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Embriologia do hipotálamo e da hipófise ↠ A parte caudal (posterior) do prosencéfalo é o diencéfalo ↠ Três intumescências se desenvolvem nas paredes laterais do terceiro ventrículo, que se tornam o tálamo, o hipotálamo e o epitálamo. O tálamo é separado do hipotálamo pelo sulco hipotalâmico ↠ O hipotálamo se origina pela proliferação de neuroblastos na zona intermediária das paredes diencefálicas, ventral ao sulco hipotalâmico. Posteriormente, desenvolve-se um número de núcleos envolvidos em atividades endócrinas e homeostase. Um par de núcleos forma intumescências (corpos mamilares) na superfície ventral do hipotálamo ↠ A hipófise tem origem ectodérmica e se desenvolve de duas fontes: ➢ O desenvolvimento do teto ectodérmico de estomodeu, o divertículo hipofisário (bolsa de Rathke); ➢ Uma invaginação do neuroectoderma do diencéfalo, o divertículo neuro-hipofisário. ORIGEM DA HIPÓFISE DERIVAÇÃO TIPO DE TECIDO PARTE LOBO Ectoderma Oral – Divertículo hipofisário do teto do estomodeu Adeno- hipófise (tecido glandular) Parte anterior Parte tuberal Parte intermédia Lobo anterior Neuroectoderma – Divertículo neuro- hipofisário do assoalho do diencéfalo Neuro- hipófise (tecido nervoso) Parte nervosa Tronco infundibular Eminência mediana Lobo posterior ↠ Essa origem dupla explica porque a hipófise é composta por dois tipos diferentes de tecidos ➢ A adeno-hipófise (tecido glandular), ou lobo anterior, desenvolve-se a partir do ectoderma oral. ➢ A neuro-hipófise (tecido nervoso), ou lobo posterior, desenvolve-se a partir do neuroectoderma. ↠ Na terceira semana, o divertículo hipofisário se projeta do teto do estomodeu e fica adjacente ao assoalho (parede ventral) do diencéfalo ↠ Pela quinta semana, o divertículo é alongado e sofre constrição em sua ligação ao epitélio oral. Nesse estágio, ele entra em contato com o infundíbulo (derivado do divertículo neuro-hipofisário), uma invaginação ventral do diencéfalo ↠ O pedúnculo do divertículo hipofisário passa entre os centros de condrificação dos ossos pré-esfenoide e basisfenoide do crânio em desenvolvimento ↠Durante a sexta semana, a conexão do divertículo com a cavidade oral se degenera. As células da parede anterior do divertículo hipofisário se proliferam e originam a parte anterior da hipófise. Posteriormente, uma extensão, a parte tuberal, cresce ao redor do infundíbulo. A proliferação extensa da parede anterior do divertículo hipofisário reduz sua luz para uma fenda estreita ↠A fenda residual usualmente não é reconhecível na hipófise em adultos; entretanto, pode ser representada por uma zona de cistos ↠ Células na parede posterior da bolsa hipofisária não proliferam; originam uma parte intermediária delgada e mal definida ↠ A parte da hipófise que se desenvolve do neuroectoderma (divertículo neuro-hipofisário) é a neuro-hipófise. O infundíbulo origina a eminência mediana, o tronco infundibular e a parte nervosa ↠ Inicialmente, as paredes do infundíbulo são delgadas, mas a extremidade distal do infundíbulo logo se torna sólida conforme as células neuroepiteliais proliferam. Essas células posteriormente se diferenciam em pituicitos, as células principais do lobo posterior da hipófise, que estão intimamente relacionadas com as células neurogliais. As fibras nervosas se desenvolvem na parte nervosa da área hipotalâmica, à qual o tronco infundibular está ligado ↠Ela tem origem embriológica dupla: nervosa e ectodérmica. A porção de origem nervosa se desenvolve pelo crescimento do assoalho do diencéfalo em direção caudal, e a porção ectodérmica da hipófise se desenvolve a partir de um trecho do ectoderma do teto da boca primitiva que cresce em direção cranial, formando a bolsa de Rathke. Uma constrição na base dessa bolsa acaba separando-a da cavidade bucal. Ao mesmo tempo, a parede anterior da bolsa de Rathke se espessa, diminuindo o tamanho da cavidade da bolsa, que se torna reduzida a uma pequena fissura. A porção originada do diencéfalo mantém continuidade com o sistema nervoso, constituindo o pedículo da glândula Morfologia do hipotálamo e da hipófise ANATOMIA DO HIPOTÁLAMO ↠ O hipotálamo é parte do diencéfalo e se dispõe nas paredes do III ventrículo, abaixo do sulco hipotalâmico, que o separa do tálamo ↠ Lateralmente é limitado pelo subtálamo, anteriormente pela lâmina terminal e posteriormente pelo mesencéfalo. Apresenta também algumas formações anatômicas visíveis na face inferior do cérebro: o quiasma óptico, o túber cinéreo, o infundíbulo e os corpos mamilares ↠ Trata-se de uma área muito pequena, mas apesar disso, o hipotálamo, por suas inúmeras e variadas funções, é uma das áreas mais importantes do sistema nervoso DIVISÕES E NÚCLEOS DO HIPOTÁLAMO ↠ O hipotálamo é constituído fundamentalmente de substância cinzenta que se agrupa em núcleos, às vezes de difícil individualização. Percorrendo o hipotálamo, existem, ainda, sistemas variados de fibras, alguns muito conspícuos, como o fórnix. Este percorre de cima para baixo cada metade do hipotálamo, terminando no respectivo corpo mamilar. O fómix permite dividir o hipotálamo em uma área medial e outra lateral ↠ A área medial do hipotálamo, situada entre o fórnix e as paredes do III ventrículo, é rica em substância cinzenta e nela se localizam os principais núcleos do hipotálamo. A área lateral, situada lateralmente ao fórnix, contém menos corpos de neurônios e nela há predominância de fibras de direção longitudinal. A área lateral do hipotálamo é percorrida pelo feixe prosencefálico medial ↠ Ele é composto por cerca de doze núcleos agrupados em quatro regiões principais • A região mamilar (área hipotalâmica posterior), Os corpos mamilares funcionam como estações de transmissão para reflexos relacionados com o olfato. • A região tuberal (área hipotalâmica intermédia), a maior porção do hipotálamo, inclui os núcleos dorsomedial, ventromedial e arqueado, além do infundíbulo, que conecta a hipófise com o hipotálamo. • A região supraóptica (área hipotalâmica rostral) está situada acima do quiasma óptico (ponto de cruzamento dos nervos ópticos) e contém os núcleos paraventricular, supraóptico, hipotalâmico anterior e supraquiasmático. • A região pré-óptica, anterior à região supraóptica, é geralmente considerada como parte do hipotálamo porque ela participa, junto com ele, na regulação de atividades autônomas. ANATOMIA DA HIPÓFISE ↠ A glândula hipófise é uma estrutura em forma de ervilha com 1 a 1,5 cm de diâmetro e que se localiza na fossa hipofisial da sela turca do esfenoide ↠ A hipófise ou pituitária é um pequeno órgão que pesa cerca de 0,5 g no adulto ↠ Fixa-se ao hipotálamo por um pedículo, o infundíbulo, e apresenta duas partes anatômica e funcionalmente separadas: a adeno-hipófise (lobo anterior) e a neuro- hipófise (lobo posterior) A hipófise lembra um taco de golfe: a própria glândula forma a cabeça do taco, e o pedículo hipofisário, chamado infundíbulo (“funil”), forma a haste do taco. O infundíbulo conecta-se superiormente a uma parte do hipotálamo chamada túber cinéreo, situada entre o quiasma óptico, anteriormente, e os corpos mamilares, posteriormente ↠ A adeno-hipófise representa cerca de 75% do peso total da glândula e é composta por tecido epitelial. No adulto, a adeno-hipófise consiste em duas partes: a parte distal, que é a porção maior, e a parte tuberal que forma uma bainha ao redor do infundíbulo ↠ A neuro-hipófise é composta por tecido neural. Também consiste em duas partes: a parte nervosa, a porção bulbosa maior, e o infundíbulo ↠ Uma terceira região da glândula hipófise, chamada de parte intermédia, atrofia-se durante o desenvolvimento fetal humano e deixa de existir como um lobo separado nos adultos. Entretanto,algumas de suas células migram para partes adjacentes da adeno-hipófise, onde persistem CONEXÕES COM A NEURO-HIPÓFISE O feixe hipotálamo-hipofisário é uma via nervosa constituída pelos axónios, que se estendem desde o hipotálamo, pelo infundíbulo, até à neurohipófise. Nos neurônios magnocelulares hipotalâmicos, localizados no corpo celular, ocorre no retículo endoplasmático a síntese da pré e pró-hormona da hormona anti-diurética (ADH) e da ocitocina O hipotálamo tem apenas conexões eferentes com a hipófise, que são feitas através dos tratos hipotálamo- hipofisário e túberoinfundibula ➢ Trato hipotálamo-hipofisário: é formado por fibras que se originam nos neurônios grandes (magnocelulares) dos núcleos supraóptico e paraventricular e terminam na neuro-hipófise. As fibras deste trato, que constituem os principais componentes estruturais da neuro-hipófise, são ricas em neurossecreção, transportando os hormônios vasopressina e ocitocina; ➢ Trato túbero-infundibular (ou túbero-hipofisário): é constituído de fibras que se originam em neurônios pequenos (parvicelulares) do núcleo arqueado e em áreas vizinhas do hipotálamo tuberal e terminam na eminência mediana e na haste infundibular. Essas fibras transportam os hormônios que ativam ou inibem as secreções dos hormônios da adeno-hipófise HISTOLOGIA DA HIPÓFISE ↠ A glândula é revestida por uma cápsula de tecido conjuntivo, contínua com a rede de fibras reticulares que suporta as células do órgão ADENO- HIPÓFISE PARS DISTALIS (LOBO ANTERIOR) ↠ A pars distalis representa em torno de 75% da massa da hipófise. É formada por cordões e ilhas de células epiteliais cuboides ou poligonais produtoras de hormônios ↠ Os hormônios produzidos pelas células secretoras são armazenados em grânulos de secreção. Há na pars distalis um tipo de célula que se supõe não ser secretora. São as células foliculoestelares, que constituem cerca de 10% das células dessa região da adeno-hipófise. Elas têm muitos prolongamentos, os quais estabelecem contato com outras células do mesmo tipo por meio de junções intercelulares: desmossomos e junções comunicantes A função dessas células, que estabelecem redes em torno das células secretoras, ainda não é totalmente conhecida ↠ Entre os cordões e ilhas de células há muitos capilares sanguíneos (que pertencem ao plexo capilar secundário do sistema porta-hipofisário). Os poucos fibroblastos dessa região produzem fibras reticulares que sustentam os cordões de células CÉLULAS SECRETORAS DA PARS DISTALIS A pars distalis secreta vários hormônios, fatores de crescimento e citocinas. Pelo menos seis importantes hormônios são produzidos, porém só três tipos de células costumam ser reconhecidos por colorações rotineiras ↠ Essas células são classificadas em cromófobas (pouco coradas) e cromófilas (contêm grânulos bem corados) ↠ As células cromófilas são constituídas de dois subtipos, as acidófilas e as basófilas, de acordo com sua afinidade por corantes ácidos ou básicos As células acidófilas podem ser ainda subdivididas em dois grupos, com base nas características citoquímicas e ultraestruturais espaciais. Um grupo denominado somatotropos, produz o hormônio do crescimento; o outro grupo de células acidófilas, denominadas lactotropos, produz a prolactina (PRL) Os grupos de células basófilas também podem ser distinguidos com o microscópio eletrônico e com procedimentos citoquímicos especiais. Um grupo de tireotropos produz o hormônio tireoestimulante (TSH); outro grupo de gonadotropos produz os hormônios gonadotrópicos, o hormônio foliculoestimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH); e um terceiro grupo de corticoropos produz o hormônio adrenocorticotrópico e o hormônio lipotrópico ↠As células cromófobas têm poucos grãos (ou nenhum) de secreção e são mais difíceis de serem reconhecidas que as células cromófilas. É possível que algumas das cromófobas sejam células cromófilas degranuladas ou que possam ser células-tronco da adeno-hipófise, pois se sabe que há renovação celular nessa glândula ↠ É possível distinguir cinco tipos principais de células secretoras, sendo que quatro tipos produzem um único hormônio cada, e um tipo (células gonadotrópicas) produz dois CÉLULAS SECRETORAS DA PARS DISTALIS DA HIPÓFISE E SEUS HORMÔNIOS CÉLULA PROPORÇÃO APROXIMADA (%) HORMÔNIO PRODUZIDO Somatotrópica 50 Hormônio do crescimento ou somatotropina (GH) Mamatrópica ou Iactotrópica 15 Prolactina (PRL) Gonadotrópica 10 Hormônio foluculoestimulante (FSH) e Hormônio luteinizante (LH) Tireotrópica 5 Hormônio estimulante da tireoide ou tireotropina (TSH) Corticotrópica 15 Produtos da clivagem do pró- opiomelanocortina (POMC): hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e hormônio melanotrópico (alfa- MSH) CONTROLE FUNCIONAL DA PARS DISTALIS O padrão de secreção de vários hormônios produzidos na pars distalis não é contínuo, porém pulsátil, por picos de secreção. Além disso, a secreção de vários deles obedece a um ritmo circadiano, isto é, varia nas diferentes horas do dia e da noite As atividades das células da pars distalis são controladas por vários mecanismos. Um deles é representado por hormônios peptídicos produzidos pelos agregados de células neurossecretoras dos núcleos dorsomediano, dorsoventral e infundibular do hipotálamo. Esses hormônios são armazenados nos terminais axônicos situados na eminência mediana e, após sua liberação, são transportados à pars distalis pelo plexo capilar, também situado na eminência mediana PARS TUBERALIS ↠ A pars tuberalis é uma região em forma de funil que cerca o infundíbulo da neuro-hipófise. É uma região importante em animais que mudam seus hábitos em função da estação do ano (p. ex., animais que hibernam) por meio do controle da produção de prolactina PARS INTERMEDIA ↠ A pars intermedia, que se localiza na porção dorsal da antiga bolsa de Rathke, em humanos adultos é uma região rudimentar composta de cordões e folículos de células fracamente basófilas que contêm pequenos grânulos de secreção NEURO-HIPÓFISE Já a neuro-hipófise, que constitui cerca de 20% da glândula, não tendo função produtora, assegura o armazenamento e libertação das hormonas hipotalâmicas: oxitocina e hormona antidiurética ↠ A neuro-hipófise consiste na pars nervosa e no infundíbulo. A pars nervosa, diferentemente da adeno- hipófise, não contém células secretoras. Apresenta um tipo específico de célula glial muito ramificada, chamada pituícito ↠ O componente mais importante da pars nervosa é formado por cerca de 100 mil axônios não mielinizados de neurônios secretores cujos corpos celulares estão situados nos núcleos supraópticos e paraventriculares ↠ Os neurônios secretores têm todas as características de neurônios típicos, inclusive a habilidade de liberar um potencial de ação, mas têm corpos de Nissl muito desenvolvidos relacionados com a produção de neurossecreção ↠ A neurossecreção (que pode ser observada por colorações especiais, como a hematoxilina crômica de Gomori) é transportada ao longo dos axônios e se acumula nas suas extremidades, situadas na pars nervosa. Seus depósitos formam estruturas conhecidas como corpos de Herring, visíveis ao microscópio de luz ↠ Quando os grânulos são liberados, a secreção entra nos capilares sanguíneos fenestrados que existem em grande quantidade na pars nervosa, e os hormônios são distribuídos pela circulação geral ↠ Essa neurossecreção armazenada na pars nervosa consiste em dois hormônios, ambos peptídios cíclicos compostos de nove aminoácidos. A composição de aminoácidos desses dois hormônios é ligeiramente diferente, resultando em funções muito diferentes ↠ Cada um desses hormônios – a ocitocina e a vasopressina -arginina, também chamada hormônio antidiurético(ADH) – é unido a uma proteína chamada neurofisina. O complexo hormônio neurofisina é sintetizado como um único longo peptídio, e por proteólise há a liberação do hormônio de sua proteína de ligação ↠Embora haja alguma sobreposição, as fibras de núcleos supraópticos estão relacionadas principalmente com a secreção de vasopressina, enquanto a maioria das fibras dos núcleos paraventriculares está envolvida com a secreção de ocitocina Comparação do controle exercido pelos sistemas nervoso e endócrino ↠ Os sistemas nervoso e endócrino atuam juntos para coordenar funções de todos os sistemas do corpo. O sistema nervoso atua por meio de impulsos nervosos (potenciais de ação) conduzidos ao longo dos axônios dos neurônios. Nas sinapses, os impulsos nervosos desencadeiam a liberação de moléculas mediadoras (mensageiras) chamadas de neurotransmissores ↠ O sistema endócrino também controla atividades corporais por meio da liberação de mediadores, chamados hormônios, porém os meios de controle dos dois sistemas são bastante diferentes ↠ Um hormônio é uma molécula mediadora liberada em alguma parte do corpo que regula a atividade celular em outras partes do corpo. A maioria dos hormônios entra no líquido intersticial e, depois, na corrente sanguínea. O sangue circulante leva hormônios às células de todo o corpo. Tanto os neurotransmissores quanto os hormônios exercem seus efeitos ligando-se a receptores encontrados nas suas “células-alvo” Inúmeros mediadores atuam tanto como neurotransmissor quanto como hormônio. Um exemplo comum é a norepinefrina, que é liberada como neurotransmissor pelos neurônios pós-ganglionares simpáticos e como hormônio pelas células cromafins da medula da glândula suprarrenal ↠ Muitas vezes, as respostas do sistema endócrino são mais lentas que as respostas do sistema nervoso; embora alguns hormônios ajam em segundos, a maioria demora alguns minutos ou mais para produzir uma resposta. Em geral, os efeitos da ativação pelo sistema nervoso são mais breves que os do sistema endócrino. O sistema nervoso atua em glândulas e músculos específicos. A influência do sistema endócrino é muito mais ampla; ajuda a regular praticamente todos os tipos de células do corpo Sistema Hipotálamo-Hipofisário Por muitos anos, a glândula hipófise foi chamada de glândula endócrina “mestra” porque secreta vários hormônios que controlam outras glândulas endócrinas. Hoje, sabemos que a hipófise propriamente dita tem um mestre – o hipotálamo. Essa pequena região do encéfalo abaixo do tálamo é a principal conexão entre os sistemas nervoso e endócrino. As células no hipotálamo sintetizam, pelo menos, nove hormônios diferentes e a hipófise secreta sete. Juntos, esses hormônios desempenham funções importantes na regulação de praticamente todos os aspectos do crescimento, desenvolvimento, metabolismo e homeostasia ↠ Há no sistema hipotálamo-hipofisário pelo menos três locais em que são produzidos diferentes grupos de hormônios: ➢ Peptídios produzidos por agregados de neurônios secretores situados no hipotálamo, nos núcleos supraópticos e paraventriculares. Os hormônios produzidos nos corpos celulares desses neurônios são transportados ao longo dos seus axônios e acumulados nas terminações destes axônios, situadas na pars nervosa da neuro-hipófise. Quando estimulados, esses neurônios liberam a secreção, que se difunde pelo meio extracelular e entra em capilares sanguíneos da neuro- hipófise. Esses capilares originam vênulas e veias que acabam distribuindo os hormônios pelo corpo ➢ Peptídios produzidos por neurônios secretores dos núcleos dorsomediano, dorsoventral e infundibular do hipotálamo. Esses hormônios são levados ao longo dos axônios até suas terminações na eminência mediana, onde são armazenados. Quando liberados, os hormônios entram nos capilares que formam o plexo capilar primário na eminência mediana e são transportados para a pars distalis por vasos que comunicam o plexo capilar primário com o plexo secundário. Esses hormônios controlam a secreção de hormônios da pars distalis ➢ Proteínas e glicoproteínas produzidas por células da pars distalis. Esses hormônios entram nos vasos que formam o segundo trecho do sistema porta-hipofisário, o plexo capilar secundário. Deste plexo são transportados por veias e distribuídos pela circulação sanguínea. A ocitocina é produzida principalmente pelos neurônios paraventriculares, e o hormônio antidiurético (ADH) é produzido principalmente pelos neurônios supra-ópticos SISTEMA PORTA HIPOFISÁRIO ↠ A pars distalis é responsável pela secreção de hormônios que controlam outros órgãos endócrinos importantes. Para entender bem o controle da secreção de hormônios pela pars distalis é necessário conhecer o suprimento sanguíneo da hipófise como um todo O sangue arterial chega à hipófise através de dois ramos da artéria carótida interna, uma das grandes artérias que fornecem sangue para o encéfalo as artérias hipofisárias superiores, direita e esquerda e as artérias hipofisárias inferiores, direita e esquerda A artéria hipofisária superior irriga a adeno-hipófise e o infundíbulo, enquanto a artéria hipofisária inferior irriga a parte nervosa da neuro- hipófise mas enviam alguns ramos para o pedículo da hipófise. As veias dos amplos leitos capilares na hipófise drenam sangue para o seio cavernoso e para outros seios da dura-máter vizinhos ↠ No infundíbulo as artérias hipofisárias superiores formam um plexo capilar primário, cujas células endoteliais são fenestradas. Os capilares do plexo primário se reúnem para formar vênulas e pequenos vasos que se encaminham para a pars distalis, onde se ramificam novamente, formando um extenso plexo capilar secundário ↠ Na adenohipófise, as veias porto-hipofisárias se dividem e formam o plexo secundário do sistema porta hipofisário ↠ Há, portanto, dois sistemas venosos em cascata, o que caracteriza um sistema porta, denominado sistema porta hipofisário. O suprimento sanguíneo da pars distalis é feito, portanto, de sangue vindo principalmente do infundíbulo através do sistema porta-hipofisário e em escala muito menor de alguns ramos das artérias hipofisárias inferiores ↠ Através desse sistema vascular, vários neuro- hormônios produzidos no hipotálamo são levados diretamente do infundíbulo à pars distalis, controlando a função de suas células. O sangue venoso desse sistema sai por diversas veias hipofisárias Os hormônios da adeno-hipófise viajam até os tecidos- alvo ao longo do corpo. Os hormônios da adeno-hipófise que atuam em outras glândulas endócrinas são chamados de hormônios tróficos ou trofina ↠ As artérias hipofisárias superiores, ramos das artérias carótidas internas, levam sangue para o hipotálamo ↠ Acima do quiasma óptico há grupos de neurônios especializados chamados de células neurossecretoras CONTROLE DA LIBERAÇÃO HORMONAL A síntese e a liberação da maioria dos hormônios são reguladas por algum tipo de sistema de retroalimentação (feedback) negativa. Neste tipo de sistema, a secreção do hormônio é desencadeada por um estímulo interno ou externo. À medida que os níveis do hormônio aumentam, eles produzem seus efeitos no órgão-alvo e inibem a liberação adicional do hormônio. Como resultado, os níveis sanguíneos da maioria dos hormônios variam apenas dentro de uma estreita faixa As glândulas endócrinas são estimuladas a produzir e liberar seus hormônios por três principais tipos de estímulos: humoral, neural e hormonal ESTÍMULOS HUMORAIS ↠ Algumas glândulas endócrinas secretam seus hormônios diretamente em resposta a modificações nos níveis sanguíneos de certos íons e nutrientes importantes. Estes estímulos são chamados de humorais para distingui-los dos estímulos hormonais, os quais também são substâncias químicaspresentes no sangue O termo humoral recupera o antigo uso do termo humor, que se refere aos diversos líquidos do corpo (sangue, bile e outros). Este é o mais simples dos sistemas de controle endócrino. Por exemplo, as células das glândulas paratireóides monitoram os níveis sanguíneos de Ca+2 e quando detectam valores abaixo do normal, elas secretam o hormônio paratireoidiano ou paratormônio (PTH). Como o PTH age por diversas vias para reverter esta diminuição, os níveis sanguíneos de Ca logo se elevam, e acaba o estímulo para a liberação do PTH. +2 Outros hormônios liberados em resposta a estímulos humorais incluem a insulina, produzida no pâncreas, e a aldosterona, um dos hormônios do córtex da supra-renal ESTÍMULOS NEURAIS ↠ Em alguns casos, fibras nervosas estimulam a liberação de hormônios O exemplo clássico de estímulo neural é a estimulação da medula da glândula supra-renal pelo sistema nervoso simpático para liberar catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) durante períodos de estresse ESTÍMULOS HORMONAIS ↠ Muitas glândulas endócrinas liberam seus hormônios em resposta a hormônios produzidos por outros órgãos endócrinos, e os estímulos nestes casos são chamados de estímulos hormonais Por exemplo, a liberação da maioria dos hormônios da hipófise anterior é regulada por hormônios liberadores e inibidores produzidos pelo hipotálamo, e muitos hormônios da hipófise anterior, por sua vez, estimulam outros órgãos endócrinos a liberarem seus hormônios. À medida que os níveis sanguíneos dos hormônios produzidos na glândula-alvo final aumentam, eles inibem a liberação dos hormônios da hipófise anterior e, consequentemente, sua própria liberação Esta alça de retroalimentação hipotálamo-hipófise- órgão endócrinoalvo está no cerne da endocrinologia. Os estímulos hormonais promovem uma liberação rítmica de hormônios, com um padrão específico de aumento e diminuição dos níveis sanguíneos hormonais Embora estes três mecanismos representem a maioria dos sistemas que controlam a liberação dos hormônios, eles não são, de forma alguma, válidos para todos os hormônios nem são mutuamente exclusivos, e alguns órgãos endócrinos podem responder a múltiplos estímulos ALÇAS DE RETROALIMENTAÇÃO ↠ As vias nas quais os hormônios da adeno-hipófise atuam como hormônios tróficos estão entre os reflexos endócrinos mais complexos, uma vez que envolvem três centros integradores: o hipotálamo, a adeno-hipófise e o alvo endócrino do hormônio hipofisário ↠ A retroalimentação nessas vias segue um padrão diferente. Em vez de a resposta agir como um sinal de retroalimentação negativa, os próprios hormônios são o sinal de retroalimentação ↠ Nos eixos hipotálamo-adeno-hipófise, a forma dominante de retroalimentação é a retroalimentação negativa de alça longa, em que o hormônio secretado pela glândula endócrina periférica “retroalimenta” a própria via inibindo a secreção dos seus hormônios hipotalâmicos e adeno-hipofisário Em vias com dois ou três hormônios em sequência, o hormônio seguinte na sequência normalmente retroalimenta para suprimir o(s) hormônio(os) que controla(m) a sua secreção. A grande exceção à via de retroalimentação negativa de alça longa são os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, em que a retroalimentação é alternada entre positiva e negativa ↠ Alguns hormônios da hipófise também exibem retroalimentação negativa de alça curta e ultracurta. Em uma retroalimentação negativa de alça curta, o hormônio da hipófise retroalimenta a via, diminuindo a secreção hormonal pelo hipotálamo. A prolactina, o GH e o ACTH apresentam retroalimentação negativa de alça curta. Também pode haver retroalimentação de alça ultracurta na hipófise e no hipotálamo, onde um hormônio atua como um sinal autócrino ou parácrino para influenciar a célula que o secreta. As vias de retroalimentação de alça curta são normalmente secundárias às vias de alças longas que são mais significantes No sistema endócrino, sensores detectam uma alteração no nível dos hormônios e ajustam a sua secreção, de modo que os níveis corporais sejam mantidos dentro de uma variação adequada. Quando os sensores detectam uma diminuição nos níveis hormonais, iniciam alterações que causam aumento na produção de hormônios. Quando os níveis hormonais aumentam acima do ponto de ajuste do sistema, os sensores ocasionam uma diminuição na produção e na secreção dos hormônios. Por exemplo, quando os sensores no hipotálamo ou na adeno-hipófise detectam um aumento no hormônio tireóideo, isso causa uma redução na secreção de TSH e subsequente diminuição na produção do hormônio tireóideo pela tireoide. Também ocorre o controle por feedback positivo, mas este ainda é pouco compreendido. No controle por feedback positivo, a elevação dos níveis de um hormônio faz outra glândula liberar um hormônio que estimula o primeiro. Um exemplo desse sistema é o do hormônio feminino ovariano estradiol. O aumento da produção de estradiol durante o estágio folicular do ciclo menstrual causa um aumento na produção de gonadotrofina (FSH) pela hipófise anterior; isso estimula aumentos adicionais nos níveis de estradiol até ocorrer a degeneração do folículo, que é a fonte do estradiol, resultando em uma queda nos níveis de gonadotrofina. Durante trabalho de parto, o hormônio ocitocina estimula as contrações do útero que, por sua vez, estimulam ainda mais a liberação de ocitocina, um efeito de feedback positivo HORMONIOS DA ADENO-HIPÓFISE ↠ Foram identificados seis distintos hormônios adeno- hipofisários, todos eles protéicos. Além disso, uma grande molécula com o nome de pró-opiomelanocortina (POMC) foi isolada da hipófise anterior. A POMC é um pró- hormônio, isto é, uma grande molécula precursora que pode ser enzimaticamente clivada formando um ou mais hormônios ativos ↠ A POMC dá origem ao hormônio adrenocorticotrófico, a dois opióides naturais e ao hormônio estimulante dos melanócitos (MSH) Nos humanos e em outros animais, o MSH é um neurotransmissor do SNC envolvido no controle do apetite. Embora sejam encontrados baixos níveis de MSH no plasma, seu papel sistêmico ainda não está bem compreendido ↠ Quando a adeno-hipófise recebe um estímulo químico adequado do hipotálamo, um ou mais hormônios são liberados por algumas de suas células. Embora muitos hormônios diferentes passem do hipotálamo para o lobo anterior, cada célula-alvo no lobo anterior distingue a mensagem direcionada para ela e responde da mesma forma - secretando o hormônio apropriado em resposta a hormônios liberadores específicos e interrompendo a liberação hormonal, em resposta a hormônios inibitórios específicos ↠ A adeno-hipófise é uma glândula endócrina muito importante que secreta não um, mas seis hormônios fisiologicamente importantes: prolactina (PRL), tireotrofina (TSH), adrenocorticotrofina (ACTH), hormônio do crescimento (GH), hormônio folículo- estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH) ↠ Dos seis hormônios da adeno-hipófise, somente a prolactina atua sobre um alvo não-endócrino (a mama). Os cinco hormônios remanescentes possuem outra glândula ou célula endócrina como um de seus alvos. Os hormônios que controlam a secreção de outros hormônios são denominados hormônios tróficos HORMÔNIOS DA NEURO-HIPÓFISE E HIPOTÁLAMO ↠ Embora não sintetize hormônios, a neuro-hipófise armazena e libera dois hormônios. É composta por axônios e terminais axônicos de mais de 10.000 células hipotalâmicas neurossecretoras Os corpos celulares das células neurossecretoras se encontram nos núcleos paraventricular e supraóptico do hipotálamo; seus axônios formam o trato hipotálamo- hipofisial. Esse trato começa no hipotálamo e termina perto de capilares sanguíneos na neuro-hipófise ↠ Os corpos das células neuronaisdos dois núcleos paraventricular e supraóptico sintetizam o hormônio ocitocina (OT) e o hormônio antidiurético (ADH), também chamado de vasopressina. Os terminais axônicos na neuro-hipófise são associados à neuróglia especializada chamada de pituitócitos. Essas células apresentam uma função de suporte similar a dos astrócitos ↠ Após sua produção nos corpos celulares das células neurossecretoras, a ocitocina e o hormônio antidiurético são envolvidos em vesículas secretoras, que se movimentam por transporte axônico rápido até os terminais axônicos na neuro-hipófise, onde são armazenados até que impulsos nervosos desencadeiam a exocitose e a liberação hormonal ↠ O ADH e a ocitocina, cada um composto de nove aminoácidos, são quase idênticos. Eles diferem em apenas dois aminoácidos, e mesmo assim possuem efeitos fisiológicos bastante diferentes. O ADH influencia o equilíbrio hídrico, e a ocitocina estimula a contração do músculo liso, particularmente do útero e das mamas