmente ativas entre 25 e 60 
anos, porém muitos autores e pesquisadores aconselham que o início da realização do 
exame seja concomitante com o início da vida sexual da mulher (BRASIL, 2012a).
Agora, pensando em periodicidade, a recomendação é a realização de exames 
anuais. Este prazo deve-se à característica evolutiva do câncer de colo de útero que, 
segundo dados epidemiológicos, revela a evolução relativamente lenta, o que facilita a 
descoberta precoce de possíveis alterações que podem ser indicativas de câncer, as 
chamadas lesões pré-cancerosas.
Para mulheres que receberam o diagnóstico de tais lesões, a recomendação é 
de realizar-se o exame citológico semestralmente, conforme esquema já apresentado 
na Unidade 2. Após tratar-se tais lesões, e após dois exames negativos, a recomendação 
passa a ser a realização de exame anual. 
3.1 PROCEDIMENTOS PRÉ-COLETA 
Dentre os principais procedimentos pré-coleta, que devem ser cuidadosamente 
explicados ao paciente, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) estão:
• Não estar em período menstrual, pois podem comprometer a qualidade do esfregaço, 
principalmente o ‘fundo’, impossibilitando a análise do esfregaço.
• Não realizar duchas vaginais.
• Não fazer uso de medicações intravaginais, por exemplo: cremes, pomadas, óvulos e 
hormônios por no mínimo 48 horas antes da realização do exame.
• Fazer abstinência sexual, também, por no mínimo 48 horas antes da realização do 
exame.
Um ponto a ser observado, de fundamental importância, é a ficha de solicitação 
de exame. Ela deve acompanhar o material a ser analisado, e, se, porventura, não 
estiver anexa, o laboratório deve, ainda na recepção, rejeitar o material e notificar tal 
inconformidade, assim como nos casos de erros de preenchimento ou ainda possíveis 
danos sofridos pelo material que podem prejudicar a sua análise. Veremos outros 
requisitos no Tópico 3. Devem estar claros na ficha de coleta/solicitação de análise de 
material, no mínimo, os seguintes pontos:
133
• Dados de identificação da paciente: nome completo, idade, documento de 
identificação, endereço e contato – no caso do Sistema Único de Saúde (SUS) deve 
constar o número de cadastro da paciente.
• Informações do médico solicitante: nome, endereço e contato.
• Data da coleta.
• Data da última menstruação, informações sobre possíveis gestações anteriores, 
possíveis queixas, uso de anticoncepcionais, procedimentos clínicos anteriores.
• Dados macroscópicos da vagina e colo quando existirem.
• Podem acompanhar, ainda, resultados de exames anteriores.
3.2 PROCEDIMENTOS DE COLETA 
Imediatamente antes do momento da coleta, o profissional responsável pela 
coleta deve realizar a identificação da paciente na lâmina de vidro que será utilizada 
na confecção do esfregaço, esta pode ser com o número do cadastro/prontuário ou 
mesmo o nome e em alguns casos até o código de barras atribuído àquela paciente. 
Observe na Figura 2 a lâmina de vidro. Note que uma das extremidades dela é fosca, 
justamente para propiciar a marcação/identificação da amostra a ser analisada. 
FIGURA 2 – LÂMINA DE VIDRO – LÂMINA PARA ESFREGAÇOS CERVICOVAGINAIS
FONTE: <https://elements.envato.com/pt-br/female-scientist-examining-a-human-sample-on-a-
mic-T5EQRZ2>. Acesso em: 2 jul. 2022.
Esta prática é fundamental para garantir a identificação da amostra e evitar 
possíveis trocas, principalmente, no momento da análise pelo citopatologista, pois 
este profissional não irá realizar a análise e nem o preparo de coloração de uma lâminapor vez. Geralmente, um citotécnico analisa em média 50 a 70 lâminas em 8 horas 
de trabalho! Viu a importância desta etapa imediatamente antes do momento da 
134
análise? Acadêmico, mais um conselho: quando se trata de amostras clínicas, sempre 
cumpra todos os procedimentos de identificação e de qualidade! Na rotina laboratorial, 
existem muitas amostras e análises a serem realizadas por dia, além da possibilidade da 
ocorrência de pacientes homônimos. Então, todo o cuidado é pouco!
FIGURA 3 – CORANTES: PREPARO DE LÂMINAS
FONTE: <https://elements.envato.com/pt-br/close-up-photo-of-medical-stuff-and-doctor-in-the--
GPLUXUN>. Acesso em: 2 jul. 2022.
A coleta do material deve ser realizada inicialmente com a espátula de Ayre para 
amostras da ectocervice e da vagina e com o auxílio da ‘escovinha’ é feita a coleta da 
endocérvise. O procedimento de coleta das amostras encontra-se ilustrado na Figura 3. 
Nela, podemos observar a coleta de amostra com a espátula de Ayre na porção superior, 
inclusive com a indicação do procedimento correto, que deverá ser em círculos (360°) 
na região da junção escamocolunar, chamada de JEC. Amostras do fundo da vagina 
também são obtidas com esta espátula, porém com a outra extremidade (romba). 
Para facilitar o acesso do profissional de saúde ao colo do útero, vemos a 
utilização do espéculo, ou popularmente chamado de ‘bico de pato’ devido ao seu 
formato peculiar. Na porção inferior, do lado esquerdo, podemos observar a coleta de 
material da endocérvise com auxílio da escovinha (este procedimento será detalhado 
mais à frente). Neste ponto, é válido ressaltar que o espéculo a ser utilizado deve estar 
sem lubrificante, para evitar-se possíveis contaminações, o excesso de muco, sangue 
ou mesmo secreção, caso existam devem ser removidos, nesta prática pode ser utilizado 
o swab ou mesmo algodão, com o cuidado de evitar-se também a contaminação da 
amostra (evitar artefatos de técnica, conforme vimos na Unidade 1).
135
FIGURA 4 – COLETA DE AMOSTRAS PARA EXECUÇÃO DA TÉCNICA DE PAPANICOLAOU 
FONTE: <https://www.vidawellnessandbeauty.com/servicios/ginecologia/papanicolaou/>. 
Acesso em: 2 jul. 2022.
A Figura 4 ainda nos traz um aspirador endocervical na parte inferior, a direta, 
hoje praticamente em desuso. A escovinha deve ser inserida no orifício cervical externo, e 
fazer um movimento completo de rotação (360°) no canal e para finalizar, recomenda-
se realizar-se movimentos de vai e vem no canal, de forma delicada para evitar traumas 
na mucosa, o que poderia dar origem a pequenos sangramentos que poderiam 
comprometer a mostra a ser analisada (BRASIL, 2012a; 2019; LIMA, 2001).
Quando ocorre a coleta tríplice (amostras citológicas de endocérvise, 
ectocervice e saco posterior da vagina), as três amostras devem ser dispostas sob a 
mesma lâmina na mesma ordem citada. Devido às inúmeras vantagens deste tipo de 
colheita, o INCA recomenda apenas a colheita dupla (endocérvise e ectocervise), visto 
que o exame citopatológico tem como principal objetivo verificar a existência de lesões 
pré ou mesmo cancerosas do colo, ficando a conduta a critério clínico. As amostras 
devem ser acondicionadas em potes plásticos contendo etanol 95%, até o momento da 
fixação e coloração. Sem dúvidas, é necessário um treinamento adequado para obter-
se bons esfregaços e ainda evitar possíveis artefatos de técnicas, além de situações 
de esmagamento dos espécimes celulares e de dessecação de material (BRASIL, 2016; 
2012a; 2019).
136
Confira algumas informações importantes, segundo apontamento de Junqueira e 
Carneiro (2018) e do Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), principalmente para análises 
de amostras pertencentes a mulheres peri e pós-menopausadas:
O fundo de saco vaginal pode ser reservatório de células malignas, principalmente 
advindas de tumorações do endométrio, trompas e ovário, o que faz ser fundamental a 
coleta de amostras desta região.
A coleta de amostras vaginais tem grande interesse sob a ótica de identifica-se 
possíveis micro-organismos patogênicos, potencialmente infecciosos. 
Os públicos citados apresentam uma maior dificuldade de obtenção de amostras, 
porque existe naturalmente uma diminuição da atividade das glândulas secretoras o 
que provoca um maior ressecamento da mucosa vaginal. Nestas circunstâncias as 
amostras possuem poucas células e às vezes, ainda possuem degenerações, o que 
pode comprometer a amostra – amostra insatisfatória. Nos casos em que a mulher faz 
uso de estrógenos ou estriol, é aconselhável a repetição do exame após sete dias de 
interrupção de uso. Em mulheres histerectomizadas (remoção do útero) as amostras a 
serem coletas são raspados da cúpula e das paredes vaginais.
3.3 PROCEDIMENTOS PÓS-COLETA 
Como já dito, a lâmina com o esfregaço deve ser conservada em etanol 95%, 
imersa nele ainda úmido, onde deverá permanecer até o momento do preparo – 
coloração – e posterior análise. O tempo máximo que o esfregaço deverá permanecer 
na solução conservante, de acordo com a literatura, é de até 2 semanas (prazo máximo), 
conforme aponta o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a). 
O método de coloração desenvolvido por Papanicolaou sofreu várias adaptações 
e deve ser realizado conforme preconizado no laboratório de citopatologia na qual a 
mostra será analisada (KOSS; GOMPEL, 2014; BRASIL, 2012a; 2012b). Este e outros 
aspectos sobre a coloração das lâminas já foram discutidos detalhadamente na Unidade 
1. Em caso de dúvidas não hesite em dar uma nova lida neste tópico. 
 Após o processo de coloração, é necessário realizar a montagem dos esfregaços 
citológicos e para tal, é aplicada uma resina, geralmente o xilol, para conseguir a adesão 
da lamínula a lâmina. 
É a ligação entre lamínula e lâmina que protege o esfregaço de dessecação e 
ainda minimiza a possibilidade de perda de coloração ao longo do tempo. A montagem 
deve ser rápida para impedir a entrada de ar entre as duas superfícies e produzir artefatos 
de técnica, que também pode prejudicar a análise do material. Mas o que deve ser feito 
antes da análise efetiva (leitura) da amostra? Vamos ao passo a passo:
137
• Conferir o nome da paciente com a identificação da lâmina e seu respectivo número 
de registro.
• Confrontar todos os dados da paciente e ainda ler atentamente todas as informações 
clínicas.
• Avaliar a lâmina na objetiva de 4x quanto à fixação, coloração, características do 
fundo do esfregaço, quantidade de espécimes celulares, como está a distribuição 
celular e ainda como está a sua distribuição.
Uma observação importante sobre a amostra é a ausência de componentes 
oriundos da zona de transformação (células endocervicais e/ou metaplásicas 
escamosas), pois esta ausência não impede e nem interfere na classificação do esfregaço 
no tocante a sua adequabilidade, mas deve ser relatada no campo de observações. 
Segundo o Ministério da Saúde/Instituto de Câncer INCA (BRASIL, 2019), estes aspectos 
devem ser satisfeitos, atestando a adequabilidade da amostra, atendendo os requisitos 
da Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas Preconizadas, que já 
estudamos na Unidade 2. Caso existem dúvidas, não deixe de reler a unidade.
Uma dica importante do Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) é iniciar a leitura da 
lâmina pela parte superior esquerda do esfregaço, realizando as análises verticalmente, 
sobrepondo sempre as áreas já analisadas com aquelas ainda a analisar. Durante a 
leitura é normal realizar-se marcações de campos suspeitos para uma análise mais 
criteriosa posteriormente, pelo próprio técnico ou mesmo pelo médico citopatologista. 
Esta marcação é feita com caneta ponta fina de tinta permanente, com um ponto acima 
ou abaixo da estrutura a ser estudada. Alguns profissionais preferem circular estas 
estruturas dando à área um maior destaque.
Todos os resultados de exames citopatológicos devem apresentar, segundo 
Koss e Gompel (2014) e o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a):
• Identificação da paciente.
• Número de registrodo laboratório.
• Metodologia de coleta das amostras (fixador, técnica de coloração, descrição 
microscópica).
• Conclusão diagnóstica e comentários adicionais quando necessário.
Segundo a Resolução do Conselho Federal de Medicina n° 1472/97 de 1997, 
as lâminas de exames citopatológicos devem ser arquivadas por um período mínimo 
de cinco anos no próprio laboratório – em ordem numérica –, independentemente do 
diagnóstico, ou ainda ser entregue à paciente ou seu responsável legal, após orientações 
sobre conservação e o tempo de guarda. Já os laudos devem ser guardados em sistema 
informatizado por período indefinido; ambos com acesso restrito e ainda com protocolos 
de entradas e saídas das lâminas. 
138
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• Foi o cientista Julis Vogel, em 1843, quem identificou as primeiras alterações citológicas 
– células malignas; porém, apenas nos estudos do Dr. George Papanicolaou sobre a 
mucosa vaginal, foram identificadas células malignas em esfregaços vaginais. 
• George Papanicolaou, em sua publicação de 1954 – “Atlas de Citologia Esfoliativa” –, 
trouxe enormes contribuições sobre as características celulares de diversos tipos de 
amostras biológicas. 
• Ernest Ayre, em 1940, criou uma espátula que possibilitava a coleta direta, por raspagem, 
de células do colo uterino – Espátula de Ayres – utilizada até hoje na rotina clínica.
• O baixo custo operacional, sua simplicidade de coleta e técnica e sua excelente eficácia 
contribuíram para o sucesso do teste de Papanicolaou – Pap test – mundialmente. 
Não existem outros testes ou técnicas superiores ao exame de Papanicolaou para o 
diagnóstico precoce de cânceres cervicais.
• Estatísticas mundiais apontam o câncer de colo de útero como um dos principais 
responsáveis por óbitos em mulheres. 
• Segundo as Diretrizes Brasileiras para o rastreamento do Câncer do Colo do Útero – 
Exame de Papanicolaou –, deve ser realizado em mulheres sexualmente ativas entre 
25 e 60 anos, porém muitos autores e pesquisadores aconselham que o início da 
realização do exame seja concomitante com o início da vida sexual.
• São orientações pré-coleta: não estar em período menstrual, não realizar duchas 
vaginais; não fazer uso de medicações intravaginais, abstinência sexual, também, 
por no mínimo 48 horas antes da realização do exame.
• Na ficha de coleta devem constar: dados de identificação da paciente, informações 
do médico solicitante, data da coleta, data da última menstruação, informações 
sobre possíveis gestações anteriores, possíveis queixas, uso de anticoncepcionais, 
procedimentos clínicos anteriores e demais informações que o médico assistente 
julgar relevantes.
• A coleta tríplice (amostras citológicas de endocérvise, ectocervice e saco posterior da 
vagina) deve ser disposta sob a mesma lâmina, nessa mesma ordem. 
139
RESUMO DO TÓPICO 1 • Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda apenas a coleta dupla de material (amostras da ectocervise e da endocérvise), pois o objetivo principal do exame é a 
identificação e rastreamento de lesões pré e cancerosas do colo de útero. 
• A Resolução do Conselho Federal de Medicina 1472/97 recomenda que as lâminas de 
exames citopatológicos devem ser arquivadas por um período mínimo de cinco anos, 
e, em ordem numérica.
140
AUTOATIVIDADE
1 (Adaptada de Enade de Biomedicina – 2010) As células do epitélio escamoso 
encontradas no esfregaço vaginal são divididas em três tipos: superficiais, 
intermediárias e parabasais. Essas células possuem desenvolvimento hormônio-
dependente e, desse modo, o aspecto do esfregaço vaginal apresenta alterações 
cíclicas em consonância com os ciclos menstrual e ovariano. 
Considerando o processo de maturação das células do epitélio escamosos e sua 
correlação com os hormônios sexuais femininos, analise as sentenças a seguir: 
I- Os estrógenos induzem à maturação completa das células do epitélio escamoso, 
resultando no predomínio de células intermediárias e parabasais no esfregaço vaginal. 
II- Em condições de baixa produção de estrógenos, observa-se predomínio de células 
parabasais no esfregaço vaginal. 
III- Logo após o nascimento, o esfregaço vaginal da lactante apresenta aspecto idêntico 
ao observado no esfregaço materno, caracterizado pelo predomínio de células 
intermediárias e superficiais. 
IV- O predomínio de células superficiais no esfregaço cervicovaginal é observado 
durante a gestação e na fase progestacional do ciclo menstrual. 
FONTE: Adaptado de <https://download.inep.
gov.br/educacao_superior/enade/provas/2010/
biomedicina_2010.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2022.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
b) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e IV estão corretas. 
d) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
2 (Adaptada Enade Biomedicina 2013) “A detecção precoce do câncer de colo uterino 
é feita por um exame tecnicamente simples e de baixo custo, a partir do esfregaço 
cervicovaginal. Esse exame também é conhecido como exame citológico, de lâmina, 
citopatológico ou citologia cervicovaginal. 
Embora o principal propósito da citologia cervicovaginal seja a detecção das lesões 
precursoras do câncer cervical, o achado de condições infecciosas/reativas também 
pode contribuir para a saúde da mulher. 
141
Um dos fatores de risco para o câncer de colo uterino é o histórico de infecções 
sexualmente transmissíveis, sendo comprovada essa relação por vários estudos 
epidemiológicos realizados no Brasil. Dessa forma, tem crescido o interesse na utilização 
do exame preventivo do câncer de colo uterino para o reconhecimento de infecções 
cervicovaginais, como uma importante alternativa diagnóstica”.
FONTE: <http://www.scientiaplena.
org.br>. Acesso em: 21 jun. 2022.
FONTE: Adaptado de <https://download.inep.gov.br/educacao_superior/
enade/provas/2013/02_BIOMEDICINA.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2022.
Sobre o tema abordado no texto e sobre a técnica de Papanicolaou, assinale a alter-
nativa CORRETA: 
a) ( ) A técnica é de difícil execução e possui alto custo.
b) ( ) Somente a rede particular do sistema de saúde brasileiro preconizou o teste de 
Papanicolaou. 
c) ( ) O teste de Papanicolaou possui fácil execução, baixo custo e excelente eficácia 
diagnóstica. 
d) ( ) O teste desenvolvido por Papanicolaou não possui eficácia no diagnóstico 
precoce do câncer de colo de útero. 
3 O teste de Papanicolaou é realizado para detectar alterações nas células do colo 
do útero. Este exame também pode ser chamado de esfregaço cervicovaginal e 
colpocitologia oncótica cervical. O nome “Papanicolaou” é uma homenagem ao 
patologista grego Georges Papanicolaou, que criou o método no início do século. 
Esse exame é a principal estratégia para detectar lesões precocemente e fazer o 
diagnóstico da doença bem no início, antes que a mulher tenha sintomas. Pode ser 
feito em postos ou unidades de saúde da rede pública que tenham profissionais 
capacitados. É fundamental que os serviços de saúde orientem sobre o que é e 
qual a importância do exame preventivo, pois sua realização periódica permite que 
o diagnóstico seja feito cedo e reduza a mortalidade por câncer do colo do útero. O 
exame preventivo é indolor, simples e rápido. Pode, no máximo, causar um pequeno 
desconforto que diminui se a mulher conseguir relaxar e se o exame for realizado com 
boa técnica e de forma delicada.
Para garantir um resultado correto, a mulher não deve ter relações sexuais (mesmo 
com camisinha) nos dois dias anteriores ao exame, evitar também o uso de duchas, 
medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores à realização 
do exame. É importante também que não esteja menstruada, porque a presença de 
sangue pode alterar o resultado. Mulheres grávidas também podem se submeter ao 
exame, sem prejuízo para sua saúde ou a do bebê.
FONTE: <https://bvsms.saude.gov.br/papanicolau-exame-
preventivo-de-colo-de-utero/>. Acesso em: 28 jun. 2022.142
Analise as afirmativas abaixo e classifique-as com F para as falsas e V para verdadeiras:
( ) Deve conter na ficha de coleta/solicitação de análise de material, no mínimo, dados 
de identificação da paciente, informações do médico solicitante, data da coleta, 
data da última menstruação, informações sobre aspectos visuais da vagina e colo 
quando possível. 
( ) O exame de Papanicolaou deverá ser realizado apenas em mulheres com idade 
entre 30 e 60 anos.
( ) O exame de Papanicolau é o método/técnica mais eficaz para identificação e 
rastreio de lesões pré-cancerosas atualmente. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro 
tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do 
câncer colorretal. Diante desta afirmativa, discorra sobre a importância do exame de 
Papanicolau sobre a prevenção e o diagnóstico precoce desta doença. 
FONTE: Disponível em: <http://www.sbp.org.br/previna-
se-contra-o-cancer-de-colo-do-utero/?gclid=EAIaIQo
bChMI7aKjlKL59gIVgeF3Ch1-aQEbEAAYAiAAEgLFq_D_
BwE>. Acesso em: 2 abr. 2022.
5 É um teste realizado para detectar alterações nas células do colo do útero. Este exame 
também pode ser chamado de esfregaço cervicovaginal e colpocitologia oncótica 
cervical. O nome “Papanicolaou” é uma homenagem ao patologista grego Georges 
Papanicolaou, que criou o método no início do século XX. Esse exame é a principal 
estratégia para detectar lesões precocemente e fazer o diagnóstico da doença bem 
no início, antes que a mulher tenha sintomas. Pode ser feito em postos ou unidades 
de saúde da rede pública que tenham profissionais capacitados.
É fundamental que os serviços de saúde orientem sobre o que é e qual a importância 
do exame preventivo, pois sua realização periódica permite que o diagnóstico seja feito 
cedo e reduza a mortalidade por câncer do colo do útero. O exame preventivo é indolor, 
simples e rápido. Pode, no máximo, causar um pequeno desconforto que diminui se a 
mulher conseguir relaxar e se o exame for realizado com boa técnica e de forma delicada.
143
Para garantir um resultado correto, a mulher não deve ter relações sexuais (mesmo 
com camisinha) nos dois dias anteriores ao exame, evitar também o uso de duchas, 
medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores à realização 
do exame. É importante também que não esteja menstruada, porque a presença de 
sangue pode alterar o resultado.
Mulheres grávidas também podem se submeter ao exame, sem prejuízo para sua saúde 
ou a do bebê.
FONTE: <https://bvsms.saude.gov.br/papanicolau-exame-
preventivo-de-colo-de-utero/>. Acesso em 2 abr. 2022.
Diante do texto apresentado, escreva como é realizado o teste de Papanicolaou com 
riqueza de detalhes.
144
145
TÓPICOS ESPECIAIS: ANORMALIDADES 
ENDOCERVICAIS E ENDOMETRIAIS
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
Caro acadêmico, companheiro de viagem pelo mundo citopatológico, bem-
vindo a esta etapa! Nesta penúltima parada, vamos estudar algumas particularidades 
endocervicais e endometriais. Veremos que, infelizmente, existem outros tipos de câncer 
que acometem o colo do útero, bem como outras partes do trato genital feminino.
Outro assunto que também veremos aqui são as metástases. Vamos entender os 
mecanismos e as possíveis formas metastáticas que acometem o colo do útero e a vagina, 
além da importância de compreendermos todo este processo para a saúde humana.
Na parte final, veremos as novas tecnologias disponíveis no ramo da citopatologia 
clínica e suas respectivas vantagens e desvantagens. Então, vamos iniciar essa nova 
etapa da jornada? Vamos juntos! 
2 ANORMALIDADES GLANDULARES E 
SUAS CLASSIFICAÇÕES 
O tipo mais prevalente de câncer de colo de útero é o carcinoma escamoso, 
responsável por 75% dos casos registrados, segundo o INCA (BRASIL, 2019), e que já 
estudamos na Unidade 2. Na segunda posição, temos os adenocarcinomas, responsável 
por aproximadamente 20% dos casos, também segundo o mesmo Instituto.
NOTA
Você sabe o que são adenocarcinomas? Já ouviu falar neste termo? 
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a; 2012c), os adenocarcinomas 
são, histologicamente, tumores que mimetizam a aparência das células 
glandulares endocervicais. Estas neoplasias infiltram-se no estroma do colo 
do útero com forma glandular, que podem ter formas e tamanhos variados, 
e ainda, podem apresentar projeções em formatos de papilas na superfície 
e dentro de glândulas já existentes na região acometida. Já estudamos 
os principais tipos de tecidos epiteliais, mas a Figura 5 traz um desenho 
esquemático para relembrar as principais apresentações do tecido epitelial. 
Se ainda restarem dúvidas, não deixe de consultar novamente a Unidade 
1. Bons estudos!
146
FIGURA 5 – PRINCIPAIS TIPOS DE TECIDOS EPITELIAIS 
FONTE: <https://www.wikiwand.com/pt/Epit%C3%A9lio>. Acesso em: 2 jul. 2022.
2.1 ADENOCARCINOMAS CERVICAIS 
O número de casos de adenocarcinoma cervical vem crescendo bastante nos 
últimos anos, segundo o Ministério da Saúde (BRASIOL, 2012a). Existe uma grande 
discussão na comunidade científica sobre este aumento. A dúvida que paira é a seguinte: 
este aumento é real ou aparente? A redução de casos de carcinoma escamoso cervical 
é uma consequência direta da efetividade dos programas de prevenção de câncer de 
colo de útero? Ou deve-se ao melhor preparo dos analistas citopatológicos no ato da 
interpretação e diagnóstico diferencial dos diferentes tipos de lesões? 
Estas questões ainda estão longe de serem respondidas e cada vez mais 
tenta-se buscar correlações que possibilitem os diagnósticos cada vez mais precoces 
e precisos. Sabe-se que o carcinoma escamoso e o adenocarcinoma possuem uma 
relação intima com infecções pelo HPV, principalmente os tipos 16 e 18, o segundo mais 
com o tipo 18. Outro fato também em discussão é a relação entre o adenocarcinoma e o 
uso prolongado de contraceptivos orais. Fatores que inicialmente não têm relação com 
o desenvolvimento de adenocarcinoma são: idade precoce do início da atividade sexual, 
bem como o número de parceiros e ainda o tabagismo. 
O diagnóstico precoce envolvendo lesões glandulares ainda é um grande 
desafio para os profissionais da área, porque não existem indicadores específicos, e 
os achados colposcópicos são na maioria dos casos vagos, compreendendo apenas 
pequenas alterações topográficas da superfície do colo, o que é muito complicado, pois 
as glândulas por vezes comprometidas encontram-se mais internas, profundas, difíceis 
de serem identificadas de forma precoce (BRASIL, 2012a). 
147
A contraponto, temos as lesões escamosas, que são, por natureza, mais 
superficiais, logo, muito mais fáceis de serem identificadas em colposcopias, onde mais 
uma vez, as lesões ou ‘anormalidades’ glandulares, principalmente o adenocarcinoma in 
situ, geralmente são encontradas dentro de canais endocervicais e assim, inacessíveis. 
Neste cenário, temos as análises citológicas como coadjuvantes, para diagnós-
ticos de lesões glandulares ou mesmo de adenocarcinomas, e uma alta efetividade para 
lesões escamosas. Agregado a isso temos falhas de interpretação por pouca experiên-
cia dos analistas citopatológicos na identificação de adenocarcinomas endocervicais ou 
mesmo de suas lesões precursoras (BRASIL, 2012a; KOSS; GOMPEL, 2014).
Ainda, neste tópico, iremos estudar as classificações AGUS! Nele, você enten-
derá melhor este tipo de classificação das células glandulares. Aguarde!
ESTUDOS FUTUROS
Diagnosticar corretamente as lesões glandulares requer uma ampla percepção 
e conhecimento de várias características citológicas tanto das células isoladamente 
quanto do comportamento destas em coleções celulares. 
De maneira genérica, elas apresentam-se com citoplasma delicado e pouco 
corado devido à grande quantidade de mucina em seu interior. Seus núcleossão 
redondos ou levemente ovalados com cromatina granular fina, podendo possuir um 
ou até dois nucléolos. Em coleções, são organizadas de forma monoestratificadas, 
com limites bem definidos e nucleações mais centrais com distribuição uniforme; em 
estruturas de favo de mel, que já estudados na Unidade 2, em paliçada ou em ‘tiras’, 
permitindo a diferenciação das células endometriais, que são menores e são portadoras 
de pouco citoplasma e com cromatina grosseira e nucléolo quase imperceptível. 
Segundo o Ministério da Saúde (2012) e Consolaro (2014), as células endome-
triais geralmente são observadas em pequenos grupos ou coleções celulares, geral-
mente em formato esférico, podendo na maioria das vezes, ocorrer sobreposição nucle-
ar. Isso é um ponto importante a que os analistas citopatológicos devem estar atentos 
e familiarizados, pois em alguns casos, como na metaplasia tubária e na hiperplasia mi-
croglandular – reações benignas –, podem também apresentar-se deste mesmo modo, 
e podem provocar, falsos diagnósticos de malignidade. 
148
O fato de existirem lesões escamosas concomitantemente com 
adenocarcinomas, relatadas entre 30 e 50% dos casos, contribuem com o mascaramento 
deste tipo de câncer. O que pode ser feito para aumentar o espectro de análise é através 
da ‘escovinha’ de coleta de amostras endocervicais com a realização do movimento 
de vai e vem delicadamente. Esta prática resulta em maior descamação celular o que 
auxilia no diagnóstico mais assertivo de possíveis lesões endocervicais. 
Estes tumores malignos que têm aparência de glândulas endocervicais 
(adenocarcinomas) geralmente são revestidos por epitélio simples ou estratificados de 
células tumorais cuboides ou mesmo colunares, com citoplasma turvo e granuloso e 
ainda com núcleos aumentados, hipercromáticos, com cromatina grosseira e podem 
apresentar nucléolo. 
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), conforme as recomendações da 
OMS, os tumores glandulares podem ser classificados em seis tipos histológicos:
• Adenocarcinoma sem outras especificações.
• Adenocarcinoma mucinoso (70% dos casos) – que pode ser de cinco tipos: endocer-
vical, intestinal, de células em ‘anel de sinete’, de desvio mínimo e ainda viloglandular.
• Adenocarcinoma tipo endometrioide.
• Adenocarcinoma de células raras.
• Adenocarcinoma seroso.
• Adenocarcinoma mesonéfrico.
As lesões precursoras do tumor podem ser subdivididas, histologicamente, em 
(BRASIL, 2012a): 
• Atipia glandular – alterações não neoplásicas associadas à inflamação.
• Hiperplasia atípica (displasia glandular) – neoplasia glandular intraepitelial de menor 
intensidade que o adenocarcinoma in situ.
• Adenocarcinoma in situ.
Quanto às anormalidades apresentadas pelas células glandulares, o Ministério 
da Saúde (2012a) nos traz a classificação do Sistema Bethesda (2001), nas categorias:
• Células glandulares endocervicais atípicas (sem outra especificação) – células epite-
liais glandulares endocervicais atípicas de significado indeterminado provavelmente 
não neoplásicas.
• Células glandulares endocervicais atípicas provavelmente neoplásicas – Células 
epiteliais glandulares endocervicais atípicas de significado indeterminado 
possivelmente neoplásicas - Nomenclatura Brasileira para laudos Cervicais (2006).
• Adenocarcinoma endocervical in situ.
• Adenocarcinoma endocervical invasivo.
149
O sistema de categorização das células glandulares atípicas de significado 
indeterminado (AGUS) teve sua origem no Sistema Bethesda de 1988, que foi renomeada 
posteriormente para evitar-se prováveis confusões com o sistema ASCUS de células 
escamosas, mas ainda hoje podemos nos deparar com esse tipo de classificação. 
Atualmente, recomenda-se indicar a origem das células glandulares atípicas: 
endocervical, endometrial ou ainda indeterminada. 
Um ponto considerado em alguns estudos e que deve ser observado nas análi-
ses citopatológicas é a idade da paciente, pois atipias de células glandulares endocer-
vicais e lesões consideradas significativas são mais comuns em mulheres mais velhas 
(após 35 anos), nas mais jovens geralmente é mais recorrente lesões intraepiteliais es-
camosas – NICs (BRASIL, 2012a).
2.2 ADENOCARCINOMAS ENDOMETRIAIS
Antes de começarmos os nossos estudos sobre os adenocarcinomas 
endometriais temos que ter uma ideia clara: amostras de citologia cervicovaginais não é 
a metodologia de escolha nas investigações de lesões endometriais, ela é apenas uma 
metodologia de rastreamento das lesões pré-cancerosas e malignas do colo uterino 
(CONSOLARO, 2014; BRASIL, 2012a; 2019).
Dito isso, vamos começar a estudar as características principais das células 
endometriais ‘normais’, aquelas características consideradas fisiológicas. Após estes 
estudos, partirmos para as análises celulares patológicas. Então vamos lá!
As mulheres em fase reprodutiva passam pela fase de descamação do 
endométrio até o décimo segundo dia do seu ciclo menstrual geralmente, conforme 
demostrado na Figura 6, porém aquelas mulheres que fazem uso de DIU ou que 
fazem terapia hormonal podem apresentar células endometriais em seus esfregaços 
cervicovaginais em qualquer período de seu ciclo. Nas amostras em que estes tipos 
celulares se fazem presentes, de acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a) 
e seguindo mais uma vez as recomendações/diretrizes do Sistema Bethesda, devem 
ser sinalizadas, principalmente para aquelas que não possuem justificativa aparente e 
ainda para aquelas com idade superior aos 40 anos.
150
FIGURA 6 – FASES DO PERÍODO MENSTRUAL: ACONTECIMENTOS NOS OVÁRIOS E ÚTERO DE 
ACORDO COM CICLO HORMONAL
FONTE: <https://mundoeducacao.uol.com.br/sexualidade/ciclo-menstrual.htm>. Acesso em: 2 jul. 2022.
A probabilidade da existência de lesões é considerada pequena quando células 
endometriais são identificadas em mulheres jovens, portando tal identificação deixa 
de ser obrigatória nestas amostras cervicovaginais. Quando ocorre o contrário, células 
endometriais são identificadas em amostras de mulheres pós-menopausadas, devem 
ser obrigatoriamente registradas/apontadas nos laudos citológicos (BRASIL, 2012a; 
MOLINARO, 2010).
Fisiologicamente, e de maneira genérica, as células oriundas de glândulas 
endometriais se apresentam em pequenas coleções. As células, em sua maioria, são 
pequenas, com pouco citoplasma e com limites indistintos, podendo ou não apresentar 
vacúolos. Seus núcleos são arredondados e com cromatina fina, podendo apresentar 
cromocentros devidos a possíveis alterações degenerativas. Não é raro ser observado 
grandes conjuntos celulares, com estrutura esférica, bem coradas, entre o sexto e 
décimo dia do ciclo, pois neste período podem ocorrer descamações importantes das 
células estromais mais profundas do endométrio. A este movimento é dado o nome de 
“êxodo menstrual” (BRASIL, 2012).
Agora que conhecemos a estrutura básica fisiológica das células glandulares 
endometriais, passaremos às características consideradas ‘anormais’, pois elas 
são consideradas por muitos estudiosos na área como características de difícil 
identificação quando comparadas às alterações apresentadas pelas células cervicais, 
tanto que existe uma classificação específica para os casos em que não se consegue 
subclassificar: ‘sem outra especificação e provavelmente neoplásica’, situação que 
não corre com as células cervicais. 
151
Diante desta situação, e conferindo a ela a importância que merece, as células 
atípicas, ou suas coleções endometriais, apresentam, geralmente, as seguintes carac-
terísticas:
• Coleções celulares relativamente pequenas – entre cinco e dez células. 
• Células com núcleos pouco aumentados, em comparação com as células ‘normais’. 
• Apresentam leve hipercromasia nuclear e nucléolo pequeno.
• Possuem pouco citoplasma e na maioria das vezes com presença de vacúolos.
• Apresentam contornos celulares pouco definidos.
Comumente para serem classificadas, ou consideradas, ‘células glandulares 
endometriais atípicas’ precisam apresentarvárias características e muitas destas de 
natureza reativa e podem estar associadas com o uso prolongado de DIU, presença de 
pólipos endometriais e endometrites, conforme afirma o Ministério da Saúde (2012a). 
Neste grupo de células, estão inclusas aquelas decorrentes de lesões significativas 
do endométrio, como nos casos de hiperplasias endometriais atípicas e ainda os 
adenocarcinomas diferenciados.
Sem dúvida, a maior dificuldade no diagnóstico é a diferenciação entre 
adenocarcinoma endometrial e endocervical. Ambas possuem diversas variações 
(subclassificações) e muitas das características morfológicas utilizadas para a realizar-
se a classificação assertiva podem estar sobrepostas. Na prática o adenocarcinoma 
endometrial está associado com coleções celulares menores, com células também 
menores e geralmente isoladas, com geometria esférica podendo ou não estar 
acompanhadas de histiócitos. 
Já o adenocarcinoma cervical apresenta-se com uma coleção celular maior, 
do tipo colunar, em arranjos de ‘tiras’ com pseudoestratificações, com núcleos maiores 
assim como seus nucléolos. Para um diagnóstico assertivo de adenocarcinoma, é 
recomendado um exame histopatológico, pois assim evita-se apenas sugerir a origem 
do tumor nos casos em que não é possível definir o quadro. 
3 NEOPLASIAS MALIGNAS METASTÁTICAS 
Vamos agora entender um pouco sobre as metástases. Mas, antes de 
começarmos, você sabe o que é câncer? Qual é a sua origem? Como surgem as 
metástases? Então vamos responder a todas as perguntas a partir de agora.
Segundo o INCA (BRASIL, 2016; 2019), os cânceres genericamente possuem 
origem genética, a partir de uma alteração no material genético das células sadias 
‘normais’. Estas alterações podem ser provocadas por variados fatores, entre eles 
produtos químicos (alguns mais cancerígenos que outros), infecções, radiações 
etc., conforme Figura 7. Com a alteração do material genético celular (DNA – ácido 
152
desoxirribonucleico), irá ocorrer a ativação de genes chamados de proto-oncogeneses, 
que nas células normais estão inativos. Após a ativação, estes genes passam a ser 
conhecidos como oncogenes, e serão os responsáveis pelas células ‘com defeito’, agora 
mutantes, chamadas de cancerosas. O processo que transforma células normais em 
células cancerosas chama-se carcinogêneses ou oncogênese.
FIGURA 7 – PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DO CÂNCER 
TECIDO SAUDÁVEL
DIVISÃO 
CELULAR
CÉLULA 
NORMAL
ALTERAÇÕES 
GENÉTICAS TUMOR 
MALIGNO
DIVISÃO 
DA CÉLULA 
CANCERIGENA
CRESCIMENTO ANORMAL DE CÉLULAS
DUPLICAÇÃO 
DA CÉLULA 
CANCERIGENA
DESENVOLVIMENTO CELULAR NORMAL
FONTE: <https://pt.vecteezy.com/arte-vetorial/6765635-diagrama-mostrando-cancer-processo-
desenvolvimento>. Acesso em: 2 jul. 2022.
Este processo de transformação, na maioria dos casos, ocorre de forma 
lenta e gradual, permitindo a identificação do processo ainda de forma precoce, pois 
existem processos que levam anos para poder causar sintomas específicos ou mesmo 
tumorações visíveis.
153
Neste contexto, vale ressaltar que os agentes cancerígenos, ou agentes 
carcinógenos, geralmente, apenas provocam a iniciação do processo tumoral, mas o 
seu acúmulo pode contribuir com sua progressão ou mesmo com os efeitos inibitórios 
do tumor. Outro ponto que merece atenção é o fato de o organismo humano possuir 
mecanismos de controle destas células mutantes (apresentam alterações genéticas), 
muitas delas são induzidas a entrar em apoptose. Neste processo, a célula defeituosa’ é 
eliminada e restabelece-se a higidez do organismo.
O grande problema é que este sistema pode apresentar falhas e as células 
cancerosas conseguem ‘enganar’ o sistema e passam a ter uma multiplicação celular 
descontrolada, dando origem aos tumores. O processo carcinogênico basicamente 
pode ser dividido em três estágios, segundo o INCA (BRASIL, 2019), são eles:
• Iniciação: os genes ficam sob influência dos agentes cancerígenos, que provocam as 
alterações celulares, mas, neste momento, ainda não é possível identificar o tumor. 
Podemos dizer que neste estágio as células estão iniciadas ou mesmo preparadas 
para o desenvolvimento tumoral. 
• Promoção: nesta fase, as células já ‘alteradas’ estão susceptíveis à ação de outras 
substâncias, chamadas de oncopromotoras e aí tem-se a célula antes alterada, 
promovida à célula cancerígena maligna. Para esta transformação ser concluída, tem-
se geralmente um grande espaço de tempo, que pode ser reduzido ou aumentado 
dependendo do tempo e período de contato com o agente oncopromotor, e ainda 
da susceptibilidade e predisposição do indivíduo portador desta célula cancerígena. 
Na maioria das vezes, quando se retiram as células do contato com o agente 
promotor, o processo de tumoração cessa. Sabe-se alguns tipos de alimentos, 
radiações, hormônios e/ou mesmo determinados tipos de medicamentos podem ser 
considerados como oncopromotores. Logo, todo cuidado é pouco, caro acadêmico!
• Progressão: estágio caracterizado pela multiplicação celular descontrolada, 
praticamente irreversível, das células magnificadas, e oficialmente, está instalado o 
câncer, e com isso, inicia-se a identificação dos primeiros sinais e sintomas clínicos 
da doença a variar dependendo do sítio de acometimento.
Após a ocorrência da mutação, as células perdem características fundamentais 
como a inibição por contato, por isso, com o crescimento descontrolado, perde-se o 
controle da divisão celular, passando a apresentar ‘características’ muito diferentes 
daquelas apresentadas pelas células ‘normais’. Algumas delas já estudamos nas 
Unidades 1 e 2, como a aparência dos núcleos, aumento do número de nucléolos, 
apresentação irregular da cromatina, coeficientes núcleo/citoplasma anormais etc. 
A seguir, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a; 2012b; 2012c) e INCA 
(2016; 2019), estão resumidas algumas das principais características e ocorrências de 
células/tecidos mutagênicos:
154
• Células multiplicam-se de forma totalmente descontrolada, ou seja, as células 
continuam a se dividir constantemente e de maneira rápida.
• O grande quantitativo de células em constante crescimento ultrapassa os limites 
do tecido original, invadindo os tecidos circunvizinhos, provocando o adoecimento 
periférico com invasão progressivo de todo o organismo.
• Quando o câncer está restrito ao tecido de origem, o consideramos como um 
carcinoma in situ, porém quando ele transpassa a membrana basal e passa a invadir 
outros tecidos, ele passa a ser considerado um câncer/carcinoma invasivo.
• As novas células do ‘bolo’ tumoral, provenientes da proliferação celular descontrolada, 
estimulam o processo chamado de ‘angiogênese’, que será responsável pela formação 
de novos vasos sanguíneos que serão por sua vez, mantenedoras de todos os 
nutrientes necessários ao crescimento desordenado das células cancerosas.
• As células tumorais malignas têm grande capacidade de desprendimento do tumor 
inicial e passam a se deslocar pelo corpo, principalmente via corrente sanguínea ou 
linfática. Quando estas células chegam em outros órgãos ou tecidos, e ali se instalam. 
Damos a este processo o nome de “metástase”
• A ocorrência de metástase vai depender do tipo de célula tumoral, algumas podem 
apresentar metástases mais rapidamente, outras mais lenta, ou ainda em alguns 
casos, nem apresentar.
• A sintomatologia apresentada pelo paciente vai depender do local de acometimento, 
e o quão rápido o tecido canceroso passa a substituir o tecido sadio, tanto no câncer 
inicial, quanto na metástase. As células tumorais perdem grande parte de sua 
especialização, consequentemente, os tecidos cancerosos perdem suas respectivas 
funções, por exemplo quando nos pulmões, o paciente apresenta dificuldades 
respiratórias, quando no fígado, problemas metabólicos etc. Cabe aqui ressaltar 
que mesmo perdendo uma grande parte de suas funções, as células cancerígenas 
guardam algumas características das células originais e de seu tecido de origem, o 
que possibilitadescobrir a origem da mutação genética.
155
FIGURA 8 – METÁSTASE 
FONTE: <https://alemdasaulas.files.wordpress.com/2014/10/cancro.jpg>. Acesso em: 9 abr. 2022.
Agora que já estudamos os mecanismos mutagênicos e as metástases, 
passaremos às ocorrências metastáticas no colo do útero e na vagina. 
Estes dois são os principais sítios metastáticos advindos de adenocarcinomas, 
segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a). Estatisticamente, de acordo com 
este mesmo autor, as tumorações mais recorrentes são os adenocarcinomas de 
endométrio, 30%, de ovários, trompas, trato gastrointestinal e de mama (principalmente 
o carcinoma do tipo lobular). Pensando nos tipos mais raros temos os carcinomas de 
bexiga, pâncreas e pulmão.
156
FIGURA 9 – ESTÁGIOS DO CÂNCER DE OVÁRIO 
ESTÁGIOS DO CÂNCER DE OVÁRIO
ESTÁGIO I 
O câncer está 
confinado aos 
ovários.
ESTÁGIO II 
O câncer 
está em um 
ou ambos os 
ovários e se 
espalhou para a 
região pélvica.
ESTÁGIO III 
O câncer está em 
um ou ambos os 
ovários, e o câncer 
se espalhou para 
o revestimento do 
abdome ou para os 
gânglios linfáticos 
na parte posterior 
do abdome.
ESTÁGIO IV 
O câncer 
metastatizou 
para locais 
distantes ou 
outros órgãos 
fora do abdome 
e da região 
pélvica.
FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-premium/cancer-de-ovario-quatro-estagios-
mencionando-ovarios_10977167.htm>. Acesso em: 2 jul. 2022.
Quando pensamos nas principais vias de acometimento para colo e vagina, 
as estatísticas nos indicam, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), que são 
através das trompas, advindas da cavidade peritoneal ou ainda através diretamente da 
uretra ou reto. Os principais tipos de câncer de colo do útero: os carcinomas de células 
escamosas presentes em 80 a 90% dos casos, e os adenocarcinomas com 10% a 20% 
do número de casos notificados.
157
4 NOVAS TECNOLOGIAS APLICADAS À 
CITOPATOLOGIA CLÍNICA 
A área da citopatologia clínica vem crescendo muito nas últimas décadas. O 
baixo custo, método minimamente invasivo e a facilidade de execução facilitaram muito 
com a população de suas técnicas, além do enorme sucesso da técnica no diagnóstico 
precoce, e também da prevenção, do câncer de colo de útero além de inúmeras outras 
doenças do trato genital feminino. 
Neste contexto, temos o exame de Papanicolaou convencional que tem se 
mostrado como uma excelente arma contra o câncer de colo de útero e a consequente 
diminuição da taxa de mortalidade de mulheres com este diagnóstico. 
Mesmo com a consagração mundial da técnica de Papanicolaou, existem, 
infelizmente, taxas consideradas de exames falsos-negativos, o que compromete a 
clínica e o prognóstico das pacientes. Sabe-se que a sensibilidade da técnica é alta, 
até 90%, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a), porém, devemos considerar 
algumas possíveis variáveis decorrentes de falhas de execução, preparação e/ou 
mesmo de leitura e interpretação (análise) dos achados celulares. 
Sem dúvidas, um dos maiores desafios enfrentados na citopatologia é a 
padronização e otimização das etapas do processo de preparo, cada dia mais cobradas 
pelos usuários, planos de saúde e ainda assim pelas instituições certificadoras de 
qualidade. É inegável que para atingir um padrão de qualidade satisfatório é fundamental 
a adoção de padrões na rotina clínica. 
O padrão nem sempre é atingindo, pois sempre estão envolvidos nos processos 
analíticos vários profissionais, e mesmo com uma rotina de treinamentos e programas 
de reciclagem, existem muitas variáveis envolvidas e ainda uma alta rotatividade de 
profissionais na área, o que acaba por comprometer a coesão da equipe.
158
FIGURA 10 – CERTIFICAÇÃO ISO 
FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-de-certificacao-iso-com-pessoas-e-bloco-de-
notas_10329155.htm#query=iso&position=12&from_view=search>. Acesso em: 2 jul. 2022.
Uma das técnicas que vem ganhando espaço no mercado citopatológico é a 
citologia realizada em meio líquido, também chamada na área como LBC. Através desta 
técnica é possível melhorar consideravelmente a visualização das amostras celulares 
coletadas em citopatologias do colo uterino. A amostra é analisada por computadores 
que requerem praticamente nenhuma sobreposição celular o que aumenta 
consideravelmente a sensibilidade do diagnóstico. 
Com o emprego desta técnica, o citopatologista tem-se maior facilidade 
de analisar a coleção celular e assim melhores condições de identificar possíveis 
anormalidades citológicas, além de conferir uma melhor conservação da amostra. 
A LBC ainda propicia a realização de testes de biologia molecular, com 
identificação de DNA do HPV e ainda de outros micro-organismos potencialmente 
patogênicos, como a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae, na mesma 
amostra citológica. A amostra passa por um processo de suspensão em meio com o 
fixador, através de centrifugação, sendo possível dispor sobre a lâmina uma camada 
fina de células para serem analisadas, devido a este procedimento técnico, a técnica 
LBC também é conhecida como citologia em camada fina ou ainda como citologia em 
monocamada. Essa técnica já possui grande uso em países como estados Unidos e 
Inglaterra, e vem substituindo continuamente a técnica Citológica Convencional (CC) 
nas análises de colo do útero. 
Outras técnicas em meio líquido com maior grau de automatização também 
vêm ganhando espaço, como a BD Sure Path e a ThinPrep que são passíveis de 
padronização de coleta, preparo e de coloração, padrões que possibilitam na melhoria 
analítica e na qualidade dos testes, diminuindo consideravelmente os procedimentos 
159
manuais. Usando a técnica de citologia em meio líquido, segundo o Ministério da Saúde 
(BRASIL, 2012a; 2012b), é possível reduzir em até 81% a área de leitura, ganho de 50% 
no tempo de leitura e ainda melhoria de até 73% na produtividade do laboratório. Estes 
números se tornam mais impressionantes quando comparamos a produtividade dos 
profissionais com e sem auxílio de equipamentos. Na primeira hipótese, uma média de 
50-70 lâminas por dia, com o auxílio, até 170 lâminas por dia de trabalho, para jornada 
de 8 horas. São números impressionantes, não concordam? 
FIGURA 11 – CENTRÍFUGA 
FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/centrifugador-m%c3%a9dico-prp-
centr%c3%adfuga-3291253/>. Acesso em: 16 abr. 2022.
Vantagens da LBC, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a): 
• Melhor espalhamento das células a serem analisadas sobre a lâmina.
• Melhor preservação das coleções celulares.
• Menor quantidade de variáveis de ‘fundo’: muco, exsudatos e de hemácias.
• Possibilidade da realização de exames adicionais sem necessidade de nova coleta.
• Resíduos do centrifugado podem ser utilizados para análises de DNA do HPV além de 
outros patógenos.
• Menores quantidades de materiais devolvidos, por “insuficiência da amostra”.
Como desvantagens, podem ser citadas (BRASIL, 2012a):
• Maior custo operacional.
• Maior tempo de análise.
• Necessidade de treinamento para adaptação do técnico à nova técnica analítica. 
• Maior número de células para análise etc. 
160
Estudos recentes afirmam que a LBC (Citologia realizada em meio líquido) 
apresenta um desempenho melhor que aquele apresentado pela CC (Técnica Citoló-
gica Convencional), apresentando sensibilidade maior na identificação de lesões. Vários 
pesquisadores da área afirmam ainda a maior sensibilidade para detecção de lesões 
nos casos de ASC (Alterações em Células Escamosas de significado indeterminado) e 
melhor efetividade no diagnóstico de lesões de alto grau e ainda naquelas glandula-
res. A LBC pode ser realizada através de técnicas automatizadas e não automatizadas, 
entre elas:
• ThinPrep: em português significa ‘preparo fino’. A espessura chega a ser de uma única 
célula. O material utilizado: frasco com líquido conservante que receberá as células 
da amostra coletada no colo do útero, espátula plástica lisa (o que evita a menor 
adesão celular da amostra), espátula cervical de pontas protegidaspara evitar-se 
pequenas hemorragias no ato da coleta, lâmina de vidro, processador automático..
• SurePath (BD Sure Path TM Pap Test): método automatizado com uso de kit para a 
realização de coletas endocervicais. Possui uma escova endocervical que possibilita 
maior coleta de amostras celulares de modo fácil e rápido e recolhimento de 100% 
da amostra coletada para análise. Possui vantagens como: análise automatizada e 
passível de padronização em todas as etapas, leitura (análise) rápida e fácil, maior 
produtividade, pois processa e cora até 48 lâminas simultaneamente em no máximo 
60 minutos. 
• Liqui-Prep: metodologia não automatizada e pode ser empregada em amostras líquidas 
de maneira geral. Como vantagem, temos a análise de 100% das células coletadas, o 
material também pode ser empregado em biologia molecular e apresenta grande 
reprodutibilidade além de ter baixo custo, pois não utiliza equipamentos especiais. 
Material utilizado: líquido preservativo onde a mostra pode permanecer por até 90dias; 
Liqui-Prep Cleaning Solution – solução que promove a separação física das células; Liqui-
Prep Cellular base – adesivo especial entre células e lâmina de vidro, o que dispensa 
qualquer outro tratamento químico posterior. As células são depositadas sobre a lâmina 
após processamento em centrífugas, com auxílio de pipetas.
Existem muitas possibilidades técnicas de análises em Citopatologia clínica 
atualmente, o que precisa ser feito previamente, é um estudo criterioso das técnicas 
disponíveis, e posteriormente, eleger aquela com maiores benefícios clínicos e 
operacionais. Vale considerar ainda que atualmente o exame de Papanicolaou contínua 
sendo a metodologia de escolha, considerada como o ‘padrão ouro’ na rotina do 
diagnóstico citopatológico.
161
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• Adenocarcinomas são tumores que mimetizam a aparência das células glandulares 
endocervicais. Infiltram-se no estroma do colo do útero com forma glandular, que 
podem apresentar formas e tamanhos variados. 
• Os casos de adenocarcinoma cervical vêm crescendo nos últimos anos e vêm 
preocupando os especialistas.
• O carcinoma escamoso e o adenocarcinoma possuem uma relação íntima com 
infecções pelo HPV, principalmente os tipos 16 e 18, o segundo mais com o tipo 
18. Outro fato também em discussão é a relação entre o adenocarcinoma e o uso 
prolongado de contraceptivos orais.
• Fatores que inicialmente não têm relação com o desenvolvimento de adenocarcinoma 
são: idade precoce do início da atividade sexual, bem como o número de parceiros e 
ainda o tabagismo.
• O diagnóstico precoce envolvendo lesões glandulares ainda é um grande desafio para 
os profissionais da área, porque não existem indicadores específicos, e os achados 
colposcópicos são na maioria dos casos vagos. 
• Diagnosticar corretamente as lesões glandulares requer uma ampla percepção e 
conhecimento de várias características citológicas tanto das células isoladamente 
quanto do comportamento destas em coleções. 
• Existem lesões escamosas concomitantemente com adenocarcinomas, relatadas 
entre 30% e 50% dos casos, contribuem com o mascaramento deste tipo de câncer. 
• Tumores malignos que têm aparência de glândulas (adenocarcinomas) geralmente 
são revestidos por epitélio simples ou estratificados de células tumorais cuboides 
ou mesmo colunares, com citoplasma turvo e granuloso e ainda possuem núcleos 
aumentados, hipercromáticos, com cromatina grosseira e podem apresentar nucléolo.
 
• O câncer possui origem genética, a partir de uma alteração no material genético 
das células. Estas alterações podem ser provocadas por variados fatores, entre eles 
produtos químicos, infecções, radiações etc. 
• O processo carcinogênico basicamente pode ser dividido em três estágios: iniciação, 
promoção e progressão. 
162
• As células tumorais malignas têm grande capacidade de desprendimento do tumor 
inicial e passam a se deslocar pelo corpo, via corrente sanguínea ou linfática. 
Quando estas células chegam a outros órgãos ou tecidos, e ali se instalam, damos 
o nome de metástase.
• A ocorrência de metástase vai depender do tipo de célula tumoral, algumas podem 
apresentar metástases mais rápido, outras mais lentamente, ou ainda em alguns 
casos, nem apresentar.
• Uma das técnicas que vem ganhando espaço no mercado citopatológico é a citologia 
realizada em meio líquido, também chamada na área como LBC. 
• Existem muitas técnicas de análise em Citopatologia, o que deve ser feito é um 
estudo prévio de todas elas e posteriormente eleger aquela com maiores benefícios 
clínicos e operacionais. 
• Atualmente, o exame de Papanicolaou continua sendo a metodologia de escolha, 
considerada como o ‘padrão ouro’ na prevenção e no diagnóstico de câncer de colo 
de útero.
163
AUTOATIVIDADE
1 Câncer é um termo que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas 
que têm em comum o crescimento desordenado de células, que podem invadir 
tecidos adjacentes ou órgãos a distância. 
Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontrolá-
veis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regi-
ões do corpo.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Quando 
começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. 
Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, 
são chamados sarcomas”.
FONTE: <https://www.inca.gov.br/o-que-e-cancer>. 
Acesso em 28 jun. 2022
Como se chama o processo em que um câncer se espalha para além do local de 
surgimento?
a) ( ) Reação tumoral.
b) ( ) Metástase.
c) ( ) Translocação.
d) ( ) Neoplasia.
2 (Adaptado de COVEST, 2022) Sob certas circunstâncias, as células podem passar a 
se dividir de forma anormal e descontrolada. Essa multiplicação anômala dá origem 
a uma massa tumoral que pode invadir estruturas além daquelas onde se originou. 
Sobre o exposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Células tumorais malignas podem se disseminar por todo o corpo do indivíduo, 
através da corrente sanguínea ou do sistema linfático.
( ) Radiação solar em excesso, exposição a radiações ionizantes e certas substâncias 
químicas se apresentam como fatores de risco para o surgimento do câncer.
( ) Diversas formas de câncer diagnosticadas em pulmão, laringe, esôfago e bexiga 
urinária, no homem, estão associadas ao tabagismo.
FONTE: <https://exercicios.brasilescola.uol.com.
br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-cancer.
htm#:~:text=(Covest)%20Sob%20certas%20
circunst%C3%A2ncias%2C,assunto%2C%20
analise%20as%20proposi%C3%A7%C3%B5es%20
abaixo>. Acesso em: 30 jun. 2022.
164
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – F – F.
b) ( ) V – V – F.
c) ( ) F – F – V.
d) ( ) V – V – V.
3 (Adaptado de UFTM, 2012) A Organização Mundial de Saúde classifica 432 agentes 
como cancerígenos ou potencialmente cancerígenos. Eles estão divididos em três 
grupos, sendo que no Grupo 1 estão agentes comprovadamente associados ao 
desenvolvimento de câncer, entre eles podem ser citados: bebidas alcoólicas, tabaco, 
radiação ultravioleta, vírus da hepatite B, vírus da hepatite C e outros.
FONTE: <https://exercicios.brasilescola.uol.com.
br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-cancer.
htm#:~:text=Eles%20est%C3%A3o%20divididos%20
em%20tr%C3%AAs,Adaptado>. Acesso em: 30 jun. 2022.
Sobre os agentes que são comprovadamente associados ao desenvolvimento de 
câncer, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As bebidas alcoólicas e o tabaco causam câncer especificamente em órgãos dos 
sistemas digestório e circulatório.
b) ( ) A radiação ultravioleta danifica moléculas de RNA, presentes no interior do núcleo 
das células epiteliais, e isso desencadeia o câncer de pele.
c) ( ) Uma vez desencadeado o câncer em uma pessoa, que consiste em divisões meióti-
cas descontroladas, seus descendentes tambémirão herdar essa característica.
d) ( ) Os vírus, ao se reproduzirem no interior das células hepáticas, podem alterar o 
controle gênico celular e, com isso, promover divisões celulares descontroladas.
4 Leia o texto a seguir atentamente:
“O  adenocarcinoma  é um  tumor  maligno, derivado de  células  glandulares 
epiteliais secretoras, que pode afetar quase todos os órgãos do corpo 
(pulmões, intestinos, pâncreas, fígado, colo do útero etc.). Estas células podem também 
originar um tumor benigno, o adenoma, o qual guarda a potencialidade de transformar-
se em adenocarcinoma. Embora a prefixo “adeno” queira dizer “junto a uma glândula”, 
não é necessário que as células desse tumor pertençam a uma glândula, desde que 
sejam secretoras.
Em geral, os adenocarcinomas são um tipo de câncer bastante agressivo e de difícil 
remoção cirúrgica e têm, por isso, um prognóstico desfavorável. O adenoma, embora 
benigno, pode causar sérios problemas ao funcionamento orgânico em virtude de 
compressões ou destruição de órgãos”. 
FONTE: <http://twixar.me/Ydcm >. Acesso em: 16 abr. 2022
165
Após ler atentamente o texto, explique com suas palavras, e com a maior riqueza de 
detalhes possível, o que são adenocarcinomas. 
5 Leia o texto a seguir: 
“Com aproximadamente 570 mil casos novos por ano no mundo o câncer do colo do útero 
é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Ele é responsável por 311 mil 
óbitos por ano, sendo a quarta causa mais frequente de morte por câncer em mulheres. 
No Brasil, em 2020, são esperados 16.710  casos novos, com um risco estimado de 
15,38 casos a cada 100 mil mulheres. É a terceira localização primária de incidência e a 
quarta de mortalidade por câncer em mulheres no país, sem considerar tumores de pele 
não melanoma. Em 2019, ocorreram 6.596 óbitos por esta neoplasia, representando uma 
taxa ajustada de mortalidade por este câncer de 5.33/100 mil mulheres”.
Taxas de mortalidade por câncer do colo do útero. Brasil e regiões, 1980 a 2019
FONTE: Adaptado de <https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-do-colo-do-utero/conceito-e-
magnitude>. Acesso em: 16 abr. 2022
Análise o gráfico e aponte uma possível causa do aumento dos casos de câncer de colo 
de útero na região norte do país.
166
167
TÓPICO 3 - 
GESTÃO DA QUALIDADE EM LABORATÓRIOS 
DE CITOPATOLOGIA CLÍNICA
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 3
Caro acadêmico, bem-vindo! Estamos na última estação da nossa viagem 
Citopatológica! Vivemos muitas aventuras e descobertas até aqui. Agora vamos 
estudar a área de gestão, veremos os principais requisitos necessários para ter-se um 
atendimento e uma análise de qualidade e assim, encantar nosso cliente/paciente.
A primeira publicação do Manual de Gestão da Qualidade para Laboratórios de 
Citopatologia realizada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar da Silva – INCA – 
é de 2012, foi feita através de meio eletrônico com a finalidade de auxiliar os profissionais 
inseridos no contexto da citopatologia o processamento ideal e desejável dos exames 
citopatológicos. 
Esta e outras ações integram a Política Nacional de Prevenção e Controle do 
Câncer, principalmente no SUS, normatizada pela Portaria n° 874, de 2013, que contém 
dentre diversas outras diretrizes as ações de monitoramento e de controle de qualidade 
das amostras citopatológicas empregadas no rastreamento/diagnóstico do câncer. 
Uma segunda publicação, a Portaria n° 3388 também de 2013, normalizou a 
QualiCito, que deu origem à primeira edição do Manual de Gestão da Qualidade para 
laboratórios de Citopatologia. Essas normatizações e a aplicação delas na rotina 
laboratorial permitem maior confiabilidade e agilidade na liberação de laudos. 
A Word Hearth Organization – WHO (2012) – em uma publicação do INCA 
(2016), estimou uma cobertura de 80% das mulheres foco dos rastreamentos, com 
diagnóstico adequado e assertivo, o que pode reduzir de 60% a 90% dos casos de 
diagnóstico de câncer cervical. Estes números já foram confirmados por alguns países 
desenvolvidos, onde, após a adesão ao rastreamento citopatológico de qualidade, 
conseguiram reduzir em 80% os índices de notificações de câncer de colo do útero. 
São admiráveis estas estatísticas!
Então, passaremos, agora, para uma viagem especial, um tour especial pelas 
áreas de gestão e da qualidade! Vamos juntos!
168
2 SISTEMAS DE MONITORAMENTO 
Devemos ter clara a ideia de que o rastreamento do câncer de colo de útero 
deve ter seu curso baseado na progressão natural da doença, sendo imprescindível a 
sua identificação ainda no advento das lesões precursoras (HSIL – lesões intraepiteliais 
escamosas de alto grau – e, de AIS – adenocarcinoma in situ) que são passíveis de 
tratamento impedindo suas respectivas evoluções até o estabelecimento do câncer 
propriamente dito.
Em pesquisas citadas pelo INCA (BRASIL, 2016), em um estudo transversal, 
foram analisados 2.220.298 exames citopatológicos aqui no país, e comprovou-se o 
que já sabíamos via literatura, o exame de Papanicolaou é extremamente efetivo na 
prevenção de: lesão intraepitelial de alto grau; de carcinoma escamoso invasor; de 
adenocarcinoma in situ e ainda de adenocarcinoma invasor, quando os exames foram 
realizados em um período de tempo menor que cinco anos. Fato importantíssimo para 
a saúde da mulher! 
Desta forma, o nível de qualidade e, por consequência, de confiabilidade dos 
exames citopatológicos possuem um peso enorme (Figura 12), pois precisa atender a 
vários requisitos que possibilitem minimizar possíveis deficiências do processo analítico 
dentro dos vários setores laboratoriais. É inegável que são vários os desafios no âmbito 
laboratorial, desde dificuldades e possíveis dúvidas decorrentes de interpretações e 
análises de amostras até aqueles referentes à qualificação dos profissionais envolvidas 
nas diversas áreas (BRASIL, 2012a; 2012b; 2012c; 2016).
FIGURA 12 – QUALIDADE E CONFIABILIDADE DOS EXAMES DE CITOPATOLOGIA CLÍNICA
FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-gratis/conceito-de-certificacao-isometrica-iso_10296910.
htm#query=iso&position=15&from_view=search>. Acesso em: 2 jul. 2022.
169
Como forma de melhoria de processos, ou mesmo de sua otimização, e 
maior confiabilidade, os exames citopatológicos nos laboratórios, principalmente 
aqueles prestadores da rede SUS, devem realizar monitoramentos internos (MIQ) e 
externos (MEQ). Os primeiros referem-se aos critérios iniciais, critérios avaliativos 
devidamente registrados e documentados, atestando possíveis não conformidades 
identificadas bem como as ações corretivas e/ou preventivas implementadas e 
adotadas para sanar tais não conformidades. Já o segundo estabelece uma série de 
quesitos estabelecidos por outro laboratório ou certificador referenciado que objetiva 
a avaliação dos parâmetros de qualidade do laboratório referente aos exames por ele 
executados, desde a fase pré-analítica (que já estudamos anteriormente) até a fase 
de liberação/emissão do laudo clínico.
Existem ainda os requisitos de Boas Práticas em Laboratórios Clínicos (BPLC) 
que devem ser adotados pelos laboratórios de citopatologia, que fora elaborado pela 
Comissão Técnica dos Laboratórios (CTLE) vinculada ao Instituto Nacional de Metrologia, 
Qualidade e Tecnologia – INMETRO –, a Sociedade Brasileira de Laboratórios de Anatomia 
Patológica e Citopatologia (ABRALAPAC), a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e 
ainda a Sociedade Brasileira de Citopatologia (SBC) que em conjunto também redigiram 
uma lista de verificação (LV) dos requisitos básicos das amostras laboratoriais. 
Uma das formas de garantir-se um maior nível de qualidade nas atividades 
laboratoriais é estabelecer-se padrões, e partir deles, sistemas de monitoramento, tanto 
internos quando externos, nos diversos setores laboratoriais, para validar-se estes 
padrões. Somente assim pode-se avaliar o desempenho e ainda identificar possíveis 
desvios de qualidade. As aplicações nas análises citopatológicas são diversas, desde 
identificar uma alteraçãoem células escamosas e/ou glandulares até mesmo quantificar 
possíveis laudos falsos-negativos. 
Segundo o INCA (BRASIL, 2016), um sistema de monitoramento da qualidade 
elementar deve possuir: 
• Manual da qualidade com os objetivos e requisitos de implantação do sistema da 
qualidade.
• Registros documentados de todas as rotinas e procedimentos adotados no âmbito 
laboratorial.
• Revisão dos esfregaços positivos (RP).
• Revisão de todos os esfregaços considerados insatisfatórios.
• Revisão amostral (aleatória) de 10% dos esfregaços negativos (R-10%).
• Revisão dos esfregaços selecionados com base em critérios clínicos de risco (RCCR).
• Pré-escrutínio rápido de 100% dos esfregaços (PER).
• Implementação e registros de programas de MEQ.
• Participação de comparativos interlaboratoriais.
• Participação em programas de autoavaliação.
170
• Programas de educação continuada.
• Consultas internas e externas.
• Testes de proficiência.
À primeira vista, os requisitos de padronização e de qualidade podem soar 
bastante burocráticos e trabalhosos, porém não passa de simples impressão. Estes 
requisitos após implementação, e no curso da rotina, facilitam muito o dia a dia das 
análises. Todos os indicadores incorporados à rotina são de fácil interpretação e 
construção, pois buscam refletir a realidade da rotina laboratorial, buscando, por parte 
dos colaboradores, principalmente, uma unidade (Figura 13), uma melhoria contínua dos 
processos e métodos presentes nas rotinas laboratoriais.
FIGURA 13 – EQUIPE DE COLABORADORES: MELHORIA CONTÍNUA
FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/vista-aerea-de-uma-equipe-de-negocios_17117573.
htm#query=iso&position=24&from_view=search>. Acesso em: 2 jul. 2022.
Não se pode esquecer que os exames citopatológicos são exames de 
rastreamento e, portanto, fundamentais para o sucesso da clínica e da terapêutica 
do paciente. Caso não seja realizado a contento, pode chegar a comprometer todo o 
processo. Devemos lembrar que estão em jogo não só a prevenção do câncer de colo de 
útero, mas todo o círculo em volta do paciente, as estatísticas do serviço e do programa 
de prevenção em nível nacional, logo, todas as possibilidades de minorar os resultados 
errôneos ou não conformes devem ser exploradas. 
171
2.1 MONITORAMENTO INTERNO 
Os indicadores de monitoramento interno da qualidade (MIQ) adotados em 
laboratórios citopatológicos podem auxiliar na identificação de não conformidades 
anteriores à chegada do material no laboratório e devem ser informados aos médicos 
solicitantes/assistentes responsáveis por tais coletas para que estes possam 
implementar ações corretivas com o objetivo de sanar tais não conformidades. 
Outro ganho com MIQ é o melhoramento e aprimoramento do corpo técnico e, 
por consequência, um atendimento de maior qualidade as pacientes. Podem ser citados 
entre os principais MIQs, além daqueles já citados no item de monitoramento:
• Parâmetros de qualidade validados que permitam a quantificação do volume de 
análises e seu acompanhamento por todo o processo no âmbito laboratorial.
• Realização de correlações com resultados anteriores disponíveis no laboratório e 
destes com os histopatológicos sempre que possível.
• Reanálise dos exames classificados como discrepantes, como forma de confirmação.
• Adoção de medidas corretivas e de melhoria de processos internamente após 
aprovação pelos responsáveis técnicos e sua posterior validação. 
• Melhoria contínua no tocante a qualidade dos exames citopatológicos – analisando sem-
pre quais as metodologias a serem adotadas e padronizadas pelo laboratório, sempre 
com o objetivo de reduzir-se resultados falso-negativos ou ainda os falso-positivos.
Outro ponto a ser salientado aqui, que já foi comentado no Tópico 1, é a 
conferência e acompanhamento dos dados de identificação, anamnese e ainda do 
exame clínico realizado pelo médico solicitante. No ato da recepção da amostra, é 
aconselhável que o profissional tenha um POP – Procedimento Operacional Padrão –, 
no qual conste todas as informações necessárias para aceitação ou mesmo rejeição do 
material amostral, e, neste último caso, notificar o responsável pela coleta dos pontos 
não conformes para adoção das medidas corretivas. 
Segundo Barbosa (2021), entre as principais ferramentas de gestão da qualidade, 
estão o Manual da Qualidade (MQ), Manual de Procedimentos Operacionais Padrão (POP) 
e as Instruções de Trabalho (IT). Juntas, estas ferramentas propiciam a minimização de 
erros e a padronização dos processos executados na rotina laboratorial. Nelas, é possível 
encontrar a descrição e a operacionalização dos processos analíticos, garantindo a 
qualidade dos processos, desde o momento da recepção das amostras para análise até 
o arquivamento das lâminas e laudos clínicos. No MQ é possível encontrar descritos dos 
requisitos de MIQs, além daqueles de MEQs, adotados no âmbito laboratorial. 
O MQ deve ser o ‘retrato da qualidade’ da organização, refletindo as padronizações 
e requisitos necessários para atingir-se os melhores padrões de qualidade dentro da 
instituição analítica. Cada uma destas ferramentas é criada especificamente para aquela 
instituição, respeitando sempre suas nuances, tradições e particularidades, e após 
172
criadas, deve ser divulgada aos colaboradores acompanhados sempre de treinamentos 
e atualizações. Além disso, todos estes documentos/ferramentas devem sempre ficar 
ao alcance de todos os envolvidos, aptos a sanar quaisquer dúvidas que possam surgir 
durante a rotina laboral (BRASIL, 2012a; 2012b; 2012c; 2016).
 
A Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas Preconizadas, 
republicada em 2012, fruto da parceria do Ministério da Saúde e do INCA, tornou 
obrigatória termos, formulários, check lists em todo o território nacional, contribuindo 
muito com a padronização das rotinas laboratoriais, principalmente daqueles que 
atendem a rede SUS (BRASIL, 2019).
Outro parâmetro fundamental da qualidade é o tempo gasto para a liberação 
do laudo clínico, mesmo que conforme o escopo do programa de rastreamento 
de lesões pré ou cancerosas do colo do útero não configurem necessariamente um 
‘status de urgência’, pois os laboratórios têm um prazo máximo recomendado de até 30 
dias, é desejável que este prazo seja minorado, deixando este parâmetro a critério do 
laboratório, sempre pautado na qualidade e na ética. 
Devem estar presentes nos laudos as seguintes informações, conforme cita:
• Qualidade da amostra recebida para a realização da leitura/análise.
• Quais coleções celulares, epitélios, se fizeram presentes na amostra em estudo 
(células escamosas, glandulares, metaplásicas ou ainda de natureza indeterminada).
• A conclusão da análise – diagnóstico.
• Identificação do profissional que realizou a análise (nível superior e habilitado) (BRA-
SIL, 2016). 
Dentre os MIQs, tem-se ainda a necessidade de confirmação daqueles que se 
mostrarem positivos ou mesmo insatisfatórios (dupla conferência/confirmação), que 
deverá ser sempre realizada por profissional de nível superior habilitado através de uma 
das seguintes metodologias: R-10%, RCCR, PER e RR-100% (já citadas acima). Dentre 
estas, o critério de escolha de uma ou mais metodologias ficará a critério da instituição 
responsável pela análise, e deve, ainda, indiscutivelmente constar nas ferramentas de 
qualidade (BRASIL, 2016; BARBOSA, 2021).
A guarda de lâminas em arquivos deve estar de acordo com os parâmetros 
requeridos pela Portaria n° 3.388, de dezembro de 2013, publicada pela SBC/SBCC, em 
que todas as lâminas positivas ou com suspeita de câncer deverão permanecer em 
arquivo por no mínimo 20 anos, e aquelas consideradas negativas ou insatisfatórias, por 
5 anos. Uma amostragem aleatória e representativa deverá ser reanalisada anualmente 
com o propósito de atestar a qualidade da lâmina, da coloração e ainda para garantir-se 
e atestar a agilidade de busca e recuperação de uma determinada amostra, caso seja 
necessário (BRASIL,2016).
173
Quanto aos laudos, cópias, rascunhos e demais documentos referentes ao 
diagnóstico, ainda seguindo a mesma legislação, devem ser arquivados, podendo ser 
em ambientes virtuais (microfilmagens ou ainda informatizados) por no mínimo cinco 
anos, mas com recomendação de alguns estudiosos, de guarda indefinidamente em 
ambiente seguro e de acesso controlado, devendo ser acessíveis, quando e se requeridos 
(BRASIL, 2016).
Ainda é recomendada a prática de auditorias internas (Figura 14), e estas 
podem ser de vários modos e critérios, algumas sugestões, encontram-se elencadas 
em sequência:
• Monitoramento e avaliação da qualidade das colorações.
• Reanálise e discussões interdisciplinares de casos considerados divergentes.
• Revisão de casos com diagnósticos clínicos específicos.
• Análises interlaboratoriais.
• Reanálises de casos considerados como negativos e positivos de modo duplo cego.
• Monitoramento e reavaliação das amostras consideradas como insatisfatórias.
• Monitoramento do tempo compreendido entre a recepção da mostra e a liberação 
do laudo.
• Verificações de melhorias contínuas e/ou otimizações de processos (BRASIL, 2016).
FIGURA 14 – AUDITORIA INTERNA: MIQS
FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-gratis/design-de-banner-de-auditoria-de-desenho-
animado_24241933.htm#query=audit&position=22&from_view=search>. Acesso em: 2 jul. 2022.
2.2 MONITORAMENTO EXTERNO 
Quando pensamos nos MEQs, temos que ter em mente a revisão dos esfregaços 
realizados em uma instituição por outra, desde que devidamente certificada para 
isso, ou seja, um primeiro laboratório citológico recebe, processa e analisa a amostra 
(BRASIL, 2016). Um segundo refaz todos os procedimentos analíticos fazendo a revisão 
do exame. É importante deixar claro que mesmo um laboratório sendo certificado para 
reanálise nunca poderá reavaliar suas próprias amostras! Sempre se faz necessária uma 
174
segunda instituição para proceder ao monitoramento externo. O laboratório que realiza 
a primeira análise é chamado de tipo I, e o laboratório responsável pela reanálise ou 
monitoramento externo é chamado de tipo II. Em municípios menores, caso não exista 
uma segunda instituição tipo II, deverá proceder o encaminhamento das amostras para 
outro estado ou município de referência para a conclusão do monitoramento. 
Para Barbosa (2021) o monitoramento externo é fundamental para a garantia 
da qualidade e sendo indispensável para a melhoria de processos – melhoria contínua 
de qualquer instituição. Quando pensamos nos laboratórios citopatológicos temos as 
seguintes finalidades, dentre várias outras:
• Avaliação do desempenho do laboratório tipo I.
• Qualidade dos exames citopatológicos do laboratório de origem da amostra de colo 
de útero.
• Identificação de possíveis variáveis analíticas interlaboratoriais.
• Identificação de possíveis divergências entre critérios citomorfológicos.
• Minimização de resultados falso-positivos, falso-negativos e ainda daqueles 
classificados como insatisfatórios.
• Melhorias dos processos analíticos.
• Ação corretiva de possíveis não conformidades (BRASIL, 2016).
3 ACREDITAÇÃO PARA LABORATÓRIOS DE 
CITOPATOLOGIA CLÍNICA 
Segundo uma pesquisa, citada por Brasil (2016), realizada pelo Instituto Brasi-
leiro de Geografia e Estatística – IBGE – em 2009, foi possui identificar 16.657 (dezesseis 
mil seiscentos e cinquenta e sete) laboratórios de análises clínicas no nosso país, e 
apenas 5854 (cinco mil oitocentos e cinquenta e quatro) destes, são de anatomia pa-
tológica e citologia. E, ainda, destes, apenas 1170 (mil cento e setenta) são prestadores 
de serviços do SUS. 
Neste universo, é crucial ter-se um padrão de qualidade confiável, além de 
um acompanhamento sistemático de todas as atividades desenvolvidas desde a 
recepção da amostra até o seu arquivamento/conservação. Mesmo com a facilidade 
e simplicidade do exame citopatológico – exame de Papanicolaou – realizado no Brasil 
desde os anos de 1940 pelo SUS e desde lá realizado com praticamente a mesma base 
tecnológica de hoje, com execuções bem manuais, o processo demanda uma grande 
perícia, habilidade e competência técnica do analista citopatológico em meio a tantas 
variabilidades fisiológicas e também patológicas. 
175
O sucesso das análises está estritamente relacionado com o conhecimento, 
competência técnica e sem dúvida com uma boa formação profissional. Estes são 
os pilares fundamentais da qualidade em qualquer instituição ou organização. Neste 
sentido, os programas de atualizações, educação continuada e treinamentos são 
sempre muito bem-vindos quanto à melhoria técnica dos profissionais envolvidos na 
prática analítica, principalmente.
Pode-se dizer que a certificação de qualidade das instituições analíticas é uma 
terceira forma de garantir-se a qualidade, ficando atrás somente dos MIQs e MEQs. O 
processo de certificação é conduzido por profissionais qualificados e habilitados para tal, 
após uma série de auditorias – verificações documentais e visitas na planta laboratorial, 
em suas diversas áreas institucionais, com o intuito de verificar-se a adequabilidade 
dos processos e condutas em relação aos preceitos e requisitos exigidos pela BPLC. 
Quando todos os requisitos são atendidos a contento, tem-se a provação dos processos 
e padrões técnicos, conferindo ao laboratório um selo de qualidade e este torna-se apto 
a desempenhar a prestação de serviços de saúde com qualidade. 
Uma certificação bastante cobiçada e almejada pelas instituições, atualmente, 
é a certificação ISO – International Organization for Standardization (Organização 
Internacional de Padronização). Trata-se da maior instituição certificadora que avalia os 
requisitos e padrões técnicos baseados na família da ISO 9000, 17000 e 15000. É uma 
instituição não governamental, que foi fundada na década de 1940, que possui como 
principal objetivo a promoção dos parâmetros de qualidade no comércio internacional.
A normatização das atividades, e posterior certificação, facilita, e muito, 
o comércio internacional de bens e serviços além de abrir portas de cooperação, 
tecnológica, profissional, intelectual e econômica, no cenário mundial. A representante 
da ISO no Brasil, é a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, sob representação 
do INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. 
Segundo Brasil (2016), a necessidade de acreditar os laboratórios surgiu a partir 
da Comunidade Brasileira de Patologistas e Citopatologista após a demanda do próprio 
INMETRO em 1997, quando criou a CTLE-04, com convocação de vários laboratórios 
e conselhos de classes dos profissionais envolvidos, Medicina, Farmácia, Biologia e 
Biomedicina, além de universidades e o INCA. Vale lembrar que a acreditação ISO é um 
processo totalmente voluntário. Ela é implementada somente se a instituição assim 
desejar! Caso o laboratório opte pela certificação ela deverá passar a apresentar e atender 
a vários requisitos mínimos exigidos pelas normas da ABNT NBR ISO IEC 17025 e 15189, 
em seguida, o órgão certificador irá realizar várias auditorias e relatórios situacionais da 
instituição sobre o atendimento às normatizações. 
176
As normas ABNT NBR ISO IEC 14500, a INMETRO NIT-DICLA-083 e ainda o 
Manual das Organizações Prestadoras de Serviços de Laboratórios Clínicos da ONA – 
Organização Nacional de Acreditação –, segundo Brasil (2016) e vários pesquisadores 
da área, são complementares e facilitadoras no processo de implementação de 
serviços e processos de qualidade no âmbito das intuições laboratoriais que desejam 
a certificação internacional.
Caso existam não conformidades, um prazo será estipulado para a realização de 
ações corretivas e as devidas adequações, até que todos os critérios estejam satisfeitos 
em todos os setores institucionais. Comprovada a satisfação de todos os requisitos, o 
laboratório recebe a certificação de acreditação. 
Conforme o Ministério da Saúde (2016), no Brasil, a ANS – Agência Nacional deSaúde Suplementar – foi criada através da lei Federal n° 9961, de 2000, com o objetivo 
de promover a defesa do interesse público na assistência suplementar de saúde, e sua 
regulação setorial, com ações de promoção à saúde, assim, compete a esta agência, 
dentre outras funções: 
• Instituir parâmetros e indicadores de qualidade que objetivem a cobertura assistencial 
à saúde no tocante a serviços próprios ou de terceirizados.
• Controlar e avaliar os critérios de manutenção da qualidade dos serviços prestados.
• Criar critérios de monitoração, aferição e controle de qualidade dos serviços prestados 
por operadoras de planos de saúde.
• Primar sempre pela qualidade dos serviços prestados na assistência à saúde suplementar.
• Promover cursos de capacitação para equipes, tanto de auditoria interna, quanto 
para a equipe gestora.
Quando o laboratório resolve optar pela acreditação e realiza a sua implantação 
efetivamente, passa a possuir um melhor nível de gestão da qualidade, melhorando o seu 
nome e respeito no mercado. Refletindo sua qualidade nos laudos analíticos e também na 
prestação de serviços a seus clientes. Existem atualmente vários programas de incentivo à 
acreditação de laboratórios clínicos, segundo Brasil (2016), e, a participação neles, apenas 
reafirma o compromisso e a responsabilidade da instituição com o cliente, na prestação 
de serviços de qualidade. Estes programas ainda permitem realizações periódicas de 
testes de proficiência, de avaliação e competência profissional e ainda a identificação de 
possíveis falhas operacionais que poderiam comprometer a qualidade dos processos, o 
que em última análise poderia incorrer em riscos para as populações atendidas.
O sucesso da acreditação para laboratórios de citopatologia, segundo 
Brasil (2016), deve-se muito à criação de grupos de trabalho responsáveis pelo 
estabelecimento de padrões ou requisitos adotados pelo laboratório, assim como 
um planejamento criterioso de cursos de capacitação, formação e de reciclagem 
de equipes de auditores, sempre contando com profissionais experientes nas áreas 
gestoras e de citopatologia clínica. 
177
NOVAS RECOMENDAÇÕES DE RASTREIO E TRATAMENTO PARA PREVENIR O 
CÂNCER DO COLO DO ÚTERO
Organização Pan Americana da Saúde – OMS no Brasil
Muitas mulheres em todo o mundo - principalmente as mais pobres - continuam 
morrendo de câncer do colo do útero, uma doença que pode ser prevenida e tratada. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Human Reproduction Programme 
(HRP) lançaram uma nova orientação para ajudar os países a progredir mais rapidamente 
e de forma mais equitativa no rastreio e tratamento dessa enfermidade devastadora.
Acabando com o sofrimento devido ao câncer do colo do útero
Em 2020, mais de meio milhão de mulheres tiveram câncer do colo do útero 
e cerca de 342 mil morreram em consequência - a maioria nos países mais pobres. 
Programas de rastreio rápidos e precisos são essenciais para que todas as mulheres 
com doenças cervicais recebam o tratamento de que precisam e para evitar mortes. 
A estratégia global da OMS para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, 
endossada pela Assembleia Mundial da Saúde em 2020, pede que 70% das mulheres 
em todo o mundo sejam examinadas regularmente para doenças cervicais com um 
teste de alto desempenho e que 90% delas precisam receber tratamento adequado. 
Juntamente com a vacinação de meninas contra o papilomavírus humano 
(HPV), a implementação dessa estratégia global poderia prevenir mais de 62 milhões 
de mortes por câncer do colo do útero nos próximos 100 anos. “Programas de rastreio 
e tratamento cervicais eficazes e acessíveis em todos os países não são negociáveis se 
quisermos acabar com o sofrimento inimaginável causado pelo câncer do colo do útero”, 
afirmou Princesa Nono Simelela, subdiretora-geral para Prioridades Programáticas 
Estratégicas: Eliminação do Câncer do Colo do Útero.
“Esta nova orientação da OMS guiará o investimento em saúde pública em 
melhores ferramentas de diagnóstico, processos de implementação mais fortes e 
opções mais aceitáveis de triagem para atingir mais mulheres - e salvar mais vidas”.
LEITURA
COMPLEMENTAR
178
Mudança no atendimento
A nova orientação inclui algumas mudanças importantes nas abordagens 
recomendadas pela OMS para o rastreio de câncer do colo do útero. Em particular, é 
recomendado um teste de HPV baseado em DNA (teste de HPV-DNA) como o método 
preferido, em vez de inspeção visual com ácido acético (VIA) ou citologia (Papanicolau), 
atualmente os métodos mais comumente usados mundialmente para detectar lesões 
pré-cancerosas. 
O teste de HPV-DNA detecta cepas de alto risco que causam quase todos os 
cânceres do colo do útero. Ao contrário dos testes que dependem de inspeção visual, 
essa ferramenta é um diagnóstico objetivo, não deixando espaço para dúvidas no 
processo de interpretação dos resultados.
Embora o processo de obtenção de uma amostra do colo do útero por um 
profissional de saúde seja semelhante à citologia ou ao teste de HPV-DNA, o teste de 
HPV-DNA é mais simples, previne mais pré-cânceres e cânceres e salva mais vidas do 
que a inspeção visual ou a citologia. 
Além disso, é mais custo-efetivo. Mais acesso a insumos e auto amostragem 
é outro caminho a ser considerado para atingir a meta da estratégia global de testes 
de 70% até 2030. A OMS sugere que amostras podem ser obtidas pelo método de 
autocoleta a partir da introdução dos testes de HPV-DNA. 
Estudos mostram que as mulheres muitas vezes se sentem mais confortáveis 
colhendo suas próprias amostras, por exemplo, no conforto de sua própria casa, em vez 
de consultar um provedor de saúde para fazer o exame. No entanto, as mulheres precisam 
receber apoio adequado para se sentirem confiantes em lidar com esse processo. 
Recomendações respondem à ligação entre HPV e HIV
Mulheres imunocomprometidas, como aquelas que vivem com HIV, são 
particularmente vulneráveis à doença cervical; elas são mais propensas a ter infecções 
persistentes por HPV e progressão mais rápida para lesões pré-cancerosas. Isso 
resulta em um risco seis vezes maior de câncer do colo do útero entre mulheres que 
vivem com HIV. 
Em reconhecimento a isso, a nova orientação inclui recomendações específicas 
para mulheres que vivem com HIV, incluindo o uso do rastreamento primário por teste 
de HPV-DNA seguido por um teste de triagem se os resultados forem positivos para 
HPV com o intuito de avaliar os resultados quanto ao risco de câncer do colo do útero e 
necessidade de tratamento. 
179
As recomendações mundiais também orientam que o rastreio comece mais 
cedo (25 anos) do que para a população geral de mulheres (30 anos). Mulheres vivendo 
com HIV também precisam ser testadas novamente após um intervalo de tempo menor 
depois de um teste positivo e após o tratamento do que as mulheres sem HIV.
“Com essas novas diretrizes, devemos aproveitar as plataformas já desenvolvidas 
ao atendimento e tratamento do HIV para melhor integrar o rastreio e o tratamento 
do câncer do colo do útero para atender às necessidades de saúde e aos direitos do 
grupo diversificado de mulheres vivendo com HIV para aumentar o acesso, melhorar a 
cobertura e salvar vidas”, disse Meg Doherty, diretora do Departamento de Programas 
Mundiais de HIV, Hepatites e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OMS.
Cada intervenção conta para eliminar o câncer do colo do útero
Os dados que mostram onde os países ao redor do mundo estão atualmente em 
relação à carga de câncer do colo do útero e cobertura para rastreio e tratamento devem 
ser publicados até o final de 2021. Esses perfis de país podem ajudar os ministérios 
da saúde a identificarem onde seus programas precisam de fortalecimento e medir o 
progresso em direção às metas de 2030.
Para que um programa de prevenção e controle do câncer do colo do útero tenha 
impacto, reforçar a adesão dos pacientes e garantir um tratamento rápido das mulheres 
com diagnóstico de HPV ou lesões pré-cancerosassão prioridades fundamentais. “O 
custo e a efetividade dos testes de rastreio são importantes para expandir os programas, 
mas outros aspectos da abordagem de saúde pública para eliminar o câncer do colo do 
útero também são vitais”, alegou Nathalie Broutet, do Departamento de Saúde Sexual e 
Reprodutiva e Pesquisa da OMS e do HRP.
“O que mais importa é a coerência do programa de cada país para garantir 
a continuidade da atenção: que todas as mulheres tenham acesso ao rastreio, os 
profissionais de saúde sejam informados em tempo hábil sobre os resultados do teste 
de rastreio e possam, por sua vez, compartilhar essas informações com seu paciente, 
e que as mulheres possam ter acesso a tratamento apropriado ou encaminhamento, 
se necessário”. A OMS pede que todas as mulheres tenham acesso e façam testes 
regulares de rastreio do câncer do colo do útero de acordo com as recomendações das 
autoridades de saúde locais.
FONTE: <https://www.paho.org/pt/noticias/6-7-2021-novas-recomendacoes-rastreio-e-
tratamento-para-prevenir-cancer-do-colo-do-utero>. Acesso em: 11 abr. 2022.
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RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• A qualidade dos exames citopatológicos possuem grande impacto na clínica médica. 
Eles devem atender a requisitos que permitam minimizar problemas no processo 
analítico e garantir a qualidade dos laudos.
• Existem vários desafios na rotina laboratorial: dúvidas de interpretação e análise das 
amostras e ainda falta de profissionais qualificados para exercer tal atividade. 
• Existem monitoramentos internos (MIQ) e externos (MEQ) que tem como objetivo a 
melhoria de processos, ou mesmo sua otimização, conferindo maior confiabilidade 
aos exames citopatológicos. 
• Requisitos e critérios devem ser devidamente registrados e documentados, atestando 
possíveis não conformidades identificadas bem como as ações corretivas e/ou 
preventivas implementadas e adotadas para sanar tais não conformidades.
• O atendimento aos requisitos de padronização e de qualidade podem soar bastante 
burocráticos e trabalhosos, porém não passa de simples impressão. Estes requisitos 
após implementação facilitam muito a rotina laboratorial.
• As principais ferramentas de gestão da qualidade são o Manual da Qualidade (MQ), 
Manual de Procedimentos Operacionais Padrão (POP) e as Instruções de Trabalho 
(IT). Juntas, estas ferramentas propiciam a minimização de erros e a padronização 
dos processos executados na rotina laboratorial. 
• Monitoramentos são fundamentais para a garantia da qualidade e indispensável 
para a melhoria de processos – melhoria contínua de qualquer instituição.
• A certificação ISO – International Organization for Standardization (Organização 
Internacional de Padronização) – é concedida pela instituição certificadora após 
avaliar os requisitos e padrões técnicos baseados nas famílias da ISO 9000, 17000 e 
15000. O principal objetivo da certificadora é a promoção dos parâmetros de qualidade 
no comércio internacional.
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AUTOATIVIDADE
1 A certificação baseada na norma ISO confere a uma empresa grande credibilidade junto 
à sociedade, visto que, além de assegurar padrões, a norma valida a qualidade dos pro-
cessos. Sobre a gestão da qualidade nas instituições, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As principais ferramentas de gestão da qualidade são o Manual da Qualidade 
(MQ), Manual de Procedimentos Operacionais Padrão (POP) e as Instruções de 
Trabalho (IT). 
b) ( ) Não é importante a gestão da qualidade nos laboratórios clínicos. 
c) ( ) As ferramentas de gestão da qualidade apenas oneram mais os colaboradores, 
aumentando suas respectivas cargas de trabalho.
d) ( ) As ferramentas de qualidade auxiliam na maximização de erros de processos na 
prática laboratorial. 
2 (Adaptado de FGV, 2016) A ISO (International Organization for Standardization) é uma 
instituição não governamental, fundada em 1947, na Suíça, que tem como função 
principal a elaboração de normas técnicas que promovam a padronização das 
práticas de boa gestão e o avanço tecnológico, além de ajudar na identificação de 
organizações que seguem essas regras. No Brasil, a Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT) é a responsável pela elaboração e coordenação dessas normas, de 
acordo com as da ISO. 
FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-
de-concursos/questoes/c6ce9570-06>. Acesso em: 
30 jun. 2022.
Sobre a certificação ISO, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A ISO apenas certifica laboratórios de citopatologia. 
b) ( ) A ISO apenas auxilia as instituições nas relações comerciais. 
c) ( ) A ISO tem como objetivo a promoção dos parâmetros de qualidade no comércio 
internacional. 
d) ( ) A ISO é uma certificadora nacional somente para serviços de saúde. 
3 egundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de colo do útero 
é o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer 
de mama e do colorretal, e a quarta causa mais comum de morte de mulheres por 
câncer no Brasil. São estimados 16.340 novos casos da doença em 2016, com um 
risco estimado de 15,85 casos a cada 100 mil mulheres. Até 2030, esse número de 
novos casos deve aumentar para 435 mil.
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Nesse cenário, o exame de Papanicolau é de grande importância, principalmente para 
detectar precocemente as lesões que precedem o câncer de colo do útero (displasias) 
e indicar o melhor tratamento antes do seu desenvolvimento. Esse teste também pode 
detectar alterações que indicam a presença nas células do HPV (vírus do papiloma 
humano), o mais importante agente causador do câncer do colo uterino.
Segundo o médico patologista e membro da SBP, Victor Piana, o teste de Papanicolau 
conseguiu reduzir a mortalidade por câncer de colo uterino na população em todos os 
países onde foi implantado. “O câncer de colo uterino só não foi eliminado por completo 
por fatores como falta de comparecimento das mulheres para a realização do exame, 
altas taxas de infecção e reinfecção das mulheres pelo vírus HPV e as falhas na atenção 
à saúde, uma vez detectadas as lesões pré-neoplásicas”, conta.
FONTE: <https://www.sbp.org.br/previna-se-contra-o-cancer-de-
colo-do-utero/?gclid=EAIaIQobChMI89SCj_TQ-AIVgUBIAB2H-
AvmEAAYASAAEgLlrvD_BwE>. Acesso em: 28 jun. 2022.
Sobre o exposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) O rastreamento do câncer de colo de útero deve ter seu curso baseado na 
progressão natural da doença.  
( ) Os laboratórios de citopatologia somente podem liberar os laudos citopatológicos 
com no mínimo 30 dias. 
( ) O exame de Papanicolaou é extremamente efetivo na prevenção de lesão 
intraepiteliais, de carcinomas e de adenocarcinoma, quando realizados num 
período de tempo menor que cinco anos. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Existem muitas vantagens para os laboratórios de citopatologia quando implementam 
os requisitos de qualidade necessários à certificação, principalmente a ISO. Cite 
alguns aspectos benéficos às instituições pós-certificação. 
5 Vários tipos de controles devem ser adotados pela instituição com a finalidade de 
garantir-se um nível de excelência em qualidade. Disserte sobre os principais tipos 
de monitoramento existes e suas vantagens para a instituição e seus clientes. 
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REFERÊNCIAS
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bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_referencia_1.
pdf. Acesso em: 3 jan. 2022.
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ginecológica. Brasília: Ministério da Saúde. Rio de Janeiro: CEPESC, 2012b. Disponível 
em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_
referencia_2.pdf. Acesso em: 3 jan. 2022.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de referência 3: citopatologia não 
ginecológica. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: CEPESC, 2012c. Disponível 
em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_
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