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SUMÁRIO 1. Introdução .................................................................... 3 2. Anatomia do olho....................................................... 4 3. Anamnese ocular .....................................................10 4. Exame ocular externo .............................................12 5. Exames dos movimentos oculares ...................14 6. Reflexos pupilares ..................................................18 7. Acuidade visual ........................................................21 8. Propedêutica instrumentada ...............................23 9. Equipamentos oftalmológicos .............................30 10. Cirurgias ..................................................................32 Referências Bibliográficas ........................................34 3SEMIOLOGIA OCULAR 1. INTRODUÇÃO Um bom médico sabe que os olhos não devem ser examinados como ór- gãos isolados, como se nada tives- sem a ver com o restante do organis- mo, uma vez que doenças oculares podem refletir-se em outros setores, da mesma maneira que patologias de outros sistemas podem ter im- portantes manifestações nos olhos. O exame oftalmológico é um teste que serve para avaliar os olhos, pál- pebras e canais lacrimais de forma a investigar doenças oculares, como o glaucoma ou a catarata, por exemplo. Compõe a semiologia ocular: o exa- me da acuidade visual, que é um dos componentes mais conhecidos do exame oftalmológico, que serve para avaliar o potencial de visão da pes- soa, sendo feito com a colocação de um letreiro, com letras de diferentes tamanhos ou símbolos, em frente ao indivíduo que tenta lê-las; o exame de movimentos oculares, que serve para avaliar se os olhos estão alinhados; o exame de fundoscopia, que serve para diagnosticar alterações na retina ou no nervo óptico; a tonometria, que serve para medir a pressão dentro do olho; e a avaliação das vias lacrimais, onde o médico analisa a quantidade da lágrima, sua permanência no olho, sua produção e sua remoção. Além destes exames, o oftalmologista pode encaminhar o paciente para realiza- ção de outros exames mais especí- ficos, como a ceratoscopia computa- dorizada, a curva tensional diária, o mapeamento da retina, a paquimetria e a campimetria visual, dependendo das suspeitas que surgirem durante o exame oftalmológico. Tais exames serão devidamente destrinchados nesse Super Material. Mas, por que realizar um exame oftalmológico tão detalhado? É de extrema importân- cia que o examinador tenha completo domínio da semiologia ocular, pois por meio dela será possível diagnosticar e tratar doenças, como catarata, glau- coma, retinopatias, arterite temporal, esclerose múltipla e meningiomas. 4SEMIOLOGIA OCULAR 2. ANATOMIA DO OLHO O olho é um órgão de forma quase esférica, que mede, no seu diâmetro anteroposterior, aproximadamente 24 mm. A parede do globo ocular é composta por três camadas: a mais externa, que realiza a função de pro- teção, é formada pela esclera e pela córnea; a média é altamente vascu- larizada e pigmentada, composta pela coróide, corpo ciliar e íris; e a parte interna é a retina, uma cama- da receptora que contém as fibras formadoras do nervo óptico. Para ficar mais didático, vamos iniciar fa- lando sobre os componentes da ca- mada externa e seguiremos a ordem de externo para interno. A córnea é a parte anterior transpa- rente e protetora do olho, fica loca- lizada na região polar anterior do glo- bo ocular e é o meio refrativo mais Figura 1. Estrturas anatômicas do olho. Fonte: https://www.provi- su.ch/pt/doencas-oculares-mais-frequentes/ceratite.html importante do olho, caracterizan- do-se por seu alto grau de trans- parência. Tal transparência depende de vários fatores, incluindo a regula- ridade da superfície anterior epitelial, a organização regular das fibras de colágeno do estroma e a sua natu- reza avascular. É nutrida pelo filme lacrimal, pelo humor aquoso e pe- los vasos do limbo e da conjuntiva palpebral. A córnea e o cristalino têm a função de focar a luz através da pupila para a retina, como se fosse uma lente fixa. São as lágrimas que mantêm a córnea úmida e saudável. A esclera é onde estão inseridos os músculos do bulbo do olho, extra-o- culares. A superfície visível da esclera é coberta por uma membrana trans- parente e fina, chamada conjuntiva, 5SEMIOLOGIA OCULAR que deriva da camada epitelial exter- na da córnea e que também cobre a face interna das pálpebras. É opaca e contém fibras de colágeno e elastina. Nas crianças, é mais fina e apresenta algum pigmento, o que confere a cor mais azulada. Nos idosos, entretan- to, o depósito de gordura na escle- ra faz com que ela aparente uma coloração levemente amarelada. A úvea é constituída por três estru- turas: a íris, o corpo ciliar e a corói- de. A íris, o anel colorido que circunda a pupila, abre-se e fecha-se como a abertura da lente de uma máquina fo- tográfica. A dilatação da pupila, mi- dríase, ocorre devido a estimulação do músculo responsável por esse efeito, que tem inervação simpática. Já a constrição, miose, ocorre por ação do músculo esfíncter da pupila, que tem inervação parassimpática. A margem pupilar se localiza na super- fície anterior do cristalino. Serve como um diafragma-lente-íris que divide o compartimento do humor aquoso em câmaras anterior e posterior. Esta úl- tima corresponde ao espaço limitado pela íris anteriormente e pelo cristali- no posteriormente. O humor aquoso é produzido no processo ciliar do corpo ciliar e drenado da câmara posterior para a câmara anterior, a qual, por sua vez, é limitada anterior- mente pela córnea, posteriormente pela íris e circunferencialmente pelas estruturas do ângulo iridocorneano. Retina é a parte do olho dos vertebra- dos responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. É como uma tela onde se pro- jetam as imagens. A retina retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos envia- dos pelo nervo óptico. É formada por um tecido fino, delicado e transpa- rente, derivado do neuroectoderma, cuja função é transformar as ondas luminosas em impulsos nervosos. As células respondem aos estímulos visuais por meio de reações fotoquími- cas. É formada por camadas quando avaliada pela microscopia óptica. A luz deve atravessá-las até atingir os fotorreceptores, cones e bastonetes. Os cones funcionam melhor com luz intensa e são responsáveis pela visão central e de cores. Já os basto- netes são mais sensíveis à luz e, por isso, têm mais eficiência com baixa lu- minosidade. Na área central da retina, há mais cones que bastonetes, entre- tanto, na fóvea-área responsável pela máxima acuidade visual- , há somente cones . Os vasos da retina são deri- vados da artéria e da veia central da retina. Após penetrar na retina, pró- ximo ao disco óptico, a artéria perde sua lâmina elástica interna e sua ca- mada muscular, transformando-se em arteríola. Entre a arteríola e a vênula, há uma rica rede capilar. Na região da fóvea não há vasos capilares e sua nutrição faz-se inteiramente pela coróide. 6SEMIOLOGIA OCULAR HORA DA REVISÃO! Você sabe como ocorre o processo de formação de imagem? No olho, a luz atravessa a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o humor vítreo e se dirige para a retina, que funciona como um fil- me fotográfico em posição invertida. O nervo óptico transmite o impulso nervo- so, provocado pelos raios luminosos, ao cérebro, que o interpreta e nos permite ver os objetos nas posições em que re- almente se encontram. Nosso cérebro reúne em uma só imagem os impulsos nervosos provenientes dos dois olhos. A capacidade do aparelho visual humano de perceber os relevos deve-se ao fato de serem diferentes as imagens que cada olho envia ao cérebro. Com somen- te um dos olhos, temos noção de apenas duas dimensões dos objetos, largura e altura. Com os dois olhos, passamos a ter noção da terceira dimensão, a pro-fundidade. A retina contém aproxima- damente 130 milhões de bastonetes e 5,5 milhões de cones, porém, só um mi- lhão de fibras ópticas sai da retina para o encéfalo. Isto porque um grande nú- mero de bastonetes e cones convergem para cada fibra óptica. Existem, contudo, diferenças importantes entre as retinas periférica e central, pois, à medida que se aproxima da fóvea, é cada vez me- nor o número de bastonetes e cones que convergem em cada fibra óptica. Isso aumenta progressivamente a acuidade visual para o centro da retina. Na porção central da retina, na fóvea, não existem bastonetes, porém, o número de fibras nervosas ópticas que deixa essa região da retina é quase igual ao de cones pre- sentes na fóvea. Isto explica o alto grau de acuidade visual na porção central da retina, em comparação com a pouca acuidade nas porções periféricas. Outra diferença entre as porções central e pe- riférica da retina é o fato de ser a porção periférica muito mais sensível a luz fraca. Isto resulta parcialmente da circunstân- cia de que até centenas de bastonetes convergem na mesma fibra nervosa óptica, nas porções mais periféricas da retina. Os sinais gerados nesses basto- netes se somam, dando uma estimula- ção mais intensa às células ganglionares periféricas. Na retina, as únicas células sensíveis a luz são as fotorreceptoras, estimuladas por determinado compri- mento de onda. A informação dos dife- rentes aspectos da percepção visual é transmitida ao córtex estriado através da via óptica (V1). Desta área, as infor- mações alcançam a área V2, onde são analisadas por várias áreas associativas, funcionalmente distintas e adjacentes aos lobos occipitais, para então aper- feiçoar as informações recebidas, que serão enviadas ao córtex temporal e/ou parietal. As informações que alcançam o córtex temporal inferior envolvem o reconhecimento de formas e cores, en- quanto as que alcançam o córtex parie- tal respondem pela interação do com- ponente visual e motor, movimento e profundidade. Esta alta complexidade do processamento visual é o que nos possibilita perceber e identificar o que vemos. A conjuntiva é uma membrana mu- cosa, transparente e fina que tem a função de proteger a superfície do olho contra agentes externos e lubrificar o globo ocular. Ela apre- senta duas porções diferentes que recebem nomes distintos. Quando recobre a parte branca do olho, ou seja, a esclera, a conjuntiva é chama- da de bulbar. No caso da porção que recobre as pálpebras, esta é deno- minada como tarsal. Nessa parte do 7SEMIOLOGIA OCULAR olho encontramos diversos vasos sanguíneos. É pertinente ressaltar que, como toda membrana mucosa, a membrana conjuntiva é formada de epitélio escamoso estratificado não queratinizado. A íris é a parte mais escura do olho, ocasionalmente colorida (olhos azuis ou verdes), e que tem uma abertura central, a pupila. Ela fica localizada logo atrás da córnea. A cor do olho da pessoa é definida pelo pigmen- to presente na íris. Ele sofre varia- ções dependendo da quantidade de melanina armazenada, o que é definido por cerca de 150 genes di- ferentes. Além de definir o tom dos olhos, a íris apresenta diversos mús- culos lisos que controlam a abertura e fechamento da pupila. A abertura varia em função inversa à luminosi- dade existente no ambiente. Assim, quanto menos luz disponível, mais a pupila dilata para um aproveitamento maior da luminosidade. O cristalino é uma estrutura de con- sistência gelatinosa e elástica que fica localizada logo atrás da pupila. Sua estrutura é convergente e fo- caliza a luz que penetra na pupila, formando imagens na retina. É o cristalino que faz o ajuste fino para o foco e a leitura, por exemplo. Esse ajuste é feito por meio da flexibili- dade da própria estrutura do cris- talino. É pertinente ressaltar que, en- tre os 40 e os 50 anos de idade, ele começa a perder essa propriedade, surgindo a presbiopia, também co- nhecida como “vista cansada”. Pos- teriormente, essa estrutura pode se tornar escura e endurecida, impedin- do a passagem da luz e constituindo a catarata. O corpo vítreo ou apenas vítreo, é uma estrutura gelatinosa e viscosa que ocupa a porção central do glo- bo ocular. Seu volume médio é de cerca de 4 ml em cada um dos olhos. Ao nascermos, o humor vítreo tem uma consistência bem densa e, com o passar do tempo, ocorre a liquefação com consequente des- colamento do mesmo. Em virtude do descolamento do vítreo passa- mos a perceber pequenas manchas no campo de visão, que comumente chamamos de moscas volantes. A coróide é a camada média do olho, que se localiza entre a esclera e a retina. Essa é uma membrana muito fina, intensamente pigmentada e vascularizada. Os vasos sanguíneos da coróide é que suprem as células da retina e da esclera com o oxigê- nio e nutrientes. Por isso, essa estru- tura da anatomia do olho é essencial para garantir a manutenção dessas duas partes e, consequentemente, o bom funcionamento da visão. O nervo óptico é composto a partir da união de fibras nervosas das cé- lulas ganglionares da retina. Essa estrutura faz a conexão do olho com o cérebro. A imagem capturada 8SEMIOLOGIA OCULAR pelos cones e bastonetes da retina é transmitida para o cérebro através dele, sendo assim, uma estrutura es- sencial para que consigamos, de fato, enxergar. A glândula lacrimal fica localizada na parte interna da pálpebra su- perior, mais ao lado do globo ocular. É responsável pela produção de lá- grimas, que umedecem a superfície ocular, nutrem a córnea e retiram substâncias estranhas que che- gam ao olho. As glândulas lacrimais não trabalham sozinhas, porque para conduzir as lágrimas são necessários os ductos lacrimais. A movimentação das pálpebras, com o piscar, faz a dis- tribuição das lágrimas pela superfície do olho. As pálpebras são consideradas ane- xos oculares. São formadas por um tecido músculo-fibroso recoberto por pele, na parte externa, e conjun- tiva, na parte interna. Sua principal função é a de distribuir as lágrimas pela superfície do olho e “limpar” a córnea. A movimentação das pál- pebras é possível graças aos múscu- los que ficam na parte superior dos olhos. Eles contraem, retraindo ou estendendo as pálpebras para abrir e fechar o olho. Este pode ser um ato voluntário ou involuntário, sen- do que, neste último caso, é uma me- dida de proteção acionada pelo orga- nismo quando um objeto se aproxima do olho, por exemplo. SE LIGA! Um edema palpebral é um acúmulo anormal de líquido nos tecidos situados na face interna da pálpebra, ge- ralmente superior, ocasionando incha- ço, por vezes impressionante, e grande dificuldade para abrir o olho. O edema palpebral pode surgir após trauma na região do olho, infecção na pálpebra ou como evolução de certas doenças, como a doença de Graves, que atinge a glân- dula tireoide e ocasiona hipertireoidismo. Figura 2. Edema palpebral. Fonte: https://www.areaof- talmologica.com/pt/Oculoplastia/edema-palpebral/ Os cílios são pequenos pelos locali- zados nas bordas externas das pál- pebras, formando uma franja prote- tora do globo ocular. Eles protegem os olhos de sujeiras ou partículas suspensas no ar, impedindo que atinjam o globo ocular. Eles também são chamados de pestanas ou celhas e ajudam a complementar de forma significativa a proteção do olho. Po- rém, dependendo do tipo de amea- ça, não se mostram muito eficazes, sendo que o fechamento das pálpe- bras tem uma ação mais efetiva. 9SEMIOLOGIA OCULAR Humor aquoso é um líqui- do com aspecto transpa- rente e incolor que contém em sua composição água e eletrólitos. Fica localizado na câmara anterior do glo- bo ocular, entre a córnea e o cristalino. Sua função é nutrir a córnea e o cris- talino, além de contribuir com a regulação da pres- são interna do globo ocu- lar, sendo essencial para manter o metabolismo nu- tricional dos olhos e a boa função óptica. A pupila corresponde a abertura central da íris. Seudiâmetro é regulável e se altera, permitindo que uma maior ou menor quan- tidade de luz penetre nas porções internas do globo ocular. A anatomia do olho é complexa e suas partes são dependentes. Assim, quando doenças oculares se manifestam, há uma al- teração das estruturas im- pedindo o bom funciona- mento do conjunto. MAPA MENTAL – ANATOMIA DO OLHO Opaca Contém Abertura central da íris Esclera Úvea Retina Humor aquoso Pápebras Pupila Glândula lacrimal Córnea Íris Cristalino Corpo vítreo Coróide Nervo óptico Conjuntiva Diâmetro regulável Inserção dos músculos extra-oculares Composta por: Formação de imagem Tecido fino e transparente Ondas luminosas Líquido transparente e incolor Função Localiza-se na câ- mara anterior do globo Anexos oculares Edema palpebral Distribui as lágrimas Membrana mucosa Lubrifica o globo ocular Melanina armazenada Abertura inversamente proporcional a luminosidade Consistência gelatinosa Ajuste fino Estrutura gelatinosa Moscas volantes Localiza-se entre a esclera e a retina Membrana muito fina Pigmentada e vascularizada União de fibras nervosas Conexão com o cérebro Meio refrativo Parte anterior Função Nutrida pelo filme lacrimal Elastina Fibras de colágeno Íris Corpo ciliar Coróide Impulsos nervosos Nutrir a córnea e o cristalino Regulação da pressão interna Nutre a córnea Localizada na pálpebra superior Deslocamento vítreo Foco Leitura Focar a luz 10SEMIOLOGIA OCULAR 3. ANAMNESE OCULAR A anamnese pode ser iniciada com o estabelecimento da queixa prin- cipal, seguida de perguntas sobre a história da moléstia atual, os ante- cedentes pessoais e os anteceden- tes familiares. Os pontos que devem ser mais enfatizados vão depender do tipo de queixa e da idade do pa- ciente. Você, na condição de médico, deve utilizar raciocínios clínicos para diagnosticar o paciente. Por exem- plo, alguns acometimentos oculares são mais prováveis em determinadas idades, e isso já lhe ajuda na busca etiológica. Vamos raciocinar ago- ra? Lactente chega acompanhado da mãe, constata-se os olhos a desviar para fora, provavelmente estamos diante de um caso de estrabismo, pois essa patologia é muito comum logo após o nascimento ou na infân- cia e não deve ser confundida com a incoordenação motora ocular, que se dá até os 3 meses de vida quando a criança não fixa os olhos corretamen- te. É importante salientar que, até aos 6 meses de idade, é normal existirem momentos de desalinhamento ocular. Já na adolescência, as causas mais comuns de diminuição da acuida- de visual são os erros de refração. A miopia tende a progredir na ado- lescência e a estabilizar-se na idade adulta. No adulto, são mais comuns as lesões de origem profissional, as dacriocistites agudas e crônicas, as conjuntivites e as uveítes. Em torno dos 40 anos, apresenta-se a dificul- dade de visão para perto, denomina- da presbiopia, a qual decorre de um envelhecimento do cristalino. Outro fator que deve ser considerado além da idade, é a profissão, uma vez que alguns tipos de trabalho favorecem o aparecimento de certas afecções. Assim, pessoas que trabalham em ambientes fechados e empoeirados têm maior tendência para apresentar blefarite e conjuntivite, enquanto as que trabalham em locais com mui- to sol apresentam pterígio com mais frequência. Trabalhadores do campo que sofrem traumatismo ocular com galhos de árvore podem desenvolver uma úlcera corneana micótica. Durante a anamnese deve ser ques- tionado o hábito alimentar do pacien- te, pois algumas afecções carenciais, como a hipovitaminose A, podem causar olho seco, úlcera de córnea, cegueira noturna e transtornos na visão cromática. Além disso, os ex- cessos de álcool etílico e de taba- co podem promover diminuição da acuidade visual por lesão des- mielinizante do nervo óptico. É im- portante que o médico fique atento também a questão ligada ao sexo, pois determinadas afecções oculares predominam em determinado sexo. Por exemplo, a doença de Leber ou a atrofia congênita do nervo óptico e a doença de Coats, anomalia vascular, ocorrem somente no sexo masculino. 11SEMIOLOGIA OCULAR SE LIGA! Você sabe diferenciar sinais e sintomas? A diferença entre sintoma e sinal é que o sinal é aquilo que pode ser percebido por outra pessoa sem o relato ou comunicação do paciente, enquanto o sintoma é a queixa relatada pelo pacien- te, mas que só ele consegue perceber. Portanto, sintomas são subjetivos, su- jeitos à interpretação do próprio pacien- te. Não entendeu ainda? Vou utilizar exemplos de sinais e sintomas com uma patologia conhecida, a catarata. Quando o paciente tem cataraca, por exemplo, ele pode apresentar a opacidade em um dos olhos, devido a progressão da do- ença. A opacidade pode ser considerada sinal, uma vez que é uma alteração que pode ser observada pelo profissional que está realizando o exame clínico. Po- demos dizer que o sintoma da catarata é a dificuldade para enxergar com nitidez . Percebe-se que os sintomas são sen- tidos pelo paciente e apenas ele pode dizer o que está sentindo. Em uma anamnese o médico deve ficar sempre atento aos sinais e sin- tomas, pois eles podem direcionar o diagnóstico. Os principais sinto- mas das afecções oculares são sen- sação de corpo estranho, queimação ou ardência, dor ocular, cefaleia, pruri- do, lacrimejamento, sensação de olho seco, xantopsia, hemeralopia, aluci- nações visuais, diminuição ou perda da visão, diplopia, fotofobia, nistagmo e escotomas. A sensação de corpo estranho pode ser relatada pelo pa- ciente como desagradável, podendo ser acompanhada de dor, cujas cau- sas são corpo estranho na córnea, na conjuntiva bulbar ou na conjuntiva palpebral; cílios invertidos, em conta- to a córnea; inflamação corneana su- perficial; abrasão corneana; e conjun- tivite. A sensação de olho seco pode ocorrer na síndrome de Sjögren, na conjuntivite crônica, na exposição da conjuntiva por mau posicionamento da pálpebra e quando há dificuldade para fechar a pálpebra corretamente em casos de paralisia facial. Quando o paciente relata dor ocular, ele não consegue localizar a dor, pois é do tipo visceral. Porém, quando sua origem é na pálpebra, ele é capaz de apontar com o dedo o local exato da dor. Esta ser determinada por infla- mação da pálpebra, dacrioadenite, celulite orbitária, abscesso, periostite, conjuntivite aguda, esclerite, episcle- rite, corpo estranho corneano, uveíte anterior, irite e iridociclite, e sinusite. A fotofobia ou sensibilidade à luz ocor- re, comumente, devido a inflamação corneana, afacia (ausência de cristali- no), irite e albinismo ocular. Algumas substâncias podem aumentar a sen- sibilidade à luz, como a cloroquina e a acetazolamida. O paciente pode che- gar até o consultório relatando visão dupla, denominada diplopia. Isso ocor- re quando o paciente sofre um desvio ocular e o olho desviado não mantém mais a fixação do objeto de interesse na fóvea, área da retina responsável pela visão central. É de extrema im- portância conhecer o momento do aparecimento da diplopia, se constan- te ou intermitente, se ocorre em certas 12SEMIOLOGIA OCULAR posições do olhar ou a determinadas distâncias, e se os dois objetos vistos são horizontais ou verticais. A cefaleia de origem ocular geral- mente é localizada na região frontal e se manifesta ao fim do dia, principal- mente após trabalhos nos quais a vi- são de perto é muito solicitada. Pode aparecer também nos processos in- flamatórios dos olhos e anexos e no glaucoma crônico simples. O nistag- mo é o movimento repetitivo rítmico dos olhos. Ele pode ser caracterizado por sua frequência (rápido ou lento), pela amplitude (amplo ou estreito), pela direção (horizontal, vertical, ro- tacional) e pelo tipo de movimento (pendular, jerk). No pendular, o movi- mento dos olhos em cada direção é igual. No jerk, há um componente len-to em uma direção e um componen- te rápido em outra. É provocado por impulsos motores irregulares para os músculos extraoculares. Pode ser causado por distúrbios oculares (es- trabismos, catarata, coriorretinite) ou por disfunções neurológicas. Cabe ressaltar que o nistagmo geralmente é acompanhado de grande redução da acuidade visual. SAIBA MAIS! A síndrome de Sjögren é um distúrbio do sistema imunológico caracterizado por olhos secos e boca seca. Nesta doença, o sistema imune do indivíduo ataca suas próprias células saudá- veis que produzem saliva e lágrimas. Geralmente, a síndrome de Sjögren ocorre junto com outras doenças, como a artrite reumatoide e o lúpus. O tratamento inclui colírios, medicamen- tos e cirurgia ocular. 4. EXAME OCULAR EXTERNO O globo ocular, devido a sua anato- mia, permite a observação de quase todas as suas estruturas, principal- mente com o auxílio de aparelhos, que cada vez estão se tornando mais so- fisticados. No entanto, sem nenhum instrumental especializado pode-se fazer um exame ocular externo que traga informações importantes, tanto para o oftalmologista quanto para o médico generalista, que deve incluí-lo em sua rotina, pois pode detectar in- clusive manifestações oculares de doenças sistêmicas. Desta forma, o exame físico do paciente oftalmológi- co deve se iniciar com o exame ocular externo que consiste, predominante- mente, na inspeção desarmada das estruturas mais anteriores do globo ocular e de seus anexos. Com o au- xílio de um foco luminoso, realiza-se a inspeção de algumas estruturas, como a posição do globo ocular, posi- ção da fenda inter-palpebral, bordas palpebrais, conjuntiva bulbar, córnea, 13SEMIOLOGIA OCULAR câmara anterior, íris, pupila, entre outras. O exame da pupila deve incluir a observação do tamanho, da forma e da posição, se há algo visível atra- vés dela, leucocoria, a pesquisa das reações direta e consensual à luz, a reação à acomodação e o “swinging test”. Este último teste é muito impor- tante para a detecção de lesões da retina ou do nervo óptico e defeitos pupilares aferentes. A palpação só é necessária se houver inflamação ou edema de pálpebra ou da re- gião lacrimal. Pode ser utilizada tam- bém quando se suspeita de glauco- ma agudo. Neste caso, deve ser feita através das pálpebras. Em todos os casos, a palpação deve ser delicada e cuidadosa. Nos casos em que houver exoftalmia pulsátil, pode ser realizada a ausculta, que permite o diagnóstico de fístula carótido-cavernosa. SAIBA MAIS! A catarata é definida como qualquer opacificação do cristalino que atrapalhe a entrada de luz nos olhos, acarretando diminuição da visão. As alterações podem incluir desde pequenas distorções visuais até a cegueira. Inúmeros fatores de risco podem provocar ou acelerar o aparecimento de catarata, incluindo medicamentos (esteroides), substâncias tóxicas (nicoti- na), doenças metabólicas (diabetes mellitus, galactosemia, hipocalcemia, hipertiroidismo, do- enças renais), trauma, radiações, dentre outros fatores. Esse processo de opacificação pode ser classificado em catarata congênita, presente ao nascimento; catarata secundária, que aparece secundariamente devido a fatores variados, tanto oculares (uveítes, tumores malig- nos intraoculares, glaucoma, descolamento de retina) quanto sistêmicos; e catarata senil, que provoca opacidade do cristalino em consequência de alterações bioquímicas relacionadas com a idade. Aproximadamente 85% das cataratas são classificadas como senis, com maior incidência na população acima de 50 anos. Figura 3. Opacificação do cristalino- catarata senil. Fonte: https://www.oticasmercadotica.com.br/noticias/ catarata-e-a-causa-principal-de-perda-visual-a-partir-dos-55-anos 14SEMIOLOGIA OCULAR 5. EXAMES DOS MOVIMENTOS OCULARES nos olhos, como, por exemplo, estra- bismo; para casos em que os olhos não conseguem fazer a convergên- cia necessária, ou seja, têm dificul- dade em focar coordenadamente; ou para casos em que um dos olhos ou ambos não tem a capacidade visual adequada. Sintomas como visão dupla, dificul- dade de concentração, cansaço, sono e dores de cabeça durante momentos de leitura, quando não associados a nenhum outro problema oftalmológi- co, podem estar ligados a dificuldade Figura 4. Movimentos binoculares e músculos responsáveis. Fonte: MOORE 7 ed. Após realizar o exame ocular exter- no, o médico deve iniciar o exame dos movimentos oculares. Os movi- mentos oculares devem ser avalia- dos tanto individualmente, quanto binocularmente. O exame de mo- tilidade ocular serve para avaliar o alinhamento ocular, bem como para fazer a avaliação da movimentação dos olhos e da musculatura extra-o- cular. Em outras palavras, o exame é utilizado para diagnosticar e indicar o tratamento adequado para os casos em que existe algum desalinhamento 15SEMIOLOGIA OCULAR de convergência dos olhos. A avalia- ção da motilidade ocular envolve testes da percepção de imagens, da visão tridimensional e pode, ainda, analisar a força muscular. Solicita-se que o paciente siga um objeto, com os dois olhos, e sempre que houver alte- ração ou diferença entre eles, proce- de-se a avaliação de cada olho indivi- dualmente. Deve-se isolar a ação de cada um dos músculos, colocando-os em seu campo de ação. As alterações são quantificadas em valores, 0 para o normal, até +4 para hiperfunção e -4 para hipofunção. Além disso, com o exame é possível avaliar o movi- mento dos olhos através da fixação do olhar em pontos diferentes. Dessa forma, avalia-se toda a musculatura extra-ocular e identifica-se possíveis alterações. Não há necessidade de nenhum tipo de preparo ou dilatação da pupila para a realização do exame. Caso o paciente faça uso de óculos ou lentes de contato de grau, estes devem ser lavados antes do exame. Em casos de estrabismo, o teste é es- sencial para identificar o grau do pro- blema e indicar o tratamento ideal. Figura 5. Músculos extrínsecos do bulbo do olho e seus movimentos. Fonte: MOORE 7 ed. Além dos métodos para realizar o exame da motilidade ocular, o médico deve dominar muito bem as funções e inervações da musculatura que 16SEMIOLOGIA OCULAR controla a região do olho para saber interpretar os resultados deste exame. O músculo oblíquo superior possui sua origem no corpo esfenóide e tem inervação pelo nervo troclear (NC IV). A principal ação do músculo oblíquo superior é o abaixamento da pupi- la na posição aduzida, promovendo o direcionamento do olhar para o pé da página quando os dois olhos estão voltados medialmente, durante leitu- ra, por exemplo. O músculo oblíquo inferior possui sua origem na parte anterior do assoalho da órbita, sen- do inervado pelo nervo oculomotor (NC III). A principal ação do múscu- lo oblíquo inferior é a elevação da pupila na posição aduzida, promo- vendo o direcionamento do olhar para o topo da página durante a conver- gência para a leitura, por exemplo. Os músculos reto superior, reto infe- rior, reto medial e reto lateral, são músculos extraoculares, com origem no anel tendíneo comum e inerva- ção pelo nervo oculomotor (NC III), sendo que o reto superior tem como função a elevação do eixo visual e rotação interna do bulbo do olho, o reto inferior tem como função o abai- xamento do eixo lateral, adução e rotação externa do bulbo do olho, o reto medial é responsável pelo mo- vimento para dentro, ou seja, adu- ção do bulbo ocular, e o reto lateral é responsável por movimentar o olho para fora, realizando a abdu- ção do bulbo do olho. O músculo levantador superior da pálpebra é um músculo extraocular que possui sua origem na asa menor do esfenoi- de, superior e anterior ao canal óptico, sendo inervado pelo nervo oculomo- tor (NC III), e sua camada profunda (M. tarsal superior) suprida por fibras simpáticas. Durante o exame físico, o médico orienta o paciente a acompanhar o movimento medial do seu dedo, tes- tando o músculo reto medial e o ner- vooculomotor, depois os movimentos inferior e superior para isolar e testar as funções dos músculos oblíquo su- perior e inferior, bem como a integri- dade do nervo troclear (NC IV), que supre o músculo oblíquo superior, e a divisão inferior do NC III, que supre o músculo oblíquo inferior. Embora as ações produzidas pelos músculos extrínsecos do bulbo do olho tenham sido analisadas indivi- dualmente, todos os movimentos exi- gem a ação de diversos músculos no mesmo olho, que se auxiliam, como sinergistas, ou se opõem, como an- tagonistas. Músculos que são sinér- gicos para uma ação podem ser an- tagonistas para outra. Por exemplo, nenhum músculo isolado pode elevar a pupila diretamente a partir da posi- ção primária, mas os dois elevadores (músculos reto superior e oblíquo in- ferior) atuam de modo sinérgico para isto. No entanto, esses músculos são antagonistas como rotadores e neu- tralizam-se mutuamente, de modo 17SEMIOLOGIA OCULAR que não há rotação quando eles atu- am juntos para elevar a pupila. Do mesmo modo, nenhum músculo iso- lado pode abaixar a pupila direta- mente a partir da posição primária. Agindo sozinhos, os dois abaixado- res, músculos oblíquo superior e reto inferior, produzem abaixamento e também têm ações opostas em ter- mos de adução-abdução e rotação medial-lateral. Mas, quando há ação simultânea destes músculos, seu si- nergismo abaixa a pupila, porque as ações antagonistas neutralizam-se. É muito importante que o médico com- preenda os mecanismos dos múscu- los oculares e saiba bem onde é a sua inervação e origem, pois lesões no lo- cal de origem do músculo ou alguma lesão em um dos nervos pode gerar distúrbios visuais. Figura 6. Músculos extrínsecos do bulbo do olho e seus movimentos . Fonte: MOORE 7 ed. MAPA MENTAL: MÚSCULO, INERVARÇÃO E MOVIMENTO Nervo abducente (NC VI) Reto superior Reto inferior Reto lateral Oblíquo inferior Oblíquo superior Reto medial Abduz o bulbo do olho Nervo oculomotor (NC III) Eleva, aduz e gira medial- mente o bulbo do olho Nervo troclear (NC IV) Abduz, abaixa e gira medial- mente o bulbo do olho Abduz, eleva e gira lateral- mente o bulbo do olho Nervo oculomotor (NC III) Nervo oculomotor (NC III) Abaixa, aduz e gira lateral- mente o bulbo do olho Aduz o bulbo do olho Nervo oculomotor (NC III) 18SEMIOLOGIA OCULAR 6. REFLEXOS PUPILARES O exame pupilar avalia a via afe- rente (axônios do nervo óptico, quiasma óptico, corpo geniculado la- teral e mesencéfalo) e a via eferen- te (vias parassimpática e simpática), assim como as fibras colinérgicas do terceiro par craniano (músculo esfíncter da pupila) e as fibras adre- nérgicas (músculo dilatador da pupi- la). Mas como realizar esse exame? Em primeiro lugar, esse exame deve ser realizado em ambiente iluminado, observando formato, tamanho e si- metria da pupila. Sempre solicitar ao paciente que fixe um objeto distante (no infinito), para diminuir o efeito da acomodação. Uma assimetria de até 1 mm no tamanho das pupilas é fi- siológica. No que se refere ao reflexo luminoso, o médico deve estar atento ao emitir a luz em um olho, observan- do a pupila do olho que está receben- do a luz (reflexo fotomotor direto) e a do olho contralateral (reflexo con- sensual), sendo que ambas devem se fechar. O teste da luz alternada compara reflexos direto e consensu- al dos dois olhos, determinando se há defeito aferente pupilar (pupila de Marcus Gunn), ou seja, a pupila se di- lata ao se mover a luz do olho normal para o afetado, ao invés de se fechar. O olhar para perto causa acomoda- ção, convergência e miose. O reflexo pupilar a luz ou reflexo fo- tomotor é um reflexo que controla o diâmetro das pupilas em resposta a intensidade da luz que incide sobre a retina dos olhos, auxiliando, desse modo, na adaptação a vários níveis de iluminação. Quanto maior a inten- sidade de luz, maior a diminuição das pupilas (miose), permitindo menor penetração de luz, enquanto menores intensidades de luz causam a amplia- ção das pupilas (midríase), permitindo a penetração de mais luz. Portanto, o reflexo pupilar regula a intensidade de luz que penetra os olhos. Quando temos dois olhos e estes encontram- -se perfeitamente conjugados, tanto em movimento quanto em adaptação ao meio e atividade, observamos que quando estimulamos com a luz um olho, existe a contração da pupila no outro olho, sendo este reflexo deno- minado consensual. SAIBA MAIS! Você sabia que o reflexo fotomotor pode ser utilizado para averiguar casos de morte encefálica? O reflexo fotomotor testa os nervos cranianos II e III. Nos exames clínicos para detectar morte encefálica as pupilas devem estarem fixas, com dilatação média ou completa, na linha média ocular e não devem apresentar qualquer resposta (contração, miose) à esti- mulação por luz forte e direta sobre elas, por pelo menos 10 segundos. O reflexo consensual deve estar ausente. Deve ser dada atenção especial a história de cirurgia oftalmológica, uso de midriáticos tópicos, atropina venosa e trauma ocular ou de face. 19SEMIOLOGIA OCULAR Figura 7. Reflexo fotomotor. Fonte: SANARFLIX Você sabe diferenciar o reflexo pu- pilar direto do indireto? Simples, o reflexo fotomotor direto é a luz que você incide diretamente em um dos olhos do paciente para que ocorra a miose, contudo, automaticamente, o outro olho também se contrai, que é justamente o reflexo fotomotor con- sensual ou indireto. Para que isso não ocorra, o examinador deve colocar a mão entre os dois olhos do paciente. Para que esse ponto fique mais cla- ro, vamos tratar da fisiologia do refle- xo pupilar direto e consensual. A via do reflexo pupilar começa nas células ganglionares fotossensíveis da retina, que conduzem informações pelo ner- vo óptico, por meio da papila óptica. O nervo óptico conecta-se ao núcleo pré-tectal do mesencéfalo superior, contornando o núcleo geniculado la- teral, na região conhecida como colí- culo superior. Este caminho é deno- minado via aferente do reflexo pupilar e é comum tanto ao reflexo pupilar direto quanto ao consensual. A par- tir do núcleo pré-tectal, os axônios se conectam bilateralmente aos neurô- nios do núcleo de Edinger-Westphal, cujos axônios se direcionam para os nervos oculomotores direito e es- querdo. Os neurônios parassimpáti- cos dos nervos oculomotores fazem sinapse com os neurônios do gânglio ciliar, que emitem pequenos nervos ciliares para inervar o músculo circular da íris, levando, finalmente, à contra- ção da pupila pelo estímulo luminoso. Portanto, a via eferente é diferente nos dois reflexos, variando, porém, somente o lado onde ocorre. 20SEMIOLOGIA OCULAR Após realizar o exame, o médico deve estar atento para os resultados encontrados. Alguns achados clíni- cos são fundamentais para realizar diagnósticos diferenciais. Vamos co- meçar com o normal das pupilas em questões clínicas, as pupilas isocóri- cas, que são aquelas que possuem o mesmo diâmetro e reagem igualmen- te à luz. As pupilas anisocóricas, por sua vez, correspondem ao estado assimétrico, ou seja, se apresentam de forma que cada pupila esteja de um tamanho. Diversos fatores podem causar esta situação, como por exem- plo, traumas sofridos em um dos he- misférios cerebrais. A midríase re- presenta a dilatação das pupilas, que pode ocorrer normalmente ou em resposta a um trauma físico, doença ou uso de drogas, ou seja, pupilas dilatadas nem sempre representam uma patologia. Algumas causas co- muns são cômodos com baixa ilumi- nação, sono, medo, efeitos colaterais de medicamentos ou uso de drogas estimulantes. Já a miose é a contra- ção da pupila, que pode ser tempo- rária ou permanente, dependendo da causa, podendo ser fisiológica ou não. Algumas causas comuns são luzes fortes, consumo de opiáceos, efei- tos colaterais de medicamentos ou envelhecimento. ACHADOS CLÍNICOS NO EXAME REFLEXO PUPILAR FONTE: https://www.picuki.com/tag/isocoricas PUPILAS ISOCÓRICAS (NORMAIS):são simétricas e reagem à luz MIOSE: ambas são retraídas, sem reação à luz PUPILAS ANISOCÓRICAS: uma dilatada e a outra contraída (assimétricas) MIDRÍASE: pupilas dilatadas 21SEMIOLOGIA OCULAR 7. ACUIDADE VISUAL O exame de acuidade visual é uti- lizado para avaliar o quanto uma pessoa é capaz de distinguir o con- torno e a forma das coisas. É impor- tante para detectar problemas de vi- são em pessoas de todas as idades. Assim, o teste de acuidade visual é o exame elementar para checar a capacidade funcional da visão. Quanto melhor o resultado, maior a habilidade de enxergar perfeitamen- te. O exame é muito comum, princi- palmente na medicina do trabalho, uma vez que serve para avaliar se o trabalhador possui algum problema na visão que ofereça riscos a ele e aos outros. Quando detecta uma função mais baixa da visão, o exame deve ser seguido por outros mais comple- xos. Estes, por sua vez, determinarão a origem do problema e como corri- gi-lo. Porém, na maioria das vezes, o uso de óculos já é suficiente para cor- rigir as alterações. Ou seja, o teste de acuidade visual é uma forma simples, rápida e barata de descobrir anoma- lias da visão. A acuidade visual para longe é me- dida através de tabelas de optótipos, com o paciente colocado a 5 metros de distância. Quando o maior optótipo da tabela não puder ser identificado pode-se diminuir a distância entre o paciente e a tabela, anotando a nova distância como numerador da fração da acuidade. Se mesmo assim o maior optótipo não for identificado verifica- -se se o paciente “conta dedos”, de- tecta movimentos de mão, identifica a localização de um foco luminoso ou percebe a luz. A medida da acuidade visual (AV) deve ser feita para cada olho, separadamente. As causas mais frequentes de diminuição da acuidade visual são as ametropias (miopia, hi- permetropia e astigmatismo). Assim, se o paciente usar óculos, deve-se realizar a medida da acuidade visual com as lentes corretoras. O valor da acuidade visual é expresso sempre através de uma fração, cujo numera- dor é a distância, em pés, do paciente à tabela, e o denominador representa a distância em que o optótipo forma um ângulo visual de 1 minuto de arco, por exemplo 20/200 ou 0,1. Se esse valor for maior com optótipos isola- dos do que com optótipos agrupados, pode-se suspeitar de ambliopia, que é uma diminuição da acuidade visual sem patologia aparente. A visão de perto é medida através de tabelas próprias e deve ser pesquisa- da mesmo em pacientes mais jovens, pois a diminuição da acuidade visual, além de indicar presbiopia, pode indi- car grandes hipermetropias, afacias e problemas de acomodação. 22SEMIOLOGIA OCULAR Do ponto de vista oftalmológico, há cegueira quando a acuidade vi- sual no melhor olho, com a melhor correção óptica, é inferior a 0,05 ou quando o campo visual é inferior a 5. Esta acuidade visual de 0,05 ou 200/400, corresponde a contar dedos à luz do dia, a 3 metros de distância. A fração que define a “cegueira le- gal” varia de país para país, sendo que no Brasil corresponde a visão inferior a 0,01. SE LIGA! Você já ouviu falar sobre a tabela de Snellen? O teste de acuidade visual pode ser feito por um oftalmolo- gista, um optometrista, um técnico em óptica ou um enfermeiro. No teste pa- drão, é usada a Tabela de Snellen que é formada por diversas linhas com letras que vão reduzindo de tamanho. A pes- soa deve conseguir ler a certa distância, o que determinará a sua acuidade visual. A tabela é marcada por dois números. O primeiro indica a distância em pés entre o quadro e o paciente, já o segundo re- presenta a fileira menor das letras que pode ser lida pelo paciente. Convencio- nou-se que a distância será de 20 pés (seis metros). Sendo assim, quando mar- cado 20/40, significa que uma pessoa deve ser capaz de enxergar a fileira 40 a 20 pés de distância. Lembrando que a visão 20/20 é a considerada normal. Figura 8. Tabela de Snellen. Fonte: Google imagens. Você sabia que o exame de acuidade visual pode diagnosticar pacientes com daltonismo? Cada placa é com- posta por um número e uma composi- ção de cores diferentes. Sendo assim, para cada uma delas é esperado um resultado, de acordo com a capacida- de de distinção das cores, de normal CATEGORIA AV MÁXIMA AV MÍNIMA CAMPO VISUAL 1 0,30 0,10 - 2 0,10 0,05 5 a 10º 3 0,05 0,02 até 5º 4 0,02 Percepção de luz 5 Ausência de percepção de luz 9 Perdas não quantificáveis Tabela 1. Classificação das Deficiências Visuais tabela. Fonte: Organização Mundial da Saúde 23SEMIOLOGIA OCULAR ao daltônico total. O teste também é capaz de excluir falsos daltônicos, isso porque o número 12, contido em uma das placas, pode ser percebido por to- dos, portadores de daltonismo ou não. Já o número 6, exposto em outro disco, não pode ser distinguido por daltôni- cos de qualquer tipo. Há um círculo em que pessoas com a visão normal en- xergam o número 74, enquanto aque- les que têm incapacidade de ver ver- melho ou verde, forma mais comum da doença, visualizam o número 21. Já os daltônicos totais não identificam número algum. Figura 9. Quadro de ishihara – teste de daltonismo. Fonte: http://www.daltonicos.com.br/daltonico/teste.html 8. PROPEDÊUTICA INSTRUMENTADA A oftalmoscopia direta ou indireta é o exame que permite a observação do fundo de olho. Apesar da oftalmosco- pia direta ser monocular, permitir so- mente a observação de pequena par- te do fundo de olho por vez, e de não permitir o exame da retina periférica, ela tem a vantagem de proporcionar um aumento maior, aproximadamente 14 vezes, e ser mais fácil para o uso de estudantes e médicos não oftalmo- logistas. Este exame permite detectar sinais de algumas afecções oculares, como glaucoma, e auxilia no controle do aparecimento de alterações oftal- mológicas em diabéticos e pacientes 24SEMIOLOGIA OCULAR com aterosclerose ou com hiperten- são arterial. Pode ser realizado de di- ferentes formas: oftalmoscopia com lâmpada de fenda, oftalmoscopia dire- ta simples e oftalmoscopia indireta. SE LIGA! Glaucoma é uma doença ocu- lar provocada essencialmente pela ele- vação da pressão intraocular, que gera lesões no nervo óptico e, como conse- quência, comprometimento visual. Se não for tratado adequadamente, pode culminar em cegueira. O glaucoma crô- nico simples ou glaucoma de ângulo aberto, que representa mais ou menos 80% dos casos, incide nas pessoas aci- ma de 40 anos e pode ser assintomático. Ele é causado por uma alteração ana- tômica na região do ângulo da câmara anterior, que impede a saída do humor aquoso e aumenta a pressão intraocular. O glaucoma congênito, forma mais rara, acomete os recém-nascidos; e o glauco- ma secundário é decorrente de enfermi- dades como diabetes, uveítes, cataratas, entre outras. Inicialmente, o tratamento é clínico e a base de colírios. Existem drogas por via oral que só são usadas em casos emergenciais. Alguns tipos de glaucoma estão associados a distúrbios que requerem tratamento específico. Cessada a causa, a pressão intra-ocu- lar regride e o problema visual desapa- rece. Portanto, a medicação oftalmoló- gica é usada por curto prazo enquanto se trata a doença de base, por exemplo, diabetes. O glaucoma crônico, tipo mais comum da doença, exige o uso cons- tante de colírios porque não tem cura. Como pode ser controlado por meio de medicação, cirurgia ou raio laser, o pa- ciente precisa ser mantido sob controle ininterruptamente. • Oftalmoscopia indireta: O médico deve colocar o paciente sentado, com as costas inclinadas para trás em aproximadamente 45°. O of- talmologista deve colocar a cabe- ça no oftalmoscópio indireto. Esta visualização também é realizada interpondo-se lentes. Neste caso, a imagem também é estereoscó- pica, sendo observado um amplo campo da retina. Este procedimen- to normalmente é feito depois de realizada a dilatação farmacológica da pupila. A duração desse exame vai de 5 a 10 min,sendo neces- sário que o paciente situe o olho em distintas posições, permitindo, assim, uma melhor observação da retina. • Biomicroscopia: consiste no exa- me do globo ocular com uma lâm- pada de fenda, a qual é compos- ta por uma fonte de iluminação e por um sistema óptico ampliador. Possibilita o exame microscópio in vitro das estruturas oculares, fa- zendo com que se possa detectar alterações que passariam desper- cebidas a olho nu, tais como pe- quenos corpos estranhos na cór- nea, distrofias corneanas, edema corneano, células inflamatórias na câmara anterior e opacificação do cristalino. Pode-se adaptar à lâmpada de fenda ou biomicros- cópio uma lente especial, munida de um prisma, que possibilita ava- liar o ângulo da câmara anterior. A 25SEMIOLOGIA OCULAR avaliação desse ângulo constitui a gonioscopia, um exame funda- mental para firmar diagnóstico de glaucoma. Outro dispositivo espe- cial, a lente de três espelhos, pos- sibilita estudar o fundo do olho e a periferia retiniana. Para realizar a biomicroscopia, o paciente deve estar sentado e com o queixo e a testa apoiados em um suporte que manterá a cabeça imóvel. Usando um biomicroscó- pio, o médico oftalmologista reali- za o exame, que é extremamente simples, indolor, não invasivo e ca- paz de diagnosticar muitas doen- ças oculares precocemente. Entre as mais comuns, estão as causa- das pelo avanço da idade como catarata, glaucoma, deslocamento da retina e degeneração macular. Todas essas patologias têm boas chances de melhora quanto an- tes forem diagnosticadas. Por isso, destaca-se a importância de re- alizar o exame de biomicroscopia com frequência. • Retinoscopia ou esquiascopia: consiste na reflexão de luz em um ponto da retina e permite, atra- vés da interpretação dos reflexos oriundos de movimentos do exa- minador, quantificar, nos diversos meridianos do olho, eventual vício de refração. A detecção de vícios de refração pode ser facilitada com a refratometria computadorizada e complementada com testes de lentes. • Retinografia: é um exame de imagem que fotografa as áreas do fundo do olho, como a reti- na, a coróide, o nervo óptico e os vasos sanguíneos. Os métodos para a realização deste exame são variados. Dentre eles destacam-se alguns, como a retinografia colori- da (simples), que consiste na foto- grafia do fundo do olho e permite a documentação de alterações na re- tina e no nervo óptico, fundamen- tal no acompanhamento de doen- ças progressivas; e a retinografia fluorescente ou angiofluoresceino- grafia, que analisa a retina, a corói- de e os vasos sanguíneos através de fotos obtidas com uma ilumina- ção especial e com uso de filtros, utilizando um contraste chamado fluoresceína que permite o estu- do de camadas diferentes dessas estruturas do fundo do olho. É uti- lizado para o acompanhamento e diagnóstico de doenças como a retinopatia diabética, degeneração macular, oclusões vasculares da retina, entre outras. • Gonioscopia: também conhecido como gonio ou análise gonioscó- pia, é um exame complementar que avalia a câmara anterior do olho, ou seja, a parte do olho entre a córnea e a íris. O exame utiliza um equipamento chamado 26SEMIOLOGIA OCULAR lâmpada de fenda e uma lente especial cônica com espelho in- clinado. O equipamento, também utilizado para fazer outros exames oftalmológicos, incide uma luz no olho do paciente, através da lente, que permite ao oftalmologista vi- sualizar a parte anterior do olho e o ângulo formado entre a íris e a córnea. • Tonometria: é a medida da pres- são ocular realizada através de diferentes tipos de tonômetros, sendo que os mais utilizados são os de aplanação. A avaliação da pressão ocular pode ser comple- mentada com testes provocati- vos de aumento da pressão ocu- lar, com o estudo da variabilidade diária, curva diária de pressão, e com o estudo da hidrodinâmica do humor aquoso. A tonometria digi- tal fornece uma informação muito grosseira relativa às diferenças de pressão entre os dois olhos, sendo, por isso, de pouca utilidade. Para a tonometria de pressão cornea- na, usa-se o tonômetro Schiõtz. Dependendo da rigidez escleral, podem-se obter resultados aci- ma ou abaixo do valor real. Já a de aplanação é a que fornece melho- res resultados. A pressão intraocu- lar é medida pela força necessária do tonômetro para aplanar a área central da córnea. Estudos epide- miológicos indicam que a pressão intraocular média situa-se entre 13 e 19 mmHg. Sua maior utilida- de é no exame de triagem e não deve ser usado para diagnóstico ou acompanhamento de pacientes com suspeita ou existência confir- mada de glaucoma. • Campimetria ocular ou exame de campo visual: o objetivo da cam- pimetria visual é avaliar se o campo de visão central e periférico estão normais ou se existem alterações em algum ponto da visão. Ou seja, a campimetria serve para detec- tar alterações na visão ou áreas do campo visual com alterações, centralmente ou na periferia. Es- tas alterações podem ser cau- sadas por diversas patologias e o médico oftalmologista pode recorrer ao exame de campime- tria para auxílio no diagnóstico ou, então, como avaliação da evolução ou eficácia do tratamento de algu- mas doenças. • Ceratometria: é a medida da curvatura da córnea e é utilizada nos astigmatismos, no cálculo de lentes de contato e de lentes intra-oculares e em avaliações pós-operatórias. A ceratometria é fundamental para adaptação de lentes de contato, pois o conheci- mento prévio da curvatura da cór- nea serve de parâmetro para a es- colha da curvatura da lente. 27SEMIOLOGIA OCULAR SE LIGA! Astigmatismo é uma imperfei- ção comum e facilmente tratável na cur- vatura do olho. A maior parte do poder de foco está ao longo da superfície fron- tal, chamada córnea. A próxima estrutu- ra envolvida na focagem é o cristalino, lente que fica atrás da íris no interior do olho. No astigmatismo, a superfície fron- tal do olho é curvada em certa direção em um olho, de forma diferente do outro. Um sintoma comum é a visão turva. Os tratamentos incluem prescrição de ócu- los ou lentes de contato. A cirurgia as- sistida por laser, como LASIK, também pode ajudar. • Paquimetria: é a medida da espes- sura da córnea, fundamental antes de cirurgias refrativas. É indicada nos casos de suspeita de glauco- ma, edema de córneas e pré-ope- ratórios de cirurgias refrativas. É um exame indolor e de rápida exe- cução. O paciente deve estar sem óculos ou lentes de contato, caso faça uso. Para sua realização é apenas necessária a instilação de uma gota de colírio anestésico e que o paciente fixe o olhar no pon- to determinado pelo médico, para que com uma sonda ultrassônica sejam feitas as medidas. • Ceratoscopia: é a avaliação da regularidade da superfície ante- rior da córnea. O exame é realiza- do com um equipamento no qual o paciente fica posicionado e olha para frente. O equipamento medirá a curvatura da córnea do paciente. O procedimento é indolor e serve para diagnosticar, principalmente, o ceratocone, mas também é in- dicado para os casos de astigma- tismo irregular, pré-operatórios de cirurgia refrativa, pré-operatório de cirurgia de catarata, para adapta- ção de lentes de contato, pós-ope- ratório de transplante de córnea, entre outros casos. SE LIGA! Ceratocone é uma enfermida- de não inflamatória que afeta a estrutura da córnea, camada fina e transparen- te que recobre toda a frente do globo ocular. A principal característica do ce- ratocone é a redução progressiva na es- pessura da parte central da córnea, que é empurrada para fora, formando uma saliência com o formato aproximado de um cone. O diagnóstico tem como base o levantamento da história clínica do pa- ciente, as queixas de perda da acuidade visual e os defeitos de refração. A avalia- ção inclui o exame na lâmpada de fenda, um aparelho que permite analisar o olho em detalhes desde a camada externa da córnea até o nervo óptico. Nasfases iniciais, quando a deformação da córnea não é grave, o uso de óculos é suficiente para recuperar a acuidade visual. No en- tanto, a medida que o ceratocone evolui, os óculos precisam ser substituídos por lentes de contato, que ajudam a ajustar a superfície anterior da córnea e a cor- rigir o astigmatismo irregular provocado pela deformidade. • Oftalmodinamometria: é a téc- nica usada para medir a pressão sanguínea na artéria oftálmica. O aparelho comprime o globo ocular pela esclera, ao mesmo 28SEMIOLOGIA OCULAR tempo em que a oftalmoscopia é realizada. A pressão diastólica da artéria central da retina cor- responde ao início das pulsações nessa artéria, e o globo ocular deve continuar sendo comprimido até o desaparecimento das pul- sações. O momento em que isso ocorre corresponde ao nível da pressão sistólica. Os níveis pressó- ricos da artéria oftálmica são, apro- ximadamente, 80% dos da artéria braquial. A maior utilidade desse exame é a avaliação da oclusão da artéria carótida ou artéria oftálmica. SAIBA MAIS! Em alguns casos, faz-se necessário a solicitação de exames de imagem para detectar lesões mais específicas. O chamado exame de ultrassonografia ocular ou ecografia ocular permite analisar mais detalhadamente todas as partes dos olhos, de modo a potencializar a precisão do diagnóstico de várias doenças que acometem a visão. O exame pode detectar uma série de doenças, principalmente quando estas envolvem opacidade dos meios oculares, como ca- taratas densas, doenças da córnea, hemorragias e inflamações intra-oculares, que impedem a visualização direta das estruturas internas do olho, sendo também uma técnica auxiliar no diagnóstico diferencial de vários tumores oculares. A tomografia de coerência óptica (OCT) é um exame complementar, não invasivo, que utiliza o princípio da refletometria óptica da luz para obter imagens precisas e de alta resolução, permitindo a avaliação de estruturas ocula- res. É um exame fundamental no diagnóstico e acompanhamento de doenças da retina, corói- de, vítreo, nervo óptico e seguimento anterior do globo ocular. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética podem ser usadas para fornecer informações detalhadas sobre as estruturas do interior do olho e da órbita, sendo estes exames usados para avaliar lesões oculares, principalmente se os médicos suspeitam de corpo estranho no olho, de tumores na órbita e nervo óptico, e de neurite óptica. 29SEMIOLOGIA OCULAR MAPA MENTAL – PROPEUDÊTICA INSTRUMENTADA Exame do globo ocular com uma lâmpada de fenda Propeudêtica intrumentalizada Biomicroscopia Retinoscopia Retinografia Gonioscopia Tonometria Oftalmoscopia direta ou indireta Oftalmodinamometria Ceratoscopia Paquimetria Ceratometria Campimetria ocular Detecta opacificação do cristalino Detecta corpos estranhos Detecção de vícios de refração Fotografa as áreas do fundo do olho Utiliza contraste, fluoresceína Áreas visualizadas Tipos Avalia pressão ocular Aumento 14x Avalia o fundo do olho Detecta Glaucoma Formas O. com lâmpada de fenda O. direta simples O. Indireta Avalia a câmara anterior do olho Utiliza lâmpada de fenda e lente Mede a pressão sanguínea na artéria oftálmica Diagnostica cetarone Avalia a regularidade da superfície anterior da córnea Medida da espessura da córnea Casos suspeitos de glaucoma Medida da curvatura da córnea Adaptação de lentes de contato Estudo da visão central Perda da visão central ou periférica Vasos sanguíneos Retina Nervo óptico Identação Aplanação Pneumotô- nometros 30SEMIOLOGIA OCULAR 9. EQUIPAMENTOS OFTALMOLÓGICOS Em oftalmologia é utilizado um vas- to conjunto de aparelhos ou equipa- mentos oftalmológicos para auxílio no diagnóstico, bem como para inter- venções e tratamentos. Figura 10. Unidade de refração. Fon- te: https://www.marcamedica.com.br/ equipo-para-refracao-oftalmologico-er-06 A unidade de refração é uma estru- tura indispensável para condicionar aparelhos de oftalmologia que ser- vem para a observação do paciente. Podem ser acoplados diversos equi- pamentos, designadamente. Figura 11. Auto-refratômetro. Fonte: https:// www.medicalexpo.com/pt/prod/reichert/pro- duct-70667-790238.html O auto-refratômetro é um equipamen- to que permite efetuar a refração de for- ma automática. Os dados de medição podem ser visualizados e os resultados podem ser impressos em uma impres- sora com corte automático de papel. Figura 12. Oftalmoscópio e Retinoscópio. Fonte: https://www.medicy.com.br/retinoscopio-welch-allyn- -18245-oftalmoscopio-led-11720l-cabo-3-5v-li- -on-71900.html 31SEMIOLOGIA OCULAR O oftalmoscópio é um aparelho que permite ao médico oftalmologista a observação do fundo do olho de uma forma direta e rápida, quando os meios ópticos são transparentes. O retinoscópio é um aparelho utilizado para verificar erros refrativos de for- ma objetiva e manual. fundo do olho, em várias ampliações. Uma fonte de luz de alta intensida- de é utilizada em simultâneo com um microscópio. O paciente permanece sentado, apoia o queixo em suporte, ficando com a cabeça imóvel, de for- ma a possibilitar a observação do glo- bo ocular em várias ampliações. Figura 14. Tonometro. Fonte: https://www.medicalex- po.com/pt/prod/icare-finland/product-70680-750214. html O tonômero é o aparelho que per- mite medir a pressão intra-ocular. Na figura ao lado podemos observar um tonômero chamado de Tono Pen que é um instrumento muito fácil de utilizar e que providencia medições precisas da pressão intra-ocular. A medição Figura 13. Lâmpada de fenda. Fonte: https://www. apramed.com.br/v4/produtos_detalhes.php?id=202 A lâmpada de fenda ou biomicros- cópio ocular é um aparelho oftalmo- lógico muito utilizado pelos médicos oftalmologistas e que permite obser- var as pálpebras, a esclera, a conjun- tiva, a córnea, a íris, o cristalino e o 32SEMIOLOGIA OCULAR da pressão intra-ocular é muito im- portante no glaucoma, nas avaliações pré-operatórias de algumas cirurgias, entre outras patologias. 10. CIRURGIAS Em alguns casos, é necessário reali- zar cirurgias para melhorar ou conter o dano oftalmológico. Dessa forma, vale ressaltar duas principais cirurgias oftalmológicas. A facectomia consis- te na extração do cristalino doente e posterior colocação de uma lente artificial em seu lugar. É tipicamente realizada em pacientes com catara- ta e opacidade do cristalino. Como é realizada? O Facoemulsificador é um moderno equipamento computadori- zado que opera a facectomia através de um pequeno orifício de 2,5 mm, onde a ponta da caneta do faco é in- troduzida no olho e emite uma ener- gia ultrassônica que emulsifica (lique- faz) o cristalino, removendo-o através de uma aspiração. A cápsula poste- rior do cristalino é deixada, na íntegra, para acomodar a lente intra-ocular, que tem o grau previamente medido através de exames. Há alguns anos atrás, devido a ausência da lente ar- tificial, o paciente tinha que usar ócu- los com lentes grossas e pesadas. Com essa técnica, os óculos só serão necessários para enxergar de perto e eventualmente para descanso da vista. A visão poderá ficar um pouco turva nos primeiros dias, melhorando bastante na primeira semana. Outra cirurgia oftalmológica é a vitrectomia, que é precedida de exames oftalmo- lógicos e seguida por uma sequência de procedimentos pré-operatórios. A internação se dá, normalmente, no dia da operação e, exceto em casos especiais, o paciente não deve se ali- mentar e nem tomar água no mesmo dia. Na maioria das vezes, a cirurgia é realizada com a aplicação de aneste- sia local e a operação é feita através de três ou quatro micro-incisões que permitem a utilização de minúsculos instrumentos como pinças, tesouras, pontas de laser e sondas. Em casos específicos, utiliza-se instrumentos de micro-calibre que dispensam os pontos no final da cirurgia. 33SEMIOLOGIA OCULAR MAPA MENTAL, VAMOSREVISAR? SEMIOLOGIA OCULAR Detecta Exame ocular externo Acuidade visual Propedêutica instrumentalizada Exames dos movimentos oculares Reflexos pupilares Anamnese Equipamentos Identifica manifestações de doenças sistêmicas Análise dos músculos oculares Isolar a ação de cada um dos músculos Desalinhamento nos olhos Desvios oculares Alterações das pálpebras Isocóricas Anisocóricas Midríase Miose Fotorreagentes Avalia Exame mais elementar Utilizado pela medicina do trabalho Via aferente Via eferente XX Queixa principal Antecedentes familiares História da moléstia atual Profissão Idade e sexo Antecedentes pessoais Campimetria ocular Gonioscopia Retinografia Biomicroscopia Oftalmoscopia direta ou indireta Tonometria Paquimetria Oftalmodinamometria Retinoscopia Ceratoscopia Ceratometria Oftalmoscópio Retinoscópio Tonometro Lâmpada de fenda Auto-refratômetro Observação do fundo do olho Verifica erros refrativos Permite medir a pressão intra-ocular Permite observar as pálpebras, a esclera, a conjuntiva, a córnea, a íris, o cristalino e o fundo ocular Efetua a refração de forma automática Unidade de refração Condicionar aparelhos de oftalmologia 34SEMIOLOGIA OCULAR REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SAMPAIO, Filipe A. et al. Detecção e Segmentação Automática de Estruturas em Imagens de Exames Oftalmológicos. In: Anais da VII Escola Regional de Computação Aplicada à Saú- de. SBC, 2019. p. 73-78. PORTO, Celmo Celeno. Semiologia médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c2009. MARTINS, Mílton de Arruda, et al. (Ed.). Clínica médica, volume 6 : Doenças dos olhos, do- enças dos ouvidos, nariz e garganta, neurologia, transtornos mentais. Barueri: Manole, 2009. 35SEMIOLOGIA OCULAR