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Jurisdição e competência 
A jurisdição é o poder-dever do Estado 
de aplicar leis a casos concretos para 
solucionar conflitos entre as partes. 
Deve ser direcionada a resolver conflitos 
específicos e estruturada com 
parâmetros claros para garantir a justiça 
e a consistência das decisões judiciais. 
A competência é a medida ou 
quantidade de jurisdição atribuída a um 
órgão judiciário, definindo quais casos e 
questões podem ser resolvidos por ele. 
Ela é fundamental para garantir a 
eficiência no exercício da jurisdição, 
evitando a sobrecarga de trabalho e 
permitindo a especialização dos juízes e 
tribunais em determinadas áreas do 
direito, o que pode levar a decisões 
mais justas e precisas. 
A jurisdição é um todo, sendo a 
competência uma fração. 
Classificação de competência 
Existem quatro critérios fundamentais 
para a fixação das regras de 
competência na jurisdição trabalhista. 
Esses critérios são: 
1. Competência material; 
2. Competência pessoal; 
3. Competência territorial; 
4. Competência funcional; 
Competência Material 
Diz respeito à matéria ou ao objeto da 
demanda trabalhista, ou seja, qual tipo 
de questão trabalhista está sendo 
discutida. Por exemplo, se é uma 
questão relacionada a contrato de 
trabalho, aposentadoria ou acidente 
de trabalho. 
Art. 114. Compete à Justiça do 
Trabalho processar e julgar: 
I as ações oriundas da relação de 
trabalho, abrangidos os entes de 
direito público externo e da 
administração pública direta e 
indireta da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos 
Municípios; 
II as ações que envolvam exercício 
do direito de greve; 
(...) 
V os conflitos de competência entre 
órgãos com jurisdição trabalhista, 
ressalvado o disposto no art. 102, I, o; 
VI as ações de indenização por 
dano moral ou patrimonial, 
decorrentes da relação de 
trabalho; 
(...) 
VIII a execução, de ofício, das 
contribuições sociais previstas no art. 
195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, 
decorrentes das sentenças que 
proferir; 
IX outras controvérsias decorrentes 
da relação de trabalho, na forma 
da lei. 
 
Atenção! 
De acordo com a Súmula 363 do STJ, em 
caso de ação de cobrança ajuizada 
por um profissional liberal contra um 
cliente, compete à Justiça estadual 
processar e julgar o caso. Isso ocorre 
porque, a Justiça do Trabalho é 
responsável por julgar as questões 
trabalhistas e as demandas entre 
trabalhadores e empregadores. Já a 
Justiça estadual é responsável pelas 
demais questões que não se 
enquadram na competência da Justiça 
Federal ou do Trabalho. 
Adiante, com relação aos honorários de 
profissionais, estes são regulados pelo 
Código Civil e pela legislação 
específica de cada categoria 
profissional, como é o caso dos 
advogados e dos contadores, por 
exemplo. A definição dos honorários de 
profissionais é feita por contrato entre o 
cliente e o profissional, e se houver 
problemas no pagamento, o profissional 
pode ajuizar uma ação de cobrança na 
Justiça comum (estadual ou federal) 
para receber o valor devido. 
A abusividade do direito de greve é 
uma questão que se enquadra na 
competência da Justiça do Trabalho, 
de acordo com a Constituição Federal 
de 1988 e a Lei nº 7.783/1989, que 
regulamenta o exercício do direito de 
greve. 
Por outro lado, a abusividade do direito 
de greve do servidor público não é de 
competência da Justiça do Trabalho. 
Segundo a CF, cabe a cada ente 
federativo estabelecer as normas e os 
procedimentos para o exercício do 
direito de greve pelos servidores 
públicos estatutários. A competência 
para julgar eventuais demandas 
relacionadas a esse tema é da Justiça 
comum (estadual ou federal). 
No caso dos servidores públicos 
celetistas (profissional que presta 
serviços ao Estado por meio de um 
contrato regido pela CLT), a 
abusividade do direito de greve não é 
de competência da Justiça do 
Trabalho. De acordo com a Lei nº 
7.783/1989, os servidores públicos 
celetistas podem exercer o direito de 
greve, mas devem cumprir uma série de 
requisitos e limitações estabelecidos na 
própria lei, como a obrigatoriedade de 
notificação prévia à administração 
pública e a manutenção de um 
contingente mínimo de servidores em 
atividade. Nesse contexto, a 
competência para julgar é da Justiça 
comum. 
STF – RE 846.854: A justiça comum, 
federal ou estadual, é competente 
para julgar a abusividade de greve 
de servidores públicos celetistas da 
Administração pública direta, 
autarquias e fundações públicas. 
 
Competência Pessoal 
Refere-se às partes envolvidas na 
demanda trabalhista, ou seja, se a 
disputa é entre empregador e 
empregado, entre empregados de 
empresas diferentes ou entre sindicatos. 
De acordo com a CF, são várias as 
pessoas que podem litigar no âmbito da 
Justiça do Trabalho, tais como 
sindicados, entes de direito público 
externo, órgãos da administração 
direta, autarquia ou fundacional da 
União, Estados, Municípios na qualidade 
de empregadores, a União, quando 
ajuizar ações relativas às penalidades 
administrativas impostas aos 
empregadores ou quando promover a 
execução das contribuições 
previdenciárias, além dos empregados 
e empregadores e do Ministério Público 
do Trabalho. 
Competência Territorial 
Relaciona-se ao local onde ocorreu o 
fato que deu origem à disputa 
trabalhista, ou seja, em que cidade ou 
estado os trabalhadores ou a empresa 
estão localizados. 
A competência territorial do TST 
abrange todo o território nacional. Já os 
Tribunais Regionais do Trabalho possuem 
suas respectivas competências 
territoriais delimitadas por lei, e exercem 
sua jurisdição na circunscrição de 
determinado território. Por outro lado, as 
Varas do Trabalho possuem sua 
competência definida em lei federal, 
mas pode o TRT, segundo a Lei n. 
10.770/2003, em seu art. 28, alterar a 
competência para local diferente, 
visando adequar a realidade do 
serviço. 
Alguns critérios definem a competência 
territorial das Varas Do Trabalho: 
a) Local da prestação do serviço; 
b) Empregado agente ou viajante 
comercial; 
c) Brasileiro que trabalha no 
exterior; 
d) Empresa que promova atividade 
fora do lugar da celebração do 
contrato; 
e) Quando não envolver a 
prestação de serviço 
propriamente dita. 
Em regra, o local onde o empregado 
prestou serviços ao empregador define 
a competência territorial das Varas do 
Trabalho, mesmo que tenha sido 
contratado em outro local ou no 
estrangeiro, como aponta o art. 651 da 
CLT. 
Art. 651, CLT. A competência das 
Juntas de Conciliação e 
Julgamento é determinada pela 
localidade onde o empregado, 
reclamante ou reclamado, prestar 
serviços ao empregador, ainda que 
tenha sido contratado noutro local 
ou no estrangeiro. 
Por exemplo, se um empregado foi 
contratado por uma empresa sediada 
em São Paulo, mas trabalhou em uma 
filial localizada em Campinas, a 
competência para julgar um processo 
trabalhista seria da Vara do Trabalho de 
Campinas, e não da Vara do Trabalho 
de São Paulo. 
Tal regra visa garantir que os processos 
trabalhistas sejam julgados por uma 
Vara do Trabalho próxima ao local onde 
o empregado efetivamente prestou 
serviços, o que pode facilitar a coleta 
de provas e o acesso dos envolvidos ao 
processo. 
Atenção! 
Essa regra pode ser relativizada. Em 
certos casos, o trabalhador pode ser 
inviabilizado de alcançar a Justiça 
devido tal determinação, 
principalmente aquele que possui 
poucos recursos financeiros e/ou pouca 
informação sobre seus direitos. Nesse 
contexto, o TST possui vários julgados 
permitindo a fixação da competência 
na Vara do Trabalho do local do 
domicílio do reclamante, mesmo que o 
local for diferente do local onde o 
contrato foi firmado ou onde o serviço 
foi prestado. 
E se a execução da atividade ocorre 
em diversaslocalidades, qual a vara 
competente? Atenção, nesses casos, 
observa-se o art. 651, § 1º, § 2º e § 3º da 
CLT. 
Art. 651 da CLT (...) 
§ 1º - Quando for parte de dissídio 
agente ou viajante comercial, a 
competência será da Junta da 
localidade em que a empresa tenha 
agência ou filial e a esta o 
empregado esteja subordinado e, 
na falta, será competente a Junta 
da localização em que o 
empregado tenha domicílio ou a 
localidade mais próxima. 
§ 2º - A competência das Juntas de 
Conciliação e Julgamento, 
estabelecida neste artigo, estende-
se aos dissídios ocorridos em 
agência ou filial no estrangeiro, 
desde que o empregado seja 
brasileiro e não haja convenção 
internacional dispondo em 
contrário. 
§ 3º - Em se tratando de empregador 
que promova realização de 
atividades fora do lugar do contrato 
de trabalho, é assegurado ao 
empregado apresentar reclamação 
no foro da celebração do contrato 
ou no da prestação dos respectivos 
serviços. 
Para melhor entendimento, o § 1º trata-
se de uma exceção à regra geral. Ele 
prevê que, no caso do trabalhador ser 
um agente ou viajante comercial, a 
competência territorial será 
determinada pela localidade onde a 
empresa tenha agência ou filial e a qual 
o empregado esteja subordinado. 
Porém, caso não haja agência ou filial, 
competência será da Junta da 
localidade em que o empregado tenha 
domicílio ou da localidade mais 
próxima. 
Por exemplo, imagine uma empresa de 
vendas de produtos alimentícios que 
tenha uma filial em Recife e um 
empregado que trabalha como 
viajante comercial para essa filial. Esse 
funcionário trabalha percorrendo várias 
cidades no estado de Pernambuco 
para realizar vendas. Certo dia, surge 
um conflito trabalhista entre o 
empregado e a empresa. Nesse caso, a 
competência para julgar o caso será da 
Junta do Trabalho de Recife, onde a 
filial está localizada e onde o 
empregado está subordinado. 
Entretanto, caso a empresa não tenha 
nenhuma filial em Recife, a 
competência será da Junta do Trabalho 
da localidade em que o empregado 
tenha seu domicílio ou da localidade 
mais próxima. 
Adiante, o §2º do art. 651 define a 
competência da Justiça do Trabalho 
para julgar conflitos trabalhistas 
ocorridos em agências ou filiais de 
empresas brasileiras no exterior, desde 
que o empregado envolvido seja 
brasileiro e que não haja convenção 
internacional que estabeleça outra 
forma de julgamento. 
Para exemplificar, vamos supor que 
uma empresa brasileira tem uma filial 
em Miami, nos Estados Unidos, e um 
empregado brasileiro trabalha nessa 
filial. Se houver um conflito trabalhista 
entre o empregado e a empresa, a 
competência para julgar o caso será da 
Junta de Conciliação e Julgamento 
brasileira, desde que não haja uma 
convenção internacional que 
estabeleça outra forma de solução de 
conflitos trabalhistas. 
Se houver um tratado bilateral entre o 
Brasil e os Estados Unidos que 
estabeleça a competência da Justiça 
americana para julgar conflitos 
trabalhistas envolvendo empresas 
brasileiras e empregados brasileiros nos 
Estados Unidos, a competência para 
julgar o caso seria da Justiça americana 
e não da Justiça do Trabalho brasileira. 
No entanto, caso não haja uma 
convenção internacional 
estabelecendo outra forma de solução 
de conflitos trabalhistas, a competência 
para julgar o caso seria da Justiça do 
Trabalho brasileira, garantindo ao 
empregado brasileiro a proteção de 
seus direitos trabalhistas, mesmo em 
outro país 
Continuando, o § 3º estabelece que, 
nos casos em que o empregador 
promova atividades fora do local do 
contrato de trabalho, o empregado 
pode apresentar uma reclamação 
trabalhista no foro da celebração do 
contrato ou no foro da prestação dos 
serviços. 
Isto é, se um empregado for contratado 
por uma empresa para trabalhar em um 
determinado local, mas for designado 
para realizar atividades em outro local, 
ele pode escolher entre apresentar a 
reclamação no foro onde o contrato de 
trabalho foi celebrado ou no foro onde 
as atividades foram realizadas. 
Por exemplo, se um empregado é 
contratado para trabalhar em Belém, 
mas é enviado para realizar atividades 
em Manaus, ele pode escolher 
apresentar a reclamação trabalhista 
em Belém ou em Manaus, a depender 
do que for mais conveniente para ele. 
Atenção! 
Em caso de demandas que não 
envolvem a prestação de serviço 
propriamente dita, estas podem ter 
competências variadas. Nesses casos, a 
competência territorial será definida de 
acordo com as regras estabelecidas na 
CLT e no CPC, que determinam a 
competência de acordo com a 
natureza da demanda e com o local 
onde ocorreu o fato que deu origem ao 
processo. 
No caso de ações civis públicas, a 
competência será estipulada por meio 
da OJ 130 SDI-2, de acordo com o TST. 
Em suma, a competência para julgar as 
ações civis públicas trabalhistas é 
definida de acordo com a extensão do 
dano causado, podendo ser de uma 
das Varas do Trabalho da capital do 
estado ou do Tribunal Regional do 
Trabalho da região onde ocorreu o 
dano, ou ainda do Tribunal Superior do 
Trabalho, em casos de danos de âmbito 
suprarregional ou nacional. 
Em caso de demandas trabalhistas 
movidas por criança e adolescente, 
entende-se que é possível aplicar a 
competência estabelecida no ECA, e 
não a regra geral prevista na CLT. Isso 
significa que, nesses casos, a demanda 
pode ser ajuizada no local do domicílio 
dos reclamantes ou de seus 
representantes legais, em vez de ser 
obrigatoriamente julgada na vara do 
trabalho do local onde ocorreu o 
contrato de trabalho ou onde o 
empregado prestou serviços. 
Com relação às ações movidas por 
idosos, é possível flexibilizar a 
competência territorial nas demandas, 
de forma a garantir a efetividade dos 
direitos previstos no Estatuto do Idoso. 
Atenção! 
O foro de eleição previsto no CPC não 
é aplicável às demandas trabalhistas, 
segundo o entendimento do TST. A 
possibilidade de as partes escolherem 
um juízo para julgar a demanda, é 
aplicável apenas no âmbito da 
competência relativa, ou seja, quando 
há mais de um juízo competente para 
julgar a demanda. O TST considera que 
o foro de eleição não é adequado às 
demandas trabalhistas, já que 
dificultaria o acesso dos trabalhadores à 
Justiça. 
Competência Funcional 
Relaciona-se ao órgão ou tribunal 
responsável por julgar a demanda 
trabalhista, de acordo com a hierarquia 
do sistema judiciário. Por exemplo, se a 
disputa é julgada em primeira instância 
ou em tribunal de segunda instância. 
A competência das Varas do Trabalho 
encontra-se descrita nos arts. 652 e 653 
da CLT. 
A competência dos TRTs está disposta 
nos arts. 678 e 680. 
A competência do TST é definida na Lei 
n° 7.701/88. 
 
Competência quanto ao valor da 
causa? 
 
O valor da demanda não é 
determinante para a definição do juízo 
competente na Justiça do Trabalho. O 
valor econômico do pedido apenas irá 
influenciar na definição do rito 
processual a ser utilizado.

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