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Filipe Libano – Universidade Nove de Julho 1 Colo uterino INTRODUÇÃO O colo do útero é toda a região inferior do útero. Zona de transformação: é demarcada macroscopicamente através do iodo, o iodo cora o epitélio pavimentado estratificado, mas não cora o epitélio colunar. CERVICITES Ocorrem devido a alcalinização do pH vaginal (devido alterações na quantidade de lactobacilos), oque permite a proliferação de patógenos. Cervicite aguda: eritema, edema, tecido friável, corrimento purulento, odor de peixe e esbranquiçado. • Esse tipo pode ser auto resolutivo ou pode se cronificar, ascender e gerar uma DIP (infecção do útero, ovário e tubas). Cervicite crônica: tem concomitância de lesões destrutivas com reparo, ou seja, áreas erosivas ou de ulceração, com hiperemia e áreas esbranquiçadas (áreas de reparo com aumento do epitélio, fibrose e angiogênese). Morfologia microscópica: infiltrado inflamatório polimorfonuclear. Se tiver muito neutrófilo (inflamação infecciosa), se tiver muitas células imaturas e poucos neutrófilos e o núcleo uniforme (desregulação), nucleo sem uniformidade (neoplasia). PÓLIPOS ENDOCERVICAIS É mais comum em mulheres multíparas (já passaram pelo parto) entre 40 e 60 anos. É um pólipo de natureza inflamatória, normalmente gerado em virtude de diversas gestações, onde ele dilata e contrais várias vezes, podendo levar a uma projeção do epitélio. Pólipo pediculado, não neoplásico e pequeno. Características clínicas: ele vai ter um crescimento hiperplásico do canal endocervical sem atipias, não neoplásico (epitélio normal), assintomático ou metrorragia e proliferação do estroma. Morfologia microscópica: projeção de tecido conjuntivo bem vascularizado com células inflamatórias e revestido por epitélio colunar simples (típico da endocérvice). Proliferação do epitélio, tecido conjuntivo e vasos HPV Existem 2 grupos de HPV, os de baixo risco (6 e 11) e os de alto risco (16 e 18). As infecções por HPV, normalmente são transitórias e eliminadas pela resposta imune ou pela própria descamação. Em média 50% são eliminadas dentro de 8 meses (baixo risco) e 90% em 2 anos (alto risco). Filipe Libano – Universidade Nove de Julho 2 Patogênese: é uma infecção oportunista, ou seja, é relacionado com a baixa do sistema imune. A capacidade do HPV atuar como carcinógeno, depende das proteínas virais E6 e E7, as quais interferem na atividade das proteínas supressoras de tumores (regulam o crescimento e sobrevida das células). • HPV infecta as células escamosas imaturas, mas a replicação virar ocorre durante a maturação das células escamosas. E6 e E7 – São responsáveis pela carcinogênese. - HPV utiliza a maquinaria de síntese de DNA da célula hospedeira para replicar o seu próprio genoma, fazendo com que as células maduras (param na fase G1), continuem ativas no ciclo celular. A expressão de E6 e E7 desregula o controle do ciclo, empurrando as células diferenciadoras para a fase S, permitindo a amplificação do genoma viral em células que normalmente sairiam do ciclo celular. Proteína E7 se liga á forma hipofosforilada (ativa) do RB, promovendo sua degradação e também se inibe P21 e P27 (inibidores de cinase dependentes de ciclina). A remoção desses controles aumenta a progressão do ciclo celular e atrapalha a capacidade de reparação do DNA das células. IMH para P16: E7 destrói RB, aumentando a E2F e degrada P21 e P27, fazendo com que a célula perca seu controle do ciclo e para conter a proliferação, ela produz CDK4 (se estiver alto, quer dizer que a célula está se proliferando muito e tentando produzir P16 para conter a proliferação desregulada por RB. HPV DE BAIXO RISCO Apresentam baixas chances de causar uma neoplasia maligna, pois esse grupo do HPV não consegue se integrar ao DNA da célula. HPV: o de baixo risco se mantem na forma epistomal (DNA do vírus está na célula, emitindo proteínas, alterando as vias de proliferação, mas sem se integrar ao DNA) e como ele altera as vias de proliferação (aumentando), o HPV gera os papilomas (verrugas/condilomas/papiloma). • Ele é epitéliocromo, ou seja, tem tropismo pelas células epiteliais. Morfologia microscópica: hiperplasia com projeção do epitélio (acantose), coilocitose (muitas proteínas se depositando no reticulo, fazendo com que o citoplasma tenha áreas mais esbranquiçada, vacúolos e halo claro), hipercromasia do núcleo e aumento do tamanho do nucleo (pode ter bi- nucleação). - Superfície pode ser lisa ou ter projeções rugosas (parece um couve-flor). HPV DE ALTO RISCO Adenocarcinoma cervical (câncer na região do epitélio colunar glandular da endocérvice) e carcinoma cervical (câncer na região do epitélio escamoso pavimentoso estratificado - + comum), são causados principalmente pelo HPV. Classificação: a alteração do epitélio pelo HPV é lenta, com inicio na camada mais basal do epitélio e as células apresenta núcleos maiores e atipias. Filipe Libano – Universidade Nove de Julho 3 NIC: neoplasia intraepitelial escamosa. NIC I: atipia em 1/3 da espessura epitelial e pode evoluir para NIC II ou involuir. - Camada basal e núcleo aumentados. Ainda tem diferenciação basal da célula com produção de glicogênio. O tratamento é expectante (observar). NIC II: células atípicas começam a afetar 2/3 do epitélio, mas as células mais superficiais continuam com características de diferenciação. NIC III: atipia em 3/3 da espessura epitelial (carcinoma in-situ), as células mais superficiais começam a assemelhar com as células da camada basal (parece que é tudo a mesma coisa). O tratamento de NIC II e NIC III é ablação (remoção do colo do útero). Carcinoma invasivo: células malignas e alteradas se proliferando por todo o tecido conjuntivo. CARCINOMA CERVICAL 80% dos casos e a maioria em mulheres que não fazem a triagem. Normalmente são assintomáticas, mas podem ter corrimento vaginal, sangramento genital e dispareunia -> Lesão precursora -> NIC III. Esse tipo de carcinoma pode ser detectado quando ainda é micro invasor (tem até 7mm de largura e 5mm de profundidade). Tumor restritor ao colo (E1): células cancerígenas crescem da superfície do colo do útero para os tecidos mais profundos. Tumor não se espalhou para os linfonodos e nem órgãos próximos. Tumor invadiu o útero (E2): tumor cresceu além do colo e do útero, mas não invadiu as paredes da pelve ou terço inferior da vagina. Tumor com extensão pélvica (E3): tumor invadiu a parte inferior da vagina e as paredes da pelve. Pode bloquear os ureteres e pode ou não ter se espalhado para os linfonodos próximos, mas não se disseminou para os órgãos. Tumor estendido (E4): tumor invadiu a bexiga ou reto e se disseminou para outros órgãos, como os pulmões ou os ossos. Morfologia macroscópica: exofitico ou infiltrativo. Na biópsia é utilizado o ácido acético, que desnatura as proteínas região infectada, deixando- a mais branca. Morfologia microscópica: ninhos e projeções do epitélio escamoso maligno, atipias, pode ser queratinizado (perolas de queratina nos bem diferenciados) e invasão do estroma cervical. ADENOCARCINOMA Associado ao HPV 18. Seu comportamento clínico é igual do carcinoma cervical. Morfologia microscópica: células neoplásicas pouco diferenciadas, núcleo maiores, núcleos hipercromático (primeira atipia).