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Vesícula Biliar LARA CAMILA DA SILVA ALVES – MEDICINA – 3º SEMESTRE EMBRIOLOGIA DA VESÍCULA BILIAR Surge na 5ª semana, mas começa o desenvolvimento na 4ª semana. O divertículo hepático surge na 4ª semana – parte ventral da porção caudal do intestino anterior. Esse divertículo, na 5ª semana, irá se dividir em duas porções: cordões hepáticos (que darão origem ao fígado) e a vesícula biliar. Quando a vesícula começa a crescer, o pedúnculo vai afinar e se tornar o ducto cístico, que irá se juntar com o ducto hepático comum formando o ducto biliar, conhecido como ducto colédoco. Quando o estômago gira, o fígado e a vesícula também irão girar. Assim, a vesícula irá para uma porção mais dorsal. ➢ Má formações no fígado são raras, mas as má formações relacionadas às vesículas e às vias biliares são mais comuns. DUCTOS HEPÁTICOS ACESSÓRIOS ➢ Acomete 5% da população. A situação mais comum é a letra E, a qual sai um ducto direto do lobo direito do fígado para a vesícula. Normalmente, os indivíduos não apresentam problemas devido à presença de ductos hepáticos acessórios. Entretanto, a presença dos ductos acessórios deve ser levado em consideração nos casos de transplante hepático ou remoção da vesícula. ATRESIA BILIAR EXTRA-HEPÁTICA O ducto colédoco é o ducto biliar comum; e a atresia biliar extra-hepática refere-se ao ducto biliar extra-hepático, que é o ducto biliar comum/ducto colédoco. Nessa má formação, há um fechamento do ducto biliar comum; assim, as estruturas que estão antes, ficam distendidas, pois a bile não consegue passar para o duodeno. ➢ Qualquer estrutura tubular, durante a formação, é obstruída para depois ser recanalizada. Por isso, acreditava-se que essa atresia é devido a um problema na recanalização do ducto. No entanto, atualmente, acreditam que se deve a problemas no remodelamento do hilo hepático ou processos de infecções perinatais que podem levar a danos no desenvolvimento do ducto biliar. O paciente apresentará, então, fezes acólicas, icterícia, problemas na digestão de lipídios etc. O quadro clínico é de indivíduos que não conseguem secretar a bile. Pode ser feito um procedimento cirúrgico para a recanalização, mas em 30% dos casos há um retorno desse fechamento. Assim, o procedimento mais efetivo é o transplante, que caso não dê certo, o paciente pode vir a óbito. Por isso, é uma anomalia grave. HISTOLOGIA DA VESÍCULA BILIAR Formada por 3 camadas: mucosa, camada muscular e serosa ou adventícia. OBS: o TGI tem 4 camadas – mucosa, submucosa, muscular e serosa/adventícia. A vesícula biliar tem apenas 3 camadas, não tem a submucosa. A camada mucosa é formada por: epitélio de revestimento + lâmina própria. A mucosa da vesícula biliar não possui muscular da mucosa, pois essa camada serve para facilitar o contato com o alimento para permitir a absorção; como na vesícula biliar não há absorção, ela não possui muscular da mucosa. A vesícula biliar faz parte do fígado – sua função está relacionada ao fígado. Tem a função de armazenar a bile, fazendo uma pequena modificação da bile: concentra a bile para melhorar a ação dos ácidos biliares; É capaz de armazenas de 30 até 70mL de bile – a depender da literatura. A maior parte da vesícula será o corpo, e a menor é o colo – de onde sai o ducto cístico. Quando o ducto hepático direito se junta com o esquerdo, formam o ducto hepático comum. Quando o ducto hepático comum se junta com o ducto cístico, há a formação do ducto colédoco, o qual se junta com o ducto pancreático principal e forma a ampola de Vater. ➢ Epitélio de revestimento: epitélio colunar simples. ➢ A lâmina própria é constituída por tecido conjuntivo frouxo, e não possui glândulas; apenas na parte do colo, para facilitar a saída da bile. A camada muscular é composta por músculo liso em uma disposição oblíqua – para fazer a ejeção da bile. Em alguns pontos mais raros, há disposição longitudinal. A camada serosa é a mais externa, e como o peritônio recobre o fígado, ele consegue recobrir também a vesícula biliar. Entretanto, no ponto em que a vesícula se encaixa no fígado, a camada existente é a adventícia – pois não é revestida por peritônio. As células claras e as células em escova constituem o epitélio; de modo geral, elas têm a mesma função: possuem grânulos e secretam muco que auxilia no processo de lubrificação. Elas normalmente apresentam microvilos na superfície, para permitir o transporte de substâncias e a concentração da bile. Na membrana basolateral, há muitas mitocôndrias para a atividade da bomba de Na+/K+. ➢ A vesícula, quando vazia, a camada mucosa forma dobras; quando a vesícula enche, essas dobras se desfazem e a superfície da vesícula fica lisa. OBS: as dobras do estômago são da mucosa e submucosa; da vesícula envolve só a mucosa, pois não tem a camada submucosa. ESFÍNCTER DE ODDI/HEPATOPANCREÁTICO → controla a saída da bile e do suco pancreático; É o nome que se dá a junção de várias estruturas: esfíncter do ducto colédoco, esfíncter do ducto pancreático principal, esfíncter da ampola de Vater e fascículo longitudinal. FISIOLOGIA DA VESÍCULA BILIAR Relembrando... há três tipos de bile: bile canalicular, bile hepática e a bile vesicular. A bile canicular é a primeira produzida pelos hepatócitos e liberada no canalículo => isotônica. A bile hepática é a bile canalicular modificada nos dúctulos hepáticos => fluida e alcalina. Na vesícula, haverá a formação da bile vesicular. A vesícula é responsável por gerar uma bile concentrada, e para isso, ela irá remover água. A bomba de sódio e potássio gera uma concentração reduzida de sódio dentro da célula; assim, a tendência do sódio é entrar. Quando o sódio entra, H+ sai. A entrada de Na+ cria um gradiente para a saída do Cl-, e, assim, a água também irá entrar para dentro da célula. Os ácidos biliares não conseguem ser reabsorvidos, assim, a bile vesicular deveria ser hiperosmótica; pois há uma alta concentração de substâncias e pouca água, mas isso não ocorre devido aos ácidos biliares que, dentro da bile, formarão micelas. Assim, eles serão inseridos nas micelas, e contam, osmoticamente, como uma molécula só, o que reduz a osmolaridade – que se mantém dentro do normal. ➢ Desse modo, a vesícula biliar forma uma bile concentrada, mas que não é hiperosmótica. Essa bile não pode ficar muito tempo na vesícula, pois se continuar acumulando essas substâncias e retirando água, pode acontecer de os ácidos biliares não conseguir ser inseridos nas micelas. Assim, a osmolaridade pode aumentar, e haverá precipitação do colesterol e sais biliares, que pode ocasionar cálculos. ➢ Fazer jejum prolongado pode levar à formação de cálculos biliares, pois a bile permaneceria por mais tempo na vesícula biliar; podendo se tornar hiperosmótica. REGULAÇÃO DA SECREÇÃO BILIAR Depois de produzida, a bile passa diretamente para o ducto colédoco, e quando esse ducto enche ela consegue passar pelo ducto cístico e chegar à vesícula para ser armazenada. A bile não consegue passar para o duodeno devido à ação do esfíncter de Oddi – que se mantém contraído. ➢ A bile é liberada por diversos sinais, mas predominantemente está relacionada à liberação do hormônio colecistocinina (CCK). Na fase intestinal, a chegada de nutrientes estimula a liberação de CCK; inicialmente temos proteínas parcialmente digeridas que estão chegando no duodeno e a presença dos lipídios. A presença dos lipídios no duodeno estimula a célula I – enteroendócrina – a liberar CCK. A CCK irá cair na circulação sanguínea e, no músculo liso da vesícula biliar, irá gerar a contração. Além de a CCK contrair diretamente a vesícula, ela pode indiretamente relaxar o esfíncter de Oddi, pois os receptores das vias aferentesdo vago respondem à CCK e, assim, cria-se um reflexo vago vagal → A CCK estimula as fibras aferentes vagais que, no núcleo responsável pelo controle do vago, irá estimular as vias eferentes, que irão para a vesícula (liberando ACh – ajudará na contração) e para o esfíncter de Oddi (liberando VIP e NO – ajudarão no relaxamento). >> Assim, CCK pode realizar a contração da vesícula biliar direta e indiretamente; e estimula o relaxamento do esfíncter de Oddi indiretamente.