Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ – UFPI
CAMPUS SENADOR HELVÍDIO NUNES DE BARROS – CSHNB
CURSO DE BACHARELADO EM NUTRIÇÃO
NAYARA RODRIGUES DE CARVALHO
DIETAS RESTRITIVAS E AUMENTO DA COMPULSÃO ALIMENTAR EM
ADULTOS E JOVENS ADULTOS COM SOBREPESO OU OBESIDADE: Uma revisão
integrativa
PICOS – PI
2023
NAYARA RODRIGUES DE CARVALHO
DIETAS RESTRITIVAS E AUMENTO DA COMPULSÃO ALIMENTAR EM
ADULTOS E JOVENS ADULTOS COM SOBREPESO OU OBESIDADE: Uma revisão
integrativa
Projeto de pesquisa apresentado como requisito parcial
para obtenção de aprovação na disciplina de TCC II do
Curso de Bacharelado em Nutrição, Universidade
Federal do Piauí, campus Senador Helvídio Nunes de
Barros, integrando a área de Saúde Baseada em
Evidências.
Orientador (a): Prof. Dr. Ardilles Juan Carlos Alves
dos Santos.
PICOS – PI
2023
NAYARA RODRIGUES DE CARVALHO
DIETAS RESTRITIVAS E AUMENTO DA COMPULSÃO ALIMENTAR EM
ADULTOS E JOVENS ADULTOS COM SOBREPESO OU OBESIDADE.
Projeto de pesquisa apresentado como requisito parcial
para obtenção de aprovação na disciplina de TCC II do
Curso de Bacharelado em Nutrição, Universidade
Federal do Piauí, campus Senador Helvídio Nunes de
Barros, integrando a área de Saúde Baseada em
Evidências.
Orientador (a): Prof. Dr. Ardilles Juan Carlos Alves
dos Santos.
Aprovado em: ____ /____/____
Banca Examinadora:
Presidente – Prof(o). Ardilles Juan Carlos Alves dos Santos. (UFPI/CSHNB)
Examinador (a) 1 –
Examinador (a) 2 –
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, fonte da minha vida, inspiração e sabedoria, que fez
com que os meus objetivos fossem alcançados, durante todos os meus anos de estudos.
Agradeço ao meu pai e a minha mãe, Francisco Pires e Miriam Sá, que sempre
acreditaram no meu potencial, me incentivaram e me apoiaram, mesmo nos momentos mais
difíceis estiveram ao meu lado e sei que estarão sempre torcendo por mim. Ao meu irmão,
Luan Carvalho, por tudo o que fez e faz, por todo o carinho e principalmente pelo apoio
incondicional e incentivo. A todos os meus familiares, que mesmo de longe sempre me
proporcionaram amor e carinho, e deles tirei força para enfrentar cada obstáculo.
Agradeço ao meu melhor amigo/namorado, Alysson Santos, por ter segurado a minha
mão durante essa reta final, por sempre estar ao meu lado me apoiando e por ter tornando tudo
mais leve. Aos meus amigos que estiveram comigo durante toda a graduação, pois sem eles
eu não teria conseguido chegar até aqui, obrigada por sempre confiarem em mim e por terem
me acompanhado em cada conquista e momento especial dos últimos anos.
Um agradecimento especial ao meu orientador, Prof. Dr. Ardilles Juan, por sua
disponibilidade, mesmo em período de férias, pelo incentivo e compreensão que foram
fundamentais durante a construção do trabalho. As suas críticas construtivas, discussões e
reflexões foram fundamentais ao longo de todo o percurso. Eternamente grata por todo o
apoio recebido.
Por fim, agradeço à instituição e a todos os professores que me acompanharam ao
longo do curso e que, com empenho, se dedicam a compartilhar seus conhecimentos.
RESUMO
Introdução: O aumento de casos de obesidade e de sobrepeso é uma realidade mundial e
atinge todas as faixas etárias em ambos os sexos. Dietas da moda ficam cada vez mais
conhecidas diante da busca pela perda de peso rápida. Entretanto, sabe-se que a maioria dos
pacientes que buscam por tratamentos para mudança de vida, normalmente apresentam algum
tipo de transtorno ou distúrbio, sendo depressão, ansiedade e transtornos alimentares, como a
compulsão alimentar. Objetivo: Relacionar o risco de compulsão alimentar periódica em
jovens adultos com sobrepeso e obesidade antes e após a prática de dietas de alta restrição
calórica. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, de natureza
qualitativa e abordagem descritiva. A busca foi realizada nas bases dados Scientific Eletronic
Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research (Science)
e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e Biblioteca Virtual em
Saúde (BVS). Os descritores para a busca foram: “binge eating”, diet, ketogenic, high-protein,
low carbohydrate, diet fads, transtorno da compulsão alimentar periódica, dietas restritivas e
obesidade. Resultados: O acervo dos estudos encontrados relata que as dietas restritivas
podem causar mudanças no comportamento alimentar dos indivíduos adeptos da mesma, além
da depressão e a baixa autoestima, tendo como consequência a presença de um ciclo
retroalimentado de restrição, principalmente em mulheres que buscam o emagrecimento.
Conclusão: Embora alguns estudos mostraram essa relação, é importante compreender que
ainda não existem evidências de uma relação direta entre dietas restritivas e o
desenvolvimento de TCAP em pessoas com sobrepeso e obesidade, surgindo, portanto, a
necessidade de mais estudos.
Palavras-chave: Restrição Alimentar; Compulsão Alimentar; Dietas da moda; Transtorno
Alimentar.
ABSTRACT
Introduction: The increase in cases of obesity and overweight is a worldwide reality and
affects all age groups and both sexes. Fad diets are becoming more and more known in the
face of the search for quick weight loss. However, it is known that most patients who seek
life-changing treatments usually have some type of disorder or disorder, such as depression,
anxiety and eating disorders, such as binge eating. Objective: To relate the risk of binge
eating in young adults with overweight and obesity before and after the practice of high
caloric restriction diets. Methodology: This is an integrative literature review, qualitative in
nature and descriptive approach. The search was carried out in the databases Scientific
Electronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research
(Science) and the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD) and Virtual
Health Library (BVS). The descriptors for the search were: “binge eating”, diet, ketogenic,
high-protein, low carbohydrate, diet fads, binge eating disorder, restrictive diets and obesity.
Results: The collection of studies found reports that restrictive diets can cause changes in the
eating behavior of individuals who adhere to it, in addition to depression and low self-esteem,
resulting in the presence of a feedback loop of restriction, especially in women who seek the
slimming. Conclusion: Although some studies have shown this relationship, it is important to
understand that there is still no evidence of a direct relationship between restrictive diets and
the development of BED in overweight and obese people, thus arising the need for further
studies.
Keywords: Food Restriction; Food Compulsion; Fad diets; Eating disorder.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CAP- Compulsão Alimentar Periódica.
DC - Dieta cetogênica
DCNT- Doenças Crônicas Não Transmissíveis.
DSM-5- Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais versão 5.
ECAP- Escala de Compulsão Alimentar Periódica.
HDL - Lipoproteínas de alta densidade.
IG - Índice glicêmico.
IMC - índice de Massa Corporal.
JI- Jejum Intermitente.
KCAL - Quilocalorias.
OMS- Organização Mundial de Saúde.
TAs - Transtornos alimentares.
TCA- Transtorno de Compulsão Alimentar.
TCAP - Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica.
TCM- Triglicerídeos de cadeia média.
VIGITEL- Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por
Inquérito Telefônico.
SUMÁRIO
CAPÍTULO I 09
1. INTRODUÇÃO 10
2. REFERENCIAL TEÓRICO 12
2.1 Sobrepeso e obesidade 12
2.2 Dietas de restrição calóricas 13
2.2.1 Dieta Low Carb 14
2.2.2 Dieta Dukan 15
2.2.3 Dieta Cetogênica 16
2.2.4 Jejum Intermitente 17
2.2.5 Dieta paleolítica 17
2.2.6 Dieta Mediterrânea 18
2.3 Compulsão alimentar 19
2.4 Transtorno de compulsão alimentar periódica 20
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 22
CAPÍTULO II 26
RESUMO 27
ABSTRACT 28
1. INTRODUÇÃO 28
2. METODOLOGIA 30
2.1 Delineamento do estudo 30
2.2 Método de pesquisa para identificação de estudos 31
2.3 Critériosde inclusão de exclusão 31
3. RESULTADOS 32
4. DISCUSSÃO 35
5. CONCLUSÃO 36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 37
9
CAPÍTULO I
10
1. INTRODUÇÃO
Segundo dados do Ministério da Saúde, cada vez mais observa-se um expressivo
aumento nos casos de sobrepeso e obesidade no mundo. Segundo os dados da Pesquisa de
Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico
(VIGITEL), a obesidade cresceu quase 60% no País em dez anos, passando de 11,8%, em
2006, para 18,9%, em 2016. E o sobrepeso subiu de 42,6% para 53,8%, no mesmo período. O
aumento da obesidade em todo o mundo é uma preocupação da Organização Mundial da
Saúde, que vê um surto epidêmico da doença. (BRASIL, 2019).
A ocorrência do sobrepeso e da obesidade reflete não apenas o aumento desordenado
da adiposidade por consumo calórico elevado, como também a interação entre fatores
socioeconômicos, genéticos, psicológicos, culturais e comportamentais (FRANCISCHI et
al.,1999). Há uma relação estreita entre o estado emocional, estresse e o desejo ou
necessidade de comer, visto que é comum em indivíduos com sobrepeso ou obesidade o
hábito de se alimentar quando problemas emocionais estão presentes (YUMUK et al., 2015).
Decorrente disso, encontra-se uma grande ligação entre o estresse emocional e o transtorno
de compulsão alimentar associado à obesidade (ABESO, 2016).
Por conta do grande aumento de casos de obesidade e sobrepeso, surgiram inúmeras
dietas que asseguram o emagrecimento rápido (CARDOSO, 2004). A disponibilidade de
dietas da moda está cada vez maior e a adesão a estas é crescente devido a promessa de
perda de peso de forma rápido, isso acontece devido à maioria dessas dietas serem
extremamente restritivas e agressivas (ESCOTT-STUMP, 2007), entretanto, dietas restritivas
provocam sérios desequilíbrios nos hormônios responsáveis pela regulação do balanço
energético, causando diversas desordens no organismo, ansiedade, nervosismo, obsessão por
comida, aumento da fome, diminuição da saciedade, sentimentos de angústia e culpa,
depressão, e perda de controle na ingestão alimentar, decorrente disso, acabam impulsionada
a Compulsão Alimentar, que está entre um dos principais Transtornos Alimentares (TAs)
relacionados a práticas restritivas de alimentos (CHÁRITAS, 2021).
Os TAs são enfermidades psiquiátricas debilitantes, caracterizadas por um distúrbio
persistente nos hábitos alimentares ou nos comportamentos do controle de massa corporal
que resulta em danos importantes na saúde física e no funcionamento psicossocial (MAHAN
et al., 2012). A dieta restritiva é um fator para o desenvolvimento desses transtornos. Pois,
ao seguir as regras de uma dieta, sem acompanhamento profissional, os sinais como de fome
e saciedade são ignorados, essa disfunção pode ocasionar um descontrole, gerando a
11
compulsão alimentar (VASCONCELOS, 2021).
As dietas da moda, que prometem resultados milagrosos em pouco tempo, também
descritas como dietas restritivas são definidas por “restrição parcial ou total de grupos de
alimentos intencionalmente” (SILVA et al., 2020). Entretanto, a dieta Low Carb, dieta
Paleolítica, Jejum intermitente, entre outras, são realizadas na maioria das vezes sem
orientações e acompanhamento de um nutricionista (SOIHET; SILVA, 2019).
Segundo Chaves et al. (2011), reduzir bruscamente as calorias, restringir grupos
alimentares, ou ainda fazer várias horas de jejum, são estratégias que podem levar a uma
série de efeitos psicológicos negativos que incluem perturbações no afeto, na autoestima, na
cognição e no comportamento alimentar. Os transtornos alimentares são doenças
psiquiátricas caracterizadas por alterações graves no comportamento alimentar, que afetam o
metabolismo, padrões de fome e saciedade e significado do alimento, podendo resultar em
graves alterações clínicas e nutricionais (SOIHET E SILVA, 2019).
Segundo Deram (2014) fazer uma dieta restritiva é algo que assusta e estressa o
corpo e o cérebro. O cérebro não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza,
percebe-a como um grande perigo, por isso, desenvolve mecanismos de adaptação para
proteger o organismo, ou seja, irá aumentar o apetite, diminuir o metabolismo e aumentar
cada vez mais a obsessão por alimentação, justamente para que se coma e não se corra
nenhum risco de perder tecido adiposo. Morgan et al. (2002), afirma que as dietas restritivas
são, atualmente, os principais fatores precipitantes de um TA. Pessoas que fazem dieta têm
um risco de desenvolver a doença 18 vezes maior do que as que não fazem.
As dietas da moda sem acompanhamento profissional nutricionista podem causar
diversos problemas à saúde pois geram grandes danos ao organismo. A maioria delas é de
baixa quantidade de calorias (Hipocalóricas) e quantidades insuficientes dos nutrientes, que
são de extrema importância para o desenvolvimento e manutenção do nosso organismo
(MATIAS, 2014). Em médio prazo, pode levar a um ganho de peso ainda maior, estresse
físico e psicológico e, até mesmo, contribuir com o surgimento de novas doenças como
anorexia nervosa, anemia, deficiência de zinco e hipovitaminose (ANDRADE, 2016).
Tendo em vista que a epidemia da obesidade e do sobrepeso têm aumentado de
forma alarmante em todo o mundo e de que, a adesão a dietas restritivas, tendo como
finalidade a perda de peso em busca da magreza, pode trazer consequências à saúde de quem
a pratica, o presente projeto teve como principal objetivo associar a adesão de dietas
restritivas com o risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares como a compulsão
alimentar.
12
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Sobrepeso e obesidade
O sobrepeso e obesidade são caracterizados pelo acúmulo de gordura localizada em
diferentes partes do corpo, principalmente na área abdominal, que excedem os padrões
aceitáveis de normalidade antropométrica em diferentes graus (OLIVEIRA et al. 2009). São
responsáveis pelo aumento de risco para a morbimortalidade de populações adultas,
associando-se a 63% do total global de mortes causadas pelas doenças crônicas não
transmissíveis (DCNT). Desse valor, 78% da mortalidade ocorre em países de média e baixa
renda (GOULART, 2011).
A prevalência mundial de sobrepeso/obesidade vem apresentando rápido e
progressivo aumento nas últimas décadas (NG M et al., 2014). De acordo com dados da
OMS, a prevalência estimada de adultos maiores de 18 anos com excesso de peso em 2016
foi de 39% (1,9 bilhões de pessoas), havendo, dentre esses, 13% (650 milhões de pessoas)
obesos. A prevalência mundial de obesidade quase triplicou entre 1975 e 2016 (OMS, 2020).
Na prática clínica, a adiposidade corporal é geralmente estimada pelo Índice de
Massa Corporal (IMC). O IMC é o quociente do peso corporal em quilogramas (kg) dividido
pela altura em metros ao quadrado (m²). A partir deste, pode-se classificar o estado
nutricional dos indivíduos, sendo o sobrepeso definido por um IMC de 25 a 29,9 kg/m² e a
obesidade por um IMC igual ou maior que 30 kg/m² (OMS, 1995). Ainda, a obesidade é
classificada em diferentes graus, sendo: grau I, quando o IMC é de 30 a 34,9 kg/m²; grau II,
quando o IMC é de 35 a 39,9 kg/m² e; grau III, para o IMC igual ou superior a 40 kg/m²
(OMS, 2000).
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) em conjunto com o Ministério da Saúde, identificou em 2019
que 60,3% da população adulta do Brasil (Cerca de 96 milhões de pessoas), apresentam IMC
maior que 25 kg/m², sendo classificadas com sobrepeso e obesidade (IBGE, 2020). Dados da
Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito
Telefônico (VIGITEL) apontam que nos últimos 13 anos a prevalência de obesidade na
população brasileira aumentou 67,8%, saindo de 11,8% quando a pesquisa foi iniciada em
2006 para 19,8% em 2018 (BRASIL, 2019). Destaca-se que o crescimento da obesidade foi
maior entre os adultos de 25 a 44 anos (em média 82,6%). O estudotambém registrou
crescimento considerável no número de pessoas com sobrepeso. Mais da metade da
13
população (55,7%) está nessa condição, representando um aumento de 30,8% desde 2006,
presente principalmente entre as faixas etárias de 18 a 24 anos (BRASIL, 2019).
Isso se deve aos novos padrões de vida e hábitos adquiridos pelas pessoas,
principalmente nas grandes cidades. Há um novo perfil, portanto, da população brasileira
devido ao processo de urbanização, o que determina mudança nos padrões de
comportamento, principalmente os alimentares e o sedentarismo (FERREIRA, 2003).
Coutinho (2008) coloca também como fatores desencadeadores da obesidade no Brasil: a
entrada da mulher no mercado de trabalho, o ritmo cada dia mais acelerado das cidades onde
se perde muito tempo nos deslocamentos diários, o uso indiscriminado dos alimentos ricos
em gorduras saturadas e pobres em fibras e vitaminas e o crescimento do consumo das
refeições rápidas tipo fast food. (COUTINHO, 2008)
A etiologia da obesidade não é de fácil identificação, uma vez que é caracterizada
como doença multifatorial, tendo uma grande interação entre os fatores comportamentais,
culturais, genéticos, fisiológicos e psicológicos (SILVA, 2009). Na maioria dos casos, o
sobrepeso e a obesidade associam-se uma excessiva ingestão calórica e ao sedentarismo,
esse excesso de calorias se armazena como tecido adiposo e gera um balanço energético
positivo, que pode ser definido como a diferença entre a quantidade de energia adquirida e a
quantidade de gasta na realização das funções vitais e de atividades em geral. Tornar-se
positivo quando a quantidade de energia adquirida é maior do que a energia gasta
(TAVARES, et al., 2010.). Podem estar associados também a algumas desordens endócrinas,
como o hipotireoidismo e problemas no hipotálamo, mas estas causas representam menos de
1% dos casos de excesso de peso. (GIGANTE, 1997)
Em virtude do crescente aumento do sobrepeso e da obesidade e do impacto que
esses eventos podem ocasionar na saúde da população, estratégias que controlem e
minimizem esse cenário devem ser exploradas. Decorrente disso, as dietas de restrição
calóricas têm emergido como possível estratégia para o controle de peso.
2.2 Dietas de restrição calóricas
A palavra dieta é derivada da palavra grega díaita, que quer dizer “modo de vida”. A
partir desta definição é possível compreender que a dieta deve estar relacionada a escolhas e
hábitos saudáveis. Entretanto, com o passar dos séculos o significado da palavra foi alterado e
definido para regimes alimentares com um único objetivo à perda de peso (CORDÁS, 2004).
Na tentativa de redução de peso e controle da obesidade tem surgido, nos últimos
14
anos, uma ampla oferta de dietas que prometem perda de peso rápida. Segundo Cardoso, o
termo dieta corresponde à alimentação seguida por um indivíduo ou grupo de indivíduos”. As
dietas da moda podem ser definidas como padrões de hábitos alimentares não usuais adotados
entusiasticamente por seus seguidores. Segundo Longo e Navarro (2002), as modas dietéticas
podem ser chamadas dessa forma porque são costumes alimentares populares e temporários,
promovendo resultados rápidos e atraentes, mas carecem de um fundamento científico.
Apesar de sua fama, as evidências de que as dietas não são efetivas para a perda de
peso estão cada vez mais presentes, bem como o estudo de seus malefícios. Sabe-se que a
prática de dietas restritivas pode contribuir para distúrbios emocionais e cognitivos, além da
possível aparição de transtornos alimentares (SOIHET; SILVA, 2019).
Uma dieta adequada para perda de peso deve ser planejada individualmente e ser
variada contendo todos os grupos alimentares visando a uma constante promoção de bons
hábitos alimentares. Para uma perda saudável de 0,45kg a 1 kg por semana, o déficit diário
não pode ultrapassar de 500kcal a 1.000kcal, e pode ser mantido até seis meses. Considera-se
uma dieta restritiva e prejudicial ao corpo qualquer dieta com valor energético inferior a
800kcal/dia (MAHAN, 2010).
O Guia Alimentar para a População Brasileira postula que uma alimentação adequada
e saudável perpassa por aspectos biológicos e sociais do indivíduo, devendo estar em acordo
com as necessidades alimentares especiais. Leva-se em consideração também que uma
alimentação saudável não se restringe ao consumo de nutrientes, mas sim suas combinações,
formas de preparo, as características do modo de comer e as dimensões sociais e culturais das
práticas alimentares (BRASIL, 2018).
2.2.1 Dieta Low Carb
As dietas Low Carb (LC) são uma categoria ampla que não possuem uma definição
objetiva, não existindo um acordo universal sobre o que as caracteriza quantitativamente.
Assim sendo, de forma geral, podem ser vistas como dietas LC, as dietas em que o teor de
carboidratos fica aquém das diretrizes "oficiais". Entretanto, há definições publicadas em
estudos que ignoram as diretrizes oficiais e definem as dietas LC como aquelas que contém
menos de 200g de carboidrato por dia, ou menos de 30% desse macronutriente com relação ao
VET. Há ainda os estudiosos que preferem dividir as dietas LC em não cetogênicas (50-150g
de CHO/dia ou até 45% do VET) e cetogênicas (máximo de 50g de CHO/dia ou 10% do
VET) (ARAGON et al., 2017; FRIGOLET et al., 2011).
15
Neste tipo de dieta o consumo de algumas fontes de carboidrato, como legumes,
verduras, frutas e grãos, são permitidas de forma limitada. Os efeitos adversos da dieta Low
Carb são constipação, fadiga, dores de cabeça e mau humor. Essa dieta contribui para melhora
do perfil lipídico, aumento do HDL, diminuição dos TC e controle glicêmico, e ainda
melhoria de alguns parâmetros de risco cardiovascular (XAVIER, 2017).
A dieta low carb é eficaz no que diz respeito à redução de peso corporal, ao aumento
dos níveis de HDL, à redução dos triglicerídeos e no controle glicêmico quando realizada de
forma correta e regrada (ALMEIDA et al., 2009). Porém, quando não acompanhadas de um
profissional, as dietas com restrição de carboidrato podem prejudicar a capacidade do
indivíduo de praticar atividade física, por reduzir os estoques de glicogênio muscular e
aumentar a fadiga durante o exercício (WHITE et al., 2007).
2.2.2 Dieta Dukan
A dieta proteica, muitas vezes comparada e abordada como dieta hiperproteica,
trata-se de ações diferenciadas, haja vista que a dieta hiperproteica refere-se apenas ao
aumento no consumo de proteínas, enquanto que a dieta de restrição de proteínas, refere-se ao
consumo apenas destes nutrientes, com restrição aos demais macronutrientes como
carboidratos, lipídeos, vitaminas e sais minerais, acarretando em riscos e complicações para o
organismo, haja vista que tais substâncias são essenciais ao funcionamento do organismo
(PERES, 2021). Neste contexto, dentre as dietas de restrição da proteína destaca-se a dieta
Dukan, a qual inicia-se a primeira fase com a restrição total dos demais macronutrientes, e,
nas etapas subsequentes do tratamento acrescenta-se, gradativamente os demais
macronutrientes, agregada ao aspecto psicológico (DUKAN, 2012).
A dieta foi desenvolvida por um médico francês, conhecido por Dr. Pierri Dukan, que
procurou ajustar o método de acordo com as necessidades, apresentadas por seus pacientes,
tornando-se um plano global publicada em 2001 e sendo conhecida por “Eu não consigo
emagrecer”, mais de oito milhões de leitores em mais de 20 países tiveram acesso ao método,
sendo tais leitores e praticantes da dieta que nomearam com seu próprio nome um método que
ele considera revolucionário para o combate do sobrepeso, a dieta é prevalentemente
hipocalórica, cetogênica com o consumo de lipídios e proteínas liberados, como carne
vermelha, ovo, manteiga e restrição para o carboidrato como frutas, pães, farinha, macarrão,
açúcares e doces (DUKAN, 2014).
16
O Método Dukan possui 2 dimensões: a clássica, estruturada em 4 fases (ataque,
cruzeiro, consolidação e estabilização), que proporcionaum emagrecimento rápido, e a escada
nutricional, que oferece uma reeducação alimentar para uma perda de peso moderada e
constante (Dukan, 2014). Devido à existência dessas várias fases, no passo a passo, ocorre
uma menor monotonia aliadas a dias diferenciados, os quais incluem carboidratos magros,
vegetais e proteínas, em pequenas porções proporcionando saciedade e melhor digestão. Além
disso, segundo pesquisas, a dieta oferece um controle mais efetivo nos níveis séricos do
colesterol acarretados pela restrição de alguns tipos de carnes e gorduras (DUKAN, 2012).
Apesar desta dieta ser bem aceita entre os profissionais e acadêmicos da área da
nutrição, por facilitar a saciedade, bem como, aumentar perda de líquidos e gorduras,
especialistas ressaltam sobre a importância de não ultrapassar o período programado indicado
em suas fases, em especial a fase de ataque, tendo a vista o risco de complicações hepáticas e
renais, e ainda picos de hipoglicemia, devido a ingestão restrita de proteínas, objeto de estudo
desta pesquisa, informando que a reeducação alimentar, proposta pelo Ministério da Saúde,
trata-se da melhor opção disponível na perda do peso (PRESES, 2021).
2.2.3 Dieta Cetogênica
Por muitos anos, os estudos de intervenção nutricional visando a perda de peso
corporal foram focados em reduzir a gordura dietética com poucos resultados positivos a
longo prazo; sendo proposta na atualidade novas estratégias dietéticas, entre elas a dieta
cetogênica (DC), que é composta em grande parte por gorduras e apresenta importante
restrição de carboidratos (PAOLI, 2014).
A oferta energética (Kcal) aos pacientes submetidos a dieta cetogênica deve atingir
75% da energia recomendada por dia e cabe ao nutricionista realizar o plano dietético levando
em consideração o peso ideal para a estatura e a idade, elaborando um cardápio variado e que
esteja de acordo com as necessidades calóricas e com a proporção adequada para cada
paciente (NAKAHARADA, 2008).
A Dieta Cetogênica (DC) é uma dieta terapêutica cuja composição é rica em lipídeos,
moderada em proteínas e pobre em carboidratos. Há uma substituição dos carboidratos por
lipídeos que provêm uma fonte energética alternativa para o cérebro, as cetonas, e diminui-se
levemente a quantidade de proteínas (HARTMAN; VINING, 2007).
Os lipídios são considerados macronutrientes cetogênicos, carboidratos são
anticetogênicos e proteínas são utilizadas devido a sua função estrutural. Triglicerídeos de
17
cadeia média (TCM) são, dentre as gorduras, as mais eficientes 16 em produzir cetose. Apesar
de ser uma dieta especial, a mesma deve atender aos princípios gerais da nutrição oferecendo
energia, proteínas, minerais e vitaminas, visando à manutenção da saúde. Esses últimos
nutrientes devem ser oferecidos na forma de suplementos, pois a dieta não consegue suprir as
necessidades diárias (NONINO-BORGES et al., 2004).
2.2.4 Jejum Intermitente
O Jejum Intermitente (JI) é um termo abrangente, o qual se refere a variadas formas de
alternar períodos de jejum e de não jejum, a fim de melhorar a composição corporal e, desta
forma, a saúde como um todo (OOI et al., 2019). Configura uma prática não muito recente, já
que começou a ser evidenciada em muçulmanos por meio do Ramadã, no qual, durante 30
dias consecutivos, alimenta-se apenas no período entre o entardecer e o amanhecer (SANTOS
et al., 2017).
O JI compreende um padrão alimentar no qual o indivíduo se submete de forma
voluntária a períodos de privação de alimentos, com reduzida ou nenhuma ingestão
energética, intercalados por períodos de ingestão normal de alimentos e bebidas, a depender
do protocolo, podendo ocorrer restrição em dias alternados, jejum de dia inteiro e jejum de
tempo limitado (JOHNSTONE, 2015). Pode ser classificado também, de acordo com o
período que é realizado, sendo, portanto, de curto ou longo prazo (SOETERS et al., 2012).
Os JI a curto prazo são, de 2 a 4 dias com exceção de água, pois as mudanças
adaptativas podem ocorrer e tornarem-se máximas dentro desse período de tempo (SOETERS
et al., 2012). Entretanto, de acordo com a revisão de TINSLEY e BOUNTY (2015), os jejuns
variam ligeiramente mais do que um jejum durante a noite (ou seja, 16h) até um máximo de 1
a 5 dias, embora a maioria dos períodos de jejum não exceda 24 horas de abstinência
alimentar completa (VASCONCELOS et al, 2014).
De maneira geral, o JI visa alternar períodos de ingestão alimentar livre ou janelas de
alimentação, seguidos por privação total de alimentos. Tendo o propósito de fazer com que o
corpo utilize as reservas de gordura para produção de energia de forma estratégica. Segundo a
teoria relacionada a esta prática, alimentar-se em janelas de curto período dificultaria o
consumo de um volume alimentar excessivo, resultando em um déficit calórico ao final do
dia, promovendo uma perda de peso rápida (HARRIS et al.,2018).
2.2.5 Dieta paleolítica
18
A dieta paleolítica recebeu esse nome por ser uma dieta conhecida dos nossos
ancestrais. Freury (2012) se baseou em evidências científicas e comprovou que para a maioria
das pessoas o melhor jeito para emagrecer é por meio da redução do consumo de alimentos
que possui em sua composição um alto índice glicêmico (IG), substituindo-os por
carboidratos e gorduras saudáveis, independentemente da quantidade consumida, sendo
irrelevante em termos de perda de peso (FREURY, 2012).
Sendo assim, o padrão alimentar paleolítico consiste no consumo de alimentos
originados de animais e plantas silvestres como, por exemplo: carnes magras, peixes,
vegetais, frutas, raízes, ovos e nozes. A dieta exclui grãos (cereais e leguminosas), laticínios,
sal, açúcar refinado e óleos processados, os quais não eram disponíveis antes que os humanos
começassem a cultivar plantas e domesticar animais, sendo então uma dieta isenta de glúten,
lactose e processados. A dieta paleolítica também incluía flores, insetos, larvas e sementes
(LINDEBERG,2012; ANDRÉ, 2014; KLONOFF 2014).
A estimativa da composição nutricional da dieta paleolítica é de baixo teor de
carboidratos; cerca de 40% do total calórico, em relação aos lipídios cerca de 47%. Além
disso, a dieta é hiper proteica, pois o consumo era em torno de 35% até 50% do valor calórico
total (FREURY,2012; CORDAIN, 2002).
Na atualidade a dieta paleolítica está sendo discutida com o argumento de que pode
oferecer benefícios à saúde, contribuir para emagrecimento e tratamento de doenças já que é
uma dieta natural e evita o consumo de alimentos que trazem malefícios ao corpo humano
(PAZMIÑO,2016).
2.2.6 Dieta Mediterrânea
Nas últimas décadas, muito tem se discutido a respeito dos benefícios da Dieta
Mediterrânea e seus componentes, os quais são capazes de prevenir o aparecimento das
DCNT (BARRIOS-VICEDOE COLABORADORES, 2015). Estes hábitos fazem parte do
cotidiano das populações desta região, que engloba o sul da Europa, desde a infância e
exercem efeitos positivos sobre a saúde e o bem-estar dos indivíduos, o que pode ser os
responsáveis pelas vantagens associadas a este tipo de alimentação (CHIERICOE
COLABORADORES, 2014).
A dieta do Mediterrâneo comprova que os países que possuem este estilo de vida tida
como terapêutica e preventiva faz com que esses povos tenham a menor taxa de mortalidade
ocasionada por problemas cardiovasculares, neurológicos, menor índice de doenças como a
19
trombose, diabetes, mal de Alzheimer, alguns tipos de câncer, síndromes degenerativas e
diversas outras doenças comparadas com a de vários países do mundo todo (PERES, 2001).
Foi definida como um padrão alimentar tradicional em localidades como: Grécia, Sul
da Itália, Espanha e outros países produtores de olivais da Bacia Mediterrânea, desde o início
da década de 1960. é baseada no alto consumo de frutas, hortaliças verdes e amarelas, cereais,
leguminosas (grão-de-bico, lentilha), oleaginosas (amêndoas, azeitonas, nozes), peixes, leite e
derivados (iogurte, queijos), vinho e azeite de oliva. Há umbaixo consumo de carnes
vermelhas, gorduras de origem animal, produtos industrializados e doces (ricos em gordura e
açúcar refinado). Essa dieta é pobre em ácidos graxos saturados, rica em carboidratos
complexos e fibras e tem alta concentração de ácidos graxos monossaturados (GONZÁLEZ E
COLABORADORES, 2015; SALEN; LORGERIL, 1997).
2.3 Compulsão alimentar
O termo compulsão alimentar se refere a episódios de comer em excesso,
caracterizados pelo consumo de grandes quantidades de comida em intervalos curtos de
tempo, seguido por uma sensação de perda de controle sobre o que se está comendo
(APPOLINARIO, 2004). A literatura aponta que o paciente que sofre de compulsão
alimentar vive em meio a centenas de sentimentos conflituosos, especialmente nos episódios
de compulsão, onde eles são tomados por desconfortos físicos, além de sentimentos de
autocondenação, medo, raiva e angústia, por exemplo (ESPÍNOLA et al., 2006)
Um comedor compulsivo abrange no mínimo dois elementos: o subjetivo (a sensação
de perda de controle) e o objetivo (a quantidade do consumo alimentar) (SERRA et al.,
2019). Do ponto de vista psicológico, já se detectaram vários fatores (por exemplo, a
ansiedade, estresse, depressão, raiva, tédio, frustração, solidão) que podem desencadear
esses ataques. Eles acometem fundamentalmente pessoas que já passaram por vários
períodos de jejum/fome devido a dietas (LEMES, 2002).
Há evidências de que, em indivíduos obesos, comportamentos de compulsão
alimentar e/ou restrição são mais frequentes e parecem ser, em parte, responsáveis pelos
fracassos observados no tratamento da obesidade. As restrições e autoimposições das
pessoas que fazem dieta parecem ter um efeito rebote, resultando em compulsão alimentar, a
qual pode associar-se a consequências psicológicas, como a perda da autoestima, mudanças
de humor e distração (BERNARDI et al. 2005). No Brasil, entre os pacientes que procuram
20
tratamento para emagrecer, de 15 a 22 % apresentam este tipo de transtorno (VIEIRA;
MEYER, 2013).
Quando esses episódios de compulsão alimentar se tornam frequentes e ocorrem em
pelo menos dois dias por semana, durante os últimos seis meses, e estão associados a
algumas características de perda de controle, é então caracterizado o diagnóstico de
transtorno de compulsão alimentar periódica, sendo este o mais investigado em indivíduos
com obesidade (PIVETTA LA et al. 2010).
2.4 Transtorno de compulsão alimentar periódica
O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) foi descrito pela primeira vez
nos anos 1950, em indivíduos obesos, por Stunkard (1959). Atualmente sabe-se que este
distúrbio não se encontra limitado a este grupo, podendo ocorrer em pessoas com peso normal
(APPOLINÁRIO JC, 2004). Das pessoas que declararam apresentar episódios de compulsão
alimentar, aproximadamente 20% possuem transtorno da compulsão alimentar periódica
(STUNKARD AJ et al. 2003)
Chemim & Milito (2007) descrevem, através de um estudo epidemiológico, uma
prevalência de TCAP em 2% da população geral e cerca de 30% em obesos que procuram
serviços especializados para tratamento de obesidade. A obesidade, no entanto, não é
considerada uma doença psiquiátrica nem uma condição para diagnóstico de transtorno
alimentar; trata-se de uma condição física que advém de múltiplas causas e pode trazer
várias consequências (CHEMIM & MILITO, 2007).
O TCAP é definido no atual Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais versão 5 (DSM-5) por episódios recorrentes de compulsão alimentar que ocorrem
pelo menos uma vez por semana durante três meses e são associados a sofrimento
acentuado. Os critérios do DSM-5 para o transtorno da compulsão alimentar periódica
também exigem que os indivíduos experimentem pelo menos três das cinco características a
seguir: comer muito mais rápido que o normal; comer até sentir-se desconfortavelmente
cheio; comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação de fome física;
comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo; e sentir-se desgostoso de si mesmo,
deprimido ou muito culpado após os episódios de compulsão alimentar (DSM-5, 2014).
O TCAP se caracteriza pela ingestão, em um curto período de tempo (até duas
horas), de uma elevada quantidade de alimentos quando comparada com a quantidade que
outras pessoas consomem em circunstâncias análogas. Durante esses episódios de
21
compulsão, o indivíduo tende a comer mais rápido do que o normal, chegando ao ponto de
sentir-se “desconfortavelmente cheio” mesmo não estando com fome. Além do mais, após
os episódios de TCAP os indivíduos relatam sentimentos de vergonha e culpa devido à
quantidade de comida ingerida, tal como sensação de falta de controle sobre o ato de comer
(APA, 2014).
Atualmente, o TCAP é avaliado pela Escala de Compulsão Alimentar Periódica
(ECAP), que se constitui em um questionário de autopreenchimento traduzido e validada
para o idioma português contendo 16 questões (VITOLO et al., 2006), com uma escala likert
de 4 pontos (0 a 3) em cada item, devendo ser escolhida a opção que melhor representar a
percepção do indivíduo em relação a si. A pontuação final é o resultado da soma das 16
questões, podendo variar entre 0 e 46 pontos (Apêndice A). Os escores brutos são
classificados com os seguintes pontos de corte: 1) Ausência de compulsão alimentar
periódica (CAP), quando os escores são menores ou iguais a 17; 2) CAP moderada, em
escores de 18 a 26; e 3) CAP grave, acima de 27, de acordo com os estudos de validação
(FREITAS et al., 2001).
Entretanto a ECAP serve apenas como um instrumento de avaliação da gravidade da
compulsão alimentar, mas não serve para diagnosticar um paciente com TCAP, uma vez que
esse diagnóstico deve ser realizado segundo os critérios do DSM-5. Assim, a presença do
transtorno sempre deve ser confirmada por uma entrevista clínica. Apesar disso, a ECAP
permite observar a magnitude das mudanças do comportamento alimentar em cada paciente,
em diferentes momentos, durante o tratamento para perda de peso (FREITAS et al., 2001).
22
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. (2014). Manual diagnóstico e
estatístico de transtornos mentais – DSM-5 (5a ed.). Porto Alegre: Artmed, 2014.
APPOLINÁRIO, J. C. Transtorno da compulsão alimentar periódica: uma entidade clínica
emergente que responde ao tratamento farmacológico. Rev. Bras. Psiquiatr.(nome das
revistas em Negrito e Justificado) v.26, p.75-6, 2004.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME
METABÓLICA. Diretrizes brasileiras de obesidade. 4. ed. São Paulo: ABESO, 2016.
Disponível em: https://abeso.org.br/diretrizes. Acesso em: 4 mar. 2020.
BERNARDI. F., CICHELERO, C., VITOLO, M.R. (2005). Comportamento de
restrição alimentar e obesidade. Revista de Nutrição, 18 (1): 85-93
BRASIL. VIGITEL BRASIL 2018 [Internet]. Ministério da Saúde. 2019. Available
from: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-
brasil-2018.pdf
CARDOSO E, ISOSAKI M. Manual de Dietoterapia e Avaliação Nutricional e Serviço de
Nutrição e Dietética do Instituto do Coração. São Paulo: editora Atheneu, 2004.
CHÁRITAS , Cháritas. Dietas restritivas e o risco para o desenvolvimento de compulsão
alimentar em adolescentes. Brazilian Journal of Development, [s. l.], maio 2021.
CHAVES, L.; NAVARRO, A. Compulsão Alimentar, Obesidade e Emagrecimento. Revista
Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, v. 5, n. 27, p. 110 – 120, 2011.
CHEMIN, C., MILITO, F. (2007). Transtornos alimentares em adolescentes. Revista
Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, 1 (2): 84- 88
COUTINHO, J. G.; GENTIL, P. C.; TORAL, N. A desnutrição e obesidade no Brasil: o
enfrentamento com base na agenda única da nutrição. Cadernos de Saúde Pública, v. 24, n.
supl 2, p. s332–s340, 2008
DERAM, S. O peso das dietas: emagreça de forma sustentável dizendo não às dietas. 1.
Ed – São Paulo: Sensus, 2014.
DUKAN. O método Dukan. Disponível em:
<http://www.dietadukan.com.br/a-dieta-dukan/metodo-dukan>.Acesso em: 06/02/2023
DUKAN, Pierre, 1941-Eu não consigo emagrecer: a dieta Dukan/ Pierre Dukan; tradução:
Ana Adão —Rio de Janeiro: BestSeller, 2012.
ESCOTT-STUMP, S. Nutrição relacionada ao diagnóstico 5º ed. Barueri, São Paulo:
Manole, 2007.
ESPÍNDOLA, C.R. & BLAY, S.L. (2006). Bulimia e transtorno da compulsão alimentar
periódica: revisão sistemática e metassíntese. Revista de Psiquiatria, 28 (3): 265- 275
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-%20brasil-2018.pdf
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-%20brasil-2018.pdf
23
FERREIRA, Vanessa Alves. Obesidade & pobreza: o aparente paradoxo. 2003. 138 f.
Dissertação (Mestrado Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio
Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, 2003.
FRANCISCHI, R.P., KLOPFER, M., PEREIRA, L.O., CAMPOS, P.L., SAWADA, L.A.,
SANTOS, R., VIEIRA, P., LANCHA JR, A.H. Efeito da intensidade da atividade física e
da dieta hipocalórica sobre consumo alimentar, a composição corporal e a colesterolemia
em mulheres obesas. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, Porto Alegre, v.14, n.1,
p.1-8, 1999.
FREITAS, SILVIA ET AL. Tradução e adaptação para o português da Escala de
Compulsão Alimentar Periódica. Revista Brasileira de Psiquiatria, [S. l.], v. 23,
n. 4, p. 215-220, 2001.
FREURY. C. A. A dieta dos nossos ancestrais - Guia nutricional para perda de
peso e manutenção da saúde. 2 ed. São Paulo, Matriz, 2012.
GIGANTE DP, BARROS FC, POST CLA, OLINTO MTA. Prevalência de obesidade em
adultos e seus fatores de risco. Rev Saúde Pública. 1997; 31(3):236-46.
GOULART FAA. Doenças crônicas não transmissíveis: estratégias de controle e
desafios para os sistemas de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde;
2011
HARRIS, L. et al. Intermittent fasting interventions for treatment of overweight and obesity
in adults: a systematic review and meta-analysis. JBI Database of Systematic Reviews
and Implementation Reports, v. 16, n. 2, p. 507-54, 2018.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional
de Saúde 2019: informações sobre domicílios, acesso e utilização dos serviços de saúde. Rio
de Janeiro: IBGE, 2020.
JOHNSTONE A. Fasting for weight loss: an effective strategy or latest trend Int J Obes
(Lond). 2015. May;39(5):273-33.
LEMES, C. (2002). Viciados em comida. Recuperado em 17 de abril, 2007, de
http://leandro.tipos.com.br/arquivo/2002/08/29/quebracao.MAHAN, L.
K.;STRUMPE.S. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13. ed. São Paulo:
editora Elsevier, 2012.
MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS –
DSM-5. American Psychiatric Association. 5ª edição. Porto Alegre. Artmed, 2014.
MENDONÇA CP E ANJOS LA. Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como
determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de
Janeiro 2004; 20(3): 698-709
MORGAN, C.; VECCHIATTI, I.; NEGRÃO, A. Etiologia dos transtornos alimentares:
aspectos biológicos, psicológicos e sócio-culturais. Revista Brasileira de Psiquiatria. São
Paulo, v. 24, p. 18-23, dez.2002.
http://leandro.tipos.com.br/arquivo/2002/08/29/quebracao
24
OLIVEIRA LPM, ASSIS AMO, SILVA MCM, SANTANA MLP, SANTOS NS,
PINHEIRO SMC, ET AL. Fatores associados a excesso de peso e concentração de gordura
abdominal em adultos na cidade de Salvador, Bahia, Brasil. Cad Saúde Pública 2009;
25(3): 570-82. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2009000300012»
https://doi.org/http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2009000300012
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Expert committee on Physical Status: the use
and interpretation of anthropometry. Geneva: World Health Organization, 1995.
Disponível em: https://www.who.int/childgrowth/publications/physical_status/en. Acesso
em: 24 mar. 2021.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Obesity: preventing and managing the
global epidemic. Geneva: World Health Organization, 2000. Disponível em:
https://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en. Acesso em: 24
mar. 2021.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Obesity and overweight. [S. l.:
s. n.]: c2020. Disponível em: https://www.who.int/en/news-room/fact-
sheets/detail/obesityand-overweight. Acesso em: 24 mar. 2021.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Global status report on noncommunicable
diseases 2014. Genebra: World Health Organization, 2015. Disponível em:
https://www.who.int/nmh/publications/ncd-status- report-2014/en. Acesso em: 24 mar.
2021.
PIVETTA LA, GONÇALVES-SILVA RMV. Compulsão alimentar e fatores
associados em adolescentes de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil. Cad. Saúde Pública,
Rio de Janeiro, 26(2):337-346, fev, 2010
SANTOS, A. K. M. et al. Consequências do Jejum Intermitente sobre as Alterações na
Composição Corporal: uma Revisão Integrativa. Rev. e- ciência, v.5, n.1, p. 29-37, 2017.
SERRA, M. V, OLIVEIRA GMN. Prevalência de comportamento de risco para compulsão
alimentar em adolescentes de um colégio particular em São Luís-MA. RBONE. 2019;
12(76): 1029-1038.
SILVA, E. da. Influência da prática atividade física para adolescente com obesidade.
Revista Digital - Buenos Aires. Año 13, n. 138-enero de 2009. Disponível em:
http://www. efdesportes.com.
SOETERS, M. R. et al. Adaptive reciprocity of lipid and glucose metabolism in human
shortterm starvation. American Journal of Physiology-Endocrinology and
Metabolism. Amsterdã, v. 303, n. 12, p. 1397-1407, 2012.
SOIHET JU, Silva AL. Efeitos psicológicos e metabólicos da restrição alimentar no
transtorno de compulsão alimentar [Dissertação] [Internet]. Centro universitário São
Camilo; 2019.
STUNKARD AJ, ALLISON KC. Two forms of disordered eating in obesity: binge eating
and night eating. Int J Obes Relat Metab Disord 2003; 27:1- 12.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2009000300012
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2009000300012
http://www.who.int/childgrowth/publications/physical_status/en
http://www.who.int/childgrowth/publications/physical_status/en
http://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en
http://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en
http://www.who.int/en/news-room/fact-
http://www.who.int/en/news-room/fact-
http://www.who.int/nmh/publications/ncd-status-
http://www.who.int/nmh/publications/ncd-status-
25
PERES, Elaine Alves et al. Dieta da proteína: riscos e benefícios do Dukan e a proposta de
uma forma farmacêutica diferenciada a base de proteína. Cadernos Camilliani e-ISSN:
2594-9640, v. 15, n. 3-4, p. 542-562, 2021.
TINSLEY, G. M.; LA BOUNTY, P. M. Effects of intermittent fasting on body
composition and clinical health markers in humans. Nutrition Reviews. Texas, v. 73, n.
10, p. 661 – 674, 2015.
YUMUK, Volkan et al. European Guidelines for Obesity Management in Adults.
Obesity Facts, [S.l.], n. 8, p. 402-424, 2015.
VASCONCELOS, A. R. et al. O jejum intermitente atenua a neuroinflamação induzida por
lipopolisacarídeos e comprometimento da memória. Jornal de Neuroinflamação. São
Paulo, v. 11, n. 1, p. 85, 2014.
VASCONCELOS, RNC, Rodrigues, IC, Santos, SO, Silva, JC, Rodriges, GMM.
Consequências da restrição alimentar sem acompanhamento profissional. Revista Liberum
accessum, [s. l.], v. 9, n. 1, p. 34–39, 2021. D
VIEIRA, Ana Elisa; MEYER, Elisabeth. Considerações a Respeito da Terapia
Cognitivo Comportamental e do Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica. 2013.
25 f. Dissertação (Programa de Pós Graduação da Wainer & Piccoloto)-Porto
Alegre, 2013.
26
CAPÍTULO II
Dietas restritivas e aumento da compulsão alimentar em adultos e jovens
adultos com sobrepeso ou obesidade: uma revisão integrativa.
____________________________________________________________________
Artigo científico a ser submetido à revista da Associação Brasileira de Nutrição -
RASBRAN ( ISSN 2357-7894 )
https://www.rasbran.com.br/rasbran/about/submissions
https://www.rasbran.com.br/rasbran/about/submissions
27
Dietas restritivas e aumento da compulsão alimentar em adultos e jovens adultos com
sobrepeso ou obesidade: uma revisão integrativa.
Restrictive diets and increasedbinge eating in adults and young adults with overweight or
obesity: an integrative review.
Nayara Carvalho¹, Ardilles Santos²
¹Campus Senador Helvidío Nunes de Barros, Universidade Federal do Piauí (UFPI), discente do curso de
bacharelado em Nutrição.
²Campus Senador Helvidío Nunes de Barros, Universidade Federal do Piauí (UFPI), docente do curso de
bacharelado em Nutrição.
Email para contato: nayaraoak@gmail.com - Nayara Carvalho.
RESUMO
Introdução: O aumento de casos de obesidade e de sobrepeso é uma realidade mundial e
atinge todas as faixas etárias em ambos os sexos. Dietas da moda ficam cada vez mais
conhecidas diante da busca pela perda de peso rápida. Entretanto, sabe-se que a maioria dos
pacientes que buscam por tratamentos para mudança de vida, normalmente apresentam
algum tipo de transtorno ou distúrbio, sendo depressão, ansiedade e transtornos
alimentares, como a compulsão alimentar. Objetivo: Relacionar o risco de compulsão
alimentar periódica em jovens adultos com sobrepeso e obesidade antes e após a prática de
dietas de alta restrição calórica. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de
literatura, de natureza qualitativa e abordagem descritiva. A busca foi realizada nas bases
dados Scientific Eletronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed),
Science Research (Science) e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os descritores para a busca foram: “binge eating”, diet,
ketogenic, high-protein, low carbohydrate, diet fads, transtorno da compulsão alimentar
periódica, dietas restritivas e obesidade. Resultados: O acervo dos estudos encontrados
relata que as dietas restritivas podem causar mudanças no comportamento alimentar dos
indivíduos adeptos da mesma, além da depressão e a baixa autoestima, tendo como
consequência a presença de um ciclo retroalimentado de restrição, principalmente em
mulheres que buscam o emagrecimento. Conclusão: Embora alguns estudos mostraram essa
relação, é importante compreender que ainda não existem evidências de uma relação direta
entre dietas restritivas e o desenvolvimento de TCAP em pessoas com sobrepeso e
obesidade, surgindo, portanto, a necessidade de mais estudos.
Palavras-chave: Restrição Alimentar; Compulsão Alimentar; Dietas da moda; Transtorno
Alimentar,
ABSTRACT
mailto:nayaraoak@gmail.com
28
Introduction: The increase in cases of obesity and overweight is a worldwide reality and
affects all age groups and both sexes. Fad diets are becoming more and more known in the
face of the search for quick weight loss. However, it is known that most patients who seek
life-changing treatments usually have some type of disorder or disorder, such as depression,
anxiety and eating disorders, such as binge eating. Objective: To relate the risk of binge
eating in young adults with overweight and obesity before and after the practice of high
caloric restriction diets. Methodology: This is an integrative literature review, qualitative in
nature and descriptive approach. The search was carried out in the databases Scientific
Electronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research
(Science) and the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD) and Virtual
Health Library (BVS). The descriptors for the search were: “binge eating”, diet, ketogenic,
high-protein, low carbohydrate, diet fads, binge eating disorder, restrictive diets and obesity.
Results: The collection of studies found reports that restrictive diets can cause changes in the
eating behavior of individuals who adhere to it, in addition to depression and low
self-esteem, resulting in the presence of a feedback loop of restriction, especially in women
who seek the slimming. Conclusion: Although some studies have shown this relationship, it is
important to understand that there is still no evidence of a direct relationship between
restrictive diets and the development of BED in overweight and obese people, thus arising
the need for further studies.
Keywords: Food Restriction; Food Compulsion; Fad diets; Eating disorder.
1. INTRODUÇÃO
Segundo os dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para
Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a obesidade cresceu quase 60% no País
em dez anos, passando de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016. E o sobrepeso subiu de
42,6% para 53,8%, no mesmo período. O aumento da obesidade em todo o mundo é uma
preocupação da Organização Mundial da Saúde, que vê um surto epidêmico da doença.
(BRASIL, 2019).
A ocorrência do sobrepeso e da obesidade reflete não apenas o aumento
desordenado da adiposidade por consumo calórico elevado, como também a interação
entre fatores socioeconômicos, genéticos, psicológicos, culturais e comportamentais
(FRANCISCHI et al., 1999). Há uma relação estreita entre o estado emocional, estresse e o
desejo ou necessidade de comer, visto que é comum em indivíduos com sobrepeso ou
obesidade o hábito de se alimentar quando problemas emocionais estão presentes
(YUMUK et al., 2015). Decorrente disso, encontra-se uma grande ligação entre o estresse
emocional e o transtorno de compulsão alimentar associado à obesidade (ABESO, 2016).
29
Por conta do grande aumento de casos de obesidade e sobrepeso, surgiram
inúmeras dietas que asseguram o emagrecimento rápido (CARDOSO 2004). A
disponibilidade de dietas da moda está cada vez maior e a adesão a estas é crescente
devido a promessa de perda de peso de forma rápido, isso acontece devido à maioria
dessas dietas serem extremamente restritivas e agressivas (ESCOTT-STUMP, 2007),
entretanto, dietas restritivas provocam sérios desequilíbrios nos hormônios responsáveis
pela regulação do balanço energético, causando diversas desordens no organismo,
ansiedade, nervosismo, obsessão por comida, aumento da fome, diminuição da saciedade,
sentimentos de angústia e culpa, depressão, e perda de controle na ingestão alimentar,
decorrente disso, acabam impulsionada a Compulsão Alimentar, que está entre um dos
principais Transtornos Alimentares (TAs) relacionados a práticas restritivas de alimentos
(CHÁRITAS, 2021).
Os TAs são enfermidades psiquiátricas debilitantes, caracterizadas por um distúrbio
persistente nos hábitos alimentares ou nos comportamentos do controle de massa corporal
que resulta em danos importantes na saúde física e no funcionamento psicossocial
(MAHAN et al., 2012). A dieta restritiva é um fator para o desenvolvimento desses
transtornos. Pois, ao seguir as regras de uma dieta, sem acompanhamento profissional, os
sinais como de fome e saciedade são ignorados, essa disfunção pode ocasionar um
descontrole, gerando a compulsão alimentar (VASCONCELOS, 2021).
Segundo Chaves et al. (2011), reduzir bruscamente as calorias, restringir grupos
alimentares, ou ainda fazer várias horas de jejum, são estratégias que podem levar a uma
série de efeitos psicológicos negativos que incluem perturbações no afeto, na autoestima,
na cognição e no comportamento alimentar. Os transtornos alimentares são doenças
psiquiátricas caracterizadas por alterações graves no comportamento alimentar, que afetam
o metabolismo, padrões de fome e saciedade e significado do alimento, podendo resultar
em graves alterações clínicas e nutricionais (SOIHET E SILVA, 2019).
Segundo DERAM (2014) fazer uma dieta restritiva é algo que assusta e estressa o
corpo e o cérebro. O cérebro não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza,
percebe-a como um grande perigo, por isso, desenvolve mecanismos de adaptação para
proteger o organismo, ou seja, irá aumentar o apetite, diminuir o metabolismo e aumentar
cada vez mais a obsessão por alimentação, justamente para que se coma e não se corra
nenhum risco de perder tecido adiposo. MORGAN ET AL. (2002), afirma que as dietas
30
restritivas são, atualmente, os principais fatores precipitantes de um TA. Pessoas que fazem
dieta têm um risco de desenvolver a doença 18 vezes maior do que as quenão fazem.
As dietas da moda sem acompanhamento profissional nutricionista podem causar
diversos problemas à saúde pois geram grandes danos ao organismo. A maioria delas é de
baixa quantidade de calorias (Hipocalóricas) e quantidades insuficientes dos nutrientes, que
são de extrema importância para o desenvolvimento e manutenção do nosso organismo
(MATIAS, 2014). Em médio prazo, pode levar a um ganho de peso ainda maior, estresse
físico e psicológico e, até mesmo, contribuir com o surgimento de novas doenças como
anorexia nervosa, anemia, deficiência de zinco e hipovitaminose (ANDRADE, 2016).
Tendo em vista que a epidemia da obesidade e do sobrepeso têm aumentado de
forma alarmante em todo o mundo e de que, a adesão a dietas restritivas, tendo como
finalidade a perda de peso em busca da magreza, pode trazer consequências à saúde de
quem a pratica, o presente projeto teve como principal objetivo associar a adesão de dietas
restritivas com o risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares como a
compulsão alimentar.
2. METODOLOGIA
2.1 Delineamento do estudo
Trata-se de uma revisão de literatura do tipo integrativa, na qual seguirá todos as
etapas necessárias (elaboração da questão de pesquisa; estabelecimento dos critérios de
inclusão e exclusão; busca de estudos primários; avaliação dos estudos incluídos;
categorização dos estudos; interpretação dos resultados e síntese dos resultados
evidenciados), pois a revisão integrativa é um método que tem como finalidade conhecer
sobre um tema específico, que analisa, identifica e sintetiza os resultados obtidos nas
pesquisas sobre o tema em questão (MASCARENHAS et al., 2019). A pesquisa em questão
teve como pergunta norteadora: “Há evidências que comprovem que as dietas da moda
possam ocasionar compulsão alimentar em adultos e jovens adultos com sobrepeso ou
obesidade?”. Esta pesquisa foi elaborada por meio da aplicação da estratégia PICO, cujo P
refere-se à população (adultos e jovens adultos com obesidade ou sobrepeso), I de
intervenção/exposição (Dietas da moda) e CO ao desfecho/resultados/contexto (Compulsão
alimentar).
31
2.2 Método de pesquisa para identificação de estudos
A busca foi realizada nas bases dados Scientific Eletronic Library Online (Scielo),
National Library of Medicine (Pubmed), Science Research (Science) e a Biblioteca Digital
Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os
descritores utilizados foram definidos de acordo com os Descritores em Ciências da Saúde
(DECS), e foram usados nos idiomas português e inglês e combinados utilizando os
operadores booleanos “OR” e “AND” da seguinte forma: Em protuguês - foram utilizados:
restrição alimentar e compulsão alimentar; dieta e compulsão alimentar, dietas da moda e
transtorno alimentar. Em inglês foram organizadas da seguinte forma: (binge eating) AND
(Diet, Ketogenic OR Diet, High-Protein LowCarbohydrate OR Diet Fads) AND (bing eating).
2.3 Critérios de inclusão e exclusão
A busca dos artigos foi realizada nos meses de dezembro de 2022 e janeiro de 2023
e a seleção do material, se deu por meio de leitura dos títulos e resumos e teve como
parâmetros de inclusão: textos publicados nos idiomas inglês, português e espanhol, entre
os anos 2013 a 2023, em formato de artigo. Os parâmetros de exclusão foram artigos que
fugiam da temática, artigos com informações incompletas e duplicadas.
Com a inserção dos descritores e do operador booleano AND nas bases de dados
selecionadas, encontrou-se 781 artigos. Ao serem acrescentados os filtros especificados
foram reduzidos para 248, tendo assim todos os seus títulos lidos, sendo excluídos 231
artigos. Foram realizadas leituras dos resumos dos 17 artigos restantes, sendo excluídos 11.
Os 6 artigos que restaram foram lidos por completo e utilizados no presente estudo. Segue
abaixo, no fluxograma, os dados da seleção e exclusão dos artigos (figura 1).
Figura 1: Etapas da aplicação da metodologia.
32
3. RESULTADOS
Diante dos artigos pesquisados e disponíveis na literatura, que atenderam aos requisitos
descritos na metodologia e com objetivo de compreender o tema proposto, após efetuado
o levantamento dos artigos foi possível construir o Quadro 01, que pode ser observado a
seguir. Nele estão explícitas informações sobre o título, os autores, a metodologia utilizada,
a amostra do estudo, e os principais resultados obtidos.
33
Quadro 1. Artigos selecionados para a revisão de literatura em termos de título da publicação, autor/ano, metodologia e conclusões, 2023.
Título Autor/Ano Método Conclusão
A restrição alimentar e seus
impactos no comportamento
alimentar.
FERREIRA (2018) Estudo observacional de caráter
quantitativo.
Amostra de 61 indivíduos (ambos os sexos e
maiores de 18 anos) que estavam em
processo de restrição alimentar cognitiva.
Conclui-se que em processo de restrição alimentar
cognitiva, há alterações no comportamento
alimentar, sendo mais prevalente em mulheres com
IMC elevado e idade jovem.
A influência de dietas restritivas nos
diversos transtornos alimentares
em mulheres jovens.
MALTEZ e BLAMIRES
(2016)
Estudo analítico do tipo transversal.
Amostra de mulheres com autopercepção de
sintomas de transtorno alimentar (dentro da
faixa etária de 18 a 35 anos).
Conclui-se que há forte relação entre a restrição
alimentar e a compulsão alimentar.
A restrição de energia dietética
severa aumenta a compulsão
alimentar em indivíduos com
sobrepeso ou obesos? Uma revisão
sistemática
LUZ ET AL. (2015) Revisão sistemática.
Foram avaliados estudos empíricos –
randomizados ou não randomizados – que
avaliaram um regime envolvendo restrição
de energia alimentar severa.
Foram incluídas quinze intervenções clinicamente
supervisionadas de 10 publicações (nove das quais
envolveram apenas mulheres). Entre os indivíduos
com transtorno alimentar pré-tratamento
clinicamente relevante, a severa restrição diminuiu
significativamente a compulsão alimentar em todas
as quatro intervenções envolvendo essa população,
pelo menos durante o programa de perda de peso.
Dietas Restritivas e Compulsões
Alimentares
FILIPPI (2019) Estudo observacional e transversal com
abordagem qualitativa.
Realizado na Universidade de Taubaté, com
35 graduandos do curso de nutrição, que
responderam um questionário
Os resultados obtidos, embora limitado pelo
pequeno número de participantes que já aderiram
a dietas restritivas, demonstram que existe relação
entre dietas restritivas com compulsão alimentar.
34
sociodemográfico, associado a questões
relacionadas ao tema que foi elaborado
pelos pesquisadores.
Efeitos psicológicos e metabólicos
da restrição alimentar no
transtorno de compulsão alimentar
SOIHET ET AL. (2019) Revisão integrativa.
Estudo foi realizado por meio de revisão em
livros acadêmicos e artigos originais e de
revisão. Foram separados 92 artigos, porém
foram utilizadas apenas 37 referências, que
continham informações realmente
relevantes para esta revisão.
Através desta revisão, pode-se notar que existem
diversas evidências que sugerem os efeitos
psicológicos, metabólicos e no Transtorno de
Compulsão Alimentar das dietas restritivas.
Caloric Deprivation Increases
Responsivity of Attention and
Reward Brain Regions to Intake,
Anticipated Intake, and Images of
Palatable Foods
STICE, BURGER e
YOKUM (2013)
Estudo prospectivo e experimental.
Amostra de 166 adolescentes do sexo
feminino e masculino, sendo, no estudo 1 =
34 mulheres adolescentes e no estudo 2 =
132 adolescentes (ambos os sexos)
Conclui-se, então, que a privação calórica aguda e
prolongada aumenta o valor de recompensa dos
alimentos, particularmente alimentos palatáveis
com alta densidade energética
35
4. DISCUSSÃO
A mídia vem idealizando padrões de beleza cada vez mais difíceis e inalcançáveis,
atingindo, principalmente, a população feminina. De acordo com o DSM-V (2014) o
Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA) é desenvolvidopor frequentes episódios de
compulsão alimentar, que consiste na ingestão, em um intervalo determinado, de uma
quantidade maior de alimentos que o habitual para a maioria das pessoas consumirem no
mesmo período, diante das 10 mesmas circunstâncias, concomitante ao sentimento de falta
de controle sobre a ingestão durante o episódio.
Em um estudo analítico do tipo transversal, com mulheres em idade média de 18 a
35 anos, foi investigado a influência de práticas alimentares restritivas no surgimento de
sintomas de transtornos alimentares, onde foi concluído que 95% das participantes
mostraram-se insatisfeitas com a própria imagem tendo as dietas restritivas como
alternativa para alcançar o “corpo ideal” imposto pela sociedade, além de relatarem
aumento de apetite após realizar uma dieta e, na maioria das vezes, vontade de comer o
alimento que foi considerado proibido (MALTEZ, 2016).
Para a população em sobrepeso e obesidade, essa restrição energética pode trazer
efeitos psicológicos positivos, como se observou em um estudo com população em
sobrepeso e obesos, de acordo com LUZ ET AL. (2015), entre os indivíduos com transtorno
alimentar, a restrição calórica severa diminuiu significativamente a compulsão alimentar em
todas as quatro intervenções envolvendo essa população, pelo menos durante o programa
de perda de peso. Já para FILIPPI (2019), os resultados obtidos, embora limitado pelo
pequeno número de participantes que já aderiram a dietas restritivas, sugerem que existe
relação entre dietas restritivas com compulsão alimentar.
Ligado a essas controvérsias, muito tem-se falado que “toda restrição gera
compulsão”, no entanto, diversos outros estudos mostraram que o transtorno de
compulsão alimentar periódica (TCAP) pode ter origem ou não de uma restrição calórica
severa. Busca-se elucidar se esse tipo de comportamento alimentar é fator de risco para o
desenvolvimento de transtornos alimentares. No entanto, isso não está bem claro na
literatura. De acordo com o observado em estudo realizado por SOIHET ET AL. (2019),
verifica-se os efeitos psicológicos e metabólicos da restrição alimentar no transtorno de
compulsão alimentar. Notam-se diversas evidências que sugerem os efeitos psicológicos,
36
metabólicos associados ao (TCAP) em dietas restritivas.
STICE; BURGER; YOKUM (2013) investigaram por ressonância magnética, se a
restrição calórica autoimposta aguda e de longo prazo aumenta a responsividade das
regiões de atenção e recompensa no cérebro. Concluíram que o período de restrição aguda
e de longo prazo de calorias está relacionada a uma maior valorização da recompensa e
atenção às imagens de alimentos palatáveis, ou seja, abdicar-se da ingestão alimentar por
longo período de tempo, tem o efeito de aumentar o valor de recompensa da comida,
podendo levar a escolhas alimentares inadequadas. O sistema de recompensa do cérebro é
ativado quando o ser humano tem uma experiência prazerosa, estimulando o cérebro a
produzir um neurotransmissor chamado de dopamina. Se ao consumir chocolate, por
exemplo, gerar muito prazer ao indivíduo, o cérebro registra o momento fazendo com que o
mesmo lembre não apenas do sabor do chocolate, mas também da sensação de prazer em
si, podendo assim, guiar as suas escolhas alimentares apenas nos alimentos que geram
esses sentimentos, aumentando o consumo destes alimentos em situações de restrição.
Por fim, FERREIRA (2018) diz que os transtornos alimentares tem causa multifatorial,
preconizando que a dieta é mais um dos gatilhos para o desenvolvimento destes, pois
restringir o consumo energético pode favorecer manifestações psicológicas, como
preocupação com comida e em comer, aumento da responsabilidade emocional e
mudanças de humor e distração, comprometendo a boa relação com a alimentação, que
deveria ser consciente e sustentável. Assim, o foco do tratamento nutricional para o
paciente com Transtorno de Compulsão Alimentar deve objetivar a mudança de
comportamentos, hábitos e crenças limitantes a respeito dos alimentos, para manter uma
alimentação normalizada, para que haja controle das compulsões alimentares
5. CONCLUSÃO
É de extrema importância esclarecer os malefícios de dietas restritivas mal
orientadas ou sem o devido acompanhamento de um nutricionista, pelo fato de que cada
vez mais são propagadas nas mídias informações com relação a dietas, medicamentos,
suplementos emagrecedores, sem que haja o devido cuidado com a saúde e seus efeitos
psicológicos e comportamentais dos indivíduos. A adesão às dietas restritivas, sobretudo
entre mulheres, sem acompanhamento profissional individualizado, habitua ser reflexo de
37
uma insatisfação com a própria imagem, tendo como consequência a culpa e a baixa
autoestima, além da sensação de fracasso, podendo resultar em conflitos na relação com a
comida, no ato de comer e no peso.
Observou-se com essa revisão que as mulheres, na maioria dos estudos abordados,
são mais afetadas que os homens pelo desenvolvimento de TCAP, além de indivíduos com
sobrepeso ou obesidade. O TCAP tem causas multifatoriais, sendo a restrição alimentar
mais um fator de risco para alterações no comportamento alimentar. Embora alguns
estudos mostram essa relação, é importante compreender que ainda não existem
evidências de uma relação direta entre dietas restritivas e o desenvolvimento de TCAP,
surgindo, portanto, a necessidade de mais estudos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA.
Diretrizes brasileiras de obesidade. 4. ed. São Paulo: ABESO, 2016. Disponível em:
https://abeso.org.br/diretrizes. Acesso em: 4 mar. 2020.
BRASIL. VIGITEL BRASIL 2018 [Internet]. Ministério da Saúde. 2019. Available from:
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel- brasil-2018.pdf
CARDOSO E, ISOSAKI M. Manual de Dietoterapia e Avaliação Nutricional e Serviço de
Nutrição e Dietética do Instituto do Coração. São Paulo: editora Atheneu, 2004.
CHÁRITAS , Cháritas. Dietas restritivas e o risco para o desenvolvimento de compulsão
alimentar em adolescentes. Brazilian Journal of Development, [s. l.], maio 2021.
CHAVES, L.; NAVARRO, A. Compulsão Alimentar, Obesidade e Emagrecimento. Revista
Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, v. 5, n. 27, p. 110 – 120, 2011.
DERAM, S. O peso das dietas: emagreça de forma sustentável dizendo não às dietas. 1. Ed –
São Paulo: Sensus, 2014.
ESCOTT-STUMP, S. Nutrição relacionada ao diagnostico 5º ed. Barueri, São Paulo: Manole,
2007.
FERREIRA, G. L. A restrição alimentar e seus impactos no comportamento alimentar. 2018. 32
f. Monografia (Graduação) - Faculdade de Ciências da Educação e Saúde, Centro
Universitário de Brasília, Brasília, p. 1-32, 2018. Disponível em:
https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/235/12672.
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-%20brasil-2018.pdf
38
FILIPPI, C. R. Dietas Restritivas e Compulsões Alimentares. 2019. 27 f. Monografia
(Graduação em Enfermagem e Nutrição) – Universidade de Taubaté, Taubaté, 2019.
FRANCISCHI, R.P., KLOPFER, M., PEREIRA, L.O., CAMPOS, P.L., SAWADA, L.A., SANTOS, R.,
VIEIRA, P., LANCHA JR, A.H. Efeito da intensidade da atividade física e da dieta hipocalórica
sobre consumo alimentar, a composição corporal e a colesterolemia em mulheres obesas.
Revista Brasileira de Nutrição Clínica, Porto Alegre, v.14, n.1, p.1-8, 1999.
LUZ, F. Q; HAY, GIBSON, A. A; TOUYZ, S. W; SWINBOURNE, J. M; ROEKENES, J. A.; SAINSBURY,
A. A restrição de energia dietética severa aumenta a compulsão alimentar em indivíduos com
sobrepeso ou obesos? Uma revisão sistemática. Obesity Reviews. v. 16, p. 652–665, 2015.
MAHAN, L. K.;STRUMPE.S. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13. ed. São Paulo:
editora Elsevier, 2012.
MALTEZ, B. G.; BLAMIRES, É. A influência de dietas restritivas nos diversos transtornos
alimentares em mulheres jovens. Tese (Bacharelado em Nutrição), p. 1–30, 2016. Disponível
em: https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/235/11192.MENDONÇA CP E ANJOS LA. Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como
determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de
Janeiro 2004; 20(3): 698-709
MORGAN, C.; VECCHIATTI, I.; NEGRÃO, A. Etiologia dos transtornos alimentares: aspectos
biológicos, psicológicos e sócio-culturais. Revista Brasileira de Psiquiatria. São Paulo, v. 24, p.
18-23, dez.2002.
SOIHET JU, Silva AL. Efeitos psicológicos e metabólicos da restrição alimentar no transtorno
de compulsão alimentar [Dissertação] [Internet]. Centro universitário São Camilo; 2019. 
STICE, E.; BURGER, K.; YOKUM, S. Caloric Deprivation Increases Responsivity of Attention and
Reward Brain Regions to Intake, Anticipated Intake, an Images of Palatable Foods. n. 541, p.
322–330, 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23201365/.
TORRES, S.; SALES, C. M.; GUERRA, M. P.; SIMÔES, MARIA P.; PINTO, M.; VIEIRA, FILIPA M.
Emotion-focused cognitive behavioral therapy in comorbid obesity with binge eating
disorder: a pilot study of feasibility and long-term outcomes. Frontiers in Psychology, v, 11,
n. 343, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32194485/>. Acesso em 27
nov. 2020.
VASCONCELOS, A. R. et al. O jejum intermitente atenua a neuroinflamação induzida por
lipopolisacarídeos e comprometimento da memória. Jornal de Neuroinflamação. São
Paulo, v. 11, n. 1, p. 85, 2014.
YUMUK, Volkan et al. European Guidelines for Obesity Management in Adults. Obesity
Facts, [S.l.], n. 8, p. 402-424, 2015.

Mais conteúdos dessa disciplina