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1 
 
 
CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO 
 
 
 
VANESSA GONÇALVES COUTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VARIAÇÃO E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SALVADOR – BA 
2023 
 
 
 
 
2 
 
VANESSA GONÇALVES COUTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VARIAÇÃO E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 
 
 
 
Trabalho da Disciplina, apresentado ao curso 
de Letras Português e Inglês, como requisito 
para a obtenção de nota da AVA 2. 
 
 
 
 
 
 
 
SALVADOR – BA 
2023 
 
 
 
3 
 
 
 
Sumário 
 
Introdução e Situações Propostas .............................................................................................. 4 
Desenvolvimento ..................................................................................................................... 5-8 
Conclusão ................................................................................................................................... 8 
Referências ................................................................................................................................. 9 
 
 
 
 
4 
 
Introdução 
 
Este trabalho de disciplina tem como objetivo analisar as situações propostas a seguir 
considerando os conteúdos de estudo das unidades 1,2,3 e 4. 
 
Situação Problema 
 
Observe as situações apresentadas a seguir. 
 
Situação 1. 
 
Uma professora do Ensino Médio usa a tirinha a seguir para trabalhar com seus alunos 
a questão da variação linguística. Ela aponta que na fala de Chico Bento há uma série de 
estruturas que não pertencem ao padrão da Língua Portuguesa: ‘fessora’, ‘castigá’, ‘pur’, 
‘arguma’, ‘qui’, ‘num’, ‘inda’, ‘pruque’, ‘di’, ‘hoji’. 
 
Situação 2. 
Um aluno diz ao professor durante a aula: “_ Oi, professor! Vou pegar na biblioteca o 
livro que eu falei!” O professor efetua a correção imediatamente: “Vou pegar na biblioteca o 
livro de que eu falei! Essa é a forma correta”. 
A partir das situações acima, dos textos lidos e das discussões que fizemos em nossas 
unidades, reflita: 
1. Na situação 1, a análise feita pela professora está adequada? As estruturas 
destacadas por ela pertencem à variedade padrão ou à variedade não padrão da língua? A visão 
em relação a essas estruturas é a mesma quando consideramos fala e escrita? 
2. Na situação 2, o professor considera a existência do falante culto e as diferenças 
entre fala e escrita? 
3. A forma como as duas situações foram trabalhadas pelos professores em sala de 
aula contempla a questão USO-REFLEXÃO-USO proposta pelos PCNs? 
4. Considerando a importância dada pelos PCNs ao respeito à variação linguística, 
como deveria ter sido feita a abordagem? 
 
 
5 
 
Situação 1 
 
Conforme a norma/variedade padrão da língua portuguesa organizada por Dionísio 
Trácia, a análise efeituada pela professora, na situação 1 do problema, está correta. 
Antes de continuar a reflexão da situação, proponho entendermos mais sobre a norma padrão 
da língua. 
“Segundo Faraco (2002, p.40), a norma-padrão seria aquela carregada de preconceitos 
em relação às demais variedades e que tem como objetivo – como o próprio nome diz – a 
padronização da língua, considerando tudo o que é diferente a ela como errado.” (GUERRA, 
p.5, online). Nesse sentido, a norma padrão é reconhecida por ser a maneira “mais correta” 
desse dialeto e também a mais valorizada pela sociedade, por ser utilizada por pessoas de classes 
sociais de média para alta. 
Na norma padrão ou gramática normativa, as palavras como ‘fessora’, ‘castigá’ têm uma 
maneira certa de se escrever e de falar. Ela visa impor que os mecanismos linguísticos e regras 
por ela trazidos são totalmente corretos. Porém, quando vemos essa situação do ponto de vista 
da variação linguística, a maneira como o personagem se comunica demonstra que foi uma 
forma que ele encontrou influenciada por sua época em que vive, conforme estudado pelo 
linguista William Labov (1969, 1972, 1983). Sob a perspectiva a estilística... 
 
“Sob a perspectiva estilística, por sua vez, o pesquisador estuda o uso que um 
mesmo falante faz da sua língua. Considera que o falante realiza suas escolhas 
influenciado pela época em que vive, pelo ambiente, pelo tema, por seu estado 
emocional e pelo grau de intimidade entre interlocutores.” (PICCARDI, 
dicionário de termos literários, 2009) 
 
E o que seriam variações linguísticas? 
Segundo Fiorin “as línguas variam”, (2010, p.121) o português utilizado na região sul difere do 
português falado na região do nordeste. Essa variação é chamada de variação geográfica, assim 
também como todas as outras variações que existem – diastrática, diatópica, diafásica – a norma 
padrão também se molda com o tempo, de acordo Becker e Méa, 2008. “Assim, percebe-se 
que a língua, além de variar geograficamente, também muda com o tempo. Hoje, a língua que 
falamos, no Brasil, é diferente da falada no início da colonização e também diferente da que 
será falada dentro de alguns anos.” Foquemos então nas variedades padrão e não padrão/norma 
coloquial da língua. “Alguma” e “arguma” – são exemplos dessas variações, onde “alguma” 
faz parte da variação padrão e “arguma” da variação não padrão. 
 
 
6 
 
É fato que as estruturas destacadas pela professora da situação não fazem parte da norma 
padrão. Pois se entende que, na gramática normativa tem suas normas e regras para serem 
seguidas. 
Mas o que seria a variedade não padrão? É o que conhecemos por linguagem coloquial, 
uma forma de se comunicar informalmente, uma variedade que somente pela maneira de falar 
diferente, ou “comer” algumas letrinhas, é desvalorizada pela sociedade. “Nesse sentido, Bagno 
(1999) escreve que, no momento em que uma variedade de língua é escolhida para ser a 
variedade padrão, ela ganha tanta importância e tanto prestígio social que todas as demais 
variedades são consideradas “impróprias”, “inadequadas”, “feias”, “erradas”, “deficientes”, 
“pobres”.” (Becker, Méa, 2008) 
 É uma linguagem a qual o personagem da tirinha – Chico Bento, utilizou em sala de 
aula. 
Considerando a fala e escrita, a visão não é a mesma em relação a essas estruturas de 
variação. Visto que a variação padrão se preocupa com a ortografia, a conjugação das palavras 
entre outras normas e determina uma forma “correta de falar”, apontando a fala de Chico Bento. 
Já a variação não padrão está mais ligada a forma mais confortável de falar, sem se preocupar 
com nomenclaturas, preposições e concordâncias verbais. Por exemplo, “eu vou no banheiro”. 
 
Situação 2 
O professor não considera a existência do falante culto, fazendo-se necessário 
entendermos do que se trata o falante culto. 
O falante culto, um dos estudos científicos do Projeto NURC (Norma Urbana Culta) é 
alguém que não foi necessariamente escolarizado, porém, tem uma bagagem consideravelmente 
boa de leitura e conhecimento, ele opta por outra estrutura (norma culta da língua) por exemplo, 
não utilizar uma preposição sem que se perceba uma marcação evidente em sua fala. 
Então o professor, desconsiderou e fez a correção da fala com base na norma padrão da 
língua. 
Antes de explicar sobre a forma que os professores trabalhavam em sala de aula, 
precisamos então ressaltar quais são as sugestões trazidas pelos Parâmetros Curriculares 
Nacionais (PCNs) no que diz respeito aos textos: 
 
“Sugere-se, então, a refacção 
dos textos dos alunos como exercício de análise linguística e prática textual. 
Assim, pode-se fazer uma reflexão sobre língua e linguagem e, 
comparando textos orais e escritos, dos mais diversos gêneros, o aluno vai 
 
 
7 
 
percebendo as variações linguísticas.” (O ENSINO DE LÍNGUA 
PORTUGUESA E OS PCN’S, por Leonor Werneck dos Santos) 
 
Como mostra na citação acima, foi utilizada, na primeira situação, o uso de textos para 
os alunos obterem o conhecimento das variações linguísticas. 
 
Então respondendo à pergunta 3: 
Na situação 1 foi contemplada,porém, é necessário que a professora saliente para os 
alunos que o tipo de linguagem que Chico Bento usou está sendo utilizada em um ambiente 
inadequado, abordando como assunto a variação diatópica – a qual adaptamos as pessoas. 
É imprescindível destacar que o aluno precisa compreender o motivo de que há espaços 
que não podemos utilizar da linguagem coloquial e reconhecer quais ambientes deve utilizá-la 
dessas variações. 
Na situação 2, entretanto, não foi contemplada, o professor deve considerar a norma 
culta da língua que é a norma que os brasileiros em geral utilizam. Muitos fazem até confusão 
com o significado de norma culta e norma padrão, acreditando que elas são sinônimas, mas, na 
verdade, são diferentes. “Segundo Faraco (2002, p.39), a norma culta diz respeito à variedade 
utilizada pelas pessoas que têm mais proximidade com a modalidade escrita e, portanto, 
possuem uma fala mais próxima das regras de tal modalidade.” (Guerra, p.4, online) 
Nesse sentido, faz-se necessário uma discussão sobre tais conceitos. 
A norma padrão da língua (conceito já mencionado mais acima) estabelece regras para uso de 
escrita e fala. A diferença entre elas é que a norma padrão não abre espaço para variações de 
formações de oralidades e frases distintas. Já a norma culta tem como característica a mudança 
linguística sem que o falante perceba essa mudança. Além disso, expressões como, “a gente 
vai” não demonstra uma marca de oralidade tão manifesta. Ela também não exclui a gramática, 
mas como citado acima, possui uma fala mais próxima das regras da modalidade escrita. 
 
Uma abordagem válida para as duas situações em questão, é explicar ao aluno para que 
ele compreenda que, não há certo ou errado em questões de oralidade, que os alunos entendam 
que as diversas variações linguísticas estão presente no nosso dia a dia, apresentando a 
importância de saber utilizar dessas variações em ambientes adequados, respeitando o contexto 
social em que o próximo se encontra, seja a bagagem sociocultural, sexo, idade, escolaridade, 
intelecto, visando combater o preconceito linguístico trazido por Bagno (2007, online) em sua 
obra: preconceito linguístico: o que é, como se faz. 
 
 
8 
 
Outro ponto importante que agregaria bastante ao ensino da língua portuguesa é a 
aplicação das sugestões feitas pelos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), há, portanto, 
algumas barreiras para que isso seja efetivado: 
 
“Quando os professores são profissionais formados há mais tempo, ou provenientes 
de faculdades de qualidade questionável, percebe-
se que mesmo os conhecimentos teóricos estão 
defasados. Muitos professores sequer tiveram aula de lingüística na faculdade e outros nunca o
uviram falar em conceitos como coesão, coerência, 
textualidade, inferência, operadores argumentativos 
– somente para citar alguns termos presentes nos PCN. Não se 
pode, portanto, esperar que esse profissional consiga aplicar tudo que está nos Parâmetros, emb
ora alguns façam verdadeiros milagres, a despeito de sua formação precária.” (o ensino de 
língua portuguesa e os pcn’s, Leonor Werneck dos Santos) 
 
Infelizmente, muitos profissionais da área da educação não estão devidamente 
atualizados com estas sugestões tão apropriadas que os PCNs trazem, como o próprio texto 
menciona, alguns nunca ouviram falar dos conceitos que acrescentam no ensino. 
Como profissional, o foco deve ser nos mantermos atualizados com os conceitos e 
mudanças de ensino da língua, que está sempre avançando, para que, com estes conhecimentos, 
os alunos possam usufruir da melhor forma a língua portuguesa em suas variações. 
 
CONCLUSÃO 
Conclui-se, portanto, que, as variações linguísticas são de fato importantes, ela faz parte do 
nosso dia a dia, então é fundamental para o aluno tomar conhecimento sobre as variações que 
a língua portuguesa tem. Pois com essa ação é diminuída indiferenças em relação à forma de se 
comunicar, de se expressar, para a sociedade poder ter uma comunicação, fluída, sem 
limitações, independente do contexto social, cor, sexo, classes sociais, e com isso o aluno tenha 
autonomia na sociedade, domínio da língua portuguesa, sem resquícios de preconceitos 
linguísticos. Como profissional devemos ter a cautela de estar continuamente atualizado com 
as mudanças de ensino, prezando a educação de qualidade para os alunos. 
 
 
 
 
9 
 
REFERÊNCIAS: 
Bagno, Marcos, Preconceito Linguístico: o que é, como se faz, 49ª, São Paulo: Loyola, 2007. 
disponível em: 
https://professorjailton.com.br/novo/biblioteca/preconceito_linguistico_marcos_bagno.pdf 
Acesso em: 25 mar. 2023 
Fiorin, José Luiz(org.) Introdução à Linguística, Objetos teóricos. Ed. Contexto v.1,2010 
SOCIOLINGUÍSTICA. In: E- DICIONÁRIOS DE TERMOS LITERÁRIOS, disponível em: 
https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/sociolingueistica Acesso em: 24 mar. 2023 
Textos base: 
O ensino de língua portuguesa e os pcn’s, por Leonor Werneck dos Santos, disponível em: 
http://www.filologia.org.br/viisenefil/06.htm. Acesso em: 21 mar. 2023 
Norma culta e norma-padrão, por Pollyanni Nazaré M.G disponível em: 
https://www.faminasbh.edu.br/upload/downloads/201112061824034532.pdf . Acesso em: 24 
mar. 2023 
A língua portuguesa nos parâmetros curriculares nacionais - um caso de inclusão ou exclusão 
da linguagem coloquial? Lizane Pereira Becker e Célia Helena Pelegrini Della Méa, 
disponível em: https://periodicos.ufn.edu.br/index.php/disciplinarumALC/article/view/729 
https://professorjailton.com.br/novo/biblioteca/preconceito_linguistico_marcos_bagno.pdf
https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/sociolingueistica
http://www.filologia.org.br/viisenefil/06.htm
https://www.faminasbh.edu.br/upload/downloads/201112061824034532.pdf%20%5b21
https://periodicos.ufn.edu.br/index.php/disciplinarumALC/article/view/729

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