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Ana Júlia Marques Oliveira – 5º período Reforma psiquiátrica Integração Ensino-Serviço-Comunidade V CONTEXTUALIZANDO https://www.youtube.com/watch?v=qPEKm21lahs. INTRODUÇÃO A Reforma Psiquiátrica no Brasil teve como primeira fonte inspiradora as ideias e práticas do psiquiatra Franco Basaglia, que revolucionou, a partir da década de 1960, as abordagens e terapias no tratamento de pessoas com transtornos mentais nas cidades italianas de Trieste e Gorizia. Crítico da psiquiatria tradicional e da forma como operavam os hospícios, Basaglia revolucionou o tratamento psiquiátrico, desenvolvendo uma abordagem de reinserção territorial e cultural do paciente na comunidade. Isso em vez de isolá-lo num manicômio à base de fortes medicações, vigilância ininterrupta, choques elétricos e camisas de força. O aprofundamento de sua metodologia e o retorno à vida social conseguido com milhares de ex- internos em Trieste levou a prefeitura local, com o passar dos anos, a fechar o hospital psiquiátrico, optando gradualmente pela abertura de novos centros terapêuticos territoriais, como os concebidos por Basaglia. Devido aos resultados positivos que alcançou na Itália, a abordagem de Basaglia passou a ser recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a partir de 1973. A posição da OMS tornou o debate mundial e a discussão chegou ao Brasil. Em 1978, na Divisão Nacional de Saúde Mental (Dinsam), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, profissionais denunciaram as condições de profunda degradação humana em que operava a maioria dos hospitais psiquiátricos no país. A crise, em pleno regime militar, levou à demissão da maioria dos denunciantes. Em 1979, foi criado o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) e em 1987, o movimento antimanicomial, dando continuidade à luta pela nova psiquiatria. O projeto de reforma psiquiátrica foi apresentado em 1989 pelo então deputado Paulo Delgado (MG). Após 12 anos, o texto foi aprovado e sancionado como Lei nº 10.216/2001, ficando conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, Lei Antimanicomial e Lei Paulo Delgado. LEI Nº 10.216 de 6 de abril de 2001 ✓ Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. ✓ Define os direitos da pessoa portadora de transtorno mental. ✓ A internação passa a ser um recurso somente após esgotadas outras medidas terapêuticas. ✓ O objetivo o tratamento em saúde mental passa a ser a reinserção social do paciente no seu meio. ✓ O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros. ✓ Ficou proibida a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares. ✓ A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. ✓ Passam a ser considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica: I - Internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário; II - Internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça. Internação voluntária: A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente, deve https://www.youtube.com/watch?v=qPEKm21lahs http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm Ana Júlia Marques Oliveira – 5º período assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação escrita do paciente e da involuntária por solicitação da família ou, ambas, por determinação do médico responsável. A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários. NA PRÁTICA, O QUE ESSA NOVA POLÍTICA SIGNIFICA? Desconstrução do aparato manicomial no Brasil, e de construção de estruturas substitutivas. A partir destes marcos (legais e práticos), passou-se a privilegiar a criação de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, quais sejam: redes de atenção à saúde mental, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), leitos psiquiátricos em hospitais gerais, oficinas terapêuticas, residências terapêuticas, respeitando-se as particularidades e necessidades de cada local. DESINSTITUCIONALIZAÇÃO O termo desinstitucionalização significa deslocar o centro da atenção da instituição para a comunidade, distrito, território. Porém, na saúde mental, esse termo toma proporções mais amplas do que simplesmente deslocar o centro da atenção do hospício, do manicômio, para a comunidade. REDES DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAIS – RAPS Atualmente a Política Nacional de Saúde Mental está pautada em um cuidado territorializado e organizado em rede. A finalidade da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. RAPS – OBJETIVOS ✓ Promover cuidados em saúde especialmente para grupos mais vulneráveis (crianças, adolescentes, jovens, pessoas em situação de rua e populações indígenas). ✓ Prevenir o consumo e a dependência de crack, álcool e outras drogas. ✓ Reduzir danos provocados pelo consumo de crack, álcool e outras drogas. ✓ Promover a reabilitação e a reinserção das pessoas com transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas na sociedade, por meio do acesso ao trabalho, renda e moradia solidária. ✓ Promover mecanismos de formação permanente aos profissionais de saúde. ✓ Desenvolver ações intersetoriais de prevenção e redução de danos em parceria com organizações governamentais e da sociedade civil. Ana Júlia Marques Oliveira – 5º período QUAL É O PAPEL DA ATENÇÃO PRIMÁRIA NA RAPS? ✓ Deve-se identificar, acolher e atender às demandas de saúde mental do território, em seus graus variados de severidade – os pacientes devem ter acesso ao cuidado em saúde mental o mais próximo possível do seu local de moradia, de seus laços sociais e familiares. ✓ Devem ser priorizadas as situações mais graves, que exigem cuidados mais imediatos (situações de maior vulnerabilidade e risco social). ✓ As intervenções devem se dar a partir do contexto familiar e comunitário – a família e a comunidade devem ser parceiras no processo de cuidado. ✓ É fundamental a garantia de continuidade do cuidado pelas equipes de Saúde da Família, seguindo estratégias construídas de forma interdisciplinar. ✓ As redes sanitária e comunitária são importantes nas estratégias a serem pensadas para o trabalho conjunto entre saúde mental e equipes de Saúde da Família. ✓ O cuidado integral articula ações de prevenção, promoção, tratamento e reabilitação psicossocial. ✓ A educação permanente deve ser o dispositivo fundamental para a organização das ações de saúde mental na Atenção Primária. Referências para estudo HIRDES Alice. A reforma psiquiátrica no Brasil: uma (re) visão. Ciênc. saúde coletiva [Internet]. 2009; 14(1): 297- 305. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/GMXKF9mkPwxfK9HXv fL39Nf/?lang=pt FIOCRUZ. Memória Da Reforma Psiquiátrica No Brasil. Linha Do Tempo. Disponível em: http://laps.ensp.fiocruz.br/linha-do-tempo BRASIL. Ministério da Saúde. Lei n. 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentaise redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, seção 1. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001 /L10216.htm Holocausto Brasileiro - O Manicômio de Barbacena. Duração: 20’:17”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1xBQr5zFAHs&t= 6s https://www.scielo.br/j/csc/a/GMXKF9mkPwxfK9HXvfL39Nf/?lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/GMXKF9mkPwxfK9HXvfL39Nf/?lang=pt http://laps.ensp.fiocruz.br/linha-do-tempo http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10216.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10216.htm https://www.youtube.com/watch?v=1xBQr5zFAHs&t=6s https://www.youtube.com/watch?v=1xBQr5zFAHs&t=6s