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CHOQUE – PARTE 2 CHOQUE DISTRIBUTIVO: choque neurogênico, anafilático e séptico PROFA GISELE HIRANO PROFA FLÁVIA CARNAUBA 2022.2 1 CHOQUE DISTRIBUTIVO Distribuição anormal do volume intravascular, devido à alterações nos vasos sanguíneos, havendo inadequação entre a demanda tecidual e a oferta local de O2. 1. Séptico. 2. Neurogênico. 3. Anafilático. CHOQUE NEUROGÊNICO Choque neurogênico LDB 4 A vasodilatação acontece em consequência de uma interrupção do estímulo simpático para a vasculatura sistêmica do coração e subsequente resistência vascular periférica diminuída - Lesão raquimedular - Anestesia espinal ou comprometimento do sistema nervoso DIAGNÓSTICO • Tomografia • Ressonância magnética *evidenciam danos na medula espinhal Choque neurogênico • Pele seca e quente* • Bradicardia* • Hipotensão *diferente de outras formas de choque TRATAMENTO: Depende da causa Objetivo: Restauração do tônus simpático Intubação traqueal para garantir a ventilação LDB 6 CUIDADOS DE ENFERMAGEM LDB 7 • Manter cabeceira do leito a 30º • Utilizar medidas preventivas para TVP (meias elásticas, heparina) • Pacientes com lesão raquimedular podem não reportar a dor causada por lesões internas: monitorar o paciente para sinais de sangramento interno CHOQUE ANAFILÁTICO CHOQUE ANAFILÁTICO 9 Causado por reação alérgica grave quando o paciente que já produziu anticorpos pra uma substância não própria (antígeno) desenvolve reação antígeno-anticorpo sistêmica Liberação de substâncias vasoativas potentes pelos mastócitos Acontece rapidamente Pacientes com alergia conhecida, devem comunicar a equipe de saúde e a família TRATAMENTO •Remoção do antígeno causal •Adm de medicamentos que restaurem o tônus vascular •Fornecimento de suporte emergencial •Epinefrina- efeito vasoconstritor •Benadryl – reverter os efeitos da histamina, reduzindo assim, a permeabilidade capilar Atenção para o risco de PCR! LDB 11 CUIDADOS DE ENFERMAGEM Prevenção: •Identificar pacientes que possuem alergias ou reações prévias a antígenos •Observar o paciente ao administrar qualquer medicamento, principalmente soluções parenterais •Identificar rapidamente sinais e sintomas de reação alérgica 12 CHOQUE SÉPTICO 13 CHOQUE SÉPTICO Novas definições para Sepse e Choque Séptico Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica - SRIS Resposta clínica inespecífica a uma agressão ao organismo: • Temp >38oC ou <36oC • FC >90 bpm • FR >20/min ou PaCO2 >32mmHg • Leuco >12,000/mm3 ou <4,000/mm3 ou >10% imaturos A SRIS não faz mais parte dos critérios para definição da presença de sepse mas continua tendo valor como instrumento de triagem para a identificação de pacientes com infecção e, potencialmente, sob risco de apresentar sepse ou choque séptico CHOQUE SÉPTICO Sepse Choque Séptico Disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta inadequada do hospedeiro à infecção. • Alteração do nível de consciência. • PA sistólica ≤100 mmHg. • FR ≥22 rpm. • Uso de vasopressores para manter PAM ≥65 mmHg. • Lactato sérico > 2 mmol/L (18mg / dL), apesar de adequada reposição volêmica. • Mortalidade hospitalar superior a 40%. https://www.youtube.com/watch?v=lWQkHyMjBoc&t=19s SEPSE – manifestações clínicas • hipotensão (PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg ou queda de PA > 40 mmHg) • oligúria (≤0,5mL/Kg/h) ou elevação da creatinina (>2mg/dL); • relação PaO2/FiO2 < 300 ou necessidade de O2 para manter SpO2 > 90%; • contagem de plaquetas < 100.000/mm³ ou redução de 50% no número de plaquetas em relação ao maior valor registrado nos últimos 3 dias; • lactato acima do valor de referência; • rebaixamento do nível de consciência, agitação, delirium; • aumento significativo de bilirrubinas (>2X o valor de referência). 17 oQuando a sepse está associada a manifestações de hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica. oCaracterizada por: 1. Acidose láctica; 2. Hipotensão arterial refratária à ressuscitação volêmica, necessitando de agentes vasopressores para estabilizar PA. CHOQUE SÉPTICO Resposta Inflamatória Ativação da Coagulação Lesão Vascular Lesão Endotelial Hipoperfusão CHOQUE SÉPTICO Efeitos da Hipoperfusão Hipóxia tecidual Metabolismo Anaeröbio Diminuição da eficiência de produção de ATP Produção de Lactato e Acidose Hipoperfusão PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E LABORATORIAIS DA SEPSE TERAPÊUTICA oSuporte vital oControlar/eliminar a infecção subjacente ATB oBloquear mediadores da resposta inflamatória CORT oAumentar a oferta de O2 para os tecidos IOT oSuporte hemodinâmico: ◦ Reposição volêmica e drogas vasoativas PROTOCOLO GERENCIADO DE SEPSE Reconhecimento precoce e tratamento adequado da sepse: redução de mortalidade e custos A implementação de protocolos clínicos gerenciados é uma ferramenta útil neste contexto, auxiliando as instituições na padronização do atendimento ao paciente séptico, diminuindo desfechos negativos e proporcionando melhor efetividade do tratamento. LDB 26 https://www.youtube.com/watch?time_continue=173&v=DqNHYWoqoO0&feature=emb_logo PROTOCOLO GERENCIADO DE SEPSE LDB 27 PROTOCOLO GERENCIADO DE SEPSE O protocolo de sepse deve ser aberto para pacientes com SUSPEITA de sepse e choque séptico. Cada instituição irá decidir, de acordo com sua disponibilidade de recursos humanos e capacidade de triagem, se o protocolo de sepse será aberto na presença de SRIS e suspeita de infecção (elevada sensibilidade, permitindo tratamento precoce e prevenindo disfunção orgânica) ou a partir de presença de disfunção orgânica em pacientes com suspeita de infecção grave, priorizando nesse caso, o atendimento dos casos mais graves. 28 PROTOCOLO GERENCIADO DE SEPSE Após identificação do paciente com SUSPEITA de sepse, usualmente pela enfermagem, a equipe médica decide se deve ou não haver o seguimento do protocolo, com base nas informações disponíveis para tomada de decisão em relação à probabilidade de se tratar de sepse LDB 29 CONTINUA... 30 31 PROTOCOLO GERENCIADO DE SEPSE Após identificação do paciente com suspeita de sepse os seguintes passos devem ser cumpridos: 1. registre o diagnóstico no prontuário ou na folha específica de triagem do protocolo institucional. Todas as medidas devem ser tomadas a partir do momento da formulação da hipótese de sepse. 2. todos os pacientes com protocolos de sepse abertos devem ter seu atendimento priorizado com o objetivo de otimizar a coleta de exames, o início de antibioticoterapia e a ressuscitação hemodinâmica; 3. realize anamnese e exame físico dirigidos, com atenção especial aos sinais clínicos de disfunção orgânica; 32 PROTOCOLO GERENCIADO DE SEPSE 4. pacientes com disfunção orgânica grave e ou choque devem ser alocados em leitos de terapia intensiva assim que possível, a fim de garantir o suporte clínico necessário. Caso não seja possível a alocação em leito de terapia intensiva, deve-se garantir o atendimento do paciente de maneira integral, independente do setor em que o mesmo se encontre; 5. a ficha do protocolo de sepse deve acompanhar o paciente durante todo o atendimento de tratamento das 6 primeiras horas, a fim de facilitar a comunicação nos pontos de transição entre as equipes de diferentes turnos ou setores e resolver pendências existentes para o atendimento. 33 Tratamento –surving sepsis campaing Principais recomendações da Campanha de Sobrevivência à Sepse no tocante ao diagnóstico e controle de foco infeccioso DIAGNÓSTICOS E INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM DIAGNÓSTICOS E INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM DIAGNÓSTICOS E INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM Caso Clínico CASO CLÍNICO FOB, 60 anos, sexo masculino, trabalhador rural, analfabeto, natural e procedente de Conceição da Feira - BA. Queixa principal O paciente compareceu à unidade de emergência do Hospital ABCD com queixa de dor em flanco direito e parte superior direita do dorso há 2 dias. Refere que a dor é de intensidade 8 (0-10),sem irradiação e sem fatores de melhora ou piora. Relata que nos últimos 06 meses vem apresentando episódios intermitentes de febre, associados à anorexia e mal-estar. Relata ser tabagista (30 maços/ano), etilista e sedentário. Possui diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica há 20 anos e Diabetes Mellitus tipo 2 há 15 anos. Negas outras patologias prévias. Exame físico •Geral: Paciente em regular estado geral, lúcido e orientado no tempo e no espaço, emagrecido, com mucosas hipocrômicas (+/IV), escleras anictéricas e febril. •Dados vitais: FC = 120bpm, FR = 25ipm, Tax = 39,1°C, PA = 90x65mmHg. •Pele e fâneros: palidez cutânea mucosa, pele fria e sudoreica; sem demais alterações. •Aparelho respiratório: tórax de formato normal, simétrico, sem regiões de hipersensibilidade, com expansibilidade preservada bilateralmente. Frêmito toracovocal sem alteração. À percussão, som claro pulmonar. Murmúrio vesicular bem distribuído, sem ruídos adventícios. •Aparelho cardiovascular: precórdio calmo, ausência de impulsões visíveis. Ictus cordis palpável no 5° EIC, na linha hemiclavicular esquerda. Bulhas taquicárdicas e normofonéticas em dois tempos. Ausência de sopros. •Abdome: à inspeção, abdome plano, cicatriz umbilical intrusa, ausência de lesões cutâneas, cicatrizes, equimoses, circulação colateral ou herniações. Na ausculta, ruídos hidroaéreos presentes, sem sopros arteriais. À percussão, abdome timpânico difusamente, presença de macicez em loja hepática e espaço de Traube livre. Palpações superficial e profunda sem alteração. CASO CLÍNICO CASO CLÍNICO EXAMES LABORATORIAIS Hemograma Resultado Valor de referência Hemácias 4,7 milhões/mm³ 3,9 – 5,4 milhões/mm³ Hemoglobina 11,5 g/dL 12 – 15 g/dL Hematócrito 39% 37 – 49% Leucócitos 25.100 céls/mm³ 5.000 – 10.000 céls/mm³ Bastões 9% 0 a 4% Neutrófilos 51,2% 40 a 75% Plaquetas 250 mil/mm³ 140 – 440 mil/mm³ Lactato 2,4 mmol/L 0,3 – 2,4 mmol/L RAIO X de tórax Opacificação de 80% do hemitórax direito QUAL O PROVÁVEL DIAGNÓSTICO MÉDICO? QUAIS SÃO OS DIAGÓSTICOS DE ENFERMAGEM? QUAIS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM? QUAL DEVERÁ SER A ABORDAGEM TERAPÊUTICA? REFERÊNCIAS 1. WOODS, SL; FROELICHER, ESS; MOTZER, SU. Enfermagem em cardiologia. 1ª. Ed. SP: Manole, 2005. 2. KNOBEL, E. Condutas em terapia intensiva cardiológica. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2008. 3. BERNARDINA, L.D. Estados de Choque: Choque Hipovolêmico, cap.38, p.513-22. In: CALIL, A. M, PARANHOS, W. Y. O Enfermeiro e as Situações de Emergências. São Paulo: Atheneu, 2007. 4. BERNARDINA, L.D. Choque Cardiogênico, cap.39, p.523-30. In: CALIL, A. M, PARANHOS, W. Y. O Enfermeiro e as Situações de Emergências. São Paulo: Atheneu, 2007. 5. BERNARDINA, L.D. Choque Séptico, cap.40, p.531-38. In: CALIL, A. M, PARANHOS, W. Y. O Enfermeiro e as Situações de Emergências. São Paulo: Atheneu, 2007. 6. SINGER et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016 February 23; 315(8): 801–810. doi:10.1001/jama.2016.0287 7. INSTITUTO LATINO AMERICANO DE SEPSE. IMPLEMENTAÇÃO DE PROTOCOLO GERENCIADO DE SEPSE PROTOCOLO CLÍNICO Atendimento ao paciente adulto com sepse / choque séptico 8. MORTON. Cuidados críticos de Enfermagem.