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1 
 
Disciplina: Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Educação Física 
Autor: Esp. Raphael Sicuro Leite 
Revisão de Conteúdos: Esp. Guilherme Natan Paiano dos Santos 
Designer Instrucional: Sérgio Antonio Zanvettor Júnior 
Revisão Ortográfica: Esp. Juliano de Paula Neitzki 
Ano: 2020 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas 
páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de 
Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança 
de direitos autorais. 
 
 
2 
 
Raphael Sicuro Leite 
 
 
 
 
Fundamentos Teóricos e 
Metodológicos da Educação Física 
1ª Edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2020 
Curitiba, PR 
Faculdade UNINA 
 
 
3 
 
Faculdade UNINA 
Rua Cláudio Chatagnier, 112 
Curitiba – Paraná – 82520-590 
Fone: (41) 3123-9000 
 
 
Coordenador Técnico Editorial 
Marcelo Alvino da Silva 
 
Conselho Editorial 
D.r Alex de Britto Rodrigues / D.ra Diana Cristina de Abreu / 
D.r Eduardo Soncini Miranda / D.ra Gilian Cristina Barros / 
D.r João Paulo de Souza da Silva / D.ra Marli Pereira de Barros Dias / 
D.ra Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd / D.ra Wilma de Lara Bueno / 
D.ra Yara Rodrigues de La Iglesia 
 
Revisão de Conteúdos 
Guilherme Natan Paiano dos Santos 
 
Designer Instrucional 
Sérgio Antonio Zanvettor Júnior 
 
Revisão Ortográfica 
Juliano de Paula Neitzki 
 
Desenvolvimento Iconográfico 
Juliana Emy Akiyoshi Eleutério 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
 
LEITE, Raphael Sicuro. 
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Educação Física / Raphael Sicuro 
Leite. – Curitiba: Faculdade UNINA, 2020. 
97 p. 
ISBN: 978-65-86092-86-8 
1. Ações pedagógicas. 2. Cultura histórica desportiva. 3. Inclusão no esporte. 
Material didático da disciplina de Fundamentos Teóricos e Metodológicos da 
Educação Física – Faculdade UNINA, 2020. 
Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 
 
 
4 
 
PALAVRA DA INSTITUIÇÃO 
 
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo(a) à Faculdade UNINA! 
 
Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, 
n. 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria n. 299 de 27 de 
dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão 
Universitária. 
A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e 
comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do 
desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas 
também brasileiros conscientes de sua cidadania. 
Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar 
comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as 
ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão 
de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e 
grupos de estudos, o que proporciona excelente integração entre professores e 
estudantes. 
 
 
Bons estudos e conte sempre conosco! 
Faculdade UNINA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Sumário 
Prefácio........................................................................................................ 08 
Aula 1 – Introdução ao fundamento teórico e metodológico da Educação 
Física .......................................................................................................... 
 
09 
Apresentação da aula 1 ............................................................................... 09 
 1.1 - Importância da Educação Física na escola ................................... 09 
 1.2 - Vantagens da aplicação na saúde de uma boa aula de Educação 
Física .......................................................................................................... 
 
11 
 1.3 - A Educação Física e a socialização .............................................. 12 
 1.4 - Organização do trabalho pedagógico ........................................... 14 
 1.5 - Abordagens da Educação Física .................................................. 15 
 1.6 - A ação pedagógica da Educação Física na escola ....................... 17 
Conclusão da aula 1 .................................................................................... 19 
Aula 2 – Cultura do movimento .................................................................... 19 
Apresentação da aula 2 ............................................................................... 19 
 2.1 - Educação Física e a cultura do movimento ................................... 20 
 2.2 - Contribuições da Educação Física para escola ............................ 22 
 2.3 - Finalidades da Educação Física ................................................... 23 
 2.4 - Metodologia e estratégias ............................................................. 27 
 2.5 - Princípios Metodológicos ............................................................. 28 
 2.6 - Avaliação ...................................................................................... 29 
Conclusão da aula 2 .................................................................................... 30 
Aula 3 – Ginástica escolar: do lúdico ao esportivo ....................................... 31 
Apresentação da aula 3 ............................................................................... 31 
 3.1 - Breve histórico da ginástica .......................................................... 31 
 3.2 - A ginástica nas aulas de Educação Física .................................... 32 
 3.3 - Ginástica como prática científica .................................................. 34 
 3.4 - Ginástica, Educação Física e o desenvolvimento das crianças ... 35 
 3.5 - Realidades da ginástica na escola ................................................ 37 
 3.6 - Ginástica escolar em sua prática atual ......................................... 38 
Conclusão da aula 3 .................................................................................... 39 
Aula 4 – Dança, brinquedos, brincadeira e jogos ......................................... 40 
Apresentação da aula 4 ............................................................................... 40 
 4.1 - A dança e o universo escolar ........................................................ 41 
 4.2 - A dança e a sua importância na Educação Física ......................... 41 
 
 
6 
 
 4.3 - Formação do professor para aulas de dança na escola ................ 43 
 4.4 - O brincar nas aulas de Educação Física ....................................... 44 
 4.5 - O jogo, o brinquedo e a criança na escola ..................................... 45 
 4.6 - Educação Física e ludicidade ....................................................... 46 
 4.7 - Esportes e a dança nas aulas de Educação Física ....................... 47 
 4.8 - O jogo competitivo e a Educação Física escolar ........................... 49 
Conclusão da aula 4 .................................................................................... 50 
Aula 5 – Interdisciplinaridade e eventos esportivos ..................................... 51 
Apresentação da aula 5 ............................................................................... 51 
 5.1 - A importância da interdisciplinaridade na escola .......................... 51 
 5.2 - A Educação Física e a interdisciplinaridade .................................. 52 
 5.3 - A interdisciplinaridade, a inclusão e a diversidade ........................ 53 
 5.4 - Reflexões pedagógicas do esporte na escola ............................... 54 
 5.5 - Jogos interclasses ........................................................................ 55 
 5.6 - Realização de eventos esportivos decaráter educacional ............ 57 
Conclusão da aula 5 .................................................................................... 60 
Aula 6 – Metodologia do corpo em movimento; as questões relacionadas 
com o crescimento cognitivo ....................................................................... 
 
61 
Apresentação da aula 6 ............................................................................... 61 
 6.1 - O conhecimento específico abordado na Educação Física ........... 61 
 6.2 - A Educação Física e a pré-escola ................................................. 63 
 6.3 - Orientações didáticas na aula de Educação Física ....................... 65 
 6.4 - Corpo em movimento, concepções e prática na educação infantil 65 
 6.5 - Participação da Educação Física no desenvolvimento cognitivo... 67 
 6.6 - O desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento da criança .... 68 
Conclusão da aula 6 .................................................................................... 70 
Aula 7 – Planejamento da Educação Física escolar .................................... 70 
Apresentação da aula 7 ............................................................................... 70 
 7.1 - Atitudes e valores da Educação Física escolar ............................. 71 
 7.2 - Os professores e a escola ............................................................ 72 
 7.3 - Reflexões sobre a Educação Física e suas ações ........................ 73 
 7.4 - Dificuldades encontradas pelos professores ................................ 74 
 7.5 - O planejamento no ensino da Educação Física ............................ 75 
 7.6 - Avaliações das aprendizagens dentro da Educação Física .......... 76 
 7.7 - A didática na Educação Física ...................................................... 79 
Conclusão da aula 7 .................................................................................... 80 
 
 
7 
 
Aula 8 – Introdução à corporeidade, uma fala breve sobre as valências 
físicas eu desenvolvimento infantil .............................................................. 
 
81 
Apresentação da aula 8 ............................................................................... 81 
 8.1 - A corporeidade na prática pedagógica da educação .................... 81 
 8.2 - A Educação Física e a consciência corporal ................................. 83 
 8.3 - Psicomotricidade na Educação Física .......................................... 84 
 8.4 - Abordagens filosóficas quanto à corporeidade ............................. 86 
 8.5 - O desenvolvimento infantil ............................................................ 87 
 8.6 - A Educação Física e a educação inclusiva ................................... 89 
Conclusão da aula 8 .................................................................................... 91 
Índice Remissivo ......................................................................................... 93 
Referências ................................................................................................. 97 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
Prefácio 
 
Nesta disciplina, veremos como a educação física é importante para a 
educação escolar e quais processos são trabalhados na educação tanto para 
crianças como para adolescentes. Também veremos as mudanças que a 
Educação Física sofreu com o passar do tempo. 
Veremos a transformação que a ginástica teve nas escolas com passar do 
tempo, sua importância na aprendizagem dos alunos e como ela pode ser 
trabalhada pelo professor tanto na parte lúdica quanto na esportiva. 
Você vai ver um pouco a respeito de como a dança é trabalhada dentro da 
Educação Física, como podemos estimular a criatividade das crianças durante 
nossas aulas por meio das brincadeiras e dos brinquedos; outro ponto específico 
que você também verá adiante é como os jogos esportivos são trabalhados 
dentro das aulas de Educação Física. 
Para que ocorra a interdisciplinaridade, não devemos pensar em eliminar 
as disciplinas, mas, sim, torná-las comunicativas entre si, concebê-las como 
processos históricos e culturais, além de nos atualizarmos nas práticas do 
processo de ensino-aprendizagem. 
Também veremos a importância das aulas de Educação Física no 
desenvolvimento cognitivo das crianças e como o professor pode avaliar o 
desenvolvimento de seus alunos. 
Você também vai ver a importância do planejamento para as aulas de 
Educação Física; como o professor deve trabalhar na elaboração de suas aulas 
para estar em sintonia com a escola; como devem ser realizadas as avaliações 
dessas aulas. Saberá o que é a corporeidade e qual a importância de ser 
trabalhada dentro das aulas de Educação Física. Por fim, verá como essa 
disciplina tem participado na inclusão dos alunos dentro das escolas. 
 
 
 
 
 
 
9 
 
Aula 1 – Introdução ao fundamento teórico e metodológico da Educação 
Física 
 
Apresentação da aula 1 
 
Prezado estudante! Neste primeiro momento, veremos como a educação 
física é importante para a educação escolar e quais processos são trabalhados 
na educação tanto para crianças como para adolescentes. 
Para iniciarmos, é importante você saber que a Educação Física, de 
acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996), 
“[...] é componente curricular da Educação Básica, ajustando as faixas etárias e 
as condições da população escolar [...]”. No ano de 2003, foi alterada a redação 
dessa lei para a afirmação de que a Educação Física é componente curricular 
obrigatório da Educação Básica, por meio da Lei n. 10793/03. 
Portanto, a fim de que você compreenda a Educação Física como um 
componente curricular obrigatório que, segundo Garanhani (2008), “deverá se 
ajustar às especificidades de educação da criança e do processo de 
escolarização da infância nos seus diferentes níveis de ensino”, será 
apresentado um breve histórico de como a Educação Física se constituiu em 
uma disciplina do currículo da educação escolar infantil. 
 
1.1 Importância da Educação Física na escola 
 
De acordo com Bracht (1999), a partir da última década do século XIX, o 
termo “ginástica” surge para determinar a aula que trata das atividades físicas. 
Ainda é amplamente utilizado, mas logo ficou definido um termo mais técnico, 
que utilizamos até hoje: Educação Física. Esse termo tem acompanhado um 
refinamento no mundo da pesquisa científica. Nesse meio, aparece a educação 
do gesto, a qual é baseada em análises laboratoriais, além de conteúdos de 
natureza esportiva. O modelo de aula desta disciplina é buscado nos parâmetros 
oferecidos pelos métodos de treinamento, em que as partes das aulas são 
ditadas pela fisiologia. 
 
 
10 
 
Para que essa tarefa possa ser realizada, a Educação Física deve 
preservar, aprofundar e manter sua especificidade na escola e isso deve ser feito 
em conjunto, sem ser disciplina isolada ou mantida à parte. 
Neto (1992) diz que a importância das aulas de Educação Física na escola 
está em todos os segmentos, devido a ela proporcionar o desenvolvimento 
integral do aluno, tais como: uma vida saudável, socialização, espírito de equipe, 
entre outros. Os estudantes acabam participando de diferentes experiências 
corporais para as quais são desafiados. 
Muito significativa na educação do indivíduo, a Educação Física não tem 
recebido o devido valor por diversas vezes na grade curricular. Ela insere, adapta 
e incorpora o aluno no saber corporal de movimento. Sua função é formar o 
cidadão que, segundo Betti (2002), irá produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, 
aprimorando-a, instrumentalizando-a para usufruir do jogo, do esporte e das atividades 
rítmicas e danças, do exercício crítico dos direitos e deveres do cidadão para a 
benfeitoriada qualidade de vida humana. 
A Educação Física apareceu para somar e dar sua participação na 
construção de uma educação intelectual e moral nas escolas, tendo como uma 
de suas responsabilidades instruir e instigar o aluno a ter sua própria formação 
de opiniões e se posicionar diante das atuais linhas de cultura corporal de 
movimento. 
É interessante que você saiba que a atividade física pode fazer parte da 
vida do indivíduo e interferir em seu comportamento pessoal, mas isso só será 
possível por meio da prática de exercícios e jogos, quando os estudantes serão 
desafiados e exercitados a entender que só poderão vencer se estiverem se 
divertindo. 
 
Curiosidade 
A vitória não pode ser a condição para o divertimento. Caso seja, as atividades 
não são lúdicas. O divertimento deve estar presente no jogo e não no seu final 
(FALKENBACH, 2002). 
 
 
11 
 
 
Crianças participando de atividade lúdica na Educação Física 
Fonte: https://i.pinimg.com/474x/1e/90/75/1e90750b8e66f3d53df3929aadb1916a.jpg 
 
A Educação Física escolar coloca em evidência a liberdade, cognitiva ou 
emocional, dos alunos para a aprendizagem. Portanto, ela é essencial para que 
exista um ambiente de convívio em que o respeito e a tolerância devem coexistir. 
Contudo, profissionais têm dificuldade em colocar em pauta aspectos das 
condições pedagógicas e aplicá-los em aula. 
 
Importante 
Segundo Lovisolo (1995), a posição do professor ou professora nos leva a ver 
que sua fundamentação teórico-metodológica refletirá na forma que ele(a) 
conduzirá a prática pedagógica. 
 
Quando vivenciamos a escola, podemos observar que ela não é receptiva 
a concepções únicas de mundo e de sociedade, por, em seu cotidiano, serem 
constituídos regimes de verdade e resistências pré-estabelecidos. 
 
1.2 Vantagens da aplicação na saúde de uma boa aula de Educação Física 
 
Agora que você já sabe mais a respeito da importância da Educação 
Física, vamos ver as vantagens que ela traz à saúde. A primeira delas é a de 
que proporciona muitos benefícios, iniciando pelo incentivo à prática de atividade 
física, além de favorecer o aprimoramento do desenvolvimento motor, também 
contribui para a integração social tanto da criança como do adolescente, 
aumenta a autoconfiança do indivíduo e sua autoestima, ajuda o aluno a se 
 
 
12 
 
expressar melhor, auxilia nas questões e vivências que o mundo em que vive, 
ajuda a compreender as mudanças e limites do próprio corpo, coopera para que 
o estudante tenha um estilo de vida melhor. 
 
Importante 
Ao praticar atividade física, o aluno tem a vantagem de melhorar a sua saúde 
por diminuir as chances de ser sedentário, de ter obesidade, hipertensão arterial, 
colesterol alto e doenças respiratórias, dentre outros problemas de saúde (NETO, 
1992). 
 
É na escola que o discente aprende a ter um estilo de vida mais saudável 
e equilibrado, por isso tamanha a importância do professor de Educação Física, 
pois é ele quem vai interceder e conduzir o aluno ao estilo vida mais saudável. 
 
1.3 A Educação Física e a socialização 
 
Paulo Freire (2000) diz que “a criança e o adolescente quando estão na 
escola têm a oportunidade de se socializar com outros da mesma faixa etária por 
meio de jogos, recreação e brincadeiras”. A Educação Física, portanto, tem a 
função de contribuir para que tanto a criança quanto o adolescente desenvolvam 
autoconfiança, interagindo com os colegas e suas habilidades motoras. 
Nossa disciplina de estudo é uma das bases para as formações sociais e 
de princípios do aluno, ajudando a transformar o meio em que ele vive. Logo, o 
professor lida com o diferente e as limitações físicas e psíquicas dos indivíduos, 
por isso a importância de ele ter autonomia para administrar e despertar valores 
individuais dos estudantes, a fim de que levem para a vida o saber conviver e o 
saber respeitar a diversidade que faz parte da sociedade. 
 
Reflita 
Por que ensinar Educação Física? 
 
 
 
13 
 
Para responder à pergunta, é necessário você saber que desde que o 
indivíduo nasce, ele vive experiências socioculturais com o seu corpo, 
possibilitando o conhecimento e o domínio dos seus movimentos. O corpo em 
movimento é um recurso utilizado pelo indivíduo para experimentar relações com 
pessoas e objetos, aprender sobre si mesmo, expressar e comunicar o seu 
pensamento, desenvolver suas capacidades e aprender habilidades. 
 
Curiosidade 
O movimento é muito mais do que mexer o corpo ou deslocar-se no espaço, 
considera-se que toda movimentação da criança tem um significado e uma 
intenção. 
 
Com base nessa afirmação, podemos entender que os movimentos 
corporais não são apenas ações mecânicas ou técnicas, mas “[...] ações 
conscientes devido ao fato de que a criança e o adolescente transformam em 
símbolo aquilo que podem experimentar corporalmente e de que o seu 
pensamento se constrói, primeiramente sob a forma de ação” (GARANHANI, 
2004, p. 124). Portanto, o movimento do corpo é linguagem. 
A Educação Física é o responsável por esse trabalho na educação da 
criança e do adolescente e, por isso, não pode ser considerada uma prática 
pedagógica que trabalha somente com a aplicação de técnicas e regras 
relacionadas às formas de se movimentar ou apenas vivenciar jogos e 
brincadeiras, conforme explica Freire (2000). Na escola, a Educação Física 
oportunizará o trabalho educativo do movimento, possibilitando tanto à criança 
quanto ao adolescente, o conhecimento, a ressignificação e a sistematização 
das manifestações corporais configuradas em práticas de movimentos 
construídas historicamente pela sociedade. 
Sendo assim, na escola, a Educação Física proporcionará práticas de 
movimentação corporal para que os alunos possam se desenvolver e, ao mesmo 
tempo, serem levados a compreender que esses movimentos têm significados e 
expressam e comunicam uma intenção. Poderão compreender, também, que os 
movimentos do corpo se manifestam em diversas práticas, como, por exemplo: 
os jogos e as brincadeiras, as ginásticas, as danças, as lutas e os esportes. 
 
 
14 
 
1.4 Organização do trabalho pedagógico 
 
A partir de agora, você vai conhecer mais do trabalho pedagógico da 
Educação Física dentro da escola. O essencial, nesse primeiro momento, é você 
saber que ele deverá ser organizado em três eixos. Veja quais são eles: 
 
➢ Autonomia e Identidade Corporal: são aplicados os aprendizados 
que envolvem movimentações corporais para o desenvolvimento 
físico e motor, proporcionando o conhecimento, o domínio e a 
consciência do corpo, condições necessárias para a autonomia e 
formação da identidade corporal; 
 
➢ Socialização: são aplicados os aprendizados que levem à 
compreensão dos movimentos do corpo como uma linguagem 
utilizada na interação com o meio, tendo como base a socialização; 
 
➢ Ampliação do conhecimento de práticas corporais: são aplicados 
os aprendizados que levem à sistematização e à ampliação de 
práticas de movimentos historicamente produzidas na e pela 
cultura em que a criança se encontra. 
 
Importante 
Vale destacar que, independentemente das características presentes em cada 
idade e do nível de aprendizado do indivíduo, os três eixos se integram e se 
relacionam na prática da Educação Física na Educação, ou seja, um não exclui 
o outro, podendo ocorrer uma predominância de um sobre o outro durante a 
elaboração e efetivação do plano de trabalho do professor. 
 
As abordagens pedagógicas da Educação Física podem ser definidas 
como movimentos envolvidos na renovação teórico-prático, com o objetivo de 
estruturação do campo de conhecimento que são específicos dessa área de 
ensino. 
 
 
 
 
15 
 
1.5 Abordagens da Educação Física 
 
De acordo com Bracht (1999), no ensino da Educação Física existem 
algumas abordagens que se interpõem na sua didática. Vamos considerar 
algumas dessas abordagens a seguir. 
A primeira delas é a abordagemde concepção de aulas abertas, a qual 
considera a possibilidade da codecisão no planejamento, objetivos, conteúdos e 
formas de comunicação no ensino. Ela foi criada com o objetivo de que esta nova 
visão de aula fosse mudar a preparação profissional, proporcionando outros 
modos de aulas para as crianças e adolescentes no que se refere ao jogo, 
movimento, esporte. 
 
Curiosidade 
Concepção de aulas abertas: está fundamentada na vida de movimento das 
crianças, na história de vida e na construção da biografia esportiva dos alunos, 
na concepção de esporte e movimento que a sociedade constrói ao decorrer da 
história e da realidade nas aulas de Educação Física escolar. 
 
A outra abordagem da atividade física é para a promoção da saúde, a fim 
de conscientizar a população escolar para pesquisas que demonstram os 
benefícios da atividade física. É considerada de suma importância a adoção 
pedagógica dos professores em assumirem um novo papel mediante a estrutura 
educacional, procurando adotar em suas aulas não mais uma visão exclusiva de 
prática desportiva, mas proporcionar aulas aos alunos que promovam a saúde, 
possibilitando experiências que os tornem crianças e adolescentes mais ativos 
fisicamente, mas que também os conduza a uma vida mais saudável quando 
adultos. 
Já na abordagem construtivista-interacionalista, temos a intenção de 
construir o conhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo, em que 
respeitaremos o universo cultural do aluno, explorando as várias possibilidades 
educativas de atividades lúdicas espontâneas, além de propor tarefas cada mais 
complexas e desafiadoras, com o intuito da construção do conhecimento. Bracht 
(1999) aponta algumas abordagens voltadas ao ensino da Educação Física. 
 
 
16 
 
Dentre essas, uma delas apresenta como característica: “privilegiar o jogo como 
um instrumento pedagógico, ou seja, a principal forma de ensinar”. Nesta 
proposta, o jogo é privilegiado como um instrumento pedagógico, ou seja, a 
principal forma de ensinar. 
Enquanto a abordagem crítico-emancipatória está centrada no ensino dos 
esportes e foi idealizada, especificamente, para a Educação Física escolar. 
Busca-se uma ampla discussão a respeito das possibilidades de se ensinar os 
esportes por sua transformação didático-pedagógico, tornando o ensino escolar 
em uma educação de crianças e adolescentes para uma competência crítica e 
emancipadora. 
Outra a abordagem a ser destacada aqui é a crítico-superadora, 
embasada do discurso da justiça social no contexto de sua prática. Tem como 
objetivo levantar questões de poder, interesses e contestação; é realizada uma 
leitura dos dados da realidade à luz da crítica social dos conteúdos. A Educação 
Física, aqui, é entendida como uma disciplina que trata do jogo, da ginástica, do 
esporte e da dança como área de conhecimento da cultura corporal de 
movimento. 
A abordagem desenvolvimentista tem como meio e fim principal da 
Educação Física o movimento. Ela tem como campo de atuação especialmente 
a criança entre a idade de quatro anos a quatorze anos, buscando processos de 
aprendizagem e desenvolvimento de fundamentação para a escola. Nesta 
abordagem, é trabalhada a tentativa de se caracterizar a progressão normal do 
crescimento físico, desenvolvimento fisiológico, motor, cognitivo e afetivo social 
do aluno. 
Na abordagem Educação Física Plural, é encarado o movimento humano 
como técnica corporal construída culturalmente e definida por características de 
determinados grupos sociais, considerando todo gesto como uma técnica 
corporal justamente por ele ser uma técnica cultural. A Educação Física Plural 
considera que os alunos são diferentes e que, em uma aula, para que possa ser 
alcançado todos os alunos, devemos considerar essas diferenças, ou seja, 
combater a ideia de que determinados esportes são exclusivos de um único 
gênero. 
 
 
 
 
17 
 
Importante 
A pluralidade das ações é aceitar que o que torna os alunos iguais é justamente 
a capacidade de eles se expressarem diferentemente. 
 
Um outro tipo de abordagem de ensino da Educação Física é a humanista, 
cuja fundamentação está pautada nos princípios filosóficos em torno do ser 
humano, priorizando o valor e a identidade, e o crescimento é de dentro para 
fora. Nesta abordagem, apropria-se do jogo, do esporte, da dança e da ginástica 
como meios para cumprir os objetivos educacionais. O professor busca contribuir 
na ampliação das conscientizações social e crítica dos alunos, tendo em vista a 
sua participação ativa na prática social. 
Na abordagem psicomotricista, se utiliza de atividade lúdica como 
motivadora de desenvolvimento e aprendizagem. Nesta abordagem, fala-se de 
aprendizagens significativas, espontâneas e exploratórias da criança e de suas 
relações interpessoais. Tem na psicomotricidade seus objetivos funcionais em 
que os mecanismos de regulação entre o sujeito e o seu meio permitem o jogo 
da adaptação, o qual implica nos processos de assimilação e acomodação. 
Para finalizar, temos a abordagem sistêmica, em que sua essência está 
no entendimento de que ela é um sistema aberto que sofre e interage, 
influenciando a sociedade, procurando definir a vivência corporal de 
movimento, e apresenta ao aluno os conteúdos oferecidos na escola, 
oportunizando a experiência da cultura de movimentos. 
 
1.6 A ação pedagógica da Educação Física na escola 
 
Os objetivos e propostas da Educação Física na escola têm se modificado 
ao longo deste último século, e todas as suas tendências se modificam de 
alguma forma e têm influenciado a formação do profissional e as práticas 
pedagógicas dos professores. 
 
 
 
18 
 
Reflita 
Quando falamos em ação pedagógica na escola, surgem algumas questões, tais 
como: Como está a prática pedagógica da Educação Física na escola? Como a 
Educação Física é compreendida no espaço pedagógico da escola? Que 
relações são efetuadas com a Educação Física nos diferentes níveis de ensino? 
 
Com base nas reflexões organizadas, podemos relacionar alguns focos 
centrais no estudo: a organização pedagógica da Educação Física na escola; a 
compreensão dos professores a respeito da Educação Física ser uma prática 
pedagógica integrada aos processos educacionais da escola, de acordo com 
Garanhani (2008). 
Um grande aspecto da Educação Física na escola é o brincar. Por meio 
do brincar, a criança conhece os papéis sociais e a cultura humana, bem como 
consegue compreender e intervir com suas ações. 
 
Saiba mais 
A Educação Física dentro do contexto da educação escolar brasileira surgiu da 
necessidade social de se conservar o corpo infantil, pois era necessário cuidar 
do corpo para melhorar o desempenho na evolução da sociedade. Tinha-se a 
ideia de que cuidar do corpo era cuidar da nova sociedade em construção. 
 
No início do século XIX, os brinquedos e os jogos infantis foram utilizados 
na sistematização pedagógica da Educação Física de crianças pequenas que 
frequentavam as escolas. Dessa forma, surgiu a recreação como forma de 
sistematizar, pedagogicamente, atividades que estivessem relacionadas ao 
movimento do corpo das crianças. 
Nas aulas de Educação Física, os aspectos procedimentais são 
observáveis com maior facilidade, devido à aprendizagem desses conteúdos 
estarem vinculadas à prática. Além de buscar meios para garantir a vivência 
prática da experiência corporal, ao incluir o aluno na elaboração das propostas 
de ensino e aprendizagem, devem ser consideradas suas realidades social e 
pessoal; sua percepção de si e do outro; suas dúvidas e necessidades de 
compreensão dessa mesma realidade. 
 
 
19 
 
Conclusão da aula 1 
 
Chegamos ao final da nossa primeira aula. Podemos sintetizar, portanto, 
que a Educação Física na escola é uma oportunidade de aprendizagem e ensino. 
Por meio dela, professores têm ensinado o jogo, a ginástica, as lutas, a dança, 
os esportes que são afirmativamenteconteúdos clássicos e permaneceram 
durante esses períodos transformando diversos de seus aspectos para se 
afirmar como elementos de cultura, como linguagem singular do indivíduo no 
tempo. A contribuição da Educação Física, nesse caso, é de colocar os alunos 
em frente ao patrimônio da humanidade, chamado por alguns estudiosos como: 
cultura física, cultura de movimento, ou cultura corporal. 
 
Atividade de aprendizagem 
Descreva com suas palavras sobre a contribuição da Educação Física nas 
escolas. 
 
 
 
 
Aula 2 – Cultura do movimento 
 
Apresentação da aula 2 
 
Olá, aluno! Nesta aula veremos a importância do trabalho do movimento 
dentro das escolas e qual é a relação do professor para essa prática. Também 
veremos as mudanças que a Educação Física sofreu com o passar do tempo. 
 
Curiosidade 
Nenhum movimento pode ser estudado ou analisado como algo em si. Ninguém 
pode isolar o movimento, seja dos objetos ou do ser que se movimenta. Sempre 
são coisas, objetos, pessoas e animais que se movimentam, seja por forças 
próprias ou impulsionados por algo. 
 
 
 
20 
 
De acordo com Betti (2002), em torno do movimento, existe uma 
referência que, para o caso dos esportes, podem ser destacados os atributos do 
próprio movimento, os atributos do iniciador ou produtor do movimento, as 
condições do meio, bem como as próprias regras já estabelecidas para o próprio 
movimento. 
 
2.1 Educação Física e a cultura do movimento 
 
A Educação Física é uma expressão que apareceu desse a época do 
século XVIII em obras de escritores e estudiosos que estavam preocupados com 
a educação e a formação das crianças da época. Essa formação era concebida 
de uma forma integral, a qual tinha como objetivo ser trabalhado o corpo, a mente 
e o espírito. Ela englobou o campo da educação moral e da educação intelectual, 
e adjetivação da palavra educação demonstra uma particularidade ainda mais 
fragmentada do ser humano. 
De acordo com Freire (2000), podemos compreender que a tradição 
educacional brasileira se situou desde a década de 1920, em que a Educação 
Física era vista como uma atividade complementar e relativamente isolada 
dentro do currículo escolar, muitas vezes com objetivos determinados de fora 
para dentro, como: treinamento pré-militar, eugenia, nacionalismo, preparação 
de atletas etc. 
Betti (2002) diz que o esporte, as ginásticas, a dança, as artes marciais e 
as práticas de aptidão física tornam-se cada vez mais produtos de consumo 
(mesmo que apenas por imagens) e objetos de conhecimento e informações 
bem divulgados para o público em geral. É possível perceber que rádios, jornais, 
televisão videogames e outros meios de comunicação difundem ideias a respeito 
da cultura corporal de movimento, e existem muitas informações dirigidas 
diretamente ao público adolescente e às crianças que fazem com que estes 
tenham contato precocemente com práticas corporais e esportivas do mundo 
adulto. 
O estilo de vida gerado pelas condições socioeconômicas como a 
urbanização descontrolada, o consumismo, o desemprego crescente, 
informatização dentre outros, tem levado um grande número de pessoas ao 
sedentarismo, à alimentação inadequada e ao estresse. O crescente número de 
 
 
21 
 
horas em frete à televisão, especialmente por parte das crianças e adolescentes, 
tem diminuído a atividade motora, levando ao abandono da prática de jogos 
infantis, acarretando, por sua vez, em substituir a experiência de praticar o 
esporte pela de assistir ao esporte. 
 
 
Crianças em treinamento de escolinha de futebol 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
 
Menina assistindo à televisão 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
A criação de academias de ginástica e escolinhas de esportes têm 
atendido às camadas altas e médias da sociedade, mas os centros esportivos e 
de lazer público oferecem, ainda que de forma insatisfatória, programas de 
práticas corporais à população em geral. 
A cultura corporal do movimento tem sido partilhada de forma social ou de 
prática ativa por simples informação. Conforme coletivo de autores (1992), essa 
valorização social das práticas corporais do movimento legitimou o aparecimento 
 
 
22 
 
da investigação científica e filosófica em torno da atividade física, da motricidade, 
ou do homem em movimento. Inicialmente, restrito ao domínio da fisiologia do 
exercício e da medicina, esse campo de pesquisa está presente atualmente em 
diversas áreas da ciência, tais como: História, Psicologia, Sociologia e Filosofia. 
Em meados de 1960, nos Estados Unidos e na Europa, e na década de 1980, 
no Brasil, a Educação Física passou a fazer parte dos estudos e cursos nas 
universidades como uma área acadêmica organizada em torno da produção e da 
sistematização desses conhecimentos. A partir disso, surgiram estudos para 
mostrar a importância dessa disciplina na educação. Afinal, quais são as 
contribuições da Educação Física para a escola e formação do aluno? 
 
2.2 Contribuições da Educação Física para escola 
 
Quando consideramos o corpo humano em movimento como um objeto 
de estudo e o colocamos dessa forma para a compreensão das questões 
norteadoras do processo pedagógico na Educação Física, isso torna-se 
essencial para que ele possa ser destacado em alguns aspectos históricos, em 
suas principais abordagens pedagógicas na área, e, assim, consideramos o 
corpo como foi visualizado e considerado em diferentes períodos da história. 
Quando tratamos o corpo humano em movimento como objeto em uma 
só discussão, tratando-se em Educação Física, consideramos a junção das 
concepções com a prática cotidiana, em que a teoria e a prática se desencontram 
devido à velocidade em que elas acontecem, pois nessas concepções não 
existem hegemonia, assim como a aceitação dos professores de Educação 
Física que já atuam não são acessíveis às mudanças da prática pedagógica 
(FINCK, 2012). 
Você já viu que a Educação Física no século XVIII e XIX era estritamente 
influenciada pela medicina e militarismo, com o intuito de formar corpos 
saudáveis. Portanto, abordar a Educação Física na escola não é fácil porque ao 
mesmo tempo que muitos alunos gostam participam das aulas, esta disciplina 
continua sendo pouco valorizada em relação às demais. 
Finck (2012) diz que as aulas antigamente eram apenas uma extensão do 
treinamento físico realizado pelos soldados da época. Os exercícios realizados 
dentro das aulas eram baseados em métodos ginásticos estrangeiros, dando 
 
 
23 
 
uma extrema ênfase a eles. Outro problema é que nunca houve um consenso 
entre os professores quanto ao tipo de aula que deveria ser ministrada. Em 
meados da década de 50, a Educação Física brasileira foi influenciada pelo 
método desenvolvido pelo Instituto Nacional de Esporte, na França, que foi 
denominada de Educação Física Generalizada. 
 
Saiba mais 
Para aprofundar seus conhecimentos a respeito da Educação Física 
Generalizada, acesse o link: http://www.educacional.com.br/educacao_fisica/ed 
ucadores/educadores.asp 
 
Por meio de tais eventos históricos, constatamos que a Educação Física 
é oferecida nas escolas já a algum tempo e que a sua prática foi baseada na 
ginástica e na recreação, tendo como objetivos direcionados para a construção 
de uma cultura que induzisse o aluno a compreender a importância da prática 
oferecida. 
Na década de 1980, a disciplina começou a fazer parte da discussão das 
alterações na educação brasileira e a ser transformada em um importante 
referencial teórico-científico, iniciando novos entendimentos que resultaram em 
propostas inovadoras. 
 
2.3 Finalidades da Educação Física 
 
Falkenbach (2002) relata que a Educação Física deve assumir a 
responsabilidade de formar um cidadão capaz de posicionar-se criticamente em 
frente a novas formas de cultura corporal de movimento, tais como: o esporte- 
espetáculo dos meios de comunicação, as atividades de academia,práticas 
alternativas. Mas é preciso estar bem claro que a escola brasileira, mesmo se 
quisesse, não poderia se equipar em estrutura e funcionamento das academias 
e clubes até porque é outra sua função. 
 
 
 
24 
 
Mídias 
Assista ao vídeo, o Professor Reikson Khun fala exatamente a respeito da 
importância e finalidade da Educação Física na escola. Disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=r5d8zf2QNBo 
 
É importante que você saiba, também, que não basta aprender 
habilidades motoras e desenvolver capacidades físicas e aprendizagens 
necessárias, mas não suficientes. O aluno aprendendo os fundamentos técnicos 
e táticos de um esporte coletivo precisa também aprender a se organizar 
socialmente para praticá-lo; para isso, ele precisa compreender as regras como 
um elemento que torna o jogo possível. O aluno deve aprender a interpretar e 
aplicar as regras por si próprio, vendo o adversário não como um rival, mas sim 
como um companheiro essencial para a competição esportiva. 
A Educação Física tem como tarefa preparar o aluno para ser um 
praticante lúcido e ativo, que incorporará o esporte e os demais componentes da 
cultura corporal em sua vida para tirar deles o melhor proveito possível. 
Finck (2012) diz que é preciso instrumentalizar o aluno para uma 
apreciação estética e técnica, além de fornecer a ele informações políticas, 
históricas e sociais para que este analise criticamente a violência, o doping e os 
interesses políticos e econômicos do esporte. Essa é a contribuição que a 
Educação Física dá para o melhor usufruto do esporte-espetáculo veiculado pela 
televisão, por exemplo. 
A Educação Física precisa preparar o cidadão que vai aderir aos 
programas de ginástica aeróbica, musculação, natação etc. em instituições 
públicas e privadas a fim de ele que possa ser avaliada a qualidade do que é 
oferecido e identificada as práticas que melhor promovam sua saúde e bem-
estar. 
Em um processo de longo prazo, a Educação Física deve levar o aluno a 
descobrir motivos e sentidos nas práticas corporais que favorecerão o 
desenvolvimento de atitudes positivas para com elas, levando, assim, ao 
aprendizado de comportamentos adequados à sua prática, além de conduzir ao 
conhecimento e à compreensão e análise do seu intelecto os dados tanto 
científicos e filosóficos, relacionados à cultura corporal do movimento, dirigindo 
http://www.youtube.com/watch?v=r5d8zf2QNBo
 
 
25 
 
sua vontade e sua emoção para a prática e apreciação do corpo em 
movimento(FINCK, 2012) 
A Educação Física propicia, assim como os outros componentes 
curriculares, um tipo de conhecimento aos alunos. Contudo, conforme Enguita 
(1989), esse conhecimento não pode ser incorporado dissociado de uma 
vivência concreta, pois essa disciplina não pode ser transformada em um 
discurso sobre a cultura corporal de movimento a ponto de perder a riqueza de 
sua especificidade, mas ela se constitui como sendo uma ação pedagógica com 
aquela cultura. 
A dimensão cognitiva se faz sempre sobre esse substrato corporal. O 
professor de Educação Física deve sempre auxiliar o aluno a entender o seu 
sentir e o seu relacionar-se dentro da esfera da cultura do movimento corporal. 
A Educação Física deve guiar o aluno de forma progressiva e cuidadosa 
a uma reflexão crítica que o conduza à autonomia quanto ao usufruto da cultura 
do movimento corporal. Esse é um processo realizado em fases que existem 
objetivos específicos os quais devem respeitar os níveis de desenvolvimento do 
aluno e suas características e interesses. 
Betti (2002), em seus estudos, mostrou que na primeira fase do ensino 
fundamental: do 1.º ao 4.º ano, é preciso considerar que a atividade corporal é 
um elemento fundamental no desenvolvimento da vida infantil e deve ter uma 
estimulação psicomotora adequada e diversificada quando terá uma estreita 
relação com o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da criança. Nesse 
momento, deve-se primar com o desenvolvimento das habilidades motoras 
básicas, jogos e brincadeiras diversos e atividades de autotestagem. 
A partir do 5.º e 6.º ano do ensino fundamental, são aplicados os 
fundamentos do esporte, das atividades rítmicas/dança e das ginásticas. Nessa 
fase, a aprendizagem de uma habilidade técnica deve ser secundária à 
concretização de um ambiente lúdico e prazeroso e sempre levar em 
consideração o potencial psicomotor do aluno. 
Enquanto que no 7.º e 8.º anos são buscados os aperfeiçoamentos em 
habilidades específicas e a aprendizagem de habilidades mais complexas. Nessa 
fase, inicia-se o trabalho voltado para a aptidão física, entendida como 
desenvolvimento global, em que são equilibradas as capacidades físicas, tais 
como: a resistência aeróbia, resistência muscular localizada e flexibilidade. 
 
 
26 
 
Nessa fase, também procura-se trabalhar a sistematização de conceitos teóricos 
sobre a cultura do movimento corporal, buscando sempre uma associação entre 
a vivência e o conhecimento. 
 
Importante 
No ensino médio, devemos ter uma atenção especial. 
 
Estudos têm demonstrado grande desmotivação em relação à Educação 
Física desde os anos finais do ensino fundamental. Os adolescentes têm 
adquirido uma opinião mais crítica em outras disciplinas, deixando de atribuir 
valor à Educação Física. A atividade física que fazia parte de suas vidas até os 
12 anos mais ou menos dá lugar a outros interesses, como a sexualidade, o 
vestibular, o trabalho, etc. 
 
Curiosidade 
Nessa fase da vida dos jovens, a Educação Física deve propiciar novos 
interesses e não reproduzir simplesmente o modelo anterior, ou seja, repetir, às 
vezes, apenas de um modo um pouco mais aprofundado, os conteúdos dos 
últimos quatro anos do ensino fundamental. 
 
Nessa fase de ensino, a Educação Física deve ter características próprias 
e inovadoras que levem em conta a nova fase cognitiva e afetiva do adolescente, 
não perdendo o foco de incluir o aluno na cultura do movimento corporal, 
proporcionando a ele, por meio de práticas, que considere como essas 
atividades essenciais para si próprio. 
E quais estratégias devem ser seguidas no ensino da Educação Física na 
escola? No próximo tópico, você vai saber exatamente um pouco mais de como 
ensinar essa disciplina aos seus alunos. 
 
 
 
 
 
27 
 
2.4 Metodologia e estratégias 
 
A Educação Física tem a tradição técnico-pedagógico, há pelo menos um 
século e meio, em estratégias de ensino no campo das ginásticas, recreação, 
esportes e atividades rítmicas, jogos, de competição e cooperação etc. 
Logo, de acordo com Falkenbach (2002), podemos observar que essa 
disciplina não tem delimitações claras entre conteúdos e estratégias de ensino, 
muitas vezes esses quesitos até mesmo nos confundem quanto à sua aplicação. 
Como exemplo disso, para que fique mais claro para seu entendimento, é 
possível destacar o jogo, ele pode ser visto como uma metodologia de ensino 
lúdica, mas também como uma estratégia de ensino. O professor, ao utilizar esse 
rico acervo de estratégias e conteúdos, possibilita à Educação Física a 
construção de metodologias de ensino singular comparado às outras disciplinas, 
favorecendo, assim, o aluno quanto ao seu desenvolvimento afetivo, social e 
motor. 
Enguita (1989) traz alguns questionamentos para que possamos 
considerar o quanto de prazer e de satisfação podem estar presentes na 
aprendizagem de técnicas específicas; e o quanto de técnica de ensino do 
professor pode contribuir para uma melhor movimentação do corpo do aluno; e 
como os interesses do aluno contribuem para melhorar e satisfazer a 
movimentação e o desenvolvimento do processo de ensino. Para responder a 
esses questionamentos, Enguita sugere três eixos motivacionais para a 
aprendizagem e o ensino da cultura corporal do movimento: a resolução de 
problemas; o exercício de soluções por prazer funcional e de manutenção; a 
inserção nos grupos de referênciasocial. 
Nos dois primeiros, está como ênfase maior a busca da eficiência e da 
satisfação presente na aprendizagem de aspectos procedimentais e conceituais 
como consequência à possibilidade de usufruir as conquistas realizadas. Já no 
terceiro, temos a predominância da valorização da aprendizagem por meio da 
possibilidade da utilização de sua produção, como instrumento de inserção 
social, de comunicação e diálogo, de expressões de afeto e sentimento. 
Na aprendizagem da cultura corporal do movimento é tratado 
basicamente o acompanhamento de experiências prática e reflexiva de 
conteúdos na aplicação dentro de contextos significativos. Para Betti (2002), 
 
 
28 
 
durante o acompanhamento, são diversas as ideias e as estratégias de 
abordagem dos conteúdos, em que o professor e o aluno participam de uma 
integração cooperativa de construções e descobertas. O papel do professor, 
portanto, é promover uma visão organizada do processo de aprendizagem, com 
possibilidades reais de aplicabilidade, e o aluno contribui com o elemento novo 
que é o seu estilo pessoal de executar e refletir no aprender. 
Betti (1986) também afirma que sempre que falamos de ensino e 
aprendizagem de alguma técnica corporal, devemos ter bem claro qual universo 
de conhecimento está se elegendo como referencial, e, qualquer que seja este 
referencial, esconder a técnica é obrigar o sujeito a “reinventar a roda”, deixando- 
o alienado dos conhecimentos socialmente construídos. 
 
2.5 Princípios Metodológicos 
 
Agora que você já viu algumas metodologias e estratégias, é importante 
que saiba, também, que existem alguns princípios, os quais são trabalhados 
dentro da metodologia da Educação Física, descritos por Falkenbach (2002). 
Veja a seguir quais são eles: 
 
➢ Princípio da inclusão: quando os conteúdos e estratégias 
escolhidos devem sempre propiciar a inclusão de todos os alunos; 
➢ Princípio da diversidade: a escolha dos conteúdos deve ser, 
assim que possível, sobre a totalidade da cultura do movimento 
corporal, incluindo jogos, esportes, atividades rítmicas/expressivas 
e danças, lutas e artes marciais, ginásticas etc.; 
➢ Princípio da complexidade: os conteúdos devem ser complexos e 
de forma crescente com o nível dos anos de ensino, seja do ponto 
de vista motor quanto do ponto de vista cognitivo; 
➢ Princípio de adequação ao aluno: Em todas as fases do ensino, 
são levadas em conta as características, capacidades e interesses 
de cada aluno, seja na perspectiva motora, social, afetiva e 
cognitiva. 
 
 
 
 
29 
 
2.6 Avaliação 
 
O mais importante agora é você saber que existem dois tipos de avaliação 
na Educação Física: a tradicional e a progressista ou construtiva. Além disso, é 
essencial que você saiba diferenciá-las. Vamos ver a seguir cada uma delas 
separadamente! 
Na Avaliação Tradicional, o professor transmite conhecimentos ao 
aluno, que, por sua vez, aprenderá de forma passiva. Essa avaliação utiliza o 
formato de prova, atribuindo ao aluno uma nota fria e medindo apenas 
habilidades cognitivas. 
Na Avaliação Progressista, o professor faz diagnósticos e considera a 
capacidade de aprendizagem do aluno, além de se autoavaliar, pois o estudante 
é mais crítico e também faz essa autoavaliação. 
A mediação que transforma as informações disponíveis em conceito 
bimestral é um processo cognitivo-profissional inerente a cada professor, em que 
seus critérios são difíceis de explicar, pois envolve crenças e valores. 
O rendimento do aluno na avaliação não deve ser só intelectual, é preciso 
considerar, também, os aspectos da personalidade dele de forma mais 
abrangente, tais como: afetivos, social e corporal (Freire, 2000). 
A Educação Física já tem lidado com esse tipo de avaliação há muito 
tempo, porque ela propõe há algumas décadas alcançar os aspectos afetivos e 
sociais na formação do aluno. 
 
Reflita 
Contudo, surge uma questão quando falamos em avaliação: será que o 
progresso do aluno se deu devido ao seu amadurecimento físico, mental e motor 
ou foi devido à intervenção do professor no processo de ensino- aprendizado? 
 
Essa é uma questão muito importante que a Educação Física tem 
procurado responder, pois a melhoria em algumas habilidades motoras pode ser 
devido ao crescimento físico do aluno, algo que ocorre naturalmente, como 
também pode ser um aperfeiçoamento adquirido nas aulas. 
 
 
30 
 
A avaliação deve ser realizada em duas formas, a primeira delas é 
diagnosticar ou detectar em que fase de aprendizagem o aluno está para que o 
professor possa avaliar o processo de ensino; a segunda é classificar ou 
hierarquizar os estudantes com o objetivo de promoção. 
Quando avaliamos os alunos, devemos ter o cuidado de não utilizar essas 
formas de avaliação para dominá-los, pois o processo avaliativo deve ser 
realizado a fim de resolver problemas nas ações pedagógicas e facilitar a 
autoavaliação do professor. 
 
Conclusão da aula 2 
 
Nesta aula cabe a reflexão de que, atualmente, com rápidas e profundas 
transformações sociais as quais repercutem de forma dramática nas escolas, a 
Educação Física e seus professores precisam se fundamentar de forma teórica 
para justificar à comunidade escolar e à própria sociedade, o que já existe de 
estudo e conhecimento desta área de atuação pedagógica. Dessa forma, o 
professor estreita as relações entre teoria e prática pedagógica, inovando ou 
experimentando novos modelos, estratégias, metodologias, conteúdos em que a 
Educação Física contribuirá para a formação integral das crianças e 
adolescentes e para apropriação crítica da cultura contemporânea. 
 
Atividade de aprendizagem 
Descreva com suas palavras sobre a relação entre teoria e prática pedagógica 
na Educação Física, as experiências de novos modelos estratégicos e 
metodológicos utilizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
Aula 3 – Ginástica escolar: do lúdico ao esportivo 
 
Apresentação da aula 3 
 
Caro estudante, nesta aula, veremos a transformação que a ginástica teve 
nas escolas com passar do tempo, sua importância na aprendizagem dos alunos 
e como ela pode ser trabalhada pelo professor tanto na parte lúdica quanto na 
esportiva. 
Os docentes de Educação Física têm à sua disposição diferentes formas 
de trabalhar sua metodologia nas aulas, utilizando como recursos materiais, 
atividades e modalidades de práticas corporais que lhe são oferecidos. De acordo 
com Souza (1997), a introdução à ginástica na escola deve ser tratada de forma 
que seja o ponto crucial no planejamento do professor, pois a ginástica 
competitiva ou de qualquer outra forma tem sido desenvolvida, muitas vezes, 
como uma modalidade de pouco acesso aos alunos, tendo como foco a 
formação de atletas. 
 
3.1 Breve histórico da ginástica 
 
A ginástica vem desde seu surgimento sendo transformada, existindo há 
muito tempo como forma para obtenção de força, corpos saudáveis e ágeis. A 
ginástica, conforme citado por Darido e Rangel (2005), hoje tem um objetivo 
diferenciado do que fora proposto ao longo da história e esta mudança aconteceu 
quando foi implementada na escola, pela educação física, denominada Ginástica 
Escolar. 
 
Saiba mais 
Leia na integra o artigo “A importância da ginástica enquanto conteúdo da 
Educação Física escolar”, de Martha Bezerra Veira, que fala sobre a ginástica e 
o desenvolvimento da criança. Disponível no link: http://www.efdeportes.com/ 
efd180/a-importancia-da-ginastica.htm 
 
Na antiguidade, não se conhecia a palavra “ginástica”, pois as atividades 
físicas tiveram diversas características e manifestações, tais como: a educação 
 
 
32 
 
corporal, eficiência fisiológica, terapêutica, estética e moral. Isso tudo sem perder 
o foco na preparação militar. 
De acordo com Darido e Rangel (2005), o exercício físico utilitário e 
sistematizado de forma rudimentar era transmitido pelas gerações por meio de 
jogos, rituais efestividades. Antigamente, os exercícios físicos apareciam nas 
várias formas de lutas, natação, remo, hipismo, arco e flecha, exercício utilitário, 
jogos, rituais religiosos e, também, como preparação militar de maneira geral. 
Os autores descrevem, ainda, que, no Brasil, o início da ginástica ocorreu 
em diferentes momentos: a primeira influência foi a do método alemão, que 
chegou ao país em 1860 com a vinda de muitos imigrantes alemães que tinham 
a ginástica como hábito em suas vidas, permanecendo como oficial na escola 
militar até 1912, quando adotou-se o método pedagógico sueco nas escolas, 
tendo como grandes defensores, primeiramente, Rui Barbosa e, em seguida, 
Fernando de Azevedo; depois, temos o método francês, implantado no contexto 
escolar em 1921, integrado ao currículo escolar e obrigatório nas escolas 
normais, enquanto os professores de Educação Física, capacitados ou não, 
eram os responsáveis por ministrar essas aulas. A trajetória da história da 
ginástica nas escolas com seus diferentes métodos foi de grande influência para 
a criação da disciplina de Educação Física escolar no país. 
 
3.2 A ginástica nas aulas de Educação Física 
 
Agora que você já sabe um pouco mais sobre a história da ginástica, 
vamos aprofundar nosso conhecimento em como ela é aplicada nas aulas de 
Educação Física. Primeiro, é importante que você saiba que ela, fazendo parte 
de uma manifestação corporal, tem cinco campos de atuação: o saber da 
competição; o saber da demonstração; o saber do condicionamento físico; o 
saber da consciência corporal; e o saber da reabilitação (SOUZA, 1997). Esses 
diferentes campos dão diversas possibilidades pedagógicas para serem 
trabalhadas na aula de Educação Física. A seguir, você vai saber quais são 
essas possibilidades. 
A ginástica dentro da escola se preocupa com o desenvolvimento integral 
dos alunos, considerando seus progressos na aprendizagem motora, cognitiva, 
social e afetiva. Para que se possa obter o resultado que tanto se deseja, deve 
 
 
33 
 
ser levado em consideração todo o trabalho que está sendo realizado em 
paralelo com o desenvolvimento do objetivo central. É importante, por exemplo, 
reconhecer a relevância de cada movimento aprendido pelo aluno e conseguir 
aproveitar ao máximo a bagagem cultural que já está previamente enraizada no 
contexto social daquele ambiente (DAOLIO, 1995). 
A ginástica vai além de beneficiar os alunos na fisiologia, ela ajuda a 
melhorar a questão cognitiva dos alunos envolvidos nessa atividade de forma 
regular. Ela pode oferecer ao aluno, além de divertimento e satisfação, que é 
proporcionada pela própria atividade, o desenvolvimento da criatividade, da 
ludicidade, da participação e apreensão por parte dos alunos quanto às inúmeras 
interpretações da ginástica (AYOUB, 2003). 
Dentro da Educação Física escolar, nosso entendimento a respeito da 
ginástica é que ela se constitui como uma prática pedagógica que visa trabalhar 
a expressão corporal como uma linguagem, contribuindo para a formação de 
indivíduos críticos e criativos, além de intervir de forma significativa na realidade 
social deles. 
Podemos compreender que a ginástica, dentro da esfera social, influencia 
e é influenciada pela sociedade. Dessa forma, não podemos isolar a ginástica 
das outras atividades da vida humana, para não formarmos conceitos parciais e 
simplistas sobre o assunto. 
De acordo com Ayoub (2003), temos diversas modalidades de ginásticas 
consideradas como forma de competição, tais como: a ginástica rítmica, 
ginástica artística, dentre outras. Já a ginástica escolar está orientada para as 
questões educacionais e do lazer, sem fins competitivos, dando primazia à 
demonstração. 
O principal alvo da ginástica é que ao ser praticada, sejam visadas à 
promoção e à integração das pessoas e grupos e que seu desenvolvimento 
dentro das aulas seja realizado com prazer e criatividade, para isso se tornam 
pontos cruciais a ludicidade e a expressão criativa. 
 
 
 
34 
 
 
Ginástica sem fins competitivos 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
Conforme nos mostra Soares (1998), a ginástica escolar não tem regras 
rígidas preestabelecidas, pois ela estimula a amplitude e a diversidade, abrindo 
um leque de possibilidades para a prática da atividade corporal, sem distinção 
de gênero, idade, número e condições físicas dos participantes; diferentemente 
das ginásticas competitivas, que, por sua vez, dentre as suas principais 
finalidades, estão a seletividade e as regras rígidas preestabelecidas, que 
caminham no sentido da especialização, comparação formal, classificatória ou 
por pontos. Ayoub (2003) aponta que as diferenças entre a ginástica escolar e a 
ginástica competitiva não podem ser vistas de forma rígida, pois elas convivem 
interligadas na sociedade e exercem influências recíprocas. 
 
3.3 Ginástica como prática científica 
 
Vamos prosseguir nosso estudo abordando a ginástica como prática 
científica. Mas como a ginástica pode ser considerada como uma prática 
científica? 
A ginástica, quando é considerada como prática científica, é construtiva 
da mentalidade burguesa em que se destacou pelo seu caráter de ordem, 
disciplina e metódico, além do discurso da preservação da saúde. De acordo 
Soares (1998), ao longo do século XIX, tivemos diversas tentativas de estender 
sua prática para a grande massa trabalhadora urbana, que para os interesses 
do capital se tornava cada vez mais numerosa. 
 
 
35 
 
Curiosidade 
O autor diz, ainda, que é na aceitação progressiva dos princípios de ordem e 
disciplina formulados pelo movimento ginástico europeu, assim como o 
afastamento de seu núcleo primordial que era o divertimento, que aos poucos a 
ginástica se afirmou como parte da educação dos indivíduos, como prática capaz 
de potencializar a utilização de gestos e oferecer um espetáculo controlado 
institucionalizado do uso do corpo. 
 
No Brasil, os métodos ginásticos influenciaram de tal forma a constituição 
da Educação Física que passaram a estar presentes nos discursos políticos, 
médicos e pedagógicos. Por ser precursora da Educação Física, a ginástica 
científica se estabeleceu ao longo do século XIX como um resumo do 
pensamento científico no Ocidente europeu e parte integrante dos novos códigos 
de educação, justificando a sua inclusão no currículo escolar. 
Devido a isso, no século XIX tem início o projeto de institucionalização da 
Educação Física no Brasil, mas ainda com o nome de ginástica, sendo uma 
disciplina obrigatória nas escolas, em que os ideais eugênicos e higiênicos se 
faziam presentes na educação (SOARES, 1998). 
A Educação Física brasileira destacava-se por meio de seus conteúdos e 
métodos de ensino, assim como os assuntos relacionados à formação da ordem, 
disciplina e moral, frutos das concepções advindas dos métodos ginásticos 
europeus, estes, por sua vez, ancorados nos preceitos e contextos de seus 
países de origem. 
 
3.4 Ginástica, Educação Física e o desenvolvimento das crianças 
 
Você já viu, nas aulas anteriores, que a ginástica é uma ótima promotora 
do desenvolvimento físico e motor, ou seja, é uma das melhores modalidades 
que mais contribui para as crianças em desenvolvimento. Ela pode ser analisada 
por diferentes vertentes, mas para nosso estudo vamos considerar apenas duas 
delas: a escolar e a de alto rendimento. 
Segundo Souza (1997), durante a infância, as crianças produzem 
rapidamente uma sequência de habilidades fundamentais para o seu 
desenvolvimento, tais como: os movimentos unilaterais e bilaterais. Sendo 
 
 
36 
 
assim, as habilidades motoras básicas a serem trabalhadas nesse período de 
vida do aluno são: o rolar, o equilibrar-se, o saltar e o girar. Quando a criança 
aprende essas habilidades e as combina em sequências de movimento, facilitará 
o aprimoramento das capacidades mais complexas, ampliando as possibilidades 
do desempenho das habilidadesmotoras. 
 
 
Pular corda 
Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcTQIONhSfWLms 
_VS79Wpv7li0gLR7WewvYGM5tk8FMpLgHm5blw&usqp=CAU 
 
Para Brochado (2005), a criança quando cresce e começa a se 
desenvolver, de forma gradual, passa a descobrir e conhecer as possibilidades 
de ações que seu corpo lhe oferece. Por estar envolvida em diversos estímulos 
e inserida em um meio de largo universo de movimentos os quais os vivencia a 
cada momento, a criança terá, então, o desenvolvimento de sua capacidade 
cerebral. 
Ao viver a infância brincando e aprendendo por meio das atividades, a 
criança adquire automaticamente maiores experiências, resultando no 
desenvolvimento do sistema motor, e, ao brincar, ela avança em relação aos 
seus níveis reais de desenvolvimento. 
Galahue (2001) destaca que o aumento do tamanho do corpo da criança 
acontece de forma lenta, pois faz parte do desenvolvimento e crescimento 
dela. Esses processos estão inter-relacionados, e apesar de serem 
considerados sinônimos, cada um tem suas características próprias. 
 
Vocabulário 
Crescimento: refere-se à totalidade da alteração física, aumento do tamanho do 
corpo, causado pelo aumento das células. Desenvolvimento: são alterações de 
níveis de funcionamento físico que ocorrem no decorrer do tempo e significa que, 
 
 
37 
 
ao longo da vida, é necessário ajustar, compensar ou mudar para se obter e 
manter a habilidade. 
 
3.5 Realidades da ginástica na escola 
 
A ginástica, que no século XIX estava conquistando o status científico, 
aparece como instrumento que se adapta de forma exemplar a tais propósitos, 
pois os próprios métodos ginásticos trazem marcadamente a possibilidade de 
enaltecer o indivíduo abstrato, descolado das relações sociais, e serem porta- 
vozes de uma prática neutra, cultuando ainda mais “o mito do homem natural e 
biológico”, como afirma Soares (1998). 
No Brasil, ao longo do século XIX, pôde ser constatado que a Educação 
Física, sendo parte integrante da educação, se tornou alvo de grande atenção, 
pois, por seguir as orientações da concepção europeia, a sua vinculação com a 
educação moral e intelectual era frequentemente exaltada. 
O exercício ginástico, principalmente o de orientação militarista, se 
constituía como referência básica para o desenvolvimento da Educação Física 
nas escolas. Até os anos de 1940, a ginástica predominava nas escolas dentro 
das aulas de educação física e a partir desse período o esporte passa ser de 
forma progressiva. 
De acordo com Ayoub (2003) atualmente, na escola brasileira, a ginástica 
deixou de existir enquanto conteúdo obrigatório de ensino. A aula de Educação 
Física passou a ser aula de esportes. Esta realidade não se resume só ao Brasil, 
mas também a outros países, inclusive aos da Europa que eram o “berço” dessa 
prática corporal. 
Devido à visão de a Educação Física estar muito voltada ao esportivismo, 
surgiram alguns preconceitos quanto a essa prática corporal a qual pode estar 
ligada a dois aspectos: à tradição histórica; à associação à ginástica espetacular. 
Logo, analisando essas duas variáveis, elas são questões significativas 
que, aliadas ao processo de esportização da cultura corporal, contribuíram para 
que a ginástica fosse descartada da Educação Física escolar. O “tom pejorativo” 
que alguns profissionais da disciplina utilizam para se referirem à ginástica acaba 
revelando e reforçando esses preconceitos. 
 
 
38 
 
Para Souza (1997), a ginástica, enquanto for parte integrante do conjunto 
dos conteúdos que compõem a disciplina de Educação Física, caracteriza-se 
como um conhecimento de importância indiscutível e que não pode ser 
simplesmente abandonado ou colocado em segundo plano pela instituição 
escolar. 
Ayoub (2003) reforça essa ideia, afirmando que não podemos negar que 
o processo de limitação que tem ocorrido na Educação Física escolar brasileira 
está restringindo o seu conteúdo ao esporte e deixando de lado a ginástica, 
dentre outros temas da cultura corporal. Esse é um assunto muito sério e 
preocupante. 
Contudo, “devemos romper esta visão” (DAIOLO, 1995). Precisamos 
urgentemente assumir a responsabilidade de ampliar e ultrapassar essa ideia 
restritiva e equivocada da Educação Física escolar e compreender que a 
ginástica, assim como outras formas de expressão da cultura corporal, deve ser 
trabalhada com mais profundidade. 
 
3.6 Ginástica escolar em sua prática atual 
 
Desde que foi criada, a ginástica é marcada como sendo o corpo em 
movimento. Esse movimento é desenvolvido em diferentes manifestações 
corporais e em diversas culturas criadas pelo homem. Ela tem sido transformada 
desde sua invenção, mas quando ela é implantada no contexto da Educação 
Física como conteúdo é que as transformações se ampliam. 
É fundamental destacar que a cultura corporal é produzida pelo homem 
durante toda sua história, e que a ginástica vem acompanhando os avanços da 
humanidade na busca de integrar o ser humano ao ambiente que o cerca 
diferenciando cada corpo. 
Hoje em dia, a ginástica é pouco explorada ou vivenciada nas escolas, 
pois ela, sendo competitiva ou não, em geral, é vista como uma modalidade 
pouco acessível às aulas de Educação Física escolar, tendo como base uma 
visão elitista, como o intuito de formar ginastas em níveis de competição, por 
exemplo. 
De acordo com Darido e Rangel (2005), um fator relevante para que a 
ginástica não esteja sendo trabalhada de maneira satisfatória nas escolas esteja 
 
 
39 
 
acontecendo é a falta de conhecimento dos professores em como trabalhar a 
ginástica no âmbito escolar. 
Soares (1998) afirma que podemos investigar como a ginástica pode ser 
desenvolvida na Educação Física escolar a partir da metodologia crítico-
superadora, quando podemos identificar as possibilidades de intervenção. 
 
Curiosidade 
A metodologia crítico-superadora surgiu em meados de 1980, época em que se 
teve que repensar a Educação Física para além da esportização. Entretanto, 
essa metodologia se configurou na década de 90 e ela expõe e discute questões 
teórico-metodológicas da Educação Física, tornando-a matéria escolar, a qual 
trata, pedagogicamente, de temas da cultura corporal (SOARES, 1998). 
 
A ginástica como forma de exercitação provoca experiências corporais 
enriquecedoras da cultura corporal do indivíduo, por isso tamanha importância e 
necessidade de ela ser uma prática que envolva a tradição histórica, permitindo 
aos alunos darem sentido às suas “exercitações” ginásticas. 
 
Mídias 
Assista ao vídeo da ex-atleta Luísa Parente, atualmente professora de Educação 
Física, dando dicas de como abordar a ginástica no contexto escolar. Disponível 
no link: https://www.youtube.com/watch?v=_Z-jjO0Pumw 
 
Conclusão da aula 3 
 
Após esta aula, é interessante você refletir sobre a perspectiva de se 
programar uma prática coerente, efetiva e significativa dentro da ginástica que 
contenha os objetivos específicos capazes de proporcionar ao aluno momentos 
de prazer, criativos, interessantes que o cativem de tal forma que ele possa 
expressar grande interesse por ela. 
Ainda há muito trabalho à frente para tornar as aulas de ginástica efetivas 
dentro do conteúdo programático nas aulas de Educação Física, mudanças 
http://www.youtube.com/watch?v=_Z-jjO0Pumw
 
 
40 
 
essas que não acontecem em um passe de mágica, mas que demandam tempo, 
persistência e trabalho coletivo. 
 
Atividade de aprendizagem 
Diante das circunstâncias, como tornar as aulas de ginásticas efetivas nas 
aulas de Educação Física? 
 
 
 
 
Aula 4 – Dança, brinquedos, brincadeira e jogos 
 
Apresentação da aula 4 
 
Chegamos à metade do nosso estudo, e nesta aula você vai ver um pouco 
a respeito de como a dança é trabalhada dentro da Educação Física, como 
podemos estimular a criatividade das crianças durante nossas aulas por meio 
das brincadeiras e dos brinquedos.Outro ponto específico que você também verá 
adiante é como os jogos esportivos são trabalhados dentro das aulas de 
Educação Física. 
Daremos início destacando que a dança é reconhecida pelo ministério da 
educação como um curso superior com suas próprias diretrizes desde a década 
de 1970, e sua fiscalização é realizada por profissionais formados na área de 
teatro ou educação. Já na educação escolar, ela está presente como conteúdo 
das aulas de Educação Física, conforme nos indica os Parâmetros Curriculares 
Nacionais de 1997 (PCNs) da área dessa disciplina. 
Quanto ao brincar, ele é uma importante forma de comunicação e é por 
meio dessa ação que a criança pode reproduzir o contexto o qual está inserida, 
de forma lúdica e imaginária. O ato da brincadeira facilita o processo de 
aprendizagem da criança, auxiliando a construção da reflexão, da autonomia e 
da criatividade, estabelecendo relação estreita entre o jogo e a aprendizagem. 
 
 
 
 
 
41 
 
4.1 A dança e o universo escolar 
 
Gehres (1997) afirma que a dança é abordada nas escolas do Brasil como 
atividade extracurricular, estabelecida de forma diversificada, ainda que, do 
ponto de vista curricular, faça parte do conteúdo de Educação Física desde 1971. 
Quando recorremos à literatura existente, observam-se alguns fortes 
argumentos para a inexistência do conteúdo da dança nas aulas de Educação 
Física, destacando-se as questões estruturais e as de conhecimento – esta 
última por parte de aceitação dos alunos, principalmente os do gênero 
masculino. 
Quanto à questão estrutural, ao pensar em dança, é possível remeter a 
uma sala ampla, com pisos lisos e espelhos por todos os lados e um som de boa 
qualidade; assim como quando pensamos em esportes é possível remeter a 
quadras sem buracos, com coberturas e demarcações para todas as 
modalidades esportivas. 
Mesmo quando falamos em esportes, apesar das condições 
desfavoráveis, continuamos a tratar o conteúdo esportivo, com seus limites, 
mesmo com a quadra tendo se tornado sinônimo de aula de Educação Física. 
Mesmo que muitas escolas nem quadra tenham, ficando as aulas limitadas aos 
pátios, às ruas ou às praças. 
O espaço físico ou arquitetônico das escolas é estruturado com base nas 
proposições pedagógicas, tendo assim a necessidade de uma reflexão ampla 
sobre como a escola, principalmente a Educação Física, utiliza esse espaço. 
 
Saiba mais 
No artigo a seguir, de Sousa, Hunger e Caramaschi, você vai poder aprofundar 
ainda mais seu conhecimento a respeito da “Dança na Escola: um sério 
problema a ser resolvido”. Disponível no link: https://repositorio.unesp.br/ 
bitstream/handle/11449/8356/WOS0002847825000 24.pdf?sequence=3 
 
4.2 A dança e a sua importância na Educação Física 
 
De acordo com Marques (1999), a dança é uma arte constituída de 
movimentos rítmicos. Enquanto linguagem, ela favorece a expressão, 
 
 
42 
 
consciência do corpo, conhecimento de si e do meio, possibilitando descobertas, 
sensibilidade, emoção e envolvendo símbolos. Ela está presente em todas as 
culturas, se tornando uma grande fonte de informação e formação do ser 
humano, auxiliando a criança a construir sua autoimagem e a conhecer o mundo 
em que vive, contribuindo, portanto, para a construção de uma imagem social. 
A dança pode ser observada por diferentes ângulos e trazer diversos 
benefícios para os indivíduos, seja em relação aos aspectos físicos, emocionais, 
intelectuais e sociais, que contribuem para a integração e formação do senso 
crítico em cuidados com sua saúde e com o corpo, além de ser um meio 
educativo de ajuda na promoção da saúde que aborda temas transversais, tais 
como: sexualidade, puberdade, prevenção de doenças, entre outros temas. 
Quando o indivíduo se movimenta ao dançar, ele vivencia informações 
que reforçam a ideia de orientação psicodinâmica predominante no movimento 
inconsciente, que o beneficiará por dar o entendimento das emoções que se 
relacionam com seu estado de saúde atual e também pode ser vista como uma 
expressão que representa diversos aspectos da vida humana, considerada como 
linguagem social que transmite sentimentos, emoções vividas, trabalhos e 
hábitos ou costumes(GIGARAN, 2009). 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram criados para que 
houvesse uma unificação na Educação Física em todo território nacional, esta 
disciplina é unicamente direcionada à corporeidade e tem como bloco de 
conteúdo conhecimentos sobre: corpo, esportes, jogos, lutas, ginástica, 
atividades rítmicas e expressivas, essas últimas responsáveis pelas brincadeiras 
cantadas e danças. 
A dança deve ser um conteúdo fundamental a ser tratado na escola, pois 
é uma forma prática adequada e divertida para se ensinar todo o potencial de 
expressão do corpo. Independentemente de sua modalidade, ela tem como 
objetivo buscar a expressão individual de pensamentos e sentimentos, além de 
desenvolver a psicomotricidade do indivíduo. 
 
Vocabulário 
 
 
43 
 
Psicomotricidade: percepção motora que influência tanto os fatores 
intelectuais, afetivos e culturais. 
 
A dança precisa ser trabalhada com o objetivo de os alunos melhorarem 
a coordenação motora e a relação com os outros. Isso deve começar nas séries 
iniciais, pois só assim podemos estimular os alunos a gostarem dessa prática. 
Um grande exemplo para aplicar a dança no contexto escolar e nas aulas 
de Educação Física são as festas escolares, explorando a linguagem corporal 
dos alunos. Nelas pode-se empreender situações didáticas que ajudem os 
alunos a lerem e interpretarem a gestualidade que caracteriza as danças 
folclóricas e populares, por exemplo. Essas ocasiões podem ser tratadas de 
forma muito importante para compreender as identidades dos diversos grupos 
que produziram a manifestação cultural. 
Para Silveira (2008), por ser um meio de empreender situações didáticas, 
a dança se torna um rico instrumento pedagógico que auxilia o professor a 
aguçar e despertar no aluno o desejo de aprender muito mais além do que 
sempre tem visto no meio em que este vive. Por meio de danças culturais e 
folclóricas, podem aprender não só a reproduzir o passado, mas também abre 
uma porta para que possam fazer novas descobertas por meio das ideias e dos 
movimentos, sempre levando em consideração os sentimentos e emoções. 
 
4.3 Formação do professor para aulas de dança na escola 
 
Os professores precisam se qualificar para poder desenvolver trabalhos 
com a dança, pois não basta somente colocar os alunos para dançar, é 
necessário que o valor da dança seja reconhecido por ambos, tanto professor 
quanto aluno. 
 
Importante 
Quando a dança é ensinada com metodologia, os alunos passam a reconhecer 
o verdadeiro valor dela. 
 
 
 
44 
 
Para Silveira (2008), a dança deve estar presente na escola para 
formar e não ser incluída somente nas festas comemorativas. Dessa forma, 
podemos perceber a importância da qualificação do professor em Educação 
Física para trabalhar a dança como conteúdo dessa disciplina. 
Sendo assim, quando o professor de Educação Física pensa e quer um 
desenvolvimento em suas aulas, ele busca conhecimento para poder dar apoio 
aos seus alunos. Assim que se adquire o conhecimento, o professor precisa 
colocá-lo em prática, buscando melhorar os aspectos cognitivos de seus alunos. 
Outro fator de suma importância no trabalho da disciplina de Educação 
Física direcionado à dança é a interação do professor com o cotidiano do aluno. 
 
4.4 O brincar nas aulas de Educação Física 
 
Quando definimos o brincar, ressaltamos a importância que isso tem para 
o desenvolvimento do ser humano, seja no aspecto físico, social, cultural, afetivo, 
emocional ou cognitivo. Por isso, é necessário conscientizar os pais, os 
educadores e a sociedade em geral sobre a importância que a ludicidade tem e 
como ela deve ser vivenciada na infância, ressaltando que o brincar faz partede 
uma aprendizagem prazerosa e não apenas um lazer. 
Nesse contexto, Antunes (2003) afirma que o brincar na educação infantil 
proporciona à criança a chance de estabelecer regras constituídas por si e em 
grupo, em que contribui para a integração do indivíduo na sociedade. Sendo assim, 
a criança resolve conflitos e hipóteses de conhecimento ao mesmo tempo em 
que desenvolve a capacidade de compreender pontos de vista diferentes e de 
demonstrar sua opinião aos outros. 
Diversos estudiosos abordaram, direta ou indiretamente, a questão do 
brincar, do jogo, do brinquedo e da brincadeira. Oliveira (2000), por exemplo, diz 
que o brincar não tem que significar somente recreação, mas também o 
desenvolvimento de forma integral. 
 
Importante 
Essa atividade se caracteriza como uma das formas mais complexas que a 
criança utiliza para se comunicar, seja consigo mesma ou com o mundo. 
 
 
45 
 
É por meio do brincar, como afirma Oliveira (2000), que a criança pode 
desenvolver capacidades importantes, tais como: a atenção; a memória; a 
imitação; a imaginação que proporcionará à criança o desenvolvimento de áreas 
da personalidade como a afetiva, a motricidade, a inteligência, a sociabilidade e 
a criatividade. 
 
Mídias 
Assista ao vídeo a seguir, você vai poder ver educadores falando mais sobre a 
importância do brincar no aprendizado da criança. Disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=PCNvAFhx4H4 
 
4.5 O jogo, o brinquedo e a criança na escola 
 
Agora que você já viu um pouco sobre a recreação, vamos aprofundar 
nosso conhecimento a respeito do jogo, do brinquedo e como eles podem ser 
úteis para o aprendizado da criança na escola. 
O jogo se observado pelo ponto de vista educacional, de acordo com o 
Antunes (2003), significa divertimento, brincadeira, passatempo; diferentemente 
do que confundimos muitas vezes como competição. 
 
Curiosidade 
Os jogos infantis podem até incluir uma ou outra competição, mas visando 
sempre a estimular o crescimento e a aprendizagem com foco interpessoal, entre 
duas ou mais pessoas, realizadas por meio de determinadas regras, ainda que 
o jogo seja uma brincadeira que envolva regras. 
 
Para Kishimoto (2002), o brinquedo é diferente do jogo. O brinquedo é 
uma ligação íntima com a criança, na ausência de um sistema de regras que 
organizam sua utilização. Ele é o objeto com intuito de divertir a criança ou um 
suporte para a brincadeira, pois estimula a representação e expressão de 
imagens que evocam aspectos da realidade. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=PCNvAFhx4H4
 
 
46 
 
 
Ilustração de crianças utilizando brinquedos e jogos 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
A palavra “brinquedo” não pode ser reduzida à pluralidade de sentido de 
jogos, pois conota criança e tem dimensão material, cultural e técnica. Este 
objeto é o suporte da brincadeira, é a ação que a criança desempenha ao brincar. 
Portanto, brinquedo e brincadeira estão relacionados diretamente à criança 
(sujeito) e não ao jogo em si (KISHIMOTO, 2002). 
 
4.6 Educação Física e ludicidade 
 
O professor pode fazer o uso de jogos, brincadeiras, histórias e outros 
artifícios para que, de forma lúdica, a criança seja desafiada a pensar e a resolver 
situações. O lúdico pode e deve ser utilizado como uma estratégia de ensino e 
aprendizagem (SANTOS, 2002). 
O professor pode utilizar a brincadeira para facilitar conteúdos teóricos e 
conseguir ensinar e sensibilizar o aluno sobre a importância dessa atividade para 
sua aprendizagem e desenvolvimento físico, intelectual e social. 
O jogo tem se tornado cada vez mais importante no processo de ensino- 
aprendizado, deixando de ser um simples divertimento para se tornar essencial 
na transição do aluno entre a infância e a vida adulta. Alguns autores afirmam 
que o jogo infantil transforma a criança graças à imaginação e ao seu objetivo 
produzido socialmente. 
O jogo e a brincadeira estão presentes em todas as fases da vida do ser 
humano, fazendo com que a ação lúdica dessas atividades seja um componente 
indispensável na relação entre as pessoas e possibilita despontar a criatividade. 
 
 
47 
 
Antunes (2003) diz que, com as brincadeiras, a criança se envolve no jogo 
e sente a necessidade de partilhar com o outro, mesmo que seja como 
adversário, a parceria/rivalidade é um estabelecimento de relação. Essa relação 
expõe as potencialidades dos participantes, afetando as emoções, colocando em 
prova as aptidões e testando os limites. 
Quando está brincando ou jogando, a criança desenvolve as capacidades 
indispensáveis para sua futura profissão, tais como: atenção, afetividade, 
concentração, entre outras habilidades psicomotoras. 
 
4.7 Esportes e a dança nas aulas de Educação Física 
 
A escola adotou o esporte como sendo sua única estratégia de ensino e 
esta é uma constatação fácil de se perceber em todas as instituições escolares, 
tendo ela ou não estrutura para praticar as modalidades esportivas. A Educação 
Física tem lançado mão de um amplo leque de objetivos, como o 
desenvolvimento do sentimento de grupo, a cooperação, dentre outros 
(BRACHT, 1992). 
O objetivo da escola nas aulas de Educação Física, atualmente, é apenas 
o ensino-aprendizado de esportes, transformando a corrida e a ginástica em 
aquecimento, assim como transformou os jogos populares em jogos pré- 
desportivos. O esporte passou as ser o conteúdo hegemônico dessa disciplina. 
 
Curiosidade 
Os sentidos, como o criativo e o comunicativo, por exemplo, os quais são 
desenvolvidos em outras atividades de movimento, deixam de ser explorados 
quando o conteúdo é somente o esportivo. 
 
A função do professor de Educação Física, portanto, é a de promover ao 
aluno o entendimento dos vários sentidos que os jogos esportivos possam ter, a 
resolução de conflitos que possam surgir, ajudar os alunos a compreender e até 
mesmo adaptar regras. É necessário ensinar e discutir o que acontece no 
esporte, como, por exemplo, a questão política dos boicotes olímpicos e os 
ídolos esportivos. 
 
 
48 
 
Reflita 
Porcher (1977) levantou uma questão a respeito do esporte na Educação Física: 
será se é possível compreendermos nosso corpo e nossa expressão somente 
com a cultura esportiva? 
 
Para o autor, parece que não; falta aos professores adquirirem novas 
formas didáticas de ensinar o esporte, em que abordem teoria (cognitiva, social 
e cultural) e prática. Falta também introduzirem novas modalidades esportivas, 
os diferentes tipos de dança e as atividades expressivas. 
Nas escolas, o ano letivo é dividido em bimestres letivos e, normalmente, 
no 1.º bimestre é ensinado o futebol; no 2.º, handebol; no 3.º, basquetebol; no 
4º, voleibol. De acordo com Betti (1992), se essa programação é cumprida, os 
alunos conseguem, dentro do ano letivo, ver as quatro modalidades, mas o 
problema é quando ela é repetida para todos os alunos independentemente da 
faixa etária ou quando ela se repete todos os anos escolares. 
 
Reflita 
Surgem algumas questões, tais como: em que ficam as outras modalidades, 
como, por exemplo, a dança de salão, a capoeira, a ginástica aeróbica a 
musculação, a ginástica artística, o folclore e o atletismo? 
 
De acordo com Betti (1992), isso acontece porque alguns professores têm 
o receio de mudar, com medo de assumir alguma disciplina que não tenham 
conhecimento do conteúdo e, dessa forma, trabalham com o que têm mais 
afinidade. Outro motivo é que podem argumentar que a escola não tem espaço, 
material apropriado ou ainda acham que os alunos podem não querer aprender 
outras modalidades. 
A questão do espaço nas escolas é um assunto um pouco delicado, pois 
várias delas não dispõem de espaço ideal para a prática de atividade física. O 
professor não pode se prender a um espaço físico ideal, ele deve se adaptar a 
dar aula no espaço que tem. E o mesmo acontece em relação aos materiais, pois 
muitas escolas não têm um orçamentoque consiga manter materiais caros 
 
 
49 
 
disponíveis para as aulas, por causa da pouca durabilidade, como, por exemplo, 
as bolas. 
Caso a escola não disponha de recursos para conseguir os materiais para 
cada modalidade esportiva e tenha somente bolas de voleibol, as outras 
modalidades não serão trabalhadas sem problemas. Mas existem modalidades 
que não necessitam de material específico. Um exemplo é a dança de salão, 
pois para sua realização é necessário apenas um espaço e um gravador/rádio. 
O professor não precisa conhecer todas as danças existentes, o que seria 
impossível, esse tipo de aula pode ser realizado até mesmo com a participação 
dos alunos, em que eles podem contribuir com um passo ou outro de dança. 
 
Mídias 
Assista ao vídeo a seguir em que professores de escolas públicas relatam como 
eles driblaram imprevistos para transformar as aulas de Educação Física na 
escola onde atuam. Disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v 
=nEAeWWoukUo 
 
4.8 O jogo competitivo e a Educação Física escolar 
 
Competir, de acordo com Antunes (2003), significa enfrentar desafios e 
demandas que podem, conforme muitos aspectos individuais e situacionais, 
representar uma considerável fonte de estresse para os alunos, dependendo de 
seus atributos físicos, técnicos e psicológicos. 
Normalmente o termo competição se refere à ocasião em que o indivíduo 
tem a oportunidade de demonstrar seus atributos, seja em um jogo, em uma 
prova ou em confronto entre dois ou mais competidores. 
 
Vocabulário 
Competição: em sua forma mais simples de interpretação, a competição pode 
ser considerada como o momento em que indivíduos ou equipes se confrontam 
para buscar o mesmo objetivo: a vitória. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=nEAeWWoukUo
http://www.youtube.com/watch?v=nEAeWWoukUo
 
 
50 
 
Qualquer que seja o nível do aluno ou do esporte a ser disputado, a 
competição torna-se um constante desafio, que por, muitas vezes, ou por 
características individuais ou situacionais, acaba sendo uma grande ameaça 
aluno. 
Existe um conjunto de fatores que atuam e podem levar o aluno a um 
rendimento adequado ou não, de acordo Betti (1992), pois cabe a eles e aos 
professores terem conhecimento desses fatores e dos seus atributos para que 
possam lidar com tantas variáveis e mantenham um nível de desempenho que 
lhes permita atingir os objetivos determinados, sejam eles coletivos ou 
individuais. 
 
Conclusão da aula 4 
 
Concluímos mais uma parte do nosso estudo. Apesar de a dança ser 
pouco trabalhada como conteúdo, é preciso continuar avançando, pois ela é um 
dos temas que está sempre se inovando na prática de Educação Física. Por esse 
motivo é de grande importância que o professor continue se especializando, pois 
a realidade educacional não nos permitiu ver além do que já se conhece no 
consenso do dia a dia escolar. 
Quanto ao brincar e aos jogos, além da interação que eles proporcionam, 
auxiliam a desenvolver a memória, a linguagem, a atenção, entre outros fatores 
nas crianças. Dessa forma, tanto a dança quanto os jogos e as brincadeiras são 
fundamentais para que o professor possa identificar e intervir positivamente nas 
dificuldades que as crianças têm, auxiliando-as a uma melhora em suas vidas 
dentro e fora da escola. 
 
Atividade de aprendizagem 
Descreva com suas palavras sobre brincar e aos jogos, além da interação que 
eles proporcionam, como auxiliar a desenvolver a memória, a linguagem, a 
atenção. 
 
 
 
 
 
 
51 
 
Aula 5 – Interdisciplinaridade e eventos esportivos 
 
Apresentação da aula 5 
 
Caro estudante, nesta aula veremos a importância da interdisciplinaridade 
na formação dos alunos e como a Educação Física tem sua participação nesse 
processo. Veremos também a importância das competições e o que é necessário 
para que possamos realizar um evento esportivo. 
Para que ocorra a interdisciplinaridade, não devemos pensar em eliminar 
as disciplinas, mas sim torná-las comunicativas entre si, concebê-las como 
processos históricos e culturais, além de nos atualizarmos nas práticas do 
processo de ensino-aprendizagem. 
A competição, principalmente no ambiente escolar, tem gerado muitas 
contradições e, consequentemente, afastado possibilidades de debates. Os 
polos que alimentam as discussões sobre competições, em diferentes 
abordagens, viveram ou vivem reféns da apresentação de seus aspectos 
positivos de um lado e de seus aspectos negativos do outro. 
A competição é um elemento fundamental do esporte que dá sentido a 
sua existência e é nela que a manifestação do esporte se concretiza em sua 
plenitude. Desse modo, de acordo com Gomes (2005), qualquer ação que seja 
orientada para o ensino e aprendizagem do esporte não está desvinculada da 
necessidade de se aprender a competir, isso pode ser aprendido nas aulas de 
Educação Física (ensino formal) ou nas escolinhas desportivas (ensino não 
formal). 
 
5.1 A importância da interdisciplinaridade na escola 
 
Para Piaget (1981), a interdisciplinaridade é um intercâmbio mútuo e a 
integração entre várias disciplinas, tendo como resultado um enriquecimento 
recíproco. As disciplinas escolares muitas vezes são divididas em partes fazendo 
com que os alunos não consigam perceber a interação entre os diversos 
conteúdos trabalhados em cada disciplina, nem a inter-relação entre os 
conteúdos da própria disciplina, fazendo com que a aquisição do conhecimento 
seja uma experiência escolar fragmentada. 
 
 
52 
 
A interdisciplinaridade favorece ao aluno reconhecer que os conteúdos 
estão articulados e, dessa forma, podem contribuir para seu desenvolvimento, 
obtendo um conhecimento integrado, contextualizado, amplo e propulsor de 
novas inter-relações. 
Os PCNEM (BRASIL, 1999) definem que a interdisciplinaridade auxilia no 
processo de ensino-aprendizagem e contribui para que o aluno, ao assumir uma 
posição mais participativa, possa atingir os objetivos propostos à educação no 
Brasil. A interdisciplinaridade visa, também, ir além da simples justaposição de 
disciplinas e ao mesmo tempo diluir delas suas generalidades, por que todo 
conhecimento possibilita um diálogo permanente com outros conhecimentos, ou 
seja, olhar o mesmo objeto sob perspectivas diferentes. 
As Diretrizes Curriculares Nacionais sugerem uma gestão centrada na 
abordagem interdisciplinar e organizada por eixos temáticos, mediante 
interlocução entre os diferentes campos de conhecimento, o qual visa superar o 
isolamento das pessoas e o compartilhamento de conteúdo rígidos. As Diretrizes 
desafiam os professores, sob o ponto de vista da interdisciplinaridade, a 
desenvolverem uma abordagem epistemológica dos objetos de conhecimento. 
 
Importante 
Segundo Scortegagna e Eckel (2015), existem dois aspectos fundamentais a 
serem consideradas a respeito desse assunto que são: o diálogo constante entre 
professores e a humildade em aprender sempre, ou seja, uma formação 
continuada permanente. 
 
5.2 A Educação Física e a interdisciplinaridade 
 
Zattar Coelho (2013) propõe que a disciplina de Educação Física trabalhe 
a interdisciplinaridade. Dessa forma, poderemos valorizar ainda mais essa 
disciplina nos aspectos de ensino e aprendizagem. 
A Educação Física, por estar em universo mais amplo de atuação, 
chamado de cultura corporal do movimento, é uma área rica para o 
desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar. Por trazer conteúdos 
relacionados à qualidade de vida, ela favorece muito um aprendizado 
 
 
53 
 
significativo, porque todas as pessoas já trazem em si uma bagagem de 
conhecimento importante para que possa ser realizada a interdisciplinaridade. 
A autora Fazenda (2001) observa que qualquer trabalho interdisciplinar 
deve ir muito além do que simplesmente misturar Geografia, Química, 
Matemática e Português, por exemplo. Para a autora, ser interdisciplinar é 
tentar formar alguém a partir de tudo quevocê estudou em sua vida. O 
objetivo dessa metodologia é bem maior do que procurar interconexões entre 
diversas disciplinas, ela serve para dar visibilidade e movimento aos talentos que 
estão escondidos em cada ser humano. 
É interessante ressaltar a importância de um ensino integrado que possa 
ultrapassar a barreira do conhecimento fracionado e seja incorporado à prática 
diária do professor. Por esse motivo, é de suma importância a comunicação entre 
os professores de forma contínua, fazendo com que adotem a postura de 
educadores interdisciplinares. Essa metodologia fortalecerá o entendimento da 
função social do professor e faz com que o aluno se sinta como parte integrante 
e importante do processo educativo, em que buscará compreender questões 
complexas do dia a dia, por meio da multiplicidade dos enfoques fornecidos nas 
aulas. 
 
5.3 A interdisciplinaridade, a inclusão e a diversidade 
 
Vamos considerar estes dois aspectos da educação: a inclusão e a 
diversidade. Quando fala-se em inclusão, entende-se que nenhum aluno pode 
ser excluído de qualquer aula e é preciso garantir o acesso a todos os estudantes 
às atividades propostas. A diversidade complementa o princípio da inclusão, 
tendo em vista a proposta de aulas de conteúdos diversificados, como no caso 
da Educação Física, que não privilegia apenas algumas modalidades esportivas. 
O conceito de inclusão dentro da educação não pode se resumir somente 
à introdução de deficientes no sistema educacional, ele se refere a um contexto 
mais amplo, em que são englobadas todas as pessoas que experimentam as 
barreiras existentes quanto à aprendizagem e à participação (SANTOS, 2003). 
A inclusão não pode ser considerada somente como a presença física do 
aluno nas aulas, mas sim como uma participação ativa dele nas interações com 
os demais estudantes, logo, as intervenções do professor no processo de 
 
 
54 
 
ensino-aprendizagem garantirão as relações sociais do aluno com o propósito de 
manifestar os sentimentos e os conhecimento deste. 
Portanto, é importante criar culturas de inclusão que favoreçam o 
recebimento do outro não pelo que ele produz ou pelas formas que ele exibe, 
mas pelo que ele é, independentemente de suas diferenças. 
 
Importante 
É nessa hora que entra a Educação Física, pois ela contribui para a construção 
dessas culturas de inclusão em uma prática voltada e orientada para a 
reestruturação do olhar para a diversidade. 
 
Quando toda a comunidade escolar busca o mesmo objetivo, o 
desenvolvimento do respeito às diferenças, podemos dizer que existe a 
interdisciplinaridade. Esse é um grande exemplo de interdisciplinaridade atuando 
na escola e lutando pela inclusão. 
 
5.4 Reflexões pedagógicas do esporte na escola 
 
Você já viu no tópico anterior a respeito das contradições que guiaram os 
debates das competições escolares até agora, gerando grande impasse para o 
debate de melhorias. 
Agora você vai conhecer que entre os principais fatores que contribuem 
para as contradições dessa discussão está a própria negação da Educação 
Física quando analisa-se o número de obras que discutem sobre as competições 
no meio escolar, da mesma forma como acontece com a pedagogia do esporte, 
que, mesmo reconhecendo o significativo crescimento promovido pelas 
principais abordagens atuais, ainda são poucos os autores que se dedicam ao 
estudo, seja da teoria ou da prática da competição ou da pedagogia escolar. 
Contudo, de acordo com Reverdito e Scaglia (2006), foram encontradas 
propostas metodológicas para o ensino e aprendizagem dos esportes, como, por 
exemplo, aulas de jogos educativos. Mas nada muito aprofundado no tema até 
então. 
 
 
55 
 
A competição é um elemento fundamental do esporte, justamente por dar 
sentido à sua existência e por ser durante ela o esporte se realiza em sua 
plenitude. Qualquer ação orientada para o ensino e aprendizagem do esporte, 
não está necessariamente vinculada à necessidade de se aprender a competir, 
seja nas aulas de Educação Física ou nas escolinhas de esporte (SOUZA, 2001) 
Portanto, quando abordamos a temática “competição escolar”, devemos 
observar o compromisso dessa área com a educabilidade do sujeito e termos 
consciente das suas particularidades e função. 
A competição não se encerra nas fronteiras das práticas corporais e 
esportivas, mas assume e ultrapassa a plenitude da própria condição humana 
ao reconhecer os competidores. De acordo com Souza (2001), a competição 
não é boa ou má, ela é o que fazemos com dela. De acordo com o proposto 
pelo autor, compreende-se que a competição na aula de educação física é 
positiva ou negativa, tudo depende da abordagem utilizada. 
 
5.5 Jogos interclasses 
 
Os jogos interclasses são eventos realizados e promovidos entre turmas 
e séries dentro do âmbito escolar. Cada escola detém particularidade na 
organização do evento, o qual varia de acordo com o espaço, recursos 
financeiros, materiais e calendário disponíveis. 
De acordo com Paes (2001), uma das principais dificuldades relacionadas 
à manifestação do esporte escolar são as dúvidas quanto à sua função 
educacional, principalmente pelo fato de não se perguntar para quem é o 
esporte e pela falta de um enfoque educativo claro. Essas dúvidas estão 
geralmente relacionadas ao modelo de competição esportivizada, reproduzida 
no interior da escola, resultando em sérias críticas ao esporte escolar. 
Na tentativa de reproduzir nas escolas o modelo de esporte de 
rendimento, no qual se depara com uma série de fatores que não permitem seu 
inteiro desenvolvimento, acaba sendo sustentada apenas uma atividade 
esportivizada, com um fim em si mesmo. 
 
 
56 
 
 
Jogos interclasses de futebol 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
O problema desse modelo está geralmente associado à visão do adulto 
em detrimento dos anseios do próprio aluno, tendo que se adaptar aos padrões 
estruturais e organizacionais de grandes eventos esportivos. 
Para Souza (2001), nesse modelo existe uma grande ênfase na 
competição, tendo como mecanismo avaliativo a vitória, acarretando em 
desgaste e intrigas entre as turmas e os alunos. 
Outro tipo de situação negativa que pode acontecer é de os alunos 
utilizarem as aulas de Educação Física como horário de treinamento das 
equipes. Os protagonistas dos eventos são tratados de forma exclusiva, quase 
sempre sendo reduzidos a um grupo seleto, acarretando a eliminação de 
qualquer participação de outros alunos, isto é, aqueles que não integram as 
equipes participantes são excluídos dessas aulas e do evento esportivo. 
Outro grande problema que pode surgir é a importância dada às aulas de 
Educação Física e os eventos relacionados aos seus conteúdos que ficam quase 
sempre fora do Projeto Político-Pedagógico da escola e tratados como atividades 
extracurriculares. 
Paes (2001) afirma que é necessário transformar o cenário em que estão 
as competições escolares, especialmente no interior das escolas. É preciso uma 
reflexão sustentada na ação para ser capaz de romper com esse modelo obsoleto 
de competição. 
É muito importante que você saiba diferenciar que o problema não está 
diretamente nas competições esportivas, mas nas mãos daqueles que a partir 
dela estabelecem seus fins, pois, por meio dos eventos esportivos, é possível 
 
 
57 
 
promover a restauração do humano, em face de construirmos um mundo melhor, 
em cima das virtudes educativas existentes na competição pedagógica. 
 
5.6 Realização de eventos esportivos de caráter educacional 
 
De acordo com as Diretrizes Gerais (2016), quando falamos em eventos 
esportivos devemos pensar na sua estruturação e desenvolvimento, seja ela de 
abrangência local, regional, nacional ou internacional. Ao organizar a competição 
ou quando vamos viabilizar a participação de delegações, devemos também 
contribuir para o desenvolvimento da política de esporte estudantil, articulandoas ações voltadas para a formação esportiva (múltiplas vivências), iniciação 
desportiva e competições estudantis de forma assistemática de educação e de 
calendários esportivos oficiais, com foco em alcançar o desenvolvimento integral 
do indivíduo e a sua formação para a vivência esportiva, evitando a 
hiperseletividade e a hipercompetitividade dos participantes. 
Para compor o evento esportivo, devemos pensar em alguns itens e 
fatores essenciais para a realização dele. Saiba quais são esses itens a seguir: 
 
➢ Recursos humanos; 
➢ Material Esportivo; 
➢ Material de consumo; 
➢ Locação do espaço físico; 
➢ Locação de equipamentos; 
➢ Hospedagem; 
➢ Alimentação; 
➢ Arbitragem; 
➢ Premiação; 
➢ Passagens rodoviárias e aéreas nacionais ou internacionais; 
➢ Locação de transporte para pessoas, equipamentos e outros, os 
quais são necessários à prática das modalidades esportivas 
envolvidas na competição. 
 
 
 
58 
 
Devem ser elaborados documentos de acordo com a portaria 
Interministerial n. 507/2011, conforme descritos a seguir: 
 
➢ Projeto de convênio: constituição formal e associada de: (a) 
proposta de trabalho de acordo com art. 19 da Portaria 
Interministerial MPOG/MF/CGU n° 507, de 24 de novembro de 
2011, (b) plano de trabalho conforme o art. 25 da Portaria 
Interministerial MPOG/MF/CGU n° 507, de 24 de novembro de 
2011, (c) termos de referência de acordo com o art. 1°, § 2°, Inciso 
XXVI da Portaria Interministerial MPOG/MF/CGU n° 507, de 24 de 
novembro de 2011, (d) documento técnico de projeto e (e) 
documentação obrigatória que será realizada, processada e 
registrada junto ao Sistema de Convênios e Contratos de Repasse 
do Governo Federal – SICONV; 
➢ Capacidade técnica e operacional do proponente: é a 
demonstração da capacidade que propõe a realizar o projeto sob 
seus aspectos técnicos e finalísticos, via declaração, com 
referência e possibilidade de todos os meios de prova, com 
destaque às qualidades, habilidades, expertises, experiência, 
estrutura e atributos específicos do proponente que o potencializa 
como parceiro apto para o alcance do objeto proposto; 
➢ Termo de referência: Se trata do documento que é apresentado 
quando o objeto do convênio envolver aquisição de bens ou 
contratação de serviços, este deverá conter elementos capazes de 
propiciar a avaliação do custo pela Administração, mediante o 
orçamento detalhado, deve conter pelo menos três (03) propostas, 
considerando os preços praticados no mercado da região em que 
será executado o evento, a definição dos métodos e o prazo de 
execução do objeto; 
➢ Avaliação do custo: deverá conter a metodologia empregada pela 
Administração Pública Federal para análise das despesas a ser 
suportada pela Administração na aquisição dos bens ou na 
contratação dos serviços, tendo como princípios a legalidade, 
competitividade, a economicidade, a vantajosidade, a efetividade, 
 
 
59 
 
a razoabilidade, a regionalidade, a especificidade da política e a 
tempestividade; 
➢ Documento técnico de projeto: devem ter informações técnicas, 
administrativas, sociopolíticas e pedagógicas, prestadas de forma 
objetiva, conforme o padrão proposto pelo concedente, que tem 
como objetivo estabelecer um resultado mínimo do cenário de 
intervenção do projeto, bem como proposição pontual dos eventos, 
dos calendários e das atividades a serem desenvolvidas no escopo 
de metas e etapas do plano de trabalho; 
➢ Banco de projetos: Este é um instrumento de registro e 
homologação de projetos de convênio classificados, não 
selecionados, aptos para a execução e não celebrados, em 
decorrência de motivo de limite orçamentário, que constituirá 
ordem de preferência, conforme classificação, em um possível 
processo de celebração reaberto pelo concedente, enquanto válida 
a ata de publicação do banco de projetos. 
 
Para realizarmos um evento esportivo, a organização deve corresponder 
a todo um processo de periodização, especificando a execução do cronograma 
de atividade em cada período em que será realizado. 
A organização da competição não pode ter como objetivo ela por si só, 
mas ter como fim a educação. Por isso ela não tem início apenas quando o 
árbitro apita para começar ou encerrar uma partida, ela tem início desde a 
preparação do evento, marcando o sentido de congraçamento e 
responsabilidade entre os alunos, passando por uma série de manifestações e 
relações sociais e culturais, garantindo a participação ativa e motivacional de 
todos os envolvidos. 
 
Vocabulário 
Congraçamento: ato ou efeito de congraçar-se; ato ou resultado de conciliar; 
conciliação; reconciliação. 
 
 
 
60 
 
A organização desses eventos deve levar em consideração as 
necessidades da comunidade em que a escola está localizada. Pois, desse 
modo, teremos maior participação da comunidade em geral e de outras 
disciplinas, como, por exemplo, ao levar os jogos internos para fora da escola, 
trazemos a comunidade para dentro dela, isto é, vai além do jogar por jogar. 
 
Conclusão da aula 5 
 
Concluímos mais uma aula. Aqui, pudemos aprender que a 
interdisciplinaridade oferece uma nova postura mediante o processo de ensino- 
aprendizagem, uma mudança nas atitudes quanto à busca do contexto do 
conhecimento global, rompendo com os limites das disciplinas. Para que isso 
ocorra é necessário que o professor assuma uma postura interdisciplinar. 
A escola está dando aos seus professores de Educação Física a 
oportunidade de nivelar, em importância, sua disciplina às outras do ambiente 
escolar, uma vez que dentro do processo interdisciplinar todos os saberes são 
responsáveis pela formação dos alunos. 
Quanto aos eventos esportivos, é na escola que encontramos a maior 
manifestação das práticas esportivas, por isso ela não pode ocultá-los. Um 
grande problema é que as escolas ainda não acreditam na possibilidade e função 
educativa do esporte, sobretudo da competição. 
A escola não pode negar o esporte nem a competição, porque ambos 
emanam e compõem a essência complexa de um fenômeno sociocultural. Se 
queremos ensinar nossos alunos a praticar o esporte em sua plenitude, devemos 
também ensiná-los a competir. Dessa forma, a competição não é nem boa nem 
ruim, ela é aquilo que especificamos para seus fins, nos tornando responsáveis 
pelo ambiente pedagógico que satisfaça às necessidades das crianças e dos 
adolescentes. 
 
Atividade de aprendizagem 
A escola está dando aos seus professores de Educação Física a oportunidade 
de nivelar, em importância, sua disciplina às outras do ambiente escolar. De 
acordo com o que foi estudado nesta aula, descreva sobre a oportunidade e 
importância da disciplina de educação física no ambiente escolar. 
 
 
61 
 
Aula 6 – Metodologia do corpo em movimento. As questões relacionadas 
com o crescimento cognitivo 
 
Apresentação da aula 6 
 
Prezado estudante, nesta aula veremos a importância das aulas de 
Educação Física no desenvolvimento cognitivo das crianças e como o professor 
pode avaliar o desenvolvimento de seus alunos. 
Antes de aprofundamos nosso conhecimento, é importante que você 
saiba que, a partir do momento em que a escola existe como instituição, diversos 
programas pedagógicos foram propostos. Betti (1992) diz que apesar da grande 
variedade de programas que encontramos, eles refletem diferentes funções da 
escola ao longo de sua história. 
Atualmente a escola tem papel fundamental no desenvolvimento e na 
questão social das crianças, devido à necessidade que as famílias têm de 
compartilhar com as instituições os cuidados de seus filhos; outro ponto 
importante da escola é a formação política dos cidadãos. 
 
6.1 O conhecimento específico abordado na Educação Física 
 
Para os que estão envolvidos com a educação, o reconhecimento geral 
dessas funções já ditas em outras aulas não são tão simples, pois surgem 
questões, tais como: “Qual é o objetivo desse ensino?“Acumular conhecimentos 
úteis?”; “Úteis para quem e para quê?”; “Aprender a aprender?”; “Aprender a 
controlar, a repetir?”. Essas questões têm sido tema central de diversas 
discussões, tanto acadêmicas quanto entre profissionais da educação. 
Quando observamos a realidade da Educação Física na escola, de acordo 
com Tani, Manoel, Kokubun e Proença (1988), ela constata como um 
componente curricular sem uma clara definição de sua função no contexto 
educacional. Isso tem gerado uma prática pedagógica sem sua especificidade 
devidamente caracterizada, por esse motivo, tem a dificuldade de interagir com 
outras disciplinas do currículo. 
Apesar de a Educação Física ser instituída legalmente como um 
componente curricular e ser também reconhecida como fundamental para o 
 
 
62 
 
desenvolvimento do aluno, ela parece estar presente na escola apenas como 
uma simples atividade. 
O posicionamento básico da disciplina de Educação Física é de que existe 
um conhecimento teórico e prático sobre a motricidade humana, tendo como 
objetivo otimizar as possibilidades e potencialidades do aluno para se 
movimentar. Esse conhecimento deverá capacitar o aluno para a regulação, 
interação e transformação em relação ao meio em que vive. 
Quando analisamos a natureza desse conhecimento, convém esclarecer 
o significado dos termos regulação, interação e transformação empregados 
nesse contexto. 
De acordo como Freudenheim (1993), quanto à regulação, nós estamos 
nos referindo a um duplo desafio na motricidade humana que são: operar 
variáveis comportamentais e fisiológicas que constituem os sistemas 
fundamentais para a qualidade de vida no sentido de equilíbrio homeostático, ou 
seja, se transformar em direção ao que corresponde uma referência vital, operar 
essas variáveis em direção às transformações que asseguram formas de 
interação a uma referência variável no processo de desenvolvimento. 
A interação e a transformação podem ser caracterizadas quando, por 
exemplo, as funções motoras são fundamentadas na compreensão de 
princípios biomecânicos que controlam a postura corporal. Vamos ver este 
exemplo: Carregar um objeto pesado bem próximo de seu corpo em vez de 
levantá-lo distante dele tem a finalidade de minimizar a sobrecarga para a 
coluna, pois dessa forma o braço de alavanca será menor quanto mais perto o 
braço estiver do corpo. 
Daolio (1992) descreve que o esporte tem se constituído em um fenômeno 
social de proporções mundiais, o que quer dizer que o aluno pode não gostar de 
praticar determinadas expressões da cultura do movimento, como jogo, esporte, 
dança e ginástica, mas ele pode ter sua opinião formada após conhecê-los, ou, 
ainda, mesmo não praticando, poderá ser um expectador com capacidade de 
apreciar essas manifestações que compõem a cultura de movimento. 
Dentro do que foi considerado, é possível discutirmos a respeito das 
dimensões: procedimental, simbólica e atitudinal. De acordo com Betti (1992), a 
dimensão procedimental nos diz respeito ao saber fazer, a capacidade de se 
mover em uma diversidade de atividades motoras crescentemente complexas 
 
 
63 
 
de forma mais efetiva e graciosa. Nessa concepção, o aprender a mover-se 
envolve atividades como tentar, praticar, pensar, tomar decisões e avaliar, ou 
seja, significam muito mais que do que respostas motoras estereotipadas. 
Agora, quando falamos em dimensão atitudinal, estamos nos referindo a 
uma aprendizagem que implica em utilizarmos do movimento como meio para 
chegarmos a um fim, que não precisa, necessariamente, estar relacionado a uma 
melhora na capacidade de se mover efetivamente. O movimento é, para o aluno, 
um meio de aprender sobre seu potencial e suas limitações, além de aprender 
sobre o meio ambiente. 
O aluno pode se expressar pelo gesto, som, mímica, jogos e perceber que 
o corpo é um instrumento de comunicação, ou seja, por meio dessas explorações 
e observações poderá estabelecer comparações com outras crianças, adultos 
animais, construindo seu autoconceito e compreensão da realidade. 
 
6.2 A Educação Física e a pré-escola 
 
De acordo com Cisneiros (1995), todas as crianças, independente do 
sexo, raça, cultura ou potencial físico têm direito a oportunidades que maximizem 
o seu potencial e o seu desenvolvimento. Dentro dessa premissa, o movimento 
tem papel fundamental no desenvolvimento humano (cognitivo, psicomotor, 
afetivo-social), e a Educação Física na escola deve considerar todos esses 
aspectos como aspectos independentes e interdependentes. 
O currículo de Educação Física pré-escolar implica em estruturação de 
um ambiente que possa auxiliar as crianças a incorporar a dinâmica em 
solucionar os problemas, a descoberta nos domínios da cultura do movimento. 
Sendo assim, são propostas algumas metas educacionais, confira a 
seguir quais são elas: 
 
➢ Competência: serve para auxiliar o aluno a utilizar suas próprias 
habilidades, conhecimentos e potencial em uma interação positiva 
com desafios, dúvidas, pessoas e os problemas de seu ambiente; 
 
➢ Individualidade: serve para auxiliar o aluno por meio de um 
funcionamento autônomo a tomar decisões, desenvolver 
 
 
64 
 
preferências, se arriscar ao fracasso, estabelece uma dinâmica 
independente para resolver problemas e aceitar auxílio sem o 
sacrifício da independência; 
 
➢ Socialização: serve para auxiliar o aluno a desenvolver sua 
capacidade de se comprometer nas relações de mutualidade com 
outras pessoas. 
 
Piaget (1985) identifica uma arquitetura do conhecimento que nos facilita 
a compreensão dos mecanismos que controlam a aquisição desse 
conhecimento, pois se o aluno estiver diante de um problema específico, o 
conhecimento que engloba condutas sensório-motoras até representações 
mentais será ativado. Para o autor, a aquisição desse conhecimento se dá por 
meio de três tipos de esquemas: o presentativo, o procedural e o operatório. 
Os presentativos estão interligados às propriedades permanentes e 
simultâneas de objetos comparáveis, como, por exemplo, os quadrados e bolas. 
Englobam, também, grande número de esquemas sensório-motores, como, por 
exemplo, reconhecer e alcançar uma bola em movimento durante uma situação 
de jogo ou um objeto suspenso em um fio. 
Outra característica dos esquemas presentativos é que eles podem ser 
facilmente generalizados e abstraídos de seu contexto, isso implica diretamente 
nos esquemas sensório-motores, uma vez que o esquema de agarrar uma bola 
será utilizado em várias outras situações com diversos tipos e tamanhos de 
bolas. 
Piaget (1985) diz também sobre os esquemas procedurais que constituem 
as ações sucessivas e servem como meio para alcançar um fim. Esses 
esquemas, ao contrário dos presentativos, são difíceis de abstrair de seus 
contextos, devido a serem relativos a situações, sejam particulares ou 
heterogêneas, portanto, específicos. Eles têm a função do fazer, do êxito, da 
ação eficiente. 
Os esquemas operatórios integram e sintetizam os dois tipos de 
esquemas anteriores constituindo-se em um terceiro. Este tipo de esquema 
organiza o objeto dando forma a ele e o estruturando por meios regulados e 
gerais que buscam garantir um objetivo. 
 
 
65 
 
6.3 Orientações didáticas na aula de Educação Física 
 
Para que o desenvolvimento das habilidades básicas de locomoção, 
manipulação e equilíbrio sejam construídos com base em um acervo motor de 
ampla diversificação de movimentos, o professor deverá organizar as tarefas de 
aprendizagem considerando os aspectos do movimento, segundo Daolio (1992), 
como: 
 
➢ Espaço: 
➢ Direção: frente, atrás, lado, subindo, descendo; 
➢ Níveis: alto, médio, baixo; 
➢ Planos: sagital, frontal, horizontal; 
➢ Extensões: pequena, grande; 
➢ Tempo: lento, rápido, acelerando, desacelerando; 
➢ Esforço: forte, fraco; 
➢ Objetos: corda, bola, arco, jornal etc.; 
➢ Capacidades físicas: resistência, força,flexibilidade, velocidade; 
➢ Núcleos do movimento: articulações de ombro, joelho, cotovelo 
etc.; 
➢ Relacionamento: duplas, trio, grupo. 
 
Para Tani, Manoel, Kokubun e Proença (1988), mesmo que o currículo 
esteja devidamente organizado, resultando em um excelente programa, terá 
pouca eficiência se o ambiente de aprendizagem não for devidamente 
organizado e se não forem tomados os devidos cuidados no planejamento e 
implementação das aulas. 
 
6.4 Corpo em movimento, concepções e prática na educação infantil 
 
A importância do movimento na educação da criança pequena se torna 
evidente quando examinamos o Referencial Curricular Nacional para educação 
Infantil (1998), porque é no movimento que a criança se expressa e se comunica 
com o mundo, por meio das expressões corporais e faciais, ao empregar o corpo 
como uma ferramenta de interação. 
 
 
66 
 
Quando consideramos que o movimento está integrado ao conjunto das 
atividades da criança por estar vinculado à expressão, ou seja, permite os 
desejos e os estados íntimos e necessidades se apresentem, destacamos que o 
corpo da criança tem papel fundamental durante a infância, justamente por ser 
umas das linguagens de expressão e vinculação dela com o mundo. 
Na imagem a seguir, crianças participam de circuito de Educação Física, 
um dos exemplos de atividades para o professor trabalhar a fim de estimular a 
motricidade e a expressão corporal dos alunos. 
 
 
Crianças participando de circuito de Educação Física 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
Com base nessa informação, é preciso que os profissionais de Educação 
Física tenham atualizações constantes em sua área de conhecimento, a fim de 
que estejam capacitados para proporcionar às crianças experiências 
psicomotoras que mostrem a elas a importância do corpo, do movimento, da 
expressão e do afeto (VAZ; TAVARES, 2011). 
Para Arribas (2004), é necessário que exista uma intencionalidade 
educativa que exija cuidado na elaboração dos planejamentos e que dê uma 
abertura aos interesses e iniciativas das crianças. Deve ter também 
envolvimento dos adultos para direcionar as atividades, estimulá-las em prol do 
conhecimento do corpo e da motricidade como relevantes, em qualquer proposta 
educativa, em todas as áreas de aprendizagem e desenvolvimento. 
Dessa forma, deve existir uma organização proveniente dos professores 
ao refletir e considerar em seus planejamentos o movimento como conteúdo de 
relevância na rotina educacional das crianças, envolvendo a família e outros 
contextos que possam enriquecer e oportunizar outras vivências motoras, 
 
 
67 
 
colaborando para o desenvolvimento integral da criança e proporcionando a elas 
aprendizagens significativas. 
Arribas (2004) também destaca que tais experiências precisam ter 
finalidades voltadas a acompanhar, orientar e estimular o desenvolvimento 
psicológico e motor do aluno por meio de diferentes experiências educativas que 
levem a um desenvolvimento integral. 
 
6.5 Participação da Educação Física no desenvolvimento cognitivo 
 
A Educação Física é uma atividade realizada de forma dinâmica que 
contribui para a formação ampla do indivíduo, tanto em seu aspecto social 
quanto no desenvolvimento individual, por meio de atividades lúdicas que lhes 
proporcionam equilíbrio entre corpo, mente e espaço. De acordo com Arribas 
(2004), a Educação Física desenvolve as habilidades motoras de qualquer 
sujeito, além de manter elementos terapêuticos, sejam eles emocionais ou 
físicos. 
 
Mídias 
Assista ao vídeo a seguir, no qual você vai poder ver um exemplo prático de 
aplicação didática do ensino de desenvolvimento cognitivo da criança na aula de 
Educação Física. Disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=Nj 
7zKeZQ9eo 
 
O trabalho pedagógico desenvolvido dentro dessa disciplina deve estar 
direcionado para a construção da cidadania do indivíduo, formando elementos 
críticos e participativos dentro do meio social em que estão inseridos. 
 
Curiosidade 
O objetivo principal deve ser de que o aluno adquira a qualificação socio- 
histórico-cultural necessária para desenvolver uma racionalidade crítica, 
autônoma e participativa. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=Nj7zKeZQ9eo
http://www.youtube.com/watch?v=Nj7zKeZQ9eo
 
 
68 
 
É necessário existir uma relação teórico-prática na metodologia de ensino. 
Durante muito tempo, pesquisadores têm discutido qual seria a melhor definição 
para essa disciplina. Foi pensado em Educação do físico, mas ela não se limitava 
apenas na educação do corpo físico, músculos e ossos. Os pesquisadores 
acreditavam que essa definição negava valores importantes, como o respeito, a 
moral, a ética, a cidadania, entre outros. 
Vieram novas pesquisas que trouxeram a definição de “educação pelo 
físico” e nelas os pesquisadores analisavam o desenvolvimento educacional do 
aluno. Cisneiros (1995) diz que não seria somente o físico o responsável pela 
educação, mas também era necessário considerar a capacidade de raciocínio 
que ocorre no momento da atividade física. Anos depois surgiu o termo 
“Educação Física” cujo significado é “corpo em movimento”. 
Daolio (1992) explica que quando o professor planeja sua aula, ele deve 
sempre levar em consideração a bagagem de conhecimento da criança; a reação 
do grupo diante da atividade, como aspecto social; procurar respeitar cada aluno 
como um ser único, em que cada um tem suas limitações e particularidades; e 
sempre estimular os estudantes para que eles queiram aprender mais e mais com 
as aulas de Educação Física, colaborando, assim, para os aspectos psicológicos. 
O professor deve sempre se lembrar que tais aspetos devem estar em 
constante sintonia, pois a aula, que para muitos pensam ser uma perda de 
tempo, é de fundamental importância, principalmente para crianças que estão 
em fase de desenvolvimento, porque podemos aliar a Educação Física à 
educação moral e intelectual, formando um indivíduo como um todo. 
 
6.6 O desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento da criança 
 
Piaget (1985) explica que o desenvolvimento de uma criança pode e deve 
ser acompanhado normalmente como uma das estratégias de prevenção de 
saúde, tanto na infância como na adolescência. Podemos observar esse 
desenvolvimento em vários eixos, tais como: motor, linguagem, social, afetivo, 
adaptativo e também o cognitivo. A diferença entre eles ou o atraso em um ou 
mais esses eixos deve chamar a atenção e direcionar a criança para medidas de 
intervenção precoce. 
 
 
69 
 
Nesta aula, vamos focar nosso estudo no desenvolvimento cognitivo. 
Contudo, é importante que você saiba, primeiro, o que é cognição. A definição 
de cognição é qualquer coisa que esteja ligada ao cérebro. 
 
Mídias 
Assista ao vídeo a seguir, você vai ver mais detalhes a respeito de como Piaget 
explica o desenvolvimento cognitivo. Disponível no link: https://www.youtube. 
com/watch?v=_CGu08gXTC4 
 
Já a cognição se refere a um conjunto de habilidades cerebrais ou mentais 
necessárias para a obtenção de conhecimento do mundo. Essas habilidades 
envolvem pensamento, abstração, linguagem, memória, atenção, criatividade, 
capacidade de resolução de problemas, entre outras funções. 
De acordo com Vaz e Tavares (2011), desenvolvimento cognitivo é 
entendido como um processo pelo qual os indivíduos adquirem conhecimento de 
mundo ao longo da vida. Adquirir conhecimento ao longo da vida equivale dizer 
que estamos sujeitos a adaptação ao meio o tempo todo. Então, não é errado 
dizer que estamos nos desenvolvendo cognitivamente todos os dias, enquanto 
vivemos. 
De acordo com Piaget (1985), cognição significa processar informações 
com a finalidade de perceber, integrar, compreender e responder 
adequadamente aos estímulos do ambiente, que levará o indivíduo a pensar e a 
avaliar como cumprir uma atividade ou tarefa social. Para que isso seja 
processado, é necessário o envolvimentode diversas áreas cerebrais, isto é, 
fontes de determinadas funções em conjunto que expressam uma habilidade 
específica. 
O desenvolvimento cognitivo depende do envolvimento de diversas outras 
funções para a boa desenvoltura delas. Viver em um ambiente biológico e afetivo 
saudável é de suma importância para o desenvolvimento da criança. 
Disponibilizar materiais e espaços para fazer com que a criança se 
aproprie de estímulos cognitivos é primordial. Dessa forma, podemos observar 
como a criança reage e como ela adquire habilidades ao ser estimulada, nos 
permite também avaliar como estão suas competências e ao mesmo tempo se 
http://www.youtube.com/watch?v=_CGu08gXTC4
http://www.youtube.com/watch?v=_CGu08gXTC4
 
 
70 
 
pode ou não ter algum transtorno que está atrapalhando seu desenvolvimento 
(VAZ; TAVARES, 2011). 
 
Conclusão da aula 6 
 
Concluímos mais uma parte do nosso estudo. Você viu nesta aula a 
importância da Educação Física no desenvolvimento cognitivo da criança; qual 
o papel do professor dessa disciplina no aprendizado do aluno; e quais 
estratégias devem ser adotadas na parte pedagógica da Educação Física. 
 
Atividade de aprendizagem 
Nesta aula foi visto sobre a importância da educação física no 
desenvolvimento cognitivo da criança. Qual o papel do professor e quais 
estratégias? 
 
 
 
 
Aula 7 – Planejamento da Educação Física escolar 
 
Apresentação da aula 7 
 
Nesta aula, você vai ver a importância do planejamento para as aulas de 
Educação Física; como o professor deve trabalhar na elaboração de suas aulas 
para estar em sintonia com a escola; como devem ser realizadas as avaliações 
das aulas de Educação Física. 
As aulas de Educação Física estão quase que inteiramente voltadas para 
as práticas esportivas, tendo como principal foco as suas técnicas. Sendo a 
criança um ser sociocultural, podemos observar que essas aulas acabam 
fragmentando a formação da criança, deixando de lado fatores essenciais, como 
você já viu nas aulas anteriores, tais como: respeito mútuo, cooperação e 
afetividade (BRACHT, 1992). 
 
 
 
 
71 
 
7.1 Atitudes e valores da Educação Física escolar 
 
Ao longo de sua história, a Educação Física tem sido usada como um 
instrumento ideológico e de manipulação. Esteve estreitamente ligada às 
instituições militares e à classe médica, tendo esses vínculos como 
determinantes para a concepção da disciplina e suas finalidades. 
Ghiraldelli Júnior (1991) diz que a Educação Física visa à educação do 
corpo, e a construção de um físico saudável e equilibrado organicamente esteve 
ligada aos médicos higienistas que buscavam modificar os métodos de higiene 
da população. Por volta dos anos 50 houve um esforço de tornar a Educação 
Física uma disciplina comum aos currículos escolares. 
A Educação Física pedagogicista surge, então, para questionar e a 
sociedade da necessidade de se encarar essa disciplina não somente como uma 
prática capaz de promover a saúde, mas também como aspecto educativo. 
A partir dos anos 70, surgiram novas tendências na Educação Física 
escolar, elas eram resultadas da junção de diversas teorias psicológicas, 
sociológicas e filosóficas. A partir disso, surgiu a definição da psicomotricidade 
nessa área, responsabilizando-a pelo desenvolvimento da criança, por meio de 
processos cognitivos, afetivos e psicomotores que buscavam garantir a formação 
integral dela. 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,1998) definem que a 
Educação Física se torna uma forma de ensinar Matemática, Língua Portuguesa, 
sociabilização, entre outros. Portanto, ela deixa de ter o foco no ensino técnico 
do esporte e passa a não ter um conteúdo único. 
É importante você não esquecer o que já foi abordado em aulas anteriores 
que o movimento é considerado o principal meio e fim da Educação Física, 
estando presente durante as aulas com outras aprendizagens, no sentido social, 
cognitivo e afetivo, tendo como consequência a prática das habilidades motoras 
(GHIRALDELLI JÚNIOR, 1991). 
Betti (1992) afirma que a Educação Física, assim como outras disciplinas, 
tem a responsabilidade de concretizar o processo de formação de valores e 
atitudes. 
 
 
 
 
72 
 
7.2 Os professores e a escola 
 
Importante 
É sabido que toda instituição de ensino não é somente um instrumento de 
organização, regulação e controle social, mas também um mecanismo de 
regulação e de equilíbrio de personalidade. 
 
A escola tem a responsabilidade de promover a socialização dos 
indivíduos, pois é constituída de regras e normas estabelecidas, e deve 
proporcionar aos alunos a oportunidade de questionamentos em seu contexto 
geral. 
O responsável em desenvolver a cidadania na escola é o professor, por 
que ele, dentro da instituição, tem mais contato com os alunos, dispõe de vários 
meios de reforços, estabelece um vínculo afetivo que serve de modelo e de 
referência para o estudante. 
O professor tem os conteúdos específicos de cada disciplina como objeto 
da discussão ética e dispõe de espaço para administrá-la, ou seja, ele representa 
as normas e expectativas que existem sobre os alunos na escola (BETTI, 1992). 
Bracht (1992) afirma que o docente é um fomentador de valores e o elo 
entre a forma de ensino e o conteúdo. Ele não é apenas autoridade adulta, mas 
também o guia para aquisição de conhecimento. Portanto, é preciso que o 
professor tenha iniciativa para proporcionar situações que, dentro de seu 
planejamento, aproveite as oportunidades para educar, formar e desenvolver 
valores e atitudes consideradas desejáveis. 
 
Mídias 
Assista ao vídeo da Filósofa Viviane Mosé falando a respeito dos diferentes 
papéis da escola, do professor e do aluno na educação. Disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=EigUj_d5n80&t=2005s 
 
 
 
http://www.youtube.com/watch?v=EigUj_d5n80&t=2005s
 
 
73 
 
7.3 Reflexões sobre a Educação Física e suas ações 
 
Franco (1994) destaca que a escola está ligada ao mundo do trabalho, 
mas não em relação linear. Seria limitante o papel da escola, se fosse concebido 
a ela apenas a função de “adestramento”, em que o domínio das técnicas 
ganharia primazia sobre as atividades voltadas para a formação integral do 
aluno. 
A Educação Física, de acordo com Daolio (1986), deve ser para o aluno 
uma oportunidade de atividade pessoal, que permita a ele um momento em que 
perceba seu corpo e possa ser capaz de controlá-lo. Essa disciplina deve 
proporcionar a prática de atividades prazerosas que permitam ao aluno a 
convivência em grupo e realizem uma aprendizagem global a qual alie o 
cognitivo ao afetivo-vivencial. 
Correia (1993) destaca que as aulas de Educação Física podem e devem 
partir da ideia de um planejamento participativo. O autor considera que as 
vantagens são: os níveis de participação e de motivação dos discentes nas 
atividades propostas; a valorização da disciplina pelos alunos; a repercussão da 
proposta diante de outros grupos de alunos, face ao caráter participativo da 
proposta. 
Quanto à desvantagem, Correia (1993) diz que existe um desgaste maior 
por parte do professor no sentido de este ter que providenciar recursos materiais 
e teóricos, diante da necessidade de coordenar diferentes programações em 
diferentes turmas. Outro problema a ser mencionado aqui é a limitação 
intelectual de alguns professores devido à sua formação e à dificuldade em 
encontrar subsídios teóricos para desenvolver discussões sobre as implicações 
do movimento nos níveis socioculturais. 
 
Curiosidade 
A Educação Física implica na promoção da reflexão do conhecimento 
sistematizado; existe um conjunto de conhecimento e de práticas corporais, 
assim como uma série de conceitos desenvolvidos que devem ser assegurados. 
 
 
 
74 
 
Para Verenguer (1995), o professor de Educação Física deve valorizar os 
conteúdos que propiciem aos alunos pensar suas possibilidades motoras e a 
influênciaque recebem no contexto social. 
 
7.4 Dificuldades encontradas pelos professores 
 
Uma das grandes dificuldades que os professores têm encontrado 
durante as aulas é a falta de interesse dos alunos. Um dos fatos, atualmente, 
que gera esse desinteresse na educação é a indefinição profissional que os 
estudantes terão no futuro. A preocupação em investir no futuro, representado 
pelo vestibular, tem se tornado uma exigência cada vez maior na sociedade. Por 
esse motivo, as expectativas quanto à Educação Física ficam em segundo plano. 
De acordo com Franco (1997), o docente não deve se eximir de motivar o 
aluno e é preciso que a escola crie uma cultura que a Educação Física seja 
valorizada. Melo (1997) mostra que, apesar de ser complexo, existem soluções 
para este nível de ensino e nem sempre os esportes são a solução. Podemos 
utilizar os jogos em que há a inclusão dos habilidosos e os nem tão habilidosos, 
promovendo, então, maior engajamento dos alunos às aulas. 
Outro grande problema é a indisciplina dos estudantes, que na maioria 
das vezes ameaça a autoridade do professor que, por sua vez, apenas com as 
normas e regras da escola não consegue contê-los. 
Taille (1996) afirma que “o aluno não tem mais vergonha de ser ignorante”, 
fazendo com que esse comportamento seja sinônimo de poder na sociedade 
atual. O problema da indisciplina não é tão fácil de se resolver, pois está em jogo 
o lugar que a escola ocupa hoje na sociedade, o lugar que a criança, o 
adolescente e a moral ocupam. As roupas impróprias para a prática da aula 
também são mencionadas pelos autores como uma dessas dificuldades. 
 
Curiosidade 
Isso nos sugere dois pontos de análise: 
 
➢ O primeiro: as experiências negativas anteriores têm demonstrado uma 
postura de o aluno não querer assumir publicamente uma dificuldade 
 
 
75 
 
pessoal, ou seja, a roupa, por exemplo, torna-se um escudo do aluno para 
as possíveis chacotas dos colegas; 
➢ O segundo: a indisciplina é um problema muito maior, que ultrapassa os 
limites da escola, mas isso não isenta o professor da responsabilidade 
dele, ou seja, de ser responsável pelos alunos e de prepará-los para a 
cidadania. 
 
7.5 O planejamento no ensino da Educação Física 
 
O planejamento, de acordo com Luckesi (1994), é a construção 
orientadora da ação do professor, que, como processo, organiza e dá direção à 
prática coerente com os objetivos a que se propõe. Quando o professor vai 
preparar um planejamento, ele deve responder às seguintes questões: 
 
Reflita 
Como vou realizar? Com o quê? O quê? Para quê? Para quem? 
 
Para que possamos concretizar a atividade, existe a necessidade de 
outros planejamentos, tais como, o Projeto Político-Pedagógico e o projeto 
curricular, os quais nortearão a ação do professor de forma coerente e 
responsável, antecedendo ao planejamento de ensino propriamente dito. 
O planejamento, de acordo com Luckesi (1994), pode ser visto em uma 
ótica de, inicialmente, atender às necessidades do homem primitivo quando se 
organizava para sobreviver ou quanto das necessidades de organização das 
primeiras civilizações, de suas estruturas funcionais, de suas cidades e da 
organização da sociedade. 
Nérice (1985) diz que para introduzir a questão do planejamento no âmbito 
da educação escolar, é necessário abordar diferentes concepções do processo 
de planejamento de acordo com cada contexto sócio-político-econômico-cultural 
ao longo da história da educação escolar. 
O autor referência três fases do planejamento. Vamos a seguir quais são 
elas, detalhadamente: 
 
 
 
76 
 
➢ Prático: sem grande preocupação formal, em que tem como 
objetivo atender a atividades de aula exclusivamente; 
➢ Instrumental: está diretamente relacionado a uma tendência 
tecnicista de educação, como, por exemplo, solucionar os 
problemas de falta de produtividade da educação escolar sem 
considerar os fatores sócio-político-econômicos; 
➢ Planejamento participativo: busca na resistência o modelo de 
reprodução do sistema educacional de valorizar a construção 
coletiva, a participação e a formação da consciência crítica a partir 
da reflexão sobre a prática transformadora. 
 
Normalmente existem dificuldades dentro do âmbito escolar, em relação 
a distinção entre plano e planejamento. Quando se fala sobre planejamento, 
entendemos como processo de reflexão, racionalização, organização e 
coordenação da ação do professor que visa articular a atividade da escola e a 
problemática no contexto social. Quando falamos em plano, o consideramos 
como o produto, que pode estar expresso de forma explícita como um registro, 
um documento (VERENGUER, 1995). 
Diversos autores fazem distinção entre didática e os níveis ou tipos de 
planejamento. O planejamento do sistema educacional refere-se às grandes 
políticas educacionais, seja em nível nacional, estadual ou municipal. O 
planejamento de escola ou projeto educativo (político-pedagógico) da instituição, 
o planejamento curricular, é a função de formar progressivamente o currículo em 
diferentes etapas, fases, ou por meio de situações que o decidem e moldam. 
Portanto, o planejamento de ensino, conforme destaca Luckesi (1994), é o que 
mais aproxima a prática do professor da escola. 
 
7.6 Avaliações das aprendizagens dentro da Educação Física 
 
Mídias 
Para iniciarmos esse tópico do nosso estudo, assista ao vídeo, nele, professores 
de Educação Física falam sobre os tipos de avaliações, a maneira como avaliam 
 
 
77 
 
e a importância desse processo no aprendizado dos alunos. Disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=vkZt42V8lCM 
 
Quando avaliamos o desenvolvimento de nossos alunos, devemos ter a 
necessidade de saber quais são as prioridades dentro dessa avaliação, devemos 
defini-las quando concretizamos nossas aulas. 
Na avaliação inicial dos nossos alunos, recolhemos informações que, ao 
longo do ano, nos permitirão estabelecer de forma concreta essas prioridades 
ou objetivos e ajustar de forma sistêmica a atividade para melhorar o 
desenvolvimento dos alunos. 
 
 
Ilustração de professor avaliando alunos 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
Para Melo (1995), avaliar o processo nos permite recolher e interpretar 
informações para as tomadas de decisão, porque é nesse momento que 
identificamos três tipos de informações diferentes: 
 
➢ Quando no início do ano letivo queremos saber o que é que nossos 
alunos podem aprender, nos situamos em um quadro de avaliação 
inicial e em uma dimensão projetiva da nossa intervenção como 
professor relacionando-a com a orientação do processo de ensino- 
aprendizagem; 
➢ Quando ao longo do ano letivo recolhemos informações que nos 
permitem considerar a forma como nossos alunos estão, se estão 
aprendendo. Nosso objetivo é saber dentro do quadro de avaliação 
http://www.youtube.com/watch?v=vkZt42V8lCM
 
 
78 
 
formativa, regular o processo de ensino-aprendizagem 
aproximando-o da direção definida; 
➢ Quando está em causa uma decisão de classificação dos alunos 
em função do grau de realização dos objetivos, estamos no 
domínio da avaliação somativa. 
 
Agora, vamos detalhar a avaliação formativa, que ocorre no início e 
durante o processo, e tem duas modalidades distintas, mas que se 
complementam. Uma delas se caracteriza por ser informal em todas as aulas, 
por ser resultado da interação do aluno com o professor, com os colegas e 
consigo; esta modalidade está nos desafios colocados, feedbacks emitidos na 
adaptação das tarefas, na reorganização do grupo e nas decisões relativas a 
problemas da disciplina. 
A outra modalidade é de caráter mais formal e pontual, pois dentro de um 
balanço da atividade realizada em um determinado período de tempo, que 
ratifica a avaliação continuada, permite ao professor e ao aluno a tomarem 
decisões relativas às orientações e regulações de seu trabalho. 
De acordo com Correia (1996), no início do anoletivo, somos 
confrontados com a necessidade de orientar o processo de ensino- 
aprendizagem, de escolher e definir os objetivos para que possamos ter bem 
claro qual direção vamos seguir com nossos alunos. 
Para isso, é necessário ter objetivos ambiciosos que respeitem as 
possibilidades dos alunos e que se constituem como um desafio à superação de 
suas dificuldades, proporcionando a elevação de suas capacidades. 
De acordo com Betti (1992), se desejamos que nossos alunos realizem as 
aprendizagens que os conduzam ao seu desenvolvimento, é muito importante que 
o professor comece por identificar as suas dificuldades e perceba as suas 
possibilidades. 
O processo de avaliação inicial tem como objetivo fundamental 
diagnosticar as dificuldades e limitações dos alunos diante das aprendizagens 
previstas e presumir o seu desenvolvimento. Com isso, percebemos quais 
aprendizagens poderão ser realizadas com a ajuda do professor e dos colegas 
na aula de Educação Física. 
 
 
79 
 
Quando o planejamento é feito por meio de blocos de atividades, as 
decisões, conforme afirma Correia (1996), ao nível do plano da Educação Física 
são baseadas quase que exclusivamente em critérios exteriores aos próprios 
alunos, sendo o mais frequente a utilização de recursos ou o sistema de rotação 
pelas instalações, em que, nesse caso, a solução pedagógica do professor em 
seu trabalho com a turma é bem limitada. 
Correia (1996), afirma, também, que quando planejamos estamos 
antecipando e prevendo a forma como vamos utilizar todos os meios que 
dispomos para que os alunos possam cumprir os objetivos adequados ao seu 
desenvolvimento. 
Na avaliação formativa, esse planejamento nos auxilia no recolhimento de 
informações que nos permitem orientar e regular a nossa atividade pedagógica 
ao longo do ano letivo, assim como controlar os efeitos na aprendizagem. 
O aperfeiçoamento de nossas práticas avaliativas no âmbito da avaliação 
formativa é um fator determinante no desenvolvimento da Educação Física. Ela 
é uma das formas rigorosa, objetiva e científica que procedemos à classificação 
dos alunos e pode ter efeitos relevantes no processo ensino-aprendizagem. 
A qualidade do ensino de Educação Física é melhor quando as decisões 
pedagógicas são devidamente fundamentadas e suportadas em informações 
provenientes do percurso de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos. 
 
7.7 A didática na Educação Física 
 
Quando falamos em didática, às vezes, erroneamente, pensamos que ela 
diz respeito apenas à teoria pedagógica. Entretanto, além da teoria é preciso que 
ela seja também aplicada. 
Uma teoria da ação didático-pedagógica envolve elementos que 
extrapolam o âmbito da chamada “racionalidade técnica ou instrumental”, é 
nesse momento que aparece o professor-sujeito, como interventor nesse 
processo. 
Podemos esperar da teoria que ela seja coerente, lógica e preveja o 
comportamento das coisas. A prática, por sua vez, é repleta de incertezas, 
motivações não racionais, tem alto grau de desordem, apesar de conter, 
também, elementos lógico-racionais e previsíveis. 
 
 
80 
 
Devemos sempre nos recordar que a condição humana de nossos alunos 
impõe um caráter irrestrito e singular às nossas aulas. De acordo com Correia 
(1996), a preparação e o planejamento são necessários, mas eles não devem se 
basear nos elementos da didática para determinar a prática a ser desenvolvida, 
e sim o contrário. A realidade é que a prática deve alimentar a didática por meio 
da reflexão em um contínuo exercício de prática-reflexão-prática, e não o 
contrário. 
De acordo com Ghiraldelli Júnior (1991), quando falamos em tempo e 
lugar de uma didática da Educação Física, se este tempo e lugar precisam se 
constituir em normas, técnicas, estratégias e modelos pretensamente 
uniformizadoras e universalizantes, tentando enquadrar toda e qualquer prática 
pedagógica em uma resposta construída, que desconsiderando as 
peculiaridades da prática pedagógica de cada professor, que é única e singular. 
Entendemos que o tempo e o lugar de uma didática de Educação Física passam 
a ter sentido quando o professor se reconhece como sujeito autônomo e como 
autoridade para desenvolver sua prática pedagógica. 
 
 
Professora de EF em atividade prática com alunos da educação infantil 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
Conclusão da aula 7 
 
Visando uma educação para autonomia, garantindo o acesso da criança 
e do adolescente aos possíveis entendimentos sobre a realidade, necessitamos 
 
 
81 
 
de um processo e de uma experiência autônoma que implique no exercício da 
reflexão crítica, na escolha e nas tomadas de decisão dentro do próprio processo 
educativo, sendo essa uma condição indispensável para que uma educação 
ocorra. 
Atividade de aprendizagem 
Nesta aula, você viu a importância do planejamento para as aulas de 
Educação Física, como o professor trabalha na elaboração de suas aulas para 
estar em sintonia com a escola e como devem ser realizadas as avaliações 
em suas aulas. Descreva com suas palavras sobre isso. 
 
 
 
 
Aula 8 – Introdução à corporeidade, uma fala breve sobre as valências 
físicas eu desenvolvimento infantil 
 
Apresentação da aula 8 
 
Nesta aula você vai saber mais o que é a corporeidade e qual a 
importância de ser trabalhada dentro das aulas de Educação Física. Vai ver 
também como a Educação Física tem participado na inclusão dos alunos dentro 
das escolas. 
Primeiro, é interessante destacar que há diversas discussões que 
envolvem a corporeidade e os estudos desta área tentam estabelecer a relação 
entre corpo e mente ou entre o sensível e o inteligível. Santin (1987) diz que 
podemos entender o estudo da corporeidade como uma forma de proposta para 
que superar a visão mecanicista fragmentadora do princípio da unidade do ser 
humano. 
 
8.1 A corporeidade na prática pedagógica da educação 
 
Quando adotamos a corporeidade, como um referencial teórico para a 
prática pedagógica, surgem três consequências fundamentais, de acordo com 
Morin (1979), veja quais são: 
 
 
82 
 
➢ Permite o reconhecimento de nossa condição humana, ou seja, de 
indivíduo, espécie, sociedade humana e a complexidade que a 
envolve; 
➢ Possibilita reportar à complexidade do real e consequentemente do 
processo educacional; 
➢ Nos conduz necessariamente a uma prática pedagógica. 
 
Na busca da corporeidade, devemos nos lembrar de que somos seres que 
sustentamos nossa aprendizagem nos processos sensório-perceptivos. 
 
Curiosidade 
Nós captamos estímulos por meio dos sentidos. Se não organizamos bem as 
sensações, possivelmente teremos dificuldades também de entendê-las e de 
expressá-las com consciência. Nossas interpretações não chegarão a 
entendimento profundo do que percebemos e, portanto, não alcançaremos 
níveis de discernimento ou de consciência em si. 
 
Freire (1991) explica exatamente isso, confira: 
 
Podemos imaginar um bebê que já engatinha e até já arrisca uns 
passinhos na sala de sua casa. Se ele não estiver cansado, explorará 
todo este ambiente. A qualidade dessa exploração influenciará no nível 
de compreensão do mundo que essa criança terá, das coisas que a 
cercam, compreensão de si própria (FREIRE, 1991). 
 
Se as pessoas que convivem com esse bebê souberem intervir nesse 
contexto de forma criativa, essa criança terá diversas oportunidades de integrar 
em sua vida experiências que a levarão a um estado de discernimento mais 
elevado, só que para chegar lá deverá passar por estados caóticos seja 
internamente, como externamente. 
A corporeidade é algo que se realiza por meio da relação entre o mundo 
interior e o exterior, ou seja, uma auto-eco-organização. Esta seria, em essência, 
a função do professor: intervir com sabedoria (FREIRE, 1991). 
Na escola, essa problemática é muito séria. De acordo com Assmann 
(1998), nossas escolas herdaram da tradição visual-auditiva a ideia deque o 
 
 
83 
 
aluno, para assistir às aulas, bastaria que tivesse seus olhos e mãos, ficando 
isentos os demais sentidos. 
As aulas de Educação Física, apesar de formarem um espaço em que 
esta lógica é, em parte, quebrada, não proporcionam as condições para que 
alunos se aprofundem na compreensão das experiências emocionais-afetivas e 
cognitivas dentro das sensações mobilizadas pelos sentidos. 
 
8.2 A Educação Física e a consciência corporal 
 
Apesar de existirem alguns avanços nos estudos da Educação Física, 
muitas pesquisas no campo dessa disciplina ainda têm mostrado a 
predominância de métodos tradicionais, ou seja, aquela que trabalha 
exclusivamente no ensino de regras e técnicas desportivas pré-determinadas por 
meio de metodologias diretivas. 
Nesse tipo de metodologia, o aluno é tratado como um robô ou mero 
repetidor de habilidades consideradas importantes ou não pelo professor, 
(VAYER, 1986). 
Já Gonçalves (1994) diz que a maioria dos professores de Educação 
Física deve encarar a disciplina em uma perspectiva mais ampla, especialmente 
no cuidado com os alunos, o qual não pode ser considerado como um sujeito- 
objeto, mas sim um sujeito-próprio, com identidade, capacidades, limitações e 
intencionalidades específicas. 
 
Importante 
O aluno deve ser considerado como um ser capaz de sentir, pensar e agir. 
 
Agora, o que seria consciência corporal? Consciência corporal é o 
conhecimento ou consciência do eu, imagem ou esquema corporal. Para Freire 
(1991), os termos: esquema postural, esquema corporal, imagem do eu e 
imagem do ego corporal se englobam nas noções consideradas equivalentes 
entre si, por isso só se tornam claras no contexto teórico em relação ao qual são 
definidos. 
 
 
84 
 
Saiba mais 
Leia na integra sobre o conceito e explicação do que é esquema corporal. 
Disponível no link: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fisiote 
rapia/o-esquema-%20corporal/22009 
Também o artigo “A Conscientização Corporal na Educação Física Escolar: 
Traçando Novas Propostas de Construção da Corporeidade do Educando no 
Atual Momento Histórico”, de Thiago Zanotti Pancieri. Disponível no link: 
http://cev.org.br/biblioteca/a-conscientizacao-corporal-educacao-fisica-escolar-
tracando-novas-propostas-construcao-corporeidade-educando-atual-momento-
historico/ 
 
8.3 Psicomotricidade na Educação Física 
 
Apesar de o termo psicomotricidade estar fora de moda ou ser utilizado 
de forma inadequada, encontramos situações, principalmente em relação às 
crianças, que traduzem muitos sentidos na corporeidade, motricidade e na 
educação motora. 
Para Vayer (1986), a psicomotricidade deve proporcionar à criança os 
meios de poderem desenvolver ao máximo suas potencialidades. A 
psicomotricidade concebe o homem como uma unidade funcional. Tudo o que 
somos, sentimos e nossa atividade conceitual são inseparáveis do nosso corpo. 
A consciência de si mesmo dependerá da experiência do mundo que envolve 
a pessoa. Vayer (1986) destaca três aspectos da experiência corporal, veja a 
seguir quais são eles: 
 
➢ Esquemas corporais: a experiência do corpo em relação ao meio 
conduz o sujeito a construir esquemas que funcionam como 
estruturas internas. Esses esquemas ou conhecimentos são 
constantes em seu corpo, permitindo à criança realizar diferentes 
ações e continuar suas experiências até a elaboração de seu ego; 
➢ Valores corporais: trabalha de forma paralela à consciência e ao 
reconhecimento das propriedades espaciais do corpo, neles, se 
desenvolve a experiência do corpo como símbolo do ego na 
relação com o mundo dos outros; 
http://cev.org.br/biblioteca/a-conscientizacao-corporal-educacao-fisica-escolar-
http://cev.org.br/biblioteca/a-conscientizacao-corporal-educacao-fisica-escolar-
 
 
85 
 
➢ Conceitos corporais: de forma progressiva à superfície dos 
esquemas e valores relacionados ao corpo se sobrepõe a um outro 
aspecto da experiência corporal, que é o aspecto do conhecimento 
topográfico e intelectual. Neles, as crianças aprendem a palavra 
correspondente aos diferentes segmentos e regiões corporais. 
 
Le Boulch (1987) destaca que o corpo é o pivô do mundo, pois se tem 
consciência do mundo por meio dele. O esquema corporal pode ser considerado 
como uma intuição que temos de nosso corpo, na relação de suas diferentes 
partes entre si ainda mais sobre as relações com o espaço e os objetos que nos 
rodeiam. O autor distingue três estágios de estruturação do esquema corporal 
pós-natal: 
 
➢ Etapa do corpo vivido (até os três anos): é considerado o período 
do esqueleto do eu, em que é conquistado por meio das 
experiências globais e pela relação com adultos; 
 
➢ Etapa discriminação perceptiva (três aos sete anos): é o período 
em que a criança percebe seu corpo de forma detalhada por 
segmentos, colocando em jogo a função de interiorização e as 
percepções de dados externos, tais como o espaço e o tempo; 
 
➢ Etapa do corpo representado (sete aos doze anos): nesse 
período a criança vai progressivamente desempenhar de uma 
forma mais consciente, sua própria motricidade. 
 
É no final do corpo vivido, em torno dos três anos, que a criança reconhece 
seu corpo como objeto. O estágio dos três aos seis anos é um período transitório 
tanto na estruturação espaço-temporal quanto na estruturação do esquema 
corporal. Essa fase é a etapa do corpo percebido, que corresponde à 
organização do esquema corporal, ou seja, a atividade perceptiva, quando o 
desenvolvimento só será possível depois que a função de interiorização atingir a 
maturação. 
 
 
86 
 
Podemos considerar que a disponibilidade corporal, ou disponibilidade 
consciente, precisa além de uma forma inteligente psicomotora, mas também um 
nível elevado de inteligência operatória, ou seja, o controle completo das atitudes 
e dos gestos, em que se apoia não apenas em um trabalho voltado para o corpo, 
mas também para o domínio da maior parte dos conhecimentos operatórios 
baseados no espaço e no tempo. 
Le Boulch (1987) diz que a reintrodução de uma verdadeira educação do 
corpo, ligada a uma educação simbólica, fará com que as concepções 
educativas evoluam e se tornem mais eficazes no plano prático. 
 
8.4 Abordagens filosóficas quanto à corporeidade 
 
A Educação Física, em busca de uma identificação como área de 
conhecimento, esteve e ainda está muito vinculada à área biológica. A dimensão 
do movimento humano ou do corpo humano dentro de visão unitária de homem 
é bem maior. 
Para Moreira (1995), atentar-se aos corpos que passam pelas aulas de 
educação motora é ir buscar não mais a disciplina, mas a consciência corporal, 
mesmo por que o ato de conhecer não é mental, ele é, antes de tudo, físico. 
Todo o conhecimento, inclusive o de si mesmo, passa pelo corpo; o 
homem é um ser consciente de ter um corpo e todos os seus atos de 
autoconsciência são filtrados por meio deste. Toda a consciência é uma 
consciência perceptiva, mesmo a consciência de nós mesmos. 
De acordo com Moreira (1995), a consciência corporal é diferente daquela 
que nós já nos reportamos. Existem duas facetas do corpo: o corpo-problema, 
que é o desafio na condição de sujeito cognoscente, possível de 
equacionamento e eventual solução; o corpo-mistério, que envolve e carrega os 
mistérios da vida que escapam os argumentos médicos. Ambos abrangem o 
homem. 
A consciência do corpo em determinantes psicológicos, socio-históricos e 
biológicos não são distintos nem distinguíveis na condição humana, é 
fundamental à liberdade (OLIVIER, 1995). 
 
 
 
 
87 
 
8.5 O desenvolvimento infantil 
 
O desenvolvimento humano se focaliza em um estudo científico de como 
as pessoas mudam e também de como permanecem iguais desde sua 
concepção até a morte. As mudanças são mais visíveis durante a infância, mas 
elas ocorrem em toda a vida do indivíduo, e os fatores que influenciam no 
desenvolvimento são tantointernos, chamados de fatores hereditários, quanto 
externos, chamados de fatores ambientais. 
O desenvolvimento ocorre em diferentes aspectos, e as mudanças que 
ocorrem em cada um deles influenciam as demais, são eles: o físico, o cognitivo 
e o psicossocial. 
Morin (1979) explica que o desenvolvimento físico envolve as mudanças 
que ocorrem no corpo, no cérebro, na capacidade sensorial e nas habilidades 
motoras. O desenvolvimento cognitivo se refere às mudanças ocorridas na 
capacidade mental, como, por exemplo, a aprendizagem, a memória, o 
raciocínio, o pensamento e a linguagem. Já o desenvolvimento psicossocial está 
relacionado com a capacidade de interação com o meio por meio de relações 
sociais, proporcionando a formação da personalidade e conquista de 
características próprias. 
Papalia e Olds (2000) ressaltam que as mudanças ocorridas durante a 
infância são mais amplas e aceleradas do que qualquer outra que venha a 
ocorrer no futuro. Os autores afirmam que dos três aos seis anos as crianças 
vivem a segunda infância, é o período que corresponde aos anos pré-escolares. 
Nessa fase, a aparência das crianças sofre algumas alterações, suas habilidades 
motoras e mentais se aprimoram e sua personalidade se torna mais complexa. 
Todos os aspectos do desenvolvimento, sejam eles, físicos, cognitivos e 
psicossociais, continuam interligados. À medida que os músculos passam a ter 
um controle mais consistente, as crianças podem atender mais suas 
necessidades pessoais, como a higiene e o se vestir, ganhando, assim, maior 
senso de competência e independência. 
A aprendizagem e o desenvolvimento estão inter-relacionados desde o 
momento em que a criança passa a ter contato com o mundo. Na interação que 
ela tem com o meio físico e social, a criança passa a se desenvolver de forma 
mais abrangente e eficiente. Isso significa que a partir do envolvimento com seu 
 
 
88 
 
meio social, são desencadeados diferentes processos internos de 
desenvolvimento os quais permitirão um novo patamar de aprendizagem 
(OLIVIER, 1995). 
Para Le Boulch (1987), o desenvolvimento de uma criança é o resultado 
da interação de seu corpo com os objetos que se encontram no meio em que 
vive, com as pessoas com quem convive e com o mundo em que estabelece 
ligações afetivas e emocionais. O corpo, portanto, é sua maneira de ser. É por 
meio do corpo que a criança estabelece contato com o ambiente, que se engaja 
no mundo, que compreende o outro. 
Todo indivíduo tem seu mundo construído a partir de suas próprias 
experiências corporais, sendo assim, a criança terá maior habilidade para se 
diferenciar e para sentir essas diferenças, pois é por meio dele que ela 
estabelecerá contato com o meio, interagindo em nível psicológico, psicomotor, 
cognitivo e social. Portanto, por meio das experiências de aprendizagem, a 
criança constrói seu esquema corporal e amplia seu repertório psicomotor, 
adquirindo autonomia e segurança. 
 
Saiba mais 
Leia na íntegra o artigo sobre “O processo de ensino-aprendizagem e a pratica 
docente”. Disponível no link: https://multivix.edu.br/wp-content/uploads/2019/04/ 
revista-espaco-academico-v08-n02-artigo-03.pdf 
 
A escola tem papel fundamental como facilitadora das aprendizagens, 
porque ela estimulará o desenvolvimento integral da criança por meio do trabalho 
em torno de desafios, fazendo com que esta explore, crie e desenvolva sua 
habilidade com o objetivo de expandir seu potencial. Outro papel fundamental é 
o de que a escola deve proporcionar meios para que a aprendizagem ocorra, 
colaborando para a formação do indivíduo em cada fase de seu 
desenvolvimento. 
A Educação Física, sendo uma disciplina presente no currículo da escola, 
também tem papel importante nesse processo, à medida em que pode estruturar 
o ambiente adequado para a criança. Ela oferece experiências que contribuem 
para o desenvolvimento integral do aluno, progridem suas habilidades motoras 
 
 
89 
 
e sua sociabilização. Sendo assim, é possível o professor trabalhar o corpo 
harmoniosamente nos seus aspectos físico, cognitivo e psicossocial. 
 
8.6 A Educação Física e a educação inclusiva 
 
Antes de você começar a leitura deste tópico, acesse o link a seguir e 
assista ao documentário do Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com a 
Fundação Barcelona e a Unicef sobre a Educação Física Inclusiva no Brasil. 
 
Mídias 
Assista ao vídeo “Diversa - Portas abertas para a inclusão - Educação Física 
Inclusiva no Brasil”. Disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=Hl3l 
cjx_sug 
 
 
Inclusão no esporte 
Fonte: acervo do autor (2020). 
 
A educação inclusiva pode ser entendida como o desenvolvimento de uma 
educação apropriada e de alta qualidade para alunos com necessidades 
especiais na escola regular (RODRIGUES, 2000). 
Na escola tradicional, a diferença é proscrita e remetida às escolas 
especiais. A escola integrativa procura suprir a diferença desde que ela seja 
 
 
90 
 
legitimada por um parecer médico-psicológico, ou seja, desde que essa 
diferença seja uma deficiência. A escola inclusiva procura sanar, de forma 
apropriada e com alta qualidade, não só a questão da deficiência, mas também 
todas as diferenças dos alunos, sejam elas culturais, étnicas, dentre outras. 
Portanto, a educação inclusiva recusa a segregação com o intuito de que 
a escola não seja só acessível, mas também bem-sucedida. 
 
Reflita 
Como a Educação Física participa nesse processo? 
 
Como disciplina, ela não pode ficar neutra diante da educação inclusiva. 
Por fazer parte do currículo oferecido pela escola, esta disciplina pode auxiliar a 
escola a se tornar inclusiva. 
Rodrigues (2000) diz que há diversas formas para que isso ocorra, um 
deles é o conteúdo ministrado, que apresenta um grau de determinação e rigidez 
menor que as outras disciplinas. O professor de Educação Física tem mais 
liberdade para poder organizar os conteúdos que pretende trabalhar com seus 
alunos em suas aulas. 
 
Curiosidade 
Um dos fatores primordiais para uma proposta inclusiva em sala de aula é que 
os professores mudem a visão incapacitante das pessoas com necessidades 
educacionais especiais para uma visão pautada nas possibilidades, elaborando 
atividades variadas, dando ênfase no respeito às diferenças e às inteligências 
múltiplas (ROCHA, 2017). Em relação à realização de atividades inclusivas, pode 
se dizer que o professor de Educação Física possui uma pequena vantagem na 
organização de suas aulas, pois por ter atividades mais flexíveis no que diz 
respeito a sua execução, tem mais liberdade para poder organizar os conteúdos 
que pretende trabalhar com seus alunos em suas aulas. 
 
Outro fator, de acordo com o autor, é que os professores são vistos como 
profissionais que desenvolvem atitudes mais positivistas que os demais perante 
os alunos. Essa imagem positivista e dinâmica é um elemento importante de sua 
 
 
91 
 
identidade profissional, acarretando, por exemplo, em sempre serem chamados 
para participar de projetos de inovação na escola. 
O autor termina dizendo que a Educação Física é importante para a área 
de inclusão porque permite uma ampla participação, mesmo de alunos que 
demonstram dificuldades, isso é evidenciado nos planos curriculares parciais 
elaborados para alunos com necessidades especiais. 
É importante destacar que deve-se ter cuidado com o que e como será 
acordado nessa disciplina, justamente porque, como você já viu durante nossos 
estudos, a Educação Física tem uma cultura histórica desportiva e competitiva o 
que pode criar resistências à inclusão de pessoas menos capazes para um bom 
desempenho em uma competição. 
A prática desportiva, quando usada sem os princípios da inclusão, é uma 
atividade que não favorece a cooperação e não valoriza a diversidade, além de 
poder gerar sentimentos de satisfação e de frustração. 
É bom salientar que, na rede de ensino, a Educação Física éa única 
disciplina que tem legislação específica para que certos alunos sejam 
dispensados de suas aulas, sendo que determinados perfis biológicos de 
desempenhos motores podem ser uma das normas dessa dispensa. 
 
Conclusão da aula 8 
 
Chegamos ao final do nosso estudo. Para finalizar, é interessante que 
você reflita que ao reduzir a corporeidade a um funcionamento mecânico, não 
podemos mais nos ocupar apenas com a espiritualidade, a afetividade e a 
sensibilidade. A linguagem humana não responde apenas às necessidades 
práticas e utilitárias, ela responde também às necessidades que a pessoa tem 
da comunicação afetiva e ao prazer de poder se comunicar com o outro e 
consigo. 
Estamos em uma época de transição e, em breve, necessitaremos 
vivenciar o corpo-próprio, enraizar o espaço da existência em que a realidade 
corporal e a percepção subjetiva de se estar no mundo não acabem no biológico, 
mas sim na união harmônica ou conflituosa das dimensões biológicas e 
simbólicas que formam a corporeidade. 
 
 
 
92 
 
Atividade de aprendizagem 
A linguagem humana não responde apenas às necessidades práticas e 
utilitárias, ela reponde também às necessidades que a pessoa tem da 
comunicação efetiva e ao prazer de poder se comunicar com o outro e consigo 
mesmo. Explique. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
93 
 
Índice Remissivo 
A ação pedagógica da Educação Física na escola ...................................... 
(Aspectos; experiência corporal; reflexões) 
 
17 
A corporeidade na prática pedagógica da educação ................................... 
(Corporeidade; prática pedagógica; tradição visual-auditiva) 
 
81 
A dança e a sua importância na Educação Física ........................................ 
(Benefícios; PCN; psicomotricidade) 
 
41 
A dança e o universo escolar ....................................................................... 
(Atividade extracurricular; conhecimento; estruturais) 
 
41 
A didática na Educação Física ..................................................................... 
(Didático-pedagógica; prática-reflexão; sujeito autônomo) 
 
79 
A Educação Física e a consciência corporal ................................................ 
(Identidade e capacidade; imagem corporal; métodos tradicionais) 
 
83 
A Educação Física e a educação inclusiva .................................................. 
(Cultura histórica desportiva; inclusão no esporte; prática desportiva) 
 
89 
A Educação Física e a interdisciplinaridade ................................................ 
(Cultura corporal do movimento; interdiciplinaridade; ultrapassar a 
barreira) 
 
52 
A Educação Física e a pré-escola ............................................................... 
(Competência; individualidade; socialização) 
 
63 
A Educação Física e a socialização ............................................................. 
(Contribuir com o desenvolvimento; formações sociais; habilidades 
motoras) 
 
12 
A ginástica nas aulas de Educação Física ................................................... 
(Campos de atuação; desenvolvimento da criatividade; ginásticas 
competitivas) 
 
32 
A importância da interdisciplinaridade na escola ......................................... 
(Ensino-aprendizagem; intercâmbio mútuo; inter-relação) 
 
51 
A interdisciplinaridade, a inclusão e a diversidade ....................................... 
(A inclusão e a diversidade; culturas de inclusão; ensino aprendizagem) 
 
53 
Abordagens da Educação Física ................................................................. 
(Abordagem psicomotricista; cultura cultural; instrumento pedagógico) 
 
15 
Abordagens filosóficas quanto à corporeidade ............................................ 
(Consciência do corpo; consciência perceptiva; sócio-históricos) 
 
86 
Atitudes e valores da Educação Física escolar ............................................ 
(Aspecto educativo; instituições militares; saudável e equilibrado) 
 
71 
 
 
94 
 
Avaliação .................................................................................................... 
(Ações pedagógicas; avaliação progressiva; avaliação tradicional) 
 
29 
Avaliações das aprendizagens dentro da Educação Física ......................... 
(Avaliação continuada; avaliação formativa; orientações e regulações) 
 
76 
Breve histórico da ginástica ......................................................................... 
(Exercícios físicos; ginástica escolar; métodos pedagógicos) 
 
31 
Contribuições da Educação Física para escola ........................................... 
(Educação física generalizada; prática pedagógica; processo pedagógico) 
 
22 
Corpo em movimento, concepções e prática na educação infantil ............... 
(Aprendizagem; iniciativas das crianças; organização) 
 
65 
Cultura do movimento ................................................................................. 
(Atributos do movimento; produtor do movimento; trabalho do movimento) 
 
19 
Dança, brinquedos, brincadeira e jogos ...................................................... 
(Autonomia e criatividade; educação por meio da dança; PCN) 
 
40 
Dificuldades encontradas pelos professores ............................................... 
(Ameaça a autoridade; falta de interesse; inclusão dos habilidosos) 
 
74 
Educação Física e a cultura do movimento ................................................. 
(Atividade física; campo da educação; investigação científica e filosófica) 
 
20 
Educação Física e ludicidade ...................................................................... 
(Aprendizado; desenvolvimento; o lúdico) 
 
46 
Esportes e a dança nas aulas de Educação Física ...................................... 
(Adaptar as regras; estratégia de ensino; prática de atividade física) 
 
47 
Finalidades da Educação Física .................................................................. 
(Capacidade física; dados científicos e filosóficos; habilidades motoras) 
 
23 
Formação do professor para aulas de dança na escola ............................... 
(Buscar conhecimento; qualificação para a dança; valor da dança) 
 
43 
Ginástica como prática científica ................................................................. 
(Caráter de ordem; eugênicos e higiênicos; métodos de ensino) 
 
34 
Ginástica escolar em sua prática atual ........................................................ 
(A ginástica e os avanços; manifestações corporais; metodologia crítico-
superadora) 
 
38 
Ginástica escolar: do lúdico ao esportivo ..................................................... 
(Atividades e modalidades; introdução à ginástica; metodologia) 
 
31 
Ginástica, Educação Física e o desenvolvimento das crianças ................... 
(Crescimento; desenvolvimento; sequência de habilidades) 
 
35 
Importância da Educação Física na escola ................................................. 
(Educação Física; socialização; vida saudável) 
 
09 
 
 
95 
 
Interdisciplinaridade e eventos esportivos ................................................... 
(Contradições; ensino formal; importância) 
 
51 
Introdução à corporeidade, uma fala breve sobre as valências físicas eu 
desenvolvimento infantil .............................................................................. 
(Corporeidade; sensível e o inteligível; visão mecanicista) 
 
 
81 
Introdução ao fundamento teórico e metodológico da Educação Física ...... 
(Componente curricular; educação básica; população escolar) 
 
09 
Jogos interclasses ....................................................................................... 
(Competição esportivizada; enfoque educativo claro; função educacional) 
 
55 
Metodologia do corpo em movimento; as questões relacionadas com o 
crescimento cognitivo .................................................................................. 
(Desenvolvimentocognitivo; formação políticas dos cidadãos; programas 
pedagógicos) 
 
 
61 
Metodologia e estratégias ........................................................................... 
(Cultura corporal; estratégia de ensino; tradição técnico-pedagógico) 
 
27 
O brincar nas aulas de Educação Física ...................................................... 
(Atenção; imaginação; motricidade) 
 
44 
O conhecimento específico abordado na Educação Física ......................... 
(Interação; regulação; transformação) 
 
61 
O desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento da criança .................... 
(Abstração; adquire habilidades; estímulos cognitivos) 
 
68 
O desenvolvimento infantil .......................................................................... 
(Desenvolvimento físico; fatores ambientais; fatores hereditários) 
 
87 
O jogo competitivo e a Educação Física escolar .......................................... 
(Competição; desafios e demandas; técnicos e psicológicos) 
 
49 
O jogo, o brinquedo e a criança na escola ................................................... 
(Aprendizado da criança; jogos e brinquedos; recreação) 
 
45 
O planejamento no ensino da Educação Física ........................................... 
(Estruturas funcionais; planejamento participativo; prático e instrumental) 
 
75 
Organização do trabalho pedagógico .......................................................... 
(Autonomia; identidade corporal; socialização) 
 
14 
Orientações didáticas na aula de Educação Física ..................................... 
(Aspectos do movimento; capacidades físicas; planejamento) 
 
65 
Os professores e a escola ........................................................................... 
(Conteúdo específicos; desenvolver a cidadania; situações e 
oportunidades) 
 
72 
Participação da Educação Física no desenvolvimento cognitivo ................. 
(Atividades lúdicas; desenvolver habilidades; educação moral e 
intelectual) 
67 
 
 
96 
 
 
Planejamento da Educação Física escolar .................................................. 
(Afetividade; cooperação; respeito mútuo) 
 
70 
Princípios Metodológicos ............................................................................ 
(Complexidade; diversidade; inclusão) 
 
28 
Psicomotricidade na Educação Física ......................................................... 
(Conceito corporais; esquemas corporais; valores corporais) 
 
84 
Realidades da ginástica na escola .............................................................. 
(Exercício ginástico; status científico; tradição histórica) 
 
37 
Realização de eventos esportivos de caráter educacional .......................... 
(Avaliação do custo; hiperseletividade; múltiplas vivências) 
 
57 
Reflexões pedagógicas do esporte na escola ............................................. 
(Aprendizagem do esporte; competição escolar; práticas particulares) 
 
54 
Reflexões sobre a Educação Física e suas ações ....................................... 
(Adestramento; atividades propostas; valorização da disciplina) 
 
73 
Vantagens da aplicação na saúde de uma boa aula de Educação Física... 
(Autoconfiança; autoestima; benefícios) 
 
11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
97 
 
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Caetano do Sul. Anais. São Caetano do Sul. Celafiscs. Fec. do ABC, 1986. p. 66 
 
_____, M.; Educação física escolar: uma proposta de diretrizes 
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Disponível em: <http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/remef/article/view 
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FALKENBACH, A. P.; A Educação Física na Escola: uma experiência como 
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FINCK, S. C. M.; A Educação Física e o esporte na escola: cotidiano, saberes 
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FREIRE, P.; Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática 
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GARANHANI, M. C.; A Educação Física na Educação Infantil: uma proposta em 
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SOUZA NETO, S.; A educação física na escola, ação docente no ensino de 
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