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AÇÕES COMUNITÁRIAS
Módulo
Unidade Didática – O Ser Enfermeiro
Professora Ma. Andrelisa Vendrami Parra
Professora Esp. Claudenice Valente da Silva
Professora Esp. Roberta Machado Pereira Dorneles
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 Apresentação
Caro(a) acadêmico(a),
Nesta unidade você conhecerá qual o conceito de enfermagem, a evolução desta profissão ao longo da his-
tória até os dias atuais; conhecerá os campos de atuação profissional e as entidades de classe.
Relembraremos conceitos estudados anteriormente como ética e moral; conhecerá também as leis que re-
gulam a atuação do enfermeiro e dos demais membros da equipe de enfermagem e alguns dilemas encontra-
dos em nossa profissão.
Bom estudo! 
Professora Ma. Andrelisa Vendrami Parraz
Professora Ma. Claudenice Valente da Silva
Professora Esp. Roberta Machado Pereira Dorneles
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AULA
1
A EVOLUÇÃO DA ENFERMAGEM 
ATRAVÉS DA HISTÓRIA
■	Conteúdo
Conceito de enfermagem•	
Evolução da enfermagem através da história•	
Campos de atuação do enfermeiro•	
Entidades de classe•	
Desafios atuais para a enfermagem brasileira•	
■	Competências e habilidades
Conhecer a evolução da enfermagem através da história•	
Identificar como o passado influencia no presente e compreender a sua importância como enfermei-•	
ro neste processo
Conhecer as entidades de classe da enfermagem e a sua importância na prática diária do enfermeiro•	
■	Materiais para autoestudo
 Verificar no Portal os textos e as atividades disponíveis na galeria da unidade
■	Duração
2 h-a – via satélite com professor interativo
2 h-a – presenciais com professor local
6 h-a – mínimo sugerido para autoestudo
 Início de conversa
Você escolheu a profissão de enfermeiro para exer-
cer, e nesta formação irá construir novos conheci-
mentos para executá-la de maneira a cumprir com 
o papel social, político, cultural e econômico.
Por isso vamos iniciar conceituando o que é pro-
fissão, visto que vários acadêmicos ainda não tiveram 
esta experiência.
Inicialmente havia o conceito de profissão liberal 
que se distinguia das atividades manuais de homem 
servil, porque era entendida como a atividade inte-
lectual do homem livre, tinha o sentido de desenvol-
ver uma atividade específica e fundamentada em um 
saber, com autonomia de exercer seu trabalho sem 
subordinação de um empregador.
Collière defendeu que profissão é uma atividade 
composta de um corpo de pessoas que obtiveram um 
título, por meio de uma formação, com vistas a exer-
cer determinadas atividades. Ela entende que profis-
são deve ser um conjunto de pessoas que exercem a 
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
mesma atividade, com base em um regulamento, e 
são organizadas em associações profissionais dotadas 
de um código de deontologia e instâncias coletivas 
para a definição de regras.
Na década de 1980 muitos estudos foram desen-
volvidos na Europa, objetivando analisar o modo 
pelo qual as profissões modernas sugiram no conti-
nente, nos séculos XIX e XX. Na maioria dos casos, 
o Estado desempenhou papel ativo para institucio-
nalizar algumas e reorganizar outras, tendo funcio-
namento como principal empregador daqueles que 
tinham uma profissão. Nesse cenário entendemos 
que as profissões estão intimamente ligadas ao pro-
cesso político formal, o que implica uma constante 
atividade política por parte de todas elas para garantir 
sua manutenção e evolução.
De acordo com o Dicionário de Ciências Sociais 
da Fundação Getulio Vargas, profissão é uma ativi-
dade econômica especializada, permanente e insti-
tucionalizada legalmente, cujo status e cujos papéis 
sociais de seus agentes podem ser modificados no 
tempo e no espaço.
Como podemos perceber o significado de pro-
fissão é dinâmico, devendo ser entendido com um 
processo em permanente construção semântica, com 
mudanças contínuas, que acontecem de acordo com 
as exigências de cada época.
Sabe por que o enfermeiro tem muita responsa-
bilidade?
Porque ser enfermeiro não é apenas cuidar, mas 
também é estar ao lado de uma pessoa doente, ser seu 
amigo e de sua família, ser a pessoa responsável pelos 
seus cuidados e às vezes até proporcionar a dor para 
que o cuidado e o tratamento sejam alcançados.
Ser enfermeiro é teorizar a prática e agir cienti-
ficamente para agilizar o cuidado e prevenir com-
plicações.
Ser enfermeiro é lidar com frustrações, anseios e 
conflitos de equipes, pacientes e famílias.
Ser enfermeiro é prestar a assistência integral ao 
paciente, é dar banho, fazer curativo, fazer medica-
ções, fazer exames, acompanhar resultados, oferecer 
apoio emocional e espiritual, identificar prioridades 
em atendimentos.
Ser enfermeiro é prevenir doenças, é vacinar, é 
educar, é ensinar, é realizar campanhas para a pro-
moção à saúde como contra tabagismo, alcoolismo, 
drogas, obesidade, entre outras.
Ser enfermeiro é ser líder, é manter uma equipe 
trabalhando em harmonia com conhecimentos cien-
tíficos e habilidades para realizar procedimentos sim-
ples e complexos nos pacientes submetidos aos seus 
cuidados.
Ser enfermeiro é trazer novamente à sociedade 
pessoas excluídas, é reabilitar deficientes para ativi-
dades diárias, é lutar contra o preconceito e colocar 
pessoas especiais no convívio da sociedade.
Ser enfermeiro é administrar empresas, clínicas, 
hospitais, postos de saúde, pessoas, é cuidar da saú-
de de trabalhadores, é manter os equipamentos em 
manutenção para evitar acidentes.
Falando em acidentes, ser enfermeiro é socorrer, 
é prestar cuidados em emergências fora do hospital, 
é estar em uma ambulância ou resgate e correr para 
socorrer alguém necessitando de cuidado imediato 
fora do hospital.
Ser enfermeiro é cuidar de si mesmo, é ser cuida-
doso, é cuidar para cuidar.
Ser enfermeiro é ser tudo isso e mais um pouco.
Sabe por quê?
Porque a enfermagem é uma profissão que possui 
conhecimentos próprios, voltados para o atendimen-
to do ser humano nas áreas de promoção, prevenção, 
recuperação e reabilitação da saúde. A enfermagem 
realiza seu trabalho em um contexto mais amplo e 
coletivo de saúde, em parceria com uma equipe mul-
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
tiprofissional representada por áreas como medici-
na, serviço social, fisioterapia, odontologia, farmácia, 
nutrição, psicologia etc.
O atendimento integral à saúde pressupõe uma 
ação conjunta desses diferentes profissionais, pois, 
apesar do saber específico de cada profissão, existe 
uma relação de interdependência e complementari-
dade (Brasil, 2003).
A enfermagem é uma ciência humana que enfoca o 
cuidado ao ser humano em seu estado de saúde e/ou 
doença com o objetivo de reduzir e evitar tensões bio-
lógicas, físicas, psicológicas e sociais (Lima, 2005).
Hoje pela manhã, quando entrei na UTI para o 
meu plantão, encontrei o Sr. Antonio já sentado em 
uma cadeira. Que melhora de ontem para hoje! Achei 
muito bom! Porém, quando cheguei mais perto, ob-
servei que ele não estava tão bem assim, sua pele fria, 
suada, voz trêmula, demonstrando fraqueza e choro-
so, sentei ao seu lado e segurei a sua mão, permaneci 
ali por trinta minutos e observei que sua mão já não 
estava mais suada e nem fria, o choro já havia acaba-
do e com uma voz forte me pediu um copo de leite. 
Neste momento entendi o que é cuidar!
Com este exemplo acima, podemos perceber como 
o relacionamento humano conquista e conserva o es-
tado de saúde, a enfermagem está voltada para man-
ter este bem-estar de pessoas que apresentam neces-
sidades relacionadas com as qualidades de vida e que 
estão preocupadas em preservar a saúde e combater 
as doenças (Lima, 2005).
A prática da enfermagem, a cada dia que passa 
exige que os profissionais estejam maispreparados, 
não só em habilidades técnico-científicas, mas tam-
bém humanísticas. A enfermagem cada vez mais de-
monstra ser a ciência e a arte, buscando estar com 
os seres humanos com que atua e lutando para fa-
zer uma diferença na assistência à saúde (Carraro, 
1997).
Segundo Geovanini (2002), “a enfermagem é a arte 
e a ciência do CUIDAR, necessária a todos os povos 
e todas as nações, imprescindível em época de paz 
ou em época de guerra e indispensável à preservação 
da saúde e da vida dos seres humanos em todos os 
níveis, classes ou condições sociais.”
Você sabe como surgiu a profissão de saúde?
A enfermagem surgiu do desenvolvimento e evo-
lução das práticas de saúde no decorrer dos períodos 
históricos, frequentemente associada ao cristianis-
mo e forma de oferecer caridade, porém este cui-
dado prestado aos doentes seria uma característica 
da natureza humana que advém do período cristão 
(Martin et al., 1997).
Para melhor entender a realidade histórica, as prá-
ticas de saúde foram divididas conforme suas mu-
danças significativas, como descrita por Geovanini 
(2002), a seguir:
As práticas de saúde instintivas:•	 foram as pri-
meiras formas de prestação de assistência, ca-
racterizado pela prática do cuidar nos grupos 
nômades primitivos, tendo como as concepções 
evolucionistas e teológicas. A figura feminina 
possui o domínio dos meios de cura devido ao 
seu instinto materno, sendo ela a responsável 
pelos cuidados de velhos, crianças e doentes (Fi-
gura 1).
 
Fonte: http://www.alzheimermed.com.br/m3.asp?cod_pagina=1067
Figura 1 – Hygeia (Higiene) – A deusa da boa saúde.
As práticas de saúde mágico-sacerdotais:•	 abor-
davam a relação mística entre as práticas reli-
giosas e de saúde primitivas desenvolvidas pelos 
sacerdotes nos templos. Época pré-hipocráticas 
onde as concepções sobre o funcionamento do 
corpo humano, seus distúrbios e doenças, mar-
caram a fase empírica da evolução dos conheci-
mentos em saúde (Figura 2).
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
Fonte: http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2004/jusp690/pag08.htm
Figura 2 – Opúsculo de Pedro Nava.
As práticas de saúde no alvorecer da ciência:•	 
inicia-se no século V a.C., estendendo-se até os 
primeiros séculos da Era Cristã. A prática de 
saúde, antes mística e sacerdotal, passa agora a 
basear-se na experiência, no conhecimento da 
natureza, no raciocínio lógico, que desencadeia 
uma relação de causa e efeito para as doenças. 
Aparece Hipócrates (Figura 3) que propõe uma 
nova concepção em saúde, dissociando a arte de 
curar dos preceitos místicos e sacerdotais, por 
meio da utilização do método indutivo, da ins-
peção e da observação.
Fonte: http://www.babroo.com/pensamiento.php
Figura 3 – Hipócrates (460 a.C. – 377 a.C.).
As práticas de saúde monástico-medievais:•	 esta 
época corresponde ao aparecimento da Enfer-
magem como prática leiga, desenvolvida por re-
ligiosos e abrange o período medieval compre-
endido entre os séculos V e XIII.
Foi um período que marcou a enfermagem como 
sacerdócio e não como prática profissional, devido 
a valores como abnegação, o espírito de serviço e a 
obediência (Figura 4).
Fonte: http://clendening.kumc.edu/dc/rm/major_19th.htm
Figura 4 – Hospital – Hotel Dieu Paris (651).
As práticas de saúde pós-monásticas: corresponde •	
ao período que vai do final do século XIII ao iní-
cio do século XVI. A retomada da ciência, o pro-
gresso social e intelectual da Renascença e a evo-
lução das universidades não constituíram fator de 
crescimento para a Enfermagem. Sob exploração 
deliberada, considerada um serviço doméstico, 
pela queda dos padrões morais que a sustentava, a 
prática de enfermagem tornou-se- indigna e sem 
atrativos para as mulheres de casta social elevada. 
Esta fase tempestuosa, que significou uma grave 
crise para a Enfermagem, permaneceu por muito 
tempo e apenas no limiar da revolução capitalista 
é que alguns movimentos reformadores, que par-
tiram, principalmente, de iniciativas religiosas e 
sociais, tentam melhorar as condições do pessoal 
a serviço dos hospitais (Figura 5).
Fonte: http://www.gutenberg.org/files/11956/11956-h/11956-h.htm
Figura 5 – Hospital Necker (1778).
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
Até a Idade Média: os doentes eram vistos como 
merecedores da salvação divina e os hospitais eram 
destinados ao acolhimento das pessoas doentes e 
não à cura.
As práticas de saúde no mundo moderno: ana-•	
lisam as ações de saúde e, em especial, as de En-
fermagem, sob a ótica do sistema político-econô-
mico da sociedade capitalista. Ressaltam o surgi-
mento da Enfermagem como atividade profissio-
nal institucionalizada. Esta análise inicia-se com 
a Revolução Industrial no século XVI e culmina 
com o surgimento da Enfermagem moderna na 
Inglaterra, no século XIX (Figura 6).
Fonte: http://www.aadl.org/.../male-surgical-ward_300.gif.html
Figura 6 – Hospital Pavilions, 1880.
Por meio desta história, percebemos que o avanço 
da Medicina vem favorecer a reorganização dos hos-
pitais. É na reorganização da Instituição Hospitalar e 
no posicionamento do médico como principal res-
ponsável por esta reordenação, que vamos encontrar 
as raízes do processo de disciplina e seus reflexos na 
Enfermagem, ao ressurgir da fase sombria em que 
esteve submersa até então (Geovanini, 2002).
Nesta época a imagem que a sociedade tem da en-
fermeira é de uma mulher cristã e devotada ao atendi-
mento daqueles que sofrem, que se manteve por mui-
tos séculos, até que a cultura ocidental transformada 
pelo cientificismo substitui os dogmas e as crenças pelo 
conhecimento que se adquire por meio da pesquisa, da 
cognição e da correlação de saberes (Brasil, 2003).
É neste momento que surge a Enfermagem Mo-
derna, quando Florence Nightingale é convidada pelo 
Ministro da Guerra da Inglaterra para trabalhar junto 
aos soldados feridos em combate na Guerra da Cri-
meia (Figura 7).
Fonte: http://www.abennacional.org.br/.../nightngale.html
Figura 7 – Florence Nightingale na Guerra da
Crimeia em 1856.
Desenhando este cenário da trajetória das influ-
ências políticas, sociais e culturais na construção das 
profissões de saúde, é possível compreender como 
este processo é dinâmico e complexo e por esta ra-
zão entendemos que este conhecimento favoreça di-
retamente no seu envolvimento com uma profissão 
de saúde que tem história, que está em constante 
evolução e que é de fundamental importância para 
a sociedade.
Completando nosso pensamento do processo de 
construção de uma prática profissional, apresenta-
mos alguns requisitos concretos que torna uma ati-
vidade ou ofício (de determinada área) em uma pro-
fissão. Para Conway (1983) uma área para ser con-
siderada uma profissão necessita preencher certos 
requisitos como ter:
Autonomia sobre sua prática/trabalho profissional 
e, portanto, um corpo de conhecimento;
Um sistema de valores e crenças estabelecido – 
Código de ética;
Entidades de classe;
Legislação referente à sua prática profissional;
Condições de educar seus próprios membros.
Estes itens são uma indicação de como vamos es-
tudar a enfermagem brasileira, ainda neste capítulo. 
Vamos antes compreender a enfermagem no seu nas-
cedouro na Inglaterra com Florence Nightingale.
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
 ENFERMAGEM PRÉ-NIGHTINGALIANA
Na Idade Média como havia um alto índice de mor-
talidade infantil e muitas perdas devido às guerras, 
devido à preocupação de perpetuação e sobrevivência 
do grupo e pelas características de gênero, a mulher 
recebeu o legado de cuidar. Viúvas e idosas experien-
tes, auxiliadas pelas escravas, faziam os partos e cui-
davam dos feridos e enfermos no domicílio.
No século XI aconteceu as Cruzadas, expedições 
militaresorganizadas com o apoio da Igreja Católica e 
tinham por finalidade reconquistar o Santo Sepulcro, 
em Jerusalém, de domínio muçulmano que impediam 
a peregrinação de cristãos à Terra Santa. Além dos ob-
jetivos religiosos, haviam outros interesses envolvidos: 
a nobreza feudal queria conquistar novas terras para 
ampliar as atividades mercantis no Oriente.
Com o aumento de feridos decorrentes da Guerra 
a Igreja Católica com a ajuda da população começou 
a construir hospitais onde os monges militares pres-
tavam o atendimento, estes primeiros enfermeiros ti-
nham sua postura influenciada pela rígida hierarquia 
e disciplina existente na vida militar e religiosa.
Porém no século XVI, ocorreu a Contrarreforma 
Protestante onde Martinho Lutero liderou um mo-
vimento de contestação dos conceitos cristãos apre-
sentados pela Igreja Católica, na Inglaterra foi criada 
a Inglesa Anglicana que confiscou todos os bens da 
Igreja Católica e expulsou seus religiosos, deixando 
uma lacuna nesta atividade de atender enfermos ins-
titucionalizados.
Desencadeando uma grande e prolongada crise 
nos hospitais e abrigos de pobres, doentes e órfãos, 
que não tinha quem os cuidassem, a saída naquele 
momento foi recrutar mulheres nas ruas e nas pri-
sões para esta função, substituindo os religiosos que 
desempenham esta função.
O Movimento do Renascimento que surgiu na Itália 
no século XII, expandiu para Europa Ocidental pro-
movendo uma mudança importante para as mulhe-
res que começaram a ocupar um papel mais ativo na 
sociedade, visto que tinha limitação cultural e social 
e apenas as mulheres da nobreza e as que buscavam a 
vida nos mosteiros recebiam instrução e estudos para 
desenvolver uma carreira intelectual ou espiritual.
Telma, 2005 diz que as mudanças na prática de 
Enfermagem que ocorreram em meados do século 
XIX na Inglaterra e que iniciaram o desenvolvimen-
to da enfermagem moderna, aconteceram no âmbito 
do discurso formal, elas foram baseadas na transfor-
mação da pobreza em princípios de saneamento e 
compromisso institucional, propunham a mudan-
ça do comportamento dos pobres em casa ou com 
clientes hospitalizados.
A corporação médica já estava organizada e hie-
rarquizada na expectativa de explorar um grupo pro-
fissional, de preferência submisso o suficiente para 
não questionar suas intervenções terapêuticas, tudo 
em nome do suposto desenvolvimento científico do 
saber médico.
Neste contexto Miss Florence apresenta sua im-
portantíssima contribuição para a história da enfer-
magem mundial.
FLORENCE NIGHTINGALE
Destacaremos neste momento alguns fatos da vida 
de Florence para contribuir com nosso entendimento 
do processo de construção da enfermagem profissão.
Nasceu em 12 de maio de 1820, em Florência, Itá-
lia, filha de ingleses; os pais transmitiram profundo 
senso de responsabilidade social e grande sensibili-
dade para com os menos favorecidos.
Segundo Carvalho, 1980 possuía uma inteligência 
incomum, determinada e perseverante em seus pro-
pósitos, dominava com facilidade o inglês, o francês, 
o alemão, o italiano, além do grego e latim. Gostava 
de matemática, especialmente da estatística, que foi 
utilizada sabiamente em seu trabalho.
Desde muito jovem manifestava em seu diário o 
interesse de auxiliar pessoas enfermas. Entretanto, 
havia uma barreira social que a impedia de seguir seu 
intento, pois os hospitais ingleses não eram conside-
rados locais convenientes para moças de família.
Por esta razão a família proporcionava viagens e 
uma vida social ativa para distraí-la e desviá-la de 
seu propósito. Em 1849 foi para Alexandria no Egi-
to onde conheceu de perto o trabalho das Filhas da 
Caridade de São Vicente de Paula, depois visitou na 
Grécia um orfanato.
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
Aos 31 anos conseguiu vencer a resistência da fa-
mília e foi autorizada a ir estudar na Instituição de 
Kaiserswerth, na Alemanha. Voltou para França obteve 
autorização oficial para completar seus estudos e obser-
vações com as Filhas da Caridade para ver a prática da 
enfermagem e conhecer as comunidades religiosas.
Retornou a Kaiserswerth indicada para trabalhar 
como supervisora da Instituição e depois foi convi-
dada a trabalhar no Hospital King’s College.
Nos anos de 1853 a 1856 ocorreu a Guerra da Cri-
meia, uma disputa entre a Rússia e as forças aliadas 
da França, Inglaterra e Turquia, na Península da Cri-
meia. Como em todos os combates as vítimas eram 
inúmeras a Rússia e a França tinham as religiosas 
para atender os doentes e feridos de seus exércitos, 
mas a Inglaterra contava apenas com alguns poucos 
homens sem nenhum treinamento para cuidar de 
seus soldados.
Um jornalista fez uma ampla cobertura da situa-
ção nessa guerra, causando uma mobilização social. 
Florence ao saber ofereceu seus serviços ao Ministro 
de Guerra, após recusa e resistência inicial foi aceita 
e recrutou 38 mulheres dentre milhares que manifes-
taram interesse. O critério de seleção de Florence era 
mulheres anglicanas, católicas, alfabetizadas, com boa 
índole e que tinha o interesse em atender enfermo.
Ao chegar à base militar foram recebidas com re-
sistência pelos militares e médicos que achavam que 
a presença de mulheres na guerra era inconvenien-
te, no início foram proibidas de cuidar dos feridos, 
aproximadamente 1.500 homens.
Com as condições sanitárias inadequadas, Floren-
ce e suas auxiliares se responsabilizaram da limpeza 
e organização dos ambientes (ar fresco, boa ilumi-
nação, calor adequado) e dos pacientes priorizando 
higiene pessoal, alimentação e repouso.
Devido a sua habilidade com estatística organizou 
dados para demonstrar que estas medidas estavam 
reduzindo a mortalidade no hospital de 40% para 
2%. Com a demonstração deste resultado ganhou 
credibilidade.
Uma situação comum rendeu-lhe o título da Dama 
da Lâmpada. Todas as noites Florence percorreu as 
enfermarias para certificar-se da ordem e atendimen-
to das necessidades dos enfermos sob a luz de uma 
lamparina e nos casos graves realizava leitura da bí-
blia para os moribundos. No campo de batalha Flo-
rence contraiu febre tifoide quando ficou debilitada 
e retornou a Londres.
Ao retornar da Guerra recebeu atenção da Rainha 
Vitória de Londres, tornando uma figura popular 
nacionalmente e seu nome era sinônimo de doçura, 
eficiência e heroísmo.
Em 1960 com 15 alunas começaram a funcionar a 
Escola de Enfermagem, considerada a data do nasci-
mento da moderna enfermagem, era um curso de 2 
anos com ensino teórico, especialmente sobre ana-
tomia, fisiologia e farmacologia e ensino prático nas 
enfermarias. Muitos julgavam desnecessário o trei-
namento, bastava obedecer as ordens médicas e não 
tentassem substituí-las, mas com o prestígio pessoal 
de Florence foi possível elevar o status social da pro-
fissão, tornando-a uma ocupação digna e fundada 
em educação moderna.
Por fim destacamos alguns conceitos que Florence 
repassava a suas alunas, que ainda hoje encontramos 
reflexo no trabalho de alguns profissionais:
A saúde precisa estar presente tanto no corpo 
como na alma.
É preciso estimular o desenvolvimento individual 
das alunas.
O treinamento é uma forma de fazer com que as 
alunas usassem seus recursos intelectuais inatos.
A enfermagem era uma arte de ajudar a pessoa, 
arte esta que requer treinamento, organização, co-
nhecimento teórico e prático.
A enfermagem deveria saber adaptar suas habili-
dades ao trabalho da equipe, para tanto, ela deveria 
obedecer de forma inteligente e sempre usar o dis-
cernimento.
Souza et al., dizem que na visão de enfermagem 
de Miss Florence, a profissão era vista sob dois as-
pectos distintos: primeiramente, a enfermagem sob 
a direção de cientistas, ficando institucionalizada a 
prática da Enfermagem vinculada à prática médica. O 
outro aspectoela chamou de Enfermagem de Saúde 
ou Enfermagem Geral, como arte da saúde que toda 
mulher deveria aprender.
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
Na escola existiam dois tipos de alunas com pro-
postas distintas de formação, já que a origem social 
das alunas não era a mesma, às ladies caberiam o 
comando, o poder e o saber da profissão e às nurses, 
o fazer. Era uma divisão de categoria, de tarefas e 
principalmente social das enfermeiras.
Com base em suas observações meticulosas em 
1859 Florence publicou seu livro Notas de Enferma-
gem; nela ela definia enfermagem como o cuidado 
que dava à pessoa a melhor condição possível para 
que a natureza pudesse restaurar ou preservar e curar 
doenças ou ferimentos.
E O QUE ACONTECIA NO BRASIL?
No Brasil em 1889, a sociedade era predominan-
temente rural e não havia o setor saúde, mas por 
pressão do mercado internacional foram adotadas 
medidas radicais de saneamento dos portos e con-
trole de doenças epidêmicas.
Em 1890, houve a transferência do Hospital Pedro 
II e dá-se início oficial do ensino de enfermagem no 
Brasil na Escola de Enfermeiro e Enfermeiras (atu-
al Escola de Enfermagem Alfredo Pinho da Unirio). 
Em 1894 foi fundado em São Paulo o Hospital Sa-
maritano, pela comunidade evangélica, estrangeiros 
e brasileiros. O serviço de enfermagem era realizado 
por enfermeiras inglesas; em 1896 começaram a re-
ceber alunas em regime de internato e as candidatas 
deveriam ser solteiras e falar inglês, grau suficiente 
de instrução, de educação e “robustez física”.
Ocorreu no Rio de Janeiro em 1918 a epidemia 
de gripe espanhola que matou quase 13 mil pesso-
as, evidenciando a ineficiência dos serviços de saúde 
pública, aumentando o clamor por uma reforma sa-
nitária. Desencadeando a criação em 1920 do Depar-
tamento Nacional de Saúde Pública — DNSP, tendo 
como Diretor Carlos Chagas, que iniciou o programa 
de cooperação técnica com a Fundação Rockefeller 
que deveria enviar para o Brasil uma missão técnica 
de cooperação para o desenvolvimento da enferma-
gem no DNSP.
Por esta razão, em janeiro de 1921, 12 enfermeiras 
formadas segundo o modelo nightingaleano desem-
barcaram no Rio de Janeiro e fizeram o mapeamento 
da cidade, constataram a deficiência dos hospitais e 
falta de mão de obra para o atendimento; foi estabe-
lecida uma estratégia de trabalho onde algumas delas 
ocuparam a chefia dos serviços e outras se dedicavam 
à formação de enfermeiras brasileiras.
O primeiro curso de Enfermagem foi inaugura-
do em 1923 com 15 alunas na Escola de Enfermei-
ras D. Anna Nery, um pavilhão construído ao lado 
do Hospital. O regime e normas disciplinares vigen-
tes na época estavam imbuídas do mesmo rigor que 
os serviços requeriam, e as alunas eram submetidas 
ao cumprimento de plantões noturnos e horários 
diurnos, mantendo o serviço hospitalar, ininterrup-
tamente. 
Tinham como valores individuais das alunas a 
impregnados da abnegação em servir e evocavam 
a submissão e a vocação para a dedicação ao traba-
lho de enfermagem. A prática profissional era quase, 
exclusivamente, pautada na execução de técnicas de 
enfermagem, as quais constituíam parte primordial 
no currículo de enfermagem desta primeira escola e 
das seguintes, as quais adotavam o mesmo padrão 
curricular, que era o aprender a cuidar, cuidando. O 
foco da atuação das enfermeiras era o serviço.
Em 1931, a Escola de Enfermagem Anna Nery foi 
elevada à categoria de Escola Oficial Padrão, referin-
do-se ao alto padrão de ensino, contudo havia um 
preconceito e elitismo na seleção das alunas, influen-
ciado pelas enfermeiras americanas, que recebiam 
apenas alunas brancas e vindas de famílias ricas ou 
de classe média do interior do país.
As enfermeiras formadas na primeira turma tenta-
ram formar uma associação de ex-alunos, como era 
comum nos Estados Unidos, mas o grupo estava re-
duzido, pois várias estavam cursando pós-graduação 
nos exterior, então em 1926 surgiu uma organização 
mais ampla – Associação Nacional de Enfermeiros 
Diplomados Brasileiros, conhecida atualmente como 
Aben – Associação Brasileira de Enfermagem, que 
estudaremos no final deste capítulo.
Nas décadas de 1940 e 1950 muitas enfermeiras 
brasileiras que foram fazer cursos norte-americanos 
de Administração Hospitalar retornaram ao país e 
neste momento no Brasil acontecia a expansão da 
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
rede hospitalar com a unificação dos institutos pre-
videnciários. E por esta razão a escolas voltam à for-
mação das enfermeiras líderes e com competências 
para chefiar e supervisionar o trabalho de enferma-
gem nos hospitais.
Provavelmente, pela necessidade de mão de obra 
para prestar a assistência de enfermagem direta ao 
paciente, foi formalizado então em 1949 o primeiro 
curso de Auxiliar de Enfermagem, sendo delegada 
maior parte do desenvolvimento de técnicas de en-
fermagem para auxiliares e atendentes.
Dentro da visão gerencial administrativa as en-
fermeiras que ocupavam os cargos de chefia, come-
çaram a escrever manuais de técnicas e de rotinas 
como guia para que os procedimentos fossem exe-
cutados de maneira correta e com embasamento teó-
rico científico; conhecimentos decorrentes de outras 
áreas do saber, como: fisiologia, biologia, psicologia e 
outras que foram incorporadas no ensino da enfer-
magem, por meio de “apostilas” as quais continham 
uma transcrição organizada de matérias dessas outras 
áreas do saber, elas também dispunham de normas, 
rotinas ou guias de sequência de uma atividade, com-
pondo os procedimentos técnicos (Almeida, Rocha, 
et al. 1986).
Na década de 1950, houve uma procura bem ex-
pressiva das enfermeiras para os cursos de pós-gra-
duação em administração no Brasil, cursos esses que 
ofereciam vagas para diferentes profissionais, inclu-
sive enfermeiras. A oferta desses cursos era feita por 
Escolas de Administração ou por Fundações, cuja fi-
nalidade precípua era a formação de administradores 
hospitalares. O foco da atuação da enfermagem passa 
a ser para administração e não mais do serviço.
Na passagem dos anos 1960 para 1970 surgem, no 
Brasil, os Cursos de Especialização em Enfermagem, 
constituindo-se numa formalização inicial da pós- 
graduação sensu lato, como enfermagem pediátrica 
e estes cursos eram instrumentais para o ensino e a 
prática. Consequentemente pelo envolvimento com 
ensino e pesquisa houve uma influência do desen-
volvimento acadêmico, sendo registrado a partir de 
1972, os Cursos de Pós-Graduação sensu scricto na 
caracterização de Curso de Mestrado (formação de 
mestres) e nessa mesma década, os exames para a ob-
tenção do título de doutor, primeiramente Docente 
Livre e, mais tarde, doutorados plenos.
A enfermagem brasileira começa o processo de 
conceitualização, tendo como ponto de partida os 
estudos feitos pelas enfermeiras norte-americanas, 
num processo de utilização de teorias de outras áre-
as para desdobramentos de aplicação teórica na en-
fermagem. Importante dizer que os valores defini-
dos neste momento eram influenciados da situação 
sociocultural da sociedade onde foram geradas. No 
Brasil, esta teorização é mais evidente na década de 
1970 com as publicações iniciadas por Horta e con-
tinuadas por outros enfermeiros (Horta, 1979).
O modelo de trabalho da enfermagem aproxima 
do modelo da medicina, então predominantemente 
biológico e curativo. Destoando do que as teoristas 
falam enfatizando o holismo, que permeava uma pos-
tura intelectual, mas não na prática da enfermagem 
assistencial.
Percebemos então que o foco da enfermagem neste 
momento da história da enfermagem é o estudo, a 
pesquisa que sustentava a evolução científica e prá-
tica da profissão.
Geovanini, 2005 aponta para o aspecto social da 
categoria neste período ondeos profissionais de en-
fermagem do Brasil não realizaram grandes conquis-
tas por falta de movimentos para definir o perfil do 
enfermeiro no mercado de trabalho e não havia ma-
turidade intelectual necessária à discussão dos aspec-
tos políticos e sociais que envolvem a qualidade da 
prática assistencial.
Nas décadas de 1970 e 1980 ocorreram transfor-
mações importantes na estrutura social do país, de-
terminadas pela mudança no quadro político – na-
cional que tinha um crescimento da classe operária 
e da demanda do setor previdenciário, gerando dis-
cordância nas prioridades de saúde da população e 
nas ações efetivadas o que gerou uma crise na esfera 
da saúde.
Em 1975 foi definido um novo modelo de aten-
ção à saúde para priorizar a assistência profilática 
e preventiva, sem descuidar dos aspectos curativos 
e de reabilitação. Nessa época a pós-graduação em 
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
enfermagem acelerou consideravelmente, aumen-
tando a produção científica, estimulando a ABEn a 
criar em 1979 o Centro de Estudos e Pesquisas em 
Enfermagem com objetivo de promover e incentivar 
a pesquisa na Enfermagem, bem como organizar suas 
áreas de interesse.
Enquanto os enfermeiros se especializam, ocorreu 
uma multiplicação de categorias de enfermagem que 
aceleravam o processo de proliferação dos profissio-
nais desta área. Na divisão de tarefas era necessária a 
divisão de atribuições ocorrendo no final da década 
de 1970 e início da de 1980, uma grande divulgação 
das chamadas teorias de enfermagem no interesse de 
reconhecê-las na aliança da teoria e da prática.
A construção de marcos conceitual decorre de con-
cepções teóricas geradas no Brasil a exemplo da cons-
trução da teoria de necessidades humanas básicas de 
Wanda Horta. Existem inúmeras publicações sobre ex-
periência de utilização desse modelo fazendo a enfer-
magem repensar sua prática, suas experiências e desta 
forma promover avanços qualitativos na enfermagem 
que precisa de constante e contínua transformação 
para atender o que a sociedade precisa e espera.
Para que isto ocorra defendemos que os profissio-
nais de enfermagem precisam conhecer, compreender 
e exercer as dimensões técnicas, éticas e legais da pro-
fissão. Porém, antes de discutirmos este enfoque social 
e cultural queremos dar destaque a duas personalida-
des que marcaram a história da enfermagem Brasileira 
– Ana Justina Nery e Wanda Aguiar Horta.
Ana Nery – “mãe dos brasileiros”
As histórias de mulheres heroínas também encon-
tram espaço na enfermagem brasileira, Ana Justina 
Ferreira Nery é considerada a primeira enfermeira do 
Brasil. Ela nasceu em Vila de Cachoeira de Paraguaçu 
– Bahia em 13/12/1814, casou-se com Isidoro Anto-
nio Nery enviuvando-se aos 30 anos, teve 2 filhos (um 
médico militar e outro oficial do Exército).
Quando ocorreu a Guerra do Paraguai (1864-
1870) e os dois filhos foram convocados a servir a 
Pátria, Ana Nery não resistindo à separação da famí-
lia escreveu ao Presidente da Província colocando-se 
à disposição para cuidar dos soldados enfermos. Um 
trecho da carta dizia “(...) satisfarei ao mesmo tempo 
os impulsos de mãe e os deveres da humanidade para 
com aqueles que ora sacrificam as suas vidas para 
honra e brio nacional e integridade do Império.”
Partiu da Bahia, de onde nunca tinha saído e em 
1865 foi auxiliar o corpo de saúde do Exército que 
contava com escassos recursos materiais. Começou 
seu trabalho no hospital de Corrientes onde havia 
nesta época cerca de 6 mil soldados internados e al-
gumas poucas freiras Vicentinas, com que aprendeu 
as primeiras noções de enfermagem.
Como era mulher de posses com seus recursos mon-
tou em sua casa em Assunção uma enfermaria limpa e 
modelar, onde trabalhou incansavelmente atendendo 
a todos os soldados, onde usava plantas medicinais e 
fazia todos os tipos de procedimentos e por isto os 
enfermos a intitularam Mãe dos Brasileiros.
Alguns episódios demonstram o seu grande legado 
de atender sem qualquer tipo de discriminação, uma 
vez libertou dois soldados paraguaios presos que iam 
ser torturados por brasileiros e defendeu direito da 
vida. Dizia “Não importa amigo ou inimigo, todos 
são homens e merecem ser cuidados”.
Após cinco anos retornou ao Brasil e recebeu uma 
coroa de Louros e Victor Meireles pintou sua imagem 
no edifício do Paço Municipal, recebeu ainda muitas 
medalhas humanitárias de Campanha. Ana Nery trou-
xe de Assunção quatro órfãos para educar e por esta 
razão recebeu do Imperador uma pensão vitalícia.
Fonte: http://www.abennacional.org.br/.../anna_nery.html
Figura 8 – Ana Justina Ferreira Nery.
Em 1926 Carlos Chagas a homenageou dando seu 
nome à primeira Escola Oficial brasileira de enferma-
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
gem de alto padrão e o Presidente Getúlio Vargas no 
Decreto no 2.956/38 instituindo o Dia do Enfermeiro 
dia 20 de maio, data de morte de Ana Nery.
Drª Wanda de Aguiar Horta – pioneira 
e cientista da enfermagem
Dentre muitas profissionais que atuaram na enfer-
magem moderna no Brasil, destaco neste capítulo Wan-
da Aguiar Horta, por ter se dedicado a mostrar o lado 
científico e humanístico da profissão, bem como pelo 
motivo que nas próximas unidades temáticas vocês es-
tudarão sobre ela devido aos trabalhos publicados sobre 
a Sistematização da Assistência de Enfermagem.
Nasceu em Belém do Pará, em 1926, quinta filha 
do casal Alberico e Feliz de Aguiar, uma família nu-
merosa que permitiu que seus filhos crescessem num 
ambiente harmonioso. Desde cedo revelou uma in-
teligência privilegiada, era estudiosa, introspectiva, 
sensível, destacando-se na música com pianista e 
como poeta.
Aos dez anos a família mudou-se para Ponta Gros-
sa onde fez ginásio e pré-médico e depois o curso para 
voluntários socorristas da Cruz Vermelha Brasileira. 
Em 1944 mudou-se para Curitiba onde se inscreveu 
para uma bolsa de estudos para estudar na Escola de 
Enfermagem de São Paulo, cursando enfermagem em 
1945.
Em 1949 trabalhou em Santarém no Serviço de 
Saúde Pública onde declarou que “este serviço, por 
sua filosofia de trabalho, deu-me uma perspectiva da 
enfermagem que se desenvolveu e que conservo até 
hoje, isto é, que a enfermagem é um todo indivisível, 
não se fragmenta em compartimentos estanques tal 
como o homem objeto de sua atenção.”
Ao retornar a Curitiba, trabalhou, durante qua-
tro anos, no serviço do Sanatório Médico. Em 1951, 
publicou um artigo sobre enfermagem na Gazeta do 
Povo (Curitiba), dando início à sua enorme produção 
intelectual. Este artigo foi elaborado por ocasião do 
Dia da Enfermagem. Nele ela declarou:
“Embora a enfermagem seja tão antiga quanto a 
humanidade, no Brasil pouco se sabe sobre ela.”
“Imagem poética, um anjo sofredor, heroína do 
trabalho, na cabeceira do doente, que tudo suporta 
sem queixa, sem tempo para estudar e progredir na 
profissão.”
“O que se faz nestes hospitais não é enfermagem, e 
sim pseudoenfermagem. O objeto de toadas as aten-
ções, a finalidade do serviço tem por centro o médi-
co: servir o doente em relação ao médico. Há uma 
inversão de valores.”
“A verdadeira enfermagem tem como objeto pri-
mordial servir o doente e em segundo lugar, auxiliar 
o médico em relação ao doente.”
Em 1959 voltou para São Paulo tornando-se do-
cente da Escola de Enfermagem da USP, onde desen-
volveu o núcleo central de seu trabalho que consistiu 
na elaboração de vasta fundamentação teórica para a 
enfermagem, culminando com a elaboração da Teo-
ria das Necessidades Humanas Básicas.
Fez pós-graduação em Pedagogia e Didática Apli-
cada à Enfermagem na Escola de Enfermagem da 
USP em 1962, doutorou-se em Enfermagem pela Es-
cola da Enfermagem Ana Neri da Universidade Fede-
ral do Rio de Janeiro, em 1968, com a tese “Observa-ção Sistematizada na Identificação de Problemas de 
Enfermagem em seus Aspectos Físicos”.
Em 1973 participou da elaboração do Documento 
Básico sobre Ensino de Fundamentos de Enfermagem 
a convite da Organização Pan-americana de Saúde e 
Organização Mundial de Saúde em Washington.
As ideias desta pioneira perturbaram os baluartes 
conservadores da enfermagem, inúmeras barreiras ti-
veram que ser vencidas e para melhor divulgar suas 
ideias, criou e manteve de 1975 a 1979, sem apoio de 
qualquer órgão oficial, a revista Enfermagem em Novas 
Dimensões, onde declarou “A enfermagem é a ciência 
e a arte de assistir o ser humano no atendimento de 
suas necessidades básicas de torná-lo independente 
desta assistência por meio da educação; de recuperar, 
manter e promover sua saúde contando com isto com 
a colaboração de outros grupos de profissionais”.
Na busca de bases teóricas para a profissão, Wanda 
Horta jamais esqueceu a dimensão humana da enfer-
magem, ela definia a enfermagem como “gente que 
cuida de gente” e que gente é que sente a responsa-
bilidade do cuidado do outro, bem como, do destino 
da humanidade.
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
Vítima de uma doença degenerativa que, nos úl-
timos anos, a prendeu a uma cadeira de rodas, fale-
ceu em 1981.
O QUE É SER ENFERMEIRO HOJE?
Nos dias de hoje, a enfermagem é entendida como 
ação social, como a atividade realizada por pessoas 
que cuidam de outras procurando manter a vida sa-
dia, amenizando doenças, protegendo o meio am-
biente e preparando as pessoas para o processo de 
morrer por meio das ações de proteção à saúde, pro-
moção à saúde, prevenção de doenças, ações curati-
vas, de reabilitação, de investigação epidemiológica, 
sociológica, administrativa e democrática e por meio 
das ações de ensino (Lima, 2005).
Sei que acabou de passar no vestibular e que está 
preocupado em conhecer a profissão, porém também 
é importante saber desde já o que abrange a enfer-
magem e os seus campos de atuação.
Primeiro, para ser enfermeiro é necessário uma 
formação em graduação em enfermagem nível ba-
charelado que se estende por 4 anos. O curso deve ser 
desenvolvido por meio da integração das disciplinas 
curriculares, como foi instituído pelo Ministério da 
Educação em 2001. As áreas temáticas que devem 
compor o curso são: ciências biológicas e da saúde, 
ciências humanas e sociais e ciências da enfermagem, 
que é composta por fundamentos da enfermagem, 
assistência da enfermagem, administração da enfer-
magem e ensino da enfermagem (ME, 2001).
Após realizar o curso de graduação você poderá já 
iniciar a carreira profissional ou poderá realizar uma 
pós-graduação, que pode ser lato sensu ou stricto sensu.
Dentre cursos de pós-graduação lato sensu estão as 
especializações, que oferecem ao enfermeiro o título 
de especialista em uma área de sua escolha. Hoje exis-
tem muitos enfermeiros especialistas e estes formam 
classes e sociedades como descritas a seguir:
Sociedades de especialidades de enfermagem
 SAIBA MAIS
SOBECC – Centro cirúrgico
SOBEST – Estomoterapia
SOBRAGEN – Gerenciamento
SOPETI – Terapia intensiva
ABENFO – Obstetrizes/neonatologia
SOBEN – Nefrologia
SOBENDE – Dermatologia
SOBEAS – Auditoria em saúde
SOBEO – Oncologia
ANENT – Trabalho
ABENTO – Tráumato-ortopedia
GIEMEN – Ensino médio
OBEUNE – Unidade de esterilização
SOBEAS – Educação
SBHCI – Hemodinâmica e cardiologia
SOBEEG – Endoscopia gastrointestinal
SOBEHC – Home care
SOBENC – Cardiovascular
SOBEOFT – Oftalmologia
SOBEP – Pediatria
SOBRATEN – Terapias naturais
SOBRECEN – Educação continuada
SOCESP – Cardiologia do Estado de SP
Dentre os cursos de pós-graduação stricto sensu 
estão o mestrado, doutorado e pós- doutorado, estes 
também fornecem ao enfermeiro um conhecimento 
mais específico, porém com o objetivo de prepará-lo 
para a pesquisa e o ensino.
Então, o enfermeiro deve possuir uma competên-
cia técnico-científica e política que lhe confira ca-
pacidade profissional para inserção no mercado de 
trabalho e para desenvolver atividades como:
Profissional liberal (clínicos de enfermagem).•	
Docente (cursos de graduação em enfermagem •	
e escolas de técnico em enfermagem).
Pesquisador (em órgãos e institutos de pesquisa •	
na área de saúde e nas universidades).
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
Assistencial (hospitais, unidades de tratamen-•	
tos intensivos, centro cirúrgico, maternidades, 
unidades de redes básicas de saúde, clínicas e 
creches, serviço de atendimento móvel de ur-
gência, home care e indústrias).
Do trabalho (empresas, indústrias, organizações •	
e escolas).
Administrativa (hospitais, escolas, clínicas).•	
Auditoria (hospitais, clínicas, convênios e siste-•	
ma único de saúde).
O enfermeiro só pode exercer suas atribuições pro-
fissionais após realizar inscrição no Sistema COFEN/
CORENs, autarquia federal que tem por finalidade 
fiscalizar e disciplinar o exercício da enfermagem em 
todo o país.
CURIOSIDADE: SÍMBOLO DA ENFERMAGEM
Lâmpada: caminho, ambiente•	
Cobra: magia, alquimia•	
Cobra + cruz: ciência•	
Seringa: técnica•	
Cor verde: paz, tranquilidade, cura, saúde•	
Pedra Símbolo da Enfermagem: Esmeralda•	
Cor: Verde-esmeralda•	
Símbolo: lâmpada, conforme modelo apresen-•	
tado
Fonte: http://www.abennacional.org.br/.../simbolos.html
ENTIDADE DE CLASSES
As entidades de classes são órgãos que motivados 
pelo interesse coletivo de uma categoria profissional 
elaboram e executam ações em defesa dos interesses 
científicos, político, social, cultural e econômico; na 
enfermagem dispomos do sindicato, associação, con-
selho profissional e o conselho internacional.
Embora possuam propósitos diversos nos esta-
tutos que as originaram, são imprescindíveis como 
órgãos que representam dos interesses dos profis-
sionais de enfermagem em todas as categorias em 
nível nacional e internacional. Entendemos que as 
entidades devem unir esforços para a valorização e 
o reconhecimento da enfermagem brasileira.
Sindicatos
A palavra sindicato que tem raízes no latim sin-
dicus denominava o “procurador escolhido para de-
fender os direitos de uma corporação” e no grego 
syn-dicos é aquele que defende a justiça.
O sindicalismo tem origem nas corporações de ofí-
cio na Europa Medieval, no século XVIII, durante a 
Revolução Industrial na Inglaterra, os trabalhadores, 
oriundos das indústrias têxteis, doentes e desemprega-
dos juntavam-se nas sociedades de socorro mútuo.
Nesta revolução, surge o capitalismo e se constitui 
duas classes sociais, o capitalismo e o proletariado; o 
capitalismo é o proprietário dos meios de produção 
e o proletariado era proprietário apenas de sua força 
de trabalho, passando a ser propriedade do capitalis-
ta, que paga salários cada vez mais baixos para obter 
mais lucros, forçando-os a trabalhar em uma jornada 
de trabalho que chegava até 16 horas.
A situação era crítica e a única possibilidade era 
juntar-se e tentar negociar condições de trabalho. 
Surge o sindicalismo como uma associação de ope-
rários buscando vender melhor sua força de trabalho, 
constituído de pessoa jurídica de direito privado que 
tem base territorial de atuação e é reconhecida por 
lei como representante de categoria de trabalhadores 
ou empregados.
No Brasil o movimento sindical mais forte ocorreu 
em São Paulo, onde os imigrantes integravam a massa 
de trabalhadores de fábricas e indústria, em 1930, o 
Governo Federal criou o Ministério do Trabalho, em 
1931 foi regulamento por decreto-lei a sindicalização 
das classes patronais e operárias.
No período de 1930 a 1945, houve um controle 
do estado sobre a atividade sindical, onde o gover-
no centralizou e nacionalizou os instrumentos de 
controle e decisão; com o advento do Estado Novo 
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
Getúlio Vargas, iniciou um processo de descaracte-
rização do sindicato como instrumento de luta da 
classe trabalhadora.
Com o golpe militar de 1964, os sindicatos e sin-
dicalistas foram duramente reprimidos e limitaram 
a Lei de Greve e substituíram a estabilidade no em-
prego pelo Fundo de Garantia.
Atualmente temos a regulamentação dos sindi-
catos na Constituição Federativa do Brasil nos se-
guintes artigos;
Artigo 8o: “É livre a associação profissional ou sin-
dical, observando o seguinte: Associação sindical: 
possui prerrogativas especiais, as que lhe conferem 
significado próprio, a saber:
Representar, ou seja, a capacidade ativa para atu-
ar judicial e extrajudicial na defesa dos interesses da 
categoria e de seus membros;
Regulamentação, que é a possibilidade de partici-
par de negociações coletivas de trabalho, celebrando 
convenções e acordos coletivos;
Política, que se traduz na possibilidade de realizar 
eleições para designar representantes da categoria;
Financeira, já que pode impor contribuições fi-
nanceiras aos sindicalizados, conforme conta no in-
ciso IV deste artigo.
Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses 
coletivos, ou individuais da categoria, inclusive em 
questões judiciais ou administrativas. Ninguém será 
obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato, 
porém é obrigatória a participação dos sindicatos nas 
negociações coletivas de trabalhadores.
Também é papel dos sindicatos manter serviços 
de orientação sobre direitos trabalhistas e a maioria 
deles conta também com um departamento jurídico 
para defender os interesses de seus associados.
Atribuições do Sindicato:
Representar os interesses da categoria perante au-
toridades administrativas (prefeituras, governadores, 
secretários de estado e municipais, delegados regio-
nais do trabalho etc.) e judiciárias (presidentes dos 
tribunais e juízes em geral).
Celebrar convenções coletivas de trabalho.
Eleger ou designar os representantes da categoria 
respectiva ou profissão liberal.
Colaborar com o estado, como órgãos técnicos e 
consultivos, para a solução de problemas relaciona-
dos com a categoria profissional que representa.
Recolher e administrar as contribuições de todos 
aqueles que participam da categoria profissional re-
presentadas.
Fundar e manter agência de colocação recoloca-
ção profissional.
O primeiro sindicato de enfermagem foi criado em 
1929 – Sindicato Nacional dos Enfermeiros da Marinha 
Mercante, onde se filiavam todas as pessoas que de-
senvolvia ações de enfermagem na Marinha brasileira, 
mesmo que não fossem formadas em escolas oficiais.
Em 1933 teve origem o Sindicato de enfermeiros 
terrestre, ao qual se associava os práticos de enferma-
gem, os atendentes e até enfermeiros diplomados.
A partir de 1952, a Associação Brasileira de Enfer-
meiras Diplomadas (ABED) e o Sindicato dos En-
fermeiros em Hospitais e Casas de Saúde assumem 
uma postura de trabalho conjunto para defender os 
interesses da enfermagem.
Associação
É uma entidade sem fins lucrativos de direito pri-
vado e não público, que se caracteriza pela reunião 
de duas ou mais pessoas para a realização comuns; 
seu patrimônio é constituído pela contribuição dos 
associados, por doações, subvenções, seus fins po-
dem ser alterados pelos associados. A filiação é uma 
opção facultativa.
A finalidade é prestar assistência social e cultural, 
atuar na defesa dos direitos das pessoas ou de classes 
específica de trabalhadores e/ou empresários. Para 
constituir uma associação é preciso à reunião de pes-
soas com um mesmo ideal, elaboração da proposta de 
estatuto social e aprovação pela assembleia geral.
As enfermeiras formadas pela Escola de Enferma-
gem Ana Nery, no Rio de Janeiro, criaram a Asso-
ciação Nacional de Enfermeiras Diplomadas em 12 
de agosto de 1926, como uma entidade de âmbito 
nacional de caráter não governamental e de direito 
privado. Mantiveram esse nome até 1928, quando 
passou a ser denominada Associação Nacional de En-
fermeiras Diplomadas, sendo, então, registrada juri-
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
dicamente; em 1954 recebeu o nome de Associação 
Brasileira de Enfermagem (ABEn) nome utilizado 
até os dias de hoje.
A ABEn tem por finalidade:
Congregar enfermeiros, obstetrizes, técnicos, auxi-
liares de enfermagem e acadêmicos de enfermagem;
Promover o desenvolvimento técnico-científico, 
cultural e político; promover a pesquisa e o intercâm-
bio com outras organizações nacionais e internacio-
nais e divulgar as atividades de enfermagem.
Em 1929 a ABEn foi admitida no Conselho Inter-
nacional de Enfermeiras (CEI), nele tendo permane-
cido até 1997, quando foi substituída pelo COFEN. 
Desde 1947, a associação realiza um evento científico-
cultural de abrangência nacional, que é o congresso 
brasileiro de enfermagem.
Em 20 de maio de 1932, foi criado o primeiro meio 
de comunicação oficial da enfermagem, a Revista 
Brasileira de Enfermagem – REBEn, para divulgação 
da produção científica das diferentes áreas do saber 
de interesse da enfermagem. Com periódico trimes-
tral a revisa publicava matérias inéditas sob forma 
de artigos dos resultados de pesquisas, atualizações 
e opiniões; coordenada pela Diretoria de Publicações 
e Comunicação Social da ABEn.
A ABEn trabalhou por três décadas para aprova-
ção de lei que criou o sistema COFEN3CORENs em 
1973, com finalidade de fiscalizar o exercício da pro-
fissão. A partir da década de 1980, coincidindo com a 
abertura política em nosso país, a ABEn passou a ser 
parceira de organizações sociais nas lutas em defesa 
da saúde da população e integrou-se a outros proces-
sos sociais, lutando pela inclusão de novas concep-
ções de saúde na Constituição de 1988; participou 
efetivamente dos Conselhos Nacionais, estaduais e 
municipais de saúde, dos fóruns de controle social 
das políticas de saúde instituídas pelo governo.
Na década de 1990, enviou esforços para implan-
tação da política de profissionalização dos atenden-
tes de enfermagem, iniciados na década de 1960, que 
culminou na assunção da problemática pelo Minis-
tério da Saúde que elaborou e implantou projeto de 
profissionalização dos trabalhadores de enfermagem 
– PROFAE (Brasil, 1998).
São muitas as contribuições da ABEn nos cenários 
nacional e internacional, contribuiu diretamente pela 
evolução da enfermagem com profissão em parceria 
com as escolas de enfermagem brasileiras no desen-
volvimento do conhecimento técnico e científico e 
cultural da profissão.
Conselho Profissional
As profissões que em seu exercício têm a missão 
de preservação de certos valores elementares como a 
vida, a integridade, a segurança física e social das pes-
soas, devem ser regulamentadas e controladas pelo 
poder público, garantindo à sociedade, a segurança 
e tranquilidade em receber os serviços prestados por 
estes profissionais.
Segundo Pinheiro e Pereira (2006), para fiscalizar 
as diversas profissões liberais, ou seja, daquelas que 
exigem a predominância do intelecto para seu desem-
penho, o Estado optou pela forma descentralizada 
criando para tal, entidades administrativas cercadas 
de autonomia, que a doutrina e a jurisprudência clas-
sificam como autarquia corporativa.
Os Conselhos profissionais são entidades de Di-
reito Público, com destinação específica de zelar pelo 
interesse social, fiscalizando o exercício profissional 
das categorias que lhe são vinculadas.
A ação dos Conselhos dos Profissionais se desen-
volve no sentido da valorização do Diploma, mora-
lização profissional, proteção dos interesses sociais, 
da legalidade, e principalmente no resguardo dos 
princípios éticos.
No Brasil constituem-se as autarquias como um 
serviço público descentralizado da União, dos Esta-
dos, dos Municípios ou do Distrito Federal,dotado 
de personalidade de Direito Público, instituído por 
Lei, com autonomia administrativa e financeira, su-
jeita ao controle (tutela) do Estado.
Quanto à natureza jurídica são entidades fiscaliza-
doras de atividades profissionais, quanto à natureza 
financeira são entidades sem fim lucrativo. As anuida-
des são contribuições de caráter tributário, porque são 
contribuições de interesse de categoria profissional.
Até 1973, a enfermagem era fiscalizada pelo ser-
viço de fiscalização da medicina. Após anos de luta, 
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
tramitou e foi aprovada em 12 de julho 1973 a Lei n.º 
5.905, pelo então Presidente da República Emilio G. 
Médici, que dispõe da criação dos Conselhos Federal 
(COFEN) e Regionais de Enfermagem (COREN).
Desta norma, destacamos alguns artigos que justifi-
cam a finalidade e atribuições da autarquia, a saber;
Art. 2o O Conselho Federal de Enfermagem e os 
Conselhos Regionais são órgãos disciplinadores do 
exercício da profissão de enfermeiro e das demais pro-
fissões compreendidas no serviço de enfermagem.
Art. 8o Compete ao Conselho Federal:
I- aprovar seu regimento interno e os dos Conse-
lhos Regionais;
II- instalar os Conselhos Regionais;
III- elaborar o Código de Deontologia de Enfer-
magem e alterá-lo, quando necessário, ouvidos os 
Conselhos Regionais.
Art.15o Compete aos Conselhos Regionais de En-
fermagem:
I- deliberar sobre inscrição no Conselho e seu can-
celamento;
II- disciplinar e fiscalizar o exercício profissional, 
observando as diretrizes gerais do Conselho Federal;
IV- manter o registro dos profissionais com exer-
cício na respectiva jurisdição;
V- conhecer e decidir os assuntos atinentes à ética 
profissional, impondo as penalidades cabíveis.
VIII- zelar pelo bom conceito da profissão e dos 
que a exerçam.
Os Conselhos Federal e Regional de enfermagem 
são órgãos fiscalizadores e disciplinadores do exer-
cício da profissão, por isso a inscrição é obrigatória, 
constituindo a legalidade da atuação profissional.
Os membros do COFEN são de nacionalidade 
brasileira e portadores de diploma de enfermagem 
de nível superior, sendo nove conselheiros efetivos e 
nove suplentes, com cargo honorífico com duração 
de três anos, admitida uma reeleição. A eleição dos 
COFEN é realizada em Assembleia dos Delegados 
Regionais e os membros serão os com maioria de 
votos, em escrutínio secreto.
Os Conselhos Regionais serão instalados em suas 
respectivas sedes, com cinco a vinte e um membros e 
outros tantos suplentes, nacionalidade brasileira, na 
proporção de três quintos de enfermeiros e dois quin-
tos de profissionais das demais categorias do pessoal 
de enfermagem reguladas em lei.
Os membros dos COREN serão sempre ímpar e fi-
xados pelo COFEN de acordo com o número de pro-
fissionais inscritos na jurisdição, são eleitos por voto 
pessoal, secreto e obrigatório em época determinada 
pelo COFEN. Também são cargos honoríficos com 
duração de três anos, admitida uma reeleição.
A renda dos Conselhos Federal e Regional é cons-
tituída de taxa de expedição de carteira profissional, 
multas aplicadas, anuidades, doação e legados, sub-
venções oficiais e empresas ou entidades particulares 
e rendas eventuais.
No COREN é instalado, mediante denúncia, o pro-
cesso de averiguação e/ou éticos, contra profissionais 
que ferem os postulados éticos e legais da enferma-
gem; nos casos de confirmação da infração podem 
ser aplicadas as penas de advertência verbal, multa, 
censura, suspensão do exercício profissional e cassa-
ção do direito ao exercício profissional; o recurso de 
segunda instância é atribuição do COFEN.
Conselho Internacional
O Conselho Internacional de Enfermeiras (CEI) 
congrega as organizações nacionais de enfermagem, é 
um órgão independente, não partidário e não governa-
mental fundado em 1o de julho de 1899, em Londres.
A missão do CEI é representar os enfermeiros de 
todo o mundo, fazer avançar a profissão e influenciar 
as políticas públicas de saúde.
Os valores defendidos pelo CEI são liderança visio-
nária, flexibilidade, inclusão, parceria e conquista.
De acordo com seu Estatuto, as finalidades desse 
conselho contemplam:
Influenciar nas políticas públicas de saúde e na 
regulamentação profissional da enfermagem;
Ajudar as entidades nacionais de enfermagem a 
melhorar a competência dos enfermeiros;
Promover o fortalecimento das associações nacio-
nais de enfermagem (ANEs);
Representar os enfermeiros e a enfermagem em 
nível internacional;
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AULA 1 — A Evolução da Enfermagem através da História
Estabelecer, receber e gerenciar fundos que con-
tribuam para o progresso da enfermagem.
No CIE existe um órgão de deliberação que é o 
Conselho de Representantes Nacionais. Este se reúne 
uma vez a cada dois anos para decidir sobre as políti-
cas da organização, aprovar as contas, admissão de no-
vos membros e eleição dos membros da diretoria.
Todas as Associações Nacionais de Enfermagem 
(ANEs) podem enviar seus representantes para o 
Conselho de Representantes Nacional (CRN), com 
direito a voz e voto, porém cada organização nacio-
nal, independente do tamanho, tem direito a apenas 
um voto. O CRN funciona como uma assembleia 
geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 
que cada nação tem direito a um voto.
O CIE é dirigido por uma diretoria composta de 
um presidente e três vice-presidentes, num total de 
15 membros, todos enfermeiros, eleito para um man-
dato de quatro anos. Com exceção do presidente, os 
demais membros, provenientes de todos os continen-
tes, representam uma das sete regiões: Europa, África, 
América do Norte e Caribe de língua inglesa, América 
Latina e Caribe de língua espanhola, Leste do Medi-
terrâneo, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental.
Além desses sete representantes regionais, as re-
giões geográficas com maior número de enfermei-
ros associados podem eleger um ou mais membros 
suplementares.
A diretoria reúne-se uma vez por ano, por quatro a 
cinco dias, na sede do CIE, em Genebra; com função 
de estabelecer e aplicar as políticas adotadas pelo CRN, 
bem como reconhecer a admissão de novas ANEs, den-
tre outras atribuições, como representar a enfermagem 
em organismo e eventos internacionais.
O princípio que fundamenta o CIE é fortalecer 
cada organização de enfermagem sem seu respecti-
vo país, por isso, não existem duas ANEs oriundas 
de um mesmo país.
O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) 
passou a representar a enfermagem brasileira junto 
ao CIE desde 1997 e em 2001 a Enf. Msc. Dulce Dir-
clair Huf Bais foi eleita para representar o Brasil na 
Junta Diretiva do CIE e reeleita em 2005.
Em um Congresso de enfermagem a Enf. Dulce 
declarou que pode constatar após seus trabalhos jun-
to ao CIE que “O Brasil possui uma das melhores lei 
profissional de enfermagem e lei orgânica de saúde 
do mundo, porém, isto ainda não se reflete na assis-
tência de saúde e de enfermagem de qualidade, isto 
porque não há o pleno conhecimento das normas, o 
que impede a sintonia das legislações com as práticas 
profissionais”. Esta informação pode ser compreen-
dida com um apelo para que nos apliquemos mais 
no conhecimento e na aplicação das normas exis-
tentes no país em relação à saúde e os profissionais 
de enfermagem.
ANOTAÇÕES *
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
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AULA
2
CÓDIGO DE ÉTICA E A LEI DO EXERCÍCIO 
PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM
■	Conteúdo
Conceito de ética, moral•	
O enfermeiro e a responsabilidade legal no exercício profissional•	
Legislação da enfermagem (código de ética, lei do exercício profissional)•	
■	Competências e habilidades
Conhecer a legislação específica que rege a conduta e o desempenho profissional da equipe de en-•fermagem
Distinguir princípios éticos e morais que regem a vida profissional do enfermeiro•	
Identificar problemas éticos na vida profissional e tomar decisão diante deles•	
■	Materiais para autoestudo
 Verificar no Portal os textos e as atividades disponíveis na galeria da unidade
■	Duração
2 h-a – via satélite com professor interativo
2 h-a – presenciais com professor local
6 h-a – mínimo sugerido para autoestudo
 Início de conversa
“Solenemente, na presença de Deus e desta assem-
bleia, juro:
Dedicar minha vida profissional a serviço da hu-
manidade, respeitando a dignidade e os direitos da 
pessoa humana, exercendo a Enfermagem com cons-
ciência e dedicação, guardando sem desfalecimento 
os segredos que me forem confiados. Respeitando a 
vida desde a concepção até a morte, não participando 
voluntariamente de atos que coloquem em risco a in-
tegridade física e psíquica do ser humano, mantendo 
elevados os ideais da minha profissão, obedecendo 
aos preceitos da ética e da moral, preservando sua 
honra, seu prestígio e suas tradições.”
Caros(as) alunos(as),
Para quem ainda não conhece, este é o juramento do 
Enfermeiro, juramento que vocês irão proferir daqui a 
quatro anos no dia da colação de grau de vocês.
Notem que ao final o futuro enfermeiro jura: “... 
obedecer aos preceitos da ética e da moral...”. Mas 
afinal que preceitos são esses? E o que é realmente 
ética e moral? E onde e como, nós, acadêmicos de 
enfermagem e futuros enfermeiros aplicaremos es-
ses conceitos?
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AULA 2 — Código de Ética e a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem
Nesta aula conheceremos estes conceitos e as leis 
que regem os comportamentos da nossa profi ssão. 
E saberemos identifi car problemas que envolvam a 
moral e a ética e o que decidir frente a eles.
Ética é uma palavra de origem grega ethos que sig-
nifi cava “vida comum”, logo depois, na própria Gré-
cia, conquistou outros signifi cados, como: hábito, 
caráter, modo de pensar. A partir desse vocábulo, o 
fi lósofo Aristóteles formulou o adjetivo ético como 
uma classe particular de virtudes humanas e a ética 
como a ciência que estuda essas virtudes.
Em Roma, a palavra ethos encontra uma palavra 
latina equivalente, moris surgindo, daí, o adjetivo mo-
ralis (moral) e mais tarde o termo moralidade.
Mesmo sendo palavras com a mesma semântica1, 
os termos ética e moral, receberam um signifi cado 
diverso um do outro ao longo do processo de desen-
volvimento cultural.
Se procurarmos no dicionário encontraremos os 
termos da seguinte forma:
Ética: estudo dos juízos de apreciação referentes à 
conduta humana suscetível de qualifi cação do ponto 
de vista do bem e do mal, seja relativamente a deter-
minada sociedade, seja de modo absoluto.
Moral: conjunto de regras de conduta considera-
das como válidas, quer de modo absoluto para qual-
quer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa de-
terminada.
Fonte: Novo dicionário eletrônico Aurélio, versão 5.0.
Entendamos então, que comportamento moral 
trata-se de uma questão de ordem prática. “O que 
fazer em cada situação concreta.” E ética como a re-
fl exão sobre esse comportamento prático.
 Para refletir
O exercício da enfermagem deve estar embasado 
em três aspectos principais: técnico-científi co, legal 
e ético, que pode ser percebido nos afazeres diários 
da enfermagem.
Referimos ao aspecto técnico-científi co quando 
executados a assistência de enfermagem respeitan-
do os conhecimentos teórico e prático específi cos 
da enfermagem; o aspecto legal garante que os pro-
fi ssionais de enfermagem exercerem as atribuições 
determinadas pela lei e com isto cumprem seu papel 
social; por fi m o aspecto ético se confi gura pela com-
preensão e aplicação dos postulados apresentados no 
Código de ética dos profi ssionais de enfermagem.
CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS
DE ENFERMAGEM
O Código de Ética é um instrumento legal que re-
úne um conjunto de normas, princípios morais e dos 
direitos relativos à profi ssão e ao seu exercício; expri-
me o que é esperado dos profi ssionais de enfermagem 
diante da sociedade, paciente, outros profi ssionais, 
bem como a capacidade de reconhecer a todos como 
pessoas técnicas, científi cas e humanamente capazes de 
desempenhar um determinado conjunto de funções.
Como as questões éticas não contêm fórmulas ma-
temáticas com respostas exatas e fechadas é preciso 
compreender e refl etir sobre os princípios éticos e 
utilizar a autonomia e a experiência para caminhar 
às vezes na incerteza, mas nunca se omitindo da res-
ponsabilidade de cuidar o paciente e dos membros 
de sua equipe.
Entendemos o que difi culta a prática ética na pro-
fi ssão não é só o conhecimento do Código de Ética são 
os dilemas de saber que os conceitos não são natos da 
pessoa; reconhecer às diferentes formas de dar valor 
às coisas e pessoas para ter um agir visando o bem, e 
a não compreensão de como atender aos pilares da 
saúde (universalidade, equidade, integralidade).
O Código de Ética dos Profi ssionais de Enferma-
gem (CEPE) declara nos princípios fundamentais 
que “O aprimoramento do comportamento ético 
do profi ssional passa pelo processo de construção 
de uma consciência individual e coletiva, pelo com-
promisso social e profi ssional confi gurado pela res-1 Significação das palavras.
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
ponsabilidade no plano as relações de trabalho com 
reflexos no campo científico e político.”
A primeira discussão sobre a codificação ética na 
enfermagem surgiu em 1951, um grupo de religiosas 
e enfermeiras católicas leigas doaram à ABEn um an-
teprojeto de um Código de ética. Em 1958 foi apro-
vado 1o Código de ética de enfermagem, baseado no 
Código de ética do Conselho Internacional de En-
fermagem e do Comitê Internacional Católico; fo-
ram realizadas quatro revisões em 1975, 1993, 2001 
e a última versão foi aprovada em 2007, a Resolução 
COFEN no 311 que aprova o Código de ética dos 
profissionais de enfermagem.
O Código de Ética dos Profissionais de Enfer-
magem está organizado por assunto e inclui prin-
cípios, direitos, responsabilidades, deveres e proi-
bições pertinentes à conduta ética dos profissionais 
de Enfermagem; esta norma considera a necessi-
dade e o direito de assistência em Enfermagem da 
população, os interesses do profissional e de sua 
organização. Está centrado na pessoa, família e co-
letividade e pressupõe que os trabalhadores de En-
fermagem estejam aliados aos usuários na luta por 
uma assistência sem riscos e danos e acessível a toda 
população.
O Código de Ética é composto dos fundamentos, 
a filosofia e a missão da profissão, nesta norma te-
mos descrito de forma clara e objetiva quais os di-
reitos, deveres e proibições, em relação ao exercício 
da enfermagem. A estrutura do documento é assim 
definida:
•	 Capítulo	I	–	Das	relações	profissionais
 Das relações com a pessoa, família e coletividade
 Das relações com os trabalhadores de enferma-
gem, saúde e outros
 Das relações com as organizações da categoria
 Das relações com as organizações empregadoras
•	 Capítulo	II	–	Do	sigilo	profissional
•	 Capítulo	III	–	Do	ensino,	da	pesquisa	e	da	pro-
dução técnico-científica
•	 Capítulo	IV	–	Da	publicidade
•	 Capítulo	V	–	Das	infrações	e	penalidades
•	 Capítulo	VI	–	Da	aplicação	das	penalidades
•	 Capítulo	VII	–	Das	disposições	gerais
Como forma didática, vamos destacar alguns arti-
gos mais comumente aplicados na prática da enfer-
magem discutido de forma contextualizada.
DIREITOS - Das relações profissionais 
Art. 1o - Exercer a Enfermagem com liberdade, 
autonomia e ser tratado segundo os pressupostos e 
princípios legais, éticos e dos direitos humanos.
A autonomia e a liberdade do profissional se dão 
quando ele aplica à competência técnica adquirida na 
formação técnica ou universitáriasomada à compe-
tência legal e ética constituída pela aplicação da Lei 
e do Código de Ética dos Profissionais de Enferma-
gem, propiciando a realização de uma assistência de 
enfermagem de qualidade.
PROIBIÇÕES - Das relações profissionais 
 Art. 8o - Promover e ser conivente com a injúria, 
calúnia e difamação de membro da Equipe de Enfer-
magem, equipe de Saúde e de trabalhadores de outras 
áreas, de organizações da categoria ou instituições.
Atitudes que podem parecer corriqueiras como fa-
lar de outra pessoa sem certificar-se das informações 
ou mesmo apresentar críticas de sua conduta sem que 
tenha provas ou razão para expor a pessoa pode le-
var a uma infração ética, visto que esta postura causa 
desordem no ambiente de trabalho e reflete direta ou 
indiretamente na atuação da enfermagem.
RESPONSABILIDADES E DEVERES - Das relações 
com a pessoa, família e coletividade 
Art. 13 - Avaliar criteriosamente sua competência 
técnica, científica, ética e legal e somente aceitar en-
cargos ou atribuições, quando capaz de desempenho 
seguro para si e para outrem.
O profissional de enfermagem deve sempre apri-
morar seus conhecimentos para prestar uma assis-
tência adequada e ao ser convidado ou solicitado a 
fazer um procedimento novo ou desenvolver nova 
função deve ter a responsabilidade de ponderar sobre 
sua competência técnica e competência legal; exem-
plo, ao ser solicitado a um auxiliar de enfermagem a 
realização de coleta de gasometria e o mesmo nunca 
realizou o procedimento este pode solicitar para ou-
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AULA 2 — Código de Ética e a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem
tro profissional que tenha conhecimento na técnica 
assim não coloca em risco o paciente e o próprio 
profissional.
Art. 25 – Registrar no prontuário do Paciente as 
informações inerentes e indispensáveis ao processo 
de cuidar.
A anotação de enfermagem é atividade diária de 
toda a equipe e por meio dela podemos dar con-
tinuidade da assistência, avaliar a evolução do pa-
ciente aos cuidados, garantir documento legal sobre 
o atendimento e ainda realizar o levantamento dos 
custos. Esta anotação deve conter todas as informa-
ções de forma objetiva, clara e ser realizada a cada 
procedimento evitando esquecimento ou ausência 
do registro.
DIREITOS – Das relações com os trabalhadores 
de enfermagem, saúde e outros
Art. 37 - Recusar-se a executar prescrição medica-
mentosa e terapêutica, onde não conste a assinatura 
e o número de registro do profissional, exceto em 
situações de urgência e emergência.
 Parágrafo único – O profissional de enfermagem 
poderá recusar-se a executar prescrição medicamen-
tosa e terapêutica em caso de identificação de erro 
ou elegibilidade.
RESPONSABILIDADE
Art. 38 - Responsabilizar-se por falta cometida 
em suas atividades profissionais, independente de 
ter sido praticada individualmente ou em equipe.
O artigo 37 foi elaborado após inúmeros processos 
éticos onde o profissional de enfermagem era res-
ponsabilizado pelos efeitos adversos e até óbitos de 
pacientes, decorrentes de medicamentos adminis-
trados após prescrição verbal e que após o incidente 
era negada ou não confirmada a orientação de fazer 
tal droga.
E o artigo 38 reafirma nosso conceito de ética, que 
afirma a necessidade de construir coletivamente as 
ações éticas em favor do paciente, da profissão e do 
sistema de saúde.
Art. 113 - Considera-se Infração Ética a ação, 
omissão ou conivência que implique desobediência 
e/ou inobservância às disposições do Código de Ética 
dos Profissionais de Enfermagem.
Art.119 - As penalidades, referentes à advertência 
verbal, multa, censura e suspensão do exercício pro-
fissional, são da alçada do Conselho Regional de En-
fermagem, serão registradas no prontuário do profis-
sional de Enfermagem; a pena de cassação do direito 
ao exercício profissional é de competência do Conse-
lho Federal de Enfermagem, conforme o disposto no 
art. 18, parágrafo primeiro, da Lei no 5.905/73.
Parágrafo único - Na situação em que o processo 
tiver origem no Conselho Federal de Enfermagem, 
terá como instância superior a Assembleia dos De-
legados Regionais.
Art. 120 - Para a graduação da penalidade e res-
pectiva imposição, consideram-se:
I - A maior ou menor gravidade da infração;
II - As circunstâncias agravantes e atenuantes da 
infração;
III - O dano causado e suas consequências;
IV - Os antecedentes do infrator.
Art. 122 - São consideradas circunstâncias atenu-
antes:
I - Ter o infrator procurado, logo após a infração, 
por sua espontânea vontade e com eficiência, evitar 
ou minorar as consequências do seu ato;
II - Ter bons antecedentes profissionais;
III - Realizar atos sob coação e/ou intimidação;
IV - Realizar ato sob emprego real de força física;
V - Ter confessado espontaneamente a autoria da 
infração.
Art. 123 - São consideradas circunstâncias agra-
vantes:
I - Ser reincidente;
II - Causar danos irreparáveis;
III - Cometer infração dolosamente;
IV - Cometer a infração por motivo fútil ou tor-
pe;
V - Facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, 
a impunidade ou a vantagem de outra infração;
VI - Aproveitar-se da fragilidade da vítima;
VII - Cometer a infração com abuso de autoridade 
ou violação do dever inerente ao cargo ou função;
VIII - Ter maus antecedentes profissionais.
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150
Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
Os cinco últimos artigos apresentados configu-
ram o que é a penalidade ética e quais os critérios 
para a aplicação da pena ao profissional de enfer-
magem; ao todo são 132 artigos no Código de Ética 
dos Profissionais de Enfermagem que devem ser li-
dos pelo profissional, mais de uma vez para favorecer 
uma prática adequada. Este documento foi aprovado 
pelo COFEN, é o conteúdo da Resolução COFEN no 
311/2007, e encontra-se disponível na íntegra no site 
www.portalcofen.com.br.
Nosso papel neste curso é despertar o interesse 
para este conhecimento que é muito amplo e indis-
pensável à boa prática da enfermagem.
LEI N.º 7498/86 E DECRETO-LEI N.º 94.406/87
Na trajetória histórica da enfermagem, tivemos 
algumas normas para regulamentar o exercício da 
enfermagem, a primeira foi o Decreto-Lei no 20.109, 
de 15 de junho de 1931. Ela regulava o exercício de 
enfermagem e fixava condições para a equiparação 
das Escolas de Enfermagem e instruções relativas ao 
processo de exame para revalidação do diploma.
Em 22 de janeiro de 1946, foi criada a carreira de 
auxiliar de enfermagem no quadro permanente do 
Ministério da Educação e Saúde, por meio do De-
creto-Lei no 8.772. No ano de 1955 foi aprovada no 
dia 17 de setembro a Lei no 2.604 que regulamenta 
o exercício da enfermagem profissional abrangendo 
todas as categorias como exercício na profissão.
A Lei no 7.498 foi homologada em 25 de junho de 
1986, é o instrumento legal que regulamenta do exercí-
cio da Enfermagem e dão outras providências, no Brasil, 
a partir desta data, e deve ser considerada pelos profis-
sionais a regra fundamental de suas práticas diárias.
Devido a uma normativa do Poder Legislativo, 
a lei 7.498/86 foi regulamentada pelo Decreto-Lei 
94.406 em 8 de junho de 87. Uma pausa para expli-
car; os Decretos são decisões de uma autoridade su-
perior, com força de lei, para disciplinar um fato ou 
uma situação particular. O Decreto, portanto, sendo 
hierarquicamente inferior, não pode contrariar a lei, 
mas pode regulamentá-la, ou seja, pode explicitá-la, 
aclará-la ou interpretá-la, respeitando, claro, os seus 
fundamentos, objetivos e alcance.
A importância em conhecer a Lei e o Decreto-Lei 
que regulamenta o exercício da enfermagem, parte de 
um princípio constitucional que descrito no artigo 
5o, inciso II, da Constituição da República Federativa 
do Brasil “ninguém será obrigado a fazer ou deixar 
de fazer alguma coisasenão em virtude de lei”, bem 
como do seu inciso XIII, “é livre o exercício de qual-
quer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qua-
lificações profissionais que a lei estabelecer”.
Entendemos que não adianta o profissional ter a 
competência técnica e desconhecer as atribuições que 
a lei o qualifica; simplesmente é fazer o bolo sem a re-
ceita à chance de dar errado é enorme, algumas vezes 
fica bom, mas quando der errado perde tudo, tempo, 
dinheiro e a vontade de realizá-lo de novo.
A competência legal e ética da enfermagem depen-
de do empenho e da vontade de conhecer e aplicar 
as normas disponíveis ao nosso exercício profissio-
nal. Vamos fazer uma discussão simplificada do texto 
da Lei no 7.498/86, os primeiros artigos definem de 
forma ampla a equipe de enfermagem e suas ativi-
dades.
Art. 1o - É livre o exercício da Enfermagem em 
todo o território nacional, observadas as disposições 
desta Lei.
Art. 2o - A Enfermagem e suas atividades auxilia-
res somente podem ser exercidas por pessoas legal-
mente habilitadas e inscritas no Conselho Regional 
de Enfermagem com jurisdição na área onde ocorre 
o exercício.
Parágrafo único - A Enfermagem é exercida priva-
tivamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de Enfer-
magem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, 
respeitados os respectivos graus de habilitação.
Art. 3o - O planejamento e a programação das ins-
tituições e serviços de saúde incluem planejamento 
e programação de Enfermagem.
Art. 4o - A programação de Enfermagem inclui a 
prescrição da assistência de Enfermagem.
Os artigos 6o, 7o, 8o e 9o definem qual a formação 
necessária para constituir a habilitação dos profissio-
nais – enfermeiro, técnico de enfermagem, auxiliar 
de enfermagem e parteira e qual a exigência para re-
gistrar diploma ou certificado de estrangeiros.
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151 
AULA 2 — Código de Ética e a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem
Os artigos 11, 12 e 13 descrevem as atribuições 
dos profissionais de enfermagem de acordo com o 
grau de formação, saber o que cabe a cada membro 
da equipe de enfermagem é fundamental para o 
bom exercício da enfermagem e a garantia de me-
lhor qualidade do serviço prestado à população.
Destacamos que nas atribuições do profissional 
enfermeiro existem as atividades privativas que de-
vem ser executadas por este profissional exclusiva-
mente independente do serviço ou instituição, e as 
atividades compartilhadas que são aquelas que o pro-
fissional enfermeiro pode executar junto com outros 
profissionais da enfermagem e da saúde.
Art. 11 – O Enfermeiro exerce todas as atividades 
de enfermagem, cabendo-lhe: 
I. Privativamente:
a- direção do órgão de enfermagem integrante da es-
trutura básica da instituição de saúde, pública e priva-
da, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem;
b- organização e direção dos serviços de enfer-
magem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas 
empresas prestadoras desses serviços;
c- planejamento, organização, coordenação, exe-
cução e avaliação dos serviços de assistência de en-
fermagem;
d- consultoria, auditoria e emissão de parecer so-
bre matéria de enfermagem;
e- consulta de enfermagem;
f- prescrição da assistência de enfermagem;
g- cuidados diretos de enfermagem a pacientes 
graves com risco de vida;
h- cuidados de enfermagem de maior complexida-
de técnica e que exijam conhecimentos de base cien-
tífica e capacidade de tomar decisões imediatas;
II. Como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e ava-
liação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avalia-
ção dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos estabelecidos em 
programas de saúde pública e em rotina aprovada 
pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou re-
forma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático de infecção 
hospitalar e de doenças transmissíveis em geral;
f) prevenção e controle sistemático de danos que 
possam ser causados à clientela durante a assistência 
de Enfermagem;
g) assistência de Enfermagem à gestante, partu-
riente e puérpera;
h) acompanhamento da evolução e do trabalho 
de parto;
i) execução do parto sem distocia;
j) educação visando à melhoria de saúde da po-
pulação;
Parágrafo único - às profissionais referidas no in-
ciso II do Art. 6o desta Lei incumbe, ainda:
a) assistência à parturiente e ao parto normal;
b) identificação das distocias obstétricas e tomada 
de providências até a chegada do médico;
c) realização de episiotomia e episiorrafia e apli-
cação de anestesia local, quando necessária.
Art. 12 - O Técnico de Enfermagem exerce ativida-
de de nível médio, envolvendo orientação e acompa-
nhamento do trabalho de Enfermagem em grau au-
xiliar, e participação no planejamento da assistência 
de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
a) participar da programação da assistência de En-
fermagem;
b) executar ações assistenciais de Enfermagem, ex-
ceto as privativas do Enfermeiro, observado o dispos-
to no Parágrafo único do Art. 11 desta Lei;
c) participar da orientação e supervisão do traba-
lho de Enfermagem em grau auxiliar;
d) participar da equipe de saúde.
Art. 13 - O Auxiliar de Enfermagem exerce ativi-
dades de nível médio, de natureza repetitiva, envol-
vendo serviços auxiliares de Enfermagem sob super-
visão, bem como a participação em nível de execução 
simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe 
especialmente:
a) observar, reconhecer e descrever sinais e sin-
tomas;
b) executar ações de tratamento simples;
c) prestar cuidados de higiene e conforto ao pa-
ciente;
d) participar da equipe de saúde.
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152
Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
No artigo 15 determina-se que os técnicos e auxi-
liares de enfermagem só podem exercer suas ativida-
des profissionais em instituições de saúde, públicas 
e privadas, e em programas de saúde, somente sob 
orientação e supervisão de Enfermeiro.
O artigo 23 versa sobre o pessoal que se encontra 
executando tarefas de Enfermagem, em virtude de 
carência de recursos humanos de nível médio nesta 
área (atendente de enfermagem), sem possuir forma-
ção específica regulada em lei, será autorizado, pelo 
Conselho Federal de Enfermagem, a exercer ativida-
des elementares de Enfermagem, observado o dispos-
to no Art. 15 desta Lei. A autorização referida nes-
te artigo, que obedecerá aos critérios baixados pelo 
Conselho Federal de Enfermagem, somente poderá 
ser concedida durante o prazo de 10 (dez) anos, a 
contar da promulgação desta Lei.
 Ao realizar a leitura desta norma, fica mais cla-
ra a função de cada profissional de enfermagem, mas 
nos afazeres diários podem surgir dúvidas específi-
cas, como:
•	 O	que	posso	designar	o	atendente	de	enferma-
gem a fazer na instituição? Posso auxiliar o mé-
dico em procedimento cirúrgico?
•	 De	que	é	a	atribuição	de	realizar	a	sondagem	ve-
sical do paciente ou quem deve coletar o exame 
de gasometria?
 Para responder a essas questões mais pontuais 
temos à disposição as Resoluções homologadas pelo 
COFEN, as Decisões e Pareceres Técnicos emitidos 
pelos Conselhos Regionais.
Neste capítulo vamos apresentar algumas das Re-
soluções homologadas pelo Conselho Federal de En-
fermagem cumprindo como sua atribuição de disci-
plinar o exercício da enfermagem no País.
Segundo Santos 2005, resolução é um instrumento 
legal normativo elaborado por órgão colegiado (Con-
selho). “Naquilo que for de competência constitucio-
nal expressa a Resolução nivela-se a Lei.”
Os critérios de escolha foram as que melhor caracte-
rizam o papel do profissional de enfermagem no exer-
cício diário, as que ajudam os profissionais a se defen-
derem diante de organizações e outros profissionais de 
saúde e as que influenciam na conduta mais adequada, 
para umaatuação dentro da competência legal.
Resolução COFEN no 146/92
Normatiza em âmbito nacional a obrigatoriedade 
de haver enfermeiro em todas as unidades de serviço 
onde são desenvolvidas ações de enfermagem duran-
te todo o período de funcionamento da instituição.
Art. 2o Em todas as unidades de serviço onde são 
desenvolvidas ações de enfermagem deverá haver en-
fermeiro em número que deve ser definido de acordo 
com a estrutura das mesmas, levando-se ainda em 
conta, o grau de complexidade das ações a serem 
executadas pela enfermagem.
Esta norma detalha o já contido na Lei no 7.489/86, 
que toda instituição onde ocorre assistência de en-
fermagem necessita da presença do enfermeiro para 
realizar suas atividades privativas e para orientar e 
supervisionar a equipe de enfermagem.
Isto ainda não é uma realidade nacional primeiro 
por não ter disponibilidade de profissionais enfer-
meiros no mercado de trabalho em algumas regiões 
do País, depois, pela falta de entendimento do papel 
deste profissional na garantia da qualidade e segu-
rança na assistência prestada ao paciente.
Resolução COFEN no 172/94
Normatiza a criação de Comissão de Ética de En-
fermagem nas instituições de saúde.
Art. 1o Autoriza a criação de Comissões de Ética 
de Enfermagem como órgãos representativos dos 
Conselhos Regionais junto a instituições de saúde, 
com funções educativas, consultivas, fiscalizadoras 
do exercício profissional e ético dos profissionais 
de enfermagem.
Art. 2o A comissão de ética tem como finalidade:
a- Garantir conduta ética
b- Zelar pelo exercício ético dos profissionais de 
Enfermagem na instituição, combatendo o 
exercício ilegal da profissão, educando, discu-
tindo e divulgando o Código de Ética dos Pro-
fissionais de Enfermagem.
c- Notificar ao COREN de sua jurisdição irregula-
ridades, reivindicações, sugestões e, as infrações 
éticas.
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153
AULA 2 — Código de Ética e a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem
COREN, acompanhada da sigla da Unidade da 
Federação onde está sediado o Conselho Regio-
nal, seguida do número de inscrição, separados 
todos os elementos por hífen.
Art. 3o - A anotação do número de inscrição dos 
profissionais dos Quadros II e III é feita com a si-
gla COREN, acompanhada da sigla da Unidade da 
Federação onde está sediado o Conselho Regional, 
seguida do número de inscrição, separados todos 
os elementos por hífen.
Esta determinação auxilia na padronização da for-
ma escrita e deve ser utilizada pelo profissional em 
todos seus registros profissionais.
Os exemplos são; quadro I COREN-MS 82.408 
(enfermeiro); quadro II COREN-MG 10.543-TE 
(técnico de enfermagem) e quadro III COREN – SP 
23.897 - AE (auxiliar de enfermagem). 
Resolução COFEN n.º 225/00
Dispõe sobre o cumprimento de prescrição de me-
dicamento terapêutico a distância.
Art. 1o É vedado ao profissional de enfermagem 
aceitar, praticar cumprir ou executar prescrições 
medicamentosas/terapêutica, oriundas de qual-
quer profissional da área de saúde, através de rádio, 
telefonia ou meios eletrônicos, onde não conste a 
assinatura dos mesmos.
Art. 2o Não se aplica ao artigo anterior as situações 
de urgência, na qual, efetivamente, haja iminente 
e grave risco de vida do cliente.
Dada a importância do tema que versa sobre esta 
norma, durante a revisão do Código de Ética dos 
Profissionais de Enfermagem foi definido dentro dos 
direitos recusarem-se a executar prescrição medica-
mentosa que não tenha assinatura do profissional, 
considerando que isso era uma prática muito comum 
entre os profissionais de enfermagem.
Resolução COFEN no 266/01
Aprova atividade do Enfermeiro Auditor no Exer-
cício, em seu anexo descreve suas atividades priva-
tivas;
Esta norma vem de encontro à necessidade de criar 
um acesso do profissional com as informações legais e 
éticas, por meio de seus pares no ambiente de trabalho, 
visando ao estudo e à divulgação das normas como fator 
redutor das infrações. E quando ocorrer uma denúncia 
a realização da averiguação é executada por profissionais 
de enfermagem que conhecem a realidade institucional, 
permitindo uma leitura mais precisa da realidade.
A comissão de ética bem constituída é um precioso 
instrumento de desenvolvimento na construção cole-
tiva dos valores éticos e legais da enfermagem.
Resolução COFEN no 186/95
Dispõe sobre a definição e especificação das ativi-
dades elementares de enfermagem exercida pelo pes-
soal sem formação específica regulada em lei.
Art. 1o São consideradas atividades elementares de 
enfermagem aquelas atividade que compreende 
ações de fácil execução e entendimento, baseado 
em saberes simples sem requerem conhecimento 
científico, adquiridas por meio de treinamento e/
ou prática; requerem destreza manual, se restrin-
gem à situação de rotina e de repetição, não envol-
vendo cuidados diretos ao paciente, não colocam 
em risco a comunidade, o ambiente e/ou a saúde 
do executante, mas contribuem para que a assis-
tência de enfermagem seja mais eficiente.
Esta Resolução no seu artigo segundo descreve 
pontualmente as atividades que podem ser desen-
volvidas pelo atendente de enfermagem. A necessi-
dade de conhecer esta norma é que ainda temos o 
ocupacional trabalhando nas instituições de saúde 
devido a seu direito adquirido de permanecer na 
função até que esteja aposentado ou que realize um 
curso profissionalizante e dessa forma tenha acesso 
de categoria profissional.
Resolução COFEN no 191/96
Dispõe sobre a forma de anotação e o uso do nú-
mero de inscrição ou da autorização pelo pessoal de 
enfermagem.
Art. 2o - A anotação do número de inscrição 
dos profissionais do Quadro I é feita com a sigla 
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154
Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
I- Organizar, dirigir, planejar, coordenar e avaliar, 
prestar consultoria, auditoria e emissão de parecer 
sobre os serviços de Auditoria de Enfermagem.
II- Quanto à integrante de equipe de Auditoria 
em Saúde:
a) Atuar no planejamento, execução e avalia-
ção da programação de saúde;
b) Atuar na elaboração, execução e avaliação 
dos planos assistenciais de saúde;
c) Atuar na elaboração de medidas de preven-
ção e controle sistemático de danos que pos-
sam ser causados aos pacientes durante a 
assistência de enfermagem;
d) Atuar na construção de programas e ativida-
des que visem à assistência integral à saúde 
individual e de grupos específicos, particu-
larmente daqueles prioritários e de alto ris-
co;
e) Atuar na elaboração de programas e ativi-
dades da educação sanitária, visando à me-
lhoria da saúde do indivíduo, da família e 
da população em geral;
f) Atuar na elaboração de Contratos e Aden-
dos que dizem respeito à assistência de En-
fermagem e de competência do mesmo;
g) Atuar em bancas examinadoras, em maté-
rias específicas de Enfermagem, nos concur-
sos para provimentos de cargo ou contra-
tação de Enfermeiro ou pessoal Técnico de 
Enfermagem, em especial Enfermeiro Au-
ditor, bem como de provas e títulos de es-
pecialização em Auditoria de Enfermagem, 
devendo possuir o título de Especialização 
em Auditoria de Enfermagem;
h) Atuar em todas as atividades de competên-
cia do Enfermeiro e Enfermeiro Auditor, de 
conformidade com o previsto nas Leis do 
Exercício da Enfermagem e Legislação per-
tinente;
i) O Enfermeiro Auditor deverá estar regu-
larmente inscrito no COREN da jurisdição 
onde presta serviço, bem como ter seu títu-
lo registrado, conforme dispõe a Resolução 
COFEN No 261/2001;
j) O Enfermeiro Auditor, quando da consti-
tuição de Empresa Prestadora de Serviço 
de Auditoria e afins, deverá registrá-la no 
COREN da jurisdição onde se estabelece e 
se identificar no COREN da jurisdição fora 
do seu Foro de origem, quando na prestação 
de serviço;
k) O Enfermeiro Auditor, em sua função deve-
rá identificar-sefazendo constar o número 
de registro no COREN sem, contudo, inter-
ferir nos registros do prontuário do pacien-
te;
l) O Enfermeiro Auditor, segundo a autono-
mia legal conferida pela Lei e por Decretos 
que tratam do Exercício Profissional de En-
fermagem, para exercer sua função não de-
pende da presença de outro profissional;
m) O Enfermeiro Auditor tem autonomia para 
exercer suas atividades sem depender de pré-
via autorização por parte de outro membro 
auditor, Enfermeiro, ou multiprofissional;
n) O Enfermeiro Auditor para desempenhar 
corretamente seu papel, tem o direito de 
acessar os contratos e adendos pertinentes 
à Instituição a ser auditada;
o) O Enfermeiro Auditor, para executar suas 
funções de Auditoria, tem o direito de aces-
so ao prontuário do paciente e toda docu-
mentação que se fizer necessária;
p) O Enfermeiro Auditor, no cumprimento de 
sua função, tem o direito de visitar/entrevis-
tar o paciente, com o objetivo de constatar a 
satisfação do mesmo com o serviço de En-
fermagem prestado, bem como a qualidade. 
Se necessário acompanhar os procedimen-
tos prestados no sentido de dirimir quais-
quer dúvidas que possam interferir no seu 
relatório.
III - Considerando a interface do serviço de Enfer-
magem com os diversos serviços, fica livre a con-
ferência da qualidade dos mesmos no sentido de 
coibir o prejuízo relativo à assistência de Enfer-
magem, devendo o Enfermeiro Auditor registrar 
em relatório tal fato e sinalizar aos seus pares au-
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155
AULA 2 — Código de Ética e a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem
ditores, pertinentes à área específica, descaracte-
rizando sua omissão.
IV - O Enfermeiro Auditor, no exercício de sua 
função, tem o direito de solicitar esclarecimento 
sobre fato que interfira na clareza e objetividade 
dos registros, com fim de se coibir interpretação 
equivocada que possa gerar glosas/desconformi-
dades, infundadas.
V - O Enfermeiro, na função de auditor, tem o di-
reito de acessar, in loco, toda a documentação neces-
sária, sendo-lhe vedada a retirada dos prontuários 
ou cópias da instituição, podendo, se necessário, 
examinar o paciente, desde que devidamente auto-
rizado pelo mesmo, quando possível, ou por seu re-
presentante legal. Havendo identificação de indícios 
de irregularidades no atendimento do cliente, cuja 
comprovação necessite de análise do prontuário do 
paciente, é permitida a retirada de cópias exclusiva-
mente para fins de instrução de auditoria.
VI - O Enfermeiro Auditor, quando no exercício de 
suas funções, deve ter visão holística, como quali-
dade de gestão, qualidade de assistência e quânti-
co-econômico-financeiro, tendo sempre em vista 
o bem-estar do ser humano enquanto paciente/
cliente.
O conhecimento desta norma é importante para 
profissionais e para instituições de saúde, visto que 
atualmente existe a necessidade de gerenciamento 
financeiro utilizando todas as ferramentas disponí-
veis, inclusive a auditoria interna isto garante o res-
sarcimento das contas dos clientes.
Resolução COFEN no 272/02
Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de 
Enfermagem–SAE nas instituições de saúde brasi-
leira.
Considerando que a Sistematização da Assistên-
cia de Enfermagem – SAE, sendo atividade privativa 
do enfermeiro, utiliza método e estratégia de traba-
lho científico para a identificação das situações de 
saúde/doença, subsidiando ações de assistência de 
Enfermagem que possam contribuir para a promo-
ção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde 
do indivíduo, família e comunidade; e a institucio-
nalização da SAE como prática de um processo de 
trabalho adequado às necessidades da comunidade e 
como modelo assistencial a ser aplicado em todas as 
áreas de assistência à saúde pelo enfermeiro.
Considera ainda que a implementação da SAE 
constitui, efetivamente, melhora na qualidade da 
Assistência de Enfermagem;
Art. 1o - Ao Enfermeiro incumbe: Privativamente
A implantação, planejamento, organização, exe-
cução e avaliação do processo de enfermagem, que 
compreende as seguintes etapas:
Consulta de Enfermagem; compreende o histórico 
(entrevista), exame físico, diagnóstico, prescrição e 
evolução de enfermagem.
Artigo 2o - A implementação da Sistematização da 
Assistência de Enfermagem - SAE - deve ocorrer em 
toda instituição da saúde, pública e privada.
Artigo 3o - A Sistematização da Assistência de En-
fermagem - SAE- deverá ser registrada formalmente 
no prontuário do paciente/cliente/usuário.
Esta norma vem reforçar a necessidade do enfer-
meiro desempenhar suas atividades privativas. En-
tendemos que com a implantação da sistematização 
a equipe de enfermagem encontra maior facilidade 
em assistir o cliente por ter suas ações prescritas e 
determinada a partir de uma análise minuciosa do 
seu estado geral, bem como evita que os auxiliares 
e técnicos tenham que decidir sobre assunto pelos 
quais não tem a formação o que favorece a uma ati-
vidade segura para si e para o paciente.
O cuidado de enfermagem planejado e organizado 
otimiza tempo da equipe, pois há distribuição das 
atividades assistenciais conforme as necessidades do 
paciente e o número e formação do profissional de 
enfermagem da equipe.
Resolução COFEN n.º 281/03
Dispõe sobre a repetição/cumprimento da pres-
crição medicamentosa por profissionais da área da 
saúde.
- vedado repetir prescrição de medicamento 
por mais de 24h
- vedado autorização verbal
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
- denunciar ao responsável técnico ou planto-
nista por meio da cópia do relatório para di-
reção da instituição e para COREN.
A repetição de prescrição era prática comum entre 
os profissionais de enfermagem, considerando que o 
paciente precisa da avaliação do profissional médico 
para então receber o tratamento medicamentoso, foi 
homologada esta norma para que a enfermagem não 
incorresse na falha de exercício ilegal da medicina.
Resolução COFEN n.º 294/04
Institui o Dia Nacional de Técnico e Auxiliar de 
Enfermagem no dia 20 de maio.
Artigo 1o - Instituir o Dia 20 de Maio, como data 
consagrada nacionalmente a celebração do “Dia 
Nacional dos Técnicos e Auxiliares de Enferma-
gem”.
Nesta Resolução, cabe uma explicação histórica, 
em 10 de agosto de 1938 Getúlio Vargas então Pre-
sidente da República homologou o Decreto-Lei n.º 
2.956/38, institui o “Dia do Enfermeiro” em 12 de 
maio; data onde deveriam ser prestadas homenagens 
especiais à memória de Ana Neri.
Em 12 de maio de 1960, Juscelino Kubitschek insti-
tui a “Semana da Enfermagem” celebrada anualmente 
de 12 a 20 de maio, período de ampla divulgação e 
congraçamento da classe em suas diferentes catego-
rias profissionais, bem como estudando os problemas 
de cuja solução possa resultar melhor prestação de 
serviço ao público.
Nos anos de 2003 e 2004, houve solicitação dos au-
xiliares e técnicos de enfermagem que fosse instituído 
o dia para eles, pois pela leitura simples da lei dava a 
entender que dia 12 era apenas do enfermeiro, mas 
quando Getúlio Vargas instituiu o Dia do Enfermeiro 
ele se referia a todos os trabalhadores de enfermagem, 
pois não existia categoria profissional como temos 
hoje. Revogar esta norma seria perder um texto da 
história da enfermagem que tanto tempo tem o res-
peito e consideração das autoridades.
Contudo o plenário do COFEN entendeu que para 
atender uma ansiedade da comunidade de enferma-
gem é conveniente baixar esta Resolução que define 
o dia do Auxiliar e Técnico de Enfermagem no dia 
20. Cabe outra explicação, o dia 12 de maio é o dia 
do nascimento de Florence Nightingale e 20 de maio 
o dia e falecimento de Ana Neri duas personalidades 
marcantes e fundamentais à evolução da enfermagem 
mundial e nacional.
Este conhecimento é amplo, complexo e indispen-
sável para um agir profissionalseguro para si e para 
a sociedade. Não esqueçam que precisamos aplicar 
à competência técnica aliada a competência legal e 
ética para obter a eficiência e eficácia na promoção, 
prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, com 
autonomia e liberdade própria dos profissionais re-
gulamentados. 
Qual a diferença entre os termos: Imperícia, Impru-
dência e Negligência?
Negligência: é a inércia psíquica, a indiferença da pes-
soa que, podendo tomar as devidas cautelas exigíveis, 
não o faz por displicência, relaxamento ou preguiça 
mental.
Imprudência: é a atitude precipitada da pessoa, que 
age com pressa, sem cautelas, criação desnecessária 
de um perigo.
Imperícia: é a incapacidade, a falta de habilidade es-
pecífica para a realização de uma atividade técnica ou 
científica, não levando, da pessoa, em consideração o 
que sabe ou deveria saber. A imperícia se revela pela 
ignorância, inexperiência ou inabilidade sobre a arte 
ou profissão que pratica.
 SAIBA MAIS
Leia a Declaração Universal dos Direitos do Ho-
mem: http://www.onu-brasil.org.br/documen-tos_
direitoshumanos.php
A declaração de Helsínque: http://www.ufrgs.br/
bioetica/helsin1.htm
E os direitos do paciente: http://www.orientaco-
esmedicas.com.br/seusdireitos.asp
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AULA 2 — Código de Ética e a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem
 Atividade
CASO/SITUAÇÃO 1
Rosalinda é uma enfermeira que foi contratada 
para trabalhar como enfermeira-chefe do hospital 
X, privado, com 100 leitos, atende a múltiplas espe-
cialidades e seu corpo clínico é aberto. Na direção 
do hospital se revezam vários médicos para todo o 
cotidiano hospitalar. Ao iniciar o trabalho percebeu 
que as demissões e admissões eram feitas pelo dire-
tor do hospital e que este nem sempre a consultava 
para tal. Detectou também que algumas atividades 
técnicas de maior complexidade não eram realizadas 
pelas enfermeiras, e sim, pelo médico plantonista, 
como cateterismo vesical e sondagem nasogástrica. 
Além disso, toda a equipe de enfermagem tinha as 
mesmas atribuições, sem nenhum tipo de critério. 
Outro aspecto observado por Rosalinda foi que em 
cada unidade havia duas atendentes de enfermagem, 
que ficavam responsáveis pela higiene dos pacientes, 
como também pelos sinais vitais de todos os pacien-
tes da unidade. Ela resolveu então estudar a fundo 
a legislação do exercício de enfermagem para veri-
ficar em que poderia mudar a situação evidenciada 
no hospital X.
Questão 1
Avaliando a observação de Rosalinda de que “as 
admissões eram realizadas pelo diretor do hospital 
e que este nem sempre a consultava”, assinale as al-
ternativas corretas:
a) ( ) apenas o diretor do hospital pode admitir ou 
demitir todos os que trabalham no hospital;
b) ( ) o diretor do hospital e a enfermeira chefe são 
responsáveis pela equipe de enfermagem;
c) ( ) a enfermeira organiza e dirige o serviço de 
enfermagem, e portanto cabe a ela admitir ou demitir 
alguém da equipe de enfermagem;
d) ( ) qualquer pessoa que trabalhe no departa-
mento de Pessoal de um hospital pode admitir ou 
demitir as pessoas que ali trabalham;
e) ( ) o diretor do hospital, mesmo de um hospital 
privado, sempre deve consultar a enfermeira chefe 
antes de tomar qualquer decisão relativa à equipe 
de enfermagem.
Justifique suas escolhas.
Questão 2
Relacione a coluna da esquerda com a coluna da 
direita avaliando a quem compete cada atribuição na 
situação-problema relatada por Rosalinda: “detectou 
também que algumas atividades técnicas de maior 
complexidade não eram realizadas pelas enfermeiras, 
e sim, pelo médico plantonista, como cateterismo 
vesical e sondagem nasogástrica. Além disso, toda a 
equipe de enfermagem tinha as mesmas atribuições, 
sem nenhum tipo de critério”.
a) Enfermeiro;
b) Técnico de Enfermagem;
c) Auxiliar de Enfermagem;
d) Parteira;
e) Enfermeira Obstétrica;
( ) cuidados diretos de enfermagem a pacientes 
graves com risco de vida;
( ) ministrar medicamentos por via oral e paren-
teral;
( ) executar atividades de assistência de enferma-
gem, exceto as privativas do enfermeiro;
( ) consultoria, auditoria e emissão de parecer so-
bre matéria de enfermagem;
( ) realização de episiotomia e episiorrafia;
( ) participar da programação da assistência de 
enfermagem;
( ) consulta de enfermagem;
( ) participar da orientação e supervisão do traba-
lho de enfermagem em grau auxiliar;
( ) executar ações de tratamento simples;
( ) assistência de enfermagem à gestante, partu-
riente, puérpera;
( ) assistir o parto normal, inclusive em domicí-
lio;
( ) prestar cuidados de higiene e conforto ao pa-
ciente;
( ) participar em projetos de construção ou refor-
mas de unidades de internação.
Justifique suas escolhas.
Questão 3
Com relação ao atendente de enfermagem, assi-
nale com (V) as afirmativas verdadeiras e com (F) 
as alternativas falsas:
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158
Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
( ) o atendente de enfermagem é o antigo enfer-
meiro prático, prático de enfermagem, formado por 
cursos como aqueles ministrados pela Cruz Verme-
lha;
( ) o atendente de enfermagem pode se registrar 
no COREn após terminar seu curso específico;
( ) o atendente de enfermagem também poderia 
ser considerado aquela pessoa que começava a tra-
balhar nos hospitais, sem formação alguma, poden-
do inclusive ser um ex-paciente que não tinha para 
onde ir;
( ) a Lei do exercício profissional protege o aten-
dente de enfermagem e garante o seu exercício ad 
aeternum;
( ) o atendente de enfermagem foi autorizado a 
continuar exercendo tarefas elementares de enfer-
magem pela resolução COFEN-185;
( ) por tarefas elementares de enfermagem enten-
da-se curativos e sinais vitais;
( ) por tarefas elementares de enfermagem enten-
dam-se aquelas relacionadas com a higiene e o con-
forto do cliente, dentre outras.
CASO/SITUAÇÃO 2
Baseada no artigo 71 da CLT, uma determinada 
instituição de saúde, normatizou em seu regimen-
to interno, que todo funcionário (independente do 
setor que exercer suas funções), que não apontar e 
usufruir dos quinze (15) minutos de descanso obri-
gatórios, segundo esse artigo, será punido com ad-
vertência escrita, exceto em casos justificados e co-
municados por meio de documento encaminhado 
para chefia imediata.
Nesta instituição, um profissional da área de enfer-
magem, insiste em não cumprir tal norma, alegando 
que não tem tempo para isso, pois o paciente está em 
primeiro plano.
Apesar de várias tentativas em convencê-lo da 
importância e necessidade de tal cumprimento, não 
houve sucesso. Após algumas advertências escritas, 
este colaborador procurou o Departamento do Pes-
soal solicitando a autorização para ser dispensado 
do cumprimento desta norma, responsabilizando-se 
totalmente por isso. Como era de se esperar o mes-
mo foi contrário, por considerar uma lei que deve 
ser cumprida, pois caso contrário a instituição está 
sujeita a punição.
Apesar disso, houve resistência no entendimento, 
e aconteceu outra advertência, momento este que o 
funcionário, procurou sua chefia mediata, dizendo 
que preferia ser mandado embora a receber adver-
tências por esse motivo.
Mais uma vez houve a tentativa de fazê-lo enten-
der que precisava cumprir a norma, e que todo res-
paldo para seu cumprimento lhe era oferecido pela 
Gerência de Enfermagem, sem sucesso...
Com o objetivo de fazê-lo entender claramente, foi 
sugerido que fizesse esta solicitação por escrito para 
o Departamento do Pessoal, para que não parecesse 
nada pessoal.
O colaborador fez por escrito, isentando a institui-
ção e assumindo a responsabilidade, alegando mais 
uma vez que o paciente está em primeiro lugar. O 
setor Jurídico encaminhou para Gerência de Enfer-
magem.
Parecer da gerência de Enfermagem
Considerando a existência do artigo 71 da CLT 
(obrigatoriedade de cumprimento de descansode 
quinze (15) minutos para todo trabalhador que cum-
prir uma carga horária de até seis (06) horas de jorna-
da/dia), e que isso tem força de lei, e que a empresa lhe 
oferece condições para tal cumprimento, esta gerência 
indefere esta solicitação, pois caso contrário estaria se 
abrindo um precedente, o que já é bastante “complica-
do”, e ainda mais, sem uma justificativa aceitável.
CASO/SITUAÇÃO 3
Durante as atividades desenvolvidas em um plan-
tão noturno, uma Auxiliar de Enfermagem ao remo-
ver uma “poltrona” envidando grande esforço com 
os membros superiores, resultando em forte dor e 
consequente diminuição da força.
Ao final do plantão (manhã seguinte) conversando 
com sua supervisora sobre outro assunto, mencio-
nou o ocorrido no plantão, sem demonstrar qualquer 
importância. Ao ser questionada sobre o Boletim de 
Acidente de Trabalho, ela expôs que não havia ne-
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AULA 2 — Código de Ética e a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem
cessidade, pois não estava sentindo nada, não sendo 
grave. A enfermeira insistiu explicando sobre os ris-
cos e prejuízos da não notificação, como também da 
segurança obtida com a notificação.
A funcionária reagiu alegando demora no aten-
dimento e risco de perder benefícios (ticket), caso a 
avaliação resultasse em afastamento e também de ser 
julgada como “funcionária problema”. Apesar de ex-
tremamente contrariada a funcionária efetuou o Bo-
letim de Acidente de Trabalho. Cerca de 1 mês após, 
a mesma foi reavaliada e afastada com, imobilização 
no membro superior.
CASO/SITUAÇÃO 4
Certa Auxiliar de Enfermagem frequentemente 
encontrava-se sob licença médica, sendo tal situa-
ção considerada comum para todos da sua equipe. 
Certa ocasião a mesma retornou de uma das muitas 
licenças médicas assumindo o plantão no seu local 
de serviço, sem apresentar qualquer notificação que 
representasse laudo favorável ao retorno de suas ati-
vidades. Como é comum vivenciarmos situações em 
que a escala apresenta número de recursos humanos 
desfavorável (licenças médicas, atestados, dispensas, 
faltas, férias), a presença da mesma não foi em ne-
nhum momento questionada.
O setor da mesma contava com duas funcionárias, 
sendo uma a supracitada (admitindo cerca de 12 lei-
tos), próximo a outro setor que contava apenas com 
uma funcionária.
No decorrer do plantão a Auxiliar (A1) em ques-
tão, instalou “bolsa” de hemoderivado em um de-
terminado paciente que estava prescrito para outro 
paciente, checando na prescrição do paciente que 
deveria receber o hemoderivado.
Ao perceber o erro da colega, a Auxiliar (A2) aler-
tou-a para ver que providências tomariam, ao que a 
A1 reagiu de forma a não revelar o ocorrido à sua su-
pervisão exercendo pressão negativa sobre a colega.
A Auxiliar (A2) relatou a situação a uma terceira 
colega do plantão, a qual orientou-a relatar o ocor-
rido à sua supervisora.
Em procedimento de investigação do caso para 
providências, foi constatado: a funcionária Auxiliar 
(A1) oficialmente, ainda se encontrava sob licença 
médica.
CASO/SITUAÇÃO 5
Q. J. J., brasileira, casada, 46 anos, sexo femini-
no, do lar, internada em 29/05 às 03:40h no Serviço 
de Emergência de um hospital geral, com hipóte-
se diagnóstica de hipoglicemia e acidente vascu-
lar cerebral, sofreu queda da maca às 11:00h. Foi 
avaliada pelo neurocirurgião, encaminhada à sala 
de pequena cirurgia onde foi realizada sutura pelo 
cirurgião em ferimento cortocontuso e após, ava-
liada pelo clínico que verificou que a paciente não 
apresentava alterações cardiorrespiratórias, foi co-
locada em maca com grades. Dia 30/05 às 03:30h a 
paciente veio a falecer e o laudo do IML apontou 
como causa da morte: choque traumático por fra-
tura de crânio.
O regulamento do hospital não permite a perma-
nência de acompanhante dentro do serviço.
CASO/SITUAÇÃO 6
Esmeralda, enfermeira recém-formada foi contra-
tada por uma Escola de Auxiliar de Enfermagem para 
supervisionar estágios da disciplina de Enfermagem 
em Saúde Pública em uma Unidade Básica de Saúde. 
Como se encontrava com 10 alunos sob sua supervi-
são distribuiu-os em vários setores: Marina e Suzy na 
Sala de Vacina; Alberto, Antonia e Marta para acom-
panhar Grupos educativos; Rose e Angélica na sala de 
curativos e Rita, Andreia e Renata para acompanhar 
a rotina da recepção e fluxo dos pacientes. Esmeral-
da encontrava-se acompanhando a execução de um 
curativo quando foi procurada por Marina e Suzy 
que se encontravam bastante angustiadas pois, ao 
fazer a vacina de febre amarela em uma criança, Ma-
rina enganou-se com a diluição e aplicou na criança 
o correspondente a 25 doses de vacina. Esmeralda 
procurou imediatamente a enfermeira responsável 
pelo setor e o pediatra para comunicar o fato e viabi-
lizar procedimentos necessários. A mãe foi chamada, 
orientada do ocorrido e da necessidade de acom-
panhamento da criança. O fato foi comunicado ao 
Serviço de Vigilância Epidemiológica do Município, 
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
Coordenação de Enfermagem e a Comissão de Ética 
da Secretaria Municipal de Saúde.
Reúnam-se em 6 grupos, cada grupo escolherá um 
caso/situação.
Leiam e discutam com seu grupo o caso/situação 
tendo, principalmente, como referência o código de 
ética dos profissionais de enfermagem e a Lei do exer-
cício profissional de enfermagem abordando:
a) Estando na situação do Enfermeiro, qual seria 
sua conduta?
b) Houve infração?
c) Quais artigos foram infringidos e quais penali-
dades este(s) profissional(is) está(ão) sujeito(s)?
d) Outras legislações que subsidiam a discussão 
deste caso.
ANOTAÇÕES *
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AULA
3
DILEMAS ÉTICOS EM ENFERMAGEM
■	Conteúdo
Pesquisa com seres humanos•	
Paciente terminal•	
Preconceito•	
Segredo profissional•	
Sexualidade•	
Aborto•	
Eutanásia•	
■	Competências e habilidades
Identificar problemas éticos na vida profissional e tomar decisão diante dos mesmos•	
Analisar os dilemas éticos relacionados à assistência, ao ensino e à pesquisa na área da saúde•	
■	Materiais para autoestudo
 Verificar no Portal os textos e as atividades disponíveis na galeria da unidade
■	Duração
2 h-a – via satélite com professor interativo
2 h-a – presenciais com professor local
4 h-a – mínimo sugerido para autoestudo
 Início de conversa
Os dilemas éticos enfrentados pela sociedade de 
um modo geral e pelos profissionais de saúde, em 
particular, têm crescido de maneira surpreendente 
nos últimos anos, em face das substanciais transfor-
mações que o mundo vem sofrendo. Decorrentes de 
inúmeros fatores como: a globalização que, rompen-
do barreiras, trata os diferentes como iguais, levando 
à exclusão social de contingente significativo da po-
pulação mundial; o acelerado desenvolvimento tec-
nológico que vem impondo a necessidade de novas 
estratégias de enfrentamento frente aos problemas 
que tem criado; o avanço da ciência que, ao pro-
por soluções para os problemas que afetam a hu-
manidade tem trazido gama considerável de novos 
problemas, a sociedade contemporânea vê-se, hoje, 
diante da necessidade de repontuar valores éticos que 
assegurem a preservação da dignidade humana, en-
quanto bem maior. No que se refere à área da saúde, 
os profissionais encontram-se diante de importante 
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
mudança de paradigmas, onde as limitações impos-
tas às suas ações deixaram de ser da esfera técnica 
para ser quase que exclusivamente da esfera ética. 
Enquanto profissionais de saúde envolvidos com a 
assistência ao indivíduo, temo-nos confrontados, no 
cotidiano, com problemas que têm exigido profun-
das reflexões, bem como ações que possibilitem não 
só a sobrevivênciados clientes/pacientes que cuida-
mos, mas, sobretudo, a sobrevivência com qualidade 
digna de vida. Considerando-se que a importância 
dessa temática na área da saúde reside na finalidade 
maior do cuidar, voltado à preservação dos direitos 
humanos do indivíduo, família e sociedade e que é 
cada vez mais necessária à construção e solidificação 
de conhecimento na área (BRASIL, 2003).
Queremos aqui conversar sobre nosso trabalho 
de profissionais de saúde, porque temos um com-
promisso com a defesa da vida. Da vida de outras 
pessoas, mas obrigatoriamente, de nossas próprias 
vidas. Queremos estimular a possibilidade de cada 
um de nós poder pensar sobre o seu fazer, e para isso, 
partir do princípio de que tudo aquilo que fazemos 
exige responsabilidade ética.
E a responsabilidade ética ultrapassa a capacidade 
e a competência técnica (que também são impor-
tantíssimas) do fazer em saúde. Queremos ir além 
e acreditar que é possível recuperar o significado de 
palavras como respeito e solidariedade, que dão dig-
nidade às nossas ações. Assim, estamos convidando 
você para discutir a prática profissional, a partir de 
uma visão de mundo que valorize a vida, as palavras 
e as relações humanas. De um jeito mais digno. Esse 
nos parece um bom começo (Júnior, 2001).
Todas as ações de saúde devem, obrigatoriamente, 
ser ações inquestionáveis do ponto de vista ético. Tan-
to os procedimentos que são dirigidos diretamente 
ao corpo dos pacientes, por exemplo, ministrar um 
medicamento, realizar um exame complementar ou 
uma intervenção cirúrgica, quanto as atividades de 
educação em saúde, as visitas domiciliares ou mesmo 
o repasse de informações.
O Código de Ética dos Profissionais de Enferma-
gem (CEPE) contém normas, princípios, direitos e 
deveres pertinentes à conduta ética do profissional, 
que deverão ser assumidos por todos. Além do código 
de ética, o exercício profissional é limitado pelo Códi-
go Penal Brasileiro (CPB). O Código de Ética Profis-
sional de Enfermagem está relacionado às ações dos 
profissionais de enfermagem e o Código Penal Brasi-
leiro se relaciona ao profissional como cidadão.
Diante disso, destacamos a abordagem em ambos 
os códigos de alguns temas polêmicos como pesqui-
sas em seres humanos, aborto, paciente terminal, eu-
tanásia, preconceito e segredo profissional, transplan-
te de órgãos e sexualidade, porque todos os profissio-
nais poderão responder a estas duas instâncias.
PESQUISA COM SERES HUMANOS
A questão da ética na pesquisa envolvendo seres 
humanos há algum tempo preocupa os cientistas e as 
pessoas de uma maneira geral. Em nossa sociedade, é 
moralmente inadmissível que se utilize seres huma-
nos como se fossem cobaias. Mas, para que se possa 
proteger ou promover a saúde da população, muitas 
vezes é moralmente necessário realizar experimentos 
controlados com seres humanos (Costa, 1998).
É nesse dilema que se baseia a discussão da ética 
em pesquisa: entre o respeito à dignidade humana e 
a necessidade de experimentação imposta pelo de-
senvolvimento técnico-científico, que representa be-
nefício para a humanidade.
No Brasil, os aspectos éticos envolvidos em ativi-
dades de pesquisa que envolvam seres humanos estão 
regulados pelas Diretrizes e Normas de Pesquisa em 
Seres Humanos, por meio da Resolução 196/96 do 
Conselho Nacional de Saúde, estabelecida em outu-
bro de 1996. Estas Diretrizes foram detalhadas para 
pesquisas envolvendo novos fármacos, medicamento, 
vacinas e testes diagnósticos por meio de outra reso-
lução (251/97), de agosto de 1997. Novas resoluções 
estão sendo elaboradas para tratar de outras áreas 
temáticas especiais (Costa, 1998).
O objetivo maior da avaliação ética de projetos de 
pesquisa é garantir três princípios básicos: a benefi-
cência, o respeito à pessoa e a justiça. Nesta garantia 
devem ser incluídas todas as pessoas que possam vir 
a ter alguma relação com a pesquisa, seja o sujeito 
da pesquisa, o pesquisador, o trabalhador das áreas 
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AULA 3 — Dilemas Éticos em Enfermagem
onde a mesma se desenvolve e, em última análise, a 
sociedade como um todo (Costa, 1998).
A avaliação ética de um projeto de pesquisa na área 
da saúde baseia-se, pelo menos, em quatro pontos 
fundamentais: na qualificação da equipe de pesqui-
sadores e do próprio projeto; na avaliação da rela-
ção risco-benefício; no consentimento informado e 
na avaliação prévia por um Comitê de Ética (Costa, 
1998).
A obtenção de consentimento informado de to-
dos os indivíduos pesquisados é um dever moral do 
pesquisador. O consentimento informado é um meio 
de garantir a voluntariedade dos participantes, isto 
é, é uma busca de preservar a autonomia de todos 
os sujeitos. Desta forma, o consentimento informa-
do deve ser livre e voluntário, pressupondo-se que 
o indivíduo esteja plenamente capaz para exercer a 
sua vontade. A existência de uma relação de depen-
dência pode invalidar o consentimento, neste grupo 
incluem-se os alunos, os militares, os funcionários 
de hospitais, membros de congregações religiosas e 
os presidiários. Nestes casos deve haver um cuidado 
especial para evitar a possibilidade de coerção (Cos-
ta, 1998).
O processo de consentimento informado deve for-
necer informações completas, incluindo os riscos e 
desconfortos, os benefícios e os procedimentos que 
serão executados.
PACIENTE TERMINAL
Chamamos a atenção para o fato de que o traba-
lho em saúde se realiza por meio do ouvir, do olhar 
e do tocar.
Na equipe de saúde, a especificidade do trabalho 
faz com que os profissionais de enfermagem fiquem, 
com mais frequência, mais próximos das dores e fe-
ridas dos seres humanos que buscam alívio por meio 
de nossos serviços.
Se entendermos que faz parte de nosso papel aco-
lher, ficará fácil entender que a acolhida se realiza ou 
não, por meio da maneira como escutamos, olhamos 
e tocamos. Se são especiais nosso olhar e nossa escu-
ta, certamente o nosso toque será mais confortador, 
ficando possível ir além nos sentimentos e nas emo-
ções daqueles que atendemos. Estaremos tocando 
mais que o corpo. A ação realizada por meio de uma 
assistência mais dialogada com o cliente pode trazer-
lhe outras mensagens. Pode levá-lo a refletir sobre as 
mudanças necessárias para sua cura ou restabeleci-
mento (Brasil, 2003).
Vamos pensar nas pessoas que chegam até nós. São 
indivíduos que podem estar doentes nos hospitais, 
ambulatórios ou em casa. Podem, ainda, estar em 
fase de recuperação ou reabilitação. Por vezes, são 
doentes terminais querendo conforto. Podem desejar 
a prevenção de doenças, ou estar buscando informa-
ções sobre saúde.
A forma como nos relacionamos com essas pes-
soas, certamente influencia no resultado da ação de 
saúde. Os que nos procuram têm coisas importantes 
a nos dizer sobre eles mesmos e sobre aquilo que es-
tão sentindo e buscando (Júnior, 2001).
Quando não há a possibilidade de falarem conos-
co, como é o caso de doentes em coma, de crianças, 
ou de certos casos de deficiência física e/ou mental, 
devemos considerar as informações dadas por quem 
os acompanha e estarmos atentos para as possibilida-
des da comunicação não verbal. Muitas vezes, mes-
mo que o doente não esteja tentando se comunicar, 
o seu corpo, por meio da posição que assume, pode 
estar sinalizando uma série de informações valiosas. 
Seu rosto pode estar demonstrando dor, tristeza, des-
conforto, alívio e espera que nós valorizemos aquilo 
que diz e que, assim, realizemos nosso trabalho de 
maneira mais adequada (BRASIL, 2003).
PRECONCEITO
Enquanto enfermeiro você irá conviver com pes-
soas que têm valores morais diferentes dos nossos, 
isto é, pensam e agem de forma diferente da nossa; 
no entanto, isso não pode nem deve definir sua for-
ma de atendimento às pessoas.
A atuação do enfermeiro é realizada com o pro-
pósito de realizar ações de saúdeem benefício de 
quem procura uma assistência e, portanto, não cabe 
a ninguém julgar os atos dos pacientes.
Agindo de acordo com os princípios éticos da 
profissão, portanto, com responsabilidade, sabemos 
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Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
que não nos é permitido criticar atitudes ou gestos de 
quem chega até nós. Temos obrigação de não permitir 
que ninguém o faça. Não cabe a nós, por exemplo, con-
denar ou dar a entender que reprovamos uma mulher 
que tenha procurado assistência com complicações 
resultantes de um aborto, ou fazer insinuações, e até 
perguntas sobre fatos que nada auxiliam na ação que 
vamos realizar. Obviamente, não nos cabe abandoná-
la, ou deixá-la esperando sem tomar atitudes que lhe 
propiciem algum alívio. É sempre bom lembrar que, 
sejam lá quais forem os motivos que levaram uma mu-
lher a provocar um aborto, essa decisão nunca é toma-
da sem conflitos e é um momento de muito sofrimen-
to para a mulher e, por vezes, para quem a acompanha 
(quando ela está acompanhada) (BRASIL, 2003).
Outra situação bastante comum se refere à repro-
vação de adolescentes que estão grávidas. E, nova-
mente, não nos cabe repreendê-las ou tratá-las como 
se fossem nossas filhas ou sobrinhas. Elas não o são. 
E talvez esperem de nós a compreensão que dos seus 
familiares não tiveram. Melhor seria alargar nossa es-
cuta (lembra?), estimular sua autoestima e o cuidado 
consigo mesma durante o período de gravidez.
Outra situação em que o preconceito não pode 
estar presente ocorre quando do atendimento a um 
assassino que acabou de ser baleado. Não nos cabe 
definir se ele merece ou não ser atendido, pois nos 
serviços de saúde todos devem ser atendidos (BRA-
SIL, 2003).
SEGREDO PROFISSIONAL
Nós temos um compromisso com a confidenciali-
dade. Todos os dias vemos e ouvimos coisas que tra-
duzem os sofrimentos e os conflitos mais íntimos das 
pessoas. Não temos o direito de revelar o que vemos 
e ouvimos a quem quer que seja, nem dar ouvidos 
a boatos que podem prejudicar a vida das pessoas, 
sejam elas famosas ou não.
O segredo profissional está regulamentado no 
artigo 29 do Código de Ética dos Profissionais de 
Enfermagem, determinando “manter segredo sobre 
fato sigiloso que tenha conhecimento em razão de 
sua atividade profissional, exceto nos casos previs-
tos em lei”.
SEXUALIDADE
Ao longo dos últimos 15 anos, com o aparecimen-
to da Aids, temos sido levados a refletir sobre nossa 
capacidade de discutir sobre situações que mobili-
zam os tabus mais antigos da humanidade e enfren-
tá-las.
A existência da Aids impôs novos desafios a toda a 
sociedade, colocando em evidência toda a incapaci-
dade dos serviços de saúde para lidar principalmente 
com questões relacionadas à sexualidade (BRASIL, 
2003).
E é claro que isso tinha que acontecer! Pense bem. 
Os serviços de saúde fazem parte de uma sociedade 
que encontra muitas dificuldades em lidar com tabus 
e preconceitos relacionados à sexualidade. Ora, esses 
serviços têm profissionais que pertencem à coletivida-
de. Sendo assim, somos obrigados a enfrentar questões 
que, por vezes, eram ignoradas, ou nunca admitimos 
que existissem, como o homossexualismo, o sexo anal, 
o sexo oral, que eram e continuam sendo, para muitos, 
problemas dos outros (BRASIL, 2003).
É necessário lutar contra a rejeição ao doente de 
Aids e o medo da contaminação. Finalmente come-
çamos a exigir de nós o respeito às normas univer-
sais – elementares – de segurança para acidentes com 
material biológico (BRASIL, 2003).
Tem sido necessário aprender a situar nosso sen-
timento diante de pacientes contaminados. Piedade 
ou desprezo? Amor ou ódio? Afastamento ou apro-
ximação?
A situação não é fácil e, de certa forma, a existência 
da doença Aids tem permitido que os profissionais 
de saúde, mesmo que por caminhos transversos, fa-
lem sobre temas que nunca antes foram considerados 
importantes, como autoestima, prazer, desejo. Hoje, 
mais do que nunca, precisamos aprender a lidar com 
os preconceitos.
ABORTO
Aborto é a interrupção da gravidez que pode ser 
espontânea ou provocada. O aborto espontâneo 
acontece por causas naturais e o provocado acon-
tece por intervenção específica para interromper a 
gestação (BRASIL, 2003).
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AULA 3 — Dilemas Éticos em Enfermagem
No Brasil, em duas situações previstas no CPB (ar-
tigo 198) é permitida a realização do aborto, quando 
a mãe corre risco de vida ou quando a gestação é de-
corrente de estupro.
No artigo 45 do CEPE é vedado aos profissionais 
de enfermagem “provocar aborto, ou cooperar em 
prática destinada a interromper a gestação”. Entre-
tanto, nos casos previstos em Lei, fica a critério do 
profissional de enfermagem a participação no ato 
abortivo.
Nas demais situações, a clandestinidade e a inse-
gurança imperam. O aborto clandestino é prática 
constante e indiscriminada, especialmente nas ca-
madas de baixa renda. Trata-se da terceira causa de 
morte materna no Brasil. Há tempos deixou de ser 
uma questão filosófica: é um grave problema de saú-
de pública. Felizmente, muitos estados brasileiros já 
liberaram quando o feto tem má formação – a ten-
dência é a de que os processos similares, que se ar-
rastam na Justiça, se baseiem na jurisprudência (Jú-
nior, 2001).
Por ser ilegal, o aborto gera muitos problemas: 
as mulheres praticam sem nenhuma informação e 
acabam no hospital com várias complicações – e 
especialmente com medo de serem julgadas. Essas 
mulheres precisam de assistência e não de quem as 
condenem.
EUTANÁSIA
Eutanásia é uma palavra de origem grega que sig-
nifica “morte boa”, sem dor, sofrimento ou angústia. 
Mas, na área de saúde, esse termo tem sido usado 
para qualquer forma de antecipar a morte. A euta-
násia é classificada como ativa (positiva ou direta) e 
passiva (negativa e indireta). A eutanásia ativa trata-
se de uma ação pela qual se põe fim à vida de uma 
pessoa enferma, seja a pedido dela ou a sua revelia 
(BRASIL, 2003).
Na passiva, evita-se a aplicação de uma terapia 
médica com a qual se poderia prolongar a vida da 
pessoa enferma.
O CEPE, em seu artigo 46, proíbe que o pro-
fissional de enfermagem promova ou coopere na 
prática destinada a antecipar a morte do cliente e 
o CPB, em seu artigo 121, considera como homi-
cídio culposo.
 Conclusão
Para melhorar a qualidade da assistência de enfer-
magem, prestada aos pacientes em todos os serviços 
de saúde, a qualificação é uma condição imprescin-
dível, bem como a periódica atualização de conhe-
cimentos e práticas, porque os conhecimentos téc-
nicos e científicos são contínuos e a cada dia novas 
e sofisticadas tecnologias são instaladas nos serviços 
de saúde.
Na área da enfermagem, também, surgem ten-
dências e novas metodologias de trabalho como, por 
exemplo, a internação domiciliar e o atendimento de 
enfermagem domiciliar, que em todos os países do 
mundo, desenvolvidos ou em desenvolvimento, estão 
se impondo como uma melhor forma de se atender 
o paciente, proporcionar economia de leitos hospi-
talares e de recursos financeiros.
Atualmente, não há dúvida de que, na equipe de 
saúde, o enfermeiro é elemento-chave para que as 
ações de saúde cheguem até o paciente e sua família. 
Para corresponder efetivamente ao que os serviços es-
peram de todos os profissionais, o esforço individual 
para uma preparação adequada é fundamental.
Cada um de nós pode entrar nessa história e enri-
quecê-la com o trabalho consciencioso realizado no 
dia a dia, identificando falhas, apontando soluções e 
fazendo sugestões para melhorar os serviços.
Executar ética e tecnicamente as atividades con-
fiadas aos trabalhadores da área de enfermagem não 
significa apenas a satisfação do dever cumprido, 
mas a satisfação de saber-se participante da gran-
de tarefa de colaborar para que todos possamter 
um melhor nível de saúde. Dessa forma, estaremos 
construindo coletivamente uma nova História da 
Enfermagem.
 Atividade
Reúnam-se em grupos e escolham um dos artigos 
disponíveis no Portal, leiam atentamente, elaborem 
uma redação de, no mínimo 40 linhas e discutam 
com os colegas sobre o assunto.
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166
Unidade Didática — O Ser Enfermeiro
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