Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

336
Unidade III
Unidade III
7 TOXICOLOGIA DOS ALIMENTOS E DOS METAIS
Nesta unidade, semearemos o conhecimento da toxicologia dos alimentos. Teremos a oportunidade 
de conhecer ainda melhor como podemos nos expor a substâncias potencialmente tóxicas que estão 
presentes nos alimentos, identificaremos os principais riscos e saberemos como prevenir a intoxicação 
causada por essas substâncias presentes nos alimentos.
Para que estejamos preparados para a colheita dos frutos da informação, também teremos a 
oportunidade de compreender como os praguicidas, intensamente utilizados na agricultura e na 
pecuária, podem trazer riscos de intoxicação a humanos e animais. Teremos, também, a oportunidade 
de caracterizar algumas classes de praguicidas e verificaremos como é possível diagnosticar e tratar as 
intoxicações causadas por essas substâncias.
7.1 Toxicologia dos alimentos
7.1.1 Classificação dos agentes tóxicos presentes nos alimentos
Vamos iniciar agora a parte da toxicologia que estuda os possíveis danos causados ao organismo 
quando se expõe a substâncias químicas presentes nos alimentos: a toxicologia dos alimentos.
Para que tenhamos um visão holística dos contaminantes presentes nos alimentos, alguns autores, 
como Mídio e Martins (2000), classificam os agentes tóxicos da seguinte forma, quando presentes nos 
alimentos: agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos, contaminantes diretos de alimentos 
e contaminantes indiretos de alimentos.
A forma de categorização e denominação que a literatura e as esferas governamentais utilizam para 
se referir aos contaminantes de alimentos não é uníssona. Neste material, a classificação e definição 
de contaminantes dos alimentos são fundamentadas por Mídio e Martins (2000), que nos parece uma 
forma bastante didática de expressar as informações, ainda que seja apenas uma das diferentes formas 
de apresentá-las.
Com relação aos agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos, como a própria 
nomenclatura propõe, a substância química que pode causar dano no organismo faz parte da 
constituição do alimento. Entretanto, quando uma substância química não faz parte do alimento, 
mas em algum momento se torna parte dele durante o processamento, armazenamento, transporte, 
distribuição ou produção, esse agente tóxico é considerado um contaminante direto do alimento.
337
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
A substância química que não é naturalmente presente e também não é aplicada diretamente no 
alimento, mas que é utilizada ou aplicada no vegetal ou animal que dá origem ao alimento e que 
consequentemente esteja presente nesse alimento, é denominada de contaminante indireto.
Também são consideradas contaminantes indiretos do alimento as substâncias químicas que a 
legislação não permite que sejam usadas nas fontes produtoras de alimentos. Existem situações em 
que a utilização de substâncias químicas é permitida, desde que sua presença ou de seus produtos de 
biotransformação esteja no alimento na forma de traços ou resíduos e não ultrapasse o limite máximo 
permitidido (LMP). São exemplos de contaminantes indiretos de alimentos os promotores do crescimento 
animal, os antibióticos e os praguicidas.
Após essa visão geral de uma das maneiras de classificar os agentes tóxicos presentes nos alimentos, 
faz-se necessário conversarmos um pouco sobre a segurança dos alimentos.
7.1.2 Segurança dos alimentos
O Codex Alimentarius, ou o Código Alimentar, é uma das principais referências utilizadas pelas 
autoridades brasileiras para a aprovação da comercialização de produtos alimentícios. Trata-se de um 
conjunto de diretrizes, padrões e códigos criado para que haja a proteção da saúde do consumidor. 
Ele auxilia na promoção de práticas adequadas na comercialização de alimentos e compõe o ponto 
principal do Programa Conjunto de Normas Alimentares da Organização das Nações Unidas para a 
Alimentação e Agricultura (FAO) e da OMS. Sua primeira reunião ocorreu em 1963 e suas diretrizes nos 
trazem alguns importantes conceitos, como veremos agora.
7.1.2.1 Aditivos geralmente reconhecidos como seguros (Gras)
Neste tópico, estudaremos os Gras, ou seja, os aditivos geralmente reconhecidos como seguros.
Exemplo de aplicação
Quando se prepara alguma refeição em sua casa, ao adicionar cloreto de sódio (sal de cozinha) na 
salada, a pessoa que está cozinhando usa luvas especiais para poder pegar o cloreto de sódio e temperar 
a salada? Pesa na balança analítica com quatro casas decimais a quantidade exata de cloreto de sódio 
para adicionar ao alimento?
Imaginamos que não! Mas, nessa linha de raciocínio, vamos a mais uma reflexão.
Exemplo de aplicação
Quais são os danos causados a humanos quando se coloca um pouco de canela no arroz doce ou um 
pouco de cravo no doce de abóbora?
338
Unidade III
Não há dano no organismo humano quando se expõe a esses aditivos alimentares em baixas 
quantidades. Existem alimentos que sabemos que não causam danos ao organismo nas condições em 
que normalmente as pessoas se expõem.
Assim, quando se adiciona uma substância no alimento (aditivo alimentar) e essa substância é 
adequadamente segura nas condições de uso, ela é conhecida como “segura” e se utiliza o acrônimo Gras 
(generally recognized as safe) para identificá-la. As condições seguras de exposição são fundamentadas 
na experiência do uso comum das substâncias ou caracterizadas por métodos científicos. O sal de 
cozinha, o cravo-da-índia e a canela são alguns exemplos de aditivos classificados como Gras, e para 
eles não existe ingestão diária aceitável (IDA), ou seja, não há quantidade máxima que possa ser utilizada 
no alimento, diferentemente dos edulcorantes artificiais (ABDALLAH, 2002).
7.1.2.2 Ingestão diária aceitável (IDA)
Segundo o programa conjunto FAO/OMS para padrões alimentares, a IDA é uma estimativa da 
quantidade de uma substância química na água potável ou nos alimentos que pode ser ingerida 
diariamente, ao longo da vida, sem considerável risco de intoxicação, sendo expressa com base no peso 
corporal, cujo padrão humano é de 60 kg e é listado em unidades de miligrama (mg) da substância 
química por quilo (kg) de peso corpóreo (mg.kg-1) (JOINT FAO/WHO EXPERT COMMITTEE ON FOOD 
ADDITIVES, 2016).
7.1.2.3 Limite máximo de resíduos (LMR)
Há outros parâmetros importantes na toxicologia de alimentos que devem ser observados, 
como o limite máximo de resíduos (LMR). Segundo a Anvisa (2016), “limite máximo de resíduos é a 
quantidade máxima de resíduos de agrotóxicos ou afins – oficialmente permitida no alimento – em 
decorrência da aplicação em uma cultura agrícola, expresso em miligramas do agrotóxico por quilo 
do alimento (mg.kg-1)”.
Feita a apresentação sobre alguns importantes conceitos utilizados na segurança dos alimentos, 
vamos conhecer um pouco mais sobre os riscos da exposição às substâncias químicas naturalmente 
presentes neles.
7.1.3 Agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos
7.1.3.1 Introdução
Em vários momentos neste material, tivemos a oportunidade de reconhecer que humanos e 
animais se intoxicaram pela exposição aos vegetais. De forma sucinta, recordamos que havia um 
imperador que tinha um jardim botânico com plantas tóxicas, que beber suco de plantas tóxicas era 
a forma de execução na antiga Grécia, que reis, rainhas e celebridades foram mortos por substâncias 
químicas extraídas de plantas e que essas mesmas substâncias também eram colocadas na ponta de 
flechas para caçar.
339
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
O significado maior dessas informações se associa ao fato de que pode haver substâncias químicas 
presentes nos vegetais que podem causar danos ao referencial biológico, dependendo das condições 
de exposição.
 Lembrete
Toda substância química pode ser considerada um agente tóxico, 
dependendo das condições de exposição.
Você já parou para pensar que grande parte de nosso alimento é de origem vegetal e que alguns 
desses alimentos também podem causar intoxicação em humanos ouanimais? Sim, é verdade!
Imaginamos que você já tenha ouvido falar que a mandioca brava ou amarga é “venenosa”, não é? 
É isso mesmo! Dependendo das condições de exposição (iremos contextualizar posteriormente, neste 
tópico), a exposição à mandioca amarga pode, sim, romper a homeostase e causar danos a animais 
ou a humanos.
Mas já parou para pensar na composição dos alimentos como um todo? Vamos analisar a seguir, de 
forma geral, como pode ser constituído um alimento de origem vegetal.
Ao nos expor a alimentos, esperamos obter nutrientes que sejam fundamentais para o funcionamento 
do nosso organismo. Você também parou para pensar que o vegetal, ou seja, o alimento, não é constituído 
apenas por nutrientes?
Segundo Mídio e Martins (2000), o alimento de origem vegetal é constituído de substâncias que 
apresentam propriedades nutrientes, não nutrientes e até mesmo antinutrientes.
Há substâncias químicas presentes no alimento vegetal que são aproveitadas apenas pelo vegetal, 
sem representar alguma funcionalidade para humanos ou animais. São substâncias responsáveis, por 
exemplo, pela sustentação ou vascularização do vegetal e não nos apresentam finalidade alguma. 
Na verdade, essas substâncias são as prevalentes no vegetal.
Um exemplo de substância antinutriente é a tripsina, encontrada na soja e no feijão. Começamos 
assim a observar que, em alimentos, pode haver centenas de diferentes substâncias químicas (veja a 
tabela a seguir), com diferentes funções para o vegetal, os humanos e animais.
Tabela 11 – Quantidade de não nutrientes no alimento
Alimento Número de substâncias não nutrientes no alimento
Queijo cheddar 160
Suco de laranja 250
Banana 325
340
Unidade III
Alimento Número de substâncias não nutrientes no alimento
Tomate 350
Vinho 475
Café 625 
Adaptada de: Klaassen et al. (2001).
Também pode haver substâncias presentes nos alimentos que, dependendo das condições de 
exposição, podem causar danos ao referencial biológico, e, nesse momento, essas substâncias compõem 
o cerne de nosso estudo: os agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos.
7.1.3.2 Glicosídeos cianogênicos
Vamos entender como podemos estar expostos a esse grupo de substâncias tóxicas.
Um produto conhecido por multimistura (MM) é utilizado em algumas regiões do Brasil, estimulado 
pela Pastoral da Criança, uma organização não governamental (ONG), para que sejam disponibilizados 
nutrientes para crianças carentes. Esse preparado é feito a partir de folhas verdes escuras, como couve, 
mandioca, batata-doce e espinafre, e de sementes como a da abóbora, da soja e do girassol, e o preparo 
desse suplemento alimentar é transformado em pó (HELBIG; BUCHWEITZ; GIGANTE, 2008).
Sabe aonde queremos chegar ao trazer a você a MM? Essa composição pode ser uma importante 
fonte de substâncias antinutricionais, como oxalatos e fitatos, com consequente comprometimento na 
absorção de nutrientes, a despeito de ser um preparado com o objetivo de enriquecer a alimentação 
de pessoas socialmente desfavorecidas, e ainda pode conter o ácido cianídrico (HCN), proveniente do 
processamento incorreto da folha de mandioca-amarga.
 Observação
Pessoas que apresentam dieta pobre em vitamina B12 e em aminoácidos 
com grande quantidade de enxofre são mais vulneráveis à contaminação 
pelo ácido cianídrico.
Animais também são passivos à exposição a alimentos contendo glicosídeos cianogênicos e, 
dependendo das condições de exposição, podem se intoxicar. Bovinos podem se intoxicar por Piptadenia 
macrocarpa, que contém glicosídeos cianogênicos em suas folhas, com teores mais elevados durante 
sua fase de brotação, a qual ocorre em outubro, em comparação com suas folhas maduras, que 
ocorre em março.
Assim, a fase de desenvolvimento do vegetal interfere diretamente nas concentrações presentes de 
glicosídeos cianogênicos, fato que se observa com outros agentes tóxicos naturalmente presentes nos 
341
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
alimentos, como a α-solanina, glicoalcaloide presente em maiores concentrações em partes da batata 
com elevada atividade metabólica.
Outras espécies de vegetais também podem concentrar glicosídeo cianogênico e consequentemente 
podem intoxicar de forma aguda bovinos, como folhas de Holocalyx glaziovii, Manihot glaziovii, 
Piptadenia spp., Piptadenia viridiflora e Piptadenia macrocarpa (TOKARNIA et al., 2012).
Exemplo de aplicação
Gostaríamos que refletisse um pouco e nos trouxesse o que você entende por glicosídeo e glicosídeo 
cianogênico e a sua relação com o ácido cianídrico.
 Observação
Glicosídeos são substâncias que apresentam em sua estrutura química 
um açúcar e uma porção não açúcar, denominado de aglicona ou genina.
A aglicona, nos glicosídeos cianogênicos, pode dar origem ao HCN, caso sejam hidrolisados. Caso 
não haja a hidrólise do glicosídeo cianogênico, não há a liberação da aglicona e, consequentemente, não 
há a formação do ácido cianídrico.
Cerca de 2.000 espécies vegetais contêm glicosídeos cianogênicos. Um exemplo é o angico preto, 
distribuído na região Nordeste do país. Temporais podem derrubar seus galhos, e essas árvores também 
podem ser derrubadas pelo homem. Depois disso, o gado ingere as folhas quentes e murchas dessa 
planta e se intoxica com o HCN (AMORIM; MEDEIROS; RIET-CORREA, 2006).
Condições de hidrólise dos glicosídeos cianogênicos
Para que haja intoxicação pelos glicosídeos cianogênicos, há a necessidade de hidrólise. Apenas após 
a efetiva hidrólise é que ocorre a liberação da aglicona e ela se transforma em HCN.
 Observação
Sem a hidrólise do glicosídeo cianogênico, não há intoxicação.
O HCN é popularmente chamado de cianeto ou cianureto. Entretanto, ressalta-se que para que haja 
intoxicação o cianeto deve estar na forma molecular. Assim, ainda que não se fale da forma correta, 
sobretudo quando há informações trocadas por leigos, deve-se entender que a substância que age no 
organismo, inibe a fosforilação oxidativa e causa o dano é o ácido cianídrico em sua forma molecular, 
ou seja, o HCN.
342
Unidade III
A hidrólise dos glicosídeos cianogênicos pode ocorrer em três diferentes situações, segundo Mídio 
e Martins (2000).
• Meio com baixo pH: quando há a exposição pelo trato digestório, em função do baixo pH do suco 
gástrico, ocorre a hidrólise do glicosídeo cianogênico, com a liberação da aglicona e consequente 
formação do HCN.
Dentro desse contexto, entendemos que, caso não haja a exposição por essa via, não há a interação 
entre o glicosídeo cianogênio e o suco gástrico; consequentemente, não ocorre a hidrólise do glicosídeo 
cianogênico condicionada ao baixo pH do meio.
• β-glicosidases: essas enzimas são produzidas pela microbiota. Assim, caso o glicosídeo 
cianogênico não seja hidrolisado pelo suco gástrico, possivelmente será no intestino.
• Glicosidases específicas: dependendo do alimento, pode haver a presença de enzimas no próprio 
vegetal que normalmente não interagem diretamente com os glicosídeos cianogênicos. Entretanto, 
caso haja essa interação, são capazes de catalisar a hidrólise dos glicosídeos cianogênicos, liberar 
a aglicona e levar à formação do HCN.
Exemplo de aplicação
Gostaríamos que fizesse mais uma reflexão: se as glicosidases específicas estão presentes no 
alimento, por que não interagem com os glicosídeos cianogênicos e, consequentemente, não liberam o 
ácido cianídrico normalmente?
Como exposto, as glicosidases específicas são enzimas capazes de hidrolisar os glicosídeos 
cianogênicos, que podem estar em tecidos diferentes daqueles onde os glicosídeos se localizam, 
podem estar em compartimentos diferentes dentro do mesmo tecido ou, ainda, podem estar 
presentes na mesma célula e no mesmo compartimento intracelular, mas não atuam por ação de 
inibidores endógenos.
Entretanto, caso seja feito um suco de maçã e se triture a polpa do fruto com suas sementes, 
provavelmente haverá a interação entre os glicosídeos cianogênicos presentes nas sementes das maçãs 
e as glicosidases específicas,que os hidrolisará, e haverá a liberação da cianidrina, como a aglicona, que 
formará o HCN.
 Observação
A quantidade de HCN liberado pelas sementes de algumas maçãs é 
insuficiente para causar efeito agudo em humanos adultos. Ainda assim, 
merece cuidado a criança de alguns meses de vida, que eventualmente 
se exponha a esse suco preparado dessa forma, ou a exposição 
crônica por adultos
343
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Observe que há situações em que ocorre a ruptura da estrutura celular da raiz do vegetal, como 
da Manihot glaziovii, e ocorre a liberação da linamarase, uma das enzimas capazes de hidrolisar os 
glicosídeos cianogênicos. Com isso, ocorre a hidrólise, a liberação do HCN, cuja exposição por via oral, 
ou até mesmo pela inalação, pode levar a casos de intoxicação aguda.
Toxicodinâmica do ácido cianídrico
Como visto em detalhe anteriormente, o HCN inibe o processo de fosforilação oxidativa e leva o 
organismo ao colapso, por não produzir energia (ATP). A asfixia tissular resultante da anóxia histotóxica 
faz com que o sangue apresente uma coloração vermelho-brilhante, uma vez que a oxihemoglobina 
(HbO2) não libera o oxigênio para a transferência eletrônica mitocondrial.
Sinais e sintomas de intoxicação pela exposição aos glicosídeos cianogênicos
Os sinais e sintomas de intoxicação se instalam rapidamente em humanos e mesmo em animais de 
grande porte (veja a figura a seguir) após a exposição a alimentos ou plantas que contêm glicosídeos 
cianogênicos (AMORIM; MEDEIROS; RIET-CORREA, 2005).
Figura 145 – Marcante dificuldade respiratória e membros 
abertos de caprino intoxicado pelo HCN
Mesmo durante a ingestão do vegetal, o organismo começa a apresentar sialorreia e dificuldade 
respiratória, com respiração rápida e curta, as mucosas tornam-se cianóticas com aumento da frequência 
cardíaca e opistótono, e o animal ou humano chega a cair. Em um segundo momento, mas pouco tempo 
após a apresentação da sintomatologia da intoxicação, a dispneia acentuada precede o coma. A morte 
pode ocorrer minutos após o início da exposição e ocorre pela parada respiratória (AMORIM; MEDEIROS; 
RIET-CORREA, 2006).
344
Unidade III
Tratamento da intoxicação pelo ácido cianídrico
O tratamento da intoxicação pelo HCN que apresentaremos a seguir é utilizado independentemente 
da fonte de exposição desse agente tóxico: alimento, vazamento de um container, inalação acidental do 
gás, entre outros.
Há alguns protocolos de tratamento quando ocorre a intoxicação pelo ácido cianídrico.
 Observação
Sugerimos que revise a toxicodinâmica do ácido cianídrico em detalhes 
para que compreenda com maior facilidade a informação a seguir.
Alguns minutos após a exposição a alimentos contendo glicosídeos cianogênicos já são suficientes 
para que haja a manifestação dos sinais e sintomas de intoxicação, e o tratamento precisa ser rápido, 
dependendo da quantidade de glicosídeo cianogênico ao qual o organismo se expôs.
 Observação
O tratamento da intoxicação pelo ácido cianídrico demonstra uma 
incrível dicotomia. Preste atenção na explicação a seguir.
Uma das formas de tratamento é a administração de nitrito de sódio (NaNO2) (EV). Como vimos 
anteriormente, essa substância química é um agente metemoglobinizante. Em um primeiro momento, 
parece um contrassenso administrar essa substância em uma circunstância como essa, uma vez que 
a fosforilação oxidativa está sendo inibida, ou seja, com esse tratamento, chegará uma quantidade 
ainda menor de oxigênio às células, já que a metemoglobina (MeHb) é incapaz de carrear oxigênio para 
tecidos remotos.
Entretanto, o recorte que se faz nesse momento é que o HCN possui mais afinidade à MeHb que o 
HCN em relação à citocromo oxidase que está sendo inibida pelo HCN na mitocôndria. Dessa forma, 
quando se metemoglobiniza o paciente, a MeHb retira o cianeto que está inibindo o processo de 
fosforilação oxidativa mitocondrial.
Resolve-se um problema e cria-se outro: a inibição enzimática é revertida e restaura-se a 
transferência eletrônica mitocondrial, mas a fosforilação oxidativa ainda não é restaurada, por não 
haver oxigênio nas células, ou por que seus teores estão baixos, uma vez que o transporte de oxigênio 
molecular que seria realizado pela hemoglobina não ocorre, por esta se encontrar metemoglobinizada.
Nesse momento, o sangue do paciente ou do animal apresenta um pigmento denominado 
cianometemoglobina (CNMeHb). Esse procedimento, realmente, não é fácil de ser compreendido e 
345
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
muito menos de ser realizado. Vamos seguir em frente, ou melhor, vamos dar um passo para trás, para 
retomar uma passagem, e já vamos evoluir no raciocínio.
Por que o organismo está metemoglobinizado? Porque se administrou o nitrito de sódio.
Por que se administrou o nitrito de sódio? Para metemoglobinizar.
Para que se metemoglobiniza o organismo?
Volte alguns parágrafos e releia com calma: a MeHb tem afinidade com o cianeto e o retira da 
inibição enzimática que está acontecendo na mitocôndria.
Agora, a MeHb interage com o HCN que estava na mitocôndria e forma esse pigmento 
denominado de CNMeHb.
Observe a continuidade do tratamento da intoxicação.
Se a MeHb é um problema importante para o organismo, caso a MeHb esteja ligada ao cianeto 
(CNMeHb), a situação fica ainda mais crítica, uma vez que o oxigênio precisa ser transportado para 
tecidos remotos, distantes do local de absorção do oxigênio, mas não conseguirá dessa forma.
Temos um importante problema toxicológico para equacionar. O que fazer agora?
Para resolver esse problema, administra-se o tiossulfato de sódio (EV). Essa substância doará enxofre 
para a CNMeHb e, por consequência, dará origem ao tiocianeto (SCN) e à MeHb.
O SCN possui importância na exposição crônica, como veremos a seguir, mas não na exposição 
aguda. Assim, prioriza-se o tratamento da intoxicação pela MeHb.
Vamos fazer uma breve recapitulação antes de prosseguirmos com o tratamento?
Exemplo de aplicação
Problema inicial: o HCN bloqueia a transferência de elétrons na mitocôndria.
Resolução do problema: administra-se NaNO2 (EV), que irá metemoglobinizar o organismo e a MeHb 
formada, assim como remover o ácido cianídrico que está bloqueando o sistema enzimático.
Problema gerado: forma-se a CNMeHb (HCN que foi retirado + MeHb formada).
Resolução do problema: administra-se tiossulfato de sódio (EV).
Problema gerado: a CNMeHb se transforma em metemoglobina.
346
Unidade III
Acompanhou o raciocínio? 
Lembre-se: o paciente precisa de cuidado urgente. O que se faz agora?
 Lembrete
Você se recorda da diaforase II? É agora que ela entra em ação.
Administra-se o azul de metileno (EV), que é um carreador exógeno de elétrons. O azul de metileno, 
ao doar elétrons, induz redução da MeHb a HbO2, ou seja, o ferro férrico (Fe
3+) presente nos anéis 
pirrólicos do grupamento heme ganha elétron e é reduzido a ferro ferroso (Fe2+). Assim, a MeHb se 
transforma em HbO2, restaurando a fosforilação oxidativa e o aporte de oxigênio aos tecidos remotos. 
Uma vez que a citocromo oxidase não mais estará inibida, haverá oxigênio para receber elétrons na 
mitocôndria, levando à formação do ATP com subsequente produção de energia para o organismo.
Você percebeu como o tratamento desse tipo de intoxicação é bastante complexo? O cuidado não 
para por aí: preste atenção no parágrafo a seguir.
Sabemos que o azul de metileno é um agente redutor para a MeHb. Entretanto, seu excesso atua 
como agente metemoglobinizante. Caso o tratamento da intoxicação aguda pelo HCN seja realizado 
por profissionais sem a expertise necessária, a dose administrada de azul de metileno pode ser o agente 
responsável pela metemoglonização do paciente e levá-lo à morte.
7.1.3.3 Glicosídeos tiocianogênicos
Os glicosídeos tiocianogênicos também são conhecidos como glicosinolatos ou tioglicosídeos. 
São compostos que conferem o sabor mais “picante” do alimento, principalmente de condimentos como 
a mostarda, e que também estãopresentes no nabo, couve-flor, couve, brócolis e repolho. Brassicaceae 
é uma das principais famílias de alimentos que contêm os glicosinolatos, os quais podem estar em 
praticamente todas as partes da planta, como folhas, caule, sementes e raiz.
A mirosinase ou tioglicosidase são diferentes nomes para a mesma enzima presente no citosol de 
células vegetais e no intestino de ratos e humanos, que é capaz de hidrolisar os glicosinolatos.
Os glicosídeos tiocianogênicos estão localizados nos vacúolos. Dessa forma, não há a hidrólise dos 
glicosinolatos caso o vegetal esteja íntegro, diferentemente de sementes em estado de germinação, 
quando ocorre a pronta hidrólise desse glicosídeo (MÍDIO; MARTINS, 2000).
347
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
Sem a hidrólise dos glicosinolatos, não há a manifestação dos 
efeitos tóxicos.
Dessa forma, quando o vegetal é submetido à trituração, à maceração ou ao cozimento, há o contato 
entre o glicosídeo tiocianogênico e as enzimas, e ocorre a hidrólise enzimática, com consequente 
liberação do açúcar e da aglicona, que é instável. Nesse momento, já houve a hidrólise do glicosídeo 
tiocianogênio, e o que nos importa agora é a aglicona liberada pela hidrólise.
 Observação
Gostaríamos que você se atentasse à origem do tiocianato: essa 
substância é responsável pela atividade goitrogênica.
Quando presente em um meio alcalino ou neutro, a aglicona se decompõe a isotiocianato, 
e, na presença de ferro ferroso ou em meio ácido, a aglicona formada pela hidrólise do glicosídeo 
tiocianogênico dá origem a sulfato inorgânico, enxofre elementar e nitrila.
 Observação
Os produtos de hidrólise dos glicosídeos tiocianogênicos, como 
o isotiocianato e as nitrilas, são responsáveis pelo sabor e aroma de 
algumas Brassicaceae.
Como o isotiocianato é instável em pH alcalino ou neutro, quando se encontra em meios com essa 
faixa de pH, origina os tiocianatos orgânicos.
Agora, providos dessas informações, temos condição de compreender que, a partir da hidrólise 
dos glicosídeos tiocianogênicos, são liberadas substâncias químicas denominadas goitrogênicas ou 
bociogênicas, descritas a seguir.
• Isotiocianato: substâncias químicas como o aliltiocianato, presente em alimentos como o azeite 
de mostarda, e o isotiocianato são transformadas em tiocianato e apresentam propriedades 
bociogênicas, sobretudo em dietas pobres em iodo (MÍDIO; MARTINS, 2000).
• Tiocianato: o tiocianato, em uma exposição aguda, não apresenta muita importância toxicológica. 
Entretanto, na exposição crônica, o tiocianato é relevante, à medida que inibe a incorporação de 
iodo pelos hormônios tireoidianos e leva ao bócio, em última instância.
348
Unidade III
Para que você tenha dimensão de como essas informações impactam no dia a dia das pessoas e 
podem efetivamente causar danos ao organismo humano e de animais, há algumas regiões da Europa, 
como na Eslováquia e na República Tcheca, em que há significativa prevalência de bócio pela exposição 
crônica a elevados teores de tiocianato presentes em Brassicaceae, popularmente chamadas de vegetais 
florais, como brócolis, couve, rabanete, rúcula, agrião, acelga, couve-flor e repolho.
 Lembrete
Toda substância pode ser considerada um agente tóxico, dependendo 
das condições de exposição.
(s)-5-vinil oxazolidina-2-tiona (S-5-vinil OZT)
A substância química 2-hidroxi-3-butenilglicosinolato, também conhecida por pró-goitrina quando 
hidrolisada, dá origem à (s)-5-vinil oxazolidina-2-tiona, denominada de goitrina (MÍDIO; MARTINS, 2000).
 Observação
O termo “goitrina” advém de “goiter”, que significa bócio, ou seja, é uma 
substância goitrogênica ou bociogênica.
A goitrina impede a incorporação do iodo pelos hormônios tireoidianos e, consequentemente, esses 
hormônios não são formados. Nessa perspectiva, por feedback negativo, há a informação para que haja 
maior produção e liberação de hormônio tireoestimulante (TSH) pela adenohipófise, para estimular a 
produção de tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3). Como esses hormônios não são formados por conta 
do iodo não ser incorporado a eles, a tireoide fica sempre sendo estimulada, mas sem efetividade. 
Esse fenômeno leva ao bócio.
7.1.3.4 Glicoalcaloides
A batata (Solanun tuberosum L.) contém glicoalcaloides como solanidina, solanidona, espirosolanos, 
α-chaconina e α-solanina. Esses dois últimos representam cerca de 95% de todos os glicoalcaloides 
presentes nesse tubérculo, possivelmente para conferir ao vegetal proteção contra microrganismos e 
insetos. A maior quantidade de α-solanina e α-chaconina é encontrada em locais de elevada atividade 
metabólica, como brotos, e imediatamente abaixo da casca (quando ainda verde) do tubérculo. Quando 
há um estresse na batata, como um dano por ter batido em alguma superfície, por exemplo, há grande 
depósito desses glicoalcaloides (MÍDIO; MARTINS, 2000).
Você já teve a oportunidade de comer casca frita de batata ou batata frita com casca?
Quem teve a oportunidade sabe que tem um sabor mais “picante” ou amargo e que pode gerar uma 
sensação de ardor na boca ou garganta: são os glicoalcaloides que dão essa sensação.
349
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
Viu como a toxicologia também nos auxilia na compreensão de alguns 
fenômenos até então incompreensíveis? É a construção do conhecimento.
A quantidade de glicoalcaloides no alimento pode variar significativamente em função da umidade, 
do tipo de solo, da variação genética, da forma como é armazenada e dos praguicidas que são utilizados 
no cultivo, além da poluição atmosférica.
Ainda que raro de acontecer, mas não impossível, a exposição a teor de 380 mg/kg a 450 mg/kg de 
α-solanina na batata pode ser fatal para humanos, e a α-chaconina é teratogênica para hamsters e 
camundongos.
Será que submeter a batata a elevadas temperaturas reduz a toxicidade dos glicoalcaloides presentes 
nesses tubérculos?
Submeter o alimento a elevadas temperaturas pode, efetivamente, prevenir possíveis danos ao 
organismo humano, mas também há situações em que fazer isso parece ser um procedimento sem 
efeito, uma vez que o cozimento das batatas não é capaz de reduzir a concentração dos glicoalcaloides 
no alimento. Não adianta levar o alimento ao micro-ondas, assá-lo, fervê-lo ou submetê-lo à fritura 
porque os teores de glicoalcaloides não serão reduzidos: essas substâncias são termoresistentes.
Há situações em que submeter o alimento a elevadas temperaturas pode, inclusive, aumentar o risco 
de intoxicação, como veremos adiante.
7.1.3.5 Oxalatos
O ácido oxálico está presente em raízes como a beterraba, sementes e grãos de cereais, castanhas, 
leguminosas como o feijão, alface, cenoura, chá e cacau e atua na proteção desses vegetais. A ingesta 
de oxalato é praticamente inevitável, uma vez que está naturalmente presente nos alimentos.
Nos alimentos, o ácido oxálico pode formar oxalatos insolúveis, como o oxalato de cálcio, ou 
solúveis, como os de sódio e de potássio, dependendo da interação com íons presentes nos alimentos 
(GORDIANO et al., 2014).
 Observação
Observe a influência da temperatura na toxicidade das substâncias 
químicas presentes nos alimentos novamente.
350
Unidade III
A elevada temperatura elimina os oxalatos solúveis dos alimentos, mas não os insolúveis, que 
permanecem no vegetal praticamente íntegros.
A exposição crônica aos oxalatos pode levar a algumas situações importantes do ponto de vista 
toxicológico. O pH intestinal parece favorecer a ligação dos oxalatos com o cálcio e, consequentemente, 
a absorção do cálcio pode ser comprometida e levar à hipocalcemia, tendo como consequência um 
quadro de acentuação da osteoporose, do raquitismo e da hipocalcemia.
A hipocalcemia também pode levar a parestesia de extremidade dos membros, espasmos musculares, 
câimbras intensas, náusea, vômito, sudorese, cólicas abdominais, asma, dificuldade de realização de 
movimentos pela musculatura esquelética, irritabilidade do SNC, fibrilação e convulsão. Os oxalatosde cálcio formados podem gerar supressão da urina, hematúria e cálculos renais, caso sejam depositados 
na bexiga urinária e ureteres.
A intoxicação aguda ocorre pela exposição de ao menos 1 g de oxalato por dia e é caracterizada por 
náusea, vômito, dor, queimação e irritação gástricas.
7.1.3.6 Alcaloides pirrolizidínicos
Os alcaloides pirrolizidínicos podem intoxicar humanos e herbívoros e estão presentes em mais 
de 6.000 diferentes espécies vegetais, sendo que espécies dos gêneros Crotalaria, Echium, Senecio e 
Heliotropium são as maiores responsáveis por essas intoxicações.
Quadro 23 – Algumas espécies de vegetais comuns no Brasil, 
que contêm alcaloides pirrolizidínicos
Espécie Nome popular
Senecio brasiliensis (Spreng.) Less. (Asteraceae) Maria-mole, flor-das-almas
Eupatorium laevigatum Lam. (Asteraceae) Mata-pasto
Heliotropium indicum L. (Boraginaceae) Crista-de-galo
Heliotropium transalpinum Vell. (Boraginaceae) Bico-de-corvo
Symphytum officinale L. (Boraginaceae) Confrei
Adaptado de: Bieski et al. (2015) e Lucena et al. (2010).
Algumas pessoas utilizam espécies de Crotalaria para revestir e proteger o solo contra a erosão, mas 
suas sementes podem germinar e competir pelo espaço com plantas ou até mesmo durante a colheita, 
quando sementes de Crotalaria spp. podem ser coletadas juntamente a outros grãos e a pessoa ou 
animal pode se contaminar ao ingerir esses grãos.
Lucena et al. (2010) demonstraram que a exposição crônica a Senecio sp. e a C. retusa, espécies que 
contêm alcaloides pirrolizidínicos, é a principal causa da morte de bovinos e equinos nos estados do Rio 
Grande do Sul e no semiárido brasileiro, respectivamente.
351
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Saiba mais
Sugerimos que você leia o artigo:
LUCENA, R. B. et al. Intoxicação por alcaloides pirrolizidínicos em 
ruminantes e equinos no Brasil. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 5, 
p. 447-452, 2010.
As plantas tóxicas que mais frequentemente produzem agravos à saúde de humanos, do 
gado e de animais selvagens são, provavelmente, aquelas que contêm alcaloides pirrolizidínicos. 
Segundo Honório Júnior et al. (2010), os alcaloides pirrolizidínicos podem causar danos ao pulmão, 
rins e coração e são potencialmente carcinogênicos. A biotransformação da monocrotalina, 
principal alcaloide pirrolizidínico, pela ação da oxidase de função mista presente no fígado gera 
metabólitos ativos tipo pirrólicos, extremamente reativos e capazes de interagir covalentemente 
com macromoléculas nucleofílicas (HONÓRIO JÚNIOR et al., 2010).
Agora que vimos alguns agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos, vamos avançar na 
matéria e entrar em um novo assunto: os contaminantes diretos de alimentos.
7.1.3.7 Nitratos e nitritos
No ambiente, o nitrato (NO3
-) é formado por meio de uma sequência de reações de oxidação, em 
que o amônio (NH4
+) é oxidado a nitrito (NO2
-) pelas bactérias nitrosomonas e as nitrobactérias oxidam 
o NO2
- a NO3
-, segundo as equações a seguir (MÍDIO; MARTINS, 2000):
2NH4
+ + 2OH- + 3O2
- ↔ 2NO2
- + 2H+ + 4H2O
2NO2
- + O2 ↔ 2NO3
-
Dependendo de algumas condições como a temperatura, os alimentos de origem vegetal podem 
concentrar NO2
- e NO3
-.
Em uma perspectiva maior, o organismo humano apresenta dois riscos pela exposição aos NO2
- e 
NO3
-. O primeiro associa-se aos riscos de intoxicação aguda em crianças de até seis meses de idade, e o 
segundo está associado à exposição crônica de adultos.
Nesse momento, você já possui elementos para compreender por que as crianças de até seis meses 
de vida são vulneráveis a agentes metemoglonizantes, não é?
352
Unidade III
Riscos toxicológicos na exposição aguda aos nitratos e nitritos
A exposição a alimentos que tenham significativo teor de NO2
- e NO3
- naturalmente presentes no 
alimento, adicionados intencionalmente ou até mesmo presentes na água, pode metemoglobinizar 
crianças nessa faixa etária.
 Observação
O raciocínio utilizado para os mecanismos de ação dos nitritos e nitratos 
é o mesmo, independentemente de estarem naturalmente presentes nos 
alimentos ou se adicionados intencionalmente a eles.
Uma situação que pode acontecer, sobretudo na zona rural das cidades, é que, ao chover, fertilizantes 
podem ser lixiviados do solo para a água de poço, e o nitrogênio presente nesses fertilizantes pode ser 
oxidado, ficando disponível na água. Ao preparar um chá com água de poço ou mesmo servir água à 
criança, pode haver exposição a elevados teores de NO2
- e NO3
- e, consequentemente, a criança pode 
ser metemoglobinizada.
 Lembrete
Como vimos anteriormente, as crianças de até seis meses de idade 
produzem baixos teores de um dos principais sistemas redutores 
humanos, a diaforase I.
Adultos, diferentemente das crianças de zero a seis meses de idade, conseguem produzir quantidade 
de diaforase I suficiente para que não sejam metemoglonizados, normalmente.
Um dos maiores cuidados que se deve ter para a metemoglobinização de adultos é na exposição 
ocupacional, quando se trabalha com agentes metemoglobinizantes como anilina, dapsona, nitrobenzeno 
e trinitrotolueno ou quando o organismo apresenta deficiência hereditária da glicose-6-fosfato 
desidrogenase (G6PD).
7.1.4 Contaminantes diretos de alimentos
Vimos até agora que o agente tóxico pode fazer parte do vegetal, ou seja, estar naturalmente 
presente. Entretanto, durante o armazenamento de um alimento pode ocorrer uma contaminação 
fúngica, e, caso esse fungo produza uma toxina como produto de metabolismo secundário, o fungo e a 
toxina são considerados contaminantes diretos dos alimentos. O aditivos intencionais, metais, compostos 
N-nitrosos e micotoxinas também podem ser classificados dessa forma.
353
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Lembrete
Além do processo de armazenamento, durante a produção, a 
distribuição, o transporte ou o processamento pode haver a contaminação 
do alimento.
7.1.4.1 Compostos N-nitrosos
Vimos os aspectos toxicológicos da exposição aguda aos nitritos e nitratos na parte da matéria que 
envolvia os agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos. Agora, iremos trabalhar as mesmas 
substâncias químicas, mas com abordagem na exposição crônica para adultos, principalmente porque 
são substâncias químicas adicionadas nos alimentos intencionalmente. Entretanto, o raciocínio geral 
sobre o mecanismo de ação para os NO2
- e NO3
- na exposição aguda ou crônica independe se estão 
presentes naturalmente nos alimentos ou se foram adicionados intencionalmente.
Vamos agora ver quais são os danos que o NO3
- e o NO2, naturalmente presentes ou adicionados 
intencionalmente nos alimentos, podem causar no organismo humano, na exposição crônica.
Riscos toxicológicos na exposição crônica aos NO2
- e NO3
-
Adultos se expõem cronicamente aos sais de NO2
- e NO3
- presentes na água e em alimentos naturais 
ou processados: é impossível não nos expormos cronicamente a eles.
 Observação
Você se recorda da influência da temperatura na toxicidade 
das substâncias químicas presentes nos alimentos? Preste atenção: 
teremos novidade!
Meios de baixo pH ou elevadas temperaturas podem oxidar esses sais a anidrido nitroso (N2O3), 
considerado um agente nitrosante. Mas em quais momentos pode ocorrer essa oxidação? Vamos ver 
uma dessas situações agora.
Observe: quando uma pessoa come um cachorro-quente, por exemplo, pode acontecer de um resíduo 
da salsicha ficar retido no espaço interdental e, eventualmente, essa pessoa não conseguir realizar a 
higienização oral imediatamente após a refeição. Você normalmente come um cachorro-quente sem 
beber nada ou tomando algo, como um suco ou refrigerante?
A indústria de alimentos utiliza amplamente NO3
- e NO2
- com os objetivos de conservar os alimentos 
e realçar suas propriedades organolépticas. A conservação dos alimentos está fundamentada na adição 
intencional de sais de potássio (K+) e de Na+ para prevenir a proliferação de microrganismos, sobretudo 
354
Unidade IIIdo Clostridium botulinum, bactéria produtora da toxina botulínica, e de propriedades organolépticas. 
Esses sais melhoram o aspecto visual do alimento, realçam o sabor, conferem textura e cores interessantes 
aos alimentos e evitam o estufamento de queijos.
Quer pelo refrigerante ou pelo suco, o pH do meio (boca) será reduzido, e os sais de nitrogênio 
presentes no alimento que eventualmente ficarem retidos entre os dentes, próximo à gengiva, poderão 
dar origem ao anidrido nitroso ou trióxido de dinitrogênio (N2O3). Essa substância é capaz de interagir 
com proteínas ou aminoácidos presentes na carne da salsicha, linguiça ou outros alimentos processados, 
amidas e aminas secundárias ou terciárias presentes em peixes e formar um grupo de substâncias 
químicas denominado de compostos N-nitrosos (MÍDIO; MARTINS, 2000).
Os compostos N-nitrosos são um conjunto de diferentes substâncias químicas, das mais simples às 
mais complexas, e têm as nitrosaminas e nitrosamidas como exemplos. As nitrosaminas são mais estáveis 
em relação às nitrosamidas, cuja meia vida em pH 7,0 é de minutos. Como o pH do suco gástrico é baixo, 
o estômago é um órgão em que as reações químicas que levam à formação do N2O3 são intensas, e os 
compostos N-nitrosos nele formados estão associados ao câncer nesse órgão.
O relativo baixo pH natural da urina faz com que também haja a formação de compostos N-nitrosos 
nesse órgão, tornando a bexiga urinária mais um dos órgãos-alvo dessas substâncias.
Você se lembra de que falaríamos ainda mais sobre a influência da temperatura no alimento? Vamos lá!
Se por um lado ferver o alimento pode reduzir a contaminação bacteriana, o aquecimento de 
alimentos embutidos pode aumentar a produção das nitrosaminas.
 Observação
Quanto maiores o tempo e a temperatura de aquecimento a que o 
alimento contendo NO2
- e NO3
- é submetido, maior será a formação do 
N2O3 e, consequentemente, dos compostos N-nitrosos.
Toxicodinâmica dos compostos N-nitrosos
A biotransformação dos compostos N-nitrosos ocorre pela oxidase de função mista, isoenzima 
CYP2E1, por α-hidroxilação, que ocorre principalmente (mas não apenas) no fígado. Após a 
biotransformação, há a formação da hidroximetilmetilnitrosamina, biotransformada em hidróxido 
de metildiazônio, que produz o íon carbônio (CH3
+). Esse íon formado possui elevada afinidade com 
macromoléculas nucleofílicas, atua como agente alquilante do DNA e, consequentemente, induz à 
carcinogenicidade (MÍDIO; MARTINS, 2000).
Devido à exposição pelo trato digestório, os compostos N-nitrosos podem levar ao câncer de 
bexiga, boca, estômago e fígado. O fígado é bastante afetado por conta do metabolismo: as reações 
355
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
de biotransformação ocorrem intensamente nesse órgão, com consequente formação de CH3
+, que atua 
como agente carcinogênico hepático.
A bexiga e o estômago são órgãos afetados porque possuem meio com baixo pH e, 
consequentemente, há formação do N2O3. O câncer de boca pode ocorrer pela precária higienização 
oral: na presença do resíduo de alimento contendo sais de NO2
- ou de NO3
-, forma o N2O3, que 
induz a formação dos compostos N-nitrosos nesse local e aumenta o risco de carcinogenicidade 
da cavidade oral.
 Observação
Faz-se necessário estabelecer correlação entre compostos nitrogenados 
no alimento e no ar atmosférico.
Convidamos você a acompanhar o seguinte raciocínio: quando estudamos que os poluentes 
atmosféricos são responsáveis por milhares de mortes no mundo e que parte dessas mortes precoces 
ocorre por conta do câncer do pulmão, significa que na atmosfera, além da presença de substâncias 
químicas carcinogênicas propriamente ditas, pode haver a presença de outras substâncias químicas, 
como os óxidos de nitrogênio, que podem ser oxidados a anidrido nitroso e, consequentemente, formar 
os compostos N-nitrosos, potencialmente carcinogênicos.
A liberação de óxidos de nitrogênio (NOx) na atmosfera pode ocorrer por fontes móveis ou 
estacionárias, como vimos anteriormente. Essas substâncias são oxidadas na atmosfera a N2O3, e as 
pessoas e os animais inalam o ar contendo esse agente nitrosante, que poderá interagir com proteínas 
ou aminoácidos presentes nos pulmões e formar compostos N-nitrosos.
O pulmão também biotransforma, ou seja, toda reação de biotransformação com consequente 
alquilação de macromoléculas nucleofílicas vista anteriormente no trato digestório também pode 
ocorrer no trato respiratório. Essa é uma das explicações da elevada prevalência de câncer de pulmão 
em grandes centros urbanos. Assim, a mesma toxicodinâmica que ocorre quando o organismo se expõe 
ao NO3
- e NO2
- pelo trato digestório também ocorre pelo trato respiratório.
Está mais clara a relação poluição atmosférica versus câncer pulmonar? Estamos falando apenas 
de NOx, sem levar em consideração substâncias químicas carcinogênicas propriamente ditas, como o 
benzo[a]pireno.
7.1.4.2 Botulismo
Você já ouviu falar que, quando uma criança está gripada, a melhor coisa a ser feita é dar mel a ela?
Pois bem! Vamos substanciá-lo de informações, e em breve você conseguirá concluir se essa é uma 
recomendação plausível ou se deve ser revista.
356
Unidade III
Clostridium botulinum é uma bactéria Gram-positiva formadora de esporos que produzem, por via 
anaeróbica, um dos mais potentes xenobióticos: a toxina botulínica (CHERINGTON, 2004).
Muito nos impressionam os contrastes entre toxina botulínica e seu organismo produtor. Se por um 
lado a toxina é termolábil, os esporos apresentam relativa resistência ao calor. Temperatura de 85 ºC é 
capaz de inativar a toxina, enquanto os esporos toleram temperaturas de até 119 ºC. Quando presente 
no solo, essa bactéria se prolifera mais intensamente em meio alcalino e em condição de anaerobiose.
 Observação
Para vários autores, a toxina botulínica é a mais poderosa toxina: 
em humanos, a morte pode ocorrer com a impressionante dose baixa de 
0,05 μg a 0,1 μg.
A exposição a essa toxina leva ao botulismo, uma doença paralisante. O organismo pode se intoxicar 
ao ingerir a toxina em alimentos contaminados: é a forma clássica de contaminação, quando o alimento 
foi inadequadamente preparado ou conservado.
Os esporos podem se fixar e multiplicar no trato digestório, sobretudo no intestino, onde ocorrerá a 
produção da toxina. A alteração da microbiota pela exposição a antibióticos, doença de Crohn e cirurgias 
intestinais são condições que favorecem o botulismo intestinal.
 Observação
Preste atenção agora para compreender a relação entre as crianças 
e o mel.
Crianças também podem se intoxicar ao ingerir os esporos de C. Botulinum, os quais, ao germinar 
no trato digestório, podem produzir a toxina. O botulismo infantil é causado pela toxina botulínica 
produzida pelo bacilo Clostridium botulinum, que coloniza o trato intestinal de crianças com duas 
semanas a seis meses de idade (KOLUMAN et al., 2013) e frequentemente ocorre quando a criança 
ingere o mel contendo o bacilo (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002). A imatura microbiota intestinal 
da criança permite a germinação e multiplicação dos esporos do Clostridium botulinum e a consequente 
produção da toxina botulínica no lúmen intestinal (KOLUMAN et al., 2013).
Na criança com botulismo, a constipação é geralmente o primeiro sinal clínico da intoxicação, e o 
organismo apresenta fraqueza progressiva simétrica e descendente (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002), 
redução da capacidade de sucção, choro fraco, redução da resposta motora aos estímulos externos com 
subsequente hipotonia, letargia e apatia, perda do controle da força muscular de sustentação da cabeça 
(KOLUMAN et al., 2013) e redução da motilidade gastrintestinal. O tratamento pode exigir até seis meses de 
internação da criança (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002).
357
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
Até 5% dos casos de morte súbita de crianças de até 24 meses de idade 
podem ser associados à toxina botulínica.
Você entendeu agorapor que lactentes não podem se expor ao mel?
Ainda há o botulismo, em que ferimentos são portas de entrada para a contaminação por C. botulinum.
Há sete diferentes formas de toxina botulínica, que são denominadas por tipos de A a G. As toxinas 
botulínicas tipos A, B, E e raramente a F são capazes de causar botulismo em humanos. A doença é 
causada em mamíferos, peixes e pássaros pelos tipos C, D e E. A recuperação da intoxicação pela toxina 
tipo A é mais lenta em relação à intoxicação pela toxina tipo E, demonstrando que o tempo de remissão 
dos efeitos depende do tipo de toxina botulínica à qual o organismo se expôs (CHERRY et al., 2013).
Toxicodinâmica da toxina botulínica
Para que haja a manifestação do efeito tóxico, a toxina botulínica deve ser internalizada na célula. 
Para isso, nos terminais pré-sinápticos, ocorre o rompimento da ligação dissulfeto que une as duas 
cadeias da toxina botulínica, e a cadeia leve é internalizada na célula por vesículas de endocitose 
(CHERINGTON, 2004).
Você se recorda de que, para que haja o potencial de ação, há a necessidade da exocitose da 
acetilcolina que está localizada em vesículas de armazenamento? Pois bem: a toxina botulínica cliva 
enzimaticamente as proteínas necessárias para a exocitose do neurotransmissor.
Agora, você consegue inferir o que acontece.
O resultado dessas interações químicas é a paralisia da musculatura, uma vez que o 
neurotransmissor, ACh, não é liberado, pois as proteínas que atuavam sobre as vesículas de 
armazenamento desse neurotransmissor foram inibidas pela toxina botulínica (CHERINGTON, 2004).
Os sinais e sintomas da intoxicação aparecem com mais frequência entre 12 e 36 horas, embora 
possa haver uma variação de quatro horas a oito dias após a exposição (CHERRY et al., 2013).
 Lembrete
A intoxicação acontece pela toxina botulínica e não pelo Clostridium 
botulinum, ou seja, pela toxina e não pela bactéria.
358
Unidade III
Fraqueza, vertigem e acentuda fadiga precedem boca seca, visão turva, dificuldade para falar 
e engolir. Também pode ocorrer inchaço abdominal, vômito, diarreia e obstipação, e a redução 
da sudorese e a boca seca são consequências do bloqueio da ACh no sistema nervoso autônomo 
(CHERINGTON, 2004). Não há perda da consciência, nem febre, mas pode evoluir para fraqueza 
no pescoço e braços, e em seguida são afetados os músculos da parte inferior do corpo e as vias 
respiratórias, levando a uma insuficiência respiratória (CHERRY et al., 2013).
Se por um lado registram-se poucos casos de intoxicação aguda no Brasil e no mundo; por outro, a 
letalidade é alta (5% a 10% dos casos), e o diagnóstico e tratamento devem ser adequados e imediatos, 
com a administração de soro antitoxina botulínica e cuidados respiratórios intensivos.
É importante adicionar substâncias químicas nos alimentos para que se previna sua contaminação? 
Podemos adicionar qualquer quantidade do aditivo no alimento?
Para evitar contaminação bacteriana, adicionam-se intencionalmente nos alimentos substâncias 
químicas que têm uma quantidade máxima no alimento, chamada de limite de tolerância (LT). Assim, 
para prevenir a intoxicação, deve-se respeitar o LT e a IDA.
Agora, vamos dedicar parte de nosso material aos adoçantes de alimentos, denominados de 
edulcorantes artificiais, adicionados intencionalmente nos alimentos.
7.1.4.3 Edulcorantes artificiais
A guerra contra a obesidade, assim como contra o aspartame, é onipresente. Observamos que cada 
vez mais as pessoas clamam por alimentos menos calóricos. Ao recebermos café ou chá em uma padaria, 
também nos são disponibilizados edulcorantes como o aspartame, a sacarina ou o ciclamato de sódio, e, 
preocupados com a saúde, os utilizamos em substituição ao açúcar refinado (NILL, 2000).
É cada vez mais comum o uso de edulcorantes artificiais nas dietas para os que apresentam sobrepeso 
ou obesidade. Entretanto, existe um aspecto paradoxal nesse contexto. Se, por um lado, as pessoas 
estão se preocupando mais com sua saúde e aspecto físico, por outro, também há a preocupação 
sobre a segurança dos edulcorantes e há, inclusive, os que criticam a Administração de Alimentos e 
Medicamentos estadunidense (Food and Drug Administration – FDA) sob a alegação de que não esteja 
atenta a possíveis danos à saúde causados pelos edulcorantes artificiais. Dessa forma, está montado um 
cenário no qual há um consumidor que anseia por alimentos de baixa caloria, e na outra ponta há a 
presença de uma indústria pujante que conduz o roteiro dos edulcorantes.
Para que você tenha uma dimensão temporal, há mais de cem anos despontaram os polos dessa 
batalha entre os que enaltecem a descoberta dos substituintes do açúcar refinado e os que questionam 
a segurança desses substituintes. Segundo Nill (2000), a FDA como agente reguladora, aparentemente, 
permaneceu de forma relativamente neutra dentro de sua esfera de atuação, a despeito de calorosos 
protestos a favor e contra a aprovação dos edulcorantes.
359
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
O início da história dos edulcorantes artificiais aconteceu acidentalmente, em 1879, quando dois 
pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, na tentativa de sintetizar um medicamento, obtiveram 
a sacarina, que é um derivado não nutritivo do alcatrão do carvão, com capacidade adoçante cerca de 
300 vezes superior ao do açúcar refinado (NILL, 2000).
 Observação
Atente-se às “entradas” e “saídas” dos edulcorantes no mercado 
de alimentos.
Em 1907, a sacarina já era amplamente utilizada como edulcorante em alimentos enlatados; cinco 
anos depois, foi proibida sua utilização como aditivo alimentar. Entretanto, com a escassez de alimentos, 
inclusive do açúcar, durante a Primeira Guerra Mundial, a sacarina voltou a ser comercializada sob o 
status de um edulcorante “seguro”, quando foi consumida até a década de 1950.
 Observação
Observe que inicialmente utilizam a sacarina, depois seu uso é 
proibido por conta de possíveis riscos à saúde e, poucos anos depois, 
é comercializada como “segura”!
Os edulcorantes, ao longo do tempo, trouxeram mais preocupação com a segurança de seu uso do 
que benefícios para a dieta da população, ainda que se deva considerar que, sob condições de algumas 
doenças como diabetes mellitus, deva haver restrição da exposição ao açúcar refinado. Os críticos ao uso 
dos edulcorantes artificiais alegam que a indústria de alimentos tenta associar um corpo esguio com a 
exposição a adoçantes e que corpos esculturais são cultuados como padrão de beleza.
Na década de 1950, com a comercialização do ciclamato de sódio, produzido a partir de 1937 pelo 
laboratório Abbot, a preocupação com os adoçantes tomou fôlego. Em 1951, o ciclamato foi aprovado 
pela FDA e, em 1953, foi produzido o primeiro refrigerante diet (NILL, 2000).
O ciclamato, frequentemente utilizado em combinação com a sacarina, foi o adoçante mais popular 
dos Estados Unidos em 1963. Para que você tenha dimensão da intensidade de seu uso, na época, foi 
utilizado no bacon, creme dental, produtos de panificação, enlatados, batom, cereais, enxaguante bucal, 
além das bebidas. Até hoje não se sabe o motivo do fenômeno de vendas/utilização do ciclamato, se 
pelo seu potencial adoçante, baixo teor calórico ou pelo preço, pois era comercializado por um décimo 
do preço do açúcar refinado.
A partir de 1963, com a comercialização vertiginosa do ciclamato (quintuplicou-se a comercialização 
do produto nos vinte anos subsequentes à sua aprovação), o FDA recomendou que os adultos não 
ultrapassassem o limite de exposição de 3500 mg de ciclamato por dia (quantidade presente em cerca 
de dez latas de refrigerante diet) (NILL, 2000).
360
Unidade III
 Observação
Cada refrigerante tem sua característica. Há edulcorantes presentes em 
refrigerantes diet que em poucas latas podem ultrapassar a IDA.
Atente-se a como os parâmetros legais são fugazes, ou seja, aparecem, desaparecem e reaparecem 
rapidamente. É nesse contexto que alguns pesquisadores expõem que a FDA mudade orientação com 
uma incrível fluidez.
Em 1977, houve um caos na indústria de alimentos. Sabe por quê? A FDA obteve a informação de 
que pesquisadores canadenses trouxeram à luz a relação direta entre o câncer de bexiga em ratos 
de laboratório e a exposição à sacarina.
Opostamente, em Nova York, um estudo realizado no Albany Medical College demonstrou que a 
sacarina era inócua quanto ao risco de carcinogenicidade, ou seja, era isenta de riscos para o câncer 
em animais. Mas, imaginemos o cenário dos que se expõem cronicamente ao adoçante, como os 
diabéticos: como ficaria o “psicológico” dessas pessoas, sabendo que houve um estudo demonstrando a 
carcinogenicidade da sacarina em animais, com a exposição crônica ao edulcorante? (NILL, 2000).
A legislação de um país se fundamenta em pesquisas para que seja publicada e aplicada. É a “roda do 
conhecimento” girando em benefício da sociedade. Consegue perceber como é tudo muito dinâmico?
Voltando ao histórico dos edulcorantes artificiais, porém com mais um desafio: imaginemos que 
você é o(a) presidente da Anvisa. Dentro desse cenário envolvendo a sacarina, após a publicação dos 
pesquisadores canadenses sobre o câncer de bexiga causado pelo edulcorante, você liberaria a utilização 
da sacarina ou não permitiria sua utilização até que fossem realizados mais estudos que comprovem 
sua segurança?
Você teria tomado a medida mais sensata: proibiria a comercialização desse produto. Foi exatamente 
isto que a FDA fez: baniu a sacarina. O que entrou em ação nesse momento? O congresso norte-americano, 
que permitiu a venda da sacarina, a despeito do posicionamento da FDA. Mas, nesse momento, a 
reputação do edulcorante já não mais podia ser reparada.
Em 1965, o químico James Schlatter estava trabalhando em um medicamento antiúlcera que 
utilizava o ácido aspártico e fenilalanina e, durante o processo de produção, colocou o dedo na mistura 
(literalmente falando), sentiu o sabor e constatou que o gosto era agradável. Foi assim que nasceu 
o aspartame, edulcorante de baixa caloria que também provou muitos obstáculos e controvérsias ao 
longo de sua doce trajetória.
361
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
Não se faz o que o químico fez: colocar a mão em uma matéria-prima 
ou em um produto durante seu preparo!
Em 1973, após terem sido feitos testes e ter-se obtido respostas em termos de pesquisa científica 
com maior sucesso em relação à sacarina, a empresa Searle solicitou a petição como aditivo alimentar 
para o aspartame. Após alguns anos, houve sua aprovação.
Como exposto, os adoçantes artificiais são amplamente utilizados como aditivos alimentares e 
substitutos do açúcar refinado na alimentação, com o objetivo de reduzir a ingesta calórica. Efetivamente, 
há estudos que demonstram que a exposição a adoçantes artificiais pode auxiliar na perda de peso 
corpóreo e também trazer benefícios aos que têm diabetes mellitus (BIAN et al., 2017).
Outros estudos também sugerem que o consumo de adoçante artificial pode levar à intolerância à 
glicose e, inclusive, à síndrome metabólica associada ao ganho de peso corporal. Consequentemente, 
poderia aumentar o risco de obesidade, ainda que o mecanismo envolvido nesse desequilíbrio do 
organismo ainda seja desconhecido.
Atualmente, tem havido muita atenção da comunidade científica sobre o desequilíbrio da microbiota 
intestinal, denominado de disbiose, que pode estar associado a doença inflamatória intestinal, diabetes 
e obesidade.
Os efeitos específicos produzidos na microbiota intestinal pela exposição a adoçantes artificiais são 
pouco conhecidos. Entretanto, Bian et al. (2017) demonstraram que ratos que se expuseram a sucralose 
a 1% apresentaram prejuízo no crescimento de enterobactérias e que ensaios realizados com a mesma 
espécie sugerem que a exposição a adoçantes artificiais não calóricos como a sacarina leva à redução 
da tolerância à glicose e altera a composição das bactérias intestinais.
Você consegue observar quanta informação está agregada apenas à parte de edulcorantes?
Após essa apresentação dos aspectos históricos, legais e toxicológicos envolvendo os edulcorantes 
artificiais, convidamos você a conhecer com mais especificidade os principais adoçantes artificiais 
utilizados no Brasil.
Acessulfame de potássio
O acessulfame de potássio (veja a figura a seguir) é um dos adoçantes artificiais atuais mais utilizados 
na dieta em todo o mundo. Possui poder adoçante cerca de 200 vezes superior à sacarose e longa vida 
útil e apresenta poder adoçante sinérgico quando associado a outros edulcorantes (KLUG; LIPINSKI; 
NABORS, 2011).
362
Unidade III
O
O
H3C
O
OS
N-K+
Figura 146 – Propriedades físico-químicas do acessulfame de potássio
Após a exposição oral em cães, ratos e humanos, a absorção do acessulfame de potássio é rápida 
e completa, e ele é rapidamente excretado. Em ratos, após a exposição oral, o pico do edulcorante na 
circulação sanguínea é de 30 minutos, com meia vida biológica (t½) de 4,8 horas.
Em humanos, a concentração plasmática máxima do acessulfame de potássio é atingida entre 
1 e 1,5 hora após exposição de 30 mg do edulcorante, e os teores mais elevados do edulcorante foram 
encontrados no trato digestório, bile, rins e bexiga urinária, com t½ de 2,5 horas.
Após a absorção, o edulcorante é rapidamente distribuído e excretado, sem que haja evidência de 
que seja bioacumulado em algum órgão ou tecido específico. Sabe-se que 97,5% do acessulfame 
de potássio marcado com carbono-14 (C-14) administrado em ratos, por via oral, são excretados em 
24 horas, pela urina. Em humanos, esse teor foi de 98,4% na mesma unidade de tempo e amostra 
biológica (KLUG; LIPINSKI; NABORS, 2011).
Vamos entender melhor o quão importante é o conhecimento da natureza da substância química?
Quimicamente, o acessulfame de potássio pertence ao grupo das sulfonamidas e, assim como o 
ciclamato de sódio e a sacarina, apresenta atividade antimicrobiana (BIAN et al., 2017).
Estudos trazem à luz que, além de inibir a fermentação da glicose pelas enterobactérias, o 
acessulfame de potássio também é genotóxico (BIAN et al., 2017). Um estudo recente demonstrou 
que há diferenças entre a microbiota intestinal de estadunidenses adultos saudáveis que se expõem e 
a dos que não se expõem aos adoçantes artificiais, incluindo o aspartame e o acessulfame de potássio. 
Em animais, Bian et al. (2017) investigaram os efeitos do acessulfame de potássio em camundongos 
CD-1 e concluíram que após a exposição por quatro semanas há alteração da microbiota intestinal 
desses animais e ganho de peso corporal em machos, mas não em fêmeas (BIAN et al., 2017).
 Observação
Há marcante diferença nos efeitos sobre o padrão da microbiota 
intestinal entre animais fêmeas e machos que se expõem aos 
edulcorantes artificiais.
363
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
A explicação para essa diferença de resposta, levando-se em consideração o gênero, é em função 
de gênes funcionais associados ao metabolismo energético que são inibidos em fêmeas e ativados 
em machos. Também há alterações diferenciais em ambos os gêneros no que se refere ao perfil da 
microbiota intestinal.
Experimentos demonstram que, no sangue periférico de camundongos machos e fêmeas 
hemizigóticos Tg.AC que se expuseram à ração com 0,3% a 3% de acessulfame de potássio, não 
há aumento da frequência de eritrócitos micronucleados; e estudos envolvendo as mesmas 
concentrações do edulcorante em rações para camundongos p53 haploinsuficientes apresentaram 
significativo aumento de eritrócitos micronucleados em machos, mas não em fêmeas (KLUG; LIPINSKI; 
NABORS, 2011).
 Observação
Os estudos relatados aqui são mais um achado científico demonstrando 
que o gênero influencia nos efeitos de uma substância química.
O que poderímos concluir com esses resultados? Primeiramente, como já vimos, há marcante 
alteração de efeitos no organismo dos que se expõem ao acessulfame de potássio em relação ao gênero. 
Em seguida, entendemosque, ao avaliar os adoçantes, é possível estabelecer uma estreita correlação 
entre a exposição a edulcorantes artificiais, a alteração da microbiota intestinal de animais decorrente 
dessa exposição e o aparecimento de processo inflamatório crônico do intestino (BIAN et al., 2017).
Ratas Wistar tiveram maior incidência de fibroadenoma e adenocarcinoma em comparação com 
machos de mesma espécie que se expuseram ao acessulfame de potássio.
 Observação
Precisamos ser bastante críticos ao interagirmos com esses dados.
A literatura nos mostra que, mesmo que os experimentos sejam realizados com o maior rigor 
científico, os resultados podem ser questionados. Não existe uma verdade absoluta sobre os resultados; 
por isso, nem sempre a conclusão é facilmente obtida. Continue acompanhando o raciocínio!
O dado anterior sobre fibroadenoma e adenocarcinoma quase nos faz concluir que o acessulfame de 
potássio induz o aparecimento de adenocarcinoma em ratas, não é? Mas não!
Sabe por quê? A taxa de controle histórica de adenocarcinomas da glândula mamária é de 5%, e eles 
são comuns para a espécie. A incidência dessa doença foi relativamente baixa em comparação aos dados 
históricos (KLUG; LIPINSKI; NABORS, 2011).
364
Unidade III
Mesmo quando temos números fidedignos, precisamos de muita cautela para concluirmos um 
experimento ou um achado científico. Essa é a visão que precisamos desenvolver ao longo de nossa 
trajetória acadêmica para que, no ambiente profissional ou científico, sejamos bastante ponderados 
nas colocações e conclusões de resultados. É exatamente este o contexto envolvendo os edulcorantes: 
um pesquisador obtém um resultado e outro pesquisador o questiona. É assim que se faz ciência!
Há estudos de casos relatando reação alérgica ao edulcorante, ainda que o acessulfame de potássio 
não esteja normalmente associado a esse tipo de reação. Há estudos in vitro que sugerem que a exposição 
crônica do edulcorante compromete a estrutura da HDL e apoA-I e, consequentemente, tende a acelerar 
o processo de senescência e aterosclerose.
Também não apresenta atividade carcinogênica em ratos ou camundongos em estudos de 
genotoxicidade in vivo e in vitro, incluindo o S. typhimurium TA98, que testou negativo para o teste 
de Ames e é considerado um contaminante emergente para o ecossistema, em função de sua ampla 
ocorrência (uso) e persistência ambiental.
 Observação
Tudo é muito dinâmico: o organismo se expõe ao edulcorante, o excreta 
e contamina o meio ambiente.
A presença de edulcorante pode trazer algum dado à flora e fauna?
O acessulfame de potássio pode causar danos em peixes, como alteração da frequência cardíaca, 
redução das taxas de sobrevivência durante a vida embrionária e de eclosão e descolamento de cauda.
Sugerimos, nesse momento, que façamos juntos uma reflexão. Observe como a literatura nos traz 
à luz inúmeras informações, e paulatinamente concluímos que estamos construindo um significativo 
repertório de informações e de conhecimento.
Para isso, vamos agora fazer um quiz.
Exemplos de aplicação
Pergunta: o acessulfame de potássio é biotransformado?
Para chegar a essa resposta, você se lembrou de que 97,5% do acessulfame de potássio é excretado 
inalterado na urina de ratos? E que em humanos, esse edulcorante é 98,4% excretado inalterado, na 
urina? Se é excretado praticamente inalterado na urina, significa que não é biotransformado ou há 
uma ínfima biotransformação.
Paraa próxima pergunta, vamos nos reportar aos ensaios de avaliação de toxicidade. Nessa parte 
da matéria, vimos que as substâncias químicas podem ser persistentes no ambiente e, também, podem 
causar danos à flora e à fauna.
365
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Pergunta: dentro desse contexto, o acessulfame de potássio poderia causar danos à flora e à fauna?
Vimos há pouco possíveis danos que o edulcorante pode causar a peixes. Assim, caso rejeitos 
humanos (esgoto) não sejam tratados e sejam lançados diretamente em corpos d’água, o que acontece 
muito no Brasil, os peixes podem ser afetados por essa substância.
Parece que o universo toxicológico é mais amplo do que poderíamos imaginar, não é verdade?
Aspartame
Em algum momento alguém já lhe falou (ou você já recebeu uma mensagem no seu celular ou e-mail 
sobre o assunto) que o aspartame pode cegar? Você acredita que essas informações fazem sentido sob 
a óptica toxicológica ou são mais algumas das fake news?
Vamos estudar um pouco mais e descobrir a veracidade dessas mensagens.
O aspartame é um adoçante artificial (veja a figura a seguir) com poder adoçante 180 a 200 vezes 
superior à sacarose e constituído de três componentes: ácido aspártico, fenilalanina e metanol. A população 
europeia consome cerca de 2 mil toneladas desse edulcorante por ano.
NH2
Metanol
Fenilalanina
Ácido aspártico
OH
OCH3
O
O
O
N
H
Figura 147 – Estrutura química do aspartame
Agências europeias que regulam os alimentos e medicamentos têm como responsabilidade 
monitorar as relações envolvendo os alimentos e a saúde e, quando pairar dúvida, proceder 
experimentos que as dirimam. À luz do conhecimento atual, o aspartame não está associado à queda 
de cabelo, à depressão ou ao câncer, como alguns sites ou redes sociais apresentam (PUBCHEM, s.d.).
Ainda que, em 1988, a EFSA tenha declarado que o aspartame é considerado seguro, por pressão dos 
setores públicos foi conduzida uma revisão com mais de 500 relatórios, e no ano de 2002 concluiu-se 
que a IDA do aspartame deveria ser de 40 mg/kg/dia, exceto para fenilcetonúricos (PUBCHEM, s.d.).
 Lembrete
IDA, ou ingestão diária aceitável, é a máxima quantidade de uma 
substância química adicionada ao alimento a que a pessoa pode se expor 
diariamente, por toda a vida, sem risco de intoxicação.
366
Unidade III
 Observação
Em países ocidentais, cerca de 10% do total de calorias diárias advêm do 
açúcar (200 kcal), o que equivale a aproximadamente 50 g de açúcar por dia.
Calcular a quantidade de aspartame a que a pessoa pode se expor diariamente é uma tarefa 
inglória aos que não têm muito conhecimento na área da saúde, até porque fabricantes de alimentos 
utilizam coquetéis adoçantes, tornando ainda mais difícil o cálculo da exposição diária do edulcorante 
(LEAN; HANKEY, 2004).
Para que se ultrapasse a IDA do aspartame, faz-se necessária a exposição a dez latas de refrigerante 
por dia, em média.
 Observação
Ingestão superior a 1 g de aspartame por dia pode provocar convulsões 
em macacos.
O aspartame é biotransformado a ácido aspártico, fenilalanina e metanol. O ácido aspártico, também 
conhecido por aspartato, é um aminoácido não essencial de ocorrência natural e um componente das 
proteínas, importante na síntese de DNA, da ureia e dos neurotransmissores encefálicos. A fenilalanina, 
diferentemente do ácido aspártico, é um aminoácido essencial, ou seja, humanos precisam obtê-lo a 
partir da dieta. É um precursor para a síntese de tirosina e outros neurotransmissores (WALTERS, 2001).
Nesse momento, entramos em uma seara das mais relevantes envolvendo os edulcorantes. Você já 
ouviu falar do teste do pezinho para recém-nascidos? Um dos objetivos desse teste é identificar se a 
criança é fenilcetonúrica.
Você poderia dizer o que significa ser fenilcetonúrico e qual é a importância sob a óptica toxicológica?
Vamos, então, compreender ainda melhor o que significa uma pessoa fenilcetonúrica.
Em condições normais, a fenilalanina em excesso é hidrolisada a acetoacetato e fumarato por meio 
da enzima fenilalanina hidroxilase. Entretanto, há pessoas que não produzem quantidades adequadas 
dessa enzima e, consequentemente, não conseguem metabolizar a fenilalanina normalmente 
(WALTERS, 2001).
 Observação
A fenilalanina não hidrolisada é neurotóxica.
367
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
O organismo que não é capaz de hidrolisar a fenilalanina é denominado fenilcetonúrico porque 
o excesso de fenilalanina é convertido em fenilcetona, excretada na urina e que confere um odor 
característicoa ela.
Assim, o teste do pezinho é um exame que identifica essa doença genética, uma vez que, como 
exposto, a fenilalanina é neurotóxica para os fenilcetonúricos.
O que aconteceria então a um fenilcetonúrico que se expusesse a um alimento que contenha 
esse aminoácido?
Haveria uma grande quantidade de fenilalanina no organismo e possivelmente danos neurológicos.
 Saiba mais
Sugerimos que você leia o material a seguir:
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Informe 
técnico n. 49, de 11 de abril de 2012. Brasília, 2012. Disponível em: 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/fenilalanina/
arquivos/4712json-file-1/@@download/file/4712json-file-1.pdf. 
Acesso em: 15 dez. 2020.
Vimos bastante informação sobre o aspartame, mas ainda está faltando o metanol. Esse álcool pode, 
efetivamente, levar à cegueira. Para que tenha dimensão dos possíveis danos que o metanol possa 
causar no organismo humano, trazemos um caso que aconteceu em 2016, quando a jovem Hannah 
Powell, de 23 anos, tomou uma vodka falsificada, contendo metanol. Sabe qual foi o resultado? Perdeu 
a visão e os rins! É por isso que alguns escrevem que o metanol gerado pela biotransformação do 
aspartame cega (WILSON, 2019).
Os que não dominam a toxicologia podem, mesmo que sem esse objetivo, causar pânico na população 
ou levar a uma informação falsa. E é exatamente isso que acontece nesse contexto. O metanol pode 
levar à cegueira? Sim, com certeza (não apenas à cegueira, como à morte).
Para que contextualizemos a informação, no ano de 1999, para aumentar a lucratividade na venda 
do etanol, o metanol foi adquirido e acrescentado na aguardente (etanol), uma vez que ele possui 
custo inferior ao etanol e, assim, haveria o aumento da lucratividade na venda da aguardente. Esse fato 
ocorreu no estado da Bahia (GONZÁLEZ, 1999). Você sabe qual foi a consequência desse ato? Trinta e 
cinco pessoas morreram!
368
Unidade III
Exemplo de aplicação
De posse da informação de que o metanol apresenta elevada toxicidade e pode levar à cegueira 
(é verdade) e é formado no organismo após a biotransformação do aspartame (é verdade), reflita: 
podemos dizer que o aspartame pode levar à cegueira?
 Lembrete
Toda substância pode ser considerada tóxica, dependendo das 
condições de exposição.
É bastante improvável que a quantidade de metanol formada no organismo a partir da 
biotransformação do aspartame seja suficiente para levar à cegueira.
Você entendeu como é importante a colocação adequada das informações para que não se crie 
pânico na população ou se divulgue informações inverídicas?
Segundo Walters (2001), a exposição ao aspartame gera radicais livres e há duas consequências 
diretas da formação desses compostos instáveis, mas extremamente reativos: aceleram o processo de 
envelhecimento do organismo e maximizam a possibilidade do aparecimento de câncer, uma vez que 
podem atuar na supressão de genes que nos protegem e maximizar a expressão dos que estimulam o 
aparecimento dessa doença. Há estudos que confirmam o aparecimento de leucemias, linfomas e vários 
outros tipos de câncer, inclusive os que envolvem o trato urinário, pela exposição ao aspartame, ainda 
que em pequena quantidade, segundo o mesmo autor.
Ciclamatos
Os ciclamatos não ocorrem naturalmente e são produzidos a partir da ciclohexilamina, obtida pela 
redução da anilina.
O ciclamato de sódio (veja a figura a seguir) é conhecido simplesmente como ciclamato e é o mais 
comum dos ciclamatos.
O
O
O-Na+SNH
Figura 148 – Estrutura química do ciclamato de sódio
369
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
O ciclamato de cálcio (veja a figura a seguir) é mais utilizado em produtos que exijam menor 
quantidade de sódio ou até mesmo sejam isentos dessa substância. Os ciclamatos de cálcio e de sódio 
são edulcorantes não nutritivos.
O
2O
O- Ca++SNH
Figura 149 – Estrutura química do ciclamato de cálcio
Na Austrália, em 1994, consumidores de 12 a 39 anos de idade, 27% homens e 21% mulheres, 
apresentaram ingestão média de 23% da IDA do ciclamato. No Brasil, um estudo realizado entre 1990 e 
1991 demonstrou que 67% da população consumia ciclamato e a ingestão diária era de aproximadamente 
16% o valor da IDA, sendo que os adoçantes de mesa representaram a fonte principal de exposição, 
seguida dos refrigerantes (IARC, 1999).
Em 1992, avaliou-se que a média de exposição ao ciclamato para toda a população espanhola foi de 
0,44 mg/kg (PC) por dia e de 2,44 mg/kg (PC) por dia para a população que costumeiramente se expunha 
ao ciclamato, como os diabéticos. A IDA do ciclamato foi ultrapassada por apenas 0,16% das pessoas 
(IARC, 1999).
Segundo a Anvisa (2012), aproximadamente 37% do ciclamato ao qual o organismo se expõe não 
são biotransformados pelo fígado, e cerca de 30% do edulcorante inalterado presente no intestino 
podem ser biotransformados a ciclohexilamina pela microbiota.
Sugerimos que observe atentamente a diferença de respostas entre diferentes espécies. 
Em coelhos, o ciclamato administrado por via oral é prontamente absorvido, mas em humanos, ratos e 
porcos-da-índia a absorção é mais lenta. Essas espécies biotransformam o ciclamato a ciclohexilamina 
e a biotransformação desse metabólito é diferente entre humanos e outros animais. A maior parte da 
ciclohexilamina é rapidamente excretada inalterada na urina (IARC, 1999).
Em coelhos, porcos-da-índia e ratos, a ciclohexilamina é biotransformada a ciclohexanona e, 
posterioremtne, a ciclohexanol. Macacos rhesus excretaram 99,5% do ciclamato inalterado quando 
expostos por vários anos por via oral, e os principais metabólitos encontrados são ciclohexilamina, 
ciclohexanona e ciclohexanol.
Em ratos, a ciclohexilamina é biotransformada sobretudo por hidroxilação do anel ciclohexano; em 
humanos, a metabolização ocorre por desaminação. Em coelhos e porcos-da-índia, a metabolização 
ocorre pela hidroxilação do anel aromático e desaminação. A administração por gavagem ou injeção 
intraperitoneal em porcos-da-índia e ratos demonstra que a maior parte da ciclohexilamina é excretada 
inalterada e apenas 4% a 5% são biotransformados, em 24 horas (IARC, 1999).
370
Unidade III
Ainda que a maioria das pessoas converta apenas pequenas quantidades de ciclamato em 
ciclohexilamina, existe uma resposta interindividual no perfil de biotransformação que pode trazer 
uma grande variação na excreção urinária da ciclohexilamina. Um dos aspectos que se faz necessário 
considerar é que a microbiota do trato digestório é uma importante fonte de biotransformação a 
ciclohexilamina, derivada do ciclamato, que pode apresentar efeitos adversos à saúde.
Observe a amplitude de variação de resposta para a mesma condição de exposição ao edulcorante, 
apenas variando o organismo: a taxa de metabolização da ciclohexilamina apresenta uma variabilidade 
individual de < 1% até 60%.
 Lembrete
A suscetibilidade individual é uma das condições de exposição.
Uma situação que convém destacar é que o organismo se expõe aos sais de ciclamato, e uma das 
palavras que você mais leu nos últimos parágrafos foi ciclohexilamina, não é? Vamos entender por quê? 
Acompanhe o raciocínio a seguir.
Há vários estudos que demonstram que o produto de biotransformação do ciclamato, 
a ciclohexilamina, é capaz de causar prejuízo nos testículos de ratos. Dose de 400 mg/kg dia de 
ciclohexilamina em ratos Wistar produz atrofia testicular, mas a mesma dose não afeta o testículo 
de camundongos, e essa toxicidade se deve à ciclohexinalamina propriamente dita, não aos produtos 
hidroxilados (IARC, 1999).
Por exemplo: caso fôssemos questionados sobre a toxicidade da ciclohexilamina, estaríamos seguros 
em afirmar que essa substância pode causar prejuízo testicular em ratos Wistar. Entretanto, também 
precisa ficar bem claro que a dose que causa esse dano no animal é muito superior à IDA em humanos.
Ficou mais claro como se faz a leitura dessas informações científicas? Sempre é importante termos um 
parâmetro de avaliação da exposição,e, no caso dos edulcorantes, esse parâmetro é a IDA para humanos.
Você consegue compreender ainda melhor como a mesma substância química, nas mesmas condições 
de exposição, pode ter efeitos diferentes, caso haja alteração da espécie exposta?
Na concentração de 12 a 24 mmol.l-1, o ciclamato é capaz de produzir pronunciada hiperplasia e 
displasia uretral em bexigas de ratas jovens Fisher, danos confirmados pela histologia.
Segundo a Iarc (1999), camundongos expostos à ciclohexilamina não apresentaram diferenças 
siginificativas entre a incidência de tumor com relação ao grupo controle. Assim, em 1999, a Iarc classificou 
o ciclamato como substância em que a evidência em animais e humanos para a carcinogenicidade é 
inadequada, pertencendo assim ao grupo 3 dessa classificação.
371
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Do ponto de vista da legislação, as referências internacionais como a União Europeia, a GSFA e a 
FDA substanciam as normatizações brasileiras quanto aos limites de edulcorantes que são utilizados 
nos alimentos.
Sacarina
A sacarina (veja a figura a seguir), um dos edulcorantes mais amplamente utilizados, é o mais antigo 
adoçante artificial não nutritivo e não calórico. Ela possui um poder adoçante cerca de 300 vezes superior 
ao da sacarose, além de um sabor residual ligeiramente amargo. É estável ao tempo e ao calor, ou seja, 
pode ser utilizada em alimentos que venham a ser aquecidos ou que sejam submetidos a processamento 
que envolva temperaturas elevadas, como produtos de panificação e alimentos enlatados (IARC, 1999).
S
O
O
O
NH
Figura 150 – Estrutura química da sacarina
Segundo a Iarc (1999), aproximadamente mil, 68 mil e 225 mil trabalhadores estadunidenses 
são potencialmente expostos no ambiente de trabalho à sacarina cálcica, sacarina sódica e sacarina, 
respectivamente, e essa exposição ocorre durante a produção ou utilização dessas substâncias como 
adoçantes nos alimentos, nas bebidas ou nos medicamentos.
Em 1993, foi determinado que a IDA da sacarina e seus sais seriam de 5 mg de sacarina por quilo de 
peso corpóreo (mg/kg peso). Anteriormente, a IDA era de 2,5 mg/kg peso (IARC, 1999).
Exemplo de aplicação
Se a IDA para a sacarina era de 2,5 mg/kg (PC) e em 1993 passou a 5 mg/kg (PC), significa que as agências 
reguladoras interpretaram que ao longo do tempo os dados epidemiológicos indicaram que a sacarina e 
seus sais estavam trazendo mais agravos à saúde ou as informações epidemiológicas indicaram que esse 
edulcorante e seus sais apresentavam menos riscos do que se esperava anteriormente? Pare e reflita.
Na prática, é exatamente assim que funciona: se ao longo do tempo não houve o incremento de 
casos de câncer de bexiga urinária supostamente associado à exposição à sacarina, significa que a 
exposição a ela não está causando esse dano à população de forma significativa. Opostamente, caso se 
observe incremento no número de casos de câncer de bexiga urinária, significa que a população precisa 
se expor menos intensamente à substância. Se precisa se expor menos, se reduz a IDA. Caso possa haver 
mais exposição, aumenta-se a IDA. Assim, observe que alguns parâmetros utilizados na toxicologia 
podem mudar, como a IDA, por exemplo, em razão da resposta epidemiológica do momento.
372
Unidade III
Exemplo de aplicação
Para que consolidemos a informação, pegue um lápis e papel e vamos juntos para mais um desafio 
matemático-toxicológico.
Dados:
• Sacarina: IDA (5 mg/kg peso).
• Aspartame: IDA (40 mg/kg peso).
Pergunta:
Para uma pessoa de 60 kg de peso corpóreo, qual é a quantidade de sacarina e aspartame a que ela 
pode se expor diariamente, por toda a vida, sem risco de se intoxicar? 
Sacarina: se a pessoa pode ingerir 5 mg de sacarina por cada quilo de peso e se a pessoa pesa 60 kg, 
ela pode se expor a 300 mg de sacarina por dia.
Aspartame: se a pessoa pode ingerir 40 mg de aspartame por cada quilo de peso e se a pessoa pesa 
60 kg, ela pode se expor a 2400 mg (2,4 g) de aspartame por dia.
Agora, mais uma pergunta: a qual dessas duas substâncias a pessoa pode se expor em maior 
quantidade, ao longo do dia, com o mesmo risco de intoxicação?
É o aspartame.
Observe: caso a pessoa se expusesse a 2,4 g de sacarina por dia, ela teria ultrapassado a IDA da 
sacarina? Sim, e muito: oito vezes mais. E, nesse caso, haveria risco de intoxicação em uma exposição 
crônica, diariamente, a quantidades que excedem a IDA? Sim, haveria.
Você entendeu como se raciocina em termos de IDA?
Segundo a Iarc (1999), a sacarina pode causar câncer na bexiga urinária em ratos. Ela é classificada 
no grupo 2B para carcinogenicidade.
373
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Saiba mais
Recomendamos que você leia o artigo:
SAUNDERS et al. Revisão da literatura sobre recomendações de 
utilização de edulcorantes em gestantes portadoras de diabetes 
mellitus. Femina, v. 38, n. 4, abr. 2010. Disponível em: http://files.bvs.br/
upload/S/0100-7254/2010/v38n4/a002.pdf. Acesso em: 14 dez. 2020.
Veremos quais danos as toxinas produzidas por fungos, quando presentes nos alimentos, podem 
causar ao organismo humano.
7.1.4.4 Micotoxinas
Os fungos são ubíquos, ou seja, estão presentes em todo lugar. A exposição a eles é praticamente 
incontrolável. São os principais patógenos para insetos e plantas e possuem menor importância 
como agentes de doenças em vertebrados. Para humanos e animais, o maior risco de intoxicação 
está associado ao metabolismo secundário do fungo, que pode produzir doenças denominadas 
micotoxicoses (OSTRY et al., 2017).
O espectro dos sinais e sintomas da intoxicação causado por micotoxinas depende do tipo da 
micotoxina, do tempo de exposição, da quantidade do metabólito secundário e do estado de saúde, 
idade e gênero do organismo exposto, assim como o quadro clínico de intoxicação pode ser agravado por 
hipovitaminose, doenças infecciosas e exposição excessiva ao etanol, enquanto as micotoxicoses podem 
deixar o organismo mais suscetível a doenças microbianas, interagem com outras toxinas sinergicamente 
e podem agravar os efeitos da desnutrição em humanos e em animais (OSTRY et al., 2017).
As micotoxinas são produtos do metabolismo secundário de fungos e normalmente possuem baixo 
peso molecular. A terminologia micotoxina começou a ser amplamente utilizada quando houve morte 
de cerca de 100.000 perus na Inglaterra, em 1962. Inicialmente, como não conheciam a etiologia da 
morte das aves, designaram-na Doença X dos Perus (ZAIN, 2011) e identificaram que ela estava associada 
ao amendoim utilizado na farinha a que as aves se espunham, a qual continha metabólitos secundários 
de Aspergillus flavus, espécie de fungo produtor das aflatoxinas (OSTRY et al., 2017).
Aflatoxinas
Já aconteceu alguma vez de você estar realizando alguma atividade e de repente se lembrar de que 
na sua fruteira havia bananas e que em seu armário da cozinha também tinha aveia em flocos, e você 
não via a hora de chegar em casa para comer uma banana amassada com aveia?
Pois bem, após ter a banana amassada, ao pegar a aveia, você observa que a caixa de aveia já está 
aberta há algumas semanas e, após o uso de parte dela, o restante foi guardado no armário da cozinha. 
374
Unidade III
Nunca aconteceu isso com você? Pois bem: será que essa aveia está adequada para o consumo ou 
devemos desprezá-la e deixar de comer essa banana com aveia?
Parece uma situação simples, não é? E é simples mesmo, mas também importante! 
Você já ouviu falar em aflatoxinas?
 Observação
Observe que o termo foi utilizado no plural: aflatoxinas.
O principal fator não ocupacional de exposição humana às aflatoxinas é alimentar (FACCA; 
DALZOTO, 2010). O milho e o amendoim, por exemplo, são alimentos básicos para alguns países e 
correspondem à ingestão de nanogramas a microgramas de aflatoxinas por dia (OSTRY et al., 2017).
Pela sua percepção, você acha que a exposição a microgramas de uma substância tóxica por dia não 
causa dano ao organismo humano?
Acompanhe, então, o raciocínio.Concluiremos em breve se há importante risco de intoxicação, 
mesmo se expondo a baixas quantidades da toxina.
Existe uma ampla faixa de variação da quantidade de aflatoxinas presentes no alimento. Dependendo 
da origem e tipo do alimento, clima, umidade, teor de água do alimento ou condições de transporte e 
armazenamento, pode haver quantidade inferior a 0,1 µg.kg-1 ou até centenas de µg.kg-1 de aflatoxina 
no alimento. Em termos percentuais, os teores de aflatoxinas encontrados nos alimentos também 
são amplos: de todo o amendoim e o milho importados pelo Japão, aproximadamente 4% e 30%, 
respectivamente, estão contaminados com essas toxinas.
Populações de baixa renda que moram na região tropical consomem quantidades consideravelmente 
elevadas de alimentos contaminados com aflatoxinas, principalmente amendoim e milho. Para que 
você tenha maior dimensão dos riscos inerentes à exposição às aflatoxinas, estima-se que anualmente 
morrem por câncer de fígado, por conta da exposição à aflatoxina, cerca de 26 mil africanos que vivem 
ao sul do Saara.
Até programas sociais importantes são afetados por essa toxina: a contaminação de alimentos 
limitou drasticamente a amplitude do Programa Mundial de Alimentos, uma vez que esse programa 
utiliza considerável quantidade de milho (UNNEVEHR; GRACE, 2013).
As aflatoxinas M1 e M2 foram isoladas pela primeira vez do leite de animais lactantes que 
se expunham a alimentos contaminados com aflatoxinas. Daí a designação M, milk, do inglês 
(BBOSA et al., 2013).
375
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
As aflatoxinas são produtos do metabolismo secundário de fungos. Espere um pouco: você se 
recorda desse conceito?
 Lembrete
Produto do metabolismo secundário de fungos deve ser interpretado 
como toxina.
Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus são espécies de fungos responsáveis pela produção da 
maior parte das aflatoxinas encontradas em alimentos no mundo, mas espécies A. ochraceoroseus, 
A. nomius, A. australis, A. pseudotamarii e A. Bombycis, entre outras, também podem produzi-las 
(OSTRY et al., 2017).
Os teores de A. flavus (veja a figura a seguir) em alimentos presentes em climas temperados, como nos 
Estados Unidos e Europa, são normalmente baixos e incomuns, excetuando-se quando há a importação 
de alimentos de países tropicais.
Figura 151 – Alimento contaminado com A. flavus
Países de clima temperado têm menos probabilidade de contaminação dos alimentos por 
aflatoxinas em comparação aos de clima tropical, por serem localizados próximos da linha do Equador 
e possuírem clima mais quente e úmido. Essas características são fundamentais para a proliferação 
exacerbada dos fungos.
Você consegue concluir qual é a única variável que falta para que o fungo se desenvolva 
intensamente?
376
Unidade III
Para que haja a proliferação intensa dos fungos com consequente produção de toxinas, faz-se 
necessária a presença de umidade, calor e substrato (alimento). Agora fechou o ciclo: há todas 
as “demandas” necessárias para a proliferação dos fungos, com consequente aumento da 
produção de toxinas.
Ficou mais claro agora por que países de clima temperado têm menos casos de contaminação pelas 
aflatoxinas? Porque esses países são frios em grande parte do ano, o que minimiza a possibilidade de 
proliferação fúngica.
O milho e o amendoim são os mais importantes alimentos que contêm amido como substrato e 
que, consequentemente, podem conter os fungos produtores das aflatoxinas. Porém, outros alimentos 
também podem estar contaminados por fungos, como nozes, aveia, cevada, trigo, soja, arroz, malte, 
sementes de algodão, sorgo, girassol, pimenta, pimenta preta, açafrão, coentro, amêndoas, nozes, 
pistache, coco, leite e produtos lácteos (OSTRY et al., 2017; BBOSA et al., 2013).
Pode haver aflatoxina no leite, mas no leite não há amido. Não está havendo incongruência de 
informações?
Guarde bem essa observação. Em breve, conseguirá vislumbrar o desfecho dessa dúvida.
As aflatoxinas são compostos presentes na forma de cristais que variam de incolor a amarelo claro. 
As letras que dão origem à nomenclatura das aflatoxinas advêm da cor que fluoresce quando a luz 
ultravioleta incide sobre elas. A letra B advém da primeira letra da palavra blue, do inglês, e a letra G advém 
da palavra green, que começa com a letra G. A letra M não está associada exatamente à fluorescência, 
mas ao alimento em que são encontradas, que é o leite (milk, em inglês) (OSTRY et al., 2017).
 Aflatoxina B1 (A) Aflatoxina B2 (B) Aflatoxina G1 (C)
O
OO
OO
O
O
H
OCH3H
O
OO
OO
O
O
H
OCH3H
O
OO
OO OO
O
O
H
OCH3H
 Aflatoxina G2 (D) Aflatoxina M1 (E)
O
OO
OO OO
O
O
H
OCH3H
O
OO
OO
O
O
OH
OCH3H
Figura 152 – Estruturas químicas de algumas aflatoxinas
377
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Mas a nomenclatura das aflatoxinas não para por aí. Ao serem submetidas a um processo de 
separação por cromatografia em camada delgada (CCD), as frações das aflatoxinas se separam, dando 
origem aos números 1 e 2. Assim, dependendo da taxa de fluxo (RF) na separação das aflatoxinas por 
um processo de migração diferencial, as bandas diferentes formadas apresentam a representação 1 e 2; 
daí as nomenclaturas AFB1, AFB2, AFG1 e AFG2.
Quimicamente, as aflatoxinas pertencem a um grupo de difuranocumarinas (veja o quadro a seguir) 
(BBOSA et al., 2013).
Quadro 24 – Relação entre grupo químico, 
tipo de aflatoxina e espécie de Aspergillus
Difuranocumarinas Tipo de aflatoxina Espécie de Aspergillus produtora de aflatoxinas
Derivados da 
difurocumarociclopentenona
Aflatoxina B1 (AFB1)
A. flavus
A. arachidicola
A. bombycis
A. minisclerotigenes
A. nomius
A. ochraceoroseus
A. parasiticus
A. pseudotamarii
A. rambellii
Emericella venezuelensis
Aflatoxina B2 (AFB2)
A. arachidicola
A. flavus
A. minisclerotigenes
A. nomius
A. parasiticus
Aflatoxina B2a (AFB2a) A. flavus
Aflatoxina M1 (AFM1)
A. flavus
A. parasiticus
Metabólito da aflatoxina B1 em humanos e animais 
e que estão presentes no leite materno
Aflatoxina M2 (AFM2) Metabólito de aflatoxina B2 presente no leite de vaca alimentada com alimentos contaminados
Aflatoxina M2A (AFM2A) Metabólito de AFM2
Aflatoxicol (AFL) A. flavus, metabólito de AFB1
Aflatoxicol M1 (AFL M1) Metabólito de AFM1
378
Unidade III
Difuranocumarinas Tipo de aflatoxina Espécie de Aspergillus produtora de aflatoxinas
Derivados da 
difurocumarolactona
Aflatoxina G1 (AFG1)
A. arachidicola
A. flavus
A. minisclerotigenes
A. nomius
A. parasiticus
Aflatoxina G2 (AFG2)
A. arachidicola
A. flavus
A. minisclerotigenes
A. nomius
A. parasiticus
Aflatoxina G2A (AFG2A) Metabólito de AFG2
Aflatoxina GM1 (AFGM1) A. flavus
Aflatoxina GM2 (AFGM2) Metabólito de AFG2
Aflatoxina GM2A (AFGM2A) Metabólito de AFGM2
Aflatoxina B3 (AFB3) Espécies indefinidas de Aspergillus 
Parasiticol (P) A. flavus
Aflatrem
A. flavus
A. minisclerotigenes
Aspertoxina A. flavus
Aflatoxina Q1 (AFQ1) Metabólito principal de AFB1 em preparações hepáticas in vitro de outros vertebrados superiores
Adaptado de: Bbosa et al. (2013).
A ingestão direta de alimentos contaminados com aflatoxinas e a inalação de partículas de poeira 
de aflatoxinas em fábricas ou indústrias de alimentos são as principais formas de exposição a essas 
micotoxinas. Após absorção, são distribuídas principalmente para o fígado, além de outros tecidos. 
No fígado, é biotransformada pelo citocromo P-450 microssomal.
O aflatoxina 8,9-epóxido formado pela reação de fase I de biotransformação catalisada por enzimas 
microssomais se liga à albumina do soro e ao DNA de células, sobretudo as hepáticas, e pode levar à 
aflatoxicose, ou seja, causa dano no organismo.
Você se recorda de que, ainda que não haja amido no leite, poderia haver aflatoxina nesse alimento? 
Vamos entender agora por que isso acontece.
As principais isoenzimas do citocromo P-450 que biotransformam as aflatoxinas são a CYP1A2 e 
CYP3A4. A isoenzima CYP1A2 é capaz de catalisar a epoxidaçãode AFB1 e produzir grandes quantidades 
de endo-epóxido e também pode hidroxilar a AFB1 para dar origem à AFM1, menos potente que a AFB1.
Conseguiu fazer a leitura toxicológica da informação? Ainda não? Tudo bem!
379
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Observe a explicação: se parte da AFB1 dá origem a uma grande quantidade de endo-epóxido e outra 
parte dá origem à AFM1, significa que um dos produtos de biotransformação da AFB1, que é exatamente 
a AFM1, é consequentemente excretado pelo leite materno. Ficou mais clara a informação para você?
Além de responsável pela ativação da AFB1 na formação do epóxido, a isoenzima CYP1A2 é 
responsável pela formação da AFQ1, com toxicidade inferior a AFB1.
Acreditamos que ao longo da leitura deste material você esteja conseguindo compreender cada vez 
mais as informações. No início, demos bastante ênfase a alguns conceitos aparentemente básicos, mas 
que na verdade são da mais alta relevância.
Acompanhamos, por exemplo, que pessoas diferentes podem ter reações diferentes e que a raça 
é um importante ponto a ser considerado quando se versa sobre as reações de diferentes organismos 
quando interagem às mesmas substâncias químicas, nas mesmas condições de exposição.
 Lembrete
O gênero e a espécie podem alterar de forma significativa a 
biotransformação e, consequentemente, o risco de intoxicação.
Vamos agora ver mais uma aplicação no âmbito prático das informações teóricas.
Estudos recentes sobre polimorfismo demonstram que a maioria dos africanos não expressam 
a isoenzima CYP3A5. Também se sabe que as aflatoxinas são capazes de atravessar a placenta e, 
consequentemente, pode haver uma contaminação vertical, com prejuízo para o feto ou embrião, 
e a isoenzima CYP3A7 é fundamental na metabolização da AFB1 a compostos 8,9-epóxidos, estando 
presente no fígado fetal humano (BBOSA et al., 2013).
Vamos a mais uma reflexão, para que possamos compreender melhor como os elementos teóricos 
nos dão sustentação para a aplicação das informações na prática.
Exemplo de aplicação
Segundo exposto anteriormente, se a isoenzima CYP3A7 é expressa no fígado fetal humano, há risco 
de intoxicação ao embrião ou feto caso a gestante se exponha a aflatoxinas?
Reflita e responda a esse desafio. Se necessário, reporte às informações anteriores, para você se 
assegurar da resposta.
Se as aflatoxinas são capazes de atravessar a placenta, significa que são capazes de chegar ao 
embrião ou feto. Se o fígado do feto humano é capaz de produzir a isoenzima CYP3A7, ocorre a 
380
Unidade III
biotransformação da aflatoxina a compostos epóxidos, e esses metabólitos podem interagir 
covalentemente com macromoléculas nucleofílicas e causar danos fetais.
Destaca-se nesse contexto que a taxa de bioativação exposta anteriormente varia muito por conta 
de diferenças entre adultos e crianças.
 Lembrete
A suscetibilidade individual é um dos fatores que podem alterar as 
condições de exposição, e a idade e a espécie são fatores que podem alterar 
a biotransformação de um xenobiótico.
Pode haver marcantes diferenças entre humanos e animais em relação à proporção da aflatoxina 
biotransformada e, consequentemente, na sua toxicidade (OSTRY et al., 2017).
 Observação
Em vários momentos deste material vimos que a temperatura 
pode aumentar ou reduzir a toxicidade de uma substância, ou até 
mesmo ser inócua.
Após a exposição a esse repertório de informações, possivelmente você está pensando: é por 
isso que submeto os alimentos à fervura, principalmente o leite. Não foi isso que você pensou? 
Permita-nos acrescentar mais algumas informações e poderemos concluir se ferver o leite elimina a 
AFM desse alimento.
As aflatoxinas se decompõem apenas a elevadas temperaturas, e o ponto de fusão é de 237 ºC e 
299 ºC para a AFG1 e a AFM, respectivamente.
Essa informação responde à sua pergunta sobre a influência da fervura do leite na eliminação da 
AFM? A temperatura de fervura ou cozimento do alimento não é capaz de destruir a aflatoxina M. Caso 
submetamos o leite a temperatura superior a 300 ºC, degradaremos o alimento (NATIONAL TOXICOLOGY 
PROGRAM, 2016).
A toxicodinâmica das aflatoxinas já foi vista neste material, mas sempre é bom retomarmos 
a informação.
Como você está lembrado, a toxicodinâmica das aflatoxinas é condicionada à sua biotransformação, 
ou seja, após ser biotransformada pelo citocromo P-450, as aflatoxinas formam compostos 
8,9-epóxidos altamente reativos e que apresentam muita afinidade com macromoléculas nucleofílicas; 
consequentemente, formam adutos de DNA e induzem a erros de codificação na replicação do DNA e 
ao desenvolvimento de mutações que tendem ao processo tumoral (OSTRY et al., 2017).
381
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
A AFB1 apresenta potencial carcinogênico, mutagênico e teratogênico. O risco de câncer hepático 
é significantemente aumentado na presença de infecção pelo vírus B da hepatite concomitante 
à exposição à toxina. Também é imunossupressora, ou seja, pode reduzir de forma significativa a 
resistência do organismo a agentes infecciosos, como tuberculose e HIV. A exposição crônica às 
aflatoxinas pode levar ao câncer do fígado e rins (BBOSA et al., 2013).
O termo aflatoxicose é utilizado para designar uma exposição aguda a aflatoxinas, ou seja, quando 
o organismo se expõe a “grande” quantidade dessa micotoxina, em curto período. Desde a década de 
1960 se identificam os sinais e sintomas da aflatoxicose, normalmente associados a letargia, náusea e 
icterícia. Geralmente, leva ao dano hepático e pode ser fatal. Durante o verão de 2016, houve mortes de 
humanos por aflatoxicose, na República da Tanzânia (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018).
Com base nas análises realizadas nos surtos mais importantes, estima-se que, quando há a exposição 
por um período que varia de uma a três semanas, uma dose de 20 µg.kg-1 (PC)/dia a 120 µg.kg-1 (PC)/dia 
de AFB1 é suficiente para causar a aflatoxicose e é potencialmente fatal.
 Observação
1 µg significa 1 bilhonésima parte de 1 kg.
Por isso, anteriormente expressamos com aspas quando falamos em “grande” quantidade dessa toxina. 
Releia esse parágrafo com um olhar crítico e verificará que a “grande” quantidade dessa toxina não é tão 
grande assim.
A detecção da intoxicação por aflatoxinas em humanos e animais é complexa pela possível 
variação dos sinais clínicos apresentados pelo paciente e outros fatores, principalmente os 
associados à supressão do sistema imunológico causada por uma doença infecciosa. Entretanto, as 
técnicas utilizadas para a detecção das aflatoxinas em humanos são as que identificam metabólitos 
presentes na urina, mas que estão presentes apenas por 24 horas após a exposição. Outra técnica é a 
determinação da aflatoxina ligada à albumina, no soro sanguíneo. Ela nos dá informações sobre 
a exposição por semanas ou até mesmo meses.
Em termos epidemiológicos, as evidências precoces relacionadas à carcinogenicidade em 
humanos causada pelas aflatoxinas apresentam uma relação direta entre a variação geográfica de 
maior incidência de carcinoma hepatocelular e a variação geográfica dos alimentos contendo 
aflatoxinas. Há congruente correlação entre a incidência de câncer de fígado e a alta ingestão de 
aflatoxinas encontradas em alimentos na Suazilândia, Quênia, China, Moçambique, Tailândia e Uganda 
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018).
A ordem decrescente de toxicidade que as aflatoxinas expressam quanto à carcinogenicidade e 
mutagenicidade é AFB1 > AFG1 > AFB2 > AFG2.
382
Unidade III
Alguns animais são muito sensíveis à exposição aguda de AFB1, como o rato, o cão e os ovinos, e 
outras espécies são mais resistentes, como as galinhas e os macacos (BBOSA et al., 2013).
As aflatoxinas são substâncias químicas que compõem o grupo 1 da Iarc (OSTRY et al., 2017).
Há diferentes métodos disponíveis para identificação das aflatoxinas nos alimentos. Dependendo 
da demanda, podem ser utilizados desde a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acoplada à 
espectrometriade massa (MS), usadas em laboratórios oficiais, até os kits de teste rápido, utilizados em 
fábricas e silos de grãos.
Exemplo de aplicação
Você se lembra daquela caixa de aveia que você abriu há algumas semanas e que ainda sobrou um 
pouco no armário da sua cozinha? Ante o exposto, qual é a sua percepção de risco para se expor à 
banana amassada com essa aveia? Você está seguro dessa exposição?
Dados:
• Os fungos são ubíquos e podem estar presentes na sua cozinha.
• Ao abrir a embalagem de aveia, os fungos podem se instalar no alimento.
• A aveia é rica em amido, substrato para o fungo.
• O Brasil é um país tropical, quente e úmido.
• Os fungos nem sempre alteram as propriedades organolépticas dos alimentos (dependendo do 
fungo, você não consegue vê-lo a olho nu, nem sentir seu cheiro ou gosto, mas ele pode estar lá).
• Caso tenha havido a contaminação, os fungos ficaram por várias semanas em meio quente, úmido 
e rico em substratos e podem ter produzido aflatoxinas, como produto do metabolismo secundário.
• O limite de tolerância das aflatoxinas é de “poucos µg/kg”. Isso significa que, caso haja mais 
que 20 partes de toxina para um bilhão de partes do alimento, considera-se que o alimento 
esteja contaminado.
• As aflatoxinas podem ser excretadas pelo leite materno e intoxicar o lactente.
• Para alguns autores, as aflatoxinas são consideradas as substâncias de maior potencial 
carcinogênico hepático que se conhece.
• São classificadas pela Iarc no grupo 1A.
383
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Então, qual é a sua percepção de risco? Você vai utilizar a caixa de aveia que abriu há semanas ou 
vai providenciar outra para preparar sua banana amassada com aveia?
Citrinina
Espécies de Penicillium e Aspergillus podem produzir a citrinina como produto de seus respectivos 
metabolismos secundários. A citrinina pode ser encontrada em grãos armazenados, como no arroz 
fermentado com Monascus spp., em fermento vermelho utilizado em alimentos e na conservação 
de carnes (ALI; DEGEN, 2019), e está associada à doença do arroz, no Japão, e como contribuinte na 
nefropatia porcina (BENNETT; KLICH, 2014).
A citrinina tem sido encontrada juntamente com a ocratoxina-A (OTA-A) nos alimentos e rações, 
com emergente preocupação com a qualidade do alimento para humanos e animais (ALI; DEGEN, 2019).
A citrinina (veja a figura a seguir) possui similaridade estrutural e de propriedades tóxicas com 
a OTA-A, com organotropismo para os rins, ainda que a nefrotoxicidade seja menos intensa quando 
comparada com o mesmo dano causado pela OTA.
O
O
O OH
HO
Figura 153 – Estrutura físico-química da citrinina
Estudos experimentais em suínos e ratos demonstram que a citrinina exerce efeitos tóxicos sobre 
os rins, fígado e coração (CHEN et al., 2019), sendo que, em doses repetidas, o principal órgão afetado 
é o rim (ALI; DEGEN, 2019).
 Lembrete
Espécies diferentes podem apresentar danos diferentes quando 
expostas à mesma substância química, nas mesmas condições 
de exposição.
A DL50 da citrinina para coelhos (VO, macho) é de 134 mg.kg
-1 (PC), mas respectivamente de 
50 mg.kg-1 (PC) e 19 mg.kg-1 (PC) quando a exposição ocorre pelas vias intraperitoneal e intravenosa 
para a mesma espécie e sexo. Diferentes suscetibilidades também foram observadas quando espécies 
diferentes se expuseram à citrinina (ALI; DEGEN, 2019).
384
Unidade III
A intoxicação aguda pela citrinina é incomum e ocorre apenas quando há rações ou alimentos 
altamente contaminados.
O limite permitido de citrinina no corante vermelho e produtos fermentados no Japão é de 200 g/kg, 
e de 100 g/kg e 80 g/kg na União Europeia e China, respectivamente (CHEN et al., 2019).
A citricina é classificada no grupo 3 pela Iarc (2016).
Esterigmatocistina
Gêneros de fungos Bipolaris, Emericella, Chaetomium e espécies de Aspergillus incluindo A. Flavipes, 
A. Sydowi, A. Rugulosus, A. Nidulans, A. Ustus, A. Flavus e A. Versicolor podem produzir a 
esterigmatocistina, que estruturalmente está relacionada às aflatoxinas, sendo que as três últimas 
espécies são encontradas em uvas cultivadas para a produção de vinhos (veja a figura a seguir).
O O
O
OO OH
OCH3
Figura 154 – Estrutura química da esterigmatocistina
Observe a seguir como as propriedades físico-químicas alteram a toxicidade de uma substância 
química. A toxicidade da esterigmatocistina é semelhante à das aflatoxinas, pela sua estrutura cumarínica. 
É mutagênica e carcinogênica, mas menos potente que as aflatoxinas (BENNETT; KLICH, 2014). Enquanto 
as aflatoxinas podem causam extensas hemorragias, a esterigmatocistina causa pequenas hemorragias 
em forma de manchas.
A esterigmatocistina é classificada no grupo 2B pela Iarc (2016).
Ocratoxina A (OTA)
A OTA (veja a figura a seguir) pode estar presente na uva, em seus sucos e frutos secos, mas está 
presente sobretudo no vinho tinto (é formada antes da fermentação alcoólica), café processado e 
não processado, cacau e cereais. Contamina o alimento no campo, mas também há a possibilidade de ter 
seus teores aumentados na pós-colheita, antes ou após tratamentos tecnológicos do alimento.
385
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
H
H
N
H
O C
O
OO OH
OH
CI
CH3
Figura 155 – Estrutura química da OTA
Foi isolada inicialmente em cepas de Aspergillus ochraceus, mas é produzida principalmente por 
Aspergillus. Penicillium ssp. e Aspergillus carbonarius também produzem a toxina como produto de seu 
metabolismo secundário, mas esse último é capaz de produzir 100 mg da toxina por quilo de peso do 
alimento (BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008).
A latitude está diretamente ligada à produção de OTA: quanto maior a latitude, menores são a 
ocorrência e concentração de OTA no alimento. Na Itália, em 56 análises realizadas com vinhos vermelho, 
rosé, branco e de sobremesa, foram encontradas elevadas concentrações de OTA, variando de 10 a 
7600 ng/L, nas quais o vinho vermelho apresentou maiores teores em comparação com o rosé e o 
branco (BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008).
 Observação
Ainda que o etanol tenha a densidade de 0,789 g/ml e que o vinho 
tenha um teor de álcool aproximado de 5%, vamos assumir a densidade 
do vinho como 1 g/ml, para facilitar a comparação dos dados da literatura. 
Dessa forma, assumimos que o litro de vinho tenha 1 kg.
Na Espanha, em análise realizada em 267 amostras de diferentes tipos de vinho e 18 diferentes 
marcas de sucos de uva, a contaminação existia em 92%, 91% e 64% dos vinhos vermelho, rosé e 
branco, respectivamente, com concentração de OTA de 54 ng/L, 21 ng/L e 20 ng/L, respectivamente 
(BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008).
 Observação
Pode haver toxina no alimento, mas dentro dos limites preconizados. 
No parágrafo anterior, nenhuma toxina está com valor acima do 
limite de tolerância.
386
Unidade III
Em 47 amostras de vinho de Jeres, 74% estavam contaminadas com OTA, na ordem de grandeza 
de 40 ng/L, e, de 16 amostras de vinho de sobremesa, a OTA foi detectada em 94% da amostragem, 
em concentração média de 1000 ng/L. De 30 amostras de vinho marroquino, todas estavam com 
concentrações de até 3200 ng/L (BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008).
 Observação
Nesse caso, 3200 ng/L podem ser lidos como 3,2 µg/kg.
Em 31 amostras de vinho vermelho e 15 amostras de vinagre originário do Mediterrâneo, 
72% dos vinhos e 100% dos vinagres continham OTA com concentrações de até 3,4 ng/ml e 0,25 
ng/ml, respectivamente. Na região sudeste da França, oito de 11 sucos de uva continham OTA com 
concentrações de até 460 ng/L e forte correlação com a presença de A. Carbonarius (BATTILANI; 
BARBANO; LOGRIECO, 2008).
 Observação
Atente-se às unidades do parágrafo que acabamos de apresentar: 
ng/ml é o mesmo que µg/L; para cálculos rápidos, compreendemos que um 
litro de suco tem densidade próxima a 1 mg/ml.
Assim, entende-se que 3,4 ng/ml sejam equivalentes a 3,4 µg/kg, ou 
seja, o vinho vermelho do Mediterrâneo está contaminado.
Você se recorda de que trabalhamos bastante a influênciada temperatura na toxicidade dos 
alimentos? Vamos a mais uma informação.
A OTA é apenas parcialmente degradada em condições normais de cozimento e pode resistir até 
três horas, a 121 ºC, à esterilização a vapor em alta pressão, e até mesmo temperaturas de 250 ºC são 
incapazes de destruí-la completamente (EL KHOURY; ATOUI, 2010).
Ela apresenta organotropismo renal, que afeta a síntese de macromoléculas e leva a danos dos 
túbulos renais proximais, por prejuízo do metabolismo de carboidratos presentes nos rins. É considerada 
a mais potente micotoxina para aves e responsável por uma doença endêmica nos rins da população dos 
Balcãs, que deu origem ao que se chama de nefropatia endêmica dos Balcãs (ROSMANINHO; OLIVEIRA; 
BITTENCOURT, 2001), doença que afeta humanos da região sudeste da Europa, como Bósnia, Bulgária, 
Croácia e Romênia, e que é considerada a maior causa de nefropatia na Tunísia (EL KHOURY; ATOUI, 2010).
A exposição vertical à OTA pode levar a malformações no SNC. Trata-se de um potente agente 
teratogênico para animais de laboratório, que atravessa a barreira placentária, e a natureza e extensão 
das lesões dependem da via de administração e do período gestacional (EL KHOURY; ATOUI, 2010).
387
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
A OTA é classificada no grupo 2B pela Iarc (2016).
Patulina
A patulina (veja a figura a seguir) é uma das cerca de 300 micotoxinas produzidas por fungos, ainda 
que apenas pequena parte delas desempenhe papel como contaminante alimentar. Essa micotoxina é 
produzida por Aspergillus, Byssochlamys e, principalmente, por Penicillium expansum e é, provavelmente, 
a toxina com maior prevalência em maçãs, peras e damascos. É considerada um problema pós-colheita 
(BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008).
O
O
OHOO
Figura 156 – Estrutura química da patulina
Existem processos físico-químicos que podem minimizar a contaminação de um alimento, mas 
também há processos inócuos, ou seja, que não reduzem ou aumentam a toxicidade da substância no 
alimento. Para contextualizar essa informação, trazemos a você a seguinte situação: será que, quando 
se submete o suco de maçã a uma fermentação alcoólica para sua conversão em sidra, é reduzida a 
toxicidade da toxina?
Nesse processo, a patulina é destruída (BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008). Segundo 
Welke et al. (2009), também é possível reduzir os teores de patulina nos sucos de maçã pela adição de 
ácido ascórbico e de sulfito.
Ao longo deste livro-texto você leu várias vezes a expressão dependendo das condições de 
exposição. Sim, dependendo das condições de exposição, todo o cenário toxicológico é alterado.
Para contextualizar essa informação, trazemos um levantamento realizado por Battilani, Barbano 
e Logrieco (2008), que demonstrou que, em condições laboratoriais, diferentes espécies de fungos 
podem contaminar grãos, maçãs e sucos de uva. Entretanto, em condições naturais, a patulina é 
essencialmente conhecida como um metabólito produzido por P. expansum na maçã ou no suco 
desse fruto.
 Observação
O LMP da patulina no suco de maçã e na polpa de maçã, segundo a 
Anvisa, é de 50 (µg/kg) (BRASIL, 2011).
388
Unidade III
Gostaríamos que você acompanhasse a seguinte informação: a presença de micotoxinas no alimento 
transcende os problemas de saúde, pois também é um problema de ordem econômica.
Permita-nos contextualizar. Foi constatada a ocorrência de patulina em 52% de 104 amostras de 
maçãs de origem espanhola com teores de patulina de até 250 mg/kg e em 43% de sucos de maçãs 
espanhóis, em concentração de 10 mg/L a 170 mg/L.
 Observação
Compare os números impressionantes do parágrafo que acabamos de 
apresentar com o LMP preconizado pela Anvisa e conclua se o alimento 
está contaminado.
Quanto a produtos de origem italiana, os mesmos autores demonstraram a presença da patulina em 
dois de seis sucos de pêssego (3 µg.L-1), cinco de seis sucos de pera (até 25 µg.L-1) e 50% de 20 amostras de 
geleia (75 µg.kg-1). De 215 sucos de maçãs produzidos na Turquia, houve 100% da presença de patulina, 
em uma faixa de concentração de 7–376 µg.L-1 (BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008). Segundo 
Welke et al. (2009), a OMS recomenda que no suco de maçã haja no máximo 50 µg.L -1 de patulina.
Exemplo de aplicação
Identifique, nas informações anteriores, quais amostras ultrapassaram os limites. Preste atenção nas 
unidades utilizadas.
Há países com legislação bastante rígida quanto às concentrações de micotoxinas presentes em 
alimentos e seus derivados; consequentemente, dependendo das concentrações dessas toxinas 
nos alimentos, a importação desses alimentos não é permitida (BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008).
Outra situação que convém citar é que muitas vezes os sucos de maçãs apresentaram concentrações 
de patulina inferiores às encontradas no próprio fruto de mesma origem.
Dentro desse contexto, poderíamos perguntar: por que os teores de patulina no suco de maçã 
apresentam concentração de micotoxina inferior ao presente no próprio fruto? Seria o processo de 
conservação do suco, de preparo ou os conservantes utilizados?
Uma das respostas plausíveis para essa questão está relacionada ao controle de qualidade das maçãs 
utilizadas no suco, ou seja, aquelas que aparentemente estão fisicamente inadequadas para o suco são 
desprezadas. Possivelmente, quando se identificam sinais de putrefação, os frutos são descartados e, 
consequentemente, não utilizados na produção de suco.
O estudo da toxicologia é importante para a magnificação de seu conhecimento, pois oferece uma 
base teórica e prática ainda maior e condiciona um empoderamento em sua atividade profissional. 
389
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
A seguir, você irá compreender melhor esse contexto.
Em um processo industrial, a remoção da linha de processamento de frutos impróprios para o 
consumo deve ser tratada com a maior responsabilidade e comprometimento. Para que você tenha 
dimensão da relevância dessas informações, a “simples” lavagem inicial do fruto, com água, pode reduzir 
em até 80% da concentração média de patulina nas maçãs.
Quando se retiram os frutos putrefeitos e danificados, a concentração média é reduzida em mais 
10%. Opostamente, a pré-concentração do fruto para a preparação do suco eleva, de forma significativa, 
os teores de patulina, mas a ação combinada de ultrafiltração e a despectinização combinada com 
carvão ativado diminuem substancialmente a concentração média de patulina no suco. Os processos 
que envolvem a produção dos sucos de maçã após essas fases não aumentam nem minimizam a 
concentração de patulina na produção do suco de maçã.
Você já reparou que algumas vezes, quando vamos comer uma pera ou maçã, o fruto está com parte 
da casca com um certo “afundamento” e “amarronzada”? Quando nos deparamos com situações dessa 
natureza (e parece que não é uma situação tão incomum), possivelmente o fruto foi submetido a algum 
tipo de estresse físico, se desvitalizou parcialmente e perdeu parte da integridade da casca.
Quando o fruto perde essa proteção natural, que é a casca, o parênquima do fruto fica exposto à 
ação dos fungos presentes na casca. Quando o fungo tem acesso à polpa do fruto, encontra ainda mais 
substratos para seu desenvolvimento e se prolifera mais intensamente; consequentemente, os produtos 
do metabolismo secundário aumentam. Estudos demonstram que a patulina foi encontrada na polpa do 
fruto, dois centímetros abaixo da casca da maçã.
Nessa condição, o fruto ainda pode ser consumido. Entretanto, deve-se retirar a parte danificada da 
maçã com margem mínima de 2 cm, ou seja, 4 cm da polpa do fruto serão “perdidos”. Caso a maçã seja 
muito pequena e apresente partes com “afundamento” ou perda da integridade de sua casca, sugere-se 
que o fruto seja desprezado.
Entretanto, inicia-se nesse momento uma situação envolvendo a macroeconomia do país: se há 
uma crise econômica instalada ou a pessoa se encontra em uma situação socialmente desfavorecida, 
orientar essa pessoa a desprezar ofruto nessa situação pode até parecer desrespeitoso, uma vez que ela 
não tem com o que se alimentar. Opostamente, ao se expor a alimentos com baixa qualidade, há riscos 
inerentes e, possivelmente, o organismo terá seu rompimento de homeostase, com aparecimento de 
sinais e sintomas de intoxicação, como veremos a seguir.
Segundo a Iarc (1999), não há evidência de carcinogenicidade da patulina em animais e em humanos; 
assim, é classificada no grupo 3. Entretanto, foram realizados levantamentos muito interessantes sobre 
a patulina. O primeiro deles relaciona-se à toxicodinâmica dessa toxina. Quando se avalia a toxicidade 
de uma substância, você deve sempre ter em mente que, quando se conhece a toxicodinâmica da 
substância, é possível propor medidas de prevenção e tratamento da intoxicação.
390
Unidade III
No caso, a patulina é capaz de inativar enzimas por ligações covalentes com grupamentos sulfidrílicos 
ou tiois (-SH), e essa ligação com moléculas endógenas é responsável pela toxicidade envolvida em 
grande parte dos danos que veremos a partir de agora (BATTILANI; BARBANO; LOGRIECO, 2008).
A patulina impede o afluxo de aminoácidos nas membranas celulares e, por consequência, inibe o 
crescimento de culturas de tecido hepático, é inibidora enzimática (sim, já presumíamos isso: não inibe 
grupamentos sulfidrílicos proteicos covalentemente?) e inativa polimerases do RNA e DNA, onde atua 
diretamente, inibindo a tradução e transcrição.
Também é capaz de romper a membrana celular e inibir a síntese de DNA, é imunossupressora para 
camundongos e coelhos, teratogênica para embriões de galinha, mutagênica em células mamárias de 
ratas, hepatotóxica e nefrotóxica, prejudica a quantidade e morfologia do esperma e induz a alterações 
histopatológicas no epidídimo e na próstata.
Além disso, é genotóxica para pulmões de hamster chinês. Em cultura de células de rins, leva dano 
ao DNA, uma vez que inibe a ação da glutationa (observe que a inibição da glutationa possivelmente 
está acontecendo pela inibição de grupamentos sulfidrílicos). Também pode levar a náusea e vômito, 
caracterizando desconforto gastrintestinal, geração de processo inflamatório e de ulceração de 
estômago e intestino por inativação das fosfatases (observe novamente que as ligações covalentes 
da micotoxina com grupamentos sulfidrílicos agem sobre as enzimas e macromoléculas nucleofílicas, 
causando importantes danos no organismo).
Você consegue concluir com facilidade que, mesmo quando inquestionáveis agências internacionais 
afirmam que uma certa substância química não é carcinogênica, não nos deve faltar prudência na 
exposição a ela, não é mesmo?
Zearalenona
A zearalenona é produzida por várias espécies de Fusarium, sobretudo F. graminearum e F. culmorum. 
Seus principais substratos são aveia, cevada, trigo, milho e sorgo.
Quimicamente (veja a figura a seguir), a zearalenona é uma lactona do ácido fenólico resorcíclico, 
conhecida pelas suas propriedades fitoestrogênicas.
O
O
OHO
HO
CH3
Figura 157 – Estrutura química da zearalenona
391
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
O que se destaca nessa toxina é que ela apresenta uma potente atividade estrogênica em animais, 
como porcos, ovelhas e gado. Alguns produtos do metabolismo da zearalenona, como a-zearalenol e 
b-zearalenol, também apresentam essas propriedades.
Seu potencial genotóxico não foi definitivamente estabelecido, mas apresenta potencial 
significativamente tóxico para o sistema reprodutivo de animais e tem ação osteógena. Estudos atuais 
sugerem que a zearalenona seja uma toxina responsável pela redução da produção de leite e induza 
a infertilidade em bovinos, edema e prolapso vulvar (veja a figura a seguir), hipertrofia mamária em 
mulheres e aumento das glândulas mamárias, atrofia testicular e feminização de homens em função de 
sua atividade hiperestrogênica.
Figura 158 – Prolapso de vulva em leitoa recém-nascida causado pela presença de zearalenona na ração
Em Porto Rico, foi encontrada zearalenona no sangue de crianças que apresentavam desenvolvimento 
sexual precoce e haviam sido expostas a alimentos contaminados (DALAGNOL, 2008).
Exemplo de aplicação
Observe a estrutura química da zearalenona que acabamos de apresentar e responda: essa toxina 
possui estrutura esteroidal?
Essa é uma informação que nos chama muito a atenção. A zearalenona não é a única substância 
química não esteroidal que apresenta atividade estrogênica (SHIER et al., 2001). Você sabe por 
quê? Porque os receptores estrogênicos respondem a uma significativa gama de substâncias 
químicas em praticamente todas as espécies de mamíferos. Assim, lignanas e isoflavonas como 
a genisteína da soja e poluentes antropogênicos como as bifenilas policloradas, bisfenol-A e 
2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina são xenobióticos que não apresentam estruturas esteroidais, 
mas que exercem efeito estrogênico.
A zearalenona é classificada no grupo 3 pela Iarc (2016).
392
Unidade III
Tricotecenos
Os tricotecenos compreendem um grupo de mais de 100 diferentes metabólitos que compartilham 
uma estrutura química básica comum (veja a figura a seguir) (ZAIN, 2011).
CH2
CH3 R2
R1
H
HHH
O
O
O
8
9 11
6
7
10 1 2
13
5 12 4
3
H3C
R3
R4
Figura 159 – Estrutura química geral dos tricotecenos
Muitas espécies de fungos toxigênicos são capazes de produzir os tricotecenos, como Fusarium 
graminearum, Fusarium sporotrichioides e Fusarium poae. Stachybotrys chartarum, Myrothecium roridum e 
S. chartarum são capazes de produzir tricotecenos macrocíclicos (SUDAKIN, 2003).
Os tricotecenos têm ocorrência natural na América do Norte, América do Sul, África, Ásia e Europa. 
A produção dessas toxinas é mais alta quando as temperaturas variam de 6 ºC a 24 ºC. Trigo, cevada, 
aveia, milho, centeio e arroz são os substratos mais comuns para essas espécies de fungos (ZAIN, 2011).
Agora, observe a resistência dessas toxinas: são compostos não voláteis, resistentes à degradação 
ambiental, incluindo fatores como luz e temperatura, e apenas condições quase que extremas de pH 
são capazes de decompô-las (SUDAKIN, 2003).
Estruturalmente, os tricotecenos apresentam um anel sesquiterpenoide, e todas as variantes 
possuem um grupo epóxido no C12 e C13, responsável pela toxicidade. Os tricotecenos tipo A ou 
tipo B são distinguíveis pela ausência ou presença do grupamento carbonila em C8. Os tipo C possuem 
um grupamento epóxido adicional nos carbonos C7-C8 ou C9-C10. Também há o tricoteceno tipo D, 
que possui um anel macrocíclico.
Aparentemente, essas toxinas são capazes de induzir a uma inibição primária da síntese proteica de 
eucariontes e também dividem ativamente células que revestem a pele, o trato digestório e os tecidos 
linfoides e eritroides (ZAIN, 2011).
A inibição proteica ocorre porque os tricotecenos são capazes de interagir com a enzima 
peptidiltransferase pela ligação com a subunidade ribossômica 60S, e essa interação é capaz de induzir 
a uma ampla faixa de intensidade de inibição da ligação peptídica.
Você se recorda de que vimos que os tricotecenos apresentam um grupamento epóxido C12-C13 
comum? É esse grupo epóxido um dos maiores responsáveis pela síntese proteica (SUDAKIN, 2003).
393
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Na década de 1930, na antiga União Soviética, foi identificada uma epidemia denominada de 
aleucia tóxica alimentar (ATA). Ela ocorreu em condições críticas de disponibilidade de alimento, em 
que a população foi praticamente forçada a consumir qualquer tipo de grão para sua sobrevivência, 
mas não sabia que esses grãos a que estava se expondo estavam contaminados por espécies de 
F. poae e F. Sporotrichioides, produtores de elevadas quantidades de toxina tricoteceno T-2. Suas 
amostras chegaram a apresentar 4,1 g de toxina.kg-1 de painço (ZAIN, 2011).
A primeira etapa da intoxicação é caracterizada por sintomas gastrintestinais graves, com duração 
de três a nove dias. Em um segundo momento, o organismo apresenta um quadro de melhora de 
seussintomas, mas desenvolve concomitantemente trombocitopenia, leucopenia e anemia, por várias 
semanas. Caso persista a exposição, o trato digestório e as vias aéreas apresentam quadro de lesão 
necrótica, hemorragia e infecções. Caso seja cessada a exposição, ocorre a remissão das anormalidades 
sanguíneas e das lesões necróticas.
Os tricotecenos são classificados no grupo 3 pela Iarc (2016).
7.1.5 Contaminantes indiretos de alimentos
7.1.5.1 Praguicidas
A agricultura é praticada há aproximadamente 15 mil anos em regiões da África, Ásia, América 
Central, Andes e Europa. Nos últimos 2 a 3 mil anos, houve evolução nas culturas camponesas com 
caráter sustentável. Sistemas agrícolas desenvolvidos por agricultores estadunidenses resistiram 
a desastres naturais e guerras, para que houvesse a manutenção da capacidade de produção 
e fornecimento de alimento, ou seja, a históra mostra que as pessoas se organizam para que se 
mantenha, minimamente, a capacidade de disponibilizar alimento para a população.
Além do desenvolvimento de técnicas agrícolas, também houve a evolução histórica dos praguicidas 
utilizados para a proteção dos alimentos com o objetivo de repelir, mitigar ou eliminar as pragas 
que poderiam destruir os alimentos, sobretudo com o crescimento populacional, e comprometer seu 
abastecimento.
Além do desenvolvimento de modernas linhas de pesquisa, houve a síntese de grande quantidade 
de novos agrotóxicos que, se por um lado protegem o alimento quanto às pragas, por outro podem 
levar à intoxicação milhões de pessoas anualmente. É isso mesmo que você leu: milhões de pessoas se 
intoxicam anualmente, em todo o mundo, pela exposição acidental ou intencional aos praguicidas.
Você consegue perceber que se resolve um problema, mas cria-se outro? Além das intoxicações 
diretas pelas exposições ocupacionais aos praguicidas, há outra situação: a presença dessas substâncias 
como resíduo nos alimentos. Dessa forma, existe um importante problema de segurança alimentar nesse 
contexto. Estima-se que 35% dos casos de câncer de cidadãos estadunidenses tenham como origem a 
presença de praguicidas nos alimentos (BRASIL, 2013).
Veremos adiante os danos que os praguicidas podem causar.
394
Unidade III
7.1.6 Alimentos transgênicos
Com o objetivo de aumentar o teor nutricional, produzir organismos com maior resistência a pragas (e, 
consequemente, reduzir a quantidade de praguicidas utilizados na agricultura) e viabilizar economicamente 
a produção agrícola, a biologia molecular passou a ser utilizada. Atualmente, permite-se, por meio da 
engenharia genética ou tecnologia do DNA recombinante, a obtenção de um organismo transgênico, 
também chamado de organismo geneticamente modificado (OGM) (COSTA et al., 2011).
No início da década de 1980, foram desenvolvidas as plantas transgênicas, como o tabaco; cerca 
de dez anos depois, 56 plantas transgênicas estavam sendo testadas em campo, como milho, algodão, 
canola, mamão, tomate e soja. Para que você tenha dimensão, no ano de 2005, 21 países e 8,5 milhões 
de agricultorres já cultivavam plantações transgênicas.
Mas a pergunta que se faz é: quem garante que esse vegetal que teve alteração genética não pode 
causar danos a animais ou humanos? Será que OGMs apresentam riscos toxicológicos para a população ou, 
eventualmente, algum efeito antinutriente? Ainda dentro do raciocínio de modificação genética, não haveria 
a possibilidade, ainda que distante, de haver algum tipo de tranferência horizontal de genes?
Você consegue visualizar que já vimos esse cenário anteriormente? Observe que a história está se 
repetindo, ou seja, se por um lado os alimentos se tornam resistentes a pragas sem a necessidade de 
utilização de pesticidas e ganho de rendimento na produção desses alimentos, por outro lado aparece a 
incógnita de quais são, efetivamente, os danos que podem causar aos animais ou a humanos.
Uma das principais alterações que pode haver pela exposição aos alimentos transgênicos 
são as alterações pleiotrópicas, ou seja, poderiam afetar expressões fenotípicas de duas ou mais 
características na própria planta, fazendo com que haja a produção de diferentes metabólitos. 
Como exemplo, destaca-se a produção de agmatina e seus derivados, que podem interagir com os 
receptores de glutamato, medazolínicos e adrenérgicos.
7.2 Praguicidas
Traremos um pouco da história dos praguicidas, para que você compreenda a evolução da utilização 
dessas substâncias químicas.
7.2.1 Uma breve retrospectiva histórica dos praguicidas
Reduzir as perdas agrícolas causadas por ampla variedade de pragas é um dos maiores desafios 
para aqueles que estão envolvidos em práticas agrícolas. Aparentemente, é impossível apontar quem 
decidiu pela primeira vez que a aplicação de inseticidas minimizaria perdas, mas não é tão difícil 
concluirmos que foi a própria natureza que “tomou providência” no sentido de autoproteção e 
apontou alguns caminhos para que os humanos pudessem segui-la quando foi notado, por exemplo, 
que compostos naturais apresentavam algumas propriedades interessantes para mitigar pragas nos 
vegetais (OBEREMOK et al., 2015).
395
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Acredita-se que as preparações extraídas de vegetais foram as primeiras substâncias químicas 
utilizadas como inseticidas. Na China antiga e depois, durante a Idade Média, na Pérsia, já se utilizavam 
as flores de dalmácia, vendidas com o nome de pó-de-inseto ou pó-da-Pérsia, para exterminar moscas, 
mosquitos, percevejos e baratas (OBEREMOK et al., 2015).
 Observação
Flores de dalmácia contêm até 1,5% de piretrina, substância 
ativa contra insetos.
Outras plantas, ainda hoje, são utilizadas popularmente como inseticidas, como o extrato aquoso de 
absinto, flores de sabugueiro e extrato de tabaco, contra gorgulhos, baratas e pulgões, respectivamente 
(OBEREMOK et al., 2015).
Desde o ano 1000 a.C., os produtos químicos naturais também são conhecidos pelas suas 
propriedades inseticidas. Homero descreveu o ritual da “limpeza divina”, em que o enxofre 
inorgânico era utilizado para livrar as pessoas dos piolhos, em suas obras A Ilíada e A Odisseia. 
A partir do ano 90 d.C., o arsênio e seus sais, a criolita e o bórax começaram a ser utilizados como 
inseticidas (OBEREMOK et al., 2015).
A utilização mais ampla de substâncias químicas para a proteção do agronegócio se intensificou 
bastante no século XIX. O acetoarsenito de cobre, também conhecido como verde Paris, foi aplicado 
com sucesso em 1871, no Colorado, Estados Unidos, contra o besouro da batata e foi amplamente 
utilizado no século XX, inclusive para o controle de vetores de doenças endêmicas, como mosquitos do 
gênero Anopheles.
O diclorodifeniltricloroetano (DDT) é, provavelmente, o mais conhecido inseticida. Ele foi 
sintetizado em 1874 pelo estudante austríaco Othmar Tseidler. Entretanto, na ocasião de sua 
descoberta, suas propriedades inseticidas não eram conhecidas. Apenas em 1939, o químico suíço 
Paul Müller identificou essa característica do DDT. Para que você tenha dimensão do feito de Müller, 
em 1948, ele ganhou o Prêmio Nobel de Medicina por ter trazido à luz a alta eficiência do DDT como 
inseticida de contato. Posteriormente, foi constatado que essa substância organoclorada era eficiente, 
mas também perigosa, quando agia sobre outros grupos de organismos, como répteis, pássaros e 
mamíferos (OBEREMOK et al., 2015).
A história é fluida e não poderia ser diferente para os inseticidas. A glória das propriedades 
inseticidas do DDT perdurou até a segunda metade do século XX, quando cedeu espaço a outras classes 
de substâncias químicas utilizadas com a mesma finalidade, como os organofosforados e os carbamatos. 
Estes, a despeito de seus possíveis danos ao meio ambiente, desempenham um importante papel no 
controle de pragas e ainda representam cerca de 19% de todo o mercado mundial para esse fim.
Neste momento, faz-se necessário trazermos até você, dentro desse breve histórico dos inseticidas, 
o desastre que houveem Bhopal, na Índia, na planta de produção do carbaril, um metilcarbamato. 
396
Unidade III
Em 3 de dezembro de 1984, houve o vazamento de mais de 40 toneladas do gás isocianato de metila, 
substância utilizada na fabricação do carbaril. Imediatamente após a explosão, ao menos 3,8 mil pessoas 
morreram e várias outras sofreram danos. Até hoje, esse é considerado o pior acidente industrial da 
história. Estimativas indicam que, alguns dias após o acidente, cerca de 10 mil pessoas haviam morrido 
e que houve entre 15 mil e 20 mil mortes, nas duas décadas subsequentes ao acidente, decorrentes da 
exposição à substância tóxica (BROUGHTON, 2005).
Após o apontamento desse fato histórico que utilizamos para lhe demonstrar os riscos toxicológicos 
envolvendo a exposição aos praguicidas, continuemos em nossa breve linha do tempo dos inseticidas 
na história mundial.
Os piretroides rapidamente ganharam notoriedade, sobretudo para aqueles que estavam 
preocupados com a segurança quanto ao uso dos inseticidas, em uma visão mais ampla. Assim, em 
1949, após a síntese da aletrina, as piretrinas se destacaram por sua baixa toxicidade sobre animais 
de sangue quente. Chama a nossa atenção como as diferentes perspectivas mudam as conclusões. 
Por exemplo: a eficiência da cipermetrina, permetrina e deltametrina foi questionada, uma vez que 
em contato com o raio ultravioleta perdem sua atividade e, consequentemente, sua função, que seria 
rapidamente minimizada ou perdida. Ao mesmo tempo, esse decaimento de efeito impede a acumulação 
dos piretroides no ambiente. Ainda hoje, encontram-se amplas aplicações de piretrinas e piretroides na 
proteção de plantas, e eles constituem cerca de 17% do mercado global de inseticidas.
Há algumas formas de classificar os praguicidas. Apresentamos no quadro a seguir algumas das mais 
novas classes de inseticidas, exemplos de substância química e seus respectivos mecanismos de ação.
Quadro 25 – Relação entre classes de praguicidas e mecanismo de ação
Classe Subclasse Exemplo(s) Mecanismo de ação
Lactonas 
macrocíclicas
Avermectinas Ivermectina, selamectina Potencializa a ação inibitória do ácido 
γ-aminobutírico (GABA)Milbemicinas ---
Fenilpirazóis Fipronil Bloqueia canais de cloro mediados pelo GABA
Análogos da 
nereistoxina 
Cartape, tiosultape, 
tiociclam
Bloqueia receptores nicotínicos da acetilcolina 
(nAchR)
Neonicotinoides
Imidacloprido, 
tiametoxan, clitianidina, 
acetamiprido tiacloprido
Agonistas dos receptores nicotínicos de 
acetilcolina (nAchR)
Diamidas
Diamidas de 
ácido ftálico Flubendiamida Agonista de receptor rianodina, libera o cálcio 
do retículo sarcoplasmático e prejudica o 
controle da contração muscularDiamidas 
antranílicas Clorantraniliprole
Benzoilureias Diflubenzurom Inibe a biossíntese da quitina
Cetoenois cíclicos Espirodiclofeno Inibe a acetil-CoA-carboxilase e, consequentemente, a síntese lipídica
Adaptado de: Oberemok et al. (2015) e Moller (2014).
397
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Além dos inseticidas naturais e sintéticos, preparações biológicas também foram utilizadas no 
controle de insetos. Na verdade, na década de 1870, Ilya Metchnikov e Louis Pasteur inovaram e foram 
os primeiros a utilizar preparações microbiológicas no controle de pragas. Para esse fim e por esse meio, 
podem ser utilizados agentes antibacterianos, fúngicos, virais e até mesmo inseticidas produzidos à base 
de ácidos nucleicos (OBEREMOK et al., 2015).
7.2.2 Epidemiologia
A produtividade da agropecuária no Brasil passa pela utilização de praguicidas; consequentemente, 
dependendo das condições de exposição, há riscos de intoxicação de humanos e animais, pela exposição 
a esses produtos.
Para uma perspectiva ainda mais ampla, observamos que, entre 42.309 casos de intoxicação que 
houve no país entre 2007 e 2016 (veja a tabela a seguir), os praguicidas foram os responsáveis pelo 
maior número de casos.
Tabela 12 – Grupos do agente tóxico causador das intoxicações 
exógenas relacionadas ao trabalho no Brasil de 2007 a 2016 (N = 42.309)
Grupo de agente tóxico N %
Agrotóxico/agrícola 15.149 35,81
Produto químico industrial 9.798 23,16
Produto de uso domiciliar 2.954 6,98
Medicamento 2.823 6,67
Alimento e bebida 2.084 4,93
Agrotóxico/doméstico 1.225 2,90
Agrotóxico/saúde pública 925 2,19
Produto veterinário 787 1,86
Planta tóxica 721 1,70
Raticida 674 1,59
Ignorado 585 1,38
Metal 572 1,35
Drogas de abuso 505 1,19
Cosmético/higiene pessoal 204 0,48
Outro 3.303 7,81
Fonte: Brasil (2018a).
Observamos também que, entre os praguicidas, os inseticidas e os herbicidas foram os responsáveis 
pelo maior número de casos de intoxicação por agrotóxicos, sobretudo relacionados à pulverização e à 
diluição dos produtos, como apresentado na tabela a seguir.
398
Unidade III
Tabela 13 – Percentual de casos de intoxicação no Brasil por praguicida, 
segundo sua finalidade de uso e atividade que gerou a exposição, entre 2007 e 2016
Característica do agrotóxico n %
Finalidade de utilização 15.741 100
Inseticida 6.891 43,8
Herbicida 5.692 36,2
Fungicida 999 6,3
Não se aplica 193 1,2
Carrapaticida 144 0,9
Raticida 49 0,3
Preservante/madeira 38 0,2
Outros 921 5,9
Ignorado 814 5,2
Atividade de exposição 15.760 100
Pulverização 7.390 46,9
Diluição 3.599 22,8
Colheita 1.216 7,7
Desinsetização 807 5,1
Tratamento/sementes 749 4,8
Não se aplica 261 1,7
Armazenagem 227 1,4
Transporte 166 1,1
Produção/formulação 75 0,5
Outros 722 4,6
Ignorado 548 3,4
Fonte: Brasil (2018a).
O termo pesticida é utilizado para designar uma substância química ou uma mistura delas 
utilizada para impedir ou reduzir os danos causados na agropecuária por repelir, destruir ou mitigar 
a praga. São consideradas pragas os insetos, ervas daninhas, pássaros, moluscos, peixes, mamíferos, 
nematoides ou microrganismos que competem com humanos por alimentos. Também podem ser 
vetores de doenças, são capazes de destruir propriedades e, de uma forma geral, são vistos como 
um incômodo para a sociedade. Alguns autores preferem utilizar o termo praguicida no lugar de 
pesticida (YADAV; DEVI, 2017).
Os praguicidas mais comumente utilizados são os inseticidas, fungicidas, herbicidas e rodenticidas, 
mas os desfolhantes de plantas, desinfetantes de superfícies, reguladores de crescimento e até 
mesmo produtos aplicados em piscinas também são utilizados, ainda que em menor escala (YADAV; 
DEVI, 2017).
399
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Na área da saúde, os praguicidas são bastante utilizados para eliminar vetores de doenças como 
os mosquitos. Em culturas agrícolas, são utilizados quando as pragas podem danificar de forma 
significativa a plantação. Um cuidado que se deve ter é que os praguicidas não respeitam fronteiras, 
ou seja, são capazes de causar danos como intoxicação aguda ou crônica a organismos que não são 
seu alvo, incluindo humanos. Dentro desse contexto, o respeito quanto aos critérios do uso seguro e do 
descarte adequado é fundamental (YADAV; DEVI, 2017).
Há diferentes formas de classificar os praguicidas. Podem ser categorizados segundo suas 
características físico-químicas, por sua função, se são naturais ou sintéticos, pelo seu modo de ação, 
pelo organismo-alvo, entre outros. Assim, a classificação dos praguicidas depende do objeto de estudo 
do pesquisador, mas três formas de classificação dos praguicidas se destacam: utilizam-se como base a 
composição química, a forma de exposição (modo de entrada) e a função do praguicida.
 Saiba mais
Para saber mais sobre o assunto, sugerimos que leia o artigo a seguir:
LOPES, C. V. A.; ALBUQUERQUE, G. S. C. de. Agrotóxicos e seus impactos 
na saúde humana e ambiental: uma revisão sistemática. Saúde em Debate, 
v. 42, p. 518-534, 2018.
7.2.3 Classificação dos praguicidas
7.2.3.1 Classificação baseada na forma de exposição
Praguicidas sistêmicos
Nas plantas, os praguicidas sistêmicos são transferidos para tecidos não tratados após sua absorção 
e podem chegar pelo sistema vascularàs folhas, raízes, caules ou outros órgãos que não foram tratados 
diretamente pelo praguicida. Ervas daninhas podem ser tratadas dessa forma (YADAV; DEVI, 2017).
O movimento do praguicida nos tecidos dos vegetais pode ocorrer de forma multidirecional ou 
unidirecional. Isso significa que, para alguns praguicidas, o sentido de distribuição no vegetal é único, 
ou seja, dependendo do órgão do vegetal onde é aplicado o praguicida, o transporte pode ocorrer 
apenas em um sentido, para cima ou para baixo. Alguns praguicidas são distribuídos apenas no 
sentido de baixo para cima no vegetal. Nesse caso, não adianta aplicá-lo nas folhas, porque não será 
distribuído por toda a planta. Entretanto, ressalta-se que a distribuição também pode ocorrer de 
forma multidirecional.
Em mamíferos, o praguicida pode ter efeito local ou sistêmico. Uma das formas de eliminar pulgas de 
um cachorro é administrar no animal um comprimido contendo um praguicida, o qual será distribuído 
400
Unidade III
pelo seu organismo e eliminará as pulgas. Isso caracteriza um efeito sistêmico. O mesmo raciocínio é 
válido para o tratamento de larvas e piolhos (YADAV; DEVI, 2017).
Pesticidas não sistêmicos
Como atuam sobre pragas após a interação físico-química, os praguicidas não sistêmicos também são 
chamados de praguicidas de contato e agem apenas após penetrar nos tecidos via epiderme; portanto, 
não são necessariamente distribuídos pelo sistema vascular do vegetal. O paraquat e o dibrometo de 
diquat são exemplos de praguicidas de contato (YADAV; DEVI, 2017).
Exposição pelo trato digestório
A intoxicação por praguicidas pelo estômago ocorre por aqueles que causam a morte do organismo 
(praga) por destruição de seu estômago. A praga se expõe a esse tipo de praguicida ao ingerir o praguicida 
que foi aplicado sobre as folhas e outras partes do vegetal. O malation, por exemplo, mata mosquitos 
por destruição do estômago ou intestino médio de moscas e larvas (YADAV; DEVI, 2017).
Fumigantes
Os fumigantes são praguicidas capazes de matar pragas pela produção de vapor ou gás. Deve-se ter 
muita atenção na utilização, armazenamento, transporte, uso e descarte dos praguicidas fumigantes. 
Alguns de seus ingredientes são líquidos envasados a alta pressão que se transformam em gases ou são 
líquidos voláteis, e seus vapores formam gases tóxicos quando aplicados. Dessa forma, a praga se expõe 
aos vapores ou gases do praguicida pelo sistema respiratório.
Os fumigantes são bastante utilizados para eliminar pragas que contaminam grãos, vegetais e frutas, 
sobretudo em condições de armazenamento, e também são muito úteis para o controle de pragas no 
solo (YADAV; DEVI, 2017).
Repelentes
Os repelentes não matam, mas são desagradáveis o suficiente para manter as pragas afastadas dos 
produtos agrícolas ou de áreas específicas.
Em alguns momentos, observa-se que podemos compreender os conceitos, mas nem sempre 
conseguimos contextualizar seu significado. No conceito de praguicidas, foi exposto que são substâncias 
químicas capazes de mitigar pragas, mas o que significa isso exatamente?
Faz-se necessário compreender que há praguicidas utilizados para o controle de mais de um tipo de 
praga, como o aldicarbe, empregado com inseticida, acaricida e nematicida.
401
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
Sob a óptica etimológica, cida significa matar, sendo utilizado 
comumente como sufixo dos correspondentes nomes das pragas que 
eliminam. Entretanto, nem sempre esse sufixo é utilizado na classificação 
dos praguicidas.
Alguns praguicidas podem ser classificados segundo sua função. Como exemplo, os desfolhantes 
são aqueles que induzem a queda das folhas dos vegetais; os reguladores de crescimento estimulam 
ou retardam o crescimento das pragas; os dessecantes são aqueles que secam as plantas, normalmente 
utilizados para facilitar a colheira mecânica; os atrativos são utilizados como armadilhas, para atrair 
as pragas; os quimioesterilizantes são capazes de esterilizar as pragas e os repelentes promovem a 
repelência das pragas (YADAV; DEVI, 2017).
Outra possível classificação para os praguicidas é fundamentada no organismo-alvo (praga) ou 
função, e seus respectivos nomes refletem, de certa forma, sua atividade (veja o quadro a seguir).
Quadro 26 – Classificação dos praguicidas segundo o organismo-alvo ou função
Tipo de praga Praga-alvo/função Exemplo(s)
Acaricida Mata ácaros que se alimentam de plantas e animais Aldicarbe, bifenazato
Algicida Mata ou controla o crescimento de algas Sulfato de cobre
Avicida Mata aves Avitrol
Bactericida Mata bactérias ou atua contra bactérias Complexos de cobre
Bolas de mariposa Interrompe o dano em roupas causados por larvas de traça ou bolores Diclorobenzeno
Cupinicida Mata cupins Fipronil
Desfolhante Atua nas plantas secando seus tecidos Ácido bórico
Fungicida Mata fungos e bolores Azoxistrobina
Herbicida Mata ervas daninha e outras plantas de crescimento indesejado Atrazina
Inseticida Mata insetos e outros artrópodes Aldicarb
Lampricida Elimina lampreias Nitrofenol 
Larvicida Inibe o crescimento de larvas Metopreno
Moluscicida Mata ou inibe o crescimento de plantas ou a cultura de moluscos (caracol) Metaldeído
Nematicida Mata nematódeos que atuam como parasitas de plantas Aldicarbe
Ovicida Inibe o crescimento de ovos de insetos e ácaros Benzoxazina
Piscicida Atua contra peixes Rotenona
Repelentes Repelem pragas pelo seu sabor ou cheiro Metiocarbe
Rodenticida Controla ratos e outros roedores Varfarina
Silvicida Atua contra vegetação lenhosa Tebuthiuron
Virucida Atua contra vírus Citovirina
Adaptado de: Yadav e Devi (2017).
402
Unidade III
Os praguicidas também podem ser classificados segundo a composição química.
7.2.3.2 Classificação segundo a composição química
A composição química e a natureza das substâncias são muito úteis na classificação dos praguicidas. 
Essa classificação nos confere informações importantes sobre as propriedades físicas e químicas e a 
eficácia dos praguicidas, sobretudo para subsidiar informações sobre a determinação de precauções, 
modo de utilização e concentrações de uso.
Os praguicidas podem ser naturais ou sintéticos. Os praguicidas atuais são produtos químicos 
sintéticos orgânicos. Entre eles, constam os organoclorados, organofosforados, carbamatos, piretrinas e 
piretroides (veja a figura a seguir), que iremos apresentar agora.
Inseticidas
Naturais Sintéticos
InorgânicoPlanta
Piretrum 
Azadiractina
OrgânicoÓleo mineral
Organoclorados
DDT
BHC
Organofosforados
Malation
Temefós
Fention
Diclorvós
Fenitrotion
Pirimifós metílico
Carbamatos
Propoxur
Bendiocarbe
Carbaril
Piretroides
Deltametrina
Ciflutrina
Bifentrina
Lambda-cialotrina
Permetrina
Legenda: DDT = diclorodifeniltricloroetano; BHC = hexaclorobenzeno
Figura 160 – Classificação dos praguicidas segundo sua composição química
7.2.4 Inseticidas organoclorados
7.2.4.1 Introdução
A primeira observação que se faz para esse grupo de praguicidas é que os organoclorados estão 
proibidos em vários países, sobretudo em fução de sua toxicidade e capacidade de acúmulo no ambiente 
(GOEL; AGGARWAL, 2007).
403
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
7.2.4.2 Propriedades físico-químicas
Quimicamente, os inseticidas organoclorados são hidrocarbonetos cíclicos contendo átomos de 
cloro, com pesos moleculares que variam de 300 g/mol a 500 g/mol. Esse grupo de inseticidas contém 
os ciclodienos, como aldrin, endrin, dieldrin, heptcloro, endosulfan, clordano, dodecacloro, clordecone, o 
DDT e seus análogos, o hexacloricloexano e seus isômeros e ainda outros compostos, como o toxafeno.
7.2.4.3 Toxicocinética
Os organoclorados são bastante lipofílicos. Em função da elevada lipossolubidade e também 
dependendo dos solventes utilizados no preparo desses compostos, como o tolueno, o querosene e 
outros diversos tipos de destilados de petróleo, pode haver maior intensidade de absorção do toxicante 
e, consequentemente, intensificação de seus efeitos tóxicos(GOEL; AGGARWAL, 2007).
O estado de vacuidade gástrica influencia na absorção dos inseticidas organoclorados. Caso o 
organismo se exponha aos organoclorados com estômago vazio, a manifestação dos efeitos tóxicos 
se inicia rapidamente. Dependendo das condições, em cerca de trinta minutos após a exposição em 
estado de vacuidade gástrica, o organismo pode apresentar sinais e sintomas associados a tonturas, 
náuseas, vômito, confusão mental, convulsão e coma. Um dos destaques desses efeitos é que o status 
spilepticus pode não ser responsivo à terapêutica anticonvulsivante. O lindano, particularmente 
tóxico para o SNC, pode levar a alterações nas ondas T, com aspecto em tenda ou apiculado, sugestivo 
de hipercalemia.
Você se lembra de que os organoclorados podem estar solubilizados em solventes orgânicos? Esses 
solventes podem também intoxicar o organismo e produzir pneumonite por aspiração, quando a 
exposição ocorrer pelo trato digestório (GOEL; AGGARWAL, 2007).
7.2.4.4 Mecanismo de toxicidade
Uma informação que deve ser relevada neste momento é que não há unanimidade sobre o 
mecanismo de ação dos organoclorados. Por serem constituídos de uma ampla gama de diferentes 
substâncias, podem apresentar distinção em suas respectivas toxicodinâmicas. Ainda assim, de uma 
forma geral, é possível concluirmos que a maneira pela qual os inseticidas organoclorados agem 
está associada à despolarização celular, ou seja, os organoclorados levam ao prejuízo da função do 
SN, por despolização das membranas nervosas, e, em muitos momentos, animais e humanos podem 
apresentar respostas associadas à hiperexcitabilidade.
Ressalta-se ainda que esse grupo de praguicidas parece inibir o canal do complexo ácido gama 
aminobutírico-cloro (GABA-Cl), corroborando com os efeitos excitatórios. Infere-se, assim, que são 
agonistas da transmissão sináptica, e, consequentemente, pode haver como sinais e sintomas de 
intoxicação tremores, distúrbios do equilíbrio e convulsões, dependendo das condições de exposição 
(GOEL; AGGARWAL, 2007).
404
Unidade III
7.2.4.5 Efeitos tóxicos
Podem causar sensibilização do miocárdio para catecolaminas exógenas ou endógenas, com 
consequente predisposição a arritmias. O lindano pode ainda induzir à distrofia cardiovascular, 
sobretudo no ventrículo esquerdo (GOEL; AGGARWAL, 2007).
Ressalta-se a variação dos efeitos tóxicos causados pelos inseticidas organoclorados, dependendo da 
espécie exposta (veja o quadro a seguir).
Quadro 27 – Efeitos bioquímicos dos principais praguicidas 
organoclorados em função da espécie exposta
Nome químico Organismo Efeitos bioquímicos
Aldrin e dieldrin
Humano
Neurotóxico, danos reprodutivos, de desenvolvimento, 
imunológico, efeitos genotóxicos, tumerogênicos, náusea, 
vômito, contração muscular e anemia aplástica 
Rato, porquinho-da-índia, 
coelho e cachorro
Convulsões, perda de peso corporal, depressão, aumento 
da irritabilidade, salivação, hiperexcitabilidade, prostração 
e morte
Clordano
Humano Convulsões, tremores, confusão mental e incoordenação motora
Camundongo Fertilidade reduzida e câncer de fígado
Foca Câncer e meningocefalite
BHC/DDE Humano Cisto nas mãos, prurido, psoríase, eczema, leucoderma e erupções cutâneas
DDT
Humano
Sensação de formigamento na boca, náusea, tontura, 
confusão, cefaleia, letargia, incoordenação motora, 
vômito, fadiga, tremores nas extremidades, anorexia, 
anemia, fraqueza muscular, hiperexcitabilidade, ansiedade 
e tensão nervosa
Camundongo
Tumores hepáticos e alterações hepáticas, incluindo 
hipertrofia hepatocelular, margem e formação de 
liposferas
Aves Afinamento da casca do ovo
Peixes Afeta a função da membrana e enzimas
Salmão Prejuízo do desenvolvimento comportamental
Diazinon
Rato Neurotóxico
Répteis, peixes e mamíferos Lacrimação, salivação, anorexia, bradicardia, dor abdominal, hiperatividade, ansiedade, depressão e vômito
Pássaros
Espasmos, queda das asas, encurvamento, tenesmo, 
diarreia, ptose palpebral, prostração, opistótono e 
convulsões
Humano
Visão turva ou escura, ansiedade, inquietação, sintomas 
semelhantes à depressão, perda de memória, confusão 
mental e pancreatite aguda
Dicofol
Rato Redução do peso corporal e neurotoxicidade aguda
Cachorro Inibição do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)
405
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Nome químico Organismo Efeitos bioquímicos
Endossulfan
Humano
Diminuição dos glóbulos brancos, migração de 
macrófagos e prejuízo no sistema imunológico humoral e 
mediado por células
Afeta a qualidade do sêmen, o número de 
espermatozoides, de células espermatogonais e a 
morfologia dos espermatozoides e causa outros defeitos 
nos hormônios sexuais masculinos
Causa dano e mutação no DNA
Rato
Imunossupressão, distúrbios neurológicos, anomalias 
cromossômicas, retardo mental, comprometimento da 
aprendizagem e memória e glomerulonefrite
Lindano
Humano
Dano no fígado, rim, sistemas neurais e imunológicos, 
induz ao câncer, defeitos congênitos, neurotóxicos, danos 
reprodutivos
Rato Altera a expressão gênica do fígado e é hepatotóxico
Metoxicloro
Ouriço-do-mar Prejudica a fertilização e o desenvolvimento inicial dos ovos
Rato Reduz a fertilidade
Bifenilas 
policloradas (PCBs)
Humano Distúrbios neurológicos e de memória de curto prazo
Peixes, ratos, macacos e 
camundongos
Câncer, linfoma de Hodgkins, diminuição do peso ao 
nascer e diminuição do tamanho do timo
Pentaclorofenol
Humano
Inflamação do trato respiratório superior, bronquite, 
anemia aplástica, danos renais e hepáticos, prejuízo na 
resposta imunológica e irritação dos olhos, nariz e pele
Rato e camundongo Afeta o sistema cardiovascular, sangue, fígado, sistema imunológico e SNC
Legenda: BHC = hexaclorobenzeno; DDE = diclorodifenildicloroetileno; DDT = diclorodifeniltricloroetano
Adaptado de: Jayaraj, Megha e Sreedev (2016).
7.2.4.6 Manejo da intoxicação
O manejo da intoxicação pela exposição aos inseticidas organoclorados envolve um pronunciado 
cuidado, sobretudo quanto às convulsões. É importante que se mantenha as vias aéreas patentes e, se 
necessário, proceder com o suporte ventilatório. A partir do momento que as vias aéreas, respiração e 
circulação sanguínea estiverem patentes e se elimina a possibilidade de absorção do toxicante por essas 
vias, deve-se realizar as descontaminações gástrica e dérmica (GOEL; AGGARWAL, 2007).
O tratamento deve ser de suporte e sintomático, e não há antídoto específico.
7.2.5 Inseticidas organofosforados
7.2.5.1 Usos e fontes de exposição
Por nossa perspectiva toxicológica, os praguicidas organofosforados podem ser considerados um 
problema de saúde pública, de forma global. Anualmente, ocorrem cerca de 3 milhões de intoxicações 
por praguicidas no mundo; destes, cerca de 2 milhões ocorrem intencionalmente. Esses casos resultam 
406
Unidade III
em aproximadamente 250 mil mortes, na maior parte dos casos por praguicidas organofosforados 
(NARANG; NARANG; GUPTA, 2015).
Mas não pense que é apenas na agricultura que essa classe de substâncias químicas é utilizada. 
Há o que se conhece por gases dos nervos, como tabun, soman, sarin e VX, que são substâncias 
organofosforadas utilizadas em situações de conflitos bélicos, como gases de guerra. Alguns dos mais 
comuns praguicidas organofosforados utilizados na agricultura são clorpirifós, malation, paration, 
diclorvos, diazinom, dimetoato, acefato, fentato, monocrotofos e glifosato (NARANG; NARANG; 
GUPTA, 2015; GOEL; AGGARWAL, 2007).
7.2.5.2 Propriedades físico-químicas
Neste tópico, trataremos das propriedades físico-químicas dos praguicidas organofosforados de 
forma mais direta, correlacionando sua estrutura química com outras informações relevantes, como 
a toxicidade.
Os inseticidas organofosforados (veja a figura a seguir) são constituídos de diferentes estruturas, 
mas normalmente são amidas, tióis ou ésteres derivados do ácido fosfórico ou fosfônico, e geralmente 
R1 e R2 são grupos aril simples ou alquil (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
P
OXR1
R2 
P
S
XR1
R2
Figura 161 – Estrutura química geral dos organofosforados
A letra X representa vários grupos, por alguns chamados de grupos de saída, uma vez que 
normalmente são substituídos por uma reação de substituição nucleofílica pelo oxigênio presente na 
serina, sítio ativo da enzima-alvo, que é a acetilcolinesterase (AChE) (MANGAS et al., 2016).
Quimicamente, os organofosforados são ésteres de ácido fosfórico e seus derivados com 
combinações variadas de carbono, oxigênio e enxofre ou com nitrogênio associado. A estrutura 
geral do organofosforado compreende um átomo de fósforo que se localiza de forma central 
e que pode realizar duplas ligações com o enxofre ou oxigênio, sendo que os radicais R1 e 
R2, nomalmente, são grupamentos arílicos ou alquílicos que se ligam diretamente ao átomo 
de fósforo, formando os fosforotioatos, ou indiretamente, através de um enxofre ou oxigênio, 
formando os fosfonatos ou fosfinatos (MANGAS et al., 2016).
A ligação entre o fósforo e o oxigênio forma o grupo oxon (P = O) e, normalmente, é um grupo 
químico com toxicidade superior ao grupamento tion, ou seja, aquele em que há a ligação entre o 
fósforo e o oxigênio (P = S). Esse grupamento é mais estável em comparação com o oxon. Entretanto, 
biologicamente, pode haver a biotransformação do grupamento tion em oxon, o que leva ao aumento 
da toxicidade do xenobiótico (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
407
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Os organofosforados são relativamente estáveis em pH neutro, mas instáveis em pH inferior a 2, e 
a maioria é rapidamente hidrolisada por álcalis. Alguns deles, como os fosforamidatos, são hidrolisados 
mesmo em pH entre 4 e 5, e o que se destaca nesse contexto é que como produto formam-se ácidos, 
que tendem a catalisar ainda mais sua decomposição (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
 Observação
É fundamental conhecermos as propriedades físico-químicas das 
substâncias para uma avaliação toxicológica.
Outro detalhe de estabilidade e reatividade desses compostos é que a oxidação do fosforotioatos 
em fosfatos (- P = S → - P = O) aumenta o risco de intoxicação por dois motivos: os fosfatos são mais 
voláteis e mais tóxicos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
No ambiente, os produtos da degradação por hidrólise dos organofosforados são hidrossolúveis e, 
aparentemente, pouco tóxicos. Opostamente aos praguicidas organoclorados, o risco de intoxicação 
pela exposição aos organofosforados é restrito ao curto prazo, ainda que possa haver uma significativa 
faixa de amplitude de meia-vida dos organofosforados, que pode variar de poucas horas a semanas para 
o ciclorvos e o paration, respectivamente (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
7.2.5.3 Toxicocinética
Absorção
A primeira informação de que precisamos dispor para compreender a dinâmica de absorção dos 
organofosforados é que a maioria das substâncias que pertencem a esse grupo é lipofílica e não ionizada. 
Concluimos, assim, que a absorção desse grupo de substâncias atravessa barreiras biológicas facilmente 
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986). Veja, a seguir, as possíveis vias de exposição.
• Pele: a principal via de exposição aos organofosforados é pela pele, mas outras vias de exposição 
também devem ser consideradas, como a ingestão acidental ou intencional e o trato respiratório, 
sobretudo na aplicação das substâncias na agricultura (MANGAS et al., 2016).
 Observação
O contato com a pessoa que se expôs ao organofosforado pela pele 
também pode contaminar.
Incontáveis casos de intoxicação aguda ocorrem quando há o contato das substâncias pertencentes 
a esse grupo de praguicidas com a pele, e a intensidade da absorção está relacionada à extensão da 
roupa ou pele que teve contato, à quantidade da substância derramada, à volatilidade do composto, 
408
Unidade III
ao critério de lavagem do local afetado e à presença e natureza dos agentes emulsificantes e solventes 
utilizados no praguicida (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
• Trato digestório: a absorção dos praguicidas organofosforados pelo trato digestório em ratos 
é rápida e eficiente. Existem também algumas considerações que podem ser feitas a respeito 
da exposição por essa via. Por exemplo, não se sabe exatamente se organofosforados de baixa 
DL50 apresentam baixa toxicidade pela exposição por essa via por serem pouco absorvidos ou se 
efetivamente sua toxicidade é superior à das demais substâncias.
• Armazenamento: a meia-vida biológica dos organofosforados é relativamente curta, como 
tivemos a oportunidade de ver, diferentemente dos organoclorados.
• Biotransformação: as principais vias metabólicas associadas à biotransformação dos 
organofosforados envolvem reações de oxidases de função mista, hidrolases e transferases.
— Oxidases de função mista: oxidases de função mista localizadas no retículo endoplasmático 
hepático, mas também presentes no rim, pulmão e intestino, oxidam os praguicidas 
organofosforados.
 Lembrete
O estado nutricional pode interferir de forma significativa na 
biotransformação dos organofosforados.
- Dessulfuração oxidativa: de uma forma bastante simples, podemos expor que desulfuração 
é uma reação química em que ocorre a remoção do enxofre da estrutura, e oxidativa significa 
que há a oxidação de substâncias químicas que contenham átomos de enxofre. Vimos 
anteriormente que compostos organofosforados com grupamentos tions são mais estáveis 
e menos reativos em comparação com os que possuem grupamentos oxon, que são mais 
reativos. No organismo, por meio das reações de fase I, catalisadas por oxidases de função 
mista, está havendo uma biotransformação, com a formação de compostos oxons, bastante 
reativos, com várias ordens de toxicidade superior em comparação com os grupamentos 
tions (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
A N-desalquilação oxidativa e a O-desalquilação oxidativa são algumas formas de 
biotransformação dessa classe de praguicidas. A O-desalquilação oxidativa, por exemplo, catalisa 
a conversão de triéster em diéster, por meio de oxidases de função mista. Outras reações de 
biotransformação catalisadas por oxidases de função mista são a dearilação oxidativa e a 
oxidação da cadeia lateral (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
— Hidrolases: enzimas como fosforilfosfatases e A-esterases são comumente encontradas 
em vários tecidos de mamíferos, como fígado, intestino e plasma, ainda que sejam pouco 
abundantes em pássaros, e catalisam as reações de biotransformação. O malation, praguicida 
409
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
organofosforado que contém dois ésteres carboxílicos, é hidrolisado por carboxilesterases, por 
exemplo (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
A DL50 do malation para exposição por via oral, em ratos, é reduzida de 10000 mg/kg para 
100 mg/kg quando ocorre inibição das carboxilesterases teciduais. Quanto menor é a DL50 de 
um xenobiótico, maior é sua toxicidade. Concluímos, assim, que há aumento de 100 vezes 
da toxicidade do malation, caso sua biotransformação seja interrompida.
— Transferases: a glutationa-S-transferase (GST) é responsável pela catálise de triésteres 
de organofosforados, e as transferases catalisam a conjugação de álcoois, fenóis e ácidos 
carboxílicos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
Distribuição
A distribuição do organofosforado ocorre para todo o organismo, com destaque para tecidos 
gordurosos, ainda que não apresente tendência de se bioacumular, em função de sua rápida 
biodegradação.
Excreção
A excreção dos produtos de biotransformação ocorre principalmente pela urina, mas também 
pelo ar exalado e pelas fezes. As ligações covalentes e o depósito em tecidos gordurosos reduzem, em 
parte, a excreção da substância. A eliminação dos praguicidas organofosforados apresenta um pico 
em aproximadamente dois dias e depois cai rapidamente (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
7.2.5.4 Mecanismo de ação
A ACh liberada pelos neurônios pós-ganglionares parassimpáticos e por fibras simpáticas 
colinérgicas atua sobre receptores em várias glândulase músculos. Os sítios pós-sinápticos das fibras 
pré-ganglionares e junções neuromusculares têm receptores nicotínicos, enquanto os neurônios 
centrais têm receptores muscarínicos e nicotínicos (GOEL; AGGARWAL, 2007).
A AChE tem como função fisiológica hidrolisar a ACh liberada nas terminações nervosas colinérgicas 
e, consequentemente, reduzir os efeitos colinérgicos no organismo. Quando a AChE perde sua atividade, 
pode haver como desdobramento uma variedade de efeitos oriundos do excesso de estimulação nervosa, 
que pode levar o organismo à insuficiência respiratória e até mesmo à morte. O efeito bioquímico 
primário dos praguicidas organofosforados está associado à inibição da ação por fosforilação da AChE, 
que impede a capacidade de hidrólise da ACh, com consequente acúmulo do neurotransmissor em 
vários locais (GOEL; AGGARWAL, 2007).
Envelhecimento é um termo associado à perda do grupamento alquílico da enzima fosforilada, que 
leva ao aumento de tempo para que a enzima se recupere e possa hidrolisar novamente a ACh. Durante 
esse período, a enzima fica inativa. A taxa de reativação espontânea para os organofosforados dimetílicos 
410
Unidade III
é relativamente rápida, opostamente à dos compostos dietílicos do mesmo grupo de praguicidas, que é 
bastante lenta (GOEL; AGGARWAL, 2007).
Intoxicação aguda – sinais e sintomas de intoxicação
Os sinais e sintomas referentes à exposição aguda aos praguicidas organofosforados se desenvolvem 
dentro de uma a duas horas após a exposição e estão relacionados à estimulação dos receptores 
colinérgicos nicotínicos, muscarínicos e do SNC (veja o quadro a seguir) (GOEL; AGGARWAL, 2007).
Quadro 28 – Relação dos efeitos no organismo, causados pela 
intoxicação dos praguicidas organofosforados
Efeitos muscarínicos Efeitos nicotínicos Efeitos no SNC
Bradicardia Cãibras musculares Alteração do estado de consciência
Broncoespasmo Debilidade Ansiedade
Broncorreia Fadiga Ataxia
Cãibras gastrointestinais Fasciculações Cefaleia
Cianose Hiperglicemia Coma
Cólica abdominal Hipertensão Confusão mental
Diaforese Midríase (raramente) Convulsões
Diarreia Mialgias Depressão respiratória
Hiperemia conjuntival Paralisia flácida Fraqueza
Hipotensão Taquicardia Inquietação
Incontinência de esfincteres Vasoconstrição periférica Irritabilidade
Lacrimejamento Tremores
Miose
Micção
Náusea
Rinorreia
Sialorreia
Visão borrada
Vômito
Adaptado de: Fernández, Mancipe e Fernández (2010) e Goel e Aggarwal (2007).
No eletrocardiograma (ECG) pode have alterações nas ondas T e prolongamento do intervalo PR, mas 
também podem existir outras, que incluem extra-sístoles ventriculares. Alguns casos podem apresentar 
quadro de hiperglicemia, pancreatite aguda, hiperamilasemia (possivelmente por conta do quadro de 
pancreatite) e hipotermia (GOEL; AGGARWAL, 2007).
411
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Em termos de velocidade dos efeitos tóxicos dos organofosforados, a intoxicação fatal pode ocorrer 
em algumas horas. Em uma fazenda, a ingestão acidental de água contaminada por essa classe de 
praguicidas, contendo também carbamatos, levou à morte de 40% do gado, poucas horas depois de ter 
ingerido a água contaminada (n = 40) (veja as figuras a seguir) (OLIVEIRA-FILHO et al., 2010).
A) B) 
C) D) 
Figura 162 – Intoxicação bovina por carbamatos e organofosforados: A) Poça d’água contendo organofosforado e carbamato; 
B) Bovino que se expôs à água da poça, em decúbito esternal. Esse animal morreu poucas horas após ter tomado essa posição; 
C) Sialorreia, característica na intoxicação por organofosforado; D) A morte dos animais que se expuseram ao organofosforado 
ocorreu aproximadamente ao mesmo tempo
Síndrome intermediária
Chama-nos muito a atenção este número: 20% a 47% dos pacientes que se intoxicam com os 
organosfosforados também podem apresentar a síndrome intermediária. Essa síndrome normalmente 
aparece entre o primeiro e o quarto dia após a exposição, mas pode aparecer mesmo após uma semana 
do início da exposição. Nela, o paciente acusa uma fraqueza na flexão do pescoço, que pode progredir 
para a musculatura respiratória e levar à insuficiência respiratória.
Fundamentalmente, é uma polineuropatia e, provavelmente, relacionada à inibição de esterases, 
com consequente morte neuronal por hiperestimulação de neurônios por período prolongado 
(GOEL; AGGARWAL, 2007).
412
Unidade III
Efeitos retardados
Outra condição que pode acometer o intoxicado por organosfosforado é uma síndrome caracterizada 
por parestesia e fraqueza motora. Essa neuropatia ascendente, tipo luvas e botas, ocorre após 10 a 21 dias 
da exposição. Também pode haver alteração da personalidade, depressão e esquizofrenia.
7.2.5.5 Diagnóstico
A confirmação da exposição aos praguicidas organofosforados se faz ao medir a atividade da 
butirilcolinesterase (pseudocolinesterase ou colinesterase plasmática, BChE) e a colinesterase eritrocitária 
(AchE). A medida da BChE é menos específica que a da AchE, uma vez que seus níveis podem ser baixos 
em casos de desnutrição, hepatite crônica, infecção e neoplasia ou até mesmo pelo uso de alguns 
medicamentos como a codeína ou a morfina.
O praguicida organofosforado diazinon afeta mais intensamente a BChE do que a AchE, de forma que, 
em alguns casos, a determinação das colinesterases plasmáticas pode apresentar uma boa correlação 
entre a exposição desse organofosforado. A AchE também pode estar “falsamente” baixa em alguns 
casos, como na anemia falciforme (GOEL; AGGARWAL, 2007).
7.2.5.6 Manejo e tratamento
As vias aéreas, respiração e circulação sanguínea devem estar patentes. Deve-se proceder o 
monitoramento com o oxímetro de pulso e a oxigenoterapia. Um cuidado que se deve ter nesse momento 
é que há a possibilidade de aspiração do praguicida, caso a exposição tenha ocorrido por via oral. Para 
reduzir essa possibilidade, posiciona-se o paciente do lado esquerdo, com a cabeça abaixo do nível do 
corpo, e o pescoço deve permanecer estendido (EDDLESTON et al., 2008).
Episódios de convulsão são tratados com diazepam (EV) ou midazolam. Uma das formas de monitorar 
o paciente é por meio da escala de Glasgow. Há indicação para a administração intravenosa de atropina 
pela identificação de qualquer característica de intoxicação colinérgica, hipotensão com pressão arterial 
sistólica inferior a 80 mmHg, diaforese, miose ou broncorreia (GOEL; AGGARWAL, 2007).
Caso o oxigênio não esteja disponível, não se deve retardar a administração da atropina. Entre 
3 e 5 minutos após a administração, devem aparecer os efeitos da atropinização. Caso contrário, 
é necessário dobrar a dose da atropina em relação à anteriormente administrada. Caso não seja 
executado esse procedimento, ou seja, caso a mesma dose anterior seja administrada novamente, 
a probabilidade de morte decorrente da intoxicação colinérgica antes do efeito da atropina é alta 
(GOEL; AGGARWAL, 2007).
 Observação
A maioria das mortes decorrentes da exposição aos praguicidas 
organofosforados se deve a problemas respiratórios.
413
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Caso o paciente apresente quadro de confusão mental, febre, agitação, bexiga cheia e sem sons 
intestinais, seguramente há intoxicação pela atropina e há a necessidade de interrupção da administração 
da atropina temporariamente (GOEL; AGGARWAL, 2007).
O glicopirrolato é um agente antimuscarínico com estrutura de amônio quaternário com efeito 
bastante parecido com o da atropina, mas com a vantagem de não atravessar a barreira hematoencefálica 
e não interferir, assim, no encéfalo. Consequentemente, causa menos taquicardia que a atropina e 
também é capaz de bloquear bradiarritmias de forma bastante eficaz. A administração concomitante 
do glicopirrolato reduz a dose da atropina e pode reduzir os efeitos tóxicos centrais e a duração dos 
cuidados ventilatórios (GOEL; AGGARWAL, 2007).
A pralidoxima (PAM) é uma oxima bastante utilizada para reverter os efeitos nicotínicos. Ainda que 
a utilização da PAM sejacontroversa, uma vez que vários estudos apontam que não há evidências de 
benefício clínico na redução da morbidade ou mortalidade pela utilização da substância, outros apontam 
que elevadas doses de iodeto de PAM reduzem a morbidade e mortalidade em casos moderadamente 
graves, por intoxicação aguda por praguicidas organofosforados. A despeito da controvérsia, autoridades 
incluem a PAM no tratamento das intoxicações nesses casos (GOEL; AGGARWAL, 2007).
Deve-se considerar ainda que a eficácia das oximas na reativação da acetilcolinesterase depende 
do organofosforado ao qual o organismo se expôs. Os organofosforados dimetílicos geram um 
rápido envelhecimento enzimático, limitando bastante a eficácia da PAM. Os dietílicos induzem ao 
envelhecimento mais lento da AChE, permitindo, assim, maior eficácia no tratamento da intoxicação 
pela PAM, mesmo após vários dias do início do envelhecimento enzimático (GOEL; AGGARWAL, 2007).
7.2.5.7 Níveis de exposição a humanos
A exposição humana também pode ocorrer por meio do consumo de alimento que foi colhido 
precocemente, antes mesmo de ter havido o declínio dos níveis do praguicida que foram aplicados sobre 
o alimento. A utilização dos praguicidas nos alimentos deve ocorrer mediante as boas práticas agrícolas. 
Ainda assim, faz-se necessário o controle dos níveis de exposição por meio do LMR e da IDA (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 1986).
Sob a perspectiva de exposição ocupacional, a preparação, distribuição e aplicação das formulações 
contendo praguicidas organofosforados podem levar à intensa exposição do trabalhador, que pode ser 
por via oral, inalatória ou cutânea, sendo que esta é a mais importante. Alguns hábitos simples geram 
grande impacto positivo na redução da exposição ocupacional aos organofosforados, como não se 
alimentar, beber água ou fumar na área de trabalho (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986).
 Observação
Observe como novamente as propriedades físico-químicas influenciam 
no risco de intoxicação a um xenobiótico.
414
Unidade III
A pressão de vapor dos praguicidas organofosforados é bastante variável. Consequentemente, o 
risco da exposição a esses compostos pela inalação de seus gases ou vapores depende muito de cada 
composto. Como exemplo, o malation é bem menos volátil em comparação com o ciclorvos (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 1986).
7.2.6 Piretrinas e piretroides
Você reparou que o crisântemo é bastante utilizado em velórios ou situações envolvendo o 
dia de finados?
Além de ser uma planta bastante resistente, ela também apresenta um simbolismo: para 
algumas culturas, significa sinceridade. Acreditamos que a escolha dessa planta para ser utilizada 
em velórios ou cemitérios transcenda o simbolismo, mas tenha um valor agregado pela experiência 
de nossos antepassados.
Para compreendermos melhor, avançaremos um pouco nas informações específicas e em breve você 
compreenderá aonde queremos chegar.
Piretro é a designação dada para o extrato natural presente nas flores de Chrysanthemum 
cinerariaefolium e Chrysanthemum cineum, ou seja, do crisântemo. O piretro foi reconhecido pela 
primeira vez por suas propriedades inseticidas por volta de 1800 na Ásia e foi usado para matar 
carrapatos, pulgas e mosquitos. O extrato de piretro possui produtos químicos com propriedades 
ativas inseticidas, e esses compostos são chamados de piretrinas. O piretro, pó de coloração marrom, 
é ligeiramente hidrossolúvel, mas se solubiliza bem em solventes orgânicos, como querosene, 
hidrocarbonetos clorados e álcool. Quando se expõe à luz natural do sol, decompõe-se rapidamente 
no ambiente (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
Os piretroides apresentam algumas diferenças em relação às piretrinas: são sintéticos, mais tóxicos 
para mamíferos e insetos e mais estáveis, ou seja, permanecem por mais tempo no ambiente. A maioria 
dos piretroides comerciais são substâncias com a mesma fórmula química, ou seja, apresentam a mesma 
sequência de átomos, mas o arranjo entre esses átomos é diferente: é o que se chama de estereosinomeria. 
Dessa forma, sabemos que não possuem imagens espelhadas uns dos outros e também apresentam 
propriedades físicas distintas, como a solubilidade e pontos de fusão e ebulição. Compreendemos, assim, 
que essa diferente isomeria espacial leva a diferentes propriedades toxicológicas e inseticidas (AGENCY 
FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
 Observação
Pode haver piretroides constituídos de até oito diferentes estereoisômeros.
A contaminação do meio ambiente pelas piretrinas e piretroides ocorre em função de seu uso como 
inseticidas, quando aplicados diretamente na forma de aerossóis ou por pulverizadores terrestes ou 
aéreos. Poucos dias são suficientes para degradar esses compostos no ambiente, mas há exceções. 
415
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
A cialotrina e a permetrina são ligeiramente mais estáveis à luz solar em comparação com os demais 
piretroides. No solo, não são muito móveis e normalmente não chegam a atingir o lençol freático, a não 
ser que haja um significativo vazamento. Condições alcalinas favorecem sua hidrólise, catalisando a 
biodegradação desses compostos, e são pouco absorvidos pelas raízes de plantas vasculares, uma vez que 
são fortemente adsorvidos pelo solo (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
7.2.6.1 Usos e fontes de exposição
Você tem ideia de como pode se expor às piretrinas e aos piretroides?
A ingestão de alimentos contaminados com essas substâncias é a forma mais provável de exposição, 
mas não a única: após a aplicação, como na pulverização, a pessoa pode apresentar a exposição pelo 
contato dérmico.
 Observação
Esses compostos não são facilmente absorvidos pela pele.
Você poderia dizer, então: “mas eu não trabalho com pulverização de inseticidas”. Não foi isso que 
você pensou?
O que se deve considerar é que esses compostos estão presentes em xampus, sprays para animais de 
estimação e muitos inseticidas domésticos; ou onde você mora não tem pernilongo?
Há outros importantes usos e fontes de exposição às piretrinas e aos piretroides: para tratar a 
escabiose (sarna), aplicam-se substâncias diretamente sobre a pele humana ou animal, podendo também 
ser aplicadas nas roupas. Outro uso bastante frequente dessa classe de inseticidas é no tratamento 
contra lêndeas e piolhos, sendo aplicados diretamente na cabeça da pessoa; consequentemente, mesmo 
o uso terapêutico faz com que haja a exposição a esses compostos.
Para título de referência, estima-se que um adulto estadunidense de 70 kg de peso corpóreo seja 
exposto a cerca de 3,2 µg/dia do piretroide mais amplamente utilizado naquele país, a permetrina 
(AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
 Observação
1 micrograma é igual a 1 / 1000000 de grama.
E isso é pouco ou é muito?
Essa quantidade é aproximadamente 1/1.000 vezes a IDA, ou seja, não há risco de intoxicação nessa 
condição de exposição (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
416
Unidade III
7.2.6.2 Toxicocinética
Absorção
Vimos anteriormente o conceito e a contextualização de um efeito sinérgico. Agora traremos, 
mais uma vez, a aplicação desse conceito. Observe: alguns repelentes de insetos que são 
aplicados diretamente sobre a pele, como as piretrinas e os piretroides, também podem conter o 
N,N-dietil-meta-toluamida (DEET).
 Lembrete
Um efeito sinérgico ocorre quando diferentes substâncias atuam ao 
mesmo tempo no mesmo organismo e apresentam um efeito final superior 
aos seus efeitos isolados.
Exemplo de aplicação
Sugerimos que você interrompa a leitura deste material, vá até o armário onde você guarda os 
repelentes de insetos e os inseticidas que você tem em casa e leia sua composição.
Lembre-se de lavar as mãos antes de voltar à leitura deste livro-texto!
O repelente que você tem em casa contém em sua composição o DEET e os inseticidas piretrinas e 
piretroides, não é mesmo?
As piretrinas e os piretroides são pouco absorvidos pela pele, mas,quando o organismo se expõe 
ao mesmo tempo a essas substâncias e ao DEET, aumenta a absorção das piretrinas e piretroides 
por essa via de exposição, em um efeito sinérgico. Assim, o que não tínhamos como preocupação 
anteriormente, no que se refere à absorção das piretrinas e piretroides pela pele, agora passamos a ter, 
pelas interações químicas.
 Observação
Você consegue perceber que muitos conceitos que estavam em um 
plano teórico estão efetivamente em nosso cotidiano?
A dinâmica de absorção das piretrinas e piretroides pelo trato respiratório é pouco conhecida. 
Não se sabe como reduzir a absorção dessas substâncias após sua inalação (AGENCY FOR TOXIC 
SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
417
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Quanto à exposição oral, acredita-se que a rápida absorção das piretrinas e piretroides ocorra na 
mucosa intestinal, por difusão. Em humanos, a taxa e a extensão da absorção pela exposição pelo trato 
digestório são pouco conhecidas.
Metabolização
São metabolizados rapidamente, mas podem se acumular no organismo, sobretudo no tecido 
adiposo, caso a exposição ocorra em níveis altos ou por exposição a longo prazo. Ambos os grupos 
são frequentemente preparados com a adição de substâncias como sesamex, piperonil sulfóxido ou 
piperonil butóxico, também conhecido por butóxido de piperonila, para aumentar a eficácia por meio 
dos efeitos sinérgicos (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003). O butóxido 
de piperonila inibe a oxigenase de função mista em mamíferos e em insetos, aumenta a meia-vida 
biológica do inseticida e torna o inseto mais suscetível ao inseticida (CAMPOS et al., 2017).
Excreção
A excreção das piretrinas e piretroides é rápida, principalmente pela urina, mas eles também podem 
ser eliminados pelo ar exalado e pelas fezes. Alguns deles podem também permanecer na pele e no 
cabelo por bastante tempo (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
7.2.6.3 Mecanismo de ação
O tipo de composto da piretrina ou piretroide influencia no perfil de resposta tóxica no organismo. 
De uma forma geral, o mecanismo de ação desse grupo de inseticidas está associado ao prolongamento 
do tempo de abertura dos canais de sódio, quando o neurônio é excitado.
7.2.6.4 Toxicidade
Algumas características comuns entre as piretrinas e os piretroides são a toxicidade relativamente 
baixa em mamíferos, a rápida paralisia provocada em insetos voadores e sua rápida taxa de degradação 
no meio ambiente. Eles podem apresentar uso comercial ou doméstico (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES 
AND DISEASE REGISTRY, 2003).
 Observação
Ingredientes “inertes” presentes na composição dos piretroides podem 
ser potencialmente tóxicos, assim como em outros praguicidas.
Esses grupos de inseticidas são eficazes e normalmente apresentam baixo risco de intoxicação 
para humanos, mas acidentes acontecem (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE 
REGISTRY, 2003).
418
Unidade III
7.2.6.5 Sinais e sintomas de intoxicação
Em função da combinação de suas caracterísiticas físico-químicas e toxicológicas, os piretroides são 
divididos em tipo I e II (veja o quadro a seguir). Há uma relação direta entre a estrutura química das 
piretrinas e piretroides e seus efeitos tóxicos, que está ligada à presença ou ausência de um grupamento 
ciano na posição alfa da substância (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
Quadro 29 – Classificação das piretrinas e dos piretroides
Piretrinas Piretroides tipo I Piretroides tipo II
Constituintes naturais do 
extrato de piretro
Derivados das piretrinas que 
não incluem o grupo ciano e 
podem provocar tremores
Derivados das piretrinas que incluem o 
grupo ciano e podem provocar movimentos 
incontroláveis e involuntários (coreoatetose) e 
salivação
Piretrina I Aletrina Ciflutrina
Piretrina II Bifentrina Cialotrina
Cinerina I Permetrina Cipermetrina
Cinerina II Fenotrina Deltrametrina
Jasmolina I Resmetrina Fenvalerato
Jasmolina II Reflutrin Fenpropanato
Retrametrina Flucitrinato
Flumetrina
Fluvalinato
Tralometrina
Adaptado de: Agency for Toxic Substances and Disease Registry (2003).
Ao classificar os piretroides em grupo I, significa que sua estrutura química é isenta do 
grupamento ciano e seus efeitos estão associados a aumento da sensibilidade aos estímulos externos, 
comportamento agressivo que se inicia rapidamente, tremor fino que tende a se estender para todo 
o corpo, prostração, elevação da temperatura corporal, coma e morte.
Classicamente, esses sinais e sintomas de intoxicação foram designados como síndrome T (tremor), 
e os sinais e sintomas da neurotoxicidade expostos às piretrinas são semelhantes aos dos piretroides 
tipo I (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
Os piretroides do tipo II apresentam um grupo químico denominado de ciano, e animais expostos a 
essas substâncias apresentam um comportamento inicial de “escavação”, seguida de salivação exuberante, 
movimentos anormais dos membros e tremores intensos de corpo inteiro, que podem progredir para 
torsões sinuosas. Podem ser observadas convulsões clônicas antes da morte do animal. A temperatura 
normalmente não se eleva e pode, inclusive, diminuir. Assim, foi atribuído o termo síndrome CS para 
a intoxicação causada por essas substâncias, como mnemônico de coreoatetose (C) e salivação (S) 
(AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
419
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Normalmente, a distinção de sinais e sintomas entre as respostas do tipo I e II é patente. Todavia, 
ressalta-se que a fenpropatrina e a cifenotrina, cianopiretroides, demonstram respostas intermediárias 
entre as síndromes T e CS (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
Em mamíferos, a exposição crônica às piretrinas e aos piretroides não induz a manifestação 
de sinais e sintomas de intoxicação associados a danos neurológicos, sobretudo pela sua rápida 
biotransformação e excreção. Pode haver parestesia na área de contato com a pele associada a 
alterações na sensibilidade cutânea, como dormência, prurido, queimação ou formigamento. Estudos 
recentes apontam que, em animais, a exposição a esses grupos de substâncias pode resultar em danos 
reprodutivos, de neurodesenvolvimento e imunológico, mesmo abaixo dos níveis que evidenciam 
neurotoxicidade (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
 Observação
Piretrinas e piretroides são extremamente tóxicos para peixes e são 
capazes de bioconcentrar em organismos aquáticos.
7.2.6.6 Manejo da intoxicação
Ressalta-se a possível absorção pela boca e pelo estômago. Dessa forma, ainda que modestamente, 
o enxágue bucal pode minimizar a absorção por essas vias.
Como sabemos, as piretrinas e os piretroides não são bem absorvidos pela pele, e a lavagem desse 
órgão com água e sabão reduz a absorção das substâncias. Procedimentos adequados de lavagem 
devem ser seguidos caso os olhos sejam afetados (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE 
REGISTRY, 2003).
A lavagem gástrica associada ao carvão ativado parece reduzir a absorção das substâncias quando 
há exposição oral às piretrinas e aos piretroides (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE 
REGISTRY, 2003).
Agentes anticonvulsivantes apresentam bastante variação na resposta terapêutica, dependendo 
da piretrina ou do piretroide a que o organismo se expôs. O metocarbamol e a mefenesina são 
relaxantes musculares eficazes para as convulsões geradas por piretroides do tipo II (AGENCY FOR 
TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2003).
A atropina, em animais, parece reduzir de forma eficaz a salivação e a coreoatetose. O pentobarbital, 
como agonistas de canais de cloro, tende a reduzir a coreoatetose e a salivação em animais. Cremes 
anestésicos locais e aplicações dérmicas de vitamina E reduzem de forma efetiva a parestesia, quando 
há a exposição dérmica por essas classes de substâncias (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE 
REGISTRY, 2003).
420
Unidade III
7.2.7 Carbamatos
7.2.7.1Introdução
Você já ouviu falar alguma vez que um gato ou cachorro perto da sua casa morreu intoxicado 
por “chumbinho”?
Acreditamos que sim, uma vez que esse tipo de intoxicação intencional não nos parece ser incomum. 
Vamos compreender melhor os carbamatos.
Aldicarbe, carbaril, carbofurano, oxamil, fenobucarbe, pirimicarb, metomil, trimetacarb e 
propoxur são exemplos de substâncias que pertencem ao grupo dos carbamatos. Chumbinho é o 
nome popular do aldicarbe (veja a figura a seguir), praguicida altamente tóxico (DL50 = 0,9 mg/kg, 
via oral, rato) que faz parte do grupo dos carbamatos e é vendido clandestinamente no Brasil 
(DURÃO; MACHADO, 2016).
O
N
S
O
N
H
Figura 163 – A) Estrutura química do aldicarbe; B) Chumbinho em grânulos; C) Venda ilegal do carbamato
7.2.7.2 Usos e fontes de exposição
O aldicarbe é utilizado como nematicida e inseticida na agricultura. Como é inodoro, insípido 
e de cor cinza escura, nem sempre é fácil detectar a presença do carbamato. A exposição aos 
carbamatos pode ocorrer pelo trato respiratório, via dérmica ou trato digestório. A exposição 
pelo trato respiratório pode ocorrer após a pulverização da substância no ambiente de trabalho 
(SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
Existe uma falta de controle muito grande sobre os carbamatos em países em desenvolvimento e, 
consequentemente, o risco de acidentes e exposição intencional a esses praguicidas é elevado. Para 
que tenhamos um pálida ideia da frequência de casos de intoxicação, apenas na Ásia rural ocorrem 
cerca de 200.000 mortes por ano pela exposição aos carbamatos e organofosforados (SILBERMAN; 
TAYLOR, 2020).
421
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
7.2.7.3 Toxicocinética
Absorção
É facilmente absorvido pela pele e pelo trato digestório. O manuseio do aldicarbe, do sulfóxido 
de aldicarbe e da sulfona de aldicarbe deve ocorrer com a utilização de luvas e máscara (DURÃO; 
MACHADO, 2016).
Caso a exposição ocorra pela pele íntegra, a absorção nos parece ser baixa, cenário que 
é modificado quando a pele não está íntegra. Após a exposição oral, o pico de inibição das 
colinesterases ocorre após 30 minutos do início da exposição em ratos, mas os sintomas podem 
aparecer em cerca de cinco minutos após a exposição maciça da substância, pela mesma via 
(SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
Biotransformação
A biotransformação hepática ocorre por reação de hidrólise. Em poucos dias, 90% do carbamato 
absorvido é excretado (SILBERMAN; TAYLOR, 2020), mas a biotransformação não reduz significativamente 
sua toxicidade, uma vez que a sulfona de aldicarbe e o sulfóxido de aldicarbe são metabólitos que 
também apresentam elevada toxicidade (DURÃO; MACHADO, 2016).
Distribuição
Carbamatos lipossolúveis são rapidamente distribuídos para o tecido gorduroso, o que faz com que 
os efeitos tóxicos decaiam em um momento inicial de intoxicação (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
7.2.7.4 Mecanismo de ação
Os carbamatos são substâncias químicas que se assemelham em mecanismo de ação e estrutura 
aos praguicidas organofosforados (SILBERMAN; TAYLOR, 2020). Quimicamente, são derivados do ácido 
carbâmico e atuam sobre a AChE, causando carbamilação, ou seja, os carbamatos levam à inativação 
reversível da AChE por carbamilação; como consequência, os receptores nicotínicos e muscarínicos 
são excessivamente estimulados (DURÃO; MACHADO, 2016).
A diferença básica entre os praguicidas carbamatos e os organofosforados é que os carbamatos atuam 
reversivelmente sobre a acetilcolinesterase, ou seja, os carbamatos não induzem ao envelhecimento 
enzimático, como acontece com os organofosforados, e a hidrólise da ligação carbamato-colinesterase 
ocorre em poucas horas, espontaneamente (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
 Observação
Há relatos de casos em que a AChE é recuperada apenas após 60 horas 
a partir da exposição (XAVIER; RIGHI; SPINOSA, 2007).
422
Unidade III
7.2.7.5 Toxicidade
Os efeitos tóxicos dos carbamatos também são parecidos com os induzidos pela exposição aos 
organofosforados, com duração inferior a 24 horas (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
Deve-se destacar que a estimulação contínua dos receptores colinégicos nicotínicos dependentes 
da ACh nos gânglios simpáticos pode gerar hipertensão, taquicardia e midríase. Os carbamatos, 
semelhantemente aos organofosforados, pode levar à síndrome intermediária, mas não à síndrome 
retardada, uma vez que raramente os sintomas ultrapassam 48 horas (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
7.2.7.6 Diagnóstico
Um dos cuidados que se deve ter durante a anamnese é que pode haver estimulação mista do 
sistema nervoso simpático e parassimpático, que, consequentemente, pode causar a miose ou midríase, 
bradicarcia ou taquicardia. Deve-se solicitar exames que determinam a BchE, produzida no fígado e 
secretada no sangue, e a colinesterase eritrocitária (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
A confirmação da exposição ao aldicarbe pode ser feita pela cromatografia em fase gasosa acoplada 
à espectrometria de massa (DURÃO; MACHADO, 2016).
7.2.7.7 Tratamento
Descontaminação
Um dos maiores cuidados que se deve ter ao tratar um intoxicado por organosfosforado e 
carbamato é com o risco de autocontaminação. As luvas de neoprene ou nitrílicas conferem adequada 
proteção, mas, além das luvas, o profissional deve utilizar, no mínimo, máscara, proteção facial e 
capote (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
 Observação
Luvas de látex não conferem proteção adequada para a descontaminação 
de praguicidas.
A pele do contaminado deve ser lavada por três vezes com água e sabão, após toda a roupa do 
intoxicado ter sido removida.
 Observação
Como a toxicodinâmica entre os carbamatos e os inseticidas 
organofosforados é muito parecida, o tratamento da intoxicação entre eles 
também é bastante similar.
423
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Caso o paciente não tenha crises de êmese, a exposição tenha ocorrido há menos de uma hora, as vias 
aéreas do paciente estejam protegidas, haja risco de vida e a exposição tenha ocorrido de forma maciça 
ao carbamato, deve-se considerar a descontaminação do trato digestório. Como visto no tratamento 
da intoxicação pelos organofosforados, não se deve aguardar o resultado dos exames quando o caso é 
crítico para iniciar o tratamento (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
 Observação
As vias aéreas devem estar protegidas antes da descontaminação do 
trato digestório.
Há muita controvérsia sobre a utilização do carvão ativado: alguns especialistas recomendam a 
administração em dose única de 1 g de carvão ativado por quilo de peso corpóreo, caso a exposição 
ao carbamato tenha ocorrido de forma maciça, em até uma hora, e apresente risco de vida (veja a 
figura a seguir).
Figura 164 – Detalhes da presença de numerosos grânulos de 
chumbinho aderidos na mucosa gástrica de um cadáver
Um dos possíveis problemas associados à utilização do carvão é que o paciente pode aspirá-lo e, 
assim, aumentar o risco de lesão ao organismo. Essa é a razão pela qual outros especialistas preferem 
não utilizar o carvão ativado na terapia (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
Uma vez realizada a descontaminação, sugere-se direcionar a avaliação do paciente para garantir 
que haja ventilação e consequente oxigenação adequadas. A exposição a substâncias químicas 
inibidoras da AChE leva a um quadro de fraqueza muscular com possibilidade de paralisia flácida, 
broncorreia e redução do impulso respiratório. Após esses efeitos, instala-se um quadro clínico 
multifatorial caracterizado por insuficiência respiratória e hipoxemia, que são as principais causas de 
424
Unidade III
morte após exposição aguda a inibidores da AChE. A exposição a doses elevadas pode levar a paralisia 
respiratória, convulsão e coma.
Antídotos
A atropina inibe competitivamente a ação da ACh nos receptores muscarínicos. Recomenda-se a 
precoce intubação endotraquel a pacientes com quadro de alteração mental, gravemente deprimidos 
ou com fraqueza muscular esquelética (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
 Observação
Como as colinesterases séricas são inativadas pelos inibidores daAChE, deve-se evitar a administração de bloqueadores neuromusculares 
despolarizantes, como a succinilcolina.
O rocurônio, bloqueador neuromuscular não despolarizante, pode ser utilizado na indução da 
paralisia muscular.
Há controvérsia quanto à utilização de oximas no tratamento das intoxicações por carbamatos. 
Como visto, a pralidoxima é utilizada no tratamento da intoxicação por organofosforados por impedir 
o “envelhecimento” da AChE. Entretanto, os carbamatos não se ligam covalentemente à AChE. 
Consequentemente, a ligação com a AChE é reversível e sua dissociação ocorre espontaneamente, entre 
24 e 48 horas (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
Alguns estudos nos trazem que a administração da pralidoxima pode, inclusive, aumentar a inativação 
da AChE. Opostamente, outros autores também referem possíveis benefícios da administração de oximas 
no tratamento da intoxicação por carbamatos. Na exposição do organismo apenas ao carbamato, sem 
exposição concomitante a organofosforado, sugere-se que não se administre as oximas.
Caso haja a exposição concomitante desses dois grupos de substâncias químicas, a administração 
de oximas pode ser realizada, uma vez que o benefício de seus efeitos sobre os organofosforados é 
bem descrito e possivelmente não haverá incremento da toxicidade do carbamato. Após a intubação, 
os benzodiazepínicos podem ser utilizados no tratamento da agitação por conta da intubação e são 
capazes de controlar as convulsões (SILBERMAN; TAYLOR, 2020).
Como você observou, os praguicidas podem ser classificados de diversas formas. Para interagirmos, 
faremos uma breve classificação dos principais praguicidas organosintéticos. Um deles, o paraquat, é 
um herbicida que nos chama muito a atenção pela sua toxicidade. Vamos então conhecer um pouco 
mais sobre ele.
425
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Saiba mais
Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo a seguir:
TREMORI, T. M. et al. Achados necroscópicos em cães e gatos vítimas de 
intoxicação exógena. Revista Brasileira de Ciência Veterinária, v. 25, n. 1, 2018.
7.2.8 Paraquat
7.2.8.1 Introdução
O paraquat é o segundo herbicida mais vendido no mundo. Ele possui baixo custo, com ação rápida 
e não seletiva. Tem a cor verde brilhante e cheiro pungente e é um líquido corrosivo. Ainda que seu uso 
seja relativamente seguro na agricultura, é amplamente utilizado nas tentativas de suicídio, sobretudo 
em áreas rurais (JHA; KANNAPUR; HIREMATH, 2020).
7.2.8.2 Mecanismo de ação
No interior das células, esse composto bipiridílico sofre reações de óxido-redução; por consequência, 
são formadas espécies reativas de oxigênio (EROs) e de nitrogênio (ERN). O ciclo redox gerado pelo 
paraquat consome nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato reduzida (NADPH)-citocromo P450 
redutase, que representa uma importante forma de defesa antioxidante celular.
Os órgãos com alta demanda de oxigênio são os mais comumente afetados, como rins, coração, 
fígado e pulmões (JHA; KANNAPUR; HIREMATH, 2020).
7.2.8.3 Toxicidade
Alguns autores expõem a baixa neurotoxicidade causada por esse herbicida, por pouco atravessar a 
barreira hematoencefálica (JHA; KANNAPUR; HIREMATH, 2020).
Entretanto, Martins (2013) afirma que o paraquat pode levar a danos neurológicos, uma vez que, 
ainda que apenas pequena quantidade do xenobiótico atravesse a barreira hematoencefálica, o encéfalo 
possui baixos teores de enzimas antioxidantes e, consequentemente, é mais vulnerável ao herbicida, 
mesmo quando exposto a baixas quantidades.
 Observação
Pelas informações dispostas na literatura (JHA; KANNAPUR; 
HIREMATH, 2020), concluímos que a exposição oral mínima de 30 ml de 
paraquat, entre 20% e 24% (p/v), é fatal para um adulto.
426
Unidade III
7.2.8.4 Tratamento
O tratamento da intoxicação pelo paraquat inclui a administração do carvão ativado ou terra de 
Fuller, acetilcisteína, altas doses de glicocorticoides e hemodiálise ou hemoperfusão, dependendo 
da quantidade do herbicida a que o organismo se expôs. Não há tratamento específico, e normalmente 
o prognóstico é ruim para exposição aguda.
 Saiba mais
Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo a seguir:
ANVISA. Parecer técnico de reavaliação n. 08/GGTOX/Anvisa, de 13 de 
junho de 2016. Brasília, 2016. Disponível em: https://cevs.rs.gov.br/upload/
arquivos/201712/06132134-paraquate-parecer-08-2016-consolidacao-
contribuicoes-cp-94-2015.pdf. Acesso em: 9 dez. 2020.
8 TOXICOLOGIA DOS METAIS
Neste tópico, você irá se surpreender a respeito de como estamos expostos aos metais em nosso 
cotidiano e no ambiente de trabalho e como esses toxicantes podem romper a homeostase do organismo. 
Também veremos os possíveis efeitos tóxicos decorrentes da exposição aos metais e como realizar o 
diagnóstico e o tratamentos das intoxicações.
8.1 Alumínio
8.1.1 Propriedades físico-químicas
O alumínio é um metal maleável e muito reativo. Quando exposto a agentes oxidantes como o 
oxigênio ou à própria água, forma-se o óxido de alumínio, que, ao revestir o metal, lhe confere elevada 
resistência à corrosão. Algumas espécies de alumínio reagem violentamente em contato com a água, 
como os haletos e hidretos de alumínio (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1997).
8.1.2 Usos e fontes de exposição
A liberação do alumínio no ambiente pode ocorrer de forma natural ou antropogênica, mas as 
fontes naturais contribuem mais significativamente com a liberação direta do metal. É utilizado com 
grande frequência na indústria e na produção de cerâmicas, vidros, impermeabilizantes, medicamentos, 
materiais de construção, aeronaves, automóveis, indústria de papel e purificação da água (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 1997).
427
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
O alumínio é utilizado inclusive na fabricação de cerveja e refino 
do açúcar.
O alumínio é um dos principais constituintes do material particulado suspenso presente na 
atmosfera. A ingestão de alimento e água é a principal fonte de exposição não ocupacional ao alumínio.
Chamamos sua atenção aos números que vamos lhe trazer. Observe: a ingestão diária do alumínio 
presente na água ou alimentos, por adultos, pode variar entre 2,5 mg e 13 mg.
Exemplo de aplicação
Após essa breve introdução sobre usos e fontes de exposição ao alumínio, reflita mais um pouco sobre 
o tema e nos responda o seguinte: você se recorda de algum medicamento que contenha alumínio?
Algumas pessoas se expõem ao metal quando são expostas a alguns medicamentos antiácidos.
8.1.3 Toxicocinética
Ainda não foi completamente elucidado o mecanismo de absorção do alumínio pelo trato digestório, 
mas sabe-se que algumas situações podem interferir na intensidade de absorção pela exposição por 
essa via, como as característica dos sais de alumínio, força iônica, pH do meio, substâncias concorrentes 
com sua absorção e presença de agentes quelantes, como silício e citrato.
Entretanto, a despeito do relativo desconhecimento dos mecanismos que envolvem a absorção 
do metal pelo trato digestório, a extensão e a taxa de absorção são bem conhecidas. Produtores de 
alumínio em pó e soldadores que utilizam o metal em suas soldas apresentam o metal no sangue e na 
urina. A urina, assim, é a principal via de excreção do metal. Para você ter dimensão da diferença entre 
a excreção urinária e a fecal do metal, em uma condição de exposição de dose única, por via oral, após 
13 dias de exposição, apenas 1,8% do metal é excretado nas fezes e cerca de 83%, pela urina.
 Observação
A meia-vida biológica do metal em soldadores que se expõem ao metal 
por mais de 10 anos é de, no mínimo, seis meses.
428
Unidade III
8.1.4 Efeitos tóxicos em humanos
Na Inglaterra, cerca de 20.000 pessoas se expuseram a níveis aumentados de sulfato de alumínio 
acidentalmente colocados na água potável. Foram identificados relatos de casos de pessoas que 
apresentaram náusea, vômito, diarreia, ulcerações na pele e na boca e dor artrítica, ou seja, não houve 
danos severos ou prolongados, mas houve sinais e sintomas de intoxicação.Alguns autores associam a exposição ao metal presente na água com a doença de Alzheimer (DA) 
e ao déficit cognitivo. Há estudos demonstrando associação direta entre a exposição ao metal e essas 
alterações, mas são passíveis de alguma crítica. Assim, levando-se em consideração o atual conhecimento 
sobre a patogênese da DA, as evidências epidemiológicas não suportam uma associação direta entre a 
exposição ao metal presente na água potável e a DA.
Aumento nos sintomas neuropsiquiátricos, decréscimo da função cognitiva, neuropatia periférica e 
disfunção motora foram identificados em trabalhadores que se expuseram aos fumos do metal.
Uma atenção especial deve ser dada aos que fazem hemodiálise: paciente com insuficiência renal 
crônica que se exponha a medicamentos contendo alumínio ou ao alumínio presente nos fluidos de 
diálise pode apresentar anemia microcítica, osteomalácia resistente à vitamina D e encefalopatia.
Prematuros podem acumular alumínio no tecido ósseo quando expostos a fontes iatrogênicas 
de alumínio, mesmo quando não apresentam insuficiência renal grave. Caso o organismo apresente 
insuficiência renal severa, a exposição ao alumínio pode levar a convulsões e encefalopatia.
Foi identificado que trabalhadores que se expuseram ao alumínio revestido com óleo mineral na 
fabricação de explosivos para fogos de artifício apresentaram fibrose pulmonar. O quadro a seguir 
lista os métodos analíticos utilizados na determinação do alumínio e seus compostos, em diferentes 
matrizes biológicas.
Quadro 30 – Métodos analíticos que podem ser utilizados na identificação 
do alumínio no organismo, em função das matrizes biológicas
Matriz/amostra 
biológica Preparação da amostra Método analítico Limite de detecção Recuperação
Soro Centrifugação, diluição com Mg(NO3)2
GF-AAS 14,3-150 µg/L (faixa analítica) 97-102%
Plasma, soro Centrifugação, diluição com água GF-AAS 4 µg/L 90-102%
Sangue total, plasma, 
soro Diluição com Triton X-100 GF-AAS
1,9 µg/L (soro)
1,8 µg/L (plasma)
2,3 µg/L (sangue total)
Não disponível
Tecido biológico, 
urina
Digestão úmida, 
complexação com Tiron, 
cromatografia por troca 
iônica 
NAA
2,1 µg/L (fígado)
0,18 µg/ml (urina)
Não disponível
429
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Matriz/amostra 
biológica Preparação da amostra Método analítico Limite de detecção Recuperação
Urina, sangue
Diluição com água ICP-AES 6 µg/L Não disponível
Diluição com água ICP-AES 0,3 µg/L Não disponível
Tecidos biológicos
Congelar, moer NAA Não disponível Não disponível
Digestão seca com HNO3, 
diluição com água GF-AAS 0,5 µg/g (tecido seco) 80-117%
Digestão seca com HNO3, 
cromatografia de troca 
catiônica
AMS 106 átomos 26Al Não disponível
Digestão, cromatografia 
de alta eficiência de troca 
iônica, reação com Tiron
Espectrofotometria 7 µg/L 87-94%
Cabelo Lavado com 2-propanol, digestão com HNO3
GF-AAS 0,65 µg/g (peso seco) 84-105%
Fluidos corpóreos Diluição com HNO3/HCl ICP-AES 1-5 µg/L > 57%
Concentrados de 
hemodiálise
Diluição com HNO3 e Triton 
X-100
GF-AAS (corrigido 
por Zeeman) 3 µg/L 93-108%
Legenda: AMS = espectrometria de massa do acelerador; GF-AAS = forno de grafite - espectrofotometria de absorção atômica; 
ICP-AES = plasma indutivamente acoplado - espectrofotometria de emissão atômica; NAA = análise de ativação de nêutrons; 
Tiron = ácido 4,5-di-hidroxi-1,3-benzenodissulfônico
Adaptado de: World Health Organization (1997).
8.1.4.1 Grupo de risco
O grupo de risco da exposição ao alumínio é constituído de pessoas de qualquer idade que tenham 
insuficiência renal, por conta do risco de neurotoxicidade (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1997).
8.1.5 Carcinogenicidade
A Iarc, da OMS, classifica o alumínio (produção de alumínio) no grupo 1 (IARC, 2016).
8.1.6 Manejo e tratamento da intoxicação
Apresentaremos alguns métodos para reduzir os efeitos tóxicos decorrentes da exposição ao alumínio. 
Entretanto, alguns tratamentos podem ser experimentais, sem a comprovação necessária. Portanto, em 
casos de intoxicação envolvendo o metal, o aconselhamento médico deve ser realizado por médicos 
toxicologistas em centros de controle de intoxicação, e as informações disponibilizadas neste material 
não devem ser utilizadas como um guia.
As informações sobre a redução da absorção do alumínio no trato digestório são bastante limitadas. 
O que se sabe é que o metal é absorvido por um processo independente de energia, mas dependente de 
sódio. Dentro desse contexto, os tratamentos que utilizam procedimentos para o bloqueio de processos 
pericelulares podem ser utilizados para minimizar ou até mesmo impedir a absorção intestinal do metal. 
A ranitidina pode reduzir a absorção do alumínio no trato digestório (INGERMAN et al., 2008).
430
Unidade III
8.1.6.1 Redução da carga corporal
Uma das formas de reduzir a carga corpórea do alumínio é evitar a exposição concomitante entre 
o alumínio e o citrato. A desferroxamina também pode colaborar na redução da absorção do metal. 
Como esse agente quelante é capaz de complexar com o citrato, consequentemente haverá redução 
na absorção do metal, uma vez que o citrato aumenta a absorção do alumínio no trato digestório. 
A desferroxamina reduz significativamente a meia-vida do alumínio no encéfalo de ratos.
 Observação
A desferroxamina também pode levar a efeitos tóxicos como erupções 
cutâneas, hipotensão e catarata.
A 1,2-dimetil-3-hidroxipirida-4-ona ou deferiprona é um agente quelante que se mostrou eficaz no 
aumento da excreção urinária do alumínio em ratos. Derivados da piridina e pirimidina foram eficazes 
na minimização dos teores de alumínio no encéfalo de camundongo.
 Lembrete
Toxicodinâmica é a forma pela qual o toxicante age no organismo, 
bioquímica e molecularmente.
Sabe por que inserimos como lembrete o conceito de toxicodinâmica? Para que você compreenda 
ainda melhor por que se faz necessário conhecer a maneira de ação tóxica do xenobiótico, do ponto 
de vista bioquímico e molecular. Por exemplo, não há antídotos específicos para o tratamento da 
intoxicação pelo alumínio, uma vez que seu mecanismo de ação não é totalmente compreendido. Se o 
mecanismo de ação não é conhecido, como tratar especificamente? Compreendeu?
Parece haver alguns outros efeitos do metal no organismo, não muito conhecidos, como a 
superexpressão da imunorreatividade no hipocampo, indução da peroxidação lipídica e alterações de 
parâmetros bioquímicos. Em ratos, essas alterações são minimizadas ao se administrar fitoterápicos 
como extrato de Dipsacus asper Wall e Bacopa monnieri (L.) Wettst., vitaminas C e E, centrofenoxina 
(fonte de colina), selênio e, acredite, cerveja!
Sim, é isso mesmo: cerveja! Porque quanto maior a quantidade de cevada maltada e lúpulo na cerveja, 
maior é a quantidade de silício, que minimiza os efeitos tóxicos do alumínio (INGERMAN et al., 2008).
8.1.7 Fosfina
Neste momento, faremos um “recorte” nas informações da intoxicação do alumínio para falar um 
pouco sobre o fosfeto de alumínio.
431
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Imagine o seguinte cenário: você é o último a sair de um enterro e, no cemitério onde você está, a 
noite cai rapidamente. De repente, você começa a ver chamas ao seu redor. Imaginamos que, dentro 
desse cenário misterioso, você sairia correndo, não é mesmo? Pois bem: quando você corre, a chama 
parece persegui-lo, ou seja, acompanhá-lo! Será que está havendo um episódio de delírio de nossa parte 
ou realmente essa é uma situação que pode acontecer?
Ainda que rara em países desenvolvidos, a intoxicação por fosfeto de alumínio é uma situação 
relevante por conta de sua elevada mortalidade. O fosfeto de alumínio pode ser encontrado em uma 
composição de 43% de carbonato de amônio e 57% de fosfeto de alumínio (GÜMÜS et al., 2017).
O fosfeto de alumínio é utilizado sobretudo em países agrícolas e está presente em inseticidas, 
rodenticidas e desinfetantes. A letalidade da substância é elevada: a mortalidade está acima dos 60%, 
mesmo quando o tratamento é realizadopor profissionais experientes e em centros de atendimento 
bem equipados.
A dose tóxica da substância varia de 150 mg a 500 mg e a dose letal varia de 1,0 g a 1,5 g, pela 
exposição gastrintestinal. Alguns estudos apontam que 70% dos casos de intoxicação por fosfeto de 
alumínio ocorreram em pacientes homens de aproximadamente 20 anos.
Vamos lhe apresentar um caso que aconteceu na Turquia, em que um jovem de 20 anos, que estava 
no serviço militar, se intoxicou com a substância, exatamente dentro do contexto epidemiológico 
exposto anteriormente. Relatos apontaram que o jovem havia sido exposto à substância “por boca” e 
foram encontrados comprimidos da substância em sua blusa (veja a figura a seguir). Em suas mídias 
sociais foram identificadas palavras sobre a morte, um pouco antes do evento (GÜMÜS et al., 2017).
Figura 165 – Fotografia de 17 comprimidos completos encontrados em uma caixa escrita 
“fosfeto de alumínio a 57%” no bolso da jaqueta de um paciente intoxicado
Preste ainda mais atenção no que acontece com a substância química após a exposição do 
organismo: além de rapidamente absorvido pela pele, pelo pulmão e trato digestório, o fosfeto de 
alumínio reage com o conteúdo gástrico, água ou ar e libera a fosfina.
432
Unidade III
Esse gás formado tem odor de alho ou de peixe em estado de putrefação, é incolor e inibe a 
citocromo c oxidase, com consequente comprometimento na respiração celular, que acarreta em 
déficit de energia para órgãos vitais, como o miocárdio, e gera espécies radicalares, por lipoperoxidação. 
Todos esses efeitos culminam no prejuízo na geração do potencial de membrana cardíaca e morte.
 Observação
Não confunda a fosfina com a arsina, que também tem odor de alho.
A hematemese é caractarística, uma vez que a fosfina é corrosiva para o trato digestório (veja a 
figura a seguir). Em alguns casos, pode haver metemoglobinemia e hemólise intravascular.
Figura 166 – Hemorragia da camada submucosa, no estômago
O organismo também pode apresentar petéquias hemorrágicas no fígado e encéfalo, informação 
confirmada pela análise toxicológica nesse mesmo jovem (veja a figura a seguir).
Figura 167 – Hemorragias petequiais e equimoses sob o couro cabeludo
433
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.1.8 Manejo e tratamento
Não há um antídoto específico para o tratamento da intoxicação pela exposição ao fosfeto de 
alumínio. Deve-se realizar a tentativa de neutralização da substância com um lavado de permanganato 
de potássio e administração intravenosa de sulfato de magnésio, com a maior brevidade possível. 
Recomenda-se a utilização da N-acetilcisteína por sua propriedade antioxidante e regenerativa celular, 
além da glutationa. Alguns artigos trazem que a administração da atropina, da pralidoxima e do 
magnésio reduz a morbimortalidade da intoxicação desse xenobiótico.
Voltando à história das chamas no cemitério, a decomposição de matéria orgânica pode gerar a 
fosfina, que é o mesmo gás formado pela interação entre o fosfeto de alumínio e o conteúdo gástrico 
e é um gás inflamável. Caso o ambiente esteja muito quente, a fosfina liberada pode se inflamar 
espontaneamente, gerando chamas azuladas que podem chegar a três metros de altura. O movimento 
de correr da pessoa ao se deparar com essa situação desloca o ar e, consequentemente, a fosfina presente 
no meio, juntamente com as chamas, tende a “acompanhar” o deslocamento da pessoa.
8.2 Arsênio
8.2.1 Introdução
O arsênio é um metal ubíquo presente no solo, ar e água. Quando na forma inorgânica, está associado 
ao ferro, níquel ou cobalto, juntamente com minerais de sulfeto (acreditamos que essa informação já 
lhe tenha despertado a atenção), e quando na forma orgânica, está associado ao carbono e hidrogênio. 
O termo arsênio deriva da palavra grega arsenikon, que significa potente (JANG; SOMANNA; KIM, 2016).
Cerca de mil anos antes do nascimento de Paracelsius, Hipócrates já descrevia a utilização do sulfeto 
de arsênio no tratamento de doenças cutâneas (IBRAHIM et al., 2006). Você consegue entender por que 
é célebre a frase de Paracelsius “a diferença entre remédio e veneno é a dose”?
Veremos importantes aplicações do metaloide, com fins terapêuticos. Mas nem sempre o arsênio foi 
utilizado com o mais nobre objetivo. Para quem não assistiu ao filme Arsênico e renda velha, de Frank 
Capra, queira nos desculpar pelo spoiler: nesse filme, duas velhinhas solidárias resolvem “aumentar a 
qualidade de vida” de alguns idosos oferecendo abrigo e proteção, para acabar com a solidão deles. 
Então, adicionam arsênio ao vinho de sabugueiro oferecido a eles para que haja a intoxicação intencional 
desses senhores; assim, as velhinhas acabam com a solidão dos idosos! Boazinhas, não?
Você se recorda de que no início desta obra trouxemos um pouco da história da toxicologia e 
apresentamos a madame Toffana, que vendia a acqua Toffana para que as mulheres se “livrassem dos 
maridos”? Pois bem: você vai entender melhor, a partir de agora, como esse produto agia no organismo 
desses maridos, levando-os à morte. Sabe o que tinha na composição da acqua Toffana? Arsênio!
Ao longo da história, ainda sob a égide das intoxicações fatais de cunho criminal, suspeita-
se que muitas mortes de famosos como Mozart e Napoleão Bonaparte tenham ocorrido pela 
exposição ao arsênio.
434
Unidade III
Outra situação que nos chama a atenção é o fato de o arsênio ser classificado como metaloide por 
conta de suas propriedades físico-químicas, mas a fisiopatologia desse metaloide remete a características 
de toxicidade associada a casos de intoxicação por metais pesados.
Atualmente, a maioria dos casos de intoxicação aguda ao arsênio em seus diferentes estados de 
oxidação ocorre pela exposição acidental, sobretudo a praguicidas contendo compostos arsenicais, e, 
menos frequentemente, por situações envolvendo homicídio ou autoextermínio.
8.2.2 Propriedades físico-químicas
Quando na forma inorgânica, o arsênio está associado ao ferro, níquel ou cobalto, juntamente com 
minerais de sulfeto (acreditamos que essa informação já tenha despertado sua atenção sob a óptica 
toxicológica), e o metal está associado ao carbono e ao hidrogênio, quando na forma orgânica (JANG; 
SOMANNA; KIM, 2016).
É encontrado em diferentes estados de oxidação, como arsênio elementar (As0), arsenito (As3+), 
arsenato (As5+) e arsina (AsH3), na forma de gás e em formas orgânicas e inorgânicas de arsenito e arsenato.
Outra característica que nos chama muito a atenção é que esse metaloide não se degrada, nem é 
destruído no meio ambiente. Mais do que isso, é crescente a atenção dos especialistas sobre o arsênio 
também por sua “mobilidade” na terra. Para que você tenha dimensão da intensidade de exposição da 
população ao arsênio em seus diferentes estados de oxidação, os teores desse metaloide na água potável 
excedem os limites preconizados pela OMS (10µg/L) em mais de 42 países, e cerca de 150 milhões 
de pessoas já apresentaram algum efeito tóxico pela exposição à água contaminada com o arsênio. 
Mas a água não é a única fonte de exposição: humanos e animais podem ter interação com o metal pela 
ingestão direta, por inalação e pela pele.
 Observação
O arsênio pode causar danos à saúde mesmo em baixas concentrações 
na água, como 2 µg/L.
8.2.3 Usos e fontes de exposição
No século XIX, a preparação contendo 1% de trióxido de arsênio foi utilizada para várias aplicações 
terapêuticas. Por exemplo, antes da descoberta da penicilina por Alexander Fleming, a sífilis era tratada 
com o arsênio (IBRAHIM et al., 2006).
 Lembrete
Toda substância química pode ser considerada um agente tóxico, 
dependendo das condições de exposição.
435
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
O arsênio pode ser encontrado ligado ao chumbo, hidróxidos e sulfetos de ferro e de cobre. 
É encontrado em matrizes aquíferas ou armazenado em rochas sedimentares. A pirita, o dissulfeto de 
ferro e a estibinita tendem a acumular arsênio (JANG; SOMANNA; KIM, 2016).
Você se recorda deque utilizamos o termo mobilidade do arsênio? Vamos entender um pouco 
melhor essa informação. Esse metaloide pode se deslocar no ambiente por meio de processos naturais, 
como a atividade vulcânica, reações geoquímicas ou intempéries. Estima-se que a quantidade do arsênio 
na crosta terrestre seja em torno de 4,0 x 1016 kg. Na Austrália, o arsênio encontrado em corpos de água 
potável advém da erosão da estibinita encontrada em cidades do interior desse país.
Mas as fontes antropogênicas também não podem ser desconsideradas: são liberadas cerca de 
82 mil toneladas de arsênio por ano, em todo o mundo, por conta das atividades humanas.
8.2.4 Toxicidade
Vimos como o arsênio é eclético quanto aos seus possíveis estados de oxidação. Dependendo 
da especiação, há alteração da toxicidade do metaloide. A forma inorgânica do arsênio é altamente 
tóxica, e o arsenito tem toxicidade 10 vezes superior ao arsenato, nas mesmas condições de exposição.
 Observação
Você consegue visualizar agora como o estado de oxidação desse metal 
deve ser destacado quando se faz a avaliação de risco ao arsênio?
Mas o estado de oxidação não é o único fator que contribui para sua ação tóxica: a frequência e o 
tempo de exposição, a taxa de ingestão, a biodisponibilidade e a via de exposição também devem ser 
considerados como fatores que influenciam na toxicidade desse xenobiótico.
Para que compreendamos ainda melhor a toxicidade do metaloide, faz-se necessário conhecer 
como o metal se apresenta na natureza. Como tivemos a oportunidade de acompanhar, os compostos 
arsenicais podem ocorrer em três diferentes estados de oxidação: arsênio elementar, arsenito trivalente 
e arsenato pentavalente; e o estado de oxidação os difere, sob a óptica toxicológica. O metaloide 
elementar não é tóxico (IBRAHIM et al., 2006).
 Lembrete
A especiação do metal está condicionada à sua natureza física e química.
Assim, faz-se necessário avaliar a especiação do arsênio para que também seja possível caracterizar os 
riscos toxicológicos decorrentes de sua exposição, que pode se apresentar na forma orgânica, inorgânica 
e gás arsina. Observe um importante aspecto toxicológico desse metaloide: os compostos orgânicos de 
436
Unidade III
arsênio possuem baixa capacidade de causar danos agudos ao organismo, opostamente às suas formas 
inorgânicas e do gás arsina, que são tóxicos.
A exposição e consequente absorção do arsênio podem ocorrer, principalmente, pelo trato digestório, 
ainda que também seja possível a absorção pela pele e pulmão, com consequente dano ao organismo 
(IBRAHIM et al., 2006). Veja o quadro a seguir.
Quadro 31 – Caracterização entre tipo de exposição, 
via de exposição e efeitos no organismo
Tipo de exposição Via de exposição Toxicidade
Aguda
Ingestão de água ou ingestão 
acidental de inseticidas ou pesticidas
Náusea, vômito, diarreia, cianose, arritmia cardíaca, 
confusão e alucinações
Dérmico por contaminação por 
arseniato de cobre cromado
Morte celular associada à ruptura da membrana 
celular e inibição da síntese de DNA e proteínas
Inalação de gás arsênico Bronquite, respiração curta e tosse
Crônica 
(arsenicose)
Ingestão de água
Parestesia, doença vascular e cardiovascular central 
e periférica, queratose, hiperpigmentação ou 
hipopigmentação das mãos, pés e dedos, doenças 
malignas como câncer de rim, fígado e de bexiga, 
hemograma baixo
Inalação Câncer de pulmão, bronquite crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica e bronquiectasia
Adaptado de: Jang, Somanna e Kim (2016).
Frutos-do-mar tendem a bioacumular o metaloide, mas na forma de arsenobetaína, que é o arsênio 
na forma orgânica e, portanto, com baixa toxicidade. Ainda assim, pode haver elevação dos níveis de 
arsênio na urina (IBRAHIM et al., 2006).
8.2.5 Toxicocinética
8.2.5.1 Distribuição
O arsênio inorgânico se liga nos eritrócitos e é redistribuído em 24 horas, ou seja, há uma rápida 
redistribuição para os pulmões, rins, coração e fígado e também para o trato digestório e o SN, ainda 
que em menor proporção.
8.2.5.2 Biotransformação
No fígado, o arsênio é metilado e dá origem ao monometilarsônico e dimetilarsínico. Ambos 
apresentam baixa toxicidade na exposição aguda (IBRAHIM et al., 2006).
437
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Atenção às vias de excreção do metaloide. Nem todo o arsênio é biotransformado: uma 
pequena quantidade do metaloide em sua forma inorgânica é excretada inalterada. A urina excreta 
aproximadamente 50% do arsênio ingerido entre três e cinco dias, mas este também pode ser encontrado 
em tecidos ricos em queratina como pele e cabelos. Quando depositado nas unhas dos pés ou das mãos, 
forma a linha de Mees ou Aldrich-Mees, linhas brancas decorrentes da descoloração das unhas (veja a 
figura a seguir) (IBRAHIM et al., 2006).
Figura 168 – Depósito de arsênio nas unhas (linha de Aldrich-Mees)
8.2.6 Toxicodinâmica
Há dois diferentes mecanismos de ação tóxica associados à intoxicação pelo arsênio. O arsenito 
trivalente tem a propriedade de se ligar aos grupamentos sulfidrílicos do lipoato, responsável pela síntese 
de intermediários, no ciclo de Krebs. A consequência dessa inibição é a depleção de ATP por prejuízo 
da fosforilação oxidativa, e o arsenato pentavalente, por outro lado, pode levar a uma arseniólise, ou 
seja, uma rápida hidrólise da ligação éster fostato, no ATP, capaz de desacoplar a fosforilação oxidativa 
e resultar na morte de tecidos que demandem muita energia, pela depleção da energia celular. Assim, o 
desacoplamento da fosforilação oxidativa associada à inibição da respiração celular resulta na morte de 
tecidos cujas células sejam dependentes de muita energia
8.2.7 Intoxicação aguda
A exposição aguda ao metaloide apresenta como manifestação clínica alterações do trato digestório, 
como dor abdominal, náusea, vômito e diarreia. A diarreia causada pela exposição ao arsênio é chamada 
de “água de arroz”, por sua colaração característica, e normalmente é acompanhada por perda de sangue. 
Quando há significativo dano endotelial, pode ocorrer o choque hipovolêmico. Dentro de quatro dias 
após o início da exposição aguda ao arsênio, aparecem as anormalidades hematológicas como depressão 
da medula óssea, pancitopenia, anemia, pontilhado basofílico e hemólise (veja a figura a seguir).
438
Unidade III
Figura 169 – Hemólise causada pela exposição à arsina. A bolsa à direita representa o plasma 
retirado de um paciente intoxicado com a arsina, comparado com um plasma normal, à esquerda
No aparelho cardiovascular observa-se o prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares, 
como torsade de pointes, mesmo após vários dias da melhora do quadro inicial envolvendo o trato 
digestório. Na extremidade dos membros inferiores ou superiores pode haver a manifestação da 
neuropatia periférica simétrica, com sensação de dormência e queimação.
Na intoxicação aguda grave pode se desenvolver rapidamente uma síndrome semelhante à de 
Guillain-Barré, com fraqueza ascendente, e também pode haver neurotoxicidade, caracterizada por 
encefalopatia (IBRAHIM et al., 2006).
8.2.8 Intoxicação crônica
É vasto o repertório das manifestações clínicas decorrentes da exposição crônica ao metaloide, 
que inclui queratose palmar e plantar, quando as unhas podem apresentar um sinal bastante 
característico de armazenamento do arsênio: as linhas de Aldrich-Mees. Essas faixas brancas 
tranversais nas unhas podem não estar presentes em todas as pessoas que se expõem ao arsênio, 
não caracterizam se houve exposição aguda ou crônica e não são específicas para o arsênio, mas 
podem indicar que houve a exposição ao arsênio e também são uma forma de excreção do metaloide.
Também pode haver alterações cardiovasculares com consequentes quadros de hipertensão e 
vasculite periférica que podem chegar à gangrena de membro(s) inferior(es), conhecida como doença 
do pé preto, por conta da desvitalização tecidual distal. Isso ocorreu em Taiwan a algumas pessoas, por 
exposição a grande quantidade do metaloidepresente na água potável (IBRAHIM et al., 2006).
A carcinogenicidade do metaloide é prevalente no rim, pulmão, fígado e bexiga, e os efeitos 
não carcinogênicos estão associados a hiperpigmentação, hipopigmentação, queratose, doença 
cardiovascular periférica, doença vascular, prejuízo no SNC e SN periférico (SNP) e diabetes mellitus. 
Assim, o arsênio pode causar efeitos carcinogênicos (veja o quadro a seguir) e não carcinogênicos.
439
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Quadro 32 – Classificação do arsênio pela Iarc, considerando a especiação do metal
Especiação do metal Grupo (Iarc)
Arsênio e compostos inorgânicos de arsênico 1
Arsenobetaína e outros compostos orgânicos de arsênico que não são metabolizados em 
seres humanos 3
Inseticidas não arsênicos (exposições ocupacionais na pulverização e de aplicação) 2A
Fonte: Iarc (2016).
O arsênio inorgânico consegue atravessar a placenta de animais e, dependendo das condições de 
exposição, pode ser teratogênico (IBRAHIM et al., 2006).
8.2.9 Diagnóstico
Vamos fazer um exercício para resgatar as informações e também para sugerir o diagnóstico da 
intoxicação ao arsênio.
Exemplo de aplicação
Em uma exposição ao metaloide, quais são as alterações clínicas que mais lhe chamaram a atenção?
Temos certeza de que ao menos uma de suas respostas está associada às alterações cardiovasculares 
e hematológicas. Pensando também dessa forma é que os especialistas sugerem o diagnóstico da 
intoxicação pela exposição ao arsênio.
A história clínica sempre é muito importante e, consequentemente, a anamnese deve ser realizada 
com muito critério e perspicácia, uma vez que a história da exposição ocupacional, ambiental ou 
acidental ao arsênio pode ser identificada nesse momento.
Os achados físicos são representativos: escurecimento das porções distais de membro(s) inferior(es) 
ou superior(es), linha de Aldrich-Mees, hipopigmentação ou hiperpigmentação da pele. Além disso, você 
já tinha identificado que poderia haver alterações hematológicas, não é mesmo? Assim, solicita-se um 
hemograma completo com esfregaço.
Não há alteração cardiológica? Sim, há! Logo, solicita-se um eletrocardiograma para avaliar se está 
havendo o prolongamento do intervalo QT. O clínico deve se atentar para não dar um diagnóstico 
falso-positivo para Guillain-Barré, caso haja evidência de axonopatia sensório-motora simétrica distal, 
uma vez que a ingestão maciça do arsênio pode alterar significativamente a condução nervosa e induzir 
ao erro de diagnóstico.
A solicitação de radiografia abdominal é exigida, uma vez que alguns compostos arsenicais são 
radiopacos e podem ser evidenciados por esse exame.
440
Unidade III
A quantificação da excreção urinária de 24 horas do metaloide é uma análise importante e confiável, 
ainda que a exposição ao arsênio proveniente da ingestão de frutos-do-mar possa aumentar de forma 
significativa a concentração do metaloide na urina. A concentração normal do arsênio na urina não 
deve exceder 50 µg/L e sugere-se diferenciar o arsênio orgânico do inorgânico nessa matriz.
No sangue, após exposição aguda, os teores do metaloide tendem a diminuir rapidamente depois 
de 24 a 48 horas, opostamente à concentração na urina, que tende a aumentar após 24 a 48 horas do 
início da exposição aguda. Assim, 1 µg/dL deve ser a máxima concentração do metaloide no sangue.
Quanto à presença do arsênio nos cabelos e unhas, não convém que seja considerada para fechar 
um diagnóstico clínico que caracterize uma exposição aguda, uma vez que a interpretação da linha 
de Aldrich-Mees para caracterizar uma exposição aguda ou crônica não é adequada quando se 
faz isoladamente.
8.2.10 Manejo e tratamento da intoxicação
O tratamento da intoxicação pelo arsênio se inicia pela remoção do intoxicado do local da exposição 
(IBRAHIM et al., 2006).
 Observação
A remoção do intoxicado do local da exposição deve ser feita com 
muita segurança por aqueles que tenham expertise e é necessário utilizar 
aparelho de respiração autônoma.
Quanto mais precoce for o início da terapia de quelação, melhores serão os resultados, devendo ser 
iniciada em minutos ou horas após o início da exposição. Assim, caso os exames laboratoriais demorem 
para ser liberados, o início da quelação não deve ser adiado em casos graves, mesmo que não haja a 
confirmação labaratorial da exposição (KUIVENHOVEN; MASON, 2019).
Caso tenha havido a exposição pela pele, o metaloide é facilmente removido com água. Não se sabe, 
ao certo, se a lavagem gástrica e o carvão ativado são efetivos no manejo do intoxicado. Caso haja 
grande quantidade de material radiopaco observado na radiografia abdominal, pode-se considerar a 
lavagem gástrica.
O fundamento do tratamento está nas medidas de suporte e na terapia de quelação. Deve-se 
considerar a vital importância da ressuscitação volêmica em casos graves e a utilização de substâncias 
quelantes, como o ácido dimercaptossuccínico (DMSA), também conhecido por succímero, o 
2,3-dimercaptopropanol, também conhecido como dimercaprol ou BAL (British anti-lewisite), ou 
o ácido 2,3-dimercaptopropanolsulfônico (DMPS), conhecido como unitiol. Caso o paciente apresente 
insuficiência renal, deve-se considerar a possibilidade de hemodiálise. Após 24 horas de terapia 
quelante, o arsênio urinário deve ser inferior a 50 µg/L.
441
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.2.11 Gás arsina
Uma das características físico-químicas mais marcantes na exposição ao gás arsina é o seu odor de 
alho. Após essa exposição, o organismo pode apresentar náusea, cefaleia, vômito, diarreia, dor no peito, 
taquicardia, perda do equilíbrio, insuficiência renal e febre, que podem aparecer entre uma e 12 horas 
após a exposição. Entre quatro e 48 horas após a exposição, a conjuntiva tende a ficar avermelhada, 
a urina adquire uma tonalidade de vinho do Porto e ocorre uma alteração denominada de “pele de 
ardósia-bronze”, consequência da icterícia. Pode haver assistolia e bloqueio na condução cardíaca e 
sensibilidade aumentada no baço e fígado ao exame físico. Após algumas semanas da exposição, podem 
aparecer as linhas de Aldrich-Mees (KUIVENHOVEN; MASON, 2019).
Uma das formas de reduzir a possibilidade de insuficiência renal aguda (IRA) é administrar manitol 
e proceder com intensa hidratação (EV).
 Observação
Caso haja necrose tubular aguda precoce, e se os sinais de insuficiência 
renal ou os teores de hemoglobina sérica ou plasmática chegarem a 
1,5 g/dL, a transfusão sanguínea deve ser realizada imediatamente.
Os estudos sobre os efeitos dos agentes quelantes sobre a arsina não são conclusivos, mas alguns 
protocolos expõem que, quando a exposição aguda à arsina ocorre em até 24 horas, pode ser utilizado o 
dimercaprol, e após esse período, sugere-se a administração do succímero por via oral ou do unitiol por 
via oral ou parenteral (OLSON, 2014).
 Observação
Em casos de exposição aguda aos compostos inorgânicos de arsênio, 
o uso do unitiol parece ser mais eficiente que o dimercaprol nas primeiras 
24 horas de exposição.
8.3 Cádmio
8.3.1 Usos e fontes
O cádmio está presente na crosta terrestre em teor aproximado de 0,1 parte por milhão e 
normalmente é encontrado como subproduto das fundições de chumbo ou zinco. Até a década 
de 1960, foi utilizado juntamente com o zinco em soldas de vedações de tubulações de água. 
Atualmente, o metal é utilizado em lasers, aço galvanizado, baterias, pigmentos de tintas, inclusive 
de cosméticos, e até mesmo na fissão nuclear. A ingestão de vegetais folhosos, arroz de regiões 
específicas da China e do Japão, crustáceos e água é uma das principais fontes de exposição ao 
442
Unidade III
cádmio, e a exposição ocupacional ocorre principalmente por meio da utilização de soldas, que 
pode levar à pneumonia química grave (BERNHOFT, 2013).
8.3.2 Toxicocinética
8.3.2.1 Absorção
A ingestão e inalação são as principais vias de exposição para humanos. Dependendo do diâmetro 
aerodinâmico, 10% a 50% do cádmio inalado são absorvidos pelotrato respiratório.
 Observação
A mais significativa fonte de exposição humana ao cádmio é 
o tabagismo.
Existe uma significativa concentração do metal no sangue e nos rins de tabagistas. Quando a 
exposição ocorre pelo trato digestório, indivíduos que apresentam deficiência em zinco, cálcio ou ferro 
apresentam uma absorção maior do cádmio, que pode variar de 5% a 10% (BERNHOFT, 2013).
8.3.2.2 Distribuição
Uma vez absorvido, o cádmio é distribuído para todo o organismo, normalmente pela metalotioneína, 
proteína de baixo peso molecular que contém grupamentos sulfidrílicos. Cerca de 30% do metal são 
depositados nos rins, sendo que o mesmo percentual é depositado no fígado, e cerca de 40% do restante 
de cádmio são distribuídos para as demais partes do organismo. A meia-vida biológica do cádmio 
presente no sangue varia de 75 a 128 dias, lembrando que ela está associada, sobretudo, à deposição 
do metal nos órgãos, e a meia-vida biológica do cádmio no organismo é de 25 anos (BERNHOFT, 2013).
8.3.2.3 Excreção
O cádmio é excretado pela urina em baixas quantidades, e o aumento da exposição ao metal eleva, 
paulatinamente, a excreção urinária. A quantidade de metal excretada nas fezes é a somatória da 
excreção do cádmio excretado por via biliar, que foi desprendido da mucosa intestinal, mais a fração 
que não foi absorvida pelo organismo (OGA; CAMARGO; BATISTUZZO, 2014).
8.3.3 Efeitos tóxicos
Dependendo das condições de exposição ao cádmio, pode haver lesão tecidual por meio de 
alterações epigenéticas na expressão do DNA, inibição competitiva das ações fisiológicas do magnésio 
ou do zinco, indução do estresse oxidativo, indução da apoptose por comprometimento da função 
mitocondrial, inibição da síntese do heme e depleção da glutationa. A presença do arsênio e chumbo 
pode intensificar o efeito do cádmio no organismo humano, e a presença de selênio e zinco pode 
minimizar seus efeitos tóxicos (BERNHOFT, 2013).
443
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Como visto anteriormente, aproximadamente 30% do cádmio são depositados nos rins, tornando-os 
o principal órgão-alvo. O segmento proximal do túbulo renal é alvo da deposição do metal, o que 
pode levar à síndrome de Fanconi, na qual o processo de reabsorção de fosfato, bicarbonato, glicose, 
aminoácido e proteínas é comprometido, e também pode ocorrer o prejuízo no processo de transporte 
de proteínas induzido por dano oxidativo, com possível indução à apoptose das células tubulares.
Deve-se atentar que a presença da metalotioneína é de fundamental importância para a amplitude 
da intensidade de lesão renal pelo metal: quanto maior é a produção dessa proteína de baixo peso 
molecular, menor é a intensidade de lesão tecidual causada pelo cádmio. Isso ocorre pelo fato de se 
formar um complexo, cádmio-metalotioneína, inócuo ao organismo humano, ou seja, se o cádmio 
permanece por muito tempo nos rins, mas está na forma de complexo ligado à metalotioneína, a 
intensidade de lesão renal se reduz significativamente. Entendemos, assim, que conforme se expõe ao 
metal, o organismo consegue “identificar” essa exposição e adota um sistema de proteção, para que não 
haja o rompimento da homeostase, e produz mais metalotioneína.
Se a metalotioneína protege o organismo humano dos efeitos tóxicos do cádmio, então por que o 
organismo se intoxica pelo metal?
A capacidade de produção de metalotioneína pelo organismo é limitada. À medida que se aumenta 
a exposição ao cádmio, também há o aumento da produção da proteína, mas há limites. Quando a 
quantidade do cádmio no organismo é superior à quantidade de metalotioneína produzida, inicia-se o 
rompimento da homeostase.
A osteomalácia ou a osteoporose também podem estar associadas à exposição ao cádmio. Isso 
porque o metal pode reduzir a absorção do cálcio e também prejudicar o metabolismo da vitamina D, 
no rim, com impacto direto sobre o tecido ósseo. Considera-se ainda que, por mecanismo indefinido, 
o cádmio é capaz de exercer sua toxicidade sobre os osteoblastos, de estimular os osteoclastos e 
de intensificar no tecido ósseo. Um clássico exemplo dessa manifestação tóxica é a doença que no 
Japão é conhecida por Itai-itai, caracterizada por dor intensa nos ossos por conta da osteomalácia 
e da osteoporose, além da anemia combinada pela má absorção do cálcio. A diabetes mellitus é a 
comorbidade que leva à maior suscetibilidade a doenças renais pela exposição ao cádmio.
Evidências epidemiológicas apontam que o metal pode estar relacionado à morte súbita, à 
hipertensão arterial e ao infarto do miocárdio.
Uma proposta de mecanismo de ação que justifique esses danos está associada à inibição da 
produção de óxido nítrico e consequente vasoconstrição direta. Os monócitos podem transportar o 
metal para a parede vascular e induzir ao acúmulo do metal em vasos importantes, como no endotélio 
da aorta, ainda que danos diretos nos miócitos também tenham sido documentados. Pode haver 
alterações hematológicas como a supressão acentuada da produção de eritropoietina, hemólise e 
anemia (BERNHOFT, 2013).
444
Unidade III
O metal também pode ser considerado um desregulador endócrino, aparentemente, por alterar a 
síntese de hormônios hipofisários, em que elevados teores de cádmio no sangue levam a uma supressão 
da produção de hormônio tireoestimulante (TSH).
A quantidade de cádmio capaz de levar à morte por exposição aguda de um homem de 70 kg é de 
5 g (RAHIMZADEH et al., 2017).
8.3.4 Carcinogenicidade
O cádmio e seus compostos são classificados no grupo 1 pela Iarc (2016). O metal é considerado 
carcinogênico pulmonar, apresenta um risco potencial para o câncer de mama e de pâncreas e pode 
induzir ao câncer de rim e de próstata, além de induzir à hiperplasia de células testiculares e afetar a 
produção de testosterona (RAHIMZADEH et al., 2017).
8.3.5 Diagnóstico
A nefrotoxicidade é a principal manifestação tóxica pela exposição crônica ao cádmio. Alguns autores 
sugerem que a exposição ao metal está associada aos danos renais quando a concentração do cádmio é 
igual ou superior a 0,5 µg/g de creatinina, na urina, e danos extensos ocorrem quando há concentrações 
superiores a 2,0 µg/g de creatinina, na mesma matriz biológica.
 Lembrete
O acúmulo do cádmio no organismo aumenta a meia-vida biológica a 
30 anos, enquanto a meia-vida biológica de três a quatro meses é resultado 
de uma exposição recente.
O cádmio pode ser determinado na saliva, que por sinal é um excelente método para verificar a 
contaminação por metais, por exposição a longo prazo, e também pode ser determinado no cabelo 
e nas unhas. A espectrometria de massas de plasma indutivamente acoplada e a espectrofotometria 
de absorção atômica são duas técnicas analíticas que podem ser utilizadas na quantificação do 
cádmio no sangue.
8.3.6 Tratamento
8.3.6.1 Medidas de descontaminação
O carvão vegetal não é muito efetivo na descontaminação do trato digestório, por não absorver o 
metal efetivamente, e a avaliação dos possíveis danos hepáticos e no trato digestório, respiratório e 
urinário faz-se necessária (RAHIMZADEH et al., 2017).
445
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.3.6.2 Agentes quelantes
O ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) aumenta significativamente a excreção urinária 
do cádmio.
 Observação
O EDTA pode aumentar a concentração do metal no rim e eleva o risco 
de nefrotoxicidade.
O dipercaprol, o succímero e o unitiol são agentes quelantes bastante utilizados nessa terapia, e a 
penicilamina é insuficiente para reduzir os efeitos do cádmio no organismo.
Observe os detalhes das características dos agentes quelantes. Como o cádmio se liga fortemente à 
metalotioneína e é armazenado nos rins e no fígado, e como o succímero não é um quelante intracelular, 
para alguns autores, esse agente quelante não é considerado o de escolha para o tratamento da 
intoxicação pelo cádmio.
8.4 Chumbo
8.4.1 Usos e fontes
O chumbo metálico é utilizado em munições, soldas, baterias de automóveis, blindagem para 
proteçãode radiação e raio-X, e seus sais inorgânicos são utilizados na produção de tintas, pigmentos 
(dão cor ao esmalte e à tinta de cabelo), soldas e inseticidas (RAHDE, 1991).
Segundo Rahde (1991), a intoxicação pelo chumbo pela exposição ocupacional é bastante comum, 
sobretudo quando as empresas não adotam as medidas adequadas de prevenção da intoxicação. Uma 
das vias de exposição que devem ser consideradas no ambiente de trabalho é a exposição pelo trato 
respiratório, pela inalação de fumaça ou poeira contendo o metal.
Entretanto, além da exposição ocupacional, outras fontes de exposição ao chumbo devem ser 
consideradas. Pode haver a ingestão do metal pela exposição a água e alimentos contaminados pelo 
metal. A cerâmica vitrificada pode conter chumbo em sua composição e, consequentemente, ao ingerir 
água ou alimentos acondicionados nesse recipiente, pode haver exposição ao metal.
O que as crianças veem, colocam na boca. Não é isso o que acontece? No que se refere à exposição 
ao chumbo, não é diferente.
Há brinquedos feitos de chumbo, como os soldados de chumbo, ou que contenham chumbo. 
As crianças se expõem diretamente ao metal pelo trato digestório, ao colocar na boca o brinquedo 
contendo chumbo ou a mão contaminada pelo metal (CAPITANI, 2009).
446
Unidade III
O chumbo orgânico é cada vez menos utilizado. Entretanto, naftenatos e estearatos de chumbo 
ainda são utilizados em sabões de chumbo e como estabilizantes em materiais plásticos. Em alguns 
países, ainda se utiliza o chumbo tetraetila na gasolina, e durante a produção, a mistura e o transporte 
desse combustível, pode haver a intoxicação do trabalhador (GIDLOW, 2004).
8.4.2 Toxicocinética
8.4.2.1 Absorção
Dependendo da concentração do vapor, pó ou névoa do chumbo presente no ar, a taxa de absorção 
do metal pelo trato respiratório varia de 50% a 70%, caso as partículas tenham menos que 1 µm, 
representando uma das principais vias de exposição ao chumbo (RAHDE, 1991).
De 5% a 15% do chumbo inorgânico a que o organismo se expõe pelo trato digestório são absorvidos. 
O restante é excretado pelas fezes, mas, mais uma vez, as condições de exposição podem alterar bastante 
o cenário de absorção do xenobiótico.
No início deste material vimos que o estado de plenitude ou de vacuidade gástrica pode interferir na 
absorção de uma substância química, não é? Quando uma pessoa está em jejum e se expõe ao chumbo 
inorgânico, pode haver um incremento de até 45% da absorção do metal. Um dos motivos pelos quais 
as crianças são mais sensíveis ao chumbo decorre do fato de os lactentes e crianças terem uma absorção 
do chumbo inorgânico 53% superior a adultos.
O que nos chama muito a atenção é que as informações preliminares que foram transmitidas 
neste livro-texto nos substanciam para que possamos compreender, com ainda mais facilidade, as 
informações posteriores.
Observe as informações relacionadas às interações químicas: aparentemente, o transporte do 
chumbo através da mucosa intestinal ocorre de forma similar ao cálcio. Assim, a redução da exposição 
ao cálcio ou zinco leva ao aumento da absorção do chumbo. Ainda nesse contexto, a absorção pelo trato 
digestório é favorecida pela solubilização ácida, e a absorção dos compostos inorgânicos de chumbo 
pela pele é considerada insignificante.
Destaca-se que há mudança do perfil toxicocinético do chumbo orgânico em comparação com o 
inorgânico. O chumbo orgânico é absorvido mais rapidamente em comparação com o chumbo metálico 
e sais inorgânicos de chumbo. A absorção pela pele passa a ser importante quando há a exposição por 
essa especiação do metal. O chumbo metálico tem uma absorção negligível, pela pele, diferentemente 
do chumbo orgânico, que apresenta uma absorção significativa por essa via de exposição.
8.4.2.2 Distribuição
A maior parte do chumbo presente no sangue está ligada aos eritrócitos. Para que você tenha 
dimensão, a concentração do metal presente nos eritrócitos é cerca de 16 vezes superior à concentração 
447
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
no plasma. O chumbo é distribuído para o fígado e rins e, em seguida, redistribuído para o cabelo, dentes 
e ossos, sendo que cerca de 95% da carga corporal do metal concentram-se nos ossos.
A ingesta de fosfato interfere diretamente na distribuição do chumbo no tecido ósseo: a ingestão de 
elevada quantidade de fosfato induz o depósito de chumbo no tecido ósseo, enquanto a baixa ingestão 
da mesma substância induz a redistribuição do metal para tecidos moles (RAHDE, 1991).
8.4.2.3 Meia-vida biológica
A determinação da meia-vida biológica do chumbo no organismo humano não é uma tarefa fácil 
de realizar, mas estima-se que nos eritrócitos seja de 35 dias, de 40 dias quando presente no sistema 
nervoso, fígado e rins, que são tecidos moles, e cerca de 25 anos quando presente no tecido ósseo 
(RAHDE, 1991).
8.4.2.4 Metabolismo
O chumbo elementar e os compostos inorgânicos de chumbo não são biotransformados pelo organismo 
humano (RAHDE, 1991). Entretanto, diferentemente do chumbo metálico e compostos inorgânicos de 
chumbo, o chumbo tetraetila, uma forma de chumbo orgânico, sofre biotransformação hepática e dá origem 
a compostos alquílicos de chumbo, excretados na urina. Essa é uma situação patognomônica de intoxicação 
por chumbo orgânico, quando a concentração do chumbo no sangue é moderamente elevada, enquanto os 
níveis do metal na urina são extremamente elevados (GIDLOW, 2004).
8.4.2.5 Excreção
A depuração renal do chumbo inalterado ocorre fundamentalmente pela filtração glomerular. 
Entretanto, quando há a exposição a elevada quantidade do metal, pode haver transporte tubular ativo. 
O metal é excretado principalmente pela urina e fezes, mas a excreção também pode ocorrer pelo 
cabelo, suor, unhas, lágrimas e outras vias de excreção (RAHDE, 1991).
8.4.3 Toxicodinâmica
O chumbo interfere em processos bioquímicos e pode prejudicar sistemas enzimáticos por inibição 
dos grupamentos sulfidrílicos proteicos.
8.4.4 Toxicidade
8.4.4.1 Exposição aguda
A exposição fatal ao chumbo é rara, e acidentes fatais demonstram que ocorrem pela exposição 
acima de 30 g para acetato de chumbo ou carbonato de chumbo. Na exposição aguda, os sintomas mais 
frequentes associados à exposição pelo trato digestório incluem vômitos, anorexia e cólica abdominal. 
Com menor frequência, pode ocorrer o aparecimento de parestesia, cãibras e dores nos membros 
448
Unidade III
inferiores, e a evolução do quadro clínico pode levar a disfunção renal, anemia hemolítica e choque 
(RAHDE, 1991).
Em crianças, a morte ocorre quando o nível de chumbo no sangue (plumbemia) é igual ou superior 
a 1250 μg/L.
No ambiente de trabalho, a via de exposição mais importante é o trato respiratório, quando pode 
haver a inalação de fumaça, óxidos de chumbo e partículas do chumbo finamente divididas. Entretanto, 
a exposição aguda por essa via é bastante incomum.
8.4.4.2 Exposição crônica
Vários são os sintomas decorrentes da exposição crônica pelo trato digestório do chumbo elementar 
e seus sais, mas caracterizam-se sobretudo pelo gosto metálico, náusea, vômito, cólicas abdominais, 
anorexia, linha de Burton, que consiste em uma linha azulada nas margens da gengiva (veja a figura a 
seguir), letargia, encefalopatia, irritabilidade e convulsões (RAHDE, 1991).
Figura 170 – Linha de Burton em paciente com 39 anos com histórico de 
constipação e aumento de frequência e intensidade das cólicas intestinais
Dois grandes grupos de pessoas são normalmente afetados pela exposição crônica ao chumbo: 
adultos, pela exposição ocupacional, e crianças (RAHDE, 1991).
Os efeitos tóxicos decorrentes da exposição crônica ao chumbo pelo trato respiratório são 
bastante parecidos com os da exposição pelo trato digestório, em que se observam cefaleia, distúrbio 
do sono, fadiga, náuseas, vômitos, cólica abdominal, constipação, anorexia e ossos e músculos 
doloridos. As crianças podem desenvolver encefalopatia, anemia e distúrbios do nervo periférico 
(SCHVARTSMAN,1996).
449
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
Deve-se evitar ao máximo a exposição de crianças ao metal, uma vez 
que, recentemente, foram observados déficits cognitivos causados pela 
exposição ao chumbo, sobretudo em crianças.
A exposição ao metal ainda pode prejudicar a fisiologia das mitocôndrias no SN, produzir lesões 
na alça de Henle e nos túbulos proximais renais, reduzir o tempo de vida dos eritrócitos e prejudicar a 
síntese do heme (RAHDE, 1991), em que pode haver a inibição de enzimas que participam da biossíntese 
do grupo heme, que forma a hemoglobina, como a do ácido Δ-aminolevulínico (Δ-ALA) desidratase, 
coproporfibilogênio (CPG) oxidase e ferro quelatase ou heme-sintase, com consequente acúmulo no 
organismo de Δ-ALA na urina, coproporfibilogênio na urina (CPU) e protoporfirina IX livre (EP) ou da 
protoporfirina zincada (ZPP) (veja a figura a seguir) (SILVA, 2001).
Succinil coenzima A + Glicina δ-ALA sintetase
Ácido δ-aminolevulínico δ-ALA desidratase
Porfobilinogênio
Uroporfirinogênio III Uroporfirinogênio oxidase
Coproporfirinogênio III Coproporfirinogênio oxidase
Protoporfirina IX + Ferro Protoporfirinogênio 
descarboxilase
Heme + Globina
Hemoglobina
Pb
Pb
Pb
O chumbo diminui a atividade da enzima 
ácido δ-aminolevulínico desidratase que 
cataliza essa passagem
O chumbo diminui a atividade da enzima 
hemi-sintetase, que catalisa a síntese do 
grupo heme
Figura 171 – Biossíntese da hemoglobina e enzimas inibidas pelo chumbo
8.4.5 Sinais e sintomas da intoxicação
O quadro a seguir correlaciona a sintomatologia com o perfil de exposição ao chumbo.
450
Unidade III
Quadro 33 – Relação entre a sintomatologia e o tempo de exposição ao chumbo
Exposição aguda ou subaguda Exposição crônica
Agitação psicomotora Adinamia
Anorexia Alterações de humor
Ataxia Artralgia/mialgia
Cólica abdominal refratária ao tratamento Encefalopatia crônica
Cólica satúrnica ou saturnina Hipertensão arterial
Coma Irritabilidade
Constipação intestinal Linhas de deposição de sulfeto de chumbo nas gengivas (linhas de Burton)
Convulsões Mialgia generalizada (ou mais localizada nas panturrilhas)
Desequilíbrio Neuropatia periférica
Dispepsia Parestesias e perda de força muscular nas extremidades
Dor abdominal de localização variada Perda da libido
Encefalopatia Perda de memória
Estupor Poliúria isostenúrica
Gastroduodenite Queimação epigástrica
Hipertensão arterial Queixa de palidez e fadiga
Insuficiência renal aguda Sinais de insuficiência renal
Icterícia (nos casos com hemólise)
Irritabilidade
Náusea
Obnubilação
Palidez cutânea
Paralisia de nervos periféricos
Vômitos
Adaptado de: Gomes et al. (2015), Capitani (2009) e Brasil (2006).
 Observação
O termo saturnismo se refere à intoxicação pelo chumbo.
Nos casos mais graves, podem ser observadas alterações encefalopáticas associadas às cólicas 
abdominais, estas últimas resistentes a tratamento antiespasmódico convencional. Hipertensão arterial 
sistólica pode também ser detectada nos casos agudos, além de palidez cutânea (devido à vasoconstrição 
periférica) e icterícia (devido à hemólise) (CAPITANI, 2009).
Em casos de grave intoxicação, pode acontecer um fato clássico e importante: as cólicas satúrnicas. 
São intensas cólicas abdominais que podem ser confundidas com outras doenças, como a apendicite, 
e são refratárias ao tratamento com agentes antiespasmóticos tradicionais (CAPITANI; MADUREIRA; 
MOREIRA FILHO, 2004).
451
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.4.6 Diagnóstico
8.4.6.1 Exames laboratoriais
Após a anamnese, deve-se complementar e confirmar o diagnóstico da intoxicação pelo chumbo 
pela determinação da plumbemia, ou seja, concentração do metal no sangue, exame de maior 
relevância para identificar a absorção do metal, ou pela determinação dos teores de chumbo na urina 
(plumbúria), pela determinação dos níveis de bioindicadores de efeito, como atividade do Δ-ALA, da 
determinação dos níveis urinários de Δ-ALA (Δ-ALA-U), CPU, EP ou ZPP (CAPITANI, 2009).
A plumbemia indica principalmente a exposição recente ao metal, e não a carga corpórea total 
(WANI; ARA; USMANI, 2015).
As alterações laboratoriais comuns na intoxicação aguda, subaguda ou crônica ao chumbo que 
corroboram para a definição do diagnóstico são a hemoglobina inferior a 10 μg/dL, o Δ-ALA-U 
elevado, o pontilhado basófilo nas hemácias, e CPU e EP (ou ZPP) elevados. Além dessas alterações, 
na intoxicação aguda ou subaguda, a plumbemia em crianças deve estar superior a 25 µg/dL. 
A radiografia do abdome da criança pode ser realizada, caso tenha havido uma exposição pelo trato 
digestório. Em adultos, é necessário avaliar a história de exposição ocupacional e plumbemia superior 
a 60 µg/dL, lembrando que pode haver quadro agudo de intoxicação pelo chumbo com plumbemia 
inferior a 60 µg/dL (CAPITANI, 2009).
 Observação
A intoxicação pelo chumbo está associada à anemia microcítica e 
hipocrômica com deficiência de ferro e de pontilhados basófilos nos 
eritrócitos, visíveis ao microscópio óptico.
Ainda que a quantificação da protoporfirina eritrocitária na amostra de sangue possa ser utilizada 
no diagnóstico da intoxicação pelo metal, a identificação da protoporfirina eritrocitária aumentada 
isolada não é um análise sensível e apresenta um limiar alto de detecção, ou seja, pode não ser suficiente 
para identificar os níveis de chumbo abaixo de 35 µg/dL no sangue (WANI; ARA; USMANI, 2015).
Como os níveis de protoporfirina eritrocitária também aumentam a deficiência de ferro, a 
avaliação isolada da protoporfirina eritrocitária no sangue tem sido pouco utilizada no diagnóstico da 
exposição ao chumbo.
Duas formas bastante utilizadas para o diagnóstico de exposição ao metal por crianças são a 
identificação da presença de uma banda radiopaca na região distal das metáfises de ossos longos em 
processo de desenvolvimento e a radiografia do abdome da criança, caso tenha havido uma exposição 
pelo trato digestório (CAPITANI, 2009). A fluorescência de raio-X é uma técnica não invasiva capaz de 
medir o chumbo nos ossos e expressa a exposição da carga corporal total e cumulativa (WANI; ARA; 
USMANI, 2015).
452
Unidade III
8.4.7 Tratamento
Agentes quelantes são utilizados no tratamento da intoxicação, como o dimercaprol e o EDTA. 
Como o EDTA possui maior afinidade ao chumbo que ao cálcio, forma-se um quelato, ou seja, um 
complexo que é excretado na urina. O succímero reduz a plumbemia e é uma das opções para melhorar 
o desenvolvimento neuropsicológico de crianças expostas ao metal (WANI; ARA; USMANI, 2015). 
Diferentemente do chumbo inorgânico e de seus sais, não há agentes quelantes específicos para o 
tratamento da intoxicação pelo chumbo orgânico (GIDLOW, 2004).
8.4.8 Prevenção da exposição
Ainda que a intoxicação pelo chumbo possa causar efeitos graves no organismo, é evitável. Uma das 
formas de reduzir a exposição é desencorajar as crianças a colocarem a mão na boca (tarefa inglória!) e 
orientá-las a lavar frequentemente as mãos, além de aumentar a ingestão de ferro e cálcio (WANI; ARA; 
USMANI, 2015). O chumbo pode ser liberado para a água potável, quando presente nos encanamentos 
de metal, que transportam água, ou pode estar presente nas soldas. Com o tempo, o chumbo presente 
na solda é levado pela água e pode haver a exposição ao metal pelo trato digestório. Sugere-se, assim, 
a substituição dos canos metálicos por canos de plástico (WANI; ARA; USMANI, 2015).
 Observação
A água quente pode liberar mais chumbo para água que a água fria.
Os limites máximos de chumbo tolerados em alimentos são definidos pela Portaria n. 685 da Anvisa, 
de 27 de agosto de 1998 (BRASIL, 2013). A IDA do chumbo em adultos é de 50 μg/kg peso corpóreo ou 
3 mg para adultos e de 25 μg/kg peso corpóreo para crianças (RAHDE, 1991).
O TLV-TWA para poeira ou fumos de chumbo inorgânico é de 150 μg/m3 (RAHDE, 1991). O VR do 
chumbo no sangue (PbS) é de 40 mg/dL e o IBMP é de 60 mg/dL (BRASIL, 1994).
 Saiba mais
Para sabermais sobre o assunto, leia:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. 
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção à saúde dos 
trabalhadores expostos ao chumbo metálico. Brasília: Ministério da Saúde, 
2006. (Saúde do Trabalhador: Protocolo de Complexidade Diferenciada, 
n. 4; Série A. Normas e Manuais Técnicos).
453
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.4.9 Carcinogenicidade
O quadro a seguir apresenta a classificação do metal, segundo sua especiação, pela Iarc.
Quadro 34 – Classificação pela Iarc do chumbo, 
considerando a especiação do metal
Especiação do metal Grupo (Iarc)
Iarc – Chumbo elementar 2B
Iarc – Chumbo inorgânico 2A
Iarc – Chumbo orgânico 3
Adaptado de: Iarc (2016).
8.5 Mercúrio
Você se recorda de Alice no país das maravilhas e do personagem Chapeleiro Maluco? Não estamos 
apresentando um quadro de intoxicação com alucinação a ponto de expor em vão uma obra-prima da 
literatura mundial escrita por Lewis Carroll em um capítulo de um livro de toxicologia! Não, isso também 
não é um delírio! Mas qual é o sentido desse personagem estar presente em um módulo tão específico 
como a toxicologia dos metais? Calma! Você já vai compreender. Você se recorda de que o Chapeleiro 
Maluco era muito estressado? Você se lembra também se havia alguma alteração na coloração dos olhos 
desse personagem? Ao longo da leitura deste tópico, você terá subsídios para unir os pontos entre o 
Chapeleiro Maluco, personagem do livro, com a toxicologia do mercúrio. 
8.5.1 Propriedades físico-químicas
O mercúrio é um metal excêntrico, uma vez que é o único metal líquido nas CNTP.
8.5.2 Usos e fontes de exposição
Além de ser um metal excêntrico, o mercúrio é também uma ameaça para o meio ambiente, 
animais e humanos. Fontes antropogênicas representam 30% de toda a emissão anual de mercúrio 
para a atmosfera, enquanto 10% da emissão do metal advêm de fontes naturais e 60% correspondem 
à reemissão, ou seja, de uma redistribuição do mercúrio que foi previamente liberado durante séculos 
nos mares e solo. Para que você tenha dimensão, em 2010, foram liberadas cerca de 1.960 toneladas 
de mercúrio diretamente para a atmosfera. Nesse mesmo ano, a queima do carvão para a obtenção de 
energia para uso industrial e geração de energia liberou 475 toneladas de mercúrio (UNEP, 2013).
Exemplo de aplicação
Você é capaz de dar exemplos de onde o mercúrio metálico pode estar presente no nosso cotidiano?
454
Unidade III
Possivelmente, na sua infância, você viu um termômetro clínico sendo quebrado acidentalmente. 
E é fascinante: liberam-se esferas prateadas brilhantes de diversos tamanhos que se “fundem” umas nas 
outras com constante mudança de diâmetro dessas esferas. Não foi isso que aconteceu?
Essas esferas são o mercúrio metálico líquido. Recorda-se de que alguns minutos após ter presenciado 
essas esferas você as perdeu, ou seja, constatou que elas desapareciam paulatinamente? É exatamente 
isso o que acontece: elas se volatilizam. Recorda-se, também, de que foi exposto que o mercúrio é o 
único metal nas CNTP? Assim, caso a temperatura esteja superior a 20 ºC, o metal tende a se volatilizar 
e vai para o ar, e isso é um grande problema toxicológico.
Você resgatou que há mercúrio em termômetros clínicos e analíticos e em lâmpadas fluorescentes, 
sendo também utilizado na catálise de reações químicas em processos industriais, no amálgama dentário 
e, entre outros usos, na extração do ouro. Isso mesmo: estima-se que para cada 1 g de ouro extraído 
sejam utilizadas 2 g de mercúrio elementar. O principal minério de onde se extrai o mercúrio é o cinábrio, 
que está na forma de sulfeto de mercúrio II (HgS).
 Observação
Você entendeu agora por que fizemos um trocadilho utilizando os 
termos bateia, brilho e preciosidade?
Exemplo de aplicação
Pela forma como o mercúrio está presente no cinábrio, você consegue fazer uma projeção de 
sua toxicodinâmica?
Você tem plena condição de fazer esse raciocínio toxicológico.
8.5.3 Toxicocinética
Ao estudar metais, deve-se prestar atenção na especiação do metal, ou seja, nas suas características 
físicas e químicas.
8.5.3.1 Absorção
Exposição pelo trato digestório
O mercúrio metálico não apresenta importantes consequências toxicológicas após exposição do 
organismo pelo trato digestório, com raras exceções, como a exposição crônica.
Compostos mercuriais inorgânicos solúveis, como o cloreto mercuroso, podem ser rapidamente 
absorvidos em até 10% pelo trato digestório. O restante do composto inorgânico mercurial pode 
455
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
permanecer conjugado com o conteúdo intestinal ou fixado na mucosa intestinal. Os compostos 
mercuriais inorgânicos podem ser oxidados a compostos solúveis, consequentemente, absorvíveis.
O cinábrio é particularmente pouco absorvido por essa via de exposição, uma vez que é insolúvel. Mas 
atente-se: a exposição crônica, caracterizada pela exposição a pequenas quantidades, mas por longo 
período, também pode levar à intoxicação pelo metal (KOLEV; BATES, 1996). Você consegue visualizar 
como é tudo muito dinâmico?
Há uma importante situação envolvendo a exposição ao mercúrio orgânico pelo trato digestório 
e gostaríamos que você se apropriasse entusiasticamente da informação quando estudarmos o que 
aconteceu em Minamata.
Segundo Mídio e Martins (2000), compostos organomercuriais, sobretudo os de cadeias curtas, 
como o metilmercúrio e o dietilmercúrio, além de ser acumulados em peixes, são até 95% absorvidos 
pelo trato digestório.
Exposição pelo trato respiratório
Leia atentamente a informação a seguir, uma vez que muito nos impressiona o número que iremos 
transmitir a você. Preste atenção: em função de sua rápida difusão através da membrana alveolar, até 
80% do vapor do mercúrio metálico podem ser absorvidos pelos alvéolos pulmonares.
E você sabe por que o vapor do mercúrio metálico é absorvido com tanta intensidade? Porque é 
lipossolúvel, e como vimos extensamente, substâncias lipossolúveis são absorvidas com facilidade pela 
membrana plasmática.
Exposição pela pele
O mercúrio elementar na forma líquida é moderadamente absorvido pela pele, dependendo das 
condições de exposição (AZEVEDO, 2003). Estudos em animais apontam que o cloreto de mercúrio 
aplicado sobre a pele de animais é até 8% absorvido dentro de cinco horas.
Exposição vaginal
Compostos mercuriais presentes em géis vaginais são prontamente absorvidos pela mucosa vaginal 
e armazenados no organismo (KOLEV; BATES, 1996).
8.5.3.2 Distribuição
Cerca de metade do mercúrio absorvido se liga à albumina plasmática, em combinação com os 
grupamentos sulfidrílicos (preste atenção nessa informação), e a outra metade se liga aos eritrócitos. 
Então, são prontamente distribuídos, e em poucas horas, os rins concentram elevada quantidade do 
metal (consegue inferir um possível órgão-alvo do mercúrio?) (KOLEV; BATES, 1996).
456
Unidade III
Quantidades menores do metal são distribuídas para os intestinos delgado e grosso, pele, fígado, 
baço, mucosa do trato respiratório, glândulas salivares, encéfalo, músculo esquelético, coração e pulmões. 
Há um armazenamento do metal por curto período no fígado, ossos e medula óssea. Uma semana após 
a exposição, entre 85% a 95% do mercúrio ao qual o organismo se expôs são armazenados nos rins, 
mas também no encéfalo; o metal apresenta especial afinidade às regiões basal e frontal desse órgão.
Acreditamos que com o olhar analítico e toxicológico desenvolvido ao longo da disciplina, você já 
consiga estimar quais são os órgãos-alvo do metal, não é mesmo? Encéfalo e rins.
A especiação dos metais nos traz muitas particularidades. O mercúrio orgânico, por exemplo, tem a 
capacidade de se concentrar mais nos eritrócitos, diferentemente dos compostos mercuriais inorgânicos. 
Assim, a taxa da concentração do mercúrio presente nos eritrócitos e no plasma é um indicativo se o 
organismo se expôs ao mercúrio orgânico ou inorgânico. Não é muito interessante quandolemos a 
informação e conseguimos realizar conjecturas?
Essa é mais uma informação relevante. Vamos ver a seguir se você compreendeu bem: qual especiação 
do mercúrio atravessa membranas com mais facilidade, o metálico na forma de vapor ou os compostos 
mercuriais inorgânicos?
O vapor do mercúrio metálico atravessa membranas biológicas muito mais rapidamente em 
comparação com os compostos mercuriais divalentes. Grande parte do vapor do mercúrio metálico que 
chega no encéfalo é oxidado e essa é uma situação importante envolvendo a exposição ao mercúrio. O 
metal entra na célula facilmente, por ser lipossolúvel, e após a oxidação pela catalase, se transforma em 
mercúrio inorgânico, hidrossolúvel; consequentemente, sairá da célula com dificuldade e tende a ser 
armazenado no tecido encefálico. Esse é um dos grandes riscos toxicológicos ao se expor ao mercúrio.
Você se recorda, quando falamos sobre os que tiveram a oportunidade de interagir com o mercúrio 
elementar na forma líquida, de que o metal tende a ficar na forma esférica e que alguns minutos depois 
desaparecia porque se volatilizava? Você também se recorda de que até 80% do vapor mercúrio metálico 
são facilmente absorvidos pelo trato respiratório? Ótimo! Sabe qual é a consequência disso? O mercúrio 
metálico na forma de vapor é amplamente absorvido e há uma tendência de acúmulo do metal no 
encéfalo. Assim, o mercúrio metálico exposto a temperaturas superiores a 20 ºC se volatiliza, é bastante 
lipossolúvel, é intensamente absorvido e pode causar danos ao organismo, inclusive encefálicos.
Há outros dados sobre a bioacumulação do mercúrio: a concentração do mercúrio no cabelo é cerca 
de 300 vezes superior à encontrada no sangue. Na toxicologia, essa informação é relevante, uma vez 
que, à medida que se encontre mercúrio no cabelo hoje, significa que houve uma exposição pregressa 
ao metal, ou seja, uma exposição mais antiga, para que houvesse tempo de ocorrer o depósito do metal 
no cabelo. Todas as formas do mercúrio atravessam a barreira placentária.
457
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
Durante a fabricação de cartolas, no século XVIII, nos Estados Unidos, 
sais inorgânicos mercuriais eram utilizados para a separação das fibras 
que constituíam o tecido utilizado na fabricação de chapéus e cartolas. 
Você consegue fazer alguma correlação dessa atividade profissional com o 
Chapeleiro Maluco?
8.5.3.3 Biotransformação
Você acredita que a meia-vida biológica do mercúrio seja igual para todos os órgãos?
Muito bem! Você se recordou que o vapor do mercúrio elementar é rapidamente absorvido pelo 
trato respiratório, atravessa barreiras biológicas prontamente e atinge o encéfalo. Após sua oxidação, 
é oxidado a mercúrio inorgânico e, consequentemente, é eliminado mais lentamente (KOLEV; BATES, 
1996). Esse é o raciocínio toxicológico. É possível concluirmos, portanto, que dependendo do órgão no 
qual o metal está presente e de sua especiação, o mercúrio pode ter variação do tempo de permanência 
nesse órgão e, consequentemente, no organismo. Uma das mais marcantes alterações que ocorre com 
o metal, no organismo humano, é sua oxidação pela catalase, quando encontrado no encéfalo, o que 
retarda sobremaneira sua excreção desse órgão.
8.5.3.4 Excreção
A urina é a principal via pela qual o metal é expulso do organismo, mas também são encontradas 
quantidades consideráveis de mercúrio nas fezes. Suor e lágrimas também excretam o metal, mas em 
concentrações baixas, quando se compara com as excreções renal e fecal. Logo após a exposição, o 
metal já começa a ser excretado. A maior parte do mercúrio é excretado em uma semana, caso tenha 
havido exposição única, mas, ainda que em baixas quantidades, o metal pode ser encontrado por meses 
na urina e fezes, sempre lembrando que o encéfalo tende a reter o metal por um longo período (KOLEV; 
BATES, 1996).
A meia-vida biológica do mercúrio elementar é de 35 a 90 dias; a do mercúrio inorgânico, 40 dias.
Além do encéfalo, os rins também apresentam uma significativa tendência de acumular o mercúrio. 
Após exposição única, entre 60% a 70% do mercúrio estão presentes nesse órgão.
Entre 60% e 70% do mercúrio ao qual o organismo se expôs são excretados na forma da 
mercúrio-sulfidrila.
458
Unidade III
8.5.4 Minamata
Na década de 1950, no Japão, a empresa Chisso Co. Ltd. utilizava o mercúrio como catalisador 
de processos industriais, mas não tratava seus efluentes, que eram lançados diretamente no mar da 
cidade portuária de Minamata. Após algum tempo, observou-se que os gatos da cidade começaram a 
apresentar um comportamento estranho: se jogavam no mar. As aves não voavam de forma sincrônica 
e muitas se impactavam contra o solo.
Exemplo de aplicação
Faça agora um retrospecto dos principais pontos abordados envolvendo o mercúrio. Preste atenção 
na leitura a seguir e veja se você consegue identificar ou relacionar as informações.
As pessoas que moravam na cidade apresentavam elevados teores de mercúrio no cabelo 
(705 ppm) por terem sido expostas ao metilmercúrio presente nos peixes e mariscos (5,61 a 35,7 ppm de 
mercúrio no alimento). Os principais sinais e sintomas de intoxicação ocasionados pelo mercúrio foram 
alterações sensoriais, distúrbios auditivos (lesão no sistema sensorial autidivo), contrição do campo 
visual, consequência do acúmulo do metal nos olhos (você lembra que o Chapeleiro Maluco tinha uma 
cor dos olhos diferente?), disartria e tremores, podendo haver lesões encefálicas por contaminação 
vertical. Oficialmente, foram reconhecidos 2.252 pacientes com o chamado mal de Minamata e 
1.043 pessoas morreram em consequência da exposição ao metal (HARADA, 1995).
8.5.5 Mecanismo de ação
Uma das maneiras para que você compreenda como o mercúrio age no organismo humano é 
saber que o metal é capaz de precipitar proteínas: ele interage com grupamentos sulfidrílicos e, por 
consequência, as proteínas precipitadas perdem suas respectivas funções (KOLEV; BATES, 1996).
A despeito da inespecificidade sobre o mecanismo de ação por inibição dos grupamentos sulfidrílicos, 
os compostos mercuriais são potentes toxicantes que comprometem a sobrevivência das células, 
prejudicam a função de proteínas de membrana, enzimas e ácidos nucleicos e prejudicam os mecanismos 
de transporte através da membrana, além de serem imunotóxicos. O metal também pode causar necrose 
por precipitação de proteínas quando em contato direto com o tecido.
8.5.6 Toxicidade
Há algumas particularidades entre os sinais e sintomas de intoxicação causados pelo mercúrio, 
dependendo da especiação do metal (veja o quadro a seguir).
459
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Quadro 35 – Características diferenciais das exposições 
entre o mercúrio elementar e inorgânico
Mercúrio elementar Mercúrio inorgânico
Principal via de exposição Inalação Oral, dérmica
Distribuição para os principais tecidos SNC, rins Rins
Clearance Renal, trato digestório Renal, trato digestório
Efeitos clínicos
SNC Tremor Tremor, eretismo
Pulmões +++ -
Trato digestório + +++ (corrosivo)
Sistema renal + +++
Acrodinia + ++
Legenda: + (pouco afetado), ++ (afetado) e +++ (intensamente afetado).
Adaptado de: Kolev e Bates (1996).
Intoxicação aguda: via oral
A exposição a soluções concentradas de sais de mercúrio pode induzir a uma intensa precipitação 
proteica na membrana das mucosas do trato digestório, com vômito e dor epigástrica, diarreia 
sanguinolenta, colapso circulatório e morte. Em 24 horas pode haver a necrose do epitélio do túbulo 
proximal renal e pela ativação do sistema angiotensina e pode ocorrer vasoespasmo.
Intoxicação aguda: trato respiratório
Quando se lê “inalação do mercúrio”, isso remete à exposição a qual especiação do metal?
Ao vapor de mercúrio elementar. A exposição aguda a vapores de mercúrio elementar pode 
levar a um quadro de bronquiolite com pneumonia intersticial e bronquite erosiva, que tendem à 
insuficiência respiratória.
Como o vapor do mercúrio elementar é lipossolúvele atravessa membranas com facilidade, também 
é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica. Ele pode ser neurotóxico e levar a efeitos como 
tremores e aumento da excitabilidade.
Exemplo de aplicação
Gostaríamos que você parasse um pouco e identificasse o que há de comum entre o último parágrafo 
e os sinais e sintomas apresentados pelos trabalhadores da fábrica de chapéus ou do Chapeleiro Maluco.
Exatamente: os tremores que os trabalhadores apresentaram eram consequência da exposição 
excessiva ao metal. Ainda que os trabalhadores na fábrica de chapéus se expusessem a compostos 
460
Unidade III
inorgânicos de mercúrio, a exposição era intensa e contínua; consequentemente, também causava 
danos encefálicos.
A exposição aguda aos vapores do mercúrio elementar também pode levar à dificuldade respiratória, 
tosse, tosse sanguinolenta, dor no peito e pneumonite intersticial (KOLEV; BATES, 1996).
Intoxicação aguda: pele
Em uma macroperspectiva, os compostos mercúricos são mais corrosivos à pele em comparação 
com os mercurosos, e os compostos mercuriais inorgânicos solúveis são irritantes para mucosas e pele. 
A exposição a esses compostos em concentrações que variem de 1% a 5% pode causar irritação, 
formação de vesículas e corrosão do tecido epitelial estratificado. As soluções diluídas em uma pele 
mais sensível também podem causar irritação (KOLEV; BATES, 1996).
Intoxicação aguda: olhos
Os compostos mercúricos são mais corrosivos para os olhos em comparação com os mercuriais.
Exposição crônica: trato digestório
Vamos refletir um pouco sobre a exposição ao calomel? Essa substância é o cloreto de mercúrio. Você 
teria condição de estimar o órgão-alvo afetado por esse composto?
Você se lembrou que o rim é um dos órgãos-alvo dos compostos mercuriais inorgânicos. É assim que 
se faz o raciocínio toxicológico. Além dos possíveis danos renais, o mercúrio também pode apresentar 
aumento da salivação e linhas pretas nos dentes por conta da precipitação do mercúrio ligado ao 
enxofre (KOLEV; BATES, 1996).
 Observação
Não confunda o depósito de sulfeto de mercúrio nos dentes com a 
linha de Burton.
Os danos renais estão associados à lesão glomerular que, por consequência, manifestam a 
glomerulonefrite e proteinúria e pelo dano tubular, consequência da necrose e dos danos causados nos 
túbulos proximais.
O micromercurialismo ou síndrome astênico-vegetativa é um conjunto de sinais precoces e 
inespecíficos decorrentes da exposição crônica aos vapores de mercúrio caracterizados por anorexia, 
perda de peso, fadiga, esquecimento e fraqueza. Os tremores podem se tornar mais intensos; eles se 
iniciam nas pálpebras, lábios e periferia dos dedos e podem generalizar para todo o organismo, inclusive 
com espasmos das extremidades do corpo, que podem ser violentos e intermitentes.
461
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Mas os efeitos tóxicos não param por aí. Pode haver o eretismo, ou seja, elevação do estado de 
excitabilidade do sistema nervoso, labilidade emocional (você se lembra como o Chapeleiro Maluco 
ficava irritado com facilidade?), depressão severa, perda de memória, alteração do comportamento e 
personalidade, alucinação e delírio (KOLEV; BATES, 1996).
Exposição crônica: pele
A exposição crônica ao metal pela pele pode levar ao eritema, dermatite de contato, hipersensibilidade 
retardada mediada por células e acrodinia, ou doença rosa, também conhecida por pink baby disease. 
Essa doença apresenta uma reação idiossincrática causada pela exposição crônica ao mercúrio elementar 
ou inorgânico, que ocorre na maioria das vezes em lactentes e crianças, mas também pode ocorrer em 
adultos, e é caracterizada por erupção generalizada na pele, hipertensão, sudorese, taquicardia, anorexia, 
insônia e erupção cutânea eritematosa e descamativa nas palmas das mãos (veja a figura a seguir) e 
plantas dos pés (IBRAHIM et al., 2006), ulceração no couro cabeludo e alopecia (KOLEV; BATES, 1996).
Figura 172 – Acrodinia causada pelo mercúrio elementar
Voltemos ao filme Alice no país das maravilhas. Você reparou que os olhos do Chapeleiro Maluco 
tinham uma cor estranha? Agora, observe a informação a seguir para você compreender ainda melhor 
por que os olhos do personagem tinham uma cor atípica.
Mercurialentis é um termo associado ao sinal precoce da exposição ao mercúrio. A exposição 
crônica ao mercúrio pode levar a uma absorção do metal pela córnea e pode ocorrer o depósito na 
cápsula anterior dos olhos, no cristalino, alterando sua cor: eles ganham a cor de marrom claro para 
café ou vermelho acinzentado, por conta da descoloração granular (por isso, mercurialentis), ainda que 
a atividade visual não seja afetada. O exame de lâmpada de fenda identifica a descoloração granular 
bilateral e simétrica.
462
Unidade III
 Observação
Você viu quantas características associadas à intoxicação pelo mercúrio 
o Chapeleiro Maluco possui?
8.5.7 Carcinogenicidade
O quadro a seguir apresenta a carcinogenicidade do mercúrio.
Quadro 36 – Classificação do mercúrio pela Iarc, 
considerando a especiação do metal
Especiação do mercúrio Grupo (Iarc)
Iarc – Mercúrio elementar e sais inorgânicos mercuriais 3 
Iarc – Metilmercúrio 2B 
Fonte: Iarc (2016).
8.5.8 Diagnóstico
O mercúrio inorgânico e o metálico podem ser determinados no sangue total ou na urina, lembrando 
que os níveis de mercúrio no sangue tendem a ser mais elevados em comparação com os da urina em 
uma exposição aguda (OLSON, 2014).
Ainda que o metal possa ser determinado na urina, observe como é importante conhecermos a 
toxicocinética: apenas 10% do mercúrio orgânico são excretados pela urina e o restante, pelas fezes. 
Inferimos, assim, que a determinação do metal na urina não parece ser um bom bioindicador de 
exposição ao metal.
Acompanhe conosco outra constatação interessante: a exposição crônica faz com que haja a 
deposição do metal no cabelo, de forma que a determinação do mercúrio no cabelo estima a exposição 
crônica ao metal. N-acetilglicosaminidase e microalbuminúria podem ser úteis como marcadores 
urinários e capazes de estimar efeitos precoces.
Observe como a perspicácia toxicológica deve estar sempre em primeiro plano quando se trata de 
sinais e sintomas de intoxicação: existe um tumor que estimula a secreção pelas células cromafins de 
catecolaminas, que é o feocromocitoma. Quando o organismo se intoxica pelo mercúrio, pode apresentar 
um quadro de tremor, suor e hipertensão, que também são clássicos na feocromocitoma, podendo induzir 
a erro de diagnóstico, em que o paciente está intoxicado pelo metal e o clínico associa os sintomas 
e sinais com a secreção das catecolaminas liberadas pelo tumor. A quantificação das catecolaminas 
na urina e no sangue é uma forma de realizar o diagnóstico diferencial e, consequentemente, dar 
prosseguimento ao atendimento de emergência, pela exposição ao mercúrio (FARIA, 2003).
463
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.5.9 Manejo da intoxicação
8.5.9.1 Descontaminação
Inalação
A vítima deve ser removida do local da exposição o mais brevemente possível após a inalação do vapor 
do mercúrio. Pela iminente pneumonia aguda e edema pulmonar, é necessário monitorar atentamente 
por várias horas e administrar oxigênio suplementar.
A limpeza do derramamento do mercúrio metálico deve ser feita preferencialmente por vácuo.
Ingestão
Pequenas quantidades de mercúrio líquido geralmente atravessam o trato digestório sem serem 
absorvidas. Assim, pode ser necessária a remoção cirúrgica do metal dependendo da evidência do raio-X, 
caso acuse acúmulo de grandes quantidades no trato digestório.
Na ingestão de sais inorgânicos mercuriais, é necessário proceder com a lavagem gástrica, mas 
não deve-se induzir o vômito, pelo grave risco de dano tecidual por corrosão, e solicitar exame de 
endoscopia. A insuficiência renal, a gastrenterite grave e o choque são iminentes caso o organismo se 
exponha a grande quantidade de compostos inorgânicos mercuriais pelo trato digestório.Há relatos de reações alérgicas pela utilização de amálgama na restauração dentária. Nesse caso, 
a administração de anti-histamínicos normalmente é suficiente. Se o caso clínico se intensificar, 
sugere-se a remoção do amálgama da restauração.
8.5.9.2 Tratamento
Um dos maiores problemas associados à exposição ao mercúrio pelo trato respiratório é a 
possibilidade de edema pulmonar e pneumonite aguda. Deve-se atentar a essas situações e, quando 
indicado, disponibilizar suplemento de oxigênio.
A substituição de fluídos deve ser utilizada agressivamente na iminência de choque, que pode ser 
ocasionado pela exposição oral por sais de compostos mercuriais. Deve-se considerar hemodiálise por 
até duas semanas em caso de insuficiência renal aguda, relativamente comum nesses casos, mas que 
também tende a ser reversível (OLSON, 2014).
Um dos cuidados que se deve ter quando se administram antídotos para o tratamento da intoxicação 
pelo mercúrio é que a quelação deve ser iniciada apenas após o esvaziamento do conteúdo intestinal 
contendo mercúrio, pela possibilidade do aumento da absorção do metal (FARIA, 2003).
Segundo Olson (2014), os antídotos utilizados no tratamento da intoxicação pelo mercúrio 
apresentam particularidades. A intoxicação por alguns metais como o cobre, o chumbo e o 
464
Unidade III
próprio mercúrio, por exemplo, pode ser tratada pela administração de um derivado da penicilina, 
a penicilamina.
 Observação
A despeito de ser um derivado da penicilina, a penicilamina não exerce 
ação antimicrobiana.
A penicilamina apresenta algumas características importantes que devem ser consideradas no 
tratamento da intoxicação pelo mercúrio. A penicilamina forma um complexo, penicilamina-metal, que 
é eliminado por via urinária. Como possui um precário perfil de segurança, paulatinamente tem sido 
substituída pelo succímero, por via oral. Na intoxicação pelo mercúrio, a penicilamina pode ser utilizada 
isoladamente quando o paciente não tolera bem o tratamento com o succímero, que tem a facilidade da 
exposição por via oral, pois suas reações adversas no organismo são menos intensas e podem, inclusive, 
resultar em maior excreção do mercúrio.
A penicilamina também pode ser utilizada como adjuvante no tratamento da intoxicação pelo 
mercúrio quando o tratamento ocorre com o versenato dissódico de cálcio (EDTACaNa2), também 
conhecido por ácido etilenodiaminotetracético cálcico dissódico, ou edetato dissódico de cálcio, ou 
dimercaprol. O dimercaprol tem uma boa eficácia quando a exposição ocorre pelo trato digestório e deve 
ser administrado em até quatro horas após a exposição a sais inorgânicos de mercúrio, para minimizar 
os danos renais.
Deve-se atentar que o encéfalo pode ser considerado um órgão-alvo importante para compostos 
organomercuriais ou mercúrio elementar, uma vez que esse antídoto pode redistribuir o metal para 
esse órgão e causar ou aumentar a neurotoxicidade.
 Observação
Normalmente, a administração parenteral do dimercaprol é 
bastante dolorosa.
A excreção do mercúrio, assim como também a do chumbo, pela urina pode ser aumentada pela 
administração de um análogo hidrossolúvel do dimercaprol, o succímero. Como visto, sais inorgânicos 
mercuriais tendem à nefrotoxicidade, e o succímero aumenta a excreção do metal pela urina e, 
consequentemente, protege contra os danos renais.
Também análogo hidrossolúvel do dimercaprol, o unitiol é utilizado no tratamento de intoxicação 
pelo chumbo, arsênio e mercúrio, como alguns exemplos de metais pesados tóxicos. Reduz a 
concentração do metal nos rins, pelo aumento da excreção urinária, e não induz a redistribuição do 
metal para o encéfalo.
465
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Observação
A administração do unitiol a pacientes com insuficiência renal grave 
deve ser feita com cautela.
8.6 Níquel
8.6.1 Introdução
O níquel é um metal ubíquo cujo percentual na crosta terrestre gira em torno de 0,008%. 
Seu depósito de minério está na forma de sulfeto de níquel (HERTEL, 1991).
8.6.2 Propriedades físico-químicas
Na tabela periódica, o níquel se encontra após o ferro e o cobalto, no grupo VIII. Em condições 
ambientais normais, seu estado de oxidação mais importante é o Ni2+, ainda que o metal também possa 
se encontrar nos estados de oxidação 1, 0, 3+ e 4+ (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
8.6.3 Usos e fontes de exposição
É amplamento utilizado na produção de aço inoxidável e em ligas resistentes a temperaturas e à 
corrosão para veículos, ferramentas, armamentos, catalisadores e baterias e também na fabricação de 
pigmentos e de moedas (HERTEL, 1991). O níquel forma ligas úteis com muitos metais para aumentar 
sua dureza e resistência à corrosão. As mais conhecidas são as ligas de níquel usadas em aço inoxidável 
e as ligas de cobre-níquel empregadas na cunhagem de diversos metais (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
Alguns metais como o níquel e o chumbo devem sempre ser considerados na exposição humana e 
de animais pela ingestão de água, uma vez que podem ser utilizados em tubulações de água potável 
e resultar em contrações na água de até 500 µg de níquel por litro de água potável (HERTEL, 1991).
Outra situação que envolve a exposição ao metal é a quantidade de níquel presente nos alimentos. 
Normalmente, os teores do metal não excedem 0,5 mg/kg de alimento fresco, mas alguns alimentos são 
capazes de concentrar o metal, como farinha de aveia, nozes, soja, cacau e algumas leguminosas secas. 
A intensidade de exposição ao metal presente no alimento também é ampla e depende da alimentação e 
da cultura gastronômica, variando de 100 a 800 µg do metal por dia. Dependendo dos utensílios utilizados 
para a preparação do alimento, sobretudo nas panelas, pode haver incremento da exposição ao metal.
A exposição pulmonar decorrente da inalação do metal presente no ar não pode ser desconsiderada. 
Opostamente, dependendo da quantidade de níquel presente no ar, a absorção pode ser equivalente à 
quantidade de níquel absorvido por um tabagista que fuma 40 cigarros por dia. O nível de exposição ao 
metal pelo trato respiratório varia bastante, de 5 a 35 ng/m³, o que corresponde a uma taxa média de 
absorção de 0,7 µg/dia.
466
Unidade III
Anualmente, milhões de trabalhadores se expõem ao metal na forma de pó e fumos, sobretudo em 
processos de galvanização, soldagem, fundições, mineração e refino do metal e em usinas siderúrgicas. 
A amplitude de exposição ocupacional ao metal também é significativa: as concentrações do níquel na 
atmosfera de trabalho variam de µg/m³ de ar até mg/m³ de ar.
Outra informação que nos remete ao nosso cotidiano é que algumas pessoas apresentam uma reação 
de sensibilização ao metal pelo uso de piercings. Um dos motivos dessa reação é que, dependendo do 
material utilizado na composição do piercing, o níquel pode estar presente em quantidade suficiente 
para gerar uma reação de hipersensibilidade cutânea ou de mucosa, com possível infecção do local. 
A qualidade do piercing deve ser avaliada antes de sua aplicação (HERTEL, 1991).
8.6.4 Toxicocinética
8.6.4.1 Absorção
Veja como alguns números nos chamam muito a atenção. Ao menos 50% de vapores de níquel 
carbonila podem ser absorvidos pelos alvéolos pulmonares quando produzidos em alguns processos 
industriais, sobretudo quando o monóxido de carbono interage com o níquel na forma metálica, sem 
contar que a parte do metal que não é absorvida pode ser depositada na parede dos alvéolos e causar 
dano ao organismo (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005). Não impressiona a intensidade de absorção do metal 
pelo trato respiratório?
Em ratos, apenas 0,1% da quantidade de cloreto de níquel ao qual o animal se expõe pelo trato 
respiratório é encontrado nos pulmões, após 21 dias da exposição, uma vez que esse composto é solúvel 
e sua depuração é, consequentemente, rápida. Após o jejum noturno, humanos absorvem entre 15% e 
50% do níquel presente na água potável e cerca de 15% do metal presente nos alimentos.
8.6.4.2 Carga corporal e distribuição
Emmédia, um adulto de 70 kg possui uma carga corporal do metal de 0,5 mg. A maioria dos órgãos 
apresenta uma concetração de 8 μg/kg a 10 μg/kg de peso úmido, como no encéfalo, fígado e rins. Mas 
não é assim para todos os órgãos: a concentração do metal encontrado na adrenal, tireoide e pulmão é 
de cerca de 20 μg/kg a 25 μg/kg, em peso úmido.
Em experimentos em animais, invariavelmente, o rim acumula a maior quantidade do metal, 
seguido pelas glândulas pulmonares e hipofisárias, após exposição parenteral. O níquel é distribuído 
principalmente pela albumina presente no sangue, mas também está ligado à histidina e à 
alfa-2-macroglobulina.
A cinética do metal pode ser influenciada por doenças, como no caso de queimaduras térmicas, 
acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e cirrose hepática, mas não parece haver alteração 
na concentração do metal em amostras biológicas em função da idade ou gênero (ABADIN; FAY; 
WILBUR, 2005).
467
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.6.4.3 Metabolismo
No organismo, o níquel pode gerar a forma trivalente por metabolismo redox e formar espécies 
reativas de oxigênio, as EROs. Neste material, tivemos a oportunidade de conversar sobre as interações 
das substâncias químicas e seus impactos na saúde humana; agora, vamos ter a oportunidade de 
contextualizar mais uma vez esses conceitos.
Observe: cátions divalentes podem influenciar o metabolismo do níquel. Ao administrar o metal 
por via parenteral, o níquel altera a distribuição tecidual de outros metais e vice-versa. O manganês 
pode, assim, inibir a dissolução do disulfeto de níquel presente no soro de animais e também inibir a 
fagocitose dessa substância.
8.6.4.4 Excreção
O níquel não abosorvido pelo trato digestório é eliminado pelas fezes, e essa excreção reflete a 
quantidade do metal ao qual o organismo está se expondo pela dieta. O organismo humano chega 
a excretar 258 μg de níquel pelas fezes, por dia (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
O níquel excretado pelas fezes é o que foi absorvido. Essa frase está correta?
A frase está incorreta: o metal em questão excretado pelas fezes é a fração que não foi absorvida. 
Caso tenha sido absorvido, o metal será excretado principalmente pela urina, ainda que também possa 
ser encontrado na saliva e no cabelo. O tempo que o organismo leva para excretar o metal pela urina 
depende da especiação do metal. Compostos de níquel hidrossolúveis possuem meia-vida biológica que 
varia de 11 a 39 horas em humanos. Para compostos particulados, a meia-vida biológica pode variar de 
30 a 54 horas.
8.6.5 Biomarcadores de exposição
As concentrações do níquel na urina e no plasma são importantes biomarcadores da exposição ao 
metal. Como visto anteriormente, a especiação do metal interfere na toxicidade e também na avaliação 
da exposição. A correlação entre exposição e concentração do metal na urina e no sangue não é adequada 
quando se monitora compostos de níquel hidrofóbicos. Opostamente, a investigação da exposição ao 
metal presente em amostras biológicas passa a ser adequada quando envolve a exposição a espécies 
de níquel hidrossolúveis. Assim, inferimos que a quantidade do metal presente na urina ou no sangue do 
organismo é altamente dependente da especiação do metal (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
Observe como é interessante e importante a seguinte informação: elevados níveis de níquel oxídico 
e níquel sulfídico presentes no ar geram pequenas quantidades do metal no plasma ou na urina, ou seja, 
não existe uma relação confiável entre a concentração do metal no ar e na urina ou sangue, dependendo 
da especiação do metal. Por outro lado, elevadas quantidades do metal presentes na mucosa nasal 
provavelmente também refletem proporcionalmente a exposição nos pulmões, um possível órgão-alvo.
468
Unidade III
Diferentes técnicas analíticas podem ser utilizadas para correlacionar o metal e seus compostos, 
dependendo da matriz biológica analisada (veja a tabela a seguir).
Tabela 14 – Métodos analíticos utilizados na determinação 
de níquel e seus compostos em matrizes biológicas
Amostra/matriz Método de preparação Método analítico
Limite de 
detecção
Percentual de 
recuperação
Fluido sanguíneo, 
tecido e 
secreções
Digestão ácida na mistura de ácidos nítrico, 
sulfúrico e perclórico
AAS 
eletrotérmico
0,2 μg Ni/L 
fluido; 0,49 
μg Ni/kg de 
tecido
98% a 5 μg Ni/L; 
97% a 8 μg Ni/L
Urina
Extração de resina de poliditiocarbamato; filtro 
de cinzas e resinas em um aspirador a plasma de 
oxigênio a baixa temperatura ou digerido com 
HNO3: HClO4
ICP-AES; 
NIOSH 8310
0,1 μg / 
amostra 80%
Urina Diluído 1:1 em água STPGFAA 0,56 μg/L 100.7%
Sangue ou tecido Digestão ácida em 3:1:1 (v / v / v) HNO3: HClO4: H2SO4
ICP-AES; 
NIOSH 8005
1 μg / 100 g 
de sangue; 
0,2 μg / g 
de tecido
86% em sangue
Soro ou urina
Amostra (10 μL) injetada no forno de grafite 
com volume igual a 30% de peróxido de 
hidrogênio; pirolisado a 1200 °C; atomizado 
entre 2100 °C e 2200 °C
ETAAS 0,2 μg/L
95–97% a
1–20 μg/L
Tecido pulmonar
Digestão ácida 4:2:1 (v/v/v) HNO3: HClO4: H2SO4
Digestão ácida em HNO3: HClO4: H2SO4 4:2:1 
(v / v / v)
AAS 
eletrotérmico 5 ng/g Sem informação
Legenda: AAS = espectrometria de absorção atômica; ETAAS = espectrometria de absorção atômica eletrotérmica; HClO4 
= ácido perclórico; HNO3 = ácido nítrico; H2SO4 = ácido sulfúrico; ICP-AES = espectroscopia de emissão atômica com 
plasma indutivamente acoplada; Ni = níquel; NIOSH = Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional; STPGFAA = 
absorção atômica em forno de grafite com temperatura estabilizada; v = volume
Adaptada de: Abadin, Fay e Wilbur (2005).
8.6.6 Toxicodinâmica
Nesse momento, estamos seguros de que você já conseguiu fazer uma leitura toxicológica da 
informação e já é capaz de propor a possível toxicodinâmica desse meta.
Vamos raciocinar juntos: como o níquel está armazenado na crosta terrestre? Está ligado a alguma 
substância química?
Isso mesmo, ligado ao sulfeto. Assim, no organismo humano, temos que imaginar que o metal 
possivelmente estará ligado aos grupamentos sulfidrílicos e, consequentemente, irá inibir processos 
enzimáticos, por exemplo. 
469
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
8.6.7 Toxicidade
Pulmão
A exposição pelo trato respiratório é importante também considerando as reações alérgicas. A asma 
pode ser desencadeada com prevalência a trabalhadores da indústria de galvanoplastia. A exposição ao 
níquel orgânico pode induzir à asma, e a exposição aguda ao níquel carbonila pelo trato respiratório 
pode gerar grave dano pulmonar (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
Rim
Pode haver danos renais, normalmente reversíveis, em trabalhadores que se expõem ao metal 
(ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
Pele
Além da exposição dérmica, os efeitos associados à dermatite e aos danos renais estão relacionados, 
possivelmente, à exposiçao ao metal pelo trato respiratório e digestório. As mucosas também podem ser 
afetadas, independentemente da via de exposição (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
 Observação
O gênero não interfere no teor do metal em amostras biológicas, mas 
os efeitos no organismo podem ser diferentes, dependendo do gênero que 
se expôs ao níquel.
Você compreendeu o significado dessa observação? Parece não haver significativa diferença nos 
teores do níquel presentes em amostras biológicas entre o homem e a mulher quando se expõem 
nas mesmas condições. Entretanto, a dermatite alérgica é prevalente em mulheres.
Para que compreendamos melhor, quando expostos a testes adesivos com sulfato de níquel, a reação 
de sensibilização é positiva para 11% das mulheres e apenas 2% dos homens.
O piercing, principalmente na orelha, aumenta significativamente a possibilidade de sensibilização 
dérmica pelo metal (veja a figura a seguir) (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
470
Unidade III
Figura 173 – Secreção purulenta causada por piercing
Também deve-se considerar que as mulheres jovens são as que mais usam piercing na orelha, além 
de outros tipos de piercings corporais(ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
 Lembrete
Os fatores genéticos influenciam na toxicidade da substância.
Há evidências de que algumas pessoas sensíveis ao níquel expressam mais intensamente o antígeno 
leucocitário humano (HLA) DRw6. Estima-se que o risco de sensibilidade ao níquel aos que expressam o 
alelo HLA-DRw6 seja de 3,3.
 Observação
Estudos demonstram que o metal aumenta o risco de carcinoma nasal.
Elevados níveis de aberrações cromossômicas associadas a trocas de cromátides irmãs foram 
demonstradas em trabalhadores que se expõem em algumas atividades específicas envolvendo o metal, 
como em plantas industriais de refino de níquel.
 Lembrete
O tempo de exposição e a dose são condições que afetam o risco 
de intoxicação.
471
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Veja mais uma consideração a respeito da relação entre as condições de exposição e a toxicidade 
do níquel.
Normalmente, para que haja sensibilização pelo níquel, o organismo tem que se expor ao metal 
por um tempo prolongado ou em dose elevada. O piercing, assim como algumas bijuterias, prolonga a 
exposição do metal no organismo humano. Assim, a resultante dessa exposição pode ser uma dermatite 
de contato, ou seja, uma reação inflamatória mediada por hipersensibilidade do tipo IV, que ocorre, 
normalmente, abaixo do objeto contendo o metal. Destaca-se que quanto maior o tempo de exposição, 
maior é a chance de a sensibilização se espalhar para outros locais, principalmente para as mãos. Após a 
sensibilização, baixas doses do metal são suficientes para desencadear a dermatite. Para que você tenha 
dimensão, a quantidade de níquel que serve de “gatilho” para a dermatite chega a ser mil vezes menor 
em comparação com quem ainda não desenvolveu a sensibilidade.
8.6.8 Efeitos carcinogênicos
Estudos apontam que no passado, trabalhadores de refinarias de níquel apresentavam risco 
significantemente superior aos que não se expunham ocupacionalmente ao níquel no que se refere ao 
câncer da cavidade nasal e de pulmão, sendo que também foram relatados câncer do tecido ósseo, rim, 
laringe e próstata em trabalhadores expostos ao metal (veja o quadro a seguir).
Quadro 37 – Classificação do níquel pela Iarc, considerando a especiação do metal
Especiação do níquel Grupo (Iarc)
Níquel metálico e suas ligas 2B
Compostos de níquel 1
Implantes cirúrgicos: materiais implantados de cobalto metálico, níquel metálico e 
liga contendo 66-67% de níquel, 13-16% de cromo e 7% de ferro 2B
Fonte: Iarc (2016).
Será que o tabagismo influencia no risco de câncer, aos que se expõem ao níquel? Vamos 
ver isso agora.
Ressalta-se que a exposição ao níquel solúvel seja baixa em relação ao níquel particulado. 
Entretanto, exposições concomitantes entre o níquel solúvel e as formas oxidativa ou sulfícida 
aumentam o risco de câncer nesses órgãos, e parece haver efeito sinérgico entre a exposição ao 
metal e ao tabagismo.
8.6.9 Manejo e tratamento da intoxicação
Apresentaremos alguns métodos para reduzir os efeitos tóxicos decorrentes da exposição ao 
níquel. Entretanto, alguns tratamentos podem ser experimentais e não ter a comprovação necessária. 
Portanto, em casos de situações de intoxicação envolvendo o metal, o aconselhamento médico deve 
472
Unidade III
ser realizado por médicos toxicologistas em centros de controle de intoxicação, e as informações 
disponibilizadas neste material não devem ser utilizadas como um guia (ABADIN; FAY; WILBUR, 2005).
Entre 20% e 35% do metal menos solúvel ao qual o organismo se expõe pelo trato respiratório 
tendem a ser absorvidos, e a fração não absorvida tende a ser excretada por movimento mucociliar 
retrógrado, sendo engolida ou expectorada. No caso de exposição aguda ao níquel por essa via, 
recomenda-se remover o intoxicado com a maior brevidade do local de exposição para um lugar onde 
haja ar fresco e monitorar as funções respiratórias.
Recomenda-se a reposição de eletrólitos e líquidos apenas em situações de diarreia grave e vômito, 
uma vez que a toxicidade do níquel é baixa, quando a exposição ocorre pela via oral. A indução da êmese 
é rara. A absorção do metal pode ser reduzida pela adição de EDTA à dieta, quando há a exposição pelo 
trato digestório.
Os olhos e a pele devem ser cuidadosamente lavados, e a aplicação de cremes de barreira e de agentes 
quelantes pode ser realizada para atenuar a absorção do níquel pela pele. O dietilditiocarbamato (DDC) 
é um dos principais agentes quelantes no tratamento da intoxicação pelo níquel, e o dissulfiram é uma 
alternativa na ausência do DDC. A penicilamina também pode ser utilizada no tratamento do níquel. 
Entretanto, em função de sua toxicidade, não é o antídoto de primeira escolha.
 Resumo
A IDA e O LMR são parâmetros toxicológicos importantes utilizados 
na prevenção da intoxicação e norteiam a legislação relativa à toxicologia 
dos alimentos por agências governamentais, como a Anvisa e a FDA. A Iarc, 
como exemplo, avalia substâncias químicas com potencial carcinogênico 
e as classifica. Observa-se que as condições de exposição, como dose, 
concentração, tempo e frequência de exposição, são fatores importantes 
para que haja o rompimento da homeostase do referencial biológico.
Os xenobióticos presentes em alimentos podem ser classificados como 
agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos, contaminantes 
diretos de alimentos e contaminantes indiretos de alimentos.
Os agentes tóxicos naturalmente presentes nos alimentos são substâncias 
químicas que fazem parte deles, mas esse constituinte naturalmente 
presente pode causar danos a humanos e animais, dependendo das 
condições de exposição.
Muitas vezes, ao se expor ao alimento, a maior parte das pessoas 
não tem dimensão de que pode estar sendo exposta a agentes tóxicos 
contaminantes diretos de alimentos, como mitoxinas, compostos 
N-nitrosos, metais e aditivos de alimentos e que dependendo das 
473
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
condições de exposição essas substâncias podem causar significativos 
danos agudos ou crônicos ao organismo, muitas vezes irreversíveis.
Os edulcorantes artificiais apresentam toxicidade controversa: alguns 
autores são categóricos em suas colocações sobre a toxicidade desses 
edulcorantes e outros são mais ponderados, mas o conceito que predomina 
é que toda substância química pode causar danos ao organismo humano, 
dependendo da forma pela qual ocorre essa exposição.
As micotoxinas são toxinas produzidas por fungos. Dependendo 
da toxina, de sua concentração no alimento e de outras condições de 
exposição, como a frequência de exposição, pode haver exposição crônica ou 
aguda, com importantes consequências para o organismo humano, sob 
o ponto de vista toxicológico. A identificação e quantificação de toxinas 
presentes nos alimentos nem sempre são de fácil realização; por consequência, 
muitos se expõem a alimentos contaminados com micotoxinas.
Para aumentar a hidrossolubilidade das micotoxinas e, 
consequentemente, sua excreção, o organismo tende a biotransformar 
essas substâncias. Em alguns casos, pode haver a bioativação, com 
consequente aumento da toxicidade do xenobiótico.
É amplo o repertório de efeitos tóxicos causados por micotoxinas no 
organismo humano, e essas toxinas podem ser produzidas por diferentes 
espécies de fungos, em diferentes substratos, e podem causar danos em um 
grande número de órgãos-alvo diferentes.
Sabe-se que para produzir alimento para todas as pessoas do planeta, 
faz-se necessária a utilização de praguicidas, uma vez que são capazes 
de destruir, reduzir ou repelir as pragas e, consequentemente, garantir o 
abastecimento de alimento para a população.
Entretanto, a utilização dos praguicidas leva a duas outras consequências 
diretas: o risco de contaminação para os trabalhadores que aplicam os 
praguicidas e para as pessoas que se expõem a alimentos com resíduos 
de praguicidas. Caso as boas práticas de aplicação dos praguicidas não 
sejam criteriosamente seguidas, o alimento pode estar contaminadocom 
o praguicida, com risco de intoxicação a quem se expõe a esse alimento.
Destaca-se também o desvio da aplicação dos praguicidas que, em 
alguns momentos, apresente uso bélico.
Uma das forma de prevenir a intoxicação aos praguicidas é pela 
determinação do limite de tolerância.
474
Unidade III
No Brasil, os praguicidas são responsáveis pela maioria absoluta dos 
casos de intoxicação. Entre eles, os herbicidas e os inseticidas se destacam.
Os inseticidas organoclorados foram bastante utilizados no Brasil, mas 
em função de sua persistência no ambiente, sua produção e utilização são 
proibidas atualmente. Os organofosforados se destacam pela sua elevada 
toxicidade, enquanto as piretrinas e piretroides apresentam toxicidade 
inferior aos organofosforados.
O ambiente de trabalho é uma das principais fontes de exposição aos 
metais, mas não a única. Os metais também podem estar presentes no ar 
ambiente, na água, no solo e nos alimentos. Diversos produtos de interação 
contínua com humanos podem ter metais, como lâmpadas fluorescentes, 
brinquedos e baterias de veículo automotor ou de eletroeletrônicos. 
São responsáveis pela contaminação de milhares de pessoas anualmente 
no mundo todo e apresentam importância toxicológica nas exposições 
aguda e crônica.
Ao avaliar o risco de intoxicação de um metal, o primeiro procedimento 
a realizar é verificar sua especiação, ou seja, a natureza física e química do 
metal. Essa informação preliminar é fundamental na avaliação de risco. 
Deve-se saber se o metal está na forma sólida, líquida ou gasosa, e o estado 
químico é fundamental para que se tenha dimensão dos riscos envolvidos.
Casos clássicos de intoxicação de pessoas por metais, intencionalmente 
ou acidentalmente, são descritos desde os primórdios, como o acidente de 
Minamata e a síndrome de Itai-Itai.
Dependendo do metal, pode haver mudança do grupo de risco: 
o grupo de risco para a exposição ao alumínio é o que apresenta 
insuficiência renal. Para o chumbo, as crianças são mais sensíveis ao metal, 
em comparação com os adultos.
Dependendo do metal e de sua especiação, podem ser considerados 
carcinógenos para humanos e animais. Novamente, a especiação do metal 
também é importante na determinação da carcinogenicidade, ou seja, 
o mesmo metal, com diferente especiação, pode apresentar diferente 
classificação pela Iarc.
475
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
 Exercícios 
Questão 1. Leia o texto a seguir:
Processamento de aipim ou mandioca-mansa
A mandioca apresenta substâncias que tem cianeto na molécula e que podem liberá-lo após reações. 
Quando a célula de qualquer parte da planta se rompe (corte, esmagamento, trituração), uma enzima 
presente na mandioca entra em contato com essas substâncias, formando compostos intermediários 
que possuem o cianeto ligado. Esses compostos se decompõem espontaneamente ou por meio da ação 
de outra enzima, liberando o cianeto, um composto tóxico para os seres humanos e animais.
A mandioca não tem cianeto, mas pode gerar cianeto. Essa confusão ocorre porque o teor das 
substâncias que contêm cianeto na molécula é expresso em mg de ácido cianídrico (gerado após a ação 
da enzima e decomposição dos compostos intermediários) por kg de raiz, folha ou produto de mandioca. 
O ácido cianídrico, que evapora a 26 °C (passa de líquido para gás), é o cianeto na forma ácida.
No Brasil, a concentração de 100 mg de ácido cianídrico por kg de raiz fresca é considerada o limite 
superior para o aipim ou a mandioca-mansa, conforme o estudo realizado pelo Instituto Agronômico de 
Campinas (IAC) em 1985. O processamento pode diminuir a concentração das substâncias que contêm 
cianeto, e alguns métodos de processamento são melhores do que outros para essa redução.
Fonte: DE OLIVEIRA, L. A. et al. Processamento de aipim e mandioca-brava. Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2019. 
Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/208034/1/CARTILHA-AIPIM- 
Luciana-AINFO.pdf. Acesso em: 27 set. 2020.
No contexto apresentado, analise as afirmativas.
I – Ao ser ingerido, o vegetal sem tratamento prévio entra em contato com o suco gástrico e, nesse meio 
de baixo pH, catalisa a hidrólise dos glicosídeos cianogênicos, libera o cianeto (HCN) e gera intoxicação.
II – Ao ser ingerido, o vegetal sem tratamento prévio entra em contato com o suco gástrico e, nesse meio 
de elevado pH, catalisa a hidrólise dos glicosídeos cianogênicos, libera o cianeto (HCN) e gera intoxicação.
III – As β-glicosidases agem no intestino. Trata-se de enzimas capazes de hidrolisar os glicosídeos 
cianogênicos que não foram hidrolisados no estômago.
Assinale a alternativa correta.
A) Apenas a afirmativa I é correta.
B) Apenas as afirmativas II e III são corretas.
476
Unidade III
C) Apenas as afirmativas I e III são corretas.
D) Todas as afirmativas são corretas.
E) Nenhuma afirmativa é correta.
Resposta correta: alternativa C.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: o cianeto (HCN) pode causar intoxicação via alimentos in natura e que não passaram 
por processamento prévio para anular seus efeitos. Contudo, nos vegetais, esse composto apresenta-se 
na forma de glicosídeos cianogênicos que precisam ser hidrolisados para liberarem o cianeto molecular. 
Tal processo ocorre em três diferentes situações, sendo uma delas no estômago pelo contato dos 
glicosídeos cianogênicos com o suco gástrico (que representa um meio ácido – baixo pH), o que causa 
liberação de aglicona e posterior formação do HCN.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: pelo exposto na explicação da afirmativa I, o meio ideal para a hidrólise é de baixo pH.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: em virtude de algumas situações específicas, os glicosídeos cianogênicos podem 
não ser totalmente hidrolisados no estômago; nesse caso, a massa vegetal chega ao intestino 
ainda não digerida. Quando isso ocorre, as enzimas β-glicosidases que são produzidas pela própria 
microbiota local realizam o processo de hidrólise e liberam o cianeto molecular.
Questão 2. Leia o texto a seguir:
Qual a diferença entre cogumelo comestível, venenoso e alucinógeno?
Como existem muitas espécies de cogumelos – fala-se em 1,5 milhão – e nenhuma característica 
física denuncia a presença de veneno ou substâncias alucinógenas, é muito difícil (e perigoso) 
diferenciá-los no “olhômetro”. Para piorar as coisas, estima-se que nem 5% das espécies estejam 
classificadas na literatura biológica. Isso significa que nem um micologista (especialista em fungos) 
muito experiente pode enfiar na boca um cogumelo achado no meio da floresta. Mesmo que ele se 
pareça muito com uma espécie comestível, é bom desconfiar, afinal, um mesmo gênero pode ter 
espécies que matam, deixam doidão ou, simplesmente, enchem a barriga. Em laboratório, há duas 
formas de se identificar um cogumelo: análise morfológica e bioquímica. A primeira nada mais é do que 
comparar as características da espécie encontrada com as das já identificadas e catalogadas nos livros 
científicos. Para isso, leva-se em conta o formato, as medidas e a coloração do cogumelo. Mesmo que 
477
TOXICOLOGIA E ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
ele se pareça com alguma espécie conhecida, por precaução é analisado por um bioquímico treinado 
para identificar a presença de toxinas (como a alfa-amanitina, encontrada no Amanita phalloides) e 
de substâncias alucinógenas (como a psicilobina, do Psilocibe cubensis).
Fonte: LOPES, A. L. Qual a diferença entre cogumelo comestível, venenoso e alucinógeno? 
Revista Superinteressante, 2018. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/ 
qual-a-diferenca-entre-cogumelo-comestivel-venenoso-e-alucinogeno/. Acesso em: 27 set. 2020.
Os fungos são ubíquos e, quando na presença de substratos (por exemplo, amido), umidade e elevadas 
temperaturas, podem proliferar e, dependendo da espécie do organismo, são capazes de produzir toxinas. 
Sobre esse contexto, analise as afirmativas a seguir.
I – A ingestãode grãos, como milho, aveia e amendoim, pode causar intoxicação por aflatoxinas, 
pois essas toxinas se originam da oxidação do amido presente nos alimentos citados.
II – As micotoxinas resultam do metabolismo secundário de fungos: um exemplo bem conhecido são 
as aflatoxinas produzidas pelo Aspergillus flavus.
III – As aflatoxinas representam sérias ameaças à saúde humana e animal. Podem ser ingeridas 
quando nos alimentamos do próprio fungo produtor ou de alimentos contaminados por essas toxinas. 
Riscos adicionais decorrem do fato de que as aflatoxinas são capazes de atravessar a placenta, chegando 
ao embrião ou ao feto. Além disso, já foram encontradas no leite materno.
Assinale a alternativa correta.
A) Apenas a afirmativa I é correta.
B) Apenas as afirmativas II e III são corretas.
C) Apenas as afirmativas I e III são corretas.
D) Todas as afirmativas são corretas.
E) Nenhuma afirmativa é correta.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa incorreta.
Justificativa: as aflatoxinas são originadas do metabolismo secundário de fungos do gênero 
Aspergillus, e não da oxidação do amido presente em grãos.
478
Unidade III
II – Afirmativa correta.
Justificativa: as aflatoxinas são compostos presentes na forma de cristais que variam de incolor 
a amarelo claro e que resultam do metabolismo secundário de fungos como Aspergillus flavus, 
A. parasiticus, A. ochraceoroseus, A. nomius, A. australis, A. pseudotamarii e A. bombycis.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: as aflatoxinas são toxinas relacionadas com muitos casos de intoxicação em animais 
e nos seres humanos. Além de serem ingeridas diretamente a partir do fungo produtor, elas podem 
estar em muitos alimentos contaminados por esse fungo, como nozes, aveia, cevada, trigo, soja, arroz, 
malte, sementes de algodão, sorgo, girassol, pimenta, pimenta preta, açafrão, coentro, amêndoas, nozes, 
pistache, coco, leite e produtos lácteos. Esses dois últimos alimentos revelam outra característica dessa 
micotoxina: a transferência para o leite materno. Aliás, já foi documentada até a transmissão da toxina 
pela placenta.
479
FIGURAS E ILUSTRAÇÕES
Figura 1
GRANDJEAN, P. Paracelsus revisited: the dose concept in a complex world. Basic & Clinical 
Pharmacology & Toxicology, v. 119, n. 2, p. 126-132, 2016. p. 127.
Figura 2
OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BATISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de toxicologia. 4. ed. São Paulo: 
Atheneu, 2014. Adaptada.
Figura 3
FIGUEIRA, M. V. F. Caracterização farmacológica da espectalina na transmissão neuromuscular. 2009. 
Dissertação (Mestrado em Farmacologia e Química Medicinal), Instituto de Ciências Biomédicas, 
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. p. 17.
Figura 4
KLAASSEN, C. D.; WATKINS, J. B. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull. 2. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2012. p. 19.
Figura 5
KLAASSEN, C. D. et al. Casarett and Doull’s toxicology: the basic science of poisons. 6. ed. Nova York: 
McGraw-Hill, 2001. p. 154.
Figura 6
KLAASSEN, C. D. et al. Casarett and Doull’s toxicology: the basic science of poisons. 6. ed. Nova York: 
McGraw-Hill, 2001. p. 163.
Figura 7
KLAASSEN, C. D.; WATKINS, J. B. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull. 2. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2012. p. 77.
Figura 8
OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BATISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de toxicologia. 4. ed. São Paulo: 
Atheneu, 2014. Adaptada.
480
Figura 9
SANTOS, M. V. C. D. et al. Aspectos toxicológicos do benzeno, biomarcadores de exposição e conflitos 
de interesses. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 42, supl. 1, e13s, 2017. p. 2.
Figura 10
ZANASI JR., S. et al. Queimadura por soda cáustica. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde, v. 33, 
n. 1, 2008. p. 48.
Figura 11
NETO, P. D. L. S. et al. Envenenamento fatal por baiacu (Tetrodontidae): relato de um caso em criança. 
Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 43, n. 1, 2010. p. 93.
Figura 12
LOGO-TESTEIRA.PNG. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//logo-testeira.
png. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 23
1200PX-NHGRI_HUMAN_MALE_KARYOTYPE.PNG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/
wikipedia/commons/thumb/5/53/NHGRI_human_male_karyotype.png/1200px-NHGRI_human_male_
karyotype.png. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 45
45%2CX.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1b/45%2CX.jpg. 
Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 46
FICHEIRO:HUMAN_CHROMOSOMESXXY01.PNG. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/
S%C3%ADndrome_de_Klinefelter#/media/Ficheiro:Human_chromosomesXXY01.png. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
Figura 47
XYY_SYNDROME_DNA.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/13/
XYY_Syndrome_DNA.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
481
Figura 48
300PX-TRISOMY13.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c2/
Trisomy13.jpg/300px-Trisomy13.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 49
TRISOMIA_18.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Trisomia_18.
jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 50
TRISOMIE_21_GENOM-SCHEMA.GIF. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/6/6f/Trisomie_21_Genom-Schema.gif. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 51
A) PLANT-BARLEY-WHEAT-GRAIN-DISH-MEAL-FOOD-PRODUCE-CROP-CORN-BREAKFAST-BEER-
CEREAL-VEGETARIAN-FOOD-GRAINS-FLOWERING-PLANT-COMMODITY-EMMER-SUNFLOWER-SEED-
BEER-PRODUCTION-GRASS-FAMILY-LAND-PLANT-FOOD-GRAIN-EINKORN-WHEAT-WHOLE-GRAIN-
THE-MALT-WHEAT-MALT-BARLEY-MALT-957469.JPG. Disponível em: https://get.pxhere.com/photo/
plant-barley-wheat-grain-dish-meal-food-produce-crop-corn-breakfast-beer-cereal-vegetarian-
food-grains-flowering-plant-commodity-emmer-sunflower-seed-beer-production-grass-family-land-
plant-food-grain-einkorn-wheat-whole-grain-the-malt-wheat-malt-barley-malt-957469.jpg. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
B) SUGAR-CANE-276242_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/
photo/2014/02/27/21/21/sugar-cane-276242_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
C) PLANT-FRUIT-FOOD-PRODUCE-YELLOW-BANANA-MATURE-FLOWERING-PLANT-BANANA-DA-
TERRA-LAND-PLANT-BANANA-FAMILY-COOKING-PLANTAIN-BUNCH-OF-BANANAS-1294883.
JPG. Disponível em: https://get.pxhere.com/photo/plant-fruit-food-produce-yellow-banana-
mature-flowering-plant-banana-da-terra-land-plant-banana-family-cooking-plantain-bunch-of-
bananas-1294883.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
D) POTATOES-VEGETABLES-RAW-FOOD-POTATO-WALLPAPER-PREVIEW.JPG. https://c1.peakpx.com/
wallpaper/15/94/523/potatoes-vegetables-raw-food-potato-wallpaper-preview.jpg. Disponível em: . 
Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 52
JUNGES, A. L. et al. Efeito estufa e aquecimento global: uma abordagem conceitual a partir da física 
para educação básica. Experiências em Ensino de Ciências, Cuiabá, v. 13, n. 5, p. 126-151, 2018. p. 133.
482
Figura 53
DESTRUICAO%20OZONIO.PNG. Disponível em: https://antigo.mma.gov.br/images/arquivo/80179/
destruicao%20ozonio.PNG. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 54
BORDONI, L. S.; BORDONI, P. H. C. Asfixia por monóxido de carbono: achados necroscópicos em um 
caso de suicídio e considerações médico-legais. Revista Brasileira de Criminalística, v. 6, n. 3, 
p. 42-48, 2017. p. 44.
Figura 55
BORDONI, L. S.; BORDONI, P. H. C. Asfixia por monóxido de carbono: achados necroscópicos em um 
caso de suicídio e considerações médico-legais. Revista Brasileira de Criminalística, v. 6, n. 3, 
p. 42-48, 2017. p. 45.
Figura 56
SANSEVERINO, I. et al. Algal bloom and its economic impact. Joint Research Centre, 2016. p. 7.
Figura 57
FRIAS, H. V. Isolamento e determinação por espectrometria de massas em Tandem com ionização 
por electrospray de hepatotoxinas presentes em florações algais. 2005. Dissertação (Mestrado em 
Toxicologia e Análises Toxicológicas), Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, 
São Paulo, 2005. p. 7.
Figura 58
INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Monographs on the evaluation of 
carcinogenicrisks to humans, volume 94: ingested nitrate and nitrite, and cyanobacterial peptide 
toxins. Iarc, 2010. p. 333.
Figura 59
KURODA, E. K. et al. Avaliação da toxicidade aguda de uma cepa de Microcystis spp. por meio de testes 
com camundongos. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 12, n. 1, p. 24-31, 2007. p. 27.
Figura 60 
KURODA, E. K. et al. Avaliação da toxicidade aguda de uma cepa de Microcystis spp. por meio de testes 
com camundongos. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 12, n. 1, p. 24-31, 2007. p. 27.
483
Figura 61
INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Monographs on the evaluation of 
carcinogenic risks to humans, volume 94: ingested nitrate and nitrite, and cyanobacterial peptide 
toxins. Iarc, 2010. p. 333.
Figura 62
RODRÍGUEZ, V. et al. Aspectos toxicológicos e químicos da anatoxina-a e seus análogos. Química 
Nova, v. 29, n. 6, p. 1365-1371, 2006. p. 1365.
Figura 63
PATOCKA, J.; GUPTA, R. C.; KUCA, K. Anatoxin-A (S): natural organophosphorus anticholinesterase 
agent. Military Medical Sciences Letters, v. 80, p. 129-139, 2011. p. 130.
Figura 64
PATOCKA, J.; GUPTA, R. C.; KUCA, K. Anatoxin-A (S): natural organophosphorus anticholinesterase 
agent. Military Medical Sciences Letters, v. 80, p. 129-139, 2011. p. 131.
Figura 65
UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY (USEPA). Drinking water health advisory 
documents for cyanobacterial toxins. Usepa, 2015. p. 6.
Figura 66
DING, C. Y. G. et al. MS/MS-based molecular networking approach for the detection of 
aplysiatoxin-related compounds in environmental marine Cyanobacteria. Marine drugs, v. 16, n. 12, 
p. 505, 2018. p. 4.
Figura 67
TWINER, M. J. et al. Azaspiracid shellfish poisoning: a review on the chemistry, ecology, and toxicology 
with an emphasis on human health impacts. Marine drugs, v. 6, n. 2, p. 39-72, 2008. p. 41.
Figura 68
TWINER, M. J. et al. Azaspiracid shellfish poisoning: a review on the chemistry, ecology, and toxicology 
with an emphasis on human health impacts. Marine drugs, v. 6, n. 2, p. 39-72, 2008. p. 51.
484
Figura 69
REGUERA, B. et al. Dinophysis toxins: causative organisms, distribution and fate in shellfish. Marine 
Drugs, v. 12, n. 1, p. 394-461, 2014. p. 396.
Figura 70
REGUERA, B. et al. Dinophysis toxins: causative organisms, distribution and fate in shellfish. Marine 
Drugs, v. 12, n. 1, p. 394-461, 2014. p. 396.
Figura 71
SANSEVERINO, I. et al. Cyanotoxins: methods and approaches for their analysis and detection. Joint 
Research Centre, 2017. p. 17.
Figura 73
PLANT-LEAF-FLOWER-PETAL-RED-BOTANY-GARDEN-FLORA-PLANTS-LEAVES-ANTHURIUM-SHRUB-
ORNAMENTAL-ARACEAE-SCARLET-FLOWERING-PLANT-LAND-PLANT-CANNA-FAMILY-1259930.JPG. 
Disponível em: https://get.pxhere.com/photo/plant-leaf-flower-petal-red-botany-garden-flora-plants-
leaves-anthurium-shrub-ornamental-araceae-scarlet-flowering-plant-land-plant-canna-family-
1259930.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 74
ARTEMISIA_ABSINTHIUM_L._%28ABSINTALSEM%29.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/
wikipedia/commons/5/58/Artemisia_absinthium_L._%28absintalsem%29.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 75
A) KNIPHOFIA-RED-HOT-POKER-FLOWERS-PLANT-WALLPAPER-PREVIEW.JPG. Disponível em: https://
c2.peakpx.com/wallpaper/242/70/557/kniphofia-red-hot-poker-flowers-plant-wallpaper-preview.jpg. 
Acesso em: 15 dez. 2020.
B) 450PX-SPLIT_ALOE.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/
c2/Split_Aloe.jpg/450px-Split_Aloe.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 76
EUPHORBIA_PULCHERRIMA_LEAVES_AND_FLOWERS.JPG. Disponível em: https://upload.
wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Euphorbia_pulcherrima_leaves_and_flowers.JPG. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
485
Figura 77
FRUITS-1205990_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/02/17/21/35/
fruits-1205990_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 79
A) THEVETIA_PERUVIANA_04.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/3/31/Thevetia_peruviana_04.JPG. Acesso em: 15 dez. 2020.
B) FILE:THEVETIA_PERUVIANA.JPG. Disponível em: https://species.wikimedia.org/wiki/Cascabela_
thevetia#/media/File:Thevetia_peruviana.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 80
1200PX-SCHEFFLERA_ARBORICOLA%2C_VRUGTE%2C_A%2C_PRETORIA.JPG. Disponível em: https://
upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/82/Schefflera_arboricola%2C_vrugte%2C_a%2C_
Pretoria.jpg/1200px-Schefflera_arboricola%2C_vrugte%2C_a%2C_Pretoria.jpg. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
Figura 81
GROWTH-PLANT-LEAF-BLOOM-FLORAL-ENVIRONMENT-SPRING-HERB-NATURAL-FRESH-BOTANY-
HEALTHY-FLORA-BOTANICAL-ECO-ECOLOGY-ALTERNATIVE-GARDENING-HERBS-ORGANIC-
BIO-HERBAL-MEDICINAL-ECOLOGICAL-HOMEOPATHY-MEDICINAL-HERBS-THERAPEUTIC-REMEDY-
HERBACEOUS-PLANT-VERBASCUM-COMFREY-1413736.JPG. Disponível em: https://get.pxhere.com/
photo/growth-plant-leaf-bloom-floral-environment-spring-herb-natural-fresh-botany-healthy-
flora-botanical-eco-ecology-alternative-gardening-herbs-organic-bio-herbal-medicinal-ecological-
homeopathy-medicinal-herbs-therapeutic-remedy-herbaceous-plant-verbascum-comfrey-1413736.
jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 82
FILE:STARR_061212-2331_DIEFFENBACHIA_SEGUINE.JPG. Disponível em: https://commons.wikimedia.
org/wiki/File:Starr_061212-2331_Dieffenbachia_seguine.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 83
JARRO-2.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Jarro-2.jpg. 
Acesso em: 15 dez. 2020.
486
Figura 84
THIMBLE-COMMON-FOXGLOVE-DIGITALIS-PURPUREA-CINQUEFOIL-128868.
JPEG?CS=SRGB&DL=PEXELS-PIXABAY-128868.JPG&FM=JPG. Disponível em: https://images.
pexels.com/photos/128868/thimble-common-foxglove-digitalis-purpurea-cinquefoil-128868.
jpeg?cs=srgb&dl=pexels-pixabay-128868.jpg&fm=jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 86
FILE:BATALHA.NERIUM_OLEANDER01.JPG. Disponível em: https://en.wiktionary.org/wiki/Nerium_
oleander#/media/File:Batalha.Nerium_oleander01.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 87
A) CECROPIA_POLYPHLEBIA_2.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/
f7/Cecropia_polyphlebia_2.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
B) CASTOR-OIL-SEEDS-327186_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/
photo/2014/04/18/13/52/castor-oil-seeds-327186_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
C) 1200PX-RICINUS_COMMUNIS_MAMONA.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/
wikipedia/commons/thumb/0/0e/Ricinus_communis_Mamona.JPG/1200px-Ricinus_communis_
Mamona.JPG. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 88
800PX-ASCLEPIAS_CURASSAVICA4.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/thumb/3/36/Asclepias_curassavica4.jpg/800px-Asclepias_curassavica4.jpg. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
Figura 90
STINGING-NETTLE-335447_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/
photo/2014/05/01/13/04/stinging-nettle-335447_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 91
A) 220PX-PYTHON_SKULL.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/
thumb/e/ec/Python_skull.jpg/220px-Python_skull.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
B) FICHEIRO:HETERODON_NASICUS_SKULL.JPG. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tipos_
de_denti%C3%A7%C3%A3o_em_serpentes#/media/Ficheiro:Heterodon_nasicus_skull.jpg. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
487
C) 220PX-OPHIOPHAGUS_HANNAH_SKULL.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/
wikipedia/commons/thumb/8/87/Ophiophagus_hannah_skull.jpg/220px-Ophiophagus_hannah_skull.
jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
D) CROTALUS_SKULL.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/ff/
Crotalus_skull.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 104
FICHEIRO:ARANHA_ARMADEIRA(PHONEUTRIA_NIGRIVENTER)_POR_RODRIGO_TETSUO_ARGENTON_
(2).JPG. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Estadual_Tur%C3%ADstico_do_Alto_
Ribeira#/media/Ficheiro:Aranha_armadeira(Phoneutria_nigriventer)_por_Rodrigo_Tetsuo_Argenton_
(2).jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 105
FILE:ADULT_FEMALE_BLACK_WIDOW.JPG. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Latrodectus_
mactans#/media/File:Adult_Female_Black_Widow.jpg.Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 106
FICHEIRO:LOXOSCELESGAUCHO.JPG. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Loxosceles#/media/
Ficheiro:LoxoscelesGaucho.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 107
SPIDER-1772769_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/10/26/22/05/
spider-1772769_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 108
CATERPILLAR-435543_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2014/09/04/14/18/
caterpillar-435543_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 109
CENTIPEDE-1833093_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/11/18/01/07/
centipede-1833093_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 110
A) SEA-21649_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2012/03/03/23/52/sea-
21649_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
488
B) JELLYFISH-690472_960_720.JPG Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2015/03/26/09/51/
jellyfish-690472_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 111
PUFFERFISH-74950_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2013/01/15/08/10/
pufferfish-74950_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 112
A) CYANOBACTERIA-4469840_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/
photo/2019/09/11/20/18/cyanobacteria-4469840_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 114
GOLDEN-POISON-FROG-279940_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/
photo/2014/03/05/09/38/golden-poison-frog-279940_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 115
BRASIL. Boletim epidemiológico: intoxicações exógenas relacionadas ao trabalho no Brasil, 2007-2016. 
Brasília, 2018a. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2018/dezembro/26/2018-027.pdf. 
Acesso em: 11 abr. 2020.
Figura 116
BRASIL. Boletim epidemiológico: intoxicações exógenas relacionadas ao trabalho no Brasil, 2007-2016. 
Brasília, 2018a. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2018/dezembro/26/2018-027.pdf. 
Acesso em: 11 abr. 2020.
Figura 117
BRASIL. Portaria MTb n. 1.031, de 6 de dezembro de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, 2018b.
Figura 118
AMORIM, L. C. A. Os biomarcadores e sua aplicação na avaliação da exposição aos agentes químicos 
ambientais. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 6, p. 158-170, 2003. p. 163.
Figura 119
BUSCHINELLI, J. T. Manual de orientação sobre controle médico ocupacional da exposição a 
substâncias químicas. São Paulo: Fundacentro, 2014. p. 36.
489
Figura 120
BUSCHINELLI, J. T. Manual de orientação sobre controle médico ocupacional da exposição a 
substâncias químicas. São Paulo: Fundacentro, 2014. p. 37.
Figura 122
PAULINO, P. H. S. Estudo teórico da fluoxetina. 2018. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em 
Química), Universidade Federal de São João Del Rei, São João Del Rei, 2018. p. 2.
Figura 123
GOLAN, D. E. et al. Princípios de farmacologia: a base fisiopatológica da farmacoterapia. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara-Koogan, 2009. p. 193.
Figura 127
VARALDA, D. B.; MOTTA, A. A. Reações adversas aos Aines. Revista Brasileira de Alergia e 
Imunopatologia, v. 32, n. 1, 2009. p. 30.
Figura 128
DONE, A. K. Salicylate intoxication: significance of measurement of salicylate in blood in cases of acute 
ingestion. Pediatrics, v. 26, n. 5, p. 800-807, 1960. p. 800.
Figura 130
HERNANDEZ, E. M. M.; RODRIGUES, R. M. R., TORRES, T. M. (Org.). Manual de toxicologia clínica: 
orientações para assistência e vigilância das intoxicações agudas. São Paulo: Secretaria Municipal da 
Saúde, 2017. p. 240.
Figura 131
OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BATISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de toxicologia. 2. ed. São Paulo: 
Atheneu, 2003. p. 401.
Figura 133
GRAEFF, F. G.; GUIMARÃES, F. S. Fundamentos de psicofarmacologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2000. p. 82.
Figura 134
A) POPPY-651036_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2015/02/26/20/10/
poppy-651036_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
490
B) COFFEE-1324126_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/04/12/11/19/
coffee-1324126_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
C) CANNABIS-490296_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2014/10/15/20/13/
cannabis-490296_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 138
AYAHUASCA03.JPG. Disponível em: http://www.imac.ac.gov.br/assets/versite/Ayahuasca03.jpg. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
Figura 139
FLY-AGARIC-4569367_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/10/22/17/52/
fly-agaric-4569367_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 140
MUSHROOM-5596596_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/
photo/2020/09/23/17/35/mushroom-5596596_960_720.jpg. Acesso em: 15 dez. 2020.
Figura 145
AMORIM, S. L.; MEDEIROS, R. M. T.; RIET-CORREA, F. Intoxicação experimental por Manihot glaziovii 
(Euphorbiaceae) em caprinos. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 25, n. 3, p. 179-187, 2005. p. 184.
Figura 151
KACHAPULULA, P. W. et al. Aflatoxin contamination of dried insects and fish in Zambia. Journal of 
Food Protection, v. 81, n. 9, p. 1508-1518, 2018. p. 1513.
Figura 158
DALAGNOL, E. S. H. Interação entre sistema imunológico do suíno e micotoxicose. Suínos & Cia, ano 
VI, n. 25, 2008. Disponível em: http://www.consuitec.com.br/sgc/fotos/22111630Imunidade%20e%20
Micotoxinas%20-%20Edi%C3%A7%C3%A3o%2025.pdf. Acesso em: 14 dez. 2020. p. 22.
Figura 160
YADAV, I. C.; DEVI, N. L. Pesticides classification and its impact on human and environment. 
Environmental Science and Engineering, v. 6, p. 140-158, 2017. p. 144.
491
Figura 162
A) OLIVEIRA-FILHO, J. C. et al. Intoxicação por organofosforado em bovinos no Rio Grande do Sul. 
Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 10, p. 803-806, 2010. p. 105.
B) OLIVEIRA-FILHO, J. C. et al. Intoxicação por organofosforado em bovinos no Rio Grande do Sul. 
Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 10, p. 803-806, 2010. p. 105.
C) OLIVEIRA-FILHO, J. C. et al. Intoxicação por organofosforado em bovinos no Rio Grande do Sul. 
Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 10, p. 803-806, 2010. p. 104.
D) OLIVEIRA-FILHO, J. C. et al. Intoxicação por organofosforado em bovinos no Rio Grande do Sul. 
Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 10, p. 803-806, 2010. p. 104.
Figura 163
A) DURÃO, C.; MACHADO, M. P. Death by chumbinho: aldicarb intoxication – regarding a corpse in 
decomposition. International Journal of Legal Medicine, v. 130, n. 4, p. 981-983, 2016. p. 1.
B) DURÃO, C.; MACHADO, M. P. Death by chumbinho: aldicarb intoxication – regarding a corpse in 
decomposition. International Journal of Legal Medicine, v. 130, n. 4, p. 981-983, 2016. p. 2.
C) DURÃO, C.; MACHADO, M. P. Death by chumbinho: aldicarb intoxication – regarding a corpse in 
decomposition. International Journal of Legal Medicine, v. 130, n. 4, p. 981-983, 2016. p. 2.
Figura 164
DURÃO, C.; MACHADO, M. P. Death by chumbinho: aldicarb intoxication – regarding a corpse in 
decomposition. International Journal of Legal Medicine, v. 130, n. 4, p. 981-983, 2016. p. 2.
Figura 165
GÜMÜS, O. et al. A case who died due to the suicidal intake of aluminum phosphide. Cumhuriyet Tıp 
Dergisi, v. 39, n. 1, p. 458-465, 2017. p. 460.
Figura 166
GÜMÜS, O. et al. A case who died due to the suicidal intake of aluminum phosphide. Cumhuriyet Tıp 
Dergisi, v. 39, n. 1, p. 458-465, 2017. p. 461.
Figura 167
GÜMÜS, O. et al. A case who died due to the suicidal intake of aluminum phosphide. Cumhuriyet Tıp 
Dergisi, v. 39, n. 1, p. 458-465, 2017. p. 460.
492
Figura 168
IBRAHIM, D. et al. Heavy metal poisoning: clinical presentations and pathophysiology. Clinics in 
Laboratory Medicine, v. 26, n. 1, p. 67-97, 2006. p. 70.
Figura 169
IBRAHIM, D. et al. Heavy metal poisoning: clinical presentations and pathophysiology. Clinics in 
Laboratory Medicine, v. 26, n. 1, p. 67-97, 2006. p. 72.
Figura 170
HELMICH, F.; LOCK, G. Burton’s line from chronic lead intoxication. New England Journal of Medicine, 
v. 379, n. 19, p. e35, 2018. p. 35.
Figura 171
SILVA, C. H. Uso de indicadoresde dose interna e de efeito com ferramentas para avaliação da 
exposição do chumbo. 2001. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública), Escola Nacional de Saúde 
Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2001. p. 15.
Figura 172
IBRAHIM, D. et al. Heavy metal poisoning: clinical presentations and pathophysiology. Clinics in 
Laboratory Medicine, v. 26, n. 1, p. 67-97, 2006. p. 79.
Figura 173
TAKAHASHI, E. N. et al. Estudos experimentais com plantas cianogênicas em bovinos. Pesquisa 
Veterinária Brasileira, v. 19, n. 2, p. 84-90, 1999. p. 694.
REFERÊNCIAS
Textuais
ABADIN, H.; FAY, M.; WILBUR, S. Toxicological profile for nickel. Atlanta: ATSDR, 2005.
ABDALLAH, I. Z. A. Physiological changes induced by long term administration of saccharin compared 
with aspartame to male albino rats. The Egyptian Journal of Hospital Medicine, v. 8, n. 1, p. 70-81, 2002.
ABREA. Semana de Proteção contra o Amianto em Osasco é obrigação legal. Abrea, [s.d.]. 
Disponível em: https://abrea.org.br/not%C3%ADcias/publica%C3%A7%C3%B5es/210-semana-de-
prote%C3%A7%C3%A3o-contra-o-amianto-em-osasco-%C3%A9-obriga%C3%A7%C3%A3o-legal.
html. Acesso em: 16 nov. 2020.
493
AGÊNCIA MUNDIAL ANTIDOPAGEM (WADA-AMA). Código Mundial Antidopagem 2021. Montreal: 
Wada-AMA, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/abcd/pt-br/composicao/regras-antidopa 
gem-legislacao-1/codigos/copy_of_codigos/codigo-mundial-antidopagem-2021.pdf. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Biblioteca de saneantes. Brasília, 2020a. 
Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/regulamentacao/legislacao/bibliotecas-
tematicas/arquivos/biblioteca-de-saneantes_portal.pdf/@@download/file/Biblioteca%20de%20
Saneantes_Portal.pdf. Acesso em: 8 dez. 2020.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Conceitos e definições. Brasília, 2020b. 
Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/perguntasfrequentes/
medicamentos/conceitos-e-definicoes/conceitos-e-definicoes. Acesso em: 5 dez. 2020.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Gerência Geral de Alimentos (GGALI). 
Informe Técnico n. 40, de 2 de junho de 2009. Brasília, 2009. Disponível em: https://www.gov.br/
anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/informes/copy_of_41de2009. Acesso em: 15 dez. 2020.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Informe técnico n. 49, de 11 de abril de 
2012. Brasília, 2012. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/fenilalanina/
arquivos/4712json-file-1/@@download/file/4712json-file-1.pdf. Acesso em: 15 dez. 2020.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Parecer técnico de reavaliação 
n. 08/GGTOX/Anvisa, de 13 de junho de 2016. Brasília, 2016a. Disponível em: https://cevs.rs.gov.
br/upload/arquivos/201712/06132134-paraquate-parecer-08-2016-consolidacao-contribuicoes-
cp-94-2015.pdf. Acesso em: 9 dez. 2020.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Programa de Análise de Resíduos de 
Agrotóxicos em Alimentos (Para): relatório das análises de amostras monitoradas no período de 2013 a 
2015. Brasília, s.d.
AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY (ATSDR). Toxicological profile for pyrethrins 
and pyrethroids. Atlanta: ATSDR, 2003.
ALI, N; DEGEN, G. H. Citrinin biomarkers: a review of recent data and application to human exposure 
assessment. Archives of Toxicology, p. 1-10, 2019.
ALMEIDA, V. L. et al. Câncer e agentes antineoplásicos ciclo-celular específicos e ciclo-celular não 
específicos que interagem com o DNA: uma introdução. Química Nova, v. 28, n. 1, p. 118-129, 2005.
ALVES, C. D. Estudo dos efeitos renais do veneno da serpente Lachesis muta muta. 2010. Dissertação 
(Mestrado em Farmacologia), Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010.
494
ALVES. C, D. S. et al. Luffa operculata fruit aqueous extract induces motor impairments, anxiety-like 
behavior, and testis damage in rats. Journal of Ethnopharmacology, v. 222, p. 52-60, 2018.
AMAGATA, T. Natural products structural diversity-II secondary metabolites: sources, structures and 
chemical biology. Comprehensive Natural Products II, v. 2, p. 581-621, 2010.
AMORIM, L. C. A. Os biomarcadores e sua aplicação na avaliação da exposição aos agentes químicos 
ambientais. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 6, p. 158-170, 2003.
AMORIM, S. L.; MEDEIROS, R. M. T.; RIET-CORREA, F. Intoxicação experimental por Manihot glaziovii 
(Euphorbiaceae) em caprinos. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 25, n. 3, p. 179-187, 2005.
AMORIM, S. L.; MEDEIROS, R. M. T.; RIET-CORREA, F. Intoxicações por plantas cianogênicas no Brasil. 
Ciência Animal, v. 16, n. 1, p. 17-26, 2006.
ANTOSZEWSKA-SMITH, J.; PAWLOWSKA, E.; BLASIAK, J. Reactive oxygen species in BCR-ABL1-expressing 
cells: relevance to chronic myeloid leukemia. Acta Biochimica Polonica, v. 64, n. 1, p. 1-10, 2017.
AZEVEDO, F. A. Toxicologia do mercúrio. São Carlos: Rima, 2003.
AZEVEDO, L. Três anos depois, Santa Maria homenageia mortos na boate Kiss. O Estado de S. Paulo, 27 
jan. 2016. Disponível em: https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,tres-anos-depois-de-tragedia-
santa-maria-homenageia-mortos-na-kiss,10000013622. Acesso em: 13 nov. 2020.
AZZALINI, E. et al. A fatal case of self-poisoning through the ingestion of oleander leaves. Journal of 
Forensics and Legal Medicine, v. 65, p. 133-136, 2019.
BARLY, L. et al. Origen e historia de la toxicología. Revista Cubana de Medicina Militar, v. 43, n. 4, 
p. 499-514, 2014.
BATISTA, C. V. F. et al.Proteomics from the venom from the Amazonian scorpion Tytius cambridgei and 
the role of prolines on mass spectrometry analysis of toxins. Journal of Chromatography B: Analytical 
Technologies in the Biomedical and Life Sciences, v. 803, n. 1, p. 55-66, 2004.
BATTILANI, P.; BARBANO, C.; LOGRIECO, A. Risk assessment and safety evaluation of mycotoxins in 
fruits. In: BARKAI-GOLAN, R.; PASTER, N. Mycotoxins in fruits and vegetables. Cambridge: Academic 
Press, 2008. p. 1-26.
BBOSA, G. S. et al. Review of the biological and health effects of aflatoxins on body organs and body 
systems. Aflatoxins-recent advances and future prospects, v. 12, p. 239-265, 2013.
BENNETT, J. W.; KLICH, M. Mycotoxins. Clinical and Microbiological Reviews, v. 16, n. 3, p. 497-516, 2014.
495
BENOWITZ, N. L. Antidepressants, General (Noncyclic). In: OLSON, K. R. (Ed.). Poisoning & drug 
overdose. 6. ed. Nova York: McGraw-Hill, 2012.
BERLINCK, R. G. S. Bioprospecção no Brasil: um breve histótico. Ciência e Cultura, v. 64, n. 3, p. 27-30, 2012.
BERNHOFT, R. A. Cadmium toxicity and treatment. The Scientific World Journal, v. 2013, 2013.
BIAN, X. et al. The artificial sweetener acesulfame potassium affects the gut microbiome and body 
weight gain in CD-1 mice. PLoS One, v. 12, n. 6, p. e0178426, 2017.
BIESKI, I. G. C. et al. Ethnobotanical study of medicinal plants by population of valley of Juruena 
region, legal amazon, Mato Grosso, Brazil. Journal of Ethnopharmacology, v. 173, p. 383-423, 2015.
BINJU, M. et al. Therapeutic Inducers of Apoptosis in Ovarian Cancer. Cancers (Basel), v. 11, n. 11, p. 1786, 2019.
BLANKEMEYER, J. T. et al. Developmental toxicology of solamargine and solasonine glycoalkaloids in 
frog embryos. Food and Chemical Toxicology, v. 36, n. 5, p. 383-389, 1998.
BLUM, L. M.; RIEDERS, F. Oleandrin distribution in a fatality from rectal and oral Nerium oleander 
extract administration. Journal of Analytical Toxicology, v. 11, n. 5, p. 219-221, 1987.
BORDONI, L. S.; BORDONI, P. H. C. Asfixia por monóxido de carbono: achados necroscópicos em um caso 
de suicídio e considerações médico-legais. Revista Brasileira de Criminalística, v. 6, n. 3, p. 42-48, 2017.
BORTOLETTO, M. E.; BOCHNER, R. Impacto dos medicamentos nas intoxicações humanas no Brasil. 
Cadernos de Saúde Pública, v. 15, n. 4, p. 859-869, 1999.
BRANDÃO, F. M.; VALENTE, A. Photodermatitis from anthraquinone. Contact Dermatitis, v. 18, n. 3, 
p. 171-172, 1988.
BRASIL. Boletim epidemiológico: intoxicações exógenasrelacionadas ao trabalho no Brasil, 2007-2016. 
Brasília, 2018a. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2018/dezembro/26/2018-027.pdf. 
Acesso em: 11 abr. 2020.
BRASIL. Lei n. 13.103, de 2 de março de 2015. Brasília, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/CCivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13103.htm. Acesso em: 2 dez. 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Consumo abuso de álcool aumenta 42,9% entre as mulheres. Brasília, 2019. 
Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/consumo-abusivo-de-alcool-aumen 
ta-42-9-entre-as-mulheres. Acesso em: 25 ago. 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 321, de 28 de julho de 1997. Brasília, 1997. Disponível em: http://
bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs1/1997/prt0321_28_07_1997.html. Acesso em: 25 nov. 2020.
496
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas 
Estratégicas. Atenção à saúde dos trabalhadores expostos ao chumbo metálico. Brasília: Ministério 
da Saúde, 2006. (Saúde do Trabalhador: Protocolo de Complexidade Diferenciada, n. 4; Série A. Normas 
e Manuais Técnicos).
BRASIL. Norma Regulamentadora – NR 9, de 8 de junho de 1978. Brasília, 1978.
BRASIL. Portaria MTb n. 1.031, de 6 de dezembro de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, 2018b.
BRASIL. Portaria SSST n. 24, de 29 de dezembro de 1994. Diário Oficial da União, Brasília, 1994.
BRASIL. Resolução de Diretoria Colegiada – RDC n. 7, de 18 de fevereiro de 2011. Diário Oficial da 
União, Brasília, 2011.
BRASIL. Resolução n. 491, de 19 de novembro de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, 2018c.
BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC n.42, de 29 de agosto de 2013. Diário Oficial da 
União, Brasília, 2013.
BRENNER, S.; JACOB, F.; MESELSON, M. An unstable intermediate carrying information from genes to 
ribosomes for protein synthesis. Nature, v. 190, p. 576-581, 1961.
BRICKMORE, W. A.; SUMNER, A. T. Mammalian chromosome banding: an expression of genome 
organization. Trends in Genetics, v. 5, p. 144-148, 1989.
BRICKS, L. F.; DA SILVA C.A.A. Toxicidade dos anti-inflamatórios não hormonais. Pediatria (São Paulo), 
v. 27, n. 3, p. 181-93, 2005.
BRITO, G. F. S.; SODRÉ, F. F.; ALMEIDA F. V. O impacto do material particulado na qualidade do ar. 
Revista Virtual de Química, v. 10, n. 5, p. 1335-1354, 2018.
BRITO, M. L. S. et al. Número de internações e óbitos associados à intoxicação infantil. Revista da 
Sociedade BrasIleira de Clínica Médica, v. 17, n. 3, p. 124-130, 2019.
BROUGHTON, E. The Bhopal disaster and its aftermath: a review. Environmental Health, v. 4, 
n. 1, p. 6, 2005.
BROWN, A. W. et al. The comparative toxicity of a reduced, crude comfrey (Symphytum officinale) 
alkaloid extract and the pure, comfrey-derived pyrrolizidine alkaloids, lycopsamine and intermedine in 
chicks (Gallus gallus domesticus). Journal of Applied Toxicology, v. 36, n. 5, p. 716-725, 2016.
BRUNA, M. H. V. Sepse (septicemia). Drauzio Varella, [s.d.]. Disponível em: https://drauziovarella.uol.
com.br/doencas-e-sintomas/sepse-septicemia/. Acesso em: 23 nov. 2020.
497
BRUNTON, L. L.; CHABNER, B. A.; KNOLLMANN, B. C. Goodman & Gilman: as bases farmacológicas da 
terapêutica. 12. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2012.
BULCÃO, R. et al. Designer drugs: aspectos analíticos e biológicos. Química Nova, v. 35, n. 1, p. 149-158, 
2012. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/qn/v35n1/v35n1a27.pdf. Acesso em: 29 nov. 2020.
BÜNGER, J. et al. Cytotoxicity of occupationally and environmentally relevant mycotoxins. Toxicology, 
v. 202, n. 3, p. 199-211, 2004.
BURTON M. E. et al. (Ed.). Applied pharmacokinetics & pharmacodynamics: principles of therapeutic 
drug monitoring. 4. ed. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins, 2006.
BUSCHINELLI, J. T. Manual de orientação sobre controle médico ocupacional da exposição a 
substâncias químicas. São Paulo: Fundacentro, 2014.
BUTLER, N. et al. Microcystins: a brief overview of their toxicity and effects, with special reference to 
fish, wildlife, and livestock. California Environmental Protection Agency, Sacramento, v. 5, 2009.
CADET, J.; WAGNER, J. R. DNA base damage by reactive oxygen species, oxidizing agents, and UV 
radiation. Perspectives in Biology, v. 5, n. 2, p. a012559, 2013.
CAMINHÃO carregado com ácido muriático tomba na MG-030. Estado de Minas, 26 abr. 2017. https://
www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/04/26/interna_gerais,865319/caminhao-com-acido-muriati 
co-tomba-na-mg-030.shtml. Acesso em: 6 ago. 2020.
CAMPOS, D. R. et al. Eficácia da associação de cipermetrina, clorpirifós, butóxido de piperonila e 
fluazuron contra Haematobia irritans em bovinos naturalmente infestados. Brazilian Journal of 
Veterinary Medicine, v. 39, n. 3, p. 160-164, 2017.
CAMPOS, S. C. et al. Toxicidade de espécies vegetais. Revista BrasIleira de Plantas Medicinais, v. 18, n. 
(1, supl 1), p. 373-382, 2016.
CAPITANI, E. M. Diagnóstico e tratamento da intoxicação por chumbo em crianças e adultos. Medicina 
(Ribeirão Preto), v. 42, n. 3, p. 319-329, 2009.
CAPITANI, E. M.; MADUREIRA, P. R.; MOREIRA FILHO, D. C. Estudo comparativo de tratamento quelante 
de pacientes intoxicados por chumbo inorgânico com EDTACaNa2 por duas vias de administração. 
Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 2, n. 3, p. 185-190, 2004.
CARLINI, E. A.; DUARTE-ALMEIDA, J. M.; TABACH, R. Assessment of the toxicity of the Brazilian 
pepper trees Schinus terebinthifolius Raddi (Aroeira-da-praia) and Myracrodruon urundeuva Allemão 
(Aroeira-do-sertão). Phytotherapy Research, v. 27, n. 5, p. 692-698, 2013.
498
CARVALHO, A. B. Guia técnico sobre estratégia de amostragem e interpretação de resultados de 
avaliações quantitativas de agentes químicos em ambientes de trabalho: procedimento técnico. São 
Paulo: Fundacentro, 2018.
CARVALHO, J. E. Como os indígenas colocaram o ovo em pé. Unicamp, 21 mar. 2019. Disponível em: 
https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2019/03/21/como-os-indigenas-colocaram-o-ovo-em-pe. 
Acesso em: 13 nov. 2020.
CARVALHO, J. L. N. et al. Potencial de sequestro de carbono em diferentes biomas do Brasil. Revista 
Brasileira de Ciência do Solo, v. 34, n. 2, p. 277-290, 2010.
CASTRO, C. G. S. O. Os estudos de utilização de medicamentos nos países do terceiro mundo. In: 
CASTRO, C. G. S. O. (Org.). Estudos de utilização de medicamentos: noções básicas. Rio de Janeiro: 
Fiocruz, 2000. p. 35-45.
CASTRO, J. R. M. et al. Determinação de amônia no ar utilizando um sensor piezelétrico de quartzo. 
Eclética Química, v. 36, n. 2, p. 21-49, 2011.
CASTRO, R. A. S. et al. Vulnerabilidades da população em situação de rua ao comportamento suicida. 
Revista de Enfermagem UFPE, v. 3, n. 2, p. 431-437, 2019.
CATTERALL, W. A. Voltage-gated ion channels and gating modifier toxins. Toxicon, v. 49, n. 2, 
p. 124-141, 2007.
CHASIN, A. A. M.; SILVA, E. S.; CARVALHO, V. M. Estimulantes do sistema nervoso central. In: 
OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BATISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de toxicologia. 4. ed. São 
Paulo: Atheneu, 2014.
CHAVEERACHA, A. et al. Cytotoxicity and genotoxicity of Allamanda and Plumeria species. Scientia 
Asia, v. 42, n. 375-381, 2016.
CHEN, E. et al. Carboxyl-functionalized, europium nanoparticle-based fluorescent 
immunochromatographic assay for sensitive detection of citrinin in monascus fermented food. Toxins, 
v. 11, n. 10, p. 605, 2019.
CHERINGTON, M. Botulism: update and review. Seminars in Neurology, v. 24, n. 2, p. 155-163, 2004.
CHERRY, J. D. et al. Feigin and Cherry’s textbook of pediatric infectious diseases. Elsevier 
Health Sciences, 2013.
CISCOTTO, P. H. C. Análises proteômicas, anti-venômicas e isolamento de novas proteínas com 
atividade citotóxica de venenos elapídicos. 2011. Tese (Doutorado em Bioquímica e Imunologia), 
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011.
499
COLLINS, C. H.; BRAGA, G. L.; BONATO, P. S. Introdução a métodos cromatográficos. 7. ed. Campinas: 
Editora da Unicamp, 1997.
COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO (COB).Informações sobre o uso de medicamentos no esporte. 5. ed. 
Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: http://www.cbh.org.br/arquivos/Informacoes%20sobre%20o%20
uso%20de%20medicamentos%20no%20Esporte%20-%20COB%20Cavaleiros%20Amazonas.pdf. 
Acesso em: 19 out. 2020.
COMPANHIA DE TECNOLOGIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB). Indicadores de 
qualidade das águas. São Paulo: Cetesb, [s.d.]a. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/ar/. Acesso 
em: 19 out. 2020.
COMPANHIA DE TECNOLOGIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB). Padrões de qualidade das 
águas. São Paulo: Cetesb, [s.d.]b. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/ar/padroes-de-qualidade-do-ar/. 
Acesso em: 19 out. 2020.
CORREA, A. D.; SIQUEIRA-BATISTA, R.; QUINTAS, L. E. Similia Similibus Curentur: notação histórica da 
medicina homeopática. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 43, n. 4, p. 347-351, 
1997. Disponivel em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v43n4/2026.pdf. Acesso em: 10 mar. 2020.
CORSI, P. R. et al. Lesão aguda esôfago–gástrica causada por agentes químicos. Revista da Associação 
Médica do Brasil, v. 46, n. 2, p. 98-105, 2000.
COSTA, C. et al. How to treat actinic keratosis? An update. Journal of Dermatological Case Reports, v. 9, 
n. 2, p. 29-35, 2015.
COSTA, T. E. M. M. et al. Avaliação de risco dos organismos geneticamente modificados. Ciência & 
Saúde Coletiva, v. 16, p. 327-336, 2011.
CUMPSTON, K. L. et al. Acute airway compromise after brief exposure to a Dieffenbachia plant. Jornal 
de Emergência Médica, v. 25, n. 4, p. 391-397, 2003.
CUNHA, E. M.; MARTINS, O. A. Principais compostos químicos presentes nos venenos de cobras do gênero 
Bothrops e Crotalus: uma revisão. Revista Eletrônica de Educação e Ciência. v. 2, n. 2, p. 21-26, 2012.
D’ANGLADA, L. v. et al. Health effects support document for the Cyanobacterial Toxin Anatoxin-A. 
Washington: US Environmental Protection Agency, 2015.
DA SILVA, A. H. G. et al. Succinilcolina vs. rocurônio para indução em sequência rápida. Revista Médica 
de Minas Gerais, v. 26, supl. 1, p. S82-S87, 2016.
DAHM, R. Discovering DNA: Friedrich Miescher and the early years of nucleic acid research. Human 
Genetics, v. 122, n. 6, p. 565-581, 2008.
500
DALAGNOL, E. S. H. Interação entre sistema imunológico do suíno e micotoxicose. Suínos & Cia, ano 
VI, n. 25, 2008. Disponível em: http://www.consuitec.com.br/sgc/fotos/22111630Imunidade%20e%20
Micotoxinas%20-%20Edi%C3%A7%C3%A3o%2025.pdf. Acesso em: 14 dez. 2020.
DAVID, W. N. Poisonous plants and animals of Florida and the Caribbean. Hong Kong: Sing 
Cheong Print, 1997.
DE FLORA, S.; D’AGOSTINI, F.; BALANSKY, R. Modulation of cigarette smoke-related end-points in 
mutagenesis and carcinogenesis. Mutation Research, v. 523-524, p. 237-252, 2003.
DEGANI, A. L. G.; QUEZIA, B. C.; VIEIRA, P. C. Cromatografia: um breve ensaio. Química Nova na Escola, 
n. 7, p. 21, 1998.
DELGADO, A. B. T. et al. Hemorrhagic stroke secondary to Bothrops spp. venom: a case report. Toxicon, 
v. 132, p. 6-8, 2017.
DELUCIA, R. et al. Farmacologia integrada/uso racional de medicamentos. 2. ed. São Paulo: Clube 
de Autores, 2014.
DHARTIBEN, B. K.; APARNATHI, K. D. Chemistry and use of artificial intense sweeteners. International 
Journal of Current Microbiology and Applied Sciences, v. 6, n. 6, p. 1283-1296, 2017.
DI NUZZO, D. V.; FONSECA, S. F. Anemia falciforme e infecções. Jornal de Pediatria, v. 80, n. 5, 
p. 347-354, 2004.
DIETRICH, C.; WEISS, C. Toxicology and risk assessment: a comprehensive introduction. 
ChemMedChem, v. 15, n. 1, p. 172-172, 2020.
DING, C. Y. G. et al. MS/MS-based molecular networking approach for the detection of aplysiatoxin-related 
compounds in environmental marine Cyanobacteria. Marine drugs, v. 16, n. 12, p. 505, 2018.
DIZDAROGLU, M. et al. Free radical-induced damage to DNA: mechanisms and measurement. Free 
Radical Biology and Medicine, v. 32, n. 11, p. 1102-1115, 2002.
DONE, A. K. Salicylate intoxication: significance of measurement of salicylate in blood in cases of acute 
ingestion. Pediatrics, v. 26, n. 5, p. 800-807, 1960.
DONINI, M. Espuma transformou boate Kiss em câmara de gás. Veja, 31 jan. 2013. Disponível em: https://
veja.abril.com.br/brasil/espuma-transformou-boate-kiss-em-camara-de-gas/. Acesso em: 13 nov. 2020.
DUKE, J. A.; VASQUEZ, R. Amazonian ethnobotanical dictionary. Boca Raton: CRC Press, 1994.
DURÃO, C.; MACHADO, M. P. Death by chumbinho: aldicarb intoxication – regarding a corpse in 
decomposition. International Journal of Legal Medicine, v. 130, n. 4, p. 981-983, 2016.
501
DUZZI, B. Busca de novos substratos e/ou inibidores das enzimas timet oligopeptidase (E.C.3.4.24.15) 
e neurolisina (E.C.3.4.24.16) nas frações de baixamassa molecular do veneno do escorpião Tytius 
serrulatus. 2014. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia), Instituto Butantan, Universidade de 
São Paulo, 2014.
EDDLESTON, M. et al. Management of acute organophosphorus pesticide poisoning. The Lancet, v. 371, 
n. 9612, p. 597-607, 2008.
EHLE, M.; PATEL, C.; GIUGLIANO, R. P. Digoxin: clinical highlights: a review of digoxin and its use in 
contemporary medicine. Critical Pathways in Cardiology, v. 10, n. 2, p. 93-98, 2011.
EKE, T.; AL-HUSAINY, S.; RAYNOR, M. K. The spectrum of ocular inflammation caused by Euphorbia 
Plant Sap. Archives of Ophthalmology, v. 118, n. 1, p. 13-16, 2000.
EL KHOURY, A.; ATOUI, A. Ochratoxin A: general overview and actual molecular status. Toxins, v. 2, n. 4, 
p. 461-493, 2010.
ESCOBAR, A. Hacia una caracterización de la transmisión aristotélica en la Cataluña medieval. Anuario 
de Estudios Medievales, v. 45, n. 1, p. 299-330, 2015.
ESSIETT, U. A.; UDO, E. Comparative phytochemical screening and nutritional potentials of the stems, 
leaves and flowers of Allamanda cathartica (Apocynaceae). International Journal of Scientific & 
Technology, v. 4, p. 248-253, 2015.
EVANS, W. E.; SCHENTAG, J. J.; JUSKO, W. J. Applied pharmacokinetics: principles of therapeutic drug 
monitoring. 3. ed. Vancouver: Lippincott Williams & Wilkins, 1992.
FACCA, M. C. L.; DALZOTO, P. R. Aflatoxinas: um perfil da situação do amendoim e derivados no cenário 
brasileiro. Biológico, São Paulo, v. 72, n. 1, p. 25-29, 2010.
FARIA, M. A. M. Mercuralismo metálico crônico ocupacional. Revista de Saúde Pública, v. 37, 
p. 116-127, 2003.
FARIAS, P. O. Aspectos epidemiológicos das intoxicações por analgésicos não opioides e anti-inflamatórios 
não esteroides em um hospital de urgência e emergência da rede pública do Brasil. Revista Médica de Minas 
Gerais, 2016, v. 26 (Supl 5), S11-S15. Disponível em: http://rmmg.org/exportar-pdf/1995/v26s5a02.pdf. 
Acesso em: 17 nov. 2020.
FEDORUK, M. J., BRONSTEIN, R., KERGER, B. D. Ammonia exposure and hazard assessment for selected 
household cleaning product uses. Journal of Exposure Analalysis and Environmental Epidemiology, v. 15, 
n. 6, p. 534-544, 2005.
FELSENFELD, G. DNA. Scientific American, v. 253, n. 4, p. 58-66, 1985.
502
FERNÁNDEZ, D. G.; MANCIPE, L. C.; FERNÁNDEZ, D. C. Intoxicación por organofosforados. Revista de 
Medicina, v. 18, n. 1, p. 84-92, 2010.
FERRAZ, A. C.; ANSELMO-FRANCI, J. A.; PEROSA, S. R. Amino acid and monoamine alterations in the 
cerebral cortex and hippocampus of mice submitted to ricinine-induced seizures. Pharmacological and 
Biochemical Behavior, v. 72, n. 4, p. 79-786, 2002.
FERREIRA, M. G. Teor alcoólico de bebidas. Restauranter, [s.d.]. Disponivel em: http://www.restauranter.
com.br/2018/10/teor-alcoolico-de-bebidas.html. Acesso em: 25 ago. 2020.
FICICIOGLU, C.; YUDKOF, M. Urea cycle: disease aspects. In: LENNARZ, W.; LANE, M. Encyclopedia of 
biological chemistry: reference module in biochemical sciences. Nova York: Elsevier, 2013. p. 494-501.
FIGUEIRA, M. V. F. Caracterização farmacológica da espectalina na transmissão neuromuscular. 2009. 
Dissertação (Mestrado em Farmacologia e Química Medicinal), Instituto de Ciências Biomédicas, 
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
FIOCRUZ. Anfíbios.[s.d.]. Disponível em: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/anfibio.htm. 
Acesso em: 25 nov. 2020.
FONSECA, F. V. et al. Extratos de Cucurma longa L. e de Kalanchoe brasiliensis Camb. no tratamento 
local de envenenamento por Bothrops alternatus. Revista Brasileira de Farmacognosia, 14, Supl. 1, 
p. 26-29, 2004.
FORRESTER, M. B.; LAYTON, G. M.; VARNEY, S. M. Euphorbia tirucalli exposures reported to Texas poison 
centers. Clinical Toxicology, Philadelfia, v. 23, p. 1-4, 2019.
FRANÇA, I. S. X. Medicina popular: benefícios e malefícios das plantas medicinais. Revista BrasIleira de 
Enfermagem, v. 61, n. 2, p. 201-208, 2008.
FRANCO, G.; FRANCO, F. Bernardino Ramazzini: the father of occupational medicine. American Journal 
of Public Health, v. 91, n. 9, p. 1382-1382, 2001.
FREIRE, R. B.; BORBA, H. R.; COELHO, C. D. Ruta graveolens L. toxicity in Vampirolepis nana infected 
mice. Indian Journal of Pharmacology, v. 42, n. 6, p. 345-350, 2010.
FREITAS, M. B. et al. Amitriptilina e nortriptilina em plasma: extração em fase sólida por polímeros de 
impressão molecular e sílica octadecila para análise cromatográfica em fase líquida de alta resolução. 
Latin American Journal of Pharmacy, v. 28, n. 1, p. 70-79, 2009.
FRIAS, H. V. Isolamento e determinação por espectrometria de massas em Tandem com ionização 
por electrospray de hepatotoxinas presentes em florações algais. 2005. Dissertação (Mestrado em 
Toxicologia e Análises Toxicológicas), Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, 
São Paulo, 2005.
503
FRIAS, H. V. et al. Use of electrospray tandem mass spectrometry for identification of microcystins 
during a cyanobacterial bloom event. Biochemical and Biophysical Research Communications, v. 344, 
n. 3, p. 741-746, 2006.
FUTUYMA, D. Evolutionary biology. 3. ed. Sunderland: Sinauer, 1998.
GALVAÑ-PÉREZ DEL PULGAR, J. I.; LINARES-BARRIOS, M.; GALVAÑ-POZO JR., J. I. Acropigmentation 
of the dorsum of the hands from preparing mojitos: a lime-induced phytophotodermatosis. Actas 
Dermo-Sifiliograficas, v. 107, n. 3, p. 253-255, 2016.
GANDOLFI, E.; ANDRADE, M. G. G. Eventos toxicológicos relacionados a medicamentos no estado de 
São Paulo. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 40, n. 6, p. 1056-1064, 2006.
GARCÍA-PÉREZ, M. E. et al. Toxicological evaluation of an aqueous suspension from leaves and stems 
of Petiveria alliacea L. (Phytolaccaceae). Journal of Ethnopharmacology, v. 30, p. 29-37, 2018.
GERICKE, N. M.; HAGBERG, M. Definition of historical models of gene function and their relation to 
students’ understanding of genetics. Science & Education, v. 16, n. 7-8, p. 849-881, 2006.
GIDLOW, D. A. Lead toxicity. Occupational medicine, v. 54, n. 2, p. 76-81, 2004.
GOEL, A.; AGGARWAL, P. Pesticide poisoning. National Medical Journal of India, v. 20, n. 4, p. 182, 2007.
GOLAN, D. E. et al. Princípios de farmacologia: a base fisiopatológica da farmacoterapia. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara-Koogan, 2009.
GOLDFRANK, L. R. et al. Goldfrank toxicologic emergencies. 5. ed. Nova York: Appleton & Lange, 1994.
GOMES, R. C. F. et al. Saturnismo após acidente por arma de fogo de grande calibre: relato de caso. 
Revista Médica de Minas Gerais, v. 25, n. 1, p. 120-124, 2015.
GONZÁLEZ, C. Mortes na BA foram causadas por metanol. Folha de S. Paulo, 12 mar. 1999. Disponível 
em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff12039945.htm. Acesso em: 15 dez. 2020.
GORDIANO, E. A. et al. Avaliação da ingestão alimentar e excreção de metabólitos na nefrolitíase. 
Brazilian Journal of Nephrology, v. 36, n. 4, p. 437-445, 2014.
GRAEFF, F. G.; GUIMARÃES, F. S. Fundamentos de psicofarmacologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2000.
GRANDJEAN, P. Paracelsus revisited: the dose concept in a complex world. Basic & Clinical 
Pharmacology & Toxicology, v. 119, n. 2, p. 126-132, 2016.
GRIBBIN, J. The scientists: a history of science told through the lives of its greatest inventors. Nova 
York: Random House, 2019.
504
GRIMM, W. et al. Seltene Herzerkrankungen am Elektrokardiogramm erkennen. Internist (Berl), v. 59, 
n. 6, p. 618-629, 2018.
GUIMARÃES, C. T.; COELHO, G. O. A importância do aconselhamento genético na anemia falciforme. 
Ciência e Saúde Coletiva, v. 15, supl. 1, p. 1733-1740, 2010.
GÜMÜS, O. et al. A case who died due to the suicidal intake of aluminum phosphide. Cumhuriyet Tıp 
Dergisi, v. 39, n. 1, p. 458-465, 2017.
HÄLLFORS, H. et al. Vertical and temporal distribution of the dinoflagellates dinophysis acuminata and 
D. norvegica in the Baltic Sea. Boreal Environment Research, v. 16, p. 121-135, 2011.
HALLIWELL, B.; GUTTERIDGE, J. M. C. Free radicals in biology and medicine. 5. ed. Oxford: 
Clarendon Press, 2015.
HARADA, M. Minamata disease: methylmercury poisoning in Japan caused by environmental pollution. 
Critical Reviews in Toxicology, v. 25, n. 1, p. 1-24, 1995.
HEAL, D. J. et al. Amphetamine, past and present: a pharmacological and clinical perspective. Journal 
of Psychopharmacology, v. 27, n. 6, p. 479-496, 2013.
HELBIG, E.; BUCHWEITZ, M. R. D.; GIGANTE, D. P. Analysis of hydrogen cyanide and phytic acid 
contents in feeding supplements: Multimixture. Revista de Nutrição, v. 21, n. 3, p. 323-328, 2008.
HELMICH, F.; LOCK, G. Burton’s line from chronic lead intoxication. New England Journal of Medicine, 
v. 379, n. 19, p. e35, 2018.
HERNANDEZ, E. M. M.; RODRIGUES, R. M. R., TORRES, T. M. (Org.). Manual de toxicologia 
clínica: orientações para assistência e vigilância das intoxicações agudas. São Paulo: Secretaria 
Municipal da Saúde, 2017.
HERTEL, R. F. Environmental health criteria 108: nickel. International Programme on 
Chemical Safety, 1991.
HILAL-DANDAN, R.; BRUNTON, L. L. Manual de farmacologia e terapêutica de Goodman & Gilman. 
Porto Alegre: AMGH, 2015.
HONÓRIO JÚNIOR, J. E. et al. Atividade farmacológica da monocrotalina isolada de plantas do gênero 
Crotalaria. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 20, n. 3, p. 453-458, 2010.
HOOVER, H. C. Georgius Agricola: De Re Metallica. Nova York: Dover Publications, 1950.
IBRAHIM, D. et al. Heavy metal poisoning: clinical presentations and pathophysiology. Clinics in 
Laboratory Medicine, v. 26, n. 1, p. 67-97, 2006.
505
ILIEVA, V. et al. Toxicity of cyanobacteria: organotropy of cyanotoxins and toxicodynamics of 
cyanotoxins by species. Pharmacia, v. 66, p. 91, 2019.
INÁCIO, D. A. S.; BRANDÃO, B. A. Toxicologia forense: intoxicação por monóxido de carbono 
em carbonizados. Brazilian Journal of Forensic Sciences, Medical Law and Bioethics, v. 5, n. 3, 
p. 314-327, 2016.
INGERMAN, L. et al. Toxicological profile for aluminum. ATSDR, 2008. Disponível em: https://www.
atsdr.cdc.gov/toxprofiles/tp22.pdf. Acesso em: 15 dez. 2020.
INGLE, V. N.; KALE, V. G.; TALWAKAR, Y. B. Accidental poisoning in children with particular reference to 
castor beans. Indian Journal of Pediatry, v. 33, n. 223, p. 237-240, 1966.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÌSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de 
Domicílios (PNAD) 2020: características gerais dos domicílios e dos moradores. Brasília, 2020. 
Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101707_informativo.pdf. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Amianto. Brasília, 2018a. Disponível em: https://www.inca.
gov.br/exposicao-no-trabalho-e-no-ambiente/amianto. Acesso em: 16 nov. 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Como surge o câncer? Brasília, 2019. Disponível em: http://
www1.inca.gov.br/impressao.asp?op=cv&id=319. Acesso em: 16 nov. 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Dados e número de prevalência do tabagismo. Brasília, 2020. 
Disponível em: https://www.inca.gov.br/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/
dados-e-numeros-prevalencia-tabagismo. Acesso em: 16 nov. 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Quais são os componentes da fumaça do cigarro? Brasília, 
[s.d.]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/perguntas-frequentes/quais-sao-os-componentes-
fumaca-cigarro.Acesso em: 1º dez. 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Quimioterapia antineoplásica. Brasília, 2018b. Disponível em: https://
www.inca.gov.br/exposicao-no-trabalho-e-no-ambiente/medicamentos/quimioterapia-antineoplasica. Acesso 
em: 18 nov. 2020.
INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Agents classified by the Iarc 
monographs, volumes 1–116. Iarc, 2016.
INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Agents classified by the Iarc monographs, 
volumes 1–128. Iarc, [s.d.]. Disponível em: https://monographs.iarc.fr/agents-classified-by-the-iarc. 
Acesso em: 8 dez. 2020.
506
INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Monographs on the evaluation of 
carcinogenic risks to humans, volume 94: ingested nitrate and nitrite, and cyanobacterial peptide 
toxins. Iarc, 2010.
INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Some chemicals that cause tumours of 
the kidney or urinary bladder in rodents and some other substances. Iarc, 1999.
ITANHAÉM. Ilha Queimada Grande. [s.d.]. Disponível em: http://www2.itanhaem.sp.gov.br/turismo/ 
ilha-queimada-grande/. Acesso em: 25 nov. 2020.
JANG, Y. C.; SOMANNA, Y.; KIM, H. Source, distribution, toxicity and remediation of arsenic in 
the environment: a review. International Journal of Applied Environmental Sciences, v. 11, n. 2, 
p. 559-581, 2016.
JAYARAJ, R; MEGHA, P; SREEDEV, P; Organochlorine pesticides, their toxic effects on living organisms 
and their fate in the environment. Interdisciplinary Toxicology, v. 9, n. 3-4, p. 90-100, 2016.
JHA, V. K.; KANNAPUR, A. S.; HIREMATH, R. Fatal paraquat poisoning: a case report and review of 
literature. Current Medical Issues, v. 18, n. 2, p. 142, 2020.
JOINT FAO/WHO EXPERT COMMITTEE ON FOOD ADDITIVES. Evaluation of certain food additives and 
contaminants: eightieth report of the Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives. World 
Health Organization, 2016.
JUNGES, A. L. et al. Efeito estufa e aquecimento global: uma abordagem conceitual a partir da física 
para educação básica. Experiências em Ensino de Ciências, Cuiabá, v. 13, n. 5, p. 126-151, 2018.
KACHAPULULA, P. W. et al. Aflatoxin contamination of dried insects and fish in Zambia. Journal of 
Food Protection, v. 81, n. 9, p. 1508-1518, 2018.
KARTHIKEYAN, A.; AMALNATH, S. D. Abrus precatorius poisoning: a retrospective study of 112 patients. 
Indian Journal of Critical Medicine, v. 21, n. 4, p. 224-225, 2017.
KASHIWABARA, T. B. et al. Medicina ambulatorial VI com ênfase em medicina do trabalho. 6. ed. 
Montes Claros: Dejan, 2019.
KATO, M.; GARCIA, E. G.; WÜNSCH FILHO, V. Exposição a agentes químicos e a saúde do trabalhador. 
Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 32, n. 116, p. 6-10, 2007.
KIRKENSGAARD, K. G. Lyngbyatoxins-the swimmer’s itch disease causing agents. Skin, v. 2020, p. 4, 2017.
KLAASSEN, C. D. et al. Casarett and Doull’s toxicology: the basic science of poisons. 6. ed. Nova York: 
McGraw-Hill, 2001.
507
KLAASSEN, C. D.; WATKINS, J. B. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull (Lange). Porto 
Alegre: AMGH, 2009.
KLAASSEN, C. D.; WATKINS, J. B. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull. 2. ed. Porto 
Alegre: AMGH, 2012.
KLUG, C.; LIPINSKI, V. R. G.; NABORS, O. B. Acesulfame potassium. Alternative sweeteners, v. 48, 2011.
KOGAWA, A. C. et al. Synthetic detergentes: 100 years of history. Saudi Pharmaceutical Journal, v. 25, 
n. 6, p. 934-938, 2017.
KOLEV, S. T.; BATES, N. Monograph for UKPID: Mercury. Inchem, 1996.
KOLUMAN, A. et al. Clostridium botulinum in honey: prevalence and antibiotic susceptibility of 
isolated strains. Turkish Journal of Veterinary and Animal Sciences, v. 37, n. 6, p. 706-711, 2013.
KRSKA, R.; WELZIG, E.; BOUDRA, H. Analysis of fusarium toxins in feed. Animal Feed Science and 
Technology, v. 137, n. 3-4, p. 241-264, 2007.
KRYSTON, T. B. et al. Role of oxidative stress and DNA damage in human carcinogenesis. Mutation 
Research, v. 711, n. 1-2, p. 193-201, 2011.
KUIVENHOVEN, M.; MASON, K. Arsenic (arsine) toxicity. Treasure Island: StatPearls, 2019. Disponível 
em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK541125/?report=printable. Acesso em: 15 dez. 2020.
KULKARNI, S. S.; NEWMAN, A. H.; HOULIHAN, W. J. Three-dimensional quantitative structure-activity 
relationships of mazindol analogues at the dopamine transporter. Journal of Medicinal Chemistry, 
v. 45, n. 19, p. 4119-4127, 2002.
KUMAR, G. N.; ATREYA, A.; KANCHAN. T. Thevetia peruviana. Wilderness Environmental Medicine, v. 26, 
n. 4, p. 590-591, 2015.
KUMARIHAMY, P. et al. A case of delayed neurological manifestation following carbon monoxide 
poisoning in Sri Lanka: epidemiology of exposure and literature review. BMC Pharmacology and 
Toxicology, v. 20, n. 1, p. 1-8, 2019.
KURODA, E. K. et al. Avaliação da toxicidade aguda de uma cepa de Microcystis spp. por meio de testes 
com camundongos. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 12, n. 1, p. 24-31, 2007.
LEAN, M. E.; HANKEY, C. R. Aspartame and its effects on health. British Medical Journal, v. 329, p. 755, 2004.
LEE, C. K.; HANSEN, S. L. Management of acute wounds. Surgical Clinics in North America, v. 89, n. 3, 
p. 659-676, 2009.
508
LEITE, A. S. et al. Evaluation of toxic, cytotoxic, mutagenic, and antimutagenic activities of natural 
and technical cashew nut shell liquids using the Allium cepa and Artemia salina bioassays. Biomedical 
Research International, v. 2015, p. 626835, 2015.
LETO, M. G. P. et al. Infecção pelo papilomavírus humano: etiopatogenia, biologia molecular e 
manifestações clínicas. Anais BrasIleiros de Dermatologia, v. 86, n. 2, p. 306-317, 2011.
LIN, J. et al. Purification and characterization of curcin, a toxic lectin from the seed of Jatropha curcas. 
Preparative Biochemistry & Biotechnology, v. 40, n. 2, p. 107-118, 2010.
LOPES, C. V. A.; ALBUQUERQUE, G. S. C. Agrotóxicos e seus impactos na saúde humana e ambiental: 
uma revisão sistemática. Saúde em Debate, v. 42, p. 518-534, 2018.
LUAN, F. C. et al. Cola de fibrina derivada de veneno de cobra e processo para sua preparação. Inpi, 
1993. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/108965. Acesso em: 14 dez. 2020.
LUCENA, R. B. et al. Intoxicação por alcaloides pirrolizidínicos em ruminantes e equinos no Brasil. 
Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 5, p. 447-452, 2010.
MACHADO, J. M. H. Apresentação. In: CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR E DA 
TRABALHADORA, 4., 2016, Brasília. Anais… Brasília, 2016.
MADDOX, B. The double helix and the “wronged heroine”. Nature, v. 421, p. 407-408, 2003.
MANGAS, I. et al. Neurotoxic effects associated with current uses of organophosphorus compounds. 
Journal of the Brazilian Chemical Society, v. 27, n. 5, p. 809-825, 2016.
MANRÍQUEZ, V. et al. First evidence of neosaxitoxin as a long-acting pain blocker in bladder pain 
syndrome. International Urogynecology Journal, v. 26, n. 6, p. 853-858, 2015.
MANTOVANI, D.; MOSER, A. M.; FAVERO, D. M. Cianobactérias em reservatórios brasileiros e seus 
prejuízos à saúde pública. Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, v. 4, n. 1, 2011.
MAROYI, A. Garden plants in Zimbabwe: their ethnomedicinal uses and reported toxicity. 
Ethnobotanical Research and Applications, v. 10, p. 45–57, 2012.
MARTIN, J. H.; SALEEM, M.; LOOKE, D. Therapeutic drug monitoring to adjust dosing in morbid obesity: 
a new use for an old methodology. British Journal of Clinical Pharmacology, v. 73, p. 685-690, 2012.
MARTINS, T. Herbicida Paraquat: conceitos, modo de ação e doenças relacionadas. Semina: Ciências 
Biológicas e da Saúde, v. 34, n. 2, p. 175-186, 2013.
509
MASHIMA, Y.; MURAKAMI, A.; WELEBER, R. G. Nonsense-codon mutations of the ornithine 
aminotransferase gene with decreased levels of mutant mRNA in gyrate atrophy. American Journal of 
Humane Genetics, v. 51, n. 1, p. 81-91, 1992.
MASSMANIAN, A. Contact dermatitis due to Euphorbia pulcherrima Willd, simulating a phototoxic 
reaction. Contact Dermatitis, v. 38, n. 2, p. 13-14, 1998.
MATOS, F. J. A. et al. Plantas tóxicas:estudos de fitotoxicologia química de plantas brasileiras. Nova 
Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2011.
MELGAÇO, S. S. C. et al. Nefrotoxicidade dos anti-inflamatórios não esteroidais. Medicina (Ribeirão 
Preto), v. 43, n. 4, p. 382-390, 2010.
MENGUE, S. S.; MENTZ, L. A.; SCHENKEL, E. P. Uso de plantas medicinais na gravidez. Revista Brasileira 
de Farmacognosia, v. 11, p. 21-35, 2001.
MICHELIN, A. F. et al. Renal toxicity of the selective cyclooxygenase-2 inhibitors: celecoxib and 
rofecoxib. Revista de Ciências Médicas (Campinas), v. 15, p. 321-332, 2006.
MÍDIO, A. F.; MARTINS, D. I. Toxicologia de alimentos. São Paulo: Livraria Varela, 2000.
MINAYO, M. C. S.; FIGUEIREDO, A. E. B.; MANGAS, R. M. N. O comportamento suicida de idosos 
institucionalizados: histórias de vida. Physis Revista de Saúde Coletiva, v. 27, n. 4, p. 981-1002, 2017.
MOLLER, V. M. Avaliação da toxicidade sistêmica e reprodutiva dos antiparasitários à base de 
ivermectina e de lufenurona em ratas Wistar. 2004. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias), 
Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.
MORAIS, S. M. et al. Anacardic acid constituents from cashew nut shell liquid: nmr characterization and 
the effect of unsaturation on its biological activities. Pharmaceuticals (Basel), v. 10, n. 1, p. E31, 2017.
MORAN, G. J.; TALAN, D. A.; ABRAHAMIAN, F. M. Antimicrobial prophylaxis for wounds and 
procedures in the emergency department. Infectious Disease Clinics in North America, v. 22, n. 1, 
p. 117-143, 2008.
MOREAU, J. F.; ENGLISH, J. C.; GEHRIS, R. P. Phytophotodermatitis. Journal of Pediatrics and Adolescent 
Gynecology, v. 27, n. 2, p. 93-94, 2014.
MOREAU, R. L. M.; SIQUEIRA, M. E. P. B. Toxicologia analítica. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2008.
MUTAGENESIS. Nature, [s.d.]. Disponível em: https://www.nature.com/subjects/mutagenesis. Acesso 
em: 20 nov. 2020.
510
NAÇÕES UNIDAS. OMS: Cannabis é droga ilícita mais consumida no mundo, com 180 milhões de 
usuários. Nações Unidas, 5 maio 2016. Disponível em: https://mppr.mp.br/arquivos/File/Projeto_
Semear/Noticias_da_Imprensa/05_05_2016_UNIAD_OMS_Cannabis_e_a_droga_ilicita_mais_
consumida_no_mundo_com_180_milhoes_de_usuarios.pdf. Acesso em: 29 ago. 2020.
NARANG, U.; NARANG, P.; GUPTA, O. Organophosphorus poisoning: a social calamity. Journal of 
Mahatma Gandhi Institute of Medical Sciences, v. 20, n. 1, p. 46, 2015.
NATIONAL TOXICOLOGY PROGRAM (NTP). Aflatoxins Triangle Park: U.S. Department of Health and 
Human Services, 2016. Disponível em: https://ntp.niehs.nih.gov/ntp/roc/content/profiles/aflatoxins.pdf. 
Acesso em: 11 dez. 2020.
NEODINI, D. N. R.; GASPI, F. O. G. Análise dos efeitos tóxicos da avelóz (Euphorbia tirucalli L.). Revista 
Científica da FHO – UNIARARAS, v. 3, n. 2, p. 1-7, 2015.
NETO, P. D. L. S. et al. Envenenamento fatal por baiacu (Tetrodontidae): relato de um caso em criança. 
Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 43, n. 1, 2010.
NGUYEN, H. N.; SMITH, M. E.; SWOBODA, H. D. Shellfish toxicity. Treasure Island: StatPearls 
Publishing, 2019.
NIETO, C. H. D. et al. Sterigmatocystin: a mycotoxin to be seriously considered. Food and Chemical 
Toxicology, v. 118, p. 460-470, 2018.
NILL, A. G. The history of aspartame. Harvard: Harvard Library, 2000. Disponível em: https://dash.
harvard.edu/handle/1/8846759. Acesso em: 25 fev. 2020.
NOMOGRAMA de Rumack-Matthew para ingestões únicas de paracetamol. MSD Manuals, [s.d.]. 
Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/multimedia/figure/phy_nomogram_
acetaminophen_pt. Acesso em: 19 jun. 2020.
OBEREMOK, V. V. et al. A short history of insecticides. Journal of Plant Protection Research, v. 55, n. 3, 
p. 221-226, 2015.
OELRICHS, P. B.; HILL, M. W.; VALLEY, P. J. Toxic tetranortriterpenes of the fruit of Melia azedarach. 
Phytochemistry, v. ss, n. 2, p. 531-534, 1983.
OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BATISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de toxicologia. 2. ed. São 
Paulo: Atheneu, 2003.
OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BATISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de toxicologia. 4. ed. São 
Paulo: Atheneu, 2014.
511
OLIVEIRA, M. F. D. et al. Análise do teor de cocaína em amostras apreendidas pela polícia utilizando-se 
a técnica de cromatografia líquida de alta eficiência com detector UV-Vis. Eclética Química, v. 34, 
n. 3, p. 77-83, 2009.
OLIVEIRA-FILHO, J. C. et al. Intoxicação por organofosforado em bovinos no Rio Grande do Sul. 
Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 10, p. 803-806, 2010.
OLSON, K. R. Manual de toxicologia clínica. Porto Alegre: AMGH, 2014.
OSTRY, V. et al. Mycotoxins as human carcinogens: the Iarc monographs classification. Mycotoxin 
Research, v. 33, n. 1, p. 65-73, 2017.
PADMAJA, G. Cyanide detoxification in cassava for food and feed uses. Critical Reviews in Food 
Science and Nutrition, v. 35, n. 4, p. 299-339, 1995.
PARANÁ. Secretaria da Saúde do Estado do Paraná. Zoonoses e intoxicação. Disponível em: http://
www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1447. Acesso em: 19 jun. 2020.
PARASURAMAN, S. Toxicological screening. Journal of Pharmacology & Pharmacotherapeutics, v. 2, 
n. 2, p. 74, 2011.
PARDAL, P. P.; PARDAL, J. S.; GADELHA, M. A. Envenomation by Micrurus coral snakes in the Brazilian 
Amazon region: report of two cases. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, v. 52, n. 6, 
p. 333-337, 2010.
PATNAIK, G. K.; KÖHLER, E. Pharmacological investigation on asclepin: a new cardenolide from 
Asclepias curassavica. Part II. Comparative studies on the inotropic and toxic effects of asclepin, 
g-strophantin, digoxin and digitoxin. Arzneimittelforschung, v. 28, n. 8, p. 1368-1372, 1978.
PATOCKA, J.; GUPTA, R. C.; KUCA, K. Anatoxin-A (S): natural organophosphorus anticholinesterase 
agent. Military Medical Sciences Letters, v. 80, p. 129-139, 2011.
PAULINO, P. H. S. Estudo teórico da fluoxetina. 2018. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em 
Química), Universidade Federal de São João Del Rei, São João Del Rei, 2018.
PERAICA, M. et al. Toxic effects of mycotoxins in humans. Bulletin of the World Health Organization, 
v. 77, n. 9, p. 754, 1999.
PEREIRA, A. S.; RADLER, F. A. N. Estado da arte da cromatografia gasosa de alta resolução e alta 
temperatura. Química Nova, v. 23, 2000.
PETRICEVICH, V. L.; ABARCA-VARGAS, R. Allamanda cathartica: a review of the phytochemistry, 
pharmacology, toxicology, and biotechnology. Molecules, v. 24, n. 7, p. E1238, 2019.
512
PINHO, F. M. O.; PEREIRA, I. D. Ofidismo. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 47, n. 1, 
p. 24-29, mar. 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
42302001000100026&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 14 dez. 2020.
PINTO-ZEVALLOS, D. M.; PAREJA, M.; AMBROGI, B. G. Current knowledge and future research 
perspectives on cassava (Manihot esculenta Crantz) chemical defenses: an agroecological view. 
Phytochemistry, v. 130, p. 10-21, 2016.
PORTER, A. Poisoning by Jatropha multifida. Indian Medical Gazzette, v. 20, n. 5, p. 142, 1885.
POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Sateré Mawé. [s.d.]. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/
Povo:Sater%C3%A9_Maw%C3%A9. Acesso em: 25 nov. 2020.
PUBCHEM. National Center for Biotechnology Information. PubChem Database. Nitrous oxide, 
CID=948. [s.d.]. Disponível em: https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/948. Acesso 
em: 14 dez. 2020.
QUESADA, A.; SANCHIS, D.; CARRASCO, D. Cyanobacteria in Spanish reservoirs. How frequently are 
they toxic? Limnetica, v. 23, n. 1-2, p. 109-118, 2004.
RADFORD, D. J. et al. Immunological detection of cardiac glycosides in plants. Austrian Veterinary 
Journal, v. 71, p. 236-238, 1994.
RADULOVIC, N. S. et al. Toxic essential oils. Part V: Behaviour modulating and toxic properties of 
thujones and thujone-containing essential oils of Salvia officinalis L., Artemisia absinthium L., Thuja 
occidentalis L. and Tanacetum vulgare L. Food and Chemical Toxicology, v. 105, p.355-369, 2017.
RAHDE, A. F. Lead inorganic. Inchem, 1991. Disponível em: http://www.inchem.org/documents/pims/
chemical/inorglea.htm. Acesso em: 15 dez 2020.
RAHIMZADEH, M. R. et al. A. Cadmium toxicity and treatment: an update. Caspian Journal of Internal 
Medicine, v. 8, n. 3, p. 135, 2017.
RAMAZZINI, B. As doenças dos trabalhadores. 4. ed. São Paulo: Ministério do Trabalho; 
Fundacentro, 2016.
RAO, K. S. Free radical induced oxidative damage to DNA: relation to brain aging and neurological 
disorders. Indian Journal of Biochemistry and Biophysics, v. 46, n. 1, p. 9-15, 2009.
REGUERA, B. et al. Dinophysis toxins: causative organisms, distribution and fate in shellfish. Marine 
Drugs, v. 12, n. 1, p. 394-461, 2014.
RELEMBRE outros acidentes com produtos químicos nas estradas de Minas. Estado de Minas, 3 mar. 
2017. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/03/03/interna_gerais,851443/
513
relembre-outros-acidentes-com-produtos-quimicos-nas-estradas-de-minas.shtml. Acesso 
em: 6 ago. 2020.
RIVA, M. A. et al. Lead poisoning: historical aspects of a paradigmatic “occupational and environmental 
disease”. Safety and Health at Work, v. 3, n. 1, p. 11-16, 2012.
RODRIGUES, S. A. Clorpromazina, C17H19N2SCl. PUBLISBQ – Química Nova Interativa, [s.d.]. Disponível 
em: http://qnint.sbq.org.br/novo/index.php?hash=molecula.264. Acesso em: 28 nov. 2020.
RODRÍGUEZ, V. et al. Aspectos toxicológicos e químicos da anatoxina-a e seus análogos. Química 
Nova, v. 29, n. 6, p. 1365-1371, 2006.
RØEN, B.T. et al. Serial ricinine levels in serum and urine after ricin intoxication. Journal of Analytical 
Toxicology, v. 37, n. 5, p. 313-317, 2013.
ROSEN, T.; FORDICE, D. B. Cashew nut dermatitis. South Medical Journal, v. 87, n. 4, p. 543-546, 1994.
ROSMANINHO, J. F.; OLIVEIRA, C. A. F.; BITTENCOURT, A. B. F. Efeitos das micotoxicoses crônicas na 
produção avícola. Arquivos do Instituto de Biologia, v. 68, n. 2, p. 107-114, 2001.
SÁ, M. R. Do veneno ao antídoto: Barbosa Rodrigues e os estudos e controvérsias científicas sobre o 
curare. Revista Brasileira de História da Ciência, Rio de Janeiro, v. 5, supl., p. 12-21, 2012.
SAITO, V. M.; WOTJAK, C. T.; MOREIRA, F. A. Exploração farmacológica do sistema endocanabinoide: 
novas perspectivas para o tratamento de transtornos de ansiedade e depressão? Revista Brasileira 
de Psiquiatria, v. 32, supl. 1, p. S7-S14, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbp/v32s1/
a04v32s1.pdf. Acesso em: 2 dez. 2020.
SÁNCHEZ, M. et al. Pharmacological update properties of aloe vera and its major active constituents. 
Molecules, v. 25, n. 6, p. 1324, 2020.
SANSEVERINO, I. et al. Cyanotoxins: methods and approaches for their analysis and detection. Joint 
Research Centre, 2017.
SANSEVERINO, I. et al. Algal bloom and its economic impact. Joint Research Centre, 2016.
SANTANA, N. N. et al. Factors associated to quality of life in children and adolescents with cystic 
fibrosis. Revista Paulista de Pediatria, v. 38, p. e2018397, 2020.
SANTOS, A. M. A. et al. Introdução à higiene ocupacional. São Paulo: Fundacentro, 2004.
SANTOS, J. A. T. et al. Gravidade de intoxicações por saneantes clandestinos. Texto & Contexto, v. 20, 
esp., p. 247-254, 2011.
514
SANTOS, M. V. C. D. et al. Aspectos toxicológicos do benzeno, biomarcadores de exposição e conflitos 
de interesses. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 42, supl. 1, e13s, 2017.
SANTOS, O. L.; FILGUEIRA, A. L. “Aroeira”-induced photosensitization. International Journal of 
Dermatology, v. 33, n. 3, p. 222, 1994.
SÃO PAULO (ESTADO). Saúde dá dicas para evitar acidentes com substâncias tóxicas. São Paulo, 2012. 
Disponível em: http://www.saopaulo.sp.gov.br/ultimas-noticias/saude-da-dicas-para-evitar-aciden 
tes-com-substancias-toxicas/. Acesso em: 27 nov. 2020.
SASAKI, Y. F. et al. The comet assay with multiple mouse organs: comparison of comet assay 
results and carcinogenicity with 208 chemicals selected from the Iarc monographs and U.S. NTP 
Carcinogenicity Database. Critical Reviwes in Toxicology, v. 30, n. 6, p. 629-799, 2000.
SAUNDERS et al. Revisão da literatura sobre recomendações de utilização de edulcorantes em 
gestantes portadoras de diabetes mellitus. Femina, v. 38, n. 4, abr. 2010. Disponível em: http://files.bvs.
br/upload/S/0100-7254/2010/v38n4/a002.pdf. Acesso em: 14 dez. 2020.
SCARLATO, E. Cuerno de unicornio, bezoar y triacas: modernos antídotos de la antigüedad. Boletin de 
la Asociacion Toxicologica Argentina, v. 72, p. 19-20, 2006.
SCHIFER, T. S.; BOGUSZ JUNIOR, S.; MONTANO, M. A. E. Aspectos toxicológicos do chumbo. Infarma, 
v. 17, n. 5-6, p. 67-71, 2005.
SCHIRMER, W. N.; LISBOA, H. M. Química da atmosfera: constituintes naturais, poluentes e suas 
reações. Tecno-Lógica, v. 12, n. 2, p. 37-46, 2008.
SCHULTEZ, R. E.; HOFMANN, A.; RATSCH, C. Planta de los Dioses. Washington: Fondo de Cultura 
Económica, 2006.
SCHUMACHER, G. E. (Ed.). Therapeutic drug monitoring. East Norwalk: Appleton & Lange, 1995.
SCHVARTSMAN, C. Intoxicação por chumbo: problema pediátrico importante. Jornal de Pediatria, v. 72, 
p. 277-278, 1996.
SCHVARTSMAN, C.; SCHVARTSMAN, S. Intoxicações exógenas agudas. Jornal de Pediatria, v. 75, supl. 2, 1999.
SERODIO, J. J. Principais plantas tóxicas que cursam em sinais neurológicos primárias e secundarias 
em ruminantes. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2011. Disponível em: https://portais.ufg.br/
up/67/o/semi2011_Juliana_Job_2c.pdf. Acesso em: 24 nov. 2020.
SHIER, W. T. et al. Structure-activity relationships for human estrogenic activity in zearalenone 
mycotoxins. Toxicon, v. 39, n. 9, p. 1435-1438, 2001.
515
SILBERMAN, J.; TAYLOR, A. Carbamate toxicity. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2020.
SILVA, A. A.; GONÇALVES, R. C. Espécies reativas do oxigênio e as doenças respiratórias em grandes 
animais. Ciência Rural, v. 40, n. 4, p. 994-1002, abr. 2010.
SILVA, C. H. Uso de indicadores de dose interna e de efeito com ferramentas para avaliação da 
exposição do chumbo. 2001. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública), Escola Nacional de Saúde 
Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2001.
SINITOX. Dados de intoxicação. Brasília, [s.d.]a. Disponível em: https://sinitox.icict.fiocruz.br/dados-nacionais. 
Acesso em: 23 nov. 2020.
SINITOX. Galeria de fotos: animais peçonhentos. Brasília, [s.d.]b. Disponível em: https://sinitox.icict.
fiocruz.br/animais-peconhentos. Acesso em: 23 nov. 2020.
SINITOX. Galeria de fotos: plantas tóxicas. Brasília, [s.d.]c. Disponível em: https://sinitox.icict.fiocruz.br/
plantas-toxicas. Acesso em: 23 nov. 2020.
SIVONEN, K.; JONES, G. Toxic cyanobacteria in water: a guide to their public health consequences, 
monitoring and management. Cyanobacterial toxins, v. 1, p. 43-112, 1999.
SLAUGHTER, R. J. et al. The clinical toxicology of sodium hypochlorite. Clinical Toxicology, v. 57, n. 5, 
p. 303-311, 2019.
SOUSA, L. R. P. A química forense na detecção de drogas de abuso. 2012. Dissertação (Mestrado), 
Universidade Católica de Goiás/IFAR, 2012.
SOUZA, A. A. F. et al. Cannabis sativa: uso de fitocanabinoides para o tratamento de dor crônica. 
Brazilian Journal of Natural Sciences, 2 ed., v. 1, p. 1-12, 2019. Disponível em: https://bjns.com.br/
index.php/BJNS/article/view/30/26. Acesso em: 2 dez. 2020.
STAL, L. J.; CRETOIU, M. S. The marine microbiome: an untapped source of biodiversity and 
biotechnological potential. Amsterdã: Springer, 2016.
STRAIF, K. et al. Air pollution and câncer. Iarc Scientific Publication, n. 161, 2017. Disponível 
em: https://www.iarc.fr/wp-content/uploads/2018/07/AirPollutionandCancer161.pdf. Acesso 
em: 14 dez. 2020.
SUDAKIN, D. L. Trichothecenes in the environment: relevance to human health. Toxicology letters, 
v. 143, n. 2, p. 97-107, 2003.
SZIKRISZT, B.; PÓTI, Á.; PIPEK, O. A comprehensive survey of the mutagenic impact of common cancer 
cytotoxics. Genome Biology, v. 17, p. 99, 2016.
516
TAKAHASHI, E. N. et al. Estudos experimentais com plantas

Mais conteúdos dessa disciplina