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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ – UFPI CAMPUS SENADOR HELVÍDIO NUNES DE BARROS – CSHNB CURSO DE BACHARELADO EM NUTRIÇÃO NAYARA RODRIGUES DE CARVALHO DIETAS RESTRITIVAS E AUMENTO DA COMPULSÃO ALIMENTAR EM ADULTOS E JOVENS ADULTOS COM SOBREPESO OU OBESIDADE: Uma revisão integrativa PICOS – PI 2023 NAYARA RODRIGUES DE CARVALHO DIETAS RESTRITIVAS E AUMENTO DA COMPULSÃO ALIMENTAR EM ADULTOS E JOVENS ADULTOS COM SOBREPESO OU OBESIDADE: Uma revisão integrativa Projeto de pesquisa apresentado como requisito parcial para obtenção de aprovação na disciplina de TCC II do Curso de Bacharelado em Nutrição, Universidade Federal do Piauí, campus Senador Helvídio Nunes de Barros, integrando a área de Saúde Baseada em Evidências. Orientador (a): Prof. Dr. Ardilles Juan Carlos Alves dos Santos. PICOS – PI 2023 NAYARA RODRIGUES DE CARVALHO DIETAS RESTRITIVAS E AUMENTO DA COMPULSÃO ALIMENTAR EM ADULTOS E JOVENS ADULTOS COM SOBREPESO OU OBESIDADE. Projeto de pesquisa apresentado como requisito parcial para obtenção de aprovação na disciplina de TCC II do Curso de Bacharelado em Nutrição, Universidade Federal do Piauí, campus Senador Helvídio Nunes de Barros, integrando a área de Saúde Baseada em Evidências. Orientador (a): Prof. Dr. Ardilles Juan Carlos Alves dos Santos. Aprovado em: ____ /____/____ Banca Examinadora: Presidente – Prof(o). Ardilles Juan Carlos Alves dos Santos. (UFPI/CSHNB) Examinador (a) 1 – Examinador (a) 2 – AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, fonte da minha vida, inspiração e sabedoria, que fez com que os meus objetivos fossem alcançados, durante todos os meus anos de estudos. Agradeço ao meu pai e a minha mãe, Francisco Pires e Miriam Sá, que sempre acreditaram no meu potencial, me incentivaram e me apoiaram, mesmo nos momentos mais difíceis estiveram ao meu lado e sei que estarão sempre torcendo por mim. Ao meu irmão, Luan Carvalho, por tudo o que fez e faz, por todo o carinho e principalmente pelo apoio incondicional e incentivo. A todos os meus familiares, que mesmo de longe sempre me proporcionaram amor e carinho, e deles tirei força para enfrentar cada obstáculo. Agradeço ao meu melhor amigo/namorado, Alysson Santos, por ter segurado a minha mão durante essa reta final, por sempre estar ao meu lado me apoiando e por ter tornando tudo mais leve. Aos meus amigos que estiveram comigo durante toda a graduação, pois sem eles eu não teria conseguido chegar até aqui, obrigada por sempre confiarem em mim e por terem me acompanhado em cada conquista e momento especial dos últimos anos. Um agradecimento especial ao meu orientador, Prof. Dr. Ardilles Juan, por sua disponibilidade, mesmo em período de férias, pelo incentivo e compreensão que foram fundamentais durante a construção do trabalho. As suas críticas construtivas, discussões e reflexões foram fundamentais ao longo de todo o percurso. Eternamente grata por todo o apoio recebido. Por fim, agradeço à instituição e a todos os professores que me acompanharam ao longo do curso e que, com empenho, se dedicam a compartilhar seus conhecimentos. RESUMO Introdução: O aumento de casos de obesidade e de sobrepeso é uma realidade mundial e atinge todas as faixas etárias em ambos os sexos. Dietas da moda ficam cada vez mais conhecidas diante da busca pela perda de peso rápida. Entretanto, sabe-se que a maioria dos pacientes que buscam por tratamentos para mudança de vida, normalmente apresentam algum tipo de transtorno ou distúrbio, sendo depressão, ansiedade e transtornos alimentares, como a compulsão alimentar. Objetivo: Relacionar o risco de compulsão alimentar periódica em jovens adultos com sobrepeso e obesidade antes e após a prática de dietas de alta restrição calórica. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, de natureza qualitativa e abordagem descritiva. A busca foi realizada nas bases dados Scientific Eletronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research (Science) e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os descritores para a busca foram: “binge eating”, diet, ketogenic, high-protein, low carbohydrate, diet fads, transtorno da compulsão alimentar periódica, dietas restritivas e obesidade. Resultados: O acervo dos estudos encontrados relata que as dietas restritivas podem causar mudanças no comportamento alimentar dos indivíduos adeptos da mesma, além da depressão e a baixa autoestima, tendo como consequência a presença de um ciclo retroalimentado de restrição, principalmente em mulheres que buscam o emagrecimento. Conclusão: Embora alguns estudos mostraram essa relação, é importante compreender que ainda não existem evidências de uma relação direta entre dietas restritivas e o desenvolvimento de TCAP em pessoas com sobrepeso e obesidade, surgindo, portanto, a necessidade de mais estudos. Palavras-chave: Restrição Alimentar; Compulsão Alimentar; Dietas da moda; Transtorno Alimentar. ABSTRACT Introduction: The increase in cases of obesity and overweight is a worldwide reality and affects all age groups and both sexes. Fad diets are becoming more and more known in the face of the search for quick weight loss. However, it is known that most patients who seek life-changing treatments usually have some type of disorder or disorder, such as depression, anxiety and eating disorders, such as binge eating. Objective: To relate the risk of binge eating in young adults with overweight and obesity before and after the practice of high caloric restriction diets. Methodology: This is an integrative literature review, qualitative in nature and descriptive approach. The search was carried out in the databases Scientific Electronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research (Science) and the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD) and Virtual Health Library (BVS). The descriptors for the search were: “binge eating”, diet, ketogenic, high-protein, low carbohydrate, diet fads, binge eating disorder, restrictive diets and obesity. Results: The collection of studies found reports that restrictive diets can cause changes in the eating behavior of individuals who adhere to it, in addition to depression and low self-esteem, resulting in the presence of a feedback loop of restriction, especially in women who seek the slimming. Conclusion: Although some studies have shown this relationship, it is important to understand that there is still no evidence of a direct relationship between restrictive diets and the development of BED in overweight and obese people, thus arising the need for further studies. Keywords: Food Restriction; Food Compulsion; Fad diets; Eating disorder. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CAP- Compulsão Alimentar Periódica. DC - Dieta cetogênica DCNT- Doenças Crônicas Não Transmissíveis. DSM-5- Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais versão 5. ECAP- Escala de Compulsão Alimentar Periódica. HDL - Lipoproteínas de alta densidade. IG - Índice glicêmico. IMC - índice de Massa Corporal. JI- Jejum Intermitente. KCAL - Quilocalorias. OMS- Organização Mundial de Saúde. TAs - Transtornos alimentares. TCA- Transtorno de Compulsão Alimentar. TCAP - Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica. TCM- Triglicerídeos de cadeia média. VIGITEL- Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. SUMÁRIO CAPÍTULO I 09 1. INTRODUÇÃO 10 2. REFERENCIAL TEÓRICO 12 2.1 Sobrepeso e obesidade 12 2.2 Dietas de restrição calóricas 13 2.2.1 Dieta Low Carb 14 2.2.2 Dieta Dukan 15 2.2.3 Dieta Cetogênica 16 2.2.4 Jejum Intermitente 17 2.2.5 Dieta paleolítica 17 2.2.6 Dieta Mediterrânea 18 2.3 Compulsão alimentar 19 2.4 Transtorno de compulsão alimentar periódica 20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 22 CAPÍTULO II 26 RESUMO 27 ABSTRACT 28 1. INTRODUÇÃO 28 2. METODOLOGIA 30 2.1 Delineamento do estudo 30 2.2 Método de pesquisa para identificação de estudos 31 2.3 Critériosde inclusão de exclusão 31 3. RESULTADOS 32 4. DISCUSSÃO 35 5. CONCLUSÃO 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 37 9 CAPÍTULO I 10 1. INTRODUÇÃO Segundo dados do Ministério da Saúde, cada vez mais observa-se um expressivo aumento nos casos de sobrepeso e obesidade no mundo. Segundo os dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), a obesidade cresceu quase 60% no País em dez anos, passando de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016. E o sobrepeso subiu de 42,6% para 53,8%, no mesmo período. O aumento da obesidade em todo o mundo é uma preocupação da Organização Mundial da Saúde, que vê um surto epidêmico da doença. (BRASIL, 2019). A ocorrência do sobrepeso e da obesidade reflete não apenas o aumento desordenado da adiposidade por consumo calórico elevado, como também a interação entre fatores socioeconômicos, genéticos, psicológicos, culturais e comportamentais (FRANCISCHI et al.,1999). Há uma relação estreita entre o estado emocional, estresse e o desejo ou necessidade de comer, visto que é comum em indivíduos com sobrepeso ou obesidade o hábito de se alimentar quando problemas emocionais estão presentes (YUMUK et al., 2015). Decorrente disso, encontra-se uma grande ligação entre o estresse emocional e o transtorno de compulsão alimentar associado à obesidade (ABESO, 2016). Por conta do grande aumento de casos de obesidade e sobrepeso, surgiram inúmeras dietas que asseguram o emagrecimento rápido (CARDOSO, 2004). A disponibilidade de dietas da moda está cada vez maior e a adesão a estas é crescente devido a promessa de perda de peso de forma rápido, isso acontece devido à maioria dessas dietas serem extremamente restritivas e agressivas (ESCOTT-STUMP, 2007), entretanto, dietas restritivas provocam sérios desequilíbrios nos hormônios responsáveis pela regulação do balanço energético, causando diversas desordens no organismo, ansiedade, nervosismo, obsessão por comida, aumento da fome, diminuição da saciedade, sentimentos de angústia e culpa, depressão, e perda de controle na ingestão alimentar, decorrente disso, acabam impulsionada a Compulsão Alimentar, que está entre um dos principais Transtornos Alimentares (TAs) relacionados a práticas restritivas de alimentos (CHÁRITAS, 2021). Os TAs são enfermidades psiquiátricas debilitantes, caracterizadas por um distúrbio persistente nos hábitos alimentares ou nos comportamentos do controle de massa corporal que resulta em danos importantes na saúde física e no funcionamento psicossocial (MAHAN et al., 2012). A dieta restritiva é um fator para o desenvolvimento desses transtornos. Pois, ao seguir as regras de uma dieta, sem acompanhamento profissional, os sinais como de fome e saciedade são ignorados, essa disfunção pode ocasionar um descontrole, gerando a 11 compulsão alimentar (VASCONCELOS, 2021). As dietas da moda, que prometem resultados milagrosos em pouco tempo, também descritas como dietas restritivas são definidas por “restrição parcial ou total de grupos de alimentos intencionalmente” (SILVA et al., 2020). Entretanto, a dieta Low Carb, dieta Paleolítica, Jejum intermitente, entre outras, são realizadas na maioria das vezes sem orientações e acompanhamento de um nutricionista (SOIHET; SILVA, 2019). Segundo Chaves et al. (2011), reduzir bruscamente as calorias, restringir grupos alimentares, ou ainda fazer várias horas de jejum, são estratégias que podem levar a uma série de efeitos psicológicos negativos que incluem perturbações no afeto, na autoestima, na cognição e no comportamento alimentar. Os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas caracterizadas por alterações graves no comportamento alimentar, que afetam o metabolismo, padrões de fome e saciedade e significado do alimento, podendo resultar em graves alterações clínicas e nutricionais (SOIHET E SILVA, 2019). Segundo Deram (2014) fazer uma dieta restritiva é algo que assusta e estressa o corpo e o cérebro. O cérebro não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza, percebe-a como um grande perigo, por isso, desenvolve mecanismos de adaptação para proteger o organismo, ou seja, irá aumentar o apetite, diminuir o metabolismo e aumentar cada vez mais a obsessão por alimentação, justamente para que se coma e não se corra nenhum risco de perder tecido adiposo. Morgan et al. (2002), afirma que as dietas restritivas são, atualmente, os principais fatores precipitantes de um TA. Pessoas que fazem dieta têm um risco de desenvolver a doença 18 vezes maior do que as que não fazem. As dietas da moda sem acompanhamento profissional nutricionista podem causar diversos problemas à saúde pois geram grandes danos ao organismo. A maioria delas é de baixa quantidade de calorias (Hipocalóricas) e quantidades insuficientes dos nutrientes, que são de extrema importância para o desenvolvimento e manutenção do nosso organismo (MATIAS, 2014). Em médio prazo, pode levar a um ganho de peso ainda maior, estresse físico e psicológico e, até mesmo, contribuir com o surgimento de novas doenças como anorexia nervosa, anemia, deficiência de zinco e hipovitaminose (ANDRADE, 2016). Tendo em vista que a epidemia da obesidade e do sobrepeso têm aumentado de forma alarmante em todo o mundo e de que, a adesão a dietas restritivas, tendo como finalidade a perda de peso em busca da magreza, pode trazer consequências à saúde de quem a pratica, o presente projeto teve como principal objetivo associar a adesão de dietas restritivas com o risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares como a compulsão alimentar. 12 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Sobrepeso e obesidade O sobrepeso e obesidade são caracterizados pelo acúmulo de gordura localizada em diferentes partes do corpo, principalmente na área abdominal, que excedem os padrões aceitáveis de normalidade antropométrica em diferentes graus (OLIVEIRA et al. 2009). São responsáveis pelo aumento de risco para a morbimortalidade de populações adultas, associando-se a 63% do total global de mortes causadas pelas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Desse valor, 78% da mortalidade ocorre em países de média e baixa renda (GOULART, 2011). A prevalência mundial de sobrepeso/obesidade vem apresentando rápido e progressivo aumento nas últimas décadas (NG M et al., 2014). De acordo com dados da OMS, a prevalência estimada de adultos maiores de 18 anos com excesso de peso em 2016 foi de 39% (1,9 bilhões de pessoas), havendo, dentre esses, 13% (650 milhões de pessoas) obesos. A prevalência mundial de obesidade quase triplicou entre 1975 e 2016 (OMS, 2020). Na prática clínica, a adiposidade corporal é geralmente estimada pelo Índice de Massa Corporal (IMC). O IMC é o quociente do peso corporal em quilogramas (kg) dividido pela altura em metros ao quadrado (m²). A partir deste, pode-se classificar o estado nutricional dos indivíduos, sendo o sobrepeso definido por um IMC de 25 a 29,9 kg/m² e a obesidade por um IMC igual ou maior que 30 kg/m² (OMS, 1995). Ainda, a obesidade é classificada em diferentes graus, sendo: grau I, quando o IMC é de 30 a 34,9 kg/m²; grau II, quando o IMC é de 35 a 39,9 kg/m² e; grau III, para o IMC igual ou superior a 40 kg/m² (OMS, 2000). A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em conjunto com o Ministério da Saúde, identificou em 2019 que 60,3% da população adulta do Brasil (Cerca de 96 milhões de pessoas), apresentam IMC maior que 25 kg/m², sendo classificadas com sobrepeso e obesidade (IBGE, 2020). Dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) apontam que nos últimos 13 anos a prevalência de obesidade na população brasileira aumentou 67,8%, saindo de 11,8% quando a pesquisa foi iniciada em 2006 para 19,8% em 2018 (BRASIL, 2019). Destaca-se que o crescimento da obesidade foi maior entre os adultos de 25 a 44 anos (em média 82,6%). O estudotambém registrou crescimento considerável no número de pessoas com sobrepeso. Mais da metade da 13 população (55,7%) está nessa condição, representando um aumento de 30,8% desde 2006, presente principalmente entre as faixas etárias de 18 a 24 anos (BRASIL, 2019). Isso se deve aos novos padrões de vida e hábitos adquiridos pelas pessoas, principalmente nas grandes cidades. Há um novo perfil, portanto, da população brasileira devido ao processo de urbanização, o que determina mudança nos padrões de comportamento, principalmente os alimentares e o sedentarismo (FERREIRA, 2003). Coutinho (2008) coloca também como fatores desencadeadores da obesidade no Brasil: a entrada da mulher no mercado de trabalho, o ritmo cada dia mais acelerado das cidades onde se perde muito tempo nos deslocamentos diários, o uso indiscriminado dos alimentos ricos em gorduras saturadas e pobres em fibras e vitaminas e o crescimento do consumo das refeições rápidas tipo fast food. (COUTINHO, 2008) A etiologia da obesidade não é de fácil identificação, uma vez que é caracterizada como doença multifatorial, tendo uma grande interação entre os fatores comportamentais, culturais, genéticos, fisiológicos e psicológicos (SILVA, 2009). Na maioria dos casos, o sobrepeso e a obesidade associam-se uma excessiva ingestão calórica e ao sedentarismo, esse excesso de calorias se armazena como tecido adiposo e gera um balanço energético positivo, que pode ser definido como a diferença entre a quantidade de energia adquirida e a quantidade de gasta na realização das funções vitais e de atividades em geral. Tornar-se positivo quando a quantidade de energia adquirida é maior do que a energia gasta (TAVARES, et al., 2010.). Podem estar associados também a algumas desordens endócrinas, como o hipotireoidismo e problemas no hipotálamo, mas estas causas representam menos de 1% dos casos de excesso de peso. (GIGANTE, 1997) Em virtude do crescente aumento do sobrepeso e da obesidade e do impacto que esses eventos podem ocasionar na saúde da população, estratégias que controlem e minimizem esse cenário devem ser exploradas. Decorrente disso, as dietas de restrição calóricas têm emergido como possível estratégia para o controle de peso. 2.2 Dietas de restrição calóricas A palavra dieta é derivada da palavra grega díaita, que quer dizer “modo de vida”. A partir desta definição é possível compreender que a dieta deve estar relacionada a escolhas e hábitos saudáveis. Entretanto, com o passar dos séculos o significado da palavra foi alterado e definido para regimes alimentares com um único objetivo à perda de peso (CORDÁS, 2004). Na tentativa de redução de peso e controle da obesidade tem surgido, nos últimos 14 anos, uma ampla oferta de dietas que prometem perda de peso rápida. Segundo Cardoso, o termo dieta corresponde à alimentação seguida por um indivíduo ou grupo de indivíduos”. As dietas da moda podem ser definidas como padrões de hábitos alimentares não usuais adotados entusiasticamente por seus seguidores. Segundo Longo e Navarro (2002), as modas dietéticas podem ser chamadas dessa forma porque são costumes alimentares populares e temporários, promovendo resultados rápidos e atraentes, mas carecem de um fundamento científico. Apesar de sua fama, as evidências de que as dietas não são efetivas para a perda de peso estão cada vez mais presentes, bem como o estudo de seus malefícios. Sabe-se que a prática de dietas restritivas pode contribuir para distúrbios emocionais e cognitivos, além da possível aparição de transtornos alimentares (SOIHET; SILVA, 2019). Uma dieta adequada para perda de peso deve ser planejada individualmente e ser variada contendo todos os grupos alimentares visando a uma constante promoção de bons hábitos alimentares. Para uma perda saudável de 0,45kg a 1 kg por semana, o déficit diário não pode ultrapassar de 500kcal a 1.000kcal, e pode ser mantido até seis meses. Considera-se uma dieta restritiva e prejudicial ao corpo qualquer dieta com valor energético inferior a 800kcal/dia (MAHAN, 2010). O Guia Alimentar para a População Brasileira postula que uma alimentação adequada e saudável perpassa por aspectos biológicos e sociais do indivíduo, devendo estar em acordo com as necessidades alimentares especiais. Leva-se em consideração também que uma alimentação saudável não se restringe ao consumo de nutrientes, mas sim suas combinações, formas de preparo, as características do modo de comer e as dimensões sociais e culturais das práticas alimentares (BRASIL, 2018). 2.2.1 Dieta Low Carb As dietas Low Carb (LC) são uma categoria ampla que não possuem uma definição objetiva, não existindo um acordo universal sobre o que as caracteriza quantitativamente. Assim sendo, de forma geral, podem ser vistas como dietas LC, as dietas em que o teor de carboidratos fica aquém das diretrizes "oficiais". Entretanto, há definições publicadas em estudos que ignoram as diretrizes oficiais e definem as dietas LC como aquelas que contém menos de 200g de carboidrato por dia, ou menos de 30% desse macronutriente com relação ao VET. Há ainda os estudiosos que preferem dividir as dietas LC em não cetogênicas (50-150g de CHO/dia ou até 45% do VET) e cetogênicas (máximo de 50g de CHO/dia ou 10% do VET) (ARAGON et al., 2017; FRIGOLET et al., 2011). 15 Neste tipo de dieta o consumo de algumas fontes de carboidrato, como legumes, verduras, frutas e grãos, são permitidas de forma limitada. Os efeitos adversos da dieta Low Carb são constipação, fadiga, dores de cabeça e mau humor. Essa dieta contribui para melhora do perfil lipídico, aumento do HDL, diminuição dos TC e controle glicêmico, e ainda melhoria de alguns parâmetros de risco cardiovascular (XAVIER, 2017). A dieta low carb é eficaz no que diz respeito à redução de peso corporal, ao aumento dos níveis de HDL, à redução dos triglicerídeos e no controle glicêmico quando realizada de forma correta e regrada (ALMEIDA et al., 2009). Porém, quando não acompanhadas de um profissional, as dietas com restrição de carboidrato podem prejudicar a capacidade do indivíduo de praticar atividade física, por reduzir os estoques de glicogênio muscular e aumentar a fadiga durante o exercício (WHITE et al., 2007). 2.2.2 Dieta Dukan A dieta proteica, muitas vezes comparada e abordada como dieta hiperproteica, trata-se de ações diferenciadas, haja vista que a dieta hiperproteica refere-se apenas ao aumento no consumo de proteínas, enquanto que a dieta de restrição de proteínas, refere-se ao consumo apenas destes nutrientes, com restrição aos demais macronutrientes como carboidratos, lipídeos, vitaminas e sais minerais, acarretando em riscos e complicações para o organismo, haja vista que tais substâncias são essenciais ao funcionamento do organismo (PERES, 2021). Neste contexto, dentre as dietas de restrição da proteína destaca-se a dieta Dukan, a qual inicia-se a primeira fase com a restrição total dos demais macronutrientes, e, nas etapas subsequentes do tratamento acrescenta-se, gradativamente os demais macronutrientes, agregada ao aspecto psicológico (DUKAN, 2012). A dieta foi desenvolvida por um médico francês, conhecido por Dr. Pierri Dukan, que procurou ajustar o método de acordo com as necessidades, apresentadas por seus pacientes, tornando-se um plano global publicada em 2001 e sendo conhecida por “Eu não consigo emagrecer”, mais de oito milhões de leitores em mais de 20 países tiveram acesso ao método, sendo tais leitores e praticantes da dieta que nomearam com seu próprio nome um método que ele considera revolucionário para o combate do sobrepeso, a dieta é prevalentemente hipocalórica, cetogênica com o consumo de lipídios e proteínas liberados, como carne vermelha, ovo, manteiga e restrição para o carboidrato como frutas, pães, farinha, macarrão, açúcares e doces (DUKAN, 2014). 16 O Método Dukan possui 2 dimensões: a clássica, estruturada em 4 fases (ataque, cruzeiro, consolidação e estabilização), que proporcionaum emagrecimento rápido, e a escada nutricional, que oferece uma reeducação alimentar para uma perda de peso moderada e constante (Dukan, 2014). Devido à existência dessas várias fases, no passo a passo, ocorre uma menor monotonia aliadas a dias diferenciados, os quais incluem carboidratos magros, vegetais e proteínas, em pequenas porções proporcionando saciedade e melhor digestão. Além disso, segundo pesquisas, a dieta oferece um controle mais efetivo nos níveis séricos do colesterol acarretados pela restrição de alguns tipos de carnes e gorduras (DUKAN, 2012). Apesar desta dieta ser bem aceita entre os profissionais e acadêmicos da área da nutrição, por facilitar a saciedade, bem como, aumentar perda de líquidos e gorduras, especialistas ressaltam sobre a importância de não ultrapassar o período programado indicado em suas fases, em especial a fase de ataque, tendo a vista o risco de complicações hepáticas e renais, e ainda picos de hipoglicemia, devido a ingestão restrita de proteínas, objeto de estudo desta pesquisa, informando que a reeducação alimentar, proposta pelo Ministério da Saúde, trata-se da melhor opção disponível na perda do peso (PRESES, 2021). 2.2.3 Dieta Cetogênica Por muitos anos, os estudos de intervenção nutricional visando a perda de peso corporal foram focados em reduzir a gordura dietética com poucos resultados positivos a longo prazo; sendo proposta na atualidade novas estratégias dietéticas, entre elas a dieta cetogênica (DC), que é composta em grande parte por gorduras e apresenta importante restrição de carboidratos (PAOLI, 2014). A oferta energética (Kcal) aos pacientes submetidos a dieta cetogênica deve atingir 75% da energia recomendada por dia e cabe ao nutricionista realizar o plano dietético levando em consideração o peso ideal para a estatura e a idade, elaborando um cardápio variado e que esteja de acordo com as necessidades calóricas e com a proporção adequada para cada paciente (NAKAHARADA, 2008). A Dieta Cetogênica (DC) é uma dieta terapêutica cuja composição é rica em lipídeos, moderada em proteínas e pobre em carboidratos. Há uma substituição dos carboidratos por lipídeos que provêm uma fonte energética alternativa para o cérebro, as cetonas, e diminui-se levemente a quantidade de proteínas (HARTMAN; VINING, 2007). Os lipídios são considerados macronutrientes cetogênicos, carboidratos são anticetogênicos e proteínas são utilizadas devido a sua função estrutural. Triglicerídeos de 17 cadeia média (TCM) são, dentre as gorduras, as mais eficientes 16 em produzir cetose. Apesar de ser uma dieta especial, a mesma deve atender aos princípios gerais da nutrição oferecendo energia, proteínas, minerais e vitaminas, visando à manutenção da saúde. Esses últimos nutrientes devem ser oferecidos na forma de suplementos, pois a dieta não consegue suprir as necessidades diárias (NONINO-BORGES et al., 2004). 2.2.4 Jejum Intermitente O Jejum Intermitente (JI) é um termo abrangente, o qual se refere a variadas formas de alternar períodos de jejum e de não jejum, a fim de melhorar a composição corporal e, desta forma, a saúde como um todo (OOI et al., 2019). Configura uma prática não muito recente, já que começou a ser evidenciada em muçulmanos por meio do Ramadã, no qual, durante 30 dias consecutivos, alimenta-se apenas no período entre o entardecer e o amanhecer (SANTOS et al., 2017). O JI compreende um padrão alimentar no qual o indivíduo se submete de forma voluntária a períodos de privação de alimentos, com reduzida ou nenhuma ingestão energética, intercalados por períodos de ingestão normal de alimentos e bebidas, a depender do protocolo, podendo ocorrer restrição em dias alternados, jejum de dia inteiro e jejum de tempo limitado (JOHNSTONE, 2015). Pode ser classificado também, de acordo com o período que é realizado, sendo, portanto, de curto ou longo prazo (SOETERS et al., 2012). Os JI a curto prazo são, de 2 a 4 dias com exceção de água, pois as mudanças adaptativas podem ocorrer e tornarem-se máximas dentro desse período de tempo (SOETERS et al., 2012). Entretanto, de acordo com a revisão de TINSLEY e BOUNTY (2015), os jejuns variam ligeiramente mais do que um jejum durante a noite (ou seja, 16h) até um máximo de 1 a 5 dias, embora a maioria dos períodos de jejum não exceda 24 horas de abstinência alimentar completa (VASCONCELOS et al, 2014). De maneira geral, o JI visa alternar períodos de ingestão alimentar livre ou janelas de alimentação, seguidos por privação total de alimentos. Tendo o propósito de fazer com que o corpo utilize as reservas de gordura para produção de energia de forma estratégica. Segundo a teoria relacionada a esta prática, alimentar-se em janelas de curto período dificultaria o consumo de um volume alimentar excessivo, resultando em um déficit calórico ao final do dia, promovendo uma perda de peso rápida (HARRIS et al.,2018). 2.2.5 Dieta paleolítica 18 A dieta paleolítica recebeu esse nome por ser uma dieta conhecida dos nossos ancestrais. Freury (2012) se baseou em evidências científicas e comprovou que para a maioria das pessoas o melhor jeito para emagrecer é por meio da redução do consumo de alimentos que possui em sua composição um alto índice glicêmico (IG), substituindo-os por carboidratos e gorduras saudáveis, independentemente da quantidade consumida, sendo irrelevante em termos de perda de peso (FREURY, 2012). Sendo assim, o padrão alimentar paleolítico consiste no consumo de alimentos originados de animais e plantas silvestres como, por exemplo: carnes magras, peixes, vegetais, frutas, raízes, ovos e nozes. A dieta exclui grãos (cereais e leguminosas), laticínios, sal, açúcar refinado e óleos processados, os quais não eram disponíveis antes que os humanos começassem a cultivar plantas e domesticar animais, sendo então uma dieta isenta de glúten, lactose e processados. A dieta paleolítica também incluía flores, insetos, larvas e sementes (LINDEBERG,2012; ANDRÉ, 2014; KLONOFF 2014). A estimativa da composição nutricional da dieta paleolítica é de baixo teor de carboidratos; cerca de 40% do total calórico, em relação aos lipídios cerca de 47%. Além disso, a dieta é hiper proteica, pois o consumo era em torno de 35% até 50% do valor calórico total (FREURY,2012; CORDAIN, 2002). Na atualidade a dieta paleolítica está sendo discutida com o argumento de que pode oferecer benefícios à saúde, contribuir para emagrecimento e tratamento de doenças já que é uma dieta natural e evita o consumo de alimentos que trazem malefícios ao corpo humano (PAZMIÑO,2016). 2.2.6 Dieta Mediterrânea Nas últimas décadas, muito tem se discutido a respeito dos benefícios da Dieta Mediterrânea e seus componentes, os quais são capazes de prevenir o aparecimento das DCNT (BARRIOS-VICEDOE COLABORADORES, 2015). Estes hábitos fazem parte do cotidiano das populações desta região, que engloba o sul da Europa, desde a infância e exercem efeitos positivos sobre a saúde e o bem-estar dos indivíduos, o que pode ser os responsáveis pelas vantagens associadas a este tipo de alimentação (CHIERICOE COLABORADORES, 2014). A dieta do Mediterrâneo comprova que os países que possuem este estilo de vida tida como terapêutica e preventiva faz com que esses povos tenham a menor taxa de mortalidade ocasionada por problemas cardiovasculares, neurológicos, menor índice de doenças como a 19 trombose, diabetes, mal de Alzheimer, alguns tipos de câncer, síndromes degenerativas e diversas outras doenças comparadas com a de vários países do mundo todo (PERES, 2001). Foi definida como um padrão alimentar tradicional em localidades como: Grécia, Sul da Itália, Espanha e outros países produtores de olivais da Bacia Mediterrânea, desde o início da década de 1960. é baseada no alto consumo de frutas, hortaliças verdes e amarelas, cereais, leguminosas (grão-de-bico, lentilha), oleaginosas (amêndoas, azeitonas, nozes), peixes, leite e derivados (iogurte, queijos), vinho e azeite de oliva. Há umbaixo consumo de carnes vermelhas, gorduras de origem animal, produtos industrializados e doces (ricos em gordura e açúcar refinado). Essa dieta é pobre em ácidos graxos saturados, rica em carboidratos complexos e fibras e tem alta concentração de ácidos graxos monossaturados (GONZÁLEZ E COLABORADORES, 2015; SALEN; LORGERIL, 1997). 2.3 Compulsão alimentar O termo compulsão alimentar se refere a episódios de comer em excesso, caracterizados pelo consumo de grandes quantidades de comida em intervalos curtos de tempo, seguido por uma sensação de perda de controle sobre o que se está comendo (APPOLINARIO, 2004). A literatura aponta que o paciente que sofre de compulsão alimentar vive em meio a centenas de sentimentos conflituosos, especialmente nos episódios de compulsão, onde eles são tomados por desconfortos físicos, além de sentimentos de autocondenação, medo, raiva e angústia, por exemplo (ESPÍNOLA et al., 2006) Um comedor compulsivo abrange no mínimo dois elementos: o subjetivo (a sensação de perda de controle) e o objetivo (a quantidade do consumo alimentar) (SERRA et al., 2019). Do ponto de vista psicológico, já se detectaram vários fatores (por exemplo, a ansiedade, estresse, depressão, raiva, tédio, frustração, solidão) que podem desencadear esses ataques. Eles acometem fundamentalmente pessoas que já passaram por vários períodos de jejum/fome devido a dietas (LEMES, 2002). Há evidências de que, em indivíduos obesos, comportamentos de compulsão alimentar e/ou restrição são mais frequentes e parecem ser, em parte, responsáveis pelos fracassos observados no tratamento da obesidade. As restrições e autoimposições das pessoas que fazem dieta parecem ter um efeito rebote, resultando em compulsão alimentar, a qual pode associar-se a consequências psicológicas, como a perda da autoestima, mudanças de humor e distração (BERNARDI et al. 2005). No Brasil, entre os pacientes que procuram 20 tratamento para emagrecer, de 15 a 22 % apresentam este tipo de transtorno (VIEIRA; MEYER, 2013). Quando esses episódios de compulsão alimentar se tornam frequentes e ocorrem em pelo menos dois dias por semana, durante os últimos seis meses, e estão associados a algumas características de perda de controle, é então caracterizado o diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar periódica, sendo este o mais investigado em indivíduos com obesidade (PIVETTA LA et al. 2010). 2.4 Transtorno de compulsão alimentar periódica O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) foi descrito pela primeira vez nos anos 1950, em indivíduos obesos, por Stunkard (1959). Atualmente sabe-se que este distúrbio não se encontra limitado a este grupo, podendo ocorrer em pessoas com peso normal (APPOLINÁRIO JC, 2004). Das pessoas que declararam apresentar episódios de compulsão alimentar, aproximadamente 20% possuem transtorno da compulsão alimentar periódica (STUNKARD AJ et al. 2003) Chemim & Milito (2007) descrevem, através de um estudo epidemiológico, uma prevalência de TCAP em 2% da população geral e cerca de 30% em obesos que procuram serviços especializados para tratamento de obesidade. A obesidade, no entanto, não é considerada uma doença psiquiátrica nem uma condição para diagnóstico de transtorno alimentar; trata-se de uma condição física que advém de múltiplas causas e pode trazer várias consequências (CHEMIM & MILITO, 2007). O TCAP é definido no atual Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais versão 5 (DSM-5) por episódios recorrentes de compulsão alimentar que ocorrem pelo menos uma vez por semana durante três meses e são associados a sofrimento acentuado. Os critérios do DSM-5 para o transtorno da compulsão alimentar periódica também exigem que os indivíduos experimentem pelo menos três das cinco características a seguir: comer muito mais rápido que o normal; comer até sentir-se desconfortavelmente cheio; comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação de fome física; comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo; e sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado após os episódios de compulsão alimentar (DSM-5, 2014). O TCAP se caracteriza pela ingestão, em um curto período de tempo (até duas horas), de uma elevada quantidade de alimentos quando comparada com a quantidade que outras pessoas consomem em circunstâncias análogas. Durante esses episódios de 21 compulsão, o indivíduo tende a comer mais rápido do que o normal, chegando ao ponto de sentir-se “desconfortavelmente cheio” mesmo não estando com fome. Além do mais, após os episódios de TCAP os indivíduos relatam sentimentos de vergonha e culpa devido à quantidade de comida ingerida, tal como sensação de falta de controle sobre o ato de comer (APA, 2014). Atualmente, o TCAP é avaliado pela Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP), que se constitui em um questionário de autopreenchimento traduzido e validada para o idioma português contendo 16 questões (VITOLO et al., 2006), com uma escala likert de 4 pontos (0 a 3) em cada item, devendo ser escolhida a opção que melhor representar a percepção do indivíduo em relação a si. A pontuação final é o resultado da soma das 16 questões, podendo variar entre 0 e 46 pontos (Apêndice A). Os escores brutos são classificados com os seguintes pontos de corte: 1) Ausência de compulsão alimentar periódica (CAP), quando os escores são menores ou iguais a 17; 2) CAP moderada, em escores de 18 a 26; e 3) CAP grave, acima de 27, de acordo com os estudos de validação (FREITAS et al., 2001). Entretanto a ECAP serve apenas como um instrumento de avaliação da gravidade da compulsão alimentar, mas não serve para diagnosticar um paciente com TCAP, uma vez que esse diagnóstico deve ser realizado segundo os critérios do DSM-5. Assim, a presença do transtorno sempre deve ser confirmada por uma entrevista clínica. Apesar disso, a ECAP permite observar a magnitude das mudanças do comportamento alimentar em cada paciente, em diferentes momentos, durante o tratamento para perda de peso (FREITAS et al., 2001). 22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-5 (5a ed.). Porto Alegre: Artmed, 2014. APPOLINÁRIO, J. C. Transtorno da compulsão alimentar periódica: uma entidade clínica emergente que responde ao tratamento farmacológico. Rev. Bras. Psiquiatr.(nome das revistas em Negrito e Justificado) v.26, p.75-6, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA. 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Dissertação (Programa de Pós Graduação da Wainer & Piccoloto)-Porto Alegre, 2013. 26 CAPÍTULO II Dietas restritivas e aumento da compulsão alimentar em adultos e jovens adultos com sobrepeso ou obesidade: uma revisão integrativa. ____________________________________________________________________ Artigo científico a ser submetido à revista da Associação Brasileira de Nutrição - RASBRAN ( ISSN 2357-7894 ) https://www.rasbran.com.br/rasbran/about/submissions https://www.rasbran.com.br/rasbran/about/submissions 27 Dietas restritivas e aumento da compulsão alimentar em adultos e jovens adultos com sobrepeso ou obesidade: uma revisão integrativa. Restrictive diets and increasedbinge eating in adults and young adults with overweight or obesity: an integrative review. Nayara Carvalho¹, Ardilles Santos² ¹Campus Senador Helvidío Nunes de Barros, Universidade Federal do Piauí (UFPI), discente do curso de bacharelado em Nutrição. ²Campus Senador Helvidío Nunes de Barros, Universidade Federal do Piauí (UFPI), docente do curso de bacharelado em Nutrição. Email para contato: nayaraoak@gmail.com - Nayara Carvalho. RESUMO Introdução: O aumento de casos de obesidade e de sobrepeso é uma realidade mundial e atinge todas as faixas etárias em ambos os sexos. Dietas da moda ficam cada vez mais conhecidas diante da busca pela perda de peso rápida. Entretanto, sabe-se que a maioria dos pacientes que buscam por tratamentos para mudança de vida, normalmente apresentam algum tipo de transtorno ou distúrbio, sendo depressão, ansiedade e transtornos alimentares, como a compulsão alimentar. Objetivo: Relacionar o risco de compulsão alimentar periódica em jovens adultos com sobrepeso e obesidade antes e após a prática de dietas de alta restrição calórica. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, de natureza qualitativa e abordagem descritiva. A busca foi realizada nas bases dados Scientific Eletronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research (Science) e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os descritores para a busca foram: “binge eating”, diet, ketogenic, high-protein, low carbohydrate, diet fads, transtorno da compulsão alimentar periódica, dietas restritivas e obesidade. Resultados: O acervo dos estudos encontrados relata que as dietas restritivas podem causar mudanças no comportamento alimentar dos indivíduos adeptos da mesma, além da depressão e a baixa autoestima, tendo como consequência a presença de um ciclo retroalimentado de restrição, principalmente em mulheres que buscam o emagrecimento. Conclusão: Embora alguns estudos mostraram essa relação, é importante compreender que ainda não existem evidências de uma relação direta entre dietas restritivas e o desenvolvimento de TCAP em pessoas com sobrepeso e obesidade, surgindo, portanto, a necessidade de mais estudos. Palavras-chave: Restrição Alimentar; Compulsão Alimentar; Dietas da moda; Transtorno Alimentar, ABSTRACT mailto:nayaraoak@gmail.com 28 Introduction: The increase in cases of obesity and overweight is a worldwide reality and affects all age groups and both sexes. Fad diets are becoming more and more known in the face of the search for quick weight loss. However, it is known that most patients who seek life-changing treatments usually have some type of disorder or disorder, such as depression, anxiety and eating disorders, such as binge eating. Objective: To relate the risk of binge eating in young adults with overweight and obesity before and after the practice of high caloric restriction diets. Methodology: This is an integrative literature review, qualitative in nature and descriptive approach. The search was carried out in the databases Scientific Electronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research (Science) and the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD) and Virtual Health Library (BVS). The descriptors for the search were: “binge eating”, diet, ketogenic, high-protein, low carbohydrate, diet fads, binge eating disorder, restrictive diets and obesity. Results: The collection of studies found reports that restrictive diets can cause changes in the eating behavior of individuals who adhere to it, in addition to depression and low self-esteem, resulting in the presence of a feedback loop of restriction, especially in women who seek the slimming. Conclusion: Although some studies have shown this relationship, it is important to understand that there is still no evidence of a direct relationship between restrictive diets and the development of BED in overweight and obese people, thus arising the need for further studies. Keywords: Food Restriction; Food Compulsion; Fad diets; Eating disorder. 1. INTRODUÇÃO Segundo os dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a obesidade cresceu quase 60% no País em dez anos, passando de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016. E o sobrepeso subiu de 42,6% para 53,8%, no mesmo período. O aumento da obesidade em todo o mundo é uma preocupação da Organização Mundial da Saúde, que vê um surto epidêmico da doença. (BRASIL, 2019). A ocorrência do sobrepeso e da obesidade reflete não apenas o aumento desordenado da adiposidade por consumo calórico elevado, como também a interação entre fatores socioeconômicos, genéticos, psicológicos, culturais e comportamentais (FRANCISCHI et al., 1999). Há uma relação estreita entre o estado emocional, estresse e o desejo ou necessidade de comer, visto que é comum em indivíduos com sobrepeso ou obesidade o hábito de se alimentar quando problemas emocionais estão presentes (YUMUK et al., 2015). Decorrente disso, encontra-se uma grande ligação entre o estresse emocional e o transtorno de compulsão alimentar associado à obesidade (ABESO, 2016). 29 Por conta do grande aumento de casos de obesidade e sobrepeso, surgiram inúmeras dietas que asseguram o emagrecimento rápido (CARDOSO 2004). A disponibilidade de dietas da moda está cada vez maior e a adesão a estas é crescente devido a promessa de perda de peso de forma rápido, isso acontece devido à maioria dessas dietas serem extremamente restritivas e agressivas (ESCOTT-STUMP, 2007), entretanto, dietas restritivas provocam sérios desequilíbrios nos hormônios responsáveis pela regulação do balanço energético, causando diversas desordens no organismo, ansiedade, nervosismo, obsessão por comida, aumento da fome, diminuição da saciedade, sentimentos de angústia e culpa, depressão, e perda de controle na ingestão alimentar, decorrente disso, acabam impulsionada a Compulsão Alimentar, que está entre um dos principais Transtornos Alimentares (TAs) relacionados a práticas restritivas de alimentos (CHÁRITAS, 2021). Os TAs são enfermidades psiquiátricas debilitantes, caracterizadas por um distúrbio persistente nos hábitos alimentares ou nos comportamentos do controle de massa corporal que resulta em danos importantes na saúde física e no funcionamento psicossocial (MAHAN et al., 2012). A dieta restritiva é um fator para o desenvolvimento desses transtornos. Pois, ao seguir as regras de uma dieta, sem acompanhamento profissional, os sinais como de fome e saciedade são ignorados, essa disfunção pode ocasionar um descontrole, gerando a compulsão alimentar (VASCONCELOS, 2021). Segundo Chaves et al. (2011), reduzir bruscamente as calorias, restringir grupos alimentares, ou ainda fazer várias horas de jejum, são estratégias que podem levar a uma série de efeitos psicológicos negativos que incluem perturbações no afeto, na autoestima, na cognição e no comportamento alimentar. Os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas caracterizadas por alterações graves no comportamento alimentar, que afetam o metabolismo, padrões de fome e saciedade e significado do alimento, podendo resultar em graves alterações clínicas e nutricionais (SOIHET E SILVA, 2019). Segundo DERAM (2014) fazer uma dieta restritiva é algo que assusta e estressa o corpo e o cérebro. O cérebro não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza, percebe-a como um grande perigo, por isso, desenvolve mecanismos de adaptação para proteger o organismo, ou seja, irá aumentar o apetite, diminuir o metabolismo e aumentar cada vez mais a obsessão por alimentação, justamente para que se coma e não se corra nenhum risco de perder tecido adiposo. MORGAN ET AL. (2002), afirma que as dietas 30 restritivas são, atualmente, os principais fatores precipitantes de um TA. Pessoas que fazem dieta têm um risco de desenvolver a doença 18 vezes maior do que as quenão fazem. As dietas da moda sem acompanhamento profissional nutricionista podem causar diversos problemas à saúde pois geram grandes danos ao organismo. A maioria delas é de baixa quantidade de calorias (Hipocalóricas) e quantidades insuficientes dos nutrientes, que são de extrema importância para o desenvolvimento e manutenção do nosso organismo (MATIAS, 2014). Em médio prazo, pode levar a um ganho de peso ainda maior, estresse físico e psicológico e, até mesmo, contribuir com o surgimento de novas doenças como anorexia nervosa, anemia, deficiência de zinco e hipovitaminose (ANDRADE, 2016). Tendo em vista que a epidemia da obesidade e do sobrepeso têm aumentado de forma alarmante em todo o mundo e de que, a adesão a dietas restritivas, tendo como finalidade a perda de peso em busca da magreza, pode trazer consequências à saúde de quem a pratica, o presente projeto teve como principal objetivo associar a adesão de dietas restritivas com o risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares como a compulsão alimentar. 2. METODOLOGIA 2.1 Delineamento do estudo Trata-se de uma revisão de literatura do tipo integrativa, na qual seguirá todos as etapas necessárias (elaboração da questão de pesquisa; estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; busca de estudos primários; avaliação dos estudos incluídos; categorização dos estudos; interpretação dos resultados e síntese dos resultados evidenciados), pois a revisão integrativa é um método que tem como finalidade conhecer sobre um tema específico, que analisa, identifica e sintetiza os resultados obtidos nas pesquisas sobre o tema em questão (MASCARENHAS et al., 2019). A pesquisa em questão teve como pergunta norteadora: “Há evidências que comprovem que as dietas da moda possam ocasionar compulsão alimentar em adultos e jovens adultos com sobrepeso ou obesidade?”. Esta pesquisa foi elaborada por meio da aplicação da estratégia PICO, cujo P refere-se à população (adultos e jovens adultos com obesidade ou sobrepeso), I de intervenção/exposição (Dietas da moda) e CO ao desfecho/resultados/contexto (Compulsão alimentar). 31 2.2 Método de pesquisa para identificação de estudos A busca foi realizada nas bases dados Scientific Eletronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (Pubmed), Science Research (Science) e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os descritores utilizados foram definidos de acordo com os Descritores em Ciências da Saúde (DECS), e foram usados nos idiomas português e inglês e combinados utilizando os operadores booleanos “OR” e “AND” da seguinte forma: Em protuguês - foram utilizados: restrição alimentar e compulsão alimentar; dieta e compulsão alimentar, dietas da moda e transtorno alimentar. Em inglês foram organizadas da seguinte forma: (binge eating) AND (Diet, Ketogenic OR Diet, High-Protein LowCarbohydrate OR Diet Fads) AND (bing eating). 2.3 Critérios de inclusão e exclusão A busca dos artigos foi realizada nos meses de dezembro de 2022 e janeiro de 2023 e a seleção do material, se deu por meio de leitura dos títulos e resumos e teve como parâmetros de inclusão: textos publicados nos idiomas inglês, português e espanhol, entre os anos 2013 a 2023, em formato de artigo. Os parâmetros de exclusão foram artigos que fugiam da temática, artigos com informações incompletas e duplicadas. Com a inserção dos descritores e do operador booleano AND nas bases de dados selecionadas, encontrou-se 781 artigos. Ao serem acrescentados os filtros especificados foram reduzidos para 248, tendo assim todos os seus títulos lidos, sendo excluídos 231 artigos. Foram realizadas leituras dos resumos dos 17 artigos restantes, sendo excluídos 11. Os 6 artigos que restaram foram lidos por completo e utilizados no presente estudo. Segue abaixo, no fluxograma, os dados da seleção e exclusão dos artigos (figura 1). Figura 1: Etapas da aplicação da metodologia. 32 3. RESULTADOS Diante dos artigos pesquisados e disponíveis na literatura, que atenderam aos requisitos descritos na metodologia e com objetivo de compreender o tema proposto, após efetuado o levantamento dos artigos foi possível construir o Quadro 01, que pode ser observado a seguir. Nele estão explícitas informações sobre o título, os autores, a metodologia utilizada, a amostra do estudo, e os principais resultados obtidos. 33 Quadro 1. Artigos selecionados para a revisão de literatura em termos de título da publicação, autor/ano, metodologia e conclusões, 2023. Título Autor/Ano Método Conclusão A restrição alimentar e seus impactos no comportamento alimentar. FERREIRA (2018) Estudo observacional de caráter quantitativo. Amostra de 61 indivíduos (ambos os sexos e maiores de 18 anos) que estavam em processo de restrição alimentar cognitiva. Conclui-se que em processo de restrição alimentar cognitiva, há alterações no comportamento alimentar, sendo mais prevalente em mulheres com IMC elevado e idade jovem. A influência de dietas restritivas nos diversos transtornos alimentares em mulheres jovens. MALTEZ e BLAMIRES (2016) Estudo analítico do tipo transversal. Amostra de mulheres com autopercepção de sintomas de transtorno alimentar (dentro da faixa etária de 18 a 35 anos). Conclui-se que há forte relação entre a restrição alimentar e a compulsão alimentar. A restrição de energia dietética severa aumenta a compulsão alimentar em indivíduos com sobrepeso ou obesos? Uma revisão sistemática LUZ ET AL. (2015) Revisão sistemática. Foram avaliados estudos empíricos – randomizados ou não randomizados – que avaliaram um regime envolvendo restrição de energia alimentar severa. Foram incluídas quinze intervenções clinicamente supervisionadas de 10 publicações (nove das quais envolveram apenas mulheres). Entre os indivíduos com transtorno alimentar pré-tratamento clinicamente relevante, a severa restrição diminuiu significativamente a compulsão alimentar em todas as quatro intervenções envolvendo essa população, pelo menos durante o programa de perda de peso. Dietas Restritivas e Compulsões Alimentares FILIPPI (2019) Estudo observacional e transversal com abordagem qualitativa. Realizado na Universidade de Taubaté, com 35 graduandos do curso de nutrição, que responderam um questionário Os resultados obtidos, embora limitado pelo pequeno número de participantes que já aderiram a dietas restritivas, demonstram que existe relação entre dietas restritivas com compulsão alimentar. 34 sociodemográfico, associado a questões relacionadas ao tema que foi elaborado pelos pesquisadores. Efeitos psicológicos e metabólicos da restrição alimentar no transtorno de compulsão alimentar SOIHET ET AL. (2019) Revisão integrativa. Estudo foi realizado por meio de revisão em livros acadêmicos e artigos originais e de revisão. Foram separados 92 artigos, porém foram utilizadas apenas 37 referências, que continham informações realmente relevantes para esta revisão. Através desta revisão, pode-se notar que existem diversas evidências que sugerem os efeitos psicológicos, metabólicos e no Transtorno de Compulsão Alimentar das dietas restritivas. Caloric Deprivation Increases Responsivity of Attention and Reward Brain Regions to Intake, Anticipated Intake, and Images of Palatable Foods STICE, BURGER e YOKUM (2013) Estudo prospectivo e experimental. Amostra de 166 adolescentes do sexo feminino e masculino, sendo, no estudo 1 = 34 mulheres adolescentes e no estudo 2 = 132 adolescentes (ambos os sexos) Conclui-se, então, que a privação calórica aguda e prolongada aumenta o valor de recompensa dos alimentos, particularmente alimentos palatáveis com alta densidade energética 35 4. DISCUSSÃO A mídia vem idealizando padrões de beleza cada vez mais difíceis e inalcançáveis, atingindo, principalmente, a população feminina. De acordo com o DSM-V (2014) o Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA) é desenvolvidopor frequentes episódios de compulsão alimentar, que consiste na ingestão, em um intervalo determinado, de uma quantidade maior de alimentos que o habitual para a maioria das pessoas consumirem no mesmo período, diante das 10 mesmas circunstâncias, concomitante ao sentimento de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio. Em um estudo analítico do tipo transversal, com mulheres em idade média de 18 a 35 anos, foi investigado a influência de práticas alimentares restritivas no surgimento de sintomas de transtornos alimentares, onde foi concluído que 95% das participantes mostraram-se insatisfeitas com a própria imagem tendo as dietas restritivas como alternativa para alcançar o “corpo ideal” imposto pela sociedade, além de relatarem aumento de apetite após realizar uma dieta e, na maioria das vezes, vontade de comer o alimento que foi considerado proibido (MALTEZ, 2016). Para a população em sobrepeso e obesidade, essa restrição energética pode trazer efeitos psicológicos positivos, como se observou em um estudo com população em sobrepeso e obesos, de acordo com LUZ ET AL. (2015), entre os indivíduos com transtorno alimentar, a restrição calórica severa diminuiu significativamente a compulsão alimentar em todas as quatro intervenções envolvendo essa população, pelo menos durante o programa de perda de peso. Já para FILIPPI (2019), os resultados obtidos, embora limitado pelo pequeno número de participantes que já aderiram a dietas restritivas, sugerem que existe relação entre dietas restritivas com compulsão alimentar. Ligado a essas controvérsias, muito tem-se falado que “toda restrição gera compulsão”, no entanto, diversos outros estudos mostraram que o transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) pode ter origem ou não de uma restrição calórica severa. Busca-se elucidar se esse tipo de comportamento alimentar é fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares. No entanto, isso não está bem claro na literatura. De acordo com o observado em estudo realizado por SOIHET ET AL. (2019), verifica-se os efeitos psicológicos e metabólicos da restrição alimentar no transtorno de compulsão alimentar. Notam-se diversas evidências que sugerem os efeitos psicológicos, 36 metabólicos associados ao (TCAP) em dietas restritivas. STICE; BURGER; YOKUM (2013) investigaram por ressonância magnética, se a restrição calórica autoimposta aguda e de longo prazo aumenta a responsividade das regiões de atenção e recompensa no cérebro. Concluíram que o período de restrição aguda e de longo prazo de calorias está relacionada a uma maior valorização da recompensa e atenção às imagens de alimentos palatáveis, ou seja, abdicar-se da ingestão alimentar por longo período de tempo, tem o efeito de aumentar o valor de recompensa da comida, podendo levar a escolhas alimentares inadequadas. O sistema de recompensa do cérebro é ativado quando o ser humano tem uma experiência prazerosa, estimulando o cérebro a produzir um neurotransmissor chamado de dopamina. Se ao consumir chocolate, por exemplo, gerar muito prazer ao indivíduo, o cérebro registra o momento fazendo com que o mesmo lembre não apenas do sabor do chocolate, mas também da sensação de prazer em si, podendo assim, guiar as suas escolhas alimentares apenas nos alimentos que geram esses sentimentos, aumentando o consumo destes alimentos em situações de restrição. Por fim, FERREIRA (2018) diz que os transtornos alimentares tem causa multifatorial, preconizando que a dieta é mais um dos gatilhos para o desenvolvimento destes, pois restringir o consumo energético pode favorecer manifestações psicológicas, como preocupação com comida e em comer, aumento da responsabilidade emocional e mudanças de humor e distração, comprometendo a boa relação com a alimentação, que deveria ser consciente e sustentável. Assim, o foco do tratamento nutricional para o paciente com Transtorno de Compulsão Alimentar deve objetivar a mudança de comportamentos, hábitos e crenças limitantes a respeito dos alimentos, para manter uma alimentação normalizada, para que haja controle das compulsões alimentares 5. CONCLUSÃO É de extrema importância esclarecer os malefícios de dietas restritivas mal orientadas ou sem o devido acompanhamento de um nutricionista, pelo fato de que cada vez mais são propagadas nas mídias informações com relação a dietas, medicamentos, suplementos emagrecedores, sem que haja o devido cuidado com a saúde e seus efeitos psicológicos e comportamentais dos indivíduos. A adesão às dietas restritivas, sobretudo entre mulheres, sem acompanhamento profissional individualizado, habitua ser reflexo de 37 uma insatisfação com a própria imagem, tendo como consequência a culpa e a baixa autoestima, além da sensação de fracasso, podendo resultar em conflitos na relação com a comida, no ato de comer e no peso. Observou-se com essa revisão que as mulheres, na maioria dos estudos abordados, são mais afetadas que os homens pelo desenvolvimento de TCAP, além de indivíduos com sobrepeso ou obesidade. O TCAP tem causas multifatoriais, sendo a restrição alimentar mais um fator de risco para alterações no comportamento alimentar. Embora alguns estudos mostram essa relação, é importante compreender que ainda não existem evidências de uma relação direta entre dietas restritivas e o desenvolvimento de TCAP, surgindo, portanto, a necessidade de mais estudos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA. 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