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Welma Maia • Livres Rocha • Ernani Pimentel • Márcio Wesley • Luzia Pimenta
Edgard Antônio Lemos Alves • Gustavo Alves • Wagner Miranda • Marcus Palomo 
Fabrício Sarmanho • Eduardo Muniz Machado Cavalcanti • Saulo Fontana • Raquel 
Mendes de Sá Ferreira • Marcelo Andrade • Samantha Pozzer Kühleis
2018
Direitos Humanos • Língua Portuguesa • Noções de Criminologia • Noções de Direito 
Administrativo • Noções de Direito Civil • Noções de Direito Constitucional • Noções 
de Direito Penal • Noções de Direito Processual Penal • Noções de Informática
Noções de Medicina Legal
.
© 2018 Vestcon Editora Ltda.
Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/2/1998. Proibida a 
reprodução de qualquer parte deste material, sem autorização prévia expressa por escrito do autor e da editora, 
por quaisquer meios empregados, sejam eletrônicos, mecânicos, videográficos, fonográficos, reprográficos, 
microfílmicos, fotográficos, gráficos ou outros. Essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem 
como às suas características gráficas.
Título da obra: Polícia Civil de Minas Gerais - PC-MG
Escrivão de Polícia I – Nível Superior
Atualizada até 6-2018 (AP589)
(De acordo com o Edital nº 02/2018, de 05 de julho de 2018 – Fumarc)
Direitos Humanos • Língua Portuguesa • Noções de Criminologia • Noções de Direito Administrativo
Noções de Direito Civil • Noções de Direito Constitucional • Noções de Direito Penal
Noções de Direito Processual Penal • Noções de Informática • Noções de Medicina Legal
Autores:
Welma Maia • Livres Rocha • Ernani Pimentel • Márcio Wesley
Luzia Pimenta • Edgard Antônio Lemos Alves • Gustavo Alves • Wagner Miranda
Marcus Palomo • Fabrício Sarmanho • Eduardo Muniz Machado Cavalcanti • Saulo Fontana
Raquel Mendes de Sá Ferreira • Marcelo Andrade • Samantha Pozzer Kühleis
GESTÃO DE CONTEÚDOS
Tatiani Carvalho
PRODUÇÃO EDITORIAL
Érida Cassiano
REVISÃO
Tamires Campos
Ylka Ramos
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA
Adenilton da Silva Cabral
Marcos Aurélio Pereira
www.vestcon.com.br
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A Constituição Brasileira de 1988 ........................................................................................................................................ 45
Noções gerais sobre direitos humanos ................................................................................................................................. 3
Gerações de direitos humanos .............................................................................................................................................. 8
A Constituição Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Proteção dos Direitos Humanos ...............................38
O Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos ............................................................................................. 11
O Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos e a Redefinição da Cidadania no Brasil ..............................26
A Constituição Brasileira de 1988: 
Dos princípios fundamentais. A Constituição Brasileira de 1988: Dos Direitos e Garantias Fundamentais. Dos 
direitos e deveres individuais e coletivos. Dos direitos sociais. Da nacionalidade. Dos direitos políticos. Dos 
partidos políticos ..............................................................................................................................................................* 
Direitos humanos das minorias e grupos vulneráveis ........................................................................................................ 86
Política nacional de direitos humanos ................................................................................................................................ 46
* Este conteúdo encontra-se na matéria Noções de Direito Constitucional, nesta apostila.
SUMÁRIO
Direitos Humanos
PC-MG
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Direitos Humanos
Welma Maia / Livres Rocha
Welma Maia
TeORIA GeRAL DOS DIReITOS HUMANOS
Conceito 
Atualmente, a definição consagrada na doutrina é a de 
Antônio Peres Luño1, que compatibilizando a evolução his‑
tórica dos direitos humanos com a necessidade de definição 
de seu conteúdo, considera direitos humanos.
o conjunto de faculdades e instituições que, em cada
momento histórico, concretizam as exigências de 
dignidade, liberdade e igualdade humanas, as quais 
devem ser reconhecidas positivamente pelos orde‑
namentos jurídicos em nível nacional e internacional.
Para o autor, há três tipos de definições sobre o que são 
os direitos humanos. O primeiro tipo seria a definição dita 
tautológica, ou seja, a que não aporta nenhum elemento 
novo que permite caracterizar tais direitos. Assim, seria um 
exemplo desse tipo de definição a conceituação dos direitos 
humanos como sendo aqueles que correspondem ao homem 
pelo fato de ser homem.2 Todavia, como se sabe, todos os 
direitos são titularizados pelo homem ou por suas emanações 
(as pessoas jurídicas), de modo que a definição acima citada 
encerra uma certa petição de princípio.
Um segundo tipo de definição seria aquela dita formal, 
que, ao não especificar o conteúdo dos direitos humanos, 
limita-se a alguma indicação sobre o seu regime jurídico 
especial. Esse tipo de definição consiste em estabelecer que 
os direitos humanos são aqueles que pertencem ou devem 
pertencer a todos os homens e que não podem ser deles 
privados, em virtude de seu regime indisponível e sui generis.
Por fim, há ainda a definição finalística ou teleológica, 
na qual se utiliza objetivo ou fim para definir o conjunto de 
direitos humanos, como, por exemplo, na definição que 
estabelece que os direitos humanos são aqueles essenciais 
para o desenvolvimento digno da pessoa humana.
Para Dallari 3 os direitos humanos representam “uma forma 
abreviada de mencionar os direitos fundamentais da pessoa 
humana. Esses direitos são considerados fundamentais por‑
que sem eles a pessoa humana não consegue existir ou não é 
capaz de se desenvolver e de participar plenamente da vida”.
Também é relevante a definição já tradicional de Peces‑
-Barba4, para quem os direitos humanos são faculdades que 
o Direito atribui a pessoas e aos grupos sociais, expressão
de suas necessidades relativas à vida,liberdade, igualdade, 
participação política, ou social ou a qualquer outro aspecto 
fundamental que afete o desenvolvimento integral das 
pessoas em uma comunidade de homens livres, exigindo 
o respeito ou a atuação dos demais homens, dos grupos
sociais e do Estado, e com garantia dos poderes públicos 
para restabelecer seu exercício em caso de violação ou para 
realizar sua prestação.
1 PERES LUÑO, Antônio. Derechos humanos, Estado de derecho y Constitución. 
5. ed. Madrid: Tecnos, 1995, p. 48.
2 TRUYOL Y SERRA, Antônio. Los derechos humanos. Madrid: Tecnos, 1994, p. 11.
3 DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos humanos e cidadania. São Paulo: Moderna, 
1998.
4 PECES-BARBA MARTÍNEZ, Gregorio et al. Derecho positivo de los derechos 
humanos. Madrid: Debate, 1987, p. 14-15.
Terminologia
Quanto à terminologia, vários são as expressões uti‑
lizadas: “direitos naturais”, “direitos humanos”, “direitos 
fundamentais”, “liberdades públicas”, “direitos do cidadão”, 
“direitos da pessoa humana”, “direitos do homem”, “direitos 
civis”, “direitos individuais”, “direitos fundamentais”, “direitos 
públicos subjetivos”. A que mais se disseminou, todavia, 
é Direitos Humanos”.
Canotilho5 envidou esforços para distinguir várias dessas 
expressões, examinando-as aos pares e chegando, entre 
outras, às seguintes conclusões:
• Direitos do homem e Direitos do Cidadão – distinção
presente na ‘Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão’ de 1789, editada como corolário da Revolução
Francesa, segundo a qual os Direitos do Homem são
direitos individuais, pertencendo-lhe “enquanto tal”,
ou seja, são inerentes à condição humana, ao passo
que os Direitos do Cidadão são direitos políticos,
que pertencem ao homem “enquanto ser social, isto
é, como indivíduo vivendo em sociedade” e perante
o Estado;
• Direitos Naturais e Direitos Civis – distinção próxima da
anterior, encontrada no Título I da Constituição France‑
sa de 1791, consoante a qual os Direitos Naturais são
inerentes ao indivíduo e os Direitos Civis são os que lhe
cabem enquanto cidadão, encontrando- se proclamados 
nas constituições e leis infraconstitucionais;
• Direitos Políticos e Direitos Individuais – entre os
Direitos Civis destacam-se de um lado, os Direitos Polí‑
ticos, correspondentes a uma parcela atribuída apenas
a determinados grupos de indivíduos, dotando-os de
aptidão para “tomar parte ativa na formação dos po‑
deres públicos”; o que remanesce, naquela categoria,
depois de apartados dela os Direitos Políticos, são os
Direitos Individuais;
• Direitos e Liberdades Públicas – os Direitos Civis admi‑
tem, ainda, um outro tipo de categorização, que coloca,
de um lado, as Liberdades Públicas, consistentes em
direitos dos indivíduos contra a intervenção do Estado
(e são conhecidos como ‘direitos negativos ou direitos
de negação), e de outro, simplesmente os Direitos (ou
“direitos positivos’), que conferem ao indivíduo status
ativo frente ao Estado, quer porque tenha a prerrogativa 
de participar ativamente na vida política (direito de votar 
e a ser votado), que porque goze da possibilidade de
exigir as ‘prestações ao desenvolvimento pleno da exis‑
tência individual (denominados ‘direitos à prestação’).
Seguindo a tendência das provas de concurso, nesse 
estudo adota-se a designação Direitos Humanos (em sentido 
lato), ao direitos inerentes à condição humana e, que por este 
motivo, independem de norma positiva; direitos internacio‑
nais, ou direitos humanos em sentido estrito, os direitos hu‑
manos contemplados em tratados internacionais; e direitos 
humanos fundamentais, ou direitos fundamentais, àqueles 
assegurados, dentro do ordenamento jurídico interno, pelas 
autoridades político-legislativas de cada Estado-nação.
5 CANOTILHO, J.J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 7. Ed. 
Coimbra: Almeidina, 2003. p. 393-398. 
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Para memorizar: 
Direitos Humanos (em Sentido Lato)
Direitos Humanos Internacionais
ou
Direitos Humanos em sentido estrito
Direitos Humanos Fundamentais
ou
Direitos Fundamentais
A estrutura das Normas de Direitos Humanos
Os direitos humanos apresentam uma característica 
peculiar: têm, frequentemente, uma formulação normativa 
aberta. De fato, as normas com textura aberta de direitos 
humanos são comuns, sendo raras as formulações estritas.6 
Segundo Alexy7, em construção já muito conhecida, a 
estrutura do ordenamento jurídico é dividida entre regras e 
princípios. As regras correspondem a enunciados jurídicos 
tradicionais, nos quais consta um pressuposto de fato e uma 
consequência jurídica. “Aquele que matar outrem deve ser 
preso” é um exemplo básico de regra. Os princípios são, por 
seu turno, mandamentos de otimização de um determinado 
valor ou bem jurídico, ordenando que esse valor ou bem 
jurídico seja realizado na maior medida do possível.
Assim, a norma “todos têm direito a processo com dura‑
ção razoável e a um juízo imparcial, sujeito ao duplo grau de 
jurisdição” possui uma estrutura de princípio. Não há aqui 
um pressuposto de fato, pois não há uma definição suficien‑
temente precisa de um tipo de situação na qual podem se 
achar pessoas ou coisas e tampouco há uma consequência 
jurídica clara.
Além das diferenças de enunciados, as regras distinguem‑
-se dos princípios também no momento da aplicação. Com 
efeito, as regras são aplicadas a partir da técnica da subsun‑
ção, que consiste em determinar se o caso concreto ajusta-se 
ou não ao pressuposto fático do enunciado jurídico. Caso a 
resposta seja positiva (não que tal operação seja simples, 
podem existir dúvidas quanto à autoria do homicídio do 
exemplo visto acima etc.), aplica-se à consequência jurídica.
Por outro lado, os princípios são aplicados mediante a 
técnica da ponderação, que não acata a lógica do “tudo ou 
nada” das regras (ou o caso concreto se subsume ou não), 
mas sim responde à lógica do “mais ou menos”, que consiste 
na busca da maior otimização do valor ou bem jurídico nele 
contido, na medida das possibilidades do caso concreto. As 
vaguezas e a indeterminabilidade dos enunciados contidos 
nos princípios também excluem a possibilidade de uso da 
técnica de subsunção.
Também cabe lembrar que a estrutura dos direitos 
humanos é majoritariamente formada por princípios, mas 
há regras de direitos humanos, como, por exemplo, a regra 
de exigência de ordem judicial ou flagrante delito para que 
alguém seja preso.
A diferenciação das normas de direitos humanos em 
princípios e regras, como ensina Alexy, é essencial para a 
compreensão do papel dos direitos humanos em um orde‑
6 DIEZ-PICAZO, Luis Maria. Sistema de derechos fundamentales. Madrid: 
Thomson-Civitas, 2003, p. 39.
7 RAMOS, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem inter‑
nacional. 2. ed. — São Paulo: Saraiva, 2012, p. 29 apud ALEXY, Robert. Teoría 
de los derechos fundamentales. Centro de Estudios Constitucionales, Madrid, 
1997, e também, em especial, a análise complementar do próprio Alexy à sua 
teoria em ALEXY, Robert. “Epílogo a la Teoría de los Derechos Fundamentales”, 
66 Revista Española de Derecho Constitucional (2002), p. 43-6.
namento, bem como é peça chave na análise da limitação e 
na colisão dos direitos humanos. A estrutura principiológica 
das normas de direitos humanos exige o estudo da concre‑
tização judicial e de seus instrumentos (como o princípio 
da proporcionalidade e a ponderação de interesses), para 
auxiliar o intérprete na solução dos casos concretos.8
Fundamentação dos Direitos Humanos 
A despeito da diversidade terminológica, os diferentes 
pontos de vista convergem em apresentar, como eixo central 
dos direitos humanos, a dignidade da pessoa humana.
Para a doutrina este tema é complexo e abstrato, envol‑
vendo conceitos históricos e discussões filosóficas.
Bobbio sustenta ser impossível a fundamentação (justi‑
ficativa) absoluta dos direitos humanos por diversas razões. 
Para o citado jurista italiano, o problema básico em relação 
aos direitos do homemnão é sua fundamentação, mas sim 
sua efetivação.
O problema fundamental em relação aos direitos do 
homem, hoje, não é tanto o de justificá-los, mas o de 
protegê-los. Trata-se de um problema não filosófico, 
mas político.9
Bobbio afirma que os direitos humanos constituem uma 
classe de direitos variável, conforme nos mostra a evolução 
de seu rol. O rol de direitos humanos modificou-se e é lícito 
afirmar que alguns direitos que sequer são defendidos hoje 
podem, amanhã, ser considerados como integrantes da ca‑
tegoria de “direitos humanos”, ou mesmo que haja exclusões 
dessa categoria. Logo, seria impossível fundamentar de modo 
unívoco os direitos humanos, pois cada contexto histórico 
possuiria sua própria “fundamentação”.
Os direitos humanos constituem-se também em uma 
categoria heterogênea, contendo pretensões muitas vezes 
conflitantes, a exigir a ponderação de interesses no caso 
concreto. Diante de tais conflitos, identificar um fundamento 
único, absoluto, poderia, na visão de Bobbio, até servir de 
pretexto para impedir a evolução do rol dos direitos humanos.
Em breve síntese, veremos as principais correntes que 
buscam fundamentar os direitos humanos.
Os Jusnaturalistas
Visão Jusnaturalista Religiosa
Com antecedentes na Idade Antiga, mas desenvolvida na 
Idade Média por São Tomás de Aquino, a visão jusnaturalista 
8 RAMOS, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem 
internacional. 2. ed. — São Paulo: Saraiva, 2012, p. 29.
9 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos (trad. Carlos Nelson Coutinho) São Paulo: 
Campus, 1992, p. 24), apud, Ramos, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos 
humanos na ordem internacional - 2. ed. -São Paulo: Saraiva, 2012.
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de cunho religioso prega que a lei humana só detém validade 
se conforme a lei divina, a qual salvaguarda interesses básicos 
ligados à existência humana, os quais por sua vez, vigoram e 
prevalecem sobre eventuais normas positivadas pelo homem 
e consigo desconformes.
Visão Jusnaturalista Racional ou Contratualista
Adotada já na Idade Moderna, com Hugo Grotius, 
precursor do Direto Internacional, e nos séculos seguintes, 
desenvolvida de pelos iluministas contratualistas (tais como 
Locke e Rousseau), a visão jusnaturalista racional apresenta 
uma versão laica do fundamento dos direitos humanos, 
desatrelando-o das leis divinas e vinculando-o à razão huma‑
nam entendida como o traço da natureza do Homem (não 
mais como dom de Deus) que o distingue dos demais seres 
vivos; assim, é inerente à condição humana a vigência de 
direitos apreensíveis pela razão, decorrentes do pressuposto 
Contrato Social (pactuação coletiva que dá poderes limitados 
de organização ao Estado, em nome do em comum) e tidos 
por naturais porque independem da positivação pelos ho‑
mens, cuja validade se perquire em face do direito natural.
Os Positivistas
Ao contrário das concepções jusnaturalistas, a visão 
positivista nega a ideia de pré-existentes ao direito positivo, 
fazendo prevalecer a compreensão segundo a qual direito 
válido é aquele reconhecido pelo Estado como tal.
Para a Escola positivista, o fundamento dos direitos 
humanos consiste na existência da lei positiva (também 
conhecida como direto posto), cujo pressuposto de valida‑
de está em sua edição conforme as regras estabelecidas na 
Constituição. Assim, os direitos humanos justificam-se graças 
a sua validade formal.
O problema é quando a lei for omissa ou mesmo contrária 
à dignidade da pessoa humana, caso em que a proteção dos 
direitos humanos restará prejudicada.
Para Fábio Konder Comparato, “é justamente aí que se 
põe, de forma aguda, a questão do fundamento dos direitos 
humanos, pois a sua validade deve assentar-se em algo mais 
profundo e permanente que a ordenação estatal, ainda que 
esta se baseie numa Constituição”.10
Hart, com concisão, assinala que a divergência entre os 
jusnaturalistas e os positivistas não reside no reconheci‑
mento ou não da existência de certos princípios de moral 
e justiça passíveis de revelação pela razão humana (mesmo 
que tenham origem divina).
A divergência entre as duas Escolas jurídicas reside, sim, 
na defesa, pela Escola Jusnaturalista, da superioridade dos 
princípios de moral e justiça em face de leis incompatíveis.
Para os positivistas, esses princípios de justiça não pertencem 
ao ordenamento jurídico, inexistindo qualquer choque ou 
antagonismo entre a lei posta e a Moral. Para Hart, a Moral 
pode sim influenciar a formação do Direito no momento da 
produção legislativa e também no momento do desempenho 
da atividade judicial.11
10 COMPARATO, Fábio Konder. “Fundamentos dos direitos humanos”, Revista 
Consulex, v. 48, dez. 2000, p. 43
11 Hart denomina essas regras de determinação do direito de regras de reco‑
nhecimento, de acordo com as quais o ordenamento jurídico é formado por 
normas primárias e por normas secundárias, sendo as primeiras as que contêm 
direitos e obrigações, e as segundas aquelas que contêm os procedimentos 
para produzir ou concretizar as normas primárias, o que inclui as normas 
procedimentais pelas quais os julgadores determinam o direito aplicável ao 
caso concreto (HART, Herbert L. A. O conceito de direito. 2. ed. (trad. A. Ribeiro 
Mendes). Lisboa: Fundação C. Gulbenkian, 1994, p. 104 e 142).
A Fundamentação Moral
O conceito de direitos morais, aprofundado por 
Dworkin12, consiste no conjunto de direitos subjetivos ori‑
ginados diretamente de valores (contidos em princípios), 
independentemente da existência de prévias regras postas.
Utilizando tal conceito, podemos ver que os direitos 
humanos podem ser considerados direitos morais que, por 
definição, não aferem sua validade por normas positivadas, 
mas diretamente de valores morais da coletividade humana. 
Para o citado autor, a moralidade integra o ordenamento 
jurídico por meio de princípios mesmo que não positivados. 
Princípios são, segundo esse autor, exigências de justiça, de 
equidade ou de qualquer outra dimensão da moral.
Dworkin demonstra que, nos chamados casos-limite 
ou hard cases, quando os intérpretes debatem e decidem 
em termos de direitos e obrigações jurídicas, são utilizados 
padrões que não funcionam como regras, mas trabalham 
com princípios.
Quando se afirma que os intérpretes empregam princí‑
pios e não regras, está a se admitir que são duas as espécies 
de normas, cuja diferença é de caráter lógico. Um princípio 
não determina as condições que tornam sua aplicação ne‑
cessária. Ao revés, estabelece uma razão (fundamento) que 
impele o intérprete numa direção, mas que não reclama uma 
decisão específica, única. Daí acontecer que um princípio, 
numa determinada situação, e frente a outro princípio, pode 
não prevalecer – o que não quer significar que ele perca a 
sua condição de princípio.
Assim, as normas de condutas são originadas de reflexões 
morais contidas nos princípios de qualquer ordenamento 
jurídico. Os direitos morais são mais do que exigências éti‑
cas oriundas do jusnaturalismo. São títulos, na acepção de 
pretensão, que permitem exercer direitos.
Nino13, por sua vez, sustenta que é na aplicação do direito 
que os princípios de justiça e moralidade são invocados pelo 
julgador. A diferença entre o jusnaturalismo clássico e esse 
novo positivismo é que se determina o Direito não somente 
pelas fontes formais, mas também em sua aplicação.Com 
isso, os direitos humanos definem-se como direitos morais, 
ou seja, como exigências éticas, que compõem os princípios 
do ordenamento.14
Há assim uma fundamentação ética dos direitos hu‑
manos, que consiste no reconhecimento de condições im‑
prescindíveis para uma vida digna e que se entroniza como 
princípio vetor do ordenamento jurídico.
Assim, as necessidades humanas são razões justificatórias 
e argumentativas para que se possa incidir o regramento 
jurídico especial do conjunto de direitos humanos. Ou, no 
dizer de Añon Roig, são argumentos que apoiam uma res‑
posta jurídico-normativa às demandas queexigem algo, que 
pode ser tanto o estabelecimento de um direito positivado 
ou uma nova técnica positiva de proteção.15
Assim, a fundamentação dos direitos humanos como 
direitos morais busca a conciliação entre os direitos humanos 
entendidos como exigências éticas ou valores e os direitos 
humanos entendidos como direitos positivados. 
12 DWORKIN, Ronald. Uma questão de princípio. São Paulo: Martins Fontes, 2000, 
p. 90.
13 RAMOS, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem 
internacional. 2. ed. — São Paulo: Saraiva, 2012, p. 35 apud Carlos Santiago 
Nino (NINO, Carlos Santiago. Ética y derechos humanos: un ensayo de funda‑
mentación. Barcelona: Ariel, 1989, p. 16-21).
14 RAMOS, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem inter‑
nacional. 2. ed. — São Paulo: Saraiva, 2012, apud, Carlos Santiago Nino (NINO, 
Carlos Santiago. Ética y derechos humanos: un ensayo de fundamentación. 
Barcelona: Ariel, 1989, p. 16-21.
15 ANÕN ROIG, Maria José. “Fundamentación de los Derechos Humanos y Nece‑
sidades Básicas”, in BALLESTEROS, Jesús. Derechos humanos. Madrid: Tecnos, 
1992, p. 100-115, em especial p. 113.
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Os Negacionistas
Há ainda quem negue a possibilidade de se identificar, 
com exatidão, qual seria ou quais seriam os fundamentos 
dos direitos humanos.
Baseados na assertiva que tais direitos são consagrados 
a partir de juízos de valor, ou seja, de opções morais as 
quais, por definição, não podem ser comprovadas ou justi‑
ficadas, mas aceitas por convicção pessoal, há aquelesque 
negam a existência de fundamentação racional dos direitos 
humanos.16
Devemos ainda citar, como mais um exemplo de corrente 
“negacionista”, aqueles que defendem a ideia de que os 
direitos humanos são apreendidos pelos sentimentos mo‑
rais. Assim, o juízo valorativo da superioridade dos direitos 
humanos sobre todo ordenamento jurídico não pode ser 
justificado ou fundamentado, pois é juízo de persuasão, 
tradução de emoção daquele que defende tal posição.17
Contudo, a busca do fundamento para o reconhecimento 
dos direitos humanos é de importância capital quando é 
motivada pela existência de dúvidas ou contestações.
É o que ocorre com os direitos humanos. De fato, a 
proteção dos direitos humanos foi conquista histórica, que, 
como tal, necessitou de fundamentação teórica para sua 
afirmação frente ao absolutismo e outras formas de governo 
autoritárias.
Mas a necessidade de fundamentação não perdeu a razão 
de ser nos dias atuais, em especial quando a violação de di‑
reitos humanos é patrocinada pelo Estado, por seus agentes 
ou por suas leis. Como expõe Jorge Miranda, renunciar à 
fundamentação dos direitos humanos pode consistir, para 
muitos, na resignação perante as leis positivas vigentes ou 
perante as contingências de sua aplicação.18
Os exemplos históricos mostram os riscos desse positi‑
vismo exacerbado.
Assim, a fundamentação dos direitos humanos é im‑
portante na chamada relação “direitos humanos – direito 
posto”. Se os direitos humanos são aqueles declarados e 
reconhecidos pelo Estado, o que fazer quando não existe 
esse prévio reconhecimento pelo Estado? Como protegê-los 
com efetividade, então?
A resposta está no referencial ético que justifica terem 
os direitos humanos posição superior no ordenamento jurí‑
dico, capaz inclusive de se sobrepor a eventual ausência de 
reconhecimento explícito por parte do Estado. Assim, urge 
o estudo da fundamentação dos direitos humanos.
Universalismo e Relativismo
Ainda com relação aos fundamentos dos direitos huma‑
nos é importante conhecer dois pensamentos (divergentes 
também) acerca do assunto: o Universalismo e o Relati-
vismo.
Irrompe essa diferença na possibilidade de implantação 
generalizada ou não de tais direitos, levando-se em conta os 
fatores socioculturais de cada Estado.
A corrente relativista alega que os meios culturais e mo‑
rais de uma sociedade devem ser respeitados, ainda que em 
16 Peres Luño denomina tal corrente de pensamento jurídico de “não cognitivista”. 
Entre eles, Felix Oppenheim (OPPENHEIM, F. Ética y filosofia política. Cidade 
do México: Fondo de Cultura Economica, 1976; e em PERES LUÑO, Antônio. 
Derechos humanos, estado de derecho y Constitución. 5. ed. Madrid: Tecnos, 
1995.
17 RAMOS, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem 
internacional. 2. ed. — São Paulo: Saraiva, 2012, apud, Alf Ross (ROSS, Alf. On 
law and justice. Londres: Stevens & Sons, 1976.
18 MIRANDA, Jorge. Manual de direito constitucional. v. IV, 2. ed. Coimbra: Coimbra 
Editora, 1993, p. 43.
prejuízo dos direitos humanos dessa mesma comunidade. 
O relativismo pode ser forte (vê a cultura como fonte princi‑
pal de validade das normas morais ou jurídicas) ou fraco (vê 
a cultura como forma auxiliar de validade das normas morais 
ou jurídicas). Destaque importante para o relativismo se dá 
no sentido de se entender que o universalismo acarreta uma 
ocidentalização de costumes, destruindo as diferenças cultu‑
rais e, propiciando, inclusive e lamentavelmente, a eclosão 
de atentados terroristas.
A corrente universalista defende a implantação global 
dos direitos humanos. Afirma Valério de Oliveira Mazzuoli 
que “após um quarto de século da realização da primeira 
Conferência Mundial de Direitos Humanos, ocorrida em 
Teerã, a segunda Conferência realizada em Viena em 1993 
consagrou os direitos humanos como global, reafirmando 
sua universalidade, e consagrando sua indivisibilidade, in‑
terdependência, e inter-relacionalidade”.
Prevaleceu o entendimento da tese universalista quando 
da Declaração Universal da ONU (1948), pois o relativismo 
cultural não pode ser invocado para justificar violações de 
direitos humanos.
A Conferência de Viena (1993) endossou o conteúdo 
da Declaração Universal da ONU de 1948, reafirmando o 
universalismo dos direitos humanos e introduzindo novos 
princípios, quais sejam: a indivisibilidade19, a interdepen‑
dência20 e a inter-relacionalidade21. 
Características dos Direitos Humanos 
Objetivando destacar o papel central dos direitos huma‑
nos no ordenamento jurídico vigente, a doutrina costuma 
apontar certas características desses direitos, não o fazendo, 
todavia, de maneira uniforme.
O estudo dessas características é importante por duas 
razões básicas: em primeiro lugar, permite a compreensão 
do atual estágio de desenvolvimento da proteção dos direitos 
humanos na esfera internacional.
Em segundo lugar, permite ao operador do Direito brasi‑
leiro o uso dessas características no âmbito interno, uma vez 
que o Brasil, além de ser signatário de dezenas de tratados 
de direitos humanos, já reconheceu a jurisdição obrigatória 
da Corte Interamericana de Direito Humanos, cujas decisões 
serviram para formar o quadro das principais características 
dos direitos humanos na esfera internacional.
Historicidade
Os direitos humanos apresentam natureza histórica, 
advindo do Cristianismo, superando diversas revoluções até 
a chegada aos dias atuais.
Universalidade
Os direitos humanos são universais na medida em que 
abrangem todo e qualquer ser humano, sem distinção. Claro 
que determinados direitos humanos incidem sobre comu‑
nidade específica, como os direitos trabalhistas, os direitos 
dos migrantes e os direitos das pessoas com deficiência, 
entre outros. A universalidade é característica que decorre 
da proteção da igualdade (formal e material) como dimensão 
essencial da dignidade da pessoa humana. Não obstante, ser 
universal não significa ser absoluto.
19 Os direitos humanos não se sucedem em gerações, mas se acumulam em 
dimensões.
20 Os direitos políticos e sociais devem reforçar-se mutuamente.
21 Interatividade entre direitos humanos e os sistemas internacionais de proteção. 
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Irrenunciabilidade
Não cabe ao titular do direito humano renunciá-lo. 
Fundamenta-se esta característica na impossibilidade de o 
homem despir-se de sua dignidade. Essa característicaé alvo 
de intensas críticas, na perspectiva do campo fático, haja 
vista não serem poucas as circunstâncias em que se admite 
que o titular de gozar parte ou mesmo a integralidade de 
determinado direito humano.
Inalienabilidade e Indisponibilidade
Outrossim, os direitos humanos são inalienáveis e ina‑
fastáveis, não podem ser transferidos para outrem, ainda 
que com a anuência de seu titular. Não é permitida a sua 
transmissão, disponibilização ou transigência, tanto a título 
gratuito quanto oneroso.
Indivisibilidade
Os direitos humanos são indivisíveis, ou seja, pela sua 
natureza não podem ser decompostos. Como possuem 
uma composição uniforme, que não permite distinguir seus 
componentes, formando um todo homogêneo, sua eventual 
dissociação acabaria por desconfigurá-los. Não obstante as 
disposições sejam autônomas, o conjunto de normas é uno, 
incindível.
efetividade
Os direitos humanos são efetivos. Não basta o singelo 
reconhecimento abstrato de sua existência pelos Estados. 
O Poder Público deve responsabilizar-se pela sua aplicação 
de maneira incontestável, não podendo tais direitos existirem 
apenas no âmbito da subjetividade humana.
essencialidade
Os direitos humanos são essenciais, na medida de cons‑
tituir preceitos excepcionais e inerentes ao homem, que 
protegem interesses fundamentais e indispensáveis para a 
sua sobrevivência.
São direitos revestidos de imprescindibilidade, cuja tutela é 
vital para a própria existência da pessoa humana
Relatividade
Admite-se a relatividade dos direitos humanos como 
saída teórica para uma insustentável (do ponto de vista 
prático) concepção intransigente acerca das características 
da universalidade e da irrenunciabilidade. Nesta linha, não 
se nega que diretos humanos colidem entre si e podem 
sofre restrições por ato estatal ou do próprio titular, O pró‑
prio Poder Constituinte Originário tratou, na Constituição 
Federal brasileira de promover de saída, algumas restrições 
a direitos fundamentais, do que são exemplos a vedação 
da associação par fins paramilitares, a pena de morte em 
caso de guerra, a prisão em flagrante delito (dispensada a 
autorização judicial), a garantia do direito de propriedade 
condicionado à observância de sua função social e o não 
cabimento de habeas corpus em relação a punições disci‑
plinares de natureza militar.
Imprescritibilidade
Enquanto instituto aplicável, na essência, a direitos 
patrimoniais, a prescrição não se aplica aos direitos hu‑
manos, ante sua natureza personalíssima e seu escopo de 
salvaguarda da dignidade da pessoa humana. Sendo assim, 
a prevenção, a repressão ou a reparação de violação a qual‑
quer direito humano jamais poderá deixar de ser levada a 
efeito por decurso de prazo.
Concorrência, Complementariedade ou 
Interdependência
Os direitos humanos são passiveis de exercício conco‑
mitante, como ocorre com a liberdade de expressão e a 
liberdade de religião, quando dos discursos proferidos em ce‑
rimonias e cultos, e com a liberdade de reunião e o direito de 
greve, no caso das assembleias grevistas. Esta característica, 
inclusive intrínseca a certos direitos humanos, nos casos em 
que deriva do outro ou nele encontra suporte (complemen‑
tariedade ou interdependência), como por exemplo, direito 
à vida/direito à saúde; direito à educação/direito à cultura; 
liberdade de ir e vir/habeas corpus; direito à privacidade/
sigilo das comunicações; liberdade de associação/direito à 
representação por sindicato, etc.
Constitucionalização
No plano doméstico sob a ótica da consolidação da sua 
qualificada força normativa, os direitos humanos são pre‑
vistos nas Constituições com vistas a obter proteção e cen‑
tralidade, auferidas por estarem enunciados no documento 
que direciona e vincula as demais normas do ordenamento 
jurídico, assim como pela experimentação dos efeitos da 
rigidez constitucional, sobretudo verificados a partir dos 
institutos da clausula pétrea e do controle de constitucio‑
nalidade (no Brasil, vigentes os sistemas concentrados e 
difuso desse controle).
Supremacia
Decorrência da sua constitucionalização, os direitos 
humanos alcançam força normativa destacada, dentro do 
ordenamento jurídico, a ponto de direcionar, vincular, limitar 
os poderes públicos constituídos. Subordinam-se aos direitos 
fundamentais os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário 
(incluindo aqueles que agem por sua delegação), os quais 
devem zelar, cada qual em seu campo de atuação, pelo res‑
peito, proteção e promoção desses direitos. A supremacia 
dos direitos fundamentais é material e formal. Material, na 
medida em que nenhum ato ou norma dos poderes consti‑
tuídos pode, em seu conteúdo, afrontar os direitos funda‑
mentais; e formal, porquanto o ordenamento jurídico não 
autoriza a supressão de direitos fundamentais por ato dos 
constituído, incluindo o legislador ordinário. Como conse‑
quência prática desta supremacia material e formal, tem-se: 
a inconstitucionalidade de normas incompatíveis com os 
direitos fundamentais; a não-recepção de normas anterio‑
res e não-conformes à Constituição; e por fim, a exigência 
de aplicação das normas jurídicas infraconstitucionais com 
adoção de sentido compatível com os direitos fundamentais 
e que melhor os otimize.
Aplicabilidade Imediata
Esta característica está inserta no §1º do art. 5º da Cons‑
tituição Federal, que estabelece que as ‘normas definidoras 
dos direitos e garantias fundamentais tem aplicação imedia-
ta’. Tal disposição na perspectiva do ordenamento jurídico 
nacional tem por finalidade marcar posição no sentido de 
que as normas de direitos humanos não são meramente 
programáticas ou simplesmente matrizes de outras normas, 
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mas têm aptidão para regular ações estatais e particulares 
(força normativa), de modo direito, ou seja, sem demandar 
a intermediação de outra norma que a regulamente. A apli‑
cabilidade imediata é característica que serve, sobretudo à 
proteção dos direitos humanos frente ao Poder Judiciário, 
que neles encontra aptidão para a solução de casos concretos 
e não simples diretrizes ou inspiração.
As arroladas características dos direitos humanos 
eleva-os à condição de normas nucleares do ordenamento 
jurídico brasileiro, de modo que sua supressão significa a 
implosão do próprio ordenamento. Não foi por outro moti‑
vo que o Poder Constituinte Originário tratou de colocar os 
direitos fundamentais sob o manto das cláusulas pétreas.
Congenialidade
Os direitos humanos são congênitos, pois pertencem ao 
indivíduo antes mesmo de seu nascimento, manifestam‑se 
espontaneamente e têm origem na própria condição hu‑
mana. São qualidades particulares ao homem, indepen‑
dentemente da existência do Estado. Assim sendo, não se 
condensam ao ordenamento jurídico interno, apesar da 
relevância do seu conteúdo.
Inexauribilidade
Os direitos humanos nunca se esgotam, pois são inexaurí‑
veis. Como estão conexos a valores, a todo momento podem 
ser somados novos direitos, sem que estes mais recentes 
desconfigurem os anteriores, mas ao contrário: o acréscimo 
reforça a concretização deles.
Proibição do Retrocesso
Os Estados estão expressamente proibidos de diminuir 
sua proteção aos direitos humanos em relação ao estágio 
em que se encontram. Tanto a norma interna quanto os 
Tratados Internacionais estão impossibilitados de estabelecer 
quaisquer condicionantes que reduzam ou eliminem direitos 
pregressamente determinados.
Teoria das Gerações ou Dimensões de Direitos 
Humanos
Sem maiores pretensões, a partir de uma relação mera‑
mente didática entre as etapas de reconhecimento dos direi‑
tos humanos e as cores da bandeira da França, associadas ao 
lema da Revolução Francesa, “liberdade, Igualdade, Fraterni‑
dade” atribuída ao jurista tcheco, naturalizado francês, Karel 
Vasak, surgiu a Teoria das Gerações de Direitos Humanos. 
A primeira geração: os direitos individuais
A primeira das gerações compreende os chamados di‑
reitos individuais. Foi a partir dos direitosindividuais que os 
direitos humanos se expandiram.
Os direitos individuais podem ser vistos como direitos 
subjetivos oponíveis ao Estado. 
A titularidade desses diretos é do indivíduo (singular) 
enquanto que no polo passivo estão todos os demais e, 
principalmente, o Estado. Alguns direitos individuais, todavia, 
podem ser exercidos de forma coletiva, como é o caso da 
liberdade de associação.
A segunda geração: os direitos econômicos, sociais e 
culturais
Após a Primeira Guerra Mundial, veio com a Constituição 
Alemã de 1919 (Constituição de Weimar) uma nova gama 
de direitos humanos, contidos na Parte II da Carta Maior 
do País. Além dos direitos individuais, a Carta Maior trouxe 
em seu corpo seções dedicadas à vida social, à religião, 
à instrução e aos estabelecimentos de ensino, e por último 
à vida econômica. 
A Segunda Geração teve forte ligação com a igualdade 
e com os anseios da classe operária que começaram a se 
manifestar contra o sistema capitalista vigente. 
Percebe-se que o conteúdo dos direitos humanos cresce 
à medida em que as pessoas tem seus direitos declarados 
e, mais ainda quando eles são satisfeitos, o que faz surgir 
abertura para o surgimento de novas necessidades e, por 
conta disso, para a descoberta de novos direitos. 
A terceira geração: os direitos de solidariedade
Como as necessidades humanas aumentam com o desen‑
volvimento da sociedade e, principalmente, com a satisfação 
das necessidades anteriores, a evolução dos direitos huma‑
nos, ou melhor, o implemento do conteúdo do objeto de 
estudo dos direitos humanos não cessou com o surgimento 
dos direitos sociais. Essa nova etapa na evolução dos direitos 
humanos ficou conhecida como direitos de solidariedade ou 
de fraternidade.
Os direitos de solidariedade contemplam o direito à paz, 
ao desenvolvimento, ao meio ambiente sadio e ao patrimô‑
nio comum da humanidade.
Esses direitos têm titularidade coletiva e o sujeito passivo, 
é em regra o Estado. Podem ser colocados também como 
titulares desses direitos os Estados que tiveram a sua paz 
turbada por atitudes de outros sujeitos de direito interna‑
cional público.
Há doutrinadores que já entendem existentes a quarta 
e a quinta geração de direitos.
A quarta geração seriam os direitos à democracia, à 
informação e o direito ao pluralismo. 22 Já a quinta geração 
de direitos fundamentais seria o direito à paz. 
A teoria das gerações vem sendo criticada por suposta‑
mente atentar contra a universalidade, a indivisibilidade e 
a interdependência, características dos direitos humanos, 
essenciais para a sua efetividade, como explicitado na Decla‑
ração e Programa de Ação de Viena de 1993 (ONU). Por este 
motivo, há uma predileção atual em substituir-se o termo 
“gerações ”pelo termo “dimensões”.
AFIRMAÇÃO HISTÓRICA DOS DIReITOS 
HUMANOS
Imagina-se que os direitos humanos foram fruto da Se‑
gunda Guerra Mundial, no entanto, a evolução desse ramo 
do Direito começou muito tempo antes do massacre étnico 
que se deu sob os domínios da Alemanha Nazista.
Antiguidade
Já na Antiguidade, é possível encontrar instrumentos 
que podem ser equiparados às normas de proteção aos 
direitos humanos, como é o caso do Código de Hamurábi e 
da Lei de Talião.
O Código de Hamurábi foi criado no Século XVIII a.C. 
e se constitui como um antiquíssimo conjunto de normas 
da Mesopotâmia, elaborado pelo Rei Hamurábi, filho de 
Sinmuballit. Ele foi o sexto rei da primeira dinastia babilônica, 
denominada amoritas.
22 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 7ª Ed. São Paulo: Malheiros; 
1998, p.525. 
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O Código de Hamurábi é um monumento de estrutura 
geológica, constituído por única e maciça rocha magmática 
de diorito, na qual o rei é retratado recebendo a insígnia 
do reinado e sobre o qual se dispõem 21 colunas de escrita 
cuneiforme assírio-babilônia desenvolvida pelos sumérios 
(afro-asiáticos), com 282 dispositivos em 3.600 linhas, que 
regulavam a conduta das pessoas na sociedade.
Havia regra para três classes diferentes:
1) Awelum: homens livres e de classe mais alta, que era
merecedora de maiores compensações por injúrias,
mas que arcava com multas maiores em face da prá‑
tica de ofensas;
2) Mushkenum: cidadão livre, mas de classe inferior e
com obrigações mais suaves; e
3) Wardum: escravo marcado que, apesar disso, poderia
possuir propriedade.
Aplicavam-se penas de morte (afogamento, fogueira, 
forca, empalação) mutilações corporais (cortar a língua, seio, 
orelha, arrancar olhos, dentes) e outras penas infamantes.
O Código de Hamurábi tinha por objetivo a implantação 
da justiça na Terra, com a destruição do mal e a prevenção 
da opressão do fraco pelo forte, propiciando o bem-estar do 
povo e a iluminação do mundo.
Seus dispositivos não diferenciavam prescrições civis, 
religiosas e morais.
Já a Lei das XII Tábuas, também denominada Lex Duo – 
Decim Tabularum ou simplesmente Duodecim Tabulae, em 
latim, constituía uma antiga legislação que se encontra na 
formação do direito romano.
A Lei das XII Tábuas foi promulgada entre os anos de 451 
e 450 a.C., tendo sido escrita em 12 tabletes de madeira, 
que foram afixados no fórum romano de forma que todas as 
pessoas pudessem lê-los e conhecer o seu conteúdo.
Originou-se para estabelecer a igualdade de direitos 
entre as diversas classes sociais, sendo vedada a beligerância 
privada.
Idade Média
A Idade Média (476 a 1453) teve como marco inicial 
a tomada do Império Romano do Ocidente pelos povos 
bárbaros e como termo a tomada de Constantinopla pelos 
turco-otomanos, e por mais incrível que possa parecer, 
trouxe maior proteção ao ser humano.
Na Alta Idade Média, também chamada Idade Média 
Antiga ou Antiguidade Tardia (Séculos V ao X), não houve 
evento que se destacasse a proteção dos direitos humanos. 
Já na Baixa Idade Média (Séculos XI ao XV), houve a elabora‑
ção do mais importante diploma sobre o tema até então: a 
Magna Carta, do Rei João Sem Terra (Lackland), como assim 
ficou conhecido. Isso porque não recebeu terras em herança, 
ao contrário de seu irmão mais velho.
A Magna Carta foi um instrumento elaborado em 15 de 
junho de 1215 que restringiu o poder do Rei João da Inglater‑
ra, que a assinou, bem como de seus sucessores, obstando 
o exercício de um poder pleno.
A Magna Carta foi criada em face de desinteligências 
entre o Rei João, o Papa Inocêncio e os barões ingleses sobre 
as prerrogativas do distinto monarca.
Em consonância com os termos da Magna Carta, João 
deveria abjurar determinados direitos, obedecer a certos 
procedimentos legais e admitir como verdade que a vontade 
do imperador estaria submissa à lei.
Idade Moderna
A Idade Moderna (1453 a 1789), que se iniciou com a 
tomada de Constantinopla pelos turco-otomanos e terminou 
com a Revolução Francesa, caracterizou-se pela conquista da 
proteção aos direitos humanos.
Face a estes acontecimentos, decorrentes do processo 
de maturação da sociedade e do desenvolvimento social e 
histórico surgiram várias declarações de direitos.
Tratado de Westfália (Alemanha, 1648)
Com o advento da Idade Moderna, mais precisamente 
no século XVII, no ano de 1648, foram assinados os Tratados 
de Westfália, que levaram a termo a penosa e grave Guerra 
dos Trinta Anos (1618 a 1648) entre os católicos e protes‑
tantes. Os países protestantes foram reconhecidos (Tratado 
de Osnabruck) e os católicos obtiveram sua independência 
da Igreja (Tratado de Munster).
Conforme ensina Malheiro, estes Tratados foram os pri‑
meiros documentos a trazer uma configuração dos “Estados” 
bastante similar à que conhecemos hoje e a estabelecer entre 
eles uma concepção de equilíbrio, conhecida como “Princípio 
da igualdade formal”.
Os Estados, então, renunciaram sua consideração a uma 
hesitante hierarquia internacional fundamentada na religião 
e não mais conceberam nenhum outro poder superior por 
si sós, o que foi denominado soberania.
Bill Of Rights (Inglaterra, 1689)
O Bill of Rights foi criado na Inglaterra,em 13 de fevereiro 
de 1689, reprisou as normas da Magna Carta e destacou a 
independência do Parlamento, sendo considerado a gênese 
do princípio da separação dos poderes. Com ele, a população 
teria as liberdades de expressão e política, além da tolerân‑
cia – e não liberdade – religiosa.
Declaração de Direitos da Virgínia (eUA, 1776)
A Declaração de Direitos da Virgínia, de concepção ilumi‑
nista, foi elaborada em Willinasburg (EUA), em 12 de junho 
de 1776, insere-se no contexto da Alfétena pela insubmissão 
americana e precede a Declaração de Independência dos 
Estados Unidos da América.
Declaração de Independência dos estados Unidos da 
América
A Declaração de Independência dos Estados Unidos da 
América, foi ratificada em 4 de julho de 1776 e representou 
o ato inaugural da democracia moderna.
Estabeleceu a separação entre as 13 colônias da América 
do Norte e o Reino Unido. Em seu texto, determinou a repre‑
sentação do povo com a restrição dos poderes do governo e 
a inalienabilidade dos direitos humanos.
Constituição dos estados Unidos da América
Entre 25 de maio e 17 de setembro de 1787, foram reali‑
zadas as discussões e houve a aprovação da primeira e única 
Constituição dos Estados Unidos da América, pela Convenção 
Constitucional da Filadélfia, na Pensilvânia. Os autores da 
Constituição americana foram influenciados pelo pacifismo 
e contrários ao uso político-econômico das guerras.
Cuida-se da segunda Constituição mais antiga do mundo, 
que ainda está em vigor, pois a primeira é a de San Marino, 
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que vigora desde 1600. A Constituição americana prega uma 
autonomia política para os Estados integrantes da federação 
e um poder central forte.
O diploma prevê um sistema de modificações, mediante 
emendas que, atualmente, são 27. As dez primeiras emendas 
são designadas por Carta de Direitos dos Estados Unidos (Bill 
of Rights – 1791), pois contém os direitos do cidadão perante 
o poder do Estado. Não houve consenso para a sua inserção
no texto original da Constituição.
Idade Contemporânea
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão 
(França, 1789)
A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão foi 
inspirada na Revolução Estadunidense, ocorrida em 1776, 
e nos ideais filosóficos iluministas. No dia 26 de agosto de 
1789, a Assembleia Nacional Constituinte da França apro‑
vou-a, tendo sido votada definitivamente em 2 de outubro 
do mesmo ano.
Com 17 artigos e um preâmbulo de ideais libertários e 
liberais, proclamou as liberdades e dos direitos fundamentais 
do homem. O seu objetivo foi universalizar os princípios de 
liberdade, igualdade e fraternidade; prega um Estado laico, 
o direito de associação política, o princípio da reserva legal,
da anterioridade e do estado de inocência, além da livre 
manifestação do pensamento.
Igualmente, prevê em seu texto, que a finalidade de toda 
associação política é a conservação dos direitos naturais e 
imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, 
a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.
De acordo com o diploma, ninguém pode ser acusado, 
preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e 
de acordo com as formas por ela prescritas. Aqueles que 
solicitarem, expedirem, executarem ou mandarem executar 
ordens arbitrárias deverão ser punidos; mas qualquer cida‑
dão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer 
imediatamente, sob pena de ser culpado de resistência. Em 
conformidade com a Declaração, a sociedade tem o direito 
de pedir contas a todo agente público pela sua administração.
Constituição Mexicana (México, 1917)
A atual Constituição Mexicana remonta o ano de 1917 e 
foi promulgada em 5 de fevereiro daquele ano, tendo sofrido 
diversas alterações desde então.
A repercussão mundial e mesmo na América Latina foi 
mínima. No entanto, as regras relacionadas ao trabalho e à 
proteção social foram bastante revolucionárias para a época. 
A Carta Suprema do México caracteriza-se pelo anticlerica‑
lismo, agrarismo, sensibilidade social e nacionalismo. Ela 
traz um elenco de direitos do trabalhador e demostra certa 
hostilidade em relação ao poder econômico.
Constituição Alemã (de Weimar, Alemanha 1919)
Tendo assinado o Tratado de Versalhes, em 28 de junho 
de 1919, a Alemanha precisava elaborar uma nova Cons‑
tituição, principalmente para romper com o seu passado 
e também para o estabelecimento de novos direitos que 
colocassem em destaque a proteção do ser humano.
O Tratado produziu um choque e grande humilhação à 
população, já que a Alemanha foi obrigada a reconhecer 
a independência da Áustria, além de perder todas as suas 
colônias arquipelágicas, assim como aquelas localizadas no 
continente africano. Teve também que admitir uma restrição 
ao tamanho de seus exércitos e se obrigar a ressarcir todos 
os Estados vencedores da Primeira Guerra Mundial. Nesse 
contexto, nasceu a Constituição Alemã, assinada em 11 de 
agosto de 1919.
A estrutura da Constituição de Weimar é claramente 
dualista: a primeira parte teve por objetivo a organização 
do Estado, enquanto a segunda parte apresentava a decla‑
ração dos direitos e deveres fundamentais, acrescentando 
às clássicas liberdades individuais os novos direitos de 
conteúdo social.
Direitos Humanos e a Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial teve início com a invasão 
da Polônia, em 1º de setembro de 1939, e findou em 2 de 
setembro de 1945, com a assinatura da rendição formal 
do Japão, a bordo do encouraçado Missouri, na baía de 
Tóquio. Na verdade, a Segunda Guerra Mundial começou 
muito antes, pois menos de um mês, após a promulgação da 
Constituição Alemã, fundou-se, em setembro do mesmo ano, 
numa cervejaria em Munique, o Partido Operário Alemão. 
Encontrava‑se entre os indivíduos que se reuniram para a 
sua criação um jovem cabo austríaco chamado Adolf Hitler. 
O Partido transformou-se, em 1920, no Partido Nacional 
Socialista dos Trabalhadores Alemães e sob essa denomina‑
ção foi mal preparado um golpe de Estado, em 1923. Tendo 
fracassado na Baviera, Adolf Hitler foi condenado à prisão, 
cumprindo apenas oito meses da pena de cinco anos que 
tinha sido aplicada. Uma vez em liberdade, Hitler reorganizou 
seu partido, determinou o seu programa de ação e criou uma 
força armada para apoiar as reivindicações políticas.
Em 1930, o seu partido já possuía 107 Deputados no 
Poder, e em 30 de janeiro de 1933, ele foi nomeado chan‑
celer pelo então Presidente alemão, Paul von Hindenburg. 
Com a morte do Presidente, em 2 de agosto de 1934, Hitler 
ascende ao Poder.
Vale destacar, que em 14 de outubro de 1933, a Ale‑
manha se retirou da Conferência Geral do Desarmamento, 
em Genebra. Uma semana depois, recolheu-se da Liga das 
Nações.
O serviço militar foi restabelecido em março de 1935 e 
um exército de mais de 500 mil homens foi criado. Em 12 
de março de 1938, as tropas alemãs penetraram na Áustria, 
e em 10 de abril do mesmo ano, realiza-se um plebiscito em 
que 99,7% dos austríacos aprovam a união com a Alemanha. 
Os que se opuseram foram encaminhados ao cárcere.
Na madrugada de 1º de setembro de 1939, a Alemanha 
atravessou a fronteira polonesa sem aviso prévio e, sem que 
se desse conta, Adolf Hitler desencadeou a Segunda Guerra 
Mundial. Inúmeros acontecimentos entre 1º de setembro 
de 1939 e 2 de setembro de 1945 (fim da Segunda grande 
Guerra) destroçaram a proteção aos direitos humanos no 
cenário das relações exteriores.
É inegável que com o advento da conflagração global e 
dos massacres perpetrados, os direitos humanos entraram 
em colapso severo. No entanto, com o término dos conflitos, 
houve um desenvolvimento sem precedentes em sua histó‑
ria com o surgimento de inúmeros tratados internacionais 
cuidando do tema.
Tanto a Primeira Guerra Mundial (agosto de 1914 a 
novembro de 1918), cujo triste epílogo trouxe consigo o 
legado da perda de mais de oito milhões de pessoas, quanto 
a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), com todos os seus 
atos cruéis, desumanos, atrozese mais de 45 milhões de 
mortos, serviram para apresentar ao mundo a necessidade 
inquietante e imediata de proteção dos direitos humanos na 
dimensão internacional.
A primeira manifestação dessa proteção, mostrou a sua 
face com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 
1948, que foi a base de outros diplomas internacionais, 
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como o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos 
e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais, ambos em 1966.
Na verdade, o que se buscou foi a reconstrução da dou‑
trina de direitos humanos. Nesse aspecto, cumpre ressaltar a 
diferença doutrinária entre as proficientes expressões direi-
tos do homem, direitos humanos e direitos fundamentais.
Direito do homem é a expressão que se refere aos di‑
reitos naturais ainda não positivados, capazes de proteger 
o ser humano na esfera mundial.
Direitos humanos são aqueles consignados em tratados 
e convenções internacionais.
Já os direitos fundamentais estão relacionados àqueles 
que visam à proteção do homem e que estão registrados nas 
Constituições dos Estados.
O SISTeMA INTeRNACIONAL De 
PROTeÇÃO e PROMOÇÃO DOS DIReITOS 
HUMANOS: ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕeS 
UNIDAS (ONU)
A preocupação com a questão dos direitos humanos é 
antiga, embora sua positivação internacional seja fenômeno 
recente, fruto de um processo que se inicia no pós-Segunda 
Guerra Mundial. Os principais instrumentos internacionais 
de proteção desses direitos surgem inicialmente como uma 
tentativa de se evitar a repetição das violações cometidas por 
sistemas totalitários, como o fascismo e o nazismo. A partir 
daí o tema dos direitos humanos passou a possuir status 
obrigatório na agenda internacional.
Em virtude desse processo, proliferam-se convenções 
de âmbito internacional estabelecendo garantias mínimas 
ao bem-estar da pessoa humana, cujo instrumento mais 
conhecido é a Declaração Universal dos Direitos do Homem, 
assinada em 10 de dezembro de 1948 no âmbito da Assem‑
bleia-Geral das Nações Unidas. A partir da assinatura dessa 
Declaração, a proteção dos direitos humanos passaria a ser 
considerada não mais como assunto interno de cada Estado, 
mas como foco do interesse comum de toda a humanidade. 
Esse processo de universalização dos direitos humanos, por 
sua vez, acarretou a formação de sistemas de proteção vol‑
tados à garantia desses direitos como o Sistema Global ou 
Universal de Proteção, que se formou nas Nações Unidas, 
e os Sistemas de Regionais de Proteção: Europeu, Americano 
e Africano. Desenvolve-se, assim, o que se denominou Direito 
Internacional dos Direitos Humanos.
Sistema Global ou Universal
O Sistema Global ou Universal de proteção é comandado 
pela Organização das Nações Unidas – ONU.
A Organização das Nações Unidas, também conhecida 
pela sigla ONU, é uma organização internacional formada 
por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar 
pela paz e o desenvolvimento mundial.
O preâmbulo da Carta das Nações Unidas – documento 
de fundação da Organização – expressa os ideais e os pro‑
pósitos dos povos cujos governos se uniram para constituir 
as Nações Unidas.
História da ONU
Depois da II Guerra Mundial, que devastou dezenas de 
países e tomou a vida de milhões de seres humanos, existia 
na comunidade internacional um sentimento generalizado 
de que era necessário encontrar uma forma de manter a 
paz entre os países.
Porém, a ideia de criar a ONU não surgiu de uma hora 
para outra. Foram necessários anos de planejamento e 
dezenas de horas de discussões antes do surgimento da 
Organização.
O nome “Nações Unidas” foi concebido pelo presidente 
norte-americano Franklin Roosevelt e utilizado pela primeira 
vez na Declaração das Nações Unidas, de 1º de janeiro de 
1942, quando os representantes de 26 países assumiram o 
compromisso de que seus governos continuariam lutando 
contra as potências do Eixo.
A Carta das Nações Unidas foi elaborada pelos represen‑
tantes de 50 países presentes à Conferência sobre Organiza‑
ção Internacional, que se reuniu em São Francisco de 25 de 
abril a 26 de junho de 1945.
As Nações Unidas, entretanto, começaram a existir ofi‑
cialmente em 24 de outubro de 1945, após a ratificação da 
Carta por China, Estados Unidos, França, Reino Unido e a 
ex-União Soviética, bem como pela maioria dos signatários. 
O dia 24 de outubro é comemorado em todo o mundo como 
o “Dia das Nações Unidas”.
O Brasil ratificou a Carta em 22 de outubro de 1945 
(Decreto nº 19.841). O Estatuto da Corte Internacional de 
Justiça faz parte integrante da Carta.
Sede da ONU
Durante a primeira reunião da Assembleia Geral, que 
aconteceu na capital do Reino Unido, Londres, em 1946, 
ficou decidido que a sede permanente da Organização seria 
nos Estados Unidos.
Em dezembro de 1946, John D. Rockefeller Jr. ofereceu 
cerca de oito milhões de dólares para a compra de parte dos 
terrenos na margem do East River, na ilha de Manhattan, em 
Nova York. A cidade de NY ofereceu o restante dos terrenos 
para possibilitar a construção da sede da Organização.
Hoje em dia, a estrutura central da ONU fica em Nova 
York, com sedes também em Genebra (Suíça), Viena (Áustria), 
Nairóbi (Quênia), Addis Abeba (Etiópia), Bangkok (Tailândia), 
Beirute (Líbano) e Santiago (Chile), além de escritórios espa‑
lhados em grande parte do mundo.
Propósitos da ONU
• Manter a paz e a segurança internacionais.
• Desenvolver relações amistosas entre as nações.
• Realizar a cooperação internacional para resolver os
problemas mundiais de caráter econômico, social,
cultural e humanitário, promovendo o respeito aos
direitos humanos e às liberdades fundamentais.
• Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos
para a consecução desses objetivos comuns.
Princípios da ONU
As Nações Unidas agem de acordo com os seguintes 
princípios:
• todos os membros se obrigam a cumprir de boa-fé os
compromissos da Carta;
• todos deverão resolver suas controvérsias internacio‑
nais por meios pacíficos, de modo que não sejam ame‑
açadas a paz, a segurança e a justiça internacionais;
• todos deverão abster-se em suas relações internacio‑
nais de recorrer à ameaça ou ao emprego da força
contra outros Estados;
• Todos deverão dar assistência às Nações Unidas em
qualquer medida que a Organização tomar em con‑
formidade com os preceitos da Carta, abstendo-se de
prestar auxílio a qualquer Estado contra o qual as Na‑
ções Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo;
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• cabe às Nações Unidas fazer com que os Estado, que
não são membros da Organização, ajam de acordo
com esses princípios em tudo quanto for necessário à
manutenção da paz e da segurança internacionais;
• nenhum preceito da Carta autoriza as Nações Unidas a
intervir em assuntos que são essencialmente da alçada
nacional de cada país.
estrutura da ONU
De acordo com a Carta, a ONU, para que pudesse aten‑
der seus múltiplos mandatos, teria seis órgãos principais, 
a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho 
econômico e Social, o Conselho de Tutela, a Corte Interna-
cional de Justiça e o Secretariado.
A Assembleia Geral
A Assembleia Geral da ONU é o principal órgão delibera‑
tivo da ONU. É lá que todos os Estados-Membros da Orga‑
nização (193 países23) se reúnem para discutir os assuntos 
que afetam a vida de todos os habitantes do planeta. Na 
Assembleia Geral, todos os países têm direito a um voto, 
ou seja, existe total igualdade entre todos seus membros.
Atenção!
O Brasil participa dos processos de tomada de decisão e 
do trabalho das Nações Unidas principalmente por meio 
de quatro representações permanentes – nas cidades de 
Nova York (Estados Unidos), Genebra (Suíça), Roma (Itália) 
e Paris (França).
A função das representações é acompanhar de perto a 
agenda da ONU, ter informações mais específicas sobre os 
trabalhos e ampliar a participação do País no Sistema. As des‑
pesas destas representações são inteiramente custeadas 
pelo Ministériodas Relações Exteriores do Brasil.
Assuntos em pauta na Assembleia Geral: paz e seguran‑
ça, aprovação de novos membros, questões de orçamento, 
desarmamento, cooperação internacional em todas as áreas, 
direitos humanos etc. As resoluções – votadas e aprovadas – 
da Assembleia Geral funcionam como recomendações e não 
são obrigatórias.
Principais Funções da Assembleia Geral da ONU
• Discutir e fazer recomendações sobre todos os assun‑
tos em pauta na ONU.
• Discutir questões ligadas a conflitos militares – com
exceção daqueles na pauta do Conselho de Segurança.
• Discutir formas e meios para melhorar as condições
de vida das crianças, dos jovens e das mulheres.
• Discutir assuntos ligados ao desenvolvimento susten‑
tável, meio ambiente e direitos humanos.
• Decidir as contribuições dos Estados-Membros e como
estas contribuições devem ser gastas.
• Eleger os novos Secretários-Gerais da Organização.
23 A ONU possui hoje 193 Países-membros, dos quais 51 são membros fundadores, 
e o Brasil é um deles. Chamam-se Membros-Fundadores das Nações Unidas 
os países que assinaram a Declaração das Nações Unidas de 1º de janeiro de 
1942 ou que tomaram parte da Conferência de São Francisco, tendo assinado e 
ratificado a Carta. Outros países podem ingressar nas Nações Unidas por deci‑
são da Assembleia-Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. 
Por outro lado, também é possível a suspensão ou expulsão de um membro. 
A suspensão pode ocorrer quando o Conselho de Segurança tomar medidas 
preventivas ou coercitivas contra um Estado-Membro, cabendo a expulsão 
sempre que houver uma violação persistente dos preceitos da Carta.
Conselho de Segurança
O Conselho de Segurança é o órgão da ONU responsá‑
vel pela paz e segurança internacionais. Ele é formado por 
15 membros: cinco permanentes, que possuem o direito 
a veto – Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e 
China – e dez membros não-permanentes, eleitos pela 
Assembleia-Geral por dois anos.
Vale destacar, que o Conselho de Segurança é o único 
órgão da ONU que tem poder decisório, isto é, todos os 
membros das Nações Unidas devem aceitar e cumprir as 
decisões do Conselho.
Principais Funções
• Manter a paz e a segurança internacional.
• Determinar a criação, continuação e encerramento das
Missões de Paz, de acordo com os Capítulos VI, VII e
VIII da Carta.
• Investigar toda situação que possa vir a se transformar
em um conflito internacional.
• Recomendar métodos de diálogo entre os países.
• Elaborar planos de regulamentação de armamentos.
• Determinar se existe uma ameaça para a paz.
• Solicitar aos países que apliquem sanções econômicas
e outras medidas para impedir ou deter alguma agres‑
são.
• Recomendar o ingresso de novos membros na ONU.
• Recomendar para a Assembleia Geral a eleição de um
novo Secretário-Geral.
Conselho econômico e Social
O Conselho Econômico e Social (ECOSOC), composto por 
54 (cinquenta e quatro) membros é o órgão coordenador do 
trabalho econômico e social da ONU, das Agências Especia‑
lizadas e das demais instituições integrantes do Sistema das 
Nações Unidas.
O Conselho formula recomendações e inicia atividades 
relacionadas com o desenvolvimento, comércio internacio‑
nal, industrialização, recursos naturais, direitos humanos, 
condição da mulher, população, ciência e tecnologia, pre‑
venção do crime, bem-estar social e muitas outras questões 
econômicas e sociais.
Principais Funções
• Coordenar o trabalho econômico e social da ONU e das
instituições e organismos especializados do Sistema.
• Colaborar com os programas da ONU.
• Desenvolver pesquisas e relatórios sobre questões
econômicas e sociais.
• Promover o respeito aos direitos humanos e as liber‑
dades fundamentais.
Conselho de Tutela
Segundo a Carta, cabia ao Conselho de Tutela a su‑
pervisão da administração dos territórios sob regime de 
tutela internacional. As principais metas desse regime de 
tutela consistiam em promover o progresso dos habitantes 
dos territórios e desenvolver condições para a progressiva 
independência e estabelecimento de um governo próprio.
Os objetivos do Conselho de Tutela foram tão ampla‑
mente atingidos que os territórios, inicialmente sob esse 
regime – em sua maioria países da África – alcançaram, 
ao longo dos últimos anos, sua independência. Tanto assim, 
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que em 19 de novembro de 1994, o Conselho de Tutela sus‑
pendeu suas atividades, após quase meio século de luta em 
favor da autodeterminação dos povos. A decisão foi tomada 
após o encerramento do acordo de tutela sobre o território 
de Palau, no Pacífico. Palau, último território do mundo que 
ainda era tutelado pela ONU, tornou-se então um Estado 
soberano, membro das Nações Unidas.
Corte Internacional de Justiça
A Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia 
(Holanda), é o principal órgão judiciário das Nações Unidas. 
Todos os países que fazem parte do Estatuto da Corte – que 
é parte da Carta das Nações Unidas – podem recorrer a ela. 
Somente países, nunca indivíduos, podem pedir pareceres 
à Corte Internacional de Justiça.
Além disso, a Assembleia Geral e o Conselho de Segu‑
rança podem solicitar à Corte pareceres sobre quaisquer 
questões jurídicas, assim como os outros órgãos das Nações 
Unidas.
A Corte Internacional de Justiça se compõe de quinze 
juízes chamados “membros” da Corte. São eleitos pela As‑
sembleia Geral e pelo Conselho de Segurança em escrutínios 
separados.
Secretariado
O Secretariado presta serviço a outros órgãos das Nações 
Unidas e administra os programas e políticas que elabo‑
ram. Seu chefe é o secretário-geral, que é nomeado pela 
Assembleia Geral, seguindo recomendação do Conselho de 
Segurança.
Principais Funções
• Administrar as forças de paz.
• Analisar problemas econômicos e sociais.
• Preparar relatórios sobre meio ambiente ou direitos
humanos.
• Sensibilizar a opinião pública internacional sobre o
trabalho da ONU.
• Organizar conferências internacionais.
• Traduzir todos os documentos oficiais da ONU nas seis
línguas oficiais da Organização.
DeCReTO Nº 19.841, De 22 De OUTUBRO 
De 1945
Promulga a Carta das Nações 
Unidas, da qual faz parte inte-
grante o anexo Estatuto da Corte 
Internacional de Justiça, assinada 
em São Francisco, a 26 de junho de 
1945, por ocasião da Conferência 
de Organização Internacional das 
Nações Unidas.
O PReSIDeNTe DA RePÚBLICA, tendo em vista que foi 
aprovada a 4 de setembro e ratifica a 12 de setembro de 
1945. Pelo governo brasileiro a Carta das nações Unidas, 
da qual faz parte integrante o anexo Estatuto da Corte In‑
ternacional de Justiça, assinada em São Francisco, a 26 de 
junho de 1945, por ocasião da Conferencia de Organização 
Internacional da Nações Unidas; e
Havendo sido o referido instrumento de ratificação 
depositado nos arquivos do Governo do Estados Unidos da 
América a 21 de setembro de 1945 e usando da atribuição 
que lhe confere o atr. 74, letra a da Constituição,
DeCReTA:
Art. 1º fica promulgada a Carta da Nações Unidas apensa 
por cópia ao presente decreto, da qual faz parte integrante 
o anexo Estatuto da Corte Internacional de Justiça, assinada
em São Francisco, a 26 de junho de 1945.
Art. 2º Este decreto entrará em vigor na data de sua 
publicação.
Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1945, 124º da Indepen‑
dência e 57º da República.
GETÚLIO VARGAS 
P. Leão Velloso
Faço saber, aos que a presente Carta de ratificação vie‑
rem, que, entre a República dos Estados Unidos e os países 
representados na Conferência das Nações Unidas sobre 
Organização Internacional, foi concluída e assinada, pelos 
respectivos Plenipotenciários, em São Francisco, a 26 de 
junho de 1945, a Carta das Nações Unidas, da qual faz parte 
integrante o anexo Estatuto da Corte Internacional de Justiça, 
tudo do teor seguinte:
CARTA DAS NAÇÕeS UNIDAS
NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS
a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, 
que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe so‑
frimentosindizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos 
direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor 
do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das 
mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a 
estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às 
obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do 
direito internacional possam ser mantidos, e
a promover o progresso social e melhores condições de 
vida dentro de uma liberdade ampla.
E para tais fins
praticar a tolerância e viver em paz, uns com os outros, 
como bons vizinhos, e
unir as nossas forças para manter a paz e a segurança 
internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a 
instituição dos métodos, que a força armada não será usada 
a não ser no interesse comum,
a empregar um mecanismo internacional para promover 
o progresso econômico e social de todos os povos.
Resolvemos conjugar nossos esforços para a consecução 
desses objetivos.
Em vista disso, nossos respectivos Governos, por intermé‑
dio de representantes reunidos na cidade de São Francisco, 
depois de exibirem seus plenos poderes, que foram achados 
em boa e devida forma, concordaram com a presente Carta 
das Nações Unidas e estabelecem, por meio dela, uma or‑
ganização internacional que será conhecida pelo nome de 
Nações Unidas.
CAPÍTULO I
Propósitos e Princípios
Artigo 1º Os propósitos das Nações unidas são:
1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse
fim: tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ame‑
aças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer 
ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformi‑
dade com os princípios da justiça e do direito internacional, 
a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que 
possam levar a uma perturbação da paz;
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2. Desenvolver relações amistosas entre as nações,
baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos 
e de autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas 
apropriadas ao fortalecimento da paz universal;
3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver
os problemas internacionais de caráter econômico, social, 
cultural ou humanitário, e para promover e estimular o 
respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais 
para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e
4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das
nações para a consecução desses objetivos comuns.
Artigo 2º A Organização e seus Membros, para a reali‑
zação dos propósitos mencionados no Artigo 1, agirão de 
acordo com os seguintes Princípios:
1. A Organização é baseada no princípio da igualdade de
todos os seus Membros.
2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos
em geral os direitos e vantagens resultantes de sua qualidade 
de Membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por 
eles assumidas de acordo com a presente Carta.
3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias
internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam 
ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais.
4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações
internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integrida‑
de territorial ou a dependência política de qualquer Estado, 
ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das 
Nações Unidas.
5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência
em qualquer ação a que elas recorrerem de acordo com a 
presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual Estado 
contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo 
ou coercitivo.
6. A Organização fará com que os Estados que não são
Membros das Nações Unidas ajam de acordo com esses 
Princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da 
paz e da segurança internacionais.
7. Nenhum dispositivo da presente Carta autorizará as
Nações Unidas a intervirem em assuntos que dependam 
essencialmente da jurisdição de qualquer Estado ou obrigará 
os Membros a submeterem tais assuntos a uma solução, 
nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não 
prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes 
do Capitulo VII.
CAPÍTULO II
Dos Membros
Artigo 3º Os Membros originais das Nações Unidas serão 
os Estados que, tendo participado da Conferência das Nações 
Unidas sobre a Organização Internacional, realizada em São 
Francisco, ou, tendo assinado previamente a Declaração 
das Nações Unidas, de 1 de janeiro de 1942, assinarem a 
presente Carta, e a ratificarem, de acordo com o Artigo 110.
Artigo 4º 1. A admissão como Membro das Nações 
Unidas fica aberta a todos os Estados amantes da paz que 
aceitarem as obrigações contidas na presente Carta e que, 
a juízo da Organização, estiverem aptos e dispostos a cumprir 
tais obrigações.
2. A admissão de qualquer desses Estados como Mem‑
bros das Nações Unidas será efetuada por decisão da As‑
sembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de 
Segurança.
Artigo 5º O Membro das Nações Unidas, contra o qual 
for levada a efeito ação preventiva ou coercitiva por parte 
do Conselho de Segurança, poderá ser suspenso do exercício 
dos direitos e privilégios de Membro pela Assembleia Geral, 
mediante recomendação do Conselho de Segurança. O exer‑
cício desses direitos e privilégios poderá ser restabelecido 
pelo conselho de Segurança.
Artigo 6º O Membro das Nações Unidas que houver 
violado persistentemente os Princípios contidos na presente 
Carta, poderá ser expulso da Organização pela Assembleia 
Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança.
CAPÍTULO III
Órgãos
Artigo 7º 1. Ficam estabelecidos como órgãos principais 
das Nações Unidas: uma Assembleia Geral, um Conselho de 
Segurança, um Conselho Econômico e Social, um conselho de 
Tutela, uma Corte Internacional de Justiça e um Secretariado.
2. Serão estabelecidos, de acordo com a presente Carta,
os órgãos subsidiários considerados de necessidade.
Artigo 8º As Nações Unidas não farão restrições quanto à 
elegibilidade de homens e mulheres destinados a participar 
em qualquer caráter e em condições de igualdade em seus 
órgãos principais e subsidiários.
CAPÍTULO IV
Assembleia Geral
Composição
Artigo 9º 1. A Assembleia Geral será constituída por todos 
os Membros das Nações Unidas.
2. Cada Membro não deverá ter mais de cinco represen‑
tantes na Assembleia Geral.
Funções e atribuições
Artigo 10. A Assembleia Geral poderá discutir quaisquer 
questões ou assuntos que estiverem dentro das finalidades 
da presente Carta ou que se relacionarem com as atribuições 
e funções de qualquer dos órgãos nela previstos e, com exce‑
ção do estipulado no Artigo 12, poderá fazer recomendações 
aos Membros das Nações Unidas ou ao Conselho de Segu‑
rança ou a este e àqueles, conjuntamente, com referência a 
qualquer daquelas questões ou assuntos.
Artigo 11. 1. A Assembleia Geral poderá considerar os 
princípios gerais de cooperação na manutenção da paz e 
da segurança internacionais, inclusive os princípios que 
disponham sobre o desarmamento e a regulamentação dos 
armamentos, e poderá fazer recomendações relativas a tais 
princípios aos Membros ou ao Conselho de Segurança, ou a 
este e àqueles conjuntamente.
2. A Assembleia Geral poderá discutir quaisquer questões
relativas à manutenção da paz e da segurança internacio‑
nais, que a ela forem submetidas por qualquer Membro 
das Nações Unidas, ou pelo Conselho de Segurança, ou por 
um Estado que não seja Membro das Nações unidas, de 
acordo com o Artigo 35, parágrafo 2, e, com exceção do que 
fica estipulado no Artigo 12, poderá fazer recomendações 
relativas a quaisquer destas questões ao Estado ou Estados 
interessados, ou ao Conselho de Segurança ou a ambos. 
Qualquer destas questões, para cuja solução for necessária 
uma ação, será submetida ao Conselho de Segurança pela 
Assembleia Geral, antes ou depois da discussão.
3. A Assembleia Geral poderá solicitar a atenção do
Conselho de Segurança para situações que possam constituir 
ameaça à paz e à segurança internacionais.
4. As atribuições da AssembleiaGeral enumeradas neste
Artigo não limitarão a finalidade geral do Artigo 10.
Artigo 12. 1. Enquanto o Conselho de Segurança estiver 
exercendo, em relação a qualquer controvérsia ou situação, 
as funções que lhe são atribuídas na presente Carta, a As‑
sembleia Geral não fará nenhuma recomendação a respeito 
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dessa controvérsia ou situação, a menos que o Conselho de 
Segurança a solicite.
2. O Secretário-Geral, com o consentimento do Con‑
selho de Segurança, comunicará à Assembleia Geral, em 
cada sessão, quaisquer assuntos relativos à manutenção 
da paz e da segurança internacionais que estiverem sendo 
tratados pelo Conselho de Segurança, e da mesma maneira 
dará conhecimento de tais assuntos à Assembleia Geral, 
ou aos Membros das Nações Unidas se a Assembleia Geral 
não estiver em sessão, logo que o Conselho de Segurança 
terminar o exame dos referidos assuntos.
Artigo 13. 1. A Assembleia Geral iniciará estudos e fará 
recomendações, destinados a:
a) promover cooperação internacional no terreno polí‑
tico e incentivar o desenvolvimento progressivo do direito 
internacional e a sua codificação;
b) promover cooperação internacional nos terrenos
econômico, social, cultural, educacional e sanitário e favo‑
recer o pleno gozo dos direitos humanos e das liberdades 
fundamentais, por parte de todos os povos, sem distinção 
de raça, sexo, língua ou religião.
2. As demais responsabilidades, funções e atribuições da
Assembleia Geral, em relação aos assuntos mencionados no 
parágrafo 1(b) acima, estão enumeradas nos Capítulos IX e X.
Artigo 14. A Assembleia Geral, sujeita aos dispositivos 
do Artigo 12, poderá recomendar medidas para a solução 
pacífica de qualquer situação, qualquer que seja sua origem, 
que lhe pareça prejudicial ao bem-estar geral ou às relações 
amistosas entre as nações, inclusive em situações que re‑
sultem da violação dos dispositivos da presente Carta que 
estabelecem os Propósitos e Princípios das Nações Unidas.
Artigo 15. 1. A Assembleia Geral receberá e examinará 
os relatórios anuais e especiais do Conselho de Segurança. 
Esses relatórios incluirão uma relação das medidas que o 
Conselho de Segurança tenha adotado ou aplicado a fim de 
manter a paz e a segurança internacionais.
2. A Assembleia Geral receberá e examinará os relatórios
dos outros órgãos das Nações Unidas.
Artigo 16. A Assembleia Geral desempenhará, com 
relação ao sistema internacional de tutela, as funções a ela 
atribuídas nos Capítulos XII e XIII, inclusive a aprovação de 
acordos de tutela referentes às zonas não designadas como 
estratégias.
Artigo 17. 1. A Assembleia Geral considerará e aprovará 
o orçamento da organização.
2. As despesas da Organização serão custeadas pelos
Membros, segundo cotas fixadas pela Assembleia Geral.
3. A Assembleia Geral considerará e aprovará quaisquer
ajustes financeiros e orçamentários com as entidades espe‑
cializadas, a que se refere o Artigo 57 e examinará os orça‑
mentos administrativos de tais instituições especializadas 
com o fim de lhes fazer recomendações.
Votação
Artigo 18. 1. Cada Membro da Assembleia Geral terá 
um voto.
2. As decisões da Assembleia Geral, em questões im‑
portantes, serão tomadas por maioria de dois terços dos 
Membros presentes e votantes. Essas questões compreen‑
derão: recomendações relativas à manutenção da paz e da 
segurança internacionais; à eleição dos Membros não per‑
manentes do Conselho de Segurança; à eleição dos Membros 
do Conselho Econômico e Social; à eleição dos Membros do 
Conselho de Tutela, de acordo como parágrafo 1 (c) do Artigo 
86; à admissão de novos Membros das Nações Unidas; à sus‑
pensão dos direitos e privilégios de Membros; à expulsão dos 
Membros; questões referentes o funcionamento do sistema 
de tutela e questões orçamentárias.
3. As decisões sobre outras questões, inclusive a determi‑
nação de categoria adicionais de assuntos a serem debatidos 
por uma maioria dos membros presentes e que votem.
Artigo 19. O Membro das Nações Unidas que estiver 
em atraso no pagamento de sua contribuição financeira à 
Organização não terá voto na Assembleia Geral, se o total 
de suas contribuições atrasadas igualar ou exceder a soma 
das contribuições correspondentes aos dois anos anteriores 
completos. A Assembleia Geral poderá entretanto, permitir 
que o referido Membro vote, se ficar provado que a falta 
de pagamento é devida a condições independentes de sua 
vontade.
Processo
Artigo 20. A Assembleia Geral reunir-se-á em sessões 
anuais regulares e em sessões especiais exigidas pelas 
circunstâncias. As sessões especiais serão convocadas pelo 
Secretário-Geral, a pedido do Conselho de Segurança ou da 
maioria dos Membros das Nações Unidas.
Artigo 21. A Assembleia Geral adotará suas regras de 
processo e elegerá seu presidente para cada sessão.
Artigo 22. A Assembleia Geral poderá estabelecer os 
órgãos subsidiários que julgar necessários ao desempenho 
de suas funções.
CAPÍTULO V
Conselho de Segurança
Composição
Artigo 23. 1. O Conselho de Segurança será composto 
de quinze Membros das Nações Unidas. A República da 
China, a França, a União das Repúblicas Socialistas Soviéti‑
cas, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os 
Estados unidos da América serão membros permanentes 
do Conselho de Segurança. A Assembleia Geral elegerá dez 
outros Membros das Nações Unidas para Membros não per‑
manentes do Conselho de Segurança, tendo especialmente 
em vista, em primeiro lugar, a contribuição dos Membros das 
Nações Unidas para a manutenção da paz e da segurança 
internacionais e para os outros propósitos da Organização 
e também a distribuição geográfica equitativa.
2. Os membros não permanentes do Conselho de Segu‑
rança serão eleitos por um período de dois anos. Na primeira 
eleição dos Membros não permanentes do Conselho de 
Segurança, que se celebre depois de haver-se aumentado 
de onze para quinze o número de membros do Conselho de 
Segurança, dois dos quatro membros novos serão eleitos 
por um período de um ano. Nenhum membro que termine 
seu mandato poderá ser reeleito para o período imediato.
3. Cada Membro do Conselho de Segurança terá um
representante.
Funções e Atribuições
Artigo 24. 1. A fim de assegurar pronta e eficaz ação 
por parte das Nações Unidas, seus Membros conferem ao 
Conselho de Segurança a principal responsabilidade na ma‑
nutenção da paz e da segurança internacionais e concordam 
em que no cumprimento dos deveres impostos por essa res‑
ponsabilidade o Conselho de Segurança aja em nome deles.
2. No cumprimento desses deveres, o Conselho de
Segurança agirá de acordo com os Propósitos e Princípios 
das Nações Unidas. As atribuições específicas do Conselho 
de Segurança para o cumprimento desses deveres estão 
enumeradas nos Capítulos VI, VII, VIII e XII.
3. O Conselho de Segurança submeterá relatórios anuais
e, quando necessário, especiais à Assembleia Geral para sua 
consideração.
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Artigo 25. Os Membros das Nações Unidas concordam 
em aceitar e executar as decisões do Conselho de Segurança, 
de acordo com a presente Carta.
Artigo 26. A fim de promover o estabelecimento e a ma‑
nutenção da paz e da segurança internacionais, desviando 
para armamentos o menos possível dos recursos humanos 
e econômicos do mundo, o Conselho de Segurança terá 
o encargo de formular, com a assistência da Comissão de
Estado Maior, a que se refere o Artigo 47, os planos a se‑
rem submetidos aos Membros das Nações Unidas, para o 
estabelecimento de um sistema de regulamentação dos 
armamentos.
Votação
Artigo 27. 1. Cada membro do Conselho de Segurança 
terá um voto.
2. As decisões do conselho de Segurança, em questões
processuais, serão tomadas pelo voto afirmativo de nove 
Membros.
3. As decisões do Conselho de Segurança, em todos os
outros assuntos, serão tomadas pelo voto afirmativo de nove 
membros, inclusive os votos afirmativos de todos os mem‑
bros permanentes, ficando estabelecido que, nas decisõesprevistas no Capítulo VI e no parágrafo 3 do Artigo 52, aquele 
que for parte em uma controvérsia se absterá de votar.
Artigo 28. 1. O Conselho de Segurança será organizado de 
maneira que possa funcionar continuamente. Cada membro 
do Conselho de Segurança será, para tal fim, em todos os 
momentos, representado na sede da Organização.
2. O Conselho de Segurança terá reuniões periódicas, nas
quais cada um de seus membros poderá, se assim o desejar, 
ser representado por um membro do governo ou por outro 
representante especialmente designado.
3. O Conselho de Segurança poderá reunir-se em outros
lugares, fora da sede da Organização, e que, a seu juízo, 
possam facilitar o seu trabalho.
Artigo 29. O Conselho de Segurança poderá estabelecer 
órgãos subsidiários que julgar necessários para o desempe‑
nho de suas funções.
Artigo 30. O Conselho de Segurança adotará seu próprio 
regulamento interno, que incluirá o método de escolha de 
seu Presidente.
Artigo 31. Qualquer membro das Nações Unidas, que não 
for membro do Conselho de Segurança, poderá participar, 
sem direito a voto, na discussão de qualquer questão subme‑
tida ao Conselho de Segurança, sempre que este considere 
que os interesses do referido Membro estão especialmente 
em jogo.
Artigo 32. Qualquer Membro das Nações Unidas que não 
for Membro do Conselho de Segurança, ou qualquer Estado 
que não for Membro das Nações Unidas será convidado, 
desde que seja parte em uma controvérsia submetida ao 
Conselho de Segurança, a participar, sem voto, na discussão 
dessa controvérsia. O Conselho de Segurança determinará as 
condições que lhe parecerem justas para a participação de 
um Estado que não for Membro das Nações Unidas.
CAPÍTULO VI
Solução Pacífica de Controvérsias
Artigo 33. 1. As partes em uma controvérsia, que possa 
vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacio‑
nais, procurarão, antes de tudo, chegar a uma solução por 
negociação, inquérito, mediação, conciliação, arbitragem, 
solução judicial, recurso a entidades ou acordos regionais, 
ou a qualquer outro meio pacífico à sua escolha.
2. O Conselho de Segurança convidará, quando julgar
necessário, as referidas partes a resolver, por tais meios, 
suas controvérsias.
Artigo 34. O Conselho de Segurança poderá investigar so‑
bre qualquer controvérsia ou situação suscetível de provocar 
atritos entre as Nações ou dar origem a uma controvérsia, 
a fim de determinar se a continuação de tal controvérsia ou 
situação pode constituir ameaça à manutenção da paz e da 
segurança internacionais.
Artigo 35. 1. Qualquer Membro das Nações Unidas 
poderá solicitar a atenção do Conselho de Segurança ou da 
Assembleia Geral para qualquer controvérsia, ou qualquer si‑
tuação, da natureza das que se acham previstas no Artigo 34.
2. Um Estado que não for Membro das Nações Unidas
poderá solicitar a atenção do Conselho de Segurança ou da 
Assembleia Geral para qualquer controvérsia em que seja 
parte, uma vez que aceite, previamente, em relação a essa 
controvérsia, as obrigações de solução pacífica previstas na 
presente Carta.
3. Os atos da Assembleia Geral, a respeito dos assuntos
submetidos à sua atenção, de acordo com este Artigo, serão 
sujeitos aos dispositivos dos Artigos 11 e 12.
Artigo 36. 1. O conselho de Segurança poderá, em qual‑
quer fase de uma controvérsia da natureza a que se refere o 
Artigo 33, ou de uma situação de natureza semelhante, reco‑
mendar procedimentos ou métodos de solução apropriados.
2. O Conselho de Segurança deverá tomar em consi‑
deração quaisquer procedimentos para a solução de uma 
controvérsia que já tenham sido adotados pelas partes.
3. Ao fazer recomendações, de acordo com este Artigo,
o Conselho de Segurança deverá tomar em consideração
que as controvérsias de caráter jurídico devem, em regra 
geral, ser submetidas pelas partes à Corte Internacional de 
Justiça, de acordo com os dispositivos do Estatuto da Corte.
Artigo 37. 1. No caso em que as partes em controvérsia 
da natureza a que se refere o Artigo 33 não conseguirem 
resolve-la pelos meios indicados no mesmo Artigo, deverão 
submete-la ao Conselho de Segurança.
2. O Conselho de Segurança, caso julgue que a continu‑
ação dessa controvérsia poderá realmente constituir uma 
ameaça à manutenção da paz e da segurança internacio‑
nais, decidirá sobre a conveniência de agir de acordo com o 
Artigo 36 ou recomendar as condições que lhe parecerem 
apropriadas à sua solução.
Artigo 38. Sem prejuízo dos dispositivos dos Artigos 33 
a 37, o Conselho de Segurança poderá, se todas as partes 
em uma controvérsia assim o solicitarem, fazer recomen‑
dações às partes, tendo em vista uma solução pacífica da 
controvérsia.
CAPÍTULO VII
Ação Relativa a Ameaças à Paz,
Ruptura da Paz e Atos de Agressão
Artigo 39. O Conselho de Segurança determinará a exis‑
tência de qualquer ameaça à paz, ruptura da paz ou ato de 
agressão, e fará recomendações ou decidirá que medidas 
deverão ser tomadas de acordo com os Artigos 41 e 42, a fim 
de manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais.
Artigo 40. A fim de evitar que a situação se agrave, o Con‑
selho de Segurança poderá, antes de fazer as recomendações 
ou decidir a respeito das medidas previstas no Artigo 39, 
convidar as partes interessadas a que aceitem as medidas 
provisórias que lhe pareçam necessárias ou aconselháveis. 
Tais medidas provisórias não prejudicarão os direitos ou 
pretensões, nem a situação das partes interessadas. O Con‑
selho de Segurança tomará devida nota do não cumprimento 
dessas medidas.
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Artigo 41. O Conselho de Segurança decidirá sobre as 
medidas que, sem envolver o emprego de forças armadas, 
deverão ser tomadas para tornar efetivas suas decisões e 
poderá convidar os Membros das Nações Unidas a aplicarem 
tais medidas. Estas poderão incluir a interrupção completa 
ou parcial das relações econômicas, dos meios de comuni‑
cação ferroviários, marítimos, aéreos, postais, telegráficos, 
radiofônicos, ou de outra qualquer espécie e o rompimento 
das relações diplomáticas.
Artigo 42. No caso de o Conselho de Segurança con‑
siderar que as medidas previstas no Artigo 41 seriam ou 
demonstraram que são inadequadas, poderá levar a efeito, 
por meio de forças aéreas, navais ou terrestres, a ação que 
julgar necessária para manter ou restabelecer a paz e a 
segurança internacionais. Tal ação poderá compreender 
demonstrações, bloqueios e outras operações, por parte 
das forças aéreas, navais ou terrestres dos Membros das 
Nações Unidas.
Artigo 43. 1. Todos os Membros das Nações Unidas, a fim 
de contribuir para a manutenção da paz e da segurança inter‑
nacionais, se comprometem a proporcionar ao Conselho de 
Segurança, a seu pedido e de conformidade com o acordo ou 
acordos especiais, forças armadas, assistência e facilidades, 
inclusive direitos de passagem, necessários à manutenção 
da paz e da segurança internacionais.
2. Tal acordo ou tais acordos determinarão o número
e tipo das forças, seu grau de preparação e sua localização 
geral, bem como a natureza das facilidades e da assistência 
a serem proporcionadas.
3. O acordo ou acordos serão negociados o mais cedo
possível, por iniciativa do Conselho de Segurança. Serão 
concluídos entre o Conselho de Segurança e Membros da 
Organização ou entre o Conselho de Segurança e grupos 
de Membros e submetidos à ratificação, pelos Estados sig‑
natários, de conformidade com seus respectivos processos 
constitucionais.
Artigo 44. Quando o Conselho de Segurança decidir o 
emprego de força, deverá, antes de solicitar a um Membro 
nele não representado o fornecimento de forças armadas 
em cumprimento das obrigações assumidas em virtude 
do Artigo 43, convidar o referido Membro, se este assim o 
desejar, a participar das decisões do Conselho de Segurança 
relativas ao emprego de contingentes das forças armadas 
do dito Membro.
Artigo 45. A fim de habilitar as Nações Unidas a tomarem 
medidas militares urgentes, os Membros das Nações Unidasdeverão manter, imediatamente utilizáveis, contingentes 
das forças aéreas nacionais para a execução combinada de 
uma ação coercitiva internacional. A potência e o grau de 
preparação desses contingentes, como os planos de ação 
combinada, serão determinados pelo Conselho de Segurança 
com a assistência da Comissão de Estado Maior, dentro dos 
limites estabelecidos no acordo ou acordos especiais a que 
se refere o Artigo 43.
Artigo 46. O Conselho de Segurança, com a assistência 
da Comissão de Estado Maior, fará planos para a aplicação 
das forças armadas.
Artigo 47. 1. Será estabelecia uma Comissão de Estado 
Maior destinada a orientar e assistir o Conselho de Seguran‑
ça, em todas as questões relativas às exigências militares do 
mesmo Conselho, para manutenção da paz e da segurança 
internacionais, utilização e comando das forças colocadas à 
sua disposição, regulamentação de armamentos e possível 
desarmamento.
2. A Comissão de Estado Maior será composta dos Chefes
de Estado Maior dos Membros Permanentes do Conselho de 
Segurança ou de seus representantes. Todo Membro das Na‑
ções Unidas que não estiver permanentemente representado 
na Comissão será por esta convidado a tomar parte nos seus 
trabalhos, sempre que a sua participação for necessária ao 
eficiente cumprimento das responsabilidades da Comissão.
3. A Comissão de Estado Maior será responsável, sob a
autoridade do Conselho de Segurança, pela direção estraté‑
gica de todas as forças armadas postas à disposição do dito 
Conselho. As questões relativas ao comando dessas forças 
serão resolvidas ulteriormente.
4. A Comissão de Estado Maior, com autorização do
Conselho de Segurança e depois de consultar os organismos 
regionais adequados, poderá estabelecer sob-comissões 
regionais.
Artigo 48. 1. A ação necessária ao cumprimento das 
decisões do Conselho de Segurança para manutenção da 
paz e da segurança internacionais será levada a efeito por 
todos os Membros das Nações Unidas ou por alguns deles, 
conforme seja determinado pelo Conselho de Segurança.
2. Essas decisões serão executas pelos Membros das
Nações Unidas diretamente e, por seu intermédio, nos 
organismos internacionais apropriados de que façam parte.
Artigo 49. Os Membros das Nações Unidas prestar-se-ão 
assistência mútua para a execução das medidas determina‑
das pelo Conselho de Segurança.
Artigo 50. No caso de serem tomadas medidas preventi‑
vas ou coercitivas contra um Estado pelo Conselho de Segu‑
rança, qualquer outro Estado, Membro ou não das Nações 
unidas, que se sinta em presença de problemas especiais 
de natureza econômica, resultantes da execução daquelas 
medidas, terá o direito de consultar o Conselho de Segurança 
a respeito da solução de tais problemas.
Artigo 51. Nada na presente Carta prejudicará o direito 
inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de 
ocorrer um ataque armado contra um Membro das Nações 
Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as 
medidas necessárias para a manutenção da paz e da segu‑
rança internacionais. As medidas tomadas pelos Membros no 
exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas 
imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão, de 
modo algum, atingir a autoridade e a responsabilidade que 
a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito, em 
qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção 
ou ao restabelecimento da paz e da segurança internacionais.
CAPÍTULO VIII
Acordos Regionais
Artigo 52. 1. Nada na presente Carta impede a existência 
de acordos ou de entidades regionais, destinadas a tratar 
dos assuntos relativos à manutenção da paz e da segurança 
internacionais que forem suscetíveis de uma ação regional, 
desde que tais acordos ou entidades regionais e suas ativi‑
dades sejam compatíveis com os Propósitos e Princípios das 
Nações Unidas.
2. Os Membros das Nações Unidas, que forem parte em
tais acordos ou que constituírem tais entidades, empregarão 
todo os esforços para chegar a uma solução pacífica das 
controvérsias locais por meio desses acordos e entidades 
regionais, antes de as submeter ao Conselho de Segurança.
3. O Conselho de Segurança estimulará o desenvolvimen‑
to da solução pacífica de controvérsias locais mediante os 
referidos acordos ou entidades regionais, por iniciativa dos 
Estados interessados ou a instância do próprio conselho de 
Segurança.
4. Este Artigo não prejudica, de modo algum, a aplicação
dos Artigos 34 e 35.
Artigo 53. 1. O conselho de Segurança utilizará, quando 
for o caso, tais acordos e entidades regionais para uma ação 
coercitiva sob a sua própria autoridade. Nenhuma ação coer‑
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citiva será, no entanto, levada a efeito de conformidade com 
acordos ou entidades regionais sem autorização do Conselho 
de Segurança, com exceção das medidas contra um Estado 
inimigo como está definido no parágrafo 2 deste Artigo, que 
forem determinadas em consequência do Artigo 107 ou em 
acordos regionais destinados a impedir a renovação de uma 
política agressiva por parte de qualquer desses Estados, 
até o momento em que a Organização possa, a pedido dos 
Governos interessados, ser incumbida de impedir toda nova 
agressão por parte de tal Estado.
2. O termo Estado inimigo, usado no parágrafo 1 deste
Artigo, aplica-se a qualquer Estado que, durante a Segunda 
Guerra Mundial, foi inimigo de qualquer signatário da pre‑
sente Carta.
Artigo 54. O Conselho de Segurança será sempre informa‑
do de toda ação empreendida ou projetada de conformidade 
com os acordos ou entidades regionais para manutenção da 
paz e da segurança internacionais.
CAPÍTULO IX
Cooperação econômica e Social Internacional
Artigo 55. Com o fim de criar condições de estabilidade e 
bem estar, necessárias às relações pacíficas e amistosas entre 
as Nações, baseadas no respeito ao princípio da igualdade 
de direitos e da autodeterminação dos povos, as Nações 
Unidas favorecerão:
a) níveis mais altos de vida, trabalho efetivo e condições
de progresso e desenvolvimento econômico e social;
b) a solução dos problemas internacionais econômicos,
sociais, sanitários e conexos; a cooperação internacional, de 
caráter cultural e educacional; e
c) o respeito universal e efetivo dos direitos humanos e 
das liberdades fundamentais para todos, sem distinção de 
raça, sexo, língua ou religião.
Artigo 56. Para a realização dos propósitos enumerados 
no Artigo 55, todos os Membros da Organização se com‑
prometem a agir em cooperação com esta, em conjunto ou 
separadamente.
Artigo 57.1. As várias entidades especializadas, criadas 
por acordos intergovernamentais e com amplas responsa‑
bilidades internacionais, definidas em seus instrumentos 
básicos, nos campos econômico, social, cultural, educacional, 
sanitário e conexos, serão vinculadas às Nações Unidas, de 
conformidade com as disposições do Artigo 63.
2. Tais entidades assim vinculadas às Nações Unidas serão
designadas, daqui por diante, como entidades especializadas.
Artigo 58. A Organização fará recomendação para 
coordenação dos programas e atividades das entidades 
especializadas.
Artigo 59. A Organização, quando julgar conveniente, 
iniciará negociações entre os Estados interessados para a 
criação de novas entidades especializadas que forem ne‑
cessárias ao cumprimento dos propósitos enumerados no 
Artigo 55.
Artigo 60. A Assembleia Geral e, sob sua autoridade, 
o Conselho Econômico e Social, que dispões, para esse efei‑
to, da competência que lhe é atribuída no Capítulo X, são 
incumbidos de exercer as funções da Organização estipuladas 
no presente Capítulo.
CAPÍTULO X
Conselho econômico e Social
Composição
Artigo 61. 1. O Conselho Econômico e Social será com‑
posto de cinquenta e quatro Membros das Nações Unidas 
eleitos pela Assembleia Geral.
2 De acordo com os dispositivos do parágrafo 3, dezoito 
Membros do Conselho Econômico e Social serão eleitos cada 
ano para um período de três anos, podendo, ao terminar esse 
prazo, ser reeleitos para o períodoseguinte.
3. Na primeira eleição a realizar-se depois de elevado de
vinte e sete para cinquenta e quatro o número de Membros 
do Conselho Econômico e Social, além dos Membros que 
forem eleitos para substituir os nove Membros, cujo mandato 
expira no fim desse ano, serão eleitos outros vinte e sete 
Membros. O mandato de nove destes vinte e sete Membros 
suplementares assim eleitos expirará no fim de um ano e o 
de nove outros no fim de dois anos, de acordo com o que 
for determinado pela Assembleia Geral.
4. Cada Membro do Conselho Econômico e social terá
nele um representante.
Funções e Atribuições
Artigo 62. 1. O Conselho Econômico e Social fará ou inicia‑
rá estudos e relatórios a respeito de assuntos internacionais 
de caráter econômico, social, cultural, educacional, sanitário 
e conexos e poderá fazer recomendações a respeito de tais 
assuntos à Assembleia Geral, aos Membros das Nações Uni‑
das e às entidades especializadas interessadas.
2. Poderá, igualmente, fazer recomendações destinadas
a promover o respeito e a observância dos direitos humanos 
e das liberdades fundamentais para todos.
3. Poderá preparar projetos de convenções a serem
submetidos à Assembleia Geral, sobre assuntos de sua 
competência.
4. Poderá convocar, de acordo com as regras estipuladas
pelas Nações Unidas, conferências internacionais sobre 
assuntos de sua competência.
Artigo 63. 1. O conselho Econômico e Social poderá 
estabelecer acordos com qualquer das entidades a que se 
refere o Artigo 57, a fim de determinar as condições em que 
a entidade interessada será vinculada às Nações Unidas. Tais 
acordos serão submetidos à aprovação da Assembleia Geral.
2. Poderá coordenar as atividades das entidades especia‑
lizadas, por meio de consultas e recomendações às mesmas 
e de recomendações à Assembleia Geral e aos Membros das 
Nações Unidas.
Artigo 64. 1. O Conselho Econômico e Social poderá 
tomar as medidas adequadas a fim de obter relatórios 
regulares das entidades especializadas. Poderá entrar em 
entendimentos com os Membros das Nações Unidas e com 
as entidades especializadas, a fim de obter relatórios sobre 
as medidas tomadas para cumprimento de suas próprias 
recomendações e das que forem feitas pelas Assembleia 
Geral sobre assuntos da competência do Conselho.
2. Poderá comunicar à Assembleia Geral suas observa‑
ções a respeito desses relatórios.
Artigo 65. O Conselho Econômico e Social poderá for‑
necer informações ao Conselho de Segurança e, a pedido 
deste, prestar-lhe assistência.
Artigo 66. 1. O Conselho Econômico e Social desempe‑
nhará as funções que forem de sua competência em relação 
ao cumprimento das recomendações da Assembleia Geral.
2. Poderá mediante aprovação da Assembleia Geral,
prestar os serviços que lhe forem solicitados pelos Membros 
das Nações unidas e pelas entidades especializadas.
3. Desempenhará as demais funções específicas em
outras partes da presente Carta ou as que forem atribuídas 
pela Assembleia Geral.
Votação
Artigo 67. 1. Cada Membro do Conselho Econômico e 
Social terá um voto.
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2. As decisões do Conselho Econômico e Social serão
tomadas por maioria dos membros presentes e votantes.
Processo
Artigo 68. O Conselho Econômico e Social criará comis‑
sões para os assuntos econômicos e sociais e a proteção dos 
direitos humanos assim como outras comissões que forem 
necessárias para o desempenho de suas funções.
Artigo 69. O Conselho Econômico e Social poderá con‑
vidar qualquer Membro das Nações Unidas a tomar parte, 
sem voto, em suas deliberações sobre qualquer assunto que 
interesse particularmente a esse Membro.
Artigo 70. O Conselho Econômico e Social poderá entrar 
em entendimentos para que representantes das entidades 
especializadas tomem parte, sem voto, em suas deliberações 
e nas das comissões por ele criadas, e para que os seus 
próprios representantes tomem parte nas deliberações das 
entidades especializadas.
Artigo 71. O Conselho Econômico e Social poderá entrar 
nos entendimentos convenientes para a consulta com or‑
ganizações não governamentais, encarregadas de questões 
que estiverem dentro da sua própria competência. Tais 
entendimentos poderão ser feitos com organizações inter‑
nacionais e, quando for o caso, com organizações nacionais, 
depois de efetuadas consultas com o Membro das Nações 
Unidas no caso.
Artigo 72. 1. O Conselho Econômico e Social adotará seu 
próprio regulamento, que incluirá o método de escolha de 
seu Presidente.
2. O Conselho Econômico e Social reunir-se-á quando for
necessário, de acordo com o seu regulamento, o qual deverá 
incluir disposições referentes à convocação de reuniões a 
pedido da maioria dos Membros.
CAPÍTULO XI
Declaração Relativa a Territórios Sem Governo Próprio
Artigo 73. Os Membros das Nações Unidas, que assu‑
miram ou assumam responsabilidades pela administração 
de territórios cujos povos não tenham atingido a plena 
capacidade de se governarem a si mesmos, reconhecem o 
princípio de que os interesses dos habitantes desses territó‑
rios são da mais alta importância, e aceitam, como missão 
sagrada, a obrigação de promover no mais alto grau, dentro 
do sistema de paz e segurança internacionais estabelecido na 
presente Carta, o bem-estar dos habitantes desses territórios 
e, para tal fim, se obrigam a:
a) assegurar, com o devido respeito à cultura dos povos
interessados, o seu progresso político, econômico, social e 
educacional, o seu tratamento equitativo e a sua proteção 
contra todo abuso;
b) desenvolver sua capacidade de governo próprio, tomar
devida nota das aspirações políticas dos povos e auxiliá-los 
no desenvolvimento progressivo de suas instituições po‑
líticas livres, de acordo com as circunstâncias peculiares a 
cada território e seus habitantes e os diferentes graus de 
seu adiantamento;
c) consolidar a paz e a segurança internacionais;
d) promover medidas construtivas de desenvolvimento,
estimular pesquisas, cooperar uns com os outros e, quando 
for o caso, com entidades internacionais especializadas, com 
vistas à realização prática dos propósitos de ordem social, 
econômica ou científica enumerados neste Artigo; e
e) transmitir regularmente ao Secretário-Geral, para fins
de informação, sujeitas às reservas impostas por considera‑
ções de segurança e de ordem constitucional, informações 
estatísticas ou de outro caráter técnico, relativas às condições 
econômicas, sociais e educacionais dos territórios pelos 
quais são respectivamente responsáveis e que não estejam 
compreendidos entre aqueles a que se referem os Capítulos 
XII e XIII da Carta.
Artigo 74. Os Membros das Nações Unidas concordam 
também em que a sua política com relação aos territórios 
a que se aplica o presente Capítulo deve ser baseada, do 
mesmo modo que a política seguida nos respectivos terri‑
tórios metropolitanos, no princípio geral de boa vizinhança, 
tendo na devida conta os interesses e o bem-estar do resto 
do mundo no que se refere às questões sociais, econômicas 
e comerciais.
CAPÍTULO XII
Sistema Internacional de Tutela
Artigo 75. As nações Unidas estabelecerão sob sua autori‑
dade um sistema internacional de tutela para a administração 
e fiscalização dos territórios que possam ser colocados sob 
tal sistema em consequência de futuros acordos individuais. 
Esses territórios serão, daqui em diante, mencionados como 
territórios tutelados.
Artigo 76. Os objetivos básicos do sistema de tutela, de 
acordo com os Propósitos das Nações Unidas enumerados 
no Artigo 1 da presente Carta serão:
a) favorecer a paz e a segurança internacionais;
b) fomentar o progresso político, econômico, social e
educacional dos habitantes dos territórios tutelados e o seu 
desenvolvimento progressivo para alcançar governo próprio 
ou independência, como mais convenha às circunstâncias 
particulares de cada território e de seus habitantes e aos 
desejos livremente expressos dos povos interessados e como 
for previsto nos termos de cada acordo de tutela;
c) estimularo respeito aos direitos humanos e às liber‑
dades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo 
língua ou religião e favorecer o reconhecimento da interde‑
pendência de todos os povos; e
d) assegurar igualdade de tratamento nos domínios
social, econômico e comercial para todos os Membros das 
nações Unidas e seus nacionais e, para estes últimos, igual 
tratamento na administração da justiça, sem prejuízo dos 
objetivos acima expostos e sob reserva das disposições do 
Artigo 80.
Artigo 77. 1. O sistema de tutela será aplicado aos terri‑
tórios das categorias seguintes, que venham a ser colocados 
sob tal sistema por meio de acordos de tutela:
a) territórios atualmente sob mandato;
b) territórios que possam ser separados de Estados
inimigos em consequência da Segunda Guerra Mundial; e
c) territórios voluntariamente colocados sob tal sistema
por Estados responsáveis pela sua administração.
2. Será objeto de acordo ulterior a determinação dos ter‑
ritórios das categorias acima mencionadas a serem colocados 
sob o sistema de tutela e das condições em que o serão.
Artigo 78. O sistema de tutela não será aplicado a terri‑
tórios que se tenham tornado Membros das Nações Unidas, 
cujas relações mútuas deverão basear-se no respeito ao 
princípio da igualdade soberana.
Artigo 79. As condições de tutela em que cada território 
será colocado sob este sistema, bem como qualquer altera‑
ção ou emenda, serão determinadas por acordo entre os 
Estados diretamente interessados, inclusive a potência man‑
datária no caso de território sob mandato de um Membro 
das Nações Unidas e serão aprovadas de conformidade com 
as disposições dos Artigos 83 e 85.
Artigo 80. 1. Salvo o que for estabelecido em acordos 
individuais de tutela, feitos de conformidade com os Artigos 
77, 79 e 81, pelos quais se coloque cada território sob este 
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sistema e até que tais acordos tenham sido concluídos, 
nada neste Capítulo será interpretado como alteração de 
qualquer espécie nos direitos de qualquer Estado ou povo 
ou dos termos dos atos internacionais vigentes em que os 
Membros das Nações Unidas forem partes.
2. O parágrafo 1 deste Artigo não será interpretado
como motivo para demora ou adiamento da negociação e 
conclusão de acordos destinados a colocar territórios dentro 
do sistema de tutela, conforme as disposições do Artigo 77.
Artigo 81. O acordo de tutela deverá, em cada caso, 
incluir as condições sob as quais o território tutelado será 
administrado e designar a autoridade que exercerá essa 
administração. Tal autoridade, daqui por diante chamada a 
autoridade administradora, poderá ser um ou mais Estados 
ou a própria Organização.
Artigo 82. Poderão designar-se, em qualquer acordo de 
tutela, uma ou várias zonas estratégicas, que compreendam 
parte ou a totalidade do território tutelado a que o mesmo 
se aplique, sem prejuízo de qualquer acordo ou acordos 
especiais feitos de conformidade com o Artigo 43.
Artigo 83. 1. Todas as funções atribuídas às Nações 
Unidas relativamente às zonas estratégicas, inclusive a apro‑
vação das condições dos acordos de tutela, assim como de 
sua alteração ou emendas, serão exercidas pelo Conselho 
de Segurança.
2. Os objetivos básicos enumerados no Artigo 76 serão
aplicáveis aos habitantes de cada zona estratégica.
3. O Conselho de Segurança, ressalvadas as disposições
dos acordos de tutela e sem prejuízo das exigências de 
segurança, poderá valer-se da assistência do Conselho de 
Tutela para desempenhar as funções que cabem às Nações 
Unidas pelo sistema de tutela, relativamente a matérias 
políticas, econômicas, sociais ou educacionais dentro das 
zonas estratégicas.
Artigo 84. A autoridade administradora terá o dever de 
assegurar que o território tutelado preste sua colaboração 
à manutenção da paz e da segurança internacionais. Para tal 
fim, a autoridade administradora poderá fazer uso de forças 
voluntárias, de facilidades e da ajuda do território tutelado 
para o desempenho das obrigações por ele assumidas a este 
respeito perante o Conselho de Segurança, assim como para 
a defesa local e para a manutenção da lei e da ordem dentro 
do território tutelado.
Artigo 85. 1. As funções das Nações Unidas relativas a 
acordos de tutela para todas as zonas não designadas como 
estratégias, inclusive a aprovação das condições dos acordos 
de tutela e de sua alteração ou emenda, serão exercidas pela 
Assembleia Geral.
2. O Conselho de Tutela, que funcionará sob a autoridade
da Assembleia Geral, auxiliará esta no desempenho dessas 
atribuições.
CAPÍTULO XIII
Conselho de Tutela
Composição
Artigo 86. 1. O Conselho de Tutela será composto dos 
seguintes Membros das Nações Unidas:
a) os Membros que administrem territórios tutelados;
b) aqueles dentre os Membros mencionados nomi‑
nalmente no Artigo 23, que não estiverem administrando 
territórios tutelados; e
c) quantos outros Membros eleitos por um período de
três anos, pela Assembleia Geral, sejam necessários para 
assegurar que o número total de Membros do Conselho de 
Tutela fique igualmente dividido entre os Membros das Na‑
ções Unidas que administrem territórios tutelados e aqueles 
que o não fazem.
2. Cada Membro do Conselho de Tutela designará uma
pessoa especialmente qualificada para representá-lo perante 
o Conselho.
Artigo 87. A Assembleia Geral e, sob a sua autoridade, 
o Conselho de Tutela, no desempenho de suas funções,
poderão:
a) examinar os relatórios que lhes tenham sido subme‑
tidos pela autoridade administradora;
b) aceitar petições e examiná-las, em consulta com a
autoridade administradora;
c) providenciar sobre visitas periódicas aos territórios
tutelados em épocas ficadas de acordo com a autoridade 
administradora; e
d) tomar estas e outras medidas de conformidade com
os termos dos acordos de tutela.
Artigo 88. O Conselho de Tutela formulará um questio‑
nário sobre o adiantamento político, econômico, social e 
educacional dos habitantes de cada território tutelado e a 
autoridade administradora de cada um destes territórios, 
dentro da competência da Assembleia Geral, fará um rela‑
tório anual à Assembleia, baseado no referido questionário.
Votação
Artigo 89. 1. Cada Membro do Conselho de Tutela terá 
um voto.
2. As decisões do Conselho de Tutela serão tomadas por
uma maioria dos membros presentes e votantes.
Processo
Artigo 90. 1. O Conselho de Tutela adotará seu próprio 
regulamento que incluirá o método de escolha de seu Pre‑
sidente.
2. O Conselho de Tutela reunir-se-á quando for neces‑
sário, de acordo com o seu regulamento, que incluirá uma 
disposição referente à convocação de reuniões a pedido da 
maioria dos seus membros.
Artigo 91. O Conselho de Tutela valer-se-á, quando for 
necessário, da colaboração do Conselho Econômico e Social 
e das entidades especializadas, a respeito das matérias em 
que estas e aquele sejam respectivamente interessados.
CAPÍTULO XIV
A Corte Internacional de Justiça
Artigo 92. A Corte Internacional de Justiça será o principal 
órgão judiciário das Nações Unidas. Funcionará de acordo 
com o Estatuto anexo, que é baseado no Estatuto da Corte 
Permanente de Justiça Internacional e faz parte integrante 
da presente Carta.
Artigo 93. 1. Todos os Membros das Nações Unidas 
são ipso facto partes do Estatuto da Corte Internacional de 
Justiça.
2. Um Estado que não for Membro das Nações Unidas
poderá tornar-se parte no Estatuto da Corte Internacional 
de Justiça, em condições que serão determinadas, em cada 
caso, pela Assembleia Geral, mediante recomendação do 
Conselho de Segurança.
Artigo 94. 1. Cada Membro das Nações Unidas se com‑
promete a conformar-se com a decisão da Corte Internacio‑
nal de Justiça em qualquer caso em que for parte.
2. Se uma das partes num caso deixar de cumprir as obri‑
gações que lhe incumbem em virtude de sentença proferida 
pela Corte, a outra terá direito de recorrer ao Conselho de 
Segurança que poderá, se julgar necessário, fazer recomen‑
dações ou decidir sobre medidas a seremtomadas para o 
cumprimento da sentença.
Artigo 95. Nada na presente Carta impedirá os Membros 
das Nações Unidas de confiarem a solução de suas divergên‑
cias a outros tribunais, em virtude de acordos já vigentes ou 
que possam ser concluídos no futuro.
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Artigo 96. 1. A Assembleia Geral ou o Conselho de Segu‑
rança poderá solicitar parecer consultivo da Corte Interna‑
cional de Justiça, sobre qualquer questão de ordem jurídica.
2. Outros órgãos das Nações Unidas e entidades es‑
pecializadas, que forem em qualquer época devidamente 
autorizados pela Assembleia Geral, poderão também solici‑
tar pareceres consultivos da Corte sobre questões jurídicas 
surgidas dentro da esfera de suas atividades.
CAPÍTULO XV
O Secretariado
Artigo 97. O Secretariado será composto de um Secre‑
tário-Geral e do pessoal exigido pela Organização. O Secre‑
tário-Geral será indicado pela Assembleia Geral mediante a 
recomendação do Conselho de Segurança. Será o principal 
funcionário administrativo da Organização.
Artigo 98. O Secretário-Geral atuará neste caráter em 
todas as reuniões da Assembleia Geral, do Conselho de 
Segurança, do Conselho Econômico e Social e do Conselho 
de Tutela e desempenhará outras funções que lhe forem atri‑
buídas por estes órgãos. O Secretário-Geral fará um relatório 
anual à Assembleia Geral sobre os trabalhos da Organização.
Artigo 99. O Secretário-Geral poderá chamar a atenção 
do Conselho de Segurança para qualquer assunto que em sua 
opinião possa ameaçar a manutenção da paz e da segurança 
internacionais.
Artigo 100. 1. No desempenho de seus deveres, o Secre‑
tário-Geral e o pessoal do Secretariado não solicitarão nem 
receberão instruções de qualquer governo ou de qualquer 
autoridade estranha à organização. Abster-se-ão de qualquer 
ação que seja incompatível com a sua posição de funcionários 
internacionais responsáveis somente perante a Organização.
2. Cada Membro das Nações Unidas se compromete a
respeitar o caráter exclusivamente internacional das atri‑
buições do Secretário-Geral e do pessoal do Secretariado 
e não procurará exercer qualquer influência sobre eles, no 
desempenho de suas funções.
Artigo 101. 1. O pessoal do Secretariado será nomeado 
pelo Secretário Geral, de acordo com regras estabelecidas 
pela Assembleia Geral.
2. Será também nomeado, em caráter permanente,
o pessoal adequado para o Conselho Econômico e Social,
o conselho de Tutela e, quando for necessário, para outros
órgãos das Nações Unidas. Esses funcionários farão parte 
do Secretariado.
3. A consideração principal que prevalecerá na escolha
do pessoal e na determinação das condições de serviço será 
a da necessidade de assegurar o mais alto grau de eficiência, 
competência e integridade. Deverá ser levada na devida 
conta a importância de ser a escolha do pessoal feita dentro 
do mais amplo critério geográfico possível.
CAPÍTULO XVI
Disposições Diversas
Artigo 102. 1. Todo tratado e todo acordo internacional, 
concluídos por qualquer Membro das Nações Unidas depois 
da entrada em vigor da presente Carta, deverão, dentro do 
mais breve prazo possível, ser registrados e publicados pelo 
Secretariado.
2. Nenhuma parte em qualquer tratado ou acordo in‑
ternacional que não tenha sido registrado de conformidade 
com as disposições do parágrafo 1 deste Artigo poderá 
invocar tal tratado ou acordo perante qualquer órgão das 
Nações Unidas.
Artigo 103. No caso de conflito entre as obrigações dos 
Membros das Nações Unidas, em virtude da presente Carta 
e as obrigações resultantes de qualquer outro acordo inter‑
nacional, prevalecerão as obrigações assumidas em virtude 
da presente Carta.
Artigo 104. A Organização gozará, no território de cada 
um de seus Membros, da capacidade jurídica necessária ao 
exercício de suas funções e à realização de seus propósitos.
Artigo 105. 1. A Organização gozará, no território de 
cada um de seus Membros, dos privilégios e imunidades 
necessários à realização de seus propósitos.
2. Os representantes dos Membros das Nações Unidas e
os funcionários da Organização gozarão, igualmente, dos pri‑
vilégios e imunidades necessários ao exercício independente 
de sus funções relacionadas com a Organização.
3. A Assembleia Geral poderá fazer recomendações com
o fim de determinar os pormenores da aplicação dos pará‑
grafos 1 e 2 deste Artigo ou poderá propor aos Membros das 
Nações Unidas convenções nesse sentido.
CAPÍTULO XVII
Disposições Transitórias Sobre Segurança
Artigo 106. Antes da entrada em vigor dos acordos es‑
peciais a que se refere o Artigo 43, que, a juízo do Conselho 
de Segurança, o habilitem ao exercício de suas funções 
previstas no Artigo 42, as partes na Declaração das Quatro 
Nações, assinada em Moscou, a 30 de outubro de 1943, e a 
França, deverão, de acordo com as disposições do parágrafo 
5 daquela Declaração, consultar-se entre si e, sempre que a 
ocasião o exija, com outros Membros das Nações Unidas a 
fim de ser levada a efeito, em nome da Organização, qualquer 
ação conjunta que se torne necessária à manutenção da paz 
e da segurança internacionais.
Artigo 107. Nada na presente Carta invalidará ou im‑
pedirá qualquer ação que, em relação a um Estado inimigo 
de qualquer dos signatários da presente Carta durante a 
Segunda Guerra Mundial, for levada a efeito ou autorizada 
em consequência da dita guerra, pelos governos responsá‑
veis por tal ação.
CAPÍTULO XVIII
emendas
Artigo 108. As emendas à presente Carta entrarão em 
vigor para todos os Membros das Nações Unidas, quando 
forem adotadas pelos votos de dois terços dos membros da 
Assembleia Geral e ratificada de acordo com os seus respec‑
tivos métodos constitucionais por dois terços dos Membros 
das Nações Unidas, inclusive todos os membros permanentes 
do Conselho de Segurança.
Artigo 109. 1. Uma Conferência Geral dos Membros das 
Nações Unidas, destinada a rever a presente Carta, poderá 
reunir-se em data e lugar a serem fixados pelo voto de dois 
terços dos membros da Assembleia Geral e de nove membros 
quaisquer do Conselho de Segurança. Cada Membro das 
Nações Unidas terá voto nessa Conferência.
2. Qualquer modificação à presente Carta, que for re‑
comendada por dois terços dos votos da Conferência, terá 
efeito depois de ratificada, de acordo com os respectivos 
métodos constitucionais, por dois terços dos Membros das 
Nações Unidas, inclusive todos os membros permanentes 
do Conselho de Segurança.
3. Se essa Conferência não for celebrada antes da décima
sessão anual da Assembleia Geral que se seguir à entrada em 
vigor da presente Carta, a proposta de sua convocação deverá 
figurar na agenda da referida sessão da Assembleia Geral, e a 
Conferência será realizada, se assim for decidido por maioria 
de votos dos membros da Assembleia Geral, e pelo voto de 
sete membros quaisquer do Conselho de Segurança.
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CAPÍTULO XIX
Ratificação e Assinatura
Artigo 110. 1. A presente Carta deverá ser ratificada pelos 
Estados signatários, de acordo com os respectivos métodos 
constitucionais.
2. As ratificações serão depositadas junto ao Governo dos
Estados Unidos da América, que notificará de cada depósito 
todos os Estados signatários, assim como o Secretário-Geral 
da Organização depois que este for escolhido.
3. A presente Carta entrará em vigor depois do depósito
de ratificações pela República da China, França, união das Re‑
públicas Socialistas Soviéticas, Reino Unido da Grã Bretanha 
e Irlanda do Norte e Estados Unidos da América e ela maioria 
dos outros Estados signatários. O Governo dos Estados Uni‑
dos da América organizará, em seguida, um protocolo das 
ratificações depositadas, o qual será comunicado, por meio 
de cópias, aos Estados signatários.
4. Os Estados signatários da presente Carta, que a ratifi‑
carem depois de sua entrada em vigor tornar-se-ão membros 
fundadores das Nações Unidas, na data do depósito de suas 
respectivas ratificações.
Artigo 111. A presente Carta, cujos textos emchinês, 
francês, russo, inglês, e espanhol fazem igualmente fé, ficará 
depositada nos arquivos do Governo dos Estados Unidos 
da América. Cópias da mesma, devidamente autenticadas, 
serão transmitidas por este último Governo aos dos outros 
Estados signatários.
Em fé do que, os representantes dos Governos das Na‑
ções Unidas assinaram a presente Carta.
Feita na cidade de São Francisco, aos vinte e seis dias do 
mês de junho de mil novecentos e quarenta e cinco.
eSTATUTO DA CORTe INTeRNACIONAL De 
JUSTIÇA
Artigo 1º A Corte Internacional de Justiça, estabelecida 
pela Carta das Nações Unidas como o principal órgão ju‑
diciário das Nações Unidas, será constituída e funcionará 
de acordo com as disposições do presente Estatuto.
CAPÍTULO I
Organização da Corte
Artigo 2º A Corte será composta de um corpo de juízes 
independentes, eleitos sem atenção à sua nacionalida‑
de, entre pessoas que gozem de alta consideração moral 
e possuam as condições exigidas em seus respectivos paí‑
ses para o desempenho das mais altas funções judiciárias, 
ou que sejam jurisconsultos de reconhecida competência 
em direito internacional.
Artigo 3º 1. A Corte será composta de quinze membros, 
não podendo configurar entre eles dois nacionais do mesmo 
Estado.
2. A pessoa que possa ser considerada nacional de
mais de um Estado será, para efeito de sua inclusão como 
membro da Corte, considerada nacional do Estado em que 
exercer ordinariamente seus direitos civis e políticos.
Artigo 4º 1. Os membros da Corte serão eleitos pela 
Assembleia Geral e pelo Conselho de Segurança de uma lista 
de pessoas apresentadas pelos grupos nacionais da Corte 
Permanente de Arbitragem, de acordo com as disposições 
seguintes.
2. Quando se tratar de Membros das Nações Unidas não
representados na corte Permanente de Arbitragem, os can‑
didatos serão apresentados por grupos nacionais designados 
para esse fim pelos seus Governos, nas mesmas condições 
que as estipuladas para os membros da Corte Permanen‑
te de Arbitragem pelo art. 44 da Convenção de Haia, de 1907, 
referente à solução pacífica das controvérsias internacionais.
3. As condições pelas quais um Estado, que é parte no
presente Estatuto, sem ser Membro das Nações Unidas, 
poderá participar na eleição dos membros da Corte, serão, 
na falta de acordo especial, determinadas pela Assembleia 
Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança.
Artigo 5º 1. Três meses, pelo menos antes da data da 
eleição, o Secretário Geral das Nações Unidas convidará, 
por escrito, os membros da Corte Permanente de Arbitra‑
gem pertencentes a Estados que sejam partes no presente 
Estatuto, e os membros dos grupos nacionais designados de 
conformidade com o art. 5, parágrafo 2, para que indiquem, 
por grupos nacionais, dentro de um prazo estabelecido, 
os nomes das pessoas em condições de desempenhar as 
funções de membro da Corte.
2. Nenhum grupo deverá indicar mais de quatro pessoas,
das quais no máximo, duas poderão ser de sua nacionalidade. 
Em nenhum caso o número dos candidatos indicados por 
um grupo poderá ser maior do que o dobro dos lugares a 
serem preenchidos.
Artigo 6º Recomenda-se que, antes de fazer estas indi‑
cações, cada grupo nacional consulte sua mais alta corte de 
justiça, suas faculdades e escolas de direito, suas academias 
nacionais e as seções nacionais de academias internacio‑
nais dedicada ao estudo de direito.
Artigo 7º 1. O Secretário Geral preparará uma lista, por 
ordem alfabética, de todas as pessoas assim indicadas. Salvo 
o caso previsto no art. 12, parágrafo 2, serão elas as únicas
pessoas elegíveis.
2. O Secretário Geral submeterá essa lista à Assembleia
Geral e ao Conselho de Segurança.
Artigo 8º A Assembleia Geral e o Conselho de Segurança 
procederão, independentemente um do outro, à eleição dos 
membros da Corte.
Artigo 9º Em cada eleição, os eleitores devem ter presen‑
te não só que as pessoas a serem eleitas possuam individual‑
mente as condições exigidas, mas também que, no conjunto 
desse órgão judiciário, seja assegurada a representação das 
mais altas formas da civilização e dos principais sistemas 
jurídicos do mundo.
Artigo 10. 1. 0s candidatos que obtiverem maioria absolu‑
ta de votos na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança 
serão considerados eleitos.
2. Nas votações do Conselho de Segurança, quer para
a eleição, dos juízes, quer para a nomeação dos mem‑
bros da comissão prevista no artigo 12, não haverá qualquer 
distinção entre membros permanentes e não permanen‑
tes do Conselho de Segurança.
3. No caso em que a maioria absoluta de votos, tanto
da Assembleia Geral quanto do Conselho de Segurança, 
contemple mais de um nacional do mesmo Estado, o mais 
velho dos dois será considerado eleito.
Artigo 11. Se, depois da primeira reunião convocada 
para fins de eleição, um ou mais lugares continuarem vagos, 
deverá ser realizada uma segunda e, se for necessário, uma 
terceira reunião.
Artigo 12. 1. Se, depois da terceira reunião, um ou mais 
lugares ainda continuarem vagos, uma comissão, compos‑
ta de seis membros, três indicados pela Assembleia Geral e 
três pelo Conselho de Segurança, poderá ser formada em 
qualquer momento, por solicitação da Assembleia ou do 
Conselho de Segurança, com o fim de escolher, por maioria 
absoluta de votos, um nome para cada lugar ainda vago, 
o qual será submetido à Assembleia Geral e ao Conselho de
Segurança para sua respectiva aceitação.
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2. A Comissão Mista, caso concorde unanimente com a
escolha de uma pessoa que preencha as condições exigidas, 
poderá incluí-la em sua lista, ainda que a mesma não tenha 
figurado na lista de indicações a que se refere o artigo 7.
3. Se a Comissão Mista chegar à convicção de que não
logrará resultados com uma eleição, os membros já eleitos 
da Corte deverão, dentro de um prazo a ser fixado pelo Con‑
selho de Segurança, preencher os lugares vagos, e o farão 
por escolha de entre os candidatos que tenham obtido votos 
na Assembleia Geral ou no Conselho de Segurança.
4. No caso de um empate na votação dos juízes, o mais
velho deles terá voto decisivo.
Artigo 13. 1. Os membros da Corte serão eleitos por nove 
anos e poderão ser reeleitos; fica estabelecido, entretanto, 
que, dos juízes eleitos na primeira eleição, cinco terminarão 
suas funções no fim de um período de três anos, e outros 
cinco no fim de um período de seis anos.
2. Os juízes cujas funções deverão terminar no fim dos
referidos períodos iniciais de três e seis anos serão escolhidos 
por sorteio, que será efetuado pelo Secretário Geral imedia‑
tamente depois de terminada a primeira eleição.
3. Os membros da Corte continuarão no desempenho de
suas funções até que suas vagas tenham sido preenchidas. 
Ainda depois de substituídos, deverão terminar qualquer 
questão cujo estudo tenham começado.
4. No caso de renúncia de um membro da Corte, o pedido
de demissão deverá ser dirigido ao Presidente da Corte que 
o transmitirá ao Secretário Geral. Esta última notificação
significará a abertura da vaga.
Artigo 14. As vagas serão preenchidas pelo método esta‑
belecido para a primeira eleição, de acordo com a seguinte 
disposição: o Secretário Geral, dentro de um mês a contar da 
abertura da vaga, expedirá os convites a que se refere o art. 5, 
e a data da eleição será fixada pelo Conselho de Segurança.
Artigo 15. O membro da Corte eleito na vaga de um 
membro que não terminou seu mandato, completará o 
período do mandato do seu predecessor.
Artigo 16. 1. Nenhum membro da Corte poderá exercer 
qualquer função política ou administrativa, ou dedicar-se a 
outra ocupação de natureza profissional.
2. Qualquer dúvida a esse respeito será resolvida por
decisão da Corte.
Artigo 17. 1. Nenhum membro da Corte poderá servir 
como agente, consultor ou advogado em qualquer questão.
2. Nenhum membro poderá participar da decisão de
qualquer questão na qual anteriormente tenha intervindo 
como agente, consultor ou, advogado de uma das partes, 
como membro de um tribunalnacional ou internacional, ou 
de uma comissão de inquérito, ou em qualquer outro caráter.
3. Qualquer dúvida a esse respeito será resolvida por
decisão da Corte.
Artigo 18. 1. Nenhum membro da Corte poderá ser 
demitido, a menos· que, na opinião unânime dos outros 
membros, tenha deixado de preencher as condições exigidas.
2. O Secretário Geral será disso notificado, oficialmente,
pelo Escrivão da Corte.
3. Essa notificação significará a abertura da vaga.
Artigo 19. Os membros da Corte, quando no exercício 
de suas funções, gozarão dos privilégios e imunidades di‑
plomáticas.
Artigo 20. Todo membro da Corte, antes de assumir as 
suas funções, fará, em sessão pública, a declaração solene 
de que exercerá as suas atribuições imparcial e conscien‑
ciosamente.
Artigo 21. 1. A Corte elegerá, pelo período de três anos, 
seu Presidente e seu Vice-Presidente, que poderão ser 
reeleitos.
2. A Corte nomeará seu Escrivão e providenciará sobre
a nomeação de outros funcionários que sejam necessários.
Artigo 22. 1. A sede da Corte será a cidade de Haia. Isto, 
entretanto, não impedirá que até aqui a Corte se reúna e 
exerça suas funções em qualquer outro lugar que considere 
conveniente.
2. O Presidente e o Escrivão residirão na sede da Corte.
Artigo 23. 1. A Corte funcionará permanentemente, ex‑
ceto durante as férias judiciárias, cuja data e duração serão 
por ela fixadas.
2. Os Membros da Corte gozarão de licenças periódicas,
cujas datas e duração serão fixadas pela Corte, sendo toma‑
das em consideração a distância entre a Haia e o domicílio 
de cada Juiz.
3. Os membros da Corte serão obrigados a ficar perma‑
nentemente à disposição da Corte, a menos que estejam em 
licença ou impedidos de comparecer por motivo de doença 
ou outra séria razão, devidamente justificada perante o 
Presidente.
Artigo 24. 1. Se, por qualquer razão especial, o membro 
da Corte considerar que não deve tomar parte no Julga‑
mento de uma determinada questão, deverá informar disto 
o Presidente.
2. Se o Presidente considerar que, por uma razão espe‑
cial, um dos membros da Corte não deve funcionar numa 
determinada questão, deverá informá-lo disto.
3. Se, em qualquer desses casos, o membro da Corte e o
Presidente não estiverem de acordo, o assunto será resolvido 
por decisão da Corte.
Artigo 25. A Corte funcionará em sessão plenária, exceto 
nos casos previstos em contrário no presente capítulo.
2. O regulamento da Corte poderá permitir que um ou
mais juízes, de acordo com as circunstâncias e rotativamente, 
sejam dispensados das sessões, contanto que o número de 
juízes disponíveis para constituir a Corte não seja reduzido 
a menos de onze.
3. O quorum de nove juízes será suficiente para constituir
a Corte.
Artigo 26. 1. A Corte poderá periodicamente formar uma 
ou mais Câmaras, compostas de três ou mais juízes, confor‑
me ela mesma determinar, a fim de tratar de questões de 
caráter especial, como, por exemplo, questões trabalhistas 
e assuntos referentes a trânsito e comunicações.
2. A Corte poderá, em qualquer tempo, formar uma Câ‑
mara para tratar de uma determinada questão. O número de 
juízes que constituirão essa Câmara será determinado pela 
Corte, com a aprovação das partes.
3. As questões serão consideradas e resolvidas pelas
Câmaras a que se refere o presente artigo, se as partes assim 
o solicitarem.
Artigo 27. Uma sentença proferida por qualquer das câ‑
maras, a que se referem os artigos 26 e 29, será considerada 
como sentença emanada da Corte.
Artigo 28. As Câmaras, a que se referem os artigos 26 e 
29, poderão, com o consentimento das partes, reunir-se e 
exercer suas funções fora da cidade de Haia.
Artigo 29. Com o fim de apressar a solução dos assuntos, 
a Corte formará anualmente uma Câmara, composta de 
cinco juízes; a qual, a pedido das partes, poderá considerar 
e resolver sumariamente as questões. Além dos cinco juízes, 
serão escolhidos outros dois, que atuarão como substitutos, 
no impedimento de um daqueles.
Artigo 30. 1. A Corte estabelecera regras para o desem‑
penho de suas funções; especialmente as que se refiram aos 
métodos processuais.
2. O Regulamento da Corte disporá sobre a nomeação de
assessores para a Corte ou para qualquer de suas Câmaras, 
os quais não terão direito a voto.
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Artigo 31. 1. Os juízes da mesma nacionalidade de qual‑
quer das partes conservam o direito de funcionar numa 
questão julgada pela Corte.
2. Se a Corte incluir entre os seus membros um juiz de
nacionalidade de uma das partes, qualquer outra parte 
poderá escolher uma pessoa para funcionar como juiz. Essa 
pessoa deverá, de preferência, ser escolhida entre os que 
figuraram entre os candidatos a que se referem os arts. 4 e 5.
3. Se a Corte não incluir entre os seus membros nenhum
juiz de nacionalidade das partes, cada uma destas poderá 
proceder à escolha de um juiz, de conformidade com o pa‑
rágrafo 2 deste artigo.
4. As disposições deste artigo serão aplicadas aos casos
previstos nos artigos 26 e 29. Em tais casos, o presidente 
solicitará a um ou, se necessário a dois dos membros da Corte 
integrantes da Câmara, que cedam seu lugar aos membros 
da Corte de nacionalidade das partes interessadas, e, na falta 
ou impedimento destes, aos juízes especialmente escolhidos 
pelas partes.
5. No caso de haver diversas partes interessadas na
mesma questão, elas serão, para os fins das disposições 
precedentes, consideradas como uma só parte. Qualquer 
dúvida sobre este ponto será resolvida por decisão da Corte.
6. Os juízes escolhidos de conformidade com os pará‑
grafos 2, 3 e 4 deste artigo deverão preencher as condições 
exigidas pelos artigos 2, 17 (parágrafo 2), 20 e 24, do pre‑
sente Estatuto. Tomarão parte nas decisões em condições 
de completa igualdade com seus colegas.
Artigo 32. 1. Os membros da Corte perceberão venci‑
mentos anuais.
2. O Presidente receberá, por ano, um subsídio especial.
3. O Vice-Presidente recebera um subsídio especial, cor‑
respondente a cada dia em que funcionar como Presidente.
4. Os juízes escolhidos de conformidade com o art. 31,
que não sejam membros da Corte, receberão uma remunera‑
ção correspondente a cada dia em que exerçam suas funções.
5. Esses vencimentos, subsídios e remunerações serão
fixados pela Assembleia Geral e não poderão ser diminuídos 
enquanto durarem os mandatos.
6. Os vencimentos de Escrivão serão fixados pela Assem‑
bleia Geral, por proposta da Corte.
7. O Regulamento elaborado pela Assembleia Geral fi‑
xará as condições pelas quais serão concedidas pensões aos 
membros da Corte e ao Escrivão, e as condições pelas quais 
os membros da Corte e o Escrivão serão reembolsados de 
suas despesas de viagem.
8. Os vencimentos, subsídios e remuneração, acima
mencionados, estarão livres de qualquer imposto.
Artigo 33. As despesas da Corte serão custeadas pe‑
las Nações Unidas da maneira que for decidida pela Assem‑
bleia Geral.
CAPÍTULO II
Competência da Corte
Artigo 34. 1. Só os Estados poderão ser partes em ques‑
tões perante a Corte.
2. Sobre as questões que lhe forem submetidas, a Corte,
nas condições prescritas por seu Regulamento, poderá so‑
licitar Informação, de organizações públicas internacionais, 
e receberá as informações que lhe forem prestadas, por 
iniciativa própria, pelas referidas organizações.
3. Sempre que, no Julgamento de uma questão perante
a Corte, for discutida a interpretação de instrumento consti‑
tutivo de uma organização pública internacional ou de uma 
convenção internacional adotada em virtude do mesmo, 
o Escrivão dará conhecimento disso à organização pública
internacional interessada e lhe encaminhará cópias de todo 
o expediente escrito.
Artigo 35. 1. A Corte estará aberta aos Estados que são 
parte no presente Estatuto.
2. As condições pelas quais a Corte estará aberta a outros
Estados serão determinadas, pelo Conselho de Segurança, 
ressalvadas as disposições especiais dos tratados vigentes; 
em nenhum caso, porém, tais condições colocarão as partes 
em posiçãode desigualdade perante a Corte.
3. Quando um Estado que não é Membro das Nações
Unidas for parte numa questão, a Corte fixará a importância 
com que ele deverá, contribuir para as despesas da Corte. 
Esta disposição não será aplicada, se tal Estado já contribuir 
para as referidas despesas.
Artigo 36. 1. A competência da Corte abrange todas as 
questões que as partes lhe submetam, bem como todos 
os assuntos especialmente previstos na Carta das Nações 
Unidas ou em tratados e convenções em vigor.
2. Os Estados partes no presente Estatuto pode‑
rão, em qualquer momento, declarar que reconhecem como 
obrigatória, ipso facto e sem acordo especial, em relação 
a qualquer outro Estado que aceite a mesma obrigação, 
a jurisdição da Corte em todas as controvérsias de ordem 
jurídica que tenham por objeto:
a) a interpretação de um tratado;
b) qualquer ponto de direito internacional;
c) a existência de qualquer fato que, se verificado, cons‑
tituiria a violação de um compromisso internacional;
d) a natureza ou a extensão da reparação devida pela
ruptura de um compromisso internacional.
3. As declarações acima mencionadas poderão ser feitas
pura e simplesmente ou sob condição de reciprocidade da 
parte de vários ou de certos Estados, ou por -prazo deter‑
minado.
4. Tais declarações serão depositadas junto ao Secretá‑
rio Geral das Nações Unidas, que as transmitirá, por cópia, 
às partes contratantes do presente Estatuto e ao Escrivão 
da Corte.
5. Nas relações entre as partes contratantes do presente
Estatuto, as declarações feitas de acordo com o artigo 36 do 
Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional e que 
ainda estejam em vigor serão consideradas como importando 
na aceitação da jurisdição obrigatória da Corte Internacional 
de Justiça pelo período em que ainda devem vigorar e de 
conformidade com os seus termos.
6. Qualquer controvérsia sobre a jurisdição da Corte será
resolvida por decisão da própria Corte.
Artigo 37. Sempre que um tratado ou convenção em 
vigor disponha que um assunto deve ser submetido a uma 
jurisdição a ser instituída pela Liga das Nações, ou à Cor‑
te Permanente de Justiça Internacional, o assunto deverá, 
no que respeita às partes contratantes do presente Estatuto, 
ser submetido à Corte Internacional de Justiça.
Artigo 38. 1. A Corte, cuja função é decidir de acor‑
do com o direito internacional as controvérsias que lhe forem 
submetidas, aplicará:
a) as convenções internacionais, quer gerais, quer espe‑
ciais que estabeleçam regras expressamente reconhecidas 
pelos Estados litigantes;
b) o costume internacional, como prova de uma prática 
geral aceita como sendo o direito;
c) os princípios gerais de direito reconhecidos pelas
Nações civilizadas;
d) sob ressalva da disposição do art. 59, as decisões
judiciárias e a doutrina dos publicistas mais qualificados das 
diferentes Nações, como meio auxiliar para a determinação 
das regras de direito.
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2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da
Corte de decidir uma questão ex aeque et bano, se as partes 
com isto concordarem.
CAPÍTULO III
Processo
Artigo 39. 1. As línguas oficiais da Corte serão o francês e 
o inglês. Se as partes concordarem em que todo o processo
se efetue em francês, a sentença será proferida em francês. 
Se as partes concordarem em que todo o processo se efetue 
em inglês, a sentença será proferida em inglês.
2. Na ausência de acordo a respeito da língua que deverá
ser empregada; cada parte poderá, em suas alegações, usar 
a língua que preferir; a sentença da Corte será proferida 
em francês e em inglês. Neste caso, a Corte determinará ao 
mesmo tempo qual dos dois textos fará fé.
3. A pedido de uma das partes, a Corte poderá autorizá-la
a usar uma língua que não seja o francês ou o inglês.
Artigo 40. 1. As questões serão submetidas à Corte, con‑
forme o caso, por notificação do acordo especial ou por uma 
petição escrita dirigida ao Escrivão. Em qualquer dos casos, 
o objeto da controvérsia e as partes deverão ser indicados.
2. O Escrivão comunicará imediatamente a petição a
todos os interessados.
3. Notificará também os Membros das Nações Unidas por
intermédio do Secretário Geral e quaisquer outros Estados 
com direito a comparecer perante a Corte.
Artigo 41. 1. A Corte terá a faculdade de indicar, se julgar 
que as circunstâncias o exigem, quaisquer medidas provisó‑
rias que devem ser tomadas para preservar os direitos de 
cada parte.
2. Antes que a sentença seja proferida, as partes e o Con‑
selho de Segurança deverão ser informados imediatamente 
das medidas sugeridas.
Artigo 42. 1. As partes serão representadas por agentes.
2. Estes terão a assistência de consultores ou advogados,
perante a Corte.
3. Os agentes, os consultores e os advogados das partes
perante a Corte gozarão dos privilégios e imunidades neces‑
sários ao livre exercício de suas atribuições.
Artigo 43. 1. O processo constará de duas fases: uma 
escrita e outra oral.
2. O processo escrito compreenderá a comunicação,
à Corte e, às partes de memórias, contra memórias e, se 
necessário, réplicas, assim como quaisquer peças e docu‑
mentos em apoio das mesmas.
3. Essas comunicações serão feitas por intermédio do
Escrivão, na ordem e dentro do prazo fixados pela Corte.
4. Uma cópia autenticada de cada documento apresen‑
tado por uma das partes será comunicada à outra parte.
5. O processo oral consistirá na audiência, pela Corte,
de testemunhas, peritos, agentes, consultores e advogados.
Artigo 44. 1 Para citação de outras pessoas que não 
sejam os agentes, os consultores ou advogados, a Cor‑
te dirigir-se-á-diretamente ao Governo do Estado em cujo 
território deve ser feita a citação.
2. O mesmo processo será usado sempre que for neces‑
sário providenciar para obter quaisquer meios de prova no 
lugar do fato.
Artigo 45. Os debates serão dirigidos pelo Presidente 
ou, no impedimento deste, pelo vice-presidente; se ambos 
estiverem impossibilitados de presidir, o mais antigo dos 
Juízes presentes ocupará a presidência.
Artigo 46. As audiências da Corte serão públicas, a me‑
nos que a Corte decida de outra maneira em que as partes 
solicitem a não admissão de público.
Artigo 47. 1. Será lavrada ata de cada audiência, assinada 
pelo Escrivão e pelo Presidente.
2. Só essa ata fará fé.
Artigo 48. A Corte proferirá decisões sobre o andamento 
do processo, a forma e o tempo em que cada parte terminará 
suas alegações, e tomará todas as medidas relacionadas com 
a apresentação das provas.
Artigo 49. A Corte poderá, ainda antes do início da 
audiência, intimar os agentes a apresentarem qualquer do‑
cumento ou a fornecerem quaisquer explicações. Qualquer 
recusa deverá constar da ata.
Artigo 50. A Corte poderá, em qualquer momento, con‑
fiar a qualquer indivíduo, corporação, repartição, comissão 
ou outra organização, à sua escolha, a tarefa de proceder a 
um inquérito ou a uma perícia.
Artigo 51. Durante os debates, todas as perguntas 
de interesse serão feitas às testemunhas e peritos de con‑
formidade com as condições determinadas pela Corte no 
Regulamento a que se refere o artigo 30.
Artigo 52. Depois de receber as provas e depoimentos 
dentro do prazo fixado para esse fim, a Corte poderá recu‑
sar-se a aceitar qualquer novo depoimento oral ou escrito 
que uma das partes deseje apresentar, a menos que as outras 
partes com isso concordem.
Artigo 53. 1. Se uma das partes deixar de comparecer 
perante a Corte ou de apresentar a sua defesa, a outra parte 
poderá solicitar à Corte que decida a favor de sua pretensão.
2. A Corte, antes de decidir nesse sentido, deve certifi‑
car-se não só de que o assunto é de sua competência, de 
conformidade com os arts. 36 e 37, mas também de que a 
pretensão é bem fundada, de fato e de direito.
Artigo 54. 1. Quando os agentes, consultores e advoga‑
dos tiverem concluído, sob a fiscalização da Corte, a apre‑
sentação de sua causa, o Presidente declarará encerrados 
os debates.
2. A Corte retirar-se-á paradeliberar.
3. As deliberações da Corte serão tomadas privadamente
e permanecerão secretas.
Artigo 55. 1. Todas as questões serão decididas por 
maioria dos juízes presentes.
2. No caso de empate na votação, o Presidente ou o juiz
que funcionar em seu lugar decidirá com o seu voto.
Artigo 56. 1. A sentença deverá declarar as razões em 
que se funda.
2. Deverá mencionar os nomes dos juízes que tomaram
parte na decisão.
Artigo 57. Se a sentença não representar no todo ou 
em parte a opinião unânime dos juízes, qualquer deles terá 
direito de lhe juntar a exposição de sua opinião individual.
Artigo 58. A sentença será assinada pelo Presidente e 
pelo Escrivão. Deverá ser lida em sessão pública, depois de 
notificados, devidamente, os agentes.
Artigo 59. A decisão da Corte só será obrigatória para as 
partes litigantes e a respeito do caso em questão.
Artigo 60. A sentença é definitiva e inapelável. Em caso 
de controvérsia quanto ao sentido e ao alcance da sentença, 
caberá à Corte interpretá-la a pedido de qualquer das partes.
Artigo 61. 1. O pedido de revisão de uma sentença só 
poderá ser feito em razão do descobrimento de algum fato 
suscetível de exercer influência decisiva, o qual, na ocasião 
de ser proferida a sentença, era desconhecido da Corte e 
também da parte que solicita a revisão, contanto que tal 
desconhecimento não tenha sido devido à negligência.
2. O processo de revisão será aberto por uma sentença
da Corte, na qual se consignará expressamente a existência 
do fato novo, com o reconhecimento do caráter que deter‑
mina a abertura da revisão e a declaração de que é cabível 
a solicitação nesse sentido.
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3. A Corte poderá subordinar a abertura do processo de
revisão à prévia execução da sentença.
4. O pedido de revisão deverá ser feito no prazo máximo
de seis meses a partir do descobrimento do fato novo.
5. Nenhum pedido de revisão poderá ser feito depois de
transcorridos 10 anos da data da sentença.
Artigo 62. 1. Quando um Estado entender que a decisão 
de uma causa é suscetível de comprometer um interesse 
seu de ordem jurídica, esse Estado poderá solicitar à Corte 
permissão para intervir em tal causa.
2. A Corte decidirá sobre esse pedido.
Artigo 63. 1. Quando se tratar da interpretação de uma 
convenção, da qual forem partes outros Estados, além dos 
litigantes, o Escrivão notificará imediatamente todos os 
Estados interessados.
2. Cada Estado assim notificado terá o direito de intervir
no processo; mas, se usar deste direito, a interpretação dada 
pela sentença será igualmente obrigatória para ele.
Artigo 64. A menos que seja decidido em contrário pela 
Corte, cada parte pagará suas próprias custas no processo.
CAPÍTULO IV
Pareceres Consultivos
Artigo 65. 1. A Corte poderá dar parecer consultivo sobre 
qualquer questão jurídica a pedido do órgão que, de acordo 
com a Carta das Nações Unidas ou por ela autorizado, estiver 
em condições de fazer tal pedido.
2. As questões sobre as quais for pedido o parecer con‑
sultivo da Corte serão submetidas a ela por meio de petição 
escrita que deverá conter uma exposição do assunto sobre 
o qual é solicitado o parecer e será acompanhada de todos
os documentos que possam elucidar a questão.
Artigo 66. 1. O Escrivão notificará imediatamente todos 
os Estados com direito a comparecer perante a Corte, do 
pedido de parecer consultivo.
2. Além disto, a todo Estado admitido a comparecer
perante a Corte e a qualquer organização internacional, 
que, a juízo da Corte ou de seu Presidente, se a Corte não 
estiver reunida, forem suscetíveis de fornecer informações 
sobre a questão – o Escrivão fará saber, por comunicação 
especial e direta, que a Corte estará disposta a receber expo‑
sições escritas, dentro num prazo a ser fixado pelo Presidente, 
ou ouvir exposições orais durante uma audiência pública 
realizada para tal fim.
3. Se qualquer Estado com direito a comparecer perante
a Corte deixar de receber a comunicação especial a que se 
refere o parágrafo 2 deste artigo, tal Estado poderá mani‑
festar o desejo de submeter a ela uma exposição escrita ou 
oral. A Corte decidirá.
4. Os Estados e organizações que tenham apresentado
exposição escrita ou oral, ou ambas, terão a faculdade de 
discutir as exposições feitas por outros Estados ou organi‑
zações, na forma, extensão ou limite de tempo que a Corte, 
ou, se ela não estiver reunida, o seu Presidente determinar, 
em cada caso particular. Para esse efeito, o Escrivão devera, 
no devido tempo, comunicar qualquer dessas exposições 
escritas aos Estados e organizações que submeterem expo‑
sições semelhantes.
Artigo 67. A Corte dará seus pareceres consultivos em 
sessão pública, depois de terem sido notificados o Secretário 
Geral, os representantes dos Membros das Nações Unidas, 
bem como de outros Estados e das organizações internacio‑
nais diretamente interessadas.
Artigo 68. No exercício de suas funções consultivas, a Cor‑
te deverá guiar-se, além disso, pelas disposições do presente 
Estatuto, que se aplicam em casos contenciosos, na medida 
em que, na sua opinião, tais disposições forem aplicáveis.
CAPÍTULO V
emendas
Artigo 69. As emendas ao presente Estatuto serão 
efetuadas pelo mesmo processo estabelecido pela Carta 
das Nações Unidas para emendas à Carta, ressalvadas, 
entretanto, quaisquer disposições que a Assembleia Geral, 
por determinação do Conselho de Segurança, possa adotar 
a respeito da participação de Estados que, tendo aceito o 
presente Estatuto, não são Membros das Nações Unidas.
Artigo 70. A Corte terá a faculdade de propor por escrito 
ao Secretário Geral quaisquer emendas ao presente Estatuto, 
que julgar necessárias, a fim de que as mesmas sejam con‑
sideradas de conformidade com as disposições do art. 69.
E, havendo o Governo do Brasil aprovado a mesma 
Carta nos termos acima transcritos, pela presente a dou 
por firme e valiosa para produzir os seus devidos efeitos, 
prometendo que será cumprida inviolavelmente.
Em firmeza do que, mandei passar esta Carta que assino 
e é selada cem o selo das armas da República e subscrita pelo 
Ministro de Estado das Relações Exteriores.
Dada no Palácio da Presidência, no Rio de Janeiro, 
aos doze dias do mês de setembro, de mil novecentos e 
quarenta e cinco, 124º da Independência e 57º da República.
GETÚLIO VARGAS 
Pedro Leão Velloso
SISTeMA ReGIONAL INTeRAMeRICANO De 
PROTeÇÃO AOS DIReITOS HUMANOS
Ao lado Sistema Global, conforme visto anteriormente, 
existem os seguintes Sistemas Regionais de Proteção:
• Sistema Europeu (formado no âmbito do Conselho da
Europa);
• Sistema Interamericano (formado no âmbito da OEA); e
• Sistema Africano (formado no âmbito da União Afri‑
cana).
Trataremos especificamente sobre o Sistema Interame‑
ricano, o qual o Brasil faz parte.
No contexto do continente americano, as tendências in‑
ternacionais de proteção aos direitos humanos resultaram na 
proposição pela Organização dos Estados Americanos – OEA, 
em 1948, da Carta da Organização dos Estados Americanos, 
que culminou na aprovação da Declaração Americana de 
Direitos e Deveres do Homem. Essa Declaração, aprovada 
10 meses antes daquela firmada na Assembleia das Nações 
Unidas, foi de fato o primeiro instrumento de relevo no 
campo da proteção internacional dos direitos humanos.
Em seguida, em 1959, foi criada a Comissão Interame‑
ricana dos Direitos Humanos, órgão que passou a receber 
e examinar reclamações de indivíduos contra violações a 
direitos humanos ocorridas nos Estados-Membros.
Em 22 de novembro de 1969, ultrapassados os debates 
sobre a conveniência política de criar-se um arcabouço ins‑
titucional destinado a supervisão dos direitos humanos no 
continente, foi finalmente adotada a Convenção Americana 
sobre Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de 
São José da Costa Rica.
Nesse instrumento, que disciplina em detalhes os deveres 
dos Estados membros da organização e estrutura de forma 
definitiva o Sistema Interamericano de Proteção dos DireitosHumanos, previa-se a criação de uma Corte para julgar as 
violações ocorridas na região. A convenção entrou em vigor 
em 1978, após alcançar o mínimo de onze ratificações, e, no 
ano seguinte, na mesma cidade de São José da Costa Rica, 
foi fundada a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
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O Sistema Interamericano de Direitos Humanos é, portan‑
to, bifásico, contando com dois órgãos distintos: a Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamerica‑
na de Direitos Humanos. Vale lembrar, que tanto a Comissão 
quanto a Corte Interamericana não são órgãos permanentes, 
reunindo‑se, portanto, em períodos pré‑determinados de 
sessões ao longo do ano.
O procedimento para consideração de casos de violação 
de direitos humanos, no âmbito do Sistema Interamericano, 
é relativamente simples. Qualquer pessoa, grupo de pessoas 
ou entidade não governamental legalmente constituída em 
um ou mais Estados membros da Organização pode apre‑
sentar à Comissão Interamericana petições que contenham 
denúncias de violação de qualquer dos direitos e garantias tu‑
telados pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos. 
Para que uma petição seja admitida, deverá o reclamante 
descrever os fatos, as violações alegadas e as respectivas 
vítimas, indicando o Estado responsável pela violação e as 
gestões que levaram ao esgotamento dos recursos de jurisdi‑
ção interna antes de ser acionado o Sistema Interamericano.
Comissão Interamericana de Direitos Humanos
A Comissão consistiu no primeiro organismo efetivo de 
proteção dos direitos humanos, cuja competência alcança 
todos os Estados Partes da Convenção Americana, em relação 
aos direitos lá consagrados. Sediada em Washington, Estados 
Unidos, sua principal função é promover a observância e a 
proteção dos direitos humanos na América.
Criada em 1959, teve papel ampliado no decorrer do tem‑
po. Entre as atribuições que lhe foram designadas podemos 
citar: a competência para fazer recomendações aos Estados 
Partes, prevendo a adoção de medidas necessárias para a 
efetiva tutela dos direitos garantidos convencionalmente, 
preparar estudos e relatórios sobre situações específicas 
de violação aos direitos humanos e solicitar aos governos 
informações sobre as medidas por eles adotadas no assun‑
to. A Comissão é composta por sete membros, eleitos pela 
Assembleia Geral para mandatos de quatro anos, permitida 
uma reeleição. Os eleitos são representantes não de seus 
próprios países, mas de todos os Estados membros da OEA, 
e se reúnem na sede da Comissão, em Washington, em pelo 
menos duas sessões ao ano. Além disso, os Comissionados 
podem realizar visitas in loco aos Estados, a fim de averiguar 
aspectos referentes a casos específicos em trâmite ou para 
elaborar relatórios sobre a situação geral dos direitos huma‑
nos nos países visitados.
Uma das características mais importantes da Comissão 
Interamericana é a possibilidade de postulação atribuída a 
qualquer pessoa, grupo de pessoas ou entidade não governa‑
mental. Alguém que sofra, presencie ou tome conhecimento 
de uma violação de direitos humanos pode efetuar denúncia 
diretamente ao órgão da OEA.
Ao receber uma denúncia de violação de direitos huma‑
nos, a Comissão Interamericana deverá observar se estão 
presentes alguns requisitos essenciais. Entre tais exigências, 
está aquele que é o princípio basilar dos órgãos jurisdicionais 
internacionais: o prévio esgotamento dos recursos internos. 
De acordo com esse preceito, um Estado não pode ser acio‑
nado perante a jurisdição internacional sem que lhe seja 
permitido resolver a questão internamente.
Isso porque, um órgão judicial internacional não pode 
substituir o Judiciário estatal, em respeito à soberania dos 
Estados. Apenas se esgotados todos os remédios disponí‑
veis no âmbito interno, ou caso ocorra uma das exceções 
ao esgotamento, como demora injustificada ou ineficácia 
do recurso, é que a questão pode ultrapassar os limites do 
Estado e ser levada ao foro internacional.
Outro requisito relevante é a ausência de litispendência 
internacional. Ou seja, um mesmo caso não pode ser levado 
simultaneamente ao Sistema Interamericano de Proteção 
dos Direitos Humanos e ao Sistema Universal da Organização 
das Nações Unidas. Deve-se optar por um dos mecanismos.
Presentes todos os requisitos, a petição será encaminha‑
da ao Estado supostamente violador, para que este se ma‑
nifeste sobre os requisitos de admissibilidade da denúncia. 
Após, a Comissão chamará mais uma vez as partes para que 
estas apresentem observações adicionais, e então decidirá se 
admite ou não a petição. Caso positivo, há a abertura formal 
de um caso, e é franqueada nova oportunidade para que os 
litigantes firmem seus posicionamentos, desta vez sobre o 
mérito da questão.
Nesse momento, surge, e é incentivada pela Comissão, 
a possibilidade de negociação para se atingir uma solução 
amistosa. Politicamente pode ser desgastante para o Estado 
ser reconhecido pelo Sistema Interamericano como violador 
de direitos humanos. É claro que os Estados estão sujeitos, 
em vários casos, às amarras de seu direito interno, que 
frequentemente impedem ou dificultam a realização de 
acordos nesses litígios. Contudo, este é um instrumento de 
bastante valia para o sistema, e certamente é um de seus 
mais eficazes mecanismos. Via de regra, há a intermediação 
de um árbitro indicado pela Comissão, mas as negociações 
para a solução amistosa podem ocorrer até mesmo no âm‑
bito interno dos Estados.
Superada a fase da solução amistosa, sem que esta te‑
nha um desfecho positivo, a Comissão Interamericana tem 
duas possibilidades: ou decide que não houve violação, ou 
manifesta-se pela ocorrência de violação a um ou mais dis‑
positivos protegidos por instrumento internacional. Nesse 
último caso, a Comissão apresenta relatório preliminar de 
recomendações, o qual é transmitido ao Estado.
Esse Estado, que no momento já é considerado um vio‑
lador de direitos humanos para todos os efeitos, terá um 
prazo para se manifestar sobre o cumprimento das reco‑
mendações. Caso silencie ou não justifique o porquê do não 
atendimento às medidas consignadas, receberá um Segundo 
Informe da Comissão, reiterando as recomendações.
Na hipótese de o país não atender às recomendações da 
Comissão, o caso pode ser levado à Corte Interamericana de 
Direitos Humanos, com a anuência dos peticionários.
Corte Interamericana de Direitos Humanos
A Corte Interamericana de Direitos Humanos, sediada 
em São José da Costa Rica, é um órgão judicial internacio‑
nal autônomo do sistema da OEA, criado pela Convenção 
Americana dos Direitos do Homem, que tem competência 
de caráter contencioso e consultivo. Trata-se de tribunal 
composto por sete juízes nacionais dos Estados membros 
da OEA, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta 
autoridade moral, de reconhecida competência em matéria 
de direitos humanos, que reúnam as condições requeridas 
para o exercício das mais elevadas funções judiciais, de 
acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais (art. 52 
da Convenção Interamericana).
A Corte Interamericana de Direitos Humanos tem com‑
petência para conhecer de qualquer caso relativo à interpre‑
tação e aplicação das disposições da Convenção Americana 
sobre Direitos humanos, desde que os Estados-Partes no 
caso, tenham reconhecido a sua competência. Somente a 
Comissão Interamericana e os Estados Partes da Convenção 
Americana sobre Direitos Humanos podem submeter um 
caso à decisão desse Tribunal.
No exercício de sua competência consultiva, a Corte Inte‑
ramericana tem desenvolvido análises elucidativas a respeito 
do alcance e do impacto dos dispositivos da Convenção Ame‑
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ricana, emitindo opiniões que têm facilitado a compreensão 
de aspectos substanciais da Convenção, contribuindo para a 
construção e evolução do Direito Internacional dos Direitos 
Humanos no âmbito da América Latina.
No plano contencioso, suacompetência para o julga‑
mento de casos, limitada aos Estados Partes da Convenção 
que tenham expressamente reconhecido sua jurisdição, 
consiste na apreciação de questões envolvendo denúncia 
de violação, por qualquer Estado Parte, de direito protegido 
pela Convenção. Caso reconheça que efetivamente ocorreu 
a violação à Convenção, determinará a adoção de medidas 
que se façam necessárias à restauração do direito então 
violado, podendo condenar o Estado, inclusive, ao paga‑
mento de uma justa compensação à vítima. Note-se que, 
diversamente do sistema europeu, não é reconhecido o 
direito postulatório das supostas vítimas, seus familiares ou 
organizações não-governamentais diante da Corte Interame‑
ricana. Somente a Comissão e os Estados-parte da OEA têm 
legitimidade para a apresentação de demandas ante à Corte. 
Desse modo, qualquer indivíduo que pretenda submeter 
denúncia à apreciação da Corte, deve, necessariamente, 
apresentá-la à Comissão Interamericana.
A partir do ano de 1996, todavia, inovação trazida pelo III 
Regulamento da Corte Interamericana de Direitos Humanos, 
ampliou-se a possibilidade de participação do indivíduo no 
processo, autorizando que os representantes ou familiares 
das vítimas apresentassem, de forma autônoma, suas pró‑
prias alegações e provas durante a etapa de discussão sobre 
as reparações devidas.
Além disso, hoje, com as alterações trazidas pelo IV Regu‑
lamento, também é possível que as vítimas, seus represen‑
tantes e familiares não só ofereçam suas próprias peças de 
argumentação e provas em todas as etapas do procedimento, 
como também façam uso da palavra durante as audiências 
públicas celebradas, ostentando, assim, a condição de ver‑
dadeiras partes no processo.
A Atuação do Brasil perante o Sistema 
Interamericano de Direitos Humanos
Na década de 80, com o fim do governo militar e o arrefe‑
cimento da Guerra Fria, o Brasil intensificou seu comprome‑
timento com a proteção dos direitos humanos, abrindo-se à 
atuação de mecanismos internacionais de supervisão, como 
o Sistema Interamericano de Direitos Humanos. O pontapé
inicial das discussões foi dado em 1985, mas o efeito con‑
creto – a ratificação da Convenção Americana – só ocorreu 
em 1992, após a consolidação do processo de redemocra‑
tização e a promulgação da chamada Constituição cidadã, 
que elevava os direitos humanos à condição de prevalência 
na política externa pátria (Art. 4º da CF).
Também foi na década de 80, que o Brasil aderiu a alguns 
dos principais tratados de proteção aos direitos humanos: 
os dois Pactos das Nações Unidas sobre direitos humanos, 
a Convenção contra a Tortura, a Convenção sobre os Direitos 
da Criança e a Convenção Interamericana para Prevenir e 
Punir a Tortura. Em 10 de dezembro de 1998, data símbolo 
do cinquentenário da Declaração Universal dos Direitos Hu‑
manos, o Brasil passava a reconhecer a jurisdição obrigatória 
da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Dentre os foros multilaterais dos quais o Brasil faz parte, 
certamente o Sistema Interamericano de Direitos Humanos 
é dos que se mais destaca, nos anos mais recentes. A defesa 
estatal perante a Comissão e a Corte Interamericana de Di‑
reitos Humanos, teve que se profissionalizar em decorrência 
do adensamento jurisdicional ocorrido em todo o sistema. 
O aumento significativo do número de casos brasileiros 
perante a Comissão, aliado à estruturação das organizações 
não-governamentais pátrias e ao início da admissão de ca‑
sos brasileiros à fase de mérito, assim como a elevação dos 
primeiros casos do Brasil à esfera da Corte Interamericana 
foram decisivos na mudança da atuação do Estado.
Inexistem regras que disciplinem, no plano interno, de 
que forma deverá ser conduzida a defesa do Estado brasileiro 
perante o Sistema Interamericano. O certo é que as matérias 
levadas a esse foro serão sempre complexas e delicadas, 
envolvendo aspectos políticos, jurídicos e diplomáticos, do 
interesse de diversos atores.
Por isso, fez-se necessário que os órgãos da Adminis‑
tração Pública, notadamente a Advocacia-Geral da União, 
o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria Especial
dos Direitos Humanos, que seriam os mais diretamente en‑
volvidos nas questões levadas ao Sistema Interamericano, 
passassem a atuar conjuntamente, cada qual dentro de 
suas esferas de competência, na condução da defesa do 
Estado brasileiro que será apresentada perante a Comissão 
e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. A unificação 
do discurso e a atuação em coordenação no plano interno 
foram determinantes para que a defesa estatal se tornasse 
uníssona e coerente na esfera internacional, além de garantir 
a adequação da política nacional aos princípios norteadores 
dos direitos humanos.
DeCReTO Nº 678, De 6 De NOVeMBRO 
De 1992
Promulga a Convenção Ame-
ricana sobre Direitos Humanos 
(Pacto de São José da Costa Rica), 
de 22 de novembro de 1969.
O VICe-PReSIDeNTe DA RePÚBLICA, no exercício do cargo 
de PReSIDeNTe DA RePÚBLICA , no uso da atribuição que lhe 
confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, e Considerando 
que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto 
de São José da Costa Rica), adotada no âmbito da Organi‑
zação dos Estados Americanos, em São José da Costa Rica, 
em 22 de novembro de 1969, entrou em vigor internacional 
em 18 de julho de 1978, na forma do segundo parágrafo de 
seu art. 74;
Considerando que o Governo brasileiro depositou a carta 
de adesão a essa convenção em 25 de setembro de 1992; 
Considerando que a Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) entrou em vigor, 
para o Brasil, em 25 de setembro de 1992, de conformidade 
com o disposto no segundo parágrafo de seu art. 74;
DeCReTA:
Art. 1º A Convenção Americana sobre Direitos Humanos 
(Pacto de São José da Costa Rica), celebrada em São José da 
Costa Rica, em 22 de novembro de 1969, apensa por cópia 
ao presente decreto, deverá ser cumprida tão inteiramente 
como nela se contém.
Art. 2º Ao depositar a carta de adesão a esse ato inter‑
nacional, em 25 de setembro de 1992, o Governo brasileiro 
fez a seguinte declaração interpretativa: “O Governo do 
Brasil entende que os arts. 43 e 48, alínea d, não incluem o 
direito automático de visitas e inspeções in loco da Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos, as quais dependerão 
da anuência expressa do Estado”.
Art. 3º O presente decreto entra em vigor na data de 
sua publicação.
Brasília, 6 de novembro de 1992; 171º da Independência 
e 104º da República.
ITAMAR FRANCO 
Fernando Henrique Cardoso
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ANeXO AO DeCReTO QUe PROMULGA A CONVeNÇÃO 
AMeRICANA SOBRe DIReITOS HUMANOS
(PACTO De SÃO JOSe DA COSTA RICA) – MRe
CONVeNÇÃO AMeRICANA SOBRe DIReITOS HUMANOS
PReÂMBULO
Os Estados americanos signatários da presente Con‑
venção, 
Reafirmando seu propósito de consolidar neste Conti‑
nente, dentro do quadro das instituições democráticas, um 
regime de liberdade pessoal e de justiça social, fundado no 
respeito dos direitos essenciais do homem;
Reconhecendo que os direitos essenciais do homem não 
deviam do fato de ser ele nacional de determinado Estado, 
mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da 
pessoa humana, razão por que justificam uma proteção 
internacional, de natureza convencional, coadjuvante ou 
complementar da que oferece o direito interno dos Estados 
americanos;
Considerando que esses princípios foram consagrados na 
Carta da Organização dos Estados Americanos, na Declaração 
Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração 
Universal dos Direitos do Homem e que foram reafirmados e 
desenvolvidos em outros instrumentos internacionais, tanto 
de âmbito mundial como regional;
Reiterando que, de acordo com a Declaração Universal 
dos Direitos do Homem, só pode ser realizado o ideal do 
ser humano livre, isento do temor e da miséria, se forem 
criadas condições que permitam a cada pessoa gozar dos 
seus direitos econômicos, sociais e culturais, bemcomo dos 
seus direitos civis e políticos; e
Considerando que a Terceira Conferência Interamericana 
Extraordinária (Buenos Aires, 1967) aprovou a incorporação 
à próprias sociais e educacionais e resolveu que uma conven‑
ção interamericana sobre direitos humanos determinasse a 
estrutura, competência e processo dos órgãos encarregados 
dessa matéria,
Convieram no seguinte:
PARTe I
Deveres dos estados e Direitos Protegidos
CAPÍTULO I
enumeração de Deveres
ARTIGO 1
Obrigação de Respeitar os Direitos
1. Os Estados-Partes nesta Convenção comprometem-se
a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a 
garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja 
sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo 
de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de 
qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição 
econômica, nascimento ou qualquer outra condição social.
2. Para os efeitos desta Convenção, pessoa é todo ser
humano.
ARTIGO 2
Dever de Adotar Disposições de Direito Interno
Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados 
no artigo no artigo 1 ainda não estiver garantido por dispo‑
sições legislativas ou de outra natureza, os Estados-Partes 
comprometem‑se a adotar, de acordo com as suas normas 
constitucionais e com as disposições desta Convenção, as me‑
didas legislativas ou de outra natureza que forem necessárias 
para tornar efetivos tais direitos e liberdades.
CAPÍTULO II
Direitos Civis e Políticos
ARTIGO 3
Direitos ao Reconhecimento da Personalidade Jurídica
Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua 
personalidade jurídica.
ARTIGO 4
Direito à Vida
1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. 
Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o 
momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida 
arbitrariamente.
2. Nos países que não houverem abolido a pena de mor‑
te, esta só poderá ser imposta pelos delitos mais graves, em 
cumprimento de sentença final de tribunal competente e 
em conformidade com lei que estabeleça tal pena, promul‑
gada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se 
estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique 
atualmente.
3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados
que a hajam abolido.
4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada
por delitos políticos, nem por delidos comuns conexos com 
delitos políticos.
5. Não se deve impor a pena de morte à pessoa que, no
momento da perpetração do delito, for menor de dezoito 
anos, ou maior de setenta, nem aplicá-la a mulher em estado 
de gravidez.
6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar
anistia, indulto ou comutação da pena, os quais podem ser 
concedidos em todos os casos. Não se pode executar a pena 
de morte enquanto o pedido estiver pendente de decisão 
ante a autoridade competente.
ARTIGO 5
Direito à Integridade Pessoal
1. Toda pessoa tem o direito de que se respeito sua
integridade física, psíquica e moral.
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas
ou tratos cruéis, desumanos ou degradantes. Toda pessoa 
privada da liberdade deve ser tratada com o respeito devido 
à dignidade inerente ao ser humano.
3. A pena não pode passar da pessoa do delinquente.
4. Os processados devem ficar separados dos condena‑
dos, salvo em circunstâncias excepcionais, a ser submetidos 
a tratamento adequado à sua condição de pessoal não 
condenadas.
5. Os menores, quando puderem ser processados, devem
ser separados dos adultos e conduzidos a tribunal especia‑
lizado, com a maior rapidez possível, para seu tratamento.
6. As penas privativas da liberdade devem ter por
finalidade essencial a reforma e a readaptação social dos 
condenados.
ARTIGO 6
Proibição da escravidão e da Servidão
1. Ninguém pode ser submetido à escravidão ou a servi‑
dão, e tanto estas como o tráfico de escravos e o tráfico de 
mulheres são proibidos em todas as formas.
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2. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho
forçado ou obrigatório. Nos países em que se prescreve, para 
certos delitos, pena privativa da liberdade acompanhada 
de trabalhos forçados, esta disposição não pode ser inter‑
pretada no sentido de que proíbe o cumprimento da dita 
pena, importa por juiz ou tribunal competente. O trabalho 
forçado não deve afetar a dignidade nem a capacidade física 
e intelectual do recluso.
3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios
para os efeitos deste artigo:
a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de
pessoal reclusa em cumprimento de sentença ou resolução 
formal expedida pela autoridade judiciária competente. Tais 
trabalhos ou serviços de devem ser executados sob a vigilân‑
cia e controle das autoridades públicas, e os indivíduos que 
os executarem não devem ser postos à disposição de parti‑
culares, companhias ou pessoas jurídicas de caráter privado:
b) o serviço militar e, nos países onde se admite a isenção 
por motivos de consciências, o serviço nacional que a lei 
estabelecer em lugar daquele;
c) o serviço imposto em casos de perigo ou calamidade 
que ameace a existência ou o bem-estar da comunidade; e
d) o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações 
cívicas normais.
ARTIGO 7
Direito à Liberdade Pessoal
1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança
pessoais.
2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física,
salvo pelas causas e nas condições previamente fixadas pelas 
constituições políticas dos Estados-Partes ou pelas leis de 
acordo com elas promulgadas.
3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarce‑
ramento arbitrários.
4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das
razões da sua detenção e notificada, sem demora, da acu‑
sação ou acusações formuladas contra ela.
5. Toda pessoa detida ou retida deve ser conduzida,
sem demora, à presença de um juiz ou outra autoridade 
autorizada pela lei a exercer funções judiciais e tem direito 
a ser julgada dentro de um prazo razoável ou a ser posta 
em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. Sua 
liberdade pode ser condiciona a garantias que assegurem o 
seu comparecimento em juízo.
6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer
a um juiz ou tribunal competente, a fim de que este decida, 
sem demora, sobre ou tribunal competente, a fim de que 
este decida, sem demora, sobre a legalidade de sua prisão 
ou detenção e ordene sua soltura se a prisão ou a detenção 
forem ilegais. Nos Estados-Partes cujas leis preveem que toda 
pessoa que se vir ameaçada de ser privada de sua liberdade 
tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente a 
fim de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça, tal 
recurso não pode ser restringido nem abolido. O recurso 
pode ser interposto pela própria pessoa ou por outra pessoa.
7. Ninguém deve ser detido por dívida. Este princípio não
limita os mandados de autoridade judiciária competente 
expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação 
alimentar.
ARTIGO 8
Garantias Judiciais
1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas
garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tri‑
bunal competente, independente e imparcial, estabelecido 
anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação 
penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus 
direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou 
de qualquer outra natureza.
2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se pre‑
suma sua inocência enquanto não se comprove legalmente 
sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em 
plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:
a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente por
tradutor ou intérprete, se não compreender ou não falar o 
idioma do juízo ou tribunal;
b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da
acusação formulada;
c) concessão ao acusado do tempo e dos meios adequa‑
dos para a preparação de sua defesa;
d) direito do acusado de defender-se pessoalmente
ou de ser assistido por um defensorde sua escolha e de 
comunicar-se, livremente e em particular, com seu defensor;
e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor
proporcionado pelo Estado, remunerado ou não, segundo a 
legislação interna, se o acusado não se defender ele próprio 
nem nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei;
f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presente
no tribunal e de obter o comparecimento, como testemu‑
nhas ou peritos, de outras pessoas que possam lançar luz 
sobre os fatos.
g) direito de não ser obrigado a depor contra si mesma,
nem a declarar-se culpada; e
h) direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal
superior.
3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação
de nenhuma natureza.
4. O acusado absolvido por sentença passada em julgado
não poderá se submetido a novo processo pelos mesmos 
fatos.
5. O processo penal deve ser público, salvo no que for
necessário para preservar os interesses da justiça.
ARTIGO 9
Princípio da Legalidade e da Retroatividade
Ninguém pode ser condenado por ações ou omissões 
que, no momento em que forem cometidas, não sejam 
delituosas, de acordo com o direito aplicável. Tampouco se 
pode impor pena mais grave que a aplicável no momento da 
perpetração do delito. Se depois da perpetração do delito 
a lei dispuser a imposição de pena mais leve, o delinquente 
será por isso beneficiado.
ARTIGO 10
Direito a Indenização
Toda pessoa tem direito de ser indenizada conforme a 
lei, no caso de haver sido condenada em sentença passada 
em julgado, por erro judiciário.
ARTIGO 11
Proteção da Honra e da Dignidade
1. Toda pessoa tem direito ao respeito de sua honra e ao
reconhecimento de sua dignidade.
2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias
ou abusivas em sua vida privada, na de sua família, em seu 
domicílio ou em sua correspondência, nem de ofensas ilegais 
à sua honra ou reputação.
3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais
ingerências ou tais ofensas.
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ARTIGO 12
Liberdade de Consciência e de Religião
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência
e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar 
sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de 
crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua 
religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto 
em público como em privado.
2. Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que
possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou 
suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças.
3. A liberdade de manifestar a própria religião e as pró‑
prias crenças está sujeita unicamente às limitações prescritas 
pelas leis e que sejam necessárias para proteger a segurança, 
a ordem, a saúde ou moral pública ou os direitos ou liberda‑
des das demais pessoas.
4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito
a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa 
e moral que esteja acorde com suas próprias convicções.
ARTIGO 13
Liberdade de Pensamento e de expressão
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e
de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, 
receber e difundir informações e ideias de toda natureza, 
sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, 
ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro 
processo de sua escolha.
O exercício do direito previsto no inciso precedente não 
pode estar sujeito à censura prévia, mas a responsabilidades 
ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei a 
ser necessária para assegurar:
a) o respeito aos direitos ou à reputação das demais 
pessoas; ou
b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública,
ou da saúde ou da moral pública.
3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias
ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais 
ou particulares de papel de imprensa, de frequências radio‑
elétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão 
de informação, nem por quaisquer outros meios destinados 
a obstar a comunicação e a circulação de ideias e opiniões.
4. A lei pode submeter os espetáculos públicos à censura
prévia, com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, 
para proteção moral da infância e da adolescência, sem 
prejuízo do disposto no inciso 2º.
5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra,
bem como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religio‑
so que constitua incitação à discriminação, à hostilidade, 
ao crime ou à violência.
ARTIGO 14
Direito de Retificação ou Resposta
1. Toda pessoa atingida por informações inexatas ou
ofensivas emitidas em seus prejuízos por meios de difusão 
legalmente regulamentados e que se dirijam ao público em 
geral, tem direito a fazer, pelo mesmo órgão de difusão, sua 
retificação ou resposta, nas condições que estabeleça a Lei 
nº 2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirá das 
outras responsabilidades legais em que se houver incorrido.
3. Para a efetiva proteção da honra e da reputação, toda
publicação ou empresa jornalística, cinematográfica, de rádio 
ou televisão, deve ter uma pessoa responsável que não seja 
protegida por imunidades nem goze de foro especial.
ARTIGO 15
Direito de Reunião
É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. 
O exercício de tal direito só pode estar sujeito às restrições 
previstas pela lei e que sejam necessárias, uma sociedade de‑
mocrática, no interesse da segurança nacional, da segurança 
ou da ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral 
públicas ou os direitos e liberdades das demais pessoas.
ARTIGO 16
Liberdade de Associação
1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremen‑
te com fins ideológicos, religiosos, políticos, econômicos, 
trabalhistas, sociais, culturais, desportivos, ou de qualquer 
outra natureza.
2. O exercício de tal direito só pode estar sujeito às
restrições previstas pela lei que sejam necessárias, numa 
sociedade democrática, no interesse da segurança nacio‑
nal, da segurança ou da ordem públicas, ou para proteger 
a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades das 
demais pessoas.
3. O disposto neste artigo não impede a imposição de
restrições legais, e mesmo a privação do exercício do direito 
de associação, aos membros das forças armadas e da polícia.
ARTIGO 17
Proteção da Família
1. A família é o elemento natural e fundamental da so‑
ciedade e deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado.
2. É reconhecido o direito do homem e da mulher de
contraírem casamento e de fundarem uma família, se tiverem 
à idade e as condições para isso exigidas pelas leis internas, 
na medida em que não afetem estas o princípio da não dis‑
criminação estabelecido nesta Convenção.
3. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e
pleno consentimento dos contraentes.
4. Os Estados-Partes devem tomar medidas apropriadas
no sentido de assegurar a igualdade de direitos e a adequada 
equivalência de responsabilidades dos cônjuges quanto ao 
casamento, durante o casamento e em caso de dissolução do 
mesmo. Em caso de dissolução, serão adotadas disposições 
que assegurem a proteção necessária aos filhos, com base 
unicamente no interesse e conveniência dos mesmos.
5. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos
nascidos fora do casamento como aos nascidos dentro do 
casamento.
ARTIGO 18
Direito ao Nome
Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de 
seus pais ou ao de um destes. A lei deve regular a forma de 
assegurar a todos esses direitos, mediante nomes fictícios, 
se for necessário.
ARTIGO 19
Direitos da Criança
Toda criança tem direito às medidas de proteção que a 
sua condição de menor requer por parte da sua família, da 
sociedade e do Estado.
ARTIGO 20
Direito à Nacionalidade
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
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2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em
cujo território houver nascido, se não tiver direito à outra.
3. A ninguém se deve privar arbitrariamentede sua
nacionalidade nem do direito de mudá-la.
ARTIGO 21
Direito à Propriedade Privada
1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo dos seus bens.
A lei pode subordinar esse uso e gozo ao interesse social.
2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, salvo
mediante o pagamento de indenização justa, por motivo de 
utilidade pública ou de interesse social e nos casos e na forma 
estabelecidos pela Lei nº 3. Tanto a usura como qualquer 
outra forma de exploração do homem pelo homem devem 
ser reprimidas pela lei.
ARTIGO 22
Direito de Circulação e de Residência
1. Toda pessoa que se ache legalmente no território
de um Estado tem direito de circular nele e de nele residir 
conformidade com as disposições legais.
2. toda pessoa tem o direito de sair livremente de qual‑
quer país, inclusive do próprio.
3. O exercício dos direitos acima mencionados não pode
ser restringido senão em virtude de lei, na medida indispen‑
sável, numa sociedade democrática, para prevenir infrações 
penais ou para proteger a segurança nacional, a segurança ou 
a ordem públicas, a moral ou a saúde públicas, ou os direitos 
e liberdades das demais pessoas.
4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode
também ser restringido pela lei, em zonas determinadas, por 
motivos de interesse público.
5. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do
qual for nacional, nem ser privado do direito de nele entrar.
6. O estrangeiro que se ache legalmente no território
de uma Estado-Parte nesta Convenção só poderá dele ser 
expulso em cumprimento de decisão adotada de acordo com 
a Lei nº 7. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber 
asilo em território estrangeiro, em caso de perseguição por 
delitos políticos ou comuns conexos com delitos políticos e 
de acordo com a legislação de cada estado e com os convê‑
nios internacionais.
8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou
entregue a outro país, seja ou não de origem, onde seu di‑
reito à vida ou liberdade pessoal esteja em risco de violação 
por causa da sua raça, nacionalidade, religião, condição social 
ou de suas opiniões políticas.
9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.
ARTIGO 23
Direitos Políticos
1. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos
e oportunidades:
a) de participar da direção dos assuntos públicos, dire‑
tamente ou por meio de representantes livremente eleitos;
b) de votar e se eleitos em eleições periódicas autênticas,
realizadas por sufrágio universal e igual e por voto secreto 
que garanta a livre expressão da vontade dos eleitores; e
c) de ter acesso, em condições gerais de igualdade,
às funções públicas de seu país.
2. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportu‑
nidades e a que se refere o inciso anterior, exclusivamente 
por motivos de idade, nacionalidade, residência, idioma, 
instrução, capacidade civil ou mental, ou condenação, por 
juiz competente, em processo penal.
ARTIGO 24
Igualdade Perante a Lei
Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguin‑
te, têm direito, sem discriminação, a igual proteção da lei.
ARTIGO 25
Proteção Judicial
1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido
ou a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízos ou 
tribunais competentes, que a proteja contra atos que violem 
seus direitos fundamentais reconhecidos pela constituição, 
pela lei ou pela presente Convenção, mesmo quando tal 
violação seja cometida por pessoas que estejam atuando 
no exercício de suas funções oficiais.
2. Os Estados-Partes comprometem-se:
a) a assegurar que a autoridade competente prevista
pelo sistema legal do Estado decida sobre os direitos de toda 
pessoa que interpuser tal recurso;
b) a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e
c) a assegurar o cumprimento, pelas autoridades com‑
petente, de toda decisão em que se tenha considerado 
procedente o recurso.
CAPÍTULO III
Direitos econômicos, Sociais e Culturais
ARTIGO 26
Desenvolvimento Progressivo
Os Estados-Partes comprometem-se a adotar providên‑
cia, tanto no âmbito interno como mediante cooperação 
internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de 
conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos 
que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educa‑
ção, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos 
Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos 
Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa 
ou por outros meios apropriados.
CAPÍTULO IV
Suspensão de Garantias, Interpretação e Aplicação
ARTIGO 27
Suspensão de Garantias
1. Em caso de guerra, de perigo público, ou de outra
emergência que ameace a independência ou segurança 
do Estado-Parte, este poderá adotar disposições que, na 
medida e pelo tempo estritamente limitados às exigências 
da situação, suspendam as obrigações contraídas em virtu‑
de desta Convenção, desde que tais disposições não sejam 
incompatíveis com as demais obrigações que lhe impõe o 
Direito Internacional e não encerrem discriminação alguma 
fundada em motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião ou 
origem social.
2. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos
direitos determinados nos seguintes artigos: 3 (Direito ao Re‑
conhecimento da Personalidade Jurídica), 4 (Direito à vida), 
5 (Direito à Integridade Pessoal), 6 (Proibição da Escravidão 
e Servidão), 9 (Princípio da Legalidade e da Retroatividade), 
12 (Liberdade de Consciência e de Religião), 17 (Proteção 
da Família), 18 (Direito ao Nome), 18 (Direitos da Criança), 
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20 (Direito à Nacionalidade) e 23 (Direitos Políticos), nem 
das garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos.
3. Todo Estado-Parte que fizer uso do direito de suspen‑
são deverá informar imediatamente os outros Estados-Partes 
na presente Convenção, por intermédio do Secretário-Geral 
da Organização dos Estados Americanos, das disposições 
cuja aplicação haja suspendido, dos motivos determinantes 
da suspensão e da data em que haja dado por terminado 
tal suspensão.
ARTIGO 28
Cláusula Federal
1. Quando se tratar de um Estado-Parte constituído como
Estado federal, o governo nacional do aludido Estado-Parte 
cumprirá todas as disposições da presente Convenção, rela‑
cionadas com as matérias sobre as quais exerce competência 
legislativa e judicial.
2. No tocante às disposições relativas às matérias que
correspondem à competência das entidades componentes da 
federação, o governo nacional deve tomar imediatamente as 
medidas pertinentes, em conformidade com sua constituição 
e suas leis, a fim de que as autoridades competentes das 
referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis 
para o cumprimento desta Convenção.
3. Quando dois ou mais Estados‑Partes decidiram cons‑
tituir entre eles uma federação ou outro tipo de associação, 
diligenciarão no sentido de que o pacto comunitário respec‑
tivo contenha as disposições necessárias para que continuem 
sendo efetivas no novo Estado assim organizado as normas 
da presente Convenção.
ARTIGO 29
Normas de Interpretação
Nenhuma disposição desta Convenção pode ser inter‑
pretada no sentido de:
a) permitir a qualquer dos Estados-Partes, grupo ou
pessoa, suprimir o gozo e exercício dos direitos e liberdades 
reconhecidos na Convenção ou limitá-los em maior medida 
do que a nela prevista;
b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liber‑
dade que possam ser reconhecidos de acordo com as leis 
de qualquer dos Estados-Partes ou de acordo com outra 
convenção em que seja parte um dos referidos Estados;
c) excluir outros direitos e garantias que são inerentes
ao ser humano ou que decorrem da forma democrática 
representativa de governo; e
d) excluir ou limitar o efeito que possam produzir a
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e 
outros atos internacionais da mesma natureza.
ARTIGO 30
Alcance das Restrições
As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, 
ao gozo e exercício dos direitos e liberdades nela reconheci‑
dos, não podemser aplicadas senão de acordo com leis que 
forem promulgadas por motivo de interesse geral e com o 
propósito para o qual houverem sido estabelecidas.
ARTIGO 31
Reconhecimento de Outros Direitos
Poderão ser incluídos no regime de proteção desta Con‑
venção outros direitos e liberdades que forem reconhecidos 
de acordo com os processos estabelecidos nos artigos 69 e 70.
CAPÍTULO V
Deveres das Pessoas
ARTIGO 32
Correlação entre Deveres e Direitos
1. Toda pessoa tem deveres para com a família, a comu‑
nidade e a humanidade.
2. Os direitos de cada pessoa são limitados pelos direitos
dos demais, pela segurança de todos e pelas justas exigências 
do bem comum, numa sociedade democrática.
PARTe II
Meios da Proteção
CAPÍTULO VI
Órgãos Competentes
ARTIGO 33
São competentes para conhecer dos assuntos relaciona‑
dos com o cumprimento dos compromissos assumidos pelos 
Estados-Partes nesta Convenção:
a) a Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
doravante denominada a Comissão; e
b) a Corte Interamericana de Direitos Humanos, dora‑
vante denominada a Corte.
CAPÍTULO VII
Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Seção 1
Organização
ARTIGO 34
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos com‑
por-se-á de sete membros, que deverão ser pessoas de alta 
autoridade moral e de reconhecimento saber em matéria 
de direitos humanos.
ARTIGO 35
A Comissão representa todos os Membros da Organiza‑
ção dos Estados Americanos.
ARTIGO 36
1. Os membros da Comissão, serão eleitos a título pes‑
soal, pela Assembleia-Geral da organização, de uma lista de 
candidatos propostos pelos governos dos Estados-Membros.
2. Cada um dos referidos governos pode propor até
três candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de 
qualquer outro Estado-Membro da organização dos Estados 
Americanos. Quando for proposta uma lista de três candi‑
datos, pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado 
diferente do proponente.
ARTIGO 37
1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro
anos e só poderão ser reeleitos uma vez, porém o mandato 
de três dos membros designados na primeira eleição expirará 
ao cabo de dois anos. Logo depois da referida eleição, serão 
determinados por sorteio, na Assembleia-Geral, os nomes 
desses três membros.
2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional
de um mesmo Estado.
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ARTIGO 38
As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam 
à expiração normal do mandado, serão preenchidas pelo 
Conselho Permanente da Organização, de acordo com o que 
dispuser o Estatuto da Comissão.
ARTIGO 39
A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à 
aprovação da Assembleia-Geral e expedirá seu próprio 
regulamento.
ARTIGO 40
Os serviços de secretaria da Comissão devem ser de‑
sempenhados pela unidade funcional especializada que faz 
parte da Secretaria-Geral da Organização e deve dispor dos 
recursos necessários para cumprir as tarefas que lhe forem 
confiadas pela Comissão.
Seção 2
Funções
ARTIGO 41
A Comissão tem a função principal de promover a obser‑
vância e a defesa dos direitos humanos e, no exercício do seu 
mandato, tem as seguintes funções e atribuições:
a) estimular a consciência dos direitos humanos nos
povos da América;
b) formular recomendações aos governos dos Esta‑
dos-Membros, quando o considerar conveniente, no sentido 
de que adotem medidas progressivas em prol dos direitos 
humanos no âmbito de suas leis internas e seus preceitos 
constitucionais, bem como disposições apropriadas para 
promover o devido respeito a esses direitos;
c) preparar os estudos ou relatórios que considerar con‑
venientes o desempenho de suas funções;
d) solicitar aos governos dos Estados-Membros que lhe
proporcionem informações sobre as medidas que adotarem 
em matéria de direitos humanos;
e) atender às consultas que, por meio da Secretaria-Geral
da Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os 
Estados-Membros sobre questões relacionadas com os direi‑
tos humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-lhes 
o assessoramento que eles lhe solicitarem;
f) atuar com respeito às petições e outras comunicações,
no exercício de sua autoridade, de conformidade com o 
disposto nos artigos 44 a 51 desta Convenção; e
g) apresentar um relatório anual a Assembleia-Geral da
Organização dos Estados Americanos.
ARTIGO 42
Os Estados-Partes devem remeter à Comissão cópia 
dos relatórios e estudos que, em seus respectivos campos, 
submetem anualmente às Comissões Executivas do Conselho 
Interamericano Econômico e Social e do Conselho Interame‑
ricano de Educação, Ciência e Cultura, a fim de que aquela 
vele por que se promovem os direitos decorrentes das nor‑
mas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura 
constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, 
reformada pelo Protocolo de Buenos Aires.
ARTIGO 43
Os Estados-Partes obrigam-se a proporcionar à Comissão 
as informações que esta lhes solicitar sobre a maneira pela 
qual o seu direito interno assegura a aplicação efetiva de 
quaisquer disposições desta Convenção.
Seção 3
Competência
ARTIGO 44
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não 
governamental legalmente reconhecida em um ou mais 
Estados-Membros da Organização, pode apresentar à Co‑
missão petições que contenham denúncias ou queixas de 
violação desta Convenção por um Estado-Parte.
ARTIGO 45
1. Todo Estado‑Parte pode, no momento do depósito
do seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de 
adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar 
que reconhece a competência da Comissão para receber e 
examinar as comunicações em que um Estado-Parte alegue 
haver outro Estado-Parte incorrido em violações direitos 
humanos estabelecidos nesta Convenção.
2. As comunicações feitas em virtude deste artigo só
podem ser admitidos e examinadas se forem apresentadas 
por um Estado-Parte que haja feito uma declaração pela qual 
reconheça a referida competência da Comissão. A Comissão 
não admitirá nenhuma comunicação contra um Estado-Parte 
que não haja feito tal declaração.
3. As declarações sobre reconhecimento de competência
podem ser feitas para que esta vigore por tempo indefinido, 
por período determinado ou para casos específicos.
4. As declarações serão depositadas na Secretaria-Geral
da Organização dos Estados Americanos, a qual encami‑
nhará cópia das mesmas aos Estados-Membros da referida 
Organização.
ARTIGO 46
1. Para que uma petição ou comunicação apresentada de
acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão, 
será necessário:
a) que hajam sido interpostos e esgotados os recursos
da jurisdição interna, de acordo com os princípios de direito 
internacional geralmente reconhecidos;
b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses,
a partir da data em que o presumido prejudicado em seus 
direitos tenha sido notificado da decisão definitiva;
c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja
pendente de outro processo de solução internacional; e
d) que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome,
a nacionalidade, a profissão, o domicílio e a assinatura da 
pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade 
que submeter a petição.
2. as disposições das alíneas a e b do inciso 1º deste artigo
não se aplicarão quando:
a) não existir, na legislação interna do Estado de que se
tratar, o devido processo legal para a proteção do direito ou 
direitos que se alegue tenha sido violados;
b) não se houver permitido ao presumido prejudicado
em seus direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna, 
ou houver sido ele impedido de esgotá-los; e
c) houver demora injustificada na decisão sobre os men‑
cionados recursos.
ARTIGO 47
A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comuni‑
cação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 quando:
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a) não preencher algum dos requisitos estabelecidos
no artigo 46;
b) não expuser fatos que caracterizem violação dos di‑
reitos garantidos por esta Convenção;c) pela exposição do próprio peticionário ou do Estado,
for manifestamente infundada a petição ou comunicação ou 
for evidente sua total improcedência; ou
d) for substancialmente reprodução de petição ou comu‑
nicação anterior, já examinada pela Comissão ou por outro 
organismo internacional.
Seção 4
Processo
ARTIGO 48
1. A Comissão, ao receber uma petição ou comunicação
na qual se alegue violação de qualquer dos direitos consa‑
grados nesta Convenção, procederá da seguinte maneira:
a) se reconhecer a admissibilidade da petição ou co‑
municação, solicitará informações ao Governo do Estado 
ao qual pertença a autoridade apontada como responsável 
pela violação alegada e transcreverá as partes pertinentes da 
petição ou comunicação. As referidas informações devem ser 
enviadas dentro de um prazo razoável, fixado pela Comissão 
ao considerar as circunstâncias de cada caso;
b) recebidas às informações, ou transcorrido o prazo fixado
sem que sejam elas recebidas, verificará se existem ou subsis‑
tem os motivos da petição ou comunicação. No caso de não 
existirem ou não subsistirem, mandará arquivar o expediente;
c) poderá também declarar a inadmissibilidade ou a impro‑
cedência da petição ou comunicação, com base em informação 
ou prova superveniente;
d) se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim
de comprovar os fatos, a Comissão procederá, com conheci‑
mento das partes a um exame do assunto exposto na petição 
ou comunicação. Se for necessário e conveniente, a Comissão 
procederá a uma investigação para cuja eficaz realização soli‑
citará, e os Estado interessados lhe proporcionarão, todas as 
facilidades necessárias;
e) poderá pedir aos Estados interessados qualquer infor‑
mação pertinente e receberá, se isso lhe for solicitado, as expo‑
sições verbais ou escritas que apresentarem os interessados; e
f) por-se-á à disposição das partes interessadas, a fim de
chegar a uma solução amistosa do assunto, fundada no res‑
peito aos direitos humanos reconhecidos nesta Convenção.
2. Entretanto, em casos graves e urgentes, pode ser realizada
uma investigação, mediante prévio consentimento do Estado 
em cujo território de alegue haver sido cometido à violação, tão 
somente com a apresentação de uma petição ou comunicação 
que reúna todos os requisitos formais de admissibilidade.
ARTIGO 49
Se houver chegado a uma solução amistosa de acordo 
com as disposições do inciso 1, f, do artigo 48, a Comissão 
redigirá um relatório que será encaminhado ao peticionário 
e aos Estados-Partes nesta Convenção e, posteriormente, 
transmitido, para sua publicação, ao Secretário-Geral da 
Organização dos Estados Americanos. O referido relatório 
conterá uma breve exposição dos fatos e da solução alcan‑
çada. Se qualquer das partes no caso o solicitar, ser-lhe-á 
proporcionada a mais ampla informação possível.
ARTIGO 50
1. Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo
que for fixado pelo Estatuto da Comissão, esta redigirá um 
relatório no qual exporá os fatos e suas conclusões. Se o 
relatório não representar, no todo ou em parte, o acordo 
unânime dos membros da Comissão, qualquer deles poderá 
agregar ao referido relatório seu voto em separado. Também 
se agregarão ao relatório às exposições verbais ou escritas 
que houverem sido feitas pelos interessados em virtudes do 
inciso 1º, e, do artigo 48.
2. O relatório será encaminhado aos Estados interessa‑
dos, aos quais não será facultado publicá-lo.
3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular
as proposições e recomendações que julgar adequada.
ARTIGO 51
1. Se no prazo de três meses, a partir da remessa aos
Estados interessados do relatório da Comissão, o assunto 
não houver sido solucionado ou submetido a submetido à 
decisão da Corte pela Comissão ou pelo Estado interessado, 
aceitando sua competência, a Comissão poderá emitir, pelo 
voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e 
conclusões sobre a questão submetida à sua consideração.
2. A comissão fará as recomendações pertinentes e fixará
um prazo dentro do qual o Estado deve tomar as medidas 
que lhe competirem para remediar a situação examinada.
3. Transcorrido o prazo fixado, a Comissão decidira, pelo
voto da maioria absoluta dos seus membros, se o Estado 
tomou ou não medidas adequadas e se publica ou não seu 
relatório.
CAPÍTULO VIII
Corte Interamericana de Direitos Humanos
Seção 1
Organização
ARTIGO 52
1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais dos
Estados Membros da Organização, eleitos a títulos pessoal 
dentre juristas da mais alta autoridade moral, de reconhecida 
competência em matéria de direitos humanos, que reúnam 
as condições requeridas para o exercício das mais elevadas 
funções judiciais, de acordo com a lei do Estado do qual sejam 
nacionais, ou do Estado que os propuser como candidatos.
2. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade.
ARTIGO 53
1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta
e pelo voto da maioria absoluta dos Estados-Partes na Con‑
venção, na Assembleia-Geral da Organização, de uma lista 
de candidatos propostos pelos mesmos Estados.
2. Cada um dos Estados-Partes pode propor até três
candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de 
qualquer outro Estado-Membro da Organização dos Estados 
Americanos. Quando se propuser uma lista de três candi‑
datos, pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado 
diferente do proponente.
ARTIGO 54
1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de
seis anos e só poderão ser reeleitos uma vez. O mandato 
de três dos juízes designados na primeira eleição expirará 
ao cabo de três anos. Imediatamente depois da referida 
eleição, determinar-se-ão por sorteio, na Assembleia-Geral, 
os nomes desses três juízes.
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2. O juiz eleito para substituir outro cujo mandato não
haja expirado, completará o período deste.
3. Os juízes permanecerão em suas funções até o término
dos seus mandatos. Entretanto, continuarão funcionando 
nos casos de que já houverem tomado conhecimento e que 
se encontrem em fase de sentença e, para tais efeitos, não 
serão substituídos pelos novos juízes eleitos.
ARTIGO 55
1. O juiz que for nacional de algum dos Estados-Partes
no caso submetido à Corte conservará o seu direito de co‑
nhecer o mesmo.
2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de
nacionalidade de um dos Estados-Partes, outro Estado-Partes 
no caso poderá designar uma pessoa de sua escolha para 
integrar a Corte na qualidade de juiz ad hoc.
3. Se, dentre os juízos chamados a conhecer do caso,
nenhuma for da nacionalidade dos Estados partes, cada um 
destes poderá designar um juiz ad hoc.
4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no
artigo 52.
5. Se vários Estados-Partes na Convenção tiverem o
mesmo interesse no caso, serão considerados como uma só 
parte, para os fins das disposições anteriores. Em caso de 
dúvida, a Corte decidirá.
ARTIGO 56
O quorum para as deliberações da Corte é constituído 
por cinco juízes.
ARTIGO 57
A Comissão comparecerá em todos os casos perante a 
Corte.
ARTIGO 58
1. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado,
na Assembleia-Geral da Organização, pelos Estados-Partes 
na Convenção, mas poderá realizar reuniões no território 
de qualquer Estado-Membro da Organização dos Estrados 
Americanos em que o considerar conveniente pela maioria 
dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Esta‑
do respectivo. Os Estados-Partes na Convenção podem, na 
Assembleia-Geral, por dois terços dos seus votos, mudar a 
sede da Corte.
2. A Corte designará seu Secretário.
3. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir
às reuniões que ela realizar fora da mesma.
ARTIGO 59
A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e funcio‑
nará sob a direção do Secretário da Corte, de acordo com as 
normas administrativas da Secretaria-Geral da Organização 
em tudo o que não for incompatível com a independência da 
Corte. Seus funcionários serão nomeados pelo Secretário-Ge‑
ral da Organização,em consulta com o Secretário da Corte.
ARTIGO 60
A Corte elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprova‑
ção da Assembleia-Geral e expedirá seu regimento.
Seção 2
Competência e Funções
ARTIGO 61
1. Somente os Estados-Partes e a Comissão têm direito
de submeter caso à decisão da Corte.
2. Para que a Corte possa conhecer de qualquer caso,
é necessário que sejam esgotados os processos previstos 
nos artigos 48 a 50.
ARTIGO 62
1. Toda Estado‑Parte, pode, no momento do depósito
do seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de 
adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar 
que reconhece como obrigatória, de pleno direito e sem 
convenção especial, a competência da Corte em todos os 
casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção.
2. A declaração pode ser feita incondicionalmente,
ou sob condição de reciprocidade, por prazo determina‑
do ou para casos específicos. Deverá ser apresentada ao 
Secretário-Geral da Organização, que encaminhará cópias 
da mesma aos outros Estados-Membros da Organização e 
ao Secretário da Corte.
3. A Corte tem competência para conhecer de qualquer
caso relativo à interpretação e aplicação das disposições 
desta Convenção que lhe seja submetido, desde que os 
Estados-Partes no caso tenham reconhecido ou reconheçam 
a referida competência, seja por declaração especial, como 
preveem os incisos anteriores, seja por convenção especial.
ARTIGO 63
1. Quando decidir que houve violação de um direito ou
liberdade protegido nesta Convenção, a Corte determinará 
que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou 
liberdade violados. Determinará também, se isso for pro‑
cedente, que sejam reparadas as consequências da medida 
ou situação que haja configurado a violação desses direitos, 
bem como o pagamento de indenização justa à parte lesada.
2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando
se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas, 
a Corte, nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá 
tomar as medidas provisórias que considerar pertinente. 
Se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos 
ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão.
ARTIGO 64
1. Os Estados-Partes da Organização poderão consultar
a Corte sobre a interpretação desta Convenção ou de outros 
tratados concernentes à proteção dos direitos humanos nos 
Estados americanos. Também poderão consultá-la, no que 
lhes compete, os órgãos enumerados no capítulo X da Carta 
da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo 
Protocolo da Buenos Aires.
2. A Corte, a pedido de um Estado-Membro da Organiza‑
ção, poderá emitir pareceres sobre a compatibilidade entre 
qualquer de suas leis internas e os mencionados instrumen‑
tos internacionais.
ARTIGO 65
A Corte submeterá à consideração da Assembleia-Geral 
da Organização, em cada período ordinário de sessões, um 
relatório sobre suas atividades no ano anterior. De maneira 
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especial, e com as recomendações pertinentes, indicará os 
casos em que um Estado não tenha dado cumprimento a 
suas sentenças.
Seção 3
Processo
ARTIGO 66
1. A sentença da Corte deve ser fundamentada.
2. Se a sentença não expressar no todo ou em parte a
opinião unânime dos juízes, qualquer deles terá direito a que 
se agregue à sentença o seu voto dissidente ou individual.
ARTIGO 67
A sentença da Corte será definitiva e inapelável. Em caso 
de divergência sobre o sentido ou alcance da sentença, a Cor‑
te interpretá-la-á, a pedido de qualquer das partes, desde 
que o pedido seja apresentando dentro de noventa dias a 
partir da data da notificação da sentença.
ARTIGO 68
1. Os Estados-Partes na Convenção comprometem-se a
cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes.
2. A parte da sentença que determinar indenização
compensatória poderá ser executada no país respectivo 
pelo processo interno vigente para a execução de sentença 
contra o Estado.
ARTIGO 69
A sentença da Corte deve ser notificada às partes no caso 
e transmitida aos Estados-Partes na Convenção.
CAPÍTULO IX
Disposições Comuns
ARTIGO 70
1. Os juízes da Corte e os membros da Comissão gozam,
desde o momento de sua eleição e enquanto durar o seu 
mandato, das imunidades reconhecidas aos agentes diplo‑
máticos pelo Direito Internacional. Durante o exercício dos 
seus cargos gozam, além disso, dos privilégios diplomáticos 
necessários para o desempenho de suas funções.
2. Não se poderá exigir responsabilidade em tempo
algum dos juízes da Corte, nem dos membros da Comissão, 
por votos e opiniões emitidos no exercício de suas funções.
ARTIGO 71
Os cargos de juiz da Corte ou de membro da Comissão 
são incompatíveis com outras atividades que possam afetar 
sua independência ou imparcialidade conforme o que for 
determinado nos respectivos estatutos.
ARTIGO 72
Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão 
honorários e despesas de viagem na forma e nas condições 
que determinarem os seus estatutos, levando em conta a im‑
portância e independência de suas funções. Tais honorários 
e despesas de viagem serão fixados no orçamento-programa 
da organização dos Estados Americanos, no qual devem 
ser incluídas, além disso, as despesas da Corte e da sua 
Secretaria. Para tais efeitos, a Corte elaborará o seu pró‑
prio projeto de orçamento e submetê-lo-á aprovação da 
Assembleia-Geral, por intermédio da Secretaria-Geral. Esta 
última não poderá nele introduzir modificações.
ARTIGO 73
Somente por solicitação d a Comissão ou da Corte, 
conforme o caso, cabe à Assembleia-Geral da Organiza‑
ção resolver sobre as sanções aplicáveis aos membros da 
Comissão ou aos juízes da Corte que incorrerem nos casos 
previstos nos respectivos estatutos. Para expedir uma reso‑
lução, será necessária maioria de dois terços dos votos dos 
Estados-Membros da Organização, no caso dos membros 
da Comissão; e, além disso, de dois terços dos votos dos 
Estados-Partes na Convenção, se tratar dos juízes da Corte.
PARTe III
Disposições Gerais e Transitórias
CAPÍTULO X
Assinatura, Ratificação, Reserva,
emenda, Protocolo e Denúncia
ARTIGO 74
1. Esta Convenção fica aberta à assinatura e à ratificação
ou adesão de todos os estados-Membros da Organização dos 
Estados Americanos.
2. A ratificação desta Convenção ou a adesão a ela
efetuar-se-á mediante depósito de um instrumento de rati‑
ficação ou de adesão na Secretaria-Geral da Organização dos 
Estados Americanos. Esta Convenção entrará em vigor logo 
que onze Estados houverem depositado os seus respectivos 
instrumentos de ratificação ou de adesão. Com referência 
a qualquer outro Estado que a ratificar ou que a ela aderir 
ulteriormente, a Convenção entrará em vigor na data do 
depósito do seu instrumento de ratificação ou de adesão.
3. O Secretário-geral informará todos os Estados Mem‑
bros da Organização sobre a entrada em vigor da Convenção.
ARTIGO 75
Esta Convenção só pode ser objeto de reservas em 
conformidade com as disposições da Convenção de Viena 
sobre Direito dos Tratados assinados em 23 de maio de 1969.
ARTIGO 76
1. Qualquer Estado-Parte, diretamente, e a Comissão ou
a Corte, por intermédio do Secretário-Geral, podem subme‑
ter a Assembleia-Geral, para o que julgarem conveniente, 
proposta de emenda a esta Convenção.
2. As emendas entrarão em vigor para os Estados que ra‑
tificarem as mesmas na data em que houver sido depositado 
o respectivo instrumento de ratificação que corresponda ao
número de dois terços dos Estados-Partes nesta Convenção. 
Quando aos outros Estados-partes, entrarão em vigor na data 
em que depositarem eles os seus respectivos instrumentos 
de ratificação.
ARTIGO 77
1. De acordo com a faculdade estabelecida no artigo
31, qualquer Estado-Parte e a Comissão podem submeter 
à consideração dos Estados-Partes reunidos por ocasião da 
Assembleia-Geral, projetos de protocolos a esta Convenção, 
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com a finalidade de incluir progressivamente no regime de 
proteção da mesma outros direitose liberdades.
2. Cada protocolo deve estabelecer as modalidades
de sua entrada em vigor e será aplicado semente entre os 
Estados‑Partes no mesmo.
ARTIGO 78
1. Os Estados-Partes poderão denunciar esta Convenção
depois de expirado um prazo de cinco anos, a partir da data 
de entrada em vigor da mesma e mediante aviso prévio 
de um ano, notificando o Secretário-Geral da Organização, 
o qual deve informar as outras Partes.
2. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o Estado-Par‑
te interessado das obrigações contidas nesta Convenção, 
no que diz respeito a qualquer ato que, podendo constituir 
violação dessas obrigações, houver sido cometido por ele 
anteriormente à data na qual a denúncia produzir efeito.
CAPÍTULO XI
Disposições Transitórias
Seção 1
Comissão Interamericana de Direitos Humanos
ARTIGO 79
Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário-Geral 
pedirá por escrito a cada Estado-Membro da Organização que 
apresente, dentro de um prazo de noventa dias, seus can‑
didatos a membro da Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos. O Secretário-Geral preparará uma lista por ordem 
alfabética dos candidatos apresentados e a encaminhará aos 
Estados-Membros da Organização pelo menos trinta dias 
antes da Assembleia-Geral seguinte.
ARTIGO 80
A eleição dos membros da Comissão far-se-á dentre os 
candidatos que figurem na lista a que se refere o artigo 79, 
por votação secreta da Assembleia-Geral, e serão declara‑
dos eleitos os candidatos que obtiverem maior número de 
votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes 
dos Estados-Membros. Se, para eleger todos os membros 
da Comissão, for necessário realizar várias votações, serão 
eliminados sucessivamente, na forma que for determinada 
pela Assembleia-Geral, os candidatos que receberem menor 
número de votos.
Seção 2
Corte Interamericana de Direitos humanos
ARTIGO 81
Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário-Geral so‑
licitará por escrito a cada Estado-Parte que apresente, dentro 
de um prazo de noventa dias, seus candidatos a juiz da Corte 
Interamericana de Direitos Humanos. O Secretário-Geral 
prepara uma lista por ordem alfabética dos candidatos apre‑
sentados e a encaminhará aos Estados-Partes pelo menos 
trinta dias antes da Assembleia-Geral seguinte.
ARTIGO 82
A eleição dos juízes da Corte far-se-á dentre os candi‑
datos que figurem na lista a que se refere o artigo 81, por 
votação secreta dos Estados-Partes, na Assembleia-Geral, 
e serão declarados eleitos os candidatos que obtiverem 
maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos 
representantes dos Estados-Partes. Se para eleger todos os 
juízes da Corte, for necessário realizar várias votações, serão 
eliminados sucessivamente, na forma que for determinada 
pelos Estados-Partes, os candidatos que receberem menor 
número de votos.
Declaração e Reservas
Declaração do Chile
A Delegação do Chile apõe sua assinatura a esta Con‑
venção, sujeita á sua posterior aprovação parlamentar e 
ratificação, em conformidade com as normas constitucionais 
vigentes.
Declaração do equador
A Declaração do Equador tem a honra de assinar a 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Não crê 
necessários especificar reserva alguma, deixando a salvo 
tão-somente a faculdade geral constante da mesma Con‑
venção, que deixa aos governos a liberdade de ratificá-la.
Reserva do Uruguai
O artigo 80, parágrafo 2, da Constituição da República 
Oriental do Uruguai, estabelece que se suspende a cidadania 
“pela condição de legalmente processado em causa criminal 
de que possa resultar pena de penitenciária”. Essa limitação 
ao exercício dos direitos reconhecidos no artigo 23 da Con‑
venção não está prevista entre as circunstâncias que a tal 
respeito prevê o parágrafo 2 do referido artigo 23, motivo 
por que a Delegação do Uruguai forma a reserva pertinente.
Em fé do que, os plenipotenciários abaixo-assinados, 
cujos plenos poderes foram encontrados em boa e devida 
forma, assinam esta Convenção, que se denominará “Pacto 
de São Jose da Costa Rica”, na cidade de São Jose, Costa 
Rica, em vinte e dois de novembro de mil novecentos e 
sessenta e nove.
Declaração Interpretativa do Brasil
Ao depositar a Carta de Adesão à Convenção Americana 
sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), em 
25 de setembro de 1992. O Governo brasileiro fez a seguinte 
declaração interpretativa sobre os artigos 43 e 48, alínea d:
O Governo do Brasil entende que os artigos 43 e 48, 
alínea Comissão Interamericana de Direitos Huma‑
nos, as quais dependerão da anuência expressa do 
Estado.
A CONSTITUIÇÃO BRASILeIRA e OS 
TRATADOS INTeRNACIONAIS De DIReITOS 
HUMANOS
Antes de iniciar a disciplina constitucional conferida aos 
tratados internacionais de direitos humanos, faz-se neces‑
sário abordar, ainda que brevemente, o significado jurídico 
dos tratados internacionais – seu conceito, seu processo de 
formação e seus efeitos. Tais considerações auxiliarão não 
apenas a análise a respeito da Constituição de 1988 e dos 
tratados internacionais de direitos humanos, mas em espe‑
cial o estudo do impacto jurídico desses tratados no Direito 
interno brasileiro.
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Piovesan esclarece que os tratados internacionais, en‑
quanto acordos internacionais juridicamente obrigatórios 
e vinculantes (pacta sunt servanda), constituem hoje a 
principal fonte de obrigação do Direito Internacional. Foi 
com o crescente positivismo internacional que os tratados 
se tornaram a fonte maior de obrigação no plano interna‑
cional, papel até então reservado ao costume internacional. 
Tal como no âmbito interno, em virtude do movimento do 
Pós-Positivismo, os princípios gerais de direito passam a 
ganhar cada vez maior relevância como fonte do Direito 
Internacional na ordem contemporânea.
“O termo ‘tratado’ é geralmente usado para se referir 
aos acordos obrigatórios celebrados entre sujeitos de Direito 
Internacional, que são regulados pelo Direito Internacional. 
Além do termo ‘tratado’, diversas outras denominações são 
usadas para se referir aos acordos internacionais. As mais 
comuns são Convenção, Pacto, Protocolo, Carta, Convênio, 
como também, Tratado ou Acordo Internacional. Alguns ter‑
mos são usados para denotar solenidade (por exemplo, Pacto 
ou Carta) ou a natureza suplementar do acordo (Protocolo)”.
Não necessariamente os tratados internacionais con‑
sagram novas regras de Direito Internacional. Por vezes, 
acabam por codificar regras preexistentes, consolidadas pelo 
costume internacional, ou, ainda, optam por modificá-las.
A necessidade de disciplinar e regular o processo de 
formação dos tratados internacionais resultou na elaboração 
da Convenção de Viena, concluída em 1969, que teve por 
finalidade servir como a Lei dos Tratados. Contudo, limitou-se 
aos tratados celebrados entre os Estados, não envolvendo 
aqueles dos quais participam organizações internacionais.
Se assim é, a primeira regra a ser fixada é a de que os 
tratados internacionais só se aplicam aos Estados-partes, 
ou seja, aos Estados que expressamente consentiram em 
sua adoção. Os tratados não podem criar obrigações para 
os Estados que neles não consentiram, ao menos que pre‑
ceitos constantes do tratado tenham sido incorporados pelo 
costume internacional. Como dispõe a Convenção de Viena: 
“Todo tratado em vigor é obrigatório em relação às partes e 
deve ser cumprido por elas de boa-fé”. Acrescenta o art. 27 da 
Convenção: “Uma parte não pode invocar disposições de seu 
direito interno como justificativa para o não cumprimento 
do tratado”. Consagra-se, assim, o princípio da boa-fé, pelo 
qual cabe ao Estado conferir plena observância ao tratado 
de que é parte, na medida em que, no livre exercício de sua 
soberania, o Estado contraiu obrigações jurídicas no plano 
internacional.
Enfatize-se que os tratados são, por excelência, expressão 
de consenso. Apenas pela via do consenso podem os trata‑
dos criar obrigações legais, uma vez que Estados soberanos, 
ao aceitá-los, comprometem-sea respeitá-los. A exigência 
de consenso é prevista pelo art. 52 da Convenção de Viena, 
quando dispõe que o tratado será nulo se a sua aprovação 
for obtida mediante ameaça ou pelo uso da força, em vio‑
lação aos princípios de Direito Internacional consagrados 
pela Carta da ONU.
Em geral, os tratados permitem sejam formuladas reser‑
vas, o que pode contribuir para a adesão de maior número 
de Estados. Nos termos da Convenção de Viena, as reservas 
constituem “uma declaração unilateral feita pelo Estado, 
quando da assinatura, ratificação, acessão, adesão ou apro‑
vação de um tratado, com o propósito de excluir ou modificar 
o efeito jurídico de certas previsões do tratado, quando de
sua aplicação naquele Estado”. Entretanto, são inadmissíveis 
as reservas que se mostrem incompatíveis com o objeto e 
propósito do tratado, nos termos do art. 19 da Convenção.
O Processo de Formação dos Tratados 
Internacionais
A sistemática concernente ao exercício do poder de 
celebrar tratados é deixada a critério de cada Estado. Por 
isso, as exigências constitucionais relativas ao processo de 
formação dos tratados variam significativamente.
Em geral, o processo de formação dos tratados tem início 
com os atos de negociação, conclusão e assinatura do trata‑
do, que são da competência do órgão do Poder Executivo. 
A assinatura do tratado, por si só, traduz um aceite precário 
e provisório, não irradiando efeitos jurídicos vinculantes. 
Trata-se da mera aquiescência do Estado em relação à forma e 
ao conteúdo final do tratado. A assinatura do tratado, via de re‑
gra, indica tão somente que o tratado é autêntico e definitivo.
Após a assinatura do tratado pelo Poder Executivo, 
o segundo passo é a sua apreciação e aprovação pelo Poder
Legislativo.
Em sequência, aprovado o tratado pelo Legislativo, há 
o seu ato de ratificação pelo Poder Executivo. A ratificação
significa a subsequente confirmação formal por um Estado 
de que está obrigado ao tratado. Significa, pois, o aceite 
definitivo, pelo qual o Estado se obriga pelo tratado no 
plano internacional. A ratificação é ato jurídico que irradia 
necessariamente efeitos no plano internacional.
A respeito, a Convenção de Viena estabelece, em linhas 
gerais: “O consentimento do Estado em obrigar-se por um 
tratado pode ser expresso mediante a assinatura, troca de 
instrumentos constituintes do tratado, ratificação, aceitação, 
aprovação ou adesão, ou através de qualquer outro meio 
acordado” (arts. 11 a 17 da Convenção). Por sua vez, o art. 12 
da Convenção fixa as hipóteses em que a ratificação é ne‑
cessária, em adição à assinatura, no sentido de estabelecer 
a aceitação do Estado no que toca à obrigatoriedade do 
tratado. Vale dizer, não obstante a assinatura pelo órgão do 
Poder Executivo, a efetividade do tratado fica, via de regra, 
condicionada à sua aprovação pelo órgão legislativo e poste‑
rior ratificação pela autoridade do órgão executivo – matéria 
disciplinada pelo Direito interno. 
A ratificação é, pois, ato necessário para que o tratado 
passe a ter obrigatoriedade no âmbito internacional e inter‑
no. Como etapa final, o instrumento de ratificação há de ser 
depositado em um órgão que assuma a custódia do instru‑
mento – por exemplo, na hipótese de um tratado das Nações 
Unidas, o instrumento de ratificação deve ser depositado 
na própria ONU; se o instrumento for do âmbito regional 
interamericano, deve ser depositado na OEA.
No caso brasileiro, a Constituição de 1988, em seu art. 84, 
VIII, determina que é da competência privativa do Presidente 
da República celebrar tratados, convenções e atos internacio‑
nais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional. Por sua vez, 
o art. 49, I, da mesma Carta prevê ser da competência exclu‑
siva do Congresso Nacional resolver definitivamente sobre 
tratados, acordos ou atos internacionais. Consagra-se, assim, 
a colaboração entre Executivo e Legislativo na conclusão de 
tratados internacionais, que não se aperfeiçoa enquanto a 
vontade do Poder Executivo, manifestada pelo Presidente da 
República, não se somar à vontade do Congresso Nacional. 
Logo, os tratados internacionais demandam, para seu aper‑
feiçoamento, um ato complexo no qual se integram a vontade 
do Presidente da República, que os celebra, e a do Congresso 
Nacional, que os aprova, mediante decreto legislativo.
Considerando o histórico das Constituições anteriores, 
constata-se que, no Direito brasileiro, a conjugação de von‑
tades entre Executivo e Legislativo sempre se fez necessária 
para a conclusão de tratados internacionais. Não gera efeitos 
a simples assinatura de um tratado se não for referendado 
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pelo Congresso Nacional, já que o Poder Executivo só pode 
promover a ratificação depois de aprovado o tratado pelo 
Congresso Nacional. Há, portanto, dois atos completamente 
distintos: a aprovação do tratado pelo Congresso Nacional, 
por meio de um decreto legislativo, e a ratificação pelo 
Presidente da República, seguida da troca ou depósito do 
instrumento de ratificação. Assim, celebrado por represen‑
tante do Poder Executivo, aprovado pelo Congresso Nacional 
e, por fim, ratificado pelo Presidente da República, passa o 
tratado a produzir efeitos jurídicos.
Contudo, cabe observar que a Constituição brasileira 
de 1988, ao estabelecer apenas esses dois dispositivos 
supracitados (os arts. 49, I, e 84, VIII), traz uma sistemática 
lacunosa, falha e imperfeita: não prevê, por exemplo, prazo 
para que o Presidente da República encaminhe ao Con‑
gresso Nacional o tratado por ele assinado. Não há ainda 
previsão de prazo para que o Congresso Nacional aprecie 
o tratado assinado, tampouco previsão de prazo para que
o Presidente da República ratifique o tratado, se aprovado
pelo Congresso. Essa sistemática constitucional, ao manter 
ampla discricionariedade aos Poderes Executivo e Legislativo 
no processo de formação dos tratados, acaba por contribuir 
para a afronta ao princípio da boa-fé vigente no Direito 
Internacional. A respeito, cabe mencionar o emblemático 
caso da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, 
assinada pelo Estado brasileiro em 1969 e encaminhada à 
apreciação do Congresso Nacional apenas em 1992, tendo 
sido aprovada pelo Decreto Legislativo nº 496, em 17 de 
julho de 2009 – dezessete anos após. Em 25 de setembro 
de 2009, o Estado brasileiro finalmente efetuou o depósito 
do instrumento de ratificação.
De todo modo, considerando o processo de formação dos 
tratados e reiterando a concepção de que apresentam força 
jurídica obrigatória e vinculante, resta frisar que a violação 
de um tratado implica a violação de obrigações assumidas 
no âmbito internacional. O descumprimento de tais deveres 
implica, portanto, responsabilização internacional do Estado 
violador. 
A Hierarquia dos Tratados Internacionais de 
Direitos Humanos
A Carta de 1988 consagra de forma inédita, ao fim da ex‑
tensa Declaração de Direitos por ela prevista, que os direitos 
e garantias expressos na Constituição “não excluem outros 
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou 
dos tratados internacionais em que a República Federativa 
do Brasil seja parte” (art. 5º, § 2º).
Ao efetuar a incorporação, a Carta atribui aos direitos in‑
ternacionais uma natureza especial e diferenciada, qual seja, 
a natureza de norma constitucional. Os direitos enunciados 
nos tratados de direitos humanos de que o Brasil é parte in‑
tegram, portanto, o elenco dos direitos constitucionalmente 
consagrados. Essa conclusão advém ainda de interpretação 
sistemática e teleológica do Texto, especialmente em face 
da força expansiva dos valores da dignidade humana e dos 
direitos fundamentais, como parâmetros axiológicos a orien‑
tar a compreensão do fenômeno constitucional. Acredita-se, 
todavia, que essa classificação peca ao equiparar os direitos 
decorrentes dos tratados internacionais aos decorrentes 
do regime e dos princípios adotados pela Constituição. Se 
estes últimos “não são nem explícita nemimplicitamente 
enumerados, mas provêm ou podem vir a prover do regime 
adotado”, sendo direitos de “difícil caracterização a priori”, 
o mesmo não pode ser afirmado quanto aos direitos constan‑
tes dos tratados internacionais dos quais o Brasil seja parte. 
Esses direitos internacionais são expressos, enumerados e 
claramente elencados, não podendo ser considerados de 
“difícil caracterização a priori”. 
Há que enfatizar ainda que, enquanto os demais tratados 
internacionais têm força hierárquica infraconstitucional, 
os direitos enunciados em tratados internacionais de pro‑
teção dos direitos humanos apresentam valor de norma 
constitucional. Observe-se que a hierarquia infraconsti‑
tucional dos demais tratados internacionais é extraída do 
art. 102, III, b, da Constituição Federal de 1988, que confere 
ao Supremo Tribunal Federal a competência para julgar, me‑
diante recurso extraordinário, “as causas decididas em única 
ou última instância, quando a decisão recorrida declarar a 
inconstitucionalidade de tratado ou lei federal”.
Sustenta-se, assim, que os tratados tradicionais têm 
hierarquia infraconstitucional, mas supralegal. Esse posicio‑
namento se coaduna com o princípio da boa-fé, vigente no 
direito internacional (o pacta sunt servanda), e que tem como 
reflexo o art. 27 da Convenção de Viena, segundo o qual não 
cabe ao Estado invocar disposições de seu Direito interno 
como justificativa para o não cumprimento de tratado.
À luz do mencionado dispositivo constitucional, uma ten‑
dência da doutrina brasileira, contudo, passou a acolher a 
concepção de que os tratados internacionais e as leis federais 
apresentavam a mesma hierarquia jurídica, sendo, portanto, 
aplicável o princípio “lei posterior revoga lei anterior que 
seja com ela incompatível”. Essa concepção não apenas 
compromete o princípio da boa-fé, mas constitui afronta à 
Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. 
No sentido de responder à polêmica doutrinária e 
jurisprudencial concernente à hierarquia dos tratados in‑
ternacionais de proteção dos direitos humanos, a Emenda 
Constitucional nº 45, de 8 de dezembro de 2004, introduziu 
o § 3º no art. 5º, dispondo: “Os tratados e convenções in‑
ternacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, 
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por 
três quintos dos votos dos respectivos membros, serão 
equivalentes às emendas à Constituição”.
Em face de todo o exposto, sustenta-se que a hierarquia 
constitucional já se extrai de interpretação conferida ao pró‑
prio art. 5º, § 2º, da Constituição de 1988. Vale dizer, seria 
mais adequado que a redação do aludido § 3º do art. 5º 
endossasse a hierarquia formalmente constitucional de todos 
os tratados internacionais de proteção dos direitos humanos 
ratificados, afirmando que os tratados internacionais de pro‑
teção de direitos humanos ratificados pelo Estado brasileiro 
têm hierarquia constitucional.
No entanto, estabelece o § 3º do art. 5º que os tratados 
internacionais de direitos humanos aprovados, em cada Casa 
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos 
dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às 
emendas à Constituição.
Desde logo, há que afastar o entendimento segundo o 
qual, em face do § 3º do art. 5º, todos os tratados de direi‑
tos humanos já ratificados seriam recepcionados como lei 
federal, pois não teriam obtido o quórum qualificado de três 
quintos, demandado pelo aludido parágrafo.
Vale dizer, com o advento do § 3º do art. 5º surgem 
duas categorias de tratados internacionais de proteção de 
direitos humanos: a) os materialmente constitucionais; e b) 
os material e formalmente constitucionais. Frise-se: todos 
os tratados internacionais de direitos humanos são mate‑
rialmente constitucionais, por força do § 2º do art. 5º. Para 
além de serem materialmente constitucionais, poderão, 
a partir do § 3º do mesmo dispositivo, acrescer a qualidade 
de formalmente constitucionais, equiparando-se às emendas 
à Constituição, no âmbito formal.
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Ainda que todos os tratados de direitos humanos sejam 
recepcionados em grau constitucional, por veicularem ma‑
téria e conteúdo essencialmente constitucional, importa 
realçar a diversidade de regimes jurídicos que se aplica aos 
tratados apenas materialmente constitucionais e aos trata‑
dos que, além de materialmente constitucionais, também 
são formalmente constitucionais. E a diversidade de regimes 
jurídicos atém-se à denúncia, que é o ato unilateral pelo qual 
um Estado se retira de um tratado. Enquanto os tratados 
materialmente constitucionais podem ser suscetíveis de de‑
núncia, os tratados material e formalmente constitucionais, 
por sua vez, não podem ser denunciados.
Ao se admitir a natureza constitucional de todos os tra‑
tados de direitos humanos, há que ressaltar que os direitos 
constantes nos tratados internacionais, como os demais di‑
reitos e garantias individuais consagrados pela Constituição, 
constituem cláusula pétrea e não podem ser abolidos por 
meio de emenda à Constituição, nos termos do art. 60, § 4º. 
Atente-se que as cláusulas pétreas resguardam o núcleo ma‑
terial da Constituição, que compõe os valores fundamentais 
da ordem constitucional. Nesse sentido, os valores da sepa‑
ração dos Poderes e da federação – valores que asseguram 
a descentralização orgânica e espacial do poder político – , 
o valor do voto direto, universal e periódico e dos direitos
e garantias individuais – valores que asseguram o princípio 
democrático – , compõem a tônica do constitucionalismo 
inaugurado com a transição democrática. Os direitos enun‑
ciados em tratados internacionais em que o Brasil seja parte 
ficam resguardados pela cláusula pétrea “direitos e garantias 
individuais”, prevista no art. 60, § 4º, IV, da Carta.
Entretanto, embora os direitos internacionais sejam 
alcançados pelo art. 60, § 4º, e não possam ser eliminados 
via emenda constitucional, os tratados internacionais de 
direitos humanos materialmente constitucionais são suscetí‑
veis de denúncia por parte do Estado signatário. Com efeito, 
os tratados internacionais de direitos humanos estabelecem 
regras específicas concernentes à possibilidade de denúncia 
por parte do Estado signatário. Os direitos internacionais po‑
derão ser subtraídos pelo mesmo Estado que os incorporou, 
em face das peculiaridades do regime de direito internacio‑
nal público. Vale dizer, cabe ao Estado-parte tanto o ato de 
ratificação do tratado como o de denúncia, ou seja, o ato 
de retirada do mesmo tratado. Os direitos internacionais 
apresentam, assim, natureza constitucional diferenciada.
Cabe considerar, todavia, que seria mais coerente aplicar 
ao ato da denúncia o mesmo procedimento aplicável ao ato 
de ratificação. Isto é, se para a ratificação é necessário um ato 
complexo, fruto da conjugação de vontades do Executivo e 
Legislativo, para o ato de denúncia também este deveria ser 
o procedimento. Propõe-se aqui a necessidade do requisito
de prévia autorização pelo Legislativo de ato de denúncia de 
determinado tratado internacional pelo Executivo, o que de‑
mocratizaria o processo, como assinala o Direito comparado. 
Entretanto, no Direito brasileiro, a denúncia continua a cons‑
tituir ato privativo do Executivo, que não requer qualquer 
participação do Legislativo. Defende-se a posição de Celso 
D. de Albuquerque Mello: “A revisão a nosso ver deve ser 
no sentido de se restringir a autonomia do Executivo para 
condução da política externa. Ela deve ser feita no sentido 
de se exigir a aprovação do Legislativo para a denúncia de 
tratados relativos aos direitos do homem, às convenções 
internacionais do trabalho, os que criam organizações in‑
ternacionais e às convenções de direito humanitário. (...) 
O controle pelo Legislativo é o meio de se democratizar a 
política externa e de ela vir a atender os anseios da nação”.
Diversamente dos tratados materialmente constitucio‑
nais, os tratados material e formalmente constitucionaisnão 
podem ser objeto de denúncia. Isto porque os direitos neles 
enunciados receberam assento no Texto Constitucional, não 
apenas pela matéria que veiculam, mas pelo grau de legi‑
timidade popular contemplado pelo especial e dificultoso 
processo de sua aprovação, concernente à maioria de três 
quintos dos votos dos membros, em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos de votação. Ora, se tais direitos 
internacionais passaram a compor o quadro constitucional, 
não só no campo material, mas também no formal, não há 
como admitir que um ato isolado e solitário do Poder Exe‑
cutivo subtraia tais direitos do patrimônio popular – ainda 
que a possibilidade de denúncia esteja prevista nos próprios 
tratados de direitos humanos ratificados, como já apontado. 
É como se o Estado houvesse renunciado a essa prerrogativa 
de denúncia, em virtude da “constitucionalização formal” do 
tratado no âmbito jurídico interno.
Em suma: os tratados de direitos humanos materialmen‑
te constitucionais são suscetíveis de denúncia, em virtude das 
peculiaridades do regime de Direito Internacional público, 
sendo de rigor a democratização do processo de denúncia, 
com a necessária participação do Legislativo. Já os tratados 
de direitos humanos material e formalmente constitucionais 
são insuscetíveis de denúncia.
A Incorporação dos Tratados Internacionais de 
Direitos Humanos
Anteriormente apontou‑se para o inédito princípio 
da aplicabilidade imediata dos direitos e garantias funda‑
mentais, assegurado pelo art. 5º, § 1º, da Constituição de 
1988. Ora, se as normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais demandam aplicação imediata e se, por sua 
vez, os tratados internacionais de direitos humanos têm 
por objeto justamente a definição de direitos e garantias, 
conclui-se que tais normas merecem aplicação imediata.
Portanto, como pontua Antônio Augusto Cançado Trinda‑
de, “se para os tratados internacionais em geral, se tem exi‑
gido a intermediação pelo Poder Legislativo de ato com força 
de lei de modo a outorgar às suas disposições vigência ou 
obrigatoriedade no plano do ordenamento jurídico interno, 
distintamente no caso dos tratados de proteção internacional 
dos direitos humanos em que o Brasil é parte, os direitos 
fundamentais neles garantidos, consoante os arts. 5º (2) e 
5º (1) da Constituição brasileira de 1988, passam a integrar 
o elenco dos direitos constitucionalmente consagrados e
direta e imediatamente exigíveis no plano do ordenamento 
jurídico interno”.24
Em outras palavras, não será mais possível a sustenta‑
ção da tese segundo a qual, com a ratificação, os tratados 
obrigam diretamente aos Estados, mas não geram direitos 
subjetivos para os particulares, enquanto não advém a re‑
ferida intermediação legislativa. Vale dizer, torna-se possível 
a invocação imediata de tratados e convenções de direitos 
humanos, dos quais o Brasil seja signatário, sem a necessi‑
dade de edição de ato com força de lei, voltado à outorga 
de vigência interna aos acordos internacionais.
A incorporação automática do Direito Internacional dos 
Direitos Humanos pelo direito brasileiro – sem que se faça ne‑
cessário um ato jurídico complementar para sua exigibilidade 
e implementação – traduz relevantes consequências no plano 
jurídico. De um lado, permite ao particular a invocação direta 
dos direitos e liberdades internacionalmente assegurados, 
e, por outro, proíbe condutas e atos violadores a esses mes‑
mos direitos, sob pena de invalidação. Consequentemente, 
24 Antônio Augusto Cançado Trindade. A interação entre o direito internacional 
e o direito interno, p. 30-31.
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a partir da entrada em vigor do tratado internacional, toda 
norma preexistente que seja com ele incompatível perde 
automaticamente a vigência. Ademais, passa a ser recor‑
rível qualquer decisão judicial que violar as prescrições do 
tratado – eis aqui uma das sanções aplicáveis na hipótese de 
inobservância dos tratados. Nesse sentido, a Carta de 1988 
atribui ao Superior Tribunal de Justiça a competência para 
julgar, mediante recurso especial, as causas decididas pelos 
Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados, 
“quando a decisão recorrida contrariar tratado ou lei federal, 
ou negar-lhes vigência”, nos termos do art. 105, III, a. Isto 
é, cabe ao Poder Judiciário declarar inválida e antijurídica 
conduta violadora de tratado internacional. Eventualmen‑
te, a depender do caso, cabe a esse Poder a imposição de 
sanções pecuniárias em favor da vítima que sofreu violação 
em seu direito internacionalmente assegurado.
Importa esclarecer que, ao lado da sistemática da “in‑
corporação automática” do Direito Internacional, existe a 
sistemática da “incorporação legislativa” do Direito Inter‑
nacional. Isto é, se, em face da incorporação automática, 
os tratados internacionais incorporam‑se de imediato ao 
Direito nacional em virtude do ato da ratificação, no caso da 
incorporação legislativa os enunciados dos tratados ratifica‑
dos não são incorporados de plano pelo Direito nacional; ao 
contrário, dependem necessariamente de legislação que os 
implemente. Essa legislação, reitere-se, é ato inteiramente 
distinto do ato da ratificação do tratado.
Em suma, em face da sistemática da incorporação auto‑
mática, o Estado reconhece a plena vigência do Direito Inter‑
nacional na ordem interna, mediante uma cláusula geral de 
recepção automática plena. Com o ato da ratificação, a regra 
internacional passa a vigorar de imediato tanto na ordem 
jurídica internacional como na interna, sem necessidade 
de uma norma de direito nacional que a integre ao sistema 
jurídico. Essa sistemática da incorporação automática reflete 
a concepção monista, pela qual o Direito Internacional e o 
direito interno compõem uma mesma unidade, uma única 
ordem jurídica, inexistindo qualquer limite entre a ordem 
jurídica internacional e a ordem interna.
Por sua vez, na sistemática da incorporação legislativa, 
o Estado recusa a vigência imediata do Direito Internacional
na ordem interna. Por isso, para que o conteúdo de uma 
norma internacional vigore na ordem interna, faz-se ne‑
cessária sua reprodução ou transformação por uma fonte 
interna. Nesse sistema, o Direito Internacional e o Direito 
interno são duas ordens jurídicas distintas, pelo que aquele 
só vigorará na ordem interna, se, e na medida em que cada 
norma internacional for transformada em Direito Interno. 
A sistemática de incorporação não automática reflete a con‑
cepção dualista, pela qual há duas ordens jurídicas diversas, 
independentes e autônomas: a ordem jurídica nacional e 
a ordem internacional, que não apresentam contato nem 
qualquer interferência.
Diante dessas duas sistemáticas diversas, conclui-se que 
o Direito brasileiro faz opção por um sistema misto, no qual,
aos tratados internacionais de proteção dos direitos huma‑
nos – por força do art. 5º, § 1º – , aplica-se a sistemática de 
incorporação automática, enquanto aos demais tratados 
internacionais se aplica a sistemática de incorporação legis‑
lativa, na medida em que se tem exigido a intermediação de 
um ato normativo para tornar o tratado obrigatório na ordem 
interna. Com efeito, salvo na hipótese de tratados de direitos 
humanos, no Texto Constitucional não há dispositivo cons‑
titucional que enfrente a questão da relação entre o Direito 
Internacional e o interno. Isto é, não há menção expressa a 
qualquer das correntes, seja à monista, seja à dualista. Por 
isso, a doutrina predominante tem entendido que, em face 
do silêncio constitucional, o Brasil adota a corrente dualista, 
pela qual há duas ordens jurídicas diversas (a ordem inter‑
na e a ordem internacional). Para que o tratado ratificado 
produza efeitos no ordenamento jurídico interno, faz-se 
necessária a edição de um ato normativo nacional — no 
caso brasileiro, esse ato tem sido um decreto de execução, 
expedido pelo Presidente da República, com a finalidade de 
conferir execução e cumprimentoao tratado ratificado no 
âmbito interno. Embora seja essa a doutrina predominante, 
este trabalho sustenta que tal interpretação não se aplica 
aos tratados de direitos humanos, que, por força do art. 5º, 
§ 1º, têm aplicação imediata. Isto é, diante do princípio da
aplicabilidade imediata das normas definidoras de direitos e 
garantias fundamentais, os tratados de direitos humanos, as‑
sim que ratificados, devem irradiar efeitos na ordem jurídica 
internacional e interna, dispensando a edição de decreto de 
execução. Já no caso dos tratados tradicionais, há a exigência 
do aludido decreto, tendo em vista o silêncio constitucional 
acerca da matéria. Logo, defende-se que a Constituição adota 
um sistema jurídico misto, já que, para os tratados de direitos 
humanos, acolhe a sistemática da incorporação automática, 
enquanto para os tratados tradicionais acolhe a sistemática 
da incorporação não automática.
O § 3º do art. 5º tão somente veio a fortalecer o enten‑
dimento em prol da incorporação automática dos tratados 
de direitos humanos. Isto é, não parece razoável, a título 
ilustrativo, que, após todo o processo solene e especial de 
aprovação do tratado de direitos humanos (com a observân‑
cia do quorum exigido pelo art. 60, § 2º), fique a sua incor‑
poração no âmbito interno condicionada a um decreto do 
Presidente da República. Note-se, todavia, que a expedição 
de tal decreto tem sido exigida pela jurisprudência do STF, 
como um “momento culminante” no processo de incor‑
poração dos tratados, sendo uma “manifestação essencial 
e insuprimível”, por assegurar a promulgação do tratado 
internamente, garantir o princípio da publicidade e conferir 
executoriedade ao texto do tratado ratificado, que passa, 
somente então, a vincular e a obrigar no plano do direito 
positivo interno.
Ao tratar do sistema misto, afirmam André Gonçalves 
Pereira e Fausto de Quadros:
No sistema misto o Estado não reconhece a vigência 
automática de todo o Direito Internacional, mas 
reconhece-o só sobre certas matérias. As normas 
internacionais respeitantes a essas matérias vigoram, 
portanto, na ordem interna independentemente de 
transformação; ao contrário, todas as outras vigoram 
apenas mediante transformação. Este sistema é co‑
nhecido por sistema da cláusula geral da recepção 
semiplena. Este sistema resulta da adoção cumulativa 
de concepções monistas e dualistas quanto às rela‑
ções entre o Direito Internacional e o Direito Interno.
Em síntese, relativamente aos tratados internacionais 
de proteção dos direitos humanos, a Constituição brasileira 
de 1988, em seu art. 5º, § 1º, acolhe a sistemática da incor‑
poração automática dos tratados, o que reflete a adoção da 
concepção monista. Ademais, como apreciado no tópico 
anterior, a Carta de 1988 confere aos tratados de direitos 
humanos o status de norma constitucional, por força do 
art. 5º, §§ 2º e 3º. O regime jurídico diferenciado conferido 
aos tratados de direitos humanos não é, todavia, aplicável 
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aos demais tratados, isto é, aos tradicionais. No que tange 
a estes, adota-se a sistemática da incorporação legislativa, 
exigindo que, após a ratificação, um ato com força de lei (no 
caso brasileiro esse ato é um decreto expedido pelo Executi‑
vo) confira execução e cumprimento aos tratados no plano 
interno. Desse modo, no que se refere aos tratados em geral, 
acolhe-se a sistemática da incorporação não automática, 
o que reflete a adoção da concepção dualista. Ainda no que
tange a esses tratados tradicionais e nos termos do art. 102, 
III, b, da Carta Maior, o Texto lhes atribui natureza de norma 
infraconstitucional.
Eis o sistema misto propugnado pela Constituição brasi‑
leira de 1988, que combina regimes jurídicos diversos – um 
aplicável aos tratados internacionais de proteção dos direi‑
tos humanos e o outro aos tratados em geral. Enquanto os 
tratados internacionais de proteção dos direitos humanos 
apresentam status constitucional e aplicação imediata (por 
força do art. 5º, §§ 1º e 2º, da Carta de 1988), os tratados 
tradicionais apresentam status infraconstitucional e aplica‑
ção não imediata (por força do art. 102, III, b, da Carta de 
1988 e da inexistência de dispositivo constitucional que lhes 
assegure aplicação imediata).
Resta, por fim, avaliar qual o impacto jurídico do Direito 
Internacional dos Direitos Humanos no Direito brasileiro. Esta 
análise remete a toda e qualquer possível consequência ju‑
rídica decorrente da incorporação de normas internacionais 
de direitos humanos pelo ordenamento brasileiro.
Em relação ao impacto jurídico dos tratados interna‑
cionais de direitos humanos no direito brasileiro, e consi‑
derando a hierarquia constitucional desses tratados, três 
hipóteses poderão ocorrer. O direito enunciado no tratado 
internacional poderá: a) coincidir com o direito assegura‑
do pela Constituição (neste caso a Constituição reproduz 
preceitos do Direito Internacional dos Direitos Humanos); 
b) integrar, complementar e ampliar o universo de direitos
constitucionalmente previstos; ou c) contrariar preceito do 
Direito interno.
Com efeito, no ângulo estritamente jurídico, um primei‑
ro impacto observado se atém ao fato de o Direito interno 
brasileiro, e em particular a Constituição de 1988, conter 
inúmeros dispositivos que reproduzem fielmente enunciados 
constantes dos tratados internacionais de direitos humanos. 
A título de exemplo, merece referência o disposto no art. 5º, 
III, da Constituição, que, ao prever que “ninguém será sub‑
metido a tortura nem a tratamento cruel, desumano ou 
degradante”, é reprodução literal do art. V da Declaração 
Universal de 1948, do art. 7º do Pacto Internacional dos 
Direitos Civis e Políticos e ainda do art. 5º (2) da Convenção 
Americana. Também o princípio de que “todos são iguais 
perante a lei”, consagrado no art. 5º, caput, da Carta bra‑
sileira, reflete cláusula internacional no mesmo sentido, de 
acordo com o art. VII da Declaração Universal, o art. 26 do 
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o art. 24 
da Convenção Americana. Por sua vez, o princípio da inocên‑
cia presumida, ineditamente previsto pela Constituição de 
1988 em seu art. 5º, LVII, também é resultado de inspiração 
no Direito Internacional dos Direitos Humanos, nos termos 
do art. XI da Declaração Universal, do art. 14 (3) do Pacto 
Internacional dos Direitos Civis e Políticos e do art. 8º (2) da 
Convenção Americana. Cabe ainda menção ao inciso LXXVIII 
do art. 5º da Constituição de 1988, introduzido pela Emen‑
da Constitucional nº 45, de 8 de dezembro de 2004, que, 
ao assegurar a todos, no âmbito judicial e administrativo, 
o direito à razoável duração do processo, é reflexo do art. 7º
(5) da Convenção Americana de Direitos Humanos. Esses são 
apenas alguns exemplos que buscam comprovar quanto o 
Direito interno brasileiro tem como inspiração, paradigma 
e referência o Direito Internacional dos Direitos Humanos.
A reprodução de disposições de tratados internacionais 
de direitos humanos na ordem jurídica brasileira não apenas 
reflete o fato de o legislador nacional buscar orientação e 
inspiração nesse instrumental, mas ainda revela a preocupa‑
ção do legislador em equacionar o Direito interno, de modo 
a ajustá-lo, com harmonia e consonância, às obrigações 
internacionalmente assumidas pelo Estado brasileiro. Nesse 
caso, os tratados internacionais de direitos humanos estarão 
a reforçar o valor jurídico de direitos constitucionalmente 
assegurados, de forma que eventual violação do direito 
importará em responsabilização não apenas nacional, mas 
também internacional.
Um segundo impacto jurídico decorrente da incorpo‑
ração do Direito Internacional dos Direitos Humanos pelo 
Direito interno resulta no alargamento do universo de 
direitos nacionalmente garantidos. Com efeito, os tratados 
internacionais de direitos humanos reforçam a Carta de direi‑
tos prevista constitucionalmente, inovando-a, integrando-a 
e completando-a com a inclusãode novos direitos.
A partir dos instrumentos internacionais ratificados pelo 
Estado brasileiro, é possível elencar inúmeros direitos que, 
embora não previstos no âmbito nacional, encontram-se 
enunciados nesses tratados e, assim, passam a se incorpo‑
rar ao Direito brasileiro. 
A título de ilustração, cabe mencionar os seguintes di‑
reitos:
a) direito de toda pessoa a um nível de vida adequado
para si próprio e sua família, inclusive à alimentação, vesti‑
menta e moradia, nos termos do art. 11 do Pacto Internacio‑
nal dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais;
b) proibição de qualquer propaganda em favor da guerra
e de qualquer apologia ao ódio nacional, racial ou religioso, 
que constitua incitamento à discriminação, à hostilidade 
ou à violência, em conformidade com o art. 20 do Pacto 
Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o art. 13 (5) da 
Convenção Americana;
c) direito das minorias étnicas, religiosas ou linguísticas a
ter sua própria vida cultural, professar e praticar sua própria 
religião e usar sua própria língua, nos termos do art. 27 do 
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e do art. 30 
da Convenção sobre os Direitos da Criança;
d) direito de não ser submetido a experiências médicas
ou científicas sem consentimento do próprio indivíduo, de 
acordo com o art. 7º, 2ª parte, do Pacto dos Direitos Civis 
e Políticos;
e) proibição do restabelecimento da pena de morte nos
Estados que a hajam abolido, de acordo com o art. 4º (3) da 
Convenção Americana;
f) direito da criança que não tenha completado quinze
anos a não ser recrutada pelas Forças Armadas para partici‑
par diretamente de conflitos armados, nos termos do art. 38 
da Convenção sobre os Direitos da Criança;
g) possibilidade de adoção pelos Estados de medidas, no
âmbito social, econômico e cultural, que assegurem a ade‑
quada proteção de certos grupos raciais, no sentido de que 
a eles seja garantido o pleno exercício dos direitos humanos 
e liberdades fundamentais, em conformidade com o art. 1º 
(4) da Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de 
Discriminação Racial;
h) possibilidade de adoção pelos Estados de medidas
temporárias e especiais que objetivem acelerar a igualdade 
de fato entre homens e mulheres, nos termos do art. 4º da 
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Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discri‑
minação contra as Mulheres;
i) vedação da utilização de meios destinados a obstar a
comunicação e a circulação de ideias e opiniões, nos termos 
do art. 13 da Convenção Americana;
j) direito ao duplo grau de jurisdição como garantia
judicial mínima, nos termos dos arts. 8º, h, e 25 (1) da Con‑
venção Americana;
k) direito do acusado a ser ouvido, nos termos do art. 8º
(1) da Convenção Americana;
l) direito de toda pessoa detida ou retida a ser julgada
em prazo razoável ou ser posta em liberdade, sem prejuízo 
de que prossiga o processo, nos termos do art. 7º (5) da 
Convenção Americana;
m) proibição da extradição ou expulsão de pessoa a outro
Estado quando houver fundadas razões de que poderá ser 
submetida a tortura ou a outro tratamento cruel, desumano 
ou degradante, nos termos do art. 3º da Convenção contra a 
Tortura e do art. 22, VIII, da Convenção Americana.
Esse elenco de direitos enunciados em tratados inter‑
nacionais de que o Brasil é parte inova e amplia o universo 
de direitos nacionalmente assegurados, na medida em que 
não se encontram previstos no Direito interno. Observe-se 
que o elenco não é exaustivo: tem por finalidade apenas 
apontar, exemplificativamente, direitos consagrados nos 
instrumentos internacionais ratificados pelo Brasil e que 
se incorporaram à ordem jurídica interna brasileira. Desse 
modo, percebe-se como o Direito Internacional dos Direitos 
Humanos inova, estende e amplia o universo dos direitos 
constitucionalmente assegurados. Como reconhece Ministro 
Ricardo Lewandowski, os tratados internacionais de direitos 
humanos constituem o ‘bloco de constitucionalidade’, am‑
pliando o núcleo mínimo de direitos e o próprio parâmetro 
de controle de constitucionalidade.25
O Direito Internacional dos Direitos Humanos ainda 
permite, em determinadas hipóteses, o preenchimento de 
lacunas apresentadas pelo Direito brasileiro.
Em síntese, o Direito Internacional dos Direitos Humanos 
pode reforçar a imperatividade de direitos constitucional‑
mente garantidos – quando os instrumentos internacionais 
complementam dispositivos nacionais, ou quando estes 
reproduzem preceitos enunciados da ordem internacional – 
ou ainda estender o elenco dos direitos constitucionalmente 
garantidos – quando os instrumentos internacionais adicio‑
nam direitos não previstos pela ordem jurídica interna. Con‑
tudo, ainda se faz possível uma terceira hipótese no campo 
jurídico: eventual conflito entre o Direito Internacional dos 
Direitos Humanos e o Direito interno. Esta terceira hipótese 
é a que encerra maior problemática, suscitando a seguinte 
indagação: como solucionar eventual conflito entre a Cons‑
tituição e determinado tratado internacional de proteção 
dos direitos humanos?
Poder-se-ia imaginar, como primeira alternativa, a 
adoção do critério “lei posterior revoga lei anterior com 
ela incompatível”, considerando a natureza constitucional 
dos tratados internacionais de direitos humanos. Contudo, 
exame mais cauteloso da matéria aponta para um critério 
de solução diferenciado, absolutamente peculiar ao conflito 
em tela, que se situa no plano dos direitos fundamentais. E 
o critério a ser adotado se orienta pela escolha da norma
mais favorável à vítima. Vale dizer, prevalece a norma mais 
benéfica ao indivíduo, titular do direito. O critério ou prin‑
25 RE 597.285, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 14/5/2010, DJe, 18/5/2010
cípio da aplicação do dispositivo mais favorável à vítima não 
é apenas consagrado pelos próprios tratados internacionais 
de proteção dos direitos humanos, mas também encontra 
apoio na prática ou jurisprudência dos órgãos de supervisão 
internacionais. Na lição lapidar de Antônio Augusto Cançado 
Trindade, “desvencilhamo-nos das amarras da velha e ociosa 
polêmica entre monistas e dualistas; neste campo de prote‑
ção, não se trata de primazia do Direito Internacional ou do 
Direito interno, aqui em constante interação: a primazia é, 
no presente domínio, da norma que melhor proteja, em cada 
caso, os direitos consagrados da pessoa humana, seja ela uma 
norma de Direito Internacional ou de Direito interno”.26 Isto 
é, no plano de proteção dos direitos humanos interagem o 
Direito Internacional e o Direito interno movidos pelas mes‑
mas necessidades de proteção, prevalecendo as normas que 
melhor protejam o ser humano, tendo em vista que a primazia 
é da pessoa humana. Os direitos internacionais constantes 
dos tratados de direitos humanos apenas vêm a aprimorar e 
fortalecer, nunca a restringir ou debilitar, o grau de proteção 
dos direitos consagrados no plano normativo constitucional.
Logo, na hipótese de eventual conflito entre o Direito 
Internacional dos Direitos Humanos e o Direito interno, 
adota-se o critério da prevalência da norma mais favorável 
à vítima. Em outras palavras, a primazia é da norma que me‑
lhor proteja, em cada caso, os direitos da pessoa humana. A 
respeito, elucidativo é o art. 29 da Convenção Americana de 
Direitos Humanos, que, ao estabelecer regras interpretativas, 
determina que “nenhuma disposição da Convenção pode 
ser interpretada no sentido de limitar o gozo e exercício de 
qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos 
em virtude de leis de qualquer dos Estados-partes ou em 
virtude de Convenções em que seja parte um dos referidos 
Estados”. Consagra-se, assim, o princípio da norma mais 
favorável, seja ela do Direito Internacional, seja do Direito 
interno. Ressalte-se que o Direito Internacional dos Direitos 
Humanos apenas vem aprimorar e fortalecer o grau de pro‑
teção dos direitos consagrados no plano normativo interno. 
A escolha da norma mais benéficaao indivíduo é tarefa que 
caberá fundamentalmente aos Tribunais nacionais e a outros 
órgãos aplicadores do Direito, no sentido de assegurar a 
melhor proteção possível ao ser humano.
Cláusulas de abertura constitucional e o princípio pró 
ser humano inspirador dos tratados de direitos humanos 
compõem os dois vértices — nacional e internacional — a 
fomentar o diálogo em matéria de direitos humanos.
Um exemplo de conflito entre Direito internacionalmente 
garantido e dispositivo constitucional atém-se ao caso da 
liberdade sindical. Nos termos do art. 22 do Pacto Interna‑
cional dos Direitos Civis e Políticos, fica estabelecido o direito 
de toda pessoa de fundar, com outras, sindicatos e de filiar-se 
ao sindicato de sua escolha, sujeitando-se unicamente às 
restrições previstas em lei e que sejam necessárias, em uma 
sociedade democrática, ao interesse da segurança nacional 
ou da ordem pública, ou para proteger os direitos e as liber‑
dades alheias. Idêntico preceito encontra-se previsto no art. 
8º do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais 
e Culturais, bem como no art. 16 da Convenção Americana 
de Direitos Humanos.
A Constituição brasileira de 1988, por sua vez, consagra 
o princípio da unicidade sindical, nos termos de seu art. 8º,
II. Esse dispositivo prevê que “é vedada a criação de mais de
uma organização sindical, em qualquer grau, representativa 
26 Antônio Augusto Cançado Trindade, A proteção dos direitos humanos nos 
planos nacional e internacional: perspectivas brasileiras, p. 317-318.
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de categoria profissional ou econômica, na mesma base 
territorial”.
Ora, ainda que internacionalmente a ampla liberdade de 
fundação de sindicatos esteja sujeita a restrições “previstas 
em lei e que sejam necessárias, em uma sociedade demo‑
crática, ao interesse da segurança nacional ou da ordem 
pública, ou para proteger os direitos e as liberdades alheias”, 
sustenta-se que no caso brasileiro não se verifica qualquer 
dessas hipóteses. Isto é, a unicidade sindical não parece 
constituir necessidade de uma sociedade democrática, e nem 
mesmo parece responder ao interesse da segurança nacional 
ou da ordem pública, ou ainda à proteção de direitos e de li‑
berdades alheias. Trata-se, portanto, de restrição injustificada 
à ampla liberdade de associação, que pressupõe a liberdade 
de fundar sindicatos.
Acolhendo o princípio da prevalência da norma mais 
favorável ao indivíduo e considerando que os direitos pre‑
vistos em tratados internacionais de que o Brasil é parte são 
incorporados pela Constituição, que lhes atribui natureza de 
norma constitucional e aplicação imediata, conclui-se que a 
ampla liberdade de criar sindicatos merece prevalecer sobre 
a restrição da unicidade sindical.
Acrescente-se ainda que o Brasil, ao ratificar os Pactos 
Internacionais e a Convenção Americana em 1992, não for‑
mulou qualquer reserva em relação à matéria. Logo, aceitou 
o princípio da ampla liberdade de criação de sindicatos.
Outro caso a merecer enfoque refere-se à previsão do 
art. 11 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos: 
“Ninguém poderá ser preso apenas por não poder cumprir 
com uma obrigação contratual”. Enunciado semelhante é pre‑
visto pelo art. 7º (7) da Convenção Americana, que estabelece 
que ninguém deve ser detido por dívida, acrescentando que 
tal princípio não limita os mandados judiciais expedidos em 
virtude de inadimplemento de obrigação alimentar.
Novamente, há que lembrar que o Brasil ratificou ambos 
os instrumentos internacionais em 1992, sem efetuar qual‑
quer reserva sobre a matéria.
Ora, a Carta Constitucional de 1988, no art. 5º, LXVII, 
determina que “não haverá prisão civil por dívida, salvo a do 
responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável 
de obrigação alimentícia e a do depositário infiel”. Logo, 
a Constituição brasileira consagra o princípio da proibição 
da prisão civil por dívida, admitindo, todavia, duas exceções: 
a hipótese do inadimplemento de obrigação alimentícia e a 
do depositário infiel.
Observe-se que, enquanto o Pacto dos Direitos Civis e 
Políticos não prevê exceção ao princípio da proibição da 
prisão civil por dívida, a Convenção Americana excepciona 
o caso de inadimplemento de obrigação alimentar. Ora, se o
Brasil ratificou esses instrumentos sem qualquer reserva no 
que tange à matéria, é de questionar a possibilidade jurídica 
da prisão civil do depositário infiel.
Mais uma vez, atendo-se ao critério da prevalência da 
norma mais favorável à vítima no plano da proteção dos 
direitos humanos, conclui-se que merece ser afastado o 
cabimento da possibilidade de prisão do depositário infiel, 
conferindo-se prevalência à norma do tratado. Observe-se 
que, se a situação fosse inversa – se a norma constitucional 
fosse mais benéfica que a normatividade internacional – , 
aplicar-se-ia a norma constitucional, muito embora os aludi‑
dos tratados tivessem hierarquia constitucional e houvessem 
sido ratificados após o advento da Constituição. Vale dizer, 
as próprias regras interpretativas dos tratados internacionais 
de proteção aos direitos humanos apontam nessa direção 
quando afirmam que os tratados internacionais só se aplicam 
se ampliarem e estenderem o alcance da proteção nacional 
dos direitos humanos.
Em síntese, estas considerações têm o fito de revelar 
quão intenso é o impacto jurídico do Direito Internacional dos 
Direitos Humanos no ordenamento interno. Considerando 
a natureza constitucional dos direitos enunciados nos trata‑
dos internacionais de proteção dos direitos humanos, três 
hipóteses poderão ocorrer. O direito enunciado no tratado 
internacional poderá: a) reproduzir direito assegurado pela 
Constituição; b) inovar o universo de direitos constitucio‑
nalmente previstos; e c) contrariar preceito constitucional. 
Na primeira hipótese, os tratados internacionais de direitos 
humanos estarão a reforçar o valor jurídico de direitos 
constitucionalmente assegurados. Na segunda, esses tra‑
tados estarão a ampliar e estender o elenco dos direitos 
constitucionais, complementando e integrando a declaração 
constitucional de direitos. Por fim, quanto à terceira hipótese, 
prevalecerá a norma mais favorável à proteção da vítima. Vale 
dizer, os tratados internacionais de direitos humanos inovam 
significativamente o universo dos direitos nacionalmente 
consagrados – ora reforçando sua imperatividade jurídica, ora 
adicionando novos direitos, ora suspendendo preceitos que 
sejam menos favoráveis à proteção dos direitos humanos. Em 
todas as três hipóteses, os direitos internacionais constantes 
dos tratados de direitos humanos apenas vêm aprimorar e 
fortalecer, nunca restringir ou debilitar, o grau de proteção 
dos direitos consagrados no plano normativo interno.
DIReITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO 
FeDeRAL
Conforme já visto, a expressão direitos humanos abrange 
várias concepções. Para o estudo dos direitos humanos na 
Constituição Federal, adotaremos o conceito de direitos 
humanos fundamentais ou direitos fundamentais, visto 
que compreendem àqueles direitos assegurados dentro do 
ordenamento jurídico interno, pelas autoridades político‑
-legislativas.
Em clara e indubitável resposta ao período da ditadura 
militar, o ordenamento jurídico brasileiro definitivamente 
aderiu ao protagonismo dos direitos humanos como escudo 
face às arbitrariedades estatais, tendo pela primeira vez na 
história das Constituições do Brasil, antecedido o conteúdo 
dos direitos humanos fundamentais às normas de organi‑
zação estatal (divisão dos entes federativos, distribuição 
de competências, divisão dos Poderes, etc.). Tal cenário 
apresenta-se como necessário desdobramento da elevação 
da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos 
da República Federativa do Brasil (art. 1º, III).
Este mesmo anseio de promoção dos direitos huma‑
nos fundamentais traduz-se em números: são 78 incisos 
constantes na declaração de direitos individuais e coletivos 
(Art.5º), maisque o dobro, em comparação com todas as 
constituições anteriores.
A Constituição Federal, inovou, igualmente, quando 
inseriu os direitos sociais dentro do mesmo título dos di‑
reitos individuais, políticos e de nacionalidade, denotando 
seu compromisso com a preservação das liberdades do 
indivíduo, bem como suas condições de subsistência e de 
desenvolvimento.
A declaração de direitos humanos fundamentais está 
assim organizada no Carta de 1988:
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Título II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
Capítulo I
Dos Direitos e Deveres 
Individuais e Coletivos 
(art. 5º)
Capítulo II
Dos Direitos 
econômicos, Sociais e 
Culturais
(art. 6º ao 11 /
arts. 194 a 232)
Capítulo IIII
Da Nacionalidade
(art. 12 e 13)
Capítulo IV
Dos Direitos Políticos 
(arts. 14 e 16)
Capítulo V
Dos Partidos Políticos 
(art. 17)
Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
O art. 5º da Constituição Federal contempla extensa 
lista de direitos fundamentais do indivíduo e de garantias 
fundamentais, destinadas, principalmente, à proteção contra 
o abuso do poder estatal.
Direitos econômicos, Sociais e Culturais
Os direitos econômicos, sociais e culturais integram o 
rol dos direitos fundamentais, essencialmente destinados 
à busca da igualdade material. Importante destacar que 
diversos dos direitos previstos no art. 6º da Constituição 
Federal são retomados mais adiante, para além do Capítulo 
II, Título II, mais especificamente no Título VIII que trata “Da 
Ordem Social’ (por exemplo, a Seguridade Social (arts. 194 
e 195, da CF); a Saúde (arts. 196 a 200); a Previdência Social 
(art. 201 e 202); a Assistência Social (arts. 203 e 204); a 
Educação (arts. 205 a 214); a Cultura (arts. 215 a 216-A); o 
Desporto (art. 217); a Ciência e Tecnologia (arts. 218 e 219); 
a Comunicação Social (arts. 220 a 224); o Meio ambiente 
(art. 225); a Família, a criança, o adolescente, o jovem e o 
idoso (arts. 226 a 230); e os índios (arts. 231 e 232).
Além do art. 6º, o Capítulo II dedicado ao Direitos Sociais 
também protegeu, nos arts. 7º a 11 os direitos trabalhistas 
mais importantes.
Vale destacar que os direitos econômicos, sociais e 
culturais, são protegidos, inclusive, internacionalmente 
pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais cujo Brasil é signatário desde 1992 (Decreto nº 591, 
de 6 de julho)
Direitos da Nacionalidade
Por ser elementar à pessoa a condição de sujeito de 
direitos, a nacionalidade, em si, também é um direito fun‑
damental, previsto nos arts. 12 e 13 da Constituição Federal.
Direitos Políticos e Partidos Políticos
Os direitos políticos, previstos no art. 14 a 16 da Cons‑
tituição são direitos fundamentais que visam preservar a 
essência dos direitos humanos contra o abuso do poder 
estatal pela via da salvaguarda da intransigente soberania 
popular, traduzida no brocardo “todo poder emana do povo” 
(Princípio Democrático).
No que diz respeito aos partidos políticos, a Constituição 
Federal estabelece a liberdade de sua criação, fusão, incor‑
poração e extinção, subordinadas ao resguardo da soberania 
nacional, do regime democrático, do pluripartidarismo e 
dos direitos fundamentais da pessoa humana, e atreladas à 
observância dos seguintes preceitos: caráter nacional; proi‑
bição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou 
governo estrangeiro ou de subordinação a estes; prestação 
de contas à Justiça Eleitoral; e funcionamento parlamentar 
de acordo com a Lei (art. 17).
Para aprofundamento da declaração de direitos huma‑
nos fundamentais recomendamos o estudo do assunto na 
matéria de Direito Constitucional.
eFICÁCIA DOS DIReITOS HUMANOS
eficácia Vertical
Consiste na aplicação dos direitos fundamentais às 
relações entre Estado e indivíduo. Nesta relação Estado-in‑
divíduo, diz-se que há uma eficácia vertical dos direitos 
fundamentais, pois nesta relação há um poder “superior” 
(o Estado) e um “inferior” (o indivíduo), certo que não estão 
em posições iguais, sendo evidente a proeminência de força 
do Estado. Quando os direitos fundamentais foram criados, 
eles eram aplicados somente a essa relação, para proteger 
os particulares do arbítrio do Estado.
eficácia Horizontal
Posteriormente, surgiu a eficácia horizontal, também 
denominada de Eficácia Externa. Consiste na aplicação dos di‑
reitos fundamentais às relações entre os próprios particulares.
A doutrina aponta duas correntes sobre o modo com que 
os direitos fundamentais incidem nas relações privadas. Para 
a primeira corrente, os direitos fundamentais se aplicam de 
forma imediata, sem necessidade de determinação legal. 
Esta é a denominada Teoria da Aplicação Imediata. Para a 
segunda corrente, seria necessária essa intermediação legis‑
lativa. É chamada de Teoria da Aplicação Mediata ou Indireta.
eficácia Diagonal
É uma relação entre particulares, mas onde não há 
uma igualdade fática. Consiste na aplicação dos direitos 
fundamentais. É a incidência dos direitos fundamentais em 
relações privadas marcadas pela desigualdade entre os par‑
ticulares, especialmente onde se verifique um contraponto 
entre o poder econômico e a vulnerabilidade (jurídica ou 
econômica). Exemplo: as relações trabalhistas. A Organiza‑
ção Internacional do Trabalho tem várias convenções que 
regulam a incidência dos direitos humanos trabalhistas nas 
relações privadas, de forma que se pode demonstrar a efi‑
cácia diagonal dos direitos humanos no plano internacional.
POLÍTICA NACIONAL De DIReITOS 
HUMANOS
Atualmente, a política de promoção e proteção dos Di‑
reitos Humanos é desenvolvida no âmbito do Ministério dos 
Direitos Humanos, criado em 2017, pelo Presidente Michel 
Temer. 
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De acordo com o art. 35, da Lei nº 13.502, de 1º de no‑
vembro de 2017, constitui área de competência do Ministério 
dos Direitos Humanos:
• formulação, coordenação e execução de políticas e
diretrizes voltadas à promoção dos direitos humanos,
incluídos:
a) direitos da cidadania;
b) direitos da criança e do adolescente;
c) direitos da pessoa idosa;
d) direitos da pessoa com deficiência; e
e) direitos das minorias;
• articulação de iniciativas e apoio a projetos de proteção
e promoção dos direitos humanos;
• promoção da integração social das pessoas com defi‑
ciência;
• exercício da função de ouvidoria nacional em assuntos
relativos aos direitos humanos, da cidadania, da crian‑
ça e do adolescente, da pessoa idosa, da pessoa com
deficiência e das minorias;
• formulação, coordenação, definição de diretrizes e ar‑
ticulação de políticas para a promoção da igualdade
racial, com ênfase na população negra, afetada por
discriminação racial e demais formas de intolerância;
• combate à discriminação racial e étnica; e
• coordenação da Política Nacional da Pessoa Idosa,
prevista na Lei no 8.842, de 4 de janeiro de 1994.
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) é 
o órgão responsável pela promoção e defesa dos direitos
humanos, mediante ações preventivas, protetivas, repara‑
doras e sancionadoras das condutas e situações de ameaça 
ou violação desses direitos (art. 2º da Lei nº 12.986, de 2 de 
junho de 2014).
O CNDH é o órgão incumbido de velar pelo efetivo res‑
peito aos direitos humanos por parte dos poderes públi‑
cos, dos serviços de relevância pública e dos particulares, 
competindo-lhe:
• promover medidas necessárias à prevenção, repressão,
sanção e reparação de condutas e situações contrárias
aos direitos humanos, inclusive os previstos em trata‑
dos e atos internacionais ratificados no País, e apurar
as respectivas responsabilidades;
• fiscalizar a política nacional de direitos humanos, po‑
dendo sugerir e recomendar diretrizes para a sua efe‑
tivação;
• receber representações ou denúncias de condutas ou
situações contrárias aos direitos humanos e apurar as
respectivas responsabilidades;
• expedir recomendações a entidades públicas e priva‑
das envolvidas com a proteção dos direitos humanos,
fixando prazo razoável para o seu atendimentoou para
justificar a impossibilidade de fazê-lo;
• articular-se com órgãos federais, estaduais, do Distrito
Federal e municipais encarregados da proteção e de‑
fesa dos direitos humanos;
• manter intercâmbio e cooperação com entidades pú‑
blicas ou privadas, nacionais ou internacionais, com
o objetivo de dar proteção aos direitos humanos e
demais finalidades previstas neste artigo;
• acompanhar o desempenho das obrigações relativas
à defesa dos direitos humanos resultantes de acordos
internacionais, produzindo relatórios e prestando a
colaboração que for necessária ao Ministério das Re‑
lações Exteriores;
• opinar sobre atos normativos, administrativos e legisla‑
tivos de interesse da política nacional de direitos huma‑
nos e elaborar propostas legislativas e atos normativos 
relacionados com matéria de sua competência;
• realizar estudos e pesquisas sobre direitos humanos e
promover ações visando à divulgação da importância
do respeito a esses direitos;
• recomendar a inclusão de matéria específica de direi‑
tos humanos nos currículos escolares, especialmente
nos cursos de formação das polícias e dos órgãos de
defesa do Estado e das instituições democráticas;
• dar especial atenção às áreas de maior ocorrência de
violações de direitos humanos, podendo nelas pro‑
mover a instalação de representações do CNDH pelo
tempo que for necessário;
• representar:
– à autoridade competente para a instauração de
inquérito policial ou procedimento administrativo,
visando à apuração da responsabilidade por viola‑
ções aos direitos humanos ou por descumprimento
de sua promoção, inclusive o estabelecido no inciso
XI, e aplicação das respectivas penalidades;
– ao Ministério Público para, no exercício de suas
atribuições, promover medidas relacionadas com a
defesa de direitos humanos ameaçados ou violados;
– ao Procurador-Geral da República para fins de inter‑
venção federal, na situação prevista na alínea b do
inciso VII do art. 34 da Constituição Federal;
– ao Congresso Nacional, visando a tornar efetivo o
exercício das competências de suas Casas e Comis‑
sões sobre matéria relativa a direitos humanos;
• realizar procedimentos apuratórios de condutas e
situações contrárias aos direitos humanos e aplicar
sanções de sua competência;
• pronunciar-se, por deliberação expressa da maio‑
ria absoluta de seus conselheiros, sobre crimes que
devam ser considerados, por suas características e
repercussão, como violações a direitos humanos de
excepcional gravidade, para fins de acompanhamento
das providências necessárias a sua apuração, processo
e julgamento.
Para a realização de procedimentos apuratórios de situ‑
ações ou condutas contrárias aos direitos humanos, o CNDH 
goza das seguintes prerrogativas:
• requisitar informações, documentos e provas neces‑
sárias às suas atividades;
• requisitar o auxílio da Polícia Federal ou de força policial, 
quando necessário ao exercício de suas atribuições;
• requerer aos órgãos públicos os serviços necessários
ao cumprimento de diligências ou à realização de vis‑
torias, exames ou inspeções e ter acesso a bancos de
dados de caráter público ou relativo a serviços de re‑
levância pública.
Vale destacar que todas as ações relacionadas com a 
formulação e fortalecimento de ações que convergem para 
uma Política Nacional de Direitos Humanos devem ser exer‑
cidas respeitando-se as diretrizes do Programa Nacional de 
Direitos Humanos.
PROGRAMA NACIONAL De DIReITOS 
HUMANOS (DeCReTO Nº 7.037/2009)
Introdução
Aprovado pelo Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro 
de 2009, a terceira versão do Programa Nacional de Direitos 
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Humanos (PNDH-3) dá continuidade ao processo histórico de 
consolidação das orientações para concretizar a promoção 
e defesa dos Direitos Humanos no Brasil. Avançou incor‑
porando a transversalidade nas diretrizes e nos objetivos 
estratégicos propostos, na perspectiva da universalidade, 
indivisibilidade e interdependência dos Direitos Humanos. 
Em 2008 deu-se início a uma cuidadosa atualização e 
revisão do Programa Nacional de Direitos Humanos I e II, 
tendo como instrumento fundamental a realização da 11ª 
Conferência Nacional dos Direitos Humanos – 11ª CNDH.
Foram realizados, em todos os Estados e no Distrito Fe‑
deral, 137 encontros prévios às etapas estadual e distrital. 
Esses encontros envolveram aproximadamente 14 mil par‑
ticipantes, representando a sociedade civil organizada e o 
poder público, garantindo força institucional ao Programa.
Portanto, a realização da 11ª CNDH e a elaboração do 
PNDH-3 são ações compartilhadas entre governo e sociedade 
civil, e por isso capazes de gerar as bases para a formulação 
e fortalecimento de ações que convergem para uma Política 
Nacional de Direitos Humanos como política de Estado.
Fique sabendo!
Em 2016, o Governo Federal convocou a 12ª Conferência 
Nacional de Direitos Humanos para os dias 27, 28 e 29 de 
abril. Com o tema “Direitos Humanos para Todas e Todos: 
Democracia, Justiça e Igualdade”, o Conselho Nacional dos 
Direitos Humanos (CNDH) convidou as participantes e os par‑
ticipantes da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos 
a se reunirem nos dias 27 a 29 de abril de 2016 para discutir 
e deliberar sobre a situação dos direitos humanos no Brasil, 
identificar caminhos a serem percorridos na elaboração de 
políticas públicas para a efetivação deste conjunto de garan‑
tias, e reafirmar o compromisso de Estado e sociedade com 
os direitos fundamentais – alicerce fundamental da institu‑
cionalidade democrática no Brasil.
Nesta edição, a etapa nacional da Conferência teve lugar 
depois da realização conjunta das seguintes Conferências Te‑
máticas, que aconteceram concomitantemente entre os dias 
25 e 27 de abril no mesmo espaço físico: a 10ª Conferência Na‑
cional dos Direitos da Criança e do Adolescente; 4ª Conferência 
Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa; 3ª Conferência Nacional 
de Políticas Públicas de Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, 
Travestis e Transsexuais - LGBT e 4ª Conferência Nacional dos 
Direitos da Pessoa com Deficiência. A transversalidade passa 
a ser o eixo condutor dessas atividades.
Ao trazer a transversalidade para um lugar de destaque 
no debate, a 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos 
convida todas e todos a refletir sobre o tema da efetivação 
real dos direitos humanos. 
Como construir e implementar políticas públicas que 
contemplem os diversos segmentos de maneira integrada, 
sempre sob a orientação do princípio da dignidade humana? 
Quais mecanismos devemos por em prática para integrar 
os diversos temas, atrizes e atores, demandas específicas? 
Como traduzimos o universo plural da diversidade para a 
linguagem de políticas eficientes, que reflitam a centralidade 
do projeto de direitos humanos como núcleo indivisível da 
institucionalidade democrática no Brasil?
Se na última Conferência Nacional foram dadas as bases 
para a construção do terceiro Programa Nacional de Direitos 
Humanos (PNDH-3), nesta nova edição as atenções se volta‑
ram menos ao processo criativo, e mais à tarefa de dar-lhe 
efetividade. Adentra-se à seara dos meios institucionais e dos 
compromissos de Estado e da sociedade para reafirmá-lo, 
efetivá-lo, aprofundar as ações por meio dos quais o conceito 
de transversalidade possa ganhar concretude e o ideário dos 
direitos humanos, consolidar-se como projeto.
O PNDH-3 está estruturado em seis eixos orientadores, 
subdivididos em 25 diretrizes, 82 objetivos estratégicos que 
incorporam ou refletem os 7 eixos, as 36 diretrizes e as 700 
resoluções da 11ª CNDH. O Programa tem ainda, como alicer‑
ce de sua construção, as resoluções das Conferências Nacio‑
nais temáticas, os Planos e Programas do governo federal, os 
Tratados internacionais ratificado pelo Estado brasileiro e as 
Recomendações dos Comitês de Monitoramento de Tratados 
da ONU e dos Relatores especiais.
evolução Histórica dos Programas Nacionais de 
Direitos Humanos
Toda pessoa tem direitos inerentes à sua naturezahumana, 
sendo respeitada sua dignidade e garantida à oportunidade de 
desenvolver seu potencial de forma livre, autônoma e plena. 
Os princípios históricos dos Direitos Humanos são orien‑
tados pela afirmação do respeito ao outro e pela busca per‑
manente da paz. Paz que, em qualquer contexto, sempre tem 
seus fundamentos na justiça, na igualdade e na liberdade.
Os brasileiros – especialmente os setores populares or‑
ganizados – encontraram na agenda dos Direitos Humanos 
um conteúdo fundamental de suas lutas em diferentes ce‑
nários. Antes, na resistência à ditadura. Hoje, para exigir a 
efetivação de relações sociais igualitárias e justas.
É sob o impulso dinâmico desses movimentos que os 
Direitos Humanos se fortalecem, erguendo como bandei‑
ra a democratização permanente do Estado e da própria 
sociedade. É deles, também, que o Estado vem colhendo 
crescentemente demandas e exigências para incorporá-las 
a sua ação programática nas diferentes políticas públicas.
O reconhecimento e a incorporação dos Direitos Humanos 
no ordenamento social, político e jurídico brasileiro resultam 
de um processo de conquistas históricas, que se materiali‑
zaram na Constituição de 1988. Desde então, avanços ins‑
titucionais vão se acumulando e começa a nascer um Brasil 
melhor, ao mesmo tempo em que o cotidiano nacional ainda 
é atravessado por violações rotineiras desses mesmos direitos.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, lançada 
em 10 de dezembro de 1948, fundou os alicerces de uma 
nova convivência humana, tentando sepultar o ódio e os 
horrores do nazismo, do holocausto, do gigantesco morticínio 
que custou 50 milhões de vidas humanas em seis anos de 
guerra. Os diversos pactos, tratados e convenções interna‑
cionais que a ela sucederam construíram, passo a passo, 
um arcabouço mundial para proteção dos Direitos Humanos.
Em 1993, a comunidade internacional atualizou a com‑
preensão sobre os elementos básicos desses instrumentos na 
Conferência de Viena, da ONU, fortalecendo os postulados 
da universalidade, indivisibilidade e interdependência. 
A Universalidade estabelece que a condição de existir 
como ser humano é requisito único para a titularidade desses 
direitos. Indivisibilidade indica que os direitos econômicos, 
sociais e culturais são condição para a observância dos di‑
reitos civis e políticos, e vice-versa. O conjunto dos Direitos 
Humanos perfaz uma unidade indivisível, interdependente e 
inter-relacionada. Sempre que um direito é violado, rompe-se 
a unidade e todos os demais direitos são comprometidos.
A Conferência de Viena também firmou acordo sobre 
a importância de que os Direitos Humanos passassem a ser 
conteúdo programático da ação dos Estados nacionais. Por 
isso, recomendou que os países formulassem e implemen‑
tassem Programas e Planos Nacionais de Direitos Humanos. 
Redemocratizado, o Estado brasileiro ratificou os prin‑
cipais instrumentos internacionais de Direitos Humanos, 
tornando-os parte do ordenamento nacional. Isso significa 
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que, em termos jurídico-políticos, eles se constituem em 
exigência de respeito a suas determinações pelo país.
A Carta Constitucional inclui entre os fundamentos do 
Estado brasileiro a cidadania e a dignidade da pessoa huma‑
na, estabelecendo como objetivo primordial a construção 
de uma sociedade livre, justa e solidária, além de compro‑
meter-se com o desenvolvimento nacional, a erradicação da 
pobreza, redução das desigualdades sociais e regionais e a 
promoção do bem-estar de todos, sem preconceitos ou dis‑
criminação de qualquer tipo. E obriga o país a reger suas re‑
lações internacionais pela prevalência dos Direitos Humanos.
As diretrizes nacionais que orientam a atuação do poder 
público no âmbito dos Direitos Humanos foram desenvolvi‑
das a partir de 1996, ano de lançamento do primeiro Progra‑
ma Nacional de Direitos Humanos (PNDH I). Passados mais de 
dez anos do fim da ditadura, as demandas sociais da época se 
cristalizaram com maior ênfase na garantia dos direitos civis 
e políticos. O Programa foi revisado e atualizado em 2002, 
sendo ampliado com a incorporação dos direitos econômicos, 
sociais e culturais, o que resultou na publicação do segundo 
Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH II).
A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Huma‑
nos (PNDH-3) representa mais um passo largo nesse processo 
histórico de consolidação das orientações para concretizar a 
promoção dos Direitos Humanos no Brasil. Entre seus avanços 
mais robustos, destaca-se a transversalidade e interministeria‑
lidade de suas diretrizes, de seus objetivos estratégicos e de 
suas ações programáticas, na perspectiva da universalidade, 
indivisibilidade e interdependência dos direitos.
O debate público, em escala nacional, para elaboração 
do PNDH-3 coincidiu com os 60 anos da Declaração Universal 
dos Direitos Humanos e com a realização da 11ª Conferência 
Nacional dos Direitos Humanos (11ª CNDH). 
Convocada por decreto presidencial em abril de 2008, a 
11ª Conferência contou com um Grupo de Trabalho Nacional 
instituído pela Portaria nº 344 da SEDH/PR, cuja tarefa era 
coordenar as atividades preparatórias, formular propostas e 
orientar as conferências estaduais e distrital. Sua composição 
incluiu representantes de entidades nacionais e movimen‑
tos de Direitos Humanos, bem como membros dos Poderes 
Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e 
da Defensoria Pública.
A Executiva Nacional da Conferência foi integrada pela 
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da 
Câmara dos Deputados e pelo Fórum de Entidades Nacionais 
de Direitos Humanos. Essa composição tripartite garantiu 
interação entre diferentes segmentos atuantes na luta pela 
afirmação dos Direitos Humanos no país, num difícil, mas 
responsável exercício de diálogo democrático onde não fal‑
taram tensões, divergências e disputas.
Com o lema “Democracia, Desenvolvimento e Direitos 
Humanos: superando as desigualdades”, a 11ª Conferência 
teve como objetivo principal constituir um espaço de parti‑
cipação democrática para revisar e atualizar o PNDH, com o 
desafio de tratar de forma integrada as múltiplas dimensões 
dos Direitos Humanos. Para tanto, optou-se pela metodolo‑
gia de guiar as discussões em torno de eixos orientadores, 
o que gerou um claro diferencial em relação aos programas
anteriores, organizados em temas específicos. 
Pautados pela transversalidade temática, pela metodo‑
logia integradora e pela articulação entre os poderes públicos 
e as organizações da sociedade civil, os 26 estados e o Distrito 
Federal convocaram e realizaram oficialmente suas conferên‑
cias, garantindo força institucional ao debate. Realizaram-se 
137 encontros prévios às etapas estaduais e distrital, denomi‑
nados Conferências Livres, Regionais, Territoriais, Municipais 
ou Pré-Conferências. Participaram ativamente do processo 
cerca de 14 mil pessoas, reunindo membros dos poderes pú‑
blicos e representantes dos movimentos de mulheres, defen‑
sores dos direitos da criança e do adolescente, pessoas com 
deficiência, negros e quilombolas, militantes da diversidade 
sexual, pessoas idosas, ambientalistas, sem-terra, sem-teto, 
indígenas, comunidades de terreiro, ciganos, populações 
ribeirinhas, entre outros. A iniciativa, compartilhada entre 
sociedade civil e poderes republicanos, mostrou-se capaz 
de gerar as bases para formulação de uma Política Nacional 
de Direitos Humanos como verdadeira política de Estado.
O PNDH-3 está estruturado em seis eixos orientadores, 
subdivididos em 25 diretrizes, 82 objetivos estratégicos e 
521 ações programáticas, que incorporam ou refletem os 7 
eixos, 36 diretrizes e 700 resoluções aprovadas na 11ª Con‑
ferência Nacional de Direitos Humanos, realizada em Brasília 
entre 15 e 18 de dezembro de 2008, como coroamento do 
processo desenvolvido no âmbito local, regional e estadual. 
O Programa também inclui,como alicerce de sua construção, 
propostas aprovadas em cerca de 50 conferências nacionais 
temáticas realizadas desde 2003 sobre igualdade racial, direi‑
tos da mulher, segurança alimentar, cidades, meio ambiente, 
saúde, educação, juventude, cultura etc.
No âmbito da SEDH/PR, cumpre destacar a realização de 
duas Conferências Nacionais das Pessoas com Deficiência; 
duas Conferências Nacionais dos Direitos da Pessoa Idosa; 
quatro Conferências Nacionais dos Direitos da Criança e do 
Adolescente; do 3º Congresso Mundial de Enfrentamento 
da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes; da 1ª Con‑
ferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e 
Transexuais.
Merece destaque, também, as diretrizes aprovadas na 
1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, do Ministério 
da Justiça, que formulou uma nova perspectiva de fortaleci‑
mento da segurança pública, entendida como direito huma‑
no fundamental, rompendo com o passado de identificação 
entre ação policial e violação de direitos.
Os compromissos de promoção e proteção dos Direitos 
Humanos expressos no PNDH-3 estendem-se para além da 
atual administração e devem ser levados em consideração 
independentemente da orientação política das futuras ges‑
tões. A agenda de promoção e proteção dos Direitos Huma‑
nos deve transformar-se numa agenda do Estado brasileiro, 
tendo como fundamentos os compromissos internacionais 
assumidos pelo país.
A observância do pacto federativo – que sinaliza as res‑
ponsabilidades dos três Poderes, do Ministério Público e da 
Defensoria Pública, bem como os compromissos das três esferas 
administrativas do Estado – é uma exigência central para que 
os objetivos do PNDH-3 sejam alcançados e efetivados como 
política de Estado. A responsabilidade do Estado brasileiro frente 
aos tratados internacionais deve ser assumida pelos três po‑
deres, nos diferentes níveis da federação, cabendo ao Execu‑
tivo Federal a atribuição de responder pelo seu cumprimento. 
Justificam-se, assim, no PNDH-3, as recomendações feitas aos 
outros entes federados e demais poderes republicanos.
O PNDH-3 é estruturado nos seguintes eixos orientado‑
res: Interação Democrática entre Estado e Sociedade Civil; 
Desenvolvimento e Direitos Humanos; Universalizar Direitos 
em um Contexto de Desigualdades; Segurança Pública, Aces‑
so à Justiça e Combate à Violência; Educação e Cultura em 
Direitos Humanos; Direito à Memória e à Verdade. 
Compreendendo que todos os agentes públicos e todos 
os cidadãos são responsáveis pela efetivação dos Direitos 
Humanos no país, o tema da Interação Democrática entre 
Estado e Sociedade Civil abre o Programa. O compromisso 
compartilhado e a participação social na construção e moni‑
toramento das distintas políticas públicas são essenciais para 
que a consolidação dos Direitos Humanos seja substantiva e 
portadora de forte legitimidade democrática.
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O PNDH-3 propõe a integração e o aprimoramento dos 
fóruns de participação existentes, bem como a criação de 
novos espaços e mecanismos institucionais de interação e 
acompanhamento.
A estratégia relativa ao tema Desenvolvimento e Direitos 
Humanos é centrada na inclusão social e em garantir o exer‑
cício amplo da cidadania, garantindo espaços consistentes às 
estratégias de desenvolvimento local e territorial, agricultura 
familiar, pequenos empreendimentos, cooperativismo e eco‑
nomia solidária. O direito humano ao meio ambiente e às 
cidades sustentáveis, bem como o fomento a pesquisas de 
tecnologias socialmente inclusivas constituem pilares para 
um modelo de crescimento sustentável, capaz de assegurar 
os direitos fundamentais das gerações presentes e futuras.
O tema Universalizar Direitos em um Contexto de De‑
sigualdades complementa os anteriores e dialoga com as 
intervenções desenvolvidas no Brasil para reduzir a pobreza 
e garantir geração de renda aos segmentos sociais mais po‑
bres, contribuindo de maneira decisiva para a erradicação 
da fome e da miséria. As conquistas recentes das políticas 
sociais ainda requerem eliminação de barreiras estruturais 
para sua efetivação plena. O PNDH-3 reconhece essa reali‑
dade e propõe diretrizes indispensáveis para a construção 
de instrumentos capazes de assegurar a observância dos 
Direitos Humanos e para garantir sua universalização.
As arraigadas estruturas de poder e subordinação pre‑
sentes na sociedade e na hierarquia das instituições policiais 
têm sido historicamente marcadas pela violência, gerando um 
círculo vicioso de insegurança, ineficiência, arbitrariedades, tor‑
turas e impunidade. O eixo Segurança Pública, Acesso à Justiça 
e Combate à Violência aborda, em suas diretrizes e objetivos 
estratégicos, metas para a diminuição da violência, redução da 
discriminação e da violência sexual, erradicação do tráfico de 
pessoas e da tortura. Propõe reformular o sistema de Justiça e 
Segurança Pública, avançando propostas de garantia do acesso 
universal à Justiça, com disponibilização de informações à po‑
pulação, fortalecimento dos modelos alternativos de solução 
de conflitos e modernização da gestão do sistema judiciário.
O eixo prioritário e estratégico da Educação e Cultura em 
Direitos Humanos se traduz em uma experiência individual 
e coletiva que atua na formação de uma consciência cen‑
trada no respeito ao outro, na tolerância, na solidariedade 
e no compromisso contra todas as formas de discriminação, 
opressão e violência. É esse o caminho para formar pessoas 
capazes de construir novos valores, fundados no respeito 
integral à dignidade humana, bem como no reconhecimento 
das diferenças como elemento de construção da justiça. O 
desenvolvimento de processos educativos permanentes visa 
a consolidar uma nova cultura dos Direitos Humanos e da paz.
O capítulo que trata do Direito à Memória e à Verdade 
encerra os temas transversais do PNDH-3. A memória histó‑
rica é componente fundamental na construção da identidade 
social e cultural de um povo e na formulação de pactos que 
assegurem a não repetição de violações de Direitos Humanos, 
rotineiras em todas as ditaduras, de qualquer lugar do planeta. 
Nesse sentido, afirmar a importância da memória e da verdade 
como princípios históricos dos Direitos Humanos é o conte‑
údo central da proposta. Jogar luz sobre a repressão política 
do ciclo ditatorial, refletir com maturidade sobre as violações 
de Direitos Humanos e promover as necessárias reparações 
ocorridas durante aquele período são imperativos de um país 
que vem comprovando sua opção definitiva pela democracia.
O PNDH-3 apresenta as bases de uma Política de Estado 
para os Direitos Humanos. Estabelece diretrizes, objetivos 
estratégicos e ações programáticas a serem trilhados nos pró‑
ximos anos. A definição operacional de sua implementação, 
com estabelecimento de prazos, será garantida por meio de 
Planos de Ação a serem construídos a cada dois anos, sendo 
fixados os recursos orçamentários, as medidas concretas e 
os órgãos responsáveis por sua execução.
O texto final deste Programa é fruto de um longo e 
meticuloso processo de diálogo entre poderes públicos e 
sociedade civil. Representada por diversas organizações e 
movimentos sociais, esta teve participação novamente deci‑
siva em todas as etapas de sua construção. A base inicial do 
documento foi constituída pelas resoluções aprovadas na 11ª 
Conferência Nacional dos Direitos Humanos, que compuse‑
ram um primeiro esqueleto do terceiro PNDH. Conteúdos an‑
gulares das 50 conferências nacionais já mencionadas foram 
incorporados ao texto. O portal da SEDH/PR expôs durante 
meses uma redação inicial, para suscitar aperfeiçoamentos 
e novas sugestões. Seguiram-se outros meses de delicada 
negociação interna entre diferentes áreas de governo até 
se chegar ao documento definitivo.
Por fim, merece destaque o fato inédito e promissor de 
que 31 ministérios assinam a exposição de motivos reque‑
rendo ao Presidente da República a publicação do decreto 
que estabelece este terceiroPrograma Nacional de Direitos 
Humanos. Nas palavras do Excelentíssimo Ministro da Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República, Senhor Paulo Vannuchi, à época de sua publicação 
“O desafio agora é concretizá-lo.” 
Decreto nº 7.037, de 21 de Dezembro de 2009
Aprova o Programa Nacional 
de Direitos Humanos – PNDH-3 e 
dá outras providências.
O PReSIDeNTe DA RePÚBLICA, no uso da atribuição que 
lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição, 
decreta:
Art. 1º Fica aprovado o Programa Nacional de Direitos 
Humanos – PNDH-3, em consonância com as diretrizes, ob‑
jetivos estratégicos e ações programáticas estabelecidos, na 
forma do Anexo deste Decreto.
Art. 2º O PNDH-3 será implementado de acordo com os 
seguintes eixos orientadores e suas respectivas diretrizes:
I – Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado 
e sociedade civil:
a) Diretriz 1: Interação democrática entre Estado e so‑
ciedade civil como instrumento de fortalecimento da demo‑
cracia participativa; 
b) Diretriz 2: Fortalecimento dos Direitos Humanos como
instrumento transversal das políticas públicas e de interação 
democrática; e
c) Diretriz 3: Integração e ampliação dos sistemas de
informações em Direitos Humanos e construção de meca‑
nismos de avaliação e monitoramento de sua efetivação;
II – Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Hu‑
manos:
a) Diretriz 4: Efetivação de modelo de desenvolvimento
sustentável, com inclusão social e econômica, ambientalmen‑
te equilibrado e tecnologicamente responsável, cultural e 
regionalmente diverso, participativo e não discriminatório;
b) Diretriz 5: Valorização da pessoa humana como sujeito
central do processo de desenvolvimento; e 
c) Diretriz 6: Promover e proteger os direitos ambientais
como Direitos Humanos, incluindo as gerações futuras como 
sujeitos de direitos;
III – Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um 
contexto de desigualdades:
a) Diretriz 7: Garantia dos Direitos Humanos de forma
universal, indivisível e interdependente, assegurando a ci‑
dadania plena;
b) Diretriz 8: Promoção dos direitos de crianças e ado‑
lescentes para o seu desenvolvimento integral, de forma 
não discriminatória, assegurando seu direito de opinião e 
participação;
c) Diretriz 9: Combate às desigualdades estruturais; e
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d) Diretriz 10: Garantia da igualdade na diversidade;
IV – Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à 
Justiça e Combate à Violência:
a) Diretriz 11: Democratização e modernização do sis‑
tema de segurança pública;
b) Diretriz 12: Transparência e participação popular no
sistema de segurança pública e justiça criminal;
c) Diretriz 13: Prevenção da violência e da criminalidade
e profissionalização da investigação de atos criminosos;
d) Diretriz 14: Combate à violência institucional, com
ênfase na erradicação da tortura e na redução da letalidade 
policial e carcerária;
e) Diretriz 15: Garantia dos direitos das vítimas de crimes
e de proteção das pessoas ameaçadas;
f) Diretriz 16: Modernização da política de execução pe‑
nal, priorizando a aplicação de penas e medidas alternativas à 
privação de liberdade e melhoria do sistema penitenciário; e
g) Diretriz 17: Promoção de sistema de justiça mais
acessível, ágil e efetivo, para o conhecimento, a garantia e 
a defesa de direitos;
V – Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos 
Humanos:
a) Diretriz 18: Efetivação das diretrizes e dos princípios
da política nacional de educação em Direitos Humanos para 
fortalecer uma cultura de direitos;
b) Diretriz 19: Fortalecimento dos princípios da demo‑
cracia e dos Direitos Humanos nos sistemas de educação 
básica, nas instituições de ensino superior e nas instituições 
formadoras;
c) Diretriz 20: Reconhecimento da educação não formal
como espaço de defesa e promoção dos Direitos Humanos;
d) Diretriz 21: Promoção da Educação em Direitos Hu‑
manos no serviço público; e 
e) Diretriz 22: Garantia do direito à comunicação demo‑
crática e ao acesso à informação para consolidação de uma 
cultura em Direitos Humanos; e
VI – Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade:
a) Diretriz 23: Reconhecimento da memória e da verdade
como Direito Humano da cidadania e dever do Estado;
b) Diretriz 24: Preservação da memória histórica e cons‑
trução pública da verdade; e
c) Diretriz 25: Modernização da legislação relacionada
com promoção do direito à memória e à verdade, fortale‑
cendo a democracia.
Parágrafo único. A implementação do PNDH-3, além dos 
responsáveis nele indicados, envolve parcerias com outros 
órgãos federais relacionados com os temas tratados nos eixos 
orientadores e suas diretrizes.
Art. 3º As metas, prazos e recursos necessários para a 
implementação do PNDH-3 serão definidos e aprovados em 
Planos de Ação de Direitos Humanos bianuais.
Art. 4º Fica instituído o Comitê de Acompanhamento e 
Monitoramento do PNDH-3, com a finalidade de:
I – promover a articulação entre os órgãos e entidades 
envolvidos na implementação das suas ações programáticas;
II – elaborar os Planos de Ação dos Direitos Humanos;
III – estabelecer indicadores para o acompanhamento, 
monitoramento e avaliação dos Planos de Ação dos Direitos 
Humanos;
IV – acompanhar a implementação das ações e reco‑
mendações; e
V – elaborar e aprovar seu regimento interno.
§ 1º O Comitê de Acompanhamento e Monitoramento
do PNDH-3 será integrado por um representante e respectivo 
suplente de cada órgão a seguir descrito, indicados pelos 
respectivos titulares:
I – Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência 
da República, que o coordenará;
II – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da 
Presidência da República;
III – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da 
Igualdade Racial da Presidência da República;
IV – Secretaria Geral da Presidência da República;
V – Ministério da Cultura;
VI – Ministério da Educação;
VII – Ministério da Justiça;
VIII – Ministério da Pesca e Aquicultura;
IX – Ministério da Previdência Social;
X – Ministério da Saúde;
XI – Ministério das Cidades;
XII – Ministério das Comunicações;
XIII – Ministério das Relações Exteriores;
XIV – Ministério do Desenvolvimento Agrário;
XV – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate 
à Fome;
XVI – Ministério do Esporte;
XVII – Ministério do Meio Ambiente;
XVIII – Ministério do Trabalho e Emprego;
XIX – Ministério do Turismo;
XX – Ministério da Ciência e Tecnologia; e
XXI – Ministério de Minas e Energia.
§ 2º O Secretário Especial dos Direitos Humanos da Pre‑
sidência da República designará os representantes do Comitê 
de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3.
§ 3º O Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do
PNDH-3 poderá constituir subcomitês temáticos para a execu‑
ção de suas atividades, que poderão contar com a participação 
de representantes de outros órgãos do Governo Federal.
§ 4º O Comitê convidará representantes dos demais
Poderes, da sociedade civil e dos entes federados para par‑
ticiparem de suas reuniões e atividades.
Art. 5º Os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e os 
órgãos do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Minis‑
tério Público, serão convidados a aderir ao PNDH-3.
Art. 6º Este Decreto entra em vigor na data de sua pu‑
blicação.
Art. 7º Fica revogado o Decreto nº 4.229, de 13 de maio 
de 2002.
Brasília, 21 de dezembro de 2009; 188º da Independên‑
cia e 121º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro
Celso Luiz Nunes Amorim
Guido Mantega
Alfredo Nascimento
José Geraldo Fontelles
Fernando Haddad
André Peixoto Figueiredo Lima
José Gomes Temporão
Miguel Jorge
Edison Lobão
Paulo Bernardo Silva
Hélio Costa
José Pimentel
Patrus Ananias
João Luiz Silva Ferreira
Sérgio Machado Rezende
Carlos Minc
Orlando Silva de Jesus Junior
Luiz Eduardo Pereira Barretto Filho
Geddel Vieira Lima
Guilherme Cassel
Márcio Fortes de Almeida
Altemir Gregolin
Dilma Rousseff
Luiz Soares Dulci
Alexandre Rocha Santos Padilha
Samuel Pinheiro Guimarães Neto
EdsonSantos
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ANeXO
eIXO ORIeNTADOR I:
• Interação democrática entre estado e sociedade civil
A partir da metade dos anos 1970, começam a ressurgir 
no Brasil iniciativas de rearticulação dos movimentos sociais, 
a despeito da repressão política e da ausência de canais de‑
mocráticos de participação. Fortes protestos e a luta pela 
democracia marcaram esse período. Paralelamente, surgiram 
iniciativas populares nos bairros reivindicando direitos bási‑
cos como saúde, transporte, moradia e controle do custo de 
vida. Em um primeiro momento, eram iniciativas atomizadas, 
buscando conquistas parciais, mas que ao longo dos anos fo‑
ram se caracterizando como movimentos sociais organizados.
Com o avanço da democratização do País, os movimen‑
tos sociais multiplicaram-se. Alguns deles institucionaliza‑
ram-se e passaram a ter expressão política. Os movimentos 
populares e sindicatos foram, no caso brasileiro, os principais 
promotores da mudança e da ruptura política em diversas 
épocas e contextos históricos. Com efeito, durante a etapa de 
elaboração da Constituição Cidadã de 1988, esses segmentos 
atuaram de forma especialmente articulada, afirmando-se 
como um dos pilares da democracia e influenciando direta‑
mente os rumos do País. 
Nos anos que se seguiram, os movimentos passaram a 
se consolidar por meio de redes com abrangência regional 
ou nacional, firmando-se como sujeitos na formulação e 
monitoramento das políticas públicas. Nos anos 1990, de‑
sempenharam papel fundamental na resistência a todas as 
orientações do neoliberalismo de flexibilização dos direitos 
sociais, privatizações, dogmatismo do mercado e enfraque‑
cimento do Estado. Nesse mesmo período, multiplicaram-se 
pelo País experiências de gestão estadual e municipal em que 
lideranças desses movimentos, em larga escala, passaram a 
desempenhar funções de gestores públicos.
Com as eleições de 2002, alguns dos setores mais or‑
ganizados da sociedade trouxeram reivindicações históricas 
acumuladas, passando a influenciar diretamente a atuação 
do governo e vivendo de perto suas contradições internas. 
Nesse novo cenário, o diálogo entre Estado e sociedade 
civil assumiu especial relevo, com a compreensão e a pre‑
servação do distinto papel de cada um dos segmentos no 
processo de gestão. A interação é desenhada por acordos 
e dissensos, debates de ideias e pela deliberação em torno 
de propostas. Esses requisitos são imprescindíveis ao pleno 
exercício da democracia, cabendo à sociedade civil exigir, 
pressionar, cobrar, criticar, propor e fiscalizar as ações do 
Estado.
Essa concepção de interação democrática construída en‑
tre os diversos órgãos do Estado e a sociedade civil trouxe 
consigo resultados práticos em termos de políticas públicas 
e avanços na interlocução de setores do poder público com 
toda a diversidade social, cultural, étnica e regional que ca‑
racteriza os movimentos sociais em nosso País. Avançou-se 
fundamentalmente na compreensão de que os Direitos Hu‑
manos constituem condição para a prevalência da dignidade 
humana, e que devem ser promovidos e protegidos por meio 
do esforço conjunto do Estado e da sociedade civil. 
Uma das finalidades do PNDH-3 é dar continuidade à 
integração e ao aprimoramento dos mecanismos de parti‑
cipação existentes, bem como criar novos meios de constru‑
ção e monitoramento das políticas públicas sobre Direitos 
Humanos no Brasil. 
No âmbito institucional, o PNDH-3 amplia as conquistas 
na área dos direitos e garantias fundamentais, pois internaliza 
a diretriz segundo a qual a primazia dos Direitos Humanos 
constitui princípio transversal a ser considerado em todas 
as políticas públicas. 
As diretrizes deste capítulo discorrem sobre a impor‑
tância de fortalecer a garantia e os instrumentos de partici‑
pação social, o caráter transversal dos Direitos Humanos e 
a construção de mecanismos de avaliação e monitoramento 
de sua efetivação. Isso inclui a construção de sistema de in‑
dicadores de Direitos Humanos e a articulação das políticas 
e instrumentos de monitoramento existentes.
O Poder Executivo tem papel protagonista na coorde‑
nação e implementação do PNDH-3, mas faz-se necessária 
a definição de responsabilidades compartilhadas entre a 
União, Estados, Municípios e do Distrito Federal na execução 
de políticas públicas, tanto quanto a criação de espaços de 
participação e controle social nos Poderes Judiciário e Legis‑
lativo, no Ministério Público e nas Defensorias, em ambiente 
de respeito, proteção e efetivação dos Direitos Humanos. O 
conjunto dos órgãos do Estado – não apenas no âmbito do 
Executivo Federal – deve estar comprometido com a imple‑
mentação e monitoramento do PNDH-3.
Aperfeiçoar a interlocução entre Estado e sociedade 
civil depende da implementação de medidas que garantam 
à sociedade maior participação no acompanhamento e mo‑
nitoramento das políticas públicas em Direitos Humanos, 
num diálogo plural e transversal entre os vários atores so‑
ciais e deles com o Estado. Ampliar o controle externo dos 
órgãos públicos por meio de ouvidorias, monitorar os com‑
promissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro, 
realizar conferências periódicas sobre a temática, fortalecer 
e apoiar a criação de conselhos nacional, distrital, estaduais 
e municipais de Direitos Humanos, garantindo-lhes eficiên‑
cia, autonomia e independência são algumas das formas 
de assegurar o aperfeiçoamento das políticas públicas por 
meio de diálogo, de mecanismos de controle e das ações 
contínuas da sociedade civil. Fortalecer as informações em 
Direitos Humanos com produção e seleção de indicadores 
para mensurar demandas, monitorar, avaliar, reformular e 
propor ações efetivas, garante e consolida o controle social 
e a transparência das ações governamentais.
A adoção de tais medidas fortalecerá a democracia par‑
ticipativa, na qual o Estado atua como instância republicana 
da promoção e defesa dos Direitos Humanos e a sociedade 
civil como agente ativo – propositivo e reativo – de sua im‑
plementação.
Diretriz 1: Interação democrática entre estado e socie-
dade civil como instrumento de fortalecimento da demo-
cracia participativa.
Objetivo estratégico I:
Garantia da participação e do controle social das po-
líticas públicas em Direitos Humanos, em diálogo plural e 
transversal entre os vários atores sociais.
Ações programáticas:
a) Apoiar, junto ao Poder Legislativo, a instituição do
Conselho Nacional dos Direitos Humanos, dotado de recursos 
humanos, materiais e orçamentários para o seu pleno funcio‑
namento, e efetuar seu credenciamento junto ao Escritório 
do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos 
Humanos como “Instituição Nacional Brasileira”, como pri‑
meiro passo rumo à adoção plena dos “Princípios de Paris”.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
b) Fomentar a criação e o fortalecimento dos conselhos
de Direitos Humanos em todos os Estados e Municípios e no 
Distrito Federal, bem como a criação de programas estaduais 
de Direitos Humanos.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
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c) Criar mecanismos que permitam ação coordenada
entre os diversos conselhos de direitos, nas três esferas da 
Federação, visando a criação de agenda comum para a im‑
plementação de políticas públicas de Direitos Humanos.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República, Secretaria Geral da Presidência 
da República.
d) Criar base de dados dos conselhos nacionais, estadu‑
ais, distrital e municipais, garantindo seu acesso ao público 
em geral.
Responsáveis: Secretaria Geral da Presidência da Re‑
pública; Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presi‑
dência da República.
e) Apoiar fóruns, redes e ações da sociedade civil que
fazem acompanhamento, controle social e monitoramento 
das políticas públicas de DireitosHumanos.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Secretaria Geral da Presidência 
da República.
f) Estimular o debate sobre a regulamentação e efeti‑
vidade dos instrumentos de participação social e consulta 
popular, tais como lei de iniciativa popular, referendo, veto 
popular e plebiscito.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Secretaria Geral da Presidência 
da República. 
g) Assegurar a realização periódica de conferências de
Direitos Humanos, fortalecendo a interação entre a socie‑
dade civil e o poder público.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República. 
Objetivo estratégico II:
Ampliação do controle externo dos órgãos públicos.
Ações programáticas:
a) Ampliar a divulgação dos serviços públicos voltados
para a efetivação dos Direitos Humanos, em especial nos 
canais de transparência.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República. 
b) Propor a instituição da Ouvidoria Nacional dos Direitos
Humanos, em substituição à Ouvidoria Geral da Cidadania, 
com independência e autonomia política, com mandato e 
indicação pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos, as‑
segurando recursos humanos, materiais e financeiros para 
seu pleno funcionamento.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
c) Fortalecer a estrutura da Ouvidoria Agrária Nacional.
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Agrário. 
Diretriz 2: Fortalecimento dos Direitos Humanos como 
instrumento transversal das políticas públicas e de interação 
democrática.
Objetivo estratégico I:
Promoção dos Direitos Humanos como princípios orien-
tadores das políticas públicas e das relações internacionais.
Ações programáticas:
a) Considerar as diretrizes e objetivos estratégicos do
PNDH-3 nos instrumentos de planejamento do Estado, em 
especial no Plano Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamen‑
tárias e na Lei Orçamentária Anual.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Secretaria Geral da Presidên‑
cia da República; Ministério do Planejamento, Orçamento 
e Gestão. 
b) Propor e articular o reconhecimento do status consti‑
tucional de instrumentos internacionais de Direitos Humanos 
novos ou já existentes ainda não ratificados.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério da Justiça; Secretaria 
de Relações Institucionais da Presidência da República.
c) Construir e aprofundar agenda de cooperação mul‑
tilateral em Direitos Humanos que contemple prioritaria‑
mente o Haiti, os países lusófonos do continente africano 
e o Timor-Leste.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores. 
d) Aprofundar a agenda Sul-Sul de cooperação bilate‑
ral em Direitos Humanos que contemple prioritariamente 
os países lusófonos do continente africano, o Timor-Leste, 
Caribe e a América Latina.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
Objetivo estratégico II:
Fortalecimento dos instrumentos de interação demo-
crática para a promoção dos Direitos Humanos.
Ações programáticas:
a) Criar o Observatório Nacional dos Direitos Humanos
para subsidiar, com dados e informações, o trabalho de mo‑
nitoramento das políticas públicas e de gestão governamen‑
tal e sistematizar a documentação e legislação, nacionais e 
internacionais, sobre Direitos Humanos.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
b) Estimular e reconhecer pessoas e entidades com des‑
taque na luta pelos Direitos Humanos na sociedade brasileira 
e internacional, com a concessão de premiação, bolsas e 
outros incentivos, na forma da legislação aplicável.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
c) Criar selo nacional “Direitos Humanos”, a ser concedi‑
do às entidades públicas e privadas que comprovem atuação 
destacada na defesa e promoção dos direitos fundamentais.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério da Justiça.
Diretriz 3: Integração e ampliação dos sistemas de infor-
mação em Direitos Humanos e construção de mecanismos 
de avaliação e monitoramento de sua efetivação. 
Objetivo estratégico I:
Desenvolvimento de mecanismos de controle social das 
políticas públicas de Direitos Humanos, garantindo o mo-
nitoramento e a transparência das ações governamentais.
Ações programáticas:
a) Instituir e manter sistema nacional de indicadores
em Direitos Humanos, de forma articulada com os órgãos 
públicos e a sociedade civil.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República. 
b) Integrar os sistemas nacionais de informações para
elaboração de quadro geral sobre a implementação de po‑
líticas públicas e violações aos Direitos Humanos.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
c) Articular a criação de base de dados com temas rela‑
cionados aos Direitos Humanos.
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Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República
d) Utilizar indicadores em Direitos Humanos para mensu‑
rar demandas, monitorar, avaliar, reformular e propor ações 
efetivas.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Secretaria Especial de Políticas 
para as Mulheres da Presidência da República; Secretaria 
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da 
Presidência da República; Ministério da Saúde; Ministério 
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério da 
Justiça; Ministério das Cidades; Ministério do Meio Ambien‑
te; Ministério da Cultura; Ministério do Turismo; Ministério 
do Esporte; Ministério do Desenvolvimento Agrário.
e) Propor estudos visando a criação de linha de finan‑
ciamento para a implementação de institutos de pesquisa e 
produção de estatísticas em Direitos Humanos nos Estados.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
Objetivo estratégico II: 
Monitoramento dos compromissos internacionais 
assumidos pelo estado brasileiro em matéria de Direitos 
Humanos.
Ações programáticas:
a) Elaborar relatório anual sobre a situação dos Direitos
Humanos no Brasil, em diálogo participativo com a socie‑
dade civil.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
b) Elaborar relatórios periódicos para os órgãos de trata‑
dos da ONU, no prazo por eles estabelecidos, com base em 
fluxo de informações com órgãos do governo federal e com 
unidades da Federação.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
c) Elaborar relatório de acompanhamento das relações
entre o Brasil e o sistema ONU que contenha, entre outras, 
as seguintes informações: 
• Recomendações advindas de relatores especiais do
Conselho de Direitos Humanos da ONU.
• Recomendações advindas dos comitês de tratados do
Mecanismo de Revisão Periódica.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
d) Definir e institucionalizar fluxo de informações, com
responsáveis em cada órgão do governo federal e unidades 
da Federação, referentes aos relatórios internacionais de Di‑
reitos Humanos e às recomendações dos relatores especiais 
do Conselho de Direitos Humanos da ONU e dos comitês 
de tratados.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
e) Definir e institucionalizar fluxo de informações, com
responsáveis em cada órgão do governo federal, referentes aos 
relatóriosda Comissão Interamericana de Direitos Humanos 
e às decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
f) Criar banco de dados público sobre todas as recomen‑
dações dos sistemas ONU e OEA feitas ao Brasil, contendo 
as medidas adotadas pelos diversos órgãos públicos para 
seu cumprimento.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério das Relações 
Exteriores.
eIXO ORIeNTADOR II:
Desenvolvimento e Direitos Humanos
O tema “desenvolvimento” tem sido amplamente de‑
batido por ser um conceito complexo e multidisciplinar. Não 
existe modelo único e preestabelecido de desenvolvimento, 
porém, pressupõe-se que ele deva garantir a livre determi‑
nação dos povos, o reconhecimento de soberania sobre seus 
recursos e riquezas naturais, respeito pleno à sua identidade 
cultural e a busca de equidade na distribuição das riquezas.
Durante muitos anos, o crescimento econômico, medido 
pela variação anual do Produto Interno Bruto (PIB), foi usado 
como indicador relevante para medir o avanço de um país. 
Acreditava-se que, uma vez garantido o aumento de bens e 
serviços, sua distribuição ocorreria de forma a satisfazer as 
necessidades de todas as pessoas. Constatou‑se, porém, que, 
embora importante, o crescimento do PIB não é suficiente 
para causar, automaticamente, melhoria do bem estar para 
todas as camadas sociais. Por isso, o conceito de desenvol‑
vimento foi adotado por ser mais abrangente e refletir, de 
fato, melhorias nas condições de vida dos indivíduos. 
A teoria predominante de desenvolvimento econômico 
o define como um processo que faz aumentar as possibili‑
dades de acesso das pessoas a bens e serviços, propiciadas 
pela expansão da capacidade e do âmbito das atividades 
econômicas. O desenvolvimento seria a medida qualitativa 
do progresso da economia de um país, refletindo transições 
de estágios mais baixos para estágios mais altos, por meio da 
adoção de novas tecnologias que permitem e favorecem essa 
transição. Cresce nos últimos anos a assimilação das ideias 
desenvolvidas por Amartya Sem, que abordam o desenvolvi‑
mento como liberdade e seus resultados centrados no bem 
estar social e, por conseguinte, nos direitos do ser humano. 
São essenciais para o desenvolvimento as liberdades e 
os direitos básicos como alimentação, saúde e educação. As 
privações das liberdades não são apenas resultantes da es‑
cassez de recursos, mas sim das desigualdades inerentes aos 
mecanismos de distribuição, da ausência de serviços públicos 
e de assistência do Estado para a expansão das escolhas in‑
dividuais. Este conceito de desenvolvimento reconhece seu 
caráter pluralista e a tese de que a expansão das liberdades 
não representa somente um fim, mas também o meio para 
seu alcance. Em consequência, a sociedade deve pactuar as 
políticas sociais e os direitos coletivos de acesso e uso dos 
recursos. A partir daí, a medição de um índice de desenvol‑
vimento humano veio substituir a medição de aumento do 
PIB, uma vez que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 
combina a riqueza per capita indicada pelo PIB aos aspectos 
de educação e expectativa de vida, permitindo, pela primeira 
vez, uma avaliação de aspectos sociais não mensurados pelos 
padrões econométricos.
No caso do Brasil, por muitos anos o crescimento eco‑
nômico não levou à distribuição justa de renda e riqueza, 
mantendo-se elevados índices de desigualdade. As ações 
de Estado voltadas para a conquista da igualdade socioe‑
conômica requerem ainda políticas permanentes, de longa 
duração, para que se verifique a plena proteção e promoção 
dos Direitos Humanos. É necessário que o modelo de desen‑
volvimento econômico tenha a preocupação de aperfeiçoar 
os mecanismos de distribuição de renda e de oportunidades 
para todos os brasileiros, bem como incorpore os valores 
de preservação ambiental. Os debates sobre as mudanças 
climáticas e o aquecimento global, gerados pela preocupa‑
ção com a maneira com que os países vêm explorando os 
recursos naturais e direcionando o progresso civilizatório, 
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está na agenda do dia. Esta discussão coloca em questão 
os investimentos em infraestrutura e modelos de desen‑
volvimento econômico na área rural, baseados, em grande 
parte, no agronegócio, sem a preocupação com a potencial 
violação dos direitos de pequenos e médios agricultores e 
das populações tradicionais.
O desenvolvimento pode ser garantido se as pessoas 
forem protagonistas do processo, pressupondo a garantia 
de acesso de todos os indivíduos aos direitos econômicos, 
sociais, culturais e ambientais, e incorporando a preocupação 
com a preservação e a sustentabilidade como eixos estru‑
turantes de proposta renovada de progresso. Esses direitos 
têm como foco a distribuição da riqueza, dos bens e serviços.
Todo esse debate traz desafios para a conceituação 
sobre os Direitos Humanos no sentido de incorporar o de‑
senvolvimento como exigência fundamental. A perspectiva 
dos Direitos Humanos contribui para redimensionar o desen‑
volvimento. Motiva a passar da consideração de problemas 
individuais a questões de interesse comum, de bem-estar 
coletivo, o que alude novamente o Estado e o chama à cor‑
responsabilidade social e à solidariedade.
Ressaltamos que a noção de desenvolvimento está 
sendo amadurecida como parte de um debate em curso na 
sociedade e no governo, incorporando a relação entre os 
direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais, buscan‑
do a garantia do acesso ao trabalho, à saúde, à educação, à 
alimentação, à vida cultural, à moradia adequada, à previdên‑
cia, à assistência social e a um meio ambiente sustentável. A 
inclusão do tema Desenvolvimento e Direitos Humanos na 
11ª Conferência Nacional reforçou as estratégias governa‑
mentais em sua proposta de desenvolvimento. 
Assim, este capítulo do PNDH-3 propõe instrumentos de 
avanço e reforça propostas para políticas públicas de redução 
das desigualdades sociais concretizadas por meio de ações de 
transferência de renda, incentivo à economia solidária e ao 
cooperativismo, à expansão da reforma agrária, ao fomento 
da aquicultura, da pesca e do extrativismo e da promoção 
do turismo sustentável. 
O PNDH-3 inova ao incorporar o meio ambiente saudável 
e as cidades sustentáveis como Direitos Humanos, propõe 
a inclusão do item “direitos ambientais” nos relatórios de 
monitoramento sobre Direitos Humanos e do item “Direitos 
Humanos” nos relatórios ambientais, assim como fomenta 
pesquisas de tecnologias socialmente inclusivas.
Nos projetos e empreendimentos com grande impacto 
socioambiental, o PNDH-3 garante a participação efetiva das 
populações atingidas, assim como prevê ações mitigatórias e 
compensatórias. Considera fundamental fiscalizar o respei‑
to aos Direitos Humanos nos projetos implementados pelas 
empresas transnacionais, bem como seus impactos na ma‑
nipulação das políticas de desenvolvimento. Nesse sentido, 
avalia como importante mensurar o impacto da biotecnologia 
aplicada aos alimentos, da nanotecnologia, dos poluentes 
orgânicos persistentes, metais pesados e outros poluentes 
inorgânicos em relação aos Direitos Humanos. 
Alcançar o desenvolvimento com Direitos Humanos é ca‑
pacitar as pessoas e as comunidades a exercerem a cidadania, 
com direitos e responsabilidades. É incorporar, nos projetos, 
a própria população brasileira, por meio de participação ativa 
nas decisões que afetam diretamente suas vidas. É assegurar 
a transparência dos grandes projetos de desenvolvimento 
econômico e mecanismos de compensação para a garantia 
dos Direitos Humanos das populações diretamente atingidas.
Por fim, este PNDH-3 reforça o papel da equidade no 
Plano Plurianual, como instrumento de garantia de priori‑
zação orçamentária de programas sociais.
Diretriz 4: efetivação de modelo de desenvolvimento 
sustentável, com inclusãosocial e econômica, ambiental-
mente equilibrado e tecnologicamente responsável, cultural 
e regionalmente diverso, participativo e não discrimina-
tório.
Objetivo estratégico I:
Implementação de políticas públicas de desenvolvi-
mento com inclusão social.
Ações programáticas:
a) Ampliar e fortalecer as políticas de desenvolvimento
social e de combate à fome, visando a inclusão e a promoção 
da cidadania, garantindo a segurança alimentar e nutricional, 
renda mínima e assistência integral às famílias.
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome.
b) Expandir políticas públicas de geração e transferência
de renda para erradicação da extrema pobreza e redução 
da pobreza.
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome.
c) Apoiar projetos de desenvolvimento sustentável local
para redução das desigualdades inter e intrarregionais e o 
aumento da autonomia e sustentabilidade de espaços sub‑
-regionais.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério do Desenvolvimento 
Agrário.
d) Avançar na implantação da reforma agrária, como
forma de inclusão social e acesso aos direitos básicos, de 
forma articulada com as políticas de saúde, educação, meio 
ambiente e fomento à produção alimentar.
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Agrário.
e) Incentivar as políticas públicas de economia solidária,
de cooperativismo e associativismo e de fomento a pequenas 
e micro empresas.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Minis‑
tério do Desenvolvimento Agrário; Ministério das Cidades; 
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
f) Fortalecer políticas públicas de apoio ao extrativismo
e ao manejo florestal comunitário ambientalmente susten‑
táveis.
Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente; Ministério 
do Desenvolvimento Agrário; Ministério do Desenvolvimen‑
to, Indústria e Comércio Exterior. 
g) Fomentar o debate sobre a expansão de plantios de
monoculturas que geram impacto no meio ambiente e na 
cultura dos povos e comunidades tradicionais, tais como eu‑
calipto, cana-de-açúcar, soja, e sobre o manejo florestal, a 
grande pecuária, mineração, turismo e pesca. 
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
h) Erradicar o trabalho infantil, bem como todas as for‑
mas de violência e exploração sexual de crianças e adolescen‑
tes nas cadeias produtivas, com base em códigos de conduta 
e no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério do Turismo.
i) Garantir que os grandes empreendimentos e projetos
de infraestrutura resguardem os direitos dos povos indíge‑
nas e de comunidades quilombolas e tradicionais, confor‑
me previsto na Constituição e nos tratados e convenções 
internacionais.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério dos 
Transportes; Ministério da Integração Nacional; Ministério 
de Minas e Energia; Secretaria Especial de Políticas de Pro‑
moção da Igualdade Racial da Presidência da República; Mi‑
nistério do Meio Ambiente; Ministério do Desenvolvimento 
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Social e Combate à Fome; Ministério da Pesca e Aquicultura; 
Secretaria Especial de Portos da Presidência da República.
j) Integrar políticas de geração de emprego e renda e po‑
líticas sociais para o combate à pobreza rural dos agricultores 
familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas, in‑
dígenas, famílias de pescadores e comunidades tradicionais.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome; Ministério da Integração Nacional; Minis‑
tério do Desenvolvimento Agrário; Ministério do Trabalho 
e Emprego; Ministério da Justiça; Secretaria Especial de 
Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência 
da República; Ministério da Cultura; Ministério da Pesca e 
Aquicultura.
k) Integrar políticas sociais e de geração de emprego
e renda para o combate à pobreza urbana, em especial de 
catadores de materiais recicláveis e população em situação 
de rua.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Mi‑
nistério do Meio Ambiente; Ministério do Desenvolvimento 
Social e Combate à Fome; Ministério das Cidades; Secretaria 
dos Direitos Humanos da Presidência da República.
l) Fortalecer políticas públicas de fomento à aquicultura
e à pesca sustentáveis, com foco nos povos e comunidades 
tradicionais de baixa renda, contribuindo para a segurança 
alimentar e a inclusão social, mediante a criação e geração 
de trabalho e renda alternativos e inserção no mercado de 
trabalho.
Responsáveis: Ministério da Pesca e Aquicultura; Minis‑
tério do Trabalho e Emprego; Ministério do Desenvolvimento 
Social e Combate à Fome.
m) Promover o turismo sustentável com geração de tra‑
balho e renda, respeito à cultura local, participação e inclusão 
dos povos e das comunidades nos benefícios advindos da 
atividade turística.
Responsáveis: Ministério do Turismo; Ministério do De‑
senvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Objetivo estratégico II:
Fortalecimento de modelos de agricultura familiar e 
agroecológica.
Ações programáticas:
a) Garantir que nos projetos de reforma agrária e agri‑
cultura familiar sejam incentivados os modelos de produção 
agroecológica e a inserção produtiva nos mercados formais.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário; 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exte‑
rior.
b) Fortalecer a agricultura familiar camponesa e a pesca
artesanal, com ampliação do crédito, do seguro, da assis‑
tência técnica, extensão rural e da infraestrutura para co‑
mercialização. 
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário; 
Ministério da Pesca e Aquicultura.
c)Garantir pesquisa e programas voltados à agricultu‑
ra familiar e pesca artesanal, com base nos princípios da 
agroecologia. 
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário; 
Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Agricultura, Pe‑
cuária e Abastecimento; Ministério da Pesca e Aquicultura; 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
d) Fortalecer a legislação e a fiscalização para evitar a
contaminação dos alimentos e danos à saúde e ao meio am‑
biente causados pelos agrotóxicos.
Responsáveis: Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento; Ministério do Meio Ambiente; Ministério 
da Saúde; Ministério do Desenvolvimento Agrário.
e) Promover o debate com as instituições de ensino su‑
perior e a sociedade civil para a implementação de cursos 
e realização de pesquisas tecnológicas voltados a temática 
socioambiental, agroecologia e produção orgânica, respei‑
tando as especificidades de cada região.
Responsáveis: Ministério da Educação; Ministério do 
Desenvolvimento Agrário.
Objetivo estratégico III:
Fomento à pesquisa e à implementação de políticas 
para o desenvolvimento de tecnologias socialmente inclu-
sivas, emancipatórias e ambientalmente sustentáveis.
Ações programáticas:
a) Adotar tecnologias sociais de baixo custo e fácil apli‑
cabilidade nas políticas e ações públicas para a geração de 
renda e para a solução de problemas socioambientais e de 
saúde pública.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Mi‑
nistério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Mi‑
nistério do Meio Ambiente; Ministério do Desenvolvimento 
Agrário; Ministério da Saúde.
b) Garantir a aplicação do princípio da precaução na
proteção da agrobiodiversidade e da saúde, realizando pes‑
quisas que avaliem os impactos dos transgênicos no meio 
ambiente e na saúde. 
Responsáveis: Ministério da Saúde; Ministério do Meio 
Ambiente; Ministério de Ciência e Tecnologia.
c) Fomentar tecnologias alternativas para substituir o
uso de substâncias danosas à saúde e ao meio ambiente, 
como poluentes orgânicos persistentes, metais pesados e 
outros poluentes inorgânicos.
Responsáveis: Ministério de Ciência e Tecnologia; Mi‑
nistério do Meio Ambiente; Ministério da Saúde; Ministério 
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;Ministério do De‑
senvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
d) Fomentar tecnologias de gerenciamento de resíduos
sólidos e emissões atmosféricas para minimizar impactos à 
saúde e ao meio ambiente.
Responsáveis: Ministério de Ciência e Tecnologia; Mi‑
nistério do Meio Ambiente; Ministério da Saúde; Ministério 
das Cidades.
e) Desenvolver e divulgar pesquisas públicas para diag‑
nosticar os impactos da biotecnologia e da nanotecnologia 
em temas de Direitos Humanos.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério da Saúde; Ministé‑
rio do Meio Ambiente; Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento; Ministério de Ciência e Tecnologia.
f) Produzir, sistematizar e divulgar pesquisas econômi‑
cas e metodologias de cálculo de custos socioambientais de 
projetos de infraestrutura, de energia e de mineração que 
sirvam como parâmetro para o controle dos impactos de 
grandes projetos.
Responsáveis: Ministério da Ciência e Tecnologia; Mi‑
nistério de Minas e Energia; Ministério do Meio Ambiente; 
Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Repú‑
blica; Ministério da Integração Nacional.
Objetivo estratégico IV:
Garantia do direito a cidades inclusivas e sustentáveis. 
Ações programáticas:
a) Apoiar ações que tenham como princípio o direito a
cidades inclusivas e acessíveis como elemento fundamental 
da implementação de políticas urbanas.
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Responsáveis: Ministério das Cidades; Secretaria Espe‑
cial dos Direitos Humanos da Presidência da República; Mi‑
nistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
b) Fortalecer espaços institucionais democráticos, par‑
ticipativos e de apoio aos Municípios para a implementação 
de planos diretores que atendam aos preceitos da política 
urbana estabelecidos no Estatuto da Cidade.
Responsável: Ministério das Cidades.
c) Fomentar políticas públicas de apoio aos Estados,
Distrito Federal e Municípios em ações sustentáveis de ur‑
banização e regularização fundiária dos assentamentos de 
população de baixa renda, comunidades pesqueiras e de 
provisão habitacional de interesse social, materializando a 
função social da propriedade.
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério do 
Meio Ambiente; Ministério da Pesca e Aquicultura.
d) Fortalecer a articulação entre os órgãos de governo e
os consórcios municipais para atuar na política de saneamen‑
to ambiental, com participação da sociedade civil. 
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério do 
Meio Ambiente; Secretaria de Relações Institucionais da 
Presidência da República.
e) Fortalecer a política de coleta, reaproveitamento, tria‑
gem, reciclagem e a destinação seletiva de resíduos sólidos e 
líquidos, com a organização de cooperativas de reciclagem, 
que beneficiem as famílias dos catadores.
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério do 
Trabalho e Emprego; Ministério do Desenvolvimento Social 
e Combate à Fome; Ministério do Meio Ambiente. 
f) Fomentar políticas e ações públicas voltadas à mobi‑
lidade urbana sustentável.
Responsável: Ministério das Cidades. 
g) Considerar na elaboração de políticas públicas de de‑
senvolvimento urbano os impactos na saúde pública.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Ministério das Ci‑
dades.
h) Fomentar políticas públicas de apoio às organizações
de catadores de materiais recicláveis, visando à disponibiliza‑
ção de áreas e prédios desocupados pertencentes à União, 
a fim de serem transformados em infraestrutura produtiva 
para essas organizações.
Responsáveis: Ministério do Planejamento, Orçamento 
e Gestão; Ministério das Cidades; Ministério do Trabalho e 
Emprego; Ministério do Desenvolvimento Social e Combate 
à Fome.
i) Estimular a produção de alimentos de forma comu‑
nitária, com uso de tecnologias de bases agroecológicas, 
em espaços urbanos e periurbanos ociosos e fomentar a 
mobilização comunitária para a implementação de hortas, 
viveiros, pomares, canteiros de ervas medicinais, criação de 
pequenos animais, unidades de processamento e beneficia‑
mento agroalimentar, feiras e mercados públicos populares.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social 
e Combate à Fome; Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento.
Diretriz 5: Valorização da pessoa humana como sujeito 
central do processo de desenvolvimento.
Objetivo estratégico I:
Garantia da participação e do controle social nas po-
líticas públicas de desenvolvimento com grande impacto 
socioambiental.
Ações programáticas:
a) Fortalecer ações que valorizem a pessoa humana
como sujeito central do desenvolvimento, enfrentando o 
quadro atual de injustiça ambiental que atinge principal‑
mente as populações mais pobres.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério do Meio Ambiente.
b) Assegurar participação efetiva da população na ela‑
boração dos instrumentos de gestão territorial e na análise 
e controle dos processos de licenciamento urbanístico e 
ambiental de empreendimentos de impacto, especialmen‑
te na definição das ações mitigadoras e compensatórias por 
impactos sociais e ambientais.
Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente; Ministério 
das Cidades.
c) Fomentar a elaboração do Zoneamento Ecológico
Econômico (ZEE), incorporando o sócio e etnozoneamento.
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério do 
Meio Ambiente.
d) Assegurar a transparência dos projetos realizados, em
todas as suas etapas, e dos recursos utilizados nos grandes 
projetos econômicos, para viabilizar o controle social.
Responsáveis: Ministério dos Transportes; Ministério 
da Integração Nacional; Ministério de Minas e Energia; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
e) Garantir a exigência de capacitação qualificada e
participativa das comunidades afetadas nos projetos bási‑
cos de obras e empreendimentos com impactos sociais e 
ambientais.
Responsáveis: Ministério da Integração Nacional; Mi‑
nistério de Minas e Energia; Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República.
f) Definir mecanismos para a garantia dos Direitos Hu‑
manos das populações diretamente atingidas e vizinhas aos 
empreendimentos de impactos sociais e ambientais.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
g) Apoiar a incorporação dos sindicatos de trabalhadores
e centrais sindicais nos processos de licenciamento ambien‑
tal de empresas, de forma a garantir o direito à saúde do 
trabalhador.
Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente; Ministério 
do Trabalho e Emprego; Ministério da Saúde.
h) Promover e fortalecer ações de proteção às popula‑
ções mais pobres da convivência com áreas contaminadas, 
resguardando-as contra essa ameaça e assegurando-lhes 
seus direitos fundamentais. 
Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente; Ministério 
das Cidades; Ministério do Desenvolvimento Social e Com‑
bate à Fome; Ministério da Saúde.
Objetivo estratégico II:
Afirmação dos princípios da dignidade humana e da 
equidade como fundamentos do processo de desenvolvi-
mento nacional.
Ações programáticas:
a) Reforçar o papel do Plano Plurianual como instru‑
mento de consolidação dos Direitos Humanos e de enfren‑
tamento da concentração de renda e riqueza e de promoção 
da inclusão da população de baixa renda.
Responsável: Ministério do Planejamento, Orçamento 
e Gestão.
b) Reforçar os critérios da equidade e da prevalência
dos Direitos Humanos como prioritários na avaliação da pro‑
gramação orçamentária de ação ou autorização de gastos.
Responsável: Ministério do Planejamento, Orçamento 
e Gestão.
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c) Instituir código de conduta em Direitos Humanos para
ser considerado no âmbito do poder público como critério 
para a contratação e financiamento de empresas.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
d) Regulamentar a taxação do imposto sobre grandes
fortunas previsto na Constituição.Responsáveis: Ministério da Fazenda; Secretaria Especial 
dos Direitos Humanos da Presidência da República.
e) Ampliar a adesão de empresas ao compromisso de
responsabilidade social e Direitos Humanos.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério do Desenvolvimento, 
Indústria e Comércio Exterior.
Objetivo estratégico III:
Fortalecimento dos direitos econômicos por meio de 
políticas públicas de defesa da concorrência e de proteção 
do consumidor.
Ações programáticas:
a) Garantir o acesso universal a serviços públicos essen‑
ciais de qualidade. 
Responsáveis: Ministério da Saúde; Ministério da Educa‑
ção; Ministério de Minas e Energia; Ministério do Desenvol‑
vimento Social e Combate à Fome; Ministério das Cidades.
b) Fortalecer o sistema brasileiro de defesa da concor‑
rência para coibir condutas anticompetitivas e concentra‑
doras de renda.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério da Fa‑
zenda.
c) Garantir o direito à informação do consumidor, forta‑
lecendo as ações de acompanhamento de mercado, inclusive 
a rotulagem dos transgênicos.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério do De‑
senvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
d) Fortalecer o combate à fraude e a avaliação da con‑
formidade dos produtos e serviços no mercado.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério do De‑
senvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Diretriz 6: Promover e proteger os direitos ambientais 
como Direitos Humanos, incluindo as gerações futuras como 
sujeitos de direitos.
Objetivo estratégico I:
Afirmação dos direitos ambientais como Direitos Hu-
manos.
Ações programáticas:
a) Incluir o item Direito Ambiental nos relatórios de mo‑
nitoramento dos Direitos Humanos.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério do Meio Ambiente.
b) Incluir o tema dos Direitos Humanos nos instrumentos
e relatórios dos órgãos ambientais.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério do Meio Ambiente.
c) Assegurar a proteção dos direitos ambientais e dos
Direitos Humanos no Código Florestal. 
Responsável: Ministério do Meio Ambiente.
d) Implementar e ampliar políticas públicas voltadas para
a recuperação de áreas degradadas e áreas de desmatamen‑
to nas zonas urbanas e rurais.
Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente; Ministério 
das Cidades.
e) Fortalecer ações que estabilizem a concentração de
gases de efeito estufa em nível que permita a adaptação 
natural dos ecossistemas à mudança do clima, controlando 
a interferência das atividades humanas (antrópicas) no sis‑
tema climático. 
Responsável: Ministério do Meio Ambiente.
f) Garantir o efetivo acesso a informação sobre a degra‑
dação e os riscos ambientais, e ampliar e articular as bases 
de informações dos entes federados e produzir informativos 
em linguagem acessível.
Responsável: Ministério do Meio Ambiente.
g) Integrar os atores envolvidos no combate ao trabalho
escravo nas operações correntes de fiscalização ao desma‑
tamento e ao corte ilegal de madeira.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República; Ministério do Trabalho e 
Emprego; Ministério do Meio Ambiente.
eIXO ORIeNTADOR III:
Universalizar direitos em um contexto de desigualdades
A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma em 
seu preâmbulo que o “reconhecimento da dignidade ineren‑
te a todos os membros da família humana e de seus direitos 
iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça 
e da paz no mundo”. No entanto, nas vicissitudes ocorridas 
no cumprimento da Declaração pelos Estados signatários, 
identificou-se a necessidade de reconhecer as diversidades 
e diferenças para concretização do princípio da igualdade.
No Brasil, ao longo das últimas décadas, os Direitos 
Humanos passaram a ocupar uma posição de destaque no 
ordenamento jurídico. O País avançou decisivamente na pro‑
teção e promoção do direito às diferenças. Porém, o peso 
negativo do passado continua a projetar no presente uma 
situação de profunda iniquidade social.
O acesso aos direitos fundamentais continua enfrentan‑
do barreiras estruturais, resquícios de um processo histórico, 
até secular, marcado pelo genocídio indígena, pela escravidão 
e por períodos ditatoriais, práticas que continuam a ecoar 
em comportamentos, leis e na realidade social. 
O PNDH-3 assimila os grandes avanços conquistados ao 
longo destes últimos anos, tanto nas políticas de erradicação 
da miséria e da fome, quanto na preocupação com a mora‑
dia e saúde, e aponta para a continuidade e ampliação do 
acesso a tais políticas, fundamentais para garantir o respeito 
à dignidade humana.
Os objetivos estratégicos direcionados à promoção da 
cidadania plena preconizam a universalidade, indivisibilidade 
e interdependência dos Direitos Humanos, condições para 
sua efetivação integral e igualitária. O acesso aos direitos de 
registro civil, alimentação adequada, terra e moradia, traba‑
lho decente, educação, participação política, cultura, lazer, 
esporte e saúde, deve considerar a pessoa humana em suas 
múltiplas dimensões de ator social e sujeito de cidadania. 
À luz da história dos movimentos sociais e de programas 
de governo, o PNDH-3 orienta-se pela transversalidade, para 
que a implementação dos direitos civis e políticos transitem 
pelas diversas dimensões dos direitos econômicos, sociais, 
culturais e ambientais. Caso contrário, grupos sociais afeta‑
dos pela pobreza, pelo racismo estrutural e pela discrimina‑
ção dificilmente terão acesso a tais direitos.
As ações programáticas formuladas visam enfrentar o 
desafio de eliminar as desigualdades, levando em conta as 
dimensões de gênero e raça nas políticas públicas, desde o 
planejamento até a sua concretização e avaliação. Há, neste 
sentido, propostas de criação de indicadores que possam 
mensurar a efetivação progressiva dos direitos.
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Às desigualdades soma-se a persistência da discrimina‑
ção, que muitas vezes se manifesta sob a forma de violência 
contra sujeitos que são histórica e estruturalmente vulne‑
rabilizados. 
O combate à discriminação mostra-se necessário, mas 
insuficiente enquanto medida isolada. Os pactos e conven‑
ções que integram o sistema regional e internacional de pro‑
teção dos Direitos Humanos apontam para a necessidade 
de combinar estas medidas com políticas compensatórias 
que acelerem a construção da igualdade, como forma ca‑
paz de estimular a inclusão de grupos socialmente vulnerá‑
veis. Além disso, as ações afirmativas constituem medidas 
especiais e temporárias que buscam remediar um passado 
discriminatório. No rol de movimentos e grupos sociais que 
demandam políticas de inclusão social encontram-se crian‑
ças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas, lésbicas, gays, 
bissexuais, travestis, transexuais, pessoas com deficiência, 
pessoas moradoras de rua, povos indígenas, populações 
negras e quilombolas, ciganos, ribeirinhos, varzanteiros e 
pescadores, entre outros.
Definem-se, neste capítulo, medidas e políticas que de‑
vem ser efetivadas para reconhecer e proteger os indivíduos 
como iguais na diferença, ou seja, para valorizar a diversidade 
presente na população brasileira para estabelecer acesso 
igualitário aos direitos fundamentais. Trata-se de reforçar 
os programas de governo e as resoluções pactuadas nas di‑
versas conferências nacionais temáticas, sempre sob o foco 
dos Direitos Humanos, com a preocupação de assegurar o 
respeito às diferenças e o combate às desigualdades, para 
o efetivo acesso aos direitos.
Por fim, em respeito à primazia constitucional de prote‑
ção e promoção da infância, do adolescente e da juventude, 
o capítulo aponta suas diretrizes para o respeito e a garantia
das gerações futuras. Como sujeitos de direitos, as crianças, 
os adolescentes e os jovens são frequentemente subestima‑
dasem sua participação política e em sua capacidade deci‑
sória. Preconiza-se o dever de assegurar-lhes, desde cedo, 
o direito de opinião e participação.
Marcadas pelas diferenças e por sua fragilidade tempo‑
ral, as crianças, os adolescentes e os jovens estão sujeitos a 
discriminações e violências. As ações programáticas promo‑
vem a garantia de espaços e investimentos que assegurem 
proteção contra qualquer forma de violência e discriminação, 
bem como a promoção da articulação entre família, socie‑
dade e Estado para fortalecer a rede social de proteção que 
garante a efetividade de seus direitos. 
Diretriz 7: Garantia dos Direitos Humanos de forma 
universal, indivisível e interdependente, assegurando a 
cidadania plena.
Objetivo estratégico I:
Universalização do registro civil de nascimento e am-
pliação do acesso à documentação básica. 
Ações programáticas:
a) Ampliar e reestruturar a rede de atendimento para
a emissão do registro civil de nascimento visando a sua uni‑
versalização.
• Interligar maternidades e unidades de saúde aos car‑
tórios, por meio de sistema manual ou informatizado, para 
emissão de registro civil de nascimento logo após o parto, 
garantindo ao recém-nascido a certidão de nascimento antes 
da alta médica. 
• Fortalecer a Declaração de Nascido Vivo (DNV), emitida
pelo Sistema Único de Saúde, como mecanismo de acesso ao 
registro civil de nascimento, contemplando a diversidade na 
emissão pelos estabelecimentos de saúde e pelas parteiras.
• Realizar orientação sobre a importância do registro
civil de nascimento para a cidadania por meio da rede de 
atendimento (saúde, educação e assistência social) e pelo 
sistema de Justiça e de segurança pública. 
• Aperfeiçoar as normas e o serviço público notarial e de
registro, em articulação com o Conselho Nacional de Justiça, 
para garantia da gratuidade e da cobertura do serviço de 
registro civil em âmbito nacional. 
Responsáveis: Ministério da Saúde; Ministério do De‑
senvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério da Pre‑
vidência Social; Ministério da Justiça; Ministério do Planeja‑
mento, Orçamento e Gestão; Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República.
b) Promover a mobilização nacional com intuito de re‑
duzir o número de pessoas sem registro civil de nascimento 
e documentação básica. 
• Instituir comitês gestores estaduais, distrital e muni‑
cipais com o objetivo de articular as instituições públicas e 
as entidades da sociedade civil para a implantação de ações 
que visem à ampliação do acesso à documentação básica.
• Realizar campanhas para orientação e conscientização
da população e dos agentes responsáveis pela articulação e 
pela garantia do acesso aos serviços de emissão de registro 
civil de nascimento e de documentação básica. 
• Realizar mutirões para emissão de registro civil de
nascimento e documentação básica, com foco nas regiões 
de difícil acesso e no atendimento às populações específicas 
como os povos indígenas, quilombolas, ciganos, pessoas em 
situação de rua, institucionalizadas e às trabalhadoras rurais.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Ministério do De‑
senvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério da Defe‑
sa; Ministério da Fazenda; Ministério do Trabalho e Emprego; 
Ministério da Justiça; Secretaria Especial dos Direitos Huma‑
nos da Presidência da República.
c) Criar bases normativas e gerenciais para garantia da
universalização do acesso ao registro civil de nascimento e 
à documentação básica.
• Implantar sistema nacional de registro civil para inter‑
ligação das informações de estimativas de nascimentos, de 
nascidos vivos e do registro civil, a fim de viabilizar a busca 
ativa dos nascidos não registrados e aperfeiçoar os indica‑
dores para subsidiar políticas públicas. 
• Desenvolver estudo e revisão da legislação para garan‑
tir o acesso do cidadão ao registro civil de nascimento em 
todo o território nacional. 
• Realizar estudo de sustentabilidade do serviço notarial
e de registro no País. 
• Desenvolver a padronização do registro civil (certi‑
dão de nascimento, de casamento e de óbito) em território 
nacional. 
• Garantir a emissão gratuita de Registro Geral e Cadas‑
tro de Pessoa Física aos reconhecidamente pobres. 
• Desenvolver estudo sobre a política nacional de do‑
cumentação civil básica. 
Responsáveis: Ministério da Saúde; Ministério do De‑
senvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério do Pla‑
nejamento, Orçamento e Gestão; Ministério da Fazenda; 
Ministério da Justiça; Ministério do Trabalho e Emprego; 
Ministério da Previdência Social; Secretaria Especial dos Di‑
reitos Humanos da Presidência da República.
d) Incluir no questionário do censo demográfico per‑
guntas para identificar a ausência de documentos civis na 
população.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
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Objetivo estratégico II:
Acesso à alimentação adequada por meio de políticas 
estruturantes.
Ações programáticas:
a) Ampliar o acesso aos alimentos por meio de progra‑
mas e ações de geração e transferência de renda, com ênfase 
na participação das mulheres como potenciais beneficiárias.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome; Secretaria Especial de Políticas para as 
Mulheres da Presidência da República.
b) Vincular programas de transferência de renda à ga‑
rantia da segurança alimentar da criança, por meio do acom‑
panhamento da saúde e nutrição e do estímulo de hábitos 
alimentares saudáveis, com o objetivo de erradicar a des‑
nutrição infantil.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social 
e Combate à Fome; Ministério da Educação; Ministério da 
Saúde.
c) Fortalecer a agricultura familiar e camponesa no de‑
senvolvimento de ações específicas que promovam a geração 
de renda no campo e o aumento da produção de alimentos 
agroecológicos para o autoconsumo e para o mercado local.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário; 
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
d) Ampliar o abastecimento alimentar, com maior au‑
tonomia e fortalecimento da economia local, associado a 
programas de informação, de educação alimentar, de capa‑
citação, de geração de ocupações produtivas, de agricultura 
familiar camponesa e de agricultura urbana.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abas‑
tecimento; Ministério do Desenvolvimento Agrário.
e) Promover a implantação de equipamentos públicos
de segurança alimentar e nutricional, com vistas a ampliar 
o acesso à alimentação saudável de baixo custo, valorizar as
culturas alimentares regionais, estimular o aproveitamento 
integral dos alimentos, evitar o desperdício e contribuir para 
a recuperação social e de saúde da sociedade.
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome.
f) Garantir que os hábitos e contextos regionais sejam
incorporados nos modelos de segurança alimentar como 
fatores da produção sustentável de alimentos. 
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome.
g) Realizar pesquisas científicas que promovam ganhos
de produtividade na agricultura familiar e assegurar estoques 
reguladores.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome; Ministério do Desenvolvimento Agrário; 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Objetivo estratégico III:
Garantia do acesso à terra e à moradia para a população 
de baixa renda e grupos sociais vulnerabilizados.
Ações programáticas:
a) Fortalecer a reforma agrária com prioridade à imple‑
mentação e recuperação de assentamentos, à regularização 
do crédito fundiário e à assistência técnica aos assentados, 
atualização dos índices Grau de Utilização da Terra (GUT) e 
Grau de Eficiência na Exploração (GEE), conforme padrões 
atuais e regulamentação da desapropriação de áreas pelo 
descumprimento da função social plena.
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Agrário;Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
b) Integrar as ações de mapeamento das terras públicas
da União.
Responsável: Ministério do Planejamento, Orçamento e 
Gestão.
c) Estimular o saneamento dos serviços notariais de
registros imobiliários, possibilitando o bloqueio ou o can‑
celamento administrativo dos títulos das terras e registros 
irregulares.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério do De‑
senvolvimento Agrário.
d) Garantir demarcação, homologação, regularização
e desintrusão das terras indígenas, em harmonia com os 
projetos de futuro de cada povo indígena, assegurando seu 
etnodesenvolvimento e sua autonomia produtiva.
Responsável: Ministério da Justiça.
e) Assegurar às comunidades quilombolas a posse dos
seus territórios, acelerando a identificação, o reconhecimen‑
to, a demarcação e a titulação desses territórios, respeitando 
e preservando os sítios de valor simbólico e histórico.
Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Pro‑
moção da Igualdade Racial da Presidência da República; Mi‑
nistério da Cultura; Ministério do Desenvolvimento Agrário.
f) Garantir o acesso a terra às populações ribeirinhas,
varzanteiras e pescadoras, assegurando acesso aos recursos 
naturais que tradicionalmente utilizam para sua reprodução 
física, cultural e econômica.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário; 
Ministério do Meio Ambiente.
g) Garantir que nos programas habitacionais do governo
sejam priorizadas as populações de baixa renda, a população 
em situação de rua e grupos sociais em situação de vulnera‑
bilidade no espaço urbano e rural, considerando os princípios 
da moradia digna, do desenho universal e os critérios de 
acessibilidade nos projetos.
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 
h) Promover a destinação das glebas e edifícios vazios
ou subutilizados pertencentes à União, para a população de 
baixa renda, reduzindo o déficit habitacional.
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério do 
Planejamento, Orçamento e Gestão.
i) Estabelecer que a garantia da qualidade de abrigos e
albergues, bem como seu caráter inclusivo e de resgate da 
cidadania à população em situação de rua, estejam entre os 
critérios de concessão de recursos para novas construções e 
manutenção dos existentes.
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
j) Apoiar o monitoramento de políticas de habitação de
interesse social pelos conselhos municipais de habitação, ga‑
rantindo às cooperativas e associações habitacionais acesso 
às informações.
Responsável: Ministério das Cidades. 
k) Garantir as condições para a realização de acampa‑
mentos ciganos em todo o território nacional, visando a pre‑
servação de suas tradições, práticas e patrimônio cultural.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério das Cidades.
Objetivo estratégico IV:
Ampliação do acesso universal a sistema de saúde de 
qualidade.
Ações programáticas:
a) Expandir e consolidar programas de serviços básicos
de saúde e de atendimento domiciliar para a população de 
baixa renda, com enfoque na prevenção e diagnóstico pré‑
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vio de doenças e deficiências, com apoio diferenciado às 
pessoas idosas, indígenas, negros e comunidades quilom‑
bolas, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, 
lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, crianças e 
adolescentes, mulheres, pescadores artesanais e população 
de baixa renda.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência 
da República; Secretaria Especial de Políticas para as Mu‑
lheres da Presidência da República; Ministério da Pesca e 
Aquicultura.
b) Criar programas de pesquisa e divulgação sobre tra‑
tamentos alternativos à medicina tradicional no sistema de 
saúde.
Responsável: Ministério da Saúde.
c) Reformular o marco regulatório dos planos de saúde,
de modo a diminuir os custos para a pessoa idosa e fortalecer 
o pacto intergeracional, estimulando a adoção de medidas
de capitalização para gastos futuros pelos planos de saúde.
Responsável: Ministério da Saúde.
d) Reconhecer as parteiras como agentes comunitárias
de saúde.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. 
e) Aperfeiçoar o programa de saúde para adolescentes,
especificamente quanto à saúde de gênero, à educação se‑
xual e reprodutiva e à saúde mental.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; 
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
f) Criar campanhas e material técnico, instrucional e
educativo sobre planejamento reprodutivo que respeite os 
direitos sexuais e reprodutivos, contemplando a elaboração 
de materiais específicos para a população jovem e adoles‑
cente e para pessoas com deficiência.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; 
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
g) Estimular programas de atenção integral à saúde das
mulheres, considerando suas especificidades étnico-raciais, 
geracionais, regionais, de orientação sexual, de pessoa com 
deficiência, priorizando as moradoras do campo, da floresta 
e em situação de rua.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; 
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade 
Racial da Presidência da República; Ministério do Desenvol‑
vimento Social e Combate à Fome.
h) Ampliar e disseminar políticas de saúde pré e neo‑
natal, com inclusão de campanhas educacionais de esclare‑
cimento, visando à prevenção do surgimento ou do agrava‑
mento de deficiências.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; 
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
i) Expandir a assistência pré-natal e pós-natal por meio
de programas de visitas domiciliares para acompanhamento 
das crianças na primeira infância.
Responsável: Ministério da Saúde.
j) Apoiar e financiar a realização de pesquisas e interven‑
ções sobre a mortalidade materna, contemplando o recorte 
étnico-racial e regional.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
k) Assegurar o acesso a laqueaduras e vasectomias ou
reversão desses procedimentos no sistema público de saú‑
de, com garantia de acesso a informações sobre as escolhas 
individuais.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
l) Ampliar a oferta de medicamentos de uso contínuo,
especiais e excepcionais, para a pessoa idosa.
Responsável: Ministério da Saúde.
m) Realizar campanhas de diagnóstico precoce e trata‑
mento adequado às pessoas que vivem com HIV/AIDS para 
evitar o estágio grave da doença e prevenir sua expansão e 
disseminação.
Responsável: Ministério da Saúde.
n) Proporcionar às pessoas que vivem com HIV/AIDS pro‑
gramas de atenção no âmbito da saúde sexual e reprodutiva.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
o) Capacitar os agentes comunitários de saúde que reali‑
zam a triagem e a captação nas hemorredes para praticarem 
abordagens sem preconceito e sem discriminação.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
dos Direitos Humanos da Presidência da República.
p) Garantir o acompanhamento multiprofissional a pes‑
soas transexuais que fazem parte do processo transexualiza‑
dor no Sistema Único de Saúde e de suas famílias.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
dos Direitos Humanos da Presidência da República.
q) Apoiaro acesso a programas de saúde preventiva e
de proteção à saúde para profissionais do sexo.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
r) Apoiar a implementação de espaços essenciais para
higiene pessoal e centros de referência para a população 
em situação de rua.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério do Desenvolvimento 
Social e Combate à Fome.
s) Investir na política de reforma psiquiátrica fomentan‑
do programas de tratamentos substitutivos à internação, que 
garantam às pessoas com transtorno mental a possibilidade 
de escolha autônoma de tratamento, com convivência fa‑
miliar e acesso aos recursos psiquiátricos e farmacológicos.
Responsáveis: Ministério da Saúde; Secretaria Especial 
dos Direitos Humanos da Presidência da República; Minis‑
tério da Cultura.
t) Implementar medidas destinadas a desburocratizar
os serviços do Instituto Nacional de Seguro Social para a 
concessão de aposentadorias e benefícios.
Responsável: Ministério da Previdência Social.
u) Estimular a incorporação do trabalhador urbano e
rural ao regime geral da previdência social.
Responsável: Ministério da Previdência Social.
v) Assegurar a inserção social das pessoas atingidas pela
hanseníase isoladas e internadas em hospitais-colônias.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República; Ministério da Saúde.
w) Reconhecer, pelo Estado brasileiro, as violações de
direitos às pessoas atingidas pela hanseníase no período da 
internação e do isolamento compulsórios, apoiando inicia‑
tivas para agilizar as reparações com a concessão de pensão 
especial prevista na Lei nº 11.520/2007.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
x) Proporcionar as condições necessárias para conclusão
do trabalho da Comissão Interministerial de Avaliação para 
análise dos requerimentos de pensão especial das pessoas 
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atingidas pela hanseníase, que foram internadas e isoladas 
compulsoriamente em hospitais-colônia até 31 de dezembro 
de 1986.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
Objetivo estratégico V:
Acesso à educação de qualidade e garantia de perma-
nência na escola.
Ações programáticas:
a) Ampliar o acesso a educação básica, a permanência
na escola e a universalização do ensino no atendimento à 
educação infantil.
Responsável: Ministério da Educação.
b) Assegurar a qualidade do ensino formal público com
seu monitoramento contínuo e atualização curricular.
Responsáveis: Ministério da Educação; Secretaria Es‑
pecial dos Direitos Humanos da Presidência da República.
c) Desenvolver programas para a reestruturação das es‑
colas como polos de integração de políticas educacionais, 
culturais e de esporte e lazer.
Responsáveis: Ministério da Educação; Ministério da 
Cultura; Ministério do Esporte.
d) Apoiar projetos e experiências de integração da escola
com a comunidade que utilizem sistema de alternância.
Responsável: Ministério da Educação.
e) Adequar o currículo escolar, inserindo conteúdos que
valorizem as diversidades, as práticas artísticas, a necessi‑
dade de alimentação adequada e saudável e as atividades 
físicas e esportivas.
Responsáveis: Ministério da Educação; Ministério da 
Cultura; Ministério do Esporte; Ministério da Saúde. 
f) Integrar os programas de alfabetização de jovens e
adultos aos programas de qualificação profissional e educa‑
ção cidadã, apoiando e incentivando a utilização de meto‑
dologias adequadas às realidades dos povos e comunidades 
tradicionais.
Responsáveis: Ministério da Educação; Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério do 
Trabalho e Emprego; Ministério da Pesca e Aquicultura.
g) Estimular e financiar programas de extensão universi‑
tária como forma de integrar o estudante à realidade social.
Responsável: Ministério da Educação.
h) Fomentar as ações afirmativas para o ingresso das po‑
pulações negra, indígena e de baixa renda no ensino superior.
Responsáveis: Ministério da Educação; Secretaria Espe‑
cial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presi‑
dência da República; Ministério da Justiça.
i) Ampliar o ensino superior público de qualidade por
meio da criação permanente de universidades federais, cur‑
sos e vagas para docentes e discentes.
Responsável: Ministério da Educação.
j) Fortalecer as iniciativas de educação popular por meio
da valorização da arte e da cultura, apoiando a realização 
de festivais nas comunidades tradicionais e valorizando as 
diversas expressões artísticas nas escolas e nas comunidades.
Responsáveis: Ministério da Educação; Ministério da 
Cultura; Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Pre‑
sidência da República.
k) Ampliar o acesso a programas de inclusão digital para
populações de baixa renda em espaços públicos, especial‑
mente escolas, bibliotecas e centros comunitários.
Responsáveis: Ministério da Educação; Ministério da 
Cultura; Ministério da Ciência e Tecnologia; Ministério da 
Pesca e Aquicultura.
l) Fortalecer programas de educação no campo e nas
comunidades pesqueiras que estimulem a permanência dos 
estudantes na comunidade e que sejam adequados às res‑
pectivas culturas e identidades.
Responsáveis: Ministério da Educação; Ministério do 
Desenvolvimento Agrário; Ministério da Pesca e Aquicultura.
Objetivo estratégico VI:
Garantia do trabalho decente, adequadamente remu-
nerado, exercido em condições de equidade e segurança.
Ações programáticas:
a) Apoiar a agenda nacional de trabalho decente por
meio do fortalecimento do seu comitê executivo e da efeti‑
vação de suas ações.
Responsável: Ministério do Trabalho e Emprego.
b) Fortalecer programas de geração de emprego, am‑
pliando progressivamente o nível de ocupação e priorizando 
a população de baixa renda e os Estados com elevados índices 
de emigração.
Responsável: Ministério do Trabalho e Emprego.
c) Ampliar programas de economia solidária, mediante
políticas integradas, como alternativa de geração de traba‑
lho e renda, e de inclusão social, priorizando os jovens das 
famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Minis‑
tério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
d) Criar programas de formação, qualificação e inserção
profissional e de geração de emprego e renda para jovens, 
população em situação de rua e população de baixa renda.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Mi‑
nistério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Mi‑
nistério da Educação. 
e) Integrar as ações de qualificação profissional às ativi‑
dades produtivas executadas com recursos públicos, como 
forma de garantir a inserção no mercado de trabalho.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Minis‑
tério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
f) Criar programas de formação e qualificação profis‑
sional para pescadores artesanais, industriais e aquicultores 
familiares.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Mi‑
nistério da Pesca e Aquicultura.
g) Combater as desigualdades salariais baseadas em di‑
ferenças de gênero, raça, etnia e das pessoas com deficiência.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
h) Acompanhar a implementação do Programa Nacional
de Ações Afirmativas, instituído pelo Decreto nº 4.228/2002, 
no âmbito da administração pública federal, direta e indireta, 
com vistas à realização de metas percentuais da ocupação 
de cargos comissionados pelas mulheres, população negra 
e pessoas com deficiência.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
i) Realizar campanhas envolvendo a sociedade civil or‑
ganizada sobre paternidade responsável, bem como ampliar 
a licença-paternidade, como forma de contribuir para a cor‑
responsabilidade e para o combateao preconceito quanto à 
inserção das mulheres no mercado de trabalho.
Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas para as 
Mulheres da Presidência da República; Ministério do Tra‑
balho e Emprego.
j) Elaborar diagnósticos com base em ações judiciais
que envolvam atos de assédio moral, sexual e psicológico, 
com apuração de denúncias de desrespeito aos direitos das 
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trabalhadoras e trabalhadores, visando orientar ações de 
combate à discriminação e abuso nas relações de trabalho.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Secre‑
taria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial 
da Presidência da República; Secretaria Especial de Políticas 
para as Mulheres da Presidência da República; Secretaria 
Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.
k) Garantir a igualdade de direitos das trabalhadoras e
trabalhadores domésticos com os dos demais trabalhadores.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Secre‑
taria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência 
da República; Ministério da Previdência Social.
l) Promover incentivos a empresas para que empreguem
os egressos do sistema penitenciário.
Responsáveis: Ministério da Fazenda; Ministério do Tra‑
balho e Emprego; Ministério da Justiça. 
m) Criar cadastro nacional e relatório periódico de em‑
pregabilidade de egressos do sistema penitenciário.
Responsável: Ministério da Justiça.
n) Garantir os direitos trabalhistas e previdenciários de
profissionais do sexo por meio da regulamentação de sua 
profissão.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Secre‑
taria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência 
da República.
Objetivo estratégico VII:
Combate e prevenção ao trabalho escravo.
Ações programáticas:
a) Promover a efetivação do Plano Nacional para Erra‑
dicação do Trabalho Escravo.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
b) Apoiar a coordenação e implementação de planos
estaduais, distrital e municipais para erradicação do trabalho 
escravo.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
c) Monitorar e articular o trabalho das comissões esta‑
duais, distrital e municipais para a erradicação do trabalho 
escravo.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
d) Apoiar a alteração da Constituição para prever a ex‑
propriação dos imóveis rurais e urbanos nos quais forem 
encontrados trabalhadores reduzidos à condição análoga a 
de escravos.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Secre‑
taria de Relações Institucionais da Presidência da República; 
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
e) Identificar periodicamente as atividades produtivas
em que há ocorrência de trabalho escravo adulto e infantil.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
f) Propor marco legal e ações repressivas para erradicar
a intermediação ilegal de mão de obra.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República; Secretaria Especial de Políticas de Promoção da 
Igualdade Racial.
g) Promover a destinação de recursos do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT) para capacitação técnica e 
profissionalizante de trabalhadores rurais e de povos e 
comunidades tradicionais, como medida preventiva ao 
trabalho escravo, assim como para implementação de po‑
lítica de reinserção social dos libertados da condição de 
trabalho escravo. 
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República. 
h) Atualizar e divulgar semestralmente o cadastro de
empregadores que utilizaram mão-de-obra escrava.
Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego; Se‑
cretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da 
República.
Objetivo estratégico VIII:
Promoção do direito à cultura, lazer e esporte como 
elementos formadores de cidadania.
Ações programáticas:
a) Ampliar programas de cultura que tenham por fi‑
nalidade planejar e implementar políticas públicas para a 
proteção e promoção da diversidade cultural brasileira, em 
formatos acessíveis.
Responsáveis: Ministério da Cultura; Ministério do Es‑
porte.
b) Elaborar programas e ações de cultura que conside‑
rem os formatos acessíveis, as demandas e as características 
específicas das diferentes faixas etárias e dos grupos sociais.
Responsável: Ministério da Cultura.
c) Fomentar políticas públicas de esporte e lazer, consi‑
derando as diversidades locais, de forma a atender a todas 
as faixas etárias e aos grupos sociais.
Responsável: Ministério do Esporte.
d) Elaborar inventário das línguas faladas no Brasil.
Responsável: Ministério da Cultura. 
e) Ampliar e desconcentrar os polos culturais e pontos
de cultura para garantir o acesso das populações de regiões 
periféricas e de baixa renda.
Responsável: Ministério da Cultura.
f) Fomentar políticas públicas de formação em esporte
e lazer, com foco na intersetorialidade, na ação comunitária 
na intergeracionalidade e na diversidade cultural.
Responsável: Ministério do Esporte.
g) Ampliar o desenvolvimento de programas de produ‑
ção audiovisual, musical e artesanal dos povos indígenas.
Responsáveis: Ministério da Cultura; Ministério da Jus‑
tiça. 
h) Assegurar o direito das pessoas com deficiência e
em sofrimento mental de participarem da vida cultural em 
igualdade de oportunidade com as demais, e de desenvolver 
e utilizar o seu potencial criativo, artístico e intelectual. 
Responsáveis: Ministério do Esporte; Ministério da Cul‑
tura; Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência 
da República.
i) Fortalecer e ampliar programas que contemplem par‑
ticipação dos idosos nas atividades de esporte e lazer.
Responsáveis: Ministério do Esporte; Secretaria Especial 
dos Direitos Humanos da Presidência da República. 
j) Potencializar ações de incentivo ao turismo para pes‑
soas idosas.
Responsáveis: Ministério do Turismo; Secretaria Especial 
dos Direitos Humanos da Presidência da República. 
Objetivo estratégico IX:
Garantia da participação igualitária e acessível na vida 
política.
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Ações programáticas:
a) Apoiar campanhas para promover a ampla divulgação
do direito ao voto e participação política de homens e mu‑
lheres, por meio de campanhas informativas que garantam 
a escolha livre e consciente.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Secretaria Especial 
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
b) Apoiar o combate ao crime de captação ilícita de su‑
frágio, inclusive com campanhas de esclarecimento e cons‑
cientização dos eleitores.
Responsável: Ministério da Justiça.
c) Apoiar os projetos legislativos para o financiamento
público de campanhas eleitorais.
Responsável: Ministério da Justiça.
d) Garantir acesso irrestrito às zonas eleitorais por meio
de transporte público e acessível e apoiar a criação de zonas 
eleitorais em áreas de difícil acesso.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério das Ci‑
dades.
e) Promover junto aos povos indígenas ações de educa‑
ção e capacitação sobre o sistema político brasileiro.
Responsável: Ministério da Justiça.
f) Apoiar ações de formação política das mulheres em
sua diversidade étnico-racial, estimulando candidaturas e 
votos de mulheres em todos os níveis.
Responsável: Secretaria Especial de Políticas para as 
Mulheres da Presidência da República.
g) Garantir e estimular a plena participação das pesso‑
as com deficiência no ato do sufrágio, seja como eleitor ou 
candidato, assegurando os mecanismos de acessibilidade 
necessários, inclusive a modalidade do voto assistido.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos 
da Presidência da República.
Diretriz 8: Promoção dos direitos de crianças

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